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Numero do processo: 10850.723290/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.674
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 23 29 0/ 20 13 -3 9 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10850.723290/201339 Resolução nº 3401001.674 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10850.723290/201339 Resolução nº 3401001.674 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.005077/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS.
Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. DECADÊNCIA.
Em se tratando de obrigações acessórias, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 2402-006.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da multa o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, e Gregorio Rechmann Junior (Relator) que votaram por recolher os reflexos da decadência das obrigações principais sobre as competências 01/2003 a 03/2003 e 05/2003 a 07/2003. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. DECADÊNCIA. Em se tratando de obrigações acessórias, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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Recorrente SOCIEDADE DE ASSISTÊNCIA FAMILIAR DOS SERVIDORES FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratandose de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. DECADÊNCIA. Em se tratando de obrigações acessórias, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 50 77 /2 00 8- 10 Fl. 236DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da multa o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, e Gregorio Rechmann Junior (Relator) que votaram por recolher os reflexos da decadência das obrigações principais sobre as competências 01/2003 a 03/2003 e 05/2003 a 07/2003. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 1523.653 (fls. 198/206), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de Auto de Infração lavrado por ter o contribuinte identificado em epígrafe apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 1213), a Sociedade. De Assistência Familiar dos Servidores Federai s. Estaduais e. Municipais do Brasil deixou de declarar em GFIP: a) em 11/2003 o valor de 34,62 referente ao triênio do Sr. Antonio C. Marino; b) nas competências 08, 09 e 10/2004 a empresa deixou de declarar mensalmente o valor de R$462,00 referente ao salário de Adriana dos Santos Bispo; c) na competência 10/2004 a empresa também não declarou o valor de R$9.368,03 equivalente às parcelas que integram a base de cálculo de Fl. 237DF CARF MF Processo nº 18050.005077/200810 Acórdão n.º 2402006.646 S2C4T2 Fl. 3 3 contribuições previdenciárias referente à rescisão de contrato de trabalho de Pedro Ferreira da Cunha. d) A empresa não declarou a remuneração dos segurados referente à alimentação (empresa sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT ). Pode ser constatado nos AIOP n° 37.155.7933 e 37.155.1941) nas competências 01/2003 a 12/2004; e) A empresa também não declarou os valores das remunerações referente à bolsa estágio considerada salário de contribuição pela fiscalização em virtude de alguns contratos de estágio não estarem em conformidade com a Lei 6.494/77 nas competências 01 a 11/2003 e 01 a 07/2004 na matriz e 01 a 08/2003 na filial 00.628.869/000266 discriminado no levantamento "EST" DOS AIOP n° 37.155.7933 e n° 37.155.1941. Anexa planilha discriminativa dos valores referentes à alimentação e planilha discriminativa dos estagiários considerados segurados empregados (matriz e filial 00.628.869/000266) Diz que os valores declarados pela autuada nas GFIP não correspondem à totalidade das contribuições devidas. A Fiscalização confecciona planilha de cálculos da multa aplicada (fls. 16), elencando, por competência, o valor das contribuições não declaradas em GFIP, a contribuição devida e o total da multa, observado o limite previsto no art. 32, § 4° da Lei 8.212, de 1991. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 14/15), a multa foi aplicada em consonância com o previsto no art. 32, IV, § 5° da Lei 8.212/91, combinado com o art. 284, inciso e II, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, no valor de R$ 21.311,68 (vinte e dois mil trezentos e onze reais e sessenta e oito centavos). O valor mínimo está atualizado nos termos da Portaria MPS/MF no 77, de 11 de março de 2008, publicada no DOU de 12 de abril de 2007, correspondendo ao valor de R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). Não foi constatada a ocorrência das circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS, nem da atenuante prevista no art. 291 do mesmo Regulamento. A Autuada tomou ciência do lançamento, de forma pessoal, em 06/08/2008, conforme assinatura aposta na folha de rosto do AI. Apresentou defesa em 05/09/2008, fls. 81/83, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Pede relevação da multa aplicada. Instrui com os seguintes documentos: GFIP retificadoras das competências 08, 09, 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo no valor de R$462,00/mês, assim como os comprovantes dos recolhimentos respectivos, relativos à diferença acrescida; Fl. 238DF CARF MF 4 GFIP retificadora da competência 10/2004 constando a remuneração no valor de R$9.368,03 ao Sr. Pedro Cunha; Folha de pagamento e GFIP respectiva (competência 11/2003) demonstrando a composição da remuneração total de José Antônio C. Marino, confirmando que o valor de R$34,62 correspondente ao triênio compôs a base de cálculo e o salário decontribuição declarados em GFIP (R$611,62); Documentos comprobatórios da regularidade dos contratos de estágio descaracterizados pela fiscalização, conforme lei n° 6474/77; GFIP retificadas com a inclusão dos valores pagos, devidos ou creditados a título de alimentação Eventual e subsidiariamente requer seja considerado como fundamento de defesa a ocorrência da decadência relativo ao período anterior à competência 07/2003 citando a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESS6RIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2004 APRESENTAÇÃO DE GFIP.COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INFRAÇÃO. Constitui infração à Legislação Previdenciária, apresentar a empresa Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (de fls 213/216), por meio do qual apresentou os seguintes argumentos defensivos, em síntese: (1) Impossibilidade de imposição da multa em razão de supostas informações (fatos geradores) não declaradas, relativas as competências 01 a 07/2003 (2) Da necessidade de relevação da multa. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 18050.005077/200810 Acórdão n.º 2402006.646 S2C4T2 Fl. 4 5 (3) ad argumentandum: sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do regime mais favorável ao contribuinte; excesso na imposição fiscal impugnada: no julgamento da impugnação apresentada ao AI, a DRJ não observou as alterações introduzidas na legislação de regência pela MPv n° 449/2008, que previu, para o caso em questão, penalidade mais branda para o contribuinte, e que portanto deve ser aplicável, ainda quando editada por lei posterior ao fato, como é o caso. De acordo com as previsões das leis aplicáveis nos dois distintos regimes (antes e depois da MPv 449/2008), podese sintetizar da seguinte forma; Aplicandose a regra nova, concluise por penalidade pecuniária em valor bastante inferior ao imposto no AI impugnado. Requer, assim. determinese a aplicação da multa nos termos do art. 32A da Lei n° 8.212/91. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Do Resultado dos Julgamentos dos Processos Principais – PAFs 18050.005082/200814 e 18050.005083/200869 Conforme exposto no relatório supra, tratase, o presente caso, de autuação fiscal em decorrência de descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Verificase, pois, que o caso ora em análise é uma decorrência do descumprimento da própria obrigação principal: fatos geradores da contribuição previdenciária. Fl. 240DF CARF MF 6 Assim, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Neste espeque, de acordo com o resultado do julgamento dos PAFs 18050.005082/200814 e 18050.005083/200869, deve ser dado provimento parcial ao recurso voluntário, (i) acolhendose parcialmente a preliminar de decadência, para reconhecer como decaídas as contribuições relativas às competências de 01/2003, 02/2003, 03/2003, 05/2003, 06/2003 e 07/2003; (ii) dandose parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da multa as contribuições relativas aos pagamentos do valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO. No que tange à preliminar de decadência, cumpre destacar que este relator compartilha do entendimento já manifestado pelo Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci em diversos julgados deste colegiado, nos seguintes termos: A propósito da decadência, muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402005.9001, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais nos PAFs encimados, haverá repercussão neste lançamento, pois a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. Isto é, não se está acolhendo a decadência ventilada no recurso interposto neste PAF, mas sim os reflexos da decadência declarada nos PAFs conexos. Na dicção do § 2º do art. 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária (compreendendo as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares) e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A inexcedível doutrina do professor Luciano Amaro2 assim ensina: 1 [...] OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 2402005.900, PAF 10803.720154/201271, sessão de 04/07/2017, relator João Victor Ribeiro Aldinucci, por unanimidade) 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 18050.005077/200810 Acórdão n.º 2402006.646 S2C4T2 Fl. 5 7 A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Logo, a contagem do prazo da obrigação instrumental segue uma regra distinta da obrigação principal, podendose afirmar que o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Com relação ao pedido de aplicação de regime mais benéfico, registrese que a DRJ expressamente já consignou que, conforme disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial de União de 8.12.2009, o órgão preparador deverá, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar a comparação da multa aplicada neste AI com a nova sistemática determinada pela legislação (Multas vigentes antes da MP n° 449, de 2008 com a multa vigente a partir da MP n° 449, de 2008). Conclusão Face ao exposto, voto por: (i) ACOLHER parcialmente a preliminar de decadência, para reconhecer como decaídas as contribuições aos fatos geradores de 01/2003, 02/2003, 03/2003, 05/2003, 06/2003 e 07/2003 e determinar a sua exclusão da base de cálculo da multa; e (ii) DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo da multa aplicada o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante esteja de acordo com o i. Relator no que se refere à exclusão, da base de cálculo da multa, do valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino, em razão de referido fato gerador haver sido excluído do lançamento relacionado à obrigação principal, especificamente quanto à cognição de que, no julgamento atinente a obrigação acessória por deixar o contribuinte de informar fatos geradores em GFIP, devem ser reconhecidos os reflexos da decadência decretada no lançamento da obrigação principal respectiva, entendo que as normas que disciplinam a matéria conduzem a conclusão diversa. Fl. 242DF CARF MF 8 Diferentemente do que ocorre com os tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, em se tratando de descumprimento de obrigação de fazer, não há que se falar em antecipação de pagamento e, por consectário lógico, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I do CTN. Em outras palavras, os créditos tributários relacionados a obrigações acessórias decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta a incidência da contagem do prazo estabelecida no art. 150, § 4º, do Codex Tributário Mesmo nos autos de infração por omissão de fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, não há como considerar correto o reconhecimento, nos processos de obrigações acessórias, dos reflexos da decadência declarada nos PAF que versam sobre obrigações principais. Tratamse de obrigações tributárias distintas e independentes entre si, sujeitas a regramentos legais diversos. Ademais, as informações declaradas em GFIP, além de indicarem a existência de créditos tributários devidos pelo contribuinte, prestamse também a povoar os sistemas do Instituto Nacional do Seguro Social e do Ministério do Trabalho e Emprego com dados relacionados a benefícios previdenciários e direitos sociais trabalhistas. Vejase que, ao descumprir a obrigação estabelecida em lei, o sujeito passivo, além de dificultar a cobrança dos tributos dela decorrentes, acaba por impor inúmeros obstáculos aos trabalhadores a seu serviço que necessitam de tais informações para poderem se valer de direitos sociais e previdenciários, razão pela qual, mostrase ainda mais patente que o simples fato de ter ocorrido a decadência de obrigações tributárias principais não tem o condão de desobrigar o contribuinte da prestação das informações objeto de referida Guia, sendo que o prazo decadencial, como restou evidenciado alhures, segue regra própria. No presente caso, “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, nos exatos termos do art. 173, I do CTN. Em vista disso, para o correto exame do tema aqui tratado, fazse mister verificar nos normativos próprios da GFIP qual a data estabelecida para apresentação da Guia. O Manual da GFIP, versão 8.4, que traz regras semelhantes às normas contemporâneas aos fatos geradores objeto de lançamento, estabelece: A GFIP/SEFIP é utilizada para efetuar os recolhimentos ao FGTS referentes a qualquer competência e, a partir da competência janeiro de 1999, para prestar informações à Previdência Social, devendo ser apresentada mensalmente, independentemente do efetivo recolhimento ao FGTS ou das contribuições previdenciárias, quando houver: a) recolhimentos devidos ao FGTS e informações à Previdência Social; b) apenas recolhimentos devidos ao FGTS; c) apenas informações à Previdência Social. O arquivo NRA.SFP, referente ao recolhimento/declaração, deve ser transmitido pelo Conectividade Social até o dia sete do mês seguinte àquele em que a remuneração foi paga, creditada ou se tornou devida ao trabalhador e/ou tenha ocorrido outro fato gerador de contribuição ou informação à Previdência Social. Caso não haja expediente bancário, a transmissão deve ser antecipada para o dia de expediente bancário imediatamente anterior. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 18050.005077/200810 Acórdão n.º 2402006.646 S2C4T2 Fl. 6 9 O arquivo NRA.SFP, referente à competência 13, destinado exclusivamente à Previdência Social, deve ser transmitido até o dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da referida competência. (Grifouse) Com base nos procedimentos descritos acima, constatase que o prazo para entrega das GFIP será até o dia 7 do mês seguinte ao pagamento da remuneração para as Guias das competências janeiro a dezembro. Com relação ao décimoterceiro salário, o prazo somente vence no dias 31 de janeiro do ano subsequente ou no dia útil que lhe anteceder. Desse modo, considerandose que o Auto de Infração referese a competências compreendidas entre 01/03/2003 a 31/12/2004 e que o recorrente foi cientificado do lançamento em questão em 06/08/2008 (fl. 02), à luz do art. 173, I do CTN, não há competências abrangidas pela decadência. Conclusão Em vista do exposto voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL somente para excluir da base de cálculo da multa o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004711/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 11 /2 01 0- 13 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.107, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos da Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 10 9 na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa da Cofins que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 12 11 Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 13 12 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10920.004711/201013 Acórdão n.º 3201004.513 S3C2T1 Fl. 14 13 Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916217/2016-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório constante do acórdão DRJ Curitiba nº 0657.421, de 22 de fevereiro de 2017, que por unanimidade de votos não acolheu as razões de inconformidade e manteve a não homologação da compensação declarada: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 21 7/ 20 16 -0 2 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.916217/201602 Resolução nº 3401001.758 S3C4T1 Fl. 142 2 Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela Derat São Paulo, em 05/04/2016 (Rastreamento nº 113809085), que não homologou a compensação declarada por meio da Dcomp nº 15332.19269.291111.1.3.045660, devido à inexistência do direito creditório pretendido de R$ 820.394,55, uma vez que o pagamento de COFINS NÃO CUMULATIVA (código 5856), no valor de R$ 1.790.611,36, do período de 31/03/2008, efetuado em 18/04/2008, tido como a maior ou indevido, estava integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte para esse período. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que equivocadamente ofereceu à tributação do PIS e da Cofins, pela sistemática não cumulativa, receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, que estavam sujeitas ao regime cumulativo, o que resultou em recolhimento a maior que o devido. Diz que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, talvez por falta de processamento da DCTF retificadora, já que o pagamento foi localizado, mas estava integralmente utilizado para quitação de seus débitos. Contudo, a desconsideração dessa DCTF, transmitida anteriormente ao Per/Dcomp, implica violação às disposições do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 28/08/2015, inclusive com a emissão do Despacho Decisório sem que houvesse lhe oportunizado a prestação de esclarecimentos. Em tópicos específicos, discorre detalhadamente sobre “II. Indevida Desconsideração da DCTF Retificadora – Violação ao Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 28.08.2015”, enfatizando que na identificação de erros nas informações prestadas no Per/Dcomp ou em outras declarações, devese intimar o contribuinte para corrigilos ou prestar esclarecimentos, ou seja, para proceder à autorregularização e que, apenas após o resultado deste procedimento, é que deve ser emitido o Despacho Decisório, o que não foi observado no presente caso, acarretando a nulidade do procedimento. Também fala sobre “III. Comprovação Documental do Direito Creditório”, destacando que a tributação de receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, sujeitas ao regime cumulativo, mas que foram tributadas pelo regime não cumulativo, pode ser confirmada em planilha, onde consta o valor dos débitos de PIS e Cofins apurados corretamente e em planilha individualizando as operações e identificadas de acordo com o número da nota fiscal. E que pretende apresentar também as referidas notas que registram as receitas de serviços de concretagem, cuja localização não foi possível em tempo hábil para a apresentação da presente Manifestação de Inconformidade. Noutro tópico, aduz sobre a “IV. Da Juntada de Documentos no Curso do Processo Administrativo”, ressaltando o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e posição doutrinária a respeito. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.916217/201602 Resolução nº 3401001.758 S3C4T1 Fl. 143 3 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Tributação de receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem sujeitas ao regime cumulativo; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 820.394,55, correspondente ao Darf de COFINS NÃO CUMULATIVA (código 5856), recolhido em 18/04/2008, no valor de R$ 1.790.611,36, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente ao revisar seus procedimentos fiscais entendeu que deveria retificar as informações prestadas à RFB (DCTF), pois verificou que estava oferecendo equivocadamente à tributação pela sistemática nãocumulativa receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, sujeitas ao regime cumulativo. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.916217/201602 Resolução nº 3401001.758 S3C4T1 Fl. 144 4 § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que seja elucidado qual o procedimento foi adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 03/2008 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.001167/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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(assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 68 32 .0 01 16 7/ 20 09 -8 1 Fl. 959DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 960 2 Relatório SIMCAUTO MECÂNICA E REPRESENTAÇÕES LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1 (fls. 858 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de R$4.588.202,47, de multa isolada (150%), decorrente de compensação indevida. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: Versa o presente processo administrativo fiscal sobre auto de infração lavrado contra o interessado ora em epígrafe em 21/12/2009 (fls. 114 a 117). Foi constituído crédito tributário de multa isolada (150%) — compensação indevida, no valor de R$ 4.588.202,47. A autoridade administrativa, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Termo de Verificação Fiscal anexo (fls. 96 a 101). Aduz que o interessado enviou DCOMP em 06/07/2004, imbricada com crédito oriundo da ação judicial autuada sob o n° 1059/57. Observa que a ação judicial foi ajuizada por terceiros e que não trata de crédito de natureza tributária. Assim, a DCOMP foi considerada não declarada e foi aplicada a multa de 150% prevista no art. 18, § 40, da Lei 10.833/2003 e art. 44, § 1°, da Lei 9.430/1996, considerando os débitos confessados na aludida declaração de compensação. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 129/157 e documentos, que aduziu os seguintes argumentos: foram ajuizadas diversas ações de execuções fiscais em face do interessado; que o advogado contratado para representála nessas ações judiciais enviou a DCOMP em comento, com o fito de extinguir os débitos cobrados; que há erro na DCOMP, pois não é contribuinte do IPI; que há outros erros no que tange aos débitos confessados; que os débitos são inexistentes e que não correspondem aos débitos cobrados nas ações de execuções fiscais; que ajuizou ação anulatória de débitos fiscais para não ser compelida a pagar os débitos confessados na DCOMP; que o presente auto de infração é nulo, pois a decisão que considerou como não declarada a DCOMP está eivada de ilegalidade, ao ferir os princípios da irretroatividade e da legalidade; Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 961 3 que ocorreu a decadência; que há violação ao principio da irretroatividade da lei tributária, anterioridade e legalidade tributária, visto que os débitos são inexistentes e que não ocorreu o processamento da DCOMP; que não há conduta dolosa comprovada a justificar a multa qualificada; requer a produção de prova, em especial, que seja efetuada fiscalização, com o objetivo de que seja comprovada a inexistência dos débitos fiscais declarados na DCOMP; requer ainda o cancelamento do auto de infração. Em julgamento realizado em 02 de setembro de 2010, 1ª Turma da DRJ/CTA, considerou improcedente a impugnação apresentada e prolatou o acórdão 1233066, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não cabe a alegação de nulidade do lançamento de oficio quando a autoridade administrativa observa os procedimentos fiscais previstos na legislação tributária. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso de lançamento de oficio, o prazo quinquenal decadencial se conta a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, como determina o art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN). COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Enseja o lançamento da multa isolada de oficio, as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502, de 1964. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. PERCENTUAL QUALIFICADO. APLICABILIDADE. Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de créditos de natureza não tributária inexistentes, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%. Impugnação Improcedente Fl. 961DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 962 4 Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 875 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: a) entre os anos de 2001 a 2003 a PGFN promoveu diversas execuções fiscais contra a Recorrente e que após não conseguir garantilas com Títulos da Eletrobrás, seu expatrono, sem sua autorização, enviou Declaração de Compensação (06/07/2004) como forma de quitação de débitos junto a Fazenda Nacional; b) seu expatrono juntou a respectiva DCOMP nos executivos fiscais e requereu a suspensão dos mesmos até a homologação das compensações pelo fisco. O justiça Federal não tomou conhecimento do pedido efetuado e procedeu a penhora em cada uma das execuções fiscais em andamento; c) promoveu ação indenizatória contra expatrono (juntou cópia não assinada da petição inicial) d) os débitos tributários declarados nas DCOMPs são inexistentes, não constam dos relatórios de débitos da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional e tampouco foram declarados em DCTFs, estando declarados como devidos inclusive tributos que a Recorrente não está obrigada, como o caso do IPI, uma vez se tratar de empresa comercial; e) requereu desde o principio um inspeção fazendária para verificar a real existência dos débitos e que não foi atendida, tendo por conseqüência sofrido cerceamento do direito de defesa; f) o auto de infração sob análise fundamentouse no § 4º do art. 18 da Lei 10.833/03, o que o tornaria nulo uma vez que se tratando de compensação apresentada em 06/07/2004, não se poderia considerála não declarada tendo em vista que tal situação somente passou a existir com o advento da alteração legislativa promovida pela Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004; g) a decadência do direito ao lançamento da multa isolada uma vez que já havia passado cinco anos do fato gerador, não sendo aplicável o art. 173, I do CTN; h) são ilegais as alterações fáticas promovidas pela decisão recorrida e que não houve o dolo apontado pela fiscalização uma vez que os débitos declarados de fato não existiam; Os autos chegaram ao CARF, e em 26 de junho de 2012, por meio da Resolução 3302000.223, fls. 910 e ss, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência diante das informações acerca de outros processos judiciais e administrativos com dependência com estes autos, para se tomar as seguintes providências: Não obstante, existe informação nestes autos, acompanhada de cópia da inicial e aditamento, dando conta que a Recorrente propôs Ação Anulatória de Débitos visando declaração judicial de que os débitos informados na declaração de Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 963 5 compensação controlada pelo processo administrativo nº 15374.720171/2009 24 são inexistentes. Requer também que a Dcomp apresentada não deve ser considerada, nem muito menos gerar efeitos jurídicos e que a decisão da Receita Federal que considerou as compensações não declaradas é ilegal. Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, as decisões exaradas no referido processo judicial e eventuais antecipações de tutela podem influenciar, ainda que indiretamente, o destino do presente processo administrativo. Do que se extrai da inicial do processo judicial juntado aos autos, há contestação direta aos fundamentos que foram utilizados pela Receita Federal para considerar não declarada as compensações efetuadas, inclusive relacionadas à existência de fraude ou dolo. Neste contexto, diante da ausência de maiores informações a cerca do andamento do referido processo, e das possíveis implicações das decisões nele contidas em relação ao processo 15374.720171/200924, e tendo por norte o fato que o processo que neste momento julga é decorrente daquele, entendo ser necessário baixar o presente processo em diligência para que se: a) traga aos autos informações a cerca do andamento da Ação Anulatória informada pelo Recorrente; b) informe a atual situação dos débitos informados como devidos na declaração de compensação controlado pelo processo administrativo nº 15374.720171/200924; c) traga quaisquer outras informações que se entenda necessárias ao bom deslinde do presente processo; e, intimar o recorrente. Assim, chegaram aos autos as informações pertinentes ao processo judicial, Ação Anulatória de Débito Fiscal, de que o mesmo foi extinto em razão de desistência manifestada pela autora, sem resolução de mérito. E quanto ao processo administrativo que tratava das DCOMPs não homologadas, foram encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União. Dessa forma, recebi os autos por sorteio em 15/08/2018, em decorrência da competência residual da 1a Seção. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento do débito em 11/11/2010, (AR à fl. 873), e apresentou em 08/12/2010, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 875 e ss. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 964 6 Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O lançamento em questão é de multa isolada qualificada (150%), lançado em 21/12/2009, conforme TVF de fls. 96/101, que relata que o lançamento decorre do PA 15374.0022565/200918 em que foi considerada NÃO DECLARADA a DComp apresentada pelo contribuinte, nos termos do art. 18 da Lei 10.833/03, com redação dada pelas Leis 11.051/04 e 11.488/07 e MP 472/2009. "Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2oA multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2odo art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Consta que o recorrente enviou DComps que foram consideradas não declaradas em razão de ser pleiteado crédito de terceiro, pessoa física, decorrente de Ação Judicial de Atentado 1059/57. Ademais, tal crédito não possuía origem tributária. Em 26/5/09 foi lavrado o Despacho Decisório que considerou a DCOMP não Declarada. Segue resumo constante do TVF: Fl. 964DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 965 7 Devidamente intimado em 9/12/09, o contribuinte apresentou seus esclarecimentos. Ademais, verificase que foi aplicado o percentual de 150% pois no entendimento do Fisco, o contribuinte omitiu os valores dos débitos declarados em DComp, não declarou em DCTF, com o objetivo de reduzir/evitar o pagamento dos tributos, bem como prestou declaração "em tese" falsas/fraudulentas pois a empresa não era parte na Ação Judicial 1059/57, bem como não adquiriu os possíveis créditos da ação judicial. A DComp enviada foi controlada no processo 15374.720171/200924, que conforme se verificou foi enviada para a DAU. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 966 8 O Recorrente alega que os débitos que foram compensados e serviram de base para esta autuação sequer existiam, exemplifica com o débito de IPI, sendo que sequer é contribuinte de tal tributo. A decisão da DRJ afirma que não pode adentrar no mérito da compensação que estava sendo discutido em PA próprio. Aqui a discussão é de multa isolada decorrente de crédito ou débito não possuir a natureza tributária ou caracterizada a prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. A alegação do recorrente sempre foi no sentido de que por possuir diversas execuções fiscais ajuizadas, e por não conseguir garantir o Juízo, seu expatrono sugeriu que a recorrente adquirisse Obrigações da Eletrobrás, cujos créditos seriam utilizados para quitar as suas dívidas fiscais (fls. 60 e ss), mas não chegou a contento. Posteriormente, foi orientado a procurar crédito de terceiros e formulasse o pedido de compensação. O recorrente, por sua vez, se recusou a adquirir tais créditos. E assim, ao que parece o próprio expatrono formulou pedido de compensação na via administrativa, pela internet, em nome da empresa, em 06/07/2004, e que o expatrono juntou tais compensações nas execuções fiscais, requerendo a suspensão até a homologação. Segue argumentando que destituiu o antigo patrono e ingressou com ação indenizatória contra ele. Relata ainda que esses débitos sequer constam da Consulta de Inscrição na PGFN ou no sítio da RFB, e de igual forma não foram declarados em DCTF. Ou seja, os mesmos são inexistentes. Pois bem. Entendo que o processo não reúne condições de julgamento. O Colegiado acordou que diante dos diversos erros apontados pelo recorrente nas Perdcomps enviadas, e considerando que a base de cálculo da multa aqui imputada são justamente tais débitos, requeiro o retorno dos autos para a unidade de origem e verifique exatamente a existência e confissão dos débitos compensados naquelas perdcomps. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 16832.001167/200981 Resolução nº 1301000.645 S1C3T1 Fl. 967 9 Solicito também que o recorrente seja intimado a apresentar a petição da ação cível ingressada contra o seu expatrono, devidamente assinada e protocolada, já que as cópias que constam dos autos não encontram assinadas, bem como informe o seu andamento atual. Posteriormente, a recorrente deverá ser intimada para se tomar ciência e se desejar, manifestarse acerca do respectivo relatório, nos termos no art. 35, parágrafo único do Decreto 7.574/2011. Após, retornemse para o CARF para seguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 967DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907777/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS.
Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 77 77 /2 01 2- 04 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo em parte a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo que ele decorria da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurado que a contribuição devia ser exigida somente em relação ao faturamento da pessoa jurídica, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Segundo o então Manifestante, não havia que se alegar, como a Fazenda Nacional vinha sustentando, que apesar de aplicável às instituições financeiras a referida declaração de inconstitucionalidade, ainda assim seriam devidas as contribuições sobre suas receitas operacionais típicas, que incluíam as receitas financeiras, nos termos do Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007, pois inexistia qualquer identidade entre faturamento e a atividade principal dos contribuintes. Ainda de acordo com o contribuinte, essa questão se encontrava naquele momento pendente de decisão pelo STF, sendo que, nos autos do Recurso Extraordinário no 609.096, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceuse a existência de repercussão geral da matéria, em função do quê, devia ser sobrestado o presente feito até o julgamento final, nos termos do artigo 62A, parágrafos 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, como meio de evitar decisões conflitantes e promover economia processual. Argumentou, também, que, mesmo que se entendesse que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras tinham natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo das contribuições, o pedido de restituição formulado merecia ser parcialmente deferido, já que não podiam integrar a referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolviam intermediação financeira. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12075.361, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito de restituição de parcelas da contribuição incidente sobre receitas não operacionais. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.494, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.907775/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.494): O Recurso Voluntário interposto face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1275.359 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). RECOLHIMENTO A MAIOR. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. RESTITUIÇÃO. Tendo sido constatado que o valor recolhido da Contribuição para o PIS e da Cofins foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais) é de se restituir a diferença recolhida a maior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 SOBRESTAMENTO DO FEITO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Nas normas que regulam o processo administrativo fiscal não há previsão para sobrestamento do feito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O Contribuinte em seu recurso repisa os argumentos já expostos quando da interposição da manifestação de inconformidade, alegando que diante do pagamento a maior de COFINS tem o direito à restituição, visto que a apuração da contribuição se deu sobre receitas que não decorrem da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, com a inconstitucionalidade do §1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que ampliava a Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 5 4 base de cálculo da contribuição ao PIS e COFINS à totalidade das receitas, há o direito de restituição. Assim, o Contribuinte trata por primeiro do indébito tributário em relação à COFINS, para em seguida formular, se caso se entender: (...) que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo da COFINS, o que se admite apenas para argumentar, quando menos merece ser parcialmente deferido o pedido de restituição formulado, posto que não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Na decisão recorrida ficou posto o entendimento de que no caso das instituições financeiras, com a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS é o faturamento, sendo este compreendido com a sua receita operacional, com as exclusões previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Entendeu também a Turma Julgadora que o Contribuinte faz jus à restituição de valor recolhido a maior, visto que se constatou que o valor recolhido de COFINS foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais). Portanto, deuse provimento ao pedido de restituição no montante de R$ 12.058,75 (valor original) e com isso, a base de cálculo da COFINS não abarcou a totalidade das receitas. Entendo que não assiste razão ao Contribuinte, visto que foi considerado na decisão ora recorrida o afastamento de receitas não operacionais que integraram a base de cálculo da COFINS, bem como, considerouse por faturamento as receitas operacionais decorrentes das atividades típicas desenvolvidas pelo Contribuinte. Cito aqui trechos do voto do acórdão ora recorrido, que fundamentam o entendimento da matéria e como razões para decidir: 25. A interessada fundamenta o seu pleito no fato de a sua sucedida ter efetuado o recolhimento da contribuição em questão nos termos da Lei n° 9.718/98, aplicando o disposto no parágrafo 1o do seu art. 3o, dispositivo este, cuja inconstitucionalidade foi posteriormente reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, que entendeu só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. 26. Acrescenta que no caso da sua sucedida a Contribuição para o PIS e a Cofins deveriam incidir tão somente sobre o valor constante da rubrica 7.1.7.00.009 – “Rendas de Prest. de Serviços”, que, no período de apuração em questão, é composto somente pelo valor constante da rubrica 7.1.7.99.003 – “Rendas de Outros Serviços”. 27. Ocorre que tal entendimento não reproduz, exatamente, aquele consignado pelo STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, entre outros, nos quais julgou ações de inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, conforme será visto a seguir. (...) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 6 5 29. Da leitura das ementas dos acórdãos dos RE mencionados, entre os quais o RE 346.084/PR, cuja ementa é abaixo reproduzida, verificase que o entendimento do STF se consolidou no sentido de identificar receita bruta com faturamento, correspondendo este à venda de mercadoria e de serviços. Foi considerada inconstitucional a ampliação do conceito de receita bruta pelo parágrafo 1o, do artigo 3o da Lei 9.718/98, pelo fato de incluir todas as receitas independentemente da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil dos ingressos. (...) 30. Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, acima citado, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. 31. Neste diapasão, o Ministro César Peluso (fls. 1253 e 1254 do RE 346.084/PR) expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, assim entendido, como sendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa, in verbis: (...) 32. Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto afirmou (fl.1350 do RE 346.0846/PR) a identidade entre faturamento e receita operacional, sendo esta constituída por ingressos que decorram da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no artigo 2o, da Lei Complementar 70/91, in verbis: (...) 33. Assim, diante das manifestações dos Ministros do STF, é de se concluir que toda pessoa jurídica que possui ingressos decorrentes de sua atividade típica tem receita operacional, que corresponde ao faturamento ou receita bruta que a Lei Complementar no 70/91 e a Lei no 9.718/98 elegeram como base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. 34. Nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964, que veio dispor sobre a política e as instituições monetárias, bancárias e creditícias, criou o Conselho Monetário Nacional e deu outras providências, as instituições financeiras têm como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Eis o que diz a norma: “Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” 35. Assim, de acordo com o entendimento dos Ministros do STF, no que se refere às instituições financeiras, todo rendimento que decorra de qualquer uma destas atividades, estaria sujeito à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, por tratar de receitas típicas da atividade destas instituições. 36. Esse também é o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, consignado em seu Parecer PGFN/CAT/No 2773/2007, exarado em resposta à consulta efetuada pela Secretaria da Receita Federal, por intermédio da Nota Técnica Cosit no 21, de 28 de agosto de 2006, acerca da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz do acórdão do STF no Recurso Extraordinário 357.9509/RS, por meio do qual esse Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. 37. O referido Parecer adota o entendimento segundo o qual a jurisprudência do STF traduzse na tributação, pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, das Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 7 6 receitas operacionais, quais sejam: aquelas provenientes da atividade de exploração da empresa. Seguem abaixo transcritos excertos desse Parecer: “33. Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades das instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 34. Cabe registrar que a conceituação de serviços para fins tributários não é tema de direito privado não se lhe aplicando, para fins exegéticos, os arts. 109 e 110 do CTN. Efetivamente, o art. 109 do CTN delimita com rigor a separação entre o direito tributário e o privado e o art. 110 trata das limitações inerentes à legislação tributária, no entanto, os institutos de direito privado não se confundem com os efeitos que as normas tributárias lhe atribuem. 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 42. O mesmo é válido para o caput do art. 17 da Lei no 4.595, de 1964. Se não for possível entender que as atividades de coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e a custódia de valor de propriedade de terceiros são serviços, e que a natureza jurídica de instituições financeiras é a de prestadora de serviço, restará prejudicado também este dispositivo legal.” (grifouse) 38. O Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS, em seu item 5, assim dispõe: 5. Definições: Para os fins do presente Anexo: a) Por serviço financeiro se entende todo serviço financeiro oferecido por um prestador de serviço de um Membro. Os serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros). Os serviços financeiros incluem as seguintes atividades: Serviços de seguros e relacionados com seguros i) Seguros diretos (incluindo coseguros): A) seguro de vida; B) outros seguros; ii) Resseguros e retrocessão; iii) Atividades de intermediação de seguros, tais com corretagem e agência; iv) Serviços auxiliares aos seguros, tais como consultoria, atuaria, avaliação de riscos e indenização de sinistros. Serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros) v) Aceitação de depósito e outros fundos reembolsáveis do público; vi) Empréstimos de todo tipo, inclusive de créditos pessoais, créditos hipotecários, factoring e financiamento de transações comerciais; vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing); Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 8 7 viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária, inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques de viagem e letras bancárias; ix) Garantias e compromissos; x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja em bolsa, em mercado não cotado (overthemarket) ou, em outros casos, no que se segue: A) instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques, letras de câmbio, certificados de depósito); B) divisas; C) produtos derivados, tais como, mas não exclusivamente, futuros e opções; D) instrumentos do mercado cambial e monetário, tais como “swaps” e acordos a prazo sobre juros; E) valores mobiliários negociáveis; F) outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis, inclusive metal; xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários, inclusive a subscrição e colocação como agentes (pública ou privadamente) e a prestação de serviços relacionados com tais emissões; xii) Corretagem e câmbios; xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em efetivo (cash management) ou de carteira, administração de investimentos coletivos em todas as formas, administração de fundos de pensão, serviços de depósitos e custódia de serviços fiduciários; xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos financeiros, inclusive valores mobiliários, produtos derivados e outros instrumentos negociáveis; xv) Provisão e transferência de informação financeira e processamento de dados financeiros e “software” por prestadores de outros serviços financeiros; xvi) Consultoria, intermediação e outros serviços financeiros auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i) a (xv), inclusive informação e análise de créditos, estudos e consultoria sobre investimentos e carteiras de valores e consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia empresarial; b) Um prestador de serviços financeiros significa qualquer pessoa física ou jurídica de um Membro que preste ou deseje prestar um serviço financeiro, mas o termo “prestador de serviço financeiro” não inclui uma entidade pública; c) (...)” (grifouse) (...) 48. Como pode ser observado, as receitas que integram a receita operacional da interessada são oriundas de operações típicas da atividade bancária, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Dentre estas receitas deve ser excluída a referente à reversão de provisões operacionais, em virtude da previsão contida no inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. 49. Diante disso, não é de prevalecer a pretensão da interessada de tributar tão somente as receitas contabilizadas como RENDAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, já que, conforme já visto, assim como estas, as demais receitas operacionais também são oriundas da atividade típica da instituição. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 9 8 50. Também não deve prosperar a pretensão da interessada de excluir da base de cálculo das referidas contribuições as receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, bem como as oriundas da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central. 51. No que tange às receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, cabe esclarecer que dentre as atividades típicas de uma instituição financeira bancária se inclui a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964. 52. Quanto à remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central, é de se observar que esta também é renda oriunda da atividade típica de uma instituição financeira. Os depósitos compulsórios são recolhimentos obrigatórios que as instituições financeiras fazem ao Banco Central de parte de suas captações em depósitos à vista, a prazo, de poupança e de garantias realizadas. Atualmente, são remunerados os recolhimentos compulsórios sobre recursos a prazo, sobre depósitos de poupança e a exigibilidade adicional sobre depósitos. O objetivo da remuneração dos recolhimentos compulsórios é a redução do custo de captação dos recursos pelos bancos, implicando menores taxas de juros cobradas nas operações ativas. Esta renda é contabilizada na conta RENDAS DE CRÉDITOS VINCULADOS AO BANCO CENTRAL 7.1.9.60.007, que compõe o grupo de receitas operacionais. Cabe observar que não obstante tratar de receita tributável, no período de apuração em análise não consta receita referente a tal rubrica, não tendo que se falar, portanto, em exclusão de receita que sequer foi computada na base de cálculo das contribuições. 53. Assim, considerando os valores da Receita Operacional (COSIF 7.1.0.00.008), da Reversão de Provisões Operacionais (COSIF – 7.1.9.90.008, hipótese de exclusão), e das Despesas de Captação (COSIF – 8.1.1.00.008, hipótese de dedução) constantes do BALANCETE GERAL anexado aos autos, foi por mim elaborada a planilha de fls. 125 a 127, na qual consta demonstrado que: • O valor da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 713.940,75; • A interessada efetuou recolhimento referente a este período no valor de R$ 725.999,50; e O valor recolhido a maior da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 12.058,75 (valor original). Conclusão 54. Diante do exposto voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • INDEFERIR o pedido de sobrestamento do feito; • RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório da interessada no montante de R$ 12.058,75 (valor original); e • DEFERIR PARCIALMENTE o pedido de restituição em tela no montante de R$ 12.058,75 (valor original). Cabe salientar que neste processo de análise do PER/DCOMP nº 41733.80784.140705.1.2.045743, com alegado recolhimento a maior, em 14/07/2000, a título de Cofins (cód. 7987 COFINS ENTIDADES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS), atinente ao período de apuracã̧o 06/2000, referese a recolhimento efetuado pelo BANCO DE CRÉDITO Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.907777/201204 Acórdão n.º 3301005.498 S3C3T1 Fl. 10 9 REAL DE MINAS GERAIS S.A., empresa incorporada, em 01/09/2004, por BRADESCO LEASING S.A. – ARRENDAMENTO MERCANTIL. Com isso considerado e sem reparos na decisão ora recorrida, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.000207/2007-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006
RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Tendo a fundamentação legal da autuação sido apresentada em relatório fiscal substitutivo, e uma vez reaberto o prazo para o contribuinte apresentar novas razões de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DILIGÊNCIA. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE.
