Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.990664/2009-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
RELATOR - Relator.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.990664/2009-96
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296320
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.341
nome_arquivo_s : Decisao_10880990664200996.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10880990664200996_5296320.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. RELATOR - Relator. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5097496
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173258874880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 4 1 3 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.990664/200996 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.341 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 64 /2 00 9- 96Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 RELATOR Relator. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). Relatório DO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. A lide versa sobre a não homologação de compensação transmitida por meio de Per/Dcomp em 19/01/2006, pela via de despacho decisório eletrônico nº 846622290, exarado em 21/09/2009, cuja autoridade administrativa emitente analisando o limite de crédito originalmente informado, constatou não restar saldo credor disponível à satisfação da compensação intentada, posto que utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do próprio contribuinte. Manifestando a sua inconformidade em face do referido despacho a contribuinte argüiu sucintamente que, na qualidade de prestadora de serviços de transportes rodoviários está sujeita ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras; que recebe dos contratantes valores para pagamento desse pedágio, os quais são obrigatoriamente destacados em campo específico do conhecimento de transporte rodoviário; que tais valores não integram a base de cálculo, para fins de incidência tributária do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, por força do contido no parágrafo único do art. 2o da Lei nº 10.209/01, eis que tais valores recolhidos indevidamente não constituem receitas operacionais da empresa contribuinte ou mesmo rendimento tributável; que tais valores foram levantados no período de apuração de julho 2001 e excluídos da respectiva base de cálculo de Cofins, tornandose tais valores objeto de pedido de restituição/compensação com débitos da mesma rubrica. Anexou aos autos planilha correspondente aos valores pagos referentes ao pedágio. Conclusos foram os autos para apreciação pela 5a Turma de Julgamento da DRJ/SP1, que em sessão realizada em 03/11/2010, por meio do Acórdão nº 1627.576, proferiu decisão cuja síntese do entendimento vazado na ementa, adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.990664/200996 Acórdão n.º 3803004.341 S3TE03 Fl. 5 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Resumiu a decisão acima ementada que a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar o valor em questão integrou a base de cálculo da Cofins no período de apuração de julho/2001, pois desprovida de cópia da escrituração contábil a respaldar às assertivas formuladas na Declaração de Compensação. Cientificada da decisão de primeira instância por meio de AR em 07/12/2010, em face da mesma interpôs recurso voluntário em 04/01/2011, conforme registro em protocolo do órgão preparador estampado nos autos, para reiterar minudentemente os argumentos expendidos na exordial, bem assim para postular pela realização da conversão do julgamento em diligência no sentido de possibilitar a comprovação das alegações formuladas pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo apresentado perante esta Corte busca reformar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, que não reconheceu o direito creditório alegado pela contribuinte e não homologou a compensação por ela declarada, ante a constatação de inexistência de saldo credor à satisfação dos débitos nela informados. O debate enfrentado nos autos não comporta discussão sobre matéria de direito, resumindose o deslinde da querela à demonstração pela contribuinte de que faz jus à homologação da compensação intentada. Compulsando os autos verificouse que a recorrente apenas fez colação de relação dos valores pagos a título de pedágio, entretanto, sem disponibilizar outro documento para exame pela fiscalização, por meio do qual fosse possível atestar que tais valores efetivamente constituíam o crédito informado e mais, que estes créditos corresponderiam ao mesmo montante de débitos tributários previamente informados aos sistemas de dados da Receita Federal do Brasil, na data de transmissão do Per/Dcomp, por meio das DCTF e/ou demais declarações que servem para aferir a regularidade fiscal da contribuinte. Com isso a recorrente nem logrou apontar em que irregularidade incorreu o despacho decisório eletrônico, portanto presumese, desde logo que o mesmo não merece reparo, nem mesmo conseguiu demonstrar a liquidez, a certeza e a disponibilidade de saldo credor o Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 bastante para ensejar a homologação da compensação declarada, cuja forma poderia ser em consonância com o disposto no artigo 333 do CPC. Finalmente no que atine ao pedido de diligência, entendo não haver razoabilidade no mesmo, uma vez que cabe à contribuinte no momento de apresentação de sua impugnação aduzindo os motivos de fato e de direito, também fazêlo em relação às provas documentais que possam a vir demonstrar o alegado, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, precluindo o direito subjetivo de apresentação em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o instituto da diligência é uma faculdade de que dispõe o julgador, discricionária, a ser utilizada para sanar dúvidas acerca de determinada prova/documentos, que deveriam fazer parte dos autos e lá não se encontram, impedindo que o juiz firme a sua convicção em relação ao direito sobre o qual deve se pronunciar com vista ao deslinde da querela, não sendo este o caso encontrado nos autos sob exame. As assertivas ora formuladas por este julgador encontram ressonância nos diversos precedentes, à unanimidade, onde partes e objeto foram coincidentes. Ante todo o exposto nego provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessões, em 23 de julho de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000393/2005-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999
TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 65, prevê a possibilidade de interposição de embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma."
A omissão deve ser suprida no sentido de, ao se afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo, a fim de que sejam apreciadas as demais matérias alegadas pelo contribuinte em sede de recurso voluntário.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado passando a dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de afastar a decadência declarada, devendo os autos retornarem à Câmara de origem, para apreciação das demais matérias trazidas no recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 65, prevê a possibilidade de interposição de embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma." A omissão deve ser suprida no sentido de, ao se afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo, a fim de que sejam apreciadas as demais matérias alegadas pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Embargos acolhidos.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10930.000393/2005-27
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301860
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.773
nome_arquivo_s : Decisao_10930000393200527.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10930000393200527_5301860.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado passando a dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de afastar a decadência declarada, devendo os autos retornarem à Câmara de origem, para apreciação das demais matérias trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5130796
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173282992128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 3 1 2 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10930.000393/200527 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202002.773 – 2ª Turma Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria ITR Embargante ADALBERTO LUIZ NIERO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 65, prevê a possibilidade de interposição de embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." A omissão deve ser suprida no sentido de, ao se afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo, a fim de que sejam apreciadas as demais matérias alegadas pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado passando a dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de afastar a decadência declarada, devendo os autos retornarem à Câmara de origem, para apreciação das demais matérias trazidas no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 93 /2 00 5- 27 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório O contribuinte apresentou Embargos Declaratórios face ao Acórdão n.º 9202 00.901, proferido pela 2ª turma da CSRF em 12 de maio de 2010. Segue abaixo a ementa da decisão embargada: “TRIBUTÁRIO.. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitase ao prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173,1, do CTN. Recurso especial provido.” Afirma, em síntese, que o aresto embargado apresenta omissão. Explica que o Embargante, em suas contrarazões, requereu o que segue: "Requer, ainda, por economia processual, na remota hipótese de reforma do referido julgado, a devolução dos autos a colenda Câmara recorrida, para que seja julgada questão de mérito, referente à definição da base de cálculo da penalidade aplicada". Observa que a c. Turma não se manifestou sobre tal assunto, julgando apenas a questão da decadência. Destaca que não se trata de inovação, pois desde a impugnação do lançamento discordou da base de cálculo da multa. Considera que foi prejudicado em sua defesa e requer o conhecimento dos presentes Embargos, para que seja revisto o aresto em comento. Nos termos do Despacho s/n de 27/08/12, admitiuse os embargos interpostos. Eis o breve relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10930.000393/200527 Acórdão n.º 9202002.773 CSRFT2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 65, prevê a possibilidade de interposição de embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Portanto, a omissão deve ser suprida no sentido de, ao se afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo, a fim de que sejam apreciadas as demais matérias alegadas pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada e reratificar o acórdão n° 920200.901, passando a DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de afastar a decadência declarada, devendo os autos retornarem ao colegiado a quo, para apreciação das demais matérias apresentadas em sede de recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012716/2007-86
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Reflete omissão de rendimentos quando o contribuinte não logra comprovar, de forma cabal, a origem dos rendimentos utilizados no incremento do seu patrimônio.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE.
Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano-calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Quando restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, referente ao ano-calendário de 2005, no valor de 48.993,15. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Reflete omissão de rendimentos quando o contribuinte não logra comprovar, de forma cabal, a origem dos rendimentos utilizados no incremento do seu patrimônio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano-calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.012716/2007-86
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285393
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.095
nome_arquivo_s : Decisao_10680012716200786.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 10680012716200786_5285393.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, referente ao ano-calendário de 2005, no valor de 48.993,15. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5026465
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173292429312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 1.625 1 1.624 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012716/200786 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.095 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria IRPF Recorrente JOÃO LÚCIO MAGALHÃES BIFANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Reflete omissão de rendimentos quando o contribuinte não logra comprovar, de forma cabal, a origem dos rendimentos utilizados no incremento do seu patrimônio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 16 /2 00 7- 86 Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.626 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, referente ao anocalendário de 2005, no valor de 48.993,15. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra João Lúcio Magalhães Bifano, CPF 344.202.74620, foi lavrado o auto de infração às fls. 05 a 114, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003, 2004, 2005, 2006, anoscalendário 2002, 2003, 2004, 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 442.316,03, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até julho de 2007. Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, o lançamento decorre de: 1) Omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica. Não foram informados os rendimentos recebidos no valor de R$25.352,05 da pessoa jurídica Comcel — Comunicações Culturais e Evangélicas Ltda, CNPJ 19.475/000140, no ano calendário de 2003, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício, conforme termo de verificação fiscal; 2) Acréscimo patrimonial a descoberto. Omissão de rendimentos no valor total de R$ 72.799,76 e de R$48.993,15 recebidos respectivamente nos anoscalendário de 2002 e de 2005, correspondentes a acréscimos patrimoniais da pessoa física, evidenciados pelo excesso de aplicações em Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.627 3 relação aos recursos e não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva conforme termo de verificação fiscal; 3) Depósito bancário de origem não comprovada. Omissão de rendimentos nos valores de R$ 272.296,34, de R$512.822,89 e de R$ 676.157,74, referentes respectivamente aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, caracterizados por valores creditados em suas contas de depósito ou investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme termo de verificação fiscal. 0 enquadramento legal consta do auto de infração, do qual o contribuinte foi cientificado em 05/09/2007 (fl. 05). Em 03/10/2007, o contribuinte, por meio de seus bastantes procuradores, as fls. 1.277 a 1.280, requereu a expedição de documento de arrecadação para pagamento com redução da multa em 50% de valores apontados nos itens "002" e "003" do auto de infração que se referem, respectivamente a acréscimo patrimonial a descoberto e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, bem como requereu o parcelamento de valores apontados no mencionado item "003". Posteriormente, por meio das manifestações de fls. 1.283 e 1.287 a 1.290, o contribuinte esclarece o pedido de parcelamento anteriormente protocolado e consigna que informou, por equivoco, que iria efetuar o pagamento de parcelas referentes ao item "002" do auto de infração, posto que estas parcelas foram impugnadas. Consoante dados contidos no banco de dados da Receita Federal do Brasil, fl. 1.464, foi extinto pelo pagamento o imposto no valor de R$ 93.464,65, juntamente com os encargos legais, bem como o imposto no valor de R$ 87.268,32 juntamente com os encargos legais, foi transferido para o processo n° 10680 721.061/200731 em virtude do pedido de parcelamento. Em 05/10/2007, o contribuinte apresenta a impugnação parcial as fls. 1.295 e 1.324, instruída com os documentos de fls. 1.327 a 1.393, a seguir substanciada: I — Descrição dos Fatos pelas praticas das irregularidades apontadas nos autos e em parte transcritas na impugnação, exigese crédito tributário de R$ 524.016,36, no entanto, o lançamento fiscal afigurase totalmente improcedente. II — Acréscimo Patrimonial a Descoberto — Apuração Mensal —Decadência dos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a agosto de 2002; Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.628 4 por meio do presente auto de infração, foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto relativo aos meses de janeiro, fevereiro, abril e agosto de 2002; ocorre que o crédito correspondente encontrase extinto pela decadência, pois como o imposto de renda pessoa física é um tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial cabível é de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador, isto é, mês a mês; o contribuinte somente foi intimado da autuação em 05/09/2007, logo os créditos referentes às competências 02/2002, 04/2002 e 08/2002 foram atingidos pela decadência. III — Necessidade de considerar os depósitos bancários feitos em 2002 como origens para efeito de apuração de eventual acréscimo patrimonial pela análise dos demonstrativos de variação patrimonial relativos aos anos de 2002 a 2005, constatase que a fiscalização utilizou diferentes critérios para os anos autuados, uma vez que, em relação aos anos 2003, 2004 e 2005, foram considerados os depósitos bancários não justificados como origem, enquanto que, em relação ao 2002, não foram incluídos estes créditos entre as disponibilidades; a adoção de dois pesos e duas medidas não pode ser aceita, pois o que foi feito em um exercício, deve ser feito em outro em nome da coerência; o fato de os depósitos feitos em 2003, 2004 e 2005 terem sido tributados nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e os referentes ao ano