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Numero do processo: 10855.003037/2006-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL.
Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada nas escritas contábil e fiscal.
O contrato de compra e venda se considera firmado tão logo as partes consintam quanto ao objeto e ao preço. Assim, a existência de contrato assinado pelas partes convencionando a compra e venda de participação societária de maneira incondicional, irrevogável e irretratável, é suficiente para provar a ocorrência da operação e dar ensejo aos respectivos efeitos tributários.
Numero da decisão: 9101-004.016
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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GANHO DE CAPITAL Recorrente N. A. PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS DE ITU LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada nas escritas contábil e fiscal. O contrato de compra e venda se considera firmado tão logo as partes consintam quanto ao objeto e ao preço. Assim, a existência de contrato assinado pelas partes convencionando a compra e venda de participação societária de maneira incondicional, irrevogável e irretratável, é suficiente para provar a ocorrência da operação e dar ensejo aos respectivos efeitos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 30 37 /2 00 6- 96 Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.102 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela contribuinte em 15 de junho de 2015 (fl. 1.0301.070) em face do acórdão 180200.505, de 5 de julho de 2010 (fl. 905917), proferido pela 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, e recebeu as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 180200.505, de 5 de julho de 2010 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. RECONHECIMENTO DA INFRAÇÃO IMPUTADA. Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada na escrita contábil e fiscal. Além disso, o recolhimento dos tributos sobre o ganho de capital, ainda que em parte, no curso da lide administrativa, implica reconhecimento da infração imputada. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. DOLO ESPECÍFICO. NÃO COMPROVADO. Não caracterizado o dolo de fraude ou sonegação fiscal, impõese a redução da multa de 150% para 75%. JUROS SELIC. CABÍVEL. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais (Súmula n° 4 do CARF). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento principal, por sua intima relação de causa e efeito. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.103 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de 150% para 75%, nos termos do voto do Relator. Contra este acórdão a Fazenda opôs embargos de declaração que foram rejeitados (acórdão 1802000.801, de 22 de fevereiro de 2011). Também a contribuinte opôs embargos de declaração, tendo estes sido acolhidos, em parte, sem efeitos infringentes, nos termos do acórdão 1802002.277, de 26 de agosto de 2014, proferido pela 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, para correção do erro de informação constante do acórdão embargado atinente a dividendos do ano calendário 2007: de “não teve recebimento de dividendos” para “teve recebimento de dividendos”. Em seu recurso especial, a Recorrente alega divergência em relação aos seguintes precedentes Acórdão paradigma: 1201000.962, de 12/02/2014 (processo 10855.003035/200605) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 GANHO DE CAPITAL. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. CANCELAMENTO. Quando o conjunto probatório demonstra que a venda de ações não foi realizada e, portanto, não houve ganho de capital, o auto de infração deve ser cancelado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso. Acórdão paradigma: 2802001.977, de 18/02/2014 (processo 10855.003001/200611) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE COTAS E DE AÇÕES NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA. Cancelase o lançamento referente a Ganho de Capital quando o conjunto de evidências dos autos demonstra que a operação não se deu no ano e nos valores que constaram no lançamento. Recurso provido. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do(a) redator(a) designado(a). Vencido o(s) Conselheiro(s) Jaci de Assis Junior (relator) e Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.104 4 Em síntese, a divergência apontada reside em que, enquanto os acórdãos apontados como paradigmas reputaram insuficiente, para a caracterização do ganho de capital, a existência de um contrato celebrado entre as partes, sem distrato e sem alteração contratual (fls. 1.040 e segs), o acórdão recorrido considerou que a existência do instrumento contratual, sem distrato e sem alteração contratual, é apta a demonstrar a operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada na escrita contábil e fiscal. Contexto fático dos autos Trata o presente processo de auto de infração cientificado ao contribuinte em novembro de 2006 consubstanciando a exigência de IRPJ e CSLL (fl. 143), acrescidos de multa qualificada de 150% e juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 634.030,70 (fl. 13). A acusação é de omissão de receita não operacional (ganho de capital) oriunda de alienação de participação societária à empresa Jadangil Participações e Representações Ltda., em 26 de novembro de 2004, pelo valor de R$700.000,00, conforme instrumento particular de fls. 4953. Conforme Termo de Constatação (fls. 132135), a contribuinte não teria registrado em sua contabilidade o recebimento dos R$ 700.000,00 em 2004, nem informado em sua declaração de imposto de renda o ganho de capital decorrente da venda, no valor de R$ 683.421,58, correspondente à diferença entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil de R$16.578,42, conforme documento de fl. 78. Nas peças de impugnação e recurso voluntário o contribuinte alegou que a transação foi desfeita no mês seguinte, portanto anterior ao término de formação do fato gerador, já que este é complexivo, razão pela qual não haveria consequências tributárias mesmo que tivesse havido o pagamento em moeda corrente, o que não aconteceu. Como prova de que o negócio foi desfeito a contribuinte argumentou que as partes envolvidas continuaram com os seus patrimônios inalterados e que continuou se comportando como acionista mesmo após 2004, tendo inclusive recebido dividendos (fl. 288). Alegou, subsidiariamente, que a negociação de ações e quotas de capital social envolve sua própria atividade social e, por isso, não há que se falar em ganho de capital, estando o lançamento incorreto. Por sua vez, o acórdão recorrido reporta que, na sustentação oral da sessão de julgamento de 05 de julho de 2010 a Contribuinte defendeu a tese ou argumento do “Contrato de Gaveta”, qual seja, que o negócio jurídico ficou por certo tempo em stand by, tendo sido registrado na escrituração contábil e fiscal apenas em 2007, de modo que o fato gerador do IRPJ e da CSLL teria ocorrido apenas em 2007 e não em 26 de novembro de 2004. Estas afirmações foram baseadas em documentos juntados aos presentes autos em maio de 2007 (fls. 928950), em especial trechos de diligência constante dos autos do processo administrativo n° 10855.003040/200618, cujo sujeito passivo é a empresa Jadangil Participações e Representações Ltda, autuada justamente pelo fato de não ter registrado na escrituração contábil e fiscal a operação de aquisição das participações societárias em questão. A fl. 950 consta documento reportando que a ora Recorrente recebeu dividendos da Schincariol Participações e Representações S.A. no anocalendário de 2007, não tendo recebido em 2004 a 2006. Consta também que apurou ganho de capital no 4o trimestre de 2007 e pagou IRPJ e CSLL respectivos em janeiro de 2018, sem dizer o valor. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.105 5 O despacho de admissibilidade de recurso especial de fls. 1.0771.088 admitiu o recurso. A Procuradoria apresentou contrarrazões (fls. 1.0901.098) em que alega, preliminarmente, a "diversidade dos contextos fáticos e do conjunto probatório exposto e analisado nas decisões selecionadas pelo recorrente como paradigmas e no acórdão recorrido", sem apontar as razões para tanto. No mérito, sustenta: (i) quanto à alegação de que não houve o fato gerador porque a transação foi desfeita no mês seguinte, observa que esta não restou provada, já que não foi apresentado qualquer distrato. Aduz, também, que o contrato, quando então firmado, correspondeu a ato jurídico perfeito, de modo que para efeitos fiscais é irrelevante que o negócio tenha sido posteriormente desfeito. Por fim, observa que a alegação de que não houve o pagamento em moeda corrente não condiz com o que foi pactuado no contrato, no qual consta que os vendedores receberam no ato, em moeda corrente, a integralidade do preço ajustado, bem como que a alegação de que o pagamento se deu por meio de nota promissória a título pro soluto, mesmo tivesse sido comprovada pela recorrente, não alteraria a tributação levada a efeito no auto de infração, já que os títulos de crédito pro soluto são dados com efeito de pagamento, como se dinheiro fossem, operando a novação do negócio que lhes deu origem. (ii) quanto à base de cálculo, defende que está correto o procedimento fiscal ao considerar como receitas não operacionais (ganho de capital) aquelas resultantes das alienações das participações societárias em tela, por se tratar de alienação de direito patrimonial, classificável no conceito de ativo permanente, não sendo aplicáveis, no caso, os coeficientes de presunção do lucro presumido. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atendeu aos requisitos de admissibilidade, não tendo havido suficiente questionamento pela parte recorrida no tocante à admissibilidade do recurso, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999. De fato, tanto o lançamento que ora se discute quanto o auto de infração objeto do processo 10855.003001/200611 (acórdão 2802001.977), tiveram como elemento indiciário o mesmo documento (fls. 1.040 e segs), assinado em 26 de novembro de 2004, o qual objetiva a alienação de participações nas diversas sociedades listadas em seu anexo único (fl. 1.045) e indica, como "Vendedores", a Recorrente/N.A. PART. REP. LTDA e ALCIDES Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.106 6 VARGAS PORTEIRO, e como "Compradora" JADANGIL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA.. Vejase neste sentido trecho relevante do documento: "Através deste instrumento particular, de um lado, "N.A. PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DE ITU LTDA.". pessoa jurídica de direito privado constituída no Brasil, inscrita no CNPJ/MF sob o n.e 58.648.734/000161, com sede na cidade de Itu, no Estado de São Paulo, na Avenida Belo Horizonte, n.e 383, Bairro Brasil, e ALCIDES VARGAS PORTEIRO, brasileiro, casado, empresário, portador da cédula de identidade RG. nº 6.071.925SSP/SP e, inscrito no CPF/MF sob n.? 187.210.798 20, residente e domiciliado na cidade de Itu, Estado de São Paulo, na Avenida Belo Horizonte, n.g 383 Bairro Brasil, neste ato doravante designados respectivamente como PRIMEIRA VENDEDORA e SEGUNDO VENDEDOR, em conjunto designados simplesmente como VENDEDORES, de outro, "JADANGIL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA.". pessoa jurídica de direito privado constituída no Brasil, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 58.648.775/000158, estabelecida na cidade de Itu, Estado de São Paulo, na Praça Amazonas, n.g 211, Bairro Brasil, neste ato e doravante designada simplesmente como COMPRADORA; (...) 1. As partes resolvem que os VENDEDORES vendem para a COMPRADORA a totalidade da participação societária que possuem na forma individualizada em todas as sociedades dispostas e relacionadas no ANEXO ÚNICO, nas quais têm participação, pelo preço global certo e ajustado de R$ 850.000,00 (oitocentos e cinqüenta mil reais), sendo R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) pagos à PRIMEIRA VENDEDORA e R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) pagos ao SEGUNDO VENDEDOR. (...)" O acórdão recorrido considerou que tal documento, obtido mediante apreensão realizada pela Polícia Federal, é suficiente para indicar a ocorrência do fato gerador objeto do lançamento ora combatido. Assim votou o relator: (...) O instrumento de venda das participações societárias permanentes — cópia anexada aos autos — está devidamente firmado pelas partes. Nele os vendedores dão expressa quitação pelo recebimento da importância, em moeda corrente nacional, tudo conforme, inclusive, descrito no Termo de Constatação. Este contrato, celebrado na forma escrita, é válido até que se prove o contrário. Evidentemente, no caso de desfazimento, exige também a forma escrita, caso contrário o instrumento poderá ser levado a registro a qualquer momento. Não é crivel, tendo em vista a prática corrente no ambiente empresarial, que um contrato por escrito de venda de participações societárias seja desfeito apenas oralmente. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.107 7 Não convence, também, a afirmação de que o pagamento do negócio foi feito por meio de uma nota promissória recebida a titulo "pro soluto", posteriormente cancelada. Caso assim fosse, evidentemente tal circunstância constaria de contrato. (...) Quanto ao fato da alienante das participações societárias ter continuado com as participações societárias tidas corno alienadas, ainda por algum tempo, não impressiona esse argumento, e é obvio o motivo. Ou seja: o intuito era, por algum tempo, manter a operação incógnita junto a terceiros, inclusive, do fisco (e o foi), logo — nesse tempo não houve alteração no registro de titularidade. Por isso, explicase a redundância de cláusulas no instrumento contratual, resguardando em excesso o pactuado, ao reiterar a irrevogabilidade e irretratabilidade da avença, obrigando as partes, seus herdeiros e sucessores, a qualquer titulo. Por sua vez, no processo que envolveu o contribuinte Alcides Vargas Porteiro (n.º 10855.003001/200611) a Turma entendeu, por meio do acórdão 2802001.977 ora indicado como paradigma , que a operação não se deu no ano e nos valores que constaram do lançamento. Isso não porque o contribuinte trouxe ao processo provas contundentes em sentido contrário, mas apenas porque o contrato em questão foi considerado insuficiente como prova da operação de alienação de participação societária. Neste sentido, transcrevo a íntegra do voto vencedor: Em que pese o respeito pelo judicioso voto proferido pelo Eminente Conselheiro Jaci de Assis Junior, a quem rendo minhas homenagens, peço vênia para dele divergir, pelas razões a seguir expostas. Como já dito, o recurso é tempestivo e deve ser conhecido naquilo que constitui seu objeto, qual seja a omissão de ganho de capital por alienação de participação societária não negociada em bolsa. Os elementos dos autos, complementados pelo trabalho de diligência fiscal e pela manifestação do recorrente após a diligência formam um conjunto de evidências de que o ganho de capital a que se reportou o lançamento não se deu em 2004. Este conjunto de evidências é formado, dentre outros elementos, de provas da manutenção do recorrente na condições de sócio/cotista nas DIPJ e nas Atas das sociedade, formalização das transferências na Junta Comercial e nos Livros de Transferência de Ações somente em anos posteriores. Reconhecese que o fato gerador do ganho de capital, previsto no §3º do art. 3º da Lei 7.713/1988, pode se dar de diversas formas (alienação, promessa de cessão de direitos, etc) e que não há nos autos o documento “distrato” a que se referiu o recorrente na peça recursal, entretanto as evidências demonstram que, ao menos de fato, houve um distrato ou havia Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.108 8 alguma espécie de condição suspensiva em relação ao contrato particular apreendido que se reportava a 2004. A interpretação do supramencionado dispositivo legal concomitantemente com os art. 43 e incisos I e II do 116 do CTN, recomendam que, na aplicação do comando legal, se seja reconhecido que o conjunto de evidências em favor das alegações do recorrente é mais forte que a única prova em que se pautou a fiscalização. O lançamento tomou o instrumento particular de alienação como um único prova em que se baseou, de forma que não remanesce comprovação suficiente para apurar omissão de ganho de capital, ao menos no ano calendário a que se refere a autuação. Isto posto, sou pelo provimento do recurso voluntário, para cancelar o lançamento. No mesmo sentido, o segundo acórdão paradigma (1201000.962, processo 10855.003035/200605) igualmente considerou o conjunto probatório insuficiente e cancelou o auto de infração que objetivou tributar o ganho de capital supostamente obtido em 26 de novembro de 2004 pela Empresa de Participações e Representações Flora de Itu Ltda. na suposta venda de participação societária da empresa Schincariol Participações e Representações Ltda. ao adquirente AleadriSchinni Participações e Representações Ltda., em autuação semelhante à presente. Naqueles autos, também fez parte da argumentação de defesa a tese de que o contrato havia sido desfeito, tendo sido confirmado, mediante diligência, que a venda não constou quer do Livro Registro de Transferência de Ações da sociedade dita alienada quer dos livros Diário e Razão das empresas vendedora e adquirente. A similitude fática entre os acórdãos paradigma e o recorrido é evidente, restando, portanto, caracterizada a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ressalto que a discussão quanto à base de cálculo adotada no auto de infração não está abrangida pelos acórdãos paradigmas apontados, de maneira que restrinjo a admissibilidade do recurso à questão sobre se o contrato de compra e venda é ou não documento suficiente para basear o lançamento fiscal ora combatido. Diante do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte nos termos acima expostos. Mérito Superada a questão do conhecimento, a discussão meritória diz respeito à suficiência da prova apresentada pela fiscalização para basear o lançamento efetuado. Assim, a pergunta que se coloca é: a existência de um instrumento de compra e venda incondicional, irrevogável e irretratável, assinado pelas partes e com firma reconhecida, é suficiente para comprovar a operação de alienação de participação societária, mesmo no caso em que vendedor e comprador não registram a operação em suas contabilidades nem providenciam a Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.109 9 regular transferência da participação societária mediante anotação no livro societário correspondente? Como visto, o acórdão recorrido entendeu que sim, enquanto os paradigmas apontaram em sentido contrário. Para a análise dessa questão entendo que é relevante examinar, ainda que brevemente, as características do contrato de compra e venda, a começar pela sua tipificação legal. Neste sentido, o Código Civil (Lei 10.406/2002) assim preceitua: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Da leitura de tais dispositivos depreendese que o contrato de compra e venda é, em regra, daqueles classificados como bilaterais (ou seja, deles defluem obrigações recíprocas para cada uma das partes), onerosos (implicam sacrifício patrimonial para os contratantes) e consensuais (operamse pelo simples acordo de vontades, independentemente de quaisquer formalidades). Essa última característica indica que o fato de a participação societária não ter sido efetivamente entregue (ou seja, o fato de não haver anotação no Livro Registro de Transferência de Ações e/ou registro na Junta Comercial), assim como o fato de a vendedora permanecer se comportando como sócia, a princípio não possuem qualquer influência sobre a validade e eficácia da avença em questão. Com efeito, a legislação é clara em indicar que o contrato de compra e venda se considera firmado tão logo as partes consintam quanto ao objeto e ao preço, de maneira que a prova de que seu objeto não foi entregue não mais diz respeito à formação do contrato mas à fase seguinte, relativa à sua execução. De se destacar que também são irrelevantes para a validade do contrato alegações a respeito de não ter havido o pagamento do preço, eis que tal circunstância também não mais se relaciona à fase de formação do contrato mas à verificação sobre se ele foi ou não cumprido, necessariamente posterior. Assim, a legislação parece indicar que a existência de um contrato de compra e venda irrevogável e irretratável faz prova suficiente para afirmar que a operação efetivamente ocorreu, sobretudo quando e é o caso o contrato não subordina a venda a qualquer condição. O Código Civil também prevê, em seu artigo 472, que "O distrato fazse pela mesma forma exigida para o contrato.", o que indica que, a princípio, a prova do desfazimento do contrato escrito deve igualmente ser escrita. E a análise do contrato em discussão revela que nada nele aponta em sentido contrário. Assim, o que temos nos presentes autos é que o Fisco baseou o lançamento em prova escrita (o contrato assinado pelas partes) enquanto o contribuinte busca infirmar tal Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.110 10 prova com meras alegações a exemplo da que o contrato foi desfeito um mês depois sem trazer provas de que isso tenha ocorrido. Ressalto que não vejo como o fato de a operação não ter sido registrada nas contabilidades de comprador e vendedor possa fazer prova em favor do contribuinte ora Recorrente. Na verdade, tratase da própria acusação fiscal: ter realizado a venda sem as formalizações próprias isto é, sem contabilizar o recebimento do preço nem, obviamente, registrar contabilmente a posse das participações adquiridas. Assim, não merece reparos o acórdão recorrido, em especial quando aponta: (...) Apesar de afirmar em suas razões que o negócio celebrado em 26/11/2004 teria sido desfeito no mês seguinte, a recorrente não trouxe aos autos qualquer prova desta alegação, limitandose a afirmar que nada havia mudado em termos de titularidade das suas participações societárias. O instrumento de venda das participações societárias permanentes — cópia anexada aos autos — está devidamente firmado pelas partes. Nele os vendedores dão expressa quitação pelo recebimento da importância, em moeda corrente nacional, tudo conforme, inclusive, descrito no Termo de Constatação. Este contrato, celebrado na forma escrita, é válido até que se prove o contrário. Evidentemente, no caso de desfazimento, exige também a forma escrita, caso contrário o instrumento poderá ser levado a registro a qualquer momento. Não é crível, tendo em vista a prática corrente no ambiente empresarial, que um contrato por escrito de venda de participações societárias seja desfeito apenas oralmente. Não convence, também, a afirmação de que o pagamento do negócio foi feito por meio de uma nota promissória recebida a titulo "pro soluto", posteriormente cancelada. Caso assim fosse, evidentemente tal circunstância constaria de contrato. (...) Também vejo pouca relevância na alegação da ora Recorrente de que recebeu dividendos após 2004. No caso, conforme apurou o acórdão de embargos 1802002.277, a Recorrente apenas conseguiu provar o recebimento de dividendos para o anocalendário de 2007 quando o presente processo já existia e ano em que, por sinal, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Tal informação, em tese, poderia até ser um indício, mas no caso dos autos não é forte o suficiente a ponto de servir de prova de um suposto distrato oral de um contrato celebrado por escrito, detalhado, assinado e com firmas reconhecidas. Vale observar que a tese do "contrato de gaveta" defendida extemporaneamente apenas em sede de sustentação oral realizada por ocasião do julgamento do recurso voluntário, conforme relatado e reiterada no recurso especial também não merece Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.111 11 acolhida. Primeiro porque o argumento, não aventado em momento próprio, precluiu (cf. artigo 16 do Decreto 70.235/1972). E mesmo que assim não fosse, o fato de as partes guardarem um contrato na gaveta para apenas o assumirem perante terceiros anos depois não é capaz de deslocar seus efeitos tributários para momento posterior à data de sua celebração. Muito diferente seria se as partes, para além de guardar o contrato na gaveta, tivessem subordinado o negócio a alguma condição suspensiva, já que, nesse caso, o artigo 117, I, do CTN daria guarida ao deslocamento do fato gerador. Não obstante, no caso concreto, tendo a avença sido celebrada em 2004, com as partes acordando quanto ao objeto do contrato e ao preço, temse que o negócio estava firmado e já era capaz de produzir seus efeitos tributários próprios. Irretocáveis, nesse ponto, as considerações do acórdão de embargos 1802002.277, que reproduzo abaixo e adoto como razões complementares de decidir: Ora, o fato gerador do tributo é um evento jurídico involuntário, em relação aos contribuintes; ocorre e decorre automaticamente, por exemplo, da celebração do negócio jurídico (instrumento de venda e compra de participação societária, de 26/11/2004). Não há possibilidade legal das partes signatárias do negócio jurídico transigirem, no sentido de definir, escolher o momento mais adequado a partir do qual aceitam e consideram ocorrido o fato gerador do tributo (retardando sua publicidade para terceiros, normente o fisco), em relação ao negócio jurídico celebrado em 26/11/2004. A propósito, o Código Tributário Nacional – CTN (art. 123) veda qualquer ajuste entre particulares, no sentido de deslocar, para o futuro, o fato gerador do tributo em relação ao negócio jurídico já celebrado e sua responsabilidade. Transcrevo, a