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Numero do processo: 11070.720510/2013-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 05 10 /2 01 3- 12 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 229 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA GENERAL OSÓRIO LTDA. em face da decisão que, mantendo o crédito tributário, não conheceu da impugnação por si apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 59/60), os créditos lançados referemse à contribuição patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção – FAP, incidente sobre a remuneração de segurados empregados, nas competências de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, incluídas as gratificações natalinas e 13º salário dos anos de 2010 e 2011. 3. O acórdão da decisão recorrida restou ementado nos termos a seguir: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico àquele sobre o qual verse o processo administrativo, importa a renúncia à instância administrativa, com a consequente definitividade do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O depósito judicial do valor integral suspende a exigibilidade do crédito tributário. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido.” (fls.156/160). 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduz, em síntese: a) a desnecessidade do lançamento e da constituição do crédito tributário, visto que o valor discutido já fora objeto de depósito em juízo; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 230 3 b) a inconstitucionalidade na majoração das alíquotas do SAT/RAT pela aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP; c) a violação ao princípio da estrita legalidade, já que a fixação do índice FAP se dá por ato infra legal. 5. Sem apresentação de contrarrazões pelo Fisco, os autos foram enviados a este Conselho para a apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 231 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O presente recurso não atende aos pressupostos de admissibilidade, como demonstram as razões que passo a expor. 2. Cumpre ressaltar que a matéria pertinente ao presente recurso referente à contribuição patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP), foi submetida ao crivo do poder judiciário. 3. O processo de n° 500003414. 2010.404, fls. 21/44, em trâmite perante Tribunal Regional Federal da 4ª Região, trata do reconhecimento da inconstitucionalidade e inexigibilidade do FAP, que afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período. 4. Conforme se extrai da decisão acostada aos autos às fls. 156 a 160, a impugnação não foi conhecida, em razão de a matéria ser objeto de discussão judicial, importando, assim, em renúncia à instância administrativa. 5. A Lei de Execuções Fiscais, Lei nº. 6.830/80, no seu art. 38, parágrafo único, prevê a renúncia ao recurso administrativo quando o contribuinte houver ajuizado ação para discutir judicialmente a dívida ativa. Essa norma já teve a sua constitucionalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, in verbis: “CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980. O direito constitucional de petição e o princípio da legalidade não implicam a necessidade de esgotamento da via administrativa para discussão judicial da validade de crédito inscrito em Dívida Ativa da Fazenda Pública. É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento." (RE 233582, Rel. Min. Marco Aurélio, Red. p/ Acórdão Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, julgado em 16/08/2007, DJe088 DIVULG 15 052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231905 PP 01031).” Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11070.720510/201312 Acórdão n.º 2803002.620 S2TE03 Fl. 232 5 6. Nesse sentido é a jurisprudência do CARF: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se conhece do recurso quando o contribuinte optou pela via judicial. Art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO”. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 30237391. Processo 12466001380200281. Data 22/03/2006).” 7. A Súmula nº 01 do CARF também assevera que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” 8. É impossível, dessa forma, adentrar no mérito recursal, o que se discute são exatamente as mesmas rubricas dos processos submetidos ao Judiciário. 9. Dessa forma, o caso em análise tratase de não conhecimento pela existência de concomitância (art. 38, p. único, da LEF). CONCLUSÃO 10. Dado o exposto, não conheço do recurso voluntário, nos termos alinhavados acima. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908383/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância.
RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto para ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa..
Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator Designado
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira,
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância. RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto para ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.. Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759 (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira,
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 72 1 71 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.908383/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.840 – 3ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância. RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto para ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.. Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 83 /2 00 9- 88 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator Designado EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, Relatório Pedese vênia aos pares para a realização de transcrição do relatório do acórdão recorrido, posto que o mesmo capitulou os fatos ocorridos nos autos de forma concisa e didática. Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 14.292,13 partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados,mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.Cientificada desse despacho em 19/10/2009, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 18/11/2009, alegando, em síntese e fundamentalmente,erro no preenchimento da DCTF, e que procedeu à sua retificação em 16/11/2009. Argumenta: 1. Embora os dados declarados originalmente pelo Contribuinte tenham dado margem à não homologação da compensação efetuada, a correção das informações da DCTF, pela Retificadora entregue pelo mesmo Contribuinte,possibilitam uma reanálise dos fatos declarados originalmente pelo mesmo Contribuinte, ainda que este tenha dado causa ao problema e reconheça isso,é facultado ao declarante retificar as informações que, eventualmente,tenha declarado com incorreções, conforme disposto no próprio manual de Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908383/200988 Acórdão n.º 3803003.840 S3TE03 Fl. 73 3 preenchimento da DCTF, no item 1.4— "declaração retificadora". 2. Se a própria RFB faculta ao contribuinte retificar suas próprias declarações,esse fato precisa produzir efeitos, necessariamente. Ademais, existe apenas restrição a correções efetuadas após a inscrição do débito em dívida ativa,sendo também nessa hipótese possível a retificação, porém, com a apresentação de provas inequívocas da ocorrência do fato. Mesmo não se tratando dessa circunstância, o Contribuinte está anexando às evidências relativas às declarações originais e retificadoras, restabelecendo, assim, os valores geradores do crédito tributário a ser lançado e homologado pela RFB, para produção dos efeitos previstos na lei, uma vez que não está materializada, no caso em tela, as condições impeditivas descritas nos subitens1 a 4 do item 1.4 do manual de preenchimento da DCTF, elaborado pela RFB. Os autos foram encaminhados para julgamento pela 1ª Turma da DRJ/CPS em sessão realizada em 17/02/11, que proferiu decisão através do Acórdão nº 0532.658, sintetizada por meio da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/06/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Acórdão fundouse nos artigos 147 e 170 do CTN, e a conclusão de insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida, deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ou seja, não basta a simples apresentação de declaração retificadora em momento posterior, é preciso demonstrar em que se funda o erro da DComp e os documentos probantes da regularidade do crédito e, isto não ocorreu em relação à contribuinte. A ciência do teor do acórdão de fls. deuse em 28/02/11, conforme atesta o AR, e a interposição de recurso em face do mesmo ocorreu em 29/03/11, de acordo com o recebimento à fl. 47 (carimbo da repartição fiscal). Diversamente da defesa apresentada em manifestação de inconformidade, as razões do recurso, preliminarmente, alega a existência de conexão entre o processo em epígrafe e os processos administrativos de nºs 10882.908.373/200942; 10882908.374200997; 10882908.375200931; 10882908.377200921; 10882908.379200910; 10882908.386 200911; 10882908.376200986; 10882.908.382200933; 10882908.383200988; 10882 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 4 908.384200922; 10882.908.378200975; 10882.909.122200985; 10882908.381200999, pois todos tratam exatamente do mesmo fato, para requerer a reunião dos mesmos, por dependência, para a apreciação pela mesma Câmara e pelo mesmo Conselheiro relator, com o fito de evitar a possibilidade de prolação de decisões divergentes acerca da mesma matéria. A Recorrente informou haver apurado crédito tributário a título de PIS e COFINS nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005,e que efetuou a compensação desses valores com outros supostos débitos administrados pela RFB, IRPJ – estimativa, mês de competência setembro/2005, através de Per/DComp. Esclareceu, outrossim, que no mêscompetência de 09/2005 não houve débito em aberto de IRPJestimativa, tendo em vista que a Recorrente não apurou nenhum montante a ser recolhido a esse título no referido período. Deduziu que para constatar tal fato bastaria realizar singela análise na Ficha 11 – calculo do imposto de renda mensal por estimativa, da DIPJ 2006 (ano calendário 2005), para verificar que a recorrente não apurou imposto de renda a pagar no mês de competência 09/2005 (vide fl. 50, ou doc. 02). Informou que no mesmo sentido se depreende da DCTF (doc. 03), consoante se verifica do seu Resumo dos Débitos/Créditos, para concluir pela inexistência de débito e, por conseguinte, pela não realização de compensação, devendo ser cancelada a declaração de compensação, bem como o débito exigido. Acerca do tema em debate menciona jurisprudência administrativa emanada de outras DRJ’s, que vêm decidindo, nesses casos, que as Per/DComps podem e devem ser canceladas, inclusive de ofício, pela autoridade fiscal, ex vi dos acórdãos adiante transcritos: a) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE OBJETO. DÉBITO INEXISTENTE. Inexistente o débito compensado na DCOMP, não há que se falar em compensação realizada, razão pela qual deve ser cancelada de ofício a DCOMP correspondente e o débito exigido."(DRJ Curitiba, Acórdão n^ 06 30003, de 26/01/11) (g.n.) b) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO INEXISTENTES. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A improcedência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação, entretanto, comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa." (DRJ Juiz de Fora, Acórdão n^ 0933342, de 28/01/11) (g.n.) c) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NULIDADE. É nula a declaração de compensação que indica débito inexistente." (DRJ Rio de Janeiro, Acórdão ns 1236230, de 23/03/11) (g.n.) No mesmo sentido menciona o Acórdão nº 210100.026, de 04/06/2009, para requerer a reforma do acórdão recorrido e pelo cancelamento do débito de IRPJ, tendo em vista a sua inexistência. Acerca do requerimento em que justifica a necessidade de realização de diligência em seu estabelecimento para análise de documentação contábil hábil e idônea, tendente à verificação e comprovação de que não houve a base tributável para o IRPJ no mês competência 09/05, nos termos do artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, e menciona jurisprudência administrativa a exemplo dos acórdãos nºs 20216.793, 20312.385, 10809.534. Finalmente requer, preliminarmente, o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908383/200988 Acórdão n.º 3803003.840 S3TE03 Fl. 74 5 Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator e, quanto ao mérito, a reforma da decisão recorrida para o cancelamento da exigência que foi objeto de manutenção a título de IRPJ, multa, juros e demais acréscimos, em face da inexistência de débito compensado, ou para a conversão do julgamento em diligência para averiguação e comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. Constatouse dos autos que o despacho decisório (fl. 05) foi proferido em 07/10/2009, que a DCTF retificadora foi transmitida em 16/11/2009 e que o acordão recorrido foi prolatado em 17/02/2011 (fl. 40). De acordo com o Despacho Decisório nº 848674621 exarado em 07/10/09 (fl. 06), a autoridade administrativa concluiu pela não homologação, haja vista que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação de outros débitos localizados do contribuinte na data de transmissão da Per/DComp, não restando saldo credor disponível para realização da compensação declarada. Observouse, outrossim, que o detalhamento da compensação elaborada pela fiscalização (fl. 07) não especifica a quais débitos correspondem os créditos que supostamente teriam sido utilizados integralmente para a realização dos pagamentos alegados pela fiscalização, ao ponto de seu exaurimento. Ocorre que os atos administrativos quando negar, limitar ou afetar direitos ou interesses, deverão ter motivação explícita, clara e congruente, ex vi dos dispositivos contidos no caput, no inciso I e § 1º do artigo 50 da Lei nº 9784/99. No que tange a este aspecto a decisão de primeira instância merece reparo, pois não especificou a que débitos corresponderiam a utilização dos créditos informados no Per/DComp pela contribuinte. Por ocasião da manifestação de inconformidade a contribuinte admitiu a existência de erro de fato nos Per/DComp declarados à repartição fiscal, por conseguinte apresentou DCTF retificadora em 16/11/09, esclarecendo, oportunamente, que no mês de referência do lançamento não apurou débito aberto na conta IRPJ – Estimativa a pagar, bem assim que a falha constatada, que pode ser confirmada por meio de análise na Ficha 11, referente ao cálculo de IRPJ mensal por estimativa, da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl 50, doc 2), idem via DCTF retificadora (doc. 3). Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Diante correção da falha anteriormente apontada concluiu a contribuinte pela inexistência de débito para o período assinalado, por conseguinte pela não realização de compensação, portanto devendo ser cancelada a Declaração de Compensação e o lançamento dela decorrente, ou ainda, o esclarecimento acerca da controvérsia pode ocorrer mediante a realização de diligência na empresa para comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05, fazendo solicitação neste sentido. Acerca deste tema a decisão prolatada por meio do Acórdão nº 0532.658, em 17/02/11, julgou improcedente a manifestação de inconformidade aviada pela ora recorrente, sob o mero argumento de que a interessada não logrou demonstrar a liquidez e certeza do crédito informado no Per/DComp. Concluiu a referida decisão que a insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ora, a defesa apresentada pela contribuinte impugnou justamente a existência do crédito informado no Per/DComp, inclusive esclarecendo,naquela oportunidade, acerca da percepção posterior de ocorrência de erro de fato no preenchimento deste formulário, em razão de não haver apurado IRPJ a pagar em setembro de 2005, ao ponto de que o pleito formulado foi pela não consideração da compensação declarada, ante a inexistência do débito apontado. A meu ver, pelos mesmos fundamentos da Lei nº 9784/99, a decisão hostilizada deveria se pronunciar acerca da não existência de IRPJ a recolher de competência de setembro/2005, o que efetivamente não o fez. Tal pronunciamento seria de relevante importância, notadamente para consubstanciar a oposição às informações constantes da DCTF retificadora, que trouxe em seu campo específico os dados que atestam a inexistência de crédito, também servindo de comprovação do erro de fato expressamente reconhecido pelo contribuinte, o mesmo se constatando do corpo da própria DIPJ apresentada. No mais, serviriam tais argumentos devidamente fundamentados pelo juízo a quo para se contrapor à tese de que a cobrança tributária não procede, pois se encontra baseada em informações incorretas ainda que declaradas pela própria contribuinte. No passo seguinte rejeito o pedido formulado para a realização de perícia/diligência, pois despicienda. Vêse que os autos tratam exclusivamente de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete às partes interessadas, e mais, temse por não formulado o pedido de diligência ou de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Finalmente a recorrente formulou pleito para que haja o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator, creio existir razão à recorrente. Muito bem. Dentre os processos administrativos retromencionados nos autos, verificouse que aqueles com o final 200911, 21, 31, 75, 85, 88, 97 e 99, encontramse sob a relatoria deste Conselheiro e referemse a pagamentos realizados a maior ou indevido (DComp eletrônico), cujas declarações de compensações informadas apresentam créditos de Cofins e PIS/Pasep (períodos de apuração distintos), com débitos de IRPJ (todos correspondentes a Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908383/200988 Acórdão n.