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Numero do processo: 16327.002193/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
A procedência em parte do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica a procedência em parte das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos.
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovada a duplicidade de lançamento deve ser cancelada a exigência fiscal.
Numero da decisão: 1302-001.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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DEAIN. DEINF. A competência da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais e da Delegacia Especial de Instituições Financeiras é concorrente para efetuar o lançamento à tributação em bases universais em que o sujeito passivo é uma instituição financeira. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. O inicio do procedimento fiscal previne a jurisdição, na hipótese de competência concorrente entre as unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovada a duplicidade de lançamento deve ser cancelada a exigência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A procedência em parte do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica a procedência em parte das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 93 /2 00 7- 75 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16327.002193/200775 Acórdão n.º 1302001.424 S1C3T2 Fl. 684 3 Relatório Nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei a° 9.532, de 1997 e Portaria ME n° 3, de 2008, foi interposto recurso de ofício ao Acórdão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, o qual, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento fiscal, exonerando parte do crédito tributário exigido em duplicidade. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: “Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário de IRPJ e CSLL, incluindo acréscimos legais, no valor total de R$ 101.971.171,67 e R$ 35.663.189,04, respectivamente (fls. 4 — demonstrativo consolidado do crédito tributário, auto de infração fls. 217/219 e 222/224). No termo de verificação fiscal de fls. 209/214, foram apontados, em síntese, os seguintes fatos e infrações: • A incorporação do Banco Mercantil de São Paulo S/A pela Alvorada Cartões C.F.I. S/A foi deliberada em Assembléias Gerais Extraordinárias (AGE) realizadas cm 30/11/2006 na incorporada e na incorporadora. A incorporação foi aprovada por despacho do Chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Bacen, publicado no diário oficial de 3/10/2007. • A incorporada interpôs em 30/1/2003 mandado de segurança processado sob n° 2003.61.00.0038066, cora a finalidade de contestar a exigência do IRPJ e CSLL incidentes sobre os resultados positivos de equivalência patrimonial dos investimentos em filiais, controladas ou coligadas no exterior, relativos aos anos calendário 2002 e subseqüentes, e a declaração de ilegalidade e inconstitucionalidade do disposto no § 1° do art. 7° da IN SR.F n°213/2002. A liminar pleiteada foi concedida. • Constatada a exclusão indevida na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do resultado positivo de equivalência patrimonial dos investimentos em filiais, controladas ou coligadas no exterior (variação cambial positiva), em afronta ao disposto no § 10 do art. 7° da IN SRF n° 213/02, e considerando que o procedimento da incorporada estava amparado em liminar concedida em mandado de segurança, lavrouse auto de infração com suspensão da exigibilidade dos créditos de IRPJ e CSLL devidos no ano calendário de 2002. A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 24/01/2008 (fls. 244/249), alegando em síntese o seguinte: a) É importante destacar a correção dos cálculos elaborados pela Deinf/SP para a lavratura do presente AIIM, os quais estão em total conformidade com os registros internos da impugnante, e plenamente de acordo com os documentos disponibilizados durante o período de fiscalização. b) A Delegacia Especial de Assuntos Internacionais também lavrou auto de infração contra a empresa incorporada pela impugnante visando à exigência do IRPJ Fl. 685DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 4 e CSLL incidentes sobre os resultados positivos de equivalência patrimonial do ano calendário de 2002 do Banco Mercantil. c) O AIIM da Deain baseouse apenas no Cadastro de Declaração do Imposto de Renda, o que implicou divergência de valor quanta ao montante dos resultados positivos de equivalência patrimonial. A impugnante apresentará impugnação contra o AIIM da Deain. d) Foram lavrados dois autos de infração contra a impugnante (sucessora por incorporação do Banco Mercantil) para exigência do IRPJ relativo ao ano calendário de 2002 (resultado positivo de equivalência patrimonial). Tal situação não pode prosperar, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. e) No entender da impugnante caberia à Dcain e não à Deinf lavrar auto de infração para constituir o crédito tributário de IRPJ objeto do mandado de segurança n° 2003.61.00.0038066. f) Requer na impugnação que seja decidido qual é a delegacia competente para a lavratura do crédito tributário cm questão, tendo em vista o disposto no art. 170 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil. Desta forma, conforme citado anteriormente, a impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, para cancelar os créditos tributários objeto de duplicidade de lançamento, por ter entendido o julgador de primeira instancia que a Deain iniciou o procedimento fiscal antes da Deinf e, portanto, em face da prevenção da jurisdição da Deain (processo administrativo nº 16561.000003/200893), os lançamentos em duplicidade efetuados pela Deinf deveriam ser cancelados. Como os valores exonerados superam o limite imposto pela norma tributaria para que a lide seja objeto de recurso de ofício por parte do órgão julgado, foram estes autos encaminhados a este Colegiado para julgamento. Cumpre mencionar que, em 14.03.2012, a Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, representante da fazenda na 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento desse Conselho, com fulcro no artigo 49, §7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pediu cancelamento da distribuição do Processo Administrativo nº 16327.002193/200775 à sua relatoria e conseqüente devolução de seus autos ao SECOJ para distribuição ao mesmo Relator do Processo Administrativo nº 16561.000003/200893, por conexão. Ocorre que, ainda que o pedido da Ilustre Conselheira tenha sido provido, até a presente data, a conexão não foi feita. O processo administrativo em questão fora distribuído ao Ilustre Conselheiro e colega nesta turma Dr. Marcio Frizzo, tendo sido o referido processo, na sessão de abril do corrente, baixado em diligência nos termos da Resolução nº . É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16327.002193/200775 Acórdão n.º 1302001.424 S1C3T2 Fl. 685 5 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Conheço do recurso de ofício por preencher os requisitos do Decreto nº 70.235/72. O recurso de ofício das decisões de primeira instância é disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, e Portaria M.F. nº 3, de 03/01/2008. Eis o dispositivo em comento: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes aos tributos e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite estabelecido pela norma de regência, razão porque dele conheço. Tendo em vista que não foi apresentado recurso voluntário e a decisão recorrida foi julgada procedente em parte, apenas para cancelar os créditos tributários objeto de duplicidade de lançamento, os lançamentos em duplicidade efetuados pela Deinf deveriam ser cancelados, passo a analisar a decisão tão somente em relação as lançamentos em duplicidade cancelados. Pela bela análise da matéria de fato e de direito feita pela DRJ/SPOI, valho me, quase que na integra, dos argumentos que foram lá construídos e defendidos como razão do meu julgamento: “No presente caso temos um lançamento relativo à tributação em bases universais em que o sujeito passivo é uma instituição financeira. Ao analisarmos as regras de competência da Deinf e da Deain surge a seguinte questão: a competência subjetiva de uma exclui a competência material da outra, ou estamos diante de uma situação de competência concorrente? A leitura dos arts. 169 e 170 do Regimento Interno da RFB nos leva à conclusão de que a competência para fiscalizar e lançar os tributos decorrentes das operações de tributação em bases universais das instituições financeiras situase em uma área de intersecção da jurisdição da Deinf e da Deain. Notese que das atribuições da primeira não foram excetuadas as matérias discriminadas no art. 170, e os contribuintes que desenvolvem as atividades discriminadas no Anexo V da Portaria RFB n° 10.166, de 11 de maio de 2007 não foram excluídos da área de atuação da segunda. Em outras palavras, a competência da Deinf e da Deain para efetuar o lançamento de IRPJ e CSLL sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior por instituições financeiras sediadas no Brasil é concorrente. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 6 Reforça esta idéia o fato do mandado de segurança n° 2003.61.00.0038066 ter sido impetrado contra os titulares das duas unidades administrativas, o Delegado Especial das Instituições Financeiras em São Paulo e o Delegado Especial de Assuntos Internacionais em São Paulo. Por conseguinte, entendo estarmos diante de dois lançamentos efetuados por Auditores da Receita Federal do Brasil lotados em unidades que jurisdicionam a contribuinte, portanto, estamos diante de lançamentos efetuados por agente com competência para tanto. A duplicidade de lançamento não é situação usual, e até mesmo pode ser considerada indesejável em face do principio da eficiência administrativa. Ao prorrogar a competência da autoridade administrativa que primeiro conhecer da infração, o § 3º do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972, aplicável aos casos de formalização da exigência por servidor de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, objetiva justamente evitar a duplicidade de lançamento. Para tanto, afasta a competência da autoridade da jurisdição do domicilio do sujeito passivo, apenas em determinado caso concreto, a partir do momento da lavratura do auto de infração. Por óbvio, no presente caso, uma das exigências deve ser cancelada, não por nulidade, visto que lavrada por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, mas por razão de mérito, qual seja, a da duplicidade do lançamento. De fato restou comprovada a duplicidade apontada pela contribuinte em sua impugnação, visto que, os dois autos de infração têm por conteúdo ajustes decorrentes de equivalência patrimonial no exterior, relativos ao Banco Mercantil de São Paulo S/A, no ano calendário de 2002, o qual impetrou o mandado de segurança n° 2003.61.00.0038066. Notese que em relação ao sujeito passivo, a própria impugnante informou que os atos de incorporação ainda não haviam sido registrados na Junta Comercial em 14/12/2007 (fls. 18). Nos termos do art. 7° do Decreto n° 70.235/1972, a autoridade administrativa da Deain iniciou o procedimento fiscal antes da Deinf (data da ciência do primeira ato da Deain 27/12/2005), e já na primeira intimação solicitou a documentação relativa a afiliações e participações no exterior. A primeira intimação da Deinf, que solicitou documentação relativa aos lucros obtidos em investimentos em sociedades domiciliadas no exterior, e ao resultado positivo da equivalência patrimonial no ano calendário de 2002, é datada de 7/11/2007, portanto claramente quase dois anos após a primeira intimação realizada pela Deain. No presente caso, o local da verificação da falta é o mesmo e ambas as autoridades fiscais são da jurisdição do domicilio do sujeito passivo. No entanto, nada impede, que seja adotado o mesmo critério do art. 106, do CPC, a seguir reproduzido: "Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juizes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar." Ao aplicarmos este critério ao caso em tela, concluímos que deve ser mantido o auto de infração lavrado pela Deain, visto que o autuante é servidor competente que jurisdiciona o sujeito passivo, e praticou o primeiro ato de oficio, escrito, cientificando a contribuinte, nos termos do art. 7º do Decreto n° 70.235/1972: Fl. 688DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16327.002193/200775 Acórdão n.º 1302001.424 S1C3T2 Fl. 686 7 "Art. 7.°. O procedimento fiscal tem inicio com: I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto" Portanto, correto o entendimento do órgão julgador de origem que entendeu que deveria ser cancelada a autuação apenas na parte em que restou comprovada a duplicidade, não sob o fundamento de que a autoridade competente para constituir o crédito tributário é a Deain, mas sim com base no conceito de prevenção da jurisdição, tal como definido na obra "Teoria Geral do Processo: “Por outro lado, a prevenção de que fala freqüentemente a lei (CPC, arts. 106, 107 e 219; CPP, arts. 70, §30, 75, par. único., e 83) não é fator de determinação nem de modificação da competência. Por força da prevenção permanece apenas a competência de um entre vários juízes competentes, excluindose os demais. Praevenire significa chegar primeiro; juiz prevento é o que em primeiro lugar tomou contato com a causa. (CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, e outros. "Teoria Geral do Processo". 15" ed. ver. atual. São Paulo: Malheiros Editores)" No presente caso foi a Delegacia Especial de Assuntos Internacionais quem primeiro "teve contato com a causa", ou seja, quem deu inicio ao procedimento fiscal relativo aos lucros auferidos no exterior no ano calendário de 2002, nos termos do art. 7° do Decreto n° 70.235/1972, e portanto é a autoridade preventa para formalizar a exigência.” Conclusão Em face do exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão da DRJ/SPOI, cancelandose os créditos tributários em relação aos quais restou comprovada a duplicidade de lançamento, em face da prevenção da jurisdição da Deain (processo administrativo n° 16561.000003/200893). Sala de sessões, 03 de junho de 2014. (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 689DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 8 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13975.000734/2007-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 00 73 4/ 20 07 -0 6 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000734/200706 Resolução nº 3801000.793 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada com o objetivo de ver compensados créditos seus relativos à depósito judicial efetuado a título de Cofins, com débitos referentes à mesma exação e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu de não homologála, em razão de que o valor objeto de depósito judicial, depois convertido em renda da União em face de decisão transitada em julgado desfavorável à contribuinte, não se conformava como recolhimento indevido ou a maior. É que a contribuinte havia ido ao Poder Judiciário com o fim de se ver desobrigada de apurar a Cofins e o PIS pelo regime da não cumulatividade, mas ao final do litígio não logrou êxito em sua demanda, restando convertidos em renda todos os depósitos judiciais efetuados na pendência da solução final da pendenga. Assim, analisando a DRF/Blumenau/SC os valores dos depósitos convertidos em renda e os valores devidos à titulo da contribuição no âmbito do regime da nãocumulatividade, constatou a inexistência de créditos contra a Fazenda Nacional remanescentes (na verdade, os depósitos seriam até mesmo insuficientes para o adimplemento integral do valor devido no respectivo período de apuração), o que justificou, portanto, a não homologação da compensação intentada. Irresignada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte, por meio de seu procurador legal, manifestação de inconformidade na qual afirma que o auditorfiscal que analisou seu pleito repetitório incorreu em equívoco ao entender que estava ela se apropriando de créditos referentes à ação judicial no âmbito da qual não havia tido êxito. Alega que o direito creditório não se relaciona com o objeto da ação judicial em si, mas com o permissivo legal constante do artigo 2.o da Instrução Normativa SRF n.o 658, de 04/07/2006, que expressamente permite que as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa no PIS e na Cofins, permaneçam tributadas no regime da cumulatividade em relação às receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, desde que tais contratos tenham prazo de duração superior a um ano e se refiram a construção por empreitada ou a fornecimento, a preço determinado, de bens e serviços. Assim, como a contribuinte teria contratos nestas condições, o que quer ver repetido são os valores que foram indevidamente incluídos nos depósitos judiciais por não estarem submetidos à nãocumulatividade, e não créditos relativos ao objeto do provimento judicial que lhe foi desfavorável. Demanda a contribuinte, assim, pela homologação integral de sua compensação. