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Numero do processo: 11080.930902/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a inexistência do direito creditório por utilização integral em outra declaração de compensação, deve o pedido de restituição ser indeferido.
Numero da decisão: 3302-006.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por utilização integral em outra declaração de compensação, deve o pedido de restituição ser indeferido.
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por utilização integral em outra declaração de compensação, deve o pedido de restituição ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório elaborado na decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 09 02 /2 01 1- 15 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11080.930902/201115 Acórdão n.º 3302006.454 S3C3T2 Fl. 63 2 "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório Eletrônico (DDE) que indeferiu pedido de restituição, uma vez que a integralidade do pagamento efetuado estava alocado para débito declarado pelo próprio contribuinte. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa alega tratarse o pedido de restituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de Carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, cuja alíquota ficou reduzida à zero por cento, por força do artigo 2º da Lei nº 10.312/2001. Defende o direito à restituição citando o art. 165 do CTN. Transcreve dispositivos da Lei nº 10.312/2001, justificando o incentivo dado pelo governo, tendo em vista o risco do país em ficar dependente exclusivamente de energia gerada pelo setor hidrelétrico. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso, representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa. Alega que a autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa fática ou legal, ignorou o disposto na Lei nº 10.312/2001, bem como o art. 165 do CTN, afrontando princípios constitucionais invioláveis, ao deixar de reconhecer o pedido de restituições. Requer a anulação do Despacho Decisório e a restituição dos valores recolhidos." A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DA COFINS e do PIS. ART. 1º E 2º DA LEI N.º 10.312/2001. A efetiva aplicação da redução de alíquota da COFINS e do PIS prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos, pois tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11080.930902/201115 Acórdão n.º 3302006.454 S3C3T2 Fl. 64 3 COFINS e PIS FATURAMENTO MENSAL TOTALIDADE DAS RECEITAS Nos termos do disposto no art. 1º da Lei nº 10.833/2003 e no art. 1º da Lei nº 10.637/2002, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e a contribuição para o PIS/Pasep, respectivamente, ambos com incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo o valor do faturamento a base de cálculo da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações concernentes às reduções a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, previstas nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.312/2001 e à não incidência das contribuições sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção. Ainda pugnou pela ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao estabelecer requisito condicional para a redução a zero sobre a venda de carvão mineral, não existente na Lei nº 10.312/2001. Na forma regimental, os autos foram redistribuídos a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alegou que o crédito seria decorrente das apurações das contribuições para o PIS/Pasep nãocumulativo, decorrente da redução a zero sobre as vendas de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e da não incidência sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção, tendo a decisão de primeira instância analisado a matéria de direito relativa a esta redução, bem como considerando a ausência de prova de que os valores objeto da restituição seriam oriundos do reembolso da referida Conta de Desenvolvimento e, ainda que estivesse comprovado, tal reembolso seria tributável por ausência de previsão legal . Ocorre que toda a discussão travada é estranha ao motivo do indeferimento do pedido de restituição. Observase que o despacho decisório de efl. 27 indeferiu a restituição por ter o crédito pleiteado sido utilizado em outra declaração de compensação de nº Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11080.930902/201115 Acórdão n.º 3302006.454 S3C3T2 Fl. 65 4 33017.86154.300905.1.7.042407, entregue em 30/09/2005, portanto, anterior à aqui considerada, que foi entregue em 30/03/2006. Constatase que à efl. 33, consta tela do sistema SIEF no qual o valor de R$ 11.693,53 do DARF recolhido em 15/04/2004, relativo ao fato gerador de 31/03/2004, foi bloqueado e vinculado à declaração de compensação nº 33017.86154.300905.1.7.042407, cujo débito era de R$ 13.168,08, que foi totalmente homologada. Assim, a discussão sobre as matérias de direito até agora aqui travadas são completamente estranhas ao motivo de indeferimento do pedido de restituição, que se referiu, tão simplesmente, à já utilização do referido DARF em outra declaração de compensação anteriormente transmitida e homologada. Assim, o crédito relativo ao DARF de R$ 11.693,53 já foi reconhecido pela Administração Tributária e utilizado para compensar débito da declaração de compensação 33017.86154.300905.1.7.042407, já homologada. Destarte, não há qualquer litígio sobre a natureza jurídica do direito creditório, mas apenas o indeferimento de sua duplicidade de utilização, o que sequer foi contestado pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002000/2006-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE INSUMOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, não é possível o aproveitamento de créditos sobre despesas incorridas na fase agrícola, insumos de insumos, pois não estão diretamente relacionadas ao processo produtivo da empresa.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas, equipamentos e serviços diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial, para fins de reconhecer o direito a crédito sobre as despesas com manutenção de florestas, extração de madeiras e as máquinas relacionadas a tais atividades, bem como sobre as despesas financeiras relativas a contratos de câmbio.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE INSUMOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, não é possível o aproveitamento de créditos sobre despesas incorridas na fase agrícola, insumos de insumos, pois não estão diretamente relacionadas ao processo produtivo da empresa. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas, equipamentos e serviços diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial, para fins de reconhecer o direito a crédito sobre as despesas com manutenção de florestas, extração de madeiras e as máquinas relacionadas a tais atividades, bem como sobre as despesas financeiras relativas a contratos de câmbio. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
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Recorrente ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE INSUMOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, não é possível o aproveitamento de créditos sobre despesas incorridas na fase agrícola, insumos de insumos, pois não estão diretamente relacionadas ao processo produtivo da empresa. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas, equipamentos e serviços diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 20 00 /2 00 6- 11 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 799 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial, para fins de reconhecer o direito a crédito sobre as despesas com manutenção de florestas, extração de madeiras e as máquinas relacionadas a tais atividades, bem como sobre as despesas financeiras relativas a contratos de câmbio. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento da COFINS, referente ao 1º trimestre de 2004, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade da contribuição. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que trata o art. 6° da Lei 10.833/2003, relativo ' ao primeiro trimestre de 2004, formalizado por meio do PER/DCOMP de fls. O1 a 05. ' A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 686 a 715 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$223.617,98, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS a título de mercado externo e homologar parcialmente a compensação declarada via PER/DCOMP. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: Fl. 799DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 800 3 a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.004732O/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; › c) Considerandose a proporção das receitas de exportação em relação à receita operacional bruta, observouse uma discrepância entre os percentuais de exportação das receitas declaradas no DACON. A cópia da Nota Fiscal de Saída n° 053049, no valor de R$104.082,10 não foi apresentada. Foram efetuados ajustes nos percentuais de exportação para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e mercado externo, com base na proporção de receitas declaradas; d) Na planilha de fl. 39 foi incluído incorretamente o CFOP 1.556 (compra de material para uso ou consumo) na rubrica Bens Utilizados como Insumos. Efetuouse a glosa do valor respectivo; e) Foram glosados os valores pagos à pessoa física na aquisição de insumos; f) Verificouse que o requerente se credita de Notas Fiscais de cabeçotes para facas. A aplicação destes bens no processo produtivo da empresa se efetua de forma indireta, o que inibe a possibilidade de crédito, à luz da IN SRF 404/04, art. 8°, § 4°, inciso I; g) Em relação ao CFOP 2.352 (aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial), observouse divergência entre 0 valor obtido do arquivo digital e o informado na memória de cálculo em fl. 39. Foi efetuado ajuste em consonância com o arquivo digital; h) Verificouse um equívoco na planilha de fl. 39, com a inclusão indevida do CFOP 1.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos; i) Foram glosados os valores de despesas de doação incluídos incorretamente nas despesas de energia elétrica nos meses de fevereiro e março de 2004; j) As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não se enquadram na redação original do inciso V do art. 3° da Lei 10.833/03. Efetuouse a glosa desses valores; k) Não foram apresentados os contratos de arrendamento mercantil indispensáveis à comprovação dos valores informados na linha 8 da ficha 6 do DACON, o que ensejou a glosa integral dos valores declarados. A relevância das especificações contidas nos contratos de arrendamento mercantil pode ser verificada Fl. 800DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 801 4 pela leitura dos incisos I a IV do art. 7° da Resolução CMN/BACEN n° 2.309/96; 1) Efetuouse a glosa dos encargos de depreciação referentes aos itens com data de aquisição informada em 01/01/2001; m) Foram também glosados os encargos de depreciação calculados sobre bens usados; n) Foram glosados os encargos de depreciação de bem desativado; o) Quanto aos valores indicados na linha 13 da ficha 6 do DACON (outros valores com direito a crédito), 0 contribuinte apresentou a planilha 'de fls. 118 a 120. Os valores informados, além de divergentes dos declarados no Demonstrativo, foram apurados pelo regime de caixa, de acordo com observação firmada pelo representante legal da empresa em fls. 120. A inobservância do regime de competência e a discrepância entre a_ memória de cálculo e o DACON deram origem à glosa dos valores; p) Considerandose as glosas e os ajustes nos percentuais de exportação, houve a necessidade de reescrita da utilização dos créditos do trimestre, à luz da IN SRF 600/05, conforme demonstrado no Anexo II; q) O Anexo II em fl. 715, anexo ao despacho decisório demonstra a apuração do crédito reconhecido no valor de R$ 223.617,98 a título de mercado externo. Cientificada da decisão em 05/03/2007 (fl. 721), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/04/2007 (fls. 722 a 729), alegando, em síntese que a) Não houve equívoco na planilha apresentada, vez que o valor incluído no CFOP 1.556 referese ao combustível utilizado na produção da requerente, cuja legislação prevê a possibilidade de creditamento, consoante art. 3°, II, da Lei 10.833/03. Como prova do alegado, segue em anexo cópia de notas fiscais e as respectivas páginas dos Livros de Entradas onde as mesmas foram escrituradas; b) Ainda que o código utilizado (CFOP 1.556) não fosse o correto, tal fato não modifica o direito da requerente creditarse dos referidos valores; ^ c) Os valores incluídos no CFOP 1.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se trata de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira, manutenção de florestas e manutenção de máquinas. O direito ao crédito está previsto no art. 3°, II, da Lei 10.833/03; d) A taxa de câmbio decorrente do Contrato de Câmbio configurase como despesa financeira, haja vista que é paga à instituição bancária onde o câmbio foi contratado. Tanto nos casos de contratação de financiamento e empréstimos como nos Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 802 5 Contratos de Câmbio, o contratante arca com um ônus, seja ele juros ou taxa de câmbio que se caracteriza como despesa financeira; e) A requerente informou na linha 13 do DACON as despesas de frete na operação de venda e as despesas de armazenagem de mercadoria. A verba lançada pelo regime de caixa, a que se refere o Fisco, tratase de despesas de armazenagem. Por outro lado, a discrepância apurada entre a memória de cálculo e o DACON é decorrente das despesas com fretes na operação de venda, que não foram consideradas pela autoridade fazendária; `. Í) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade, reformando a decisão proferida para efeito de reconhecer o direito do contribuinte ao ressarcimento de créditos da COFINS." Em seqüência, analisando as argumentações e os documentos apresentados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJOII julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 COFINS. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS FINANCEIRAS. As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não geram direito a crédito para ser descontado da COFINS apurada segundo 0 regime de incidência nãocumulativa. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 803 6 DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 778/785), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados. Não juntou novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao direito de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a COFINS, assim, entendo oportuno tecer alguns comentários sobre os fundamentos que irão embasar este voto, sobre os quais já me manifestei em julgados anteriores. O regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Em seus arts. 3º e §§, ambas as leis tratam das possibilidades de apropriação de créditos. Da simples leitura dos dispositivos legais citados, constatase que as hipóteses de creditamento no âmbito dessas contribuições possuem uma abrangência específica e diversa das legislações que regulamentam outros tributos. Em especial, o termo "insumo" não se amolda a definição restritiva presente na legislação sobre o IPI, como também não contempla um sentido tão amplo a ponto de incluir todos os custos e despesas necessárias à atividade empresarial, como no caso do IRPJ. Necessitase, então, a construção de diretrizes particulares na análise dos elementos geradores de crédito dessas contribuições. Na busca desse desiderato, a jurisprudência desta Corte foi elaborando, ao longo do tempo, premissas importantes a serem consideradas, como no Acórdão nº 9303 006.083, de 12 de dezembro de 2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 804 7 "O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (grifo nosso) Embora o entendimento principal esposado acima seja majoritário atualmente no CARF, corrente autodenominada intermediária, mesmo entre seus adeptos, a aplicação prática desse conceito não é pacífica. Assim, temos que uns vislumbram que basta o insumo ser utilizado no processo produtivo para fazer jus ao crédito, outros entendem ser necessário a utilização direta desse insumo na produção, outros, ainda, preconizam que tal insumo deve ser indispensável. A meu sentir, a exigência mais correta a ser feita para que um determinado gasto seja classificado como um insumo, para o fim de creditamento disposto na legislação do PIS e da Cofins não cumulativas, é a essencialidade, tal qual foi manifestada no voto do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG: "Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante." (grifo nosso) Ademais, tal entendimento foi ratificado pelo Ministro no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: "Daí minha divergência, pois tenho posição um pouco mais restrita, onde deve ser realizado o "teste de subtração" do insumo a fim de verificar a sua essencialidade ao processo produtivo". Fl. 804DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 805 8 (grifo nosso) Nesse passo, creio que o bem ou serviço para ser considerado como insumo, além da necessidade de ser utilizado especificamente no processo produtivo, mesmo que não entre em contato direto com o produto, deve ser essencial à produção do bem ou à prestação do serviço. Em outras palavras, o insumo para ser apreciado como essencial ao processo, quando submetido ao teste de subtração, deve inviabilizar a obtenção do bem ou, ao menos, retirarlhe significativamente a qualidade. Para além da corrente intermediária do conceito de insumo, temos outra que considera que a legislação criadora da não cumulatividade para as contribuições enumerou um rol taxativo dos bens e serviços passíveis de serem considerados insumos com vista ao creditamento. Dessa forma, fora das hipóteses legalmente previstas, não haveria a possibilidade da apropriação de créditos. Tal entendimento pode ser observado no excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303006.717, de 15 de maio de 2018, da lavra do Eminente Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: "Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso." (grifo nosso) A princípio, tais correntes parecem antagônicas ou, ao menos, incompatíveis. Contudo, a meu ver, existe a possibilidade de reconciliação. Primeiramente, entendo oportuno transcrever o art. 3º da Lei 10.833/2003, que trata do creditamento na sistemática da Cofins não cumulativa. Repisese que a legislação referente ao PIS tem dispositivo semelhante: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 805DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 806 9 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) ......................................................................................................... (grifo nosso) Fl. 806DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 807 10 A partir da leitura do dispositivo transcrito, percebese que, embora todos os incisos tratem das possibilidade de apropriação de créditos, eles podem ser divididos em duas espécies diferentes: os basilares, aqueles que determinam quais as hipóteses fundamentais para a geração de crédito (bens para revenda e insumos na prestação de serviços ou na produção) e os extravagantes, aqueles que explicitam hipóteses que, a princípio, não podem ser enquadradas na definição de insumo, logo, por isso, não dariam direito ao creditamento ou, ao menos, teriam uma aplicação mais restrita. Assim, por exemplo, os custos, encargos e despesas nas operações de venda não podem ser caracterizados como insumos, pois, por óbvio, ocorrem após a produção do bem. Com efeito, por mais essenciais que sejam à atividade empresarial, não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização. Contudo, nesse caso, por vontade do legislador, a armazenagem e o frete nas operações de venda dão direito a crédito. Dessa forma, entendo que a legislação que instituiu a sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS elencou um rol taxativo, contudo, não de bens e serviços considerados como insumo, mas, justamente, daquilo que, mesmo não sendo insumo, faz jus ao creditamento. Por conseqüência do que foi dito, voltando às operações de venda, fora a armazenagem e o frete, não há possibilidade de reconhecimento de crédito de mais nenhuma despesa ou custo incorridos nessas operações, a contrario sensu., por expressa determinação legal. Então, tomemos o caso das embalagens para transporte, sobre as quais vários ilustres Conselheiros reconhecem o direito ao creditamento, data venia, penso exatamente o oposto. Considerandose que tais embalagens não são insumos para a produção do bem, pois utilizadas somente após o término de sua elaboração, logo, muito menos o são insumos essenciais, embora sejam fundamentais ao processo de comercialização, e considerandose que tais dispêndios não estão elencados no rol taxativo do art. 3º, a meu sentir, não geram direito a crédito na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições. A partir dos fundamentos assentados anteriormente, podemos resumir os requisitos necessários para que um gasto seja passível de geração de crédito da seguinte forma: a) geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; b) são considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração; c) para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Feita essa introdução, passemos a análise específica da lide no presente processo. 1) Outras entradas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados Neste item, primeiramente, a recorrente se insurge contra as glosas referentes às despesas de manutenção de florestas e extração de madeiras, as quais devem ser reconsideradas, segundo ela, pois são essenciais e integram seu processo produtivo. Segue a recorrente alegando que não há que se falar em etapa anterior ao processo produtivo, pois estas despesas incorrem na etapa inicial de todo o procedimento. Assim, por ser a matériaprima Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 808 11 utilizada de propriedade da empresa, todas as despesas de manutenção das florestas e extração de madeiras são insumos e dão direito ao crédito, conforme previsto no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003. Compulsandose os autos, verificase que a empresa produz portas e batentes de pinus (fl. 111) e, por certo, considerandose o processo produtivo para a fabricação desses bens, a madeira é insumo essencial para a sua produção. Contudo, as despesas ora analisadas não tem relação direta com esse processo, pois dizem respeito ao plantio, manutenção e extração da madeira, a qual, posteriormente, será utilizada como matériaprima. Logo, são dispêndios necessários em etapa anterior ao processo produtivo. Então, como já explanado na introdução, por não manterem relação direta como o processo produtivo, tais despesas não se subsumem às hipóteses previstas na legislação e, assim, não se caracterizam insumos. Dessa forma, as despesas realizadas, em realidade, são insumos de insumos, os quais não dão direito ao creditamento na sistemática da apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS. Não é outro o entendimento que vem se sedimentando nos julgamentos deste Conselho, conforme se constata no Acórdão nº 9303 006.344, de 21 de fevereiro de 2018, transcrito abaixo na parte que interessa à análise: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/ COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. (grifo nosso) A recorrente alega que o processo produtivo começaria na própria plantação da floresta e não na serraria, como considerado pelo Acórdão recorrido, por ser ela mesma a proprietária da matériaprima. A meu juízo, por um lado, o fato de a recorrente ser a proprietária das florestas não desloca o início do processo produtivo de portas e batentes para o plantio e extração das árvores, por outro, as restrições impostas à possibilidade de creditamento de insumos de insumos, conforme a interpretação do disposto no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 809 12 10.833/03, se coaduna com uma das intenções do legislador ao implementar a não cumulatividade das contribuições, qual seja, incentivar a uma maior horizontalidade na produção. A esse respeito, o Ilustre redator designado do Acórdão nº 9303006.344, Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, assim se manifestou: "É evidente que aqui estamos diante de uma empresa que tem a sua atividade produtiva delineada de forma vertical. No lugar de adquirir de terceiros seus insumos a serem utilizados no processo industrial, providencia por si mesma a produção destes, os quais serão utilizados em sua linha final de industrialização do produto destinado a venda. Essa sistemática verticalizada foi criticada na exposição de motivos da MP 135/2003 (convertida na Lei 10.833/2003), abaixo transcrita, no sentido de que a sistemática da não cumulatividade em implantação serviria de estímulo à mudança desses modelos. 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Mas, por óbvio, esse texto só traduz a intenção do legislador que no art. 3º, inc. II, das referidas leis, estabeleceu que os créditos seriam apropriáveis sobre "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Se a empresa produz e vende somente o ferro gusa não é possível que ela se aproprie de créditos de adubos, defensivos, etc utilizados para a produção de eucalipto. Evidente que adubos, defensivos agrícolas e outros bens e serviços atinentes à fase agrícola não são insumos utilizados diretamente no processo produtivo do ferro gusa. (grifos no original) Da mesma forma, no caso em tela, as despesas com o plantio e a manutenção das florestas e com a extração da madeira, assim como quaisquer outras incorridas nessa fase Fl. 809DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 810 13 de obtenção da matériaprima, não são insumos utilizados diretamente no processo produtivo de portas e batentes. Por fim, neste item, a recorrente assevera que foram também glosadas pela fiscalização despesas com manutenção de máquinas sob dois argumentos: "não é possível deferir o crédito por tratarse de etapa anterior ao processo produtivo; e em relação às demais máquinas, operouse a glosa por ser impossível determinar quais foram os serviços referentes às máquinas utilizadas para a produção dos bens" (fl. 781). Quanto às glosas referentes às despesas com máquinas utilizadas para extrair a madeira e fazer a manutenção das florestas, a recorrente alega que é incabível o entendimento delas fazerem parte de uma fase anterior ao processo produtivo. Quanto às despesas com as demais máquinas, a recorrente alega que o simples argumento de não ser possível identificar, com base nos documentos trazidos por ela, em quais serviços de manutenção foram utilizados, não é suficiente para embasar a glosa de tais créditos, porque caberia à autoridade fazendária intimar a contribuinte a apresentar os documentos necessários. Primeiramente, em relação às despesas com máquinas utilizadas na fase agrícola, como já explanado, devem ser consideradas insumos de insumos e, portanto, não fazem jus ao creditamento na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições. Em relação às despesas com as demais máquinas, não procedem os argumentos da contribuinte, tendo em vista que, durante a fiscalização, ela foi intimada a apresentar documentos que comprovassem os créditos pleiteados, portanto, ainda nessa fase, foi oportunizado provar em quais serviços de manutenção foram realizados tais dispêndios. Além disso, a partir da ciência do Despacho Decisório, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, mais uma vez, a contribuinte poderia ter feito prova, contudo, não o fez. E, como já dito no relatório, em seu Voluntário, a contribuinte somente alegou, porém, não apresentou mais nenhum documento. Por oportuno, lembremos que o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... Fl. 810DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 811 14 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento Logo, no caso ora analisado, forçoso é reconhecer que as glosas referentes às despesas com as demais máquinas foram corretas, pois a contribuinte não se desincumbiu do Fl. 811DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 812 15 ônus de comprovar que tais despesas tem relação direta com o processo produtivo e sua essencialidade. 2) Despesas financeiras A contribuinte se insurge contra a glosa referente às despesas financeiras sobre contratos de câmbio. Em suma, alega que o contrato de câmbio é uma espécie de empréstimo, através do qual a empresa recebe um adiantamento das vendas realizadas e, para efetuar tal adiantamento, a instituição financeira cobra uma bonificação, que tem o caráter de despesa financeira e, portanto, adequandose ao inciso V, art. 3º da Lei 10.833/2003. Em linhas gerais, a recorrente aborda, em seu Voluntário, os mesmos argumentos já expostos na Manifestação de Inconformidade. Entendo que a relatora do Acórdão recorrido esclareceu bem a questão, por isso, transcrevo excerto do seu voto, o qual adoto como razão para decidir: "A cobrança de forma nãocumulativa da COFINS foi instituída pela Lei n° 10.833, de 2003. O art. 3°, inciso V, da Lei em sua redação original assim dispunha: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2” a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ( ........... ..) V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; ); Posteriormente a Lei n° 10.865 de 30 de abril de 2004, alterou o inciso V do artigo 3° da Lei 10.833/2003,, passando a vigorar, a partir de 1º de agosto de 2004, com a seguinte redação: “V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;" Verificase das alterações no dispositivo acima citado que até 31 de julho de 2004 admitiase, na apuração da COFINS no regime nãocumulativo, o desconto de créditos calculados sobre as despesas financeiras incorridas. No entanto, não é toda e qualquer despesa financeira capaz de gerar crédito de PIS, mas somente aquelas decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Simples. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 813 16 O Contrato de Câmbio é firmado entre uma instituição financeira autorizada a operar no mercado de câmbio e o exportador ou importador e se constitui em uma operação de compra e venda de moeda estrangeira, sendo o instrumento necessário para que se possa realizar pagamento ou recebimento em moeda estrangeira decorrente de operações de compra e venda no mercado externo. Como se vê, o contrato de câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo ou de financiamento e, portanto, as despesas contratuais e o deságio cambial dele decorrentes não se enquadram no inciso V do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002 e no inciso V do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003 (com a redação anterior à Lei n° 10.865, de 2004)." Assim, pelas razões dependidas, mantenho a glosa referente às despesas totais com contratos de câmbio. 3) Despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte se insurge contra as glosas de despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, pois tais glosas se basearam, tão somente, na ausência de provas das referidas despesas e em divergências entre os valores informados na Dacon e na memória de cálculo apresentada. Afirma que tais divergências foram meras irregularidades, causadas pelo fato da empresa contratar fretes de terceiras pessoas humildes, que emitiam uma nota fiscal única, ao invés de emitirem uma nota fiscal para cada operação de transporte realizada. Assim, a contribuinte alega que teria direito ao creditamento pretendido Melhor sorte não assiste à recorrente nesta questão. Como já desenvolvido no item 1, temos certo que, em processos de restituição ou ressarcimento, o dever de provar a liquidez e certeza do crédito pleiteado incumbe ao contribuinte. Em que pese a tentativa de minimizar as divergências apontadas pela fiscalização como meras irregularidades, isso não afasta a falha incorrida, tampouco, a desobriga comprovar os fatos alegados através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. De fato, os equívocos na emissão das notas fiscais e a falta de apresentação de provas dos argumentos alegados tornam se incontroversos pela transcrição do seguinte excerto do Voluntário: "Em que pese ter havido uma falha no sistema de emissão das notas fiscais (conhecimento de frete), referida falha não prejudicou o Fisco federal, porquanto não houve omissão quanto aos valores referentes aos fretes. Ademais, como mencionado anteriormente, se os elementos probatórios foram insuficientes ã tomada de decisão, cabia à autoridade intimar a recorrente para que prestasse as Fl. 813DF CARF MF Processo nº 13971.002000/200611 Acórdão n.º 3002000.513 S3C0T2 Fl. 814 17 informações necessárias ao esclarecimento, e não glosar os valores". Repisese que a recorrente não apresentou mais nenhum documento juntamente com seu Recurso Voluntário, logo, embora tenha asseverado que cabia a autoridade intimála, mesmo após a ciência do Despacho Decisório e do Acórdão recorrido, a contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar a liquidez e a certeza de seu suposto crédito. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 814DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.915730/2009-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL.
A DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência.
Numero da decisão: 1003-000.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. A DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dáse por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 57 30 /2 00 9- 03 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão 0224.877, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. A Recorrente afirma que efetuou recolhimento a maior de IRPJ (código 2089) referente ao 1° trimestre de 2006 e pago em 24/06/2006, gerandolhe um crédito. Assim, em 10/08/2006 a Recorrente transmitiu o PER/DCOMP de n° 09108.14929.100806.1.3.040541, no qual informou a compensação da importância paga a maior em 25/04/2006 (Crédito), com débito de Cofins (código 2172) referente ao mês de julho de 2006 (em tempo hábil, antes do vencimento da Cofins ref. 06/2006), por ser de direito a compensação. As informações relativas ao suposto direito creditório foram analisadas e concluiuse pelo indeferimento do pedido, mediante o Despacho Decisório n° 831645665, emitido eletronicamente, em 20/04/2009 (fls. 02): “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DOMP: 35,83. A partir das características Do DARF discriminado no PER/D acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do Despacho Decisório em 29 de abril de 2009, conforme documento de fls. 28, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 01), protocolizada em 19/05/2009, afirmando existir o crédito pleiteado. Por sua vez, a DRJ/BHE julgou improcedente tal manifestação e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa o Acórdão 0224.877, abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Declaração de Compensação Não comprovada a existência de indébito tributário por meio de documentação hábil e idônea como prevê a legislação, não se reconhece o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10680.915730/200903 Acórdão n.º 1003000.405 S1C0T3 Fl. 139 3 Inconformada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.09.2010, às fls. 43, esclarecendo que: “I Os Fatos A empresa efetuou recolhimento a maior do Imposto de Renda Sobre o Lucro Liquido (código 2089) referente ao 1º trimestre de 2006 (31/03/2006). e pago em 24/06/2006, conforme Darf anexo e demonstrativo abaixo: Valor do faturamento l°trimestre/2006 = R$ 826.296.00 . Alíquota do IRPJ 8% = RS 66.103,68; Base cálculo do IRPJ 15% = RS 9.915,55: Adicional do IRPJ = R$ 610,37; Imposto de Renda a Pagar = RS 10.525,92: 1 Valor recolhido no lº trimestre/2006 = RS 10564.36; Valer recolhido a maior = RS 38.44. II O Direito II.1 PRELIMINAR Tendo em vista o recolhimento a maior no 1° trimestre de 2009, foi realizada a entrega da Per/Dcomp n° 09108.14929.100806.13.040541 na data de 10/08/2006, na qual informamos a compensação da importância paga a maior em 25/04/2006 (Crédito) compensando o COFINS (código 2172) referente ao mês de julho de 2006, (em tempo hábil, antes do vencimento da COFINS ref. 06/2006) por ser de direito a compensação. 11.2 MÉRITO Estão anexados a este Recurso as (xerox) dos seguintes documentos: Darf IRPJ cód. 2089 dos meses 01, 02 e 03/2006; Livro de registro de saídas do l°tri1nestre de 2006 de todas as filiais com termo de abertura e encerramento; Livro Diário páginas 7, 8. 15, 16, 23 e termos de abertura e encerramento.” É o relatório. Fl. 140DF CARF MF 4 . Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do nº Acórdão nº 0224.876, proferido pela 2ªTurma da DRJ/BHE (fls. 3436), em 11/08/2010 (fls. 40) e apresentou o recurso competente em 09/09/2010 (fls. 43). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua impugnação na tentativa frustrada de comprovar o suposto direito creditório. Como bem consta no acórdão recorrido, o qual não merece reforma, do exame dos argumentos e dos documentos acostados aos autos verificase que na DIPJ/2007, apresentada a RFB pela Recorrente em 22/05/2007 no 1° trimestre de 2006, o imposto de renda apurado com base no Lucro Presumido foi de R$10.525,92 (fls. 30/31). Na DCTF retificadora, apresentada em 12/02/2007, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica declarado para o 1° trimestre de 2006 foi de R$10.564,38 (fls. 32/33). Todavia, vale ressaltar que a DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo (Súmula CARF nº 92) e que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF é que, de fato, tem o caráter de confissão de dívida. Esse, inclusive, há muito é o entendimento deste Tribunal: DIPJ EFEITOS. A DIPJ é meramente informativa, não constituindo confissão de divida, nem instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário que, não sendo declarado em DCTF, deve ser constituído por lançamento de ofício. DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO. Incabível a retificação de valores declarados, quando não são trazidos a colação elementos que permitam a sua apuração. Recurso improvido." (Acórdão 10322990, de 25/04/2007 Publicado no D.O. U. no 167 de 29/08/2007) (destacouse) Portanto, levandose em conta que a Recorrente não juntou aos autos documentos hábeis e idôneos suficientes para comprovar que o erro encontrase no valor declarado do imposto de renda do 1° trimestre de 2006 em DCTF, conforme previsto no art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/ 1999, aplicável à época), não há como reconhecer qualquer valor a título de crédito para compensação. Perfilho, pois, o entendimento da DRJ de que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar documentalmente a existência do suposto direito creditório, nem tampouco de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.915730/200903 Acórdão n.º 1003000.405 S1C0T3 Fl. 140 5 suposto erro de fato (art. 147 CTN) em suas declarações, a quem cabe o ônus da prova e cuja comprovação poderia ter sido efetuada durante todo litígio administrativo. Ora, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve Secretaria da Receita Federal homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em suma, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo naquele momento, fato que não se deu no presente caso, pois, de acordo com os documentos que instruem os autos, não é possível a comprovação do crédito pleiteado, nem tampouco homologação da declaração de compensação efetuada. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902143/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.596
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 14 3/ 20 13 -2 3 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10850.902143/201323 Resolução nº 3401001.596 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10850.902143/201323 Resolução nº 3401001.596 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720387/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra.
Numero da decisão: 2402-006.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
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REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 87 /2 01 1- 21 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10540.720387/201121 Acórdão n.º 2402006.893 S2C4T2 Fl. 235 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário voltado contra Decisão nº 1532.400 7ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, manteve crédito tributário previdenciário lançado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em face do sujeito passivo identificado em epígrafe, por meio do Auto de Infração (AI) n.° 37.319.5745, cujo montante consolidado em 16/03/2011 é de R$ 14.233,83 (quatorze mil duzentos e trinta e três reais e oitenta e três centavos), referentes à competência 12/2010. A Recorrente alega ter juntado documentos capazes de comprovar o recolhimento dos tributos em foco, tendo tido problemas decorrentes de cadastro duplicado em CEI. Alega ainda a existência de Bitributação. Alega que a obra é una, contratada da demolição a construção e nessa condição, apesar de existirem duas matriculas, os recolhimentos foram integralmente realizados. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. 2. MÉRITO Para compreender os aspectos fático da lide voltamos ao REFISC e suas circunstancias. Verificamos que o lançamento referese ao débito de contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal desenvolvida na matrícula CEI 32.000.02687/60. Consta do REFISC informação indicando que o fato gerador abrange a contribuição dos segurados sobre a remuneração de trabalhadores envolvidos em obra de construção civil realizadas no imóvel localizado na Rua Nilo Peçanha, 155, Vitória da Conquista, Bahia. Lançamento seguiu a sistemática de aferição indireta apuração do valor baseado na tabela de Custo Unitário Básico (CUB), conforme levantamento “CC – Construção Civil Pessoa Física”, calculando pelo sistema DISO JAVA – SIMULAÇÃO DO ARO Aviso de Regularização de Obra sob a alegação de que a Recorrente não regularizou a obra de Construção Civil em questão. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10540.720387/201121 Acórdão n.º 2402006.893 S2C4T2 Fl. 236 3 No presente auto de infração estão as contribuições da parte dos segurados, fundamentadas no art. 20 da Lei 8.212/91. Conforme registram os autos, o imóvel sob exame possuí duas matrículas CEI distintas. A de número CEI 32.000.02687/60 tem por CNAE Edificações (Residencial, industrial, comercial e serviços) nº 45217 e a matricula CEI 32.000.02556/64, CNAE 45110, referiase a Demolição e Preparação de Terreno. Como já destacado na decisão de piso, a regra vigente à época do fato gerador, detalhada por meio da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, determinava em seu art. 25 que a matrícula de obra de construção civil deveria ser efetuada por projeto, devendo incluir todas as obras nele previstas. Como os projetos juntados aos autos (fls. 173/179) referemse à construção, e não à demolição, a fiscalização procedeu corretamente ao levantar o crédito previdenciário na matrícula CEI 32.000.02687/60, cujo CNAE é 45217 —Edificações (Residencial, industrial, comercial e serviços). Os documentos juntados não dão supedâneo as alegações da Recorrente de que tratarse ia de obra única, o que poderia ser provado por meio de uma ART única indicando todas as fases da obra, por meio de contrato de prestação de serviço indicando uma única empreitada ou por meio do projeto arquitetônico contando todas as fases. O que consta dos autos indica tratase de projetos diversos, portanto, não é possível acolher as alegações recursais. Com relação a alegação de a obra não estaria concluída e que, por consequência, impossibilitaria a adoção da Tabela CUB como elemento de aferição da base de calculo, eis que tratase de valor relativo ao metro quadrado construído, também não conseguimos identificar prova idônea que sustentem a tese. CONCLUSÃO Por todo exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900378/2016-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO.
As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido.
