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Numero do processo: 13896.720208/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
Ementa:
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LIMITE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. DRJ. NECESSIDADE DE REBATER OS ARGUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE.
Ao analisar a classificação fiscal, deve a DRJ analisar item a tem, conforme classificação imputada pelo Contribuinte e Fiscalização, devendo enfrentar a matéria impugnada.
Numero da decisão: 3201-005.103
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular o acórdão da DRJ, devendo outro ser proferido, analisando a classificação fiscal imputada pela fiscalização e aquela defendida pelo contribuinte, item a item.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular o acórdão da DRJ, devendo outro ser proferido, analisando a classificação fiscal imputada pela fiscalização e aquela defendida pelo contribuinte, item a item. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LIMITE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. DRJ. NECESSIDADE DE REBATER OS ARGUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. Ao analisar a classificação fiscal, deve a DRJ analisar item a tem, conforme classificação imputada pelo Contribuinte e Fiscalização, devendo enfrentar a matéria impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular o acórdão da DRJ, devendo outro ser proferido, analisando a classificação fiscal imputada pela fiscalização e aquela defendida pelo contribuinte, item a item. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 02 08 /2 01 2- 03Fl. 1168DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Por traduzir bem os fatos do Processo Administrativo Fiscal, transcrevo o relatório da DRJ: (...) Trata o presente de impugnação contra Auto de Infração, lavrado sobre o período em epígrafe, pela falta de lançamento e recolhimento do IPI que, segundo a fiscalização, incidiria sobre produtos classificados e onerados na TIPI no Capítulo 48, enquanto o contribuinte os classificava em posição desonerada do IPI no Capítulo 49. Basicamente, a impugnante alega que, quanto á classificação fiscal, a autoridade autuante errou na interpretação da nota 12 do Capítulo 48 da TIPI, pois, na medida os serviços gráficos executados sob encomenda atendem exclusivamente o encomendante, portanto, tal fato não poderia ser considerado como meramente acessório. Além disso, traz vários julgados para provar que os serviços gráficos personalizados estariam sujeitos exclusivamente à incidência do ISS. Encerrou requerendo que todas notificações sejam entregues no escritório do advogado. Seguindo a marcha processual normal, foi proferido acórdão pela DRJ que assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Os serviços de composição e impressão gráficas abrangidas no art. 8º, §1º, do Dl 406/68, estão sujeitos à incidência do ISS municipal, mas também do IPI federal. A incidência do ISS não exclui a do IPI, desde que as operações realizadas se caracterizem dentre as modalidades de industrialização previstas no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). A partir da vigência da CF/88, a Súmula STJ 156 serve tão somente para dirimir eventual conflito de competência entre municípios e estados, isto é, resolve conflitos acerca da incidência de ISS ou ICMS. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 13896.720208/201203 Acórdão n.º 3201005.103 S3C2T1 Fl. 1.171 3 O fato de um serviço gráfico ter sido executado sob encomenda, ainda que personalizados, não é razão suficiente para excluílos do Capítulo 48, conforme a Regra Geral de Interpretação nº 1 do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma: a) Que sua atividade enquadrase no capítulo 49 da TIPI; b) Argumento aplicabilidade na nota explicativa 12 da NESH; c) Subsidiariamente devido a incidência de IPI, não pode incidir o IPI; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. A discussão no presente Recurso Voluntário tratase hipótese de classificação de produtos no Capítulo 48 ou Capítulo 49 da TIPI. O Contribuinte argumenta em sua peça que tratase de serviços gráficos personalizados, contudo, no auto de infração lavrado pela Fiscalização, identificou que em verdade a atividade realizada de gráfica não é aquela personalizada nos termos do Capítulo 48, vejamos: Com efeito, não se trata de produtos (no caso, formulários contínuos e bobinas) fabricados em residência (lugar da morada; casa ou lugar onde se reside ou habita) ou em oficina (lugar onde se exerce um ofício, uma profissão), expressões não aplicáveis ao estabelecimento industrial do contribuinte, tampouco preponderante o trabalho profissional nele exercido, pois o que o legislador visou excluir foram àquelas atividades para as quais a contribuição do esforço humano fosse mais importante do que o que advém da utilização de máquinas ou aparelhos, tais como o artesão, o artista ou o pequeno artífice – que, a depender da regra geral, se enquadrariam no campo de incidência do IPI, pois transformam, beneficiam, montam, acondicionam ou reacondicionam, renovam ou recondicionam os insumos que utilizam –, figuras que em nada se comparam com o estabelecimento industrial do contribuinte. Contudo, a Fiscalicalizacao classificou item a item, sendo, que a DRJ deixou de enfrentar o argumento defendido pelo Contribuinte e fazendo analise genérica. Fl. 1170DF CARF MF 4 Com isso deve ser anulada a decisao proferida pela DRJ, uma vez, que ausente de fundamentação de manter a classificação fiscal item a item e por não enfrentar os argumentos apresentados em defesa para reclassificação fiscal. Concluo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) Fl. 1171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900481/2012-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004);
2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinal-pagamento;
3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 82, de nº 5738477151-0, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição;
4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 85, de nº 5785135361-1, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição;
5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB;
6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do período-base encerrado em 31/12/2009;
7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem dos créditos postulados -Livros Diário, Razão, Lalur- referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos;
8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinalpagamento; 3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 82, de nº 57384771510, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 85, de nº 57851353611, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do períodobase encerrado em 31/12/2009; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 00 48 1/ 20 12 -2 1 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10283.900481/201221 Resolução nº 1002000.053 S1C0T2 Fl. 97 2 7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem dos créditos postulados Livros Diário, Razão, Lalur referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos; 8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 41645.14240.290909.1.3.046616, transmitida eletronicamente em 29/09/2009, com base em suposto crédito de Contribuições Sociais Retidas na FonteCSRF, oriundo de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 2.653,69. Em 01/03/2012 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela homologação parcial da compensação, fundamentando na insuficiência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que as compensações efetuadas estão corretas, sendo legitimo o direito ao crédito, haja vista pagamento em duplicidade do referido tributo, correspondente à retenção na fonte sobre valor da Nota Fiscal nº 34675, em 15/06/2009, no total de R$ 7.818,50, e em 30/06/2009, exatamente no mesmo valor. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10283.900481/201221 Resolução nº 1002000.053 S1C0T2 Fl. 98 3 fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, conforme acórdão n. 0374.636, de 27 de abril de 2017 (efl. 52), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 65), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "Muito embora a decisão da 4a Turma da DRJ/BSB tenha sido no sentido de não reconhecer o direito líquido e certo da Recorrente, a existência do crédito tributário é demonstrada por meio dos documentos que comprovam o pagamento em duplicidade, quais sejam nota fiscal (DOC.02) e comprovantes de transação bancária (DOC.03) e o livro razão analítico (DOC.04)". Destaca que "A NF 34675, evidencia os valores retidos a título de CSRF, sobre o valor total da fatura R$ 168.139,75 quais sejam: PIS (alíquota 0,65%): R$ 1.092,91 (hum mil e noventa e dois reais e noventa e um centavos) COFINS (alíquota 3%): R$ 5.044,19 (cinco mil e quarenta e quatro reais e dezenove centavos) CSLL (alíquota 1%): R$ 1.681,40 (hum mil, seiscentos e oitenta e um reais e quarenta centavos)", perfazendo um "Total recolhido a título de CSRF: R$ 7.818,50 (sete mil, oitocentos e dezoito reais e cinquenta centavos)". Sustenta que "Os comprovantes de transação bancária (DOC.03) comprovam o recolhimento do valor discriminado acima (código da receita 5952) em duplicidade nas datas 15.06.2009 e novamente em 30.06.2009, sobre a mesma NF..." e que "Da mesma forma, ao conferir o livro razão analítico da Recorrente (DOC. 04), verificase no histórico que no mês de Maio houve a provisão de pagamento dos tributos referentes a NF 34675 e no mês de junho vislumbramse dois lançamentos de pagamento, ambos referentes ao recolhimento de Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10283.900481/201221 Resolução nº 1002000.053 S1C0T2 Fl. 99 4 contribuições sociais sobre o mesmo documento fiscal, qual seja a NF 34675, em 15.06.2009 e depois em 30.06.2009". Ao final, tece considerações sobre os princípios da verdade material e do enriquecimento sem causa da União, postulando a reforma da decisão de 1ª instância e o reconhecimento do crédito no valor de R$ 7.818,50. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Analisando o Recurso Voluntário vejo que o pedido de reconhecimento do crédito pelo Recorrente fundamentase em um suposto recolhimento em duplicidade no valor de R$ 7.818,50, na forma indicada pelo quadro seguinte: CSRF código receita valor recolhido (R$) período de apuração vencimento data de arrecadação efls. 5952 7.818,50 31/05/2009 15/06/2009 15/06/2009 82 5952 7.818,50 15/06/2009 30/06/2009 30/06/2009 85 A decisão a quo negou provimento à Manifestação de Inconformidade em razão da ausência de comprovação do recolhimento em duplicidade alegado pelo então manifestante. De fato, a NF 034675 (efls. 79) e a cópia parcial do livro Razão Analítico (efls. 86), que supostamente seriam elementos de comprovação da origem e do direito ao crédito postulado, só foram colacionados aos autos por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, o que torna justificável a decisão proferida no acórdão recorrido. Entretanto, à vista dessa nova realidade processual, constato haver verossimilhança nas alegações do Recorrente, fundada no fato de que existem dois recolhimentos vinculados a débitos que aparentemente tem origem num mesmo e único evento (prestação de serviço consignada na NF 034675), o que, em princípio e em juízo de delibação, legitimaria o direito ao crédito pleiteado. Assim, lastreado nos princípios da verdade material e do formalismo moderado, entendo que o deslinde do caso depende, primeiramente, da confirmação (ou não) do valor de R$ 7.818,50 recolhido a título de CSRF nas declarações de informações econômicofiscais apresentadas pelo contribuinte, bem como do batimento destas informações com sua escrituração contábilfiscal. No presente caso, vejo que, à exceção do PER/DCOMP, não foram anexadas aos autos outras declarações de informações econômicofiscais que poderiam servir de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10283.900481/201221 Resolução nº 1002000.053 S1C0T2 Fl. 100 5 elemento de comprovação das alegações do Recorrente e, quanto à escrituração, consigno que houve apenas a juntada parcial do livro Razão Analítico, circunstâncias que não permitem a este julgador formar convicção firme quanto à legitimidade do pleito. Sendo assim, voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que: 1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinalpagamento; 3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 82, de nº 57384771510, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 85, de nº 57851353611, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do períodobase encerrado em 31/12/2009; 7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem dos créditos postulados Livros Diário, Razão, Lalur referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos; 8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929344/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.723