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000734/200706 Resolução nº 3801000.793 S3TE01 Fl. 12 3 A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: RECURSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO NAS ALEGAÇÕES SUBMETIDAS A INSTÂNCIAS DISTINTAS Não é lícito ao contribuinte, em sede de recurso administrativo submetido à instância ad quem, inovar nas alegações levadas à apreciação da instância a quo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o relator entendeu perfeitamente a forma pela qual esta recorrente utilizou os seus créditos, beneficio trazido pelo art. 2º da IN 658/06; em que pese no acórdão vergastado haver a compreensão de que a recorrente se utiliza dos fundamentos corretos para apurar os seus créditos, mas se julgam impossibilitados de analisar o pleito por causa de supressão de instância; sendo cristalino o direito da recorrente, reconhecido pela própria administração pública, não seria o caso ser levado às vias judiciais, o que seria dispendioso para as partes, inclusive com custos de honorários para Fazenda Nacional; o impasse poderia ser resolvido com um simples decisório de declinação de competência para autoridade competente homologar a compensação; acreditava que bastava esclarecer os fatos e direito para autoridade competente homologar sua Dcomp, não havia interesse de atingir uma instância ad quem, como dito, fora induzida em erro de endereçamento quando poderia apenas esclarecer os fundamentos motivadores da Dcomp; o mais justo seria reconsiderar a decisão e declinar a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp; caso não seja reconsiderada a decisão prolatada por esta Egrégia Seção de julgamento ao menos permita que a contribuinte retifique sua Dcomp de acordo com o permissivo previsto no art. 2º da IN 658/06; a solução para o presente caso não exige maiores esforços interpretativos, tratase apenas de mero erro de preenchimento da Dcomp, esta contribuinte não pode ser lesada por isso, inclusive, em decisões do conselho de contribuintes, vêm mantendo o entendimento de que os contribuintes não podem ser lesados pelo mero erro de fato; Por fim, requereu a reforma do acórdão atacado e que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário homologando as Declarações de Compensação realizadas pela recorrente, confirmando o direito desta aos créditos tributários Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000734/200706 Resolução nº 3801000.793 S3TE01 Fl. 13 4 relativos aos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, na forma detalhada apresentada nos presentes autos, de acordo com o permissivo previsto no art. 20 da IN 658/06. Alternativamente, requereu a reforma da decisão no sentido de que seja declinada a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 31/7/2005, em especial verificasse se houve pagamento a maior em face das receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a um ano. A DRF de Florianópolis – SC não atendeu o solicitado na Resolução, uma vez que não apurou a base de cálculo da contribuição no período em referência. Justificou o seu procedimento com os seguintes argumentos: que a pretensão em apreço não se coaduna com os procedimentos de apuração de créditos passíveis de restituição e compensação administrativas oponíveis em face da Receita Federal do Brasil (RFB), na forma do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; para as hipóteses em que o valor objeto de pleito restituitório se refira a depósito judicial transformado em pagamento definitivo indevidamente, por meio de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE), o procedimento relativo à devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), à vista da inexistência de previsão legal para manejo de tal operação no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI); impende mencionar que eventual reconhecimento de crédito a compensar decorrente do DJE de fls. 13, na via da compensação tributária, ou seja, na seara administrativa, implicaria cm revisão indevida do ato judicial que ordenou o procedimento de transformação em pagamento definitivo levado a efeito no bojo do Mandado de Segurança n° 2004.72.00.0030284/SC, donde houve a participação da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e do Patrono da interessada, com a homologação dos valores a transformar em pagamento definitivo pelo Juiz da causa; como o procedimento relativo à eventual devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), uma vez que se trata de quantia inidônea à restituição e compensação a ser processada no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), entendemos, s.m.j, prejudicada a diligência ora requerida em sede de procedimento administrativo relativo à compensação tributária, inadequado à pretensão do interessado, motivo pelo qual os autos deverão retornar ao CARF para a adoção das providências de alçada face ao acima exposto. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000734/200706 Resolução nº 3801000.793 S3TE01 Fl. 14 5 A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência e não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000734/200706 Resolução nº 3801000.793 S3TE01 Fl. 15 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Como relatado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Florianópolis SC não cumpriu o determinado na Resolução, pois não apurou a base de cálculo da contribuição do período de apuração em litígio, conforme havia sido decidido pelo colegiado. Causa surpresa as alegações suscitadas pela autoridade administrativa por ocasião da diligência fiscal, embora pertinentes e plausíveis, porém inoportunas. A autoridade em questão inovou nos fundamentos do despacho decisório, fato que não se coaduna com os princípios do direito administrativo. Tenhase presente que a Informação Fiscal da Delegacia da Receita Federal em Blumenau, de 18 de março de 2008, que subsidiou o respectivo Despacho Decisório, não mencionou o fato de que para as hipóteses em que o valor objeto de pleito restituitório se refira a depósito judicial transformado em pagamento definitivo indevidamente, por meio de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE), o procedimento relativo à devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), à vista da inexistência de previsão legal para manejo de tal operação no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI). Essa omissão do despacho decisório por certo trouxe prejuízos à recorrente e limitou o seu direito defesa, inclusive a Delegacia de Julgamento sequer teve conhecimento deste novo fato. Sublinhase que em face da teoria dos motivos determinantes, a validade do ato administrativo se vincula aos motivos indicados como seu fundamento. A propósito, confira excertos da citada informação fiscal: Nesse caso há que se proceder a uma nova apuração do valor devido da COFINS no período de apuração analisado, em face do trânsito em julgado dos autos n°. 2004.72.00.0030284 ter sido desfavorável à pretensão judicial da pessoa jurídica. Assim sendo, conforme demonstrativo anexado à fl. 28, consta apurado o efetivo valor devido da contribuição COFINS na referida competência. Observase no mencionado demonstrativo, que o novo valor devido da COFINS (apurado integralmente no regime da NãoCumulatividade) não foi totalmente quitado pelos respectivos pagamento e depósito judicial transformado em pagamento definitivo. Ou seja, além de não haver crédito a ser restituído/compensado, consta ainda a existência de saldo devedor a ser liquidado. Assim, tornase improcedente o pleito, em razão da ausência de crédito oriundo dos depósitos judiciais transformados em pagamento definitivo, tendo em vista a decisão favorável à União mediante autos judiciais n°. 2004.72.00.0030284, quanto a legalidade da cobrança da COFINS NãoCumulativa (Lei n°. 10.833/2003), cabendo por fim, a cobrança integral dos débitos constantes da declaração de compensação objeto deste processo administrativo.(grifouse) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000734/200706 Resolução nº 3801000.793 S3TE01 Fl. 16 7 Como se nota, a autoridade administrativa indeferiu o pleito pela ausência de crédito em razão da apuração da base de cálculo em demonstrativo específico, não tendo sido citada a impossibilidade operacional e jurídica do pleito. Ainda que, hipoteticamente, prevaleça no julgamento a nova tese levantada pela Delegacia de Florianópolis na diligência, é passível de restituição, em tese, uma parcela do pagamento recolhido por meio de DARF, segundo consta do processo administrativo. O fato é, que pelos indícios colacionados no processo, no período em discussão, a maior parte das receitas da recorrente não estava sujeita ao regime nãocumulativo, nos termos do art. 2º da Instrução Normativa nº 658/2006. É importante frisar que a inovação nos fundamentos do indeferimento do pleito por parte da autoridade administrativa não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, conforme estabelece o art. 170 do CTN. Registrese, por oportuno, que este Egrégio Conselho, em algumas poucas oportunidades, tem admitido a possibilidade de restituição na esfera administrativa de depósitos judiciais convertidos em renda, a exemplo do acórdão unânime abaixo transcrito: PRESCRIÇÃO PARA PEDIR RESTITUIÇÃO, DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. ART. 168 C/C 156, VI, DO CTN. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição apenas começa com a extinção do crédito tributário. No caso de valores depositados em juízo tendo em vista que a existência de depósito não extingue, mas apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário a extinção apenas ocorre no momento da conversão em renda, conforme previsto no art. 156, VI do CTN. No caso de depósito judicial, o prazo para pleitear a restituição pelo pagamento em duplicidade começa a contar da conversão em renda. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE, PARCELAMENTO E CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. Tendo sido extinto o crédito tributário correspondente a um determinado fato gerador por meio de parcelamento, a posterior conversão em renda de depósitos judiciais relativos ao mesmo fato gerador configura pagamento em duplicidade, implicando no direito à restituição do segundo pagamento.(grifouse) (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão 3403 00.511, de 25/08/2010, rel. Ivan Allegretti, Processo nº 10380.013899/200146) Pontuase que no processo citado acima não se tem notícia da interposição de recurso especial por parte da Fazenda Nacional, oposição de embargos pela autoridade incumbida de executar o acórdão e muito menos consta eventual impossibilidade material de se executar o decidido pelo CARF. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000734/200706 Resolução nº 3801000.793 S3TE01 Fl. 17 8 a) apure o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração em discussão, com segregação das receitas sujeitas ao regime cumulativo e do nãocumulativo; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10680.009761/2007-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas declaradas em GFIP objeto de recurso, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 07/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas declaradas em GFIP objeto de recurso, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas declaradas em GFIP objeto de recurso, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 97 61 /2 00 7- 53 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.009761/200753 Acórdão n.º 9202003.262 CSRFT2 Fl. 229 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de lançamento das contribuições previdenciárias devidas por parte da empresa, correspondentes às alíquotas de 20% (vinte por cento), parte patronal, e 3% (três por cento) para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, nos termos do art. 22, incisos I e II, da Lei n,° 8.212/1991, todas incidentes sobre as remunerações relativas aos segurados empregados, de 20% (vinte por cento) incidentes sobre as remunerações relativas aos segurados contribuintes individuais a partir de 03/2000, nos termos do art. 22, inciso III. da Lei n.° 8.212/1991 e de 5,8% (cinco vírgula oito por cento) destinadas aos Terceiros Salário Educação (2,5%), INCRA (0,2%), SENAI (1,0%), SESI (1,5%) e SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações relativas aos segurados empregados, bem como à contribuição não descontada pela empresa relativa aos 11% (onze por cento) incidentes sobre o saláriode contribuição dos segurados contribuintes individuais, nos termos do artigo 216, § 26, do Decreto n° 3.048/1999 (fls. 01 a 46). Abrange a referida NFLD, de número 37.050.4194, as competências de 01/1998 a 10/2005, tendo sido a mesma cientificada ao contribuinte em 29/03/2007 (fl. 51). O Acórdão nº 2.302002.134, da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 348 a 353), julgado na sessão plenária de 17 de outubro de 2012, por maioria de votos, concedeu provimento parcial ao recurso voluntário quanto à preliminar de extinção do crédito pela decadência prevista no art.150, § 4º do CTN (homologação tácita), para as competências em que havia recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado e acatada a fluência do prazo decadencial, com base no art. 173, inciso I do CTN para as competências em que não restaram comprovados recolhimentos parciais, nos termos do voto da relatora. Transcrevese a ementa do julgado: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.009761/200753 Acórdão n.º 9202003.262 CSRFT2 Fl. 230 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DEPÓSITO RECURSAL. REVOGAÇÃO. INEXIGÍVEL PARA TODOS OS PROCESSOS AINDA SOB EXAME DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Com a revogação do artigo 126, §1° da Lei n° 8.213, de 24/07/91 pela Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, não é mais exigível o depósito recursal. Sendo tempestivo, o recurso deve ser conhecido. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência com fulcro no art. 67, inciso II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (fls. 181 a 214), onde defendeu que o acórdão ora recorrido ao aplicar o prazo decadencial previsto no art. 150, §4o do CTN para a parte do lançamento originada do levantamento de débitos declarados em GFIP, entendendo que essa declaração enquadrase como pagamento antecipado de tributo divergiu da jurisprudência da 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, que aplicou, no acórdão 240101.700, o prazo do art. 173, I do CTN para caso onde houve declaração em GFIP, dado inexistir a efetiva comprovação do pagamento parcial da contribuição. Da mesma forma, alega que a Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes proferiu paradigma (acórdão 20181.358) esboçando entendimento de que no caso de valores declarados em DCTF sem a comprovação do efetivo pagamento, o prazo decadencial deve regerse pelo disposto no art. 173, I do CTN devido à ausência de recolhimento. Defende que, no caso, que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo conforme se compreende dos documentos acostados aos autos, independentemente de haver declarado os mesmos em GFIP. Sustenta que a simples declaração de valores cm GFIP não reputa necessariamente em Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.009761/200753 Acórdão n.º 9202003.262 CSRFT2 Fl. 231 4 existência de recolhimento antecipado do tributo, já que se pode declarar e não efetuar o recolhimento. Propugna, assim, a recorrente pela reforma do recorrido, de forma a que seja aplicado o prazo do art. 173, I do CTN, para os levantamentos declarados em GFIP onde não houve efetiva antecipação de pagamento do tributo. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 366 a 370. Devidamente cientificada do recurso especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao mesmo ou recurso especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Verifico, a propósito, que cingese o litígio aos períodos de apuração objeto de lançamento para os quais houve declaração em GFIP (levantamento SCG) e que poderiam estar fulminados pelo efeito decadencial ao se considerar a aplicação do art. 150 §4o. do CTN. A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.009761/200753 Acórdão n.º 9202003.262 CSRFT2 Fl. 232 5 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.009761/200753 Acórdão n.º 9202003.262 CSRFT2 Fl. 233 6 (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. A polêmica, no caso em questão, em verdade, está na existência ou não de pagamento antecipado. Enquanto o acórdão vergastado estabelece que para os lançamentos de contribuição previdenciária oriunda de salários de contribuição para períodos declarados em GFIP estaria caracterizada a existência de antecipação de pagamento, defende a Fazenda Nacional que, no caso, a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo conforme se compreende dos documentos acostados aos autos, independentemente de haver declarado débitos em GFIP. A propósito, faço notar que editou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a Súmula no 99, aprovada por esta 2a. Turma desta Câmara Superior em 09 de dezembro de 2013 e que assim reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.009761/200753 Acórdão n.º 9202003.262 CSRFT2 Fl. 234 7 Ou seja, para fins de aplicação da Súmula supra na situação sob análise, é fundamental que se verifique se há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o. da Lei no 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). Compulsando os autos, verifico que, consoante Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF) de fls. 50/51, houve, exame de GFIP e de Comprovantes de Recolhimento para todos os períodos em litígio, podendose, inferir, a partir deste exame, a existência de antecipação de pagamento para todos os períodos declarados em GFIP (levantamento SCG). Assim, diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, mantendose a contagem do prazo decadencial na forma do disposto no art. 150, §4o. da Lei no 5.172, de 1966, para todas as competências lançadas objeto de declaração em GFIP. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 36204.000960/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO PELA AUTORIDADE FISCAL.
