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Numero do processo: 15536.000031/2007-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 36 .0 00 03 1/ 20 07 -7 4 Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15536.000031/200774 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.088 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Niterói, DecisãoNotificação Nº 17423.4/0102/2005, que julgou o lançamento procedente. A autuação foi assim apresentada no relatório da decisão recorrida: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a associação acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 78/78 e anexos A e B, fls. 80/106, teve como fato gerador remunerações pagas ou creditadas á empregados e contribuintes individuais 2. Informa o relatório fiscal que os salários de contribuição lançados nos Livros Diários nº 1 (registro n2 3957, em 26/09/2002), 2 (registro n 2 36/84, em 17/05/84) e 3 ( re.g. nº 271/03, em 12/01/96), mostramse superiores aqueles existentes nas folhas de pagamento e RAIS.. Foi efetuado quadro demonstrativo (Anexo A), onde verificouse diferenças entre os salários de contribuição para os quais houve o recolhimento, extraídos das guias de recolhimentos e os salários de contribuição extraídos dos Livros Diários. 3. Informa ainda que as remunerações dos prestadores de serviços para os quais não houve recolhimento, encontramse relacionadas no Anexo B. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: O lançamento considerou como hipótese de incidência das contribuições para a Seguridade Social fatos como: compra de ardósia, compra de "estrume", compra de grama, remessa de Sedex, produtos e serviços fornecidos por pessoas jurídicas, compra de materiais diversos. a própria tabela elaborada pelo R. Auditor, contida no anexo B, do relatório já faz prova do que aqui afirmamos. a prova de que os valores lançados incluíam fatos outros que não os geradores das contribuições lançadas estava no material elaborado pelo Auditor que integrava o lançamento. Falha na descrição dos fatos geradores. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15536.000031/200774 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.088 S2C4T3 Fl. 4 3 É fato que alguns dos lançamentos referemse a serviços prestados por autônomos. Nestes casos, a remuneração, que é a contraprestação do contratante destinada a retribuir o trabalho, os serviços prestados, é considerada a base de cálculo. Entretanto, alguns tipos de serviços e alguns dos lançamentos contábeis, apresentam em seus valores importâncias destinadas a remunerar os prestadores de serviço e à aquisição de material, ou utilização de equipamentos necessários à realização do serviço. Nestes casos, devese...promover a exata apuração do quanto destinouse à remuneração pelos serviços prestados, objetivando delimitar com precisão a base de cálculo, excluindo dela os valores referentes à aquisição de material, ou utilização de equipamentos, a fim de se apurar com exatidão o valor devido, referente à remuneração contida no lançamento. Também quando efetuou o lançamento decorrente de diferenças constatadas entre as folhas de pagamentos e os registros contábeis contidos nos livros diários, o R. Auditor não se ocupou de delimitar a base de cálculo. Em sua determinação de levantar débitos contra a Instituição, o agente Fiscal não verificou que sobre o titulo "Pessoal" não estavam contabilizados no Diário os salários líquidos, mas todos os valores despendidos pela Recorrente em função das relações de emprego, ou seja, Salários, Contribuições para o INSS, FGTS, PIS Folha de Pagamento, Vale Transporte, Parcelas Indenizatórias e Primeira Parcela do 13º salário. Apresenta QUADRO DEMONSTRATIVO DA COMPOSIÇÃO DAS DESPESAS COM PESSOAL (anexo 2), onde demonstra mês a mês todos os valores que compõem os lançamentos nos Livros Diários sob o título "Pessoal" e ainda, no anexo 3, cópia dos documentos dos respectivos lançamentos, que entende comprovar a inexistência diferenças de salários de contribuição, pois elenca os valores referentes às despesas com pessoal a seguir relacionadas:inobservância das variações monetárias decorrentes da URV, pois o lançamento dos salários de contribuição no Diário estavam em Cruzeiros Reais e o valor do recolhimento em URV Alega confusão na informação das alíquotas Em 30/09/2005 o Serviço do Contencioso (fls.483/484) requisitou diligência para a análise dos documentos acostados pela recorrente e possível retificação do lançamento. A diligência manifestouse pela manutenção do lançamento (fls.543/546). Em 23/12/2006, a seção do contencioso reiterou o pedido de diligência para novos esclarecimentos, tendo como resposta a Informação Fiscal prestada em 14/02/2007, fls551/558. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15536.000031/200774 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.088 S2C4T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Conforme observado no relatório acima apresentado, foi necessário baixar o processo em diligência para dar ciência ao Hospital Geral e Ortopédico S/A da autuação. DA DILIGÊNCIA Tendo em vista que foi caracterizada a formação de GRUPO ECONÔMICO entre a notificada e o Hospital Geral e Ortopédico S/A e dos autos não contar ter sido este Ultimo cientificado do fato; Propusemos o encaminhamento dos autos à DRF de origem, a fim de que o AFRFB notificante procedesse à cientificação do solidário, com prazo para manifestação nos moldes do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Como resultado da diligência, obtémse a informação fiscal lis. 146, de que foi enviado por AR (recebido cm 14/11/2008), ao devedor solidário, Hospital Geral e Ortopédico S/A o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (fls.148), contendo cópia integral da Notificação que deu origem ao processo. Constato que, também do resultado do julgamento efetuado pela DRJ não se deu ciência ao Hospital Geral e Ortopédico S/A. O processo deve retornar à DRF de origem para sanar esse vício e oportunizar apresentação de recurso também para o Hospital Geral e Ortopédico S/A. CONCLUSÃO Voto por converter o julgamento em diligência para sanar o vício apontado. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000093/2008-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005
MULTA DE OFÍCIO. EXISTÊNCIA DE DCTF E DCOMP.
Compensação de direito não oriundo de crédito tributário administrado pela Receita Federal, mesmo efetuado por meio de DCTF, nestes casos impõe a constituição do crédito por meio de lançamento, impondo as penalidades de praxe, motivo pelo qual cabe multa de ofício prevista pela norma do inciso I, art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan , Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005 MULTA DE OFÍCIO. EXISTÊNCIA DE DCTF E DCOMP. Compensação de direito não oriundo de crédito tributário administrado pela Receita Federal, mesmo efetuado por meio de DCTF, nestes casos impõe a constituição do crédito por meio de lançamento, impondo as penalidades de praxe, motivo pelo qual cabe multa de ofício prevista pela norma do inciso I, art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005 MULTA DE OFÍCIO. EXISTÊNCIA DE DCTF E DCOMP. Compensação de direito não oriundo de crédito tributário administrado pela Receita Federal, mesmo efetuado por meio de DCTF, nestes casos impõe a constituição do crédito por meio de lançamento, impondo as penalidades de praxe, motivo pelo qual cabe multa de ofício prevista pela norma do inciso I, art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan , Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 00 93 /2 00 8- 03 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuida o presente Recurso Voluntário interposto modificar a decisão de piso desfavorável a contribuinte que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de ifnração relativo ao período de apuração de 01.01.2005 a 31.05.2005. A motivação do lançamento decorre de compensação efetivada por meio de DCOMP cujos créditos utilizados para as compensações são oriundos de "Obrigações ao Portador" emitidas pela Eletrobrás. Motivo pelo qual foram consideradas não declaradas em conformidade do Despachos Decisórios expedidos Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Curitiba. A recorrente instada a se manifestar, alega que o crédito já encontrava constituído por meio da DCTF que informou o débito e a compensação, em razão do indefrimento da DCOMP. Sustenta que a vedação do art. 74 da lei nº 9.430/96, revela verdadeira ofensa ao direito do contribuinte. Diz ainda, que após apresentar a DCTF e DCOMP, realizou uma auditoria interna e verificou haver uma discrepância entre o s valores declarados e os compensados, pelo que apresentou as declarações retificadoras, visando ajustar sua situação perante o fisco. Argumenta inexistência de fraude em razão de que a declaração de compensação, por força de lei, implica em confissão da dívida, ou seja, além de não impedir, retardar, excluir ou modificar o fato gerador, a empresa impugnante relacionou toda sua dívida perante a Fazenda Pública Federal, relação esta que implica em confissão, de acordo com o § 6 o do Artigo 74 da Lei 9.430/1996 , nos seguintes termos : "(...) § 6 o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados." É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. Há vedação expressa a compensação de créditos não caracterizado como tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, condição necessária ao reconhecimento do direito. Não há de se falar em óbice ao direito de compensação disposto pelo art. 170 do CTN, pois a lei que autoriza a compensação pode estipular condições e garantias, ou insituir limites para que a Autoridade Administrava o faça. Portanto, tratase de atividade vinculada, a qual não deixa ao agente espaço de discricionaridade, conforme lenciona o eminente professor Paulo de Barros, em Curso de Direito Tributário. Também leciona Mariz de Oliveira no mesmo sentido: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.000093/200803 Acórdão n.º 3403001.776 S3C4T3 Fl. 5 3 “...o legislador ordinário tem total liberdade para fixar a forma como os créditos do contribuinte poderão – ou não – ser compensados. Os critérios que nortearão o estabelcimento das regras da compensação serão aqueles ditados pelas conveniências da política fiscal, não havendo restrição no CTN que limite a atuação estatal. A doutrina quando se refere à autoaplicabilidade do art. 170 do CTN, menciona que esse dispositivo por si só não gera direito subjetivo à compensação. Entendendo, que o Código simplesmente autoriza o legislador ordinário de cada ente político a autorizar, por lei própria, compensações entre créditos tributários da Fazenda Pública e do sujeito passivo contra ela. De modo que a compensação deve obedecer estritamente a norma fixada em legislação própria, in casu, a Lei nº 9.430/96, com alterações posteriores. No que tange a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 em decorrência do lançamento de ofício tenho que neste caso não assiste razão a recorrente. A DCTF é instrumento com o condão de confessar o crédito tributário. Há entendimento de que no caso de compensação não homologada declarada em DCTF há necessidade de constituir o crédito tributário por meio do auto de infração, em razão de tratar de crédito não administrado e diante de vedação empresa pela Lei número 9.470 de 1996, acompanho a corrente que entende a necessidade de constituir o crédito por meio de lançamento. Assim, tenho como certo que o crédito, no caso dos autos por se tratar de direito decorrente de títulos emitidos pela Eletrobrás encontra encartado no rol de não tributários, e, sendo assim, fazia necessário de que fosse constituído por meio de lançamento ex officio, no caso ocorreu por meio do auto de infração. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso e negar provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13433.000235/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CONTRADIÇÃO E/OU OMISSÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A contradição e/ou omissão entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos de tal forma que o contribuinte não possa identificar a parte do lançamento que foi mantida, cerceia seu direito de defesa e enseja a nulidade da decisão de primeira instância devendo o Colegiado de primeiro grau se pronunciar novamente para sanar o vício apontado.