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto, que rejeitaram a conversão do julgamento em diligência. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto, que rejeitaram a conversão do julgamento em diligência. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto, que rejeitaram a conversão do julgamento em diligência. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1627.937, fls. 52 a 54, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I/SP, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico nº 790564157, proferido pela DERAT/SP, que reconheceu apenas parcialmente o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 29 34 4/ 20 08 -5 3 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.929344/200853 Resolução nº 2402000.723 S2C4T2 Fl. 163 2 direito creditório da Recorrente e, por conseguinte, homologou também parcialmente as compensações promovidas e controladas nestes autos. A Contribuinte transmitiu, em 14/5/04, Declaração de Compensação (DCOMP) com as seguintes características: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO nº data valor CÓD REC pa vencimento dt recolhimento 09759.90634.140504.1.3.041841 14.05.2004 726.697,99 0422 30.03.2001 30.03.2001 06.04.2001 Em 17/10/08, apresentou sua manifestação de inconformidade sustentando, em suma (fls. 14 a 16), que seu crédito derivaria de um recolhimento em duplicidade de IRRF. Um em 24/4/01, devido à contabilização da obrigação; outro em 29/4/04, quando da efetiva remessa do numerário Como já dito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em seu recurso voluntário de fls. 66 a 83, a recorrente aduz que havia efetuado em duplicidade o recolhimento do IRRF sobre remessa ao exterior em favor da empresa THE DOW CHEMICAL COMPANHY, objeto da fatura comercial nº 42062529. O primeiro, no momento do lançamento contábil da despesa (6/4/01), na ordem de R$ 719.502,96 (principal); o segundo, no momento da efetiva remessa ao exterior (29/4/04), compondo o DARF de R$ 10.337.266,34. Assim, esse valor de R$ 10.337.266,34 estaria contemplando, além da despesa contabilizada em 2001, outras tantas de 2001 ao primeiro trimestre de 2004. A Recorrente também alega que teria havido erro de fato no preenchimento de sua DCTF. É, em síntese, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Tendo em vista que fui vencido quanto à diligência determinada pelo colegiado, na medida em que entendi que os elementos constantes dos autos possibilitavam a conclusão do julgamento, deixo de apresentar meu voto nesta oportunidade. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.929344/200853 Resolução nº 2402000.723 S2C4T2 Fl. 164 3 A Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 20/1/11, consoante se extrai da fl. 56, e apresentou, tempestivamente, seu recurso voluntário, em 21/2/11 (fl. 66). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. A fundamentação para o não reconhecimento integral do crédito foi no sentido de que praticamente a integralidade do DARF no valor de R$ 726.697,99 havia sido utilizada no respectivo débito. É dizer, foi reconhecido apenas e tão somente R$ 0,01 como crédito compensável. Já em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo sustentou que teria recolhido o valor em duplicidade. Uma vez quando da contabilização da despesa, outra quando da efetiva remessa ao exterior. Em função dessas razões de defesa, a DRJ centrou sua análise na questão atinente à natureza de instrumento de Confissão de Dívida da DCTF, bem como no fato de não ter sido comprovada a duplicidade do recolhimento a caracterizar o pagamento indevido do IRRF. Todavia, a documentação acostada aos autos, bem como os esclarecimentos prestados pela patrona da Recorrente, em sustentação oral realizada neste Conselho, em 12/2/19, sugere a possibilidade de haver, de fato, duplicidade de recolhimento. Dessa forma, por prudência e a teor do que dispõe o caput do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, esta Turma entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista da escrituração contábil/fiscal da Recorrente, regularmente amparada por documentação hábil e idônea, informe: 1 Se os DARFs recolhidos em 24/4/01 e 29/4/04, nos valores, respectivamente, de R$ 719.502,96 e parte do de R$ 10.377.266,34, referemse à mesma remessa relativa à fatura 42062529; 2 Se há, uma vez constatada a correlação entre os DARFs (parte do de 29/4/04), duplicidade de recolhimentos a configurar pagamento indevido em relação a um deles. Vale dizer, se o mesmo débito foi extinto por meio dos DARFs acima citados; e 3 Preste informações outras que reputar necessárias à solução da lide. Ato contínuo, que seja dada ciência à recorrente para que, querendo e no prazo do 30 (trinta) dias, manifestese acerca da Informação Fiscal produzida. Conclusão Face ao exposto, VOTO no sentido de CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, na forma acima delimitada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903491/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/04/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.697
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/04/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 91 /2 01 2- 19 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903491/201219 Acórdão n.º 3302006.697 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.557. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903491/201219 Acórdão n.º 3302006.697 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903491/201219 Acórdão n.º 3302006.697 S3C3T2 Fl. 5 4 restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903491/201219 Acórdão n.º 3302006.697 S3C3T2 Fl. 6 5 poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903491/201219 Acórdão n.º 3302006.697 S3C3T2 Fl. 7 6 por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720107/2017-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
INEXISTÊNCIA DE ERROS E OMISSÕES. RECURSO COM NÍTIDO CARÁTER INFRINGENTE.
Embargos de declaração opostos com caráter infringente que foge ao caso concreto julgado e aos parâmetros fáticos e legais do lançamento tributário. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). É inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide.
ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. FATOS LEVANTADOS EM CONTRARRAZÕES DE RECURSO. INEXISTÊNCIA
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Judiciário e aplicável no âmbito do processo administrativo, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida.
Numero da decisão: 2201-005.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios formulados pela Fazenda Nacional, ratificando o Acórdão nº 2201-004.688, de 12 de setembro de 2018.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 INEXISTÊNCIA DE ERROS E OMISSÕES. RECURSO COM NÍTIDO CARÁTER INFRINGENTE. Embargos de declaração opostos com caráter infringente que foge ao caso concreto julgado e aos parâmetros fáticos e legais do lançamento tributário. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). É inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. FATOS LEVANTADOS EM CONTRARRAZÕES DE RECURSO. INEXISTÊNCIA O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Judiciário e aplicável no âmbito do processo administrativo, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios formulados pela Fazenda Nacional, ratificando o Acórdão nº 2201-004.688, de 12 de setembro de 2018. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
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RECURSO COM NÍTIDO CARÁTER INFRINGENTE. Embargos de declaração opostos com caráter infringente que foge ao caso concreto julgado e aos parâmetros fáticos e legais do lançamento tributário. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). É inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. FATOS LEVANTADOS EM CONTRARRAZÕES DE RECURSO. INEXISTÊNCIA O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Judiciário e aplicável no âmbito do processo administrativo, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios formulados pela Fazenda Nacional, ratificando o Acórdão nº 2201 004.688, de 12 de setembro de 2018. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 07 /2 01 7- 89 Fl. 1961DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração da PGFN às fls. 1.943/1.949, por bem relatar os fatos ora questionados. Em sessão plenária de 12/09/2018, foi proferido o Acórdão nº 2201004.688 (efls. 1868 a 1920), pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF , assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Na operação de incorporação de ações, a transferência dessas para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação, sendo tributável, como ganho de capital, a diferença a maior obtida pelo detentor de ações transferidas para o capital social da companhia incorporadora. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. CONTRATO DE INTERMEDIAÇÃO. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro de forma objetiva a prestação de serviços de intermediação do negócio para a realização do contrato Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10280.720107/201789 Acórdão n.º 2201005.049 S2C2T1 Fl. 1.962 3 referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Fiscalização que fundamenta a glosa do valor do contrato através de elementos subjetivos e ilações sem prova das alegações. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte principal para excluir do valor da alienação os valores proporcionais pagos à empresa AGL. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negou provimento. Quanto ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo solidário, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. O processo foi encaminhado à PGFN em 26/09/2018 (Despacho de Encaminhamento de efl. 1921). De acordo com o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 26/10/2018. Em 19/10/2018, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de efls. 1922 a 1926 (Despacho de Encaminhamento de efl. 1927). A embargante alega a existência de omissão no julgado, pois a Turma não se manifestou sobre alguns fatos levantados pela União em suas contrarrazões (itens 100 a 111) que demonstravam a natureza de prestação de serviços de assessoria financeira e jurídica aos contratos firmados com a Credit Suisse e AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda, bem como a impossibilidade de tais despesas comporem o custo de aquisição dos bens alienados. É o breve relato. Admissibilidade dos Embargos de Declaração O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Feitas essas considerações, passase à necessária apreciação. Da omissão com relação à natureza dos contratos firmados com Credit Suisse e AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda Fl. 1963DF CARF MF 4 A embargante sustenta que há omissão no acórdão por falta de manifestação da Turma sobre os seguintes fatos apontados pela União nas contrarrazões (grifos e destaques da embargante): “100 Como se vê, o contrato firmado pelo Credit Suisse era um contrato de serviço que previa uma seria de prestações a cargo do banco contratado, as quais não se amoldam ao conceito de contrato de corretagem. Houve a prestação de serviços financeiros, que em nada se relacionam com o trabalho do corretor, vide previsão de análise de “posição financeira da sociedade”. Aliás, a própria atuação do Credito Suisse seria de avaliador dos negócios e não de mediador, como faz parte do contrato de corretagem. Ademais, na cláusula 1.(d) resta claro que cumpriria ao Credito Suisse promover a estruturação da operação. 101 Todas essas obrigações tornam inconteste que não se trata de corretagem, mas sim de contrato de prestação de serviços de assessoria financeira e jurídica. Dessa forma, está excluída a possibilidade de enquadramento do contrato na modalidade típica, eis que o dispositivo legal é expresso em dizer que o fato de haver um contrato de serviço em curso afasta o contrato de corretagem. 102 O contrato firmado com a AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda, por sua vez, dispunha: I. OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a prestação, pela Contratada, de serviços de consultoria em relaçalo à Transação, incluindo (i) auxiliar os Contratantes na Reestruturação, incluindo eventual planejamento familiar; (ii) a apresentação da Transação a potenciais investidores, incluindo a coordenação de visitas ao Grupo Big Benn; (iii) coordenação dos trabalhos envolvendo outros assessores, incluindo assessores financeiros, jurídicos e contábeis; (iv) intermediação das negociações junto aos Contratantes, os potenciais interessados na Transação, bem como seus respectivos assessores; e (v) auxiliar no planejamento imobiliário do Grupo Big Benn (em conjunto "Serviços"). 103 Aqui também se verifica a existência de outros serviços, o que afasta a possibilidade de tal contrato ser classificado como contrato de corretagem. 104 O Superior Tribunal de Justiça já se debruçou sobre o tema corretagem e assessoria por serviços técnicos em relação à venda de unidades imobiliárias. No julgamento do REsp n. 1.599.511SP, o relator observou que se trata de serviços distintos – embora no caso concreto se estivesse cobrando a taxa de assessoria por serviço, que, na verdade, era corretagem e ressaltou que a prestação de assessoria de serviços é um serviço que envolve confiança entre contratante e contratado. In verbis: “Consideramse, assim, nulas de pleno direito as cláusulas que obrigam o consumidor a pagar o serviço de assessoria Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 10280.720107/201789 Acórdão n.º 2201005.049 S2C2T1 Fl. 1.963 5 técnicoimobiliária (SATI), ou congênere, ex vi do art. 51, IV, in fine, do Código de Defesa do Consumidor. Ademais, essa assessoria é um serviço que envolve o elemento confiança (intuitu personae). Assim, se o consumidor necessitar de alguma assessoria técnica ou jurídica para orientálo acerca do contrato ou de outros detalhes relativos à aquisição do imóvel, pode contratar diretamente um profissional ou advogado da sua confiança, e não alguém vinculado à incorporadora.” 105 O caráter intuito personae dos serviços de assessoria técnica, jurídica ou financeira impõe o questionamento quanto à possibilidade de tal serviço compatibilizarse com o contrato de corretagem, uma vez que a corretagem exige isenção do profissional responsável pela intermediação, como se infere do parágrafo único do art. 723 do Código Civil, que em linha com a lição de Orlando Gomes, impõe o dever de prestar informações sobre a segurança ou risco do negócio além de outros fatores aptos a influir “nos resultados da incumbência”. 