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Numero do processo: 11040.001287/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para que possa ser excluída da área total do imóvel para fins de tributação pelo ITR, a área de reserva legal deve ser devidamente comprovada pelo contribuinte interessado. Sem tal comprovação, é de ser mantida a glosa efetuada através do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2102-002.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para que possa ser excluída da área total do imóvel para fins de tributação pelo ITR, a área de reserva legal deve ser devidamente comprovada pelo contribuinte interessado. Sem tal comprovação, é de ser mantida a glosa efetuada através do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 15/02/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 12 87 /2 00 3- 96 Fl. 186DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0819.14083.6RGY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratase de retorno de diligência determinada pela 1º Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da qual foi determinada a conversão do processo em diligência, pelos seguintes motivos: Dessa forma, não considero bom e prestável o laudo técnico apresentado pelo contribuinte, e reconheço a dificuldade apresentada pelo Registro de Imóveis de Camaquã —RS, na averbação das áreas de reserva legal nas respectivas matriculas. Mas como às áreas declaradas em sua DITR são idênticas as constantes do Ato Declaratório Ambiental (cópia de fls. 153), só resta ao IBAMA, atestar a existência das áreas declaradas. Assim, entendo que nesse grau de julgamento, a verdade material é imprescindível. Agora se faz necessário para a manutenção do lançamento tributário ou a declaração de sua insubsistência a produção de prova pelo IBAMA, da real existência de áreas a serem excluídas da tributação do ITR no imóvel do Recorrente. Diante do exposto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência para que seja determinado ao IBAMA a verificação do Imóvel da Recorrente, vistoriandoo para em parecer indique quais as áreas existentes de preservação permanente e de reserva legal, pondo fim a dúvida material existente no caso. A DRF em Pelotas expediu então um ofício ao Ibama (fls. 305), por meio do qual requereu que fosse realizada vistoria no imóvel, a fim de averiguar se estavam corretas as áreas declaradas pela contribuinte no ADA apresentado. Em resposta, o Ibama apresentou o documento de fls. 311/313, do qual se extrai a seguinte conclusão: SMJ, a realização de vistoria para a localização e quantifificação das áreas declaradas no ADA de 1998 não nos parece ser necessário : a área de preservação permanente está indentificada e quantificada na "Planta das Áreas de Preservação Permanente" que compõe o Laudo Técnico e de Avaliação de Imóvel Rural elaborado pelo engenheiro florestal Maxirniliano Finkler Neto, totalizando 51,38 hectares; nas matrículas apresentadas não constam averbações de reserva legais. A matrícula 29.500 apresenta averbação do ADA de 1998, o que não configura averbação de reserva legal, aliado ao fato de que foi averbada em 13 de setembro de 2005, após a entrega do ADA, não produzindo efeito legal, pois não existe retroatividade para este tipo de declaração. A averbação de reserva legal é feita por meio da averbação do termo de Reserva Legal, elaborado pelo órgão ambiental, assinado pelo representante lega do órgão, após análise documental e vistoria técnica na propriedade. Fl. 187DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0819.14083.6RGY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.001287/200396 Acórdão n.º 2102002.429 S2C1T2 Fl. 330 3 como é evidenciado nas considerações finais do Laudo Técnico, as dificuldades extremas de acesso, (também conhecemos a propriedade) e a grande extensão da área, tornariam uma tarefa muito dispendiosa e desnecessária para o lbama realizar (levantamento qualitativo e quantitativo da propriedade com o objetivo de redução de tributo fiscal) uma vez que as respostas para as questões suscitadas encontramse na análise documental apresentada. A contribuinte foi então cientificada do resultado da diligência e apresentou a manifestação de fls. 319/324, por meio da qual afirmou: que não foi cumprida a diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes, tendo em vista que não foi efetuada a vistoria do imóvel em questão; que a Divisão Técnica do Ibama não tem competência para avaliar a necessidade de averbação do ADA ou a incidência ou não do ITR; e que o objetivo da lei não era o de simplesmente conceder um benefício fiscal aos contribuintes, mas sim de preservar a natureza, razão pela qual a falta de averbação do ADA não teria o condão de alterar as características do imóvel. Trouxe jurisprudência no sentido de ser desnecessária a averbação da área de reserva legal para fins de sua exclusão do ITR. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Conforme relatado, tratase de retorno de diligência determinada em processo decorrente de lançamento de ITR, por meio do qual foi efetuada a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal declaradas pela Recorrente. Suas alegações são no sentido de que a área de preservação permanente seria de fato menor do que a declarada, mas que toda ela deveria ser assim considerada por se tratar de área de utilização limitada, e ainda que a averbação da área de reserva legal é obrigação acessória que não pode ser exigida para fins de ITR. Afirma ainda que a multa aplicada ao lançamento (75%) é confiscatória. Em diligência determinada pela 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, foi solicitado ao Ibama que procedesse a uma vistoria no imóvel da Recorrente, a fim de verificar se as áreas por ela declaradas em ADA efetivamente existiam. Fl. 188DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0819.14083.6RGY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Como resultado, porém, o Ibama deixou de fazer tal vistoria, ao entendimento de que a mesma não seria necessária, já que seria possível depreender – através da análise da documentação já constante dos autos – que a propriedade da Recorrente teria uma área de preservação permanente de 51,38 hectares, e que a reserva legal declarada por ela não havia sido objeto de averbação no Registro de Imóveis, razão pela qual não poderia ser considerada. A Recorrente, instada a se manifestar, reiterou os termos de suas manifestações anteriores. Passase a análise de seus argumentos. No que diz respeito à área de preservação permanente, o que motivou a glosa da mesma como declarada fora o fato de que, apesar de ter apresentado um ADA que demonstrava a mesma área declarada em sua DITR (200 ha.), o laudo elaborado por engenheiro trazido à fiscalização demonstrava que a área de preservação permanente existente na propriedade era de 51,4 hectares, e por isso somente esta área foi acolhida pela fiscalização. A Recorrente defende que todos os 200 hectares devem ser considerados para fins de apuração do ITR, pois apesar da área de preservação permanente ser somente aquela de 51,4 hectares, o restante da área declarada seria de utilização limitada, então deveria também ser excluída para fins de tributação por este imposto. Em resumo, não há controvérsia quanto à área de preservação permanente, que já foi acolhida desde a lavratura do Auto de Infração. A controvérsia aqui surge somente em relação à área de reserva legal, pois de acordo com a Recorrente o restante de sua propriedade (que não é área de preservação permanente) é área de reserva legal. Sobre este ponto, a decisão recorrida manteve o lançamento fundada nos seguintes argumentos: A área de preservação permanente, passível de exclusão da incidência do imposto, de acordo com o § 1°, inc. II, "a", do art. 10, da Lei n° 9.393/96, e art. 2° da Lei n° 4.771/65, apurada no laudo técnico apresentado, é apenas de 51,4 ha. 34. As áreas de utilização limitada, também passíveis de exclusão de incidência do imposto, também indicadas no § 1°, inc. II, do art. 10, da Lei n° 9.393/96 são: a) áreas de reserva legal, averbadas à margem da matrícula do imóvel, nos termos do art. 16, da Lei n° 4.771/65; b) áreas de reserva particular do patrimônio natural, averbadas à margem da matrícula do imóvel, e reconhecidas por portaria do IBAMA, conforme Decreto n° 1.922/96; e c) áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual. 35. Nas matrículas apresentadas, não há averbação de reserva legal, nem há, nos autos, prova da existência das outras áreas que a Lei n° 9.393/96 enumerou como sendo passíveis de exclusão da incidência do ITR, além da área de preservação permanente comprovada e já considerada. Como já exposto neste voto, a averbação é indispensável para a exclusão da reserva legal da incidência do imposto, e não se trata da averbação do Ato Declaratório Ambiental, mas do Termo de Preservação firmado perante o órgão de fiscalização ambiental. Fl. 189DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0819.14083.6RGY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.001287/200396 Acórdão n.º 2102002.429 S2C1T2 Fl. 331 5 36. Assim, correto o cálculo efetuado no auto de infração, e claro que a apuração do tributo, feita pela interessada, resultou em um valor inferior ao que seria efetivamente devido, com prejuízo aos cofres públicos, não lhe assistido razão quando afirma "em nenhum momento houve prejuízo econômico ao Estado". De fato, a decisão merece ser mantida. É que a única área cuja existência foi cabalmente demonstrada pela Recorrente foi a área de preservação permanente, no limite já acolhido pela fiscalização. Já em relação à área de reserva legal, o laudo trazido pela própria Recorrente sequer faz menção a ela, razão pela qual não há quaisquer documentos que atestem sua efetiva existência. Nem se alegue que o ADA seria um documento hábil para este fim, já que é um documento produzido pela própria contribuinte, sem respaldo (neste caso), em qualquer documento oficial que o sustente. Ademais, às fls. 185 dos autos a Recorrente trouxe prova da averbação, em 13.09.2005, do seguinte: (...) que I, sobre referido imóvel existe uma área de preservação permanente, correspondente a 5% do . 1 imóvel equivalente a 48,70ha e uma área de reserva legal correspondente aos 95%. restantes do imóvel ou seja 924,60ha conforme Ato Declaratório Ambiental averbado sob n°5 "v511.552, Av411.553 à 11.559 e Av1010.707 à 10.712. Como se vê, tal averbação não faz menção a nenhum Termo de Compromisso firmado com o Ibama ou com qualquer outro órgão ambiental competente para caracterizar a efetiva existência da área de reserva legal. Sem este respaldo em documento expedido por órgão ambiental competente, não há como comprovar a existência da área em comento. No mais, é importante salientar que não cabe a este Conselho produzir provas em favor da contribuinte – seja determinando a realização de vistorias em seu imóvel ou a apresentação de novos documentos. A prova deve ser produzida pelo Interessado, ou seja, a Recorrente, que quedouse inerte em fazêlo, já que não trouxe aos autos qualquer documento que demonstrasse a efetiva existência da área de reserva legal cuja exclusão pretende. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 190DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0819.14083.6RGY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Fl. 191DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0819.14083.6RGY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI em 22/03/2013 18:21:54. Documento autenticado digitalmente por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI em 22/03/2013. Documento assinado digitalmente por: RUBENS MAURICIO CARVALHO em 24/03/2013 e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI em 22/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.0819.14083.6RGY Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1E1337C9449AB28EDE85E3471E54B4AAF5EC0439 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11040.001287/2003-96. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10768.001099/2005-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002
PAF - CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte teve oportunidade de manifestação, nas fases impugnatória e recursal, conforme as regras estabelecidas no Decreto n° 70.235, de 1972.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NULIDADE - INOCORRÊNCIA.
Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos fon-nais previstos no art. 31 do Decreto n°. 70.235, de 1972.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APURAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada é forma indireta de apuração de omissão de rendimentos. Rendimentos anteriormente omitidos, oferecidos espontaneamente à tributação, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento com base em depósitos bancários
de origem não comprovada.
GANHO DE CAPITAL. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA.
Sujeitam-se à incidência do imposto, sobre ganho de capital, os rendimentos de aplicações financeira, em moeda estrangeira, feitos por pessoa física residente no Brasil.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A dedução de despesas médicas que o contribuinte sabe não ter realizado, apenas com o propósito de reduzir o montante do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude e legitima a qualificação da multa de oficio.
Numero da decisão: 2201-000.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir o item 2 da exigência fiscal, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ed ardo Tadeu Farah.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 PAF - CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte teve oportunidade de manifestação, nas fases impugnatória e recursal, conforme as regras estabelecidas no Decreto n° 70.235, de 1972. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NULIDADE - INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos fon-nais previstos no art. 31 do Decreto n°. 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APURAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada é forma indireta de apuração de omissão de rendimentos. Rendimentos anteriormente omitidos, oferecidos espontaneamente à tributação, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. GANHO DE CAPITAL. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. Sujeitam-se à incidência do imposto, sobre ganho de capital, os rendimentos de aplicações financeira, em moeda estrangeira, feitos por pessoa física residente no Brasil. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A dedução de despesas médicas que o contribuinte sabe não ter realizado, apenas com o propósito de reduzir o montante do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude e legitima a qualificação da multa de oficio.