seguir, o texto, o comando, do citado dispostivo legal, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Como visto, ajustes particulares, no sentido de manter o negócio jurídico celebrado incógnito, em stand by, sem registro na escrituração contábil (“Contrato de Gaveta”), para deslocar o fato gerador para frente, não podem ser opostos contra o Fisco. Por isso, o argumento do “Contrato de Gaveta” configura um despautério. A tese ou o argumento do “contrato de gaveta”, defendida pela Embargante, por conseguinte, coloca por terra, sepulta de vez, a tese ou argumento do distrato contratual. Então, o contrato de venda de participação societária foi celebrado em 26/11/2004 e sempre existiu, desde então. O fato gerador do IRPJ e da CSLL, no caso, como já decidido pelo Acórdão embargado, ocorreu, deuse em 26/11/2004, data Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.112 12 da celebração do negócio jurídico, conforme instrumento contratual particular de venda das participações societárias da SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA. (...) Em suma, a distribuição de dividendos em 2007 pela SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA à Embargante (informação constante da DIPJ e consoante Relatório de Diligência) é um fato irrelevante, não tem o condão de interferir no mérito já decidodo pelo Acórdão embargado. Vale dizer, não interfere na validade, para efeitos tributários , do contrato celebrado em 26/11/2004, data da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, pela omissão de receitas – ganho de capital, pois a tese ou argumento do Distrato não prosperou (faltou a Contribuinte provar que tivessse ocorrido o distrato formal) e a tese ou argumento do “Contrato de Gaveta”, além de confirmar e reafirmar o negócio jurídico celebrado em 26/11/2004, não pode ser oposto ao Fisco para deslocar o fato gerador dos tributos para 01/10/2007, pois ajustes particulares para deslocamento do fato gerador de tributo não têm validade contra o Fisco (CTN, art. 123). A venda da participação societária, por derradeiro, ocorreu em 26/11/2004. (...) Em resumo, entendo que é o caso de se manter a decisão recorrida. Conclusão Do exposto, oriento meu voto no sentido conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900001/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra divergiram quanto ao quesito da reunião do contribuinte e da Procuradoria da Fazenda Nacional, indicado no parágrafo 19 do voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra divergiram quanto ao quesito da reunião do contribuinte e da Procuradoria da Fazenda Nacional, indicado no parágrafo 19 do voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Tratase de Manifestação de Inconformidade contra despacho que denegou PERD/COMP's apresentados pelo contribuinte referente à COFINS nãocumulativa, vinculada à exportação no 2o trimestre de 2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 00 1/ 20 14 -7 8 Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 877 2 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou inúmeros créditos tomados pela recorrente. 4. Assim, partindo desta premissa e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais entregues pela recorrente ao longo do procedimento administrativo, a fiscalização glosou inúmeros itens creditados pela recorrente: 5. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou a citada manifestação de inconformidade de fls. 03/85, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 6. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Florianópolis (acórdão n. 0739.414 fls. 570/608), o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 878 3 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. É vedado o direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. BENS UTILIZADOS EM TRANSPORTE INTERNO. Os veículos, máquinas, equipamentos e embarcações utilizados no transporte interno de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, não geram direito ao crédito, dado não se poder considerar tais bens empregados na fabricação de produtos. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM ALUGUÉIS COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. VEÍCULOS E EMBARCAÇÕES. INAPLICABILIDADE. A possibilidade de tomada de créditos sobre despesas de aluguéis com máquinas e equipamentos, não alcança os veículos e embarcações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 7. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise (fls. 621/718), oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação, bem como trouxe aos autos laudo técnico de fls. 720/752, o qual confirmaria as suas razões. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 879 4 8. Não obstante, em julho de 2018, a recorrente apresentou parecer técnico contábil realizado pela Pricewaterhouse Coopers Contadores Públicos Ltda. PWC, retratado em planilha que analisa cada uma das glosas perpetradas pela fiscalização e que atestaria a juridicidade dos seus créditos, parecer este que está acostado aos autos como documento não paginável que segue a petição de fls. 755/766. 9. Por fim, em novembro do corrente ano, o contribuinte apresentou um outro parecer técnico (fls. 855/875) para tratar do conceito de essencialidade em cada uma das etapas da atividade empresarial exercida pela empresa. 10. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 11. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Trata se da infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas autuações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 12. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 880 5 imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 13. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 14. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 15. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, em especial depois da apresentação de variados laudos técnicos acostados pelo contribuinte no sentido de aparentemente atestar seu direito, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que: Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 881 6 (i) seja esclarecida pela Autoridade Fiscal a participação de cada um dos itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa. 16. Ademais, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 17. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 18. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 19. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), dos laudos técnicos aqui acostados e do parecer técnico que será preparado pela unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e, portanto, indevidas, bem como quais glosas entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 882 7 20. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 21. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 22. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 882DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660245/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2001
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 45 /2 01 1- 47 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.223, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.660245/201147 Acórdão n.º 3201004.020 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.902564/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.412
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado
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É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 25 64 /2 00 9- 57 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10410.902564/200957 Acórdão n.º 3302006.412 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do pedido de restituição (PER) e de não homologação da compensação declarada (DComp), pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte informou que, quando do envio do PER/DComp, ainda não havia sido corrigida a informação atinente ao crédito empregado na compensação declarada em DCTF, declaração essa retificada posteriormente, mas antes da ciência do despacho decisório, conforme podiase verificar das cópias da DCTF e do Dacon retificadores trazidos aos autos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1133.435, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, sustentando, ainda, que a DCTF retificadora transmitida após o PER/DComp era suficiente para comprovar seu direito e invocando o princípio da verdade material. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe aos autos demonstrativo de cálculo e cópia de parte de um documento denominado Razão Analítico. É o Relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.400, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10410.902552/200922, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.400): A presente controvérsia gravita em torno do direito da Recorrente à compensação de créditos que afirma possuir com a União Federal em razão de supostos recolhimentos de tributos a maior. Isto porque a Recorrente, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que negou o seu direito ao crédito por ela pleiteado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10410.902564/200957 Acórdão n.º 3302006.412 S3C3T2 Fl. 4 3 capaz de demonstrar a origem do referido crédito, à exceção da DCTF e da DACON retificadoras. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. Contudo, não é esta a realidade dos Autos. Quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não juntou documentos comprobatórios ou indiciários do seu direito. Este colegiado possui o entendimento consolidado no sentido de que o momento da apresentação de provas ou indícios é da apresentação do Recurso Voluntário. Isto porque a aferição do direito a um crédito não leva em consideração apenas a declaração do Contribuinte, mas principalmente o fato gerador, que por sua vez é materializado a partir das provas da sua ocorrência no mundo fenomênico. Em outras palavras, não basta que a Contribuinte afirme que recolheu valor a maior, sendo necessário que ela demonstre, por meio de provas idôneas, especialmente documentação contábil e notas fiscais, qual era o valor devido para que, comparado com o valor já recolhido, seja possível calcular o montante do crédito. Esta prova, por ser constitutiva do direito de quem requer o crédito, é um ônus do contribuinte, neste caso a Recorrente, segundo a distribuição preconizada pela legislação processual civil e pelo Decreto 70235/72. Efetivamente, não foi oportunamente juntado aos autos qualquer documento de seus registros contábeis que permitisse à autoridade fiscal, e a este Colegiado, aferir a veracidade de suas alegações, à exceção de um demonstrativo da Receita Cumulativa (efls. 116) e uma página do Livro Razão (efls. 117), todos trazidos apenas com o Recurso Voluntário. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando oportunamente os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram o direito pleiteado. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos. Neste sentido salientou a DRJ. "Consignese, por oportuno, que a eventual devolução à DRF de Origem, para realização de diligência/perícia determinada de ofício no sentido de produção de provas do indébito tributário, cujo ônus processual é da contribuinte, sem que esta, principal interessada na questão, tenha anexado aos autos sequer uma única prova que revelasse, ainda que fragilmente, a pertinência do direito reivindicado, importaria, num contexto global e diante de um possível efeito multiplicador, em indesejável acúmulo de processos junto às Delegacias da Receita Federal Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10410.902564/200957 Acórdão n.º 3302006.412 S3C3T2 Fl. 5 4 do Brasil para solução de aspectos em relação aos quais a principal interessada se quedou inerte. Tal procedimento, prejudicaria sobremaneira a celeridade da tramitação dos demais processos administrativos nos quais, em linha oposta, a parte interessada tenha atuado com diligência e dinamismo na defesa de seus interesses." Interessante destacar que apesar da Recorrente haver alegado, em seu Recurso Voluntário, que possui o direito de retificar a DCTF, ainda que passados anos do envio da original, tal direito foi expressamente reconhecido pela DRJ. Esta matéria recursal, por carecer de sucumbência, sequer pode ser conhecida por este colegiado. E quanto as provas trazidas apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, este Colegiado possui entendimento de que o momento correto para a produção de provas é a “manifestação de inconformidade”. Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso e na parte conhecida negar provimento ao Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.003599/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1301-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 35 99 /2 01 0- 31 Fl. 655DF CARF MF 2 Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10640.003599/201031 Acórdão n.