º 3803003.840 S3TE03 Fl. 75 7 set/2005), portanto correspondendo todas as compensações à mesma data de ocorrência do fato gerador do tributo devido, e aos mesmos argumentos de defesa/prova. Observase, ainda, que os processos administrativos com os finais em 2009 42, 10, 86, 33 e 22, não se encontram sob a relatoria deste julgador. Em síntese há amparo para escudar o pleito da ora recorrente, ex vi do disposto no § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/05. Inobstante assista razão à contribuinte quanto ao pedido acima formulado deixo de atendêlo em face do entendimento construído e profligado no curso deste voto que pugna ao final pelo regresso dos autos ao juízo a quo para a realização de novo julgamento. Buscase, com isto, afastar a alegação de supressão de instância, se porventura alegada. Também não há se alegar prejuízo pelas as partes interessadas, pois a decisão recorrida deve ser compatível aos pedidos formulados na apelação, nem além, nem aquém, conforme preceitua o artigo 460 do CPC. Verificouse, ainda, que a recorrente carreou para os autos novos elementos de prova e solicitação, o que se deu posteriormente à decisão de primeira instância, porém o fez em desacordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, inclusive dos requisitos atinentes ao seu § 4º,razão pela qual não resta outra solução senão rejeitálos. A meu ver deve retornar o presente processo à instância de primeiro grau para a devida apreciação da DCTF retificadora apresentada pela contribuinte em data anterior à decisão de primeira instância, tendo em vista suprir lacunas decorrentes do pronunciamento anterior acerca de questões já submetidas à apreciação daquele órgão judicante, quais sejam: a existência ou não de débito de IRPJ na competência de setembro/2005; e para a indicação precisa dos débitos constatados pela fiscalização, para os quais foram integralmente utilizados a título de pagamento os créditos informados em Per/DComp pela contribuinte, e que resultaram na insuficiência de saldo credor para a compensação, inicialmente pretendida, ou mesmo que resultaram na exação sob exame. Tal proposta decorre de que não laborou a fiscalização nem os julgadores de primeira instância em produzir elementos de convicção sustentáveis acerca da insuficiência do crédito alegado para a realização da compensação pretendida, ou mesmo infirmou os argumentos expendidos pela Recorrente acerca da inexistência de débito de IRPJ no mês de competência de set/2005, que juntou aos autos documentos que atestam a veracidade do alegado na exordial e no recurso voluntário, eis que não restaram impugnadas nem a DCTF retificadora, nem a DIPJ ano calendário 2005. Logo, para que o princípio da verdade material realize o efeito desejado não basta simplesmente à fiscalização alegar que houve a insuficiência de saldo credor para à satisfação da compensação, porém deve à mesma demonstrar fundamentadamente a existência de ilícito mediante argumentos indestrutíveis, ou mesmo partindo do aprofundamento da investigação de indícios porventura existentes nos autos que constituem o imbróglio, encontre elementos de convicção permitam se chegar à conclusão da prática da irregularidade cometida contra o erário, que resultou na não homologação da compensação declarada. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Ante todo o exposto pugno pela anulabilidade da decisão de primeira instância para que outra nova e boa seja proferida, que contemple todas as questões formuladas pela contribuinte, consoante já assinalado. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado. Temos sob análise DComp não homologada em razão de inexistência de crédito oriundo de pagamento de Cofins integralmente alocado. Por não ter o ato administrativo indicado a que débito estaria tal pagamento alocado, o nobre Relator inquinao de nulidade por deixar de explicitar inteiramente o motivo, configurandose cerceamento do direito de defesa. Cumpre mencionar que a forma automática (eletrônica) como se processa a alocação de pagamentos a débitos do contribuinte, nos sistema de controle da RFB, implica em dizer que pagamentos somente são alocados a débitos por ele declarados por meio de DCTF. Não há alocações manuais no âmbito da RFB realizadas ao alvitre do órgão, fora de eventuais rotinas de ajustes decorrentes de manifesta vontade do contribuinte e de compensação de ofício de pagamento indevido ou a maior em vias de restituição, evento sobre o qual este também se expressa. Na existência de DCTF pertinente como ocorre neste caso é de solar clareza que o débito é o anverso da moeda do pagamento a ele alocado, a sua imagem, ou viceversa. Dito isso, concluise que a indicação do débito ao qual está alocado o pagamento não compõe o elemento “motivo” do ato administrativo de não homologação da compensação declarada, ao ponto de conspurcálo de invalidade ou de ineficácia. Logo, não se pode opor contra o despacho decisório de não homologação da compensação desconhecimento qual o destino dado ao pagamento utilizado na DComp e atribuir a existência dessa lacuna na decisão recorrida, como o fez o digno Relator. Este seu entendimento o posicionou pela anulação da decisão de primeira instância, não reparando o óbice processual instalado na lide, consubstanciado em argumento novo trazido pela Recorrente, não prequestionado perante o Colegiado a quo. É consabido que a inicial e a manifestação de inconformidade estabelecem os limites do litígio, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas no despacho decisório. No caso, temse na decisão da Autoridade Administrativa a afirmação de inexistência de crédito e no consequente dessa norma a não homologação do débito compensado pela Contribuinte. Naquela fase, a Contribuinte defendeu o seu direito ao crédito argumentando com a retificação procedida na DCTF informadora do pagamento originador do crédito, consignando ter alterado o débito de R$ 112.517,08 para R$ 91.871,29, para o qual efetuara Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908383/200988 Acórdão n.º 3803003.840 S3TE03 Fl. 76 9 pagamento no valor de R$ 125.346,54, segundo informa no doc. 04 ( DCTF), fls. 36/37. Ela não contestou a decisão com a afirmação e demonstração de inexistência do débito de IRPJ de setembro/2005 e pedindo o cancelamento da compensação, apreciação contida no âmbito da competência das Delegacias de Julgamento, segundo a disposição do art. Art. 174 da Portaria MF nº 97/2008, verbis: Art. 174. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: [...] III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. [...] Esse argumento somente foi levantado no recurso voluntário, abandonando a Recorrente a tese anteriormente sustentada de subsistência do crédito. O recurso voluntário que pretenda dar continuidade à lide deve controverter e devolver à segunda instância a matéria que fora alvo de julgamento na instância de piso e que substanciou a razão de decidir, subvertendo as regras de Processo segundo as quais as divergências recursais devem ser opostas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeira instância. É preclusa a defesa que milita com matéria nova, que, assim, não se mostra habilitada a ser apreciada pelo colégio ad quem. Com a devida vênia, aponto que este foi o equívoco em que incorreu o Conselheiro Relator ao aduzir que “a decisão que não resolve todos os pedidos formulados, que decide a menos que o pleiteado deve ser anulada por caracterizar cerceamento do direito de defesa”. Referiuo, por privarse de perceber que o pedido veiculado no recurso voluntário não fora apresentado na primeira instância e o erro processual da Recorrente de inovar seu argumento da defesa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 30 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.004520/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.380
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 52 0/ 20 10 -0 8 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Resolução nº 2402000.380 S2C4T2 Fl. 441 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por XPLOD CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.313.44950, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, sócios da recorrente. Consta do relatório fiscal que o presente lançamento fora justificado nos seguintes motivos e razões de fato e direito: 5.1. Dos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais — sócios 5.1.1. No decorrer do procedimento fiscal, através da análise dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, durante todo o ano calendário de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/c 1029217, e com o histórico "PGTO SALARIOS", apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social. 5.1.2. Considerandose, ainda, que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, o contribuinte foi Intimado a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações em anexo, tratarse de transferências feitas aos sócios a titulo de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos dos extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3— LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO. 5.1.3. 0 contribuinte entregou a DIPJ 2007 (ano calendário 2006) com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. 5.1.4. Para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, entendese por lucro passível de distribuição, o valor deste lucro, diminuído dos impostos e contribuições devidos, neles incluidos o IRPJ, CSLL, Cofins e contribuições para o PIS/Pasep. 5.1.4.1. A distribuição de lucros para as pessoas Jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido foi disciplinada pela legislação do IRPJ, conforme disposto no art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, art. 51 da Instrução Normativa SRF no 011, de 21 de fevereiro de 1996 e art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 24 de Dezembro de 1997, que dispõem sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do anocalendário de 1997 e ato Declaratório Normativo n° 4, de 29.02.96 (DOU de 05.03.96). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Resolução nº 2402000.380 S2C4T2 Fl. 442 3 5.1.4.2. Importante dizer que algumas regras devem ser atendidas para a distribuição dos lucros ou dividendos acima do valor determinado permitido, como existência de lucros e o demonstrativo contábil que evidencie a existência desse lucro. 5.1.5. Ao compararmos o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatamos que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido. 5.1.6. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a titulo de "prolabore", pelo serviço prestado à empresa. Consta ainda do relatório fiscal que diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, conforme declaração do contribuinte e, considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos prestação de serviço e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta. A base de cálculo das contribuições fora apurada da seguinte forma: 5.2.2. Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando os Valores Distribuídos a Maior, conforme demonstrado abaixo: [tabela no relatório fiscal] O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 30/11/2010 (fls. 01). Fora apresentada impugnação requerendo exclusivamente o apensamento do presente processo ao PAF n. 19515.004529/201019, processo este do qual originouse o presente lançamento, por ser reflexo ao mesmo. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o presente processo deve aguardar o julgamento do processo administrativo n. 19515.004529/201019, do qual originouse como lançamento reflexo, tanto que o julgador de primeira instância analisou os argumentos de defesa constantes na impugnação ofertada naqueles autos, mesmo que de forma indireta, já que ao presente processo fora juntada com a impugnação cópia dos argumentos de defesa utilizados naquele processo. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Resolução nº 2402000.380 S2C4T2 Fl. 443 4 2. que o processo n. 19515.004529/201019 trata de lançamento de omissão de receitas, por depósitos bancários de origem não comprovada, motivo pelo qual possui irrestrita necessidade do reconhecimento da conexão com o presente caso; 3. que em tendo sido apurada omissão de rendimentos, a fiscalização previdenciária entendeu que tais valores deveriam ser atribuídos aos sócios na condição de pró labore lançado no presente processo; 4. que a exigência fiscal, baseada na suposta distribuição de lucros acima dos limites legais previstos na legislação fiscal/tributária, dando origem, por reflexo, a outros procedimentos fiscais (PT 19515.004520/201008, 19515.004521/201044, 19515.004523/201033 e 19515.004525/201022, é totalmente improcedente porquanto os lucros distribuídos pela Impugnada estão respaldados em seus assentamentos contábeis;: 5. que conforme Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício e o Balanço Patrimonial, no ano calendário de 2006, auferiu receitas no montante de R$ 384.029,20 que subtraído das despesas necessárias à manutenção de suas atividades operacionais na quantia de R$ 103.063,72 gerou o lucro contábil de R$ 280.965,48. 6. que se analisando as demonstrações contábeis acima, verificase que a Impugnante acusou em seu Patrimônio Liquido lucros de exercícios anteriores no montante de R$ 23.211,91, que somados ao lucro do anocalendário de 2006, após a dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na quantia de R$ 280.965,48 perfazem o total de R$ 304.177,39. 7. que a fiscalização, conforme consta dos itens 2.4.3 do Termo de Verificação Fiscal, apurou que no curso do anocalendário de 2006, distribuiu lucros no montante de R$446.681,62 (quatrocentos e quarenta e seis mil, setecentos e oitenta e um reais e sessenta e dois centavos), portanto em valor inferior aos lucros acumulados constantes nos demonstrativos contábeis anexos; 8. que, portanto, o ilustre julgado de primeira instância não poderia desconsiderar as apurações constantes no balanço anual de 2006, equivocandose a afirmar que o balanço patrimonial e demonstração de resultado do exercício social não são instrumentos legais para comprovar o montante de lucro efetivo da sociedade; Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Resolução nº 2402000.380 S2C4T2 Fl. 444 5 9. que a inexistência de empregados não permite ao intérprete inferir que os serviços não possam ser prestados, pois no centro da organização estão os sócios/técnicos habilitados para a realização do objeto social da empresa, que no caso é a prestação de consultoria em informática; 10. nada impede que os sócios abdiquem ao seu direito de retirada de prólabore, optando, somente, pela distribuição dos lucros; 11. que se os sócios não tiverem direito a remuneração via distribuição dos lucros, fica prejudicada a sua remuneração pelo capital investido na empresa, o que não pode ser acatado por este Eg. Conselho; 12. ilegalidade da SELIC; 13. deve ser suspensa a incidência dos juros moratórios durante o período em que perdurar o processo administrativo; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Resolução nº 2402000.380 S2C4T2 Fl. 445 6 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar a análise do presente caso, creio que para uma melhor análise dos argumentos expostos em sede de recurso voluntário, sejam necessários prévios esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização, até diante das alegações constantes do recurso voluntário da recorrente, pela necessidade de reconhecimento da conexão do presente processo com os autos do PAF n. 19515.003425/201089. Da análise do relatório fiscal da infração, verificase que inicialmente assim consignou o ilustre auditor fiscal: 0 procedimento fiscal foi encerrado parcialmente, com a ciência do contribuinte em 30/11/2010,tendo sido emitidos o Al relativo ao IRPJ e reflexos (Proc. n°19515.003425/201089). Ou seja, a meu ver resta subtendido que o presente Auto de Infração, de fato decorreu do lançamento efetuado nos autos do processo 19515.003425/201089. Todavia, ao fazer tal afirmativa, deixo claro que tal fato, por si só, não enseja o reconhecimento de qualquer prejudicialidade entre os julgamentos. Todavia, ao continuar a análise do próprio relatório fiscal, vejo que o presente lançamento é efetuado em razão de terse verificado que a recorrente não possuía, no ano de 2006 lucro presumido calculado com base na receita apurada no período, suficiente a justificar os pagamentos efetuados aos sócios a título de retribuição pelo capital investido (distribuição de lucros). Vejamos o que ponderou o fiscal sobre o assunto: 5.1.5. Ao compararmos o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatamos que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido. 5.1.6. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a titulo de "prolabore", pelo serviço prestado à empresa. E mais a frente, justificou a aferição da base de cálculo da seguinte forma: 5.2.2. Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando os Valores Distribuídos a Maior, conforme demonstrado abaixo: [tabela no relatório fiscal] Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Resolução nº 2402000.380 S2C4T2 Fl. 446 7 Ou seja, o fiscal consignou que determinou o lucro presumido sobre todas as receitas apuradas, sem se manifestar sobre qualquer correlação com o processo reflexo. Todavia, mais a frente, ao se manifestar sobre as receitas consideradas, fez questão de consignar em seu arrazoado a correlação das receitas entre o presente processo e o processo n. 19515.003425/201089 5.2.3. Cabe esclarecer que, para determinação da Receita, no encerramento parcial da presente ação fiscal foi apurada a Omissão de Receita através das Notas Fiscais de Prestação de Serviço e a Presunção de Omissão de Receitas decorrente dos créditos não comprovados do extrato bancário. Estes valores encontramse demonstrados nas planilhas em anexo, integrantes do processo n° 19515.003425/201089, relativo ao IRPJ e reflexos: • ANEXO 1 PLANILHA DOS CRÉDITOS JUSTIFICADOS E NÃO JUSTIFICADOS; e • ANEXO 2 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS INFRAÇÕES (item 1 — RECEITAS BRUTAS OMITIDAS e item 2— PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS) Em que pesem, portanto, os fundamentos lançados no v. acórdão de primeira instância, entendo de forma diferente, pois concluo que os dois processos de fato possuem correlação no que se refere a base de cálculo discutida. Tal fato, a meu ver, enseja que o julgador aja com cautela na análise do feito, de sorte, inclusive, a evitar sejam proferidas decisões contraditórias, mesmo que em se tratando de diferentes exações e distintos fatos geradores. E digo isso, pois, a meu ver, já que se trava naquele processo além das discussões acerca da multa isolada lançada, discussão que pode ensejar reflexos na base de cálculo do presente lançamento, que seja mais cauteloso que se aguarde o final daquele julgamento, para que então se proceda ao presente. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que baixem os autos do presente processo a origem e lá aguarde o julgamento final do processo n. 19515.003425/201089, no qual se apura a omissão de receitas que deram azo ao presente lançamento, retornando os autos a Este Eg. Conselho, com cópia das decisões que nele vierem a ser proferidas ou, se for, o caso, já tiverem sido proferidas. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15504.016438/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DECORRENTE DAS RETENÇÕES IMPOSTAS PELO ART. 31 DA LEI 8.212/91. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO.
