Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10510.003375/99-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992
Ementa:
ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN.
É pacífica a jurisprudência deste Conselho a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a titulo de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2102-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF Aracaju para apreciação do mérito do pedido de restituição.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1990, 1991, 1992 Ementa: ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. É pacífica a jurisprudência deste Conselho a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a titulo de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10510.003375/99-75
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384066
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.908
nome_arquivo_s : Decisao_105100033759975.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
nome_arquivo_pdf_s : 105100033759975_5384066.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF Aracaju para apreciação do mérito do pedido de restituição. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5642466
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251761233920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 318 1 317 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.003375/9975 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.908 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria ILL, Restituição Recorrente HABITACIONAL CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992 Ementa: ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. É pacífica a jurisprudência deste Conselho a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a titulo de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF Aracaju para apreciação do mérito do pedido de restituição. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 33 75 /9 9- 75 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório A empresa acima identificada formulou pedido de restituição/compensação de créditos decorrentes do ILL recolhido nos termos do disposto no art. 35 da Lei nº 7.713/88, (cujos efeitos foram suspensos por força da Resolução do Senado nº 82, de 1996), referente aos anoscalendário 1990, 1991 e 1992. O pedido foi cumulado com pedido de compensação (fl. 02). Na análise de tais pedidos, a DRF Aracaju/SE os indeferiu (fls. 76/78), por considerar que teriam sido formulados após o transcurso do prazo de cinco anos a que se refere o art. 168, I, do CTN, através de decisão posteriormente mantida pela DRJ em Salvador/BA (fls. 95/101). Contra tal decisão foi interposto pela Interessada Recurso Voluntário e a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes a reformou, reconhecendo que não se havia operado a decadência, e determinando que o processo retomasse à repartição de origem para apreciação do mérito (fls. 118/125). Houve recurso especial por parte da Fazenda Nacional, e a egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais ratificou o entendimento acima exposto (fls. 172/178). O processo retornou, então, à Delegacia da Receita Federal em Aracaju/SE para apreciação do mérito. Os pedidos foram, então, indeferidos, agora sob o fundamento de ilegitimidade ativa para pleitear a restituição, conforme Despacho Decisório de fls. 233/239. Inconformada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA (fls. 244/252), argumentando, em síntese, sobre sua legitimidade para figurar no pólo ativo do pedido de restituição. A 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA analisou a manifestação de inconformidade apresentada e indeferiu o pleito, através de acórdão cuja ementa é a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte— IRRF Ano calendário: 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA. O Código Tributário Nacional determina em seu art. 166 que a restituição que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebéla COMPENSAÇÃO. PEDIDO NÃO CONVERTIDO EM DCOMP. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. INCABÍVEL. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.003375/9975 Acórdão n.º 2102002.908 S2C1T2 Fl. 319 3 É incabível a suspensão da exigibilidade de crédito tributário objeto de pedido de compensação não convertido em Declaração de Compensação para ser regido pelo novel ordenamento jurídico que determinou tal suspensão. Contra esta decisão, foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 284/293, por meio do qual a Interessada repisou os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade acerca da legitimidade para pleitear a restituição em tela, requerendo ao final que: (i) Seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO acolhido, em todos os seus termos, determinandose a reforma do Despacho Decisório DRJ/SDR n° 1513.072, de 05 de julho de 2007, a fim de se dar por procedente o Pedido de Restituição dos recolhimentos indevidos/ou a maior que o devido do Imposto sobre o Lucro Liquido (ILL), corrigido monetariamente por índices que reflitam a real variação inflacionária do período; (ii) Homologação de todas as compensações já realizadas pela RECORRENTE valendose dos créditos constantes do retendo Pedido de Restituição. (iii) Sejam obstados quaisquer atos de cobrança ou atos constritivos de direito, e, ainda, haja a paralisação imediata dos supostos débitos tributários para inscrição em Dívida Ativa da União, inclusive no que se refere ao impedimento da expedição de Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União. Remetidos os autos a este Conselho para julgamento, foram distribuídos à Quinta Turma do (então) Primeiro Conselho, sendo que em 04.02.2009 a turma julgadora declinou da competência para julgamento da matéria, determinando a redistribuição dos autos a uma das turmas competentes para apreciação de litígios sobre IRRF. Os autos foram então redistribuídos a esta turma para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 02.08.2007, como atesta o AR de fls. 281. O Recurso Voluntário foi interposto em 30.08.2007 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Conforme relatado, tratase de processo no qual se discute o direito da Recorrente ao crédito decorrente do pagamento do ILL previsto no art. 35 da Lei nº 7.713/88, e cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. A questão relativa ao prazo para pleitear a restituição pretendida já foi enfrentada por este Conselho e devidamente superada, sendo que a decisão ora recorrida negou o pleito da Recorrente sob o fundamento de que a mesma careceria de legitimidade para pleitear a restituição pretendida, tendo em vista que: Ao contrário do que entende a recorrente, o referido dispositivo legal traz claramente que o contribuinte do imposto é o sócio quotista, o acionista ou o titular da empresa individual. O legislador procurou antecipar a tributação do Imposto sobre a Renda na fonte incidente sobre a distribuição de lucros da pessoa juridica, que na época era tributável. Tanto é assim que, no art. 36 desta mesma Lei, foi estabelecido a não incidência do Imposto sobre a Renda na fonte sobre os lucros tributados na forma do artigo anterior, quando de sua distribuição. O interessado afigurou apenas como sujeito passivo responsável, nos termos dos artigos 45, parágrafo único, e 121, inciso H, do CTN, sendo responsável pela retenção e recolhimento do tributo. Nesta linha de entendimento, a autoridade fiscal negou a restituição, fundamentandose no art. 166 do CTN, abaixo transcrito: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza. transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. A recorrente argumentou que os tributos que comportam transferência do encargo financeiro, ou seja, que geram repercussão econômica sobre outras pessoas, além do contribuinte, em principio, são os impostos indiretos não cumulativos tais como o 111 e o ICMS. Entretanto, o presente caso não se trata nem de transferência do encargo financeiro a terceiro, pois o contribuinte de fato do imposto não foi a recorrente, mas sim o acionista, conforme já assinalado. Além disso, conforme já apontado na decisão recorrida, por determinação legal, o valor do imposto retido não foi contabilizado como despesa, mas sim como redução do lucro lell acumulado no patrimônio liquido, portanto, não houve qualquer transferência de encargo financeiro do acionista que teve seu lucro a receber tributado, para a recorrente que somente reteve e recolheu o referido imposto. Com efeito, é de ser provido o Recurso Voluntário. É que a jurisprudência deste Conselho já se firmou há muitos anos de forma favorável à pretensão da Recorrente, como demonstram as decisões abaixo transcritas: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.003375/9975 Acórdão n.º 2102002.908 S2C1T2 Fl. 320 5 LL SOCIEDADE ANÔNIMA COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS DECADÊNCIA O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de compensação do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades anônimas, se dá a partir da data de publicação Resolução do Senado nº 82/96, em 18/11/1996. RESTITUIÇÃO ILL SOCIEDADES ANÔNIMAS Firmou se no âmbito administrativo e judicial o entendimento de que tem legitimidade para pleitear restituição a fonte pagadora, obrigada a promover o recolhimento exclusivo na fonte, uma vez que revestese da qualidade de sujeito passivo nesta relação tributária (art. 121, § 1º do CTN). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE LUCRO LÍQUIDO. ILL Deve ser reconhecido o direito da contribuinte à restituição e/ou compensação de valor que se caracterize como indébito, quando a exigência da respectiva exação for considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Decadência afastada. (Acórdão nº 10616528, de 17.10.2007) LL RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA LEGIMITIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. A empresa que recolheu indevidamente valores a título de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO MATÉRIA NÃO LITIGIOSA Como as compensações vinculadas ao direito creditório pleiteado neste feito já estão expressamente homologadas e, portanto, os débitos encontram se extintos, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, a insurgência da contribuinte com relação a tal matéria não pode ser apreciada, em razão da ausência de matéria litigiosa. (Acórdão nº 10616587, de 07.11.2007) Deste último julgado, merece transcrição o seguinte trecho, extraído do voto condutor, de relatoria do Conselheiro Gonçalo Bonet Alage: Com a devida vênia às autoridades julgadoras de primeira instância, penso que o artigo 166 do CTN é inaplicável ao caso em apreço. Isso porque o ILL não é tributo indireto como o IPI e o ICMS. E como tributo direto, que não comporta transferência do respectivo encargo financeiro a terceiros, a restituição do ILL indevidamente recolhido não se sujeita ao comando do dispositivo enfocado. O ILL incidia, nos termos do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, sobre o lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data de encerramento do períodobase. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 A incidência não era sobre os valores recebidos pelos sócios das empresas. Assim, no caso em apreço, não se pode cogitar que o ônus financeiro decorrente de tal tributação seja de qualquer outra pessoa, que não da própria recorrente. A inaplicabilidade do artigo 166 do CTN aos pedidos de restituição do ILL é matéria que tem posicionamento pacificado perante o Egrégio Superior Tribunal de Justiça — STJ, conforme ilustra a seguinte decisão monocrática: Assim sendo, e aplicandose aqui o referido entendimento, devem os autos ser novamente remetidos à origem para que seja analisado o mérito do pedido de restituição formulado. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF em Aracaju para apreciação do mérito do pedido de restituição. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000508/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18088.000508/2008-16
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393783
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.352
nome_arquivo_s : Decisao_18088000508200816.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 18088000508200816_5393783.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5689369
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251765428224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000508/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.352 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria INTEMPESTIVIDADE Recorrente REI FRANCO ABATEDOURO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 08 /2 00 8- 16 Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 09/2003 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 04/05), a empresa deixou de declarar em GFIP os seguintes fatos geradores: (i) verba de caráter salarial denominada “Cesta Básica” constante da folha de pagamento; (ii) remunerações pagas a contribuintes individuais; e (iii) valores correspondentes à aquisição de produto rural de pessoa física. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/10/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que as GFIP, relativas ao período de setembro de 2003 a dezembro de 2004 (fls. 165/1.630), foram retificadas, prestando as informações corretas à Previdência Social. Requer, assim, com base no art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/99, a relevação da multa ora aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1245.300 da 12a Turma da DRJ/RJ1 – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa. A Agência da Receita Federal do Brasil em São Carlos/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000508/200816 Acórdão n.º 2402004.352 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 11/05/2012, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 14/06/2012, conforme correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), juntada aos autos, e corroborada pela peça recursal assinada pelo patrono da Recorrente nesta data. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 1245.300 da 12a Turma da DRJ/RJ1 – em 11/05/2012 (sextafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 14/05/2012 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 12/06/2012 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 14/06/2012, quintafeira (papeleta do AR e papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000262/2004-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
Robson José Bayerl Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda.
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.000262/2004-25
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393795
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-000.218
nome_arquivo_s : Decisao_18471000262200425.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA
nome_arquivo_pdf_s : 18471000262200425_5393795.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Robson José Bayerl Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
id : 5689678
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251784302592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000262/200425 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.218 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 03 de fevereiro de 2011 Assunto PIS/PASEP Recorrente RIOJA FRIGORÍFICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Robson José Bayerl – Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório Por bem espelhar a situação dos autos, transcrevese o relatório da decisão de primeiro grau administrativo: “Na Descrição dos Fatos (fls. 152), a autoridade fiscal autuante esclarece que ocorreu falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS , pois foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados nos livros Registro de Saída e Registro de Apuração de ICMS. Tais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 26 2/ 20 04 -2 5Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000262/200425 Resolução nº 3401000.218 S3C4T1 Fl. 3 2 divergências também são constatadas entre os valores declarados na DlPJ Ficha 06 Demonstração do Resultado dos Trimestres e a Ficha 19 A, cálculo mensal do PIS, nos anos calendários de 1999 a 2002, conforme cópias das Dins anexadas às fls.05/78. Os valores escriturados nos Livros Registro de Apuração de ICMS estão demonstrados nas planilhas de fls.83/84, parte integrante do presente Auto de Infração. O enquadramento legal :arts. 1° e 3°, alínea ‘b’, da Lei Complementar n° 7/70, art.1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73, arts. 2°, inciso I, 3º, 8°, inciso I, e 9° da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98, arts. 2° e 3º da Lei n°9.718/98. Irresignado com o lançamento consubstanciado no Auto de Infração supramencionado, o interessado apresentou a petição impugnatória de fls.172/180, alegando que: 1) Preliminarmente, devese registrar o manifesto cerceio de defesa, por parte do sr. AFRF, haja vista que o mesmo não devolveu todos os Livros Fiscais e documentos, o que impede a apresentação de uma adequada e precisa impugnação, pois se faz necessário estar de posse dos referidos Livros Fiscais para que com os dados e informações neles contidos, possam corroborar as alegações contidas nesta peça de Defesa, já que a empresa não dispõe de cópias de tais dados; 2) Assim sendo, a interessada protesta contra o Cerceio de Defesa e desde já requer sejam devolvidos todos os Livros Fiscais e Documentos em poder da fiscalização e que seja reaberto prazo para impugnação ou, pelo menos, seja concedido prazo para aditamento da mesma; 3) O presente Auto de Infração causou enorme estranheza e estupefação, pois a requerente não conseguiu encontrar Base e Dados que foram inseridos no presente lançamento, já que não condiz com a contabilização apresentada, pois os dados constantes do Auto de Infração são totalmente divergentes da Contabilidade e absolutamente discrepantes da realidade operacional da Empresa e da Escrituração dos Livros Fiscais e Contábeis; 4) São inverídicas as vendas informadas no presente Auto de Infração; 5) Cumpre ressaltar que a contribuinte acusou um erro qualificado no percentual de cálculo do PIS, nos meses e janeiro a dezembro/2003, já que o ilustre autuante aplicou a alíquota de 0,65% sobre o faturamento bruto, quando o correto seria calcular 1,65% sobre o valor das compras do mês e aplicar percentual idêntico sobre as vendas, apurandose no confronto de crédito e débito, o valor a pagar, conforme prescreve a Lei n° 10.637/02, que determina tal procedimento; 6) A presente impugnação, baseiase em matéria de fato, ou seja, basta confrontar os números registrados nos Livros Fiscais e Contábeis da Contribuinte com os números apresentados no Auto de Infração, para se concluir que os valores que constaram no Auto de Infração, no tocante à Receita Operacional, não espelham a realidade dos registros efetuados nos Livros Fiscais e Contábeis; 7) A fim de corroborar esta assertiva, como prova documental e irretorquível, apresentase às fls. 175/178, Mapa de Confronto entre os registros efetuados nos Livros Fiscais e Contábeis da contribuinte com os valores descritos no Auto de Infração, onde configurase inequivocamente demonstrado não existir diferença passível de autuação; Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000262/200425 Resolução nº 3401000.218 S3C4T1 Fl. 4 3 8) Como prova material são anexados a presente impugnação as cópias dos Livros de Apuração do ICMS referentes aos anos de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, e DARF's referentes aos recolhimentos do PIS nos anos de 1999 a 2003, onde se verifica que inexistem quaisquer diferenças passíveis de tributação ou cobrança; 9) Imprescindível ressaltar que no Auto de Infração em tela, existe ainda outra falha, qual seja: não foram computadas as devoluções de mercadorias nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; 10) O ilustre Auditor Fiscal no Auto de Infração referente ao PIS relacionou, em alguns meses, bases de cálculo divergentes para este tributo e para o COFINS, apesar de, como se sabe, a base de cálculo de ambos ser a mesma. De modo que inexiste porquê plausível para que fossem relacionados valores distintos para cada um destes Tributos, os quais têm a mesma base de cálculo; 11) Deverá, ainda, ser cancelada imediatamente a cobrança das pretensas diferenças do PIS, referentes aos meses de outubro de 1997 e fevereiro de 1998, por estarem alcançados pela prescrição temporal, por terem os seus fatos geradores ocorridos há mais de 5 (cinco) anos, assim o direito à. cobrança por parte do Fisco, já está prescrito, pelo que requeremos seja reconhecido pelos eminentes julgadores; 12) A Contribuinte solicita seja determinada a suspensão dos efeitos do presente Auto de Infração, a fim de se determinar a realização de diligencia complementar, visando a apuração correta da receita em cotejo com os DARF's do PIS, devidamente recolhidos; 13) Finalmente requer seja julgado improcedente e cancelado o Auto de Infração em tela, pelo que se fará Justiça. Inicialmente, o julgamento do presente contencioso fiscal foi convertido em diligência, em resumo, para que o Auditor Fiscal autuante esclarecesse se os livros fiscais haviam sido devolvidos na época propicia ao contribuinte e manifestarse sobre as divergências de base de cálculo apontada na impugnação (fls.1043/1046 Volume VI). Em relatório acostado às fls. 1082/1086 — VolUme VI, o AFRF autuante apresenta as seguintes ponderações a respeito da diligência efetuada: 1) O auto de infração foi entregue por via postal e recebido em 08/04/2004, sendo que o AR respectivo de fls.166, foi devolvido em 26/04/2004. Logo após a devolução do AR, a empresa foi contatada por telefone, para que comparecesse à repartição a fim de que fosse feita a devolução dos livros. Porém, os livros só foram entregues diretamente no endereço da empresa no dia 11/06/2004. Considerando que entre a data da ciência do auto de infração e data da efetiva devolução dos livros, transcorreramse mais de 30 dias, entendese que deve ser reaberto o prazo de 30 dias para que o contribuinte, querendo, adite à impugnação; 2) Entre o valor do PA 07/99 que consta na D1PJ a fls. 12 (R$ 1.321.602,20) e o valor que consta na planilha de fls.83 (R$ 1.309.366,22), a fiscalização optou em incluir o maior valor, uma vez que esse valor maior foi espontaneamente declarado pela empresa. No entanto, como a impugnante faz prova a fls. 255 que já havia recolhido o PIS, calculado sobre esse valor maior, entendo que esse PA deve ser excluído do auto de infração; 3) Cumpre esclarecer que a partir de agosto/99 a dez/2002, a empresa passou a declarar na DIPJ valores bastante discrepantes, uma vez que os valores declarados no Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000262/200425 Resolução nº 3401000.218 S3C4T1 Fl. 5 4 demonstrativo da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP — ficha 32, a/c99, e ficha 19, a/c 2000 a 2002, são muito inferiores aos valores de revenda de mercadorias declarados na demonstração de resultado do IRPJ — ficha 07, a/c99 e ficha 06, a/c 2000 a 2002, conforme consta nas DIPJ anexadas