Numero da decisão: 1302-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 03 78 /2 01 6- 99 Fl. 555DF CARF MF 2 Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 0656.669,da 2ª Turma da DRJ/CTA, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da recorrente, na sessão de 19 de janeiro de 2017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃOHOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Não se aceita a quitação de estimativa de IRPJ ou CSLL compensada e não homologada em outro processo administrativo, descabendo alegar duplicidade de cobrança, já que, uma vez que o crédito relativo ao valor do saldo negativo apurado que leve em consideração aquela dedução deixa de ser líquido e certo, o que contraria a condição imposta no art. 170 do CTN. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃOHOMOLOGADAS. DESCABIMENTO DO PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. Por falta de previsão legal, não cabe pedir sobrestamento do processo até julgamento de litígio em que se discute a não homologação de estimativas, devendo prevalecer a situação atual daquele processo. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃOHOMOLOGADAS. EXISTÊNCIA DE EXECUÇÃO FISCAL DOS DÉBITOS DAS ESTIMATIVAS. Aceitase a quitação de estimativa de IRPJ ou CSLL compensada e não homologada em outro processo administrativo, quando há execução fiscal em curso cobrando os débitos daquela estimativa. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do período de 01/07/2009 a 31/12/2009, no valor de R$ 16.367.972,55. Após análise, a DEMAC/RJ reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 92.513,57. De acordo com decisão, parte das parcelas que compõem o crédito não foram confirmadas, conforme quadro a seguir: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 556 3 De acordo com a DIPJ/2010, foi apurada base de cálculo negativa de CSLL, motivo pelo qual a parcela confirmada das retenções na fonte foi reconhecido como saldo negativo de CSLL pela DEMAC/RJ, no valor de R$ 92.513,57. As parcelas que não foram confirmadas são relativas às estimativas cujas compensações não foram confirmadas, pelos seguintes motivos: A decisão recorrida reconheceu o direito creditório relativo à estimativa do mês de dezembro/2009, no valor total de R$ 11.890.942,61, pois as duas parcelas estariam sendo exigidas em processo de execução fiscal, forma mais coercitiva de exigência do débito, de modo que não contraria a condição da liquidez e certeza do crédito para fins de compensação. Já a estimativa do mês de setembro, no valor de R$ 4.383.516,37, é tratada no processo administrativo nº 16682.720390/201298, cuja manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Como conseqüência da situação de estimativa não quitada, o crédito relativo a esse valor deixa de ser líquido e certo, o que contraria a condição imposta no artigo 170 do CTN. A ciência da decisão ocorreu em 06/02/2017, conforme atesta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 520. O recurso voluntário foi apresentado em 24/02/2017, fls. 523/551, com as seguintes alegações: quanto à estimativa do mês de setembro/2009, o entendimento da decisão recorrida é equivocado, pois foi declarado por meio de DCOMP, que detém natureza de confissão de dívida, devendo ser adimplida de todo modo pela recorrente, ainda que venha a ser definitivamente não homologada no futuro. fato incontroverso é que a correspondente estimativa deverá fazer parte do saldo negativo, pois: Fl. 557DF CARF MF 4 a) a compensação extingue o crédito tributário, equivalendo a pagamento para fins de composição de saldo negativo; o deslinde da análise acerca da compensação é irrelevante, e somente poderá que questionada nos autos do processo 16682.720390/201298. b) em caso de não homologação, há a possibilidade do contencioso administrativo, de modo que todos os efeitos ficam suspensos até que sobrevenha decisão final na esfera administrativa. c) caso a compensação seja definitivamente julgada não homologada, a Fazenda exigirá o débito, de modo que será adimplido, ou a cobrança poderá ser considerada indevida pelo judiciário por considerar que a compensação deveria ter sido homologada; em qualquer das hipóteses, os débitos de estimativa objeto de compensação devem ser considerados na formação do saldo negativo; d) por fim, o entendimento do Fisco acarreta dupla cobrança do mesmo débito, uma vez que de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de CSLL não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. quando se está a tratar de saldo negativo cuja composição se dá por estimativas compensadas, a liquidez e certeza é atestada com a mera confissão de dívida da estimativa em DCOMP ou DCTF, sendo a homologação da compensação irrelevante para se atestar a higidez do direito creditório; os Pareceres da PGFN querem dizer é que não cabe ao fisco exigir o recolhimento da estimativa, ainda que compensada, antes do ajuste anual do IRPJ (quando resta constituído o IR do período), contudo, tendo sido concluído o ajuste, com o recolhimento do tributo devido ou apuração de saldo negativo, nada impede que a RFB ou PGFN, sendo o caso, sigam com a cobrança da estimativa, devidamente já convalidada em tributo. esse entendimento está em linha com a Nota Cosit nº 31/2013 e Solução de Consulta Interna COSIT nº 18, de 13 de outubro de 2006; a jurisprudência do CARF é uníssona a considerar que as estimativas pagas ou parceladas, ainda que tardiamente, estão aptas a compor o saldo negativo; a DRJ defende a tese de que as estimativas não podem ser exigidas, o que não reflete a realidade, já que as parcelas das estimativas do mês de dezembro/2009, cujas compensações foram indeferidas, estão sendo cobradas em sede de execução fiscal, fato que ensejou o reconhecimento do direito creditório. caso superadas as razões até expostas, é necessário o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até que seja proferida decisão final nos autos do processo administrativo nº 16682.720.390/201298, uma vez que a glosa do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2009 teve como fundamento a suposta ausência de quitação dessa estimativa por meio da compensação anteriormente formalizada. É o relatório. Voto Vencido Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 557 5 Conselheira Maria Lucia Miceli O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Tratase de Declaração de Compensação utilizando crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 2009, no valor de R$ 16.367.972,55. Já foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 11.983.456,18. A parcela do crédito cujo direito não foi reconhecido é relativa a estimativa do mês de setembro de 2009, no valor de R$ 4.384.516,37, cuja compensação não foi homologada em sede do processo administrativo nº 16682.720390/201298. Pedido de sobrestamento do julgamento A legislação que rege o pedido de restituição é o artigo 170 do CTN que determina que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes dois requisitos: a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Nestes termos, entendo que o reconhecimento do direito creditório está condicionado à comprovação da quitação da estimativa do mês de setembro/2009, que depende, neste momento processual, da decisão definitiva na esfera administrativa quanto à homologação ou não da compensação, no âmbito do processo administrativo nº 16682.720390/201298. Logo, para que a análise da presente lide não traga qualquer prejuízo tanto para a Fazenda quanto para a recorrente, voto no sentido de sobrestar o presente julgamento até que ocorra a decisão definitiva, por parte deste CARF, do processo administrativo nº 16682.720390/201298. Entretanto, caso vencida nesta prejudicial, passo a análise do mérito. Do mérito Estimativas cuja compensação não foi homologada ou homologada parcialmente Passo a análise da parcela referente à estimativa do mês de setembro/2009, cuja compensação não foi homologada, dando origem a uma glosa na composição do saldo negativo de R$ 4.384.516,37. A recorrente alega que toda estimativa compensada foi declarada por meio de DCOMP, equivalendo a pagamento para fins de composição de saldo negativo, e que o deslinde da questão acerca da compensação é irrelevante, pois esta é matéria a ser tratada no outro processo administrativo que trata da DCOMP em questão. Entendo que não assiste razão à recorrente quando afirma que estimativa compensada equivale a pagamento, uma vez que a legislação prevê uma condição resolutória nesta modalidade de extinção de débito. O §2º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 determina que a Declaração de Compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação. Ou seja, a estimativa será considerada extinta por compensação até que haja manifestação da Administração Fazendária, que pode ocorrer tacitamente. Mas, uma vez decidido que a compensação não foi homologada, a estimativa encontrase inadimplida. Por ser uma condição resolutória, os efeitos são ex tunc, de modo que a estimativa é considerada Fl. 559DF CARF MF 6 inadimplida desde a data de seu vencimento, que pode ser anterior ou coincidente com a data da apresentação da declaração de sua compensação. Nestes termos, esta estimativa, cuja compensação não foi homologada, não pode fazer parte da composição do crédito do saldo negativo da CSLL. Quanto à alegação de que a compensação da estimativa é matéria a ser tratada em outro processo, esta também não merece prosperar. Como a própria recorrente afirmou, o objeto de análise deste processo é compensação de débitos utilizando crédito no valor de R$ 16.367.972,55. Tratase de um encontro de contas entre titulares (Fazenda Pública e contribuinte) recíprocos de débitos e créditos, simultaneamente, de modo que as respectivas obrigações extinguemse até o limite da equivalência destes valores. Neste sentido, é obrigação da Administração apurar, corretamente, o crédito que a recorrente alega possuir, que passa obrigatoriamente, no caso de crédito de saldo negativo de IRPJ/CSLL, da verificação da quitação das estimativas. Logo, se a compensação da estimativa não foi homologada, este valor não foi quitado, e não poderá compor o crédito do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010. Naqueles processos, que tratam das Declarações de Compensação das estimativas em comento, será analisado o encontro de contas entre o crédito ali tratado e os débitos que se pretende compensar. É lógico que existe uma prejudicialidade, já que a decisão proferida naqueles processos reflete na análise deste, mas é questão já ultrapassada. O fato é que a apresentação da Declaração da Compensação para quitar uma estimativa não impede que a Administração faça a análise necessária para apuração do crédito do saldo negativo, objeto do presente pleito. Ademais, é preciso ter em mente que, para seja reconhecido o direito creditório, o artigo 170 do CTN determina que deverão estar presentes dois requisitos: a certeza e liquidez do crédito. A Administração deve aferir a existência do crédito, bem como qual o valor que será utilizado no encontro de contas. Se a estimativa não está quitada, a certeza é afastada de imediato, motivo pelo qual é correta a sua glosa. Outra linha de defesa da recorrente seria que as estimativas seriam adimplidas, independente da decisão administrativa quanto à homologação da compensação. Afirma que a certeza e liquidez é atestada pela confissão de dívida da DCOMP e DCTF. Alega que os Pareceres da PGFN garantem a cobrança das estimativas de IRPJ/CSLL, após ocorrido o ajuste anual do IRPJ/CSLL. Esse entendimento estaria de acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e a Nota Cosit nº 31/2013. Ademais, este vem sendo o entendimento do CARF. Passo a julgar. Inicio esclarecendo que a Administração não adotou a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, tanto que o presente litígio foi instaurado em função da glosa das parcelas cujas estimativas tiveram a compensação não homologada, ou parcialmente homologada. Ademais, cumpre observar a citada Solução de Consulta Interna não tem efeito vinculante, pois foi editada antes da Instrução Normativa nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, cujo artigo 9º determina que devem ser observadas as orientações emanadas pelas soluções de consulta e divergência, no âmbito da RFB. O mesmo vale para a Nota Cosit nº 31/2013, que trata de consulta formulada para a PGFN, não revelando, nestes termos, qualquer entendimento oficial da Receita Federal. Além disso, da leitura da Nota Cosit nº 31/2013, concluise que a Solução de Consulta Interna nº 18/2006 teve seu entendimento suplantado pelo Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, ratificado pelo Parecer PGFN/CAT nº 193, de 2013, cuja ementa é a que segue: Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 558 7 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. Por certo que houve novo questionamento por parte da Receita Federal, por meio da já citada Nota Técnica COSIT nº 31, de 2013, pois os mencionados Pareceres não teriam considerado que as estimativas, cuja compensação não tivesse sido homologada, teriam sido computadas no ajuste anual do tributo, momento em que a referida estimativa assumiria a natureza de imposto de renda ou de contribuição social sobre o lucro líquido. Confira o item 9 da Nota Técnica COSIT: 9. Considerando que as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, ratificadas pelo Parecer PGFN/CAT nº 193, de 2013, têm grandes implicações nos procedimentos de cobrança e análises de compensação e restituição de IRPJ e CSLL, esta Cosit reuniuse com a PGFN, quando se firmou compromisso de nova consulta ser elaborada com maiores esclarecimentos sobre o “débito de estimativa cuja compensação não tenha sido homologada”, no sentido de verificar se, após o ajuste anual, referida estimativa assume a natureza de imposto de renda ou de contribuição social sobre o lucro líquido.