Havendo o reconhecimento do direito do crédito pela autoridade fiscal em resposta de diligência, a mesma deve ser respeitada.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido - Direito Creditório Parcialmente Reconhecido
Numero da decisão: 2803-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reconhecendo o direito creditório da recorrente à repetição do valor nominal de R$ 1.430,76, que deve ser atualizado na forma do art. 167, do CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO PELA AUTORIDADE FISCAL. Havendo o reconhecimento do direito do crédito pela autoridade fiscal em resposta de diligência, a mesma deve ser respeitada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido - Direito Creditório Parcialmente Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reconhecendo o direito creditório da recorrente à repetição do valor nominal de R$ 1.430,76, que deve ser atualizado na forma do art. 167, do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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RECONHECIMENTO PELA AUTORIDADE FISCAL. Havendo o reconhecimento do direito do crédito pela autoridade fiscal em resposta de diligência, a mesma deve ser respeitada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Direito Creditório Parcialmente Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reconhecendo o direito creditório da recorrente à repetição do valor nominal de R$ 1.430,76, que deve ser atualizado na forma do art. 167, do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 4. 00 09 60 /2 00 7- 13 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36204.000960/200713 Acórdão n.º 2803003.353 S2TE03 Fl. 381 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de supostos créditos relativos a valores pagos no período de 08/2002, 09/2002, 10/2002 e 12/2002 a título de contribuições previdenciárias por VIGSERV SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. De forma a comprovar o seu direito, a empresa apresentou cópias de GPS, bem como folhas de pagamentos obtidas a partir da base de dados contidos no sistema de dados da previdência. Segundo fundamentação utilizada pela solicitante, a empresa foi fiscalizada durante o período compreendido entre agosto de 2000 a janeiro de 2005, sendo apurados diversos débitos consubstanciados nas NFLDs 35.776.4633, 35.776.4641, 35.776.4668, 35.776.4650. Ao término da ação fiscal, além do levantamento de diferenças devidas, foram observados créditos relativos a contribuições não aproveitados, o que foi objeto de informação fiscal (fls. 236), na qual foi inserida planilha com créditos apurados em competências diversas daquelas contidas no pedido de restituição formulado pelo contribuinte. O Serviço de Orientação Tributária, por meio do Parecer 1.523/2007, acolheu o entendimento contido na informação fiscal e reconheceu a improcedência do pedido de restituição dos indébitos (fls. 245/246), conforme se verifica pela ementa abaixo colacionada: “Assunto: Restituição de Contribuição Previdenciária Ementa: O sujeito passivo poderá requerer a restituição se não optar pela compensação dos valores pagos a maior. Dispositivos Legais: Art. 89, caput, da Lei 8.212/91. Solicitação improcedente.” O parecer em questão foi apontado como fundamento pela Delegada da Receita Federal em Vitória no despacho decisório (fls. 246) que julgou improcedente o pedido de restituição, nos seguintes termos: “DESPACHO DECISÓRIO Tendo em vista o parecer do SEORT, com o qual concordo e aprovo, ACOLHO a proposição manifestada e DECIDO pela IMPROCEDÊNCIA do direito creditório. Ao SECAT, para adoção dos procedimentos necessários à implementação da restituição, devendo ser verificada a existência de situações impeditivas ao pagamento, bem como às normas aplicáveis às compensações de ofício.” Contra essa decisão, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo (fls.251/253), por meio do qual alega, em síntese, que (a) computandose os valores recolhidos pela empresa, mesmo considerando os abatimentos feitos, permanece um saldo credor; (b) quando do levantamento de débitos, sequer foram mencionados tais créditos, não ocorrendo efetivamente um exame cuidadoso de todos os elementos apresentados; (c) as guias descontadas e que constam nos levantamentos são GPS com código 2100, e os valores das guias recolhidas pela empresa com o código 2631, provenientes de retenção de 11% ultrapassaram os valores deduzidos, existindo saldo credor a favor da empresa; (d) com relação aos débitos levantados de n°35.776.4648 e 35.776.4650, nenhum desconto foi considerado ou abatido, não havendo que se falar que os créditos foram considerados; (e) a Instrução Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36204.000960/200713 Acórdão n.º 2803003.353 S2TE03 Fl. 382 3 Normativa n° 03, de 14/07/2005, quando trata de contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, prevê, no artigo 197, que a restituição é um procedimento administrativo mediante o qual o sujeito passivo é ressarcido pela SRP de valores recolhidos indevidamente à previdência social, ou a outras entidades e fundos, observado o disposto no art. 202. Não apresentadas as contrarazões. Os autos vieram à presente turma especial, e foram distribuídos à relatoria da então Conselheira Dra. Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, que votou pela conversão do julgamento em diligência, recebendo aprovação do voto pelos demais conselheiros. A conversão continha a seguinte ordem: Por todo o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal se manifeste sobre a existência de direito crédito nas competências 08/2002, 09/2002, 10/2002 e 12/2002, complementando a sua informação fiscal e o Relatório VNA juntado aos autos. Após, comuniquese a autuada para conhecimento e eventual manifestação, se assim entender necessária. A autoridade fiscal se manifestou às fls. 318 e seguintes dos autos físicos, a qual se transcreve: 1.Em atendimento ao solicitado na conclusão da Resolução do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, N° 2803 000.038, segue manifestação objetivando facilitação no encerramento do contencioso aqui instaurado. 2. Preliminarmente, vale lembrar que não houve, por ocasião da auditoria fiscal, mediante os documentos apresentados naquele momento, apuração de crédito do contribuinte, nas competências 08/2002, 09/2002, 10/2002 e 12/2002. 3. Portanto, o resultado da análise procedida agora não poderá espelhar exatamente o ocorrido naquela ocasião, haja vista que não podemos afirmar que todos os documentos foram devidamente apresentados pelos motivos já .explicitados na informação de fls 242. 4. Amparado tãosomente no que foi trazido aos autos, juntamente com folhas de pagamento que formaram o processo de parcelamento do débito e relatórios da ação fiscal como DAD Discriminativo Analítico do Débito e RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, foi procedida a análise que adiante se segue: 5. A empresa solicitante tem como atividade a prestação de serviços de vigilância, que é realizado na maioria dos casos mediante cessão de mãodeobra, o que indica serem os créditos em sua quase totalidade relativos à retenção de contribuição previdenciária a que tais serviços estão sujeitos, conforme nos traz o decreto n° 3.048/99 em seu artigo 219: (...) Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36204.000960/200713 Acórdão n.º 2803003.353 S2TE03 Fl. 383 4 Uma vez retido, o valor da retenção poderá ser compensado imediatamente no valor devido pela empresa sobre sua folha de pagamento, conforme consta no parágrafo 4° do citado artigo: (...) 7. Da analise do pedido de restituição e posteriormente, do recurso apresentado as folhas 251, verificase pela apresentação da planilha anexada as folhas 255 que a empresa menciona os créditos advindos da retenção sofrida bem como recolhimento sobre folha de pagamento. 8. Sendo assim, foi elaborado planilha abaixo, conforme apurado a partir dos documentos anexados aos autos bem como folhas de pagamentos trazidos posteriormente a partir do processo de parcelamento do débito efetuado pela empresa: COMP ago/02 set/02 out/02 dez/02 DESCRIÇÃO RET NA LDC R$ 71.512,50 R$ 56.384,25 R$ 69.643,66 R$ 89.965,44 RET SEGURADOS R$ 29.655,40 R$ 32.952,28 R$ 32.718,85 R$ 29.164,81 TOTAL RETENÇÃO R$ 101.167,90 R$ 89.336,53 R$ 103.362,51 R$ 119.130,25 DED GPS(2100) R$ 6.011,47 R$ 449,20 R$ 0,00 R$ 0,00 DED SF R$ 5.804,71 R$ 5.238,90 R$ 5.223,19 R$ 0,00 TOTAL CRED CONSIDERADO R$ 112.984,08 R$ 95.024,63 R$ 108.585,70 R$ 119.130,25 9. Para entendimento da planilha aqui elaborada, cabe esclarecer o seguinte: a. Os valores da retenção na LDC n° 35.776.4633 (RET NA LDC) foram obtidos do relatório DAD e RADA, correspondente ao valor da dedução liquido do saláriofamília. b. RET SEGURADOS — corresponde ao valor da retenção abatido no valor devido do desconto do segurados, tendo em vista que esta rubrica é priorizada para elisão da apropriação indébita. 0 valor do desconto são os representados nas folhas de pagamento apresentadas por ocasião do parcelamento da parte patronal, cujas copias anexadas são as de fls 319 a 322 deste processo. Exceção é o da competência 12/2002, única que traz o registro do desconto no RADA. c. Na competência 12/2002 foi incluído valor da retenção utilizado no débito de segurados da competência 13/2002 no valor de R$ 8.981,62( vide RADA as fls 280). d. Os valores dos salário família compõem igualmente o crédito considerado, os quais foram extraídos da folha de pagamento anexada. e. Por fim, os valores das GPS, tanto de retenção (código 2631) quanto de folha de pagamento (código 2100), contidos no discriminativo apresentado na folha 255 e que representam os Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36204.000960/200713 Acórdão n.º 2803003.353 S2TE03 Fl. 384 5 créditos solicitados pela empresa, foram confirmados no conta corrente da empresa (vide extrato anexado de fls 323 a 343). 10. De forma resumida, a tabela do parágrafo 8, onde o saldo credor do contribuinte está sem parênteses, tem a seguinte apresentação: COMPETÊNCIA 08/2002 09/2002 10/2002 12/2002 VALOR REQUERIDO ( FL 255) R$ 95.472,64 R$96.455,39 R$ 97.428,81 R$117.642,57 VALOR CONSIDERADO R$112.984,08 R$ 95.024,63 R$108.585,70 R$119.130,25 SALDO (R$ 17.511,44) R$ 1.430,76 (R$ 11.156,89) (R$ 1.487,68) 11. Verificase, assim, pelo cotejamento entre o resultado da apuração aqui feita visàvis a planilha apresentada pelo contribuinte as fis 255, que o mesmo faz jus restituição apenas na competência 09/2002, no valor de R$ 1.430,76 (Mil quatrocentos e trinta reais e setenta e seis centavos), uma vez que, naquele mês, nem todo o crédito foi considerado na ação fiscal. 12. Em face de todo o exposto, concluo pelo reconhecimento do direito a restituição do valor não considerado por ocasião do levantamento do débito na ação fiscal, propondo o deferimento parcial do montante pleiteado no valor de R$ 1.430,76 ( Mil quatrocentos e trinta reais e setenta e seis centavos). 13. Todavia, cabe ressaltar que as competências consideradas neste pedido de restituição foram incluídas no período do débito levantado à época por ocasião da auditoria ali procedida, o qual não foi questionado no prazo regulamentar, tendo sido parcelado (parte patronal), conforme extrato anexado de folhas n° 344 a 346. 14. Por fim, em prosseguimento, proponho o retorno do presente ao CARF. Contudo da manifestação fiscal a autuada não foi intimada para oferecer qualquer manifestação, mesmo assim os autos retornaram a esta turma especial, o qual novamente foi convertido em diligência para realizar a intimação, o que foi realizado, mas os autos retornaram sem manifestação da parte recorrente. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36204.000960/200713 Acórdão n.º 2803003.353 S2TE03 Fl. 385 6 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Em análise aos autos e, em especial, à resposta da diligência, apesar da mesma não estar na forma mais clara e didática o possível, a mesma expõe os equívocos da parte em seu pedido de restituição, o qual devido seu suporte fático deves ser acolhido. III Quanto ao colocado no primeiro questionamento do recurso, efetivamente, foram apuradas diferenças de saldo credor, que foi apontada pela resposta da diligência, inclusive com sugestão. IV – Quanto que o levantamento dos débitos (créditos tributários) não considerou os créditos da recorrente, e que eles não foram considerados nos lançamentos registrados sob os DEBCADs n. 35.776.4648 e 35.776.4650, a resposta de diligência apontou e, acabou, por demonstrar que os créditos requeridos foram efetivamente considerados nos lançamentos supra mencionados. E observase que a diferença (saldo) requerida pelo pedido de restituição foi justamente aproveitado para extinção dos créditos tributários oriundos das retenções de contribuições previdenciárias oriundas dos segurados. No pedido, a requerente apenas considera os valores devidos pela parcela patronal das contribuições previdenciárias, quando deveria ter sido considerado. V – Efetivamente, acabouse de demonstrar a existência de saldo a restituir, referente à competência 09/2002, no valor nominal de R$ 1.430,76, que deve ser atualizado na forma do art. 167, do CTN. VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento para reformar a decisão a quo, reconhecendo o direito creditório da recorrente à repetição do valor nominal de R$ 1.430,76, que deve ser atualizado na forma do art. 167, do CTN. (Assinatura Digital) Gustavo Vettorato Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36204.000960/200713 Acórdão n.º 2803003.353 S2TE03 Fl. 386 7 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723284/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IDENTIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM ABERTO. INCLUSÃO DOS DÉBITOS COM EFEITO DE REDUÇÃO DO MONTANTE DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de pedido de restituição de indébito tributário, não pode a autoridade administrativa, sob o pretexto de efetivar verificações no montante dos créditos de titularidade do sujeito passivo, proceder a compensação de ofício e com isso, acabar por efetivar a constituição e, ao mesmo tempo, a própria execução forçada e arrecadação do crédito tributário, se já houver decorrido o prazo decadencial.