de 2002 não terem sido objeto de análise pela auditoria fiscal não serve para explicar a diferença de tratamento, pois o que justifica o acréscimo patrimonial não é apenas o rendimento já tributado, pois o rendimento tributável, que pode já ter sido tributado ou não, também deve ser computado no planilhamento financeiro; pelo exposto, solicita que esta DRJ determine a inclusão dos depósitos bancários feitos em 2002, de modo que sirvam de origem na apuração de eventual acréscimo patrimonial, como, por exemplo, os depósitos de R$ 2.000,00 e de R$ 1.000,00 às fls. 1.055 e 1.057; posteriormente, serão indicados outros depósitos, juntamente com os extratos bancários que serão oportunamente anexados. IV — Saldos em disponibilidades declarados em 2005 devem ser computados como origem para efeito de acréscimo patrimonial a descoberto da análise da apuração de acréscimo patrimonial relativa ao anocalendário 2005, verificase que a fiscalização não computou como origem de recursos os saldos em disponibilidades declarados no item 10 da Declaração de Ajuste Anual Pessoa Física— DIRPF do exercício de 2006; tendo em vista que o próprio programa gerador da declaração prevê o código 63 para informar a existência de dinheiro em Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.629 5 espécie — moeda nacional, não resta a menor dúvida de que o saldo inicial de R$ 275.200,18 deve compor o fluxo financeiro, consoante jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. V — Explicação da origem de depósitos bancários — exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPF no decorrer da fiscalização, o impugnante apresentou inúmeros documentos que demonstram, de modo irrefutável, a origem dos depósitos feitos em suas contas bancárias, porém a auditoria não acatou a maior parte das explicações; 1) Empréstimos contraídos/recebidos de Pedro Magalhães Bifano Vantuil Martins Bastos, José Alberto Tavares Junqueira, Alexandre Napoli Franca e Márcio de Aguiar Lamounier em relação a estes empréstimos, por terem sido concedidos e contraídos junto a familiares e amigos, não houve a incidência de juros e, raramente, formalizouse algum tipo de contrato; em virtude das operações terem sido informais, conseguiu recuperar apenas parte do histórico dos pagamentos e recebimentos, conforme relatado no termo de resposta datado de 04/04/2007; por não manter os seus documentos organizados, o contribuinte deixou de informar nas DIRPF o nome e o CPF de seus credores e devedores; é por isso que, ao preencher as suas declarações de ajuste, o impugnante costuma utilizar a rubrica "saldos em disponibilidades em bancos, títulos e créditos diversos", pois esse titulo genérico engloba não só os recursos próprios em seu poder, mas também os créditos nas mãos de terceiros; o contribuinte não formalizava contratos em relação à maior parte dos empréstimos, nem os informava corretamente em suas declarações, mas isso não significa que os mútuos não ocorreram; nem significa que os créditos correspondentes aos empréstimos são omissões de rendimentos tributáveis; a obrigação de informar cada operação de empréstimo superior a R$5.000,00 é acessória, logo havendo descumprimento, ela se converte em obrigação principal apenas no que se refere à penalidade pecuniária, o que não configura fato gerador de IRPF; conhecedor de que esse argumento sozinho não afasta a presunção de omissão contida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e de que os empréstimos concedidos ou tornados podem ser comprovados mediante cópia do contrato de mútuo, cheque, comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio admitido em direito, o contribuinte buscou provas que estavam a seu alcance e as apresentou à fiscalização; Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.630 6 como se pode perceber da leitura do auto de infração, nenhum dos documentos apresentados convenceu a fiscalização; ocorre que a fiscalização se esquece de que "os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão" (§ 1° do artigo 845 do Decreto n° 3.000, de 1999). não foi apresentado elemento de prova de que os depósitos feitos nas contas do contribuinte não decorreram das operações de empréstimos mencionadas, nem foi apresentado algum indicio veemente de falsidade ou inexatidão em tudo o que foi informado, declarado e anexado; a fiscalização não aceitou as provas dos empréstimos concedidos e contraídos apenas porque não quis; o fato de não terem sido firmados os respectivos contratos de mútuos não significa que eles não existiram; é comum que nas relações entre parentes e amigos prevaleça a informalidade e como, consoante acórdão 10419388, o servidor fiscal não pode abstrairse da realidade em que vivem as pessoas, inclusive ele próprio, as declarações e os comprovantes de depósitos apresentados deveriam ter sido aceitos; quanto ao argumento de que o Sr. Márcio de Aguiar Lamounier sequer dispunha de recursos suficientes para a concessão do alegado empréstimo, esta é uma questão que diz respeito apenas ao próprio Márcio; restou provado documentalmente que o Sr. Márcio transferiu para o contribuinte R$ 50.000,00 à fl. 1.178 e, posteriormente, confirmou se tratar de um empréstimo; após analisar todos os argumentos do fisco, a única convicção que se tem é a de que a auditoria fiscal tentou derrubar as provas apresentadas não com contraprovas, mas com meras alegações; contudo, consoante acórdãos, para desqualificar determinado documento, é preciso comprovar que contem algum vicio, sendo certo ainda que o ônus de provar que os fatos ali registrados são inverídicos é de quem alega; se não forem consideradas suficientes as declarações e as demais provas apresentadas, o que se admite apenas para argumentar, pede a esta DRJ que diligencie junto às pessoas físicas mencionadas e elimine todas as dúvidas que ainda possam existir. 2) Créditos decorrentes do contrato de mútuo firmado com Rogério Batista Araújo em relação a estes créditos, o contribuinte conseguiu recuperar uma das vias do contrato de mútuo; Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.631 7 como se pode perceber nos autos, o Sr. Rogério reconheceu a veracidade do contrato de mútuo e declarou ter transferido ao contribuinte, no decorrer do ano de 2005, R$515.000,00, mas a auditoria fiscal entendeu que o contrato de mútuo entregue não seria suficiente para justificar os respectivos depósitos; o contribuinte identificou sim os créditos referentes ao empréstimo, posto que consignou que "com exceção da TED de R$ 50.000,00, em 30/09/2005, o resto, s.mj., diz respeito ao Rogério"; em sua impugnação, o contribuinte relaciona os depósitos feitos, conforme comprovantes fornecidos pelo mutuante; o mutuante utilizou cheques de terceiros na transferência de valores ao impugnante, sendo que aqueles que retomaram sem fundos acabaram sendo pagos à parte, diretamente ao contribuinte; a explicação para a alegação da fiscalização de que os "os créditos ocorridos na conta corrente do contribuinte no banco Potencial (.) não atinge a soma emprestada" é que como foram utilizados cheques de terceiros, a soma dos depósitos (R$514.934,34) foi a mais próxima possível de R$ 515.000,00 (valor do contrato do mútuo), sendo que a pequena diferença de R$ 65,66 e os cheques sem fundo de R$ 46.914,82 foram pagos diretamente ao impugnante; a alegação de que o Sr. Rogério apenas informou o mútuo recentemente só ratifica a veracidade das informações relativas ao contrato e aos depósitos acima relacionados; o contrato de mútuo foi apresentado, o mutuante confirmou expressamente a veracidade dele, o contribuinte indicou os respectivos créditos em sua contacorrente e, tendo em vista a apresentação dos comprovantes de depósitos que lhe foram entregues pelo Sr. Rogério ora acostados, não há como esta DRJ refutar os dados e documentos anexos, razão pela qual devem ser expurgados estes valores relacionados na planilha; se, por absurdo, a DRJ entender que o que foi dito no tópico insuficiente para julgar improcedente essa parte, pede que se diligencie junto ao Sr. Rogério Batista Araújo e, com isso, tire todas as dúvidas ainda existentes. 3) Depósitos efetuados pelo próprio contribuinte apesar de os comprovantes de depósitos indicarem expressamente o contribuinte ou a esposa dele como depositantes, a auditoria não os acatou sob o fundamento de que a mera posse de determinados recursos não justifica a sua origem e, conquanto intimado, o contribuinte não logrou informar e esclarecer a natureza, data e valores dos fatos econômicos que deram causa à posse das disponibilidades existentes; a auditoria fiscal se equivocou quando disse que os depositantes não se encontram identificados na declaração Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.632 8 prestada pelo gerente de contas do Banco do Brasil, posto que, no documento, o nome do depositante está identificado; a origem dos créditos encontra respaldo em suas declarações, pois o contribuinte sempre informou valores que estavam em seu poder sob a rubrica "saldos em disponibilidades, em bancos, títulos e créditos diversos"; o contribuinte recebeu dinheiro do Sr. Rogério Batista Araújo, como já explicado; além de esses saldos em espécie serem válidos até prova em contrário, certo é que para desqualificar determinado documento, é preciso comprovar que contem algum vicio, consoante acórdão, o que não foi feito; as explicações dadas pelo contribuinte são coerentes, congruentes, têm lógica e fazem sentido, assim se a fiscalização rejeita a comprovação, cabelhe o ônus de provar o alegado. VI — Exclusão de depósitos inferiores a R$ 1.000,00 dos rendimentos tributados — critério a ser necessariamente seguido em todo o lançamento em resposta ao termo de intimação fiscal, o contribuinte solicitou que os depósitos que agrupassem vários com valores individuais iguais ou inferiores a R$ 1.000,00 fossem expurgados, tendo em vista que a fiscalização adotou o critério de excluir os valores menores da relação, tendo a fiscalização consignado que o pedido não encontra amparo na legislação que rege a matéria; no termo de verificação fiscal, a fiscalização informou que não foram considerados, para efeito de determinação dos rendimentos omitidos caracterizados como depósitos bancários de origem não comprovada, os créditos de valor igual ou inferior a R$1.000,00, cuja comprovação de sua origem foi dispensada, em virtude da inexpressividade de seu somatório perante o montante total de créditos efetuados nas contas correntes; a fiscalização não pode agir com dois pesos e duas medidas, logo ou ela exclui todos os créditos inferiores ou não; isso posto, como a desconsideração de depósitos iguais ou inferiores a mil reais foi estabelecida pela própria auditoria fiscal, também deve ser expurgado da presente autuação o imposto apurado a partir de outros créditos de menor monta; VII — Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica — Liquidação da Empresa— valor não tributável o impugnante não recebeu nenhuma quantia em decorrência do seu trabalho, mas sim pela alienação de um ativo; o valor da venda foilhe repassado pessoalmente porque a pessoa jurídica está paralisada e os sócios não têm nenhum interesse em reativála; Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.633 9 os sócios optaram em fazer uma liquidação de fato, tendo sido feita uma venda direta da empresa para o novo proprietário, economizandose, com isso, taxas, ITBI, emolumentos, etc; não causou nenhum prejuízo ao erário, já que o valor correspondente à venda do imóvel nada mais é do que uma devolução do capital social, que é isento e não tributável para fins de imposto de renda; diante das explicações e das provas acostadas, não pode ser mantido o enquadramento realizado pela fiscalização, devendo ser reconhecido que o valor recebido pelo desconto das notas promissórias decorrentes da venda do imóvel da Comcel é um rendimento isento e não tributável. VIII— Pedido isto posto, requer o acolhimento da presente defesa, para que na parte impugnada e nos termos dos fundamentos expendidos acima, anulese, cancelese ou se julgue totalmente improcedente o auto de infração em tela e, via de conseqüência, o crédito tributário nele pretendido; por outro lado, no preciso termo do art. 38 da Lei n° 9.784, de 1999, o contribuinte requer a juntada posterior de provas. Em 02/04/2009, foi acostada aos autos a manifestação do contribuinte de fl. 1.401, juntamente com os documentos de fls. 1.402 a 1.450. E em 08/02/2010, o contribuinte requereu a desistência parcial da impugnação, fl. 1.454, para efeito do que dispõe a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Assim sendo, o imposto no valor de R$ 48.581,67, juntamente com os encargos legais, foram transferidos para o processo n° 10680.720.606/201097 para parcelamento.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 1.567/1.594, que restou assim ementado: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria não contestada pelo impugnante. NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. Não se pronunciando a Fazenda Pública no prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador e tendo havido pagamento antecipado de imposto, não mais pode exigir crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.634 10 Considerase não formulado o pedido de diligência que deixe de atender aos requisitos previstos no inc.IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. OMISSÃO. Será efetuado lançamento de oficio, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituem rendimentos brutos sujeitos ao imposto de renda as quantias correspondentes a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado. Regularmente cientificado daquele acórdão em 19/08/2011 (fl. 1.605), o interessado, representado por seus advogados (fl. 1.374), interpôs recurso voluntário de fl. 1.607/1.622, em 14/09/2011. Em sua defesa, alega que : § a auditoria utilizou diferentes critérios para os anos autuados, pois considerou os depósitos bancários não justificados como origem para os anos de 2003, 2004 e 2005, e não incluiu os depósitos bancários feitos em 2002 no fluxo financeiro relativo ao ano de 2002. Pretende, portanto, sejam incluídos os créditos em conta entre as disponibilidades nos demonstrativos de fls. 6166, de modo que sirvam de origem na apuração de um eventual acréscimo patrimonial no ano de 2002; § a auditoria fiscal não computou como origem de recursos, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, os saldos em disponibilidades declarados sob o código 63 no item 10 da DIRPF do exercício de 2006. Acrescenta que não resta a menor dúvida de que o saldo inicial de R$ 275.200,18 deve compor o fluxo financeiro elaborado, já que não há nenhum indício de que a informação prestada existência de dinheiro em espécie não condiz com a verdade; § a decisão recorrida deve ser reformada para considerar comprovado a origem dos depósitos referentes ao empréstimo obtido junto a Rogério Batista Araújo, que utilizou cheques de terceiros na transferência de valores para sua conta bancária mantida no Banco Pottencial; § seis dos depósitos de 2004 realizados na contacorrente n° 268.9553, mantida no Banco do Brasil, foram efetuados em espécie por ele próprio contribuinte, consoante disponibilidades registradas em sua declaração de imposto de renda; Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.635 11 § a DRJ não tocou no assunto “omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica COMCEL Comunicações Culturais e Evangélicas Ltda.”, o que, por si só, enseja a nulidade da decisão recorrida. Sustenta que o correspondente valor foi recebido pelo desconto das notas promissórias decorrentes da venda do imóvel da COMCEL, tendo em vista que houve liquidação de fato da pessoa jurídica da qual era sócio gerente. Defende, ainda, que a natureza do rendimento prevalece sobre a forma, razão pela qual o fato de não ter sido feita a alteração contratual reduzindo o número de cotas não desnatura o que ocorreu, haja vista que o imóvel foi alienado pela empresa e o contribuinte recebeu o valor correspondente como "devolução do capital social", o qual, como se sabe, é isento para fins do IRPF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Conforme bem registrou a decisão de recorrida, parcela do crédito tributário exigida no presente auto de infração foi extinta por pagamento ou transferida para os processos nº 10680720.606/201097 10680721.061/200731, haja vista o demonstrativo de fl. 1.601. No caso, o litígio restringese às questões levantadas pelo recorrente que serão a seguir apreciadas. Ao contrário do que entende o peticionário, a auditoria não utilizou diferentes critérios para os anos autuados. Observa que os depósitos bancários de origem não comprovada somente foram relacionados nos Demonstrativos de Variação Patrimonial dos anoscalendários 2003, 2004 e 2005, pois somente nestes períodos foram apuradas omissões de rendimentos caracterizadas por depósitos bancários de origem não justificada, cujos valores foram considerados como recursos na análise da evolução patrimonial do recorrente dos respectivos exercícios. No anocalendário de 2002, não houve apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não justificada, sequer houve indício de movimentação bancária incompatível com os rendimentos declarados. Ademais, verificase que, na análise da evolução patrimonial do anocalendário 2002, às fls. 63/68, foram computados os saldos bancários credores no inicio de cada mês e devedores no final de cada mês como recursos no fluxo de caixa, assim como os saldos bancários credores no final do mês e devedores no início do mesmo mês como aplicações. Portanto, foi levado em conta toda a movimentação bancária do contribuinte, não procedendo sua insurgência no que se refere a este aspecto. Quanto à alegada disponibilidade de R$ 275.200,18 no início do ano calendário de 2005, importa transcrever os fundamentos do acórdão recorrido no tocante a disponibilidade destes recursos: Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.636 12 “No tocante ao anocalendário 2005, o contribuinte requer que seja considerado no fluxo financeiro o valor de R$ 275.200,18 informado em sua Declaração de Ajuste Anual na relação de bens no código "63" como situação em 31/12/2004. Consultando a Declaração de Ajuste Anual em nome do contribuinte, referente ao exercício 2006, constatase que, de fato, foi informado na relação de bens no seu item 10, R$ 275.200,18 no código 63 que significa dinheiro em espécie em moeda nacional. Ocorre que o contribuinte também consignou no mencionado item 10 que o valor de R$275.200,18 referese a "saldos em disponibilidade em bancos títulos e créditos diversos —Brasil". A descrição deste bem é muito ampla, como se percebe, podendo se referir, por exemplo, a títulos públicos, saldos em conta corrente, aplicações financeiras e até mesmo disponibilidade em espécie. Assim sendo, temse que a descrição do bem disposto no item 10 na sua Declaração de Ajuste Anual macula a alegação apresentada de que dispunha de R$275.200,18 em espécie em 31/12/2004. 