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Numero do processo: 10882.002428/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que rejeitou a preliminar de diligência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que rejeitou a preliminar de diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo das seguintes notificações de lançamento: · N° 2006/608451155904095 relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, que exige crédito tributário no montante de R$ 6.817,22, sendo R$ 3.173,02 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 2.379,76 à multa de ofício e R$ 1.264,44 aos juros de mora calculados até 30/09/2009 (fls. 11 a 13). · N° 2007/608450717564090 relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, que exige crédito tributário no montante de R$ 7.971,32, sendo R$ 3.948,94 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 02 42 8/ 20 09 -1 7 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002428/200917 Resolução nº 2801000.256 S2TE01 Fl. 130 2 2.961,70 à multa de ofício e R$ 1.060,68 aos juros de mora calculados até 30/09/2009 (fls. 45 a 47). Os lançamentos são decorrentes da apuração de dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, a contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo:, · Na descrição dos fatos e enquadramento legal o auditor fiscal alega que houve glosa, do valor de R$ 12.550,00 (2006) e de R$ 17.650,00 (2007) pelo motivo da pretensa falta de comprovação a título de despesas médicas; · Tal alegação não pode prosperar, pois os valores lançados a título de despesas médicas são reais e os recibos que lhe dão suporte fático já estão em poder do Fisco desde quando foi intimada; · A contribuinte apresentou comprovantes do efetivo pagamento dos valores deduzidos a título de despesas médicas junto à psicóloga Tereza Diniz, nos anoscalendário de 2005 e 2006; · No tocante à alegação de dedução indevida por não declarar dependentes, esta também não pode ser acolhida, pois a beneficiária do pagamento de R$ 1.600,00 (2006) e R$ 1.500,00 (2007) à "Assistência Médica São Paulo S/A" é a sua mãe, Santa Souza Bonatto. A 9ª Turma da DRJ/SP2/SP julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 89/93, que restou assim ementado: GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas médicas, haja vista que o direito à sua dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Regularmente cientificada daquele acórdão em 01/04/2011 (fl. 95), a interessada, representada por seu advogado (fl. 105), interpôs recurso voluntário de fls. 97/104, em 02/05/2011. Em sua defesa, alega que os referidos recibos apresentado com o fim de comprovar despesas médicas preenchem os requisitos formais definidos em lei como condição para a dedutibilidade da despesa de maneira que não cabe ao auditor fiscal/ilustre julgador desconsiderálos em virtude da ausência de descrições pormenorizadas ou pela ausência de outros comprovantes de pagamento. Aduz, ainda, que cabe ao auditor/fiscal a prova da pretensa falsidade dos documentos apresentados em caso de desconfiança da veracidade das informações neles consignadas. Diz que concorda em pagar a parcela referente à glosa das despesas médicas com sua mãe – não relacionada como dependente nas declarações em tela, informando que já sanou tal problema nas declarações de rendimentos recentes. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002428/200917 Resolução nº 2801000.256 S2TE01 Fl. 131 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Segundo descrição dos fatos constantes da notificações em apreço, às fls. 13 e 50, a contribuinte, após ser regulamente intimada, não apresentou comprovantes do efetivo pagamento dos valores deduzidos a título de despesas médicas, relativos à profissional Tereza Diniz. Compulsando os autos, não se encontra a intimação que solicitou à contribuinte a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas dos anoscalendários de 2005 e 2006, mas apenas as intimações de fls. 17 e 54, que solicitaram comprovantes originais e cópias das despesas médicas. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que se junte ao processo o(s) termo(s) de intimação para comprovação do efetivo pagamento e o(s) comprovante(s) de ciência da contribuinte. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11030.722153/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO.
Excluem-se da base de cálculo da autuação as receitas contabilizadas pelo contribuinte e já oferecidas à tributação.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
É válido o auto de infração ainda que a base de cálculo empregada para a constituição de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS seja distinta da utilizada para as contribuições sociais, uma vez que a materialidade e a matéria de defesa de cada tributo são distintas.
PROVA. PRODUÇÃO EM PROCESSO JUDICIAL. MEDIDA CAUTELAR. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Tendo sido a prova produzida em procedimento cautelar regularmente conduzido pelo Poder Judiciário, não cabe ao Poder Executivo, por meio de processo administrativo, discutir a legalidade da forma de produção da prova e nem a higidez de suas informações, sobretudo quando não há notícias de que estas provas foram invalidadas pela via judicial.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXONERAÇÃO EM INSTÂNCIA RECURSAL. POSSIBILIDADE.
A exoneração de parcela do crédito tributário pela Delegacia de Julgamentos, após o oferecimento de esclarecimentos do agente fiscal, tem base no art. 18 e 29 do Dec. 70.235/72 e não pode ser considerado como alteração do critério jurídico. Não há novo lançamento, nem renovação do prazo decadencial ou ofensa à competência do órgão julgador
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO NÃO AFASTADA.
Fica mantida a presunção de omissão de receitas em razão da falta de escrituração de pagamentos efetuados quando o contribuinte não logra êxito em demonstrar a origem dos recursos.
OMISSÃO DE RECEITAS. DATA DA DISPONIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO. CRITÉRIO BENÉFICO AO CONTRIBUINTE.
É possível considerar como omitida a receita na data em que ocorreu o pagamento não escriturado, embora este se refira ao salário devido pela prestação de serviço do mês anterior, sobretudo pelo fato de que embora se saiba a data do pagamento não escriturado, é impossível determinar a data da disponibilidade da receita. Inexistência de novos argumentos em grau recursal.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. PAGAMENTOS DE SALÁRIOS. CUSTO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEVER DO AGENTE FISCAL.
Estando as receitas omitidas diretamente vinculadas à um custo, que também foi omitido dentro do mesmo período de apuração, admite-se a dedução destes custos não contabilizados. É dever do agente fiscal determinar a matéria tributável, sendo indevida a tributação de um custo.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE COMPROVADA.
Aplica-se o art. 44, §1º, da Lei n. 9.430/96, quando comprovada a prática de fraude, conceituada pelo art. 72 da Lei n. 4.502/74, uma vez que não ficou configurada a situação prevista nas súmulas 14 e 25 deste Conselho.
MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. INEXISTÊNCIA.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 1302-001.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria, dar provimento parcial ao recurso para exonerar o crédito relativo a IRPJ e CSLL, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade, que mantinha o lançamento; c) por voto de qualidade, manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator), Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Designado redator o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Excluem-se da base de cálculo da autuação as receitas contabilizadas pelo contribuinte e já oferecidas à tributação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É válido o auto de infração ainda que a base de cálculo empregada para a constituição de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS seja distinta da utilizada para as contribuições sociais, uma vez que a materialidade e a matéria de defesa de cada tributo são distintas. PROVA. PRODUÇÃO EM PROCESSO JUDICIAL. MEDIDA CAUTELAR. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA. Tendo sido a prova produzida em procedimento cautelar regularmente conduzido pelo Poder Judiciário, não cabe ao Poder Executivo, por meio de processo administrativo, discutir a legalidade da forma de produção da prova e nem a higidez de suas informações, sobretudo quando não há notícias de que estas provas foram invalidadas pela via judicial. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXONERAÇÃO EM INSTÂNCIA RECURSAL. POSSIBILIDADE. A exoneração de parcela do crédito tributário pela Delegacia de Julgamentos, após o oferecimento de esclarecimentos do agente fiscal, tem base no art. 18 e 29 do Dec. 70.235/72 e não pode ser considerado como alteração do critério jurídico. Não há novo lançamento, nem renovação do prazo decadencial ou ofensa à competência do órgão julgador OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO NÃO AFASTADA. Fica mantida a presunção de omissão de receitas em razão da falta de escrituração de pagamentos efetuados quando o contribuinte não logra êxito em demonstrar a origem dos recursos. OMISSÃO DE RECEITAS. DATA DA DISPONIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO. CRITÉRIO BENÉFICO AO CONTRIBUINTE. É possível considerar como omitida a receita na data em que ocorreu o pagamento não escriturado, embora este se refira ao salário devido pela prestação de serviço do mês anterior, sobretudo pelo fato de que embora se saiba a data do pagamento não escriturado, é impossível determinar a data da disponibilidade da receita. Inexistência de novos argumentos em grau recursal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. PAGAMENTOS DE SALÁRIOS. CUSTO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEVER DO AGENTE FISCAL. Estando as receitas omitidas diretamente vinculadas à um custo, que também foi omitido dentro do mesmo período de apuração, admite-se a dedução destes custos não contabilizados. É dever do agente fiscal determinar a matéria tributável, sendo indevida a tributação de um custo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE COMPROVADA. Aplica-se o art. 44, §1º, da Lei n. 9.430/96, quando comprovada a prática de fraude, conceituada pelo art. 72 da Lei n. 4.502/74, uma vez que não ficou configurada a situação prevista nas súmulas 14 e 25 deste Conselho. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. INEXISTÊNCIA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria, dar provimento parcial ao recurso para exonerar o crédito relativo a IRPJ e CSLL, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade, que mantinha o lançamento; c) por voto de qualidade, manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator), Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Designado redator o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 9.388 1 9.387 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.722153/201131 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.161 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrentes BIGOLIN MATERIAIS DE CONTRUÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Excluemse da base de cálculo da autuação as receitas contabilizadas pelo contribuinte e já oferecidas à tributação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É válido o auto de infração ainda que a base de cálculo empregada para a constituição de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS seja distinta da utilizada para as contribuições sociais, uma vez que a materialidade e a matéria de defesa de cada tributo são distintas. PROVA. PRODUÇÃO EM PROCESSO JUDICIAL. MEDIDA CAUTELAR. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA. Tendo sido a prova produzida em procedimento cautelar regularmente conduzido pelo Poder Judiciário, não cabe ao Poder Executivo, por meio de processo administrativo, discutir a legalidade da forma de produção da prova e nem a higidez de suas informações, sobretudo quando não há notícias de que estas provas foram invalidadas pela via judicial. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXONERAÇÃO EM INSTÂNCIA RECURSAL. POSSIBILIDADE. A exoneração de parcela do crédito tributário pela Delegacia de Julgamentos, após o oferecimento de esclarecimentos do agente fiscal, tem base no art. 18 e 29 do Dec. 70.235/72 e não pode ser considerado como alteração do critério jurídico. Não há novo lançamento, nem renovação do prazo decadencial ou ofensa à competência do órgão julgador OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO NÃO AFASTADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 21 53 /2 01 1- 31 Fl. 9388DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 Fica mantida a presunção de omissão de receitas em razão da falta de escrituração de pagamentos efetuados quando o contribuinte não logra êxito em demonstrar a origem dos recursos. OMISSÃO DE RECEITAS. DATA DA DISPONIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO. CRITÉRIO BENÉFICO AO CONTRIBUINTE. É possível considerar como omitida a receita na data em que ocorreu o pagamento não escriturado, embora este se refira ao salário devido pela prestação de serviço do mês anterior, sobretudo pelo fato de que embora se saiba a data do pagamento não escriturado, é impossível determinar a data da disponibilidade da receita. Inexistência de novos argumentos em grau recursal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. PAGAMENTOS DE SALÁRIOS. CUSTO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEVER DO AGENTE FISCAL. Estando as receitas omitidas diretamente vinculadas à um custo, que também foi omitido dentro do mesmo período de apuração, admitese a dedução destes custos não contabilizados. É dever do agente fiscal determinar a matéria tributável, sendo indevida a tributação de um custo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE COMPROVADA. Aplicase o art. 44, §1º, da Lei n. 9.430/96, quando comprovada a prática de fraude, conceituada pelo art. 72 da Lei n. 4.502/74, uma vez que não ficou configurada a situação prevista nas súmulas 14 e 25 deste Conselho. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. INEXISTÊNCIA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria, dar provimento parcial ao recurso para exonerar o crédito relativo a IRPJ e CSLL, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade, que mantinha o lançamento; c) por voto de qualidade, manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator), Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Designado redator o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior para redigir o voto vencedor. Fl. 9389DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.389 3 (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício (reexame necessário). Somente foram apresentadas apenas razões ao recurso voluntário por BIGOLIN MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA, doravante denominada recorrente. Sem contrarrazões de qualquer das partes. Na origem, foi lavrado auto de em razão da omissão de receita, para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescido de multa de 150%, juros de mora, multa isolada do IRPJ e CSLL. Os fatos e fundamentos lançados no Termo de Verificação Fiscal que levaram o Auditor Fiscal da Receita Federal, doravante denominado AFRFB, a lavrar a autuação são os seguintes (fl. 122 e ss.): (i) O Ministério Público Federal de Erechim/RS comunicou a RFB a suposta prática de fatos ilícitos pela recorrente (procedimento investigatório criminal n. 1.29.018.000026/201075) (fl. 346). Foi realizada busca e apreensão na sede da empresa, com autorização judicial, quando se apreenderam comprovantes de “pagamentos de salários ‘por fora’”. (fl. 123); (ii) Comparando a escrituração da recorrente com os documentos apreendidos, “constatouse insuficiência de recolhimento do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS nos anos de 2006 a 2010, pela omissão de receitas pelo pagamento através de falta de escrituração de pagamentos efetuados” (fls. 123 – grifo não original); Fl. 9390DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 (iii) A partir dos recibos apreendidos em busca e apreensão, o AFRFB considerou que os pagamentos de salários “por fora” foram realizados com receitas omitidas (não contabilizadas). Em síntese, os comprovantes de pagamento “por fora” foram considerados como prova de pagamento de salário e como indício de omissão de receita; (iv) Para a constituição do crédito tributário, o AFRFB observou que, em 31/12/2005, havia prejuízo acumulado a ser compensado, de modo que houve a sua utilização no limite de 30% em 31/12/2006, 31/03/2007, 31/06/2006 e 31/09/2007. Havia também prejuízo fiscal em 31/12/2005, o que foi compensado, no limite de 30%, em 31/12/2009 e 31/03/2010. O mesmo foi feito em relação à base de cálculo negativa (CSLL); (v) Exigiuse “a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL, sobre a base de cálculo mensal estimada no ano de 2006 (apuração pelo lucro real), relativamente à diferença das receitas omitidas”; (vi) O AFRFB entendeu que a conduta da recorrente caracterizou fraude (art. 72, Lei 4.502/64), razão pela qual se aplicou o prazo decadencial do art. 173, inc. I, CTN, e foi qualificada a multa de ofício (art. 44 da Lei 9.430/96). Inconformada com a autuação fiscal, a recorrente apresentou impugnação sustentando os seguintes argumentos (fl. 7896 e ss.): (i) O mandado de busca e apreensão utilizou de força desnecessária para ter acesso a milhares de documentos, o que poderia ser feito por meio de requerimento de apresentação de documentos por agente fiscal. A partir desse momento, formouse “versões insubsistentes e maliciosas” que influenciaram no lançamento fiscal (fl. 7900); (ii) Os recibos de pagamento por fora são, na verdade, “meros papeis de trabalho”, “simples memórias” onde eram provisoriamente anotados os mais variados eventos acontecidos durante o mês, passíveis ou não de serem consignados em folha (fl. 7901); (iii) Os recibos de pagamento por fora são apócrifos (de autor desconhecido) e, portanto, não têm “condição legal para embasar os lançamentos” (fl. 7901); (iv) Os recibos (papeis de trabalho), não podem servir como prova para o lançamento, ante a necessidade de identificação do seu autor (art. 368, 369 e 386, CPC) e o necessário respeito ao princípio da segurança jurídica (art. 2º, Lei 9784/99). Transcreve doutrina e jurisprudência; (v) Os recibos apreendidos representam meros indícios de prova, que demandariam outras provas (“provas subsidiárias”) para que se concluísse pela efetiva ocorrência dos fatos, as quais não foram produzidas; (vi) “(...) O emprego de ilações, ou seja, a deficiente caracterização (evidenciação) fáticojurídica das operações tidas como irregulares evidenciam a carência de certeza dos ‘fatos descritos’ como passíveis de tributação” (fl. 7906); Fl. 9391DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.390 5 (vii) A remuneração efetiva dos empregados não corresponde às somas mensais dos recibos (por fora) e do que consta na folha de pagamento, pois (i) a maior parte do que consta nos recibos foi transportada para a folha de pagamentos, (ii) acaso subtraído do valor líquido considerado pelos agentes fiscais como pagamento “por fora”, seria revelado que as diferenças negativas são maiores do que as diferenças positivas; se houvesse algo a tributar, seria menor que o valor considerado pelo fiscal; (iii) o valor efetivo do salário, considerado pelos agentes fiscais, é muito inferior ao piso das convenções coletivas de trabalho; (viii) Além de se ter somado os valores dos recibos, sem descontar os valores da folha de pagamento, há também falta de identificação precisa de quais as verbas e os critérios pessoais e legais de apuração dos “valores líquidos”; (ix) Não há que se falar em