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Numero do processo: 13819.900262/2012-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 62 /2 01 2- 45 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 35/38 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 29,56, referente ao mês de jan/2005, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900262/201245 Acórdão n.º 3802003.616 S3TE02 Fl. 113 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 40). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 42/47, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 40). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900262/201245 Acórdão n.º 3802003.616 S3TE02 Fl. 114 5 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723012/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Devem ser negadas as solicitações de diligência consideradas desnecessárias à solução do litígio.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo, porém, a dedução dos créditos decorrentes de transferências entre as contas bancárias da titular.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA.
A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, ou então do Livro Caixa, no caso de empresas habilitadas ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Confirmada, parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar à CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS igual entendimento.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES.
A base de cálculo dessas contribuições é o faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendo-se como tal o total das receitas auferidas, admitindo-se a exclusão, tão-somente, das parcelas expressamente previstas na legislação disciplinadora de cada matéria, entre as quais não se encontra o ISS incidente sobre a prestação de serviços, que, portanto, compõe a receita bruta e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS e da COFINS.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 1202-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade suscitada, em indeferir os pedidos de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento integral ao recurso
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente),Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Devem ser negadas as solicitações de diligência consideradas desnecessárias à solução do litígio. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo, porém, a dedução dos créditos decorrentes de transferências entre as contas bancárias da titular. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, ou então do Livro Caixa, no caso de empresas habilitadas ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Confirmada, parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar à CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS igual entendimento. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. A base de cálculo dessas contribuições é o faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendo-se como tal o total das receitas auferidas, admitindo-se a exclusão, tão-somente, das parcelas expressamente previstas na legislação disciplinadora de cada matéria, entre as quais não se encontra o ISS incidente sobre a prestação de serviços, que, portanto, compõe a receita bruta e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS e da COFINS. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade suscitada, em indeferir os pedidos de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento integral ao recurso (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente),Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Devem ser negadas as solicitações de diligência consideradas desnecessárias à solução do litígio. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo, porém, a dedução dos créditos decorrentes de transferências entre as contas bancárias da titular. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, ou então do Livro Caixa, no caso de empresas habilitadas ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Confirmada, parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar à CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS igual entendimento. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 30 12 /2 00 9- 22 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 3 2 A base de cálculo dessas contribuições é o faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose como tal o total das receitas auferidas, admitindose a exclusão, tãosomente, das parcelas expressamente previstas na legislação disciplinadora de cada matéria, entre as quais não se encontra o ISS incidente sobre a prestação de serviços, que, portanto, compõe a receita bruta e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS e da COFINS. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade suscitada, em indeferir os pedidos de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento integral ao recurso (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente),Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Consta do relatório do Acórdão DRJ/SDR n° 1521.403, de 21/10/2009 (Fls.379 a 403): Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes ao anocalendário de 2005, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 07 a 13, no valor de R$242.323,72 (duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e vinte e três reais e setenta e dois centavos); de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 14 a 19, no valor de R$119.845,69 (cento e dezenove mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e nove centavos); de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, às fls. 20 a 27, no valor de R$71.810,53 (setenta e um mil, oitocentos e dez reais e cinquenta e três centavos); e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às fls. 28 a 35, no valor de R$331.433,46 (trezentos e Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 4 3 trinta e um mil, quatrocentos e trinta e três reais e quarenta e seis centavos), acrescidos da multa de ofício e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de arbitramento do lucro, nos quatro trimestres do anocalendário de 2005, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Relatório de Fiscalização, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 530, inciso III, 532 e 534 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Os Autos de Infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS decorreram do Auto de Infração de IRPJ. O enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração aos arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; artigo 29 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. O enquadramento legal do Auto de PIS aponta infração aos arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 07, de 1970; e arts. 2°, inciso I, alínea "a", e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. No caso da COFINS, o enquadramento legal aponta infração ao art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. No Relatório de Fiscalização, à fl. 36, o Autuante declara, em síntese, que: a ação fiscal teve início em 25/09/2008, com a entrega, no domicílio da pessoa jurídica, do termo de Início do Procedimento Fiscal, cuja ciência foi dada pela Sra. Luciana Souza Pinheiro. Por falta de apresentação da documentação solicitada, foi entregue o Termo de Reintimação Fiscal, recebido pela mesma pessoa, em 28/10/2008, igualmente não atendido; em razão de a referida senhora ter alegado não responder pela pessoa jurídica fiscalizada, por ser funcionária de outra empresa do mesmo grupo, reenviamos outro Termo para o domicílio da empresa, recebido em 10/03/2009, conforme Aviso de Recebimento em anexo, também não atendido no prazo estipulado; diante da falta dos livros e documentos solicitados, requisitamos das instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, baseado nos quais foi elaborado o Demonstrativo de Créditos Extratos Bancários, em anexo, relativo ao ano calendário de 2005. O contribuinte foi então intimado, através do Termo de Solicitação de Esclarecimentos, em anexo, a esclarecer e comprovar os valores creditados em suas contas bancárias; mais uma vez, não havendo quaisquer esclarecimentos ou apresentação de documentos, os valores dos créditos bancários foram computados como receitas recebidas e tributadas pelo Lucro Arbitrado, para fins de IRPJ e CSLL. Tais receitas foram utilizadas também para apuração das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte não recolheu ou confessou débitos, através de DCTF, relativos aos tributos acima. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 5 4 Às fls. 118 a 144, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: como é de conhecimento geral, as declarações prestadas por um agente fiscal gozam de fé pública, ou seja, presunção de veracidade. Sendo assim, qualquer versão dos fatos diversa daquela estampada no relatório fiscal requereria uma prova substancial do alegado, sob pena de não se impor frente aos fatos oficiais. Mesmo assim, a impugnante sentese no dever de descrever o que ocorreu segundo a declaração da Sra. Luciana Pinheiro, citada pelo AuditorFiscal. Diz a preposta do Grupo Fator que o Auditor compareceu à sede do grupo, em novembro de 2008, apresentando o Termo de Início de Procedimento Fiscal e uma lista de documentos necessários para a fiscalização, lista essa que ela encaminhou à contabilidade da empresa, no Rio de Janeiro, que, por sua vez, informoulhe que seriam necessários quinze dias para organizar e remeter a documentação para Salvador; diante deste contexto, a preposta solicitou, verbalmente, prorrogação de prazo por quinze dias, o que foi deferido pelo Fiscal, também verbalmente. Após receber a documentação (Livro Diário 2005, Razão/Balancete 2005, DIPJ 2005 e a pasta contendo os extratos bancários do período), a Sra. Luciana afirma ter ligado para o Auditor informandoo de que os documentos estavam disponibilizados. Em janeiro de 2009, ele retornou à sede do Grupo Fator e solicitou cópia de todos os extratos bancários para o dia seguinte. Em virtude da grande quantidade de documentos (mais de 300 folhas), a Sra. Luciana informou que não teria condições de providenciar tais cópias em prazo tão curto. Diante disso, o Auditor teria pedido que os originais fossem entregues na sede da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que não pode ser feito em face de uma diretriz da empresa que não permite a saída de documentos originais, fato comunicado por telefone ao AuditorFiscal; em fevereiro de 2009, o Auditor teria retornado e questionado a Sra. Luciana se ela era funcionária da fiscalizada, tendo ela dito que não era funcionária da empresa, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), respondendo por todo o Grupo Fator. Acrescentou que não existia mais nenhum funcionário lotado na fiscalizada, uma vez que encerrada a incorporação do edifício. O Auditor então, ao verificar que ela não tinha procuração, afirmou que ela não poderia responder pela empresa. Disse que retornaria em seguida, o que não ocorreu. A Sra. Luciana declarou que somente teve novo contato com a fiscalização em junho de 2009, quando recebeu, por AR, cópia do Auto de Infração impugnado; portanto, a versão da Sra. Luciana chocase com o relatado no Auto de Infração. Além disso, a autuada desconhece a existência de novo Termo de Início de Procedimento Fiscal ou mesmo da intimação para esclarecimento da movimentação bancária. A autuada não sabe para que endereço foram enviados esses termos, mas é bem provável que tenha sido o endereço constante Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 6 5 do estatuto social. Como a sede da autuada, uma SPE, é o local da construção do edifício por ela incorporado, a autuada encerrou a sua existência no momento em que cumpriu o seu objeto social. Assim, as novas intimações, provavelmente, foram encaminhadas para um edifício vendido pela autuada; a impugnante não pode concordar com o auto de infração lavrado, pelos motivos que passa expor: A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO o sigilo bancário, entendido como direito constitucional que viabiliza a confidencialidade dos dados e das informações conservadas pelas instituições financeiras, só pode ser infirmado quando houver manifesto interesse público, e desde que sob a intervenção e o crivo do Poder Judiciário. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos; quanto às circunstâncias autorizadoras, elas devem ter fundamento legal, respeitada a legalidade cerrada ou típica, bem como possuir relevância jurídicosocial, ou seja, realizar o interesse público, que não se confunde com interesse da Fazenda Pública. Sobre o procedimento a ser adotado, indispensável a intervenção do Poder Judiciário, que deve autorizála no âmbito de um expediente oficial previamente instaurado (administrativo ou judicial), não se olvidando dos rigorosos limites impostos ao órgão requisitante, que deve utilizar os dados para o fim anteriormente definido, mantendo o sigilo perante terceiros. Por conseguinte, o desrespeito a um destes pressupostos torna o procedimento ILEGAL, nulificando o expediente fiscalizatório comandado pelo Poder Público. E é por isso que o procedimento realizado pela Receita Federal é absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado; com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. Uma simples leitura da requisição de informação de movimentação financeira permite concluir que a autoridade fiscal apresentou como fundamento o art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724/2001. Não assinalou, contudo, qual a circunstância específica, ou dispositivo legal supostamente infringido pelo contribuinte, que autorizaria a adoção da medida. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se pode falar em requisição coercitiva de informações bancárias; aliás, a autuada prestou as informações solicitadas, fato que denota sua boafé. Além do mais, os esclarecimentos prestados pelo contribuinte não foram analisados pela Fiscalização, que preferiu se acomodar com os dados obtidos pelo ilegal e violento Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 7 6 procedimento adotado. O vício acima apontado, apesar de gravíssimo, é ofuscado por outro, muito mais evidente. Tratase da inexistência nos autos de decisão emanada por autoridade judiciária autorizando a quebra do sigilo bancário. Ou seja, a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a intervenção do Poder Judiciário, por exclusiva atuação da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido, transcreve ementa de acórdão prolatado pelo Ministro Carlos Velloso, bem como trecho do raciocínio apresentado pelo o Ministro Celso de Mello, ambos do STF; não se argumente, por outro lado, que com o advento da Lei Complementar n° 105, de 2001, desnecessária se tornou a autorização da autoridade judiciária para que a Receita Federal determine a quebra do sigilo bancário. Com efeito, entendem os nossos Tribunais, especialmente os egrégios STJ e TRF da V Região, que abrange esta Seção Judiciária do Estado da Bahia, que a LC n° 105/2001 não isenta as matérias relativas ao sigilo bancário da apreciação e autorização do Poder Judiciário para sua quebra. E se assim é, a impugnante requer a declaração de nulidade absoluta do auto de infração em lide, pois fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela SRFB, sem a interferência de autoridade judiciária. LUCRO ARBITRADO MEDIDA EXCEPCIONAL conforme relatado no auto de infração, o IRPJ e reflexos foram exigidos sobre totalidade dos depósitos bancários informados pelas instituições financeiras, sendo que o IRPJ e a CSLL foram tributadas através do lucro arbitrado.Como é cediço, a apuração da base de cálculo pela presunção de omissão de receita cumulada com a tributação pelo lucro arbitrado é medida excepcionalíssima. Por isso, a doutrina e a jurisprudência são uníssonas no sentido de que a aplicação de tal procedimento fiscalizatório somente pode ocorrer em situações extremas, quando totalmente inviável a apuração do tributo pelos meios regulares de auditoria. No caso dos autos, no entanto, a utilização de tal forma de apuração é, no mínimo, controversa. em primeiro lugar, porque a existência de uma versão paralela dos fatos, embora não documentalmente comprovada, coloca dúvidas reais a respeito do não cumprimento das intimações pelo contribuinte. Em segundo lugar, porque a contabilidade da impugnante é absolutamente regular, sujeita a auditoria externa, fato que pode ser devidamente comprovado pelo cotejo entre os extratos bancários (já constantes do processo) e o Livro Razão, cuja cópia ora se anexa, verificandose que os depósitos bancários estão devidamente registrados na contabilidade, não se podendo falar em receita não contabilizada. A conclusão a que se chega é que o procedimento fiscalizatório, por estar fragilmente fundamentado em presunções e arbitramentos, é insubsistente, devendo a impugnante ser tributada conforme a sua contabilidade e pelo seu regime de tributação, o lucro Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 8 7 presumido. Tal conclusão decorre do princípio da verdade material ou real, que rege o processo administrativo tributário; em conseqüência, diante de indícios relevantes da desnecessidade da medida extrema do arbitramento da base de cálculo, devese determinar diligência fiscal, desde já requerida, para que AuditorFiscal estranho ao feito dirijase à sede do Grupo Fator, situado na Av. Prof. Magalhães Neto, e apure os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Caso não seja acolhido o pedido de diligência nos termos anteriores, requer, ao menos, que seja reconhecida a insubsistência da apuração pelo lucro arbitrado, adotandose o cálculo do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, o que, em termos práticos, resultará na redução a 8% do percentual de presunção do lucro em relação ao IRPJ; ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO • caso não seja mantida a presunção de omissão de receita pelos depósitos bancários, a impugnante requer que sejam excluídos os valores correspondentes às transferências bancárias de mesma titularidade, que, por força do inciso I, § 3°, do art. 42 da Lei n° 9.430/96, não podem ser considerados na apuração da base de cálculo dos tributos federais. Em seguida, apresenta os créditos/depósitos de transferências de mesma titularidade, totalizando os montantes de R$446.937,28, no BRADESCO Ag. 3369 C/C 27.5581, e de R$549.782,24, no BRADESCO Ag. 1425 C/C 76.7123 57. É importante esclarecer que estes depósitos e a sua discriminação estão devidamente registrados no Livro Razão, cuja cópia encontrase anexa; EMPRESA DO RAMO IMOBILIÁRIO. DEDUÇÃO DO CUSTO DO IMÓVEL • em se tratando de empresa imobiliária, determina a legislação federal em vigor que o lucro arbitrado será apurado deduzindose os custos comprovados com o imóvel, não considerados no auto de infração. E se assim é, foi descumprido o art. 543 do Regulamento do Imposto de Renda (transcreve). A impugnante entende que o Livro Razão acostado já fornece elementos suficientes para comprovação das despesas com a incorporação do imóvel no ano de 2005. No entanto, caso se entenda que a comprovação se fará por meio de notas/faturas fiscais, a impugnante requer diligência fiscal, a fim de auditor estranho ao feito verifique, in loco, a totalidade dos notas fiscais relativas à construção do imóvel. Justifica a diligência a quantidade significativa de documentos. Sendo assim, a impugnante requer a dedução do custo do imóvel da receita apurada, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrandose o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 9 8 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS com efeito, somente é conferida ao legislador a prerrogativa de incluir na base de cálculo de um tributo aqueles elementos que revelem uma correlação direta ou uma perfeita sintonia com a hipótese de incidência traçada abstratamente na regramatriz constitucional do tributo. O valor pago a título de ISS pela impugnante agregado ao preço dos serviços prestados não revela qualquer correlação com o seu faturamento, ou seja, com a sua receita operacional, já que o valor deste imposto não se incorpora ao patrimônio da empresa, constituindose, na verdade, receita própria do Município, que possui a competência tributária para instituílo e exigilo. De igual modo, o ISS não se enquadra no conceito de receita. Apesar do valor deste imposto compor o preço da mercadoria vendida ou do serviço prestado, o seu destaque na nota fiscal não significa que este valor ingressará no patrimônio da empresa. Isto porque, em razão do ISS ser um imposto indireto, ao contribuinte de direito cabe arrecadar o tributo e o repassar ao Município, titular do direito subjetivo da obrigação tributária. desta forma, concluise que o valor representado pelo ISS apenas transitará temporariamente no caixa da empresa até o momento em que for repassado ao Município, não compondo, portanto o seu patrimônio. Por esta razão, o valor do ISS não pode ser considerado como uma receita do contribuinte, pois não corresponde a uma variação patrimonial positiva e, por conseguinte, não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. Destarte, constatase que a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS representa flagrante ofensa à regramatriz constitucional destas contribuições, já que o valor deste imposto não se enquadra no conceito de receita ou de faturamento do contribuinte (elementos que constituem a base de cálculo daquelas contribuições). a questão relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (cujo raciocínio é o mesmo do ISS) está sendo objeto de exame pelo Supremo Tribunal Federal, que recentemente retomou o julgamento do RE n° 240.7852/MG. Apesar do referido julgamento ainda não ter sido concluído, a Corte Suprema vem se inclinando em favor da tese defendida pelos contribuintes, no sentido de que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS. O relator, Ministro Marco Aurélio, esclarece em seu voto que "o conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação de serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta"; ressaltese, também, que, muito embora o objeto do mencionado Recurso se referira à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (sob a óptica da Lei Complementar n° 70/91), o precedente judicial a ser consolidado permite a extensão da ratio decidendi a outras hipóteses, já que o Fl. 452DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 10 9 Ministro Marco Aurélio procedeu a uma redefinição do conceito de receita bruta e fixação dos seus limites, excluindo de seu âmbito qualquer espécie de receita que não seja própria do contribuinte. Sendo assim, concluise que os fundamentos da referida decisão são inteiramente aplicáveis à própria COFINS (sob o regime das Leis n°s. 9.718/98 e 10.833/2003) e ao PIS (sob o regramento jurídico das Leis n° 9.718/98 e 10.637/2002), pois todos esses tributos têm como base de cálculo a receita bruta, elemento decisivo no julgado do RE n° 240.7852/MG; de igual modo, tal conclusão é também aplicável à tese da inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já que este imposto, apesar de compor o preço dos serviços prestados, não representa uma receita própria dos contribuintes (não integrando, portanto, o seu patrimônio), mas sim, uma receita pública dos Municípios credores. Por todo o exposto, a impugnante requer que seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela impugnante, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de diligência fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL • a Impugnante, diante dos fatos expostos, requer diligência, com fundamento no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 (transcreve) a fim de que AuditorFiscal estranho ao feito: a) dirijase à sede do Grupo Fator e apure os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido; b) apure e deduza o custo do imóvel para fins de cálculo do lucro arbitrado, caso esta forma de tributação seja mantida; c) proceda à análise da documentação fiscal relativa ao ISS a ser apresentada no curso da diligência para, com base nesta documentação, excluir do cômputo da base de cálculo da exação os valores de ISS pagos no período fiscalizado, recalculandose a obrigação principal e os respectivos acréscimos legais. