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Numero do processo: 19515.001775/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO.
Deixar de incluir em suas folhas de pagamento o total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN..
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Deixar de incluir em suas folhas de pagamento o total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 75 /2 00 9- 77 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001775/200977 Acórdão n.º 2803003.427 S2TE03 Fl. 133 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001775/200977 Acórdão n.º 2803003.427 S2TE03 Fl. 134 3 Relatório O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve o lançamento do Auto de Infração (AI DEBCAD nº 37.222.2501), lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, e artigo 225, inciso I, parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, contribuinte deixou de incluir em suas folhas de pagamento o total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência do lançamento foi em 28.05.2014 O recurso voluntário apresentado tempestivamente, recurso voluntário apresentado tempestivamente, alega: decadência em razão do art. 150, §4º, do CTN, duplicidade de lançamento com o LCD n. 37.109.8572, pedido de diligência, não incidência de multa. . É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001775/200977 Acórdão n.º 2803003.427 S2TE03 Fl. 135 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Invertese a apresentação dos fundamentos deste voto, por questão de lógica de argumentação. No que refere à tipificação e lançamento da penalidade, está correto o Auto de Infração, conforme obrigação acessória prevista ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, e artigo 225, inciso I, parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, contribuinte deixou de incluir em suas folhas de pagamento o total das remunerações creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. A penalidade está prevista disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, combinados o artigo 283, inciso I, alínea "a", e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009. A sanção é fixa, indiferentemente da quantidade das faltas. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. O lançamento do crédito em razão da falta, cumpriu os requisitos do art. 142, do CTN, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante os artigos 33 e 37 da Lei nº 8212/91, que dispõem sobre a competência/dever de fiscalizar, não cabendo qualquer discricionariedade à Autoridade Administrativa. A recorrente não trouxe qualquer elemento probatório de que teria realizado conforme descrito na norma de incidência, ou que sofreu causa impeditiva para tanto, como faculta o art. 16, do Dec. 70.235, não havendo questionamento efetivo das presunções de veracidade dos fatos relatados no auto de infração. A suposta alegação de nulidade do lançamento por aferição indireta, em nada questiona o presente crédito, pois a sanção é aplicada em valor fixo, independente de qualquer quantificação de obrigações principais, como supra mencionado, a obrigação descumprida é autônoma do cumprimento das demais obrigações. III Quanto à alegação de aplicação da decadência na forma do art. 150, §4o, do CTN, o auto de infração foi entregue ao contribuinte em 28.05.2009. Por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001775/200977 Acórdão n.º 2803003.427 S2TE03 Fl. 136 5 tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de declarações não prestadas, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.001775/200977 Acórdão n.º 2803003.427 S2TE03 Fl. 137 6 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, consoante a regra retro citada, o último período alcançado pela decadência seria a competência11/2003. Considerando que a recorrente deveria manter atualizado a folha de pagamento mês a mês, nas competência 1 a 12/2004, e que a multa é fixa aplicada indiferentemente da quantidade de competências, as mesmas não se encontram atingidas pela decadência. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido o Recurso Voluntário. IV O pedido de diligência pericial para ser devidamente deferido, além da necessidade do juízo de convencia e necessidade do julgador, deve ser acompanhado dos motivos e dos quesitos, conforme o art. 16, IV, c/c §1º, do Dec. 70.235. No caso presente não houve o preenchimento desses requisitos. V Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da legalidade, vedação ao confisco e razoabilidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF MF, com interpretação consolidada pela Súmula 1, do CARF/MF. VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10140.722386/2013-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe à Segunda Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF).
Numero da decisão: 3803-006.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por declínio de competência para julgamento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por declínio de competência para julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Segunda Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por declínio de competência para julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 23 86 /2 01 3- 96 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10140.722386/201396 Acórdão n.º 3803006.834 S3TE03 Fl. 81 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a Impugnação manejada pelo contribuinte para contestar a Notificação de Lançamento relativa ao imposto sobre a renda de pessoa física. Em sua defesa, o então Impugnante alegara que as omissões apuradas pela Fiscalização se referiam, em verdade, a rendimentos isentos, a rendimentos tributados exclusivamente na fonte, a rendimentos devidamente declarados e a despesas médicas indevidamente desconsideradas. O acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Procede a omissão de rendimentos lançada pela autoridade fiscal uma vez que consta dos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil Dirf, em favor da contribuinte, devidamente encaminhada pela fonte pagadora, discriminando rendimentos auferidos pela interessada que corrobora a infração supracitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Ademais, há que se observar o que determina o Código Civil atual, em seu artigo 1767, uma vez que o portador de alienação mental se torna incapaz para os atos da vida civil. DECLARAÇÃO DE AJUSTE RETIFICADORA. A declaração de ajuste retificadora entregue espontaneamente tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente, conforme preconiza o inciso I do artigo 54 da IN SRF nº 15/2001. TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido de 1º de janeiro a 20 de dezembro de 2010, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10140.722386/201396 Acórdão n.º 3803006.834 S3TE03 Fl. 82 3 poderão ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da Declaração de Ajuste Anual DAA, mediante opção do contribuinte pela forma de tributação. Na ausência de opção, aplicase a regra geral, da tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento da notificação de lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) exarada em decorrência da apuração de omissões de rendimentos. Por força do contido no art. 3º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, concluise pela incompetência desta 3ª Seção para julgar o recurso sob comento, por versar sobre a aplicação da legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), cujo processamento e julgamento compete à 2ª Seção deste CARF. Dessa forma, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, declinando me da competência para seu julgamento, determinando seu encaminhamento à 2ª Seção deste Conselho para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10140.722386/201396 Acórdão n.º 3803006.834 S3TE03 Fl. 83 4 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13131.720083/2012-55
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DA INFRAÇÃO APURADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Face à ausência de contestação da infração apurada no lançamento em sede de julgamento de primeiro grau, a matéria não impugnada quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello que conhecia o recurso e negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DA INFRAÇÃO APURADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Face à ausência de contestação da infração apurada no lançamento em sede de julgamento de primeiro grau, a matéria não impugnada quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello que conhecia o recurso e negava provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Face à ausência de contestação da infração apurada no lançamento em sede de julgamento de primeiro grau, a matéria não impugnada quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello que conhecia o recurso e negava provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 1. 72 00 83 /2 01 2- 55 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.198,37, relativo ao anocalendário 2008. O lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Paraíso Tocantins TO, no valor de R$ 6.766,66, e da glosa de dedução de Imposto Retido na Fonte (IRRF) pleiteada indevidamente na Declaração de Ajuste Anual no valor de R$ 422,28, por não constar na Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) da fonte pagadora, a Caixa Econômica Federal (CEF). Em sua impugnação, o contribuinte disse que declarou equivocadamente o valor de R$ 6.766,66 como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, e que o valor do IRRF consta no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. O julgamento de primeiro grau, após considerar não impugnada a infração de omissão de rendimentos, manteve a notificação relativa ao IRRF, pois não foi apresentado o indigitado comprovante da fonte pagadora. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/9/2012, afirmando que só declarou o valor recebido da CEF no valor de R$ 14.089,47, e que não informou o rendimento da Prefeitura Municipal de Paraíso Tocantins, motivo pelo qual pede autorização para fazer a retificação da Declaração de Ajuste do exercício 2009, para incluir esse rendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém inova o contribuinte em seus fundamentos recursais, trazendo em sede de recurso voluntário razões de pedir não formuladas na impugnação. Consoante fl.2, o contribuinte em sua irresignação original afirmou apenas, a respeito da omissão de rendimentos objeto de notificação, que informara erradamente a receita de R$ 6.766,66 como rendimentos isentos e nãotributáveis, uma vez que a mesma é proveniente da Prefeitura Municipal de Paraíso Tocantins. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13131.720083/201255 Acórdão n.º 2802003.259 S2TE02 Fl. 36 3 Frente a tal assertiva, a DRJ/BSB considerou com acerto, tendo em vista o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não impugnada essa matéria incontestada, a qual resta preclusa sob o prisma temporal. Notese que o contribuinte não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa ao precitado artigo do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 128, 183, 264 e 460 do Código de Processo Civil. E, em que pese meu convencimento pessoal de que o instituto da preclusão não deve ser visto como um dogma, mas sim como instrumento para que o processo melhor atinja seu objeto último, a composição dos litígios, na espécie não vislumbro razões para sua eventual ponderação frente a outras normas do ordenamento jurídico, pois nenhuma justificativa trouxe o autuado para só agora verter sua inconformidade quanto à infração de omissão de receitas, ainda que sob o pedido de autorização para a retificação da declaração. Mesmo que no exame desse mérito se adentrasse, o que se admite apenas a título argumentativo (ad argumentandum tantum), vale observar que desde o início do procedimento fiscal o contribuinte perdeu sua espontaneidade, não lhe sendo possível alterar os dados informados à Receita Federal do Brasil mediante a entrega de declaração retificadora, por força do disposto no § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.723/72. Em suma, não cabe o conhecimento do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 37DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000336/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1998
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO NÃO REPASSE DA CONTRIBUIÇÃO. DESNECESSIDADE.