0 contribuinte, em sua defesa, não acostou nenhum documento que comprovasse sua alegação. Assim sendo, não há como acolher o argumento apresentado. De igual forma, o fluxo financeiro referente ao anocalendário de 2005 não merece nenhum reparo.” Este Colegiado em diversas decisões tem manifestado o entendimento no sentido de que as disponibilidades do contribuinte no final do exercício devem ser expressas na declaração de bens e direitos, na forma de dinheiro, saldos bancários, investimentos, etc. No entanto, estas disponibilidades apenas se efetivamente comprovadas, devem ser consideradas como recursos para o exercício seguinte. Verificase que, no presente caso, a própria fiscalização apurou saldos positivos de recursos em dezembro de 2004, no montante de R$ 339.836,41 (fl. 80), os quais foram desconsiderados ao iniciar o exame do mês seguinte (janeiro de 2005), à fl. 83, pela simples mudança do anocalendário. Ocorre que não existe nenhuma regra jurídica e nem fundamento ou interpretação razoável a justificar a transferência de valores de um mês para o outro, dentro do anocalendário e não considerálos do mês de dezembro para o mês de janeiro. Vale registrar que outro não foi o entendimento da 2ª Turma da CSRF, conforme julgamento unânime referente ao Processo de nº 10825.000618/9636, Acórdão nº 920200.521, proferido em 09 de março de 2010: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO QUE SE ESTENDE POR MAIS DE UM ANOCALENDÁRIO SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.637 13 Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Assim, o valor de R$ 339.836,41 referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de 2004, ou seja, no início de janeiro de 2005, deve integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário 2005, Com efeito, relativamente ao anocalendário de 2005, não resta acréscimo patrimonial, uma vez que o valor dos recursos não computados anteriormente R$ 339.836,41 supera o total de 48.993,15 do acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização. Relativamente ao empréstimo obtido junto ao Sr. Rogério Batista Araújo, não foram carreados aos autos elementos de provas suficientes que atestem a materialidade do mútuo e demonstrem a transferência dos recursos, que segundo o contribuinte foi realizada com a utilização de cheques de terceiros. Tal justificativa, por si só, não tem o condão de demonstrar a correlação inequívoca entre os depósitos e o suposto empréstimo. Salientese que é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Logo, também não pode prosperar a tese do recorrente de que alguns depósitos, em 2004, foram efetuados com dinheiro próprio, por falta de comprovação e também porque não é razoável admitir que o contribuinte mantenha recursos em espécie em seu poder para fazer frente a depósitos em suas contas bancárias. Por fim, constatase que é infundado o arrazoado do recorrente de que a DRJ não tocou no assunto “omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Comcel Comunicações Culturais e Evangélicas Ltda.”. A referida omissão de rendimentos foi confirmada pela decisão de primeira instância, conforme trecho reproduzido a seguir, que adoto como razão de decidir: “Compulsando os autos, verificase que a fiscalização considerou como rendimentos tributáveis não declarados pelo contribuinte o valor de R$ 25.352,05 que teria sido pago pela pessoa jurídica Comcel — Comunicações Culturais e Evangélicas Ltda. No item "conclusões" do termo de verificação fiscal, a respeito desta omissão, fl. 46, a fiscalização assim se manifestou: "2.1 Concluímos, conforme discorrido nos itens 1.55 a 1.60 deste Termo de Verificação Fiscal, que o contribuinte fiscalizado foi beneficiário da importância de R$ 25.352,05 (vinte e cinco mil e trezentos e cinqüenta e dois reais e cinco centavos), que lhe foi paga a causa não esclarecida ou comprovada pela empresa Comcel — Comunicações Culturais e Evangélicas Ltda, da qual é sócio gerente, mediante crédito de recursos pertencentes à empresa, decorrentes da venda de um imóvel de propriedade desta, em conta de depósitos mantida pelo contribuinte junto ao Banco Pottencial, caracterizandose tal pagamento como uma Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.638 14 vantagem de natureza não identificada recebida por dirigente de empresa, o que impõe, nesse caso, a constituição de crédito tributário considerandose o citado valor como rendimento bruto recebido na data do crédito bancário, 31/03/2003, com fundamento nos artigos 37, 38, 43 e 845, todos do RIR199. 0 valo de R$25.352,05, correspondente aos rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica omitidos, foi lançado no auto de infração resultante da fiscalização (ver infração 001 — Omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício de pessoa jurídica, a fl. 06." Em sua impugnação, o contribuinte alega que recebeu R$ 25.352,05 em razão da alienação de um ativo da empresa Comcel da qual é sóciogerente, tendo sido este valor repassado diretamente a ele em virtude de a empresa estar paralisada e de os sócios não terem nenhum interesse em reativála. Alega ainda que para não gastar mais dinheiro inutilmente, os sócios optaram em fazer uma liquidação de fato, tendo ficado deliberado que o imóvel em questão lhe pertenceria, e como não pretendia manter o bem, foi feita uma venda direta para o novo proprietário, economizandose, com isso, taxas, emolumentos, etc. E conclui que o valor recebido é isento e não tributável para fins de imposto de renda, já que a venda constitui numa devolução do capital social. Quanto aos rendimentos tributáveis, o caput do art. 38 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, estabelece: "Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo (Lei n° 7.713, de 1988, art. 30, ,f 4°)." Já o art. 43 do mesmo diploma legal dispõe que são tributáveis os rendimentos provenientes de trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens recebidas. E o art. 39 do RIR/99 é taxativo ao enumerar quais verbas não entram no cômputo do rendimento bruto. Assim, somente não são tributáveis as verbas elencadas no mencionado art. 39, tendo em vista que o art. 111, inc. II, do CTN determina a interpretação literal para os dispositivos que disponham sobre outorga de isenção. Observese que o mencionado art. 39 do RIR/99, no seu inc. XLVI, estabelece que não entrarão no computo do rendimento bruto a diferença a maior entre o valor de mercado de bens e direitos, recebidos em devolução do capital social e o valor destes constantes da declaração de bens do titular, sócio ou acionista, quando a devolução for realizada pelo valor de mercado (Lei n2 9.249, de 1995, art. 22, § 42). Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.639 15 Já a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, no seu art. 22, assim dispõe: "Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista a titulo de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1° No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. § 2° Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital. § 3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. § 4" A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido."" Em sua impugnação, o contribuinte não logrou comprovar que se enquadra nos ditames estabelecidos pela legislação acima transcrita, pois consigna que houve "liquidação de fato" da pessoa jurídica e que o imóvel foi transferido diretamente para o novo proprietário. Registrese que não houve alteração do número de cotas de capital na empresa jurídica Comcel informado nas declarações de bens e direito constantes nas declarações de ajuste anual do contribuinte objeto deste processo (exercícios 2003, 2004, 2005, 2006). Assim sendo, não há como acolher as pretensões expressas nos argumentos em análise.” Dessa forma, não havendo provas de que os valores recebidos pelo Contribuinte da empresa COMCEL referemse a direitos recebidos em devolução de sua participação no capital da empresa, a referida quantia não pode ser considerada isenta do imposto de renda. Por conseguinte, eventuais pagamentos feitos pela sociedade ao ora recorrente, não são abrangidos pelo benefício da isenção a que se refere o art. 39, inciso XLVI do RIR/99. Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012716/200786 Acórdão n.º 2801003.095 S2TE01 Fl. 1.640 16 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, referente ao anocalendário de 2005, no valor de 48.993,15. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002246/2003-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário:1998
DECADÊNCIA. IRRF. DCTF
Exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF. Fato gerador instantâneo. Tributo declarado em DCTF. Pagamento parcial implícito pelo cancelamento de parte da autuação pela decisão recorrida da DRJ. Decadência reconhecida pelo art. 150, Par. 4°, do CTN, após decorrido cinco anos da data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-002.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 2202-002.169, de 19/02/2013, acolher a preliminar de decadência, relativamente ao 2º e 3º trimestres de 1998 e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes .Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário:1998 DECADÊNCIA. IRRF. DCTF Exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF. Fato gerador instantâneo. Tributo declarado em DCTF. Pagamento parcial implícito pelo cancelamento de parte da autuação pela decisão recorrida da DRJ. Decadência reconhecida pelo art. 150, Par. 4°, do CTN, após decorrido cinco anos da data da ocorrência do fato gerador.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10070.002246/2003-05
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5288086
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-002.214
nome_arquivo_s : Decisao_10070002246200305.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10070002246200305_5288086.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 2202-002.169, de 19/02/2013, acolher a preliminar de decadência, relativamente ao 2º e 3º trimestres de 1998 e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes .Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5046989
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173317595136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.002246/200305 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.214 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria IRRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ALERE S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:1998 DECADÊNCIA. IRRF. DCTF Exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Fato gerador instantâneo. Tributo declarado em DCTF. Pagamento parcial implícito pelo cancelamento de parte da autuação pela decisão recorrida da DRJ. Decadência reconhecida pelo art. 150, Par. 4°, do CTN, após decorrido cinco anos da data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 2202002.169, de 19/02/2013, acolher a preliminar de decadência, relativamente ao 2º e 3º trimestres de 1998 e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes .Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 22 46 /2 00 3- 05 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o v. Acórdão n° 2202002.169, proferido na sessão 19.02.2013, pela 2ª TO da 2a Câm. da 2a Seção deste Conselho, que deu provimento a Recurso Voluntário e cancelou autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$ 4.808,82, com multa de 75%, pelo reconhecimento da decadência. Sustenta a Fazenda Embargante contradição e omissão da decisão embargada. Contradição entre a ementa e o voto condutor que colheu a decadência. Omissão pela falta da comprovação do exame do pagamento do tributo o quê permitiu, indevidamente, acolher a decadência pelo art. 150, do CTN. A decisão embargada esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO Diante da falta de comprovação de que os valores devidos foram recolhidos, mantémse o lançamento. Pede seja sanada a contradição entre o voto condutor e a ementa e suprida a omissão do exame do pagamento, afastando a decadência, com a aplicação do art. 173, do CTN e provendo os Embargos no efeito modificativo ou infringentes para inverter a decisão Embargada e manter a autuação. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Os Embargos devem ser admitidos, conhecidos e providos. Sustenta a zelosa Fazenda Nacional Embargante, por intermédio de sua ilustre Procuradora, Dra. Leila Barreiros Prado, contradição entre a conclusão do voto condutor que reconheceu a decadência e a ementa do julgado. De fato, assiste inteira razão a Fazenda. A decisão embargada reconheceu a decadência e cancelou a autuação, mas na ementa do julgado consta, indevidamente, “manter o lançamento”, quando a autuação foi cancelada. Há de fato, total contradição e que merece ser prontamente reparado. O mesmo não ocorre inteiramente em relação da omissão do julgado. A decisão embargada, de fato, não fez expressa referencia a pagamento do tributo para permitir reconhecer a decadência pelo art. 150, do CTN, na esteira da Fl. 324DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10070.002246/200305 Acórdão n.º 2201002.214 S2C2T1 Fl. 3 3 jurisprudência predominante do C. STJ, mas o pagamento esta presente e decorre do próprio lançamento levado a efeito. Explicase, cuidase da exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF declarada na DCTF e não pago. Esta implícito que houve o pagamento do tributo, isto porque se trata de autuação em compensação e foi expressamente admitida e cancelada parte do lançamento pela decisão recorrida da DRJ, exatamente por existir o pagamento, do contrário, se não houvesse, não haveria cancelamento de parte da autuação. No entanto, melhor examinando os autos, a decadência deve alcançar apenas o 2º e 3º trimestres de 1998, onde se comprova a compensação e, por conseqüência pagamento. Dessa forma, os Embargos merecem provimento para sanar a contradição existente na ementa e suprir a omissão em relação os fundamentos sobre o pagamento, embora implícito e admitido nos autos, para atribui efeitos infringentes ou modificativos. Ante o exposto, pelo meu voto, reconheço dos embargos e lhe dou provimento para sanar a omissão e a contradição existente na emenda e para acolher a preliminar de decadência apenas do 2º e 3º trimestres de 1998, mantido no mais a decisão embargada, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. IRRF. DCTF Exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Fato gerador instantâneo. Tributo declarado em DCTF. Pagamento parcial implícito pelo cancelamento de parte da autuação pela decisão recorrida da DRJ. Decadência reconhecida pelo art. 150, Par. 4°, do CTN, após decorrido cinco anos da data da ocorrência do fato gerador. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 325DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 4 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902999/2010-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1802-001.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10865.902999/2010-97
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5300903
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.846
nome_arquivo_s : Decisao_10865902999201097.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10865902999201097_5300903.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5124436