(grifei) A preocupação da Administração, dentre outras, seria no sentido de que, caso não fossem cobradas as estimativas que reduziram, ou quitaram o tributo devido, poderia ocorrer a impossibilidade de cobrança do crédito tributário (IRPJ/CSLL) devido no final do período. Em resposta, veio o Parecer PGFN nº 88, de 2014, que, segundo a recorrente, respaldaria sua alegação de que as estimativas seriam objeto de cobrança, após ocorrido o ajuste anual do IRPJ/CSLL, mas já convalidada em tributo. Ocorre que, da leitura deste parecer, e da Nota Cosit nº 31/2013, esta conselheira não chega a mesma conclusão, pois entende que, após o encerramento do ano calendário, seria objeto de cobrança apenas o montante das estimativas suficientes para quitar o tributo devido apurado no ajuste. Somente nestas condições é que ocorreria a substituição da estimativa pelo imposto de renda ou pela contribuição social sobre o lucro líquido. Transcrevo os mesmos itens da Nota Cosit nº 31/2013 que a recorrente citou: 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado na DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3. Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado como extinto por meio Fl. 561DF CARF MF 8 de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. O item acima expressamente se refere ao compor o imposto de renda apurado e devido. Só se pode falar em crédito tributário definitivamente constituído os valores apurados e devidos de IRPJ e CSLL no final do período, quando então se faz o confronto com todos os recolhimentos a título de antecipação deste tributo (as estimativas de IRPJ/CSLL e os valores retidos pelas fontes pagadores). Logo, só seriam objeto de cobrança as estimativas até o valor limite ao montante utilizado para quitação do crédito tributário constituído, pois teria ocorrido o que a recorrente e a Procuradoria chama de substituição. Neste sentido, assim se manifesta o Parecer PGFN nº 88/2014: 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. (grifei) Esta conselheira entende que as estimativas que compõem o saldo negativo do IRPJ/CSLL, por terem natureza de indébito (valores a restituir ao contribuinte), não podem ser substituídas pelo crédito tributário constituído apurado no final do período. Os valores possuem natureza distinta, não havendo que se falar em substituição da parcela das estimativas que excederam ao tributo devido pelo próprio tributo excedido. O primeiro é valor a restituir enquanto que o segundo é valor a cobrar. Cumpre registrar que o Parecer PGFN nº 88/2014 consignou claramente que os Pareceres anteriores continuam válidos, conforme se depreende do trecho a seguir: 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.° 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.° 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. Concluo, portanto, que a tese de que as estimativas não compensadas serão cobradas em dívida ativa não prospera. E, ainda que fosse adotada a tese da recorrente, é preciso registrar que toda a defesa passa ao largo da discussão necessária para o reconhecimento do direito creditório: os requisitos de certeza e liquidez do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN. Registro que estes requisitos devem ser aferidos na data da apresentação da Declaração de Compensação, por se tratar, como já dito, de um encontro de contas entre titulares (Fazenda Pública e contribuinte) recíprocos de débitos e créditos, simultaneamente. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 559 9 Assim, partindo da premissa de que toda estimativa não compensada será cobrada como, de fato, ocorreu com a estimativa do mês de dezembro/2009 passo a analisar as demais alegações. A recorrente afirma que toda estimativa será adimplida seja qual for o resultado do julgamento administrativo quanto à compensação, já que:(1) será homologada ou (2) será cobrada, com inscrição em dívida ativa. Não concordo com esta afirmação. A certeza de que a estimativa estaria quitada ocorre apenas se a compensação fosse homologada. Do contrário, a estimativa será objeto de cobrança por meio de inscrição em dívida ativa, fato que não confere ao crédito as qualidades de certeza e liquidez exigidas pelo artigo 170 do CTN. Como dito anteriormente, reconhecimento do direito creditório de saldo negativo depende da comprovação da efetiva quitação da estimativa. Ora, a certeza da cobrança da estimativa não é garantia de seu pagamento. Não há como conferir certeza e liquidez a um crédito sob o fundamento de que as estimativas serão cobradas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Reconhecer o direito creditório nestas condições seria o mesmo que restituir algo que não foi pago. Se não foi pago, não há que se falar em indébito tributário a favor do contribuinte. Repito que a compensação pressupõe um encontro de contas, onde deve haver fungibilidade entre os valores do crédito e do débito. Nestes termos, caso homologada a compensação, não seria em função de reconhecimento de direito creditório (por ser inexistente), mas sim um empréstimo a ser pago no futuro. Friso que do ponto de vista processual, não há provas nos autos de que a recorrente possui direito ao crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010. A certeza e liquidez do crédito não restaram demonstradas, lembrando que é ônus daquele que pleiteia, nos por força do artigo 373 do CPC ( Lei nº 13.105/2015). Uma decisão favorável neste julgamento se valeria de uma prova que seria eventualmente constituída no futuro, ou seja, quando, e se, da quitação da estimativa cuja compensação não foi homologada. Repito: cobrança não é garantia de quitação do débito. Ainda do ponto de vista processual, o reconhecimento do direito creditório baseado na possibilidade de um futuro pagamento da estimativa representaria uma inovação na causa de pedir. Isto porque o contribuinte informou na DCOMP que seu crédito de saldo negativo, existente na data da transmissão da DCOMP, seria formado por estimativas quitadas por compensação em outros processos administrativos. Se, ao final, as estimativas forem cobradas, significa que houve decisão definitiva administrativa da não homologação da compensação nos citados processos. A despeito desta decisão definitiva de que as estimativas não estão extintas por compensação, um eventual reconhecimento de direito creditório, baseado em pagamento futuro em sede de cobrança, seja pela RFB ou PGFN, estará totalmente dissociado da causa de pedir original. Vale reprisar que a compensação é um encontro de contas entre crédito e débito, e que devem ser contemporâneos. O instituto da compensação não tem cabimento quando o crédito é constituído em data posterior (data do pagamento da estimativa quando inscrita em dívida ativa da União) à data da compensação do débito. Esta questão foi analisada em situação semelhante, em sede de Recurso Especial do contribuinte, no qual era contestada a glosa das estimativas cujas compensações não foram homologadas. O contribuinte teria desistido do contencioso administrativo para aderir ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, com a inclusão destas estimativas não quitadas. Naquele recurso, o contribuinte alegava que deveriam ser consideradas as parcelas já pagas na Fl. 563DF CARF MF 10 formação do saldo negativo. No entanto, foi negado provimento, por voto de qualidade, ao Recurso Especial, por meio do Acórdão 9101003.708, da lavra o i. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, na sessão de 09 de agosto de 2018, no qual se manifestou o entendimento de o contribuinte poderia pedir restituição à medida em que os recolhimentos fossem ocorrendo. Abaixo, transcrevo os principais trechos do citado Acórdão, bem como a sua ementa: A outra divergência a ser examinada diz respeito à formação de saldo negativo a partir de estimativas que foram quitadas por compensação em outro Per/Dcomp, nos casos em que não houve homologação dessa compensação, levandose ainda em conta que essas estimativas estariam sendo (ou teriam sido) quitadas posteriormente em processo de parcelamento. Essa questão não é muito simples. (...) Mas por outro lado, também é importante lembrar que para um contribuinte postular restituição ou compensação de tributo, é necessário, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN, que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. Sabese muito bem que a compensação, na forma em que vem sendo realizada desde a Lei 10.637/2002, implica em um aproveitamento imediato do reivindicado indébito, sob condição resolutória. Sendo assim, o acolhimento do pleito da contribuinte implicaria em admitir a possibilidade de restituição/compensação de algo que ainda nem mesmo foi pago, o que afronta não só o sistema jurídico, mas a própria lógica das coisas, porque só se restitui (devolve) o que foi anteriormente dado (pago). Não há como admitir essa ideia, de a contribuinte primeiro receber a restituição, para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição.(grifei) No caso, ainda haveria um agravante, porque a restituição/compensação do saldo negativo seria pelo seu valor cheio, com todos os acréscimos legais, enquanto que o pagamento parcelado das estimativas se daria com benefícios de anistia, previstos na Lei n° 11.941/2009 (inclusive com redução dos juros de mora). Mas mesmo que não houvesse essa questão, mesmo que o pagamento futuro da estimativa (seja pela via da execução do Per/Dcomp que contém o débito de estimativa, seja pela via de um parcelamento normal) se desse com todos os acréscimos, ainda remanesceria um problema. É que o momento para o encontro de contas continuaria sendo a data de envio do Per/Dcomp, e nós estaríamos autorizando a restituição/compensação de crédito que ainda não existia naquela data. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 560 11 Não há dúvida de que as estimativas pagas posteriormente devem repercutir no ajuste anual. Seria contraditório, por exemplo, exigir da contribuinte a quitação das estimativas (via execução de Per/Dcomp ou parcelamento) e também exigir o tributo no ajuste em razão da ausência destas mesmas estimativas. O fato é que o pagamento das estimativas, mesmo extemporâneo, supre o imposto no ajuste, ao mesmo tempo em que afasta o fundamento para a sua cobrança (cobrança do tributo no ajuste). Mas a restituição/compensação dessas estimativas na forma de saldo negativo implica em questões adicionais, porque elas somente se tornam aptas a embasar restituição ou compensação na medida que forem pagas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Por isso, o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai se formando pelo pagamento das estimativas parceladas. Neste processo, só se poderia admitir a compensação do saldo negativo formado (existente) até a data do envio do Per/Dcomp objeto destes autos, ou seja do saldo negativo formado pelas estimativas pagas até aquela data. Ocorre que o Per/Dcomp foi apresentado em 11/01/2005, e o alegado parcelamento para quitação das estimativas foi feito muito depois disso, porque pautouse pela Lei n° 11.941/2009. A alegadas quitações de estimativas no processo de parcelamento, portanto, não dão base para utilização do alegado saldo negativo em 11/01/2005 (data do encontro de contas). Abaixo, a ementa deste Acórdão abordando essa matéria: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS PAGAS DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL. Para que um contribuinte postule restituição ou compensação de tributo, é necessário que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. A restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas só é admissível na medida em que essas estimativas estejam quitadas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando elas passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Se a contribuinte realiza pagamento de estimativa depois do encerramento do período de apuração anual (por execução de Fl. 565DF CARF MF 12 Per/Dcomp com débito de estimativa que não foi homologado, ou por processo de parcelamento), o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai sendo formado pelos referidos pagamentos de estimativas. Não há como admitir a ideia de a contribuinte primeiro receber a restituição (ainda que na forma de compensação), para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição. (Acórdão nº 9101003.708, da sessão de 09 de agosto de 2018, da lavra do i. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) A recorrente ainda alega que ocorreria duplicidade na cobrança do mesmo débito: (a) mediante a redução do saldo negativo e (b) pela via de execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada). Esta alegação também não prospera, pois são débitos distintos, não havendo que se falar em duplicidade. Se não houve quitação da estimativa por compensação, deve ocorrer a redução do crédito do saldo negativo (ou o não reconhecimento do direito creditório), com a conseqüente cobrança do débito cuja compensação, por ventura, não for homologada. É o resultado final de um processo administrativo que tratou de uma declaração de compensação, cujo direito ao crédito de saldo negativo não foi reconhecido, ou reconhecido parcialmente. No entanto, a cobrança destes débitos não se confunde com a cobrança daquela estimativa que originou a redução do crédito do saldo negativo. São fatos geradores distintos, cobranças distintas. E, caso esta estimativa venha a ser paga no futuro, como consignado na ementa supra, o procedimento correto é que o contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo for sendo formado. Por todo acima exposto, considerando que não restou comprovada a certeza e liquidez da parcela glosada do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2009, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Coube a mim a difícil tarefa de apresentar contraposição às sempre muito bem fundamentadas razões da ilustre colega e relatora. É que minha conhecida posição é a de considerar que a estimativa compensada deve integrar o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, pelos motivos que já externei em vários votos e que reproduzo abaixo: No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 561 13 das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2009 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser Fl. 567DF CARF MF 14 alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720720/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
O procedimento de fiscalização ocorreu de forma regular, ausentes quaisquer das causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado do lançamento e teve oportunidade, na impugnação, de manifestar sua irresignação e apresentar provas corroborando sua tese.
DEDUÇÃO DE DESPESAS EM LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as despesas escrituradas em livro-caixa que pretende deduzir.