Na compensação de contribuições previdenciárias desnecessária a comprovação de que não houve repasse do encargo financeiro à sociedade.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.865
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1998 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO NÃO REPASSE DA CONTRIBUIÇÃO. DESNECESSIDADE. Na compensação de contribuições previdenciárias desnecessária a comprovação de que não houve repasse do encargo financeiro à sociedade. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000336/200716 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.865 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BRASTERMINAIS ARMAZÉNS GERAIS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1998 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO NÃO REPASSE DA CONTRIBUIÇÃO. DESNECESSIDADE. Na compensação de contribuições previdenciárias desnecessária a comprovação de que não houve repasse do encargo financeiro à sociedade. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 36 /2 00 7- 16 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.000336/200716 Acórdão n.º 2403002.865 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra DecisãoNotificação nº 21.433.4/0094/00 do INSS em Santos, que julgou o lançamento procedente. Segundo o Relatório Fiscal, a empresa recolheu parcialmente as contribuições e consignou nas GRPS que os recolhimentos não efetuados, não o foram em virtude de compensação de contribuições recolhidas indevidamente no período 09/89 a 08/94. A motivação apresentada foi não ter comprovado que não transferiu a terceiros o ônus da contribuição. 4.4 Foi consignado pela empresa, nas respectivas GRPS, que os recolhimentos não efetuados, não o foram em virtude de compensação de contribuições recolhidas indevidamente no período 09/89 a 08/94 efetuada “conforme MC Processo 94/336712” 5 – Motivação da Notificação 5.1 Para efetuar a compensação das Contribuições Previdenciárias recolhidas indevidamente é necessário que a empresa prove não ter repassado a terceiros o ônus da contribuição, isto e, que o contribuinte de direito não tenha repercutido para o contribuinte de fato a contribuição que pretende compensar, conforme preceituam e, art. 166 do CTN Código Tributário Nacional e o art. 89 da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores. 5.1 Durante os trabalhos desta Fiscalização foi constatado que a empresa não poderia efetuar a compensações dos valores recolhidos sobre a remuneração paga a Seus diretores no período de 09/89 a 08/94, tendo em vista que as despesas com esta Contribuição integraram, conforme consta de sua escritura contábil, o prego dos bens e serviços' oferecidos a seus clientes, pois, essas despesas foram lançadas em seus livros juntamente, isto é, nos mesmos grupos de contas, das .demais Contribuições devidas e recolhidas pela empresa O primeiro recurso foi analisado pelo CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social, fls. 294/295, o qual resolveu transformar o julgamento em diligência. Quanto à diligência, foi consignada a informação fiscal de fls. 298, complementada às fls. 437 a 442, tendo em vista o despacho de fls. 434/435 para dar ciência ao contribuinte da informação fiscal e reabrirlhe o prazo para recurso. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Ciente da diligência fiscal, a recorrente apresentou o recurso de fls. 451 a 486, onde alega/questiona, em síntese: · Tratase o presente caso de Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD) ocorrida na data de 04.09.1998, registrada sob n° 32.680.1901, em razão da compensação efetuada, por conta de, supostamente, não ter a empresa atentado ao disposto no art. 89 § 1' da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.129/95, fundamentalmente quanto à comprovação do não repasse do ônus financeiro da Contribuição Previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas à autônomos, avulsos e administradores. · Foi interposto Recurso perante este Conselho de Recursos da Previdência Social, tendo sido determinado pelo Sr. Presidente da então 2a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, onde tramitavam estes autos, que os mesmos baixassem em diligência para que o INSS se manifestasse acerca do entendimento trazido pelo Parecer CJ/MPAS n° 2.090/2000, que trata exatamente da desnecessidade de comprovação do não repasse do ônus financeiro da Contribuição Previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas à autônomos, avulsos e administradores, reabrindose prazo ao contribuinte para apresentação de novo Recurso. · A manifestação do I. Fiscal foi exatamente no sentido do Parecer CJ/MPAS n° 2.090/2000, o que, a rigor, somente corrobora o quanto consignado pela ora Recorrente desde o início do contraditório administrativo, representando, em outros termos, o próprio reconhecimento do direito, o que implicaria, inclusive, no improvimento da NFLD em epígrafe. · A decisão da fiscalização é o próprio reconhecimento do direito da ora Recorrente, eis que somente fora objeto de lançamento na NFLD em trato a questão da comprovação do não repasse do ônus financeiro da Contribuição Previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a autônomos, avulsos e administradores; · As demais questões levantadas pelo I. Fiscal em sua manifestação deveria, caso quisesse, fazer parte de novo auto de infração, não podendo ser levantado nesse momento processual, nos termos do § 3° do artigo 18, do Decreto 70.235; · Outrossim, caso se entenda ser possível acatarse tal manifestação como retificação do lançamento, o que se admite à guisa de argumentação, mister afastarse a incidência de qualquer multa porquanto a ora Recorrente estar albergada por decisão liminar quando da lavratura da NFLD; · Ainda no mérito, a limitação à compensação não deve ser aplicada à Recorrente porquanto o indébito compensado dizer respeito a período Fl. 512DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.000336/200716 Acórdão n.º 2403002.865 S2C4T3 Fl. 4 5 anterior à vigência das indigitadas limitações, não podendose aplicá las retroativamente; · Quanto à limitação à compensação de indébito da matriz por suas filiais, de rigor concluir serem inaplicáveis na medida em que não encontra base legal na Lei n° 8.212191, sendo fruto de mera disposição da Orientação Normativa n° 08/97. É o relatório. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A questão central é a glosa de compensação motivada pela falta de comprovação que não transferiu a terceiros o ônus da contribuição. O condicionamento da compensação à não transferência ao custo, estava previsto no artigo 89, § 1º da lei 8.212/91, tendo sido revogado pela Lei 11.941/2009. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido.(Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade.(Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). O citado Parecer CJ/MPAS 2.090/2000, aprovado pelo Ministro da Previdência Social, que trata de compensação, conclui que não há que se falar em prova da não transferência do encargo ao custo do bem ou serviço oferecido à sociedade; que o art. 89, § 1º da Lei nº 8.212/91 não é aplicável às contribuições previdenciárias e que existem precedentes do Superior Tribunal de Justiça. PARECER/CJ Nº 2.090 DOU DE 24/03/2000 REFERÊNCIA: NFLD nº 32.426.4364 INTERESSADO: MOTOBRÁS VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: Compensação de Crédito Previdenciário Pró labore. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.000336/200716 Acórdão n.º 2403002.865 S2C4T3 Fl. 5 7 EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO COMPENSAÇÃO PRÓLABORE 1. Em matéria de compensação de contribuição a cargo da empresa, não há que se falar em prova da não transferência do encargo ao custo do bem ou serviço oferecido à sociedade. 2. O art. 89, § 1º da Lei nº 8.212/91 não é aplicável ao tributo sob comento em razão da natureza direta deste. 3. Precedente do Superior Tribunal de Justiça. 4. Parecer pelo não conhecimento do pedido de avocatória. Versam os presentes autos sobre NFLD relativa a deduções de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre a remuneração de autônomos e administradores, efetuadas em guias de recolhimento no período de julho de 1995 a fevereiro de 1997, lavrada a notificação contra Motobrás Veículos Ltda., com sede no município de Rio Grande, Estado do Rio Grande do Sul. 2. Em sua defesa, afirma a interessada que, como a cobrança de contribuições sobre a remuneração de autônomos e administradores fora julgada inconstitucional pelo Excelso Pretório, estarlheia assegurado o direito à compensação ou à restituição dos respectivos valores, nos termos das Leis 8.383/91 e 9.032/95. Afirma, ainda, ser contraditório o Fisco ao promover a autuação sob o argumento de que aquelas contribuições teriam sido incorporadas às despesas operacionais da empresa, reduzindo, por conseguinte, o lucro tributável, posto que o Relatório Fiscal posteriormente menciona o aumento dessa mesma base de cálculo quando da compensação daqueles tributos. 3. A Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização GRAF de PelotasRS julgou procedente a NFLD, ao argumento de que, como as mencionadas contribuições foram contabilizadas como despesas operacionais da empresa, integrariam elas o custo dos produtos ou serviços oferecidos à sociedade, fato esse que impediria a compensação. 4. Inconformada, a interessada apresentou recurso à 8ª Câmara de Julgamento do CRPS, aduzindo as mesmas razões da defesa. 5. O referido órgão colegiado conheceu e deu provimento ao recurso, ao entendimento de que as contribuições em questão são compensáveis, posto que declarada a inconstitucionalidade das expressões “autônomos” e “administradores” contidas no art. 22, I, da Lei 8.212/91 (ADIN 1.102/94/DF). Fundamentou sua tese em julgados do Superior Tribunal de Justiça. 6. O INSS insurgiuse contra a referida decisão, alegando inobservância do disposto no art. 89, § 1º, da Lei 8.212/91, bem como do art. 73 do Decreto 612/92 e do art. 166 do Código Tributário Nacional, insistindo na tese de que a notificada tem o ônus de demonstrar a não transferência do encargo para o consumidor, para poder utilizarse do instituto da compensação ou da restituição. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 7. Após os trâmites processuais, a Presidência do CRPS, com base na manifestação da Divisão de Assuntos Jurídicos, Orientação e Controle, suscitou avocatória. É o relatório. 