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Numero do processo: 13896.902536/2008-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Leonardo Romeiro Bezerra, OAB/DF nº 28.944.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Leonardo Romeiro Bezerra, OAB/DF nº 28.944. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 25 36 /2 00 8- 31 Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz. Relatório Tratase de indeferimento de pedido de compensação – PERD/COMP transmitida em 30/04/2004 que visava utilizar crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS período de apuração 01.02.2004 a 28.02.2004 com débito de COFINS. No entanto, por meio do despacho de fl. 6 o pleito foi negado ao argumento da inexistência de saldo disponível, visto que, o DARF indicado no PERD/COMP teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e, assim sendo, não restando crédito a ser utilizado no processo de compensação pretendida. A recorrente alegou equivoco no preenchimento da DCTF original ao informar que o débito devido no mês de fevereiro de 2004 seria da ordem de R$ 6.159.846,66 (seis milhões, cento e cinqüenta e nove mil, oitocentos e quarenta e seis reais e sessenta e seis centavos), quando o correto seria de R$ 5.591.293,10 (cinco milhões, quinhentos e noventa um mil, duzentos e noventa e três reais e dez centavos). Ao resistir à decisão negatória, fez juntar cópia da DIPJ onde comprovava informava como valor devido de COFINS o montante de R$ 5.591.293,10 (cinco milhões, quinhentos e noventa um mil, duzentos e noventa e três reais e dez centavos). Tomando conhecimento do Despacho Decisório, tratou imediatamente em retificar a DCTF do 1º trimestre de 2004, documento anexado a Manifestação de Inconformidade. Disse que o valor do crédito pretendido é de R$ 568.553,56 (quinhentos e sessenta e oito mil, quinhentos e cinqüenta e três reais e cinqüenta e seis centavos). O crédito apontado acima teria sido objeto de compensação por meio do PER/COMP 31474.44333.150604.1.3.04.9502, saldo credor remanescente de R$ 568.553,53, também teria sido objeto de pedido em outros PER/DCOMP’s. Sustenta também que não foi dada oportunidade para a Recorrente corrigir o equívoco no preenchimento da DCTF antes da decisão negatória do pleito. A decisão de piso rejeitou os argumentos ao fundamento de que à luz do art. 170 do CTN para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. Disse também que são utilizadas para análise a Declaração de Compensação – DCOMP, prevista no art. 49 da Lei nº 10.637/2002, quanto o Pedido de Restituição – PER (eletrônico) com as declarações apresentadas pelo contribuinte em DCTF, DIPJ, DACON, bem como os documentos de arrecadação localizados na base de dados da SRF. Diz também que não pode acolher o argumento de que apresentou DCTF retificadora, pois essa aconteceu após análise dos documentos registrados no sistema da Receita Federal. Concluiu que a DIPJ é documento meramente informativo, assim sendo, não é documento de confissão de dívida, e, instaurado o contencioso administrativo cabia o Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13896.902536/200831 Acórdão n.º 3403002.875 S3C4T3 Fl. 6 3 contribuinte confirmar a efetiva natureza da operação que modificou a base de cálculo e a alíquota aplicável, visto que a defesa está fundamentada em erro. Concluiu que no caso não foi trazido aos autos cópia da escrituração contábil, demonstrações financeiras. Na fase recursal mantevese o argumento tecido em Manifestação de Inconformidade, diz que a verdade real dos fatos prepondera sobre potenciais irregularidades formais, que não possuem o condão de afastar direito líquido e certo do contribuinte, assegurado pela legislação vigente. Faz juntar diversos demonstrativos com o objetivo de comprovar o erro cometido ao informar na DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo que deve ser conhecido. No caso subexamine tratase de matéria de fato, razão pela qual a Administração necessita, além de identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado, de prova concreta de que tenha acontecido o evento alegado como equívoco. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais informa que o direito é oriundo de pagamento a maior visto que, ao informar o débito em DCTF teria cometido erro, confessando débito maior do que ao efetivamente devido. Se for assim o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo da contribuição, e, aceitação do argumento para correção desse equivoco passa pelo exame dos livros contábeis e fiscais do contribuinte. No caso concreto a receita a compor à base de cálculo é aquela consignada nos livros fiscais, principalmente no livro de apuração de ICMS, a qual deverá ser somada a outras de origens diversas, se existirem. Além dos livros fiscais, a contabilidade se revela peça fundamental ao deslinde da questão, pois ela que milita a favor do contribuinte, configurando prova contundente da verdade material. Ao compulsar os autos constatase cópia da DIPJ anexada junto a Manifestação de Inconformidade, diante do fundamento da decisão recorrida de que a contestação do indeferimento do crédito não se fez acompanhar de prova mais robusta, mencionou os livros fiscais e escrituração contábil, a Contribuinte traz à colação de relatórios das notas fiscais e demonstrativos bem elaborados demonstrando à base de cálculo. Do exame dos documentos trazidos com Recurso Voluntário pareceme não tratarse de documentos fiscais e contábeis reclamados pelo julgador “a quo”, enxergo ao examinálos, com exceção das planilhas, relatórios longos em sem conclusão, é o caso da relação de notas fiscais e mais alguns que não consegui definir de que se trata, portanto, incapazes orientar no sentido do que foi alegado encontra apoio em sua escrita fiscal e contábil. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Tenho que a simples demonstração do faturamento por meio de planilhas de cálculos conforme elaborada pela recorrente não é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores informados em DCTF são condizentes com a realidade fática a concluir que o pagamento sucedido por meio de DARF se revela superior ao efetivamente devido declarado equivocadamente. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu de fato, para tanto, impõe a comprovação robusta corroborada pela escrituração contábil e fiscal. No caso a base de cálculo trazida neste caderno administrativo deveria ter vindo acompanhada das cópias dos livros fiscais (saída, apuração de ICMS, etc.) cópia dos razões e do livro diário referente ao período que se alega que o recolhimento da contribuição foi à maior do que o devido, esses documentos se revelam indispensáveis a lide. Compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento capaz de corroborar com o alegado, os demonstrativos elaborados por uma parte interessada não pode ser valorada como se fosse documento fiscal e contábil. De modo que, havendo uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito, e, do outro lado a negativa da Administração Fiscal de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, visto que, o pagamento realizado foi absolvido pelo débito confessado, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Portanto, andou bem o julgador de piso quando deixa de reconhecer por ausência de comprovação de que existiu uma situação capaz de modificar a declaração inicial e reduzir o quanto devido, portanto, para o êxito da resistência contra o indeferimento pleito faz se necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes, por si só, de comprovar o direito que se pretende. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo tãosó desacompanhada de documentos fiscais e da contabilidade não possui o condão de modificar o indeferimento, pois a prova da existência do direito se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, além da demonstração da base de cálculo, fizesse juntar documentos fiscais a permitir averiguar a ocorrência de fato, confirmar o argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13896.902536/200831 Acórdão n.º 3403002.875 S3C4T3 Fl. 7 5 ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10283.720828/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 82 8/ 20 11 -7 3 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10283.720828/201173 Resolução nº 2402000.410 S2C4T2 Fl. 568 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 29/08/2011 para o período de 01/01/2007 a 31/12/2007. O lançamento constitui crédito sobre diferenças de valores entre as GFIP e DIRF bem como sobre participação nos lucros ou resultados. A decisão recorrida excluiu parte dos valores lançados por reconhecer inconsistências no lançamento no que se refere às diferenças decorrentes do batimento de valores entre GFIP e DIRF. Como conseqüência também foi lavrado auto de infração por omissão de fatos geradores em GFIP. Seguem transcrições do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROVAS PARCIAIS. A verificação de elementos capazes de alterar a base de cálculo do lançamento do crédito previdenciário, obriga a Administração Pública a promover sua retificação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... 37.329.8900, lavrado por descumprimento de obrigação principal, referindose às contribuições devidas à Seguridade Social, totalizando o valor de R$1.078.147,19 (um milhão, setenta e oito mil, cento e quarenta e sete reais e dezenove centavos), consolidado em 29/08/2011 e constituindose nos levantamentos, não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, a seguir: a) FG1 – FG não considerado p/ empresa, relativo a rubrica “C.ind/adm/aut”, lançado, em razão de pagamento de remunerações a contribuintes individuais, apurados conforme Planilha I (divergência entre GFIP X DIRF) e Planilha II (pagamentos identificados na contabilidade, mas não declarados em GFIP, cujos valores não parecem ser os mesmos da Planilha I), por arbitramento com base no art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212/1991, no período de 01/2007 a 02/1007, 04/2007 a 08/2007 e 10/2007 a 12/2007, para o estabelecimento CNPJ 61.454.393/000106; b) PL – PL não considerado p/empresa, relativo às rubricas “Empresa” e “Sat/rat”, lançado na competência 03/2007, para os estabelecimentos CNPJ 61.454.393/000955, 61.454.393/001170, 61.454.393/001412 e 61.454.393/001501, em razão de pagamentos efetuados aos segurados empregados, a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, sem a apresentação dos acordos coletivos dessas filiais, destinados a esse fim; 37.329.8897, lavrado por descumprimento de obrigação principal, referindose às contribuições devidas à Seguridade Social, não declaradas em GFIP, relativas à rubrica “Contrib indiv”, lançado, em Fl. 568DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10283.720828/201173 Resolução nº 2402000.410 S2C4T2 Fl. 569 3 razão de pagamento de remunerações a contribuintes individuais, apurados conforme Planilha I (divergência entre GFIP X DIRF) e Planilha II (pagamentos identificados na contabilidade, mas não declarados em GFIP, cujos valores não parecem ser os mesmos da Planilha I), por arbitramento com base no art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212/1991, totalizando o valor de R$11.625,24 (onze mil, seiscentos e vinte e cinco reais e vinte e quatro centavos), consolidado em 29/08/2011 e correspondente ao levantamento FG1– FG não considerado p/ empresa, no período de 01/2007 a 02/1007, 04/2007 a 08/2007 e 11/2007, para o estabelecimento CNPJ 61.454.393/000106; 37.329.8919, lavrado por descumprimento de obrigação principal, referindose às contribuições devidas a outras entidades, não declaradas em GFIP, relativas à rubrica “Terceiros”, totalizando o valor de R$284.318,17 (duzentos e oitenta e quatro mil, trezentos e dezoito reais e dezessete centavos), consolidado em 29/08/2011 e correspondente ao levantamento PL – PL não considerado p/empresa, na competência 03/2007, para os estabelecimentos CNPJ 61.454.393/000955, 61.454.393/001170, 61.454.393/001412 e 61.454.393/001501, em razão de pagamentos efetuados aos segurados empregados, a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, sem a apresentação dos acordos coletivos dessas filiais, destinados a esse fim; 37.303.8046, lavrado contra a empresa em epígrafe, por descumprimento de obrigação acessória, em decorrência de a mesma infringir o Art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores, uma vez que, esta apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, na competência 03/2007, com sua multa aplicada no valor de R$30.488,60 (trinta mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e sessenta centavos), na forma prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores e no art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Contra a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, em síntese: a) os argumentos trazidos na impugnação devem ser acolhidos integralmente. A decisão recorrida não atentou para o fato de que a DIRF é preparada com todas as informações consolidadas na matriz e adota o regime de caixa, o que difere da GFIP; daí as divergências; b) a fiscalização se equivocou no nome do contribuinte individual Fernando Cavalcante Catunda de Souza, daí ter considerado a omissão em GFIP; c) a recorrente efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias sobre reembolsos de despesas médicas; daí a divergência. Somente uma das 21 ocorrências de fato procede, mas ainda assim efetuou o recolhimento em GPS sem declarar em GFIP; e Fl. 569DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10283.720828/201173 Resolução nº 2402000.410 S2C4T2 Fl. 570 4 d) a fiscalização incluiu equivocadamente como divergências vários pagamentos feitos pela filial Rio de Janeiro; Não se insurgiu quanto ao pagamento de participação nos lucros ou resultados. É o Relatório. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10283.720828/201173 Resolução nº 2402000.410 S2C4T2 Fl. 571 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao seu exame. Considerando as alegações trazidas no recurso voluntário, fls. 497 e seguintes, e em cumprimento ao princípio da verdade material, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a fiscalização se pronuncie sobre a observância ou não dos ajustes necessários para o correto batimento de informações entre DIRF e GFIP, conforme apontado pelo recorrente. Esse reexame do crédito constituído também se justifica pela constatação de expressivas inconsistências quando da decisão recorrida. Não obstante as retificações promovidas, é oportuna uma nova revisão dos valores. Por tudo, voto por converter o julgamento e que, após, seja oportunizada a manifestação da recorrente no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 571DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.015417/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. EXISTÊNCIA
Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Helder Kanamaru, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BANCO POTTENCIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. EXISTÊNCIA Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Helder Kanamaru, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Belo Horizonte que julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender que base de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 54 17 /2 00 8- 84 Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 cálculo do PIS e da COFINS das instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõemse da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, podendo ser realizadas as exclusões e deduções especificadas no art. 27 da IN SRF n° 247, de 2002. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração relativo à Contribuição para a Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, correspondentes aos períodos de apuração de agosto de 2004 a novembro de 2005, para exigir o crédito tributário no valor de R$ 3.214.719,60 e de R$ 490.065,47, respectivamente, incluindo multa de oficio e juros de. A autuação decorreu da suposta falta de declaração e recolhimento do PIS e da Cofins, apurados pelo confronto entre os valores informados na DIPJ ou DACON e os valores declarados em DCTF/parcelados/pagos (períodos de agosto de 2004 a junho de 2005) e por em face da base de calculo apurada diretamente da própria contabilidade da empresa (períodos de julho a novembro de 2005). A fiscalização destacou no Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte discute a exigibilidade das contribuições sociais no Mandado de Segurança n° 2007.38.00.0123344/MG, mas que os períodos objeto do presente lançamento não estariam contemplados na decisão de 1° grau exarada em tal processo judicial. Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, preliminarmente, que obteve ordem liminar prorrogando seu prazo para apresentar impugnação, tendo em vista que ficou impossibilitada de obter as cópias do processo administrativo em função da mudança de instalações físicas da Receita Federal. No mérito, informa ser instituição financeira regularmente autorizada a atuar no mercado pelo Banco Central do Brasil, sujeitandose, em decorrência de suas atividades, ao recolhimento da Cofins e do PIS. Alega que o STF considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazida pelo art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718, de 1998, uma vez que tal lei veio à lume enquanto vigente a redação original da Constituição, violando o conceito consagrado de faturamento. Em vista de tal inconstitucionalidade, a base de calculo das contribuições seria o faturamento, nos termos das leis nºs 7/70 (PIS) e nº 70/91 (Cofins), sem prejuízo da possibilidade da instituição de novas leis determinando que as contribuições passassem a incidir sobre a receita total das empresas, o que ocorreu com a promulgação das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Essas novas leis, porém, preveem expressamente que as instituições financeiras continuarão a ser regidas pela legislação anterior (art. 8°, I, da Lei n° 10.637, de 2002, e art. 10, I, da Lei n° 10.833, de 2003) e, portanto, a nova base de calculo por elas instituída (receita total) também não é aplicável aos bancos. Entende, assim, que o Fisco, ao lavrar o presente Auto de Infração de Cofins e PIS, utilizou indevidamente como base de cálculo todas as receitas auferidas pelo Banco, e não aquelas decorrentes do faturamento. Considerandose apenas os valores provenientes da prestação de serviços ou venda de mercadorias, não restaria configurado o débito apontado, mas um crédito, por ter efetuado recolhimentos a maior. Ao verificar o montante identificado com devido pelo fiscal e comparálo com as demonstrações de resultado financeiro apresentadas pelo Banco, verificase que foram incluídas as receitas operacionais do impugnante na base de cálculo (quadro anexo), Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.015417/200884 Acórdão n.º 3102001.958 S3C1T2 Fl. 11 3 ignorandose o posicionamento do STF, o qual, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 3°, §1º, da Lei n° 9.718, de 1998, deixou claro que o conceito de faturamento não atinge todas as receitas recebidas pelo contribuinte, mas apenas aquelas decorrentes da venda e prestação de serviços. Dessa forma, resta evidente a impossibilidade de inclusão das receitas operacionais recebidas pela instituição financeira na base de cálculo das contribuições. A DRJ em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DO PIS. A base de cálculo do PIS para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõemse da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, podendo ser realizadas as exclusões e deduções especificadas no art. 27 da IN SRF n° 247, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2005 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A base de calculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõemse da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, podendo ser realizadas as exclusões e deduções especificadas no art. 27 da IN SRF n° 247, de 2002. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação. Além disso, esclareceu que o mandado de segurança tratou da inconstitucionalidade e inaplicabilidade do §1° do art. 3° da Lei n. 9.718/1998, que alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS e do PIS, e, contrariamente ao que a Ilma. 1ª Turma alegou, a discussão travada em impugnação administrativa também paira sobre a inconstitucionalidade e inaplicabilidade do art. 30, § 1°, da Lei n. 9.718/1998, sendo certo que a base de cálculo utilizada foi equivocada justamente por esta ofender a Constituição da República, conforme amplamente demonstrado ao longo da petição de impugnação. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Após, apresentou razões complementares pleiteando fosse reconhecida a concomitância com a ação judicial que trata de idêntica matéria. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a solução da presente controvérsia requer, num primeiro momento, a análise da existência ou não de identidade entre as razões apresentadas neste processo administrativo e no Mandado de Segurança n° 2007.38.00.0123344/MG. Afinal, apenas confirmada a identidade de objetos e, mais, que a decisão judicial contempla a integralidade do objeto da presente autuação será possível cogitar de concomitância. Com efeito, restou consignado na decisão recorrida o seguinte: Inicialmente, cumpre destacar que o contribuinte impetrou, em 08/05/2007, Mandado de Segurança Preventivo (processo n° 2007.38.00.0123344), com pedido de liminar, contra ato do Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, visando a obter tutela jurisdicional que declare a inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, de modo a desobrigalo do recolhimento do PIS e da Cofins sobre sua receita bruta (fls. 37/49). O pedido de liminar foi indeferido e a sentença, prolatada em 5 de setembro de 2007, julgou "parcialmente procedentes os pedidos, para, afastando a aplicação do art. 3°, §1°, da Lei n°9.718/1998, reconhecer a impetrante o direito de recolher os valores referentes ao PIS, nos termos da Lei n. 7/1970, até 31.3.2003, bem como aqueles relativos a Cofins, nos moldes da LC n. 70/1991, até 31/03/2004", e autorizou a compensação dos valores recolhidos indevidamente, em decorrência da aplicação da Lei n° 9.718, de 1998, desde maio de 2002 até os limites antes apontados. Nos termos do Ato Declaratório (Normativo) da Coordenação do Sistema de Tributação n° 03, de 14 de fevereiro de 1996, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia das instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Por outro lado, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que relaciona matéria diferenciada (por exemplo, aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.). Verificase que o contribuinte discute na justiça a aplicação do §1° do art. 3° da Lei n°9.718, de 1998, ou seja, questiona a constitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins e do PIS promovido pela referida lei. No presente processo administrativo, o impugnante insurgese contra a base Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.015417/200884 Acórdão n.º 3102001.958 S3C1T2 Fl. 12 5 de calculo utilizada pela fiscalização na apuração das contribuições devidas. Tratase, portanto, de objeto distinto daquele discutido judicialmente (lei em tese), como se verá a seguir. O impugnante afirma, em sua defesa, ser instituição financeira regularmente autorizada a atuar no mercado pelo Banco Central do Brasil, enquadrandose na condição de sujeito passivo do PIS e da Cofins. Convém lembrar que a determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins devidos pelas instituições financeiras foi totalmente prevista somente com o advento dos §§ 6° e 7° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, introduzidos pelo art. 2° da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999 (atualmente, art. 2° da MP n° 2.15835, de 2001), dispositivos que, por sua vez, não foram atacados pelo contribuinte na ação judicial. O art. 27 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, veio detalhar em minúcia a forma de apuração da base de cálculo das contribuições devidas por essas instituições: (...) Ainda que se entendesse de fato pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das citadas contribuições sociais promovido pela Lei n° 9.718, de 1998, como requer o contribuinte no Mandado de Segurança por ele impetrado, o PIS e a Cofins continuariam sendo devidos, não mais sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida, é verdade, mas sobre o faturamento, assim entendido como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, isto é, o produto da exploração da atividade fim da entidade, que compõe seu objeto social. E em que consiste o objeto social das instituições financeiras? Qual a "atividade empresarial" de bancos comerciais, bancos de investimento, empresas de seguros privados, entidades abertas e fechadas de previdência complementar e outras assemelhadas? Tratase, evidentemente, de pessoas jurídicas dedicadas à intermediação de operações e prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada etc. Dessa forma, o faturamento das instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendido como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, vai muito além do que a simples receita proveniente de prestação de serviços (taxas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração de planos de previdência etc.), abrangendo todo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira, cuja tributação pelo PIS Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 e pela Cofins permaneceria sendo válida e legitima, mesmo que se afastasse o §1º do art. 3º, da Lei n° 9.718, de 1998. Nesse sentido, podese atestar, pelo documento de fl. 126, anexado aos autos pela própria empresa, que a base de calculo utilizada pela fiscalização para a apuração das contribuições compõese de receitas operacionais próprias da atividadefim do impugnante, com as devidas exclusões e deduções legais. Assim, essa é a base de cálculo que deve ser tributada, e não apenas as "rendas de prestação de serviços", como requer o contribuinte em sua defesa. Está claro, portanto, que o resultado final da demanda judicial não interfere no presente processo administrativo, pois, mesmo que o contribuinte obtenha decisão a ele favorável no Mandado de Segurança, a base de cálculo a ser considerada na apuração das contribuições sociais é aquela determinada pela fiscalização, não havendo reparos a fazer nos lançamentos do PIS e da Cofins. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por outro lado, sustenta a Recorrente justamente o contrário, ou seja, que haveria completa identidade entre o objeto do Mandado de Segurança por ela impetrado e o do presente processo administrativo. Para fundamentar sua alegação, apresentou quadro analítico, no qual transcreve trechos relativos ao pedido e à causa de pedir, os quais reproduzimos abaixo: Trechos do Mandado de Segurança Trechos da Impugnação Da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/1998 "A Lei n°. 9.718/98, promulgada em 28/11/98, em resultado 5 conversão da MP n°. 1.724/98, modificou substancialmente critério material da hipótese de incidência do PIS e da COFINS, ampliando a base de cálculo das exações à receita bruta apurada pelo contribuinte, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela empresa; elemento este conceitualmente diverso do 'faturamento' oriundo da venda de mercadorias e serviços, haja vista incluir receitas diversas daquelas que o integra (faturamento). Dessa forma, a Lei Ordinária violou diversos dispositivos constitucionais, dentre os quais se destacam o inciso I do art. 195, em sua redação anterior à EC n°. 20/98, o art. 154, I e o art. 195, §4º, bem como o art. 110 do Código Tributário Nacional. Foi esse, inclusive, o entendimento do Plenário do E. STF, quando do julgamento dos RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, que considerou Uma vez que a Lei 9.718 veio à lume enquanto vigente a redação original da Constituição, o STF considerou que a ampliação da base de trazida pelo artigo 3º, §1°, é inconstitucional, por violar o conceito constitucionalmente consagrado de faturamento." (..) "Ao incluir receitas operacionais na Base de Cálculo das contribuições em comento, o Auditor ignorou posicionamento já adotado pelo STF, o qual, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei 9.718/1998, deixou claro que o conceito constitucional de faturamento não atinge todas as receitas recebidas pelo contribuinte, mas apenas aquelas decorrentes da venda e prestação de serviços." Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.015417/200884 Acórdão n.º 3102001.958 S3C1T2 Fl. 13 7 inconstitucional o alargamento da base de calculo do PIS e da COFINS, conferido pelo § 1° do art. 3º da Lei n°. 9.718/98.” Da inaplicabilidade das Leis nº 10/637/2002 e nº 10.833/2003 Insta ressaltar que as Leis n°. 10.637/2002 e 10.833/2003, as quais instituíram o PIS e a COFINS não cumulativos incidentes sobre a receita bruta total das pessoas jurídicas não se aplicam ao Impetrado, instituição financeira, nos termos do que preceitua os arts. 8° e 10°, respectivamente, das referidas Leis ordinárias." "As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 preveem expressamente que as instituições financeiras, como a ora impugnante, continuarão a ser regidas pela legislação anterior. (..) tendo em vista que as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não se aplicam aos bancos, a nova base de cálculo por elas instituída (qual seja, a receita total das pessoas jurídicas) também não é aplicável." Dos pedidos “Busca a presente ação seja reconhecido o direito liquido e certo do Impetrante de não mais se sujeitar ao recolhimento de PIS e COFINS, com base na Lei n° 9.718/98, bem como o de compensar, com demais tributos administrados pela Receita Federal, os valores indevidamente recolhidos a maior no período compreendido entre janeiro de 2001 a dezembro de 2005." “Dos Pedidos (..) A anulação dos autos de infração contra ela lavrados, referentes à Contribuição para o PIS e 5 COFINS, uma vez que foi utilizada base de cálculo equivocada para o cálculo dos valores devidos por parte do Auditor Fiscal." Como é possível perceber, no caso concreto está evidente a identidade de objetos. O quadro analítico apresentado pelo Recorrente bem a ilustra. Por outro lado, vale esclarecer que os argumentos apresentados na decisão recorrida para fundamentar a suposta diferença não se sustenta, afinal, insurgência contra o alargamento da base de cálculo da Cofins e do PIS promovido pela Lei nº 9.718/98 equivale a insurgência contra a base de cálculo alagada utilizada pela fiscalização na apuração das contribuições devidas, não o contrário. O que se percebe é que a autoridade julgadora de primeira instância não concorda com a interpretação que foi atribuída pelo Poder Judiciário para faturamento das instituições financeiras no caso específico da Recorrente nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0123344/MG. Isto fica muito evidente na seguinte passagem do acórdão: Ainda que se entendesse de fato pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das citadas contribuições sociais promovido pela Lei n° 9.718, de 1998, como requer o contribuinte no Mandado de Segurança por ele impetrado, o PIS e a Cofins continuariam sendo devidos, não mais sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida, é verdade, mas sobre o faturamento, assim entendido como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, isto é, o produto da exploração da atividade fim da entidade, que compõe seu objeto social. Ora, correto ou equivocado o julgamento do Poder Judiciário, certo é que se trata de comando de superior hierarquia, cogente para a Administração Pública, que está Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 obrigada a cumprilo, independentemente de sua concordância. E o conteúdo da decisão proferida em sede do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0123344/MG é muito clara no sentido de que, até dezembro de 2005, o seu faturamento seria somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza.. Por conseguinte, entendo que a impugnação não poderia ser conhecida, dada a flagrante identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo, nos termos da Súmula CARF nº 01: SÚMULA CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário, em face da renúncia às instancias administrativa, cabendo à autoridade de origem cumprir a decisão final, transitada em julgado, do Mandado de Segurança n° 2007.38.00.0123344/MG, nos seus exatos termos, não cabendo qualquer juízo de valor a respeito do seu acerto ou não. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10580.721414/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa “dedução” dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 14 14 /2 00 8- 10 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721414/200810 Acórdão n.º 1802002.071 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721414/200810 Acórdão n.º 1802002.071 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1524.310, às efls. 33/34: A interessada transmitiu PER/DCOMP eletrônico visando compensar valor recolhido mediante DARF do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples com débitos de outros tributos e contribuições, sob o argumento de que à época do recolhimento, já estava excluída da sistemática do Simples. A DRF/Salvador emitiu Despacho Decisório reconhecendo o direito creditório mas homologando parcialmente a compensação declarada, em face da aplicação ao presente caso do art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, que prevê a incidência de acréscimos legais ao débito cuja compensação pretendeu a interessada. Desta forma, restou configurado excesso de compensação, sendo determinada a sua cobrança imediata, nos termos do art. 48, II da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, ressaltandose que a manifestação de inconformidade porventura apresentada não suspenderia a exigibilidade do crédito tributário. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando ser equivocada a aplicação de multas e acréscimos moratórios aos valores originais devidos, requerendo, ao final, a homologação da compensação declarada. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA manteve a homologação apenas parcial da compensação pretendida, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/09/2006 COMPENSAÇÃO. DATA DA VALORAÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTA DE MORA. A data de valoração, para fins da efetivação das compensações declaradas à Receita Federal a partir de 28 de maio de 2003, é a data da transmissão da declaração de compensação, e os débitos Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721414/200810 Acórdão n.º 1802002.071 S1TE02 Fl. 5 4 sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, se naquela data já estiverem vencidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, que foi postada para a ciência em 28/09/2010 (efls. 35), a Contribuinte apresentou em 20/10/2010 o recurso voluntário de efls. 36/37, alegando: que a compensação foi parcialmente homologada porque a Receita Federal equivocadamente entendeu que não teriam sido computados (pela Contribuinte) os valores referentes a multas e acréscimos moratórios; que não tem cabimento tal interpretação, pois todos os PER/DCOMP foram tempestivamente apresentados, mês a mês, e são eles que representam a quitação tempestiva dos tributos em referência; que não há razão para cobrança das multas e acréscimos moratórios, e que por isso não podem ser cobrados os pequenos saldos apontados pela Receita Federal; que a compensação deve ser integralmente homologada, com a extinção definitiva dos créditos tributários compensados. Este é o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721414/200810 Acórdão n.º 1802002.071 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a homologação apenas parcial de declaração de compensação por ela apresentada em 01/09/2006. O pretendido encontro de contas abrange crédito decorrente de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/12/2001 no código 6106, referente ao período de apuração PA novembro/2001, no valor de R$ 4.155,48, que foi utilizado para quitar, por compensação, débitos de COFINS dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2001, informados com o código 2172. O valor original do crédito corresponde exatamente à soma dos débitos (levando em conta apenas a rubrica principal, sem acréscimos legais). Com o PER/DCOMP sob exame, a Contribuinte busca o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que ela foi excluída do Simples, para a quitação de débitos de COFINS apurados em razão da exclusão do Simples. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório de efls. 15 a 18, reconheceu o direito creditório, mas concluiu que ele era insuficiente para quitar integralmente os débitos objeto do PER/DCOMP, remanescendo saldo devedor a ser exigido da Contribuinte. Esse valor residual de débito surgiu em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data de apresentação do PER/DCOMP – juros selic sobre o crédito, e juros selic e multa de mora sobre os débitos vencidos. A Delegacia de Julgamento, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a homologação apenas parcial da compensação, entendendo que de fato caberia a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos, até a data de apresentação do PER/DCOMP, porque eles já estavam vencidos nesta data. Na presente fase recursal, a Contribuinte novamente se insurge contra o cômputo dos referidos acréscimos legais. A Lei nº 10.637/2002 implementou grandes mudanças no art. 74 da Lei 9.430/1996, redefinindo todo a configuração jurídica da compensação tributária na esfera federal. Desde então, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal passou a extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e em razão disso o momento para o encontro de contas passou a ser a data do envio da declaração de compensação (PER/DCOMP). Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721414/200810 Acórdão n.º 1802002.071 S1TE02 Fl. 7 6 Desse modo, se na data de apresentação do PER/DCOMP o débito objeto da compensação já estiver vencido, sobre ele, regra geral, devem incidir os acréscimos moratórios. Entretanto, a situação sob exame merece ser analisada com mais detalhe. Já mencionamos que a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do regime de tributação simplificada, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos apurados de acordo com o regime de tributação adotado em substituição ao Simples. Esse é o contexto da presente compensação. Ocorre que esse encontro de contas, quando abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período de apuração, pode se dar até mesmo de ofício, mediante simples “dedução” matemática, independentemente de apresentação de declaração de “compensação” (PER/DCOMP) por parte dos contribuintes. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, COFINS e CPP, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado para a quitação de débito de mesma natureza (mesmo tributo e PA), que decorreu da mudança do regime de tributação, nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP. O encontro de contas objeto do presente processo abrange débitos de COFINS dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2001, com os valores originais de R$ 1.300,51, R$ 1.888,86 e R$ 966,11, respectivamente. O crédito decorre de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/12/2001 no código 6106, referente ao período de apuração PA novembro/2001, no valor de R$ 4.155,48. O PER/DCOMP esclarece que o pagamento do Simples correspondeu ao coeficiente de 6,60% sobre a receita bruta mensal, e de acordo com o art. 23, II, “d”, da Lei 9.317/1996, esse coeficiente era composto pelas seguintes parcelas: 1 – 0,52%, relativo ao IRPJ; 2 – 0,52%, relativo ao PIS/PASEP; 3 – 1%, relativo à CSLL; 4 – 2%, relativos à COFINS; e Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721414/200810 Acórdão n.º 1802002.071 S1TE02 Fl. 8 7 5 – 2,56 %, relativos à Contribuição Patronal Previdenciária – CPP. A divisão acima mencionada evidencia a seguinte participação de cada tributo em relação ao pagamento efetuado: PA Tributo Participação Participação relativa no pagamento IRPJ 7,88% 327,45 PIS/PASEP 7,88% 327,45 Novembro CSLL 15,15% 629,56 de 2001 COFINS 30,30% 1.259,11 CPP 38,79% 1.611,91 100,00% 4.155,48 Mencionamos que a Delegacia de origem já reconheceu integralmente o crédito, aproveitando o pagamento no valor de R$ 4.155,48 para a quitação dos débitos indicados pela Contribuinte, e que em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data da apresentação do PER/DCOMP, remanesceu saldo de débito. Ocorre que uma parte do referido encontro de contas envolve crédito e débito do mesmo tributo e período de apuração (COFINS de novembro/2001), o que implica dizer que uma parte dos débitos relacionados no PER/DCOMP já estava quitada antes mesmo da apresentação deste, em função do pagamento realizado no regime de tributação simplificada. Desse modo, antes de qualquer imputação para efeito de cômputo de acréscimos legais sobre créditos e débitos até a data de apresentação do PER/DCOMP, deveriam ter sido “deduzidos” do débito de COFINS de novembro/2001 (R$ 1.888,86), também objeto do presente processo, o valor de R$ 1.259,11, que representa o montante desta Contribuição que já havia sido pago pela Contribuinte antes mesmo da apresentação do PER/DCOMP. Somente após realizada essa “dedução” do valor já pago, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Desse modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o cômputo de acréscimos legais sobre a parcela dos débitos que já se encontrava quitada pelo pagamento com o código 6106, no montante acima destacado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721414/200810 Acórdão n.º 1802002.071 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14098.720044/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/07/2012
COMPENSAÇÃO - GLOSA
Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela Prefeitura ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis.