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173321789440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.902999/201097 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802001.846 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ABENGOA BIOENERGIA SANTA FÉ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 29 99 /2 01 0- 97 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1435.121, às fls. 47 a 57: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 28187.69311.040907.1.3.042331, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 08/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/31, na qual alega, em síntese, que: a) no mês de abril/2007, apurou base de cálculo positiva do IRPJ, no valor de R$ 883.145,33, conforme consta da Ficha 11 da DIPJ/2008, gerando IRPJ a pagar na cifra de R$ 183.660,76; b) no dia 31/05/2007, efetuou pagamento a maior no valor de R$ 37.732,48; c) no mês de dezembro/2006, a manifestante apurou base de cálculo positiva no valor de R$ 1.965.005,13, o que gerou IRPJ a pagar, em 31/01/2007, no valor de R$ 378.273,75; d) do referido valor original devido, R$ 30.676,84 foram compensados na data de 04/09/2007; e) a compensação levada a efeito pela Manifestante revestiuse de caráter inteiramente satisfativo do crédito tributário da Receita Federal, não havendo qualquer prejuízo financeiro; f) sob o aspecto legal carece de fundamento a glosa da compensação levada a efeito pela Manifestante; g) o órgão julgador da RFB buscou fundamento para impugnar a compensação no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/2005; h) a própria Receita Federal, contudo, entendendo ser imperioso e justo que as empresas tenham efetuado pagamento indevido ou a maior em meses anteriores, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 5 4 houve por bem alterar o artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, a teor do artigo 11 da IN RFB n° 900/2008, para excluir do texto do artigo 10 as disposições: “bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal.”; i) tratandose de pagamento indevido e não de retenção indevida, a Manifestante não está limitada a somente utilizar o indébito no final do período de apuração. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2007 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/04/2012, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, informa que está juntando aos autos cópias das fichas 9A, 11 e 12A da DIPJ/2007; Livro LALUR e as DCTF dos períodos envolvidos. Este é o Relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 04/09/2007, na qual utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de abril/2007. O débito objeto da compensação corresponde à parcela da estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2006, informada com as seguintes rubricas: Principal: 30.676,84 Multa: 6.135,37 Juros: 2.380,52 A negativa da Delegacia de origem foi amparada no entendimento de que os recolhimentos de estimativa mensal só poderiam ser utilizados na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que realizou pagamento a maior para a estimativa de IRPJ do mês de abril/2007. Segundo seus argumentos, o valor desta estimativa seria de R$ 183.660,76, e ela teria recolhido R$ 221.393,24 em 31/05/2007, o que caracterizaria o excedente de R$ 37.732,48, utilizados no PER/DCOMP em exame. Ela destacou também que houve alteração no texto contido no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, modificando a regra que restringia a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. De acordo com a decisão de primeira instância administrativa, os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não seriam pagamentos passíveis de compensação. Ainda segundo a DRJ, mesmo que se admitisse o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior passível de restituição/compensação, a Contribuinte não teria se desincumbido do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 7 6 No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos nos artigos 165 e 170 do CTN, bem como no art. 74, caput, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de crédito tributário. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 8 7 Noutro giro, ainda que se admitisse o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Assim, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do mês de abril de 2007, o imposto de renda devido em meses anteriores (até março/2007) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do imposto a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros “Diário” ou “Lalur”, a demonstração do resultado do exercício, etc., além dos registros pertinentes do livro “LALUR”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte levantou balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e compensado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, não apresentou qualquer elemento contábil que comprovasse o indébito pleiteado. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 9 8 documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada pela Delegacia de origem a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Procurando comprovar o seu direito creditório, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias das fichas 9A, 11 e 12A das DIPJ exercícios 2007 e 2008, e do Livro LALUR referente ao anocalendário de 2006. Desde o início, a negativa ao pleito da Contribuinte busca fundamento no argumento de que os recolhimentos de estimativa não podem ser objeto de restituição ou compensação, haja vista que eles só poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração anual, ou para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Quanto a isso, é importante mencionar que tal entendimento já foi superado, inclusive com súmula editada pelo CARF: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 10 9 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. Nesta mesma sessão de julgamento foram examinados outros quatro processos da mesma Contribuinte, com os números 10865.908707/200996, 10865.908708/200931, 10865.908709/200985 e 10865.908710/200918, cujas compensações foram homologadas. Os PER/DCOMP objeto destes outros processos abrangem crédito de estimativa de IRPJ do ano 2006 com débito de estimativa de IRPJ do mesmo ano de 2006. A aparente semelhança dos casos e da argumentação levou a Contribuinte a apresentar neste processo o LALUR do anocalendário de 2006. Contudo, a situação aqui diverge dos outros processos mencionados acima, porque envolve o encontro de contas de estimativas de anos diferentes – crédito de 2007 com débito de 2006. Pela ficha 12A da DIPJ referente ao anocalendário 2007, às fls. 129, houve apuração de imposto no período anual, mas as deduções a título de IR fonte e de recolhimento de estimativas mensais resultaram em apuração de saldo negativo de IRPJ. A indicação das fichas da DIPJ é que o alegado excedente da estimativa de abril/2007 não foi computado no ajuste anual, o que tende a caracterizar sua disponibilidade desde o recolhimento, conforme a Súmula CARF nº 84 (transcrita acima), para aproveitamento no presente PER/DCOMP. Mas a solução deste processo demanda um exame mais aprofundado. Embora a indicação seja da existência do alegado excedente referente à estimativa de abril/2007, o fato de ter havido “base de cálculo” positiva no período anual reivindica esclarecimentos adicionais. É que uma eventual não confirmação dos valores deduzidos no ajuste anual poderia gerar imposto a pagar neste mesmo ajuste (em vez de saldo negativo), o que prejudicaria o reconhecimento do reivindicado crédito, já que o alegado excesso na estimativa de abril seria total ou parcialmente absorvido para a quitação do ajuste, dependendo do montante do saldo que restasse em aberto. Isso decorre da relação entre as estimativas mensais e o ajuste no final do período, não havendo como subsistir o alegado direito creditório se o ajuste ficar em aberto. Este exame implica em verificar a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2007; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais neste mesmo ano; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; e outros elementos que a Delegacia de origem entender necessários. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902999/201097 Acórdão n.º 1802001.846 S1TE02 Fl. 11 10 Deste modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice em relação à possibilidade de restituição/compensação de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, devolvendo os autos à Delegacia de origem para reexame da compensação. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000919/2010-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.183
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em nova diligência para intimação da Recorrente.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros : Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
RELATÓRIO
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.000919/2010-71
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298190
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-000.183
nome_arquivo_s : Decisao_10120000919201071.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10120000919201071_5298190.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em nova diligência para intimação da Recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros : Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5108788
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173340663808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.000919/201071 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.183 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Recorrente EMSA EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em nova diligência para intimação da Recorrente. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros : Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 00 91 9/ 20 10 -7 1 Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.000919/201071 Resolução nº 2403000.183 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Na forma do Despacho de n° 2403.000.042, esta Turma , por unanimidade de votos, em 18 de janeiro de 2012, anuiu a determinação do Relator no sentido de que se convertesse o julgamento em DILIGÊNCIA. Aduz que na parte final da decisão constou, como de praxe, que antes de os autos retornassem a este Colegiado devesse ser conferida vistas ao recorrente, com exposição do resultado, abrindose prazo normativo para eventual manifestação. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.000919/201071 Resolução nº 2403000.183 S2C4T3 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator Na forma do art. 29 do Decreto 70.235/72, para formar sua convicção, a autoridade julgadora tem a prerrogativa legal para determinar diligências que entender necessárias cabendo à parte requerida proceder ao cumprimento : “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias” ( grifos de minha autoria) Cumpre ressaltar que sem entrar no mérito da resposta do Auditor autuante colacionada às fls. 1.738/1.742, não alcancei nos autos registro de que a recorrente fora intimada do inteiro teor da Resolução bem como da resposta da Diligência. No art. 26 da Lei n° 9.784/99 consta definido que : “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências.”( grifos de minha autoria) Não se afigura lícito descumprir a previsão do art. 28 da Lei n° 9.784/99,verbis: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.”( grifos de minha autoria) No mesmo diapasão, observando o devido processo legal, exortado no comando do parágrafo único do art. 27 do mesmo diploma legal supra, de modo a estabelecer o contraditório e ampla defesa, para que a sobredita omissão não caracterize cerceamento que ensejaria a nulidade do vinculado Acórdão a ser exarado neste Colegiado, determino que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF de origem para que se proceda a devida intimação: “Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado.”( grifei) Por fim, o § 4° do art. 63 do Regimento Interno deste Egrégio Conselho determina dar ciência ao Recorrente dos acórdãos exarados, verbis: “ § 4° Dos acórdãos será dada ciência ao recorrente ou ao interessado e, se a decisão for desfavorável à Fazenda Nacional, também ao seu representante.” Às fls. 1.734, extraído da parte final da sobredita Resolução, transcrevo a íntegra do que neste sentido fora determinado, verbis: “Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação.”( grifei) Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.000919/201071 Resolução nº 2403000.183 S2C4T3 Fl. 5 4 Às fls. 1.742, no item 14 da resposta da diligência, o Auditor Fiscal, exortando descabidos fundamentos legais, e, ainda, sob efeito de injustificada competência, julga insuficientes os argumentos do Relator para determinar a diligência. Na seqüência faz inusitada solicitação para que a mesma seja anulada. Tal irrefletido ato expõe claro desconforto com o encargo para cumprir o desiderato: “14. Por fim, sob o amparo do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, supra indigitados, mas com a MÁXIMA VÊNIA, venho diante de Vossa Senhoria pedir que reveja a posição se baixar em diligência o processo acima identificado, ancorado nos argumentos que se apresentou.”( grifos de minha autoria) Cumpre registrar que fiz perfunctória análise do documento e farei juízo das informações colacionadas às fls.1.738/1.742 quando do retorno dos autos. CONCLUSÃO Determino que os autos retornem às origens para que se intime o contribuinte do teor da Resolução e do resultado da Diligência conforme o comando do § 4° do art. 63 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.902893/2009-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10640.902893/2009-94
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5292438
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.731
nome_arquivo_s : Decisao_10640902893200994.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10640902893200994_5292438.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5065381
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173343809536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 80 1 79 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.902893/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.731 – 2ª Turma Especial Sessão de 9 de julho de 2013 Matéria IRPJ Recorrente Rosagas Comercio de Gas Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 28 93 /2 00 9- 94 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica — Dcomp n° 17682.37351.310106.1.3.046811 (fls. 26 a 28), transmitida em 31/01/2006, de débito de IRRF, código 1708, período de apuração 1º Sem./junho/2004, no valor original de R$26,10, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (estimativa), efetuado por meio do DARF abaixo discriminado: Código da Receita Data de Arrecadação Período de Apuração Principal Multa Juros Valor Total de DARF 5993 27.02.2004 31.01.2004 800,00 800,00 O valor do crédito original utilizado nesta Dcomp é de R$29,08. A DRF/JFA/MG, em 09104/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em virtude de o pagamento efetuado por meio do DARF indicado na Dcomp estar totalmente alocado ao débito de IRPJ, código 5993, período de apuração 31/01/2004, não restando crédito disponível para compensação ora declarada (fl. 29). A empresa contribuinte foi cientificada, em 30/04/2009, da não homologação da declaração de compensação (fl. 33), e apresentou, em 27/05/2009, a manifestação de fls. 1 e 2, na qual alega que juntou cópia do correto lançamento, demonstrando o valor real devido para o mês de janeiro de 2004, que cotejado com o pagamento, efetuado em 27/02/2004, comprova cabalmente o pagamento indevido ou a maior. É o relatório. Em sua decisão, a DRJJFA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte através do Acórdão n° 9 36.523, Sessão de 25 de agosto de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902893/200994 Acórdão n.º 1802001.731 S1TE02 Fl. 81 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 27/02/2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Comprovada a improcedência do direito creditório, deixase de homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou, em 23/12/2011, Recurso Voluntário (fls. 44/74) no qual aduziu, em síntese, que entende que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 25.11.2011, conforme aviso de recebimento às fls. 43 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 23.12.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Mérito Durante a construção da sua tese de defesa, a Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ (código 5993) referente ao período de janeiro de 2004, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 17682.37351.310106.1.3.046811. A DRJ manteve a não homologação da compensação efetuada, sob o argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902893/200994 Acórdão n.º 1802001.731 S1TE02 Fl. 82 5 § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora) para análise do PERDCOMP no. 17682.37351.310106.1.3.046811 e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902893/200994 Acórdão n.º 1802001.731 S1TE02 Fl. 83 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10630.902943/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 09/04/2002
ADMINISTRAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 09/04/2002 ADMINISTRAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10630.902943/2009-52
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5295286
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-002.341
nome_arquivo_s : Decisao_10630902943200952.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10630902943200952_5295286.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5089625