8. De acordo com o § 2º do art. 303 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, o Presidente do CRPS pode suscitar avocatória ministerial para exame e reforma de decisões do Conselho conflitantes com a lei ou ato normativo. Neste caso, não se configuram os pressupostos para seu acolhimento, conforme passamos a demonstrar. 9. A controvérsia em questão versa sobre a possibilidade de compensação de créditos da previdência, sem a comprovação do repasse do respectivo encargo financeiro ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. 10. A matéria possui precedente no âmbito desta Consultoria Jurídica, Parecer/CJ nº 1.389/98, onde foi fixado entendimento no sentido de que, antes da vigência da Lei nº 9.032, de 1995, todos os valores compensáveis estariam a salvo da exigência de prova da não repercussão do encargo financeiro. 11. Entendeuse assim, que o período de inexigibilidade dessa comprovação configurase do advento da Lei nº 8.383, de 1991, ao da Lei nº 9.032, de 1995, quando então, a referida comprovação passou a ser exigida como requisito essencial para compensação dos créditos. 12. De acordo com um julgado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o RESP nº 154.474RS, publicado no DJ de 25/02/1.998, que teve como relator o Ministro ARI PARGENDLER, a lei aplicável, em matéria de compensação, é aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos, in verbis: EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO ENCARGO FINANCEIRO. Art. 89 da Lei nº 8.212/1991, na redação que lhe deu a Lei 9.032/1995. A lei aplicável, em matéria de compensação, é aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos e, por isso, a partir da respectiva publicação, a restrição nela imposta incide e é eficaz; considerando que a sentença é proferida com efeitos a partir da propositura da ação, isso se reflete em relação às demandas ajuizadas antes da Lei 9.032/1995, do seguinte modo; a) todos os valores compensáveis até a data da respectiva publicação estão a salvo da exigência da prova da não repercussão; b) os créditos remanescentes que, para efeito da compensação, dependam de débitos a vencer posteriormente, estão sujeitos aos ditames do art. 89, da Lei 8.212/1991, na redação que lhe deu a lei 9.032/1995. Recurso Especial conhecido e provido, em parte. (grifos nossos) 13. Com base nos argumentos acima delineados e considerando se que a compensação efetuada pela interessada se deu nas competências de julho de 1995 a fevereiro de 1997, concluirse ia que a lei aplicável ao caso vertente seria a Lei nº 9.032, de 1995, posto ser a vigente ao tempo do encontro dos créditos e débitos. Destarte, necessária seria a comprovação da não Fl. 516DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.000336/200716 Acórdão n.º 2403002.865 S2C4T3 Fl. 6 9 transferência do encargo financeiro pela notificada, para poder utilizarse do instituto da compensação. 14. Todavia, entendimento contrário foi firmado recentemente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em sede de embargos de divergência no recurso especial (Eresp 190449/SP, Relatora Min. Eliana Calmon, DJ 21/01/2000), no sentido de que, em razão da natureza direta do tributo em questão, não haveria possibilidade de o seu ônus ser repassado para terceiros. 15. Eis o teor da decisão supra referida: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA TRANSFERÊNCIA DO ENCARGO FINANCEIRO MATÉRIA PACIFICADA NO ÂMBITO DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ APLICAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. Tratase de embargos de divergência em torno da tese da aplicabilidade do art. 89, § 1º da Lei nº 8.212/91, relativa ao fenômeno da repercussão. O acórdão embargado proferido pela Primeira Turma consagrou a tese de que não há necessidade da realização de prova da nãotransferência do encargo financeiro em contraposição ao acórdão paradigma (Resp nº 127.432/RS) julgado pela Segunda Turma. DECIDO: O presente recurso não merece prosperar, eis que a Primeira Seção uniformizou o entendimento de que não é requisito à compensação tributária dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição social sobre a remuneração paga aos administradores, autônomos e avulsos, em semelhança com a restituição, a prova de que não houve a transferência do encargo financeiro, restrição imposta pelo art. 89, § 1º da Lei nº 8.212/91, conforme demonstra o aresto a seguir transcrito: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 3º, I, DA LEI Nº 7.787/89, E ART. 22, I, DA LEI Nº 8.212/91. AUTÔNOMOS, EMPREGADORES E AVULSOS. COMPENSAÇÃO. TRANSFERÊNCIA DE ENCARGO FINANCEIRO. ART. 166, DO CTN. LEIS NºS 8.212/91, 9.032/95 E 9.129/95. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de embargos de divergência, pacificou o entendimento para acolher a tese de que o art. 66, da Lei nº 8.383/91, em sua interpretação sistêmica, autoriza ao contribuinte efetuar, via autolançamento, compensação de tributos pagos cuja exigência foi indevida ou inconstitucional. 2. Tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro são somente aqueles em relação aos quais a própria lei estabeleça dita transferência. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 3. Somente em casos assim aplicase a regra do art. 166, do Código Tributário Nacional, pois a natureza, a que se reporta tal dispositivo legal, só pode ser a jurídica, que é determinada pela lei correspondente e não por meras circunstâncias econômicas que podem estar, ou não, presentes, sem que se disponha de um critério seguro para saber quando se deu, e quando não se deu, aludida transferência. 4. Na verdade, o art. 166, do CTN, contém referência bem clara ao fato de que deve haver pelo intérprete sempre, em casos de repetição de indébito, identificação se o tributo, por sua natureza, comporta a transferência do respectivo encargo financeiro para terceiro ou não, quando a lei, expressamente, não determina que o pagamento da exação é feito por terceiro, como é o caso do ICMS e do IPI. A prova a ser exigida na primeira situação deve ser aquela possível e que se apresente bem clara, a fim de não se colaborar para o enriquecimento ilícito do poder tributante. Nos casos em que a lei expressamente determina que o terceiro assumiu o encargo, necessidade há, de modo absoluto, que esse terceiro conceda autorização para a repetição de indébito. 5. A contribuição previdenciária examinada é de natureza direta. Apresentase com essa característica porque a sua exigência se concentra, unicamente, na pessoa de quem a recolhe, no caso, uma empresa que assume a condição de contribuinte de fato e de direito. A primeira condição é assumida porque arca com o ônus financeiro imposto pelo tributo; a segunda, caracterizase porque é a responsável pelo cumprimento de todas as obrigações, quer as principais, quer as acessórias. 6. Em conseqüência, o fenômeno da substituição legal no cumprimento da obrigação, do contribuinte de fato pelo contribuinte de direito, não ocorre na exigência do pagamento das contribuições previdenciárias quanto à parte da responsabilidade das empresas. 7. A repetição do indébito e a compensação da contribuição questionada podem ser assim deferidas, sem a exigência da repercussão. 8. Embargos de Divergência rejeitados. (EREsp nº 168.469/SP, Relator Min. Ari Pargendler, Relator p/acórdão Min. José Delgado, Primeira Seção, por maioria, DJ de 17/12/99, página 314) Com estas considerações, estando o acórdão embargado em sintonia com a jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, nos termos do art.557 do CPC, NEGO SEGUIMENTO AO RECURSO. (grifo nosso) 16. Desta forma, não há que se falar em comprovação do não repasse do encargo financeiro, em observância ao preceito contido no § 1º do art. 89 da Lei 8.212/91. 17. Ante o exposto, o parecer é pelo não acolhimento do pedido de avocatória suscitado. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.000336/200716 Acórdão n.º 2403002.865 S2C4T3 Fl. 7 11 É o que entendemos. Brasília, 21 de março de 2.000. Mais recentemente, o Resp 1125550/SP manteve o entendimento, acrescentando “que o art. 89, § 1º, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.032, de abril de 1995, já se encontra revogado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009.” REsp 1125550/SP TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 3º, I, DA LEI Nº 7.787/89, E ART. 22, I, DA LEI Nº 8.212/91. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO DA NÃO TRANSFERÊNCIA DE ENCARGO FINANCEIRO A TERCEIROS. ART. 89, § 1º, DA LEI 8.212/91. INAPLICABILIDADE DA RESTRIÇÃO IMPOSTA POR SE TRATAR DE TRIBUTO DIRETO. VIOLAÇÃO DO ART. 97 DA CF/88 E DA SÚMULA VINCULANTE N. 10/STJ. NÃO OCORRÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1. Na repetição de indébito tributário referente a recolhimento de tributo direto, como é o caso dos autos em que a parte autora postula a restituição, via compensação, dos valores indevidamente recolhidos a título da contribuição social, criada pelo artigo 3º, inciso I, da Lei n. 7.789/89, e mantida pela Lei n. 8.212/91, desnecessária a comprovação de que não houve repasse do encargo financeiro decorrente da incidência do imposto ao consumidor final, razão pela qual a autora é parte legítima para requerer eventual restituição à Fazenda Pública. Precedentes. 2. Não há, na hipótese, declaração de inconstitucionalidade do art. 89, § 1º, da Lei 8.212/91 e nem violação da Súmula Vinculante n. 10 do Supremo Tribunal Federal, antes, apenas consignase que a restrição imposta pelo referido dispositivo não constitui óbice à restituição do indébito da exação questionada, considerando que as contribuições previdenciárias têm natureza de tributo direito, ou seja, não comportam a transferência, de ordem jurídica, do respectivo encargo, e a parte final do § 1º em referência é expressa ao dispor que a obrigatoriedade de comprovação do não repasse a terceiro é exigida apenas às contribuições "que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade". 3. Por fim, vale ressaltar que o art. 89, § 1º, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.032, de abril de 1995, já se encontra revogado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 4. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Sigo a motivação das decisões acima apresentadas CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 520DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10880.052647/93-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1989
Embargos de Declaração
Deve ser retificado o Acórdão que for omisso em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado a Turma Julgadora do CARF.
