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Numero do processo: 10480.908692/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 92 /2 00 9- 81 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em 01/07/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls. 01/05, a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 2.726,81, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de setembro de 1999, efetuado aos 15/10/1999. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl.06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de setembro de 1999 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 02/06/2009 (vide aviso de recebimento de fl.42), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5ª Região (fls.23/38 e de certidão de trânsito em julgado (fl.39). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.43/54 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.55/58). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 69 a 74, aduzindo, em síntese. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 94 5 A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de Cofins e, consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 95 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls. 43 a 58, conforme informação de fls. 59, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.43/54); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 55/58). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 96 9 a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. a , juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15504.018478/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
Recurso Voluntário Negado
Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos.
Numero da decisão: 2401-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. ALEGAÇÃO IMPERTINENTE. Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. EMPRESA ALIENANTE MANTÉM ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADQUIRENTE. A pessoa jurídica que adquire estabelecimento comercial, industrial ou profissional e continua na exploração da atividade deste, responde subsidiariamente pelos tributos devidos pelo estabelecimento adquirido, quando o alienante permanece na exploração da mesma ou de outra atividade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 78 /2 00 8- 58 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.324 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.166.1536, lavrado contra o sujeito passivo acima para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de lançar em títulos próprios da contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições sociais. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 18/34: Da análise dos lançamentos contábeis, apresentados pela empresa em meio digital, verificouse que os lançamentos referentes ao pagamento de verbas salariais a empregados da matriz, foram efetuados na conta contábil de despesa 3.2.2.03.0007 "Serviços Prestados por Outros" e os lançamentos referentes ao pagamento de verbas salariais a empregados da filial inscrita no CNPJ sob o n° 02.636.995/000298, foram efetuados na conta contábil de despesa 3.1.3.03.0013 — "Serviços de Terceiros", conforme discrimina o Anexo I ao presente processo. Por se tratar de salário de empregados, os lançamentos contábeis referentes aos pagamentos citados no Anexo I, deveriam ter sido feitos nas contas contábeis integrantes dos subgrupos "Custo com Pessoal" — 3.1.1 (3.1.1.01 — "Salários") e 'Despesas com Pessoal" — 3.2.1 (3.2.1.01 —"Salários") destinadas à contabilização das rubricas constantes das folhas de pagamento. Além disso, constataramse, através dos lançamentos contábeis apresentados pela empresa em meio digital, pagamentos de despesas pessoais do sóciogerente, Sr. Milton Cabral Moreira (aluguel, condomínio e IPTU residenciais e mensalidade de clube de lazer), bem como pagamentos intitulados pela empresa como "distribuição de lucros" com prejuízo apurado no exercício de 2005, no valor de R$1.293.461,62, lançados nas contas contábeis de despesa 3.3.1.01.0008 —"Outras Despesas" (pertencente ao subgrupo "Despesas Não Dedutiveis") e 3.2.2.06.0020 —"Outras Despesas" (pertencente ao subgrupo "Outras Despesas Administrativas"), conforme discrimina o Anexo II ao presente processo. Ambas as situações constituemse em retirada prolabore (direta, no caso da "distribuição de lucros com prejuízo apurado no exercício e indireta, no caso do pagamento de despesas pessoais do sóciogerente). Portanto, os lançamentos citados deveriam ter sido feitos nas contas contábeis integrantes do subgrupo 3.2.1. "Despesas com Pessoal" (conta 3.2.1.01.0009 — "Prolabore"). Foram arroladas como devedoras solidárias as empresas abaixo, em razão do Fisco haver entendido que as mesmas formavam com a Autuada grupo econômico de fato, conforme evidências apontadas no Relatório Fiscal. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 • Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda — CNPJ: 05.385.879/000150. Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda — CNPJ: 05.401.768/0001 90. • Pampulha Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.557/000123. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda — CNPJ: 05.401.766/000100. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda — CNPJ: 05.392.395/000139. • Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.546/000143. • Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 04.901.337/0001 20. • Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda — CNPJ: 02.636.995/000107. • “Promove” Participações Ltda — CNPJ: 05.376.569/000170. • “Promove” Serviços Educacionais Ltda — CNPJ: 05.376.559/000134. • “Promove” Cursos Livres e Mercantil Ltda — CNPJ: 42.975.896/000174. • Magle Edição Comercio e Distribuição de Livros Ltda — CNPJ: 05.399.437/000163. • Sociedade Educacional Sistema Ltda — CNPJ: 23.840.945/000117. Foram emitidos em nome das citadas empresas os Termos de Sujeição Passiva. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 438 a 444 (processo 15504.018494/200841), uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico “Promove”, inclusive da autuada, o direito de uso da marca”“Promove””, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca" e posteriormente os estabelecimentos da Autuada. Cientificada do lançamento, a Autuada em conjunto com as responsáveis solidárias e as pessoas físicas listadas na relação de corresponsáveis apresentaram defesa, fls. 54/88 e segs., alegando, em síntese, que: a) os representantes legais não podem figurar como responsáveis pelo crédito tributário, posto que não se comprovou a prática de excesso de mandato; b) as pessoas físicas e jurídicas relacionadas sequer foram cientificadas do AI; Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.325 5 c) é improcedente o lançamento, posto que confessou todas as suas dívidas do período; d) houve cerceamento ao seu direito de defesa, posto que antes de aplicar a multa, o Fisco deveria ter dado ao sujeito passivo oportunidade para se defender; e) os valores referentes a seguro de vida e seguro saúde foram descontados dos empregados, conforme documentos acostados, a exceção do Diretor Milton Cabral, cujos pagamentos dessas rubricas correspondem a sua retirada de pró labore; f) a multa é confiscatória; g) todos os fatos geradores constantes do lançamento já foram incluídos em outros autos de infração, o que denota a ocorrência de bis in idem; j) os acréscimos legais foram aplicados incorretamente; k) não se configurou a infração penal apontada pelo Fisco; l) a empresa SOEBRAS – Associação Educativa do Brasil deve ser excluída do polo passivo, haja vista ter ocorrido parcelamento dos valores lançados. m) Ao final, requereu a declaração de improcedência do AI, a juntada posterior de documentos e que as intimações sejam efetuadas no endereço do seu advogado. Às fls. 962/968 consta peça de defesa da empresa SOEBRAS contestando o Termo de Sujeição Passiva, no qual é arrolada como devedora subsidiária pelos créditos lavrados contra o CEMES e outras empresas. Em suas razões, aduz ser imune ao recolhimento das contribuições sociais, em face da sua condição de entidade beneficente de assistência social. Afirma que a empresa CEMES não foi por ela assumida, conforme termo de distrato acostado. Suscita a existência de parcelamento que afastaria também a pretensão do Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) declarou improcedente às impugnações, mantendo integralmente a lavratura (ver fls. 1.134/1.154). Inconformadas, as empresas apresentaram recurso conjunto, fls. 1.268/1.305, onde, em resumo, alegaram que: a) as dívidas contraídas pelo grupo “PROMOVE” não poderão ser de responsabilidade da SOEBRAS, conquanto inexiste previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; b) a SOEBRAS detém imunidade tributária, não podendo ser chamada a responder pelas contribuições lançadas; c) os sócios não podem ser incluídos no polo passivo de dívida tributária; d) a multa e os juros aplicados tem caráter de confisco. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Ao final, requereram: a) seja reconhecida a ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dividas contraídas pelo grupo "“Promove”", pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca; b) sejam excluídos do polo passivo da obrigação os sócios das Recorrentes; c) sejam reduzidas as multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; d) seja reconhecida a imunidade tributária da SOEBRAS, atingindo os contratos de trespasse realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. É relatório. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.326 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão da SOEBRAS da condição de devedora A empresa SOEBRAS foi arrolada como devedora subsidiária pelo crédito tributário em questão, mediante o Termo de Sujeição Passiva de fls. 1.256/1.268. A fundamentação para responsabilização foi o inciso II do art. 133 do CTN, verbis: "Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão." O Termo de Sujeição informa que a Associação Educativa do Brasil – SOEBRAS adquiriu do Grupo “Promove”, do qual faz parte a autuada, a licença para utilização da marca ““Promove””. Afirmase ainda que a licenciada criou estabelecimentos que passaram a funcionar no local onde anteriormente funcionavam as empresas licenciantes, além de conservar em sua folha de pagamento funcionários que trabalhavam para essas. A título exemplificativo, citase que dos 194 empregados do Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda, constantes da Folha de Pagamento de 11/2006, 176 deles foram informados nas GFIP's da SOEBRAS na competência 12/2006. Tais fatos demonstram de que, ao contrário do que afirmam as recorrentes, a SOEBRAS adquiriu não apenas a licença para explorar a marca ““Promove””, mas incorporou estabelecimentos, conforme demonstrado nos autos. A responsabilidade subsidiária em debate, foi atribuída a SOEBRAS, nos termos do Relatório Fiscal da Infração (ver fl. 32), em face da aquisição de fundo de comércio por esta, através de Contrato de Trespasse, firmado em 15/10/2007. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Também não merece acolhida a tese de que a responsabilização não poderia se dar em razão da imunidade da SOEBRAS frente às contribuições previdenciárias. É que no AI sob cuidado está sendo exigida multa por descumprimento de obrigação acessória, a qual não é alcançada pela suposta imunidade. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas. Os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Caráter confiscatório da multa e dos juros Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. A alegação acerca dos juros não tem relação com a lavratura em questão, posto que não há imposição dos mesmos no AI sob cuidado. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.327 9 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15586.000986/2010-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI.
Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE..
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO
O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médíca-hospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida.
Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA
Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilioeducação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AUXÍLIOSAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 86 /2 01 0- 31 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 229 2 O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 230 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.183 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls.161 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário referente a sanção pecuniária contra a empresa acima identificada, por ter vista infração ao disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 c/c art. 225 inciso IV, parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, nas competências 01/2006, 0/2006, 01/2007 e 03/2007. Informações não colocadas quanto à pagamentos a título de cestas básicas e vales alimentação, valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pago a dependentes dos empregados, Segurdo de Vida em Grupo sem previsão em Acórdo Coletivo de Trabalho, no período de 10.2006 a 12.2007, aluguel de imóvel residencial ao empregado Charles Lussier entre 01.2006 e 06.2007, reenbolsos em folha de pagamento oriundos do Programa de Qualidade de Vida a funcionarios com gastos com atividades físicas, abonos salariais anual conforme Acordo Coletivo de Trabalho, auxílio educação a dependentes dos funcionários, valores furtos de participação de lucros e resultados em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, sem regras e programs pactuados previamente e pagamentos sem a devida aferição para os cargos de gerência, coordena;áo, engenheiros, lideres, diretoria da empresa. A ciência do auto de infração inaugural foi em 10.09.2010 (fls. 49, dos autos digitais). Em impugnação a Recorrente requereu a improcedência do lançamento de forma específica: Requer, seja recebida, processada e provida a presente defesa, para decretar a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD n° 37.258.4187, apenas quanto à multa referente a não apresentação das guias de FGTS e GFIP (obrigação acessória), em face da exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxilioeducação, plano de assistência médico hospitalar e odontológico para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados (obrigação principal)". Em razão disso, somente essas matérias foram apreciadas em primeiro grau, pois as demais foram consideradas como não contestadas, portanto não impugnadas (art. 17, do Dec. 70.325/1972). Sendo improvida a impugnação, conforme acima relatado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: as verbas objetos de autuação têm natureza indenizatória ou de auxílio de custos, sem natureza remuneratória, a natureza indenizatória do fornecimento de alimentos a título de vales/tickets e cestas de alimentação independentemente de inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador, do auxíliosaúde (pagamento de planos médicohospitalares e odontológicos) aos dependentes não tem natureza remuneratória, pagamento de seguro de vida e de acidentes pessoais, que o aluguel de imóvel residencial para Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 231 4 Charles Lussier era para fins de habita;áo fornecidos pela empresa ao empregado para tabalhar em localidade distante da de sua residência, os valores referentes ao programa de qualidade não de natureza social e preventivos à própria saúde pública, que o abono pago em 1/2007 não integra o salário (art. 28, par. 9o., item 7, da Lei n. 8.212), que o auxílioeducação pagos aos dependentes dos funcionários não tem natureza remuneratória, equiparados a auxílio alimentação(art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212), que a participação dos lucros e resultados está prevista em Acordo Coletivo, falta de clareza da autuaçáo quanto aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos. Em sessão, fora realizada sustentação oral da patrona da Recorrente, Dra. Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. Esse é o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, em razão da não impugnação das matérias trazidas em recurso voluntário em primeiro grau de instância, sob pena de desobediência ao art. 17, do Dec. 70.235/1972, bem como supressão de instância não justificada (art. 1o. do Regimento Interno do CARF/MF), restaram prejudicados os questionamentos que não forem o auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados, bem como aqueles com clara permissão de afastamento da aplicação da lei (auxílioalimentação) por dever de ofício. Ainda, quanto à suposta inconstitucionalidade dos fundamentos legais apontados nos outros pontos do recurso, não apreciados em razão de não terem sido contestados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF Em tempo, o auto de infração respeitou as normas de lançamento na forma do art. 142, do CTN, e do art. 37, da Lei n. 8.212/1991, assim quanto ao argumento genérico de cumulação de multas, além da defesa recursal não servir para apreciação por não demonstrar a cumulação ou bis in idem, a obrigação objeto do auto de infração tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. III – Quanto à inconformidade da aplicação de contribuições previdenciárias com base nos valores pagos a título de auxílioeducação pagos aos dependentes, considerando os fatos geradores passíveis de informação em GFIP. Devese anotar que a empresa não trouxe qualquer elemento probatório ou legal que demonstrase que a bolsa paga aos filhos e dependentes dos funcionários há qualquer vinculação com a atividade ou qualificação dos funcionários da mesma. Assim, não há demostração de sua desvinculação à remuneração, ou que o auxílio tem natureza indenizatória, representando aumento de renda. Assim, o disposto no art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212/1991, é claro em que a natureza indenizatória do pagamento de auxílioeducação deve estar vinculda à qualificação dos funcionários da empresa. Nesse aspecto, não perece acolhimento o recurso. IV – Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à saúde plano de assistência médicohospitalar e odontológico aos filhos dos empregados, verificase que o art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 233 6 458, par. 2o., IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. Assim, tais fatos não podem considerandoos fatos geradores passíveis de informação em GFIP, e serem objeto da autuação em questão. O entendimento é acompanhado pela jurisprudência judicial e administrativa, como bem demonstrado no voto condutor da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, no Acórdão n. 240101.981, oriundo da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, de 22.08.2011, abaixo citado : No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílioexcepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: “Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioExcepcional (também chamado de AuxílioDeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento.” Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” (art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Precedentes: TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501, Relator(a): Juíza Federal Convocada SANDRA CHALU BARBOSA “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 234 7 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que "diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada auxílioexcepcional", não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do "inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título" ao empregado e que "o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo art . 28" (fls. 97/98) da aludida lei. 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas "q" e "t", da Lei nº 8.121/91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: "o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado". 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.” Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 235 8 E ainda, a Solução de Consulta nº 26, de 31 de julho de 2009, da 5ª Região Fiscal, DOU de 31/08/2009, foi no sentido de que as verbas pagas a título de auxílioexcepcional não têm natureza remuneratória: “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: As verbas pagas a título de AuxílioExcepcional, desde que atendidas as condições legalmente exigidas, têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o saláriodecontribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.” Assim, nesse ponto merece acolhimento o recurso. V – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação de receita/lucros, verificase que realmente houve desobediência injustificada (atrasos em negociação) mas as regras para participação dos empregados nas receitas e lucros desobedeceram ao art. 2, par.1o,e b, da Lei n. 10.101/2000, não podendo serem as verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, §9ª, “j”, da Lei 8.212 – Ac. 2803001.503, da 3a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF, Rel. Cons. Oseas Coimbra, sessão de 17.04.2012). E a principal falha ao caso é a falta de previsibilidade, pois os acordos não eram realizados de forma prévia, à distribuição. Tudo plenamente demonstrado pela decisão recorrida. Assim, não merece reforma a decisão nesse ponto, mantendose os valores como fatos geradores passíveis de informação em GFIP.. VI – Por se tratar de questão consolidada com a autorização da alínea a, o inciso II,parágrafo único do art. 62, do Regimento Interno do CARF, c/c o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011, podendose apreciar a matéria de ofício, quanto no que tange fornecimento de alimentação in natura (vale/ticket alimentação e cestas básicas), em desconformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador, esse auxílioalimentação mantêm a sua natureza indenizatória. Logo, não são fatos geradores de contribuições previdenciárias, logo não sofrem a incidência da norma de obrigação instrumental de informálos em GFIP (art. 32, IV, par. 2o, da Lei n. 8.212/1991). Tais verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriode contribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 236 9 instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 237 10 Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Em razão dos argumentos acima expendidos excluo do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação (mesmo em vale/ticket alimentação, fornecimento de cestas básicas, ressarcimento de custos com restaurantes, restaurantes pagos pela empresa, pois somente pode ser utilizado para obtenção de alimentos pelo funcionário, mantendo sua característica), tendo em conta que ela não tem natureza salarial, bem como ser despiciendo o registro da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste caso, merece acolhimento o recurso. VII – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Sala de Sessões, 16 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10954.000019/2004-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS - REGIME NÃO-CUMULATIVO - CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA
Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/2002, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO.
Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime não-cumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1o e §2o e 6o, §§1º e 2o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 3403-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, reconheceu-se o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matéria-prima durante o processo produtivo; 2) por maioria de votos, negou-se o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à negativa do direito de apurar créditos sobre o material refratário, Tape Hole e tubos de aço.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel - Relatora
Marcos Tranchesi Ortiz Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho e Liduina Maria Alves Macambira.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1o e §2o e 6o, §§1º e 2o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; 2) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à negativa do direito de apurar créditos sobre o material refratário, Tape Hole e tubos de aço. Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 19 /2 00 4- 72 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Raquel Motta Brandão Minatel Relatora Marcos Tranchesi Ortiz – Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho e Liduina Maria Alves Macambira. Relatório Tratase de pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para PIS NãoCumulativo, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativos ao primeiro trimestre de 2004, no valor de R$ 162.253,85, apresentado em 24/05/2004. Consta, ainda, dos autos Declarações de CompensaçõesDcomp´s eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações (fls. 91/105) e Despacho Decisório (fls. 108/109), os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte, concedendolhe o valor de R$ 147.285,88, sob os seguintes fundamentos, conforme ressaltado pela autoridade julgadora da manifestação de inconformidade: “(...) Como exclusão será admitido, no mês de março/2004, somente o valor de R$ 42.203,22, resíduo após o estorno promovido no valor de R$ 188.658,49 linha 13, ficha 05 Vendas Canceladas e Descontos Obtidos, haja vista as devoluções relativas a exportações registradas no Livro Razão, conta n° 11240109, valor de R$ 146.455,27, não figurarem nessa possibilidade, pois a linha 10, ficha 05, já comporta a exclusão das exportações. (...) (...) sabendo que o contribuinte noticiou vendas para o mercado externo através do demonstrativo supra referido, podemos afirmar que o método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito nos DACON n° 000100200400588672 (fl. 75 a 78) do 1º trimestre de 2004 não se coaduna com as disposições regulamentes atinentes à matéria. Com efeito, este trabalho será orientado pelo método do rateio proporcional (Proporção da Receita Bruta Auferida). (...) Em consonância com o que foi exposto acima, apresentase a seguir a justificativa da glosa de cada produto que refletiu no saldo do Crédito da Contribuição para o PIS/PASEP apurado no 1º trimestrecalendário de 2004, tendo em vista a realidade fática de aplicação e utilização de cada um, com fulcro nas Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 229 3 informações do processo produtivo apresentadas pelo contribuinte, por meio do Laudo Técnico (fls. 36 a 38): a) Concreto Refratário e respectivo frete (4276 PANMIX AC 2,5 e INTERCON 83 B/ISO 14): utilizado na tampa da panela, na estrutura lateral da panela, na bica e na proteção à coifa metálica que capta fumaça que sai na bica de corrida. Justificativa de glosa: esse material, quando é utilizado na tampa das panelas e na proteção à coifa metálica que capta fumaça na parte externa ao forno, não entra em contato físico com o silício metálico da produção. b) Pasta de Revestimento a frio e a quente e respectivo frete: Enquadrase no conceito de revestimento, conforme item anterior. c) Tap Hole e respectivo frete = Grafitap: utilizado para tamponar os furos de corrida. Justificativa de glosa: não entra em contato físico com o silício em produção. d) Tubo de Aço e respectivo frete: utilizado com insuflamento de 02 para desobstrução dos furos de corrida nos fornos. Justificativa de glosa: não entra em contato direto com o silício metálico da produção. (...) Percebemos que as atividades relacionadas na tabela fornecida (fls. 62 a 71) não se coadunam com o conceito de insumos na forma de serviços posto pela legislação, conforme esclarecem os parágrafos n° 31 a 37, desse parecer. Entretanto o crédito decorrente de serviço de extração de matéria prima e o de transporte de insumo será admitido e transferido para compor o valor relacionado aos bens utilizados como insumos, item anterior. Desconsideramos os serviços, relacionados pela interessada em planilha (fls. 62 a 71), discriminados como serviços de movimentação interna, conforme notas fiscais n° 029, 030 e 033 (janeiro, fevereiro e março de 2004), de 29/01/2004, 29/02/2004 e 30/03/2004 respectivamente, emitida pela P.H. Transportes e Construções Ltda, CNPJ 22.060.255/000425, no valor de R$ 299.506,50 exceto a de janeiro, no valor de R$ 285.000,00 (fls. 85 a 87), já que estes serviços não apresentam relação direta com a produção, não se enquadra no conceito de serviço de insumo, assim como não são serviços de extração de matéria prima ou de transporte. Ainda serão desconsiderados da relação em planilha (fls. 62 a 71) os valores referentes a aluguel dos meses de fevereiro e março de 2004, pelos motivos idênticos aos mencionados no parágrafo anterior, observando que esse valor já está posto pela interessada no Dacon, linha 05, ficha 04. (...) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Como é cediço que, no caso, a pessoa jurídica efetuou, concomitantemente, no período de referência deste pedido, operações de vendas de produtos no mercado interno e de exportação de produtos para o exterior, é obrigatório, na apuração dos créditos a serem descontados, informar de forma segregada os custos vinculados às receitas de exportação. Para tanto, o contribuinte poderia ter utilizado um dos seguintes métodos de determinação dos créditos: a) apropriação direta (...); ou b) rateio proporcional. Desta feita, por questões de simplificação utilizouse neste trabalho o método do rateio proporcional como critério para determinação dos créditos de PIS/Pasep. Em face do exposto, concluímos que, quando da protocolização deste processo, os montantes dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP, regime de tributação nãocumulativo, apurados neste trabalho fiscal nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, para o período de 01/01/2004 a 31/03/2004 (DACON n°.000100200400588672 (fl. 75 a 78)), os quais a Interessada faz jus, correspondem a R$ 147.285,88, conforme indicado nas planilhas para apuração dos Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, fls. 88 a 90.” Notificada do conteúdo do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 115/132), em que buscou a reconsideração da decisão e, portanto, revisão do valor concedido a título de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para PIS NãoCumulativo, argumentando, conforme relato da decisão de primeira instância, que: “a) No despacho decisório, a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo utilizada para apropriação dos créditos alguns dos custos e despesas indicados pela contribuinte, gerando redução do valor pleiteado. Em síntese, o despacho decisório corroborou a maior parte dos dispêndios indicados pela contribuinte, discordando apenas de três hipóteses de apropriação: insumos para manutenção dos fornos industriais e panelas refratárias, serviços de movimentação interna dos insumos básicos, e serviços utilizados na extração, preparação, embalagem e movimentação de outros insumos utilizados na atividade. b) Foram excluídos da base de cálculo: concreto refratário, pasta de revestimento, tap hole e tubo de aço. Ocorre que, dentro da sistemática nãocumulativa das Contribuições ao PIS e COFINS verificase que, considerando as Contribuições incidem sobre todas as “Receitas” auferidas, em contrapartida há que se considerar como conceito de Insumo não apenas a matéria prima consumida diretamente no processo produtivo, mas também os demais dispêndios envolvidos no referido processo de fabricação. Nesse sentido, é incontestável que os produtos utilizados na manutenção dos bens de produção, desconsiderados pela Autoridade Administrativa, são imprescindíveis à elaboração do produto final, conforme laudo técnico já trazido aos autos. Tanto o Forno Elétrico como as Panelas Refratárias, conforme descrição das atividades Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 230 5 desenvolvidas pela Empresa, são o ponto convergente central do processo do processo de fabricação do silício metálico e da sílicafumê. Logicamente que a conservação de tais bens de produção, especialmente em razão do constante desgaste dos mesmos diante das altas temperaturas a que são submetidos, é parte indissociável do conceito de "processo industrial" desenvolvido pela Contribuinte. Cita Soluções de Consulta. c) O desenvolvimento da atividade da Contribuinte demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados do processo produtivo. Para tais operações de movimentação interna de matériasprimas, insumos e equipamentos, dado o significativo volume a Contribuinte contrata terceiras empresas especializadas. A contratação de tais serviços de movimentação interna é imprescindível e indissociável de todo o processo de produção. Nesse sentido, incontestável que os serviços ora desconsiderados caracterizamse como “fatores de produção” da fabricação do silício metálico e da sílicafumê, vez que estão presentes em quase todas as etapas da produção. Tal orientação encontrase inclusive consolidada através de Respostas em Soluções de Consultas extraídas do Site da Secretaria da Receita Federal, das quais refere uma. d) É necessária a reforma do despacho decisório na quantificação dos valores a ressarcir, mediante a aplicação da correção monetária dos valores a serem ressarcidos. Refere julgados administrativos. e) Na eventual hipótese da Delegacia de Julgamento entender pela necessidade de verificação de demais dados para concluir pela liquidez e certeza do crédito, requer seja convertido o julgamento em diligência, a fim de que seja examinada a sua escrituração e documentação contábil e fiscal, para a confirmação da regularidade, suficiência e real quantificação do valor passível de apropriação.”. Em que pese toda essa argumentação, a autoridade fiscal julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme se denota do acórdão n.º 0122.262, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BelémPA, de fls. 175/185. Entendeu a referida turma que, apesar da notória relevância das decisões administrativas citadas na manifestação de inconformidade são relativas a terceiros, e não há que se falar que elas possuem eficácia normativa, já que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Ademais, não atendeu o pleito de conversão do julgamento em diligência, por entender que o pedido formulado não atendeu os requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. Além disso, julgou improcedente o pedido de reconsideração do valor apurado como passível de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para PIS Não Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Cumulativo, vez que considerou os itens glosados não correspondem a insumos, pois não seriam aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Por fim, entendeu pela não incidência de juros compensatórios no Ressarcimento ou Compensação de Créditos da Contribuição para PIS NãoCumulativo. Cientificada do referido Acórdão em 06/09/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 03/10/2011 (fls. 188/205), no qual manifestou sua irresignação com o teor da decisão proferida em primeira instância, que considerou ser passível de creditamento do PIS apenas os bens aplicados diretamente na produção ou fabricação dos bens destinados à venda, é de entendimento extremamente restritivo e, no seu entender, contraria as atuais decisões desse CARF. Isto posto, passou a discorrer sobre sua atividade, com o fito de demonstrar que os itens glosados pelo agente fiscalizador e mantidas pela decisão da DRJ, integram seu processo produtivo e, por isso, seriam passíveis de creditamento. A Recorrente elencou os itens glosados, que no seu entendimento são utilizados na manutenção dos bens de produção (fornos industriais, panelas refratárias e casas de filtro) e atribuiulhes sua destinação específica no processo produtivo, elucidando que: 1) Concreto refratário: Utilizados como um dos revestimentos refratários das Panelas refratárias e das bicas de vazamento dos fornos. Tem como objetivo reter calor do metal líquido dentro da panela e das bicas, para aumentar a vida útil das mesmas. Com o tempo parte dos refratários são arrastados ou eruditos pelo metal líquido. 2) Pasta de Revestimento: Também é dos revestimentos refratários das Panelas e Bicas, com a diferença que pasta de revestimento tem contato direto com o metal líquido, ou seja, é o material que apresenta o maior desgaste em contato com o metal líquido. 3) Tap Hole: Massa grafitada para fechar ou tamponar as bicas de vazamento quando necessário em cada troca ou parada do processo de fundição para manutenção. 4) Tubos de Aço: Utilizado para abrir as bicas de vazamento com injeção de oxigênio. Parte do tubo acaba derretendo e se incorporando ao metal líquido quando utilizado para desobstruir a bica. Arrematando que tais itens são partes indissociáveis do seu processo industrial. Para corroborar o seu entendimento, citou soluções de consulta de terceiros, que garantiram o direito a crédito de PIS e Cofins de aquisição de partes e peças de reposição com serviços de manutenção de equipamentos empregados diretamente na produção. Além disso, a Recorrente em seu arrazoado se insurgiu contra a parte do Acórdão que manteve a glosa dos serviços, contratados de pessoas jurídicas, empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê. Elucidou a Recorrente que o desenvolvimento de sua atividade demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 231 7 ressaltando que todos os insumos, seja o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, a argamassa ou os tubos são materiais de enorme volume, que demandam perene movimentação durante o processo de transformação dos produtos. Ressaltou, ainda, que o transporte pósprodução da SílicaFumê e do Silício Metálico, seja para filtragem ou para acondicionamento, também são constantes e em imensa quantidade, o que, para ela, demonstra o quanto tais atividades caracterizamse como “fator de produção” da fabricação do Silício Metálico e da SílicaFumê. Citou soluções de consulta. Por fim, pleiteou a correção do crédito solicitado por meio do pedido de ressarcimento, uma vez que protocolizado há mais de 05 (cinco) anos. Para tanto, invocou o artigo 39 da Lei 9.250/96 e colacionou jurisprudência do Conselho para reforçar seu argumento acerca da possibilidade de correção monetária dos ressarcimentos pela taxa SELIC. Requereu, em conclusão, a reforma integral do acórdão proferido pela 3ª Turma da DJR de Belém/PA, para que seja reconhecido seu direito creditório e compensações, a correção monetária pela taxa SELIC, ou, se necessário, a conversão do julgamento em diligência para novo exame de sua escrituração e documentação contábil e fiscal. Ademais, clamou pela suspensão da exigibilidade dos tributos compensados com os créditos discutidos, com base no artigo 74, § 11, da Lei 9.430/06, cumulado com o artigo 151, inciso III, do CTN. Em síntese, é o relatório. Voto Vencido Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Crédito de bens utilizados na manutenção Primeiramente cumpre analisar as alegações da Recorrente no tocante à glosa dos itens que, segundo seu relato, seriam utilizados na manutenção e conservação dos bens de produção (fornos industriais, panelas refratárias e casas de filtro), a saber: 1) Concreto refratário 2) Pasta de Revestimento 3) Tap Hole 4) Tubos de Aço Segundo relato da Recorrente todos esses materiais seriam empregados nos fornos e panelas destinados à produção do Silício na forma líquida. Ainda durante a fase de análise dos créditos pela DRFBelém, o contribuinte apresentou laudo técnico (fls. 36/38) que descreve as matériasprimas e insumos diretamente ligados à sua produção como sendo: (i) quartzo; (ii) carvão, (iii) cavaco, (iv) energia, (v) eletrodo. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 O referido laudo também descreve detalhadamente o processo de produção do “Silício Metálico”, e aponta que para a produção do “silício líquido” são necessários fornos e panelas refratárias, conforme se pode verificar do seguinte trecho: “O silício líquido junto com as impurezas, normalmente presentes nas matérias primas, é vazado continuamente através de bicas, localizadas na parte inferior dos fornos, em panelas refratárias...” (grifos acrescidos) Contudo, referido laudo não aponta se os itens ora explicitados pela Recorrente como sendo de manutenção das panelas e dos fornos (concreto refratário, pasta de revestimento, tubos de aço, massa de socar e tijolo), realmente se desgastam ou danificam com a utilização, e em quanto tempo isso ocorre, e também e se tais bens se incorporam, ou não, ao ativo imobilizado. A Recorrente alega ainda que tais itens seriam utilizados na manutenção dos bens de produção, e para corroborar que tais itens geram direito à crédito, colaciona soluções de consulta que garantem o crédito de PIS e COFINS em relação às despesas de manutenção de máquinas e equipamento. Porém, as próprias soluções de consulta trazidas pela Recorrente apontam que tais partes e peças de manutenção não estejam incluídas no ativo imobilizado, já que nesse caso a forma de aproveitamento do crédito se daria via amortização. No tocante a essa matéria, o Acórdão recorrido concluiu que não podem ser descontado créditos relativos a bens utilizados na manutenção de máquinas e peças, pois a “ação direta sobre o produto em fabricação é feita pela máquina e não pelas peças utilizadas em sua manutenção, não podendo tais peças serem (sic) consideradas insumos”. Assim, apesar de entender diferentemente do que foi decidido no Acórdão recorrido, pois no meu ver o conceito de insumo para o PIS e para a COFINS não é o mesmo que o do IPI, já que para o PIS e para a COFINS se exige a análise sobre a forma da utilização do “insumo” em cada caso, de maneira individualizada, valorizandose o exame do processo de aplicação dos “bens e serviços”, para se identificar em que etapa, e de que forma, os mesmos são utilizados, não significando dizer que o “bem ou serviço” deve se qualificar como “insumo”, mas que seja utilizado como tal. Entendo também, no presente caso, que o contribuinte não logrou comprovar que os referidos itens se enquadram também nesse conceito mais amplo. Assim, como em matéria de ressarcimento a prova deve ser produzida pelo contribuinte, no meu entendimento faltou a Recorrente comprovar, seja por meio da contabilidade, ou por meio de laudo, se os itens apontados se enquadrariam como custo de produção, ou como despesa operacional; ou ainda, se integraram ou não o imobilizado; ou se integram o custo de alguma máquina ou bem; ou se se desgastam durante o processo produtivo, e em caso afirmativo em quanto tempo isso ocorre. Desta forma, pela falta de provas para determinar a natureza dos itens elencados pela Recorrente (concreto refratário, pasta de revestimento, tubos de aço, massa de socar e tijolo), voto por negar provimento. Crédito sobre serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 232 9 A Recorrente se insurge, também, contra a parte do Acórdão que manteve a glosa dos serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da SílicaFumê. A Recorrente alega que o desenvolvimento de sua atividade demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo, ressaltando que todos os insumos, seja o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, a argamassa ou os tubos são materiais de enorme volume, que demandam perene movimentação durante o processo de transformação dos produtos. Ressaltou, ainda, que o transporte pósprodução da SílicaFumê e do Silício Metálico, seja para filtragem ou para acondicionamento, também são constantes e em imensa quantidade, o que, para ela, demonstra o quanto tais atividades caracterizamse como “fator de produção” da fabricação do Silício Metálico e da SílicaFumê. Para comprovar essas alegações, foram juntadas diversas notas fiscais (fls. 85/87) das empresas que prestaram serviços de: (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, poderão ser descontados créditos em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Posteriormente vieram as Instruções Normativas SRF 246/02, com a redação dada pela IS SRF 358/03, e a 404/04, para melhor esclarecer a ideia de “insumo”, como se pode verificar dos seguintes dispositivos: IN SRF 247/02 (com redação dada pela IN SRF 358/03) Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I– das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 IN SRF 404/04 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifos acrescidos) Assim, como o laudo técnico (fls. 36/38) aponta que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério, é natural que os serviços utilizados na movimentação desses insumos também devem gerar direito a crédito, nos exatos termos dos dispositivos legais transcritos. Nesse sentido já existem soluções de consulta da própria Administração Federal: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 256 de 24 de Julho de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: SERVIÇOS DE INSPEÇÃO E MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE EMBALAGEM DE PRODUTOS FINAIS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os serviços de inspeção física e de movimentação de insumos de produção e os serviços relativos à embalagem dos produtos finais em subconjuntos (“kits”) são considerados insumos para a fabricação de bens destinados à venda, para fins de creditamento na sistemática nãocumulativa. Todavia os serviços de movimentação de produtos finais para o depósito e para o carregamento não são considerados insumos e não podem ser descontados como crédito. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso voluntário no tocante aos serviços tomados de pessoas jurídicas relativamente aos serviços, contratados de pessoas jurídicas, empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silício metálico e da SílicaFumê. Da análise do direito à correção monetária pela taxa SELIC do crédito pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento A Recorrente pleiteia a correção do crédito solicitado por meio do pedido de ressarcimento uma vez que fora protocolizado a mais de 05 (cinco) anos. Para corroborar seu pleito, invocou o artigo 39 da Lei 9.250/96 que expressamente garante a aplicação da SELIC nos casos de restituição e compensação. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 233 11 A DRJ, por seu turno, interpretou literalmente o texto do mencionado dispositivo legal, entendendo que só cabe atualização na restituição e na compensação, mas não no ressarcimento. No tocante a esse item também entendo contrariamente o que decidiu o DRJ/Belém, pois na esteira do que vem decidindo reiteradamente o STJ e o próprio CARF, a SELIC também incide no ressarcimento, sob pena de ensejar enriquecimento sem causa à Administração Pública Federal, que costumeiramente descumpre o prazo de análise dos pedidos que são formalizados em processos administrativos, cujo prazo máximo de análise é de 360 dias conforme prevê o art. 24 da Lei n° 11.457/07, que estabelece: “É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”. A referida regra decorre de norma constitucional (art. 5°, inc LXXVIII – CF) que estabelece “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Contudo, a despeito da previsão constitucional e legal, não é o que ocorre normalmente do âmbito do processo administrativo Federal, motivo pelo qual deve ser assegurado ao contribuinte ao menos a reconstituição do seu patrimônio por meio da taxa SELIC, que é mesma que corrige os débitos federais. Pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento também já vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, seguida pelas Turmas do CARF, conforme se depreende da ementa s seguir transcrita: TAXA SELIC Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, 4º da Lei nº 9.250/9.5, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020 708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento ( Acórdão CSRF/0201 983) Ademais, já decidiu o STJ, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 produzido sob o rito do artigo 543C do CPC, ser possível a correção de crédito escritural, mesmo sem que haja previsão legal expressa: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (...). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos acrescidos) É bem verdade que a decisão proferida pelo STJ referese ao IPI, contudo os seus fundamentos são perfeitamente aplicáveis aos ressarcimentos de PIS e COFINS não cumulativo, posto que a eles se aplicam os mesmo princípios contidos na citada decisão, quais sejam: a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, e igualmente havendo essa oposição postergase o reconhecimento do direito creditório, nascendo, da mesma forma, a obrigatoriedade de atualizálo sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Também entendo que não há que se falar em vedação expressa à atualização monetária dos créditos de PIS e COFINS em suas respectivas legislações, mais precisamente no artigo 13, da Lei nº 10.833/03 (COFINS), aplicável também ao PIS por força do artigo 15, inciso VI da mesma Lei, verbis: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária. Ocorre que todos os dispositivos citados nesse artigo 13 se referem à forma de apuração e aproveitamento dos créditos escriturais, que de fato não dão ensejo à atualização monetária. Porém, uma vez que tais créditos não venham a ser aproveitados na escrituração da pessoa jurídica, e por consequência venham a ser objeto de pedido de ressarcimento, e este sofra qualquer oposição por ato estatal, caberá atualização do ressarcimento sob os mesmos fundamentos externados pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp n. 1.035.847/RS. O próprio STJ já estendeu o entendimento do citado Recurso Especial aos ressarcimentos de PIS e de COFINS, conforme se pode verificar do julgamento do REsp 1.268.980/SC, cujo trecho da ementa aqui se transcreve: ... 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre os créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 234 13 compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é o do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco.... (grifos acrescidos) Assim, como no caso em tela houve oposição estatal administrativa, indeferimento parcial do crédito pelo Fisco, voto por conceder a atualização pela taxa SELIC aos pedidos de ressarcimento da data do seu protocolo até a data da efetiva extinção do crédito, seja pelo efetivo ressarcimento (pagamento), seja pela compensação. Melhor elucidando, como no presente caso a Recorrente já vinculou, no ano de 2006, diversas declarações de compensação ao Pedido de Ressarcimento apresentado no ano de 2004, não há que se falar em mora da administração, nem em atualização do crédito pela SELIC até a data do efetivo ressarcimento, mas sim até as datas dos protocolos das declarações de compensação. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial a recurso voluntário para: 1) negar provimento no tocante aos créditos pleiteados relativamente a: concreto refratário, pasta de revestimento, Tap Hole e tubos de aço; 2) dar provimento no tocante aos créditos relativos aos serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias primas; 3) Dar provimento para atualizar pela taxa SELIC o crédito pleiteado via Pedido de Ressarcimento, da data do protocolo do pedido até a data das declarações de compensação a ele vinculadas. Raquel Motta Brandão Minatel Voto Vencedor Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: Embora bem articuladas as razões da relatora, Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, delas ouso divergir quanto a um único capítulo do seu voto, qual seja, aquele concernente à aplicação de remuneração, pela Taxa SELIC, aos créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade e pretendidos em ressarcimento. Refirome, neste particular, à regra contida no artigo 13, da Lei nº 10.833/03, aplicável também à contribuição ao PIS por imposição do artigo 15, inciso VI da mesma lei. Eis o dispositivo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 14 Chamame à atenção, na dicção do enunciado, a expressa menção aos §§ 1o e 2o do artigo 6o do próprio diploma, a significar que a restrição ao acréscimo de juros e correção monetária se estende, inclusive, em caso de aproveitamento dos créditos por meio de ressarcimento e compensação e durante o prazo de tramitação destes feitos. Daí porque, a meu sentir, não há como assegurar semelhante pretensão ao contribuinte postulante sem incorrer em inobservância do preceito em exame. Penso, inclusive, que a orientação firmada pelo E. STJ ao ensejo do julgamento do recurso especial nº 1.035.847 não induza à conclusão diversa, mesmo se considerarmos o quanto dispõe o artigo 62A do RICARF e que o julgado em questão foi produzido sob o rito do artigo 543C do CPC. Vejase: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (...). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Como se vê, a hipótese levada a julgamento no precedente em questão respeitava ao ressarcimento de créditos de IPI, tributo de cuja legislação não consta preceito que, tal qual o artigo 13 da Lei nº 10.833/03, vede expressamente o acréscimo de juros ou correção monetária ao principal. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 235 15 Digo isso para concluir que, ante circunstâncias normativas diversas, uma em que a legislação silencie sobre o direito à remuneração dos saldos credores pleiteados e a outra em que vigore expressa vedação a respeito, diversas também podem ser as soluções exegéticas possíveis. Daí porque, a meu sentir, em se tratando especificamente de ressarcimentos em matéria de PIS e COFINS nãocumulativos, é incabível a aplicação de correção monetária e de juros ao respectivo principal, a despeito da orientação dominante no E. STJ quanto a pedido análogo formulado em relação ao IPI. Isso posto, nego, nesta parte, provimento ao recurso. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 16327.914421/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Numero da decisão: 3803-003.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª. Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª. Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 44 21 /2 00 9- 13 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 A Contribuinte entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação nº 31977.63031.200407.1.3.041033 de fls. 60 a 66(numeração eletrônica), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS relativo ao período de apuração agosto de 2004. Pelo Despacho Decisório de fls. 14 o contribuinte foi cientificado, em 19/10/2009 (fls. 72), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado no valor principal de R$ 43.660,96. Irresignado, o contribuinte apresentou em 18/11/2009 Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 09, informando e argumentando que: a) incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em agosto de 2004, base negativa de PIS , entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF o valor superior deR$ 31,269,04. b) uma vez identificado o equívoco, o recorrente teria constituído crédito tributário, que se pretendeu utilizar na PER/DCOMP acima referida para se compensar os débitos constante na mesma. c) No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP, e estando o pagamento integralmente alocado à quitação de outros débitos não restou crédito disponível para a compensação pleiteada. d) Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF alterando os valores de PIS apurado em agosto de 2004, o que, segundo o mesmo, estaria condizente com o apurado na época. d) Argumenta ser dever da administração pública a busca pela verdade material e neste sentido a Autoridade fiscal deveria ter intimado o contribuinte antes de não homologar a compensação. e) Que a adoção da conduta acima estaria em consonância com os princípios da moralidade, eficiência e celeridade previstos na Constituição Federal e na Lei 9.784/99. f) Que houve vício de forma e este não poderia macular a existência do seu direito creditório. g) Que pelo princípio da verdade material as meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva existência do crédito, face ao princípio da verdade material, para tanto colaciona decisões administrativas no sentido de se cancelar o lançamento quando comprovado o erro no preenchimento da declaração. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.914421/200913 Acórdão n.º 3803003.507 S3TE03 Fl. 11 3 h) Que houve erro puramente material no preenchimento do PER/DCOMP e que tal erro não poderia ter sido utilizado para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. i) Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e consequentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. A DRJ em São Paulo(I) considerou improcedente os pedidos da manifestante, por não considerar que o contribuinte arrolou provas necessárias para a comprovação do crédito. Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este órgão julgador, onde bem explica os motivos que a levaram a cometer o erro, com cálculos contábeis detalhados. Discrimina que o erro de preenchimento ocorreu por falha no lançamento de despesas de cambio. Adiciona o que chamou de balancete contábil, entretanto não o identificamos como um balancete contábil, por faltarlhe elementos essenciais a um balancete como o descritivo de todas as contas e apuração dos resultados e ainda assinatura do representante da Pessoa Jurídica e do contador responsável. Ao final requer o reconhecimento do credito e protesta pela sustentação oral. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O recorrente, afirma ter direito ao crédito pleiteado em PER/DCOMP na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS devido a erro de preenchimento de DCTF, relativo ao período de apuração agosto de 2004. Não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado no valor de R$ 43.660,93. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria cometido erro de preenchimento de DCTF. No entanto, neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Via de regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão. Sabese que o Contribuinte contou com momento oportuno para apresentar a devida documentação que comprovasse suas alegações, entretanto, mesmo que tais provas não tenham sido carreadas na impugnação, admitese, excepcionalmente, sua juntada após a impugnação nos caso em que excepcionou o Decreto n° 70.235, art. 16, inciso V, parágrafo 4°, ao que se lê: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não se encaixa nenhum dos casos elencados no Decreto que rege os processos administrativos, o narrado neste processo. No direito tributário devese sempre triunfar a verdade material dos fatos, desta feita, cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Frisase que, em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais Fl. 326DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.914421/200913 Acórdão n.º 3803003.507 S3TE03 Fl. 12 5 documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. A Recorrente furtouse em arrolar documentos que pudessem comprovar o credito pleiteado. Se houve erro, a contribuinte tem em seus documentos contábeis todos os meios para provar seus argumentos. O fato é que sua defesa é carente de provas. A Recorrente anexou tão somente o que chama de balancete, não traz todos os elementos e assinaturas, e suas declarações, e ainda assim, o fez em sede Recurso Voluntário, documentos estes insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Diante do exposto acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10882.001896/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 89 6/ 20 10 -0 8 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 501 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal de 30/06/2010 de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, sobre previdência complementar privada em regime aberto. Foram excluídos do lançamento as parcelas correspondentes ao reembolso ensino e diferenças entre RAIS e GFIP. Com isso, mantiveramse as parcelas de reembolso de transportes, reembolso de vestuário e utilidades diversas. A fiscalização não lavrou autode infração por descumprimento de obrigações acessórias. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Acórdão: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. O cerceamento de defesa é vício que somente se pode configurar após a instauração da fase litigiosa do procedimento de que trata o art. 142 do Código Tributário Nacional, de modo que não há cogitarse de nulidade do lançamento por eventuais omissões ou obscuridades no correspondente relatório fiscal. DESPESAS COM EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. CONDIÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. NULIDADE. Impõese a nulidade do respectivo levantamento quando não suficientemente demonstrado, pela fiscalização, que os valores despendidos pela empresa com educação de seus empregados se situam no campo de incidência das contribuições previdenciárias. BATIMENTO RAIS X GFIP. DIFERENÇAS. DEMONSTRAÇÃO. INSUFICIENTE. LANÇAMENTO. NULIDADE. Impõese a nulidade do respectivo levantamento quando não suficientemente demonstradas, pela fiscalização, as diferenças apuradas no batimento dos dados da RAIS com os da GFIP, sobre as quais foram calculadas as contribuições previdenciárias exigidas. USO DE VEÍCULO DO EMPREGADO. NÃO COMPROVAÇÃO. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. Quando não comprovado que os pagamentos feitos aos empregados se destinavam, efetivamente, ao ressarcimento de despesas com uso de veículos de propriedade destes, os valores despendidos pelo empregador integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. VESTUÁRIO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 502 3 O valor pago em dinheiro ao trabalhador, a título de reembolso de despesas com vestuário, integra o saláriodecontribuição do trabalhador e, também, a base de cálculo das contribuições da empresa. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA. O valor pago pela pessoa jurídica a título de contribuição a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, somente não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se o programa for disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. SEGURO DE VIDA. EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA. O valor pago pela pessoa jurídica a título de prêmio de seguro de vida de seus trabalhadores, somente não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se o benefício estiver previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, ainda, for disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. MULTA MAIS BENÉFICA. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. PAGAMENTO. Tendo em vista que o percentual relativo à multa de que trata o art. 35 da Lei n° 8.212/91 varia conforme a fase em que se encontra o processo administrativo tributário, somente por ocasião do pagamento das respectivas contribuições é que poderá ser avaliada se tal penalidade é mais benéfica do que a prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. ... 2o) Contudo, foi constatado que grande parte dos valores pagos equivocadamente como cota utilidades se referem, em verdade, a complementos do salário contratual, rotulados de reembolsos de transporte, vestuários, ensino, dentre outros, supondose estar em conformidade com o Acordo Coletivo de Trabalho celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, de acordo com a tabela do item 2.5 do citado relatório; ... 4o) As utilidades em questão, rotuladas de reembolsos de transportes, vestuários, ensino, dentre outros, foram pagas como complemento do salário contratual, cuja condição indenizatória, alegada pela empresa, foi descaracterizada, inclusive, pelo Ministério SP BARUERI DRF do Trabalho e Emprego, através de sua Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo, ou seja, pelo próprio órgão que homologou o acordo coletivo retro citado; ... 5o) De fato, em fiscalização realizada no ano de 2007, o Auditor do MTE assim relatou: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 503 4 Valendose desse expediente ilícito, simulando pretenso "reembolso" de despesas com "utilidades ", a empresa estaria sonegando a seus trabalhadores o reconhecimento e o pagamento de diversos direitos incidentes sobre o salário, como férias, 13° salário, FGTS, etc, bem como deixando de recolher os tributos incidentes sobre a folha de pagamento de salários, como contribuições previdenciárias e imposto de renda, com a agravante de não manter documentação de prestação de contas desses pagamentos irregulares. Estaria, ainda, a empresa, amparada em Acordo Coletivo de Trabalho para realização desses pagamentos ... Ora, a despeito da inegável importância dos instrumentos coletivos de trabalho, e da sua eficácia ser constitucionalmente garantida, não se pode admitir que tais diplomas sobrepujem tão frontalmente o Ordenamento Jurídico Tributário e Trabalhista, criando uma espécie de ordenamento próprio, alheio às normas cogentes à que está submetida toda a sociedade ". 8o) O presente auto é composto dos seguintes levantamentos: a "RT", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de transportes", no valor de R$ 1.175.682,98; ° "RE", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de ensino", no valor de R$ 388.175,93; • "RV", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de vestuário", no valor de R$ 227.036,01; ° "RU", referente às remunerações pagas como "utilidades diversas", que não se enquadram nos levantamentos anteriores, no valor de R$ 15.969,24; ° "RG", referente às parcelas remuneratórias informadas na RAIS e não declaradas em GFIP, no valor de R$ 283.260,63; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Houve cerceamento de defesa, na medida em que: 1) A classificação do fiscal com relação aos pagamentos por ele nominados como complementação de salário é genérica, não permitindo ao contribuinte identificálos para fins de defesa; 2a) O fiscal referese a remunerações originadas de diferenças entre os dados da RAIS e da GFIP, mas não esclarece que tipo de remuneração é essa; 3a) Da análise desses documentos, relativos aos anos de 2006 e 2007, é fácil verificar que um é espelho do outro, ou seja, que todas as informações prestadas na RAIS o foram, igualmente, em GFIP; 4a) Exemplificando, no levantamento "RG", foram lançadas como base de cálculo, nas competências 01/2006, 03/2006, 05/2006, 06/2006, 09/2006 e 11/2006 as importâncias de R$ 67.545,00, R$ 35.477,88, R$ 65.819,00, R$ 25.159,84, R$ 44.955,36 e R$ 55.744,91, respectivamente, mas em nenhum momento o fiscal informou a origem desses pagamentos ou os supostos beneficiários; e 5a) Nenhum débito Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 504 5 pode ser atribuído ao contribuinte que não seja claramente apurado e demonstrado pela fiscalização, pois nossa legislação veda a presunção de débito fiscal; 1) Faltou ao fiscal atuar com legalidade e responsabilidade na apuração dos fatos apontados como fundamentos do lançamento, o que claramente viola os princípios norteadores do Processo Administrativo; 2a) Os atos da administração pública são vinculados, devendo ser fundamentados, justificados e comprovados, sendo vedado ao poder público imputar falsa responsabilidade ao contribuinte, além do que, sendo o lançamento fiscal um ato administrativo, tem o mesmo de obedecer aos princípios que regem essa categoria de atos, dentre os quais a legalidade, a oficialidade, a inquisitoriedade, a vinculabilidade e a verdade material; 3a) Neste sentido, os lançamentos "outras utilidades" e "diferenças RAIS x GFIP" compõem valores que não configuram fato imponível do tributo objeto da presente notificação, pois a base de cálculo utilizada pelo Sr. Auditor Fiscal não retrata a realidade dos fatos; 4a) Considerando que a empresa disponibilizou todos os documentos requeridos pelo fiscal, não poderia este realizar o lançamento por arbitramento, pois isto afronta o art. 148 do Código Tributário Nacional e os §§ 1o , 3o , 4o , 5 o e 6o do art. 33 da Lei n° 8.212/91; 5a) Ademais, parte do débito apurado decorreu de procedimento por aferição e parte por arbitramento, sem, no entanto, que o auditor fiscal tenha apresentado a fundamentação legal de tais procedimentos. Da utilidade "Educação" 1) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos pagamentos relativos à educação e ensino de empregados (art. 458, § 2o , inciso II), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende que o pagamento de despesas com ensino e instrução é inerente à função social da empresa, valor fundamental do nosso ordenamento jurídico; 2a) Também na esfera previdenciária, o pagamento de despesas com educação dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XIX do § 9o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do pagamento feito à instituição de ensino com a qual a autuada estabeleceu convênio; 4a) A autuada possui cópia de todos os convênios firmados com instituições de ensino, tais como os celebrados com o Centro Universitário FIEO, com a Faculdade de Informática e Administração Paulista e com a Faculdade Módulo Paulista, por meio dos quais seus empregados teriam descontos nos cursos de graduação e pós graduação mantidos por essas instituições; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 505 6 5a) O incentivo ao estudo e à formação concedido aos seus empregados não se limitava apenas ao nível superior, mas em muitas situações a autuada também custeava mensalidades de ensino fundamental e médio, como se vislumbra no reembolso da mensalidade do Instituto Paulista Adventista de Educação e Assistência Social, feito a Gustavo Rodrigues; 6a) De todo modo, a autuada apenas reembolsava as despesas de ensino após a entrega do recibo ou do comprovante de pagamento da mensalidade devidamente quitado pelo beneficiário; e 7a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências outubro de 2006 e junho de 2007, quando foram gastos, respectivamente, R$ 1.406,27 e R$ 2.143,00 com reembolso referente a educação , tornando impossível à autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. • Da utilidade "Transporte" 1a) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos pagamentos relativos à reembolso de despesas com transporte (art. 458, § 2o , inciso III), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende ser essa despesa essencial para o bom desenvolvimento da prestação de serviços, pois, caso o empregado se utilizasse dos próprios recursos, ocorreria um enriquecimento ilícito por parte do empregador, o qual, por força de lei, deve exclusivamente suportar o risco da atividade econômica; 2a) Também na esfera previdenciária, o reembolso de despesas de transporte dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XVIII do § 9 o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do pagamento em apreço. 