Levando em consideração as informações fiscais de fls. 124/127 que confirma os créditos de retenção (anexo 03, às fls. 41/135 do Anexo I), a obrigação principal estaria satisfeita, impondo a improcedência do levantamento "DC" - Diferenças das Contribuições para o período de 01/2005 a 12/2005.
Sendo a retenção uma antecipação do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, a retificação das GFIP's terá o condão de produzir efeito tributário no sentido de demonstrar que, nestes casos (retenção), o mero erro material (não indicação dos tomadores dos serviços e dos valores retidos), quando corrigido repercute no lançamento ensejando a alteração do valor apurado. Eis o disposto no art. 635-A, §6º, incisos I e II da IN MPS / SRP n° 3/2005
Recurso de Ofício IMPROVIDO.
Crédito tributário MANTIDO PARCIALMENTE
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração, para corrigir erro material em decorrência da publicação equivocada do
resultado do julgamento de por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Juliana Campos de Carvalho - Relatora
Liége Lacroix Thomasi - Presidente da Turma
Numero da decisão: 2302-002.755
Decisão: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DECORRENTE DAS RETENÇÕES IMPOSTAS PELO ART. 31 DA LEI 8.212/91. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. Levando em consideração as informações fiscais de fls. 124/127 que confirma os créditos de retenção (anexo 03, às fls. 41/135 do Anexo I), a obrigação principal estaria satisfeita, impondo a improcedência do levantamento "DC" - Diferenças das Contribuições para o período de 01/2005 a 12/2005. Sendo a retenção uma antecipação do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, a retificação das GFIP's terá o condão de produzir efeito tributário no sentido de demonstrar que, nestes casos (retenção), o mero erro material (não indicação dos tomadores dos serviços e dos valores retidos), quando corrigido repercute no lançamento ensejando a alteração do valor apurado. Eis o disposto no art. 635-A, §6º, incisos I e II da IN MPS / SRP n° 3/2005 Recurso de Ofício IMPROVIDO. Crédito tributário MANTIDO PARCIALMENTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração, para corrigir erro material em decorrência da publicação equivocada do resultado do julgamento de por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho - Relatora Liége Lacroix Thomasi - Presidente da Turma
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 214 1 213 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.016438/200952 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2302002.755 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria Auto de Infração: obrigações principais Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida CONSERVO SERVIÇOS GERAIS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DECORRENTE DAS RETENÇÕES IMPOSTAS PELO ART. 31 DA LEI 8.212/91. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. Levando em consideração as informações fiscais de fls. 124/127 que confirma os créditos de retenção (anexo 03, às fls. 41/135 do Anexo I), a obrigação principal estaria satisfeita, impondo a improcedência do levantamento "DC" Diferenças das Contribuições para o período de 01/2005 a 12/2005. Sendo a retenção uma antecipação do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, a retificação das GFIP's terá o condão de produzir efeito tributário no sentido de demonstrar que, nestes casos (retenção), o mero erro material (não indicação dos tomadores dos serviços e dos valores retidos), quando corrigido repercute no lançamento ensejando a alteração do valor apurado. Eis o disposto no art. 635A, §6º, incisos I e II da IN MPS / SRP n° 3/2005 Recurso de Ofício IMPROVIDO. Crédito tributário MANTIDO PARCIALMENTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração, para corrigir erro material em decorrência da publicação equivocada do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 64 38 /2 00 9- 52 Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 resultado do julgamento de por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho Relatora Liége Lacroix Thomasi Presidente da Turma Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016438/200952 Acórdão n.º 2302002.755 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Relatora em face do Acórdão nº 230202.622 em decorrência da publicação equivocada do resultado do julgamento. Por causa disso, encaminhei os autos no sentido de ACOLHER os Embargos de Declaração. No uso da competência conferida pelo artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 com alterações posteriores, a i. Presidente acolheu os Embargos de Declaração opostos e determinou inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. O processo foi colocado na pauta de julgamento do mês de Julho. Após votação, a Ata foi publicada de forma equivocada, fazendo constar como resultado do julgamento o seguinte "por maioria de votos em dar provimento ao recurso, para relevar a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, que entendeu que a relevação somente teria cabimento se tivessem sido preenchidos todos os seus requisitos até a revogação de sua previsão. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões, com base no artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional., quando deveria ser: " por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado." Sendo assim, esclarecido o resultado do julgamento, ratifica a Relatora todos os fundamentos expostos no Acórdão nº 2302002.622, repetindoos abaixo. Protocolada a impugnação, alegou o contribuinte que por um simples equívoco deixou de identificar nas GFIP's a totalidade dos tomadores do serviço e os valores por eles retidos, embora comprove mediante as notas fiscais de serviço a retenção dos 11%, conforme art. 31 da Lei nº 8.212/91: "Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no§5º do art. 33. (Redação dada pela Lei n° 9.711; de 1998). §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuirdes destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço". (grifo nosso) De acordo com a norma acima, a retenção dos 11% pelo tomador, no momento do pagamento do serviço executado mediante mãodeobra ou empreitada, exclui a responsabilidade do prestador pelo recolhimento da contribuição previdenciária até o montante onde se compensarem, passando o tomador a ser o único responsável pelo recolhimento do valor retido. Em consonância com a norma estabelecida no art. 128 do CTN a qual atribui a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário, ao tomador do serviço é imposta a responsabilidade pelo recolhimento das retenções cujos Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016438/200952 Acórdão n.º 2302002.755 S2C3T2 Fl. 216 5 valores são aproveitados pelo prestador quando do pagamento das suas contribuições mensais. Vide transcrição do artigo: "Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." grifo nosso Segundo entendimento majoritário do Supremo Tribunal Federal (RE no 393.946MG, Rel. Min. Carlos Velloso), a natureza jurídica destas retenções é uma mera antecipação daquilo que seria devido no final de cada mês. Neste toar, como bem dito pelo relator da DRJ/BHE, sendo a retenção, portanto, pelo lado do prestador, uma antecipação de recolhimento, os erros materiais em GFIP, tal como a falta de informação dos valores retidos, não autorizam o lançamento de oficio contra o prestador, que não concorrendo com nenhuma ação ou omissão para o descumprimento da obrigação de recolher as contribuições, não poderia ser onerado pelo duplo pagamento. Pois bem! Após o cumprimento da diligência solicitada (fls. 107/109) no sentido de averiguar eventuais créditos do contribuinte, informou a Fiscalização (fls. 124/125) que nas competências de 01/2005, 04/2005 a 11/2005 restou constatadas incorreções nas bases de cálculo apurada pelo auditor, sendo, incluídos duplamente os valores referentes aos contribuintes individuais. Por causa disso, foram efetuadas correções e excluídos alguns valores. Ora, sendo a retenção uma antecipação do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, a retificação das GFIP's terá o condão de produzir efeito tributário no sentido de demonstrar que, nestes casos (retenção), o mero erro material (não indicação dos tomadores dos serviços e dos valores retidos), quando corrigido, repercute no lançamento ensejando a alteração do valor exigido. Eis o disposto no art. 635A, §6º, incisos I e II da IN MPS / SRP n° 3/2005, vigente quando da autuação: ''Art. 635A. A alteração nas informações prestadas em GFIP será formalizada mediante a apresentação de GFIP retificadora, elaborada com a observância das normas constantes do Manual da GFIP. ... § 6° A retificação não produzirá efeitos tributários quando tiver por objeto alterar os débitos em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do inicio de procedimento fiscal, salvo no caso de ocorrência de recolhimento anterior ao início desse procedimento: I quando não houve entrega de GFIP, hipótese em que o sujeito passivo poderá apresentar GFIP, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades cabíveis; Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 II em valor superior ao declarado, hipótese em que o sujeito passivo poderá apresentar GFIP retificadora, em atendimento a intimação Às fls. 126/127 identificou a autoridade fazendária os valores retidos pelos tomadores de serviço. Por causa disso, as diferenças inicialmente apuradas foram compensadas com o crédito da empresa oriunda das respectivas retenções. Levando em consideração as informações fiscais de fls. 124/127 que confirma os créditos de retenção (anexo 03, às fls. 41/135 do Anexo I), a obrigação principal encontrase satisfeita, impondo a improcedência do levantamento "DC" Diferenças das Contribuições para o período de 01/2005 a 12/2005. Desse modo, voto em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo inalterada a decisão da DRJ. Por todo o exposto, Em razão do exposto, ACOLHO os embargos de declaração tãosomente para esclarecer o acórdão recorrido. Dessa forma, reratifico o acórdão embargado para que conste o seguinte dispositivo: CONHEÇO do Recurso de Ofício para negarlhe provimento, mantendo inalterada a decisão de 1º grau no sentido de manter válida a cobrança do crédito tributário oriundo do levantamento "DAL", a saber: 05/2005 (R$ 22,35); 01/2006 (R$ 306,73), 08/2006 (R$ 21,29) e 05/2007 (R$ 563,25) É como voto. Sala das Sessões, em 18 de Setembro de 2013 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 3213DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000705/2010-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - LOCAL DE LAVRATURA
Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991
Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.904
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Conselheira Carolina Wanderley Landim - Relatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - LOCAL DE LAVRATURA Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Conselheira Carolina Wanderley Landim - Relatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO LOCAL DE LAVRATURA Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 07 05 /2 01 0- 53 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa de mora. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 85 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 60 a 71, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1526.442 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 52 a 62, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.279.5790, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 317.130,14. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias dos segurados empregados (códigos de levantamentos TC / TC1 / TC2)que prestaram serviço ao ente público, incidentes sobre as respectivas remunerações não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 01/2006 a 12/2008. O Relatório Fiscal, às fls. 02 a 05, informa em relação à apuração da diferenças, que realizouse um batimento entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM: Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM. sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ler o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. O Relatório da decisão de primeira instância assim informa, às fls. 52 a 62: Relata a Fiscalização que dentre os documentos entregues pelo intimado estão os resumos mensais das folhas de pagamento, exceto da competência 13/2006. De posse destes documentos a fiscalização da RFB constatou divergências entre os valores de base de cálculo informados nos resumos das folhas de pagamento e os valores constantes dos Demonstrativos fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCMBA). Intimado a se manifestar acerca das diferenças encontradas, o Autuado não as explicou. A Fiscalização considerou como base de cálculo os valores informados nos resumos mensais de folhas de pagamento fornecidos pelo Autuado. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Nas competências em que os valores disponibilizados pelo TCMBA foram superiores aos constantes nos resumos das folhas de pagamento, tal diferença foi também lançada, haja vista que se trata de informações em que o Autuado prestou ao referido Tribunal e não forneceu à RFB. O Relatório Fiscal do conexo processo referente à parte da empresa e SAT , AIOP nº. 37.279.5790, às fls. 37 a 49, mostra os fatos geradores das obrigações principais e acessórias: 1. Obrigação principal: a) GF REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados empregados, das contribuições retidas de segurados empregados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal do Brasil, inclusive a contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) RE REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, Integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. c) RE1 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. d) RE2 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 86 5 em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluida a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de oficio de 75%. e)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. f) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 g) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%. h) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas, calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. c) AIOA CFL 38 Constam neste levantamento o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação de fornecer todos os documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização no curso da ação fiscal. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando se a Lei 11.941/2009, nestes termos, conforme a referência ao conexo processo AIOP nº. 37.279.5790: No caso específico, o comparativo da multa foi realizado da seguinte maneira, conforme quadro da multa a ser aplicada, abaixo reproduzido: a) Competência 01/2006 a 01/2007: como não era cobrada a multa de mora 24%, a comparação foi feita entre a multa CFL Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 87 7 68 e multa CFL 78, ambas por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP sem incorreções ou omissões. b) Competências 02/2007, 03/2007, 05/2007, 07/2007, 08/2007, 09/2007, 13/2007, 01/2008 e 10/2008: a comparação foi feita entre o somatório da multa de 75% com a multa CFL 78 e o somatório da multa CFL 68 com a multa de mora de 24%. c) Competências 04/2007, 06/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007, 02/2008 a 09/2008: a comparação foi feita entre a multa de 75% com o somatório da multa CFL 68 com a multa de mora de 24%. d) Competência 11/2008: a entrega da GFIP ocorreu na vigência da MP 449/2008 por isso não entrou no comparativo da multa mais benéfica. Estão sendo cobradas as multas de 24%, CFL 78. e) Competência 12/2008 e 13/2008: não participaram do comparativo da multa em decorrência de o fato gerador das obrigações principal e acessória da contribuição previdenciária se materializar na vigência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Neste caso, estão sendo cobradas as multas de 75%. A Recorrente teve ciência do AIOP em 23.07.