omissão de receita em razão da “falta de escrituração de pagamentos efetuados”. Na verdade, a recorrente realizava saques bancários em grande monta para arcar com esses pagamentos por fora. Em suma, o sustenta que o dinheiro que custeava os “pagamentos por fora” não decorrem de omissão de receita, mas sim com recursos contabilizados. Junta extratos (fls. 7911); (x) Ainda que procedente o lançamento, “caberia aos agentes fiscais apropriar os valores de custos/despesas correspondentes aos pretensos recibos de pagamentos por fora”, pois o imposto de renda incide apenas sobre o resultado (receitas menos custos/despesas) (fls. 7911); (xi) O AFRFB, ao considerar que houve omissão de receita no mês do pagamento do “salário por fora”, e não no mês da competência, acabou por desrespeitar o regime de competência (o art. 288 do RIR/99). Isso porque nos recibos de pagamentos “por fora” não consta a data dos pagamentos, mas apenas “a referência ao mês ao qual se reportam os respectivos dados provisórios” (ex. o salário de jan/2006 foi pago em fev/2006 – a omissão de receita foi contabilizada em fev/2006). Há ofensa ao princípio contábil do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis; (xii) Não subsiste a multa isolada, seja porque o IRPJ deve ser considerado indevido, como dito anteriormente, seja porque está sendo aplicada cumulativamente com a multa de ofício; (xiii) É inaplicável a multa qualificada de 150%, pois os recibos de pagamento por fora não autorizam a conclusão de que houve a intenção de suprimir ou reduzir tributo. Tratamse de atos culposos; (xiv) Não havendo dolo, a multa imponível é de 75%, com a contagem da decadência a partir do fato gerador. Estão decaídos, portanto, os tributos entre 01/2006 a 10/2006, pois não se aplica o art. 173, inc. I, CTN, mas o art. 150 do CTN; (xv) Pede que os mesmos argumentos ventilados contra o lançamento do IRPJ sejam aplicados a CSLL, PIS, COFINS. Fl. 9392DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 Em face dessas argumentações, a DRJ requereu diligências à delegacia de origem para que fosse esclarecido, com a juntada de provas, se os pagamentos “extrafolha” têm correspondência com os pagamentos contabilizados. Em caso positivo, que fosse recalculado o tributo e penalidades cabíveis (fl. 8499). Foram prestadas informações pela DRJ (fl. 8502) e juntados documentos (planilhas de cálculo, decisões trabalhistas e complementação ao termo de verificação fiscal – fls. 8507 a 8996). A recorrente foi intimada a se manifestar sobre os novos documentos juntados aos autos. Na oportunidade, reafirmou o que consta na impugnação, acrescentando, em síntese, o seguinte (fl. 9002): (i) O fato de os recibos dos “pagamentos por fora” terem sido arquivados não demonstra a existência de controle paralelo. Existisse a prática de ilícitos, o lógico seria que não existisse o arquivo; (ii) O depoimento de exfuncionário é inválido, pois o depoimento testemunhal tem força mínima; a testemunha procura se vingar da recorrente por ter sido demitida motivadamente; ofende o princípio da imparcialidade e verdade material; (iii) Nada de novo foi acrescentado pelas autoridades administrativas nesta oportunidade, sendo que os demonstrativos juntados são meras reproduções do que já consta nos autos. Considerando os argumentos constantes nos autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento emanou acórdão cuja ementa segue adiante: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. DEDUÇÃO. DESPESAS NÃO CONTABILIZADAS. Do valor apurado como omissão de receita não se cogita a dedução de despesas correspondentes, visto que estes somente poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, por meio da escrituração realizada com observância das leis comerciais e fiscais. OMISSÃO DE RECEITAS. DESPESAS NÃO CONTABILIZADAS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados leva a presunção de que eles foram suportados com recursos obtidos à margem da contabilidade, caracterizando a omissão de receitas. Fl. 9393DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.391 7 OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Excluemse da base de cálculo da autuação as receitas contabilizadas pelo contribuinte e já oferecidas à tributação. DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. PIS/PASEP. COFINS A decadência dos tributos lançados por homologação, no caso de dolo, é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DUPLICADA. A prática reiterada de omissão de receita, pela contribuinte, pelo pagamento de despesas não contabilizadas, com o objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária justifica a aplicação da multa de ofício duplicada. MULTA ISOLADA. LUCRO REAL. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Inexiste previsão de duplicação da multa isolada sobre estimativas não recolhidas. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aos lançamentos decorrentes aplicase o decidido em relação à exigência principal, formalizada com base nos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A parte da impugnação que foi provida referese, portanto, à subtração dos salários contabilizados (“por dentro”) dos salários não contabilizados (“por fora”), uma vez que o valor constante dos salários “extrafolha” não eram na verdade “extrafolha” era na verdade a totalidade dos valores pagos, ou seja, o salário folha mais (+) o “extrafolha”. Assim o valor total constante dos recibos não representam a totalidade das receitas omitidas. Inconformado com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário para contestar a fundamentação na parte em que foi sucumbente. Em resumo, além do que já havia argumentado em sua impugnação, argumentou os seguintes: (i) O pedido de diligências da DRJ revela a superficialidade do trabalho do AFRFB e o intuito de retificar/aperfeiçoar os lançamentos (fl. 9349); (ii) O lançamento do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS teve por base os valores dos pagamentos “por fora”, com exclusão de alguns valores não identificados. O lançamento das contribuições previdenciárias considerou esses pagamentos “por fora” em seu valor bruto. Essa inconsistência retira a certeza do lançamento. Nenhum dos lançamentos deve prosperar, por erro na base de cálculo, o que foi reconhecido pela DRJ; (iii) Repisa o que afirmou na impugnação relativamente à força probatória dos recibos apreendidos, sua natureza jurídica, e das presunções deles decorrentes; Fl. 9394DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 (iv) Sustenta que a DRJ, ao determinar a exclusão dos salários pagos e contabilizados pela recorrente da quantia que o AFRFB presumiu ser omissão de receita (pagamento extrafolha), acabou por inovar o lançamento, o que é impossível no processo tributário; (v) A DRJ não tem competência para ratificar/aperfeiçoar lançamentos equivocados, invadindo a “competência da autoridade lançadora (CTN, art. 142)” (fl. 9360), o que “materializa um claro desvio de função” (fl. 9361); (vi) As inovações promovidas pelo acórdão da DRJ acabaram por promover um novo lançamento, do qual a recorrente teve ciência em 15/10/2012, razão pela qual se operou a decadência em relação ao anocalendário de 2006; (vii) Sustenta que a vasta argumentação do acórdão da DRJ, suprimindo a omissão dos agentes fiscais, representa a motivação do lançamento. Assim, por não terem motivação suficiente, carece o lançamento do requisito “descrição do fato” (art. 10, Dec. n. 70.23/72); (viii) Repisa a argumentação de que os pagamentos extrafolha eram realizados com receitas contabilizadas e sacadas dias antes da conta corrente da recorrente, o que afasta a incidência do art. 281, II, RIR/99. Ademais, a afirmativa da DRJ, de que os saques representam o “suficiente para honrar a folha de pagamentos devidamente contabilizada e declarada ao fisco, e esse valor não foi o motivo de sua autuação e nem do litígio por parte da contribuinte” (fl. 9323), exige, segundo o procedimento técnico adequado, a reconstituição do livrocaixa, o que não aconteceu; (ix) Reafirma que os pagamentos extrafolha são custos e devem ser deduzidos da receita presumida. Contesta a afirmação da DRJ de que não cabe aos agentes fiscais reconstituir a contabilidade comercial e fiscal da empresa, sob pena de configurar confisco ou lançamento com fim punitivo; (x) Concorda que não cabe ao agente fiscal reconstruir a contabilidade comercial. No entanto, é seu dever reconstruir a contabilidade fiscal (art. 845, III, RIR/99), sobretudo porque esta não foi considerada imprestável a ponto de dar causa ao arbitramento do lucro; (xi) Discorda da DRJ quanto à afirmação de que o IRPJCSLL deve incidir sobre a “omissão de receitas”. Defende que o correto é que a base de cálculo corresponda “à soma algébrica das receitas diminuído dos custos” (fl. 9366); (xii) Repisa o argumento relativo ao regime de competência, com a transcrição das razões da impugnação; (xiii) Repete a argumentação relativa à multa isolada; (xiv) Repete a argumentação contra a qualificação da multa de ofício. É o relatório. Fl. 9395DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.392 9 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Do Recurso de Ofício – Da exoneração de parcela do Crédito Tributário. O recurso de ofício (reexame necessário) tem lugar em razão da exoneração do crédito tributário em valor superior a R$ 1 milhão (art. 34, Dec. 70.235/72; Portaria MF n. 3/2008). O primeiro ponto do mérito do recurso de ofício versa sobre a possibilidade de duplicar a multa isolada incidente sobre o valor das estimativas mensais, apuradas consoante a opção do art. 2º da Lei n. 9.430/96. A DRJ considerou que não existe previsão legal para duplicála. A decisão está correta e não desperta maiores conflitos, uma vez que a literalidade do art. 44, §§1º e 2º, da Lei n. 9.430/96 é claro ao dispor que somente se duplica a multa de ofício prevista no art. 44, inc. I, da Lei n. 9.430/96. Portanto, voto por manter a decisão recorrida quanto à impossibilidade de duplicar a multa isolada. O segundo ponto do mérito do recurso de ofício consiste em verificar se os pagamentos salariais não contabilizados (extrafolha) podem ser considerados integralmente como omissão de receitas (art. 281, II, RIR/99) ou, como entendeu a DRJ, devem sofrer a subtração dos pagamentos salariais contabilizados. Relembro que a DRJ pediu esclarecimentos ao AFRFB ante ao questionamento formulado pela recorrente. Em resposta, o AFRFB sustentou que seu entendimento partiu da constatação: (i) Da existência de um o controle paralelo mantido pela recorrente, por meio de recibos apócrifos; (ii) Da confirmação desse sistema por diversos exempregados perante a Justiça do Trabalho de Erechim/RS; (iii) Da impossibilidade de identificar esta conduta que não por meio de procedimento judicial cautelar; (iv) Do fato de serem praticamente os mesmos os valores declarados em GFIP e os salários contabilizados; (v) De que alguns pagamentos extrafolha foram feitos para pessoas que não constam na folha de salários oficial; Fl. 9396DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 10 (vi) De que vários pagamentos extrafolha são maiores aos pagamentos contabilizados. Como se percebe, os argumentos apresentados pelo AFRFB não esclarecem diretamente o que foi solicitado pela DRJ. Por isso, não há como divergir das conclusões contidas no acórdão recorrido, uma vez que nada nos autos indica que o pagamento extrafolha seja efetivamente um complemento aos salários contabilizados. Na verdade, o valor constante dos salários “extrafolha” não eram na verdade “extrafolha” era na verdade a totalidade dos valores pagos, ou seja, o salário folha mais (+) o “extrafolha”. Assim o valor total constante dos recibos não representam a totalidade das receitas omitidas. A recorrente utilizavase dos recibos “por fora” para controlar o valor total (real) dos salários pagos aos seus empregados. Aliás, isto é o que depuseram os exempregados da recorrente, ao alegarem que o salário que efetivamente recebiam maior do que o que consta em folha. É o que se nota das seguintes petições iniciais: (i) Requerente – Emir Antônio Tomaluski (fls. 8863). “Dos Salários Extrafolha. (...) No caso concreto, o empregador anotou no Demonstrativo de Pagamento de Salário do reclamante o salário base de R$ 2.199,00 (...), contudo pagou aproximadamente 250,00 (...) “por fora” durante a relação de emprego, na denominada “papeleta” pelos funcionários”. (ii) Requerente – Paula Damiana Basso (fls. 8909). “3. Salários Extrafolha. (...) Em média, cerca de R$ 400,00 (...) eram pagos por fora. (...) Em suma, o que o empregado efetivamente recebia era o montante que estava posto na ‘papeleta’”. (iii) Requerente – Siro Renato Menine de Campos (fls. 8942). “Salários extrafolha. (...) No caso concreto, o empregador anotou na CTPS do reclamante o salário fixo de R$ 445,00 (...), contudo pagou R$ 580,00 (...) fixos durante a relação de emprego.” Concluo, portanto, que o valor que realmente era pago aos empregados da recorrente era o que constava nos recibos extrafolha apreendidos pela fiscalização, de modo que não se pode submeter a integralidade desses valores aos tributos em tela, sob pena de tributar novamente o valor dos salários contabilizados, que evidentemente já foram submetidos à tributação. Desta forma, mantenho a decisão recorrida neste ponto e nego provimento ao recurso de ofício, nos termos acima declinados. 2. Da Divergência entre a Base de Cálculo do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS e das Contribuições Previdenciárias Em preliminar, a recorrente alega que há erro na apuração do crédito tributário do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS (PAF 11030722153/201131) e das contribuições sociais (PAF 1103722167/201155 e 11030722168/201108), uma vez que teriam sido tomadas bases de cálculo divergentes para cada um dos tributos constituídos. Isto porque o agente fiscal tomou como base de cálculo para o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS os “valores líquidos dos recibos denominados por ‘fora’”. Todavia, para as contribuições sociais (“cota patronal e correlatos”), utilizouse “os valores brutos dos Fl. 9397DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.393 11 recibos denominados por ‘fora’” (fls. 9350). Segundo a recorrente, nenhuma das duas bases de cálculo está correta. O argumento não procede. No presente caso, apenas se afigura possível discutir a correção da base de cálculo do IPRJ/CSLL/PIS/COFINS, tendo em vista que estes são os tributos objeto do auto de infração e, portanto, atacados pela impugnação e recurso voluntário (v. fl. 2 – “Relação de créditos tributários do processo”). Ademais, faz sentido a divergência de base de cálculo em razão da materialidade de cada um dos tributos: (i) para o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS, partese da presunção de omissão de receitas, exceto quanto àquelas cuja presunção foi ilidida; (ii) para as contribuições sociais, considerase os salários e rendimentos pagos ou creditados ao empregado. Notase, portanto, que na primeira situação existe a possibilidade de o contribuinte ilidir a presunção de omissão de receitas sobre alguns valores, fato que justificaria a alteração da base de cálculo desses tributos. É o que foi feito perante a DRJ, quando foi acolhido o argumento de que “os valores dos pretensos ‘recibos por fora’ não consubstanciam pagamentos acrescíveis in totum aos das folhas de pagamento” (fl. 9324). No que se refere às contribuições sociais, também existem formas de contraditar a formação da base de cálculo (v.g. procurando afastar a natureza salarial de algum valor, caracterizandoo como verba indenizatória). Como se vê, o argumento de defesa é diverso, o que justificaria, novamente, a diferença de bases de cálculos. Em tempo, esta defesa somente pode ser feita nos respectivos processos. Inobstante, a adequação da base de cálculo dos impostos que neste momento se discute será tratada mais adiante, de modo que considero impertinente comparála com a base de cálculo empregada para as contribuições sociais. 3. Da Alegação de Nulidade Decorrente da Utilização dos Recibos por Meio de Mandado de Busca e Apreensão A recorrente defende novamente que foi empregada abusivamente a força do Estado para a obtenção dos recibos de pagamento “por fora”. No entanto, não procede sua alegação. A medida em apreço decorreu de mandado judicial de busca e apreensão (Processo n. 500001654.2010.404.7117 Just. Federal de Erechim/RS) (fl. 346 e ss.). Em verdade, a medida de busca e apreensão é uma espécie de medida cautelar. Por sua vez, a medida cautelar é um processo em “que, com base na verificação de que há fumus e periculum, se preserva a parte do risco de ineficácia do processo principal”, como esclarece WAMBIER1. Desse modo, o mérito acerca da necessidade da medida decorreu de decisão proferida por órgão do Poder Judiciário. Da mesma forma, a verificação acerca da observância dos requisitos necessários (legitimidade, possibilidade, interesse, perigo da demora, existência do direito etc.) também foi objeto de apreciação do Poder Judiciário. 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil: Processo Cautelar e Procedimentos Especiais. Vol. 3. 