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Numero do processo: 10830.015888/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005, 2006
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DA INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade sem prejuízo à parte. O auto de infração delimitou perfeitamente os fatos ocorridos, possibilitando a identificação dos créditos bancários, tomados individualmente, que compõem o total dos rendimentos tributáveis omitidos.
SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO FISCAL.
É legítimo o lançamento efetuado com base em extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, titular da conta mantida em instituição financeira, após regularmente intimado pela autoridade fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
Com relação à omissão de rendimentos fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, o fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
(Súmula CARF nº 38)
DILIGÊNCIA. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS.
No âmbito do contencioso administrativo fiscal, a diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção em lei de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e a natureza dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FASE DO LANÇAMENTO.
A mera afirmação do contribuinte de que exerce determinada atividade de comércio, desprovida de embasamento em suporte documental, mesmo que identificado um ou outro depositante, não se mostra suficiente para comprovar a origem dos depósitos bancários.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DESNECESSIDADE.
Com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para fins da omissão de rendimentos fundada em depósitos bancários, a autoridade tributária ficou dispensada de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pela pessoa física.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FASE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Transposta a fase de autuação, sem comprovação da procedência e natureza dos depósitos bancários, torna-se inviável efetuar a reclassificação dos rendimentos, para fins de aplicação das normas de tributação específica. Somente há de ser acolhida a improcedência do lançamento fiscal quando demonstrado que os valores em causa não são tributáveis ou já sofreram a tributação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DE FORMA INDIVIDUALIZADA.
Formalizado o auto de infração opera-se a inversão do ônus probatório, cabendo ao autuado apresentar provas hábeis e suficientes a afastar a presunção legal em que se funda a exação fiscal. A comprovação da origem de cada depósito deve ser feita de forma individualizada, evidenciada a correspondência, em data e valor, com o respectivo suporte documental apresentado para elisão da presunção legal de omissão de rendimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIOS. VALORES IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SÚMULA CARF Nº 61.
Os depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não são considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física, desde que o somatório deles não ultrapasse o montante de R$ 80.000,00, em cada ano-calendário.
(Súmula CARF nº 61)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES DECLARADOS. ISENTOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. NÃO TRIBUTÁVEIS.
No caso de valores declarados como isentos, de tributação exclusiva na fonte ou não tributáveis, aplica-se a regra geral de comprovação da sua origem, mediante documentação específica. Além disso, cabe ao contribuinte demonstrar que fazem parte do rol de depósitos bancários de origem não comprovada do auto de infração.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
(Súmula CARF nº 108)
Numero da decisão: 2401-008.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e André Luis Ulrich Pinto que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos isentos e não tributáveis e os sujeitos à tributação exclusiva declarados nas DAA dos anos-calendário objeto de autuação.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo e André Luís Ulrich Pinto (suplente convocado).
Nome do relator: Cleberson Alex Friess
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005, 2006 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DA INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem prejuízo à parte. O auto de infração delimitou perfeitamente os fatos ocorridos, possibilitando a identificação dos créditos bancários, tomados individualmente, que compõem o total dos rendimentos tributáveis omitidos. SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO FISCAL. É legítimo o lançamento efetuado com base em extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, titular da conta mantida em instituição financeira, após regularmente intimado pela autoridade fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. Com relação à omissão de rendimentos fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, o fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38) DILIGÊNCIA. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, a diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção em lei de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e a natureza dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FASE DO LANÇAMENTO. A mera afirmação do contribuinte de que exerce determinada atividade de comércio, desprovida de embasamento em suporte documental, mesmo que identificado um ou outro depositante, não se mostra suficiente para comprovar a origem dos depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DESNECESSIDADE. Com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para fins da omissão de rendimentos fundada em depósitos bancários, a autoridade tributária ficou dispensada de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pela pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FASE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Transposta a fase de autuação, sem comprovação da procedência e natureza dos depósitos bancários, torna-se inviável efetuar a reclassificação dos rendimentos, para fins de aplicação das normas de tributação específica. Somente há de ser acolhida a improcedência do lançamento fiscal quando demonstrado que os valores em causa não são tributáveis ou já sofreram a tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DE FORMA INDIVIDUALIZADA. Formalizado o auto de infração opera-se a inversão do ônus probatório, cabendo ao autuado apresentar provas hábeis e suficientes a afastar a presunção legal em que se funda a exação fiscal. A comprovação da origem de cada depósito deve ser feita de forma individualizada, evidenciada a correspondência, em data e valor, com o respectivo suporte documental apresentado para elisão da presunção legal de omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIOS. VALORES IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não são considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física, desde que o somatório deles não ultrapasse o montante de R$ 80.000,00, em cada ano-calendário. (Súmula CARF nº 61) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES DECLARADOS. ISENTOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. NÃO TRIBUTÁVEIS. No caso de valores declarados como isentos, de tributação exclusiva na fonte ou não tributáveis, aplica-se a regra geral de comprovação da sua origem, mediante documentação específica. Além disso, cabe ao contribuinte demonstrar que fazem parte do rol de depósitos bancários de origem não comprovada do auto de infração. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. (Súmula CARF nº 108)
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AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DA INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem prejuízo à parte. O auto de infração delimitou perfeitamente os fatos ocorridos, possibilitando a identificação dos créditos bancários, tomados individualmente, que compõem o total dos rendimentos tributáveis omitidos. SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO FISCAL. É legítimo o lançamento efetuado com base em extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, titular da conta mantida em instituição financeira, após regularmente intimado pela autoridade fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. Com relação à omissão de rendimentos fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, o fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do ano- calendário. (Súmula CARF nº 38) DILIGÊNCIA. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, a diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção em lei de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e a natureza dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 58 88 /2 00 9- 11 Fl. 696DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FASE DO LANÇAMENTO. A mera afirmação do contribuinte de que exerce determinada atividade de comércio, desprovida de embasamento em suporte documental, mesmo que identificado um ou outro depositante, não se mostra suficiente para comprovar a origem dos depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DESNECESSIDADE. Com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para fins da omissão de rendimentos fundada em depósitos bancários, a autoridade tributária ficou dispensada de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pela pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FASE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Transposta a fase de autuação, sem comprovação da procedência e natureza dos depósitos bancários, torna-se inviável efetuar a reclassificação dos rendimentos, para fins de aplicação das normas de tributação específica. Somente há de ser acolhida a improcedência do lançamento fiscal quando demonstrado que os valores em causa não são tributáveis ou já sofreram a tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DE FORMA INDIVIDUALIZADA. Formalizado o auto de infração opera-se a inversão do ônus probatório, cabendo ao autuado apresentar provas hábeis e suficientes a afastar a presunção legal em que se funda a exação fiscal. A comprovação da origem de cada depósito deve ser feita de forma individualizada, evidenciada a correspondência, em data e valor, com o respectivo suporte documental apresentado para elisão da presunção legal de omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIOS. VALORES IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não são considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física, desde que o somatório deles não ultrapasse o montante de R$ 80.000,00, em cada ano-calendário. (Súmula CARF nº 61) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES DECLARADOS. ISENTOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. NÃO TRIBUTÁVEIS. No caso de valores declarados como isentos, de tributação exclusiva na fonte ou não tributáveis, aplica-se a regra geral de comprovação da sua origem, mediante documentação específica. Além disso, cabe ao contribuinte Fl. 697DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 demonstrar que fazem parte do rol de depósitos bancários de origem não comprovada do auto de infração. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. (Súmula CARF nº 108) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e André Luis Ulrich Pinto que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos isentos e não tributáveis e os sujeitos à tributação exclusiva declarados nas DAA dos anos-calendário objeto de autuação. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo e André Luís Ulrich Pinto (suplente convocado). Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 12-61.243, de 12/11/2013, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente a exigência do crédito tributário lançado em nome da pessoa física (fls. 622/638): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 698DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 A fiscalização encaminhou sim ao sujeito passivo o demonstrativo com os depósitos individualizados para que o contribuinte justificasse a origem. O contribuinte possui pleno direito de defesa que é exercido por meio da apresentação de sua impugnação, sendo tal defesa prevista na norma tributária. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei impõe exclusivamente ao sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos mantidos em conta bancária de sua titularidade, sendo obrigação do impugnante provar por meio de documentação hábil e idônea a procedência do depósito e a sua natureza. Tais elementos de prova devem coincidir em datas e valores com cada depósito que se pretenda comprovar. DEPÓSITOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SOMATÓRIO DE R$ 80.000,00. Nos termos do art. 42, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996, serão considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório ultrapassar o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Na lavratura do auto de infração os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 foram superiores a R$ 80.000,00, não cabendo excluí-los. ENQUADRAMENTO COMO PESSOA JURÍDICA. O próprio autuado afirmou à fiscalização que exercia atividade comercial de forma informal, não possuindo escrituração. Em nenhum momento o impugnante procurou recolher os impostos como pessoa jurídica, mas após a autuação na pessoa física procura se esquivar da tributação sob a alegação de que deveria ser enquadrado como pessoa jurídica. Ademais, não há nos autos prova de que os depósitos de origem não comprovada diriam respeito à atividade comercial do contribuinte. EXTRATOS BANCÁRIOS SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito ao Fisco solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independente de autorização judicial. De acordo com § 5º, do art. 2º, do Decreto nº 3.724/2001, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras. MOTIVAÇÃO PARA ACESSO A CONTA BANCÁRIA. A norma legal não impõe à autoridade tributária a comunicação ao sujeito passivo dos motivos que ensejaram o pedido de dados bancários do fiscalizado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O Auto de Infração não está cobrando juros sobre a multa de ofício. Fl. 699DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência quando a realização do mesmo se revele prescindível para que a autoridade julgadora possa formar a sua convicção. Impugnação Procedente em Parte Extrai-se do Termo de Verificação Fiscal que foi lavrado auto de infração referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros e multa de ofício, relativamente aos anos-calendário de 2005 e 2006, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme demonstrativo integrante do lançamento fiscal (fls. 03/12 e 13/27). Os depósitos bancários estão vinculados à movimentação da conta bancária mantida pelo contribuinte no Banco Itaú S/A (fls. 279/286 e 321/337). Cientificado da autuação em 25/11/2009, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 566/567 e 568/591). Intimado por via postal em 12/12/2013 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 13/01/2014, conforme carimbo de protocolo, no qual aduz os seguintes argumentos de fato e de direito para a reforma da decisão recorrida (fls. 640/644 e 646/676): (i) nulidade do lançamento fiscal, diante da ausência do demonstrativo individualizado dos depósitos bancários de origem não comprovada; (ii) a movimentação bancária tem origem na atividade empresarial desenvolvida pelo recorrente, voltada à compra de sucatas de pessoas físicas e à revenda dessas mercadorias tanto para pessoas físicas como pessoas jurídicas, ao longo do período fiscalizado; (iii) com base nas operações mercantis não é correta a conclusão que todos os recursos depositados/creditados na conta bancária do recorrente são rendimentos da pessoa física, tendo em vista a rotina de aquisição de mercadorias para revenda; (iv) o exercício de atividade empresarial pelo recorrente, profissionalmente e em nome próprio, atrai a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, para fins de tributação do imposto de renda; Fl. 700DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 (v) quando não se dispõe de escrituração contábil regular para demonstrar o lucro real do período fiscalizado, a pessoa jurídica deverá ser tributada com base no lucro arbitrado; (vi) o acesso aos dados bancários da pessoa física realizou-se de maneira ilegal, ao arrepio da legislação, ainda mais quando há impossibilidade de quebra do sigilo bancário diretamente pela administração tributária; (vii) o lançamento fiscal adotou como momento da ocorrência do fato gerador o dia 31 de dezembro do ano- calendário, e não o mês do recebimento da renda; (viii) os depósitos bancários não corporificam fato gerador do imposto de renda, na medida em que seu fluxo pelas contas bancárias do recorrente é desprovido da conotação de acréscimo patrimonial. Não é possível fazer correlação lógica, direta e segura entre depósitos bancários e omissão de rendimentos tributáveis; (ix) por ocasião do auto de infração não se levou em consideração os valores dos rendimentos declarados pelo recorrente para os anos-calendário de 2005 e 2006, para efeito da apuração da base de cálculo da exigência fiscal; (x) a fiscalização sequer desconsiderou os valores relativos à “devolução de cheques depositados”; (xi) os depósitos bancários com valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 devem ser excluídos da base de cálculo do auto de infração; (xii) na hipótese de remanescer dúvida acerca da natureza do ingresso de recursos na conta corrente do contribuinte, o órgão julgador poderá determinar a realização de diligência nas empresas indicadas, com a finalidade de confirmação da sua atividade comercial; e (xiii) é indevida a incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Fl. 701DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Juízo de Admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares Como questões preliminares ao exame do mérito, o recurso voluntário faz alusão a alguns vícios processuais e materiais. Na sequência, passo a examiná-los. De início, alega o cerceamento do direito de defesa, ante a falta do demonstrativo que lista, de maneira individualizada, os depósitos que a autoridade fiscal entendeu sem comprovação de origem. No entanto, o acórdão recorrido bem ressaltou que a autoridade fiscal intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários de maneira individual, a partir dos dados dos extratos bancários, com identificação da conta, das datas e dos valores de cada um dos depósitos/créditos (fls. 279/286 e 321/337). Em todas as respostas, o contribuinte declarou que, por ora, não havia a possibilidade de comprovar individualizadamente os depósitos e/ou créditos efetuados nos anos- calendário (fls. 287/288 e 359/360). A fiscalização tributária não elaborou o demonstrativo mensal dos depósitos bancários omitidos desconectado do procedimento fiscal. Pelo contrário, os dados consolidados do auto de infração estão claramente vinculados ao histórico de intimações e respostas, em que o agente fazendário relatou, com detalhes e de forma cronológica, todos os fatos relevantes ocorridos na auditoria fiscal, até mesmo os demonstrativos com os depósitos bancários listados individualmente (fls. 13/27). Seguem trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16, 20 e 24): (...) 14. Em 20/02/2009, tomando como base as informações contidas na planilha elaborada referente ao ano de 2005, foi o fiscalizado intimado a "comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, as origens dos recursos que possibilitaram as realizações dos depósitos/créditos na referida conta bancária". (...) 28. Em 02/10/2009, após análise dos documentos e justificativas apresentadas, e feita a conciliação entre os depósitos efetuados durante o ano de 2006 até o dia 31/12/2006, o fiscalizado tomou ciência do "Termo de Reintimação -AC/2006" lavrado em 29/09/2009, para comprovar: (...) 29. Pela leitura de todo o exposto neste Termo Fiscal pode ser concluído que trata a presente fiscalização em solicitar ao contribuinte esclarecimento no sentido de Fl. 702DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, as origens dos recursos que possibilitaram as realizações dos depósitos/créditos efetuados nos anos calendário de 2005 e 2006, 110 no Banco Itaú, Ag.1419, cc/39187-3, conta de sua titularidade. (...) Os rendimentos considerados omitidos foram apurados na forma a seguir relatada: Inicialmente foram elaboradas planilhas relacionando todos os depósitos/créditos efetuados no Banco Itaú, Ag.1419-cc/39187-3, nos anos calendário 2005 e 2006. Estas Planilhas foram elaboradas a partir dos extratos fornecidos pelo próprio fiscalizado. A partir destas planilhas foi elaborada uma nova planilha totalizando mensalmente os rendimentos considerados omitidos e que se encontra a seguir reproduzida. Os valores mensais nesta planilha serviram de base de cálculo a lavratura do Auto de Infração. (...) Os valores mensais do auto de infração para os depósitos bancários totalizam o montante de R$ 5.642.636,91 e R$ 9.059.047,05, respectivamente, para os anos-calendário de 2005 e 2006 (fls. 24/27). Exatamente os mesmos valores das intimações enviadas ao contribuinte com os demonstrativos de créditos bancários a comprovar a origem, discriminados individualmente (fls. 279/286 e 321/337). A toda a evidência, apega-se o contribuinte a um pormenor na tentativa de invalidar o lançamento fiscal, em detrimento da realidade dos fatos. Por um lado, a autoridade autuante deixou de juntar o demonstrativo com os depósitos bancários tomados individualmente no auto de infração. Porém, de outro, não pairava qualquer incerteza sobre o conjunto de valores objeto de investigação fiscal, tendo o contribuinte pleno conhecimento dos créditos a que cabia demonstrar a sua origem, de forma individual, obtidos dos extratos de sua conta no Banco Itaú S/A, cujo demonstrativo havia sido anteriormente lhe enviado pela fiscalização. Na tentativa de convencer que desconhece a relação individualizada dos depósitos/créditos considerados pela autoridade tributária, o contribuinte menospreza os fatos, como se não fosse possível de maneira célere e transparente identificar, um a um, os créditos bancários que integram a base de cálculo do lançamento fiscal, a partir de uma simples comparação entre os Termos de Intimação, e seus anexos, e a consolidação mensal dos depósitos do auto de infração, especificado no Termo de Verificação Fiscal. Não há decretação de nulidade sem prova do prejuízo à parte. A descrição dos fatos encontra-se perfeitamente delimitada no auto de infração, a partir do relato das provas nas quais está pautado, de sorte que o recurso voluntário não demonstra, efetivamente, o dano sofrido pelo autuado que lhe obstou o pleno exercício do seu direito de defesa, mediante contraditório e ampla defesa. Também cogita o apelo recursal que o acesso aos dados bancários do autuado ocorreu de maneira ilegal, ao arrepio da legislação, na medida em que o sigilo bancário está sob reserva do Poder Judiciário. Fl. 703DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Foi o próprio contribuinte que forneceu os extratos bancários à autoridade fiscal, em atendimento às intimações. É dever a fiscalização federal tomar as providências para identificação dos rendimentos dos contribuintes, de modo a verificar o cumprimento das obrigações tributárias. Não se trata, portanto, de requisição de dados e informações às instituições financeiras, a que alude o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que regulamenta o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. A propósito, o exame dos extratos bancários está plenamente justificado nos autos, levando-se em consideração os indícios de movimentação financeira, por meio da conta mantida no Banco Itaú S/A, em patamar muito superior aos rendimentos declarados pelo contribuinte para os anos-calendário de 2005 e 2006 (fls. 26/27 e 31/32). De qualquer maneira, cabe recordar que a questão do sigilo bancário, não faz muito tempo, foi objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. Na sessão do dia 24/02/2016, o Pleno concluiu, por maioria, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil na sua atividade fiscalizatória pode acessar dados bancários fornecidos diretamente pelas instituições financeiras sem necessidade de prévia ordem judicial, com base no art. 6º da LC nº 105, de 2001. Nas hipóteses previstas em lei, não há ofensa ao direito ao sigilo bancário protegido pela Constituição de 1988. Para melhor visualização do decidido pelo Tribunal Constitucional, reproduzo parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (...) 