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Numero do processo: 10925.907543/2009-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 27611.33238.180907.1.7.048326, em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18/21, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 07 54 3/ 20 09 -2 8 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907543/200928 Resolução nº 3803000.318 S3TE03 Fl. 49 2 indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7 a Interessada esclareceu que extinguira o débito de Cofins, conforme declarado em DCTF, através do Darf informado no PER/DCOMP, e alegou que, por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1°, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado no PER/DCOMP em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluída a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 25/28, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Contribuinte tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando a Contribuinte ter cometido algum erro de declaração, cabia lhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A decisão foi ementada como segue: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907543/200928 Resolução nº 3803000.318 S3TE03 Fl. 50 3 A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28 de novembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 37/49, em 15 de dezembro de 2011, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A matéria versada nos autos tem como pano de fundo a declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sob o amparo dessa decisão, créditos de pagamento de Cofins teriam surgido para esta Contribuinte, que os aproveitou na DComp sob exame. O Pleno do Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, pacificou o conflito e declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907543/200928 Resolução nº 3803000.318 S3TE03 Fl. 51 4 A Corte Suprema, em 10 de setembro de 2008, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585.235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu, por unanimidade, a existência de Repercussão Geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da mencionada inconstitucionalidade, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. O acórdão proferido no referido Recurso Extraordinário, publicado no DJ em 28 de novembro de 2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, introduziu o art. 26A no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelece que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (...) ... §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...). Na mesma direção andou a alteração produzida pela Portarias 586/2010, ao introduzir o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, dispondo que as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, in verbis: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907543/200928 Resolução nº 3803000.318 S3TE03 Fl. 52 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp. A ausência da intimação naqueles termos contribuiu para que a Contribuinte não cuidasse, na manifestação de inconformidade, de demonstrar a formação do seu crédito com a anexação de planilha indicando as bases de cálculo da contribuição, com exclusão das receitas financeiras, a teor do que o exige o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/721, em que pese ter afirmado que o crédito utilizado era decorrente da declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF. À data da sua decisão, 10 de agosto de 2011, a DRJ/Florianópolis já estava vinculada ao cumprimento da ressalva contida no § 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que permitia o afastamento da aplicação de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, citado retro. No entanto, sua decisão passou ao largo deste preceito legal, tendo assentado que tal decisão não tinha efeito erga omnes. Sob este entendimento, o Colegiado a quo deixou de enfrentar a matéria de prova, passível de ser suprida mediante diligência, instrução justificável pela forma lacônica do despacho decisório eletrônico, que cerceia uma adequada defesa em algumas situações. Dessarte, o órgão julgador ao circunscrever a razão de decidir à matéria de Direito, a Interessada uma vez mais não teve como se ver instada a aparelhar o recurso voluntário com os elementos de prova a ser consubstanciada na oferta das receitas hábeis à incidência da contribuição em apreço e as excludentes (as receitas financeiras). 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907543/200928 Resolução nº 3803000.318 S3TE03 Fl. 53 6 Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF. Sala das sessões, 27 de junho 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10875.000995/2002-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.499
Decisão: RESOLUÇÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP 257.324.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (presidente da turma), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP 257.324. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (presidente da turma), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP 257.324. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (presidente da turma), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 00 99 5/ 20 02 -4 3 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.000995/200243 Resolução nº 3801000.499 S3TE01 Fl. 112 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração foi lavrado para cobrança de débitos da contribuição ao PIS, devidamente lançado pelo contribuinte em sua DCTF, cujo pedido de compensação foi indeferido pela fiscalização. Não concordando com a efetivação da cobrança, o ora Recorrente apresentou impugnação administrativa, no qual alegou a existência de ações judiciais que, supostamente, lhe garantiam o direito de proceder a compensação e que, por isso, o Auto de Infração deveria ser anulado, já que, em que pese ter cometido um erro no preenchimento da DCTF, os créditos indicados no pedido de compensação eram válidos e passíveis de serem compensados. A douta Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Campinas, ao analisar a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, deu parcial provimento, para afastar a multa de ofício aplicada. Vejase, neste sentido, a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA.COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte.Crédito Tributário Mantido em Parte Em que pese a Ementa transcrita acima, no dispositivo do acórdão recorrido restou a seguinte determinação: Diante do exposto, o presente VOTO é no sentido de DEIXAR DE APRECIAR o mérito na parte em que ha identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para manter os valores principais lançados e exonerar a multa de oficio sobre Fl. 291DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.000995/200243 Resolução nº 3801000.499 S3TE01 Fl. 113 3 eles aplicada, atentandose para a necessidade de, em análise conjunta com o processo 10875.002887/200396 e considerando outros débitos vinculados à mesma ação judicial, verificar os efeitos, sobre o crédito tributário mantido, do trânsito em julgado de decisão judicial posterior ao lançamento. (grifouse) Na análise feita pela SECAT, vinculada à Receita Federal de Guarulhos (SP), após minuciosa digressão acerca das ações judiciais propostas pelo Recorrente, houve a conclusão de que, como o contribuinte não propôs as mencionadas ações judiciais em nome da sua filial e por ser esta a centralizadora, à época, dos recolhimentos da contribuição ao PIS, o Recorrente “não possuía autorização judicial para efetuar a compensação”. Intimado do acórdão proferido, o Recorrente apresentou tempestivo Recurso Voluntário, no qual, após alegar nulidades do lançamento e do processo administrativo fiscal, requereu o provimento do apelo para que restasse anulada a cobrança do crédito tributário efetivada através do Auto de Infração combatido. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.000995/200243 Resolução nº 3801000.499 S3TE01 Fl. 114 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, após longo debate na esfera judicial, o Recorrente obteve o direito de compensar créditos do PIS recolhidos pela sistemática imposta pelos Decretos lei nº’s 2.445/88 e 2.449/88, com débitos da própria contribuição ao PIS. Para que não haja dúvidas, importante colacionar a síntese das demandas judiciais propostas pelo contribuinte que foi feita de forma precisa pela SECAT da Delegacia da Receita Federal em Guarulhos (SP): 5. Da análise do material juntado à impugnação e pelas pesquisas nos sites da Justiça Federal, verificouse que, quanto à ação judicial nº 95.00404710: a. Trata se de medida Cautelar, com pedido de liminar, protocolada em 29/06/1995 na 16ª Vara/SP (petição inicial fls. 34 a 44) por EDALBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ nº 54.541.388/000167. A ação judicial buscava a autorização judicial para compensar os valores pagos a maior de PIS conforme os Decretosleis 2445 e 2449/88 em relação ao que seria devido pela legislação anterior, com recolhimentos futuros de PIS ou de outras contribuições sociais. b. Decisão de 17/07/1995 (fls. 67 a 68) indeferiu o pedido de liminar em relação à compensação, contudo, concedeu a liminar para suspender a exigibilidade do recolhimento da contribuição ao PIS de acordo com os DL 2445 e 2449/88, até ulterior decisão judicial. c. Mandado de Segurança nº 95.03.0624991, impetrado em 31/07/1995 no TRF da 3ª Região (petição inicial fls. 54 a 65) pela matriz CNPJ nº 54.541.388/000167, teve liminar concedida em decisão de 09/08/1995 (fls. 69 a 70), a qual produziu efeitos até a publicação da sentença na ação declaratória nº 95.00441004 (fls. 78 a 82). d. Sentença proferida na medida cautelar em 28/02/1996 (fls. 71 a 77) considerou o pedido parcialmente procedente, tãosomente para afastar a exigibilidade da cobrança do PIS nos moldes dos DL 2445 e 2449/88. e. Acórdão do TRF3 de 17/12/1997 (fls. 83 a 88) julgou prejudicadas a apelação e remessa oficial da cautelar, dando por cessada a ação, visto que o julgamento da ação principal tornou sem objeto a medida cautelar. 6. A ação ordinária nº 95.00441004 (ação principal), teve o seguinte andamento: a. Foi ajuizada em 01/08/1995, na 16ª VJFSP, por EDALBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ nº 54.541.388/000167 (petição inicial às fls. 45 a 53) objetivando o reconhecimento da inconstitucionalidade da exigência do recolhimento do PIS com Fl. 293DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.000995/200243 Resolução nº 3801000.499 S3TE01 Fl. 115 5 base nos DL 2445 e 2449/88 e a autorização para a compensação dos valores recolhidos a maior, desde jul/88, com outras contribuições sociais. b. Sentença proferida em 22/05/1996 (fls. 78 a 82) reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança do PIS segundo os DL 2445 e 2449/88, autorizando a compensação das quantias de PIS recolhidas a maior nos moldes dos citados decretos em relação ao que seria devido pela LC 7/70, com débitos vincendos do próprio PIS, corrigidos monetariamente desde o recolhimento indevido, observado o prazo prescricional de cinco anos anteriores à propositura da ação judicial. c. A autora apelou, requerendo a prescrição decenal. Acórdão do TRF da 3ª Região (fls. 89 a 94), exarado em 17/12/1997, negou provimento à apelação da autora e à remessa oficial. d. A autora interpôs Recurso Especial contra o v. acórdão do TRF, pleiteando a compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal, a inclusão dos expurgos inflacionários e a prescrição decenal. Decisão do STJ prolatada em 06/03/01 (fls. 167 a 169) deu parcial provimento ao recurso especial considerando que, no lançamento por homologação, a prescrição do direito de pleitear sua restituição se dá após o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. e. Acórdão da Segunda Turma do STJ, de 03/05/2001 (fls. 95 a 99), negou provimento a Agravo Regimental da União que propunha a prescrição em cinco anos. f. Novo acórdão da Segunda Turma do STJ, de 06/11/2001 (fls. 180 a 184), rejeitou os Embargos de Declaração da União opostos em relação ao v. acórdão do STJ que negou provimento ao Agravo Regimental. g. Por fim, decisão do STJ de 23/05/2002, não admitiu recurso extraordinário proposto pela União (fls. 185 e 186). Em 13/08/2002 ocorreu decurso de prazo para recurso (fl. 165). Como se observa, transitou em julgado decisão judicial que assegurou o direito de o Recorrente (i) não se sujeitar aos recolhimentos do PIS pela sistemática introduzida pelos DL’s nº’s 2.445 e 2.449/88 e (ii) de promover a compensação dos valores recolhidos nos moldes dos citados decretos nos últimos 10 (dez) anos, com débitos vincendos do próprio PIS. Ocorre que, mesmo com a determinação do acórdão da DRJ de Campinas para que a fiscalização verificasse “os efeitos, sobre o crédito tributário mantido, do trânsito em julgado de decisão judicial posterior ao lançamento”, a SERAT de Guarulhos, em interpretação duvidosa dos processos judiciais, concluiu que o Recorrente não teria direito ao crédito indicado no pedido de compensação, uma vez que as ações judiciais foram propostas em nome da Matriz e os créditos seriam vinculados à filial do Recorrente. Vejase trecho do parecer apresentado: “Contudo, não foi necessária a análise dos novos documentos apresentados, pois se verificou que na petição inicial, tanto da Fl. 294DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.000995/200243 Resolução nº 3801000.499 S3TE01 Fl. 116 6 medida cautelar quanto do mandado de segurança e da ação ordinária, a única parte autora foi a matriz domiciliada em São Paulo, de CNPJ nº 54.541.388/000167. A filial domiciliada em Guarulhos e de CNPJ nº 54.541.388/000248 não constava no polo ativo das ações judiciais. Constatouse que, tanto no período controverso de recolhimento de PIS (07/1988 a 06/1995) quanto no período envolvido na compensação de PIS na filial (1997 e 1998), a declaração (DCTF) e o recolhimento dos tributos federais envolvidos eram realizados de forma descentralizada.” Contudo, não há fundamento para prevalecer tal ilação da fiscalização de Guarulhos. Sem maiores delongas, há muito a jurisprudência deste conselho afasta este entendimento, vejase, neste sentido, o julgado abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1999 a 30/04/2001 . EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO. Constatada dúvida no julgado, cabe complementálo, re/ratificando o Acórdão. NORMAS PROCESSUAIS. AÇÃO JUDICIAL IMPETRADA PELA MATRIZ. AUTO DE INFRAÇÃO DO IPI LANÇADO CONTRA FILIAL. APROVEITAMENTO. Impetrado mandado de segurança pela pessoa jurídica, em litígio versando sobre o IPI, a ação judicial atinge não apenas o estabelecimento matriz, cujo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) é mencionado da Exordial, mas também os estabelecimentos filiais, exceto se no processo judicial for determinado o contrário. Embargos acolhidos em parte. Resultado: Por unanimidade de votos, acolheuse em parte os embargos de declaração para reratificar o Acórdão 220309525, nos termos do voto do Relator. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 01.07.2008Relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Recorrente: AMERICAN BANKNOTE COMPANY GRÁFICA E SERVIÇOS LTDA.Recorrida: DRJPORTO ALEGRE/RS. 2º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 20312.506 em 18.10.2007. É ilógico concluir que, para ter um provimento jurisdicional que abarque todos os seus estabelecimentos, o contribuinte deverá ingressar com uma demanda judicial em nome de cada um dos estabelecimentos. E se, enquanto não finalizasse a demanda, o contribuinte quisesse abrir outro estabelecimento, este ficaria desguarnecido do provimento jurisdicional? E se o contribuinte optar por propor várias ações judiciais, uma para cada estabelecimento, poderá ter provimentos jurisdicionais distintos? Ou seja, matriz e filiais poderão ter recolhimentos distintos, de acordo com as decisões judiciais exaradas? Os questionamentos são muitos, mas a conclusão é uma só: a empresa deve ser considerada em sua unicidade, em especial, quando se tratar de cobrança de tributos de competência da União Federal. Não há que se falar em decisão favorável que abarque só a matriz e não as filiais do contribuinte, mesmo que a legislação, em atendimento ao princípio da praticidade, determine o recolhimento descentralizado dos tributos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.000995/200243 Resolução nº 3801000.499 S3TE01 Fl. 117 7 Como muito bem ressaltou o contribuinte em suas razões recursais, a Regra Matriz de Incidência não faz distinção quanto ao sujeito passivo da obrigação tributária. Este sempre será a pessoa indicada pelo legislador como o contribuinte do tributo, independentemente de onde são realizadas as operações, na matriz ou na filial. Pelas argumentações da SERAT, caso a filial deixasse de recolher tempestivamente os seus tributos, a União Federal só teria competência para cobrar o crédito tributário desta mesma filial, mesmo que, uma vez inexistente recursos da filial para pagamento do tributo, o patrimônio da Matriz fosse suficiente para quitar estes mesmos tributos. Não podem prevalecer as conclusões da SERAT de Guarulhos. Contudo, para que não haja supressão de instância, os autos deverão retornar à instância de origem, para que, em atendimento à determinação do acórdão da DRJ de Campinas, com base nos documentos fiscais do contribuinte, inclusive aqueles acostados a estes autos, seja verificada a existência de créditos suficientes para liquidar os débitos indicados no pedido de compensação formalizado pelo contribuinte em sua DCTF. A análise deve levar em consideração a realidade dos fatos, ou seja, caso seja detectado erro material de preenchimento das declarações, deve prevalecer a verdade material, nos exatos termos das orientações já exaradas por este Conselho. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda). PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes). Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.000995/200243 Resolução nº 3801000.499 S3TE01 Fl. 118 8 IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007). COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, que os créditos indicados na DCTF são “sem DARF”, como já noticiou o próprio Recorrente em suas razões recursais. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/GuarulhosSP para: 1. Apure o direito creditório assegurado na ação judicial, considerando que a decisão judicial transitada em julgado abarca todos estabelecimentos do Recorrente, seja matriz ou filiais, verificando se os créditos indicados na DCTF são suficientes para liquidar os créditos indicados no pedido de compensação; 2. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19679.001804/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
PIS/COFINS. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO POSTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2001.
O prazo para o pedido de ressarcimento de tributos sujeito ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da data da sua extinção do crédito tributário, para aqueles pedidos apresentados após o vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2001.
PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL.
Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 não incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO DO CONTRIBUINTE.
Nos pedidos do ressarcimento, cabe ao contribuinte a constituição das provas que demonstram a existência do crédito. A falta dessas provas leva ao indeferimento do direito creditório.
Numero da decisão: 3401-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PIS/COFINS. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO POSTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2001. O prazo para o pedido de ressarcimento de tributos sujeito ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da data da sua extinção do crédito tributário, para aqueles pedidos apresentados após o vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2001. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 não incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. Nos pedidos do ressarcimento, cabe ao contribuinte a constituição das provas que demonstram a existência do crédito. A falta dessas provas leva ao indeferimento do direito creditório.