Somente mostra-se necessária a emissão de notificação de lançamento complementar quando verificadas incorreções que acarretem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração dos fundamentos legais da autuação.
ERROS E OMISSÕES. CORREÇÃO. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. VALIDADE.
Em havendo erros ou omissões no relatório fiscal, pode ser emitido validamente relatório fiscal complementar, desde que se dê ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo para a apresentação de defesa.
DILIGÊNCIA. CIÊNCIA.
Inexiste vício na realização de diligência demandada pela autoridade julgadora quando constatado que o contribuinte foi regularmente intimado de seu resultado.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, eventuais omissões ou incorreções em sua emissão não ensejam a nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 9202-007.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo a fundamentação legal da autuação sido apresentada em relatório fiscal substitutivo, e uma vez reaberto o prazo para o contribuinte apresentar novas razões de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DILIGÊNCIA. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. Somente mostra-se necessária a emissão de notificação de lançamento complementar quando verificadas incorreções que acarretem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração dos fundamentos legais da autuação. ERROS E OMISSÕES. CORREÇÃO. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. VALIDADE. Em havendo erros ou omissões no relatório fiscal, pode ser emitido validamente relatório fiscal complementar, desde que se dê ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo para a apresentação de defesa. DILIGÊNCIA. CIÊNCIA. Inexiste vício na realização de diligência demandada pela autoridade julgadora quando constatado que o contribuinte foi regularmente intimado de seu resultado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, eventuais omissões ou incorreções em sua emissão não ensejam a nulidade do auto de infração.
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FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo a fundamentação legal da autuação sido apresentada em relatório fiscal substitutivo, e uma vez reaberto o prazo para o contribuinte apresentar novas razões de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DILIGÊNCIA. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. Somente mostrase necessária a emissão de notificação de lançamento complementar quando verificadas incorreções que acarretem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração dos fundamentos legais da autuação. ERROS E OMISSÕES. CORREÇÃO. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. VALIDADE. Em havendo erros ou omissões no relatório fiscal, pode ser emitido validamente relatório fiscal complementar, desde que se dê ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo para a apresentação de defesa. DILIGÊNCIA. CIÊNCIA. Inexiste vício na realização de diligência demandada pela autoridade julgadora quando constatado que o contribuinte foi regularmente intimado de seu resultado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, eventuais omissões ou incorreções em sua emissão não ensejam a nulidade do auto de infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 07 /2 00 7- 78 Fl. 3242DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.806, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.015.5734, lavrada contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 191/202, referese a contribuições sociais devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga à prestadores de serviço (consultores), enquadrados pela Fiscalização como segurados empregados, no período de 05/2000 a 06/2006, correspondentes a contribuições dos segurados, da empresa, do financiamento dos beneñcios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT, e de terceiros (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAC, SESC e SEBRAE), no valor de R$ 21.962.647,99 (vinte e um milhões, novecentos e sessenta e dois mil, seiscentos e quarenta e sete reais e noventa e nove centavos), consolidado em 23/03/2007. Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 10 3 O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 326/391, aditada às fls. 2193/2197, juntamente com os documentos de fls. 392/2188 e fls. 2198/2306. A DRJ, às fls. 2847/2911, julgou procedente em parte a impugnação, exonerando o valor de R$ 2.817.638,73, e mantendo o crédito tributário de 19.145.009,26. Na oportunidade a Instância a quo recorreu de ofício, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 e art. 1° da Portaria MF n° 03/2008, em razão de o crédito tributário exonerado exceder a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 2926/2984. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 3034/3076, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e, em preliminar do recurso voluntário, conforme o disposto na Súmula n° 99 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c o comando do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN, reconheceu a DECADÊNCIA dos créditos constituídos para a competência 06/2003 e anteriores bem como determinar a TOTAL NULIDADE DO LANÇAMENTO em razão de maculado por VÍCIO MATERIAL. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NOTIFICAÇÃO VÁLIDA. APERFEIÇOAMENTO. MOTIVAÇÃO COMPLEMENTAR POR DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF EXTINTO. IMPEDIMENTO DA AUTORIDADE AUTUANTE. VERDADE MATERIAL. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. A súmula nº 99 do CARF, implica observar que, uma vez adimplidas outras quaisquer rubricas as quais a autuada, no mesmo período, teve por obrigação, à parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração em análise, mesmo que não tenha sido incluída na base de cálculo do recolhimento das referidas competências, aplicase a regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN para as contribuições previdenciárias. Na hipótese de nova notificação do lançamento, esta restará aperfeiçoada e válida na data referida. Descabe às instâncias de julgamento complementar motivação do lançamento. O procedimento de aferição indireta exige motivação sustentável bem como fundamentação legal. Ausentes os requisitos implica cerceamento de defesa. Na forma do Parágrafo único do art. 16 da Portaria MPS/SRP N° 3.031, de 16 de dezembro de 2005, extinto o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, Fl. 3244DF CARF MF 4 na emissão do novo MPF, não poderá ser indicado o mesmo servidor responsável pela execução daquele. É um princípio específico do processo administrativo. Se o vício estiver instalado na produção do conteúdo do lançamento, em sua dinâmica, é caso de nulidade por vício material. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Processo Anulado. Às fls. 3078/3097, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Nulidade do lançamento devido à: a) ausência de indicação do dispositivo legal do arbitramento. Enquanto o acórdão recorrido anulou o lançamento considerando objetivamente a existência de vício, sem observar a necessidade da demonstração do prejuízo na ausência de indicação do dispositivo referente ao arbitramento, o acórdão paradigma reputa indispensável ao deslinde desse tipo de controvérsia a consideração da existência de prejuízo in concreto. Eventualmente, na hipótese de não ser acolhido o entendimento do paradigma acima citado, o julgamento recorrido divergiu também do posicionamento de outras Câmaras que defendem que a ausência de indicação do dispositivo atinente ao arbitramento gera tão somente nulidade por vício formal. b) agravamento da autuação motivado pelo Relatório Complementar. Acerca da alegada nulidade por ter a situação do Contribuinte sido agravada por Relatório Complementar, há entendimento da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção no sentido de que tal procedimento não macula a autuação, desde que o contribuinte tenha sido cientificado das alterações, tal qual se deu na hipótese dos autos. Já o acórdão recorrido acolheu o pedido do Contribuinte de nulidade no tocante a tal aspecto apenas por entender que caberia novo lançamento e não complementação daquele. c) ausência de ciência ao contribuinte da segunda diligência realizada. Não obstante entenda impertinente a alegação de que não houve ciência da segunda diligência realizada, conforme se pode observar da leitura dos documentos juntados aos autos, cumpre observar que esta diligência teve o intuito de esclarecer apenas alguns aspectos, não ensejando agravamento à situação da contribuinte. Na hipótese de eventualmente não ser acolhido o entendimento do paradigma acima mencionado, há também paradigma no sentido de que a ausência de intimação acarreta tão somente anulação de decisão de primeira instância. d) irregularidades na emissão dos MPF e TIADs. O v. acórdão ora recorrido acolheu entendimento de que a ausência de MPF válido antes do TIAD enseja a nulidade do lançamento. Os acórdãos paradigmas, apreciando questão semelhante a destes autos, declararam que o Mandado de Procedimento Fiscal se configura como mero ato de controle administrativo interno, incapaz de interferir na validade da autuação, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 59 e 60, do Decreto nº 70.235/72. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 3116/3130, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação às seguintes matérias: Nulidade do lançamento devido à: a) ausência de indicação do dispositivo legal do arbitramento; b) agravamento da autuação motivado pelo Relatório Complementar; c) ausência de ciência ao contribuinte da segunda diligência realizada; d) irregularidades na emissão dos MPF e TIADs. Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 11 5 Cientificado à fl. 3185, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 3189/3239, questionando, preliminarmente, a admissibilidade do recurso especial da União, pois não sabe de que parte do arrazoado recursal o I. Conselheiro Especialista viu que a Procuradoria não indicou os dispositivos citados, sendo defeso ao examinador suprir essa questão mesmo considerando que a exigência não é aplicável ao presente recurso, não cabe ao examinador da sua admissibilidade fazer a indicação. Requereu, no mérito, a manutenção da decisão. Vieram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO Em sede de contrarrazões o Contribuinte apontou a falta de especificação por parte da Fazenda Nacional, do dispositivo sob o qual se funda o recurso interposto. Contudo, compulsando acórdão recorrido e paradigma observo que a divergência resta claramente pontuada. O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 3246DF CARF MF 6 DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.015.5734, lavrada contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 191/202, referese a contribuições sociais devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga à prestadores de serviço (consultores), enquadrados pela Fiscalização como segurados empregados, no período de 05/2000 a 06/2006, correspondentes a contribuições dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT, e de terceiros (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAC, SESC e SEBRAE), no valor de R$ 21.962.647,99 (vinte e um milhões, novecentos e sessenta e dois mil, seiscentos e quarenta e sete reais e noventa e nove centavos), consolidado em 23/03/2007. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso de Ofício e decretou a nulidade do crédito, objeto do Recurso Voluntário, sendo, portanto, este procedente. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Nulidade do lançamento devido à: a) ausência de indicação do dispositivo legal do arbitramento; b) agravamento da autuação motivado pelo Relatório Complementar; c) ausência de ciência ao contribuinte da segunda diligência realizada; d) irregularidades na emissão dos MPF e TIADs. Diante da questão colocada em discussão, o acórdão recorrido apontou detalhes importantes a serem considerados: Dentre diversos apontamentos o Contribuinte alega que o lançamento fiscal não se sustenta face as sucessivas ilegalidades que levam a sua nulidade por vício. (a) AFERIÇÃO POR ARBITRAMENTO Segundo o Contribuinte a Fiscalização não esclareceu se a alíquota aplicada de 8% nos casos em que não foi possível identificar os segurados respeitou o limite máximo do salário de contribuição. O Auditor Fiscal não conseguiu esclarecer através do Demonstrativo Analítico de Débito o cálculo e o levantamento dos casos em que não conseguiu identificar os segurados (“CNN). E em razão disso houve cerceamento de defesa, em virtude de vício relativo à deficiente descrição fática, por não terem sido objetivamente relacionados, descritos e discriminados os lançamentos CNN'”. O acórdão recorrido por sua vez, com base na decisão da Delegacia Regional de Julgamento, apontou uma inadequação do procedimento. Entendendo que não há nos autos elementos capazes de autorizar a aferição indireta, nos seguintes termos: O sobredito fora também percebido pela Instância a quo na medida em que, em 30/10/2007, às fls. 2.311, ao requerer a Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 12 7 primeira DILIGÊNCIA teceu considerações (item 13) à respeito apontando, também, a falta de fundamentação legal nos autos: “11. Considerando a alegação da empresa de que foi utilizada a alíquota de 8%, nos casos em que não foi possível identificar os segurados, porém, não se esclarece se foi observado ou não o limite máximo do salário de contribuição (fls. 329). 12. Considerando que, de fato, foi utilizada a alíquota de 8% para o cálculo das contribuições dos segurados no levantamento “CDD” conforme anexo DAD às fls. 04/11. Contudo, não consta nem do anexo “FLD Fundamentos Legais do Débito” (fls. 163/166) e nem do relatório fiscal (fls. 191/202) fundamento legal que autorize a utilização da referida alíquota. 13. Considerando, ainda, a alegação de ausência de fundamentação legal da impugnação, conforme exposto às fls. 329/333 e que, de fato, parte do lançamento foi feita por aferição indireta, no entanto, não consta fundamento legal nem no referido anexo FLD e nem no relatório fiscal que ampare tal procedimento. " De fato, observando o Relatório de Fundamentos Legais de fls 163, mesmo depois das diligências, não se observa elencado dispositivo legal para procedimento de aferição indireta. Também é possível verificar uma certa confusão quanto ao fato dos empregados terem tido vínculo de trabalho reconhecido com mais de uma empresa ao mesmo tempo. A alegação do Contribuinte aduz que parte das empresas objeto da presente NFLD também o são da autuação feita, em novembro de 2006, pelo mesmo auditor na empresa Pimentel Consultores Associados (“Pimentel”), ou seja, a Fiscalização pretende reconhecer o vínculo dessas empresas com a Pimentel e com a Notificada. Destarte, questiona como seria possível identificar os requisitos do vínculo empregatício (exclusividade, habitualidade, pessoalidade e subordinação) com relação a ambas as empresas no mesmo período. O Contribuinte traz aos autos nas fls. 347/348 relação de prestadores de serviço que afirma ser objeto de ambas as “autuações”, sendo que este fato apenas reforça a falta de fundamentação e ilegalidade do ato administrativo praticado pelo Fisco, bem como a inexistência de elementos suficientes para verificação do vínculo empregatício. Estes elementos já seriam suficientes para esclarecer a questão posta a análise, contudo ainda há outros pontos a ser analisado pela via da nulidade. No que se refere a falta de intimação do Contribuinte do despacho que determinou diligência para complementar a motivação do relatório fiscal É de se apontar que o relatório da fiscalização alega que a empresa não entregou a documentação, contudo há nos autos confusão nestas informações, o que coloca em dúvida a afirmação da fiscalização que não logrou êxito em provar que não houve a referida entrega. Fl. 3248DF CARF MF 8 (b) RELATÓRIO COMPLEMENTAR – AGRAVAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO SEM INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE Assiste razão ao Contribuinte quanto a Primeira DILIGÊNCIA conforme fls. 2.311, da qual é possível concluir que a instância a quo procedeu a motivação complementar do lançamento na medida em que determinou que se providenciasse novo Relatório Fiscal substituto com esclarecimentos e fundamentações legais reclamados pela recorrente em sede de impugnação. Assim, conforme afirma o acórdão recorrido, se no curso de uma diligência a autoridade autuante constatar as hipóteses encimadas deve lavrar novo auto de infração ou emitir notificação de lançamento complementar e não APENAS PRODUZIR NOVO RELATÓRIO FISCAL e nova documentação de amparo visando aperfeiçoar a motivação do primeiro afastado por conter vícios. Como se observa nos argumentos elencados pela Instância a quo, nesta primeira DILIGÊNCIA, não foram requeridos tão somente demonstrar à luz dos elementos já contidos nos autos aspectos que proporcionassem a convicção do julgador na forma da prerrogativa estabelecida nos art. 18 e 29 do Decreto 70.235/72. No despacho de diligência determinarase a providenciar procedimentos para corrigir os vícios apontados nos seus ‘considerandos’ de forma a validar o lançamento maculado. Na forma dos documentos colacionado às fls. 2.348/2.369, a Autoridade autuante produziu Relatório Fiscal substituto, datado de 20/12/2007, entretanto conforme despacho de fls. 2.366, em 21/08/2008, registra que não foi dado ciência ao contribuinte (c) ausência de ciência ao contribuinte da segunda diligência realizada Não obstante, a autuada não tenha sido tempestivamente notificada do despacho que requereu a diligência bem como da resposta do Relatório substituto, o que foi sanado posteriormente após a cientificação do contribuinte em outra circunscrição. Assim tendo por base o § 3° do art. 18 do mesmo diploma legal supra, quando em exames posteriores ou nos resultados de diligências e não por determinação para se fazêlo no curso dessas, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (d) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 13 9 Para tratar dos formulários do MPF e Tiad’s me valho dos apontamentos realizados pelo relator do acórdão recorrido, os quais adoto como razão de decidir: Consultando os autos, às fls.170 consta colacionado o MPF n ° 09356209F00 emitido em 17/11/2006, ciência em 17/11/2006, val. 21/02/2007, e nas fls. 169 o MPF complementar N° 09356209C01, ciência, 21/02/2007 emissão em 21/02/2007 val. até 22/04/2007 para ser executado pelo Auditor ARTUR BADEMIAN. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° O9299298 F00 consta colacionado às fls, 2.345. Foi emitido em 11/04/2006 e notificado em 20/06/2006 com validade até 25/06/2006. Estaão ausentes as prorrogações C01 e C02. Uma terceira emissão complementar de n° O9299298C3, consta que embora tenha sido emitida em 22/09/2006 , fora notificado um dia antes em 21/09/2006 (???). Não consta nos autos formal encerramento da ação fiscal cancelada comandada pelo MPF MPF n° O9299298 F00. Como registrado alhures, o novo MPF n ° 09356209F00 foi emitido em 17/11/2006, ciência em 17/11/2006, val. 21/02/2007, e nas fls. 169 consta que houve somente uma prorrogação na forma do MPF complementar N° 09356209C01, ciência, 21/02/2007 emissão em 21/02/2007 val. até 22/04/2007 para ser executado pelo mesmo Auditor fiscal que conduzira a ação até então. Em relação aos Termo de apresentação de documentos, tendo havido o cancelamento na forma do encimado, às fls, 180/184 se registram emissões de TIAD´s. Cumpre observar que em todos constava que a documentação exigida deveria ser disponibilizada na sede da autuada e não na Delegacia da RFB O fato acima é relevante ser destacado em razão de que a empresa alega que os documentos estiveram disponibilizados na empresa e a autoridade autuante registrou que de fato nunca estivera na sede da empresa e que os documentos deveriam ter sido entregues na RFB. No documento de fls. 2.867, a Autoridade fiscal revela que nunca esteve na empresa, contudo, observo que nos documentos colacionados às fls. 2.179/2/188, a empresa faz registros de entrega de documentos, recebidos pela Autoridade fiscal, e da disponibilização de outros na sede da empresa. Registrese que em todas as correspondências anteriores o endereço era o mesmo dos TIAD´s. Somente na última, datada de 19 de março de 2007. protocolizada em 20 de março de 2007, SIPPS 26459605 é que se registra endereço novo. Relevante observar que a NFLD NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO de fls. 01, não obstante, foi lavrada tendo o antigo endereço referido nos TIADS. O acórdão, ora recorrido acolheu entendimento de que a ausência de MPF válido antes do TIAD enseja a nulidade do lançamento. Os acórdãos paradigmas, apreciando Fl. 3250DF CARF MF 10 questão semelhante a destes autos, declararam que o Mandado de Procedimento Fiscal se configura como mero ato de controle administrativo interno, incapaz de interferir na validade da autuação, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 59 e 60, do Decreto nº 70.235/72. Contudo no caso em tela, dada a confusão de procedimentos verificado em todo procedimento, considero que a ausência de MPF válido macula a validade do auto de infração. Assim em razão de todas estas irregularidades, algumas apontadas pela própria DRJ e outras pelo acórdão recorrido, observo que o auto de infração não subsiste, devendo ser apontada sua improcedência. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Não obstante as razões suscitadas pela i. Relatora, afora no que se refere ao conhecimento, entendo que os elementos constantes dos autos, as normas que regem as matérias objeto de divergência e a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conduzem a conclusões diversas daquelas esposadas no voto vencido. De acordo com o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, o intento da Fazenda Nacional é a rediscussão das seguintes matérias: a) ausência de indicação do dispositivo legal do arbitramento; b) agravamento da autuação motivado pelo Relatório Complementar; c) ausência de ciência ao contribuinte da segunda diligência realizada; d) irregularidades na emissão dos MPF. CONHECIMENTO Nos termos do voto condutor do acórdão atacado, a autoridade autuante, por vias transversas, efetuou o lançamento utilizandose de aferição indireta, sendo que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SPOI, quando do exame da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, converteu o julgamento em diligência, apontando a falta de fundamentação legal para adoção de tal procedimento. Ainda segundo consta da decisão recorrida, “mesmo depois das diligências, não se observa elencado dispositivo legal para procedimento de aferição indireta”. Neste ponto, o sujeito passivo, em sede de contrarrazões, insurgese contra o despacho de admissibilidade do Recurso Especial, alegando que o acórdão sob ataque teria anulado o lançamento não por ausência de indicação de dispositivo legal do arbitramento, mas Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 14 11 pela falta de fundamento legal que autorizasse a utilização da metodologia de aferição indireta. Em razão disso, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não mereceria ser conhecido. A despeito da exasperação do contribuinte, fato é que, ao tratar da questão, o acórdão vergastado recorreu à decisão da DRJ/SPO I, que demandou a realização da primeira diligência (fls. 2325/2342), apontando a propalada falta de fundamentação legal para o arbitramento. Nos termos da decisão de primeira instância administrativa, reproduzida no voto condutor da decisão a quo: 13. Considerando, ainda, a alegação de ausência de fundamentação legal da impugnação, conforme exposto às fls. 329/333 e que, de fato, parte do lançamento foi feita por aferição indireta, no entanto, não consta fundamento legal nem no referido anexo FLD e nem no relatório fiscal que ampare tal procedimento. (Grifouse) Vejase que, diversamente do que rumina o sujeito passivo, o que motivou a anulação da NFLD não foi a falta de fundamento legal para a realização do arbitramento, mas a constatação feita pelo julgador de segunda instância de que os dispositivos legais relativos à matéria não teriam sido inseridos no documento denominado Fundamentos Legais do Débito – FLD ou no Relatório Fiscal, mesmo depois da realização de diligências. No que concerne à ciência de diligência, entendo pertinente o que se consignou no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, que abaixo reproduzo: Na decisão recorrida entendeuse por anular o lançamento em razão de vício material, mesmo o contribuinte, tendo tomado ciência, antes da decisão de primeira instância, dos aspectos relacionados à diligência e de seus reflexos no relatório fiscal, e, inclusive, abordado tais aspectos em sua peça impugnatória. Já na decisão paradigmática decidiuse que, embora tenha deixado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de cientificar o Recorrente quanto à segunda diligência realizada, dito fato não importoulhe prejuízo capaz de promover a nulidade da referida decisão, visto que a diligência foi reportada no relatório fiscal, não trazendo prejuízo à defesa do sujeito passivo. Por todo o exposto, para a matéria sob análise, verificase configurado o dissídio jurisprudencial, visto que em situações semelhantes foram adotados critérios distintos para tomada de decisão. Assim, em consonância com o entendimento esposado pela i. Relatora, entendo não haver como atribuir razão ao recorrente e voto pela admissibilidade do Recurso Especial. DA AFERIÇÃO INDIRETA E DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Quanto à asserção trazida na decisão recorrida de que “mesmo depois das diligências, não se observa elencado dispositivo legal para procedimento de aferição indireta”, da leitura do Relatório Fiscal Substitutivo (fls. 2364/2377) vêse que o Colegiado a quo incorreu em evidente equívoco. É que consta de referido relatório, mais especificamente à fl. 2371, todos os dispositivos que dão suporte ao arbitramento, senão vejamos: Fl. 3252DF CARF MF 12 Os valores arbitrados (apurados por aferição indireta ,conforme descrito acima ) e lançados através do levantamento CDD foram efetuados com base na seguinte fundamentação legal: Lei n. 8.212 , de 24.07.91 , art 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.01), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 233, 234 e 235. A PARTIR DE 28.10.2004 MP n. 222, de 4.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172,de 25.10.66 ( CTN ), art. 148 ; Lei n. 8.212, de 24.07.91 , an. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001 ), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231,234 e 235. Esclareçase que, com base na fundamentação trazida no Relatório Fiscal Complementar, a recorrente apresentou nova e extensa peça impugnatória (fls. 2601/2665) onde se defende de absolutamente todos os pontos trazidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, o que claramente evidencia a inocorrência de cerceamento ao direito de defesa ou de qualquer outro tipo de prejuízo. Em virtude disso, não se constatando a existência de vício, ainda que formal, dou provimento ao Recurso Especial quanto a essa matéria. DILIGENCIAS E MOTIVAÇÃO COMPLEMENTAR PRIMEIRA DILIGÊNCIA A esse respeito, o Relator da decisão atacada, reportandose à primeira diligência, conclui que a DRJ/SPO I “procedeu a motivação complementar do lançamento na medida em que determinou que se providenciasse novo Relatório Fiscal substituto com esclarecimentos e fundamentações legais reclamados pela recorrente em sede de impugnação”. Informa ainda que a autuada não foi tempestivamente notificada do despacho que requereu a diligência bem como da resposta ao Relatório Substitutivo (fls. 2362/2379). Aduz ainda o Colegiado Ordinário que, de acordo com o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, poderá determinar diligência para formar sua convicção, mas não para complementar a motivação do lançamento. No seu entender, a teor do § 3º do art. 18 do decreto acima referido: quando em exames posteriores ou nos resultados de diligências e não por determinação para se fazêlo no curso dessas, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Assim, se no curso de uma diligência a autoridade autuante constatar as hipóteses encimadas deve lavrar novo auto de infração ou emitir notificação de lançamento complementar e não APENAS PRODUZIR NOVO RELATÓRIO FISCAL e nova documentação de amparo visando aperfeiçoar a motivação do primeiro afastado por conter vícios. Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 15 13 Desse modo, concluise que, como no despacho de diligência foi determinada a adoção de procedimentos para corrigir os vícios detectados pela DRJ/SPO I, de forma a validar o lançamento maculado, este deveria ser anulado por vício material. O contribuinte insurgese contra a admissibilidade do Recurso Especial ao argumento de que os assuntos tratados nos acórdãos recorrido e paradigma são diversos. Contudo, embora as decisões recorrida e paradigmática tratem de matérias distintas, a divergência apontada diz respeito tãosomente à validade ou não de emissão de relatório fiscal complementar antes da decisão de primeira instância administrativa. Da análise das decisões contrastadas restou patente que, para o Colegiado recorrido, a emissão de relatório fiscal complementar dá azo à anulação da autuação e, por outro lado, na situação paradigmática considerouse que, em havendo erros ou omissões no relatório fiscal, “é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa”. Observese que estamos diante de situação relacionada a normas gerais, que não exige a identidade de matérias para que seja instaurada a divergência. Assim, embora os assuntos tratados em cada ocasião sejam distintos, as situações retratadas nos dois acórdãos são absolutamente idênticas, mas com soluções diametralmente opostas, o que, a despeito das contrarrazões apresentadas, reiterese, enseja a admissibilidade do Recurso Especial também quanto a este item. Quanto às razões trazidas no acórdão recorrido para anular a presente NFLD, primeiramente, convém esclarecer que não há qualquer dispositivo de lei que estabeleça prazo para a cientificação do contribuinte de despacho que tenha demandado a realização de diligência, bem assim dos elementos dela decorrentes. O fato de o sujeito passivo ter sido notificado dos documentos da primeira diligência somente após a realização da segunda não traz qualquer tipo de mácula ao procedimento de fiscalização. Ainda mais quando isso decorre de mudança de endereço, consoante restou evidenciado no despacho de fl. 2380. Ademais, conforme esclarecido acima, esse procedimento não trouxe nenhum tipo de prejuízo ao contribuinte, visto que lhe foi ofertada a possibilidade de se defender dos fatos abordados nos relatórios fiscais originário e substitutivo, tendo esse rebatido a todos pontos abordados pelo Fisco em razão da fiscalização inicial e das duas diligências demandadas pelos julgadores de primeira instância administrativa. Sobre a assertiva contida na decisão recorrida de que, a teor dos arts. 18, § 3º e 29 do Decreto nº 70.235/1972, as diligências estariam restritas a “demonstrar à luz dos elementos já contidos nos autos aspectos que proporcionassem a convicção do julgador” e que, no caso em tela, deveria ter sido lavrada nova NFLD, não vejo como concordar com o Colegiado Ordinário. O caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 é expresso no sentido de que “autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias”. Apercebase que, muito embora o art. 29 do mesmo diploma legal evidencie a hipótese de a autoridade julgadora demandar a realização de diligência para a formação de sua convicção em face das provas constantes dos autos, em momento algum limita a adoção dessa providência a esse pressuposto. Fl. 3254DF CARF MF 14 Ademais a realização de diligência para a adoção de providência diversa da formação de convicção a respeito das provas contidas nos autos é procedimento corriqueiro na esfera administrativa, inclusive nos julgamentos de segunda instância, sem que isso demande necessariamente a realização de novo lançamento quando se está diante de vícios tidos como sanáveis. Retomandose a análise quanto ao art. 18, seu § 3º estabelece que: Art. 18. [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifouse) Observese que o dispositivo legal estabelece ser necessária a notificação de lançamento complementar quando verificadas incorreções que acarretem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal. Nesse ponto, entendo que o agravamento da exigência inicial decorreria da majoração da exação fiscal, o que não se verificou no caso concreto. De se notar que o documento emitido pela Fiscalização (fls. 2347/2354), demonstra inclusive que houve a atenuação do valor lançado em razão da redução da alíquota RAT de 2% para 1% e da exclusão de parte dos consultores da NFLD. Senão vejamos trecho do referido documento: 3 .Retificação de lançamento Tendo em vista as alterações efetuadas (utilização de alíquota RAT no valor de 1% para todo o período e a exclusão de parte dos consultores) fazse necessário a retificação dos lançamentos contidos na presente notificação. Em anexo, fls. 2360 [efl. 2374], PLANILHA DE CORREÇÃO A contendo as alterações necessárias para correção da alíquota RAT e nas fls. 2361 à 2363 [efls. 2375/2377] PLANILHA DE CORREÇÃO B contendo as alterações necessárias para a correção dos salários de contribuição (SC ).e da contribuição que deveria ser descontada do segurado ( CS ). Ainda que se pudesse falar em agravamento da exigência, o entendimento que tem predominado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vai ao encontro daquele esposado no acórdão paradigma apresentado pela recorrente (nº 2401 002.504) de que, em havendo erros ou omissões no relatório fiscal, pode ser emitido validamente relatório fiscal complementar, desde que se dê ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa, exatamente como ocorreu no caso em exame. Inclusive, como bem destacado no Recurso Especial, a contagem da decadência, no julgado recorrido, teve como termo final a data da ciência do referido Relatório Complementar, o que torna ainda mais patente a ausência de prejuízo ao sujeito passivo. Além do que, diferentemente do que se evidencia no voto condutor da decisão fustigada, não houve nenhuma alteração da fundamentação legal que deu ensejo ao Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 16 15 lançamento, mas tãosomente a indicação, no referido Relatório Fiscal Substitutivo, dos dispositivos legais que deixaram de ser relacionados no documento denominado “Fundamentos Legais do Débito – FLD” e no Relatório Fiscal originário, ou seja, tal situação não se enquadra entre hipóteses previstas no § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, não sendo apta a demandar novo lançamento. De outra parte, o inciso IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 relaciona, dentre os requisitos necessários à lavratura do auto de infração a indicação da disposição legal infringida. Por outro lado, as circunstâncias que importam nulidade da autuação são aquelas previstas nos incisos I e II do art. 59 do citado Decreto. Confirase: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Irregularidades diferentes das indicadas nos dispositivos em referência, como se verifica na situação em tela, são perfeitamente sanáveis no curso do Processo Administrativo Fiscal – PAF. A esse respeito, o art. 60 do indigitado regulamento prescreve: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Dessa forma, não há desconformidade legal alguma nos procedimentos demandados pela DRJ/SPO I ou na emissão do Relatório Fiscal Substitutivo. Além do que, a jurisprudência dominante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF é no sentido de que o sujeito passivo se defende dos fatos que lhe são imputados e não da capitulação legal da autuação. Assim, estando os fatos devidamente descritos NFLD e tendo sido oportunizado ao contribuinte o direito ao legítimo exercício da ampla defesa e do contraditório, de conformidade com o que se verifica no presente caso, eventuais defeitos na fundamentação legal do débito não se mostram suficientes a afastar a autuação. SEGUNDA DILIGÊNCIA – AUSÊNCIA DE CIÊNCIA Sobre esse assunto, a transcrição do expediente de fl. 2593 dispensa maiores considerações: Encaminhamos , em anexo : cópia dos despachos de fls . 2311 a 2329 ; do pronunciamento da fiscalização de fls. 2333 a 2340 ; da planilha de fls. 2347; do Relatório Fiscal substitutivo de fls. 2348 a 2358 ; das planilhas de fls. 2359 a 2363 ; do despacho de fls. 2367 a 2372 ; documentos de fls. Fl. 3256DF CARF MF 16 2373 a 2389 e 2392 a 2532 ; planilhas de fls. 2533 a 2574 ; do pronunciamento da fiscalização de fls 2575 a 2577 e do presente despacho . O contribuinte tem prazo de 30 (trinta) dias contados do recebimento desta, para querendo, apresentar nova defesa em observância ao princípio do contraditório e ampla defesa. Transcorrido este prazo com ou sem manifestação do contribuinte, os autos serão encaminhados à DRJ para conclusão do julgamento. Apercebase que as páginas do processo referidas no texto acima relacionam todos os documentos produzidos em razão da primeira e da segunda diligência demandadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Consultandose as fls. 2594/2595 do presente processo, das quais constam cópias dos AR emitidos pelos Correios, verificamse comprovados tanto o envio quanto o recebimento desses documentos. Dessarte, não se verifica necessária sequer a decretação de nulidade da decisão de primeira instância, eis que impertinente a afirmação de que não houve ciência do resultado das diligências. Portanto, dou provimento ao Recurso Especial, também nessa parte, para afastar a nulidade. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DOS MPF Em relação à presente matéria, a decisão recorrida reproduz o seguinte trecho da Informação Fiscal de fls. 2347/2354 Referente à data constante no relatório fiscal cabe destacar que houve erro de digitação onde consta 23/12/2006 leiase 23/03/2007. Quanto as datas citadas pela fiscalizada(falta de bom senso) cabe esclarecer o seguinte: A fiscalização não iniciouse em 17/11/2006 e sim em 20/06/2006 (data de assinatura do MPF 09299298 emitido em 11/04/2006, fls. 2345 ) Durante a ação fiscal ocorreu , apesar da regular solicitação, uma não prorrogação do MPF (09299298C03, fls 2346) que foi automaticamente cancelado. Foi, então, gerada uma nova ação fiscal e prontamente colhida a assinatura da empresa no novo MPF (09356208FO0) em 17/11/06 .Observar que o MPF anterior tinha validade até 21/11/06, logo , em nenhum momento a fiscalização foi interrompida MPF ou foi realizada sem cobertura de um _ Consta do voto condutor do acórdão sob referência que o registro efetuado pela Fiscalização contém afirmativas contraditórias. Segundo se afirma, “se uma ação fiscal foi dada como encerrada em razão do cancelamento do MPF que lhe autorizara e fora iniciada ‘uma nova ação fiscal’ a fiscalização vinculada ao MPF anterior não só fora interrompida como também encerrada”. Ainda segundo o acórdão fustigado: A questão não se restringe a validade do MPF. A irregularidade afronta o disposto no Parágrafo único do art. 16 da PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 17 17 22/12/2005, então vigente, cujo comando, na hipótese dessas circunstâncias, preceituava o impedimento de indicar o mesmo servidor responsável pela execução do Mandado extinto. (Grifos do original) Concluise, dessa forma, que o procedimento fiscal seria nulo por vício material, por contrariar o parágrafo único da Portaria MPS/SRP nº 3.031, de 16/12/2005, que dispõe: Art. 16. [...] Parágrafo Único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo servidor responsável pela execução do Mandado extinto." A Fazenda Nacional, por seu turno, com base nos acórdãos paradigmas apresentados, defende que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF configurase como mero ato de controle administrativo interno, incapaz de interferir na validade da autuação. Em sede de contrarrazões, o sujeito passivo insurgese contra o despacho de admissibilidade a partir da reprodução do seguinte excerto dessa peça processual: Quanto as esta última matéria, em relação à qual a PGFN suscita interpretação divergente da legislação processual em âmbito administrativotributário, a alegada indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de procedimento fiscalizatório em razão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF que veio a substituir MPF extinto ocasionou, nos termos da decisão recorrida, a nulidade do lançamento por vício de natureza material em razão do disposto no parágrafo único do art. 16 da Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005,vigente à época da fiscalização: Art. 16. [...]Parágrafo Único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo servidor responsável pela execução do Mandado extinto. Em sentido diverso, nos julgados trazidos à divergência “a prorrogação após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento”. De acordo com esses julgados, “o Mandado de Procedimento Fiscal (constituise em) elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário”. Dessarte, verificase configurado o dissenso na interpretação da legislação tributária, nas decisões proferidas nos acórdãos recorrido e paradigma, sendo forçoso dar seguimento ao apelo em relação a esse tema. (Destaques do original) Segundo afirmam os representantes do contribuinte: Fl. 3258DF CARF MF 18 Primeiramente, a Fazenda não alega em momento algum divergência acerca da decisão que entendeu que a indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de procedimento Fiscalizatório em razão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF que veio a substituir MPF extinto que ocasionou, a nulidade do lançamento por vício de natureza material em razão do disposto no parágrafo único do artigo 16 da Portaria MPS/SRP n.º 3.031/2005. Isso é invenção do Conselheiro examinador e demonstra a sua intenção de manter o auto de infração a qualquer custo, correspondendo, inclusive a infração disciplinar séria. Como a procuradoria não suscitou tal ponto decisão e esse fato implicaria em manter toda a nulidade do auto de infração, o Conselheiro examinador fez a defesa da Fazenda, introduzindo no exame de admissibilidade matéria que não havia sido apontada no Recurso Especial. (Grifos do original) Em primeiro lugar, há que se esclarecer que as afirmações trazidas no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial não contêm as afirmativas expostas nas contrarrazões do contribuinte. Embora o texto do despacho seja curto e claro, ao que nos parece, fazse necessário esmiuçálo de forma pueril para facilitar sua exata compreensão. Para tanto, convém reproduzir novamente a parte destacada na apelação do sujeito passivo: Quanto as esta última matéria, em relação à qual a PGFN suscita interpretação divergente da legislação processual em âmbito administrativotributário, a alegada indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de procedimento fiscalizatório em razão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF que veio a substituir MPF extinto ocasionou, nos termos da decisão recorrida, a nulidade do lançamento por vício de natureza material em razão do disposto no parágrafo único do art. 16 da Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005,vigente à época da fiscalização: (Grifouse) Apercebase que a afirmação contida no parágrafo acima é de que, NOS TERMOS DA DECISÃO RECORRIDA, a alegada indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de procedimento fiscalizatório em razão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF que veio a substituir MPF extinto ocasionou a nulidade do lançamento por vício de natureza material. O Despacho de Admissibilidade em momento algum atribui à Fazenda Nacional tal asserção. Diferentemente do que tenta nos fazer entender o apelo do contribuinte, a referência ali contida é à decisão fustigada. Superada a discussão sobre essa argumentação inepta, passemos à análise do efetivo conteúdo do recurso no ponto que ora se discute. A despeito da asserção apresentada no acórdão recorrido, de que a questão não se restringe à validade do MPF, mas de afronta ao art. 16 da Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005 em razão da indicação do mesmo servidor que fora responsável pela execução de mandato extinto, compete assentar que esse ato administrativo é que estabelece os contornos acerca da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. Por certo, ao se constatar qualquer tipo de irregularidade no MPF, inclusive a indicação de AuditorFiscal responsável por procedimento fiscal cujo mandado anterior tenha Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 14485.000207/200778 Acórdão n.º 9202007.342 CSRFT2 Fl. 18 19 se extinguido, e declarar a nulidade do lançamento em virtude disso, não restam dúvidas de que a motivação para a adoção da decisão diz respeito a vício na expedição do mandado. Digase de passagem que a jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que o MPF é instrumento de controle administrativo e informação ao contribuinte e que eventuais irregularidades em sua emissão não dão azo à anulação do lançamento. Aliás, esse foi o entendimento adotado por esta Turma de julgamento, de forma unanimidade, na decisão consubstanciada no Acórdão n° 9202003.956, de 22/04/2016. Confirase a ementa do julgado: VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento Sobre os Termos de Intimação Fiscal – TIAD, não há apontamentos quanto a irregularidade em sua emissão. Examinandose o teor da decisão recorrida, vêse que a questão é tratada no contexto em que se discute as propaladas irregularidades nos MPF. Ao que nos parece, a intenção do relator daquele decisum foi robustecer os argumentos acerca dos vícios relacionados aos mandados de procedimento fiscal, não havendo como atribuir razão às alegações trazidas a baila pelo contribuinte sobre a necessidade de apresentação de paradigma específico a esse respeito. Dito isso, entendo que se deva dar provimento ao Recurso Especial também com relação a esse tema. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto por conhecer Recurso Especial e, no mérito, por darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 3260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001475/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1993 a 15/03/1996
NULIDADES. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA.