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. (...) 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) Fl. 704DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Como última questão preliminar, o recorrente aponta outra nulidade insanável no auto de infração, já que a fiscalização incorreu em erro na determinação do aspecto temporal do fato gerador. Em defesa do seu ponto de vista, reproduz os §§ 1º e 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para defender a tributação mensal, e não uma única data para o fato gerador em cada ano fiscalizado. Pois bem. Essa questão, após longo debate, não mais comporta discussão no âmbito deste Tribunal Administrativo, em virtude do enunciado nº 38, assim vazado: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Mérito O recorrente aduz que, isoladamente, os depósitos bancários não permitem a aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, na medida em que a movimentação financeira somente pode ser utilizada quando aliada a sinais exteriores de riqueza e/ou acréscimo patrimonial para o titular da conta bancária. Entretanto, cuida-se de alegações de defesa que não se sustentam em face do conteúdo explícito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que admite o lançamento tomando-se por base exclusivamente os depósitos bancários: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Como se observa do dispositivo de lei, tem-se configurada omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, depois de regularmente intimado pela fiscalização, deixa de comprovar a origem dos recursos financeiros nela creditados. Dada a força probatória dos extratos bancários, recai sobre o contribuinte o ônus de apresentar documentação hábil e idônea a comprovar a origem dos depósitos, sob pena de caracterizar-se omissão de rendimentos tributável. Para alcançar a eficácia na prova da origem dos depósitos bancários, há que se entendê-la na acepção de comprovação da procedência e da natureza do crédito em conta. Fl. 705DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 A Lei nº 9.430, de 1996, revogou o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, abaixo reproduzido: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico exigia-se a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. Com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário ficou dispensado de demonstrar, a partir dos fatos geradores do ano de 1997, a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte. Para o lançamento tributário com base nesse dispositivo de lei nem mesmo há necessidade de descortinar a origem do crédito bancário na obtenção de riqueza nova pelo titular da conta ou mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na mesma linha de entendimento sobre a matéria, confira-se o enunciado sumulado nº 26 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No contencioso administrativo fiscal, é matéria pacífica a validade do lançamento de ofício calcado na presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A título exemplificativo, a ementa do julgado abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2003 (...) IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI N° 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, corno ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que Fl. 706DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) (CARF, 2ª Seção/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2102-01.616, de 25/10/2011). A alegação de imprestabilidade do depósito bancário como sinônimo de renda, com fulcro na Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos, não é pertinente ao presente lançamento fiscal. Com efeito, o enunciado tem por fundamento dispositivos legais anteriores à publicação da Lei nº 9.430, de 1996, quando não havia a previsão legal de omissão de rendimentos fundada em depósitos bancários de origem não comprovada. Para os anos-calendário de 2005 e 2006, o contribuinte reitera que desenvolvia a atividade empresarial de comercialização de sucatas adquiridas de pessoas físicas, em que revendia as mercadorias para pessoas físicas e jurídicas, na mesma quantidade comprada/recebida. Segundo afirma, a atividade de comércio de sucatas é fato incontroverso e reconhecida no próprio Termo de Verificação Fiscal. O apelante reproduz a legislação tributária para destacar o equívoco no lançamento fiscal. A pessoa física que explora em nome próprio e com a finalidade de lucro a atividade de comercialização de sucatas está equiparada à pessoa jurídica, para fins de incidência do imposto de renda. Pois bem. Com base nas várias respostas do contribuinte, o agente fiscal reconheceu que os ingressos de recursos em conta bancária poderiam ser decorrentes da venda de sucatas. Contudo, não quer dizer que a origem, na acepção de fonte e natureza, de todo e qualquer crédito bancário havia sido comprovada pelo titular da conta, para fins de afastar o lançamento como presunção legal de omissão de rendimentos (fls. 20). Por certo, a venda de sucatas pela pessoa física não é suficiente para a tributação do imposto de renda como pessoa jurídica. É imprescindível comprovar os requisitos da legislação, para fins de equiparação, mediante documentação apropriada, até porque o contribuinte, em momento algum, admitiu a incidência tributária com base na sistemática das pessoas jurídicas. Em resposta às intimações fiscais, o contribuinte assegurou tão só que exercia a atividade de coleta, compra e venda de sucatas em geral, em nome próprio, sendo esta a origem dos créditos e depósitos em sua conta bancária (fls. 305/306, 354/355 e 359/360). A afirmativa da pessoa física jamais teve respaldo em algum documento comprobatório do exercício dessa atividade, tais como notas fiscais, recibos, cheques, registros contábeis ou extra contábeis, entre outros elementos. O próprio contribuinte deixou inequívoco que realizava a atividade em completa informalidade e não escriturava a movimentação financeira, por entender desobrigado do registro das operações. Ao final dos trabalhos, o agente fiscal concluiu que as alegações do contribuinte estavam desprovidas de embasamento em suporte documental. Senão vejamos um trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 21): Fl. 707DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 (...) 33. Considerando que foram solicitados ao fiscalizado a prestar todos os esclarecimentos necessários que informassem as origens dos recursos que lhe possibilitou a realização de todos os depósitos/créditos na agencia bancária de sua titularidade mantida no Banco hall S/A, nos anos-calendário de 2005 e 2006; 34. Considerando que em todas as oportunidades concedidas ao fiscalizado para apresentação dos esclarecimentos solicitados ele apresentou sempre como respostas de que as origens dos recursos que possibilitaram os referidos depósitos/créditos naqueles anos calendários foram provenientes de compra e venda de sucatas para reciclagem, fruto da atividade que exercia; 35. Considerando, no entanto, que as alegações emanadas do fiscalizado nunca foram embasadas em documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores; 36. Considerando, ainda, que após análises efetuadas através de consulta ao Sistema que informa às Declarações ao Imposto de Renda da Pessoa Física referente aos anos calendário 2005 e 2005, exercícios 2006 e 2007 respectivamente, ficou demonstrado que o fiscalizado não declarou os valores depósitos/creditados na agencia do Banco Itaú. 37. Considerando, por todo exposto no presente Termo Fiscal, ficou configurada a omissão de rendimentos dos valores depositados/creditados relacionados neste Termo Fiscal porquanto suas origens não terem sido comprovadas. (...) Agiu bem a fiscalização. A mera afirmativa do exercício de uma atividade, mesmo que envolva uma ou outra indicação do responsável pelo depósito, como ora se cuida, não equivale a considerar comprovada a origem dos recursos em conta bancária, quando destituída de suporte documental válido para atestar a procedência e a natureza da movimentação bancária. O § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a tributação específica apenas quando os depósitos bancários tiverem a sua origem efetivamente comprovada pelo titular da conta bancária. Não é porque o contribuinte declara que exerce uma determinada atividade econômica e os extratos bancários trazem alguns nomes de pessoas jurídicas que efetuaram depósitos na sua conta corrente que a autoridade fiscal deve tomar a iniciativa de realizar diligências para investigar a natureza dos pagamentos. Por óbvio, tal medida representa uma subversão da produção probatória estabelecida em lei, a qual determina que o titular da conta bancária, depois de regularmente intimado pela fiscalização, deve comprovar a origem dos recursos financeiros nela creditados, mediante documentação hábil e idônea. No presente caso, o sujeito passivo não apresentou um rol de documentos e esclarecimentos que contradizem o conteúdo axiológico da presunção legal. Certamente, quando há suporte documental, a fiscalização com o seu poder investigatório possui o dever de aprofundar a auditoria para confirmar ou refutar a natureza dos fatos que lhe são apresentados e submetê-los, se for o caso, à tributação de acordo com as normas específicas. Fl. 708DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Na verdade, o contribuinte sempre se esquivou da exibição documental, com a alegação de que não dispunha de controles da sua atividade de comércio. Não competia ao agente fiscal realizar uma investigação mais apurada nas empresas indicadas pelo contribuinte para constatação da atividade empresarial por ele desenvolvida, pois o ônus pertence ao titular da conta bancária, que deve disponibilizar à fiscalização os documentos que identifiquem a procedência e a natureza dos depósitos bancários, individualmente considerados. Em sede do contencioso fiscal, a diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. Assinala o recorrente que seu pai, Raimundo Nonato Rodrigues, exercia a atividade de comércio em conjunto, constituindo ambos uma sociedade de fato, e contra si, igualmente, teve lavrado um auto de infração. Naquele julgamento do recurso voluntário, autuado sob o nº 10830.012206/2009-18, o auto de infração com base em depósitos bancários foi cancelado justamente pelo reconhecimento do exercício da atividade empresarial. Realmente, por meio do Acórdão nº 2101-02.082, julgado na sessão do dia de 20/06/2012, foi dado provimento ao recurso voluntário. Ocorre que a decisão foi reformada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevo, abaixo, trechos do voto vencedor do Acórdão nº 9202-003.678, de 09/12/2015, cujos fundamentos estão alinhados como o meu ponto de vista: (...) Noto, a propósito, que o referido art. 42 em nenhum momento autoriza que a mera prestação de informações, pelo contribuinte, abrangendo a indicação de depositantes e/ou a suposta origem dos recursos, mas sem a correspondente documentação hábil e idônea, possa afastar a aplicação da presunção ou mesmo reverta o ônus da prova por uma segunda vez, agora para o Fisco, a quem, na forma do recorrido, caberia, a partir de tais informações, um maior aprofundamento investigatório, hipótese que, repito, descarto a partir do teor da mencionada presunção juris tantum. Destarte, entendo que a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação exclusiva do contribuinte a ser feita através de documentação hábil e idônea, descartada a aceitação de meras alegações e indícios indiretos como forma de afastar a presunção. Ressalto ainda que, em meu entendimento, por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Tudo através de documentação hábil e idônea que comprove o alegado pelo contribuinte intimado (tais como notas fiscais), descartando-se a possibilidade de meras declarações escritas suprirem o desejado pelo legislador. Assim, uma vez devidamente caracterizado nos autos que o contribuinte foi extensivamente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias e que, no entanto, não se carreou aos autos nenhum documento que demonstrasse a origem (que não se confunde com a mera procedência) dos depósitos efetuados, escorreito o posicionamento da Fiscalização, no sentido de que fossem considerados tais depósitos como rendimentos omitidos, com fundamento no disposto no art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Com o propósito de provar, por amostragem, que a receita obtida com a atividade comercial de sucatas é muito menor do que aquela apurada pela fiscalização, o contribuinte anexou na impugnação planilhas contendo dados de recebimentos (vendas) e pagamentos (compras). Desse modo, afirma que o lucro da atividade não é o somatório apurado como rendimento tributável pela autoridade fiscal, uma vez que devem ser descontados os dispêndios efetuados ao longo de cada período (fls. 593/618). Em relação à possibilidade de comprovação da origem dos depósitos bancários na fase contenciosa objetivando a improcedência do lançamento fiscal, ela somente há de ser acolhida quando demonstrado que os valores em causa não são tributáveis ou já sofreram a tributação. De fato, transposta a fase de autuação, sem comprovação da procedência e natureza dos depósitos bancários, torna-se inviável efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para fins de aplicação das normas de tributação específica. O contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal; caso contrário, poderia livremente optar por comprovar a origem apenas em sede de contencioso administrativo, o que tornaria inócua a presunção legal. Uma vez lavrado o auto de infração, não é possível transmudar a incidência originária, com base na tabela progressiva, em nova incidência, mediante tributação específica, inclusive a equiparação à pessoa jurídica. Para fins da comprovação da origem de cada depósito, deve ser feita de forma individualizada, evidenciada a correspondência, em data e valor, com o respectivo suporte documental apresentado para elisão da presunção legal de omissão de rendimentos. Aliás, a respeito da documentação juntada aos autos na impugnação, o acórdão de primeira instância decidiu com propriedade (fls. 636/637): (...) Analisando-se os autos, observa-se que o contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos depósitos bancários nem tampouco que os mesmos tinham relação com a alegada atividade de compra e venda de sucatas. Não há no processo documentação que demonstre de fato a atividade profissional aduzida pelo contribuinte. Não é demais enfatizar que provar a origem de um determinado depósito significa necessariamente que seja provada a procedência e a natureza do crédito. Deve existir um vinculo, um nexo de causalidade entre os depósitos que se pretenda justificar e o elemento probatório, o que não ocorreu na presente hipótese. As planilhas juntadas pelo impugnante às fls. 593 a 618, sem que exista uma documentação comprobatória, não servem como meio de prova hábil. As compras de mercadorias listadas nas referidas planilhas não possuem nenhum nexo de causalidade com os depósitos de origem não comprovada. Também os recebimentos apontados nas mesmas planilhas, desacompanhados de elementos de prova material, não têm o condão de justificar a origem dos depósitos bancários. Além disso, vale repisar que a documentação probatória deve coincidir em data e valor com o depósito que se pretenda justificar. Fl. 710DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Cabe ainda destacar que não obstante o fato de o contribuinte não ter conseguido provar que os depósitos seriam de sua atividade comercial, é de se esclarecer que não há previsão legal para ser excluído do montante dos depósitos de origem não comprovada supostos dispêndios que teriam sido praticados pelo interessado. (...) Quanto à devolução de cheques depositados, a decisão de primeira instância também examinou a contestação do autuado e decidiu que cabia a exclusão de parte dos valores mencionados na impugnação. Em segunda instância, não houve novas razões de defesa para infirmar os fundamentos do acórdão. Para melhor compreensão do decidido por aquele colegiado, transcrevo a decisão de piso (fls. 637): (...) Quanto aos alegados cheques devolvidos, do ano-calendário de 2006, relacionados abaixo e apontados pelo contribuinte nas fls. 604, 605, 607, 610 a 614, 617 e 618, é de se observar que os mesmos não foram tributados pela fiscalização: a) R$ 94,80; R$ 51,55; R$ 221,20; R$ 1.198,00; R$ 1.092,26; R$ 262,00; R$ 94,80 e R$ 373,00 – não tributados conforme planilha da fiscalização à fl. 291. b) R$ 1.154,87; R$ 1.849,20; R$ 1.405,00; R$ 1.267,24 - não tributados conforme planilha da fiscalização à fl. 292. c) R$ 311,85; R$ 550,00; R$ 560,20; R$ 400,00; R$ 670,00; R$ 407,00 e R$ 576,85 - não tributados conforme planilha da fiscalização à fl. 294. d) R$ 560,20 e R$ 247,00 - não tributados conforme planilha da fiscalização às fl. 294 e 295. e) R$ 1.176,00; R$ 1.150,00 e R$ 294,50 - não tributados conforme planilha da fiscalização à fl. 295. Por isso, não há como abater os citados cheques da omissão apurada no ano-calendário de 2006. Resta razão ao contribuinte em referência aos depósitos em cheque de R$ 262,00 de 07/03/06; R$ 19.142,31 de 09/06/06 e R$ 18.589,69 de 09/06/06, tendo em vista que eles foram devolvidos, como verificado às fls. 207, 291, 294, 471 e 472, cabendo excluí-los do rol de depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário de 2006. (...) No tocante à exclusão dos valores declarados pelo contribuinte, o agente lançador já deduziu do montante omitido os rendimentos que foram oferecidos à tributação nas declarações de ajuste anual dos anos-calendário de 2005 e 2006 (fls. 25/27). Em contrapartida, para os valores declarados como isentos, de tributação exclusiva na fonte ou não tributáveis, aplica-se a regra geral de comprovação da origem, mediante documentação específica. Fl. 711DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Além de imprescindível a comprovação da fonte pagadora e natureza, é necessário demonstrar que os valores efetivamente integram a base de cálculo do lançamento fiscal, a partir da listagem de depósitos bancários do auto de infração. Em um e outro caso, o recorrente não se desincumbiu do ônus probatório. Também pleiteia o recorrente a dispensa da comprovação de pequenos depósitos, de quantia igual ou inferior a R$ 12.000,00. Tendo em conta que a maioria dos depósitos remanescentes são inferiores a tal expressão monetária, afirma inquestionável o direito de excluí- los da base de cálculo do lançamento, até porque estão abaixo do parâmetro fixado pelo legislador. Equivoca-se o autuado, contudo. Os limites fixados em lei para o lançamento de ofício com relação à pessoa física estão estipulados no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (...). As expressões monetárias acima foram alteradas pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, assim dispondo: Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Portanto, a exclusão da base de cálculo comporta os depósitos individuais de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que não ultrapassem o montante de R$ 80.000,00 no ano- calendário. Eis o enunciado da Súmula CARF n º 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano- calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. O simples exame visual do conjunto de depósitos bancários listados pela fiscalização como de origem não comprovada, que integram o auto de infração, é suficiente para se concluir que o somatório dos créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, extrapola o máximo de R$ 80.000,00, dentro de cada ano-calendário (fls. 279/286 e 321/337). Fl. 712DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2401-008.458 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.015888/2009-11 Finalmente, no que se refere à incidência de juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício aplicada, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), é matéria pacificada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 713DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10830.907581/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
FRETE. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
A transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos ou para armazéns geral, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002.