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TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO POSTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2001. O prazo para o pedido de ressarcimento de tributos sujeito ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da data da sua extinção do crédito tributário, para aqueles pedidos apresentados após o vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2001. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 não incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. Nos pedidos do ressarcimento, cabe ao contribuinte a constituição das provas que demonstram a existência do crédito. A falta dessas provas leva ao indeferimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 18 04 /2 00 6- 85 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS e da COFINS, recolhidos supostamente a maior, entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2005, no valor de R$ 5.881.906,65 (cinco milhões, oitocentos e oitenta e um mil, novecentos e sessenta e cinco reais). O pedido foi protocolado em 14/06/2006 (fl.01), sob argumento de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pela Lei nº 9.718/98. A Recorrente pretende aproveitar os créditos para compensar diversos débitos, os quais estão relacionados na fl.9. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo indeferiu o pedido, sob o fundamento de que não tem competência para apreciar a inconstitucionalidade de norma vigente. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.41/46), mas a DRJ I em São Paulo/SP manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão (fls.58/64), com a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19679.001804/200685 Acórdão n.º 3401002.316 S3C4T1 Fl. 86 3 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVAS. A restituição requerida pelo sujeito passivo mediante utilização de formulário deverá ser acompanhada de documentos comprobatórios do direito creditório. (...) Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 02/06/2011 (fl.68) e interpôs recurso voluntário em 29/06/2011, com as alegações resumidas abaixo: 1 O motivo de indeferimento do crédito pela delegacia de origem foi a incompetência para apreciar questões e constitucionalidade. Os documentos apresentados pela Recorrente foram aceitos pela delegacia de origem, de modo que não podem ser rejeitados pela DRJ; 2 O prazo decadencial para pleitear a restituição é de cinco anos, contados da data em que o STF reconheceu a inconstitucionalidade da norma, isto é, a partir de 09/01/2005. Logo, não está decaído o direito à restituição; 3 A DRJ não apreciou a matéria de mérito, qual seja, a possibilidade de as esferas administrativas apreciarem a constitucionalidade das normas. Ao fim, a Recorrente pediu o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação de todas as compensações. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende a restituição de crédito do PIS e da COFINS supostamente recolhido de modo indevido, em razão do alargamento da base de cálculo disposta na Lei nº 9.718/98. As matérias devolvidas para apreciação deste Conselho foram as seguinte: 1 Impossibilidade de indeferimento do crédito por falta de documento, vez que a delegacia de origem não rejeitou os documentos apresentados pela Recorrente; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 2 Prazo decadencial para o contribuinte pleitear ressarcimento; 3 Possibilidade de as esferas administrativas reconhecerem a inconstitucionalidade de norma. Apesar de a Recorrente ter exposto suas razões na ordem disposta acima, este Relator entende que o recurso voluntário será melhor analisado se as matérias forem apreciadas em ordem diversa. Por isso, passa a analisar primeiramente a questão decadencial. 1. Do prazo decadencial para a Contribuinte pleitear a repetição de indébito de tributos lançados por homologação A DRJ fundamentou que parte do crédito está decaída, porque o prazo para pleitear o ressarcimento é de cinco anos, a contar da data do recolhimento. Por outro lado, a Recorrente alega que os cinco anos são contados somente a partir de 09/11/2005, data em o STF julgou inconstitucional o §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98. Nesse ponto, deve ser mantido o indeferimento da DRJ, haja vista que o CNT, no seu art. 168, inciso I, do CTN, determina que o direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. Por sua vez, a Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, em seu art. 3o, trouxe o seguinte: “Art. 3oPara efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o§ 1º do art. 150 da referida Lei”. No ordenamento jurídico brasileiro, não há previsão legal de que o prazo decadencial seja contado a partir da data em que algum tribunal tenha julgado a inválida norma que estabeleceu o recolhimento do tributo. Além disso, se a norma é inconstitucional, ela é inconstitucional desde o início, de modo que o recolhimento sempre foi indevido. Por essa razão, devese manter o prazo decadencial de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. Portanto, como o pedido de restituição foi protocolado em 14/06/2006 (fl.01), estão decaídos todos os recolhimentos anteriores a 14/06/2001. 2 Matérias Constitucionais. Incompetência das Esferas Administrativas. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19679.001804/200685 Acórdão n.º 3401002.316 S3C4T1 Fl. 87 5 A Recorrente alega que as esferas administrativas são competentes para analisar a constitucionalidade das normas. A Súmula nº 2 do CARF deixa bem claro que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Seguindo essa linha, percebese que a análise da constitucionalidade das normas realmente não é da competência da esfera administrativa. Contudo, o art. 62A, Caput, do Regimento Interno do CARF, determina o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Considerando as duas normas, temse o seguinte: o CARF não é competente para apreciar a constitucionalidade de lei tributária, contudo, o CARF deve seguir as decisões de mérito do STF, quando a matéria já tiver sido analisada pela sistemática prevista pelo art. 543B, do Código de Processo Civil. No presente caso, o CARF pode conhecer da matéria conhecida como alargamento da base de cálculo, vez que o STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 0109 2006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviço. Portanto, seguindo a linha do STF, tem razão a Recorrente ao afirmar que é inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1o, do art 3o, da Lei nº 9.718/98. Analisadas essas questões, cabe saber, agora, se a Recorrente tem direito à restituição. 3 Da necessidade de documentação que comprove o crédito A afirmação da Recorrente de que a delegacia de origem aceitou os documentos por ela apresentados não se coaduna com a realidade dos autos. No despacho decisório (fls.10/13), é notório que a autoridade que indeferiu o crédito sequer analisou os documentos apresentados pela Recorrente. A autoridade fiscal indeferiu de plano o pedido, em razão do entendimento de que não era competente para apreciar a constitucionalidade. Com base nos elementos dos autos, não há como saber se a Recorrente realmente tem direito ao crédito, pois ela juntou apenas planilhas (fls. 03/04), sem ao menos dizer de onde saíram aqueles valores. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19679.001804/200685 Acórdão n.º 3401002.316 S3C4T1 Fl. 88 7 Para avaliar se a Recorrente tem direito ao crédito, é necessário saber sobre qual receita ela recolheu o PIS e a COFINS, a fim de ter certeza se essas receitas se enquadram ou não no conceito de faturamento, conforme interpretação dada pelo STF. Contudo, como a Recorrente nem mesmo discriminou a qual receita se refere o suposto recolhimento indevido, não há como fazer essa análise. Cabe destacar, ainda, que, depois da acórdão da DRJ, a Recorrente teve oportunidade de apresentar os documentos comprovadores do seu crédito sem sede de recurso voluntário, mas continuou inerte, e instruiu seu recurso apenas com documentos constitutivos. Assim sendo, considerando que nos pedidos de repetição de indébito é ônus do contribuinte instruir seu pedido com as provas de seu crédito, mas, apesar disso, nos presentes autos a Recorrente não apresentou nenhum documento que demonstre a origem do recolhimento que alega indevido, devemse indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar as compensações efetuadas. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto. Jean Cleuter Simões Mendonça – Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 13811.004140/2002-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA - PRODUTOS NT NA TIPI. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos anotados como NT na TIPI.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que tratam as Leis nº 9.363/96, e 10.276/2001. Decisão do STJ, REsp nº 993.164, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
TAXA SELIC. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da SELIC aos créditos objeto de discussão, a partir do pedido feito contribuinte, na parte que cabe o ressarcimento. Entendimento do STJ, REsp nº 1.035.847, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9303-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Valmar Fonseca de Menezes, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; e por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso especial do sujeito passivo..
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da I T. da CSRF.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator.
Henrique Pinheiro Torres Redator para o acórdão sobre o tema I
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA - PRODUTOS NT NA TIPI. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos anotados como NT na TIPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que tratam as Leis nº 9.363/96, e 10.276/2001. Decisão do STJ, REsp nº 993.164, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível a aplicação da SELIC aos créditos objeto de discussão, a partir do pedido feito contribuinte, na parte que cabe o ressarcimento. Entendimento do STJ, REsp nº 1.035.847, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Valmar Fonseca de Menezes, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; e por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso especial do sujeito passivo.. Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da I T. da CSRF. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator. Henrique Pinheiro Torres Redator para o acórdão sobre o tema I Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS NT NA TIPI. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos anotados como NT na TIPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que tratam as Leis nº 9.363/96, e 10.276/2001. Decisão do STJ, REsp nº 993.164, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Art. 62 A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível a aplicação da SELIC aos créditos objeto de discussão, a partir do pedido feito contribuinte, na parte que cabe o ressarcimento. Entendimento do STJ, REsp nº 1.035.847, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 41 40 /2 00 2- 24 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Valadão (Relator) e Valmar Fonseca de Menezes, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; e por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso especial do sujeito passivo.. Valmar Fonseca de Menezes Presidente Substituto da I T. da CSRF. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator. Henrique Pinheiro Torres – Redator para o acórdão sobre o tema I Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária Derat, em São Paulo— SP, sendo glosadas do beneficio as parcelas relativas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, receita de exportação de produtos NT e indeferida a atualização pela Seli (fls471 500).. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde se defende dos pontos glosados e indeferidos. Remetidos os autos à. DRJ em Ribeirão Preto SP, foi o pedido indeferido. Recorre a contribuinte repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2000 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13811.004140/200224 Acórdão n.º 9303002.227 CSRFT3 Fl. 708 3 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtorexportador. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO CABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 583/598, no qual a divergência apontada referese à inclusão da receita de exportação de produtos NT no cálculo do coeficiente de exportação. O recurso foi admitido pelo presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 623/625. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso da Procuradoria e trouxe seu próprio recurso especial, fls. 630 e 667, no qual a controvérsia suscitada se refere à inclusão na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas (não contribuintes do PIS e da Cofins) e à incidência da taxa Selic para atualização do ressarcimento. O presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 685/686, admitiu o recurso da contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 689/705. Voto Vencido Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à três temas: i) inclusão da receita de exportação de produtos NT no cálculo do coeficiente de exportação; .ii) inclusão na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas (não contribuintes do PIS e da Cofins); e iii) à incidência da taxa Selic para atualização do ressarcimento. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Passemos à análise dos temas separadamente. Voto vencido – Tema I I Inclusão da receita de exportação de produtos NT no cálculo do coeficiente de exportação. A decisão recorrida entende que a receita de exportação decorrente de produtos NT deve entrar no cômputo do índice a que se refere a Lei. n. 9.363/1996 e Lei nº 10.276, de 10 de Setembro de 2001 (que remete em seu art. Art. 1º, § 5º à Lei. n. 9.363/1996), aplicáveis à matéria, sendo que este índice serve para se calcular a proporção da exportação que gera direito a crédito que será aplicada à base de cálculo do benefício que é ao valor dos insumos utilizados, passíveis de apropriação de crédito, de forma a se apurar o valor que foi utilizado nos produtos exportados (que geram direito a crédito). A PGFN sustenta que as receitas de exportação de produtos NT não podem figurar no numerador da equação que resulta no cálculo do índice mencionado, pois a exportação de produtos NT não geram direito a crédito presumido. A metodologia de cálculo está detalhada está prevista na Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, especialmente em seus artigos 3º e 8º, que estatuem: Apuração e Utilização do Crédito Presumido Art. 3° O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) ressarcidos por meio de compensação com o IPI devido; b) ressarcidos em espécie; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13811.004140/200224 Acórdão n.º 9303002.227 CSRFT3 Fl. 709 5 ... Art. 8º Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Parágrafo único. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. Deve se considerar que produto NT não gera crédito do IPI, seja em operações internas, seja em operações de exportação, e por conseguinte não pode haver creditamento das aquisições de insumo que sejam utilizados na exportação de produtos NT, ainda que seja a título de ressarcimento de PIS/COFINS, nos moldes do benefício fiscal previsto na Lei n. 9.363/1996. De fato, é esta a jurisprudência mais recente da CSRF. No caso, há mercadorias exportadas não foram sequer submetidas a qualquer processo de industrialização (soja em grão/triturada – NT, ver fls. 168), assim, não podem, de forma alguma serem incluídas no montante das exportações utilizadas para o cálculo do percentual das aquisições que comporá a base de cálculo do benefício. Porém, não há dúvida de que este valor integra a receita operacional bruta (que compõem o denominador da equação). Ora, se determinada parcela da exportação não gera direito a crédito presumido, tal parcela não pode compor o numerador da relação que determina o índice das exportações. Assim, constatado que produto NT não gera direito a crédito presumido, ainda que exportado, da leitura da Lei e da Instrução Normativa SRF n. 37/1966, defluise que tem razão a recorrente. Deve ser revista, portanto, neste aspecto a decisão recorrida e mantida a decisão de primeira instância. (final da parte do voto vencido relativo ao Tema I) II Inclusão na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas (não contribuintes do PIS e da Cofins). As glosas das parcelas da base de cálculo, a título de aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, que tenham efetivamente sido utilizadas no processo produtivo, são indevidas, pois tanto a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fl. 182DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Fazenda, como o Superior Tribunal de Justiça, já pacificaram a matéria reconhecendo o direito aos créditos. Ressalvo aqui a posição deste Relator, que entende em sentido contrário. Vejase que no Recurso Especial nº 993.164, de relatoria do Min. Luiz Fux, julgado em 13/12/2010, pelo Superior Tribunal de Justiça no regime do art. 543C, do CPC, que traz entre as matérias apreciadas a ilegalidade da exclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI de tais aquisições. Vejase abaixo excertos do mencionado RESp: 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Aplicase, aqui também o 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, dandose portanto provimento ao recurso do contribuinte nesta parte. III Incidência da taxa Selic para atualização do ressarcimento. É certo que a legislação que trata da matéria não permite a correção monetária dos valores a serem ressarcidos. Destaquese que ressarcimento e restituição (de tributo pago a maior ou indevidamente tem naturezas distintas).Entretanto, ainda que não se reconheça a totalidade do pedido do contribuinte que pede a SELIC ab initio, há que se reconhecer o direito à taxa SELIC em face da resistência do fisco, matéria já decidida pelo STJ pelo rito dos recursos repetitivos, como segue abaixo: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13811.004140/200224 Acórdão n.º 9303002.227 CSRFT3 Fl. 710 7 TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS. RESP 1.035.847/RS. SÚMULA 411/STJ. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), reiterou entendimento no sentido de que não incide correção monetária nos créditos escriturais de IPI, por ausência de previsão legal. 2. Contudo, no mesmo julgado, ficou ressalvado que o ressarcimento efetuado com demora por parte da Fazenda Pública justifica a incidência da correção monetária, visto que caracterizada a chamada "resistência ilegítima". 3. Aplica se ao caso a multa do art. 557, § 2º, do CPC no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, por questionamento de matéria já decidida em recurso repetitivo. Agravo regimental improvido. (STJ – 2ª Turma AgRg no REsp 1265457/RS – Rel. Min. Humberto Martins – Dje 14/10/2011) Em regra, créditos objeto de pedido de ressarcimento não devem ser atualizados por falta de previsão legal. Por outro lado, a regra deve ser excepcionada quando a fiscalização impõe uma restrição injustificada.. Matéria que já foi objeto de decisão do STJ respeitando o regime do art. 543C do Código de Processo Civil (REsp 1.035.847, transcrito parcialmente acima). Hipótese de aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. A taxa Selic deve ser aplicada a partir do pedido que foi objeto de decisão denegatória da DRF, sobre o montante a que tem direito o contribuinte. Assim, nesta parte, dáse provimento ao recurso especial do contribuinte que requeria a aplicação da SELIC Isto posto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto Vencedor Voto Vencedor – Tema I Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Fl. 184DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 A teor do relatado, o inconformismo da Fazenda Nacional diz respeito à inclusão no cálculo da Receita Operacional Bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos NT na TIPI. Antes de adentrarse nas questões trazidas a debate, fazse necessário breve esclarecimento sobre o cálculo do crédito presumido e seus estágios: primeiro, cotejase a receita de exportação com a operacional bruta para se encontrar o coeficiente a ser aplicado sobre as aquisições dos insumos; segundo, apurase o total das compras de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) utilizados no processo de industrialização do produtor exportador. Nesse total não se incluem, obviamente, os produtos que sem qualquer industrialização efetuada pelo adquirente, são revendidos no mercado interno ou são exportados para o exterior. Do total das compras de insumos, são excluídos aqueles que não geram direito ao crédito presumido, tais como os que não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Devem ainda ser excluídos os valores correspondentes às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos NT na TIPI, de produtos não acabados e de produtos acabados, mas não vendidos em estoque no último trimestre do ano ou no último que houve exportação. Feitas as exclusões, sobre o valor restante aplicase o citado coeficiente para se chegar às aquisições incentivadas, que são a base de cálculo do crédito presumido. Para se chegar ao valor do crédito presumido a ressarcir, aplicase sobre essas aquisições incentivadas o percentual previsto na lei. No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos não tributados pelo IPI, por serem NT na TIPI, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13811.004140/200224 Acórdão n.º 9303002.227 CSRFT3 Fl. 711 9 receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados (NT na TIPI) devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Assim, não se deve admitir que tais valores conste apenas de uma das receitas, quer da de exportação, quer da operacional bruta. No primeiro caso, a distorção seria favorável ao sujeito passivo, no segundo, à Fazenda Nacional. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados na produção dessas mercadorias que são exportadas. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Diante do exposto, devese negar provimento ao apelo fazendário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 186DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 14033.000678/2010-08