9 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2008. p. 40. Fl. 9398DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 12 Assim, não cabe ao CARF (Poder Executivo) investigar a licitude de medida cautelar de busca e apreensão, nem mesmo verificar se a prova colhida é legal ou legítima, em não havendo informações de medidas judiciais que desabonem a higidez dos comprovantes de pagamento “por fora” apreendidos. Também não está reservada melhor sorte ao argumento de ausência de assinatura, presença de borrões, rasuras, emendas e informações genéricas dos comprovantes de pagamento “por fora”. Até que se combata no âmbito judicial a veracidade e autenticidade desses documentos, não cabe ao CARF desconstituir a prova produzida por ordem do Poder Judiciário, sob pena de ilegítima interferência na prova produzida segundo as determinações legais (art. 2º, Constituição Federal). É igualmente desnecessária a prévia manifestação da recorrente sobre os comprovantes apreendidos, uma vez que a cautelaridade é inerente ao mandado de busca e apreensão. Na verdade, agese preventivamente com o fim de evitar a ineficácia de outro procedimento (o principal). Por isso é que não houve prévia comunicação da recorrente acerca da ordem cautelar. Isto não significa prejuízo ao contraditório ou ampla defesa, os quais devem ser sempre resguardados e, nestes casos, são oportunizados de forma diferida. Em suma, posterga se, mas nunca se suprime a possibilidade de defesa. Sobre esse tema, bem observou a DRJ acerca da necessidade da medida judicial de busca e apreensão, pois não é crível imaginar que a recorrente entregasse prontamente os documentos que comprovassem qualquer conduta ilegal. É o que afirma na seguinte passagem (fl. 9317): (...) Não há como esperar que nenhuma empresa disposta a fraudar tributos e contribuições mantenha livros e documentos revestidos de formalidades legais, organizadas e com o detalhamento de todas as operações irregulares. O que ocorre na realidade é o conhecimento da situação através de denúncias de pessoas que de alguma forma trabalharam ou estiveram ligadas aos acontecimentos ilícitos, anotações minimamente organizadas (como papéis, recibos, telefonemas, movimentação bancária, etc) e, não raro, codificadas, contendo as informações com nomes e quantias desviadas ou pagamentos realizados à margem da contabilidade oficial. Além disso, quase sempre, só é possível a obtenção desses elementos de prova através de mandado de busca e apreensão autorizado pela justiça e realizado por auditores acompanhados da força policial. Não se sustenta o argumento de que os comprovantes de pagamento “por fora” seriam meros “recibos” ou “papéis de trabalho”, nos quais eram feitas simples memórias provisórias, “passíveis ou não de inclusão na folha de pagamento propriamente dita” (fl. 9353). Novamente, devese observar que tais provas foram produzidas judicialmente no curso do Processo n. 500001654.2010.404.7117, que é o local adequado para discutir a licitude e idoneidade de tais documentos como meio de prova. Cabe ao CARF apenas admiti los como prova dos pagamentos de salário “por fora”. Sobre esse ponto, são pertinentes as considerações da DRJ (fl. 9318): Em primeiro lugar, se os recibos eram “meros rascunhos” da folha de pagamento, não haveria nenhuma necessidade de sua guarda em arquivo da empresa, já que na escrituração contábil Fl. 9399DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.394 13 deveriam estar registrados todos os elementos necessários a perfeita identificação do beneficiário e dos valores dos pagamentos realizados. Em segundo lugar, é difícil de se acreditar que o funcionário que efetuou os ditos “rascunhos” venha a cometer erros sistemáticos de cálculo da folha de pagamento de um funcionário em meses sucessivos. A título de exemplo, com base na planilha anexa à diligência (fls. 8516 a 8717), verificase, para o funcionário Dinorvan Dalavale, a seguinte sequência de pagamentos, comparativamente na folha de pagamento e nos recibos: Competência Folha de pgto Recibos apreendidos Diferença Jan/06 413,38 1.090,52 677,14 Fev/06 772,21 1.089,85 317,64 Mmar/06 563,70 1.048,93 485,23 Abr/06 640,60 979,83 339,23 Mai/06 761,81 1.172,22 410,41 Jun/06 637,29 943,54 306,25 Jul/06 737,19 1.340,12 602,93 Constatase, nesse excerto, que há significativa diferença em todos os meses de pagamento desse funcionário, o que não é minimamente plausível. Se os recibos apreendidos fossem meros “rascunhos” do valor da folha de pagamento, essas diferenças não seriam tão significativas e nem ocorreriam em todos os meses. Em terceiro lugar, não há possibilidade matemática (nem lógica) de que valores diferentes de salário bruto proporcionem valores idênticos de descontos de INSS e IRRF na folha de pagamentos e nos recibos. Não auxilia a recorrente o argumento de que se tratam de comprovantes de pagamento “apócrifos”. O motivo já foi apresentado: tratase de procedimento cautelar realizado na sede da própria empresa, o que pressupõe que os documentos lhe pertencem, a despeito de a maioria não apresentarem as formalidades legais. A prova de que os documentos não lhe pertencem deverá ser feita na via judicial, onde, como dito, haverá o contraditório e ampla defesa, embora diferidos. Na presente situação, não se têm meras presunções de que os comprovantes de pagamento “por fora” sejam da recorrente, mas sim todo um conjunto probatório, ainda que indiciário, que auxilia a conclusão de que efetivamente eram realizados pagamentos extrafolha. É o caso dos depoimentos de exfuncionários colhidos perante a Justiça do Trabalho, em processos judiciais distintos, em que se relata o mesmo procedimento (fls. 8863 a 8995). Interessante observar, ainda, que há no PAF notícias minuciosas, como destacou a DRJ (fls. 9317): 5. O denunciante declara ter trabalhado 21 anos sendo gerente de RH e contador e afirma que “os recibos de pagamento por fora são semelhantes aos oficiais, faltando apenas o espaço destinado à assinatura e são separados por mês, amarrados e guardados na sala do departamento de pessoal, no canto, nas portas de baixo.” Fl. 9400DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 14 6. Declara ainda que “90% dos documentos que comprovam as irregularidades se encontram no departamento de pessoal que fica ao lado do crediário, sendo que, outro comprovante de pagamento fica no crediário, onde é anotada a saída do dinheiro para cada pessoa, sendo que, este controle fica no caixa, sempre fica preso numa prancheta, onde o caixa anota a movimentação do caixa 2. Depois estas fichinhas vão para a sala da Fabíola e em seguida para o Henrique que faz o arquivamento nas portas atrás do seu birô e os mais antigos vão para uma caixa de papelão para o arquivo morto(subir escada caracol, sala dos fundos).” Ao contrário do que afirma a recorrente, não existe apenas um indício isolado, mas sim vários indícios que autorizam a conclusão da efetiva ocorrência de um outro fato, o presumido. A esse respeito, vale observar a lição da doutrina: Indício é todo vestígio, indicação, sinal, circunstância e fato conhecido apto a nos levar, por meio de raciocínio indutivo, ao conhecimento de outro fato, não conhecido diretamente. É, segundo Pontes de Miranda, “o fato ou parte do fato certo, que se liga a outro fato que se tem de provar, ou a fato que, provado, dá ao indício valor relevante na convicção do juiz, como homem”. (FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. 2 ed. São Paulo: Noeses, 2009. p. 136) (grifo não original) Por autorizar uma presunção, o indício não deve ser considerado isoladamente, mas em conjunto com outros indícios, a fim de que se tenha a certeza necessária da ocorrência do fato principal, como destaca a doutrina: (...) A constatação de um indício é apenas o ponto de partida para novas investigações, pois, em geral, são necessários mais elementos de convicção para que se possa concluir de forma segura a ocorrência do fato gerador do tributo. A obtenção de uma pluralidade de indícios, nesses casos, é importante. (...) (NEDER, Marco Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2010. p. 217) (grifo não original). Há nos autos vários indícios suficientes, e de origens diferentes, para comprovar que a recorrente realmente mantinha conduta em desacordo com as leis fiscais; que realizava parcela do pagamento do salário de seus funcionários à margem do que registrava na folha de pagamentos “oficial”. Em arremate, a presunção de que se cuida não decorre meramente do espírito dos agentes do Ministério do Trabalho ou da Receita Federal. Na verdade, a presunção está assentada no art. 281, inc. II, RIR/99, e de toda uma cadeia de indícios, produzidos judicialmente, em processos cautelares e em processos trabalhistas, os quais confirmam induvidosamente que há uma conduta reiterada e em desencontro com a lei. Por isso, considero que os recibos apreendidos têm força probatória para comprovar a omissão de receitas por parte da recorrente, bem como comprovam que eram feitos pagamentos salariais sem a devida comunicação aos órgãos competentes, razão pela qual afasto os argumentos que buscam infirmar sua validade jurídica. Fl. 9401DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.395 15 4. Do Pedido de Diligências da DRJ, da Exoneração Promovida pela DRJ, da Nova Base de Cálculo e da Decadência. Insurgese a recorrente contra a alteração dos critérios de apuração do crédito tributário empregados pela DRJ, alegando em um primeiro momento que este fato demonstrou a superficialidade do trabalho investigatório e o “intuito retificador/aperfeiçoador dos lançamentos” (fl. 9349). O argumento não procede. Entendo que o requerimento de esclarecimentos e diligências realizado pela DRJ tem apoio no art. 18, caput, e 29, ambos do Dec. 70.235/72 e prestigia o princípio da verdade material, segundo o qual o processo administrativo não se contenta com os fatos tal como retratados nos autos, como esclarece Medauar: (...) o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerado pelos sujeitos” (MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno, 13ª Ed., Malheiros, São Paulo, 1998) Nesse sentido, entendo que a exoneração promovida pela DRJ de parcela do crédito tributário não constitui nulidade. Este Conselho já decidiu que a exoneração de parcela do crédito tributário, quando promovida pelas Delegacias de Julgamento, não torna nulo o lançamento: (...) LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DILIGÊNCIA. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Verificada a existência de erro na apuração do lançamento tributário deverá ser providência a correção nos termos apurados na diligência. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO POR DECISÃO DA DRJ. PROCEDIMENTO PREVISTO NO DECRETO Nº 70.235/72. A nulidade do auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. A alteração da exigência por meio de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento é um dos princípios básicos da existência do Processo Administrativo Fiscal e não configura desobediência as determinações previstas no DecretoLei nº 70.235/72. (...) (CARF. Acórdão 3102 001.586. Cons. Winderley Morais Pereira). E mais, da diligência resultou o provimento parcial da impugnação da recorrente, uma vez que os julgadores se convenceram que não havia motivos para que a totalidade dos pagamentos extrafolha fosse tributada, como de fato não há. Tal conduta não configura alteração do critério jurídico do lançamento, que é a presunção de omissão de receitas em razão da falta de escrituração de pagamentos efetuados (art. 281, inc. II, RIR/99). Fl. 9402DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 16 Não houve agravamento da exigência fiscal, razão pela qual não há que se falar em lançamento complementar. Não cogito, portanto, que se trate de um novo lançamento, mas apenas exoneração do lançamento já realizado e mantido. Desse modo, considerado prejudicado o argumento da decadência relativamente ao ano de 2006. Fica prejudicado também o argumento da incompetência da DRJ para realizar lançamento. Ainda que existissem pontos na autuação fiscal a serem esclarecidos, o princípio da verdade material aconselha justamente a conduta que foi adotada pela DRJ, o que, repisase, veio a ser favorável à recorrente. Assim, rejeito os argumentos ventilados pela recorrente, pois não houve complementação da motivação exposta pelos agentes fiscais na origem do procedimento. 5. Do Respeito ao Regime de Competência Sobre a inobservância do regime de competência, o agente fiscal assim se manifestou no termo de verificação fiscal (fl. 125): A partir dos recibos não considerados nas folhas de pagamento e não contabilizados pela empresa foi feito o levantamento dos valores líquidos pagos nos respectivos meses observandose o mês d pagamento e não o de competência. Dessa forma, os valores relativos à competência Janeiro/2006 e que foram pagos em fevereiro/2006 foram consideardos como omissão nesse mês (fevereiro/2006) e assim, sucessivamente. Relativamente aos valores de “adiantamento de 13o terceiro” e “13o salário” ambos foram considerados como pagos em Dezembro de cada ano pois esse e o prazo máximo para tais pagamentos. No recurso voluntário, a recorrente se restringe a repetir a argumentação apresentada na impugnação. Mais uma vez, seus argumentos não procedem, pois era impossível ao AFRFB determinar a data em que houve a disponibilidade da renda para fins de observar o regime de competência. De toda forma, é mais benéfico ao recorrente considerar que a receita foi auferida na data do pagamento do salário. Isto porque, por inferência lógica, essa receita provavelmente foi auferida em tempos anteriores, o que levaria ao agravamento da exigência fiscal, sobretudo no que se refere à correção proporcionada pelos juros de mora. De toda forma, não havendo novos argumentos contra o que foi exposto no acórdão recorrido, mantenho integralmente o que foi decidido pela DRJ (fl. 9324): Não há, também, como se admitir a alteração do período de reconhecimento das receitas omitidas levandose em consideração o seu período de competência, como argumenta a contribuinte, pois como esta alega não existirem receitas omitidas, não há como saber o período em que se deu a disponibilidade da renda ou dos proventos de qualquer natureza a elas correspondentes (tratase de uma presunção legal). Assim, a data de pagamento da folha foi utilizada corretamente pela fiscalização para reconhecimento das receitas omitidas. 6. Da Correta Apuração da Base de Cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 9403DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.396 17 Alega a recorrente que os pretensos pagamentos de salários através de “recibos extrafolha” representam tanto omissão de receita como também custos (despesas) que, para efeito de quantificação das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, necessariamente, devem ser deduzidos da omissão de receita presumida em face dos alegados pagamentos não contabilizados (fl. 9365). Esse argumento foi assim enfrentado pela DRJ (fl. 9323 e 9324): Entendo que não merece prosperar também o argumento da impugnante, de que os agentes fiscais deveriam ter apropriado os valores dos custos/despesas correspondentes aos recibos “extrafolha”, sob a alegação de que o tributo deveria incidir sobre o resultado (receitas menos despesas). Não cabe aos agentes fiscais a reconstituição da contabilidade comercial e fiscal da empresa, pois essa obrigação é da contribuinte. O inciso II do art. 281 do Decreto nº 3000/99 (RIR) estabelece o seguinte: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): ... II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Assim, constatado que a contribuinte efetuava pagamentos “por fora” sem a devida escrituração, ficou caracterizada a omissão de receitas e efetuada a correspondente tributação das mesmas. Caberia a contribuinte, se fosse o caso, ou refazer a sua contabilização de forma a reconhecer a totalidade das receitas tributáveis e as respectivas despesas associadas (o que poderia resultar num saldo negativo na declaração de ajuste anual ou trimestral, passível de restituição ou compensação), ou então impugnar a autuação, defendendo a correção de sua escrita contábil e fiscal, como o fez no caso concreto. A DRJ está correta ao afirmar que não cabe ao fiscal “reconstituir a contabilidade”. Entretanto, é fora de questionamentos que é dever do fiscal “apurar a matéria tributável” (art. 142, CTN), ou seja, apurar a correta base de cálculo. Neste ponto, entendo que a recorrente possui razão. Aliás, entendo que esta é uma situação peculiar e que demanda profunda análise dos elementos que levaram a caracterizar a omissão de receitas e as consequências advindas. De início, é preciso recordar que a correta determinação da base de cálculo do tributo é nada menos do que obrigação funcional do AFRFB, pois, nos termos do art. 142, CTN, o lançamento tributário envolve também o ato de “apurar a matéria tributável” e “calcular o montante devido”. Fl. 9404DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 18 Tratase de conduta que determina o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, que se subdivide em base de cálculo e da alíquota incidente. Vale observar o teor do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifo não original) No caso, tratase de verificar aquilo que representa o lucro real da recorrente, que é “o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º)”, consoante dispõe o art. 247, RIR/99. Esse conceito tem como base o art. 43 da CTN e o art. 153, inc. III, da Constituição Federal, que elege a “renda” como evento desencadeador da incidência do imposto de renda. Sobre o conceito de renda, bem esclarece José Artur Lima Gonçalves, citado por Paulo de Barros Carvalho: Expressandose de outra maneira, José Artur Lima Gonçalves, em aprofundado estudo sobre o tema, diz que o conteúdo semântico do vocábulo ‘renda”, nos termos prescritos pelo Sistema Constitucional Tributário Brasileiro, compreende o SALDO POSITIVO resultante do confronto entre certas entradas e certas saídas, ocorridas ao longo de um dado período. É, em outras palavras, acréscimo patrimonial. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3 ed. rev. e ampl. São Paulo: Noeses, 2009. p. 671) (grifo não original) Portanto, é fora de dúvidas que a renda deve ser representada por um elemento positivo que acrescenta ao patrimônio do contribuinte. Ora, já se verifica que o AFRFB tinha totais condições de concluir que as receitas omitidas não possuíam a menor possibilidade de se agregar ao patrimônio da recorrente, eis que integralmente utilizadas para suportar os salários de seus empregados (despesas dedutíveis). Em sentido contrário, poderseia cogitar que a renda, em algum momento, se integrou ao patrimônio da recorrente, o que daria origem ao fato gerador do imposto de renda, e somente em momento posterior é que fora utilizada para saldar um custo. Este entendimento não deve prosperar por duas razões principais. Primeiro porque o AFRFB utilizou como data do auferimento da renda a mesma em que houve o pagamento (receita e despesa do mesmo período de apuração), motivo pelo qual a renda foi auferida dentro do mesmo período de apuração em que fora consumida por um custo dedutível, o que daria ensejo ao seu reflexo no resultado do período. Segundo pelo fato de que não há dúvidas que a integralidade das receitas omitidas foi consumida pelos salários dos empregados da recorrente. Sobre este ponto, importante aprofundar no raciocínio. Recordese que os recibos apreendidos pelos agentes públicos serviram de indício da omissão de receitas em razão de pagamentos não contabilizados. Há para esta hipótese uma previsão legal expressa militando em desfavor aos interesses da recorrente (art. 281, inc. II, RIR/99). Fl. 9405DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.397 19 Fosse apenas isso, poderseia julgar o presente feito sem qualquer outra consideração, uma vez que, para fins da omissão de receita tributável pelo IRPJ/CSLL, é possível afirmar que é irrelevante a destinação dos pagamentos não escriturados. A lei não prevê qualquer diferenciação quanto à destinação desses pagamentos. Basta que existam para que sejam considerados omissões. Ocorre que não se trata de um tipo qualquer de pagamento não contabilizado. Melhor dizendo, não é o caso de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado ou indedutível, ou sem prova. Pelo contrário, não se tem qualquer dúvida de que os pagamentos têm causa certa e beneficiários plenamente identificados. Um elemento relevante está na exigência de contribuições sociais sobre salários e demais rendimentos, cuja constituição ocorreu nos PAF 1103722167/201155 e 11030722168/201108. Basta isso para obrigatoriamente ter que se admitir que os recibos apreendidos estão servindo como fundamento para presumir que houve pagamento de salários dos empregados da recorrente. Por questões de coerência lógica, não é possível admitir os recibos apreendidos servem (i) como prova de omissão de receita, (ii) como fundamento para exigência de contribuições sociais sobre salário, mas negar que estes se refiram a um custo dedutível (despesa), que é justamente o salário. Notese que o fato “pagamento de salários” em momento algum é posto em dúvida pelos fiscais. Em momento algum se alega a falsidade das informações que constam nos recibos. Em momento algum se questiona a destinação dos pagamentos, tanto é que as contribuições incidentes sobre a folha foram lançadas. O Simples fatos de não constar em holerite e constar em um recibo manual não lhe tira a característica de despesa. A própria justiça do trabalho reconhece tais pagamentos em demandas trabalhistas. Aliás, nem mesmo a recorrente, tentando infirmar a força probatória dos recibos, argumenta que os pagamentos serviram para arcar qualquer outra despesa. Por exemplo, não sustenta que os pagamentos destinaramse a custear fornecedores ou sócios. E parece mesmo que a recorrente realizava pagamentos por fora, como acima sustentei. A própria fiscalização de origem juntou diversas cópias de processos trabalhistas em que a recorrente (reclamada nas ações trabalhistas), reconhece que haviam pagamentos extrafolha (v. Autos 000036272.2011.5.04.0521, da 1ª Vara do Trabalho de Erechim/RS fl. 8929), observese: A reclamada afirma que jamais houve pagamento a menor, sendo que o autor não apresenta prova quanto às alegações. Aduz que a antiga diretoria adimplia pagamentos “por fora”, por nunca houve pagamento a menor. (...). Não há dúvidas, portanto, que o arcabouço de indícios e presunções empregadas neste processo e nos correlatos fazem admitir que os pagamentos extrafolha tiveram como finalidade custear parcela dos salários dos funcionários da recorrente. Por