Numero da decisão: 2202-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida pelo contribuinte, para determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para sanar a contradição e/ou omissão apontada, proferindo nova decisão na boa e devida forma.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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CONTRADIÇÃO E/OU OMISSÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A contradição e/ou omissão entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos de tal forma que o contribuinte não possa identificar a parte do lançamento que foi mantida, cerceia seu direito de defesa e enseja a nulidade da decisão de primeira instância devendo o Colegiado de primeiro grau se pronunciar novamente para sanar o vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida pelo contribuinte, para determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para sanar a contradição e/ou omissão apontada, proferindo nova decisão na boa e devida forma. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 35 /2 00 6- 57 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 197 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 5, integrado pelos demonstrativos de fls. 6 e 7, pelo qual se exige a importância de R$47.180,37, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anocalendário 2001. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 4 e 5, no qual o autuante esclarece que: · o contribuinte recebeu, em 20/04/2001, o valor de R$ 185.532,60 em decorrência de ação trabalhista, dos quais foram descontados os honorários advocatícios, no montante de R$9.276,63, recebendo o valor tributável líquido de R$176.255,97; · tais rendimentos foram declarados indevidamente, como isentos e não tributáveis, nos termos da decisão da Justiça do Trabalho; · a fiscalização, com base no Parecer PFN/RN/RWSA no 001/2006, considerou a decisão judicial incompetente para determinar a não incidência do imposto de renda sobre as verbas pagas, e, portanto, tais valores foram tributados. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 37 a 58, instruída com os documentos de fls. 59 a 114, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 119 a 122): 3.Em sua impugnação, o contribuinte discorre a respeito do direito de apresentação da impugnação e transcreve o Auto de Infração, alegando em síntese que: 3.1. Dos Fatos 3.1.1.o impugnante, juntamente com mais 70 empregados da Caixa Econômica Federal recebeu desta o valor mencionado pela Receita Federal, por força de acordo judicial homologado pela Juíza da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró/RN, mencionando expressamente que não havia incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida e a Caixa Econômica Federal informou, para fins de declaração de ajuste anual, que o valor pago ao impugnante era isento e não tributável; 3.1.2. em abril de 2002, a DRF/Mossoró instou a Caixa Econômica Federal a apresentar cópia do DARF referente ao recolhimento do IRPF, alertando que os comprovantes emitidos estavam errados, em vista disso, diversos empregados da Caixa solicitaram a emissão dos comprovantes de rendimentos de forma correta, tendo recebido a resposta de que os comprovantes estavam corretos e de que "não existe imposto de renda sobre conciliação, nos termos do Provimentos CG/TST Fl. 197DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 198 3 01/96", com a orientação para, caso fossem notificados, apresentarem os documentos recebidos no momento da liquidação da causa trabalhista; 3.1.3. a Caixa Econômica Federal encaminhou à Receita Federal o ofício 63/2002, informando que ficou desobrigada de recolher o imposto de renda na fonte em virtude da decisão judicial homologatória estabelecer que não havia incidência de imposto de renda, tendo a Receita Federal resolvido efetuar o lançamento do crédito tributário em desfavor do impugnante e demais empregados da Caixa favorecidos com o acordo. 3.2. Preliminar 3.2.1. o impugnante discorre sobre transferência, substituição e responsabilidade tributária, concluindo que a Caixa Econômica Federal é a substituta tributária do contribuinte, portanto, o procedimento fiscal não poderia jamais ter sido voltado contra a pessoa do impugnante e sim contra aquela instituição financeira; 3.2.2. observase que em 2002 a Receita Federal chegou a iniciar um procedimento contra a Caixa Econômica Federal, porém deuse por satisfeita com a simples informação de que o imposto não fora retido em virtude de decisão judicial, passando a atacar o acerto da decisão judicial, que disse não ser devido o imposto, argüindo, até mesmo, a ineficácia do julgado frente à Fazenda Nacional, uma vez que esta não foi parte no processo trabalhista onde houve a prolação da sentença; 3.2.3. a Receita Federal contaminou o procedimento fiscal com a eiva da nulidade, pois, se a decisão judicial não pode ser imposta à Fazenda Nacional, em atenção aos limites subjetivos da coisa julgada, a conseqüência lógica é que a Receita Federal pode exigir da Caixa Econômica Federal o recolhimento do tributo que entende devido, pois, o impugnante não tem legitimidade para figurar no pólo passivo do aludido procedimento; 3.2.4. o impugnante transcreve parte do Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006, proferido no processo 11598.000552/200584, no qual o Procurador entende que "a Fazenda não fica obrigada a cumprir qualquer comando da decisão homologada entre a Caixa Econômica Federal e os reclamantes, uma vez que tal decisão só produz efeitos inter partes", nada havendo para justificar o redirecionamento do procedimento fiscal, antes instaurado contra a Caixa por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.2.02.002002000931, datado de 22/04/2002, sendo utilizado "dois pesos e duas medidas"; 3.2.5. cumpriu a mesma decisão judicial e preencheu a declaração de ajuste anual com base no comprovante de rendimentos fornecido pela Caixa Econômica Federal, onde a verba relativa ao fato gerador foi indicada como rendimento isento e não tributável, conforme orientação do Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual; 3.2.6. cita farta doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte. 3.3. Do Mérito 3.3.1. ajuizou reclamação trabalhista contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 empregados, pleiteando o recebimento do índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989, e a integração destes valores às verbas salariais vencidas e vincendas e ao FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 199 4 3.3.2. após dez anos de "peleja judicial", a reclamada foi condenada, em última instância, nos termos da petição inicial, tendo ingressado com uma ação rescisória, que poderia protelar por mais cinco anos o pagamento do débito reconhecido judicialmente, porém, não vislumbrado a possibilidade de reverter a decisão, a Caixa Econômica Federal propôs um acordo, no qual ela pagaria os valores depositados em juízo, desde que os reclamantes renunciassem expressamente à incorporação inicialmente pleiteada, tendo sido aceito pelos reclamantes; 3.3.3. portanto, a quantia recebida teve o escopo de compensálo pela renúncia ao direito subjetivo de incorporação, tendo a natureza de indenização, não se configurando como renda na definição legal, mas um simples ressarcimento de um dano; 3.3.4. na sentença homologatória do acordo, restou consignado que não incide imposto de renda sobre a conciliação, nos termos do Provimento CG/TST 01/96, porém a DRF/Natal enviou relatório à PFN/RN, solicitando orientação sobre a possibilidade de efetuar o lançamento com ou sem multa de ofício, tendo em vista a incongruência no Provimento CG/TST 01/96, no qual o item 01 afirma a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de imposto de renda incidente em reclamações trabalhistas em virtude de sentenças condenatórias enquanto o item 03 afirma não incidir imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo na Justiça do Trabalho; 3.3.5 em resposta, foi emitido o Parecer n° 001/2005, concluindo que apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer incidência de IRPF, ficando a base de cálculo do imposto, portanto, a depender da discriminação das verbas, porém, o procurador não endossou a aplicação da multa de ofício, tendo em vista que a culpa da retenção do imposto não poderia ser atribuída aos reclamantes beneficiados pela decisão; 3.3.6. acontece que não existe a contradição apontada, uma vez que está dito que a Justiça do Trabalho é incompetente para deliberar acerca de valores eventualmente devidos em virtude de liquidação de sentenças condenatórias, porém o item 03 afirma a não incidência de imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo, no qual houve renúncia a direitos de ambas as partes, portanto, o que se recebe tem natureza indenizatória, pois visa tornar indene ou recompor o patrimônio de dano sofrido em virtude da renúncia a direitos patrimoniais; 3.3.7. o Supremo Tribunal Federal — STF posicionouse no sentido de que a Justiça do Trabalho tem competência para definir a incidência ou não de descontos previdenciários e de imposto de renda; 3.3.8. se a Receita Federal aceitou a justificativa da Caixa Econômica Federal de que não fez o recolhimento em virtude da sentença da juíza do trabalho, única razão apresentada, deve aceitar as justificativas do contribuinte, alheias a sua vontade, para não ter recolhido o imposto de renda: obediência à sentença da juíza, o fato de a fonte pagadora não ter retido o imposto de renda na fonte e ter emitido o comprovante de rendimentos e o fato de o contribuinte ter feito sua declaração de acordo com o referido comprovante; 3.3.9. nenhum centavo do valor recebido tem natureza salarial, requerendo uma perícia contábil, sendo certo que, se não conseguir discriminar as verbas de natureza salarial, a Receita Federal não poderá, por mera presunção, submeter todo o valor recebido tributação, contrariando o disposto pela PFN/RN; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 200 5 3.3.10. cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes a respeito da natureza indenizatória dos rendimentos. 3.4. Do Pedido 3.4.1. que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do impugnante, e, portanto, a nulidade do procedimento fiscal; 3.4.2 caso a preliminar não seja acolhida, que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, seja por sua natureza indenizatória, seja por tratarse de valor recebido a título de acordo homologado pela Justiça do Trabalho; 3.4.3.se nenhuma das hipóteses anteriores for acolhida, que seja determinada a realização de perícia contábil, a fim de apurar o montante das verbas de natureza salarial, para servir como base de cálculo do imposto de renda; 3.4.4. que seja afastada a incidência de juros de mora e multa, uma vez que a culpa pela não retenção do imposto não pode ser atribuída ao impugnante. 4.Anexa documentos pertinentes à questão. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE) proferiu o Acórdão no 1126.221 (fls. 117 a 132), de 14/05/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou morat6rios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 201 6 A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Não pode a autoridade administrativa negar se a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito, quando este não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 02/12/2009 (vide AR de fl. 136), o contribuinte interpôs, em 20/12/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 138 a 184, no qual argúi, dentre outras preliminares, a nulidade da decisão recorrida. O recorrente alega que à fl. 871 a relatora afirma que “acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o 1 A referencia feita pelo contribuinte está equivocada. A folha correta é 118. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 202 7 lançamento, nos termos emitido no presente voto.” Contudo, o contribuinte entende que houve cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não foi possível conhecer a parte do Auto de Infração que foi considerada improcedente, impedindo que ele produzisse as provas contrárias ao posicionamento do fisco. No mérito, reitera, basicamente, os termos de sua impugnação, aduzindo outros argumentos que não serão aqui minudentemente relatados em razão do se prolatará no voto deste Acórdão. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 16, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 1952. 2 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 186 (fl. 189 da digitalização). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 203 8 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A análise do mérito do lançamento em pauta encontrase prejudicada por uma questão preliminar suscitada pelo contribuinte. O recorrente alega que “acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, nos termos emitido no presente voto”, contudo não lhe foi possível identificar a parte do Auto de Infração considerada improcedente, cerceando assim seu direito de defesa. Em análise do argüido, de fato, existe contradição e/ou omissão entre a decisão e os fundamentos. Está consignado na parte dispositiva da decisão recorrida (fl. 118): Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, nos termos emitido no presente voto. Numa leitura atenta do voto condutor, contudo, não é possível inferir qual parte do lançamento teria sido considerada improcedente, havendo o relator concluído seu voto da seguinte forma (fl. 132): Assim, ante o exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA do Auto de Infração Resta, portanto, evidenciada a contradição e/ou omissão do julgado, devendo o Colegiado de primeiro grau se pronunciar novamente para esclarecer a divergência. Diante do exposto, voto por ACOLHER a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida pelo contribuinte, para determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para sanar a contradição e/ou omissão apontada, proferindo nova decisão na devida forma. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13433.000235/200657 Acórdão n.º 2202002.054 S2C2T2 Fl. 204 9 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10650.721248/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
SÚMULA CARF Nº 45. ITR. USINAS HIDRELÉTRICAS.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ILEGITIMIDADE PASSIVA. CONCESSÃO DE USO DE IMÓVEL DO DOMÍNIO PÚBLICO DA UNIÃO PARA EXPLORAÇÃO DO POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA.