A mera alegação de que sua profissão envolve despesas essenciais, desacompanhada de quaisquer documentos comprobatórios, é insuficiente para afastar a glosa.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INAPLICABILIDADE.
O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de ofício, que possui previsão legal (art. 44, I, Lei nº 9.430/96).
Outrossim, as multas tributárias são ontológica e teologicamente distintas dos tributos, motivo pelo qual não se estende à elas a vedação do art. 150, IV, da CR/88.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A Taxa SELIC é aplicável à correção de créditos de natureza tributária, conforme previsão da Súmula nº 4 do CARF.
Numero da decisão: 2202-004.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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INOCORRÊNCIA O procedimento de fiscalização ocorreu de forma regular, ausentes quaisquer das causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado do lançamento e teve oportunidade, na impugnação, de manifestar sua irresignação e apresentar provas corroborando sua tese. DEDUÇÃO DE DESPESAS EM LIVROCAIXA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as despesas escrituradas em livrocaixa que pretende deduzir. A mera alegação de que sua profissão envolve despesas essenciais, desacompanhada de quaisquer documentos comprobatórios, é insuficiente para afastar a glosa. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INAPLICABILIDADE. O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de ofício, que possui previsão legal (art. 44, I, Lei nº 9.430/96). Outrossim, as multas tributárias são ontológica e teologicamente distintas dos tributos, motivo pelo qual não se estende à elas a vedação do art. 150, IV, da CR/88. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A Taxa SELIC é aplicável à correção de créditos de natureza tributária, conforme previsão da Súmula nº 4 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 07 20 /2 01 2- 64 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 123 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VAGNER APARECIDO ALBERTO contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança tributária por dedução indevida de despesas de livrocaixa no montante de R$ 154.655,00 (cento e cinquenta e quatro mil, seiscentos e cinquenta e cinco reais), “em razão de o contribuinte ter declarado despesas escrituradas em LivroCaixa em valor superior ao total de rendimentos declarados que permitem essa dedução” (f. 18). Transcrevo tãosomente a ementa do pormenorizado acórdão (fls. 74/89), porquanto suficiente para a compreensão da controvérsia: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Por expressa disposição do Decreto nº 70.235, de 1972, na impugnação do lançamento o contribuinte deve apresentar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 124 3 O procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, eis que existentes na notificação de lançamento, bem assim no Termo Circunstanciado e no Despacho Decisório todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exercesse o direito do contraditório e da ampla defesa. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação e/ou na manifestação de inconformidade, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a ciência dos atos processuais se dá na forma estabelecida no Decreto n.º 70.235/72, devendo, no caso de utilizada a via postal, ocorrer no domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O profissional autônomo somente pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente escrituradas e comprovadas com documentos hábeis e idôneos, preenchidos com as informações legalmente exigidas, de forma a configurar o direito à dedução pretendida. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO A aplicação da multa de ofício de 75% decorre de expressa previsão legal, sendo obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício. A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (sublinhas deste voto). Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 09/03/2016, recurso voluntário (fls. 94/114), cujas razões podem ser assim sumarizadas: preliminarmente, afirmou Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 125 4 que não foram apresentados os reais motivos do indeferimento da glosa, além de que não teria lhe sido dada a oportunidade de apresentar os documentos comprobatórios de suas deduções, em desrespeito ao art. 841, II, do RIR/99. No mérito, o recorrente sustenta que é profissional liberal (advogado) e aufere rendimentos pelo trabalho não assalariado, o que lhe confere a prerrogativa de realizar deduções de despesas (material de escritório, funcionários, aluguel, etc.) escrituradas em livrocaixa. Subsidiariamente, pleiteou i) a redução da multa para “(...) 2% (dois por cento) do valor principal possivelmente devido” (f. 108) e ii) não aplicação da SELIC para a correção da dívida tributária. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. PRELIMINARES: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO CERCEAMENTO DE DEFESA Conforme relatado, o recorrente pleiteia a nulidade do lançamento, ao argumento de que não lhe fora facultada a prestação de esclarecimento prévio. A DRJ/SP acertadamente esclarece que tal pedido é uma faculdade do Fisco, utilizado apenas quando a autoridade lançadora entende necessário o oferecimento de esclarecimentos adicionais. É plenamente possível, portanto, que seja dispensado, procedendose diretamente ao lançamento, tal qual ocorreu no caso em questão. Não vislumbro, portanto, qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que, quando da apresentação da impugnação, o recorrente teve a oportunidade de manifestar sua discordância quanto ao lançamento e apresentar provas para sustentar sua tese. Ademais, ao contrário do alegado pelo recorrente, às f. 18, há descrição dos fatos e enquadramento legal, o que demonstra que ele dispunha de todas as informações necessárias para elaboração de sua impugnação. Falhou, portanto, em demonstrar que o lançamento foi feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenha ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma. Apenas a título exemplificativo, colaciono a ementa de alguns julgados que apreciaram questão análoga a que ora se analisa: INTIMAÇÃO PRÉVIA À CONCLUSÃO DO LANÇAMENTO. CONTRADITÓRIO. É na impugnação que se inicia a fase contraditória do processo administrativo fiscal, ocasião em que é dada ao impugnante a oportunidade de apresentar argumentos e documentos para contestar o lançamento (Acórdão nº 2301005.694 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 4 de outubro de 2018; sublinhas deste voto). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 126 5 NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, devese afastar o pedido de nulidade formulado pela parte (Acórdão nº 2301005.684 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária,Sessão de 3 de outubro de 2018; sublinhas deste voto). NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972,não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado pela Constituição Federal deve ser exercido depois de formalizada a exigência do crédito tributário por meio do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, que se caracteriza, fundamentalmente, por ser inquisitorial, investigativa, em que inexiste, ainda, um processo de constituição e exigência do crédito tributário pelo lançamento (Acórdão nº 2402006.214 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 5 de junho de 2018; sublinhas deste voto). Rejeito, pois, as preliminares suscitadas. MÉRITO I – Da (não) comprovação da origem das despesas deduzidas De forma genérica e lacônica, o recorrente limitase a informar que é advogado, profissão cujo exercício envolve despesas indispensáveis, sem carrear quaisquer provas que escorem o que se alega. Despiciendo rememorar que cabe ao sujeito passivo não só alegar – mas, necessária e suficientemente, provar – todos os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do lançamento. O art. 6º da Lei 8.134/90 prevê que poderão ser deduzidos da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 127 6 III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de caixeirosviajantes, quando correrem por conta destes; a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (sublinhas deste voto). Em sentido idêntico, o art. 66 do Decreto nº 9.580/2018 determina que “[a]s deduções ficam sujeitas à comprovação ou à justificação, a juízo da autoridade lançadora”. E a jurisprudência deste eg. Conselho não discrepa: ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente escrituradas em Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea (Acórdão nº 2201004.529 –2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 10 de maio de 2018; sublinhas deste voto). TRABALHO NÃO ASSALARIADO. DEDUÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS EM LIVROCAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa das despesas escrituradas em livro caixa quando não comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, que estão relacionadas às atividades do contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado e correspondem às hipóteses de dedução permitidas na legislação tributária (Acórdão nº 2401005.784–4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de2 de outubro de 2018; sublinhas deste voto). Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 128 7 Com essas considerações, não acolho as razões declinadas quanto ao mérito. II – Do caráter (não) confiscatório das multas tributárias Em suas razões, o recorrente afirma que “[d]e há muito se reconhece ao Poder Judiciário ao direito de excluir ou mitigar a multa fiscal imposta pela autoridade administrativa” (f. 105). Ora, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), integrante do Ministério da Economia, é órgão que não integra a estrutura do Poder Judiciário e que tem como função precípua revisar a legalidade dos lançamentos ultimados pelos seus próprios fiscais. A mitigação da sanção cominada, sob o argumento da vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco, esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho. De toda sorte, apesar de ser cônscia de que o exc. Supremo Tribunal Federal estendeu a vedação prevista no inc. IV do art. 150 da CR/88 às multas de natureza tributária, registro que multas e tributos são ontológica e teologicamente distintos. Isto porque, em primeiro lugar, a multa é sempre uma sanção de ato ilícito, ao passo que tributo jamais poderá sêlo; em segundo lugar, os tributos são a fonte precípua – e imprescindível – para o financiamento do aparato estatal, enquanto as multas são receitas extraordinárias, auferidas em caráter excepcional, cuja função é desestimular comportamentos tidos como indesejáveis.1 Assim, ao meu aviso, pode a multa cominada ser rotulada desarrazoada e/ou desproporcional – nunca confiscatória. Feitas essas considerações, mantenho a multa cominada. III – Da (in)aplicabilidade da Taxa SELIC Por fim, melhor sorte não assiste ao recorrente quanto à inaplicabilidade da SELIC para a correção dos créditos de natureza tributária, porquanto pacificada a questão no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira 1Cf. PEREIRA, J. E. P. A.; OLIVEIRA, L. M. M. Multas tributárias: perspectivas do controle judicial. In: MURICI, G. L.; CARDOSO, O. V.; RODRIGUES, R. S. (orgs.) Estudos de Direito Processual e Tributário em Homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: Editora D’ Plácido, 2018, p. 563580. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 129 8 Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.906218/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.893
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.906218/201274 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.893 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de setembro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO DILIGÊNCIA Recorrente DJ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Cofins, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que a não homologação da compensação decorrera da não retificação da DCTF, que contemplasse a real demonstração dos valores efetivamente devidos e recolhidos conforme planilha acostada aos autos , equívoco esse decorrente de simples erro de fato. Segundo ele, não houvera, por parte da Receita Federal, aprofundamento da análise do pedido para fins de se comprovar o direito creditório pleiteado, o que poderia ser superado com a realização de diligência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 06 21 8/ 20 12 -7 4 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos encetados na Manifestação de Inconformidade, merecendo destaque o requerimento da conversão do julgamento em diligência para que fossem analisados os documentos anexados, bem como o conceito de insumo por ele esposado. É o relatório. Voto. Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.881, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.906214/201296, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.881): 1. Admissibilidade. O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 2. As provas apresentadas. A Recorrente pleiteou o crédito objeto do presente Recurso Voluntário, contudo tal pretensão foi denegada por meio do Despacho Decisório de fls. 18, atacada por meio da Manifestação de Inconformidade de fls. 22 e, posteriormente pelo Recurso Voluntário. Analisando a referida Manifestação de Inconformidade é possível aferir que já nela o Contribuinte pugnou pela necessidade de análise da documentação contábil com o objetivo de aferir a legitimidade do crédito: "Por outro ângulo, se as informações e esclarecimentos que viessem a ser fornecidos não fossem satisfatórios para o adequado convencimento da mais absoluta legitimidade dos valores dos quais se pretende compensar, a RFB poderia, ainda, determinar o diligenciamento contábil e fiscal na empresa a fim de aferir a legitimidade do crédito do Contribuinte, situação esta que não se vislumbrou em razão da sumariedade da análise e do despacho prolatado pelo órgão." A Recorrente, quando da apresentação da já mencionada Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais, DCTF Retificadoras dentre outros documentos que razoavelmente entendeu comprovarem seu direito ao crédito pleiteado. Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, em seu limite de discricionariedade, entendeu que tais documentos eram insuficientes e que o contribuinte não havia se desincumbido do seu dever de realizar a prova do seu direito. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 4 3 Isto porque o artigo 16 do Decreto 70.235/72 estabelece que todas as provas devam ser apresentadas quando da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, na forma dos parágrafos 4º e 5º. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (destaques não constantes do original) Em Recurso Voluntário a Recorrente defendeu que a documentação era suficiente e que caso assim a referida DRJ não houvesse entendido, que deveria ter solicitado documentação que entendesse satisfatória. Também no próprio Recurso Voluntário a Recorrente requereu a juntada de documentos, bem como a conversão do julgamento em diligência, pretensão para a qual valeuse do artigo 18 do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 5 4 Este colegiado possui entendimento no sentido de que não é lícito ao Recorrente utilizarse da via do Recurso Voluntário como fase probatória, deixando para apenas nele trazer aos autos documentos que deveriam ter sido juntados quando da Manifestação de Inconformidade. Isto porque sendo o processo uma sequência concatenada de atos, a diligência em sede de Recurso Voluntário não pode se transformar em um subterfúgio para suprir eventuais inércias das partes quando à juntada de documentos na fase processual legalmente estabelecida para tanto, limitandose a um mecanismo para sanar dúvidas surgidas a partir da matéria submetida a análise, razão pela qual deve ser rejeitada no caso concreto. Contudo, este colegiado também admite que quando o contribuinte oportunamente apresenta, em sede de Manifestação de Inconformidade, os documentos que entende suficientes, mas que assim não são valorados pela DRJ, a ele é lícito trazer novos documentos em sede de Recurso Voluntário, ou mesmo pleitear por conversão do julgamento em diligência, sempre levando em consideração uma análise de "fumus boni iuris" ou, em outras palavras, da plausibilidade da alegação em relação à documentação trazida. No caso concreto, a recorrente sustenta que procedeu a recomposição da COFINS do período de apuração de agosto de 2010, dentro do período prescricional e encontrou créditos referentes a: " Bens para revenda; Bens utilizados como insumos; Serviços utilizados como insumos; Despesas de Energia Elétrica; Despesas de Aluguéis de Prédio Locados de PJ; Despesas de Aluguéis de Mercado e Frete sobre venda; Sobre bens do Ativo Mobilizado (Enc. Depreciação); Devolução de vendas sujeita a alíquota 7,60%; Crédito Presumido Relativo à Estoque de Abertura; Crédito relativo à Importação." A questão submetida à análise diz respeito ao hipotético direito de crédito daquilo que a Recorrente afirma subsumiremse ao conceito de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, independente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes (efls. 136). A Recorrente sustenta que possui direito a crédito sobre materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, bem como serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo (efls. 136). A fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, voto no sentido de converter o julgamento em Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 6 5 diligência à repartição de origem para a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar a Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) Com base nestes documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar o Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) com base nesses documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007818/2008-07
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/12/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa
perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por trata-se de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classifica-se no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo.