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Não há cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte teve oportunidade de manifestação, nas fases impugnatória e recursal, conforme as regras estabelecidas no Decreto n° 70.235, de 1972. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NULIDADE - INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos fon-nais previstos no art. 31 do Decreto n°. 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APURAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada é forma indireta de apuração de omissão de rendimentos. Rendimentos anteriormente omitidos, oferecidos espontaneamente à tributação, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. GANHO DE CAPITAL. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. Sujeitam-se à incidência do imposto, sobre ganho de capital, os rendimentos de aplicações financeira, em moeda estrangeira, feitos por pessoa fisica residente no Brasil. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDONEOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A dedução de despesas médicas que o contribuinte sabe não ter realizado, apenas com o propósito de reduzir o montante do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude e legitima a qualificação da multa de oficio. Recurso parcialmente provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir o item 2 da exigência fiscal, nos temios do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ed ardo Tadeu Farah. Francisco Assis de Oliveira Júnior — Presidente # kik7 e ro Paul Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 2 1 JUN 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). • • 2 - Processo n° 10768.001099/2005-61 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.568 Fl. 2 Relatório AMAURI FRANKLIN NOGUEIRA FILHO interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 69/99. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 332.299,97, acrescido de multa de oficio de 150% (qualificada) e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 1.023.792,51. As infrações que ensejaram o lançamento e que estão detalhadamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 69/91, foram: 1) Omissão de ganhos de :capital obtidos na percepção de juros oriundos de aplicações financeiras em moeda estrangeira; (fatos geradores: 31/10/2000, 20/04/2001 e 31/10/2001) 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos-calendário de 2000 e 2001. No seu relatório fiscal a autoridade lançadora esclarece que a autuação decorreu de reabertura de procedimento fiscal relativamente a período já fiscalizado o qual, por sua vez, resultou em autuação, que gerou o processo administrativo n° 10768.102122/2003-72; que o próprio Contribuinte, na impugnação ao lançamento anterior, apresentou extratos bancários referentes a conta mantida no Discount Bank 84 Trust Company, atual L'union Bancaire Privé (UBP), a partir dos quais foram apuradas as novas infrações que ensejaram a autuação objeto deste processo. Na impugnação de fls. 394/426 o Contribuinte aduziu, em síntese, que a ação fiscal foi reaberta sem motivação, caracterizando excesso de exação e pediu que, dada a relação entre este processo e o anterior, que os mesmos fossem examinados em conjunto. Afirmou, ainda, que o ganho de capital e as variações cambiais apuradas neste processo não foram consideradas no auto de infração anterior. • Sobre a autuação objeto deste processo, disse que em 23/04/2003, antes do início de qualquer procedimento fiscal, retificou suas declarações referentes aos anos- calendário 1998 a 2001 e que os débitos apurados nestas declarações foram objeto de parcelamento PAES; que, entretanto, incorreu em erro ao indicar os períodos relativos aos vencimentos ao invés dos fatos geradores; que utilizou o código 0561 em razão da impossibilidade de utilização de outro código, tendo em vista que o programa não contemplava sua situação específica, isto é, de débito referente a ação em curso. Arguiu a decadência relativamente ao fato gerador ocorrido em fevereiro de 2000, cujo temi° inicial de contagem do prazo reger-se-ia pelo art. 150, § 4° do CTN. Afirmou que os extratos bancários que serviram de base para o lançamento não foram traduzidos para o vernáculo, comprometendo a validade do lançamento. , 3 - Sobre a omissão de ganho de capital, defendeu que o imposto incidente sobre juros auferidos em moeda estrangeira é devido desde que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário e que, no caso, os valores não estavam disponíveis, já que a conta bancária estava bloqueada. Argumentou que o fato gerador do imposto requer a disponibilidade econômica ou jurídica da renda e que, neste caso, os recursos estavam indisponíveis. Disse ainda que os fiscais procederam aos cálculos de maneira equivocada, pois não consideraram os custos da operação, que constam dos extratos. Afirmou que os rendimentos de aplicações financeiras foram declarados na declaração retificadora, mas estes valores declarados foram descartados pela fiscalização na apuração da evolução patrimonial, sendo desconsiderados como origens, e mesmo a autoridade julgadora de primeira instância, de posse dos extratos, não considerou estes valores; que os depósitos se referiam a rendimentos recebidos de pessoa jurídica os quais, com o propósito de regularizar sua situação, os ofereceu à tributação. O Contribuinte insurge-se contra a multa qualificada, aduzindo que a ação penal ainda se encontra em fase de tramitação na Justiça; que não restou caracterizado o evidente intuito de fraude e que o lançamento com base em depósitos bancários é presumido e não seria cabível a aplicação da multa qualificada no caso de infração presumida. O processo foi baixado em diligência para que a autoridade lançadora esclarecesse se os depósitos bancários relativos aos anos-calendário de 2000 e 2001, na conta 060956 ZT, teriam sido considerados na apuração do acréscimo patrimonial constante do processo n° 10768.102122/2003-72. A Fiscalização respondeu negativamente. No relatório de diligência, a Fiscalização pediu ainda que o Contribuinte apresentasse tradução juramentada dos extratos bancários. O Contribuinte foi cientificado do relatório e manifestou-se no sentido de que se a Fiscalização pede a tradução dos extratos é porque reconhece a impossibilidade de sua utilização no processo sem a tradução, mas diz que no processo n° 10768.102122/2003-72 apresentou os extratos devidamente traduzidos. Diz por fim que não compreendeu o que a Auditor quis dizer com "detalhar as operações sob o título `Particulars'". A Delegacia de Julgamento — DRJ julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, contestou a afirmação do Contribuinte de que teria havido confissão espontânea mediante apresentação de declaração retificadora e parcelamento do débito declarado no PAES. Afilinou que os fatos já eram de conhecimento público, o que afastaria a espontaneidade. Acrescentou que a revisão da declaração apresentada também pode ensejar a autuação e que, no caso, o Contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre os valores declarados e que, ao solicitar o parcelamento, em 15/07/2003, já havia sido iniciada ação fiscal e que, segundo o art. 138 do CTN, a espontaneidade pressupõe o pagamento do tributo. Sobre o lançamento com base em depósitos bancários, contestou a afirmação de que os valores declarados espontaneamente como rendimentos recebidos de pessoas jurídicas referem-se aos mesmos rendimentos depositados em suas contas bancárias; que o Contribuinte não logrou comprovar a relação entre os depósitos bancários e os rendimentos declarados. Quanto ao ganho de capital sobre os rendimentos auferidos em moeda estrangeira, a DRJ rebateu a alegação da defesa de que não haveria disponibilidade econômica 4 Processo n° 10768.001099/2005-61 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.568 Fl. 3 ou jurídica pois os recursos estavam bloqueados. Disse que o lançamento refere-se aos anos de 2000 e 2001, antes do início de qualquer procedimento investigatório. Ressalta ainda a base legal desta incidência tributária e a regularidade dos critérios de apuração utilizados pela Fiscalização. - A DRJ considerou regular ainda a qualificação da multa de oficio. Considerou, em síntese, que o fato de o Contribuinte movimentar conta bancária no exterior, sem o conhecimento da Administração Tributária, revela o intuito doloso de ocultar o seu verdadeiro patrimônio e rendimentos ao Fisco, agravada, neste caso, por reiteradas declarações falsas, o que estaria confirmado pela própria declaração retificadora, apresentada após a instauração da medida cautelar fiscal. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 29/06/2006 (fls. 498) e, em 25/10/2006, interpôs o recurso de fls. 499/533, que ora se examina e no qual afirma, inicialmente, que o auto de infração objeto deste processo tem relação direta com a autuação constante do processo n° 19768.102122/2003-72; que os processos se referem aos mesmos períodos e que as infrações apontadas num e noutro se excluem mutuamente. Argúi a decadência relativamente ao fato gerador ocorrido em fevereiro de 2000, pois a ciência do auto de infração: ocorreu em 04/03/2005. Sustenta que o prazo decadencial rege-se pelo artigo 150, § 40 do CTN. Também como preliminar o Contribuinte afirma ter havido cerceamento do direito de defesa pela utilização de provas obtidas "ao arrepio do Contribuinte", referindo-se aos extratos bancários que foram por ele próprio apresentados no processo n° 10768.102122/2003-72 e que foram utilizadas com o único propósito de incriminá-lo; argumenta que o fiscal autuante não poderia destacar de outro processo uma prova e, ainda que pudesse fazê-lo, deveria intimar previamente o contribuinte a se manifestar a respeito. O Contribuinte argúi a nulidade da decisão de primeira instância por esta não ter se manifestado sobre questões argüidas na impugnação. Menciona alegação sobre a aplicação da multa em infrações decorrentes de presunções legais, a alegação sobre a coibição da aplicação de punibilidade prevista no art. 9° da Lei n° 10.684/2003. Ainda como alegação de cerceamento do direito de defesa, diz que, em reposta à intimação para manifestar-se sobre a diligência, solicitou diversos esclarecimentos e não obteve resposta. O Contribuinte reafirma suas alegações a respeito da espontaneidade com que declarou rendimentos mediante apresenfação de declarações retificadores e posterior parcelamento no PAES. Quanto ao mérito, reitera as alegações da impugnação. Sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, reafirma a alegação de que estes de referem aos rendimentos que declarou espontaneamente como recebidos de pessoa jurídica. Explica que converteu os valores para reais e declarou como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, informando como CNPJ o número 99999999/0001-00, entendendo que o importante era oferecer os rendimentos á tributação. Argumenta que a diferença entre o valor declarado pelo Impugnante. Argumenta que a diferença entre o valor declarado e o valor apurado pela Fiscalização se deve a diferenças nas taxas de câmbio utilizadas. \/,/ 5 Relativamente à omissão de ganho de capital, reafirma o alegado na impugnação a respeito da indisponibilidade econômica e financeira dos recursos, o que descaracterizaria a ocorrência do fato gerador. Rebate o fundamento da decisão de primeira instância neste ponto, dizendo que o bloqueio de suas contas não se deu com o inicio do procedimento investigatório no Brasil e solicita a realização de diligência para dirimir a dúvida sobre este ponto. Nesse mesmo sentido, argumenta que, até o advento da Lei Complementar n° 104/2001, não havia previsão legal, de índole complementar, para deteiminar a ocorrência da disponibilidade econômica de renda ou rendimento havido no exterior. Reafirma também a alegação quanto ao erro na apuração da base de cálculo do imposto que deixou de considerar os custos inerentes às operações e cita como exemplo as comissões bancárias e apresenta planilhas em que relaciona estes custos e apura o que, segundo seus cálculos, seria o devido. Reitera manifestações contra a qualificação da multa de oficio. É o relatório. , A/ , Processo n° 10768.001099/2005-61 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.568 Fl. 4 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Inicialmente, sobre a reabertura da ação fiscal, o art. 906 do RIR199 prevê esta possibilidade, desde que autorizada pelo Superintendente, Delegado ou Inspetor da Secretaria da Receita Federal, a saber: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delgado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7', § 2", e Lei n° 3.470, de 1958, art. 34) No caso, o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF que determinou a reabertura do procedimento fiscal foi devidamente emitido pelo Superintendente Regional da Receita Federal, autorizando o procedimento. Não há, portanto, qualquer irregularidade no procedimento fiscal quanto a este aspecto. Por outro lado, o Contribuinte não especificou onde estaria o alegado excesso de exação, o que, de qualquer forma, não vislumbro neste caso. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância e o alegado cerceamento do direito de defesa, compulsando os autos não vislumbro os vícios apontados. Sobre a decisão de primeira instância, o julgador deve fundamentar suas decisões, enfrentando as questões suscitadas pela defesa, mas isso não significa ter que enfrentar cada um dos argumentos apresentados, como que o Recorrente. E sobre o alegado cerceamento do direito de defesa, não há previsão legal para que o contribuinte tenha acesso prévio — antes da autuação — a documentos e informações colhidos durante a ação fiscal. Note-se que a Fiscalização constitui a fase inquisitorial do procedimento fiscal em que não se cogita de contraditório e ampla defesa. E sobre os pedidos de esclarecimentos feitos quando da manifestação sobre o resultado da diligência, o rito do processo administrativo fiscal não contempla este tipo de procedimento. Não vislumbro, pis, vício algum que pudesse ensejar a nulidade do procedimento fiscal ou da decisão de primeira instância. Quanto à decadência, o exame da matéria resta prejudicado em face da conclusão deste voto quanto ao mérito. Vale ressaltar que a decadência é arguida apenas relativamente a fatos geradores ocorridos at fevereiro de 2000 e, no item 01 da autuação, não há fato gerador neste período. Quanto ao mérito, examino, inicialmente, o item 02 da autuação: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Aqui o cerne da questão é se os valores que serviram de base para o lançamento são os mesmos que já haviam //' sido oferecidos à tributação pelo Contribuinte quando da apresentação da declaração retificadora. À guisa de recapitulação, o Contribuinte foi anterioimente autuado (processo n° 10768.102122/2003-72) em que se apurou, entre outras infrações, omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, assumindo-se como base de cálculo valores que o próprio Contribuinte infoimara em declarações retificadoras. A autoridade administrativa considerou, naquela ocasião, que não teria havido deráncia espontânea e que, portanto, o imposto poderia e deveria ser exigido por meio de auto de infração, Com multa de oficio. Esse processo foi julgado pela antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que concluiu, de modo diverso, que a declaração retificadora, apresentada antes do início de procedimento fiscal substituía a anteriormente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio e que, portanto, o lançamento não poderia ter sido feito, devendo ser cobrado o imposto apurado na declaração retificadora. Para maior clareza, reproduzo a seguir o trecho do voto condutor do acórdão ri° 104-22946, de 22 de janeiro de 2008, que analisou a matéria: Os fatos, resumidamente e em ordem cronológica, são os seguintes: em 23/04/2003 o ora Recorrente apresentou declaração retificadora referente aos exercícios de 1999 a 2002, anos-calendário 1998 a 2001, e a declaração original referente ao exercício de 2003, ano-calendário 2002, onde informava rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (no caso das declarações retificadoras, não declarados nas declarações originalmente apresentadas, fls. 168/187); em 13/06/2003 tem início ação fiscal referente a esses e outros períodos, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização; em 28/11/2003 o Contribuinte formalizou pedido de parcelamento especial PAES (Lei n° 10.684, de 2003) (fls. -567/573); em 23/12/2003 o Contribuinte é cientificado do Auto de Infração que tem por base, relativamente à infração Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício os mesmos valores informados pelo Autuado nas referidas declarações retificadoras. Conforme resumo acima, as declarações retificadoras foram apresentadas antes do início do procedimento fiscal e, portanto, a declaração foi entregue espontaneamente. O fato de o Contribuinte estar sob investigação do