106 Não é por outra razão que o art. 722 dispõe que corretor não deve ter ligação com aquele que o contrata. A restrição objetiva justamente preservar a imparcialidade do corretor, imparcialidade essa que não é compatível com a relação de confiança com apenas uma das partes em negociação. 107 Corroborando a incompatibilidade entre os serviços de corretagem e o de assessoria está a manifestação do próprio Conselho Federal de Corretores de Imóveis, que editou a Resolução n. 1.256/2012 para proibir a cobrança de valores a título de taxa de assessoria administrativa jurídica ou outra. Vejase: Art. 3º É vedado aos inscritos no Regional cobrarem de seus clientes, para si ou para terceiros, qualquer taxa a título de assessoria administrativa jurídica ou outra, assim como devem denunciar ao Regional a cobrança de tais taxas quando feitas pelo incorporador, pelo construtor ou por seus prepostos. 108 A preocupação com a imparcialidade do corretor também está explícita na Instrução CVM n. 505/2011, que, regulando a Lei n. 6.385/76, trata dos serviços de intermediação de valores mobiliários. No capítulo, Seção, I que se referem respectivamente a “normas de conduta” e “deveres dos intermediários”, o normativo dispõe: Art. 30. O intermediário deve exercer suas atividades com boa fé, diligência e lealdade em relação a seus clientes. Parágrafo único. É vedado ao intermediário privilegiar seus próprios interesses ou de pessoas a ele vinculadas em detrimento dos interesses de clientes. Fl. 1965DF CARF MF 6 Art. 31. O intermediário deve estabelecer regras, procedimentos e controles internos que sejam aptos a prevenir que os interesses dos clientes sejam prejudicados em decorrência de conflitos de interesses. Parágrafo único. As regras, procedimentos e controles internos de que trata o caput devem: I – identificar quaisquer conflitos de interesses que possam surgir entre ele, ou pessoas vinculadas a ele, e seus clientes, ou entre os clientes; II – permitir que, diante de uma situação de conflito de interesses, o intermediário possa realizar a operação, em nome do cliente, com independência; e III – estabelecer mecanismos para informar ao cliente que o intermediário está agindo em conflito de interesses e as fontes desse conflito, antes de efetuar uma operação. 109 Por fim, mencionese à jurisprudência do CARF sobre o tema, que, no exame de questão em tudo similar, concluiu pela impossibilidade de tais despesas comporem o custo de aquisição dos bens alienados. Acórdão n. 2201.002.342 ... 110 Cumpre examinar o inteiro teor do Acórdão: Dedução das Despesas de Assessoria na Apuração do Ganho de Capital Sobre a possibilidade de considerar os gastos com assessoria financeira suportado pelo contribuinte como despesa de corretagem na apuração do ganho de capital, reproduzo, de antemão, o art. 17 da IN SRF nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: (...) II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc. Embora alegue o suplicante que para obter o ganho de capital o contribuinte arcou com despesas relativas à assessoria financeira pagas à Goldman Sachs Representações Ltda, verificase da leitura do excerto supra que tais despesas não compõem o custo de aquisição, por falta de previsão legal. Pelo se colhe da Declaração prestada pela Goldman Sachs Representações Ltda à fl. 66, vol. VII, o serviço foi prestado a título de “... prestação Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 10280.720107/201789 Acórdão n.º 2201005.049 S2C2T1 Fl. 1.964 7 de serviço de assessoria financeira na ‘Operação Bradesco’.” Dessa forma, há de se concluir que o procedimento adotado pela autoridade fiscal quando da apuração do custo de aquisição obedeceu aos ditames da legislação de regência, não prosperando as arguições da defesa.” 111 Ante o exposto, também neste ponto, deve ser rejeitada a pretensão recursal, pois indevidas as deduções levadas a efeito pela recorrente”. (Destaques acrescidos) Entendo que assiste parcial razão à embargante. Compulsando os autos, verificase que ao tratar do contrato com a Credit Suisse, assim se manifestou o relator do votocondutor do acórdão: 24 – No próprio contrato com o Credit Suisse é claro no sentido de que “O Credit Suisse não será responsável pela decisão negocial tomada pelos Contratantes no sentido de efetuar uma Operação”, logo, percebemos que em relação a esse contrato não há qualquer tipo de relação de prestação de serviço com a venda em si do negócio, para interpretarmos como alguma forma de corretagem/comissão, portanto, correto o entendimento da turma a quo. Adotando portanto a tese aventada nas contrarrazões da Fazenda Nacional (itens 100 e 101 acima transcritos), não havendo que se falar em omissão com relação ao contrato com a Credit Suisse. Com relação ao contrato com a AGL o acórdão concluiu que o contrato de prestação de serviços referese à corretagem, devendo seu custo ser incorporado ao custo de aquisição das ações, nos seguintes termos: 30 – Logo, o objeto do referido contrato tratase de acordo com a cláusula 1.1 do seguinte: 31 – Entendo que, de acordo com as cláusulas acima, o valor pago por cada acionista é inconteste quanto ao pagamento de honorários para a realização do contrato/operação, tal valor Fl. 1967DF CARF MF 8 adjacente não integra o valor do bem alienado e deve ser considerado como custo de aquisição. 32 Portanto, deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações. É o que se extrai até mesmo da interpretação da Instrução Normativa mencionada pelo Acórdão recorrido, pois a finalidade da norma é excluir a parcela não integrante do valor do bem (valor da corretagem), quando suportado pelo alienante, do valor da alienação levado a efeito para o cálculo do ganho de capital. ... 34 – Portanto, não havendo provas concretas por parte da autoridade fiscal quanto a eventual conluio, fraude ou simulação em relação aos valores dispendidos pela alienante, pagos pela prestação de serviços para a empresa AGL, não podendo se valer o lançamento de meras ilações para efetuar a glosa de tais valores, entendo que deve ser dado provimento parcial ao recurso para manter o valor gasto pela contribuinte quanto a empresa AGL, nas mesmas proporções do cálculo de fls. 34/35 do TVF. Todavia, depreendese dos excertos acima que não foram rechaçadas as manifestações da PGFN sobre a impossibilidade de contratação de outros serviços em um contrato de corretagem (itens 103 e 107), bem como a impossibilidade de dedução de outras despesas com assessoria financeira (item 109): 103 Aqui também se verifica a existência de outros serviços, o que afasta a possibilidade de tal contrato ser classificado como contrato de corretagem. ... 107 Corroborando a incompatibilidade entre os serviços de corretagem e o de assessoria está a manifestação do próprio Conselho Federal de Corretores de Imóveis, que editou a Resolução n. 1.256/2012 para proibir a cobrança de valores a título de taxa de assessoria administrativa jurídica ou outra. ... 109 Por fim, mencionese à jurisprudência do CARF sobre o tema, que, no exame de questão em tudo similar, concluiu pela impossibilidade de tais despesas comporem o custo de aquisição dos bens alienados. Neste ponto, verificase que há omissão no julgado, devendo tais assertivas serem analisadas pela turma julgadora. CONCLUSÃO Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para correção da omissão apontada, mediante a prolação de um novo acórdão. 2 – Houve embargos de declaração por parte do contribuinte às fls. 1.931/1.942 em que por decisão de admissibilidade dessa I. Presidência às fls. 1.950/1.959 que Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10280.720107/201789 Acórdão n.º 2201005.049 S2C2T1 Fl. 1.965 9 na forma do art. 65 § 3º do RICARF foram rejeitados: Art. 65....(omissis) § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. 3 Portanto, serão objeto de decisão das razões de embargos de fls. 1.922/1926 opostos pela PGFN para sanar omissão no V. Acórdão de minha relatoria, apenas o tema relativo ao contrato com a AGL identificado no relatório acima e recebidos através da decisão alhures da I. Presidência dessa C. Turma. 4 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, e portanto o conheço na forma da decisão de admissibilidade da I. Presidência dessa C. Turma. 6 Não há qualquer omissão a ser sanada. O que pretende a embargante é a reanálise dos fatos e que seja indicada a sua interpretação que lhe entende ser favorável. 7 Resta claro e expresso no V. Acórdão que o contexto para a manutenção do lançamento quanto ao contrato do Credit Suisse foram diferentes da fundamentação quanto ao da AGL, pois o assunto iniciouse no item 25 a 29 do V. Acórdão recorrido a que o Relator sugere a leitura mais atenta à embargante que diz: "25 – Em relação ao contrato com a empresa AGL às fls. 275/285, entendo ao contrário da decisão de piso e do próprio TVF que assim trata a questão: Fl. 1969DF CARF MF 10 26 – A fiscalização considerou como motivação para afastar como custo de aquisição do contrato com a empresa AGL o fato da composição da empresa ser de familiares da contribuinte e que de acordo com a cláusula 4.1 do contrato tratar da inexistência de vínculo entre as partes. 27 – Entendo equivocada a análise do assunto pela fiscalização, pois de acordo com a cláusula 4.1 do referido contrato (muito comum em contratos de prestação de serviço) serve apenas como uma forma de deixar claro que entre as partes não há qualquer vínculo pessoal no sentido celetista, essa é a ideia relacionada à cláusula 4.1 do referido contrato. 28 – Em relação a questão da empresa ter como sócios familiares da contribuinte e faltarlhe a devida “independência” para tratar do assunto e também em relação ao fato do objeto da mesma não compor nenhum tipo de prestação de serviço de corretagem, entendo equivocada. 29 Ao contrário do entendimento exposto, com a análise do contrato de fls. 275/285 anexo aos autos, resta claro no Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10280.720107/201789 Acórdão n.º 2201005.049 S2C2T1 Fl. 1.966 11 preambulo do acordo entabulado em seus “considerandos” a justificativa da prestação de serviço que é: 7 Portanto, a decisão não contem nenhum tipo de omissão quanto aos fatos ora analisados, sendo que houve a aplicação do direito à espécie com a interpretação da legislação a que o Relator e a Turma decidiu ser a mais correta ao caso concreto, e, portanto, se a embargante entende que não são esses os motivos que devem ser mantidos, que interponha o remédio processual adequado. Nessa linha de raciocínio o E. STJ já se manifestou a respeito, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NA AÇÃO RESCISÓRIA. CABIMENTO DA REMESSA DA AÇÃO RESCISÓRIA AO TRIBUNAL COMPETENTE. MATÉRIA EXPRESSAMENTE DECIDIDA NO ARESTO EMBARGADO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). É inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. 2. O STJ distingue o mero erro no ajuizamento de ação rescisória em razão da competência do erro no ajuizamento em razão da matéria, com diferentes consequências. No primeiro caso, entendese possível remeter o processo ao Tribunal competente, porquanto o erro está unicamente na indicação do órgão judiciário competente, mantendose incólume a inicial que impugna o correto acórdão a ser rescindido. Na segunda hipótese, ao invés, temse vedado a possibilidade da mesma remessa, na medida em que a petição inicial, de modo Fl. 1971DF CARF MF 12 equivocado, insurgese contra acórdão diverso, ou seja, contra decisão que não se constitui no efetivo acórdão rescindendo, sendo inviável fazerse a correção do pedido e da causa de pedir articulados na inicial. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt na AR 5.613/RJ, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 08/11/2017, DJe 13/11/2017) 8 – No mais, quanto à manifestação nos embargos de que devem ser analisados todos os pontos indicados em contrarrazões, entendo que o julgador administrativo, da mesma forma que seu par judicial, não está obrigado a rebater todos os pontos suscitados pelo recorrente, bastando apresentar fundamentação suficiente para o deslinde da causa. Até mesmo no Poder Judiciário essa premissa é real, sendo que a Primeira Seção do STJ no EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585) assim decidiu aplicando o NCPC, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812 80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados.” (grifei) Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10280.720107/201789 Acórdão n.º 2201005.049 S2C2T1 Fl. 1.967 13 9 No mais, a teor do artigo 29 do Decreto do PAF o julgador deve apreciar livremente as provas e os argumentos das partes e tem a livre convicção de julgar desde que de forma fundamentada. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pelo contribuinte, ou a Fazenda quer na fase impugnatória ou recursal, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto, é que acarreta cerceamento do direito de defesa da parte ou o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão singular, contudo, não vejo isso ocorrer no caso concreto. 10 Dessa forma, constato não ter ocorrido os indigitados “erros ou omissões” alegadas pela embargante, que pretende o reexame fático jurídico da presente causa através da via estreita dos embargos de declaração. Conclusão 11 Diante de todo o exposto, voto por conhecer dos embargos de declaração e no mérito rejeitálos, mantendo a decisão embargada por seus próprios fundamentos. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1973DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.003325/2003-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01101/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazê-lo em data posterior.