Numero da decisão: 1801-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional e retificar o decidido no Acórdão nº 1801-001.824, prolatado em sessão realizada em 05 de dezembro de 2013, para negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1989 Embargos de Declaração Deve ser retificado o Acórdão que for omisso em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado a Turma Julgadora do CARF.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional e retificar o decidido no Acórdão nº 1801-001.824, prolatado em sessão realizada em 05 de dezembro de 2013, para negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.052647/9358 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1801002.262 – 1ª Turma Especial Sessão de 5 de fevereiro de 2015 Matéria AI IPI Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IMCE INDUSTRIA MECANICA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1989 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Deve ser retificado o Acórdão que for omisso em ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado a Turma Julgadora do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional e retificar o decidido no Acórdão nº 1801001.824, prolatado em sessão realizada em 05 de dezembro de 2013, para negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Na sessão plenária de 5 de dezembro de 2013, esta 1a. Turma Especial da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF julgou o Recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 05 26 47 /9 3- 58 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Voluntário interposto pela interessada contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Brasilia/DF e decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, apenas para reduzir a multa de ofício exigida na autuação ao patamar de 100%, para 75%, a fim de ajustála a atual legislação (retroatividade benéfica) . A decisão foi formalizada no Acórdão nº. 1801001.824 (efls.215/224). Encaminhados os autos à unidade de jurisdição da recorrente para ciência e execução, notou, aquela autoridade, que a redução da multa de ofício de 100% para 75% já havia sido aplicada no acórdão proferido pela 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Brasilia/DF, que também julgou procedente em parte a impugnação, não apenas pela redução da multa de ofício, como também pela redução do valor da infração praticada. Notando o equívoco cometido no acórdão proferido por esta 1a. TE/3a. CAM/ 1a. SEÇÃO do CARF, a Delegacia da Receita Federal em Osasco/SP, órgão de jurisdição da recorrente, apresenta os presentes embargos, a fim de que seja esclarecido o provimento parcial do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Embargos tempestivos. Conhecidos. Cabimento dos Embargos O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF – aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009 e alterações posteriores, prevê, no art. 65, do Anexo II: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: ... V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão Com efeito, no voto proferido por esta 1a. TE/3a. CAM/ 1a. SEÇÃO do CARF, no Acórdão nº. 1801001.824, de 5/12/2013, de relatoria desta Conselheira, constatase Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.052647/9358 Acórdão n.º 1801002.262 S1TE01 Fl. 3 3 a omissão de ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma, dado que a redução da multa de ofício lançada ao percentual de 100%, para 75% já fora aplicada e implementada no voto proferido pela Turma Julgadora de 1a. Instância, informação que não constou do relatório do Acórdão nº. 1801001.824 e, portanto, não foi apreciada no voto. Como consignado no relatório deste voto, a única razão que levou ao provimento parcial do recurso voluntário no Acórdão nº. 1801001.824 foi, justamente, a redução da multa de ofício, que agora se mostra equivocada. Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e, no mérito, retificar o resultado final do Acórdão nº. 1801001.824, de 5/12/2013, desta 1a. TE/3a. CAM/ 1a. SEÇÃO do CARF, para: “...por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário,...”, mantendose as demais razões de decidir nele proferidas. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000305/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando a distribuição não se justifica pelo cumprimento de metas previamente conhecida pelos beneficiários.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando a distribuição não se justifica pelo cumprimento de metas previamente conhecida pelos beneficiários. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando a distribuição não se justifica pelo cumprimento de metas previamente conhecida pelos beneficiários. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 05 /2 01 0- 16 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 479 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal com ciência em 28/06/2010 com base nos valores de auxílioalimentação in natura sem inscrição no PAT e pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados. Foram excluídas as parcelas a título de auxílio alimentação in natura. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: LANÇAMENTO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS A SEGURADOS EMPREGADOS. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. LANÇAMENTO FISCAL. DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO. PAT. Comprovado que o contribuinte estava inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador/P A T , o lançamento sobre verbas pagas a título de auxílio alimentação não pode subsistir. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte ... Em virtude da impossibilidade de individualização dos valores despendidos com cada um dos empregados favorecidos pelo fornecimento de alimentação in natura e diante da apresentação deficiente de informações, o lançamento foi feito mediante aferição indireta, com fundamento no artigo 33, §3o , da Lei n° 8.212/91. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Esclarece que por força de convenção coletiva de trabalho foi estabelecido o pagamento a seus empregados de Participação nos Lucros e Resultados no ano calendário 2007, com base na apuração dos lucros de 2006, em função do desempenho no setor químico e variação positiva dos postos de trabalho no período de novembro de 2005 e outubro de 2006. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Refuta a incidência das contribuições sobre a Participação nos Lucros e Resultados/PLR vez que a base de cálculo prevista no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal não abrange referida Participação, tratandose de imunidade objetiva que está fora do poder tributante da União, por força do artigo 7o , inciso X I , da Constituição Federal. Acrescenta que o artigo 3o da Lei n° 10.101/2000, veda a tributação do PLR, somente introduzindo critérios meramente exemplificativos, não podendo estabelecer limitações a imunidade objetiva, assim como a alínea " j " do § 9o , do art. 28 da Lei n° 8.212/91, deve ser interpretada de acordo com os ditames constitucionais, o que não foi feito pela fiscalização. Ressalta que não cometeu qualquer irregularidade como motivado no relatório fiscal na medida que, por força de convenção coletiva, ficou estabelecido que a PLR no ano calendário 2007 seria paga com base na apuração dos lucros de 2006, em função do desempenho no setor químico e variação positiva dos postos de trabalho no período de novembro de 2005 e outubro de 2006, ou seja, não estabeleceu que a PLR estaria atrelada a fatos futuros como entendeu a fiscalização. Afirma que a convenção delineou regras claras e objetivas quanto a PLR, com estabelecimento de metas e condições futuras, o que não é vedado pela Lei 10.101/2000 e, no caso, determinouse a produtividade em função do desempenho do Setor Químico, mensurados por dados objetivos variação positiva nos números de postos de trabalho no setor devendo ser cancelada a cobrança da contribuição. É o Relatório. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 480 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 481 7 Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas a lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que estão sendo distribuídos lucros aos trabalhadores, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores vinculando o benefício ao incremento dos lucros e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adotasse a lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se aferir individualmente a parcela de contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 482 9 Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a fiscalização, na análise dos documentos da empresa que sustentam o pagamento do benefício, verificou que os valores são pagos incondicionalmente. Fixouse em 2006 que o aumento dos postos de trabalho no setor químico em relação ao ano 2005 é adotado como meta cumprida para fins de pagamento do benefício e que o pagamento ocorreria em duas parcelas. Acontece que as metas a que se refere a lei são aquelas atribuídas aos empregados e não aos empregadores. O aumento dos postos de trabalho, ainda que tenha relação com o desempenho do setor econômico, é uma escolha da empresa sem participação direta dos empregados na decisão. A empresa, independentemente do desempenho de sua atividade econômica, tem a liberdade de contratar novos empregados ou não. Normalmente, considerando o incremento de demandas, o setor necessita de aumentar seus meios de produção e a contratação de mãodeobra, mas essa decisão não cabe ao empregado. As metas válidas para um programa de PLR devem ter relação com um comportamento do segurado no exercício de suas atribuições e tarefas. Algo que lhe possa ser creditado, ainda que individualmente não mensurável. Multa de mora Insurgese a recorrente a multa moratória. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 483 11 aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 484 13 § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 485 15 os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000305/201016 Acórdão n.º 2402004.358 S2C4T2 Fl. 486 17 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Por tudo, voto pelo provimento parcial para seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10768.001046/2003-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
Compensação. Homologação Tácita.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Compensação. Retificação. Intimação Fiscal.
A resposta à Intimação Fiscal realizada para a contribuinte esclarecer sobre o crédito tributário pleiteado e a apresentar a documentação que comprove a sua liquidez e certeza não equivale a declaração de compensação retificadora.