Ministério Público ou respondendo processo por crime de corrupção passiva dou remessa de recursos ao exterior, como referido pela Autoridade Lançadora, não retira essa espontaneidade. Não só a legislação não prevê essa hipótese como, ainda que assim fosse, ter-se-ia que vincular a matéria objeto da investigação ou processo criminal com a matéria tributável do lançamento, o que não foi afirmado na descrição da matéria tributária. Conforme assinalado no início deste voto, o lançamento diz respeito a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica apurado com base em declarações apresentadas pelo próprio contribuinte. A retificação das declarações de IRPF é atualmente disciplinada pela Medida Provisória n' 2.189-49, de 23/08/2001, art. 18 que compreende uma nova sistemática introduzida pela Medida 8 Processo n° 10768.001099/2005-61 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.568 Fl. 5 Provisória n" 1990-27, de 13/01/2000. Eis o teor do referido art. 18: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. A Secretaria da Receita Federal, por sua vez, editou a Instrução Normativa ;V' 165, de 23/12/1999 onde ser lê no seu art. 1', verbis: Art. 12 O declarante, pessoa física, obrigado à apresentação da declaração de rendimentos prevista no art. 7 2 da Lei n2 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, de que tratam os arts. 62 e 82 da Lei n2 9.393, de 19 de dezembro de 1996, poderá retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I — terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997; II — será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Em seguida a Instrução Normativa n° 15, de 2000, no seu art. 54, confirmou esse procedimento, verbis: "Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I - tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente; II - será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega." Antes da vigência da Medida Provisória n° 1.990-27, a retificação da declaração só seria admitida mediante comprovação de erro e dependia de autorização por parte da (,/'&9 autoridade administrativa. É o que se extrai do art. 832 do RIR/99, verbis: "Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de oficio (Decreto-Lei n° 1.967, de 1982, art. 21, e Decreto-Lei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6'). Parágrafo único. A retificação da declaração prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto." Ora, a declaração retificadora, portanto, a partir da Medida Provisória n° 1.990-27, de 13/01/2000, tem natureza completamente diversa da declaração retificadora na sistemática anterior. Não só independe de autorização ou exame prévio para ser apresentada e ter eficácia, como pode ser efetivada independentemente de comprovação de erro na declaração retificada. Nas hipóteses em que admitida, o contribuinte pode retificar a declaração anterior livremente com a simples apresentação de uma nova, sendo sempre a última apresentada que valerá para todos os efeitos, inclusive para fins de revisão e conseqüente lançamento, se for o caso. Note-se, em complemento, que a Instrução Normativa SRF n° 185, de 2002 que versa sobre os procedimentos de revisão das declarações de IRPF contém os seguintes dispositivos, que reforçam as conclusões acima: "Art. 500 chefe da unidade da SRF da jurisdição do contribuinte emitirá notificação de não aceitação de declaração retificadora: 1— que tenha por objeto a troca de modelo, conforme disposto no art. 18 da Medida Provisória n° 2.189-49, de 23 de agosto de 2001; II — apresentada durante o procedimento fiscal, nos termos do art. 7 0, inciso I e § 1°, do Decreto ri° 70.235, de 6 de março de 1972 — Processo Administrativo Fiscal (RAF); III — que altere matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, nos termos do art. 145 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), com vistas a reduzi-lo." Ora, no presente caso, não se está diante de nenhuma das hipóteses acima referidas, razão pela qual, inclusive, não consta que tenha sido emitida tal notificação de não aceitação da declaração retificadora. Ora, a declaração assim apresentada constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito e, inclusive para a inscrição em Dívida Ativa da União. É o que dispõe o art. 5° da Lei n" 2.124, de 1984, que fundamenta o art. 933 do RIR/99, a seguir transcrito: „I lo Processo n° 10768.001099/2005-61 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.568 Fl. 6 "Art. 933. O Ministério de Estado da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas ao imposto (Decreto- Lei n°2.124, de 13 de junho de 1984, art. 5°). § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito (Decreto-Lei n°2.124, de 13 de junho de 1984, art. 5°, § 1'). § 2° Não pago no prazo estabelecido por este Decreto, o crédito, atualizado monetariamente, na forma da legislação pertinente (art. 874), e acrescido de multa de mora (art. 950) e de juros de mora (arts. 953 a 955), poderá ser imediatamente inscrito em Dívida Ativa da União, para efeito de cobrança executiva (Decreto-Lei n°2.124, de 13 de junho de 1984, art. 5°, § 2°)" Ora, se a declaração retificadora tem a mesma natureza da originalmente apresentada, a substitui, também, para os fins do disposto no art. 933 e seus parágrafos, acima transcrito. Logo, no caso de retificação de declaração onde se apurou imposto a pagar maior que o apurado na declaração retificada, o crédito tributário declarado e não pago deve ser objeto de cobrança e, se for o caso, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. O lançamento para formalizar a exigência desses valores é desnecessário e a multa de oficio incabível. No presente caso, como relatado, o Contribuinte solicitou parcelamento especial (PAES) relativamente aos créditos tributários apurados nas declarações apresentadas. Cumpre à Administração verificar a regularidade do parcelamento e, se for o caso, proceder à cobrança. Tudo o que se disse acima sobre a impossibilidade de lançamento para constituição de crédito tributário já apurado em declaração regularmente apresentada, relativamente às declarações retificadoras referentes aos exercícios de 1999 a 2002, aplica-se, com mais razão, à declaração referente ao exercício de 2003, que se trata de declaração original, e cujo crédito tributário apurado, inclusive, foi pago em quota única, em 31/07/2003 (fls. 577). O que se discute agora é se o valor declarado pelo Contribuinte, naquela ocasião, e que foi objeto da autuação acima referida, corresponde aos depósitos nas contas bancárias mantidas no exterior. Afin-na a autoridade lançadora que não, pois o Contribuinte não demonstrou a relação entre os depósitos e os tais rendimentos. Penso que mais uma vez a conclusão fiscal, que foi validada pela decisão de primeira instância, não merece prosperar. O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada é forma indireta de o Fisco alcançar rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, de tributar rendimentos omitidos; não se constitui, por si mesmo, hipótese de incidência tributária. Assim, a apuração de omissão de rendimento, de forma direta, afasta a possibilidade de autuação com base em depósitos bancários de origem não comprovada que, vale repetir, é a founa indireta de se apurar a omissão. ki7) Aliás, o próprio teor do art. 42, caput, da Lei n° 9.430, de 1996 não permite outra interpretação, veja-se: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) "Caracteriza-se omissão de receita ou de rendimento..." Portanto, repise-se, o que se apura por meio dos depósitos bancários de origem não comprovada é a omissão de rendimentos. Pois bem, neste caso, o Contribuinte, antecipando-se à ação do Fisco, declarou espontaneamente ter recebido rendimentos que antes omitira. E no curso do processo Fiscal n° 10768.102122/2003-72 o Contribuinte declinou expressamente que estes rendimentos referem- se aos mesmos recursos que foram depositados nas contas mantidas no exterior. Compulsando as declarações retificadoras de fls. 06/20 e comparando-as com as declarações originais, nota-se que, ao mesmo tempo em que o Contribuinte acrescentou a obtenção de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas diversas e os rendimentos de aplicações financeiras no exterior, consignou na declaração de bens a disponibilidade dos recursos no exterior. Nota-se também que, no curso da ação fiscal, o Contribuinte, em resposta a intimação, apresentou o cálculo dos valores declarados na declaração retificadora, indicando a memória dos cálculos da conversão para Real e ali fica clara a razão da discrepância verificada entre os valores declarados e o apurado pela Fiscalização (fls. 39/40). Não vejo, pois, base legal ou lógica para se assumir que os depósitos bancários na conta no exterior referem-se a rendimentos outros omitidos pelo Contribuinte, distintos daqueles oferecidos espontaneamente à tributação por meio da declaração retificadora. Penso, portanto, que deve ser afastada a exigência quanto a este item da autuação. Sobre os ganhos de capital, é incontroverso que o Contribuinte obteve os rendimentos e que não os ofereceu à tributação, fato que o próprio Recorrente não nega. Argumenta, entretanto, que, como estes recursos estariam bloqueados pela justiça, não haveria a disponibilidade econômica ou jurídica dos mesmos e, portanto, restaria descaracterizada a ocorrência do fato gerador. O argumento, entretanto, não merece ser acolhido. O eventual bloqueio dos recursos é fato superveniente à aquisição da renda. Esta se caracteriza pelo creditamento da renda. Se, em momento posterior, o bloqueio dos recursos, como neste caso, ou qualquer outro evento priva o contribuinte de desfrutar destes rendimentos, este evento não tem o condão de modificar o fato anterior. É como, a titulo de ilüstração, alguém recebesse um determinado rendimento e, ao sair do banco, fosse assaltado. Pergunta-se: a superveniente perda dos recursos descaracteriza a ocorrência do fato gerador? Evidentemente que não, pois este ocorreu quando do creditamento. Aqui, da mesma forma, o bloqueio dos recursos é fato superveniente à obtenção do ganho. Sobre o cálculo do imposto, embora o Contribuinte refira-se a valores de despesas que deveriam ser deduzidas, não aponta tais valores e, portanto, não há como acolher a alegação. Correto, portanto, o lançamento quanto a este item, inclusive quanto à multa qualificada, pois, se trata de rendimentos de aplicações mantidas em conta no exterior e não 12 - Processo n° 10768.001099/2005-61 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.568 Fl. 7 declarada, o que revela o propósito consciente de esconder do Fisco estes ganhos. Note-se que, mesmo com a posterior retificação da declaração o Contribuinte não declarou esses ganhos, o que só foi possível com o posterior exame, por parte das autoridades fiscais, dos extratos da conta bancária. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir o item 2 da exigência fiscal. .??cmikitio edro Pau o Pereira Barbosa 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS r CAMARAl2a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10768.001099/2005-61 ------ - Recurso n°: 157.067 ,,-- TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.568. ---- Brasília/DF, t i ...R3 14 2010 / , EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional _
score : 1.0
Numero do processo: 10980.921368/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.274
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, para que a Unidade Preparadora proceda à verificação dos fatos alegados no recurso, para confirmar os valores de receitas financeiras apresentados pela Recorrente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio do PER/DComp nos termos do despacho decisório emitido pela Unidade de Origem. Na aludida DComp, transmitida eletronicamente, a contribuinte indicou um crédito de correspondente a uma parte do pagamento de Cofins/PIS, supostamente recolhida a maior, para extinguir débitos de sua responsabilidade. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento indicado como indevido encontrava-se totalmente alocado ao débito de Cofins/PIS. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde alega que o crédito buscado decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Esclarece que utilizou a valor correspondente à contribuição incidente sobre as receitas financeiras para compensar débitos de sua responsabilidade. Diz que o seu direito está expresso no art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e suas alterações. Cita e transcreve jurisprudência e afirma que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 21 36 8/ 20 12 -1 2 Fl. 57DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.274 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921368/2012-12 tendo o tributo sido declarado indevido, os contribuintes têm direito à restituição ou à compensação. Ao final, requer a homologação da compensação. Por seu turno, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a Manifestação de Inconformidade. Segundo a decisão proferida, prevaleceu o entendimento de que, para fins de homologação de compensação declarada pelo contribuinte, o direito creditório decorrente de recolhimento indevido ou a maior em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade e trazendo aos autos documentos fiscais que comprovariam a existência de receitas financeiras incluídas na base de cálculo das contribuições. É o relatório. VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-001.155, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10930.904292/2012-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301-001.155). A teor do relatado, trata-se de pedido de compensação não homologado em auditoria eletrônica de PERDCOMP. Em sua defesa, a autuada alega erro no preenchimento da DCTF e que os créditos seriam oriundos de receitas financeiras que foram equivocadamente incluídas na base de cálculo da contribuição. A discussão sobre a não apresentação de provas, objeto da decisão de primeira instância é o ponto principal a ser analisado. A Recorrente, conforme consta do processo, não foi intimada em nenhum momento a apresentar esclarecimentos sobre as conclusões da auditoria eletrônica que motivaram o indeferimento parcial do pedido de compensação. Estamos diante de um procedimento, adotado pela Receita Federal, de auditoria interna, que consiste na revisão de declarações de forma eletrônica. Entendo não existir nenhum obste legal ou equivoco neste procedimento. Entretanto, quando a pessoa fiscalizada é cientificada de decisão que lhe é desfavorável tem o direito ao contraditório e que sejam analisadas as suas alegações. Caso a autoridade, responsável pela apreciação destes argumentos, entenda que as provas apresentadas não são suficientes para a convicção no julgamento, poderá determinar a busca de informação complementares, por meio direto, se lhe for possível ou por determinação de diligência nos termos previstos no Processo Administrativo Fiscal – PAF. Ressalto que a apresentação genérica de argumentos, alegando simplesmente ilegalidade no procedimento fiscal, sem apontar fatos concretos ou quaisquer provas que indiquem erro na decisão prolatada pelo Fisco, não pode prosperar, visto que, a produção de provas é obrigação de quem contesta e não da autoridade julgadora. Fl. 58DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.274 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921368/2012-12 O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso apresentado. No caso em tela, entendo que as provas constantes dos autos, trazidas no recurso voluntário apontam para a existência de receitas financeiras que podem ter sido consideradas na base de cálculo e portanto, diante da posição já consolidada que tais receitas não sofrem a incidência das contribuições do PIS e da Cofins, entendo necessária a verificação adequada da Receita Federal para confirmar os valores apresentados pela Recorrente com os documentos fiscais constantes do recurso voluntário. Diante do exposto, entendo ser necessário determinar a baixa dos autos para que a autoridade preparadora proceda à verificação dos fatos alegados no recurso, verificando se o as informações sobre as receitas financeiras estão de acordo com os registros constantes dos documentos fiscais apresentados. Concluída a diligência o relatório fiscal deverá ser cientificado à Recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias e em seguida os autos retornem a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora proceda à verificação dos fatos alegados no recurso, verificando se o as informações sobre as receitas financeiras estão de acordo com os registros constantes dos documentos fiscais apresentados. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Relator Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.720080/2008-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando caracterizado que perante situações fáticas similares os colegiados adotaram decisões diversas em relação ao mesmo arcabouço normativo.