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 01/2006 a 12/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 30 a 42, resumidamente conforme o relatório da decisão de primeira instância: Preliminarmente, aduz a nulidade do auto de infração em face de sua manifesta exorbitância e impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, como também as contradições e falhas nos procedimentos legais administrativos constantes dos mesmos. Tal situação macula a garantia constitucional da ampla defesa. Afirma que é ilegítima a lavratura de autos de infração eivados de equívocos, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado nos autos, não restando claro a base de cálculo tomada de empréstimo para a feitura e conclusão das supostas dívidas levantadas e as multas impostas. Ainda preliminarmente argumenta a ineficácia do procedimento fiscal por ter sido lavrado fora do estabelecimento ou órgão municipal. A doutrina especializada é taxativa quanto à obrigatoriedade da lavratura do AI no local do estabelecimento fiscalizado. No presente caso, o AI foi lavrado na própria repartição fiscal. A lavratura fora do estabelecimento fiscalizado quebra a segurança jurídica e a própria seriedade que deve existir nas relações da Receita Federal do Brasil com os contribuintes, evitandose que sejam lavrados autos "por correspondência", com um visível desprezo pelo contraditório, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 pois durante as diligências de fiscalização o contribuinte tem o sagrado direito de se fazer representar através de seus contadores e se necessário, também pelo seu procurador jurídico e até mesmo pelo prefeito municipal, matéria que desde j á fica préquestionada. Ora se o auto é lavrado fora do local, sem ao menos existirem as solicitações de explicações e ou esclarecimentos por escrito de eventuais falhas ou irregularidades, a violabilidade do contraditório é evidente e não poderá ser negada No mérito aduz a exorbitância dos valores apurados pela RFB. Afirma que a autuante resolver buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento. Sugere que se proceda a uma auditoria auxiliar. Afirma que a Portaria MPS n° 133, de 02 de maio de 2006 instituiu uma série de condições para fins de compensação, dentre as quais a necessidade de retificação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). A Instrução Normativa n° 15 de 12 de setembro de 2006 também versou sobre a necessidade de retificação de GFIP para a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social. Ambos os enunciados normativos vinculam a compensação à retificação de GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. Forçoso reconhecer que, uma vez entregue à Fazenda Pública a GFIP, a esta incumbe o encargo de apreciála, verificando sua regularidade para, em seguida, preceder à homologação ou não. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1526.442 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 52 a 62, conforme Ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa, além da fundamentação legal das rubricas levantadas. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 88 9 da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. O procedimento fiscal possui natureza eminentemente inquisitória, e a posição daquele que está submetido à ação fiscal não é a de litigante nem a de acusado, mas, simplesmente, a de investigado. Somente após a formalização da exigência, é que o sujeito passivo terá direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando não preenchidos os requisitos previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, há de se indeferir o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tais pretensões não podem ser acatadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo 10540.000705/201053, do Auto de Infração (AI), cadastrado sob número 37.279.5790, acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese o sujeito passivo do inteiro teor do presente Acórdão, fornecendolhe cópia da decisão, mediante entrega ou remessa da segunda via, intimandoo ainda a recolher o débito, no prazo de 30 (trinta) dias, ressalvado o direito de interpor recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, facultado pelos artigos 25, II, e 33, ambos do Decreto 70.235, de 1972Sala de Sessões, em 23 de fevereiro de 2011. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 60 a 71, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em Sede Preliminar (i) Nulidade do AIOP por ter sido lavrado fora do ente público; (ii) Ofensa direta aos princípios constitucionais do con6traditório e da ampla defesa – lavratura do AI fora do local; indeferimento de prova pericial Dito isto, verificase que a situação fática sobre a qual se deu o lançamento em questão, qual seja, ter sido o auto de infração lavrado fora do local, além de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades, culminou para que o processo administrativo fiscal fosse composto apenas por provas unilaterais, sendo negado ao ora Recorrente o direito à ampla defesa e ao contraditório. Além desses fatos, a negativa dos pleitos formulados em sede de Impugnação, referentes à necessidade de produção de prova pericial documental, torna evidente o cerceamento de defesa, ferindo, ainda, o princípio da paridade das armas, destoando do atual entendimento jurisprudencial No Mérito (iii) da exorbitância dos valores apurados pela RFB Sendo assim, a autuante, equivocadamente, data máxima venia, resolve buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento, sendo que não existe um ponto de partida que indique o valor real apurado e sim apresenta a soma exorbitante d e supostos valores devidos pelo município de Rio de ContasBA. Sobre o tema ainda é importante destacar que compete à Receita Federal fazer prova em contrário dos cálculos, com moderação e razoabilidade mesmo porque a planilha juntada resulta de informações transmitidas à própria Receita Federal, de cujo conteúdo tem total ciência, além de que a favor de tal documento milita presunção de veracidade (art.334, inciso III, CPC). (iv) da impossibilidade de retificação da GFIP – a retificação deve ser feita pela Autoridade Fiscal por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação – Da inconstitucionalidade A Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, d e 12 de setembro de 2006, que dispôs sobre a devolução d e valores arrecadados pela Previdência Social com base na referida legislação, também versou sobre a necessidade d e retificação da GFIP. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 89 11 Ambos os enunciados normativos, em suma, vincularam a compensação à retificação da GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição indevidamente recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. (...) Por fim, cumpre lembrar que a própria Constituição Federal do Brasil, em seu art. 146, III, b, atribuiu competência à lei complementar para disciplinar temas referentes a obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Ao optar o constituinte originário pela reserva de lei com quorum qualificado de votação (art.69, CR/88), não resta dúvida quanto à impossibilidade de regulamentação da matéria por Instruções ou Portarias. Admitir o contrário seria desconhecer a força normativa da Constituição, notadamente em relação à imperatividade do princípio da estrita legalidade tributária, cuja base jurídica encontrase n o inciso II, d o art. 52 da CR/88. Dessa forma, inadmissível que os veículos normativos utilizados para embaraçar o direito à compensação produzam algum efeito, devendo, por isso mesmo, ser julgados ilegais (pois sequer poderiam ser taxados de inconstitucionais, uma vez que nem o status de lei possui), restando afastado a obrigação indevida de retificação das g u i a s pelos contribuintes. (v) operacionalização do cálculo comparativo das multas Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 74. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 77. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 90 13 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 60 a 71, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1526.442 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 52 a 62, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.279.5790, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 317.130,14. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias dos segurados empregados (códigos de levantamentos TC / TC1 / TC2)que prestaram serviço ao ente público, incidentes sobre as respectivas remunerações não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 01/2006 a 12/2008. O Relatório Fiscal, às fls. 02 a 05, informa em relação à apuração da diferenças, que realizouse um batimento entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.279.5790 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.279.5790) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 91 15 competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.279.5790, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 (i) Nulidade do AIOP por ter sido lavrado fora do ente público; Não assiste razão à Recorrente pois, conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Ofensa direta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa – lavratura do AI fora do local; indeferimento de prova pericial Dito isto, verificase que a situação fática sobre a qual se deu o lançamento em questão, qual seja, ter sido o auto de infração lavrado fora do local, além de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades, culminou para que o processo administrativo fiscal fosse composto apenas por provas unilaterais, sendo negado ao ora Recorrente o direito à ampla defesa e ao contraditório. Além desses fatos, a negativa dos pleitos formulados em sede de Impugnação, referentes à necessidade de produção de prova pericial documental, torna evidente o cerceamento de defesa, ferindo, ainda, o princípio da paridade das armas, destoando do atual entendimento jurisprudencial Analisemos. A argumentação da Recorrente, centrada na ofensa a princípios constitucionais, considero superada nos termos do Tópico (A) acima que debateu a apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativofiscal. Ademais, a argumentação da Recorrente no sentido de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades não pode prosperar porque efetivamente houve solicitação para que o Município se manifestasse acerca de divergências encontradas entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, conforme o relatório fiscal do conexo processo AIOP nº. 37.279.5790, às fls. 37 a 49: De posse destes documentos a fiscalização da RFB constatou divergências entre os valores de base de cálculo informados nos resumos das folhas de pagamento e os valores constantes dos Demonstrativos fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCMBA). Intimado a se manifestar acerca das diferenças encontradas, o Autuado não as explicou. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 92 17 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (iii) da exorbitância dos valores apurados pela RFB Sendo assim, a autuante, equivocadamente, data máxima venia, resolve buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento, sendo que não existe um ponto de partida que indique o valor real apurado e sim apresenta a soma exorbitante d e supostos valores devidos pelo município de Rio de ContasBA. Sobre o tema ainda é importante destacar que compete à Receita Federal fazer prova em contrário dos cálculos, com moderação e razoabilidade mesmo porque a planilha juntada resulta de informações transmitidas à própria Receita Federal, de cujo conteúdo tem total ciência, além de que a favor de tal documento milita presunção de veracidade (art.334, inciso III, CPC). Analisemos. Em que pese o argumento da Recorrente no sentido de que a autuação fiscal não demonstrou a origem da base de cálculo, não pode prosperar tal argumentação porque o Relatório Fiscal, bem como os demais Relatórios do Auto de Infração, demonstram de forma clara e precisa da base de cálculo apurada. Inclusive, em relação à regularidade do lançamento, já se apreciou tal matéria no tópico (B). Destaquemos o Relatório Fiscal, às fls. 02 a 05, que informa em relação à apuração da diferenças, que realizouse um batimento entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM: Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM. sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ler o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Ademais, cumpre citar a decisão de primeira instância, às fls. 52 a 62, que ao indeferir esta mesma argumentação da Recorrente, listou os relatórios constantes do presente AIOP: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 O fato gerador das contribuições lançadas e os respectivos fundamentos legais restaram devidamente esclarecidos no Relatório Fiscal e seus anexos. As contribuições devidas mensalmente, assim como as basesde cálculo mensais, as alíquotas aplicadas, os valores apurados por levantamento e por rubrica estão devidamente discriminados no relatório anexo denominado DISCRIMINATIVO DO DÉBITO (DD), às fls 1317. Consta, ainda, anexo ao lançamento o Relatório FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO (FLD), que relaciona toda a fundamentação legal que alicerça o lançamento (fls. 11 12), mencionando a legislação aplicada a cada fato gerador levantado, por competência, além de trazer a legislação relativa aos acréscimos legais, à competência para fiscalizar e aos prazos de recolhimento. Ainda está anexo o Relatório de Lançamentos (RL), fl. 0611, onde constam, por competência, os valores da base de cálculo da contribuição patronal devida (Levantamentos RE/ REI e RE2). A Fiscalização juntou aos autos do processo principal 10540.000707/2010 42 farta documentação que dá suporte ao presente lançamento. Estão juntados aos autos dentre outros os seguintes documentos: planilhas explicativas (fls. 5064), termos fiscais, respostas aos termos fiscais, resumos das folhas de pagamento (fls. 114151) e extratos do Sistema GFIP WEB. Consta dos autos do processo principal 10540.000707/201042 o Relatório da Ação Fiscal (fls. 3749) que descreve de forma minuciosa todo o rito do procedimento fiscal, além de detalhar todos os Levantamentos e a comparação da multa (item VII), esta última procedida em função das modificações trazidas pela Lei 11.941/2009 (conversão da Medida Provisória n° 449/2008). Neste compasso, o Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa, além da fundamentação legal das rubricas levantadas, estando em conformidade com as exigências expressas no art. 142 do CTN, bem como no art. 37, da Lei n° 8.212, de 1991. Por fim, transcrevase ainda do processo conexo AIOP nº. 37.279.5790, o Relatório Fiscal, às fls. 37 a 49, que mostra os fatos geradores das obrigações principais e acessórias: 1. Obrigação principal: a) GF REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados empregados, das contribuições retidas de segurados empregados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal do Brasil, inclusive a contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 93 19 recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) RE REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, Integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. c) RE1 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. d) RE2 REMUNERAÇÃO RESUMO DA FOLHA: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e aquelas declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluida a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados indicadas nos Resumos das Folhas de Pagamentos e valores declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de oficio de 75%. e)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. Como ainda a competência 11/2008 que não entrou no comparativo em virtude de a entrega da GFIP ter ocorrido na vigência da publicação da MP 449/2008. Estão sendo cobradas as multas de 24% e CFL 78. f) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual. g) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as bases de cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as bases de cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informada no Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nos Resumos das Folhas de Pagamentos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de ser declarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases de cálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos do TCMBA e a base de cálculo constante nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos (código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 94 21 h) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas, calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior. 