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO • por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. Esse é o atual entendimento do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, como é exemplo, por todos, o Acórdão n. 10196008, oriundo da 1a Câmara do 1° Conselho (transcreve) DO PEDIDO Fl. 453DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 11 10 • pelo exposto, requer a Impugnante que: 1) seja declarado nulo o lançamento de ofício, uma vez que fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário, sem a interferência de autoridade judiciária; 2) caso não se entenda hipótese de nulidade, sejam apurados os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Ou, ao menos, sejam recalculados o IRPJ e a CSLL conforme o lucro presumido; 3) sejam excluídos do auto de infração os valores correspondentes às transferências bancárias de mesma titularidade, uma vez que não podem compor a base de cálculo dos tributos federais, na forma do inciso I do § 3° do art. 42 da Lei ns 9.430/96; 4) seja deduzido da receita apurada o custo do imóvel, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrandose o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ; 5) seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela impugnante, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de diligência fiscal; 6) seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, na forma da jurisprudência do CCMF. A decisão em primeira instância encontrase a seguir sintetizada: Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade e inconstitucionalidade, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, considerar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada, mantendo parte dos lançamentos relativos: ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$226.544,49 (duzentos e vinte e seis mil, quinhentos e quarenta e quatro reais e quarenta e nove centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$112.745,04 (cento e doze mil, setecentos e quarenta e cinco reais e vinte e quatro centavos); à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$67.537,00 (sessenta e sete mil, quinhentos e trinta e sete reais); e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$311.709,41 (trezentos e onze mil, setecentos e nove reais e quarenta e um centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimada da referida decisão em 09/03/2010 (Fls. 408), a Recorrente interpôs o presente recurso em 09/04/2010 (Fls. 409 a 439), em que requer: 1) seja declarado nulo o lançamento de ofício, uma vez que fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária; 2) Caso não se entenda hipótese de nulidade, sejam apurados os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Ou, ao Fl. 454DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 12 11 menos, sejam recalculados o IRPJ e a CSLL conforme o lucro presumido. 3) seja deduzido da receita apurada o custo do imóvel, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrando se o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ. 4) seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela impugnante, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de diligência fiscal. 5) seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, na forma da jurisprudência do CCMF. Em sessão de 11/09/2013, o presente Colegiado sobrestou o julgamento do presente recurso, consoante a Repercussão Geral do RE n° 601.314, o qual trata da constitucionalidade das Requisições de Movimentação Financeiras (RMF), e o disposto no então vigente art. 62A, § 1º do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Sobreveio a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, a qual revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Por essa razão, os presentes autos retornaram a este Colegiado para continuação do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator Tratase de autos de infração de IRPJ e reflexos, decorrentes de omissão de receitas sem a comprovação de origem de recursos, cujo crédito tributário constituiuse, inicialmente, da seguinte forma (Fls. 113): CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$538.396,43 Contribuição Social s/Lucro Liquido R$266.244,14 Programa de Integração Social R$160.351,41 Contribuição p/Financiamento da S.Social R$740.084,29 Conheço do presente recurso quanto ao requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, de acordo com o período transcorrido entre a intimação e a interposição mencionado neste relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 13 12 Passo à análise dos pontos levantados pela Recorrente. A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01 (...) Não se argumente, por outro lado, que com o advento da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, desnecessária se tornou a autorização da autoridade judiciária para que a Receita Federal determine a quebra do sigilo bancário. Com efeito, entendem os nossos Tribunais, especialmente os egrégios STJ e TRF da Ia Região, que abrange esta Seção Judiciária do Estado da Bahia, que a LC n°. 105/2001 não isenta as matérias relativas ao sigilo bancário da apreciação e autorização do Poder ludiciário para sua quebra. Vale dizer: a LC 105/01 não permite que as autoridades fazendárias determinem a quebra do sigilo bancário de determinado contribuinte sem a intervenção e o crivo do Poder Judiciário (transcreve). (...) É inconteste, portanto, que a quebra do sigilo bancário, uma vez que representa uma atenuação da garantia constitucional da inviolabilidade dos direitos individuais, exige como pressuposto de validade a interferência e a análise de autoridade judiciária, sob pena de ilegalidade da medida. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Além do mais, o posicionamento majoritário dos Tribunais pátrios aponta no sentido de que a Lei Complementar n° 105/01 não excluiu do Poder Judiciário a atribuição de analisar os pedidos de quebra do sigilo bancário, determinando a efetivação da medida conforme o caso (transcreve). (...) E se assim é, a recorrente requer a declaração de nulidade absoluta do auto de infração em lide, pois fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela SRFB, sem a interferência de autoridade judiciária. Nos termos do art. 62 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 14 13 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Destarte, não há que se falar em nulidade dos autos de infração em decorrência de inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, devendose afastar a preliminar de nulidade suscitada. LUCRO ARBITRADO MEDIDA EXCEPCIONAL. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL (...) Como é cediço, a apuração da base de cálculo pela presunção de omissão de receita cumulada com a tributação pelo lucro arbitrado é medida excepcionalíssima, pois viola inúmeras garantias constitucionais, como o princípio da segurança jurídica, da verdade material, da capacidade contributiva e da própria legalidade, de onde se extraí o princípio da tipicidade cerrada, vigente na seara tributária. (...) Em primeiro lugar, porque a existência de uma versão paralela dos fatos, embora não documentalmente comprovada, coloca dúvidas reais a respeito do não cumprimento das intimações pelo contribuinte, havendo, inclusive, relato de análise da contabilidade pela fiscalização. Aliás, a própria versão oficial parece afastar a exigência de arbitramento, na medida em que o Auditor relata ter entrado em contato com a funcionária do Grupo Fator, que poderia, certamente, têlo colocado em contato com os sócios da empresa ou seus representantes legais. Então, por que enviar novo termo de início por AR? Em segundo lugar, porque a contabilidade da recorrente é absolutamente regular, sujeita a auditoria externa, fato que pode ser devidamente comprovado pelo cotejo entre os extratos bancários (já constantes do processo) e o Livro Razão, cuja cópia anexouse com a impugnação (doc. 03). Por tal cotejo, é possível comprovar que os depósitos bancários estão Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 15 14 devidamente registrados na contabilidade, não se podendo falar em receita não contabilizada. A conclusão a que se chega é que o procedimento fiscalizatório, por estar fragilmente fundamentado em presunções e arbitramentos, é insubsistente, devendo a recorrente ser tributada conforme a sua contabilidade e pelo seu regime de tributação, o lucro presumido. Tal conclusão decorre do princípio da verdade material ou real, que rege o processo administrativo tributário, segundo o qual ao julgador devem ser disponibilizados todos os meios para se alcançar a realidade, neste caso, a efetiva base tributável dos impostos e contribuições exigidos. Em conseqüência, diante de indícios relevantes da desnecessidade da medida extrema do arbitramento da base de cálculo, este eg. CARF deve determinar diligência fiscal, desde já requerida, para que Auditor Fiscal estranho ao feito dirijase à sede do Grupo Fator, situado na Av. Prof. Magalhães Neto, e apure os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Caso não seja acolhido o pedido de diligência nos termos anteriores, requer, ao menos, que seja reconhecida a insubsistência da apuração pelo lucro arbitrado, adotandose o cálculo do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, o que, em termos práticos, resultará na redução a 8% do percentual de presunção do lucro em relação ao IRPJ. Conforme dispõe o art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993). Com efeito, a fundamentação da decisão em primeira instância, a qual passo a adotála, assim nos esclarece: No mérito, temse que foi apurada omissão de receitas, com base nos valores creditados nas contas correntes bancárias de n 76.7123, 86.3009 e 27.5581, mantidas pela Interessada junto ao Banco Bradesco S/A., respectivamente, nas agências de n 1.4257, 3.2310 e 3.3693, valores esses cuja origem não foi comprovada. Aqui, há que se observar, primeiramente, que não estão sendo tributados depósitos bancários como tal considerados, mas sim a omissão de receitas representada pelos recursos, de origem não comprovada, que ingressaram nas contas bancárias da Contribuinte. Os depósitos bancários são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 16 15 satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. O art. 195 e seu parágrafo único do CTN estabelecem que toda a documentação relativa à atividade da pessoa jurídica, ou que se refira a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial, deverá ser por ela guardada, enquanto não estiverem prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes. Assim, cabia à empresa, quando intimada, apresentar os documentos que comprovassem a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Não o fazendo a Fiscalizada, é lícito concluirse que se tratam de receitas tributáveis não incluídas entre aquelas registradas na contabilidade. Salientese que embora tenha apurado IRPJ e CSLL a pagar Autuada nada declarou em DCTF (IRPJ e CSLL), em relação ao anocalendário de 2005, conforme documentos de fls. 56 a 58, apesar da significativa movimentação bancária demonstrada pelos respectivos extratos bancários juntados aos autos do processo. Como já se disse, o Fisco, para lançar, valeuse de uma presunção legal de omissão de receitas, cuja matriz legal é o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Ocorre que a partir de 1° de janeiro de 1997, havendo intimação nesse sentido, a não comprovação de depósitos bancários, por meio de documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receita. Estáse, pois, diante de uma presunção legal, contra qual a Impugnante não produziu qualquer prova no sentido de elidila. A propósito, convém reproduzir o citado dispositivo legal: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...). § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Assim, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de receitas. Não logrando a titular comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da Contribuinte. Há a inversão do ônus da Fl. 459DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 17 16 prova, característica das presunções legais. Então, a Interessada é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável. Resta evidenciado, portanto, que a Contribuinte não comprovou a origem de valores integrados à sua conta corrente bancária, bem como não demonstrou sua contabilização, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e provavelmente sujeita à tributação. Por não ser admissível prejuízo à incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a manutenção da exigência, até porque admitida legalmente. Todavia, a Impugnante requer que sejam excluídos os valores correspondentes às transferências entre contas bancárias de mesma titularidade, por força do inciso I do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Nesse sentido, relaciona 4 (quatro) créditos/depósitos efetuados no Banco Bradesco, na conta corrente de n° 27.5581 (agência n° 3.3693), no valor total de R$446.937,28, e 32 (trinta e dois) créditos/depósitos na conta n° 76.7123 (agência n° 1.4257), no valor total de R$549.782,24, que seriam oriundos de mera transferência entre as três contas bancárias mantidas pela Contribuinte nessa instituição financeira. Do exame dos extratos bancários anexados às fls. 61 a 109, concluise que, no caso dos créditos/depósitos efetuados na conta n° 27.5581, agência n° 3.3693, os valores de R$50.000,00 (28/09/2005) e R$218.500,00 (29/09/2005) foram efetivamente transferidos da conta n° 76.7123, agência n° 1.4257, também de titularidade da Autuada. Tais valores devem, assim, ser retirados de tributação. O montante de R$131.000,00 (31/10/2005) não consta como movimentado em nenhuma das outras duas contas bancárias da Interessada, enquanto o valor de R$47.437,28 (02/12/2005) sequer faz parte do demonstrativo fiscal. Quanto aos créditos/depósitos efetuados na conta n° 76.7123, agência n° 1.4257, apenas o montante de R$388.968,43 (12/08/2005) referese a transferência oriunda de outra conta bancária da Autuada, a de n° 86.3009, agência n° 3.2310, devendo ser excluído da base de cálculo do IRPJ. As demais transferências originaramse de contas correntes pertencentes à empresa Fator Imóveis Ltda., ou seja, de outra titularidade. Pelo exposto, indefiro o pedido de diligência solicitado, uma vez que os autos do presente processo contêm os elementos necessários para decidir sobre o presente recurso. Quanto à solicitação para que a tributação se dê com base em sua contabilidade e pelo seu regime de tributação, o lucro presumido, não assiste razão à recorrente. Segundo os fundamentos do acórdão recorrido: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 18 17 Contudo, no caso concreto, tal alegação não faz qualquer sentido, como se depreende da simples leitura do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. (...); III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...). Por sua vez, citado artigo 527 do RIR/1999, determina: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n° 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n°8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Em suma, a Interessada não apresentou ao Fisco os documentos e livros de sua escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, relativos ao anocalendário de 2005, sujeitandose, portanto, ao arbitramento do lucro do período, como prescreve o artigo 530, inciso III, do RIR/1999. O lucro arbitrado é a forma de avaliação da renda das empresas aplicada nas hipóteses de descumprimento de requisitos definidos em lei para tributação do lucro real ou lucro presumido. Foi a alternativa que restou à fiscalização diante da falta de apresentação dos livros de escrituração obrigatória da contabilidade da Autuada, não surtindo qualquer efeito a tentativa de apresentar sua documentação contábil em momento posterior ao lançamento de ofício, tendo em vista a incondicionalidade do arbitramento, como firmado na jurisprudência administrativa do hoje denominado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (transcreve): APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao Fl. 461DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 19 18 contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional. 1° CC/8a Câmara/ACÓRDÃO 10806.053 em 16/03/2000. Publicação DOU: 22/08/2000. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS É inócua a posterior apresentação de livros e documentos com o intuito de apresentar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. 1° Conselho de Contribuintes/3a Câmara / ACÓRDÃO 10322.980 em 25/04/2007. Publicado no DOU em: 07/01/2008. INTIMAÇÃO RECUSA APRESENTAÇÃO NA FASE DE JULGAMENTO ARGÜIÇÃO DE CONDICIONALIDADE DESCABIMENTO O arbitramento não é algo que se possa subordinar à matroca da parte que lhe deu causa. A recusa ou a inexistência de livros e documentos impede a auditoria não o arbitramento do lucro. O acolhimento ulterior do acervo implicará das duas uma: ou se empreende uma celeridade meteórica às operações fiscais e aos julgamentos em suas diversas instâncias, ainda com amparo em legislação complementar que oferte maior elasticidade aos prazos decadenciais em casos de recusa ou embaraço às ações do Fisco; ou se exime de tributos, paradoxalmente, todos aqueles cidadãos que obrarem contra os cânones democráticos que os agasalham e os protegem. Eis um dualismo e uma antinomia execráveis. 1° CC/ 7a Câmara/ACÓRDÃO 10706921 em 05/12/2002. Publicado DOU: 20/10/2003. Diante da hipótese de arbitramento do lucro, emerge a necessidade da identificação do montante da receita bruta. No presente caso, os depósitos bancários de origem não comprovada constituíram a receita tributável para fins de apuração do imposto sobre o lucro arbitrado, não cabendo, aqui, apreciar se é justo ou injusto o método utilizado pelo Fisco, mas sim que é perfeitamente legal e guarda consonância com a legislação vigente. A base de cálculo do imposto o lucro arbitrado foi obtida pela utilização do percentual de 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), que nada mais é do que um percentual 20% (vinte por cento) superior ao adotado para o lucro presumido, que é de 8% (oito por cento), sobre a receita bruta conhecida no caso, os valores omitidos. Por conseguinte, não merece reparos o acórdão recorrido nesse ponto, inclusive quanto à exoneração de parte do crédito tributário na apuração da receita bruta de depósitos bancários sem origem justificada, abordada preliminarmente. Em face do exposto nego provimento ao presente recurso contra a adoção do lucro arbitrado e contra o uso do percentual de 9,6% sobre a receita bruta conhecida. EMPRESA DO RAMO IMOBILIÁRIO. CORRETA APURAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO DO CUSTO DO IMÓVEL. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 20 19 Em se tratando de empresa imobiliária, determina a legislação federal em vigor que o lucro arbitrado será apurado deduzindo se os custos comprovados com o imóvel. 