Numero da decisão: 9202-007.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando caracterizado que perante situações fáticas similares os colegiados adotaram decisões diversas em relação ao mesmo arcabouço normativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 00 80 /2 00 8- 60 Fl. 189DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 09/12) referente ao Imposto Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 2005, do imóvel denominado Fazenda Prainha II, (NIRF 6.867.3647), localizado no município de Bonfim/RR, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 17.264,62, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 01/02, exigindose a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado nenhum documento de prova, a autoridade fiscal decidiuse alterar o VTN declarado de R$ 5.000,00 para o arbitrado de R$ 99.231,93 (R$ 50,81/ha), correspondente ao VTN/ha médio apontado no SIPT, exercício de 2005, para o município onde se situa o imóvel, com conseqüente aumento do VTN tributável, disto resultando imposto suplementar de R$ 8.103,94, conforme demonstrado às fls. 11. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 13/08/2014, o julgamento foi convertido em diligência, restando a Resolução nº 2802000.218 (fls. 95/97), com a seguinte decisão: “Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, nos termos do voto da relatora, determinar realização de diligência para que o recorrente informe quem é o signatário do recurso voluntário e comprove que o mesmo tinha, à época, poderes para interpôlo.” Concluída a diligência, os autos retornaram ao CAR para julgamento. Em sessão plenária de 19/01/2017, negouse provimento ao Recurso Voluntário prolatandose o Acórdão nº 2201003.389 (fls. 106/112), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.” O Acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão do campo de incidência do ITR, a partir do exercício de 2001, as ARL e APP devem ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental, além de, no caso da ARL, estar averbada à margem do registro do imóvel. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10245.720080/200860 Acórdão n.º 9202007.330 CSRFT2 Fl. 3 3 Não tendo sido objeto do lançamento, incabível a revisão de ofício da declaração sob o manto do litígio administrativo relativo a matéria diversa. Cientificado em 08/03/2017 do Acórdão nº 2201003.389, o Contribuinte interpôs, em 13/03/2017, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 120/126). Em seu recurso visa a rediscussão da seguinte matéria: desnecessário o Ato Declaratório Ambiental como requisito para exclusão das áreas de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 26/05/2017 (fls. 158/162) considerado o acordo nº 2202 002.509. Em seu Recurso Especial, a Recorrente diz não precisar provar que a área é de preservação permanente, pois goza de presunção júris tantum. § Alega que o fato gerador do ITR ocorreu em 2005, quando ainda estava vigente a Lei nº 4.771, de 1965, que em seu art. 16, inciso I, com a redação dado pela MP nº 2.16667, de 2001 dispunha: Art 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situações em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; § Afirma que o Código Florestal dispunha expressamente que o proprietário do imóvel rural pertencente à Amazônia Legal não podia explorar 80% (oitenta por cento) da área, destinada à preservação permanente; e, portanto, não se pode exigir que o contribuinte faça prova de um fato sobre o qual paira presunção de Lei contrária, expressamente, à regra processual, então vigente ao lançamento, prevista no inciso IV do art. 334 do CPC/73, verbis: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: IV – em cujo favor milita presunção legal da existência ou de veracidade § Acrescenta que o contribuinte cumpre com seu ônus de provar que o imóvel está localizado na Amazônia Legal e, destarte, faz jus à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. § Cita que a Turma julgadora do acórdão paradigma aceito entende que se tratando de área de preservação ambiental, ela independe de ato específico do Poder Público para ser reconhecida por tal predicado; não sendo o ato declaratório ambiental que lhe conferirá a qualidade de “área de preservação permanente”, e sim a Lei; e assim não é lícito ao Fisco Fl. 191DF CARF MF 4 exigir do contribuinte o ADA para a sua exclusão da base de cálculo do ITR. § Por fim, cita que a CSRF já pacificou entendimento de que o ADA não é condição indispensável à fruição do benefício de exclusão da APP da base de cálculo do ITR. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 02/06/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 05/06/2017, contrarrazões (fls.164/174). § Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte reconheceu a existência de identidade fática entre o acórdão recorrido e o segundo paradigma apresentado, mas que a situação deste último não dizia respeito a área que seria legalmente enquadrada como APP ou ARL, e que no caso concreto o contribuinte se valia de medida judicial para tanto; ou seja, no caso se tratava de respeitar coisa julgada, e não de se criar exceção à legislação que permitisse criar presunções legais que dispensassem a entrega do ADA. Afirma que não restou configurada a divergência sobre a interpretação da legislação federal, requisito essencial à recorribilidade especial. Em relação ao mérito, dispõe que: § da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, cuja finalidade é ver reconhecida a isenção sobre a área apontada, confirmase o não cumprimento, de forma tempestiva, da exigência da protocolização do Ato Declaratório Ambiental – ADA, perante o IBAMA ou órgão conveniado. § a Lei nº 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, em seu art. 10, inciso II, in verbis: § o citado dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do Código Tributário Nacional. § para efeito da exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais conveniados, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, de acordo com o teor do art. 17 da IN SRF nº 73/2000, verbis: § que nos termos da legislação retro, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA, mas, efetivamente, não o fez. § que a legislação aplicável ao caso em tela é aquela em vigência à época de ocorrência do fato gerador, nada acrescentando à lide o fato Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10245.720080/200860 Acórdão n.º 9202007.330 CSRFT2 Fl. 4 5 de a referida norma ter sido revogada pela Instrução Normativa SRF nº 60, de 06/06/2001, porque, além de restar evidente que esta última buscou tãosomente consolidar os textos constantes das instruções normativas que tratavam da matéria em um único ato, ela manteve, em seu art. 17, II, a exigência relativa ao prazo de seis meses, contados da data final de entrega de DITR, para que o contribuinte protocolizasse o requerimento do ADA junto ao IBAMA. § que a IN SRF nº 256, de 11/12/2002, que revogou a IN SRF nº 60, de 06/06/2001, manteve, em seu art. 9º, com a redação conferida pela IN RFB nº 861, de 17/07/2008, o mesmo entendimento sobre o assunto ora discutido, conforme abaixo transcrito: § que a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2° e 3º, da Lei n°5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN), ou seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto. § que é equivocado o entendimento de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no §7º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001, que assim dispõe: § que o prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA jamais deixou de existir, tanto que o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo, assim dispõe em seu art. 10: § que a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que tem a competência regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, editou a Solução de Consulta Interna n° 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima exposto, sendo oportuna a transcrição do trecho final do citado ato: § que a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, §1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, já em vigor para o ITR do exercício de 2002, e que esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa n° 43/97, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR. § que a obrigatoriedade da apresentação do ADA não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade, pelo contrário, alinhase com a norma que consagrou o benefício tributário Fl. 193DF CARF MF 6 (art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96), apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. § que a obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, alem de lhe ser claramente favorável; e que o contribuinte não pode querer valerse da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação. § que não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de utilização limitada e de preservação permanente, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente, uma vez que o direito ao beneficio legal deve estar documentalmente comprovado, e que o ADA, apresentado tempestivamente, é o documento exigido para tal fim. É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende, em princípio, aos pressupostos de admissibilidade. Contudo, havendo questionamento em sede de contrarrazões, pelo não conhecimento, passo a apreciar a questão. Do Conhecimento Quanto à área de APP em discussão, assim, manifestouse o acórdão recorrido, no sentido NÃO CABERIA A DISCUSSÃO ACERCA DO DIREITO A EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE APP E ARL QUANDO O PRÓPRIO CONTRIBUINTE não as informou. Senão vejamos como o acórdão recorrido tratou a questão: Sustenta a desnecessidade de comprovação da Área de Preservação Permanente APP desde a inclusão, pela MP 2.16667/2001, do § 7ª do art. 10 da Lei 9.393/96, e, ainda, que a presunção da existência da APP, neste caso, seria relativa, cabendo à Autoridade Administrativa a prova do contrário. Afirmando que a Autoridade Administrativa deixou de excluir a APP da base de cálculo do ITR sem qualquer prova de que o imóvel rural em questão não pertence ao bioma amazônico, o contribuinte concluiu o recurso pugnando pelo seu provimento, para que a APP seja excluída da base de cálculo do ITR/2005. Pelo que se nota, o contribuinte apenas se insurge contra a decisão da DRJ que não deferiu a exclusão de percentual da área do imóvel rural da área aproveitável. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10245.720080/200860 Acórdão n.º 9202007.330 CSRFT2 Fl. 5 7 Sobre tais áreas de Reserva Legal ou de Preservação Permanente, é de ser ressaltar que estas não foram informadas na DITR da qual decorreu a Notificação, assim, no meu sentir, a situação sequer poderia estar sendo discutida nos autos, já que não faz parte do contencioso administrativo instaurado pela impugnação ao lançamento. Reconhecêla neste momento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência. Ainda assim, e neste ponto apenas por simpatia à discussão, mister consignar que o tributo não se presta apenas a prover o Estado de recursos para financiar suas atividades, sendo rotineiramente utilizado com função diversa, seja objetivando melhor distribuição de renda, seja atuando na defesa da indústria nacional, seja fomentando o desenvolvimento de uma região ou seguimento econômico, seja desestimulando o consumo de produtos nocivos, etc. No caso do ITR, é evidente sua utilização como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, ao mesmo tempo em que desonera o contribuinte, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, ainda que de acordo com a natureza de cada tributo a atividade fiscal precise se valer conceitos e princípios contidos fora do âmbito restrito do Direito Tributário, é fato que, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à Autoridade Fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação para definição do correto valor do tributo. Neste sentido, julgo sem fundamento o entendimento do contribuinte sobre a necessidade da Autoridade Administrativa provar que o imóvel rural em questão não pertence ao bioma amazônico. Ora, o contribuinte não informou tais ARL ou APP em sua Declaração e o lançamento em nada alterou a distribuição das áreas declaradas. Nesta esteira, o que interessa ao Fisco, como dito acima, é a verificação do cumprimento da legislação tributária, em particular para identificar infrações que justifiquem a necessidade de constituição do crédito tributário de ofício e para, indiretamente, fomentar o cumprimento espontâneo da Fl. 195DF CARF MF 8 legislação tributária, seja pela geração de um sentimento de risco de ser fiscalizado, seja pelo estímulo à consciência da importância da função social do tributo. Há de se ressaltar que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas aproveita. Assim, para fins de APP e ARL, não precisa a Receita Federal comprovar a falsidade das informações prestadas em DITR ou mesmo daquelas trazidas pelo contribuinte em sua Impugnação, já que, neste caso, são exclusões da base de cálculo do tributo alegadas pelo contribuinte, que delas pretende se aproveitar, arcando, portanto, com o ônus da prova. Por outro lado a PGFN assim se manifesta acerca da possibilidade de Conhecimentoda matéria. Alega que o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte reconheceu a existência de identidade fática entre o acórdão recorrido e o segundo paradigma apresentado, mas que a situação deste último não dizia respeito a área que seria legalmente enquadrada como APP ou ARL, e que no caso concreto o contribuinte se valia de medida judicial para tanto; ou seja, no caso se tratava de respeitar coisa julgada, e não de se criar exceção à legislação que permitisse criar presunções legais que dispensassem a entrega do ADA. Afirma que não restou configurada a divergência sobre a interpretação da legislação federal, requisito essencial à recorribilidade especial. Para que possamos identificar a quem assiste razão, colaciono trecho do paradigma aceito pelo Despacho de admissibilidade como apto a demonstrar a divergência. Paradigma Acórdão 2202002.509 Com efeito, conforme se verifica da autuação lavrada (Fl. 07), a fiscalização fundamenta a glosa das APP e ARL no fato de não ter o contribuinte comprovado a apresentação de ADA, conforme exigiria o § 1º do art. 17O da Lei 6.938/812 (com a redação dada pela Lei nº 10.165/00), segundo o qual, “a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Entretanto, entendo que tal disposição deve ser interpretada em harmonia e de forma sistemática com o caput do referido art. 17O. Neste ponto, ao determinar que “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ... taxa de Vistoria”, entendo que o aludido dispositivo está, no seu caput, admitindo que há casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA” (ou mesmo de outro ato ou reconhecimento do Poder Público), hipótese esta em que tal artigo de lei (em sua íntegra, logicamente) não se aplicará. Nesse mesmo sentido, aliás, entendendo que a exigência de ADA para fins de reconhecimento de APP e ARL somente se aplicaria aos casos em que a existência da área ambiental, para fins de redução de ITR, dependa de declaração ou reconhecimento por Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10245.720080/200860 Acórdão n.º 9202007.330 CSRFT2 Fl. 6 9 parte do Poder Público, assim já entendeu esse Conselho, ao julgar, em 10/02/2011, o Processo nº 13161.000676/200604, por meio do Acórdão n.º 220100.985, cuja relatoria foi do eminente Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cabendo a transcrição do seguinte trecho do voto proferido: (...)No caso dos autos, as APP e ARL se enquadram entre aquelas cujo reconhecimento da área, para fins de redução do ITR, independem de ato específico do Poder Público, não estando enquadradas no caput do art. 17O da Lei nº 6.938/81 e não lhes sendo aplicável, portanto, a exigência do seu §1º, restando afastada a exigência de entrega do ADA para permitir a exclusão das aludidas áreas do conceito de área tributável para fins de ITR. (grifos originais) Após analisar os fundamentos de ambas as partes, entendo que razão assiste a PGFN, tendo em vista inexistir similaridade fática capaz de preencher o pressuposto para conhecimento do recurso, qual seja, sob casos similares, aplicaramse interpretações divergentes frente um mesmo arcabouço jurídico. Primeiramente no recorrido, o relator foi enfático em dizer, que nem mesmo o contribuinte fez a correta indicação em sua DITR das áreas que desejam serem excluídas da base de cálculo. Mesmo assim, ainda adentra ao mérito, fechando com a seguinte conseideração: Neste sentido, julgo sem fundamento o entendimento do contribuinte sobre a necessidade da Autoridade Administrativa provar que o imóvel rural em questão não pertence ao bioma amazônico. Ora, o contribuinte não informou tais ARL ou APP em sua Declaração e o lançamento em nada alterou a distribuição das áreas declaradas. Nesta esteira, o que interessa ao Fisco, como dito acima, é a verificação do cumprimento da legislação tributária, em particular para identificar infrações que justifiquem a necessidade de constituição do crédito tributário de ofício e para, indiretamente, fomentar o cumprimento espontâneo da legislação tributária, seja pela geração de um sentimento de risco de ser fiscalizado, seja pelo estímulo à consciência da importância da função social do tributo. Há de se ressaltar que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas aproveita. Assim, para fins de APP e ARL, não precisa a Receita Federal comprovar a falsidade das informações prestadas em DITR ou mesmo daquelas trazidas pelo contribuinte em sua Impugnação, já que, neste caso, são exclusões da base de cálculo do tributo alegadas pelo contribuinte, que delas pretende se aproveitar, arcando, portanto, com o ônus da prova. Por outro lado no acórdão aceito como paradigma Fl. 197DF CARF MF 10 Quanto às APP e ARL, suas definições estão previstas no art. 1º, § 2º, II e III, da Lei nº 4.771/65, devendo o contribuinte apenas declarálas em DITR, informação esta que “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis” (art. 10, § 7º, da lei 9.393/96). Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, devendo a Administração, em caso de dúvidas, demonstrar que o contribuinte incorreu em falsidade. No caso em questão, justamente em decorrência de qualquer dúvidas por parte da fiscalização acerca da veracidade das informações prestadas a título de ARL e APP no ano de 2005, foi o contribuinte intimado a apresentar documentos que as corroborassem, tendo sido entregue, naquele momento, Laudo Técnico acompanhado de ART e cópia das matrículas dos imóveis, confirmando as áreas declaradas e a averbação prévia de ARL. Após a análise dos autos, estou entendendo por discordar em parte da fiscalização e reformar parcialmente da decisão recorrida para que seja excluída a glosa das APP e ARL para fins de cálculo do ITR em questão, em especial observância à verdade da real. Com efeito, conforme se verifica da autuação lavrada (Fl. 07), a fiscalização fundamenta a glosa das APP e ARL no fato de não ter o contribuinte comprovado a apresentação de ADA, conforme exigiria o § 1º do art. 17O da Lei 6.938/812 (com a redação dada pela Lei nº 10.165/00), segundo o qual, “a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Entretanto, entendo que tal disposição deve ser interpretada em harmonia e de forma sistemática com o caput do referido art. 17 O. Neste ponto, ao determinar que “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ... taxa de Vistoria”, entendo que o aludido dispositivo está, no seu caput, admitindo que há casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA” (ou mesmo de outro ato ou reconhecimento do Poder Público), hipótese esta em que tal artigo de lei (em sua íntegra, logicamente) não se aplicará. Observase pelos trechos colacionados que o recorrido fundamenta a negativa de provimento no fato de que o contribuinte nem mesmo tinha informado às áreas enquanto que no paradigma a aceitação da área declarada deuse por meio de outra comprovação, entendendo o relator do paradigma que estando declarada e demonstrada não cabe fundamentar lançamento na mera não entrega do ADA. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10245.720080/200860 Acórdão n.º 9202007.330 CSRFT2 Fl. 7 11 Ao meu ver, esse é o ponto a ser observado que impossibilita o conhecimento do recurso, pois tratamse de situações distintas. Conclusão Face todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900092/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF N° 91. PRAZO PRESCRICIONAL DE 10 ANOS. RETORNO À UNIDADE PREPARADORA PARA ANÁLISE.