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da matéria. c) AIOA CFL 38 Constam neste levantamento o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação de fornecer todos os documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização no curso da ação fiscal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) da impossibilidade de retificação da GFIP – a retificação deve ser feita pela Autoridade Fiscal por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação – Da inconstitucionalidade A Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, d e 12 de setembro de 2006, que dispôs sobre a devolução d e valores arrecadados pela Previdência Social com base na referida legislação, também versou sobre a necessidade d e retificação da GFIP. Ambos os enunciados normativos, em suma, vincularam a compensação à retificação da GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição indevidamente recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. (...) Por fim, cumpre lembrar que a própria Constituição Federal do Brasil, em seu art. 146, III, b, atribuiu competência à lei complementar para disciplinar temas referentes a obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Ao optar o constituinte originário pela reserva de lei com quorum qualificado de votação (art.69, CR/88), não resta dúvida Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 quanto à impossibilidade de regulamentação da matéria por Instruções ou Portarias. Admitir o contrário seria desconhecer a força normativa da Constituição, notadamente em relação à imperatividade do princípio da estrita legalidade tributária, cuja base jurídica encontrase n o inciso II, d o art. 52 da CR/88. Dessa forma, inadmissível que os veículos normativos utilizados para embaraçar o direito à compensação produzam algum efeito, devendo, por isso mesmo, ser julgados ilegais (pois sequer poderiam ser taxados de inconstitucionais, uma vez que nem o status de lei possui), restando afastado a obrigação indevida de retificação das g u i a s pelos contribuintes. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na questão da compensação, a qual não poderia ser regida por Instruções ou Portarias devido à reserva de lei complementar para tal conforme previsão constitucional. Não obstante a argumentação da Recorrente, a apreciação de inconstitucionalidade é vedada no âmbito do contencioso administrativo, conforme o já debatido no tópico (A). Ademais, cumpre observar que não há qualquer menção à compensação no presente Auto de Infração AIOP nº. 37.279.5790, de modo que a argumentação da Recorrente, por este prisma, também não prospera. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) operacionalização do cálculo comparativo das multas Analisemos. Não prospera a argumentação da recorrente posto que na execução administrativa do presente julgado é que poderá ser efetivado o recálculo dos acréscimos legais de forma a se verificar qual a forma de cálculo mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 95 23 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Designada. Conforme já informado no voto do eminente relator, Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, tratase do processo administrativo de n. 10540.000705/201053, decorrente do AIDEBCAD de n.37.279.5790, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, relativas às competências de 01/2006, 02/2006, 13/2006, 01/2007 a 09/2008, 11/2008 e 12/2008, apuradas com base nos levantamentos TC – Remuneração Demonstrativo TCM, TC1 – Remuneração Demonstrativo TCM e TC2 – Remuneração Demonstrativo TCM. No Relatório Fiscal de fls. 37/49 do PAF nº 10540.000707/201042, relativo à contribuição patronal e GILRAT, o fiscal autuante efetuou o comparativo das multas para que fosse aplicada a penalidade supostamente menos severa ao contribuinte. No presente caso, não foi efetuado quadro comparativo das multas, tendo a fiscalização lançado nos meses de fevereiro de 2007 a 09/2008, 10/2008 e 11/2008, a multa de mora correspondente a 24%, prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, na redação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores. Inicialmente, entendo que em relação às competências compreendidas entre 01/2006 até 01/2007, o fiscal autuante aplicou corretamente as normas vigentes à época desses fatos geradores, deixando de lançar a penalidade pelo recolhimento das contribuições fora do prazo, em virtude da vedação prevista no art. 239, §9º. Vejamos: Art. 239... § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. Posteriormente, este dispositivo foi alterado pelo Decreto 6.042 de 12/02/2007, restando excluída tal proibição. No que diz respeito às demais competências, desde fevereiro de 2007 até novembro de 2008, entendo que a fiscalização, ao imputar ao lançamento a multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deixou de aplicar o princípio da retroatividade benigna de forma correta, tal como determina o artigo 106 do CTN. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 96 25 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor norma punitiva da mora mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, e não mais ser elevada em função da fase em que o pagamento se efetivasse, até o patamar de 100%. Isto porque, apesar de a lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Esse é, inclusive, o posicionamento adotado pelo CARF, conforme se verifica do excerto abaixo transcrito: “A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica” (Processo nº 35301.007211/200667, Acórdão nº 2403002.067– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, segunda seção de julgamento, Sessão de 15 de maio de 2013, Presidente e Relator Carlos Alberto Mees Stringari). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000705/201053 Acórdão n.º 2403001.904 S2C4T3 Fl. 97 27 CONCLUSÃO Em face do exposto, voto pela redução da multa de mora para o percentual de 20% nas competências de 02/2007 a 09/2008 e 11/2008, em respeito ao artigo 106, II, do CTN. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10283.006363/2005-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. Com fulcro na legislação tributária de regência, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a comprovação da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de averbação tempestiva junto à inscrição do imóvel, bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação.
In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Otacílio Dantas Cartaxo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 29/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo BonetAllage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. Com fulcro na legislação tributária de regência, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a comprovação da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de averbação tempestiva junto à inscrição do imóvel, bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. In casu, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 63 63 /2 00 5- 04 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 29/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo BonetAllage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório A Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário no 343.322 interposto pelo contribuinte Adelcio Navarro, prolatando decisão cujo Acórdão no 210200.681 restou assim ementado: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO A despeito de ser obrigatória – a apresentação do ADA ao Ibama como condição para exclusão da área de reserva legal para fins de tributação do ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional insurgiuse contra o acórdão proferido, que deu provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, reconhecendo a não incidência do ITR relativo ao exercício 2002, sobre as áreas de utilização limitada, declaradas como reserva legal. Assim, dentro da quinzena legal, com no fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, recorre contra o entendimento que a apresentação intempestiva do Ato Declaratório (ADA) não é condição suficiente para impedir a isenção do ITR. Apresenta como paradigma da divergência jurisprudencial o Acórdão no 302 38.844, proferido pela então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, cujo entendimento é oposto, já que considera imperiosa a apresentação tempestiva do ato específico do órgão competente para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada, conforme a seguir descrito: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10283.006363/200504 Acórdão n.º 9202002.490 CSRFT2 Fl. 12 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL.A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente,até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA – COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental — ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ARGUIÇÕESDE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE.Nãocompeteàs administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Somente produzem efeitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham efeitos erga omites. Demais decisões judiciais apenas se aplicam às partes envolvidas nos litígios para os quais são proferidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Instado a se manifestar, o i. Presidente em exercício da 1ª Câmara da 2ª Seção deu seguimento ao Especial interposto [fls. 91/93]. Devidamente intimado, o Contribuinte restou silente. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, devendo, porém, ser analisada a divergência alegada, para efeito do cumprimento do disposto no artigo 7°, inciso II, daquele Regimento. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência doITR em razão da glosa da Area declarada pelo Recorrente como sendo de reserva legal, existente em imóvel de sua propriedade. Tal glosa foi motivada pela falta de apresentação do ADA ao Ibama, considerando ainda que a Area cuja exclusão pretendia o contribuinte já estava averbada à margem do registro de imóveis desde 22.11.2001. De acordo com a defesa do Contribuinte, a exigência de apresentação do ADA como condição para a exclusão da area de reserva legal para fins de apuração do ITR não encontra amparo em lei, mas somente em Instruções Normativas. Por outro lado, a PGFN justifica a exigência de apresentação do referido Ato em razão do disposto no art. 170 da Lei 6.938/81 (cf. redação dada pela Lei 10.165/00), sustentando ainda que o prazo de 6 meses para sua apresentação encontra previsão legal no Decreto 4.382/02. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10283.006363/200504 Acórdão n.º 9202002.490 CSRFT2 Fl. 13 5 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10283.006363/200504 Acórdão n.º 9202002.490 CSRFT2 Fl. 14 7 IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Inicio a análise do recurso pela área de preservação permanente, cuja glosa decorre da falta de apresentação tempestiva do ADA. Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10283.006363/200504 Acórdão n.º 9202002.490 CSRFT2 Fl. 15 9 órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso em análise, restou demonstrado que o contribuinte juntou aos autos cópia do ADA apresentado ao IBAMA em 18.08.2006, de forma que demonstrou ter atendido a exigência tida por violada. Além disso, em atenção ao acórdão recorrido [fls. 76],tratase de lançamentoparaexigência do ITR emrazãoda glosa da áreadeclaradapeloRecorrentecomosendo de reserva legal, jáaverbadaàmargem do registro de imóveisdesde 22.11.2001, se prestam a comprovar a existência da área de reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. Dispositivo Portanto, inexistindo recolhimento, mesmo que parcial, voto por CONHECER do Especial interposto, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10283.006363/200504 Acórdão n.º 9202002.490 CSRFT2 Fl. 16 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11080.723910/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar matéria inerente à exclusão da empresa do SIMPLES.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. A 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar matéria inerente à exclusão da empresa do SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 10 /2 01 0- 18 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 27/09/2010 (fl. 02), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição devida à outras entidades (Salário Educação, INCRA, SESC E SEBRAE), incidente sobre o total da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, no período de 01/01/2005 a 30/09/2007. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 310/339) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS, ao analisar o presente caso (fls. 341/348), julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que (i) o auditor fiscal atuante está apto a exercer o cargo e lavrar o auto de infração; (ii) os cálculos detalhados, os fundamentos legais, os juros e as multas aplicadas encontramse nos outros relatórios que instruíram a autuação; (iii) deve ser excluída a competência 01/2005, haja vista que a exclusão do SIMPLES se configurou em 01/02/2005; (iv) as contribuições previdenciárias são devidas pela empresa independentemente da sistemática de apuração do lucro; (v) intimada, a empresa não logrou demonstrar os lançamentos realizados na conta ajuda de custo; e (vi) em relação as multas, não compete à instância administrativa manifestarse sobre a legalidade ou constitucionalidade das leis. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 360/388) argumentando que: (i) até a data de 08/01/2009 a Recorrente não cometeu nenhuma das infrações que a levaram a ser excluída do SIMPLES; (ii) não houve fundamentação legal em relação a multa aplicada; e (iii) a empresa foi desenquadrada do SIMPLES em 30/06/2007, não sendo devida a contribuição previdenciária ora exigida. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11080.723910/201018 Acórdão n.º 2402003.302 S2C4T2 Fl. 391 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que o ato de exclusão do SIMPLES não pode surtir efeitos pretéritos, devendo contar apenas a partir de 08/01/2009, e que a empresa foi desenquadrada do SIMPLES em 30/06/2007, não sendo devida a contribuição previdenciária ora exigida. No entanto, para que se possa emitir juízo de valor sobre os efeitos da exclusão do SIMPLES, é necessário adentrar na legislação que rege esta matéria Ocorre que, a competência para julgamento das matérias que versam sobre a exclusão do SIMPLES é da 1ª Seção de julgamento, conforme prevê o art. 2º, inc. V, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, não podendo esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção se manifestar sobre os efeitos inerentes à exclusão do SIMPLES. Assim, será dado prosseguimento ao julgamento do presente recurso limitadamente à matéria de competência desta turma, condicionandose, contudo, a aplicação do resultado desse julgamento ao desfecho do processo que versa sobre a exclusão do SIMPLES (PAF nº 12269.001506/201054). A Recorrente sustenta que os valores lançados a título de multa não foram devidamente fundamentados na autuação. Entretanto, através do relatório Fundamentos Legais do Débito –FLD (fls. 20/21), é possível verificar a origem da penalidade imposta. Em que pese o Relatório Fiscal (fls. 23/33) estar equivocado em relação ao cálculo da multa aplicada, uma vez que foi utilizada a planilha do PAF nº 11080.723908/201049, ficou claro, por ocasião da decisão da DRJ (fls. 345/346) e do relatório FLD, que foi aplicada corretamente a penalidade vigente à época dos fatos geradores (24%). Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Por fim, pontuase que o valor devido após o Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 recálculo da multa só deve vir a ser exigido da Recorrente caso a decisão final proferida nos autos nº 12269.001506/201054 (onde se discute sua exclusão do SIMPLES e aguarda julgamento perante este Conselho) lhe seja desfavorável. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10725.000813/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
PIS E COFINS RETIDOS NA FONTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS.