PROVA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
Numero da decisão: 2201-005.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01101/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazê-lo em data posterior. PROVA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
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LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01101/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. PROVA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 33 25 /2 00 3- 39 Fl. 1109DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 119/125) por sua precisão: Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física —IRPF formalizada por meio do auto de infração de fls. 88 a 98, do qual faz parte os Demonstrativos de Créditos Bancários de fls. 54/71, no valor de R$ 804.941,66 de imposto de renda de pessoa física, R$ 603.706,24 de multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, I da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além de acréscimos legais. 2 A exigência fundamentada no art 42 da Lei 9.430, de 1996; art. 4° da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997; art. 4° da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997; art. 21 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997, decorreu da omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em Instituição Financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 88/93, que é parte integrante e indestacável do Auto de Infração. 3 Regularmente cientificado do lançamento, o interessado ingressa, em 26/01/2004, por meio de seu representante legal (procuração à fl. 111), com a impugnação de fls. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 2201005.050 S2C2T1 Fl. 1.110 3 103/110, instruída com os documentos de fls. 112/113, onde, tece, em síntese, as seguintes argumentações. 4 Alega que não pode ser tributado pelo que dispõe o art. 43 do CTN, e no Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999, uma vez que os valores que circularam pela sua conta corrente não se caracterizam como renda, não tendo a característica primacial que é a disponibilidade econômica, pois se tratavam de valores depositados por compradores de comodities, atuando o interessado como mero intermediário nessas operações. 5 Acrescenta que a presunção descabida lesiona o principio constitucional do • devido processo legal e suas regras consentâneas, tais como o ônus da prova que cabe àquele que alega, além de não se disponibilizar prazo hábil para as comprovações, não podendo ser prejudicado pela volúpia e a dissídia do fisco. 6 Por fim, requer que se conceda novo prazo para a realização de provas testemunhais e documentais, e que seja oficiado o estabelecimento bancário, requisitando o rastreamento da origem dos valores depositados, para que possa cruzar esses dados com os testemunhais. 2 A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01101/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 1111DF CARF MF 4 Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente 3 Apresentado Recurso Voluntário de fls. 130/131 alegando a matéria abaixo indicada e às fls. 133/146 declaração de bens para fins de arrolamento e às fls. 149/588 diversos documentos como notas fiscais de produtor rural e declarações de particulares. 4 Recebidos os autos no E. antigo Conselho de Contribuintes a turma reconheceu em sessão de 19/10/2006 como preliminar a decadência do lançamento conforme ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, IRPF Anocalendário: 1998 Ementa IRPF DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A tributação das pessoas físicas sujeitase a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, .lançamento é por homologação. Sendo assim, o direito de a Fazenda nacional lançar decai após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Salvo se comprovado dolo, fraude ou simulação. Preliminar acolhida 5 – Seguiuse Recurso Especial às fls. 611/629 da PGFN em que a CSRF negou provimento: Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 2201005.050 S2C2T1 Fl. 1.111 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF DECADÊNCIA ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial negado. 6 – Após, houve Recurso Extraordinário por parte da PGFN às fls. 668/673 e com decisão da CSRF em 07/12/2011 de fls. 689/694 assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa:LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4ºdo CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 7 Houve portanto o provimento do recurso extraordinário da PGFN afastando a decadência e determinando nova análise dos autos quanto ao mérito, sendo o relatório do necessário passandose ao voto. Fl. 1113DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 08 – Conheço do recurso por estar presentes as condições de admissibilidade. 09 No mérito O presente caso envolve a apuração de omissão de rendimento por depósitos bancários derivado do art. 42 da Lei 9.430/96. 10 Além de não apresentar as provas no momento da defesa, o Recorrente entendeu por bem juntálas no seu "Recurso Voluntário" sem, todavia, justificar de qualquer maneira a razão da juntada posterior, nos termos do §4º do art.16 do Dec. 70.235/72. 11 Desse modo, há que se reconhecer a preclusão do direito de produzir provas documentais no processo administrativo, o que implica em manutenção da decisão a quo pelo seus próprios fundamentos (não afastamento da presunção do art. 42 da Lei 9.430/96) sendo que não se conhece das provas juntadas às fls. 149/588. Não se pode também falar, nesse caso, que há de se observar o princípio da verdade material, pois este nada tem a ver com a preclusão temporal aplicada ao caso, com fulcro no art.16 do Decreto 70.235/72. 12 Mesmo que não fosse assim, afastando a questão da preclusão, pela análise dos documentos juntados às fls. 149 a 588, juntados de forma aleatória e sem trazer qualquer tipo de correlação com os depósitos indicados no relatório fiscal não fazem menção de forma individualizada, a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, caso a caso, por meio de documentação hábil e idônea que identifique a operação e justifique os valores depositados, conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96. 13 Tal ônus cabe ao contribuinte, sendo desta forma, função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular das contas bancárias a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42, da Lei n° 9.430/96, fato que ocorreu. 14 O contribuinte, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar totalmente, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados relacionados aos demais valores não considerados pela fiscalização e pela DRJ, apenas afirmando de forma genérica na peça recursal que as provas se encontramse nos autos, contudo sem fazer qualquer tipo de cotejo analítico e fundamentado de suas razões. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 2201005.050 S2C2T1 Fl. 1.112 7 15 Verificase no relatório fiscal que foi dado por diversas vezes ao contribuinte a possibilidade de entregar a documentação para comprovação e esclarecimentos de tais depósitos, contudo, nesses casos de presunção relativa, cujo onus probandi é do contribuinte e a juntada de inúmeros documentos por parte do mesmo, arrasta para si o ônus de identificar, em cada um desses documentos, os dados que lhe forem favoráveis e ao mesmo tempo proceder a uma acurada análise de natureza técnica do conjunto desses dados e, finalmente, cotejar, de maneira circunstanciada, os seus resultados e conclusões para serem avaliados pelos dados trazidos pela Fiscalização ao julgador. 16 O julgador não pode ser visto como patrono do contribuinte ou do Fisco, nem seu assistente técnico, motivo pelo qual não lhe cabe pesquisar, nos autos, dentre inúmeros documentos juntados apenas na fase recursal, os dados que poderiam, em tese, ser favoráveis a ele. E sabese que é ônus do contribuinte afastar a presunção legal por meio de documentos que comprovem da origem dos depósitos tomados pela Fiscalização, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 373 do Novo Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. 17 Com efeito, não basta que o Contribuinte apenas rebata o lançamento, devendo rechaçálo de forma coerente por meio de provas que visem confirmar suas alegações, valendo destacar que o exercício de atividade empresarial e/ou rural, a míngua de provas e elementos que ilidam a ausência da comprovação da origem dos depósitos bancários, não são suficientes para a descaracterizar a omissão de rendimentos. Infere se que a presunção de omissão diz respeito a um ou mais valores específicos creditados em conta bancária, exigindo se do contribuinte a explicação de origem para cada um dos depósitos, vedada, desse modo, a justificação dos lançamentos a crédito de forma genérica. 18 Dessa forma, é imperioso, que na segunda instância, que se ofereçam razões ou contra argumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento ou o indeferimento de solicitação, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. 19 Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso faça a revisão necessária. Contudo não vemos qualquer argumento no recurso voluntário apresentado apenas com um parágrafo com a seguinte alegação: Fl. 1115DF CARF MF 8 20 Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso, em que não tenho nada a reparar e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como minhas razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: 7 Inicialmente, quanto à alegação de que não se disponibilizou tempo suficiente ao litigante para que comprovasse a origem dos recursos que circularam pela sua conta corrente bancária, cumpre esclarecer que o art. 835 e § Y do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999), aprovado pelo Decreto n.° 3000, de 1999, que trata da revisão da declaração, dispõe que "as declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários, e que os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos. 8 Pela análise dos autos, verificase que o contribuinte tomou ciência do início da ação fiscal, em 10/04/2001 (fls. 19/20), onde se solicitou que apresentasse os extratos bancários e comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, no ano calendário de 1998, junto ao HSBC Bank Brasil S/A, Banestado e Banco do Brasil, além de comprovar a entrega da sua declaração de ajuste anual do exercício de 1999, anocalendário de 1998. 9 Alegando dificuldade em atender à intimação acima mencionada, em 21/05/2001, autorizou, por meio dos documentos de fls. 21/22, a autoridade lançadora a solicitar diretamente às Instituições Financeiras as informações necessárias para o andamento da ação fiscal. 10 Considerando que o contribuinte havia apresentado declaração de isento, em 05/10/1999 (fl. 85), e a existência de movimentação bancária incompatível com a renda disponível, ou Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 2201005.050 S2C2T1 Fl. 1.113 9 seja, superior ao limite de isenção de R$ 10.800,00, foram solicitados por meio de RMF — Requisições de Movimentação Financeira, os extratos necessários ao andamento da ação fiscal. 