Incabível equiparar de forma indiscriminada, no conceito de posse: o ocupante de bem público, sempre em caráter precário; o mero detentor, como o locatário; e o possuidor com animus domini. Dos três, somente o último é contribuinte do ITR incidente sobre o imóvel de que tem a posse, na qualidade de substituto do proprietário ou do titular do domínio útil.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 2202-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o seu representante legal Dr. Modesto Justino de Oliveira Neto, inscrito na OAB/MG sob o nº 115.931.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 SÚMULA CARF Nº 45. ITR. USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ILEGITIMIDADE PASSIVA. CONCESSÃO DE USO DE IMÓVEL DO DOMÍNIO PÚBLICO DA UNIÃO PARA EXPLORAÇÃO DO POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. Incabível equiparar de forma indiscriminada, no conceito de posse: o ocupante de bem público, sempre em caráter precário; o mero detentor, como o locatário; e o possuidor com animus domini. Dos três, somente o último é contribuinte do ITR incidente sobre o imóvel de que tem a posse, na qualidade de substituto do proprietário ou do titular do domínio útil. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o seu representante legal Dr. Modesto Justino de Oliveira Neto, inscrito na OAB/MG sob o nº 115.931. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 12 48 /2 01 1- 78 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721248/201178 Acórdão n.º 2202002.090 S2C2T2 Fl. 479 3 Relatório 1 Notificação de Lançamento A recorrente recebeu, em 19/09/11, notificação de lançamento referente ao ITR da Usina de Volta Grande. O valor total do crédito tributário constituído foi de R$ 36.872.821,46, incluídos imposto, multa de ofício de 75% e juros de mora. A descrição dos fatos e enquadramento legal foi a que segue: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: Art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/96. Complemento da Descrição dos Fatos: Regularmente intimado, inicialmente o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos documentos em 30 dias, no que foi atendido com dilação válida até 25/08/2011. Até a presente data não atendeu a intimação e não tendo mais havido qualquer manifestação por parte do contribuinte bem como não é de conhecimento do fisco possível ação administrativa ou judicial que impeça autuação em relação a este imóvel rural para os anos calendário de 2007 e 2008, conforme intimação de Malha ITR, sou por autuar o mesmo. Notese que em sua declaração original de ITR/2007, os valores para terra nua estão avaliados em R$ 1.207.988,32 e para o campo de benfeitorias estão esses valores em R$ 39.852.578,55. Como não apresentou justificativa condizente para a terra nua visto que os valores tributados em sua declaração estão bem abaixo dos dados econômicos constantes no SIPT Sistema de Preços de Terras da Secretaria Estadual de Agricultura/MG para o município de Conceição das Alagoas está avaliado em valor mínimo de R$ 5.500,00 por hectare para os ano de 2007 e 2008. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 Com base nessas informações, foi arbitrado o valor da terra nua pelo menor valor dentre eles, ou seja, R$ 5.500,00/ha que multiplicado pela área de 15.684,8 hectares, perfaz um total tributável de R$ 86.266.400,00 para o anocalendário de 2007. O VTN/ha utilizado foi de R$ 5.500,00 correspondente à aptidão agrícola CAMPOS, a de valor mais baixo da localidade (fl. 342 do processo digital). As dimensões e o grau de aproveitamento do imóvel utilizados foram os declarados pela recorrente no Documento de Informação e Apuração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DIAT. Consta na descrição dos fatos a prévia intimação para comprovação do valor da terra nua, mas tais documentos não estão presentes no processo. 2 Impugnação A recorrente apresentou impugnação (fls. 867 do processo digital), tempestiva, na qual defende a inexigibilidade do crédito tributário, fundada nos seguintes argumentos: a) a área da usina hidrelétrica é de propriedade da União, vez que o art. 20, III, da CF estabelece que tanto os lagos, como os rios que banhem mais de um Estado e seus terrenos marginais são bens da União. Estas áreas são concedidas em regime de exploração para as concessionárias que empreendem serviço público sob a forma de empresas de Direito Privado. Desse modo, não existe relação de propriedade, posse ou domínio útil, pois as áreas se destinam, por força contratual do acordo de concessão, exclusivamente à prestação de serviço público, a saber, geração de energia. Sendo bem público, há ainda impossibilidade de aferir o preço de mercado, devido à inalienabilidade do bem, impedindo a construção da regramatriz de incidência tributária, pela falta da base de cálculo no critério quantitativo; b) as áreas do entorno são da mesma espécie das de preservação permanente, vez que em ambas há a exclusão da base de cálculo pelo esvaziamento dos direitos proprietários causado por restrição legal do uso; c) há falta de direitos proprietários e impossibilidade de verificar o grau de aproveitabilidade da área em atividade rural, pois concessionário não pode explorar atividade agrícola nas áreas afetadas à geração de energia elétrica, acabando por fulminar o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, em específico a alíquota, pois sua definição está atrelada ao grau de utilização da propriedade; d) as áreas afetadas com as usinas hidrelétricas se encaixam no conceito de áreas imprestáveis para exploração rural, devendo ser excluídas da base de cálculo do tributo; e) a detenção da propriedade é precária, sendo devolvida à União ao fim do contrato, ou por encampação, caducidade, rescisão contratual, anulação, falência ou extinção da empresa concessionária, o que contraria o direito de propriedade que, nos ditames do Código Civil de 2002, presumese Fl. 481DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721248/201178 Acórdão n.º 2202002.090 S2C2T2 Fl. 480 5 pleno e exclusivo. Tal plenitude inexiste, pois o concessionário não pode dispor da coisa nem têla para si com pretensão de definitividade; f) os imóveis rurais utilizados pelas concessionárias de prestação de energia elétrica são bens públicos de uso especial, sendo imprescritíveis, inalienáveis e impenhoráveis, outro fato que vem a desqualificar a relação de propriedade, posse ou domínio útil da concessionária com o imóvel em questão, vez que essa só detém a execução do serviço de geração de energia elétrica; g) a exigência de ADA, embora não mencionada no auto de infração, é mera formalidade perfunctória, necessária tão somente à confirmação da hipótese de atipicidade tributária, matéria incontroversa no feito; h) há confusão entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, pois a União é a credora do crédito tributária e a proprietária do terreno; i) a multa aplicada é desproporcional e confiscatória; j) há súmula do CARF, de nº 45, que reconhece a não incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas elétricas; Junto à impugnação, a recorrente anexou os seguintes documentos: a) jurisprudência favorável à recorrente (fls. 107258 do processo digital); b) contrato de concessão (fls. 260291 do processo digital); c) parecer do Prof. Dr. Paulo de Barros Carvalho entitulado “Inexigibilidade do Tributo ITR sobre terras alagadas que servem à prestação do serviço público de geração/transmissão de energia elétrica” (fls 293333 do processo digital); d) reprodução cartográfica da Usina hidrelétrica de Nova Ponte (fl. 335 do processo digital). 3 Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/CGE acordou considerar improcedente a impugnação (fls. 343365), apresentando os seguintes argumentos: a) o sujeito passivo do ITR é o possuidor a qualquer título, independentemente da autorização ou não do poder público; b) ao falar em propriedade rural, a CF e o CTN tratam rural como a localização do imóvel (fora de área urbana), não exatamente de sua destinação. Desse modo, imóveis desapropriados para a exploração de serviços públicos são sujeitos a ITR; Fl. 482DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 c) não existe imunidade, pois o serviço está sendo prestado por pessoas jurídicas de direito privado, cuja extensão da imunidade é vedada pelo art. 173, §2º da CF de 1988; d) os reservatórios de água não podem se enquadrar no conceito de rio ou potenciais de energia elétrica, motivo pelo qual não pertencem à União, mas, sim, às empresas exploradoras do reservatório para fins de geração de energia elétrica; e) a isenção para áreas alagadas para constituição de reservatório de usinas hidrelétricas foi introduzida pela Lei nº 11.727/08, só podendo ser aplicada a fatos geradores posteriores. Ademais, a isenção anterior foi revogada com o advento da Constituição Federal, devido ao §1º do art. 41 da ADCT; f) as áreas não utilizadas em atividades rurais são consideradas como áreas ociosas para fins de ITR, não importando que estejam sendo empregadas para o represamento de água para exploração de seu potencial energético. Somente podem ser excluídas estas áreas se caírem em alguma das hipóteses do art. 10, §1º, I, da Lei 9.393/96; g) os posicionamentos doutrinários expostos, embora respeitáveis, não podem se sobrepor à interpretação uniformizada da Receita Federal, consubstanciada no Parecer Normativo COSIT nº 15/00; h) foi correto o arbitramento, vez que a Fiscalização encontrou sinais de subavaliação do valor de mercado da terra, e pela falta de apresentação de laudo técnico de avaliação pela recorrente que justifique o VTN/ha de R$ 77,00 constante na DIAT. Ademais, o fato de o imóvel não estar afetado ao mercado não significa que não seja passível de avaliação para fim de incidência do ITR. O imóvel pode, inclusive, ser leiloado a outra concessionária; i) a multa de 75% e a correção monetária indexada pela taxa SELIC no caso de lançamento de ofício estão fixados em legislação infraconstitucional, e devem ser aplicadas até que seja declarada sua inconstitucionalidade; j) a perícia pleiteada é desnecessária, vez que os dados que se quer apurar eram passíveis de comprovação através de laudo técnico de avaliação, que poderia ter sido produzido pela impugnante; 4 Recurso Voluntário Notificado do resultado do acórdão de impugnação em 02/04/12, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 372408 do processo digital) em 30/04/12, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721248/201178 Acórdão n.º 2202002.090 S2C2T2 Fl. 481 7 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O deslinde do feito passa pela análise da incidência do ITR sobre as áreas alagadas. Segundo o recurso, a obrigação não pode ser validamente exigida, pois (i) a recorrente, na condição de concessionária de potencial hidráulico, não é sujeito passivo do ITR (não é proprietária, detentora da posse ou domínio útil, nem tem gerência sobre o uso da terra); (ii) as áreas alagadas, para fins de instalação e operação de usinas hidrelétricas, estão fora do campo de incidência do ITR. A matéria encontrase sumulada nesse Egrégio Conselho, como revela o enunciado sumular abaixo transcrito: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Para embasar o posicionamento, peço licença para reproduzir trecho de um dos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da aludida Súmula (AC 30335.844). Nele, o eminente Conselheiro Tarásio Campelo Borges amparou seu voto na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello e no posicionamento do STF acerca da natureza da posse necessária para que haja sujeição passiva do contribuinte ao imposto: Tratam os autos, conforme relatado, de lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) sobre imóvel de concessionária de serviço público de energia elétrica afetado "ao uso especial de serviço público privativo da União (produção, geração e distribuição de energia elétrica)". A propósito das concessões, transcrevo lições de Celso Antônio Bandeira de Melo: II. Cumpre, outrossim, não confundir concessão de serviço público e concessão de uso de bem público, com o fito de explorálo. Só se tem concessão de serviço público — e o próprio nome do instituto já o diz — quando o objetivo do ato for o de ensejar uma exploração de atividade a ser prestada universalmente ao público em geral. Pode ocorrer que, para tanto, o concessionário ancilarmente necessite usar de um bem público (como, por exemplo, quando instala canalizações ou postes no subsolo e nas vias públicas, respectivamente), mas o objeto da concessão é o serviço a ser prestado. Diversamente, a concessão de uso pressupõe um bem público cuja utilização ou exploração não se preordena a satisfazer necessidades ou conveniências do público em Fl. 484DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 geral, mas as do próprio interessado ou de alguns singulares indivíduos. O objeto da relação não é, pois, a prestação do serviço à universalidade do público, mas, pelo contrário, ensejar um uso do próprio bem ou da exploração que este comporte (como sucede com os potenciais de energia hidroelétrica) para que o próprio concessionário se sacie com o produto extraído em seu proveito ou para que o comercialize limitadamente com alguns interessados. A Lei 9.074, de 7.7.95, no art. 50, II e III, expressamente contempla ditas hipóteses, tanto sob a forma de concessão de uso de potenciais hidráulicos para produção de energia elétrica para consumo próprio como para o que denominou produção "independente", sem, todavia, nesta última hipótese, explicitar que, in casu, tratase, também, de uma concessão de uso. No caso concreto, a aquisição do imóvel rural objeto do lançamento se deu mediante condições fixadas pelo poder público que o tomam inalienável e indisponível pela ora recorrente, porquanto, efetivamente, ele é do domínio público da União e precária é a posse da ora recorrente, subordinada à vigência do contrato de concessão de uso de bem público. [...] Tracei esse paralelo entre conceitos inerentes ao ITR e ao IPTU porque farei uso de parte dos fundamentos de um acórdão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que limitou à posse animus domini a substituição do direito de propriedade pela posse na ocorrência do fato gerador do IPTU. A exigência do tributo municipal sobre os imóveis integrantes do acervo patrimonial do Porto de Santos era uma das matérias litigiosas nos autos do processo judicial. [...] No presente caso, é incontroverso que os imóveis tributados são do domínio público da União, encontrandose ocupados pela recorrente em caráter precário, na qualidade de delegatária dos serviços de exploração do porto e tão somente enquanto durar a delegação. O acórdão, ao invocar a norma do art. 32 do CTN, além de incidir do mau vezo de buscar na lei a interpretação da Constituição, não atentou para a circunstância de que o art. 32 do CTN não pode ser interpretado como tendo englobado, no conceito de posse, de forma indiscriminada, o ocupante de bem público, sempre em caráter precário; o mero detentor, como o locatário; e, finalmente, o possuidor com animus domini; esse, sim, responsável pelo tributo incidente sobre o imóvel privado de que tem a posse, na qualidade de substituto do proprietário, figura de ordinário desconhecida ou, no mínimo, alheia ao destino do bem tributado. É certo que no litígio examinado pelo Pretório Excelso a interpretação do conceito de posse limitase ao comando Fl. 485DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721248/201178 Acórdão n.