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato Redator Designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 67 8/ 20 10 -0 8 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 742 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela Construtora RV Ltda contra a decisão de indeferimento do Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestações de serviços (11% NFS), na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 02/2006. O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), para as obras de matrícula CEI n. 38.720.05895/70 em 18/12/2009. Foi emitido o Despacho Decisório n. R45/SRFB/DRF/BSA, em 28/09/2010, com a decisão de não reconhecimento do direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado: não haver GFIP para a competência 02/2006, da CEI n. 38.720.05895/70, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2823, a relação massa salarial/faturamento corresponde 12,22%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Regularmente cientificado do Despacho Decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fls. 637/641. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, fls. 644/683, alegando em síntese: durante o procedimento de fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente todas as solicitações realizadas pelo Fisco apresentando toda a documentação requerida, inclusive conciliando as informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando, assim, qualquer possibilidade de arguição de omissão, fraude ou simulação por parte da Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente de documentos solicitados pelo Fisco; os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente à situação fiscal, vez que em nenhum momento existiu, por parte do Fisco, solicitação de documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não foram apresentados; Fl. 742DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 743 3 devese anular a decisão recorrida, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada; a não observância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização; a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as informações constantes nos documentos descaracterizados pelo Fisco são as mesmas que embasaram tal decisão acarretando um confronto de fundamentação (folha de pagamento, GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado); não obstante existirem valores retidos dos subcontratados, a Recorrente não utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09); Com o objetivo de cumprimento das normas de direito tributário que disciplinam sobre procedimento de restituição, bem como para afastar a possibilidade de agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição ora em apreço; a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada de massa salarial na verdade é apenas uma parcela dos proventos integrantes da folha de pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP, (iii) concluise que toda a sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0 são falhos, devendo toda e qualquer apuração através deste ser desconsiderada em sua totalidade; as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente recurso em razão da inaplicabilidade do instituto do arbitramento/aferição indireta, conforme restou comprovado, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório da recorrente e consequentemente deferindo o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados; quanto ao mérito, admitido em respeito ao princípio da eventualidade, seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições Previdenciárias, bem como às relativas à formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99 e, consequentemente, deferir o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 744 4 na remota hipótese de não acolhimento dos requerimentos já realizados, seja dado provimento ao presente recurso em virtude da ilegitimidade dos fundamentos que sustentam o acórdão recorrido, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99; nos termos do art. 58, II do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, requer, desde já, seja reconhecido o direito da Recorrente de sustentar oralmente toda a fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso; requer a reunião dos processos de restituição, nos termos do art. 47 do Regimento Interno do CARF. O contribuinte apresentou memoriais ratificando a impugnação e recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 745 5 Voto Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. DO INDEFERIMENTO DA RESTITUIÇÃO O Despacho Decisório n. R45/SRFB/DRF/BSA, em 28/09/2010, denegou a restituição de contribuições previdenciárias pleiteada pelo contribuinte, pois considerou não haver GFIP para a competência 02/2006, da CEI n. 38.720.05895/70, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005. Considerou, também, a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados no Sistema Restituição WEB 2.0 e a relação massa salarial/faturamento corresponder 12,22%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA DECISÃO RECORRIDA A decisão recorrida menciona que a massa salarial da mão de obra da CEI 38.720.05895/70 declarada pelo contribuinte em GFIP, em folha de pagamento e na contabilidade, em confronto com as notas fiscais emitidas para pagamento desses serviços (NFS n. 011) tem uma relação massa salarial/faturamento de 5,94%. Assim, menciona a decisão que há impossibilidade de execução dessas obras, em virtude do número de segurados constantes em GFIP ou em folha de pagamento específica para a obra, referentes à mão de obra própria ou à terceirizada, mediante confronto com as notas fiscais, tanto de materiais e equipamentos quanto às de contratação de mão de obra. Diante do observado, alega a decisão recorrida ser necessário o indeferimento da restituição e que a empresa seja incluída no planejamento fiscal, a fim de que a fiscalização, em específica ação fiscal, analise, de forma pormenorizada, toda a documentação relativa à execução das obras e possa aferir os corretos valores devidos, atinentes ao pleito. Em relação à aferição indireta, informa ser possível conforme legislação de regência, se a empresa recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálo deficientemente. A constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, é considerado como apresentação de documentos de forma deficiente, nos termos do art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/91 e art. 477, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Anunciado o julgamento do recurso voluntário em sessão pelo Presidente de Turma, é direito do contribuinte, se desejar, fazer sustentação oral logo após a leitura do relatório do processo, nos termos do art. 58, inciso II, da Portaria nº 256, de 22/06/2009 (Regimento Interno do CARF). Fl. 745DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 746 6 A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não há necessidade de juntar os processos de restituição do contribuinte para decisões conjuntas por se tratar de competências, valores, análises distintas e já distribuídos para as turmas de julgamento. O contribuinte apresenta memorial alegando sua regularidade fiscal e reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário. A recorrente anexa aos autos notas fiscais de serviços tomados de terceiros e guias de recolhimento GPS de recolhimento de retenção efetuada por ela, entretanto, tais documentos não estão acompanhados de explicações e demonstrativos estabelecendo a que obra pertence, nem acompanhados da escrituração contábil, memórias de cálculo e notas explicativas. O pedido de restituição do contribuinte deve ser acompanhado de todas as informações necessárias para se apurar o correto valor das contribuições previdenciárias, eventuais valores recolhidos a maior e a diferença a restituir. Assim, o pedido deve ser acompanhado de planilhas e notas explicativas, cálculos, documentos (GFIP, GPS, Folha de pagamento, férias, rescisões, retenções, contratos de empreitada e de subempreitada, NFS, outros) e registros contábeis (diário, razão). Sem a demonstração e a comprovação exata do valor a restituir pelo contribuinte, não pode o fisco conferir se o valor pleiteado está correto. Os documentos, planilhas, demonstrações, valores, devem ser apresentados de uma só vez, e não por parte. Isto dificulta a comprovação do valor correto a restituir. A restituição não é uma situação que se viabiliza automaticamente. Para a implementação do instituto, a parte interessada deverá cumprir as regras dispostas no ordenamento jurídico. Nos termos do art. 33 e parágrafos 1o, 2o, 3o e 4o da Lei 8.212/91 compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previdenciárias. É prerrogativa da RFB o exame da contabilidade, ficando obrigada a empresa a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitadas. A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, ao padrão de execução da obra e aos serviços prestados, cabendo à empresa responsável o ônus da prova em contrário (art. 33, § 4o da Lei 8.212/91). Desse modo, quando não demonstrado pelo contribuinte de maneira clara qual o valor correto das contribuições previdenciárias, correta a aferição indireta com base no valor de 11% da nota fiscal de prestação de serviço, nos termos do art. 31 c/c art. 33, § 4o, da Lei 8.212/91. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 747 7 O valor mínimo para aferição de mão de obra utilizada para prestação de serviço de 40% do valor das notas fiscais, tem respaldo no art.219, §§ 7o e 8o do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.049/99. Não se deve deferir valor de restituição sem a comprovação exata da quantia e do direito. A recorrente informa que não apresentou os documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros. Não se pode anular ato de indeferimento de restituição quando devidamente fundamentado na lei e normas previdenciárias, tampouco, revogálo sem motivo de conveniência ou oportunidade, e sem comprovação certa do direito adquirido, como quer o contribuinte. Inaplicável, portanto, o art. 53 da lei 9.784/99. Fundamentada a decisão na forma da lei, não há que se falar em inobservância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização. Nem em agressão aos princípios gerais do direito e em enriquecimento sem causa por parte da União. Não se pode reconhecer o direito de restituição de valor ilíquido, incerto e sem comprovação. A aferição indireta pode ser utilizada quando as informações prestadas ou os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes em face de outras informações, ou outros documentos de que dispõe a fiscalização, no caso, a constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, nos termos do art. 447, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. A apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0, as GFIP, a massa salarial, as folha de pagamento, são válidas como documentos para embasar o indeferimento da restituição quando não há prova específica nos autos do correto valor a restituir, apenas informações genéricas, que não são suficientes para justificar o pedido de restituição. A formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP) não dá direito à restituição pretendida, pois precisam ser demonstrados os valores recolhidos a maior por intermédio dos documentos e livros contábeis, bem como, a memória de cálculo, planilhas, notas explicativas, outros, para análise da fiscalização. O contribuinte possui pedido de restituição de contribuições para diversas obras e de competências variadas, o que exige da fiscalização apuração de valores individualizados por obra, entretanto, considerando os valores recolhidos pela empresa e todas as suas obras. Em razão dos princípios da verdade material, da ampla defesa e contraditório, do valor justo do tributo, considerando que o contribuinte afirmou possuir todos os documentos (Folha de pagamento, GFIP, GPS, Notas Fiscais de Serviços, Contabilidade, Contratos, Subcontratos, outros) que comprovem o valor das contribuições previdenciárias devidas, o pleito deve ser acatado parcialmente, no sentido de se analisar com mais detalhe o pedido de restituição. CONCLUSÃO: Fl. 747DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 748 8 Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 748DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 749 9 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Vettorato, Redator Designado Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n. 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentouse na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n. 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do memso que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções prémoldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da Fl. 749DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 750 10 instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Contudo, o presente caso demanda algumas particularidades, como se há realmente outro motivo para negativa ao pedido, pois nem sequer foi apontada falha ou irregularidade da documentação apresentada. Também, por esses motivos, entendo que não é possível um deferimento ou indeferimento de plano do Recurso Voluntário, inclusive a anulação da decisão anterior, simplesmente incorreria em maior demora na resposta efetiva ao contribuinte. Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de requisito (ex.: preenchimento incorreto de formulário, GFIP, etc) que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Tudo conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; Fl. 750DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000678/201008 Resolução nº 2803000.188 S2TE03 Fl. 751 11 (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Fl. 751DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.006371/2008-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PLR - REGRAS CLARAS E OBJETIVAS - REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 - LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES
A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dando-lhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 63 71 /2 00 8- 99 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 104 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1622.766 – 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.200.1793, no montante de R$ 1.254,89. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 59, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições dos segurados empregados por não considerar a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados PLR" como parte dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Esses valores estão discriminados na coluna "DIFERENÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO" do Anexo A constante do AI de DEBCAD n. 37.167.0977 (Processo n. 19515.006372/200833). O contribuinte infringiu, dessa forma, o dispositivo legal da Lei n o 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n o 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a".no período de 02/2004 a 11/2005. A multa a ser aplicada é a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF N o 77, de 11 de Março de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 12 de Março de 2008, seção 1, página 42, correspondendo ao valor de R$ 1.254,89. Não se verificou nenhuma das circunstâncias agravantes previstas no Decreto n o 3.048/99, art. 290, incisos I a V. Até o encerramento da presente ação fiscal, não foi constatada a ocorrência da circunstância atenuante prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048 de 06/05/1999. Foi emitido o Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF, com ciência da Recorrente em 08.07.2008, sendo apresentado também o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.00200804.1015. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Cálculo da Multa Aplicada, às fls. 08, é de 02/2004 a 12/2005. A Recorrente teve ciência do AIOA no dia 15.10.2008, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 1622.766 – 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço constitui infração à legislação previdenciária. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterou os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Contra a requerente foi lavrada a autuação em referência, mantida pela decisão de fls., sob o fundamento de diferenças no recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes da Participação nos Lucros da autuada, impondose a correspondente multa. Certo é, todavia, que com a publicação da Lei 11.941/2009 houve diversas modificações, principalmente no tocante aos valores das multas previstas na Lei 8.212/91. Neste sentido, cumpre registrar que a alteração do artigo 32A, gerou significativas modificações nos valores relacionados às multas, pelo que requerse sua imediata aplicação no presente processo, admitindose, por argumento, a hipótese de manutenção da autuação inicial Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Na Sessão de Julgamento em 12.05.2011, esta Colenda Turma decidiu por baixar o processo em Diligência para fins de saneamento do processo, conforme a Resolução 2403000.018: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AIOP disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, os fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias com a discriminação: (a) dos valores relacionados à participação nos lucros ou resultados – PLR recebidos pelos segurados empregados da Recorrente; (b) dos segurados empregados que receberam o PLR e foram Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 105 5 considerados na base de cálculo. Após, deve ser dado ciência à Recorrente para que a mesmo possa se manifestar com vistas ao contraditório e à ampla defesa. A Diligência Fiscal retornou a este Conselho nos seguintes termos: Em atendimento à Resolução no 2403.000.017 da 4a Camara / 3a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), as fls 153 a 160 do Processo 19515.006374/200822, procedeuse à diligência conforme MPF 08.1.90.00201201662 3: 1. Em 02/05/2012 foi lavrado o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 07/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo), comunicando a sociedade o inicio de diligência fiscal para atender a resolução do CARF. 2. Foram anexados ao TIPF: a. Mandado de Procedimento Fiscal; b. Resolução do CARF de n°: 2403000.019 —fls. 153 a 160; c. Relatório Fiscal Complementar, contendo no "Anexo A", a discriminação dos valores relacionados a participação nos lucros ou resultados — PLR recebidos pelos segurados empregados da sociedade. Esse anexo contém, também, o cálculo das contribuições que deveriam ser retidas dos segurados, caso a sociedade considerasse o PLR como base de cálculo para as contribuições previdenciarias; d. Cópia do recibo de arquivos entregues ao contribuinte em 15 de outubro de 2008, que demonstra que o "Anexo A" já havia sido entregue ao contribuinte (o código identificador do relatório 6: b95cff051e289de2152f30dc9a4c41af). 3. Em 08/05/2012 foi lavrado o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 11/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo). A Recorrente devidamente cientificada, assim se manifestou acerca da Diligência: Vale destacar, assim, que o auto de infração original, lavrado pela Autoridade Fiscal, é nulo, já que não preenche os requisitos formais para sua validade, fato esse reconhecido pelo CARF — Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, que determinou a conversão do processo em diligência. Diante disso, considerando tratarse de vicio insanável (inclusive por se tratar de inovação em auto de, infração já lavrado), inadmissível a complementação do auto de infração Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 original, especialmente diante da prescrição que atinge referidas obrigações em discussão. Caso não seja esse o entendimento desse I. CARF — Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, o que se admite apenas por cautela, a Recorrente, nesse ato, reitera integramente os termos do recurso administrativo apresentado, requerendo, assim, seja acolhido o recurso interposto, pelos seus próprios fundamentos. Por fim, reitera a Recorrente que, com a publicação da Lei n° 11.941/2009, houve diversas modificações na anterior legislação, principalmente no tocante aos valores das multas previstas na Lei n° 8.212/91, razão pela qual, nesse sentido, devese observar a redação do artigo 32A, aplicandose, se devido, o valor da multa definida em referido dispositivo legal. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 106 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 96 DO DEPÓSITO RECURSAL O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 21 que afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1622.766 – 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.200.1793, no montante de R$ 1.254,89. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 59, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições dos segurados empregados por não considerar a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados PLR" como parte dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Esses valores estão discriminados na coluna "DIFERENÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO" do Anexo A constante do AI de DEBCAD n. 37.167.0977 (Processo n. 19515.006372/200833). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 O contribuinte infringiu, dessa forma, o dispositivo legal da Lei n o 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n o 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a".no período de 02/2004 a 11/2005. A multa a ser aplicada é a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF N o 77, de 11 de Março de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 12 de Março de 2008, seção 1, página 42, correspondendo ao valor de R$ 1.254,89. Não se verificou nenhuma das circunstâncias agravantes previstas no Decreto n o 3.048/99, art. 290, incisos I a V. Ademais, a Diligência Fiscal retornou a este Conselho nos seguintes termos: Em atendimento à Resolução no 2403.000.019 da 4a Camara / 3a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), as fls 153 a 160 do Processo 19515.006374/200822, procedeuse à diligência conforme MPF 08.1.90.00201201662 3: 1. Em 02/05/2012 foi lavrado o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 07/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo), comunicando a sociedade o inicio de diligência fiscal para atender a resolução do CARF. 2. Foram anexados ao TIPF: a. Mandado de Procedimento Fiscal; b. Resolução do CARF de n°: 2403000.019 —fls. 153 a 160; c. Relatório Fiscal Complementar, contendo no "Anexo A", a discriminação dos valores relacionados a participação nos lucros ou resultados — PLR recebidos pelos segurados empregados da sociedade. Esse anexo contém, também, o cálculo das contribuições que deveriam ser retidas dos segurados, caso a sociedade considerasse o PLR como base de cálculo para as contribuições previdenciarias; d. Cópia do recibo de arquivos entregues ao contribuinte em 15 de outubro de 2008, que demonstra que o "Anexo A" já havia sido entregue ao contribuinte (o código identificador do relatório 6: b95cff051e289de2152f30dc9a4c41af). 3. Em 08/05/2012 foi lavrado o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 11/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo). Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.200.1793 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 107 9 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 108 11 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. REPLEG Relatório de Representantes Legais, que identifica os sóciosgerentes / administradores da empresa e seus respectivos períodos de gestão; c. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; d. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. DO MÉRITO. (i) Contra a requerente foi lavrada a autuação em referência, mantida pela decisão de fls., sob o fundamento de diferenças no recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes da Participação nos Lucros da autuada, impondose a correspondente multa. Certo é, todavia, que com a publicação da Lei 11.941/2009 houve diversas modificações, principalmente no tocante aos valores das multas previstas na Lei 8.212/91. Neste sentido, cumpre registrar que a alteração do artigo 32A, gerou significativas modificações nos valores relacionados às multas, pelo que requerse sua imediata aplicação no presente processo, admitindose, por argumento, a hipótese de manutenção da autuação inicial Analisemos. Este item (i) questiona o sobrestar o processo até o julgamento do AIOP nº 37.167.0977. Ou seja, neste ponto, a Recorrente em sede de Recurso Voluntário não combate a decisão da instância “a quo”, de modo que não há o que se manifestar a respeito da decisão de primeira instância. Quanto ao pedido de sobrestamento para que se aguarde o julgamento do AIOP nº 37.167.0977, anotese este processo não foi distribuído a este Relator. Outrossim, em função de que na presente Sessão de Julgamento estarmos julgando o processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985, referente às contribuições devidas a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a Terceiros, especificamente para as seguintes entidades:Salário Educação 2,5%, INCRA 0,20%, SENAC 1,00%, SESC 1,50% e SEBRAE 0,60%, totalizando 5,80%, devemos nos ater a decisões não divergentes nestes processos. Daí, portanto, transcrevo abaixo trechos do Acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário no processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 109 13 Processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985. (viii) Da "ausência" de metas claras e objetivas Tirante o fato de não se saber de onde o Sr. Auditor Fiscal concluiu pelo descumprimento do tema — não se sabe de que lei está falando e nem o que entendeu como regras claras e objetivas..., bem como o que para ele representa direito substantivo e regras adjetivas..., cumpre ressaltar a plena observância por parte da aqui Recorrente quanto àquilo que a lei determina como estipulação de metas claras e objetivas, e que de modo prévio, aos seus empregados. Analisemos. A questão central é se definir se há ou não regras claras e objetivas, posto que um dos fundamentos para a autuação fiscal é a hipótese de ausência dessas regras assim delimitas pelo art. 28, § 9º, j, Lei 8.212/1991 c/c art. 2º, § 1°, Lei 10101/2000. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a Terceiros, especificamente para as seguintes entidades:Salário Educação 2,5%, INCRA 0,20%, SENAC 1,00%, SESC 1,50% e SEBRAE 0,60%, totalizando 5,80%, no período 02/2004 a 12/2005. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 18 a 31, o fatos gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento aos empregados de 'Participação nos lucros ou resultados da empresa PLRE', sem atender a todos os requisitos previstos pelos artigos 1°, 2° e 3° da Lei 10.101 de 19/12/2000, o que impossibilitou afastar tais pagamentos da base de incidência das contribuições previdenciárias, em virtude do disposto no § 9°, j, do artigo 28 da Lei 8.212/91: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 (...) j A participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica. (gn) Lei 10.101/2000 Art 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; li programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores." (..) Art 3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1° Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (g n) Ainda segundo o Relatório Fiscal, às fls. 18 a 31, destacamse, a seguir, os pontos que esta fiscalização entendeu não estarem de acordo com as exigências previstas na Lei 10.101/2000: 6.4. Regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas: dos Acordos Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 110 15 Coletivos não constam as metas a serem atingidas. Sejam quais forem as metas, deveriam estar claramente expressas. Mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Dos Acordos Coletivos também não constam as formas de apuração dos resultados referentes às metas inicialmente definidas, uma vez que também não existem metas a serem atingidas. 6.4.1. Diz o acordo referente a 2004: Cláusula 1° Fundamento Legal As partes assinam este acordo tendo por base as disposições da lei n° 10.101 de 19 de dezembro de 2000, especialmente o artigo 2º Cláusula 2º Participação nos resultados A Hay e os seus empregados estabeleceram um Programa de Metas para o ano fiscal de 2004 (01.10.03 a 30.09.04), ao qual fica subordinado o pagamento a título de participação no resultado. Os empregados e a Hay pactuam o seguinte programa de metas para 2004: a) Para Consultores e Gerentes a.1) metas individuais e coletivas pactuadas no início do exercício; a.2) resultado operacional da Hay b) Para Equipe de Informações b.1) de meta individual; b.2) das metas da área envolvendo o negócio; b.3) resultado operacional da Hay c) Para os demais empregados c.1) resultado operacional. 6.4.2.Diz o acordo referente a 2005: CLÁUSULA PRIMEIRA: DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL o presente acordo tem como fundamento legal as disposições contidas no artigo 7°, incisos XI e XXVI, da Constituição Federal e na Lei n° 1 0.101/00, que ficam fazendo parte integrante deste Acordo para todos os efeitos. CLÁUSULA SEGUNDA: DOS EMPREGADOS ABRANGIDOS Farão jus ao Programa de Participação nos Resultados (PPR), de que trata este acordo, todos os EMPREGADOS que mantiverem seus contratos de trabalho vigentes em setembro/2005. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Além disso devem ser respeitadas, pelos elegíveis, as condições de elegibilidade contidas no presente instrumento, ressalvadas as disposições contidas nos parágrafos abaixo dessa cláusula CLÁUSULA TERCEIRA: DO PROGRAMA DE METAS A EMPRESA, a COMISSÃO DE EMPREGADOS e o SINDICATO, a fim de disciplinarem os mecanismos que servirão de base global ao presente instrumento, nos exatos termos do que dispõe o artigo 2°, da lei 10.101/00, evidenciam que o Programa de Participação nos Resultados (PPR), previsto neste instrumento, está vinculado ao atingimento integral das metas previstas nesse acordo, as quais subordinamse ao período de apuração compreendido entre 01.10.2004. a 30.09.2005. Parágrafo Primeiro: O resultado obtido no decorrer do período de apuração (01.10.2004 a 30.09.2005),ratificado e validado pelos relatórios de auditoria nos resultados, elaborado por empresa de auditoria independente, destinará, para efeito de apuração de metas e resultados deste programa, a seguinte sistemática/resultados, observada a função de cada empregado, conforme documentos a ser entregue ao mesmo que, rubricado e ratificado pelas PARTES, passa a fazer parte integrante do presente Instrumento: A) PARA CONSULTORES, GERENTES E DIRETORES: a.1)metas individuais e coletivas pactuadas no início do exercício; a.2) resultado operacional da Hay B) PARA EQUIPE DE INFORMAÇÕES: b.1)de meta individual; b.2) das metas da área envolvendo o negócio; b.3) resultado operacional da Hay C) PARA OS DEMAIS EMPREGADOS: c.1) resultado operacional CLÁUSULA QUARTA: QUANTO AO VALOR A SER DISTRIBUÍDO Uma vez cumpridas as metas estabelecidas, nesse instrumento, o valor do PPR (Programa de Participação nos Resultados) será calculado de acordo com o salário e a função de cada empregado, que será avaliado por seu desempenho de acordo com as metas anteriormente acordadas. Parágrafo único: Os valores poderão variar de 0% a 150% (cento e cinqüenta por cento) dos alvos acima (metas), em função dos resultados obtidos. 6.5. Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente: confrontandose os "Acordos para Programa de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 111 17 Participação nos Resultados" com os pagamentos efetuados, vistos nas folhas de pagamento entregues pela sociedade, as datas dos referidos acordos são posteriores aos pagamentos efetuados a título de PLR (ou PPR), indicando que, se houve uma negociação entre a comissão e a empresa, o fato já estaria consumado. As metas referemse ao ano fiscal (até setembro), enquanto os acordos foram assinados em novembro ou dezembro: 6.5.1. O "Acordo para Programa de Participação nos Resultados" referente ao ano fiscal de 2004 (01.10.03 a 30.09.04) apresenta a data de 02/12/2004, mas seu registro no sindicato não apresenta data; 6.5.2.0 "Acordo para Programa de Participação nos Resultados" referente ao o ano fiscal de 2005 (01.10.04 a 30.09.05) apresenta a data de 01/11/2005, mas seu registro no sindicato não apresenta data. 6.5.3.Diz Sérgio Pinto Martins i , em seu livro "Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas" (Editora Atlas, ano 2.000), tratando da MP n° 794, de 29/12/1994 e reedições antes de sua conversão na Lei n° 10.101, de 18/12/2000. O texto da lei não alterou o texto da MP: "O próprio inciso II do §10 do art. 2' da medida provisória fala em programas de metas, resultados e prazos, que deveriam ser pactuados previamente, como um dos critérios de distribuição a serem previstos nos sistemas de negociação. Na verdade, o texto legal prevê que os resultados devam ser ajustados previamente antes de ser distribuídos." 6.6. As datas do efetivo pagamento não são as mesmas constantes dos Acordos Coletivos: como pode ser observado nas folhas de pagamento entregues pela sociedade e constantes do Anexo A do AI de DEBCAD n. 37.167.0977 (Processo n. 19515.006372/200833): 6.6.1.0 acordo referente a 2004 não cita data de pagamento: Parágrafo Terceiro O pagamento será efetuado com base no salário vigente de setembro de 2004, após a conclusão dos relatórios de auditoria nos resultados da Hay que compreende o período de outubro a setembro de cada ano, a responsabilidade pela elaboração deste relatório será de uma empresa de auditoria independente. Anotese que o posicionamento da fiscalização é claro ao considerar nos Acordos Coletivos para os exercícios de 2004 e 2005 a falta de regras claras e objetivas: Regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas: dos Acordos Coletivos não constam as metas a serem atingidas. Sejam quais forem as metas, deveriam estar claramente expressas. Mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 cumprimento do acordado. Dos Acordos Coletivos também não constam as formas de apuração dos resultados referentes às metas inicialmente definidas, uma vez que também não existem metas a serem atingidas. Não obstante tal posicionamento da AuditoriaFiscal, a jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que: “ a Lei 10.101/2000 – assim como a MP 794/1994 e suas reedições não trazem regras detalhadas, justamente porque privilegiam a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. De modo que reportome a excertos do voto condutor do Acórdão 20501.331, da 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, de 05/11/2008, da relatoria da Conselheira Liege Lacroix: (...) Afora os parâmetros estabelecidos pela lei, não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas de participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com os três artigos da Lei 10.101/2000 acima transcritos. (...)Não há nenhuma restrição na lei pra que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal.” Portanto, com fundamento na jurisprudência do CARF acima explicitada, considero que na aferição dos requisitos previstos no § 9°, j, do artigo 28 da Lei 8.212/1991 c/c artigo 2°, § 1º, Lei 10.101/2000, evidenciase regras claras e objetivas instrumentalizadas nos Acordos Coletivos de 2004 e 2005. Diante do exposto, dou provimento à alegação da Recorrente no sentido de que evidenciase a presença de regras claras e objetivas e, de qualquer forma, afasto a fundamentação da autuação no tocante à falta de regras claras e objetivas. Para efeitos explicativos, do lançamento efetuado de desconsideração dos pagamentos efetuados a título de PLR no sentido de se incidir contribuição social previdenciária, após se afastar a fundamentação da AuditoriaFiscal no tocante à ausência de regras claras e precisas para o pagamento da PLR, restou ainda analisar apenas o fundamento do não atendimento da periodicidade para que afaste, ou não, a tributação nesses pagamentos efetuados a título de PLR. Processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 112 19 (ix) DO ALEGADO DESRESPEITO TEMPORAL QUANTO AOS PAGAMENTOS / ADIANTAMENTOS DA PARTICIPAÇÃO inconstitucionalidade Em relação às alegações de inconstitucionalidade, estas já foram analisadas no tópico (A). Em relação à questão da periodicidade, o art. 3o, § 2o Lei 10.101/2000 dispõe que o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa não pode ocorrer em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4oA periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5oAs participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. O posicionamento da AuditoriaFiscal foi no sentido de que houve o descumprimento do requisito da periodicidade: 6.7. Periodicidade dos pagamentos: O adiantamento ou pagamento a titulo de participação nos lucros poderá ocorrer no máximo duas vezes no ano civil, no mesmo ou em distinto semestre civil. 6.7.Diz Sérgio Pinto Martins, em seu livro "Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas" já citado anteriormente: "12. SEMESTRALIDADE Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Dispõe o §2° do art. 3° da medida provisória que é vedado pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A determinação da norma é alternativa, no sentido de ser uma coisa ou outra." Pela folha de pagamento entregue pela empresa, verificase, conforme tabela abaixo, que alguns funcionários receberam o pagamento em periodicidade superior a duas vezes no mesmo ano civil Não obstante tal posicionamento da AuditoriaFiscal, a jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 30.) aponta no sentido de que: “Exige a lei que a PLR deve ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil. Decisões Administrativas são no sentido de que somente a(s) parcela(s) que exceder(em) a estes limites deverá(ão) ser objeto de lançamento, não incidindo, portanto, sobre todas as parcelas. Com enxertos do Acórdão 20601.025, da 6ª Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, de 02.07.2008, de relatoria da Conselheira Ana Maria Bandeira: “Assim, acreditamos que há pagamento em acordo com a legislação, como também há pagamentos em desacordo com a legislação. Portanto, os pagamentos que estão em conformidade com a legislação devem ser excluídos do lançamento”. Desta forma, seguindo a jurisprudência do CARF, há que se considerar como válidos os pagamentos efetuados a título de PLR que estão em conformidade com a legislação, no que se estabelece como critério se considerar válido o primeiro pagamento de cada semestre civil. Outrossim, nos autos, verificase a presença de segurados que receberam a PLR em desacordo com a regra de periodicidade disposta no art. 3o, § 2o Lei 10.101/2000, conforme as tabelas referentes aos anos de 2004 e 2005, disponíveis no Relatório Fiscal referente ao conexo processo principal, qual seja, processo nº 19515.006374/200822, AIOP nº 37.200.1777, às fls. 17 a 18: ANO CIVIL DE 2004 MÊS/ANO FUNCIONÁRIO CPF PGTO. PLR Abr04 CLAUDIO JOSE COFFONI 04283795836 42.000,00 Out04 CLAUDIO JOSE COFFONI 04283795836 14.000,00 Dez04 CLAUDIO JOSE COFFONI 04283795836 42.000,00 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006371/200899 Acórdão n.º 2403001.831 S2C4T3 Fl. 113 21 ANO CIVIL DE 2005 MÊS/ANO FUNCIONÁRIO CPF PGTO. PLR fev05 CLAUDIO JOSE COFFONI 04283795836 30.800,00 Abr05 CLAUDIO JOSE COFFONI 04283795836 30.800,00 set05 CLAUDIO JOSE COFFONI 04283795836 30.800,00 Dez05 CLAUDIO JOSE COFFONI 04283795836 7.700,00 fev05 ROLANDO PEDRO PELLICCIA 13014537810 179.932,00 Mar05 ROLANDO PEDRO PELLICCIA 13014537810 4.827,59 Abr05 ROLANDO PEDRO PELLICCIA 13014537810 4.827,59 Mai05 ROLANDO PEDRO PELLICCIA 13014537810 4.827,59 Jun05 ROLANDO PEDRO PELLICCIA 13014537810 4.827,59 Out05 ROLANDO PEDRO PELLICCIA 1301453781 120.750,00 Dez.05 ROLANDO PEDRO PELLICCIA 13014537810 1.689,64 Mar05 THAIS CUNHA OLIVEIRA E SILVA 26230334801 9.000,00 set05 THAIS CUNHA OLIVEIRA E SILVA 26230334801 9.000,00 Dez05 THAIS CUNHA OLIVEIRA E SILVA 26230334801 24.375,00 Desta forma, resta caracterizada a infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 59, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições dos segurados empregados por não considerar a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados PLR" como parte dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. O contribuinte infringiu, dessa forma, o dispositivo legal da Lei n o 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n o 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a".no período de 02/2004 a 11/2005. A multa a ser aplicada é a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF N o 77, de 11 de Março de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 12 de Março de 2008, seção 1, página 42, correspondendo ao valor de R$ 1.254,89. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Voltemos então ao presente processo nº 19515.006374/200822, referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.200.1793. DA MULTA APLICADA. Analisemos. Em relação ao cálculo da multa, é necessário esclarecer que esta multa é fixa, com o dispositivo legal infringido a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". Enquanto que a multa é capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373. Então, não cabe o recálculo da multa com base no art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Ora, naturalmente, mesmo que se exclua do lançamento efetuado os pagamentos da PLR que estão em conformidade com a legislação no tocante à periodicidade, conforme o disposto no o art. 3o, § 2o Lei 10.101/2000, ainda restarão pagamentos feitos em desconformidade com a periodicidade, fato este que implica em subsistir a autuação. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13896.904034/2008-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras - DIRF.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras - DIRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras DIRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 40 34 /2 00 8- 45 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0534.620/11 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, fls. 287 e 288, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 07. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase do Despacho Decisorio Eletrônico n° 796764196 de 23/10/2008, emitido pela DRF Barueri/SP para não homologar as compensações formalizadas nas DCOMP expressamente ali mencionadas, tendo em conta a fal ta de apuração de saldo negativo de IRPJ na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do Exercício 2004 (anocalendário 2003). Foi também formalizada a cobrança dos débitos, cuja compensação não foi homologada, com os acréscimos legais cabíveis até a data da compensação, conforme abaixo: [...] Cientificada da decisão, em 04/11/2008 (AR de fls. 10), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 14/17, em 04/12/2008, alegando a existência de créditos legítimos, sendo a decisão recorrida "fruto de mera divergência de metodologia no preenchimento das fichas disponíveis no sistema eletrônico desse órgão". Invoca, em seu favor, a apuração dos seguintes créditos: R$ 7.542,29, no Exercício de 2001; R$7.548,29, no Exercício de 2002; e R$ 11.941,42, no Exercício de 2003. Com base na legislação de regência, afirma que tais créditos seriam passíveis de compensação, mediante DCOMP, e que a metodologia seria a descrita no art. 6o da Lei n° 9.430, de 1996. [...] Preliminarmente, destaquese que o processo se refere a processamento eletrônico de compensação, sem que incidisse em critérios de baixa para tratamento manual ou mais pormenorizado pela autoridade competente, pelo que deverá ser apreciado apenas com as informações disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Verificase nos bancos de dados que a contribuinte teria apresentado DIPJ 2004 (anocalendário 2003), em 30/06/2004, com opção pelo Lucro Real Anual, na qual informou a apuração de prejuízo fiscal, não alterado em procedimento fiscal, Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.904034/200845 Acórdão n.