DECADÊNCIA
O direito de compensar valores recolhidos indevidamente extingue-se em cinco anos, contados da data do pagamento indevido
ÓRGÃO PÚBLICO
Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços.
AUXÍLIO-DOENÇA NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO E ADICIONAL DE 1/3 - VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa e que não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91.
O auxílio-acidente possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária.
A verba recebida a título de férias, com o terço adicional, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO NA GFIP. INOCORRÊNCIA. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe a aplicação de multa isolada, no caso de compensação indevida, caso não comprovada, pelo fisco, a falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo por intermédio da GFIP.
Numero da decisão: 2301-003.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão da qualificação da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, que votou em dar provimento parcial, para manter na autuação a qualificação sobre o abono; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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DECADÊNCIA O direito de compensar valores recolhidos indevidamente extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido ÓRGÃO PÚBLICO Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços. AUXÍLIODOENÇA NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO E ADICIONAL DE 1/3 VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa e que não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. O auxílioacidente possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária. A verba recebida a título de férias, com o terço adicional, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 44 /2 01 3- 55 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO NA GFIP. INOCORRÊNCIA. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a aplicação de multa isolada, no caso de compensação indevida, caso não comprovada, pelo fisco, a falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo por intermédio da GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão da qualificação da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, que votou em dar provimento parcial, para manter na autuação a qualificação sobre o abono; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14098.720044/201355 Acórdão n.º 2301003.902 S2C3T1 Fl. 572 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o Município acima identificado, referente à glosa de compensação Conforme Relatório Fiscal, a Prefeitura Municipal de Poconé compensou créditos previdenciários originários de contribuições sobre as remunerações pagas aos exercentes de mandatos eletivos e sobre pagamento de horas extras, adicional constitucional de 1/3 de férias e abono pecuniário aos servidores municipais, sem observância da legislação que trata da matéria. A autoridade lançadora esclarece que, tendo em vista as irregularidades apuradas, apontadas no Relatório Fiscal, foram lavrados dois Autos, a saber: I AI Debcad 51.037.2171, relativo à glosa de compensações indevidas, tendo sido aplicada multa de mora de 20%, nos termos do § 9o, art. 89, da Lei 8.212/91, e II AI Debcad 51.037.2180, relativo à multa isolada de 150% sobre os valores compensados, nos termos do art. 18, da Lei 10.833/2003, e § 10, do art. 89, da Lei 8.212/91, observando o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2002, que considera intuito de fraude quando o crédito oferecido à compensação seja de natureza nãotributária. Segundo ainda relato fiscal, as compensações realizadas pela Prefeitura dizem respeito às cotas patronais recolhidas sobre os subsídios dos agentes políticos, durante o período de 02/98 a 09/04, e sobre verbas salariais que, segundo entendimento da autuada, não seriam base de cálculo da contribuição previdenciária, como o terço constitucional de férias, horasextras e abonos. A autoridade lançadora informa que, apesar de intimada por meio dos TIPFs e TIFs, prorrogados por quatro vezes, a Prefeitura não apresentou toda documentação necessária para comprovar a correção da compensação realizada, como memória de cálculo com os créditos que alega possuir e que foram objeto de compensação, além de documento que comprove o recolhimento de contribuições sobre a remuneração dos agentes políticos e sobre as verbas indenizatórias, que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Esclarece que não houve a prévia retificação das GFIPs com a exclusão dos detentores de mandato eletivo até 18/09/2004, e que o sujeito passivo corrigiu os valores por ele compensados em GFIP em desacordo com as normas vigentes, pois fez a capitalização mensal dos juros, ou seja, praticou juros compostos, somando mensalmente os juros SELIC ao capital, sendo que a diferença entre os juros praticados pelo contribuinte e os juros atualizados de acordo com a taxa SELIC acumulada foi objeto de glosa e lançamento do crédito correspondente. Observa também que as contribuições incidentes sobre as remunerações dos vereadores foram incluídas indevidamente na apuração dos créditos relativos às contribuições compensadas pela Prefeitura Municipal e, se tais créditos realmente existirem, estariam vinculados ao CNPJ da Câmara Municipal, e não ao CNPJ da Prefeitura. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Constatou, ainda, do confronto da documentação apresentada, erro na apuração do valor da contribuição, pois os valores compensados diferem dos valores constantes das folhas de pagamento, resultando na compensação de créditos inexistentes. Informa que também foram objeto de glosa as compensações realizadas relativas aos recolhimentos incidentes sobre pagamento de horas extras e 1/3 constitucional de férias, sem que houvesse dispositivo legal ou processo judicial ajuizado pelo sujeito passivo que o amparasse na exclusão de tais rubricas da base de cálculo das contribuições sociais, como também foram glosadas as compensações relativas ao abono pecuniário de férias, uma vez que, por ser isento, a Prefeitura não o ofereceu à tributação e nem efetuou recolhimento de contribuição sobre tal rubrica, não havendo, portanto, valor a compensar. Verificouse, ainda, que a recorrente utilizouse de crédito prescritos, relativos ao período de 02/1998 a 08/2004, para efetuar compensações a partir da competência 09/2009, e que foram identificados dois processos ajuizados pela autuada versando sobre o direito de compensação de créditos originários de contribuições incidentes sobre remuneração dos exercentes de mandatos eletivos, ambos ainda não definitivamente julgados. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0433.140, da 3a Turma da DRJ/CGE, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, preliminarmente, que a impugnação foi tempestiva, e que não há revelia contra Ente Público. No mérito, alega que : O STF declarou inconstitucional a contribuição previdenciária sobre os exercentes de mandados políticos, e a própria SRFB publicou a Portaria 133/2006, autorizando o contribuinte a compensar os valores recolhidos indevidamente, o que deve ser efetuado na forma do detalhamento da IN 900/2008, consoante determinação contida no art. 89, § 4o, da Lei 8.212/91. As compensações foram efetuadas dentro da legalidade/regularidade, sendo que, para apuração do indébito, a recorrente analisou a base de cálculo tributada e o pagamento total, sendo impossível demonstrar, por meio de GRPS/GPS, o recolhimento exato da rubrica considerada indevida. Não é necessário analisar as folhas de pagamento, no caso em concreto, visto que o valor do subsídio no período foi declarado mensalmente em GFIP, e os valores recolhidos a título de contribuição previdenciária foram encaminhados à SRFB, sendo que todos os valores já se encontram na posse da fiscalização. Em relação ao prazo prescricional, o contribuinte interpôs a ação judicial distribuída sob o no 2007.36.00.2227578, cuja decisão afastou a prescrição, e a lei complementar 118/2005, adotada pelo Auditor Fiscal, foi declarada parcialmente inconstitucional pelo STJ e pelo STF; É descabida a alegação da incidência do artigo 3o, da lei complementar 118/05, tendo em vista a inconstitucionalidade da segunda parte e, conforme artigo 219 do CPC, a citação válida interrompe a prescrição; Fl. 574DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14098.720044/201355 Acórdão n.º 2301003.902 S2C3T1 Fl. 573 5 A legislação em vigência autoriza que o contribuinte, verificando o recolhimento indevido, compense, independentemente de decisão judicial, o valor do indébito; A Portaria 133/2006 fere o princípio da legalidade e as normas gerais do direito tributário, sendo descabida e ilegal a exigência de retificação da GFIP por parte do contribuinte. Tal retificação causará prejuízos aos agentes políticos da época, pois, recuperar a parcela do empregador/Município não retira do agente policio o direito a receber a contraprestação estatal pelo tempo que contribuiu. O procedimento técnico de retificação da GFIP consiste na exclusão do agente político de cargo eletivo, de forma a não deixar nenhum registro, o que exclui por inteiro a relação do segurado com a previdência social, extirpa o direito dos agentes, fere o direito adquirido previsto no art. 5o, da CF, causando, assim, prejuízos irreparáveis, dentre outros. As verbas indenizatórias não podem sofrer incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, eis que as mesmas não possuem natureza salarial, sendo que, a toda evidência, as horasextras e o respectivo adicional não se incorporam ao salário, nos termos do Enunciado 291, do TST; Há decisão judicial que autoriza a compensação das verbas abono pecuniário, 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, terço constitucional de férias e horas extras ; A recorrente levantou crédito de contribuições no ano de 2007, iniciando o procedimento de compensação em setembro de 2009, ou seja, dentro do interregno para compensações com base no último decêndio, uma vez que o STJ determinou que fosse aplicada a tese dos cinco mais cinco. O direito à compensação antes do trânsito em julgado está fundamentado no art. 66, da Lei 8.383/91 e na autorização expressa da sentença judicial. A compensação não depende de pedido do contribuinte à Receita Federal, nem de sentença transitada em julgado, mesmo após o advento da Lei Complementar 104/01, que inclui o art. 170A, no CTN, pois a aplicabilidade do dispositivo se restringe à modalidade de compensação que extingue o crédito tributário, e o art. 170A não se aplica nos casos de compensação fundada no permissivo do art. 66, da Lei 8.383/91. Ainda que assim não fosse, a compensação dos valores recolhidos indevidamente anteriormente ao início da Lei Complementar 104/01 não se sujeitam à novel regra, em face do direito adquirido do contribuinte. A multa exigida em percentual tão elevado agride o patrimônio do contribuinte, residindo, aí, sua natureza confiscatória, algo que é vedado e repudiado pelo sistema constitucional,. Finaliza, requerendo que sejam acolhidas as preliminares, com o fim de conhecer e apreciar a impugnação antes interposta e que sejam declarados nulos/improcedentes os autos de infração 51.037.2171 e 51.037.2184. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 É o relatório. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14098.720044/201355 Acórdão n.º 2301003.902 S2C3T1 Fl. 574 7 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega tempestividade da impugnação apresentada, argumentando que, por força do Princípio Constitucional, a ampla defesa e o devido processo legal estão garantidos, assegurando ao recorrente, no caso presente, o Município de Poconé, a apreciação e julgamento de suas irresignações. Contudo, em nenhum momento a autoridade julgadora deixou de conhecer a impugnação alegando intempestividade. Portanto, esses argumentos trazidos em preliminar são estranhos ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao AI em discussão, motivo pelo qual não conheço de tais argumentos. Verificase que a impugnação apresentada pela recorrente foi conhecida e devidamente analisada pelas autoridades de primeira instância administrativa, que a julgaram improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Assim, não conheço do recurso em relação à preliminar. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que é descabida a alegação da incidência do artigo 3o, da lei complementar 118/05, e que o STJ determinou que fosse aplicada a tese dos cinco mais cinco. Todavia, cumpre observar que a matéria relativa à regra prescricional para a compensação é objeto de discussão judicial, o que implica em renúncia ao contencioso administrativo, acarretando o não conhecimento da parte do recurso que trata dessa matéria. A autuada insiste em afirmar que a legislação em vigência autoriza que o contribuinte, verificando o recolhimento indevido, compense, independentemente de decisão judicial, o valor do indébito. De fato, os normativos citados pela recorrente autorizam as compensações, desde que sejam observadas as condições ali expostas, quais sejam, que a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados, e que o direito de efetuar compensação prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. Assiste razão à recorrente quando afirma que não há a necessidade de autorização prévia da administração tributária para a compensação de tributos e contribuições Fl. 577DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 federais que tenham sido recolhidos a mais ou indevidamente, com futuros débitos de exações da mesma espécie, conforme base no art. 66, da Lei 8.383/91, que permite o acertamento. No entanto, devese observar que o caráter facultativo da compensação não desobriga o contribuinte do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional e a Lei 8.212/91. Assim, se em uma ação fiscal ficar constatada a compensação de valores em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Cumpre lembrar que as contribuições previdenciárias, por possuírem natureza tributária, são regidas pelo Código Tributário Nacional – CTN e pelas normas previdenciárias. E o artigo 170A, do CTN, veda a compensação efetuada pela empresa: Art.170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). No caso em tela, o débito lançado teve origem na glosa da compensação efetuada pela empresa nas competências de 01/2009 a 07/2012. Todavia, as compensações que a empresa realizou não possuem amparo legal, pois não havia, à época, decisão judicial transitada em julgado e a recorrente não efetuou as retificações na GFIP, além de ter compensado valores recolhidos em período que, nos termos do Decreto 3.048/99 e da IN 15, já se encontravam prescritas por ocasião do início da compensação, ou seja, a partir 01/2009. Ademais, conforme art. 253, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/91, o direito de compensar valores recolhidos indevidamente extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido: Art. 253. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; E o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de decreto, conforme disposto em seu art. 62. Assim, o direito de compensar os valores recolhidos a título de contribuição sobre a remuneração dos detentores de mandato eletivo encontrase parcialmente coberto pelo instituto da decadência. Portanto, a Fazenda Pública, conforme dizeres do CTN, apenas pode compensar suas dívidas e créditos quando a lei autorizar. E como o ato praticado pela administração pública é vinculado, o seu agente só pode agir em conformidade com o que a norma determina. E os normativos legais citados não autorizam a compensação realizada. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14098.720044/201355 Acórdão n.º 2301003.902 S2C3T1 Fl. 575 9 E como o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento da totalidade dos valores devidos à Previdência Social, lavrou o presente AI, em observância aos ditames legais. A empresa insiste em afirmar que tem direito à compensação de valores recolhidos indevidamente. Contudo, deve observância à legislação que trata da matéria. Ocorre que a empresa ingressou com ação objetivando a declaração do direito de compensar sem os limites de prazo preconizados pela LC 118/05. Ou seja, ela pleiteia na Justiça o direito de compensar valores sem observar as condicionantes trazidas pelos normativos legais. E é essa ação que ainda não transitou em julgado. Porém, em que pese a ação não ter transitado em julgado, mesmo assim a recorrente realizou a compensação, sem, contudo, observar os prazos prescricionais previstos nos normativos previdenciários, e sem retificar as GFIPs. Entretanto, o procedimento adotado pela autuada não possui amparo legal, uma vez que toda empresa (e a municipalidade é comparada à empresa por força de lei) está sujeita às limitações impostas pela legislação para compensar os valores recolhidos indevidamente. A recorrente não observou as condições para a compensação trazidas pelo Decreto e pelas INs, no que se refere à prescrição e à correção de GFIP, e a ação judicial ingressada para que não precisasse respeitar essa primeira condição ainda não transitou em julgado. Vêse, da decisão prolatada nos autos da ação judicial impetrada pela recorrente em face da União, que o próprio Juiz também entendeu que a recorrente somente poderia efetuar as compensações após o trânsito em julgado da ação. Tal decisão judicial vem corroborar o entendimento da fiscalização e da DRJ de que a autuada não poderia ter realizado a compensação sem o trânsito em julgado da ação. A autuada insurgese contra a retificação das GFIPs, argumentando não querer excluir o nome do segurado por completo dos registros da Previdência Social, e por não querer retirar, do agente político, o direito a receber a contraprestação estatal pelo tempo que contribuiu. Ora, a pretensão da recorrente não resiste a uma análise crítica, uma vez que, de um lado, ela sustenta que os tributos que estão sendo compensados foram recolhidos em desconformidade com os preceitos constitucionais e ditames legais, uma vez que a alínea h, do inciso I, do art. 12, da lei 8.212/91 foi declarada inconstitucional, e do outro, quer manter os agentes políticos nas GFIPs, mesmo eles não sendo, à época, segurados do RGPS. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Ou seja, ela pretende manter os agentes políticos em suas GFIPs, chancelando, assim, uma situação inexistente, gerando um benefício previdenciário indevido, mas sem querer contribuir com a previdência social relativamente à remuneração paga a esses agentes, uma vez que compensou as contribuições recolhidas à época. Todavia, como exaustivamente exposto acima, a pretensão da recorrente não encontra amparo legal. Nesse sentido, a autoridade fiscal, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, agiu em estrita observância aos normativos que regem o lançamento, efetuando a glosa da compensação indevida, e lançando o presente débito. Quanto à alegação de que não é necessário analisar as folhas de pagamento, no caso em concreto, cumpre esclarecer que cabe à fiscalização e à legislação, e não ao sujeito passivo, estabelecer quais os documentos são necessários para a apuração do crédito previdenciário. No caso concreto, ao contrário do que afirma a recorrente, as folhas de pagamentos são, sim, imprescindíveis para a verificação do salário de contribuição dos agentes políticos, à época, e para confirmar a veracidade das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP. E, ao deixar de apresentar toda a documentação reiteradamente solicitada pela fiscalização por meio de TIFs, a recorrente deixou de comprovar que os valores compensados se referem às contribuições recolhidas, incidentes sobre o pagamento aos prefeitos e vereadores. A recorrente compensou, ainda, as contribuições recolhidas sobre abono pecuniário, 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, terço constitucional de férias e horas extras, entendendo que tais verbas, por possuírem caráter indenizatório, não podem sofrer incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, eis que as mesmas não possuem natureza salarial, sendo que, a toda evidência, as horasextras e o respectivo adicional não se incorporam ao salário, nos termos do Enunciado 291, do TST; No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que o 1/3 de férias, as horas extras, 15 primeiros dias de auxíliodoença, pagos pela Prefeitura aos segurados vinculados ao RGPS, Fl. 580DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14098.720044/201355 Acórdão n.