A compensação do PIS e Cofins retidos na fonte com débitos de outros tributos só é possível a partir da publicação da MP nº 413/2008, em 03/01/2008, conforme disposição expressa do art. 5º, § 3º da Lei nº 11.727/2008.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira. O conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal foi designado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
(assinado digitalmente)
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. A compensação do PIS e Cofins retidos na fonte com débitos de outros tributos só é possível a partir da publicação da MP nº 413/2008, em 03/01/2008, conforme disposição expressa do art. 5º, § 3º da Lei nº 11.727/2008. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira. O conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal foi designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 08 13 /2 00 8- 43 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 181 2 ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 182 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) envolvendo débitos de PIS regime nãocumulativo, períodos de apuração março, abril e maio de 2004 e crédito de PIS referente ao período de março de 2005, conforme sintetiza a emenda a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pase Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços poderão ser deduzidos pelo contribuinte das contribuições da mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Somente a partir da publicação da MP nº 413/08, de 03/01/2008, quando não for possível a dedução dos valores a pagar a título de Cofins no mês de apuração, os valores retidos na fonte a título desta Contribuição poderão ser restituídos ou compensa dos com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica aplicável à matéria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Portanto, de acordo com a decisão recorrida a obrigatoriedade pela retenção na fonte do imposto de renda, CSLL, COFINS e PIS/PASEP tem como base legal o artigo 34 da Lei 10.833/2003 (artigo 32 da MP 135/2003), que alterou o artigo 64 da Lei 9.430, de 1996, as quais estabelecem que referidos valores retidos são considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação à mesma contribuição, sendo vedada qualquer compensação. Essa limitação só foi alterada com a publicação da Medida Provisória 413, de 03/01/2008, convertida na Lei 11.727, de 23/06/2008, passando a ser admitida a restituição ou compensação do PIS e COFINS retidos na fonte quando seus valores superem as respectivas contribuições devidas no mesmo período, conforme dispõe o artigo 5º da referida Lei: Art. 5º Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 183 4 § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A partir da publicação da Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. Assim, até a edição da MP 413/2008, no caso de os valores retidos a título de contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins superar em os valores apurados no encerramento do período de apuração, não havia previsão legal que autorizasse a compensação ou a restituição dos valores retidos em exame, podendo o excesso de retenção somente ser deduzido das respectivas contribuições nos períodos de apuração seguintes. Cientificada em 26/04/2012 (AR – fl. 118) a Recorrente interpôs recurso voluntário em 28/05/2012 (fls. 121 e seguintes), requerendo, em síntese, a aplicação do art. 106, II, “b” do Código Tributário Nacional, com a consequente homologação da Compensação Declarada. Em favor de sua tese cita jurisprudência pacífica do colendo Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 30774 e REsp nº 440994). É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 184 5 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso – Relator. O recurso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A questão central discutida no presente processo se refere à possibilidade da compensação dos valores retidos na fonte, a título de Cofins, prevista no art. 34, da Lei nº 10.833, de 30/12/2003, que assim dispõe: Art. 34 . Ficam obrigadas a efetuar as retenções na fonte do imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, as seguintes entidades da administração pública federal: I empresas públicas; II sociedades de economia mista; e III demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal SIAFI. [...] De acordo com o art. 36 da Lei nº 10.833/2003, os valores retidos na forma do art. 34 acima transcrito, “serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte”: Art. 36 . Os valores retidos na forma dos arts. 30, 33 e 34 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e às respectivas contribuições. A partir da Medida Provisória 413, de 03/01/2008, convertida na Lei 11.727, de 23/06/2008, ficou expressamente autorizada a compensação dos valores retidos, a título de PIS/Pasep e Cofins, quando ocorrer a impossibilidade de sua dedução dos valores a pagar das aludidas contribuições no mês de apuração, in verbis: Art. 5º Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 185 6 § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A partir da publicação da Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008 , o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. O pleito da Recorrente é para que essa alteração legislativa introduzida pela Lei nº11.727, de 23/06/2008, seja aplicada retroativamente ao período de apuração no qual ocorreu a compensação (01/05/2006 a 31/05/2006), com fulcro no art. 106, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática O artigo 106, acima transcrito, divide o assunto em dois tópicos, o primeiro diz respeito à lei interpretativa, o segundo, quando se referir a fato não definitivamente julgado, que deixe de considerar o ato como infração, deixe de considerálo como contrário à exigência de ação o ou omissão, e por último quando se refira à cominação de penalidade. A Recorrente requer a retroatividade com base no art. 106, II, “b”, por não se tratar de ato ainda não definitivamente julgado, cuja prática do ato implicou em contrariar exigência de ação ou omissão. De fato, embora não houvesse uma determinação expressa vedando a utilização de eventual saldo credor retido para a compensação com outras contribuições, o certo é que limitava a sua utilização apenas à dedução dos valores da própria contribuição no respectivo período de apuração. Entendo que essa limitação contraria o princípio da nãocumulatividade das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, previstos no art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 186 7 Federal, e afinal, regulamentado pela própria Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ao instituir a Cofins, com incidência não cumulativa, que dispõe, expressamente que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes” (art. 3º, § 4º). Nesse sentido, peço vênia para reproduzir os arestos colacionados pela Recorrente em seu recurso, exarados pelo colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) que atestam a possibilidade da retroatividade de lei tributária, como ocorre no caso, in verbis: TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A lei tributária mais benéfica e aquelas meramente interpretativas retroagem, a teor do disposto nos incisos I e II, do art. 106, do CTN 2. O § 4º introduzido pela Lei n.º 9.528/97 no art. 9º, da Lei n.º 9.317/96, ao explicitar em que consiste "a atividade de construção de imóveis", veicula norma restritiva do direito do contribuinte, cuja retroatividade é vedada. 2. "Consoante o disposto no artigo 8º, parágrafo 2º da Lei n.º 9.317/96, a opção da pessoa jurídica pelo SIMPLES, submeterá a optante à esta sistemática, a partir do primeiro dia do ano calendário subseqüente." (REsp n.º 329892/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ de 05.11.2001) 3. Recurso especial improvido. *grifado. (REsp 440994/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/02/2003, DJ 24/03/2003, p. 144) TRIBUTARIO E PROCESSUAL. ICMS. APREENSÃO DE GADO BOVINO. ARREMATAÇÃO EM LEILÃO. SUMULA STF/323. DIREITO SUPERVENIENTE. 1. "E INADMISSIVEL A APREENSÃO DE MERCADORIAS COMO MEIO COERCITIVO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS" ENTENDIMENTO SUMULADO DO STF. 2. JUS SUPERVENIENS O DIREITO VIGENTE A EPOCA DA DECISÃO DEVE SER APLICADO PELO JUIZ, AINDA QUE POSTERIOR AO AJUIZAMENTO DA AÇÃO, SEMPRE QUE A LEI NOVA NÃO RESSALVE OS EFEITOS DA LEI ANTERIOR. 3. APLICAMSE AOS FATOS PRETERITOS, NÃO JULGADOS DEFINITIVAMENTE, AS LEIS TRIBUTARIAS FAVORAVEIS AO CONTRIBUINTE. 4. RECURSOS NÃO CONHECIDOS. *(grifado) (REsp 30774/PR, Rel. MIN. PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/04/1997, DJ 23/06/1997, p. 29073) Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 187 8 Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 188 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Tratase de voto de divergência, acolhido por voto de qualidade, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que dava provimento ao recurso voluntário, em face da retroatividade benigna da lei tributária prevista no art. 106, II, “b” do CTN. Todo o recurso voluntário, fls. 121/129, está fundamentado na hipótese da aplicação da retroatividade da lei mais benéfica prevista no art. 106 do CTN. Assim há que se concluir que ele concorda que na data em que foi apresentada a Declaração de Compensação, 11/05/2007, fl. 04, a legislação que tratava do assunto não permitia a compensação pleiteada. De fato estava em vigor a respeito dos valores retidos na fonte do PIS e da Cofins o disposto no art. 64 da Lei 9.430/96 c/c art. 34 da Lei 10.833/2003, abaixo parcialmente transcritos: Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (...) § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. (...) Art. 34. Ficam obrigadas a efetuar as retenções na fonte do imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as seguintes entidades da administração pública federal I empresas públicas; II sociedades de economia mista; e (...) A Receita Federal entendeu, com base nos artigos supra transcritos que, ocorrendo a hipótese de retenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em valor que ultrapasse a contribuição a pagar apurada no encerramento do período, a diferença credora Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 189 10 somente poderá ser deduzida das respectivas contribuições nos próximos períodos de apuração. Ressaltese novamente que o contribuinte ao invocar a retroatividade da lei mais benéfica, com base no art. 106, II, “b” do CTN, entende também que a legislação anterior não permitia a compensação por ele pleiteada. Assim há que se verificar se é o caso de aplicação da retroatividade da Lei prevista no art. 106, II, “b” do CTN, abaixo transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática A permissão legal para compensar os valores retidos na fonte com débitos relativos a outros tributos só veio acontecer com a edição da Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, convertida na Lei nº 11.727, de 23/06/2008, in verbis: Art. 5º Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A partir da publicação da Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008 , o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. (grifos nossos) Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000813/200843 Acórdão n.º 3301001.882 S3C3T1 Fl. 190 11 O próprio dispositivo legal, por meio do seu parágrafo terceiro, acima grifado, estabeleceu a partir de quando seria possível efetuar a compensação de saldos anteriores de PIS e da Cofins. Portanto, com todo respeito ao voto do relator, entendo que não se trata de aplicação retroativa da lei tributária prevista no art. 106, II, “b” do CTN, pois a interpretação que se busca já está expressamente escrita na Lei, ou seja, somente a partir da publicação da Medida Provisória nº 413/2008, em 3/1/2008, é que se poderia apresentar PER/DCOMP para efetuar compensações de saldos anteriores de PIS e Cofins retidos na fonte. Como a Declaração de Compensação de que trata o presente processo só foi apresentada em 11/05/2007, antes portanto do permissivo legal, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 190DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 13864.000508/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DIVERGÊNCIA ENTRE GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO DIGITAL.
Em casos nos quais há divergência entre a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social- GFIP e a Folha de Pagamento Digital, devem ser aplicados os dispositivos presentes na Lei nº 8.212/1991, combinada com o Decreto nº 3.048/1999, por serem específicos às contribuições previdenciárias, prescrevendo a referida conduta e a respectiva sanção.
AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Tendo sido aplicada multa não prevista pela legislação previdenciária, incorreu o Auto de Infração ora recorrido em vício material, por ausência de fundamentação, pelo que deve ser anulada a autuação.