11 De posse dos documentos apresentados pelas Instituições Financeiras, a autoridade lançadora elaborou os demonstrativos dos depósitos efetuados no Banco do Brasil (fls. 34139) e, por meio do TIF Termo de Intimação Fiscal n° 004 — fl. 33, do qual foi o litigante cientificado em 14/10/2003 (fl. 40), foi intimado a comprovar a origem dos recursos que respaldaram as operações de crédito. Em sua resposta à fl. 41, o litigante, apenas, acusa o recebimento da intimação e pede dilação de prazo uma vez que considerou o prazo de 10 dias insuficiente para as comprovações solicitadas, além de ressaltar que entregou à SRF uma agenda de controle de entrada e saída de numerários relativos ao seu trabalho de corretagem na compra e venda de cereais. 12 Decorridos 27 (vinte e sete) dias da ciência da intimação acima referida, sem que o impugnante tivesse se manifestado concretamente à respeito dos créditos bancários, expediuse, em 10/11/2003, o Termo de Reintimação n° 005/2003, com ciência em 13/11/2003 — fls. 44/51, reiterando a solicitação constante do TIF n° 004. Posteriormente, em 18/11/2003, foi expedido o Termo de Intimação Fiscal n° 006/2003, com ciência em 28111/2003 — fl. 73, por meio do qual foi requerida a comprovação da origem dos recursos que respaldaram as operações de crédito havidas junto ao HSBC Bank S/A, conforme documentos de fls. 52/72 e, em 10/12/2003, reiterouse as solicitações anteriores por meio do Termo de Reintimação Fiscal n° 007 — fls. 79/82, cuja ciência ocorreu em 12112/2003. 13 Assim, decorridos mais de dois anos, desde o início da ação fiscal, e de dois meses entre a data da primeira intimação (14/10/2003), para que o autuado comprovasse a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias, sem que o mesmo tivesse apresentado provas irrefutáveis da origem dos recursos, não restou a autoridade lançadora outra alternativa, senão efetuar, em 23/1212003, o lançamento com os elementos que dispunha, já que esgotado o prazo regulamentar de 20 dias, previstos no art. 835, § 3° do RIR/1999. 14 Adicionalmente, é de se esclarecer que o Decreto 70.235, de 1972, em seus arts. 14, 15 e 16, III e § 4°, que foi acrescido ao artigo 16 do Decreto n.° 70.235, de 1972, pelo artigo 67 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 estabelecem que: Art. 14. A impugnação da exigência é que instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência ". Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1117DF CARF MF 10 III — os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e provas que possuir, §4° Aprova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos". (Grifos acrescidos). 15 Ou seja, não foi o exíguo prazo que o impediu de apresentar as comprovações solicitadas, até porque decorreram mais de dois meses entre a data da primeira intimação (14/10/2003) e a lavratura do auto de infração (23/12/2003), sem que o autuado tivesse justificado qualquer depósito, tampouco justificouos na fase impugnatória, ou seja, na época oportuna para exercer o seu direito de defesa, na qual devia ter apresentado os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que possuísse. 16 À luz dessas considerações, verificase incabível o pedido para concessão de novo prazo para realização de provas testemunhais e documentais, pois além de suas alegações se revelarem meramente protelatórias, foram obedecidos todos os prazos legais estabelecidos para exercício do direito de defesa, tanto na fase preliminar ao lançamento quanto na fase impugnatória, além de não estar demonstrada a impossibilidade da apresentação oportuna da prova documental. 17 Da mesma forma, é improcedente a manifesta inconformidade do impugnante acerca da exigência consubstanciada no Auto de Infração, compreendendo a tributação dos rendimentos omitidos provenientes de valores creditados em sua conta corrente, cuja origem não foi comprovada, sob a argumentação de que tais valores não são caracterizadores de renda, tampouco de disponibilidade econômica. 18 Devese frisar que o auto de infração foi lavrado já sob a égide do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c art. 4° da Lei n° 9.481, de 1997. Diz o referido texto legal, com alteração posterior introduzida pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 1997, que: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1 , O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 2201005.050 S2C2T1 Fl. 1.114 11 § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 11 — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). " (Grifouse) 19 De modo que, tendo o dispositivo legal acima estabelecido uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, descabe a alegação de falta de previsão legal. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. 20 A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase afi ál de presunção relativa, passível de prova em contrário. 21 Por outro lado, para elidir a presunção legal, de que depósitos em conta corrente sem origem justificada referemse a renda omitida, não basta o autuado fazer alegações genéricas de que se referem a circulação de valores de terceiros utilizados na compra de comodities, sem, contudo especificálas ou anexar as provas de suas alegações. 22 Destarte, se o impugnante não apresenta documentos que comprovem inequivocamente a origem dos depósitos em güesti ento, materializase a presunção legal formulada de omissão de receitas, por não ter sido elidida. 23 Acrescentese que a omissão de receitas, quando a sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos no Direito, Fl. 1119DF CARF MF 12 inclusive presuntivos com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador. 24 Dessa forma, é incabível qualquer reparo aos depósitos considerados como de origem não comprovada, no auto de infração de fls. 88 a 95. 25 No que concerne às alegações de inconstitucionalidade, cumpre esclarecer que é defeso à esfera administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidades das normas legais, em face de tal apreciação ser foro privativo do Poder Judiciário. 26 Ressaltese ainda que a atividade de fiscalização e vinculada e obrigatória, por força do parágrafo único do art. 142 do CTN: "Art. 142. ( ... ) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." (Grifouse). 27 Assim, cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais, sem fazer argüições quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade dos seus dispositivos. Nesse contexto, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Tal princípio aplicase igualmente em relação às leis em confronto com outros dispositivos legais, pretensamente em conflito. 28 Ou seja, compete às Delegacias de Julgamento tão somente o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, afastandose da análise administrativa quaisquer manifestações que contraponham princípios constitucionais com essas normas. 29 No que se refere às doutrinas transcritas, cabe esclarecer que mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 2201005.050 S2C2T1 Fl. 1.115 13 30 Pelo exposto voto no s nt' o de julgar procedente o lançamento, mantendo a exigência de R$ 804.941,66 de impo tó de renda pessoa física, R$ 603.706,24 de multa de ofício de 75 %, e encargos legais. 21 – Portanto, nada a ser reformado e mantenho na íntegra a decisão de piso por seus próprios fundamentos. Conclusão 22 Diante do exposto, conheço do recurso para NEGARLHE provimento na forma da fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.007988/2003-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002
DECADÊNCIA. ADVENTO PARCIAL.
Transcorrido o quinquênio decadencial em face de lançamento de Salário-Educação em determinados períodos de apuração, resta caracterizado o advento da decadência, ainda que parcial.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. CONVÊNIO FNDE. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA.
É procedente a notificação de recolhimento de débito quando o FNDE identifica, mediante levantamento interno, irregularidades no recolhimento do Salário-Educação.
Numero da decisão: 2402-006.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer de ofício a decadência das contribuições até a competência 04/1999, inclusive, e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do débito apurado na NRD nº 344/2004 (fls. 97 e 98), referente às competências de 12/1999 a 03/2001, inclusive, os valores pagos em sede de parcelamento no âmbito do Debcad nº 60.147.221-7, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002 DECADÊNCIA. ADVENTO PARCIAL. Transcorrido o quinquênio decadencial em face de lançamento de Salário-Educação em determinados períodos de apuração, resta caracterizado o advento da decadência, ainda que parcial. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. CONVÊNIO FNDE. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. É procedente a notificação de recolhimento de débito quando o FNDE identifica, mediante levantamento interno, irregularidades no recolhimento do Salário-Educação.
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I. MONTREAL INFORMÁTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002 DECADÊNCIA. ADVENTO PARCIAL. Transcorrido o quinquênio decadencial em face de lançamento de Salário Educação em determinados períodos de apuração, resta caracterizado o advento da decadência, ainda que parcial. SALÁRIOEDUCAÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. CONVÊNIO FNDE. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. É procedente a notificação de recolhimento de débito quando o FNDE identifica, mediante levantamento interno, irregularidades no recolhimento do SalárioEducação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer de ofício a decadência das contribuições até a competência 04/1999, inclusive, e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do débito apurado na NRD nº 344/2004 (fls. 97 e 98), referente às competências de 12/1999 a 03/2001, inclusive, os valores pagos em sede de parcelamento no âmbito do Debcad nº 60.147.2217, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 79 88 /2 00 3- 05 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Acórdão n.º 2402006.964 S2C4T2 Fl. 621 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 161/174) em face de decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 127/130 que decidiu pelo indeferimento da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe (efls. 100/108), mantendo, destarte, o crédito tributário referente ao não recolhimento do salário educação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 344/2004 emitida em 11/05/2004 no valor total de R$ 86.665,18 (efls. 97/98) com fulcro em irregularidades nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação e/ou na aplicação dos recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), consoante o disposto na legislação aplicável, especificamente em relação aos períodos de apuração (P.A) 07/1995 a 04/2002 Estabelecimento 000207. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 161/174) já foi conhecido pelo Colegiado. Passo à análise. Conforme já relatado na Resolução n. 2402000667 (efls. 572/576), o mérito da presente lide duplicidade/superposição de cobrança confundese, em parte considerável, com os fundamentos que deram suporte às NFLD DEBCAD n. 35.371.5140; n. 35.371.520 4; 35.371.2825; n. 35.371.5093; n. 35.371.6065; n. 35.371.5034; n. 35.371.5190; n. 35.371.6073; n. 35.371.5123; n. 35.371.5182; n. 35.371.2817; e n. 35.371.5131, conforme denuncia a Recorrente, verbis: Conforme já pisado e repisado na peça de bloqueio, os débitos ora discutidos são objeto de dupla cobrança, uma vez que já foram lançados pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, em agosto de 2001, mediante a lavratura das seguintes NFLDs: Fl. 621DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Acórdão n.