Numero da decisão: 3301-008.807
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento para reverter as glosas de frete interno. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Costa Marques dOliveira. Divergiu o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, para negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-008.795, de 22 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10830.907569/2012-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Antonio Marinho Nunes, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. FRETE. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. A transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos ou para armazéns geral, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento para reverter as glosas de frete interno. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira. Divergiu o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, para negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-008.795, de 22 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10830.907569/2012-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Antonio Marinho Nunes, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 75 81 /2 01 2- 35 Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de PER/DCOMP transmitido para declarar a compensação em razão da apuração de créditos decorrentes da obtenção de receitas não tributadas no mercado interno, nos termos dos artigos 17 da Lei n° 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005. A DRJ proferiu o Acórdão para julgar improcedente a manifestação de inconformidade e manter a totalidade das glosas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência quando não atendidos os requisitos para sua formulação, bem como quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros. Excluem-se do conceito de insumo: itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil etc.; Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 itens relacionados à atividade de revenda de bens; itens utilizados posteriormente à finalização dos processos de produção de bens e de prestação de serviços, salvo exceções justificadas; itens utilizados em atividades que não gerem esforço bem sucedido, como em pesquisas, projetos abandonados, projetos infrutíferos, produtos acabados e furtados ou sinistrados etc; itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida etc, ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETE. Somente o frete na operação de venda, pago a pessoa jurídica domiciliada no país, confere direito a crédito, desde que suportado pelo vendedor. Inexiste previsão legal para apurar crédito na transferência de mercadorias (frete interno), pois possui natureza diversa da venda (transferência de propriedade), uma vez que as mercadorias continuam em propriedade da empresa. DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais, nos termos da legislação vigente. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo a integral homologação da compensação, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese: - Nulidade por fundamentação insuficiente do despacho decisório. A motivação da glosa é superficial, sem explicar as razões das glosas, apenas argumentando a inexistência de amparo legal para a apuração dos créditos realizada pela Recorrente; - Despacho decisório formulado dessa maneira dificulta o exercício do contraditório, com ofensa à ampla defesa, por ser difícil a identificação de quais foram os fatos ocorridos que sujeitaram, com a correlata base legal, as glosas aplicadas. Muito pelo contrário, não é possível observar sequer um raciocínio construído pelas Autoridades Fiscais que permita à Recorrente entender com clareza e objetividade os motivos que ensejaram as glosas; - Defende a impossibilidade de exigência de multa e juros na remota hipótese de manutenção da não-homologação da DCOMP, na medida em que não há atraso, pois compensação representa pagamento do débito compensado, realizado tempestivamente. - No MÉRITO, elabora extensa argumentação sobre conceito de insumos e disserta sobre a evolução jurisprudencial sobre o tema; - Ressalta o entendimento do STJ no REsp nº 1.221.170/PR para concluir que insumo representa todo o dispêndio essencial e relevante para o processo produtivo. Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 - Frisa, em conclusão, que insumo dever ser o gasto essencial para o desenvolvimento da atividade da empresa, conforme ementa e tese fixada em sede de recursos repetitivos. - Demais argumentos sobre cada item glosado serão tratados no mérito. É a síntese do relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos da legislação, sendo, por isso, conhecido. A controvérsia está relacionada ao conceito de insumo, bem como ao conceito de “equipamento” para fins de aluguel. A análise destes pontos irá repercutir na manutenção ou afastamento das glosa sobre: a) Frete interno de produto acabado. Inicialmente, deve-se afastar, dede logo, os argumento de nulidade do despacho decisório, bem como o pedido de diligência. Quanto à nulidade, realmente o despacho decisório e a informação fiscal não são profundos na motivação da glosa, centrando a argumentação na falta de amparo legal para os créditos apropriados pela Recorrente. Mas isso se justifica porque, naquele momento, o que a “lei” autorizava a se entender como insumo era o quanto previsto na IN SRF 247/2002 e IN SRF 404/2004, qual seja, matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário que se integra ao produto ou que se desgasta por contato direto e imediato na produção, desde que não registrados no ativo imobilizado. Tanto era assim que em sede de manifestação de inconformidade a Recorrente dedicou ótimos parágrafos para argumentar contra a “importação” do conceito de insumo de IPI para sua aplicação nos créditos de PIS e COFINS. Analisando o despacho decisório e a informação fiscal, portanto, percebe-se que a motivação foi esta. Ainda, foi lavrado por autoridade competente, com a descrição dos fatos e da lei aplicável ao caso, o que permitiu o exercício do direito de defesa, não maculando, portanto, o artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Saliente-se que o problema do caso é de direito, para fins de saber se o despacho decisório errou ou acertou ao glosar os créditos sobre o argumento de que não havia autorização legal. MÉRITO CONCEITO DE INSUMO Da leitura da informação fiscal de fls. 75-77, percebe-se que a fiscalização realizou intimações para coleta de registro contábeis, fiscais, notas fiscais, contratos e documento de aquisição de bens e serviços, demonstrativos, memórias de cálculo e esclarecimentos sobre a apuração do PIS e da COFINS e concluiu que todas as receitas Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 e despesas estavam corretamente escrituradas, havendo divergência apenas quando ao mérito das glosas. 7. Os percentuais de rateio dos créditos utilizados pelo Contribuinte conferem com a proporcionalidade das receitas relativas ao mercado externo, mercado interno tributado e mercado interno não tributado. 8. As bases de cálculo das contribuições (débito) PIS/COFINS conferem com as receitas registradas em sua contabilidade, as quais tiveram sua composição verificada por amostragem durante o procedimento fiscal. Das Glosas de Créditos 9. Com base nos registros contábeis e documentos correlatos , nos esclarecimentos prestados por escrito e em planilhas eletrônicas fornecidas pelo Contribuinte; constatei que a mesma declarou nos campos relativos às bases de cálculo de crédito do PIS/COFINS dos DACON, valores que não encontram respaldo legal para tal aproveitamento, que abaixo passo a detalhar. (grifei) Assim, toda documentação foi auditada e conferida pela fiscalização, analisando cada item para fins de constatar se a despesa incorrida pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições, analisando se tal dispêndio corresponde ao conceito de insumos previsto no artigo 3º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. A discussão sobre o conceito, no entanto, resta superado pela jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento, em sede de recursos repetitivos, do REsp nº 1.221.170/PR, que julgou como ilegais as Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 ao firmar a seguinte tese: “O conceito de insumo deve ser aferido a luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte” (grifei): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifei) Da leitura do voto da lavra da Ministra Regina Helena Costa, extrai-se que sua decisão se fundamenta em decisões da Câmara Superior da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, destacando que o contexto da essencialidade ou relevância de uma despesa deve sempre ser analisada em relação à imprescindibilidade para a atividade produtiva (leia-se produção de bens) ou para a prestação de serviços, para que possa ser considerado insumo: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (...) Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. (grifei) Assim, quando a ementa, ou a tese fixada por ser um recurso repetitivo, afirma que o critério da essencialidade ou relevância de determinado gasto para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, deve-se vincular o termo “atividade econômica” para a atividade produtiva e prestação de serviços (própria Ministra Regina Helena Costa menciona este quesito em suas razões de decidir). Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 Caso contrário, qualquer despesa que seja essencial para o desenvolvimento da atividade econômica (genericamente falando), como despesas para o setor administrativo ou comercial, por exemplo, seriam considerados insumos, transmutando novamente o conceito e levando a discussão para o conceito de despesa operacional (necessária) aplicada ao IRPJ. O Ministro Mauro Campbell Marques, acrescenta um critério que denomina de “teste de subtração”, assim entendido como uma despesa relacionada com a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, devendo ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo, de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto. Aliás, entendo que entre meu voto e o voto da Min. Regina Helena há apenas uma incongruência entre signos e significados, pois dentro do critério da relevância (defendido pela Min. Regina Helena) compreendo estar (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Já dentro do critério da essencialidade está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Por fim, no critério da pertinência está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Para o somatório das três situações dei o signo de "pertinência e essencialidade", que agora a Min. Regina Helena batizou de "essencialidade e relevância", mas o conteúdo é idêntico, de modo que não vejo prejuízo algum em denominarmos pela tríade "pertinência, essencialidade e relevância", a abarcar as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos. (grifos do original) Trata-se o insumo, portanto, de uma despesa incorrida para a aquisição de um bem ou de um serviço essencial ou relevante para a produção ou para a prestação de serviço, não se incluindo aí uma essencialidade para o comércio ou para a administração da empresa. Veja que são despesas “na” produção /prestação de serviços, o que afasta também a consideração como insumo quaisquer outras despesas ou encargos incorridos, como publicidade, representante comercial e que tais, já que esta despesa não é incorrida NA produção ou NA prestação de um serviço. Ou se produz um serviço ou se produz um produto, assim é possível verificar quais foram os insumos desta produção. Este é o teor do quanto previsto no artigo 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ao estabelecer que os créditos serão apurados sobre bens e serviços utilizados como insumo Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3º (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes Após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR a RFB publicou o Parecer Normativo nº 05/2018 para consolidar alguns pontos do conceito de insumo fixado pelo entendimento jurisprudencial. Com isso, em razão das glosas terem sido efetivadas por questões de direito, o presente julgamento também será pautado por questões jurídicas, sobre o conceito de insumos fixado pelo STJ, bem como na análise dos argumentos, das provas e das questões fáticas debatidas pelas partes no relatório fiscal e no recurso voluntário. FRETE INTERNO DE PRODUTO ACABADO A fiscalização realizou a glosa apurada sobre o frete interno de produto acabado: 13. Na rubrica “Armazenagem e Fretes nas Operações de Venda” a Empresa lançou valores relativos a fretes de transferência entre estabelecimentos e entre a alfândega e suas dependências. Lançou também, na mesma rubrica, valores relativos a armazenamento, porém sem esclarecer e comprovar, depois de intimada, qual o tipo de produto armazenado, o que impede a classificação de tais gastos como armazenagem de produtos nas operações de venda, conforme determina a Lei . Em sede de defesa a Recorrente argumenta que necessita de apoio logístico tanto para preparo e encaminhamento do produto acabado para uma possível operação de venda, quanto para armazenamento dos insumos, seu transporte até a fábrica, com o transporte do produto acabado novamente para o armazém. Isso porque a Recorrente não possui espaço suficiente para armazenamento de todos os insumos e de todos os produtos acabados. [está incluído] no conceito de insumo tudo aquilo que, embora não empregado diretamente na produção, seja relevante para o processo produtivo como um todo. Do contrário, ter-se-ia privilegiado o critério da pertinência - o que não ocorreu. (...) Logo, verificada a inexistência de limitação pelo STJ quanto aos dispêndios posteriores à produção, toda e qualquer glosa cuja motivação destoe disso, deve ser revista - como é o caso. (...) Por sorte, a matéria ora impugnada, referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, já foi julgada pela CSRF na sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, vide acórdão nº 9303-005.132. (...) Salienta-se que, após o processo de industrialização, a Recorrente remete os produtos acabados para seus diversos centros de distribuição a fim de viabilizar, do ponto de vista logístico comercial, a remessa dos produtos a seus clientes. Sem essa etapa, a venda dos produtos se tornaria comercialmente inviável, sobretudo em razão do aumento de custos e do tempo de chegada dos produtos a seus clientes. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 Veja-se que os custos com a saída dos produtos da fábrica para os centros de distribuição correspondem a uma parcela dos valores totais que a empresa incorre para que os produtos vendidos sejam entregues ao destino final (clientes). Ou seja, há nítida inerência entre dispêndios com frete interno incorridas pela Recorrente e as vendas das mercadorias. Nesse sentido, os dispêndios com frete interno devem ser considerados insumos, eis que essenciais para o desempenho da atividade empresarial da Recorrente e, como tais, devem ser admitidos os descontos de créditos de PIS e COFINS sobre elas. Reverte-se as glosas neste ponto. Isso porque o serviço de frete interno de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos, ou mesmo serviço de frete entre estabelecimento e armazém, incluindo aí próprio serviço de armazenamento, em que pese após a produção do produto em si, ainda fazem parte do processo produtivo e integram o custo de produção, já que não estão vinculados à operação de venda. É por isso que o crédito, nessa hipótese, se faz na modalidade de insumo, previsto no artigo 3º, II, e não na modalidade de frete e armazém na operação de venda, previsto no artigo 3, IX, todos da Lei 10.833/2003. Estes custos de frete interno irão compor o custo de produção e farão parte do valor agregado ao produto produzido pela indústria. Daí sua configuração como insumo. As turmas ordinárias e a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais possuem entendimento consolidado na matéria: Acórdão nº -3201-006.152. Relator Hélcio Lafetá Reis. Publicação 11/12/2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/08/2013 a 31/12/2015 (...) CRÉDITO. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E PARA ARMAZÉNS GERAIS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa ou destinados a armazéns gerais, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratar-se de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. --- Acórdão 9303-009.736. Relator Rodrigo da Costa Pôssas. Publicação 11/12/2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 CUSTOS/DESPESAS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS, EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, FERRAMENTAS E MATERIAIS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. LIMPEZA E INSPEÇÃO SANITÁRIA CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes entre estabelecimentos para transporte de produtos acabados, com embalagens para transporte dos produtos acabados, com ferramentas e materiais utilizados nas máquinas e equipamentos de Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 produção/fabricação e com limpeza e inspeção sanitária enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. É de se reconhecer, portanto, o direito à apuração dos créditos das contribuições sobre as despesas incorridas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. DA EXIGÊNCIA DE MULTA E JUROS SOBRE A PARTE NÃO HOMOLOGADA Por fim, a Recorrente sustenta que não é possível a aplicação de juros e multa de mora, visto que não está em mora, pois a compensação extingue o débito declarado tempestivamente. Com isso, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. Não merecem prosperar os argumentos apresentados. Isso porque os débitos declarados na compensação configuram confissão de dívida e uma vez considerado pela fiscalização que os créditos não eram suficientes para cobrir os débitos confessados, o crédito utilizado como pagamento na compensação era menor do que o débito declarado, o qual representa uma parcela já confessada, um crédito tributário já constituído, porém ainda não pago. Por não estar pago, está em mora. Lei 9.430/1996. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6 o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (grifei) No entanto, a discussão do débito não faz parte da discussão dos processos de crédito, por isso, não pode ser conhecido nessa parte. Diante de todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário para na parte conhecida dar provimento. Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-008.807 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907581/2012-35 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento para reverter as glosas de frete interno (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente e Redatora Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001537/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/10/2004
DEPÓSITO RECURSAL. ENUNCIADO DA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 21. MATÉRIA SUPERADA.
A discussão quanto à exigência de depósito recursal resta superada a teor do enunciado da Súmula Vinculante STF nº 21, que pugnou pela inconstitucionalidade da exigência de depósito recursal ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
AUSÊNCIA DE 1NTIMAÇÃO VÁLIDA, COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO.
Ainda que o auto de infração/notificação de lançamento não tenha sido notificado nos estritos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235 de 1972, o comparecimento espontâneo do contribuinte aos autos para apresentar a impugnação, possui o condão de suprir a ausência de intimação válida, aplicando-se subsidiariamente o artigo 239, § 1º do Código de Processo Civil.
ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO SUJEITO PASSIVO PARA SE CONTRAPOR A EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
Não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa a não apresentação de documentos sob a alegação dos mesmos terem sido apreendidos pela Justiça Federal
CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO.
Pará a configuração de grupo econômico não é indispensável a existência de uma empresa líder, que exerça controle direto sobre outra; a mera coordenação é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que não há prevalência de uma empresa sobre a outra, mas conjugação de interesses com vistas à ampliação, manutenção e credibilidade dos negócios.
SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Restando caracterizada a existência de grupo econômico, caberá a solidariedade entre as empresas componentes do mesmo, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias, consoante autoriza o artigo 30, inciso IX, da Lei 8.212 de 1991.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE NAS GFIPS.
O reconhecimento nas GFIPS da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo, constituindo-se em termo de confissão de dívida, em caso de ausência de recolhimento
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor nos termos do § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Descabe, por ser prescindível o pedido de diligência estando comprovado nos autos que foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte em GFIP.
INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE DA DATA DO JULGAMENTO PARA EFETUAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REUNIÃO DE JULGAMENTO NÃO PRESENCIAL, POR VIDEOCONFERÊNCIA OU TECNOLOGIA SIMILAR. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. POSSIBILIDADE. ARTIGO 4º DA PORTARIA Nº 10.786 DE 28 DE ABRIL DE 2020.
O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). As partes ou seus patronos devem acompanhar a publicação da pauta de julgamento no Diário Oficial da União (DOU), com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Na reunião de julgamento não presencial, por videoconferência ou tecnologia similar o pedido de sustentação oral é feito por meio de formulário eletrônico em até 2 (dois) dias úteis antes do início da reunião de julgamento.
Numero da decisão: 2201-007.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Débora Fófano dos Santos
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/10/2004 DEPÓSITO RECURSAL. ENUNCIADO DA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 21. MATÉRIA SUPERADA. A discussão quanto à exigência de depósito recursal resta superada a teor do enunciado da Súmula Vinculante STF nº 21, que pugnou pela inconstitucionalidade da exigência de depósito recursal ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. AUSÊNCIA DE 1NTIMAÇÃO VÁLIDA, COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. Ainda que o auto de infração/notificação de lançamento não tenha sido notificado nos estritos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235 de 1972, o comparecimento espontâneo do contribuinte aos autos para apresentar a impugnação, possui o condão de suprir a ausência de intimação válida, aplicando-se subsidiariamente o artigo 239, § 1º do Código de Processo Civil. ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO SUJEITO PASSIVO PARA SE CONTRAPOR A EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. Não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa a não apresentação de documentos sob a alegação dos mesmos terem sido apreendidos pela Justiça Federal CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. Pará a configuração de grupo econômico não é indispensável a existência de uma empresa líder, que exerça controle direto sobre outra; a mera coordenação é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que não há prevalência de uma empresa sobre a outra, mas conjugação de interesses com vistas à ampliação, manutenção e credibilidade dos negócios. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. Restando caracterizada a existência de grupo econômico, caberá a solidariedade entre as empresas componentes do mesmo, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias, consoante autoriza o artigo 30, inciso IX, da Lei 8.212 de 1991. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE NAS GFIPS. O reconhecimento nas GFIPS da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo, constituindo-se em termo de confissão de dívida, em caso de ausência de recolhimento NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor nos termos do § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Descabe, por ser prescindível o pedido de diligência estando comprovado nos autos que foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte em GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE DA DATA DO JULGAMENTO PARA EFETUAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REUNIÃO DE JULGAMENTO NÃO PRESENCIAL, POR VIDEOCONFERÊNCIA OU TECNOLOGIA SIMILAR. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. POSSIBILIDADE. ARTIGO 4º DA PORTARIA Nº 10.786 DE 28 DE ABRIL DE 2020. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). As partes ou seus patronos devem acompanhar a publicação da pauta de julgamento no Diário Oficial da União (DOU), com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Na reunião de julgamento não presencial, por videoconferência ou tecnologia similar o pedido de sustentação oral é feito por meio de formulário eletrônico em até 2 (dois) dias úteis antes do início da reunião de julgamento.