questão de coerência, esta premissa deve ser respeitada para toda e qualquer consequência que venha a ser imposta à recorrente. Fl. 9406DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 20 Dada essa vinculação necessária entre a receita omitida e a despesa da recorrente, concluo: se os recibos servem para provar a omissão de receita, servem também para provar as despesas. Se utilizados (valor de prova) em desfavor da recorrente, devem também ser utilizados (valor de prova) a seu favor, na parte em que couber. Significa atribuir o mesmo peso e a mesma medida de valor para o mesmo documento. Admitindo que essas receitas omitidas unicamente custearam a folha de salários da recorrente, devese investigar se é possível considerálos como custo e, portanto, um valor dedutível do valor tributável pelo IRPJ e CSLL. Este é o questionamento levantado pela recorrente em impugnação e recurso voluntário. A DRJ não responde essa pergunta, apenas afirma que não cabe aos agentes fiscais reconstruir a escrita comercial e fiscal da recorrente. Essa resposta deixa claro que a DRJ admitiu que a folha de salários é um custo dedutível, apenas discordou que coubesse ao agente fiscal reconstruir a escrita comercial e fiscal. Aliás, é certo que estas despesas são sim um custo dedutível para fins de apurar o lucro líquido. Contudo, entendo que não se trata de reconstituir a escrita da recorrente, pois então seria caso de arbitramento. Bem lembra a recorrente que sua escrita não foi considerada imprestável. Na verdade, é apenas o caso de buscar a correta base de cálculo do tributo devido, obrigação que cabe ao auditor fiscal, nos exatos termos do art. 142 do CTN, por meio simples cálculo aritmético, adicionando a receita e a despesa. Esta é a questão central: cabe ao AFRFB calcular a “matéria tributável” e o “montante devido” (art. 142, CTN) dentro do período de apuração em que tiver debruçado suas investigações. Ora, sabendo que o fiscal considerou que a receita foi auferida no mês do pagamento dos salários, não é possível admitir que dentro do mesmo período de apuração esta receita não tenha sido consumida por um custo dedutível. Evidente que o montante devido resultante dessa equação é zero. Todavia, entendo que esse tema nem precisaria ser enfrentado. Basta um raciocínio lógico para admitir a alegação da recorrente. Como dito, verificase a existência de um indício principal, que são os recibos apreendidos. Esses recibos comprovam que existiram pagamentos de salários não contabilizados, até porque diversos outros indícios revelam uma conduta no mesmo sentido (depoimentos etc.). Não há a menor possibilidade de desvencilhar as receitas omitidas da sua destinação a beneficiários determinados e à causa do pagamento que lhes deram origem. Por isso, não tenho dúvidas em afirmar que existe aqui um custo omitido e que deve ser reconhecido e considerado pelo Fisco, tudo em respeito ao art. 142 do CTN. Em tempo, consigno que a conduta da recorrente é absolutamente reprovável e merece ser reprimida, porém com os meios legais e dentro dos limites da lei, inclusive porque as contribuições sobre a folha foram devidamente lançadas. Mas este não é o caso. Ainda que soe repetitivo, repiso que não se tem dúvidas que as receitas omitidas e descortinadas pela fiscalização foram utilizadas integralmente no custeio de salários. Logo, é impossível tributálas. Este Conselho adota o entendimento em tela há tempos, observese: (...) DESPESA E CUSTO VINCULADOS ARECEITA OMITIDA. DEDUTIBILIDADE. Despesa e custo dedutíveis são aqueles necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à Fl. 9407DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.398 21 contraprestação de algo recebido, comprovados com documentação própria e devidamente registrados na contabilidade. No caso de omissão de receitas, admitese a dedução de custos e receitas não contabilizados desde que comprovadamente vinculados à receita omitida. (...) (Cons. Contribuintes. Acórdão 10322772. Cons. Aloysio José Percínio da Silva. Sessão 06/12/2006). (grifo não original) [...] IRPJ E CSLL — OMISSÃO DE RECEITAS — APROVEITAMENTO DE CUSTOS — Os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias levantados pela fiscalização com relação direta à apuração da omissão de receitas detectada pela falta de escrituração da movimentação bancária devem ser levados em consideração na determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. (CSRF. Acórdão 108122267. Cons. Designado José Clóvis Alves. Sessão 19/09/2006). (...) IRPJ OMISSÃO DE RECEITA NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES DEDUÇÃO DO CUSTO DE SUAS AQUISIÇÕES – CABIMENTO Na tributação com base no lucro real, mesmo em face de omissão de receitas, provando o contribuinte o custo das ações que, objeto de alienação, provocaram a receita omitida, é cabível, na determinação da matéria tributável, a sua dedução. (...) (Cons. Contribuintes. Acórdão 10705941.Cons. Natanael Martins. Sessão 11/04/2000). (grifo não original) (...) CUSTOS INCORRIDOS No caso de omissão de receita, se existirem custos não utilizados na escrita normal e que tenham vinculação com a omissão detectada, pode ser admitida a sua dedução para determinação da base de cálculo do IRPJ E CSSL. (...) (Cons. Contribuintes. Acórdão 10514866. Cons. José Cóvis Alves. Sessão 01/12/2004). (grifo não original) Notese que as decisões acima deixam claro que a dedutibilidade de determinado custo do resultado do período depende de (i) prova idônea de sua existência e (ii) da vinculação à receita omitida. No caso presente, em condições normais, os recibos apreendidos não serviriam de prova da existência de um custo dedutível. Ocorre que sobre os recibos pende a presunção de que foram unicamente utilizados para custear a folha de salários não contabilizada, tanto é que se exige as contribuições sociais. Logo, essa premissa deve valer também para considerar os recibos como prova de um custo efetivamente ocorrido e dedutível. O resultado prático é que ficam anuladas as exigências fiscais relativas ao IRPJ e CSLL, eis que os salários são um custo integralmente dedutíveis de sua base de cálculo, razão pela qual voto por exonerar esta parcela do crédito tributário. Fl. 9408DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 22 7. Do Afastamento da Presunção de Omissão de Receitas Dos Saques Bancários em Períodos Precedentes aos Pagamentos A recorrente alega que realizava saques “de significativa monta nos dias anteriores e/ou simultâneos às datas de pagamento das folhas de salário” (fl. 9363). Esses valores “tiveram origem em anteriores operações regularmente contabilizadas e declaradas” (fl. 9364), fato que afastaria a presunção de omissão de receitas (art. 281, inc. II, RIR/99). Em análise do argumento, a DRJ considerou que o argumento não procede, pois (i) esse valor deve ter sido suficiente para honrar a folha de pagamentos contabilizada e declarada ao fisco e (ii) essa argumentação seria contraditória com a linha de defesa da recorrente, que estaria admitindo que realizava pagamentos extrafolha. Contra esse argumento, a recorrente defende que o procedimento técnico seria reconstituir o “Caixa” e tributar o saldo credor, se houver. A recorrente menciona novamente os documentos juntados no anexo D da impugnação, os quais fariam prova dos saques realizados nas instituições financeiras. Sobre este ponto, destaco de início a incerteza na afirmação da DRJ, segundo a qual os valores dos saques “devem ter sido” suficientes para honrar a folha de pagamentos. Esta incerteza não se coaduna com a busca pela certeza da ocorrência do fato gerador. Por isso, elenco os valores dos saques comprovados pela recorrente (fl. 8394 e ss.) e subtraio do valor mantido pela DRJ: OPERAÇÃO (data do saque – mês pagamento) Valor dos saques (fl. 8394 e ss. – mês pagamento) Valor mantido pela DRJ (fls. 9032 e ss. – mês do pagamento) Saldo remanescente 05/03/2007 R$ 23.798,52 R$ 25.945,15 R$ 2.146,63 02/04/2007 R$ 9.569,18 R$ 29.348,93 R$ 19.779,75 07/05/2007 R$ 7.359,02 R$ 24.418,04 R$ 17.059,02 02/06/2007 R$ 25.507,59 06/06/2007 R$ 10.420,44 Total de 06/2007 R$ 35.928,03 R$ 24.304,14 R$ 11.623,89 05/07/2007 R$ 24.700,76 06/07/2007 R$ 10.033,22 Total de 07/2007 R$ 34.733,98 R$ 25.443,70 R$ 9.290,28 03/08/2007 R$ 22.374,10 06/08/2007 R$ 10.735,97 Total de 08/2007 R$ 33.110,07 R$ 24.175,64 R$ 8.934,43 06/09/2007 R$ 10.941,10 R$ 29.446,85 R$ 18.505,75 03/10/2007 R$ 21.089,28 Fl. 9409DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.399 23 04/10/2007 R$ 9.971,91 Total de 10/2007 R$ 31.061,19 R$ 31.483,02 R$ 421,83 05/11/2007 R$ 25.614,82 R$ 25.614,82 07/11/2007 R$ 10.849,03 R$ 10.849,03 Total de 11/2007 R$ 36.463,85 R$ 30.588,48 R$ 5.875,37 04/12/2007 R$ 26.655,60 06/12/2007 R$ 10.161,65 17/12/2007 R$ 25.270,29 31/12/2007 R$ 12.672,91 Total de 12/2007 R$ 74.760,45 R$ 104.167,23 R$ 29.406,78 04/02/2008 R$ 24.711,98 07/02/2008 R$ 13.391,78 Total de 02/2008 R$ 38.103,76 R$ 38.272,94 R$ 169,18 06/03/2008 R$ 14.348,11 R$ 44.771,53 R$ 30.423,42 04/04/2008 R$ 11.650,74 R$ 39.871,51 R$ 28.220,77 30/06/2008 R$ 12.209,26 R$ 34.921,95 R$ 22.712,69 03/12/2008 R$ 27.337,55 31/12/2008 R$ 54.977,65 Total de 12/2008 R$ 82.315,20 R$ 110.049,08 R$ 27.733,88 31/03/2009 R$ 14.513,61 R$ 31.739,06 R$ 17.225,45 31/07/2009 R$ 12.972,41 R$ 38.554,93 R$ 25.582,52 30/09/2009 R$ 9.756,47 R$ 38.094,68 R$ 28.338,21 06/10/2009 R$ 11.929,68 R$ 37.244,25 R$ 25.314,57 05/11/2009 R$ 12.051,50 30/11/2009 R$ 921,74 Total de 11/2009 R$ 12.973,24 R$ 34.545,58 R$ 21.572,34 Total – diferença R$ 242.424,97 A recorrente cabalmente comprovou que estas receitas tiveram origem em suas contas bancárias e estão devidamente contabilizadas. Entendo que também estes valores devem ser exonerados dos que estão sendo consideradas omissões de receita para fins do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 9410DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 24 Se os pagamentos das despesas ocorreram com valores de receitas tributadas, fica elidida a presunção de omissão de receita. É o que prescreve a lei: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; (grifo não original) Evidente que estas quantias representavam numerário em espécie que circulou nas mãos da recorrente e fizeram parte da conta caixa da recorrente. Acolhendo a argumentação do recurso voluntário, vêse que não foi objeto de investigação a conta caixa. A fiscalização não questionou a escrita da recorrente e também não declarou sua imprestabilidade. Mais ainda se vê uma identidade de saques, em grande número, do dia 02 ao dia 06 de cada mês, que são exatamente os dias que (quinta dia últil do mês) antecedem a data do pagamento dos salários. Há que se considerar que a escrita contábil faz prova em favor da recorrente (art. 380, CPC). Logo, devese presumir que esses saques foram tributados. Afasto, portanto, a parcialmente a presunção apresentada, vista a prova em contrário apresentada pelo contribuindo mandoa apenas em relação aos seguintes meses e valores: Fato Gerador Omissão de Receita 03/2007 R$ 2.146,63 04/2007 R$ 19.779,75 05/2007 R$ 17.059,02 09/2007 R$ 18.505,75 10/2007 R$ 421,83 12/2007 R$ 29.406,78 02/2008 R$ 169,18 03/2008 R$ 30.423,42 04/2008 R$ 28.220,77 06/2008 R$ 22.712,69 12/2008 R$ 27.733,88 03/2009 R$ 17.225,45 07/2009 R$ 25.582,52 09/2009 R$ 28.338,21 10/2009 R$ 25.314,57 11/2009 R$ 21.572,34 Total – diferença R$ 314.612,79 8. Da Qualificação da Multa de Ofício Fl. 9411DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.400 25 No que se refere à qualificação da multa de ofício, o AFRFB entendeu que restou configurada a conduta fraudulenta da recorrente, nos termos do art. 72 da Lei n. 4.502/64, que assim dispõe: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Sobre o tema, destaco que a qualificação da multa de ofício tem recebido temperamentos pelo CARF, que editou súmulas específicas, observese: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A recorrente alega que todas as informações que subsidiaram a autuação encontramse documentadas e serviram de base para que os agentes fiscais realizassem a autuação. Vale dizer, foram utilizados tanto a escrituração regularmente mantida quanto os recibos extrafolha apreendidos, daí não seria possível falar em fraude. Entendo que o fato de os pagamento extrafolha estarem documentados não afasta a qualificação da conduta da recorrente como fraudulenta, uma vez que esta jamais demonstrou qualquer intenção de comunicar o Fisco dos pagamentos não contabilizados. Tanto é que a conduta se repetiu por diversos anos. Portanto, não há como acolher que se trata de mera “falta de organização” (fl. 9372). A recorrente realmente incide na causa qualificadora da multa de ofício, o que decorre de sua conduta de não contabilizar os pagamentos de salário, os quais eram mantidos em controle paralelo, sem que houvesse a menor possibilidade de o Fisco deles ter ciência. As súmulas do CARF acima citadas não tem aplicação neste caso, uma vez que a qualificação da multa de ofício não decorre unicamente da constatação de omissão de receitas, mas sim do sistema de pagamentos de salários extrafolha praticado pela recorrente, razão pela qual mantenho a aplicação do art. 44, §1º, da Lei n. 9.430/96. 9. Da Aplicação Concomitante da Multa Isolada e da Multa de Ofício Quanto à impossibilidade de exigir concomitantemente a multa de ofício e isolada, existe neste Conselho e na Câmara Superior entendimentos favoráveis e contra essa hipótese. Filiome aos que entendem pela impossibilidade da exigência concomitante. Fl. 9412DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 26 Como se sabe, a multa isolada de 50% é devida pelos contribuintes que optarem pelo pagamento do IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais (art. 2º, da Lei n. 9.430/96) e incide “sobre o valor do pagamento mensal (...)” em caso de não recolhimento do tributo sobre a estimativa, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa” para a CSLL (art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96). Assim, o antecedente da regramatriz de incidência da multa isolada prevista no art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96 descreve a seguinte conduta: deixar de recolher o tributo sobre a estimativa mensal devida na forma do art. 2º da Lei n. 9.430/96. Tratase, portanto, de norma que aplica uma penalidade ao contribuinte, razão pela qual a atenção aos enunciados prescritos deve ser máxima, para que não se apene uma conduta não prevista na lei. De outro lado, não é possível interpretar a lei positivada de modo a construir normas jurídicas contraditórias entre si ou com o ordenamento jurídico2. Antes de demonstrar a razão de aplicar concomitantemente a multa isolada e de ofício, insta verificar qual o entendimento deste Conselho acerca da natureza jurídica do recolhimento de IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais. Para tanto, valhome de recente súmula editada por este Conselho Administrativo acerca dos recolhimentos por estimativas: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O entendimento sumulado, e, portanto, com força vinculante entre os Conselheiros do CARF (art. 72, §4º, RICARF3), guarda subjacente a noção de que as estimativas são meras antecipações do tributo. Apenas ao final do período de apuração será possível verificar se ocorreu ou não o fato jurídico tributário (fato gerador). O fundamento legal dessa compreensão está expressamente contido na Lei n. 9.430/96, em seus artigos 2º, §3º, 284 e 305 da Lei n. 9.430/96: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de 2 Nesse sentido, Marcos Vinícius Néder quando da relatoria do acórdão 105139794, observese: “Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos.” (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). 3 RICARF. Portaria do Ministério da Fazenda n. 256/2009. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 4 Lei n. 9.430/96. Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) 5 Lei n. 9.430/96. Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Fl. 9413DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.401 27 dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (...) Assim, vêse que os valores recolhidos com base nas estimativas mensais não se tratam propriamente do IRPJ e CSLL efetivamente devidos, mas sim de uma antecipação, sobre bases “estimadas”, ou por meio balanço de suspensão e redução (que determina o quanto possa ser eventualmente devido em cada período6). Do ponto de vista do Fisco, é uma antecipação de receita, uma vez que o fato gerador do IRPJ somente se dá no encerramento do exercício. Nesse sentido afirma também Marco Aurélio Greco, para quem a estimativa “tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação — e que dele não pode se distanciar — que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n. 8.891/95)”7. Logo, as estimativas não têm natureza jurídica de tributo. Este, o tributo, é um fenômeno jurídico que somente se revela em 31 de dezembro, como já esclareceu Marcos Vinícios Neder: Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). 6 Lei n. 8.981/95. Art. 35. Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. (...). 7 GRECO, Marco Aurélio. Multa Agravada em Duplicidade. São Paulo: RDDT, n. 76. Citado por Marcos Vinicius Neder no acórdão 105139794, CARF. Sessão 04/12/2006. Fl. 9414DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 28 E se não são tributos, o que são as estimativas? Entendo que as estimativas se assentam em uma presunção de que o tributo será devido. Ou seja, é uma presunção de que ocorrerá o fato jurídico tributário (fato gerador) em 31 de dezembro. Ocorre que as presunções deixam de existir no encerramento do exercício, quando possível apurar o tributo devido, não sendo possível falar em “antecipações”. Os indícios fornecidos pelas presunções perdem a sua importância quando já se sabe da efetiva ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador). Vale dizer, uma vez que já é possível saber se há ou não lucro na data de 31 de dezembro, é desimportante continuar dando relevância às presunções. Neste contexto, muitos defendem a aplicação do princípio da consunção (absorção) para argumentar que, em casos de aplicação concomitante da multa isolada e de ofício, a conduta meio (não pagamento das estimativas) ficaria absorvida pela conduta fim (não pagamento do tributo verificado em 31 de dezembro). Este entendimento encontra eco neste Conselho, que diversas vezes defendeu a sua aplicação, como afirma Marcos Vinícios Néder, citando Miguel Reale Junior: Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave". (CARF. Acórdão 105 139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). Neste sentido, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que em outras oportunidades foi defendido8: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo 8 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Recurso especial provido. (CSRF. Acórdão 0105.843. Sessão de 15/04/2008). APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF. Acórdão 0105.511, sessão de 18/09/2006). Fl. 9415DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.402 29 critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Ac. 910100.500 da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Leonardo de Andrade Couto, j. 25 de janeiro de 2010). Não discordo que o princípio da consunção tenha aplicação em Direito Tributário, pelo contrário, entendo pela sua plena aplicação nos casos de concomitância de multa isolada e de ofício. Porém, vou mais longe, pois, admitindo a súmula n. 82 do CARF, segundo a qual as estimativas não são devidas após o encerramento exercício, entendo que também não existe fundamento jurídico para que subsista a respectiva penalidade. Explico de forma mais clara. Recordando as observações de Paulo de Barros Carvalho, toda relação jurídica obrigacional envolve um credor (que pode exigir que algo seja feito ou entregue) e um devedor (que deve fazer ou dar algo), razão pela qual seria impróprio falar em obrigação principal ou acessória e, ainda, em obrigação tributária e crédito tributário como faz o CTN9. Desse modo, toda prestação que o contribuinte faz em favor do Fisco é uma obrigação jurídica10. No sistema das estimativas, podem ocorrer doze relações jurídicas obrigacionais: onze relativas às estimativas e uma relativa ao recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Logo, as estimativas e o recolhimento do tributo são todas obrigações jurídicas distintas entre si. Este é justamente o ponto em que se apoiam os que defendem a incidência da multa isolada após o encerramento do ano calendário e, por consequência, quando houver cumulação com a multa de ofício. Alegase que são hipóteses de incidência distintas. 