º 2402006.964 S2C4T2 Fl. 622 3 As notificações elencadas, da lavra do INSS, possuem o mesmo objeto (salárioeducação), utilizaram a mesma base de cálculo, correspondem ao mesmo período, bem como aplicaram a mesma alíquota aplicada aos débitos lançados na presente NRD, configurando, portanto, indubitavelmente uma dupla cobrança de um débito que, a rigor, é o mesmo. Ressaltese ainda que não logram êxito os poucos argumentos trazidos na decisão que ora se refuta. Isto porque, ambas as fiscalizações lançam os valores compensados pela empresa com créditos detidos, sendo patente a duplicidade na cobrança, facilmente depreendida das planilhas elaboradas pelos órgãos autárquicos. Ademais, ambas as fiscalizações utilizam, em última análise, para fins de aferição da base de cálculo os valores constantes nas folha de pagamento. Assim, notase das planilhas elaboradas pelas mesmas que as bases de cálculo adotadas são as mesmas, sendo cobrados por ambos o suposto tributo não recolhido e/ou compensado. Patente que a Recorrente está sendo objeto de dupla cobrança dos valores destinados ao FNDE e, por que não dizer, tripla cobrança, se considerarmos o período compreendido entre as competências de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998, pelas razões já expostas anteriormente. A prevalecer o entendimento da administração previdenciária e da administração educacional, a ora Recorrente deverá pagar as contribuições em dobro e depois promover contra uma das duas administrações ou as duas simultaneamente a restituição do valor pago em dobro. Ora, manifesto a situação de bis in idem, que, se não corrigida, impõe à Recorrente à penosa via do solve et repete, na qual fica obrigada a pagar a referida contribuição em dobro, para depois reaver a diferença em processo específico de restituição, pela via administrativa ou por meio de ação judicial de repetição de indébito, atentandose, ainda, contra o princípio da economia processual. Destarte, por todo o exposto, impõese a necessidade de exclusão da presente exação os valores já lançados nas NFLDs em questão. [...] (grifos originais) De se observar que a Recorrente fez opção por participar do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), possuindo assim convênio com o Salário Educação, razão pela qual procedeuse à inspeção consubstanciada no Termo de Visita Empresa (efls. 02/07), que deu suporte à Informação n. 375/2004 SUSME 03/05/2004 (e fls. 90/91), culminando com a NRD n. 344/2004 (efls. 97/98). Fl. 622DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Acórdão n.º 2402006.964 S2C4T2 Fl. 623 4 Nessa perspectiva, resta evidenciado que o enfrentamento do mérito do Recurso Voluntário de efls. 161/174 reclama o desfecho da efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão judicial em face das já referidas NFLD, bem assim a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004 (efls. 97/98). Assim, foi solicitada diligência, nos termos da Resolução n. 2402000667 (e fls. 572/576), com o seguinte dispositivo: Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 161/174) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à Unidade de Origem para informar, mediante relatório minucioso e circunstanciado, a efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão judicial em face das NFLD DEBCAD n. 35.371.5140; n. 35.371.5204; 35.371.2825; n. 35.371.5093; n. 35.371.6065; n. 35.371.503 4; n. 35.371.5190; n. 35.371.6073; n. 35.371.5123; n. 35.371.5182; n. 35.371.2817; e n. 35.371.5131, bem assim a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004 (efls. 97/98).(grifei) Em atendimento à diligência supra referida, a unidade de origem acostou aos autos os documentos de efls. 578/597, consolidando as conclusões no Despacho de Diligência (efls. 598/600), transcrito no essencial, conforme segue: [...] 3. Atendendo à solicitação, efetuamos a análise das notificações e verificamos primeiramente a situação atual delas, no sistema SICOB e no eprocesso, conforme quadro abaixo: 4. Posteriormente pesquisamos quais foram os fatos geradores, conforme demonstrado na planilha abaixo: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Acórdão n.º 2402006.964 S2C4T2 Fl. 624 5 5. Desta análise preliminar, verificamos que os únicos lançamentos que contemplam o mesmo fato gerador que a notificação do FNDE, são os indicados nos itens 1 e 12, ou seja: 6. No processo DEBCAD: 35.371.5140 COMPROT: 12045 000.278/200724 , foram lançadas as contribuições sociais do SalárioEducação, incidentes sobre a remuneração paga pelo contribuinte a seus empregados em folha de pagamento – “Levantamento STG (Sal.Educ. FP na GFIP)”, referentes aos estabelecimentos (000126, 000207, 000550, 000711, 0008 00, 001289), e no processo DEBCAD: 35.371.5131 sem COMPROT, foram lançadas as contribuições sociais do Salário Educação, incidentes sobre a remuneração paga pelo contribuinte a seus empregados em folha de pagamento “Levantamento ST (Sal.Educ. FP fora da GFIP)”, referentes aos estabelecimentos (0001 26, 000207, 000550, 000711, 000800, 001289) de acordo Relatório Fiscal e anexos ás fls.50/71 do Volume 1 do processo 12045000.278/2007 24.(grifei) 7. Na planilha de fls. 63/71 do volume 1 (cópia anexa ás fls.578/586), o Auditor Fiscal discriminou por CNPJ, o valor da Base de Cálculo e apurou os valores das contribuições devidas, separando em duas colunas “Valor devido ref. Salário Fl. 624DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Acórdão n.º 2402006.964 S2C4T2 Fl. 625 6 Educação fora da GFIP (E)” e lançou os valores encontrados, no DEBCAD: 35.371.5131, e os valores da coluna “Valor devido ref. SalárioEducação na GFIP (F)”, no DEBCAD: 35.371.5140. 8. Comparando as contribuições lançadas na referida planilha, verificamos que os valores discriminados para o CNPJ 0002 07, coincidem com os valores lançados na notificação do FNDE (49.901.7757 NDR nº. 344/2004) , em várias competências, conforme planilha anexa às fls.587. 9. O processo 12045000.278/200724 (DEBCAD: 35.371.514 0), encontrase baixado pelo CARF, portanto não há que se falar em duplicidade de lançamento. 10. Quanto ao DEBCAD: 35.371.5131, conforme informações obtidas nos sistemas da RFB, foi incluído no parcelamento DEBCAD: 60.147.2217 já liquidado, entretanto não tivemos acesso ao processo que não possui COMPROT e foi arquivado em 25/09/2003 na Gerência Executiva do Rio de Janeiro Centro (telas anexas às fls.588/597). Portanto efetuamos a comparação entre os valores constantes nos sistemas da RFB e informações contidas no processo 12045000.278/200724. 11. Os valores compensados de acordo com a autorização judicial Processo:97.007.53271 , foram lançados na notificação DEBCAD: 35.371.5182 COMPROT: 12045 000441/200759, para prevenir a decadência mas foi anulado pelo CARF, e encontrase aguardando julgamento de Recurso Especial da PFN. [...](grifei) Muito bem. Resta constatado, a partir das conclusões da diligência em apreço, que os únicos lançamentos relacionados aos fatos geradores que deram azo à Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 344/2004 (efls. 97/98) são aqueles consignados na NFLD DEBCAD n. 35.371.5140 (vinculado ao processo administrativo fiscal n. 12045 000.278/200724) e na NFLD DEBCAD n. 35.371.5131 (sem registro no sistema Comprot). Em consulta aos autos do processo administrativo fiscal n. 12045 000.278/200724, verificase que o crédito tributário apurado na NFLD DEBCAD n. 35.371.5140 foi exonerado, nos termos do Acórdão n. 230100.719, de 29/10/2009, da lavra da 3ª. Câmara da 1ª. Turma Ordinária da 2ª. Seção de Julgamento deste CARF, concluindose pela inexistência de duplicidade de cobrança em face das respectivas competências 04/1999 a 04/2001. Com relação à NFLD DEBCAD n. 35.371.5131 (sem registro no sistema Comprot), foi incluído no parcelamento DEBCAD: 60.147.2217 já liquidado (efl. 597), do que se deduz ocorrência de duplicidade de cobrança em face das competências 01/1999 a 03/2001. Todavia, a Informação n. 375/2004 SUSME (efls. 90/91), que autorizou a emissão da NRD n. 344/2004 (efls. 97/98), denuncia também que: Fl. 625DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Acórdão n.º 2402006.964 S2C4T2 Fl. 626 7 [...] a) Competências: janeiro a maio/ 1995 ~ consta débito, porém não serão cobradas tendo em vista a decadência, conforme dispões o Art. 583, § 2° da Instrução Normativa do INSS/DC n° 100, 18/12/2003; b) Competências: julho a dezembro e décimo terceiro/1995, janeiro a dezembro e décimo terceiro de 1996 e 1997, janeiro a março/1998, abril a dezembro e décimo terceiro/1999 e 2000, janeiro a março/2001 débito, tendo em vista a não comprovação dos recolhimentos; c) Competências: abril a dezembro e décimo terceiro/1998, janeiro a março 1999, fevereiro, março e abril de 2002 débito, tendo em vista o recolhimento a menor, por efetuar compensações não comprovadas; [...](grifei) Das constatações consignadas na Informação n. 375/2004 SUSME, de 27/04/2004 (efls. 90/91) e uma vez presente que o lançamento consignado na NRD n. 344/2004 (efls. 97/98) se aperfeiçoou (foi constituído) em 17/05/2004 (efl. 99), concluise que: i) as competências até 11/1998, inclusive, encontramse atingidas pela decadência, observandose a regra geral do art. 173, I, do CTN; ii) as competências compreendidas entre 12/1998 até 04/1999, inclusive, encontramse atingidas pela decadência, observandose a regra geral do art. 154, § 4°., do CTN, vez que ausente dolo, fraude ou simulação; iii) deve ser deduzido do débito apurado na NRD n. 344/2004 (efls. 97/98) referente às competências 12/1999 a 03/2001, os valores pagos em sede de parcelamento no âmbito do DEBCAD n. 60.147.2217 vinculados às respectivas competências (12/1999 a 03/2001). Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 892/905) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer de ofício a decadência em face das competências até 04/1999, inclusive, e deduzir do débito apurado na NRD n. 344/2004 (efls. 97/98) referente às competências 12/1999 a 03/2001, inclusive, os valores pagos em sede de parcelamento no âmbito do DEBCAD n. 60.147.2217 vinculados às respectivas competências (12/1999 a 03/2001). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 626DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928478/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia.
PIS. COFINS. CONTRATO PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PROVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS. DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado não descaracteriza, necessariamente, a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98.
Havendo prova técnica que conclua que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadram-se no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea b da Lei n. 10.833/03 (ou seja, que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos se deu em percentual inferior à variação dos custos totais no período a que se refere o crédito discutido), o contribuinte possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à não-cumulatividade das Contribuições, devem ser restituídos.