º 1801001.626 S1TE01 Fl. 3 3 segundo informações constantes do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais, Lucro Inflacionario e Bases de Cálculo Negativas da CSLL Sapli. De fato, apesar de a cópia da DIPJ 2004 (anocalendário 2003), juntada aos autos pela defesa, às fls. 192, indicar a apuração de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 11.941,42, tal informação não corresponde àquela constante da DIPJ 2004 (ano calendário 2003), arquivada nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil RFB, na qual a Ficha 12a "Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real", encontrase em branco. [...] Foi providenciada a juntada de extrato das DIRF, no qual é possível confirmar retenções de IRRF feitas em favor da contribuinte, no valor total de R$ 9.285,82 (decorrente de receitas de prestação de serviços 1708 e de receitas financeiras 3426 e 6800), e a receita correspondente às retenções de R$ 618.224,50 é compatível com a receita informada na Ficha 06A da DIPJ (R$ 1.014.533,15). Ademais, cumpre reconhecer também a ocorrência de erro de preenchimento das DCOMP, no que tange ao demonstrativo do crédito utilizado. Ao invés de demonstrar a apuração do saldo negativo apenas na primeira DCOMP e a ela vincular as demais, a contribuinte teria demonstrado o saldo negativo, parte na DCOMP n° 30207.43881.140105.1.3.022987 (R$ 3.757,75) e parte na DCOMP n° 06561.51461.140105.1.3.023053 (R$7.522,26), pelo que não se configura possível a limitação do crédito ao valor informado apenas na primeira DCOMP. Entretanto, para serem efetivadas, a restituição e a compensação são procedimentos que dependem da iniciativa do sujeito passivo, pelo que, no âmbito dos presentes autos, não é possível a adoção de qualquer outra providência, acerca do crédito ora reconhecido, senão aquela veiculada nas DCOMP sob apreciação. Por todo o exposto, VOTO no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade para HOMOLOGAR as compensações em litígio até o limite do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, ora reconhecido, de R$ 9.285,82.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 335 a 338, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 31/01/2013, efls. 333; Recurso – 01/03/2013, efls. 335 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] A recorrente defende haver sofrido retenção de imposto de renda por fontes pagadoras em valor que deveria compor o saldo negativo de IRPJ apurado no ajuste anual, ao final do anocalendário, mas não apresenta documento hábil à comprovação de todas as retenções que alega haver sofrido. Deve ser ressaltado que a cópia de DIPJ não é documento hábil a comprovar os dados que veicula, dada a sua natureza meramente informativa. A contabilidade completa da recorrente, espelhada na DIPJ, e os documentos que a embasam é que constituem documentos hábeis para comprovação das operações realizadas pelas pessoas jurídicas. A Turma Julgadora de Primeira Instância juntou aos autos cópias das DIRF cuja recorrente constou como beneficiária e reconheceu os valores retidos e devidamente informados pelas fontes pagadoras. A recorrente continuou silente sobre eventuais IRRF não reconhecidos e não apresentou Informe de Rendimentos, documento capaz de suprir a ausência de DIRF – Declaração de Informação de Retenções na Fonte, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99), que consolida a legislação tributária sobre a matéria: Beneficiário Pessoa Jurídica Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Subseção III Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.904034/200845 Acórdão n.º 1801001.626 S1TE01 Fl. 4 5 § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifos não pertencem ao original) A recorrente é obrigada por lei a manter em guarda e em bom estado os documentos sobre os quais se firmam direitos ou obrigações discutidos em litígios, até que estes se findem na esfera administrativa, ou judicial. Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000/99 (RIR/99) Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Este é o posicionamento da jurisprudência administrativa, representada nas ementas a seguir transcritas: Acórdão nº 1301000.872, em 10 de abril de 2012: “SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO N A FONTE. A divergência verificada entre os registros de retenção na fonte apontados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros de dados mantidos pela Fazenda Pública podem/devem ser elididos pela apresentação dos respectivos documentos emitidos pela fonte pagadora que comprovem a efetivação da retenção (Informe de rendimentos). A ausência de comprovação pela contribuinte, apesar de reiteradamente intimada para tanto, atua contra ela, fazendo prevalecer, assim, a incerteza do crédito apontado, e a impossibilidade de admissão da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.” No mesmo diapasão, decisão proferida pela Primeira Câmara/1ª Seção/Carf – Acórdão nº 110100.688, em 16 de março de 2012: “COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES. PROVA. Na ausência de comprovantes de retenção e ante a declaração a menor de retenções pela fonte pagadora em DIRF, cabe à interessada trazer aos autos as correspondentes notas fiscais de serviço e a prova de seu recebimento pelo valor Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 líquido do IRRF, bem como declaração fidedigna da fonte pagadora de que estes valores especificamente retidos foram recolhidos aos cofres públicos. Evidências contábeis destas alegações são insuficientes para o reconhecimento do crédito pretendido, especialmente quando fonte pagadora e beneficiária são geridas pelo mesmo diretor presidente.” A respeito da matéria, devese ainda invocar a Súmula nº 80 editada por este Conselho: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Ao se conjugar as duas premissas acima, mister é que a recorrente faça prova cabal de que as receitas foram oferecidas à tributação e que o IR foi efetivamente retido pela fonte pagadora, fazendo prova deste fato com a apresentação do Informe de Rendimentos respectivo, documento que pode ser suprido pela DIRF apresentada pelas fontes pagadoras. Desta forma, a recorrente não trouxe ao litígio documentação hábil capaz de atribuir a liquidez e certeza ao crédito ora pleiteado. Por esta razão, inadmissível o reconhecimento de qualquer crédito além do valor já reconhecido na decisão de primeira instância comprovado nas DIRF entregues pelas fontes pagadorasclientes da recorrente, na qualidade de beneficiária. No mais, adoto as razões de decidir esposadas no acórdão recorrido por não confrontadas pontualmente pela recorrente. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10480.724332/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias.
REINCIDÊNCIA
Resta configurada a reincidência quando o contribuinte praticar nova infração dentro de cinco anos da data em que tiver se tornado irrecorrível a decisão condenatória administrativa, referente à autuação anterior.
A reincidência será específica quando a infração praticada foi idêntica à incorrida anteriormente, elevando a penalidade aplicada em três vezes, conforme disposto pelo artigo, 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, com a redação vigente à época da autuação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.782
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. REINCIDÊNCIA Resta configurada a reincidência quando o contribuinte praticar nova infração dentro de cinco anos da data em que tiver se tornado irrecorrível a decisão condenatória administrativa, referente à autuação anterior. A reincidência será específica quando a infração praticada foi idêntica à incorrida anteriormente, elevando a penalidade aplicada em três vezes, conforme disposto pelo artigo, 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, com a redação vigente à época da autuação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. REINCIDÊNCIA Resta configurada a reincidência quando o contribuinte praticar nova infração dentro de cinco anos da data em que tiver se tornado irrecorrível a decisão condenatória administrativa, referente à autuação anterior. A reincidência será específica quando a infração praticada foi idêntica à incorrida anteriormente, elevando a penalidade aplicada em três vezes, conforme disposto pelo artigo, 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, com a redação vigente à época da autuação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 43 32 /2 01 0- 61 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.724332/201061 Acórdão n.º 2302002.782 S2C3T2 Fl. 516 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em 24/12/2010 e cientificado ao sujeito passivo acima identificado em 29/12/2010, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, no período de 01/2006 a 12/2008 De acordo com o relatório fiscal da infração de fls. 16/17, a autuada, regularmente intimada através de Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 06, não apresentou os documentos solicitados como as folhas de pagamento relativas ao 13º salário de 2006, e os Livros Razão e Diário dos exercícios de 2006, 2007 e 2008. O contribuinte apresentou documento alegando que tinha parcelado o valor da multa imposta pelo presente auto de infração, frente ao que a DRJ solicitou esclarecimentos ao setor competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil da jurisdição da autuada. Despachos de fls. 429 e 432 dão conta de que o presente DEBCAD 37.245.3309, não foi incluído no parcelamento, porquanto se trata de competência não abrangida no limite temporal permitido, qual seja débitos vencidos até 30/11/2009. Por se tratar de auto de infração é considerada como data do fato gerador a competência da lavratura/ciência, que no caso foi 12/2010 O contribuinte foi cientificado do resultado do questionamento e lhe foi reaberto prazo de defesa. Após a impugnação, Acórdão de fls. 480/487, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: a) que o recurso deve ser aceito pela sua tempestividade e processualidade; b) que foi equivocada e desnecessariamente autuada pela falta de exibição de documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n.º 8212/91, porque o Livro Razão não estão diretamente relacionados com as contribuições sociais previstas na lei citada e as folhas de pagamento da competência 13/2006, foram apresentadas c) que não apresentou os Livros porque não está obrigada a tanto, já que seu regime de apuração do Imposto de Renda se dá por meio do lucro presumido; d) que a Administração Pública deve observar o princípio da verdade material, do contraditório e ampla defesa; e) que não foram observados pelo auditor fiscal os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e moralidade; Fl. 517DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) que apresentou todas as informações e documentos contábeis relacionados com as contribuições previdenciárias; g) que a multa é inaplicável, porque não descumpriu obrigação acessória; h) que não é reincidente porque com relação a anterior ação fiscal não deixou de apresentar qualquer documento solicitado; i) alega ainda que se , supostamente, houvesse reincidência, a multa somente poderia ser elevada em duas vezes e não em três como o foi. Requer o provimento do recurso, para que seja determinada a extinção do auto de infração, ou alternativamente, que a multa seja calculada de forma correta com base no inciso IV do artigo 292, do RPS. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos e a posterior juntada de documentos, caso necessários. É o relatório. Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente arguiu o desrespeito aos princípios constitucionais pelo auditor fiscal autuante, sem , no entanto, demonstrar onde ocorreu tal descumprimento. Compulsando os autos não vislumbrei qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.724332/201061 Acórdão n.º 2302002.782 S2C3T2 Fl. 517 5 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Também, ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que o Auto de Infração e o relatório fiscal explicitam claramente a origem da autuação e o valor da multa aplicada., o procedimento fiscal foi desenvolvido dentro da empresa, à vista de seus administradores e empregados, tanto que o contribuinte contestou totalmente a autuação, o que demonstra perfeita compreensão da mesma. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.724332/201061 Acórdão n.º 2302002.782 S2C3T2 Fl. 518 7 Do Mérito A recorrente foi autuada por não apresentar documentos exigidos pelo Fisco, como a folha de pagamento do 13º salário de 2006 e os Livros Diário e Razão dos exercícios de 2006, 2007 e 2008 , conforme consta dono relatório fiscal da autuação, às fls. 16/17. Quanto à folha de pagamento referente ao 13º salário do ano de 2006, a decisão recorrida já explicitou que tal falta deve ser excluída da presente autuação, por ter constado do item 3.1 do relatório fiscal do processo relativo ao Auto de Infração DEBCAD nº37.245.3317, a entrega das folhas de pagamento para o exercício de 2006, o que torna improcedente a autuação neste aspecto. Entretanto, ao não apresentar os registros contábeis, mais precisamente os Livros Diário e Razão, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. É totalmente inócua a assertiva da recorrente de que os livros contábeis Diário e Razão não estão relacionados com as contribuições previdenciárias albergadas na Lei n.º 8.212/91, porquanto pela simples leitura do inciso II do artigo 225, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, se vê a obrigatoriedade do lançamento em títulos próprios da contabilidade de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias: Art.225. A empresa é também obrigada a: Fl. 521DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. (...) Ainda, observandose o parágrafo 13º, do mesmo artigo legal, se vê que a fiscalização no uso da sua competência e por exercer atividade vinculada, deverá exigir que o contribuinte apresente os registros contábeis relativos aos fatos geradores das contribuições previdenciárias noventa dias após a sua ocorrência: § 13. os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (grifei) § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Portanto, é totalmente improcedente a alegação da recorrente quanto aos livros contábeis não serem exigíveis no tocante às contribuições previdenciárias. Quanto à argüição de que não está obrigada a apresentação do Livro Razão por ter optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, em primeiro lugar saliento que não foi trazida aos autos qualquer prova desta condição pela recorrente. Em segundo lugar, a empresa somente estará dispensada da escrituração dos Livros Diário e Razão, quando efetivamente for tributada com base no lucro presumido e desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Registro de Inventário, nos termos do exposto pelo parágrafo 16º do mesmo artigo 225 do Regulamento da Previdência Social o que também não restou comprovado na ação fiscal desenvolvida, tampouco neste processo de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 522DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.724332/201061 Acórdão n.º 2302002.782 S2C3T2 Fl. 519 9 § 16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) I o pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; II a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; e III a pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, eis que é disposição legal trazida na Lei 8212/91, conforme citado acima que a empresa apresente os livros contábeis discriminando em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Assim, quando a fiscalização se depara com a não apresentação, por parte do contribuinte, de escrita contábil a que está obrigado a manter, por lei, é mister a lavratura do auto de infração, por descumprimento da obrigação acessória contida no artigo 33, §2º, Lei n.º 8.212/91. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 333 de 29/06/2010, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 A multa aplicada foi elevada em três vezes devido a ocorrência de reincidência. Por reincidência se entende a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou seu sucessor, dentro de cinco anos, da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória referente a autuação anterior, conforme disposto pelo parágrafo único do artigo 290, do já citado Regulamento da Previdência Social: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único.Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) No caso em tela, pelos dados constantes no processo, temos que a recorrente foi autuada em ação fiscal anterior em 31/07/2008, com decisão transitada em julgado administrativamente em 01/09/2008. Assim, resta configurada a reincidência, porque a autuada praticou nova infração ao não apresentar os Livros Diário e Razão em 29/12/2010, dentro de cinco anos da data em que se tornou irrecorrível àquela decisão administrativa. A reincidência foi específica já que a infração praticada foi idêntica à incorrida anteriormente , a não apresentação dos livros contábeis, e a penalidade foi elevada em três vezes, conforme disposto pelo artigo, 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99,com a redação vigente à época da autuação: Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; A alegação do recorrente quando à inexistência da reincidência porque a infração anterior não ocorreu, é totalmente inócua, posto que os autos trazem as informações constantes do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, que comprovam a lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória em 31/07/2008 e a decisão condenatória transitada em julgado em 01/09/2008, fls.421/422. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.724332/201061 Acórdão n.º 2302002.782 S2C3T2 Fl. 520 11 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 525DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 12268.000733/2008-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.085
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da multa..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 07 33 /2 00 8- 58 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da multa.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 592 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.819 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.196.9905, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 154.804,73. O crédito previdenciário se refere às contribuição da empresa e às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); no período de 01/2005 a 12/2005. O Relatório da decisão de primeira instância relaciona os levantamentos, cujas correspondentes remunerações não foram declaradas pela empresa em folhas de pagamento, nem em GFIP antes do inicio da ação fiscal: A) PC1 — PAGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e Z2 — Transferido do levantamento PCI (75%), referentes as remunerações pagas para segurados contribuintes individuais, apuradas a partir de lançamentos no livro contábil Razão, contas 709 4.1.02.001.19 Serviços de Limpeza e 767 4.1.02.001.25 Serviços de Terceiros, havendo ainda sido verificados valores em DIRF — Declaração de Imposto Retido na Fonte que também constam no Livro Razão, na conta contábil 11234.1.05.002 Repasse para Pessoas Físicas Os nomes dos segurados e os valores por eles auferidos foram discriminados por competência em planilha inserida as folhas 3, 4 e 5 do Relatório Fiscal, sendo que foram anexadas ao Auto de Infração copias dos correspondentes recibos de pagamento e de folhas do Livro Razão onde constam os lançamentos nas mencionadas contas contábeis. B) ALI — AUX1L10 ALIMENTAÇÃO e Z1 — Transferido do Lev. ALI (75%), referentes a pagamentos exclusivamente ao empregado Márcio Augusto Motta Vieira, sob a rubrica Auxilio Alimentação, conta contábil 1264.4.1.02.001.36, a respeito dos quais foram solicitadas informações para a empresa, que afirmou que tal verba foi um ponto de negociação quando da contratação do funcionário e que todos os pagamentos foram efetuados juntamente com o salário, por meio de cheque nominal, configurando remuneração indireta. Ademais, a empresa não estava inscrita no PAT — Programa de Alimentação ao Trabalhador. Os correspondentes valores foram discriminados por competência cm planilha constante às folhas 6 do Relatório Fiscal, havendo sido anexadas ao Auto de Infração cópia de Fl. 594DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 folhas do Livro Razão contendo os aludidos lançamentos contábeis. C) TRA — TRANSPORTE e Z3 Transferido do Lev TRA (75%), referentes a pagamentos para condutores autônomos de veículos rodoviários, obtidos no Livro Razão, nas contas contábeis 7214.1.02.001.21 — Fretes e 780 4.1.02.001.26 — Táxi e outros meios de transporte, cujos recibos de pagamento, bem como as correspondentes folhas do livro Razão, foram anexados por copia ao Auto de Infração. Os valores pagos foram discriminados por competência em planilha constante as folhas 7 e 8 do Relatório Fiscal. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, o Relatório Fiscal informa que se procedeu ao comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte: (i) Em relação ao levantamento PC1 — PAGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e Z2 — Transferido do levantamento PCI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5°do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. II e art. 373), somada a multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z2 Transferido do Lev PCI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (ii) Em relação ao levantamento ALI — AUX1L10 ALIMENTAÇÃO e Z1 — Transferido do Lev. ALI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5'do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 593 5 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z1 Transferido do Lev ALI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária Tios casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (iii) Em relação ao levantamento TRA — TRANSPORTE e Z3 Transferido do Lev TRA (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5' do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 Auto de Infração, Código de Fundamento Legal CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z3 Transferido do Lev TRA (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. A Recorrente teve ciência do AIOP em 20.08.2009, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, é de 01/2005 a 12/2005. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 196 a 298, em 332 itens resumidos conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Intimada do lançamento em 20/08/2009, a autuada adentrou com impugnação tempestiva em 21/09/2009, segundafeira, onde cita jurisprudências e doutrina e alega, em síntese: a) a existência de vícios no procedimento fiscal e no Auto de Infração, a saber: a.1) descumprimento do artigo 10, caput do Decreto n° 70.235/72; a.2) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; a.3) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto; Fl. 596DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 b) sua natureza de entidade associativa sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública por força de lei estadual e que se amolda à condição de pessoa jurídica imune; c) a inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; d) a irregular aferição do saldo devedor, pois com o advento da Emenda Constitucional n° 27/00 as alíquotas das contribuições previdenciárias e para o SAT foram reduzidas em 20% (vinte por cento); e) a inexigibilidade c/ou a incorreta aplicação dos juros moratórios incidentes no Auto de Infração em epígrafe; f) a inexigibilidade e/ou a incorreta aferição das multas moratórias lançadas relativamente as competências de janeiro a outubro e dezembro de 2005; g) a impossibilidade de questionar a multa pecuniária lavrada de oficio na competência novembro de 2005, por falta de clareza e precisão na autuação. Anexou à impugnação, por copia, Estatuto da Associação Paranaense de Patologia c ata de eleição de sua diretoria, Estatuto da Sociedade Brasileira de Patologia Convênio 24/2005 SESA Secretaria do Estado da Saúde, MPF, Termos de Inicio e Encerramento da ação fiscal, DIRE do exercício 2006, Planilha Anexo I, elaborada pelo Auditor Fiscal, Recibos de Pagamento para contribuintes individuais, Plano de Aplicação SESA referente ao exercício 2005, Lei Estadual 14258, declarando a Sociedade Brasileira de Patologia, com sede em São Paulo e representação no Paraná, como sendo de utilidade pública e planilha demonstrando as exigibilidades consideradas indevidas pela autuada, por entender se referirem a serviços prestados em outras competências. As folhas 433 foi anexada correspondência da empresa, datada de 21/12/2009, informando que foi efetuado deposito extrajudicial relativo ao Auto de Infração 37.196.9905, ora em apreço, consoante comprovantes anexados a tal correspondência. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0628.819 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, fls. 53 a 63, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Al 37.196.9905 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 594 7 esfera administrativa não cabe conhecer de argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo , malária de competência do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com as pecas indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O MPF não constitui requisito de validade do lançamento. pois á mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, não podendo ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal eventuais falhas na emissão, tramite, alteração ou prorrogação de tal documento. RELATÓRIOS FISCAIS. ENTREGA EM MEIO DIGITAL. ADMISSIBILIDADE. Nos termos dos atos normativos, é admissível a entrega a autuada de relatórios em meio digital. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. REMUNERAÇÕES PAGAS PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. 0 fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações para segurados contribuintes individuais considerase ocorrido no mês em que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro. ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS. EMPRESA. PREVISÃO LEGAL. Para fins previdenciários, por expressa disposição legal, a associação representativa de módicos é considerada empresa, cabendolhe todas as obrigações tributárias para com a Seguridade Social aplicáveis às empresas cm geral. ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA A isenção das contribuições para a Seguridade Social prevista no parágrafo 70 do art. 195 da Constituição Federal alcança exclusivamente a entidade beneficente de assistência social que tenha atendido, cumulativamente, todas as exigências normativas, em especial as contidas no artigo 55 da Lei 8.212/91, vigente na época da ocorrência dos fatos geradores e da lavratura do lançamento. Ausente qualquer dos requisitos, impossível a fruição do beneficio fiscal, que deveria ter sido requerido formalmente. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 DESVINCULAÇÃO DAS RECEITAS DA UNIÃO. INDEPENDÊNCIA DOS RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. A Emenda Constitucional 20/98 reiterou a opção do Constituinte pela independência da Seguridade Social, especialmente da Previdência ao acrescentar o inciso XI ao art. 167 da Constituição Federal, reforçando separação dos orçamentos e a vinculação dos recursos da previdência aos gastos estritamente definidos como benefícios, o que já constava do art. 195, § da Carta Magna, onde se assegura que às unidades governamentais envolvidas na concessão de previdência social aos brasileiros incumbe a gestão de seus recursos. JUROS DE MORA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para os fatos geradores ocorridos até a vigência da MP 449/20(18, convertida na Lei 1 1941/09, aplicase a legislação vigente na época dos fatos geradores, que determinava, em matéria de juros, a aplicação da SELIC, exceto nos meses de vencimento c pagamento da contribuição, em cada um dos quais incide o percentual de 1%, sendo que até setembro de 2007 os juros exigidos cm cada competência não podiam ser inferiores a 1%. MULTA MAIS BENIGNA. MOMENTO DA APURAÇÃO. Nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009, o cálculo da multa mais benéfica, observada a regra do artigo 106, II, c, do CTN, deve ser procedido no momento cio pagamento ou do parcelamento do débito ou, caso não sejam efetuados, no momento do ajuizamento da execução fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 5" Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, devendo, na forma do voto, ser excluída do credito a importância originária de R$ 3.382,97 na competência fevereiro de 2005 c de R$ 95,54 na competência setembro de 2005, totalizando R$3.478,51, mantendose integralmente o crédito tributário remanescente no valor originário de R$ 83.837,53, mais os acréscimos legais cabíveis. Noticiase a existência de depósito extrajudicial relativo ao Auto de Infração em apreço, conforme folhas 433 a 437 dos autos. Encaminhese à unidade de origem, para ciência do interessado e demais providências, ressalvando ao contribuinte o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias da ciência. conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n» 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1" da Lei n» 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 595 9 Sala de Sessões em 15 de outubro de 2010. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em 357 itens, resumidamente: Em sede Preliminar. (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Desta forma, a ora Recorrente é uma sociedade associativa com o fim de, entre outros tantos, incentivar e promover programas de qualidade da pratica da patologia, o que, em síntese, se traduz no incentivo e na promoção da realização de diversos programas na área da saúde, especificamente da patologia, visando não só o aprimoramento da atividade como a própria proteção da sociedade brasileira, já que o aprimoramento e a execução de programas de qualidade em patologia têm por objetivo a diminuição dos riscos e dos óbitos decorrentes da neoplasia câncer. A propósito, a ora Recorrente, Seccional da Sociedade Brasileira de Patologia, recebeu o encargo, por força de seu Estatuto Social e da condição de Seccional que é daquela outra instituição, assim como por força do Estatuto Social da Sociedade Brasileira de Patologia, de dar cumprimento com um Convênio pactuado entre a Sociedade Brasileira de Patologia e a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná SESA , inclusive para o ano de 2005, conforme se infere do Termo de Convênio e Extrato de Convênio n° 24/2005 anexos Impugnação Total ao Lançamento de fls. , pelo qual a ora Recorrente executa serviços na área de saúde, em prol inclusive do Estado do Paraná e das mulheres que nele residem, pelo qual exerce o controle das patologias e das neoplasias diagnosticadas nas pacientes atendidas pelo SUS Sistema Único de Saúde , o que o faz pelo denominado "Programa de Prevenção e Controle do Câncer Ginecológico Colo de Otero e Mama". Assim e para alcançar e atender a esta finalidade, inclusive em prol da sociedade paranaense, haja vista o Termo de Convênio e Extrato de Convênio citados, a ora Recorrente, no ano de 2005, não só incorreu com a contratação e, por conseqüência, com o pagamento de empregados contratados sob o regime celetista (CLT), como também incorreu em despesas com o pagamento de profissionais autônomos, cujos custos foram indubitavelmente incorridos para, em essência, alcançar e atender as obrigações que lhe foram decorrentes do Termo de Convênio firmado com a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná. Desta feita, em razão da condição assumida, a ora Recorrente passou a se subsumir a diversas normas legais e infralegais imputadas a contribuintes e nãocontribuintes da Seguridade Social, atualmente aplicadas e exigidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; 33. I. Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 34. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . 35. Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. 36. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. (...) 53. Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) 58. Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 596 11 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. 60. Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 61. Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. 62. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; 67. Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originado do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, à ora Recorrente não foram entregues o DAD Discriminativo Analítico do Débito e o Relatório Fiscal da autuação, ambos em meio físico, papel, sendolhe entregues tais documentos apenas em meio magnético, o que caracteriza falta de entrega de documentos indispensáveis para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, acarretando em um prejuízo enorme para a compreensão dos fatos e dos fundamentos da autuação, em especial a discriminação dos valores originários das contribuições lançadas, suas bases de calculo e suas alíquotas, as deduções aplicáveis e as diferenças existentes e constatadas, o que ocasionou o cerceamento ao direito de defesa. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 (...) 83. Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. 84. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) 94. Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. 95. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate 96. Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) 98. Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN Fl. 603DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 597 13 MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. 99. Ademais, nem em meio magnético o mesmo foi entregue ora Recorrente. 100. Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. 101. Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.196.9905, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 120. 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) 122. Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) 125. Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 126. Assim, em síntese, para a utilização do procedimento ora comentado, mister que a contabilidade seja declarada imprestável ou insubsistente. (...) 128. A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. (...) 142. Isso posto, é indubitável que os lançamentos previdenciários e da contribuição ao SAT, consignados no Auto de Infração em debate e alcançados por meio da sistemática da aferição indireta, devem ser excluídos da exigibilidade posta nos autos em epígrafe, pois que a contabilidade da ora Recorrente não foi declarada imprestável e não foram vislumbradas, na situação fática concreta, quaisquer das situações que ensejam a aplicação das normas dos arts. 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91 e 596 a 599, todos da IN MPS/SRP n° 03/2005, motivo pelo qual a ora Recorrente, desde j6, requer que o presente Recurso Voluntário seja provido para, ao final, serem excluídos da exigibilidade tributária os lançamentos calcados na sistemática de aferição indireta, em especial os lançamentos calcados nas informações constantes da DIRE acostada como documento 07, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe. (...) 149. Assim, percebese que a alusão de que a ora Recorrente deixou de processar com a retenção / desconto, com o conseqüente recolhimento da contribuição ao INSS incidente sobre as remunerações pagas aos profissionais autônomos contribuintes individuais que lhe tenham prestado serviços, estando tal lançamento lavrado com base no procedimento especial de aferição indireta suportado nas informações obtidas da DIRF referente ao anocalendário de 2005, acarreta indubitável erro de fato, especialmente quando se observa, pelos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos ôt Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, que o valor de diversas das remunerações neles lançados não se referem as competências de apuração das contribuições previdenciárias indicadas pelo Auditor Fiscal competência de 2005, mas sim a competências pretéritas, nas quais os créditos foram efetivamente registrados em prol do contribuinte individual. 150. Observem Vossas Senhorias que vários dos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, dizem respeito a créditos de remunerações decorrentes dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004; contudo, 'Para fins de autuação, foram presumidos pela Autoridade Fiscal como se tivessem sido originados nas competências do anocalendário de 2005, presunção esta incorreta até mesmo diante da legislação em vigor. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 598 15 No Mérito. (v) sua natureza de entidade associativa sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública por força de lei estadual e que se amolda à condição de pessoa jurídica imune; (vi) a irregular aferição do saldo devedor, pois com o advento da Emenda Constitucional n° 27/00 as alíquotas das contribuições previdenciárias e para o SAT foram reduzidas em 20% (vinte por cento); (vii) a inexigibilidade c/ou a incorreta aplicação dos juros moratórios incidentes no Auto de Infração em epígrafe; (viii) a inexigibilidade e/ou a incorreta aferição das multas moratórias lançadas relativamente as competências de janeiro a outubro e dezembro de 2005; (ix) a impossibilidade de questionar a multa pecuniária lavrada de oficio na competência novembro de 2005, por falta de clareza e precisão na autuação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 607DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 599 17 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Em que pese a argumentação da Recorrente, ela é equiparada à empresa nos termos do art. 15, parágrafo único, Lei 8.212/1991, portanto, sujeita à normatividade legal que rege as obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições sociais previdenciárias: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; 33. I. Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 34. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . 35. Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. 36. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. (...) 53. Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) 58. Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma Fl. 609DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 600 19 dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. 60. Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 61. Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. 62. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." Analisemos. A questão e fundo é saber se o AuditorFiscal que lavrou o Auto de Infração AIOP nº 37.196.9905 está presente no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659, a fim de se aferir a hipótese de violação ao art. 10, caput e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; De plano, observase que na capa do Auto de Infração, às fls. 01, consta o nome do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073, responsável pela lavratura do AIOP. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 No Relatório Fiscal, à fls. 039, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549. No Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF às fls. 041, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Intimação Fiscal – TIF às fls. 043, 054, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls. 062, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. Em consulta ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659 no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp, extraído em 18.06.2013, constatase que o Mandado de Procedimento Fiscal determina ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1217549, bem como à AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil ROSA MARIA BONTORIN DIPP matrícula 00877220 / 0953926, na qualidade de SUPERVISORA da Equipe Fiscal: Determino, nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Este Mandado deverá ser executado até 20 de Maio de 2009. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Curitiba, 20 de Janeiro de 2009. VERGILIO CONCETTA Matrícula: 00002549 DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DRF CURITIBA Assinado eletronicamente conforme Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Vide a tela extraída do referido site abaixo: Fl. 611DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 601 21 Por outro lado, a Recorrente centra asua argumentação na afirmação de que o AuditorFiscal que lavrou o AIOP não estava relacionado no Mandado de Procedimento Fiscal: 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. Em que pese tal argumentação da Recorrente, comprovouse no exposto acima que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549, autoridade fiscal responsável pela lavratura do AIOP nº 37.196.9905 estava regularmente autorizado para fazêlo nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659. Com isso não há a ocorrência de violação ao disposto no art. 10, caput, Decreto 70235/1972 e no art. 59, I, Decreto 70235/1972. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.819 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.196.9905, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 154.804,73. O crédito previdenciário se refere às contribuição da empresa e às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); no período de 01/2005 a 12/2005. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.196.9905 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.196.9905) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Fl. 613DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 602 23 · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DSD Discriminativo Sintético do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.196.9905, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; 67. Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originado do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, à ora Recorrente não foram entregues o DAD Discriminativo Analítico do Débito e o Relatório Fiscal da autuação, ambos em meio físico, papel, sendolhe entregues tais documentos apenas em meio magnético, o que caracteriza falta de entrega de documentos indispensáveis para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, acarretando em um prejuízo enorme para a compreensão dos fatos e dos fundamentos da autuação, em especial a discriminação dos valores originários das contribuições lançadas, suas bases de calculo e suas alíquotas, as deduções aplicáveis e as diferenças existentes e constatadas, o que ocasionou o cerceamento ao direito de defesa. (...) 83. Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. 84. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: Fl. 615DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 603 25 "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) 94. Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. 95. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate 96. Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) 98. Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. 99. Ademais, nem em meio magnético o mesmo foi entregue ora Recorrente. 100. Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era Fl. 616DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. 101. Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.196.9905", fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na violação do direito de defesa porque não foram entregues (1) o DAD Discriminativo Analítico do Débito em meio físico, papel, sendolhe entregue apenas em meio magnético; e (2) o Relatório Fiscal da autuação, ora em meio físico, ora em meio digital. No entanto, a Recorrente admite que recebeu em meio físico, papel, o Relatório Fiscal em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD nº 37.196.9905”, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. De plano, ao contrário do que aduz a Recorrente, os artigos 660 e 661 da IN MPS/SRP n° 03/2005 já tinham sido revogados há mais de um ano pela IN RFB 851, de 28/05/2008, por ocasião da lavratura do AIOP nº 37.196.9905, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 20.08.2009. Portanto, à época da lavratura do AIOP, o art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, indicava que os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos: Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Outrossim, verificase que a Recorrente teve pleno acesso aos documentos elencados na Folha de Rosto do AIOP ao dar ciência ao AIOP em 20.08.2009, às fls. 01: Nos termos dos arts. 2° e 3° da Lei 11.457 de 16/03/2007, fica o contribuinte intimado do levantamento objeto do presente Al. A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legaI constam expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante deste Auto: 1PC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito RL Relatório de Lançamentos RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Fl. 617DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 604 27 Apresentados FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal Da mesma forma, a Recorrente teve ciência do documento "Recibo de arquivos entregues ao contribuinte em meio digital", emitido pelo Auditor Fiscal, às fls. 63 a 64, efetuando o recibo, em meio magnético, do Auto de Infração, bem como dos Relatórios IPC, DAD, DSD, RL, RDA, RADA, FLD, REPLEG e VÍNCULOS. Ora, não vislumbro a ocorrência de qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, posto que a mesma foi cientificada em todos os atos do procedimento fiscal, recebeu todos os documentos integrantes do AIOP – incluindose o Relatório DAD e o Relatório Fiscal , nos termos do art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, bem como interpôs tempestivamente a Impugnação e o Recurso Voluntário. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 120. 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) 122. Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) 125. Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. 126. Assim, em síntese, para a utilização do procedimento ora comentado, mister que a contabilidade seja declarada imprestável ou insubsistente. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 (...) 128. A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. (...) 142. Isso posto, é indubitável que os lançamentos previdenciários e da contribuição ao SAT, consignados no Auto de Infração em debate e alcançados por meio da sistemática da aferição indireta, devem ser excluídos da exigibilidade posta nos autos em epígrafe, pois que a contabilidade da ora Recorrente não foi declarada imprestável e não foram vislumbradas, na situação fática concreta, quaisquer das situações que ensejam a aplicação das normas dos arts. 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91 e 596 a 599, todos da IN MPS/SRP n° 03/2005, motivo pelo qual a ora Recorrente, desde j6, requer que o presente Recurso Voluntário seja provido para, ao final, serem excluídos da exigibilidade tributária os lançamentos calcados na sistemática de aferição indireta, em especial os lançamentos calcados nas informações constantes da DIRE acostada como documento 07, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe. (...) 149. Assim, percebese que a alusão de que a ora Recorrente deixou de processar com a retenção / desconto, com o conseqüente recolhimento da contribuição ao INSS incidente sobre as remunerações pagas aos profissionais autônomos contribuintes individuais que lhe tenham prestado serviços, estando tal lançamento lavrado com base no procedimento especial de aferição indireta suportado nas informações obtidas da DIRF referente ao anocalendário de 2005, acarreta indubitável erro de fato, especialmente quando se observa, pelos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos ôt Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, que o valor de diversas das remunerações neles lançados não se referem as competências de apuração das contribuições previdenciárias indicadas pelo Auditor Fiscal competência de 2005, mas sim a competências pretéritas, nas quais os créditos foram efetivamente registrados em prol do contribuinte individual. 150. Observem Vossas Senhorias que vários dos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, dizem respeito a créditos de remunerações decorrentes dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004; contudo, 'Para fins de autuação, foram presumidos pela Autoridade Fiscal como se tivessem sido originados nas competências do anocalendário de 2005, presunção esta incorreta até mesmo diante da legislação em vigor. Analisemos. Tal tópico foi analisado pela decisão de primeira instância, às fls. 452, a qual mostrou que para os Levantamentos não foram consideradas exclusivamente informações Fl. 619DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 605 29 oriundas da DIRF de modo a se ter uma aferição indireta, mas sim o Relatório Fiscal demonstrou que tais informações constam do Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas": Equivocase a defendente em seu entendimento de que a fiscalização violou normas c que levou cm consideração exclusivamente as informações constantes em DIRF para os aludidos lançamentos, realizando aferição indireta e desconsiderando o Livro Razão c os recibos de pagamento para autônomos apresentados. Pelo contrário, embora o Auditor Fiscal informe que uma parte dos valores relativos aos levantamentos PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E Z 2 Transferido do Lev PCI (75%) tem origem em valores declarados em DIRF, esclarece também que tais informações constam no Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas" e que foram anexadas à autuação as cópias do Livro Razão com as contas contábeis que originaram os levantamentos procedidos, bem corno copias de recibos de contribuintes individuais referentes ao lançamento PCI, ou seja, não desconsiderou tais documentos, os quais demonstram corn precisão os valores das remunerações que ocasionaram as autuações lavradas na ação fiscal. Em relação ao fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, a decisão de primeira instância, às fls. 452, mostra que considerase ocorrido no momento do pagamento ou do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, com fundamento na IN INSS/DC 100, de 18/12/2003, bem como na IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: No que tange as competências a serem consideradas para efeito dos lançamentos, esclarecese que, diferentemente do que ocorre com as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas para segurados empregados, o fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais considerase ocorrido no momento do pagamento ou do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, podendo tal momento não coincidir com o mês da prestação de serviços. IN INSS/DC 100/2005, de 18/12/2003, revogado pela IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Art. 72. Salvo disposição c/c lei em contrario, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: b) contribuinte individual no mês em que lhe for paga ou creditada a remuneração. IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; Outrossim, em relação à revisão do lançamento com a compulsão dos elementos fáticos, a decisão de primeira instância ao proceder a análise dos elementos fáticos do lançamento, às fls. 447 a 448, retificou o débito com a exclusão de parcelas indevidas Para tal correção, necessário se faria excluir os valores acima relacionados da competência fevereiro de 2005, onde foram lançados, procedendose o concomitante lançamento nas competências corretas (janeiro e março/2005). Todavia, isto acresceria as contribuições devidas em janeiro e março de 2005, sendo que a competência atribuída as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em respeito ao principio da vedação à Reformatio in Pejus, não compreende a função de lançamento, com a conseqüente majoração da exigência fiscal, ainda que apenas em algumas competências. Por outro lado, a possibilidade de novo lançamento fiscal dos aludidos valores relativos a janeiro e março de 2005, competências nas quais a empresa apresenta recolhimento parcial, encontrase hoje decaída, consoante o previsto no Parecer PGFN/CAT 1617/2008 que, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante 11`) 08, do Supremo Tribunal FederalSTF (...) Destarte, apenas devem ser excluídos do débito os valores lançados em competência indevida (fey/05), abaixo discriminados, mantendose sem alteração para maior os valores lançados nas competências janeiro/2005 e março/2005. (...) Além disto, e considerando que não se encontra anexada ao processo copia do recibo de pagamento de R$ 477,73 para Luiz Marcelo Agustinho, lançados na competência 09/2005, no levantamento PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, nem tampouco comprovação dos respectivos lançamentos contábeis, realizamos consulta ao CNIS, onde foi verificado que tal segurado foi empregado da empresa até 31/08/2005. Na cópia da D1RF anexada aos autos juntamente com a impugnação o aludido pagamento figura com código 0561— IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado , enquanto que na Planilha "FP x GFIP x elaborada pelo Auditor Fiscal como anexo ao Termo de Intimação Fiscal 01, de janeiro de 2009, tal segurado consta com categoria 01, de empregado. Assim sendo, temse que o mencionado pagamento não se refere a contribuinte individual e sim a segurado empregado, estando, Fl. 621DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 606 31 pois, incorreto o correlato lançamento no levantamento PCI PGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, devendo, cm conseqüência, ser excluída da competência setembro de 2005 a contribuição de R$ 95,54 (20%) a ele correspondente. Diante do exposto, concluo que não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (v) sua natureza de entidade associativa sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública por força de lei estadual e que se amolda à condição de pessoa jurídica imune; Analisemos. Em que pese a argumentação do Recorrente, em relação ao art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988 – CRFB/1988, observemos que o Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 2.028 – 5 (vide também a ADI 2.0366, no mesmo sentido) assentou jurisprudência no sentido de que não há inconstitucionalidade no disciplinamento da imunidade prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, por lei ordinária. Neste sentido, pela clareza de suas lições, confirase o entendimento exarado no voto proferido pelo Ministro José Carlos Moreira Alves: Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 Ou seja, o art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, remete a Lei ordinária, quanto à isenção das contribuições previdenciárias: "Art. 195 (..) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." (gn) Por outro lado, lembremos que é vedado ao Conselheiro do CARF afastar a aplicação de lei ou ato normativo por inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então, colacionando a decisão liminar julgada pelo Pleno do STF na ADI 2.028 – 5, na relatoria do eminente Min. Moreira Alves, de modo a implicar na restauração da redação original do art. 55, Lei 8.212/1991: Decisão : O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, Fl. 623DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 607 33 justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. O citado dispositivo, art. 195, § 7º, CRFB/1988, remete à lei ordinária a incumbência da definição das exigências a serem atendidas pelas entidades beneficentes para gozarem de isenção das contribuições previdenciárias, exigências estas insculpidas no art. 55 da Lei n° 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I — seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal,. II — seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III —promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV — não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Da leitura do regramento legal acima, concluise que a entidade beneficente, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, todos os requisitos dos incisos I a V do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. A forma de apresentação do requerimento está disciplinada no art. 208 do Decreto n°3.048/1999, com a redação à época dos fatos: Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: I decretos declaratórios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 624DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 II Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) III estatuto da entidade com a respectiva certidão de registro em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; IV ata de eleição ou nomeação da diretoria em exercício, registrada em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; V comprovante de entrega da declaração de imunidade do imposto de renda de pessoa jurídica, fornecido pelo setor competente do Ministério da Fazenda; VI relação nominal de todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, identificados pelos respectivos números de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou matrícula no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; e VII resumo de informações de assistência social, em formulário próprio. §1º O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. §2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. §3ºA existência de débito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação da entidade requerente, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do 1º dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º No caso de não ser proferida a decisão de que trata o §1º, o interessado poderá reclamar à autoridade superior, que apreciará o pedido da concessão da isenção requerida e promoverá a apuração de eventual responsabilidade do servidor omisso, se for o caso. §5º Indeferido o pedido de isenção, cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidirá por uma de suas Câmaras de Julgamento. §6º Os documentos referidos nos incisos I a V poderão ser apresentados por cópia, conferida e autenticada pelo servidor encarregado da instrução, à vista dos respectivos originais. Feito o requerimento, o órgão competente decidirá em 30 (trinta) dias sobre o pedido e, em caso de deferimento, emitirá Ato Declaratório, com efeitos a partir da data do seu protocolo. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 608 35 A titulo de esclarecimento o órgão competente era até 27/10/2004 o Instituto Nacional do Seguro Social INSS; de 28/10/2004 a 14108/2005 e 19/11/2005 a 01/05/2007 a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, criada pela MP 222 de 04/10/2004, convertida na Lei 11.098/2005; de 15/08/2005 a 18/11/2005 e a partir de 02/05/2007 a Receita Federal do Brasil RFB, por força da MP n°258, de 21/07/2005 e da Lei n° 11.457/2007, respectivamente. Por outro lado, a decisão de primeira instância, às fls. 451, após consultar o sistema PLENUS/AGUIA/ARRECADACAO/CONFILAN não constatou qualquer Pedido de Isenção protocolizado junto ao INSS, bem como não consta qualquer não consta qualquer emissão de Ato Declaratário de Isenção de Contribuições Previdenciárias: Em consulta ao sistema informatizado PLENUS/AGUIA/ ARRECADACAO/CONFILAN não se constatou que o sujeito passivo possuísse qualquer pedido de isenção protocolizado junto ao INSS (atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil). Também não consta que o INSS ou a Receita Federal do Brasil tenham emitido qualquer Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias em favor da impugnante, de modo que a mesma nunca esteve no gozo de tal isenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) a irregular aferição do saldo devedor, pois com o advento da Emenda Constitucional n° 27/00 as alíquotas das contribuições previdenciárias e para o SAT foram reduzidas em 20% (vinte por cento) Analisemos. A partir do Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 451, podese resumir a argumentação central da Recorrente neste tópico: A defendente discorre sobre as contribuições previdenciárias e suas funções, sobre a finalidade de custeio da Seguridade Social e cita que a Emenda Constitucional n° 27, de 21 de março de 2000, com a redação da Emenda Constitucional n ° 42/03. fez inserir no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias o texto a seguir. Diz que, diante da norma acima reproduzida, depreendese que parte do produto da arrecadação das contribuições previdenciárias e do SAT (20%) não mais estava sendo destinado as finalidades constitucionalmente prescritas nos arts. 149, 194 e 195, todos da Constituição Federal e que, uma vez modificado o critério finalístico destas contribuições, consagrado pelo Poder Constituinte Originário, temse a violação da norma jurídica tributária que institui e dá fundamento de validade a sua cobrança, desvirtuando o critério de validade da norma tributária e atentando contra o denominado **Estatuto do Contribuinte" , já consagrado pelo STF. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 36 Conclui que não restam dúvidas de que todas as contribuições previdenciárias e ao SAT cobradas no Auto de Infração em epígrafe encontramse desvirtuadas pela modificação da destinação constitucional de 20%, (vinte por cento) do produto de sua arrecadação, caracterizando a ilegitimidade da cobrança. na fração referida , assim cabe impugnante recolher as contribuições previdenciárias que lhe são exigidas no Auto de Infração cm epígrafe mediante aplicação das alíquotas estabelecidas na legislação em vigor, reduzidas da fração de 20% (vinte por cento), ou seja, tem o direito de recolher apenas 80%, do valor apurado. Requer o cancelamento total do Auto de Infração ou, alternativamente, das exigibilidades impostas sem a dedução do percentual de 20% relativo à desnaturação de parte das exações ora debatidas. De plano, observase que a Recorrente incide na linha central de argumentação na qual a instância administrativa deve conhecer e debater a questão da inconstitucionalidade da norma. Ora, conforme o visto no tópico (A), não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vii) a inexigibilidade c/ou a incorreta aplicação dos juros moratórios incidentes no Auto de Infração em epígrafe; (viii) a inexigibilidade e/ou a incorreta aferição das multas moratórias lançadas relativamente as competências de janeiro a outubro e dezembro de 2005; (ix) a impossibilidade de questionar a multa pecuniária lavrada de oficio na competência novembro de 2005, por falta de clareza e precisão na autuação. Analisemos conjuntamente os tópicos (vii), (viii) e (ix). Vejamos o Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, às fls. 26, na qual aparece a fundamentação legal utilizada pela AuditoriaFiscal para a aplicação dos acréscimos legais: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 609 37 Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 01/2005 a 10/2005, 12/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, a , b e c , parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto nao inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAISJUROS 602.07 Competências : 01/2005 a 12/2005 AI Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redacao dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedicoes W posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedicoes, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organizacao do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, a , b , paragrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo unico; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, a, b e paragrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE 0 VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO Fl. 628DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 38 DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 11/2005 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; As contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação à época da ocorrência do fato gerador: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, o Relatório Fiscal informa que se procedeu ao comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte: (i) Em relação ao levantamento PC1 — PAGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e Z2 — Transferido do levantamento PCI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5°do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social Fl. 629DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000733/200858 Acórdão n.º 2403002.085 S2C4T3 Fl. 610 39 RPS, art. 284, inc. II e art. 373), somada a multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z2 Transferido do Lev PCI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (ii) Em relação ao levantamento ALI — AUX1L10 ALIMENTAÇÃO e Z1 — Transferido do Lev. ALI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5'do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z1 Transferido do Lev ALI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária Tios casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (iii) Em relação ao levantamento TRA — TRANSPORTE e Z3 Transferido do Lev TRA (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5' do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 Auto de Infração, Código de Fundamento Legal CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z3 Transferido do Lev TRA (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 40 Considero plenamente correto o procedimento da AuditoriaFiscal que, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, analisou as alterações advindas na Lei 8.212/1991 no tocante ao cálculo dos acréscimos legais sob a ótica do art. 106, II, c, CTN, para aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 631DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15504.721522/2011-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CÂMARA DE VEREADORES - DEMANDA EM QUE SE DISCUTE EXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA ÀQUELES EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO MUNICIPAL - ILEGITIMIDADE PARA INTEGRAR PÓLO ATIVO - STJ, RESP 1.164.017-PI, JULGADO EM 24.03.2010 - ART. 62-A, ANEXO I, RICARF
O Informativo STJ nº 428 dispõe que o Superior Tribunal de Justiça - STJ no REsp 1.164.017-PI, Rel Min. Castro Meira, julgado em 24.03.2010, afirma que as Câmaras Legislativas não detêm legitimidade para integrar o pólo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo Municipal.
Em outras palavras a Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária, de modo que somente pode demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais, entendidos esses como sendo os relacionados ao funcionamento, autonomia e independência do órgão.