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ENUNCIADO DA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 21. MATÉRIA SUPERADA. A discussão quanto à exigência de depósito recursal resta superada a teor do enunciado da Súmula Vinculante STF nº 21, que pugnou pela inconstitucionalidade da exigência de depósito recursal ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. AUSÊNCIA DE 1NTIMAÇÃO VÁLIDA, COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. Ainda que o auto de infração/notificação de lançamento não tenha sido notificado nos estritos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235 de 1972, o comparecimento espontâneo do contribuinte aos autos para apresentar a impugnação, possui o condão de suprir a ausência de intimação válida, aplicando-se subsidiariamente o artigo 239, § 1º do Código de Processo Civil. ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO SUJEITO PASSIVO PARA SE CONTRAPOR A EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. Não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa a não apresentação de documentos sob a alegação dos mesmos terem sido apreendidos pela Justiça Federal CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. Pará a configuração de grupo econômico não é indispensável a existência de uma empresa líder, que exerça controle direto sobre outra; a mera coordenação é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que não há prevalência de uma empresa sobre a outra, mas conjugação de interesses com vistas à ampliação, manutenção e credibilidade dos negócios. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 15 37 /2 00 7- 07 Fl. 751DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Restando caracterizada a existência de grupo econômico, caberá a solidariedade entre as empresas componentes do mesmo, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias, consoante autoriza o artigo 30, inciso IX, da Lei 8.212 de 1991. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE NAS GFIPS. O reconhecimento nas GFIPS da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo, constituindo-se em termo de confissão de dívida, em caso de ausência de recolhimento NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor nos termos do § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Descabe, por ser prescindível o pedido de diligência estando comprovado nos autos que foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte em GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE DA DATA DO JULGAMENTO PARA EFETUAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REUNIÃO DE JULGAMENTO NÃO PRESENCIAL, POR VIDEOCONFERÊNCIA OU TECNOLOGIA SIMILAR. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. POSSIBILIDADE. ARTIGO 4º DA PORTARIA Nº 10.786 DE 28 DE ABRIL DE 2020. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). As partes ou seus patronos devem acompanhar a publicação da pauta de julgamento no Diário Oficial da União (DOU), com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Na reunião de julgamento não presencial, por videoconferência ou tecnologia similar o pedido de sustentação oral é feito por meio de formulário eletrônico em até 2 (dois) dias úteis antes do início da reunião de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Fl. 752DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratam-se de recursos voluntários interpostos pelos integrantes do grupo econômico: Ney Agilson Padilha (fls. 558/565), O. A. Ribeiro (fls. 624/634) e Frigorífico Margen Ltda (fls. 637/661) contra decisão no acórdão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) de fls. 519/537, que julgou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário formalizado na NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – DEBCAD nº 37.038.841-0, consolidado em 28/11/2006, no montante de R$ 23.146,98, já incluídos multa e juros (fls. 2/41), acompanhado do Relatório Fiscal (fls. 58/69), referente contribuições devidas à Seguridade Social e não recolhidas correspondentes à rubrica segurados no período de 6/2004 a 10/2004, correspondente aos levantamentos: A90 - contribuições retidas dos segurados empregados, declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria e B90 - contribuições retidas dos administradores (pró-labore) e dos trabalhadores autônomos, na alíquota de 11%, declaradas em GFIP. Do Lançamento De acordo com resumo constante no acórdão recorrido (fl. 521): Trata-se de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra o interessado acima identificado relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente às contribuições retidas dos segurados empregados, declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria, no período de 06/2004 a 10/2004. Foram realizados 2 levantamentos: - A90: foram lançadas todas as contribuições retidas dos segurados empregados, declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. - B90: foram lançadas todas as contribuições retidas dos Administradores (pró-labore) e dos trabalhadores autônomos, na alíquota de 11%, declaradas em GFIP. 3. A auditoria foi instaurada em cumprimento ao Mandado de busca e apreensão n° 416/2004-SCO3, na filial da empresa Frigorífico Margem Ltda. Foram apreendidos documentos e equipamentos de informática pertencentes às empresas O. A. Ribeiro, Frigorífico Novo Milênio Ltda e Frigorífico Margem Ltda, além de documentos pessoais dos sócios, chegando-se à conclusão de que as atividades desenvolvidas no Estado do Acre pertenciam a outro grupo econômico, o qual foi denominado de "Grupo Novo Milênio". 4. No processo de busca e apreensão desencadeado nesta empresa em Senador Guiomard/Acre, não foi possível obter nenhum livro contábil (Diário e Razão), nem livros fiscais, motivo pelo qual os débitos foram apurados com base nas folhas de pagamento de 02/2001 a 12/2002, holerites, em documentos extraídos do sistema CNIS e Sistema corporativo Plenus, através dos relatórios das GFIPs apresentadas pelo interessado e das GPSs recolhidas. Fl. 753DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 5. Foi configurado nesta ação fiscal o Grupo Econômico Novo Milênio, formado pelas seguintes empresas: O. A. Ribeiro, Frigorífico Novo Milênio Ltda e Frigorifico Margem Ltda. 6. Foram anexados pela fiscalização documentos às fls. 68/ 359. Da Impugnação Os integrantes do grupo econômico foram cientificados do lançamento e apresentaram impugnação: (i) Frigorifico Margen Ltda, Mauro Suaiden e Geraldo Antonio Prearo (fls. 374/377); (ii) O. A. Ribeiro (fls. 379/389 e 449/459); (iii) Ney Agilson Padilha (fls. 409/410) e (iv) Frigorífico Novo Milênio Ltda (fls. 492/493), com os seguintes argumentos consoante resumo no acórdão da DRJ (fls. 521/524): Da cientificação da NFLD 7. Conforme documentos às fls. 364/365 esta NFLD bem como as outras lavradas na mesma ação fiscal foram entregues pessoalmente ao representante legal da empresa em 23/04/2007. Da Impugnação da solidária Frigorífico Margen Ltda e da pessoas físicas Mauro Suaiden, Geraldo Antonio Prearo 8. A notificada impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 370/373, através de seus procuradores nomeados através do instrumento às fls. 409/410, alegando, em síntese: Do cerceamento de defesa e da imperiosa obrigação do fisco previdenciário de fornecer os dados necessários ao pleno exercício da ampla defesa e do contraditório. 9. Alega que não tem o menor conhecimento das atividades empresariais e negociais, desenvolvidas pela empresa Frigorífico Novo Milênio; não tiveram qualquer conhecimento acerca do trabalho fiscal que culminou com a lavratura dos lançamentos previdenciários; a mera cientificação de constituição das NFLD's não oferece a oportunidade de se conhecer as origens de tais lançamentos, sendo impossível a realização de específicas defesas. 10. Questiona as razões que levaram o fisco previdenciário a caracterizar um grupo econômico de fato. 11. Caracteriza cerceamento de defesa a não disponibilização dos elementos que compõem cada um lançamentos, o que legitima a exclusão dos ora manifestantes do pólo passivo desta NFLD. Da Impugnação da empresa solidária O A Ribeiro. 12. A notificada impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 375/385, através de seus procuradores nomeados através do instrumento às fls. 437, alegando as seguintes razões de fato e de direito, em síntese. DAS PRELIMINARES Do cerceamento de defesa 13. Alega que não foi possível fazer a perfeita impugnação do lançamento creditício, pelo fato dos documentos necessários para tais fins encontrarem-se apreendidos, assim foi prejudicado por cumprir uma determinação judicial. Da Ilegitimidade Passiva — Alteração Contratual 14. Embora, no período da constituição dos créditos os sócios da suplicante fizessem parte do quadro societário, os adquirentes assumiram todo o ativo e passivo da empresa, incluindo os deveres para com a previdência social. 15. Assim, não há como exigir qualquer contribuição da suplicante, tendo em vista que a empresa responsável pelo fato gerador é diversa. Fl. 754DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 16. Durante o contrato de locação entre o Frigorífico Novo Milênio e o Sr. Osvaldo Alves Ribeiro, a suplicante não exerceu atividades empresariais, logo, não se pode atribuir a ela o encargo previdenciário. 17. Considerando todos esses fatos apresentados requer sua exclusão no pólo passivo. Da irresponsabilidade solidária e/ou subsidiária 18. Para a caracterização de grupo econômico é imprescindível a direção única em todas as empresas ou que uma delas controle as demais. 19. Os fatos já relatados demonstram que inexistiu tal controle, direção ou outra possibilidade de gestão de negócios entre duas empresas. 20. Alega que não se vislumbra nenhuma hipótese legal de caracterização de solidariedade tela, pois, como já explicitado, as empresas não tinham relação de subordinação ou controle de uma sobre a outra, aliado ao fato de a suplicante ter estado paralisada no período da constituição dos créditos. 21. Conclui que resta evidenciada a inexistência de grupo econômico para todos os fins legais. DO MÉRITO 22. Que por ocasião da busca e apreensão dos documentos pela Polícia Federal da empresa suplicante, todos eles foram levados, que os livros, a escrituração e demais canhotos de pagamento foram apreendidos, tornando impossível apresentar os eventuais comprovantes de recolhimento previdenciário. 23. Ante o exposto, requer que a presente impugnação seja conhecida e provida no sentido de reconhecer a ilegitimidade do impugnante para figurar no pólo passivo. 24. Requer, ainda, com base no princípio da eventualidade, seja oficiado o Juízo da 3ª Vara Federal (Criminal e Cível) de Campo Grande, Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, solicitando que forneça os documentos juntados nos processos 2004.60.008747-0 (Processo Cível) e 2006.60.00.006461-1 (Processo Criminal), reabrindo o prazo para que a impugnante ofereça nova defesa. 25. Requer, também, sejam as penalidades impostas canceladas, tomando nulos quaisquer lançamentos de débitos previdenciários que por ventura tenham ocorrido. Da Impugnação de Ney Agilson Padilha (Grupo Margen) 26. Conforme impugnação às fls 405/406, procuração às fls. 407, o solidário alega a impossibilidade de contestar o presente lançamento, pois desconhece a natureza dos créditos lançados, o período a que se referem, o fato gerador e as circunstâncias que motivaram a lavratura das notificações lavradas pela fiscalização. 27. Que em face da exigüidade do prazo de quinze dias para a formulação das impugnações das inúmeras notificações, reserva-se o direito de complementar a presente impugnação antes do julgamento dos respectivos processos quando receber cópia das NFLD citadas no Termo de Cientificação, sob pena de nulidade dos processos, pois, nem os processos administrativos nem os documentos neles referidos foram disponibilizados, tomando impossível a formulação de qualquer defesa. 28. Portanto, conforme determina a legislação processual especifica, tem o direito de conhecer, com antecedência, o conteúdo do processo, os documentos que serviram de base para a lavratura das NFLD e as acusações que lhe foram imputadas, além das razões que motivaram a inclusão de seu nome no Grupo Novo Milênio. Da Impugnação da empresa notificada Frigorífico Novo Milênio Ltda. 29. A empresa notifica apresentou defesa conforme fls. 488/489, documentos às fls. 490/501, solicitando o cancelamento da presente NFLD, pois, em 01.12.2004, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão n° 416/2004, na empresa Frigorífico Margen Ltda., foram apreendidos todos os documentos da empresa (notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, cheques de clientes, recolhimentos de impostos e contribuições, documentos dos sócios, contratos de prestação de serviços de abate de Fl. 755DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 gado, contratos de transporte de bovinos, livro diário, razão contábil, livros fiscais que estavam em arquivo magnético), ficando, portanto, a defendente impossibilitada de apresentar sua defesa para a presente notificação. 30. No período em que o Frigorífico Novo Milênio funcionou diversas empresas abateram bovinos, responsabilizando-se por todos os recolhimentos de impostos e contribuições, no qual a empresa não tinha nem um vínculo. 31. A parte dos funcionários, patronal e pró-labore está toda recolhida; em relação aos fretes a empresa mantinha um contrato com uma transportadora que se responsabilizava por todos os impostos e contribuições, estando o contrato apreendido junto com os outros documentos; a contribuição previdenciária rural referente ao abate da empresa está toda recolhida, embora os comprovantes estejam dentre aqueles documentos apreendidos pela polícia federal. 32. Assim, conclui, a defendente que não tem condição de apresentar nenhuma prova dos recolhimentos da previdência, nem apresentar nenhum documento justificando que mantinha diversos contratos com empresas que abatiam bovinos, transportavam bovinos, nem cópias dos livros contábeis e fiscais, pois todos os documentos foram apreendidos pela Polícia Federal, conseqüentemente, retiraram da empresa o direito de se defender, cerceando o seu direito de defesa. Da Decisão da DRJ A 15ª Turma da DRJ/RJI, em sessão de 9 de julho de 2008, no acórdão nº 12- 19.922 (fls. 519/537), julgou o lançamento procedente, conforme ementa abaixo reproduzida (fls. 519/520): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 30/11/2004 DESCONTO DE SEGURADO EMPREGADO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. Para a configuração de grupo econômico, no âmbito do Direito Previdenciário e do Direito do Trabalho, não "é indispensável a existência de uma empresa líder, que exerça controle direto sobre outra; a mera coordenação é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que não há prevalência de uma empresa sobre a outra, mas conjugação de interesses com vistas à ampliação, manutenção e credibilidade dos negócios. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. Restando caracterizada a existência de grupo econômico, caberá a solidariedade entre as empresas componentes do mesmo, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias, consoante autoriza o art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando estão presentes na NFLD e seus anexos os fatos geradores das contribuições devidas à Seguridade Social e os dispositivos legais que amparam o débito lançado. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário Fl. 756DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 O resumo abaixo contém as datas em que a empresa notificada e os demais integrantes do grupo econômico foram cientificados da decisão da DRJ e as datas em que foram apresentados os recursos voluntários: (i) Osvaldo Alves Ribeiro / O. A. Ribeiro: ciência em 7/10/2008 (AR de fl. 548), apresentou recurso voluntário em 6/11/2008 (fls. 624/634); (ii) Adalberto Coelho Dias / Frigorífico Novo Milênio Ltda: AR de fls. 549/550 foi devolvido – não existe número. Ciência efetivada por meio do Edital SACAT/DRF/RBO/AC nº 33/2008 – afixado em 3/11/2008 e desafixado em 18/11/2008 (fl. 556), não apresentou recurso voluntário; (iii) Ney Agilson Padilha: ciência em 6/10/2008 (AR de fl. 551), apresentou recurso voluntário (fls. 558/565) em 17/10/2008 (fl. 557), acompanhado de documentos de fls. 566/623; (iv) Frigorífico Margen Ltda: ciência em 6/10/2008 (AR de fl. 552), apresentou recurso voluntário (fls. 637/661 e cópia/protocolo de fls. 662/686), postado em 5/11/2008 e recepcionado na unidade preparadora em 10/11/2008 (fls. 635/636); (v) Mauro Suaiden: ciência em 21/10/2008 (AR de fl. 553), não apresentou recurso voluntário; (vi) Geraldo Antonio Prearo: ciência em 21/10/2008 (AR de fl. 554), não apresentou recurso voluntário; (vii) Marcos Cezar Najjarian Batista (procurador da empresa Frigorífico Margen Ltda - fl. 413): ciência em 21/10/2008 (AR de fl. 555), não apresentou recurso voluntário. Observa-se que a empresa notificada - Frigorifico Novo Milênio Ltda - não apresentou recurso voluntário, mas apenas os integrantes do grupo econômico abaixo relacionados, com os mesmos argumentos das impugnações, a seguir sintetizados: (i) Do recurso voluntário de Ney Agilson Padilha (fls. 558/565) A inexegibilidade do depósito recursal. A decisão de primeira instância não admitiu nenhuma das reclamações do recorrente, para, ao final, considerar o lançamento tributário procedente, mantendo a imputação de co-responsabilidade sob o argumento da existência de fato de um grupo econômico entre as empresas Frigorífico Novo Milênio Lda.(sic), O A Ribeiro Ltda e Frigorífico Margen Ltda, e que por isso são co-responsáveis os seus sócios Ney Agilson Padilha, Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo. Houve nessa unidade industrial apenas o arrendamento do parque industrial, com o proprietário OSVALDO ALVES RIBEIRO, que agiu e relacionou com a administração do estabelecimento-filial do Frigorífico Margen Ltda, CNPJ/MF nº 25.068.875/0042-24, sempre de forma truculenta e pouco amigável, estando descartada qualquer possibilidade de existência de liderança, parceria ou colaboração entre as empresas. Desconhece a atuação e os negócios do Frigorífico Novo Milenio Ltda. e/ou de O. A. RIBEIRO, salvo o que consta da própria decisão administrativa, cujos documentos não lhe foram enviados pelo correio, como deve acontecer nesses casos, CERCEANDO- LHE o direito de defesa, pois, além disso a sua residência encontra-se distante de Senador Guimard, cerca de 5.000 km. No VOTO, a Ilustre Julgadora monocrática reconhece não constar dos autos a cópia dos AR's, e que, posteriormente, tais documentos teriam sido entregues ao procurador do Fl. 757DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Frigorífico Novo Milênio Ltda que não tem qualquer relação com o recorrente ou com o Frigorífico Margen Ltda, cujo contrato de locação já havia se extinguido em julho de 2006. O Recorrente NEY AGILSON PADILHA em face do dispositivo dos arts 129 e 133, I, do CTN (Sucessão), não tem qualquer responsabilidade por tais débitos, pois, quando do encerramento do procedimento fiscal, em 07 de dezembro de 2006, não fazia mais parte das empresas do suposto “GRUPO MARGEN” porque havia alienado a totalidade de suas quotas sociais para a empresa "holding": G M RIO BONITO PARTICIPAÇÕES LTDA. - CNPJ/MF nº 08.106.806/0001-70, (...), composta pelos sócios administradores: MAURO SUAIDEN (...) e GERALDO ANTÔNIO PREARO (...) Portanto, conclui-se pela ilegalidade da inclusão do Recorrente seja como parte de GRUPO ECONÔMICO DE FATO, inexistente, seja como co-responsável pelos tributos lançados. Requer a admissão e provimento do recurso voluntário, acolhendo as preliminares arguidas, o reconhecimento e declaração da nulidade da NFLD porque eivada de erro formal na intimação do co-responsável "eleito" na NFLD, além da exiguidade do prazo para a defesa e da indisponibilidade dos processos administrativos e dos documentos nele referidos, há mais de 5.000 km da sua residência, estabelecendo o cerceamento do direito de defesa do Recorrente, vícios esses insanáveis, que devem motivar o reconhecimento e a declaração de nulidade total do lançamento tributário. Alternativamente, requer que no julgamento do mérito desse recurso seja apreciado e provido o presente recurso, para declarar a improcedência do lançamento tributário, em face da inexistência de GRUPO ECONÔMICO DE FATO - GRUPO MARGEN -, ou da participação nele do Recorrente, além da exclusão (por sucessão) da responsabilidade de NEY AGILSON PADILHA, que alienou a totalidade de suas participações societárias à G M RIO BONITO PARTICIPAÇÕES LTDA., em face ao disposto nos arts. 129 e 133, I do CTN. Requer, ainda, que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo, protestando pelos debates orais na sessão de julgamento, que deverá merecer intimação pessoal do advogado patrono dessa causa. (ii) Do recurso voluntário de O. A. Ribeiro (fls. 624/634) Preliminarmente Inexegibilidade do depósito recursal. I – DO CERCEAMENTO DA DEFESA Alega que restou prejudicada a defesa pelo fato dos documentos necessários para tais fins encontrarem-se apreendidos por determinação da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Neste caso, foi ferido o artigo 5º, LV da Constituição Federal. II – ILEGITIMIDADE PASSIVA a) Alteração contratual Consoante se verifica nos extratos do INSS, a empresa descrita é o "FRIGORÍFICO NOVO MILÊNIO LTDA". Os sócios da suplicante, de acordo com a terceira alteração contratual, se retiraram da sociedade , em 20 de novembro de 2.005 (doc. anexo). Muito embora, no período da constituição dos créditos os sócios da suplicante fizessem parte do quadro societário, os adquirentes assumiram todo o ativo e passivo da empresa, incluindo os deveres para com a Previdência Social (doc. Anexo). (...) Fl. 758DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 O fato do sócio individual da suplicante ser o mesmo que outrora compunha o quadro societário do Frigorífico Novo Milênio, não induz à responsabilidade solidária e/ou subsidiária, tendo em vista a falta de previsão legal neste sentido. Verifica-se também na notificação um dado que as empresas têm em comum: o endereço. Em 01 de fevereiro de 2.001, foi celebrado contrato de locação entre o Frigorífico Novo Milênio e o Sr. Osvaldo Alves Ribeiro, cujo objeto era o aluguel de todas as máquinas, equipamentos e caminhões, inclusive o uso SIF 4086. O prazo de duração do contrato de locação foi de cinco anos, entretanto, as partes, em comum acordo, resolveram dar por resolvido o pacto em 2005. Neste lapso temporal a suplicante não exerceu atividades empresárias, logo não se pode atribuir a ela o encargo previdenciário. (...) a empresa "MIRAGE COMÉRCIO DE CARNES E FRIOS LTDA" utilizou os equipamentos disponíveis, no período temporal que estes estavam locados ao Novo Milênio, consoante se apura do resumo atualizado dos débitos junto a Fazenda do Estado do Acre. (...) A suplicante não é fruto de fusão, transformação ou incorporação da empresa devedora, mas sim uma pessoa jurídica que nasceu independente de qualquer outra. (...) b) Da irresponsabilidade solidária e/ou subsidiária Para a caracterização de grupo econômico é imprescindível a direção única em todas as empresas ou que uma da empresas controle as demais. Os fatos acima relatados demonstram, por si só, que inexistiu controle, direção ou outra possibilidade de gestão de negócios entre as duas empresas. Durante o tempo em que a empresa Novo Milênio utilizou os equipamentos locados do Sr. Osvaldo e que a suplicante paralisou suas operações, não poderia haver qualquer liame objetivo ou subjetivo que ligassem as empresas, tendo em vista que a norma é clara neste sentido - art 2º CLT (...). NO MÉRITO Resta como ponto controverso a existência dos débitos previdenciários. Na ocasião da busca e apreensão dos documentos da empresa suplicante, é imperioso lembrar que todos eles foram levados e que alguns podem ter sidos extraviados, perdidos ou ter ocorrido outra causa que pudesse levá-los à inutilização. Os livros, a escrituração e demais canhotos de pagamento foram apreendidos tornando impossível apresentar os eventuais comprovantes de recolhimento previdenciário. Desta forma, em razão, da questão de mérito confundir-se com a preliminar de cerceamento de defesa, resta totalmente a defesa de mérito neste processo administrativo