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Numero do processo: 10166.723956/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2008, 2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE RECEITAS NÃO TRIBUTADAS COM BASE EM INFORMAÇÕES DA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. CORRETO O LANÇAMENTO.
Considera-se correto o lançamento efetuado com base em valores declarados em Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) e em planilhas de apuração apresentadas pelo contribuinte, na fase de fiscalização, na qual constam os valores de exclusão da venda bruta do período, quando a argumentação apresentada pela autuada restringe-se à alegação de que a empresa comercializa produtos não tributados, mas não identifica os valores envolvidos e tampouco apresenta documentação hábil e idônea que lhe faça prova.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1402-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE RECEITAS NÃO TRIBUTADAS COM BASE EM INFORMAÇÕES DA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. CORRETO O LANÇAMENTO. Considerase correto o lançamento efetuado com base em valores declarados em Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) e em planilhas de apuração apresentadas pelo contribuinte, na fase de fiscalização, na qual constam os valores de exclusão da venda bruta do período, quando a argumentação apresentada pela autuada restringese à alegação de que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 39 56 /2 01 1- 13 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 empresa comercializa produtos não tributados, mas não identifica os valores envolvidos e tampouco apresenta documentação hábil e idônea que lhe faça prova. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10166.723956/201113 Acórdão n.º 1402001.471 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório ANDATA COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 02.088.025/0001 14, com domicílio fiscal na cidade de Brasília, Distrito Federal, à Rua EQNL 17/19 Bloco D, nº S/N, Loja 01 – Bairro Taguatinga, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília DF, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 160/168, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 177/186. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado, em 12/07/2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília – DF o Auto de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 03/11), com ciência pessoal, em 13/07/2011 (fl.09), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.898.960,57, a título de contribuição, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor da contribuição referente aos exercícios de 2008 e 2009, correspondente aos anoscalendário de 2007 e 2008, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou haver falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, cujo valor foi apurado conforme Termo de Verificação Fiscal que passa a fazer parte integrante do presente auto de infração. Infração capitulada no art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 17/19), entre outros, os seguintes aspectos: que a empresa fiscalizada apresentou em 20/09/2010, por meio seu procurador, correspondência encaminhando o Contrato Social, as alterações contratuais e as procurações outorgadas aos representantes legais. Solicitou, ainda, prorrogação de prazo para apresentação dos demais documentos; que, em 11/10/2010, a fiscalizada encaminhou os extratos bancários do Banco Bradesco, bem como cópia das solicitações de extratos enviadas ao Banco Itaú e a CEF; que, em 03/11/2010, foram apresentados os extratos bancários do Banco Unibanco, bem como cópia das solicitações de extratos enviadas à CEF e as repostas recebidas. Nesta oportunidade, a fiscalizada solicitou nova prorrogação de prazo de 20 dias para a entrega dos demonstrativos de apuração do PIS e COFINS, dos livros fiscais e do restante dos extratos; que, portanto, no dia 22/11/2010, foram encaminhados os Termos de Abertura e Encerramento do livros Diário e Razão, as cópias autenticadas da DRE, do balanço patrimonial e dos balancetes do ano de 2007, bem como os extratos bancários da CEF dos anos de 2007 e 2008, em meio magnético. Nesta oportunidade, a fiscalizada se comprometeu a efetuar a entrega dos documentos pendentes ate 23/11/2010; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que, em 18/04/2011, o contribuinte requereu 20 dias de prazo para comprovar a origem dos créditos acima citados. Nesta oportunidade apresentou o Livro Registro de Saídas dos anos fiscalizados, em meio magnético; que, no entanto, no dia 24/06/2011, o contribuinte apresentou, também, os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, relativos ao PIS e CONFINS dos anos calendário de 2007 e 2008, pelo regime não cumulativo, transmitidas à Receita Federal, bem como planilhas com as bases de cálculo e apuração das respectivas contribuições; que, cabe ressaltar que o contribuinte, nos anos calendário de 2007 e 2008, apurou o IRPJ e a CSLL segundo as regras do Lucro Presumido, conforme informações das DIPJ 2008 e 2009; que de acordo com os registros contábeis e respectivas demonstrações apresentadas pela empresa fiscalizada, a receita operacional bruta nos anos de 2007 e 2008 atingiram os montantes de R$ 117.236.990,61 e R$ 122.463.642,12, respectivamente, portanto, superior ao limite de 48 milhões de reais estabelecido pelo art. 46 da Lei nº 10.637, de 2002; que, assim, o sujeito passivo estaria obrigado a apurar o imposto de renda pelo regime do lucro real, no entanto, como já informado, entregou declaração optando, indevidamente, pelo lucro presumido; que, tendo em vista a apresentação pela empresa fiscalizada da escrituração contábil com observância das leis comerciais e fiscais nos anos em questão, a fiscalização efetuou o lançamento dos valores do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, compensando os valores declarados em DCTF, conforme demonstrativo de apuração constante deste lançamento de oficio; que quanto às contribuições para o PIS e COFINS, a fiscalização efetuou os respectivos lançamentos das citadas contribuições, com base nos respectivos registros contábeis, bem como nas planilhas elaboradas pelo contribuinte, tendo sido compensados os valores declarados em DCTF, conforme demonstrativos de apuração constantes deste lançamento de ofício. Irresignada com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 12/08/2004, a sua peça impugnatória de fls. 121/142, instruído pelos documentos de fls. 143/156, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que em primeiro lugar, há que se destacar que o lançamento é materialmente nulo, em decorrência da ilicitude da prova que o lastreia, qual seja, a quebra de sigilo bancário da Impugnante, pelo Fisco, sem ordem judicial autorizadora; que, com efeito, segundo reconhece a própria fiscalização, a ação fiscal que culminou nos lançamentos ora impugnados teve origem em requisição de dados bancários da Impugnante a instituição bancarias, sem ordem judicial; que, no período fiscalizado, a Impugnante optou pela apuração do IRPJ e da CSLL de acordo com a sistemática do lucro presumido, contudo, em face de informações bancarias obtidas em autorização judicial, a fiscalização entendeu que a Impugnante teria, naqueles períodos, extrapolado o limite de R$ 48, milhões de reais, previsto no art. 46 da Lei n° 10.637/02 e, com isso, efetuou o lançamento do IRPJ e da CSLL de acordo com o lucro real; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10166.723956/201113 Acórdão n.º 1402001.471 S1C4T2 Fl. 4 5 que a indispensabilidade de dedução das despesas e dos custos na apuração da renda é inerente a este instituto, haja vista que, se renda compreende, na forma do art. 43 do CTN, os acréscimos patrimoniais obtidos, decreto, para apurálo, antes, terão de se reduzir os decréscimos; que no rastro deste consagrado posicionamento, é indubitável que, a se entender que a impugnante, nos períodosbase de 2007 e 2008, não teria registrado receitas operacionais, por óbvio, também deveriam os agentes fiscalizadores computar, na aferição do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não apenas as receitas, mas principalmente, os custos e despesas incorridos para que tais receitas fossem geradas; que diante de tudo isso, verificase que cabia à impugnante, durante o procedimento de fiscalização, apresentar a escrituração relativa ao período fiscalizado, como de fato fez; o Fisco, por outro lado, deveria analisar detidamente as demonstrações contábeis e fiscais da empresa, avaliando a sua regularidade, para fins de apuração dos tributos federais; que, no entanto, no caso em tela, apesar de a Impugnante ter apresentado à fiscalização todos os livros e documentos solicitados, principalmente onde estão discriminados as receitas, os custos e despesas incorridos nos anoscalendário de 2007 e 2008, como comprovado pela documentação acostada aos autos, a autoridade fiscal simplesmente ignorou o fato de ter tido acesso a escrituração, preferindo, sem qualquer lastro legal, tomar como base de cálculo para o lançamento do IRPJ e da CSLL os a receita operacional bruta, deduzindo apenas os valores informados em DCTF; que vêse do comando exarado pelos dispositivos legais aplicados ao caso em exame, que, ao terem verificado suposta omissão de receitas, os agentes fiscais tinham o dever de calcular o montante dos tributos devidos, isto é, de apurar o IRPJ e a CSLL com base no lucro real, considerando não só as receitas supostamente omitidas, mas, essencialmente, os custos e despesas incorridos para a geração do resultado, tendo em vista que era aquele regime de apuração de tais tributos nos anoscalendários de 2007 e 2008; que, logo, jamais poderia a fiscalizada agir em desconformidade com tais ditames, ainda mais diante da norma imperativa constante do parágrafo único do art. 142 do CTN, que é clara ao dispor que a atividade fiscal é vinculada e obrigatória; que a autoridade fiscal, sem qualquer fundamento legal, ao analisar a escrita da Impugnante, valeuse apenas daquilo que lhe interessava, ou seja, das receitas supostamente omitidas, desconsiderando a pertinente escrituração da despesas e custos incorridos e, pois, a apuração dom IRJP e da CSLL em conformidade com a legislação comercial e tributaria. Isso, por si só, já é fundamento suficiente para infirmar o lançamento em sua totalidade; que, somente se admite por argumentar, em face do absoluto desprezo à escrita comercial da Impugnante, deveria o agente fiscal ter arbitrado o lucro da companhia, conforme as normas previstas no Código Tributário Nacional (CTN) e no RIR/99; porém, assim não procedeu, fato que, da mesma forma, conduz à improcedência total dos lançamentos de IRPJ e CSLL; que, toca às contribuições ao PIS e COFINS, os lançamentos também padecem de nulidade, não somente pelo fato de decorrerem de quebra de sigilo bancário sem apoio em ordem judicial, mas também por erros na quantificação das contribuições ao PIS e COFINS, mais precisamente, na delimitação das receitas tributáveis; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que, o acompanhamento da fiscalização foi feito pela contabilidade da empresa de forma precária, sem o auxilio de profissionais devidamente preparados, uma vez que os atuais procuradores só ingressaram no feito após a apresentação da defesa. Isso fica evidente até mesmo pela peça impugnatória. Contudo, o fato de a empresa ter apresentado informações incorretas não impõe a exigibilidade das contribuições sobre receitas não tributadas, tendo em vista que o lançamento é ato administrativo vinculado, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, usado como fundamento no decisum recorrido; que seja acolhida a preliminar suscitada e decretada a nulidade dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ante a inexistência de autorização judicial permitindo o acesso aos dados financeiros da Impugnante; que ultrapassada a preliminar suscitada, que sejam julgados improcedentes os lançamentos de IRPJ e CSLL, por inobservância do princípio contábil da competência, obrigatório na apuração do lucro real; que caso se entenda pela procedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL, mesmo diante da quebra ilegal de sigilo bancário, bem como da inobservância do princípio contábil da competência, que seja determinado o arbitramento dos referidos tributos; que, finalmente, que seja decretada a nulidade dos lançamentos de PIS e COFINS, por manifesto equívoco na quantificação do crédito tributário lançado. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF concluíram pela procedência do lançamento, em síntese, nas seguintes considerações: que, em sede de preliminar, alega a impugnante que a autuação foi lavrada sem observância às corretas bases de cálculo, e afirma que, além da ofensa aos artigos 44, 97, I e IV, e 142 do CTN, houve atentado aos artigos 153, III, 195, I, “c”, e 150, I, da Constituição da República. Além disso, assevera que o lançamento é nulo em decorrência da ilicitude da prova que o lastreia, qual seja, a quebra de sigilo bancário da impugnante sem ordem judicial autorizadora; que, acerca desse assunto, o art. 142 do CTN, em consonância com o princípio da legalidade, estabelece que a atividade da fiscalização é plenamente vinculada e obrigatória, o que implica dizer que, uma vez surgida a obrigação de pagamento dos tributos, o autuante deve se limitar às determinações da legislação tributária, não podendo fugir da obrigação de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional; que o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, por sua vez, estabelece os requisitos necessários ao auto de infração, para que este seja considerado válido. Nesse sentido, enumera itens que devem constar do auto de infração, de maneira completa e consistente, de forma a propiciar à autuada todas as informações necessárias ao exercício do contraditório e da ampla defesa no momento da impugnação; que, em relação à alegação de nulidade, no caso sob análise, o que se constata é que no auto de infração foi verificada a ocorrência do fato gerador, determinada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e aplicada a penalidade cabível, tudo em conformidade com a legislação aplicável; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10166.723956/201113 Acórdão n.º 1402001.471 S1C4T2 Fl. 5 7 que, no tocante à alegação de que o lançamento é nulo por estar embasado em prova ilícita, consistente na quebra de sigilo bancário da impugnante sem ordem judicial autorizadora, não assiste razão à requerente, uma vez que a autuação foi fundamentada na escrituração da empresa, conforme mais adiante será detalhado, e não em informações bancárias. Ademais, no caso em análise, o agente fiscal sequer precisou recorrer às instituições financeiras para ter acesso à movimentação financeira da empresa, pois o próprio contribuinte lhe apresentou os extratos solicitados; que a autuação decorreu de apuração de omissão de receitas relativas a vendas de mercadorias, obtidas com base em informações bancárias, bem como ao afirmar que o fisco teria utilizado como base de cálculo, para a apuração do IRPJ e da CSLL, a receita operacional do período, sem considerar os custos e as despesas incorridas; que, da mesma forma, equivocouse a impugnante ao sustentar que a autuação relativa à contribuição para o PIS e à Cofins foi efetuada com mesmo embasamento fático do lançamento referente ao IRPJ e à CSLL; que, primeiramente, cumpre mencionar que, em contraposição ao sustentado pela impugnante em sua peça de defesa (que estaria submetida ao regime cumulativo de apuração), a empresa, em 24/06/2011 apresentou, em atendimento à intimação fiscal, os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, com informações referentes ao regime nãocumulativo, bem como planilhas com bases de cálculo e apuração das contribuições consoante essa mesma sistemática; que à alegação da impugnante de que, sendo a atividade exercida pelo contribuinte a de um supermercado, este comercializa diversos produtos sujeitos à incidência monofásica das contribuições, com alíquota zero, bem como outros produtos que não sofrem a incidência dessas contribuições, é de se mencionar que, em princípio, tais valores já foram contemplados pela própria interessada em suas planilhas de apuração das contribuições devidas; que, ainda nesse sentido, a impugnante, em sua peça de defesa, lista uma série de produtos comercializados, em tese, pela empresa, e não tributados, cujos valores de receita não teriam sido excluídos da base de cálculo da contribuição apurada. Porém, não identifica os valores correspondentes e tampouco apresenta documentação hábil e idônea que dê suporte à sua alegação; que nessa linha de raciocínio, diz que, em respeito ao princípio da verdade material e em atenção às especificidades de tal segmento empresarial, o fisco deveria ter intimado o contribuinte a apresentar as informações contábeis com a devida segregação das receitas não tributadas; que ocorre que, na medida em que o contribuinte apresentou planilhas de cálculo com valores excluídos da receita bruta a título de “Vendas Isentas de PIS/Cofins”, é de se concluir que tal demanda, a segregação das receitas não tributadas, já estaria ali contemplada, sendo desnecessária nova intimação nesse sentido; que, além disso, sustenta que o fato de a empresa ter apresentado informações incorretas não impõe a exigibilidade das contribuições sobre receitas não Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 tributadas. No entanto, como anteriormente exposto, não apresenta demonstração dos valores envolvidos e tampouco documentação comprobatória correspondente; que, neste ponto, cumpre esclarecer que a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é o princípio fundamental do direito probatório, qual seja, o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235/72, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir"; que, assim, é dever do contribuinte apresentar todos os documentos comprobatórios solicitados pelo fisco, de forma a comprovar a regularidade de suas obrigações tributárias, e é responsabilidade da autoridade lançadora evidenciar, nos autos, a irregularidade apontada mediante a exposição dos fatos, dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, das correlações entre estes e os documentos apresentados, entre outros, de forma a explicitar e bem fundamentar suas conclusões; que justamente isso o que ocorreu nos presentes autos: foram apresentadas provas de que houve falta de pagamento de tributos devidos, com base nas declarações transmitidas à RFB e na escrituração apresentada pela própria empresa; que, isso posto, diante da alegação de erro nas apurações anteriores, tornase necessário que a impugnante apresente provas do equívoco cometido. Porém, a interessada não efetuou a juntada de qualquer prova de suas alegações, as quais não se encontram, portanto, respaldadas em documentação hábil e idônea que lhe façam prova; que, destarte, tendo em vista que a empresa não logrou êxito em comprovar as justificativas apresentadas, mantémse o lançamento em sua totalidade. As ementas que consubstanciam a decisão de primeira instância são as seguintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE RECEITAS NÃO TRIBUTADAS. Considerase escorreito o lançamento efetuado com base em valores declarados em DACON e em planilhas de apuração apresentadas pelo próprio contribuinte, em que constam valores Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10166.723956/201113 Acórdão n.º 1402001.471 S1C4T2 Fl. 6 9 de exclusão da venda bruta do período, quando a argumentação apresentada pela impugnante restringese à alegação de que a empresa comercializa produtos não tributados, mas não identifica os valores envolvidos e tampouco apresenta documentação hábil e idônea que lhe faça prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/12/2008, conforme Termo constante à fl. 468, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (15/02/2011), o recurso voluntário de fls. 177/186, sem instrução de documentos adicionais, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito a nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, entendeu a DRJ pelo afastamento da preliminar suscitada, tendo em vista que a autuação fora fundamentada na escrituração contábil da empresa, além do que, no entender do Fisco, a apresentação de extratos pelo contribuinte afastaria eventual quebra de sigilo; que, da improcedência do lançamento referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, onde a decisão recorrida de que o liame fático entre os lançamentos de COFINS e de IRPL/CSLL, não seria o mesmo; que, portanto, ao contrario do que sustenta a decisão recorrida, ambas as autuações, isto é, a principal, consubstanciada nos autos do PTA 10166.723952/200127, e a ora em exame decorreram do mesmo liame fático, qual seja, a suposta omissão de receitas pela Impugnante nos anoscalendário de 2007 e 2008; que, a nulidade material do lançamento do PIS e da COFINS por erro na apuração da base de calculo das contribuições e da nulidade reflexa dos lançamentos de IRPJ e da CSLL. Portanto, vêse que a fiscalizada não conduziu com a devida destreza os seus trabalhos. Muito pelo contrario, impôs a incidência da COFINS sem considerar as saídas dos produtos acima, que correspondem, sem sombra de duvidas, a mais de 50% das receitas dos produtos comercializados pelos supermercados; que, ora é nítido que o acompanhamento da fiscalização foi feito pela contabilidade da empresa de forma precária, sem o auxilio de profissionais devidamente preparados, uma vez que os atuais procuradores só ingressaram no feito após a apresentação da defesa. Isso fica evidente até mesmo pela peça impugnatória. contudo, o fato de a empresa ter apresentado informações incorretas não impõe a exigibilidade das contribuições sobre receitas não tributadas, tendo em vista que o lançamento é ato administrativo vinculado, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. Na Sessão de julgamento de 24 de outubro de 2012 a 3º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Sessão de Julgamento do CARF, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Primeira Seção de Julgamento, sob o entendimento de que compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF). É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10166.723956/201113 Acórdão n.