º 2301003.902 S2C3T1 Fl. 576 11 não estão incluído nas hipóteses legais de isenção previdenciária previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91 devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. Dessa forma, tais rubricas se enquadram no conceito legal de salário de contribuição, devendo, portanto, serem mantidos no lançamento. Cumpre salientar ainda que toda a jurisprudência trazida pela recorrente para reforçar o entendimento que não incide contribuições sobre horas extras, terço constitucional e primeiros 15 de auxíliodoença se refere ao Servidor Público, vinculado à Regime Próprio de Seguridade Social, o que não é o caso dos presentes autos. A glosa efetuada, objeto do lançamento ora discutido, se refere às compensações que o Município efetuou referentes às contribuições recolhidas incidentes sobre as remunerações dos segurados vinculados ao RGPS. Portanto, não é objeto do presente lançamento a contribuição sobre remuneração de servidor vinculado a regime próprio, e sim sobre a remuneração de segurados vinculados ao RGPS. Em relação ao abono pecuniário, a fiscalização afirmou, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal, que tal rubrica não foi oferecida à tributação pelo sujeito passivo, tampouco efetuado os recolhimentos pertinentes, tendo sido os valores compensados a esse título glosados e constituído o crédito tributário correspondente. Portanto, esses créditos que a recorrente alega possuir não existem. Nesse sentido, verificase que o AI DEBCAD 51.037.2171 foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a incorreção das compensações efetuadas pela autuada, fazendo constar, nos relatórios que compõem o AI, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto de Infração e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. A recorrente insurgese, ainda, contra o valor da multa aplicada. A fiscalização fundamentou a aplicação da multa isolada nos §§ 9o e 10o, do art. 89, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, transcritos a seguir. Art. 89 (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no Fl. 581DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Da leitura dos dispositivos legais transcritos acima, concluise que a possibilidade de aplicação da multa isolada de 150% está atrelada à comprovação da falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo, por meio da GFIP. Entretanto, entendo que não basta que a compensação seja qualificada como indevida, devendo ser comprovada a falsidade da declaração. Assim, não é o simples inadimplemento que configura a situação da multa isolada, mas a sua realização qualificada, ou seja, mediante o emprego da falsidade, e que deverá estar comprovada nos autos. Segundo De Plácido e Silva, entendese por falso “o que não é verdadeiro, o que não é real, e é feito para engano ou impostura”. E impostura, para o Mestre, é “todo embuste, embaimento ou engano, em virtude do que se quer ou se tenta induzir outrem a crer ou admitir o que não é real nem verdadeiro”. Portanto, o Ilustre Autor relaciona “falsidade” com “ardil, manobra ou artifício usado por uma pessoa para iludir outrem”. No presente caso, a fiscalização não comprovou que houve falsidade nas declarações apresentadas pela recorrente e, pelo que consta dos autos, não me parece que as declarações de compensação prestadas pelo Município de Poconé possam ser qualificadas como falsas. A recorrente apenas compensou valores que, no seu entendimento, foram recolhidos indevidamente. Contudo, conforme amplamente exposto acima, as compensações realizadas pela recorrente não encontram amparo legal, e foram, portanto, glosadas com muita propriedade pela autoridade autuante. Porém, tal constatação se mostra insuficiente para caracterizar a falsidade das respectivas declarações prestadas. Não se vislumbra, no caso em tela, qualquer tentativa da autuada no sentido de iludir o fisco. Assim, entendo que somente caberia a imposição da multa isolada de 150% nos casos em que restassem comprovada a falsidade na informação em GFIP, o que não ocorreu no processo ora sob análise. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluída, do valor lançado, a multa isolada imposta. É como voto Fl. 582DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14098.720044/201355 Acórdão n.º 2301003.902 S2C3T1 Fl. 577 13 Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 583DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.000220/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS VEEMENTES DE INIDONEIDADE DE RECIBOS. LEGÍTIMA EXIGÊNCIA DE OUTROS MEIOS DE PROVA. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. GLOSA PROCEDENTE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento foram apontados indícios veementes que afastaram a ordinária presunção de veracidade e idoneidade dos recibos, e o recorrente não trouxe elementos consistentes a fim de afastar a imputação fiscal.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
A dedução de despesas com instrução, quando glosadas, somente são restabelecidas se comprovadas com documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS VEEMENTES DE INIDONEIDADE DE RECIBOS. LEGÍTIMA EXIGÊNCIA DE OUTROS MEIOS DE PROVA. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. GLOSA PROCEDENTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento foram apontados indícios veementes que afastaram a ordinária presunção de veracidade e idoneidade dos recibos, e o recorrente não trouxe elementos consistentes a fim de afastar a imputação fiscal. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. A dedução de despesas com instrução, quando glosadas, somente são restabelecidas se comprovadas com documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 345 1 344 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.000220/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.843 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente VALDIR LAMOUNIER PASSOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS VEEMENTES DE INIDONEIDADE DE RECIBOS. LEGÍTIMA EXIGÊNCIA DE OUTROS MEIOS DE PROVA. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. GLOSA PROCEDENTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento foram apontados indícios veementes que afastaram a ordinária presunção de veracidade e idoneidade dos recibos, e o recorrente não trouxe elementos consistentes a fim de afastar a imputação fiscal. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. A dedução de despesas com instrução, quando glosadas, somente são restabelecidas se comprovadas com documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 02 20 /2 00 8- 41 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Auto de Infração contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 24.878,52, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 28/12/2007. Conforme se depreende do Auto de Infração às fls. 04/10, a autoridade fiscal em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, efetuou lançamento de ofício, tendo em vista a apuração das seguintes infrações: 1. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual), conforme especificado abaixo: Dedução Indevida de Despesas Médicas Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 7.790,00 75,00 31/12/2005 R$ 17.000,00 75,00 31/12/2006 R$ 17.720,00 75,00 Dedução Indevida de Despesa com Instrução Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 2.964,45 75,00 31/12/2005 R$ 744,25 75,00 31/12/2006 R$ 364,84 75,00 Em 01/10/2007, foi lavrado o Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 20/21), no qual intimou o contribuinte à apresentar os seguintes documentos: 1. Originais e cópias dos comprovantes das despesas médicas informadas nas declarações de IRPF referentes aos exercícios de 2005 a 2007 (anos calendários de 2004 a 2006). Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.000220/200841 Acórdão n.º 2102002.843 S2C1T2 Fl. 346 3 2. Originais e cópias dos comprovantes de despesas de instrução informadas nas declarações de IRPF referentes aos exercícios de 2005 a 2007 (anos calendários de 2004 a 2006). 3. Originais e cópias dos comprovantes de dependência em relação a todas as pessoas relacionadas no Quadro 08 de suas declarações de IRPF referentes aos exercícios de 2005 a 2007 (anos calendários de 2004 a 2006). 4. Microfilmagens dos cheques ou extratos bancários com indicação de saques coincidentes em data e valores que comprovem os pagamentos que teriam sido efetuados a: Beneficiário CPF/CNPJ Exercício Marcelo A. Brugnara 532.984.46653 2006 e 2007 Mariza Lima Máfia 270.468.93691 2007 Aline C. P. de Faria 032.216.01.02600 2007 Roberta Jardim Prates 045.757.57608 2007 Em 12/11/20078, o contribuinte acostou os documentos de fls. 29/133, os quais foram confrontados com as informações constantes nas declarações de IRPF referentes aos exercícios de 2005 a 2007, sendo verificado que, conforme se insere do Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/19), excertos transcritos abaixo: “[...] em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal, que a EMPRESA DE PARTICIPAÇÕES E MEDICINA CONSULTE LTDA aparece como beneficiária de pagamentos, utilizados para dedução da base de calculo do Imposto de Renda Pessoa Física, que somaram R$ 1.006.247,50 no ano de 2003 e R$ 1.759.439,52 no ano de 2004. Tais valores, contudo, não foram informados pela empresa nas declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ — correspondentes. [...] Em 22/12/05, o Sr. Mauricio Duarte, CPF n° 492.072.37687, compareceu a esta Delegacia e afirmou que, por se encontrar em dificuldades financeiras, utilizouse da empresa para fornecimento de recibos médicos e/ou odontológicos sem a correspondente prestação de serviços. De acordo com informações prestadas pelo Sr. Mauricio Duarte, constatouse que a empresa desempenhava as atividades de intermediação de serviços médicos e odontológicos. Do valor cobrado dos pacientes, a empresa ficava com um percentual (50%) e o restante repassava ao profissional médico ou dentista. [...] Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Assim, concluiuse que todos os contribuintes que informaram em suas Declarações de Ajuste Anual, pagamentos à empresa CONSULTE a titulo de despesas médicas e/ou odontológicos, não tiveram efetivamente os ditos tratamentos prestados pela empresa sob fiscalização. [...] A Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, então, elaborou Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (cópia às fls. 137 a 143), que foi homologada pelo Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte, tendo sido publicado o Ato Declaratório Executivo n.° 138, de 14/12/2006 (cópia à fl. 144 ). Entre os contribuintes que informaram em suas declarações de IRPF despesas médicas junto A empresa CONSULTE, constou o nome do Sr. Valdir Lamounier Passos. [...] Considerando o fato de o contribuinte haver informado em sua declaração de IRPF referente ao exercício de 2005 despesas junto a CONSULTE, não realizadas efetivamente, com o claro objetivo de reduzir o valor de Imposto de Renda devido, foram analisadas as demais despesas médicas declaradas em suas últimas declarações de IRPF, no intuito de verificar se procedimento semelhante, isto é, informar despesas não realizadas efetivamente, ocorreu em relação a outros profissionais liberais. [...] analisando os referidos extratos bancários não consegui identificar correspondência alguma entre datas e valores dos saques realizados com as dos recibos apresentados [...] em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil verifiquei que centenas de pessoas informaram, em suas declarações de IRPF referentes aos exercícios de 2003 a 2007, pagamentos de despesas médicas ao Sr. Marcelo Alberto Brugnara que totalizaram a inacreditável quantia de R$ 2.262.874,6. O profissional, por sua vez, declarou ter recebido no período montante infinitamente inferior a esse. Também é digna de registro a despesa médica informada pelo contribuinte junto à psicóloga Roberta Jardim Prates. A referida psicóloga emitiu 12 (doze) recibos de R$ 460,00 cada, entre 27/01/2006 e 22/12/2006, correspondentes a "atendimentos psicoterapicos”. [...] Às fls 137/144, consta Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz em relação à empresa Consulte LTDA. Em 07/01/2008 foi lavrado o Auto de Infração (fls. 04/10), do qual o contribuinte foi cientificado em 23/01/2008 (fl. 202). Irresignado, o interessado apresentou impugnação em 14/02/2008 (fls. 162/166), instruída com os documentos de fls. 167 e seguintes, e, em síntese, alega que: Tempestivamente cumpriu a intimação feita pelo auditor apresentando os comprovantes de despesas médicas e esclarecendo que fazia os pagamentos em espécie, motivo pelo Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.000220/200841 Acórdão n.º 2102002.843 S2C1T2 Fl. 347 5 qual não havia em sua conta corrente os valores coincidentes com os respectivos recibos. No tocante as despesas com instrução, informa que no dia 12/02/2008 foi realizada retificadora da Declaração de Imposto de Renda referente ao exercício 2006 em que foi corrigido o erro contábil. As demais retificadoras exercício 2007 e 2005 ainda não foram enviadas em virtude de problemas técnicos no envio (documentos anexos). Quanto as despesas glosadas referente aos profissionais Marcelo A Brugnara, Mariza Lima Mdfia, Aline C. P. de Faria e Roberta Jardim Prates não há amparo legal pois os recibos apresentados preenchem os requisitos previstos no art. 8°, §2° , III da Lei n° 9.250/95. A não apresentação de extratos bancários correspondentes aos recibos, também, não pode ensejar a glosa dos mesmos, uma vez que a legislação brasileira não determinou a correspondência dos recibos com os saques bancários. Nada impede que o contribuinte faça retiradas/saques, até mesmo diários e pague suas contas em dinheiro. Embora feita a pesquisa pela auditora fiscal nada corrobora a alegação de que o contribuinte não se utilizou dos atendimentos psicoterapicos comum o atendimento supervisionado, feito por acadêmicos, sendo o ato da formatura uma formalidade. Nada comprova a não utilização dos atendimentos e por conseguinte a glosa dos referidos recibos. O mesmo raciocínio pode ser aplicado para a glosa de despesas médicas de Marcelo Alberto Brugnara. Se o profissional declarou ter recebido montante inferior ao valor apurado pela Receita Federal, por si só, não significa que o declarado pelo contribuinte seja passível de glosa. Requer o acolhimento da impugnação e o reconhecimento da procedência parcial do lançamento. A turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme se depreende do Acórdão nº 0230.900 da 9ª Turma da DRJ/BHE às fls. 275/284. A contribuinte foi intimada da decisão a quo por meio postal, através de carta AR, em 15/04/2011. Sobreveio Recurso Voluntário em 16/05/2011 (fls. 289/295), desacompanhado de documentos, no qual a contribuinte reprisou as alegações da impugnação, sem acrescentar razões no mérito. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que o Recorrente não acostou nenhum documento que fundamente suas razões junto ao Recurso, conforme será exposto a seguir. Inicialmente, cabe ressaltar que é inegável que recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados e quando não há prova do efetivo pagamento. Portanto, a decisão sobre a dedutibilidade ou não das despesas médicas merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo Fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção desta julgadora. Dito isso, passase ao exame dos documentos apresentados pelo contribuinte, a luz da legislação que regula a matéria: “Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). No que tange aos recibos emitidos pelo profissional da área odontológica, Marcelo A. Brugnara, verificase que no lançamento foram apontados indícios veementes que afastam a ordinária presunção de veracidade e idoneidade daqueles recibos (fls. 58/63), tendo Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.000220/200841 Acórdão n.º 2102002.843 S2C1T2 Fl. 348 7 em vista que o Recorrente não trouxe elementos consistentes a fim de afastar a imputação fiscal. Nesse sentido, embora o Contribuinte argumente que efetivamente realizou os pagamentos, o fato é que não apresentou provas, seja da efetividade dos serviços contratados, seja dos respectivos pagamentos realizados. Assim, o pagamento a título de despesas com tratamento de odontologia não se comprova quando o interessado não carreou aos autos qualquer prova adicional da prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. Ademais, é significativo o elevado valor dos recibos emitidos pelo profissional supra, na sua maioria datado de 11/01/2005 (fls. 59/63), os quais somam em um ano o valor de R$ 37.000,00, tendo como beneficiário dos serviços o próprio contribuinte e seus dependentes. Quanto aos recibos emitidos pela profissional Mariza Lima Máfia, também da área odontológica, os quais totalizam R$ 2.100,00 (fls. 64/65), bem como os recibos emitidos pela psicóloga Roberta Jardim Prates (fls. 70/73), nos valores de R$ 460,00 cada, totalizando R$ 5.520,00, verificase que não há a comprovação do pagamento e nem do efetivo serviço prestado, tão pouco endereço das profissionais prestadoras dos serviços, portanto, não atendem os requisitos estabelecidos no §2º do art. 8º da Lei 9.250/95. Da análise dos autos, vislumbrase ainda, um único recibo no valor de R$ 5.000,00, datado de 22/12/2006 (fl. 67), que se refere às consultas realizadas durante o ano de 2006, pela fonoaudióloga Aline Cristina Pires de Faria ao contribuinte e à Naiara Lamounier Ribeiro, dependente daquele. Da análise do documento acostado, é notório e expressivo o elevado número de consultas tendo como beneficiaria do serviço Naiara Lamounier Ribeiro, que totaliza 92 consultas durante o ano, variando entre 9 e 8 consultas por mês. Com acerto o acórdão recorrido consignou que a existência de indícios fortes e convergentes autoriza a exigência de outros elementos além dos recibos, ao passo que o Recorrente não trouxe nenhum elemento consistente de que tenha efetivamente se beneficiado dos tratamentos com os profissionais já citados, tão pouco que tenha pago os valores que constaram nos recibos. Em se tratando de despesas de valores altos, o pagamento poderia ser facilmente comprovado através de extratos bancários, todavia, estes constam em fls. 74/136 e não guardam qualquer relação com as despesas declaradas pelo Recorrente. Nestes autos, consta ainda Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz às fls. 137/143, relativamente a idoneidade dos recibos emitidos pela Empresa de Participações e Medicina Consulte Ltda. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/19), os recibos emitidos pela empresa Consulte Ltda, tendo como sócio Maurício Duarte, não são suficientes para provar o pagamento das despesas declaradas, conforme excertos transcritos abaixo, e, inclusive, cabe ressaltar que o Recorrente sequer acostou tais recibos aos autos e não fez prova dos pagamentos declarados à esta empresa. “[...] Inclusive, não foi acostado nos autos qualquer recibos relativo as despesas declaradas, e consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/19), que Em 22/12/05, o Sr. Mauricio Duarte, CPF n° 492.072.37687, compareceu a esta Delegacia e Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 afirmou que, por se encontrar em dificuldades financeiras, utilizouse da empresa para fornecimento de recibos médicos e/ou odontológicos sem a correspondente prestação de serviços. De acordo com informações prestadas pelo Sr. Mauricio Duarte, constatouse que a empresa desempenhava as atividades de intermediação de serviços médicos e odontológicos. Do valor cobrado dos pacientes, a empresa ficava com um percentual (50%) e o restante repassava ao profissional médico ou dentista. [...] Assim, concluiuse que todos os contribuintes que informaram em suas Declarações de Ajuste Anual, pagamentos à empresa CONSULTE a titulo de despesas médicas e/ou odontológicos, não tiveram efetivamente os ditos tratamentos prestados pela empresa sob fiscalização. [...] Finalmente, quantos as despesas com instrução (fls. 29/57), também merece ser mantida a glosa efetuada pelo fisco, tendo em vista que o Recorrente não se desincumbiu de comprovar a totalidade dos pagamentos declarados ao Colégio Espanhol Santa Maria, isso porque, dá analise dos documentos acostados, o Contribuinte comprovou pagamento em menor valor do que o efetivamente declarado. No que se refere a alegação do contribuinte de que realizou a retificação das despesas com instrução, é pertinente transcrever excertos da decisão a quo, que bem fundamentou suas razões para manter a glosa efetuada pelo Fisco: “ [...] Sobre a retificação de declaração, dispõe o artigo 147, §1°, da Lei n2 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) : Art. 147 (...) § 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifei) Este mesmo principio norteia o disposto no artigo 21 do DecretoLei n° 1.967/82 e no artigo 6° do DecretoLei n° 1.968/82, incorporados no artigo 832 do Regulamento do Imposto de Renda (R1R11999) aprovado pelo Decreto n° 3.000/99: "Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de oficio (DecretoLei n 2 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei n2 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6 2)." (grifo nosso). Segundo a regra contida no artigo 147 acima transcrito, para exclusão ou redução de tributos são necessários dois pressupostos para que a retificação da declaração possa ser admitida: (1) comprovação de que foi cometido erro na elaboração da declaração e (2) pedido de retificação anterior à notificação de lançamento. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.000220/200841 Acórdão n.º 2102002.843 S2C1T2 Fl. 349 9 Pelo que se depreende dos fatos, não restou caracterizado erro no preenchimento da declaração, além do mais, o pedido para alteração das deduções é posterior notificação de lançamento: em outras palavras, nenhuma das duas condições para admissibilidade da retificação foi atendida, não devendo, portanto, ser acolhido o pleito do interessado. Assim, ratifico a decisão singular pelos seus próprios fundamentos. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10380.000767/2004-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
Ementa:
NULIDADE - AUSÊNCIA NOS AUTOS DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO (A.D.E.) - O A.D.E. DEMANDA QUE ESTEJAM PATENTEMENTE COMPROVADOS OS PRESSUPOSTOS FÁTICOS QUE IMPEDEM DE INTEGRAR O SIMPLES - OFENSA AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA.