Numero da decisão: 3402-006.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos contratos indicados no voto da relatora no regime cumulativo das contribuições, determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou a relatora pelas conclusões por entender aplicável o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n.º 658/2006.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. PIS. COFINS. CONTRATO PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PROVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS. DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado não descaracteriza, necessariamente, a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Havendo prova técnica que conclua que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadram-se no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea b da Lei n. 10.833/03 (ou seja, que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos se deu em percentual inferior à variação dos custos totais no período a que se refere o crédito discutido), o contribuinte possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à não-cumulatividade das Contribuições, devem ser restituídos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos contratos indicados no voto da relatora no regime cumulativo das contribuições, determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou a relatora pelas conclusões por entender aplicável o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n.º 658/2006. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. PIS. COFINS. CONTRATO PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PROVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS. DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado não descaracteriza, necessariamente, a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Havendo prova técnica que conclua que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadramse no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea “b” da Lei n. 10.833/03 (ou seja, que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos se deu em percentual inferior à variação dos custos totais no período a que se refere o crédito discutido), o contribuinte possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à nãocumulatividade das Contribuições, devem ser restituídos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 78 /2 00 9- 16 Fl. 831DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos contratos indicados no voto da relatora no regime cumulativo das contribuições, determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou a relatora pelas conclusões por entender aplicável o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n.º 658/2006. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.277 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e Fl. 832DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 112 3 liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: Fl. 833DF CARF MF 4 a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.277), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos poderiam sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram acostadas aos autos em fls 562 a 573, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de agosto de 2005, no total de R$ 5.052.626,20, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas Fl. 834DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 113 5 como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 575 a 598, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovidos configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra que a Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf. artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos Fl. 835DF CARF MF 6 dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose, então, prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 632 a 645, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. O caso veio para julgamento deste Colegiado em sua anterior composição, em 30 de agosto de 2017, gerando o Acórdão ementado da seguinte forma: 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 114 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Ou seja, considerando superada a questão da DCTF retificadora, e sendo que os créditos pleiteados já tinham sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, decidiuse que os autos deveriam ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo, dando efetividade ao duplo grau de jurisdição no âmbito administrativo. Assim, foi proferido novo julgamento pela DRJ de Porto Alegre, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que, como não foi demonstrado que o reajuste dos contratos foram feitos com base nos custos de produção ou da variação de custos de insumos utilizados na produção da energia comercializada pela recorrente, a condição de preço predeterminado foi descumprida. Logo, a tributação da Contribuição ao PIS e da Cofins não poderiam ser feitas pelo regime cumulativo. Ato contínuo, foi trazido aos autos recurso voluntário combatendo esta última decisão, pelos seguintes fundamentos: i) primeiro, a análise da legislação de regência aplicável ao caso, a partir da qual se evidencia que a utilização do IGPM como índice de reajuste dos preços dos Contratos não descaracteriza o preço predeterminado, conforme entendimento que se verifica no âmbito deste Tribunal; e, ii) subsidiariamente que, no caso dos autos, foi apresentado Laudo, elaborado pela KPMG, que comprova que não houve descaracterização do preço predeterminado dos Contratos de fornecimento, na medida em que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos analisados se deu em percentual inferior à variação dos custos totais da Recorrente no período que abrange aquele a que se refere o crédito discutido no presente Processo Administrativo. E, conforme jurisprudência pacífica do CARF — inclusive de sua c. CSRF —, havendo a comprovação mediante laudo, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento devem ser submetidas ao regime cumulativo do PIS e da COFINS. Fl. 837DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de adminissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento e passo a apreciação de seu mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Tal tema já foi objeto de análise deste Conselho, inclusive de nosso Colegiado,2 em diversas oportunidades. Repisemos as suas origens, antes de adentrar no caso concreto. O artigo 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003 dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; De acordo com o dispositivo acima transcrito, as receitas decorrentes de contratos que atendam aos requisitos ali previstos permanecem sujeitas às normas da Contribuição ao PIS e da COFINS — a primeira em razão do disposto no artigo 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003 — vigentes anteriormente à Lei nº 10.833/2003. Ou seja, as referidas receitas ficariam sujeitas à sistemática de cobrança cumulativa da COFINS, nos termos da Lei nº 9.718/1998, e da Contribuição ao PIS, conforme a Lei nº 9.715/1998. Dissecando o dispositivo em comento, temse que os requisitos para que um contrato atenda ao previsto no artigo 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003 são: i) que seja firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003; ii) que tenha prazo superior a 1 (um) ano; iii) que seja de fornecimento de bens ou serviços; e iv) que seja a preço predeterminado. 2 Acórdão nº 3402005.033, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Terceira Seção de Julgamento, Rel. Cons. Diego Diniz Ribeiro, j. 22032018. 15 Acórdão nº 3402003.302, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Terceira Seção de Julgamento, Rel. Cons. Carlos Augusto Daniel Neto, j. 28092016. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 115 9 A lide, no pé em que hoje se encontra, instaurase com relação ao preenchimento do último requisito. Esta relatora particularmente entende, com base nos princípios de direito privado, que a atualização monetária, pelo IGPM, de valor fixado em título executivo não representa uma alteração do preço, mas a própria manutenção do valor predeterminado. Em outras palavras, o preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, o qual constitui mera atualização monetária dos valores dos contratos e não torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado, sendo ilegal da exclusão promovida pela IN 468/04. Nesse sentido, compactuo com as considerações tecidas pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, no Acórdão 3402003.302, aqui convocadas como razão de decidir, conforme permite o artigo 50, §1o da Lei n. 9.784/99. In verbis: O cerne da discussão nesse processo cingese ao conceito de "preço determinado", para fins de aplicação do art.10, XI da Lei 10.833/03, especialmente em relação à adoção do índice IGPM em cláusula contratual de reajuste de preços. A RFB entende que a adoção de tal índice não atende ao art.109 da Lei 11.196/2006, verbis: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Tal posição decorre da consideração de que o IGPM não reflete o custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; Por sua vez, a Recorrente frisa a impossibilidade de aplicação das Instruções Normativas da SRF nº 468/04 e 658/06, por Fl. 839DF CARF MF 10 estabelecerem obstáculo ao reajustamento dos preços não existentes no dispositivo mencionado da lei 10.833/03. Vejamos inicialmente o dispositivo que prevê a permanência no regime cumulativo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Da legislação depreendese imediatamente que os requisitos para que a receita permaneça na sistemática de cumulatividade das contribuições são: i) contrato anterior a 31/10/2003; ii) prazo de duração superior a 1 (um) ano; iii) de construção, empreitada ou fornecimento de bens ou serviços; iv) a preço predeterminado. A celeuma se dá em torno do que seria o preço predeterminado, reconhecendo o próprio Fisco a presença dos demais requisitos. A IN 658/2006, invocada pela Fazenda para fundamentar a pretensão arrecadatória, diz o seguinte: “Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no § 3º, caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I – de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II – de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei 8.566, de 21 de junho de 1993. §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” (...) A ilegalidade de tal instrução normativa é patente. Ao dar uma interpretação restritiva ao conceito de preço determinado, Fl. 840DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 116 11 através da aposição de diversos elementos de forma inovadora para a sua caracterização, a Administração Pública violou o art. 99 do Código Tributário Nacional, que restringe o alcance das normas infralegais àquilo que suas superioras hierárquicas determinem. A esse respeito, não faltam vozes na doutrina a denunciar tal ilegalidade: “Caracterização do preço predeterminado. “a) o Direito Civil fornece elementos suficientes para o hermenêutico encontrar a correta definição de “preço predeterminado”, não sendo passível às normas infralegais, promover a alteração de tais conceitos: b) a aplicação de cláusulas de reajuste não descaracteriza a predeterminação do preço, já que tais cláusulas visam, tãosomente, repor o valor originário da moeda acordada contratualmente; c) a aplicação de cláusula de revisão de preço em decorrência de eventos extraordinários igualmente não caracteriza a predeterminação do preço, tendo em vista que este tipo de cláusula busca a mera recomposição do preço, traduzindoo ao novo contexto fático e, assim, preservando sua equivalência original; d) as Instruções Normativas, na qualidade de ato infralegais, são normas complementares, não podendo inovar, modificar ou alterar a ordem jurídica vigente, como buscou fazer a Instrução Normativa nº 468/04. Referida Instrução Normativa é absolutamente ilegal, em razão de haver criado novos critérios para a definição de preço predeterminado, violando assim o princípio constitucional da legalidade; e) finalmente, ao buscar retroagir seus efeitos até fevereiro de 2004, mais uma vez a Instrução Normativa n. 468/04 afrontou um princípio constitucional, desta vez o da irretroatividade das leis, albergado pelo artigo 150, III, “a”, da Carta Maior. ”(Berndt, Marco Antônio; Panzarini Filho, Clóvis, PIS/Cofins – a ilegalidade da IN 468/04 ao conferir novo conceito de preço predeterminado nos contratos a longo prazo. RDDT 115/70, abr/05). A doutrina tem como certo que o preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, afirma que trata de mera atualização monetária de valores contratos, e, não o torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em “preço indeterminado, que esse fato não importa em novação de contrato firmado previamente, é o que extraí da lição Sacha Calmon Navarro. (COELHO, Sacha Calmon Navarro; DERZI, Misabel Abreu Machado. PIS/Cofins Regime Cumulativo x não cumulativo.Contratos de Longo Prazo, Reajuste pelo ICPM, Instruções Normativas 468/04 e 658/06, RDDT nº 145m out/07, p.148) Na mesma linha, a jurisprudência desse Conselho já reconheceu diversas vezes, e de forma expressa, a ilegalidade das instruções normativas e a possibilidade de reajuste dos preços pelo IGPM sem que isso desqualifique o requisito de "preço determinado". Fl. 841DF CARF MF 12 Inclusive, devese mencionar que o IGPM é o índice oficial dos contratos de fornecimento de energia, conforme Nota Técnica n 224/2006 SFF/ANEEL, que aponta o IGPM como índice de correção apto a refletir a variação de custos dos insumos, não descaracterizando o caráter de preço predeterminado dos contratos em análise. (...) Podese mencionar, por exemplo, o Acórdão 3403003.607, julgado em 26/02/2015, relatado pelo Cons. Domingos de Sá Filho, em turma presidida pelo Cons. Antonio Carlos Atulim, onde por unanimidade reconheceuse o que é dito aqui. Senão, vejamos a elucidativa ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/05/2004 PREÇO PREDETERMINADO. ILEGALIDADE DA IN Nº 468/2004 e 658/2006. O preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, tratase de mera atualização monetária dos valores dos contratos, e, não torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado. A ilegalidade da exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de bens e serviços, com prazo superior a 1(um) ano, celebrados antes de 31 de outubro de 2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI alínea “b” da Lei 10.833/03. Recurso Provido. No mesmo sentido, vejase o Acórdão 3302001.659, julgado em 26 de Junho de 2012, com voto da Ilustre Conselheira Fabíola Keramidas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice Fl. 842DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 117 13 utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Esta questão foi julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.089.998 – RJ, tendo aquele Tribunal concluído que a cláusula de correção monetária não altera o valor prédeterminado no contrato e que a Instrução Normativa em comento (IN 468/2004) extrapolou seu poder normativo, ocasionando o aumento da carga tributária sem ser por meio de lei, a saber: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na Fl. 843DF CARF MF 14 regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. (REsp 1089998/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 30/11/2011) Não apenas a ilegalidade é patente, mas o absurdo de se tratar a aplicação de um índice de correção monetária como forma de acréscimo de valor do negócio se afigura contrária ao entendimento consolidado tanto pelo Supremo Tribunal Federal quanto pelo Superior Tribunal de Justiça: "(...) 