fiscal. Ante o exposto e fundamentado, requer que a presente impugnação seja conhecida e provida no sentido de reconhecer a ilegitimidade do impugnante para figurar no pólo passivo. Requer ainda, com base no princípio da eventualidade, seja oficiado o Juízo da 3ª Vara Federal (Criminal e Cível) de Campo Grande, Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, solicitando que forneça os documentos juntados nos processos 2004.60.008747-0 (Processo Cível) e 2006.60.00.006461-1 (Processo Criminal), reabrindo o prazo para que o impugnante ofereça nova defesa. (iii) Do recurso voluntário da empresa Frigorífico Margen Ltda (fls. 637/661) I – PRELIMINARMENTE Fl. 759DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Nulidade do lançamento ante a ocorrência dos seguintes vícios: I.a - DO LEVANTAMENTO B90 - da necessidade de confrontação entre os valores declarados em GFIP a título de contribuição dos trabalhadores autônomos e os recolhidos pelo próprio trabalhador autônomo, por outras empresas tomadoras dos seus serviços, ou, ainda, na qualidade de segurado empregado. Há que se reconhecer que se trata de uma obrigação do fisco previdenciário, com vistas a evitar a constituição de créditos em duplicidade, checar nos correspondentes contas- correntes dos contribuintes individuais mencionados nesta NFLD, se, de fato, existem recolhimentos previdenciários no período fiscalizado. No caso em tela, fica demonstrada a nulidade ante a falta de certeza e liquidez, pois, seguramente, carrega contribuições lançadas como devidas e apuradas sobre uma base de cálculo sobre a qual podem ter incidido as contribuições sociais devidas, ou seja, vai- se constatando um bis in iden, sendo imperioso que o Fisco Previdenciário verificasse a existência desses recolhimentos nas contas-correntes de cada um dos contribuintes individuais mencionados, em real respeito aos primados da verdade material e legalidade. A fiscalização, contrariando o Parecer CJ nº 2.376, deveria ter colhido informações no conta-corrente dos contribuintes individuais, para manter ou elidir as suas absurdas conclusões, o que, repita-se, não o fez. Assim, faz-se mister, a título de buscar a verdade real no que toca ao valor que porventura poderá ser exigido da contribuinte ora defendente, a premente necessidade de se dar baixa em DILIGÊNCIAS ao presente processo administrativo, AFIM DE QUE O AFPS RESPONSÁVEL, DEMONSTRE, INEQUIVOCAMENTE E INDIVIDUALMENTE, A INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS QUE, SOMADOS, ULTRAPASSEM O TETO DA CONTRIBUIÇÃO DESTES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, sob pena do decreto de NULIDADE e conseqüente EXTINÇÃO da presente NFLD Depreende-se do quanto discorrido que, restaram contrariadas as disposições previstas no art. 92, da IN 3/2005, para afastar a nefasta duplicidade de cobrança, pois, deve-se sempre observar para os casos dos contribuintes individuais o teto máximo de contribuição. Resta, pois, mais uma vez comprovado o desacerto cometido no v. acórdão recorrido, devendo, portanto, ser reformado neste tocante. I.a.1 - da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade Desde o advento do Parecer 2376/00, da lavra da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, com formal aprovação Ministerial, demonstra a Administração Previdenciária Nacional extrema preocupações em evitar a constituição de lançamentos em duplicidade, preocupação que, ainda, não alcançou as linhas de frente da fiscalização. É certo que o lançamento em duplicidade pode se dar tanto sob a perspectiva da "solidariedade", quanto na da "retenção". E, considerando-se que nestes autos debate-se a questão da solidariedade, colaciona o contribuinte esclarecedor posicionamento firmado pela superior instância administrativa de julgamentos, através da e. 02ª CaJ/CRPS, que, analisando a teme dos autos, emitiu o v. acórdão 02.693/2004, de indiscutível conhecimento das autoridades previdenciárias atuantes in casu: (...) Há que ser confirmada, portanto, a existência de débitos na origem, POR MEIO DE VERIFICAÇÕES NA CORRESPONDENTE ESCRITA CONTÁBIL DAS EMPRESAS CONSIDERADAS COMO SOLIDÁRIAS IN CASU, SEM PREJUÍZO DA OBRIGAÇÃO DO FISCO PREVIDENCIÁRIO DE INVESTIGAR EM SEUS Fl. 760DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 ARQUIVOS SISTEMATIZADOS A HIPÓTESE PREVIDENCIÁRIA DESTES CONTRIBUINTES, para que seja validada a cobrança previdenciária junto ao correspondente contribuinte solidário. Assim não agindo o fisco previdenciário, resultará como inexorável o decreto de nulidade desta NFLD, desde já postulada e agora em sede recursal, na medida em que é certo que o instituto da solidariedade NÃO PODE SER COMPREENDIDO E APLICADO DE FORMA SOBERANA UNILATERAL, tal qual verificado in casu. Lb - da necessidade de oferecer-se ciência ao ora recorrente dos termos de eventuais defesas apresentadas pelos contribuintes considerados como solidários nesta NFLD É indiscutível que, numa eventual apresentação de defesa administrativa por parte das empresas indicadas como solidárias no RF/NFLD, impõe-se a cientificação do contribuinte quanto aos correspondentes termos de tal ato defensivo. De fato, não ocorrendo os atos administrativos necessários à cientificação com prazo de defesa a todos os responsáveis, que acabam por se envolver solidariamente na satisfação do pretenso crédito previdenciário, resta como imperioso o decreto de nulidade dos demais atos administrativos consumados a partir de então. E, milita em favor do entendimento do notificado tanto os dispositivos normativos editados a respeito após o advento do § 04º, do art. 296, da IN 70/02 quanto, o disposto pela Lei 9784/99 (que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal) que claramente determina a obrigatoriedade da intimação dos interessados nos casos em que lhe sejam impostos deveres, ônus, sanções, etc, nos seguintes termos: Art. 28. (...) Portanto, cientificar o contribuinte quanto aos termos de evidenciadas defesas é medida que deve ser adotada pelo fisco previdenciário, resguardando-se, assim, em favor do ora notificado, as vertentes da ampla defesa e do contraditório na processualística administrativa. (...) II – MÉRITO II.a - DO GRUPO ECONÔMICO Referido relatório concluí pela existência de um chamado "grupo econômico de fato", através do qual a Fiscalização pretende demonstrar uma suposta estrutura societária ente as empresas: FRIGORÍFICO MARGEN LTDA, FRIGORÍFICO NOVO MILÊNIO LTDA E O A RIBEIRO LTDA. Tal relatório padece pela superficialidade, pelo preconceito e pelo total e absoluto desconhecimento do ramo de negócio em que o contribuinte atua e com a legislação em vigor. Primeiramente, insta salientar que não há confusão entre o patrimônio e as atividades das pessoas jurídicas já mencionadas com o patrimônio do recorrente. Ora, a circunstância de alguns sócios da empresa executada serem, também, sócios de outras empresas é irrelevante, pois tratam-se de pessoas jurídicas distintas, embora o sócio seja comum. O simples controle acionário de várias empresas por uma ou mais pessoas físicas não é suficiente para a caracterização do grupo econômico. Portanto, é errônea a afirmativa que há existência de um grupo econômico toda vez que algumas empresas estejam submetidas a um mesmo poder de controle. Frise-se que a regra insculpida no caput do art. 20 do Código Civil estabelece que "as pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros", ou seja, um não responde pelas obrigações do outro, sendo exceções os casos de desconsideração da personalidade jurídica. Fl. 761DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Tampouco pode-se falar da formação de um grupo de direito, ou holding, prevista no artigo 265, da Lei nº 6404/76. De fato, falta o devido registro de contrato específico na Junta Comercial, com a correta identificação da expressão "grupo de sociedades", ou somente "grupo". Da argumentação deduzida pela fiscalização, depreende-se que nenhum destes requisitos foram cumpridos, razão pela qual não há que se cogitar de caracterização de "grupo de direito" in casu. Não há nada que comprove na situação em desate a ocorrência de confusão patrimonial que autorize a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Ademais, a desconsideração da pessoa jurídica é medida excepcional que só pode ser decretada após o devido processo legal. O patrimônio da sociedade e o de seus sócios não se confundem, sendo necessário, para que se aplique a denominada teoria da desconsideração da personalidade jurídica, a cabal comprovação de ter havido desvio de finalidade ou confusão patrimonial, a caracterizar o abuso da personalidade jurídica, de acordo com a norma insculpida no artigo 50 do Código Civil de 2002. De fato, a fraude não se presume e não é fácil provar que os sócios ou diretores de uma sociedade atuaram no sentido de fraudar credores ou frustrar a aplicação da lei. Nada há nos autos que permita a conclusão de que há grupo econômico, ficando mantida a impugnação do contribuinte a respeito desta inadequada caracterização de grupo econômico. III - CONSIDERAÇÕES FINAIS Espera-se pelo processamento deste recurso administrativo, com o acolhimento de suas argüições ainda em sede de primeira instância administrativa, determinando a nulidade, tanto por falta de atendimento a rigores formais, quanto pela nítida falta de certeza e de liquidez desta NFLD, encerrando-se desde logo a controvérsia instaurada nestes autos administrativos. Assim, sendo o que entendia o contribuinte adequado de ser sustentado nesta peça recursal, mantém-se na expectativa de acolhimento de seus termos, com o afastamento, in totum, da presente NFLD, do universo obrigacional do contribuinte ora recorrente. Por derradeiro, esclarece o contribuinte que possui pleno interesse na realização de defesa oral quando do julgamento deste recurso junto ao Conselho de Contribuintes, postulando, em razão, sua intimação quando da inclusão em solene pauta de julgamento deste recurso. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. Os recursos voluntários interpostos por Ney Agilson Padilha, O. A. Ribeiro e Frigorífico Margen Ltda são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos. A discussão quanto à exigência de depósito recursal resta superada a teor do enunciado da Súmula Vinculante STF nº 21 que pugnou pela inconstitucionalidade da exigência de depósito recursal ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fl. 762DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Nos recursos apresentados verifica-se que as preliminares arguidas se confundem com o mérito. Os Recorrentes alegam a nulidade do lançamento pelos seguintes motivos: (i) erro formal na intimação do corresponsável eleito na NFLD; (ii) cerceamento do direito de defesa pelo fato dos documentos necessários para tais fins encontrarem-se apreendidos por determinação da justiça federal e pela indisponibilidade dos processos administrativos e dos documentos nele referidos; (iii) exiguidade do prazo para a defesa; (iv) falta de certeza e de liquidez da NFLD; (v) necessidade de cientificar ao recorrente dos termos de eventuais defesas apresentadas pelos contribuintes considerados como solidários na NFLD; (vi) ilegitimidade passiva e (vii) inexistência de grupo econômico de fato. Das nulidades apontadas As hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Nos termos do referido dispositivo são tidos como nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto a autoridade lançadora demonstrou de forma clara e precisa os motivos pelos quais foi efetuado o lançamento, seguindo as prescrições contidas no artigo 142 do CTN, a seguir reproduzido: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Os requisitos de validade do auto de infração e da notificação de lançamento estão previstos nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 763DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. O lançamento atendeu aos ditames legais, não se verificando a ocorrência de cerceamento de defesa, vez que os interessados conseguiram apresentar sua impugnação, além do fato da matéria estar sendo rediscutida através do presente recurso. Da alegação de erro formal na intimação de corresponsável Conforme bem pontuado no acórdão recorrido (fls. 524/525): (...) 33. Constata-se dos autos que a remessa da NFLD para a empresa notificada, bem como dos Termos de Cientificação de Grupo Econômico (fls. 310/319), inicialmente, se deu por via postal em 01.12.2006 (vide capa NFLD e Guia de Remessa de Correspondência fls. 68). Entretanto, não consta dos autos os AR's (Avisos de Recebimento) correspondentes. 34. Contudo, foi juntado aos autos Termo de Cientificação de Entrega (fls. 364), emitido pela Delegacia da Receita Previdenciária em Rio Branco - AC (atual SRFB), para a empresa notificada (Frigorífico Novo Milênio), atestando a entrega pessoal das notificações e autos de infração lavrados, entre outros documentos, com data de 23.04.2007, ao procurador da empresa. 35. Cumpre afirmar que, em se tratando de NFLD relativa a contribuições decorrentes de responsabilidade solidária, o prazo de quinze dias para impugnação, previsto no § 1° do art. 37 da Lei 8.212/91, inicia-se com a ciência do último solidário, conforme dispõe o § 4° do art. 33 da Portaria MPS/GM n°520, de 19/05/2004 (DOU de 20/05/2004), que disciplinava o Contencioso Administrativo Fiscal à época do lançamento. 36. Considerando que não consta dos autos os comprovantes da ciência pelos devedores solidários, considerar-se-á como início da contagem do prazo de defesa a data da entrega pessoal das notificações ao procurador da empresa notificada, ou seja, 23.04.2007, considerando, neste caso, o prazo de 30 dias, pois já na vigência do Decreto 6.103, de 30.04.2007, que alterou a redação do § 2° do art. 243, do Decreto 3.048, de 1999. 37. Nesse compasso, considerando que os instrumentos de defesa apresentados pelos devedores solidários foram recebidos em datas anteriores a 23.04.2007 e que a impugnação da empresa notificada foi protocolizada em 21.05.2007, conclui-se pela tempestividade das impugnações recepcionadas. 38. Ademais, nos termos do § 2° do art. 33 da Portaria MPS 520, de 2004, a deficiência constatada na intimação é suprida pelo comparecimento do interessado, neste caso, pela apresentação dos instrumentos impugnatórios. (grifos nossos) (...) Conforme relatado pelo juízo a quo, encontra-se anexada à fl. 70, a Guia de Remessa de Correspondência – GRC, contendo o número do registro da correspondência com o encaminhamento das autuações. Nas folhas nº 314/323 foram anexados cópias de termos de Fl. 764DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 ciência destinados a cada um dos solidários, com a informação de que os documentos constitutivos dos créditos foram encaminhados para a empresa Frigorífico Novo Milênio Ltda, nos termos do disposto no artigo 749 da Instrução Normativa IN/SRP n° 03 de 14 de julho de 20051. Além do “Termo de Cientificação de Entrega” (fl. 368) não há nos autos qualquer documento que comprove que os interessados solidários tivessem sido regularmente intimados. Entretanto, valendo-se, subsidiariamente, da disposição contida no artigo 239, § 1º da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil)2, segundo o qual o comparecimento espontâneo do réu supre a falta ou a nulidade da citação, tendo os interessados solidários comparecido aos autos para apresentar suas impugnações, a ausência de comprovação da intimação nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235 de 1972, foi suprida, não tendo ocorrido qualquer prejuízo aos mesmos. Tal fato seria relevante caso as impugnações tivessem sido intempestivas ou ficasse demonstrado a não ciência da autuação por parte dos contribuintes. Também não há qualquer evidência nos autos de que tenha sido obstado aos interessados o acesso a qualquer informação que pudesse ser relevante para a produção de suas defesas, como se verifica pelo teor das impugnações apresentadas e posteriormente do recurso voluntário interposto, não se pode dizer que o direito de defesa dos mesmos tenha sido minimamente cerceado. Do cerceamento do direito de defesa Os interessados alegam o cerceamento de defesa pelo fato dos documentos necessários para tais fins encontrarem-se apreendidos por determinação da justiça federal e pela indisponibilidade dos processos administrativos e dos documentos nele referidos. Todavia razão não lhes assiste. De acordo com informação constante nos termos de fls. 314/323, a seguir reproduzida: Esclarecemos que é assegurada às empresas do grupo econômico vista do processo administrativo fiscal de acordo com o parágrafo 2° do art. 749, da Instrução Normativa IN/SRP n° 03, de 14/07/2005, bem como lhe é facultada a apresentação de impugnação ao Lançamento no prazo de 15 (quinze) dias contados da data do recebimento desta cientificação. Assim, a autoridade lançadora nada mais fez do que seguir os procedimentos definidos no artigo 749, § 2º da Instrução Normativa IN/SRP n° 03 de 14 de julho de 2005, vigente à época, já mencionado reproduzido anteriormente. Em nenhum momento houve cerceamento ao direito dos interessados, sendo-lhes facultado o direito de acesso tanto ao processo administrativo fiscal como aos documentos nele 1 Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. § 1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. § 2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. 2 Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução. Fl. 765DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 referidos, conforme também foi pontuado pela autoridade julgadora de primeira instância (fl. 527). Quanto à alegação de que houve cerceamento do direito de defesa tendo em vista a apreensão de documentos pela justiça federal, cabia ao interessado requerer junto ao órgão cópia dos mesmos. Da exiguidade do prazo para a defesa A autoridade julgadora de primeira instância, ao analisar a matéria assim pontuou (fls. 536/537): Da Impossibilidade de prorrogação do prazo de impugnação 90. Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizar-se-ão nos prazos prescritos em lei. 91. O prazo para impugnação tem previsão no art. 243, § 2° e 293, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto 6.103, de 30.04.2007, que antecipou a aplicação do Decreto 70.235, de 06.03.1972, no que se refere aos prazos processuais e à competência para julgamento em primeira instância, pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 92. A Portaria MPS/GM n° 520, de 19 de maio de 2004, que regula o Contencioso Administrativo Previdenciário, prevê em seu art. 34, que "os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados". 93. Portanto, a solicitação de dilação do prazo não poderá ser concedida, face à expressa proibição da norma vigente quando da cientificação. 94. Cabe ressaltar, ainda, que as determinações legais devem ser cumpridas em seus estritos termos pelo fisco, considerando o caráter vinculado de sua atividade, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. (...) Como visto, sendo determinação legal e normativa não há margem para a discricionariedade, devendo ser cumprida sob pena de responsabilização funcional. Da necessidade de cientificação de defesas apresentadas pelos demais solidários A alegação do interessado Frigorífico Margen Ltda da existência de vício do procedimento ante a necessidade de cientificação de eventuais defesas apresentadas pelos demais solidários não encontra guarida na legislação e demais atos normativos vigentes como se verá a seguir. A citada Instrução Normativa nº 70 de 10 de maio de 2002 3 , revogada e não vigente à época do lançamento, assim estabelecia em seu artigo 296, § 4º: Art. 296 - O crédito da Previdência Social, no âmbito do INSS, é constituído por meio de notificação de débito, auto de infração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo sujeito passivo. (...) § 4º - Para os fins previstos no § 1º do art. 37 da Lei nº 8.212, de 1991, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverá ser remetida a todos os responsáveis solidários pelo pagamento desse crédito. 3 Que dispunha sobre os procedimentos fiscais e sobre o planejamento das atividades de arrecadação relativas às contribuições arrecadadas pelo INSS, foi revogada pela Instrução Normativa DC/INSS nº 100, de 18 de dezembro de 2003, publicada no D.O.U. de 24 de dezembro de 2003, com efeitos a partir de 1/4/2004, que por sua vez foi revogada pela Instrução Normativa SRP nº 3 de 14 de julho de 2005, vigente à época dos fatos. Fl. 766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, além do mencionado artigo 28, pertinente a transcrição dos seguintes artigos: Art. 3 o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; (...) Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. § 1 o A intimação deverá conter: I - identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; II - finalidade da intimação; III - data, hora e local em que deve comparecer; IV - se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar; V - informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; VI - indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. § 2 o A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento. § 3 o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4 o No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5 o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. (...) Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. (...) Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou diligência ordenada, com antecedência mínima de três dias úteis, mencionando-se data, hora e local de realização. Da leitura dos artigos acima reproduzidos extrai-se a conclusão de que a eventual falta de intimação acerca de atos de outra natureza de interesse do administrado (artigo 28 da Lei nº 9.784 de 1999), não tem o condão de anular o lançamento, ante a ausência de tal previsão. A carência pode ser suprida pelo direito que foi outorgado ao interessado no artigo 3º, inciso II da referida lei de ter vista dos autos e obter cópias de documentos neles contidos. Demais argumentos dos interessados Em relação aos demais argumentos dos interessados - falta de certeza e de liquidez da NFLD – ilegitimidade passiva e da inexistência de grupo econômico de fato e do Fl. 767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 pedido do interessado O A Ribeiro para ser oficiado o juízo da 3ª Vara Federal de Campo Grande - as razões trazidas nos recursos voluntários são idênticas àquelas que constam das peças impugnatórias, motivo pelo qual, em vista do disposto no § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com as desta relatora, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa e/ou novos documentos perante a segunda instância administrativa, adotamos os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição de excertos de seu voto condutor (fls. 527/536): (...) 55. O impugnante O A Ribeiro requer seja oficiado o Juízo da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Seção Judiciária de Mato Groso do Sul, solicitando que sejam restituídos os documentos apreendidos, para que possa exercer plenamente seu direito de defesa. 56. Contudo, tal requerimento revela-se impróprio na esfera administrativa, devendo tal pleito deve ser dirigido à autoridade judiciária competente. Da caracterização de grupo econômico 57. Inicialmente cabe ressaltar que a presente fiscalização foi deflagrada em decorrência de ação de Mandado de Busca e Apreensão n° 416/2004-SCO3 — decorrente do expedido pelo M.M.Juiz Federal da 3ª Vara de Campo Grande — MS, em 26.11.2004, relativamente ao processo criminal n° 2004.60.00.008747-0, tendo como indiciado o Frigorífico Margem Ltda. 58. A operação foi realizada pela Polícia Federal e por Auditores Fiscais da Previdência Social (atuais Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), nas dependências da filial da empresa Frigorífico Margen, com endereço na Estrada AC 40, ICM 28 — município de Senador Guiomard/AC . 59. Consta nos autos às fls. 72 e 104, o Mem EFAZ, de 29.11.2004 e Oficio n° 1327/2004-CART/SR/DPF/AC, emiti o pe a Polícia Federal, informando o recebimento e o cumprimento do referido mandado de busca. 60. A ação resultou na apreensão de grande quantidade de documentos e microcomputadores, pertinentes às empresas Frigorífico Novo Milênio, O A Ribeiro e do Grupo Margen, conforme se pode constatar das cópias dos Autos de Arrecadação, anexados aos autos às fls. 73/103. 