É nula a decisão na qual se opere preterição do direito de defesa (inciso II do art. 59 do Decreto no 70.235/1972), e/ou que tenha sido exarada quando a instância administrativa não detém cognição sobre o tema (inciso I do mesmo diploma normativo).
Numero da decisão: 3401-005.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para anular o acórdão da DRJ, demandando novo julgamento de piso, restrito ao objeto e ao conteúdo da manifestação de inconformidade, superada a discussão sobre ser a compensação efetuada com o mesmo tributo. Na sessão de outubro de 2018, o relator havia proposto a nulidade do segundo despacho decisório, proferido pela unidade preparadora, dele divergindo o Conselheiro Marcos Antonio Borges. Em reformulação de seu voto, após debates, na sessão de outubro de 2018, o relator passou a defender a nulidade da decisão da DRJ, e dos atos que lhe sucedem, sendo acompanhado em tal entendimento pelos demais conselheiros. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que declarou impedimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Renato Vieira de Ávila (em substituição a Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que declarou impedimento). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.339 1 1.338 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.001475/200728 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.688 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO AÇÃO JUDICIAL Recorrente FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1993 a 15/03/1996 NULIDADES. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA. É nula a decisão na qual se opere preterição do direito de defesa (inciso II do art. 59 do Decreto no 70.235/1972), e/ou que tenha sido exarada quando a instância administrativa não detém cognição sobre o tema (inciso I do mesmo diploma normativo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para anular o acórdão da DRJ, demandando novo julgamento de piso, restrito ao objeto e ao conteúdo da manifestação de inconformidade, superada a discussão sobre ser a compensação efetuada com o mesmo tributo. Na sessão de outubro de 2018, o relator havia proposto a nulidade do segundo despacho decisório, proferido pela unidade preparadora, dele divergindo o Conselheiro Marcos Antonio Borges. Em reformulação de seu voto, após debates, na sessão de outubro de 2018, o relator passou a defender a nulidade da decisão da DRJ, e dos atos que lhe sucedem, sendo acompanhado em tal entendimento pelos demais conselheiros. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que declarou impedimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 14 75 /2 00 7- 28 Fl. 1339DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Renato Vieira de Ávila (em substituição a Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que declarou impedimento). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase Despacho Decisório 165/2013 (efls. 1.124 e ss.) por bem retratar a realidade dos autos (efl. 1.110 e ss.): “1. Em 22/08/2007, a contribuinte em epígrafe apresentou Pedido de Habilitação de Crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado (fl. 03). O pedido foi deferido, nos termos do despacho decisório de fl. 881, habilitando o crédito de PIS reconhecido nos autos do Mandado de Segurança n.° 2003.51.01.0174940, no qual foi determinado que esse direito creditório reconhecido somente poderia ser compensado com débitos da própria contribuição para o PIS, conforme requerido pela Impetrante na Inicial, ou seja, não poderia ser compensado com débitos de outros tributos, conforme fls. 704, inc. 10 da sentença de fls. 701 à 719 e embargos da empresa às fls. 734/740. 2. No processo n° 15374.720122/200991, em apenso, às fls. 03/16, encontramse cópia do Pedido de Restituição, transmitido em 06/12/2007, n° 42426.36053.061207.1.2.57.9430 requerendo a restituição do montante de R$2.271.158,67 relacionado ao presente processo de habilitação de crédito e cópias de declarações de compensação, apresentadas em 07/12/2007 e 12/12/2007, utilizando o mesmo direito creditório, e posteriormente retificadas em 17/04/2009, cópias juntadas às fls.85/95. 2. Em 11/08/2009, através do Despacho Decisório 346/2009, fls.1025/1030, foram homologadas parcialmente com esses créditos do Mandado de Segurança as compensações constantes nas declarações de compensação n°s 23349.12942.170409.1.7.578448 e 02250.19299.170409.1.7.57 0437 que apresentavam débitos de IRRF. E, conforme fls. 1044, foi efetivada a emissão das NTs e dos DARF´s SIAFI, para fins de compensação. 3. Após a Manifestação de Inconformidade da empresa, às fls. 1060/1068, a DRJ/RJ2, através do Acórdão 1339.504, às fls. Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10070.001475/200728 Acórdão n.º 3401005.688 S3C4T1 Fl. 1.340 3 1110/1117, tornou NULO o despacho decisório, em vistas de não estar em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS 2003.51.01.0174840, pois a sentença determinou que os recolhimentos indevidos sejam compensados somente com parcela do próprio PIS. 4. Ao fazer o novo Despacho Decisório, confirmamos os 3(três) DARF´s nos sistemas da Receita Federal, apresentados às fls. 449,488 e 477 e que não tinham sidos confirmados anteriormente pela Diligência Fiscal, conforme o Despacho Fiscal de fls. 1011/1013 e tabelas dos cálculos às fls. 995/1003. Confirmação e atualização desses 03 DARF´s até 31/12/1995 no sistema da RFB para atualizar créditos oriundos de ação judicial CTSJ – Crédito Tributário SubJúdice, se encontram às fls. 1120/1123. Logo, ao acrescentarmos ao Despacho Fiscal citado esses 03 DARF´s, teremos os seguintes valores completando as tabelas: (...) 5. Todos os DARF´s do processo constam nos cálculos acima, exceto os 02 (dois) das fls.454, pois referemse à competência da folha de pagamentos de junho/1993 e conforme Certidão da Justiça Federal, fls. 869, os valores recolhidos sobre a folha de pagamento mensal, de julho/1993 à fevereiro/1996 é que podem ser compensados com parcelas do próprio PIS. 6. Assim sendo, as DComp citadas não poderão ser homologadas e o pedido de restituição também não poderá ser atendido, pois a sentença somente permite a compensação com débitos de PIS. Conclusão 7. Em atendimento à determinação do Acórdão 1339.504 – da 4ª Turma da DRJ/RJ2, que tornou nulo o despacho Decisório anterior, profetizando que a utilização de crédito tributário reconhecido por meio de decisão judicial transitada em julgado deverá ser efetuada em seus estritos termos, ainda que a mesma tenha sido mais restrita que a legislação vigente à época, e considerando tudo mais que do processo consta e, no uso da competência que me confere o artigo 302, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista a delegação de competência disposta no artigo 6º, inciso I da Portaria Demac RJO n.º 63, de 18 de julho de 2012, publicada no D.O.U. de 20 de julho de 2012, e em consonância com o que dispõe o artigo 69, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012 decido: 1. NÃO HOMOLOGAR as compensações constantes nas declarações de compensação de n°s 23349.12942.170409.1.7.57 8448 e 02250.19299.170409.1.7.570437. 2. INDEFERIR o pedido de restituição de n° 42426.36053.061207.1.2.57.9430.” Fl. 1341DF CARF MF 4 Tomou ciência da decisão em 27/11/2013 (efl. 1.144), vindo a interpor recurso voluntário (efl. 1.147 e ss.) e manifestação de inconformidade (efl. 1.175 e ss.) simultaneamente em 27/12/2013. No recurso voluntário, em síntese defendeu: 1. Preliminar de impossibilidade de revisão de Despacho Decisório (DD) homologatório há mais de 5 (cinco) anos. 2. Preliminar de nulidade do DD de efls. 859 a 861, por cerceamento de defesa, vez que não apontou quais os equívocos referentes aos créditos (item 68, efl. 1.168). 3. No mérito repete seus argumentos tecidos na Manifestação de Inconformidade, porém se destaca: (a) o crédito compensado se refere a pagamentos indevidos do PIS (FG de 07/1993 a 02/1996) e que fora reconhecido por decisão passada em julgado no MS 2003.51.01.0174940, acórdão parcial do TRF2, vide efls. 1.152/1.153), sem restrições quanto ao pedido de compensação administrativa de PIS com outros tributos; (b) impossibilidade de reformatio in pejus e incompetência da DRJ para anular de ofício o DD homologatório de compensação (efls. 859861); (c) decurso de prazo decadencial do artigo 5o, Lei 9.430/96, sendo impossível revisar DD homologatório de compensação há mais de 5 anos declarada (vide itens 39 e 40, efl. 1.159, DCOMP de dezembro de 2007 e não homologação em 27/11/2013); (d) não ocorrência de qualquer das hipóteses do artigo 149 do CTN para revisar a compensação; (e) que há recurso repetitivo (REsp. 1.137.738/SP), no qual tratou do artigo 74, da Lei 9.430/96, superando a restrição à compensação prevista em decisão judicial; (f) a atualização do débito (decisão judicial decidiu pela aplicação exclusiva da variação da UFIR como índice de correção monetária e partir de 01/96, a SELIC); (g) reconhecer DARF não considerados (efls 736 a 833) e que não compuseram a planilha de "atualização de saldos de pagamentos (efls. 834 a 842). Em sede de Manifestação de Inconformidade, diz de início que por elevadíssimo apego ao princípio da eventualidade e em caráter suplementar ao recurso , repete assuntos constantes do recurso voluntário em seus itens I a XIII , e em resumo se destaca o argumento: 1. Nulidade do DD de efls. 1.1241.126, sendo que somente poderia ser proferido após o trânsito em julgado do acórdão de efls. 1.1101.118. Há apenso de nr. 10070.001475/200728 (termo de apensação de efl. 958). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10070.001475/200728 Acórdão n.º 3401005.688 S3C4T1 Fl. 1.341 5 O voto foi, no entanto, adaptado em excertos destacados por este redator Ad Hoc, em função de ter o relator original alterado seu posicionamento durante os debates, no colegiado, acolhendo o que foi objeto de consenso entre os demais membros da turma. “O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Preliminar de impossibilidade de revisão de Despacho Decisório (DD) homologatório há mais de 5 (cinco) anos. Este Tribunal já decidiu que não cabe à DRJ restringir o direito creditório já reconhecido pela autoridade administrativa PAF 10283.010535/200293), vez que não há recurso de ofício em relação ao DD que reconheceu o direito creditório, bem assim, não se há de ter reformatio in pejus (ac. 2201 00.249). Demais disso, como se viu do Relatório, de fato, percebese que o DD foi proferido em prazo superior a 5 (cinco) anos da homologação feita em outrora. A propósito é da jurisprudência deste CARF: “IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PUBLICADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. NULIDADE DO SEGUNDO DESPACHO. Uma vez publicado um Despacho Decisório que homologa totalmente a compensação, extinguindo, portanto, o crédito tributário por inteiro, não é possível voltar atrás para publicar um novo Despacho Decisório que homologa apenas parte da compensação e extingue, então, apenas parcialmente o crédito tributário. Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examinálo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório.” (Processo 13839.720127/201018, Acórdão 1401 001.487). Negrito do Relator. Preliminar de nulidade do DD de efls. 859 a 861, por cerceamento de defesa, vez que não apontou quais os equívocos referentes aos créditos (item 68, efl. 1.168). Entendese que não houve o cerceamento de defesa, vez que da decisão, a Recorrente conseguiu se defender. O ponto principal é de aceitação ou não do crédito; aceitação ou não de se compensar PIS com PIS ou PIS com outros tributos; atualizações do crédito. Portanto, definido isto pela decisão, o restante é consectário, e sobre isto, a Recorrente se defende exaustivamente, de modo que não se percebe, portanto, a nulidade arguida. Mérito Fl. 1343DF CARF MF 6 A Recorrente diz que o crédito compensado se refere a pagamentos indevidos do PIS (FG de 07/1993 a 02/1996) e que fora reconhecido por decisão passada em julgado no MS 2003.51.01.017494 0, acórdão parcial do TRF2, vide efls. 1.152/1.153), sem restrições quanto ao pedido de compensação administrativa de PIS com outros tributos. Comungase da alegação. De fato, a decisão do TRF2, determinou a compensação por meio da via da então execução de sentença, logo, compensação na esfera judicial, e aqui, com a restrição de PIS com o PIS, abrindose margem à abdicar deste procedimento como de fato aconteceu e buscar a compensação na esfera administrativa, e nesta, sem a restrição de PIS com o PIS da esfera judicial. O acórdão é claro neste sentido. Também acolho, a impossibilidade de reformatio in pejus e incompetência da DRJ para anular de ofício o DD homologatório de compensação (efls. 859861), baseandose no ac. 220100.249, como razão de decidir. O argumento de decurso de prazo decadencial do artigo 74, § 5o da Lei 9.430/96, sendo impossível revisar DD homologatório de compensação há mais de 5 anos declarada (vide itens 39 e 40, efl. 1.159, DCOMP de dezembro de 2007 e não homologação em 27/11/2013) já fora analisado na preliminar, de modo que o ratifico. Também se entende que há razão no argumento da Recorrente no tocante a não ocorrência de qualquer das hipóteses do artigo 149 do CTN para revisar a compensação. Igualmente se acata o argumento de que há recurso repetitivo (REsp. 1.137.738/SP), no qual tratou do artigo 74, da Lei 9.430/96, superando a restrição à compensação prevista em decisão judicial. No mais deve haver atualização do débito, nos exatos termos da decisão judicial, a qual se decidiu pela aplicação exclusiva da variação da UFIR como índice de correção monetária e partir de 01/96, a SELIC, e ainda, devendo ser reconhecidos todos os DARF não considerados (efls 736 a 833) e que não compuseram a planilha de "atualização de saldos de pagamentos (efls. 834 a 842), cabendo à Unidade preparadora, quando da liquidação e execução do julgado, levandose isto em consideração, porém, somente em relação aos DARF que tenham a ver com a decisão judicial e o presente contencioso. Com essas considerações, voto em conhecer do recurso e lhe dar provimento parcial, para anular o segundo despacho decisório, fazendo valer a decisão estabelecida no primeiro despacho decisório, e a ela agregando os DARF expressamente reconhecidos posteriormente pela fiscalização. Nota do redator ad hoc: ao início do julgamento da sessão de novembro, o relator comunicou ao colegiado que alterava seu voto (que era, inicialmente, pela nulidade do segundo despacho decisório), defendendo, agora com apoio unânime do colegiado, a nulidade do acórdão da DRJ, demandando novo julgamento de piso, restrito ao objeto e ao conteúdo da manifestação de inconformidade, superada a discussão sobre ser a compensação efetuada com o mesmo tributo. Isso porque não era possível considerar válido o primeiro despacho decisório se este foi expressamente anulado pelo Acórdão da DRJ, nem considerar os DARF posteriormente admitidos pela fiscalização se o segundo despacho decisório seria anulado na decisão do CARF. Após debates, o colegiado concluiu ser nula a decisão da DRJ, e os atos a ela posteriores (como o segundo despacho decisório), que analisou matéria não submetida àquele colegiado, sob a qual Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10070.001475/200728 Acórdão n.º 3401005.688 S3C4T1 Fl. 1.342 7 não detinha competência, interferindo “in pejus” na decisão original (primeiro despacho decisório) sob tema não afeto a nulidade, mas a simples entendimento diverso. Como o relator não registrou, antes de sua saída do colegiado, o voto correspondente a tal conclusão, retomo a seguir o caminho das discussões da turma de julgamento sobre o tema, com o que foi possível a mim recordar. Antes, em complemento ao relatado, cabe informar, sinteticamente: a) No despacho de 01/04/2009 (efls. 1011 a 1013), noticiase que o presente processo trata de habilitação (solicitada em 22/08/2007) de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado (em 25/01/2007), deferido em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, no Mandado de Segurança no 2003.51.01.0174940; e que foram encontradas compensações em DCTF e em PER/DCOMP objeto do processo n. 15374.720122/200991 (apenso e que contém pedido de restituição, datado de 06/12/2007); b) No Parecer Conclusivo 346, de 07/08/2009 (efls. 1025 a 1028), que analisou o crédito obtido em juízo e sua utilização em compensações, propõese homologação parcial das compensações até o limite do crédito reconhecido relativo ao pedido de habilitação, o que fundamenta o Despacho Decisório de efls. 1029/1030, datado de 11/08/2009, que foi cientificado ao sujeito passivo em 05/05/2011, cf. efl. 1050, em conjunto com intimação para pagamento dos débitos constantes do processo n. 15374.720122/200991, facultandose a apresentação de manifestação de inconformidade (efl. 1049); c) Em 06/06/2011 foi apresentada manifestação de inconformidade (efls. 1060 a 1068) em relação ao processo n. 15374.720122/200991, fazendose menção também ao presente processo (que, recordese, trata de habilitação do crédito reconhecido em juízo), sustentandose a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, em função de não ter sido explicado o motivo pelo qual o crédito não foi inteiramente homologado, e que foram encontrados pagamentos ignorados pela autoridade fiscal; d) Em 25/01/2012, ocorre o julgamento de piso, pela DRJ/RJ2, no qual se entende que o provimento administrativo deveria refletir o decidido em juízo, que limitou o crédito à compensação com a própria contribuição (para o PIS/PASEP), ainda que tenha sido proferido posteriormente à redação do art. 74 da Lei no 9.430/199 que permitiu a compensação e forma mais ampla; e que o despacho decisório, ao acolher compensações com IRRF, descumpriu o determinado pelo juízo, e, portanto é nulo; e) A unidade preparadora da RFB emite, então, novo despacho decisório, em 15/07/2013 (efls. 1124 a 1126), confirmando os três DARF não computados anteriormente, e limitando as compensações à Contribuição para o PIS/PASEP, indeferindo o pedido de restituição, dando ciência ao sujeito passivo em 27/11/2013 (efl. 1144); f) Em 27/12/2013 é apresentado recurso voluntário à decisão da DRJ (efls. 1147 a 1172), no qual se sustenta que o crédito compensado foi reconhecido judicialmente, e que ao embargar a decisão judicial quando esta restringiu a compensação à Contribuição para o PIS/PASEP, informou o tribunal que tal tema não poderia ser Fl. 1345DF CARF MF 8 apreciado na instância recursal, visto que não postulado na inicial, não havendo negativa, mas simples não apreciação, o que não impossibilita a compensação prevista em lei; que não pode haver “reformatio in pejus” no julgamento administrativo, estando ainda ausentes as circunstâncias previstas no art. 149 do Código Tributário Nacional; que houve o decurso do prazo estabelecido no art. 74, § 5o da Lei no 9.430/1996; que o STJ, em recurso repetitivo (REsp n. 1.137.738SP), decidiu que a novel redação do art. 74 da Lei no 9.430/1996 supera eventual restrição à compensação prevista em decisão judicial; que é nulo o segundo despacho decisório, que o cálculo elaborado pela DICAT não obedeceu o previsto em lei e na decisão judicial; e que ainda foram desconsiderados pagamentos efetuados, o que se percebe pelas memórias de cálculo de fls. 1170/1171; e g) Ainda em 27/12/2013, apresentase manifestação de inconformidade em relação ao segundo despacho decisório (fls. 1175 a 1197). De todo o exposto, percebese que a DRJ anulou o primeiro despacho decisório porque este estaria, a seu entender, contrariando o decidido em juízo, que limitou a decisão à compensação com o mesmo tributo. Parece o julgador ter entendido que o provimento deveria ter sido em menor extensão do que concedeu a unidade local, devolvendo o processo à unidade preparadora da RFB para que ela proferisse novo despacho, em inequívoco “reformatio in pejus”, sem qualquer direito de defesa à recorrente, visto que ela sequer foi cientificada da decisão de piso naquele momento, sendo os autos remetidos diretamente à RFB, que acabou proferindo novo despacho decisório, passando a alterar seu entendimento (visto que o despacho anterior admitia nitidamente compensação de PIS com IRRF), restringindo a compensação ao mesmo tributo. É como se a DRJ emendasse “in pejus” a decisão da unidade preparadora da RFB, apreciando de ofício tema que sequer foi a ela submetido, e que não consta das peças de defesa. As causas de nulidade, no processo administrativo fiscal, estão restritas à incompetência e ao cerceamento do direito de defesa (art. 59 do Decreto no 70.235/1972), não havendo nulidade, mas improcedência, no caso de descumprimento de decisão judicial (recordandose, que, no caso, sequer improcedência haveria, visto que a Administração reconheceu a compensação com tributos diverso, não estando tal matéria submetida ao julgador de piso). Verificando o andamento da ação no sítio web do TRF2 (http://portal.trf2.