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Numero do processo: 13839.005369/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
COFINS. CUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA. CONCESSIONÁRIA.
A COFINS, na sistemática da cumulatividade (anterior à vigência da Lei no 10.833/2003) incide sobre o faturamento resultante da cobrança de tarifa sobre água e esgoto, auferido por sociedade de economia mista municipal, ainda que a execução do serviço, mediante remuneração, por contrato de concessão, seja parcialmente conferida a terceiro, por conveniência do concedente, com intermediação de rede bancária.
Numero da decisão: 3401-005.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 COFINS. CUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA. CONCESSIONÁRIA. A COFINS, na sistemática da cumulatividade (anterior à vigência da Lei no 10.833/2003) incide sobre o faturamento resultante da cobrança de tarifa sobre água e esgoto, auferido por sociedade de economia mista municipal, ainda que a execução do serviço, mediante remuneração, por contrato de concessão, seja parcialmente conferida a terceiro, por conveniência do concedente, com intermediação de rede bancária.
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ÁGUA E ESGOTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 COFINS. CUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA. CONCESSIONÁRIA. A COFINS, na sistemática da cumulatividade (anterior à vigência da Lei no 10.833/2003) incide sobre o faturamento resultante da cobrança de tarifa sobre água e esgoto, auferido por sociedade de economia mista municipal, ainda que a execução do serviço, mediante remuneração, por contrato de concessão, seja parcialmente conferida a terceiro, por conveniência do concedente, com intermediação de rede bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 53 69 /2 00 7- 82 Fl. 830DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 06/12/2007 (fls. 587 a 591, com ciência em 06/12/2007 fl. 587)1 para exigência de COFINS, de janeiro a dezembro de 2003, no valor original de R$ 615.143,63, em função de falta/insuficiência de recolhimento, detalhada no Termo de Verificação Fiscal (TVF), em relação à empresa “DAE S.A. Água e Esgoto” (CNPJ 03.582.243/000173 doravante “DAE”). No TVF de fls. 592 a 601, narra a fiscalização que: (a) a fiscalização , com propósito de verificar cumprimento de obrigações tributárias referentes a IRPJ, no ano calendário de 2003, foi objeto de mandado de procedimento fiscal complementar, alastrando a fiscalização a PIS e COFINS; (b) no final de 1999, a recorrente, por meio da Lei municipal no 5.307, deixou de ser uma autarquia vinculada à Prefeitura Municipal de Jundiaí, passando a ser uma sociedade de economia mista, com participação de cinco pessoas físicas, membros, à época, do Conselho de Administração da empresa, e que detêm, juntas, 0,05% do capital (o que equivale a R$ 100,00); (c) o IRPJ de 2003 foi apurado trimestralmente, com base no lucro real; (d) da apreciação dos registros no Livro Diário e balancetes, verificou a fiscalização expressivos repasses à “Companha de Saneamento de Jundiaí” (CNPJ 01.201.289/000170 – doravante “CSJ”); (e) intimada, a empresa apresentou contrato de concessão, datado de janeiro de 1996, com duração de 20 anos, que tem por objeto os serviços de tratamento e disposição final dos esgotos sanitários do Município de Jundiaí, sendo que a remuneração da concessionária (CSJ), denominada de tarifa, dependia do volume mensal de água consumido pelos usuários e do volume de cargas de esgoto industrial, cabendo ao “DAE” a arrecadação das tarifas junto aos usuários; (f) quanto à rubrica tratamento de esgoto, do total arrecadado, a maior parte ficava com a “CSJ”, cabendo à “DAE” 5% mais a diferença entre valor arrecadado e a pagar, conforme previsto contratualmente; (g) o valor que ficou com a “DAE” foi contabilizado em conta de resultado e sujeito à tributação, enquanto que o valor repassado à “CSJ” não transitou por conta de resultado, sendo contabilizado apenas em contas patrimoniais, sem refletir, portanto, em tributação (exemplo à fl. 596); (h) apesar de não ter sido adicionado às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, onde o impacto fiscal seria nulo, em função de o valor entrar também como dedução, no que concerne à apuração das contribuições (PIS e COFINS) deveria o valor ter integrado as respectivas bases de cálculo, enquanto perdurou o regime da cumulatividade (no caso do PIS, o impacto, segundo o autuante, também seria zero, em função da Lei no 10.637/2002); (i) a legislação que rege a COFINS (art. 2o da Lei Complementar no 70/1991) não prevê a exclusão de valores da base de cálculo da contribuição, mesmo que repassados a outras pessoas jurídicas; (j) com a edição da Lei no 9.718/1998, aplicável a partir de 01/02/1999, o faturamento passou a corresponder à totalidade das receitas auferidas, independente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, passando a prever expressamente (art. 3o, § 2o, III) a exclusão de valores transferidos a terceiros, desde que observada a regulamentação editada pelo Poder Executivo, tendo sido tal dispositivo revogado antes da regulamentação, ensejando a edição do Ato Declaratório SRF no 56, de 20/06/2000, para disciplinar situações pretéritas; e (k) o valor tributável foi apurado com base na escrituração da “DAE”, e nas notas fiscais emitidas pela “CSJ” (detalhamento na tabela de fl. 600). Em oposição à autuação, a empresa apresentou impugnação em 07/01/2008 (fls. 603 a 617), sustentando que: (a) a autuação é nula, pois está fundada apenas em dispositivos regulamentares (Decreto no 4.524/2002), violando o princípio da estrita legalidade; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 831DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 831 3 (b) a autuada, ente da Administração Pública, optou por conceder o serviço de tratamento de esgoto a terceira pessoa, estabelecendo as normas a serem atendidas pelo concessionário; (c) a conta enviada aos consumidores de forma conjunta resulta em arrecadação que é parcialmente destinada à “DAE” (pelos serviços por ela prestados) e parcialmente à concessionária, também em virtude dos serviços por tal empresa prestados (serviços de tratamento de esgotos); (d) as tarifas recebidas pela concessionária a título do serviço de tratamento de esgoto não representam receita ou faturamento da empresa concedente, pois não se trata de subcontratação de serviços (o que implicaria faturamento do total das receitas e repasse de valores à subcontratada), mas de concessão de serviço público, cujo único titular é a concessionária; e (e) portanto, não existem repasses, mas faturamentos separados, sendo a separação de tarifas efetuada na própria instituição bancária contratada para implementar o disposto contratualmente (sendo o boleto único enviado pela “DAE” mera opção para facilitar a cobrança das tarifas devidas de consumidores de serviços distintos). O julgamento de primeira instância administrativa ocorre em 05/10/2009 (fls. 681 a 696), acordando unanimemente a DRJ em manter o lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) as bases legais da autuação estão todas relacionadas no Termo de Verificação anexo à autuação, não havendo violação à legalidade, ou nulidade; (b) a autuada é pessoa jurídica de direito privado, ainda que sujeita a algumas regras do setor público, como a contratação por meio de licitação, o que resta claro por ter sido adotada uma tarifa/preço público, e não uma taxa; (c) a autuada tem como objeto social, entre outros, a prestação dos serviços de esgoto, que poderia efetuar de forma direta, tendo livremente optado por executar a tarefa pela via indireta, usando o consórcio “CSJ”; (d) toda a relação com o usuário ficava a cargo da “DAE”, inclusive medições, contas, cobrança de inadimplentes; (e) apenas o detentor da titularidade do serviço público, no caso, o Município, poderia conferilo a terceiros por meio de concessão; (f) os valores pagos pelos usuários dos serviços à “DAE” correspondem a faturamento e compõem a base de cálculo da COFINS, independentemente da validade ou não da ampliação do conceito de faturamento constante na Lei no 9.718/1998; e (g) o caso se assemelha a outro, apreciado e pacificado pelo STJ no REsp no 847.641/RS (locação de mão deobra). Ciente da decisão de piso em 13/11/2009 (AR à fl. 704), a empresa interpôs o recurso voluntário de fls. 722 a 744 (data inicialmente ilegível, mas, confirmada como 11/12/2009 após refazimento da digitalização, a nosso pedido), reiterando as razões de impugnação (à exceção da referente à nulidade por violação à legalidade estrita), e adicionando que: (a) os serviços foram executados pela concessionária (“CSJ”) e a esta diretamente pagos (depósito direto pela instituição financeira centralizadora, em conta bancária do consórcio “CSJ”, e que apenas o ingresso efetivo de recursos no patrimônio da recorrente é que pode ser objeto de tributação pela COFINS; (b) que houve derrogação expressa do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998; e (c) que a recorrente é sociedade anônima de economia mista, fazendo jus à imunidade intergovernamental recíproca (art. 150, VI “a” da CF/1988). Em 15/12/2009, a unidade preparadora da RFB enviou o processo ao CARF, por meio do despacho de fl. 825. Nenhum outro andamento processual consta nos autos, conforme peças no sistema eprocessos, cabendo destacar que o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em 30/11/2017. É o relatório. Fl. 832DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, e, portanto, dele se toma conhecimento. Caberia, de início, esclarecer o que resta de contencioso no presente processo. No entanto, preferimos, por razões metodológicas, destacar inicialmente o que já não faz parte do contencioso, para centrar, posteriormente, a discussão na efetiva divergência entre fisco e recorrente, que, a nosso ver, é pontual. Em relação à preliminar demandando nulidade do lançamento por estar restrito a norma infralegal, não reiterada no recurso voluntário, temos que a recorrente deve ter percebido e acolhido a escorreição da argumentação da decisão de piso, no sentido de que os fundamentos legais da autuação estavam todos no Termo de Verificação Fiscal, que a integra. Há, ainda duas alegações recursais inovadoras, ainda que ad argumentandum tantum, que pouco se relacionam com a matéria discutida no presente processo, a nosso ver: a derrogação expressa do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (que já havia sido, inclusive, tomada em conta na decisão de piso, não versando o presente processo, v.g., sobre receitas financeiras), e o entendimento de que a recorrente, sociedade anônima de economia mista, faria jus à imunidade intergovernamental recíproca (art. 150, VI “a” da CF/1988), visto que basta a simples leitura do texto constitucional para que se saiba que tal imunidade se refere a impostos (e aqui se está a tratar de COFINS, que é uma contribuição), não sendo a menção a doutrinadores capaz de alterar o texto explícito da Lei Maior. Também vemos pouca importância, no caso, em ser a “DAE” uma sociedade de economia mista, e na transcrição das atividades que constituem do objeto social da “DAE”, entre elas “operar, manter, conservar e explorar, diretamente ou indiretamente, os serviços de esgotos sanitários do Município de Jundiaí”. Como se vê, tais elementos, neutros, são incontroversos, e são utilizados tanto pela fiscalização quanto pela recorrente em suas alegações. Também não divergem fisco e recorrente sobre os termos dos contratos (que estão, inclusive reproduzidos nos autos – fls. 639 a 677), e igualmente se prestam à argumentação de ambos. Ninguém parece ter dúvidas de que a “DAE” tinha por objeto social os serviços de esgoto, mas que podia mantêlo/explorálo direta ou indiretamente, e que o fazia, indiretamente, por meio da “CSJ”, conforme estabelecido em contrato. A DRJ chega até a questionar a possibilidade jurídica do contrato, no que, francamente, excede as razões de autuação, o que importa desconsideração do argumento, ao menos neste foro. Eventual questionamento sobre a possibilidade jurídica do contrato deveria, se fosse o caso, ser feito aos órgãos competentes, e não no bojo do julgamento administrativo de exigência de crédito tributário, como razão de decidir, ainda mais se sequer suscitada pelo próprio autuante. No entanto, uma divergência flagrante (e que não parece ser de entendimento, mas fática), entre a fiscalização e a recorrente se refere a existirem ou não “repasses” da “DAE” à “CSJ”. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 832 5 A fiscalização, no TVF, afirma que (fls. 594, 595 e 596): A recorrente, por seu turno, sustenta que (fls. 727, 730 e 731): Ao se analisar o contrato celebrado entre “DAE”, “CSJ” e o Banco do Estado de São Paulo (fls. 659 a 662), resta clara a função de cada um logo na segunda cláusula: Fl. 834DF CARF MF 6 A “DAE”, como visto, é quem detém competência para cobrar valores dos consumidores os serviços, por meio de contas mensais. Poderia, inclusive, cobrar tarifas e executar diretamente os serviços. Mas optou por cobrar tarifas e remunerar terceiro, contratado, criando conta bancária em instituição que reparte o montante arrecadado e divide entre contratante (concedente – “DAE”) e contratado (concessionário – “CSJ”). A origem do contrato com a instituição bancária estava prevista nas normas de concessão (fls. 639/640): As disposições das normas de concessão deixam clara a distinção entre “TARIFA” (valor total a ser cobrado do usuário, pela Concedente) e “REMUNERAÇÃO” (da Concessionária), às fls. 643/644: E, após estabelecer as parcelas da “TARIFA” que correspondem à “REMUNERAÇÃO” da Concessionária, o contrato estabelece (fls. 644/645) a forma de cobrança: Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 833 7 Vejase que o “DAE” efetua a cobrança da “TARIFA”, ainda que por meio de instituição bancária, e “REMUNERA” e concessionária (“CSJ”) em relação a serviços de esgoto. Aliás, isso resta cristalino na cláusula 11 das normas de concessão (fl. 650): A sistemática de utilizar instituição bancária, como esclarece a própria recorrente, busca facilitar o rateio da tarifa no que se refere à parcela que constitui “REMUNERAÇÃO” da concessionária (“CSJ”). Voltando ao contrato de ambas (“DAE” e “CSJ”) com a instituição bancária (“CENTRALIZADOR”), percebese, pela cláusula 3 (fl. 659), que é exatamente esse o objetivo do contrato (regular a segregação da parcela da “TARIFA” que corresponde à “REMUNERAÇÃO” da concessionária, devendo ser compreendido que no contrato com a instituição bancária a palavra “remuneração” se refere ao que esta recebe – digase, da “DAE” para sua tarefa de segregação, cf. cláusula 14): Pelo que se pode compreender do contrato, a totalidade da “TARIFA” é cobrada pelo “DAE” (e nem poderia ser diferente, pelo que aqui já se expôs em relação à titularidade dos direitos de cobrança), que pode, inclusive, inicialmente, utilizar outra instituição bancária para a cobrança da totalidade da “TARIFA”. E é disso que se ocupam as cláusulas 4 e 5 do contrato (fl. 660): Fl. 836DF CARF MF 8 O que de fato acontece, então, no cenário descrito, é a arrecadação da tarifa pelo “DAE”, tarifa essa que serve para remunerar o “CSJ”, pelo serviço de esgoto, e a instituição bancária que reparte o valor da tarifa. Não é preciso, nesse cenário, muito esforço para compreender que a totalidade da tarifa é devida ao “DAE”, e que a dita remuneração ao “CSJ” é exatamente o repasse a que se refere a fiscalização. E tal repasse é inclusive registrado na contabilidade da “DAE” (embora não o seja em conta de resultado), como narra o fisco, e não contesta a empresa, que, no entanto, pede que não seja dado tanto valor ao que registra em sua contabilidade, em tópico do recurso voluntário intitulado “da inaplicabilidade dos lançamentos contábeis como fato gerador da COFINS” (fl. 736/738), concluindo que: Assim, parece entender a recorrente que os valores por ela cobrados a título de tarifa dos usuários (e registrados em sua contabilidade), poderiam estar fora do campo de incidência da COFINS cumulativa (anterior à Lei no 10.833/2003), pelo simples fato de celebrar contrato com instituição bancária para que esta separasse e entregasse a uma concessionária parte do valor da tarifa. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 834 9 Aliás, retomese o exemplo já citado neste voto, pela fiscalização, com emissão de nota fiscal de serviços para repasse à “CSJ”, e não refutado especificamente pela recorrente: Não entendo que tenha havido pagamento, pelo usuário, diretamente à “CSJ”, mas sim pagamento à “DAE”, que, por liberalidade sua, celebrou contrato com instituição bancária para divisão de seus recursos arrecadados com a “CSJ”, e, com isso, alinhome ao argumento central da autuação, de que, à época do regime cumulativo (em que as alíquotas eram menores, justamente por incidir a contribuição de forma cumulativa), a contribuição incidia a cada etapa da cadeia de produção/prestação de serviços. Nas palavras da fiscalização, aqui endossadas (fl. 599): É claro que se a autuação se referisse a período já sobre o manto da não cumulatividade (posterior à Lei no 10.833/2003), a análise seria substancialmente diferente. Mas há que se julgar exatamente o tema controverso apresentado, à luz da legislação de regência vigente à época dos fatos narrados. E, em tal universo delimitado, entendemos procedente a alegação fiscal, e cabível a incidência de COFINS sobre as operações em análise. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 838DF CARF MF 10 Fl. 839DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18043.720047/2017-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO.
TRIBUTAÇÃO CONFORME ARTIGO 9º DA LEI 7.713/88.
Numero da decisão: 2002-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. TRIBUTAÇÃO CONFORME ARTIGO 9º DA LEI 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 04 3. 72 00 47 /2 01 7- 17 Fl. 89DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 76/77) contra decisão de primeira instância (fls.65/68), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Foi lavrado auto de infração por Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royaltes Recebidos de Pessoas Jurídicas. O contribuinte entregou Declaração de Ajuste Anual (DAA) de exercício 2013 (ano calendário 2012) com saldo de Imposto de Renda a pagar no valor de R$ 356,78 (fls 47). Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, requerendo a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Alega que os rendimentos recebidos de CEVA LOGISTICS, eram decorrentes de serviço de transportes de cargas como motorista autônomo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, negou provimento a impugnação, para manter o auto em sua integralidade. Inconformado, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente, que sobre o valor de R$ 68.335,74 (bruto), deve ser tributável apenas 40%, ou seja R$ 27.334,35. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Cuidase de Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Inicialmente, destaco que pelos documentos juntados aos autos (contrato de prestação de serviço fls 13/18; CNH do tipo D – fl.78; propriedade do veículo FIAT DUCATO – fl. 45), o recorrente atuava como transportador de carga autônomo, com o seu próprio veículo. Assim, aplicável ao contribuinte o disposto no artigo 9º, I, da Lei 7.713/88, com redação original, ou seja, antes da Lei nº 12.794/2013, que assim dizia: “Art. 9º Quando o contribuinte auferir rendimentos da prestação de serviços de transporte, em veículo próprio locado, ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária, o imposto de renda incidirá sobre: I – quarenta por cento do rendimento bruto, decorrente do transporte de carga.”. Do cotejo entre o fato provado, qual seja, que o contribuinte recebeu da empresa CEVA LOGISTICS rendimentos decorrentes da prestação de serviços de transporte de carga em veículo próprio, e o previsto na legislação pertinente, dáse razão ao recorrente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 18043.720047/201717 Acórdão n.º 2002000.116 S2C0T2 Fl. 3 3 para reconhecer que é tributável apenas 40% do valor total recebido de R$ 68.335,74, que em número absoluto seria R$ 27.334,35. É bem de ver que o contribuinte informou a RFB que o valor de rendimento tributável seria de R$ 16.793,61, o que não é correto, assim como também não é correto o valor apontado pela RFB de R$ 68.335,74. Desta forma, determino o recalculo do imposto devido, tendo em vista que a omissão de rendimento foi de R$ 10.548,69 (R$ 27.334,30 – R$ 16.793,61). Registro, por relevante, que cabe à fonte pagadora efetuar a retenção e recolhimento do imposto de renda e enviar ao beneficiário o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido, podendo ser apenada pelo não envio desse comprovante, bem como por informação incorreta prestada, mas isso não elide a responsabilidade do contribuinte pelas informações prestadas em sua declaração de IR. Caso o contribuinte se sinta prejudicado com a informação incorreta prestada pela fonte pagadora, deve procurar a reparação de seu dano pelos meios próprios, não estando a RFB vinculada ao equivocado informe da fonte pagadora. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento, determinandose o recálculo do imposto devido, considerada a omissão de rendimento no valor de R$ 10.548,69. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727417/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização i) elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizando-as por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão ii) junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês correspondente; e iii) apresente manifestação acerca dos documentos produzidos
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
RELATÓRIO
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização i) elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizando-as por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão ii) junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês correspondente; e iii) apresente manifestação acerca dos documentos produzidos (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. RELATÓRIO
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Recorrente PLANALTO SERVICE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização i) elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizandoas por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão ii) junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês correspondente; e iii) apresente manifestação acerca dos documentos produzidos (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. RELATÓRIO Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 27 41 7/ 20 15 -7 9 Fl. 6176DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 3 2 Contra o contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 17.09.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária e multas, em função das seguintes infrações levantadas: TRIBUTO: 1 Valores Indevidamente Compensados Glosa de Retenção (PRESTADOR) principal de R$ 9.122.561,73 período de 01/2012 a 12/2013 acrescido de multa de mora e juros legais Selic; MULTA ISOLADA: 2 Compensação com Falsidade de Declaração período de 01/2012 a 12/2013 multa isolada no valor de R$ 13.683.842,55; MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: 3 Falta de Destaque dos 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por empresa cedente de mãodeobra período de 25.08.2015 multa no valor de R$ 1.925,81; 4 Não exibição de documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.21291 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas período de 25.08.2015 multa no valor de R$ 19.257,83; e 5 Apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD) com informações incorretas ou omissas período de 28.08.2015 multa de R$ 12.362.780,49. Relatório Fiscal às fls. 20/184. Foram incluídos como responsáveis solidários as empresas abaixo, em função de comporem, como sustentado pelo Fisco, o mesmo grupo econômico de fato, que decorreria de mero exercício de poder de controle. MOVELARIA E MADEIREIRA MERCEDES LTDA ME CNPJ 72.573.165/000165; PLANALTO SERVIÇOS EMPRESARIAS LTDA ME CNPJ 32.906.349/000183; e PLANALTO EMPRESAS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA CNPJ 00.734.276/000101. Regularmente intimado, apresentou Impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 4980/5032, com a seguinte ementa: RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, Fl. 6177DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 4 3 com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Procedida a retificação do lançamento, sendo excluídos dos Autos de Infração os valores lançados a maior, pela fiscalização. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A alegação de que a multa não atende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 6178DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ’s) são incompetentes para se manifestar a respeito de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Em seu Recurso Voluntário às fls. 5068/5098 aduz, em breve síntese: Em preliminar: Que a recorrente, embora reconheça a receita na prestação de serviços pelo regime de competência, consoante dispõe a norma; utilizase do regime de caixa para a contabilização da retenção relativa àquelas mesmas receitas. Assim, uma vez que o recolhimento da contribuição sobre a folha dáse em momento anterior à utilização da retenção sofrida (por compensação), não haveria prejuízo ao erário, na medida em que estaria antecipando a receita ou diferindo o direito de aproveitamento da retenção. No mérito, passo a relatar, segundo a estrutura dos tópicos no recurso: IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO CRÉDITO – NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Que o autuante não procedeu de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte; Que no Relatório Fiscal haveria valores em planilhas em campos que consta como "não entregou" ou "não informou", que na realidade constam tanto na nota fiscal emitida, como na planilha do demonstrativo mensal. Que estaria juntando os razonetes das contas "bancos", "clientes" e "previdência social a recolher" SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APONTAMENTO DE RETENÇÕES A MENOR – IMPACTO NO VALOR FINAL A SER PAGO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Que o auditor suprimiu valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPS não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DOS VALORES A SEREM PAGOS PELA CONTRIBUINTE – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Que o autuante desconsiderou os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. Fl. 6179DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 6 5 IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 89, §10º, DA LEI N. 8.212/91 – FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Que em momento algum se alegou ou comprovou que a Contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, expos à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. Que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 – APRESENTAÇÃO DE ECD COM INEXATIDÃO Que o fato de a autuada contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive noticiado pela Contribuinte no curso da fiscalização, não importa em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – BASE DE CÁLCULO DA MULTA MAJORADA – ERRO NO DIMENSIONAMENTO DA INFRAÇÃO Que interpretação adequada à dosimetria da pena é aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contenham informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não seja o valor final inferior à R$ 100,00. Entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtua o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. Que, nesse rumo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se coloca apenas por apego ao debate, deve ser retificada, para que leve em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA SEGUNDO O TEXTO DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 DADO PELA LEI N. 12.766/12 – RETROATIVIDADE BENIGNA Que deve ser aplicada a retroatividade benigna, decorrente da redação dada pela Lei 12.873/13, ao artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE DESTAQUE DE RETENÇÃO EM ALGUMAS NOTAS FISCAIS Que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. Fl. 6180DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 7 6 Que em não havendo destaque e retenção, não haverá também proveito de crédito de retenção. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ALGUMAS NOTAS FISCAIS. Que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONÔMICO. Que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afasta a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. Que as empresas, de fato, não praticam atividades conjuntamente ou de alguma forma interligadas, o que, por si só, é mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 21.03.2017 (fls. 5062) e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 19.04.2017. Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. O demais solidários foram intimados por edital (fls. 5064), eis que improfícua as intimações pela via postal, e quedaramse inertes. Consoante informa a Fiscalização em seu Relatório Fiscal, o contribuinte teria sido intimado a demonstrar a apuração dos créditos decorrentes da retenção em Notas Fiscais e das compensações realizadas. Em resposta, teria apresentado planilhas dos anos 2012 e 2013 com relação das notas fiscais e percentual dos tributos descontados. Passo a inferir, com isso, que o crédito do contribuinte estaria lastreado em retenções sofridas nos anos de 2012 e 2013 e utilizadas nos respectivos meses. Assim sendo, envolveriam retenções utilizadas no próprio mês de emissão da nota fiscal ou fatura de serviços, para compensar o valor das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. Vale registrar que tal intimação decorreu da constatação de que os valores compensados com retenções do mês eram substancialmente maiores do que os recolhimentos identificados nos sistemas. Explico: com o destaque da retenção pelo prestador, o tomador deve efetuar seu recolhimento no CNPJ do prestador, informando na GPS, a data de referência (competência) como a da emissão da nota. Assim, ainda que o recolhimento da retenção se dê em momento posterior, a apropriação, pelo sistema, tomará a da data de referência (competência) informada na GPS, de Fl. 6181DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 8 7 forma que, se regularmente recolhidas pelo(s) tomador(es) passem a guardar relação com o valor informado pelo contribuinte em suas GFIP. Desta feita, o valor recolhido em GPS, na competência que lá aparece nos sistemas da RFB, deve, ou ao menos deveria, revelar as retenções sofridas pelo prestador naquele mês. Veja que, com isso, a auditoria fiscal passa, necessariamente, pela consulta a tal sistema. Uma vez verificada a significativa diferença, como no caso em tela, onde os recolhimentos mostraramse inferiores às retenções/compensações declaradas nas respectivas GFIP, há de se investigar sua causa, como por exemplo: se ausência de recolhimentos pelos tomadores; ou se aproveitamento pelo prestador sem lastro nos documentos fiscais; ou ainda, se erro de tomador ao informar a competência na GPS. Quanto à última hipótese acima, registrese que, com certa freqüência, alguns tomadores informam na GPS um período de referência posterior ao da emissão da nota fiscal, com vistas a furtarse ao recolhimento dos acréscimos legais. Nesse sentido, considerando que na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, artigo 31 da Lei 8.212/91 e §§ 4º, 9º e 10 do artigo 219 do Decreto 3.048/99, o prestador passa ter direito ao crédito, a rigor, já no ato da emissão da nota fiscal ou fatura de serviço com o devido destaque da retenção, faz imprescindível a apresentação das notas fiscais então emitidas no período. Art. 137. O lançamento da retenção na escrituração contábil, de que trata o art. 136, deverá discriminar: I o valor bruto dos serviços; II o valor da retenção; e III o valor líquido a receber. Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante, a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores, por contratante, conforme disposto no inciso III do art. 134. Do dispositivo acima, temse que haverá um lançamento de 3ª fórmula1, no seguinte padrão, tomando por exemplo uma nota fiscal de serviços no valor de R$ 100.000,00: D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor Líquido a Receber R$ 89.000,00; D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor da Retenção R$ 11.000,00; e C CONTA DE RESULTADO RECEITA Valor Bruto dos Serviços R$ 100.000,00 Com isso, com a emissão da nota, o contribuinte já contará com seu crédito contabilizado em conta de Ativo. 1 É o registro do fato contábil envolvendo mais de uma conta devedora e apenas uma conta credora. http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/lancamcont.htm Fl. 6182DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 9 8 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei. Percebase da redação acima, que o recolhimento do valor retido darseá, como regra, até o dia 20 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. Assim, ainda que o pagamento ao prestador se dê em um outro momento, bem a frente, por exemplo, o fato é que a retenção deve ser recolhida tomando por referência o dia da emissão da nota ou fatura de serviço, fazendo com que não haja substancial distanciamento entre o aproveitamento do crédito pelo prestador (data da emissão da nota) e o ingresso do respectivo valor aos cofres públicos (até o dia 20 do mês subseqüente). Efetuado o recolhimento após o prazo acima assinalado, serão devidos os acréscimos legais, que, por óbvio, não integrarão o valor do crédito do prestador. E mais, a teor do § 5º do artigo 33 da Lei 8.212/91, a empresa contratante dos serviços que deixou de reter os 11%, quando devida a retenção, fica diretamente responsável pelo pagamento do tributo não retido e não recolhido. Confirase o texto. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Vejamos, adiante, o que prescreve o artigo 219 do Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitadade mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do Fl. 6183DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 10 9 recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina,ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247. §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Feitas as breves considerações acima, podese resumir o procedimento da seguinte forma: Cabe ao prestador observado o serviço prestado e legislação pertinente emitir a nota fiscal ou fatura de serviço com o destaque da contribuição a ser retida, o que autorizarlheá sua imediata compensação2 com o valor da contribuição devida sobre a folha naquele mesmo mês de emissão da nota. Somente na hipótese em que houver excesso de retenção em relação ao valor da contribuição devida no mês é que o contribuinte estará autorizado a ver restituído ou compensar esse excedente em períodos posteriores, na forma da lei. Se, por sua vez, não efetuar o destaque, além de se sujeitar a multa regulamentar, a utilização da retenção em compensações estará condicionada à comprovação de sua efetiva ocorrência. A seu turno, cabe ao tomador observado o serviço contratado e legislação pertinente efetuar a retenção e recolhimento da contribuição no prazo legal, independentemente de ter havido ou não seu destaque. Pois bem. A fiscalização efetuou o lançamento das divergências a seguir apontadas, levandose em conta o valor compensado na GFIP e os recolhimentos de retenção identificados no mesmo mês, promovidos por seus tomadores. Vejase: 2 ..ou por outro estabelecimento da mesma empresa. Fl. 6184DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 11 10 Todavia, consta às fls. 469/517, planilha aparentemente apresentada pelo autuado, na qual relaciona as notas fiscais emitidas no período de 2012 e 2013, com a discriminação dos valores totais e retenções destacadas nas mesmas. O procedimento adotado pelo Fisco foi motivado pela constatação de que nenhuma das retenções e tomadores informados na planilha "Valores Declarados em GFIP por tomador" (fls. 550/569) correspondia aos valores informados pelo recorrente na planilha de notas emitidas no período (2012/2013). Ou seja, desconsiderou todas notas fiscais emitidas no período, pelo fato de não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. A não identificação direta na GFIP, ainda que possa coincidir um ou outro tomador, decorre do fato de o recorrente, como já dito alhures, declarar e contabilizar as retenções, observando o regime de caixa. É dizer, quando do recebimento pelo serviço prestado. Ademais, a afirmação no item 12 do relatório fiscal (fls. 192), no sentido de que "Nenhum, repito, nenhum desses valores de retenção declarados em GFIP corresponde aos valores informados pelo contribuinte na planilha “Demonstrativo mensal (IN RFB 9712009" merece ser melhor avaliada. Vejamos: Fl. 6185DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 12 11 Conforme se verifica da planilha de fls. 550 e seguintes, os valores de retenções informados nas GFIP apresentamse consolidados, mensalmente, por tomador, ao passo que naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), aparentemente detalhado por nota. Veja: Assim, se considerada a sistemática adotada pelo contribuinte e na hipótese de nota emitida e liquidada no mesmo mês, há a inafastável possibilidade de que referido documento, listado naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), esteja integrando o valor consolidado naquela planilha de fls 550, que retrataria, repito, as retenções informadas em GFIP. Reforça a tese, o comparativo efetuado pelo autuante no item 22 do relatório fiscal, que aparentemente considerou os débitos na conta contábil 2.1.1.3.01.0004 PREVIDÊNCIA SOCIAL A RECOLHER – 2012 e 2013 e as notas fiscais que integraram o sobredito demonstrativo mensal (IN RFB 9712009). Daquele comparativo, pôdese constatar que várias notas emitidas em determinado mês, tiveram suas retenções aproveitadas no próprio mês. Confirase, por amostragem: Fl. 6186DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 13 12 A partir dos totais mensais daquela planilha de notas emitidas (demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), chegouse ao comparativo adiante: RETENÇÃO DIFERENÇA PLANILHA GPS GFIP GFIP x GPS GFIP x PLANIL JANEIRO 1.543.120,48 1.545.525,61 1.763.534,82 218.009,21 220.414,34 FEVEREIRO 1.664.494,46 1.707.060,20 1.827.568,57 120.508,37 163.074,11 MARÇO ABRIL 1.622.309,25 1.602.097,18 1.779.703,62 177.606,44 157.394,37 MAIO 1.497.559,67 1.439.284,26 1.786.620,02 347.335,76 289.060,35 JUNHO 1.792.543,79 1.811.776,52 1.862.140,80 50.364,28 69.597,01 2012 JULHO 1.648.295,50 1.726.639,23 1.849.894,39 123.255,16 201.598,89 AGOSTO 1.539.195,40 1.570.523,63 1.907.135,47 336.611,84 367.940,07 SETEMBRO 1.662.119,23 1.553.039,49 1.874.264,31 321.224,82 212.145,08 OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 1.952.269,86 1.719.221,27 1.986.582,01 267.360,74 34.312,15 13 SAL 245.640,39 245.640,39 245.640,39 JANEIRO 1.091.593,98 1.053.300,11 1.883.388,32 830.088,21 791.794,34 FEVEREIRO 1.519.729,29 1.754.332,94 2.071.214,77 316.881,83 551.485,48 MARÇO 1.775.488,96 1.599.091,24 2.183.954,96 584.863,72 408.466,00 ABRIL 1.904.776,56 1.843.160,20 2.304.152,22 460.992,02 399.375,66 MAIO 2.350.557,34 1.966.822,79 2.416.145,53 449.322,74 65.588,19 JUNHO 1.860.748,11 1.706.051,62 2.335.786,66 629.735,04 475.038,55 2013 JULHO 2.203.469,15 2.365.742,54 2.422.603,31 56.860,77 219.134,16 AGOSTO 2.342.700,63 2.147.840,77 2.478.931,81 331.091,04 136.231,18 SETEMBRO 1.895.446,58 1.905.756,54 2.473.042,56 567.286,02 577.595,98 OUTUBRO 2.502.449,79 2.451.205,42 2.582.965,61 131.760,19 80.515,82 NOVEMBRO 2.461.014,71 2.379.649,45 2.527.744,88 148.095,43 66.730,17 DEZEMBRO 2.737.447,97 2.533.647,15 2.797.010,73 263.363,58 59.562,76 13 SAL 2.144.304,13 2.144.304,13 2.144.304,13 Às fls. 201, no item 21 do relatório fiscal, há uma planilha com relação de notas fiscais que não teriam sido apresentadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. Por outro lado, a partir de fls. 3924, há vários documentos fiscais acostados, intitulados como "apresentados durante fiscalização e relacionados pelo fiscal como não entregues". Dentre as apontados pelo autuante às fls. 201, podese notar que, de fato, há cópias de várias daquelas notas juntadas aos autos. Forte nas considerações acima, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência à unidade de origem, com vistas a que a Fiscalização: 1 Elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizandoas por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determina o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009; Fl. 6187DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 14 13 2 Junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês; e 3 Apresente manifestação (Informação Fiscal) acerca dos documentos produzidos. Cumprida a diligência, deverá ser dada vista ao recorrente para que, querendo e no prazo de 30 (trinta) dias, manifestese acerca da informação fiscal e documentos então anexados. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 6188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901880/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 18 80 /2 00 8- 26 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 67 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CANCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento de declaração de compensação (Dcomp) está submetido a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 25.06.2004, DCOMP de nº 03411.50167.250604.1.3.041000, objetivando a compensação de suposto crédito de COFINS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.01.2001, relativo ao período de apuração encerrado em 31.12.2000, no valor original de R$972,591, com débito da mesma contribuição do período encerrado em 30.04.2004, no valor original de R$1.502,94. Sobreveio, em 19.07.2008, despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2172 referente ao período de Abril/2004, no valor de R$ 9.328,5, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 25.06.2004 era de R$1.575,98. (fl. 3) Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 68 3 Alegaram ainda os membros da 7ª Turma da DRJ/CPS, que não foi comprovada real base de cálculo da COFINS de abril/2004, não sendo possível afirmar que os débitos declarados na DCOMP não estejam incluídos nos confessados em DCTF. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 16.09.2015, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustenta ainda que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário, e que muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que seja promovida a revisão de ofício. Por fim, pede que em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, seja a DRF/São Bernardo do Campo oficiada para que não haja cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 69 4 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 13), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP 03411.50167.250604.1.3.041000. Assim, no que cinge ao suposto crédito de COFINS do mês 12/2000, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento, bem como que não foi comprovada a real base de cálculo da COFINS de abril/2004, não sendo possível afirmar que os débitos declarados na DCOMP não estejam incluídos nos confessados em DCTF. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 70 5 Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Em processos de outro contribuinte, muito semelhantes à este, cuja relatoria foi também confiada ao presente relator, julgados em sessão de 22.05.2018 por esta turma2, foi proposta a solução adotada no acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, onde além de não conhecer do recurso, anulavase o acórdão recorrido e determinavase a recepção da manifestação de inconformidade como Pedido de Revisão de Ofício, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 08/2014, no que restei vencido. Naquela oportunidade, assim decidiu a turma, em voto vencedor da lavra do ilustre conselheiro Walker Araújo: Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. 2 Vide acórdãos de nºs: 3302005.427 a 3302005.434. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 71 6 Assim, em homenagem à colegialidade, sigo a solução adotada pelos outros sete membros da turma naqueles autos, no sentido de não conhecer do recurso voluntário face à inexistência de litígio sobre matérias de competência deste colegiado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.720463/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/04/2004
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REBOCADORES.