72. No entanto, o auto de infração não considerou os custos da construção do imóvel, mesmo ciente de que a recorrente dedica se exclusivamente à incorporação imobiliária, conforme o seu estatuto social (doe. 01 impugnação). E se assim é, foi descumprido o art. 543 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99, verbis: "Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei n° 8.981, de 1995, art. 49, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 12)." A recorrente entende que o Livro Razão acostado com a impugnação (doc. 03) já fornece elementos suficientes para comprovação das despesas com a incorporação do imóvel no ano de 2005. No entanto, caso este eg. CARF entenda que a comprovação se fará por meio de notas/faturas fiscais, a recorrente requer diligência fiscal, a fim de auditor estranho ao feito verifique, in loco, a totalidade das notas fiscais relativas à construção do imóvel. Justifica a diligência a quantidade significativa de documentos, que somente atrapalharia o regular curso do processo. Sendo assim, a recorrente requer a dedução do custo do imóvel da receita apurada, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrandose o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ. Adoto as mesmas razões da decisão em primeira instância, as quais as transcrevo: Alega a Impugnante que apesar de dedicarse exclusivamente à incorporação imobiliária, o auto de infração desconsiderou os custos da construção do imóvel, para efeito de apuração do lucro arbitrado, como prescreve o artigo 534 do RIR/1999. A propósito, assim reza o citado dispositivo legal: Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei n° 8.981, de 1995, art. 49, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°). (grifei) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 21 20 Ora, o artigo 534 do RIR/2009 deixa claro que somente poderão ser deduzidos da receita bruta, para fins de cálculo do lucro arbitrado, os custos devidamente comprovados, o que não ocorreu no presente caso, visto que a Contribuinte sequer apresentou os livros e documentos de sua escrituração, embora reiteradamente intimada nesse sentido. A apresentação de seu Livro Razão, somente agora, na fase impugnatória não infirma a apuração levada a efeito no Auto de Infração, sob pena de se admitir o arbitramento condicional, hipótese esta incogitável, consoante esclarecido anteriormente. Portanto, descabe a adoção de diligência para se deduzir do lucro arbitrado do IRPJ o custo de imóvel com base em documentação extemporânea e, pelos mesmos motivos, nego provimento ao presente recurso contra a ausência da referida dedução. Em relação à CSLL, PIS e COFINS, adoto as mesmas razões da decisão referente ao IRPJ neste voto, mantendose a decisão em primeira instância, por se tratar de tributação reflexa. EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS (...) Sendo assim, a partir da breve análise do conceito de faturamento supra mencionado, extraise a conclusão lógica de que faturar é um ato privativo da pessoa jurídica. Logo, o valor pago a título de ISS pela recorrente agregado ao preço dos serviços prestados não revela qualquer correlação com o seu faturamento, ou seja, com a sua receita operacional, já que o valor destes impostos não se incorporam ao patrimônio da empresa, constituindose, na verdade, receita própria do Município, respectivamente, que possuem a competência tributária para instituir e exigir esses impostos. De igual modo, o ISS não se enquadra no conceito de receita. Apesar do valor deste imposto compor o preço da mercadoria vendida ou do serviço prestado, o seu destaque na nota fiscal não significa que este valor ingressará no patrimônio da empresa. Isto porque, em razão do ISS ser um imposto indireto, ao contribuinte de direito cabe arrecadar o tributo e o repassar ao Município, titular do direito subjetivo da obrigação tributária (...) A questão relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (cujo raciocínio é o mesmo do ISS) está sendo objeto de exame pelo Supremo Tribunal Federal que, recentemente, retomou o julgamento do Recurso Extraordinário n°. 240.785 2/MG, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. (...) De igual modo, a conclusão do voto do Ministro Marco Aurélio é também aplicável à tese da inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já que este Fl. 464DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 22 21 imposto, apesar de compor o preço dos serviços prestados, não representa uma receita própria dos contribuintes (não integrando, portanto, o seu patrimônio), mas sim, uma receita pública dos Municípios credores. Por todo o exposto, a recorrente requer que seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela recorrente, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de DILIGÊNCIA FISCAL. Conforme consta das razões do acórdão recorrido: A Impugnante insurgese também contra a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que o valor do ISS apenas transita provisoriamente pelo caixa da empresa, não representando uma receita própria dos contribuintes e, assim, não se enquadra no conceito de receita ou de faturamento, sendo inconstitucional que venha a compor a base de cálculo daquelas contribuições. Aqui, mais uma vez, vem a Impugnante questionar dispositivos legais que considera inconstitucionais. Como já suficientemente analisado acima, somente o Poder Judiciário tem competência para apreciar tais questões. Quanto ao voto dado por determinado ministro do Supremo Tribunal Federal, por ocasião da retomada do julgamento de Recurso Extraordinário que trata da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, do qual a Impugnante extraiu alguns trechos, registrese que, de acordo com o artigo 1°, caput, do Decreto n° 2.346, de 1997, apenas as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta. O fato de o STF estar analisando, em sede de Recurso Extraordinário, a constitucionalidade de o ICMS estar compondo a base de cálculo da COFINS em nada afeta a certeza dos créditos tributários constituídos nos Autos de Infração. Além do caso concreto sequer tratar de ICMS, mas sim de ISS, eventuais decisões do STF considerando inconstitucional dispositivo legal vigente somente obrigam a Administração nas hipóteses em que tiverem aplicação erga omnes, preencham as condições definidas na legislação aplicável, especialmente o artigo 77 da Lei n° 9.430, de 1996, e o Decreto n° 2.346, de 1997, ou sejam proferidas em ações das quais a contribuinte seja parte. No caso em análise, não estão presentes as hipóteses citadas, inexistindo reparo a se fazer em relação ao procedimento do agente do Fisco. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 23 22 Com efeito, a Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo artigo 2° da Medida Provisória n° 1.807, de 1999 (atualmente Medida Provisória n° 2.15835, de 2001), ao tratar do PIS e da COFINS, assim dispõe: Art. 2°. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1°. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2°. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: 1 as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (revogado pelo art. 93, V, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001); IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Conforme se depreende dos dispositivos transcritos, o PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas, observadas as exclusões permitidas no § 2° do artigo 3° da Lei. Por pertinente, cabe ressaltar que a Lei n° 10.637, de 2002, e a Lei n° 10.833, de 2003, ao instituírem a incidência não cumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS, respectivamente, definiram as bases de cálculo dessas contribuições nos mesmos moldes da Lei n° 9.718, de 1998. Assim, concluise que a base de cálculo do PIS e da COFINS, para o tipo de empresa ora em análise, é a totalidade da receita bruta mensal por ela auferida, ou seja, com base nas disposições supra transcritas, temse que a base de cálculo dessas contribuições será formada pelas receitas de vendas, pelas receitas financeiras e por outras receitas operacionais. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 24 23 Observese ainda que não há na legislação de regência nenhum dispositivo que permita qualquer exclusão da base de cálculo para a hipótese pretendida (ISS). Quisesse a lei contemplar essa parcela da base de cálculo com o direito à exclusão em questão, o teria feito de forma expressa. Importa ainda destacar, por sua relevância, os artigos 10 e 22 do Decreto n° 4.524, de 2002, que regulamentou a contribuição para o PIS e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 10 As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9°, têm como base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 1°, Lei n° 9.701, de 1998, art. 1°, Lei n° 9.715, de 1998, art. 2°, Lei n.° 9.716, de 26de novembro de 1998, art. 5°, eLei n°9.718, de 1998, arts. 2°e 3°). (...). Art. 22 Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei n°9.718, de 1998, art. 3°): I das vendas canceladas; II dos descontos incondicionais concedidos; III do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando destacado em nota fiscal e cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; V das reversões de provisões; VI das recuperações de créditos baixados como perdas, limitados aos valores efetivamente baixados, que não representem ingresso de novas receitas; VII das receitas decorrentes das vendas de bens do ativo permanente. (...). Do enunciado nos artigos 10 e 22, antes transcritos, inferese que se considera como receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, da qual só podem ser excluídos os valores legalmente autorizados, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sobre o tema, temse a ressaltar que, assim como a instituição de tributo, a outorga de isenção também se submete ao princípio da estrita legalidade e à tipicidade fechada. Sendo assim, a exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da COFINS, constituindo uma espécie de isenção, só poderia ser feita mediante lei específica que expressamente a previsse. Vale ainda Fl. 467DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 25 24 lembrar que, nos termos do artigo 111, inciso II, do CTN, a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser submetida a uma interpretação literal, assim entendida uma interpretação restritiva, que não estenda os efeitos do benefício a outras hipóteses que não as expressamente previstas na lei correspondente. Em suma, não há, na situação específica, previsão legal para a exclusão dos valores do ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Tratandose, na hipótese, de dedução da base de cálculo das contribuições (desoneração parcial do tributo), há que se observar a obrigatoriedade da interpretação restritiva (literal) prevista na norma geral. Só podem, portanto, ser excluídos os valores expressamente autorizados em lei, não sendo cabível uma interpretação extensiva, no caso. Em vista disso, verificase que a parcela relativa ao ISS compõe a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que não há qualquer dispositivo legal permitindo sua exclusão. Em face da referida fundamentação, a qual passo a adotar nesse ponto, indefiro o pedido de diligência e nego provimento ao presente recurso contra a exclusão de valores a título de ISS na apuração da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. (...) Entendo necessária para o deslinde da controvérsia sobre a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes institutos no direito tributário. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de Fl. 468DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 26 25 ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo. Por sua vez, os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 27 26 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Fl. 470DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 28 27 Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 29 28 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 30 29 (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza Fl. 473DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 31 30 para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN Fl. 474DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 32 31 TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Lei n° 9.430, de 1996. Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 475DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 33 32 Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418) O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento Fl. 476DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 34 33 de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por todo o exposto, afasto a preliminar de nulidade suscitada, indefiro todos os pedidos de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao presente recurso apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 19515.000834/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 34 /2 00 7- 28 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000834/200728 Acórdão n.º 2102002.943 S2C1T2 Fl. 534 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CIBAR ANASTÁCIO CACERES RUIZ foi lavrado Auto de Infração, fls. 198/202, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$ 136.637,95, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/04/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 193/197, foi omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, verificado no mês de dezembro, conforme Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 192. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 208/220, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou procedente o lançamento, por unanimidade de votos, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1730.724, de 24/03/2009, fls. 225/230. Cientificado da decisão de primeira instância, em 29/04/2009, fls. 235, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 239/260, em 29/05/2009, onde requer o a seguir transcrito: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000834/200728 Acórdão n.º 2102002.943 S2C1T2 Fl. 535 3 a) em observância ao principio da legalidade e da autotutela, reconheçase a ilegalidade da aplicação do critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária do imposto renda pessoa física, qual seja a alíquota, ante a não observância da progressividade instituída pelo artigo 86, do Dec.3000/99, ou do desconto legal estabelecido pela mesma norma; b) uma vez reconhecida a aplicação equivocada da alíquota do imposto de renda de pessoa física ao valor supostamente equivalente a patrimônio a descoberto, que seja determina a anulação, por OCORRÊNCIA DE VÍCIO MATERIAL, do auto de infração e lançamento tributário dele decorrente; c) anulado o auto de infração e o lançamento tributário, que se declare a decadência do tributo apurado, ante o decurso do prazo de cinco anos de que trata o § 4°, do artigo 150 do CTN, a que se submete o imposto em análise, terse encerrado em 01/01/2009; d) por fim, ante a inexistência de fato robusto e provável do qual possa ter decorrido a presunção ensejadora do aferimento do tributo apontado como devido e da penalidade conseqüente, que se declare a improcedência do auto de infração, bem como do lançamento tributário dele decorrente. É o Relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000834/200728 Acórdão n.º 2102002.943 S2C1T2 Fl. 536 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte suscita, no recurso, a nulidade do lançamento, sob a alegação de erro na aplicação da tabela progressiva vigente à época da ocorrência do fato gerador (ano calendário 2003), que deu causa ao lançamento. Inicialmente, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, sendo concedido ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo certo que o lançamento está, ao contrário do que afirma a defesa, em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. A infração imputada ao contribuinte foi omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, verificada no mês de dezembro de 2003, conforme perfeitamente ilustrado no Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 192. No referido Demonstrativo estão discriminadas todas as aplicações de recursos, que ensejaram a apuração da acréscimo patrimonial a descoberto, quais sejam: pagamentos de faturas de cartões de crédito, de IPTU, de taxa de resíduos sólidos domiciliar, aquisição de automóveis, numerários mantidos em aplicações financeiras e aumento e novas aquisições de quotas de participações societárias, sendo certo que consta dos autos toda a documentação comprobatória das referidas aplicações de recursos. Tais aplicações foram devidamente comparadas com os rendimentos conhecidos do contribuinte, gerando o acréscimo patrimonial a descoberto, no mês de dezembro. Importa, dizer, também que quando indefinida a data da realização, as origens foram considerados como ocorridas em janeiro e as aplicações em dezembro, que é a forma mais benéfica ao contribuinte. Temse, portanto, que a infração imputada ao contribuinte está perfeitamente delineada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal. No que se refere à aplicação da tabela progressiva, a defesa afirma que a autoridade fiscal teria deixado de observar a parcela a deduzir, de modo que não teria sido obedecida a progressividade inerente ao imposto de renda das pessoas físicas. Contudo, a alegação não se confirma, conforme se infere do Demonstrativo de Apuração, fls. 198, parte integrante do Auto de Infração, que a seguir se retrata: Fl. 536DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000834/200728 Acórdão n.º 2102002.943 S2C1T2 Fl. 537 5 Como se vê, a autoridade fiscal para calcular o imposto devido exigido no Auto de Infração procedeu da seguinte forma: somou a base de cálculo declarada pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual (R$ 91.170,00) com o valor da infração apurada (R$ 224.968,46) e levou a soma obtida (R$ 316.138,46) à tabela progressiva vigente à época. Ou seja, calculou 27,5% e em seguida subtraiu a parcela a deduzir de R$ 5.076,90, obtendo o imposto devido de R$ 81.861,17. Deste valor, diminuiu o imposto já pago pelo contribuinte de R$ 19.994,85, apurando o imposto suplementar de R$ 61.866,32, que está sendo exigido no Auto de Infração. Logo, o cálculo do imposto devido pelo contribuinte, que está sendo exigido no Auto de Infração, está correto, não merecendo reparos, de modo que não há que se falar em nulidade do lançamento, por aplicação equivocada da alíquota do imposto de renda, conforme afirmado pela defesa. No recurso, o contribuinte também afirma que, prosperando a tese de nulidade do lançamento, estaria a autoridade fiscal, em razão da decadência, impedida de proceder a novo lançamento. Ora, considerando que a tese de nulidade do lançamento não foi acolhida, não há que se falar em novo lançamento, muito menos em decadência deste novo lançamento, sendo, portanto, despiciendo a apreciação das alegações da defesa sobre estes temas. De qualquer forma, cumpre dizer que cuidase de lançamento de IRPF, cujo fato gerador ocorreu no anocalendário 2003, e a ciência do Auto de Infração se deu em 04/06/2007, conforme Aviso de Recebimento, fls. 203. Logo, ainda que se faça a contagem do prazo decadencial nos termos do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, que é a forma mais benéfica para o contribuinte, temse que o lançamento se deu antes de esgotado o prazo decadencial, que somente veio a transcorrer em 31/12/2008. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000834/200728 Acórdão n.º 2102002.943 S2C1T2 Fl. 538 6 Logo, não há que se falar em decadência, no presente caso. Devese dizer, ainda, que o levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos, prevista nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e arts. 55, inciso XIII, 806 e 807 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), sendo certo que cabe à autoridade lançadora comprovar apenas a existência de rendimentos omitidos, que são revelados pelo acréscimo patrimonial não justificado. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa. Provada pela autoridade fiscal a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, a prova ex ante, de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. Contudo, no presente caso, o contribuinte não foi capaz de demonstrar que o acréscimo patrimonial a descoberto identificado no Auto de Infração estivesse justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, razão porque paira incólume o lançamento perpetrado pela autoridade fiscal. Por fim, no que concerne à multa de ofício, temse que foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal verificou que o contribuinte omitiu rendimentos, deixando, conseqüentemente, de recolher o imposto de renda correspondente. Logo, o contribuinte sujeitouse à imposição da multa de 75%, cuja cobrança deve prevalecer, nos moldes em que exigida no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000834/200728 Acórdão n.º 2102002.943 S2C1T2 Fl. 539 7 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10880.962378/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 78 /2 00 8- 50 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 04378.14035.101104.1.3.049584 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 15/01/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de COFINS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962378/200850 Acórdão n.º 3802002.262 S3TE02 Fl. 112 3 saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962378/200850 Acórdão n.º 3802002.262 S3TE02 Fl. 113 5 Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11030.001711/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2008
GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. COMPROVAÇÃO.
Ficando demonstrado nos autos que ocorreram os pagamentos pelo adquirente, que houve o trânsito da mercadoria e, ainda, que a receita correspondente foi tributada na real fornecedora (ACs 2003 a 2006), resta cancelar a glosa de custos lançada.
OMISSÃO DE RECEITA. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS EXTRACONTÁBEIS.
Identificadas as omissões de receitas pelo confronto entre os valores declarados e os apurados através de tabelas apreendidas pela Policia Federal, circularizações e demais provas juntadas pela fiscalização, procede a exigência lançada, até porque o contribuinte não demonstra a alegada duplicidade de lançamentos.
CUSTO DE RECEITAS OMITIDAS.
Os custos correspondentes às vendas omitidas só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, mediante escrituração feita com observância da legislação comercial e fiscal e devidamente comprovados.
PIS. COFINS. APURAÇÃO ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
As contribuições ao PIS e à Cofins têm fato gerador mensal devendo ser cancelado o lançamento de ofício que não obedece às regras de apuração do tributo.