Numero da decisão: 1801-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca declarou-se impedido de participar do julgamento.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO FISCAL. A resposta à Intimação Fiscal realizada para a contribuinte esclarecer sobre o crédito tributário pleiteado e a apresentar a documentação que comprove a sua liquidez e certeza não equivale a declaração de compensação retificadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca declarouse impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 10 46 /2 00 3- 89 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Trata de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da Oitava Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, Acórdão nº 1222.102/08, efls. 154 a 164, que manteve o deferimento parcial do pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ, ano calendário de 2001, e posterior compensação com débitos tributários (Per/Dcomp), em vista de insuficiência de documentação para comprovar o indébito tributário pleiteado na sua totalidade Despacho Decisório e Parecer Conclusivo às fls. 61 a 66. Tanto a autoridade a quo, quanto a Turma Julgadora de Primeira Instância não aceitaram DARF de comprovação de IRRF retido em benefício da recorrente, no valor de R$ 417.034,19, sobre operações swap, cujo valor foi devidamente declarado na DIPJ/02. No aresto defendeuse, ainda, a tese veiculada no Despacho Decisório que com respeito ao Per/Dcomp objeto de um dos processos administrativos, nº 10768.001313/200318 (em apenso), não ocorreu a homologação tácita das compensações solicitadas, argumento que a recorrente insiste em ser acatado. A Turma Julgadora, por voto vencedor, entende que embora o referido Per/Dcomp tenha sido formalizado (em papel) em 19/02/2003 e o Despacho Decisório cientificado em 07/08/08, a empresa não especificou a que anocalendário correspondia o crédito solicitado, nem a composição do crédito no formulário protocolizado e ao responder a Intimação Fiscal enviada para fins de esclarecimento, incorreu em hipótese de retificação do Per/Dcomp, razão pela qual afastouse o período de cinco anos entre o pedido inicial e o Despacho Decisório. Para melhor historiar os fatos, transcrevo trechos do acórdão combatido: "[...] O Direito creditório cujo aproveitamento foi pleiteado referese ao saldo negativo do IRPJ apurado no anos calendário 2001. Em 25/06/2007, através do despacho de fls 19 do PA 10768001313/200318, a interessada foi intimada a especificar o ano calendário de referência do crédito (saldo negativo) apontado na declaração de compensação de fls 01 do referido processo. Em resposta, foi juntada aos autos a carta de fls 22, através da qual foi prestado o esclarecimento solicitado. Mediante Despacho Decisório de fls. 61/66, emitido pela DERAT7RJ, do qual a interessada obteve ciência em 07/08/2008 (fls 84), foram parcialmente homologadas as compensações declaradas até o limite do direito creditório então reconhecido, no valor original d eR$ 105.657,32. [...] Voto Vencedor [...] Em sua manifestação de inconformidade, a interessada afirma que não há como se equiparar o atendimento à intimação fiscal para esclarecimentos à retificação da declaração pelo contribuinte, uma vez que a apresentação de DCOMP e sua retificação são faculdades do contribuinte, enquanto o atendimento à intimação fiscal é uma obrigação acessória, e não faculdade, servindo, no caso em apreço, tão somente, como mais um elemento para os procedimentos adotados de ofício pelo Fisco destinados a fundamentar sua decisão. Verificase, contudo, que é equivocado o entendimento da interessada, conforme se expõe a seguir. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.001046/200389 Acórdão n.º 1801002.270 S1TE01 Fl. 3 3 Citamse os art. 56, 57, 58 e 60 da IN SRF n° 600/2005, com mesma redação dos art. 55, 56, 57 e 59 da IN SRF n° 460/2004 revogada pela referida IN, pertinentes à questão: [...] Analisandose a documentação acostada aos autos, constatase que a interessada apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01 Processo Administrativo 10768.001313/200318, informando: i. crédito utilizado saldo negativo de IRPJ e CSLL total do crédito utilizado nesta declaração: R$ 637.905,09; ii. débito compensado cód. 3426 período de apuração 16/02/2003 vencimento 19/02/2003 valor original do tributo/contribuição R$ 637.905,09. Em atendimento ao Termo de Intimação 436/2007, de 04/07/2007 (fl. 20 PA 10768.001313/200318) através do qual a interessada foi instada a apontar precisamente o exercício/anocalendário de saldo negativo de IRPJ/CSLL a que se refere o crédito utilizado na Declaração de Compensação datada de 19/02/2003, foi declarado que "o crédito, no valor original de R$ 539.641,04, foi apresentado na página 11 da Ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do Ano Calendário 2001 DIPJ2002 apresentado à SRF pela Sociedade". Houve, portanto, inexatidão material no preenchimento da DCOMP originalmente entregue e a prestação da informação tal como efetuada (valor original do saldo negativo e identificação do ano a que se refere) caracteriza a retificação de dados e, conseqüentemente, retificação da DCOMP de fl. 01 do PA 10768.001313/200318. [...] Deste modo, apesar de instada pela autoridade administrativa, no caso concreto não houve simples prestação de esclarecimentos e, ao acatar as novas informações, a DERAT/RJ, na verdade, admitiu a retificação da DCOMP originalmente entregue, ainda que não verificadas as formalidades previstas no art. 56 da IN n° 600/2005, anteriormente transcrito. [...] Analisandose as alegações da interessada considerando os documentos constantes dos autos, constatase o que segue. A simples apresentação de cópia de DARF (fl. 125) no valor de R$ 417.034,19 com código de retenção 5273 (operações de swap) não é hábil a comprovar o que se pretende. Não foram juntados aos autos, na manifestação de inconformidade, momento propício para contraditar, documentos tais como contratos e comprovantes de rendimentos que corroborem a operação alegada pela interessada e que teria a mesma como beneficiária, bem como quais teriam sido os rendimentos brutos correspondentes. No que tange às fontes pagadoras Banco BRADESCO S/A e UNIBANCO, os comprovantes de rendimentos de fl. 126 e 127 confirmam os valores constantes nas Fl. 428DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 DIRF apresentadas à RFB com IRRF nos valores de R$ 62.531,88 e R$ 43.125,44 (fl. 48/49), valores estes correspondentes à parcela já reconhecida pela DERAT/RJ. Quanto ao documento de fl. 128 relativo ao UNIBANCO Carteira de Renda Fixa, o valor de R$ 16.949,53 referese à provisão de IR. Além do exposto, por oportuno, devese citar o contido no art. 231 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26/03/1999: [...] Portanto, para que o IRRF devidamente retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real, mister se faz comprovar que a receita correspondente tenha sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, tenha sido computada na determinação do lucro real no referido anocalendário. [...]" A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 193 a 212, instruído com os documentos de efls. 215 a 368, entre os quais, cópias integrais da DIPJ/02 e do Livro Razão, Nota de Negociação BM&F, documentos da corretora de investimentos swap, planilhas etc, reiterando os termos da defesa exordial, requerendo a homologação tácita do Per/Dcomp objeto dos autos nº 10768.001313/200318 e esclarecendo que os registros contábeis demonstram cabalmente que tanto o IRRF quanto os rendimentos de swap pertinentes foram informados na DIPJ/02 (a receita foi oferecida à tributação), não podendo ser subtraído o direito de restituição pelo fato de a fonte pagadora não haver informado os valores em DIRF. Traz remansosa explicação, portanto, sobre o direito creditório consubstanciado em dois valores não admitidos: a) R$417.034,19 (IRRF incidente sobre operação swap, o valor de R$ 2.085.170,97, por intermédio sa Alium Participações S/A, Nota de Negociação nº 94462); e, b) R$ 16.949,53 valor referente a provisão de retenção de IR, em razão de aplicação financeira de renda fixa, que efetivamente ocorreu em 2001 por razão de saques efetuados (rendimentos mensais cujos resgates foram realizados em três vezes, quando podem ser apropriadas as retenções sofridas). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 Termo de Ciência – 14/10/11, efls. 175; Recurso – 11/11/11, efls. 193 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O deslinde do litígio gira em torno de três pontos. O primeiro a ser debatido é se houve ou não a homologação tácita das compensações veiculadas nos autos em apenso, paf nº 10768.001313/200318. É importante esclarecer que a recorrente tem vários processos veiculando pedidos de restituição e compensações, cujo crédito único é o Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001. Os débitos tributários não compensados, por insuficiência de crédito, restaram no referido processo, apenso a este. Por outro lado, vários pedidos de restituição e consequentes Fl. 429DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.001046/200389 Acórdão n.º 1801002.270 S1TE01 Fl. 4 5 compensações, veiculados neste e em outros processos (todos apensos), foram homologadas as compensações, ou por decurso de prazo (mais de cinco anos entre o protocolo e o despacho decisório), ou porque o Saldo Negativo admitido pela autoridade a quo (R$ 105.657,32) foi suficiente para a compensação pertinente. Os outros dois pontos versam sobre a admissão das provas que a recorrente exibe com o intuito de comprovar as retenções de impostos sofridas e que compuseram a integralidade do valor do Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2001, informado na DIPJ/02. Passamos ao primeiro tópico. Da análise dos fatos, verificase que o Per/Dcomp do processo nº 10768.001313/200318 foi protocolizado em 19/02/2003, em formulário (fl. 01). A primeira folha do formulário foi preenchida com os dados que continha foi assinalado que o crédito era de origem em Saldo Negativo de IRPJ / CSLL, no valor exato do débito a ser compensado, R$ 637.905,09. Não havia campo no formulário para esclarecer a qual anocalendário o Saldo Negativo era pertinente. Em 25 de junho de 2007, a autoridade competente à análise do pedido solicitou a remessa do processo a outro setor para que a contribuinte fosse intimada a esclarecer a que período competia o Saldo Negativo informado e juntasse demais documentos que entendesse necessários à explicação do crédito pleiteado. Devidamente intimada, fls. 20 do apenso, a recorrente prontamente, na data de 23 de julho de 2007, esclareceu que o crédito original, no valor de R$ 539.641,04, advinha do Saldo Negativo de IRPJ, consoante informado na DIPJ/02 fls. 22. O Despacho Decisório contido nestes autos apreciou o crédito tributário, conforme esclarecido comum a várias declarações de compensações, em 07/08/2008 (data da ciência), e concluiu que este esclarecimento da empresa intimada teve o condão da apresentação de uma declaração de compensação retificadora, deslocando o prazo inicial para a contagem do prazo de eventual homologação tácita para a data de 23 de julho de 2007. Ora, não posso concordar com o entendimento que as Intimações Fiscais para verificarem a existência ou procedência de crédito tributário pleiteado pelos contribuintes impõem necessariamente que as suas respostas, quando divergentes, são formulários de retificações de declarações de compensação originalmente protocolizadas. A recorrente entregou DCTF do 1º trimestre de 2003 informando que o débito (IRRF sobre debênture) vinculado ao Per/Dcomp estava sendo compensado com o Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2001 efls. 51, no valor informado no Per/Dcomp protocolizado em 19/02/2003 e informou o nº do processo pertinente (destaquei). Este dado a administração tributária já possuía quando fez a intimação fiscal, em 2007. Vale dizer, se houvesse efetuado pesquisa aos sistemas informatizados constataria a origem do crédito tributário, bem como verificaria em pesquisa às DIPJ entregues que o valor não coincidia com o valor do Saldo Negativo de IRPJ originalmente informado. Mais, poderia ter aprofundado o exame, antes de intimar a recorrente, e ver se o valor informado no Per/Dcomp não estava atualizado para abater o débito tributário (correção entre dezembro de 2001 e fevereiro de 2003). E, procedido aos exames com os dados informatizados, poderia ter agido de três formas: a) indeferido a compensação, de plano, por não ter sido preenchido o formulário de acordo, embora possuísse nos sistemas as informações necessárias; b) intimado a Fl. 430DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 contribuinte a apresentar os documentos que compunham o crédito, como de praxe;c) intimar a contribuinte expressamente a apresentar uma declaração de compensação retificadora. Portanto, não se pode atribuir à resposta a uma Intimação Fiscal que buscou esclarecimentos da recorrente, o peso de haver a recorrente entregue um Per/Dcomp retificador alterando o pedido inicial e, por esta razão, tendo como consequencia o deslocamento do prazo inicial para a contagem da homologação tácita, que os fatos processuais comprovam ter, de fato, ocorrido. E nem há que se falar que os agentes tributários responsáveis pelo preparo do processo, ao efetuarem a Intimação Fiscal em junho de 2007 e receber a resposta em julho de 2007, destaquei, poderiam, ainda, ter atentado para o prazo que corria e dar prioridade ao julgamento da lide antes da data fatal de fevereiro de 2008. Destarte, deve ser reformado o acórdão recorrido, acolhidas as razões meritórias tecidas no Voto Vencido, pelo que considero homologada tacitamente a compensação veiculada no processo administrativo fiscal nº 10768.001313/200318, em apenso. Deixo de manifestarme a respeito da existência ou não do Saldo Negativo de IRPJ, informado na DIPJ/02, composto pelas retenções de impostos sofridas pela recorrente, além do valor já reconhecido pelas autoridades a quo, em vista de o saldo do crédito se exaurir na compensação ora homologada de forma tácita, a despeito da vasta gama de documentação apresentada pela recorrente para laborar em seu favor. Voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13858.000144/2010-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA.