º 1301003.474 S1C3T1 Fl. 656 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ (fls 06/36), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 37/47), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls 48/57), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls 58/67) e da Contribuição para Seguridade Social INSS (fls. 68/77), todos com fatos geradores no anocalendário de 2006 e apurados segundo a sistemática do Simples, totalizando o montante de R$ 816.014,98, já computados os juros moratórios (calculados até 29/10/2010) e a multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração e Relatório Fiscal (fls 78/81), o contribuinte, submetido ao sistema simplificado de pagamento dos tributos e contribuições federais (Simples), cometeu as seguintes infrações fiscais: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Correspondente a lançamentos a crédito em contas bancárias da pessoa jurídica, à margem da escrituração, e com relação aos quais, intimado a comprovar a origem dos recursos que possibilitaram os referidos lançamentos, o contribuinte não o fez (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996); 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Decorrente da alteração de percentuais utilizados pelo contribuinte no cálculo do Simples sobre a receita declarada. Cientificado da pretensão fiscal em 17.12.2010 (fl 190/191), o contribuinte, por seu procurador habilitado (fl 228), apresentou impugnação em 13.01.2011 (fls 195/207), com a qual procura convencer o julgador da insubsistência do feito, invocando questões preliminares e de mérito contrárias às exigências fiscais, que se acham a seguir expostas em síntese: (i) Ilegitimidade da Firma Individual: “Não estando a conta bancária escriturada no movimento de caixa, dúvidas inexistem de que a movimentação foi feita pela pessoa física e, portanto, afigurase uma ilegitimidade passiva da firma individual para o lançamento, pelo que requer seja cancelado o auto de infração.” (ii) Quebra do Sigilo Bancário sem Autorização Judicial: “A quebra do sigilo bancário sem autorização legal não pode imputar responsabilidade fiscal ante a ilegalidade da prova. E sabido que a Lei Complementar n° 105, de 10.1.2001, a pretexto de, como consta da sua própria ementa dispor sobre o sigilo das operações de instituições Fl. 657DF CARF MF 4 financeiras, atentou, de modo irremissível, contra esta garantia fundamental, constitucionalmente assegurada. Com efeito, os incs. X e XII do art. 52 da CF asseguram, respectivamente, a inviolabilidade da privacidade e do sigilo de dados. Para efetiválas, entendem os mais conspícuos constitucionalistas que estes incisos garantem o sigilo das informações bancárias, seja das constantes nas próprias instituições financeiras, seja das existentes na Receita. Não é por outra razão que o Constituinte de 1988 houve por bem estatuir que a quebra do sigilo bancário somente é possível mediante autorização judicial ou determinação de Comissão Parlamentar de Inquérito (art. 58, § 3 2, da CF). E, ainda assim, quando presentes, fundadas suspeitas da existência de possível delito praticado por quem vai sofrer a investigação. Corporificase a idéia de que não pode um ato normativo de nível legal, anular a garantia constitucional ao sigilo bancário, pelo que se espera seja declarado à nulidade do lançamento ora em debate, por estar ancorado em valores obtidos em extratos bancários, cuja quebra se encontram no campo da ilicitude.” (iii) O § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza ao Fisco a análise individualizada dos créditos e não a tributação individualizada de cada valor do crédito. Ora, da permissibilidade de análise individual de cada crédito, o fisco, legislando em causa própria, está exigindo tributos de cada valor de crédito, ferindo assim de frente e de morte o principio da legalidade, in caso a tributária. Daí versa concluir que o imposto contido no auto de infração não está previsto na legislação, pelo que indevido. Depósito bancário não pode estar incluído no núcleo de faturamento, haja vista sua incompatibilidade com a circulação de mercadorias, pelo que se afigura em descompasso com a norma o lançamento em espécie, pelo que impõe seu cancelamento. (iv) Acaso ultrapassadas as matérias retro, ainda releva acrescentar que os valores contidos no quadro elaborado às fls. 202/206 não são originários de depósitos bancários, portanto devem ser decotados do Auto de Infração. (v) Com essas modestas considerações espera seja o auto de infração cancelado haja vista a ilegitimidade passiva da firma individual quanto aos valores movimentados em conta de pessoa física ou pela ilegalidade da prova na forma exposta ou a redução do imposto lançado em razão dos valores que não representam depósitos bancários. Em 15 de outubro de 2013 o processo foi baixado em diligência, mediante Despacho nº 94 (fls 565), a fim de que a Unidade Local juntasse aos autos a ficha cadastral do sujeito passivo junto às instituições financeiras envolvidas, conforme consta do RMF de fls. 114/119, para comprovar a titularidade das contas correntes bancárias constantes do auto de infração. Juntados os cadastros, deles foi cientificado o impugnante, que se manifestou sobre eles (fls 600), nos seguintes termos: “tratase de documentos formatados e preenchidos pelas referidas instituições CEF e BRADESCO, não estando sequer assinadas pela autuada." A autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 620 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10640.003599/201031 Acórdão n.º 1301003.474 S1C3T1 Fl. 657 5 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, fl. 639 e segs, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação e acrescentando outros argumentos, quais sejam: uma vez que a contabilidade não registrou tais contas bancárias não pode o fisco por simples suposição, agregar toda a movimentação junto ao do contribuinte as contas bancárias estão mencionadas nas DIPJs dentro do limite do movimentado pelo titular e não pelo volume apontado no auto de infração impondo assim cancelamento do auto de infração não houve consideração da capacidade financeira do contribuinte para justificar a movimentação financeira o livro caixa foi desconsiderado no levantamento realizado pela fiscalização a DIPJ deveria ser documento hábil para comprovar a movimentação financeira do contribuinte É o relatório. Fl. 659DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. Fatos Tratase de auto de infração relativo a fatos geradores do ano calendário de 2006 a contribuinte submetido ao sistema SIMPLES (incluindo IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS (totalizando o montante de R$ 816.014,98, já computados os juros moratórios e a multa de ofício de 75%), que, conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração e Relatório Fiscal (fls 78/81), cometeu as seguintes infrações fiscais: (i) OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS (ii) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Titularidade das contas bancárias Tendo em vista que os extratos bancários enviados pelo Bradesco e Caixa Econômica Federal, constantes do Anexo I não identificam se a movimentação financeira ali registrada é da pessoa física ou da própria empresária individual, os autos foram remetidos para a Unidade de Origem a fim de que fosse anexado a ficha cadastral do sujeito passivo junto às instituições financeiras envolvidas, conforme consta do RMF de fls. 114/119. O Relatório de Diligência Fiscal de fls. 581/582 esclarece que: “4. Fizemos contato com as instituições bancárias envolvidas e, conforme informações encaminhadas pelo BRADESCO S/A, a movimentação dos recursos se realizava por meio de procuração ou contra a apresentação do Contrato Social, exercida por JOSÉ TARCÍSIO SANTANA GOMES. Não se discute a titularidade da conta: CASA MERCÊS (nome fantasia da Recorrente). O cadastro apresentado pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CEF) – também indagada a respeito – é mais sucinto quanto ao uso de cheques e que tais, porém não deixa dúvida quanto à sua titularidade: CASA MERCÊS (nome fantasia da Recorrente). Do nosso ponto de vista, estas informações esclarecem a titularidade das contas referidas no processo.” O sujeito passivo, após ser intimado do Termo de Diligência Fiscal nº 1 e de toda documentação anexada ao referido Termo (doc. de fls. 583/598) pronunciouse às fls. 600 da seguinte forma: “tratase de documentos formatados e preenchidos pelas referidas instituições CEF e BRADESCO, não estando sequer assinadas pela autuada." Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10640.003599/201031 Acórdão n.º 1301003.474 S1C3T1 Fl. 658 7 Entretanto, cumpre esclarecer ao sujeito passivo que a pessoa física que realiza a atividade que constitui o objeto da empresa individual está, na verdade, exercitando a própria atividade empresarial de que é titular. Não importa se os recursos com ela obtidos são recebidos na conta da pessoa física. Esse detalhe formal não tem relevância para descaracterizar a titularidade dos recursos depositados. Ele serve, por outro lado, para configurar a sonegação fiscal, com qualificação da multa de ofício, na medida em que o expediente utilizado é apto a dificultar à apuração pela fiscalização do fato gerador e à determinação do crédito tributário. No caso concreto, porém, os dados cadastrais de clientes fornecidos à RFB pelas instituições financeiras envolvidas, BRADESCO e CEF, confirmando a titularidade das contas correntes para a “CASA MERCÊS”, nome fantasia do empresário individual, presumemse verdadeiros, não necessitando de assinatura do cliente. Nesse sentido trago à colação a Súmula nº 32 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Portanto, rejeito a alegação de atribuição dos depósitos à pessoa física. Documentação base para autuação O art. 42 da Lei 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pela leitura do acima transcrito, entende que, nos casos de presunções legais, como a omissão de receita, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. Mencionado dispositivo, ao alçar os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados. Conforme relatado, não houve juntada de documentos em sede de Recurso Voluntário que pudesse comprovar os fatos presumidos pelas autoridades fiscais. Alega a Recorrente, como argumentos adicionais aos já levantados em sede de impugnação, que: (i) uma vez que a contabilidade não registrou tais contas bancárias não pode o fisco por simples suposição, agregar toda a movimentação junto ao do contribuinte, (ii) as contas bancárias estão mencionadas nas DIPJs dentro do limite do movimentado pelo titular e não pelo volume apontado no auto de infração impondo assim cancelamento do auto de Fl. 661DF CARF MF 8 infração, (iii) o livro caixa foi desconsiderado no levantamento realizado pela fiscalização e (iv) a DIPJ deveria ser documento hábil para comprovar a movimentação financeira do contribuinte. Entendo que a escrituração contábil e fiscal mencionada pela contribuinte, mais precisamente, DIPJ e Livro Caixa, deveriam refletir a movimentação bancária da empresa, no entanto, uma vez que estas apresentem dissonâncias quando confrontadas, deve o fiscal utilizar os extratos bancários como documento fidedigno da movimentação bancária do contribuinte. Verificase pela leitura do artigo 42 acima reproduzido que a omissão de receita é presumida a partir de valores creditados em conta mantida junto a instituição financeira que não estiverem documentados pelo contribuinte e não ao revés como tenta argumentar a Recorrente. No caso do artigo 42, é justamente a presunção relativa em favor do fisco que transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tendo em vista que a escrituração contábil e fiscal é declarada pelo contribuinte, estas não servem como documentação idônea para a comprovação de que não se tratam de receita do contribuinte. Desta forma, considero legítima a presente autuação que tomou por base extratos bancários da Recorrente, posto que não houve prova em contrário, sobretudo porque sua titularidade foi comprovada em diligencia fiscal. Capacidade financeira do contribuinte para justificar a movimentação financeira Alega a Recorrente que o fisco desconsiderou a capacidade financeira para a movimentação bancária alegada. Reproduzo trecho do Recurso Voluntário (fl. 641): "Capacidade financeira se estende pelos rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas e físicas, dos tributados exclusivamente na fonte e os isentos, ainda com os empréstimos contraídos, formando esse conjunto a fonte dos recursos que em hipótese alguma pode ser abandonado para qualquer levantamento fiscal." Entendo que não se pode considerar, necessariamente, todo e qualquer valor creditado em conta bancária como receita e é justamente por isso que a presunção contida no artigo 42 é relativa, porque admite prova em contrário do contribuinte. No entanto, tendo em vista que a Recorrente não trouxe aos autos documentação comprobatória de que determinados valores se tratam de rendimento isento, empréstimo ou qualquer outra natureza não tributável, a presunção legitima a tributação da totalidade dos valores como se tributável fosse. Sendo assim, não há necessidade do fisco em comprovar a capacidade financeira do contribuinte para fins de autuação com base no artigo 42 da Lei 9.430/96. Por fim, quanto as alegações restantes da Recorrente, entendo, em linha com o que já decidiu a decisão de primeira instancia, que não à razão para provimento de sua defesa. Neste sentido reproduzo abaixo trecho do voto condutor o qual reflete meu convencimento: Em defesa indireta de mérito, o impugnante alega que o § 3º do artigo 42 da Lei 9.430/96 autoriza a análise individualizada dos créditos e não a tributação Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10640.003599/201031 Acórdão n.