º 2202002.090 S2C2T2 Fl. 482 9 legislativo do artigo 32 do CTN. No entanto, pareceme irracional apartar essa exegese do conceito de posse para os fins do disposto nos artigos 31 e 34 do mesmo diploma legal, que definem o contribuinte do ITR e do IPTU, respectivamente. Portanto, a ora recorrente é ocupante de bem público e como sói acontecer dotada de posse precária, insuscetível de substituir o titular do domínio do imóvel rural na qualidade de contribuinte do tributo. Igualmente não pode figurar a ora recorrente no pólo passivo da relação tributária na qualidade de responsável, porque inexistente requisito imposto pelo inciso II do artigo 121 do Código Tributário Nacional, vale dizer, nosso ordenamento jurídico é carente de disposição expressa de lei nesse sentido. (Terceiro Conselho de Contribuintes. Terceira Câmara. Processo nº 10675.720040/200777. Acórdão nº 30335.844. Rel. Tarásio Campelo Borges. Julg. em 10/12/08) Os lagos, rios e correntes de água em territórios da União, ou que banhem mais de um Estado, bem como os terrenos marginais são bens da União (CF/88, art. 20, II), assim como os potenciais de energia hidráulica (CF/88, art. 20, VIII). Quando constatado que determinado rio possui potencial energético, ele pode ter seu uso cedido a concessionária, que deterá a posse precária das estruturas que construir sobre os rios e em suas margens — posição da recorrente. Por serem bens da União, são imprescritíveis (CF/88, art. 191, Parágrafo Único), circunstância que, de plano, revela a ausência de pretensão aquisitiva da concessionária (recorrente), condição necessária à incidência válida do tributo. Enfim, a recorrente não é proprietária, detentora da posse (com animus domini) ou do domímio útil do imóvel submerso. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 486DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10830.003785/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Não prestadas as informações para o enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores haverá enquadramento de oficio das bebidas, com a exigência da diferença de imposto e dos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É licita a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos antes de 26/03/2005. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor desta parte. Quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Fábia Regina Freitas, que davam provimento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator Designado. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DECADÊNCIA. ART. 124 DO RIPI/2002. UTILIZAÇÃO DE SALDO CREDOR. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. HIPÓTESES. Nos termos da legislação do IPI, somente se equipara a pagamento “a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” Consideramse “créditos admitidos” aqueles em tese expressamente permitidos em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Não prestadas as informações para o enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores haverá enquadramento de oficio das bebidas, com a exigência da diferença de imposto e dos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É licita a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 37 85 /2 01 0- 33 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos antes de 26/03/2005. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor desta parte. Quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Fábia Regina Freitas, que davam provimento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório A empresa recorrente é estabelecimento atacadista de bebidas, equiparado a industrial, e os produtos que deu saída são industrializados por encomenda, com a remessa de matériaprima e material de embalagem. No curso de ação fiscal, a Fiscalização constatou que a Recorrente deu saída a bebidas das marcas comerciais Uísque Bell's, Vodca Smirnoff, Smirnoff Ice e Smirnoff Ice Black sem que possua ato administrativo formal de enquadramento das mesmas, a que se refere o art. 150 do RIPI/2002, tendo sido expedido o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 6, de 04/03/2010 (DOU 12/03/2010), da SAPAC/DRF CAMPINAS, divulgando o enquadramento de ofício destas marcas comerciais, segundo o regime tributário do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 7.798/1989. Feito o cotejo entre o enquadramento de ofício e o enquadramento praticado pela Recorrente foi apurado diferenças de IPI devido e lavrado o Auto de Infração controlado nestes autos. Não se conformando, a Recorrente impugnou o lançamento pelas razões que estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 8a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Fl. 968DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10830.003785/201033 Acórdão n.º 3302001.766 S3C3T2 Fl. 963 3 Nacional efetuar a glosa do saldo credor do IPI existente em 31/12/2004, nos termos do Acórdão no 1431.316, de 26/10/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de oficio, cancelase o valor da exação para o período em questão. DECADÊNCIA. IPI. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Não prestadas as informações para o enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores, ou prestadas de maneira incompleta ou incorreta, haverá enquadramento ou reenquadramento de oficio das bebidas, com a exigência da diferença de imposto e dos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É licita a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. Ciente desta decisão em 07/12/2010 (fle. 294), a interessada ingressou, no dia 05/01/2011, com o recurso voluntário de flse. 295/317, no qual alega, em síntese, que: 1 sendo o IPI tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento contase a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Deste forma, está atingida pela decadência os créditos lançados e relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 26/03/2005; 2 Os atos declaratórios concedidos para os antigos fabricantes dos produtos Smirnoff e Bell’s podem ser utilizados pela recorrente, não implicando a mudança de fabricante em necessidade de expedição de novos atos declaratórios de enquadramento destes produtos. Uma vez deferido pela Receita Federal o enquadramento de determinada bebida, passa a ser irrelevante o contribuinte que venha a comercializála porque o ato de enquadramento atinge o produto e não o sujeito passivo ou o local de produção; 3 o art. 2°, §3° da Lei nº 7.798/89 é claro no sentido de que a exigência retroativa do IPI, em razão de reenquadramento de oficio pela Administração, somente tem cabimento nos casos em que o contribuinte deixa de prestar informações quanto ao seu produto, ou as presta de forma incompleta ou incorreta. Nos demais casos, o reenquadramento Fl. 969DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 é plenamente viável, mas as novas classes aplicamse unicamente para fatos geradores futuros. No caso em exame, nenhuma dessas premissas ocorreu, tendo em vista que as empresas que inicialmente formularam o enquadramento forneceram à fiscalização os dados corretos de seus produtos, vigentes à época. Não houve negativa de informações, tampouco incorreção ou falha não consta nada a esse respeito no Auto de Infração; 4 a comercialização, em regra, está sujeita a regime especial, válido para cada estabelecimento (§ 1º, do art. 2º da IN nº 504/05), enquanto a fabricação/industrialização, que deflagra o fato gerador do IPI, submetese ao prévio enquadramento que atinge todos os estabelecimentos. Portanto, basta à matriz, ou a qualquer estabelecimento de uma mesma empresa, formular o pedido de enquadramento ou reenquadramento, o qual é válido para todos os estabelecimentos; 5 à falta de qualquer dispositivo legal que exigisse a formulação de novos pleitos de enquadramento em função do reajuste de preços, não poderia a fiscalização exigir esse comportamento da Recorrente. Apenas em julho de 2008 sobreveio o Decreto n° 6.501/08, que alterou o RIPI para determinar o reenquadramento anual obrigatório para todas as empresas. A IN nº 796/07, além de ilegal, não disciplinou completamente a matéria; 6 solicitou o enquadramento do produto Smirnoff Ice Black e não obteve resposta da RFB, tendo recolhido o IPI pela classe deferida para o produto Smirnoff Ice, posto que semelhantes, tanto é que foram enquadrados na mesma classe, pelo Fisco; 7 a imposição da multa isolada somente caberia nos casos em que o contribuinte é detentor de saldo credor e se constata o não destaque do IPI e no Auto de Infração se exige o pagamento do IPI, sobre o qual foi aplicada a multa de 75%, não se justificando a aplicação da multa isolada sob pena de se configurar dupla penalidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e dele se conhece por, também, atender as demais condições legais. Como relatado, a empresa recorrente foi autuada porque deu saída às bebidas das marcas comerciais Uísque Bell's, Vodca Smirnoff, Smirnoff Ice e Smirnoff Ice Black sem que houvesse ato de enquadramento das mesmas, a que se refere o art. 150 do RIPI/2002, tendo a recorrente se utilizado, para dar saída aos produtos, de atos de enquadramento concedido a outras empresas e a outro estabelecimento da empresa, para os mesmos produtos. Preliminarmente, alega a recorrente que estão decaídos os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 26/03/2005. Sobre este tema, além das razões aduzidas na decisão recorrida, que ratifico, o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do Fl. 970DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10830.003785/201033 Acórdão n.º 3302001.766 S3C3T2 Fl. 964 5 CARF), que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o art. 173, inciso I, e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN. No caso dos autos, não houve pagamento antecipado relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 26/03/2005 e, portanto, não há como acolher a pretensão da recorrente para considerar que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial seja o do art. 150, § 4º, do CTN. Voto, portanto, no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente. Quanto ao mérito, também não assiste razão à Recorrente. Conforme estipulado no Parágrafo Único do art. 51 do CTN, c/c o inciso III do art. 24 do RIPI/2002, o estabelecimento autônomo equiparado a industrial é o contribuinte do IPI e, portanto, cabe a ele atender ao comando contido no § 1º, do art. 150 do RIPI/2002, ou seja, informar ao “Ministro da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente” para que o Ministro faça o enquadramento das bebidas nacionais nas classes de valores de IPI. Como bem disse a decisão recorrida, os atos declaratórios de classificação de bebidas nas classes de valores de IPI expedidos pelo Ministro da Fazenda para estabelecimentos de outras empresas e para o estabelecimento matriz da empresa recorrente não aproveitam ao estabelecimento contribuinte recorrente, mesmo que haja identidade de produto. Ao contrário do argüido pela recorrente, o enquadramento a que se refere o art. 150 do RIPI/2002 é pessoal e por produto (bebida) que o contribuinte der saída. O enquadramento feito pelo Ministro da Fazenda aproveita unicamente o contribuinte e o produto referidos no respectivo ato declaratório. Pela sua natureza, o Ato Declaratório de enquadramento não alcança outros contribuintes, mesmo que estabelecimentos da mesma empresa, ou outros produtos, mesmo que fabricados por outras unidades fabris da mesma empresa. Tem razão a Recorrente quando afirma que o art. 2°, §3° da Lei nº 7.798/89 é claro no sentido de que a exigência retroativa do IPI, em razão de reenquadramento de oficio pela Administração, somente tem cabimento nos casos em que o contribuinte deixa de prestar informações quanto ao seu produto, ou as presta de forma incompleta ou incorreta. No caso dos autos, está sobejamente provado que ela Recorrente deixou de prestar as informações quanto aos produtos objeto da autuação e, portanto, o enquadramento de ofício aplicase retroativamente. Também são impróprias as alegações da Recorrente sobre reenquadramento de seus produtos objeto da autuação porque sequer existe o enquadramento inicial para os mesmos. Quanto ao formulário anexado à fle. 261 (anexo 4 da impugnação), além das razões da decisão recorrida, o mesmo referese ao estabelecimento localizado na cidade de Jundiaí SP e a autuação foi em estabelecimento localizado na cidade de Vinhedo SP. Relativamente à multa de ofício isolada, ao contrário do aduzido pela Recorrente, da base de cálculo da mesma foi excluído o valor do IPI objeto do auto de infração, de tal sorte que sobre o IPI não lançado incidiu uma multa de 75%: ou multa de ofício ou multa Fl. 971DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 isolada, conforme se constata no “Demonstrativo de Multa IPI não Lançado com Cobertura de Crédito” às flse. 71/82, onde para os PA de 10/01/2005 a 20/11/2006, e parte do PA 30/11/2006, não foi lançado multa isolada, no exato valor do IPI lançado neste auto de infração. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, designado quanto à decadência Divirjo do Conselheiro Relator em relação à decadência. De fato, adoto a tese defendida no Acórdão n. 330201.732, de 18 de julho de 2012, segundo a qual se aplica o disposto no art. 124, parágrafo único, III, do Ripi/2002 aos casos em que tenha ocorrido compensação no livro registro de apuração do IPI sem apuração de saldo devedor pelo contribuinte com créditos admitidos em tese pela legislação. No caso dos autos, embora não tenha havido pagamentos em sentido estrito, houve as referidas compensações com créditos admitidos pelo regulamento , aplicandose a regra acima mencionada. Dessa forma, por disposição expressa do próprio Regulamento do imposto, a apuração de saldo credor, resultante da compensação com créditos admitidos, equiparase a pagamento antecipado, para efeito da contagem do prazo decadencial. Assim, aplicase ao caso a regra do art. 150, § 4º, do CTN, iniciandose o prazo decadencial na data do fato gerador. Como o lançamento ocorreu em 26 de março de 2010, ficou caracterizada a decadência em relação aos períodos de apuração anteriores a 26 de março de 2005. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10830.003785/201033 Acórdão n.º 3302001.766 S3C3T2 Fl. 965 7 Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência, nos termos acima mencionados. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 973DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 11080.722602/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/09/1999