A contratação de empregados por interposta pessoa jurídica é conduta simulada, devendo a Fiscalização efetuar o lançamento de ofício, conforme previsão no artigo 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional - CTN.
Havendo extensa prova da ausência de autonomia e independência da pessoa jurídica considerada interposta pessoa, correta a autuação da verdadeira responsável pelas operações realizadas.
A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e contribuições devidas a Terceiros, decorrentes da relação de emprego.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 2403-002.637
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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A contratação de empregados por interposta pessoa jurídica é conduta simulada, devendo a Fiscalização efetuar o lançamento de ofício, conforme previsão no artigo 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional CTN. Havendo extensa prova da ausência de autonomia e independência da pessoa jurídica considerada interposta pessoa, correta a autuação da verdadeira responsável pelas operações realizadas. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e contribuições devidas a Terceiros, decorrentes da relação de emprego. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 01 44 /2 01 0- 15 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13858.000144/201015 Acórdão n.º 2403002.637 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1634.828 da 11ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento referese a contribuições para terceiros e está fundamentado no entendimento que a recorrente utilizou as empresas BREMAR Industrialização de Cabedais para Terceiros Franca LtdaEPP; BI6 Serviços de Pesponto em Calçados Ltda. ME; EVOLUTION Industrialização de Cabedais para Terceiros Ltda.; SS Industrialização de Cabedais para Calçados Ltda. EPP; EXX'S Serviços de Pesponto em Calçados Ltda. ME; PRO TÊNIS Industrialização de Cabedais para Terceiros Franca Ltda. EPP; SYSTEM Serviço de Pesponto em Calçados Ltda. ME; ULTIMAX Serviço de Pesponto em Calçados Ltda. ME; e TIGRA Serviços de Pesponto em Calçados Ltda. ME,como interpostas pessoas, com a finalidade de contratar segurados com redução de encargos previdenciários, uma vez que por serem optantes pelo SIMPLES, não recolhem contribuições previdenciárias patronais e para Outras Entidades e Fundos; Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Representação Fiscal para Fins Penais. · Ampla defesa. · A Bom Passo organizou sua cadeia produtiva utilizandose de empresas terceirizadas visando obter uma otimização de custos de produção e uma melhoria na qualidade dos produtos que comercializa. Tal organização não encontra qualquer óbice nossa legislação. · Ainda que tal estrutura tenha acabado por beneficiar a recorrente também tributariamente, não implica em dizer que tenha agido de forma simulada ou fraudulenta, com o intuito de fraudar o fisco ou deixar de pagar impostos, como entendeu equivocadamente a decisão ora recorrida. · Terceirização é um processo que pode ter duas faces independentes, mas não excludentes: o a desativação, parcial ou total, dos setores produtivos, a empresa que terceiriza deixa de "produzir" e passa a "comprar" produtos de outras empresas; o a contratação de uma ou mais empresas que alocam trabalhadores para a execução de algum serviço no interior da empresa do cliente. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · As empresas terceirizadas são independentes. · O fato de existirem nas paredes logomarcas com o nome Tennywee, nome de fantasia da Bom Passo, funciona muito mais como propaganda das empresas terceirizadas, que na tentativa de angariar novos clientes propagam que prestam serviços a esta empresa, devido a sua fama e alcance de sua marca. Mas de modo algum a existência de adesivos pode representar subordinação. · Discorre sobre cada uma das empresas terceirizadas, como na impugnação. · Multa. · Perícia. É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13858.000144/201015 Acórdão n.º 2403002.637 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA A Constituição Federal de 1988 prevê, a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. A Administração Pública, ao promover o controle interno da legalidade de seus atos, por meio de um processo administrativo, deve necessariamente observar os princípios inerentes ao devido processo legal. No processo administrativo fiscal, o contraditório se instaura com a interposição da impugnação ou da manifestação de inconformidade. A ampla defesa, que não significa defesa ilimitada, explicitada como garantia constitucional no artigo 5°, inciso LV, da Constituição, materializase na oportunidade Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 concedida ao sujeito passivo de oporse à pretensão do fisco, fazendo serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretenda provar as suas alegações. Entendo que este processo respeita o direito do contribuinte à ampla defesa. Neste processo não vislumbro qualquer cerceamento de defesa, uma vez que: (i) os procedimentos fiscais, realizados junto à Impugnante, seguiram rigorosamente a legislação em vigor; (ii) a empresa teve ciência da autuação, a qual foi efetuada de modo que o Contribuinte tivesse pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que o motivaram, cabendo observar que lhe é facultado, ainda, ter vista dos autos relativos aos AI's lavrados contra ela durante a ação fiscal; (iii) a Autuada manifestouse com a apresentação de impugnação, (iiii) a Autuada manifestouse com apresentação de recurso voluntário. Quanto às questões fáticas aqui presentes, concordo com a manifestação do voto condutor da decisão de primeira instância: Ao contrário do que afirma a Impugnante, o presente lançamento não se baseia em documentos contábeis obtidos em outras empresas, aos quais a Autuada não tem acesso. No caso em análise, foi observado plenamente o princípio da verdade material: foram examinadas as GFIP's, os valores constantes do sistema CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), DIPJ's, contabilidade, contratos de mútuo e de prestação de serviços, que são elementos que a própria Autuada produziu e apresentou à Fiscalização. A escrituração contábil foi disponibilizada pela BOM PASSO em arquivo digital, identificada mediante os Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, de fls. 1.443 a 1.461, emitido pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) o que comprova a integralidade dos arquivos digitais, contendo a contabilidade da empresa, fornecidos pelo Contribuinte. Também foram feitas Verificações Físicas, conforme Termos de Constatação 01 e 02 (fls. 263/266) e tópico III, item 7 do Relatório, e foram colhidos depoimentos, conforme os Termos de Declarações dos sócios das empresas interpostas e da funcionária da enfermaria (fls. 293/302) e tópico III, item 8 do Relatório. A consulta à contabilidade das empresas prestadoras foi feita em virtude da aplicação da técnica de auditoria conhecida como circularização. Cumpre ressaltar que o Relatório Fiscal identifica claramente a origem da autuação, e que a existência dos anexos DD Discriminativo do Débito, RL Relatório de Lançamentos, e FLD Fundamentos Legais do Débito, recebidos pelo Contribuinte, que contêm as bases de cálculo, as alíquotas, as rubricas, os valores das contribuições devidas e dos acréscimos legais, bem como os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, propiciaram o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. PERÍCIA Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13858.000144/201015 Acórdão n.º 2403002.637 S2C4T3 Fl. 5 7 A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos e neste caso, a prova documental carreada aos autos era suficiente para o esclarecimento da questão. A perícia deve ser deferida apenas quando a prova do fato depender de conhecimento técnico especial, hipótese inocorrente nos autos. A Empresa não apresentou nenhum aspecto inédito evidenciado após a auditoria fiscal, cuja apreciação requeira exame especial ou técnico. Não constam da peça defensiva elementos que justifiquem a peritagem, o que torna desnecessária a perícia solicitada. Nesse sentido, cabe observar o ensinamento dos ilustres Doutrinadores: "Vale destacar que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora e, apenas ela pode avaliar sua pertinência para a solução da lide. A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outra forma mais simples. Por esta razão, freqüentemente, as autoridades de primeira instância têm indeferido as solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não seriam necessárias à solução do litígio ou já estariam contempladas nos autos. Na verdade, grande parte dos requerimentos de perícia no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de dados constantes da escrita fiscal do contribuinte, calo teor já é do conhecimento do auditor fiscal antes da lavratura do auto de infração. Apenas seria necessário o reexame por outro especialista se bem demonstrada a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios." (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Marco Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez, Dialética, p. 195) MÉRITO O fisco, após auditoria, concluiu que a recorrente BOM PASSO Indústria e Comércio de Calçados Ltda. (nome fantasia TENNY WEE e/ou SCHIO), utilizou as empresas BREMAR Industrialização de Cabedais para Terceiros Franca LtdaEPP; BI6 Serviços de Pesponto em Calçados Ltda. ME; EVOLUTION Industrialização de Cabedais para Terceiros Ltda.; SS Industrialização de Cabedais para Calçados Ltda. EPP; EXX'S Serviços de Pesponto em Calçados Ltda. ME; PRO TÊNIS Industrialização de Cabedais para Terceiros Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Franca Ltda. EPP; SYSTEM Serviço de Pesponto em Calçados Ltda. ME; ULTIMAX Serviço de Pesponto em Calçados Ltda. ME; e TIGRA Serviços de Pesponto em Calçados Ltda. ME,como interpostas pessoas, com a finalidade de contratar segurados com redução de encargos previdenciários, uma vez que por serem optantes pelo SIMPLES, não recolhem