Tratando-se de declaração de compensação transmitida antes de 9 de junho de 2005, e de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se a Súmula CARF n° 91, que determina o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Afastada a prescrição, os autos devem retornar à unidade preparadora para análise do crédito.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1301-004.121
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do direito de pleitear a restituição, mas sem homologar a compensação, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF N° 91. PRAZO PRESCRICIONAL DE 10 ANOS. RETORNO À UNIDADE PREPARADORA PARA ANÁLISE. Tratando-se de declaração de compensação transmitida antes de 9 de junho de 2005, e de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se a Súmula CARF n° 91, que determina o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Afastada a prescrição, os autos devem retornar à unidade preparadora para análise do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-08T20:19:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-08T20:19:32Z; Last-Modified: 2019-11-08T20:19:32Z; dcterms:modified: 2019-11-08T20:19:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-08T20:19:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-08T20:19:32Z; meta:save-date: 2019-11-08T20:19:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-08T20:19:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-08T20:19:32Z; created: 2019-11-08T20:19:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-11-08T20:19:32Z; pdf:charsPerPage: 975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-08T20:19:32Z | Conteúdo => S1-C3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13839.900092/2008-84 Recurso Voluntário Acórdão nº 1301-004.121 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2019 Recorrente FUCHS GEWURZE DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF N° 91. PRAZO PRESCRICIONAL DE 10 ANOS. RETORNO À UNIDADE PREPARADORA PARA ANÁLISE. Tratando-se de declaração de compensação transmitida antes de 9 de junho de 2005, e de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se a Súmula CARF n° 91, que determina o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Afastada a prescrição, os autos devem retornar à unidade preparadora para análise do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A CÓ RD ÃO G ER AD O NO P GD -C AR F PR OC ES SO 1 38 39 .9 00 09 2/ 20 08 -8 4 Fl. 574DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.121 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900092/2008-84 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do direito de pleitear a restituição, mas sem homologar a compensação, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 575DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.121 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900092/2008-84 Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o presente processo de direito creditório relativo a saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, apurado no período de 01/01/1998 a 31/12/1998, no valor original de R$ 114.040,71, objeto da Declaração de Compensação - DCOMP n° 22524.65768.140504.1.3.02-6750, transmitida em 14/05/2004, para extinção de débitos no valor principal de R$ 228.104,23. Em 14/03/2008 o contribuinte foi cientificado da não-homologação da compensação em razão do motivo assim expresso no despacho decisório de fl. 1: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. (...) Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei n" 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), Inciso lido Parágrafo Io do art. 6da Lei 9.430, de 1996, Art. 5oda IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inconformado, o interessado, por intermédio de seu advogado e procurador, protocolizou a manifestação de inconformidade de fls. 10/18, em 11/04/2008, juntando os documentos de fls. 19/240 e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: • Argumenta que o saldo negativo somente foi gerado por força de retificação da DIPJ Ano calendário 1998 enviada em 19 de abril de 2004. E, antes da aludida retificação, a requerente não possuía a disponibilidade do crédito passível de aproveitamento por intermédio da compensação tributária. • Na seqüência, opõe-se à aplicação retroativa da Lei Complementar n° 118/2005 e defende, nos termos do art. 168,1 c/c art. 156, VII do Código Tributário Nacional - CTN, a possibilidade de compensação dentro dos 5 (cinco) anos contados a partir da extinção do crédito tributário, mas esta verificada após o transcurso do prazo previsto no art. 150, §4°, também do CTN, para homologação do lançamento. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, em decisão cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Fl. 576DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.121 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900092/2008-84 extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertem-se em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 577DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-004.121 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900092/2008-84 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild, Relatora. Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e, uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos A recorrente apresentou PER/DCOMP com demonstrativo de crédito na data de 14/05/2004, referente ao saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado em 31/12/1998, gerado por força de retificação da DIPJ ano-calendário 1998 enviada em 19/04/2004. Submetida à análise pelas autoridades fiscais da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Jundiaí, a pretendida compensação não foi homologada, sob a justificativa de que "na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data da transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo ." A recorrente apresentou a competente manifestação de inconformidade, a qual foi levada a julgamento e indeferida, sob o entendimento de que "o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário." Decadência do crédito de saldo negativo de 1998 O recurso voluntário trata da interpretação do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I- nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; A interpretação do dispositivo relaciona-se, ainda ao artigo 3° e 4°, da Lei Complementar n° 118/2005, que prescrevem: Art. 3°Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. O citado artigo 4° tinha por finalidade atribuir eficácia retroativa à inovação veiculada pelo artigo 3°. Com efeito, o artigo 106, do Código Tributário Nacional é nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 578DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-004.121 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900092/2008-84 O Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão do Pleno, aplicando a sistemática do artigo 5453-B, do Código de Processo Civil, que: DIREITO TRIBUTÁRIO - LEI INTERPRETATIVA -APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 - DESCABIMENTO - VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA - NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS - APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto-proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Tribunal Pleno, Recurso Extraordinário n° 566.621, DJe 10/10/2011, Rel. Ministra Ellen Gracie) Os Conselheiros deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais devem reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas com fundamento no artigo 543-B, do antigo CPC/1973, na forma do artigo 62, §2°, do atual RICARF (Portaria MF n° 343/2015), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sobreleva considerar, ainda, que a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4°, da Lei Complementar n° 118/06 pode ser proclamada por este Colegiado em Fl. 579DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-004.121 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900092/2008-84 observância ao próprio RICARF (Portaria MF n° 343/2015), termos do artigo 62, §1°, I e II, alínea b: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1° O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; O citado dispositivo regimental encontra fundamento no artigo 26-A, do Decreto n° 70.235/1972: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) Diante de todo o acima, entendo necessário adotar o entendimento do STF no julgamento acima, que reconheceu: (i) que a LC 118/2005 não é interpretativa, tendo alterado o prazo para restituição de indébito de 10 anos (contados do fato gerador), para 5 anos (do pagamento indevido). (ii) a segunda parte do artigo 4°, da Lei Complementar n° 118/05, é inconstitucional; (iii) o novo prazo para restituição de indébito (5 anos) só seria aplicável às ações ajuizadas a partir de 9/06/2005. Cumpre destacar, ainda, que o CARF aprovou Enunciado de Súmula em sentido similar, dispondo que: Súmula CARF n° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso destes autos, o Despacho Decisório e a DRJ negaram o direito creditório do contribuinte reconhecendo a decadência do direito à restituição e compensação quanto ao saldo negativo de 1998, tendo sido apresentada declaração de compensação em 2004. Tal posicionamento não se coaduna com o entendimento do Pleno do Supremo Tribunal Federal tampouco com a Súmula 91 do CARF. Fl. 580DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-004.121 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.900092/2008-84 Como a DCOMP é anterior a 09/06/2005, e o crédito informado é saldo negativo de IRPJ do ano de 1998, aplica-se a citada súmula. Sendo assim, restou prejudicada a análise do mérito da compensação desde sua origem, já que foi equivocadamente interrompida pela prescrição do crédito decidida no despacho decisório, confirmada pela DRJ. Afastada a prescrição, a fim de evitar supressão de instância no julgamento da lide, o processo deve retornar à origem para que seja então analisado o direito creditório. Conclusão Conclui-se que, afastada a prescrição do saldo negativo informado na declaração de compensação, conforme Súmula CARF n° 91, o processo deve retornar à unidade preparadora para análise do crédito (saldo negativo de 1998). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar o prazo prescricional de dez anos, conforme Súmula n° 91, determinando o retorno do processo à unidade preparadora para análise do crédito informado na declaração de compensação. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 581DF CARF MF
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Numero do processo: 13061.000224/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, para que seja intimado o contribuinte a informar / comprovar nos autos a homologação judicial do Pedido de Desistência apresentado nos autos da execução judicial.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, para que seja intimado o contribuinte a informar / comprovar nos autos a homologação judicial do Pedido de Desistência apresentado nos autos da execução judicial. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 18-11.156, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (SC), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Declarações de Compensação protocoladas em 20/11/2006, onde a contribuinte pretendia a compensação de valores devedores de PIS e COFINS com crédito decorrente da ação judicial n° 98.14.03237-9, impetrada junto à 2” Vara Federal de Santo Ângelo (RS) - PIS no montante de RS 314.012,56, conforme documentos de fls. 01/04. Foram anexados ao processo, também, cópias de Ata, de documento de identificação, de processo judicial (parcial), de documentos de arrecadação e planilhas de valores e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 61 .0 00 22 4/ 20 06 -4 2 Fl. 560DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.333 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13061.000224/2006-42 cálculos. Posteriormente, a repartição arrecadadora anexou cópias de PER/DCOMPS e diligenciou no sentido de verificar a veracidade das compensações pleiteadas, tendo emitido Mandado de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação Fiscal, juntado documentos e produzido planilhas e Termo de Constatação Fiscal (fls. 388/399). Manifestando-se acerca das Declarações de Compensação, a DRF de origem emitiu o Despacho Decisório SAORT/SAO n° 106, de 26/02/2009 (fls. 426/427), onde 0 Sr. Delegado Adjunto 'da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo (RS), decidiu não homologar as Declarações de Compensação apresentadas pela contribuinte, constantes do presente processo administrativo. Intimoii a sociedade ao pagamento dos débitos apontados no próprio Despacho Decisório. A contribuinte foi cientificada em 09/03/2009 (AR de fl. 428). Não conformada com aquele despacho, apresentou a contribuinte, através de procuradoras, ein 26/03/2009 - fls. 429/439 - sua manifestação de ínconformidade, onde aponta os seguintes argumentos: DOS FATOS é sociedade cooperativa cujo objeto social é a promoção e o estímulo do desenvolvimento progressivo e a defesa de atividades econômicas, de caráter comum, tais como, o recebimento da produção de seus cooperados, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização da produção agricola, sendo reconhecidamente considerada entidade de fins não lucrativos; é autora do processojudicial n° 98.14.0323?