º 1402001.471 S1C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos constatase, que a ação fiscal, iniciada em 01/09/2010, resultou na constatação de que o sujeito passivo entregou declaração optando, indevidamente, pelo lucro presumido, visto que estaria obrigado a apurar o imposto de renda pelo regime do lucro real em razão de a receita operacional bruta auferida em 2007 e 2008 ter sido superior ao limite de R$ 48 milhões estabelecido pelo art. 46 da Lei n° 10.637, de 2002. Observase, ainda, que tendo em vista a apresentação pela empresa fiscalizada da escrituração contábil com observância das leis comerciais e fiscais nos anos em questão, a fiscalização efetuou o lançamento dos valores do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, compensando os valores declarados em DCTF. Consoante descrição dos fatos no corpo do auto de infração, o valor do lucro real foi apurado com base nas Demonstrações dos Resultados trimestrais apresentadas pela própria empresa. Esse lançamento foi formalizado no processo administrativo fiscal nº 10166.723952/201127, cujo julgamento ocorreu na 1ª TO – 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 05 de março de 2013, do qual resultou a Resolução 1401000.208. Observase, ainda, que a lavratura do presente Auto de Infração (COFINS) foi efetuado com base nos respectivos registros contábeis, bem como nas planilhas elaboradas pelo contribuinte, tendo sido também deduzidos os valores declarados em DCTF. Agora em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde solicita a improcedência da autuação alegando para tanto preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta alegações de mérito. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela recorrente. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que o Auto de Infração às fls. 03/11, bem como o Termo de Verificação Fiscal de fls. 17/19, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília DF, cuja ciência foi pessoal Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10166.723956/201113 Acórdão n.º 1402001.471 S1C4T2 Fl. 8 13 (fls. 09) e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que a recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ainda, em sede de preliminar, alega que o lançamento é nulo em decorrência da ilicitude da prova que o lastreia, qual seja, a quebra de sigilo bancário da impugnante sem ordem judicial autorizadora. No seu entender, a ação fiscal que culminou nos lançamentos impugnados teve origem em requisição de dados bancários da impugnante a instituições bancárias, sem ordem judicial. Resta evidente, nos autos, de que a recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários. Resta claro, ainda, que o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária pelas instituições financeiras foi realizada diretamente a autuada. Ou seja, não houve procedimento administrativo por parte da Receita Federal do Brasil para que as instituições financeiras apresentassem os extratos bancários. Assim, no tocante à alegação de que o lançamento é nulo por estar embasado em prova ilícita, consistente na quebra de sigilo bancário da impugnante sem ordem judicial autorizadora, não assiste razão à requerente, uma vez que a autuação foi fundamentada na escrituração da empresa e não em informações bancárias. Ademais, no caso em análise, a autoridade fiscal lançadora sequer precisou recorrer às instituições financeiras para ter acesso à movimentação financeira da empresa, pois a próprio contribuinte lhe apresentou os extratos solicitados. Com relação ao mérito, é de se registrar no que diz respeito ao entendimento exarado no processo relativo aos lançamentos de IRPJ e CSLL, que a base de cálculo utilizada pelo fisco foi exatamente aquela requerida pela recorrente em sua peça de defesa, ou seja, o Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10166.723956/201113 Acórdão n.º 1402001.471 S1C4T2 Fl. 9 15 lucro efetivamente auferido no período e apurado mediante o confronto entre as receitas e os custos e despesas, tendo sido respeitada, inclusive, a sua própria escrituração. Assim sendo, restou equivocado o entendimento exarado de que a autuação decorreu de apuração de omissão de receitas relativas a vendas de mercadorias, obtidas com base em informações bancárias, bem como ao afirmar que o fisco teria utilizado como base de cálculo, para a apuração do IRPJ e da CSLL, a receita operacional do período, sem considerar os custos e as despesas incorridas. Da mesma forma, resta equivocado o entendimento de que a autuação relativa à contribuição para o PIS e à Cofins foi efetuada com mesmo embasamento fático do lançamento referente ao IRPJ e à CSLL. Cumpre mencionar, que a empresa, em 24/06/2011 apresentou, em atendimento à intimação fiscal, os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, com informações referentes ao regime nãocumulativo, bem como planilhas com bases de cálculo e apuração das contribuições consoante essa mesma sistemática. Compulsandose os autos, especialmente as planilhas de fls. 15 e 16, verifica se que a autoridade fiscal lançadora, para a apuração do tributo devido nos referidos anos, adicionou, ao montante do tributo declarado em DACON como devido, o tributo devido sobre a diferença entre o valor da receita bruta constante de sua demonstração de resultado do período e o valor da soma das bases de cálculo constantes das planilhas apresentadas (fl. 72 e seguintes). Do valor obtido, foi ainda deduzido o valor do débito declarado na DCTF correspondente. É de se ressaltar, ainda, que, considerando que os valores declarados em DACON tiveram como base as planilhas elaboradas pelo próprio contribuinte, os valores de receita não tributada não foram incluídos na exigência objeto dos presentes autos. Tal conclusão decorre da existência de uma linha, em tais planilhas, nominada de “Venda isenta de PIS/Cofins”, que deduz o valor da venda bruta e serve como base de cálculo para apuração da contribuição devida e posteriormente declarada em DACON. Ou seja, as contribuições não foram calculadas sobre a totalidade da receita bruta auferida, tendo sido considerado, pela própria empresa, o montante passível de exclusão. Essa sistemática foi adotada em todos os períodos lançados. Ora, é dever do contribuinte apresentar todos os documentos comprobatórios solicitados pelo fisco, de forma a comprovar a regularidade de suas obrigações tributárias, e é responsabilidade da autoridade lançadora evidenciar, nos autos, a irregularidade apontada mediante a exposição dos fatos, dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, das correlações entre estes e os documentos apresentados, entre outros, de forma a explicitar e bem fundamentar suas conclusões. Da análise doa autos concluise, que foi justamente isso o que ocorreu nos presentes autos: foram apresentadas provas de que houve falta de pagamento de tributos devidos, com base nas declarações transmitidas à RFB e na escrituração apresentada pela própria empresa. Assim, diante da alegação de erro nas apurações anteriores, tornase necessário que a autuada apresente provas do equívoco cometido. Entretanto, não foi isto que Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 ocorreu neste processo.A autuada não efetuou a juntada de qualquer prova de suas alegações, as quais não se encontram, portanto, respaldadas em documentação hábil e idônea que lhe façam prova. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10882.902846/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3801-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl,- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl,- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 46 /2 00 8- 17 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902846/200817 Acórdão n.º 3801002.059 S3TE01 Fl. 75 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Campinas/SP: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que houve equívoco no preenchimento do campo relativo ao documento de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do crédito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim, requer a homologação da compensação por força da existência do crédito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o crédito requerido. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob a alegação de que o crédito tributário não foi provado e com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902846/200817 Acórdão n.º 3801002.059 S3TE01 Fl. 76 3 pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso e pede a homologação da compensação com base nos seguintes argumentos: (a) Que a retificação da DCTF pode ser procedida a qualquer momento; (b) que retificada a DCTF é possível identificarse o crédito da contribuinte; (c) Que a Receita Federal tem na sua base de dados as demais informações e documentos fiscais hábeis para comprovar o direito creditório, inclusive a DIPJ. É o Relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902846/200817 Acórdão n.º 3801002.059 S3TE01 Fl. 77 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado a Recorrente apresentou PER/DCOMP cujo crédito não foi reconhecido pelo sistema da Receita em decorrência de já ter sido alocado com outro débito em DCTF. Retificada a DCTF a contribuinte entende que está feita a demonstração do seu crédito e que não é necessário a produção de outras provas porque todos os dados estão nos bancos de dados da Receita. Entretanto, também é certo que a Contribuinte a qualquer momento e especialmente após instalado no processo administrativo fiscal por informação contrária deve a apresentar as provas de seu direito creditório, porque a DCTF, apesar de representar uma confissão de dívida, é uma declaração unilateral sujeita a exame para que se possa homologar as compensações pleiteadas. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo. É essa a informação que constou, inclusive no acórdão da DRJ, que se pronunciou acerca da ausência da prova do direito creditório – ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido – e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. A alegação da Recorrente de que todos os dados e provas estão na base da Receita, não havendo necessidade de prova suplementar, pode até parecer uma suposição interessante, mas o que é certo á que a inteligência da Receita Federal está ainda muito distante do PRISM, programa de vigilância eletrônica, denunciado pelo exagente da CIA, Edward Snowden. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902846/200817 Acórdão n.º 3801002.059 S3TE01 Fl. 78 5 Além disso, estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, competiria ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Assim, na hipótese da compensação declarada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito e sequer informou a origem dos mesmos. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902846/200817 Acórdão n.º 3801002.059 S3TE01 Fl. 79 6 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.006171/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF 46.
Súmula CARF n 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE
Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material.
TROCA DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF 46. Súmula CARF n 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material. TROCA DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
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NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF 46. Súmula CARF n 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material. TROCA DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 61 71 /2 00 8- 61 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN 2 Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6 Turma da DRJ/CTA (Fls. 37), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de Notificação de Lançamento, fls. 06 a 08, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, que exige R$ 1.465,64 de imposto de renda suplementar, R$ 1.099,23 de multa de oficio (75%), além dos acréscimos legais, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, com base na Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte — Dirf apresentada pela fonte pagadora INSS (CNPJ 29.979.036/000140). 2. Regularmente cientificado do lançamento, via postal, em 27/10/2008 (fls. 17 e 25), o interessado apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 01 a 04, em 19/11/2008, argumentando, em síntese, que: 2.1. Preliminar de nulidade. 0 procedimento fiscal é prerrogativa da Autoridade Fiscal, mas não exclui e não prescinde da participação do contribuinte. No entanto, não houve entrega do termo de inicio de fiscalização, não foi chamado ao processo para esclarecer os fatos que constituem a matéria tributável, como também não lhe foi concedido o prazo de vinte dias para regularizar o débito fiscal, de modo que o procedimento fiscal correu à revelia do interessado, havendo ofensa aos arts. 142 e 147 do CTN, Lei n° 5.172/66, art. 7 0, I, do Decreto n° 70.235/72 e art. 47 da Lei n° 9.430/96. Também há ofensa ao disposto no art. 5°, LV, da CF/88, eis que não lhe foi oportunizado o contraditório e a ampla defesa, pelo que requer o reconhecimento de nulidade da Notificação de Lançamento n° 2006/609440224162049 e seu cancelamento; 2.2. Mérito. Improcedência do Imposto exigido. 0 contribuinte percebeu o equivoco contido na DAA entregue em 11/04/2006 e tentou retificála em 14/11/2006, mas a declaração não foi transmitida. Insiste no exercício do direito de apresentar nova declaração, optando pelo desconto simplificado. A nova declaração implica retificação e aumento do imposto devido, não se tratando de mera troca de formulário. Na oportunidade junta a declaração retificadora em formulário e em arquivo Fl. 67DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.006171/200861 Acórdão n.º 2801003.038 S2TE01 Fl. 67 3 magnético, requerendo sua recepção e expedição do competente recibo de entrega; 2.3. A notificação "carece de motivação porque o Imposto de Renda exigido id está pago, não é devido". 0 Contribuinte informa que recolheu o imposto devido em 6 (seis) parcelas, conforme provam os DARFs que relaciona e anexa; 2.4. A penalidade aplicada (75%) não é exigível, pois o imposto já está recolhido, ou seja, se o principal não é devido, o acessório também não é devido; 2.5. Requer, ao final, o reconhecimento da nulidade e o cancelamento da Notificação, bem como a recepção da DAA Simplificada Retificadora, Exercício 2006, Anocalendário 2005, e a expedição do respectivo recibo de entrega. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. Tendo sido efetuado o lançamento com observância dos pressupostos legais e sem a ocorrência das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível a nulidade do lançamento. IMPUGNAÇÃO. DEFESA INDIRETA. EFEITOS. A exceção de pagamento, como uma defesa indireta de mérito, tem por pressuposto lógico o reconhecimento do fato constitutivo afirmado pela Fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado em 25/07/2011 (Fls. 59), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/07/2011 (fls. 60), reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN 4 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Preliminarmente, o recorrente alega a nulidade do lançamento ante a falta de intimação, ou de “termo de início de fiscalização, ou de “primeiro ato de ofício”, todos anteriores ao lançamento. Convém ressaltar que, conforme entendimento pacificado neste Conselho por intermédio da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário; in verbis: Súmula CARF n 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Tal entendimento sumulado é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF; razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, alega o recorrente que não teve intenção de lesar o fisco, que cometeu um erro ao preencher a declaração, que tentou a retificação da sua DIRPF, e que a retificação não foi possível em razão de o sistema da RFB não ter aceito a troca de modelo de declaração. Deste modo, não houve qualquer contestação quando ao efetivo recebimento dos valores apontados pela fiscalização. Assim, podemos concluir que não houve um simples erro de preenchimento. Ademais, se o contribuinte optou por declaração mais onerosa é dever manter tal declaração; posto que o contribuinte tem a sua disposição ampla gama de informações sobre as formas de declarações, e todas as leis são publicadas em Diário Oficial para conhecimento público obrigatório. Quanto a alegação e apresentação de declaração retificadora, como bem explanado no Acórdão recorrido: Conforme tela de consulta ao sistema informatizado da RFB (fl. 26), o Contribuinte enviou a DAA original (completa) em 11/04/2006, na qual optou pelas deduções legais, resultando imposto a restituir no valor de R$ 220,64 (fls. 1316). 5.2. Em sua defesa, o Impugnante afirma que, ao perceber o equivoco em sua DAA, intentou retificála, porém, sem sucesso. Conforme documentos carreados aos autos às fls. 09/10, pelo próprio Contribuinte, verificase que a declaração não foi transmitida, na ocasião, por se tratar de modelo simplificado (enquanto que a original fora entregue no modelo completo)..(pág. 39 dos autos) É de se concluir que, comprovado que os rendimentos apurados pela fiscalização não foram ofertados para a tributação pelo recorrente correto está o lançamento. Quanto ao pedido de ser oportunizada retificação de declaração, é de se esclarecer que a retificação, nos termos do Código Tributário Nacional, por iniciativa do Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.006171/200861 Acórdão n.º 2801003.038 S2TE01 Fl. 68 5 próprio declarante, só pode ser realizada antes da notificação de lançamento, e mediante a comprovação de erro; in verbis: Art. 147 do CTN §1 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Mas não há prova nos autos do erro da informação da declaração de ajuste do recorrente. No mais, falece competência para este Conselheiro retificar a Declaração de Ajuste do IRPF do recorrente. Assim, não há como acatar o pedido do recorrente de retificação da declaração do ano base em tela. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 16004.000716/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005, 2006
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - DECADÊNCIA - NOTAS FISCAIS FRIAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARBITRAMENTO DO LUCRO - TRIBUTOS JÁ RECOLHIDOS PELO SIMPLES - MULTA QUALIFICADA
Nas situações em que for constatada conduta dolosa do contribuinte na prática de infrações tributárias, o prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É correta a imputação ao contribuinte das receitas auferidas em operações por ele realizadas e ocultadas por meio de notas fiscais frias emitidas por terceiros. Presumem-se receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Uma vez demonstrado que a escrituração contém vícios que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, correto é o arbitramento do lucro. Devem ser deduzidos dos créditos tributários apurados os valores já recolhidos pela sistemática do SIMPLES. A aplicação de multa qualificada foi devidamente fundamentada, pois o contribuinte informou na DIPJ do ano-calendário 2003 somente valores referentes a prestação de serviços, não declarou débitos em DCTF, não comprovou a origem dos créditos ingressados em suas contas bancárias e utilizou notas fiscais frias emitidas por terceiros para a comercialização de produtos decorrentes do abate de bovinos, com o objetivo de não recolher os tributos devidos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL - AUTO REFLEXO.