contribuições previdenciárias patronais e para Outras Entidades e Fundos. A recorrente afirma que organizou sua cadeia produtiva utilizandose de empresas terceirizadas visando obter uma otimização de custos de produção e uma melhoria na qualidade dos produtos que comercializa e que tal organização não encontra qualquer óbice nossa legislação. Concordo com posicionamento da fiscalização pelo conjunto das razões abaixo: · Documentos Diversos Conforme Termo de retenção e constatação de documentos a fls. 1305 a 1307, foram encontradas no endereço da Rua Geraldo Garcia do Nascimento, 2540, onde se localizava a filial da BOM PASSO, vários talonários de notas fiscais de saída das empresas interpostas Fichas de entrega de equipamento de proteção individual de funcionários de várias das empresas interpostas em papel com logotipo da TENNY WEE a fls. 1310 a 1315; Atestado médico de funcionária da SS em papel timbrado da TENNY WEE a fls. 1316. Mapa gerencial único de controle de gastos de telefone das diversas empresas, tendo como referência de coleta a BOM PASSO, a fls. 1317 a 1319. Agenda de reunião, gerenciais contendo avaliação de desempenho, e comunicados internos de produção todos referentes às empresas do grupo, com o timbre da TENNY WEE a fls. 1320 a 1366. · Pagamento de despesas: Da análise da contabilidade da Autuada, foram constatados pagamentos de INSS, FGTS, DARF, IPTU, farmácia, aluguel, conta de luz, quinzenas, salários e rescisões de funcionários, das empresas interpostas, pela BOM PASSO, como demonstrado nas planilhas de fls. 414/420, 518/531, 595/604, 707/711, 818/824, 925/928, 985/991, 1.082/1.095, 1.159, que reproduzem os lançamentos contábeis da Autuada. · Empréstimos: Todas as interpostas pessoas jurídicas receberam empréstimos financeiros da BOM PASSO, através de mútuo, conforme contratos sem registro juntados às fls. 346/352, 479/487, 569/576, 662/667, 773/777, 886/892, 960/963, e 1.027/1.035, e cópia de Livro Caixa à fl. 1.125. No caso dos empréstimos feitos a BREMAR, ULTIMAX, EXXS, e SS, não estão registrados os lançamentos correspondentes na contabilidade da BOM PASSO; · Fiança: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13858.000144/201015 Acórdão n.º 2403002.637 S2C4T3 Fl. 6 9 Nos contratos de locação de imóveis das interpostas empresas, fls. 326/330, 468/472, 554/558, 648/652, 760/764, 872/876, 952/953, 1011/1019, e 1116/1120, assinaram, na qualidade de fiadores e principais pagadores da Locatária, o Sr. Antonio Orlandino Ferreira (sócio proprietário da BOM PASSO no período fiscalizado), e sua esposa Sra. Maria Aparecida Ferreira, que renunciaram, expressamente, ao benefício de ordem estabelecido pelo artigo 827 do Código Civil; · Instalações das empresas: Segundo a CPFL, a única consumidora de energia elétrica no terreno das interpostas é a do endereço Rua André Garcia Gomes, 320, em nome da BOM PASSO (contratos de fls. 1.279/1.304). Nas paredes existem logomarcas com o nome TENNYWEE, nome fantasia da BOM PASSO. A Matriz da BOM PASSO, de CNPJ: 58.733.585/000139, foi localizada na Rua André Garcia Gomes 320, que é no mesmo prédio das interpostas, até dezembro de 2005, sendo alterado seu endereço a partir desta data. Porem a correspondência bancária da BOM PASSO apresentada a esta fiscalização traz o endereço da André Garcia Gomes 320 com emissão em 15/02/2007 e 06/07/2007, conforme fls. 1418 e 1419. Todas as empresas contratadas funcionavam em 2 prédios, que se encontram num mesmo terreno, que ocupa uma quadra inteira. Os corredores externos, a portaria, o refeitório, o ambulatório, os sanitários, e o departamento de RH são comuns a todas as empresas interpostas. · Empregados: O departamento de RH é comum a todas as empresas interpostas, sendo que o RH também é responsável pela BOM PASSO. O senhor Eduardo Felipe Cruz, contador da BOM PASSO, durante o período fiscalizado, era também o contador responsável das empresas interpostas, que informam como email de contato o email da BOM PASSO, tennywee@tennywee.com.br (DIPJ's às fls. 233/250 e documento de fl. 252). O Sr. Israel Dener N. Gomes, que é sócio proprietário da ULTIMAX, declarou que presta o serviço de RH para todas as interpostas, inclusive para a BOM PASSO, mas depois retificou dizendo que não é o responsável pelo RH da BOM PASSO, e que apenas esclarece as dúvidas da funcionária responsável. No entanto, conforme fotos de fls. 284 e 287, o nome "BOM PASSO" consta na sala onde trabalha o Sr. Israel. Nas GFIP's da BOM PASSO e das empresas interpostas, no sistema GFIPWEB, consta como responsável o Sr. Israel, e como email o endereço deptopessoal@tennywee.com.br (telas de fls. 253/262). No ano de 1999 a grande maioria dos funcionários da BOM PASSO foi transferida para as empresas BREMAR e PRO TÊNIS (tabelas à fl. 142, e telas do sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, fls. 209/232). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Vários sócios das empresas “terceirizadas” são empregados de outras empresas do “grupo”. Diligência efetuada no Sindicato das Industrias de Calçados de Franca, foram localizados vários termos de rescisão de contratos de trabalho das empresas interpostas e também da BOM PASSO tendo a mesma assinatura como preposto/representante, conforme fls. 1191 a 1265. A do Sr Israel Dener Narciso Gomes, que conforme descrito acima teve vínculos empregaticios com várias interpostas, e a do Sr. Deodato Borges da Silva Junior, que conforme tela consulta de vínculos empregaticios do trabalhador do sistema CNIS(CADASTRO NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOCIAIS) A FLS. 1266 a 1268, também teve vinculo empregaticio com várias interpostas. Também foi localizadas, no mesmo sindicato, várias solicitações de compensação de horas feitas pelas empresas interpostas, assim como pela BOM PASSO, assinadas pelo Sr. Israel Dener Narciso Gomes, conforme fls. 1269 a 1278. · Prestação de serviço com exclusividade: Todos os sócios afirmaram que abriram suas empresas depois de entendimento com o Sr. Alexandre Ferreira, proprietário da Autuada, e que prestam serviços exclusivamente para a Bom Passo, a qual fornece toda a matériaprima. A numeração das Notas Fiscais de Prestação de Serviços é seqüencial no caso de cada prestadora, conforme planilhas contendo os lançamentos contábeis da recorrente. Em razão da caracterização de interposta pessoa, entendo correto o lançamento na recorrente. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13858.000144/201015 Acórdão n.º 2403002.637 S2C4T3 Fl. 7 11 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 434DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19647.014901/2007-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.751
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência por qualquer das regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência por qualquer das regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 49 01 /2 00 7- 96 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.014901/200796 Acórdão n.º 2403002.751 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1122.389 da 6ª Turma, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Conforme Relatório Fiscal da Infração, fl. 17, a Escola Mater Christi Sociedade Civil Ltda, CNPJ 09.793.548/000100, deixou de exibir à Fiscalização os recibos de pagamentos de prolabore efetuados no período de 01 a 0911997 e 12/1997. Os pagamentos aos sócios estavam registrados na conta "Honorários da Administração — 331101", nos livros Diário e Razão. A recusa em apresentar os documentos constitui infração ao disposto no § 2.° do art. 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991, o que motivou a lavratura do autodeinfração (AI) 37.093.5632, cadastrado no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) sob o número 19647.0149011200796. A multa foi aplicada no valor de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), com base nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212191, combinados com o art. 283, H, `j', e com o art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, atualizado o valor da multa em face do art. 9.°, VI, da Portaria MPS n.° 142, de 11/0412007, publicada no Diário Oficial da União de 12/04/2007. Da impugnação Cientificada por via postal do lançamento em 13112/2007 (fl. 43), a Autuada apresentou impugnação tempestiva em 09/01/2008, perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em Recife/PE, protocolo 19647.0004351200842, fls. 46/84, argumentando, em síntese, que: a) Teria ocorrido a decadência das contribuições relativas ao ano de 1997, sendo inaplicável ao caso o art. 45 da Lei 8.212/91, por contrário ao CTN e inconstitucional,. conforme jurisprudência. A decadência também atingiria a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. b) Os documentos apresentados pela Autuada corroborariam os registros contábeis, não procedendo a desconsideração de tais Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 informações, razão pela qual seria indevida a multa lançada. Todos os documentos solicitados pela Fiscalização foram apresentados, sendo todos hábeis e idóneos. Ao final a Autuada solicitou a realização de perícia. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência. · Apresentou todos os documentos solicitados. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.014901/200796 Acórdão n.º 2403002.751 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento como nos casos de autuação por descumprimento de obrigação acessória assim estabelece em seu artigo 173: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Ocorre que, no caso em questão, foi dado ciência da autuação em 13/12/2007 e os documentos são referentes ao período 01 a 12/1997, portanto irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.014901/200796 Acórdão n.º 2403002.751 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso em razão do reconhecimento da decadência por qualquer das regras estabelecidas pelo CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13405.000027/2003-42
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DA NOTA TÉCNICA COSIT 01/2012. AFASTAMENTO DA MULTA DE MORA.