Numero da decisão: 1402-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar as arguições de nulidade suscitadas no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva quer votou por dar provimento integral e fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2008 DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado e ausente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo quinquenal é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2008 GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. COMPROVAÇÃO. Ficando demonstrado nos autos que ocorreram os pagamentos pelo adquirente, que houve o trânsito da mercadoria e, ainda, que a receita correspondente foi tributada na real fornecedora (ACs 2003 a 2006), resta cancelar a glosa de custos lançada. OMISSÃO DE RECEITA. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS EXTRACONTÁBEIS. Identificadas as omissões de receitas pelo confronto entre os valores declarados e os apurados através de tabelas apreendidas pela Policia Federal, circularizações e demais provas juntadas pela fiscalização, procede a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 17 11 /2 00 9- 15 Fl. 5196DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.197 2 exigência lançada, até porque o contribuinte não demonstra a alegada duplicidade de lançamentos. CUSTO DE RECEITAS OMITIDAS. Os custos correspondentes às vendas omitidas só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, mediante escrituração feita com observância da legislação comercial e fiscal e devidamente comprovados. PIS. COFINS. APURAÇÃO ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. As contribuições ao PIS e à Cofins têm fato gerador mensal devendo ser cancelado o lançamento de ofício que não obedece às regras de apuração do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar as arguições de nulidade suscitadas no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva quer votou por dar provimento integral e fará declaração de voto. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 5197DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.198 3 Relatório O presente processo objeto da Resolução nº 1402000.176 na sessão de 06 de março de 2013. Por oportuno, transcrevo o relatório do então Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, verbis: FUGA COUROS S.A. recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a 5a. TURMA DA DRJ EM PORTO ALEGRE (RS) recorre quanto a parcela exonerada. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): I DA AUTUAÇÃO FISCAL Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 02 a 13), Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 14 a 30), Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL (fls. 31 a 43) e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 44 a 59), referentes aos fatos geradores apurados nos anoscalendário de 2003 a 2008, pelos quais exigese o crédito tributário no valor total de R$ 65.992,922,54 (discriminado à fl. 1), inclusos os consectarios legais até 30/10/2009. A autuação decorre das infrações a seguir discriminadas: 1) Glosa de custos Valor apurado conforme planilhas demonstrativas das notas fiscais de "compras" efetuadas de empresa "laranja" Pantaneira de acordo com o descrito em termo de verificação de ação fiscal e planilhas demonstrativas que fazem parte integrante dos autos de infração. Valores tributados: R$ 2.658.149,90 (período de apuração 01/01/2003 a 31/12/2003); R$ 4.422.117,23 (período de apuração 01/01/2004 a 31/12/2004); R$ 809.416,90 (período de apuração 01/01/2005 a 31/12/2005); R$ 556.775,00 (período de apuração 01/01/2006 a 31/12/2006); R$ 1.149.843,50 (período de apuração 01/01/2007 a 31/12/2007) e R$ 2.300.215,84 (período de apuração 01/01/2008 a 31/12/2008). 2) Omissão de receitas caracterizada pelas planilhas apreendidas pela Policia Federal e relatadas nos itens 2.3, 2.2 e 2.9.2, corroborados com os demais itens do Termo de Verificação de Ação Fiscal onde ficou comprovado a movimentação extracontábil de recursos. Valores tributados: R$ 16.850.916,20 (período de apuração 01/01/2003 a 31/12/2003); R$ 21.110.143,25 (período de apuração 01/01/2004 a 31/12/2004); e R$ 20.123.792,91 (período de apuração 01/01/2005 a 31/12/2005). No termo de verificação de ação fiscal produzido (fls. 60 a 87), com planilhas demonstrativas (fls. 88 a 105), assentou o autuante, em especial: CONTEXTO Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.199 4 No exercício das funções do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, procedemos à fiscalização do contribuinte acima identificado, referente aos anoscalendário de 2003 a 2008, conforme determinado no Mandado de Procedimento FiscalMPF n° 010104002009002098 em decorrência de representação advinda da Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto SP, que em suma demonstra a formação de organização dolosa do Grupo Fuga para a supressão de créditos tributários com a utilização de empresa "laranja" Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda, a qual era ligada ao Grupo Fuga. 1. DOS TRABALHOS REALIZADOS PELA DRF DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO SP. Um breve relato extraído do Termo de Verificação Fiscal TVF (que é parte integrante deste Termo de Intimação Fiscal, em anexo) em que ocorreu o lançamento fiscal na empresa do grupo Fuga: Frigosul Frigorífico Sul Ltda. CNPJ: 02.594.772/000170, relatado no Processo Administrativo n° 16004.000383/200881, cuja decisão de primeira instância administrativa manteve o lançamento nos termos em que foi efetuado, inclusive no tocante à responsabilidade subsidiária da Fuga Couros S.A. (MarauRS). (...) 1.1 DO GRUPO FUGA Convencionouse denominar, neste relatório, de GRUPO FUGA ao complexo de empresas atuantes no ramo de curtumes, frigoríficos, transportadora, agropecuária, etc cujo controle é exercido direta, indiretamente ou ainda utilizandose de interpostas pessoas "laranjas" pela empresa Fuga Couros S.A sediada em Marau(RS), e por seus sócios. (...) Verificase claramente que a empresa Fuga Couros S.A exerce controle sobre inúmeras empresas, direta ou indiretamente. Tomese o caso da FRIGOSUL (empresa sobre a qual foi efetuado o lançamento tributário descrito no TVF constante no processo administrativo n° 16004.000383/200881, anteriormente referido). A FRIGOSUL é controlada indiretamente através da SEBO JALES, uma vez que esta detém 95% do capital da Frigosul e a Fuga Couros S.A, por sua vez, participa com 98% do capital da Sebo Jales. Além disso, os sócios da Sebo Jales (Fuga Couros 98% e Fuga Participações 2%), que controla a Frigosul, têm acionistas em comum: CONSTANTE CAETANO FUGA e IEDO CLAUDINO FUGA. Assim, é evidente que os negócios e as ações efetuadas pela Frigosul e pela Sebo Jales são de conhecimento da Fuga Couros e de seus acionistas, uma vez que, em uma última análise, os atos são praticados pela Fuga Couros S.A. haja vista o total controle exercido sobre as empresas. (...) 1.2 DAS EMPRESAS "LARANJA " Com exclusiva finalidade sonegatória, o Grupo Fuga criou empresas laranja onde efetuavase a venda de quase toda a produção da Frigosul, sem o devido pagamento dos tributos federais. Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.200 5 Inicialmente a "laranja" que emitia as notas de venda do gado abatido no Frigosul era a M S Aliança, que funcionou até julho de 2002. Em setembro do mesmo ano entrou em ação a Pantaneira. Portanto, uma é sucessora da outra no esquema sonegatório. Os três sócios "laranjas" da M S Aliança eram na época, e ainda são, empregados da empresa Fuga Couros Jales Ltda. Um é classificador de couros, outro é motorista e um terceiro (Salvador saiu em 2001) é o diretor financeiro da empresa Fuga Couros Jales Ltda. Quanto aos dois sócios "laranjas" da Pantaneira, um deles (Mauricio) era e ainda é o contador responsável pela escrita fiscal de todas as empresas do Grupo Fuga em Mato Grosso do Sul e a outra sócia (Antonieta) é mãe de um funcionário do Sr. Maurício. Muito importante frisar que TODOS os sócios acima, exceto o diretor financeiro (Salvador), CONFESSARAM à Polícia Federal SUA CONDIÇÃO DE LARANJA. 1.3 PANTANEIRA UMA FRAUDE SIMULATÓRIA A empresa Pantaneira tinha sua sede em São PauloSP (inexistente de fato) e uma única filial em Aparecida do Taboado (a alegada filial opera em um pequeno cômodo no pátio de frigorífico que está apinhado de caixas de notas fiscais e poeira). Após o início da operação e a prisão temporária de todos os sócios laranja, acima citados, transferiu a "sede" para Aparecida do Taboado no endereço de um escritório de contabilidade. Entretanto, a Pantaneira mantinha contas bancárias em diversas cidades (MarauRS, Várzea GrandeMT, HidrolândiaGO e JalesSP) mesmo sem ter filiais nesses locais. As conta bancárias citadas eram movimentadas por funcionários da empresas do Grupo Fuga, estabelecidas nestes locais. Por exemplo: na conta bancária existente em MarauRS, foi verificado através da quebra de sigilo bancário, autorizado judicialmente, que esta era movimentada por Heverton Fuga (Fls. 46 do TVF Frigosul). funcionário da Fuga Couros S/A. (...) 1.6 A PANTANEIRA E A FUGA COUROS S.A Diante do exposto, a ligação entre as duas empresas é umbilical. O fato de funcionários da Fuga Couros S.A exercerem a movimentação de contas correntes da Pantaneira e de que os recursos dessas contas versaram para a Fuga Couros, seus acionistas e para empresas do conglomerado, PROVA QUE Pantaneira É CONSTRUÇÃO SIMULATÓRIA da Fuga Couros S.A (...) 1.8 DAS PLANILHAS APREENDIDAS PELA OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL. 1.8.1 VINCULAÇÃO DA PANTANEIRA AO GRUPO FUGA O item 5.1 (fls. 32) do TVF da Frigosul demonstra e descreve os documentos apreendidos no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão determinado pela Justiça Federal de Jales, no dia 05/10/2006. Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.201 6 Dentre os documentos apreendidos encontraramse: 1.2.A planilhas que vinculam a Pantaneira como sendo empresa do Grupo Fuga Couros S.A.; 1.2.B planilhas (item G, DOC G) que evidenciam o faturamento de diversas empresas do Grupo Fuga, inclusive sua Matriz, nos anoscalendário (AC) de 2000 a 2005. Estas planilhas demonstram de forma inequívoca que o faturamento das unidades empresariais do Grupo Fuga são muito superiores às declaradas à Fazenda Nacional. Nas planilhas aprendidas verificase que há a relação dos faturamentos de todas unidades do Grupo Fuga Couros S.A., a partir do AC de 2000 ao AC de 2005, as quais a seguir reproduzimos (das empresas locais de nossa jurisdição): Mês MATRIZ CURTUME ALTO URUGUAI SEBO MARIENSE Total 2000 60.483.647,77 2.783.213,22 Total 2001 85.859.694,26 4.362.352,09 Total 2002 92.705.634,61 8.192.229,44 Total 2003 103.913.611,08 11.501.444,77 Total 2004 113.245.285,19 13.523.067,85 Total 2005 99.797.974,57 3.882.892,59 10.220.589,68 Esta planilha vem respaldada por outra planilha que demonstra de forma inequívoca o valor declarado e outros valores não declarados. Vejamos: Na planilha Fuga Couros S/A. Matriz em anexo, há a descrição das receitas e das despesas, bem como uma coluna para o valor contábil, outra coluna intitulada "1001" e ainda, uma denominada "mês". Nesta planilha podemos observar que a coluna intitulada "1001" apresenta receitas e despesas. Estes valores são somados com os valores da coluna "contábil" e demonstrados na coluna "Mês". Fato que comprova os valores informados na coluna "1001" são receitas e despesas não contabilizadas pelas empresas do grupo Fuga, ou seja, o Caixa "dois". 1.9 SOBRE A CONTA CORRENTE EM NOME DA EMPRESA PANTANEIRA MOVIMENTADA POR FUNCIONÁRIO DA FUGA COUROS S.A. MARAURS. O item 5.2 (fls. 34/37) do TVFda Frigosul demonstra a utilização das contas bancárias da Pantaneirapelo Grupo Fuga, em especial a conta corrente 8901 01, agência 1.5717 do Bradesco da cidade de Marau RS, sede da Fuga Couros S.A. É importante frisar que conforme TVF da Frigosul, fls. 36, letra "A", esta conta corrente era movimentada pelo Sr. Heverton Fuga, funcionário da Fuga Couros S.A. Esta conta corrente é uma das chaves da ligação da Mandatária do controle de suas empresas controladas; onde à Frigosul criou as "empresas laranjas" Pantaneira e MS Aliança para dar suporte de movimentação de notas fiscais para o Grupo Fuga. Não podemos deixar de frisar que a conta corrente aberta pela empresa "laranja" Pantaneira, na cidade de Marau RS, não possui lógica econômica, se não para estar ao alcance e controle dos reais proprietários destes valores, pois não possui sede física ou domicilio tributário na cidade de Marau RS. Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.202 7 (...) 2. O TRABALHO ESPECÍFICO NA FUGA COUROS S/A MARAURS 2.1 DAS CONTAS CORRENTES EM MARAU RS 2.1.1 DA CONTA BANCÁRIA EM NOME DA PANTANEIRA. Na análise da Pantaneira, citado no item n° 1.9 deste relatório, podemos observar a destinação de 20 (vinte) aplicações em papéis valor de R$ 100.000,00 cada, todos sacados no mês de junho de 2004, em um valor total de R$ 2.000.000,00. Também podemos observamos que foram emitidos dezenas de cheques no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), de fev. de 2004 a dezembro de 2005. Estes cheques eram sacados sempre nas mesmas datas e em bloco, como está demonstrado na relação do pedido efetuado a Justiça Federal solicitação destes documentos a fim de identificar os reais beneficiários destes valores. 2.2 COMPRAS EPAGAMENTO EFETUADO DE "BOA FÉ"? A Fuga Couros S/A., com diversas filiais no País, é uma empresa exportadora de couros. Recebeu e recebe os incentivos fiscais sobre exportações, em especial, o PIS e a Cofins não cumulativos. Dentre os insumos da Matriz estão inúmeras notas de transferência de couros advindos de suas filiais e diversas notas fiscais da empresa Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda., CNPJ: 05.111.062/00194. Como está provado por inúmeros documentos e levantamentos realizados pela DRF de São José do Rio Preto SP, de que a empresa Pantaneira NUNCA operou e sempre teve vínculo administrativo com o Grupo Fuga, vejamos: Poder mandatário dentre a Fuga Couros S/A. (Marau) que controlava a Sebos Jales (em 98% e 2% da Fuga Participações) e Jates que controlava a Frigosul (em 95%); A conta bancária em nome da Pantaneira aberta no Banco Bradesco, agência de Marau RS, movimentada por Heverton Fuga funcionário graduado da Fuga Couros S/A. de Marau RS; A conta corrente bancária em nome da empresa Paranaíba Couros Com. Sub. Animais, aberta e movimentada por Luis Eduardo Fuga, sócio da Fuga Couros S/A.; Balancetes demonstrando os demais recursos movimentados pelo Grupo Fuga Couros; As "aquisições" parceladas pelo grupo a cada período em uma determinada unidade: do 1o trim/2003 ao 1o trim/2005 pela Matriz, no 3o ao 4o trim/2004, pequenos valores pela filial de Jales, 3o trim/2006 ao 4o trim. de 2008, pela filial de Paranaíba, pequenas aquisições no 4o trim/2008 pela filial de Várzea Grande, conforme demonstrado no "Demonstrativo Trimestral NFPantaneira" em anexo ao Auto de Infração Fiscal. Não prospera qualquer alegação da Fuga Couros S.A. no sentido de que adquiriu tais produtos de "boa fé". Os fatos demonstram que a empresa "laranja" Pantaneira foi utilizada em larga escala pelo Grupo Fuga Couros. Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.203 8 Como já foi amplamente demonstrado, a Pantaneira é "criação" fraudulenta da Fuga Couros S.A. Portanto, inexiste boafé quando o "adquirente" participa da fraude. Diante disso, só podemos concluir que a organização montada pela Fuga Couros tinha somente o objetivo de inflar os custos do grupo objetivando a redução dos lucros e saídas dos recursos da empresas, portanto, não há que se falar em aquisição e pagamentos de boa fé. 2.3 DA CONTA "1001" E AS PROVA DE QUE ELA REGISTRA O CAIXA "DOIS" DO GRUPO FUGA. No item 5.4 do TVF da Frigosul a auditoria demonstra que a conta intitulada "1001" constante nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal são recursos movimentados pelo Grupo Fuga em conta paralela, ou seja, o "Caixa Dois". São diversos documentos que foram circularizados com pessoas e fornecedores de produtos, ficando demonstrado que grande parcela dos recursos não estão contabilizados. A planilha constante no item 5.4.5 do TVF da Frigosul deixa claro a cada pagamento o que foi pela contabilidade e o que foi pela conta "1001". Que correspondem os valores por fora. Nos itens 5.4.6 e 5.4.7 do TVF da Frigosul demonstrase que as empresas retificaram os valores recebidos através da conta "1001", quando intimadas sobre estes valores. Isso torna inequívoco o reconhecimento dos da existência dos valores omitidos ao fisco e constantes na conta paralela. Os demais subitens do item 5.4 do TVF da Frigosul têm a prova de que a conta "1001" é conta extracontábil, ou seja, o "Caixa Dois" da Empresa. Desta forma, efetuamos o Lançamento dos valores complementares das receitas não declaradas abatendose as despesas registradas na conta "1001", conforme Planilha em anexo. (...) 2.9 DOS LANÇAMENTOS NO AUTO DE INFRAÇÃO FISCAL. 2.9.1 DA GLOSA DAS "AQUISIÇÕES" DA EMPRESA PANTANEIRA (LARANJA). No item 2.6 deste relatório já explicitamos as "compras" realizadas da empresa "Laranja"Pantaneira e no item 2.2 relatamos e demonstramos que estas compras não podem ser consideradas aquisições de boa fé, haja vista que a Fuga Couros S.A. (MarauRS) é a cabeça do esquema da organização de criação da empresa "Laranja". Diante disso, excluímos dos custos todas as aquisições realizadas da empresa Pantaneira ("laranja") dos anos calendário de 2003 a 2008, conforme demonstrado nas planilhas (em anexo): (...) Sobre estes valores excluídos do custo da empresa foram calculados o IRPJ, CSLL para os ACs de 2003 a 2008 e do PIS e a COFINS não cumulativa para os ACs de 2004 a 2008. Estas duas últimas contribuições devidas pela redução da base de cálculo do devido e/ou, também, por solicitação de créditos de valores restituídos por exportações realizadas a maior que o devido. Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.204 9 (...) 2.9.1.1 DOS VALORES LANÇADOS E COMPENSADO COM PREJUÍZO FISCAL DO PRÓPRIO ANOCALENDÁRIO. Os valores das "aquisições" glosadas da Pantaneira "laranja" dos anos calendário de 2006 R$ 556.775,00, de 2007 R$ 1.149.843,20 e de 2008 R$ 2.300.215,84, foram compensados como o prejuízo fiscal e com a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do próprio ano calendário corrente. Portanto, o Contribuinte deverá excluir do Livro Lalur estes valores até o julgamento ou a decisão deste litígio. 2.9.2 DA RECEITA MOVIMENTADA A MARGEM DA CONTABILIDADE OFICIAL. Na operação Grandes Lagos foram aprendidos diversas planilhas demonstrando o valor contábil, o valor da coluna "1001" e os valores do mês, dentre outras informações contábeis, já explicitado no item 2.3 deste relatório.. Esta planilha demonstra de forma clara e convincente que o grupo trabalhava com contabilização em separado, fatos comprovados no TVF da Frigosul, item 5.1 das fls. 32 e item 5.2.2 das fls. 37, onde ficou comprovado a aquisição de produtos e ativo imobilizado com a utilização da conta "1001". Desta forma podemos afirmar que a receita do grupo não é aquela que foi declarada a Fazenda Nacional. Diante disso, analisamos outra planilha apreendida na Operação Grandes Lagos, onde consta a discriminação das receitas de todo o Grupo Fuga. Cada unidade esta ali informada: Matriz, Fuga Couros Jales, Hidrolândia, Curtume Alto Uruguai, Sebo Jales Dirce Reis, Sebo Jales Cuiabá, Sebo Mariense, Sebo Tangara, Agropecuária, Frigosul e Total Normal. Cada unidade do grupo esta disposta em uma coluna, onde consta o total de cada ano, a partir do ano de 2000 a 2005, sendo que no ano de 2006 somente em janeiro e fevereiro. Desta forma, extraímos os dados ali lavrados da planilha apreendida e comparamos com os valores declarados. ano Receita Declarada Receita pela Tabelas Aprendidas pela PF Diferenças Apuradas 2003 87.062.694,88 103.913.611,08 16.850.916,20 2004 92.135.141,94 113.245.285,19 21.110.143,25 2005 79.674.181,66 99.797.974,57 20.123.792,91 Podemos concluir que a Fuga Couros S.A. (MarauRS) excluiu de sua receita os valores demonstrados na coluna "Diferenças Apuradas" acima demonstrada. Em que pese trazermos estas duas planilhas como prova dos recursos não declarados, elas estão alicerçadas uma sobre a outra e com as provas dos pagamentos realizados a fornecedores de produtos e de bens do Ativo Imobilizado efetuados pela Fuga Couros e demonstrados nos item 5.1 e 5.2.2 do TVF da frigosul. Diante disso efetuamos o lançamento tributário destas diferenças como receita omitida nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005 e sobre a qual incide o Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.205 10 IRPJ, CSLL. Para o PIS não cumulativo e COFINS não cumulativa dos ACs de 2004 e 2005. 