4a) Para a apuração do quanto a ser pago a cada trabalhador, a autuada, por meio do site "www.apontador.com.br". calculava a distância percorrida diariamente pelo empregado no percurso casa trabalhocasa, e pagava R$ 0,89 por quilômetro percorrido, multiplicando tal valor pelo número de quilômetros percorridos pelo empregado durante o mês; 5a) A autuada possui cópia de todos os relatórios de despesas com quilometragem elaborados por seus empregados e dos comprovantes de residência dos mesmos, para que o reembolso corresponda à distância por eles efetivamente percorrida, de modo que não tivessem nenhum ônus para desempenhar as suas atividades, tal como prevê a lei; e 6a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas relativas a reembolso de transporte por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências abril de 2007 e agosto de 2006, quando foram gastos, respectivamente, R$ 5.991,95 e R$ 16.788,12 com a utilidade em apreço , tornando impossível à Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 506 7 autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Da utilidade "Vestuário" 1) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos vestuários fornecidos e utilizados para a prestação de serviços (art. 458, § 2o , inciso I), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende que se o empregado tivesse que pagar o vestuário e ferramentas necessários ao desempenho de suas atividades, assumiria encargos típicos da atividade econômica, o que não faz sentido, à luz do art. 2 o da CLT; 2a) Também na esfera previdenciária, o reembolso de despesas de transporte dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XVII do § 9 o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do reembolso de vestuário necessário à prestação de serviços; 4a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas relativas a reembolso de vestuário por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências dezembro de 2006 e fevereiro de 2007, quando foram gastos, respectivamente, R$ 2.216,93 e R$ 3.055,00 com a utilidade em apreço , tornando impossível à autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Das "Diferenças RAIS x GFIP" 1) A autuada preencheu e apresentou as RAIS dos anos de 2006 e 2007 de acordo com o respectivo Manual de Orientação, procedeu ao correto preenchimento das GFIP de todas as competências daqueles anos, e recolheu integralmente as contribuições ao FGTS; 2a) Além disso, as informações prestadas nas RAIS o foram também nas GFIP, não havendo, pois, que se falar em diferenças de valores; e 3a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, o auditor fiscal não discriminou de modo detalhado quais são essas parcelas remuneratórias e os respectivos sujeitos passivos da obrigação tributária que apresentam diferenças entre a RAIS e as GFIP, em cada uma das competências em que essas supostas divergências foram identificadas ou seja, não se observa a matéria sobre a qual poderá incidir o tributo, porquanto não detalhadamente discriminados os objetos das parcelas remuneratórias decorrentes das supostas diferenças , o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Das "Outras utilidades" Ia) Tratamse de utilidades oferecidas aos empregados para o trabalho, e não pelo trabalho, não se caracterizando como contraprestações do serviço; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 507 8 2a) Ademais, muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, o auditor fiscal não procedeu a uma descrição detalhada, contendo uma discriminação pormenorizada, das utilidades a que se refere no presente auto vale dizer, não se observa a matéria sobre a qual poderá incidir o tributo, porquanto não foram discriminados os objetos das utilidades mencionadas , o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99; 3a) Inclusive, existe a possibilidade dessas utilidades se referirem aos benefícios já impugnados nos itens anteriores, com o que estaríamos diante de caso de dupla tributação; • Dos encargos moratórios e da multa de ofício Ia ) A multa de ofício exigida in casu não pode prevalecer, tendo em vista que a autuada pautou toda sua conduta por normas válidas do direito do trabalho, sendo totalmente escusável qualquer violação que eventualmente tenha ocorrido na seara tributária; 2a) Entendimento contrário arriscaria a segurança do sistema jurídico, que já não se poderia denominar "sistema" se fosse tão desarticulado em suas disciplinas, o que se evita observandose o disposto no art. 112 do CTN e o inciso XIII do art. 2 o da lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal; 3a) Acrescentese que a multa administrativa não se destina à punição de empresas que conduziram seus atos na certeza de observarem a lei e o melhor aos seus funcionários; 4a) Ainda que assim não fosse, a multa de ofício de 75%, atualmente prevista para os casos de falta de recolhimento das contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, não pode ser aplicada ao presente caso, pois, antes da publicação da Medida Provisória n° 449/2008, era cabível a multa de mora, hoje limitada a 20% pelo artigo 61 da Lei n° 9.430/96; 5a) A pretensão de aplicação da multa de ofício aos créditos tributários cujos fatores geradores ocorreram nos exercícios de 2006 e 2007, afronta diretamente o art. 106, II, do CTN, que autoriza a aplicação retroativa da multa de mora atualmente prevista na legislação para as contribuições a que se refere a lei de custeio e cujos fatos geradores sejam anteriores à MP n° 449/2008; e 6a) Por conseguinte, a multa deve ser reduzida para o percentual de 20%, em atendimento à legislação mais benéfica ao contribuinte. É o Relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 508 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conforme relatado, a fiscalização, constituiu crédito sobre "reembolso de transportes", "reembolso de ensino", "reembolso de vestuário", "utilidades diversas" e referente às parcelas remuneratórias informadas na RAIS e não declaradas em GFIP. Foram excluídos do lançamento as parcelas correspondentes ao “reembolso ensino” e “diferenças entre RAIS e GFIP”. Como se sabe, de acordo com o artigo 28, §9º da Lei nº 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos legais, não há incidência da contribuição sobre as parcelas de transporte, ensino e vestuário. Logo, uma vez comprovada a efetiva despesa, a presunção é pela não incidência que, para ser afastada, deverá a fiscalização demonstrar quais requisitos não foram cumpridos como, por exemplo, não os disponibilizar para todos os segurados empregados e dirigentes e outros de acordo com a parcela. Considerando que a recorrente apresentou comprovantes de reembolso das despesas com transportes e ensino e nota fiscal de aquisição de vestuário, para que se possa examinar a incidência ou não é necessário que a fiscalização se pronuncie sobre a pertinência desses documentos e as razões que levaram à constituição do crédito. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o relatório conclusivo a ser redigido pela fiscalização. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001446/2003-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/11/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração devem ser rejeitados quando inexistem as omissões e contradições apontadas.
Numero da decisão: 3403-001.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Os embargos de declaração devem ser rejeitados quando inexistem as omissões e contradições apontadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 14 46 /2 00 3- 71 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos ao Acórdão 340300.734 em tempo hábil pela PGFN sob a alegação de que o julgado teria omissão/contradição e obscuridade. O referido Acórdão, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para anular o processo “ab initio”, sob os fundamentos externados na seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO – NULIDADE – FALTA DE MOTIVAÇÃO – ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Não pode subsistir uma autuação fiscal que apenas descreve como motivação concreta da ocorrência o termo “outros”, sendo nulo a lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como pretender a manutenção de exigência fiscal com um suporte de fatos e fundamentos que apenas veio a ser construído com o julgamento da impugnação, pelo Órgão Julgador. O lançamento tem de bastar em si mesmo, devendo conter todos os elementos de fato e de direito necessários para a constituição válida do crédito tributário. O relator do referido acórdão, Ivan Allegretti, apontou que o lançamento eletrônico não considerou que o contribuinte havia realizado compensação com crédito decorrente de processo judicial, sendo que a compensação havia sido informada em DCTF. Porém a motivação do auto se limita a indicar a informação “outros” para justificar o lançamento, e completa: Com efeito, não houve fiscalização ou pedido de informação para saber da efetiva existência ou não da compensação, ou da origem do crédito, ou da viabilidade da compensação por qualquer motivo. Por sua vez, o julgamento da DRJ imiscuiuse na interpretação da decisão judicial, pretendendo assim julgar a própria compensação que não foi analisada pelo lançamento. A Embargante por sua vez alega que o colegiado tratou a questão como se o objeto do litígio envolvesse “homologação da compensação” relativa à ação judicial, e para justificar transcreve o seguinte trecho do acórdão em que o relator ataca a decisão da DRJ: O lançamento sequer se fundou em legislação aplicável à compensação, nem se refere a ela na descrição do caso concreto, mesmo porque, como visto, tudo quanto se indica como ocorrência concreta é a expressão “outros”. É o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão, Relatora. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11030.001446/200371 Acórdão n.º 3403001.730 S3C4T3 Fl. 124 3 Conforme exposto no relatório, segundo a embargante a omissão ou contradição consistiria no fato do voto ter entrado no mérito da compensação, sendo que a compensação estaria sendo discutida em outro processo, e assim conclui a Embargante: Em razão do exposto, “concessa venia”, não cabe ser reaberta a discussão sobre a compensação, nem muito menos desqualificar o auto de infração sob a alegação, equivocada, de que o litígio residiria na idoneidade da compensação. Entendo que não existe a omissão apontada, pois o Relator consignou textualmente em seu voto que o lançamento nada tratou de compensação, conforme se verifica verbis: O lançamento foi fundado na falta de recolhimento. Nada tratou da compensação. E conclui o Relator seu voto no seguinte sentido: O auto de infração não pode ser mantido ante a sua precariedade, sendo nulo por absoluta falta de amparo fático. E também porque não se poderia pretender mantêlo com uma motivação de fatos e direitos que apenas surgiu no julgamento de Primeira Instância. O julgamento veiculou de maneira inédita fatos e fundamentos que simplesmente não constam do lançamento. (grifos acrescidos) Em face do exposto, por entender que não houve qualquer omissão ou contradição no acórdão embargado, mas sim equívoco na compreensão do Acórdão pela Embargante, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Raquel Motta Brandão Minatel. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905243/2009-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 43 /2 00 9- 47 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 53): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905243/200947 Acórdão n.º 3802001.331 S3TE02 Fl. 103 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7288, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 66) e o protocolo do recurso, em 12/03/2012 (fls.71). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 61). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 40). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905243/200947 Acórdão n.º 3802001.331 S3TE02 Fl. 104 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) No presente caso, o Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 74). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905243/200947 Acórdão n.º 3802001.331 S3TE02 Fl. 105 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10865.002062/2002-18
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, as provas das alegações de defesa devem ser apresentadas, ordinariamente, na impugnação, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se relativas a fato ou a direito superveniente ou se destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Além destas hipóteses, admite-se a apresentação da prova na fase recursal, mas apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóveis, a inclusão de gastos com reforma no custo de aquisição deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE - O não atendimento às intimações da fiscalização, quando a omissão não representar embaraço à apuração da infração e à lavratura do auto de infração, não pode ensejar o agravamento da multa de ofício lançada
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários os valores especificados no voto do Relator, bem como desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral o Dr. Onivaldo José Squizato, OAB 68531/SP.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 28/09/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, as provas das alegações de defesa devem ser apresentadas, ordinariamente, na impugnação, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se relativas a fato ou a direito superveniente ou se destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Além destas hipóteses, admitese a apresentação da prova na fase recursal, mas apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóveis, a inclusão de gastos com reforma no custo de aquisição deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE O não atendimento às intimações da fiscalização, quando a omissão não representar embaraço à apuração da infração e à lavratura do auto de infração, não pode ensejar o agravamento da multa de ofício lançada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 20 62 /2 00 2- 18 Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários os valores especificados no voto do Relator, bem como desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Fez sustentação oral o Dr. Onivaldo José Squizato, OAB 68531/SP. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 28/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório WALTER LÚCIO PICCININI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJFORTALEZA/CE (fls. 807) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 13/31, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 1998, 1999, 2000 e 2001, no valor de R$ 907.397,01, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 2.411.859,17. As infrações que ensejaram a autuação foram: 1) Omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos. Segundo o relatório fiscal, tratase de alienação de um imovel situado na Alameda das Conchas nº 380. Segundo a Fiscalização, o Contribuinte teria considerado como custo de aquisição o valor de R$ 153.372,47, valor este que incluia gastos com a instalação de armários e, intimado a comprovar estes gastos, nada apresentou. Assim, concluiu a Fiscalização que foi apurado imposto sobre ganho de capital a menor, tendo sido, então, formalizada a exigência da diferença. 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Segundo o relatório fiscal, tratase de depósitos mantidos em diversas contascorrentes, individuais e em conjunto com o filho e esposa do Contribuinte. Esclarece a Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 2201001.810 S2C2T1 Fl. 3 3 autoridade lançadora que, como a esposa não apresentou declaração em separado, foram incluídos na autuação a totalidade dos depósitos das contas conjuntas com esta, e, como relação ao filho, que apresentou declaração em separado, operouse a divisão do valor dos depósitos na proporção de 50% para cada titular. Esclarece por fim a autoridade lançadora que o Contribuinte foi regularmente intimado a comprovar as origens dos depósitos e não comprovou, restando caracterizada a presunção de omissão de rendimentos. Ainda segundo o relatório fiscal o lançamento foi feito com multa agravada “em virtude da falta de atendimentos do contribuinte já qualificado para apresentação dos extratos, documentos e informações de suas movimentações junto às intituições financeiras, solicitados através dos Termos de Intimações e Reintimações...” O Contribuinte impugnou o lançamento e arguiu, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal (Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Intimação Fiscal) por abuso de poder e por se fundamentar o lançamento em provas ilícitas, colhidas com quebra de sigilo bancário, e pela inaplicabilidade do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre o primeiro ponto, afirma que o Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido sem definir precisamente os poderes e as diligências efetivas que seriam praticadas pelos auditores fiscais, e, portanto, em desacordo com a Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 1999, com as alterações da Portaria SRF n° 1.614, de 30 de novembro de 2000. Sustenta que o Mandado de Procedimento Fiscal e o Termo de Intimação Fiscal são atos administrativos, sujeitandose às regras legais, tais como os princípios constitucionais inseridos no artigo 37 da Constituição Federal de 1988 e regulamentados na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Diz que os fundamentos legais do Termo de Intimação Fiscal (artigos 904 e 911 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99), não autorizam o Auditor Fiscal da Receita Federal a exigir documentos sem previsão legal e sem motivação, ou seja, sem demonstrar as irregularidades cometidas na Declaração de Ajuste Anual. Afirma que no Termo de Intimação Fiscal, não se demonstrou variação patrimonial a descoberto na Declaração de Ajuste Anual que justificasse o preenchimento de planilhas do movimento financeiro (aplicações, recursos); e quanto à intimação para apresentar os extratos bancários, diz que somente estava obrigado, nos termos do inciso III do § I o do artigo 798 do Regulamento do Imposto de Renda, a comprovar o saldo existente em 31 de dezembro de cada ano, consignado na Declaração de Bens, através dos comprovantes fornecidos pelas instituições financeiras. Sobre a nulidade do lançamento por basearse em provas ilícitas, o Contribuinte afirma que a Delegada da Receita Federal em Limeira quebrou o seu sigilo