Nos termos da Nota Técnica COSIT 01/2012, afasta-se a aplicação da multa de mora nos casos em que o sujeito passivo, espontaneamente, quita o crédito tributário devido mediante compensação antes de intimado de quaisquer medidas fiscalizatórias.
Numero da decisão: 3802-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Adriene Maria de Miranda Veras, Francisco José Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DA NOTA TÉCNICA COSIT 01/2012. AFASTAMENTO DA MULTA DE MORA. Nos termos da Nota Técnica COSIT 01/2012, afastase a aplicação da multa de mora nos casos em que o sujeito passivo, espontaneamente, quita o crédito tributário devido mediante compensação antes de intimado de quaisquer medidas fiscalizatórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Adriene Maria de Miranda Veras, Francisco José Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 5. 00 00 27 /2 00 3- 42 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O contribuinte MUSASHI DO BRASIL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1127.882, proferido em primeira instância pela 5ª Turma da DRJ do Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo sujeito passivo, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI à fl. 01, formalizado pela empresa interessada em 28/01/2003, através do qual é requerido o reconhecimento de direito de crédito do imposto no montante de R$ 362.038,12, relativo ao 4° trimestre de 2002, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999. Mediante PER/DCOMP n°s 28611.39556.150803.1.3_013156 (fls. 36 a 39), 33398.90257.290803.1.3.019158 (fls. 40/41) e 19703.79966.290903.1.3.01 1035 (fls. 42/43), a contribuinte efetuou compensações do crédito pleiteado com débitos relacionados nos referidos documentos. Por meio do Despacho Decisório datado de 21/12/2007 (fl. 89), o Delegado da Receita Federal do Brasil no Recife, concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal de fls. 75 a 80, no Termo de Constatação Resultado da Fiscalização à fl. 81 e no Termo de Informação Fiscal de fls. 87/88, decidiu: 1) RECONHECER o direito creditório da contribuinte junto à Fazenda Nacional, referente ao IPI do 4°t1imestre de 2002, no valor de R$ 362.038,12, em obediência ao disposto no artigo 165, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional); 2) HOMOLOGAR EM PARTE a compensação dos débitos declarados nos PER/DCOMP de fls. 36 a 39, 40/41 e 42/43, com o crédito reconhecido no item anterior, com base nas orientações contidas na IN/SRF n° 600/2005, devendo ser cobrados os débitos remanescentes relacionados à fl. 82. De acordo com o que consta do Termo de Informação Fiscal de fls. 75 a 80, a contribuinte faz jus à totalidade do valor requerido de R$ 362.038,12, a título de ressarcimento de IPI, para fins de compensação do referido valor com os débitos relacionados nos já citados PER/DCOMP. Por outro lado, consta do Termo de fls. 87/88 que o montante de crédito reconhecido em favor da interessada não foi suficiente para compensar todos os débitos declarados, considerando os cálculos efetuados mediante utilização do Sistema de Apoio Operacional (SAPO), tendo resultado os saldos devedores relacionados na Listagem de Débitos à fl. 82. Devidamente intimada a recolher os valores devidos após o procedimento de compensação, a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade de fls. 116 a 127 (juntamente com documentação de fls. 128 a 186), onde alega que alguns dos débitos compensados se encontravam vencidos, mas que a transmissão dos PER/DCOMP nos quais se encontravam relacionados os citados débitos caracteriza denúncia Fl. 589DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13405.000027/200342 Acórdão n.º 3802003.662 S3TE02 Fl. 112 3 espontânea, de conformidade com o disposto no artigo 138 do CTN. Adita que o citado dispositivo do CTN prevê a exclusão da responsabilidade por infração quando de sua denúncia espontânea, isto é, apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Em seguida, argumenta que o artigo 138 do CTN não faz distinção nem menção sobre multas, determinando apenas que sobre o pagamento incidem juros e correção monetária, o que, em seu entendimento, significa que a exclusão é extensiva a todas as multas. Conclui, dessa forma, que a multa de mora possui caráter exclusivamente punitivo, por não substituir o tributo, que é a obrigação principal. Prossegue a interessada afirmando que, sendo a multa de mora de natureza penal, a mesma deve ser excluída diante da denúncia espontânea da infração. Em respaldo a suas alegações nesse sentido, a contribuinte se reporta a manifestações doutrinárias e a decisões do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e do Superior Tribunal de Justiça. Referindose às planilhas anexadas às fls. 185/186, as quais contêm cálculos dos valores de contribuições vencidos por ocasião da transmissão dos respectivos PER/DCOMP, sem e com a imputação de valores a titulo de multa, a contribuinte conclui pela existência de saldo devedor no valor de R$ 3.822,09. Diante do exposto, a contribuinte requer que sua manifestação de inconformidade seja julgada procedente. É o que importa relatar.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA MULTA DE MORA EXIGIBILIDADE. A compensação entre débitos e créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil prevê a imputação da multa de mora sobre débito cuja compensação foi declarada após a data de vencimento da obrigação e antes de iniciado procedimento de oficio ou medida de fiscalização. A exigência da multa independe do fato de ter o contribuinte declarado a compensação do tributo ou contribuição Fl. 590DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 anteriormente a procedimento de cobrança por parte da autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada acerca da decisão exarada, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os termos de sua impugnação. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. A questão posta é extremamente simples, e se resume da forma apresentada pela instância a quo no início do voto condutor do Acórdão recorrido: “O ponto de discordância entre o que foi decidido pela autoridade a quo e a pretensão da empresa requerente reside, tão somente, na imputação de multa de mora sobre as contribuições cujas datas de vencimento já haviam ocorrido quando da transmissão dos respectivos PER/DCOMP. Isto porque a contribuinte entende que, tendo formalizado as compensações pretendidas anteriormente ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, encontrase amparada pelo instituto da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 da Lei n° 5.172/1966 (CTN) e, por conseguinte, é incabível a imposição de qualquer tipo de multa sobre os valores de contribuições devidos.” Atualmente, após diversas discussões sobre a aplicabilidade dos benefícios da denúncia espontânea no instituto da compensação, uma vez realizada anteriormente a medidas de fiscalização, o Superior Tribunal de Justiça possui decisões de ambas as turmas da Primeira Seção no sentido de restringilos ao pagamento. No entanto, administrativamente a Receita Federal, por intermédio da Nota Técnica COSIT 01/2012, estendeu os benefícios da denúncia espontânea aos casos de compensação. Assim é que as decisões mais recentes das próprias DRJ vêm se posicionando nesse sentido, conforme aresto abaixo transcrito: “EMENTA: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2113/2011. VINCULAÇÃO PELA RFB. Conforme Parecer PGFN/CRJ/nº 2113, de 10/11/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, que vincula a RFB, por força do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, excluise a multa de mora quando configurada a denúncia espontânea, com fundamento na inexistência de distinção entre as multas moratória e punitiva, de acordo com reiterada jurisprudência do STJ. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE SIMPLES. MULTA E JUROS DE MORA. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13405.000027/200342 Acórdão n.º 3802003.662 S3TE02 Fl. 113 5 SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NOTA TÉCNICA COSIT N° 01/2012. Cancelase o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação, com incidência de juros e multa de mora, devendo esta ser excluída quando configurada denúncia espontânea, a qual se aplica à compensação, conforme Nota Técnica COSIT n° 01/2012. – DRJ Curitiba – Acórdão 06 35299, de 26/01/2012.” Destarte, diante da Nota Técnica COSIT 01/2012, é de se acolher o argumento do Recorrente, para afastar a multa de mora no caso em tela. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 592DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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