-9 no qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do PIS sobre a folha de pagamento e sobre o faturamento, tendo a União Federal sido condenada a restituir os valores indevidamente recolhidos, seja através de precatório, seja através do procedimento de compensação, nos temos da Lei n° 8.383, de 1991; apresentou Execução de Sentença no referido processo, onde seu único pedido era de compensação administrativa; em seguida, tendo optado pela compensação administrativa e diante do evento das [Ns SRF n°s 517 e 600, de 2005, ajuizou o Mandado de Segurança n° 2006.71.05.005253-1, no qual foi assegurado o seu direito de realizar a compensação sem a obrigação de apresentar Pedido de Habilitação do crédito reconhecido judicialmente. Tal decisão se encontra em vigor, tendo sido negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional perante o STJ; amparada em tal decisão, a sociedade apresentou Declaração de Compensação utilizando os créditos reconhecidos no processo n° 98.14.0323 7-9, sem seguir as exigências daquela IN; não obstante estivesse amparada pela decisão judicial, a autoridade administrativa exigiu que fosse apresentado despacho homologatório da desistência da execução, um dos requisitos das INS SRF n°s 517 e 600, de 2005, que estavam afastadas; diante disso, mesmo entendendo estar desobrigada de tal encargo, peticionou nos autos do processo n° 98.l4.03237-9 requerendo a referida homologação, 'näo tendo 0 Poder Judiciário despachado seu pedido; diante de tal situação, a Administração Pública entendeu que em não tendo sido apresentada a referida desistência, a Cooperativa não poderia compensar os créditos, glosando, assim, o procedimento; Fl. 561DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.333 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13061.000224/2006-42 equivocadamente, a autoridade administrativa não oportunizou à sociedade o devido processo legal e a ampla defesa, determinando de imediato o pagamento dos valores compensados, sem conceder o prazo legal para manifestação de inconfornidade; O Despacho Decisório nao merece prosperar, já que a sociedade, em decorrência da decisão judicial proferida no processo n° 2006.71.05.005253-1, está dispensada do cumprimento de qualquer requisito constante das INs SRF n°s 517 e 600, de 2005 (desobrigada da apresentação do despacho requerido); o entendimento adotado pela Fiscalização não deve prevalecer, eis que a sociedade não cometeu nenhuma infração, tendo procedido conforme a legislação tributária e jurisprudência da Corte Suprema, devendo ser anulada a cobrança. Do DIREITO PRELIMINARMENTE DA AUSÊNCIA DE ABERTURA DE PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE a autoridade administrativa entendeu que as compensações realizadas pela sociedade deveriam ser consideradas como não homologadas, tendo em vista que não houve a apresentação do despacho homologatório da desistência da execução. Procedeu a intimação para pagamento sem abertura de prazo para apresentaçao de manifestação de inconformidade; ao proceder desta forma, a autoridade administrativa desconsiderou a legislação vigente, o Decreto n° 70.235, de 1972, e a Lei n° 9.430, de 1996 ~ art. 74, §§ 7° ao 9°, que prevê para os casos de não homologação das compensações, o prazo de 30 dias para que a sociedade possa manifestar a sua inconformidade; a manifestação de inconformidade é munida de efeito suspensivo, nos termos do art. 151, Ill, do CTN, conforme dispõe o art. 74, § l 1, da Lei n° 9.430, de 1996; é de ver conhecida a manifestação de inconformidade apresentada, suspensa a exigibilidade da cobrança, bem como analisado o seu mérito, cujos fundamentos são apresentados com 0 intuito de, ao final, extinguir a cobrança. Do MÉRITO PEDIDO DA AÇÃO JUDICIAL - COMPENSAÇÃO a autoridade administrativa glosou as compensações sob o argumento de que não poderia haver duplicidade de iniciativas - restituição judicial e compensação administrativa. Tal entendimento encontra-se equivocado, já que a sociedade não pretende a restituiçãojudicial e a compensação administrativa, mas somente a compensação; na execução de sentença apresentada, a sociedade expressamente informou que os valores seriam objeto de 'compensação administrativa. Portanto, ein momento algum se pretendeu a restituiçao por outra forma; caracteriza excesso de rigorismo a exigência de que a sociedade apresente despacho desistindo da execução, pois esta não impede em nada o procedimento de compensação realizado, muito pelo contrário, confirma os valores de crédito. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA A GLOSA a autoridade administrativa fundamentou a glosa da compensação na ausência do despacho homologatório da desistência da execução. Ocorre que inexiste na legislação Fl. 562DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.333 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13061.000224/2006-42 vigente qualquer previsão para a não homologação da compensação por ausência do referido documento; a sociedade está amparada pela decisãojudicial proferida no processo n° 2006.71.05.005253-1, motivo pelo qual a glosa realizada é totalmente insubsistente, por ausência de fundamentação legal. Registra entendimento doutrinário a respeito do principio da motivação, que está inserto na Lei n° 9.784, de 1999 (arts. 2°, parágrafo único, e 50); estando a sociedade amparada por decisão judicial que afasta o cumprimento das 1Ns SRF n°s 517 e 600, de 2005, e não havendo previsão legal para a glosa da compensação por ausência de despacho homologarório da desistência da execução, deve ser anulado o presente despacho decisório. DISPENSA DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CONSTANTES NA IN SRF Nº 517/2005 E 600/2005 a empresa ajuizou o Mandado de Segurança onde foi reconhecida a ilegalidade das lNs SRF 517 e 600, de 2005, eis que elas criaram obrigações não previstas em lei. Transcreve parte do decidido naquele processo judicial; além da desnecessidade da habilitação do credito, foi assegurado à empresa 0 não cumprimento de qualquer requisito constante daquelas lNs, já que as mesmas extrapolaram a sua competência, criando entraves à compensação, os quais não estão previstos na legislação vigente; sendo ilegais os referidos aros administrativos, a empresa está desobrigada do cumprimento dos seus requisitos, devendo ser homologada a compensação ante a inexistência de irregularidades no seu procedimento; a própria autoridade administrativa em seu Temio de Constatação Fiscal dispõe que a empresa está autorizada a utilizar créditos mediante compensação administrativa. Transcreve parte daquele Termo; sendo ilegais aqueles atos administrativos, a empresa está desobrigada do cumprimento de seus requisitos, devendo ser homologada a compensação, ante a inexistência de irregularidades no seu procedimento. DO VALOR DO CRÉDITO RECONHECIDO NO PROCESSO Nº 98.14.03237-9 a autoridade administrativa e o autuante informam valores divergentes de crédito para a empresa, sendo que nenhum daqueles dos montantes referidos se encontram em consonância coma a deteRminação judicial proferida no processo n° 98.l4.03237-9; de acordo com as decisões proferidas no processo n° 98. 1403237-9 e nos embargos á execução de n° 2004.71.05.007727-0, o valor dos créditos da empresa, sem a dedução das compensações, totaliza R$ 379.7l7,l5, atualizado até 05/2004, conforme planilha que anexa; merece ser acolhido o cálculo elaborado pela empresa, já que em consonância com as decisões judiciais. DOCUMENTOS ANEXADOS relaciona os documentos que diz ter anexado junto á manifestaçao de inconformidade. Do PEDIDO demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer seja recebida a sua manifestação de inconformídade e documentos, tempestivamente Fl. 563DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.333 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13061.000224/2006-42 apresentados, suspendendo a exigibilidade da cobrança, acolhendo as razões expostas para homologar as compensações, bem como declarar a insubsistência do despacho decisório, tendo em vista que inexiste previsão legal para a glosa da compensação e a empresa realizou o procedimento com amparo na decisão judicial que afastou o cumprimento de qualquer exigência constante das lNs SRF n° 5 l 7 e 600, de 2005, dentre esta a homologação da desistência da execução; pede deferimento. IApós a manifestação de inconformidade estão juntados os documentos de fls. 440/489. O Orgão de origem anexou 0 Termo de Juntada de Documento de fl. 490, tendo despachado à fl. 491. A DRF/Santo Angelo (RS) despachou à fl. 492. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Periodo de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. REQUISITOS. Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, 0 ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial. oü a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execuçao. COMPENSAÇÃO. CÁLCULOS. ACEITAÇÃO. Não são de ser aceitos cálculos apresentados pela contribuinte quando os mesmos não discriminarem a forma de sua confecção. Manifestação de lnconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira – Redator ad hoc Embora não mais integre os colegiados do CARF, o relator apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Transcreve-se, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, para o qual me incumbiu o Presidente: Fl. 564DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.333 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13061.000224/2006-42 “O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão em exame diz respeito à pedido de restituição / compensação de crédito reconhecido por decisão judicial (ação judicial n° 98.l4.03237-9). O pleito administrativo foi indeferido pelo fato de a Recorrente não ter apresentado a comprovação de renúncia da execução judicial do crédito pretendido: A questão é bem relatada pelo Despacho Decisório: 6. Na hipótese dos autos, observa-se que a contribuinte não respeitara tal condição, eis que propôs a execução da sentença na via judicial, apesar dos procedimentos de compensação realizados pela própria cooperativa. Ao propor a execução judicial mencionou a intenção de compensar o crédito em sua totalidade, descontando as compensações já ocorridas. Mas isso evidentemente gerou confusão, pois execução judicial e compensação administrativa são procedimentos/opções excludentes entre si. Tanto assim que o MM. Juízo solicitou esclarecimento quanto à sua efetiva intenção, se executar pela via do precatório ou declinar para fins de compensação. O fato é que, com base nos esclarecimentos prestados, tendo o juiz entendido que prevaleceria a execução judicial, o pedido de execução foi recebido. Assim, passou a ter curso a execução do crédito na viajudicial, ensejando a oposição de embargos pela Fazenda Nacional, onde se argumentou a respeito da incongruência em se buscar simultaneamente a execução de sentença e o aproveitamento administrativo do mesmo crédito em compensação de débitos. Aliás, esta foi a circunstância que motivou o indeferimento do pedido de habilitação prévia para fins da ÍN SRF n° 517/2005, que a cooperativa chegara a fonnular na via administrativa. 7. De todo modo, no curso da diligência fiscal, ao ser intimada a se pronunciar sobre este aspecto e comprovar a desistência da execução, a contribuinte tomou a iniciativa de apresentar petição perante o TRF 4” Região manifestando sua desistência da execução pela via do precatório e indicando sua intenção de efetuar a compensação na via administrativa. Tal petição foi apresentada no processo de embargos à execução n° 2004.71.05.007727-0 (fls. 287/290). 8. Ocorre que, apesar da petição da parte autora, houve prosseguimento no processo judicial (fl. 406). Sendo assim, até a presente data a cooperativa não obteve a homologação de sua desistência de execução judicial. 9. . Considerando-se a impossibilidade de haver duplicidade de iniciativas (0 mesmo crédito ser objeto de restituição judicial e de compensação administrativa), impõe-se a não homologação das compensações declaradas pela contribuinte e a intimação da mesma a pagar os débitos indevidamente compensados, constantes deste processo administrativo, em trinta dias da ciência deste Despacho Decisório. Em sede de Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, a Recorrente limita-se a questionar a validade da exigência normativa de se desistir da Execução Judicial e também defende que tal exigência fora afastada por força de decisão individual obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.71.05.005253-1. Em que pese a existência de referida discussão, a ser solucionada em sede de contencioso administrativo, entendo que há óbice intransponível, relatada pela própria Autoridade Administrativa nos itens 7 e 8 acima destacados: a Recorrente apresentou o Pedido Fl. 565DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3201-002.333 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13061.000224/2006-42 de Desistência, sendo que ficara pendente exclusivamente a decisão judicial de mera homologação do seu pedido. Nota-se que sequer o momento do pedido de desistência foi impedimento para reconhecimento do direito da Recorrente. Em outras palavras, o despacho decisório deixa claro, no meu entender, que, caso tivesse ocorrido a homologação judicial do pedido de desistência incontestavelmente apresentado, ainda que posteriormente ao Pedido de Habilitação, o prosseguimento do reconhecimento do direito creditório seria possível. Ademais, em consulta realizada por esta Relatora no sítio do TRF da 4ª Região, há, de fato, indícios de que houve a homologação do pedido de desistência de execução do título judicial: EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA FAZENDA PÚBL Nº 98.14.03237-9/RS DESPACHO/DECISÃO Tendo em vista a devolução dos autos pela Fazenda Nacional, restou prejudicada a apreciação do pedido da fl. 427. Homologo a renúncia ao recebimento do valor do débito exequendo mediante precatório, face à concordância da Fazenda Nacional (fl. 425). Reitere-se a intimação da parte exequente para que deposite nestes autos, no derradeiro prazo de 5 dias, a importância atualizada de R$ 303,63 (fl. 401), referente a custas judiciais devidas à exequente, sob pena de descumprimento de ordem judicial. Efetuado o depósito, expeça-se certidão narratória, conforme requerido na fl. 418. Cumpra-se. Santo Ângelo, 28 de abril de 2009. Fábio Vitório Mattiello Juiz Federa Desse modo, propõe-se a conversão do feito em diligência para que seja intimado o contribuinte a informar / comprovar nos autos a homologação judicial do Pedido de Desistência apresentado nos autos da execução judicial, concedendo-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias. Diante da referida comprovação, solicita-se à Autoridade de Origem que efetue a verificação de sua suficiência para prosseguimento do procedimento de compensação, podendo solicitar demais documentos ou esclarecimentos pertinentes para a comprovação necessária. Após, retornem-se os autos para julgamento.” (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.012332/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União,
dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula
CARF no 63.