9 Assevera o autor “Em várias passagens do texto da Lei n. 5.172/66 deparamos com a estranha separação entre obrigação e crédito. Posta de lado a influência que o legislador porventura tenha sofrido da velha teoria dualista da obrigação civil, que não vem ao caso debater aqui, a verdade é que não se pode cogitar de obrigação sem crédito ou de crédito sem obrigação. O direito de crédito é a outra maneira de nos referirmos ao direito subjetivo que o sujeito ativo tem para exigir a prestação. A ele se contrapõe o débito, como o dever jurídico atribuído ao sujeito passivo de cumprir o que dele se espera. Um e outro integram o vínculo obrigacional, na condição de elementos indispensáveis. Exista o crédito em estado de incerteza ou de iliquidez, de qualquer forma é uma realidade jurídica ínsita a toda obrigação. Soa mal, portanto, quando declara o legislador, ingenuamente, que a obrigação nasce com a realização do fato gerador, mas o crédito tributário se constitui pelo lançamento. Seria o momento de indagar: que obrigação é essa que desabrocha no mundo jurídico, sem que haja, para o sujeito pretensor, o direito subjetivo de exigir a prestação? E que liame obrigacional será esse, em que o sujeito passivo não está compelido a prestar o objeto? Teria sido melhor se o legislador se ativesse as concepção tão bem elaboradas pela Teoria Geral do Direito, substituindo esse fraseado atécnico que acaba proclamando desaparecer a parte quando se extinguir o todo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. .297 a 298). 10 Sobre a definição de obrigações, Clóvis Bevilácqua, citado por Diniz: “A mais completa dessas definições é a de Clóvis [Beviláqua]: “Obrigação é a relação transitória de direito, que nos constrange a dar, fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável, em proveito de alguém, que, por ato nosso, ou de alguém conosco juridicamente relacionado, ou em virtude de lei, adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão”. (...) (DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32). Fl. 9416DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 30 A premissa, contudo, está parcialmente correta, pois falha por não consignar que, embora as relações jurídicas sejam distintas entre si (e por isso a hipótese de incidência é distinta), a legislação tributária expressamente as vincula, tornandoas interdependentes. É o que se conclui da súmula n. 82, do CARF (supra), que esclareceu que a estimativa é a antecipação do próprio tributo, embora constitua uma relação jurídica autônoma. Notese que a súmula não afirma que “as estimativas não são devidas somente se houver lucro”. Na verdade, as estimativas não são devidas em qualquer hipótese, desde que encerrado o anocalendário. Contrario sensu, as estimativas são devidas durante o anocalendário. No mesmo sentido está a corrente que defende a impossibilidade de cumular as multas de ofício e isolada, para quem as multas incidiriam sobre a mesma base de cálculo11, o que prova que são obrigações correlacionadas, embora sejam relações juridicamente distintas. Logo, encerrado o anocalendário, tem lugar apenas a multa de ofício. Surge, portanto, um marco importante que evidencia a extinção das relações jurídicas decorrentes das estimativas e o surgimento de novas relações jurídicas decorrentes da ocorrência do fato jurídico tributário: 31 de dezembro. Esta é a data em que se extingue toda e qualquer obrigação relativa às estimativas. Recordese que qualquer relação jurídica está fadada ao desaparecimento12, por isso Clóvis Beviláqua afirma que as obrigações são “relações transitórias”13. No mesmo sentido está Venosa, para quem “a obrigação tem caráter de efemeridade”14. Existem diversas formas de extinção das obrigações (v. art. 156, CTN) e prazos para seu cumprimento (v.g. para pagamento, para prescrição e decadência, para cumprimento de um dever instrumental etc.). Respeitando as premissas adotadas, e tendo por certo que as estimativas e o tributo apurado em 31 de dezembro, embora representem relações jurídicas distintas, estão induvidosamente vinculados, devese admitir que a extinção de uma deve guardar coerência com o surgimento da outra. Nessa linha, concluo que em 1º de janeiro do ano seguinte15, independentemente de haver ou não lucro, ou mesmo de o contribuinte ter recolhido ou não o tributo apurado em 31 de dezembro, é impossível exigir a multa isolada sobre a parcela da estimativa não recolhida, tal como não é possível exigir a própria estimativa, pois se extinguem as relações jurídicas decorrentes dos fatos presuntivos (estimativas), surgindo em seu lugar novas relações jurídicas decorrentes do fato presumido (fato jurídico tributário). A superveniência do dia 31 de dezembro torna inexigível a conduta do contribuinte no que tange às estimativas, que deixam de ser devidas. Opera, por consequência lógica, uma espécie de “extinção da punibilidade” em face das multas isoladas. 11 Nesse sentido, a Cons. Susy Gomes Hoffmann: “O não recolhimento antecipado por estimativa é infração que se consubstancia, em última análise, quando da apuração da falta de recolhimento do próprio IRPJ. Se houve falta de recolhimento do IRPJ, concluise, logicamente, que houve falta de recolhimento por estimativa. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumirse nas duas infrações.” (CSRF. Acórdão 9101001358. 1ª Turma. Sessão 16/05/2012). 12 Pouquíssimas relações jurídicas têm capacidade para perpetuaremse. Um exemplo de imprescritibilidade são os crimes do art. 5º, XLII e XLIV, da Constituição Federal, e o dever de ressarcir o erário em ações de ressarcimento (v. REsp 1069779, STJ). 13 DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32. 14 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 179. 15 Quando encerrado o período de apuração. Fl. 9417DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.403 31 Não faz sentido admitir que a conduta do contribuinte deixe de ser obrigatória (recolher estimativas), mas o seu descumprimento ainda constitui um ilícito tributário. Seria como admitir, por exemplo, que a conduta do homicida deixe de ser um injusto penal, mas ele ainda deve cumprir a pena (nulla poena sine crimine). Observese que nem mesmo o lançamento de ofício da estimativa é possível, pois a conduta do contribuinte deixa de estar em desacordo com a legislação tributária. Ao invés de exigir a estimativa, passa a ser devido o IRPJ e CSLL eventualmente apurados. De 31 de dezembro em diante, inexiste o fato “recolher estimativas” ou “deixar de recolher estimativas”. E nem se argumente que o exemplo acima decorre das estruturas principiológicas do Direito Penal, uma vez que a necessidade de existir uma conduta ilícita para que seja imposta uma punição representa um reflexo do princípio da legalidade. É relevante recordar as lições de Luciano Amaro sobre este tema: Apesar da maior gravidade da infração criminal, e, portanto, da sanção penal (geralmente restritiva da liberdade), e não obstante esta geralmente se faça acompanhar de uma “pena acessória” nada desprezível, traduzida na reprovação social, maior do que a decorrente da sanção administrativa, há alguns princípios que são comuns aos dois campos: o princípio da legalidade dos delitos e das penas (nullum crimen, nulla poena sine praevia lege), o princípio in dubio pro reo, a retroatividade benigna, o princípio do devido processo legal. (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 439). Em suma, após 31 de dezembro, extinguese o ilícito tributário (súmula 82, CARF), razão pela qual se torna impossível exigir a sanção dele decorrente. No mínimo, deve se admitir que a base de cálculo da multa isolada (estimativa), por ser inexigível, despareceu do universo jurídico, razão pela qual não é possível calcularlhe o valor. Poderseia criticar o presente entendimento alegando que nenhuma penalidade seria imposta ao contribuinte que deixou de recolher as estimativas, consoante se obrigara perante o Fisco. Tal sensação de impunidade não deve incentivar nenhuma consequência ao contribuinte, pois o lançamento da multa isolada (pena) é possível, desde que ocorra dentro do período de apuração. Ou seja, deve ser respeitado o prazo correto de imposição. E esta penalização, desde que aplicada dentro do prazo correto, reforça a manutenção da multa “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (ressalva da alínea “b”, inc. II, art. 44, da Lei n. 9.430/96.). Advirto que em momento algum nego a aplicação da lei federal. Também não se trata de tentativa de exonerar o contribuinte de uma penalidade possível. Pelo contrário, busco conferir a maior efetividade ao direito posto, extirpando as inconsistências e incoerências. É absolutamente possível que a determinação surta efeito, desde aplicação da multa isolada ocorra antes do encerramento do exercício, período em que ainda existe um ilícito tributário. A interpretação, neste caso, deve ser sistemática e lógica, sob pena de criar contradições internas no sistema jurídico. Fl. 9418DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 32 O próprio CTN autoriza que seja feita interpretação mais favorável ao contribuinte quando da interpretação das normas que aplicam penalidades: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifo não original) No presente caso, interpretase uma norma que “comina penalidade” (art. 44 da Lei n 9.430/96) para verificar tanto a natureza e extensão do fato (inc. II) quanto a graduação da penalidade (inc. IV), com a consequente análise da punibilidade do contribuinte (inc. III), como autoriza, inclusive, o Superior Tribunal de Justiça e este Conselho: (...) 2. A legislação tributária deve ser interpretada da forma mais favorável ao acusado quando houver dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável ou a sua graduação (art. 112 do CTN). 3. Recurso especial improvido. (STJ. REsp 908.394/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/03/2007, DJ 10/04/2007, p. 211) (...) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADUAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a graduação da penalidade aplicável. (...) (CARF. Acórdão 2302001.447. Cons. Arlindo da Costa e Silva. Sessão 30/11/2011). Sobre o tema, calha reproduzir as palavras de Paulo de Barros Carvalho, quando, ao estudar o art. 112 do CTN, adverte que a dúvida acerca do ajustamento da conduta ao fato tipificado pode implicar ofensa ao princípio da legalidade: Não poderia ser de outra maneira. Vigendo no direito tributário o princípio da estrita legalidade, que traz consigo a necessidade de uma tipificação rigorosa, qualquer dúvida sobre o perfeito quadramento do fato à norma compromete aquele postulado básico que se aplica com a mesma força no campo do direito penal in dubio pro reo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 109). Portanto, a aplicação de multa isolada após o encerramento do ano calendário, por falta de recolhimento mensal sobre estimativas, importa aplicação de penalidade com base em uma obrigação que não existe no universo jurídico, o que fica evidenciado nos casos de concomitância com a multa de ofício, razão pela qual dou provimento ao recurso voluntário para afastar a multa isolada do art. 44, inc. II, alínea “b”, da Lei n. 9.430/96. Fl. 9419DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.404 33 10. Da Conclusão Ante ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento parcial a recurso voluntário para afastar a IRPJ e CSLL, bem como a aplicação da multa isolada, nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. Inicialmente, friso que este Colegiado tem firmado diferentes posições sobre o tema, se não vejamos: a) há quem sustente que não se aplica a multa isolada após o encerramento do anocalendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração; b) há quem sustente que só se aplica a multa isolada sobre o valor que o montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do ano; c) há quem sustente que, até a entrada em vigor da redação dada pela Lei 11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e que os valores calculados sobre a base estimada são meras antecipações, logo não se confundem com tais tributos; d) há quem sustente que a multa isolada não é devida juntamente com a multa de ofício por ser aplicável o instuto do Direito Penal da “consunção”. Tratase assim de questão de amplo conhecimento deste Colegiado, razão pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no qual enfrentei cada uma dessas posições. Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do Fl. 9420DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 34 anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1o . Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Fl. 9421DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.405 35 Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofíco, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete Fl. 9422DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 36 questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2o e 44, § 1o , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado ano calendário, decidir se obedece ou não o art. 2o e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicioamentos, qualquer consequência jurídica. Alfim, ressalto que a autoridade lançadora, em observância ao disposto no art. 106, II, c, do CTN, já aplicou a multa no percentual de 50%, conforme previsto no art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de manter a multa isolada por falta de recolhimento dos tributos sobre as bases estimadas mensais. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Redator designado. Fl. 9423DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11030.722153/201131 Acórdão n.º 1302001.161 S1C3T2 Fl. 9.406 37 Fl. 9424DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, A ssinado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 10580.009747/2007-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
No presente caso, o fato gerador da obrigação acessória ocorreu entre as competências 01/1999 a 12/1999, a autuação foi cientificada em 28.09.2007, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, face à aplicação da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador da obrigação acessória ocorreu entre as competências 01/1999 a 12/1999, a autuação foi cientificada em 28.09.2007, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido.
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador da obrigação acessória ocorreu entre as competências 01/1999 a 12/1999, a autuação foi cientificada em 28.09.2007, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 97 47 /2 00 7- 88 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, face à aplicação da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.009747/200788 Acórdão n.º 2403002.014 S2C4T3 Fl. 288 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1514.634 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.054.8825, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 1.195,13. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.886.485 2, Código de Fundamentação Legal – CFL 30 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois a empresa deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pela Administração Tributária, no período de 01/1999 a 12/1999. Conforme o Relatório Fiscal, a Recorrente: 2 Ao preparar a folha de pagamento das remunerações pagas aos segurados, a seu serviço, no período de 01/1999 a 12/1999, a empresa deixou de incluir, as parcelas pagas referentes a di6rias e alimentação, bem como os contribuintes individuais (pagamentos efetuados a titulo de serviços prestados),Voriginados de lançamentos contábeis, conforme documentos exemplificativos e planilha em anexo Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. A Recorrente teve ciência do AIOA em 28.09.2007. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal é de 01/1999 a 12/1999. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Extinção do crédito tributário pela decadência. Aduz a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que, sendo uma lei ordinária, não poderia tratar de Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 assunto de competência de lei complementar, por se tratar de violação ao art. 146, III, "h" da Constituição Federal (CF), de 1988. Após o advento da Constituição Federal de 1988 não resta mais dúvida quanto à natureza das contribuições para a Seguridade Social, sendo estas, tributos. Por este motivo, deve ser aplicado As mesmas o inciso I do art. 173 e o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, as contribuições previdenciárias devem sujeitarse à decadência qüinqüenal. Colaciona diversos entendimentos de juristas e decisões do STF e do STJ, corroborando com a sua argumentação. (ii) Improcedência da multa imposta no AI. Diante do fato de os créditos constituídos estarem integralmente atingidos pela decadência, no momento do lançamento, fica demonstrada a total improcedência do AI impugnado. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1528.098 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ELABORAÇÃO DE FOLHASDE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS PREVISTOS EM LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração deixar de elaborar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, nos termos do art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso I, § 9°, do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. MULTA. 0 valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no art. 92 e 102 da Lei n.° 8.212, de 1991, combinado com o art. 283, inciso I, "a" e art. 373 do RPS. DECADÊNCIA. 0 direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos somente extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Art. 45 da Lei n°8.212, de 1991. Os documentos contábeis da empresa devem ficar arquivados nela durante dez anos à disposição da fiscalização, conforme art. 32, §11, da Lei 8.212/91 e art. 60, III, §11, da Instrução Normativa (IN) MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005. RELEVAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.009747/200788 Acórdão n.º 2403002.014 S2C4T3 Fl. 289 5 Não satisfeitos os requisitos do art. 291 do Decreto n° 3.048, de 1999, não caberá a relevação da multa. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação: (i) Da decadência Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 283 DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da decadência. Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.009747/200788 Acórdão n.º 2403002.014 S2C4T3 Fl. 290 7 § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.009747/200788 Acórdão n.º 2403002.014 S2C4T3 Fl. 291 9 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA pela Recorrente se deu em 28.09.2007, conforme fls. 01, e o período objeto da autuação se refere 01/1999 a 12/1999, segundo o Relatório Fiscal. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 37216.000671/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL
Em obediência ao Princípio da Verdade Material, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento identificando corretamente o sujeito passivo, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e a matéria a matéria tributável.
NULIDADE. VÍCIO FORMAL.