A posição NCM 89.04 abrange barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades ou barcos concebidos para empurrar outras embarcações ou barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, com características de construção náutica bem próprias, como determinam as NESH.
Estas também excluem da posição os barcos concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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REBOCADORES. A posição NCM 89.04 abrange barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades ou barcos concebidos para empurrar outras embarcações ou barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, com características de construção náutica bem próprias, como determinam as NESH. Estas também excluem da posição os barcos concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 04 63 /2 00 8- 35 Fl. 2745DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 16072.431, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/11/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro (1% do V.A.), no valor de [...], em virtude dos fatos a seguir descritos. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SEA (Dl 04/02774749) A embarcação FAR SEA não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SAILOR A embarcação FAR SAILOR não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de _subposição de 2o nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SEA (DI 03/13051151) A embarcação FAR SEA não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.746 3 subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SÊNIOR A embarcação FAR SÊNIOR não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO TOISA CONQUEROR A embarcação TOISA CONQUEROR não pode ser classificada na posição 8904, por não ser um rebocador, por ser concebida para o transporte de cargas, além da adequação para a atividade de engenharia submarina com uso de ROV, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 28/11/2008 (fls.8), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 29/12/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 888 à 916, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Os bens cujos processos de importação estarão sob a análise jurídica da autoridade administrativa julgadora desta impugnação são, a saber: a) embarcação FAR SEA, com duas importações distintas, relacionadas às DI 04/02774749 e DI 06/1305115/1; b) embarcação FAR SAILOR, com importação relacionada à DI 05/02819620; c) embarcação FAR SÊNIOR, com importação relacionada à DI 05/03009398; d) embarcação TOISA CONQUEROR, com importação relacionada à DI 08/07313852. A autuação é o resultado do Mandado de Procedimento Fiscal envolvendo toda a documentação da Impugnante relacionada às embarcações citadas, a qual, por determinação da Autoridade Impugnada, não se restringiram aos documentos relacionados a matérias da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas todos os documentos, desde as Fl. 2747DF CARF MF 4 autorizações expedidas pela Marinha Brasileira para operar em águas brasileiras, os contratos firmados com a tomadora dos serviços da Impugnante, os laudos de avaliação dos produtos, etc... Após o exame acurado de toda a documentação fornecida pela Impugnante a fim de atender às exigências do procedimento fiscal, a Autoridade Impugnante identificou com irregular a classificação atribuída às embarcações, que a seu juízo estão em desconformidade com o estabelecido nas Notas Explicativas do Sistema Harmoi ^ io de (sic) Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, cujo texto foi apr yad jela (sic) IN SRF 157, de 10 de maio de 2002. O Sistema Harmonizado, como de maneira sintetizada é chamado o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, é uma nomenclatura aduaneira, utilizada intemacionalmente como um sistema padronizado de codificação e classificação de produtos de importação e exportação, desenvolvido e mantido pela Organização Mundial de Alfândegas. No âmbito do Mercosul, o sistema de classificação harmonizado foi adotado a partir de 1995, pelos países membros, o qual toma por Harmonizado. O objetivo fundamental da harmonização do sistema de classificação é a facilitação dos trâmites comerciais internacionais, adequação de tarifas a partir da identificação dos produtos, apuração de estatísticas de comércio internacional, harmonização d s :,ddades aduaneiras dos diversos países signatários dos acordos, negociações e tr ddos internacionais e afins. Como mencionado, por força da IN SRF 157, de 10 de maio de 2002, o Bra x j ssou a adotar o Sistema Harmonizado como fonte de informação e class fic .ção sobre os produtos sujeitos ao comércio internacional. A análise dos fundamentos do auto de infração deixam evidente que a Autoridade Impugnada pretende exercer sua atividade fiscalizadora partindo do pressuposto de certeza e correção absoluta de sua interpretação a partir desta presunção aplicar a penalidade prevista na Medida Provisória 2158/2001, a despeito da inafastável possibilidade de subjetividade de interpretações plausíveis e, como maior agravante, de haver ocorrido a intervenção de diversos outros órgãos da esfera administrativa federal, inclusive, o que é mais importante, a conclusão do déspacho (sic)aduaneiro que homologou a classificação e procedeu o lançamento fiscal. De fato, além da flagrante controvérsia entre a Impugnante e a Autoridade v (sic) Impugnada, a lavratura do auto de infração com a imputação de conduta censurável da Impugnante possui como questão de fundo a atuação da própria administração pública federal que procedeu a classificação dos produtos importados sob o mesmo código agora reprovado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Macaé. ⊙ UM PRESSUPOSTO FUNDAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Junta textos da doutrina de Maria Sylvia Zanella di Pietro: (Direito Administrativo, pag. 61/62, Ed. Atlas, 12a.). Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.747 5 Junta textos da doutrina de Hely Lopes Meireles: ( Direito Administrativo Brasileiro, pág. 45). Entretanto, apesar desta realidade da atuação do Estado em relação aos particulares, no caso presente este princípio foi desrespeitado em sua inteireza, na medida em que a atuação dos órgãos da administração envolvidos no processo de importação dos bens a que se refere esta defesa mostraram está sendo colocado em cheque por seus pares da própria administração. ⊙ O PROCESSO DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO E O DESEMBARAÇO ADUANEIRO SP SAO PAULO DRJ Fl. 2624 Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0418.22089.3B0L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 10725.720463/200835 Acórdão n.º 16072.431 DRJ/SPO Fls. 2.625 5 Em função de sua natureza, a importação de embarcações foi precedida da prévia concessão de licença de importação pelo DECEX, órgão federal competente para a análise dos pedidos e licenciamento. o processo de licenciamento prévio o DECEX faz o enquadramento do produto importado no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, enauadramento este que passa a ser imperativo em todo o processo de legalização do produto importado, inclusive no que se refere ao desembaraço aduaneiro pela Receita Federal do Brasil. Ressaltese que no processamento de obtenção de licença de importação cabe a apresentação e descrição do produto a ser importado, bem como a indicação do código de classificação tarifária que entende cabível. O DECEX por sua vez no exercício de sua atribuição institucional, detém a competência para determinar a geração da classificação apresentada pelo particular interessado na importação, de forma a se adequar ao critério de classificação que o órgão entende correto para o produto sujeito ao licenciamento. Não resta qualquer dúvida que no contesto jurídico institucional o licenciamento da importação e a classificação tarifária realizada pelo DECEX consubstancia o posicionamento do governo federal em relação ao produto, que desta forma deve e é acompanhado pelos demais órgãos da administração pública federal. A experiência vivida pela impugnante em relação a esta matéria é a prova concreta do poder de intervenção regulatória do DECEX sobre o processo de importação, visto que, a exemplo do que foi acima mencionado, a Impugnante solicitou a concessão de licença de importação de uma embarcação, em cujo requerimento classificou este produto sob um código que não foi aceito pelo órgão federal, que determinou a alteração para o código por outro que entendia correto. Fl. 2749DF CARF MF 6 Da sujeição da Impugnante ao código de classificação determinado pelo DECEX, que foi aceito pela Receita Federal quando da execução do despacho aduaneiro, momento em que foi realizado o lançamento fiscal, nasceu o direito fundamental de irreversibilidade do processo por razões outras que não o disposto no artigo 149 do CTN. ⊙ AS CARACTERÍSTICAS DAS EMBARCAÇÕES IMPORTADAS A Classificação das embarcações em conformidade com o Sistema Harmonizado deve levar em conta as características principais dos produtos, levando em conta sua natureza técnica. Nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, conforme Instrução Normativa RFB no. 807, de 11 de janeiro de 2008, localizase no Capítulo 89 os esclarecimentos necessários à classificação das embarcações. A seção que trata especificamente sobre as embarcações em questão é a 89.04 — Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações. Transcreve as notas explicativas sobre as embarcações a que se refere a seção 89.04. Em paralelo à implantação do Sistema Harmonizado, existem as entidades codifícadoras, de reconhecimento internacional, a quem cabe proceder a identificação da natureza dos produtos e emitir o respectivo certificado para utilização pelas diversas entidades privadas e públicas que venham a exercer suas funções institucionais em relação aos produtos. O desvio de poder evidenciado na atuação da Autoridade Impugnada se revela por diversos aspectos insertos na autuação. Em alguns destes aspectos a autoridade autuante se auto denuncia quando se refere às entidades classificadoras da seguinte forma: Certificado de classe emitido pela sociedade classificadora, que somente indicam o preenchimento de condições de adequação estabelecidas pela própria sociedade classificadora, não podendo ser oposto a terceiros. (ver pág. 03 do relatório de fiscalização) O objetivo da Autoridade Impugnante está mais do que claro. Ao negar valor à certificação realizada pelas entidades internacionais especializadas, retirase do ente privado o instrumento de fundamentação por ele utilizado como prova da natureza e característica da embarcação. Contudo, nasce desta conduta irregular da Autoridade Impugnante um intransponível contrasenso, difícil de ser resolvido no contexto da unidade da administração pública em seus diversos setores especializados. Isto por que o mesmo certificado utilizado pela Impugnante para a obtenção do licenciamento para operar no país foi entendido legítimo e regular pela Marinha do Brasil, pela Petrobrás, pela Alfândega do Brasil no momento do desembaraço. Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.748 7 Relaciona os certificados das embarcações utilizadas pela Impugnante. ⊙ A EMISSÃO DO AITEE PELA MARINHA DO BRASIL Na essência a Marinha do Brasil processa a análise da documentação referente à embarcação e oficializa a autorização para a mesma executar determinadas atividades específicas em águas da jurisdição nacional. As atividades executadas pela embarcação, em conformidade com o objeto do contrato de serviços firmado com a Petrobrás e de acordo com a autorização concedida pela Marinha do Brasil, não afasta a classificação da embarcação na forma do Sistema Harmonizado, até mesmo por que esta classificação é feita pelos aspectos principais do produto. O equívoco da Autoridade Impugnante está na base da análise da atribuição da Marinha do Brasil. Não cabe a ela a análise de classificação dos produtos. A verificação é da adequação da embarcação para a execução dos serviços, de modo possuir pleno controle das embarcações estrangeiras em atividade nas águas de jurisdição brasileira e a natureza destas atividades. ⊙ OS CONTRATOS COM A PETROBRÁS E AS ATIVIDADES DESEMPENHADAS Notese, por oportuno, que as embarcações classificadas sob o código 89.04 abrangem um campo amplo de atuação, como aliás se extrai das Notas Explicativas aprovadas pela IN RFB no. 807/2008, quando enquadra nesta seção “Os rebocadores próprios para levar ajuda aos navios em situação crítica também se classificam aqui” e ainda “os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Podem ser equipados, a título acessório, de instrumentos especiais de bombeamento, de combate a incêndios, de aqueçhnènto, etc....” No mesmo sentido a Petrobrás, enquanto empresa contratante, faz a verificação se o tipo de embarcação oferecida pela licitante para a execução do objeto do contrato está capacitada a fazêlo. No campo das atividades desempenhadas na execução dos serviços para a I,obrás, é fato incontroverso que a hnpugnante não faz transporte de passageiros e mercadorias, como erroneamente afirmado pela Autoridade Impugnada. Primeiramente, transporte de passageiros é um serviço específico de levar e trazer pessoas de um ponto a outro. O passageiro de forma alguma se confunde com a tripulação. O passageiro tem como objetivo ser levado ao ponto de destino de seu interesse e não tem qualquer atividade dentro da embarcação. Igual exclusão do enquadramento de passageiro se faz com o inspetor da Petrobrás que vai a bordo executar a tarefa de fiscalização da execução do contrato. Não está o indivíduo sendo transportado enquanto passageiro, mas sim está no exercício da função de fiscalização, porquanto seu interesse está Fl. 2751DF CARF MF 8 a bordo e não na chegada a um destino, o que o faz ser classificado como profissional em exercício de função não tripulante. A alegação da Autoridade Impugnada é de que a Impugnante executa transporte de passageiros e mercadorias, por que classifica estes fiscais como passageiros. No mesmo sentido negativo se encontra a alegação de transporte de mercadorias. Por mercadorias entendese por “1 aquilo que é objeto de comércio. Mercancia: 2 Aquilo que se comprou e expôs à venda;” A Impugnante jamais transportou mercadorias, na acepção correta da palavra., ou seja, produtos destinados ao comércio. O transporte feito é de bens, peças e equipamentos de propriedade da Petrobrás, para serem utilizados nas diversas unidades de produção da empresa, jamais para comercialização. Não se discute no âmbito do direito administrativo o direito da administração pública proceder a revisão de seus atos, sempre na perspectiva da procura da perfeição dos atos administrativos. Este poder revisional, entretanto, é regrado por princípios fundamentais que devem ser observados para a validade da decisão revisora, sob risco de nulidade absoluta. Dentre estes princípios se situa o princípio da hierarquia da autoridade revisora, o qual determina que a revisão de qualquer decisão administrativa deve ser realizada por autoridade hierarquicamente superior, o que reflete o fato de que autoridades administrativas do mesmo nível não detêm competência para reforma das decisões de seus pares. Junta textos da doutrina de Diógenes Gasparini. ⊙ O VÍCIO DE DESVIO DE FINALIDADE A NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA Por todos ângulos examinados chegase a conclusão de que atuação da Autoridade Impugnada está eivada de vícios, sejam vícios de caráter administrativo interno o desrespeito ao requisito da hierarquia para o exercício do poderdever revisional sejam vícios relacionados a própria atividade administrativa, v.g. a apücação de uma penalidade com base em critérios subjetivos de enquadramento de produtos na classificação tarifária. Como sabido, a aplicação de qualquer penalidade pela autoridade administrativa carece do requisito da reserva legal, bem como da existência de critérios objetivos definidores da conduta injurídica adotada pelo administrado. No caso em tela é evidente o campo da subjetividade em que trafegam os critérios construídos pela Autoridade Impugnada, com o fito de tentar mostrar alguma irregularidade praticada pela hnpugnante. Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.749 9 Basta a leitura do extenso Relatório da Fiscalização para se constatar que não há a materialização de uma conduta injurídica possível de ser imputada à hnpugnante. O relatório se mostra uma complexa exposição de fatos e disposições contratuais cuidadosamente montados para tentar moldar os fundamentos para a realização de uma censura e a aplicação de uma multa, porém sem qualquer verdade jurídica que lhe dê substância. Este tipo de comportamento da administração pública já há muito vem sendo estudado pela comunidade jurídica pátria e internacional, sempre no objetivo de proveremse meios de tutela da sociedade contra o administrador arbitrário/ínffator das regras da legalidade do exercício da administração. O vício do desvio de finalidade ou abuso de poder é dos mais preocupantes, pois afeitos aos estados totalitários, que comumente se utilizam dos instrumentos assegurados em lei para o alcance de objetivos desprovidos de legalidade. Junta textos da doutrina de Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Desvio de finalidade ocorre quando a autoridade exerce seu poder fazendo uso dos instrumentos que lhe são colocados à disposição na lei, porém afastase do interesse público, que em última análise visa estabelecer a regularidade da conduta dos administrados. Junta textos da doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello. Evidentemente, sabese que nos regimes democráticos o controle da legalidade é exercido pelo poder judiciário, contudo o próprio poder executivo está munido de instrumentos próprios para exercer, intemamente, o controle dos atos pelos agentes da administração pública. O caso presente é um exemplo daqueles em que a própria administração deverá reprimir a prática da conduta abusiva, e restabelecer o elevado grau de segurança jurídica necessária à paz nas relações entre o administrados e o Estado. ⊙ A IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Como mencionado, ao encerrarse o desembaraço dos bens importados pela Impugnante houve a conclusão do ato administrativo e o lançamento tributário, ato que consolida a ação do ente privado e a aceitação, digase concordância, da administração pública com os critérios adotados. No presente caso, não demonstrou a Autoridade Impugnada que tenha ocorrido qualquer das situações previstas no artigo 149 do CTN a justificar a adoção de novos critérios a ensejar a revisão do lançamento anterior. Portanto, a classificação tarifária que foi aceita no ato do desembaraço se definitiva, e por isto não se sujeita a qualquer alteração posterior. Fl. 2753DF CARF MF 10 No caso em tela, apesar de inexistir impacto tributário em razão do regime especial do REPETRO, a revisão do lançamento pretendida pela Autoridade Impugnada traz como resultado a aplicação da pena prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória 2158/2001. A revisão também nesta situação particular em decorrência do regime especial é igualmente proibida, visto que a vedação se encontra na alteração dos atos concluídos pela administração pública. Junta textos da doutrina de Alberto Xavier. Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nos reiterados julgados se tem evidenciada a intenção da Fazenda Nacional de assegurar o direito de processar o lançamento fiscal e, posteriormente, proceder à revisão do ato administrativo de sua autoria, sujeitando o administrado às conseqüências desta inconstância jurídica. Os ensinamentos jurídicos e a manifestação pretoriana evidenciam o total descabimento desta forma de agir da administração pública ante a flagrante ilegalidade. Não se pode deixar de fazer uma crítica severa à tendência da administração pública de transferir para o administrado a atividade que é de sua competência. ⊙ DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 84, I, DA MEDIDA PROVISÓRIA 2158/2001 A inconstitucionalidade do dispositivo da medida provisória é flagrante, na medida em que por meio desta norma de exceção o governo federal abdica de sua obrigação de estado e a transfere para o administrado, com isto rompendo com sua função constitucional, prevista no artigo 37 e seguintes da Carta Magna. A combinação do dispositivo legal sob comento (art. 84,1, MP 2158/01) com a constante tentativa da Fazenda Nacional de realizar a revisão de lançamento fiscal, tem criado o ambiente de insegurança jurídica atual, e que necessariamente precisa ser encerrado. ⊙ PROVAS A Impugnante protesta pela produção das seguintes provas no presente processo administrativo: 1. Prova documental mediante expedição de ofício à Petrobrás, requisitando informações sobre os serviços executados pela Impugnante, bem como se dentre estes serviços há o transporte de mercadorias e passageiros; 2. Prova documental Expedição de ofício à Organização Mundial de Alfândegas, solicitando informações sobre a uniformização do código de classificação das embarcações certificadas como FAR SAILOR, FAR SÊNIOR, FAR SEA e TOISA CONQUEROR, no âmbito do Sistema Harmonizado; 3. Prova documental documentos suplementares cuja apresentação se fez impossível no ato de oferecimento desta impugnação; Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.750 11 4. Prova técnica realização de perícia técnica por profissional especializado, a fim de examinar as embarcações e proceder a identificação do código de classificação tarifária das mesmas. ⊙ O PEDIDO Pelo exposto, desde já protestando pela produção das provas acima requeridas, a imgnante requer à autoridade julgadora da presente que acolha os fundamentos de sua Impugnação, para fins de declarar insubsistente o auto de infração emitido, com a consequente declaração de cancelamento da multa fixada no mesmo, por ser a expressão do melhor direito e distribuição da maior Justiça. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2004 Embarcações importadas com classificação tributária no código NCM 8904.00.00 REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES. Consoante o texto das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado a posição 8904, os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. As embarcações permitem o transporte de peassoas (sic) e mercadorias. A lassificação (sic) como rebocador contraria a NESH, o que sujeita o importador à multa proporcional ao valor aduaneiro (1% do V.A.) por erro na classificação tributária. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, basicamente: em sede de preliminar; a incompetência da Receita Federal para revisar a classificação do DECEX; ter reiteradamente importado embarcações com as mesmas características; sua boafé; ter havido modificação de critérios jurídicos; a natureza tributária da multa aplicada; inexistir prejuízo ao controle aduaneiro ou ao Erário; a impossibilidade da cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória com base no valor do tributo ou da operação; a nulidade da decisão recorrida por ter ela rejeitado pedido de realização de prova técnica; e, no mérito, colocou argumentos em defesa da classificação fiscal que adotou. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 2755DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A classificação das mercadorias, mediante "a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul" (NCM) "será feita com observância das Regras Gerais para "Interpretação (RGIs), "das Regras Gerais Complementares" (RGCs) "e das Notas Complementares" (NCs) "e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), "da Organização Mundial das Aduanas" (NESH) (art. 94, parágrafo único do RA/09, com base no DecretoLei 1.154/71, art. 3º, caput). Preliminar Ainda que a recorrente assim não tenha estruturado sua peça, trouxe nesse capítulo as questões que entendi preliminares. Aduz a recorrente a incompetência da Receita Federal para revisar o ato de classificação realizado pelo DECEX (Departamento de Operações de Comércio Exterior). Explica que, no âmbito do Repetro, solicita a este a concessão da Licença de Importação". Ressalta que "o fundamento para a lavratura do auto de infração não foi a suposta divergência entre o descritivo das Declarações de Importação (DI`s) e as mercadorias desembaraçadas". Afirma que "é o DECEX que possui competência, esta sim privativa, para deferir e revisar os atos de classificação das mercadorias importadas" no SH" e que "o enquadramento feito pelo citado órgão passa a ser imperativo em todo o processo e legalização do produto importado, inclusive no que se refere ao desembaraço aduaneiro perante a Receita Federal". E complementa, com grifos: A competência da Receita Federal para revisar a classificação do bem no NCM, portanto, só surge quando presente um pressuposto: o erro/equívoco pelo importador na descrição do produto importado! Tratase, pois, de competência subsidiária. Não tem razão a recorrente. O Decreto 7.482/2011, art. 15, XIX, então vigente, atribui à Receita Federal, e não ao Decex, a competência para "dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomeclatura, classificação fiscal [...], inclusive representando o país em reuniões internacionais sobre a matéria". Também não é necessário um desacerto na descrição declarada em DI, conforme se depreende do texto da infração em foco, art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/ 01, I, "mercadoria" [...] "classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul" e não descrita incorretamente. Alega também a recorrente ter reiteradamente importado embarcações com as mesmas características, "nas quais indicou o mesmo NCM 8904, sem que, jamais, a RFB 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.751 13 tenha imposto qualquer óbice ou apresentado qualquer contestação ou revisão", o que lhe gerou "uma certeza da correção do seu procedimento", fazendo incidir, no seu entender o art. 100, III, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; [...] Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (Grifos do original). Não assiste razão à contribuinte. Acórdão da Câmara Superior deste Conselho bem esclarece: NORMAS PROCESSUAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. REQUISITOS DA EXPRESSÃO "PRÁTICAS REITERADAS" O despacho aduaneiro como medida ainda sujeita a revisão por expressa disposição legal não se reveste do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração necessário a caracterizar a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN, ainda que tenha havido a conferência física e documental (canal vermelho) e de forma repetida. (CARF, 3ª Turma, CSRF, Ac. 9303004.154, de 09/06/2016, redator designado Conselheiro Júlio César Alves Ramos). A recorrente aduz ter agido de boafé e que "se o “equívoco” tivesse gerado diferença de tributo a pagar pela Recorrente, ressalvados os demais fundamentos expostas nesta peça recursal, ainda se admitiria sua cobrança, desde que extirpados os juros e multa sobre ele incidentes". Não se discute a boafé da contribuinte, posto que “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (CTN, art. 136). Continua argumentando pela impossibilidade de revisão do lançamento e cobrança retroativa com modificação de critérios jurídicos de interpretação, pela caracterização da revisão como hipótese de modificação jurídica e não fática e cita o Resp 1130545, sob o rito dos recursos repetitivos. Aduz a recorrente que " ao receber e deferir o registro da DI, com a conseqüente realização do lançamento tributário e autorização para implementação do desembaraço aduaneiro, a Receita Federal praticou um ato que somente se torna passível de revisão nos exatos limites dos arts. 145, 146 e 149 do CTN: [...]"; ainda que a Súmula 473 do STJ de fato autorize a Administração Pública a “anular seus próprios autos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais porque deles não se originam direitos”. Não assiste razão à contribuinte. Fl. 2757DF CARF MF 14 A homologação prevista art. 150 do CTN é do lançamento e não do despacho, inaplicáveis os artigos arrolados pela contribuinte. E só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso deste. É o que se conclui em artigo da autoria deste relator2: O art. 150 do CTN [...] define que “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Tal dispositivo divide o instituto do lançamento por homologação em duas partes: a antecipação do pagamento e o lançamento operado por ato expresso da autoridade administrativa. É pacífico na doutrina e na jurisprudência ser o lançamento por homologação a modalidade adequada aos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior. No desembaraço, não há expressa homologação. Nem a norma a estabelece, nem a autoridade administrativa a declara. Ainda que se verifiquem a mercadoria e as respectivas informações, inclusive a classificação fiscal, não ocorre o requisito legal para que se opere esta modalidade de lançamento: a expressa homologação. Ao contrário, a lei prevê a possibilidade de revisão aduaneira, a fim de apurar as informações prestadas pelo importador, no prazo de cinco anos, mesmo as já verificadas. O parágrafo 4º do mesmo artigo afirma que a outra forma pela qual se opera o lançamento é pela via tácita: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação“. No caso dos tributos incidentes na importação, considerase ocorrido o fato gerador no momento do registro da Declaração de Importação (DI), como determina o art. 23, caput, do DecretoLei nº 37, de 1966, [...] e o prazo de cinco anos é evidentemente distante do desembaraço. Como não se opera o lançamento com o desembaraço, via de regra aquele se dá de forma tácita, no prazo quinquenal. [...] Em sentido estrito, só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso desse; o que ocorre, por exemplo, quando há exigência da autoridade administrativa, contra a qual se insurge o contribuinte, como previsto no art. 570, § 3º, do RA [...]. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) endossa essa posição, conforme se percebe no excerto transcrito a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 2 CAVALCANTI FILHO, A. C. C. Reclassificação Fiscal em Sede de Revisão Aduaneira. Revista da Receita Federal: Estudos Tributários e Aduaneiros, BrasíliaDF, v.01, n.01, p. 260276, ago./dez. 2014. Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.752 15 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. O Auto de Infração não contém qualquer ilegalidade, não restando configurada ausência de fundamentação legal a ensejar a nulidade daquele. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO. A verificação da regularidade da importação, em sede de revisão aduaneira, pode ocorrer no prazo de cinco anos, contado da data de registro da declaração de importação. [...]. (..., grifo nosso). Também não há que se falar em mudança de critério jurídico em função do despacho, aplicável o instituto a situação diversa, como se depreende de trecho do mesmo artigo: E continua o doutrinador, esclarecendo que, se dá a mudança de critério jurídico quando a “autoridade administrativa [...] simplesmente substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”, ou ainda “quando em face da situação de fato sobre a qual incidiu a norma se atribua a esta um significado, quando outro podia ser atribuído” (MACHADO, 2005, p. 128 e 163)3. Sobre o assunto, cita Kelsen: “a interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que na medida em que apenas são aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no acto do órgão aplicador” (1998 apud MACHADO, 2005, p. 128). Finalmente traz a lume o seguinte exemplo: No DecretoLei nº 406, de 1968, determinado artigo traz a expressão “valor do produto ...”, inicialmente interpretado como custo de produção. Depois como preço de venda do produto. Ambas as interpretações constaram de atos normativos expedidos por autoridades competentes (MACHADO, 2005, p. 171). Nesse tem decidido este CARF: DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. "REVISÃO ADUANEIRA". POSSIBILIDADE. É possível a "revisão aduaneira", não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita). 3 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, volume III. São Paulo: Atlas, 2005. Fl. 2759DF CARF MF 16 (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401003.199, de 23/08/2016, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan). A recorrente traz decisão do STJ em sede de recursos repetitivo em seu socorro. Desta, trago trechos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IPTU. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS DO IMÓVEL. FATO NÃO CONHECIDO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR (DIFERENÇA DA METRAGEM DO IMÓVEL CONSTANTE DO CADASTRO). RECADASTRAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. [...] 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável,máxime em virtude do princípio da proteção àconfiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo oqual "a modificação introduzida, de ofício ou emconseqüência de decisão administrativa ou judicial, noscritérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo,quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". Tal decisão, no entanto, trata de revisão do lançamento, o que não houve no despacho aduaneiro no presente caso. Traz a recorrente outros julgados do STJ, mais específicos quanto a importação de mercadorias, aos quais este CARF não está adstrito. A recorrente prossegue aduzindo a natureza tributária da multa aplicada, que lhe faltae fundamento de aplicação. Alega inexistir também prejuízo ao controle aduaneiro ou ao Erário. Cita precedentes do STJ e DRJ afastando a penalidade nesses casos. Diz que é tratarse de multa de natureza pelo que dispõem o art. 11 da Exposição de Motivos da sua norma veiculadora, a Medida Provisória 2158/2001. Diz "que a prestação de informações para o registro da importação tem nítida natureza de obrigação tributária acessória, pois é com base nessas informações que é apurado o eventual tributo devido na operação", aplicandose o CTN art. 113, § 2º: A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". Entende que "o descumprimento de qualquer norma instituidora de obrigação tributária acessória somente pode ensejar a aplicação de multa quando existente o prejuízo (i) à arrecadação ou (ii) à fiscalização tributária". Não entendo assim. A multa aplicada prescinde de demonstração de prejuízo ao Erário, por lhe faltar essa exigência na letra da Lei. Também porque a responsabilidade na esfera aduaneira tributária independe “da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, nos termos do art. 136 do CTN. Ainda assim, há de se destacar que especificamente na internação das mercadorias sob admissão temporária do Repetro, com tributos incidentes na operação suspensos, a alíquota do II constante da TEC relativa à classificação determinada pela fiscalização é de 5%, ao passo que aquela praticada pela recorrente é de 0%. Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.753 17 Além disso, há de se observar que o controle aduaneiro lastreiase, em larga escala, na classificação fiscal, tema aqui sob análise. Alega também a recorrente a impossibilidade da cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória com base no valor do tributo ou da operação, a ofensa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa e sua natureza confiscatória. Tais questões desafiam a norma instituidora da penalidade, esta prevista em lei, descabendo tal discussão no âmbito deste Carf. Tem decido este Carf que "a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu (Ac. 1402002.199). A recorrente pugna pela nulidade da decisão recorrida por ter ela rejeitado pedido de realização de prova técnica. A decisão de base bem entendeu pela desnecessidade da prova pericial: Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Há de se considerar também que o julgador apreciará a prova constante dos autos conjugado todos os seus elementos (NCPC, artigos 371 e 489, § 3o), não estando adstrito à perícia. Assim, quanto às preliminares, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mérito Relata a recorrente que as importações "foram regularmente desembaraçadas pela Receita Federal, não havendo se constatado qualquer irregularidade na classificação fiscal", mas que, em "procedimento de revisão", "o auditor fiscal [...] entendeu que estaria errado o critério jurídico de classificação fiscal das embarcações". Diz que "não obstante reconheça que inexistiu qualquer prejuízo ao Erário ou ao controle aduaneiro, o auditor fiscal lavrou o Auto de Infração em epígrafe para cobrança exclusivamente de multa por suposto descumprimento de obrigação acessória [...]". Sobre a classificação fiscal, assim sintetiza a recorrente os seus argumentos: As Embarcações FAR SEA, FAR SAILOR e FAR SENIOR foram concebidas para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades marítimas de produção e de perfuração. Pela RGI 1 do SH, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. O capítulo 89 da NCM trata de "Embarcações e estruturas flutuantes". Fl. 2761DF CARF MF 18 Na posição 89.04, pretendida pela contribuinte, a qual não se subdivide em subposições ou subitens, restando apenas a NCM 89.04.00.00, tem como descrição "Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações". Reproduzo o que a NESH estabelece para a posição 89;04: 89.04 Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações. A presente posição compreende: A. Os rebocadores, que são barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades. Podem ser do tipo que se utiliza no mar ou para navegação interior, e diferenciamse das outras embarcações pelo seu aspecto particular, seu casco reforçado de forma especial, suas possantes máquinas motoras e diversos equipamentos para movimentação e engate dos cabos, amarras, etc. B. Os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, que são barcos especialmente concebidos para empurrar barcaças ou alijos, entre outros. Caracterizamse essencialmente pela sua proa achatada, concebida para empurrar, bem como pela posição particularmente elevada da cabina do timoneiro, que pode ser telescópica. Classificamse também nesta posição os barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, assim como os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, estes engenhos possuem uma proa chata e uma popa construída de modo a permitir a tração por meio de cabos. Os rebocadores próprios para levar ajuda aos navios em situação crítica também se classificam aqui. Os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Podem ser equipados, a título acessório, de instrumentos especiais de bombeamento, de combate a incêndios, de aquecimento, etc. Contudo, os barcosbombas classificamse na posição 89.05. O acórdão recorrido arrola determinadas características das embarcações referidas, determinantes da classificação, iniciando com a FAR SEA (DI n° 04/02774749): A embarcação FAR SEA, conforme fatos probatórios trazidos pelo Relatório de Procedimento Fiscal, possui características estruturais físicas e executa atividades diversas tais como: > O transporte de carga no convés, amarrada ou em container, ou a granel (liquida) para abastecimento das unidades marítimas da PETROBRAS e de outras empresas; > Transporte de óleo diesel e transporte de água potável; > Transporte de pessoas para as plataformas; Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.754 19 > Executa autêntica atividade de SUPRIMENTO E APOIO. Estas atividades e características técnicas são reveladas por: > Realização de atividade de CARGA (fonte AITEE); No contrato com a PETROBRAS: > destinação as operações de apoio as unidades marítimas (item 1.2); > operação da embarcação de acordo com as características descritas nos anexos III e IIIA (item 3.5); > a execução de fainas de manuseio e de movimentação de cargas para embarque e desembarque de cargas (item 3.6 e 3.11.5); > transporte de pessoas, inclusive com previsão de pagamento pela alimentação dos passageiros (item 3.9 e seguintes); > possibilidade de instalação de outros equipamentos (item 3.28); > ações para recolhimento de óleo derramado de acordo com as especificações da embarcação (OIL REC) (item 4.13); > atendimento dos requisitos técnicos da embarcação antes e durante a vigência do contrato (item 5.7 e seguintes); > requisitos gerais para a embarcação de reboque (ANEXO III), como a capacidade de transferência de óleo diesel e Agua potável e dotação de hidrômetro e oleômetro; > manuseio de âncoras e suprimento AHTS 7000 como a capacidade de transferência de óleo diesel e água potável e dotação de hidrômetro e oleometro (itens 1.9 a 1.15); > especificação em quadro próprio, da capacidade de carga para suprimento (água potável, óleo diesel, lama líquida, granel sólido e carga de convés; > acomodações para passageiros (ANEXO III); > mangueiras para a transferência de granéis sólidos e líquidos (ANEXO IV); > existência de código de conduta para a movimentação de cargas (APÊNDICE I); > procedimento para recolhimento de óleo derramado (ANEXO IX); Fl. 2763DF CARF MF 20 > lista de cheacgem (sic) para a transferência de óleo entre embarcações. Descrição da estrutura fisica da embarcação: No relatório de vistoria n° LD 001RJ/04 com diversos tanques para transporte de óleo diesel e água potável e outros produtos líquidos, além de suprimento, e identificação de convés de carga. As embarcações FAR SAILOR (DI 05/02819620), FAR SEA (DI 06/1305115/1) e FAR SÊNIOR (DI 05/03009398) apresentam características muito semelhantes, como pode ser verificado do acórdão recorrido (fls. 2644 a 2650). Quanto à TOISA CONQUEROR (DI 08/07313852) as características são um pouco distintas, conforme a mesma fonte: A embarcação TOISA CONQUEROR possui características estruturais fisicas e executa atividade diversa, sendo autorizada a operar com embarcação de suprimento e apoio a plataformas marítimas offshore, tendo como objeto principal o suporte a serviços de construção submarina com ROV. Estas atividades e características técnicas são reveladas por: > AITEE informativo do tipo da embarcação como SUPPLY;e > prestação de serviços de engenharia submarina. Para essas atividade s são necessários equipamentos muito específicos (tipos de ROV, etc); No contrato com a PETROBRAS: > objeto descrito como afretamento da embarcação RSV (ROY SUPPORT VESSEL); ênfase nas atividades de engenharia submaina (item 1.1); > estabelecimento de multas por pendências (item 9.1.5) sendo descritas diversas atividades relacionadas aos ROV; > equipamentos para movimentação de cargas (item 8); > mangueiras (item 90 para transferência de água potável, óleo combustível e água industrial; > diversos equipamentos específicos para engenharia submarina (itens 17 a 27), sem menção a um único equipamento relacionado com a atividade de reboque; Descrição da estrutura fisica da embarcação: No relatório de vistoria LD004RJ/08, são identificados diversos tanques para transporte e suprimento, equipamentos para manuseioi de carga e descarga de carga liquida e granéis. Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.755 21 A recorrente assim se sintetiza a classificação das embarcações: (1.1) Em relação às Embarcações FAR SEA, FAR SAILOR e FAR SENIOR, são todas elas do tipo AHTS (Anchor Handling Tug Supply), que, pela NORMAM01/DPC (Normas de Autoridade Marítima para Embarcações empregadas na Navegação em mar Aberto), citada como fundamento no próprio Auto de Infração, são definidas como “Embarcações caracterizadas pelo manuseio de âncoras e espias, reboque e suprimento das plataformas”. Ora, de acordo com a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 01, “para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo”. Logo, caracterizandose pela função de reboque, deve ser classificada na posição 8904 (Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações); (1.2) Já em relação à Embarcação TOISA CONQUEROR, embora não tenha em sua definição a função de Reboque, tal qual se verifica com as demais embarcações, originalmente foi classificada pela Recorrente na posição 8906 consoante se depreende da LI anexa (conjunto documental 04). O DECEX, órgão competente para o enquadramento na classificação aduaneira, contudo, determinou que fosse retificada a declaração para informar como NCM correto o 8904, sob pena de não deferimento da licença conforme destacado na Licença de Importação retificada (conjunto documental 05). Mostrase absurdo, portanto, penalizar o contribuinte por proceder da forma como determinado pela própria Administração Pública, frisese, pelo órgão competente para classificação aduaneira; Dos autos, verificase que as embarcações FAR SEA, FAR SAILOR e FAR SENIOR não cabem na descrição da posição 89.04 consoante o que sobre ela estabelecem as NESH, posto que estas excluem os barcos concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. O que se verifica é que: longe de serem "[...] barcos concebidos para empurrar outras embarcações", como consta textualmente da descrição da posição 89.04, ou ainda "barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades" ou " barcos concebidos para empurrar outras embarcações" ou "barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações", com características de construção náutica bem próprias, como determuinam as NESH; são embarcações concebidas "para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio à unidades marítimas de produção" como registrado na autuação ou "Embarcações caracterizadas pelo manuseio de âncoras e espias, reboque e suprimento das plataformas". A recorrente ainda aduz que: 1.3) A restrição ao transporte de cargas e pessoas para classificação na posição 8904 somente se aplica quando a função da embarcação é de transporte e/ou de caráter comercial, mas não quando a função é outra (apoio marítimo) e, para seu exercício, são conduzidos pessoas (que não são passageiros) e materiais (que não se confundem com mercadorias pois não são destinados à venda), tal qual ocorre in casu, conforme Declaração expressa da tomadora dos serviços, a Petrobrás, acostada à fl. 1984, de que: Fl. 2765DF CARF MF 22 “as embarcações da BOS não executam serviços puro e simples de transportes de passageiros; “nas embarcações, envolvendo manuseio de âncoras com contratos; (...), os passageiros não tripulantes são fiscais da operação inspetores/fiscais nomeados por esta companhia”; e “as embarcações se limitam ao transporte de equipamentos, peças e bens de propriedade da PETROBRAS”. E questiona: o auditor fiscal e o julgador a quo tomaram como critério definidor da classificação exclusivamente a mera possibilidade de a embarcação transportar pessoas e mercadorias, sem atentar nem levar em consideração (i) se efetivamente houve esse transporte, e mais, (ii) a que título tais pessoas e mercadorias teriam sido transportadas. Entendo que, se as mercadorias ou carga (afinal de contas o SH trata da classificação de mercadorias, pois serve ao comércio internacional, e assim se refere às "coisas", do pátrio direito homônimo), assim com as pessoas são transportadas na embarcação em função da rebocagem, para a qual foram concebidos os barcos da posição 89.04, não fazem afastarse a classificação deste código. No entanto, pelo que consta dos autos, as embarcações se prestam, repiso, ao: > O transporte de carga no convés, amarrada ou em container, ou a granel (liquida) para abastecimento das unidades marítimas da PETROBRAS e de outras empresas; > Transporte de óleo diesel e transporte de água potável; > Transporte de pessoas para as plataformas; > Executa autêntica atividade de SUPRIMENTO E APOIO. Já no contrato com a PETROBRAS: > transporte de pessoas, inclusive com previsão de pagamento pela alimentação dos passageiros (item 3.9 e seguintes); > acomodações para passageiros (ANEXO III); Assim, as alegações da recorrente, nessa passagem, não fazem retornar as embarcações à posição 89.04. Não bastasse, a posição 89.04 destinase a "barcos concebidos para empurrar outras embarcações", este é o texto, e assim, depreendese não serem barcos concebidos parar excutar diversas funções, como "transporte de cargas ou de pessoas", "apoio as unidades marítimas de produção e de perfuração", e também "empurrar outras embarcações", o que pressupõem uma construção náutica bem específica, como se lê da NESH: casco reforçado de forma especial, suas possantes máquinas motoras e diversos equipamentos para movimentação e engate dos cabos, amarras, etc. Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.756 23 [...] posição particularmente elevada da cabina do timoneiro, que pode ser telescópica. [...] proa chata e uma popa construída de modo a permitir a tração por meio de cabos. Diz também a recorrente que "a acepção jurídica de transporte, como visto acima, pressupõe um serviço prestado para terceiro". Entendo, diversamente, que transportar consiste em deslocar fisicamente pessoas ou coisas, um serviço interno ou prestado por terceiros. Com relação à TOISA CONQUEROR, sequer contém em sua definição a função de reboque, é embarcação de prestação de serviços de engenharia submarina, que transporta cargas, afastandose de plano da posição 89.04. A questão da Licença de Importação em nada afeta a classificação fiscal, como já manifestado no presente voto, sendo da Receita Federal a competência para determinar a classificação fiscal de mercadorias. Ressaltese que não se está a aplicar a RGI 3, "b" que trata da "característica essencial", seja transporte de cargas ou pessoas, seja apoio à unidades marítimas de produção, seja rebocagem. A posição exige que sejam concebidos para reboque e não para outras funções, e excluiu o transporte de cargas e pessoas. Continuando com a classificação fiscal, As demais posições do capítulo trazem embarcações e estruturas outras nas quais não se enquadram aquelas sob análise: 8902 ("Barcos de pesca; naviosfábricas e outras embarcações para o tratamento ou conservação de produtos da"), 89.03 ("Iates e outros barcos e embarcações de recreio ou de esporte; barcos a remos e canoas "); 89.05 ("Barcosfaróis, barcosbombas, dragas, guindastes flutuantes e outras embarcações em que a navegação é acessória da função principal; docas flutuantes; plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis"); 89.07 ("Outras estruturas flutuantes (por exemplo, balsas, reservatórios, caixões, boias de amarração, boias de sinalização e semelhantes"); e 89.09 ("Embarcações e outras estruturas flutuantes, para desmantelar "). Já na posição 89.06 abarca "Outras embarcações", incluídos os "navios de guerra" e os "barcos salva vidas" excetuandose os "barcos a remo": Assim, pela RGI 1, está a posição indicada para a classificação das embarcações em pauta. Tal posição não se desdobra em subposições ou em itens e subitens, o que determina na NCM código 8906.90.00, ao contrário do que defende o recurso voluntário. Incorreta a classificação praticada pela recorrente, resta aplicável a multa de 1% sobre o valor aduaneiro das embarcações, nos termos do art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835/ 01. Assim, também no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 2767DF CARF MF 24 Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 2768DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721164/2011-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial quando não demonstrada a similitude fática entre os acórdãos recorrido e os que foram ofertados como paradigmas.
Numero da decisão: 9101-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso apenas em relação ao primeiro paradigma.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial quando não demonstrada a similitude fática entre os acórdãos recorrido e os que foram ofertados como paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso apenas em relação ao primeiro paradigma. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 64 /2 01 1- 43 Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.506 2 Tratase de Recurso Especial fazendário interposto em face do acórdão nº 110200.1132, assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. VÍCIO.DESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por vicio na descrição do fato quando a contribuinte consegue compreender fundamento e a infração tipificada, apresentando sua competente defesa. NULIDADE. ACÓRDÃO .RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. Uma, vez que a autoridade' de primeiro grau fundamentou sua decisão, não há qualquer nulidade. Há, no máximo, erro quanto à aplicação do direito. Nesse caso, não se trata de preliminar de nulidade e, sim; questão de mérito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2007, 2008. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INEXISTÊNCIA FATO. DESCONSIDERAÇÃO. Para a caracterização da sociedade por conta de participação, é necessária a existência de um sócio participante com investimento de recursos indispensável à realização da atividade social. MULTA. QUALIFICAÇÃO. DOLO. INEXISTÊNCIA. O art. 44§1º da Lei nº 9.430/96 determina as hipóteses taxativas de qualificação da multa, cabendo à fiscalização comprovar o dolo do sujeito, passivo da exação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos autos de infração reflexos as mesmas conclusões às quais se alcançou e em relação ao IRPJ." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, a Fiscalização não provou e existência do dolo exigível para fins de aplicação do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, o qual emprestara fundamento para a multa qualificada, já que a recorrida não deixou de atender às intimações. Também aduziuse a suposto erro da fiscalizada, verificável na assunção da transferência da execução de atividades extraordinárias ao negócio para sociedade em conta de participação, embora reputada inexistente, pela Turma a quo. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 29/09/2015, à efl. 1.164. Despacho de Encaminhamento da PGFN ao CARF no dia 22/10/205, à efl. 11.85. Nessa oportunidade, alegouse divergência em relação aos acórdãos nº 2102002.135 e 9101000.528. No mérito, assinalouse que o caso sub examine é revelador de prática de simulação, "perpetrada pela conduta planejada consubstanciada na formalização de sociedades em conta de participação tão somente com o objetivo de se aproveitar dos benefícios da tributação pelo lucro presumido." Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.507 3 No arremate, destacouse que, ao simular a constituição de sociedades em conta de participação, a recorrida intentou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo. Ante o exposto, requereuse seja conhecido o presente recurso para, ao final, ser provido, reformandose o acórdão recorrido, mantendose a qualificação da multa. Não há prova da data da ciência da recorrida para apresentação de contrarrazões, que foram apresentadas no dia 14/03/2016, à efl. 1.196. Nessa oportunidade, alegouse que o acórdão combatido não mencionou que a recorrida adotara prática de simulação. No mesmo tom, explanouse que o acórdão recorrido rechaçou a acusação de que a recorrida atuara de forma fraudulenta, manifestandose claramente pela falta de comprovação do dolo exigível para tal imputação. Enfatizouse, ainda, que o primeiro acórdão ofertado como paradigma não expôs similitude fática, uma vez que a desconsideração das SCP de fato ocorrera no acórdão recorrido, não em função da constatação de simulação, mas em razão do entendimento expresso no voto condutor no sentido de que a participação do sócio investidor, com apenas 1% do capital social, não contribuía para a atividade social. Por isso, consignouse no acórdão recorrido que "as SCP inexistiram efetivamente, pois é necessário, para sua caracterização, a cumulação de recursos ou esforços para o exercício de uma atividade". Desse modo, sustentou se que o sócio oculto não concorria financeiramente para a atividade do sócio ostensivo. Por outro lado, anotouse que o paradigma reflete situação em que as SCP foram empregadas como veículos para o sujeito passivo operar em simulação. Na mesma linha, afirmouse que o segundo acórdão ofertado como paradigma também não serve para comprovar similitude fática em relação ao caso versado no acórdão recorrido, porquanto também este basearase na inexistência de fato das SCP e na circunstância segundo a qual a transparência e a verdade da recorrida afastam a descaracterização da simulação. Ao final, requereuse o desprovimento do apelo especial da PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. No entanto, impõese o exame da existência de divergência interpretativa, atendendose ao pleito da recorrida. Com efeito, a PGFN trouxe à baila os acórdãos nº 2102002.135 e 9101 000.528 ao intento de demonstrar dissídio exegético em relação ao acórdão recorrido. No voto condutor do acórdão recorrido nº 2102002.135, mostrouse a seguinte situação fática: "Baseada em uma verdadeira engenharia jurídica, a RECORRENTE constituiu uma Sociedade em Conta de Participação, cujo objeto era a prestação de serviços médicos, com quase oitenta profissionais e pessoas jurídicas como sócios participantes, sendo ela a sócia ostensiva, prevendo que cada um deles (sócios Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.508 4 participantes) entregavam serviços como “contribuição à sociedade” e eram “remunerados” (através de lucros) proporcionalmente aos serviços que emprestavam como sócios (como se fosse possível aos sócios participantes de uma Sociedade em Conta de Participação exercerem diretamente a atividade prevista no objeto social). No caso, entendo presente o abuso de forma da RECORRENTE, ao batizar Sociedade em Conta de Participação a relação que detinha com pessoas físicas, quando essas em verdade lhe prestavam serviços, tentando assim dissimular o fato gerador da obrigação tributária para, concomitantemente, suprimir a retenção e o recolhimento do imposto que lhe era devido." Portanto, restou definido, nesse suposto paradigma, um suporte probatório de apoio à multa qualificada, com os seguintes contornos: a) a constituição de SCP prestadora de serviços médicos; b) o sócio ostensivo era a pessoa jurídica autuada, ao passo que os demais, no total de 80 pessoas físicas, constavam como sócios participantes; c) os sócios participantes concorriam com serviços