3 DA MULTA QUALIFICADA E DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Sobre os valores das receitas decorrente das planilhas apreendidas foi aplicado o percentual de multa de 75%, haja vista que não conseguimos demonstrar materialmente o dolo. Sobre as glosas de custos das "aquisições" da Pantaneira "laranja" foi aplicada multa agravada de 150%, conforme determina o inciso II do artigo 957 do Dec. n° 3.000/99, pelos motivos discriminados expresso neste Termo de Verificação de Ação Fiscal em que foi exaustivamente demonstrado que a fiscalizada criou empresa "laranja" através de sua controlada, a Frigosul. Inclusive abrindo contas bancárias em nome de terceiras pessoas jurídicas. Estas contas bancárias foram movimentadas por um dos sócios, Luiz Eduardo Fuga e outra pelo funcionário graduado Heverton Fuga. Desta empresa "laranja" criada, a Fuga Couros S/A (MarauRS) utilizou de notas fiscais para inflar seus custos, reduzindo o IRPJ e a CSLL e, também buscar um maior retorno do PIS e da Cofins não cumulativo decorrente de incentivos fiscais na exportação de produtos industrializados. Diante disso, podemos concluir que houve dolo, fraude e simulação para eximirse do pagamento de tributos e buscar um maior retorno de incentivos fiscais nas exportações realizadas; fatos que determinaram a lavratura de processo de Representação Fiscal para Fins Penais contra os sócio administradores da Fuga Couros S.A. (...) A sistemática de tributação adotada pelo contribuinte foi o lucro real anual. II DA IMPUGNAÇÃO Cientificado da exigência do crédito tributário em 18/11/2009, o contribuinte apresenta, em 18/12/2009, a impugnação e documentos de fls. 1.562 a 2.164, posteriormente, também recebida por via postal (fls. 2.185 a 2.809), arguindo, em síntese, o que segue: CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Que imediatamente à notificação do AI, procurada a Agência da Receita Federal, os autos não se encontravam disponíveis, em fase de processamento e registro. Ademais, onde se encontra a prova plena do Fisco quanto à conta "1001" ? Obtida cópia integral do processo depositado nesta data junto à Delegacia da Receita Federal em Passo Fundo, restou infrutífera a busca pela planilha citada relativa à conta 1001, em que se baseou o lançamento por omissão de receitas (item 001 do AI). Decorre daí a nulidade do lançamento por impossibilidade do exercício do direito de defesa. Nem se alegue que umas poucas folhas de planilhas quanto à "conta 1001" seria suficiente para afastar a nulidade. Anotese, ainda, que as poucas encontradas nos autos envolvem outras empresas, o que torna incerto e ilíquido o lançamento, infringindose assim o art. 142 do CTN. Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.206 11 Embora o processo contenha mais de 1.500 folhas, para a Impugnante só foram entregues os autos de infração e o termo de verificação fiscal, o que não envolve mais do que 100 folhas. A diferença de tratamento para o contribuinte se apresenta absurda, pois o prazo de 30 dias para Impugnação se resumiu em não mais do que 15 (quinze). Fica o protesto para os fins de direito. DECADÊNCIA O lançamento de ofício em revisão foi notificado à impugnante em 18/11/2009. Logo, mesmo considerando a multa agravada, o ano de 2003 estaria alcançado pela decadência. Isto é, mesmo contando o marco inicial a partir do primeiro ano seguinte ao que poderia ser lançado. E que no caso, não obstante a fala antecipada do Fisco, quanto ao tema, há que ser considerado que a declaração de rendimentos da impugnante (DIPJ/2004) se deu em 23/06/2004 (fl. 802). A partir de então, volta se dizer, ainda que se admitisse a contagem segundo o disposto no artigo 173, inciso I, com a entrega da DIPJ o prazo deslocouse do dia primeiro para o momento em que apresentada esta. Fica o registro. DUPLICIDADE Não deixa de ser estranho o procedimento do FISCO FEDERAL nos casos em que envolvidas as empresas do denominado pelo mesmo de GRUPO FUGA. As empresas com sócios "laranjas" segundo o Fisco trabalharam sem serem molestadas durante anos. Durante anos operaram de fato e de direito, declararam suas operações DIPJ apresentaram GIAS na área estadual, empregaram, transportaram, tudo sem reclamações. Agora, após a ação da PF, tudo se apresenta como surpresa, como novidade, a provocar a lavratura de autos de infração por atacado, onde um mesmo fato passa a ser tributado várias vezes, como no caso sob exame. Vejase que no caso em análise é o Fisco quem cuida de se referir ao Grupo Fuga. É ele quem dá notícia de que a empresa FRIGOSUL foi autuada por operações da PANTANEIRA, e ele Fisco autuante que informa que a FUGA COUROS foi enquadrada como responsável no mesmo processo já julgado em primeira instância administrativa, fls. 4/28 do TVF: Então restam claros dois fatos: i) o Fisco Federal foi, quando menos, omisso em seu mister; ii) se já tributada a Frigosul (direta) e indiretamente a Impugnante, como se justifica nova tributação nos termos lançados? Para confirmar o alegado basta recorrer ao lançamento da Frigosul, tantas e tantas vezes referidas pelo Auditor Fiscal no caso presente; lá consta que foi autuada, esta, pela omissão da Pantaneira, segundo o seguinte quadro elaborado pela autoridade lançadora: Diferenças Apuradas Entre Livros Fiscais e Declarações de Informações da Pessoa Jurídica ANO CALEN DÁRIO FATURAMENTO REGISTRADO NOS LIVROS FISCAIS R$ FATURAMENTO INFORMADO À RECEITA FEDERAL R$. DIFERENÇA APURADA (OMISSÃO DE RECEITAS) R$ 2002 6.752.701,60 101.398,59 6.651.303,01 2003 30.427.557,38 302.285,59 30.125.271,79 2004 45.870.140,46 0,00 45.870.140,46 Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.207 12 2005 26.984.032,30 540.698,04 26.443.334,26 2006 20.648.694,73 482.486,91 20.166.207,82 SOMA 130.683.126,47 1.426.869,13 129.256.257,34 Resta então indagar: se pelas operações de vendas da PANTANEIRA está respondendo a FRIGOSUL, se para o Fisco Federal as mesmas aconteceram, só que devia a sua tributação ser dirigida a outrem, como se justifica glosar os valores dos produtos negociados? Num momento o Fisco Federal conclui: i) houve vendas pela PANTANEIRA, sendo a base de tributação aquela resultante do valor declarado à Fazenda Estadual para pagamento do ICMS e a menor declarada em sede de DIPJ e DCTF; ii) só que o IRPJ, CSLL e demais contribuições devem ser exigidas da FRIGOSUL com envolvimento por responsabilidade da FUGA COUROS S/A. Então, vem agora o mesmo Fisco Federal e glosa o custo dos produtos que vendidos integraram a operação da vendedoraPANTANEIRA (portanto, tributados), embora reclamado da FRIGOSUL e ainda da FUGA COUROS responsável solidária, em verdadeira duplicidade. Como demonstrado não pode a PANTANEIRA operar somente para o efeito de ter as suas operações tributadas, ainda que lançadas contra terceiros. Os valores depositados em suas contas bancárias existem para determinados efeitos tributação mas não valem para outros efeitos, devendo ser considerado ainda o lançamento contra a SEBO JALES. Eis como vêm sendo tratados aqueles que de alguma forma tiveram relações com a PANTANEIRA, que tem existência para fins de justificar tributação com o ICMS, para emprestar faturamento declarado à FAZENDA ESTADUAL e servir de base de cálculo para o IRPJ e reflexos, mas não existe para justificar tributação em cascata e aplicações de multas agravadas e isoladas; nem para justificar custos correspondentes àquilo que efetivamente vendeu (e gerou receita tributada!). CUSTO GLOSADO Por todo o exposto resta evidente que as compras existiram, vez que se não tivessem existido não poderia a impugnante ter vendido. Tomemse os próprios lançamentos constantes do AI: glosa de custo por compras e tributação por omissão de receitas. Isto é: vendas sem compras, o que é um absurdo. Ou seja, as vendas da Pantaneira tomadas como fruto de omissão de receitas e cobradas da Frigosul, valem para cobrar IRPJ e consectários, mas não valem quando geram depósitos e compensações bancárias; nem valem quando correspondem a entregas de couros à impugnante. E totalmente incompatível a duplicidade de lançamentos: não se pode tributar omissão de receitas (de venda) e, a um só tempo, glosar custos (de compras). Claramente, estáse exigindo imposto em duplicidade. Vejamse as notas fiscais emitidas pela Pantaneira (doc. 1) ora juntadas, por amostragem, que compõem a relação de notas glosadas pelo Fisco. Confirase a existência do carimbo da Secretaria de Fazenda local (Mato Grosso do Sul), que confirma a circulação das mercadorias entre Estados. Consideremse, igualmente, as notas fiscais emitidas pela Fuga Couros Jales Ltda. (doc. 2), em "retorno de remessa para industrialização" de mercadoria por esta recebida, da empresa Pantaneira, para beneficiamento e subsequente envio à impugnante. Estas vêm acompanhadas inclusive da GARE ICMS paga pela transportadora. Como negar validade aos documentos? Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.208 13 Salientese que as glosas de custos sob foco não tiveram por fundamento documentos inábeis (inidôneos) para a comprovação das operações registradas na escrituração mercantil. Tudo se deveu à conclusão do exator de que as compras glosadas "não podem ser consideradas aquisições de boa fé ". E mais: Como fica a questão dos estoques existentes ao final de cada um dos períodos de apuração? Acaso cuidou o Fisco de, ao glosar as compras (que teriam composto o custo dos produtos vendidos do ano), verificar se parte dos valores adquiridos no anocalendário (e glosado) haviam permanecido em estoque em 31 de dezembro? Ora, tendo parte das compras permanecido em estoque, é imprecisa a glosa na exata medida em que o valor mantido em estoque não foi levado à conta de custos. Insistase: o procedimento adotado glosou, potencialmente, ativos da empresa! Não há certeza nos valores tomados, pois o fisco não a buscou; isto só seria possível se fosse efetuada uma efetiva avaliação dos estoques e do CMV/CPV. OMISSÃO DE RECEITA A outra acusação diz respeito a uma suposição de omissão de receita com embasamento em uma planilha que teria uma coluna identificada como "1001", que corresponderia um "Caixa 2", encontrada na empresa Frigosul, matéria essa objeto de reclamação como preliminar nesta peça de defesa. Como se vê, tudo foi feito pelo Fisco tendo por base a fiscalização que resultou na autuação da empresa Frigosul. Então, uma questão é inevitável: se toda a receita da empresa Pantaneira foi tributada na Frigosul; se essa receita, sempre segundo o Fisco, "abasteceu" as contas do "Grupo Fuga"; então, não estaria ela toda tributada no auto de infração da Frigosul? Não se afigura evidente a duplicidade de lançamento? Sob outro aspecto, há que se considerar, ainda: em face da tributação das supostas receitas omitidas com base no lucro real, é inevitável trazer à baila a questão do "custo das receitas omitidas" que aqui toma proporções muito mais contundentes, em face da simultânea glosa de compras. MULTA QUALIFICADA A impugnante rechaça, veementemente, a aplicação da multa agravada de 150% presente nos autos de infração sob ataque. Ainda que tivesse razão o fisco, no todo ou em parte apenas para se argumentar qual seria a razão para se aplicar a multa de 75% (como é de praxe) a quem vende sem nota fiscal e de 150% neste suposto caso de omissão de receitas? A exigência de imposto em lançamento de ofício é a regra; a multa de 75%, a sua conseqüência. Ela é aplicada porque houve sonegação. O percentual de 150% é a exceção. Tanto é assim que o 1o Conselho de Contribuintes tem pacífica jurisprudência sobre o tema, na linha de que "qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de oficio, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos", como decidido, entre outros, nos Acórdãos n°s. 10173.623/82; 10417.830/01; e 10419.516/03. É a gana arrecadatória em busca de transformar a regra em exceção, o quê decididamente não pode ser aceito! Verificase, a toda evidência, que, ainda que algum valor fosse devido pela impugnante, jamais poderia ser aplicada, sobre tal montante, a multa agravada de 150%, o que também revela ser descabida a abertura do Processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.209 14 Há, contudo, um aspecto muito particular a ser considerado pelos Senhores Julgadores. O autuante afirmou (TVF, fl. 86) que não conseguiu demonstrar materialmente o dolo quanto à acusação da omissão de receitas calcada nas tais planilhas (por isso aplicou a multa de 75%). É de se perguntar onde estaria a prova material de dolo para a outra infração (glosas de custos das aquisições da empresa Pantaneira), pois não obstante toda a profusão de argumentos tomados de outra autuação fiscal (Frigosul) a glosa teve por fundamento, ao cabo, tãosomente a "conclusão" do AuditorFiscal de que aquelas compras "não podem ser consideradas aquisições de boa fé". Como falar em prova material de dolo aqui? LANÇAMENTOS REFLEXOS Tudo quanto aqui se disse, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e consectarios legais, é extensivo a todos os lançamentos reflexos Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS/PASEP e COFINS. Aduzase, quanto ao PIS e à COFINS, que a forma de tributação da suposta omissão de receitas (apuradas em "planilhas"), com inclusão integral do valor tido como receita no mês de dezembro de cada ano (2004 e 2005) não se coaduna com o período de apuração dessas contribuições, que é mensal. Deve ser considerado que, no regime não cumulativo, em que se compensam débitos e créditos dessas contribuições, é um imperativo de regência lançar sempre mês a mês. Não pode ser aceita a inclusão global de valor na contribuição do mês de dezembro, sob pena de descumprimento do regime nãocumulativo e mensal. Traçase um paralelo: do mesmo modo que a jurisprudência administrativa unissonamente repele o lançamento de IRPF sobre "acréscimo patrimonial a descoberto" (APD) todo ao final do ano (exigese a apuração mensal), também a determinação do montante das contribuições PIS e COFINS há que ser efetuada mês a mês. CONCLUSÃO Posto tudo isto, e protestando pela juntada posterior de documentos (especialmente pelo cerceamento do direito de defesa antes levantado), bem como pela produção de todas as provas em direito admitidas, a nulidade dos lançamentos sob exame há de ser declarada, o que fica requerido. III DA DILIGÊNCIA 0 processo retornou em diligência à DRF de Origem (fls. 2.812/2.813) para: 1 Intimar o contribuinte autuado a juntar aos autos: a) cópias das folhas do Livro Registro de Saídas da Pessoa Jurídica Pantaneira e/ou outros elementos de comprovação, onde fique demonstrado que os valores das notas fiscais de entradas glosadas (relação às fls. 92 a 105) compõem os montantes das vendas tributadas como omissão de receita no Auto de Infração da controlada Frigosul (período de 2003 a 2006), bem como dos montantes de receitas declaradas em DIPJ, pela Pantaneira ou Frigosul (período de 2007 e 2008); b) cópias das Notas Fiscais de Saídas emitidas pela Pessoa Jurídica Pantaneira e/ou outros documentos relacionados que demonstrem a efetiva circulação do vendedor ao comprador das mercadorias relativas às notas fiscais de entradas glosadas do período de 2006 a 2008; Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.210 15 2 Esclarecer como a escrituração do contribuinte autuado registrou os pagamentos/quitações dos valores das compras glosadas no período de 2003 a 2008, constantes da relação mensal das notas fiscais de entradas da Pantaneira nas filiais e na matriz da Fuga Couros (fls. 92 a 105), juntando, ainda, cópia do Razão da conta contábil onde constam esses registros. 3 Apresentar conclusões sobre as verificações realizadas e outros esclarecimentos que julgar necessários para a solução do litígio. No atendimento da diligência, a Delegacia de origem juntou os documentos de fls. 2.819 a 4.291 e lavrou o termo de encerramento de diligência fiscal e reabertura de prazo (fls. 4.292 a 4.295), com os esclarecimentos dos quesitos solicitados e as conclusões a seguir, em síntese: no auto de infração lançado na Frigosul Frigorífico Sul Ltda. foram alocados todas as receitas omitidas na empresa Pantaneira do ACs 2002 a 2006, inclusive as receitas referentes às vendas realizadas para Fuga Couros S.A e suas filiais. Tais vendas foram glosadas da Fuga Couros S.A neste PAF. Desta Forma, tais valores já estariam legalizados (lançamento PAF na Frigosul) pelas transações operacionais/comerciais entre as empresas; no AC de 2007, a empresa Pantaneira apresentou na DIPJ os valores das receitas que contempla as vendas realizadas para a Fuga Couros S.A e suas filiais; no AC de 2008, a empresa Pantaneira apresentou DIPJ em branco, sem qualquer valor de receita, não contemplando as vendas realizadas para as filiais da Fuga Couros:Várzea Grande e Paranaíba; nas notas fiscais de vendas emitidas pela Pantaneira para Fuga Couros S.A de 2006 a 2008 consta que os produtos foram transportados por veículos próprios do destinatário, conforme lavrado nas referidas notas fiscais, bem como as placas dos veículos que fizeram o transporte (fls. 2962 a 3.675); as notas fiscais de aquisição da Pantaneira de 2003 a 2008 foram registradas em conta de obrigação (Passivo) e também estão registradas nas contas de custos da Fuga Couros S.A (fls. 3.676 a 3.789); a conta Razão do fornecedor, Pantaneira e os referidos pagamentos foram demonstrados pelo intimado em documentos em anexo a este termo, os quais conferimos. Estão neste rol: cópias dos cheques (quando da emissão da Intimada), depósitos e transferências bancárias efetuadas pela Fuga à Pantaneira (fls. 3.790 a 4.291). Cientificado dos elementos juntados na diligência, o contribuinte apresenta a manifestação de fls. 4.297 a 4.301, a seguir sintetizada: a conclusão da diligência sobre os custos glosados dos anos de 2003 a 2006 apenas corrobora tudo quanto dito pela impugnante em relação à duplicidade de lançamentos e a estranheza com o fato de valores que servem para lançamento de omissão de receita não servirem para a dedução como custo, relativamente a compras efetivamente havidas; quanto ao anocalendário de 2007, também concluiu o fisco na diligência, que a PJ Pantaneira declarou suas receitas. Quanto à DIPJ de 2008 da mesma empresa, Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.211 16 observa que, não é da alçada da impugnante o fato de a declaração haver sido apresentada "em branco", como afirmado no relatório sob análise. no pertinente aos quesitos que demonstrem a efetiva circulação do vendedor ao comprador das mercadorias relativas às notas fiscais de entrada glosadas do período de 2006 a 2008, bem como informações sobre pagamentos/quitações, informa o autuante não só a juntada dos documentos requeridos, mas também dá conta da lisura das transações, em especial pela comprovação de pagamentos, ao relatar: a) que os produtos foram transportados por veículos próprios do destinatário; b) que as NF de aquisição da Pantaneira foram registradas em conta de obrigação (Passivo), bem como nas contas de custos da impugnante; c) que restaram demonstrados os referidos pagamentos por meio de cópias de cheques, depósitos e transferências bancárias, conforme documentação apensada. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRENCIA. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa, o que não ocorreu nos autos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DECADÊNCIA TRIBUTARIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado e ausente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo quinquenal é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. COMPROVAÇÃO. Ficando demonstrado nos autos que ocorreram os pagamentos pelo adquirente, que houve o trânsito da mercadoria e, ainda, que a receita correspondente foi tributada na real fornecedora (ACs 2003 a 2006), resta cancelar a glosa de custos lançada. OMISSÃO DE RECEITA. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS EXTRACONTABEIS. Identificadas as omissões de receitas pelo confronto entre os valores declarados e os apurados através de tabelas apreendidas pela Policia Federal, circularizações e demais provas juntadas pela fiscalização, procede a exigência lançada, até porque o contribuinte não demonstra a alegada duplicidade de lançamentos. CUSTO DE RECEITAS OMITIDAS. Os custos correspondentes às vendas omitidas só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, mediante escrituração feita com observância da legislação comercial e fiscal e devidamente comprovados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.212 17 razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. PIS E COFINS. DATA DO FATO GERADOR. Nos casos de lançamento decorrente e quando a base de cálculo é identificada apenas anualmente, devese adotar para o PIS e COFINS a mesma a data do fato gerador do IRPJ, ou seja, o último dia do mês de dezembro do ano calendário correspondente. Impugnação procedente em Parte. Credito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da aludida decisão em 10/01/2011 (fl. 4326), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/2/2011 (fl. 4327 e seguintes) , no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto as parcelas mantidas, repisa as alegações da peça impugnatória nessa parte e, ao final, requer o provimento para integral cancelamento da exigência. Em 13/01/2012 a recorrente solicitou a juntada dos documento de fls. 4551 e seguintes, em requerimento assim redigido: "FUGA COUROS S/A, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 11030.001711/200915), que se encontra aguardando pauta de julgamento, vem, respeitosamente, à presença de V.Exa. para requerer a juntada de documentos novos, de origens recentes, que chegaram às mãos da Recorrente nesta semana, os quais provam as alegações constantes das peças de impugnação e recurso voluntário. Como emerge fácil dos documentos, a empresa PANTANEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA, não só tem vida própria, como também declarou, segundo retificadoras, os movimentos do IRPJ e CONTRIBUIÇÕES no período de 2004 a 2006. Acrescentese que a mesma — PANTANEIRA — sempre esteve ATIVA, tendo, inclusive, quando das retificações de suas declarações apresentadas em 2010. Pelo que pode ser constatado, foi declarado o que deixara no passado de se submeter à tributação — anos de 2004/2005/2006 , restando não poder a Recorrente responder pelas acusações que lhe foram feitas. Anotese que o devido foi objeto de parcelamento junto ao Poder Judiciário, com concordância, inclusive, da Procuradoria da Fazenda Nacional — fls. 176/178 da peça de execução e parcelamento. Sem razão então o Fisco quando alega ser a PANTANEIRA uma empresa "laranja", atribuindo a terceiros o que por aquela seria devido a titulo de tributo nos referidos anos. Pelo exposto requer a juntada para a devida apreciação por ocasião do julgamento." Mediante despachos de fls. 4760 e 4761 o processo foi enviado a PFN para manifestação em face da aludida juntada de documentos. A seguir, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento. Incluído o processo em pauta, houve conversão do julgamento em diligência, tendo o voto condutor do aresto assim encaminhado: Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.213 18 Conforme relatado, a exigência decorre de glosa de custos considerados inidôneos e omissão de receitas (anoscalendário de 2003 a 2008), tendo sido aplicada a multa de 150% (qualificada) sobre os tributos resultantes da glosa de custos. O contribuinte tomou ciência do lançamento em 18/11/2009 (fls. 03 e 32). No recurso voluntário foi apresentada farta documentação, protocolada em 22/12/2011 junto ao CARF, no intuito de comprovar que a empresa PANTANEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA, não só tem vida própria, como também declarou o IRPJ e Contribuições devidas no período de 2004 a 2006, que estaria novamente sendo exigido da autuada. Logo, haveria patente duplicidade de lançamento. Consoante asseverado pela recorrente, a Pantaneira sempre esteve ativa junto Receita Federal, tendo inclusive apresentado declarações retificadoras em 2010, cujos débitos foram objeto de parcelamento. Ora, uma vez que no presente processo o que se exige são os tributos sobre as receitas da empresa Pantaneira, cumpre converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização da Receita Federal analise a documentação juntada após a interposição do recurso voluntário, faça as verificações que entender pertinente para apurar a verdade dos fatos e, ao final, elabore relatório consubstanciado sobre os trabalhos realizados. A contribuinte deverá ser cientificada dos resultados da diligência para, se desejar, manifestarse nos autos no prazo de 30 (trinta) dias. Os autos foram encaminhados à unidade de origem. Às fls. 47874791 encontrase o relatório de diligência fiscal cujos excertos a seguir reproduzidos sintetizam o seu cerne: Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.214 19 Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.215 20 Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.216 21 Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.217 22 Intimado a manifestarse sobre o relatório de diligência fiscal, a Recorrente apresentou o expediente de fls. 48224829, aduzindo, em resumo, que: a autoridade fiscal responsável pela diligência não a concretizou a contento, limitandose a transcrever excertos do voto condutor do aresto recorrido; a autoridade fiscal teria deixado de analisar os documentos anexados aos autos após o recurso voluntário, sob o argumento de que tais elementos em nada alteravam o lançamento, pois não haveria duplicidade de exigência; a omissão de receitas advém de suposição de “Caixa 2” da empresa Frigosul Frigorífico Sul Ltda (PAF 16004.000383/200881), por pretensa utilização da empresa PANTANEIRA como interposta pessoa para realização de suas vendas, assim, se tais receitas já foram tributadas no PAF referente à FRIGOSUL , estarseia diante de dupla exigência sobre as mesmas receitas. Retornados os autos ao CARF, e tendo em vista que o então Conselheiro Relator não mais compõe os quadros deste Tribunal Administrativo, os autos foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.218 23 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. Os recursos foram alvo de conhecimento quando da conversão do julgamento em diligência. 1 RESUMO DA LIDE Conforme já relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos lastreada em dois fatos: (i) dedução de custos (matéria objeto de recurso de ofício); (ii) omissão de receitas. Em relação à dedução de custos, a autoridade lançadora entendeu que a empresa PANTANEIRA era interposta pessoa de FRIGOSUL, glosando as aquisições da Recorrente perante PANTANEIRA. Aplicouse, para tal infração, a penalidade de 150% prevista no art. 44, I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. PANTANEIRA, no bojo dos autos número 16004.000383/200881, foi tratada como interposta pessoa de FRIGOSUL, tendo as receitas associadas àquela sendo consideradas efetivamente auferidas por esta, lavrandose os autos de infração correspondentes. O julgamento em primeira instância foi convertido em diligência a fim de se verificar se os custos da Recorrente referentes a aquisições de PANTANEIRA correspondiam a receitas tributadas de ofício (processo nº 16004.000383/200881). A resposta à diligência foi positiva, tendo o julgamento de primeira instância excluído o crédito tributário correspondente. No que tange à omissão de receitas, tratase de lançamento baseado em planilhas que supostamente indicavam o real faturamento da Recorrente e outras empresas do Grupo Fuga apreendidas pela Polícia Federal e repassadas à RFB. Tanto a apreensão de documentos, quanto o compartilhamento de dados, foram estribados em autorização judicial. Aplicouse, para tal infração, a penalidade de 75% prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. No julgamento de primeira instância exonerouse ainda o crédito tributário referente ao anocalendário de 2003. A formalização da exigência deuse em 2009 e constatou se ter ocorrido pagamento antecipado. Ante a ausência de dolo, fraude ou simulação – já que exonerouse também o crédito tributário concernente à infração lavrada com penalidade de 150% , entendeuse por bem aplicar o art. 150, § 4º, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial (a partir da ocorrência do fato gerador), implicando exclusão do crédito tributário relativo ao anocalendário de 2003. 2 PRELIMINAR NULIDADE Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.219 24 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado no Termo de Verificação Fiscal, no qual se apontou com minúcias os fatos Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.220 25 constatados, qualificandoos e subsumindoos com perfeição aos dispositivos legais apontados no próprio relatório em questão. A respeito dos pontos específicos levantados pela Recorrente, a decisão recorrida muito bem apreciou o tema, razão pela qual transcrevo seus fundamentos: Vêse que a questão suscitada pelo Impugnante (disponibilização do processo para vistas) não trouxe qualquer prejuízo à defesa. Até porque lhe foi fornecida cópia integral do processo, no mesmo dia de sua solicitação, dentro do prazo legal de impugnação (fl. 1.545), contendo, inclusive, as citadas planilhas apreendidas pela Policia Federal e demais documentos (fls. 821 a 1.230), base da infração descrita como omissão de receitas (item 001 do AI). Além disso, os argumentos apresentados relativos à comprovação da irregularidade apontada constituem matéria de mérito que se analisa logo adiante. Relativamente ao suposto erro na identificação do sujeito passivo, bem como à pretensa insuficiência de provas de omissão de receitas, deixo de apreciar tais pontos como preliminar, uma vez que dizem respeito ao mérito da exigência, a ser tratado em ponto específico do voto. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada esta arguição de nulidade. 3 RECURSO DE OFÍCIO No que tange à exoneração advinda do reconhecimento da decadência, perfeita a conclusão da decisão recorrida: existindo pagamento antecipado, e na ausência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é regida pelo art. 150, § 4º, do CTN. Considerando que a exigência, em seu período mais pretérito, diz respeito ao ano calendário de 2003 e a ciência do lançamento somente se deu em 18 de novembro de 2009, há de se confirmar a ocorrência da decadência em relação aos tributos cujos fatos geradores ocorreram até 31 de dezembro de 2003. Nesse ponto, a decisão recorrida deve ser mantida. Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.221 26 Em relação aos custos glosados, outra sorte não merece o recurso de ofício. Isso porque, uma vez comprovado que as receitas de PANTANEIRA foram tributadas de ofício em FRIGOSUL, bem como comprovado transporte das mercadorias e o fluxo financeiro relativo ao pagamento, não há motivos para glosa, como bem asseverou o voto condutor do aresto recorrido. Compulsando os elementos de prova constantes dos autos, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9784, de 1999, razão pela qual transcrevoos a seguir: A defesa alega duplicidade de tributação, ou seja, não se pode tributar omissão de receitas (de venda) e, a um só tempo, glosar custos (de compras). Diz que as vendas da Pantaneira tomadas como fruto de omissão de receitas e cobradas da Frigosul, valem para cobrar IRPJ e consectários, mas não valem quando geram depósitos e compensações bancárias; nem valem quando correspondem as entregas de couros à Impugnante. Diz, ainda, que a diligência fiscal confirmou a lisura e a efetividade das compras glosadas da autuada (fl. 4.298). Efetivamente, o quanto demonstrado pela fiscalização indica que as pessoas jurídicas M. S. Aliança e Pantaneira eram interpostas pessoas, utilizadas pela PJ Frigosul (Frigorífico Sul Ltda.), para encobrir suas operações de modo a tentar impedir o conhecimento destas pelo Fisco. Todo o sistema engendrado encontrase fartamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração (fls. 60 a 87), bem como no Termo de Verificação Fiscal elaborado pela fiscalização da DRF de São José do Rio Preto – SP, anexado às fls. 160 a 198. Apesar da organização criada pelos dirigentes do denominado “Grupo Fuga”, no caso, há que verificar a realidade dos fatos, mediante análise dos documentos representativos das operações de aquisições de couro pela autuada e dos respectivos pagamentos ao fornecedor. A amostra das notas fiscais de vendas emitidas nos anos de 2003 a 2006, com carimbos dos postos fiscais estaduais e guias quitadas de recolhimento de ICMS e demais documentos trazidos aos autos pelo Impugnante (fls. 1.603 a 2.809), indicam que houve a circulação das mercadorias da PJ vendedora à compradora autuada. A própria fiscalização admite a legalidade dessas transações operacionais/comerciais entre as PJ envolvidas, conforme observa o Relatório de Diligência à fl. 4.295: Em que pese à organização realizada pela Fuga Couros S.A, que através da sua coligada Frigosul – Frigorífico Sul Ltda. criou a empresa “laranja” Pantaneira, temos a observar que: No Auto de Infração lançado na Frigosul – Frigorífico Sul Ltda. foram alocados todas as Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.222 27 receitas omitidas na empresa Pantaneira do Acs 2002 a 2006, inclusive as receitas referentes às vendas realizadas para Fuga Couros S.A e suas filiais. Tais vendas foram glosadas da Fuga Couro S.A neste PAF. Desta forma, tais valores já estaria legalizados (lançamento PAF na Frigosul) pelas transações operacionais/comerciais entre as empresas; O relatório de diligência (fl. 4.294), também informa que nas notas fiscais de vendas emitidas pela Pantaneira à Fuga Couros S.A (Filiais) no período 2006 a 2008 (fls. 2.962 a 3.675) consta que os produtos foram transportados por veículos próprios do destinatário, conforme lavrado nas referidas notas fiscais, bem como as placas dos veículos que fizeram o transporte. No relatório de diligência consta, ainda, que a conta Razão do fornecedor “Pantaneira” e os referidos pagamentos do período de 2003 a 2008 foram demonstrados pela autuada em documentos anexos e conferidos pela fiscalização e que estão neste rol: cópias dos cheques – quando da emissão, depósitos e transferências bancárias efetuadas pela Fuga à Pantaneira (fls. 3.790 a 4.291). Assim, se os elementos constantes aos autos indicam que a venda foi tributada (ACs 2003 a 2006), que houve a circulação do vendedor ao comprador das mercadorias relativas às notas fiscais de entrada glosadas, que ocorreram os pagamentos dos valores correspondentes ao fornecedor, resta cancelar a infração lançada a título de glosa de custos. Registrase ainda, por oportuno, que relativamente às operações de vendas realizadas em nome da PJ “laranja” Pantaneira no período de 2007 e 2008, cabe a fiscalização (a seu critério) verificar a existência de possíveis diferenças tributáveis na PJ controlada Frigosul – Frigorífico Sul Ltda, a exemplo dos valores lançados relativos aos anos 2002 a 2006, através do PAF nº 16004.000383/200881, processo esse que já foi julgado e mantido na primeira instância de julgamento, inclusive no tocante à responsabilidade subsidiária da controladora Fuga Couros S/A (Marau/RS). Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 4 RECURSO VOLUNTÁRIO 4.1 IRPJ E CSLL Quanto ao mérito da infração relativa a omissão de receitas apontada, entendo, com a devida vênia, que a diligência requerida por este Colegiado mostrouse equivocada. Fl. 5222DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.223 28 Isso porque se partiu do pressuposto de que as receitas objeto de autuação teriam origem em PANTANEIRA. Tratase de conclusão equivocada. As receitas tidas como formalmente obtidas por PANTANEIRA foram consideradas pela Fiscalização como material e efetivamente auferidas por FRIGOSUL, tendo sido lavrados os autos de infração correspondentes (PAF nº 16004.000383/200881). O que se exige no presente processo são receitas supostamente omitidas pela própria Recorrente extraídas de planilhas apreendidas nas residências de dois dos diretores do denominado “Grupo Fuga”. Não há que se falar, portanto, em duplicidade de exigência. Tampouco em erro na identificação do sujeito passivo. Tais planilhas indicam claramente o faturamento das empresas do grupo em inúmeros períodos, entre elas o da própria Recorrente. Esta, por sua vez, argumenta que a denominação utilizada em tal planilha para “Matriz”, não se refere à própria Recorrente (Fuga Couros S/A), mas sim a matriz de “Sebo Jales”, outra empresa do conglomerado. Discordo de tal alegação. A esse respeito, convém transcrever excerto do voto condutor do aresto recorrido: Também a validade dos dados constantes na planilha apreendida de fl. 845 e 892 (“Balancete do Mês de Fevereiro Ano: 2006”), pode ser obtida pela coincidência da receita bruta total de R$ 5.090.799,14 informada na Coluna “Contábil”, com o valor informado no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Socais do PIS e COFINS DACON (fls. 4.305/4.306). No entanto, o total do faturamento do mês foi de R$ 7.116.499,11, o que indica que a Coluna 1001 da planilha representa os valores movimentados em conta paralela (Caixa “dois”). Também a validade dos dados constantes na planilha apreendida de fl. 845 e 892 (“Balancete do Mês de Fevereiro Ano: 2006”), pode ser obtida pela coincidência da receita bruta total de R$ 5.090.799,14 informada na Coluna “Contábil”, com o valor informado no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Socais do PIS e COFINS DACON (fls. 4.305/4.306). No entanto, o total do faturamento do mês foi de R$ 7.116.499,11, o que indica que a Coluna 1001 da planilha representa os valores movimentados em conta paralela (Caixa “dois”). Por oportuno, convém reproduzir a planilha de fl. 915, destacadandose os pontos de maior interesse: Fl. 5223DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.224 29 Ora, a identidade de receita bruta indicada na planilha de fl. 915 referente ao mês de fevereiro de 2006 e a indicada na Dacon da Recorrente do mesmo período demonstra que a referência à “Matriz” indicadas nas planilhas referese a Fuga Couros S/A, ora Recorrente, e não a qualquer outra pessoa jurídica do grupo. Em relação à planilha retroproduzida, chamo a atenção ainda para o valor de R$ 7.116. 