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp), percebese que os embargos interpostos versavam exatamente sobre o tema da compensação com outros tributos, e que o juízo manteve a compensação com a mesma contribuição simplesmente em função da petição inicial na ação judicial, não sendo objeto de discussão em juízo eventual vedação ou permissão à compensação com outros tributos: “RELATÓRIO (...) Sustenta, ainda, que, “de forma contraditória, extrapolando os limites fixados pelo pedido inicial e contrariando, assim, o art. 460 do CPC, afirma também o v. acórdão embargado, em sua fundamentação, que ‘os valores indevidamente recolhidos ao PIS sobre a folha de pagamento mensal da impetrante...somente podem ser compensados com valores relativos à mesma exação’. Não bastasse a questão relativa à compensação de indébitos de PIS com outros tributos arrecadados pela Secretaria da Receita Federal não ser objeto da presente ação – pelo que, o v. acórdão embargado, ao apreciar esta questão, contrariou o art. 460 do CPC , fato é que tal Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10070.001475/200728 Acórdão n.º 3401005.688 S3C4T1 Fl. 1.343 9 compensação é expressamente aceita pelo art. 74 da Lei n. 9.430/96”. Argumenta que, “não sendo afastada esta contradição, a Secretaria da Receita Federal poderá vir a não homologar futuras declarações de compensação apresentadas pela ora embargante, com o objetivo de compensar indébitos de PIS com outros tributos, ao argumento de que esta compensação teria sido vedada pelo v. acórdão embargado, o que não é verdade, pois, como assinalado acima, tal questão não foi objeto da ação” (fl. 539)” (...) VOTO (...) 2. O acórdão embargado é claro ao esclarecer que “o pedido de compensação da contribuição para o PIS, indevidamente recolhida, com outros tributos arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, formulado no apelo (item VII de fl. 437), não poderá ser apreciado na instância recursal, eis que não postulado na inicial, estando delimitado o pedido, assim, à compensação com parcelas do próprio PIS”. Portanto, não há contradição no que se refere à afirmativa, na fundamentação, de que os valores indevidamente recolhidos ao PIS somente podem ser compensados com valores relativos à mesma exação. O acórdão não contrariou o art. 460 do CPC, pois tãosomente apreciou o pedido relativo à compensação com parcelas do próprio PIS, estando, consequentemente, vedada à embargante, neste processo, compensar indébitos de PIS com outros tributos, nos termos do art. 74 da Lei n. 9.430/96. 3. Com base em alegação de contradição, deseja a embargante, na verdade, modificar o julgado por nãoconcordância, sendo a via inadequada.” (julgamento em 03/10/2006, Juiz Federal Convocado – José Antonio Lisbôa Neiva) (grifo nosso) Pelo que se nota, a inicial da ação judicial, que data de 2003, ano posterior ao da publicação da Lei no 9.430/1996, já efetuava o pedido de forma restritiva. No entanto, isso não foi objeto de análise no despacho decisório, e sequer estava submetido a apreciação pela DRJ. Cabe analisar ainda o que decidiu o STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 1.137.738SP: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. (...) 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua Fl. 1347DF CARF MF 10 apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. 4. A redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe: "Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". 5. Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.430/96, a qual não mais albergava esta limitação. (...) 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). 10. In casu, a empresa recorrente ajuizou a ação ordinária em 19/12/2005, pleiteando a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS E COFINS com parcelas vencidas e vincendas de quaisquer tributos e/ou contribuições federais. 11. À época do ajuizamento da demanda, vigia a Lei 9.430/96, com as alterações levadas a efeito pela Lei 10.637/02, sendo admitida a compensação, sponte própria, entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações. (...)” (REsp 1137738/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) (grifo nosso) No sítio web da RFB, consta resumo e leitura (delimitação da matéria decidida) da Fazenda em relação ao decidido no REsp no 1.137.738SP: “34 RESP 1.137.738/SP Relator: Min. Luiz Fux Recorrente: M Bigucci Comércio e Empreendimentos Imobiliários Ltda e outro Recorrido: Fazenda Nacional Data do julgamento: 09.12.2009 Resumo: (i) Com o advento da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, tornouse possível a compensação de créditos apurados pelo contribuinte, Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10070.001475/200728 Acórdão n.º 3401005.688 S3C4T1 Fl. 1.344 11 relativos a tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com débitos próprios relativos a tributos também arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações. A compensação se dá mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, sendo a data da entrega da declaração o termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que deve se operar no prazo de 5 (cinco) anos. (ii) As demandas judiciais que discutam compensação tributária devem ser julgadas à luz da legislação vigente à época da sua propositura (que compõem a sua causa de pedir), não podendo ser consideradas as leis, relativas à tal matéria, que lhes forem supervenientes. Nada impede, entretanto, que o contribuinte proceda à compensação pela via administrativa, em conformidade com a legislação posterior, desde que atendidos os requisitos próprios. (iii) A vedação constante do art. 170A não se aplica aos créditos tributários, cuja compensação se pretende, que estejam sendo discutidos em juízo por meio de ação judicial ajuizada em data anterior à entrada em vigor do mencionado dispositivo legal. Sobre este especifico tema (aplicação do art. 170A do CPC), ver o n. 50 desta Lista (REsp 1.164.452/MG). OBSERVAÇÃO: Registrese que o entendimento firmado no julgado em foco não se aplica aos valores indevidamente pagos pelos contribuintes a título de contribuições previdenciárias, sendo certo que esses valores não podem ser compensados com todo e qualquer tributo devido pelo contribuinte, administrado pela Receita Federal do Brasil, mas, tãosomente, com contribuições previdenciárias devidas por esse mesmo contribuinte. Ou seja: crédito relativo a contribuição previdenciária somente pode ser compensado com débito relativo a contribuição previdenciária, sendo inviável que a compensação se dê com outros tributos em geral, administrados pela SRFB, tal qual prevê o art. 74 da Lei n. 9.430/96. É o que se extrai do art. 26, parágrafo único da Lei n. 11.457/2007, segundo o qual o art. 74 da Lei n. 9.430/96 não se aplica às contribuições previdenciárias. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o entendimento da Corte é no sentido de que, a partir da alteração do art. 74 da Lei 9.430/96, pela lei 10.637/02, quaisquer tributos arrecadados e administrados pela RFB podem ser compensados entre si, ainda que tenham destinações diferentes (exceto as contribuições previdenciárias e o SIMPLES Nacional). Assim, a partir da edição da lei 10.637/02, a compensação será viável apenas após o trânsito em julgado de decisão que reconhecer o crédito do contribuinte desde que: por iniciativa própria do contribuinte; por meio de declaração contendo informações sobre créditos e débitos do contribuinte; entre quaisquer tributos administrados pela RFB. Devese aplicar sempre a legislação vigente no momento do encontro de contas entre fisco/contribuinte e, conforme definido no Parecer PGFN/CAT 2093/2011, tal encontro se dá no momento em que o contribuinte apresenta a declaração de compensação ao Fisco, após o reconhecimento de seu direito ser aferido pelo Judiciário.” (grifo nosso) Fl. 1349DF CARF MF 12 Pelo que se percebe, nas transcrições e nos argumentos relacionados, não se está aqui, de fato, a discutir eventuais ilegalidades/desobediências a decisões judiciais, mas entendimentos/interpretações sobre a aplicação da legislação no tempo. Entendese, assim, que a DRJ não detinha competência para rever, no mérito, “in pejus”, a decisão originalmente emitida pela unidade local da RFB, ainda que travestida tal revisão (que aqui vimos que é de entendimento, e não de legalidade/obediência a determinação judicial) de decretação de nulidade, nulidade esta que não encontra guarida na lei que rege o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário (Decreto no 70.235/1972, de reconhecida estatura legal). Assim, é nula a decisão de piso, por incompetência para se manifestar sobre matéria não submetida a sua jurisdição, revendo “in pejus” o despacho decisório no mérito, sob pretensa nulidade. Nulos, por consequência, os atos que sucedem tal decisão, e que implicaram cerceamento do direito de defesa, outra nulidade contemplada no art. 59 do referido Decreto no 70.235/1972. Deve, então, a DRJ, emitir nova decisão, analisando a matéria que lhe é submetida após a primeira manifestação de inconformidade, inclusive no que se refere a eventuais DARF que não foram inicialmente localizados pela unidade preparadora, se necessário, com conversão em diligência para que a unidade local efetue verificação conclusiva a respeito do tema. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para anular o acórdão da DRJ, demandando novo julgamento de piso, restrito ao objeto e ao conteúdo da manifestação de inconformidade, superada a discussão sobre ser a compensação efetuada com o mesmo tributo.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 1350DF CARF MF
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Numero do processo: 11041.000886/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos.
DILIGÊNCIA.
A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2401-005.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente ERICO DE QUADROS VAZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumese omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 08 86 /2 00 8- 97 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 239 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 143/146, anocalendário 2004, que apurou imposto suplementar de R$ 58.075,89, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório de Ação Fiscal. Consta do Relatório de Ação Fiscal (fls. 149/154) que: Devido ao fato de que a contribuinte Maria Goreti Machado D´Ávila consta como dependente na DIRPF do ano calendário de 2004 do Sr. Erico de Quadros Vaz, CPF 180.558.77068 (fls. 111/112), solicitamos a abertura do presente MPF 10.1.02.00 2008002197, em nome deste último para darmos continuidade e também encerrarmos os trabalhos de auditoria. Portanto, encerramos o MPF 10.1.02.002007001456 também sem resultado. Foi solicitada a comprovação da origem dos valores creditados/depositados na contacorrente 231511, agência 0456, banco 104, conforme relação anexa ao termo, de titularidade da contribuinte Maria Goreti Machado D Avila (fls. 113 a 115). Nesta ocasião não foram incluídos os valores de RS 5.776,65 e 53.501,26 da conta 218764, uma vez que para estes créditos a documentação entregue e os esclarecimentos foram considerados suficientes para a comprovação da origem dos recursos. Em 17/06/2008 o contribuinte protocolou resposta (fls. 116 a 121), dizendo que “cabe esclarecer que os valores depositados na referida conta corrente, referese a créditos oriundos de intermediação de financiamento de veículos de terceiros agenciados através dos bancos Finasa, Santander e BV FINANCEIRA, conforme faz a prova documentos já entregues a esta fiscalização por ocasião de resposta ao MPF n°1010200/00154/2007 em nome de Maria Goreti Machado D ÁviIa." Anexou cópias de duas respostas entregues em 08/01/2008 e 26/03/2008, incluindo planilhas de justificativa de créditos bancários, não juntando mais nenhum comprovante, uma vez que talvez seriam os mesmos já entregues anteriormente por ocasião da ação fiscal da contribuinte Maria Goreti Machado D´Ávila. O contribuinte informou que equivocadamente informou em sua declaração como dependente a Sra. Maria Goreti Machado e pede sua exclusão, o que não foi aceito por perda de espontaneidade. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 240 3 Passamos então a analisar definitivamente a documentação, desde os extratos bancários até as cópias de consultas de transferências bancárias e cópias de contratos de compra e venda de alguns veículos vendidos. Consideramos que a documentação entregue é insuficiente para que seja considerada hábil e idônea a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em conta corrente, pelas seguintes razões: a) as cópias de consultas de transferências bancárias apenas indicam os valores transferidos da instituição financeira para o titular da conta corrente. Não foi entregue nenhum contrato ou instrumento equivalente que justifique o crédito/depósito; b) as cópias dos contratos de compra e venda dos veículos não trazem nenhuma relação, tanto em termos de data, quanto de valor creditado/depositado; c) as justificativas para alguns depósitos, dizendo trataremse de 'valor depositado em c/c ref. Intermediação venda de veículo e recurso terceiros", desprovidas de qualquer documentação comprobatória é insuficiente para elidir a presunção legal de omissão de receita. Foi apresentada impugnação às fls. 161/181. A DRJ/POA, julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão 1017.844 de fls. 186/192, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. CÔNJUGE DEPENDENTE. A retificação de declaração de ajuste anual em que o cônjuge figura como dependente do impugnante, para excluílo da declaração, após a ciência do auto de infração, não pode ser aceita em face da perda da espontaneidade. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 241 4 O lançamento será efetuado de ofício, com aplicação de multa de ofício, quando a declaração do contribuinte for inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 22/12/08 (Aviso de Recebimento AR de fl. 195), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/1/09, fls. 200/226, que contém, em síntese: Esclarece que a titular da conta corrente é Maria Goreti Machado D´Ávila, que foi incluída equivocadamente como sua dependente na sua DIRPF. Assim, entende que o auto de infração foi equivocadamente dirigido ao recorrente. Explica que a contribuinte Maria Goreti era titular de firma individual e exercia atividade de compra e venda de veículos e intermediações, não mantendo relação de dependência com o recorrente. Diz que solicitou a exclusão dela de sua declaração e afirma que ela não é sua esposa. Reafirma que os depósitos são frutos do trabalho de Maria Goreti, que intermediava negociações financeiras, onde arrecadava documentos para formalização de contrato entre as partes financeira e cliente. Após a avaliação do crédito, é liberado o financiamento (empréstimo) que era disponibilizado na conta da Sra. Maria Goreti, e esta então repassava ao financiado o dinheiro. Preliminarmente, alega nulidade da decisão recorrida por falta de apreciação de provas. Diz ter contestado cada depósito demonstrando a origem das transferências bancárias. Aduz que requereu diligência, que foi rejeitada, pois os documentos estão em poder das financeiras. Afirma que a decisão recorrida analisou as provas de forma genérica. Tal fato enseja sua decretação de nulidade, por cerceamento do direito de defesa. Alega ilegitimidade passiva, pois a titular da conta corrente investigada é Maria Goreti D´Ávila, que foi equivocadamente informada como sua dependente na DIRPF. Entende ser ilegal o lançamento efetuado com base em extratos bancários. Diz que o depósito bancário não é fato gerador do imposto, sendo necessária a demonstração de renda auferida. Diz que qualquer presunção absoluta é inconstitucional. No mérito, afirma que houve erro quanto a forma de tributação, pois a Sra. Maria Goreti deveria ser tributada como pessoa jurídica. Disserta sobre a matéria. Acrescenta que restou comprovada a origem dos depósitos bancários, que procedem do financiamento de veículos de terceiros. Diz que o auditor inicialmente considerou comprovados os depósitos, mas voltou atrás, afirmando que as transferências bancárias apenas indicam os valores transferidos da instituição financeira para o titular da conta corrente, sem que tenha sido entregue nenhum contrato que justifique o crédito. Afirma ser dever do fiscal e do julgador buscar a verdade material. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 242 5 Aduz que se deve ser demonstrado o aumento patrimonial, que se não houve, inexiste o fato gerador. Requer a realização de diligência nas instituições financeiras responsáveis pelas remessas dos valores, pois todos os contratos de financiamento eram assinados somente pela financeira e pelo cliente e somente estes possuem os referidos contratos. Diz ser ilegal a aplicação da multa de 75%. Requer seja feita diligência, seja declarada a ilegitimidade passiva do recorrente, a extinção do crédito tributário e a nulidade do auto de infração por falta de apreciação das provas e redução da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINARES NULIDADE Não há como se acolher o argumento de nulidade da decisão recorrida, por falta de apreciação de provas. Consta no acórdão recorrido que: Examinados os autos, constatase que, na fase preparatória do lançamento, apesar de várias vezes intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários, o interessado não apresentou comprovação documental. Agora, em sua peça impugnatória, apesar de toda a legislação retro transcrita lhe impor o ônus de demonstrar a origem de seus créditos bancários constantes do Auto de Infração, o insurgente também não apresenta quaisquer documentos que comprovassem de forma inequívoca a origem de cada depósito bancário, apresentando apenas o argumento de que se tratava de valores relativos a contratos de intermediação. Como se vê, não foram apresentadas provas a serem apreciadas, logo não há que se falar em nulidade ou cerceamento do direito de defesa. Também não se justifica a realização da diligência requerida. O fato dos créditos se referirem a depósitos realizados por instituições financeiras, como alega o recorrente, não afasta a presunção de que ocorreu o fato gerador. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 243 6 Depositante identificado não é suficiente para afirmar que o valor depositado não é rendimento tributável ou que já sofreu tributação. Deveria ser comprovado a que se refere o depósito, para que fosse confirmado que se trata de rendimento tributável ou não. Uma vez não comprovado o motivo do depósito, presumese como rendimento tributável nos termos da lei. Ademais, o próprio recorrente afirma que os depósitos são frutos do trabalho de Maria Goreti. ILEGITIMIDADE PASSIVA O recorrente informou em sua declaração de ajuste anual, fls. 137/139, a Sra. Maria Goreti Machado D´Ávila, como dependente no código 11 companheiro com o qual o contribuinte tenha filho ou viva há mais de cinco anos ou cônjuge. O Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Logo, após início do procedimento fiscal, não pode mais o contribuinte retificar sua declaração, conforme suficientemente esclarecido no Relatório Fiscal e na decisão recorrida. Uma vez que a legislação tributária impõe àquele que declara adicionar aos seus rendimentos tributáveis os rendimentos de seus dependentes informados na declaração (Instrução Normativa IN SRF nº 15, de 6/2/01, vigente à época dos fatos geradores, art. 38, § 8º), o sujeito passivo é o contribuinte autuado, não havendo que se falar em ilegitimidade passiva. MÉRITO Afirma o recorrente ser ilegal o lançamento efetuado com base em extratos bancários. A legislação tributária define o fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art.43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 244 7 Diante da situação fática que se apresenta, nos termos do CTN, art. 142, a autoridade administrativa, apurou o crédito tributário, conforme determina a Lei 9.430/96, art. 42: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Referido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada à falta de comprovação dos Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 245 8 recursos. Permitiuse que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o sujeito passivo não comprovasse os créditos efetuados em sua conta bancária. Desta forma, presumese o rendimento quando o titular da conta não comprova, individualmente, a origem dos créditos efetuados, caracterizando o fato gerador e, consequentemente, sobre tais rendimentos deve incidir o imposto sobre a renda. Sendo assim, não podem ser aceitos os argumentos do recorrente sobre presunção absoluta, pois se trata de presunção relativa que admite a prova em contrário pelo autuado, o que não foi feito. O que foi solicitado foi a demonstração de cada depósito efetuado em suas contas, o que não foi atendido. TRIBUTAÇÃO COMO PESSOA JURÍDICA Afirma o recorrente que a Sra. Maria Goreti deveria ser tributada como pessoa jurídica. O próprio recorrente alega que a Sra. Maria Goreti faz intermediação de contratos de terceiros e que os valores são depositados na conta corrente da pessoa física. Afirma ainda que todos os contratos de financiamento eram assinados somente pela financeira e pelo cliente. Ora! Que contratos são esses que a Sra. Maria Goreti não assinava, não fazia parte, mas os valores eram depositados em sua conta? Não há como se comprovar, no caso, as relações alegadas como comerciais. Logo, não faz sentido algum aceitar o argumento sobre tributação como pessoa jurídica. DILIGÊNCIA Não pode ser acolhido o pedido de realização de diligência, pois os documentos sequer foram apresentados pelo contribuinte, pelo menos por amostragem. Diante da ausência de qualquer forma de evidenciação do que se pretente comprovar, incabível a realização da diligência pretendida. Assim, considerando que os auditores fiscais possuem o devido conhecimento especializado sobre a legislação e sua aplicação, e que não há dúvida quanto aos fatos que ensejaram o lançamento, forma de apuração, base de cálculo e alíquotas aplicadas, prescindível a realização de diligência. Ausente também o requisito formal estabelecido no Decreto 70.235/72, artigo 16, inciso IV, pois o pedido de realização de diligência deve vir acompanhado dos motivos que a justifique, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o que não se verifica no presente caso. MULTA A Lei 9.430/96, art. 44, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11041.000886/200897 Acórdão n.