61. Consoante o Relatório Fiscal não foram encontrados dentre os documentos apreendidos, os registros contábeis ou qualquer outro livro fiscal. 62. Quanto à preliminar de inexistência do grupo econômico levantada nas Impugnações não merecem prosperar, pois, embora as empresas não tenham efetuado as formalidades que revestem os grupos econômicos, a situação fática encontrada pela fiscalização leva a inferir a existência de fato de um grupo econômico entre as empresas Frigorífico Novo Milênio Ltda, O A Ribeiro Ltda e Frigorífico Margen Ltda. 63. As razões apresentadas pela fiscalização no Relatório Fiscal para concluir pela existência de grupo econômico. de fato, ao contrário do alegado, são suficientes para sustentar tal imputação, dado que o procedimento fiscal adotado foi racional e motivado, cercado de cuidado na apuração dos dados, aliado às dificuldades inerentes a uma verificação fiscal decorrente de documentos obtidos através de mandado de busca e apreensão. 63. Por tratar-se de grupo econômico de fato, por óbvio que não encontraremos todas as formalidades das quais se revestem os grupos econômicos legalmente constituídos. Pois se o grupo econômico estivesse regularmente e legalmente constituído desnecessário seria empreender todos os esforços para trazer todos os elementos de prova capazes de demonstrar a existência de um grupo econômico. O fato de não estar formalmente constituído, sem as convenções e os registros nos órgãos competentes, não afasta a Fl. 768DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 existência de outros grupos que escapam à formalização cartorial, como nos ensina a melhor doutrina: "Não se exige, sequer, prova de sua formal institucionalização cartorial, pode-se acolher a existência do grupo desde que emerjam evidências probatórias de que estão presentes os elementos de integração interempresarial de que falam os mencionados preceitos da CLT e Lei do Trabalho Rural". (Curso de Direito do Trabalho —Maurício Godinho Delgado) 64. Sobre a formação de Grupo Econômico, a Consolidação das Leis Trabalhistas — CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n° 5.452, de 1°. 05.1943, prevê: “Art. 2º (...)”. § 2°. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. ". (...) 66. Na legislação trabalhista basta a existência de poder de controle único sobre diversas empresas para caracterizar-se o grupo econômico, independente do tipo de empresa ou da natureza do poder. (...) 67. A legislação previdenciária ao tratar de solidariedade no que se refere a grupos de empresas, dispôs de forma expressa que aquela se aplica aos grupos econômicos de qualquer natureza. 68. Evoluindo nesse sentido, a ampliação dos conceitos aplicados aos grupos econômicos vem se impondo diante da realidade fática, conforme se depreende da melhor doutrina e jurisprudência. (...) 70. Observa-se, então, que o grupo de sociedades se define como reunião de várias empresas, cada uma com personalidade e patrimônio próprios, que se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. (...) 72. Assim, para a configuração de grupo econômico, no âmbito do Direito Previdenciário e do Direito do Trabalho, não é indispensável a existência de uma empresa líder, que exerça controle direto sobre outra; a mera coordenação é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que não há prevalência de uma empresa sobre a outra, mas conjugação de interesses com vistas à ampliação, manutenção e credibilidade dos negócios. 73. No presente caso a fiscalização, amparada pela legislação de regência e consubstanciada na melhor doutrina, diante do conjunto fático probatório demonstra que as empresas envolvidas efetivamente combinam recursos e esforços para consecução de objetivos comuns, atuando economicamente como um grupo. 74. No Relatório Fiscal consta item específico onde os Auditores Notificantes discorrem acerca dos motivos fáticos que os levaram a concluir sobre a existência de grupo econômico. 75. Dentre os elementos fáticos explicitados no Relatório Fiscal documentos comprobatórios carreados aos autos, que amparam a caracterização do grupo econômico de fato entre as empresas referidas, destacamos: a) A empresa O A Ribeiro, precursora das atividades, funcionou até 01/2001, quando então foi criada a "nova empresa" Frigorífico Novo Milênio, no mesmo endereço — Rodovia AC 01 — KM 28 — município de Senador Guiomard — AC), com acréscimo Fl. 769DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 ao mesmo, apenas do n° da sala 01—, tendo como sócio o próprio Osvaldo Alves Ribeiro e seu filho Carlos Celso Medeiros Ribeiro, e como objeto social o ramo de indústria frigorífica (o mesmo da O A Ribeiro) e transferindo seu quadro funcional, conforme comunicado ao Ministério do Trabalho; b) A "nova empresa" Frigorífico Novo Milênio passou, então, a assumir a partir de 02/2001 até 07/2004 as atividades de abate em seu nome; c) Em 08/2004 a pessoa física Osvaldo Alves Ribeiro (proprietário da firma individual que se encontrava paralisada) firmou contrato de locação com a empresa Frigorífico Margen Ltda, tendo por objeto o arrendamento do "complexo de bens produtivos e de apoio que integram o estabelecimento industrial, situado na Rodovia AC-40 km 28, no município de Senador Guiomard, Estado do Acre", transferindo, também o seu quadro de funcionários para a arrendatária. d) O citado endereço das instalações industriais arrendadas é o mesmo endereço da filial do Frigorífico Margen constante dos sistemas corporativos da Receita Federal; e) Na operação de busca e apreensão executada na filial da empresa Frigorífico Margen foram encontrados documentos relativos às três empresas, dos mais diversos anos (de 1998 a 2004), conforme se verifica dos Autos de Apreensão juntados aos autos. f) A alteração do quadro societário da empresa Frigorífico Novo Milênio em 20.11.2005 aponta para uma simulação pois, consoante constatado pela fiscalização, os sócios fundadores Osvaldo Alves Ribeiro e Carlos Celso Medeiros Ribeiro, a despeito de serem pessoas conhecidas e atuantes no ramo da indústria frigorífica e detentores de vasto patrimônio, alienaram suas cotas para pessoas despojadas de capacidade financeira para gerir tal empreendimento, conforme informações extraídas do CNIS. Ressalte-se que a alteração do quadro societário ocorreu, justamente, após a ação de busca e apreensão; g) Frise-se, ainda, que logo após a alteração do seu quadro societário a empresa Frigorífico Novo Milênio paralisou suas atividades operacionais, quando, então, em 01/2006, a firma individual precursora O A Ribeiro, voltou a assumir as atividades de abate, conforme informações obtidas junto à Delegacia Federal do Ministério da Agricultura e Abastecimento - SIF do Estado do Acre; h) No que se refere ao Contrato de Arrendamento entre a empresa individual O A Ribeiro (locador) e o Frigorífico Margen (locatário), e, para corroborar com o entendimento firmado pela fiscalização destacamos a seguintes cláusulas: "Cláusula Primeira — O locador (O A Ribeiro) é legítimo proprietário do complexo de bens produtivos e de apoio que integram o estabelecimento industrial, situado na Rodovia AC-40, Km 28, no município de Senador Guiomard, Estado do Acre, nele se incluindo o pátio, instalações e equipamentos, que serão especificados em lista de bens, identificadas como Anexo I." "Cláusula Décima Terceira — Os funcionários registrados e sue vinham exercendo seus serviços para o LOCADOR, ficarão sob a responsabilidade da LOCATÁRIA, que assumirá todos os encargos trabalhistas e salariais, em conformidade com a legislação em vigor e com o último Acordo Coletivo firmado com o sindicato da categoria". Parágrafo único — O passivo trabalhista e outros encargos pertinentes ao conjunto de colaboradores do Frigorífico, anteriores à assinatura do presente Contrato de Locação, serão de inteira responsabilidade do LOCADOR.". "Cláusula Sétima — A LOCATÁRIA poderá utilizar a fachada do imóvel locado para realizar a propaganda de seu título e marca, mediante a instalação de faixas e/ou anúncios luminosos, desde que não repercutam negativamente na Firma e/ ou Título do Estabelecimento originário." "Cláusula Vigésima Quinta — O açougue existente na parte externa do parque industrial permanecerá sob o domínio e controle do LOCADOR, que terá, a cada Fl. 770DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 mês, o direito de fazer o abate de até 25 (vinte e cinco) cabeças de gado, sem qualquer custo e/ou desconto no aluguel." 76. Ressalte-se, ainda, a contradição das alegações da impugnante O A Ribeiro, pois, em seu arrazoado afirma que o contrato de arrendamento foi firmado com o Frigorífico Novo Milênio e com prazo de duração de 5 anos (?), em total dissonância com as informações constantes do contrato de aluguel apresentado à fiscalização, no qual consta o Frigorífico Margen como locatário e o prazo de duração de 2 anos. 77. Constata-se que os elementos probatórios que consubstanciam o lançamento foram carreados para os autos, quais seja a coincidência de endereços de estabelecimentos das empresas envolvidas O A Ribeiro e Frigorífico Novo, Milênio (de maneira simultânea ou sucessiva), nas mesmas instalações (inclusive do parque industrial arrendado para o Frigorífico Margen), com a utilização dos mesmos equipamentos; materiais e mão-de- obra, no sentido de desenvolver a atividade comum a todos eles (abate de bovinos); diligência efetuada junto a órgãos federais (Delegacia Federal de Agricultura no Acre, Serviço de Inspeção de Produtos Agropecuários), restando indubitável que há uma estreita ligação de interesses entre as Impugnantes. 78. Portanto, o conjunto fático probatório demonstra o liame necessário entre as empresas envolvidas, as quais combinam recursos financeiros, materiais e humanos para consecução de objetivos comuns, demonstrando a unicidade de interesses, atuando de maneira inequívoca como um grupo econômico de fato, devendo assim ser considerado, pois se enquadram nos dispositivos legais citados, auxiliados pela doutrina já citada e jurisprudência, conforme julgados abaixo colacionados. (...) 79. Cabe ressaltar que o Livro Diário e o Razão não constam dentre os documentos apreendidos e a impugnante notificada, apesar de intimada através do TIAD, não disponibilizou para a fiscalização os seus registros contábeis, inviabilizando uma verificação aprofundada das suas operações financeiras e de sua movimentação patrimonial. Da composição do pólo passivo desta NFLD. Grupo econômico. Solidariedade. 80. A solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ao grupo econômico é bastante ampla, abrange todas as obrigações das empresas ali imposta. Incidente a solidariedade, a cobrança do tributo pode ser diretamente dirigida a qualquer dos solidários, independentemente de ser o contribuinte ou o responsável solidário, sem benefício de ordem. 81. A responsabilidade solidária aplicada aos grupos econômicos tem previsão no seguinte dispositivo da Lei 8.212, de 1991: Art. 30. IX — as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. 82. O Regulamento da Previdência Social - Decreto 3.048, de 06/05/1999 - seguindo exatamente a mesma orientação, estabelece: Art. 222. As, empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200-A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação-dada pelo Decreto nº. 4.032, de 26/11/2001). 83. Assim, respondem solidariamente pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária, as empresas que integram grupo "econômico e, dentro do estatuído no artigo 124, II, do Código Tributário Nacional, a lei do custeio atribui a qualquer empresa integrante de grupo econômico, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias devidas. A citada norma determina que todo o patrimônio Fl. 771DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 do grupo econômico responda pelas suas obrigações tributárias de natureza previdenciária de cada uma das empresas membro. 84. Desse modo, a fiscalização agiu estritamente dentro dos parâmetros legais que lhe impõem os dispositivos contidos no art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, art. 229 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado, pelo Decreto n° 3.048/99 e art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN. O procedimento adotado, fundamentado na legislação de comando — art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 foi determinado pela constatação de que se trata de grupo econômico de fato. 85. Abaixo colacionamos jurisprudência acerca do tema. (...) Dos Lançamentos A90 e B90 — Retenção sobre a Remuneração dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais. 86. Consoante o Relatório Fiscal e seus anexos os valores lançados na presente NFLD foram declarados pela notificada na Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, constituindo-se em termo de confissão de dívida, em caso de ausência de recolhimento, conforme previsto no § 1° do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, in verbis: Art. 225. (.) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não-recolhimento. 87. O Relatório Fiscal informa que foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte, assim como aqueles decorrentes de lançamentos efetuados contra a empresa, relativos às competências inseridas na presente notificação. Os créditos apropriados estão discriminados no relatório RADA às fls. 34. 88. Portanto, a despeito das alegações da notificada Frigorífico Novo Milênio Ltda de que "a parte dos funcionários, patronal e pró-labore está toda recolhida", a mesma não merece prosperar, eis que todas as guias foram apropriadas, conforme informado no Relatório Fiscal, nos relatórios DAD e RADA. Confirmou-se na presente ocasião, através de consulta ao sistema Plenus MV2, que todas as guias apresentadas pelo sujeito passivo em tela foram consideradas no presente levantamento. 89. Assim, a emissão desta NFLD apresenta prova contundente capaz de juridicamente manter a constituição do crédito ora impugnado, porque não está fundamentada em suposições de fatos, mas sim, nos documentos apresentados e nas declarações prestadas pela própria notificada. (...) Por fim, semelhantemente ao ocorrido nas impugnações apresentadas, também os recursos interpostos se constituem de alegações genéricas desacompanhadas de provas materiais relativamente aos fatos geradores que motivaram o lançamento do crédito tributário em questão, pois não foram juntados aos autos qualquer elemento ou fato novo que justifique a alteração dos procedimentos efetuados pela fiscalização e a decisão do juízo a quo. Do pedido de diligência No artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235 de 6 de março de 19725, com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748 de 9 de dezembro de 1993, estão os requisitos a serem cumpridos acerca das diligências e perícias que o impugnante pretende que sejam Fl. 772DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 efetuadas, e as consequências pelo não atendimento de tais requisitos estão previstas no § 1º do referido dispositivo normativo. No caso concreto conforme relatado anteriormente (itens nº 86 a 89) não procede o pedido de diligência estando comprovado nos autos que foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte em GFIP. Do pedido de ciência do patrono e sustentação oral Quanto à demanda acerca da ciência do patrono do contribuinte, os incisos I, II e III do artigo 23 do Decreto n° 70.235 de 1972 disciplinam integralmente a matéria, configurando as modalidades de intimação, atribuindo ao fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. De tais regras, conclui-se pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo. Assim, a intimação via postal, no endereço de seu advogado, não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3° e 4°, do Decreto n° 70.235 de 1972. Ademais a matéria já se encontra sumulada no âmbito do CARF, sendo portanto de observância obrigatória por parte deste colegiado, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do artigo 37 do Decreto nº 70.235 de 1972, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009. Atualmente a Portaria nº 10.786 de 28 de abril de 2020 regulamenta a realização de reunião de julgamento não presencial, por videoconferência ou tecnologia similar, prevista no artigo 53, §§ 1º e 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF4, dispondo em seus artigos 4º, 5º e 6º acerca dos procedimentos para a sustentação oral. 4 PORTARIA Nº 10.786, DE 28 DE ABRIL DE 2020. Regulamenta a realização de reunião de julgamento não presencial, por videoconferência ou tecnologia similar, prevista no art. 53, §§ 1º e 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, no uso da atribuição que lhe confere o art. 3º, § 2º, do Anexo I, e tendo em vista o disposto no art. 53, §§1º e 2º, do Anexo II, ambos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, resolve: Art. 1º A reunião de julgamento não presencial prevista no §2º do art. 53 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF será realizada, no âmbito das Turmas Ordinárias e da CSRF, por vídeoconferência ou tecnologia similar, e seguirá o mesmo rito da reunião presencial estabelecido no art. 56 do Anexo II do RICARF, inclusive facultando-se sustentação oral às partes ou patrono que a requererem. Art. 2º Enquadram-se na modalidade de julgamento não presencial os recursos em processos cujo valor original seja inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), assim considerado o valor constante do sistema eProcesso na data da indicação para a pauta, bem como os recursos, independentemente do valor do processo, cuja(s) matéria(s) seja(m) exclusivamente objeto de: I - súmula ou resolução do CARF; ou II - decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça proferida na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. Fl. 773DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 24 do Acórdão n.º 2201-007.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.001537/2007-07 Desse modo, a parte ou seu patrono deve acompanhar a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União (DOU), com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do artigo 55, parágrafo único do Anexo II do RICARF, podendo, então, encaminhar o pedido de sustentação oral, por meio de formulário eletrônico disponibilizado na Carta de Serviços no sítio do CARF na internet, em até 2 (dois) dias úteis antes do início da reunião de julgamento, nos termos do artigo 4º da Portaria nº 10.786 de 28 de abril de 2020. Portanto, não há como ser atendido o pedido dos Recorrentes neste ponto. Conclusão Em razão do exposto, vota-se em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários Ney Agilson Padilha, O. A. Ribeiro e Frigorífico Margen Ltda, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Parágrafo único. O processo indicado para sessão não presencial que não atenda aos requisitos estabelecidos neste artigo será retirado de pauta pelo presidente da turma, para ser incluído em sessão presencial. Art. 3º A reunião de julgamento será gravada e disponibilizada no sítio eletrônico do CARF em até 5 (cinco) dias úteis de sua realização, fazendo-se constar da respectiva ata da reunião de julgamento o endereço (URL) de acesso à gravação. Art. 4º O pedido de sustentação oral deverá ser encaminhado por meio de formulário eletrônico, disponibilizado na Carta de Serviços no sítio do CARF na internet, em até 2 (dois) dias úteis antes do início da reunião de julgamento. § 1º Somente serão processados pedidos de sustentação oral em relação a processo constante de pauta de julgamento publicada no Diário Oficial da União e divulgada no sítio do CARF na internet. § 2º Serão aceitos apenas os pedidos apresentados no formulário eletrônico padrão, preenchido com todas as informações solicitadas. Art. 5º A sustentação oral será realizada por meio de gravação de vídeo/áudio hospedado na plataforma de compartilhamento de vídeos na Internet, indicada na Carta de Serviços, no sítio do CARF. Parágrafo único. O tempo de duração do vídeo/áudio da gravação será limitado a 15 (quinze) minutos, nos termos do art. 58, inciso II, do Anexo II do R I C A R F. Art. 6º Caso o vídeo/áudio de gravação da sustentação oral não esteja disponível no endereço (URL) indicado no formulário eletrônico ou apresente qualquer impedimento técnico à sua reprodução, o processo será retirado de pauta, registrando-se em ata essa motivação. Parágrafo único. O processo retirado de pauta será automaticamente incluído na pauta de julgamento da reunião subsequente, oportunidade em que a sustentação oral será considerada como não solicitada, ressalvada a possibilidade de apresentação de novo pedido no prazo de que trata o art. 4º. Art. 7º No mesmo prazo estabelecido no caput do art. 4º, fica facultada às partes a solicitação de retirada do recurso de pauta, situação em que o respectivo processo será automaticamente incluído em reunião presencial. § 1º O pedido de retirada de pauta deverá ser formalizado por meio de formulário eletrônico próprio, disponível na Carta de Serviços no sítio do C A R F. § 2º O processo retirado de pauta será incluído oportunamente em pauta de julgamento de reunião presencial, publicada nos termos do §1º do art. 55 do Anexo II do RICARF. Art. 8º Fica assegurado o direito ao envio de memorial por meio de formulário eletrônico próprio, disponível na Carta de Serviços no sítio do CARF, em até 5 (cinco) dias contados da data da publicação da pauta. Art. 9º. Esta Portaria entra em vigor no dia 4 de maio de 2020. Fl. 774DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12266.720085/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Nov 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 05/08/2010
AÇÃO ORDINÁRIA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
As associações são legitimados extraordinários e atuam no processo judicial na qualidade de parte, e não de representante. Apesar de defenderem direito alheio, atuam em nome próprio. Logo, qualquer dos colegitimados, isoladamente, pode propor uma demanda judicial, ou litigar administrativamente.
Nas ações ordinárias, há exceção quando há autorização expressa individual para o ajuizamento de demanda, que não se confunde com autorização em assembleia geral.
NULIDADE DE PARTE DO ACÓRDÃO DA DRJ. TEORIA DA CAUSA MADURA.
Em se tratando de matéria exclusivamente de direito, e estando em condições de imediato julgamento, o colegiado deve decidir desde logo o mérito, nos termos do art. 1.013, § 3º, do CPC, sendo desnecessário retornar o processo à instância de piso, em casos como de nulidade do acórdão da DRJ ou sua omissão em relação a algum tópico da defesa.
MULTA ADUANEIRA POR ATRASO EM PRESTAR INFORMAÇÕES. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA.
O agente de carga ou agente de navegação (agência marítima), bem como qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, para efeitos de responsabilidade pela multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei nº 37/66.
Nos termos do art. 95 do mesmo diploma legal, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
PRAZO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES.
Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.
OBRIGAÇÃO DE PRESTAR INFORMAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAR EFETIVO PREJUÍZO AO FISCO EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA.
O núcleo do tipo infracional é simplesmente deixar de prestar informação (...) na forma e no prazo estabelecidos, não se exigindo qualquer resultado naturalístico para sua consumação.
O art. 94 do Decreto-lei nº 37/66, ao definir o conceito de infração, não o condiciona a qualquer comprovação de prejuízo efetivo para o Fisco, mas tão somente à inobservância, (...) de norma estabelecida neste Decreto-Lei (...) ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. Além disso, possui comando expresso em seu § 2º no sentido de que a responsabilidade pelas infrações independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SCI Cosit 2/2016 as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Numero da decisão: 3401-008.211
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Ronaldo de Souza Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-008.161, de 24 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10711.724619/2013-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Tom Pierre Fernandes da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto.