499,11 indicado como “Receita Bruta Total” após a adição dos valores indicados na coluna “1001”: é o mesmo valor indicado na planilha de fl. 914 como fataturamento total no mês de fevereiro de 2006 referente à “Matriz”. Vejase: Fl. 5224DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.225 30 A meu ver, não há dúvidas da caracterização de omissão de receita por parte da Recorrente. No mesmo sentido, a decisão guerreada bem abordou o questão do conteúdo das planilhas: As planilhas apreendidas pela Polícia Federal (fls. 838 a 867, 885 a 919 e 969 a 1.023), no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão determinado pela Justiça Federal de Jales, no dia 05/10/2006, na residência, em Goiânia, do Sr. André Benedetti, Gerente da Fuga Couros Hidrolândia/GO, demonstram de forma inequívoca que o faturamento das unidades empresariais do Grupo Fuga inclusive de sua Matriz (Fuga Couros S/A) é muito superior à declarada à Fazenda Nacional, nos anoscalendário (AC) de 2000 a 2005. Podese afirmar que os valores constantes da planilha apreendida de fl. 844 [na numeração digital encontrase à fl. 914], se trata de faturamento das unidades empresariais do Grupo Fuga, inclusive de sua Matriz (Fuga Couros S/A), em face de outra planilha semelhante (fl. 915)[na numeração digital encontrase à fl. 985], que foi apreendida no notebook pertencente ao Sr. Fabrício Fuga, sócio e diretor de empresas do Grupo, onde consta o cabeçalho: FATURAMENTO DAS EMPRESAS – 2002. Vêse que os valores do faturamento do (AC) 2001, no valor de R$ 85.859.694,26, são coincidentes. Verificase, ainda, que a demonstração efetiva de haver receitas não declaradas ao Fisco nos referidos anoscalendário, está respaldada em outras planilhas de fls. 845 a 858 e 892 a 905, que demonstram os verdadeiros valores auferidos pelas unidades do Grupo Fuga, onde há a descrição das receitas e das despesas, bem como uma coluna para o valor contábil, outra coluna intitulada "1001" e ainda, uma denominada "mês". Nesta planilha podemos observar que a coluna intitulada "1001" apresenta receitas e despesas. Estes valores são somados com os valores da coluna "contábil" e demonstrados na coluna "Mês". Fato que comprova serem os valores informados na coluna "1001" receitas e despesas não contabilizadas pelas empresas do grupo Fuga, ou seja, o Caixa "dois”. Frisese que a planilha que se refere somente ao anocalendário de 2006, indicando a coluna “1001” foi utilizada pela Fiscalização como indicativo para formação de convicção de que a Recorrente, rotineiramente, omitia receitas ao crivo da tributação. Isso porque, para quantificação das receitas omitidas, utilizouse dos valores apontados na planilha de fls. 914, indicando o faturamento real de todas as empresas do “Grupo Fuga”, entre elas, a Recorrente. Reproduzse excerto de interesse da referida planilha: Fl. 5225DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.226 31 Por fim, conforme salientado, à fl. 985 consta outra planilha, apreendida em residência de outro diretor do “Grupo Fuga”, cujo título é suficientemente ilustrativo: “Faturamento das Empresas 2002”. Em tal demonstrativo, consta como faturamento da “Matriz” o mesmo montante indicado na planilha de fl. 914: Embora os elementos apresentados, a meu ver, sejam suficientes para comprovação da omissão de receitas, reproduzo os demais argumentos aduzidos pela decisão recorrida que, ante a ausência de novos elementos, merecem ser reproduzidos como fundamentos complementares deste voto: Além disso, existem fatos demonstrados pela fiscalização nos itens 5.1 e 5.2.2 do TVF da Frigosul (fls. 185v e 188/189) que comprovam a aquisição de produtos e ativo imobilizado com a utilização de recursos não contabilizados no Grupo Fuga. Outras provas de que a conta 1001 no “Grupo Fuga” representa a contabilidade paralela estão demonstradas no Termo de Verificação Fiscal – TVF, lavrado contra a “SEBO JALES”. A seguir: Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.227 32 a) Item 5.4 do TVF (fls. 830 e 877), a auditoria demonstra que a conta intitulada "1001" constante nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal são recursos movimentados pelo Grupo Fuga em conta paralela, ou seja, o Caixa “dois". b) Nas fls. 1.025 a 1.230, constam diversos documentos que foram circularizados com pessoas e fornecedores de produtos demonstrando que grande parcela dos recursos não estão contabilizados. c) A planilha constante no item 5.4.5 do TVF (fl. 833) deixa claro a cada pagamento o que foi pela contabilidade e o que foi pela conta "1001". Que correspondem os valores por fora. d) Itens 5.4.6 e 5.4.7 do TVF (fls. 834/836) a auditoria demonstra que as empresas retificaram os valores recebidos através da conta "1001", quando intimadas sobre estes valores. Isso torna inequívoco o reconhecimento da existência dos valores omitidos ao Fisco e constantes na conta paralela. e) Os demais subitens do item 5.4 do TVF têm a prova de que a conta "1001" é conta extracontábil, ou seja, o Caixa “dois" da pessoa jurídica. Assim, como provado o faturamento efetivo da Matriz (Fuga Couros S/A) é o que consta na planilha de fl. 844: [...] R$ 113.245.285,19 em 2004 e R$ 99.797.974,57 em 2005 e como a receita declarada na DIPJ foi, respectivamente, nos valores de R$ 92.135.141,94 e R$ 79.674.181,66, devese manter a tributação das diferenças apuradas nos valores de R$ 21.110.143,25 (período de apuração 31/12/2004) e R$ 20.123.792,91 (período de apuração 31/12/2005). Quanto à alegação de duplicidade de lançamentos, verificase que não há nos autos qualquer indicação dessa ocorrência. A alegação poderia ser aceita se ficasse demonstrado que o faturamento omitido pela autuada (controladora) têm origem nas mesmas vendas tributadas na controlada Frigosul, via PAF nº 16004.000383/200881. Essa prova a defesa não trouxe, pelo que o argumento apresentado não deve prosperar. No que tange à alegação da Recorrente a equívocos da Fiscalização ao indicar planilhas de terceiros (Sebo Jales – Matriz), outra sorte não assiste à Interessada. E não só pelas razões retroelencadas, mas também pelo fato de as planilhas referentes a Sebo Jales não terem sido utilizadas para qualquer conclusão nos presentes autos. Basta verificar que tais planilhas encontramse às fls. 921922, distintas das que lastrearam a presente exigência (fls. 914, 915 e 985). Diante de elementos de convicção convergentes, não há outra conclusão a se chegar: o faturamento da autuada nos períodos de 2003 a 2005 encontramse retratadas nas planilhas que embasaram a exigência, não havendo reparos a se fazer quanto à omissão de receitas apontada pelo Fisco. Relativamente ao pedido de consideração dos custos concernentes à omissão de receitas, nada mais paradoxal por parte da Recorrente ao não admitir a ocorrência de receitas não oferecidas à tributação mas requerer que se proceda à exclusão dos custos correspondentes. De toda forma, para deferimento de seu pleito farseia necessária a Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.228 33 apresentação dos custos correspondentes, respaldado em documentação hábil idônea. Ou, alternativamente, se das planilhas em que se baseou a autoridade lançadora para determinar a omissão de receitas também fosse possível aferir os custos referentes a tais vendas não tributadas espontaneamente pela Recorrente, seria possível admitirse a dedução dos supostos custos. Contudo, nas planilhas apreendidas, somente se identificam custos referentes às omissões de receitas em períodos posteriores ao que se refere a respectiva infração (custos relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2006, enquanto a omissão de receitas diz respeito aos anoscalendário de 2003 a 2005). Desse modo, ante ausência de qualquer comprovação, negase a dedução de qualquer custo adicional. Nesse contexto, mantémse integralmente a exigência de IRPJ e CSLL. 4.2 PIS E COFINS Em relação ao PIS e à Cofins o sujeito passivo suscitou acertadamente que o fato gerador dessas contribuições é mensal e não caberia a autuação com fato gerador anual. Repetese a reprodução da planilha em que se baseou o lançamento: Observase, sem sombra de dúvidas, que a exigência baseouse em valores anuais, até mesmo ante a ausência de decomposição dos faturamentos mensais nas planilhas apreendidas, bases para o lançamento. Nesse contexto, a apuração anual representa vício material insanável, sendo incabível a manutenção da exigência quanto às receitas consideradas auferidas e omitidas em todo o período. Entendo não ser possível nem mesmo manter a exigência referente ao mês de dezembro, uma vez que se torna impossível determinar a receita auferida em qualquer dos períodos de apuração mensais, ao menos com a certeza e liquidez que exige a determinação do Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.229 34 crédito tributário. De igual forma, não vislumbro qualquer hipótese de toda a omissão de receita dizer respeito a um único mês. Isso posto, as autuações do PIS e da Cofins devem ser integralmente canceladas. 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente as exigências de PIS e de Cofins. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Declaração de Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Trata o presente processo de autuação lavrada em face da empresa FUGA COUROS S/A, correspondente aos períodos de apuração dos anoscalendário de 2003 a 2008. Em face da sustentação oral feita pelo ilustre patrono da recorrente apontando, dentre outros argumentos, lançamento em duplicidade, alegação que também consta a partir do item 23 do recurso (fl. 4.464), somado ao fato de ter constatado que sou relator do processo nº 15868.000341/200907, que tem como contribuinte a empresa FUGA COUROS JALES LTDA e corresponsável a FUGA COUROS S/A, com notícia, ainda, da existência do processo nº 16004.000383/200881, em nome da FRIGOSUL – Frigorífico Sul Ltda, que já esteve em pauta nesta turma e saiu com diligência, pedi vista dos autos com o objetivo de melhor examinar a matéria. Neste processo de nº 11030.001711/200915, de relatoria do ilustre Conselheiro Fernando Brasil, tributamse os seguintes fatos e respectivas bases de cálculo: 001. OMISSÃO DE RECEITA. Omissão de receita caracterizada pelas planilhas apreendidas pela Polícia Federal e relatadas no item 2.2, 2.2, 2.2, 2.2.9 (sic), corroborados com os demais itens do TVF, onde ficou corroborado a movimentação de recursos extracontábil (fl. 06). Fl. 5229DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.230 35 002 CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSA DE CUSTOS Valor apurado conforme planilha demonstrativo das notas fiscais de "compras" efetuadas de empresas "LARANJA" Pantaneira conforme relatado no TVF e planilhas demonstrativas que fazem parte integrante deste auto de infração. Conforme se extrai dos fundamentos do acórdão recorrido, à fl. 4.439, a exigência de crédito tributário decorrente da glosa de custos indicadas no item 002 do auto de infração, resultou cancelada por ter sido comprovado que “houve a circulação do vendedor ao comprador das mercadorias relativas às notas fiscais de entrada glosadas, que ocorreram os pagamentos dos valores correspondentes ao fornecedor.” Igualmente, em relação ao anocalendário de 2003, a DRJ cancelou a exigência do crédito tributário em face da decadência, recorrendo de ofício por ter afastado da exigência crédito tributário de valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). O recurso de ofício, em face da decisão em que afastou a exigência do crédito tributário em relação à glosa de custos e decadência quanto ao anocalendário de 2003, não merece provimento. Mantémse por seus próprios fundamentos. Assim, resta analisar o lançamento no ponto relacionado à omissão de receita nos anoscalendário de 2004 e 2005. O item 2.9.2 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 87), no ponto em que trata da receita movimentada à margem da contabilidade está assim redigido: Fl. 5230DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.231 36 Pois bem, ido direto ao ponto e tendo por norte os debates verificados na sessão de julgamento, há que se estabelecer, à luz das normas que tratam da matéria, como se apura omissão de receita para que fatos subjetivos não sejam considerados como tal, dando azo à constituindose crédito tributário em afronta ao disposto no artigo 142 do CTN. Da apuração de omissão de receita À luz do disposto nos artigos 281 a 287, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, para fins de lançamento, pode se apurar a omissão de receita por uma das seguintes formas: a) apuração direta (art. 283 e 286 do RIR); b) presunção (art. 281; 287 do RIR); c) arbitramento (282; 284 e 285 do RIR). Fl. 5231DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.232 37 Em primeiro lugar é de se destacar que só cabe o lançamento com base em presunção de omissão de receita nos casos expressamente previstos em lei, como ocorre, por exemplo, nas situações previstas nos artigos 2811 e 2872, do RIR. No caso dos autos não se trata de lançamento com base em presunção de omissão de receita. Em momento algum é apontado no Termo de Verificação Fiscal qualquer elemento do qual se possa extrair que se está diante de presunção de omissão de receita. Por sua vez, o arbitramento da receita está reservado às situações indicadas nos artigos 282, 284 e 285. À luz do artigo 284, por exemplo, a autoridade fiscal pode arbitrar a receita tomando por base base as receitas, apuradas em procedimento fiscal, correspondentes ao movimento diário das vendas, da prestação de serviços e de quaisquer outras operações. O parágrafo único3 deste artigo indica o procedimento a ser observado no arbitramento da receita. Do que se extrai dos dispositivos legais aqui apontados, no caso dos autos, desnecessário dizer que não se está diante de lançamento que tenha por fundamento ou causa o arbitramento da receita. A partir de indicativo de omissão de receita, semelhante ao verificado nas planilhas apreendidas pela autoridade policial, em especial a de fl. 914, abaixo transcrita, a autoridade fiscal podia adotar dois procedimentos: a) arbitrar a receita, se fosse o caso, observando os procedimentos legais estabelecidos em lei; b) apurar, com base nos livros de saída de mercadorias, compras de fornecedores, levantamentos de quantidades de matérias primas, produtos intermediários etc. o montante da receita omitida. O que não se pode, fora dos casos de presunção legal, é adotar um indício, desacompanhado de provas materiais da efetiva omissão de receita e efetuar lançamento sustentando a existência de receita omitida. Para ilustrar e demonstrar o que estou a dizer, transcrevo os dados, que seguem, da planilha de fl. 914, de onde se extraiu a receita omitida imputada à recorrente. Em tal planilha, à semelhança da Matriz, que se considerou como sendo a empresa Fuga Couros S/A, também consta o nome da FRIGOSUL acompanhado de valores supostamente omitidos. Planilha fl. 914 Período Matriz* *Leiase pela autoridade fiscal FUGA COUROS S/A F. Couros Jales Hidrolândia Curtume Alto Uruguai Sebo Jales Hrdo Reis (...) Frigosul Valores efetivamente apurados no TVF da FRIGOSUL 1 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. 2 Depósito bancário de origem não comprovada. 3 § 1º Para efeito de arbitramento da receita mínima do mês, serão identificados pela autoridade tributária os valores efetivos das receitas auferidas pelo contribuinte em três dias alternados desse mesmo mês, necessariamente representativos das variações de funcionamento do estabelecimento ou da atividade. Fl. 5232DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.233 38 2000 60.483.674,77 28.461.835,534 452.820,15 7.420.894,59 15.922.359.86 2001 85.859.964,26 29.128.017,93 26.425.567,18 7.747.626.27 9.307.586,11 2002 92.705.634,61 39.815.343,34 39.440.062,44 13.864.501,80 8.789.768,19 6.752.701,5?. 2003 103.913.611,08 43.879.572,22 43.255.636,90 19.216.647,16 17.941.638,32 30.427.555,.. 2004 113.245.285,19 59.256.112,09 57.926.668,60 22.000.635.95 19.281784,80 45.870.138,.. 2005 99.797.974,57 88.831.378,16 60.718.525 13.882.892,69 19.067.815,61 16.419.912,97 26.984.031,. jan 8.158.155,81 7.448.499,28 4.880.000,13 610.811,93 854.064,10 300.712,85 1.297.884,71 2.039.822,78 Fev. 7.116.499,10 6.359.924,28 4.706.348,17 650.276,48 943.974,70 452.670,90 1.037.816,98 1.483.066,58 Em não se tratando de presunção e nem de arbitramento de omissão de receita, é possível pegar os valores indicados na planilha acima e deles subtrair a receita declarada na DIPJ de cada uma das empresas e considerar a diferença como omissão de receita? Qual a credibilidade de lançamento feito com base em tal critério? É possível, sem amparo na lei, adotar elementos subjetivos para considerar tal situação fato caracterizador de omissão de receita? Antes de responder as indagações acima, relembramos o conceito de lançamento tributário, iniciando pelo autor do anteprojeto do Código Tributário: lançamento ‘é o ato ou série de atos de administração vinculada e obrigatória que tem como fim a constatação e a valoração qualitativa e quantitativa das situações que a lei define como pressupostos da imposição, e como conseqüência a criação da obrigação tributária em sentido formal’ (Rubens Gomes de Sousa). o lançamento consiste ‘no ato ou na série de atos necessários para a comprovação e a valorização dos vários elementos constitutivos do débito do imposto (fato material e pessoal, base de cálculo), com a conseqüente aplicação do tipo de gravame e a concreta determinação quantitativa do débito do contribuinte’ (Achille Donato Giannini). Dentre os requisitos do lançamento de ofício, contidos no artigo 142 do CTN4, está a obrigação da autoridade fiscal de determinar a matéria tributável. Neste sentido, não basta dizer que se trata de omissão de receita. É necessário que se descreva a ocorrência dos atos caracterizadores da omissão de receita e se quantifiqueos, indicando os procedimentos para sua apuração e as provas da sua existência. A planilha de fls. 914 (e as que lhes são semelhantes), desacompanhada da comprovação da saída de mercadorias; aquisição de produtos por clientes ou do ingresso de recursos, não se presta para materializar situação que caracteriza omissão de receita. Ao adotar a planilha de fl. 914 para quantificar a grandeza da omissão de receita a autoridade fiscal, fora das hipóteses previstas em lei está, a um só tempo, presumindo e quantificando a suposta receita omitida. Para elucidar o que digo, pego a planilha de fl. 914, com os valores nela 4 Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 5233DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.234 39 indicados em relação à FRIGOSUL e confronto com o efetivo lançamento, em relação a 2004 e 2005, que a autoridade, desprezando a própria planilha de fl. 914, realizou em face da FRIGOSUL (Processo nº 16004.000383/2008). Empresa FRIGOSUL Ano Valores indicados na planilha de fl. 914. onde também consta a FUGA COUROS S/A Valores efetivamente apurados no TVF da FRIGOSUL Processo nº 16004.000383/2008 Observações do relator 2004 19.281784,80 46.606.761,29 2005 16.419.912,97 28.009.418,92 jan 1.297.884,71 2.039.822,78 Fev. 1.037.816,98 1.483.066,58 A coluna da esquerda relaciona os valores indicados na planilha de fl. 914. A coluna da direita especifica a receita que a autoridade fiscal apurou a partir do registro dos livros de saída da empresa FRIGOSUL, conforme planilhas existentes no processo 16004.000383/2008. E não se diga que o lançamento a menor está a beneficiar a fiscalizada. Não se trata do quantum a ser lançado e sim de lançamento que para ter validade deve ser feito de forma correta, sob pena de considerarmos normal efetuar exigência de crédito tributário em desacordo com o disposto no art. 142 do CTN ou em afronta aos preceitos legais vigentes para apuração de receita omitida. Confirmando a discrepância de valores entre o indicado na planilha de fl. 914 e os efetivamente apurados quando da fiscalização da Frigosul, segue o seguinte demonstrativo feito pela autoridade fiscal nos autos do processo nº 16004.000383/2008. Fl. 5234DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.235 40 Durante os debates se levantou a hipótese das planilhas acima indicadas caracterizar uma omissão de receita e a planilha de fls. 914, indicar outras omissões da empresa FRIGOSUL. Quanto a este argumento, nada mais subjetivo e perigoso. Quanto se chega ao ponto de considerar razoável fundamentos deste tipo para manter o lançamento se está diante de nítida e perigosa situação em que passaria ser normal estabelecer interpretações subjetivas para caracterizar presunção de omissão de receita e, também por interpretação subjetiva, quantificar o montante desta. Na apuração de omissão de receita o quantum eleito para fins de tributação haverá de ser mensurador adequado da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar do fato jurídico tributário. Neste contexto, o lançamento que adotou os valores contidos na planilha de fls. 914, sem identificar saída de mercadorias, ingresso de recursos e tampouco pagamentos realizados sem saldo de caixa, elementos que efetivamente pudessem indicar situação de omissão de receita, em muito se distanciou dos requisitos legais para apuração de receita omitida. não pode subsistir. Por outro lado, para evitar embargos de declaração, registro que observei que em relação ao anocalendário de 2003, a DIPJ, às fl. 827 e 832, apontava saldo negativo do IRPJ e da CSLL de R$ 713.594,53 e –R$ 548.957,71, respectivamente. Tal saldo negativo, não fosse o lançamento em relação ao anocalendário de 2003 transformando o saldo negativo em imposto a pagar, em tese, era passível de compensação nos exercícios seguintes. No entanto, quando do lançamento, em 2009, os créditos acima apontados já se encontravam extintos pela prescrição. Aqui, assim como o tempo operouse como fator de extinção do crédito tributário lançado em relação ao anocalendário de 2003, o mesmo deuse quanto à prescrição em relação ao saldo negativo do IRPJ e a CSLL daquele período. Fl. 5235DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11030.001711/200915 Acórdão n.º 1402001.728 S1C4T2 Fl. 5.236 41 ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento por erro na forma de apuração da receita considerada omitida. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720969/2011-55
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA.