Inquinado de vício formal, o processo deve ser declarado nulo.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para , em preliminar determinar a nulidade por vício formal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarou-se impedido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL Em obediência ao Princípio da Verdade Material, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento identificando corretamente o sujeito passivo, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e a matéria a matéria tributável. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Inquinado de vício formal, o processo deve ser declarado nulo. Processo Anulado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37216.000671/200659 Recurso nº 148.392 Voluntário Acórdão nº 2403002.126 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL Em obediência ao Princípio da Verdade Material, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento identificando corretamente o sujeito passivo, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e a matéria a matéria tributável. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Inquinado de vício formal, o processo deve ser declarado nulo. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para , em preliminar determinar a nulidade por vício formal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarouse impedido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 06 71 /2 00 6- 59 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e com grifos de minha autoria o transcrevo: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.804.5053, consolidado em 02/06/2005), no valor de R$ 367.234,86, acrescidos de juros e multa, referente às competências 01/1999 a 04/1999, 08/1999, 10/1999 a 12/1999, 02/2000 a 08/2000, 10/2000 e 11/2000, 01/2001 a 12/2002, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 29/33) e planilhas anexas (fls. 34/52), referese às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre pagamentos feitos a contribuintes individuais, apurados através do confronto entre os valores recolhidos apresentados pela empresa e os valores lançados na contabilidade. DA IMPUGNAÇÃO 2. A empresa, inconformada com o lançamento, do qual foi cientificada pessoalmente em 07/07/2005, apresentou impugnação, tempestivamente, protocolada sob nº 37216.003637/200555 em 22/07/2005 (fls. 65/95), alegando em síntese: 2.1. A tempestividade da impugnação; 2.2. Que seja julgado nulo o lançamento tributário, tendo em vista irregularidade do mandado de procedimento fiscal; 2.3. A decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de janeiro de 1999 a junho de 2000; 2.4. Que a perícia se faz indispensável à elucidação da matéria uma vez que foram demonstradas diversas inconsistências que norteiam a presente NFLD; 2.5. Que seja julgado improcedente o lançamento tributário, tendo em vista a completa insubsistência da notificação fiscal, pelo fato de que foi comprovado, por amostragem, que houve o devido recolhimento pela impugnante da contribuição previdenciária exigida e a cobrança em duplicidade de determinados valores lançados pela fiscalização. DA DILIGÊNCIA 3. Em face das razões e da documentação apresentada pela impugnante, foi determinada a realização de diligência fiscal, a fim de se apurar a necessidade de se alterar o lançamento (fls. 199). Em resposta, às fls. 225/226, a auditorafiscal, após análise de toda a documentação juntada pela impugnante, conclui pela necessidade de retificação da presente NFLD. Entretanto, foi constatada a necessidade de emissão da NFLD Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000671/200659 Acórdão n.º 2403002.126 S2C4T3 Fl. 3 3 Complementar nº 35.699.9793 (fls. 229/248), para cobrança da competência 01/2000, não considerada na apuração da presente. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO, DO RECURSO E DO ACÓRDÃO DO CRPS 4. Às fls. 257/264, consta a DecisãoNotificação nº 17.401.4/0669/2005, de 29/11/2005, que considerou o lançamento procedente em parte, com base no resultado da diligência. 5. Às fls. 294/313, a interessada interpôs recurso voluntário tempestivo direcionado ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. 6. Em face das razões e da documentação apresentada pela impugnante, foi determinada a realização de nova diligência fiscal, a fim de se apurar a necessidade de se alterar o lançamento (fls. 397). Em resposta, às fls. 401, a auditorafiscal, após análise da documentação juntada pela impugnante conclui pela necessidade de exclusão do valor de R$ 34,47, da competência 01/2001. Nas contrarazões às fls. 404/407, foi sugerido ao CRPS o reconhecimento de ofício da necessidade desta retificação. 7. Em 03/12/2008, a Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que absorveu a competência do CRPS, em matéria de custeio, nos termos da Lei nº 11.457/2007, exara o acórdão nº 2401 00.148, de 06/05/2009 (fls. 442/448), no sentido de anular a DecisãoNotificação, por violação ao contraditório, determinando o reinício do contencioso administrativo para ciência do Resultado de Diligência anterior à decisão de primeira instância. DA NOVA IMPUGNAÇÃO 8. Devidamente cientificada do Acórdão proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e das Diligências de 16/09/2005 e 11/04/2006, consoante Intimação e AR de fls. 455/456, a interessada, interpõe, tempestivamente nova impugnação, às fls. 457/462, juntando os documentos de fls. 489/502, reiterando os argumentos da impugnação originária e alegando ainda: 8.1. Que a exigência contida no item 9.1 da Ordem de Serviço nº 151/96 é desprovida de fundamentação legal, na medida em que o único requisito legalmente estabelecido para a fruição da modalidade alternativa de recolhimento é que o trabalhador autônomo esteja recolhendo as contribuições por ele devidas; 8.2. Que tal fato pode muito bem ser verificado pelo INSS em seus registros, independentemente do cumprimento, pela empresa, das regras do item 9.1 da Ordem de Serviço nº 151/96; Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 8.3. Que o descumprimento de tais regras deveria gerar, quando muito, multa por descumprimento de obrigação acessória, mas jamais a negação do direito de fruição do regime alternativo; 8.4. Que outros recolhimentos realizados pela Requerente, além dos considerados na retificação do lançamento, deixaram de ser verificados pela fiscalização, resultando na indevida exigência, em diversas competências, de crédito tributário sobre a totalidade dos pagamentos efetuados pela Requerente a determinados contribuintes individuais, conforme planilhas (fls. 461/462); 8.5. A confirmação de tais inconsistências demonstra que o crédito tributário lançado, de fato, não atende aos requisitos de liquidez e certeza para sua cobrança, razão pela qual a Requerente reitera os argumentos apresentados em sua impugnação que suportam a improcedência do lançamento; 8.6. Que reitera a alegação contida na impugnação apresentada, de que os débitos relativos às competências de fevereiro de 1999 a junho de 2000 já se encontravam extintos pela decadência quando da realização do lançamento, com base no art. 150, § 4º, do CTN, aplicável aos débitos previdenciários, conforme Súmula Vinculante nº 08, do STF. 9. É o relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.510, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJO I, em 15 de fevereiro de 2012, exarou o Acórdão n° 1243.945 –15 , concedendo provimento parcial à impugnação excluindose o período decadente (até 06/2000) reduzindose o crédito tributário para valor de R$ 185.472,53. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.523, reiterando alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000671/200659 Acórdão n.º 2403002.126 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAIS DE NULIDADE DO LANÇAMENTO NO CNPJ DA FILIAL De plano, é necessário destacar que em 19 de janeiro de 2005, na forma do registro de fls. 104, procederamse a 15ª ALTERAÇÃO BC CONTRATO SOCIAL para o CNPJ n°. 02.773.629/000108. Na cláusula segunda, do referido documento aduz que a empresa estabelecida no município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo teria este como seu foro: “ CLÁUSULA SEGUNDA A sociedade tem sede na Av. Doutor Olívio Lira, 353, salas 1201 a 1216/1301 a 1316, Praia da Costa, município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, CEP 29.101950,que é seu foro.” O Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, fls. 87 foi emitido em 07/07/2005. A sede da empresa seria alterada do Município de Vila Velha no Espírito SantoES somente em , 06 /12/ 2007 na forma do que registra a 23ª Alteração Contratual : “ INSTRUMENTO PARTICULAR DA 23ª ALTERAÇÃO .DO CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE LIMITADA DENOMINADA "XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA., com sede social na Av. Doutor Olívio Lira, 353, sala 1608, Praia da Costa, Município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 02.773.629/000108, com seus atos constitutivos e última alteração do contrato social devidamente arquivada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo – JUCEES protocolo n.° 07/0982430 em 12 de novembro de 2007, resolvem, de comum acordo, deliberar às 17 horas desta data, o quanto segue: PRIMEIRO Aprovar por unanimidade a alteração de endereço da sede da sociedade, atualmente situada à Avenida Doutor Olívio Lira, 353. sala 1608, Praia da Costa, Vila Velha/ES, CEP: 29101950, Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 para Avenida Rodrigues Alves, 261/275, Cais do Porto, Rio de Janeiro/RJ, CEP: 20220360, permanecendo a sociedade com o mesmo CNPJ sob o n° 02.773.629/000108 e o mesmo objeto social (...) CONTRATO SOCIAL DA XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA TITULO I Da Denominação, Sede, Prazo de duração e objeto social CLÁUSULA PRIMEIRA A sociedade, que ó empresaria, girará sob a denominação XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. CLÁUSULA SEGUNDA A sociedade tem sede na Avenida Rodrigues Alvos, 261/275, Cais do Porto, município do Rio de Janeiro , Estado do Rio de Janeiro, CEP 20220360, que é seu foro (..) Vila Velha, 06 de dezembro de 2007.” Muito embora tal registro, a ação e autuação fiscal, sem justificativas no Relatório Fiscal, elegeu o CNPJ 02.773.629/003387 da então filial aberta em 01/02/2002, com endereço à AV.Rodrigues Alves 261/ 275 Parte Cais do Porto – RJ. Assim a justificativa para que o lançamento tenha sido feito no CNPJ da filial precisaria ficar esclarecida. DOS FATOS GERADORES ANTERIORES A ABERTURA DA FILIAL AUTUADA. Pesquisa no sitio da Receita federal do Brasil, revela que a abertura desta filial 02.773.629/003387 ocorreu em 01/02/2002. Considerando que o período da constituição do crédito ocorreu nas competências 01/02/1999 a 31/12/2002, temse como nula por impossível a imputação de créditos constituídos para fatos anteriores a abertura da filial. Neste sentido não se faz legítimo seu assento no pólo passivo da autuação em razão de eventuais contratos anteriores a sua existência. DA BAIXA DA FILIAL AUTUADA Muito embora os créditos discutidos tenham sido lançados em 07/07/2005 consta, também, no sítio pesquisado que a filial em comento fora BAIXADA do Cadastro da Receita Federal em 14/08/2008 extinta por liquidação voluntária. Assim, as eventuais pendências fiscais seriam de ser exigidas do respectivo estabelecimento matriz. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000671/200659 Acórdão n.º 2403002.126 S2C4T3 Fl. 5 7 REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 02.773.629/003387 FILIAL COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 01/02/2002 NOME EMPRESARIAL XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 14/08/2008 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR Na forma do art. 745 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 vigente à época da ação fiscal, “ o estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à AuditoriaFiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22.” Reiterese que a competência atribuída à SRP para fazer de ofício a alteração, estabelece cumprir o disposto no § 2º do art. 22, verbis: “ Art. 22. As alterações cadastrais serão efetuadas em qualquer UARP ou pela Internet, conforme o caso, exceto as abaixo relacionadas, que serão efetuadas na UARP da circunscrição do estabelecimento centralizador: Fl. 586DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 I de início de atividade; II de responsáveis; III de definição de novo estabelecimento centralizador; IV de mudança de endereço para outra circunscrição. § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, das alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente, considerandose quanto aos efeitos de vigência das alterações, o disposto no §1º do art. 21. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Redação original: § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente. § 2º Para alteração do estabelecimento centralizador, prevista no inciso III do caput, deverá o sujeito passivo apresentar requerimento específico de alteração de estabelecimento centralizador contendo as justificativas e a indicação do número do novo CNPJ ou CEI centralizador. § 3º Para efeito do disposto no inciso III do caput, a SRP recusará o estabelecimento eleito como centralizador quando constatar a impossibilidade ou a dificuldade de realizar o procedimento fiscal neste estabelecimento. § 4º Quando a empresa solicitar alteração de estabelecimento centralizador, deverá ser cientificada da aceitação ou da recusa de sua solicitação, pela Delegacia da Receita Previdenciária DRP, no prazo de trinta dias, contados da data em que tenha protocolizado o requerimento.” Isto posto, é relevante ressaltar que não consta colacionado nos autos documentação que demonstre formalizada a eleição do estabelecimento autuado como centralizador. DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO Na exegese do art. 127 do Código Tributário Nacional é lícito concluir que se exige formal eleição do domicílio tributário pelo contribuinte e que , na falta, determinase o comando do inciso II do mesmo artigo determina que se eleja o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; : “ Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera se como tal: Fl. 587DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000671/200659 Acórdão n.º 2403002.126 S2C4T3 Fl. 6 9 I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Realçando a necessidade de eleição formal do estabelecimento centralizador, vigendo por ocasião da autuação a Instrução Normativa MPS/S|RP nº 3, de 14 de julho de 2005 , os arts. 741, 743 e 744, instruíam efetivamente : “ Art. 741. Domicílio tributário é aquele eleito pelo sujeito passivo ou, na falta de eleição, aplicase o disposto no art. 127 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). (...) Art. 743. Estabelecimento centralizador, em regra, é o local onde a empresa mantém a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, sendo geralmente a sua sede administrativa, ou a matriz, ou o seu estabelecimento principal, assim definido em ato constitutivo. Art. 744. A empresa poderá eleger como centralizador quaisquer de seus estabelecimentos, devendo, para isso, protocolizar requerimento na SRP, observado o disposto no art. 22. Art. 745. O estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à AuditoriaFiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22. § 1º A escolha ou a alteração do estabelecimento centralizador levará em conta, alternativamente, o estabelecimento empresarial que: I possuir o maior número de segurados; II concentrar o funcionamento contábil e de pessoal; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 III apresentar o maior valor de contribuição para a Previdência Social. § 2º Se o estabelecimento definido como novo centralizador estiver circunscrito a outra DRP, será providenciada, pelo Serviço/Seção de Fiscalização da DRP, a transferência dos documentos e dos registros informatizados da empresa para a DRP circunscricionante do novo estabelecimento centralizador que, no prazo de trinta dias, comunicará à empresa esta mudança. ” Não formalizar a exigência apontada, produz severas implicações. A Jurisprudência deste Conselho registra que por não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, o contribuinte não se legitimou para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição, verbis: “ Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20400448 do Processo 109800072930023 10/08/2005 NORMAS PROCESSUAIS CONTRIBUIÇÃO AO PIS SEMESTRALIDADE PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único da LC n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito creditório pertinente a indébitos só é possível quando houver prova dos recolhimentos indevidos ou efetuados a mais que o devido. O ônus dessa comprovação incumbe ao demandante. LEGITIMIDADE PARA REPETIR. INEXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. A contribuinte, ao não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, não se legitima para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição. PIS. BASE DE CÁLCULO. Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nº.s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº. 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso provido em parte.” Por ocasião da baixa da filial, vigiam os termos capitulados no inciso I do § 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB, n° 748, de 28 de junho de 2007, verbis: Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000671/200659 Acórdão n.º 2403002.126 S2C4T3 Fl. 7 11 “ Art. 28. A baixa de inscrição no CNPJ, de matriz ou de filial, deverá ser solicitada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente à ocorrência dos seguintes eventos de extinção: I encerramento da liquidação, judicial ou extrajudicial, ou conclusão do processo de falência; II incorporação; III fusão; IV cisão total; V elevação de filial à condição de matriz, inclusive: a) transformação em matriz de órgãos regionais de Serviço Social Autônomo; e b) transformação em matriz de unidades regionais ou locais de órgãos públicos; VI transformação de órgãos locais de Serviço Social Autônomo em filial de órgão regional; e VII transformação de filial de um órgão em filial de outro órgão. § 1º O pedido de baixa de entidade deverá observar o disposto no art. 8º. § 2º Para efeito de baixa de inscrição no CNPJ de filial, a verificação restringirseá à análise formal do ato registrado e as pendências fiscais serão exigidas do respectivo estabelecimento matriz. § 3º Será indeferido o pedido de baixa de inscrição no CNPJ de entidade para a qual constarem as seguintes situações: I débito tributário em aberto, parcelado ou com exigibilidade suspensa; No inciso I, supra, a exigibilidade suspensa, como no caso em comento, apesar do registro do § 2º do citado artigo, era motivo de indeferimento. Cumpre ressaltar que tradicionalmente, anterior a unificação das receitas, a baixa de empresa junto ao INSS sempre fora precedida do pedido de Certidão Negativa de Débito. Na época não se concedia a baixa de filial em relação à qual constasse pendência quanto à obrigação tributária principal ou acessória. DA EVENTUAL ESTRATÉGIA PROCESSUAL Há questão pode não estar sendo trazida à colação pela Recorrente motivada por eventual estratégia processual que posterior ao trânsito em julgado nas instâncias administrativas sem que lhe tenha sido atribuído êxito, se argüida em juízo é grande Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 a possibilidade dos argumentos prosperarem tendo em vista que confirmandose a ocorrência de ato nulo este não terá convalescido. Desse modo, cumpre ilidir prováveis ônus de sucumbência em instância judiciária. DA NULIDADE DO MPF. A matéria já fora enfrentada em sede de impugnação com arrazoado o qual tem minha anuência. Entretanto, referindome sobre outros aspectos dos MPFs, providenciei a planilha abaixo para elucidar questões relevantes na emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF. PROCESSO CNPJ MPF CIÊNCIA FLS EMISSÃO 1 37216.000668/20063502.773.629/0033870919438513/10/2004 61 08/10/04 2 37216.000672/20060102.773.629/0033870919438513/10/2004 80 08/10/04 3 37216.000677/20062602.773.629/0033870919438513/10/2004 55 08/10/04 4 37216.000705/20061302.773.629/0033870919438513/10/2004 70 08/10/04 5 35301.006194/20056002.773.629/0033870919438513/10/2004 256 08/10/04 635301.007038/20060502.773.629/00338709194385 13/10/2004 80 04/10/04 737216.000671/20065902.773.629/00338709194385 13/10/2004 50 04/10/04 837216.000674/20069202.773.629/00338709194385 13/10/2004 110 04/10/04 Ressaltese que os processos numerados de 1 a 8 tiveram o período ago/98 a out. 2004 para proceder a ação fiscal.Todos foram 5 vezes prorrogados. É relevante notar que muito embora todos tivessem o mesmo número de identificação de – 09194385 – não foram emitidos nas mesmas datas. Registramse coincidentes os de número 1 a 5, em 08/10/04 e os numerados de 6 a 8, em 04/10/04. A AUSÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL – TIAF. Muito embora tenha sido emitido o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), este, tendo sido já iniciada a ação fiscal, na forma do art. 609 da multicitada da IN 100 teve por finalidade formalizar a intimação do sujeito passivo a apresentar os documentos necessários para o procedimento fiscal,verbis: “Art. 609. O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal.” ( grifos de minha autoria) O Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi assinado pelo contribuinte em 13/10/2004 e a notificação do lançamento ocorreu em 07/07/2005. Na forma do comando do § 2º do art. 591 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, a ciência do TIAF além de dar início ao procedimento fiscal, implicava formal perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no §3º do art. 645. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007, verbis: Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000671/200659 Acórdão n.º 2403002.126 S2C4T3 Fl. 8 13 “ Art. 591. O TIAF emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, tem por finalidades cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimálo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) § 1º Será dada ciência do TIAF ao sujeito passivo na forma prevista no art. 588. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) § 2º A ciência do TIAF dá início ao procedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no §3º do art. 645. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) § 7º Após a ciência do TIAF, a SRP não emitirá parecer em relação a consulta referente às obrigações previdenciárias objeto de verificação no procedimento fiscal. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Parágrafo único. Para o fim previsto no caput, considera se documento aquele definido no inciso IV do parágrafo único do art. 606.”( grifos de minha autoria) Desse modo, restando preterida formalidade obrigatória, o lançamento restou maculado por vício formal. No item 2 do Relatório Fiscal às fls.68, a Autoridade autuante registrou que : “ 2 . Para calculo do débito foi apurado o valor das Notas Fiscais/Faturas e Recibos de Serviços(Vide planilha demonstrativa anexa) registradas na escrituração contábil da empresa ou com as Notas fiscais apresentadas e aplicado o percentual de 11% conforme determina o artigo 31 da Lei 8212/91 e não foi constatado a ocorrência de crime de apropriação indébita, pois as notas apresentadas onde houve destaque foi também apresentada a respectiva guia. Está sendo lavrado o Auto de Infração n° 35.699.979 3, pela não apresentação de todas as Notas Fiscais/Faturas/Recibos. 3 . Elementos Examinados: 3.1. Os fatos geradores foram identificados a partir da análise dos seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte à fiscalização: Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 3.1.1 Contratos de Prestação de Serviço e Livros Diários 08 a 640 relativos a Fevereiro de 1999 a Dezembro de 2002.”( grifos de minha autoria) Cumpre ressaltar que as sobreditas planilhas a que se refere a Autoridade Autuante constam anexadas às fls. 71/79. São autoreferidas como papéis de trabalho cujas colunas registram os números das NFs, datas, valores escriturados, o histórico contábil e o cálculo efetuado do destaque efetuado pela Auditora Fiscal, observando que estas não foram apresentadas na ação fiscal. DA INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS. O encerramento da ação fiscal ocorreu na forma do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, fls. 87 em 07/07/2005. No decorrer da ação, no único Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, fls. 86, não reiterado, emitido em 26/10/2004 consta que foram solicitadas todas as notas fiscais de serviço das inúmeras empresas que prestaram serviços a recorrente ao longo período de agosto de 1998 a Dezembro de 2004, para o qual estaria sendo desenvolvida a ação : “ALVARÁS DE LICENÇA E HABITESE PARA CONSTRUÇÃO COMUNICAÇÕES DE ACIDENTE DO TRABALHO COMPROVANTES DE RECOLHIMENTO: GR/DARP/GRPS/GPS CONTRATO SOCIAL/DECLARAÇÃO/ALTERAÇÕES CONTRATUAIS CONTRATOS DE EMPREITADA E SUBEMPREITADA CONTRATOS DE SERV. DE CESSÃO DE MÃODEOBRA E TEMPORÁRIOS FFAATTUURRAASS EE RREECCIIBBOOSS DDEE MMÃÃOODDEEOOBBRRAA GFIP, GRFP, GRFC E EVENTUAIS RETIFICAÇÕES LAUDO TÉCNICO, PERFIL PROFISSIOGRÁFICO, PPRA E PCMSO LIVRO DIÁRIO/PLANO DE CONTAS NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS” DO TERMO DE NECERRAMENTO DE AUDITORIA FISCAL – TEAF. Por relevante, cumpre ressaltar que no referido Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF parte final – às fls. 87 , a Autoridade autuante , no campo reservado à “ Descrição do Procedimento Fiscal ”, revela que este fora parcial e que somente analisara Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000671/200659 Acórdão n.º 2403002.126 S2C4T3 Fl. 9 15 comprovantes de recolhimentos e outros elementos. Efetiva e claramente não faz referências a livros contábeis. O destaque é de realce na medida em que no Relatório Fiscal, fls. 63, de forma sumária e genérica apenas no item 3.1.1, se fez uma única vez alusão aos Livros Diários 08 a 640 relativos a Fevereiro de 1999 a Dezembro de 2002: “ 3 . Elementos Examinados: 3.1. Os fatos geradores foram identificados a partir da análise dos seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte à fiscalização: 3.1.1 Contratos de Prestação de Serviço e Livros Diários 08 a 640 relativos a Fevereiro de 1999 a Dezembro de 2002.” Aduz que , muito embora tenha sido informado o nome das contas, não se registram os respectivos números e demais efetivas informações sobre de quais livros foram retirados os lançamentos contábeis que suportaram valores tomados como base de cálculo que constituíram os créditos tributário. DAS PROVAS E DA VERDADE MATERIAL Também há que se dar destaque que apesar de a Auditora ter informado os objetos dos contratos, esta não colacionou cópias dos mesmos , assim não há como se verificar a integridade das transcrições, as datas dos pactos, se anteriores, posteriores ou contemporâneos aos fatos geradores, quais eram os pactuantes, se a matriz, a filial autuada ou outra filial qualquer, enfim quem contratou quem, quando, para qual período e de que forma efetivamente os serviços foram prestados. Enfim em atenção ao comando do art. 142 do CTN e , ainda em obediência ao Princípio da verdade Material tais procedimentos deveriam ter sido observados: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante de tudo que foi exposto, cumpre determinar a nulidade do lançamento. CONCLUSÃO Conheço do recurso para, EM PRELIMINAR, determinar a NULIDADE do processo em razão de maculado por VICIO FORMAL. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903589/2009-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 16086.79347.270106.1.3.044140, fls. 35/39, em que utilizou como crédito pagamentos supostamente a maior de Cofins, no valor de R$ 35.310,05. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 35 89 /2 00 9- 19 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Despacho Decisório eletrônico, de 9 de abril de 2009, da DRF/Guarulhos, fl. 34, não homologou a DComp por não ter sido localizado o DARF indicado. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3/5, a Contribuinte argüiu, sucintamente, que do pagamento relativo ao DARF de R$ 55.508,25, do período de apuração julho de 2002, detectara pagamento a maior na importância utilizada na compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, fl. 46/49, considerou que a pretensão da Interessada de infirmar informações por ela própria prestadas devia estar calcada em provas documentais robustas, e ausente nos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente A legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Cientificada da decisão em 13 de fevereiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 59/77, em 19 de março de 2012, em que inaugura dois novos argumentos, segundo os quais a origem do seu crédito teria sido: a) o alargamento indevido da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento e consequente declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do disposto no § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98); b) exclusão da base de cálculo do(a) PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, amparada pelo art. 4o, LC 70/91; art. 6o, Lei 9.715/98; art. 4o e parágrafo único, Lei 9.718/98; e c) exclusão da incidência do(a) PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas, para ao final requerer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903589/200919 Acórdão n.º 3803004.447 S3TE03 Fl. 103 3 Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é intempestivo, dele não se podendo conhecer. É o voto. Sala das sessões, 21 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15983.000287/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - RUBRICA ESPECÍFICA. ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. Não se configura a infração consistente em deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados, quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava.