º 1301003.474 S1C3T1 Fl. 659 9 individualizada de cada valor do crédito e pede que se subtraia da receita apurada vários créditos contidos nos extratos bancários que, segundo o seu entendimento, não são originários de depósitos bancários. A lei transcrita estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Esses recursos podem ser provenientes de DOC, DESCONTO DE CHEQUES, LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA, ou qualquer outra rubrica referente a crédito constante do histórico dos extratos bancários. A presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Afinal, trata se de presunção relativa, que é passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, investigar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados, como é o presente caso. Não comprovada a origem dos recursos, ou apenas comprovada parcialmente, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do diploma legal. Ressaltese que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Em verdade, o julgamento administrativo, segundo o sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar se os lançamentos fiscais são consentâneos com as normas legais vigentes. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O tratamento tributário dispensado ao contribuinte segue estritamente os preceitos legais pertinentes à espécie, os quais devem ser fielmente observados pelas autoridades lançadora e julgadora, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Não cabe à autoridade administrativa julgar a lei, mas conforme a lei. O lançamento é uma atividade vinculada e no caso em tela verificase que ele se deu com estrita observância da legislação pertinente, citada na autuação. O argumento passivo de que o § 3º do artigo 42 da Lei 9.430/96 autoriza a análise individualizada dos créditos e não a tributação individualizada de cada valor do crédito também não socorre o contribuinte, pois a comprovação da origem dos recursos deve ser feita de forma individualizada e o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (§ 1º do artigo 42 da Lei 9.430/96). Fl. 663DF CARF MF 10 Tal assunto também foi objeto de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.909464/2009-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados.
O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9101-004.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados. O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados. O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 94 64 /2 00 9- 41 Fl. 935DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por compensação de crédito, apresentada em 15/02/2006, de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2004, com débito do contribuinte de PIS e COFINS. A compensação foi parcialmente homologada pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia (fls. 18). Após a manifestação de inconformidade (fls. 29), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora determinou a realização de diligência (fls. 385, volume 2, pdf. 180). Após o resultado de diligência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora reconheceu parte do crédito pleiteado, conforme acórdão às fls. 665. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 683), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial, (acórdão 1102001.196, fls. 741 e 755). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: DECADÊNCIA. DIREITO DO FISCO DE VERIFICAR EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Não há decadência do direito do Fisco verificar existência do direito creditório, pois não houve o transcurso do prazo de cinco anos entre a constituição do saldo negativo e o despacho decisório, que se deu em 10/12/2009 e cuja intimação ocorreu em 21/12/2009 (fl. 28). O prazo decadencial, se tivesse o efeito de impedir a Fiscalização de verificar o efetivo recolhimento de tributos pela Contribuinte, não se iniciaria na data do pagamento das estimativas. DIREITO CREDITÓRIO. MATÉRIA DE FATO. Não comprovada parte do direito creditório alegado pela Contribuinte, impõese o indeferimento da homologação da declaração de compensação respectiva. DIREITO CREDITÓRIO. ESTIMATIVAS DECLARADAS. A partir da inclusão do § 6º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, feita pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação passou a constituir instrumento de confissão de dívida, a partir do qual o débito lá informado pode ser inscrito em dívida ativa e cobrado. Nesse sentido, não cabe a glosa de estimativa objeto de compensação não homologada do saldo negativo, já que esta será cobrada com base na própria DCOMP. Precedentes do CARF. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10675.909464/200941 Acórdão n.º 9101004.032 CSRFT1 Fl. 936 3 Os autos foram remetidos à Procuradoria em 23/02/2015 (fls. 764), que interpôs recurso especial em 24/03/2015 (fls. 765). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária, apontando como paradigma o acórdão nº 1301001.532, no qual se decidiu: “Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas”. O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo então Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, destacandose trecho desta decisão: Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 1.301001.532. (...) O acórdão recorrido, apreciando parcela do direito creditório pleiteado pela contribuinte que não foi admitida, representada por estimativas cujas compensações não foram homologadas, concluiu pela improcedência da referida glosa, por entender que, na medida em que a declaração de compensação passou a constituir instrumento de confissão de dívida, os valores correspondentes podem ser cobrados com base nas próprias Declarações de Compensação. O acórdão paradigma, apreciando situação semelhante, qual seja, reconhecimento de direito creditório em que parcela deste está representada por estimativa cuja compensação não foi homologada, pronunciouse pela manutenção da glosa. Induvidoso, portanto, o conflito entre as decisões. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada em relação à matéria apontada pela Fazenda Nacional. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em 14/07/2015, o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão da Turma Ordinária, recurso especial e despacho de admissibilidade (fls. 782). Nesse contexto, apresentou contrarrazões ao recurso, alegando, em síntese: (i) Ausência de prequestionamento; (ii) Falta de similitude fática entre acórdão recorrido e paradigma, que impediria o conhecimento do recurso especial; (iii) No mérito, sustenta que a PERDCOMP é instrumento de confissão de dívida, permitindo a inscrição em dívida ativa. Assim, pede a manutenção do acórdão recorrido, com o reconhecimento do saldo negativo do período. Além disso, o contribuinte apresentou recurso especial (fls. 828), alegando divergência na intepretação da lei tributária a respeito: (i) da decadência para contestar a composição do saldo negativo, com acórdão paradigma nº 1801002.089 e 10806.921; (ii) Fl. 937DF CARF MF 4 direito de utilização, em compensações, do crédito de IRRF, retido em razão de aplicações financeiras, apontando como paradigmas os acórdãos 110300.00 e 9101001.640. O recurso especial do contribuinte não foi admitido pelo Presidente de Câmara (fls. 912), decisão confirmada pelo Presidente da CSRF (fls. 917). O contribuinte foi regularmente intimado destas decisões (fls. 922). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Procuradoria, admitido pelo Presidente de Câmara, apenas identificou um acórdão paradigma. O contribuinte pede não seja conhecido o recurso especial pela falta de similitude entre acórdão recorrido e o paradigma indicado pela Procuradoria (1301001.532). Assim, analiso as condições de conhecimento. O acórdão paradigma nº 1301001.532 tem o seguinte contexto fático conforme relatório: Trata a lide de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2001. A unidade administrativa (DERAT/SP) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, após concluir que não restou comprovada a existência de IRRF no montante de 172.116,90 em relação ao total pleiteado (R$ 2.949.972,39) e ainda que não foi comprovada a quitação de estimativas no valor de R$ 52.138,25 relativa ao mês de janeiro de 2001. (grifamos) Diante desse contexto, decidiu a Turma prolatora deste acórdão paradigma (1301001.532): A querela se dá em torno de dois pontos específicos. (...) O segundo aspecto do recurso referese à comprovação de quitação de estimativas relativas ao mês de janeiro/2001, no montante de R$ 52.138,25. Alega a recorrente que não encontrou o comprovante de recolhimento do valor, mas que a própria administração deve reconhecêlo na medida em que se trata de documento que detém em seu poder (...) Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença referese à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10675.909464/200941 Acórdão n.º 9101004.032 CSRFT1 Fl. 937 5 crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Não se trata, portanto, de recolhimento mediante DARF que a própria administração teria registro em seus arquivos, como alega a recorrente. Desta feita, não tendo sido homologada a compensação pleiteada, com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000, deve ser mantida a glosa do valor de R$ 52.138,25 do montante do direito creditório reconhecido. (grifamos) O acórdão recorrido trata da seguinte situação fática, conforme relatório do acórdão: O caso foi assim relatado pela instância a quo: “A interessada transmitiu DCOMPs, relacionadas ao despacho eletrônico de fls. 18/20 (toda numeração se reporta ao processo virtual), visando compensar os débitos nelas declarados, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ referente ao período de apuração 02/08/2004 a 31/12/2004. A DCOMP com demonstrativo de crédito é a de nº 26407.14861.031108.1.7.020068. (...) Diante deste quadro fático, decidiu o acórdão recorrido, conforme voto condutor do exConselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: A partir da inclusão do § 6º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, feita pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação passou a constituir instrumento de confissão de dívida, a partir do qual o débito lá informado pode ser inscrito em dívida ativa e cobrado, exatamente como ocorre no caso dos autos. (...) O Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 corrobora com esse entendimento, ao dispor sobre a possibilidade de cobrança dos valores oriundos de compensações não homologadas de estimativas, cujo fato (cobrança das estimativas), no caso, é incontroverso Notase que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão paradigma e recorrido. Com efeito, o acórdão paradigma nº 1301 001.532 trata de pedido de compensação apresentado em 2001, enquanto o acórdão recorrido trata de declaração de compensação transmitida em 2004. A distinção é evidente quando verificadas as alterações legislativas tratando da compensação na esfera federal, notadamente pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Essa distinção, inclusive, é notada na fundamentação do acórdão recorrido, acima reproduzida. A Lei nº 9.430/1996 rege a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, destacandose a previsão do artigo 74, com a seguinte redação em 2001, quando apresentado pedido de compensação analisado pelo acórdão paradigma (1301001.532): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele Fl. 939DF CARF MF 6 restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Posteriormente, houve substancial alteração deste dispositivo legal, notadamente para se atribuir o efeito de confissão de dívida às Perdcomps conforme Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, verbis: Art. 74. (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A distinção de tratamento de compensações (em 2001, pelo paradigma, e 2004, pelo recorrido) tem razão jurídica diante dos distintos regramentos, tratados pela legislação federal. O acórdão paradigma desconsidera compensações em 2001 quando o regramento não atribuía efeitos de confissão de dívida relativamente às estimativas extintas por compensação , enquanto o acórdão recorrido manifestase pela confissão de dívida em 2004 e, assim, admite as estimativas no cômputo do crédito tributário (saldo negativo). O regramento é distinto e justifica a conclusão jurídica diversa adotada pelos Colegiados. Esta Turma da CSRF analisou casos similar (mesmo contribuinte), no qual também foi identificado o citado acórdão paradigma, concluindo por não conhecer o recurso da Procuradoria (acórdão 9101003.958). Assim, reiterando o entendimento manifestado àquela ocasião, concluo por não conhecer do recurso especial da Procuradoria. Conclusão Por tais razões, voto por não conhecer o recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 940DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.900404/2009-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1103-000.742