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173358489600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1616; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10630.902943/200952 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.341 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente LABORATÓRIO IZAC DE ANÁLISES E PESQUISAS CLÍNICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 09/04/2002 ADMINISTRAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 29 43 /2 00 9- 52 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902943/200952 Acórdão n.º 3302002.341 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 14/09/2006 a empresa Recorrente transmitiu PER/DCOMP pleiteando a restituição integral da Cofins do período de apuração de 28/02/2002, paga no dia 09/04/2002, e declarando a compensação de débitos de IRRF. A DRF de origem indeferiu o pedido de restituição, e não homologou a compensação declarada, alegando que o Darf indicado no Pedido de Restituição fora integralmente aproveitado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, conforme Despacho Decisório de 25/05/2009. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: a decisão emanada pela Delegacia de origem é contrária à legislação, em face de inexistência de instância intermediária, concluindose pela nulidade dessa decisão; o art. 6º da Lei Complementar n° 70/91 isentou do pagamento da Cofins as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, não podendo a lei ordinária, qual seja, a Lei n° 9.430/96. revogar tal isenção; sobre o assunto o STJ editou a Súmula n° 276: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, sendo irrelevante o regime tributário adotado"; a isenção de tais sociedades, como a interessada, são reconhecidas tanto judicialmente como administrativamente, não havendo ainda no presente processo julgamento em última instância; segundo a legislação que rege a matéria, a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB é direito inarredável, uma vez que legítimo o direito da recorrente de se apropriar do crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior; diante do fato de as compensações e os pedidos de restituição que as originou terem sido protocoladas anteriormente à publicação da Lei Complementar n.° 118/2005, não resta dúvida quanto ao direito à restituição da Cofins, recolhida nos últimos 10 anos pela contribuinte, uma vez que o tributo estava sujeito ao lançamento por homologação; o débito levado à compensação é inexigível em face do implemento de condição suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, sendo ilegal qualquer atitude do Fisco no sentido de coagir a contribuinte a proceder o recolhimento de tais valores, seja por meio de cobrança, ou impossibilitando a mesma de obter a CND, fundamental para seus negócios; não olvidando que o direito ora pleiteado é líquido e certo, requer, provimento integral da manifestação de inconformidade, para reformar a decisão da Delegacia de origem, conforme demonstradas as decisões favoráveis aos contribuintes, homologando todas as compensações efetuadas. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902943/200952 Acórdão n.º 3302002.341 S3C3T2 Fl. 4 3 A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 0934.938, de 12/05/2011, cuja ementa está abaixo reproduzida. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar n° 70. de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei n° 9.430. de 1996. DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações declaradas. A empresa Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 29/05/2012, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 25/06/2012, com Recurso Voluntário, no qual discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública e sobre a inconstitucionalidade da revogação da isenção da Cofins por meio de lei ordinária. Com relação ao débito, cuja compensação não foi homologada, a Recorrente noticia que o mesmo foi incluído no parcelamento regido pela Lei nº 11.941/09. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais disposições legais. Dele se conhece. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902943/200952 Acórdão n.º 3302002.341 S3C3T2 Fl. 5 4 Como relatado, o presente processo trata de pedido de restituição de Cofins, combinado com declaração de compensação de débitos de IRRF. O crédito pleiteado não foi reconhecido porque o pagamento está alocado a débito regularmente declarado em DCTF. Conseqüentemente, a compensação declarada não foi homologada. Na Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar nº 70/91. A decisão recorrida não conheceu dos argumentos de inconstitucionalidade e manteve o Despacho Decisório que não reconheceu o crédito pleiteado e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. No Recurso Voluntário, a empresa Recorrente discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública para concluir pelo direito ao crédito pleiteado e, ainda, informa que o débito foi incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96 e da obrigação da Administração Tributária de os apreciar, a decisão recorrida disse bem que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre o direito ao crédito propriamente dito, a empresa Recorrente não trouxe outro argumento, além da suposta inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Quanto à notícia do parcelamento dos débitos de IRRF, cuja compensação foi declarada e não foi homologada, diferentemente do entendimento esposado em outros recursos da mesma empresa Recorrente, e com o mesmo objeto, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, a exemplo do Acórdão nº 3802001.513, de 29/01/2013 (Processo nº 10630.902947/200931), entendo que não ocorreu renúncia ao recurso voluntário, relativamente ao crédito pleiteado. Isto porque a discussão do direito ao crédito pleiteado não depende do débito que foi compensado e declarado à RFB. O pagamento ou o parcelamento deste não afeta o direito ao crédito. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902943/200952 Acórdão n.º 3302002.341 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso dos autos, está provado a inexistência do crédito pleiteado, razão pela qual não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto supletivamente (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992). Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902603/2009-37
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/11/2005
CSLL ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/11/2005 CSLL ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10850.902603/2009-37
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5293448
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.777
nome_arquivo_s : Decisao_10850902603200937.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WALTER ADOLFO MARESCH
nome_arquivo_pdf_s : 10850902603200937_5293448.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5074848
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173384704000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 277 1 276 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.902603/200937 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.777 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de agosto de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente BENSAÚDE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA HOSPITALAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/11/2005 CSLL ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 26 03 /2 00 9- 37 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório BENSAUDE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA HOSPITALAR LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada PER/DCOMP, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484). Por intermédio do despacho decisório, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada apresentou a contribuinte manifestação de inconformidade pela qual pugna pela ilegalidade da Instrução Normativa SRF 600/2005, afirmando deter crédito líquido e certo perante a Fazenda Nacional tendo em vista o pagamento a maior ou indevido de estimativa. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1438.441, de 21 de agosto de 2012 (fls. 103/114), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/11/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão em 14/02/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 129), apresentou o recurso voluntário em 14/03/2013 fls. 131/150, onde reafirma seu direito à repetição de indébito de estimativa recolhida a maior. É o relatório Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10850.902603/200937 Acórdão n.º 1803001.777 S1TE03 Fl. 278 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP cujo direito creditório decorre de estimativa de CSLL recolhida a maior, relativa ao fato gerador Novembro/2005. Alega a recorrente em síntese, de que conforme atesta sua DIPJ efetuou recolhimento a maior de estimativa de CSLL relativa ao fato gerador Novembro/2005, sendo ilegais quaisquer restrições administrativas de vedação ao direito de repetição do indébito. Assiste razão à recorrente. O direito à utilização de estimativas pagas a maior ou indevidamente foi reconhecido inclusive para os pedidos pendentes anteriores à edição da Instrução Normativa nº 900/2008, conforme consta da SCI Cosit nº 19, de 2011, estando o entendimento consolidado neste colegiado conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Conforme a recorrente aponta em seu arrazoado, em relação a estimativa do mês de novembro de 2005 e de acordo com a DIPJ, foi apurado o o montante de R$ 17.401,42, tendo sido recolhido o valor de R$ 17.554,91. Constatouse em conseqüência um indébito de R$ 153,49, que segundo a interessada não foi incluído no saldo negativo do período. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar invocada pela autoridade fiscal e reconhecer a possibilidade de compensação de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, devendo a unidade de origem apreciar o pedido observando, contudo a inexistência de efetiva utilização a título de saldo negativo de CSLL ou seja compensada ou ressarcida a este título. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905351/2011-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA.
Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO.
É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
Numero da decisão: 3403-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastou-se a glosa para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo); (ii) por maioria de votos, reconheceu-se (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti; e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
IVAN ALLEGRETTI - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10925.905351/2011-00
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5304045
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.472
nome_arquivo_s : Decisao_10925905351201100.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10925905351201100_5304045.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastou-se a glosa para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo); (ii) por maioria de votos, reconheceu-se (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti; e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. IVAN ALLEGRETTI - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5149981
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173394141184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 380 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.905351/201100 Recurso nº Acórdão nº 3403002.472 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria DCOMPPIS Recorrente SADIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 53 51 /2 01 1- 00 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastouse a glosa para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo); (ii) por maioria de votos, reconheceuse (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan 2 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti; e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. IVAN ALLEGRETTI Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP referente a créditos da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, do 1o trimestre de 2007. No Despacho Decisório de fl. 1281 (emitido em 03/01/2012), acusase que não há o direito creditório pleiteado, indeferindose o pedido (em montante original de R$ 1.091.438,30). O indeferimento do direito creditório neste processo, e no processo administrativo no 10925.905352/201146 (referente a COFINS, para o mesmo período de apuração) ensejaram a lavratura da autuação levada a cabo no processo administrativo no 10925.720046/201212, incumbindo informar que os três processos, em razão da conexão, serão apreciados na mesma sessão de julgamento, a pedido deste relator (conforme despacho de fl. 380). Incumbe ainda informar que no processo da autuação (no 10925.720046/201212) há um despacho decisório de no 1596/2011 (fls. 1199 a 1232), emitido em 22/11/2011, tratando dos mesmos créditos, de forma a detalhar cada glosa efetuada pelo fisco. Pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada no presente processo, são primordialmente a tal despacho decisório praticamente todas as referências. Na manifestação de inconformidade, apresentada em 14/02/2012, (fls. 2 a 113), inicialmente se traz um resumo das glosas (tomando em conta o despacho decisório de no 1596/2011): 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). 3 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI “Segundo despacho decisório, de forma breve, após transcrever a legislação vinculada à matéria, os créditos e as razões da glosa do pedido de ressarcimento são: (i) Insumos (art. 3o, II, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): aplicou noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: a. uniformes, artigos de vestuários, equipamento de proteção de empregados, materiais de uso pessoal: luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete, japona. b. materiais de limpeza/desinfecção: detergente, desinfetante, sabonete, vassoura; c. produtos de movimentação de cargas / embalagens utilizadas para transporte: pallet; d. combustíveis: hexano, óleo de xisto, GLP, diesel e gás; e. ferramentas e materiais utilizados em máquinas / equipamentos: hidrômetro, correia, lubrificantes, cabos, navalha, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula; f. Bens do ativo imobilizado: animais reprodutores e de lactação (não são consumidos na produção); g. Outras aquisições cuja utilização no processo produtivo não foi detectada: soda cáustica; h. Embalagens: acondicionamentos sem acabamento, rotulagem de função promocional e que não valorize o produto e, por fim, acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela que (sic) o produto é comumente vendido. (ii) Ainda insumos (art. 3o, II, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): dentro ainda da noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), também glosou de modo genérico e exemplificativo os seguintes créditos: a. aquisições de fretes: por amostragem, notou que os fretes eram entre estabelecimentos da impugnante, daí porque glosou sua plenitude. Além disso, não localizou a NF 58802 da Viscofan do Brasil; b. aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero: metionina, ovo fértil (...) brócolis congelado, queijo prato, queijo mussarela e ricota; c. redução do crédito nas aquisições com suspensão; d. serviços (alínea 3 das fichas 06A e 16A da DACON: glosou por não se tratar de serviços enquadrados no conceito de insumo. Não cita quais são, nem mesmo exemplificativamente no relatório. 4 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 (iii) Energia elétrica (art. 3o, IX, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: a. despesas que não eram de energia elétrica, mas em tese de comunicação; b. compras de bens do ativo; c. despesa de energia elétrica de dezembro de 2006; (iv) Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (art. 3o, IV, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: a. aluguéis pagos a pessoas físicas; b. despesa que não se refere a locação de imóveis, mas serviço de industrialização [fls. ...]; c. falta de comprovação da NF 7503 Standard Logística e Distribuição; d. diversos itens glosados na linha 05 por não conter (sic) descrições suficientes para caracterização como insumo; e. em relação aos aluguéis de máquinas e equipamentos (linha 06), houve requerimento de 3 Notas Fiscais, sendo apresentada uma relativa a despesa de dezembro de 2006lançamento em duplicidade de despesas; (v) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3o, IX, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: a. diversas notas não se referem a despesas de armazenagem ou frete, pois seria (sic) energia elétrica e frete em operações de compra; b. aquisições de pessoas físicas; c. algumas notas fiscais na amostragem não foram apresentadas (NF 27884 Jundiaí Cargas e NF 531 da Sol Logística e Representações); d. despesas incorridas fora do período de apuração (NF 163 da Ultra Frios Comércio e Transporte fl. [...] e NF 2515 da Safrios Transportes fl. [...]); (vi) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado e edificações e benfeitorias (art. 3o, VI e VII, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): houve glosa dos seguintes bens: a. existiram bens adquiridos antes de 01/05/2004 que foram utilizados para descontar créditos; 5 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI b. existem bens importados e custos inerentes à importação que foram utilizados como créditos; c. consta (sic) de planilha os itens glosados que foram adquiridos após 01/05/2004. (vii) crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8o da Lei n. 10.925/2004): a. aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8o, § 3o, I, da Lei n. 10.925/2004); b. inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo, tais como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudos técnicos, lenha, retentores; c. inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero: pinto de 01 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas alíquota zero. (viii) Bens importados utilizados como insumos: a. aquisição de bens sujeitos à alíquota zero: metionina líquida, ácido fólico e pantotenato de cálcio.” (grifos no original) Em seguida, a manifestação de inconformidade suscita a nulidade do despacho decisório por carência de motivação e fundamentação (detalhada, com apresentação minuciosa de documentos, em obediência ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, e não exemplificativa), ocasionando cerceamento de defesa. No mérito, aduz, em síntese, que: (a) a nãocumulatividade para as contribuições foi constitucionalmente consagrada e não pode sofrer restrições pela legislação infraconstitucional; (b) a expressão insumo está vinculada a dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (considerandose suas peculiaridades e requisitos), visando à obtenção de receita, sendo incorreta a interpretação restritiva vinculada ao desgaste físico na produção (estabelecida nas Instruções Normativas SRF no 358/2003 e 404/2004, que violam o princípio da legalidade); (c) em relação às glosas de: (c.1) uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal, entende que são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da Anvisa (usando idêntico raciocínio para materiais de limpeza/desinfecção, obrigatórios por norma do órgão público responsável); (c.2) produtos para movimentação de cargas/embalagens utilizadas para transporte pallets, entende que são relevantes e participam do processo produtivo, ainda que não se incorporem ao produto final (alimentos); (c.3) combustíveis que não exercem ação direta sobre o produto, entende que são empregados no processo de fabricação, em máquinas e veículos do parque fabril; (c.4) ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, como correias, lubrificantes, graxa, fusível, rolamentos, tomadas, entende que a simples descrição dos produtos é suficiente para que se perceba sua relevância no processo produtivo 6 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 de industrialização, pois todos os itens são componentes de máquinas e equipamentos industriais, e não fazem parte do ativo imobilizado; (c.5) animais reprodutores e de lactação não consumidos na produção, afirma que são insumos, pois servem para conceber e alimentar os animais destinados ao abate (e caso não o sejam, constituem ativo imobilizado); (c.6) soda