Numero da decisão: 2301-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento: I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. Declaração de voto: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Mauro José Silva - Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DIVERGÊNCIA ENTRE GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO DIGITAL. Em casos nos quais há divergência entre a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e a Folha de Pagamento Digital, devem ser aplicados os dispositivos presentes na Lei nº 8.212/1991, combinada com o Decreto nº 3.048/1999, por serem específicos às contribuições previdenciárias, prescrevendo a referida conduta e a respectiva sanção. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. VÍCIO MATERIAL. Tendo sido aplicada multa não prevista pela legislação previdenciária, incorreu o Auto de Infração ora recorrido em vício material, por ausência de fundamentação, pelo que deve ser anulada a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento: I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. Declaração de voto: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 08 /2 01 0- 70 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 3 2 Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Mauro José Silva Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória lavrado em face de TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A, por ter a empresa apresentado folha de pagamento em âmbito digital com omissão ou incorreção, eis que divergente dos fatos geradores confessados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, conforme se infere do Relatório Fiscal. Em virtude de ter infringido o art. 11 da Lei nº 8.218/1991, foi imputado à Recorrente pagamento no montante de R$ 138.666,44 (cento e trinta e oito mil seiscentos e sessenta e seis reais e quarenta e quatro centavos) a título de multa, com fulcro no art. 12, II, parágrafo único, da mesma Lei. Ciente da autuação em 22/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 21/01/2011. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 ARQUIVOS DIGITAIS. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação tributária, consoante o disposto no artigo 11 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário em 17/08/2011, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) O pagamento dos valores apontados pelo fisco como não declarados eletronicamente não representa fato gerador da contribuição previdenciária, por não ter natureza salarial, motivo pelo que não poderia ser lançado como tal na contabilidade da Recorrente. 2) Não houve omissão de informação, mas divergência quanto à forma contábil de declaração, já que a Recorrente, apesar de não ter contabilizado os valores como salário, o fez como outras espécies de pagamento. 3) As inconsistências apontadas pelo Relatório Fiscal se referem a valores que não constituem fato gerador da contribuição previdenciária, sendo correta Fl. 467DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 5 4 a informação prestada pela ora Recorrente. Em não havendo omissão de informações, deve ser afastada a penalidade aplicada. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da omissão ou incorreção da folha de pagamento em meio eletrônico No caso em tela, foi observado que a ora Recorrente apresentou folha de pagamento no âmbito digital de forma divergente com o que consta na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, conforme exposto no Relatório. O contribuinte, por sua vez, alega que os valores em questão não configuram contribuição previdenciária, uma vez que não possuem natureza salarial. O fisco considerou que tal conduta infringiu o texto do art. 11, §§3º e 4, aplicandose, portanto, a penalidade prevista no art. 12, II e parágrafo único da Lei nº 8.218/1991, abaixo colacionados: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...). §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...). II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (...). Ocorre que este entendimento não deve prosperar. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 7 6 A obrigação do contribuinte de apresentar todas as informações solicitadas pela fiscalização está prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, que disciplina as obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias, inclusive acessórias: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. O ensinamento retrocitado é corroborado pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, uma vez que o Auditor Fiscal, ao solicitar os arquivos em meio digital a serem apresentados pela empresa, o faz com base nesta mesma legislação. O artigo 33, §§1º e 2º da Lei nº 8.212/1991 é exatamente aquele que autoriza o auditor fiscal a solicitar as informações de interesse da fiscalização, sendo obrigação tributária acessória já contida na Lei de Custeio da Previdência Social, cuja penalidade também está prevista na mesma Lei, nos seus arts. 92 e 102: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...). Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Remetendose ao Regulamento da Previdência Social, neste é que devemos encontrar a conduta tipificada e o valor da multa: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 8 7 sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...). II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...). b) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Ora, verificandose que a Lei nº 8.212/1991, combinada com o Decreto nº 3.048/1999, prescreve a conduta e a sanção correspondente, deve ser esta a aplicada. São inúmeros os autos de infração que têm fundamento legal neste mesmo fato (Fundamento Legal AI 38) e que penalizam exatamente esta mesma conduta, sendo aplicada a multa decorrente do suposto descumprimento do art. 33 da Lei 8.212/1991. Cabe transcrever a tipificação da conduta infracional utilizada pela Receita Federal em autos de infração semelhantes: FUNDAMENTO LEGAL: 38 DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "j" e art. 373. Existindo, portanto, uma norma específica na Lei que disciplina as fontes de custeio da Previdência Social, não pode outra norma ser simultaneamente aplicada, sob pena de bis in idem. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 9 8 O princípio do non bis in idem é secular, erigido à condição de garantia constitucional implícita em respeito a princípios expressos, como o da estrita legalidade, da moralidade pública, da dignidade da pessoa humana e o do Estado Democrático de Direito. Por outro lado, uma lei posterior não revoga uma que lhe seja anterior se esta for especial, princípio positivado no ordenamento jurídico brasileiro através do art. 2º, §2º da Lei de Introdução ao Código Civil, conhecida pela expressão latim “lex specialis derogat legi generali”. Da análise das duas normas, verificase ainda que a Lei posterior, no caso a Lei 8.218/1991, não revogou expressamente a anterior, não era com ela incompatível e nem regulou a matéria de que tratava a anterior (art. 2º, §1º da Lei de Introdução ao Código Civil). Diante da existência de duas normas que, aparentemente, disciplinam a matéria do mesmo modo, o conflito deve ser resolvido a partir da escolha daquela que seja específica da matéria, no caso, a Lei nº 8.212/1991, que dispõe sobre o Plano de Custeio da Previdência Social, dentro do qual se encontram as contribuições previdenciárias. A Lei nº 8.218/1991, por sua vez, dispõe sobre impostos e contribuições federais, de forma genérica, inclusive sobre a prestação de informações à fiscalização e respectivas penalidades, excluindose da sua abrangência, contudo, o que se relacionar às contribuições previdenciárias, sob pena de dupla incidência (bis in idem). A simples leitura dos dois dispositivos legais aparentemente conflitantes já seria suficiente para se chegar à conclusão de que a primeira, qual seja a Lei nº 8.212/1991, deve ser a aplicada ao caso concreto. A própria penalidade instituída pela Lei nº 8.218/1991 deixa evidente que sua aplicação está limitada às hipóteses em que o tributo tem no seu fato gerador relação com a receita bruta auferida pela empresa, o que não é o caso da regra geral das contribuições previdenciárias. O art. 112 do CTN também determina que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, in verbis: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Outros aspectos também podem ser observados que só confirmam a afirmação acima. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 8.218/1991 foi editada quando ainda não existia uma unificação da Secretaria da Receita Federal e da Receita Previdenciária em Super Receita, de modo que apenas os tributos administrados pela primeira eram submetidos ao regramento previsto na referida Lei, tais quais as contribuições sociais não previdenciárias (por exemplo, PIS, COFINS, CSLL) e impostos federais. Por esta razão, a penalidade aplicada no caso de entrega de arquivos digitais em descumprimento às regras determinadas em lei e em normas infralegais teve como base a receita bruta das empresas, já que diretamente relacionada com o proveito econômico que poderia ser obtido com a supressão da informação relativa aqueles tributos, que têm em sua base de cálculo algum elemento da receita bruta. Bastante coerente, portanto, a eleição da receita bruta como parâmetro da aplicação de penalidades quando o contribuinte estivesse sujeito à fiscalização de tributos que também têm em sua base de cálculo aquela mesma expressão econômica, ou pelo menos um dos seus elementos. No caso desses tributos e contribuições sociais, a omissão de informações estaria relacionada diretamente à receita bruta, seja porque as informações omitidas estariam contidas dentro desta mesma expressão econômica, seja porque o benefício obtido pelo contribuinte infrator teria repercussão no recolhimento dos tributos que a tem como base de cálculo. Se a omissão da informação poderia conferir ao contribuinte desses tributos e contribuições sociais benefício econômico proporcional à receita bruta, a penalidade também pode ser aplicada com base nesta. Para atender ao fim educativo e repressivo que devem estar presentes na penalidade, os valores que tiverem atrelados ao possível proveito econômico devem ser os utilizados para tipificação da conduta e da sanção. No caso das contribuições previdenciárias devidas pela empresa Impugnante, contudo, não existe qualquer relação com a sua receita bruta. Eventual omissão de informações não teria o condão de reduzir o montante da receita e, em consequência, do tributo devido. A base de cálculo das contribuições previdenciárias é, em regra, a folha de salário e demais remunerações pagas a quem lhe presta serviço. Eleger a receita bruta como parâmetro para a punição do contribuinte por omissão de informação absolutamente dissociada daquele valor seria permitir medida desproporcional e irrazoável. Por esta razão é que se chega, novamente, à conclusão de que a Lei nº 8.218/1991, ao utilizar a receita bruta como base para o cálculo da penalidade ao contribuinte, não poderia ser aplicada às contribuições previdenciárias que, além disso, possuem norma específica prevendo a multa para o caso de supressão de informações solicitadas pela fiscalização. Não é por outro motivo que a Lei nº 8.212/1991 prevê, dentre as multas aplicáveis aos casos de descumprimento de obrigações acessórias, aquelas consistentes em percentual sobre a base de cálculo ou número de informações omitidas, sem qualquer relação com receita bruta. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 11 10 E não se diga que a unificação da Receita Federal, através da Lei nº 11.457/2007, teria alterado a sistemática e passado a permitir a aplicação da Lei nº 8.218/1991 às contribuições previdenciárias. Ora, a Lei que criou a Super Receita nada mais fez do que centralizar procedimentos e fixar competências, não alterando, contudo, normas relacionadas a obrigações tributárias e penalidades. Entendimento diverso levaria também à conclusão absurda de que a Lei nº 11.457/2007 teria revogado a Lei nº 8.212/1991, o que não ocorreu, tanto que mantida a aplicação pela Receita Federal às contribuições previdenciárias, tanto para lançar tributos devidos, quanto para determinar a multa devida pelo contribuinte que descumpre obrigação acessória. Em suma, a obrigação acessória descumprida está prevista no art. 33 e parágrafos da Lei nº 8.212/1991, cuja multa respectiva tem seu cálculo nos termos dos arts. 92 e 102 do mesmo diploma, combinado com o art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social, jamais a da Lei 8.218/1991. Por fim, o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, dentre o que se inclui a indicação correta da legislação em que se baseia. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. [1] Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto deinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma”, esta não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 12 11 No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. *** O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Desta feita, tendo sido aplicada multa não prevista pela legislação previdenciária, incorreu o Auto de Infração em vergaste em vício material, por ausência de fundamentação na imputação da penalidade, pelo que deve ser anulada a autuação. Da Conclusão Fl. 475DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 13 12 Ante ao exposto, deve ser DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, para que seja anulado o Auto de Infração por vício material. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de abri de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 476DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 14 13 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos relacionados à matéria apresentada pela recorrente ou que consideramos como de ordem pública. Penalidade por deixar de apresentar, ou apresentar em desacordo com a forma ou o prazo previsto na legislação, os sistemas de processamento eletrônico de dados utilizados para registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal. Aparente conflito de normas. Regra da especialidade em relação à infração. Aplicação dos arts. 11 e 12 da Lei 8.218/91. Na fiscalização das contribuições previdenciárias, a penalidade por deixar de apresentar, ou apresentar em desacordo com a forma ou o prazo previsto na legislação, os sistemas de processamento eletrônico de dados utilizados para registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal suscita o aparente conflito das seguintes normas: o art. 11 e 12 da Lei 8.218/91 e os arts. 32, inciso III c/c art. 92 da Lei .8212/91. Lei 8.218/91 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei Fl. 477DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 15 14 nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Nova redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) Fl. 478DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 16 15 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (Atualizações decorrentes de normas de hierarquia inferior). Sobre o assunto, subscrevemos a posição adotada na Solução de Consulta Interna nº 5, de 15 de maio de 2012, da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), in verbis: “15. Observase, no entanto, que o dispositivo da Lei 8.212, de 1991, não é direcionado, especificamente, à deficiência na apresentação de arquivos digitais, já que ele decsreve uma infração mais genérica, qual seja : ‘prestar À secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida’, que tanto pode ser aplicado para infração relativa a arquivos digitais, como para qualquer outro tipo de infração que se refira a apresentação de informação em desacordo com a forma estabelecida pela RFB”. 16. Já o art. 11 da Lei 8.218, de 2001, estabelece a obrigatoriedade de as empresas, que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar a sua movimentação contábil ou fiscal, manterem à disposição da RFB os respectivos arquivos digitais pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, tratandose portanto, de dispositivo legal específico para este tipo de infração. 17. Neste caso, o conflito normativo se resolve aplicandose o critério da especialidade, segundo o qual a norma especial prevalece em detrimento da norma geral.” A referida Solução de Consulta de nº 5 teve a seguinte redação de ementa:: “Assunto: Arquivos digitais. Fiscalização de Contribuições Previdenciárias. Código de Fundamentação Legal A apresentação de arquivos digitais relativos à contribuições previdenciárias com inconsistências ou fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) configura descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991.(...)” Em harmonia com o entendimento da COSIT, existem precedentes de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e alguns precedentes da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF no mesmo sentido: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 17 16 Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas / 8a. Turma / DECISÃO 0534063 em 22/06/2011 Contribuições Sociais Previdenciárias (...) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/07/2009 CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ART. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, MULTA PUNITIVA ART. 12, III da Lei 8.218/91. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. A exigibilidade dos arquivos está prevista no art. 11, §§1º , 3º e 4º da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8º da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. (...) Em sentido contrário, aplicando o inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91, destacamos decisão da Primeira Turma, Quarta Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – ARTIGO 32, III DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99 – EXIGÊNCIA DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO – FUNDAMENTO ART. 8° DA LEI 10.666/2003 C//C ART. 225, III DO DECRETO 3048/99.A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.Inobservância do artigo 32, III° da Lei n° 8.212/91 c/c artigo 283, II, “h” do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/03 ver art. 8° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03).Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 18 17 previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (240100513, sessão de 08/07/2009) Notamos que a posição oposta a que adotamos, ou seja, a posição que entende aplicável a penalidade prevista na Lei 8.212/91 igualmente adota o critério da especialidade, mas o faz considerando o tributo e não a infração em si. O cerne do argumento reside no fato de que é a Lei 8.212/91 a lei específica para a obrigação principal das contribuições previdenciárias e, portanto, é esta que deve ser aplicada na fiscalização de tais tributos. Data vênia, não vemos mérito em tal argumento, tendo em vista que a referida obrigação acessória ou dever instrumental pretende fornecer à fiscalização os meios necessários para a aplicação do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). A partir da fusão entre a Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal, com a Lei 11.457/2007, a fiscalização das contribuições previdenciárias restou unificada com a fiscalização dos demais tributos federais, portanto, não há qualquer sentido em manter penalidades distintas para o descumprimento de obrigação acessória que objetiva fornecer meios para o mesmo órgão fiscalizador. A penalidade deve ser idêntica para todos os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e deve corresponder àquela constante do art. 12 da Lei 8.218/91 prevista especificamente para a infração de deixar de apresentar ou apresentar com vícios os arquivos digitais. Tal raciocínio, no entanto, só pode ser aplicado para fatos geradores das contribuições previdenciárias posteriores à entrada em vigor da Lei 11.457/2007 – 05/2007, por conta do art. 105 do CTN. Sobre esse aspecto da questão transcrevemos trecho da Solução de Consulta nº 5: “20.3 (...) não há razão para que, numa mesma fiscalização, a RFB aplique multas distintas para o mesmo tipo de infração. Ademais devese atentar para o fato de que, desde a criação da RFB, a política do órgão sempre foi no sentido unificar procedimentos,e a aplicação dos dispositivos da Lei 8.218, de 2001, à fiscalização das contribuições previdenciárias vai ao encontro deste anseio.” Não desconhecemos que a penalidade prevista no art. 12 da Lei 8.218/91 é bastante gravosa, mas a discussão de eventual violação à proporcionalidade ou existência de efeito confiscatório não pode ser feita na seara administrativa em virtude do art. 26A do Decreto 70.235/72. Entretanto, nessa discussão não deverá passar sem ser notado que ao utilizar meios digitais para sua escrituração, o sujeito passivo poderia erguer barreiras intransponíveis para a fiscalização ao se negar a apresentar os arquivos e sistemas, ou ao apresentálos em formas que dificultem a atuação das ferramentas que auxiliam a autoridade fiscal. Essa questão poderia equivaler, na era analógica na qual tudo era registrado em papel, ao registro das operações em língua desconhecida (russo ou mandarim, por exemplo) ou em código, de modo a impossibilitar a compreensão da fiscalização. Assim como na era analógica exigiase o registro na língua pátria e obedecendo a certas regras, na era digital deverão ser Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13864.000508/201070 Acórdão n.º 2301003.466 S2C3T1 Fl. 19 18 respeitadas algumas formalidades. Por outro lado, um simples problema de código que não impossibilite a compreensão dos dados poderia dar ensejo a penalidade tão gravosa? São questões que a seu tempo poderão ser respondidas pelo Poder Judiciário, tendo em vista as limitações impostas legalmente ao processo administrativo. Por oportuno, é de ser registrado que, a partir de 11/2008, considerando a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 no lançamento de ofício das contribuições previdenciárias determinada pela MP 449, se a infração apurada for a não apresentação no prazo marcado dos arquivos digitais e houver o lançamento de obrigação principal no mesmo período, a penalidade aplicável corresponderá ao agravamento da multa de ofício, conforme previsão do §2º, inciso II, do art. 44 da Lei 9.430/96. Assim, concluímos que, em regra, para fatos geradores a partir de 05/2007 data da entrada em vigor da Lei 11.457/2007 – é o art. 12 da Lei 8.218/91 o dispositivo aplicável para quantificar a penalidade para a infração de deixar de apresentar, ou apresentar em desacordo com a forma ou o prazo previsto na legislação, os sistemas de processamento eletrônico de dados utilizados para registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado d igitalmente em 30/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10280.720234/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
A soberania do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal permite o manejo dos embargos de declaração para, além de sanar contradição entre o resultado do julgamento e o voto condutor, registrar no texto do acórdão o restabelecimento de parte da exigência nos termos decididos quando da apreciação do recurso de ofício.