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. Não se configura a infração consistente em deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados, quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 02 87 /2 01 0- 17 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 30, inciso I alínea “a” e no art. 4º da Lei 10.666/03. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 05/06, a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. Inconformada com a Decisão de fls. 216/225v, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em síntese: Que a multa aplicada a pessoa jurídica de direito público não tem respaldo na legislação pátria, visto que a falta de pagamento do tributo, por si só, não representa infração suficiente à imposição de penalidade; Que o Levantamento FT, na verdade tratase de uma Bolsa que consiste na execução de cursos de qualificação profissional definidos e realizados de acordo com a demanda do mercado local, cujas atividades práticas serão distribuídas no campo da área de treinamento, não se vislumbrando os elementos necessários para se cogitar a incidência de contribuição previdenciária sobre o montante despendido em .virtude dos integrantes da chamada "Frente.de Trabalho". Argumenta que a execução de cursos de qualificação profissional não revela a existência da subordinação mencionada na decisão de primeira instância e as condições que a fiscalização entendeu serem geradoras de obrigações previdenciárias, não passam, simplesmente, de instrumento de organização administrativa para que os interessados possam participar das atividades descritas no referido programa. Defende que em atenção ao princípio da legalidade, também seria impossível efetuar os .recolhimentos das contribuições sociais apontadas no auto de infração “AO ARREPIO DA LEI MUNICIPAL INSTITUIDORA DO PROGRAMA.” Afirma serem inexistentes, pois, os requisitos insertos nos artigos 2º e 3° da CLT, haja visto que a administração pública não admitiu, assalariou ou dirigiu a prestação de serviços por. parte dos integrantes do : programa em .tela, mas tão somente a eles concedeu unia bolsa auxílio, .na. forma da lei municipal mencionada. Dos levantamentos AF – Alimentação Frentes de Trabalho e AE – Alimentação Empregados. Argumenta que, em sendo indevida a obrigação principal, cai por terra a obrigação acessória, em decorrência dos mesmos argumentos. Que muito embora a lei federal seja a única que possa dispor sobre o campo de incidência da referida contribuição previdenciária, o fato é que a pessoa política atua com base no princípio da legalidade, agindo através da Lei Complementar Municipal nº 504/2004, que revela publicamente o caráter alimentar deste auxílio alimentação. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 15983.000287/201017 Acórdão n.º 2401002.531 S2C4T1 Fl. 247 3 Reitera que não se trata de remuneração de cunho salarial, mas eminentemente indenizatório, conforme dispõe o art. 1º da LCM 504/2004. Que o pagamento de auxilio alimentação para o ressarcimento das despesa que o interessado despendeu em razão da participação no PROGRAMA, não configura fato gerador, de contribuição previdência. Alega que a norma constitucional é . expressa no sentido de que a contribuição previdenciária somente incide sobre salários e rendimentos do trabalho, no que obviamente não se inclui o auxilio monetário para ressarcimento de despesas com alimentação, concedido aos integrantes do programa de requalificação profissional. Do levantamento CI – Contribuintes Individuais Salienta que os fatos objeto de tributação não foram adequadamente apurados, pela fiscalização tributária, motivo pelo qual não há como se manter os termos da r. decisão guerreada, posto que não se vislumbra a sujeição do MUNIC1PIO. diante da relação jurídico tributaria apurada no caso em tela. Que não se vislumbra pagamento ou crédito realizado a favor de qualquer pessoa física que tenha prestado o serviço apontado pela .d. fiscalização„ mas sim ‘a satisfação de preço estabelecido, em função da cessão, ou seja, transferência de pessoal para .a realização de serviço contratado pelo ente municipal. A mera análise de livros e documentos não revela a existência de remuneração .paga por:empregador (ou pessoa a ela equiparada) aos seus empregados (ou prestadores de serviço). Em. não havendo qualquer correlação entre o valor pago , à pessoa jurídica contratada e a contraprestação devida . pela empregadora às pessoas físicas que .lhe prestaram serviços; notase que não há como se pretender tributar o recorrente, muito menos impor multa em virtude:do descumprimento de obrigação por parte do contribuinte. Levantamento HA Honorários Advocatícios A respeito desta rubrica, diz a recorrente que os valores anotados na relação visualizada pelo fisco decorrem de convênio firmado entre a Prefeitura Municipal de Santos e Ordem dos Advogados do Brasil Subseção de Santos, visando a prestação de assistência judiciária gratuita à população. Que o pagamento do valor arbitrado judicialmente com base em tabela contida no referido convênio não é efetuado diretamente ao advogado que atuou no feito, mas sim .à OAB, que efetuara o repasse ao advogado, indicado. Não há que se falar, portanto, na realização de pagamento a favor de pessoa que tenha prestado serviço a Administração Pública ou em serviço realizado ao ente municipal, visto que .o artigo lº da Lei 2234/2004, indica que a avença não se dá entre. o MUNICÍPIO e os advogados, mas entre o MUNICÍPIO e a ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. Conclui que não se verifica a. incidência da hipótese de incidência do tributo estatuída belo artigo 30; inciso I, alínea "a", cujo comando .determina a arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas Seguridade Social, com relação as "contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas respectiva remuneração". Fl. 264DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Requer a reforma da decisão guerreada, com o provimento do recurso para anular ou cancelar o débito fiscal. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 15983.000287/201017 Acórdão n.º 2401002.531 S2C4T1 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O presente autuação foi efetuado em face da recorrente deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições dos segurados que lhe prestaram serviços, à titulo de vale transporte, auxílio alimentação e fornecimento de cestas básicas em desacordo com o PAT. Aduz a recorrente que tais valores não estão sujeitos à incidência de contribuições, posto que desvinculados dos salários de seus funcionários e desta forma, não haveria porque fazer o desconto de contribuições sobre estas verbas. Em que pese o entendimento da fiscalização acerca da suposta infração cometida, entendo não ser procedente a autuação ora sob análise. É que em recente julgamento proferido pela Câmara Superior do CARF nos autos do processo 37166.000545/200718, objeto de Recurso Especial da Fazenda Nacional, a matéria trazida nos presentes autos foi tratada, tendo como decisão o entendimento de que não há a ocorrência de infração, quando a empresa não efetua o desconto de rubrica que entende não se tratar de fato gerador, havendo o recolhimento quanto as demais. Vejamos como foi tratado o assunto naquela Turma da Câmara Superior, através do voto condutor proferido pelo Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: .... Destaquese que a controvérsia trazida a esta Turma da Câmara Superior limitase a existência ou não de contrariedade à lei no tocante à decisão recorrida ter considerado que não caracteriza a infração prevista na alínea “a”, inciso I, do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o fato de a empresa ter deixado de arrecadar a parte devida pelo segurado empregado no tocante a rubricas específicas que a empresa inicialmente entendeu não se constituir em fatos geradores das contribuições previdenciárias. Registrese que o auto de infração, no tocante às contribuições previdenciárias, tem como fato gerador o não cumprimento de obrigação acessória, assim compreendida aquela que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas e de interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Tais obrigações têm natureza instrumental, isto é, prestamse a auxiliar a execução das atividades arrecadadora e fiscalizadora dos entes tributantes, contudo, e isso não pode deixar de ser rememorado, são autônomas, inexistindo, nesse contexto, o sentido de que o acessório segue o principal, conforme bem ressaltado pela Fazenda Nacional. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 O dispositivo contrariado referese “a”, inciso I, do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; O acórdão recorrido definiu que a empresa descumpriu a legislação previdenciária ao deixar de descontar de seus empregados o percentual que seria devido em relação à rubrica prêmios e bonificações pagos por meio do cartão de crédito administrado pela empresa Incentive House S.A . Assentese que o descumprimento da obrigação acessória reportase a uma ilicitude de natureza formal. A lei descreve uma ação que, no momento em que o agente pratica a situação descrita, independentemente do resultado, caracteriza a ofensa à lei autorizando a conversão da obrigação acessória em uma obrigação principal em razão da necessária aplicação da penalidade pecuniária. Segundo penso, não assiste razão à Fazenda Nacional. Conforme consta no relatório fiscal da infração, fl. 6, a ação praticada pela empresa não se subsume à norma descrita pela lei. De acordo com o texto legal, a infração consiste em não arrecadar as contribuições, o que de fato não ocorreu, pois em relação às demais rubricas o sujeito passivo cumpriu a norma, deixando de efetuar o desconto apenas em relação ao que considerou não se constituiu fato gerador da obrigação previdenciária. Conforme tenho sustentado em outros julgamentos, não creio que o tratamento isolado em relação às diversas rubricas que compõe o salário de contribuição revelese como a forma correta de aplicação da norma. Creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do do cumprimento da obrigação referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Vêse, portanto, que, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição Fl. 267DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 15983.000287/201017 Acórdão n.º 2401002.531 S2C4T1 Fl. 249 7 previdenciária, tal fato não implica em descumprimento da obrigação de arrecadação em relação à remuneração vista de maneira integral. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, se houve arrecadação, isto é, desconto da parte do segurado em relação às demais rubricas, não há que se falar em obrigação descumprida no tocante a uma rubrica específica. Ante o exposto VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL No presente caso, temos a mesma situação, já que a os valores pagos não foram lançados na contabilidade da empresa como parte integrante da remuneração, ou seja, tais valores não eram entendidos pela empresa como sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias, sendo certo que com relação às demais rubricas houve o desconto e recolhimento. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito DARLHE PROVIMENTO Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 13971.904717/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF.
Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Parcialmente Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 87 1 86 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.904717/200933 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 3301001.834 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente METALURGICA FEY S.A. Recorrida FAZENDA NACIONIAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QORG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 47 17 /2 00 9- 33 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão de fls. 44/45, referente à Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no período de apuração de janeiro de 2004, decorrente da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 (alargamento da base de cálculo), conforme sintetiza a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Conforme consta do voto condutor do acórdão recorrido, não compete à Administração Tributária a apreciação de argumentos sobre inconstitucionalidade de lei, cita a Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes Parecer Normativo CST/SRF de n° 329, de 1970, que assim dispõe: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904717/200933 Acórdão n.º 3301001.834 S3C3T1 Fl. 88 3 sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Ademais disto, o artigo 3°, §1º da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de apuração em análise, não pode este juízo afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência, não tendo a contribuinte demonstrado ser parte de nenhuma ação judicial que a beneficie, e até a presente data, o Supremo Tribunal Federal só tomou decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omnes. O art. 1.°, caput, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, apenas as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta. Cientificada em 08/06/2010 (AR fl. 47), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 48/58, em “07/06/2010” (07/07/2011), sustentando que por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, na sessão de 9 de novembro de 2005, o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º da lei n° 9.718/98 e, por conseguinte, da exigência de COFINS sobre as receitas não operacionais, ou seja, diversas do produto da venda de bens ou serviços. Na sessão de 7 de outubro de 2011, este colegiado converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem apreciasse o mérito do pedido de restituição/compensação formulado pela /Recorrente. Realizada a diligência, restou confirmado o indébito, havendo que se ser deduzida a parcela já utilizada na compensação transmitida em 14/04/2004, sob o nº 10729.81388.140404.1.3.044020 (fls. 73/77), vez que tal DCOMP restou integralmente homologada, consumindo R$ 620,27 do pagamento reclamado, de maneira que em favor da contribuinte remanesceria disponível tãosomente o saldo credor de R$ 5.502,03 (R$ 6.122,30 R$ 620,27). É o relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestido das demais condições legais pertinentes. Conforme relatado, trata o presente recurso de pedido de restituição/compensação indeferido, tendo em vista que a recorrente pretende utilizar o indébito decorrente do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS, promovido pela art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Pleno do E. STF, conforme depreendese do seguinte julgado: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 2811 2008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP 00871 ) Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.” Desta forma, estando o assunto consolidado no âmbito judicial e também na via administrativa, de acordo com o teor do art. 62A do RICARF, ensejando a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem se aprecie o pedido de restituição/compensação formulado pela Recorrente. Realizada a diligência, restou confirmado o indébito, havendo que se ser deduzida a parcela já utilizada na compensação transmitida em 14/04/2004, sob o nº 10729.81388.140404.1.3.044020 (fls. 73/77), vez que tal DCOMP restou integralmente homologada, consumindo R$ 620,27 do pagamento reclamado, de maneira que em favor da contribuinte remanesceria disponível tãosomente o saldo credor de R$ 5.502,03 (R$ 6.122,30 R$ 620,27). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, a fim de reconhecer o indébito decorrente dos pagamentos maiores que os devidos, em virtude do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a respectiva homologação das compensações declaradas, até o montante do indébito apurado pela diligência. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904717/200933 Acórdão n.º 3301001.834 S3C3T1 Fl. 89 5 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10120.912395/2009-29
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 14769.14046.310308.1.3.047636, em 31.03.2008, fls. 11 14, utilizandose do pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código 5993, no valor original de R$28.220,69 em 20.06.2003 apurado pelo regime do lucro real anual. Esclarece que houve prejuízo fiscal ano final do anocalendário de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 12 39 5/ 20 09 -2 9 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912395/200929 Resolução nº 1801000.298 S1TE01 Fl. 757 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1517, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 28.220,69 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...]Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 21.10.2009, fl. 19, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 03.11.2009, fl. 01, com os argumentos a seguir sintetizados. 1. DO FATO A não homologação do crédito deveuse a existência débitos vinculados ao crédito especificado na PER/DCOMP: 14769.14046.310308.1.3.047636, tal débito deveuse a erros encontrados na DCTF referente ao 2º Trimestre/2003, a qual foi devidamente retificada em 21/10/2009. 2. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Segue em anexo cópias do Despacho Decisório e Recibo da DCTF Retificadora. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB/DF nº 03 48.505, de 31.05.2012, fls. 2226: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação Fl. 757DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912395/200929 Resolução nº 1801000.298 S1TE01 Fl. 758 3 somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Notificada em 13.08.2012, fls. 34, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.09.2012, fls. 3847 e 755 ao argumento de que a atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta A improcedência teria se dado, pela decisão dos Nobres Julgadores de não admitir que a simples retificação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais fosse prova suficiente para constituição do crédito que se pretendia compensar via Per/DComp, e pela suposta preclusão de direitos de apresentação de nova prova documental, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/1972. [...]Ora Excelências, porque nunca foi solicitado a Recorrente a apresentação de seus respectivos livros fiscais e contábeis comprobatórios dos fatos alegados (Balancetes de Suspensão e Redução, Lalur e DIPJ) se a retificação da DCTF foi considerada insuficiente pelo Fisco? Por que não buscar a verdade material? Tais livros fiscais e contábeis (Balancetes de Suspensão e Redução, Lalur e DIPJ) sempre existiram e dizem respeito ao que se alegou. Não seria admissível fazer valer da "força do Estado" motivo suficiente a configuração e homologação e lançamento de imposto que é indevido, pois já pago, e a maior. Não estamos falando de prova ilícita, ao contrário, de prova legal, aceitável, pertinente, e que somente ainda não teria sido produzida por absoluta falta de solicitação por parte do Fisco, que não pode fazer com que o Estado se locuplete de valores que não são seus por direito. [...]Em 30 de junho de 2003, a empresa efetuou pagamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$28.220,69 [...], através de DARF, código da receita 5993, proveniente da apuração do resultado do mês de maio/2003, com base no Lucro Real regime de enquadramento tributário da Recorrente, como é atestado pelo relatório anexo aos autos. No entanto, apesar de que no mês em evidencia desta apuração (Maio/2003), a empresa ter apresentado valores a recolher de IRPJ e CSLL, devido ao regime de apuração por estimativa mensal, conforme consta do livro LALUR de nº 04, as folhas de nº 06, na verdade o resultado foi negativo. Para a certificação da alegação do resultado do exercício, fazse como prova, os seguintes registros: a) Livro Diário de nº 18, onde foi registrado nas folhas de nº 643, na data de 31/12/2003, o prejuízo contábil no valor de R$746.856,70 (Setecentos e quarenta e seis mil, oitocentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos), onde se debitou a conta de nº 2.0.4.01.050002 ( Prejuízos Acumulados ), e creditouse a conta de nº 5.0.1.01.020001 (Apuração do Resultado); b) No Balanço Patrimonial, constante do Livro Diário de nº 18, as folhas de nº 649, registrado no grupo do Patrimônio Líquido, sob o titulo de Prejuízo do Período; c) Na Demonstração de Apuração do Resultado do Exercício DRE, constante do Livro Diário nº 18, nas folhas de nº 650, d) Na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ 2004, ano calendário 2003, enviada em 11/06/2004, registrada pela recepção do recibo de nº 01.85.27.14.7837, na ficha 06A, Demonstração do Resultado PJ em Geral (LR), página 05. . Fl. 758DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912395/200929 Resolução nº 1801000.298 S1TE01 Fl. 759 4 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, requer seja recebido o presente Recurso Voluntário, e ato continuo julgado procedente em todos os seus termos, tomando como base os documentos neste momento juntados aos autos (Diário Contábil de nº18, LALUR e DIPJ), para homologação da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 14769.14046.310308.1.3.04 7636, transmitida em 31 de março de 2008 [...] relativos a Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, em atendimento ao Princípio da Verdade Material, que deve prevalecer nos processos administrativos tributários. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912395/200929 Resolução nº 1801000.298 S1TE01 Fl. 760 5 independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) 5. Além disso, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912395/200929 Resolução nº 1801000.298 S1TE01 Fl. 761 6 O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, que pode ser analisado, porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ do anocalendário de 2003. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 20036. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No Lalur de 31.05.2003, fl. 69, estão registrados os seguintes valores, de acordo com a Tabela 1: Tabela 1 Cálculo do IRPJ por estimativa do mês de maio de 2003 Descrição (A) Valores – R$* (B) Base de Calculo para o IRPJ 123.855,28 Imposto Normal Devido a alíquota de 15% 18.578,29 Adicional de IRPJ a 10% 10.3856,52 () Dedução Incentivo PAT 743,13 (=) Saldo a Pagar de IRPJ em Janeiro/2005 28.220,69 * Valores extraídos do Lalur anocalendário de 2003 página 6, ou seja. na fl. 69 dos autos. Pela análise do conjunto probatório produzidos nos autos verificase que, a Recorrente, ciente de todas as discrepâncias quantitativas discriminadas na decisão de primeira instância de julgamento, não produziu um conjunto probatório nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior7. Envidou, portanto, todos os recursos, em conformidade com as determinações normativas na busca verdade material e demonstrou pela análise do Livro Lalur, fl. 69 que IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 5993, no valor original de R$28.220,69 em 20.06.2003, foi recolhido corretamente 89. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdiciona verificar valor do saldo negativo de IRPJ declarado, bem como se a Recorrente solicitou restituição do saldo negativo do anocalendário total ou parcialmente em outro Per/Dcomp. Assim, a averiguação deve se ater se há outro pedido de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. 7 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal e art. 18 do Decreto n. 70.235, 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912395/200929 Resolução nº 1801000.298 S1TE01 Fl. 762 7 2003 para fins de exame da possibilidade de concessão ou não do valor correspondente ao pagamento do IRPJ sobre a base de estimativa pleiteado como saldo negativo. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar os dados constantes nos registros internos da RFB para como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes10 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10768.906902/2006-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1802-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 69 02 /2 00 6- 37 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 O acórdão embargado, nº 1802001.188, de 12/04/2012, foi recepcionado pela empresa em 23/07/2012 (Aviso de Recebimento – AR), e, os embargos foram protocolizados em 27/07/2012, conforme despacho de encaminhamento. A embargante alega que o voto condutor do acórdão embargado incorreu em omissão, eis que, não considerou a existência de retenções na fonte em favor da TeleRN no anocalendário 1999, no total de R$ 666.982,65, comprovadas pela DIRFs do período. Diz que, tomando em conta apenas as retenções em favor do CNPJ da matriz (R$ 527.090,01), temse crédito de imposto de renda em valor superior ao DARF de R$ 500.000,00, utilizado para a quitação indevida da estimativa de jan/1999. Aduz que, a omissão quanto ao IRRF apurado em 1999 demonstra o equívoco do despacho decisório e do acórdão do CARF ao deixar de homologar a compensação ora tratada. Ao mesmo tempo, o recalculo do saldo negativo abre espaço para a utilização do crédito contido no DARF da estimativa de jan/1999, indicado na DCOMP em análise. A Embargante alega que, o fato de as retenções sofridas eventualmente não terem sido informadas na DIPJ não impede que a autoridade fiscal as tivesse considerado ao proferir o despacho decisório, pois, as retenções representam reais antecipações de IRPJ sofridas pela empresa, e por isso devem compor a apuração do seu saldo negativo. Com a argumentação acima, a Embargante colaciona a seu prol a seguinte ementa: "CSLL. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. Comprovado o erro no preenchimento do PER/DCOMP, ainda que após instaurado o Processo Administrativo Fiscal, deve ser acatada a retificação. Recurso Voluntário Provido" ("Ia Seção de Julgamento. 4a Câmara. 2a Turma Ordinária do CARF. Acórdão n° 140200438 do Processo 10940901613200865. Sessão de 24/02/2011) Finalmente requer seja dado provimento aos embargos para, sanando a omissão acima indicada, reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada nos autos. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 27/07/2012, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos, deles conheço. Para melhor compreensão do que se trata nos presentes autos transcrevo a seguinte parte do voto condutor do acórdão embargado. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 41081.46517.151003.1.3.048558 (fls.02/08), transmitido em Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906902/200637 Acórdão n.º 1802001.861 S1TE02 Fl. 3 3 15/10/2003, em que a contribuinte pretende compensar débito de R$ 721.731,03, relativo à COFINS de setembro de 2003, com a utilização de crédito no valor original de R$ 387.610,65 decorrente de pagamento a maior da estimativa do IRPJ de janeiro de 1999 (DARF: código – 2362; Período do Apuração: janeiro/1999; Vencimento: 26/02/1999, Valor: R$ 500.000,00). Conforme relatado, o Per/Dcomp foi analisado com a emissão do Despacho Decisório de fl.58, que não homologou a compensação pleiteada porque, baseado no Parecer Conclusivo n° 205/2008 (fls. 50/57), chegouse conclusão que o mencionado DARF de R$ 500.000,00, somado às compensações totais de R$ 1.567.717,08, gerou para o ano de 1999, saldo negativo de R$ 1.566.561,73. Sendo que, o referido saldo negativo foi integralmente utilizado para compensar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000. Assim, incabível tornouse a utilização de crédito relativo a estimativa por haver o mesmo integrado o saldo negativo de 1999 do qual a interessada já se beneficiou em momento posterior, ou seja, para quitar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000 . Na manifestação de inconformidade bem como no recurso voluntário, a contribuinte não se insurge expressamente sobre o aspecto quantificativo e fatos que motivaram o indeferimento do pleito. A defesa da Recorrente é no sentido de que decaiu o direito do fisco de refazer as bases de cálculo do anocalendário de 1999, alegando que o crédito pleiteado referese a período em que o Fisco já homologou tacitamente os recolhimentos geradores do crédito, reconhecendose a extinção da obrigação, o que pressupõe, por óbvio, o reconhecimento também do quantum debeatur, sem o que não se poderia atestar o cumprimento da obrigação principal. Argúi que, se afigura inócua, qualquer tentativa fiscal de fazer nova apuração do saldo negativo apurado, cuja existência gerou o crédito do presente processo, em face da homologação daquele lançamento pelo próprio Fisco, pois, sujeitase o IRPJ ao lançamento por homologação, regime em que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador, segundo o art. 150, § 4º do CTN. No presente processo em que se discute o PER/DCOMP, o Fisco não procedeu qualquer revisão da base de cálculo mensal das estimativas mensais, tampouco, revisão do Lucro Real apurado em 31/12/1999. Sequer alterado o saldo negativo do IRPJ declarado. Desse modo, não houve crédito constituído por procedimento fiscal na modalidade de lançamento tributário sujeito ao prazo decadencial nos moldes do artigo do artigo 150 do CTN, portanto, improcedente a alegação da interessada de haver o Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Fisco realizado “nova apuração das bases tributáveis do ano calendário de 1999”. ... Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte, adotando a via do PER/DCOMP pretende utilizar crédito de estimativa (janeiro/1999) já integrado na composição do saldo negativo do ano calendário de 1999 e que fora utilizado para compensar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000. Fato este não contestado pelo Recorrente. Ora, utilizarse duas vezes do mesmo crédito seria locupletarse de recursos do Estado sob o manto da alegada decadência inexistente. ... Conforme relatado, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 15/10/2003, e, a mesma tomou ciência do despacho decisório em 10/10/2008 (fl. 59) , antes do prazo de 05 anos. Assim, não há que se falar em homologação tácita como restrição ao direito creditório pleiteado. Desse modo, cai por terra a “decadência” cogitada pela Reclamante Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Como se vê, o presente processo trata de declaração de compensação (PER/DCOMP) em que o contribuinte utiliza suposto crédito de estimativa de IRPJ recolhida a maior em janeiro de 1999 para quitar débito de Cofins referente a setembro de 2003. No entanto, havendo mencionado crédito já integrado a composição do saldo negativo do ano calendário de 1999, o crédito pleiteado na presente compensação fora considerado inexistente, uma vez que o referido saldo negativo fora usado para quitar as estimativas de março, maio, junho, julho e setembro de 2000. A contribuinte alega que o voto condutor do acórdão embargado incorreu em omissão, eis que, não considerou a existência de retenções na fonte em favor da TeleRN no anocalendário 1999, no total de R$ 666.982,65, comprovadas pela DIRFs do período. E que, tomando em conta apenas as retenções em favor do CNPJ da matriz (R$ 527.090,01), temse crédito de imposto de renda em valor superior ao DARF de R$ 500.000,00, utilizado para a quitação indevida da estimativa de jan/1999. Aduz que, o fato de as retenções sofridas eventualmente não terem sido informadas na DIPJ não impede que a autoridade fiscal as tivesse considerado ao proferir o despacho decisório, pois, as retenções representam reais antecipações de IRPJ sofridas pela empresa, e por isso devem compor a apuração do seu saldo negativo. Repetese, o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte, adotando a via do PER/DCOMP pretende utilizar crédito de estimativa (janeiro/1999) já integrado na composição do saldo negativo do ano calendário de 1999 e que fora utilizado para compensar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000. Fato este não contestado pelo Recorrente. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906902/200637 Acórdão n.º 1802001.861 S1TE02 Fl. 4 5 A Embargante, invocando o princípio da verdade material, tenta questionar a conclusão do acórdão que decorreu do exame das provas, procurando substituir o objeto do PER/DCOMP, em sua origem, ou sua retificação. Como cediço, os Embargos de Declaração não se destinam a esse fim. Indubitavelmente, as alegações acima acerca de imposto retido na fonte e alteração no saldo do ano calendário de 1999, somente produzidas pelo contribuinte em sede de embargos, não foram suscitadas na impugnação tampouco no recurso voluntário, razão pela qual não se pode cogitar de omissão no acórdão embargado. Nos termos do art. 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15196.000011/2007-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PENALIDADE - GFIP - OMISSÕES - INCORREÇÕES - RETROATIVIDADE BENIGNA.
A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Redator-Designado
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 19 6. 00 00 11 /2 00 7- 00 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – RedatorDesignado EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa interessada deixou de informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa prevista artigo 32, IV, § 5º, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação da Lei n° 9.528, de 1997 e art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Em sessão plenária de 23/09/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 158.621, prolatandose o Acórdão 240300.195 (fls. 155 a 161/verso), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15196.000011/200700 Acórdão n.º 9202002.745 CSRFT2 Fl. 391 3 que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIARIO CUSTEIO AUTORIDADE ADMINISTRATIVA INVESTIDA NO PODER DE LAVRAR AUTO DE INFRAÇÃO AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Conforme o disposto expressamente na legislação tributária (artigo 194 do Código Tributário Nacional c/c o art. 33, § 1 0, Lei 8.212/91 c/c o art. 293, § 1°, Decreto 3.048/99), o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa investida no poder de lavrar o Auto de Infração, independentemente de inscrição em qualquer órgão profissional. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO VÍCIO DE AUTUAÇÃO INEXISTÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO NA LEGISLAÇÃO A ÉPOCA DA CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA 0 Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF foi incluído no processo administrativofiscal previdenciário com a Instrução Normativa MPS/SRP n° 23, de 30.07.2007, que alterou o artigo 591, da Instrução Normativa MPS/SRP if 03, de 14.07.2005, e incluiu o artigo 660, XIA, da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14.07.2005. Desta forma, inexiste vicio na lavratura do auto de infração pois, à época da ciência da lavratura do auto de infração, tal instrumento ainda não havia sido introduzido na legislação do processo administrativofiscal previdenciário. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4° e 5°, LEI N° 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32,1V, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI N° 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA – ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106,11, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, ha que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5°, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e não acolher as preliminares. No Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 mérito, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 32A, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendose o mais benéfico ao contribuinte.” Cientificada do acórdão em 09/12/2010 (fls. 161), a Fazenda Nacional opôs, em 10/12/2010, os Embargos de Declaração de fls. 165 a 167, rejeitados conforme o Despacho de fls. 168 a 172. Intimada da rejeição dos Embargos de Declaração em 05/05/2011 (fls. 173), a Fazenda Nacional interpôs, em 06/05/2011, o Recurso Especial de fls. 176 a 199, com fundamento no art. 67, anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a questão do dispositivo legal que deve retroagir na aplicação da penalidade, se o art. 32A, ou o art. 35A, da Lei 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2400 294/2011, de 20/05/2011 (fls. 200 a 202). O apelo apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, o que significa que não é legitima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da mesma lei (multa isolada); com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise dos artigos 32A e 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; o primeiro deles assim dispõe: "Art. 32A. 0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: 1 — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II — de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo". Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15196.000011/200700 Acórdão n.º 9202002.745 CSRFT2 Fl. 392 5 tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento); assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: "Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito, logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a multa prevista no lançamento de oficio (artigo 44 da Lei 9.430, de 1996); nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A, da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento do recurso e o seu provimento, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A, da MP nº 449, de 2008. Cientificado do acórdão recorrido, do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, e do despacho que lhe deu seguimento em 21/07/2011 (fls. 205), o Contribuinte quedouse silente. Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas ContraRazões. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa interessada deixou de informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa prevista artigo 32, IV, § 5º, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação da Lei n° 9.528, de 1997 e art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Este Auto de Infração está relacionado a NFLDs, de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF de fls. 88. Conforme a decisão recorrida, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinandose o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, com prevalência da penalidade mais benéfica. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15196.000011/200700 Acórdão n.º 9202002.745 CSRFT2 Fl. 393 7 §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. §5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” (grifei) Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal, noticiada no TEAF), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de unificar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15196.000011/200700 Acórdão n.º 9202002.745 CSRFT2 Fl. 394 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídica, de duas penalidades para a mesma conduta, o que conduz à interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para o Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus a Ilustre Relatora, peço vênia para dela discordar. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da irretroatividade benigna, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLD relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração, deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação coma multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430. Transcrevo a seguir o voto vencedor do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15196.000011/200700 Acórdão n.º 9202002.745 CSRFT2 Fl. 395 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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