Cumpre ressaltar que o art. 62-A do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, dispõe que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.016
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para se afastar da tributação o Código de Levantamento GL - COMPENSAÇÃO.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CÂMARA DE VEREADORES DEMANDA EM QUE SE DISCUTE EXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA ÀQUELES EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO MUNICIPAL ILEGITIMIDADE PARA INTEGRAR PÓLO ATIVO STJ, RESP 1.164.017PI, JULGADO EM 24.03.2010 ART. 62A, ANEXO I, RICARF O Informativo STJ nº 428 dispõe que o Superior Tribunal de Justiça STJ no REsp 1.164.017PI, Rel Min. Castro Meira, julgado em 24.03.2010, afirma que as Câmaras Legislativas não detêm legitimidade para integrar o pólo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo Municipal. Em outras palavras a Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária, de modo que somente pode demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais, entendidos esses como sendo os relacionados ao funcionamento, autonomia e independência do órgão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 15 22 /2 01 1- 14 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Cumpre ressaltar que o art. 62A do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, dispõe que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para se afastar da tributação o Código de Levantamento GL COMPENSAÇÃO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.721522/201114 Acórdão n.º 2403002.016 S2C4T3 Fl. 262 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE OURO PRETO contra Acórdão nº 0239.000 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte – MG que julgou procedente em parte a autuação Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.350.0025, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 597.864,50. A Autuação referente à obrigação principal referese às contribuições sociais (parte empresa) devidas a Seguridade social, pela Prefeitura, incidente sobre a remuneração dos segurados contribuinte individual, período 01/2008 a 12/2008, arrecadadas e fiscalizadas pela Receita Federal do Brasil e glosas de compensações, competências 11/2008 a 12/2008, utilizadas pela Prefeitura em desacordo com a legislação, e não declaradas na Guia de Pagamento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP. O Relatório Fiscal esclarece que as glosas de compensação se referem a recolhimentos de agentes políticos originários da Câmara Municipal: e, ainda, glosa de compensação de recolhimentos de agentes políticos originários da Câmara Municipal do Município, efetuada indevidamente pela Prefeitura, competências novembro e dezembro de 2008 O Relatório Fiscal informa sobre os elementos verificados: 7 A base de calculo das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais foi apurada da diferença encontrada a maior entre as bases informadas para a Receita Federal através da DIRF, contribuinte individual (cód. 588) e as bases informadas para a RFB através da GFIP de contribuinte individual na GFIP, código 13, não recolhidos até a presente data e não declaradas em GFIP. Também se apurou base de cálculos, de contribuintes individuais, que receberam pagamentos no período 01/2008 a 12/2008 (exceto transportador autônomo), contabilizados em contas de despesas (339035 e 339036), não informados em GFIP e nem na DIRF , conforme quadros em anexo. 8 – Procedeuse glosa de compensações nas competências 11/2008 e 12/2008, porque se constatou que a compensação solicitada e aproveitada nestas competências tratavase de recolhimentos de agentes políticos originários da Câmara Municipal do Município, portanto estes valores não poderiam ser compensados nos recolhimentos efetuados pelo Município de Ouro Preto prefeitura Municipal, estando em desacordo com a Legislação Previdenciária. A Recorrente teve ciência do AIOP e do AIOA em 30.08.2011, conforme Aviso de Recebimento – AR. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal, é de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Tempestividade da defesa. As inconsistências resultantes da comparação entre DIRF e GFIP se devem às características do SEFIP que o impugnante adota, de prestar a informação em GFIP no mês anterior ao pagamento, enquanto que a DIRF é informada no momento do pagamento. Os pagamentos indicados na tabela denominada “DIRF cód 0588 Período 2008” não sofrem tributação, nem devem ser informados em GFIP, porque se referem a locação de imóveis. O lançamento fiscal relativo a contribuições que incidiram sobre remuneração a segurados empregados contém erros conforme demonstrado nos exemplos hipotéticos. Quanto à glosa de compensação de recolhimentos relativos a agentes políticos originários da Câmara Municipal, é improcedente pois quem tem legitimidade para proceder a compensação é o Órgão Municipal autuado. O Município de Ouro Preto é único e seu governo é constituído pelo prefeito, viceprefeito e vereadores. Logo, não se trata de pessoa alheia ao indébito. É o Município que tem legitimidade para figurar no pólo ativo das ações judiciais de repetição de indébito das comentadas contribuições. Cita também jurisprudência do STJ sobre a falta de personalidade jurídica das Câmaras Municipais. Requer a produção de prova pericial sob a justificativa de que o trabalho de auditoria terá que ser integralmente revisto, pois os erros atingem todas as competências e segurados arrolados nos autos, e que o prazo de impugnação torna a revisão inviável. Cita lição do professor Hugo de Brito Machado concluindo que é nula a decisão administrativa que, indeferindo a produção de prova pericial, rejeita as alegações do contribuinte por falta de prova. Indica Assistente Pericial. Formula quesitos. Ao final requer que as impugnações sejam julgadas conjuntamente e consideradas procedentes, desconstituindose os Autos de Infração. A primeira instância remeteu os autos para diligência para pronunciamento das matérias de fato apresentadas pela Recorrente em sede de Impugnação. A AuditoriaFiscal efetuou retificação no lançamento fiscal referente ao AIOP, conforme a descrição do relatório da decisão de primeira instância: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.721522/201114 Acórdão n.º 2403002.016 S2C4T3 Fl. 263 5 Os autos foram remetidos em diligencia para pronunciamento fiscal acerca da matéria de fato e documentos apresentados pela defesa. Em resposta, a autoridade lançadora emitiu relatório fiscal complementar com informações a respeito das alegações da defesa e esclarecendo, quanto à matéria de fato argüida, que: A impugnação procede em parte, eis que restou demonstrado que a parte das contribuições lançadas no DEBCAD 37.350.0025 recaíram sobre valores de aluguéis. Assim, a autoridade lançadora manifestouse pela exclusão do débito que teve como base de cálculo tais valores, conforme planilha anexa. O Relatório da decisão de primeira instância informa a manifestação da Recorrente: Cientificado do Relatório Complementar, o sujeito passivo aditou a defesa reproduzindo as mesmas alegações inicialmente apresentadas e acrescentando que, apesar das retificações procedidas, permanecem os mesmos erros anteriormente apontados. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0239.000 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. As alegações desacompanhadas de provas são incapazes de alterar o lançamento fiscal. COMPENSAÇÃO DE RECOLHIMENTO. SUJEITOS PASSIVOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE. Mantémse a glosa de compensação efetuada pela Prefeitura Municipal, relativamente a recolhimentos da Câmara Municipal, em razão de trataremse de Órgãos com independência estrutural e financeira, CNPJ distintos, respondendo cada um por suas obrigações tributárias principais e acessórias, não podendo um, aproveitarse do indébito tributário do outro. PEDIDO DE PERÍCIA DISPENSÁVEL Rejeitase o pedido de perícia dispensável. COMPROVAÇÃO LANÇAMENTO FISCAL SOBRE VERBAS QUE NÃO SOFREM TRIBUTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Retificase o lançamento fiscal para excluir as contribuições que comprovadamente incidiram sobre verbas que não sofrem incidência tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Remunerações pagas a contribuintes individuais – suposto débito apurado mediante confronto entre GFIP e DIRF As inconsistências resultantes da comparação entre DIRF e GFIP se devem às características do SEFIP que o impugnante adota, de prestar a informação em GFIP no mês anterior ao pagamento, enquanto que a DIRF é informada no momento do pagamento. (ii) Da compensação referente à remuneração dos Vereadores A Fiscalização considerou indevida a compensação porque o indébito fiscal tem origem em pagamentos realizados aos vereadores, agentes políticos do Poder legislativo Municipal. No entendimento da Fiscalização, o Município de Ouro Preto não poderia ter se aproveitado dos referidos créditos. No entanto, apoiada em argumentos doutrinários e jurisprudenciais, a recorrente aduz que as Câmaras Municipais não possuem personalidade jurídica própria demandarem restituição de indébitos tributários, o que enseja a correção das compensações efetuadas. (iii)Reitera o pedido de prova pericial Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 258. É o Relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.721522/201114 Acórdão n.º 2403002.016 S2C4T3 Fl. 264 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 258. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE OURO PRETO contra Acórdão nº 0239.000 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte – MG que julgou procedente em parte a autuação Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.350.0025, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 597.864,50. A Autuação referente à obrigação principal referese às contribuições sociais (parte empresa) devidas a Seguridade social, pela Prefeitura, incidente sobre a remuneração dos segurados contribuinte individual, período 01/2008 a 12/2008, arrecadadas e fiscalizadas pela Receita Federal do Brasil e glosas de compensações, competências 11/2008 a 12/2008, utilizadas pela Prefeitura em desacordo com a legislação, e não declaradas na Guia de Pagamento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP. O Relatório Fiscal esclarece que as glosas de compensação se referem a recolhimentos de agentes políticos originários da Câmara Municipal: e, ainda, glosa de compensação de recolhimentos de agentes políticos originários da Câmara Municipal do Município, efetuada indevidamente pela Prefeitura, competências novembro e dezembro de 2008 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.350.0025 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.350.0025) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.721522/201114 Acórdão n.º 2403002.016 S2C4T3 Fl. 265 9 contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 50.006.0657, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Remunerações pagas a contribuintes individuais – suposto débito apurado mediante confronto entre GFIP e DIRF As inconsistências resultantes da comparação entre DIRF e GFIP se devem às características do SEFIP que o impugnante adota, de prestar a informação em GFIP no mês anterior ao pagamento, enquanto que a DIRF é informada no momento do pagamento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Analisemos. A Recorrente reitera o já aduzido em sede de Impugnação, centrando a questão de fundo na operacionalização do programa SEFIP, utilizado para se efetuar as declarações de cunho previdenciário, o qual não permite que o contribuinte informe a informação de valores a receber o que implica em divergência. Não obstante tal argumentação da Recorrente, a resposta à solicitação de Diligência Fiscal requerida pela primeira instância exatamente abordou tal questão e procedeu se à retificação do débito para competências em que se verificou a existência de valores de aluguéis como base de cálculo. Neste sentido, segue trecho da decisão de primeira instância às fls. 211: A impugnação procede em parte, eis que restou demonstrado que a parte das contribuições lançadas no DEBCAD 37.350.0025 recaíram sobre valores de aluguéis. Assim, a autoridade lançadora manifestouse pela exclusão do débito que teve como base de cálculo tais valores, conforme planilha anexa. Portanto, neste ponto de indagação exclusivo de matérias de prova fática, já houve a devida Diligência Fiscal, conforme consta nos autos, e procedeuse às devidas retificações tanto em sede de Relatório Fiscal Complementar quanto em sede de decisão de primeira instância que também apreciou tais eventos e deu provimento parcial à Impugnação. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Da compensação referente à remuneração dos Vereadores A Fiscalização considerou indevida a compensação porque o indébito fiscal tem origem em pagamentos realizados aos vereadores, agentes políticos do Poder legislativo Municipal. No entendimento da Fiscalização, o Município de Ouro Preto não poderia ter se aproveitado dos referidos créditos. No entanto, apoiada em argumentos doutrinários e jurisprudenciais, a recorrente aduz que as Câmaras Municipais não possuem personalidade jurídica própria demandarem restituição de indébitos tributários, o que enseja a correção das compensações efetuadas. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na questão das glosas indevidas de compensação efetivadas pelo Fiscalização que considerou desconsiderou as compensações feitas pela Prefeitura ao utilizarse de créditos da Câmara Municipal. Vejamos o Relatório Fiscal em relação à compensação: 8 – Procedeuse glosa de compensações nas competências 11/2008 e 12/2008, porque se constatou que a compensação Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.721522/201114 Acórdão n.º 2403002.016 S2C4T3 Fl. 266 11 solicitada e aproveitada nestas competências tratavase de recolhimentos de agentes políticos originários da Câmara Municipal do Município, portanto estes valores não poderiam ser compensados nos recolhimentos efetuados pelo Município de Ouro Preto prefeitura Municipal, estando em desacordo com a Legislação Previdenciária. Observase que no Relatório Fiscal não há fundamentação específica em relação à glosa de compensação efetuada porque a Prefeitura tenha se aproveitado de créditos da Câmara Municipal. Apenas expressouse a Fiscalização que tal compensação estaria em desacordo com a Legislação Previdenciária. No entanto, no Relatório Fundamentos Legais do Débito, às fls. 08, há a referência legislativa para a compensação indevida: 501 COMPENSAÇÃO INDEVIDA 501.06 Competências : 11/2008 a 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 89 (com a redação dada pela Lei n. 9.129, de 20.11.95) e art. 31, parágrafos 1. , (com as alterações da MP n. 1.66315, de 23.10.98, convertida na Lei n. 9.711, de 21.11.98); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 247 a 249, 251, 253 e art. 219, parágrafos 4. e 9. Por outro lado, em função da argumentação da Recorrente em sede de Impugnação, a decisão de primeira instância se pronuncia pela correção do auto de infração porque a Câmara Municipal teria personalidade jurídica própria:, conforme fls. 235: Quanto à glosa de compensações, a defesa alega que estão corretas as compensações efetuadas nas guias de recolhimento da Prefeitura Municipal, relativamente aos recolhimentos indevidos efetuados pela Câmara Municipal, tendo em vista que o mencionado Órgão Legislativo não tem personalidade jurídica. Argumenta, também, que é do Município a competência para pleitear os indébitos decorrentes de pagamentos feitos aos vereadores, quando se discutia a constitucionalidade do art. 12,I, h, da Lei 8.212/91. Entretanto, a alegada a ausência de personalidade jurídica própria se verifica não só em relação à Câmara Municipal, mas, também, no Órgão do Executivo Municipal autuado, o que significa dizer que a Prefeitura Municipal autuada, que procedeu as compensações em debate, também não possui personalidade jurídica própria. De acordo com o artigo 18 da Constituição Federal c/c o artigo 12 do Código Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 1973), quem detém a personalidade jurídica é o Município, cuja organização é composta pelos Poderes Executivo e Legislativo, independentes entre si e de livre exercício. Considerando a independência dos Poderes constituídos, temse que as Câmaras Municipal realizam suas próprias despesas, conforme o artigo 117 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 que regulamenta o artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal, e que estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A independência financeira das Câmaras Municipais, está caracterizada, também, no artigo 29A da Constituição Federal, que estabelece limite ao total de despesa do Poder Legislativo Municipal, sem, entretanto, dispor como as despesas serão realizadas, ressalvados os casos específicos em Lei, incluído as Leis Orçamentárias. As Câmaras Municipais são, portanto, independentes para realizar suas próprias despesas. Desta forma, tanto a Prefeitura de Municipal de Ouro Preto, como a Câmara de Vereadores do mesmo Município, com CNPJ’s próprios, respondem de forma distinta e independente por suas obrigações tributárias principais e acessórias, não podendo um aproveitarse do indébito tributário do outro. A obrigação tributária relativa às informações em GFIP, documento indispensável à homologação da compensação, também deve ser cumprida de forma distinta e independente por cada um daqueles Órgãos Municipais, sob pena de incorreções e não homologação da compensação realizada. A Prefeitura Municipal de Ouro Preto, CNPJ 18.295.295/0001 36, ora autuada, não poderia, portanto, compensar as contribuições previdenciárias dos agentes políticos Vereadores, recolhidas pela Câmara Municipal de Ouro Preto, considerando que, mesmo que a personalidade jurídica seja apenas do ente Município, e não da Prefeitura ou da Câmara Municipal, e ainda que os recursos sejam pertencentes ao Município, aqueles são sujeitos passivos distintos, e, como tal, suas obrigações também o são. No entanto, o Informativo STJ nº 428 dispõe que o Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1.164.017PI, Rel Min. Castro Meira, julgado em 24.03.2010, afirma que as Câmaras legislativas não detêm legitimidade para integrar o pólo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo Municipal: A Seção, ao apreciar recurso representativo de controvérsia (art. 543C e Res. n. 8/2008STJ), reafirmou que as câmaras legislativas não detêm legitimidade para integrar o pólo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo municipal. Isso porque as câmaras de vereadores não possuem personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária. Desse modo, só podem demandar em juízo para defender seus direitos institucionais, ou seja, aqueles relacionados com seu funcionamento, autonomia e independência. Assim, para aferir a legitimação ativa dos órgãos legislativos, é necessário qualificar a pretensão em análise para concluir se essa pretensão está relacionada aos interesses e prerrogativas institucionais. No caso dos autos, a câmara de vereadores ajuizou ação ordinária inibitória com pedido de Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.721522/201114 Acórdão n.º 2403002.016 S2C4T3 Fl. 267 13 tutela antecipada contra a Fazenda Nacional e o INSS, com o objetivo de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre os vencimentos pagos aos vereadores. Portanto, não se trata de defesa de prerrogativa institucional, mas de simples pretensão de cunho patrimonial. Precedentes citados: RMS 12.068MG, DJ 11/11/2002; REsp 649.824RN, DJ 30/5/2006; REsp 1.109.840AL, DJe 17/6/2009; REsp 946.676CE, DJ 19/11/2007; REsp 696.561RN, DJ 24/10/2005 e REsp 241.637 BA, DJ 20/3/2000.REsp 1.164.017PI, Rel.Min. Castro Meira, julgado em 24/3/2010. Em outras palavras a Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária, de modo que somente pode demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais, entendidos esses como sendo os relacionados ao funcionamento, autonomia e independência do órgão. Então, por via reflexa, a Câmara Municipal não possui personalidade jurídica própria para demandar restituição de indébitos tributários, de modo a não poder estar no pólo passivo da relação jurídicotributária. Cumpre ressaltar que o art. 62A do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, dispõe que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, prospera parcialmente a argumentação da Recorrente, ou seja, para, se afastar da tributação o Código de Levantamento GL COMPENSAÇÃO. (iii)Reitera o pedido de prova pericial Analisemos. Concordo com a decisão de primeira instância no sentido de indeferimento do pedido pericial, com fundamento no art. 18,, decreto 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 De modo que não vislumbro a necessidade de se efetivar prova pericial porque os elementos fáticos estão presentes nos autos, além de serem emanados da própria Recorrente, além do que já foram valorados e examinados tanto no curso da AuditoriaFiscal quanto em sede de Primeira Instância. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso para DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para se afastar da tributação o Código de Levantamento GL COMPENSAÇÃO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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