º 2401005.933 S2C4T1 Fl. 246 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; A atividade vinculada do agente administrativo não o permite interpretar a lei de forma diversa. Logo, efetuado o lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa prevista no artigo 44 acima citado, sendo esta irrelevável. DOUTRINA, JURISPRUDÊNCIA E DECISÕES ADMINISTRATIVAS Em que pese o respeito aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais apresentados no recurso, eles não têm o condão de vincular este órgão julgador. O CTN, art. 100, II, dispõe que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; [...] Assim, quanto às decisões judiciais e administrativas citadas no recurso, elas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.723962/2015-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 23 96 2/ 20 15 -9 0 Fl. 7195DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.196 2 Relatório. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 1286.370 12ª Turma da DRJ/RJO, que por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, conforme quadro a seguir, acrescida da multa de ofício proporcional e dos juros de mora atualizados. O crédito tributário em discussão é referente à IRPJ (e de CSLL) constituído em decorrência de (1) glosa de despesa de amortização de ágio (com multa de 75% e Juros); (2) exclusões indevidas inovação tecnológica (com multa de 75% e juros). Tudo referente a fatos geradores de 2011, em valor total de R$49.993.744,26 para o auto de infração (AI) de IRPJ; e valor total de R$17.997.747,91 para o auto de infração (AI) de CSLL, conforme fls. 3034 e seguintes. A Autoridade Fiscal apresentou, no Relatório Fiscal (RF), um longo relato de todo o procedimento de auditoria (vide fls. 3074 e ss). Na seqüência, serão apresentados, sinteticamente, os principais pontos do relatório. Ágio TRAFO 1. O processo de formação do ágio pode ser separado em duas etapas, a primeira abrangendo a aquisição da TRAFO pela WEL, processo que se iniciou em março de 2007 e perdurou até julho de 2009, e a segunda etapa, consistente no processo de aquisição das demais ações da TRAFO pela WEG S/A (holding do Grupo WEG, doravante denominada simplesmente WEG), por meio de uma incorporação de ações, sendo que em seguida a WEG transferiu o investimento (juntamente com o ágio gerado na incorporação das ações) para a WEL, através de uma subscrição de ações. 2. Assim, do ágio total gerado na operação, no valor de R$ 76.328.714,00, o montante gerado na 1ª etapa foi de R$ 43.906.084,00, e o restante, R$ 32.422.630,00 na 2ª etapa. 3. Nosso interesse restringirseá à 2ª etapa, pois demonstraremos que esta parcela do ágio foi indevidamente deduzida pela FISCALIZADA, uma vez que se trata de ágio transferido, pago pela WEG, e usufruído pela WEL. 4. Em 28/12/2009, a WEG (não a WEL) realizou procedimento de incorporação das demais ações da TRAFO detidas pelos não controladores (que não as ações já detidas pela WEL), passando a TRAFO a ser uma subsidiária integral da WEG, direta e indiretamente, através da WEL. 5. Neste processo de aquisição, por meio de uma incorporação de ações, houve a formação de ágio, lastreado em Laudo de Avaliação Econômica da WEG e da TRAFO, devidamente acostada ao presente processo. 6. Na mesma data, 28/12/2009, a WEG subscreveu capital na WEL, utilizandose para isso do investimento na TRAFO, que acabara de adquirir com ágio. Assim, a TRAFO passou a ser subsidiária integral da WEL. 7. Por fim, em 30/12/2009, ou seja, apenas 02 dias depois, a WEL incorporou a TRAFO, passando a amortizar o valor de todo o ágio gerado nas 2 etapas, qual seja, R$ 76.328.714,00. 8. Tendo por base os fatos relatados anteriormente, verificase, claramente, que, na 2ª etapa de formação do ágio, quem efetuou a aquisição da TRAFO, pagando ágio, Fl. 7196DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.197 3 foi a WEG, conforme processo de incorporação das ações da TRAFO. No mesmo dia, este ágio, escriturado na contabilidade da WEG, foi transferido para a WEL, através do processo de subscrição de capital. Ou seja, quem pagou pelo ágio foi a WEG, mas quem passou a usufruir deste ágio foi a WEL. 9. Mesmo que se argumente que o ágio foi gerado, não na incorporação de ações pela WEG, mas no processo de subscrição de capital efetivado pela WEG na WEL, ainda sim se trataria de um ágio indedutível na WEL, uma vez que restaria caracterizado um ágio intragrupo, interno. Cumpre lembrar que WEG e WEL fazem parte do mesmo Grupo Econômico, sendo a WEG acionista majoritária da WEL. Ágio NANTONG 10. A infração a ser descrita neste tópico também consistiu na amortização indevida de despesas com ágio, o qual foi gerado em operação de aquisição de participação societária ocorrida em 2004. 11. Em setembro de 2004, a WEG EXPORTADORA S/A (doravante referida neste Relatório simplesmente como WEX), empresa do Grupo WEG, também sediada em Jaraguá do Sul, adquiriu, com ágio, participação na empresa chinesa NANTONG ELETRIC MOTOR MANUFACTURING CO. LTD. 12. Em janeiro de 2009, ou seja, quase 05 anos depois, a WEX subscreveu capital na WEG IBÉRIA (doravante referida neste Relatório simplesmente como WIB), utilizandose, para isso, do valor do investimento na NANTONG, a qual passou a pertencer à WIB. 13. Neste mesmo mês, a WEL incorporou a WEX, em cujo balanço ainda figurava o ágio gerado na aquisição da NANTONG. De se atentar que, conforme relato da empresa, a WEX utilizouse apenas do valor do investimento para subscrever capital na WIB, tendo permanecido com o ágio em sua contabilidade. Ou seja, o ágio foi separado do investimento, tendo o primeiro permanecido com a WEX, e o segundo transferido para a WIB. Com esta incorporação, a WEL passou a amortizar o ágio pelo prazo de 05 anos. 14. Na verdade, há 04 razões, todas independentes entre si, bastando uma delas para justificar a glosa do ágio: Não enquadramento no art. 386 do RIR/99; Imprestabilidade do Laudo de Avaliação Econômica; Laudo de Avaliação Econômica posterior à Aquisição e Fundamentação do Ágio por Ativo Subavaliado. 15. Assim, procedemos à glosa integral dos valores amortizados. Conforme livro LALUR da fiscalizada, verificase que a WEL amortizou, por trimestre, o valor de R$ 153.292,25, sendo que tal amortização foi efetivada na contabilidade fiscal, conforme demonstrativos trimestrais do FCONT, onde consta o ajuste negativo no RTT de R$ 3.969.727,83. Tal valor é composto pelo ágio gerado no processo de aquisição da TRAFO, de R$ 3.816.435,69, e pelo ágio da NANTONG, no valor de R$ 153.292,14. Inovação Tecnológica 16. Neste tópico discorreremos sobre duas irregularidades verificadas nos dispêndios realizados com programas de inovação tecnológica. 17. As irregularidades envolvem o uso de percentual incorreto para a determinação da exclusão ao lucro líquido na apuração do Lucro Real e da Base da CSLL, e a falta de cumprimento de requisitos para a fruição do benefício do programa. 18. a 1ª irregularidade enseja uma glosa parcial do benefício fiscal, ao contrário da 2ª, que acarreta a glosa integral. Assim, a 1ª irregularidade somente ganha relevância em eventual exoneração, administrativa ou judicial, da glosa efetivada com base na 2ª irregularidade. Fl. 7197DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.198 4 19. No quadro de pessoal informado, vemos que há funcionários enquadrados em OUTROS DE APOIO, que não podem ser considerados no cálculo do incremento dos pesquisadores contratados com dedicação exclusiva. Refazendo o cálculo, apenas retirando os dados relacionados à rubrica OUTROS DE APOIO, temos que o incremento foi de apenas 3,37% (614/594), o que enseja a aplicação do percentual de 70% e não de 80%. 20. O cálculo deveria levar em consideração todos os pesquisadores contratados com dedicação exclusiva, e não apenas aqueles vinculados a centros de custos com percentual de apropriação de 100%. 21. Esta Fiscalização refez este cálculo e apurou que os totais das médias de cada centro de custo perfazem 586,00 em 2011 e 580,83 em 2010, o que resulta num incremento de 0,89% no número de pesquisadores contratados, inviabilizando o uso do percentual de 80%, devendose aplicar 70%, uma vez que houve aumento, mas inferior a 5%, como determina a norma. 22. Na verdade todo o valor do benefício deve ser glosado, uma vez que a FISCALIZADA deixou de atender a requisitos exigidos pela norma: Os lançamentos contábeis, além de não estar registrados em contas específicas, não estão individualizados relativamente aos dispêndios com PD&I. 23. A FISCALIZADA ainda escriturou valores que efetivamente não eram aqueles que foram considerados no benefício fiscal. Além disso, o percentual de apropriação fora claramente estimado, sem nenhuma precisão, e que torna extremamente flexível o volume total de dispêndios que podem ser vinculados com a inovação tecnológica. Por último, há inconsistências nos (e entre os) Relatórios Apresentados. 24. A irregularidade aqui relatada enseja a glosa integral do benefício atinente aos dispêndios com inovação tecnológica. Assim, a infração aqui descrita engloba, em termos de valores, a infração objeto do item anterior, uma vez que esta justificou a glosa de apenas parte da exclusão efetivada pela FISCALIZADA (10%), ao passo que a aqui relatada justifica a glosa integral, ou seja, o montante correspondente a 80% dos dispêndios com inovação tecnológica, incluídos como exclusão na apuração do IRPJ e da CSLL. Cientificada dos Autos de Infração em 10/03/16, fl. 6464, a Contribuinte os impugnou (fls. 6469 e ss) em 11/04/16. Na seqüência, serão apresentados, sinteticamente, os principais pontos da conclusão do Impugnante. Preliminar 1. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, há na hipótese vertente vício substancial, capaz de ensejar a improcedência do lançamento. 2. Na situação em tela, houve incorreta análise fiscal quanto a conferência da apuração realizada pela contribuinte, pois amparada em limitador diverso daquele previsto em lei, o que, por conseqüência ensejou em procedimento de fiscalização irregular. 3. Ora, adotandose critério jurídico equivocado, impacto haverá na identificação da base de cálculo e, conseqüentemente, no cálculo do tributo devido. Nesse sentido, são os julgados proferidos pelo CARF. 4. Ou seja, em total afronta ao princípio da legalidade, da segurança jurídica e ainda, do artigo 142 do CTN, que atribui a autoridade pública o dever de lançar Fl. 7198DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.199 5 corretamente o tributo exigido, inexistem razões para manutenção do procedimento fiscal. 5. De tudo isso, pois, sua nulidade é medida que se impõe! Avaliada em critério equivocado pela autoridade fiscal, não há como se manter a exigência constituída. Ágio Trafo 6. A Impugnante é empresa que se dedica a pesquisa, desenvolvimento, produção/industrialização, comércio, exportação, importação, representação e locação de máquinas e equipamentos, todos descritos no item I, do artigo 3o, do seu Estatuto Social (anexo), bem como outras atividades ali listadas e relacionadas nos itens II, III, IV e V, do mesmo artigo. 7. A Weg S.A. (doravante Weg), por intermédio da sua controlada WEG Equipamentos Elétricos S.A. (doravante WEL), adquiriu, em 06 de março de 2007, mediante contrato particular e posterior oferta pública, o controle acionário da Trafo Equipamentos Elétricos S.A. (doravante TRAFO). 8. As companhias (WEG, WEL e TRAFO) concluíram que a combinação dos negócios seria a forma mais adequada para (i) convergir os recursos disponíveis, (ii) alcançar melhores ganhos de sinergia, (iii) simplificar o atual organograma, (iv) reduzir custos financeiros, operacionais e administrativos, bem como, (v) tornar a WEG a única companhia do Grupo com ações negociadas em bolsa de valores, conferindo a elas maior liquidez. 9. Com efeito, a aquisição do controle acionário da TRAFO foi efetuada pela companhia WEL a valor econômico, como de praxe, de tal sorte que a época gerou um ágio a ser registrado pela WEL na ordem de R$ 43.906.084,00, que poderia ser amortizado nos termos da legislação tributária do IRPJ, gerando um benefício fiscal convertido em benefício de todos os acionistas da Weg. 10. Em linhas gerais e de forma sucinta, a reestruturação societária proposta pode ser sumarizada em três fases: 11. Primeira A Weg efetuou a incorporação das ações da TRAFO que não eram de sua propriedade (ambas S/A aberta em determinado momento), as quais correspondiam a 30,61% do capital social total. 12. A incorporação das ações foi efetuada a valor econômico gerando um novo ágio e assim se realizou, pois, (i) as duas companhias tiveram as ações avaliadas por empresas independentes; e (ii) os acionistas da TRAFO precisavam participar no Grupo WEG como um todo, por meio de ações da WEG (companhia aberta) e não de ações exclusivas da WEL, que representavam apenas uma parte do negócio. 13. Segunda A Weg aumentou o capital da WEL por meio da integralização das ações da TRAFO adquiridas com ágio. Neste momento a WEL passou a ser detentora de 100% das ações da TRAFO, e o ágio novo e velho foram registrados em seu ativo intangível; e. 14. Terceira A WEL incorporou a TRAFO e passou a amortizar fiscalmente o novo ágio gerado, bem como o ágio já registrado em seu ativo intangível, no âmbito do imposto de renda da pessoajurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). 15. Importante mencionar que a WEG transferiu para WEL o investimento pelo valor efetivamente adquirido (investimento/PL + ágio), tendo em vista que a WEL já era detentora de parte das ações da Trafo e realizaria a correspondente operação de incorporação, já que as empresas tinham o mesmo objeto social e eram concorrentes Fl. 7199DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.200 6 entre si. Ou seja, se a WEG tivesse feito a transferência apenas pelo valor do investimento, a perda seria reconhecida na própria WEG, de forma que a despesa seria dedutível ou na WEG ou na WEL. 16. Dessa forma, do total gerado na operação, no valor de R$ 76.328.714,00, o montante correspondente a 1a etapa foi de R$ 43.906.084,00 e o restante, de R$ 32.422.630,00, atinente a 2a etapa. Aquele objeto de glosa, representa quantia gerada na segunda etapa. 17. Da análise das várias decisões já proferidas em esfera administrativa, identificase, na sua maioria, a indicação fiscal de que se a empresa C for do mesmo grupo que a empresa A, não é admissível que C contabilize o ágio, por ser 'ágio interno'. Em decorrência, a amortização feita por B após a incorporação de C deveria ser glosada. 18. Ocorre que, mesmo em casos de operações dentro do grupo, para fins fiscais, surge o ágio e ele pode ser amortizado pela empresa (no caso, a WEL). Especialistas como Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins reconhecem expressamente o ganho tributário da operação e a tratam como caso de elisão (planejamento tributário). 19. A autoridade fiscal apegouse apenas na análise do plano contábil, ignorando aquele de aspecto fiscaltributário. Ou seja, ratificando as razões da contribuinte, temse o entendimento de que para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada daquele que surge em operações entre empresas sem vínculo. 20. É a legislação tributária que define os efeitos tributários. No caso do ágio, é a legislação tributária (e não orientações de cunho contábil) que define os efeitos da subscrição e integralização que "A" faz em "C" com as ações que tem de "B", que do ponto de vista de "C" significa a aquisição das ações de "B". 21. No caso presente o fundamento econômico foi rentabilidade futura avaliada por laudo e esta hipótese está prevista na regra de tributação. Portanto, existe o fundamento econômico do ágio. 22. De fato, apesar da fiscalização pretender alegar a inexistência de fundamento econômico, ela o faz se referindo a ausência de pagamento por terceiros, já que a aquisição foi por meio deaceitação das ações/quotas da investida como integralização de capital entre empresas do mesmo grupo. Assim, o Fisco dúvida do fundamento econômico, por confundilo com pagamento de terceiro estranho ao grupo, e não faz qualquer esforço para infirmar o laudo que é o instrumento legal que o garante nos termos exigidos pela legislação fiscal. 23. No caso em concreto, a operação que redundou no aproveitamento do ágio interno fazia parte de uma reorganização societária e, por isso, não seria artificial. Mas, mesmo que tivesse sido especificamente intencional, estaria no campo do planejamento tributário (elisão) e não da evasão ou erro. 24. A entrega de ações na situação analisada representa, sim, um sacrifício patrimonial, muito embora diferente daquele a que estamos mais habituados, pela entrega de numerário. 25. Assim, devese concluir que o instituto da incorporação de ações, no caso concreto, foi utilizado de acordo com a lei que o instituiu, e que o registro contábil, pela WEL, do ágio no investimento na TRAFO, seguiu também os preceitos legais. Fl. 7200DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.201 7 Ágio Nantong 26. Ainda tratando da amortização de despesas com ágio, temse que a autoridade administrativa também glosou a parte atinente a (denominada Ágio Nantong), por entender que a despesa em tela não é dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. 27. Segundo documentos acostados aos autos, é possível verificar que mencionado ágio decorre de operação societária ocorrida em 2004, quando a WEG Exportadora S/A adquiriu participação na empresa denominada Nantong Eletric Motor Manufacturing Co. Ltd. 28. Posteriormente, em janeiro de 2009, ela subscreveu capital na Weg Ibéria (doravante denominada apenas WIB), utilizandose, para isso, exclusivamente do valor do investimento na NANTONG, o qual passou a pertencer a WIB. 29. E por fim, ainda em janeiro de 2009, a ora Impugnante incorporou a WEX, em cujo balanço ainda figurava o ágio gerado na aquisição da NANTONG, amortizandoo, então, conforme previsto na legislação fiscal/tributária. 30. Não se fale da regra emanada do artigo 386 do RIR/99, pois à operação em análise se aplica aquela prevista no artigo 426. Isso porque, ao subscrever capital na WIB, a Cia utilizou exclusivamente o valor do investimento na NANTONG. Nesse sentido, são as próprias razões fiscais descritas no seu relatório de trabalho. 31. Não bastasse isso, que não se atribua a operação qualquer alegação quanto ao fato da contribuinte ter amortizado mencionada despesa peio prazo de 5 anos, pois, ainda que assim o tenha feito, dito procedimento refletiu em benefício ao Fisco, já que não representou direta redução tributária. 32. Por sua vez, inaceitável falar também em imprestabilidade do laudo de avaliação econômica, visto que, para a operação acobertada pelo artigo 426 do RIR/99, desnecessária se torna a sua apresentação. 33. Aos contribuintes é assegurado o princípio da livre iniciativa, previsto constitucionalmente, por meio do artigo 1a da Constituição Federal, como basilar da ordem econômica brasileira, lado a lado com os valores sociais do trabalho. 34. De tal forma, diante de opções negociais diversas, a empresa tem o pleno direito de livremente escolher aquela que melhor lhe aprouver, observando as condições legais, sem que o aplicador da lei possa descaracterizar tal opção. Inovação Tecnológica 35. Dos anos de 2010 a 2014 a Cia mais do que dobrou o investimento em PD&I. Tanto é verdade, que em 2010 ela destinou aproximadamente a quantia de 106 milhões e em 2014, 224 milhões, o que demonstra o seu reiterado comprometimento com Inovação. Como informação, em 2010 a destinação representou algo em torno de 2,4% da sua Receita Operacional Líquida (ROL) e em 2014, o percentual de 2,9, 36. Necessário observar, já de antemão, a indispensável conversão do presente julgamento em diligência, pois, provas robustas conferidas pela contribuinte não foram devidamente valoradas pela autoridade administrativa, o que enseja, por conseqüência, um lançamento tributário viciado. 