As fls. 5/78; 3.1) Os valores escriturados no livro diário e incluídos no auto de infração são os valores que efetivamente devem compor a base de cálculo do PIS/PASEP; 3.2) Por oportuno, convém destacar que os valores constantes nas cópias do livro de Registro de Apuração do ICMS trazidos ao processo pela impugnante às fls. 428/444, são bastante inferiores aos valores que constam no livro Registro de Saídas apresentado à fiscalização e anexados às fls. 132/137; 4) Por ocasião dos trabalhos de auditoria, durante certo tempo, todos os livros fiscais foram colocados à disposição da fiscalização e nessa oportunidade foram copiados dos livros de apuração do ICMS os valores constantes nas planilhas de fls. 83/84; 4.1) A veracidade de tais valores pode ser comprovada de compararmos os valores brutos constantes nessa planilha com os valores declarados na DIPJ dos anos calendários de 2000 a 2001, fichas 06A anexadas às fls. 15/22 e fls. 47/50, conforme quadro demonstrativo de fls. 1080; 5) Nas cópias dos livros fiscais de fls. 269/468, trazidos ao processo pela impugnante, em nenhum deles estão escriturados os valores de devolução de mercadorias vendidas, todavia na planilha de fls.178/179, elaborada pela impugnante, constam valores devolução que coincidem com os valores levantados pela fiscalização na época em que os livros fiscais foram apresentados; 6) Outro aspecto que chama atenção é o fato de que os valores apresentados pela Impugnante nas planilhas de fls. 178/179 na coluna "base de cálculo livro.Reg. Apur. ICMS —valor correto" não são encontrados nas cópias do citado livro trazidas pela Impugnante a fls. 269/468; 7) As cópias do livro de apuração do ICMS (fls.107/124, comprovam os valores constantes na planilha da fiscalização de fls.84 relativos ao período janeiro a setembro de 2003. Com relação a não aplicação da Lei 10637/02, a impugnante foi intimada a apresentar as planilhas de fls. 1051/1069; 8) Com base nos dados apresentados nas planilhas supramencionadas, constatouse que após a comparação entre os valores da Receita e os valores dos bens adquiridos para revenda, o PIS devido de cada mês está correto e coincide com os valores recolhidos. Dessa forma, entendemos que os valores do PIS relativos aos meses de janeiro a setembro de 2003, devem ser excluídos do auto de infração; 9) Convém destacar que os valores de revenda de mercadorias constantes em referidas planilhas, correspondem com os valores levantados pela fiscalização e que constam na planilha de fls.84. Após cientificado da diligência supra, o contribuinte apresentou aditamento impugnação (fls. 1088/1092), esclarecendo que: 1) Preliminarmente, fica evidenciado o cerceamento ao direito de defesa, pois os livros fiscais somente foram entregues à contribuinte depois de expirado o prazo legal para apresentação da Impugnação; Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000262/200425 Resolução nº 3401000.218 S3C4T1 Fl. 6 5 2) Os valores corretos das bases de cálculo estão no Livro de Apuração do ICMS, que ora anexamos por cópia reprográfica; 3) O ilustre Auditor Fiscal ora aduz que fulcrou a lavratura do Auto de Infração no Livro Diário, ora aduz que usou os dados do Livro de Apuração do ICMS, aduz, ainda, que por certo lapso temporal os livros ficaram h disposição da Fiscalização e que neste item copiou os dados do Livro de Apuração do ICMS e com os mesmos elaborou a planilha de fls.83/84; 4) Cabível ressaltar que as provas não se fazem com fichas produzidas pelo auditor fiscal, mas sim com os dados constantes da escrituração dos livros, pois somente estes fazem prova material, já que para todos os efeitos de prova, só estes são válidos; 5) No que tange à aplicação da Lei n° 10.637/02, o ilustre autuante, concorda, que o PIS, devido e recolhido a cada mas está correto e coincide com os valores recolhios e desta forma entendemos que os valores relativos aos meses de jan/2003 a set/2003, devem ser excluídos do Auto de Infração e com isto estamos de acordo por ser uma medida de inteira Justiça; 6) Assim, com base nas cópias dos Livros apresentados e anexos à Impugnação que provam a Receita da Suplicante e por ser este o único meio de Prova, já que o AFRF autuante não anexou ao Auto de Infração cópias dos Livros que provassem suas alegações e os dados constantes das Planilhas por ele anexadas, rogamos que seja julgado improcedente, e conseqüentemente seja cancelado o Auto de Infração em tela, pelo que se fará Justiça. Tendo em vista as novas alegações do contribuinte, o julgamento do processo foi convertido em nova diligência (fls.1198) para, em resumo,a juntada aos autos dos seguintes elementos: a) cópia do Livro Diário dos anoscalendários 2000,2001 e 2002, onde conste o total das Receitas de Vendas de Mercadorias nos respectivos períodos de apuração; b) cópia do Livro Razão dos anoscalendários 2000,2001 e 2002, onde conste o total das Receitas de Vendas de Mercadorias nos respectivos períodos de apuração. O autuante procedeu à intimação da interessada (fls. 1.201) que conforme elementos de fls.1.208/1265, trouxe à colação cópias dos Livros Diário e Razão dos anoscalendários 2000, 2001 e 2002, esclarecendo : ‘onde constam os totais das Receitas das Vendas de Mercadorias nos respectivos período de apuração’.” A DRJ Rio de Janeiro/RJ afastou as preliminares argüidas e fixou a decadência em 10 (dez) anos, nos termos da Lei nº 8.212/91, sendo que, no mérito, acatou parte da argumentação deduzida pelo contribuinte, consoante parte dispositiva do decisório: “Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 18471.000262/200425, ACORDAM os membros da 5' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, cabendo excluir o fato gerador ocorrido em 31/07/1999, e os períodos atinentes aos anoscalendários 2000, 2001, 2002 e 2003, mantendo os demais períodos bem como os seus acréscimos legais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Em recurso voluntário o contribuinte colacionou documentos que, em tese, comprovariam o equívoco na apuração da contribuição mantida, bem assim, os respectivos Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000262/200425 Resolução nº 3401000.218 S3C4T1 Fl. 7 6 documentos de arrecadação, alegando que não os apresentou anteriormente por entender que esta parcela do lançamento estaria colhida pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Dalton César Cordeira de Miranda, Relator, p/ Conselheiro Robson José Bayerl, Redator ad hoc. Preambularmente, cumpre registrar que, tendo em conta o fato de o Conselheiro relator não haver apresentado o voto respectivo à Secretaria da Quarta Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, designoume o Presidente da 3ª SEJUL/CARF para providenciar a sua redação, com o escopo de formalizar a Resolução 3401000.218, de 03/02/2011. Deste modo, as razões de decidir expendidas não necessariamente refletem a opinião do signatário. Neste diapasão, o recurso voluntário era tempestivo e atendia aos demais requisitos de admissibilidade. Considerando o contexto do processo sub examine e, especialmente, o princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, bem como, a juntada de documentos que, em tese, demonstrariam a improcedência do lançamento ora combatido, foi proposta a conversão do julgamento em diligência para que se providenciasse o seguinte: 1. Aferição da efetiva base de cálculo dos períodos de apuração mantidos pela decisão de primeira instância, à luz dos documentos coligidos pelo recorrente, sem prejuízo de outros elementos que a fiscalização reputar necessários; 2. Elaboração de relatório circunstanciado com as conclusões extraídas e as observações reputadas necessárias; e 3. Ciência ao contribuinte de aludido relatório, franqueandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Encerrada a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720593/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A decadência do direito da Fazenda
Nacional constituir o crédito tributário, no prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, aplicável ao caso em tela devido ao recolhimento antecipado e à inexistência de dolo, fraude ou simulação, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733 SC, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C
do CPC não atinge o lançamento em exame.
IRPF. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS.
LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para
cobrar o imposto suplementar devido à classificação incorreta do rendimento
na Declaração de Ajuste Anual.
IRPF. NATUREZA SALARIAL DO RENDIMENTO CLASSIFICADO
COMO ISENTO E NÃOTRIBUTÁVEL.
Incide o IRPF sobre os valores
auferidos a título de Parcela Remuneratória de Equivalência — PRE, em virtude
de sua natureza salarial.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável da
recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF nº 73.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, no prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, aplicável ao caso em tela devido ao recolhimento antecipado e à inexistência de dolo, fraude ou simulação, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733 SC, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C do CPC não atinge o lançamento em exame. IRPF. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto suplementar devido à classificação incorreta do rendimento na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. NATUREZA SALARIAL DO RENDIMENTO CLASSIFICADO COMO ISENTO E NÃOTRIBUTÁVEL. Incide o IRPF sobre os valores auferidos a título de Parcela Remuneratória de Equivalência — PRE, em virtude de sua natureza salarial. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável da recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10283.720593/2007-33
conteudo_id_s : 6372936
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 03 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2102-002.988
nome_arquivo_s : 2102002988.pdf
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10283720593200733_6372936.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF nº 73.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5690002
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251835682816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 101 1 100 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720593/200733 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.988 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria Omissão de Rendimentos Recorrente FERNANDA CANTANHEDE VEIGA MENDONÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, no prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, aplicável ao caso em tela devido ao recolhimento antecipado e à inexistência de dolo, fraude ou simulação, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733 SC, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C do CPC não atinge o lançamento em exame. IRPF. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. LEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO. A União tem legitimidade ativa para cobrar o imposto suplementar devido à classificação incorreta do rendimento na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. NATUREZA SALARIAL DO RENDIMENTO CLASSIFICADO COMO ISENTO E NÃOTRIBUTÁVEL. Incide o IRPF sobre os valores auferidos a título de Parcela Remuneratória de Equivalência — PRE, em virtude de sua natureza salarial. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável da recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF nº 73. (assinado digitalmente) ___________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 93 /2 00 7- 33 Fl. 111DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0115.984, proferido pela 5ª Turma da DRJ Belém (fl. 74), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o processo de Auto de Infração, fls. 46/55, lavrado em face da Interessada, já qualificada nos autos, em procedimento verificação de cumprimento de obrigações tributárias relativas ao IRPF, exercício 2004, anocalendário 2003, no qual foi apurada a seguinte infração: Rendimentos classificados indevidamente na DIRPF. Resultando na apuração de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 17.683,83 multa de proporcional (passível de redução) de R$ 13.262,87 e juros de mora (calculados até 31/10/2007) no valor de R$ 9.105,40. O motivo da autuação está relacionado especificamente à Parcela Remuneratória de Equivalência — PRE, tratada como rendimento não sujeito a incidência de IRPF pelo TCEAM, no entanto, a Procuradoria Geral da Fazenda nacional, entende que tal rendimento tem caráter tributável conforme PARECER/CAT N° 1679/2005, fls.10/27, justificando que a Resolução 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal, não alcança a referida parcela paga pelo ente estadual a seus membros. Na impugnação, fls. 61/71, a interessada, alega, em síntese, que: O Plenário do TCE reconheceu que os seus Conselheiros e Procuradores de Contas direito têm o direito de perceber a Parcela Remuneratória de Equivalência (PRE). A PRE corresponde à versão estadual da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), auferida pela magistratura federal, Ministério Público da União e TCE, a qual fora instituída por decisão administrativa adotada pelo STF, com base na regra do parágrafo único, do art.1°, da Lei N° 8.448/92. Em relação à PAE, o STF concluiu que se tratava de rendimento nãotributável. A PRE tem o mesmo escopo e a mesma natureza jurídica da PAE. Não se pode admitir um tratamento diferente nos dois casos, violando os princípios da isonomia e razoabilidade. Nulidade do Auto de Infração. O Imposto de Renda, se fosse devido, pertenceria ao Estado do Amazonas, porquanto tratarseia de rendimento auferido como contraprestação de trabalho e sujeito à tributação na fonte. O Crédito Tributário apurado no Auto de Infração não pertence à União, que não tem competência para fiscalizálo. É clara a incompetência da SRF. Somente a Fazenda Pública Estadual teria a atribuição legal de lançar o IR incidente sobre a PRE. Cita algumas decisões do judiciário e doutrina. Fl. 112DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.720593/200733 Acórdão n.º 2102002.988 S2C1T2 Fl. 102 3 Requer a procedência da impugnação e a conseqüente anulação do auto de infração e alternativamente, caso não seja anulado o auto de infração a exoneração do pagamento da multa. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2003 COMPETÊNCIA DA UNIÃO. IRPF. IRRF. TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS. O fato de a Constituição Federal estabelecer a repartição de receitas dos entes políticos maiores para os menores não significa dizer que os primeiros perderam sua competência tributária. Assim como os Estados não perdem sua competência tributária ao repartir a arrecadação do IPVA (art. 158, III, CF) ou do ICMS (art. 158, IV, CF), também a União não perde sua competência tributária ao repartir a arrecadação do IRPF (art. 157, I, e 158, I, da CF). NÃOINCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Se no exercício de sua competência constitucional a União desenvolve todo um arcabouço infraconstitucional de normas de incidência do IRPF não há que falar de nãoincidência de rendimentos recebidos em decorrência da prestação de serviço assalariado ao Estado do Amazonas. Pode até se cogitar de isenção, desde que haja lei expressa concedendo. O que o ordenamento rejeita é a tentativa de dar elasticidade à norma isentiva utilizando para isso de métodos integrativos, pois segundo o art. 111 do CTN se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre isenção, em obséquio ao princípio da indisponibilidade do interesse público. DECISÕES JUDICIAIS. INTER PARTES. ERGA OMNES. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). CLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A falta de entrega do comprovante de rendimentos pela fonte pagadora ou a entrega de comprovante com erro não é motivo para que o contribuinte deixe de cumprir a sua obrigação para com o Fisco, uma vez que compete ao beneficiário dos rendimentos, elaborar a declaração anual classificando corretamente os rendimentos recebidos, independentemente de Fl. 113DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 informação da fonte pagadora, sendo sua a responsabilidade pelas informações ali declaradas. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Sobre os créditos tributários apurados em procedimento conduzido pela autoridade fiscal, incidem as multas de oficio previstas na legislação tributária, cuja aplicação independe da intenção do agente ou do responsável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 84/94, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. Nos termos da Resolução nº 2101000.052, o julgamento do recurso voluntário apresentado pela contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1º, do Anexo II, do RICARF. Ocorre que o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O auto de infração foi lavrado em virtude de ter sido verificada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, tendo estes sido apontados como rendimentos isentos e nãotributáveis, em dissonância com a manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, às fls. 07/24. Mencionados rendimentos foram recebidos do Estado do Amazonas a título de “Parcela Remuneratória de Equivalência”. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, suscitado pela recorrente ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista o disposto no artigo 157, I, da Constituição Federal. Não obstante a destinação da arrecadação, obtida por meio de tributos, ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. De fato, a distribuição do produto da arrecadação, mais precisamente a repartição de receitas, não interfere na competência e na capacidade tributária dos entes federados. Neste sentido, também dispõem os artigo 7º e 8º do Código Tributário Nacional: Art. 7° A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria Fl. 114DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.720593/200733 Acórdão n.º 2102002.988 S2C1T2 Fl. 103 5 tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3° do artigo 18 da Constituição. § 1° A atribuição compreende as garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir. § 2° A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido. § 3° Não constitui delegação de competência o cometimento, a pessoas de direito privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos. Art. 8° O nãoexercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído. Sem muito esforço interpretativo, notase que a competência tributária, em sentido estrito, é indelegável, o que pode ser delegado é a capacidade tributária ativa, ou seja, as funções administrativas de arrecadar ou fiscalizar tributos. Ademais, não se pode imaginar uma delegação de capacidade tributária ativa sem lei expressa que a delimite. A Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que deu nova redação ao artigo 153, § 4º, inciso III, da Constituição Federal, possibilitou a delegação de competência do ITR. Referido inciso foi regulamentado pela Lei 11.250, de 27 de dezembro de 2005: Art.1° A União, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, para fins do disposto no inciso III do § 4o do art. 153 da Constituição Federal, poderá celebrar convênios com o Distrito Federal e os Municípios que assim optarem, visando a delegar as atribuições de fiscalização, inclusive a de lançamento dos créditos tributários, e de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de que trata o inciso VI do art. 153 da Constituição Federal, sem prejuízo da competência supletiva da Secretaria da Receita Federal. § 1° Para fins do disposto no caput deste artigo, deverá ser observada a legislação federal de regência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. § 2° A opção de que trata o caput deste artigo não poderá implicar redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal. Art. 2° A Secretaria da Receita Federal baixará ato estabelecendo os requisitos e as condições necessárias à celebração dos convênios de que trata o art. 1° desta Lei. (destacamos) Assim como a delegação, também a revogação da competência para arrecadar e fiscalizar é marcada pelo signo da legalidade. Citase, por exemplo, a Lei 11.098, de 13 de janeiro de 2005, que devolveu a União (Ministério da Previdência) a capacidade tributária ativa para a cobrança das contribuições anteriormente delegadas ao INSS, conforme ementa da lei: Fl. 115DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Atribui ao Ministério da Previdência Social competências relativas à arrecadação, fiscalização, lançamento e normalização de receitas previdenciárias, autoriza a criação da Secretaria da Receita Previdenciária no âmbito do referido Ministério; altera as Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 10.480, de 2 de julho de 2002, 10.683, de 28 de maio de 2003; e dá outras providências. Passados pouco mais de dois anos a Secretaria da Receita Previdenciária foi unificada com a Secretaria da Receita Federal surgindo a atual Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme Lei 11.457, de 16 de março de 2007: Art. 1º A Secretaria da Receita Federal passa a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão da administração direta subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto n°6.103. de 2007). § 1º O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar n° 101, de 4 de maio de 2000. § 2º Nos termos do art. 58 da Lei Complementar n° 101, de 4 de maio de 2000 a Secretaria da Receita Federal do Brasil prestará contas anualmente ao Conselho Nacional de Previdência Social dos resultados da arrecadação das contribuições sociais destinadas ao financiamento do Regime Geral de Previdência Social e das compensações a elas referentes. § 3º As obrigações previstas na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 4º Fica extinta a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social. Na linha argumentativa aqui exposta, colhese oportuna lição de Aliomar Baleeiro sobre o tema: A participação ou distribuição não influi na competência da Pessoa de Direito Público Interno, à qual é atribuído o imposto. Ela é livre na fixação das alíquotas, assim como em isentar ou não isentar. Se isenta ou não tributa, essa atitude política não gera qualquer direito para as outras Pessoas de Direito Público que se beneficiariam pela participação ou distribuição. Elas não se podem substituir ao governo competente para a decretação... Fl. 116DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.720593/200733 Acórdão n.º 2102002.988 S2C1T2 Fl. 104 7 (Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., Rio de Janeiro: Forense, págs. 75/76.) Muita confusão, como a defendida pela recorrente, decorre da sistemática de tributação do IRPF, que ocorre em dois tempos. Num primeiro momento há a retenção do imposto pela fonte pagadora. Num segundo momento, por ocasião do encerramento do ano calendário, a pessoa física deve elaborar sua Declaração de Rendimentos incluindo rendimentos auferidos das diversas empresas para quem prestou serviço, com ou sem vínculo empregatício, alugueres etc. Nesta oportunidade também realiza as deduções autorizadas por lei federal (de competência da União), apurando o saldo do imposto a pagar ou a restituir. A atribuição constitucional do imposto retido na fonte pelos estados e municípios, sobre os pagamentos que realizarem, em nada altera a competência da União, ente federativo para quem os servidores municipais e estaduais recolhem o imposto suplementar apurado e também de quem se requer a restituição do imposto a maior pago durante o anocalendário. O lançamento em exame não cuida do imposto não retido pela fonte pagadora, mas do crédito tributário devido em razão da elaboração pela contribuinte de Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004, que é de sua exclusiva responsabilidade. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 12: constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A defesa argumenta, ainda, que o Estado do Amazonas impetrou o Mandado de Segurança objetivando não ser compelido a retificar a DIRF, e que tal mandamus tem caráter prejudicial, porquanto, se vier a ser concedido, não poderá a União/SRF — abstraída a sua notória incompetência, ex vi do art. 157, I, da Carta Constitucional — exigir o tributo, razão pela qual requer a aplicação, por analogia, da regra do art. 265, IV, do CPC: o processo administrativo fiscal deve permanecer suspenso, até que se encerre o writ. Sem razão a recorrente. Correto o entendimento manifestado na decisão a quo no sentido de que tal medida não seria cabível, porque a recorrente não era parte no mandado de segurança. Ademais, não consta dos autos, sequer, a fotocópia da petição inicial, a permitir a análise minuciosa da questão suscitada. Mais: ainda que o Estado do Amazonas obtenha êxito em seu MS, tal decisão não interfere no lançamento em exame, a teor da Súmula CARF nº 12 acima transcrita. Quanto ao mérito, entende a contribuinte que os valores tributados neste lançamento têm natureza indenizatória, razão pela qual não haveria que se falar em sua inclusão na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fundamentase, para tanto, no entendimento manifestado pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas às fls. 33/45, nos termos da Resolução do STF nº 245, que em sessão administrativa realizada em 11/12/2002, decidiu que a PAE tem natureza indenizatória, inane à incidência do imposto de renda. A PRE, por sua identidade jurídica com a PAE, tem a mesma natureza. A decisão de primeiro grau analisou minuciosamente tal questão, com fundamentos assaz pertinentes, razão pela qual os adoto e peço vênia para transcrição dos seguintes excertos: A impugnante menciona a incapacidade do auto de infração e da PGFN de enxergar a nãoincidência do IR sobre a PAE. Talvez essa incapacidade decorra da própria alegação do interessado ao afirmar que "a PRE corresponde à versão estadual da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE)", ora se o produto de toda discussão em torno da PAE foi a isenção de tais Fl. 117DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 verbas, enquadrandoa no art. 6° da Lei 7.713/88, e se a PRE deveria corresponder a PAE, por que então a versão estadual se enquadraria na nãoincidência, como estranhamente insiste a impugnante? Logo, não há violação do princípio da isonomia e da razoabilidade como pretende a interessada, pois se as conclusões foram diversas uma verba isenta (PAE) e outra nãoincidente (PRE) — é porque as premissas são diferentes, ou seja, a realidade normativa e fática da Magistratura Federal e do Ministério Público Federal é diferente da realidade fática da impugnante, que atua no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. Sem entrar no mérito da competência do TCE Amazonas para decidir sobre a natureza jurídica de verbas recebidas por seus integrantes no que diz respeito à incidência do IRPF, principalmente quanto aos seus efeitos tributários. Para uma melhor visualização do enquadramento desse rendimento, a PRE, iniciaremos a análise citando Zelmo Denari em seu Curso de Direito Tributário, da Editora Atlas: "Tudo o que ocorre fora da área de incidência não pertence ao universo jurídico tributário. Há toda uma gama de fatos e acontecimentos que gravitam fora do campo de incidência tributária. Quando ocorrentes, por serem estranhos à ordem tributária, revelamse juridicamente estéreis, incapazes de gerar obrigação. Em consequência, não há incidência do tributo na ocorrência de tais fatos". (fl. 167, 2008) A nãoincidência, segundo Ricardo Alexandre, pode decorrer basicamente de três formas: a) o ente tributante, podendo fazêlo, deixa de definir determinada situação como hipótese de incidência tributária. b) o ente tributante não dispõe de competência para definir determinada situação como hipótese de incidência do tributo, uma vez que a atribuição constitucional de competência não abrange tal fato. c) a própria constituição delimita a competência do ente federativo, impedindoo de definir determinadas situações como hipóteses de incidência de tributos. Tratase do instituto da imunidade. (Direito Tributário Esquematizado, 2a edição, Editora Método, 2008). No caso concreto, de antemão, pode se descartar a hipótese "c e b", a "c" por se tratar de imunidade e a "h" por ser tema vencido no tópico anterior desse voto. Resta analisar a primeira hipótese, "a", que seria aplicável ao caso concreto se a hipótese de incidência do imposto de renda não fosse tão amplo a ponto de abarcar o rendimento controvertido. Transcrevese a seguir o art. 153, III, da Constituição, o art. 43 do Código Tributário Nacional — CTN, o art. 3° da Lei 7.713/98 e o art. 2° do Decreto 3000/99, RIR, verbis: Constituição Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: 1 omissis; omissis; III renda e proventos de qualquer natureza; Código Tributário Nacional Fl. 118DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.720593/200733 Acórdão n.º 2102002.988 S2C1T2 Fl. 105 9 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1° A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lep n° 104, de 10.1.2001) Lei 7.713/98 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2° Omissis. § 3° Omissis. § 4° A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Decreto 3000/99 Art. 2° As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1°, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4°). A área de incidência do IRPF é muito ampla, não se pode imaginar que um rendimento recebido por um servidor público estadual esteja fora dessa incidência, ou seja, "não pertence ao universo jurídico tributário", a não ser que esteja protegido por uma imunidade, que não é o caso. A própria competência tributária estabelecida pela constituição indica a amplitude de sua incidência. Compete à União instituir imposto de renda ou proventos de qualquer natureza art. 153, III, CF — sem abrir mão da indicação que expressa a amplitude da incidência, o referido tributo recebeu o nome de Imposto Sobre a Renda e Proventos De Qualquer Natureza. Assim, conforme as normas anteriormente citadas, descartase, também, a hipótese "a" pois a União não deixou "de definir determinada situação como hipótese de incidência tributária", pelo contrário manteve o campo de incidência nos limites estabelecidos pela constituição federal. Fl. 119DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Como o rendimento controvertido não se enquadra nas hipóteses de não incidência resta analisar a possibilidade de isenção da Parcela Remuneratória de Equivalência. Aqui não há necessidade de se ater muito, pois apesar da Parcela Autônoma de Equivalência auferida pela Magistratura e pelo Ministério Público da União ter sido considera isenta, o impugnante, mesmo partindo da argumentação sobre a similaridade entre elas, preferiu enveredar pela tese da não incidência. Mas, para que o entendimento se complete é necessário consignar a impropriedade da utilização da analogia no campo da isenção, aventura essa reprovável pela melhor doutrina deste país, mesmo porque analogia é técnica integrativa, aplicada na ausência de lei, enquanto a isenção no Direito Tributário é sempre decorrente de lei e sua aplicação deve ser precedida de uma interpretação literal para verificação da subsunção do caso concreto à norma isentiva, conforme art. 111 e 176 do Código Tributário Nacional. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: 1 suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. A isenção concedida aos Magistrados Federais e ao Ministério Público Federal obedeceu à lei específica e a interpretação do STF. No entanto a suposta isenção, no caso do TCE Amazonas, não tem suporte em leis específicas federais. Não sendo admitido o uso da analogia para tornar elásticas a lei federal e a Resolução do STF a ponto de abarcar os rendimentos recebidos pela interessada formarseia, assim, uma corrente isentiva sem fundamentação legal. Tampouco é apropriado, para o caso sob exame, falar em isenção de IRPF em face de lei estadual, seria um retorno ao passado, já que o ordenamento jurídico inaugurado pela Constituição de 1988 não albergou salvo raras e pálidas exceções em relação às exportações — a então denominada isenção heterônoma, por meio da qual ente estatal outorga benesses fiscais em esfera tributária de competência de outro. Concluise, dessa forma, que o rendimento controvertido recebido pela impugnante não é isento, pois não se enquadra nas condições gerais estabelecidas pela legislação tributária para concessão de isenção e também não se subsume as hipóteses de isenção elencadas no art. 6° da Lei 7.713/88. A consequência lógica e jurídica da comparação da situação fática do contribuinte à luz do sistema tributário nacional (desprezadas as hipóteses de imunidade e de alíquota zero) é que os rendimentos recebidos pelo impugnante, denominados de Parcela Remuneratória de Equivalência, são tributados, na medida em que não se enquadram nas hipóteses legais de isenção e tampouco de nãoincidência. Assim, por sua incompatibilidade com o ordenamento jurídico pátrio não há como acatar a decisão do plenário do TCE que declarou a nãoincidência de IR sobre a PRE, decisão essa enfrentada pelo lançamento tributário sob exame — § 2° da Lei 9784/99, descabida, assim, a alegação de eventual decadência da questionável decisão. (...) Como vimos anteriormente, é inapropriado o uso da analogia para dar elasticidade às conclusões da Resolução n° 245/2002 do STF, pois a mesma tratou de verbas referentes à Parcela Fl. 120DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.720593/200733 Acórdão n.º 2102002.988 S2C1T2 Fl. 106 11 Autônoma de Equivalência (PAE), não há como esta instância administrativa de julgamento simplesmente equiparar a PAE à Parcela Remuneratória de Equivalência (PRE), como pretende a contribuinte, pois a categoria funcional da qual faz parte a impugnante encontrase em situação distinta e não é parte beneficiada pela referida resolução. Comungando do entendimento acima esposado, entendo que os rendimentos em discussão integram a remuneração percebida pela contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. A inércia dos poderes legislativo e judiciário em reajustar a remuneração dos magistrados não dá o suporte alegado pela defesa para a nãoincidência do imposto de renda. A Resolução 245 do STF dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 245, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, PAE etc, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução nº 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Fl. 121DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. A defesa também discute a decadência do lançamento. Contudo, no presente caso, o prazo de cinco anos para a Fazenda Nacional constituir o crédito não foi sequer arranhado, mesmo que se considere a norma do artigo 150, § 4º, do CTN, aplicável ao caso em tela devido ao recolhimento antecipado e à inexistência de dolo, fraude ou simulação, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), cuja reprodução nos julgamentos deste Colegiado é obrigatória, nos termos do artigo 62A, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 122DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10283.720593/200733 Acórdão n.º 2102002.988 S2C1T2 Fl. 107 13 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação exlege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O lançamento em apreço foi cientificado à contribuinte em 05/12/2007 (fl. 55), relativo à infração do IRPF do anocalendário de 2003, exercício de 2004. Considerando se o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, em que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário expira em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (o IRPF tem fato gerador complexivo em 31/12/2003), sendo certo que o lançamento poderia se efetuado até 31/12/2008. Não há que se falar, portanto, em decadência. Digase ainda que a decadência tributária tem regramento próprio no CTN, sendo inaplicável subsidiariamente o artigo 54 da Lei nº 9.784, de 1999, tendo em vista a reserva constitucional da matéria à lei complementar. De fato, o lançamento em exame é a manifestação do Órgão tributário da União contrário ao entendimento da fonte pagadora acerca da matéria, conforme bem assinalado na decisão de primeiro grau. Ademais, a União não se manifestou em consulta pela tributação da verba denominada PRE. Por fim, em relação à multa de ofício, entendo que esta deve ser excluída do lançamento. Isso com base na boa fé da recorrente, caracterizada pelo fato de ter agido simplesmente de acordo com o entendimento emanado do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (fls. 33/45), sintetizado nas informações indicadas no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte às fls. 29. Justificando referido entendimento, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido que o erro escusável do contribuinte, em situações como a dos autos, autoriza a exclusão da multa de ofício. Da jurisprudência sedimentada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais resultou a edição da Súmula CARF nº 73. Confirase: Fl. 123DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Em face ao exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa de ofício lançada, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 124DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0521.10215.WUWQ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 21/07/2014 08:44:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 21/07/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/05/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0521.10215.WUWQ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 4F362D7AEE2CA101364FF5EEF3D20C7CE440BD4E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10283.720593/2007-33. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904604/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
PIS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN.
Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo do PIS devido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
Antônio Lisboa Cardoso - Relator
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PIS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo do PIS devido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15374.904604/2008-11
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5388906
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.231
nome_arquivo_s : Decisao_15374904604200811.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Antônio Lisboa Cardoso
nome_arquivo_pdf_s : 15374904604200811_5388906.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Antônio Lisboa Cardoso - Relator Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5661443
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251856654336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 113 1 112 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.904604/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.231 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PERDCOMP PIS/PASEP Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PIS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo do PIS devido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 46 04 /2 00 8- 11 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 114 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 115 3 Relatório Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 35210.05868.151203.1.3.044281, em 15/12/2003, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 15/08/2002, a título de Contribuição para o PIS, atinente ao período de apuração 07/2002, com débito da Contribuição para a COFINS, referente ao período de apuração 11/2003, no valor de R$ 17.349,81. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/06/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 16, na qual alega, em síntese, que: Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que deixou de homologar pedido de compensação formulado pela Requerente, transmitida em 15.12.2003, sendo que a questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB, referente ao 3° trimestre de 2002, entregue pela Telemar Norte Leste S.A. Para o período de apuração em questão (07/2002), foi apurado débito de PIS, no valor de R$ 9.307.135,39. Como forma de pagamento do débito apurado foram vinculados alguns créditos, dentre eles o DARF utilizado na compensação em questão. Notese que o valor recolhido é idêntico ao montante do débito apurado quando da transmissão da declaração. No presente caso, a Requerente, tendo apurado crédito decorrente de pagamento indevido a título de PIS para o período de apuração referente a julho de 2002, pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tais valores. Entretanto, ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito. Da diferença entre o valor apurado e o recolhido surge saldo de pagamento a maior, para o Darf em questão, de R$ 13.650,52, (valor atualizado R$ 17.349,81), com crédito de PIS, decorrente de valor pago a maior contido em um Darf de R$ 8.734.256,42. A base de cálculo que serviu de parâmetro para a DCTF transmitida continha valor de receita superior ao que efetivamente representava a base de cálculo do PIS e da COFINS. Deste modo, a nova apuração realizou estorno, no valor de R$ 21.100.080,13, reduzindo o montante da receita de R$ 1.350.507.626,30 para R$ 1.348.407.546,17. Tal redução gerou impacto no PIS apurado de R$ 13.650,52. Tal valor, idêntico ao utilizado, representa pagamento indevido ou a maior, disponível para utilização, como de fato foi utilizado. Em outras palavras, deve prevalecer a boafé da empresa e o princípio da verdade material, até porque, restou aqui demonstrada a existência de créditos suficientes para a quitação integral, tal qual fora lançado nos registros contábeis. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 116 4 Um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. Com base no exposto, fica claro que (i) o montante de R$ 13.650,52 foi recolhido a maior, a título de PIS; (ii) tal valor consta do Darf cujo total é de R$ 8.734.256,42; (iii) a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; (v) o citado valor foi corretamente utilizado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade. Dessa forma, impõese a homologação da compensação n° 35210.05868.151203.1.3.044281. Requer, por fim, a realização de perícia técnica para a apuração do quanto devido e recolhido. Por meio do Despacho Decisório n° 759960470, emitido eletronicamente (fl. 08), o Delegado da DERAT, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. O acórdão da DRJ, segue assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações específicas previstas na legislação pertinente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE Prescindível é a realização de perícia quando se consubstancia o pedido em elemento cuja demonstração já era ônus do contribuinte ao apresentar a manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 117 5 Por força da não homologação, a Receita Federal está a exigir débito de Cofins referente de novembro de 2003, no valor atualizado de R$31.672,07 (valor para pagamento até 30.05.08), assim decomposto: R$ 17.349,81 (principal); R$ 3.469,96 (multa) e R$ 10.852,30 (juros). Conforme despacho da DEMAC/RJO/DIORT (fl. 111), a Recorrente foi cientificada do Acórdão nº 1329.004 – 4ª Turma da DRJ / RJ2 (fls. 54/57) no dia 09/06/2010 (fl. 61), interpondo o recurso voluntário em 09/07/2010 (fls. 62/101), em síntese, reiterando os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 118 6 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 35210.05868.151203.1.3.044281, em 15/12/2003, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 15/08/2002, a título de Contribuição para o PIS, atinente ao período de apuração 07/2002, com débito da Contribuição para a COFINS, referente ao período de apuração 11/2003, no valor de R$ 17.349,81. Constando ainda que foi transmitida ainda, DCTF retificadora, recepcionada pela RFB em 20.10.2006, referente ao 3º trimestre de 2002, entregue pela Telemar Norte Leste S.A. (doc. Nº 05), ou seja, antes do despacho decisório de fl. 13, que se deu em 09/05/2008. A jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) já pacificou o entendimento quanto à equiparação dos efeitos da declaração retificadora, desde que antes do início do procedimento fiscal, à declaração originalmente apresentada, senão vejamos o aresto a seguir reproduzido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. RECOLHIMENTO DA DIFERENÇA EM DECLARAÇÃO RETIFICADORA ANTERIORMENTE A QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. (REsp 889.271/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2010, DJe 01/07/2010) Desta forma, não há que se falar em qualquer necessidade de juntada de documentos destinados a comprovar o crédito pleiteado, vez que, o DARF, no valor total é de R$ 8.374.256,42, para a solução da questão, pois bastaria perquirir se para o período de competência nele consignado (31.07.2002), da comparação entre a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve montante recolhido a maior no valor de, valor original de houve montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 13.650,52. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de março de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 119 7 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Com todo o respeito ao voto do ilustre conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, mas com os fatos narrados e os elementos trazidos ao presente processo, não podemos chegar às mesmas conclusões, para provimento do recurso voluntário. O contribuinte afirma que tem direito a créditos de PIS decorrente de pagamento a maior, porém não trouxe ao processo nenhum elemento de prova a consubstanciar este direito. Abaixo um breve resumo dos fatos, na seqüência dos acontecimentos: 1) Contribuinte apresenta DCTF original relativa ao 3º trimestre/2002 e nela consigna ter saldo devedor do PIS no valor de R$ 8.734.256,42 efetuando pagamento deste mesmo valor (Obs.: a DCTF original não consta do processo, mas esta afirmação decorre do teor do Despacho Decisório, que não foi contestado pelo contribuinte, ao contrário, afirma que teria sido corrigido por meio de DCTF retificadora); 2) Contribuinte apresenta o PERDCOMP nº 35210.05868.151203.1.3.04 4281, em 15/12/2003, objeto de análise neste processo, com o objetivo de compensar débitos da Cofins do fato gerador 11/2003 no valor de R$ 17.349,81. Para tanto apresenta que teria créditos daquele DARF de R$ 8.734.256,42, que foi utilizado para pagamento do PIS de julho/2002; 3) Em 20/10/2006 apresenta DCTF retificadora do 3º trimestre/2002, na qual consigna que o valor total do débito de PIS de julho/2002 é de R$ 9.307.135,39, vinculando os seguintes créditos para quitação: DARF no valor de R$ 8.734.256,42 e R$ 572.878,97 que estariam suspensos por Liminar em Mandado de Segurança. OBS.: nesta condição é notório que o valor total do DARF foi alocado para quitar parte do valor do PIS devido, não sobrando nada de pagamento a maior; 4) Em 09/05/2008 a DERAT/RJ emite o Despacho Decisório, por meio do qual não homologa a compensação por inexistência do crédito, fazendo constar de forma clara que o valor do DARF de R$ 8.734.256,42, foi totalmente utilizado para pagamento do débito original de PIS. O contribuinte não concordou com referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade na qual afirma, entre outras coisas, que a simples análise da DCTF retificadora não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. Em outras palavras ele concorda que não seria realmente possível o reconhecimento de seu direito creditório e a homologação de suas compensações, por meio da análise de seus débitos declarados de PIS em confronto com o pagamento efetuado. Em seguida afirma que “a Recorrente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito”. Em razão destes valores divergentes, que teriam sido erroneamente declarados por ele, o contribuinte suscitou a realização de perícia contábil com a intenção de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 120 8 demonstrar a existência de um saldo credor em seu favor, que seria suficiente para a homologação da compensação requerida. Para a demonstração da base de cálculo e do valor do PIS efetivamente devido em julho/2002, bastaria ao contribuinte ter apresentado cópia do demonstrativo de apuração, bem como de seus registros contábeis que deram suporte à elaboração do demonstrativo. A decisão recorrida agiu corretamente em não deferir a perícia solicitada. Como muito bem lembrado por aquela decisão, nos processos de restituição/compensação o ônus de demonstrar o seu direito é do contribuinte (art. 333 do CPC). Teve duas oportunidades de fazê lo e não fez. Não se trata aqui de considerar válida ou não a DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte. Mesmo considerandoa válida como entende o relator em seu voto, não há como retirar dela conclusões que pudessem levar à existência do direito creditório em favor do contribuinte. Oportuno ressaltar que no recurso voluntário, o contribuinte apresentou novas informações a respeito da motivação que levou ao erro da informação de valores em sua DCTF e também no PERDCOMP. Segundo ele: (...) Tal crédito, como se demonstrará em seguida, adveio da identificação, por parte da Recorrente, de erro na apuração da base de cálculo de PIS de julho de 2002, considerandose que na DCTF original foram incluídas; indevidamente, as receitas relativas à cobrança dos serviços de telefonia suspensos em função da inadimplência dos respectivos usuários por prazo superior a 90 (noventa) dias, o que, foi contabilizado na rubrica de "4ª conta" e, ainda, receitas diferidas de órgãos públicos. (...) Sob esse contexto, considerando o valor total suportado anteriormente pela Recorrente para a extinção do débito de PIS de julho de 2002 de R$ 8.802.161,42 (oito milhões, oitocentos e dois mil, cento e sessenta e um reais e quarenta e dois centavos) em detrimento do valor efetivamente devido de R$ 8.778.299,57 (oito milhões, setecentos e setenta e oito mil, duzentos e noventa e nove reais e cinquenta e sete centavos), verificouse o crédito de R$ 23.861,85 (vinte e três mil, oitocentos e sessenta e um reais e oitenta e cinco centavos), do qual foi utilizado o montante de R$ 17.349,81 (dezessete mil, trezentos e quarenta e nove reais e oitenta e um centavos) para a compensação que ora se discute. (obs.: compare os negritos com o parágrafo de outro processo transcrito mais abaixo). (...) O conteúdo da aludida "4ª conta" referese a valores classificados como receitas pela Fiscalização, que, contudo, não se caracterizam como tal, por advir de cobranças realizadas em nome dos usuários devidamente invalidadas/canceladas em face da inexistência da correspondente prestação de serviço por parte da Recorrente. (...) Somente para ilustrar a falta de critério ou de atenção ou até mesmo de conteúdo documental, ou seja lá o que for, no processo administrativo nº 15374.901896/2008 31, por meio do qual o contribuinte discute pagamento a maior do PIS deste mesmo mês de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.904604/200811 Acórdão n.º 3301002.231 S3C3T1 Fl. 121 9 julho/2002 ele faz estas mesmas argumentações acima citadas. Porém adota outros valores de PIS devido. Veja o conteúdo do segundo trecho extraído daquele processo: “Sob esse contexto, considerando o valor total suportado anteriormente pela Recorrente para a extinção do débito de PIS de julho de 2002 de R$ 9.375.040,39 (nove milhões, trezentos e setenta e cinco mil, quarenta reais e trinta e nove centavos) em detrimento do valor efetivamente devido de R$ 9.351.178,54 (nove milhões, trezentos e cinquenta e um mil, cento e setenta e oito reais e cinquenta e quatro centavos), verificouse o crédito de R$ 23.861,85 (vinte e três mil, oitocentos e sessenta e um reais e oitenta e cinco centavos), do qual foi utilizado o montante de R$ 22.803,07 (vinte e dois mil, oitocentos e três reais e sete centavos) para a compensação que ora se discute.” (obs,: compare com os valores negritados em trecho deste processo acima transcrito.) Veja quão díspares são os valores do PIS devido para se chegar ao mesmo valor de crédito: R$ 23.861,85 (vinte e três mil, oitocentos e sessenta e um reais e oitenta e cinco centavos). Porém esta matéria não foi analisada pela decisão recorrida, por não ter sido apresentada na manifestação de inconformidade. Tratase sem dúvida de matéria preclusa nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, mesmo admitindo adentrar nesta questão, em nome da verdade material, é de ressaltar novamente que não há no processo nenhuma prova material de que houve pagamento a maior ou indevido relativo ao fato gerador de jullho/2002. Nos termos do art. 170 do CTN, para se autorizar a compensação é necessária a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Como informado acima, não é o caso dos presentes autos. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(grifei) (...) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10314.724116/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10314.724116/2012-08
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387026
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-000.317
nome_arquivo_s : Decisao_10314724116201208.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10314724116201208_5387026.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5652180
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251861897216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.724116/201208 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.317 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de setembro de 2014 Assunto Auto de Infração Aduana Recorrente LONG JUMP REPRESENTACÃO DE BRINQUEDOS E SERVICOS LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/06/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, no valor de R$ 33.473.252,75 em virtude dos fatos a seguir descritos. Em resumo, a fiscalização através de procedimento administrativo pautado nas Instrução Normativa RFB n° 228/02 apurou que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 24 11 6/ 20 12 -0 8 Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 3 2 • A empresa LONG JUMP é a detentora da marca que leva o mesmo nome, cujos produtos são importados pela empresa ALPHA; • A ALPHA importa exclusivamente produtos (brinquedos) da marca LONG JUMP ou voltados ao público infantil; • A ALPHA possuiria saúde financeira bastante debilitada para suportar os custos relativos às importações, não fossem os aportes de recursos a ela remetidos a título de contratos de mútuos; • Tais recursos geralmente são remetidos em datas muito próximas àquelas em que incorrem gastos aduaneiros; • Os remetentes dos recursos (mutuantes) desses contratos são justamente empresas relacionadas com a ALPHA/LONG JUMP; • Muitos dos mútuos nem sequer foram pagos, tendo sido “perdoados” pelos credores, caracterizando um verdadeiro repasse a título definitivo; • O pagamento de mútuos, por outro lado, se deu, em alguns casos, mediante mercadorias, evidenciando um verdadeiro adiantamento dos recursos necessários às importações; • Há indícios de ingerência administrativa praticada pela LONG JUMP nas práticas da ALPHA • Evidenciase uma verdadeira confusão patrimonial, decorrente de um fluxo incomum de dinheiro entre as empresas citadas; • Evidenciase uma verdadeira confusão societária, em que os quadros de Sócios alteramse com frequência, culminando na aquisição, pelos mesmos sócios da LONG JUMP, de todas as empresas citadas; • Dentre as empresa adquiridas pelos sócios da LONG JUMP, destaque para a própria ALPHA, adquirida justamente quando já possuía estrutura e movimentação significativas; • Em que pese ser uma empresa de representação comercial, todos os fatos apurados apontam para a LONG JUMP como o centro neural da “rede” que comercializa os produtos importados, bem como a real interessada nessas importações. Por fim, o presente relatório deixa claro que, sem a participação de todas as empresas (ALPHA, LONG JUMP, JL, PROSERVICE e VFR ), a infração não teria ocorrido. Uma vez configurada a hipótese prevista no inciso V do artigo 23 do Lei nº 1.4551/976 supracitado, aplicase a multa disposta no §3º do artigo 23 do Lei nº 1.455 de 07 de abril de 1976, uma vez que, as mercadorias já foram revendidas ou consumidas. Foram considerados sujeitos passivos solidários à autuação: Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 4 3 • Alpha Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda CNPJ 07.459.885/000130; • JL – Comercial e Importadora Ltda CNPJ 07.352.680/000151; • ProService Ind. e Com. de Brinq. e Aparelhos Eletrônicos Ltda CNPJ 53.990.909/000109; • Luiz Geraldo Fiorini CPF 084.317.53897; • Vagner Lefort CPF 034.470.60875;A empresa Long Jump – Representação de Brinquedos e Serviços Ltda foi cientificada do auto de infração, via digital, em 21/06/2012 (fls. 2221). A empresa Alpha Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda foi cientificada do auto de infração, via digital, em 21/06/2012 (fls. 2242). A empresa JL – Comercial e Importadora Ltda foi cientificada do auto de infração, via digital, em 21/06/2012 (fls. 2243). A empresa ProService Ind. e Com. de Brinq. e Aparelhos Eletrônicos Ltda foi cientificada do auto de infração, via digital, em 21/06/2012 (fls. 2245). O Sr. Luiz Geraldo Fiorini foi cientificado do Auto de Infração, via Aviso de Recebimento – AR, em 25/06/2012 (fls. 3835). O Sr. Vagner Lefort foi cientificado do Auto de Infração, via Aviso de Recebimento – AR, em 25/06/2012 (fls. 3836). A empresa Long Jump – Representação de Brinquedos e Serviços protocolizou impugnação, tempestivamente em 23/07/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 3956 a 4006, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. As empresas Alpha Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda, JL – Comercial e Importadora Ltda e ProService Ind. e Com. de Brinq. e Aparelhos Eletrônicos Ltda adotam como suas RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO, a impugnação apresentada pela empresa Long Jump – Representação de Brinquedos e Serviços. A empresa Long Jump – Representação de Brinquedos e Serviços apresentou impugnação de folhas 3956 à 4006. O Sr. Luiz Geraldo Fiorini apresentou impugnação de folhas 4018 à 4067. O Sr. Vagner Lefort apresentou impugnação de folhas 4079 à 4138. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, os impugnantes alegaram que: DAS PRELIMINARES. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ILEGITIMIDADE DE PARTE PASSIVA. Ao contrário do entendimento firmado pelos Ilustres Agentes Fazendários quando da fundamentação legal do Auto de Infração ora impugnado, que a mesma é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da autuação, devendo, assim, ser determinada sua exclusão da lide, vez que não configurada sua responsabilidade pelo Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 5 4 pagamento da penalidade de multa exigida no referido Auto, conforme expressa previsão legal contida em nosso ordenamento jurídico vigente, como a seguir ficará demonstrado. Na questão ventilada nos autos, todos os documentos pertinentes às referidas importações, foram emitidos em nome da empresa “ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS LTDA."” que teve poder de mando nas operações de importação de mercadorias do exterior a que alude as declarações de importação citadas no Auto de Infração. Nos termos da legislação vigente, a figura do Importador, no caso em tela, recai, unicamente, na pessoa da empresa “ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS LTDA. O USO DE PREVENÇÕES. (sic) Não pode a fiscalização baseada, em meras presunções, alegar que a Requerente detinha o poder administrar as operações de importação da referida empresa, o que comprovadamente não é o caso, carecendo, pois, de respaldo legal, a penalidade de multa exigida. O despacho aduaneiro de importação deve ser sempre feito em nome do IMPORTADOR, assim considerada aquela em nome de qual é feito O CONTRATO DE CÂMBIO, se operação cambial houver, vale dizer, AQUELA EM NOME DA QUAL É EMITIDA A FATURA COMERCIAL (MESMO QUE IMPLICAÇAO CAMBIAL NÃO HAJA) A Requerente é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da autuação, na medida em que a mesma, comprovadamente, não está investida na figura do Importador, não podendo, assim, ser responsabilizada pelo recolhimento da penalidade de multa formalizada no referido Auto (conversão da Pena de Perdimento em muita correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas), a pretexto da a Requerente ser a real interessada nas importações realizadas pela empresa "ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRONICOS LTDA.”, no período de 19.01.2.007 a 22.12.2.010. Em sede de Preliminar, deve ser declarada a NULIDADE do Auto de Infração ora impugnado, vez que, encontrase o mesmo maculado por vícios formais insanáveis. A NÃO ANEXAÇÃO DE CÓPIAS DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO Sustenta a ora Requerente, que o Auto de Infração ora Impugnado, encontrase maculado, também, de vício formal insanável, na medida em que os Ilustres Agentes Fazendários vinculados a IRF/SP., deixaram de anexar aos autos, cópias das Declarações de Importação processadas no período assinalado, que ensejaram na proposta da aplicação da penalidade de multa prevista no artigo 33, da Lei n° 11.033/2.007, restando violado o artigo 9º, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97. Na questão posta nos autos, a penalidade de multa exigida pelos ilustres Agentes Fazendários, corresponde ao percentual de 100% (cem por cento) sobre o valor aduaneiro dos bens importados, declarado nas respectivas Declarações de Importação processadas no período de 18/01/2007 a 22/12/2010, razão pela qual, tornavase medida de imperiosa necessidade a juntada das referidas D.I.'s aos autos, o que não ocorreu, maculando, assim, o procedimento fiscal de vício formal insanável, na medida em que cerceado, comprovadamente o direito de defesa da ora Requerente, que lhe é assegurado nos termos do “Devido Processo Legal”. Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 6 5 O VÍCIO INSANÁVEL DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E A ORIENTAÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 14, DA PORTARIA N° 3014/2011. O Auto do Infração ora impugnado, está embasado no Mandado de Procedimento Fiscal – fiscalização anexado aos autos, deveria ser concluído até o dia 04/05/2012, o que não ocorreu, sendo que sua prorrogação ocorreu somente com a ciência do Contribuinte em 05.06.2012 (fls. 2187/2190 dos autos A.I. lavrado contra a ALPHA), ou seja, quando já decorrido o prazo de 120 (cento e vinte) dias para conclusão do referido MPF. Portanto, é de se aplicar ao caso em tela, a orientação contida no artigo 14, da Portaria n° 3014/2011. Requer a decretação da NULIDADE do Auto de Infração ora impugnado, conforme previsão legal contida no artigo 59, do Decreto n° 70235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8748/93 e 9532/97. Após transcorridos aproximadamente 150 (cento e cinqüenta) dias do início do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado com fundamento na IN/SRF. n° 228/2.012, os limos. Agentes Fiscais vinculados a IRF/SP.. fazendo ao mesmo tempo, as vezes de "JUIZ E PARTE”, concluíram que a Requerente seria a real adquirente das mercadorias importadas e despachadas pelas Declarações de Importação processadas pela empresa "ALPHA’, razão pela gual, referidas importações seriam objeto da aplicação da DE PERDIMENTO” das mercadorias importadas. Entendese que esse Procedimento Especial de Fiscalização instaurado pela IRF/SP com fundamento na IN/SRF. n° 228/02, que resultou na posterior lavratura do Auto de Infração ora Impugnado, onde se exige o recolhimento da penalidade de multa correspondente ao percentual de 100% cem por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas do exterior pela empresa “ALPHA” CARECE DE TOTAL RESPALDO LEGAL. NA MEDIDA EM QUE EFETUADO AO TOTAL ARREPIO DA LEI, ALÉM DE CONTRARIAR O “DEVIDO PROCESSO LEGAL". No curso do Procedimento Especial de Fiscalização de que trata a IN/SRF. n° 228/2.002, instaurado pela IRF/SP., além de violado, comprovadamente, “o Devido Processo Legal, deixaram de ser observadas pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, os artigos 47 a 50 dos previstos na Lei n° 9784/99. A IRRETROATIVIDADE DOS EFEITOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. As conclusões do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado pela IRF/SP. com base na IN/SRF n° 228/2.002, não podem retroagir para atingir fatos geradores ocorridos anteriormente, no caso, as Declarações de Importação citadas no Auto de Infração ora impugnado, processadas pela empresa “ALPHA” no período de 22.12.2010. vez que, tais importações foram efetuadas regularmente, com fiel atendimento às normas legais previstas na legislação vigente. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. DA REVISÃO ADUANEIRA Feita a declaração de importação, está consumada a operação, e o portador tem o direito adquirido de ver concluído o procedimento destinado ao desembaraço das mercadorias importadas, desde que, no momento da declaração, estivesse em situação regular perante a Fazenda Pública. Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 7 6 As Declarações de Importação processadas pela empresa “ALPHA” do exterior no período de foram realizadas com fiel observância às normas legais previstas na legislação vigente (recolhimento integral de tributos, correta classificação tarifária, valor aduaneiro, etc.), sendo importante destacar, por oportuno, que APÓS FORMALIZADOS OS DESEMBARAÇOS ADUANEIROS. Quaisquer questionamentos relacionados com tais D.I.s, somente poderiam ser questionados pelo FISCO em ato de revisão aduaneira, nos termos das disposições contidas no artigo 638 do atual Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2.009. O RITO DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Em face dos dispositivos legais citados, o “Procedimento Especial de Fiscalização” instaurado com fundamento nas disposições contidas na IN/SRF. n° 228/2012, jamais poderia seguir o rito sumário imposto peia IRF/SP que resultou na aplicação de “APLICAÇÃO DA PENALIDADE DE MULTA PREVISTA NO ARTIGO 23. INCISO V. DO DECRETOLEI N° 1.455/76. a pretexto de que seria a real interessada (ocultação do real comprador) nas operações de importação realizadas pela empresa “ALPHA". Não se tem notícias nos autos, do Relatório de conclusão do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado com base na IN/SRF. n° 228/2.002, e tampouco da instauração de Procedimento Fiscal onde deveria ser proferida Decisão administrativa aplicando a Pena de Perdimento das mercadorias importadas pela empresa "ALPHA”. Restou plenamente caracterizado o flagrante cerceamento ao “Direito de Defesa" da Requerente, em face da não observância do “Devido Processo Legal” (ampla defesa, julgamento em primeira instância por autoridade competente, duplo grau de jurisdição, produção de provas, etc.), no curso do “Procedimento Especial de Fiscalização" instaurado pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, com base na IN/SRF. n° 228/2.002. razão pela qual é de se declarar a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, conforme expressa previsão legal contida no artigo 59. do Decreto n° 70.235/72. com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. A AUSÊNCIA DE CIÊNCIA PARA A DEVOLUÇÃO DAS MERCADORIAS. Não há notícias nos autos, de que o importador (ALPHA), bem como, a ora Requerente tenham sido intimadas pela Fiscalização Fazendária para promover a restituição/devolução das mercadorias importadas, até porque tratamse de bens fungíveis. DA DECADÊNCIA Também em sede de Preliminares, entende a ora Requerente, que na questão posta nos autos, com relação as Declarações de Importação registradas no SISCOMEX no período de 18.01.2.007 a 12.06.2.010, operouse a Decadência. É evidente que a Fazenda poderá refazer o lançamento, mas se já tiver passado o prazo de cinco anos da decadência do direito de lançar, não poderá mais fazêlo porque este direito já se extinguiu. A questão posta nos autos, relativamente as Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração ora impugnado, envolvendo fatos geradores ocorridos no período de 18.01.2007 a 22.12.2010, operouse a "DECADÊNCIA”, nos termos da Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 8 7 orientação contida no artigo 173 do Código Tributário Nacional, tendo em vista que a Requerente somente foi cientificada sobre respectivo lançamento de que trata o Auto de Infração ora impugnado em 21.06.12, ou seja, após o decurso do prazo decadencial. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. AUSÊNCIA DE BASE LEGAL PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Também como questão preliminar, destaca a Requerente, que o Auto de infração ora impugnado contraria expressa orientação contida no artigo 149, inciso IX, combinado com o parágrafo único, do Código Tributário Nacional. A Instrução Normativas/SRF n° 228/2.002 e o embasamento utilizado pela Fiscalização Fazendária para lavratura do Auto de Infração extrapolaram, flagrantemente, os limites da lei a que deveriam estar atrelados no caso o Decreto Lei n° 37/66, artigo 105, incisos I a XXII, combinado com o Decreto Lei n° 1.455/76, artigo 23, incisos I a V, e artigo 27, da Lei n° 10.637/2.002, diplomas legais de hierarquia superior, que tratam especificamente das infrações passíveis da aplicação da “Pena de Perdimento1' de mercadorias importadas do exterior. com clara violação ao princípio da legalidade que deve nortear os atos administrativos, na medida em que invadida a esfera de competência do legislador ordinário. Com efeito, em face do princípio da hierarquia das normas, tratandose a Instrução Normativa n° 228/2.002, de ato inferior e a Lei, (Decreto Lei n° 37/66. artigo 105. incisos I a XXII, combinado com o Decreto Lei n° 1.455/76, artigo 23. incisos I a V. bem como, com o artigo 27. da Lei n° 10.637/2.002, diplomas legais que tratam especificamente das infrações que ensejam a aplicação da “Pena de Perdimento de mercadorias importadas do exterior), lhe é defeso contrariar, restringir ou ampliar suas disposições, em face do seu nítido caráter acessório. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. DESRESPEITO AO DIREITO DE DEFESA. A Instrução Normativa (como o Regulamento), em nosso sistema jurídico, deve estar sempre subordinada à lei tributária à qual se refere, em face da proeminência desta sobre aquela, devendo existir, entre ambas, absoluta compatibilidade. O Procedimento Especial de Fiscalização instaurado pela IRF/SP., que resultou na indevida e arbitrária lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO ora Impugnado, na medida em que embasado na I.N./S.R.F. n° 228/02 carece de total respaldo legal, em face do princípio da hierarquia das normas. Na forma como é hoje realizado o Procedimento Especial de Fiscalização com base na IN/SRF. n° 228/2.002, o que ocorre, na verdade, é um préjulgamento do Contribuinte, sem que lhe seja assegurado qualquer direto de defesa, o que convenhamos, é manifestamente ilegal/inconstitucional, face da flagrante ofensa ao “DEVIDO PROCESSO LEGAL", fazendoos Agentes Fazendários as vezes de Juiz e Parte, o que convenhamos, é inadmissível. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. Requer o acolhimento das Preliminares acima argüidas, decretandose a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, vez que, como restou demonstrado a exaustão, o Procedimento Especial de Fiscalização instaurado com base na IN/SRF. n° 228/2.012, Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 9 8 onde foi embasada a lavratura do referido Auto, encontrase eivado de vícios formais insanáveis. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA PENA DE PERDIMENTO. A forma como se processou a aplicação da “PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS PELA EMPRESA “ALPHA”, é manifestamente ilegal/inconstitucional. A Autoridade que promove a apreensão dos bens é a mesma que julga o feito, ou seja faz vezes de Juiz e Parte, o que convenhamos, é inadmissível, ainda mais. em se tratando de tão grave sanção contra o “PERDIMENTO”. que envolve a perda da propriedade. Prática que afronta o artigo 5°, do inciso LIII, da Constituição vigente. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. A MUDANÇA DE CRITÉRIOS JURÍDICOS PELA RFB. Ressalta o Requerente, que de acordo com o pacífico entendimento, há muito firmado pelos Tribunais Superiores, a mudança de critérios jurídicos pelo fisco, quando da revisão do lançamento, é inconstitucional/ilegal. DO MÉRITO. O NÃO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO TIPIFICADA NO INCISO V, DO ARTIGO 23, DO DECRETOLEI N° 1.455/76 Requerente jamais praticou a infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do Decretolei n° 1.455/76, com a atual redação do artigo 59, da Lei n° 10.637/2.002, pelos motivos seguintes: • A Requerente (LONG JUMP) jamais promoveu a importação de quaisquer bens do exterior, vez que, nunca foi habilitada junto ao RADAR/SISCOMEX, e tampouco disponibilizou recursos financeiros para arcar com os custos das importações realizadas pela empresa "ALPHA” no período de 18.01.2007 a 22.12.2010; • Nas importações realizadas pela empresa “ALPHA" do exterior em 2.007/2010, objeto das Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração, não houve a ocultacão do sujeito passivo, do real vendedor ou comprador, ou responsável pela operação mediante fraude ou simulação, o que é inclusive, corroborado no Relatório elaborado pelo AFRF/IRFSP quando da realização dos procedimentos especiais de fiscalização com base na IN/SRF. n° 228/2002; • Os documentos anexados aos autos comprovam, de forma inquestionável, que o importador (ALPHA) jamais omitiu ou ocultou o fato de que parte dos Recursos Financeiros utilizados nas operações de importação de que tratam as Declarações de importação processadas no período de 18.01.2.007 a 22.12.2.010, foram antecipados pelas empresas “V.F.R.” e “PROSERVICE” e “JL", bem como, pelos “Contratos de Mútuo”, tanto que tais antecipações financeiras foram regularmente contabilizadas e objeto de declaração específica, conforme afirmado pelos Ilustres Agentes Fazendários; • Quanto à importação de mercadorias do exterior, objeto das Declarações de Importação discriminadas no Auto de Infração, não houve ocultação das pessoas jurídicas que forneceram os recursos financeiros para arcar com os custos das Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 10 9 importações efetuadas pela Requerente, vez que tais antecipações financeiras foram regularmente registradas em sua escrita fiscal, conforme documentos anexados ao Processo Administrativo em tela, fato esse, corroborado pelos próprios agentes fiscais vinculados à IRF/SP., que realizaram os procedimentos especiais de fiscalização com base na IN/SRF n° 228/2002; • A posterior comercialização/revenda no mercado interno, das mercadorias regularmente importadas pela Requerente do exterior, para as empresas 'VFR’ e "PROSERVICE”, etc.”, foi efetuada com fiel observância a legislação vigente, inexistindo quaisquer irregularidades que pudessem ser apontadas pelos Agentes do Fisco. A sanção deve obedecer aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada e com reserva absoluta da lei formal. Por conseguinte, somente aqueles fatos explicitamente previstos na lei pode ensejar a aplicação da penalidade, sendo inadmissíveis eventuais interpretações maleáveis em prejuízo do contribuinte ou responsável. Na questão posta nos autos, não foram observados pelos agentes fazendários, os princípios da legalidade e da tipicidade fechada e com reserva absoluta da lei formal, razão pela qual, tal dispositivo legal jamais poderia ter sido utilizado pelos agentes do fisco para exigência da penalidade de multa de que trata o auto de infração ora impugnado. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. Os Agentes Fazendários laboraram em grave e manifesto equívoco quanto à correta interpretação da legislação vigente, vez que todas as importações promovidas pela empresa importadora (ALPHA) do exterior são regulares, e atenderam fielmente a legislação vigente. Os documentos anexados aos autos, demonstram, de forma inquestionável, que a empresa “ALPHA”, bem como, a ora requerente, jamais praticaram as infrações previstas no artigo 23. Inciso V, do Decreto Lei n° 1.455/76, sendo manifestamente equivocadas as conclusões dos Agentes Fiscais vinculados à IRF/SP.. quando do encerramento do Procedimento Especial de Fiscalização realizado com base na IN/SRF. n° 228/2.002. pelos motivos seguintes: • Nas importações de mercadorias realizadas peia empresa “ALPHA” do exterior, não houve a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor,, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros; conforme restou comprovado pelos documentos anexados aos autos; • Nas importações realizadas pela “ALPHA” do exterior, houve a estiva comprovação, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas importações de mercadorias do exterior; • Todos os documentos necessários para instruir os respectivos despachos aduaneiros, foram emitidos em nome da empresa “ALPHA” (IMPORTADOR), em nome de quem foram efetuados os respectivos Contratos de Câmbio para pagamento ao fornecedor estrangeiro; • A empresa “LONG JUMP” jamais importou quaisquer mercadorias do exterior, sequer possuindo seu cadastro de importador junto ao RADAR/SISCOMEX/SRF. A VIOLAÇÃO ÀS DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO ARTIGO 81, DA LEI N° 9.430/96. No PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO COM BASE na IN SRF. N° 228/2.002 o que deve ser observado pelos Agentes Fazendários, é se restou Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 11 10 comprovada a violação às disposições contidas no artigo 81, da Lei n° 9.430/96, com a nova redação que lhe foi conferida pelo artigo 60, da Lei n° 10.637/2.002. Na questão posta nos autos, nem o importador (ALPHA) e tampouco a Requerente, comprovadamente, não se acham inseridas em nenhuma das hipóteses acima descritas. ANTECIPAÇÕES DE RECURSOS FINANCEIROS. Ainda que de recursos financeiros tenham sido antecipados pelas empresas VRF e QGD é lícita, estaria o importador (ALPHA), quando muito, sujeita à aplicação de penalidades de multas acessórias. A REGULARIDADE DOS “CONTRATOS DE MÚTUO”. Quanto a alegada irregularidade dos “Contratos de Mútuo”, o entendimento dos Agentes Fazendários quando da fundamentação legal do Auto de Infração ora Impugnado, é manifestamente equivocado. De acordo com a melhor Doutrina, o contrato de mútuo é o contrato de empréstimo, em que o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisas do mesmo gênero, qualidade ou quantidade, podendo ser constituído por prazo livremente determinado entre as partes. Ressalta a Requerente que no Contrato de Mútuo questionado pela Fiscalização Fazendária, a estabeleceuse um limite de valor de saldo máximo na ordem de 5.600.000,00 (cinco milhões e seiscentos mil reais), e para isso foram realizados pagamentos e remessas de mercadorias e portanto ainda que escriturados e realizadas transações que ultrapassaram esse valor no decorrer do período, o limite do contrato serviu como limitação ao passivo no encerramento do exercício. DA “CONFUSÃO ADMINISTRATIVA”, “SOCIETÁRIA” E PATRIMONIAL” Também não subsiste a uma melhor análise a alegação de que por ocasião da realização do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado com base na IN/SRF. n° 228/2.002, teria sido constatada “confusão administrativa”, “societária” e patrimonial”. Tanto o importador (ALPHA), bem como a ora Requerente são empresas regularmente constituídas e registradas perante todos os órgãos públicos para exercer regularmente suas atividades empresariais, direito que lhes é assegurado pelo artigo 170, parágrafo único, da Constituição Federal vigente. Ambas as empresas (ALPHA e LONG JUMP), sempre foram administradas regularmente por seus sócios, nos exatos termos dos respectivos Contratos Sociais, devendo ser ressaltado, ainda, que não há qualquer impedimento legal para que os mesmos integrem os quadros sociais de outras empresas. Também não prospera a alegação da suposta “confusão patrimonial”, na medida em que não restou comprovada, ainda que por prova indiciária, que tivesse havido fraude ou abuso de direito por parte dos sócios administradores de ambas as empresas "ALPHA" e “LONG JUMP”, bem como, das demais empresas citadas no Procedimento Especial de Fiscalização instaurado pela IRF/SP. com base na IN/SRF. n° 228/2.002. Também frágil e inconsistente a alegação dos Agentes Fazendários vinculados a IRF/SP., de que teria sido constatado no depósito do importador (ALPHA), diversas caixas de mercadorias com as iniciais “L J”, daí a presunção de que a empresa “Long Jump” seria a real interessada em tais importações. Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 12 11 De fato, ao fazer tal afirmação os Agentes Fazendários limitaramse a verificar parte do estoque de mercadorias importadas armazenadas nos Depósitos Do importador (ALPHA). No entanto, no período de 18.01.2007 a 22.12.2010, apenas cerca de 30% (trinta por cento) das mercadorias importadas do exterior continham nas respectivas embalagens a sigla “L J”, não podendo, assim, ser utilizada como parâmetro para afirmarse que todas as mercadorias importadas no período citado continham tal sigla. Eventuais incorreções/inexatidões nas embalagens de mercadorias importadas do exterior, quando muito, estariam sujeitas a penalidades de multas acessórias, mas nunca em tão grave sanção como o Perdimento dos bens. A APLICAO DO ARTIGO 33. DA LEI N° 11.488/2.007. Caso prevalecessem as alegações dos ilustres Agentes Fazendários quando da lavratura do Auto de Infração de que trata o Processo Administrativo em tela (O IMPORTADOR TERIA CEDIDO SEU NOME PARA ACOBERTAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO DE TERCEIROS), o que comprovadamente não é o caso, quanto muito, seria aplicada penalidades de multas acessórias, MAS NUNCA TÃO GRAVE SANÇÃO COMO O PERDIMENTO DOS BENS. CONFORME EXPRESSA PREVISÃO LEGAL CONTIDA NO ARTIGO 33. DA LEI N° 11.488/2.007. DA AUSÊNCIA DO DANO AO ERÁRIO. PRESSUPOSTO BÁSICO PARA APLICAÇAO DA “PENA DE PERDIMENTO” DE MERCADORIAS IMPORTADAS DO EXTERIOR. Sustenta a Fiscalização Fazendária que a Requerente teria incorrido na prática da infração tipificada no artigo 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455/76, bem como, no artigo 689 do atual Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2.009. O legislador tomou o cuidado de delimitar o campo de atuação do agente administrativo (entendase este como lato sensu) sob as normas e previsões legais, ou seja, a Administração grande parte das vezes atuará adstrita, vinculada à legalidade. Portanto, interpretações extensivas, diversas ou prejudiciais da norma serão vedadas ao administrador que deverá guiar seus atos pelas normas preexistentes. Ao longo da fundamentação do Auto de Infração ora Impugnado, é com frequência que se utilizam expressões como presunção, presumese, ficou evidente, etc. Estas muitas vezes servem de fundamento para conclusões tiradas para conseqüentes infrações e penalidades. O agente administrativo, quando atuar revestido dos interesses estatais deve sempre se valer de meios legais e indiferentes aos seus conceitos íntimos. Os atos praticados devem procurar com eficácia afastar presunções, indícios e noções pessoais para fundamentação, buscando sempre atender o desejo precípuo do legislador sem qualquer “adaptação” para seus entendimentos. Criarseia uma insegurança jurídica imensurável, se cada agente administrativo interpretasse, “moldasse” a norma ao modo que melhor entende, furtandose dos reais motivos. Assimilado o entendimento da vinculação dos atos administrativos, podese então compreender o motivo pelo qual seria inimaginável que as hipóteses nas quais se aplicam pena de perdimento (lembrese da gravidade dessa Sanção, que afronta o direito de propriedade assegurado pela Constituição Federal vigente) pudessem ficar exclusivamente ao critério e ã discricionariedade do agente administrativo, sem qualquer amparo legal, sob o simples argumento de dificuldade de listálas. Em análise ao Princípio da Vinculação do atos administrativos, podese extrair também o da Legalidade, no qual se traduz que o agente administrativo somente poderá agir ou atuar quando a lei permitir tal conduta. Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 13 12 A pena de perdimento, por sua natureza de sanção, deverá respeitar o Princípio da Tipicidade, ou seja, a norma legai deve recair perfeitamente sob o caso em concreto que se analisa, não se admitindo analogias. Ressaltase que os tributos relativos as operações de importação realizadas pela empresa “ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS LTDA”. ao amparo das Declarações de Importação processadas no período de 18.01.2007 a 22.12.2010, foram efetuadas com fiel observância as disposições prevista na legislação vigente, com o integral recolhimento todos os tributos devidos por meio de débito eletrônico no SISCOMEX, descaracterizando, assim qualquer indício de dano ao Erário. Concluise que relativamente às importações realizadas pela empresa “ALPHA COMÉRCIO DE ARTIGOS ELETRÔNICOS LTDA.”. não houve qualquer Dano ao Erário. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. Verificase, assim, como restou demonstrado, que sob qualquer ângulo que se analise a questão posta nos autos, que não há como prosperar a aplicação da PENA DE PERDIMENTO" das mercadorias importadas do exterior pela empresa “ALPHA’', E despachadas pelas Declarações de importação discriminadas no Auto de h fração de que se cuida, tendo em vista a comprovada inexistência de “DANO AO ERÁRIO”, pressuposto básico para aplicação de tão grave sanção. A PENA DE PERDIMENTO CUMULADA COM MULTA Não havendo, portanto, dano ao Erário como restou demonstrado, incabível a pena prevista no § 1o do art. 689 do Regulamento Aduaneiro equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, aplicável então, ainda que, com fundadas reservas, a exigência junto ao importador (ALPHA), da penalidade de multa de que trata o artigo 33 da Lei n°. 11.488 de Junho de 2007. Há que se falar ainda dos valores exigidos à título de multa, indenização ao Erário. O Auto de Infração traz o chamado Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. Devese atentar para a equivocada caracterização do valor exigido a título de crédito tributário, quando o que se verifica é uma multa, ou seja verdadeira sanção pecuniária que jamais deve ser confundida com tributo. A prevalecer a exigência da penalidade de multa formalizada no Auto de Infração ora impugnado, restarão violados, também, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. Sob qualquer ângulo que se analise a questão posta nos autos, não há como prosperar a exigência do recolhimento da penalidade de multa formalizada pela IRF/SP no Auto de Infração ora impugnado, razão pela qual, a decretação da IMPROCEDÊNCIA/INSUBSISTÊNCIA do referido Auto, é medida que se impõe. DA AUSÊNCIA DE RESPALDO LEGAL PARA IMPUTAR AO REQUERENTE. A RESPONSABILIDADE SOLIDARIA PELO PAGAMENTO DA PENALIDADE Em face do Sr. Luiz Geraldo Fiorini e do Sr. Vagner Lefort (sócios da empresa LONG JUMP, contra quem foi lavrado o Auto de Infração de que se trata), foi imputada a responsabilidade solidária pelo recolhimento da penalidade de multa lançada no referido Auto, conforme dá conta o Termo de Sujeição Passiva Solidária e Intimação SEFIA. Urge a necessidade de se ressaltar, a absoluta ilegitimidade quanto a responsabilização solidária feita pelo Ilustre AFRFB, ao qualificar o ora impugnante no pólo passivo da sanção pecuniária exigida. Em resumo, o que pretendeu e fez aqui o Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 14 13 mencionado AuditorFiscal, foi transporse ao que exige e requisita o ordenamento jurídico pátrio e inclusive Princípio Constitucional. Intimar os sócios, equivale dizer, pessoa física, quanto a valores levantados e exigidos em sede de processo administrativo fiscal, tratase de grave ofensa às normas legais, princípios, além de, data máxima vênia, atuação fora das atribuições e competências destinadas ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal. O Termo lavrado encontrase puramente contaminado seja por qualquer dos ângulos que o observe, senão vejamos: Em primeiro lugar, devese atentar para a incompetência, da Administração Pública, no caso o processo administrativo fiscal, em relação ao poder de extensão do alcance da exigibilidade dos créditos ao patrimônio dos sócios, pessoa física; Outro ponto importante, tratase da evidente e completa falta de atribuição e capacidade jurisdicional do Ilustre AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para a determinação da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada e conseqüente quebra de sua autonomia, independência e inconfundibilidade de patrimônio em relação aos de seus sócios, pessoas físicas; A determinação claramente discricionária, em se estender a exigibilidade dos créditos às pessoas físicas dos sócios, em razão da IRREGULAR desconsideração da personalidade jurídica, se deu sem que fosse prestigiado o intangível Princípio Constitucional do Devido Processo Legal e suas vertentes, sejam elas o Contraditório e a Ampla Defesa; Ainda que fosse este agente administrativo competente e atribuído para tal ato, s.m.j. próprio do Poder Judiciário, este deveria além de respeitar as normas e requisitos legais existentes e o Princípio do Devido Processo Legal, fazelo de modo extremamente cauteloso e sendo a ultima ratio a fim de não invadir o patrimônio pessoal dos sócios desnecessariamente ou erroneamente. A penalidade de multa exigida no Auto de Infração de que se cuida, tratase de SANÇÃO ADMINISTRATIVA (PERDIMENTO DE BENS CONVERTIDO EM MULTA), não havendo assim que se falar em crédito tributário, razão pela qual não incide o disposto no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional;Tributo ou crédito tributário, é toda prestação pecuniária compulsória, instituída por lei, cobrada mediante atividade administrativa QUE NÃO CONSTITUA SANÇÃO A ATO ILÍCITO. Este é o conceito adotado por boa parte da doutrina para definir o que vem a ser um tributo. Observe que a definição é clara em desvincular o tributo de sanção por ato ilícito, vez que ao contrário, o fato gerador do tributo é sempre lícito. A sanção administrativa possui natureza jurídica completamente diversa, apesar de ser exigida e até mesmo algumas vezes oriunda de relações jurídicotributárias, esta decorre de conduta ou ato ilícito. Portanto, s.m.j., a caracterização dos valores descritos como sendo de natureza crédito tributário está completamente equivocada; Tanto o art. 1.024 do Código Civil, quanto o art. 596 do Código de Processo Civil vedam, num primeiro momento, a possibilidade do patrimônio particular dos sócios responderem por dívidas e obrigações referentes à sociedade que pertencem. A única hipótese que o texto legal dá para que tal fato ocorra é quando já tenham sido executados os bens da sociedade empresária. A regra portanto, será a autonomia patrimonial da sociedade, tendo como exceção previsões legais expressas. Assim, a responsabilidade dos sócios em relação às dívidas da sociedade será sempre secundária, se darão num segundo momento, por isso é chamada de “Responsabilidade Subsidiária”. Isto nada mais é que uma seqüência executiva a ser respeitada pelo credor da sociedade, antes que se alcance o patrimônio de seus sócios, este deverá exaurir todo o patrimônio social para somente então, quando estes não forem suficientes, poder pleitear a garantia de seu crédito junto ao patrimônio particular dos demais responsáveis. Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 15 14 Em resumo, como a sociedade é dotada de personalidade jurídica própria, o Princípio da Autonomia Patrimonial fará com que esta seja capaz de adquirir direito e assumir obrigações exclusivamente em seu nome. Com isto, se concluí que seu patrimônio também deverá ser distinto e inconfundível. Quando o Ilustre AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil lavra Termo de Sujeição Passiva Solidária e Intimação SEFIA III, intimando cada um dos sócios, que efetuassem no prazo de trinta dias o pagamento ou a impugnação afastou a autonomia patrimonial e a personalidade jurídica da sociedade. Com as leituras do artigo 50 do Código Civil, podemse extrair elementos de grande valia para o caso em concreto: Para que se desconsidere a personalidade jurídica e autonomia patrimonial da sociedade devem estar presentes um das duas causas citadas no artigo 50 do Código Cível, ou seja, o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial; Deverá ser percorrido todo o patrimônio social até que este seja saturado, para que então se abra a possibilidade de atingir o patrimônio particular dos sócios, lembrando que estes devem ter caracterizado abuso de poder em seus atos; A desconsideração da personalidade jurídica deverá ser decretada, além de quando forem verificadas as causas autorizativas, quando houver requerimento da parte ou do Ministério Público; Este talvez seja o mais importante elemento extraído do texto legal art. 50 Código Civil, a decisão sobre a desconsideração ou não da personalidade jurídica CABERÁ AO JUIZ. Portanto, trata se de poder jurisdicional de competência exclusiva do Poder Judiciário, o legislador foi claro: "pode o juiz decidir”. A fiscalização incorreu em inúmeras irregularidades ao intimar os sócios da sociedade ao pagamento ou impugnação atribuindolhes responsabilidade solidária aos créditos exigidos, seja por: não verificar os elementos subjetivos que darão ensejo ou não à desconsideração; por não executar primeiro o patrimônio social para somente subsidiariamente alcançar os particulares; proceder em sede de processo administrativo, ato pertinente a processo judicial; ofender o direito ao Devido Processo Legal, cerceando o Contraditório e a Ampla Defesa. Junta textos da Jurisprudência a respeito do assunto. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS/DILIGÊNCIAS. Caso persista, ainda, qualquer dúvida por parte dessa Delegacia de Julgamentos, a respeito da questão ventilada nos autos, requer a produção oportuna de todos os meios de prova destinados a comprovação dos fatos questionados no presente Recurso, especialmente a juntada de novos documentos, perícia técnica contábil, e em especial, a conversão do julgamento em diligência a IRF/SP.. que instaurou o Procedimento Especial de Fiscalização com base na IN/SRF. n° 228/2.002. e que deu margem a lavratura do Auto de Infração de que trata o Processo Administrativo em tela. Formula, desde já, os seguintes quesitos a serem respondido pelos ilustres Agentes Fazendários vinculados a Inspetoria da Receita Federal PauloSP: A) Quando da realização do Procedimento Especial de Fiscalização realizado pela IRF/SP. com base na IN/SRF. n° 228/2.002, a Requerente atendeu tempestivamente às exigências formalizadas? B) Pelos documentos anexados aos autos do Processo Administrativo restou comprovada a origem dos recursos empregados nas operações de Importação de que tratam as Declarações de Importação processadas no período de 21.07.2007 a Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 16 15 22.12.2010? Há registros contábeis/fiscais, comprovando a origem de tais recursos ? Enfim, pelos documentos apresentados, tomouse possível identificar a origem lícita dos recursos financeiros utilizados em tais operações de importação? C) As importações de que tratam as Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração ora Impugnado, cujos fatos geradores ocorreram no período de 21.01.2007 a 22.12.2010, foram instruídas por documentação fiscal idônea (L.I./BL/FATURA COMERCIAL, CONTRATO DE FECHAMENTO DE CÂMBIO,ETC) ? D) Esse procedimento especial de fiscalização instaurado pela IRF/SP. contra a Requerente ao amparo dos Mandados de Procedimento Fiscal anexados aos autos (anexo I), foi concluído dentro do prazo legal de90 (noventa) dias previsto na IN/SRF. n° 228/2.002 ? Quantos dias demandou E) o referido Procedimento Especial de Fiscalização ? Caso superado o prazo legal de 90 (noventa) dias, houve solicitação de prorrogação do aludido prazo, devidamente justificada ? Em que data o Representante Legal da Requerente foi cientificada de eventual prorrogação ? F) No curso do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado pela ÍRF/SP. nos autos do Processo administrativo em tela, foi observado o “Devido Processo Legal", assegurandose à Requerente o “Direito ao Contraditório e a Ampla Defesa” ? Após encerrado tal Procedimento, a Requerente foi Intimada para manifestarse a respeito das Diligências/Conclusões dos Agentes Fazendários, conforme determina o artigo 44 da Lei n° 9.784/99? G) Por qual razão os Agentes Fazendários não efetuaram à época das importações relacionadas no Auto de Infração (de 18.01.2007 a 22.12.2010), Procedimentos Especiais de Fiscalização com base nas disposições contidas nos artigos 65 e 66, da IN/SRF. 206/2002 (hoje revogada pela IN/SRF. n° 680/2.006) ? H) A empresa “LONG JUMP" está devidamente habilitada junto ao SISCOMEX/RADAR para promover a importação de mercadorias do exterior ? Há registro de importações realizadas pela empresa “LONG JUMP” nos últimos 10 (dez) anos? I) O registro das entradas e saídas bancárias através do caixa flutuante infringe algum dispositivo legal? J) O registro dos pagamentos e recebimentos da empresa através da conta caixa, também conhecido como caixa flutuante, de alguma forma provocou distorções no patrimônio da sociedade? K) Durante o ano calendário de 2009, todas as contrapartidas de operações bancçãoarias eram registradas através da conta caixa ou se tratava de técnica utilizada de forma esporádica? L) Qual ou qual motivo levou o contador à prática desta técnica? M) Esta técnica é recomendada pelos órgãos técnicos de contabilidade? Protesta pela elaboração de quesitos suplementares. Indica como seu Assistente Técnico, o profissional abaixo qualificado. RESPONSÁVEL TÉCNICO: DILSON SERVIDONE CRC: 1 SP127800/00 Rua Vergueiro, 3153 Conjunto 93/94 Vila Mariana São Paulo SP CEP:04101300 Na hipótese do não acolhimento do Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 17 16 Pedido de produção de provas/diligências ora requeridas, restará caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa, nos termos do “Devido Processo Legal", ensejando, assim, via de conseqüência, na decretação da nulidade processual, nos termos das disposições contidas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72. DO PEDIDO. Diante de todo o exposto, requerse: • Sejam acolhidas as preliminares suscitadas, declarandose, via de consequência, a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, tendo em vista que o referido processo encontrase eivado de vícíos formais insanáveis, inclusive com o cerceamento ao direito de defesa da Requerente, ensejando, assim, a aplicação da orientação contida no artigo 59. do Decreto n° 70.235/72. com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97. • Caso superadas as preliminares, por força da orientação contida no parágrafo 3o do artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8,748/93 e 9.532/97, requer QUE SEJA A AÇÃO FISCAL JULGADA IMPROCEDENTE. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/01/2007 Prática de interposição fraudulenta de terceiros. Existência de uma "rede" de empresas envolvidas no negócio (comercialização de brinquedos) formatadas sob uma verdadeira confusão patrimonial e societária com empresas fornecedoras de recursos via contratos de mútuo Ocultação do verdadeiro interessado nas importações dos produtos infantis, detentora da marca. Habitualidade migração dos recursos para a empresa interposta em épocas próximas aos dispêndios aduaneiros. Pena de perdimento das mercadorias, comutada pela multa equivalente ao alor aduaneiro da mercadoria. Não é o tempo da permanência de mercadoria estrangeira em território nacional introduzida irregularmente no território nacional que regularizará sua situação, mas a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Pode a autoridade fiscal, responsável pela lavratura do Auto de Infração, anteciparse a consumação da fraude e exigir o crédito tributário do real detentor dos recursos se identificado pela ação fiscal Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeitas com a decisão de primeira instância, as autuadas apresentam Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Insatisfeitas com a decisão de primeira instância administrativa, as pessoas às quais foi imputada responsabilidade pela infração cometida apresentaram recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos fiscais, nos quais, além de questões suscitadas acerca da decisão recorrida, repetem as alegações e razões de defesa apresentadas em sede de impugnação ao lançamento. Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 18 17 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Recursos Voluntários apresentados. Antes de adentrar às demais e tantas razões de defesa alegadas nos autos, entendo que seja necessário resolver uma questão relacionada à instrução processual. Como apontado pelas Recorrentes, já na impugnação ao lançamento e, também, na fase recursal, a Fiscalização Federal não instruiu o Auto de Infração com as Declarações de Importação que formalizaram as operações de importação das mercadorias consideradas importadas de forma irregular. Com base nisso, requereram a declaração de nulidade do Auto de Infração, por inobservância de preceito básico e indispensável à formalização da exigência tributária, nos termos do artigo 9º do Decreto 70.235/72, in verbis. Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) De fato, a produção e apresentação de provas dos fatos apurados é condição inarredável da atividade fiscal de formalização da exigência de crédito tributário. Inaceitável que o Processo impute responsabilidade por infração tributária, sem apresentar nenhuma prova que dê suporte material à acusação veiculada nos autos. Isto posto, necessário ressalvar que deficiências dessa ordem não irão sempre acarretar a nulidade ou improcedência do auto de infração sub judice. Por óbvio, nos casos em que nenhuma comprovação dos fatos apurados seja apresentada pelo Fisco, não haverá razão para que se fale em saneamento do processo. É das coisas mais comezinhas que o auto de infração não pode ser "aperfeiçoado" pelo julgador. Uma vez constatada total ausência de provas no processo, creio que não haverá outra alternativa, se não por considerar improcedente a exigência nele veiculada, em face da ausência de um dos requisitos mais elementares da acusação. Contudo, como não é difícil perceber, muito frequentemente julgamentos são convertidos em diligência para complementação da instrução processual. Isso acontece porque existem duas situações distintas. Uma é aquela na qual o auto de infração encontrase simplesmente desacompanhado de elementos de prova que lhe dariam suporte. A outra, configurase quando o auto, embora esteja instruído com provas, precisa, à luz da opinião pessoal do julgador, para formação de sua convicção pessoal, de elementos adicionais que lhe confira certeza. Acho que, aqui, tratamos da segunda hipótese. Com efeito, há nos autos fartas evidências de que as infrações ocorreram nos termos em que foram relatadas pela Fiscalização Federal, que, devo dizer, foi zelosa e precisa Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.724116/201208 Resolução nº 3102000.317 S3C1T2 Fl. 19 18 na elaboração do Relatório que suporta a autuação. Contudo, provavelmente porque os AuditoresFiscais consideraram desnecessário, os autos não foram instruídos com a mais elementar demonstração de que o fato imponível (a importação) aconteceu. O valor aduaneiro que serviu de base ao cálculo da multa, a data da ocorrência do fato gerador e, corolário, a possibilidade de que parte das operações tenha sido alcançada pela decadência; a titularidade do negócio, a inobservância das condições estabelecidas para importações por conta e ordem de terceiros são exemplos de elementos constitutivos do fato jurídico que deu azo à autuação e que não ficaram retratados no Processo como deveriam, e poderão suscitar dúvidas, até mesmo em fase de execução final do acórdão, se este, por ventura, venha a negar provimento às pretensões da defesa. Ainda que sejam, aparentemente, meras formalidades a respeito de uma questão incontroversa nos autos, são as declarações de importação (assim como tantas vezes o são as notas fiscais de compra ou de venda) que, no processo, certificam a materialidade do fato jurídico imponível e garantem a exatidão dos diversos atributos que lhe são próprios. VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que sejam carreadas as autos as Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração aqui controvertido. Sala de Sessões, 16 de setembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010766/2006-29
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1803-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.010766/2006-29
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387027
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.334
nome_arquivo_s : Decisao_19647010766200629.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 19647010766200629_5387027.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5652302
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251877625856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 139 1 138 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.010766/200629 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.334 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente TELEPISA CELULAR S/A (TIM NORDESTE S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 66 /2 00 6- 29 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 140 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 9229.48833.120304.1.3.046328, em 12.03.2004, fls. 0307, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$230.808,92 recolhido em 31.07.2002, referente ao período de apuração de junho de 2002, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. No Relatório de Informação Fiscal, fls. 0809, consta: 1. Consiste o presente processo de Declaração(ões) de Compensação (DCOMP) impetrada(s) pela empresa interessada, de supostos créditos de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ no valor R$230.808,92, [...]. 2. Na(s) Declaração(ções) de Compensação — DCOMP, constantes do Anexo III do processo n.° 19647.004738/200591, estão discriminado(s) o(s) débito(s) compensados com o referido crédito. 3. Pelo que cabe a esta fiscalização, buscamos diligenciar a contabilidade da empresa com vistas a informar no presente processo o montante do crédito a ser acatado pela SRF. [...] 4. Como podemos observar no item "1" acima, o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. 5. Conforme preceitua o artigo 10 IN SRF n° 600 de 28.12.2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 6. Portanto, o valor dito como sendo de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, referido no item "1" acima, não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR" para compensação de débitos. [...] 7. Em face do exposto, entendemos INEXISTENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte para ser utilizado nas compensações dos débitos fiscais do contribuinte informados nas Declarações de Compensações, discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do Mês de Junho de 2002 (parte B), em anexo. Está registrado no Despacho Decisório, fl. 12: No uso da competência delegada pelo inciso XXI do art. 250 do Anexo da Portaria MF n.° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e concordando com os fundamentos Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 141 3 expostos no Relatório de Informação Fiscal [...], que passa integrar este ato, conforme o artigo 5º, § 1º, da Lei n.° 9.784/99: 1. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas através das DCOMP’s discriminadas no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do mês de junho de 2002, que encontrase anexo ao referido Relatório de Informação Fiscal; 2. DETERMINO a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1733, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas (não havia nenhuma informação, fundamento, documento ou prova para embasar as exigências), o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. Por tal razão, excluíra do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ a maior, em 31.07.02, referente ao período de apuração de 30.06.02, no valor de R$230.808,92. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de IRPJ, PIS e COFINS. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou as compensações efetuadas, com fundamento em Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa no 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devida ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Por Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 142 4 essa razão, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Ocorre que as razões apresentadas pela DRF/Recife não representam o melhor direito e merecem ser reformadas pela Delegacia Regional de Julgamento. I Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 143 5 da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. II A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita. O artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei n° 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do períodobase anual com outros tributos distintos deles próprios. Assim, não poderia haver compensação com a COFINS, a contribuição para o PIS ou IPI, por exemplo. Todavia, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo períodobase anual. Entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta A. pergunta n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão [...] impressão da página correspondente). Estes os termos da resposta, verbis: "606 Como pode ser compensada a parcela do imposto pago ou retido na fonte excedente ao apurado com base na estimativa no respectivo mês? No caso em que o valor retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo ou pago pelo contribuinte for maior que o imposto a ser pago no período de apuração mensal pela estimativa, a diferença a maior pode ser compensada com o imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 144 6 Ou seja, o que ocorreu foi justamente um caso que a resposta transcrita procurou alcançar: IRPJ ou CSLL pago com uma diferença a maior, que pode ser compensada com o mesmo imposto ou contribuição relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. A DRF/Recife, todavia, insurgiuse contra a própria orientação da Receita Federal contida em seu "site", por meio de informativo amplamente conhecido e que serve de parâmetro para os atos dos contribuintes, por conter o entendimento desse órgão. Bem se vê, portanto, que mesmo entendendose legal o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05 — o que se admite para argumentar —, o Despacho Decisório proferido no presente processo não se sustenta e deve ser cancelado, para homologar essa compensação especifica realizada pela contribuinte. III Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. Assim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do artigo 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas IN’s. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...]. O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 145 7 uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. IV Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de junho de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Por fim, mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Conforme os termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados [...]. Portanto, foi exatamente o que ocorreu, pois o IRPJ de junho de 2002 recolhido a maior foi transformado em saldo negativo de IRPJ, informação essa, prestada na DIPJ, e, passível de compensação com qualquer tributo a partir do anocalendário subsequente, ou seja, janeiro do ano de 2003. Neste caso, haveria apenas um erro na informação, da origem do crédito, pois o saldo negativo apurado no final ao ano seria suficiente para suportar as compensações efetuadas. Possivelmente — o Despacho Decisório não contém nenhuma fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico — tal decisão não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, a, o final do ano, teria saldo negativo de IRPJ inferior ao apurado pela contribuinte. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento da presente Manifestação de Inconformidade — decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará a dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a Impugnação apresentada pela contribuinte. Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento desta Manifestação de Inconformidade será um imperativo. Desse modo — insistase: somente na hipótese de discordância com as razões anteriormente expostas —, requerse que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à Impugnação apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. V Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 146 8 Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela solução de consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo ° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valore . de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 147 9 modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados isso não ,pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebido s pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VI Conclusão O Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente a compensação realizada pois: a) A previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei. b) A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior com o débito desses mesmos tributos nos meses posteriores. c) Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia. d) Se a compensação do IRPJ de junho de 2002 recolhido a maior não fosse realizada, haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais e suficiente para suportar as compensações efetuadas. e) O Despacho Decisório da DRF/Recife e fruto de uma revisão de oficio de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. Por todos esses motivos, deve ser dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para homologar integralmente as compensações realizadas pelo contribuinte. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 28.121, de 13.11.2009, fls. 8695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 148 10 mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONAL1DADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 30.06.2010, fl. 98, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.07.2010, fls. 99116, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal [...]. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. [...] Por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de IRPJ a maior em julho de 2002. Por isso, a Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 149 11 contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de IRPJ, PIS e COFINS. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o prejuízo fiscal do período. Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizálo como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Apresentada a competente manifestação de inconformidade, houve por bem a DRJ não homologar a compensação efetuada, ratificando o procedimento da DRF/Recife de cobrar os débitos. Entretanto, a exigência fiscal em tela não pode subsistir, devendo ser integralmente cancelada. É o que se passa a demonstrar. I A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pelo contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos Preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito [...], tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influência do processo administrativo n° 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$2.628.838,20 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2003 [...]). Isso porque, de acordo com o posicionamento adorado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado. Assim, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de IRPJ de 2002 para compensar com os débitos em questão. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 150 12 Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação. Senão vejamos. II Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de 1RPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 151 13 Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Ademais, não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei. A DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infra legais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e não os dispositivo citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento apuração do imposto calculado por estimativa. Ora, conforme já demonstrado, nos termos do art. 74 da Lei no 9.430/96, podem ser compensados os tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou de ressarcimento. Assim, o procedimento adotado pela contribuinte guarda consonância também com o quanto disciplinado pelos citados atos infralegais, na medida em que houve o recolhimento a maior de IRPJ em julho de 2002 (portanto, passível de restituição) e que foi compensado com débitos de IRPJ, PIS e COFINS. Ou seja, os citados dispositivos infralegais, quando interpretados em conjunto com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, como devem sêlo, ao invés de serem contrários ao procedimento efetuado pela contribuinte, na verdade o corrobora, reafirmando a impossibilidade de a Administração Fiscal restringir o direito de compensação ora em comento com base em mera instrução normativa da antiga da SRF (atual RFB). Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. III A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa no 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita Federal. O artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei no 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do período base anual com outros tributos distintos deles próprios. Assim, não poderia haver compensação com a COFINS, a Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 152 14 contribuição para o PIS ou IPI, por exemplo. Todavia, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo período base anual. Entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta à pergunta n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão. Estes os termos da resposta, verbis: "606 Como pode ser compensada a parcela do imposto pago ou retido na fonte excedente ao apurado com base na estimativa no respectivo mês? No caso em que o valor retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo ou pago pelo contribuinte for maior que o imposto a ser pago no período de apuração mensal pela estimativa, a diferença a maior pode ser compensada com o imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. Ou seja, o que ocorreu foi justamente um caso que a resposta transcrita procurou alcançar: IRPJ ou CSLL pago com uma diferença a maior, que pode ser compensada com o mesmo imposto ou contribuição relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. A DRF/Recife, todavia, insurgiuse contra a própria orientação da Receita Federal contida em seu "site", por meio de informativo amplamente conhecido e que serve de parâmetro para os atos dos contribuintes, por conter o entendimento desse órgão. Bem se vê, portanto, que mesmo entendendose legal o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05 — o que se admite para argumentar —, o Despacho Decisório proferido no presente processo não se sustenta e deve ser cancelado, para homologar essa compensação especifica realizada pela contribuinte. IV Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. A.sim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 153 15 Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do art go 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas INs. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...] O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, 1 uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. V Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de junho de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada. Ora, o IRPJ de junho de 2002 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débitos de IRPJ, PIS e COFINS. A decisão proferida pela DRF/Recife é arbitrária, pois, à partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF nº 600/05, pois o IRPJ de junho de 2002 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 154 16 Com a devida vênia, o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser negado um direito de crédito que se materializou no tempo. Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de IRPJ), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que irrelevante o fato do crédito de IRPJ ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2002, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração. VI Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 A DRJ refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos. Com efeito, a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2002 houve recolhimento a maior de IRPJ, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão da DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de IRPJ. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa ad/ninistrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.00690/200699. VII Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 155 17 Conforme já demonstrado com a transcrição de trecho do Relatório de Informação Fiscal [...], referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela Solução de Consulta Interna n° 18. Essa Solução de Consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99 é de R$4.229.642,21, em relação à Telepisa, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal [...]. Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos para contribuinte é de R$5.719.025,18 (conforme planilha preparada pela contribuinte [...]. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em, razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 156 18 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRJ não se manifestou sobre o assunto, pois supostamente ele seria pertinente a um outro processo administrativo não interferindo na presente lide. Tratase, entretanto, de alegação que não enfrenta o cerne da questão. Conforme já comentado, a ora recorrente teve auto de infração lavrado contra si, em 2006, por intermédio do qual foram feitas cobranças relacionadas as compensações realizadas pela empresa sucedida pela Recorrente. Após, tais valores foram excluído do PA derivado do AI e transferidos para o presente processo. [...] Ademais, existe uma pertinência lógica entre os fatos (atos cronologicamente concatenados), a comprovar a vinculação entre os processos: as declarações de compensação foram transmitidas em 2003 e 2004 e, posteriormente, em 2006, houve a lavratura do auto de infração do ágio, o que acarretou o indeferimento das compensações efetuada (os despachos decisórios são datados de 2007). Assim, demonstrase a fragilidade do argumento da DRJ, que não enfrenta o mérito da questão. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previsto pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação, leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VIII Conclusão Ante todo o exposto, o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 157 19 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Preliminarmente, tem cabimento examinar a alegação da Recorrente de que há nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e os presentes autos. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consultando o eprocesso, temse que contra a Tim Nordeste S/A foram formalizados, no processo nº19647.009690/200699, os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 158 20 fls. 424463 (numeração daquele processo), referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004, que se encontram pendentes de julgamento na 2ª TO/4ª Câmara/1ª Sejul/CARF1. Ressaltese que a referida pessoa jurídica é decorrente da incorporação da Telasa Celular S/A, da Teleceará Celular S/A, da Telern Celular S/A, da Telepisa Celular S/A, da Telpa Celular S/A e da Telpe Celular S/A, de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 482538 (numeração daquele processo). Ainda, naquele processo em que foram apuradas infrações consolidadas e acompanhadas com demonstrativos referentes a cada pessoa jurídica incorporada, também foram analisados todos os fatos que as circunstanciam, inclusive os créditos utilizados para extinção de débitos mediante Per/DComp da Telepisa Celular S/A, em conformidade com as Tabelas abaixo. Tabela 1 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [AnoCalendário 2001] Jan 786.291,52 335.741,71 22.481,46 1.144.514,69 Fev 191.119,93 335.741,71 22.481,46 907.566,27 Mar (178.575,67) 335.741,71 22.481,46 896.093,84 Abr (165.474,45) 335.741,71 22.481,46 1.267.418,23 Mai (73.922,84) 335.741,71 22.481,46 1.717.193,01 Jun 4.261.866,50 335.741,71 22.481,46 6.411.205,52 Jul 4.857.980,09 335.741,71 22.481,46 7.365.542,28 Ago 5.580.128,09 335.741,71 22.481,46 8.445.913,45 Set 7.007.956,00 335.741,71 22.481,46 10.231.964,53 Out 7.367.257,71 335.741,71 22.481,46 10.949.489,41 Nov 7.837.703,15 335.741,71 22.481,46 11.778.158,02 Dez 8.112.338,49 335.741,71 22.481,46 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.377.422,05 335.741,71 269.777,51 16.676.100,08 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProces suais.jsf>. Acesso em: 21 afo. 2014. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 159 21 [AnoCalendário 2003] Jan 1.232,501,24 335.741,71 22.481,46 1.590.724,41 Fev 2.225.713,41 335.741,71 22.481,46 2.942.159,75 Mar 3.643,483,71 335.741,71 22.481,46 4.718.153,22 Abr 4.468.895,52 335.741,71 22.481,46 5.901.788,20 Mai 5.465.943,78 335.741,71 22.481,46 7.257.059,63 Jun 6.250.062,16 335.741,71 22.481,46 8.399.401,18 Jul 7.862.905,69 335.741,71 22.481,46 10.370.463,88 Ago 8.468.686,75 335.741,71 22.481,46 11.334.472,11 Set 9.851.955,08 335.741,71 22.481,46 13.075.963,61 Out 11.583.674,57 335.741,71 22.481,46 15.165.906,27 Nov 15.933,181,74 335.741,71 22.481,46 19.873.636,61 Dez 13.183.531,88 335.741,71 22.481,46 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 972974 (eprocesso) Tabela 2 Demonstrativo do IRPJ e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [A] IRPJ Devido [B] [IRPJ Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 284.128,67 204.524,82 39.801,93 Fev 907.566,27 (61.237,10) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (66.105,21) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 24.725,88 0,00 12.362,94 Mai 1.717.193,01 110.443,70 0,00 55.221,85 Jun 6.411.205,52 1.171.503,13 882.664,00 144.419,57 Jul 7.365.542,28 236.584,19 152.648,76 41.967,72 Ago 8.445.913,45 268.092,80 184.157,36 41.967,72 Set 10.231.964,53 444.512,76 397.518,30 23.497,23 Out 10.949.489,41 177.381,22 93.445,79 41.967,72 Nov 11.778.158,02 205.167,15 121.231,72 41.967,72 Dez 12.411.016,52 156.214,63 72.210,24 42.002,20 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 216.388,79 216.388,79 0,00 Fev 2.431.985,09 188.603,43 188.603,43 0,00 Mar 4.426.633,17 373.530,32 373.530,32 0,00 Abr 6.422.880,33 344.420,46 344.420,46 0,00 Mai 7.558.411,55 167.101,96 167.101,96 0,00 Jun 8.835.800,72 52.372,61 52.372,61 0,00 Jul 9.421.279,16 56.492,06 56.492,06 0,00 Ago 10.975.053,49 192.506,71 192.506,71 0,00 Set 13.397.733,78 358.272,43 358.272,43 0,00 Out 15.232.055,22 312.504,31 312.504,31 0,00 Nov 17.398.480,95 317.084,92 317.084,92 0,00 Dez 16.676.100,08 0,00 0,00 0,00 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 160 22 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 261.919,05 (261.919,05) 0,00 Fev 2.942.159,75 245.837,00 245.837,00 0,00 Mar 4.718.153,22 251.508,73 251.508,73 0,00 Abr 5.901.788,20 236.002,13 209.689,47 17.156,33 Mai 7.257.059,63 241.400,21 (44.744,88) 98.327,67 Jun 8.399.401,18 85.299,68 0,00 42.649,84 Jul 10.370.463,88 258.707,57 0,00 129.353,79 Ago 11.334.472,11 216.958,14 (5.425,48) 105.766,33 Set 13.075.963,61 289.086,21 (97.716,79) 95.684,71 Out 15.165.906,27 383.621,88 0,00 191.810,94 Nov 19.873.636,61 623.326,70 (245.124;,60) 189.101,05 Dez 17.482.209,92 (675.468,67) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 3 Demonstrativo do Saldo a Pagar de IRPJ Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 IRPJ Devido 3.078.754,13 4.145.025,02 4.346.552,48 () Incentivos Ficais (0,00) (1.838.659,44) (1.928.353,85) () IRRF (0,00) (52.745,51) (168.659,61) () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (1.506.106,02) (2.579.278,00) (1.361.966,00) (=) IRPJ a Pagar Calculado de Ofício 1.572.648,11 (325.657,93) 887.573,02 IRPJ Declarado (DCTF) 0,00 0,00 0,00 IRPJ a Restituir Glosado (67.375,42) (2.303.180,35) (899.434,37) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 4 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 19542.92958.221203.1.3.023306 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 23436.76063.221203.1.7.023999 Compensação Admitida Totalmente Saldo Negativo 18426.59977.261203.1.3.029710 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$14.506,65 [AnoCalendário 2003] 17015.64529.251104.1.3.026930 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 06862.83890. 151204.1.3.028699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 161 23 Tabela 5 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 21225.67935.291203.1.3.047407 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$67.046,91 Janeiro 32706.28238.150104.1.3.040130 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 32208.16963.150104.1.3.048068 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$166.356,90 20526.53890.150104.1.3.040956 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$12.825,71 25933.61227.290104.1.3.042601 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 11479.90392.130204.1.3.040761 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 30792.09958.130204.1.3.049400 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$29.710,44 Abril 37661.02703.250204.1.3.045331 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40686.21854.250204.1.3.04 2061 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96) Maio 08799.47925.120304.1.3.049770 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Junho 19229.48833. 120304.1.3.046328 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96 Julho 01020.51908.120304.1.3.049703 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Agosto 35683.30933.120304.1.3.048676 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$234.310,91 32497.99089.120304.1.3.041202 Compensação Admitida Totalmente Setembro 03378.18349.140404.1.3.042791 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$148.899,04 34345.60137.140404.1.3.046200 Compensação Admitida Totalmente Outubro 26001.93432.111104.1.3.040208 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$147.434,15 Novembro 02424.80411.111104.1.3.042461 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$10.785,31 [AnoCalendário 2003] Janeiro 05649.33488.300104.1.3.049906 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$73.339,12 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 162 24 22301.19695.300104.1.3.042420 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 32105.03389.300104.1.3.040477 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$103.647,82 Fevereiro 01316.48575.300104.1.3.048740 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 13938.02879.300104.1.3.04 6325 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$28.046,84 Março 35705.65852.300104.1.3.046240 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40787.06362.300104.1.3.045692 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 21453. 03816.151204.1.3.040941 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 6 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo da CSLL Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do CSLL Apurada [AnoCalendário 2001] Jan 788.991,48 335.741,71 19.781,50 1.144.514,69 Fev 196.519,85 335.741,71 19.781,50 907.566,27 Mar (170.475,79) 335.741,71 19.781,50 896.093,84 Abr (154.674,61) 335.741,71 19.781,50 1.267.418,23 Mai (60.423,04) 335.741,71 19.781,50 1.717.193,01 Jun 4.278.066,26 335.741,71 19.781,50 6.411.205,52 Jul 4.876.879,81 335.741,71 19.781,50 7.365.542,28 Ago 5.601.727,77 335.741,71 19.781,50 8.445.913,45 Set 7.032.255,64 335.741,71 19.781,50 10.231.964,53 Out 7.394.257,31 335.741,71 19.781,50 10.949.489,41 Nov 7.867.402;71 335.741,71 19.781,50 11.778.158,02 Dez 8144.738,05 335.741,71 19.781,50 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 163 25 Dez 12.409.821,61 335.741,71 237.377,95 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.235.201,20 335.741,71 19.781,50 1.590.724,41 Fev 2.231.113,33 335.741,71 19.781,50 2.942.159,75 Mar 3.651.583,59 335.741,71 19.781,50 4.718.153,22 Abr 4.479.695,36 335.741,71 19.781,50 5.901.788,20 Mai 5.479.443,58 335.741,71 19.781,50 7.257.059,63 Jun 6.266.261,92 335.741,71 19.781,50 8.399.401,18 Jul 7.881.805,41 335.741,71 19.781,50 10.370.463,88 Ago 8.490.266,43 335.741,71 19.781,50 11.334.472,11 Set 9.876.254,72 335.741,71 19.781,50 13.075.963,61 Out 11,610.674,17 335.741,71 19.781,50 15.165.906,27 Nov 15.962.881,30 335.741,71 19.781,50 19.873.636,61 Dez 13.215.931,40 335.741,71 19.781,50 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10811083 (eprocesso) Tabela 7 Demonstrativo da CSLL e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do CSLL Apurada [A] CSLL Devida [B] [CSLL Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 103.006,32 74.348,94 14.328,69 Fev 907.566,27 (21.325,36) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (22.357,87) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 11 .061,32 0,00 5.530,66 Mai 1.717.193,01 11.061,32 0,00 20.239,87 Jun 6.411.205,52 422.461,13 29.817,77 196.321,68 Jul 7.365.542,28 85.89031 55.673,56 15.108,38 Ago 8.445.913,45 97.233,40 34.296,34 31.468,53 Set 10.231.964,53 160.744,60 13.171,44 73.786,58 Out 10.949.489,41 64.577,21 0,00 32.288,62 Nov 11.778.158,02 74.580,17 30.627,27 21.976,45 Dez 12.411.016,52 56.957,37 26.565,50 15.195,89 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 116.185,51 85.968,75 15.108,38 Fev 2.431.985,09 102.693,15 72.312,84 15.190,16 Mar 4.426.633,17 179.518,33 148 .972,46 15.272,94 Abr 6.422.880,33 179.662,34 148.987,96 15.337,14 Mai 7.558.411,55 102.197,81 83 936,69 9.130,56 Jun 8.835.800,72 114.965,02 83.888,50 15.538,26 Jul 9.421.279,16 52.693,06 21.199,14 15.746,96 Ago 10.975.053,49 139.839,69 113.575,10 13.132,30 Set 13.397.733,78 218.041,23 186.332,70 15.854,27 Out 15.232.055,22 165.088,93 132.745,29 16.171,82 Nov 17.398.480,95 194.978,32 162.383,99 16.297,17 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 164 26 Dez 16.676.100,08 (65.014,28) 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 143.165,20 112875,80 15.144,70 Fev 2.942.159,75 121.629,18 91.359,77 15.131,71 Mar 4.718.153,22 159.839,41 129.378,77 15.330,32 Abr 5.901.788,20 106.527,15 76.251,25 15.137,95 Mai 7.257.059,63 121.974,43 0,00 60.987,22 Jun 8.399.401,18 102.810,74 0,00 51.405,37 Jul 10.370.463,88 102.810,74 0,00 88.698,00 Ago 11.334.472,11 86.760,38 0,00 13.380,19 Set 13.075.963,61 156.734,23 0,00 15.998,55 Out 15.165.906,27 188.094,84 0,00 94.047,42 Nov 19.873.636,61 423.695,73 0,00 198.000,51 Dez 17.482.209,92 (215,228,40) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 8 Demonstrativo do Saldo a Pagar de CSLL Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 CSLL Devida 1.116.991,49 1.500.849,01 1.573.398,89 () Incentivos Ficais (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Retida na Fonte (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (264.500,82) (1.240.303,42) (562.297,45) (=) CSLL a Pagar Calculada de Ofício 852.490,67 260.545,59 1.011.101,44 CSLL Declarada (DCTF) 0,00 0,00 0,00 CSLL a Restituir Glosado (23.188,08) (124.384,28) (247.225,49) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 9 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 29766.65071 .201203.1.3.037904 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 26783.96027.201203.1.3.039636 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 01638.29859.201203.1.3.030593 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Saldo Negativo 02451 .41354.151204.1.3.034073 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10931121 (eprocesso) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 165 27 Tabela 10 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de CSLL Determinada Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 37900.64064.300104.1.3.045466 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Maio 08532.74624.300104.1.3.043556 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Janeiro 41857.05167.300104.1.3.040699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 37551.63064.300104.1.3.040887 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 37992.53567.30010.1.1.3.043087 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 05501.34033.300104.1.3.040293 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 05750.76066.151204.1.3046840 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10921121 (eprocesso) Caracterizado está o nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e o presente processo conexo. Superada essa preliminar, tem cabimento examinar o argumento da Recorrente no sentido de que tem aplicação ao presente caso o enunciado da Súmula CARF nº 84. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 166 28 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 167 29 proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Na decisão de primeira instância de julgamento afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, no valor de R$230.808,92 recolhido em 31.07.2002, referente ao período de apuração de junho de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010766/200629 Acórdão n.º 1803002.334 S1TE03 Fl. 168 30 preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001599/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. OMISSÃO.
Não se verifica no caso qualquer omissão por parte da decisão recorrida. Mas, ainda que se admitisse a existência de eventual falta de análise de argumentos, a omissão sobre argumentos da parte não gera, por si só, nulidade da decisão recorrida, eis que o julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas trazidas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
RENDIMENTOS DECLARADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, o correspondente valor reclamado ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO.