cáustica, defende que é usada em várias finalidades, como refino de óleo animal e vegetal, remoção de ácidos graxos, descascar alimentos e promover limpeza de equipamentos e máquinas; (c.7) embalagens, argumenta que estão vinculadas ao processo produtivo, embora não se incorporem ao produto final, pois não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final, pois as embalagens intermediárias buscam garantir a segurança e a descontaminação no processo produtivo; (c.8) fretes, entende que todos geram crédito por serem essenciais à atividade econômica, e por isso não fez segregação (pelo que solicitaria diligência a fim de segregar os fretes entre estabelecimentos da empresa, solicitando ainda diligência em relação ao frete glosado em relação à NF 28802, não localizada pela empresa, mas registrada em sua contabilidade); (c.9) aquisições de produtos tributados com alíquota zero (cf. Lei n. 10.925/2004), ou sem tributação pelas contribuições, entende que a exclusão de créditos na hipótese contraria o princípio da não cumulatividade (em caso de negativa, entende ao menos estarem assegurados os créditos presumidos de que trata o art. 8o da referida Lei); (c.10) aquisições de insumos de pessoas jurídicas sendo a venda feita com suspensão das contribuições, informa que as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão, sendo legítimo o crédito; (c.11) serviços, argumenta que não houve exato esclarecimento da glosa, reiterando a existência de nulidade por cerceamento de defesa (sendo incorretas as glosas de mãodeobra de rebobinagem de motor, conserto de equipamentos, armazenamento de resíduos, transporte de sangue, higienização e congêneres, por serem tais bens essenciais e inerentes à atividade produtiva); (c.12) energia elétrica, sustenta que as despesas de comunicação, embora não sejam de energia elétrica, deveriam ser consideradas para creditamento, por serem inerentes e necessárias ao exercício da atividade empresarial, e que os créditos de dezembro de 2006 deveriam ser considerados, por serem extemporâneos e não prescritos; (c.13) as aquisições de ativos classificadas como energia elétrica deveriam ser consideradas pelo Fisco, recompondose os valores, o que não foi feito e tornou o ato ilegal; (c.14) despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, entende que deveria ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas, em virtude do princípio da não cumulatividade (sendo que as despesas que de fato não eram de aluguel mas de serviços, deveriam ser computadas a título de insumo, havendo ainda nulidade nas glosas de itens com 7 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI descrição insuficiente, visto que o Fisco não solicitou esclarecimentos à empresa), e, em relação à NF 7503, pede conversão em diligência para apuração em face da escrituração, ou juntada a posteriori (afirmando que houve glosa por amostragem, presumindo a ilegitimidade de todo o crédito, por não terem sido localizadas duas notas e por ser a terceira de dezembro de 2006, em que pese ser possível o aproveitamento extemporâneo, conforme art. 3o, § 4o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003); (c.15) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, entende ser incorreta a glosa de aquisições de pessoas físicas, por avessa ao princípio da não cumulatividade, e que deve ser desconsiderada a glosa referente a despesas com energia elétrica e fretes de compras erroneamente lançadas em tal conta na DACON pela empresa, pois os créditos são legítimos (em relação às NF não localizadas, a escrituração faz prova em favor da empresa e, no máximo, deveria ter sido efetuada apuração pelo Fisco, o que ainda pode ser objeto de diligência, e, em relação aos créditos extemporâneos não prescritos, não há vedação a seu aproveitamento); (c.16) bens e direitos do ativo imobilizado, entende que o fato de os bens terem sido adquiridos antes de 01/05/2004 não veda o creditamento proporcional dos encargos de depreciação no período subsequente, sendo igualmente improcedente a rejeição do credito de bens importados, cf. art. 15 da Lei n. 10.865/2004, e a de outros constantes em planilha (mas não justificados individualmente); (c.17) crédito presumido da atividade agroindustrial, argumenta que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido (sendo a IN SRF no 660/2006 ilegal); (c.18) aquisições que não constituem insumos, estabelece que são de fato utilizadas no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção); (c.19) pintos de 1 dia, defende que estes se enquadram no art. 8o da Lei no 10.865/2004, que se sobrepõe ao art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; e (c.20) bens importados como insumos, sustenta ainda que a metionina líquida não é tributada à alíquota zero, conforme Decreto no 5.447/2005, vigente à época; (d) em relação aos demais itens glosados, também sustenta a improcedência das glosas diante do princípio da não cumulatividade e da vedação ao confisco, além da nulidade já levantada pela falta de detalhamento das justificativas; (e) requer prova pericial e juntada posterior de documentos; (f) quanto aos juros, devem ser de 1% ao mês (conforme previsão do CTN), e não devem incidir sobre a multa; e (g) quanto à multa de ofício, sustenta que é confiscatória. Em 25/05/2012 (fls. 224 a 281), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda unanimemente que: (a) são incabíveis as solicitações de perícia/diligência, sendo ônus do contribuinte a comprovação detalhada da existência do direito creditório, não cabendo ao fisco 8 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 a comprovação minudente no presente processo, que trata de compensação, nem as alegações de nulidade por carência de motivação/fundamentação; (b) a autoridade administrativa não é competente para apreciar arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados; (inclusive os que se referem a juros de mora e multa de ofício); (c) no regime da não cumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento os bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, não constituindo insumos os uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção, materiais de uso pessoal, de limpeza/desinfecção, e outros que não exercem ação diretamente sobre os produtos fabricados; (d) no regime da não cumulatividade, a utilização de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos (os créditos extemporâneos devem ser utilizados para desconto, compensação ou ressarcimento em procedimentos referentes aos períodos específicos a que pertencem); (e) o creditamento é incabível no caso de “embalagens de transporte”, sendo permitido apenas para “embalagens de apresentação”; (f) somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; (g) as despesas efetuadas com a aquisição de ferramentas e peças de reposição em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, geram direito a créditos das contribuições, desde que tais ferramentas e peças não estejam incluídas no ativo imobilizado; (h) por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem se enquadrarem como operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos das contribuições; (i) não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados (ou tributados à alíquota zero) na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda; (j) a utilização dos créditos das contribuições, apurados na sistemática da não cumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo à autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON; 9 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI (k) a aquisição de insumos com suspensão não passou a ser obrigatória somente com a IN RFB no 977/2009, como alega a recorrente, mas ainda com a IN SRF no 636/2006 (sendo irrelevante o destaque ou não da suspensão nas NF); (l) as despesas com telecomunicações não constituem insumos, e as despesas com energia elétrica devem se dar no período de apuração (para permitir confronto entre créditos e débitos); (m) as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatividade das contribuições que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8o da Lei no 10.925/2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1o de tal artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido; e (n) deve ser cancelada a glosa em relação à soda cáustica, cujo emprego no processo produtivo restou comprovado, e em relação aos serviços mecânicos (como rebobinagem de motor, solda, usinagem, calibrações e consertos, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País), assim como em relação aos pintos de 1 dia e lenha (para os quais é cabível o crédito presumido no percentual de 35%) e à metionina importada (não alcançada pela alíquota zero as contribuições). Cientificada da decisão em 09/07/2012 (termo de fl. 282), a empresa apresenta recurso voluntário em 30/07/2012 (fls. 284 a 373), basicamente reiterando a argumentação exposta na impugnação em relação aos itens não acolhidos pelo julgador a quo (a respeito de ausência de motivação e fundamentação na autuação, com consequente cerceamento de defesa; do princípio da não cumulatividade e sua impossibilidade de restrição por norma infraconstitucional ou mesmo infralegal; da definição de insumo para as contribuições, abarcando aquilo que contribui direta ou indiretamente para o exercício da atividade econômica; das especificidades da atividade da recorrente; e das glosas em espécie), e acrescentando argumentação sobre manifestações jurisprudenciais deste CARF (v.g. sobre equipamento de segurança/higiene Acórdão no 3401001.716, sobre pallets acórdãos ainda não publicados referentes a processos que indica, e sobre crédito presumido para a agroindústria Acórdão no 330100.980). Sustenta ainda a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, em virtude da negativa de acolhimento do pedido de perícia/diligência, pedido este que reitera no Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Esclarecese, de início, que são analisadas a seguir as matérias efetivamente controvertidas em sede de recurso voluntário, excluindose aquelas em que houve acolhimento integral da argumentação da impugnação pelo julgador de primeira instância. 10 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 As matérias não controvertidas são tomadas no sentido do acolhimento das glosas efetuadas. 1. Da (in)existência de nulidades na decisão de primeira instância Sustenta a recorrente preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância, por ter esta indeferido de forma subjetiva a perícia solicitada, tendo sido atendidos na solicitação todos os requisitos essenciais de que trata o Decreto no 70.235/1972 (pedido expresso, demonstração da importância e da relevância, e indicação do perito com qualificações). Na decisão de primeira instância, percebese que o indeferimento se deu basicamente por que: (a) a perícia é um meio de prova que apenas deve ser determinado para esclarecer dúvida sobre questão técnica, cuja solução necessite de conhecimentos especializados, não sendo necessária quando o fato probante puder ser demonstrado com a juntada de documentos ou pela realização de diligência; (b) pelo Decreto no 70.235/1972, é necessária ainda a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e os quesitos formulados pela recorrente poderiam ser respondidos por ela própria mediante exame de provas documentais, cuja guarda e conservação lhe compete, ou, ainda, pela simples análise das peças que estão juntadas aos autos; e (c) os elementos probatórios contidos no processo são suficientes para formar a livre convicção do julgador acerca da lide em tela, sendo desnecessária a produção de novas provas ou informações adicionais para a solução do litígio. Inexistente, assim, a carência de motivação alegada. É inclusive de se endossar a argumentação pela desnecessidade de diligência ou perícia no presente processo, rechaçandose a nova solicitação de diligência/perícia, porque tais procedimentos não se prestam a suprir deficiência probatória por parte da recorrente (ou mesmo por parte do fisco, nos casos em que seria deste o ônus probatório). No caso em análise, que deriva de pedidos de compensação, invocando créditos cuja comprovação incumbe ao postulante, é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. E a vinculação ou não de bens ao processo produtivo poderia ter sido comprovada sem a necessidade de perícia (como, de fato, ocorreu com a soda cáustica, em sede de impugnação, tendo sido a glosa afastada pelo julgador de piso). Pelo exposto, resta improcedente a alegação de nulidade da decisão da DRJ. 2. Da (in)existência de nulidades no despacho decisório Alega a recorrente ser nulo o “auto de infração” por carência de motivação e fundamentação (detalhada, com apresentação minuciosa de documentos, em obediência ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, e não exemplificativa), ocasionando cerceamento de defesa. Assumirseá aqui, contudo, para que a alegação faça sentido, que a nulidade suscitada se refere ao despacho decisório, visto que o presente processo não trata de auto de infração. Isso se coaduna, inclusive, com outras passagens do recurso voluntário, onde se faz referência ao despacho decisório. No que se refere ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972 (que, destaquese, é referente a lançamento), recordase que o presente processo tem origem em PER/DCOMP, 11 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI invocando créditos cuja comprovação incumbe ao postulante, sendo dele o dever de trazer aos autos os respectivos elementos probatórios. Cientificada a autuada do teor do despacho decisório no 1596/2011 (fls. 1199 a 1232), o que resta nítido pelo próprio conteúdo da impugnação, e estando ali detalhadas as glosas ensejadoras do não acolhimento dos créditos pleiteados, em planilhas específicas, especificandose a matéria de direito item a item por tema da glosa (conceito de insumos, extemporaneidade de aproveitamento, créditos presumidos de atividade agrícola, ...), inclusive trazendose qual a legislação aplicável, não se percebe a alegada ausência de motivação ou fundamentação. Assim, igualmente não há que se falar em cerceamento de defesa ou violação do devido processo legal, tendo em conta que as glosas foram efetivamente motivadas e detalhadas, possibilitando à recorrente o contraditório e a ampla defesa, simplesmente discutindo os temas glosados, pelos quais se exaurem os conteúdos das planilhas individualizadas de glosa. Não se vê, assim, mácula formal que eive de nulidade o despacho decisório. 3. Da não cumulatividade em relação à Contribuição para o PIS/PASEP Sustenta a recorrente que a nãocumulatividade para as contribuições foi constitucionalmente consagrada e não pode sofrer restrições pela legislação infraconstitucional. Incumbe, em relação ao tema, inicialmente esclarecer que a não cumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) 12 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar com a assertiva de que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 4. Do conceito de insumos na Contribuição para o PIS/PASEP O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarse ia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos 13 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da Cofins nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. A recorrente sustenta que: “[...] a noção de insumo há que ser ampla, ou seja: todos os custos, despesas, gastos e dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica, visando à obtenção de receita.”(...)” (grifos no original) Contudo, em face do comando legal tributário vigente, reiterase que este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos. 5. Das glosas em espécie 5.1. Uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal Os principais itens glosados nessa categoria foram luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete e japona. A recorrente entende que tais bens são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da Anvisa. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. 14 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Os precedentes do CARF em favor de tal argumento estão longe de constituir posicionamento dominante no tribunal. Vejase, a título ilustrativo, acórdão decidido por maioria, em turma especial desta terceira sessão, vencido o relator (e atualmente membro desta Turma, Conselheiro Alexandre Kern) e acórdão, também por maioria, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo): “Tratandose de prestação de serviços de catering e de handling, ensejam o creditamento os gastos com uniformes, serviços de lavanderia, de remoção e incineração de resíduos e análises laboratoriais, por guardarem relação de essencialidade e pertinência a tais processos produtivos.” (Acórdão no 3803 004.025, Rel. Cons. Alexandre Kernvencido, maioria em relação ao tema, sessão de 19.mar.2013) “Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo.” (Acórdão no 930301.741, Rel. Cons. Nanci Gama, maioria, sessão de 9.nov.2011) Esta terceira turma não tem comungado de tal entendimento, e negou recentemente, por unanimidade, o direito a creditamento das contribuições em relação a uniformes e equipamentos de proteção tanto em relação a industrial calçadista (Acórdãos no 3403.001.893 a 896, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2013), quanto em relação a fabricante de fertilizantes (Acórdãos no 3403.001.937 a 944, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimeem relação ao tema, sessão de 19.mar.2013). No caso concreto, a nosso ver, todos os bens relacionados podem até ter relação indireta com a produção (seja pela exigência sanitária, ou por poder sua ausência afetar a qualidade do produto final, ou a segurança dos funcionários), mas não são diretamente empregados no processo produtivo/fabril, ou necessários à obtenção do produto final. Correta, assim, a glosa efetuada para tais bens. 5.2. Materiais de limpeza e desinfecção Os principais itens glosados nessa categoria foram detergente, desinfetante, sabonete e vassoura. Em relação a tais bens, a recorrente argumenta que “embora não sejam consumidos ou transformados no produto final (alimento), são de fundamental importância e obrigatoriedade na atividade industrial da recorrente”, também remetendo a normas sanitárias aplicáveis a empresas alimentícias. 