PERÍODO A PARTIR DA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE.
Mostra-se correto o procedimento da Administração consistente em aferir as bases de cálculo das Contribuições ao PIS e à COFINS, nos períodos objeto do pedido de restituição do indébito, a partir da observação da base de cálculo com as respectivas reduções decorrentes do regime monofásico de incidência (Lei nº 10.485/2002), nos termos em que informados pelo próprio contribuinte nas fichas respectivas da DIPJ.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as compensações de ofício entre os créditos restituiendos do sujeito passivo e os créditos tributários decorrentes de inserções de débitos aferidos pela autoridade administrativa. Vencido conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que negava parcialmente ao provimento ao recurso. Fez sustentação oral dr Marco Túlio Fernandes Ibraim OAB/MG 110372.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), ADRIANA OLIVEIRA RIBEIRO (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Ausente o conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IDENTIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM ABERTO. INCLUSÃO DOS DÉBITOS COM EFEITO DE REDUÇÃO DO MONTANTE DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de pedido de restituição de indébito tributário, não pode a autoridade administrativa, sob o pretexto de efetivar verificações no montante dos créditos de titularidade do sujeito passivo, proceder a compensação de ofício e com isso, acabar por efetivar a constituição e, ao mesmo tempo, a própria execução forçada e arrecadação do crédito tributário, se já houver decorrido o prazo decadencial. PERÍODO A PARTIR DA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE. Mostra-se correto o procedimento da Administração consistente em aferir as bases de cálculo das Contribuições ao PIS e à COFINS, nos períodos objeto do pedido de restituição do indébito, a partir da observação da base de cálculo com as respectivas reduções decorrentes do regime monofásico de incidência (Lei nº 10.485/2002), nos termos em que informados pelo próprio contribuinte nas fichas respectivas da DIPJ. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as compensações de ofício entre os créditos restituiendos do sujeito passivo e os créditos tributários decorrentes de inserções de débitos aferidos pela autoridade administrativa. Vencido conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que negava parcialmente ao provimento ao recurso. Fez sustentação oral dr Marco Túlio Fernandes Ibraim OAB/MG 110372. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), ADRIANA OLIVEIRA RIBEIRO (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Ausente o conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.663 1 1.662 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.723284/201219 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.259 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria Pis/Cofins Recorrente FIAT AUTOMÓVEIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IDENTIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM ABERTO. INCLUSÃO DOS DÉBITOS COM EFEITO DE REDUÇÃO DO MONTANTE DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de pedido de restituição de indébito tributário, não pode a autoridade administrativa, sob o pretexto de efetivar verificações no montante dos créditos de titularidade do sujeito passivo, proceder a compensação de ofício e com isso, acabar por efetivar a constituição e, ao mesmo tempo, a própria execução forçada e arrecadação do crédito tributário, se já houver decorrido o prazo decadencial. PERÍODO A PARTIR DA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE. Mostrase correto o procedimento da Administração consistente em aferir as bases de cálculo das Contribuições ao PIS e à COFINS, nos períodos objeto do pedido de restituição do indébito, a partir da observação da base de cálculo com as respectivas reduções decorrentes do regime monofásico de incidência (Lei nº 10.485/2002), nos termos em que informados pelo próprio contribuinte nas fichas respectivas da DIPJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 32 84 /2 01 2- 19 Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as compensações de ofício entre os créditos restituiendos do sujeito passivo e os créditos tributários decorrentes de inserções de débitos aferidos pela autoridade administrativa. Vencido conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que negava parcialmente ao provimento ao recurso. Fez sustentação oral dr Marco Túlio Fernandes Ibraim OAB/MG 110372. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR – Relator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), ADRIANA OLIVEIRA RIBEIRO (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Ausente o conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA. Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.723284/201219 Acórdão n.º 3402002.259 S3C4T2 Fl. 1.664 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica parcialmente homologada, conforme despacho decisório de fls. 1.472 a 1.475 emitido em 16/10/2012. O crédito pleiteado advém de ação de judicial transitada em julgado na data de 16/06/2006, nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092674, reconhecendo a ilegalidade do “alargamento da base de cálculo” do Pis e da Cofins. Diante disso, a contribuinte habilitou o crédito por meio do processo nº 13603.02579/200782, que foi deferido preliminarmente para posterior homologação da DRF/Contagem/MG e transmitiu a Dcomp 03556.53056.310108.1.3572560 em 31/08/2008. A homologação foi parcial devido a insuficiência de crédito declarado, relativo a pagamento indevido ou a maior de Cofins, compreendidos entre os períodos de 02/1999 e 01/2004, tendo o sujeito passivo pleiteado o direito creditório no valor de R$ 21.611.300,33, restando homologada a compensação de crédito no valor de R$ 16.211.788,40. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte tomou ciência da decisão supracitada em 06/11/2012, e apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1480) acompanhada de documentos, sendo que, por estarem bem resumidos os argumentos de defesa do sujeito passivo, reproduzo o relatório da decisão da DRJ/BHE, ora combatida, in verbis: Foi instaurado procedimento fiscalizatório para a “verificação do correto recolhimento das contribuições federais PIS e COFINS no período de fevereiro/1999 a junho/2002, em virtude de derrota do contribuinte no curso de ações judiciais que suspenderam, num primeiro momento, a exigibilidade de tais tributos...” Como conclusão, lavrou o auto de infração controlado no processo nº 13609.000301/200559, contra o qual interpôs defesa, sendo que a impugnação foi parcialmente provida; • Após a habilitação do crédito, transmitiu a Dcomp nº 03556.53056.310108.1.3572560. para sua utilização, totalizando quantia equivalente a R$ 21.611.300,33, atualizados em janeiro de 2008; • A DRF/Contagem extrapolou o seu âmbito de atuação ao apreciar, além dos créditos em tela, os débitos de Cofins do período, incorrendo em ilegalidade; • A repartição fiscal cometeu grave engano ao desconsiderar os efeitos do julgamento da decisão administrativa passada em julgado em cada período de apuração, entre fevereiro de 1999 e junho de 2002 (por não observar a decadência reconhecida entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2000), ao exigir multa de mora de 20% no período até setembro de 2001, mesmo que o Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 pagamento em 07/11/2001 tenha se adequado aos ditames do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996) e ao violar a sistemática de revisão de lançamento (arts. 146 e 149 do CTN). • Quanto aos períodos entre julho de 2002 e janeiro de 2004, equivocouse em considerar bases de cálculo a maior, que ela própria calculou, além de ter desconsiderado alguns recolhimentos válidos feitos pela impugnante no período; • Em seguida, a RFB passou a analisar as formas utilizadas para liquidar os tributos considerados devidos no interregno pretensamente “fiscalizado”, quais sejam pagamentos, compensações, etc. Neste aspecto, entendeu que as compensações ainda não homologadas não poderiam ser validadas, pois dependiam de ulterior verificação de sua regularidade, e desvinculou essas compensações dos débitos de Cofins aos quais se referiam, fazendo com que esses ficassem “em aberto”; • A DRF enganouse quanto à competência dezembro de 1999, ante a decadência reconhecida administrativamente, ao exigir o valor de R$ 149.428,46 (venda de sucata); Também cometeu erro de digitação no período, ao considerar a quantia de R$ 19.843.556,81 e não R$ 19.483.556,81, valor quase R$ 400.000,00 superior; • Ainda que as modificações feitas pela DRF estivessem em conformidade com a lei, não poderiam ter sido implementadas, pois, a teor dos arts. 146 e 149 do CTN e da jurisprudência sobre o tema (REsp 1130545/RJ, publicado em 22/02/2011), os lançamentos tributários não são revisáveis com base em erros de direito. No caso, a fiscalização se pautou em uma nova valoração jurídica dos fatos, o que caracteriza, indubitavelmente, a revisão por error in iuris; • Com relação ao período entre julho de 2002 e janeiro de 2004, não poderia ter refeito a apuração dos débitos de Cofins devidos porque incluiu receitas advindas da alienação de sucatas e de vendas feitas para a Zona Franca de Manaus, além de desconsiderar que a impugnante estava no regime monofásico da Cofins a partir de novembro de 2002, o que a autorizava a adotar base de cálculo reduzida. Também desconsiderou compensações não homologadas e atualizou esses débitos antes de contrapôlos aos pagamentos que entendeu como válidos, sendo que nenhum desses procedimentos poderia ter sido adotado; • À DRF era defeso reapurar os débitos porque faltavalhe competência, posto que o fisco está adstrito à verificar a regularidade dos créditos pleiteados e a possibilidade de sua devolução à contribuinte no prazo de cinco anos a contar do pedido, sendo que outros exames dependem de procedimento de fiscalização específico, validamente instaurado para a finalidade, tendo em mente a regra da segurança jurídica (qualquer contribuinte tem direito a saber, de antemão, o objeto e o porquê de estar sob uma fiscalização); • O lançamento de ofício era imprescindível, de modo que a DRF não poderia ter refeito a apuração dos débitos de Cofins devidos Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.723284/201219 Acórdão n.º 3402002.259 S3C4T2 Fl. 1.665 5 nos períodos. Tanto é assim que efetuou lançamento de ofício quanto a parte do período; (...) • As receitas de “vendas de sucata” não poderiam ter sido incluídas na apuração feita pela DRF por um singelo motivo: isso já fora feito pela impugnante (incorporada) em tempo e modo adequados. A quantia já havia sido oferecida à tributação, como se verifica das planilhas já juntadas aos autos. O procedimento, quanto a essas receitas, importa exigência em duplicidade, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. De todo modo, tais receitas não poderiam ser tributadas, pois não refletem o desempenho do objeto social da empresa, não podem ser tidas como fruto da comercialização de bens e/ou serviços e, de mais a mais, são tidas por ressarcimento de custos. Citase decisão da SRF que entende vir ao encontro do argumento; • Por força do DecretoLei nº 288, de 1967, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 (art. 40 do ADCT), a Zona Franca de Manaus passou a ser tratada, para efeitos fiscais, como território estrangeiro, de modo que qualquer imunidade, isenção ou incentivo fiscal concedido às exportações para o exterior são a ela extensíveis. A Cofins não incide na exportação por conta de regras de imunidade e isenção. Nesse sentido, vejase doutrina, jurisprudência administrativa (Acórdão nº 3401.01.527, de 09/08/2001) e judicial (AgRg no Ag 1292410/AM e REsp 1276540/AM– STJ); • Com o advento da Lei nº 10.485, de 2002, as mercadorias comercializadas pela Iveco Fiat Brasil Ltda. foram inseridas no regime monofásico de incidência e recolhimento da Cofins, o que fez com que a contribuição tivesse sua base de cálculo reduzida (art. 1º, § 2º). Contudo, a DRF considerou de forma equivocada essa redução legal, o que a fez calcular a contribuição em valor superior, diminuindo o direito creditório da impugnante; (...) • De forma claramente indevida, a DRF, após desqualificar parte das compensações, reputando as contribuições como “em aberto”, acresceulhes juros de mora para, só então, fazer a imputação dos pagamentos. Ocorre que não houve mora por parte da contribuinte, uma vez que vinculou compensações a tais débitos. Se os meios de quitação não poderiam ter sido desconsiderados, o atraso gerador dos acréscimos era algo faticamente impossível; • Os débitos exigidos através do processo nº 10680.720632/200809 estão sendo contestados na Ação Anulatória nº 2008.38.00.0230503, na qual foi realizado o depósito judicial integral do montante devido. Sendo assim, é certo que haverá o pagamento, mediante a conversão em renda, o que reforça a possibilidade de recolhimento em duplicidade; As razões apontadas, bem assim os documentos e planilhas de cálculo ora juntados já são suficientes à comprovação do direito Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 invocado. No entanto, caso se entenda pela necessidade de perícia, apontase como quesitos: a) A impugnante tributou as receitas decorrentes de vendas com sucatas? b) A DRF considerou a base de cálculo da Cofins em desacordo com as regras aplicáveis ao regime monofásico? c) A DRF, após desqualificar parte das compensações, reputando as contribuições como “em aberto”, acresceulhes juros de mora para, só então, fazer a imputação dos pagamentos? Indica assistente técnico, qualificandoo e informando seu endereço; Ao final, requer a contribuinte a nulidade do despacho decisório, em face da incompletude de sua motivação e absoluta ausência de competência para reapuração e realocação dos débitos, no caso, pela DRF. Também requer o reconhecimento do crédito descrito na Dcomp nº 03556.53056.310108.1.3572560, em razão da integral improcedência dos fundamentos do despacho decisório. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, decidiu pelo Reconhecimento em Parte do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 0243.577 (fls. 1611 a 1623), de 25/03/2013, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA. A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. São passíveis de compensação os créditos líquidos e certos comprovadamente existentes. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A DRJ/BHE houve por bem rejeitar as preliminares e julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório da interessada, para: Excluir o cômputo de multa de mora em relação aos pagamentos efetuados em 07/11/2001 (fls. 86 a 102); Reduzir a receita da competência dezembro de 1999 de R$ 19.843.556,81 para R$ 19.483.556,81 (fls. 416 e 1466); Considerar como vinculações válidas, no cálculo de apuração do crédito, as compensações não homologadas que informaram débitos de Cofins relativos a alguns meses de apuração do crédito (PER/Dcomp nºs 05314.62375.150703.1.3.042983, 29416.54937.150703.1.3040526 e 31361.93876.150703.1.3.043844). DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 17/04/2013 (fls. 1630 – n.e), a contribuinte apresentou tempestivamente, em 17/05/2013, o recurso de fls. 1632 a 1660 – n.e, alegando, em breve síntese que: Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.723284/201219 Acórdão n.