Hipótese em que o contribuinte comprovou estar aposentado por invalidez desde 1991, conforme atestado por laudos emitidos pelo INSS e DETRAN/SP, sendo portador de hemiplegia decorrente de AVC, doença que, conforme declarado por médico oficial, enquadra-se
nos termos do art. 39, inciso XXXIII, do RIR/99.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.731
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula CARF no 63. Hipótese em que o contribuinte comprovou estar aposentado por invalidez desde 1991, conforme atestado por laudos emitidos pelo INSS e DETRAN/SP, sendo portador de hemiplegia decorrente de AVC, doença que, conforme declarado por médico oficial, enquadrase nos termos do art. 39, inciso XXXIII, do RIR/99. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Fl. 57DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.13380.WITT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11610.012332/200750 Acórdão n.º 2101001.731 S2C1T1 Fl. 54 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 3, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$1.367,56, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreve o lançamento e o recurso da seguinte maneira (fl. 41): Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte em epígrafe, referente ao anocalendário de 2004, foi lavrado a Notificação de Lançamento 03, através do qual houve uma reclassificação dos rendimentos indevidamente considerados como isentos, resultando em exigência da importância de R$ 2.858,20, valor este relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, multa de ofício e juros. O contribuinte tomando conhecimento do lançamento apresenta impugnação de fl. 01, fazendo juntada dos seguintes documentos: Aposentadoria por invalidez previdenciária, desde 01/11/1991 e documento da Somupp – Sociedade Multi Previdência Privada, ambas declarando isenção do IR por suplementações recebidas, por ser portador de moléstias graves. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 40 a 44): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Não deve ser reconhecido o direito à isenção pleiteada, quando o requerente não apresenta Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Fl. 58DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.13380.WITT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11610.012332/200750 Acórdão n.º 2101001.731 S2C1T1 Fl. 55 3 Municípios, nos termos da legislação vigente, identificando nominalmente a doença, coincidente com a terminologia empregada pelo legislador. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 21/9/2009 (fl. 46v), o contribuinte apresentou, em 20/10/2009, o recurso de fls. 49 a 51, onde envia laudos periciais emitidos por serviços médicos oficiais da União e do Estado que identificam nominalmente a doença. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 52, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte sustenta que os rendimentos lançados como tributáveis são, na verdade, isentos por ser portador de moléstia grave. Os incisos XXXI e XXXIII, e parágrafo 4°, do art. 39, do Decreto n° 3.000, de 26 de março 1999 – Regulamento do Imposto de Renda regulam a matéria da seguinte maneira: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos Fl. 59DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.13380.WITT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11610.012332/200750 Acórdão n.º 2101001.731 S2C1T1 Fl. 56 4 portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) §4o Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). Nesse sentido, foi publicada a Súmula CARF no 63 com o seguinte conteúdo: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, para o gozo da isenção, existem três condições cumulativas: os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, eles devem ser percebidos por portador de moléstia grave enumerada na legislação, e a doença deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O acórdão recorrido considerou que o contribuinte não fazia jus à isenção: a) por não ter sido apresentado Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e b) porque a doença mencionada nos documentos anexados não identificava nominalmente a doença de forma coincidente com a terminologia empregada pelo legislador. No voluntário, o recorrente traz os seguintes documentos: a) Declaração de Invalidez, assinada pela Diretora da Divisão Local de Seguros Sociais/Santana, pelo Chefe do Posto de Manutenção e pelo Chefe do Grupamento Médico Pericial, que informa que o Sr. Martinho Shuti Yogui foi aposentado por invalidez em Fl. 60DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.13380.WITT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11610.012332/200750 Acórdão n.º 2101001.731 S2C1T1 Fl. 57 5 25/03/1991, por doença com código do diagnóstico – CID no 436.9/9 (fl. 50), documento datado em 02/06/1992; b) Laudo de Avaliação de Deficiência Física, emitido pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado de São Paulo em 03/10/2008, atestando para a finalidade de concessão do beneficio previsto no inciso IV do art. 1° da Lei n° 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 e alterações posteriores, que o requerente contribuinte possui hemiplegia à direita, sequela de AVC, Código Internacional de Doenças CID10 G 81.9 I69.4 (fl. 51). Acrescentese que já haviam sido apresentados: a) Declaração do Chefe do Grupamento Médico Pericial do INSS São Paulo informando que o contribuinte era “portador de moléstia com o código I 67.8 do CID 10 conforme relatório médico do Dr. NOBORU YASUDA, CRMSP 16.132, datado de 2005, que se enquadra na lei 9250 de 1955, RIR 1999, art. 39; XXXIII; IN SRF n° 15 de 2001, art. 50 XII”, “em gozo de beneficio desde 01.11.1991”, e o citado relatório médico, documentos emitidos em setembro de 2005 (fls. 8 e 9); b) Laudo de Avaliação de Deficiência Física, emitido pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado de São Paulo em 19/05/2005, atestando para a finalidade de concessão do beneficio previsto no inciso IV do art. 1° da Lei n° 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 e alterações posteriores, que o requerente contribuinte possui hemiplegia à direita, sequela de AVC, Código Internacional de Doenças CID10 G 81.0 (fl. 10); c) Laudo Médico emitido pelo DETRAN SP em 30/04/2001 atestando a paralisia do lado direito do sujeito passivo, que o tornaria apto a dirigir veículo automático com adaptação. Desta forma, resta claro que o contribuinte comprovou estar aposentado por invalidez desde 1991, conforme atestado por laudos emitidos pelo INSS e DETRAN/SP, sendo portador de hemiplegia decorrente de AVC, doença que, conforme declarado por médico oficial, enquadrase nos termos do art. 39, inciso XXXIII, do RIR/99. Nesse sentido, discordo do julgador a quo, por julgar que a incorreção da enfermidade indicada não possuir a mesma denominação daquelas previstas na lei de isenção pode ser suprida por declaração de médico oficial de que aquela doença está entre as albergadas pelo benefício legal, por ter esse profissional a capacidade para esse diagnóstico. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 61DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.13380.WITT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11610.012332/200750 Acórdão n.º 2101001.731 S2C1T1 Fl. 58 6 Fl. 62DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0919.13380.WITT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO em 22/06/2012 11:17:49. Documento autenticado digitalmente por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO em 22/06/2012. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 04/07/2012 e JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO em 22/06/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0919.13380.WITT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F68BCCD2A83BECB9BCA1044FA99E4BEA325749E8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11610.012332/2007-50. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10865.003788/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2006
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia às instâncias administrativas, não havendo, destarte, de se conhecer da matéria concomitante, implicando conhecimento parcial do recurso voluntário em face das demais matérias.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-007.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação referente à majoração da alíquota de 11,71% para 20,0%, instituída pela Portaria MPAS 1.135, de 2001, em razão de concomitância com ação judicial impetrada, e, na parte conhecida do recurso, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia às instâncias administrativas, não havendo, destarte, de se conhecer da matéria concomitante, implicando conhecimento parcial do recurso voluntário em face das demais matérias. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação referente à majoração da alíquota de 11,71% para 20,0%, instituída pela Portaria MPAS 1.135, de 2001, em razão de concomitância com ação judicial impetrada, e, na parte conhecida do recurso, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 37 88 /2 00 8- 55 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 257 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 188/206) em face do Acórdão n. 12 34.038 12ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I DRJ/RJ1 (efls. 172/178) que julgou procedente em parte a impugnação (efls. 99/122), apresentada em 16/12/2008, e manteve em parte o lançamento constituído em 14/11/2008, consignado no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 37.168.1839 no valor total de R$ 185.818,66 competências 04/2003 a 09/2008 (efls. 02/24) com fulcro em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos contribuintes individuais em relação aos serviços prestados por transportador autônomo rodoviário, conforme especificado no relatório fiscal (efls. 25/34). Cientificada da decisão de primeira instância em 15/12/2010 (efl. 186), o impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário na data de 14/01/2011, esgrimindo, em apertada síntese, os seguintes argumentos: i) desrespeito ao princípio constitucional da estrita legalidade; e ii) inaplicabilidade de juros equivalentes à Selic em relação ao débito fiscal em tela. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Não obstante a tempestividade do recurso voluntário, dele se conhece parcialmente pelas razões adiante informadas. Para uma melhor contextualização da presente lide, resgato o relatório da decisão recorrida, no essencial: [...] 2. O Relatório Fiscal de fls. 24 a 33 aduz, em síntese, o seguinte: 2.1. Na data de 20 de julho de 2001, a Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logísticas NTC impetrou Mandado de Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 258 3 Segurança Coletivo com pedido de liminar junto à Justiça Federal do Estado de São Paulo, processo n° 2001.61.00.1091704, para desobrigar os seus associados de recolher a contribuição previdenciária ao INSS com base na alíquota majorada pela Portaria MPAS n° 1.135, de 05 de abril de 2001, do Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social MPAS. 2.2. Em 17 de abril de 2002, a Justiça Federal do Estado de São Paulo deferiu a liminar requerida, para desobrigar os associados da impetrante de recolherem a contribuição previdenciária ao INSS, nos termos do artigo 1° da Portaria n° 1.135, de 05/04/2001, do Ministério da Previdência e Assistência Social. 2.3. No dia 30 de maio de 2007, o Tribunal Federal da 3ª Região acordou em dar provimento ao INSS para reformar a sentença e julgar improcedente o pedido e, por conseguinte, denegar a segurança, reconhecendo a obrigatoriedade dos associados da impetrante sujeitaremse aos termos da Portaria n° 1.135, de 05/04/2001, do Ministério da Previdência e Assistência Social, encontrandose até a data da lavratura do Auto de Infração concluso à VicePresidência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em face do Recurso Especial interposto pela impetrante. 2.4. Na data de 12 de julho de 2001, a Confederação Nacional do Transporte CNT impetrou Mandado de Segurança Coletivo com pedido de liminar junto ao Superior Tribunal de Justiça STJ, processo MS n° 7790, a fim de que fosse declarada ilegal/inconstitucional a Portaria n° 1.135, de 05/04/2001, do Ministério da Previdência e Assistência Social, sujeitandose, assim, os seus associados à incidência da alíquota de 11,71% sobre o rendimento bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte de passageiros em face da contribuição patronal da remuneração do condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário. 2.5. Em 09 de agosto de 2001, o STJ indeferiu o pedido de liminar para que os associados da impetrante se sujeitassem à alíquota de 11,71% a título de contribuição patronal do transportador autônomo a que se referem os incisos I e II do § 15 do art. 9° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, calculados sobre o valor do frete, carreto ou transporte de passageiros. 2.6. No dia 01 de fevereiro de 2005, o STJ acordou em dar provimento parcial ao pedido da impetrante e, por conseguinte, conceder a segurança parcialmente, excluindo a cobrança do aumento da contribuição previdenciária, tão somente, no período de 90 dias seguintes ao da publicação da Portaria n° 1.135, de 05/04/2001, do MPAS. 2.7. Finalmente, em 29 de junho de 2005, o STJ admitiu o Recurso Ordinário interposto pela impetrante, remetendo os autos do referido processo ao Supremo Tribunal Federal STF. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 259 4 Até a data da lavratura do presente Auto de Infração, o referido processo encontravase em trânsito sem decisão no STF. 2.8. Ao analisar as informações constantes da planilha de serviços prestados frete, nos Recibos de Pagamento a Autônomo RPA e na contabilidade apresentada em meio digital referentes à prestação de serviço do contribuinte individual condutor autônomo rodoviário, e ao confrontálas com as informações declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, foi constatado que a empresa adotou para a apuração da base de cálculo da contribuição de terceiras entidades ou fundos nos períodos de 01/2003 a 04/2003, 07/2003 e 09/2003 a 09/2006, a alíquota de 11,71% sobre o valor do serviço prestado discriminado no Recibo de Pagamento a Autônomo RPA, aplicando, assim, o ditame do art. 267, do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, vigente anteriormente à publicação da Portaria n° 1.135, de 05/04/2001, do MPAS. 2.9. Considerando que a referida Portaria determinou que a remuneração paga ou creditada ao condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, será calculada com base na aplicação da alíquota de 20% sobre o rendimento bruto pago ou creditado a estes, ou seja, 20% sobre o valor do serviço prestado discriminado no Recibo de Pagamento a Autônomo RPA, foi aplicada a alíquota de 8,29%, diferença entre a alíquota de 20% e a de 11,71 % sobre o valor do serviço prestado discriminado no RPA, tornandose, assim, a base de cálculo na apuração da contribuição previdenciária do segurado. 3. A empresa apresentou impugnação às fls 98 a 121 alegando, em síntese, o seguinte: 3.1. A Portaria n° 1.135/2001, ao estabelecer o percentual de 20% desrespeitou o princípio da legalidade previsto no art. 150, I da Constituição. 3.2. O Mandado de Segurança Coletivo n° 7.790/DF encontrase em grau de Recurso Ordinário em Mandado de Segurança n° 25.476 perante o Colendo Supremo Tribunal Federal, aguardando julgamento, mas com já 7 votos proferidos, contra 1, favoráveis aos interesses dos contribuintes. 3.3. A impugnante deixou de recolher a referida contribuição social de terceiros com base à alíquota de 2,5% sobre o valor da base de cálculo tendo em vista a concessão de medida liminar, nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 2001.61.00.1091704, impetrado pela Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logísticas NTC, sendo a Impugnante devida e regularmente associada à NTC. 3.4. Os períodos anteriores a 14/11/2003 incluídos no Auto de Infração são decadentes pois foram objeto de lançamento extemporâneo de crédito tributário relativo a tributo sujeito a Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 260 5 lançamento por homologação, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN combinado com a Súmula Vinculante n° 08. 