15 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Nesse caso, embora também ainda não haja posição assentada neste CARF, entendese que merece prosperar a argumentação da recorrente, pois diante da ausência de limpeza e desinfecção, é improvável que se possa chegar ao produto final. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza e desinfecção. 5.3. Produtos para movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte Os produtos para movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte, destacandose os “pallets”, também foram objeto de glosa pelo fisco por não estarem enquadrados no conceito de insumo. Em sua defesa, a recorrente sustenta que tais bens são relevantes e participam do processo produtivo, ainda que não se incorporem ao produto final (alimentos). Participam na fase de industrialização (para movimentar as matériasprimas) e armazenagem (de matérias primas, de produtos intermediários e de produtos industrializados). A priori, entendese assistir razão à recorrente, visto que as embalagens realmente são necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Contudo, no que se refere especificamente aos “pallets”, há que se destacar nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, deve ser afastada a glosa somente em relação a embalagens utilizadas para transporte. É de se destacar que embora haja outro item do recurso voluntário discutindo embalagens (especificamente os acondicionamentos sem acabamento, rotulagem de função promocional e que não valorizem o produto, e acondicionamentos feitos em embalagem de capacidade superior àquela na qual o produto é comumente vendido), decidiuse por aqui consolidar o tratamento da matéria, tendo em vista a solução comum proposta de afastar as glosas correspondentes. 5.4. Combustíveis 16 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Os principais itens glosados nessa categoria foram hexano, óleo de xisto, GLP, diesel e gás, por não exercerem ação direta sobre o produto. A recorrente entende que tais bens são empregados no processo de fabricação, em máquinas e veículos do parque fabril, e recorda que os combustíveis e lubrificantes são expressamente nominados pelo inciso II do art. 3o das leis que tratam dos insumos para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...)” (grifo nosso) Admissível, assim, o creditamento em relação a combustíveis. Basta que sejam utilizados como insumo no processo produtivo. A motivação da glosa, no despacho decisório, destaca apenas que tais combustíveis “não exercem ação direta sobre o produto”, utilizando o conceito de insumo do IPI, e se revela insuficiente para afastar o direito creditório. É certo que há combustíveis que não podem ser considerados insumos (por exemplo, aqueles utilizados em veículos que transportam funcionários), mas tal detalhamento, por não constar na motivação da autuação, constituiria raciocínio inovador por parte deste tribunal administrativo, pelo que deve ser afastado. Pelo exposto, deve ser cancelada a glosa em relação a combustíveis. 5.5. Ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos Os principais itens glosados nessa categoria foram hidrômetro, correia, lubrificantes, cabos, navalha, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. A recorrente entende que a simples descrição dos produtos é suficiente para que se perceba sua relevância no processo produtivo de industrialização, pois todos os itens são componentes de máquinas e equipamentos industriais, e não fazem parte do ativo imobilizado. De início, recordese que o item “lubrificantes”, e o item “graxa”, tratados neste tópico 5.5, enquadramse perfeitamente no que já se expôs no tópico anterior (5.4 combustíveis), sendo incabível a glosa. Em relação aos demais itens, acordamos com o posicionamento externado em voto vencedor pelo Conselheiro Alexandre Kern, em processos recentemente julgados nesta turma. Na ocasião, tratavamse de antenas, baterias, carregadores de baterias/pilhas, fontes de alimentação, ferramentas de corte e colheita de canade açúcar, e ferramentas para manutenção e máquina e equipamentos, e o tratamento dado ao processo da empresa (usina) foi o seguinte: “[...] há de se reconhecer que os bens e serviços em questão, ou são bens incluídos no Ativo Permanente, ou neles são aplicados, seja como serviço, seja como partes ou peças de reposição. 17 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Portanto, os gastos com tais itens escapam do conceito de insumo e não geram crédito das contribuições sociais não cumulativas”. (Acórdãos no 3403.002.318 e 319, Rel. Cons. Ivan Alegretti, qualidade, sessão de 25.jun.2013) Deve, então, ser cancelada a glosa somente em relação a lubrificantes e graxa. 5.6. Bens do ativo imobilizado Os principais itens glosados nessa categoria foram animais reprodutores e de lactação (que não são consumidos na produção). A recorrente contrapõe a glosa afirmando que tais bens são insumos, pois servem para conceber e alimentar os animais destinados ao abate (e caso não o sejam, constituem ativo imobilizado). A nosso ver, restaria preliminarmente bem explicada a utilização no processo produtivo, cabendo o creditamento, não fosse o fato de constituírem os bens/semoventes (como informa a própria recorrente) ativo imobilizado. E não parece seguir em sentido diferente o julgador de primeira instância, que refuta o enquadramento como insumo tãosomente pelo fato de constar o bem no ativo imobilizado. E, estando no ativo imobilizado, o enquadramento seria no inciso VI, e não no inciso II do art. 3o das leis que tratam do creditamento para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (grifo nosso) É preciso alertar, contudo, que a forma/quantificação de creditamento do inciso VI é diferente daquela constante do inciso II, como esclarece o § 1o do art. 3o das leis: “§ 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;” Como destaca o julgador a quo, tal posicionamento deveria ter sido informado em DACON pela recorrente, antes do procedimento fiscal. Flexibilizando tal entendimento do julgador de piso, em nome da verdade material, consideramos que uma alteração da DACON, mesmo posteriormente ao procedimento fiscal (o que, destaquese, não obsta as penalidades eventualmente disso decorrentes), desde que acompanhada de documentos comprobatórios do alegado, deveria ser tomada em conta pelo fisco. Contudo, não é o que se vê no presente caso. 18 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Vale, assim, a mesma máxima expressa no tópico anterior: ou os bens são enquadrados no inciso II, como insumos (e aí não devem constar do ativo imobilizado), ou constam do ativo imobilizado, aplicandose a regra do inciso VI. Assim, procedente a glosa em relação a tais bens/semoventes. 5.7. Fretes Foram glosados fretes: (a) entre estabelecimentos da própria empresa; (b) de transporte urbano de pessoas; (c) de transporte de combustível (material não ligado diretamente à atividade fim da empresa); (d) de transportes em geral, sem indicação precisa; (e) de transportes que não se referem a fretes de compra; e (f) referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada (NF 58802). A recorrente sustenta que todos os fretes geram crédito por serem essenciais à atividade econômica, e por isso não fez segregação (pelo que solicitaria diligência a fim de segregar os fretes entre estabelecimentos da empresa, solicitando ainda diligência em relação ao frete glosado em relação à NF 28802, não localizada pela empresa, mas registrada em sua contabilidade). A explicação que a recorrente traz no recurso voluntário sobre seu processo produtivo, e sobre as diversas etapas levadas a cabo em diferentes estabelecimentos (existindo um verdadeiro frete entre estabelecimentos do ciclo produtivo), aliada ao posicionamento externado sobre fretes no Acórdão no 3403001.556, de relatoria do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (unânime, na sessão de 25.abr.2012), apresentamse suficientes a que se considere como legítimos a gerar créditos os fretes tratados ao início deste tópico pelas letras “a”, “c”, e “e”. Em relação aos fretes de transporte urbano de pessoas (“b”), entendese que é indiscutível a glosa, pela pouca relação direta com o processo produtivo. Igualmente incontestável, a nosso ver, a glosa em relação aos itens “d” (transportes em geral, sem indicação precisa) e “f” (referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada, ou detalhada, inclusive em sede de recurso voluntário), visto que a recorrente (sem qualquer auxílio do fisco, ou de perito) poderia, durante o contencioso, ter apresentado o detalhamento dos fretes (que, destaquese, refletem documentos que estão sob sua guarda). Como aqui já exposto, a diligência/perícia não se presta a suprir deficiência probatória. Assim, é de se afastar a glosa para fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra. Por outro lado, mantémse a glosa em relação a fretes de transporte urbano de pessoas; de transportes em geral, sem indicação precisa; e referentes à nota fiscal requisitada e não apresentada (NF 58802). 5.8. Aquisições de produtos à alíquota zero das contribuições Também sofreram glosa as aquisições de produtos efetuadas com alíquota zero, conforme arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, como leite em pó, requeijão, mata mosca, champignon, mandioca congelada, queijo mussarela e ricota. 19 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Sobre tais glosas, entende a recorrente que a exclusão contraria o princípio da nãocumulatividade. Manifesta ainda a recorrente posicionamento de que diversos dos produtos objeto de glosa não constam nas classificações fiscais relacionadas no art. 1o da Lei no 10.925/2004 (que reduz a zero as alíquotas). E conclui sustentando que aos produtos agropecuários deveriam ser assegurados ao menos os créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, pois tal lei se sobrepõe aos comandos das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Sobre o direito ao creditamento quando a aquisição é feita sem o pagamento da contribuição, a legislação estabelece (arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003): “§ 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos transcritos, extraise nitidamente que é vedado o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que indubitavelmente inclui a situação de alíquota zero). Para que haja creditamento, deve ter havido efetivo pagamento. Tentar ler algo gritantemente diferente disso no texto é negarlhe vigência, o que é tarefa vedada a este tribunal por força da já citada Súmula CARF no 2. E, como disposto ao início deste voto (tópico 3), não se pode acordar com a assertiva de que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. Em relação à alegação de que há produtos glosados cuja alíquota não seria zero (verificada e refutada pelo julgador a quo), não faz prova a recorrente, para nenhum dos produtos em questão (com crédito glosado por não ter havido pagamento da contribuição na aquisição) que houve efetivo pagamento, em contraposição à alegação do fisco (endossada pela DRJ). No que se refere à alegação de que na aquisição de produtos agropecuários, o crédito deveria ser mantido, ao menos, no sentido de outorgar aquele presumido previsto nas operações do art. 8o da Lei no 10.925/2004, a DRJ destacou que é condição para o aproveitamento dos créditos a informação correta em DACON, o que não ocorreu no presente caso. A DRJ volta, depois, a tratar do tema quando analisa o crédito presumido (e aqui se fará o mesmo). Assim, nesse tópico, mantémse a glosa, na mesma linha da decisão de piso. 5.9. Aquisições de insumos de pessoas jurídicas com suspensão Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. 20 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadram se nas situações previstas no art. 9o da Lei n o 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF n o 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa. 5.10. Aquisições de serviços utilizados como insumos A autoridade fiscal glosou ainda os serviços que entendeu não estarem enquadrados como insumos, seja porque vários itens descritos como serviços na verdade refletiam aquisições de bens (vários deles inclusive não enquadráveis como insumos), seja porque alguns itens sequer descreviam o insumo, impossibilitando a verificação do enquadramento, seja porque eram serviços não enquadráveis no conceito normativo de insumos. Em relação a tais glosas, a recorrente sustenta que não houve exato esclarecimento por parte do fisco, reiterando a existência de nulidade por cerceamento de defesa (sendo incorretas as glosas de mãodeobra de rebobinagem de motor, conserto de equipamentos, armazenamento de resíduos, transporte de sangue, higienização e congêneres, por serem essenciais e inerentes à atividade produtiva). No que se refere às glosas de serviços que na verdade refletiam aquisições de bens não enquadráveis como insumos, conforme alegado pelo fisco, ou que sequer descreviam o insumo, impossibilitando a verificação do enquadramento, é de se destacar que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais bens/serviços efetivamente constituem insumos, diante da glosa. Em relação aos serviços especificamente impugnados, no julgamento de piso acolhese a argumentação em relação aos serviços mecânicos, de rebobinagem de motor, de torno, solda, usinagem, fabricação de engrenagem, calibração de termômetros e consertos de equipamentos e máquinas, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. 21 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Segue, então, o recurso voluntário, questionando somente os serviços de lavagem de uniformes, transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Na mesma linha já adotada ao início deste item 5 (tópico 5.1), de que uniformes não constituem insumos, entendemos ainda que os serviços de lavagem de tais uniformes não constituem insumos, de modo a ensejar o creditamento das contribuições. Em relação ao transporte de sangue ao armazenamento de resíduos, entendo ser cabível a acolhida do pleito da interessada, de afastamento da glosa, considerando a linha que vem adotando majoritariamente esta turma de julgamento no que se refere à remoção de resíduos e limpeza de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Assim, acolho o posicionamento externado pelo Conselheiro Ivan Alegretti (Acórdãos no 3403.002.318 e 319, unânimesem relação à matéria, sessão de 25.jun.2013): “Não apenas o transporte de produtos aplicados no processo produtivo como também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configuram atos que viabilizam e integram o processo produtivo.” Assim, é de se afastar a glosa em relação a serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos, mantendoa no que se refere a serviços de lavagem de uniformes. 5.11. Despesas de energia elétrica Foram ainda glosadas despesas de energia elétrica não incorridas no mês, e despesas classificadas como de energia elétrica, mas que correspondem a aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. A recorrente, em sua defesa, alega que as despesas de comunicação, embora não sejam de energia elétrica, deveriam ser consideradas para creditamento, por serem inerentes e necessárias ao exercício da atividade empresarial, e que os créditos de dezembro de 2006 deveriam ser considerados, por serem extemporâneos e não prescritos. Em relação à compra de bem (ativo), sustenta que incumbiria ao fisco recompor os valores a título de abatimento, pois também tais bens geram créditos. As disposições legais que regem a matéria são os multicitados arts. 3o das Leis no 10.637/2002 (inciso IX) e no 10.833/2003 (inciso III), em suas redações originais: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (...) § 1o (...) o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) II dos itens mencionados nos incisos (...) do caput, incorridos no mês;” (grifo nosso) 22 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Vejase que os créditos de energia elétrica (limitador material) só poderão ser descontados se incorridos os valores no mês (limitador temporal). E, no caso em análise, há duas afrontas ao limitador material, e uma ao temporal. A primeira violação ao limitador material é flagrante, pois é inconcebível que sob o manto da expressão “energia elétrica” se abarquem despesas de telecomunicações. Nesse aspecto, e buscando uma interpretação sistemática, é preciso recordar que a Lei no 10.637/2002 continha, em seu art. 3o, um inciso III, que dispunha “energia elétrica e serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica”, alargando o que dispunha a Medida Provisória que a originou (no 66/2002), que tratava no mesmo inciso somente de “energia elétrica”. Esse alargamento motivou um veto presidencial, que atrasou inclusive o retorno da expressão “energia elétrica” à lei, que jamais foi complementada por qualquer nova menção a “telecomunicações”. Cristalino, assim, não estarem incluídas as telecomunicações na rubrica de energia elétrica, nem haver qualquer vestígio de creditamento em relação às despesas correspondentes. A segunda violação material, igualmente flagrante, se refere a inclusão de aquisição de bens na rubrica referente a energia elétrica. E não consta ter a recorrente retificado qualquer de suas declarações, ou comprovado documentalmente a motivação do erro. Recorde se que se está a tratar de solicitação de créditos, matéria que transporta o ônus probatório ao postulante. Como destaca o julgador a quo, a informação correta deveria ter sido registrada em DACON, antes do procedimento fiscal. Já se expressou aqui a flexibilização de tal entendimento do julgador de piso, em nome da verdade material, no sentido de que uma alteração da DACON, mesmo posteriormente ao procedimento fiscal (o que, destaquese, não obsta as penalidades eventualmente disso decorrentes), desde que acompanhada de documentos comprobatórios do alegado, deveria ser tomada em conta pelo fisco. Contudo, não é o que se vê no presente caso. Por fim, a violação temporal se refere ao descumprimento de comando legal (o inciso II do § 1o supra). Em relação a tal violação, a recorrente sustenta que lhe ampara o § 4o do mesmo artigo, que estabelece que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. O fisco não aceita o aproveitamento por não ter sido adotada a forma correta: retificação das DACON correspondentes, antes do início do procedimento fiscal (em que pese não questionar a existência dos créditos). Contudo, entendese aqui que tal argumento não constitui motivação suficiente para a glosa, não devendo o aspecto formal não deve prevalecer sobre o material. Assim, no que se refere a energia elétrica, devem ser afastadas as glosas referentes a despesas de energia elétrica de períodos anteriores, mantendose as glosas de aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. 