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente.
Preliminares Rejeitadas.
Pedido de Diligência Indeferido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 162.373,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. OMISSÃO. Não se verifica no caso qualquer omissão por parte da decisão recorrida. Mas, ainda que se admitisse a existência de eventual falta de análise de argumentos, a omissão sobre argumentos da parte não gera, por si só, nulidade da decisão recorrida, eis que o julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas trazidas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). RENDIMENTOS DECLARADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, o correspondente valor reclamado ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. Preliminares Rejeitadas. Pedido de Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10510.001599/2007-87
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393684
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.650
nome_arquivo_s : Decisao_10510001599200787.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 10510001599200787_5393684.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 162.373,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5688380
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251890208768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2324; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 694 1 693 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.001599/200787 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.650 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de agosto de 2014 Matéria IRPF Recorrente GERALDO JOSÉ NABUCO DE MENEZES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. OMISSÃO. Não se verifica no caso qualquer omissão por parte da decisão recorrida. Mas, ainda que se admitisse a existência de eventual falta de análise de argumentos, a omissão sobre argumentos da parte não gera, por si só, nulidade da decisão recorrida, eis que o julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas trazidas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 15 99 /2 00 7- 87 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 695 2 Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). RENDIMENTOS DECLARADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, o correspondente valor reclamado ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. Preliminares Rejeitadas. Pedido de Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 162.373,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 696 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR/BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: O interessado impugna auto de infração do anocalendário 2002, onde foram tributados rendimentos correspondentes a depósitos de origem não comprovada. O imposto lançado foi de R$ 180.424,14, elevandose a exigência para R$ 432.079,72 com o acréscimo de multa de ofício (75%) e juros de mora. De acordo com o relatório fiscal, às fls. 07, o autuante esclarece que em resposta à intimação para que comprovasse a origem dos depósitos bancários, o contribuinte apresentara um documento intitulado "ESCLARECIMENTO RECURSOS DEMONSTRAÇÃO", sem que, porém, aí comprovasse ou justificasse a origem dos créditos em questão. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: 1. Esclarecera e apresentara documentos durante a fiscalização demonstrando que os depósitos provieram de recursos recebidos em anos anteriores (fls. 74/79). Como aí se vê, em 1999 (período que não mais pode ser objeto de lançamento tributário) possuía saldo no Banco Bilbao Viscaya mais que suficiente para respaldar a movimentação financeira em 2002. Esta informação foi desconsiderada, sem que o autuante fundamentasse esta rejeição, o que representa cerceamento do seu direito de defesa. Requer que se determine a análise destas provas e que lhe seja devolvido o prazo para juntada de novos documentos, se estes forem julgados necessários. 2. Como os depósitos não são em si mesmos hipótese de incidência tributária, cabe ao Fisco o ônus da prova da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ou a variação patrimonial a descoberto que justifique o lançamento. Cita jurisprudência e súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos (TFR). 3. Devem ser excluídos os rendimentos da atividade rural, já declarados, provenientes da venda de gado bovino, no montante de R$ 162.373,00. O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 355/357, que restou assim ementado: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 697 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos bancários de origem não comprovada. Lançamento Procedente Regularmente cientificado daquele Acórdão em 27/08/2009 (fl. 363), o interessado interpôs recurso voluntário de fls.367/380, em 21/09/2009. Em sua defesa, requer a anulação do acórdão recorrido, por cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que os julgadores de 1ª Instância fogem das discussões e alegações levantadas simplesmente afirmando que o contribuinte não demonstrou individualizadamente a origem dos depósitos sem documentos hábeis. Aduz que nada impede que o Contribuinte apresente novos elementos de prova neste momento, pois a autoridade administrativa julgadora tem o dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. Afirma ter identificado os emitentes dos cheques, através das informações dos depósitos fornecidas pela instituição financeira, conforme discriminado abaixo: a) Depósitos com recursos da venda de Gado, importaram em R$ 39.375,52. Ressaltese que os varejistas do comércio de carne bovina, recebem dos consumidores pagamentos também em cheques, inclusive predatados e repassam estes cheques em pagamento aos produtores na aquisição do Gado Bovino. Os valores relativos às vendas de gado, apresentamse informados na Declaração de Rendimentos Exercício de 2003, importando em R$ 162.373,00; b) Depósitos com cheques emitidos pela empresa Madeireira São Francisco Ltda, CNPJ 15.039.753/000188, decorrentes dos pagamentos parcelas do empréstimo efetuado em 04/10/2001, conforme contrato em anexo. Esses depósitos somaram R$ 86.364,86; c) Depósitos com cheques emitidos pela empresa Triatlo Eng. E Construções Ltda, CNPJ 03.636.178/000111, de propriedade do recorrente, decorrentes ressarcimentos de adiantamentos efetuados durante o ano de 2001, conforme contrato em anexo datado de 31/12/2001. Esses depósitos somaram R$ 92.273,85; d) Depósitos com cheques emitidos pela empresa Habitacional Construções Ltda.CNPJ 13.042.197/000173, decorrentes dos pagamentos parcelas do empréstimo efetuado em 10/09/2001, conforme contrato em anexo. Esses depósitos somaram R$ 194.972,25; e) Depósitos com cheques emitidos pelo senhor José Moacir Santana, CPF 235.820.49515, decorrentes dos pagamentos parcelas do empréstimo efetuado em 19/01/2002., conforme contrato em anexo. Esses depósitos somaram R$ 25.989,00; Fl. 351DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 698 5 f) Depósitos com cheques emitidos pela empresa PECON Projetos Eng. E Construções Ltda, CNPJ 13.088.943/000160, decorrentes dos pagamentos parcelas do empréstimo efetuado, ao Sr. José Arnaldo Chagas, CPF 026.219.24468, sócio proprietário da PECON, em 06/08/2001, conforme contrato em anexo. Esses depósitos somaram R$ 184.520,32; g) Depósitos com cheques emitidos por Kátia Celeste dos Santos, CPF 408.918.60568, decorrentes dos pagamentos parcelas do empréstimo efetuado em 15/05/2002, conforme contrato em anexo. Esses depósitos somaram R$ 844,00; h) Depósitos com cheques da mesma titularidade, conforme demonstrativo abaixo. Esses depósitos somaram R$ 11.500,00 10/05/2002 Depósito em cheque 2.500,00 Depósito com uso do cheque n° 000091, da mesma titularidade, Banco Sudameris, Ag. 0070, c/c 1267742009. 14/06/2002 Depósito em cheque 1.500,00 Depósito com uso do cheque n° 000092, da mesma titularidade, Banco Sudameris, Ag. 0070, c/c 1267742009. 17/06/2002 Depósito em cheque 3.000,00 Depósito com uso do cheque n° 000093, da mesma titularidade, Banco Sudameris, Ag. 0070, c/c 1267742009. 09/08/2002 Depósito em Cheque 3.500,00 Depósito com uso do cheque n° 000094, da mesma titularidade, Banco Sudameris, Ag.0070, c/c 1267742009. 23/09/2002 Depósito em cheque 1.000,00 Depósito com uso do cheque n° 001821, da mesma titularidade, Caixa Econômica, Ag. 3940, c/c 0818006348. 18/01/2002 Depósito em cheque. 1.050,00 Estorno depósito em 18/01, efetuado neste mesmo dia com cheque e não reapresentado. 22/04/2002 Deposito em cheque 8.418,92 Estorno depósito em 24/04, efetuado com cheque da Habitacional e reapresentado em 24/04. 15/08/2002 Depósito em cheque. 19.128,00 Estorno depósito em 16/08, efetuado com cheque e não reapresentado. 27/12/2002 Deposito em cheque. 70,00 Estorno em 31/12, de R$ 70,00, referente cheque constante do depósito, efetuado em 27/12, no total depositado de R$ 464,79. Desta forma, entende ser possível a apreciação e análise dos elementos e provas complementares que explicam os depósitos de forma individualizada, razão pela qual requer seja baixado o processo em diligência para o correto exame dos fatos e provas colecionadas, em homenagem aos Princípios da Verdade Material e da Informalidade Moderada. Também argumenta que a administração fazendária, mesmo depois da vigência da Lei Complementar no 105/1002 e da Lei ordinária n o 10.174/2001, continua impedida de Fl. 352DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 699 6 considerar qualquer ingresso financeiro nas contas bancárias dos contribuintes como rendimentos tributáveis, mesmo que não haja comprovação de suas origens ou natureza. Acrescenta que as alterações inseridas na ordem jurídica brasileira pela Lei Complementar nº 105/2001 violam diversos princípios constitucionais e várias garantias individuais do cidadão, cláusulas pétreas da Constituição Federal, que não podem ser alteradas nem por Emenda Constitucional, provocando a inconstitucionalidade de parte de seus artigos. Defende que deve ser apresentado demonstrativo de utilização, pelo titular do depósito bancário, em consumo ou aquisição de bens, para a demonstração de sinais exteriores de riqueza, ou ainda, a comprovação de que os ingressos financeiros são sistemáticos, a fundar a alegação de que tais depósitos sejam efetivos rendimentos auferidos. Por fim, sustenta que o artigo 42 da Lei 9.430/96 não poderia eleger "receita ou rendimento"à condição de "renda" que já tem definição em lei complementar material, o CTN, segundo o qual, por seu artigo' 43, a "renda" é sempre um plus, quer por representar a disponibilidade, de um produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, quer por representar um acréscimo de patrimônio em determinado período de tempo. Conforme despacho de fl. 585, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Ressaltese, inicialmente, que as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas pela oportunidade que teve o Contribuinte de examinar o processo e dele obter cópia, bem como de apresentar as razões contidas na impugnação e no recurso. Ademais, não se verifica no caso qualquer omissão por parte da decisão recorrida, que se encontra fundamentado e revestido de legalidade, não podendo ser invalidado sem provas, demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedência. Não obstante, ainda que se admitisse a existência de eventual falta de análise de argumentos por parte da decisão recorrida, a simples omissão sobre os argumentos da parte não gera, por si só, nulidade da decisão, eis que o julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas trazidas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 700 7 Dessa forma, não há qualquer nulidade a ser reconhecida em relação à decisão de primeira instância. Quanto à suscitada impossibilidade de acesso às movimentações bancárias para fins de lançamento sem outros elementos que legitimem a quebra do sigilo bancário, é de se esclarecer que, no caso, não houve procedimento fiscal executado pela Auditoria Fiscal junto a qualquer instituição financeira. Os extratos bancários que serviram de base para o lançamento foram fornecidos pelo próprio Contribuinte em atendimento à solicitação da Fiscalização. Ainda assim, impende registrar que o julgamento de recurso especial (Resp n° 1.134.665SP), tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, decidiu no seguinte sentido: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a Fl. 354DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 701 8 impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 702 9 que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 703 10 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De acordo com o entendimento do STJ, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 357DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 704 11 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No que tange à violação de princípios constitucionais, é oportuno citar a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Quanto à exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Essa presunção em favor do Fisco transfere ao Contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do Recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Relativamente à tese defendida quanto à tributação dos depósitos bancário, é de se observar a Súmula CARF n° 26, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Da analise dos autos, verificase que o Contribuinte não logrou comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade. Os novos elementos de provas apresentados pelo Recorrente consistem no Relatório do Sistema de Compensação de cheques depositados na conta corrente numero 000100003888, junto ao BBVBanco agencia 0016 durante o ano de 2002 (fls. 382/541), e demonstrativos com contratos particulares de confissão de dívida registrados em cartório somente em 2009. Em que pese o Recorrente afirmar ter identificado os emitentes dos cheques, através das informações dos depósitos fornecidas pela instituição financeira, tal identificação não restou demonstrada nos autos. A apresentação do Relatório do Sistema de Compensação de cheque depositados na conta corrente numero 000100003888, junto ao BBVBanco agencia 0016 durante o ano de 2002 (fls. 382/541), e dos contratos particulares de confissão de dívida Fl. 358DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 705 12 registrado em cartório somente em 2009, são provas insuficientes e frágeis a comprovar as justificativas elencadas na peça recursal, mormente considerando que todos os depósitos de origem não comprovada, na espécie, foram efetuados em cheque, e não foi apresentada cópia alguma dos correspondentes cheques – elemento hábil a comprovar/identificar os emitentes dos cheques, ou seja, comprovar a origem dos depósitos bancários sob exame. Neste contexto, é de se rejeitar o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo Interessado. Por outro lado, deve ser acatada a pretensão do Contribuinte de excluir os rendimentos declarados, relativamente ao anocalendário 2002, exercício 2003, a título de receita da atividade rural, da base de cálculo relativa à infração de depósitos bancários com origem não comprovada. Destaquese que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os reclamados ingressos de recursos declarados oportunamente pelo Contribuinte transitaram, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, portanto, o valor de R$ 162.373,00, referente aos rendimentos declarados a título de receita da atividade rural na DIRPF/2003, ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que tais valores não foram objeto de alteração pela autoridade fiscal, ou seja, restaram confirmados. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 162.373,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 359DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.001599/200787 Acórdão n.º 2801003.650 S2TE01 Fl. 706 13 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721773/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.721773/2010-55
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5399149
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.328
nome_arquivo_s : Decisao_10680721773201055.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 10680721773201055_5399149.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5725806
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251898597376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 198 1 197 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721773/201055 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.328 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES. Recorrente SUPERMERCADOS BH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 73 /2 01 0- 55 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721773/201055 Acórdão n.º 2402004.328 S2C4T2 Fl. 199 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SUPERMERCADOS BH, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.275.7065, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. Consta do relatório fiscal que a recorrente deixou de informar os valores as contribuições referentes à diferença de folha de pagamento, na competência de 07/2006, no estabelecimento CNPJ 001919. A recorrente apresentou impugnação apenas requerendo que as multas que lhe foram aplicadas, fossem reduzidas ao patamar mínimo, diante de sua primariedade. O lançamento compreende as competências de 07/2006, tendo sido o contribuinte cientificado do relatório fiscal aditivo em 09/07/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a multa aplicada deve ser reduzida ao seu patamar mínimo, por ser primária no descumprimento de obrigações tributárias; 2. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Inicialmente cumpre apontar que em momento algum a recorrente insurgiuse quanto a imposição fiscal objeto do Auto de Infração, de modo que o lançamento, por este motivo, é incontroverso. Ademais, quanto a matéria de recurso, resumese a repetir os argumentos trazidos em sede de impugnação, requerendo a redução da multa diante da sua condição de primária e natureza confiscatória. Sobre o assunto, tenho que não assiste razão à recorrente. Quanto ao pedido de redução de multa, como bem apontou o v. acórdão de primeira instância, sequer houve a aplicação de qualquer agravante no presente caso, se resumindo a autoridade fiscal a efetuar o lançamento em conformidade com o disposto no art. 33 da Lei 8.212.91, a seguir: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ao assim proceder, quando verificou o descumprimento à legislação tributária, simplesmente aplicou ao caso as multas em conformidade com a legislação de regência, atentandose, ainda a observância da retroatividade benigna em decorrências das alterações trazidas pela Lei 11.941/09, cálculo este que sequer veio a ser objeto de contestação pela recorrente. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721773/201055 Acórdão n.º 2402004.328 S2C4T2 Fl. 200 5 Assim, não há que se falar em redução ao seu patamar mínimo, a uma em razão da multa ter sido aplicada em conformidade com a legislação de regência, a duas em razão de não haver qualquer previsão legal de sua diminuição no presente caso. Por fim, no que se refere ao caráter confiscatório da multa aplicada, tenho que tal irresignação não pode ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900752/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.900752/2009-45
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5388375
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.712
nome_arquivo_s : Decisao_10380900752200945.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10380900752200945_5388375.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5659296
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251900694528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 541 1 540 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.900752/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.712 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente CGTF CENTRAL GERADORA TERMELÉTRICA FORTALEZA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 52 /2 00 9- 45 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 542 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior da contribuição que pretende utilizar para compensar com seus débitos. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado. Entendeu o órgão julgador de primeiro grau que, a partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 543 3 seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, esta turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. Novamente em pauta para julgamento, esta turma determinou nova conversão do julgamento em diligência, para trazer aos autos complemento do laudo pericial, com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o complemento do Laudo Pericial Técnico elaborado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação, contendo a composição final do preço de venda de energia para a COELCE, com o detalhamento da ponderação dos insumos na composição do preço final de energia. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 544 4 A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivoca a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. A incidência nãocumulativa das contribuições de que tratam a Lei n° 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...] Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 545 5 §2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: (i) a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou (ii) da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). O ponto principal para a sujeição ao regime cumulativo é a comprovação de que o reajuste praticado não foi superior à variação dos custos de produção. A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 546 6 A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Esta turma de julgamento, em sua composição anterior, em 10 de novembro de 2011, ao determinar a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. A Cláusula 6.3 do Contrato de Fornecimento estabelece que a fórmula de reajuste dos preços seria determinada com base na Resolução ANEEL 22/2001, que previa, para aplicação do limite de repasse dos preços contratuais, o Valor Normativo estabelecido para cada contrato de compra de energia seria atualizado para o mês anterior à data de acordo com a seguinte fórmula: Onde: VNi Valor Normativo reajustado no mês do reajuste das tarifas de fornecimento do concessionário ou permissionário de distribuição; VNoi Valor Normativo vigente no mês de registro do contrato de compra de energia referido ao mês de publicação da resolução; K1 = fator de ponderação do índice IGPM; K2 = fator de ponderação do índice de combustíveis; Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 547 7 K3 = fator de ponderação do índice de variação cambial IGPMli valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior a data de atualização do VN; IGPMOi valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; COMBli valor do índice do combustível, no mês anterior a data de atualização do VN; COMBOi valor do índice do combustível, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; IVCli média da cotação de venda do dólar norteamericano, divulgada pelo Banco Central do Brasil, no mês anterior a data de atualização do VN; IVC0i = R$ 1,9633/US$. Já a variação do índice referente ao combustível, a ser utilizado na fórmula de atualização dos Valores Normativos, considera 80% da parcela do preço com reajuste estipulado pelas variações da taxa cambial e do índice de preços ao atacado no mercado dos Estados Unidos da América, e 20% restantes pela variação do IGPM. Portanto, a fórmula para reajustes de preço baseiase em índices que captam a variação geral de preços (IGPM), a variação cambial e a variação setorial (combustível), esse, por sua vez, também derivado da variação cambial. Dessa forma, a variação cambial entra duas vezes na composição da fórmula de reajuste de preços. Estes índices, apesar de contratualmente estipulados e aprovados pela agência reguladora, não representam necessariamente a variação dos custos da produção ou dos insumos utilizados, mas sim a recomposição de preços de mercado. Não foi comprovado que há uma correlação direta entre os componentes da fórmula de reajuste de preços e a variação dos custos de produção. A utilização dos fatores, mesmo ponderados, e dos índices geral, setorial e especialmente o cambial, tendem a restabelecer o preço de mercado, atualizando os custos para os novos empreendimento e não os custos da produção ou dos insumos efetivamente incorridos. Considerando que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, restanos analisála em função da variação do custo de produção. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento, foi dividido em duas partes: (i) a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; (ii) a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 548 8 Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. A recorrente apresentou, em atendimento à Resolução desta turma de julgamento, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos: Também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900752/200945 Acórdão n.º 3101001.712 S3C1T1 Fl. 549 9 Constatase, que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005), não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Diante dos fatos apurados, dou provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