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Empresas em Geral Recorrente BANCO DO BRASIL S/A E SIDNEY ROBERTO PETYK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/09/1999 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITASE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 02 /2 01 0- 75 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722602/201075 Acórdão n.º 2302002.084 S2C3T2 Fl. 211 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais, decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa SIDNEY ROBERTO PETYK, pelos serviços prestados na construção civil, no período de 11/1998 a 09/1999. A autuação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em 23/08/2010. A devedora solidária passiva foi notificada através de edital, conforme informação contida no processo. O débito foi constituído em substituição às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n.º 35.067.6682, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999 e nº 35.067.6690, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, ambas tornadas nulas pela 04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n.º 1867, de 26/10/2004, devido à falta do tipo do débito, acarretando a ausência de fundamentação legal no processo. O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração, que o período originalmente lançado de 05/1995 a 02/2001, foi alcançado parcialmente pela fluência do prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não identificadas com CNPJ ou razão social. Após a impugnação, Acórdão de fls.150/165, pugnou pela procedência parcial da autuação, excluindo do lançamento as competências de 02/1999 a 09/1999, por nulidade formal, em face do instituto da retenção instituído pela Lei n.º 9.711/98. Ainda inconformado, o contribuinte responsável solidário apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que a matrícula da obra, bem como as contribuições previdenciárias eram de obrigação da empresa contratada, a qual deve ser chamada ao processo; b) que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das licitações; c) que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada há o risco do pagamento em duplicidade; d) que foram expedidas CND’s à época comprovando a inexistência de débito da contratada; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co responsabilidade do recorrente; f) que inexiste normativo legal para a fixação do percentual de 40% sobre as notas fiscais, sendo que a Instrução Normativa fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo a Administração anular seus atos eivados de nulidade. Requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário, reconhecendo a nulidade da autuação procedida e declarar a inconsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722602/201075 Acórdão n.º 2302002.084 S2C3T2 Fl. 212 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se atentar que as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, as sociedades de economia mista estão sujeitas a todas as normas contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária. A responsabilidade solidária atribuída à recorrente decorre da prestação de serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97). Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma epercentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos: Art. 20. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; (...) Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo 20, a responsabilidade solidária será elidida: I com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e II com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção VIII deste Capítulo. § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o contratante deverá exigir da empresa construtora, os documentos abaixo, elaborados especificamente para cada obra de construção civil: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722602/201075 Acórdão n.º 2302002.084 S2C3T2 Fl. 213 7 I cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra; II cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de 1998; III cópia da GFIP com comprovante de entrega, a partir de janeiro de 1999; e IV declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo contador e responsável pela empresa, e que os valores ora apresentados encontram se devidamente contabilizados. (...) A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento. A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional CTN, instituído pela Lei 5.172/1966. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do CTN, dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização da mãodeobra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, e assim o fez a Lei n ° 8.212/1991,no artigo 30, inciso VI, já transcrito anteriormente.; Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem. Benefício de ordem significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida inteira. A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados expressamente pela lei, como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima. De qualquer forma, a responsabilidade solidária independe de prévia verificação junto ao prestador dos serviços apurados. A propósito do tema, a extinta Câmara Superior em matéria de Custeio do CRPS, se pronunciou sobre o assunto, através do seu Enunciado nº 30: “Enunciado Nº 30”.Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU pág 00030, em 05 /02/2007). A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos fatos ocorridos na empresa prestadora, lhe competindo apenas a guarda da documentação, como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela. Como a recorrente não detém e não apresentou a documentação referida, o fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Destarte, era obrigação do contribuinte a guarda da documentação e sua apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da Lei n.º 8.212/91, e ao não fazêlo, sujeitouse ao lançamento do débito por aferição indireta: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722602/201075 Acórdão n.º 2302002.084 S2C3T2 Fl. 214 9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de tal documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia, não havia débitos exigíveis do contribuinte. Ainda, conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das referidas Certidões. Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que resultou no salário de contribuição lançado, esclareço que o mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais : Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720077/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. ARBITRAMENTO DO VTN.
Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA OCUPADA COM FLORESTAS NATIVAS. ADA INTEMPESTIVO.
Comprovada a existência das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas com florestas nativas, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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AFN e arbitramento de VTN Recorrente ANTONIO CARLOS SBRAVATI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. ARBITRAMENTO DO VTN. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA OCUPADA COM FLORESTAS NATIVAS. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas com florestas nativas, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 77 /2 01 0- 44 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.720077/201044 Acórdão n.º 2102002.394 S2C1T2 Fl. 146 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO CARLOS SBRAVATI foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/03, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda do Pinhal, com área total de 2.692,3 ha (NIRF 0.452.5264), relativo ao exercício 2007, no valor de R$ 1.826.125,47, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 02/06/2010. As infrações imputadas ao contribuinte foram glosa total da área de preservação permanente, da área de reserva legal e da área coberta de florestas nativas e arbitramento do valor da terra nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2007 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 702,0 ha 0,00 ha 03Área de Reserva Legal 561,0 ha 0,0 ha 07Área Coberta de Florestas Nativas 1.299,3 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 4.526.140,00 R$ 10.449.200,00 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 50/55, que foi julgada improcedente, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0427.028, de 16/01/2012, fls. 89/96. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31/01/2012, Aviso de Recebimento (AR), fls. 101, o contribuinte apresentou, em 28/02/2012, recurso voluntário, fls. 103/112, trazendo as seguintes alegações: As áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas tem assegurada a sua exclusão da base de incidência do ITR pela Lei nº 9.393, de 1996, que tem o claro objetivo de compensar quem as preserva. A denegação da isenção pleiteada foi fundeada unicamente na falta do reconhecimento delas pelo IBAMA, através do ADA. A ausência do ADA não é aplicável ao caso, posto que consta nos autos os ADA, apresentados em 2000 e em 2008. A obrigatoriedade da apresentação do ADA anualmente, só ficou clareado com a Instrução Normativa IBAMA nº 5, de 25/09/2009. A existência das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas estão atestadas no Laudo Técnico, a área de reserva Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.720077/201044 Acórdão n.º 2102002.394 S2C1T2 Fl. 147 3 legal está averbada, existe ADA, logo, cumpridos todos os prérequisitos para sua isenção. É o Relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.720077/201044 Acórdão n.º 2102002.394 S2C1T2 Fl. 148 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que o contribuinte limita suas alegações às glosas das áreas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas com florestas nativas, silenciando quanto ao arbitramento do valor da terra nua (VTN). Nesse sentido, devese observar o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19721 e, assim, considerar definitiva a decisão de primeira instância, relativamente ao arbitramento do VTN. Portanto, temse que a lide instaurada com a apresentação do recurso, que ora se examina, restringese às glosas das áreas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas com florestas nativas. Dos elementos acostados aos autos, verificase que a manutenção das glosas das áreas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas com florestas nativas fundamentase na entrega intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), posto que a existência das áreas está devidamente comprovada, conforme Laudo Técnico, fls. 64/66, e a área de reserva legal está averbada, junto à matrícula do imóvel, desde 08/11/1983, conforme certidão do registro do imóvel, fls. 53/56. Esta Turma vem consolidando o entendimento de que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Nesse sentido, temse voto proferido no Acórdão 210200.528, de 14/04/2010, do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que fez brilhante estudo da questão, cuja conclusão abaixo se transcreve: Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. De fato, o prazo de até seis meses para a apresentação do ADA, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR, somente veio a ser fixado na Instrução Normativa SRF nº 43, de 7 de maio de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 67, de 1 de setembro de 1997. Tal prazo permanece nas redações das 1 Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.720077/201044 Acórdão n.º 2102002.394 S2C1T2 Fl. 149 5 Instruções SRF nºs 73, de 18 de junho de 2000, 60, de 6 de junho de 2001 e 256, de 11 de dezembro de 2002. Contudo, posteriormente a INSRF nº 256, de 2002, teve sua redação alterada pela Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008, de sorte que o referido prazo deixou de existir, conforme se infere da atual redação do parágrafo 3º do art. 9º da IN SRF nº 256, de 2002: § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) observada a legislação pertinente; (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VIII do caput em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR, observado o disposto nos arts. 10 a 14A. (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) Como se vê, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 2002, com a redação dada pela INRFB nº 861, de 2008, deixou de mencionar o prazo da apresentação do ADA, afirmando apenas que a entrega do ADA é obrigatória e que deve ser observada a legislação pertinente. É certo que as Instruções Normativas IBAMA nºs 96, de 30 de março de 2006 e 05, de 25 de março de 2009, determinam a apresentação anual do ADA, contudo, mais uma vez devese lembrar que o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, apenas determina em seu §1º que é obrigatória a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR a pagar, sem, contudo, determinar que tal documento seja apresentado anualmente ou apresentado até o prazo legal fixado para a entrega da DITR. Nestes termos, considerando que o contribuinte apresentou ADA em 09/10/2000 e em 10/10/2008, fls. 58/59, devese reconhecer para fins de cálculo do ITR devido a área de preservação permanente de 702,0 ha, a área de reserva legal de 561,0 ha e a área coberta com florestas nativas de 1.299,3 ha. Ante o exposto voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13971.720077/201044 Acórdão n.º 2102002.394 S2C1T2 Fl. 150 6 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13896.911939/2009-52
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/01/2008
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/01/2008 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 219 1 218 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.911939/200952 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.664 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente VOITHMONT MONTAGENS E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/01/2008 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 19 39 /2 00 9- 52 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 30 de junho de 2008, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da contribuição para o PIS não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor de R$ 58.337,51. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o erro cometido no preenchimento da DCTF não poderia invalidar o direito de compensação e o reconhecimento de ofício do crédito líquido e certo; b) o Fisco deveria observar o princípio da verdade material e aceitar a documentação acostada aos autos; c) inexistiria possibilidade de incidência de multa ou de imputação de juros pelo fato de não haver débitos a serem liquidados; d) no caso, caberia apenas multa por descumprimento de obrigação acessória. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do contrato social consolidado, do despacho decisório, do Dacon entregue em 18/02/2008, da DCTF retificadora entregue em 11/04/2008, da declaração de compensação, do DARF relativo ao pagamento sob comento e de uma planilha identificada como Conta Razão. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 52 a 57), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração Fl. 220DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911939/200952 Acórdão n.º 3803003.664 S3TE03 Fl. 220 3 retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para guitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Segundo o relator a quo, o contribuinte não providenciou a retificação da DCTF que pudesse refletir a alteração pretendida, não tendo havido, ainda, comprovação, com documentação hábil e idônea, do crédito pleiteado. Na sequência, afirmou que o Dacon não se prestava à comprovação do indébito, por ter cunho apenas informativo, não se constituindo em confissão de dívida. Em relação aos juros e multa, argumentou o julgador que, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, eles seriam devidos por se referirem a valores da contribuição compensados em DCOMP transmitida em data pretérita. Ao final, indeferiuse o pedido de sustentação oral por ausência de previsão legal. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa, protesta pela juntada de novos documentos e requer a homologação da compensação ou a baixa do processo à repartição de origem para que se confirmem as informações trazidas aos autos, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: i) o Dacon não tem cunho apenas informativo, pois, se assim fosse, não haveria necessidade de sua existência; ele contém os dados detalhados sobre a base de cálculo e serve para comprovar a contribuição efetivamente devida; ii) uma vez que o PIS informado no Dacon perfaz o total de R$ 20.786,03 e o declarado em DCTF de R$ 79.123,54, temse a diferença que corresponde ao crédito pleiteado nos autos: R$ 58.337,51; iii) o pagamento indevido ou a maior tem origem na reversão contábil de uma receita de R$ 6.235.906,74 que foi indevidamente lançada no mês de dezembro de 2005, referente a uma antecipação recebida da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.”, oriunda de um contrato de longo prazo, cuja receita deve ser reconhecida à medida em que se registra o custo do projeto executado e não pelo regime de competência, como inicialmente havia sido feito; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 iv) o contrato de longo prazo que gerou o faturamento foi celebrado originalmente, em 15/03/2007, entre a International Paper e a Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda., com previsão de conclusão em fevereiro de 2009 (contrato de longo prazo), cuja cláusula 8 autoriza a subcontratação de determinados serviços; v) a falta de retificação da DCTF não desnatura o direito creditório pleiteado, devendo este ser reconhecido de ofício pela Administração tributária; vi) o Dacon não pode ser desconsiderado como prova, pois ele fornece os elementos de composição da base de cálculo do tributo; vii) todo erro de forma que não turbe o direito material é passível de retificação, havendo sempre a possibilidade, seja na esfera judicial ou na administrativa, de revisão de procedimentos, declarações e decisões conflitantes, de ofício ou por provocação das partes; viii) a presente demanda deveria ser baixada à Fiscalização para se apurar o erro de fato informado, a fim de descer no detalhe através da documentação acostada aos autos. Anexos à peça recursal, o contribuinte traz aos autos os seguintes documentos: 1) Doc. 01 – cópia do acórdão da DRJ Campinas (fl. 78); 2) Doc 02 – cópia de uma nota fiscal de saída, sem identificação do produto e do valor, acompanhada de uma folha em que constam dados relativos a uma prestação de serviços no valor de R$ 7.834.823,69, com data de 20/12/2007 (fls. 88 a 89); 3) Doc 03 – cópia do contrato celebrado em 15/03/2007 entre “International Paper do Brasil Ltda.” (proprietária) e “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.” (fornecedora), cujo objeto é “engenharia, compra, instalação, teste de operação, início de operação e teste de Pacote de Linha de Processo na Unidade da Fábrica Três Lagoas” (fls. 91 a 197); 4) Doc. 04 – cópia do Pedido de Serviço datado de 07/01/2008 referente a gerenciamento da montagem mecânica e elétrica no valor de R$ 39.174.118,42, tendo como fornecedor o Recorrente e local de entrega o endereço da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.” (fls. 204 a 207); 5) Doc. 05 – informação relativa a conta do Razão no valor total de R$ 6.235.906,74, com data de lançamento 31/12/2007, e dados relativos a pagamentos efetuados por cliente (fls. 209 a 210); 6) Doc 06 – cópia de demonstrativo de apuração das contribuições PIS e Cofins (fls. 212 a 213); 7) Doc 07 – planilha não identificada (fl. 215). É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911939/200952 Acórdão n.º 3803003.664 S3TE03 Fl. 221 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. O contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alegou o então Manifestante que o crédito pleiteado seria líquido e certo e que, em face do princípio da verdade material, ele não poderia ser obstado por meros erros formais no preenchimento da DCTF, nada dizendo sobre a sua origem. Somente no Recurso Voluntário o contribuinte informou que o direito creditório decorreria da reversão contábil de uma receita de R$ 6.235.906,74 que havia sido indevidamente lançada no mês de dezembro de 20051, referente a uma antecipação recebida da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.”, oriunda de um contrato de longo prazo, cuja receita deveria ser reconhecida à medida em que se registrasse o custo do projeto executado e não pelo regime de competência, como inicialmente havia sido feito. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Na primeira instância administrativa foram trazidos aos autos apenas cópia do Dacon, do DARF, da DCTF retificadora e de uma planilha identificada como Conta Razão 1 Que na verdade se refere a dezembro de 2007. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 referente ao mês de abril de 2008, período esse que não corresponde ao ora sob análise (dezembro de 2007). A DCTF apresentada, embora retificadora, não traz qualquer alteração relativamente aos dados considerados na emissão do despacho decisório, pois o valor da contribuição ali apurado coincide com o recolhido pelo sujeito passivo (R$ 79.123,54). O Dacon não veio acompanhado da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia. O Recorrente, para se contrapor à decisão de primeira instância que não homologou a compensação pleiteada, se reporta ao princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade administrativa estaria obrigada a proceder às investigações necessárias à apuração dos fatos, independentemente da retificação da DCTF. Contudo, ressaltese que não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. O princípio da verdade material deve ser sopesado dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 2 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Os motivos de fato e de direito devem ser apresentados desde a primeira instância e as provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade, nos termos do art. 16, caput, e § 4º do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cujo teor segue transcrito: 2 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 224DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911939/200952 Acórdão n.º 3803003.664 S3TE03 Fl. 222 7 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os motivos e os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Ainda que, em tese, se superasse a ocorrência de preclusão temporal, temse que as provas apresentadas no Recurso Voluntário não são bastantes para comprovar a existência do alegado indébito. A cópia do contrato celebrado em 15/03/2007 entre “International Paper do Brasil Ltda.” (proprietária) e “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.” (fornecedora), inobstante o fato de prever a possibilidade de subcontratação em sua cláusula 8, não faz qualquer referência ao nome do Recorrente (fls. 91 a 197). Não consta dos autos que a “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.” tenha firmado contrato com o Recorrente, havendo apenas uma cópia de Pedido de Serviço, datado de 07/01/2008, referente a gerenciamento da montagem mecânica e elétrica no valor de R$ 39.174.118,42, tendo como fornecedor o Recorrente e local de entrega o endereço da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.”, com previsão de pagamentos ao longo do período abril de 2007 e outubro de 2008 (fls. 204 a 207). Nesse pedido, não há qualquer referência à pessoa jurídica “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.”. Verificase que o valor total contratado com o Recorrente tem o pagamento estipulado para ocorrer ao longo de 19 meses, inexistindo nos autos qualquer comprovação de Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 que no mês de dezembro de 2007 não tenha havido custo por parte do Recorrente a reclamar pela postergação do lançamento da receita. À fl. 201, consta um cronograma de entrega dos serviços por parte da Voith Paper, em que se prevê a prestação de serviços de engenharia mecânica e elétrica no mês de dezembro de 2007. O anexo relativo à conta do Razão, no valor total de R$ 6.235.906,74, reproduzida à fls. 209 a 210, identifica a data do lançamento ocorrido em 31/12/2007, mas não esclarece acerca das implicações das informações ali contidas. O anexo da nota fiscal de saída (fls. 88 a 89) identifica a prestação de serviço de montagem pelo Recorrente à “International Paper do Brasil Ltda.”no valor de R$ 7.834.823,69, constando dele a data de 20/12/2007. O demonstrativo de apuração das contribuições PIS e Cofins no mês de dezembro (fls. 212 a 213) não se encontra acompanhado da escrituração contábilfiscal respectiva. Não bastassem tais constatações, temse que a planilha presente à fl. 215 identifica o valor faturado (invoiced amount) em dezembro de 2007 no total de R$ 36.335.059,00, com custos incorridos no mês (incurred costs) no montante de 7.110.103,00. Nesse contexto, constatase inexistir comprovação das alegações do Recorrente, havendo dados nos documentos anexos que indicam justamente o contrário. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização confirme os dados informados no Dacon. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911939/200952 Acórdão n.º 3803003.664 S3TE03 Fl. 223 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13896.911939/200952 Interessada: VOITHMONT MONTAGENS E SERVIÇOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.664, de 25 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15956.000526/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR EMPRESAS DO MESMO RAMO. IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito à imunidade prevista no art. 149, § 2, I, da CF/88 a agroindústria que efetua venda no mercado interno, com fim específico de exportação, a empresas que atuam no mesmo ramo, que exportam posteriormente a produção.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO DE DEVOLUÇÕES DE VENDAS. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de devolução ou cancelamento de venda, a empresa acaba estornando sua operação, que simplesmente não se efetiva. A análise da situação fática importa, necessariamente, em inocorrência de venda e, consequentemente, em ausência de receita auferida, situação que descaracteriza a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para exclusão das contribuições incidentes sobre os valores decorrentes de devolução e cancelamento de vendas e recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR EMPRESAS DO MESMO RAMO. IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito à imunidade prevista no art. 149, § 2, I, da CF/88 a agroindústria que efetua venda no mercado interno, com fim específico de exportação, a empresas que atuam no mesmo ramo, que exportam posteriormente a produção. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO DE DEVOLUÇÕES DE VENDAS. POSSIBILIDADE. Na hipótese de devolução ou cancelamento de venda, a empresa acaba estornando sua operação, que simplesmente não se efetiva. A análise da situação fática importa, necessariamente, em inocorrência de venda e, consequentemente, em ausência de receita auferida, situação que descaracteriza a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR EMPRESAS DO MESMO RAMO. IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito à imunidade prevista no art. 149, § 2, I, da CF/88 a agroindústria que efetua venda no mercado interno, com fim específico de exportação, a empresas que atuam no mesmo ramo, que exportam posteriormente a produção. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELA AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO DE DEVOLUÇÕES DE VENDAS. POSSIBILIDADE. Na hipótese de devolução ou cancelamento de venda, a empresa acaba estornando sua operação, que simplesmente não se efetiva. A análise da situação fática importa, necessariamente, em inocorrência de venda e, consequentemente, em ausência de receita auferida, situação que descaracteriza a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 26 /2 01 0- 58 Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para exclusão das contribuições incidentes sobre os valores decorrentes de devolução e cancelamento de vendas e recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15956.000526/201058 Acórdão n.º 2402003.211 S2C4T2 Fl. 1.693 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 15/10/2010 (fl. 734) para exigir contribuição previdenciária incidente sobre a receita de comercialização da produção rural e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 01/2006 a 12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 698/729), o crédito tributário foi apurado de forma descentralizada para cada empresa incorporada até o momento das incorporações, quando a contabilidade passou a ser centralizada. Os valores representam diferenças entre o que foi declarado em GFIP e o que foi apurado pela fiscalização, valores recebidos em decorrência de “Revenda de Materiais”, “Vendas Diversas” e “Sucatas”. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 739/1579) pleiteando pela total insubsistência do lançamento. A d. DRJ determinou a realização de diligência para que a autoridade fiscalizadora se manifeste em relação à alegação de que as operações de “Venda para Entrega Futura” já tinham sido oferecidas à tributação em competências anteriores (fls. 1582/1583). A fiscalização apresentou relatório fiscal complementar (fls. 1585/1590) pontuando que apurou o crédito tributário partindo da receita da comercialização da produção rural, levandose em conta os balancetes contábeis apresentados pelo contribuinte comparados com as receitas declaradas em GFIP. Destaca também que a Recorrente não comprovou suas receitas decorrentes de serviços prestados a terceiros, que estariam sujeitas a tributação pela folha de salários. A Recorrente apresentou manifestação (fls. 1597/1614), alegando que: (i) incluiu no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09 os débitos relativos às competências de 01/2006 a 10/2008; (ii) a fiscalização não se manifestou sobre as hipóteses de vendas para entregas futuras, em ofensa ao art. 142 do CTN; e (iii) a fiscalização não apreciou efetivamente os documentos que demonstram a existência de devoluções de produtos, bem como as receitas de prestação de serviços a terceiros. Os débitos incluídos no parcelamento foram transferidos para o PAF nº 17988.000142/201174 (fl. 1641). A d. DRJ em Ribeirão Preto (fls. 1644/1664) julgou o lançamento procedente, sob os argumentos de que: (i) a contribuição devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta proveniente da venda de subprodutos da produção, tais como mercadorias, sucatas e insumos; (ii) não há imunidade quando a produção rural é vendida para empresa comercial localizada no mercado interno, ainda que com o fim específico de exportação; (iii) não cabe à autoridade administrativa declarar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de normas. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1670/1687) alegando que: (i) as receitas que não decorrem da atividade agroindustrial não podem ser incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária; (ii) as receitas decorrentes de vendas realizadas com o fim específico de exportação possuem imunidade, não podendo ser tributada pela contribuição previdenciária devida pelas agroindústrias; (iii) o art. 245, § 1º, da IN nº 03/2005 e o art. 170, § 1º, da IN nº 971/2009 criaram regramento que destoa do texto constitucional, não podendo ser aplicados; (iv) a multa deve ser excluída e o crédito tributário deve ser suspenso, tendo em vista a liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0251305, impetrado pela ÚNICA – União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo; (v) as receitas decorrentes de vendas para entrega futura foram tributadas no momento da emissão da nota; (vi) os valores relativos à devolução de mercadorias e à prestação de serviços a terceiros devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária; (vii) deve haver o recálculo da multa aplicada na competência de 12/2008, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. É o relatório. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15956.000526/201058 Acórdão n.º 2402003.211 S2C4T2 Fl. 1.694 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe destacar que, após a inclusão dos débitos da empresa no REFIS IV, apenas as competências de 11/2008 e 12/2008 estão em discussão. Conforme se verifica no Relatório de Lançamentos (fls. 36/53), apenas as seguintes rubricas foram autuadas nestas duas competências: (i) Dedução devoluções – Açúcar – Unidades Vale do Rosário, MB e Santa Elisa; (ii) Dedução devoluções – Álcool Anidro – Unidade Vale do Rosário; (iii) Dedução devoluções – Açúcar Líquido – Unidade Santa Elisa; (iv) Dedução devoluções – Cana de açúcar – Unidade Santa Elisa; (v) Sucatas – Unidades Jardest, MB e Santa Elisa; e (vi) Exportação indireta – mercado interno. A Recorrente defende que as receitas advindas da comercialização de produtos não decorrentes da atividade agroindustrial (revenda de materiais e sucatas) não podem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária da agroindústria. Sustenta que a revenda de produtos não constitui industrialização da produção própria ou adquirida de terceiros, não podendo se sujeitar à incidência da contribuição previdenciária devida pela agroindústria. Pontua também que a venda de sucatas não constitui atividade agroindustrial passível de tributação, mormente quando qualquer empresa pode realizar tal atividade. Todavia, como mencionado acima, os valores exigidos sobre as receitas decorrentes de revenda de materiais não estão mais em discussão, pois foram objeto de renúncia por parte da empresa. Apenas para que não pairem dúvidas quanto a este fato, o item 5.4.2 do Relatório Fiscal (fls. 704/705) especifica tais rubricas apenas para o período de 01/2006 a 01/2008, relativamente à Companhia Energética Santa Elisa. No caso das sucatas, temse que estas decorrem, essencialmente, do processo produtivo da empresa, mormente quando constituem sobras e resíduos deste. Assim, é mister que a receita obtida com a sua comercialização seja levada à tributação. Apenas para ressaltar a importância das sucatas no processo produtivo, vale mencionar que o próprio art. 22A, §§ 6 e 7 da Lei nº 8.212/91, ao excetuar da contribuição Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 substitutiva as pessoas jurídicas que se dediquem apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria, condicionou que estas empresas não poderão ter receita bruta decorrente de venda de sobras e resíduos superior a 1% da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Não há dúvidas, portanto, de que a receita decorrente de venda de sucatas se amolda à base de cálculo de que trata o art. 22A da Lei nº 8.212/91. A Recorrente defende que as receitas decorrentes de vendas realizadas com o fim específico de exportação não podem ser tributadas pela contribuição previdenciária, em face da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88, com a redação dada pela EC nº 33/2001. Para comprovar seu direito, juntou aos autos: (i) Notas fiscais com código CFOP nº 5.501 (remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação); (ii) Memorandos de Exportação; e (iii) telas do SISCOMEX. Embora seja possível entender que a empresa deve fazer jus à imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88, ainda que sua exportação seja realizada pela intermediação de uma empresa comercial exportadora, nos termos dos arts. 1º e 3º do Decreto nº 1.248/72, não é essa situação que se verifica no presente processo. Isto porque, como destacado já pela fiscalização, as vendas que serviram como base para a presente autuação foram realizadas com empresas que possuem o mesmo objeto social da Recorrente, não caracterizando, portanto, empresas comerciais exportadoras ou tradings, para fins de aplicação do Decreto nº 1.248/72. Nesse sentido, destacase o disposto no item 5.6.6.2 do Relatório Fiscal (fl. 717), “os lançamentos fiscais selecionados referemse à venda da produção rural para empresas domiciliadas no Brasil ou que tem o mesmo objeto social do contribuinte (Usinas de açúcar e/ou álcool) ou que são consumidoras da sua produção. Estas operações estão totalmente descaracterizadas da benesse constitucional de imunidade das contribuições sociais. São vendas efetuadas no mercado interno, e que porventura poderão ou nao ser exportadas, mas sempre através destas empresas e nao diretamente por este contribuinte. Os próprios CFOP – Classificação das Operações, Prestações e Situações Tributárias, acima identificadas esclarecem a natureza da operação.” A d. DRJ, da mesma forma, esclareceu que este processo versa sobre vendas realizadas no mercado interno, enquanto que o processo n. 15956.000529/201091 versa sobre vendas a empresas comerciais exportadoras (fl. 1659). Vejase: “A análise dos documentos acostados aos autos demonstra que a questão sub judice tem objeto diverso do constante da presente lide administrativa, pois, enquanto aqui se analisa a venda da produção rural no mercado interno, nos autos judiciais discutese a imunidade em relação às vendas a empresas comerciais exportadoras (ou trading companies) com o fim específico de exportação, motivo pelo qual fica afastado qualquer argumento da defendente no sentido de estar amparada por ação judicial. Esclareçase que, para as operaçoes via trading foi constituído processo distinto, n.º Comprot Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15956.000526/201058 Acórdão n.º 2402003.211 S2C4T2 Fl. 1.695 7 15956.000529/201091, Debcad n.º 37.281.3569, já julgado por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – DRJ/RPO em sessão do dia 18/03/2011.” Posto isso, verificase que a Recorrente em momento algum rebateu esses argumentos, de modo a demonstrar que as empresas compradoras possuíam também objeto social de comerciais exportadoras ou tradings, para fins de aplicação do aludido Decreto. Não há, portanto, razão no argumento. A Recorrente alega também que a multa deve ser cancelada e o crédito tributário suspenso, haja vista que, na época da lavratura da presenta autuação, estava em vigor a liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0251305, em que é parte a ÚNICA – União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (da qual a Recorrente é filiada), que assegurou a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre operações de exportação realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei nº 1.248/72. Entretanto, como já mencionado acima, o objeto da presente discussão não é exportação realizada por empresas comerciais exportadoras, mas sim por empresas que atuam no mesmo ramo da Recorrente, não havendo conexão, portanto, entre este processo e o referido mandado de segurança. Não há, assim, como se excluir a presente multa do processo. Destacase apenas que o crédito tributário continuará suspenso até o término deste processo administrativo. A Recorrente alega ainda que a fiscalização apurou indevidamente “diferenças entre os valores declarados pelo contribuinte em GFIP daqueles apurados pela fiscalização, através da análise dos lançamentos contábeis e balancetes fiscais”. No entanto, como se verifica no Relatório de Lançamentos (fls. 36/53), tais rubricas já não fazem mais parte do lançamento, pois foram incluídas no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09. Pleiteia a Recorrente pela exclusão dos valores decorrentes de devolução de mercadorias e de prestação de serviços a terceiros da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela agroindústria. Em relação a suposta tributação da receita proveniente de serviços prestados a terceiros, embora a Recorrente tenha abordado a matéria de forma genérica em seu recurso (não sendo possível averiguar quais créditos tributários estariam efetivamente equivocados), verificase que, em sua impugnação, houve a insurgência apenas em relação à competência de 01/2007, período este que já não faz mais parte da presente discussão. Já em relação à pretensão de se excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores relativos à devolução de vendas, assiste razão à Recorrente. Na hipótese de devolução ou cancelamento de venda, a empresa acaba estornando sua operação, que simplesmente não se efetiva. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 Assim, a análise da situação fática importa, necessariamente, em inocorrência de venda e, consequentemente, em ausência de receita auferida, situação que descaracteriza a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta. A d. DRJ, ao mencionar o conceito de receita bruta dado pelo Professor José Carlos Marion, entendeu que as devoluções de mercadorias não podem ser excluídas da receita bruta (fl. 1657). Vejase: “Segundo José Carlos Marion, compõem a Receita Bruta a venda de produtos e subprodutos (na indústria), de mercadorias (no comércio) e prestações de serviços (empresa prestadora de serviços), incluindo todos os impostos cobrados do comprador e não excluindo as devoluções de mercadorias (ou produtos) e os abatimentos concedidos (grifamos). O objetivo de incluir devoluções e abatimentos na receita bruta é o de indicar o grau de eficiência dos departamentos de produção e venda, ou seja, prestar informações relevantes para análise do usuário externo [v.g., o analista de balanço]. Já a Receita Líquida – base para o Lucro Bruto – é a receita real da empresa, com a exclusão dos impostos (...), devoluções, abatimentos e descontos comerciais.” – destacouse Contudo, o próprio autor menciona que o objetivo de incluir as devoluções de vendas na receita bruta é tão somente de possibilitar aos departamentos de produção e venda a verificação de sua eficiência, não tendo tal conceito qualquer vínculo em relação à materialidade do fato gerador da contribuição previdenciária em comento. Cabe destacar que a legislação em comento, nesta mesma linha, já determina a exclusão das vendas canceladas da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme se verifica no art. 3º, inc. 5º, alínea “a”, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse mesmo sentido, os arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/11, que instituíram a contribuição previdenciária sobre a receita bruta (CPRB) para diversos segmentos comerciais, já albergaram a possibilidade de exclusão das vendas canceladas da receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo da aludida contribuição. Vejase: “Art. 7o Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): (Redação dada pela Lei nº 12.715/2012/2012)” “Art. 8o Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, à alíquota de 1% (um por cento), em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, as empresas que fabricam os produtos classificados na Tipi, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, nos códigos referidos no Anexo desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.715/2012)” Além disso, como pode se verificar no site da Receita Federal do Brasil, as “Vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços.” Desta forma, é mister que os valores relativos a devolução e ao cancelamento de vendas sejam excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15956.000526/201058 Acórdão n.º 2402003.211 S2C4T2 Fl. 1.696 9 Por fim, a Recorrente defende a aplicação da multa de 24% para a competência de 12/2008, sem o quadro comparativo de multas elaborado pela fiscalização. Entretanto, temse que, no mês de 12/2008 já estava vigente a MP nº 449/2008, que alterou a sistemática das penalidades no âmbito previdenciário, não havendo, pois, como se aplicar o percentual de 24%. Já em relação à competência de 11/2008, verificase que o cálculo da penalidade (fls. 686/695) está totalmente equivocado. Em relação ao descumprimento de obrigação principal, a penalidade anteriormente prevista, que variava de acordo com a fase processual do lançamento, conforme a redação revogada do art. 35 da Lei nº 8.212/19911, passou a ser regulamentada pelo art. 44, da Lei nº 9.430/962, que prevê multa de 75%, e que foi utilizada pela Autoridade Fiscal na presente autuação. Por sua vez, quando do descumprimento de alguma obrigação acessória, na sistemática anterior, a infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a um teto calculado em função do número de segurados da empresa, conforme o extinto § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/19913. Pois bem. Analisando as sanções aplicadas no presente caso à luz das alterações levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, verificase, através dos quadros comparativos da multa aplicada, que a Autoridade Tributária equivocouse em suas premissas, trazendo na coluna correspondente ao que seria devido antes do advento da MP nº 449/2008 os valores relativos ao descumprimento da obrigação principal e acessória, e na coluna correspondente ao que seria devido após o advento da já mencionada lei apenas o valor da multa decorrente do descumprimento da obrigação principal. Ou seja, pelo cálculo da autoridade fiscal, a multa atualmente vigente sempre será mais benéfica (com exceção dos casos em que haja limitação da multa antiga em virtude do número de segurados), posto que se está comparando a alíquota de 75% contra uma alíquota de 124%. 1 “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...)” 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 3 “§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 10 Na prática, se a autoridade fiscal deixasse de realizar o tendencioso quadro comparativo de multas, e lavrasse duas notificações independentes, uma com base no antigo art. 35 e outra com base no atual art. 35A da Lei nº 8.212/1991, restaria claro que o valor consubstanciado na notificação efetuada com base na legislação antiga seria inferior, em conclusão totalmente contrária ao presenciado neste caso. Da mesma forma, a autoridade administrativa deveria comparar separadamente as multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, contrapondo o cálculo feito com base no antigo art. 32 da Lei nº 8.212/1991 com o atual art. 32A da Lei nº 8.212/1991, vez que ambos versam sobre como proceder nas suas respectivas épocas nos casos de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Destarte, verificase que a autoridade fiscal não pode considerar a multa por descumprimento de obrigações acessórias no cálculo da multa por descumprimento de obrigação principal, sob pena de negativa de vigência ao art. 106 do CTN. Sendo assim, para que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, visto que, até o presente momento, a multa não atingiria o patamar de 75% previsto no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Por fim, em que pese a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar a exclusão das contribuições incidentes sobre os valores decorrentes de devolução e cancelamento de vendas, bem como para determinar o recálculo da multa aplicada na competência de 11/2008, conforme a fundamentação supra. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 13603.900485/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3202-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Participou do julgamento o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Tiago Conde, OAB/DF nº 24.259..