Numero da decisão: 3003-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/12/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por trata-se de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classifica-se no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 189 1 188 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.007818/200807 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.090 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ADUANAS Recorrente UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/12/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por tratase de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classificase no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 78 18 /2 00 8- 07 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 190 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 13.519,23, referente à cobrança de Imposto sobre a ImportaçãoII, com seus juros moratórios e multa de ofício, além da multa por classificação incorreta, de um por cento do valor aduaneiro, em virtude de utilização da classificação 2933.39.99 pela interessada, com alíquota de 0% para o II e de 0% para o IPI, quando, conforme a fiscalização, deveria ter utilizado a classificação 3808.20.29, com alíquota de 4% para o II e de 0% para o IPI. A importadora por meio da DI de n ° 03/1129537 6, registrada em 23/12/2003, submeteu a despacho pela adição 001, 5.000,000 Kg da mercadoria descrita como: "ZINC PYRITHIONE(TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO EM AGUA A 48% UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DE XAMPU e CONDICIONADOR", classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99 Outs. Compostos Heterocic1.1 Ciclo Pirina N/Condensado, tendo sido declarados, conforme visto, o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados à aliquota de 0,00%. A fiscalização entendeu correta a NCM 3808.20.29, relativa a preparações fungicidas, em face de laudo oficial que entendeu não se tratar o produto somente de zinco omadine e nem de outro composto cuja estrutura contenha ciclo piridina não condensado. A interessada impugnou o auto de infração alegando, em síntese, que: a multa de um por cento do valor aduaneiro somente pode ser aplicada em casos de dolo, fraude ou simulação, com intenção de causar prejuízo ao erário, e não quando existe dúvida sobre a classificação fiscal. atos declaratórios normativos e, mais recentemente, o ato declaratório interpretativo SRF 13/2002 deixou claro para casos similares e muito mais graves, como solicitação indevida de ex tarifário, a orientação é que não se admite a multa de 75% e outras regulamentares. as notas explicativas do Capítulo 29 dizem que ali estão as soluções aquosas dos compostos orgânicos de constituição química definida. em face da informação técnica do LAAP, onde o produto é tratado como solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio, um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado piritiona de zinco, o correto enquadramento tarifário é 2933.39.99. caso os julgadores entendam necessária nova perícia em face do conflito entre a informação técnica trazida e o laudo no qual se baseou a fiscalização requer que lhe seja expedida notificação específica para esse fim. o Auto de Infração deve ser cancelado. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 191 3 A 24ª Turma da DRJ em São Paulo proferiu decisão, acórdão nº. 1662.482, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/12/2003 Zinco Omadine e Composto com Grupamento Sulfonado. Preparação antimicrobiana (fungicida e bactericida) contendo zincobis(2 Piridinotiol1Óxido); Zinco Omadine e Composto com Grupamento Sulfonado (dispersante), na forma líquida, apresenta correta classificação fiscal 3808.20.29. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, replicando, os argumentos da impugnação que acima foram transcritos. É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Inicialmente, cumpre observar que dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 192 4 início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Compulsando os autos verifico que o Recorrente ao apresentar o Recurso Voluntário replicou as razões da impugnação, deixando, assim, de apresentar novas razões de defesa perante este Colegiado, e tendo em vista minha absoluta concordância com os fundamentos do Colegiado a quo e amparado no fundamento regimental acima reproduzido, utilizo das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão. Assim como a autoridade fiscal, com base nos laudo pericial da FUNCAMP (efls 22), relativamente a reclassificação fiscal da mercadoria realizada pela fiscalização aduaneira, que, por considerar indevida a classificação utilizada pelo contribuinte, no código NCM 2933.39.89, reposicionoua para o código NCM 3808.20.29, ao fundamento que o produto importado pela DI 03/11295376 tratase de composto químico que não se apresenta em solução aquosa, mas de uma suspensão aquosa do produto ativo piritionato de zinco, de propriedades fungicidas, na qual foi acrescentada um agente dispersante, o que, na acepção das Notas e NESH, e com base nas RGI 1ª e 6ª e também da RGC1, todas do SH Sistema Harmonizado, enquadrase como uma preparação fungicida intermediária na forma de suspensão do produto ativo; razão pela qual reproduzo o teor de seu voto, verbis: A alegação de que o ato declaratório interpretativo ADI SRF 13/2002 deixou claro para casos similares e muito mais graves, como solicitação indevida de ex tarifário, a orientação de que não se admite a multa de 75% e outras regulamentares não é detodo verdadeira. O ADI SRF 13/2002 deixou claro que não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 193 5 tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou ma fé por parte do declarante. O ADI SRF 13/2002 também revogou o ADN 10/97, que incluía a classificação tarifária errônea no rol das exclusões da multa de ofício desde que o produto estivesse corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Então, com a edição do ADI SRF 13/2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para os casos de classificação incorreta, mesmo que a mercadoria esteja corretamente descrita, com todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. Além disso, existe e foi aplicada a multa para classificação incorreta, prevista no art. 84, I da MP 2158/01, de um por cento do valor aduaneiro por classificação incorreta, independente de dolo, fraude ou simulação. Vejamos agora o mérito do litígio. Tratando o processo de classificação fiscal, de um lado a interessada defendendo a classificação 2933.39.99 e de outro o Fisco entendendo correta a classificação 3808.20.29, interessante se faz a análise dos laudos presentes ao processo, suficientes para o deslinde do presente litígio. Em face do pedido de exame laboratorial n° LAB 0023/04 Gcof, foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo n° 0543.01 de 08/03/2004, que concluiu tratarse de "Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida) na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio1 1 Óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato(dispersante)", e, em resposta aos quesitos do pedido, informou: "1. Não se trata somente de Zinco Omadine e nem de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Piridina não Condensado." "Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida), na forma de Dispersão Aquosa contendo Zinco bis (2Piridinotio1 1 óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante), uma Preparação Antimicrobiana, de uso exclusivo na indústria." "2. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bacteriana)." "3. De acordo com literatura técnica, a mercadoria com a denominação comercial TOMICIDE ZPT50 referese a um biocida utilizado em formulações de xampu e de creme rinse." "4. Segundo Literatura Técnica, a denominação ZPT refere se A Zincobis(2 – Piridinotiol 1 Óxido); (Zinco Omadine)." Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 194 6 Por outro lado, a interessada trouxe a Informação Técnica n° 264, assinada pelo engenheiro Sr. Luiz Aurélio Alonso, emitida pelo LAAP, em 06 de setembro de 2006, que concluiu tratarse o “TOMICIDE ZPT 50” de uma solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterociclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado tecnicamente como: Piritiona de Zinco. A amostra idenficada por laudo técnico oficial diverge do laudo trazido pela interessada por identificar a presença de Composto com Grupamento Sulfonato, um dispersante, efetivamente necessário para a finalidade do produto, que efetivamente consideramos como uma mistura constituída de Água, Zinco bis(2Piridinotiol1Óxido) (princípio ativo) e Composto Sulfonato. O composto Zincobis(2Piridinotiol1Óxido), que possui ação antimicrobiana (fungicida e bactericida), é empregado em formulações de cosméticos e xampus, estando disponível tanto na forma de pó, concentração de 100% em peso, pois se trata de produto sólido estável, quanto na forma de dispersão aquosa, sendo que esta última forma é recomendada para a formulação de xampus anticaspa. Assim, o produto não é um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, mas uma preparação intermediária, não estando portanto entre aqueles que são classificados conforme a Nota 1 do Capítulo 29: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;” (grifouse) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 3808 esclarecem: “Esta posição abrange um conjunto de produtos (com exceção dos que tenham características de medicamentos usados em medicina humana ou veterinária, na acepção das posições 30.03 ou 30.04), concebidos para destruir os germes patogênicos, os insetos (mosquitos, traças, doríferas, baratas, etc.), os musgos e bolores, as ervas daninhas, os roedores, as aves nocivas etc.; também se incluem na presente posição os produtos destinados a afugentar os parasitas e os que se utilizem para desinfecção de sementes. Os referidos produtos só se incluem nesta posição nos seguintes casos: 1) Quando são apresentados em embalagens (tais como recipientes metálicos, caixas de cartão) para venda a retalho como inseticidas, desinfetantes, etc., ou ainda Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 195 7 quando apresentem uma forma tal (bolas, enfiadas de bolas, tabletes, plaquetas, comprimidos e semelhantes) que não suscite quaisquer dúvidas quanto ao seu destino para venda a retalho. Estes produtos assim apresentados podem ser ou não constituídos por misturas. Os que não se apresentem misturados são, geralmente, produtos de constituição química definida do Capítulo 29, como, por exemplo, naftaleno ou 1,4 diclorobenzeno. ............................................................................................ 2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido (dispersões de D.D.T. (1,1,1tricloro2,2bis (pclorofenil) etano) em água, por exemplo), ou em misturas de outras espécies. As soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações, como, por exemplo, uma solução de extrato de piretro (com exclusão do extrato de piretro de concentraçãotipo), ou de naftenato de cobre em óleo mineral. Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. ............................................................................................ 3) Quando se apresentem como artefatos unitários ou de comprimento indeterminado, mas com suporte (de papel, matérias têxteis ou madeira, principalmente), tais como as fitas, mechas e velas sulfuradas para desinfecção de tonéis, barris, ambientes, etc., os papéis matamoscas (incluídos os simplesmente revestidos de cola, sem produto tóxico), as tiras revestidas de visco arborícola (mesmo sem produto tóxico), os papéis impregnados de ácido salicílico, para conservação de doces, os papéis ou pequenos bastonetes de madeira recobertos de lindane, que atuam por combustão. Os produtos da posição 38.08 são subdivididos como segue: ............................................................................................ II) Os fungicidas Os fungicidas (preparações à base de compostos cúpricos, por exemplo), são produtos destinados a evitar o desenvolvimento de fungos (produtos Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 196 8 anticriptogâmicos). Outros fungicidas (tais como os à base de formaldeído), destinamse a destruir os fungos já existentes.” (grifouse). Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;” (grifouse) Notase que a posição 3808 inclui os produtos, entre eles os fungicidas, que tenham característica de preparações, inclusive preparações intermediárias, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas etc., qualquer que seja a forma como se apresentem. O produto sob análise constituise em uma preparação intermediária, de uso exclusivo na indústria, na forma de dispersão aquosa de Zincobis(2Piridinotiol1 Óxido), contendo Grupamento Sulfonato, como agente dispersante, apresentando propriedades antimicrobianas (fungicida e bactericida), devendo ser considerado como compreendido na posição 3808, que engloba segundo seu texto os fungicidas que tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem, e no âmbito da referida posição deve ser enquadrado na subposição 3808.20 Portanto, o produto deve ser classificado, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 3808 e da subposição 3808.20), c/c RGC1, todas da TEC, do Mercosul, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 – alterado pela IN SRF n.º 123/98, 005/99 e 054/99), no código 3808.20.29 da mesma TEC (Decreto n° 2.376/97). Tendo havido classificação incorreta e falta de recolhimento dos tributos no prazo devido, são cabíveis as penalidades aplicadas. Por todo o exposto voto no sentido de considerar improcedente a impugnação constante do presente processo. Por fim, cabe mencionar que esse também é o entendimento da 3ª Câmara /2ª Turma Ordinária, que lavrou o acórdão nº. 3302005.790 no qual foi negado provimento ao Recurso Voluntário, por maioria dos votos, cuja matéria tratada era idêntica a matéria aqui apreciada. Dessa forma, ao que concerne à matéria sobre apreço, classificação fiscal de mercadoria importada, evidenciada a classificação errônea por parte do importador, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, para manter, nos exatos termos da decisão recorrida, o crédito tributário. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 197 9 Márcio Robson Costa Relator Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.937851/2017-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem.