3. União Federal. Pagamento de expurgos inflacionários. Admissibilidade. A correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação. Agravo regimental desprovido." (Supremo Tribunal Federal, Pleno, ACO nº 404 ExecuçãoAgR/ SP, Rel. Min.Maurício Correa, DJU 02/04/2004) "Tributário Parcelamento Transação Correção Monetária Sobrevindo nova ordem econômica no país, não ofende direito do devedor a atualização de parcelas vincendas da OTNs, até porque a atualização não constitui um plus mas simples critério de atualização na moeda em regime inflacionário. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, Primeira Turma, REsp nº 12.006/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJU 09/09/91). Para se desqualificar a aplicação do IGPM deveria a fiscalização ter demonstrado que tal índice corresponderia a percentuais de correção superiores ao custo de produção ou custo dos insumos, o que não aconteceu no caso em tela. Nesse caso, o fiscal autuou apenas por haver a previsão do ajuste pelo IGPM. (...). Contudo, a discussão na jurisprudência deste Conselho tomou contornos além daqueles expostos na passagem acima transcrita. Explico. Do disposto no artigo 109 da Lei nº 11.196/2005, combinado com o artigo 27, parágrafo 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/1995, verificase que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado, a que se refere o artigo 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003. Interpretando tais dispositivos, a Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificou a controvérsia, pelo Acórdão n. 9303004.456, o qual restou assim ementado: Fl. 844DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 118 15 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/2004 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Cumpre realçar a necessidade de observância da decisão proferida pelo CARF no supra citado acórdão, uma vez que o Novo Código de Processo Civil, cuja aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal agora é expressa (artigo 15),3 determina em seu artigo 926 que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” Pois bem. Em suma, o referido julgado (Acórdão n. 9303004.456) previu que não ficam descaracterizados os contratos a preço predeterminado sempre que houver prova de que o índice de correção adotado nos contratos fiscalizados implica alteração de preço menor ou igual à variação ponderada dos custos de produção do contribuinte. Nesse ponto exsurge a questão do ônus da prova. Desde já saliento que não assiste razão à Recorrente quando afirma que, no presente caso, era ônus da Fiscalização comprovar que os preços praticados nos contratos seriam maiores do que variação ponderada dos custo de produção O ônus da prova é do contribuinte, uma vez que aqui tratamos de pedido de restituição (diferentemente do que ocorrera no Acórdão 3402003.302, cujo processo administrativo fundavase em auto de infração). Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. 3 Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 845DF CARF MF 16 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. Pois bem. Apesar de guerrear pela indevida inversão do ônus da prova no presente processo, a Recorrente trouxe aos autos laudo técnico (fl. 626 – “Arquivo não paginável”) justamente no sentido de demonstrar seu direito. Assim, mesmo que subsidiariamente, a Recorrente desincumbiuse do seu ônus probatório. Neste trabalho (laudo técnico fl. 626 – “Arquivo não paginável”), a auditoria independente concluiu que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos analisados (CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 E CERPI/2002 210) se deu em percentual inferior à variação dos custos totais da Recorrente no período a que se refere o crédito discutido no presente Processo Administrativo, conforme se verifica na resposta apresentada ao quesito “g” (pp. 18 19 do Laudo). Diante de tal comprovação, não resta dúvida de que os Contratos CER CEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 E CERPI/2002 210, firmados pela Recorrente, possuem a característica de preço predeterminado, e, portanto, de que as receitas deles decorrentes devem ser submetidas ao regime cumulativo da Contribuição ao PIS e da COFINS. Finalmente, cumpre destacar que não procede a colocação do Acórdão recorrido no sentido de que o laudo não se presta a comprovar o alegado pela Recorrente, uma vez que não trataria de seu custo de produção, mas sim da evolução dos custos de produção da energia elétrica, sem estar acompanhado dos elementos probatórios dos valores utilizados na apuração dos índices. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 11080.928478/200916 Acórdão n.º 3402006.297 S3C4T2 Fl. 119 17 Ora, para responder às questões formuladas, a auditoria independente promoveu a análise minuciosa da evolução dos custos da Recorrente, bem como dos reajustes dos preços de energia dos Contratos em questão, sempre com base em documentação por ela requerida e apresentada pela Recorrente, que fundamentam as conclusões finais. Friso que a atividade da Recorrente é a produção de energia elétrica, conforme consta em seu estatuto social, e ao contrário da afirmação do r. Acórdão recorrido, é possível identificar que o laudo está embasado pelas Demonstrações Financeiras (DF) Publicadas e Auditadas, bem como pelas Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE), que foram analisadas e apontadas como consistentes, conforme demonstram os trechos abaixo transcritos: "O escopo dos nossos trabalhos consistiu na demonstração das variações incorridas nos seus custos a partir das informações contábeis, respaldadas pelas regras contábeis aplicadas e referendadas pelo seu auditor independente, comparandoos com o índice de variação do seu preço a partir das informações obtidas nos contratos de fornecimento. (p. 7) (...) Metodologia aplicada Em consonância aos fatos supracitados, analisamos as informações disponibilizadas pela Sociedade, aplicando a seguinte metodologia: (i) Confronto entre as Demonstrações Financeiras Publicadas (DF) e as Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) Primeiramente, analisamos as DF' auditadas de 2002 a 2007 com a finalidade de verificamos a abertura dos custos de geração de energia elétrica registrados pela CERAN. A partir desta análise, concluímos que as informações constantes nas referidas DF apresentavamse de forma sintética, impossibilitando, assim, realizamos comparações necessárias para a conclusão de nosso trabalho, bem como a verificação individualizada dos gastos mais relevantes para fins de oferecer resposta às questões apresentadas. Desta forma, em um segundo momento, solicitamos à administração da CERAN, a abertura desses custos em um formato analítico. A nossa solicitação foi atendida mediante o fornecimento de Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) analíticas, as quais foram geradas a partir do sistema contábil da Sociedade. Após recebermos as DREs, efetuamos o confronto dos saldos dos custos de geração de energia entre essas bases (DF e DRE), onde concluímos que as informações estavam consistentes, ou seja, os valores dos custos de geração de energia das DRE (a qual oferece o desdobramento dos principais gastos) está de acordo com os valores das DF auditadas. Fl. 847DF CARF MF 18 (ii) Análise das variações dos custos de produção No que tange às variações anuais incorridas nos custos de produção, adotamos como procedimento, realizar o confronto entre os valores registrados (custo) nas DRE analíticas em cada ano calendário objeto de análise (2004 a 2007) tomando como base, o ano calendário imediatamente anterior. Para fins de leitura e análise dos números apresentados, efetuamos a conversão dos valores absolutos (em RS) para valores percentuais (%). Conversão esta, necessária para comparamos as variações incorridas entre cada ano calendário com os índices do lGPM, os quais são divulgados pela Fundação Getúlio Vargas FGV na forma de percentuais. Suplantado esse ponto, e diante da conclusão apresentada em laudo técnico pela Recorrente, concluise que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadramse no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea “b” da Lei n. 10.833/03. Por conseguinte, a Recorrente possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à nãocumulatividade das contribuições, devem ser a ela restituídos. Assim, uma vez superada a questão da descaracterização do preço predeterminado, razão adotada pela Fiscalizado para indeferir o pleito de restituição (fls 562 a 573), seus valores (liquidez e certeza dos créditos) devem ser avaliados pela autoridade fiscal certificadora. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos Contratos CER CEEED, CERCO/ 2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210 no regime cumulativo da Contribuição ao PIS e da COFINS, e determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 848DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.916244/2016-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.757
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 24 4/ 20 16 -7 7 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.916244/201677 Resolução nº 3401001.757 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.916244/201677 Resolução nº 3401001.757 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.916244/201677 Resolução nº 3401001.757 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.916244/201677 Resolução nº 3401001.757 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.916244/201677 Resolução nº 3401001.757 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35342.001683/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 34 2. 00 16 83 /2 00 7- 19 Fl. 1194DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, Debcad 37.001.6904, em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 918): “As contribuições previdenciárias decorrentes dos fatos geradores não informados na GFIP, conforme exposto no item anterior, foram recolhidas à época do fato gerador”. Em sessão plenária de 16/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.471 (fls. 230/236), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado à PGFN em 29/10/2013 (Despacho de fl. 1168) e, em 29/11/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1169/1178 (Despacho de Encaminhamento de fl. 1179), fundamentado no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. A Fazenda Nacional requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, para que seja adotada a tese esposada nos acórdãos paradigmas, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 35342.001683/200719 Acórdão n.º 9202007.618 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de 31/05/2016 (fls. 1181/1184). Cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 13/01/2017 (fl. 1188), o Contribuinte, em 03/02/2017, apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (arquivo não paginável, anexo ao Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1191), no qual refuta os argumentos da Fazenda Nacional. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos necessários à sua admissibilidade. Quanto às contrarrazões da contribuinte, não há como delas conhecer tendo em vista que foram apresentadas fora prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no art. 69 do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que estamos diante de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo. Feitas essa breves considerações, afigurase necessário esclarecer que, no caso do acórdão recorrido, o recurso voluntário foi parcialmente provido para que a multa mais benéfica fosse determinada a partir da comparação da sanção aplicada com base na legislação vigente à época do lançamento e a prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, haja vista que a autuação em razão de a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ter sido aplicada de forma isolada, ou seja, não foram efetuados lançamentos relacionados às obrigações principais em virtude de os tributos, segundo a autoridade autuante, terem sido regularmente recolhidos. Contudo, ambos os acórdãos apresentados como paradigma trazem situações em que, no mesmo procedimento fiscal, aplicaramse tanto a penalidade por descumprimento da obrigação acessória quanto aquela referente ao não recolhimento do tributo. Vejase, por exemplo, o trecho extraído do Acórdão nº 9202.02.086: No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Fl. 1196DF CARF MF 4 Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. (Grifouse) No caso do Acórdão 240100.127, a situação é exatamente a mesma. Senão vejamos trecho do voto vencido que, neste ponto, reflete a decisão daquele Colegiado: Quanto ao restante do débito, verificase que o cerne dos argumentos da recorrente se refere à não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos por intermédio de cartões de incentivo, sob o argumento de que seriam eventuais. Conforme informado pela auditoria fiscal, as contribuições relativas aos fatos geradores que teriam sido omitidos em GFIP foram objeto de lançamento. Tais notificações já foram apreciadas no âmbito desta Sexta Câmara,que decidiu da seguinte forma: [...] Asseverese que todas as contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio das notificações já mencionadas e, a meu ver, tendo havido o lançamento de oficio, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o principio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II,alínea"c", do Código Tributário Nacional, hi que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face As alterações trazidas. No caso das notificações conexas e já julgadas, prevaleceram os valores de multa aplicados nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, o qual previa uma multa maxima de cinqüenta por cento, ou seja, inferior ao percentual de setenta e cinco por cento estabelecido pela nova regra. Assim, para evitar o bis in idem, o cálculo da multa deve ser efetuado pela aplicação do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, excluindose os valores das multas lançadas nas notificações correspondentes. (Grifouse) Com efeito, a leitura dos excertos colacionados, permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigmas não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No recorrido, repisese, concluiuse pela comparação entre a penalidade aplicada com base na norma vigente e prevista no art. art. 32A da Lei nº 8.212/1991 em virtude de multa relativa à não informação de fatos geradores em GFIP ter sido aplicada isoladamente. Diferentemente disso, nos paradigmas o que levou os Colegiados a concluírem de modo diverso foi o fato de a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória ter sido aplicada conjuntamente com aquela derivada do inadimplemento da obrigação de recolher o tributo considerado devido. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 35342.001683/200719 Acórdão n.º 9202007.618 CSRFT2 Fl. 4 5 Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência. Em razão do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados não lograram caracterizar o dissenso jurisprudencial alegado, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1198DF CARF MF
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