O ato administrativo somente produz efeitos quando completo, formado e válido se editado respeitando o ordenamento jurídico vigente.
Ausência de elemento que ateste a superação do limite legal da receita bruta global da empresa.
Numero da decisão: 9101-001.115
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), João Carlos de Lima Júnior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Júnior e Viviane Vidal Wagner, que lhe davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fez sustentação oral WALTER HUBMANN RG 5.653.078-SSP-BA.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Júnior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), João Carlos de Lima Júnior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Júnior e Viviane Vidal Wagner, que lhe davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fez sustentação oral WALTER HUBMANN RG 5.653.078-SSP-BA. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Júnior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner e Susy Gomes Hoffmann.
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O A.D.E. DEMANDA QUE ESTEJAM PATENTEMENTE COMPROVADOS OS PRESSUPOSTOS FÁTICOS QUE IMPEDEM DE INTEGRAR O SIMPLES OFENSA AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. O ato administrativo somente produz efeitos quando completo, formado e válido se editado respeitando o ordenamento jurídico vigente. Ausência de elemento que ateste a superação do limite legal da receita bruta global da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), João Carlos de Lima Júnior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Júnior e Viviane Vidal Wagner, que lhe davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fez sustentação oral WALTER HUBMANN – RG 5.653.078SSPBA. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 07 67 /2 00 4- 05 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 94 2 Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Júnior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner e Susy Gomes Hoffmann. Relatório A D. Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, valendose da prerrogativa que lhe é facultada pelo inciso I do art. 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria n° 147, de 25.06.2007, contra a decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de conversão do julgamento em diligência para juntada aos autos do Ato Declaratório e, por unanimidade, anulou o processo a partir do ADE, restabelecendo a opção pelo Simples. A decisão recorrida está consubstanciada no Acórdão n° 30333.096, cuja ementa é, a seguir, transcrita: "EXCLUSÃO DO SIMPLES CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO. A ausência do Ato Declaratório de Exclusão nestes autos impossibilita verificar em que termos foram explicitados os motivos da exclusão. A insistência da decisão recorrida em argumentar pelo impedimento baseada no fato de sócio participar de outra empresa com mais de 10% do capital social configura cerceamento ao direito de defesa. Embora tenha ficado comprovada a participação de sócio da empresa optante do SIMPLES em mais de 10% do capital de outra empresa, nada há nos autos que comprove se o faturamento global das empresas superou o limite máximo estabelecido na lei para a permanência da empresa de pequeno porte no regime simplificado. A causa impeditiva prevista no art. 9°, IX da lei de regência do SIMPLES exige a simultaneidade das situações. Anulado o processo a partir do ADE. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 95 3 A nulidade deste processo impõe o restabelecimento da opção da empresa pelo SIMPLES. Processo anulado ab initio. A PFN invoca contrariedade à prova dos autos, e pede anulação da decisão e retorno dos autos para nova apreciação, para que se converta o julgamento em diligência. Alega estar evidente nos autos que havia elementos mais que suficientes para que se acatasse a diligência. Pondera o representante da Fazenda Nacional que o motivo da exclusão foi a participação de sócio ou titular da empresa em mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global no ano de 2001 ter ultrapassado o limite de opção pelo simples. Diz que o próprio acórdão recorrido e a decisão de primeira instância reconheceram que há nos autos provas de participação de sócio em mais de 10% do capital de outra empresa, havendo dúvida concreta de que a receita bruta global no ano de 2001 tenha ultrapassado o limite global pela legislação do Simples. A Presidente da Câmara recorrida admitiu o recurso. Em contrarrazões, o contribuinte postula pela inadmissão do recurso,alegando que não houve decisão contrária à lei, e que as provas constantes dos autos foram suficientes para que os Julgadores da Terceira Câmara entendessem pela nulidade do processo. Diz que a declaração de nulidade foi unânime, e que o Recurso Especial não poderia ter sido admitido, por não estar dentro dos parâmetros exigidos pelo Regimento Interno. Quanto ao mérito, deduz os seguintes argumentos: O ato administrativo é fundamental seja para produzir seus efeitos jurídicos, o de excluir a Recorrente do SIMPLES, seja para viabilizar a lide instaurada no feito. O ato administrativo somente produz efeitos quando completo, formado e válido se editado respeitando o ordenamento jurídico vigente. O ato perfeito deve ser completo, composto por motivo, conteúdo, finalidade, forma, assinatura da autoridade competente e que atenda ao princípio da publicidade. Estes são os pressupostos de existência; a falta de qualquer deles, torna o ato administrativo inexistente. O Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES como ato administrativo obedece às mesmas regras. Sua ausência nos autos, enseja a falta de conteúdo do ato administrativo, que é a modificação que o ato iria propor na realidade fática (exclusão), bem como da motivação (razão da exclusão) da medida administrativa e por final se o ato por não estar presente, carece de forma. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 96 4 Ressaltase que o ato administrativo ora guerreado deve compor os autos para que seja apreciada sua procedência segundo os ditames legais, além da motivação da medida administrativa de exclusão; medida esta que se equipara ao lançamento, que cria a relação jurídica obrigacional constituindo o débito tributário que é instrumento indispensável, pressuposto para instauração do contraditório, bem como requisito essencial para a existência do processo, caso os sujeitos da relação obrigacional divirjam sobre as obrigações dele decorrentes. Verificouse nos presentes autos, a inexistência de Ato Declaratório de Exclusão. Desta feita, temse por inadmissível que se imponha, ao recorrente, obrigação decorrente de lei sem a existência de Ato Declaratório de Exclusão, quando advinda da atividade administrativa fiscal. O Ato Administrativo formalizado por meio de Ato Declaratório de Exclusão importa na validade formal da manifestação da vontade do Poder Executivo, isto é, representa o veículo pelo qual se exclui um contribuinte do regime simplificado. É a materialização da declaração dos agentes públicos fiscais, em que se anota o objeto e o motivo pelo qual a empresa está impedida de integrar o regime tributário, bem como a competência, a forma e a finalidade do ato administrativo. Todos esses requisitos são devidos para permitir ao particular uma real noção do porque está sendo impedido de integrar o Simples. São absolutamente necessários, pois acaso queira provar a incoerência das alegações do fisco ou alegar outros fatos que desconstituam esses fundamentos, poderá delimitar pontualmente' os argumentos de sua pretensão. Buscase, com isso, preservar o princípio da ampla defesa e a segurança jurídica nas relações entre administração e administrado, extirpando eventual abuso de poder. Nos dizeres do professor Bandeira de Mello "Sem os pressupostos de existência e validade faltará o indispensável para a produção jurídica daquele objeto constituído pelos elementos, isto é, para o surgimento do ato jurídico qualquer (administrativo ou não, válido ou inválido)”, ou, então, faltará o requerido para a qualificação dele como ato administrativo (válido ou inválido). Isto implica dizer que sem os pressupostos de validade não há ato administrativo e, não havendo ato administrativo, não há efeitos jurídicos e administrativos a serem exteriorizados, estando o particular totalmente imune à atuação fiscal. Neste sentido, já se manifestou esse Conselho de Contribuintes, pela nulidade do processo que não possui Ato Declaratório de Exclusão, por limitação ao direito de defesa do contribuinte, que sequer tem ciência dos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 97 5 motivos de sua exclusão ou impedimento ao Simples, nos termos do Acórdão 30134.220, datado de 6 de dezembro de 2007: (...) E mais, como argumentado pelos julgadores, não existe nos autos nenhuma evidência, nenhuma prova documental, ou qualquer indicio de que a empresa tenha superado o limite de faturamento, pois à luz do art. 9º, IX, da Lei no 9.317/96, a simples participação de sócio de empresa optante em mais de 10% do capital social de outra empresa, não determina a exclusão do SIMPLES. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator Preliminarmente, o contribuinte postula pela não admissibilidade do recurso, sob alegação de que a decisão de anular foi unânime, não tendo sido atendido o requisito regimental, que pressupõe a não unanimidade para legitimar o recurso por contrariedade à lei e à prova. A decisão guerreada tem o seguinte teor. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência para juntada do ato declaratório de exclusão levantada pelo Conselheiro Tarásio Campelo Borges, vencido também o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. Por unanimidade de votos, declarar a nulidade do processo ab initio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Procuradoria se insurge contra a decisão de não converter o julgamento para juntada do ADE, e essa decisão foi por maioria, atendendo ao requisito de admissibilidade. O que se deve examinar, neste recurso especial, é se a decisão de não acolher a preliminar de diligência contrariou a lei e a prova dos autos. A matéria objeto do litígio é a legalidade do ADE que excluiu a empresa do SIMPLES. O direito processual pátrio consagrou o princípio da livre convicção do julgador baseada na prova dos autos (persuasão racional), e para tanto, atribui ao julgador o poder de determinar as diligências que entender necessárias para formar seu juízo sobre a questão que lhe é posta. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 98 6 A lei que rege o processo administrativo federal (Lei nº 9.784, de 1999) e o diploma que rege o processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/72), incorporam esse princípio, conforme se depreende dos seus artigos, respectivamente, 29 e 18, verbis: Lei nº 9.784/99 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Decreto nº 70.235/72 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Por simetria com o art. 18 acima reproduzido, temse que o não acolhimento de preliminar de diligência suscitada por um dos membros do Colegiado, no caso, só pode ter resultado de o Colegiado têla entendido prescindível para formar sua convicção a respeito da legalidade do Ato impugnado (pois, por óbvio, não era impraticável). Para que a rejeição da preliminar não contrarie a lei (que prevê a instrução de ofício para averiguar dados necessários à tomada de decisão, e a determinação realização de diligências necessárias), impõese analisar se os elementos contidos nos autos eram suficientes para invalidar o ADE e determinar a reinclusão da empresa no SIMPLES. Como se sabe, a invalidação do ato administrativo fazse por revogação ou anulação. A revogação dirigese ao ato legal e perfeito, mas inconveniente ao interesse público. Fundase no poder discricionário, não se compreendendo na competência do órgão julgador, que deve apenas exercer o controle da legalidade do ato. A anulação dirigese ao ato eivado de vícios que o tornam ilegítimo ou ilegal. Impugnado o ato pelo administrado, o julgador administrativo deve fazer o controle de sua legalidade, anulandoo se estiver em desacordo com a lei. Portanto, para anular o ADE, a Câmara deveria estar em condições de detectar nele ilegalidade. Porém anulouo sem apontar, no ato, uma só ilegalidade. Não obstante tenha entendido prescindível a diligência para juntada do ADE, o Colegiado recorrido, anulouo ao fundamento de que sua “ausência nos autos impossibilita verificar em que termos foram explicitados os motivos da exclusão”. Das duas, uma: (i) ou havia elementos nos autos suficientes para reconhecer que a exclusão foi ilegal, ou (ii) a ausência do ADE no processo impossibilitou a averiguação da legalidade da exclusão. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 99 7 A primeira hipótese não ocorreu, conforme se depreende da ementa e do voto condutor: EMENTA: A ausência do Ato Declaratório de Exclusão nestes autos impossibilita verificar em que termos foram explicitados os motivos da exclusão. A insistência da decisão recorrida em argumentar pelo impedimento baseada no fato de sócio participar de outra empresa com mais de 10% do capital social configura cerceamento ao direito de defesa. Embora tenha ficado comprovada a participação de sócio da empresa optante do SIMPLES em mais de 10% do capital de outra empresa, nada há nos autos que comprove se o faturamento global das empresas superou o limite máximo estabelecido na lei para a permanência da empresa de pequeno porte no regime simplificado. A causa impeditiva prevista no art.9°, IX da lei de regência do SIMPLES exige a simultaneidade das situações. Anulado o processo a partir do ADE no caso concreto, verificase simplesmente a mera informação de que o Ato Declaratório Executivo, que não consta destes autos, fora cientificado ao interessado em 29.08.2003. Além disso, não se informa a data de expedição do ADE, nem tampouco em que termos foram explicitados, naquele documento, os motivos da exclusão. VOTO: Afora uma singela menção ao art.9°, IX, da Lei 9.317/96, feita às fls.17 verso, na resposta à SRS encaminhada pelo interessado, como mera referência à norma abstrata que teria servido de base para o ato de exclusão, em todo o restante do processo, incluindo a decisão recorrida, o motivo foi tratado como sendo a tão só participação de sócio com mais de 10% no capital social de outra empresa, não havendo nenhuma evidência ou comprovação de que se tenha excedido o limite de faturamento global previsto na norma de regência. Ora, a simples participação de sócio de empresa optante em mais de 10% do capital social de outra(s) empresa(s), por si só, não determina à luz do art.9°, LX, da Lei 9.317/96, a exclusão do SIMPLES. Nestes autos não há nenhuma evidência, nenhuma prova documental nada que ateste que o faturamento global das empresas consideradas tenha superado o limite de faturamento. A situação exposta, a meu ver, configura cerceamento ao direito de defesa e impõe a nulidade do ADE expedido, porém ausente dos autos, determinando a nulidade do processo a partir do referido ato declaratório executivo. Pelo exposto, voto pela nulidade do processo a partir do ADE, impondose o restabelecimento da opção da empresa pelo SIMPLES. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 100 8 Como visto, a decisão fundouse no fato de que a ausência do ADE impedia o conhecimento dos termos em que foram explicitados os motivos da exclusão, para saber se foi considerado, além do fato da participação em outra empresa com mais de 10%, o parâmetro do limite de receita. A anulação do processo a partir do ADE, inclusive, seria possível se as provas dos autos indicassem que a motivação levou em conta apenas a participação em outra empresa, sem considerar a receita. Mas não é isso que se constata Emerge do processo, conforme consta da SRS apresentada pelo contribuinte (fls. 17), que a motivação do ADE para a exclusão foi o evento 311: “Sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal” (está identificando o CPF do sócio e o CNPJ da outra empresa). Portanto, não há prova dos autos que permita concluir que a exclusão teve por motivação tão somente a participação de um dos sócios em outra empresa, sem levar em consideração a receita auferida. A indicação é, exatamente, em sentido contrário. Se os julgadores entendiam que a menção expressa da motivação da exclusão na SRS não era suficiente para ter certeza de que essa mesma motivação constou do ADE, então era imprescindível a conversão do julgamento em diligência para suprir essa falha. Sintetizando: A prova dos autos indica que a exclusão levou em conta a receita auferida pelas sociedades em conjunto. Consta SRS apresentada pelo contribuinte que registra expressamente que a motivação da exclusão levou em conta esse fato. Diante disso, ou os julgadores analisam a legalidade do ato em confronto com essa motivação (“Sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal), ou entendem que há necessidade de confirmar se o registrado na SRS coincide com o registrado no ADE. Se há necessidade de confirmação, a diligência não é prescindível. Assim, contraria a prova dos autos rejeitar a diligência (para juntada do ADE), que se prestaria para confirmar informação que consta do processo e anular o processo pela ausência do ADE. Ao informar os embargos de declaração (para fins de exame de admissibilidade) apresentados pela PFN, assentou o Relator do voto condutor do acórdão recorrido: Conforme se vê às fls. 68 o voto condutor propõe com clareza o reconhecimento de nulidade do ADE por cerceamento ao direito de defesa. O ADE nem consta dos autos, e afora uma breve referência à norma abstrata prevista no inciso IX do art.9° da Lei 9.317/96, às fls.17verso, em todo o restante do processo, incluindo o voto condutor do acórdão da decisão recorrida, o motivo da exclusão foi o tempo todo tratado como sendo a tão só participação de sócio com mais de 10% no capital social de outra empresa. E assim, conforme se vê às fls. 46/56, foi arecorrente Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 101 9 induzida a contestar apenas este aspecto Ora, a simples participação de sócio da empresa optante com mais de 10% do capital social de outra empresa, por si só, não representa motivo de exclusão. Aí se caracterizou de plano o cerceamento ao direito de defesa que revela a nulidade absoluta do ADE e do processo. Ora, para afirmar que houve nulidade do ADE por cerceamento de defesa quanto a esse ato, era imprescindível que, ou a pessoa jurídica o houvesse argüido e demonstrado, o que não ocorreu, ou que o julgador pudesse verificálo, à vista do ADE. Como dizer que a defesa do contribuinte ficou cerceada pelo que consta do ADE sem examinálo? Como se depreende da informação acima reproduzida, a Câmara entendeu que a recorrente foi induzida a contestar tão só a participação de sócio com mais de 10% no capital social de outra empresa porque o motivo da exclusão foi o tempo todo tratado como sendo esse. Contudo, não é o que transparece dos autos. Na verdade, em momento algum, desde a SRS, o contribuinte dá a entender que não teria tido conhecimento da motivação completa da exclusão (Sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global superior ao limite global). Nada nos autos permite concluir que o contribuinte foi induzido a só se defender da participação conjunta. O fato de a defesa não abordar o aspecto da receita global não é suficiente para fazer presumir desconhecimento a acusação. Sua contestação se funda exclusivamente na alegação de que a participação do sócio Adolfo Bichucher Neto no seu capital era irrisória e próforma, para atender exigência do franqueador. Não teve por escopo desconstituir a acusação de que o Sr. Adolfo participava com mais de 10% do capital de outra empresa e que as duas juntas tinham faturamento superior ao limite legal. O que buscou a contribuinte convencer a administração tributária e o julgador foi que, de fato, o Sr. Adolfo não era seu sócio (ou que sua participação na sociedade não era representativa), e nesse passo, nada importava qualquer referência à receita global das empresas. Portanto, não havendo indicação nos autos de que o ADE não fez referência ao limite legal de receita global, não é possível concluir por sua nulidade por cerceamento de defesa. E se essa era uma dúvida real, a rejeição da preliminar requerendo sua juntada contraria a lei e a prova dos autos. Pelas razões declinadas, conheço do recurso da Fazenda Nacional e dou lhe provimento para anular o Acórdão n. 30333.093, com retorno dos autos à origem para ser juntado aos autos o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES e outros documentos que se entenda úteis, e retorno ao CARF para ser realizado novo julgamento. É como voto. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 102 10 Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann. A Turma entendeu, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de manter o acórdão recorrido, que anulou o processo, tendo em vista a ausência de Ato Declaratório de Exclusão nos autos. Designada para redigir o voto vencedor, declino aqui meu entendimento, consignando meu respeito aos fundamentos do voto vencedor. No caso, contribuinte fora excluído do Simples, sob o fundamento de que o “sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. É o que se constata da SRS apresentada pelo contribuinte (fls. 17 dos autos), conforme mencionado expressamente no voto vencido. No acórdão recorrido, estabeleceuse que: “Nestes autos não há nenhuma evidência, nenhuma prova documental nada que ateste que o faturamento global das empresas consideradas tenha superado o limite de faturamento. A situação exposta, a meu ver, configura cerceamento ao direito de defesa e impõe a nulidade do ADE expedido, porém ausente dos autos, determinando a nulidade do processo a partir do referido ato declaratório executivo. Pelo exposto, voto pela nulidade do processo a partir do ADE, impondose o restabelecimento da opção da empresa pelo SIMPLES” Pois bem, a exclusão do contribuinte do Simples demanda que estejam patentemente comprovados os pressupostos fáticos que impendemno de integrar o sistema especial de pagamento. No caso, conforme o artigo 9°, inciso IX, deveria estar claramente demonstrado que: a) o sócio ou titular participe com mais de 10% do capital de outra empresa; e b) e desde que a receita bruta global da empresa ultrapasse o limite global. Faltando, nos autos, a comprovação de qualquer um destes requisitos, não se tem como ratificar a exclusão do benefício do contribuinte. No caso dos autos, vêse que não há nenhum elemento que ateste a superação do limite legal da receita bruta global da empresa, de modo que esta não pode prevalecer. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10380.000767/200405 Acórdão n.º 9101001.115 CSRFT1 Fl. 103 11 Veja que não cabe ao contribuinte, em face da exclusão, comprovar que os seus requisitos não se encontram presentes. A fundamentação mesmo da exclusão é que deve demonstrar que os tais requisitos encontramse substancialmente preenchidos no caso concreto, de modo a tornar legítima a exclusão. No presente caso, a insubsistência da exclusão revelase ainda mais premente na medida em que não se tem, nos autos, o próprio Ato Declaratório de Exclusão. Sem este, o contraditório e a ampla defesa são, inequivocamente, atingidos, requerendo a anulação do processo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a decisão recorrida, no sentido de anular o presente processo administrativo fiscal, determinandose o restabelecimento da opção da empresa pelo Simples. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 Susy Gomes Hoffmann Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10235.001374/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. TÉCNICA DE LANÇAMENTO.
O lançamento sobre omissão de receitas é realizado apenas sobre a parcela omitida, que corresponde à diferença entre a receita bruta efetivamente auferida pela Contribuinte e a receita bruta constante das declarações apresentadas ao Fisco (que normalmente guarda correspondência com os tributos confessados/pagos pelo contribuinte).
OMISSÃO DE RECEITAS. REDUÇÃO DOS EFEITOS DA INFRAÇÃO PELA COMPROVAÇÃO DE PARCELAS DE PAGAMENTOS NÃO INFORMADAS EM DCTF.
Uma vez constatado que a Contribuinte realizou pagamentos em valor maior que os tributos informados em DCTF/DIPJ, cabe deduzir estes pagamentos e apurar a existência de valores líquidos a serem ainda exigidos, que remanescem da infração de omissão de receitas imputada à Contribuinte. Procedimento já realizado pela decisão de primeira instância administrativa.
INOVAÇÃO POR PARTE DA DRJ. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza mudança de critério jurídico o fato de a Delegacia de Julgamento (DRJ) trabalhar matematicamente com valores totais, tanto em relação às receitas, quanto em relação aos pagamentos, com a finalidade exclusiva de verificar se remanesciam débitos em aberto após o cômputo dos pagamentos realizados pela Contribuinte, mas não informados em DCTF. Desnecessário identificar qual a parcela do pagamento que corresponderia à receita declarada em DIPJ/DCTF, qual a parcela do pagamento que corresponderia à parte escriturada e não declarada, e eventualmente qual a parcela do pagamento que corresponderia à parte não escriturada. Esta proporcionalização do pagamento, que levaria à proporcionalização da base de cálculo (para discriminar a parte já tributada e a parte ainda não tributada), mostra-se desnecessária, porque as infrações imputadas à Contribuinte (1- escriturar mas não declarar, e 2- não escriturar e não declarar), quando configuram infração material, produzem um só resultado, que é o pagamento a menor de tributo.
EQUÍVOCOS NO LANÇAMENTO. DUPLA INCIDÊNCIA SOBRE AS MESMAS RECEITAS. INOCORRÊNCIA.
Não houve dupla tributação sobre as mesmas receitas. A consolidação das divergências apuradas pela Fiscalização computou apenas o excesso de um registro em relação a outro (do Livro Razão em relação à DCTF/DIPJ, e das vendas com cartão de crédito/débito ou do Livro de Saídas em relação ao Livro Razão).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. TÉCNICA DE LANÇAMENTO. O lançamento sobre omissão de receitas é realizado apenas sobre a parcela omitida, que corresponde à diferença entre a receita bruta efetivamente auferida pela Contribuinte e a receita bruta constante das declarações apresentadas ao Fisco (que normalmente guarda correspondência com os tributos confessados/pagos pelo contribuinte). OMISSÃO DE RECEITAS. REDUÇÃO DOS EFEITOS DA INFRAÇÃO PELA COMPROVAÇÃO DE PARCELAS DE PAGAMENTOS NÃO INFORMADAS EM DCTF. Uma vez constatado que a Contribuinte realizou pagamentos em valor maior que os tributos informados em DCTF/DIPJ, cabe deduzir estes pagamentos e apurar a existência de valores líquidos a serem ainda exigidos, que remanescem da infração de omissão de receitas imputada à Contribuinte. Procedimento já realizado pela decisão de primeira instância administrativa. INOVAÇÃO POR PARTE DA DRJ. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza mudança de critério jurídico o fato de a Delegacia de Julgamento (DRJ) trabalhar matematicamente com valores totais, tanto em relação às receitas, quanto em relação aos pagamentos, com a finalidade exclusiva de verificar se remanesciam débitos em aberto após o cômputo dos pagamentos realizados pela Contribuinte, mas não informados em DCTF. Desnecessário identificar qual a parcela do pagamento que corresponderia à receita declarada em DIPJ/DCTF, qual a parcela do pagamento que corresponderia à parte escriturada e não declarada, e eventualmente qual a parcela do pagamento que corresponderia à parte não escriturada. Esta proporcionalização do pagamento, que levaria à proporcionalização da base de cálculo (para discriminar a parte já tributada e a parte ainda não tributada), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 13 74 /2 00 9- 99 Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 3 2 mostrase desnecessária, porque as infrações imputadas à Contribuinte (1 escriturar mas não declarar, e 2 não escriturar e não declarar), quando configuram infração material, produzem um só resultado, que é o pagamento a menor de tributo. EQUÍVOCOS NO LANÇAMENTO. DUPLA INCIDÊNCIA SOBRE AS MESMAS RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Não houve dupla tributação sobre as mesmas receitas. A consolidação das divergências apuradas pela Fiscalização computou apenas o excesso de um registro em relação a outro (do Livro Razão em relação à DCTF/DIPJ, e das vendas com cartão de crédito/débito ou do Livro de Saídas em relação ao Livro Razão). TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que manteve parcialmente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 812/845 e 859/888, abrangendo receitas decorrentes de venda de mercadorias e de prestação de serviços, respectivamente, com créditos tributários nos valores de R$ 585.689,96 e R$ 17.416,06, incluindose nesses montantes a multa de 75% e os juros moratórios. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0118.199, às fls. 965 a 970: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 812830 (n° 001 a 004), relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social , Sobre o Lucro ano(s) calenddrio 2005, com crédito total apurado no valor de R$ 585.689,96,incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 22/01/2010. De acordo com o Termo de Juntada por Anexação — Aviso 1001 (fl. 857) foi juntado ao processo em referência o processo n° 10235.000064/201091, que versa sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 859888 (n° 005 a 008), relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LiquidoCSLL, ano(s)calendário 2005, com crédito total apurado no valor de R$ 17.416,06, incluindo o principal, a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 22/01/2010. Também integra os Autos de Infração o Relatório Fiscal de folhas 802 811. De acordo com a fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas da atividade (autos de infração n° 1 a 4); Omissão de receitas da prestação de serviços de correspondente bancário (autos de infração n° 5 a 8). A receita omitida da atividade é composta pela (i) diferença entre a receita escriturada e a receita apurada através dos débitos declarados em DCTF (fl. 797), (ii) diferença entre a receita apurada nas vendas com cartões de débito/crédito e a receita escriturada (fl. 798), (iii) diferença entre a receita escriturada no livro de saídas e a receita escriturada no livro Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 5 4 razão (fl. 799) e (iv) receita omitida presumida a partir do saldo credor de caixa apurado após a glosa de empréstimo bancário não comprovado. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de oficio 75%. A responsabilidade pelo cumprimento a obrigação também foi atribuída ao sóciogerente da fiscalizada, ROSIRIS MANOEL GIANINI MOREIRA DE FARIAS, CPF n° 223.224.85268, na forma dos art. 135, III, e 137, III, “a”, em razão da suposta prática de crime contra ordem tributária e violação dos deveres legais do sóciogerente, conforme Termo de Responsabilidade Tributária (fls. 847856). Os sujeitos passivos tomaram ciência do lançamento em 26/01/2010 (fls. 894 e 901). O contribuinte apresentou sua impugnação em 23/02/2010 (fls. 902916), na qual alegou em síntese que: Da omissão de receitas 1. Embora haja divergências entre a receita declarada e a escriturada, recolheu o tributo devido sobre a receita escriturada, conforme quadros demonstrativos de folhas 906 e 907 e comprovantes de arrecadação de folhas 918954; 2. Esses fatos prejudicam toda a base de cálculo apurada pela fiscalização. A uma porque o tributo recolhido abrange boa parte.da receita tida como omitida. A duas, para apurar a real receita omitida, haveria necessidade de mudar o critério jurídico do lançamento, o que é vedado, conforme jurisprudência do CARF; Da divergência entre a receita declarada e a escriturada 3. A diferença entre a receita escriturada e a declarada não se caracteriza receita omitida porque esta receita estava lastreada em notas fiscais e devidamente escriturada; Da divergência entre a receita escriturada e as vendas com cartão de crédito/débito 4. A infração de omissão de receita, decorrente da divergência entre a receita das vendas com cartão de crédito/débito e a receita escriturada, é improcedente por distorcer a receita escriturada e cercear do direito de defesa da recorrente; 5. A fiscalização apurou esta parcela da omissão de receita com base numa receita escriturada total de R$ 2.029.732,68, quando o valor total das vendas escrituradas no livro razão.foi de R$ 3.075.100,17; Do cerceamento da defesa: Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 6 5 6. 0 fato da fiscalização não indicar a origem do valor de R$ 2.029.732,68 implica cerceamento do direito de defesa da recorrente; Da diferença entre a receita escriturada no livro razão e a registrada no livro de saídas 7. O lançamento decorrente da diferença entre a receita escriturada no livro razão e a escriturada no livro de saídas também é improcedente porque derivada de alguns equívocos na escrita contábil e fiscal da impugnante; 8. Grande parte desses erros já foram sanados, ainda que informalmente, pelo pagamento dos tributos; Do lançamento decorrente do saldo credor de caixa 9. A fiscalização apurou o saldo credor de caixa no dia 01 de janeiro, feriado mundial, em que nenhuma empresa opera. Desta feita, ante a impossibilidade técnica e fática de haver lançamentos nesse dia, a fiscalização deveria concluir que houvera erro no registro contábil da empresa; 10. Não obteve o empréstimo suscitado pela fiscalização; 11. As despesas registradas no dia 1° de janeiro foram realizadas em data anterior ao feriado; 12. Havendo dúvida quanto aos fatos caracterizadores do lançamento, devese cancelar a exigência; 13. A apuração diária do saldo credor é improcedente porque a apuração do imposto de renda é mensal; 14.A Fiscalização não considerou na apuração do saldo credor de caixa as receitas de revendas realizadas na mesma data, conforme lançamentos no livro razão (fls. 732 e 736); 15. No primeiro dia houve ainda outro empréstimo no valor de R$ 100.000,00 que não foi considerado pela fiscalização; 16. A pretensa omissão já está integrada às demais omissões levantadas pela fiscalização; Do erro na apuração do IRPJ 17. A fiscalização ainda errou na apuração do IRPJ, conforme calculo do recorrente à folha 956; Dos lançamentos reflexos 18. A improcedência do lançamento IRPJ se aplica aos reflexos, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 7 6 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA manteve parcialmente as exigências fiscais, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÃO INEXATA. INFRAÇÃO FISCAL. CONFISSÃO DE DÉBITO. PAGAMENTO. A falta de registro da receita auferida na DIPI constituise uma infração fiscal de omissão de receita, também denominada declaração inexata, cujos reflexos atingem a base de cálculo do fato gerador do IRPJ. Todavia, a confissão ou o pagamento espontâneo do débito tributário, decorrente da infração, cessam os efeitos desta.. SALDO CREDOR DE CAIXA. APURAÇÃO. A infração de omissão de receita, caracterizada pela existência de saldo credor de caixa, tem por base os lançamentos contábeis com reflexos na conta caixa. Os lançamentos à conta banco ganham relevo na apuração do saldo credor de caixa desde que analisados sob a ótica das conseqüentes mutações na conta caixa. EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. A falta de comprovação de empréstimo bancário, configura a existência de passivo fictício, fato indiciário da presunção. de omissão de receita. ERRO NO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. O erro no critério jurídico do lançamento constituise erro na apuração do fato gerador do lançamento, tornando improcedente a parcela do lançamento resultante do vício. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 12/08/2010, a Contribuinte apresentou em 10/09/2010 o recurso voluntário de fls. 1002 a 1010, onde desenvolve os argumentos descritos abaixo: NULIDADE DO LANÇAMENTO POR MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DECISÃO N° 0118.199 DRJ/BEL para reduzir o crédito tributário, a DRJ/BEL alterou o critério jurídico do lançamento, na medida em que “conserta” os erros e equívocos do lançamento original, como Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 8 7 por exemplo, refez um a um os fatos geradores, fixando novos valores de base de cálculo, e ao final, determinou novos valores como devidos; foi a DRJ/BEL que efetuou as deduções dos valores pagos pela Recorrente, corrigindo mais esse erro do lançamento inicial; no lançamento inicial, as divergências e inexatidões entre as receitas escrituradas e informadas em DCTF´s, levantadas pela Fiscalização, somaram R$ 4.064.762,491, já incluídas as vendas com cartão crédito/débito; enquanto que na Decisão da DRJ/BEL, na “Tabela 1 Receita apurada e/ou mantida no julgamento”, a “Receita de revenda apurada” alcançou o valor de R$ 4.574.293,45 (fls. 968 verso), que é soma das colunas “a + b + c”; se houve redução do crédito tributário, é de se perguntar: como a decisão “a quo” conseguiu elevar a receita tributável? Essa é uma prova inconteste de que houve mudança do critério jurídico, ensejando a nulidade do lançamento; na inicial, a Recorrente, além dos erros acatados pela DRJ, que resultaram na redução do crédito inicial, pugnou também pela nulidade do lançamento ante aos manifestos equívocos contidos na sua formatação, notadamente quanto ao fato da não exclusão do montante da receita bruta que serviu de base de cálculo para pagamento do Imposto de Renda e CSLL, fato que macula todo o lançamento, inclusive incorrendo em ilegalidade, por ofensa ao art. 138 do CTN e por tributar em duplicidade a mesma base de cálculo; tais erros, pela gravidade e natureza, não poderiam ser sanados pela DRJ/BEL; a DRJ/BEL, ao invés de anular todo o lançamento, atuou como autoridade lançadora, realizando um novo lançamento sobre os mesmo fatos geradores, valendo de um novo critério jurídico, procedimento que deve conduzir à nulidade da exigência; a Câmara Superior de Recursos Fiscais e o Conselho de Contribuintes já se manifestaram nesse sentido (ementas transcritas); REFORMA DA DECISÃO “A QUO” IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO REMANESCENTE os erros e equívocos apontados na inicial não foram devidamente apreciados na decisão “a quo”, e continuam a macular o lançamento; o lançamento foi formalizado em razão de divergências entre a escrita contábil, fiscal e DCTF. Contudo, a Recorrente demonstrou que apesar dos equívocos contábeis e os erros contidos nas DCTF's, não omitiu receita, nem deixou de pagar os tributos sobre as receitas reais obtidas no período; conforme os autos, a própria Fiscalização constatou que a Recorrente emitiu notas fiscais e registrou em seu livro RAZÃO n° 3 receitas no valor de R$ 3.075.100,17; mesmo não tendo declarado corretamente o valor da receita bruta, a Recorrente provou que no ano de 2005 recolheu imposto de renda com base numa receita (anual) de R$ 2.642.860,00, e CSLL sobre uma receita de 3.167.603,70; Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 9 8 portanto, grande parte das divergências entre a escrita contábil, fiscal e as declarações de DCTF's foi sanada espontaneamente pela Recorrente; com esse procedimento, as possíveis omissões de receitas deixaram de existir, pelo menos até o limite do valor que serviu de base de cálculo para pagamento do imposto espontâneo; sendo assim, para cálculo do Imposto de Renda e CSLL, ante as inexatidões apontadas pela Fiscalização, restaria tributar apenas a diferença entre a receita bruta encontrada e a receita já tributada, ou seja: Receita tributável (I.R.): 4.064.762,49 2.642.860,00 = R$ 1.421.902,49; Receita tributável (CSLL): 4.064.762,49 3.167.603,70 = R$ 897.158,79. o mesmo se diga para as pretensas omissões decorrentes dos valores registrados nos Livros de Registro de Saídas, fls. 755 a 796, resumidos na planilha “Livro Razão x Livros de Registros de Saídas”, fls. 799; essa divergência também foi sanada parcialmente, tomando por base os valores escriturados no Livro Razão; pretender cobrar, isoladamente, uma diferença de lançamento entre o Livro de Saídas de Mercadorias e o Livro Razão, implica em cobrar tributos duas vezes sobre o mesmo fato gerador, até porque, em outro item, a Fiscalização já tributou as pretensas omissões de receitas entre os valores escriturados e os declarados em DCTF. Em última instância, significa dizer que neste valor já estão contempladas as eventuais diferenças ocorridas na escrita da Contribuinte de modo geral; é nesse ponto que falhou a DRJ/BEL, pois, ao invés de abater as receitas não declaradas em DCTF's, mas, espontaneamente tributadas pela própria Recorrente, efetuou apenas a dedução dos pagamentos realizados pela Recorrente; é evidente que deduzir os tributos pagos não é a mesma coisa que excluir da base de cálculo as receitas já tributadas. Se a Recorrente, espontaneamente, tributou parte da receita que não declarou em DCTF, essa receita não pode mais ser tributada, sob pena de tributação em duplicidade sobre o mesmo fato gerador (enriquecimento ilícito); esse procedimento também não se coaduna com o disposto no art. 138 do CTN; em suma, a questão aqui posta é bem clara, e está fundada em cima dos seguintes fatos: a) parte das receitas não declaradas em DCTF's foram regularmente escrituradas em livro contábil, o que afasta a omissão; b) a Recorrente, espontaneamente, calculou e pagou tributos sobre uma receita bruta superior à receita declarada em DCTF, sanando assim, em parte, as inexatidões declaradas escriturais; diante desses fatos, impõemse as seguintes conclusões: Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 10 9 1. não existe omissão de receita em relação à parte da receita bruta que serviu de base de cálculo para pagamento do Imposto de Renda e CSLL. Primeiro, porque foi devidamente escriturada; segundo, porque a Recorrente pagou os tributos devidos antes de qualquer iniciativa do Fisco (art. 138 CTN); 2. a parte da receita bruta que serviu de base de cálculo para pagamento do Imposto de Renda (R$ 2.642.860,006) e CSLL (R$ 3.167.603,707), deve ser excluída do montante apurado pelo Fisco como receita omitida, sob pena de se tributar em duplicidade a mesma base de cálculo, e afronta ao art. 138 do CTN, posto que no total apurado pela fiscalização estão inclusas as receitas em questão; nesse contexto, toda a estrutura do lançamento resta prejudicada, porque, para se apurar o valor real das possíveis omissões, seria necessário realizar novo levantamento fiscal, para identificar sobre quais fatos contábeis restaram a omissão; DA IMPROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS a improcedência dos lançamentos alcançam não só as exigências de IRPJ como também de PIS, COFINS e CSLL, posto que, sendo reflexos de lançamento nulo ou improcedente no tocante ao IRPJ, diante da intima relação de causa e efeito que os unem ao tributo principal, seguem a sorte deste; DO PEDIDO ante todo o exposto, a Recorrente solicita que sejam apreciadas as razões de fato e de direito acima aduzidas, para o fim de REFORMAR a Decisão DRJ/BLI n° 0118.199, julgando nulo ou improcedente todo o lançamento, pela razões acima expostas. Este é o Relatório. Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 11 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento realizado para exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. A apuração de IRPJ e CSLL se deu pelo regime do lucro presumido, e de PIS e COFINS, pelo regime cumulativo. De acordo com a peça de autuação, a Contribuinte omitiu receitas de revenda de mercadorias e receitas de prestação de serviços ao longo do ano de 2005. Além disso, foi apurada para o mês de janeiro/2005 uma omissão de receita por saldo credor de caixa, que foi detectado a partir da glosa de um empréstimo tomado pela Contribuinte, cuja ocorrência não restou comprovada na auditoria fiscal. A omissão de receita por saldo credor de caixa já foi cancelada pela decisão de primeira instância administrativa. Essa mesma decisão também reduziu o valor do crédito tributário mediante a dedução de pagamentos que haviam sido realizados pela Contribuinte em montantes superiores aos valores dos tributos declarados em DCTF/DIPJ. Não entendo que a decisão da Delegacia de Julgamento incorreu em vício de nulidade, por ter, segundo a Recorrente, corrigido os erros e equívocos do lançamento original, fixado novos valores de base de cálculo, alterado o critério jurídico do lançamento, enfim, por se configurar como um novo lançamento sobre os mesmo fatos geradores. Essa decisão também não apresenta irregularidades que tenham feito subsistir os equívocos cometidos pela Fiscalização, e que, segundo a Recorrente, tornariam, senão nula, ao menos improcedente a parte remanescente da exigência. É preciso deixar bem nítidos os fatos que deram base à autuação, na parte em que ela restou mantida. Conforme o Relatório Fiscal, em seu tópico “Determinação da Matéria Tributável”, às fls. 809/810, os demonstrativos constantes dos autos de infração de fls. 812/845 e 859/888, e as Tabelas de fls. 797/799, a Fiscalização apurou: que a receita bruta de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão era maior que a receita bruta que dava base às informações prestadas em DCTF/DIPJ; que nos meses de janeiro, fevereiro, março, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2005, o total das vendas de mercadorias efetuadas com Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 12 11 cartão de crédito/ débito era maior que a receita bruta de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão; que nos meses de abril e maio de 2005, o total das vendas de mercadorias escrituradas no Livro Registro de Saídas era maior que a receita bruta de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão; e que nos meses de março, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2005, as receitas decorrentes da prestação de serviços não foram oferecidas à tributação em sua totalidade. A Fiscalização, então, consolidou a parte em que o Livro Razão excedia as declarações DCTF/DIPJ, bem como a parte em que as vendas com cartão ou vendas registradas no Livro de Saídas excediam o Livro Razão, agrupando estas divergências como omissão de receitas. E sobre a omissão de receitas, realizou a apuração dos tributos que deveriam ser exigidos. Cabe registrar que o lançamento sobre omissão de receitas é realizado apenas sobre a parcela omitida, que corresponde à diferença entre a receita bruta efetivamente auferida pela Contribuinte e a receita bruta constante das declarações apresentadas ao Fisco (que normalmente guarda correspondência com os tributos confessados/pagos pelo contribuinte). A principal questão deste processo, que foi apresentada desde o início da fase contenciosa, é o fato de a Contribuinte ter realizado pagamentos em valores superiores aos tributos informados em DCTF/DIPJ. Os vários argumentos da Contribuinte apresentados na fase de impugnação foram detidamente analisados pela Delegacia de Julgamento, nos seguintes termos: [...] 2 DO MÉRITO 2.1 DA OMISSÃO DE RECEITAS A recorrente alega que fiscalização olvidou considerar na apuração do lançamento os pagamentos efetuados .pela recorrente. E que, desta feita, toda estrutura do lançamento estaria prejudicada ante a vedação de mudança do critério jurídico do lançamento. Equivocase a recorrente. O pagamento propicia o lançamento por homologação ao mesmo tempo que extingue o crédito tributário do sujeito passivo. Todavia o pagamento não se constitui um instrumento informador da base de calculo do lançamento. Via de regra, é através das obrigações acessórias que o fisco toma conhecimento dos elementos que constituem a base de cálculo do fato gerador dos tributos. No caso do IRPJ e das contribuições sociais reflexas (CSLL, PIS e COFINS), o instrumento adequado para declarar os elementos formadores da base de cálculo é a Declaração de Informações Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 13 12 Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Dessa forma, ao deixar de entregar esta declaração ou omitir nela as informações exigidas, como é o caso da receita, o sujeito passivo estará omitindo informações ao fisco. Por conseguinte, se o contribuinte omite na DIPJ a receita auferida estará incorrendo na infração fiscal de omissão de receitas (ao fisco), também conhecida como declaração inexata, cujos reflexos atingem diretamente a base de cálculo do fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. É de se destacar também que a expressão “omissão de receitas” também é utilizada para a falta de escrituração contábil da receita recebida. Nestes casos, considerando que a escrita fiscal se apóia na escrita contábil, ocorre urna dupla omissão. A primeira, omissão na contabilidade,. manifesta pela ausência do registro da receita nos livros diário e razão, a segunda, omissão na escrituração fiscal, decorrente da primeira e evidenciada pela falta do registro da informação na DIPJ. Nesse passo, podese concluir que a infração de falta de registro da receita nos livros contábeis (omissão de receita na escrita contábil) ordinariamente conduz à infração de declaração inexata (omissão de receita na escrita fiscal), mas que esta infração fiscal nem sempre decorre daquela infração contábil, pois o, sujeito passivo pode contabilizar a receita (livro diário e razão) e omitila perante o fisco (DIPJ), persistindo na infração fiscal. Entretanto, a prática da infração de omissão de receita não implica necessariamente na constituição de ofício do crédito tributário. É que o sujeito passivo pode espontaneamente confessar, por meio de DCTF ou parcelamento, ou extinguir, através do pagamento ou compensação, o débito tributário decorrente da infração. No caso concreto, o recorrente alega que efetuou o recolhimento de todos os tributos devidos sobre a receita escriturada. Com efeito, o pagamento efetuado não afasta a infração (omissão de receita), mas poderá extinguir o crédito tributário constituído de oficio. O que será verificado na apuração do crédito devido, ao Sul. 2.1.1 Da divergência entre o Valor declarado e o escriturado A recorrente aduz que a diferença entre a receita escriturada e a declarada não caracteriza receita omitida porque esta receita estava lastreada em notas fiscais e devidamente escriturada. Todavia, como dito anteriormente, a receita escriturada e não declarada (ao fisco) também constitui uma infração fiscal de omissão de receita, também conhecida como declaração inexata, manifesta pela falta do registro da receita auferida na DIPJ. O que não foi contestado pelo sujeito passivo. 2.1.2 Da divergência entre as vendas escrituradas e as vendas com cartão Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 14 13 A recorrente alega que a fiscalização apurou a divergência entre a receita das vendas escrituradas e a receita das vendas com cartões com base numa receita escriturada total de R$ 2.029.732,68, quando o valor total das vendas escrituradas no livro razão foi de R$ 3.075.100,17. Equivocase a recorrente. Como visto ao norte, o valor de R$ 2.029.732,68 é decorrente da soma das receitas apuradas nos meses de jan, fey, mar, jun, jul, ago, set, out, nov e dez/2005. Ou seja, não está composto pelas receitas registradas nos meses de abr e mai/2005. Isto porque a fiscalização não apurou omissão de receitas, decorrente da divergência entre as receitas escrituradas e as vendas com cartões, nos meses de abril e maio de 2005. Logo, o somatório das receitas escrituradas nos meses que houve a dita omissão de receita não poderia ser igual ao total da receita registrada em todo o anocalendário. 2.1.3 Da diferença entre as receitas escrituradas no livro razão e registradas no livro de saídas A recorrente suscita ainda que a omissão decorrente da diferença entre a receita escriturada no livro razão e a escriturada no livro de saídas também é improcedente porque derivada de alguns equívocos na escrita contábil e fiscal da impugnante. E mais, que grande partes desses erros já foram sanados, ainda que informalmente, pelo pagamento dos tributos. Todavia a recorrente não traz provas desses equívocos. Quanto aos pagamentos, estes serão considerados na apuração do imposto devido sobre o total da receita apurada. 