º 3402002.259 S3C4T2 Fl. 1.666 7 No que tange ao período compreendido entre 02/1999 a jun/2002, a DRJ/BHE incorreu em erro ao julgar que decadência reconhecida em Processo Administrativo já julgado pelo CARF, não pode ser observada, in casu, porque ele não trata de exigência de crédito tributário, mas sim da análise de declarações de compensação. Aduz que no PA 13609.000301/200559, discutiuse entre outras matérias, a tributação pela Cofins das receitas de sucatas, tendo os julgadores no PA mencionado, entendido de forma definitiva que as receitas de sucatas deveriam ser tributadas, porém, no caso, os períodos de 02/1999 a 02/2000 estavam fulminados pela decadência. Portanto, não poderia a DRF/CON ter transportado os valores daquele processo para o processo ora em julgamento para figurarem como a Cofins devida no período de 02/1999 e jun/2002, ou seja, não poderia ter acrescentado ao período de dez/1999 o valor de R$ 149.428,46 daquele mês porque já estava reconhecida a sua decadência. No que tange ao período entre 07/2002 e 01/2004, alega que a DRJ/BHE não fez o melhor julgamento ao deixar de acatar seus argumentos para desconsiderar o modo de cálculo adotado pela DRF/CON que inflou indevidamente a apuração da Cofins no referido período quando incluiu nas receitas que serviram para o cálculo da contribuição efetuado pela recorrente aquelas advindas de alienação de sucatas e das vendas feitas para a Zona Franca de Manaus e, além disso, desconsiderou que a partir de 11/2002. A Recorrente estava no regime monofásico da Cofins, o que a autorizava a adotar base de cálculo reduzida. Alega ainda, que a DRF/CON não poderia ter realizado o reexame dos débitos de Cofins, pois lhe faltava competência para tal; que seria necessário o lançamento de ofício e que não se oportunizou o exercício da ampla defesa e do contraditório. Requer seja deferido pedido de diligência/perícia para que o a autoridade fiscal informe se a Recorrente tributou pela Cofins as receitas que obteve com a venda de sucatas no período entre 07/2002 e 01/2004, bem como se a DRF realmente considerou, no período entre 11/2002 a 01/2004, a base de calculo da Cofins em desacordo com as regras aplicáveis ao regime monofásico (art. 1º, § 2º, da Lei 10.485/2002). Termina sua petição recursal requerendo a reforma da decisão de primeiro grau para o fim de que seja reconhecida a integralidade do crédito tributário objeto do PER/DCOMP nº. 03556.53056.310108.1.3572560. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 1656 (mil, seiscentos e cinquenta e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade de sorte que conheço do recurso e passo a análise de mérito. A análise dos autos dá conta de que o litígio envolve pretensão de restituição de créditos do sujeito passivo, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado. Após habilitados, acabou tendo parte de seus créditos reconhecidos, sendo a outra parte reduzida em decorrência de procedimentos adotados pela Administração tendentes em adicionar receitas anteriormente não inseridas pelo contribuinte em sua apuração decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus e de sucatas (01); nos meses em o pagamento se deu por compensação que não estava homologada foi considerado como débito em aberto, debitando tais valores com os acréscimos legais, antes de efetuar o “encontro de contas” (02); para períodos que não teriam sido recolhidos por força de liminar em mandado de segurança, aplicou multa de mora de 20% e acréscimos legais, corrigindo o débito para levar ao encontro de contas (03); indicou erros de digitação em uma das bases de cálculo recompostas (04): bem como, finalmente, não teria considerado a redução de base de cálculo a que o contribuinte estaria sujeito a partir do período de novembro de 2002 (05). A DRJ, ao apreciar o pleito do contribuinte apresentado em sua defesa, houve por bem em afastar os procedimentos descritos nos itens (02), (03) e (04), dando parcial provimento a manifestação de inconformidade, restando, portanto, a esta Turma analisar as demandas reiteradas no Recurso, consistentes nos itens (01) e (05), antes descritos. Argui a Recorrente que não poderia a Autoridade ter inserido débitos em contraposição aos créditos, desconsiderando provimento administrativo que lhe reconhecera a decadência de alguns períodos de apuração, como, especialmente e em apertada síntese, de que para efetivar tais adições de débitos deveria ser lavrado Auto de Infração, o que não mais seria possível em virtude de que suas apurações já haviam sido homologadas pelo decurso de prazo. Quanto a redução da base de cálculo em virtude do regime monofásico de incidência a que o contribuinte estaria sujeito a partir de novembro de 2002, afirma que apesar da DRJ ter dito que não teriam sido desconsideradas tais reduções pela Administração, ela existiria, pleiteando seja realizada a prova pericial correspondente. Focalizados os pontos passíveis de apreciação por esta Casa, para melhor encaminhar as questões, passo a abordar cada uma em separado. I. Compensação de ofício entre Créditos Restituiendos e Créditos Tributários não constituídos: A controvérsia em tela reside na possibilidade da autoridade pública efetuar a compensação de ofício entre créditos restituiendos a que faz jus o contribuinte, baseado em decisão (administrativa ou judicial) que lhe reconhece um indébito, é créditos tributários a que faria jus o Poder Público decorrentes de fatos geradores ocorridos, mas que não foram objeto de lançamento tributário oportuno e dentro do prazo decadencial. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.723284/201219 Acórdão n.º 3402002.259 S3C4T2 Fl. 1.667 9 Sustenta a Recorrente ter havido a decadência do direito do Poder Público efetuar o lançamento, não podendo efetuálo agora, de modo transverso, no ato de apurar os créditos do contribuinte, enquanto que a decisão recorrida fundamenta positivamente quanto a esta possibilidade, fazendoo nos seguintes termos: “[...] Assim, afirma, mesmo quando do início do procedimento de fiscalização que redundou no despacho decisório ora questionado, o fisco já não detinha o direito de reapurar nenhum dos débitos, tampouco alterar nenhum dos pagamentos efetuados. Não obstante, essa interpretação está equivocada posto que, conforme já repisado, a decadência não é aplicável porque, no caso, não se trata de lançamento de créditos tributários a serem exigidos, mas de apreciação de declaração de compensação na qual a recorrente informou créditos como meios de quitação de outros créditos tributários. Tendo em vista que o exame pelo fisco ocorreu dentro do prazo legal de cinco anos contados a partir da apresentação da Dcomp, não se verifica a ocorrência de homologação tácita.” No entanto, em que pese o interesse público a que aparentemente estaria investido o entendimento contido na decisão da DRJ, tenho que ele é mais abrangente, pois que o interesse público está hospedado na Legalidade e Segurança Jurídica, das quais surge o seguinte: operada a Decadência, não se podem praticar atos de lançamento tributário, ainda que às avessas. Assim, assiste razão à decisão recorrida na parte que diz que pode revisar o período para rever a apuração tributária e deferir o crédito restituiendo, mas apenas focalizando o crédito tributário declarado pelo sujeito passivo e o pagamento realizado, sem, porém, adicionar grandezas à base de cálculo do crédito tributário, de modo a eliminar ou reduzir o indébito, salvo se, obviamente, estiver dentro do prazo decadencial para o lançamento, e através do Ato Administrativo de Lançamento, e não através de Despacho Decisório em processo de restituição ou ressarcimento. É dizer: em períodos de apuração ao longo dos quais se aferem os créditos restituiendos, como no caso, em que se formaria quase que uma “contacorrente”, não se poderia compensar os créditos apurados por pagamentos a maior em determinados meses (períodos de apuração consumados), com pagamentos a menor/débitos de outros meses (períodos de apuração consumados), se, obviamente, quanto a eles já se tenha operado a decadência. Do mesmo modo, não cabe adicionar á base de cálculo valores eventualmente não tributados tempestivamente pelo sujeito passivo, pois que assim, estará a Autoridade administrativa praticando o lançamento. Observese que quanto ao pedido de restituição dos créditos, o contribuinte igualmente deverá ter atendido ao prazo decadencial para pleiteálo, exercitando tempestivamente o seu Direito, como pressuposto para que venha a ter uma apuração de crédito, de modo que os prazos decadenciais fluem contra e a favor das partes na relação jurídica, com efeitos idênticos, que são a extinção do direito aos créditos, o fiscal (em favor do contribuinte) e o tributário (em favor do Poder Público). Por isso tenho que, no procedimento de apuração de créditos, é possível a revisão das apurações, porém, se for identificado pagamento a menor de tributo, o lançamento tributário apenas poderá ser realizado de ofício se estiver dentro do próprio período de Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 apuração em que o crédito restituiendo estiver sendo revisado, e se não tiver fluído o prazo decadencial para que ocorra o lançamento tributário. Assim sendo, considerando que o período de apuração dos indébitos tributários compreende os meses de 02/1999 a 01/2004, e as apurações dos créditos, pela Autoridade Executora, somente foram efetivados e cientificados ao sujeito passivo em 06 de novembro de 2012, e, ainda, que o prazo para que seja efetuado o lançamento será aquele do art. 150, parágrafo 4º, do CTN, quando houver pagamento parcial, ou então o art. 173, I, do CTN, quando não houver havido pagamento algum do tributo, temse que de há muitos anos operouse a decadência do direito de lançar eventuais faltas de pagamento de PIS ou COFINS. Consequentemente, não pode a autoridade administrativa, à pretexto de efetivar verificações no montante dos créditos de titularidade do sujeito passivo, acabar por efetivar a constituição e, ao mesmo tempo, a própria execução da cobrança e arrecadação do crédito tributário, após o decurso do prazo decadencial, devendose afastar tais pretensões do cálculo do crédito restituiendo, especificamente quanto às receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus e de venda de Sucatas. E aqui não se perquire se eram ou não devidas tais receitas de vendas, mas simplesmente que o Direito da Fazenda se lhas exigir caducou. Neste sentido, por óbvio e decorrência lógica que resta atendido o dever de excluir o valor de R$ 149.428,46 relativo ao período de apuração de Dez/99, objeto de insurgência específica do contribuinte. Mencionase apenas para evitarse a oposição de embargos. Devem, portanto, serem considerados nos cálculos dos créditos do sujeito passivo, apenas os períodos em que o mesmo realizou pagamentos a maior, sendo que nos períodos em que realizou pagamentos a menor, se não houve regular constituição do crédito (seja por confissão de dívida, parcelamento, lançamento de oficio etc.), não se mostra legítima a compensação de ofício, sendo igualmente vedada a adição de débitos nessa apuração das bases de cálculo e do indébito respectivo. No tocante aos débitos que foram objeto de lançamento de ofício controlado no PAF nº 13609.000301/200559 por ter a Administração Pública, em momento anterior, entendido devidas diferenças de tributos pelo contribuinte, do mesmo modo temse não cabe adicionálos ao cômputo dos créditos, de modo a diminuir o montante restituiendo, pois que esse procedimento importaria em dupla exigência, já que tais débitos, se existentes ou não (pouco importa), já são objeto do competente lançamento, e, portanto, a Fazenda já se acautelou de se os exigir. Além, por óbvio, tal inserção dentro do procedimento de “restituição”, importando em novo lançamento sobre o mesmo fato gerador, não mais poderia ser refeito, pois já transcorrido o prazo decadencial, nos termos acima explanados. No mesmo sentido aqui manifestado, esta Turma já teve oportunidade de julgar matéria similar, quando do julgamento dos Embargos de Declaração que gerou Acórdão nº. 3402001.971, de relatoria da Ilustre Conselheira Silvia de Brito Oliveira, in verbi: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RESSARCIMENTO DE PIS NÃOCUMULATIVO. INCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do saldo passível de ressarcimento de contribuição para o PIS sujeita à incidência nãocumulativa. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.723284/201219 Acórdão n.º 3402002.259 S3C4T2 Fl. 1.668 11 LANÇAMENTO. NECESSIDADE. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, tampouco computara em declaração caracterizada como confissão de dívida, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária, pois a mera glosa de créditos legítimos do sujeito passivo configura irregular compensação de ofício com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. grifamos. Nesse particular, merece provimento o recurso voluntário, para determinar a exclusão dos débitos aferidos pela autoridade administrativa do “contacorrente” relativo a aferição do montante a restituir, recalculando os créditos mediante a inserção tão somente dos créditos oriundos de pagamentos indevidos, a partir das apurações efetivadas tempestivamente pelo sujeito passivo. II. Quanto ao regime monofásico: No tocante a redução da base de cálculo em virtude do regime monofásico de incidência a que o contribuinte estaria sujeito a partir de novembro de 2002, a Recorrente afirma que apesar da DRJ ter dito que não teriam sido desconsideradas tais reduções pela Administração, ela existiria, pleiteando seja realizada a prova pericial correspondente. No entanto, em análise à Planilha de folhas 1466 a 1471 – n.e, constatase que a Administração partiu da base de cálculo informada pelo contribuinte, e das reduções de base de cálculo por ele próprio consignadas nas Fichas 20B e 27D, da DIPJ. Verificase, inclusive, que a legislação concede uma redução de 30,2% sobre a base de cálculo decorrente da venda de determinados veículos de carga, sendo que, a aplicarse a redução no percentual indicado, o valor a ser reduzido (segundo amostragem feita no período de novembro/2002), teria sido em um percentual até mesmo maior. Por outro lado, apesar de solicitar perícia, a Recorrente não trouxe nenhuma explicação do porque a Administração não teria, de fato, contemplado a redução declarada pelo próprio sujeito passivo, não indicando onde estaria a diferença que incessantemente afirma existir. Deste modo, tenho que foi acertado o procedimento da Administração consistente em aferir as bases de cálculo das Contribuições ao PIS e à COFINS, nos períodos objeto do pedido de restituição do indébito, pois que apoiouse nos valores de redução decorrentes do regime monofásico de incidência (Lei nº 10.485/2002), informados pelo próprio sujeito passivo nas fichas respectivas da DIPJ. Tenho que sem apresentar nenhum indício do suposto “erro” cometido pela Administração, que pudesse suscitar dúvida no julgador, contrapondo objetiva e diretamente os fundamentos da decisão recorrida, não há sentido em deferir a realização de perícia, a qual, sabidamente, se presta para retirar dúvidas para o correto julgamento, dúvida esta a qual sequer foi suscitada pela ausência de oposição direta. Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 Assim, neste particular, à míngua de demonstração da existência ou mesmo do mero indício de existência de irregularidade cometida pela Administração, não merece provimento esta parte do Recurso apreciado. III. Dispositivo: Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para afastar as compensações de ofício entre os créditos restituiendos do sujeito passivo e os créditos tributários decorrentes de inserções de débitos aferidos pela autoridade administrativa, recalculando os créditos mediante a inserção tão somente dos créditos oriundos de pagamentos indevidos, a partir das apurações efetivadas tempestivamente pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10945.900084/2013-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/08/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 84 /2 01 3- 08 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900084/201308 Acórdão n.º 3801003.035 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900084/201308 Acórdão n.º 3801003.035 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900084/201308 Acórdão n.º 3801003.035 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900084/201308 Acórdão n.º 3801003.035 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900084/201308 Acórdão n.º 3801003.035 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900084/201308 Acórdão n.º 3801003.035 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900084/201308 Acórdão n.º 3801003.035 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10380.021822/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. MULTA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA.