37. Consoante razões lá desenroladas (preliminar), temse que, apesar das alegações fiscais quanto as supostas inconsistências cometidas pela contribuinte, igualmente insurgiu em erro a autoridade pública ao calcular o percentual de incremento quanto aos pesquisadores, para fins de apuração daquele relativo a exclusão do lucro líquido (que pode variar de 60% a 80%), e posterior determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 7201DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.202 8 38. O incremento do número de pesquisadores contratados é o fator que determina o percentual dos dispêndios com PD&I que serão excluídos do lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL (variação esta que comporta os percentuais de 60% a 80%). 39. Logo, é indiscutível que levará em consideração o NÚMERO de pesquisadores contratados no anocalendário de gozo do incentivo, em relação à MÉDIA de pesquisadores com contratos em vigor no anocalendário anterior ao de gozo do incentivo. 40. Em outras palavras, a apuração se dará por meio da avaliação entre os profissionais 'ativos' no anocalendário de utilização do benefício fiscal e a média daqueles em vigor no período anterior. 41. Ocorre que da análise do procedimento fiscal bem exemplificado por meio da TABELA 4, veiculada às fls. 49/50 do Relatório concluise que a apuração feita pelo Sr. Auditor restou amparada na média dos pesquisadores do ano 2011, em total desacordo com a legislação supratranscrita, visto que 2011 é justamente o ano de gozo do incentivo e por conseqüência, objeto de autuação. 42. Por este motivo, a necessária revisão do lançamento, com base no artigo 149, IV, do CTN, caso não se reconheça a nulidade arguida em preliminar. 43. A Impugnante se utiliza do "PWQP" para chegar nos percentuais de apropriação de cada centro de custo. É possível observar que, na maioria dos casos indicados como exemplo, o percentual de apropriação utilizado é menor do que o percentual efetivamente possível. 44. Ademais, ainda que não validados os percentuais relacionados aos CCs parcialmente voltados aos projetos de PD&I, indispensável seria que a fiscalização reconhecesse para fins de apuração dos dispêndios com inovação tecnológica, aqueles voltados integralmente aos projetos de PD&I. Mencionada prova foi produzida em sede de fiscalização e não considerada pela autoridade fiscal. Por isso, a pretensão quanto a realização da diligência fiscal. 45. Ou seja, se a contribuinte efetivamente se classifica como uma empresa beneficiária da Lei do Bem, conforme já dito, e cujas informações prestadas no âmbito da fiscalização, condizem com aquelas disponibilizadas ao MCTI, não há como lhe tolher a utilização do benefício. 46. Ou seja, se do total de variações apresentadas pelo Sr. Fiscal (identificadas na Tabela 7 como sendo de 1689), forem expurgados os CCs criados em 2011, mencionada diferença ficará imaterial, imaterialidade esta derrogada nos parágrafos anteriores. 47. As regras contábeis não deveriam prevalecer, mas, sim, servir como forma de controle à utilização do incentivo e não como requisito para a sua concessão ou fruição. 48. Tendo por base que o artigo 22, inciso I, da Lei n° 11.196/05, o Decreto n° 5.798/06 e a Instrução Normativa RFB n° 1.187/11, não prescreveram a forma ou prazo para a contabilização dosdispêndios, não poderia a fiscalização, por mera liberalidade, alargar o conteúdo daquela legislação, criando exigência ali não prevista. 49. As contas específicas apenas facilitam o controle e a comprovação tanto das exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL quanto dos dispêndios com inovação, permitindo à fiscalização a verificação das despesas incentivadas. Fl. 7202DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.203 9 50. No entanto, se é fornecido à autoridade pública documentos suficientes ao controle da utilização do benefício, bem como se há escrituração em apartado dos dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da lei, ainda que este seja feito durante a fiscalização e/ou posteriormente à sua contabilização, não há que se falar em inobservância do inciso I, artigo 22, da Lei 11.196/05. 51. As informações prestadas nos relatórios em têm como base a contabilidade da Cia. Assim sendo, numa simples análise do razão contábil da Conta 411060005 (que segue anexo), observase que as informações e valores referentes aos CC "10167074" e "10167047" não foram devidamente selecionadas quando da conferência fiscal. Por conseqüência, a indevida divergência apontada. 52. Divergência alguma haveria de se manter. Importante mencionar que a base de dados para os cálculos do benefício de PD&I tem sua origem em informações devidamente contabilizadas, conforme normas internacionais de contabilidade, inexistindo motivos para a sua não aceitação. 53. E para que não remanesçam dúvidas, afastamse também as inconsistências apontadas pela fiscalização ao elaborar a Tabela 10, indicada às fls. 78/88 do Relatório Fiscal. 54. Restará ao julgador, a análise do processo administrativo, com todos as informações e documentos que aqui constam, para que assim, possa, observando o princípio da verdade material e levando em consideração os fatos mencionados peia Impugnante, bem como peia legislação aplicável ao caso, inicialmente analisar os documentos e dar seu parecer. Taxa Selic 55. Por fim, e não menos importante, temse a questão relativa a indevida incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que tal imposição é contrária ao ordenamento jurídico brasileiro. A Impugnante junta documentos, cita legislação, doutrina, jurisprudência e, ao final, pleiteia o cancelamento integral do auto de infração, requerendo, "caso não seja esse o entendimento dessa E. Delegacia":1. reconhecimento da PRELIMINAR argüida e conseqüente declaração de NULIDADE do auto de infração. "E se ainda assim não o for reconhecido, requer a contribuinte": 2. A REVISÃO DO LANÇAMENTO COMBATIDO, em vista da hipótese constante no artigo 149, IV, do CTN; 3. A CONVERSÃO DO PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA; 4. Por consequência, e então feita a devida valoração das provas, seja totalmente CANCELADA a exigência fiscal e, via de consequência, ARQUIVADO o processo administrativo instaurado. Enfim, a Impugnante "Ad Cautelam, considerando eventual entendimento quanto ao reconhecimento apenas parcial dos dispêndios realizados" com inovação tecnológica, requer "que sejam reconhecidos na apuração fiscal os Centros de Custos voltados 100% a PD&I". Apreciados os argumentos da impunação, o lançamento foi mantido a sua integralidade nos termos da ementa a seguir: Fl. 7203DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.204 10 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Nulidade. Pressupostos. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Matéria não impugnada. Preclusão. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Ágio Interno. Pessoa Jurídica “Veículo”. Transação entre Sócios. O ágio interno, fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, em operação de aumento de capital da controladora em empresa veículo, em operação sem substância econômica, em ambiente de dependência entre as sociedades contratantes, não gera despesa dedutível para fins de IRPJ ou CSLL. Inovação Tecnológica. Dispêndios. Benefício Fiscal. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica devem ser controlados contabilmente em contas específicas. IRPJ. Lançamento Decorrente. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente da CSLL, constante do mesmo processo, dada à relação de causa e efeito, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Juros. Multa De Ofício. Considerando que entre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, se incluem a multa de lançamento de ofício, esta fica sujeita à incidência de juros moratórios se não for recolhida em seu termo, ou seja, depois de trinta dias da notificação do sujeito passivo do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário pretendendo a reforma do julgado mediante os seguintes argumentos: a.1) Pelo reconhecimento da preliminar de nulidade da decisão proferida pela DRJ, ante a existência de matéria não apreciada nos moldes do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72, determinandose o retorno do processo para novo julgamento na instância a quo; a.2) Em assim não entendendo este Conselho, requer a declaração de NULIDADE do auto de infração combatido, visto que constituído mediante critério jurídico diverso daquele previsto em lei (artigo 70, da IN SRF 1.187/11 e 80, do Decreto 5.798/06), pois evidente a afronta ao princípio da legalidade, da segurança jurídica e ainda, do artigo 142 do CTN, que atribui à autoridade pública o dever de lançar corretamente o tributo exigido. E se Fl. 7204DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.205 11 ainda assim não o for reconhecido, requer a Recorrente: b) Em seu MÉRITO: b.1) O reconhecimento da amortização das despesas oriundas de ágio nas operações da TRAFO e NANTONG, face ao cumprimento de seus requisitos legais e sua devida legitimidade; b.2) A REVISÃO DO LANÇAMENTO COMBATIDO, em vista da hipótese constante no artigo 149, IV, do CTN, pois, conforme arguido ao longo do presente recurso, identificou a contribuinte que restou atribuído ao auto de infração em discussão critério de cálculo diverso daquele previsto em lei (artigo 70, da IN SRF 1187/11 e 80, do Decreto 5.798/06), e ainda, Ad Cautelam, considerando eventual revisão realizada e entendimento quanto ao reconhecimento apenas parcial dos dispêndios realizados pela contribuinte com pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica (possiblidade essa que se arguiu apenas hipoteticamente), requer a Recorrente para que sejam reconhecidos na apuração fiscal os Centros de Custos voltados 100% a PD&I. b.3) A CONVERSÃO DO PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA FISCAL, frente ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 29 do Decreto no 70.235/72, pois os pontos ora combatidos, quanto aos percentuais por ela utilizados e envolvimento dos Centro de Custos nas atividades voltadas a PD&I, precisam ser devidamente reanalisados, para fins do julgamento e valoração da lide; b.4) Por fim, a consequente e devida valoração das provas, sendo totalmente CANCELADA a exigência fiscal e, via de consequência, ARQUIVADO o processo administrativo instaurado. Posteriormente, ingressou com pedido de desistência parcial do Recuso Voluntário, no que diz respeito ao denominado ÁGIO NANTONG (fls. ) subsistindo em discussão apenas as questões afetas ao ÁGIO TRAFO e a glosa das exclusões indevidas referentes a dispêndios com programas de inovação tecnológica. É o breve relatório. Voto. Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálo. Observo que em relação ao segundo item da autuação, relativo à glosa dos dispêndios com inovação tecnológica, a recorrente argui preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Aduz que o cerceamento de defesa, se dá pela ausência de enfrentamento da decisão recorrida dos argumentos trazidos por ela em sede de impugnação, o que a prejudicou por impedila de conhecer precisamente quais os critérios foram adotados para manutenção do lançamento. A acusação fiscal que pesa sobre a recorrente diz respeito a exclusão indevida de dispêndio com programas de inovação tecnológica no ano calendário de 2011. Conforme autuação, a glosa se deu em razão da falta de preenchimento, por parte da Recorrente, dos requisitos previstos na legislação que trata da matéria: Art. 3º da Lei nº 9.249/95; Arts. 247 e 250 do RIR/99; Arts.17, 19, 22 e 24 da Lei 11.196/2005; Arts. 2º, 8º, 10 do Decreto 5.798/2006; Arts. 2º, 3º, 5º, 7º e 18 da IN RFB 1.187/2011 Os requisitos apontados pelo TVF (fls. ) como não cumpridos para fruição do benefício foram: Fl. 7205DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.206 12 i) não contabilização em contas específicas (art. 22 da Lei 11.196/06); ii) uso de percentual de apropriação (80%) inadequado (arts. 2º, 8º, 10 do Decreto 5.798/2006 e arts. 2º, 3º, 5º, 7º e 18 da IN RFB 1.187/2011) e iii) inconsistências nos relatórios de apuração dos centros de custos com pesquisa e inovação. Em sua impugnação, a Recorrente sustentou ser um dos maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo, atuando em áreas de comando e proteção, variação de velocidade, automação de processos industriais, geração e distribuição de energia, tintas e vernizes industriais no mercado nacional e internacional, havendo a necessidade de passar por constante transformação tecnológica, concentrando consideráveis esforços em pesquisa para desenvolvimento e aprimoramento de seus produtos de modo a se manter competitiva, visando maior participação no mercado. Argumentou que no ano de 2011, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação MCTI, reconheceu a Recorrente na condição de empresa benefíciária dos incentivos fiscais da Lei 11.196/05. Mencionou que dos anos de 2010 à 2014, os investimentos em PD&I da CIA mais que dobraram, tendo ela investido algo próximo de R$ 106 milhões em 2010 e chegando a R$ 224 milhões em 2014. Para a fruição do benefício na proporção de 80% do valor dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, aduziu ter cumprido com o requisito previsto no art. 8o. páragrafo 1o. do Decreto 5.798/06, com o aumento do número de seus pesquisadores de 2010 para 2011, ano de fruição do benefício em percentual acima dos 5%, exigido, conforme quadro transcrito da impugnação: Apenas para ilustrar o argumento, a norma que a Recorrente afirmou ter cumprido, traz a seguinte redação: Art. 8o Sem prejuízo do disposto no art. 3o, a partir do anocalendário de 2006, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor corresponde a até sessenta por cento da soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis como despesas pela legislação do IRPJ, na forma do inciso I do caput do art. 3o. § 1o A exclusão de que trata o caput deste artigo poderá chegar a: I até oitenta por cento, no caso de a pessoa jurídica incrementar o número de pesquisadores contratados no anocalendário de gozo do incentivo em percentual acima de cinco por cento, em relação à média de pesquisadores com contratos em vigor no anocalendário anterior ao de gozo do incentivo; e II até setenta por cento, no caso de a pessoa jurídica incrementar o número de pesquisadores contratados no anocalendário de gozo do incentivo até cinco por cento, em relação à Fl. 7206DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.207 13 média de pesquisadores com contratos em vigor no anocalendário anterior ao de gozo do incentivo. § 2o Excepcionalmente, para os anoscalendário de 2006 a 2008, os percentuais referidos no § 1o deste artigo poderão ser aplicados com base no incremento do número de pesquisadores contratados no ano calendário de gozo do incentivo, em relação à média de pesquisadores com contratos em vigor no anocalendário de 2005. Além da acusação de utilização do percentual inadequado, a fiscalização apontou também como não cumprido pela recorrente o requisito relativo a necessidade de contabilização dos custos com pesquisa e inovação em contas específicas que permitissem a identificação correta dos percentuais passíveis de fruição do benefício, nos moldes prescritos na Lei 11.196/05, em seu art. 22. Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei. I serão controlados contabilmente em contas específicas; e II somente poderão ser deduzidos se pagos a pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País, ressalvados os mencionados nos incisos V e VI do caput do art. 17 desta Lei. No que diz respeito à demonstração do cumprimento deste requisito, em sua impugnação a Recorrente anexou documentos de fls. 6553/6979, representados por livros contábeis, balanços, balancetes, atas, laudos contábeis, relatórios de pesquisas e planilhas descritivas de custos, com pedido subsidiário, caso subsistissem dúvidas acerca da sua correta apuração, para que os autos fossem convertidos em diligência a fim de que fosse verificada a verdade real sobre os fatos e a legitimidade das exclusões por ela promovidas. Sustentou a coerência da sua contabilização com base em relatórios de apuração dos centros de custos com pesquisa e inovação que sintetizou no quadro resumo, também transcrito da impugnação, o que também segundo ela seria suficiente para elidir a acusação fiscal: Ao receber a impugnação para julgamento, a DRJ, no que diz respeito à infração relativa à glosa das exclusões indevidas dos dispêndios com programas de inovação tecnológica, limitouse a manter o lançamento com base nos seguintes dizeres: "O controle em “contas específicas” significa que os dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica, necessariamente, devam estar em contas especialmente criadas para tal fim, isto é, para Fl. 7207DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.208 14 registrar tais despesas, as discriminando das demais, justamente porque resultarão na medida de um benefício fiscal. Em outros termos, o artigo 22, inciso I, da Lei nº.11.196/2005 exige que a contabilidade revele de maneira clara, direta e inquestionável os dispêndios ocorridos a título de pesquisa e inovação tecnológica, quando da efetiva ocorrência dos fatos correspondentes aos lançamentos contábeis. A conseqüência da inobservância do pressuposto do benefício é a perda do direito aos incentivos ainda não utilizados e o recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos, acrescidos de juros e multa, conforme art. 24 do mesmo diploma legal: [...]A regra do controle em contas específicas não é propriamente uma regra contábil, mas regra tributária versando sobre matéria contábil, assim não há o conflito imaginado pelo Impugnante entre legislação fiscal e as regras técnicas da contabilidade. Por outro lado, é verdade que a regra dos registros em contas específicas facilitam o controle e a verificação das despesas incentivadas, mas também é verdade que a regra legal não se reduz a mero conselho ao contribuinte destituída de força obrigacional. Mais ainda, no caso em exame, a inobservância da regra inviabilizou a verificação do total de dispêndios em PD&I, conforme registrado no bem fundamentado Relatório Fiscal. Demais questões a respeito da matéria restam prejudicadas. Mantémse a glosa no ponto". Notase que a decisão DRJ limitouse a apreciar a ausência de contas específicas para contabilização dos dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica, argumento suficiente, ao menos para ela, para indeferir o pleito da Recorrente. Razão pela qual, não se trata, na espécie de cerceamento de defesa, mas apenas de análise do argumento e da decisão por sua improcedência, sendo irrelevante para a análise ocorrida por ocasião da decisão de piso, a existência ou não de provas quanto a natureza dos dispêndios, já que eles haviam sido glosados dada a falta de sua contabilização ter se dado em contas específicas, conforme entendimento adotado naquela oportunidade. Discordo da decisão recorrida e entendo necessária sua reforma em relação a este ponto, embora não seja causa de nulidade do julgamento por cerceamento de defesa, temos que a exigência pela contabilização em conta específica dos dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica e a regulamentação do percentual de apropriação, somente surgiu a partir da IN SRF 1.187/2011, que teve sua entrada em vigor a partir de sua publicação em 30/08/2011, o que impossibilitava a contribuinte de retroagir o sua conduta a janeiro daquele ano de 2011. De modo que assiste razão à Recorrente quando aduz que a regra vigente em janeiro de 2011, quando existia a Lei nº 11.196/05, teria que ser a mesma para todo o ano calendário, ainda que não estivessem disciplinados os incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de que tratam seus artigos 17 a 26 em nenhuma instrução normativa, que só veio a surgir a partir do mês de agosto daquele ano. Fl. 7208DF CARF MF Processo nº 13971.723962/201590 Resolução nº 1401000.619 S1C4T1 Fl. 7.209 15 No entanto, fato é que não houve apreciação das provas apresentadas pela Recorrente no momento de sua impugnação, quanto a legitimidade de sua apuração dos custos com PD&I, ou apreciação do argumento relativo a possibilidade de fruição do benefício na proporção de 80% do valor dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, aposto na impugnação quando a Recorrente aduziu ter cumprido com o requisito previsto no art. 8o. páragrafo 1o. do Decreto 5.798/06, com o aumento do número de seus pesquisadores de 2010 para 2011, ano de fruição do benefício em percentual acima dos 5%. Desta forma, ante esta necessária reforma da razão de decidir da DRJ, entendo por bem, antes de avançar nos demais pontos do Recurso Voluntário, converter o julgamento em diligência pra que sejam apreciados os demais elementos de prova e argumentos trazidos pela contribuinte quando ao preenchimento dos requisitos para fruição verificando se a despeito da inexistência de conta específica os dispêndios a título de atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, bem como o cumprimento dos requisitos para a fruição do benefício no percentual almejado de 80%, foram comprovados e nem não sendo este o caso, qual o percentual a Recorrente conseguiu comprovar. Sobre as conclusões da diligência, seja a contribuinte intimada para se manifestar a respeito no prazo de 30 dias. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 7209DF CARF MF
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