2.1.4 Do saldo credor do livro caixa [...] (item cancelado pela Delegacia de Julgamento) 2.2 DO ERRO NA APURAÇÃO DO IRPJ Quanto ao suposto erro no cálculo do IRPJ devido, o argumento perdeu o objeto ante a redução da base de cálculo do lançamento, provocada pela improcedência do saldo credor de caixa, que modificara o cálculo do imposto devido. 2.3 DO LANÇAMENTO REFLEXO Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para o IRPJ, dada a intima relação de causa e efeito que os une. 2.4 DA APURAÇÃO Feito as considerações acima passo a apurar os créditos tributários devidos no lançamento. Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 15 14 [...] 3. DA CONCLUSÃO Ante tudo exposto, voto no sentido de julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, mantendo os créditos tributários listados na tabela a seguir, que devem ser acrescidos dos encargos moratórios. [...] Entre os vários pontos que abordou em sua decisão, a Delegacia de Julgamento esclareceu: que o pagamento não se constitui um instrumento informador da base de cálculo para a realização do lançamento; que a expressão “omissão de receitas” pode ser designada tanto para os valores escriturados mas não declarados ao Fisco, quanto para os valores não escriturados e também não declarados ao Fisco; que de todo modo os pagamentos realizados espontaneamente, inclusive na parte que excediam os valores dos tributos informados em DCTF/DIPJ, seriam considerados para extinguir o crédito tributário, conforme as tabelas apresentadas ao final do voto que orientou a referida decisão. Assim, ao constatar que a Contribuinte realmente havia realizado pagamentos em valor maior que os tributos informados em DCTF/DIPJ, a Delegacia de Julgamento, para deduzir estes pagamentos e apurar a existência de valores líquidos a serem ainda exigidos, trabalhou matematicamente com valores totais, tanto em relação às receitas, quanto em relação aos pagamentos. Tal procedimento de nenhuma forma significou mudança no critério jurídico do lançamento, inovação, novo lançamento, ou algo semelhante. As tabelas ao final da decisão recorrida tiveram apenas a finalidade de reduzir o crédito tributário na proporção dos pagamentos já realizados pela Contribuinte. Para tanto, não era necessário identificar qual a parcela do pagamento que corresponderia à receita declarada em DIPJ/DCTF, qual a parcela do pagamento que corresponderia à parte escriturada e não declarada, e eventualmente qual a parcela do pagamento que corresponderia à parte não escriturada. Esta proporcionalização do pagamento, que levaria à proporcionalização da base de cálculo (para discriminar a parte já tributada e a parte ainda não tributada), mostrase desnecessária, porque as infrações imputadas à Contribuinte (1 escriturar mas não declarar, e 2 não escriturar e não declarar), quando configuram infração material, produzem um só resultado, que é o pagamento a menor de tributo. A Delegacia de Julgamento considerou exatamente as receitas apuradas na auditoria fiscal e os tributos correspondentes a estas receitas, para deduzir deles os valores já Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 16 15 pagos pela Contribuinte, com a finalidade exclusiva de verificar se remanesciam débitos em aberto, a serem ainda exigidos. Nesse caso, tanto a exclusão de parte da base de cálculo, quanto a redução da exigência fiscal pelo cômputo dos pagamentos comprovados, servem exatamente ao mesmo fim, isto é, apurar o saldo dos débitos remanescentes, para se exigir apenas o que ainda não havia sido pago. De qualquer ângulo que se analise a questão, a constatação é uma só, ou seja, ocorrência de omissão de receitas ao Fisco que resultou em pagamento a menor de tributo. Realmente, não há qualquer nulidade na decisão recorrida. Importante registrar que a diferença apontada pela Recorrente entre os R$ 4.064.762,491 (levantados pela Fiscalização) e os R$ 4.574.293,45 (considerados pela DRJ) é perfeitamente compreensível, porque o primeiro valor abrange apenas as receitas omitidas, enquanto o segundo abrange as receitas totais (declaradas mais omitidas). Nesse passo, cabe destacar que o levantamento da DRJ também considerou os pagamentos totais, abrangendo inclusive a parte que corresponderia às receitas declaradas. Também não remanesceram os alegados erros ou equívocos cometidos pela Fiscalização, conforme as observações contidas na decisão recorrida (acima transcritas), que adoto como fundamento deste voto. Além disso, não houve dupla tributação sobre as mesmas receitas. Já esclarecemos anteriormente o que representou cada uma das divergências apuradas pela Fiscalização, cuja consolidação computou apenas o excesso de um registro em relação a outro (do Livro Razão em relação à DCTF/DIPJ, e das vendas com cartão ou do Livro de Saídas em relação ao Livro Razão). Resta afastada, portanto, a possibilidade de que, por exemplo, os valores autuados a partir das vendas com cartão ou das vendas no Livro de Saídas já estivessem computados entre os valores tributados a partir do Livro Razão, porque a atuação só abrangeu os excedentes de um registro em relação ao outro. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10235.001374/200999 Acórdão n.º 1802002.031 S1TE02 Fl. 17 16 Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000635/2006-38
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
RENDIMENTOS ACUMULADOS. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, NA HIPÓTESE DE PAGAMENTO ACUMULADO. RESP N. 1118429.
Nos termos do artigo 62-A do RICARF, é de se adotar o entendimento consolidado pelo STJ em sede recurso submetido ao rito do artigo 543-C do CPC (Resp n. 1118429), segundo o qual a correta exegese do art. 12 da lei n. 7.713/88 é no sentido de que o fato gerador ocorre no momento do recebimento do valor acumulado; porém, o cálculo do tributo deve ser feito conforme os meses de competência da ação trabalhista e respectivas tabelas progressivas anuais.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencido(s) o Conselheiro(s) Relator Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) German Alejandro San Martín Fernández.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martin Fernandez- Redator Designado.
EDITADO EM:
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lúcia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: RENDIMENTOS ACUMULADOS. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, NA HIPÓTESE DE PAGAMENTO ACUMULADO. RESP N. 1118429. Nos termos do artigo 62-A do RICARF, é de se adotar o entendimento consolidado pelo STJ em sede recurso submetido ao rito do artigo 543-C do CPC (Resp n. 1118429), segundo o qual a correta exegese do art. 12 da lei n. 7.713/88 é no sentido de que o fato gerador ocorre no momento do recebimento do valor acumulado; porém, o cálculo do tributo deve ser feito conforme os meses de competência da ação trabalhista e respectivas tabelas progressivas anuais. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencido(s) o Conselheiro(s) Relator Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martin Fernandez- Redator Designado. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lúcia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
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CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, NA HIPÓTESE DE PAGAMENTO ACUMULADO. RESP N. 1118429. Nos termos do artigo 62A do RICARF, é de se adotar o entendimento consolidado pelo STJ em sede recurso submetido ao rito do artigo 543C do CPC (Resp n. 1118429), segundo o qual a correta exegese do art. 12 da lei n. 7.713/88 é no sentido de que o fato gerador ocorre no momento do recebimento do valor acumulado; porém, o cálculo do tributo deve ser feito conforme os meses de competência da ação trabalhista e respectivas tabelas progressivas anuais. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencido(s) o Conselheiro(s) Relator Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 06 35 /2 00 6- 38 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martin Fernandez Redator Designado. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lúcia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 03/05, relativo ao exercício financeiro de 2005, lavrada em virtude de omissão de rendimentos, no valor de R$ 151.586,49, recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal – CNPJ 00360305/000104 e INSS. Insurgindo contra o lançamento, o peticionário apresentou a impugnação de fls. 01, na qual alega, consoante o relatório de primeira instância, que sempre declarou seus rendimentos com a maior lisura, pois sua única fonte de renda é o INSS. A autoridade recorrida ao examinar tal pleito decidiu, por unanimidade de votos, mediante o acórdão de fls. 29/31, pela procedência parcial do lançamento, sob o seguinte fundamento: “Em consulta feita em sua Declaração de Ajuste Anual exercício 2005, anocalendário 2004 (fls. 22/26), verificase que no campo de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas foi informado a fonte pagadora INSS, porém o campo rendimentos ficou zerado. Porém, no campo total de rendimentos recebidos de pessoa física, consta um valor de R$ 20.249,97, valor este idêntico à omissão de rendimentos recebidos do INSS, logo concluise que houve um equívoco no preenchimento da declaração do contribuinte, devendo ser zerado os rendimentos recebidos de pessoas físicas, e retificado os rendimentos recebidos do INSS para 20.249,97, não existindo, então, a omissão de rendimentos recebidos do INSS. Em relação à omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 131.336,52, o contribuinte junta Alvará de Levantamento da Justiça Federal (fls. 19), onde ficou demonstrado que o valor recebido pelo impugnante foi de R$ 63.698,21 (R$ 65.668,26 menos R$ 1.988,64 de imposto de renda retido na fonte). Corroborando o Alvará de Levantamento, a Caixa Econômica Federal retificou a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf — fls. 27) em nome do impugnante informando que o rendimento decorrente de decisão judicial foi de R$ 65.668,26, tendo sido retido R$ 1.970,05 (retificadora entregue em 25/09/2008), e não R$ 131.336,52, conforme declarado anteriormente. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 13819.000635/200638 Acórdão n.º 2802000.801 S2TE02 Fl. 52 3 Dessa forma, conforme demonstrativo a seguir, procedo à revisão do lançamento para excluir a omissão de rendimentos recebidos do INSS, e retificar a omissão de rendimentos recebida da Caixa Econômica Federal para R$ 63.698,21, e o imposto retido relativa a essa omissão para R$ 1970,05: .....................................................................................................” Devidamente cientificado desse julgado em 20/11/2008, fl. 35, ingressa o contribuinte com recurso voluntário dirigido ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 36/38, alegando, em apertada síntese, que contratou uma advogada para uma ação revisional. Ganhou a ação sendo o total a ser recebido no valor de R$ 63.698,21. A advogada faleceu em 12 de 2007, entretanto o contrato dos honorários foi de 30% (R$44.588,75) do valor que deveria receber. Assevera que não recebeu nenhum valor, vez que o valor de R$ 63.698,21 foi depositado e retirado pela advogada Dra. Maria Albertina Maia, no dia 21.07.2004 da CEF em S.B.C Rudge Ramos. Às fls. 45 a 119, junta documentos visando comprovar o alegado. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso de fls. 36/38 é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio cingese ao valor de R$ 65.668,26, recebidos pelo interessado em reclamatória trabalhista Processo 9715003109. Em sede de recurso o interessado alega que não recebeu nenhum valor e que todo o valor da causa trabalhista ficou com a advogada. Analisandose os autos temos: · Procuração “AD JUDICIA” , instrumento pelo qual o recorrente nomeia, entre outros, a advogada Dra. Maria Albertina Maia, como sua procuradora outorgandolhe poderes para inclusive receber a posse de bens, decorrentes do Processo 97.15003109, 2ª Vara da 14ª Subseção Judiciária em São Bernardo do CampoSP (fls.18); · Alvará de Levantamento onde o Juiz Federal da 14ª Subseção determina que a CEF entregue no prazo de até 72 horas a Dra. Maria Albertina Maia a importância de R$ 63.679,62, nos termos da procuração acima citada (fls. 75); · Guia de depósito judicial à ordem da Justiça Federal onde consta como autor o Sr. Otoniel Ivanov, informando que o valor liberado decorrente do Processo 9715003109, foi de R$ 70.047,58 (fls. 76); · Certidão emitida pela Justiça Federal, dando fé do Alvará de Levantamento decorrente do Processo nº 97.15003109, onde consta Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 que o valor do depósito foi R$70.047,58, sendo que R$ 6.367,96 referese a honorários advocatícios, fls. 80; · Documento emitido pela CEF onde consta que foi pago ao Sr. Otoniel Ivanov em 21.07.2004, o valor de R$ 65.668,26, relativo ao pagamento de um precatório, fls. 111; Destarte, entendo que o acórdão recorrido não merece reparo e que os supostos fatos novos trazidos pela recorrente na fase recursal, como dito acima, não são bastante para elidir a exigência, Assim, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite relatora Voto Vencedor German Alejandro San Martín Fernández, Redator Com a devida vênia do voto da i. Relatora, a quem rendo minhas homenagens, o presente lançamento não merece prosperar. Com efeito, está comprovado nos autos que os rendimentos recebidos em virtude da ação judicial noticiada, referemse a anos pretéritos e foram recebidos acumuladamente. Portanto, nos termos do artigo 62A do RICARF, é de se adotar o entendimento consolidado pelo STJ em sede recurso submetido ao rito do artigo 543C do CPC (Resp n. 1118429), segundo o qual a correta exegese do art. 12 da lei n. 7.713/88, é no sentido de que o fato gerador ocorre no momento do recebimento do valor acumulado; porém, o cálculo do tributo deve ser feito conforme os meses de competência da ação trabalhista e respectivas tabelas progressivas anuais. Como a fiscalização assim não procedeu, não cabe a este órgão julgador refazer, a essa altura, o lançamento tributário. Ante ao exposto, conheço e DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
score : 1.0
Numero do processo: 19679.008611/2004-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não alcança a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos.
Precedentes.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos. Precedentes. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos. Precedentes. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 86 11 /2 00 4- 93 Fl. 25DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19679.008611/200493 Acórdão n.º 2101002.375 S2C1T1 Fl. 26 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 19/22) interposto em 26 de dezembro de 2007 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) (fls. 11/13), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de dezembro de 2007 (fl. 16), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fl. 06, lavrado em decorrência de atraso na entrega de declaração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, verificado no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “Lançamento Procedente Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF” (fl. 11). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 19/22), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No tocante ao mérito, importa salientar que a multa decorrente do atraso na entrega de declaração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física tem seu fundamento legal no art. 88 da Lei n.º 8.981/95, não havendo óbice, portanto, à sua aplicação, conforme inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP). No que concerne ao argumento trazido pelo Recorrente acerca da aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência firmouse no sentido de que a denúncia espontânea não alcança a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos (Recurso 157.883, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, j. 23.04.2008, v.u.; Recurso 154.819, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, j. 04.07.2007, v.u.; Recurso 153.613, Relator Conselheiro Antônio José Praga de Souza, j. 25.05.2007, v.u.; Recurso 155.603, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, j. 24.05.2007, v.u.). Fl. 26DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19679.008611/200493 Acórdão n.º 2101002.375 S2C1T1 Fl. 27 3 A Câmara Superior de Recursos Fiscais também pacificou o mesmo entendimento quanto à inaplicabilidade do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional às multas por atraso na entrega da declaração, neste último caso com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Recurso 102138009, Acórdão 0400.432, Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, j. 12.12.2006, m.v.; Recurso 106132825, Acórdão 0400.234, Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, 14.03.2006, m.v.; Recurso 106128256, Acórdão 0105.063, Relatora Designada Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, j. 10.08.2004, m.v.; Recurso 102126447, Acórdão 0104.920, Relator Designado Conselheiro José Ribamar Barros Penha, j. 12.04.2004, m.v.). Concluise, portanto, que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do CARF. Eis os motivos pelos quais voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 27DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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