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento
parcial ao recurso para afastar o fundamento da decisão recorrida que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRJ de origem para verificação do valor e da disponibilidade do crédito pleiteado.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para afastar o fundamento da decisão recorrida que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos à DRJ de origem para verificação do valor e da disponibilidade do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Processo nº 13609.900404/200944 Acórdão n.º 1103000.742 S1C1T3 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 60 por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.º 05311.77598.300605.1.3.049543 transmitido em 30/06/2005, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 5993 (estimativa mensal), no valor de R$ 34.864,32, efetuado em 27/02/2004. Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse título foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 13.547,60 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 04/03/2009 (fl. 61). Em 02/04/2009 foi postada a manifestação de inconformidade de fls.01 a 05. Nela constam os seguintes argumentos: A empresa manifestante é contribuinte do imposto de renda, realizando sua apuração mensal por estimativa. Sendo assim, a empresa realiza o recolhimento mensal do imposto de renda sobre a receita bruta e, findo o período de apuração do IRPJ, realiza a compensação dos valores pagos a maior com outros tributos federais. Nesse sentido, a empresa recolheu no mês de janeiro de 2004 o valor de R$ 54.106,61, a título de imposto de renda por estimativa, sendo pago um DARF de R$ 19.242,59 e outro DARF no importe de R$ 54.106,91. A empresa verificou que não era necessário recolher imposto de renda em janeiro, sendo, assim, restou um saldo creditório a ser compensado, posteriormente, no importe de R$65.149,97. No mês de setembro de 2004, foi apurado IRPJ no valor de R$65.149,97, pago da seguinte maneira: Recolhimento de DARF no importe de R$15.476,71; PER/DCOMP nº 05311.77598.300605.1.3.049543, compensando o valor de R$13.547,60 tendo como origem de crédito o DARF (IRPJ) de valor R$34.864,32, restando ainda um valor Processo nº 13609.900404/200944 Acórdão n.º 1103000.742 S1C1T3 Fl. 3 3 de R$21.316,72 a ser compensado posteriormente; PER/DCOMP nº 15132.77550.300605.1.3.047193 compensando o valor de R$19.242,59, tendo como origem de crédito o DARF (CSLL) de valor R$19.242,59. Contudo a empresa manifestante recebeu despacho decisório não homologando a compensação em questão, exigindo o valor de R$34.864,32. O art. 165, inciso II, do código Tributário Nacional, determina os casos em a Administração Fazendária está obrigada a restituir ou compensar os tributos indevidamente recolhidos. No caso em tela houve recolhimento, a maior, de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, conforme se depreende da simples análise da legislação pertinente e conforme comprovante de pagamento em anexo. Nestes termos, o CTN coloca em seu art. 165, o direito a compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente ao Estado. Para corroborar seu entendimento de que a empresa tem direito ao imediato ressarcimento, transcreve ementas de decisões do Supremo Tribunal de Justiça. Cita doutrina de Gabriel Lacerda Tróia sobre o direito do contribuinte ao ressarcimento de tributo indevido. Acrescenta que sendo o tributo indevido, é inegável o direito da autora de postular a compensação do débito por ela suportado. Sendo assim, diante do exposto, requer a empresa o reconhecimento do crédito a título de imposto de renda recolhido a maior e a homologação da compensação realizada, bem como se abster da cobrança da multa no valor de R$2.709,52 e juros no valor de R$8.066,24, tendo em vista que é evidente o pagamento indevido pela impugnante. A 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio do acórdão n.º 0233.538, decidiu (ementa): “COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL.” No recurso, o sujeito passivo apresenta basicamente as mesmas razões, adicionando, a inconstitucionalidade da multa (confiscatória), e, ainda, a indevida atualização do débito pela Selic. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator Processo nº 13609.900404/200944 Acórdão n.º 1103000.742 S1C1T3 Fl. 4 4 O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Antes de ir ao mérito, insta introduzir um pequeno histórico a respeito do tema em questão, ou seja, a restituição e valores pagos a maior ou indevidamente a título de estimativa. Sem delongas, valores pagos antecipadamente, as estimativas, são antecipações dos tributos devidos em 31 e dezembro, e, assim, eles só serão indevidos ou maior do que devidos, após, a apuração destes tributos naquela data. O sujeito passivo pode, ainda, suspender seus pagamentos de antecipações (estimativas) se apurar no chamado balancete de suspensão, que já pagara (antecipara) valores o suficiente até aquela data. Da matéria tratada no parágrafo acima, não se tem dúvidas, o problema surge quando o sujeito passivo apura um valor baseado na sua receita bruta, e posteriormente, observa que cometera um erro na apuração ou no cálculo da receita bruta. Esta matéria, sim, há ou havia um controvérsia. As IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, em seus arts. 10, vedavam a restituição ou compensação do valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa, verbis: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” (grifouse) Posteriomente, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que passou a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, alterou o entendimento do pagamento indevido ou a maior de estimativa, pois, passou a tratar de indébito tributário, conforme se nota da redação de seu art. 11, que excluiu da restrição o texto relativo à estimativa: “Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Neste momento, surge um outro problema que é saber se a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tem caráter interpretativo, e em sendo assim, retroage. Instada a resolver a questão, a Coordenação – Geral de Tributação (COSIT), por meio da Solução de Consulta Interna n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, portanto, recentemente, asseverou (ementa): “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Processo nº 13609.900404/200944 Acórdão n.º 1103000.742 S1C1T3 Fl. 5 5 O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.” Assim, de acordo com a COSIT, coordenação responsável pelo entendimento oficial da administração tributária federal, o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, teve caráter interpretativo, e assim, retroage. Dessa forma, não tem mais razão a polêmica a respeito de que se estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, são ou não são indébito tributário, pois, o entendimento da administração tributária externado pela COSIT foi contundente no sentido de que são indébito tributário. Voltando aos autos em questão, necessitase analisar o teor do acórdão recorrido, a saber: “Quanto ao mérito, mesmo que se confirme a diferença entre o valor do débito de estimativa de IRPJ e o respectivo recolhimento, tampouco que se retifique a DCTF ou a DIPJ, não se pode homologar a compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo. O recolhimento apontado como a maior do que o devido têm código de receita 5993, ou seja, é de antecipação mensal por estimativa.” Assim, do acórdão transcrito, observo, que o voto não adentrou propriamente no mérito, pois, usara a condicional quando tratou do mérito. Isto se deu, não por falta de selo, Processo nº 13609.900404/200944 Acórdão n.º 1103000.742 S1C1T3 Fl. 6 6 mas porque o entendimento do i. relator, do voto atacado, era da não necessidade de resolver o mérito, devido ao seguinte entendimento, a saber: “Só é possível avaliar a existência de crédito passível de restituição ou compensação comparandose o valor do tributo apurado sobre o lucro real anual com as deduções admitidas na ficha 12 A da DIPJ, entre as quais estão as antecipações mensais pagas. Ao final do ano, apurase o IRPJ anual e dele é deduzido, entre outras parcelas, o valor do IRPJ mensal efetivamente pago. Se a soma dos valores pagos durante o ano acrescido das demais deduções superar o imposto calculado com base no lucro real anual, apurase saldo negativo de IRPJ a pagar. Só este saldo negativo é passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Idêntica disposição foi mantida no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 O art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, autoriza usar crédito passível de restituição para compensação de débitos próprios. Só o saldo negativo de IRPJ é passível de restituição ou compensação. O recolhimento de antecipação mensal não caracteriza pagamento indevido ou a maior, que dê direito à restituição. Portanto, no caso, não se tendo utilizado crédito passível de restituição, o art. 74 da Lei n.º 9.430 não se aplica..” Assim, como visto, o mérito não foi analisado pelo acórdão recorrido. Dessa forma, em consonância com a Coordenação – Geral de Tributação, afasto a argumentação do acórdão recorrido no sentido de que valores pagos a título de estimativas maiores do que o devido ou indevidos, não são indébitos tributários e devolvo os autos para a Douta 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, para que profira, um outro acórdão se manifestando sobre o mérito do litígio. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Processo nº 13609.900404/200944 Acórdão n.º 1103000.742 S1C1T3 Fl. 7 7
score : 1.0
Numero do processo: 10467.901000/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.001
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que os créditos do IPI se referiam a aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como NT (Não Tributadas), tratandose de produto fora do campo de incidência do imposto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 01 00 0/ 20 12 -4 7 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10467.901000/201247 Resolução nº 3301001.001 S3C3T1 Fl. 3 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte reiterou seu pedido de ressarcimento, com base no princípio da não cumulatividade, inclusive na saída de produtos imunes, conforme doutrina e julgados que citou. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que não alcançava os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos incluídos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.992, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10467.900230/201299, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.992): Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24), em que consta um número de processo de crédito diferente do número do presente processo, qual seja, 10467900.232/201288. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário combatem um outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 manifestação de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número do presente: 10467.900230/201299. Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não liquidados, em razão das glosas) são distintos (fl. 24 R$ 14.230,94 / R$ 10.363,10, e fl. 46 R$ 16.942,93 / R$ 15.794,67), porém dizem respeito a ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007. O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou mesmo do valor do crédito em discussão. Isto posto, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10467.901000/201247 Resolução nº 3301001.001 S3C3T1 Fl. 4 3 fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo (10467.900230/201299). Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901054/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação.