5.12. Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos 23 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Restaram também glosadas despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos (arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003) de pessoa física, não incorridas no mês, não comprovadas (sem as descrições mínimas necessárias à caracterização como insumo, ou sem que tenham sido entregues documentos comprobatórios solicitados) ou que não se referiam de fato a locação (mas a serviços). Em sua defesa, a recorrente aduz que: (a) deveria ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas, em virtude do princípio da não cumulatividade; (b) que as despesas que de fato não eram de aluguel, mas de serviços, deveriam ser computadas a título de insumo, e (c) que são nulas as glosas de itens com descrição insuficiente, visto que o fisco não solicitou esclarecimentos à empresa, sendo que, em relação à NF 7503, pede conversão em diligência para apuração em face da escrituração, ou juntada a posteriori (afirmando que houve glosa por amostragem, presumindo a ilegitimidade de todo o crédito, por não terem sido localizadas duas notas e por ser a terceira de dezembro de 2006, em que pese ser possível o aproveitamento extemporâneo, conforme art. 3o, § 4o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003). Em relação à extemporaneidade, endossase aqui o entendimento expresso no tópico anterior (5.11), acolhendose a argumentação da recorrente. No que se refere às glosas de despesas de aluguel que na verdade refletiam serviços, e as despesas com descrição insuficiente/notas fiscais não apresentadas, conforme alegado pelo fisco, é de se recordar que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais serviços efetivamente constituem insumos, diante da glosa, o que não é feito a contento nos autos. Assim, descabe a dilação probatória, ou a conversão em diligência/perícia, buscando suprir ônus probatório da recorrente. Em relação à alegação inicial da recorrente de que deve ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas em face do princípio da não cumulatividade, é de se remeter ao tópico 3 deste voto, que trata da possibilidade de restrição/limitação da não cumulatividade por dispositivo legal, como os arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que expressamente estabelecem que o creditamento é em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” (grifo nosso), e não podem ser afastadas pelo julgador, em face do teor da súmula CARF no 2. Destarte, restam procedentes as glosas referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, à exceção das relativas à Nota Fiscal de dezembro de 2006. 5.13. Armazenagem e fretes na operação de venda A fiscalização glosou ainda despesas de armazenagem e fretes na operação de venda não comprovadas, relativas a aquisições de pessoas físicas, e não incorridas no mês. A recorrente, em contraposição, informou que entende ser incorreta a glosa de aquisições de pessoas físicas, por avessa ao princípio da não cumulatividade, e que deve ser desconsiderada a glosa referente a despesas com energia elétrica e fretes de compras erroneamente lançadas em tal conta na Dacon pela empresa, pois os créditos são legítimos (em relação às NF não localizadas, a escrituração faz prova em favor da empresa e, no máximo, deveria ter sido efetuada apuração pelo Fisco, o que ainda pode ser objeto de diligência, e, em relação aos créditos extemporâneos não prescritos, não há vedação a seu aproveitamento). Percebese que os temas são recorrentes. 24 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Em relação à glosa relativa a aquisições de pessoas físicas, remetese ao expresso tópico anterior (5.12). No que se refere às operações não comprovadas, e informadas em contas incorretas, endossase o disposto no tópico anterior (5.12) e no tópico 5.10, recordando que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais serviços efetivamente eram geradores de créditos, diante da glosa, o que não é feito a contento nos autos. Assim, descabe a dilação probatória, ou a conversão em diligência/perícia, buscando suprir ônus probatório da recorrente. Por fim, em relação à extemporaneidade, remetese aos tópicos 5.11 e 5.12, nos quais se acolhe a argumentação da recorrente. Corretas, então, as glosas efetuadas em relação a armazenagem e fretes na operação de venda, à exceção das despesas de armazenagem e fretes não incorridas no mês. 5.14. Encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado O fisco considerou, para efeitos de geração de créditos, somente as aquisições efetuadas após 1o de maio de 2004, glosando os bens do ativo imobilizado adquiridos em data anterior. Foram ainda glosados os bens importados, que não foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, e custos inerentes à importação. A recorrente alega que o fato de os bens terem sido adquiridos antes de 01/05/2004 não veda o creditamento proporcional dos encargos de depreciação no período subsequente, sendo igualmente improcedente a rejeição do credito de bens importados, cf. art. 15 da Lei n. 10.865/2004. Em relação ao primeiro tópico (aquisições efetuadas após 1o de maio de 2004), a glosa encontra expresso amparo no art. 31 da Lei no 10.865/2004: “Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3 o das Leis n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1 o de maio . § 2o O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1o deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento 25 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica.” (grifo nosso) Não há, assim, como se furtar à observância do comando legal vigente. No que se refere ao segundo tópico (bens importados), também decorreu ipsis litteris de disposição legal (arts. 3o, § 3o, I das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003): “(o) direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação (I) aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” (grifo nosso). Contudo, alerta a recorrente que a autoridade fiscal não observou disposição legal posterior expressa em sentido diverso (art. 15 da Lei no 10.865/2004): “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2 o e3 o das Leis n s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.” (grifo nosso) Aqui, há que se acordar com a recorrente no sentido de “reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações”. Mas não se confunda viabilidade com obrigatoriedade. Houvesse a comprovação de que (a) tais bens, ao serem importados, recolheram as contribuições devidas na importação; e (b) os dados referentes à importação foram corretamente informados em DACON (mesmo que retificadora), entenderíamos incabível a glosa. Entretanto, como alerta o julgador a quo: “Observase, contudo, que estes créditos devem ser informados na ficha específica do Dacon referente a créditos decorrente de importação. A contribuinte intenta utilizarse destas aquisições no mercado externo para comprovar créditos declarados como sendo referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos no mercado interno, o que não é permitido. Conforme explicitado no item 3 deste voto, cabe ao contribuinte manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos a serem descontados, informando seus débitos e créditos no Dacon de forma a permitir que suas informações sejam devidamente verificadas pelas autoridades fiscais. Constatase ainda que o relatório fiscal e as planilhas anexadas são claros ao demonstrar quais os itens cujos créditos foram glosados, bem como os motivos que ensejaram na glosa, não existindo qualquer cerceamento ao direito de defesa da contribuinte.” 26 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Em nome da verdade material, entendemos ser cabível a retificação (sem discutir eventuais penalidades aplicáveis) mesmo após o início do procedimento fiscal, desde que devidamente comprovadas as operações pelo postulante ao crédito. Mas isto não acontece no presente processo. Assim, também nesse tópico (encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado) é de se manter integralmente a glosa fiscal. 5.15. Crédito presumido de atividade agroindustrial Em relação ao crédito presumido de atividade agroindustrial, informa o fisco que houve aplicação incorreta da alíquota de 60% (o correto seria 35%) a diversas aquisições de produtos classificados em códigos da NCM não contemplados no comando legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia). A recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido, e que os bens são de fato utilizados no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção). O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à 27 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (a Lei no 11.488/2007 incluiu um inciso, com alíquota de 50%, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI) (grifo e atualização nossos) Vêse, pelas glosas, que o fisco aplicou as alíquotas conforme os insumos adquiridos. Contudo, a recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido. Assim, devese iniciar a análise da questão pela alíquota aplicável. A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi recentemente empreendida nesta turma, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas 28 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1o). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicalo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos 29 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgalo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” Assim, entendese aqui também cabível a concessão do crédito presumido mediante a aplicação das alíquotas de 60% ou 35% em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Restaria ainda analisar as questões referentes à inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e à inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia). Contudo, parte do contencioso foi solucionada com a decisão de piso: “Quanto às aquisições de pintos de 1 dia, como já visto, o art. 8o da Lei no 10.925/04, estabelece que poderão apurar crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessas contribuições que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, nele especificadas, destinadas à alimentação humana ou animal, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na produção dessas mercadorias, adquiridos de pessoas físicas ou das pessoas jurídicas listadas no seu § 1o. 30 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 A concessão do crédito presumido, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, é conjugada com a obrigatória suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas vendas de insumos feitas por essas pessoas jurídicas, consoante determinação do art. 9o da Lei no 10.925, de 2004. (...) Por fim, quanto à lenha utilizada em fornos e câmaras para produção de diversos produtos, tendo em vista a utilização destes bens como combustível, constatase que lenha corresponde ao conceito de insumos e concede direito ao crédito presumido quando adquirida de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas incluídas no § 1o do artigo 8o da Lei no 10.925/2004. Desta forma, concedese o crédito presumido em relação às aquisições de lenha e pintos de 1 dia, ao percentual de 35% incidente sobre a alíquota das contribuições, explicitados na planilha anexada a este acórdão, (...)” (grifo nosso) Assim, resta apenas acrescer ao já decidido pela DRJ nossas considerações sobre a alíquota aplicável em relação ao crédito presumido. Na parte que ainda resta contenciosa animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos, há que se destacar que os dois últimos não são produtos agropecuários, aptos a gerar o creditamento. Os três primeiros, por sua vez, passaram a ensejar o creditamento apenas em 2009, como também destacou o julgador a quo: “Quanto à glosa de créditos em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria, esclarecese que apenas após a publicação da Lei no 12.058/09, eficaz a partir de 1o de novembro de 2009, foi concedido o direito a crédito presumido em relação a aquisições de animais vivos da espécie bovina. Ressaltase que não é permitido o crédito presumido em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria de outras espécies devido a estes bens encontraremse incluídos no ativo imobilizado e, portanto, não corresponderem ao conceito de insumos. Tendo em vista que o presente lançamento referese ao 1o trimestre de 2007, mostrase correta a glosa.” (grifo nosso) Concluise, então, neste tópico, pela improcedência das glosas no que se refere às alíquotas adotadas, inclusive em relação aos créditos presumidos só assegurados na decisão de piso, e pela manutenção das glosas referentes a animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos. 5.16. Bens importados utilizados como insumos 31 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI No que se refere a bens importados como insumos (art. 15, II da Lei no 10.865/2004), entendeu o fisco que foram indevidamente solicitados créditos de aquisições sujeitas à alíquota zero (metionina líquida, ácido fólico e pantotenato de cálcio). A recorrente sustentava, em sua impugnação, que a metionina líquida não era tributada à alíquota zero, conforme Decreto no 5.447/2005, vigente à época. Na decisão de primeira instância, a DRJ acolheu tal alegação, afastando a glosa relativa à metionina: “Conforme Decreto n. 5.447/2005, vigente à época, somente a LMETIONINA seria alcançada pela alíquota zero do Decreto n. 5.127/2004. Como no caso concreto, não se trata da L METIONINA, o crédito há de ser mantido.” Agora, em sede de recurso voluntário, alega a empresa em relação a esse tópico somente que: “Em remate, houve a glosa de bens importados e utilizados como insumo, pois seriam tributados mediante alíquota zero (ácido fólico e pantotenato de cálcio), sendo de rigor a reforma, pois são improcedentes diante do princípio da não cumulatividade e da vedação ao confisco.” Já externamos aqui (tópico 3 deste voto), o entendimento pela possibilidade de restrição/limitação da não cumulatividade por dispositivo legal, como o § 1o do art. 15 da Lei no 10.865/2004, que expressamente estabelece que o creditamento se aplica “em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços” (grifo nosso), e não pode ser afastado pelo julgador, em face do teor da súmula CARF no 2. Assim, procedente a glosa em relação às aquisições sujeitas à alíquota zero (ácido fólico e pantotenato de cálcio). 6. Dos juros de mora e da multa de ofício Sustenta ainda a recorrente que os juros devem ser de 1% ao mês (conforme previsão do CTN), e não mediante a aplicação da Taxa SELIC, que a multa de ofício é confiscatória e que não incidem juros de mora sobre a multa de ofício. É de se recordar, contudo, que o presente processo se refere a PER/DCOMP, não havendo autuação, nem lançamento de crédito tributário. No despacho decisório é apenas indeferido o crédito postulado. De qualquer sorte, é de se recordar que tanto a aplicabilidade da multa legalmente prevista quanto a exigência de juros à Taxa SELIC são matérias já sumuladas no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 32 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 381 Em relação à aplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício, é entendimento dominante desta turma de julgamento, há mais de ano, e por nós endossado (conforme o último Acórdão abaixo reproduzido, no qual hermeneuticamente se sustenta a conclusão trazida), que: “JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unanimidade em relação ao tema, sessão de 24.abr.2012) “JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício” (Acórdão no 3403001.623, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unanimidade em relação ao tema, sessão de 23.mai.2012). “Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma” (Acórdão no 3403002.367, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria em relação ao tema, sessão de 24.jul.2013). Contudo, apesar do entendimento pela impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, é de se informar que não há relação da matéria com o presente processo, pelo qual não se efetua lançamento de crédito tributário. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a glosa para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo). Rosaldo Trevisan 33 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Voto Vencedor Divirjo do Conselheiro Relator em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários da empresa produtora de gêneros alimentícios. Entendo que tais serviços também devem ser considerados como elementos integrantes da atividade produtiva, tendo em vista que o ato de produzir também exige a manutenção das condições de higiene necessárias ao manuseio dos alimentos. A atividade produtiva, em seu sentido completo, envolve a manutenção sanitária do ambiente no qual acontece a produção, em condições compatíveis com as necessárias para os bens produzidos (no caso, alimentos). Assim, preservase o ambiente de produção livre de fatores de contaminação, que colocariam em risco a segurança alimentar dos consumidores. Entendo, por isso, que também deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários das empresas de gêneros alimentício. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 414DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI
score : 1.0