Apesar da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto ser apurada mensalmente, o fato gerador somente se perfaz no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS.
Demonstrado pela fiscalização a apuração da variação patrimonial a descoberto, incumbe ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação idônea, que possuía os recursos utilizados para a aquisição patrimonial ou que os obteve por empréstimo junto a terceiros.
MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 2802-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. Apesar da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto ser apurada mensalmente, o fato gerador somente se perfaz no dia 31 de dezembro do ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS. Demonstrado pela fiscalização a apuração da variação patrimonial a descoberto, incumbe ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação idônea, que possuía os recursos utilizados para a aquisição patrimonial ou que os obteve por empréstimo junto a terceiros. MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso desprovido.
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DECADÊNCIA. Apesar da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto ser apurada mensalmente, o fato gerador somente se perfaz no dia 31 de dezembro do anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS. Demonstrado pela fiscalização a apuração da variação patrimonial a descoberto, incumbe ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação idônea, que possuía os recursos utilizados para a aquisição patrimonial ou que os obteve por empréstimo junto a terceiros. MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso desprovido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 09 69 /2 01 1- 55 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de Infração cujo crédito tributário revela a importância total de R$ 6.265,77, sendo R$ 2.830,20 de IRPF, R$2.122,65 de multa de ofício e R$ 1.312,92 de juros de mora, calculados até 30/09/2011, data da consolidação do crédito tributário. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e o termo de Verificação Fiscal, os valores acima decorrem da apuração de omissão de rendimentos decorrente da constatação de variação patrimonial a descoberto, assim apurada pela Fiscalização: A presente ação fiscal foi precedida da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0910600.00248.2011, e decorreu do desenvolvimento de procedimento fiscal realizado em nome do cônjuge da contribuinte fiscalizada, SADI ANTÔNIO SANTI, CPF 549.984.84915, que foi, por sua vez, instaurado com o objetivo de examinar o regular cumprimento de suas obrigações tributárias atinentes ao anocalendário de 2006. O fundamento da presente ação fiscal é idêntico ao da ação fiscal executada em face do cônjuge da contribuinte, porquanto a infração à legislação tributária que foi constatada decorreu dos mesmos fatos e se refere ao patrimônio comum do casal. Os contribuintes são casados sob o regime de comunhão parcial de bens (fls. 28). De acordo com a fiscalização, a presente ação nada mais é que reflexo da ação fiscal promovida perante o cônjuge da autuada, cujos dados foram suficientes para a elaboração da planilha de fls. 59/60, na qual consta a variação patrimonial da qual decorre o presente lançamento. Intimada a se pronunciar sobre a planilha acima mencionada, a autuada não se manifestou, motivo pelo qual as informações prestadas pelo seu cônjuge relativamente à mesma planilha foram utilizadas para a apuração do tributo devido. Com base nas informações e documentos anexados aos autos, a fiscalização apurou o seguinte: De todo o exposto, ajustado o Demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo de Caixa Financeiro para considerar o recebimento dos lucros por parte da fiscalizada no valor de R$ Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.720969/201155 Acórdão n.º 2802002.854 S2TE02 Fl. 120 3 165.630,00 em fevereiro de 2006, restou configurada a omissão de rendimentos caracterizada pelo acréscimo patrimonial a descoberto no valor de RS R$ 29.500,55 (fls 59). Entretanto, de acordo com o artigo 6o do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), abaixo transcrito, na constância da sociedade conjugal a regra geral é a tributação em separado dos rendimentos produzidos pelos bens comuns, sendo opcional aos cônjuges a tributação em conjunto de todos os seus rendimentos. ... Constatouse que o contribuinte e sua esposa optaram pela apresentação da declaração de ajuste anual em separado e que o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados apurado na presente ação fiscal teve origem no aumento do patrimônio comum do casal. Assim, a quantia de RS 14.750,27 (que representa 50% da omissão apurada) será atribuída ao cônjuge da contribuinte SADI ANTÔNIO SANTI, CPF 782.398.26920. 4. Do lançamento do imposto Apurada a omissão de rendimentos, reconstituise a base de cálculo do Imposto de Renda no anocalendário de 2006, como segue: Anocalendário de 2006: Base de Cálculo considerada na declaração de ajuste anual: R$ 24.000,00 (+) Rendimentos omitidos – variação patrimonial a descoberto: R$ 14.750,27 () Deduções legais – parte do desconto anual simplificado não utilizada pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste: R$ 1.750,05 (=) Nova Base de Cálculo considerada para o IR: R$ 37.000,22 Assim, será efetuado o lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos omitidos com base no inciso XIII do artigo 55 e artigo 807, ambos do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Apresentada Impugnação, a 7ª Turma da DRJ/CTA afastou a preliminar de decadência e, no mérito, manteve o lançamento, considerando, resumidamente, que a fiscalização demonstrou minuciosamente a ocorrência do fato gerador (variação patrimonial a descoberto), com apoio em fluxo de caixa elaborado a partir das Declarações de Ajustes da contribuinte e seu cônjuge, e dos documentos apresentados durante a fiscalização, concluindo pela legalidade da multa aplicada e da taxa de juros pela Taxa SELIC. Em Voluntário, reitera a ocorrência da decadência, e, no mérito, sustenta que o lançamento está amparado em mera presunção, em desacordo com o artigo 142, do CTN. Por fim, alega Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 que a autoridade administrativa desconsiderou que se trata de “operação entre família” (fluxo de caixa), além de pleitear a inaplicabilidade da multa prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96 e da Taxa SELIC. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. De início, afasto a alegação de decadência, por se tratar, a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, no entendimento do recorrente, de fato gerador mensal. A DRJ corretamente aplicou a regra de contagem prevista no artigo 173, I do CTN. Isso porque, apesar de o acréscimo patrimonial a descoberto ser apurado mensalmente, os acréscimos patrimoniais devem ser feitos comparandose a situação patrimonial de 31 de dezembro do ano anterior com o 31 de dezembro do ano objeto da declaração examinada. Nesse exato sentido, Ac: 2202002.484, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Afasto, portanto, a alegação de caducidade dos créditos. No mérito, melhor sorte não assiste a recorrente. Ao contrário do afirmado, o lançamento não se deu por mera presunção, mas, sim, apoiado em fiscalização detalhada do fluxo financeiro da recorrente e de seu cônjuge. Alega a recorrente que a diferença apontada pela fiscalização e mantida pela DRJ decorre de operações realizadas entre familiares, não sujeitas às formalidades das operações geralmente realizadas com terceiros. Entretanto, conforme aponta a decisão ora recorrida, a recorrente não logrou fazer a prova desses recursos supostamente provenientes de familiares. No que diz respeito à utilização de saldos anteriores de recursos pertencentes aos autuados, verificase, nos termos da decisão recorrida, que na planilha de fls. 59/60, o campo identificado como “saldo disponível no mês anterior” encontrase zerado no mês de janeiro de 2006, com o que se pode supor que, de fato, a fiscalização desconsiderou eventuais recursos financeiros que os autuados possuíssem em 31/12/2005 e que, talvez, pudessem suportar a aquisição de fevereiro de 2006. Entretanto, consultandose as declarações de ajuste do exercício 2006 de ambos os autuados, marido e mulher, constatase que ambos declaram que em 31/12/2005, não possuíam nenhum valor em moeda corrente ou qualquer aplicação financeira ou saldo em conta corrente no país ou no exterior. Na verdade, consultandose as declarações de ajuste, verificase que na relação de bens dos cônjuges não foi relacionada nenhuma conta corrente em instituição Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.720969/201155 Acórdão n.º 2802002.854 S2TE02 Fl. 121 5 bancária ou qualquer investimento financeiro; tampouco qualquer disponibilidade de valores em moeda corrente. Isso significa que a planilha de fls. 59/60 não poderia indicar saldo inicial de recursos em janeiro de 2006; afinal, na declaração de ajuste os próprios autuados declararam que não possuíam tais recursos. Assim, não havendo recursos financeiros declarados suficientes para fazer frente à aquisição havida em fevereiro de 2006, correto o lançamento da variação patrimonial a descoberto como omissão de rendimentos. Quanto à ausência de proporcionalidade da multa imposta, é de se lembrar que não cabe a este órgão julgador afastar penalidade expressamente prevista em lei, sob a alegação de violação a princípio constitucional, ainda que implícito, dada a vedação contida no artigo 26A do Decreto n. 70.235/72 e Súmula CARF n. 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). De igual modo, afasto a alegação sobre a impossibilidade de aplicação da taxa SELIC, com fulcro na Súmula CARF n. 4: (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”) Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001839/2005-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PENALIDADE MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS IRPJ NÃO PAGAS. Cabível lançamento de ofício da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS IRPJ. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, regese pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire Da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos De Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 PENALIDADE MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS IRPJ NÃO PAGAS. Cabível lançamento de ofício da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS IRPJ. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, regese pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Multa Isolada Recorrente DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS BOTAFOGO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PENALIDADE MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS IRPJ NÃO PAGAS. Cabível lançamento de ofício da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS IRPJ. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, regese pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 18 39 /2 00 5- 47Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire Da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos De Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente feito de auto de infração em que se exige o pagamento de multa isolada de 75% em face do não pagamento das estimativas de IRPJ de abril a setembro de 2000. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2000 DECADÊNCIA PENALIDADE MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. A contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativo a penalidades, deve observar as regras contidas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ainda que a obrigação acessória inadimplida se refira a tributo sujeito a lançamento por homologação. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Cabível lançamento de ofício da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. Inconformada a recorrente apresenta Recurso Especial por divergência alegando a decadência para o lançamento do período de 30/04/2000 a 30/06/2000, pugnando pela aplicação do disposto no art.150, § 4º, do CTN e pedindo a exclusão da exigência da cobrança de multa aplicada. O recurso foi parcialmente admitido pela presidente da 4ª Câmara da 1ª SEJUL, tendo seguimento apenas no tocante à regra aplicável na contagem do prazo decadencial. A matéria foi submetida à reexame, no qual o presidente desta CSRF manteve o despacho de admissibilidade do recurso especial. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10735.001839/200547 Acórdão n.º 9101001.986 CSRFT1 Fl. 161 3 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Entendo que a divergência restou comprovada e por isto conheço do especial. A matéria a ser discutida nesta instância administrativa cingese à regra aplicável na contagem do prazo decadencial aplicável às multas, no caso à multa isolada pelo não pagamento de estimativas mensais do IRPJ. A questão é muito bem posta no acórdão recorrido, bem como nos argumentos do recorrente e nos paradigmas apresentados. Considerando os argumentos conflitantes tenho que há que se distinguir do lançamento por homologação dos outros tipos de lançamento. Somente o lançamento por homologação cingese ao art. 150 do CTN, sendo a decadência contada pelo seu § 4º, em ocorrendo as circunstâncias presentes na sua parte final desloca a contagem para o art. 173, I, da mesma Lei. De ressaltar que a regra geral do CTN para a contagem do prazo decadencial é a do art. 173. Assim, quando a multa está vinculada ao recolhimento do tributo, de per se, ela segue a regra do tributo. Por este motivo o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória segue normalmente o prazo do art. 173, I, em termos de contagem de prazo. Já as multas aplicadas pelo não recolhimento do tributo, mas que são efetivamente devidos (não é o caso das antecipações), o prazo da decadência multa é o mesmo prazo do principal (acessório segue o principal). A multa isolada se assemelha ás multas por inadimplemento de obrigação acessória – para as quase se aplica o art. 173, I, para efeito de contagem do prazo decadencial, i.e., o prazo de contagem para os lançamentos de ofício. Assim, no caso, tratandose de multa isolada, aplicase a contagem do prazo decadencial nos moldes estabelecidos no art. 173, I, do CTN. Esta posição é corroborada no processo similar, do mesmo exercício, em relação à CSLL, em decisão unânime da 1ª T. da CSRF, de 30 de janeiro deste ano, conforme a ementa abaixo: Processo nº 10735.001840/200571 Acórdão nº 9101001.861 – 1ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2014 Matéria; CSLL Recor. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS BOTAFOGO LTDA. Interessado: FAZENDA NACIONAL Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS CSLL. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, regese pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Isto posto, nego provimento ao recurso do contribuinte, mantendo a decisão recorrida. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.002652/2009-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO DE CÁLCULO NO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Deve-se dar provimento ao recurso voluntário que demonstra erro no cálculo do acórdão de primeira instância
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que o demonstrativo de crédito tributário de fls. 8 seja refeito considerando-se que a omissão de rendimentos foi de R$69.406,44 (sessenta e nove mil, quatrocentos e seis reais e quarenta e quatro centavos) e não de R$155.003,49, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO DE CÁLCULO NO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve-se dar provimento ao recurso voluntário que demonstra erro no cálculo do acórdão de primeira instância Recurso provido.
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.921383/2009-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido para resumir o caso. “O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. O processo foi encaminhado à fiscalização, a qual contatou que houve falta de lançamento de IPI por ter o estabelecimento, em operações que o caracterizava como equiparado a industrial, promovido a saídas de produtos tributados, sem o devido destaque. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 21 38 3/ 20 09 -8 9 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.921383/200989 Resolução nº 3801000.756 S3TE01 Fl. 3 2 Conseqüentemente, foi refeita a escrita fiscal em decorrência do auto de infração lavrado no processo nº 10830.720891/201166. Diante disso, apenas parte do direito creditório foi reconhecido e parcialmente homologadas as compensações declaradas. Tempestivamente, o sujeito passivo manifestouse reportandose à impugnação do indigitado lançamento argumentando, em síntese, que sua defesa administrativa contra o Auto de Infração culminaria pelo retorno do saldo credor e que, pela decorrente suspensão da exigibilidade dos débitos lançados no processo nº 10830.720891/201166, as compensações declaradas no presente processo deveriam ser homologadas.” A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU O SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de ofício que reduziu o saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.” Após, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual transcreve as alegações apresentadas no processo nº 10830.720891/201166, que trata do auto de infração formalizado para exigência de IPI e consectários legais. Ao final, solicita que “seja acolhido integralmente o Recurso Voluntário interposto, para o fim de serem decretadas insubsistentes as exigências tributárias com o decorrente cancelamento da exigência fiscal, legitimando o procedimento de compensação adotado pela Recorrente...” É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. São apresentados argumentos apenas em relação às exigências contidas no auto de infração, objeto do processo nº 10830.720891/201166. Nada foi dito com relação à DRJ ter assentado não se poder considerar líquidos e certos os créditos pleiteados, o que impediria a homologação da compensação. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.921383/200989 Resolução nº 3801000.756 S3TE01 Fl. 4 3 Apesar disto, verifico no voto da decisão recorrida e no recurso voluntário que a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte, de modo que os créditos dos períodos de apuração foram consumidos pelos débitos normais dos períodos e pelos débitos apurados na ação fiscal, tendo concluído a autoridade fiscal pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento nos anos de 2006 a 2010. O pedido de ressarcimento que se discute neste processo fundase em saldo credor da contribuinte que só passou a ser questionado pelo Fisco com a instauração de procedimento fiscal que resultou na lavratura de auto de infração e instauração do processo nº 10830.720891/201166. Assim, a incerteza e a falta de liquidez dos créditos estão baseadas nos fatos e direito discutidos naquele processo administrativo. Não se pode julgar sobre o direito de crédito aqui pleiteado sem o conhecimento do que finalmente decidido no processo administrativo nº 10830.720891/201166. Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, verifiquei que foi interposto recurso voluntário contra a decisão de primeira instância proferida naquele processo, logo, ele não se encontra definitivamente julgado na esfera administrativa. Por estas razões, voto por baixar o processo em diligência para que a unidade de origem aguarde decisão administrativa definitiva do CARF no processo administrativo nº 10830.720891/201166; após, junte a estes autos cópias das decisões proferidas pelo CARF naquele processo; finalmente, devolva os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 686DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11070.001679/2005-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CRÉDITO PARCELADO - CONFIRMAÇÃO DOS VALORES RECONHECIDOS
O pedido de desistência tendo em vista o parcelamentos dos débitos mantém o valor de ressarcimento/compensação reconhecido originalmente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CRÉDITO PARCELADO CONFIRMAÇÃO DOS VALORES RECONHECIDOS O pedido de desistência tendo em vista o parcelamentos dos débitos mantém o valor de ressarcimento/compensação reconhecido originalmente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 16 79 /2 00 5- 60 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.001679/200560 Acórdão n.º 3801004.110 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação DCOMP formulada pela contribuinte por via eletrônica, buscando utilizar saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI acumulado no 3° trimestre/2003 para compensar débitos de sua responsabilidade, relativos a tributos e/ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Examinado o pedido o mesmo foi homologado parcialmente tendo a Recorrente apresentado Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que discorda parcialmente da nãohomologação da compensação, por ter impugnado, também parcialmente, o lançamento de ofício do IPI, no já citado Processo n.º 11070.002684/200590, que absorveu, em parte, os saldos credores do referido imposto, apurados pelo estabelecimento, pleiteando que se aguarde o julgamento final da impugnação apresentada no mencionado processo. A manifestação de Inconformidade foi indeferida pela DRJ de Porto Alegre com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR. O julgamento desfavorável ao sujeito passivo, de impugnação a lançamento de oficio do IPI, mantém o valor de ressarcimento/compensação reconhecido originalmente, ao final do trimestrecalendário respectivo. Solicitação Indeferida Apresentou a Recorrente o presente Recurso Voluntário apontando os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. Em agosto de 2009 essa Turma converteu o julgamento em diligência para os fins de determinar o sobrestamento do presente recurso até o julgamento pela Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF do processo administrativo n.º 11070.002684/200590, aonde se discutia o crédito aqui compensado. O referido processo não foi conhecido por conta de desistência expressa da contribuinte que aderiu ao parcelamento especial. É o que importa relatar, Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.001679/200560 Acórdão n.º 3801004.110 S3TE01 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Como se verificou do resultado da diligência a Requerente efetuou o pedido de parcelamento do valor total relativo ao Processo n.º 11070.002684/200590 de modo que os créditos lá discutidos não foram reconhecidos. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. Tendo a parte desistido de discutir a validade do crédito esse se tornou definitivamente ilíquido de modo que o improvimento do recurso é a única medida possível, o pedido de desistência tendo em vista o parcelamentos dos débitos mantém o valor de ressarcimento/compensação reconhecido originalmente, implicando na manutenção da reconstituição da escrita fiscal. Pelo exposto voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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