Aplicam-se à CSLL as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratar-se de auto reflexo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS - AUTO REFLEXO.
Aplicam-se à COFINS as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratar-se de auto reflexo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO.
Aplicam-se ao PIS/PASEPas mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratar-se de auto reflexo.
ASSUNTO: EXCLUSÃO DO SIMPLES - PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Uma vez constatada a prática reiterada de infração à legislação tributária, impõe-se a exclusão do SIMPLES, com efeitos retroativos ao mês da ocorrência das infrações, nos termos do art. 15, V, da Lei nº 9.317/1996.
Não há previsão legal de efeito suspensivo para a manifestação de inconformidade apresentada contra ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. O art. 151 do CTN não se aplica por analogia, pois trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeita-se o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º).
Numero da decisão: 1202-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DONASSOLO Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
GERALDO VALENTIM NETO - Relator.
EDITADO EM: 22/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan (Suplente convocado) e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DECADÊNCIA NOTAS FISCAIS “FRIAS” DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTOS JÁ RECOLHIDOS PELO SIMPLES MULTA QUALIFICADA Nas situações em que for constatada conduta dolosa do contribuinte na prática de infrações tributárias, o prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É correta a imputação ao contribuinte das receitas auferidas em operações por ele realizadas e ocultadas por meio de notas fiscais “frias” emitidas por terceiros. Presumemse receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Uma vez demonstrado que a escrituração contém vícios que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, correto é o arbitramento do lucro. Devem ser deduzidos dos créditos tributários apurados os valores já recolhidos pela sistemática do SIMPLES. A aplicação de multa qualificada foi devidamente fundamentada, pois o contribuinte informou na DIPJ do ano calendário 2003 somente valores referentes a prestação de serviços, não declarou débitos em DCTF, não comprovou a origem dos créditos ingressados em suas contas bancárias e utilizou notas fiscais “frias” emitidas por terceiros para a comercialização de produtos decorrentes do abate de bovinos, com o objetivo de não recolher os tributos devidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AUTO REFLEXO. Aplicamse à CSLL as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 16 /2 00 9- 53 Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AUTO REFLEXO. Aplicamse à COFINS as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO. Aplicamse ao PIS/PASEPas mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: EXCLUSÃO DO SIMPLES PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Uma vez constatada a prática reiterada de infração à legislação tributária, impõese a exclusão do SIMPLES, com efeitos retroativos ao mês da ocorrência das infrações, nos termos do art. 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Não há previsão legal de efeito suspensivo para a manifestação de inconformidade apresentada contra ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. O art. 151 do CTN não se aplica por analogia, pois trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DONASSOLO – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. EDITADO EM: 22/10/2013 2 Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan (Suplente convocado) e Geraldo Valentim Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca elidir acórdão emitido pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO),que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do SIMPLES, que julgou procedente em parte a Impugnação, exonerando em razão da decadência o IRPJ e a CSLL lançados para os três primeiros trimestres de 2004 e as respectivas multas de ofício, bem como o PIS e a COFINS lançados para os meses de janeiro a novembro de 2004 e a respectiva multa de ofício. Originalmente foram lavrados Autos de Infração nos quais se exigia IRPJ no valor de R$ 923.708,16 (novecentos e vinte e três mil, setecentos e oito reais, e dezesseis centavos), PIS no valor de R$ 305.039,94 (trezentos e cinco mil, trinta e nove reais, e noventa e quatro centavos), COFINS no valor de R$ 1.407.882,19 (um milhão, quatrocentos e sete mil, oitocentos e oitenta e dois reais, e dezenove centavos) e CSL no valor de R$ 504.548,68 (quinhentos e quatro mil, quinhentos e quarenta e oito reais, e sessenta e oito centavos – fls. 833/930). Os Autos foram lavrados após fiscalização que teve início com o MPF n.º 08107002008.01922, com análise dos tributos relativos aos Anoscalendários 2003 a 2006, tendo em vista a exclusão do contribuinte do SIMPLES. O Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado do Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte fora emitido em 30/09/2009 (fls.507/509). Intimado em 16/10/2009 (fls.510), o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 16/11/09 (fls. 511/521), alegando, em apertada síntese, que a falta de um Auto de Infração anterior à exclusão do SIMPLES culmina em ato de nulidade, que é necessária perícia contábil para confirmar a inadequação das movimentações financeiras realizadas pelo contribuinte, além da irretroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES. Cumpre esclarecer que a fiscalização originouse de operação deflagrada pela Polícia Federal denominada de “Grandes Lagos”, na qual evidenciouse que diversas empresas frigoríficas na região de São José do Rio Preto cometiam incessantemente operações ilícitas visando a sonegação fiscal. O desenrolar da fiscalização fora descrito no Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 711/722). Vejamos: 3 Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO “Inicialmente, nos trabalhos de investigação da Polícia federal,constatouse a existência de uma grande organização criminosa, criada como objetivo de fraudar a administração tributária, cujo modus operandi é ainterposição de pessoas,físicas e jurídicas, com o objetivo de eximir ostitulares de fato do pagamento de tributos e contribuições sociais. Aspessoas interpostas movimentaram grande quantia de recursos por meio darede bancária, mediante a abertura de contas em seus nomes, masmovimentando recursos pertencentes a terceiros, titulares de fato dessesrecursos. (...) As funções de cada um no grupo variavam: havia os"cabeças", os "laranjas", os "gerentes", os servidores públicos, os"facilitadores" e os "taxistas". (...) Diante disso, a Justiça Federal demandou à Receita Federal aexecução de muitas fiscalizações, porque muitas eram aspessoas físicas ejurídicas envolvidas. Posteriormente, a Justiça Federal, a pedido da ReceitaFederal, decidiu pela quebra do sigilo bancário de todas as pessoas físicas ejurídicas (matriz e filiais) envolvidas na operação, determinando àsinstituições financeiras que fornecessem, diretamente à Delegacia daReceita Federal, as informações e documentos requisitados por meio deRequisição de Movimentação Financeira RMF. Foi nesse contexto então que foi determinada e aberta a Fiscalização em vários contribuintes pessoasfísicas e jurídicas. Com relação ao contribuinte fiscalizado, teve o seu sigilo afastadopela Justiça Federal de Jales em 05.06.2008. Com relação ao grupo que opera o Frigopoti: 1 Do Frigopoti Frigorifico Poti Ltda.: A empresa foi constituída em 13.06.2002, tendo como sócio os Srs.Carlos Roberto Cherobim, Orlando Quesada Campos e Clodoveu NicolaColombo Junior.Em 20.03.2003, retirase o sócio Clodoveu Nicola Colombo Junior eingressa o Sr. José Luiz Franzotti.Em 15.12.2003, retirase o sócio José Luiz Franzotti e ingressa a sóciaGislaine Montanani Franzotti.Em 17.06.2005, retirase os sócios anteriores e ingressa na sociedadeos Srs. Ernesto Lúcio Calegare e Otávio Hernandez Juliato.Em 31.03.2006 é nomeado o Sr. Walter Lúcio Calegari comadministrador não sócio. O citado administrador fica no cargo até01.06.2008. Os trabalhos iniciaramse em 08.07.2008, com intimação pessoal,onde foi requerido, relativamente aos anos calendário de 2003 a 2006, oseguinte: a) Livros Diários, Razão;b) Livros de Registros de Entradas e Saídas;c) Livros de Apuração do ICMS e ISS;d) Outros documentos e livros.e) Extratos bancários do período, inclusive cópia de procuraçõesoutorgadas. No mesmo dia, o contador atual da empresa, Sr. Sinval Painentregou os seguintes documentos:i) Livros de Registros de Entrada;ii) Livros de Registros de Saída;iii) Livro de Apuração de ICMS e ISS;iv) Livro Diário 002 do ano calendário de 2003 (escriturado doperíodo de 01.01.2003 a 23.05.2003);v) Livro Razão do ano calendário de 2003 (escriturado do períodode 01.01.2003 a 23.05.2003);vi) Contrato de arrendamento das instalações;vii) Notas Fiscais de saídas de 2003 a 2006;viii) Contrato social e alterações;ix) Notas fiscais de prestação de serviços. Em 25.07.2009, foi deferida uma prorrogação do prazo de mais 30dias para apresentação dos demais documentos.Em 27.08.2009, o contribuinte entrega extratos bancários do anocalendário de 2006 e informa que precisa de mais tempo para localizar osdocumentos anteriores ao ano calendário de 2005. Foi deferida umaprorrogação de prazo de mais 30 dias. 4 Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Em 26.09.2009, o contribuinte vem novamente solicitar prorrogaçãode prazo para apresentar as informações dos anos calendários 2003, 2004e 2005. Foi deferida uma prorrogação do prazo de mais 20 dias paraatendimento integral da intimação inicial. Em 24.10.2008, a empresa fiscalizada entrega o Livro Caixa 2005 e2006, com informação bancária consolidada mensalmente.Em 14.05.2009, a empresa foi intimada para justificar porque o livroDiário e Razão do ano calendário de 2003, somente possuíam informaçõesdo período de 01.01.2003 à 23.05.2003. Nesta mesma data, tendo em vista a quebra de sigilo bancáriojudicial e recebimento das informações das instituições financeiras,elaboramos uma intimação para empresa justificar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores o seguintes:a) A origem dos créditos que ingressaram nas contas bancáriasda empresa nos anos calendários de 2003 a 2006, nosseguintes valores, conforme planilhas enviadas em anexo:i) Ano calendário de 2003 = R$ 9.000,00;ii) Ano calendário de 2004 = R$ 522.161,58;iii) Ano calendário de 2005 = R$ 1.313.828,23;iv) Ano calendário de 2006 = R$ 1.589.257,34. Em 02.06.2009, a empresa solicita prorrogação do prazo paraatendimento da intimação supra por mais 60 dias, prazo este deferido.Nesta mesma data, a empresa solicita cópia do Livro Diário e Razãodo ano calendário de 2003, para atender o requerido em 14.05.2009.Em 10.06.2009, foi entregue cópia dos citados livros contábeis.Em 17.07.2009, a empresa, simplesmente, informa que em razão damudança do quadro social em 2005, não foi possível localizar osdocumentos para justificar o motivo da existência da escrituração do LivroDiário e Razão somente do período de 01.01.2003 a 23.05.2003.Em 03.08.2009, em resposta a intimação para justificar os créditos encontrados em suas contas bancárias, responde ‘cabenos asseveraque, em trabalho de apuração levado a efeito, concluiuse que acomprovação reivindicada está na escrita fiscal da empresa, escrita essaque já fora entregue a esse órgão federal’. Conforme acima descrito, a empresa entregou apenas Livros Caixados anos calendário de 2005 e 2006, com informações bancáriasconsolidadas mensalmente e Livros Diário e Razão do período de01.01.2003 a 23.05.2003, sem informações bancária. O contribuinte foi excluído do Simples, com efeitos a partir de01.01.2004, com ciência do Ato Declaratório Executivo expedido por estaDRF em 16.10.2009. 2 Da Compra de Notas Fiscais da empresa FRI• NORTE COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE CARNESLTDA (Antiga Norte RiopretenseDistribuidoraLtda) No Relatório Eletrônico da Policia Federal que foi repassado à ReceitaFederal para subsidiar as ações fiscais pertinentes há muitas mençõesempresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda (antiga NorteRiopretense Distribuidora Ltda), dentre as quais destacamos: A função da empresa no esquema A Norte Riopretense Distribuidora Ltda., assim como a DistribuidoraSão Paulo, é uma empresa utilizada para emitir notas fiscais "frias" que embasam operações comerciais de compra de gado e venda de carne e couro de 5 Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO váriosfrigoríficos, com o fim de ocultar o verdadeiro responsável por estas operações. Alémdisso, fornece notas fiscais a pessoas que geram créditos fictícios de ICMS. Aempresa também é utilizada para registrar empregados de terceiros que não desejamarcar com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Por fim, a empresa tem um frigorifico que realmente opera, em Sud Menucci. Estefrigorifico, no entanto, não pertence a Valder Antônio Alves, mas sim a Alberto Pedroda Silva Filho, que não consta do quadro societário da Norte Riopretense ou da Distribuidora São Luiz. O frigorifico é colocado em nome da Norte Riopretense paralivrar o seu verdadeiro dono do pagamento de tributos.(...) Em seu depoimento a Policia Federal de Jales, a Sra. Karla ReginaChiavatelli diz:“..., a interrogada foi contratada na data de 24/03/2004 por VINICIUS DOSSANTOS VULPINI para prestar serviços, como auxiliar de escritório, na empresadenominada NORTE RIOPRETENSE DISTRIBUIDORA LTDA., (...)esclarece ainterrogada, após estar trabalhando naquela empresa, percebeu que seussalários eram pagos pela empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES EDERIVADOS SAO PAULO, bem como que seu verdadeiro patrão, pelo quetambém fora esclarecida pelos demais empregados, era o senhor VALDER ANTONIO ALVES, vulgo "MACACÚBA"; (...)QUE, ainterrogada sempre que remetias as notas fiscais para as empresas interessadas,mediante dados passados por fax, recebia dos mesmos outras notas fiscais,estas de retorno e de remessa, isto orientada pelo senhor OSVALDINO DEQUADROS PEIXOTO, conhecido apenas por PEIXOTO, funcionário da partefiscal da empresa NORTE RIOPRETENSE; QUE, a interrogada prestava seusserviços na empresa NORTE RIOPRETENSE, na qual PEIXOTO ia comconstância, passava ordens, porém sabendo a interrogada que o verdadeiro donode tudo era o senhor VALDER ANTONIO AVLES, vulgo "MACAÚBA"...."(...) Em suas declarações dadas nesta DRF, em 05.11.2007, a Sra.Jaqueline Vilches da Silva diz:"...A depoente trabalhou na empresa denominada Frinorte Comércio eDistribuidora de Carnes Ltda. (antiga NorteRiopretense), CNPJ n. 201.552.024/000116, de Maio de 2005 a Outubro de 2006, na qual exercia afunção de Auxiliar de Escritório. Interrogada sobre as atividades da FriNorte,informou: Que a atividade da empresa se resumia em emitir notas fiscais para osseguintes frigoríficos, da seguinte forma:1 Frigopoti — da cidade de Potirendaba SP:Recebiam por meio de fax a relação contendo os clientes e respectivasquantidades de mercadorias (carne, couro e barrigada), para emissão das notafiscais. Os taxistas utilizavam as instalações do frigorifico para o abate de bovinose depois vendiam a mercadoria. Nos controles internos da Frinorte, o códigoutilizado pela Frogopoti era o de n.g 7..." Em outro trecho afirma:"....Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa, foiapresentado uma relação à depoente, extraída dos arquivos magnéticosapreendidos na FriNorte, na qual constam os códigos dos "clientes"(compradores de notas) da FriNorte e dos frigoríficos onde eram realizados osabates. A depoente afirma, com convicção, que a listagem corresponde com asituação de fato, ou seja, os códigos constantes da lista apresentada são osmesmos que ela utilizava na confecção das notas fiscais da FriNorte "" Indagada sobre a prática de compra e venda de gado e subprodutos doabate pela FriNorte, informou: Que não tem conhecimento e não presenciounenhuma transação desta natureza. Relatou também que as câmaras frias daempresa eram utilizadas tão somente para guardar notas fiscais e demaisdocumentos, ou seja, o único objetivo da FriNorte era vender notas fiscais paraos clientes.Indagada sobre o valor cobrado pela FriNorte para emissão de notas fiscais,informou: Que o valor praticado era de R$ 4,00 (quatro) reais por cabeça de gadobovino " 6 Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Com base nas informações acima e tendo em vista a retençãofeita em 31.10.2006, das notas fiscais na empresa FriNorte Comércio eDistribuidora de Carnes Ltda. (antiga Norte Riopretense Distribuidora Ltda.),elaboramos as listagens abaixo, com as notas fiscais de compra e vendacontendo o código "7" (Frigopoti) (...). Foram localizada uma grande quantidade de Notas Fiscais, comvalores de venda de R$ 490.711,21 no Ano Calendário de 2003, R$1.868.806,78 no Ano Calendário de 2004, R$ 7.318.808,65 no AnoCalendário de 2005 e R$ 1.513.699,54 no Ano Calendário de 2006. Após isso, intimamos alguns clientes e fornecedores no sentido de confirmar de quem realmente eles tinham comprado ou vendido produtos equem era a pessoa de contato. (...). Em depoimentos nesta DRF, os sócios da empresa fiscalizadaafirmaram que teriam arrendado as instalações do frigorifico para aempresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., entretanto talafirmação é fantasiosa, pois a empresa FRINORTE somente comercializavanotas fiscais. Tal conclusão foi confirmada pela própria funcionáriaJaqueline Vilches da Silva. Da Busca e apreensão realizado pela Policia Federal de Jales em05.11.2006, realizado na empresa FriNorte Comércio e Distribuidora deCarnes Ltda. (antiga Norte Riopretense Distribuidora Ltda.), foramlocalizados diversos documentos relacionado com a empresa fiscalizadae/ou outras empresas do grupo, especialmente fax enviado da empresaDiscar Distribuidora de Carnes Catanduva (da qual são sócio o ErnestoLucio Galegare e Walter Lúcio Galegari) solicitando emissão de notas fiscaispara determinado cliente. Nos arquivos encontrados no computador queemitia notas fiscais da FriNorte (antiga Norte Riopretense) existe notafiscal de venda naquele dia e para aquele cliente. Este fato confirma odepoimento dado pela Jaqueline Vilches da Silva, funcionária da empresaFri Norte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. (antiga NorteRiopretense Distribuidora Ltda.). Com relação ao pagamento da compra de gado com nota da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. (antiga Norte RiopretenseDistribuidora Ltda.), localizamos na conta corrente do Sr. Ernesto LúcioCalegare, na Caixa Econômica Federal, uma lista de TED enviado a váriaspessoas físicas. Analisando os nome da citada lista, verificase que todospossuem atividade rural declarada e, por amostragem, foi confirmado queos pagamentos referemse a compra de gado e que as notas entradasforam emitidas pela empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de CarnesLtda. (antiga Norte Riopretense Distribuidora Ltda.). A empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. (AntigaNorteRiopretense) foi declarada INAPTA, inexistentes de fato, em29.07.2008, através do ADE n. 0 68 desta DRF. Portanto, conforme acima demonstrado, a empresa fiscalizadautilizou as notas fiscais emitida pela empresa FriNorte Comércio eDistribuidora de Carnes Ltda. (antiga Norte Riopretense Distribuidora Ltda.)para compra de gado e comercialização dos produtos e subprodutosfrigoríficos (...).” 7 Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Após novo pedido de prorrogação de prazo (fls. 726), o Recorrente esclareceu que: (i) não mantinha Livro Diário para o ano calendário de 2004, eis que optante pelo SIMPLES; (ii) discorda com as insinuações do Termo de Constatação e Intimação, pois não há elemento que embase as acusações; (iii) as notas exibidas no Termo não guardam nenhuma relação com o contribuinte (fls.742). Na sequência, o Auditor Fiscal emitiu Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 812/832),no qual aplicou o arbitramento do lucro nos termos do artigo 530, I do RIR/99, uma vez que o contribuinte apresentou ‘apenas alegações genéricas, não apresentando os livros e documentações exigidos, nem justificativas hábeis e idôneas para os créditos encontrados em suas contas correntes’. Para o cálculo do lucro utilizouse as determinações dos artigos 532 e 518 do RIR, aplicandose o percentual de 9,6% (8% acrescido de 20%) sobre a receita bruta conhecida (fls.828/830). Ademais, restou consignado pelo Auditor que houve flagrante intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, haja vista que a empresa fiscalizada utilizou interpostas pessoas para efetuar a comercialização de produtos e subprodutos sem pagamento dos tributos devidos, e ainda não comprovou os créditos encontrados em suas contas corrente no período. Assim, aplicouse o agravamento da multa de ofício em 150%, na forma prevista no art. 44, II da Lei n.º 9.430/96, bem como dos artigos 71,72, e 73 da Lei 4.502/64. Houve também representação fiscal para fins penais. Ato contínuo, foram lavrados os Autos de Infração supramencionados (fls. 833/930). Inconformado, o ora Recorrente apresentou Impugnação aos Autos de Infração em 02/03/10 (fls. 950/988), na qual alegou o seguinte: Nulidade do processo administrativo em razão da irregularidade na imputação rogada à Recorrente, sem que, antes ou concomitantemente, se esgotasse eventual apuração em face da pessoa jurídica FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda.; Nulidade das provas produzidas às fls. 1202 e 1203 do Anexo I. Ausência de Termo de Início de Fiscalização ou de Mandadode Procedimento Fiscal relativamente à pessoa de ERNESTO LOCIOCALEGARE. Violação ao sigilo bancário. Terceira pessoanão incluída na autuação. Agressão aos direitos da personalidade,privacidade e intimidade; Vício do procedimento fiscal. Ultraje ao direito à ampladefesa no âmbito da representação penal que implicou na quebrade sigilo bancário; Agressão ao direito à privacidade e à intimidade (CF, art.5 0, X); Ofensa aos princípios do devido processo legal (CF/88, art.5°, LIV) e do contraditório (CF/88, art. 50, LV); Necessidade de suspensão do processo administrativo até afinalização da Manifestação de Inconformidade que questiona aexclusão do Simples. Prejudicialidade entre a exclusão ea autuação fiscal; 8 Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Fruição do prazo decadencial. Aplicação do artigo 150, § 4° do CTN; Impertinência do lançamento fiscal. Inexistência dos fatos apontados pela fiscalização. Inexpressividade de provas a atestar que a Impugnante realizou operações valendose de notas fiscais tidas por irregulares;Irregularidade no arbitramento do lucro. Impossibilidade de atribuir à Impugnante a responsabilidade por notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica Frinorte Comércio e Distribuidora de ames Ltda. Irregularidade no arbitramento ou na fixação da base de cálculo em razão da satisfação das exigências; Inviabilidade do arbitramento de lucros patrocinadopela fiscalização. Presença da Impugnante no Simples Federal. Satisfação das exigências fiscais. Exclusão com efeitosretroativos que não se sustenta. Impossibilidade que a exclusãoposterior constituadireito ao arbitramento; Equívoco na inclusão das receitas declaradas nabase de cálculo do IRPJ; Inviabilidade do agravamento da multa de oficio. Incompatibilidade entre o agravamento e o sistema de arbitramento agitadopela fiscalização. Inexistência, ademais, de comportamento fraudulento. Ao julgar a Impugnação, a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) reconheceu a decadência o IRPJ e a CSLL lançados para os três primeiros trimestres de 2004 e as respectivas multas de ofício, bem como o PIS e a COFINS lançados para os meses de janeiro a novembro de 2004 e a respectiva multa de ofício. Na mesma oportunidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples (Fls. 4374/4398).A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA NOTAS FISCAIS “FRIAS” – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTOS JÁ RECOLHIDOS PELO SIMPLES MULTA QUALIFICADA Nas situações em que for constatada conduta dolosa do contribuinte na prática de infrações tributárias, o prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É correta a imputação ao contribuinte das receitas auferidas em operações por ele realizadas e ocultadas por meio de notasfiscais “frias” emitidas por terceiros. Presumemse receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Uma vez demonstrado que a escrituração contém vícios que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, correto é o arbitramento 9 Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO do lucro. Devem ser deduzidos dos créditos tributários apurados os valores já recolhidos pela sistemática do SIMPLES. A aplicação de multa qualificada foi devidamente fundamentada, pois o contribuinte informou na DIPJ do anocalendário 2003 somente valores referentes a prestação deserviços, não declarou débitos em DCTF, não comprovou a origem dos créditos ingressados em suas contas bancárias e utilizou notas fiscais “frias” emitidas por terceiros para a comercialização de produtos decorrentes do abate de bovinos, com o objetivo de não recolher os tributos devidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatosapurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões quederam fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando nãohouver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004,31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004,30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005,31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005,30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006,31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006,30/11/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO. 10 Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatosapurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões quederam fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando nãohouver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS ECONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENOPORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃOÀ LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA SUSPENSÃO DO PROCESSOADMINISTRATIVO. Uma vez constatada a prática reiterada de infração à legislação tributária,impõese a exclusão do SIMPLES, com efeitos retroativos ao mês daocorrência das infrações, nos termos do art. 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Não há previsão legal de efeito suspensivo para a manifestação deinconformidade apresentada contra ato declaratório executivo de exclusãodo SIMPLES. O art. 151 do CTN não se aplica por analogia, pois trata desuspensão da exigibilidade do crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo sido intimada em 13/04/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 4412/4451) em 10/08/2012, merecendo destaque as seguintes alegações: 1 – Nulidade do processo administrativo fiscal em razão da ausência de MPF válido para a lavratura do Auto de Infração, eis que o MPF diz respeito apenas à exclusão do Simples, além de ter sido expirado. A inovação na matéria fere, portanto, a segurança jurídica.O não envio dos autos, após a propositura de Manifestação de Inconformidade, a uma Delegacia de Julgamento fere o principio do devido processo legal. 2 Irregularidade decorrente do não esgotamento de eventual apuração em face da pessoa jurídica FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda.Sem a constatação de que a empresa FriNorte não realizou as vendas mediante procedimento administrativo próprio e com tal empresa na regularidade processual passiva tornase no mínimo precipitado lançar qualquer ilação a esse respeito. 11 Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Cumpriria a fiscalização certificarse de que as relações jurídicas mencionadas neste Auto de Infração (Compras e vendas) efetivamente não foram objeto de escrituração e tributação por parte da empresa FriNorte. Nesse contexto é preciso rechaçar a assertiva mencionada no julgamento tributário, segundo a qual a declaração de inaptidão do CNPJ e inidoneidade dos documentos fiscais são aplicáveis às operações comerciais amparadas nos documentos fiscais por ela atingidos por conforme enfatizado na defesa a declaração se passou por ADE n.° 68 de 29 de julho de 2008 Nada explica ou justifica a retroação dos efeitos da declaração para atingir fatos pretéritos, nem mesmo a vontade da fiscalização e do julgamento em atribuirlhe tal conotação, pois o principio da irretroatividade da norma impede definitivamente a pretensão fiscal. Sublinhese ser absolutamente impertinente a assertiva de que as notas fiscais emitidas pela FriNorte com código “7” foram utilizadas pela Recorrente para acobertar operações com terceiros, de modo que a invocação do Ato Declaratório constituise mais do que simples complemento argumentativo para inserirse como principal fundamentação da autuação. A nulidade processual decorrente da ausência de formalização de procedimento administrativo para apuração dos fatos em relação à FriNorte se instala inexoravelmente para que reformada a r. decisão seja anulada a ação fiscal desde o início 3 Nulidade de provas produzidas às fls. 1202 e 1203 do Anexo I. Ausência de Termo de Início de Fiscalização ou de Mandado de Procedimento Fiscal relativamente à pessoa de Ernesto Lúcio Calegare. Violação ao sigilo bancário. Terceira pessoa não incluída na autuação. Agressão aos direitos da personalidade. 4 Vicio no procedimento fiscal. Ultraje ao direito à ampla defesa no âmbito da representação penal que implicou na quebra de sigilo bancário já que não fora garantido ao recorrente direito de defesa. 5 Agressão ao direito à privacidade e à intimidade (CF art. 5, X). Ofensa aos princípios do devido processo legal (CF/88 art. 5°, LIV) e do contraditório (CF/88, art. 5° LV). 6 Impertinência da Exclusão do Simples. Lavratura do Auto de Infração posteriormente ao Ato Declaratório de Exclusão. Procedimento anacrônico e inválido da fiscalização. Impertinência das acusações. Ausência de motivos para Exclusão. Irretroatividade dos efeitos da exclusão do Simples. Inadmissibilidade de reputarse a exclusão a partir da ocorrência dos fatos. 7 Fluência do prazo decadencial. Aplicação do artigo 150, parágrafo 4° do CTN. Inexistência de fraude dolo ou simulação. 8 Impossibilidade de atribuir ao contribuinte obrigações acessórias antes da exclusão do Simples. 9 Impertinência do lançamento fiscal. Inexistência dos fatos apontados pela fiscalização. Inexpressividade de provas a atestar que a Recorrente realizou operações valendo se de notas fiscais tidas por irregulares. 12 Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Não há vinculação entre as operações realizadas pela FriNorte e as realizadas pela Recorrente. O lançamento é fruto de um préjulgamento influenciado pela truculência da operação policial que inseriu na mira das investigações empresas do setor frigorifico entre as quais a FriNorte. O relatório emitido pela Policia Federal tem nítido caráter subjetivo desprovido de valor probante objetivo. Assim como são inespecíficos os depoimentos prestados pelas Sras. Karla Regina Chiavatelli e Jaqueline Vilches da Silva em relação à Recorrente. O lançamento tributário não especifica os pontos em que a ligação entre a Recorrente e a FriNorte estariam evidenciados limitandose a indicar em tom genérico e evasivo. Assim como também não existe indício incluindo a Recorrente nas informações prestadas pelos produtores/açougues na investigação policial. A Recorrente também alega que a análise por amostragem feita nas operações que ocorrem na conta corrente do Sr. Ernesto Lúcio Calegare comprova que a fiscalização acusou sem nada provar, posto que as acusações não ecoaram na prova produzida. Assim, inexistem elementos probatórios aptos a atestar as impertinentes acusações de que a Recorrente utilizarase de notas fiscais emitidas pela FriNorte, razão pela qual o auto deve ser julgado insubsistente. 10 Irregularidade no arbitramento do lucro. Impossibilidade de atribuir à Recorrente responsabilidade por notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica FriNorte. Irregularidade no arbitramento ou na fixação da base de cálculo em razão da satisfação das exigências. Não se pode exigir da Recorrente a satisfação de obrigação instrumental do período em que juridicamente estava incluída no Simples. Ademais, as acusações que amparam o lançamento tributário são infundadas. Não havendo responsabilidade da Recorrente por atos praticados pela FriNorte, a inclusão dos valores referentes às notas fiscais emitidas por tal pessoa jurídica na base de cálculo é abusiva. Assim, seja por conta da irregularidade no arbitramento do lucro em razão da higidez da escrituração contábil da Recorrente seja em razão da impossibilidade de se incluir na base de calculo valores correspondentes às notas fiscais emitidas pela empresa FriNorte, o Auto de Infração é insubsistente ou comporta alteração por expurgo dos excessos na eleição dos critérios que compõem a base de cálculo 11 Inviabilidade do Arbitramento de Lucros promovido pela fiscalização. Presença do recorrente no Simples. Satisfação das exigências fiscais. Exclusão com efeitos retroativos que não se sustenta. Impossibilidade que a exclusão posterior constitua direito ao arbitramento. 13 Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO A Recorrente entende que somente se a mesma se recusasse a exibir à autoridade tributaria os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal exigida para empresas optantes pelo Simples Federal é que se poderia buscar o arbitramento do lucro. Assim, não podia a fiscalização ter exigido a apresentação de diversos documentos os quais a Recorrente não estava obrigada a manter. Desse modo não se sustenta a alegação de que a Recorrente deixou de apresentar livros e declarações exigidos motivo pelo qual o arbitramento realizado nos moldes do art. 530, I do RIR/99 é impertinente. 12 Equívoco na inclusão das Receitas declaradas na base de cálculo do IRPJ. As receitas declaradas não poderiam ingressar na base de cálculo da exação porque já devidamente escrituradas e tributadas. 13 Inviabilidade do agravamento da multa de ofício. Incompatibilidade entre o agravamento e o sistema de arbitramento agitado pela fiscalização. Inexistência ademais de comportamento fraudulento. Na hipótese de manutenção do lançamento devese extinguir a multa de ofício agravada eis que incompatível o agravamento da multa com o arbitramento do lucro com amparo na receita bruta eis que o mesmo se trata de presunção. Se a metodologia do auto de infração implica em presunção a argumentação concentrada na suposta fraude tornase incompatível. Não se pode a um só tempo presumir a ocorrência de determinada situação e concomitantemente reputarse verdadeiros determinados fatos. No caso em tele deve ser aplicada a sumula 14 do Conselho Administrativo. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas pela Recorrente. Ausência de Nulidade no Processo Administrativo 14 Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Alega a Recorrente que o presente processo administrativo não seria válido, já que o Mandado de Procedimento fiscal (“MPF”), que iniciou a fiscalização, destinavase a verificar o cumprimento dos requisitos para manutenção no Simples Federal. Alega também que o MPF havia expirado e ainda que o mesmo Mandado havia sido utilizado para fundamentar dois Autos de Infração em dois processos distintos. Contudo, não assiste razão à Recorrente. Este E. CARF tem posição predominante de que o MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. Transcrevo duas decisões deste E. CARF nesse sentido: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva – não grifado no original). VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior – não grifado no original) 15 Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Outrossim, em que pese a alegação de que o MPF em questão tenha sido fundamento para a lavratura do Auto de Infração exigidos em outro processo administrativo não há qualquer prova nos autos que indique tal acontecimento. Assim, resta afastada a preliminar de nulidade. Não Esgotamento de Apuração em Face da PessoaJurídica FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. A Recorrente entende que a autoridade autuante deveria ter se assegurado, como fiscalização independente, de que a empresa FriNorte não realizou as vendas imputadas à Recorrente antes de ter presumido que tais operações tenham sido feitas pela Recorrente. Ademais, alega que houve equívoco da fiscalização ao lançar os tributos diretamente contra a Recorrente. A autoridade autuante poderia, no máximo, ter lançado a Recorrente como responsável solidário da ilação. Aduz ainda que o Ato Declaratório Executivo que declarou a inaptidão da FriNorte data de 29/07/2008, sendo descabida sua retroação para atingir fatos geradores ocorridos nos anos de 2004 a 2006. A Recorrente também não possui razão neste ponto. Restou comprovado nos autos, através de provas documentais e testemunhais, que as Notas Fiscais emitidas pela FriNorte com o código “7” são notas “frias” que ocultaram operações comerciais realizadas pela Recorrente, devendo os créditos tributários serem lançados em face desta empresa, eis que foi a mesma quem realizou a atividade econômica tendo relação direta com os eventos ocorridos no mundo fenomênico. Como muito bem destacado pelos Ilmo. Julgadores a quoa Recorrente é o contribuinte nos termos do artigo 121, I do CTN. Outrossim, o fato de a fiscalização ter mencionado o Ato Declaratório Executivo SRF/São José do Rio Preto n.º 68/2008 não vincula referida decisão à imputação das operações comerciais à Recorrente, apenas reforça o fato de que a FriNorte apenas emitia Notas Fiscais visando acobertar as verdadeiras operações que eram realizadas pela Recorrente. Logo, a discussão acerca da retroatividade dos efeitos do Ato Declaratório não gera consequências para o presente processo. Ainda que assim não fosse, ressaltase que a retroatividade está prevista expressamente na Instrução Normativa SRF 200/2002, vigente à época dos fatos, em seu artigo 43, §3°, cabendo à Administração aplicála, eis que se trata de norma vigente e eficaz. Assim, não há que se falar em nulidade do presente processo ante a falta de formalização de procedimento administrativo para apuração dos fatos em relação à FriNorte. Validade das Provas produzidas 16 Fl. 4549DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Não obstante as razões acima exaras, a Recorrente também alega que o Auto de Infração é nulo pois se baseou em provas ilícitas. Como não houve MPF ou Termo de Início de Fiscalização em face do Sr. Ernesto Lúcio Calegare, a Recorrente entende que a quebra do sigilo bancário de um de seus sócios é ilegal e macula a exigência. Contudo, deve se observar que as provas obtidas no curso da fiscalização tem amparo judicial, sendo perfeitamente possível a fiscalização averiguar os atos praticados pela pessoa física na condução do negócio da Recorrente. Havendo autorização judicial para quebra do sigilo bancário e fiscal do Sr. Ernesto não há que se falar em afronta ao devido processo legal e tampouco aos direitos à intimidade e à privacidade. Nessa mesma linha a Recorrente requer a anulação do Auto de Infração por entender que as Requisições de Informações de Movimentação Financeira em seu nome, obtidas diretamente perante as instituições bancárias, fere o princípio do amplo processo legal, já que a autorização para a quebra do sigilo bancário fora realizada no curso de processo no qual não houve contraditório. A discussão acerca da constitucionalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes pelas instituições financeiras diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, está sendo examinada no Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de Recurso Extraordinário (RE nº 601314), o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 23/10/2009, e que aguarda ainda julgamento de mérito. O Auditor Fiscal agiu nos exatos termos da lei com fundamento em decisão judicial válida. Vale lembrar que poderia ser hipótese de sobrestamento caso não houvesse decisão judicial válida, o que não foi o caso. Assim, não cabe à Administração analisar violações de direito ocorridas no curso de Processo Judicial,mas apenas cumprir com o que fora determinado. Logo, afasto também o pedido da Recorrente em anular os autos de infração por entender que os mesmos foram lastreados em provas obtidas sem observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Inexpressividade das provas ARecorrente alega que o relatório da Polícia Federal elaborado na investigação da operação “Grandes Lagos” não denota objetividade e por esse motivo carece de valor probante. No mesmo sentido diz que os depoimentos prestados, seja por funcionários das empresas, seja por pecuaristas, não possuem status de coisa julgada penal e assim são 17 Fl. 4550DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO somente vagas e inexpressivas declarações e, por esse motivo, não poderiam ser utilizadas pela fiscalização. Ocorre que a fiscalização apesar de pautarse no relatório da Polícia Federal realizou diversas diligências para o fim de obter provas. Além disso, em todo o curso do procedimento fiscalizatório foi dada oportunidade para que a Recorrente se manifestasse e esclarecesse a origem dos valores indicados nas notas “frias”. Na mesma linha não se pode permitir que a falta de coisa julgada penal escuse a Recorrente de arcar com suas obrigações tributárias. A investigação policial averiguará responsabilidades na seara criminal sendo de competência judicial eventual condenação, já o presente processo analisou se os fatos visando apurar eventuais sonegações e descumprimentos da legislação tributária. Desse modo, ao contrário do que alega a Recorrente a Autoridade Fiscal apresentou trabalho minucioso no sentindo de averiguar todos os documentos e depoimentos colhidos no curso da investigação policial e na ação fiscal, e chegou à robusta conclusão de que houve fraude por parte da Recorrente ao utilizar notas “frias” emitidas por terceiro com nítido intuito de sonegação. Da Exclusão do SIMPLES A Recorrente alega que a exclusão do Simples fora impertinente já que, inexistindo lançamento tributário contemporâneo ao ato de exclusão do Simples, o ato é eivado de nulidade. Outrossim, entende que os livros e registros contábeis não demonstram qualquer incompatibilidade entre o declarado e o movimentado nas contas correntes, pertencendo à fiscalização o ônus de comprovar a irregularidade. Ademais, entende que não se pode atribuir ao contribuinte obrigações acessórias antes da sua exclusão do Simples.Ainda que se admita a legalidade na retroação dos efeitos da exclusão do Simples,não há dúvidas que os efeitos são exclusivamente materiais e não instrumentais. Assim, a exigência de apresentação de livros e cumprimento de demais obrigações acessórias é absolutamente descabida por impossível. E, fundamentandose no artigo 106 do CTN, a Recorrente entende que não deve prosperar a retroação dos efeitos da exclusão a partir de 01/01/2004. Compulsando os autos e as provas acostadas, entendo correta a exclusão do contribuinte do Simples. Restou evidenciado que costumeiramente a Recorrente omitiu receitas e ainda utilizou notas “frias” de terceiros na comercialização de seus produtos. Assim, comprovada a ocorrência de práticas reiteradas de infração à legislação tributária deve a Autoridade Administrativa promover a exclusão com base nos arts. 14, V e 15, V da Lei 9.317/1996. Nesse sentido é o entendimento deste Conselho, verbis: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2001, 2006 SIMPLES EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À 18 Fl. 4551DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS o decidido no Processo Administrativo Fiscal em que tramita o lançamento tributário aplicase ao PAF em que se discute a exclusão do SIMPLES e viceversa. Recurso Voluntário Negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão n.º 10809746 do Processo 11844000048200525. Data 16/10/2008. Logo, não deve prosperar o alagamento de que o Ato Declaratório de Exclusão padece de ilegalidade, pois fora emitido antes do Auto de Infração, já que aquele não depende deste para existir, como ressaltado, bastando a comprovação das práticas ilegais do contribuinte. Outrossim, caso assim não fosse o Auto de Infracção seria ineficaz já que os tributos ali exigidos seriam calculados na Sistemática do Simples, o que não faz sentido. No que diz respeito à impossibilidade de retroação dos efeitos do Ato Declaratório de exclusão do Simples, também não assiste razão à Recorrente. A legislação de regência da Sistemática Simplificada impõe que a exclusão surte efeitos a partir inclusive do mês de ocorrência das infrações. Desse modo, cabe à Autoridade Administrativa a aplicação da lei, eis que válida e eficaz. Por fim, deve se esclarecer que a aplicação do artigo 106 CTN mencionado pela Recorrente diz respeito apenas à lei e não a ato administrativo, como é o caso do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES. Esse também é o entendimento deste C. Conselho: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO Os efeitos da exclusão podem ser retroativos nos termos da legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 30238979 do Processo 13924000286200312. Data 13/09/2007.) Desse modo, deve ser mantida nesse aspecto a r. decisão recorrida, mantendose a exclusãoda ora Recorrente do Simples. Decadência A Recorrente alega que por se tratar de lançamento por homologação o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS estão sujeitos à aplicação do § 4°do artigo 150 do Código Tributário Nacional (“CTN”) e que, por esse motivo, teria ocorrido a decadência dos fatos geradores ocorridos antes de 22 de dezembro de2004. 19 Fl. 4552DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Ocorre que referido paragrafo não deve ser aplicado nos casos em que ocorrer dolo, fraude ou simulação. Desse modo, haja vista que reiteradamente a ora Recorrente omitiu receitas relativas a depósitos bancários de origem não comprovadas e utilizou notas “frias” emitidas por terceiros para comercialização de produtos decorrentes do abate de bovinos, resta evidenciado o intuito de burlar a fiscalização buscando a sonegação do imposto. Logo, a atitude do contribuinte encaixase nos artigos 72,73 e 74 da Lei 4.502/64. Assim, não assiste razão à Recorrente ao alegar a decadência dos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a julho de 2006, eis que afastada a aplicação do parágrafo 4° do artigo 150 em favor do artigo 173, I do CTN. Nesse sentido é o entendimento deste E. Conselho: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ANOCALENDÁRIO: 2004. DECADÊNCIA. Comprovado que a omissão de receita foi praticada dolosamente, a decadência dos tributos e contribuições integrantes do simples rege se pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferirem os preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (1ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão n.° 120100451 do Processo 11444000852200941, Data 31.03.2011)” (não grifado no original). Deve, portanto, ser mantida r. decisão da DRJ, que reconheceu a decadência para os três primeiros trimestres de 2004 no que se refere ao IRPJ e à CSL. No que diz respeito ao PIS e à COFINS, decaiu o direito de a Autoridade Fazendária exigir os créditos tributários que ocorreram antes de dezembro de 2004, como decidido pela DRJ. Irregularidade no Arbitramento do lucro e na apuração da base de cálculo do IRPJ Alega a Recorrente que a Autoridade Fiscal não poderia ter arbitrado o lucro, já que o contribuinte mantinha escrituração regular nos moldes como determina a legislação do Simples. Ainda que se admitia sua exclusão, a retroação de efeitos dessa penalidade não pode ser instrumental, mas apenas material, não podendo assim ser exigida uma reescrituração contábil. Porém, como demonstrado acima, a utilização de notas “frias” emitidas por terceiros macula toda a escrituração contábil da Recorrente, sendo perfeitamente cabível incluir o valore dessas operações na base de cálculo dos tributos devidos pela Recorrente. E, essa mesma fraude é motivo suficiente para a inutilização da escrituração contábil apresentada pela Recorrente. Frisese em todo o período que fora fiscalizado o contribuinte permaneceu de maneira ilegal no Simples. Além disso, não se pode admitir que a exclusão do sistema simplificado atinja somente a obrigação principal, permanecendo as obrigações acessórias reguladas pelas normas relativas ao Simples. 20 Fl. 4553DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 Portanto o arbitramento do lucro se mostra corrente já que a escrituração apresentada não se presta à apuração do lucro real. Nessa linha segue entendimento deste E. CARF: EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em face da exclusão da empresa do SIMPLES e na inexistência de escrituração regular, correta a exigência do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita ou rendimento a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. (Acórdão nº 10709224 do Processo 10950000538200632. Data 08/11/2007). Ademais, a Recorrente sustenta que na apuração da receita bruta a Autoridade Fiscal computou indevidamente o valor das receitas já declaradas, pois as mesmas já teriam sido escrituradas e tributadas. Requer, assim, a exclusão desses valores da base de cálculo. Contudo, referidas receitas foram apuradas pela sistemática do Simples,mas o contribuinte não pode submeter suas receitas a essa sistemática, haja vista o Ato Executivo Declaratório de Exclusão. Logo, tais receitas devem ser somadas às receitas omitidas. Todavia, cumpre consignar que ao final da apuração devem ser excluídos os valores já recolhidos para cada um dos tributos como acertadamente afirmou a r. decisão da DRJ. Incompatibilidade da aplicação da multa qualificada A Recorrente afirma que na hipótese de manutenção do lançamento devese extinguir a multa de ofício agravada, eis que incompatível com o arbitramento do lucro com amparo na receita bruta, pois o mesmo se trata de presunção já que não se pode a um só tempo presumir a ocorrência de determinada situação e concomitantemente reputarse verdadeiros determinados fatos, devendo ser aplicada a Súmula 14 deste C. Conselho, segundo a qual “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a 21 Fl. 4554DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Todavia, entendo não ser aplicável ao caso referida súmula, na medida em que é expresso que a multa qualificada não deve ser aplicada nos casos em que não resta comprovado evidente intuito de fraude. Desse modo, restando comprovada a atitude fraudulenta da Recorrente em omitir receitas e utilizar notas “frias” emitidas por terceiro, a Recorrente não pode se socorrer deste postulado, devendo ser mantida a penalidade aplicada. Do mesmo modo também não assiste razão à Recorrente em alegar que a aplicação de multa é incompatível com o arbitramento do lucro, já que este se trata de presunção e a aplicação de multa exige prova concreta de fraude, isso porque, neste momento, não restam dúvidas da atuação dolosa e fraudulenta praticada. Este C. Conselho também entende no sentido da aplicação da multa qualificada quando resta demonstrado a intenção de fraudar o Erário: (...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10808477 do Processo 10670001502200299, Data: 12/09/2005). (não grifado no original) Assim, concordo neste ponto com a decisão recorrida e mantenho a multa de ofício no percentual qualificado. Portanto, em vista de todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntario interposto pela Recorrente, mantendo o acórdão recorrido em sua integralidade. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator 22 Fl. 4555DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 4.534 23 Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10166.005908/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PIS NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS.