prestados à pessoa jurídica, que os remunerava mediante distribuição de lucros; d) os serviços prestados pelos sócios ocultos eram os mesmos do objeto social da pessoa jurídica. Já no acórdão recorrido, o suporte probatório considerado influente na redução da multa de ofício ao percentual normal está assim tracejado: "No TVF, a autoridade lançadora desconsiderou a existência de fato das SCP's e, atribuindo a receita nelas alocadas à empresa (sócia ostensiva), procedeu ao lançamento de ofício. Para fundamentar essa desconsideração, apontou que: o sócio ostensivo participava com 99% do capital social, e o sócio oculto com apenas 1%; as SCPs tinham tempo indeterminado; as SCPs tinham como sede o próprio estabelecimento da Contribuinte; existia total interdependência entre a venda do veículo e o financiamento, portanto, era impossível atribuir tributariamente as receitas a outra sociedade que não àquela operacional. Ademais, acrescentou que nos registros contábeis as SCP's possuíam despesas restritas basicamente a funcionários, não contribuindo em nada para o desenvolvimento da atividade em si mesma ou para as despesas de manutenção do prédio, tais como: energia, água, etc. [...] Assim, considerando que a atividade será realizada em nome e na responsabilidade do sócio ostensivo, é necessário que a atividade a ser realizada seja aquela a qual esta pessoa física ou jurídica está mais capacitada a fazêla. Explico: se fosse criada uma SCP para a construção de um edifício, o natural seria que o sócio ostensivo fosse uma construtora ou incorporadora. Estranho seria Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.509 5 que o sócio oculto confiasse seus recursos a um indivíduo que não tem experiência ou costume na realização daquela atividade, como por exemplo um músico. Portanto, o fato de a concessionária Recreio Veículos Ltda ser sócia ostensiva na atividade de intermediação de financiamento, interdependente à atividade de venda de veículos, não é estranho e não acarreta a impossibilidade de se atribuir tributariamente as receitas a outra sociedade que não àquela operacional. Nesse caminho, em virtude de a sócia ostensiva precisar ter conhecimento da atividade, não prospera essa razão apontada pela fiscalização como indício de inexistência efetiva das SCP's. Ainda, contrariamente ao que foi sustentado pela DRJ, quanto à participação de pessoa ligada ao grupo econômico como sócio oculto, não há nenhum impedimento, desde que ele efetivamente contribua com recursos próprios. Já esclarecemos acima que a SCP tem por fundamento exatamente a captação de recursos do sócio oculto pelo sócio ostensivo para a realização da atividad'. Não se consegue visualizar como o sócio oculto, contribuindo com apenas R$ 10,00, financiou o exercício da atividade social. Não só o valor (R$ 10,00) é discrepante e incompatível com o financiamento da atividade, como o próprio percentual a que fazia jus o sócio oculto. Considerando que o sócio ostensivo participava com 99% do capital social e o sócio oculto com apenas 1%, esse indício é mais do que suficiente para descaracterizar a SCP. Ora, é da própria natureza das SCP's que estas sejam constituídas, como bem explicou o julgador de primeiro grau, quando o sócio ostensivo precisa de recursos que não dispõe por conta própria. Não se trata, entretanto, de analisar se o montante é expressivo pecuniariamente, mas sim de saber se o sócio oculto efetivamente contribui financeiramente para a atividade do sócio ostensivo. In casu, a Contribuinte admite que tinha todos os recursos necessários ao desenvolvimento da atividade por conta própria (as atividades eram realizadas em seus estabelecimentos e os encargos eram pagos por esses). Como consequência lógica, o sócio participante, ao compor o fundo social com R$ 10,00 (1% do capital social), não contribuiu em nada para o exercício da atividade social. Em suma, no presente caso, as SCP's inexistiam efetivamente, pois é necessário, para sua caracterização, a cumulação de recursos ou esforços para o exercício de uma atividade, demonstrando de forma inconteste que o sócio oculto contribuiu financeiramente para a atividade do sócio ostensivo, o que não ocorreu in casu. [...] Assim, deve a autoridade fiscalizadora identificar expressamente a ocorrência de uma dessas três hipóteses. In casu, entendeu tratarse de fraude com base na parte final do art. 72, que descreve como ilícita a ação ou omissão tendente a "modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". Acontece que o supratranscrito art. 72 exige que essa ação ou omissão seja dolosa. Não restou comprovado o dolo. Primeiro porque a Contribuinte registrou adequadamente todos os lançamentos contábeis e, ainda, ofereceuos à fiscalização quando solicitado, não deixando de atender qualquer intimação (fis. 8/14 do TVF), admitindo inclusive a Fiscalização, em determinado momento (fl. 9 do TVF), que a Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.510 6 documentação contábil era consistente. Segundo porque parece que a Contribuinte se equivocou acerca da natureza do instituto da SCP; Percebase, portanto, que o caso versado nos presentes autos tem os seguintes contornos, no que importa ao cotejo entre o acórdão recorrido e o acórdão ofertado como paradigma: a) a constituição de SCP que atua na intermediação de financiamento para os clientes da recorrida; b) o sócio ostensivo era a pessoa jurídica autuada, que também atuava na intermediação de financiamento, junto com o sócio contribuinte, para possibilitar a venda de seus automóveis ao consumidor final; c) a intermediação de financiamento não constitui atividade do objeto social da recorrida, embora necessária à realização deste; d) o sócio ostensivo participava com 99% do capital social da SCP; f) a recorrida registrou adequadamente todos os lançamentos contábeis ; g) a recorrida atendeu à Fiscalização em todos os momentos em que fora requisitada; h) a recorrida equivocouse acerca das SCP. Ora, o apelo da PGFN diz respeito à redução da multa qualificada. Devese ter em conta que o êxito da recorrida, em sede de Recurso Voluntário, decorreu da preponderância dos fatos descritos nas alíneas "f", "g" e "h", acima. Com efeito, a Turma a quo efetivamente entendeu que a SCP era inexistente, mas, a despeito disso, pronunciouse a favor da então recorrente, reduzindo a sanção punitiva, ao argumento de que o registro contábil das operações de intermediação de financiamento, o atendimento à Fiscalização e o equívoco da recorrida afastavam o dolo exigível para fins de aplicação da multa qualificada. Nessa toada, impõese estabelecer que o ponto nevrálgico da verificação da demonstração de dissídio interpretativo reside nos fatos que serviram de base à decisão que desclassificou a sanção aplicada. Isso porque o julgador, no instante do exame da existência de dissídio interpretativo, deve se situar sobre fatos similares em relação aos quais não se constata harmonia exegética, quando se confrontam o acórdão ofertado como paradigma e o acórdão recorrido. Anotese que, em ambos os acórdãos, deliberouse em desfavor da existência de SCP. No entanto, reduziuse a sanção punitiva ao percentual de 75% em decorrência de fatos narrados no acórdão recorrido não mencionados no acórdão paradigma ora cotejado. Sem dúvida, os acórdãos recorrido e ofertado como paradigma expõem similitude fática até certo ponto. Todavia, distanciamse no que é essencial: o acórdão recorrido descreve fatos de relevo para o descrédito da acusação de prática dolosa, enquanto o acórdão ofertado como paradigma não exibe narrativa sobre situação fática que guarde similitude com os motivos da desclassificação da multa de ofício, consideradas no acórdão aqui combatido. Esses motivos, como já dito, são os seguintes fatos: o registro contábil das operações de intermediação de Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.511 7 financiamento, o atendimento à Fiscalização e o equívoco da recorrida. Em face de tal omissão, não se pode admitir o acórdão nº 2102002.135 como paradigma. Agora, o acórdão nº 9101000.528, que a recorrente trouxe à baila com o fito de evidenciar a existência de dissídio interpretativo, cotejandoo com o acórdão recorrido. A PGFN alega que a Turma julgadora afastou a multa de ofício qualificada sobre conduta simulada, na decisão afirmada como paradigmática, distintamente da decisão tomada pela Turma a quo, que não deu relevância à simulação então verificada. Não se pode perder de vista que o confronto deve ser efetuado entre o acórdão ofertado como paradigma e o acórdão recorrido a partir de fatos similares, o que não se pode confundir com a eventual qualificação jurídica dos fatos descritos nos referidos acórdãos. Vale dizer que não se pode avançar na aferição da similitude fática apenas com base no argumento de que, nos dois acórdãos, tratouse de simulação, sem o cotejo dos respectivos suportes fáticos. Mas, caso se avance no exame dos fatos apurados no acórdão paradigma para cotejálos com os fatos do acórdão recorrido, constatase, ainda assim, que não há ponto de contacto por similitude. Reparese, a tal propósito, o trecho abaixo, reproduzido do voto vencedor do acórdão selecionado como representante da alegada divergência de interpretação: Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.512 8 Como se pode ver, não há nada no acórdão oferecido como paradigma que explicite situação fática relacionada ao emprego de SCP em negócios de apoio às atividades do sócio ostensivo, a exemplo do que foi mostrado no acórdão nº 2102002.135. Diante disso, devese reputar o acórdão nº 9101000.528 como inservível para demonstração de divergência. Considerando as razões já externadas, opino no sentido de não conhecer o Recurso Especial fazendário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722192/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 21 92 /2 01 4- 84 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.158, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934784/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 78 4/ 20 09 -8 5 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.934784/200985 Resolução nº 3301000.661 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.934784/200985 Resolução nº 3301000.661 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.934784/200985 Resolução nº 3301000.661 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900991/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que analise o mérito do pedido, iniciando-se a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que analise o mérito do pedido, iniciando-se a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que analise o mérito do pedido, iniciandose a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 09 91 /2 00 8- 86 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10805.900991/200886 Acórdão n.º 1301003.046 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados em PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo suposto crédito tem origem em pagamento a maior de parcela devida de IRPJ trimestral. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não homologou a compensação pois em seu entendimento para o DARF indicado na PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos e integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Quando da transmissão da PER/DCOMP não havia o crédito, já que a DCTF respectiva demonstrava o mesmo débito e crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que realizou a retificação da DCTF, sem apresentar outras documentações e comprovações. O Acórdão recorrido entendeu que não estavam preenchidos os requisitos de liquidez e certeza do art. 170, do CTN, levando à improcedência da manifestação de inconformidade. No Recurso Voluntário a recorrente defende que o crédito é legítimo e declarado em época correta, que quando da entrega da DCTF não foi realizada a compensação do IRRF de aplicações financeiras, o que ocorreu quando do preenchimento da DIPJ. Para tanto, apresenta o seu Livro Caixa, com a escrituração do valor devido e do valor recolhido a maior. Apresenta também os informes de rendimentos das respectivas aplicações financeiras, requerendo o reconhecimento do crédito . É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10805.900991/200886 Acórdão n.º 1301003.046 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.043, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.901065/2008 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.043): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega a recorrente que retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório, e que o erro foi decorrente da não compensação do IRRF de aplicações financeiras, o que levou ao recolhimento a maior. Junta desta feita o livro caixa, DIPJ respectiva e os informes de rendimento de tais aplicações financeiras. A solução da lide reside em determinar se a retificação posterior da DCTF, bem como a apresentação de documentação em sede recursal são suficientes para o preenchimento dos requisitos determinados no art. 170, do CTN, de liquidez e certeza ao crédito pretendido. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1ºdo art. 147 do CTN: Art. 147.O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10805.900991/200886 Acórdão n.º 1301003.046 S1C3T1 Fl. 5 4 daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que analise o mérito do pedido, iniciandose a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.920512/2009-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/08/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/08/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.920512/200926 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.952 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/08/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 12 /2 00 9- 26 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.920512/200926 Acórdão n.º 9303006.952 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803006.312, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.920512/200926 Acórdão n.º 9303006.952 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.920512/200926 Acórdão n.º 9303006.952 CSRFT3 Fl. 5 4 Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.920512/200926 Acórdão n.º 9303006.952 CSRFT3 Fl. 6 5 DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.920512/200926 Acórdão n.º 9303006.952 CSRFT3 Fl. 7 6 Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.920512/200926 Acórdão n.º 9303006.952 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 256DF CARF MF
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