Numero da decisão: 3301-005.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 54 /2 01 3- 41 Fl. 195DF CARF MF 2 SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 32550.43182.201212.1.3.040466 (fls. 0206) transmitida em 20/12/2012, informando um recolhimento a maior à título de COFINS na monta de R$ 132.416,31 (centro e trinta e dois mil, quatrocentos e dezesseis reais e trinta e um centavos) em razão de DARF quitada em 25/10/2012 para o período de apuração 30/09/2012, no montante de R$ 456.722,36. Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu a DCOMP acima mencionada, informando um crédito original na data da transmissão no montante de R$ 132.416,31 para compensar um débito de COFINS não cumulativo devido no período de apuração de novembro/2012 no montante total de R$ 134.468,76 (cento e trinta e quatro mil quatrocentos e sessenta e oito reais e setenta e seis centavos). Em 03/05/2013 (fl. 07), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório com nº de Rastreamento: 050875656, para não homologar a compensação declarada, sob o fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos utilizados para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando saldo disponível paro o crédito pretendido, verbis: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 132.416,31 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, manifestação de inconformidade (fls. 1724) para instaurar o contencioso administrativo, afirmando que no período de apuração de setembro/2012, por um equívoco, declarou e pagou um montante maior do que o devido, à título de COFINS, conforme breve síntese abaixo: o crédito decorre de pagamento a maior da COFINS referente ao mês de setembro de 2012, verificado em revisão da escrita fiscal, apurandose um montante de COFINS a pagar de R$ 347.839,24, conforme EFDContribuições (fls. 3536) e DACON do período (fls. 98121); na competência da apuração declarou emitiu DARF com valor a maior e recolheu o valor R$ 456.722,36 para o período de apuração de setembro de 2012 (fls. 124 125). Afirma também que para este mesmo período de apuração recolheu uma outra DARF em Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10283.901054/201341 Acórdão n.º 3301005.593 S3C3T1 Fl. 196 3 12/11/2012 no valor de R$ 9.234,00 que, por estar em atraso, recolheu em conjunto multa e juros no valor de R$ 640,83; afirma que o valor do seu crédito em razão dos pagamentos indevidos de COFINS para setembro/2012 chega ao montante de R$ 118.757,95 (cento e dezoito mil, setecentos e cinquenta e sete reais e noventa e cinco centavos); afirma que parte deste DARF paga em 12/11/2012 no valor de R$ 9.234,00 foi objeto de outro pedido de compensação PER/DCOMP nº 16184.31564.201212.1.3.04 5679. Assim, o valor do crédito original que a manifestante tem direito é de R$ 108.883,12. como a manifestante informou um valor de um montante crédito de R$ 132.416,31 na PER/DCOMP destes autos, mas reconhece agora que seu montante de crédito é de R$ 108.883,12, inferior ao valor pleiteado na PER/DCOMP destes autos, reconhecendo seu equívoco e como demonstração de boafé, recolheu em 24/05/2013 o montante de R$ 29.456,39, com juros e multa, representativo desta diferença (fls. 126127); Em razão da IN RFB 1.300/2012 não permitir a retificação da PER/DCOMP após a emissão do despacho decisório, apresentou requerimento para retificação de ofício pela Administração Tributária; a manifestante apenas identificou o pagamento a maior em dezembro do mesmo ano, quando transmitiu esta PER/DECOMP, porém, não realizou a retificação da DCTF do mês de setembro/2012; afirma erro no despacho decisório, na medida em que as DARFs não foram integralmente utilizadas para o pagamento da COFINS do período de apuração de setembro/2012, pois a DCTF original foi equivocadamente preenchida com um valor a maior, incorreto. Em razão disso, realizou a retificação da DCTF para corrigir esta informação (fls. 4872); afirma ter demonstrado a liquidez e certeza de seu crédito em razão do pagamento indevido de R$ 108.883,12. Em 10/06/2014, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 0256.961 (fls. 136140), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 197DF CARF MF 4 Em suas razões de voto, a DRJ apresentou os fundamentos abaixo sintetizados: afirma que em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, assim, cabe a ele demonstrar seu direito; uma vez configurada a falta de liquidez e certeza dos créditos pleiteados, deve a RFB não homologar a compensação, notadamente com base em informações prestadas pelo contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues; cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece; afirma que o valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. afirma que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido; Foram realizadas retificações da DCTF e do Dacon, para informar os valores alegados pela Impugnante, mas transmitida após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova; a retificação desses documentos não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, no caso de DCTF; e art. 10, § 2o, I, c, da IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, no caso de Dacon). Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário, que ora se analisa (fls. 143161), para reforçar os argumentos de sua impugnação, acrescentando as seguintes argumentações: afirma que a autoridade julgadora desconsiderou os documentos acostados pela Recorrente, deixando de aplicar o princípio da verdade material, informalismo moderado e moralidade; os erros materiais que impediram os sistemas da Receita Federal de homologar automaticamente a compensação foram corrigidos pela Recorrente após o despacho decisório; afirma que deve ser afastado o entendimento de que as retificações não produzem efeitos se tiverem por objetivo a redução dos débitos de PIS e COFINS, em razão de já ter iniciado procedimento fiscalizatório, na medida em que o mero encontro de contas eletrônico da Receita Federal não é procedimento fiscalizatório; afirma que no processo administrativo há uma maior liberdade na busca das provas necessárias para a formação da convicção do julgador, em razão do controle administrativo da legalidade, sendo possível o cancelamento do lançamento se não houver interesse subjetivo da Administração, em homenagem à verdade material; Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10283.901054/201341 Acórdão n.º 3301005.593 S3C3T1 Fl. 197 5 afirma ter feito a prova de seus créditos ao juntar em sua manifestação de inconformidade a DCTFretificadora, Daconretificadora e recibo de entrega da EFD Contribuições; não foi oportunizado à Recorrente a autorregularização antes do despacho decisório, notificando a Recorrente para sanar eventuais irregularidades do pedido de compensação, o que evitaria o contencioso administrativo; cita legislação sobre pagamento indevido e a possibilidade de ressarcimento ou compensação destes créditos nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 e IN RFB 1.300/2012 e que realizou este procedimento de acordo com a legislação vigente; sobre as retificações, afirma que os fundamentos da r. decisão recorrida, no sentido de que a retificação desses documentos não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, no caso de DCTF; e art. 10, § 2o, I, c, da IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, no caso de Dacon), não deve ser aplicado ao caso em análise, na medida em que não houve inicio de procedimento de fiscalização em realação às declarações retificadas; cita o art. 7º do Decreto nº 70.235/1972 para argumentar que o procedimento de fiscalização tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificandose o sujeito passivo, o que não se aplica para os casos de PER/DCOMP, já que não é ato "de ofício", mas sim ato praticado pelo contribuinte; o despacho decisório é emitido automaticamente, não podendo ser considerado como ato praticado por servidor competente; ademais, tal ato está vinculado tão somente à declaração de compensação, realizando simples informações contidas no sistema da RFB para confirmação dos valores pleiteados para compensação. Isto significa que não faz parte da fiscalização a análise da DCTF ou DACON, mas tão somente as informações destas no sistema da RFB; tanto é verdade que aos valores constantes da DCTF e DACON são considerados como os corretos para fins de comparação com os valores do PER/DCOMP; sobre a possibilidade de retificação, cita ainda os artigos 147 e 149 do CTN para fundamentar a possibilidade de retificação das declarações, desde que comprovado o erro em que se funde; entende que a apresentação do Recibo de entrega da EFDContribuições é documento hábil para comprovar o erro na declaração dos valores a maior na DCTF e DACON; afirma ser dever da autoridade administrativa a revisão de ofício dos lançamentos realizados pelo contribuinte, assim, quando do julgamento da manifestação de inconformidade, deveria ter revisto o lançamento a maior realizado pela Recorrente, retificandoo de ofício com base da escrituração da empresa; afirma também ser dever da autoridade administrativa a busca da verdade material, devendo a autoridade estenderse além dos documentos juntados ao processo para Fl. 199DF CARF MF 6 encontrar a realidade dos fatos. além de poder requerer diligência para verificação de outras informações e sanar os equívocos cometidos pela Recorrente em suas declarações, atestando a validade dos créditos; requer ainda que a própria PER/DCOMP ora em análise seja retificada de ofício para considerar o montante de crédito total de R$ 108.757,95 a título de pagamento indevido. É a síntese do necessário Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O recurso voluntário é tempestivo, conforme ciência do v. acórdão em fls. 88, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Inicialmente, afasto as preliminares de nulidade do despacho decisório, pois não há necessidade diligenciar ou intimar o contribuinte para trazer documentos ou explicações ou mesmo realizar autorregularização antes de proferir esta decisão inicial. Proferido o despacho, criouse o obstáculo administrativo e o contribuinte pode iniciar o contencioso por meio de sua manifestação de inconformidade, onde exercerá plenamente o contraditório e sua ampla defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/1972. Para o deslinde da causa, é essencial a análise da motivação da decisão que não a compensação. Fundamentase a r. decisão, na falta de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado pela Recorrente. Para a não homologação da compensação, a Secretaria da Receita Federal consulta o sistema para acessar as informações declaradas pela Recorrente. Se na análise destes dados for constatada uma declaração de dívida tributária por DCTF e a DARF correspondente seu pagamento, não há pagamento a maior identificado, pois a DARF possui o mesmo valor da dívida declarada. O significado que se extrai do despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 09/2012, para que o valor da dívida constituída por declaração fosse inferior ao valor da DARF quitada. No sistema da Receita Federal era esta a informação existente quando do despacho decisório proferido em 03/05/2013, daí porque não foi reconhecido este montante de crédito pleiteado pela Recorrente. Após o despacho decisório, a Recorrente esforçouse em realizar as retificações, com o objetivo de ver seu direito de crédito reconhecido. Juntamente com sua manifestação de inconformidade apresentou cópia da DACON retificadora (fls. 98121) realizada em 05/06/2013 para informar o valor de débito de COFINS para setembro/2012 no montante de R$ 347.839,24, ao invés de R$ 456.722,36 conforme informado originariamente e devidamente quitado. Apresentou também um recibo de transmissão da EFDContribuições informando o valor de R$ 347.839,24 como débito de COFINS para o período em referência. Afirmou ainda, em sede de manifestação de inconformidade, que realizou também a Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10283.901054/201341 Acórdão n.º 3301005.593 S3C3T1 Fl. 198 7 transmissão da DCTF retificadora para informar o valor de R$ 347.839,24 como débito de COFINS, realizada em 22/05/2013 (fls. 4872). Ressaltese que a retificação das declarações pode ser feita antes ou depois do despacho decisório. Este critério temporal é irrelevante para fins de reconhecimento do direito creditório. No entanto, a retificação da DCTF e da DACON, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de provas idôneas, tais como demonstrativos contábeis e documentos fiscais, para aferição do crédito. É necessário que o contribuinte apresente provas para fins de demonstrar o seu equívoco no preenchimento das declarações originais. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, como é o caso em análise, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 201DF CARF MF 8 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Cabe, portanto, à Recorrente, a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente apenas trouxe aos autos a DACON retificadora com o recibo de entrega da EFDContribuições, mas não trouxe nenhum elemento de prova para subsidiar que o valor de débito de COFINS constante nas retificadoras é o valor correto. Ao invés disso, limitouse a diminuir a decisão recorrida e a trazer argumentos jurídicos acerca do princípio da verdade material e dos deveres de ofício da Administração Pública de rever as declarações do contribuinte e, se for o caso, realizar diligência, tudo com o objetivo de se alcançar a verdade dos fatos. No entanto, ao invés de falar que a Administração tem dever de ofício, caberia à Recorrente realizar a prova de seu crédito, trazendo aos autos todos os elementos de prova que se fizesse necessário para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nem mesmo diligência fiscal poderia esclarecer e confirmar a existência do crédito pleiteado, já que não há elementos probatórios a se confirmar. É de total interesse da Recorrente, em casos de pedidos de ressarcimento e compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Apenas apresentar retificações de declarações fiscais sem nenhum suporte documental, como o livros contábeis, ou invocar a verdade material para afirmar que é dever da fiscalização analisar a documentação e conferir com a DACON não são suficientes para evidenciar a liquidez e certeza de seu crédito.. É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) No mesmo sentido, o ilustre conselheiro Leonardo O. de Araújo Branco, manifestou o entendimento de que nas declarações de compensação ou pedidos de restituição, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10283.901054/201341 Acórdão n.º 3301005.593 S3C3T1 Fl. 199 9 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (Acórdão 3401005.408. Relatora Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Data da Sessão 24/10/2018.) Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado Conheço do recurso voluntário, mas nego provimento. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000209/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no segundo trimestre de 2005.
Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa:
Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para Programa de Integração Social PIS não-cumulativa decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 28.012,66, referente ao segundo trimestre de 2005.
Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue.
1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999".
2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto.
3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...".
Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004.
Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem.
3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços.
Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão.
Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual.
Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria.
No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado:
Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças.
3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal:
Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal.
Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ...
Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se).
Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações.
O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central).
Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se).
A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado.
O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz:
(...)
Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda.
Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal:
Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas].
Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem.
No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega:
(..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis.
Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza.
(. )
Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros...
Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda.
tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte.
Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação:
Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros.
Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos":
(...)
Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa:
Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos.
Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos.
Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca.
Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações.
A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.785, de 29/10/2010 (fls. 1658 e ss.), assim ementado:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito creditório não reconhecido
Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1679 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos.
Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Em despacho, informou-se não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento.
Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse.
O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no segundo trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para Programa de Integração Social PIS não-cumulativa decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 28.012,66, referente ao segundo trimestre de 2005. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.785, de 29/10/2010 (fls. 1658 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2005 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1679 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Em despacho, informou-se não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto
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RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO Recorrente WRC OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no segundo trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para Programa de Integração Social — PIS nãocumulativa decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 28.012,66, referente ao segundo trimestre de 2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 20 9/ 20 07 -2 0 Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.804 2 Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendoo com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extraise do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.805 3 Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mãode obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via email que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e referese a um Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.806 4 guindaste portuário modelo HMK 300E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB0001 Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifouse). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denotasena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebese também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.807 5 Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e referese a um guindaste portuário modelo HMK 300E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifouse), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifouse). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifouse). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denotase na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.808 6 Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, notase na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressaltese que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitandose o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.809 7 fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiarse indevidamente de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidenciase que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.810 8 ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, tornase impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0721.785, de 29/10/2010 (fls. 1658 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da nãocumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.811 9 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1679 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, “em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Em despacho, informouse não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente, pessoa jurídica que presta serviços portuários, notadamente movimentação de cargas unitizadas em contêineres, apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.812 10 Conferido em parte, em alguns processos, o direito reclamado e indeferido noutros, a Recorrente apresentou manifestações de inconformidade, posteriormente julgadas improcedentes pela DRJ. Nos autos do processo de nº 10920.000216/200721, já julgado pela 3ª Turma Especial desta 3ª Seção do CARF, constatou o relator do Acórdão nº 3803005.250, de 29/01/2014, conselheiro Corintho Oliveira Machado: Em preliminar, cumpre atentar para uma alegação trazida pela recorrente desde o início da lide falta de impugnação específica aos documentos apresentados pela contribuinte, no mister de comprovar seus créditos que, de fato, dificultou sobremaneira a defesa da ora recorrente. Esse vício na forma como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados (sem discriminação por nota fiscal, ou mesmo por fornecedor) trouxe não só dificuldade de defesa para a contribuinte mas também para o julgador de piso, conforme verseá adiante. Notase, no vestíbulo do voto, que a i. relatora elenca várias rubricas que teriam sido glosadas pela auditoriafiscal (reportadas no item 4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal)1 e que não teriam sido objeto da manifestação de inconformidade. Nada obstante, ao se analisar a tabela de notas fiscais glosadas do despacho decisório, fl. 276, encontrase um total de 24 notas que são tratadas conjuntamente pelo Fisco, como sendo de ativo imobilizado, materiais de uso/consumo e despesas administrativas. Pois bem, essas notas fiscais todas foram objeto sim da manifestação de inconformidade apresentada, não sobrando espaço algum para glosas não manifestadas. O tratamento das glosas no despacho decisório nesse formato genérico trouxe ainda problemas de avaliação para o julgamento que exsurgem nos últimos parágrafos do voto, quando são tratados os serviços de “intermediação de negócios comerciais” prestados pela empresa Cargotop Participações Ltda e os serviços de “assistência técnica” prestados pela empresa Demag Granes & Componentes Ltda. O acórdão dá a entender que tais valores não foram informados corretamente na linha 03 da ficha do Dacon (despesas com “Serviços Utilizados como Insumo”) e por isso nada aqui cabe ser dito, por não haver nenhuma glosa a esse título, entretanto, o despacho decisório é claro ao mencionar expressamente as notas fiscais relativas a esses fornecedores no item 2.2.1.1, não sendo legítimo ignorar a existência das glosas expressas tão somente porque não foram informados os seus valores no campo correto do Dacon, como sentencia o decisum guerreado. 1 (...) Ressaltese que gastos com materiais de consumo, despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança e despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos. (...) Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.813 11 Na mesma linha de raciocínio valor não informado no Dacon está a rubrica "Outros Valores/Operações com Direito a Crédito", porém aqui há vício explícito do despacho decisório, que menciona a glosa dos valores, por não haver qualquer documento trazido pelo contribuinte, mas não menciona o valor glosado a esse título. Ao meu sentir, esses vícios na maneira como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados, ainda no despacho decisório, geraram efetivamente cerceamento do direito de defesa do solicitante, e merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença, pois inquinaram todos os demais atos processuais deste contencioso, sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório) de forma apropriada, ou seja, com a necessária discriminação das glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o início a recorrente. Posto isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, para declarar nulo o processo desde o despacho decisório inclusive. Seguimos o voto do relator na parte em que descreve as deficiências do Despacho Decisório, mas alvitramos desfecho diferente. Entendemos que uma mera diligência poderá sanar as dúvidas a serem dirimidas (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Pelo exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora elabore, para o(s) PER/DCOMP(s) objeto dos autos, Relatório Fiscal detalhado sobre as razões das glosas, nos moldes em que já realizado quando do refazimento do Despacho Decisório que acostou ao processo nº 10920.000216/200721 (novo Despacho Decisório às fls. 1015/1041 do referido processo). Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para a continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10920.000209/200720 Resolução nº 3201001.706 S3C2T1 Fl. 1.814 12 Fl. 1814DF CARF MF
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