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Participou do julgamento o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Tiago Conde, OAB/DF nº 24.259.. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19) apresentada por BELGO BEKAERT ARAMES LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 00 48 5/ 20 09 -3 2 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3202000.071 S3C2T2 Fl. 149 2 “DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 820995100 emitido eletronicamente em 18/02/09 (fls. 01), referente ao PerDcomp nº 39091.19343.110205.1.3.047033 (fls. 70/75). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PerDcomp foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CIDE – Pagamento Indevido ou a Maior, recolhido em 15/05/02 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PerDcomp. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 04/03/09, conforme documento de fl. 02, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 14/19, em 03/04/09, alegando: que pretendia compensar um débito de CIDE no valor original de R$ 113.313,99 com o crédito de um pagamento a maior realizado através de DARF, relativo à CIDE devida no 2º trimestre de 2002. que a discussão está vinculada à compensação transmitida em 12/11/2004, através do PerDcomp 36265.91073.121104.1.3.048396, pois o crédito pleiteado seria o remanescente desta compensação que também não foi homologada. que a CIDE devida pela Belgo Bekaert Arames Ltda. Para o 2º trimestre de 2002 totalizava R$ 36.685,58, mas que foi realizado o pagamento de R$ 573.304,08, valor esse declarado equivocadamente como débito na DCTF do 2º trimestre de 2002. que formalizou a compensação após constatar o equívoco, mas que enviou a retificação da DCTF em 18/08/2008, assim, por não ter sido a DCTF 2º Trimestre/2002 retificada no momento oportuno, a Receita Federal não homologou esta primeira compensação, glosando valor de R$ 423.304,51 pelo despacho decisório emitido em 18/07/2008. que não há dúvidas quanto à veracidade das informações prestadas pela Requerente, já que o crédito pleiteado tem suporte nos documentos fiscais, tendo sido demonstrada cabalmente sua aptidão para extinguir a integralidade dos débitos. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3202000.071 S3C2T2 Fl. 150 3 que o erro no preenchimento da DCTF não impede o reconhecimento do direito ao crédito, pois o pagamento indevido no contexto do enriquecimento sem causa, não se coaduna a consciência jurídica, que consagra a moralidade como valor supremo da sociedade, nem é razoavelmente plausível que alguém possa aumentar seu patrimônio através de ação ilícita, que cause prejuízo a terceiro. que o dever de pagar o tributo surge com a ocorrência do fato gerador, e não com a informação do débito em declaração acessória. que a obrigação tributária está vinculada ao princípio da legalidade estrita, e nasce com o aperfeiçoamento do evento fático previsto na legislação e que havendo divergência entre a ocorrência do fato gerador e a informação da DCTF, não pode simplesmente o Fisco deixar de perquirir a verdade material para cobrar tributo indevidamente, ainda que declarado, sob pena de locupletamento. que fica claro que (i) houve recolhimento a maior a titulo de CIDE; (ii) tal valor consta de DARF cujo total equivale aos dois débitos compensados; (iii) a diferença entre o valor recolhido e o efetivamente apurado, representa crédito, e a DCTF foi informada equivocadamente, já tendo sido retificada e; (iv) o citado valor foi corretamente utilizado no PerDcomp objeto desta manifestação de inconformidade. que de acordo com o art. 147, §1º, do CTN, o contribuinte pode retificar a declaração eivada de erro que lhe seja prejudicial, mediante comprovação do erro em que se funde e antes da notificação do lançamento. que no presente caso, já foi feita a retificação da declaração fiscal entregue pela contribuinte e sendo assim, retificada a declaração, os débitos eventualmente decorrentes das inconsistências da DCTF não podem ser cobrados pelo Fisco. Cita a legislação, doutrina e acórdãos administrativos para defender o direito à compensação e reforça que erros de preenchimento não são capazes de alterar a realidade fática. Ao final, pede a procedência da Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecida a integralidade do seu direito creditório, bem como a insubsistência do Despacho Decisório, com a consequente homologação total da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado e protesta por todos os meios de prova admitidos no Direito, em especial os documentos em anexo juntados (contrato social, cópias da DCTF, PerDcomp, Darf e manifestação referente ao processo conexo). Processo julgado pela 2ª Turma com base na Portaria nº 48, de 01 de novembro de 2011, do Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, D.O.U. de 03 de novembro de 2011. É o relatório.” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3202000.071 S3C2T2 Fl. 151 4 Em sua decisão, a DRJ/BHE houve por bem cancelar o lançamento através do acórdão n° 0234.906, de 08 de novembro de 2011, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/04/2002 RETIFICAÇÃO DE DCTF. POSSIBILIDADE. PRAZO. Só é possível a retificação da DCTF enquanto ainda não homologados os lançamentos originais, ou seja, dentro do prazo de 05 anos contados da ocorrência do fato gerador. DCTF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DECLARADO. Não se admite a existência de indébito tributário quando o valor recolhido encontrarse totalmente utilizado para pagamento de tributo informado em declaração que constitui confissão de dívida e não houver provas quanto a eventual erro material contido na declaração. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTOS DE VALIDADE. A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o que não poderá ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou tempestivamente recurso voluntário, alegando, em breve síntese, o quanto segue: a) o erro de preenchimento da DCTF não é capaz de desnaturar o direito creditório da Recorrente; b) o despacho eletrônico sequer analisa as declarações em sua integralidade, e tampouco o conjunto probatório atinente à matéria, limitandose a fundamentar sua conclusão em campos específicos de cada declaração; c) há evidências robustas de que ocorreu o pagamento da CIDE maior que a devida, assim, a retificação de DCTF para ajustála à realidade do fato gerador do tributo deve ser aceita, por força do Princípio da Verdade Material; Adicionalmente, em petição de 08 de março de 2012, a Recorrente junta as soluções de consulta nºs 306, de 10 de setembro de 2004 e 57, de 07 de março de 2005, nas quais demonstra que o crédito ora pleiteado tem origem no pagamento a maior de CIDE sobre royalties de naturezas diversas, pagos antes da vigência do artigo 4º da Medida Provisória nº 2.06263, de 26 de janeiro de 2001 (fls.124/146). É o relatório. Voto Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3202000.071 S3C2T2 Fl. 152 5 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade e tendo sido apresentado tempestivamente o recurso voluntário, dele tomo conhecimento. A Recorrente objetiva a reforma da decisão do órgão julgador de primeira instância que denegou o pedido de homologação, por entender, resumidamente, que: (i) havia escoado o prazo para a retificação da DCTF (CIDE recolhida em 15 de maio de 2002 e DCTF retificadora entregue em 18 de agosto de 2008); e (ii) uma vez iniciado o procedimento fiscal, a Recorrida perderia o direito de retificar as informações já entregues à RFB relativas a tributos. Pondera ainda a decisão a quo que não houve o necessário esforço probatório da Recorrente para demonstrar a veracidade do quanto informado na declaração retificadora, sendo certo que a mera retificação de DCTF desprovida de outras comprovações não se presta a conferir liquidez e certeza ao direito creditório perseguido pela Recorrente. Em breves linhas, essas são as razões que levaram a instância de piso a julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Para melhor compreensão dos fatos, a seguir passase a brevemente descrevêlos na ordem em que ocorreram. Em 11 de fevereiro de 2005 a Recorrente transmitiu o PER/DCOMP nº 39091.19343.110205.1.3.047033 pleiteando a compensação de R$113.313,99 de CIDE paga a maior em 15 de maio de 2002 com a CIDE devida em 15 de maio de 2005 (fls.7075). Em 30 de agosto de 2006, a DCTF referente ao 2º Trimestre de 2002 foi retificada, todavia, sem alteração do valor de CIDE a pagar ou a restituir (fls.48). Em 18 de agosto de 2008, a Recorrente retificou a DCTF referente ao 2º Trimestre de 2002 alterando seu débito para a importância de R$36.658,58, vinculando ao referido débito a um crédito na importância total de R$573.304,10 (fls.63/64). Finalmente, em 18 de fevereiro de 2009, a Recorrente foi notificada do despacho decisório que indeferiu o direito creditório por ela pleiteado à vista da inexistência de crédito. Em hipóteses como a que se apresenta, o indeferimento do direito creditório se deu pela insuficiência de crédito, pois ao tempo em que apresentado o PER/DCOMP (fevereiro de 2005), a DCTF referente ao 2º Trimestre de 2002, retificada somente em agosto de 2008, indicava que todo o débito de CIDE informado correspondia, na verdade, a um crédito dessa mesma contribuição, portanto, o documento não indicava a suficiência de saldo credor como postulado pela Recorrente no PER/DCOMP. Verificase, portanto, que além de não proceder à retificação da DCTF antes da transmissão do PER/DCOMP, a Recorrente deixou de vincular na DCTF o saldo credor que diz fazer jus. Como narrado no preâmbulo, notase ainda que a decisão a quo foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade por entender que não havia Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3202000.071 S3C2T2 Fl. 153 6 elementos suficientes nos autos para demonstrar a procedência do valor informado na DCTF retificada. Diante disso, à luz da DCTF retificadora apresentada pela Recorrente, converto o julgamento em diligência para que a unidade da RFB competente confirme a existência ou não dos créditos apontados pela Recorrente. Após a referida diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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