A autoridade administrativa falece de competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão foi objeto da Súmula nº 2, do CARF.
Os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicá-la obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade.
A teor do que dispõe o art. 17, do Decreto n° 70.235/72, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada, o que a torna preclusa.
O auto de infração lavrado em consonância com a legislação, contendo todos os requisitos previstos em lei, é apto a produzir efeitos no processo administrativo fiscal.
Não se enquadrando nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratando de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, devendo ser aplicado o disposto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na redação anterior a MP 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara Dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. MULTA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. A autoridade administrativa falece de competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão foi objeto da Súmula nº 2, do CARF. Os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade. A teor do que dispõe o art. 17, do Decreto n° 70.235/72, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, o que a torna preclusa. O auto de infração lavrado em consonância com a legislação, contendo todos os requisitos previstos em lei, é apto a produzir efeitos no processo administrativo fiscal. Não se enquadrando nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratando de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, devendo ser aplicado o disposto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 18 22 /2 00 8- 16 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10380.021822/200816 Acórdão n.º 2803003.239 S2TE03 Fl. 104 2 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na redação anterior a MP 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara Dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10380.021822/200816 Acórdão n.º 2803003.239 S2TE03 Fl. 105 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RENOVADORA DE PNEUS OLICO LTDA., em face de acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa e manteve o crédito tributário lançado. (Debcad 37.161.5992). 2. Por bem retratar os acontecimentos referidos nos presentes autos, passo a adotar, em parte, o Relatório do acórdão recorrido (fls. 66/69): 2.1. Conforme relatório fiscal, foram incluídas no presente lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre as parcelas IN NATURA pagas aos segurados empregados, em desacordo com a legislação previdenciária, a título de alimentação. A auditoria fiscal constatou que esses pagamentos não estavam em consonância com o que preceitua a Lei nº 8.212/91, art. 28, § 9°, alínea “c”, porque a empresa, após intimação, não apresentou o termo de adesão ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. 2.2. Informa o Auditor que os elementos que serviram de base para este levantamento foram os lançamentos contábeis que constam do livro Razão, conta "Cantina e Refeição" e Notas Fiscais. Os valores lançados estão discriminados no levantamento "PAT PAGTO REFEIÇÃO SEM PAT". 2.3. Informa, ainda que diante da recusa da empresa em atender a intimação de fornecer a relação discriminada dos empregados que receberam salário in natura de forma individualizada, procedeu ao levantamento dos valores referentes as suas contribuições, consoante ao art. 20, da Lei nº 8.212/91 utilizando a alíquota mínima de 8% para caracterizar o desconto dos empregados 2.4. A empresa foi cientificada por via postal, em 05/01/2009, conforme cópia do AR, fl. 45, juntada aos autos em 17/02/2009. 3. A contribuinte, após ter sido devidamente intimada, por via postal, em 05/01/2009 (fl.45), apresentando seu inconformismo impugnou o lançamento tempestivamente, em 26/01/2009 (fls. 50/54 e 58/62). 4. Na impugnação, por entender que houve inobservância ao princípio da proporcionalidade, e, por conseguinte redundando em confisco, a contribuinte se contrapôs ao lançamento, exclusivamente, no que tange à exigência de multa e dos juros. 5. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, o julgador a quo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 66/69), nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10380.021822/200816 Acórdão n.º 2803003.239 S2TE03 Fl. 106 4 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS EM ATRASO INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTA. As Contribuições Previdenciárias incluídas ou não em Auto de infração recolhidas em atraso objeto ou não de parcelamento ficam sujeitas à incidência de juros de mora e multa de mora. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (fl.66). 6. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as fls. 75/84, no qual aduz em síntese que: a) as condições de validade do ato administrativo tem que se verificar a competência, finalidade e forma, acrescidas da proporcionalidade da sanção e da legalidade dos meios empregados pela administração; b) o julgamento procedente do Auto de Infração não possui guarida na ordem jurídica nacional, uma vez que violou as normas legais brasileiras, inclusive o previsto no art. 152, da CF; c) na busca da nulidade do lançamento, evidencia violação aos princípios constitucionais, pois o auto de infração que foi e está sendo atacado, representa uma verdadeira agressão ao ordenamento jurídico; d) ao caso deve ser observado o princípio da proporcionalidade, sob pena de violação ao disposto no inciso IV do art. 150 da CF/88 que trata do não confisco; e) por fim, requer a procedência do presente recurso voluntário, e, assim tornar nula a decisão proferida em 1ª instância administrativa. 7. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10380.021822/200816 Acórdão n.º 2803003.239 S2TE03 Fl. 107 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO 2. Como já apontado no item 4 do relatório, há de observar que a recorrente impugnou parcialmente o presente Auto de Infração, eis que naquela oportunidade, em primeira instância administrativa, se contrapôs ao lançamento, exclusivamente, no que tange à exigência de multa e dos juros, por entender que a fiscalização deixou de observar os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, o que implicaria em confisco, o qual está vedado nos termos do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Ou seja, o sujeito passivo em nenhum momento questiona a exigibilidade da obrigação principal, mas apenas em relação à multa e juros. 3. Dessas observações iniciais insta mencionar que se considera preclusa toda e qualquer matéria aventada pela recorrente em seu recurso que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, conforme preconiza o art. 17, do Dec. nº 70.235/72, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” 4. Assim, com supedâneo no dispositivo acima mencionado passo a analisar apenas as alegações da autuada que entende serem a multa e os juros cobrados exorbitantes. DA IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA E DOS JUROS 5. Igualmente fez na impugnação, alega a recorrente que os valores lançados no auto de infração, relativamente à multa e aos juros, são demasiadamente exagerados, e assim caracterizandose tais exigências como confiscatórias, o que seria um afronto, inclusive, aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 6. Apenas a título de argumentação, é imperioso apontar que esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 7. Ademais, os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente, não estando assim facultada a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10380.021822/200816 Acórdão n.º 2803003.239 S2TE03 Fl. 108 6 sua discricionariedade quantos aos aspectos meritórios de validade de norma posta, e, por essas razões e outras como podem ser vistas adiante, é que concordo com a afirmativa do julgador a quo no sentido de que “quanto à alegação de que o valor elevado da multa teria caráter confiscatório, tal argumento não há de ser tratado no âmbito do Processo Administrativo” (fl. 68), pois se assim não fosse representaria uma usurpação da competência constitucional de outra esfera de Poder. 8. Nesse diapasão já é possível sinalizar que o exame da matéria, como articulado no recurso voluntário interposto pela recorrente, inevitavelmente passaria pela análise da constitucionalidade dos dispositivos que fundamentaram a exigibilidade dos juros e da multa aplicada. 9. Notese que as argumentações e seus fundamentos tomados pela recorrente para sua irresignação, reiterese, não devem ser apreciados por este Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da Legislação referente à exigibilidade de multa e juros, no caso ora analisado, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, “a” e III, “b” da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho. Ou seja, a autoridade administrativa falece de competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que se trata de atividade estranha constitucionalmente as suas atribuições. 10. Sobre a questão, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula nº 2, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 11. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a inconstitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal que atribui ao Poder Judiciário tal competência, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 12. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 13. Portanto, não há que se falar em caráter confiscatório da multa e juros previstos, respectivamente, no art. 239, III, "a”, “b” e “c”, parágrafos 2º. ao 6º. e 11, e art. 242, parágrafos 1º. e 2º. (com a redação dada pelo Decreto nº. 3.265, de 29.11.99). do Regulamento da Previdência Social, e, art. 35, da Lei nº 8.212/91, posto que a atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10380.021822/200816 Acórdão n.º 2803003.239 S2TE03 Fl. 109 7 para sua aplicação, portanto, perfeitamente válido o lançamento em relação a esses aspectos. No presente caso, a multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. 14. Quanto à eventual nulidade do lançamento, por tudo que trouxe aos autos a recorrente, entendo que não deve prosperar, haja vista que o ato administrativo em questão revestese da regularidade exigida na legislação e atende os ditames estabelecidos no art. 142 do CTN para sua formação, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. 15. Assim, não vislumbro o enquadramento em nenhuma das causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não se tratando o caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, e, por conseguinte não se detecta transgressão alguma ao devido processo legal. Decreto nº 70.235/72: “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993).” DA MULTA APLICADA 16. No caso destes autos o período fiscalizado é 01/2004 a 12/2004 que foi o lançamento consolidado em 18/12/2008, fl. 2, ou seja, a multa aplicada variaria de 24% a 100%, a depender da fase do processo administrativo. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10380.021822/200816 Acórdão n.º 2803003.239 S2TE03 Fl. 110 8 17. No caso destes autos a multa aplicada é 75%, como isso pode ser mais benéfico ao contribuinte? Este patamar de 75% só será mais benéfico quando a multa do artigo 35, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, chegasse a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento. 18. Feitos estes esclarecimentos necessários entendo que deve ser aplicado ao lançamento a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75%, em respeito ao artigo 35 – A, da Lei nº 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. 19. Cumpre ressaltar que, a Lei n.º 11.941/2009 trouxe alterações ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, assim, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao sujeito passivo. 20. Aplicando a situação acima, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. 21. Notese, no caso, não se pode aplicar a multa do artigo 61, § 2º, “a”, pois o presente auto cuida de lançamento de ofício, isto é, aquele realizado pelo fisco. CONCLUSÃO 22. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10680.011944/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.258
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Não se aplica
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 11 94 4/ 20 07 -3 9 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10680.011944/200739 Resolução nº 2402000.258 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por MILLENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDAEPP, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.033.8707, lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de lançar em títulos próprios de sua contabilidade fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais (sócios gerentes), por intermédio de cartão premiação. Consta do relatório fiscal que os pagamentos das remunerações foram efetuados através de recursos alocados em cartões FLEXCARD, concedidos aos sócios gerentes da autuada, utilizando como intermediária a empresa INCENTIVE HOUSE S.A., CNPJ 00.416.126/000141, como comprovam o contrato assinado entre esta empresa e a autuada e as Notas Fiscais de emissão de INCENTIVE HOUSE, bem como Relação de pagamentos elaborada pela autuada, onde foram relacionados os segurados beneficiários. O lançamento compreende o período de 05/2003 a 11/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 02/01/2007 (fls. 20). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls.70/76), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o presente Auto de Infração é corolário da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito/DEBCAB 37.033.8731, lavrada em decorrência de suposto não recolhimento de contribuições previdenciárias, situação que configura o bis in idem; 2. que para que se cogite acerca da incidência da contribuição previdenciária, é forçoso que a remuneração creditada aos sócios decorra do trabalho do sócio na empresa,o que não ocorreu no caso dos autos; 3. que para que houvesse falar em incidência da exação aqui combatida, imperioso se vislumbrasse, no trabalho fiscal, de forma inequívoca, que as verbas pagas pela autuada aos seus sócios através da Incentive House S/A diziam respeito a efetivo trabalho por eles prestado em favor da sociedade, trabalho ou serviço este que sequer veio a ser mencionado no relatório fiscal ou mesmo na decisão de primeira instância; 4. que a fiscalização presumiu que os pagamentos efetuados aos sócios detinham corelação com o trabalho prestado na empresa, procedimento que deve ser considerado como ilegal, na medida em que o relat[orio fiscal não tratou dessa corelação; 5. que a verba transitou na conta de resultados da recorrente, de modo que sua verdadeira natureza jurídica foi fato ignorado pela r. decisão de primeira instância, e que os sócios declararam em suas declarações anuais de ajuste o recebimento de tais parcelas, pois, através do cartão eram creditados distribuição de lucros e resultados; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10680.011944/200739 Resolução nº 2402000.258 S2C4T2 Fl. 4 3 6. que em caso de manutenção do lançamento, que lhe seja aplicada a multa mais favorável, com esteio no art. 112 do CTN; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10680.011944/200739 Resolução nº 2402000.258 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo da análise dos argumentos constantes no recurso, conforme já relatado, tratase da imposição de multa por ter deixado a recorrente lançar em títulos próprios de sua contabilidade fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, a remuneração de seus segurados contribuintes individuais (sóciosgerentes), efetuadas por intermédio de cartões premiação da empresa INCENTIVE HOUSE. Mesmo em se tratando de matéria já analisada por esta Turma, tenho que o presente caso possui peculiaridade que deve ser considerada em conjunto com o julgamento do processo principal no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias, no caso a NFLD n. 37.033.8731, que não fora distribuída para minha relatoria. Somente me foram distribuídos os Autos de Infração de obrigação acessória. Referida peculiaridade repousa no fato de que, a uma, o presente lançamento referese ao recebimento de valores por intermédio de cartões premiação por contribuintes individuais sóciosgerentes da recorrente, e não para prestadores de serviços autônomos ou mesmo segurados empregados a seu serviço. Além disso, em sua tese de defesa, a recorrente referese a diligência fiscal levada a efeito nos autos principais que analisou sua contabilidade e que demonstrou que os valores transitaram pela conta de resultados, de modo que se tratariam de parcela recebida em remuneração ao capital investido, e não ao trabalho. Logo, a meu ver, o lançamento da multa ora combatida, até por critérios da devida aplicação do direito à espécie, deve ser julgada em conjunto ou somente em momento posterior ao julgamento do lançamento principal, no qual certamente serão ou mesmo foram debatidas toda a tese de defesa que fundamenta o presente recurso voluntário, especialmente o fato da vinculação do pagamento da verba a contraprestação do serviço prestado pelos sócios, os quais são remunerados seja pelo capital, seja pelo trabalho. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal, no caso da NFLD 37.033.8731. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 108DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720156/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ITR ILEGITIMIDADE PASSIVA
Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório do imóvel objeto do lançamento, acompanhado do fato de não constar do título de aquisição a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art.130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pelo ITR devido.
Numero da decisão: 2202-002.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Antonio Francisco dos Santos CRA/BA nº 7.171.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ITR ILEGITIMIDADE PASSIVA Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório do imóvel objeto do lançamento, acompanhado do fato de não constar do título de aquisição a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art.130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pelo ITR devido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-12-16T16:11:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - Manoel Bispo dos Santos.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: lucas.poggetti; dcterms:created: 2013-12-16T16:11:21Z; Last-Modified: 2013-12-16T16:11:21Z; dcterms:modified: 2013-12-16T16:11:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - Manoel Bispo dos Santos.doc; Last-Save-Date: 2013-12-16T16:11:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-12-16T16:11:21Z; meta:save-date: 2013-12-16T16:11:21Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - Manoel Bispo dos Santos.doc; modified: 2013-12-16T16:11:21Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: lucas.poggetti; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: lucas.poggetti; meta:author: lucas.poggetti; meta:creation-date: 2013-12-16T16:11:21Z; created: 2013-12-16T16:11:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2013-12-16T16:11:21Z; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: lucas.poggetti; producer: GPL Ghostscript 8.15; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 8.15; pdf:docinfo:created: 2013-12-16T16:11:21Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl. 14 1 13 S2-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720156/2007-31 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202-002.522 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria ITR Recorrente MANOEL BISPO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ITR ILEGITIMIDADE PASSIVA Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório do imóvel objeto do lançamento, acompanhado do fato de não constar do título de aquisição a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art.130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pelo ITR devido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Antonio Francisco dos Santos CRA/BA nº 7.171. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldshmidt, Heitor de Souza Lima Junior. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 15 2 Relatório Trata-se de notificação de lançamento n˚ 05103/00085/2007 (fls. 02/08) emitida em 20.12.2007, na qual se exige do contribuinte o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 349.958,68, a título de ITR, exercício de 2003, acrescido de multa de ofício no patamar de 75%, e juros legais tendo como objeto o imóvel rural “Fazenda Varejão do Outro 10”, registrada sob o nirf 3.771.599-2, com área declarada de 10.056,3 ha, localizado no Município de Cocos/BA. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, informa a Receita Federal na fl. 04 que o contribuinte não comprovou a área declarada a título de preservação permanentede 2.056,3 ha no imóvel rural. No mesmo sentido não restou comprovada a isenção da área declarada a título de utilização limitada/reserva legal de 2.500,0 ha, bem como o VTNde R$ 30.000,00 totalizando um valor declarado de R$ 2,98 por hectare de terra nua, visto que o laudo de Avaliação do Imóvel não estava nos moldes estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, sendo arbitrado valor para tal, com base nas informações do SIPT (sistema de preços de terra) da RFB, considerando o VTN médio por aptidão agrícola do Município de Cocos (fl.18) no valor de R$ 122.12, tendo o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) sido alterado, encontrando-se seus valores no demonstrativo de apuração do imposto devido (fl.08/09). Procedimento de Fiscalização Apresentado o DIAT do exercício de 2003 (fls.12/13), da Fazenda Varejão do Outro 10/BA, foi declarada área total de 10.056,00 ha. Informou neste, área de preservação permanente de 2.056,3, área de utilização limitada (reserva legal) 2.500,00 ha, área de benfeitorias 100,00 ha, possuindo uma área aproveitável de 5.400,00 ha. Foi declarado como valor total do imóvel R$ 270.000,00, sendo queR$140.000,00, correspondia a benfeitorias e R$ 100.000,00 a valores de culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas, subsistindo o VTN no valor de R$ 30.000,00. No termo de intimação fiscal (14/15) ficou o contribuinte intimado em 17/07/2007 (fl.16), para apresentar: Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2003: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 16 3 - Cópia do Ato Declaratório Ambiental - ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama.�- Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2° da�Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Crea, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9 1do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002.�- Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 31 do Código Florestal, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou.� - Cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do património�natural ou de servidão florestal.� - Cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário.� - Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico. � - Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14-653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNTcom fundamentação e grau precisão II, com anotação de responsabilidade técnica -ART registrada no CREA, contendo todos os�os elementos de pesqui a identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. Documentos referentes Declaração do ITR do Exercício 2004: - Cópia do Ato Dedaratório Ambiental - ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama. - Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2° da�Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Crea, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9˚ do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002. - Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 17 4 permanente, nos termos do art. 31da Lei 4.771165 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. - Cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade de Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. � - Laudo de avaliação do imóvel conforme o estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identtfícados. Afalta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2005: - Laudo de avaliação do Imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas -ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Afalta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. Notificado, o contribuinte expôs esclarecimentos (fls. 21-25), requerendo o arquivamento do termo de intimação fiscal, ou caso não fosse esse o entendimento a dilação do prazo para apresentação da documentação solicitada em 15 dias. Juntou documentos (fls. 26 – 49). Após a prorrogação do prazo, solicitou por meio da correspondência de fls 44-46, juntada aos autos do Laudo de avaliação do imóvel, acompanhado de ART, às fls. 41, e do recibo de pagamento (fl.40). Não acatado o pedido de arquivamento, foi proposto o envio do processo ao ARF Santa Maria da Vitória, para aguardar o pagamento, pedido de parcelamento ou impugnação da notificação de lançamento, visto que foram glosadas integralmente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, respectivamente em 2056,3 ha e 2500,00 ha, além da alteraçãodo VTN declarado para RS 122,12 por ha, totalizando R$ 1.228.075,36, com base no SIPT, com o consequente aumento da terra tributável/área tributável e do VTN tributável/alíquota de cálculo, resultando o imposto suplementar de R$ 147.295,21 (fls. 08/09). Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 18 5 Impugnação Cientificado do lançamento em 24.12.2007 (fl.50), irresignado, o contribuinte impugnou o lançamento em 24.01.2008 (fls. 53-79), juntando documentos (fls. 80- 120). Em sua impugnação informou que recebeu em datas diferentes, duas Notificações de Lançamento sobre o ITR de mesmo número (05103/00085/2007), ambas de mesmo período de apuração - 01.01.2003 - e com mesma imposição tributária.Todavia, existia uma única diferença entre elas,a primeira os juros de mora foram calculados até 13.12.2007 e a outra os citados juros estavam calculados até 28.12.2007, tendo sido entregues pelos Correios, nesta ordem, 26.12.2007 e 03.01.2008. Esclarece que, em razão da existência das duas notificações, foi compelido a solicitar cópia do processo quando notou que a folha de rosto da Notificação estava diferente das duas primeiras, pois não havia inscrição de qualquer data no item "juros de mora". Entende que haveria outra divergência quando da retirada da cópia do processo, pois havia um extrato titulado de "VTN médio por aptidão agrícola", o que torna esta última Notificação diferente das duas anteriores; Entende, ainda, que ao que parece, a Notificação válida é a última, objeto da formalização do Processo, posto que completa, contando documento necessário e integrante da Notificação, enquanto que nas duas entregues pela ECT faltava documento essencial. Considera que há outro questionamento a ser decidido pela Turma Julgadora, que é a validade da Notificação, com formalização processual no dia 19.12.2007, quando as citadas Notificações somente foram lavradas no dia 20.19.2007. Declara que a sua defesa se reporta aos temas: área de preservação permanente, área de utilização limitada e ao Valor Tributável da Terra Nua, cuja acusação encontra-se descrita nas três Notificações e que se insurge apenas quanto à notificação objeto da formalização do processo.Anexa as duas primeiras notificações para que a autoridade julgadora tome conhecimento do ocorrido. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 19 6 Reitera o entendimento de que a última Notificação copiada do Processo, é a efetivamente válida na razão de seu conteúdo estar completo, posto que nela consta o documento em que o autuante se baseou para a obtenção do valor do VTN. Em preliminar, considera que a Turma de Julgamento deverá dar solução quanto a real existência do processo administrativo tributário, uma vez que a formalização com a juntada da peça principal e anexos ocorreu em 19.12.2007, enquanto consta da Notificação que a mesma somente foi lavrada no dia 20.12.2007. Ainda, em preliminar, considera que a questão a ser discutida é quanto ao arbitramento do VTN, posto que ensejou cerceamento do direito de defesa e inversão do ônus da prova sem a devida autorização em lei. Nesse sentido, referiu que a exigência documental (Laudo de Avaliação) é estranha a toda a legislação pertinente ao ITR, já que não consta de qualquer lei, norma ou ato administrativo que prescreva a exigibilidade do documento solicitado, o que seria a primeira ilegalidade do lançamento. Também inexistiria na norma tributária a previsão para se exigir grau de fundamentação 2, de acordo com as Normas da ABNT, o que motivou a fiscalização à rejeição do Laudo apresentado, o que seria a segunda ilegalidade. A terceira ilegalidade residiria no fato de o VTN atribuído não atendeu ao disposto no art. 14 da Lei n° 9.393/96, posto que a fiscalização não provou a ocorrência das hipóteses previstas da falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas oufraudulentas. A quarta ilegalidade seria que o extrato do SIPT é lacônico e econômico em informação, sem respostas para a origem dos dados. Requereu respostas ao fisco, para saber quais foram os métodos utilizados para se chegar ao preço médio de R$122,12 ha, bem como compatibilizar o preço médio/ha do SIPT com o preço de mercado na forma da lei. Ainda, como o SIPT considerou e se existe os "levantamentos realizados pela Secretaria de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios" conforme previsto na Lei n° 9.393/96; Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 20 7 Ressalta que seu direito de defesa foi cerceado pela impossibilidade administrativa de ter acesso ao SIPT, posto que a Portaria SRF n° 447/2002 prevê que apenas os funcionários ligados a Recita Federal é que tem acesso ao sistema. Cita e transcreve Ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre erro na tabela do SIPT, que trazia unidade de medida em alqueire mineiro ao invés de hectares, e outras