Para o ano-calendário de 2008, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não-cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. Para o anocalendário de 2008, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 59 08 /2 00 8- 36 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 142 2 Relatório Por economia processual transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/Brasília, por bem refletir os fatos acontecidos até aquela decisão. Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Créditos da contribuição para o PIS, no valor de R$ 185.251,91, referente ao 1º trimestre de 2008. Entretanto, em 29/04/2008, a interessada transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) nº 05007.17662.290408.1.1.108669, o qual anexou a este processo. Posteriormente, em 05/03/2010, encaminhou a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 40398.71277.050310.1.3.107606, retificada pela DCOMP nº 37670.55765.100610.1.7.109310, em que identifica como crédito o pleiteado por meio do PER retromencionado. No Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort, de 13/07/2011, a autoridade tributária decidiu considerar não formulado o Pedido de Ressarcimento de fl. 01, não homologar a declaração de compensação apresentada e indeferir o pedido eletrônico de ressarcimento, sob o entendimento de que a receita apresentada pelo contribuinte, decorrente de serviço de transporte metroviário, não se enquadra no regime de incidência não cumulativa, nos termos dos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Ressalta, ainda, que, no tocante ao primeiro item, cabe interposição de recurso nos termos dos arts. 56 e 59 da Lei nº 9.784/99, e, no que tange ao indeferimento do PER e à nãohomologação da declaração de compensação, cabe a interposição de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasília em 12/08/2011, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 13/09/2011. Nesta, expressa o entendimento de que o art. 10, XII, da Lei nº 10.833/2003 trata da Cofins e não do PIS/Pasep, que é o objeto de seu pleito, e que o fisco teria estendido a vedação relativa à Cofins à contribuição para o PIS, por analogia, o que é vedado pela legislação tributária. Acrescenta, ainda, que o METRÔ/DF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo lucro real, que se enquadra, por conseguinte, na hipótese do art. 8º, I, da Lei nº 10.637/2002, o qual permite a incidência da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo. Além disso, alega a requerente que as autoridades competentes da RFB somente poderiam ter indeferido o PER caso o contribuinte não houvesse utilizado o programa PER/DCOMP, como determinado na legislação de regência. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 143 3 Menciona, também, que a redação confusa e contraditória, além de esparsa, da legislação relativa à contribuição para o PIS e à Cofins, induz o contribuinte de boafé ao erro. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade interposta, o deferimento do pedido de ressarcimento apresentado, a homologação da compensação declarada e a abstenção de qualquer representação ou inscrição em dívida ativa ou em cadastros administrativos ou, ainda, de execução judicial ou extrajudicial do contribuinte. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília, por unanimidade de votos, decidiu pela sua improcedência com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. As receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência nãocumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a citada decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 107/116, no qual repete exatamente os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Abaixo uma síntese dos argumentos apresentados no recurso voluntário. que o pedido inicial de restituição está fundamentado nos art. 8º, I da Lei 10.637/2002, art. 15, V da Lei 10.833/2003, bem como no art. 60 da IN SRF nº 247/2002 que tratam da cobrança não cumulativa do PIS/Pasep; que os nobres auditores, ao indeferirem o seu pedido, fazem referência ao art. 10, inc. XII da Lei 10.833/2003 que trata da Cofins e não do PIS não cumulativo; que o MetrôDF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo Lucro Real, enquadrandose assim na hipótese do art. 8º da Lei 10.637/2002 que permite a incidência do PIS/Pasep não cumulativo; que o direito de utilizar os créditos da não cumulatividade está previsto no art. 3º da Lei 10.637/2002 e nos art. 27 e 28 da IN RFB nº 900/2008; que, de acordo com o art. 39 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade administrativa só poderia indeferir o seu pedido de ressarcimento caso não tivesse utilizado corretamente o formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 144 4 que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008; que as autoridades administrativas estariam utilizando de analogia para indeferir o pedido de ressarcimento/compensação, pois não mencionam qualquer artigo ou dispositivo da Lei 10.833/2003 que exclua do regime de apuração não cumulativa do PIS incidente sobre os serviços de transporte coletivo metroviário, uma vez que na verdade o art. 15, inc. V, da Lei 10.833/2003 daria suporte à visão do recorrente de que aplicaria o regime da não cumulatividade do PIS aos serviços citados; É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 145 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Da análise do presente processo verificase que a questão crucial está em determinar se a legislação tributária dá amparo ao contribuinte em tributar as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário do Distrito Federal sob a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS, prevista na Lei 10.637/2002, para as receitas referentes ao período de apuração correspondente ao 1º trimestre de 2008. O contribuinte alega que o seu pedido foi indeferido com base em interpretação analógica, pois a legislação que trata do PIS não cumulativo não prevê expressamente a exclusão das receitas com transporte coletivo metroviário deste regime. Alega especialmente que o art. 15, inc. XII da Lei 10.833/2003 não faz referência ao PIS e sim à Cofins e portanto não poderia servir de fundamento para o indeferimento de seu pedido. Da análise dos dispositivos legais, pode se concluir que a legislação tributária referente à não cumulatividade da Contribuição ao PIS exclui expressamente deste regime de apuração as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário a partir da edição da Lei 11.196/2005. Em princípio quando da edição da Lei 10.637/2002, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração do PIS não cumulativo, não havia efetivamente qualquer previsão de exclusão das receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário, conforme exceções previstas no art. 8º abaixo transcrito: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; V – os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 146 6 VI (VETADO) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX (VETADO) X as sociedades cooperativas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XI as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XII – as receitas decorrentes de operações de comercialização de pedra britada, de areia para construção civil e de areia de brita. (Incluído pela Lei nº 12.693, de 2012) (Vide Lei nº 12.715, de 2012) Quando da edição da Lei 10.833/2003, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração da Cofins não cumulativa, as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário foram expressamente excluídas desta forma de apuração, conforme se vê do disposto no art. 10, inc. XII, abaixo transcrito: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; Por sua vez, o art. 15, inc. V da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 11.196/2005, estendeu ao PIS o mesmo tratamento para a Cofins no que se refere à exclusão da sistemática da não cumulatividade. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 147 7 II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV nos arts. 7º e 8º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (g.n.) Ao contrário do que alega o contribuinte de que o indeferimento se deu por interpretação analógica e que não existe artigo de lei que prevê expressamente a exclusão das receitas provenientes do transporte coletivo metroviário da sistemática da nãocumulatividade do PIS, o que se vê da leitura dos dispositivos legais acima transcritos é que o art. 43 cc art. 132, inc. II da Lei nº 11.196/2005, estabeleceu, ao dar nova redação ao inc. V do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, que a partir de 14 de outubro de 2005, as receitas provenientes do transporte coletivo metroviário de passageiros incide o PIS com base no regime de incidência cumulativa da contribuição, o que afasta a possibilidade do aproveitamento de qualquer crédito referente à sistemática da nãocumulatividade. Não é possível dar outra interpretação ao dispositivo legal acima transcrito. Note que o caput do art. 15 da Lei 10.833/2003 diz que aplica se à Contribuição ao PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei 10.637/2002 o disposto nos incisos IX a XXVII do art. 10 desta Lei. Ora, o inciso XII do art. 10 da Lei 10.833/2003 está entre os incisos IX a XXVII. Portanto, cristalino está que foi estendido ao PIS o mesmo tratamento dispensado às receitas provenientes do transporte coletivo metroviário previsto para a Cofins, qual seja, que sobre estas receitas o tratamento tributário previsto é o regime cumulativo destas contribuições. Por outro lado não se sustenta também o argumento, trazido pela recorrente, de que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008. Porém o contribuinte no item 17 de seu Recurso Voluntário transcreve incorretamente o teor do ADI nº 23/2008, dando uma impressão incorreta de seu conteúdo. Abaixo o conteúdo de seu artigo único transcrito no recurso: “ Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aqueles decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições”. Agora, transcrevese abaixo o conteúdo completo do artigo único do ADI nº 23/2008: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 148 8 Artigo Único. Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, em linhas regulares e de caráter essencial, não incluindo outras receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aquelas decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições. (grifos nossos) Veja que o contribuinte omitiu toda a parte acima sublinhada passando a impressão de que em algum momento a RFB teria dado interpretação diversa à questão do transporte coletivo metroviário de passageiros. Da leitura do referido artigo não resta dúvida que naquela oportunidade as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, que é o caso da recorrente, se sujeitam ao regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Já o ADI nº 27/2008, transcrito no item 17 do recurso voluntário, que revogou o citado ADI nº 23/2008, assim dispôs: Art. 1 º As receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros, inclusive na modalidade de fretamento ou para fins turísticos, submetemse ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O ato interpretativo acima citado não alterou em nada o entendimento acerca do regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas oriundas do transporte coletivo metroviário de passageiros. Portanto os atos normativos citados não trouxe nenhuma confusão ou dúvida a respeito da interpretação dos dispositivos legais já citados, não havendo possibilidade de indução do contribuinte de boa fé ao erro, conforme afirmado pela recorrente. Assim, há que se concluir que, por expressa disposição legal, a partir de 14 de outubro de 2005, não é aplicável as regras da nãocumulatividade da Contribuição ao PIS previsto na Lei 10.637/2002, sobre as receitas de transporte coletivo metroviário, não cabendo qualquer correção ao Acórdão da DRJ/Brasília que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Diante do acima exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.005908/200836 Acórdão n.º 3301001.889 S3C3T1 Fl. 149 9 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10580.728656/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 56 /2 00 9- 15 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728656/200915 Acórdão n.º 2301003.338 S2C3T1 Fl. 199 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte Módulo Administração Baiana de Cursos Ltda, contra acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário lançado, cuja ementa abaixo transcrevo: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARRECADAÇÃO MEDIANTE DESCONTO DE CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. O recurso apresentado tenta demonstrar a ilegalidade do Auto de Infração lavrado por ter o contribuinte identificado em epígrafe deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, conforme previsto no artigo 30, I, “a” da Lei 8.212/91, c/c artigo 216, I, “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048, de 06 de maio de 1999. 3. Informa o Relatório Fiscal, ainda, que o contribuinte não efetuou o desconto relativo à parte dos segurados incidente sobre as bolsas de estudo a dependentes de empregados (ajuda escolar) que prestaram serviços ao sujeito passivo, caracterizadas na ação fiscal como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa no valor de R$ 1.329,18 (um mil e trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), fundamentada nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 combinados com os artigos 283, I, “g” e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, com o valor atualizado pela Portaria Interministerial n° 48, de 12 de fevereiro de 2009. 4. O sujeito passivo foi regularmente cientificado e apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: a) os valores lançados não representam ganho financeiro para os empregados; b) a bolsa de estudos é adotada para o auxílio da concretização dos direitos sociais do cidadão; c) os ganhos indiretos não dispõem do requisito da habitualidade; d) a CLT dispõe expressamente que a bolsa de estudos não deve ser considerada como salário; e) a isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/91 abarca as bolsas de estudos concedidas a dependentes. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador houve por bem em não acolher a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado em sua totalidade. 6. Irresignada, a recorrente apresentou o presente recurso voluntário, reiterando as alegações lançadas em sua impugnação, pleiteando a exoneração do crédito tributário, entendendo que sua conduta foi pautada na legislação de regência. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728656/200915 Acórdão n.º 2301003.338 S2C3T1 Fl. 200 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário. BOLSA DE ESTUDOS PARA DEPENDENTES 2. No tocante ás contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos funcionários sob o título de bolsa de estudo aos dependentes o auditor fiscal justificou que esse benefício não estaria elencado no parágrafo 9º, artigo 28, da Lei 8212/9, que exclui do Salário de Contribuição as parcelas nele especificadas. Assim, não se afasta a tributação em comento, ainda que prevista a natureza não salarial na cláusula 13 das Convenções Coletivas 2004/2005 e 2005/2006, assinadas entre o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia e o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. 3. Todavia, no meu entender, os planos educacionais disponibilizados pelas empresas a seus empregados ou dependentes não geram a incidência da contribuição em comento. No caso, a ajuda escolar ofertada aos dependentes é, notoriamente, desvinculada do seu salário. 4. Inclusive, a Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 458, §2º, inciso II, afastou a natureza salarial do benefício de educação, facultando à empresa a oferta de cursos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Não há exceção que pudesse permitir a composição do salário. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 (...)” [grifo nosso] 5. Vale lembrar que a Mensagem 1.115/00, do Poder Executivo, quando encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei 10.243/2001, justificou o acréscimo do § 2º ao art. 458, da CLT, como proposta para desvincular os benefícios do salário, como se constata: 4. A proposta modifica, ainda, o § 2º do art. 458, da CLT, que dispõe sobre o salário in natura, para determinar que os benefícios, concedidos pelo empregador, relativos a educação, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, não integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisfação, sem ônus subseqüente de outra natureza. A proposta atende a essas expectativas desvinculando tais benefícios do salário. (o negrito é nosso) 6. Logo, não convém que a legislação trabalhista exclua da composição do salário determinado benefício e a legislação previdenciária considereo para efeitos de incidência de sua respectiva contribuição. Nessa situação, não se trata de dar razão ao princípio da especificidade da norma previdenciária, pois o que está em jogo para o sistema é a segurança jurídica, a saber, na sua concretude enquanto confiança na estabilidade da norma. 7. Afinal, a segurança jurídica nada mais é que a efetivação do princípio do Estado de Direito, sendo integrante de um sistema constituído de ordem normativa, hierarquicamente superior ao da especificidade por sua natureza de sobreprincípio, uma vez que em si estão ligados outros princípios exaltadores de sua concretização, como asseverou o ilustre doutrinador Paulo de Barros. 8. E, segundo Nuno Sá Gomes, em Estudos sobre a Segurança Jurídica na Tributação e as Garantias dos Contribuintes, a segurança jurídica, sendo referida como certeza do direito, visando à respectiva cognoscibilidade e previsibilidade, supõe não só o conhecimento dos princípios e normas aplicáveis em termos gerais e abstratos, mas ainda o conhecimento dos previsíveis efeitos da respectiva aplicação da norma. 9. Assim, quando a empresa recorrente concedeu aos seus funcionários a ajuda escolar para cada dependente, agiu em boafé por confiar na estrutura normativa que lhe conferiu a possibilidade dessa concessão sem que sobreviesse a exigência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Esta é a segurança jurídica a ser preservada. 10. Em sendo, seria inapropriado admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista. O próprio Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. 11. Transcrevo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho." b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728656/200915 Acórdão n.º 2301003.338 S2C3T1 Fl. 201 7 salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 12. Seguindo esta linha de raciocínio, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ – é pacífica quanto à natureza não salarial da verba em apreciação, não sendo possível o recolhimento previdenciário. Eis as ementas de alguns acórdãos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. AUXÍLIO ESCOLAR. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Não podem ser considerados como salário in natura os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar a seus empregados, porquanto não retribuem o trabalho efetivo. Desse modo, em relação a tal verba não deve incidir contribuição previdenciária, pois não integra a remuneração. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 642.591/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/2006, DJ 16/11/2006, p. 219) “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Quanto à análise de pedido formulado em Agravo Regimental, configurandose omissão, devese acolher os aclaratórios para sanála e apreciar a matéria. 2. O entendimento do STJ é pacífico no sentido de que os valores gastos pelo empregador com a educação de seus empregados não integram o saláriodecontribuição; portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. 3. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeito infringente. (EDcl no AgRg no REsp 479.056/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 02/03/2010) RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIOEDUCAÇÃO (BOLSA DE ESTUDO) NÃOINCIDÊNCIA NATUREZA NÃO SALARIAL ALÍNEA "T" DO § 9º DO ART. 28 DA LEI N. 8.212/91, ACRESCENTADA PELA LEI N. 9.258/97 PRECEDENTES. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 O entendimento da Primeira Seção já se consolidou no sentido de que os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não integram o saláriode contribuição e, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária mesmo antes do advento da Lei n. 9.528/97. Recurso especial improvido. (REsp 371088/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 25/08/2006 p. 318) TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO – VALORES GASTOS COM EDUCAÇÃO DO EMPREGADO – INEXISTÊNCIA DE CARÁTER SALARIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NÃOINCIDÊNCIA. 1. Não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores gastos pela empresa a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados. 2. Recurso especial provido. (REsp 853969/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2007, DJ 02/10/2007 p. 234) [grifo nosso] 13. Do exposto, resta clara a não incidência de tributação previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos aos dependentes. 14. Em sendo, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos dependentes, pois não têm natureza salarial e não podem compor o saláriodecontribuição, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista. CONCLUSÃO 15. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, com o desiderato de exonerar o crédito tributário em sua totalidade. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728656/200915 Acórdão n.º 2301003.338 S2C3T1 Fl. 202 9 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor.bolsa estudo depnednetes Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de bolsa de estudo. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de bolsas de estudo tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728656/200915 Acórdão n.º 2301003.338 S2C3T1 Fl. 203 11 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação), quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “t”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas de estudo, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade bolsa de estudo), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. Fitas tais considerações jurídicas gerais sobre o tema, passamos a analisar o caso concreto. Como apontamos, os valores dispendidos a título de bolsa de estudo oferecida aos dependentes dos empregados não desfrutam da isenção, portanto não há como acatar os argumentos da recorrente nesse aspecto. Votamos pelo não provimento do Recurso quanto a esse aspecto. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728656/200915 Acórdão n.º 2301003.338 S2C3T1 Fl. 204 13 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 18050.003697/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho.
Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias.
A associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade equipara-se à empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. A associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade equipara-se à empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. A associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade equiparase à empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 36 97 /2 00 8- 14 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003697/200814 Acórdão n.º 2402003.692 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 28/34) informa que as contribuições previdenciárias lançadas foram de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Os valores lançados foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. CO1 Contribuição previdenciária lançada sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio da Cooperativa de Trabalho do Grupo Particular de Anestesia Ltda e não declarada na GFIP; 2. C02 Contribuição previdenciária lançada sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio da Cooperativa de Trabalho Profissional Processamento de Dados Ltda – Tecnocoop Sistemas e não declarada na GFIP; 3. C03 Contribuição previdenciária lançada sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio da Cooperativa de Trabalho dos Médicos Anestesiologistas da Bahia e não declarada na GFIP; 4. C04 Contribuição previdenciária lançada sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio da Tecnoccop Informática Cooperativa de Trabalho de Processamento de Dados Ltda e não declarada na GFIP. Esse Relatório Fiscal informa ainda que os valores foram apurados com base em relatórios contábeis de pagamento, por credor, confrontados com a contabilidade, bem como, os valores declarados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Estes documentos foram solicitados por meio do TIAF do dia 20/02/2008. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 10/06/2008 (fl.01). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 91/95), alegando, em síntese, que: 1. é nulo o auto de infração em face de sua manifesta impropriedade, tendo em vista a ilegitimidade passiva e que, segundo o art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, a contribuição a cargo da empresa, destinada a seguridade social é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; 2. o Instituto de Previdência do Salvador não é empresa, não podendo ser equiparado a tal para fins de cobrança de tributo, em razão do princípio da legalidade, tratandose de uma autarquia municipal, pessoa dotada de personalidade jurídica de direito público interno, acobertado por prerrogativas; 3. por fim, alega que, ante o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer seja acolhida a presente Impugnação, dotandoa de seus efeitos legais suspensivos da cobrança do crédito tributário em comento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 15028.433 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 106/108) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que há impossibilidade jurídica da Recorrente custear as despesas médicas apontadas pelo Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003697/200814 Acórdão n.º 2402003.692 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 109/112). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega inconstitucionalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a incidência de contribuições na contratação de serviços de cooperativa de trabalho, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados de cooperativas de trabalho. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à alegação de ilegalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a incidência de contribuições, concernente à contratação de serviços de cooperativa de trabalho, e da impossibilidade jurídica da Recorrente de custear as despesas médicas, frisese que a auditoria fiscal cumpriu a legislação previdenciária vigente à época do lançamento. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja ilegalidade vem sendo questionada, razão pela qual são exigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados de cooperativas de trabalho. Dessa forma, quanto à ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a Recorrente. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Para fins de esclarecimentos, convém apreciar a legislação que trata da contribuição sobre os serviços de cooperativas de trabalho. A partir da competência março de 2000, a tomadora de serviços prestados por cooperativa de trabalho ficou com o dever de contribuir com a alíquota de 15% sobre o valor da nota fiscal/fatura para a seguridade social. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999, nestes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Uma vez que a Recorrente tomou serviços das Cooperativas de Trabalho Médico e das Cooperativas de Processamento de dados (Cooperativa de trabalho do grupo particular de anestesia Ltda, CNPJ 42.258.566/000168; Cooperativa de trabalho profissional processamento de dados Ltda – tecnocoop sistemas, CNPJ 28.194.611/000137; Cooperativa de trabalho dos médicos anestesiologistas da bahia, CNPJ 13.792965/00106; e Tecnoccop informática cooperativa de trabalho de processamento de dados Ltda, CNPJ 28.194.652/0001 23), devidamente delineadas às fls. 40/44, deveria ter contribuído para a seguridade social com a alíquota de 15% sobre as respectivas notas fiscais ou fatura, a partir da competência março de 2000. Em face da constatação da existência de pagamentos às cooperativas, realizados diretamente pela Recorrente, e materializados em sua escrituração contábil (livros contábeis, notas fiscais, faturas, relatórios contábeis e DIRF declaração de imposto de renda retido na fonte), caracterizado está o fato imponível (fato jurídico tributário, situação fática) da contribuição social. Logo, não acato a alegação da Recorrente de que há cobrança indevida da contribuição social previdenciária incidente sobre a contratação de serviços de cooperativa de trabalho, eis que onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Com relação à alegação de que a Recorrente é uma autarquia previdenciária constituída por servidores públicos e sem fins lucrativos e, por conseqüência, não estaria alcançada pelo dispositivo do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, porquanto este dispositivo se direciona exclusivamente a empresas, cumpre esclarecer que esses fatos não a dispensa do cumprimento da obrigação tributária principal. Isso está em consonância com o art. 15, inciso I, da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003697/200814 Acórdão n.º 2402003.692 S2C4T2 Fl. 5 7 II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei 9.876, de 26/11/99) (g.n.) Portanto, a Recorrente, na qualidade de empresa, deixou de cumprir obrigação principal estabelecida no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, e, como tomadora de serviços prestados por cooperativa de trabalho, ficou com o dever de contribuir com a alíquota de 15% sobre o valor da nota fiscal/fatura para a seguridade social. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000067/00-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/12/1994 a 30/09/1999
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.428
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/12/1994 a 30/09/1999 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
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RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 00 67 /0 0- 32 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Relatório Tratase de recurso especial de divergência fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — R1CARF, aprovado pela Portaria MF n°256/2009, em face do acórdão n ° 20312.521, assim ementado: (...) AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de oficio respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. (...) O objeto da presente lide se limita a discussão da retroavidade benigna em relação à aplicação de multa por compensação indevida ou não homologada. A PGFN alega que a não se trata de retroatividade benigna e que o acórdão deve ser reformado. É o Relatório. Voto Do exame dos Acórdãos confrontados, verificase que restou efetivamente comprovada e demonstrada a divergência de entendimentos quanto à questão da multa de oficio, prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/96. Enquanto que no Acórdão recorrido o Fl. 535DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.000067/0032 Acórdão n.º 9303002.428 CSRFT3 Fl. 494 3 Colegiado considerou indevida a aplicação da multa, o Acórdão paradigma, em situação fática análoga, decidiu de forma oposta, ou seja, dizendo que é devida a multa no caso de declaração inexata de compensação em DCTF. Assim, estando presente todos os pressupostos de admissibilidade, passo a análise do mérito. Como já dito, somente se analisará o cabimento ou não da multa de ofício prevista no art. 44, I da lei 9.430/96, pela aplicação da retroatividade benigna do disposto no art. 18 da Lei 10.833/2003, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN. A PGFN alega que as situações fáticas são distintas. Que não houve a subsunção do fato à norma. Foi aplicada uma retroatividade benigna inexistente. Ocorre que houve uma mudança na legislação e as penalidades devem ser aplicadas de forma restritiva, ou seja, se houver dúvida quanto a capitulação do fato praticado, não se deve aplicar a penalidade. A descrição da norma deve se encaixar perfeitamente ao fato imponível para que haja a aplicação da multa. Foi o que ocorreu neste caso. A norma passou a capitular a infração de forma diversa e não mais passou a existir no mundo jurídico a penalidade por declaração não correta de compensação em DCTF por ter sido substituído o instrumento para este tipo de declaração que é a DCOMP. Houve uma substituição do regime anterior. A infração passou a ser capitulada pela nova lei de regência sobres as compensações. Dessa forma foi correto o entendimento do colegiado a quo, que deu provimento, somente nessa parte, ao Recurso Voluntário do contribuinte, com votação unânime. Assim nego provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 536DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000787/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/01/2004
Embargos de Declaração. Contradição e Omissão
Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado.
Demonstrado que, por evidente erro material, consignou-se dispositivo obscuro e que não guarda relação com o voto condutor, há que promover os necessários ajustes a fim de uniformizá-los.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3102-001.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o voto condutor e ratificar o acórdão 3102-00.510.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/01/2004 Embargos de Declaração. Contradição e Omissão Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado. Demonstrado que, por evidente erro material, consignou-se dispositivo obscuro e que não guarda relação com o voto condutor, há que promover os necessários ajustes a fim de uniformizá-los. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o voto condutor e ratificar o acórdão 3102-00.510. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/01/2004 Embargos de Declaração. Contradição e Omissão Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Demonstrado que, por evidente erro material, consignouse dispositivo obscuro e que não guarda relação com o voto condutor, há que promover os necessários ajustes a fim de uniformizálos. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o voto condutor e ratificar o acórdão 310200.510. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 07 87 /2 00 4- 21 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.000787/200421 Acórdão n.º 3102001.562 S3C1T2 Fl. 170 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração tempestivamente manejados em desfavor do acórdão 310200.486, de 14 de agosto de 2009, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/01/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto Rovimix B2 80 SD é preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeos (excipiente), destinado à fabricação de ração animal. Classificase, portanto, na posição NCM 2309.90.90. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aponta a embargante, em síntese, que o recurso está maculado de contradição e obscuridade, pois o resultado consignado está em desacordo com a parte dispositiva do voto condutor do acórdão. Em face do encerramento do mandato da conselheira relatora, me auto designei para a análise dos embargos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Como é cediço, a avaliação da admissibilidade dos embargos de declaração, até certo ponto, confundese com o seu mérito. Vejase o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. De fato, se não se revela omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada, não há porque admitir o recurso que, regra geral, não tem o condão de alterar o mérito do decisum, apenas garantirlhe a integração. Igualmente útil para o presente exame de admissibilidade é a lição de Candido Rangel Dinamarco1: 1 Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo, Malheiros, 2005, 5ª ed., pp. 687/688. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.000787/200421 Acórdão n.º 3102001.562 S3C1T2 Fl. 171 3 Obscuridade é, como o nome diz, falta de clareza em um raciocínio, em um fundamento ou em uma conclusão constante da sentença (p.ex., condenar a entregar o bem devido, sem esclarecer qual, quando a demanda contém pedidos alternativos). Contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p.ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de indenização etc.).. Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que o recurso deve ser acolhido, pois há evidente obscuridade, pois sequer se esclarece qual seria a multa afastada, e contradição entre os fundamentos do voto condutor e o resultado consignado. Em primeiro lugar, transcrevo o trecho da parte dispositiva da ementa: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, que deu provimento. Já no voto condutor, consigna a i. relatora o improvimento integral do recurso. “Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário.” Igualmente importante é registrar que o voto condutor, só trata da multa de 1%. Ou seja, em momento algum, dispõe sobre o afastamento da mula de 75%, em face de declaração inexata. Relevante, ademais, é o fato de que o sujeito passivo não impugnou diretamente as multas aplicadas2, apenas fez menção à multa de 1%, sem acrescer elementos que atacassem essa fração da exigência. Finalmente, para descartar qualquer possibilidade de que, diferentemente do alegado pela embargante, o Colegiado teria afastado a aplicação da multa de ofício e, em razão de omissão, o votocondutor, não consignara os fundamentos de tal decisão, este relator analisou os arestos produzidos em litígios envolvendo matéria análoga à que se tratou no presente recurso, qual seja erro de classificação relativo a fatos geradores ocorridos após 25/08/2001. Evidentemente, só foram considerados arestos em que a composição era idêntica ou muito semelhante à que participou da votação e, o que é mais importante, a relatora do acórdão embargado se encontrava presente. De fato, até essa data, quando ainda vigorava o ADN Cosit nº 10, de 1997, em vários julgados, considerouse que o exclusivo erro de classificação, por si só, não seria suficiente para a cobrança de multa de ofício de 75%. Seria necessário que a mercadoria tivesse sido descrita de maneira incompleta ou imprecisa. 2 Doc. às fls. 133 a 137. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.000787/200421 Acórdão n.º 3102001.562 S3C1T2 Fl. 172 4 Ocorre que, na data do fato gerador debatido no presente litígio, 09/01/2004, inexistiriam qualquer dessas circunstâncias excludentes. Confiramse os acórdãos. a) 310200.625, 18/03/20103: MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO PARCIAL. Na vigência do ADN Cosit n° 10, de 1997, a exatidão da descrição da mercadoria afasta a incidência da multa de oficio tipificada no art. 44 da Lei ri° 9,430, de 1996. Após a revogação tácita do referido ato normativo Cosit, promovida pelo §2° do art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001, não há fundamento para afastar tal penalidade, b) 310200.758, de 27/08/20104 MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acrescida da sua errônea classificação fiscal na NCM, subsumese à hipótese da infração por declaração inexata, descrita no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a configuração da referida infração independente da comprovação da existência de dolo ou máfé do importador. Com relação a este acórdão, mais relevante do que a ementa é o trecho do votocondutor: Não assiste a Recorrente. As hipóteses de exclusão da multa de ofício, por classificação tarifária errônea (ou declaração inexata), estavam previstas no item 1 do ADN nº 10, de 1997, e exigia o atendimento das seguintes condições: (i) que o produto estivesse corretamente descrito na DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e (ii) que não se constatasse, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. (...) Além disso, é oportuno esclarecer que o referido ADN foi tacitamente revogado em 27/08/2001, data em que entrou vigor o § 2º8 do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.000787/200421 Acórdão n.º 3102001.562 S3C1T2 Fl. 173 5 agosto de 2001. Ademais, em decorrência do estabelecido no novel preceito legal, em 11 de setembro de 2002, o citado Ato foi expressamente revogado pelo art. 2º9 do Ato Declaratório Interpretativo do SRF nº 13, de 2002. Ad argumentadum, ainda que a DI de fls. 21/28 atendesse todas as condições estabelecidas no citado ADN, como ela foi registrada após a revogação tácita desse Ato, não mais existia a referida hipótese de relevação da multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Com essas considerações, acolho os embargos para retificar o acórdão 3102 00.486, de 14 de agosto de 2009 e ratificar o seu voto condutor, passando a constar o aresto o seguinte dispositivo: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, que deu provimento Sala das Sessões, em 18 de julho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10480.722519/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
Multa Qualificada. Omissão de Receitas.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular), nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Roberto Massao Chinen e Carmen Ferreira Saraiva que mantinham a multa qualificada. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento em parte para reduzir a base de cálculo para apuração do Lucro Presumido.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Multa Qualificada. Omissão de Receitas. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722519/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.680 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2013 Matéria Auto de Infração IRPJ e tributação reflexa Omissão de Receitas Recorrente CLAJUHERGUS DIVERSÕES ELETRÔNICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos. LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. TRIBUTAÇÃO DE APOSTAS E PRÊMIOS. IRPJ E IRRF O IRPJ incide sobre o resultado da aplicação de coeficiente do lucro presumido sobre a receita bruta (total das apostas recebidas), enquanto o IRRF incide sobre os valores pagos a título de prêmios. A empresa que opera AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 19 /2 00 9- 97 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 as apostas é contribuinte de IRPJ em razão das receitas apuradas (no Lucro Presumido, a base de cálculo é a receita bruta), mas é responsável legal pelo recolhimento do IR incidente sobre os prêmios recebidos pelos terceiros, apostadores. São duas tributações com incidências, bases de cálculos e contribuintes distintos. Não há que se falar em tributação bis in idem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular), nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Roberto Massao Chinen e Carmen Ferreira Saraiva que mantinham a multa qualificada. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento em parte para reduzir a base de cálculo para apuração do Lucro Presumido. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a empresa epigrafada foram lavrados os Autos de Infrações para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor de R$ 762.459,42 (valores dos tributos e acréscimos legais – multa qualificada, 150%, mais juros), relativas aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, consoante lançamentos tributários consubstanciados às efls. 04 a 71 e Termo de Verificação Fiscal, efls 74 a 82, do qual transcrevo alguns trechos para o histórico do procedimento fiscal: “[...] Analisando o Contrato Social, lavrado em 06.09.93 e registrado na JUCEPE em 17.09.1993, bem como a Consolidação Simplificada datada de 18.10.2000, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 3 3 verificamos que o objetivo da sociedade é a exploração de brinquedos mecânicos e eletrônicos e administração de sorteios eventuais e permanentes. Consultando o sistema CNPJ da Receita Federal do Brasil verificamos que a fiscalizada apresentou as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica, em todos os anos objeto da presente ação fiscal pelo lucro presumido, sujeitandose ao recolhimento dos tributos federais com base no faturamento. Neste sentido, em 24.03.2009 foi a fiscalizada cientificada da lavratura do Termo de Constatação Fiscal n° 0001, anexo, intimandoa a informar a esta fiscalização a forma de apuração do faturamento da empresa, indicando quais os documentos que deram base aos lançamentos efetuados em seu livro caixa, bem como a apresentar a documentação de suporte aos citados lançamentos. Consultando o Sistema DCTF, verificamos que a fiscalizada apresentou as DCTF relativas aos períodos examinados, tendo sido declarados os tributos e contribuições apurados com base na receita bruta e acréscimos escriturados em seus livros contábeis. [...] Em atendimento ao Termo de Constatação Fiscal n° 0001, a fiscalizada encaminhou em 28.04.2009 o documento anexo, efetuando a entrega dos livros Razão n° 02, 03, 04 e 05 relativos aos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, bem como alguns documentos contábeis dos anos de 2004, 2005 e 2006. Analisando a documentação apresentada pela fiscalizada, constatamos que na pasta relativa ao ano de 2004 constam cópias de extratos bancários e mapas financeiros através dos quais a fiscalizada demonstra a apuração da receita. Constatamos ainda que, relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 2004, o valor do faturamento foi apurado tendo por base o relatório Controle de Máquinas Relatório Fechamento Todos os Representantes. Entretanto o referido relatório só está anexado ao mapa financeiro dos referidos meses de janeiro e fevereiro de 2004. Neste sentido foi a empresa acima identificada, intimada em 26.05.2009, nos termos dos artigos 927 e 928 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3000/99, a apresentar a esta fiscalização, todos os relatórios relativos ao controle de máquinas dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. [...] Em atendimento as mencionadas intimações fiscais, a fiscalizada encaminhou, através do documento anexo, os "Relatórios Controle de Máquinas Relatórios Fechamento Todos os Representantes", relativos aos períodos de: 1) Janeiro a dezembro de 2004; 2) Janeiro a dezembro de 2005; 3) Janeiro a dezembro de 2006; 4) Janeiro a setembro de 2007. Em 02.07.2009 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal anexo, cuja ciência ao sujeito passivo foi efetuada em 08/07/2009, constatando que após análise dos Relatórios de Fechamento Todos os Representantes, encaminhados pela fiscalizada, foi verificado que os valores das receitas contabilizados e declarados Fl. 491DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 pela empresa em sua DIPJ corresponderam à diferença entre as entradas de Máquinas e as Saídas de Máquinas. Neste sentido, foi a fiscalizada intimada a informar a esta fiscalização a natureza e a origem dos valores relativos às entradas de máquinas e as saídas de máquinas, apresentando a documentação correspondente. [...] Sobre a Receita Bruta Jogos de Azar, o Processo de Consulta n° 10/01 da SRRF/9a. Região Fiscal, publicado no Diário Oficial da União de 30.03.2001, dispõe: A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis abrange o valor total das apostas recebidas, independentemente da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL ser apurada com suporte no lucro real, presumido ou arbitrado. Os custos representados pelas apostas pagas à beneficiários não identificados devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real, dado não serem dedutíveis para esse fim. Dispositivos Legais: arts. 186; 224; 246; 249, inc.I; 251, caput e parágrafo único; 269; 274; 275; 279; 300; 304; 516, caput e parágrafos; 518; 519, § 1o e 531 do RIR/99; Decreto lei n° 406/68, com redação dada pelo art. 8o, item 60, letra "b", combinada com a letra "e", e item 79 da Lei Complementar n° 56/87; arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95; art. 29 da Lei 9430/96; arts. 2o e 3o da Lei 9718/98. [...] Voltando ao caso em tela e considerando que a fiscalizada não apresentou nenhum documento comprobatório de que as saídas de máquinas correspondessem às desistências dos apostadores e ainda que nem os valores das entradas de máquinas (supostos créditos dos apostadores) e nem os valores das saídas de máquinas (supostas desistências) foram contabilizados pela fiscalizada, ou seja, todos esses recursos foram mantidos à margem da escrituração, tendo sido contabilizadas apenas as diferenças entre elas, resta a conclusão de que as entradas de máquinas correspondem às apostas realizadas e que as mesmas configuram a receita da exploração da atividade de vídeoloteria no período, haja vista que as supostas desistências não foram comprovadas nem sequer contabilizadas. Por outro lado, considerando que a fiscalizada informou que as receitas escrituradas foram provenientes da exploração de vídeoloterias e que as informações de entradas e saídas de máquinas são provenientes do relatório de controle de máquinas, sendo as entradas de máquinas correspondentes aos créditos dos apostadores, as saídas de máquinas não têm como ser consideradas desistências, uma vez que não foi apresentado nenhum documento para sua comprovação. [...] Tendo em vista que a fiscalizada optou pela tributação com base no Lucro presumido, temos que a receita bruta para efeito de apuração do Lucro Presumido se refere às entradas de máquinas que correspondem ao valor total das apostas recebidas. Neste sentido foi elaborado por esta fiscalização o demonstrativo "DIFERENÇA DE RECEITA A TRIBUTAR", anexo, onde se encontram demonstrados o Total da Receita Bruta Auferida correspondente às Entradas de Máquinas, a Receita informada na DIPJ e a Diferença de Receita a Tributar, que será objeto de lançamento de ofício do IRPJ e tributação reflexa, para instruir a cobrança do crédito tributário correspondente. Falta de Recolhimento do IRFONTE incidente sobre os prêmios pagos. Pagamento a beneficiário não identificado. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 4 5 [...] 3INFRAÇÕES APURADAS Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização e oferecimento à tributação das receitas originárias de suas atividades, correspondentes aos valores intitulados "Entradas de Máquinas". Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados; 4PENALIDADES APLICADAS Tendo em vista os fatos acima mencionados, esta fiscalização verificou que a fiscalizada manteve à margem de sua escrituração, notadamente de seu livro caixa, grande parte das receitas originárias de suas atividades, correspondentes aos valores denominados "Entradas de Máquinas", nos anos de 2004 a 2007, bem como o registro dos pagamentos dos prêmios correspondentes as saídas de máquinas. Assim concluímos que os referidos valores foram mantidos à margem da tributação ao que parece com o fito de impedir o seu conhecimento pelo fisco federal e assim reduzir o pagamento de tributos/contribuições federais, o que pode vir a se consubstanciar em crime contra a ordem tributária, previsto nos incisos I e II do artigo 1o da Lei 8.137/90 e crime de sonegação fiscal, cujos procedimentos encontramse configurados na Lei 4.729/65, art. 1, incisos I e II. Constatamos ainda que a fiscalizada deixou de declarar e recolher o imposto de renda na fonte incidente sobre os pagamentos das premiações decorrentes das apostas realizadas através da exploração de vídeoloterias. [...]” Impugnados os lançamentos tributários, a Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE proferiu o Acórdão nº 11039.745, em 26/02/2013, mantendoos em sua integralidade – efls. 414 a 421. O aresto restou assim ementado: “INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. EXPLORAÇÃO JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis abrange o valor total das apostas recebidas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO É cabível a aplicação de multa qualificada (150%) quando se constata o evidente intuito de fraudar o fisco por parte do contribuinte, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 436 a 466, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) sofreu cerceamento de defesa, pois solicitou reabertura do prazo de impugnação, o que foilhe indeferido; obteve a devolução de livros e documentos fornecidos à fiscalização somente após o encerramento da ação fiscal (11/12/2009), em 17/12/2009, fato que lhe prejudicou o contraditório; por esta razão, em preliminar, requer a nulidade do processo administrativo fiscal e reabertura de prazo para oferecer a impugnação; b) a fiscalização considerou como matéria tributável a totalidade dos valores encontrados na relação “Entradas de Máquinas”, equivalente às apostas realizadas em máquinas de vídeos loterias cuja exploração restou comprovada à recorrente; da relação “Saída de Máquinas” concluiu serem os prêmios pagos aos apostadores exitosos e a coluna “Resultados” a diferença entre as apostas realizadas e os prêmios pagos (Resultados = apostas – prêmios); daí que, depreendese, a consideração dos valores totais de apostas e não do resultado apenas para efeitos de tributação de IRPJ resulta em uma tributação bis in idem, se considerada juntamente com a tributação de IRRF, efetuada sobre os mesmos valores de apostas, procedimento rechaçado pelo Sistema Tributário Nacional; c) os prêmios pagos aos apostadores estão sujeitos unicamente à tributação exclusiva na fonte, pela retenção de percentual sobre os seus valores, nos termos do artigo 676 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99); d) os prêmios pagos, portanto, são receitas daqueles que lhes auferem (terceiros apostadores) e constituem despesas para a recorrente; é incongruente considerar os prêmios pagos como receitas auferidas; adotandose o entendimento esposado no acórdão recorrido, ainda se a premiação fosse em valor superior ao das apostas, a recorrente ainda seria tributada, o que é absurdo, mesmo para as empresas que optam pelo Lucro Presumido; cita acórdãos administrativos para corroborar seu entendimento, doutrina sobre conceitos de receita, invoca o princípio da capacidade contributiva; requer a insubsistência das autuações por realizadas com critérios indevidos; e) insurgese contra a cominação da multa de ofício na forma qualificada, invocando a Súmula nº 14 editada então pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, ressaltando que houve simples apuração de omissão de receitas, sem a autoridade fiscal especificar as condutas que justificariam a qualificação da multa, no caso o evidente intuito de fraudar o fisco. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Leonardo Barbosa Cavalcanti, OAB/DF nº 30.630. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 26/04/2013, efls. 434; Recurso – 22/05/2013, efls. 436 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 5 7 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio erguese sobre três pontos. Em preliminar, sobre a nulidade do processo administrativo em virtude da recorrente só ter pleno acesso aos documentos que fundamentaram as autuações dias após ter sido cientificada dos lançamentos tributários, o que lhe acarretou prejuízo concreto ao exercício do contraditório e ampla defesa. No mérito, insurgese contra a base de cálculo considerada na autuação para a presunção do lucro – valor total de apostas realizadas, no caso atacando veemente os valores considerados a título de receita bruta (faturamento) auferida, em razão de valores embutidos neste conceito haverem sofrido tributação simultânea, exclusiva pela fonte pagadora (a própria recorrente) – valor dos prêmios pagos. I) Da Preliminar Não merece acolhida a argumentação da recorrente que sofreu dano irremediável ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela entrega posterior de documentos e livros, que somente foram liberados pela Polícia Federal dias após a ciência das autuações sofridas, na verdade seis dias. Porque, primeiramente, a entrega de tais documentos foi efetuada ainda dentro do prazo concedido para a feitura de sua impugnação. Em segundo, porque, como se pode observar, a entrega de tais documentos em nada modificou ou alterou as alegações da recorrente quanto aos fatos e infrações tributárias contra si impostas. Nem poderia, pois os presentes autos estão instruídos com cópias de toda a documentação, planilhas e fls. dos livros contábeis que embasaram os lançamentos tributários, em nada prejudicando o exercício de defesa da recorrente a devolução dos originais ou outros documentos que não serviram de fundamento para a apuração da matéria tributável. A norma processual em apreço admite, ademais, que haja aditamento à impugnação quando reste demonstrado a impossibilidade de apresentar provas do que se alega no momento oportuno, faculdade não exercitada pela recorrente. Dispõe o artigo 16, § 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 [...] Eis, pois, que o alegado cerceamento de defesa não se concretizou sob qualquer ângulo, condição necessária para que ensejasse a nulidade processual. Afasto a preliminar aventada. II) Do Mérito II.a) Da consideração da receita bruta A fiscalização considerou a título de receita bruta, base de cálculo para apurarse o lucro de forma presumida, o valor total das apostas evidenciado em relações informativas da exploração pela recorrente das máquinas de vídeo loterias, denominadas “Entradas”. A recorrente insurgese veemente contra este procedimento pois entende que os valores pagos a título de prêmios deveriam ser descontados, uma vez sofrerem tributação de IR na forma exclusiva e por retenção da fonte pagadora, ou seja, a própria recorrente. Salienta que a autuação pelo IRRF não recolhido foi realizada sobre os valores estampados em mesmas espécies de relações, sob codinome “Saídas”. Defende que, ainda havendo optado pelo regime de tributação da apuração do Lucro Presumido, há evidente bis in idem sobre a mesma base de cálculo. O raciocínio da recorrente está equivocado. O artigo 519 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) estabelece a base de cálculo para as pessoas jurídicas que optam pela apuração do lucro na forma presumida, remetendo ao art. 224 do mesmo diploma legal: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). [...] Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Os resultados, por conseguinte, das operações realizadas pelo optante ao regime de tributação do Lucro Presumido não é relevante, ainda que resultem em prejuízo à pessoa jurídica. Esta forma de opção para a apuração do lucro é vantajosa para as pessoas jurídicas que não possuem muitos custos (a serem deduzidos quando a apuração é realizada pelo Lucro Real) e evita a aplicação da alíquota do tributo diretamente sobre o lucro real, porém incide sobre o resultado da aplicação de determinado percentual, dependendo da atividade, da receita bruta. Daí decorre a presunção do lucro. E as deduções admitidas pela norma tributária são somente aquelas que o próprio art. 224 do RIR/99, em seu § único, determina: Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o Fl. 496DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 6 9 prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, pois, é vedado aos contribuintes pretenderem usar como base de cálculo para a aplicação do coeficiente (que já estima, presume, a receita líquida) sobre uma receita líquida calculada e não a bruta efetivamente auferida, ou faturamento, no caso em concreto, o valor total das apostas. Há que se lembrar, ainda, que a opção pela forma de apuração do lucro na forma presumida é irretratável para o anocalendário – art. 516, § 1ª do RIR/99: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). A jurisprudência administrativa tem se manifestado neste sentido. Colaciono a ementa do Acórdão nº 10707.7932, de 20/10/2004, ao julgado: IRPJ LUCRO PRESUMIDO O ingresso livre e espontâneo na sistemática do lucro presumido faz supor que o contribuinte conhece de antemão suas regras e que está disposto a abrir mão da apuração contábil em prol da simplicidade de presumir o lucro com base num percentual fixo da receita bruta, acrescido do resultado positivo das demais receitas e negócios. Não há previsão legal para dedução do lucro presumido dos resultados negativos em operações. E não há que se falar em bis in idem ao se deparar com as tributações pelo IRPJ incidente sobre o lucro presumido e o IR retido incidente sobre os prêmios pagos pela casa de apostas aos apostadores bem sucedidos em suas apostas. Vejase, os contribuintes das obrigações tributárias são diferentes. O IR retido pela recorrente incide sobre o rendimento (prêmio) auferido pela pessoa física, o apostador. Este é o contribuinte, responsável direto pela ocorrência do fato gerador – percepção de rendimento. Enquanto o IRPJ incide sobre o faturamento da empresa. A recorrente neste caso é a contribuinte do imposto, enquanto no caso do pagamento do prêmio é mera responsável pelo pagamento do IR pelo terceiro. A hipótese construída pela recorrente se contradiz claramente ao ser aplicada nos demais casos de pagamentos de pessoas jurídicas a pessoas físicas como no caso da relação trabalhista. Pelo seu raciocínio, as empresas que optam pelo lucro presumido deveriam descontar os pagamentos realizado aos seus empregados e cuja responsabilidade de reter os IR sobre os salários pagos também lhe compete. 2 https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 497DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 As hipóteses de incidência, bem como os contribuintes dos tributos são diferentes, para as obrigações de recolher IRPJ sobre o lucro presumido auferido pela recorrente (contribuinte) e reter o IR sobre os rendimentos (prêmios) auferidos por terceiros (apostadores), na qualidade de responsável tributária. Não houve bis in idem, portanto. Pelo ora discorrido, as ilações doutrinárias sobre o conceito de renda e os dois acórdãos administrativos invocados pela recorrente não têm o condão de afastar a aplicação das normas tributárias. II.b) Da aplicação da multa qualificada – 150% Para se avaliar o cabimento da qualificação da multa de oficio, mister é que se interprete o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 – atualmente ( art. 957, inciso II, RIR/1999): Art.957. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...] II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A despeito do entendimento esposado pela recorrente de que não incorreu em crime de sonegação, primeiramente cabe distinguir os ilícitos tributário e penal tributário. Para que o sujeito passivo da obrigação tributária seja penalizado com a multa de oficio qualificada é necessário que o evidente intuito de fraude seja detectado. Ocorre que o legislador, a fim de evitar dissensões doutrinárias, definiu na própria lei o que entende por evidente intuito de fraude lançando mão às figuras descritas em outra norma: nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Portanto, a imposição da multa qualificada decorre de conceituação legal e desta não pode fugir da aplicação, o Auditor Fiscal. Considerase, pela norma tributária, evidente intuito de fraude, lato sensu, as hipóteses descritas nos artigos a seguir transcritos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 7 11 Observese que esta Lei também não é de natureza criminal, mas tributária, portanto não se pode cogitar do termo nela referido 'sonegação' como um crime. A propósito, as figuras delitivas vinculadas à supressão ou redução de tributo de forma dolosa, no aspecto penal, estão previstas na Lei n° 8.137 em vigor desde 1990 — Crimes contra a Ordem Tributária e as Leis que tratavam dos crimes de sonegação fiscal e da apropriação indébita já foram revogadas. Seguindo o raciocínio ora esposado, se a ação, ou omissão, do sujeito passivo se enquadrar numa das figuras descritas acima, por força de lei, o agente fiscal deve aplicar a qualificação da multa, não estando à sua escolha aplicar ou não a norma tributária. Reproduzo, mais uma vez, parte do Termo de Verificações Fiscais para explicar as conclusões sobre este tópico: 4PENALIDADES APLICADAS Tendo em vista os fatos acima mencionados, esta fiscalização verificou que a fiscalizada manteve à margem de sua escrituração, notadamente de seu livro caixa, grande parte das receitas originárias de suas atividades, correspondentes aos valores denominados "Entradas de Máquinas", nos anos de 2004 a 2007, bem como o registro dos pagamentos dos prêmios correspondentes as saídas de máquinas. Assim concluímos que os referidos valores foram mantidos à margem da tributação ao que parece com o fito de impedir o seu conhecimento pelo fisco federal e assim reduzir o pagamento de tributos/contribuições federais, o que pode vir a se consubstanciar em crime contra a ordem tributária, previsto nos incisos I e II do artigo 1o da Lei 8.137/90 e crime de sonegação fiscal, cujos procedimentos encontramse configurados na Lei 4.729/65, art. 1, incisos I e II. Constatamos ainda que a fiscalizada deixou de declarar e recolher o imposto de renda na fonte incidente sobre os pagamentos das premiações decorrentes das apostas realizadas através da exploração de vídeoloterias. (grifos não pertencem ao original) Há que se dissociar nestes autos a qualificação da multa de ofício aplicada em razão da omissão de receitas apuradas, que ensejaram as exigências ex officio de IRPJ e tributação reflexa (PIS, Cofins e CSLL) e a cominada em decorrência da ausência de retenção de tributos incidentes sobre os prêmios pagos a terceiros, os apostadores, no caso. Esta última será apreciada no processo administrativo fiscal formalizado, em separado, para a exigência do IRRF. No presente caso, a fiscalizada forneceu à fiscalização os relatórios que evidenciaram a receita omitida, bem como os livros contábeis, e respaldou a sua conduta no fato de entender que o valor da receita bruta a ser oferecida à tributação consistia na diferença apurada entre o valor das apostas e dos prêmios pagos. A fiscalização com base nestes dados tributou a receita omitida e não indicou elementos que pudessem vir a caracterizar o evidente intuito de fraude por parte da recorrente. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula nº 14 que deve ser aplicada no caso em apreço: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da Fl. 499DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Destarte, a multa de ofício aplicada nos lançamentos tributários deve sofrer a redução para o percentual regular de 75%. III) Da tributação reflexa – CSLL, PIS e Cofins As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. CONCLUSÃO Voto, por todo o exposto, em afastar a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 500DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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