PIS. COFINS. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
Tratando-se de contribuições com período de apuração mensal, a exigência formalizada trimestralmente deve ser reduzida ao valor tributável correspondente apenas ao mês de encerramento de cada um dos trimestres (31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003).
Numero da decisão: 1402-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vican e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. A soberania do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal permite o manejo dos embargos de declaração para, além de sanar contradição entre o resultado do julgamento e o voto condutor, registrar no texto do acórdão o restabelecimento de parte da exigência nos termos decididos quando da apreciação do recurso de ofício. PIS. COFINS. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Tratandose de contribuições com período de apuração mensal, a exigência formalizada trimestralmente deve ser reduzida ao valor tributável correspondente apenas ao mês de encerramento de cada um dos trimestres (31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vican e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 02 34 /2 00 7- 14 Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10280.720234/200714 Acórdão n.º 1402001.384 S1C4T2 Fl. 3.047 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Versa o presente processo sobre os Autos dc Infração de fls. 459 a 489, referente aos lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, com reflexo no Programa de Integração Social PIS, na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e na Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, apurados no anocalendário 2003, no valor total de R$ 63.486.053,9 (fl. 459), incluindo o principal (IRPJ, PIS, CSLL e COFINS), a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 29/02/2008. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 24/03/2008 (fl. 491). A infração tem fundamento na omissão de receita caracterizada pela não comprovação e não escrituração da origem c aplicação dos recursos movimentados em contas correntes bancárias. O contribuinte apresentou sua impugnação aos lançamentos em 16/04/2008, (fls. 496 a 512), na qual alegou em síntese que: 1. Em momento algum o autuado ofereceu ou consentiu serem fornecidos dados dos depositantes de valores em sua conta corrente. Por isso, essa informação obtida pela auditora fiscal goza de ilegalidade, porquanto fere o intangível sigilo bancário, causando nulidade à prova obtida e conseqüentemente inexistência de qualquer indício que possa fundar a pretensão de lançamento; 2. Houve descumprimento pelo autuado do dever acessório de escriturar contábil e fiscalmente os elementos de apuração do lucro real, hipótese fática prevista no inciso do art. 530, autorizando; com isso, o arbitramento; 3. A tomada das movimentações financeiras sem aplicação de índice de arbitramento, caso se entenda possível, deve considerar as despesas operacionais do contribuinte. Por fim, solicita que seja declarada a nulidade absoluta do auto de infração porque repousa sobre provas ilícitas (todas obtidas com violação ao sigilo bancário), ou não sendo este o entendimento, que seja reduzido o valor da autuação porque foi ignorada as disposições legais pertinentes ao arbitramento do lucro. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, apreciou a impugnação na sessão realizada em 12/06/2008 e prolatou o Acórdão 0111.227 dandolhe integral provimento. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I RPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. LUCRO REAL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO. Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10280.720234/200714 Acórdão n.º 1402001.384 S1C4T2 Fl. 3.048 3 Se a escrituração contábil não merece fé ou não foi apresentada, a legislação tributária determina que seja arbitrado o lucro, aplicandose o coeficiente estabelecido em lei. PIS E COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. VICIO MATERIAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O lançamento que não observou o correto período de apuração, transformando de mensal para trimestral o período de apuração, contém vicio de ordem material,portanto, deve ser declarado improcedente. O Órgão julgador recorreu de ofício da decisão. Em primeira apreciação, a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção prolatou o Acórdão 110200.247 negando provimento ao recurso. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração suscitando contradição no acórdão, tendo em vista que o no bojo do voto condutor constou manifestação pelo provimento parcial ao recurso com o restabelecimento parcial da exigência do IRPJ e da CSLL, a partir da aplicação do coeficiente de arbitramento sobre a receita considerada omitida. Os embargos de declaração foram apreciados pela turma julgadora que admitiu o equívoco e prolatou o Acórdão 110200.447. Nessa decisão foi esclarecido que na verdade a turma havia decidido em plenário pela manutenção do Acórdão recorrido no que se refere ao IRPJ e CSLL e pelo provimento parcial do recurso de ofício no que tange às exigências do PIS e da Cofins, restabelecendo a exigência dessas contribuições nos meses de encerramento de cada trimestre tendo como base de cálculo a receita tida como omitida em cada um desses meses. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a este Colegiado onde ratifica, em essência, as razões expedidas na peça impugnatória. Acrescentou, pelas razões expostas no recurso, que os embargos de declaração não teria sustentabilidade jurídica para modificar o acórdão original. É o relatório. Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10280.720234/200714 Acórdão n.º 1402001.384 S1C4T2 Fl. 3.049 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade motivo pelo qual dele conheço A primeira questão a ser apreciada, como prejudicial do mérito, consiste na alegada impossibilidade dos embargos de declaração alterarem o teor da decisão. Nesse ponto, tendo em vista a primazia do princípio da verdade material no âmbito do processo administrativo fiscal, meu posicionamento como regra geral seria favorável ao manejo dos embargos de declaração com vistas a darlhes efeitos infringentes para adequar a decisão hostilizada à realidade dos autos. No presente caso, temse uma situação um pouco diferente. Isso porque os embargos apresentados pela Fazenda Nacional não questionavam a decisão em si mas apenas o fato do resultado indicar a negativa de provimento ao recurso enquanto no bojo do voto condutor constava a indicação de provimento parcial. Em nenhum momento a embargante faz qualquer consideração no que se refere ao mérito da decisão. Admitido os embargos, a relatora não apenas reconheceu a contradição como também ressalta que o registro da decisão estava divergente do decidido em plenário. Assim, não houve modificação no resultado do julgamento mas sim a correção do registro desse resultado. Portanto, não vislumbro qualquer irregularidade na decisão quanto a esse ponto. Em relação à inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, na verdade os extratos bancários foram fornecidos pela interessada. Em petição datada de 28/02/2007 dirigida à autoridade fiscal o sujeito passivo assim se pronuncia (fl.19) (destaque acrescido): SUPER POSTO DOIS MIL LTDA, firma com sede em Marituba Pa, sito a Rod. BR 316, IC.m 11, s/n°, inscrita no CNPJ n.° 83.324.921/000137 , vem através desta entregar parte da documentação do Termo de Inicio de Fiscalização de n.° 0210100/00173/07, sendo entregue nesta data os Extratos dos Bancos Rural e Bradesco. Especificamente no que se refere ao Banco Bradesco, a solicitação dos extratos à instituição financeira visava apenas a obtenção em meio magnético, para facilitar a auditoria, das mesmas informações anteriormente fornecidas pelo sujeito passivo. Os demais documentos requeridos ao Banco Bradesco (documentos de lançamento a crédito e a débito superiores a R$20.000,00 referentes à movimentação do Super Posto 2000) não tiveram qualquer utilização na apuração da exigência. Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10280.720234/200714 Acórdão n.º 1402001.384 S1C4T2 Fl. 3.050 5 Assim, não vejo irregularidades na utilização das informações bancárias. No mérito, após a decisão que apreciou os embargos de declaração, restou a ser apreciada a exigência concernente ao PIS e à Cofins em alguns meses do anocalendário. Tendo em vista que a base de cálculo dessas contribuições é o faturamento e não o lucro, as razões de defesa suscitando a necessidade de apuração por arbitramento envolvem a tributação do IRPJ e da CSLL, matéria que não integra mais a lide em função do cancelamento da exigência pela decisão da primeira instância julgadora, mantida nessa parte pelo CARF. Em relação à consideração dos depósitos não justificados como receita, trata se de disposição literal da norma que estabeleceu a presunção legal (art. 42 da Lei n° 9.430/96) motivo pelo qual não merece questionamentos. Sob esse prisma, de todo o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. A exigência remanescente pode ser assim resumida: Fato gerador Valor tributável Valor devido PIS Valor devido Cofins multa 31/03/2003 4.345.452,42 71.699,96 130.363,57 112,50% 30/06/2003 5.416.914,72 89.379,09 162.507,44 112,50% 30/09/2003 4.656.955,36 76.839,76 139.708,66 112,50% 31/12/2003 5.645.793,94 93.155,60 169.373,82 112,50% (Assinado Digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10280.720234/200714 Acórdão n.º 1402001.384 S1C4T2 Fl. 3.051 6 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Minha declaração de voto diz respeito à exigência do PIS e da Cofins. Tanto em relação ao PIS (fl. 521), quanto em relação à Cofins (fl. 527), a autoridade fiscal apontou os seguintes fatos geradores, base de cálculo e multa: Fato gerador Base de cálculo Multa 31/3/2003 12.086.726,76 112,5% 30/6/2003 14.189.247,64 112,5% 30/9/2003 16.720.624,29 112,5% 31/12/2003 16.281.917,74 112,5% Como bem observou a decisão da DRJ, é incabível a constituição de crédito tributário sem que se observe a norma de incidência tributária que o institui, tanto no que diz respeito ao antecedente (critério material, temporal e espacial), assim como ao consequente, este, conforme figura abaixo, constituído de critério subjetivo (sujeito ativo e sujeito passivo) e o critério qualitativo (base de cálculo/alíquota. Sempre que o lançamento deixar de observar um dos elementos acima que integram a norma de incidência tributária, estarseá diante de ato que não possui aptidão para constituir crédito tributário. Não é possível conceber um lançamento, por exemplo, o critério material, espacial e qualitativo1. Interessa ao exame da exigência do PIS e da Cofins o exame dos critérios temporal e qualitativo (base de cálculo/alíquota). O critério temporal pode dizer respeito a fatos geradores instantâneos ou complexivos. Quando se refere a fatos geradores complexivos temse uma cadeia de atos que resultam num único evento, sobre o qual incide a regra tributária. A constituição do fato 1 Não confundir critério material com critério qualitativo. Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10280.720234/200714 Acórdão n.º 1402001.384 S1C4T2 Fl. 3.052 7 gerador dito complexivo pode ser comparado ao percurso de uma maratona, identificada por um ponto de partida e outro de chegada. No percurso os atletas executam inúmeros passos que os conduzem à linha de chegada. Contudo, o que interessa ao resultado da prova é o passo no qual o primeiro atingir a linha de chegada. Este conjunto de passos, do início ao fim da corrida, para efeitos de trajeto, constituise num todo indissociável, qual seja, o percurso. Para efeito de percurso, havendo um marco inicial e outro final, não se pode considerar apenas os últimos passos, como se fossem dissociáveis do restante do trajeto. Idêntico raciocínio aplicase ao PIS e a Cofins. Se a norma estabelece que há que se observar o faturamento mensal, não se pode considerar as receitas somente da última semana do mês e, tampouco, se pode considerar o faturamento trimestral ou anual. Tal procedimento importaria em violação do critério temporal, fixado nos artigos 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 1990, e artigo 2º, da Lei nº 9.715, de 1998, a seguir transcritos: Lei Complementar n°70/1991. Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às d3s atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei n°9.715/1998. .... Art. 22 A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: No caso dos autos, tanto em relação ao PIS quanto à Cofins, conforme se verifica das fls. 521 e 527, a autoridade, em relação ao aspecto temporal, violando as disposições da Lei, estabeleceu período de apuração trimestral e adotou como base de cálculo a correspondente ao IRPJ e da CSLL. Conforme dito anteriormente, o lançamento tributário, para ser ato jurídico válido, necessita observar os critérios contidos na regramatriz de incidência. Violado qualquer um destes critérios o lançamento estará viciado e não produz aptidão para constituir o crédito tributário. No caso dos autos, por exemplo, não se tem lançamento de crédito tributário, em relação ao PIS e a Cofins, que tenha utilizado nos meses de março, junho, setembro e dezembro como critério qualitativo os valores apontados no voto vencedor. Este entendimento restou vencido no Colegiado, mas implicaria no cancelamento integral da exigência. (assinado digitalmente) MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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