Ementas do mesmo órgão sobre cerceamento do direito de defesa e arbitramento do valor de Mercado. Quanto à glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, respectivamente, atesta que apresentou, nos prazos concedidos, excetuando o ADA, todos os documentos solicitados como: certidão de inteiro teor do imóvel com a averbação de 20% da área total do imóvel como área de reserva legal; Laudo de Vistoria Técnica do IBAMA, no qual se constata as áreas de preservação permanente e de reserva legal com área de 1.906,4 ha e 2.011,2 ha; Memória Descritivo da Reserva Legal e do Imóvel Rural; Mapa da fazenda onde estão demarcadas e quantificadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, com as respectivas coordenadas e Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal. Salienta que os mapas e o Laudo de Vistoria do IBAMA atestam a existência da área de preservação permanente de 1.906,4 ha e que somente a contra prova poderá elidir a dedução desse valor na DITR/2003, já que essa área não está sujeita a registro em cartório e que por definição de Lei, bastando a existência e a quantidade de hectares comprovada por meio de documentos e levantamento técnicos. Sendo assim, considera que atendeu a todos os pressupostos para a dedução da área de reserva legal de 2.011,2 ha, posto que apresentou a averbação da área na matrícula no registro de imóveis competente, além de comprovar a sua existência e quantificação fundada em documentos fidedignos. Protesta a exigência do ADA,ainda que apresentado em outro exercício, para comprovação das áreas ambientais que entende padecer de legalidade e considera que essa exigência é uma obrigação acessória. Entende que a situação fática para o pagamento do imposto na forma da declaração efetuada é a prova da existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, fato que foi comprovado e que em nenhum momento foi questionada a inexistência das áreas isentas pela fiscalização. Destaca que a jurisprudência administrativa a respeito da exigência do ADA é a seu favor, principalmente antes da vigência da Lei no 10.165/2000, bem como após a Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 21 8 edição da MP 2.166-67/2001, quando adicionou o §7° ao art. 10 na Lei n° 9.393/96.Cita e transcreve ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes para referendar sua tese. Por fim, em face do exposto, pugnou pelo cancelamento do lançamento, alternativamente a consideraçãode sua DITR/2003, no que tange a quantidade da área de preservação permanente e de reserva legal na forma sustentada na impugnação, sendo que em caso contrário, que faça constar da decisão os motivos da rejeição da auto avaliação, reabrindo prazo para a defesa. Decisão da DRJ Diante da impugnação, a 1a Turma de Julgamento da DRJ/BS, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas e, no mérito considera improcedente a impugnação referente ao lançamento consubstanciado na Notificação n° 05103/00085/2007, mantendo-se a exigência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (fl.123-141). Quanto à alegação de cerceamento de defesa, que no presente caso, a autoridade lançadora identificou as irregularidades apuradas, e em conformidade com a legislação, foram realizadas as alterações na DIRT/2003, o que foi feito de forma transparente. Além do mais, o contribuinte foi notificado de todas as etapas do processo administrativo fiscal, tendo refutado em todas as etapas, expondo suas alegações e os fatos de discordância. No que se refere à alegada falta de publicidade dos valores constantes do SIPT, este está submetido as regras de segurança dos sistemas internos da RFB, sendo que tal restrição em nada prejudica a publicidade das informações no referido sistema, tanto é verdade que a tela do mesmo está anexado aos autos (fl. 18). Além do mais, o SIPT é usado, tão somente, como valor de referencia, não tendo o condão de vincular a administração tributária, motivo pelo qual a RFB pede a apresentação de laudo técnico de avaliação, pois a partir daquelas informações, poderia o contribuinte demonstrar as condições desfavoráveis que justifiquem a utilização do VTN inferior daquele constante no SIPT. Referiu que o ônus da prova recai ao contribuinte, devendo cumprir esse encargo até a data da homologação do auto lançamento, de acordo com o art. 150 § 4˚, do CTN. Na fase de impugnação esse ônus continua sendo do contribuinte, na forma do PAF e do art. 333 do CPC. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 22 9 Que também não pode justificar a nulidade da presente Notificação de Lançamento, o fato de o contribuinte considerar que a exigência de apresentação de Laudo de Avaliação, com fundamentação e grau de precisão II, para a comprovação do VTN declarado, não está prevista na legislação tributária, cabendo esclarecer que autoridade fiscal cumpriu o estabelecido na Norma de Execução Norma de Execução Cofis n° 003, de 29 de maio de 2006, aplicável ao exercício de 2003, em seu item "8 - Relação de Documentos a Serem Solicitados”, que assim estabelece quanto ao documento de prova a ser apresentado pelo contribuinte para comprovar o VTN declarado. Que, estando evidenciada a subavaliação do VTN declarado, quando comparado com o SIPT, cabe ao contribuinte afastar tal hipótese, demonstrando documento hábil para tanto. Por isso, não cabe a anulação do laudo pelo simples motivo de a autoridade fiscal ter afastado o laudo como prova para arbitramento do VTN. Quanto às datas diferentes do cálculo dos juros de mora, das Notificações recebidas e da ausência de data na folha de rosto da Notificação de fls. 07, tal fato não justifica a nulidade pretendida, posto que não prevista no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Que o cálculo dos juros de mora em nada sofreu influência das datas citadas (28.12.2007, 13.12.2007 ou a ausência de data), posto que o art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996, devidamente citado no "Enquadramento Legal", da Notificação de Lançamento determina como estabelecê-lo, condicionado ao mês de pagamento. Tanto isso é verdade que o seu valor não foi alterado. Que as ditas Notificações apresentam os mesmos valores, as mesmas matérias tributárias, igualmente descritas e fundamentadas, não implicando qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, no que diz respeito ao prazo de interposição da sua impugnação, observado o prazo de ciência ocorrido em 24/12/2007, conforme o "AR". Quanto à data de abertura do Processo (capa) ser de 19.12.2007 e a data de emissão da Notificação de Lançamento ser 20.12.2007, em nada macula o Lançamento já que não há previsão legal para isso, conforme já exposto. Ademais, com a intimação inicial, de fls. 12/13, recebida em 17.07.2007, às fls. 14, o contribuinte já se encontrava em procedimento fiscal, nos termos do art. 7° do Decreto n° 70.235/1972, logo não prospera a alegação do impugnante, neste sentido. Que a notificação de lançamento preenche os requisitos formais estabelecidos no art. 11 do Dec. 70235/72, não havendo em que se falar em nulidade por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, pois foi assegurada referida garantia constitucional, motivo pelo qual não prosperam as preliminares. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 23 10 No mérito, quanto ao VTN a fiscalização entendeu que houve subavaliação, tendo em vista o constante no SIPT, motivo pelo qual do arbitramento, sendo que esse valor corresponde à média dos valores informados pelos próprios contribuintes nas suas DIRT/2003, representando o universo das DIRT/2003 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Cocos/BA. No que tange as áreas de preservação ambiental, a fiscalização exigiu, com base na legislação de regência da matéria, o cumprimento de duas obrigações para acatar a exclusão das áreas ambientais declaradas da incidência do ITR. No caso, uma área de preservação permanente de 2.056,3 ha e uma área de utilização limitada/reserva legal de 2.500,0 ha. A primeira consiste na averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outra seria a informação de tais áreas, tanto a de preservação permanente quanto à de utilização limitada/reserva legal, no do ADA - Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA. Da análise das alegações e documentação apresentadas pelo impugnante, a DRJ concluiuque o não cumprimento da primeira exigência para uma área de 488,8 ha (foi comprovada a averbação tempestiva de 2.011,2 ha), que faz parte da área de reserva legal declarada de 2.500,0 ha, além da não comprovação da protocolização tempestiva do competente ADA, junto ao IBAMA, justificando, portanto, a glosa realizada pela fiscalização. Desta forma, não cumpridas integralmente e de forma tempestiva as exigências tratadas anteriormente, entendeu aDRJ que não cabe excluir qualquer área ambiental do ITR/2003. Recurso Voluntário Intimado em 26/02/2010, fl. 144, insatisfeito com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 149 – 282 em 19/03/2010 (fl.214). Em síntese, repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação, alegando, agora, em preliminar a decadência do crédito tributário e ilegitimidade, esta fundamentada na alienação da totalidade da área, antes da presente autuação fiscal. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 24 11 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator. O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. O recorrente alega em preliminarde seu recurso voluntário, a sua ilegitimidade passiva, tendo em vista a alienação do imóvel em questão, nirf nº 3.771.599-2,no ano de 2005, conforme comprova com as escrituras públicas de compra e venda juntadasàs fls. 186- 193. Imperioso destacar, para que não restem dúvidas, mediante informação constante nas escrituras de compra e venda mencionadas, que hove redimensionamento da área registrada inicialmente (e declarada na DITR objeto do presente caso) quando do procedimento de Georreferenciamento atravésdo processo 54160.001354/2004-08 e a certificação do INCRA n° 050408000002-30, de 05108/2004, para uma área total de 10.784,7 há (ao invés dos 10.056,00 ha declarados originalmente). Dito isso, tem-se, conforme o anunciado, que no ano de 2005 a “Fazenda Varejão do Outro 10”,até então de titularidade do recorrente, registrada sob o nirf 3.771.599-2, foi alienda da seguinte forma. Adquirente Escritura Área (Hectares) Ana Paula Marques (fls. 186- 187) Livro 65, folhas 153 e verso 653,11 PP Participações Empresariais LTDA (fls. 197-198) Livro 65, folhas 156 e verso 4.730,47 PP Participações Empresariais LTDA (255- 256) Livro 65, folhas 154 e verso 2.116,04 Alessandra Marques (fls. 191-192) Livro 65, folhas 155 e verso 3.285,07 Total 10.784,69 Note-se que, embora o presente auto verse sobre ITR referente ao exercício de 2003 e a alienação total do imóvel tombado sob o nirf 3.771.599-2tenha ocorrido apenas no ano de 2005, esta se deu antes da notificação do antigo proprietário acerca do crédito tributário em questão (ocorrida em dezembro de 2007). Logo, é forçoso o reconhecimento da ilegitimidade passiva do contribuinte e o cancelamento do crédito tributário em discussão. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 25 12 Isso porque, tendo em vista que o ITR é tributo cuja hipótese de incidência é a propriedade, o crédito dele gerado tem natureza real, sendo a obrigação tributária do ITRpropter rem. Portanto, em razão da alienação total da área, aliada ao fato de não constar no título de aquisição (ou em qualquer outro documento), a prova ou declaração do anterior proprietário de quitação dos tributos, para os efeitos do art. 1301 do CTN, tem-se transferência aos adquirentes da responsabilidade tributária sucessória do imposto ora em análise, razão pela qual é necessário o reconhecimento do cancelamento do auto de infração, visto a ilegitimidade do recorrente para responder por uma dívida de que não lhe pertence. Inclusive foi o entendimento deste Conselho, conforme decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo nº 10670.001494/200612 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202002.719 – 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria ITR Recorrentes MGI MINAS GERAIS PARTICIPAÇÕES S/A. e FAZENDA NACIONAL MGI MINAS GERAIS PARTICIPAÇÕES S/A. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. O ITR é um imposto que o fato gerador decorre da propriedade, do domínio ou da posse de bens imóveis. Por esta razão, deve o adquirente sub-rogar-se na responsabilidade pela quitação dos mesmos, salvo se constar no título aquisitivo a prova de sua quitação. No caso em comento, todas as exigência fiscais deixaram para serem cumpridas por ocasião do registro do 1 Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 26 13 titulo aquisitivo, logo, não pode ser imputada a responsabilidade tributária ao vendedor do imóvel, fundamentos do artigo 130 do Código Tributário Nacional. Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado. No mesmo sentido já decidiu a Turma Ordinária da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA PARCIAL. Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório, de parte do imóvel objeto do lançamento, aliado ao fato de não constar do título de aquisição, a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art. 130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pela parcela respectiva do imposto ora sub analisis. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. Comprovado o não atendimento da exigência legal de averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. UTILIZAÇÃO DAS ÁREAS DO IMÓVEL - ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. Não comprovada a plantação de produtos vegetais informada na correspondente DITR, deve ser mantida a glosa da referida área. MULTA DE OFÍCIO E TAXA DE JUROS. LEGALIDADE. (Acórdão nº 30238440 do Processo 10670001109200114 / Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Sessão: 27/02/2007) Ainda, corroborando com tal entendimento, é a doutrina de Leandro Paulsen, em seu livro Direito Tributário – Constituição e Código Tributário Nacional à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, ao tratar do art. 130 do CTN: “Sucessão por aquisição de imóvel. Sub-rogação na pessoa do adquirente. O adquirente, como novo proprietário, assume o lugar do proprietário anterior também no que diz respeito a tais débitos tributários.” Isso posto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, em vista da reconhecida ilegitimidade passiva do recorrente, nos termos do art. 130 do CTN, extinguindo o crédito tributário lançado. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720156/2007-31 Acórdão n.º 2202-002.522 S2-C2T2 Fl. 27 14 (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 10930.904500/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 00 /2 01 2- 17 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904500/201217 Acórdão n.º 3803004.850 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904500/201217 Acórdão n.º 3803004.850 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904500/201217 Acórdão n.º 3803004.850 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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