bancário ao solicitar os extratos bancários às instituições financeiras através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), sem justificativa fundamentada da pertinência, indispensabilidade, e sem a indicação dos dispositivos legais que autorizassem a quebra do sigilo bancário, afrontando com isto os princípios consignados nos artigos 2º , 3º e 5º, inciso I, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Argumenta que o sigilo bancário é assegurado ao contribuinte pelos incisos X e XII do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 e que a quebra do sigilo bancário nos termos do artigo 6º da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 somente poderia ocorrer em condições excepcionais; que nos termos da Lei n° 9.784/99, e dos incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal, a hipótese de indispensabilidade deverá ser objeto de decisão motivada e justificada, com ampla defesa do contribuinte; que, portanto, as provas foram obtidas de forma ilícita e, nos termos do inciso LVI do artigo 5º da Constituição Federal e do artigo 30 da Lei n° 9.784/99 são inadmissíveis Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 no processo. Informou que impetrou Ação de Mandado de Segurança contra a Delegada da Receita Federal em Limeira por quebra de sigilo bancário. Quanto ao mérito, relativamente aos depósitos bancários com origem não comprovada, o Contribuinte se insurge contra a autuação invocando o artigo 43 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional (CTN) e o artigo 146, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, aduzindo que depósito bancário não pode se constituir em fato gerador do Imposto de Renda; que é ilegal tomaremse depósitos bancários para fins de tributação do Imposto de Renda sem constatação e prova cabal de um correspondente acréscimo patrimonial. Diz também ser inaplicável a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Sobre a insuficiência de recolhimento de Imposto de Renda sobre Ganho de Capital, argumenta que efetivamente realizou os custos de benfeitorias, no valor de R$ 42.595,00 e diz que os documentos relativos aos dispêndios estiveram à disposição dos Auditores Fiscais. Afirma que se os Auditores Fiscais tivessem comparecido à sua residência, a documentação teria sido exibida e eles poderiam verificar a veracidade das informações prestadas no Demonstrativo da Apuração de Ganho de Capital. Ressaltou que a solicitação para apresentação de documentos relativos a reforma e construção, disposta no Termo de Intimação Fiscal, sem os esclarecimentos sobre a infração cometida, está em desacordo com o que disciplina o artigo 195 do Código Tributário Nacional e com o artigo 911 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999. A DRJFORTALEZA/CE julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, rejeitou a arguição de nulidade do procedimento fiscal e do lançamento. Destacou que como o Contribuinte impetrou mandado de segurança relativamente a estas matérias, renunciando à instância administrativa. Observou, todavia, que a requisição de informações sobre a movimentação financeira foi expedida conforme as orientações normativas, sem vício no procedimento fiscal quanto a este aspecto. E sobre as arguições de inconstitucionalidades, ressaltou que a apreciação desses questionamentos escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento. Assim, em conclusão desta parte, a DRJFORTALEZA/CE não conheceu da impugnação quanto à arguição de nulidade do procedimento fiscal por alegado abuso de poder, bem como quanto à nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário e a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1995 e da Lei Complementar nº 105, de 2001. Rejeitou, pois, a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, sobre a quebra de sigilo bancário, a DRJ FORTALEZA/CE afastou a alegação de que depósitos não são renda, esclarecendo que se trata de apuração indireta de renda mediante presunção legal; ressalta que o procedimento tem previsão legal no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; que caberia ao Contribuinte o ônus de comprovar as origens dos depósitos bancários e, com isto, elidir a presunção de omissão de rendimentos; que não provadas as origens dos depósitos bancários, resta caracterizada a omissão de rendimentos. Sobre a insuficiência no recolhimento do ganho de capital a DRJ FORTALEZA/CE rechaçou a afirmação de que os auditoresfiscais deveriam, necessariamente, se dirigirem à residência do fiscalizado para examinar os documentos; que caberia ao Contribuinte apresentar os documentos solicitados e não o tendo feito, não comprovou os gastos com a realização das alegadas benfeitorias, justificando a revisão do cálculo do imposto sobre o ganho de capital. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 2201001.810 S2C2T1 Fl. 4 5 O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 24/03/2006 (fls. 837) e, em 26/04/2006, interpôs o recurso voluntário de fls. 838/939 no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Acrescenta manifestação contra a utilização dos dados da CPMF como base do procedimento fiscal, rechaçando a aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001 que alterou a Lei nº 9.311, de 1996. Sustenta que os depósitos de um mês devem ser considerados como comprovantes dos depósitos do mês seguinte. Requer a realização de diligência. As alegações do recurso foram assim resumidas pelo próprio Contribuinte em suas considerações finais e pedido final: 3 Considerações Finais. 3.1 Considerando que, somente o Poder Judiciário é o órgão competente para quebrar o sigilo bancário d e qualquer cidadão; 3.2 Considerando que, não foi estabelecido o devido processo legal para que o Poder Judiciário, único órgão imparcial e equidistante pudesse se manifestar acerca d a quebra do sigilo; 3.3 Considerando que, a Lei Complementar n.° 105/2001 não pode, em hipótese alguma, ser aplicada à fatos anteriores à sua vigência (que teve início em 10 d e janeiro de 2001), contrariando a Constituição Federal e a Lei d e Introdução a o Código Civil; 3.4 Considerando que, nos anos d e 1997 a 2.000 vigorava a Lei n° 9.311/96, que impedia a utilização das informações extraídas da CPMF para lançamento d e outros tributos; 3.5 Considerando que o início da ação fiscal se deu em razão de informações dos bancos referentes à tributação d a CPMF, cumprindo o disposto na Lei n° 9.311/1996; 3.6. Considerando que, a Lei n° 9.311/1996 até a vigência da Lei 10.174/01, impedia a utilização dos dados da CPMF para cobrar outros tributos, e sua utilização para períodos anteriores a 11/01/2001 é trazer insegurança jurídica aos cidadãos; 3.7 Considerando que não houve motivação quanto ao enquadramento da situação fática do recorrente na lista taxativa do art. 3º do Decreto 3.724/2001. 3.8 Considerando que a situação fática do contribuinte não se enquadra nas disposições do art. 3o do Decreto 3.724/2001, tornando o procedimento administrativo eivado de vícios insanáveis. 3.9 Considerando que o Auto de Infração é baseado em "presunções relativas" e não houve aprofundamento na busca d a verdade material; 3.10 Considerando que a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos estabelece que "é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado, com base apenas em extratos ou depósitos bancários"; Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 3.11 Considerando que, depósitos bancários, por si só, não configuram renda conforme preceitua a Constituição Federal, devendo haver um nexo causal entre os depósitos e a omissão d e rendimentos; 3.12 Considerando que, o princípio da verdade material é aplicável ao processo administrativo fiscal e a busca da mesma deve pautar todo o trabalho na fase d e procedimento, com intuito de se obter um juízo de certeza, necessário a identificação da capacidade contributiva; 3.13 Considerando que, eventuais omissões de rendimentos detectada e tributada em um mês é suficiente e necessária para justificar omissão presumida de rendimentos nos meses seguintes; 3.14 Considerando a recente jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 3.15 Considerando que, no caso de não aceitação das alegações preliminares e de mérito, haverá a obrigação de recalcular todo o auto de infração, nos termos de Acórdão prolatado pela Quarta Câmara do Conselho de Contribuintes; 3.16 Considerando que o princípio da verdade real deverá sempre ser aplicado ao Processo Administrativo Fiscal; 3.17 Considerando que, o recorrente não apresentou seus comprovantes juntamente com a impugnação por aguardar julgamento de ADINs pelo Supremo Tribunal Federal; 3.18. Considerando que, o recorrente possui farta documentação comprobatória d sua movimentação bancária; 3.19 Considerando que o recorrente nas Declarações de Rendimentos tempestivamente apresentadas, já tinha renda tributável e não tributável, que encontramse incluídas nos depósitos efetuados, sem que o sr. Agente Fiscal efetuasse o devido abatimento; 3.20 Considerando que, aplicar multa superior ao valor do tributo devido é inconstitucional, não respeito ao princípio d o não confisco, conforme decisão d o Superior Tribunal Federal; 3.21 Considerando a necessidade de converter o julgamento em diligência, que desde já requer; 3.22 Considerando tudo mais que do processo consta, requer seja declarado insubsistente, em sua totalidade, o auto de infração, objeto deste recurso, fazendose com isso JUSTIÇA. 4. Conclusão. 4.1 Requer ainda que intimações sejam feitas em nome do patrono da Recorrente, Onivaldo José Squizzato, inscrito na OAB/SP sob n° 68.531, Rua Senador Vergueiro, n° 207, CEP 13.480002, Centro Limeira/SP. 4.2 Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente pela sustentação oral, que Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 2201001.810 S2C2T1 Fl. 5 7 desde já requer, juntada de novos documentos, perícias e auditoria contábil, e quaisquer outras provas que se façam necessárias, desde que admitidas nos processos administrativos. O processo foi incluído na pauta de julgamento da Sexta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuinte do dia 28 de março de 2007 que decidiu converter o julgamento em diligência para as seguintes providências: A) para que seja efetuado o confronto dos pagamentos constantes dos docs. 904 com a movimentação bancária, bem como seja aferida a regularidade dos prestadores perante a Secretaria da Fazenda de São Paulo; B) para avaliar se há pertinência dos mapas de fls. S06 a 1036 com movimentação bancária, intimandose o contribuinte a trazer aos Autos documentos que atestem as informações contidas no campo Justificativa; C) para que seja realizado confronto dos documentos de fls. 1038 a 1090 com a movimentação bancária e, neste caso, ainda, que se verifique a regularidade da inscrição dos contribuintes perante a Secretaria da Fazenda de São Paulo. E, ainda, para que o Contribuinte fosse intimado a apresentar os livros fiscais e que fosse intimada a Secretaria da Fazenda para atestar a regularidade da autorização para impressão dos documentos fiscais e, finalmente, para que fosse realizado o confronto dos documentos de fls. 1092 a 1170 com a movimentação financeira. Cumpriuse a diligência que concluiu pela exclusão da exigência relativamente à infração depósitos bancários com origens não comprovadas dos valores de R$ 599.092,87, R$ 297.564,88, R$ 266.411,93 e R$ 257.752,57, para os anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000, respectivamente, com base nos fundamentos detalhadamente expostos no Relatório Final de Diligência nº 587/09/05, às fls. 1856/1862. O Contribuinte foi cientificado do relatório de diligência e apresentou a manifestação de fls.1867/1872 no qual aponta possíveis origens para os depósitos nos valores de R$ 21.500,00, em 1998 e R$ 9.000,00, em 2000. Referese ainda a saldos de caixa que eram novamente depositados em suas contas. Assim, reitera as alegações do recurso voluntário quanto à improcedência do lançamento. Às fls. 1233/1234 o Contribuinte apresenta pedido de desistência parcial do processo nos seguintes termos: WALTER LUCIO PECCININI, brasilleiro, agricultor, portador do CPF/MF 197.982.88815, residente e domiciliado na Rua Senador Vergueiro, n° 1016 Apto 9 Centro, nesta cidade e comarca de Limeira, Estado de São Paulo, vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, através de seu procurador infra assinado, em atendimento a Lei 11.941/09 (caput do art. 13 e o § 4 o do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06 de 22/07/2009), expor o que segue: 1) O recorrente desiste dos seguintes direitos que se fundam a ação: Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 a) Da nulidade do Auto de Infração pela inconstitucionalidade da lei 10.174/2001, da aplicação da LC 105/01, bem como, 10.174/2001, e b) Não configuração em renda dos depósitos bancários (art. 42, Lei 9.430/1996). 2) Por outro lado, o processo administrativo em questão deverá ter seu prosseguimento, com as seguintes questões: a) Exclusão da Multa de 112,5%; b) Tudo o que mais constar do processo, excetuado o item 1 Posteriormente, às fls. 1839/1840, apresenta nova manifestação na qual ratifica o pedido anterior e esclarece que pediu parcelamento de parte do crédito tributário objeto do processo e esclarece que desiste parcialmente do recurso quanto às matérias “retroatividade da Lei nº 10.174, de 2001” e “não configuração de renda dos depósitos bancários com origens não comprovadas” e que reitera o recurso com relação a todas as demais matérias. E especifica os valores que deverão integrar o parcelamento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o Contribuinte desistiu parcialmente do recurso. Segundo informado pelo próprio Contribuinte, a desistência abrange apenas os valores que foram objeto de parcelamento e compreende as matérias relacionadas com a discussão sobre a retroatividade da Lei nº 10.174, de 2001 e a possibilidade legal da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários. Persiste, portanto, o litígio quanto ao ganho de capital, à comprovação das origens dos depósitos bancários e ao agravamento da multa de ofício. Ante de prosseguir na análise dessas questões, contudo, convém ressaltar que o Contribuinte acionou o Poder Judiciário para discutir algumas matérias relacionadas a este processo e, ao fazêlo, renunciou à discussão das mesmas na esfera administrativa, como já ressaltou a decisão de primeira instância, que delas não conheceu. Tratase da discussão sobre a nulidade do lançamento por abuso de poder econômico e por quebra do sigilo bancário e à aplicação da Lei Complementar nº 105, de 2001. Afastada esta questão e, para que não pairem dúvidas, rejeito também qualquer alegação de nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. O procedimento fiscal e a autuação foram procedidos por servidor competente, com observância das orientações normativas que regem o processo administrativos fiscal, foram expostos com clareza a descrição de fato e os fundamentos legais da exigência permitindo ao Contribuinte o exercício amplo do direito ao contraditório e ampla defesa. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 2201001.810 S2C2T1 Fl. 6 9 Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. Registro também, como já ressaltado pela decisão de primeira instância, que questionamentos sobre a inconstitucionalidade de normas legais escapam à competência dos órgãos de julgamento administrativo apreciarem, conforme súmula nº 02 do CARF que em seu enunciado diz expressamente que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto ao mérito, relativamente ao ganho de capital, a diferença apurada decorre da glosa de valores que o Contribuinte declarou como partes dos custos do imóvel alienado. Tal custo referese à instalação de um armário e, intimado a comprovar o gasto o Contribuinte nada teria apresentado. Na impugnação o Contribuinte diz que os documentos comprobatórios destes custos estavam à disposição dos fiscais em sua residência mas que estes lá não compareceram. Com o recurso o Contribuinte apresentou a nota fiscal de fls. 941, emitida por Indústria de Móveis Hernandes Ltda – ME, em 17/12/99, no valor de R$ 42.595,00. Em razão da apresentação deste documento e de outros documentos, a Sexta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuinte determinou a realização de diligência para que fossem adotadas as seguintes providências (fls. 1215/1223): A) para que seja efetuado o confronto dos pagamentos constantes dos does. 904 com a movimentação bancária, bem como seja aferida a regularidade dos prestadores perante a Secretaria da Fazenda de São Paulo; B) para avaliar se há pertinência dos mapas de fls. S06 a 1036 com movimentação bancária, intimandose o contribuinte a trazer aos Autos documentos que atestem as informações contidas no campo Justificativa; C) para que seja realizado confronto dos documentos de fls. 1038 a 1090 com a movimentação bancária e, neste caso, ainda, que se verifique a regularidade da inscrição dos contribuintes perante a Secretaria da Fazenda de São Paulo, Ainda quanto a tais documentos, para que seja o Recorrente intimado para providenciar a juntada aos autos dos livros fiscais inerentes (livro de entradas ou equivalente) ao cumprimento de obrigações acessórias perante a Secretaria da Fazenda de São Paulo; Ainda quanto a tais documentos, para que seja o Recorrente intimado para providenciar a juntada aos autos dos livros fiscais inerentes (livro de entradas ou equivalente) ao cumprimento de obrigações acessórias perante a Secretaria da Fazenda de São Paulo; Seja intimada a Secretaria da Fazenda a fim de se constatar as respectivas autorizações de impressão de documentos fiscais; D) para que seja realizado o confronto dos docs.de fls 1092 a 1170 com a movimentação financeira. Com relação ao item “A” o Contribuinte foi intimado, para “apresentar comprovante de pagamento (cópias de cheques, transferências bancárias etc) ou identificar os Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 referidos débitos no extrato bancário, das parcelas correspondentes à Nota Fiscal nº 047, de 17/12/1999.” Na mesma intimação foi instado a apresentas outros documentos (fls. 1236/1237). Pois bem, embora o Contribuinte tenha pedido por duas vezes prorrogação de prazo para apresentar os documentos, e tenha apresentado outros documentos, relativamente a itens diversos da autuação, nada apresentou quanto a este tópico. Cumpre, portanto, examinarmos a questão com base nessas circunstâncias e nos elementos constantes dos autos. O Decreto 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal prevê que as provas da defesa devem ser apresentadas com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo nos casos específicos que prevê, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Apesar desta norma, este Conselho tradicionalmente tem admitido a prova apresentada em momento posterior, posicionamento que compartilho. Porém, penso que, nesses casos, para serem acatados os elementos de prova apresentados posteriormente, estes devem ser conclusivos, inequívocos, não demandando complementação. É que a apresentação de prova documental apenas na fase recursal privou a primeira instância do seu exame, inibiu a possibilidade de realização de diligências nesta fase processual para a verificação da autenticidade da prova, providência que não devem ser tomadas apenas no recurso em face da decisão de primeira instância. Neste caso, todavia, mesmo assim, este Conselho determinou a realização de diligência para que fossem colhidos elementos que afastassem dúvidas quanto à autenticidade do documento apresentado; que ratificassem a efetividade dos pagamentos dos serviços, e tal diligência resultou frustrada, por omissão do próprio Contribuinte. A teoria da prova distingue a prova em si, que é a demonstração de um fato, dos meios de prova, que são os recursos que se pode lançar mão para fazer tal demonstração. Pois bem, o processo administrativo tributário brasileiro, por um lado, admite variados meios de prova: documento, diligência,. perícia, indício, presunção, e, por outro lado, atribui ao julgador a liberdade de apreciar e valorar essas provas de acordo com o seu livre convencimento, que, por sua vez, deve ser fundamentado. A nota fiscal é, sem dúvida, um meio de prova da compra de um bem ou da prestação de um serviço, mas não é a prova em si. E, nas circunstâncias deste processo, considerando o momento da apresentação do documento e a omissão do Contribuinte em comprovar a efetividade do pagamento, em atendimento a intimação, penso que não restou comprovada a realização do custo. Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 2201001.810 S2C2T1 Fl. 7 11 Assim, mantenho a exigência quanto ao ganho de capital. Quanto aos depósitos bancários com origens não comprovadas, como se viu acima, foram apresentados vários elementos que foram apreciados em procedimento de diligência. No relatório de diligência a autoridade fiscal constatou a regular comprovação das origens de depósitos bancários nos seguintes valores: Anocalendário Valor (R$) 1997 599.092,87 1998 297.564,88 1999 266.411,93 2000 257.752,57 Cientificado do Termo de Diligência Fiscal, o Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 1865/1871 no qual pede a revisão de alguns valores, que especifica, a saber: crédito de R$ 21.500,00, em 1998 e crédito de R$ 9.000,00 em 2000, ambos os valores referindose à venda de veículos. Porém, em nenhum dos casos apresenta elementos que demonstrem a coincidência de datas e valores que vinculem os créditos às operações. Argumenta que nem sempre é possível demonstrar e4ssa coincidência. Mas nestes casos, nada foi trazido aos autos que permitam se inferir que os créditos em questão tenham as origens alegadas. E sobre a afirmação de que saldos de caixas são “redepositados” não há como prosperar a alegação sem a comprovação da efetiva origem dos recursos. Assim, por estarem devidamente fundamentadas e por ter sido confirmadas pela diligência fiscal, acolho a comprovação das origens dos depósitos nos seguintes valores e períodos: Anocalendário Valor (R$) 1997 599.092,87 1998 297.564,88 1999 266.411,93 2000 257.752,57 Finalmente, resta examinar o agravamento da multa de ofício. Inicialmente, sobre a alegação de caráter confiscatório da multa, como já ressaltou a decisão de primeira instância, este tipo de questão escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento. É que a aplicação da penalidade tem previsão expressa em dispositivo de lei e deixar de aplicála por entender incompatível com princípio constitucional implica em declarar a inconstitucionalidade da lei, o que refoge completamente à competência deste Conselho, como, aliás, foi assentado em súmula, a saber: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já quanto ao agravamento da multa, vêse que esta foi justificada na falta de apresentação dos extratos bancários e informações sobre a movimentação financeira, conforme relatório fiscal, a saber: Em virtude da falta de atendimento do contribuinte já qualificado, para apresentação dos extratos, documentos e informações de suas movimentações junto às instituições financeiras, solicitados através dos Termos de Intimações e Reintimações encaminhadas ao contribuinte e relatadas nos FATOS supra mencionados, com base no § 2.° do artigo 44 da Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Lei 9.430/96, que transcrevemos abaixo, procedemos ao agravamento da multa do lançamento de ofício. Ora, embora o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 se refira ao não atendimento da intimação para prestar esclarecimento como situação definidora da hipótese de agravamento da multa de ofício, devese levar em conta o contexto e o efeito dessa omissão. No caso, como se viu acima, a intimação não atendida era para apresentas extratos bancários e informações sobre a movimentação financeira, quando há lei prevendo procedimentos específico. Inclusive com restrições, para a requisição dessas informações por parte do Fisco diretamente às instituições financeiras. Refirome à Lei Complementar nº 105, de 2001. Assim, não se pode dizer que o não atendimento à intimação neste caso tenha sido uma afronta ou que tenha causado embaraço à ação fiscal. Logo, não se justifica o agravamento da multa de ofício. Concluo, pois pelo desagravamento da multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento referente à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários os valores de R$ 599.092,87, no anocalendário de 1998; R$ 297.564,88, no anocalendário de 1998; R$ 266.411,93, no anocalendário de 1999; e R$ 257.752,57, no ano calendário de 2000, e de desagravar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 2201001.810 S2C2T1 Fl. 8 13 Processo nº: 10865.002062/200218 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.810. Brasília/DF, 28 de setembro de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 16024.000267/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Existindo elementos nos autos que identifiquem o contribuinte como titular de fato da conta bancária mantida no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
MULTA QUALIFICADA. EXCLUSÃO
A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada em instituição financeira situada no Exterior não permite a qualificação da penalidade, por não evidenciar, por si só, dolo ou fraude. Sumula Carf n° 25.
Numero da decisão: 2202-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Quanto ao Recurso de Ofício, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 810.466,16, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Depósitos bancários Recorrente WLADIMIR GAZZOLA JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo elementos nos autos que identifiquem o contribuinte como titular de fato da conta bancária mantida no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. MULTA QUALIFICADA. EXCLUSÃO A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada em instituição financeira situada no Exterior não permite a qualificação da penalidade, por não evidenciar, por si só, dolo ou fraude. Sumula Carf n° 25. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 67 /2 00 9- 13 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, Quanto ao Recurso de Ofício, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 810.466,16, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 16024.000267/200913 Acórdão n.º 2202002.024 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo/SP que manteve parte da autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendários de 2004 e 2005 sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos e de investimentos mantidos em instituições financeiras no Brasil e no exterior, de origem não comprovada, cujo Acórdão possui a seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é do art. 173, I, do CTN, com inicio do prazo no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo titular de fato da conta bancária mantida no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. MULTA QUALIFICADA. A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada em instituição financeira situada no Exterior evidencia a intenção de reduzir o montante do imposto devido, o que dá ensejo à aplicação da multa qualificada em relação a essa omissão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES 4 As decisões administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão. Adoto parte do relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 414/418, acompanhado dos demonstrativos de fls. 409/413 e Relatório Fiscal de fls. 403/408 (planilhas 398, 399 e 402), relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anoscalendário de 2004 e 2005, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 10.021.747,14, dos quais, R$ 3.346.818,39 são referentes a imposto, R$ 4.999.266,90 são cobrados a titulo de multa proporcional e R$ 1.675.661,85 correspondem a juros de mora calculados até 30/11/2009. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 416/418, a exigência decorreu da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório Fiscal anexo. Consta do Relatório Fiscal que a multa de oficio foi aplicada no percentual de 75%, com base no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em relação à omissão de rendimentos evidenciada por depósitos bancários de origem não comprovada nas contas mantidas no Brasil, e no percentual de 150%, com base no § 1º do mesmo dispositivo legal (com redação dada pela Lei n° 11.488 de 15/06/2007), em relação aos créditos efetuados na conta mantida no Banco Credit Agricole (Suisse), por ter o sujeito passivo, de forma livre e consciente impedido o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador da obrigação tributária ao optar por conta em paraíso fiscal nada informando nas suas declarações de ajuste anual. Cientificado do lançamento em 14/12/2009 (AR de fl. 420), o contribuinte apresentou em 13/01/2010 impugnação de fls. 426 a 457. Decisão recorrida com Recurso de Oficio a fls. 525/539, com ciência em 31/05/2010 (AR de fls. 547), com o cancelamento de parte da autuação pelo reconhecimento de estornos das contas bancária e de valores iguais ou inferiores a R$12.000,00, não superior da R$ 80.000,00 no ano. Recurso Voluntário a fls. 548/571, onde sustenta que jamais teve disponibilidade jurídica ou econômica dos valores apontados pelo Fisco, não havendo, assim, amparo à autuação. A fiscalização se baseia em meras conjecturas, suposições e indícios, sem qualquer prova de o Recorrente ou de seus filhos ser o detentor da conta bancária na Suíça. Sustenta ainda: a) Decadência do capital investido, caso fosse o Recorrente titular da conta eleita pelo fisco. A desconsideração do extrato bancário de fls. 349, do ano de 2003, comprova o reconhecimento da decadência; b) Os laudos constantes dos autos não vinculam o Recorrente, especialmente a ficha cadastro, que não é de sua autoria. Junta laudo grafotécnico para comprovar não ser sua a assinatura lançada na Ficha de Cadastro e demonstrar que não é nem nunca foi correntista da conta bancária e jamais participou das operações; Fl. 521DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 16024.000267/200913 Acórdão n.º 2202002.024 S2C2T2 Fl. 4 5 c) O fisco utiliza documento tomado de forma parcial para efetuar o lançamento, ignora a data da abertura da conta, o valor depositado e a transferência para o Banco Credit Lyonnais, ignora os valores aplicados e reaplicados e o capital de forma repetida, no lugar de tributar apenas os juros; d) As provas obtidas pelo fisco de seus nomes aparecerem nos lançamentos efetuados na conta 24.086.0001, resultaram negativas, com relação à Petrobrás Internacional Finance Company, Sabesp, com relação a operação de emissão de Eurobônus, mesmo buscando a identificação do titular da conta n° 24.086.0001, e Cesp, afirmou não possuir do detentor dos títulos e remessa de juros ao exterior, Banco do Brasil e Banco Alfa, afirmaram não possuir controle sobre quem adquiriu os títulos lançados no exterior, o que demonstra que fiscalização errou ao elegeu o Recorrente, ou pelo menos há dúvida,com infração ao art. 112 do CTN. e) O arquivo da empresa "Toran" era desconhecido do Recorrente, assim como o denominado "Casa. Txt", enquanto que o registro do Termo WLAGA junto ao número 24.086, que demonstraria estar compatível com o nome Wladimir Gazzola e o número de conta na Suíça n° 24.086.0001, não passa de mera suposição da autoridade fiscal. f) Não são considerados nos rendimentos omitidos, para os fins da presunção do art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, os depósitos bancários de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse R$ 80.000,00. g) Questiona ainda a multa de 150%, pela ausência de provas para qualificar o ilícito apontado. Cita a Súmula nº 25 do CARF e menciona que, acaso devida a autuação, a penalidade deve ser reduzida a 75%. É o relatório. Voto. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES 6 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício que preenchem os requisitos de admissibilidade e devem ser conhecidos. Cuidase de autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários e aplicações financeiras, no Brasil e no exterior, de origem não comprovada. As contas bancárias existentes no exterior tiveram o sigilo quebrado por ordem judicial (fls. 17 a 20). Com relação às contas bancárias existentes no Brasil, o Recorrente, intimado, apresentou os extratos (fls. 40, 148 a 180). Houve expedição de da Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, às empresas Petrobras, Cesp, Sabesp, Banco do Brasil, Banco Alfa, que efetuaram crédito na conta bancária na suíça (fls. 237 e 139), mas os mandados resultaram negativos (fls. 181 a 251), sem haver em relação a essas operações qualquer quebra do sigilo bancário. Dessa forma, não há impedimento para apreciação e decisão do presente recurso pela C. Turma Julgadora, face à Repercussão Geral sobre a quebra do sigilo bancário no C. STF, objeto do RE 601.314/SP e a disposição do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. Feitas esta observações sobre questão de ordem, do desenvolvimento válido e regular do processo, passo ao exame do recurso voluntário. Sustenta inicialmente o Recorrente a ilegitimidade passiva para responde pela autuação por não possuir contas bancárias ou aplicações financeiras no exterior (fls. 82) e não ter recebido qualquer importância dessas fontes situadas no exterior (fls. 130), daí sua a ilegitimidade. A autuação deve origem em inquérito instaurado pela Polícia Federal para investigação de evasão de divisas e que resultou em denúncia de instauração de processo crime pelo Ministério Publico Federal. Não há noticia nos autos sobre o andamento e o desfecho do processo crime, mas aqui pouco importa esse fato, serviria, eventualmente, para corroborar a titularidade da conta do exterior. Pois bem, para comprovar a titularidade da conta do autuado no exterior houve apreensão de computador pessoal e elaboração de Laudo técnico pela Policia Técnica Federal dos documentos eletrônicos armazenados. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 16024.000267/200913 Acórdão n.º 2202002.024 S2C2T2 Fl. 5 7 O Relatório de fiscalização de fls. 403/408 (planilhas 398, 399 e 402), explica o convencimento da fiscalização sobre a autoria da conta bancária mantida no exterior pelo autuado, cujo item 30, do relatório fiscal, citando o laudo pericial da Policia Técnica e não contrariado nos autos, é autoexplicativo, dai passamos a reproduzir: 30 Após a análise de todos os documentos recebidos da DRF Curitiba, somados aos que foram produzidos no curso da fiscalização, verificamos que embora o contribuinte negue que seja titular da conta e afirme que desconhece a existência da mesma, os documentos demonstram que o Sr. Wladimir Gazzola era um dos titulares da conta n° ° 24.086.0001 do Banco Credit Agricole (Suisse) S/A, os outros titulares são seus filhos Wladimir Gazzola Junior e Luciana Gazzola. Documentos que destacamos: a) Extrato Bancário identificado com o n° 0024086.0001.USD, com movimentação do período de 21.01.2003 a 20.10.2005 (fls. 349/354). b) Laudos emitidos pelo Setor Técnico cientifico do Departamento de Policia Federal Superintendência Regional no Estado do Paraná, dos quais destacamos pontos que apontam para a titularidade da conta: Laudo n° 2379/2007, cópia as fls. 85/95 – (Laudo de exame de dispositivo de armazenamento computacional – disco rígido marca Toshiba) na página n° 3 do Laudo (fls. 87), no tópico "Busca por Contas Bancárias" da conta de referência "Toran Investiment Corporation", n° 255851, consta um arquivo denominado "Casa.txt" com o Termo WLAGA junto ao n° 24.086, que está plenamente compatível com o nome Wladimir Gazzola e o n° da conta na Suíça n° 24.086.000. Os peritos efetuaram buscas de informações de contatos no Outlook relacionados com os números de contas e termos localizados no arquivo "Casa.txt", o resultado foi um conjunto de contatos contendo informações de pessoas relacionadas com as contas bancárias. Juntamos as fls. 96/106 as telas do Outlook onde aparecem claramente contatos do gestor da conta Sr. Ubirajara Penteado com o contribuinte fiscalizado Sr. Wladimir Gazzola. Em respeito ao Sigilo Fiscal, deixamos de juntar o CD que contem os arquivos com todos os contatos (CD que faz parte do Laudo da Policia Federal) por conterem vários dados e informações de outras pessoas. Extraímos para esse processo apenas os contatos que aparecem identificado o contribuinte fiscalizado. Vale destacar que todos os arquivos estão validados conforme descrito na fl. n° 8 do Laudo (fls. 92) e fazem parte do Processo Criminal n°. 2005.70.00.0050386 da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Laudo n° 1379/2007, cópia As fls. 107/112 (Laudo referente ao exame de 04 CDs e 13 disquetes) na pagina n° 03 (fls. 109) novamente aparece o Termo WLAGA junto do n° 24.086. c) Ficha Cadastral com cabeçalho do Banco Credit Lyonnais (Suisse) S.A., onde na página 1/7 aparece o n° da conta: 24.086 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES 8 1; o nome do gestor: Ubirajara Penteado; Os Titulares: Wladimir Gazzola, Wladimir Gazzola Junior e Luciana Gazzola. A ficha traz ainda nas páginas 1/7 e 2/7, os dados pessoais dos titulares, tais como: Data de nascimento, nacionalidade, n° de passaporte, telefones, etc. Na página 4/7, traz as informações profissionais, destacando as informações das propriedade societárias dos titulares, com destaque para a empresa Gaplan – Grupo Empresaria, nas páginas seguintes da Ficha Cadastral são apresentadas mais informações dos titulares, inclusive indicando que as transferências seriam via Uruguai (fls. 362/369): d) Documentos em grande quantidade de informações sobre as empresas que o contribuinte fiscalizado tem participação societária (fls. 370/374) e) CARTÃ0 DE ASSINATURAS, com as assinaturas dos titulares: Wladimir Gazzola, Wladimir Gazzola Junior e Luciana Gazzola, com cabeçalho do Credit Lyonnais (Suisse) S/A., com n° da conta em destaque: 24.0861 (fls. 375). Observase que os autógrafos consignados nos cartões têm semelhança com as assinaturas constantes dos expedientes de autoria do contribuinte que foram dirigidos A fiscalização ao longo do procedimento fiscal. O próprio contribuinte em sua resposta datada de 10.12.09, quando se manifestou sobre os documentos encaminhados a ele, não negou que as assinaturas no cartão sejam dele. O referido Cartão de Assinatura foi encaminhado a esta Delegacia pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, pelo memorando n° 524/08/DRF/CTAJSEFIS (fls. 84) e foi obtido do apenso 13, volume 6/10, do IPL1247/05 SR/DPF/PR, Processo n° 2005.70.00.0050386 da T. Vara Federal Criminal de Curitiba (fls.113/127). O Recorrente não nega e nem contaria esses fatos apurados pela fiscalização e pericia técnica. Sustenta apenas em todo o procedimento, repetimos, que não abriu e não possui, nem mantém conta bancária no exterior e não recebeu rendimentos de fontes situadas no exterior. É comum nas operações bancárias dessa natureza seu autor não se deixar vestígios ou rastros com a possibilidade de comprovar o fato firme e seguro com apenas um só elemento de prova. A prova aqui são os vários indícios de autoria ou titularidade da conta no exterior. Um indício não é prova do fato, do contrário não seria indicio, seria prova, mas os vários índicos condizem a prova segura do fato. Nestes autos há vários indícios que nos conduzem a prova e a comprovação segura do fato, qual seja a autoria ou titularidade da conta bancaria no exterior, sem a identificação do seu titular. Apurou a pericia a existência de várias informações existente no computador periciado ligadas a conta bancárias no exterior, objeto da omissão de rendimentos. essas informações referem ao nome do autuado, data de nascimento, numero de passaporte, telefone, dados sobre as empresas de sua titularidade/participação societária. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 16024.000267/200913 Acórdão n.º 2202002.024 S2C2T2 Fl. 6 9 Essas informações não são negadas pelo autuado. Nega apenas a titularidade da conta, sem firmeza, convicção e contundência. Temos assim que esses diversos indícios da titularidade da conta – nome, data de nascimento, numero de documento de identidade, telefone, empresas, constituem meio suficientes e seguros de convicção do julgador da prova do fato, embora negado pelo autuado. Concorre ainda com os indícios de autoria da conta no exterior o pedido do autuado para reconhecimento da decadência do capital investido que teria vindo de uma conta no Paraguai. A perícia também comprovou esse fato, de a conta bancaria na Suíça, objeto da atuação, advir de uma conta no Uruguai. Assim, temos mais um indício de autoria apurado pela Policia Federal sobre a titularidade conta bancária na Suíça, corroborado em parte pela confissão do autuado ao buscar a existência de decadência do capital investido na conta no exterior. Observese que, caso se reconheça a ilegitimidade passiva não será possível examinar a decadência, daí a falta de firmeza e convicção do autuado na negativa de autoria da conta bancaria no exterior. Para contrariar os fatos apurados e comprovados pela fiscalização, o Recorrente trouxe aos autos, nesta fase do Recurso, Parecer Grafoscópico de fls. 572 e seguintes, afirmando não ser dele os manuscritos constantes na ficha de abertura da conta bancária na Suíça. Louvável o trabalho técnico trazido aos autos pelo Recorrente como elemento de prova, mas peca pela realização unilateral, sem o contraditório, faltou a ciência para acompanhamento da prova pela fiscalização. Toda e qualquer produção de prova, após a fase investigativa do inquérito, sindicância ou autuação, deve obedecer ao devido processo legal, com a possibilidade do contraditório. Embora a fiscalização não tenha sido cientificada desse Laudo, vemos que ainda seria possível esse concurso, mas há outros fatos e indícios fortes de convencimento da autoria da conta bancária no exterior, não contrariados, que nos conduzem a certeza do fato, sem necessidade de outros elementos de prova e convicção. Ademais, o parecer grafoscópico negativo, não nega a assinatura do autuado, nega apenas a autoria dos manuscritos constantes da ficha da abertura da conta bancaria não serem do autuado. Não indica o Parecer do Recorrente onde foram obtidos os documentos para exame, deve ser do processo, mas não há certeza. Também não se identifica o perito, com RG, CPF, endereço para eventual confronto ou oitiva, falhas primárias de qualquer trabalho técnico. Diante de todos esses elementos de convicção carreados para aos autos não resta dúvida da autoria e titularidade da conta bancaria no exterior. Mais, conta conjunta, cuja tributação e exigência se fez de apenas 1/3, por se tratar de três titulares, pai e dois filhos. Afasto assim a preliminar de ilegitimidade passiva do autuado e passo ao exame da decadência e do mérito da exigência. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES 10 Argumenta o Recorrente a existência da decadência do direito de a Fazenda lançar a omissão de rendimentos evidenciada por depósitos bancários de origem não comprovada na conta mantida no Crédit Agricole Suisse, porque os extratos comprovam que se trata de dinheiro reinvestido, cuja origem foi a transferência de US$ 4.277.771,57 do CL Uruguay Devise em 18/01/2002, valor que poderia ser tributado, mas foi alcançado pela decadência. Apenas os juros auferidos em prazo inferior a cinco anos seriam passíveis de tributação. Para confirmar sua tese – da decadência do capital sustenta que a fiscalização excluiu a exigência do ano de 2003. Os fatos apurados pela fiscalização correspondem ao ano base de 2004 e 2005. A notificação do lançamento ocorreu em 14.12.2009 (AR de fl. 420). Destacou a decisão recorrida, sem contrariedade, que os créditos lançados de origem não comprovada ocorreram todos entre 01.01.2004 e 31.12.2005. A conta bancaria objeto da omissão teve origem na transferência de outra existente no Uruguai. É nesta transferência de contas o ponto de maior insistência da defesa para o reconhecimento da decadência do exercício de 2004. Mas não há qualquer prova nos autos de que os valores tributados sejam decorrentes dessa transferência, daí porque necessário é admitir, pela ausência de contrariedade e provas, de a omissão decorrer de fatos apurados após 01.01.2004. Portanto, a exigência, ao que consta se faz sobre fato certo, determinado, não contrariado nos autos, do período de 2004 e 2005, cujo termo inicial do prazo decadencial é 01.01.2005 e 01.01.2006. A notificação do lançamento ocorreu em 14.12.2009 (AR de fl. 420), em prazo inferior aos cinco anos necessários a se operar a decadência. Afasto assim a preliminar de mérito relativa decadência do direito de a Fazenda Publica constitui o crédito tributário. No mérito, nada foi comprovado, de forma que deve prevalecer a autuação, com as exclusões necessárias e que não foram consideradas. O Recurso de Ofício deve ser improvido. Cuida o recurso de oficio da exclusão das parcelas do depósito bancários vinculadas a reinvestimento e estornos de créditos, conforme vemos na decisão recorrida: Analisando os extratos de fls. 32 a 37 da conta n° 24.086.0001 mantida no Banco Credit Agricole (Suisse), verificase que efetivamente constam dos extratos lançamentos de 05 (cinco) créditos em 2004 e 04 (quatro) créditos em 2005, que estão vinculados a um débito anterior indicando reinvestimentos e que o crédito ocorrido em 03/06/2005 no valor de US$ 690,000.00 foi estornado em 09/06/2005 (fl. 35). Assim, tais valores, discriminados na tabela a seguir, devem ser excluídos da tributação por disposição expressa da Lei n° 9.430/1996. Idêntica exclusão feita pela decisão recorrida deve ser realizada em relação aos créditos abaixo (fls. 349 a 354 e 402), por se tratar de Loan, empréstimo, em inglês, que não configura rendimento para caracterizar omissão, daí a necessária exclusão: Fl. 527DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 16024.000267/200913 Acórdão n.º 2202002.024 S2C2T2 Fl. 7 11 07.06.05 LOAN USD 745.000 AT 4.25% MATURITY 07.06.06 TR0045328 745.000,00 2,46240 1.834.488,00 611.496,00 27.09.05 LOAN USD 200.000 AT 4.37% MATURITY 24.10.05 . TR0051668 200.000,00 2,25250 450.500,00 150.166,66 27.09.05 LOAN USD 65.000 AT 4.45% MATURITY 30.12.05 TR0051673 65.000,00 2,25250 146.412,50 48.804,16 Assim, devem ser excluídos da base de calculo do lançamento do ano calendário 2005 os valores de R$ 611.496,00, em 07.06.2005, R$ 150.166,66 e de R$ 48.804,16, ambos em 27.09.2005, objeto de empréstimos (Loan) . Os depósitos bancários de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, com soma, dentro do anocalendário, igual ou inferior a R$ 80.000,00, de que trata o art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, foram excluídos pela decisão recorrida e a Recorrente não apontou quais seriam os valores que deixaram de ser excluído, razão pela qual não há reparos. A multa qualificada merece reparos e deve ser excluída da autuação. A decisão recorrida qualificou a penalidade sob o fundamento de tratar de significativa soma e sonegação das informações ao fisco da conta mantida no exterior, entendendo configurado o dolo nessa conduta. Vejamos o teor da decisão: ... sendo o contribuinte cotitular de conta mantida no exterior, não informada na Declaração de Ajuste Anual, na qual foram movimentados altos valores e só tendo a Receita Federal tomado conhecimento deste fato por repasse de informação da Justiça Federal, concluise, ao contrário do afirmado pelo recorrente, que no caso dos depósitos efetuados no exterior há elementos suficientes para a caracterização do intuito doloso. Houve, concretamente, conduta tendente a manter distante da tributação montantes significativos de rendimentos auferidos, mas que foi detectado pelo lançamento, o que não pode ser confundido com uma mera omissão de rendimentos em valores bem inferiores e apuradas em contas mantidas no Brasil que foram informadas na declaração de ajuste anual, a qual se aplicou a multa de 75%. Houve sonegação das informações, sem dúvida, mas o fato de o valor ser elevado e não haver informação da existência da conta bancaria no exterior não é autorização ou motivo suficiente para caracterização do dolo, fraude ou conluio, de que cuida o art. 44, § 1o, da Lei 9430 de 1996 c/c. art. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964, para qualificar ou agravar a penalidade. Poderia haver dúvida sobre a sonegação da conta no exterior, jamais o levado valor mantido na conta ser motivo da conduta dolosa. Contudo, em relação a sonegação da conta este fato por si só já é penalizado com a multa de ofício de 75%. Daí existir inteira razão do Recorrente no cancelamento dessa parcela da penalidade, corroborada pela Súmula CARF nº 25, estabelecendo: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de Fl. 528DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES 12 ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ante o exposto, pelo meu voto, rejeito as matérias preliminares de ilegitimidade de parte e decadência e, no mérito, nego provimento ao recurso de oficio e dou parcial provimento ao recurso voluntário para determinar a exclusão da base de cálculo, do anocalendário 2005, de R$ 611.496,00, R$ 150.166,66 e R$ 48.804,16, totalizando R$ 810.466,16, e excluir a qualificadora da penalidade imposta, mantendo a multa de oficio de 75%. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 529DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ODMIR FERNANDES
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