3.5. É inaplicável juros equivalentes à SELIC em relação à constituição de créditos tributários por ofensa aos arts. 97, V e 161, § 1° do CTN e art. 150, I da CRFB. 4. A competência para julgamento do presente processo foi prorrogada pela Portaria RFB/SUTRI n° 423, de 17 de março de 2010, publicada no Diário Oficial da União de 18 de março de 2010. [...] Nas suas razões de decidir, assim posicionouse a instância julgadora de primeira instância: [...] DA AÇÃO JUDICIAL E DA RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA 7. O contribuinte, ao demandar concomitantemente o Poder Judiciário e a Administração Pública, sobre o mesmo fundamento, renuncia tacitamente a esta esfera, em virtude do fato de que uma decisão administrativa não pode se sobrepor a um provimento judicial. Neste sentido, a Lei n° 6.830/80, dispõe em seu art. 38 que "a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, Ação de Repetição de Indébito ou Ação Anulatória de ato declarativo da dívida, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto ". 8. Corroborando esse entendimento, o Coordenador Geral do Sistema Tributação da Receita Federal do Brasil, através do Ato Declaratório Normativo n° 03, de 14/02/1996, estabeleceu o seguinte: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade Processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc); 9. Desta forma, todo o questionamento acerca da possibilidade ou não de Portaria Ministerial elevar a alíquota de contribuição de 11,71% para 20,00% deixa de ser analisada por este acórdão, cabendo apenas o julgamento da matéria diferenciada, no caso, questionamentos acerca da contagem do prazo decadencial e relativos à taxa SELIC. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 261 6 DA ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO PARA FINS DE CONTAGEM DO LAPSO DECADENCIAL 10. Considerandose que houve o recolhimento da parte incontroversa, qual seja, 11,71% do valor da base de cálculo, tendo sido apurado no presente débito apenas os 8,29% relativos à diferença de alíquota, verificase que houve o recolhimento parcial a ensejar a contagem prevista no art. 150, § 4° do CTN em detrimento daquele previsto no art. 173, I, nos tennos do Parcer PGFN/CAT n° 433/2008. 11. O art. 150, § 4% possui o seguinte teor: [...] 12. Da leitura do dispositivo acima, verificase que o pagamento há que se referir ao fato gerador que o sujeito passivo reconhece espontaneamente como devido, que, pela leitura do art. 114 do CTN, é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Portanto, para que exista o fato gerador in concreto, a hipótese de incidência deverá estar prevista anteriormente em lei. E o fato gerador, na hipótese em análise, nos termos do art. 65 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005, vigente à época do lançamento, era: Art. 65. Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal III em relação à empresa ou equiparado à empresa: a) a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho; 13. Isto posto, os 11,71% recolhidos são aptos a direcionar a contagem do prazo decadencial para o art. 150, § 4" do CTN. DA TAXA SELIC 14. No tocante à taxa SELIC, cabe salientar que o art. 26A do Decreto n° 70.235/72 dispõe o seguinte: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) 15. Portanto, não compete à instância administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a argüição de inconstitucionalidade, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal de 1988 nos arts. 102 I, a, e II1, b. 16. Isto posto, dou provimento em parte à impugnação para excluir do presente lançamento, por decadência, as competências lançadas até a competência 10/2003 e declarar o Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 262 7 contribuinte devedor do débito remanescente no valor de R$ 94.704,44, conforme DADR em anexo. [...] Muito bem. A Recorrente, em sede de recurso voluntário, não aduz novas razões de defesa, limitandose a reproduzir, no mérito, os argumentos apresentados na impugnação, observandose que a preliminar de decadência foi acatada pela autoridade julgadora de primeira instância. Observase que a DRJ denunciou existência de concomitância de instâncias judicial e administrativa uma vez que a Recorrente discute em ação judicial a mesma matéria objeto desta lide, qual seja a possibilidade ou não de Portaria Ministerial elevar a alíquota de contribuição de 11,71% para 20,00%, conforme ela mesma informa no recurso voluntário: [...] Na hipótese, tratase, na verdade, de Portaria MPAS n°. 1.135, de 05 de abril de 2001, que elevou o percentual de 11,71 %, até então previsto no Decreto n°. 3.048/99, para 20%, para fins de determinação da base imponível da contribuição social dos trabalhadores incidente sobre o, rendimento bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte de passageiros por condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em total desrespeito aos princípios constitucionais da legalidade e da anterioridade nonagesimal. Pois bem. Cumpre ressaltar, novamente, que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06 de maio de 1.999, que dispõe sobre a exação fiscal aqui combatida pelo peticionante em sede de recurso voluntário, estabelecia, antes da entrada em vigor da Portaria MPAS n°. 1.135/01, que: "Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: § 4° A remuneração paga ou creditada a tranportador autônomo, a que se referem os incisos I e II do §15 do artigo 9° pelo frete, carreto ou transporte de passageiros realizado por contra própria corresponderá ao valor resultante da aplicação de um dos percentuais estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o valor bruto do frete, carreto ou tranporte de passageiros,, para determinação do valor mínimo da remuneração (Redação dada pelo Decreto n°. 1265, de 29.11.99). ... Art. 267. Até que o Ministério da Previdência e Assistência Social estabeleça os percentuais de que trata o § 40 do art. 201, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 263 8 será utilizada a alíquota de onze virgula setenta e um por cento sobre o valor bruto do o frete, carreto ou transporte de passageiros." (grifo nosso) Por oportuno, cabe destacar que os mencionados incisos 1 e 11 do § 15 do artigo 9°, referidos na legislação acima transcrita, dispõem sobre a figura do trabalhador autônomo, especialmente em sua redação original que tinha o seguinte teor: "§ 15. São trabalhadores autônomos, entre outros: I o condutor autônomo de veículo rodoviário, assim considerado aquele que exerce atividade profissional sem vínculo empregatício, quando proprietário, coproprietário ou promitente comprador de um só veículo; II aquele que exerce atividade de auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei n° 6.094, de 30 de agosto de 1974;". No entanto, em completo desrespeito ao princípio constitucional da legalidade, previsto no artigo 150, inciso I, da Carta Maior, foi editada, pelo Ministério da Previdência e Assistência Social,, a Portaria n°. 1.135, de 05 de abril de 2.001, elevando o percentual para fins de definição da base imponível da referida contribuição social, até então previsto em 11,71%, para 20% do valor bruto do frete com base no dispositivo do § 4° do artigo 201 do RPS: "Art 1° Considerase , remuneração paga ou creditada ao condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, ' em automóvel cedido em regime de colaboração, nós termos da Lei n0 6.094, de 30 de agosto de 1974, de que tratam, respectivamente os incisos 1 e, 11 do § 15 do art. 9° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n0 3.048, de 6 de maio de 1999, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, vinte por cento do rendimento bruto." (grifo nosso) Portanto, importante salientar, mais uma vez, que a majoração'do, referido percentual o para fins de definição da base imponível da contribuição social prevista na alínea "c", do parágrafo único do Art. 11 da Lei n°. 8.212/91 incidente sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros prestados por autônomos (carreteiros) fere o princípio constitucional da estrita legalidade, previsto no Artigo 150, inciso I, da Carta Magna, o que'demonstra, com foros de certeza absoluta, que a recorrente tem o direito líquido e certo de não se sujeitar a malfada cobrança lançada contra a defendente, por meio o odioso AI IM n°. 37.168.1839, devendo ser integralmente, cancelado, nos termos do pedido formulado ao final. Nesse sentido, a Confederação Nacional do Transporte CNT, entidade sindical de grau superior que representa, em grau Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 264 9 máximo, a categoria da qual faz parte a recorrente, adotando mesma linha de raciocínio aqui utilizada pela recorrente em sede de recurso voluntário, impetrou Mandado de Segurança Coletivo n'. 7790/DF, originário do Egrégio Superior Tribunal Justiça, para o fim de se questionar a legal id.ade/constitucional idade do aumento do percentual para fins de definição da base imponível da contribuição social dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, ora guerreada nos autos, por meio da referida Portaria Ministerial n°. 1.135/2001. Atualmente, o presente processo encontrase em grau de Recurso Ordinário em Mandado de Segurança n° . 25.476, . perante o Colendo Supremo Tribunal Federal, aguardando julgamento, mas já com 7 votos proferidas, contra 1, favoráveis aos interesses dos contribuintes, conforme consulta p rocessual eletrônica (www.stf.jus.br ). De todo modo, registrese, por oportuno, que a recorrente deixou de recolher a referida contribuição social dos trabalhadores,' com base à alíquota de 11 % sobre o valor da base de cálculo ilegalmente alterada por meio da aqui atacada Portaria .MPAS n°. 1.135/2001, tendo em vista a concessão de medida liminar, nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n0. 2001.61.00.1091704, impetrado pela Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logísticas NTC, para o fim de se reconhecer o direito líquido e certo de seus associados a continuar a recolher a mencionada contribuição previdenciária ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, incidente sobre os serviços de frete, carreto ou transporte de passageiros prestados por autônomos (carreteiros), à base de 11,71%, conforme cópia da decisão oportunamente anexada aos autos. Apenas para fim de argumentação, importante anotar que a recorrente é pessoa jurídica de direito privado devida e regularmente associada à Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logísticas NTC, conforme faz prova a copia da declaração emitida pela própria entidade anexada aos autos, o que demonstra que a peticionante teve assegurado seu direito de não se sujeitar à Odiosa cobrança veiculada por norma infralegal, nos termos e para os fins da medida liminar concedida nos autos do mencionado Mandado de Segurança Coletivo n0. 2001.61.00.1091704. Nesse sentido, a recorrente tem plena convicção de que se afigura absolutamente ilegítima a exigência da Contribuição Social dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição, na hipótese em comento, especialmente em 'razão da ilegalidade da majoração de.tributo por meio de norma infralegal, ou seja, através de portaria ministerial editada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, que elevou . o percentual definidor da base de cálculo das contribuições em apreço de 11,71% para 20%, incidente sobre o valor bruto da prestação de serviços de autônomos (carreteiros), conforme restará amplamente evidenciado. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10865.003788/200855 Acórdão n.º 2402007.621 S2C4T2 Fl. 265 10 [...](grifei) Conforme se observa, resta evidente a concomitância de instâncias judicial e administrativa denunciada pela decisão de primeira instância, não havendo, pois de se conhecer do recurso voluntário em face dessa matéria, a teor do Enunciado n.1 de Súmula CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto à utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros moratórios, tratase de matéria já consolidada neste Conselho, a teor do Enunciado n. 4 de Súmula CARF, de natureza vinculante, o que dispensa maiores considerações: Enunciado n. 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002529/2003-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ.
Nos termos da Súmula 360/STJ, a denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarada, mas pagos a destempo.
Numero da decisão: 3401-006.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. Nos termos da Súmula 360/STJ, a denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarada, mas pagos a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 29 /2 00 3- 94 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10882.002529/200394 Acórdão n.º 3401006.718 S3C4T1 Fl. 272 2 convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 198 a 226) interposto contra o Acórdão nº 1415.095, de 14 de março de 2007, prolatado pela 2a Turma da DRJ/RPO, cientificado em 26 de abril de 2007 que, relativamente a auto de infração eletrônico do IPI dos períodos do 3º trimestre de 1998, considerou procedente em parte o lançamento. O auto de infração foi lavrado em 04 de julho de 2003, segundo o termo de fls. 54 a 91, o processo administrativo vinculado a parcelamento dos 1º e 3º decêndios de 1998 referirseia a outros débitos; em relação aos 1º e 2º de julho e ao 1º de setembro de 1998, haveria pagamento a menor da multa de mora; ao 3º de setembro, 2º e 3º de outubro, 1º e 2º de setembro, 1º e 2º de outubro, 1º, 2º e 3º de dezembro, 1º e 2º decêndios de novembro, haveria pagamento a menor da multa de mora. Houve, assim, lançamento do imposto com multa de mora e juros, de multa de mora paga a menor e de multa de ofício isolada. Em sessão realizada em 09 de dezembro de 2010, a 2º Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª sessão decidiu por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para verificar o andamento da ação judicial nº 1999.61.00.0423114 e a sua abrangência em relação aos débitos lançados no presente processo. Primeiramente quanto à ação judicial, tratase de mandado de segurança impetrado pelo interessado com o objetivo de exclusão da multa de mora do valor de sua dívida consolidada, objeto de parcelamento nos processos nº 10.168.000.449/9157 (atual processo nº 10.880.043.123/9376IPI), 13804.003302/9877 (IPI) e 10880.006753/9810, após confissão espontânea. A segurança foi concedida em 15/01/2001 (fls. 260). Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região denegou a ordem por motivo de decadência do direito ao mandado de segurança (fls. 261 a 265). A decisão foi publicada em 24/09/2003 e o trânsito em julgado ocorreu em 09/11/2007 (fls. 266 e 267). No que diz respeito à abrangência da ação mandamental quanto aos débitos objeto do auto de infração impugnado, especialmente os débitos parcelados no PA nº 13804003302/9877, somente os períodos de apuração referentes ao 1º e 3º decêndios de novembro de 1998 correspondem aos débitos lançados no presente processo (fls. 72/73 e 129). É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10882.002529/200394 Acórdão n.º 3401006.718 S3C4T1 Fl. 273 3 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Extraemse dos autos, fls. 76, que há coincidência entre o crédito tributário em discussão nesses autos e os que foram discutidos na ação judicial nº 1999.61.00.0423114, conforme confirmou a unidade preparadora. De outra parte, parcela do crédito discutido no presente processo administrativo não está abrangido naquele processo judicial: Em relação aos demais processos não abrangidos pela ação fiscal, a controvérsia cingese a saber se a multa de mora é exonerada quando da aplicação da denúncia espontânea. Como se verifica, no presente caso, em auditoria interna de Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF) de que tratam a IN SRF n° 045, de 1998, e a IN SRF n° 077, de 1998, foi constatado falta de pagamento, relativamente ao ano de 1998, consoante capitulação legal consignada fl.24 (quadro 10 do auto de infração), e, então, foi lavrado o auto de infração, para exigir R$1.787.349,02 de imposto, inclusos multa de mora, multa de oficio, multa isolada e juros. Isto posto, entendo aplicável ao caso a inteligência da Súmula 360 do STJ, que fundamentou o Recurso Especial nº 962379,relator Ministro Teori Zavascki julgado no rito do art. 543C do CPC: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10882.002529/200394 Acórdão n.º 3401006.718 S3C4T1 Fl. 274 4 tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Ante o exposto, voto por conhecer e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.005884/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. GLOSA. DEPENDENTE. FALTA DE PROVA.
Não tendo a Recorrente produzido qualquer prova em seu favor, devem ser mantidas as glosas de sues dependentes.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8o, § 2o, inc. III da Lei n° 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-002.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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