Numero da decisão: 1302-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do julgamento até a decisão final dos processos que seriam prejudiciais ao reconhecimento do direito creditório pleiteado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do julgamento até a decisão final dos processos que seriam prejudiciais ao reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 78 51 /2 01 7- 51 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 206 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: Trata o presente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 125907045 (fls.146), exarado pela Derat/SP em 04/09/2017, que tinha como objeto o seguinte PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 207 3 Cientificada em 12/09/2017 (fls.147) da decisão, a interessada apresentou em 11/10/2017(fls.3) manifestação de inconformidade (fls.05/23), requerendo a reforma da decisão, alegando, em resumo e substância, que: o valor glosado pela autoridade da unidade de origem, de R$ 26.748.666,53, referente a parcelas de crédito das estimativas de IRPJ dos períodos de apuração(PA) de fevereiro a maio de 2011, foram quitadas por meio de Declarações de Compensação(DCOMP), compensações essas, no entanto, em discussão nos processos administrativos (i) n.º 12585.000.151/201001, (ii) n.º 12585.000.153/2010 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 208 4 92, (iii) n.º 10880.937.107/201242, (iv) n.º 12585.000.153/201092, (v) e (vi) n.º 10880.937.108/201297, (vii) n.º 10880.937.109/201231, e (viii) n.º 12585.000.154/20103, todos aguardando julgamento definitivo na esfera administrativa; em razão disso, teria direito a essas estimativas para compor o saldo em questão, posto que, se assim não for, estaria sendo penalizada duplamente, ou seja, pelo crédito negado e ao mesmo tempo sofrendo a cobrança das estimativas, acarretando indevido bis in idem; ainda em face da pendência de análise dos processos administrativos, solicita a apensação dos processos envolvidos; de forma subsidiária, caso se supere todos os argumentos trazidos, clama pela improcedência da cobrança das estimativas de CSLL e IRPJ de setembro de 2016 compensadas pelo PER/DCOMP 28530.99361.271016.1.3.020812, não homologado pela autoridade fiscal, em face da impossibilidade de se cobrar estimativas após o encerramento do anocalendário; os atos e termos deste processo sejam dirigidos ao seu procurador advogado em seu endereço comercial. Após análise das razões acima, a 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO, através do Acórdão n.º 1681.479, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado lastreado nos fundamentos abaixo aduzidos, litteris: O débito confessado em DCOMP, tendo em vista que se aplicam aos processos de indeferimento as mesmas regras dispostas no decreto nº 70.235, de 1972(PAF), está com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art.74, §§ 9º a 11 , da Lei nº 9.430, de 1.996, com a remissão ao inc. III do art.151 da Lei 5,172, de 1966(CTN), aliás, como já havia bem pontuado a manifestante na peça contestatória. Dessa forma, o prazo contido na intimação de ciência do despacho de indeferimento/não homologação para o pagamento do débito confessado é meramente informativo, no sentido, de que não impugnada a decisão, aí, sim, deverá ser efetuado o pagamento. Ocorrida a opção da requerente pela manifestação de inconformidade, não há que se falar em cobrança do débito e, portanto, descarto a alegada dupla penalização que a requerente invocou. Havendo, portanto, essa possibilidade legal de interposição de recurso voluntário ao Carf de eventual indeferimento do pleito, põe por terra, nesta esfera de julgamento(DRJ), a tese da requerente de duplo prejuízo. No entanto, por amor ao debate, examinemos a questão "a posteriori", sobre a possibilidade de enriquecimento ilícito do Fisco, que é em última análise o que alega a requerente quando diz que está sendo duplamente penalizada, não vislumbro o prejuízo alegado, pois se a mesma for derrotada definitivamente na esfera administrativa superior, a cobrança efetiva do débito ainda poderá ser impugnada, por revisão de ofício, a teor do próprio Parecer PGFN 88/14 citado pela requerente e da Súmula 82 do Carf, sobre o que não cabe aqui nos alongarmos mais. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 209 5 Por outro lado, mesmo considerando a posição semântica da empresa, de que, ao indeferir o crédito, estarseia fazendo uma cobrança indireta, de forma oblíqua, também não prospera tal assertiva. Em sua narrativa, a requerente tenta buscar analogia entre i) efeitos tributários de aplicação de competência de julgamento (indeferir/deferir) com ii) cobrança de débitos. Embora os dois se interrelacionem, legalmente são previstos em dispositivos legais próprios e independentes. Poderá haver o indeferimento sem a cobrança, em razão de suspensão de exigibilidade. Em suma, não há base legal para tal analogia, ficando apenas no campo semântico, e tendo em vista que o julgador está adstrito ao campo da legalidade, exorbita nossa competência fazer elucubrações semânticas onde a lei não permite. A questão central aqui, em que pese a requerente enveredar por tese de estar sofrendo dupla penalização, é verificar se o arcabouço legal de regência da matéria dá ou não, à contribuinte, o direito ao crédito das estimativas compensadas via DCOMP, mesmo não tendo sido homologadas. Nesse contexto, verificase que a requerente colacionou aos autos os entendimentos expendidos no Parecer PGFN/CAT 88/14, Solução de Consulta Interna Cosit n.º 18/06 e Súmula Carf nº 82, entre outros, invocados pela requerente na defesa de suas teses. Esclareçase, no entanto, que as Delegacias de Julgamento estão vinculadas à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), às normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei 8.112/1990), às Súmulas vinculantes do Carf e demais atos expedidos por órgão com menção expressa de vinculação, aprovados pelo Ministro da Fazenda, aos entendimentos da RFB expressos em atos normativos (art. 7º, inc,V, da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011), concluindose, portanto, que demais atos, bem como a jurisprudência, quer administrativa, quer judicial, não gozam de força vinculante. Adicionalmente, vale dizer que as Soluções de Consulta emitidas pela COSIT gozam de eficácia normativa somente aquelas emitidas a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013. Assim, os posicionamentos administrativos mencionados pela interessada não vinculam os agentes públicos da RFB. Não obstante isso, reconhecese, por óbvio, que esses entendimentos doutrinários, jurisprudenciais e aqueles contidos em atos expedidos sem força vinculantes são extremamente importantes, para erigir ou completar hermenêuticas, sem abstrairse, no entanto, da realidade contextual em que foram proferidos. Posto isso e tendo em vista que o direito aqui reclamado implicará em redução do saldo de imposto/contribuição é pertinente relembrar as regras de interpretação constantes na Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), porquanto isso determinará o tipo de interpretação a todo esse conjunto normativo sobre o assunto. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 210 6 (...) Ora, de pronto, inferimos que, existindo expressa decisão da autoridade fiscal não homologando as compensações, mesmo que pendente de recurso, não gozam os créditos pretendidos da liquidez e certeza exigidos pela legislação de regência. Não sendo homologadas as DCOMP, tais débitos não estão mais extintos sob condição resolutória, uma vez que foi implementada a condição(decisão de não homologação), passando o crédito, ao contrário do que a lei exige, a uma situação de precariedade, de instabilidade, a depender ainda de recurso administrativo favorável em instância superior. Caso a requerente seja vitoriosa em decisão definitiva, aí, sim, gozará o crédito da liquidez e certeza necessária para autorizarse a compensação. Assim sendo, nessa esfera administrativa(DRJ), há que se refutar a pretensão da interessada quanto ao direito de fruição ao crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, isto é: (i) A indevida glosa da estimativa compensada com créditos de exercícios anteriores – da CSI COSIT 18/06 encampada pelo PARECER PGFN/CAT 88/14 e seu efeito vinculante previsto na PORTARIA RFB 2.217/14 – da SÚMULA CARF n.º 82; (ii) Da necessidade de apensamento deste feito ao processo administrativo relacionado até julgamento definitivo – da prejudicialidade externa, e; (iii) Da impossibilidade de cobrança de estimativas após o encerramento do anocalendário. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. O crédito aqui discutido advém do saldo negativo da IRPJ apurado na DIPJ do anocalendário 2011, no montante de R$ 30.600.221,21, informado no PER/DCOMP demonstrativo de crédito nº 09767.70985.050814.1.6.028554 (fls.148/154). Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 211 7 O saldo credor em questão era composto pelas parcelas de imposto de renda retido na fonteIRRF e aquelas pagas a título de estimativas, não tendo sido reconhecidas pela autoridade a quo a parcela de R$ 26.748.666,53, relativa às estimativas de fevereiro a maio de 2011, o que reduziu o saldo credor para R$ 3.851.554,68. Vejamos o quadro abaixo: A decisão recorrida, menciona e transcreve excertos de Parecer da PGFN, que sinaliza que eventuais débitos de estimativas não seriam passíveis de inscrição em dívida ativa. Sem maiores delongas, destaquese de pronto que tal situação já atraiu jurisprudência consolidada dessa colenda Corte Administrativa. Resumindo, o entendimento exposto no acórdão recorrido foi no sentido de que não poderia ocorrer a compensação dos valores apontados como estimativas, enquanto não homologados. Essa não é, contudo, a melhor interpretação da legislação tributária nacional. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo que está discutindo o direito creditório de determinado valor compor o saldo negativo do IRPJ e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Neste sentido, caso o contribuinte tenha o seu recurso administrativo julgado improcedente e se torne inadimplente a posteriori, certamente ficará sujeito à competente Execução Fiscal do débito confessado e não pago. Daí a conclusão que, caso o contribuinte esteja discutindo o seu direito creditório perante o fisco (da estimativa) e não possa, seja antes, durante ou depois dessa discussão, compensar tal valor como parte integrante do seu ajuste anual de outro período de apuração, restará prejudicado em seu direito. Por outro lado, caso deixe de pagar a estimativa e também seja impedido de compensar o valor confessado como estimativa, será chamado a pagar um débito de um tributo que, ao final, fora apurado como indevido. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Interna (SCI) n. 18/2006: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 212 8 JURÍDICA IRPJ Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração da compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. 12.1 Por conseguinte, aos valores relativos às compensações não homologadas importa aplicar os procedimentos cabíveis estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, como abaixo exposto: 12.1.1 no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação da compensação, o contribuinte poderá recolher as estimativas acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais ou apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão; 12.1.2 não havendo pagamento ou manifestação de inconformidade, o débito relativo às estimativas deve ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida); 12.1.3 nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,aplicasse a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de janeiro de 2003; 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto decompensação não homologada. 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada." (grifos aditados) Conclusão Ante o exposto, julgo procedente o Recurso voluntário, homologando a compensação até o limite do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 213 9 É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 213DF CARF MF
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