Nome do relator: TOM PIERRE FERNANDES DA SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/08/2010 AÇÃO ORDINÁRIA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. As associações são legitimados extraordinários e atuam no processo judicial na qualidade de parte, e não de representante. Apesar de defenderem direito alheio, atuam em nome próprio. Logo, qualquer dos colegitimados, isoladamente, pode propor uma demanda judicial, ou litigar administrativamente. Nas ações ordinárias, há exceção quando há autorização expressa individual para o ajuizamento de demanda, que não se confunde com autorização em assembleia geral. NULIDADE DE PARTE DO ACÓRDÃO DA DRJ. TEORIA DA CAUSA MADURA. Em se tratando de matéria exclusivamente de direito, e estando em condições de imediato julgamento, o colegiado deve decidir desde logo o mérito, nos termos do art. 1.013, § 3º, do CPC, sendo desnecessário retornar o processo à instância de piso, em casos como de nulidade do acórdão da DRJ ou sua omissão em relação a algum tópico da defesa. MULTA ADUANEIRA POR ATRASO EM PRESTAR INFORMAÇÕES. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. O agente de carga ou agente de navegação (agência marítima), bem como qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, para efeitos de responsabilidade pela multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/66. Nos termos do art. 95 do mesmo diploma legal, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. PRAZO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 00 85 /2 01 5- 07 Fl. 329DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. OBRIGAÇÃO DE PRESTAR INFORMAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAR EFETIVO PREJUÍZO AO FISCO EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA. O núcleo do tipo infracional é simplesmente “deixar de prestar informação (...) na forma e no prazo estabelecidos”, não se exigindo qualquer resultado naturalístico para sua consumação. O art. 94 do Decreto-lei nº 37/66, ao definir o conceito de “infração”, não o condiciona a qualquer comprovação de prejuízo efetivo para o Fisco, mas tão somente à “inobservância, (...) de norma estabelecida neste Decreto-Lei (...) ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los”. Além disso, possui comando expresso em seu § 2º no sentido de que a responsabilidade pelas infrações independe “da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. MULTA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SCI Cosit 2/2016 as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Ronaldo de Souza Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-008.161, de 24 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10711.724619/2013-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto. Fl. 330DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem descrever os fatos, adota-se parcialmente o Relatório da DRJ: O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, carga transportada ou operação realizada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O lançamento foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3º). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar as irregularidades apuradas que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informações intempestivas referentes aos conhecimentos eletrônicos (CE) ali indicados. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. a) Ilegitimidade passiva. A impugnante não é parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento, pois atuou apenas como agência de navegação marítima, que não se equipara a transportador, nem pode ser considerada como representante dele, para fins de responsabilidade tributária. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início da fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da Fl. 331DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do Decreto-Lei nº 37/1966, bem como o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. A impugnante foi penalizada em duplicidade, pois foi autuada mais de uma vez pela mesma infração em relação ao mesmo navio/viagem. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 8, de 14/2/2008. d) Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. As multas lançadas referem-se a fatos que ocorreram no chamado “período de graça”, estabelecido pela própria norma que definiu os prazos para prestar informações, objetivando proporcionar às empresas condições para se adequar às exigência legais. e) Ausência de tipicidade (equívoco da fiscalização). A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. Retificar uma informação não é a mesma coisa que deixar de prestá-la. f) Violação ao princípio da reserva legal (CTN, art. 97, V). O art. 45, § 1º, da IN RFB nº 800/2007, ao equiparar retificação à ausência de prestação da informação, criou nova penalidade sem base legal. Somente a lei, em sentido estrito, pode instituir penalidade. g) Falta de elemento essencial da obrigação acessória. A obrigação de prestar informações sobre veículo, operação e carga transportada não atende ao disposto no art. 113, § 2º, do CTN, pois ela não foi instituída “no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos”. Ao final a impugnante requer a suspensão da exigibilidade do crédito constituído, em razão da defesa apresentada, bem como a exclusão de sua responsabilidade e o cancelamento do Auto de Infração. A DRJ NÃO CONHECEU DA IMPUGNAÇÃO no tocante à validade das normas infralegais que regulam a obrigação em foco e à aplicabilidade da denúncia espontânea para esse tipo de obrigação, por se tratar de matéria submetida ao crivo do Judiciário, DECLARANDO DEFINITIVO o lançamento em relação a esses aspectos, devido à renúncia a discuti-los na via administrativa; e CONHECEU DA IMPUGNAÇÃO em relação às matérias diversas das questionadas judicialmente, para NEGAR-LHES PROVIMENTO. Foi exarado o Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/08/2010 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/08/2010 Fl. 332DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informação que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/08/2010 REGISTRO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. MULTA. A retificação de registro sobre veículo ou carga transportada solicitada após o prazo para prestar as informações exigidas pela Receita Federal confirma que o dado correto não foi fornecido tempestivamente, fato que é tipificado como infração e punido com multa específica. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no art. 64 do Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de informação sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento eletrônico ou item incluído ou retificado após o prazo para informar os dados corretos, independentemente da quantidade de campos alterados. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ apresentou Recurso Voluntário, basicamente reiterando os mesmos argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. I – PRELIMINAR DE INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA A decisão de piso identificou a existência de concomitância entre parte do presente processo e uma ação judicial, nos seguintes termos: Em 27/8/2014, ao iniciar a análise dos processos administrativos nº 12266.722051/2014-68, 12266.722091/2014-18 e 12266.722153/2014-83, este 1 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 333DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 julgador tomou conhecimento de que a autuada, representada pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica – CENTRONAVE, havia ingressado com ação na Justiça para se eximir do pagamento da multa pelo mesmo tipo de infração que deu ensejo ao lançamento. Foi alegada a ilegalidade da Instrução Normativa (IN) RFB nº 800/2007 (que disciplinou a forma e o prazo como devem ser prestadas as informações exigidas do transportador) e do Ato Declaratório Executivo (ADE) Corep nº 3/2008 (que formaliza orientações sobre como devem ser aplicadas as disposições trazidas na IN 800/2007), e requerida a aplicação da denúncia espontânea para os casos em que a informação sobre a carga transportada foi prestada com atraso, mas antes da notificação do início de fiscalização para verificar o cumprimento dessa obrigação. Trata-se da Ação Ordinária nº 0065914-74.2013.4.01.3400-JFDF e do Agravo de Instrumento nº 0005763-26.2014.4.01.0000 (TRF1). Cabe observar que a autuada não informou a propositura da ação judicial nos processos em que a impugnação foi apresentada anteriormente, nem anexou a petição inicial naqueles supracitados em que comunicou tal providência, contrariando o disposto no art. 16, V, do Decreto nº 70.235/19721. Felizmente foi possível obter essa peça por intermédio da Divisão de Administração Aduaneira da 3ª Região Fiscal, sendo que a decisão proferida no citado Agravo de Instrumento foi obtida na página eletrônica do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o que tornou desnecessário baixar o processo em diligência apenas para juntar esses documentos, que são anexados aos autos nesta ocasião. Em relação às matérias abrangidas pela mencionada ação, caracterizou-se a renúncia à instância administrativa, pois cabe ao Judiciário decidir a questão, tornando-se inócuo o julgamento administrativo. Trata-se de observância ao princípio da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, e que também atende aos princípios da economicidade e da celeridade processual (art. 5º, LXXVIII, CF). Nesse sentido dispõem o art. 87 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamentou o processo administrativo fiscal federal, e o Parecer Cosit nº 7, de 22/8/2014: Alega o Recorrente que, para implicar renúncia à instância administrativa, é necessário que a ação tenha sido proposta pelo próprio contribuinte, e isto não ocorreu, tendo em vista que a ação foi ajuizada pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CENTRONAVE), da qual a Recorrente é associada. Assiste razão ao Recorrente, pois a ação não foi por ele proposta, mas por associação da qual é filiado, na condição de “substituto processual”, e não de “representante processual”. Com efeito, a Lei nº 6.830/80, em seu art. 38, § único, dispõe o seguinte: Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. A Súmula CARF nº 01 segue no mesmo sentido: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 334DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fredie Didier et alii, em Curso de Direito Processual Civil, vol. 01, 19ª ed., 2017, págs. 390/391 e 526, abordam o tema: 10.3.3. Substituição processual ou legitimação extraordinária Parte da doutrina nacional tem por sinônimas as designações "substituição processual" e "legitimação extraordinária". Há, no entanto, quem defenda acepção mais restrita à "substituição processual". Segundo essa corrente, a substituição processual seria apenas uma espécie do gênero "legitimação extraordinária" e existiria quando ocorresse uma efetiva substituição do legitimado ordinário pelo legitimado extraordinário, nos casos de legitimação extraordinária autônoma e exclusiva ou nas hipóteses de legitimação autônoma concorrente, em que o legitimado extraordinário age em razão da omissão do legitimado ordinário, que não participou do processo como litisconsorte. Nessa linha, não se admite a coexistência de substituição processual e litisconsórcio. (...) c) O legitimado extraordinário atua no processo na qualidade de parte, e não de representante, ficando submetido, em razão disso, ao regime jurídico da parte. Atua em nome próprio, defendendo direito alheio. Há incoincidência, portanto, entre as partes da demanda e as partes do litígio. Em razão disso, é em relação ao substituto que se examina o preenchimento dos requisitos processuais subjetivos. A imparcialidade do magistrado, porém, pode ser averiguada em relação a ambos: substituto ou substituído. (...) 2.4.8. Litisconsórcio facultativo unitário e coisa julgada Já dissemos que há uma relação muito próxima entre colegitimação e litisconsórcio unitário. Quando há vários legitimados autônomos e concorrentes, há legitimação extraordinária, porque qualquer um pode levar ao judiciário o mesmo problema, que ou pertence a um dos colegitimados, ou a ambos, ou a um terceiro. Se a colegitimação é passiva, e há unitariedade, o litisconsórcio necessário impõe-se sem qualquer problema: como ninguém pode recusar-se a ser réu, o litisconsórcio formar-se-á independentemente da vontade dos litisconsortes. Se a colegitimação é ativa, e há unitariedade, qualquer dos colegitimados, isoladamente, pode propor a demanda, mesmo contra a vontade de um possível litisconsorte unitário. (...) a) Como os casos de litisconsórcio facultativo unitário são, rigorosamente, casos de legitimação extraordinária, pois alguém está autorizado a, em nome próprio, levar a juízo uma situação jurídica que não lhe pertence (no caso de litisconsórcio unitário formado pelo titular do direito e por um terceiro) ou que não lhe pertence exclusivamente (no caso de litisconsórcio unitário formado por cotitulares do direito, como os condôminos), a coisa julgada estenderá os seus efeitos aos demais colegitimados, titulares do direito ou outros legitimados extraordinários, pois a relação jurídica já recebeu a solução do Poder judiciário, solução que deve ser única. Seria hipótese de extensão ultra partes dos efeitos da coisa julgada, mitigando a regra do art. 506 do CPC. Fl. 335DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 Esse é o ,entendimento que adotamos, seguindo a linha de, entre outros, Barbosa Moreira e Ada Pellegrini Grinover. No mesmo sentido, Humberto Theodoro, em Curso de Direito Processual Civil, vol. 01, 56ª ed., 2015, capt. 185: 185. Substituição processual Em regra, a titularidade da ação vincula-se à titularidade do pretendido direito material subjetivo, envolvido na lide (legitimação ordinária). Assim, “ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico” (NCPC, art. 18). Há, só por exceção, portanto, casos em que a parte processual é pessoa distinta daquela que é parte material do negócio jurídico litigioso, ou da situação jurídica controvertida. Quando isso ocorre, dá-se o que em doutrina se denomina substituição processual (legitimação extraordinária), que consiste em demandar a parte, em nome próprio, a tutela de um direito controvertido de outrem. Caracteriza-se ela pela “cisão entre a titularidade do direito subjetivo e o exercício da ação judicial”, no dizer de Buzaid. Trata-se de uma faculdade excepcional, pois só nos casos expressamente autorizados em lei é possível a substituição processual (art. 18). (...) De qualquer maneira, não se concebe que a um terceiro seja reconhecido o direito de demandar acerca do direito alheio, senão quando entre ele e o titular do direito exista algum vínculo jurídico. (...) Uma associação ou um sindicato também pode demandar em defesa de direitos de seus associados porque o fim social da entidade envolve esse tipo de tutela aos seus membros: há, pois, conexão entre o interesse social e o interesse individual em litígio. Daí ser justificável a substituição. (...) (...) Uma consequência importante da substituição processual, quando autorizada por lei, passa-se no plano dos efeitos da prestação jurisdicional: a coisa julgada forma-se em face do substituído, mas, diretamente, recai também sobre o substituto. A regra, porém, prevalece inteiramente na substituição nas ações individuais, não nas coletivas, como a ação civil pública e as ações coletivas de consumo. Nestas, as sentenças benéficas fazem coisa julgada para todos os titulares dos direitos homogêneos defendidos pelo substituto processual (CDC, art. 103, III). O insucesso, porém, da ação coletiva não obsta as ações individuais, a não ser para aqueles que tenham integrado o processo como litisconsortes (CDC, arts. 94 e 103, § 2º). Nesse último caso, a coisa julgada impede a repropositura da ação coletiva, mas não o manejo de ações individuais com o mesmo objetivo visado pela demanda coletiva. Diz-se que a pretensão individual nunca será a mesma formulada coletivamente, ou seja: o direito difuso ou coletivo nunca se confunde com o direito individual de cada um dos indivíduos interessados. Mesmo no caso dos direitos individuais homogêneos, o que se discute, coletivamente, é apenas a tese comum presente no grupo de cointeressados. Nunca ficará o indivíduo privado do direito de demonstrar que sua situação particular tem aspectos que justificam a apreciação da ação individual. Como se observa, a doutrina entende que a propositura da ação coletiva não impede o manejo de ações individuais com o mesmo objetivo visado pela demanda coletiva sem que ocorra o instituto da litispendência, previsto no art. 337, §§ 1º a 3º: Fl. 336DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: (...) VI - litispendência; (...) § 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. Do Código de Processo Civil é possível verificar que as regras aplicáveis à litispendência também se aplicam à questão da concomitância, uma vez que definem o que se deve entender por ações idênticas, ou ações com o mesmo objeto. A legislação civil trata da questão estabelecendo que o Mandado de Segurança coletivo, assim como as ações ordinárias coletivas, não induzem litispendência, permitindo o ajuizamento de ações individuais, bem como permitindo a discussão administrativa. É o que estabelece a Lei nº 12.016/2009 (disciplina o mandado de segurança individual e coletivo) e a Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), c/c o art. 139, X, da Lei nº 13.105/2015 (CPC-2015): Lei nº 13.105, de 2015 Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: (...) X - quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas, oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legitimados a que se referem o art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, e o art. 82 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, para, se for o caso, promover a propositura da ação coletiva respectiva. Lei nº 12.016, de 2009 Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. Lei nº 8.078, de 1990 Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: Fl. 337DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. Art. 82. Para os fins do art. 100, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995) I - o Ministério Público, II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código; IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear. (...) Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81. § 1° Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. § 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985, não prejudicarão as ações de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão as vítimas Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à execução, nos termos dos arts. 96 a 99. § 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal condenatória. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Nesse sentido, as seguintes decisões deste Conselho: a) Acórdão nº 3301-007.622, Sessão de 17/02/2020: O v. acórdão recorrido não conheceu destas matérias em razão de suposta concomitância com ação judicial, Ação Ordinária nº 0065914- 74.2013.4.01.3400, proposta pela CENTRONAVE perante a Justiça Federal em Brasília, Associação Civil da qual a Recorrente faz parte, sob o argumento de que a decisão desta ação judicial repercutiria na esfera de direitos da Recorrente. (...) Sem fazer prova de que a Recorrente realmente é associada desta Associação Civil e sem verificar na ação judicial se a Recorrente autorizou expressamente a referida Associação a propor ação coletiva em seu nome, a d. DRJ não conheceu dos argumentos da impugnação que coincidem com a discussão travada em âmbito judicial, em razão da concomitância, não proferindo julgamento sobre estes pontos da controvérsia. A r. decisão de piso deve ser anulada para que a parte não conhecida seja analisada e julgada em seu mérito pela instância administrativa. Isso porque, embora não negue e nem comente sua situação de ser associada da CENTRONAVE, a Recorrente afirma a inexistência de autorização expressa conferindo legitimidade processual da Associação para defender seus interesses em ações coletivas. Para comprovar a ausência de autorização expressa, juntou aos autos a petição inicial da referida ação ordinária, fls. 3.032-3.078, onde resta evidente o argumento da CENTRONAVE de que não apresentava autorização dos associados diante da desnecessidade desta providência, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Assim, destaco o seguinte trecho da referida petição inicial: (...) No ano de 2014, em sede de repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão no sentido de que a coisa julgada das ações coletivas propostas por associações civis só teriam efeito para os associados que assim conferido a autorização expressa para a Associação litigar em seu nome para defender seus interesses, autorização esta que deveria ser apresentada com a petição inicial para comprovar a legitimidade processual. (...) Anos mais tarde, também em sede de repercussão geral, o STF analisou a constitucionalidade do artigo 2º-A da Lei 9.494/1997 para tratar da eficácia subjetiva da coisa julgada em ações coletivas propostas por Associações Civis e Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 consolidou o entendimento de que a coisa julgada só tem efeito no âmbito da jurisdição do órgão judicial que proferiu a decisão. Este entendimento foi proferido no RE 612043/PR, conforme ementa abaixo: (...) Com isso, não há evidências nos autos de que a Recorrente autorizou a Associação a litigar em seu nome. Ainda, a eficácia da coisa julgada não beneficiaria a Recorrente, em razão de estar estabelecida em local não abrangido pela jurisdição do órgão judicial que irá proferir a decisão na ação coletiva. Desta feita, apesar de não ter diligenciado para verificar a presença destes requisitos, a d. DRJ deveria ter conhecido dos argumentos e teses de defesa da Recorrente, diante da inexistência de concomitância. Isto posto, conheço do recurso voluntário para dar parcial provimento para anular a decisão recorrida, determinando a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. b) Acórdão nº 9303-005.057, Sessão de 15/05/2017: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. c) Acórdão nº 9101-001.216, Sessão de 18/10/2011: Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falar-se em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicar-se- á ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 Pelo exposto, voto por dar provimento ao pedido e declarar a nulidade da decisão a quo, neste particular. [...] 1. Trata-se de multa administrativa (aduaneira) por descumprimento da obrigação de informação sobre veículo e carga transportada. 2. A Recorrente alega ILEGITIMIDADE PASSIVA porquanto mera representante do transportador estrangeiro, real sujeito passivo da multa em análise. Ao analisar o tema em liça, o ilustre Conselheiro Lázaro dispõe que a) a multa em questão é “aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga” e, dentre estas as agências de navegação; b) a agência marítima de navegação é sujeito passivo da autuação “pois concorreu para a prática da infração”, ex vi, art. 32, 94 a 96 do Decreto-Lei 37/66; c) nos termos de repetitivo do Tribunal da Cidadania, “o representante do transportador estrangeiro no país foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do Imposto de Importação”. 2.1. Começando do final, o Superior Tribunal de Justiça fixou Precedente Vinculante em que aponta a agência de navegação tem “responsabilidade tributária solidária” ao lado do transportador efetivo. Contudo, no caso em liça não tratamos de responsabilidade tributária e sim aduaneira, por infração administrativa, com relação muito distante ao Imposto de Importação e ao seu recolhimento. Desta forma, embora possa auxiliar a argumentação, não há aplicação direta e tampouco vinculante do Tribunal da Cidadania. Por oportuno, o próprio Superior Tribunal de Justiça mais do que titubeia em reconhecer a identidade entre agência de navegação e transportador no tema multas aduaneiras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. SISCOMEX. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE INFORMAÇÕES. MULTA. AGENTE DE CARGA X AGENTE MARÍTIMO. ART. 37, IV, E, DL N. 37/66. I - Trata-se de pedido de tutela provisória, com fundamento nos arts. 995, parágrafo único, e 1.029, § 5º, do CPC e art. 288 do RISTJ, requerendo a suspensão da decisão proferida pelo TRF da 2ª Região. II - De acordo com o art. 995, parágrafo único, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de recurso que em regra não é dotado de efeito suspensivo, a eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave ou de difícil ou impossível reparação e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. III - Por sua vez, o art. 1.029, § 5º, I, do CPC/2015 estabelece que o pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido ao Tribunal Superior respectivo, no período compreendido entre a interposição do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-lo. IV - Como se pode notar, para a excepcional concessão do efeito suspensivo, há se exigir a presença cumulada dos dois requisitos legais, quais sejam, a possibilidade de risco de dano grave ou de difícil ou impossível reparação e a probabilidade de provimento do recurso. V - Na hipótese dos autos, a análise da excepcionalidade há de ser ainda mais rigorosa, tendo em vista se tratar de recurso especial inadmitido, decisão que foi Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 enfrentada pelo recurso próprio. A questão entelada gravita em torno da responsabilidade do agente marítimo por obrigação imputada ao agente de carga, em conformidade com o Decreto-Lei n. 37/66. VI - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça encontra-se pacificada no sentido do afastamento do agente marítimo como responsável tributário por obrigação devida pelo transportador, situação diversa da aqui apresentada. VII - Na hipótese dos autos, trata-se de equiparação do agente marítimo ao agente de carga, a teor da previsão contida no art. 37, § 1º, do Decreto-Lei n. 37/1966. VIII - Conforme observado no acórdão recorrido, a responsabilidade da ora parte requerente advém da interpretação da legislação pertinente, a indicar, em conjunto com as circunstâncias factuais da infração, a alteração da imputação administrativa, trazendo a legitimidade do agente marítimo para responder pela autuação fiscal. IX - Agravo interno improvido. (AgInt no TP 1719 / ES – REL Ministro FRANCISCO FALCÃO – Dje 26/03/2019) 2.2. Outrossim, a fiscalização aponta responsabilidade direta da Recorrente, isto é, como transportadora, e não como responsável, nos termos do artigo 95 do Decreto-Lei 37/66. Desta feita, como a devida vênia, não pode esta Casa alterar a imputação (e nisto se inclui a forma de sujeição) sob pena de violação da não surpresa tão bem descrito no artigo 146 do CTN – aqui aplicável eis que tratamos de lançamento. 2.2.1. De todo o modo, seria incorreta a alteração do tipo de vinculação. A Recorrente é transportadora; assim revela seu contrato social, seu cadastro Mercante e o extrato dos conhecimentos com informações prestadas a destempo: Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 3. Como matéria de defesa, alega a Recorrente que a SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT 02/2016 EXTIRPOU DO ORDENAMENTO JURÍDICO A MULTA POR RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Em contraponto, o Conselheiro Lázaro destaca em seu notável Voto, decisão do Tribunal da Cidadania no seguinte sentido: 11. Embora a parte autora alegue que se trate de mera retificação de informações, é cediço que não foi realizada tempestivamente, conforme os fatos apurados pela autoridade fiscal. Por terem sido lançados dados incorretos no momento oportuno (até a atracação), apenas intempestivamente as informações exigidas passaram a constar no sistema, o que configurou a infração. 12. A solução proferida na Consulta Interna Cosit/RFB nº2/2016, por excepcionar a aplicação da infração prevista na legislação nos casos de alteração ou retificação das informações já prestadas, comporta interpretação restritiva. Extrai-se dos fundamentos do referido ato administrativo (item 11) que a solução proferida na Consulta se aplica às retificações que "podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior", ou seja, decorrentes de fatos supervenientes ao registro inicial, não de mero erro ou negligência do operador ao inserir os dados no Siscomex. 3.1. Pois bem, a Solução de Consulta Interna COSIT 02/2016 advém de consulta da COANA. Em seu relatório de Consulta a COANA descreve que seu intuito é “estabelecer, dentre outros pontos, que as retificações e alterações promovidas intempestivamente, das informações já prestadas anteriormente no sistema não se configuram como prestação de informações fora do prazo”, isto porque, prossegue o Órgão Central de Fiscalização Aduaneira “a multa é cabível “por deixar de prestar informação (...)” e que, ainda que a retificação não se configure como denúncia espontânea, o texto legal determina que a penalidade é cabível com o não cumprimento da obrigação, e não com o seu cumprimento incorreto”. 3.1.1. É claro que, ao responder a Consulta acima, a COSIT explicita que as retificações “podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior”. Contudo, antes disto, no mesmo parágrafo a COSIT conclui que “infere-se, ainda, da legislação posta o não cabimento da aplicação da referida multa quando da obrigatoriedade de uma informação já prestada anteriormente em seu prazo específico, ser alterada ou retificada, como, POR EXEMPLO, as retificações estabelecidas no artigo 27-A e seguintes da IN RFB 800/2007” (...): Art. 27-A. Entende-se por retificação: I - de manifesto, a alteração ou desvinculação após: a) a primeira atracação da embarcação no País, no caso dos manifestos PAS, LCI ou BCE com porto de carregamento estrangeiro; ou Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 b) a emissão do passe de saída, no caso dos manifestos LCE ou BCE com porto de carregamento nacional; II - de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após: a) a primeira atracação da embarcação no País, no caso de CE único ou genérico de importação ou passagem; b) a atracação no porto de destino final do CE genérico, no caso de seus CE agregados; ou c) a emissão do passe de saída, no caso dos CE de exportação. 3.1.2. Em conclusão, no mesmo parágrafo, logo após a oração “podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior”, diz a COSIT que “as alterações ou retificações intempestivas das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a multa aqui tratada”. Não por outro motivo, aliás, restou assim ementada a Solução de Consulta Interna COSIT 2/2016: As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. 3.1.3. Desta feita, com a máxima vênia ao Eminente Ministro Campbell Marques, e ao não menos Eminente Conselheiro Lázaro, resta absolutamente claro que para a COANA e para a COSIT a multa não é aplicável para qualquer tipo de retificação, sem nenhuma distinção de espécie. Correção de informação anteriormente prestada não configura multa. Até mesmo porque – como bem aventa a COANA – ainda que efetivamente atrapalhe a fiscalização aduaneira tal qual a omissão de informação, retificar é diferente de omitir. Retificar exige duas ações, uma primeira de prestar a informação no prazo e a segunda de corrigi-la. Omissão é inação, ausência de ação. Tanto omissão e retificação são conceitos distintos que o § 1° do artigo 45 da IN RFB 800/07 equiparava um e outro conceito. Ora, se idênticos a priori omissão e retificação, despicienda uma norma que os equivalha. 3.2. Ademais – ainda analisando a Jurisprudência citada – segregar informações que podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior de outras sequer faz sentido lógico ou legal; lógico porquanto se o cidadão deve por imposição infralegal descrever a informação no sistema (e retificá-la) por evidente ela é necessária (ex vi, artigo 113 § 2° do CTN “no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos”), legal vez que sem que o cidadão preste a informação correta (leia-se, qualquer uma das inúmeras descritas nos anexos da Instrução Normativa) para a fiscalização não há conclusão da operação de comércio exterior (desembaraço), a operação fica bloqueada no sistema mercante, como revela o artigo 27-B da IN 800/07: Art. 27-B. A retificação de que trata o art. 27-A será solicitada pelo transportador, por escrito ou no Sistema Mercante, e ficará sujeita a análise da RFB. § 1º A solicitação ocorrerá exclusivamente por escrito caso o CE encontre-se: I - vinculado a trânsito não concluído, se a concessão for condicionada à retificação; II - vinculado a despacho de importação; ou III - bloqueado pelo motivo “início de procedimento fiscal. § 2º A solicitação ocorrerá no sistema nos demais casos. Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 § 3º A solicitação de retificação receberá número de protocolo gerado pelo sistema, que será utilizado pelo interessado para acompanhamento do resultado da correspondente análise no Sistema Mercante. § 4º O manifesto eletrônico ou CE submetido a solicitação de retificação no sistema ficará automaticamente bloqueado. 3.3. Em encerramento, a referência à interpretação restritiva é fora de lugar, vez que a) estamos em sede de infração aduaneira e não tributária; b) não estamos tratando de dispensa de obrigação acessória e sim de hipótese de aticipidade da infração, a endonorma permanece hígida, a hipótese da perinorma é afastada, apenas. Em verdade, por tratarmos de infração, a restrição é na amplitude semântica do antecedente em respeito ao nulla poena sine lege scripta e certa. 3.4. No caso em liça a fiscalização narra que aplica a multa aduaneira por RETIFICAÇÃO apresentada, ou seja, não houve omissão de informações, a Recorrente prestou a informação necessária no prazo descrito e, posteriormente, corrigiu-a (em alguns casos, por mais de uma vez): 3.4.1. Desta forma, a multa aplicada a Recorrente deve ser afastada por força do quanto descrito na Solução de Consulta Interna COSIT 02/2016, conforme já decidido por outras Turmas desta Casa, por unanimidade de votos: MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 2/2016. (3201-006.800 – Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 2/2016. (3301-005.219 – Relator: Conselheiro Valcir Gassen) 4. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou provimento, cancelando a autuação. Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-008.211 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720085/2015-07 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente Redator Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10980.903925/2012-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE APROVEITAMENTO. O direito estabelecido para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de não-cumulatividade, deve ser exercido pela pessoa jurídica na forma determinada pela legislação.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. A busca pela verdade material não representa remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova, nem pode se dar às custas de regras jurídicas que servem, em última instância, à concretização de princípios importantes do sistema jurídico
CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com serviços contratados de carga e descarga de mercadorias, ainda que sejam necessários para a execução da atividade empresarial, não geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por não estarem contemplados dentre os custos e despesas relacionados no art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Os bens adquiridos para revenda quando sujeitos à tributação monofásica estão dentre as hipóteses vedadas para o aproveitamento do crédito, ainda que na saída desses produtos tenha sido aplicada, indevidamente, alíquota diferente de zero por cento, conforme estipulado pela legislação.
ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3003-001.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ariene dArc Diniz e Amaral - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente), Lara Moura Franco Eduardo, Muller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene dArc Diniz e Amaral(relatora).
Nome do relator: ARIENE D ARC DINIZ E AMARAL
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE APROVEITAMENTO. O direito estabelecido para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de não-cumulatividade, deve ser exercido pela pessoa jurídica na forma determinada pela legislação. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. A busca pela verdade material não representa remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova, nem pode se dar às custas de regras jurídicas que servem, em última instância, à concretização de princípios importantes do sistema jurídico CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com serviços contratados de carga e descarga de mercadorias, ainda que sejam necessários para a execução da atividade empresarial, não geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por não estarem contemplados dentre os custos e despesas relacionados no art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Os bens adquiridos para revenda quando sujeitos à tributação monofásica estão dentre as hipóteses vedadas para o aproveitamento do crédito, ainda que na saída desses produtos tenha sido aplicada, indevidamente, alíquota diferente de zero por cento, conforme estipulado pela legislação. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
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RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE APROVEITAMENTO. O direito estabelecido para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de não-cumulatividade, deve ser exercido pela pessoa jurídica na forma determinada pela legislação. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. A busca pela verdade material não representa remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova, nem pode se dar às custas de regras jurídicas que servem, em última instância, à concretização de princípios importantes do sistema jurídico” CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com serviços contratados de carga e descarga de mercadorias, ainda que sejam necessários para a execução da atividade empresarial, não geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por não estarem contemplados dentre os custos e despesas relacionados no art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Os bens adquiridos para revenda quando sujeitos à tributação monofásica estão dentre as hipóteses vedadas para o aproveitamento do crédito, ainda que na saída desses produtos tenha sido aplicada, indevidamente, alíquota diferente de zero por cento, conforme estipulado pela legislação. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 39 25 /2 01 2- 13 Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Ariene d’Arc Diniz e Amaral - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente), Lara Moura Franco Eduardo, Muller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene d’Arc Diniz e Amaral(relatora). Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: “Trata o processo de contestação contra o Despacho Decisório, emitido pela DRF em Curitiba, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de Cofins não cumulativo –mercado interno, relativo ao 3º trimestre de 2007, no montante de R$ 57.153,19, pleiteado por meio do PER nº 09513.76693.211107.1.1.11-7270, e não homologou a compensação pleiteada por meio da Dcomp nº 02059.43705.300108.1.3.11-0537 (PAF nº 10980.728623/2012-50). O indeferimento do pedido deveu-se pela constatação, após a análise do Dacon, documentos e arquivos digitais apresentados, de que, indevidamente: a) foram incluídas na base de cálculo dos créditos as aquisições de água e preparações compostas, classificadas nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, por se tratarem de “Bens Adquiridos para Revenda” sujeitos à tributação monofásica; b) foram utilizados créditos a título de “Serviços Utilizados como Insumos”, relativos a serviços de carga e descarga de mercadorias, já que, por se tratar de empresa comercial, não poderia descontar crédito calculado em relação a custo de serviço contratado; entretanto, como a empresa informou receita de fretes, foi admitido como integrante dos créditos, vinculados exclusivamente às receitas tributadas no mercado interno, o gasto correspondente a esses serviços, utilizando-se do método de rateio proporcional, já que os valores das receitas auferidas de fretes são inferiores às despesas a título de “carga e descarga de mercadorias” e porque esses gastos incidem também sobre as mercadorias objeto da atividade comercial e não somente como insumo do serviço de transporte; c) foram considerados créditos de “Devoluções de Vendas” que, além de terem sido demonstrados valores inferiores aos do Dacon, referem-se a devoluções de vendas de produtos monofásicos (água e preparações compostas) que tinham na sua saída, à época, tributação à alíquota zero; e d) foram considerados como gastos de energia elétrica valores que não se referem ao consumo efetivo, tais como multas, taxa de iluminação pública e serviço de entrega especial de fatura, além de que o somatório nos meses de julho e setembro de 2007 é inferior ao informado no Dacon. Segundo o relatório fiscal, apurou-se que não remanesceram créditos do PIS/Pasep e da Cofins, no 3º trimestre de 2007, uma vez que os créditos apurados sequer foram suficientes para descontar toda a contribuição devida; no entanto, deixou-se de Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 constituir o crédito tributário, mediante o lançamento de ofício, tendo em vista o prazo decadencial. Os valores da base de cálculo dos créditos comprovados e os admitidos estão relacionados no quadro abaixo: Cientificada, a interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, em 20/12/2012, discorrendo, inicialmente, sobre o princípio da verdade material, argumentando que deve ser aplicado ao caso para que seja revista a decisão emitida e reconhecido o crédito pleiteado. Sobre os créditos relativos a serviços de carga e descarga de mercadorias, argumenta serem indispensáveis na empresa, sendo complementares ao serviço de transporte. Diz que o transportador poderia ser contratado para também fazer o serviço de carregamento e descarregamento e, nesse caso, o valor estaria embutido no preço do transporte e seria possível o crédito. Por isso, a empresa que contrata tal serviço de carga e descarga a parte não merece ser prejudicada. Ressalta que o CARF em recente manifestação adotou a premissa que o conceito de insumo por correto deveria se aproximar do conceito de despesa trazido pelo IRPJ. Sobre os créditos relativos a aquisições para revenda e devoluções de água e preparações compostas, argumenta que os créditos foram aproveitados porque também tributou as saídas desses produtos, ainda que de forma indevida. Por isso, entende que não pode ser efetuada uma análise isolada dos fatos, ou seja, efetuar a glosa dos créditos que não deveriam ter sido aproveitados, sem que seja verificada também a questão dos débitos que foram tributados e que não deveriam ter sido, sob pena de uma análise injusta por parte do Fisco.”. A DRJ manteve o entendimento do despacho decisório, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 COFINS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE APROVEITAMENTO. O direito estabelecido para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de não-cumulatividade, deve ser exercido pela pessoa jurídica na forma determinada pela legislação. CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Os bens adquiridos para revenda quando sujeitos à tributação monofásica estão dentre as hipóteses vedadas para o aproveitamento do crédito, ainda que na saída desses produtos tenha sido aplicada, indevidamente, alíquota diferente de zero por cento, conforme estipulado pela legislação. Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 CRÉDITOS DO SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com serviços contratados de carga e descarga de mercadorias, ainda que sejam necessários para a execução da atividade empresarial, não geram direito a crédito do PIS e da Cofins, por não estarem contemplados dentre os custos e despesas relacionados no art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Em recurso voluntário contribuinte reitera os fundamentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Ariene d’Arc Diniz e Amaral, Relatora. O presente recurso contém matéria de competência desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo. O recurso é tempestivo. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nas razões do recurso voluntário a contribuinte alega (i) prevalência da verdade material; (ii) que tem direito ao crédito relativo a serviços de carga e descarga de mercadorias, que argumenta serem indispensáveis na empresa, sendo complementares ao serviço de transporte. Diz que o transportador poderia ser contratado para também fazer o serviço de carregamento e descarregamento e, nesse caso, o valor estaria embutido no preço do transporte e seria possível o crédito. Por isso, a empresa que contrata tal serviço de carga e descarga a parte não merece ser prejudicada. Ressalta que o CARF em recente manifestação adotou a premissa que o conceito de insumo por correto deveria se aproximar do conceito de despesa trazido pelo IRPJ; (iii) impossibilidade de limitação dos créditos decorrentes de multa, taxa de iluminação pública sobre energia elétrica; (iv)sobre os créditos relativos a aquisições para revenda e devoluções de água e preparações compostas, argumenta que os créditos foram aproveitados porque também tributou as saídas desses produtos, ainda que de forma indevida. 1 Princípio da verdade material O principio da verdade material é máxime do processo administrativo fiscal e deve prevalecer sempre que o contribuinte conseguir fundamentar direito alegado em documentação hábil, escrituração contábil e fiscal, amparada pelos respectivos documentos que lhe dão suporte. O princípio, entretanto, não serve para substituir a ação necessária do contribuinte. Neste sentido é larga jurisprudência deste CARF, a exemplo do acórdão abaixo: “Acórdão nº 3003-000.647 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DCTF. ERRO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. A busca pela verdade material não representa remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova, nem pode se dar às custas de regras jurídicas que servem, em última instância, à concretização de princípios importantes do sistema jurídico”. 2 Créditos relativos a serviços de carga e descarga Comungo e adoto como razão de decidir, nos termos regimentais, o entendimento da DRJ sobre o aproveitamento de créditos sobre serviços de carga e descarga de mercadorias, abaixo transcrito “ Quanto aos gastos com serviço de carga e descarga de mercadorias, cabe assinalar que a autoridade fiscal considerou os créditos relacionados a esses serviços tão somente àqueles vinculados à atividade de transportadora de cargas, utilizando-se do método de rateio proporcional das despesas contratadas, levando-se em conta o valor das receitas auferidas a título de fretes em relação à receita bruta total. Fez-se necessário esse procedimento, devido à inexistência de informação de forma direta dos custos correspondentes a cada uma das atividades; pela indicação de que tais custos incidiam também sobre as mercadorias objeto de sua atividade comercial; e porque o valor dessas despesas apresentavam-se superiores às receitas com a atividade de transporte. Assim, foi considerado, proporcionalmente, o crédito de gastos com carga e descarga que correspondem a insumo do serviço de transporte executado pela interessada. Já quanto ao crédito correspondente aos gastos com carga e descarga de mercadorias relacionados à sua atividade comercial, percebe-se, de imediato, que não se trata de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens destinados à venda, contido no inciso II do art. 3º, já transcrito anteriormente. Isso porque, nos termos do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, considera-se “insumo“, para fins de obter o direito ao crédito no sistema da não-cumulatividade, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, quando utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda. No caso, é evidente que a interessada não fabrica ou produz bens, de forma que possa considerar créditos sobre insumos, como impõe o dispositivo (esses gastos relacionados com a atividade de transporte executada pela contribuinte já foram aproveitados como insumo na prestação de serviços). Veja-se que o art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, com as alterações posteriores, traz a permissão taxativa em seus incisos III a X de aproveitamento de créditos com outros gastos, que não a aquisição de bens para revenda (inciso I) e insumos utilizados na produção (inciso II). Há, isso sim, a autorização expressa para a utilização de crédito decorrente de gastos com frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor (inciso IX), mas nada se referindo a gastos com carga e descarga de mercadorias. Percebe-se, dessa maneira, que o legislador adotou, para fins de utilização de crédito da contribuição pelo sistema da não cumulatividade, o critério de listar os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Está claramente evidenciado que o legislador não pretendeu alargar o conceito de insumo quando se verifica que as Leis nºs 10.637 e 10.833 trataram de incluir, dentre as possibilidades de desconto, os créditos calculados em relação à "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica", "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 utilizados nas atividades da empresa", “combustíveis e lubrificantes”, dentre outros. Ora, essa especificação seria desnecessária se o conceito de insumo fosse tão abrangente, pois, se assim fosse, não haveria necessidade de pontuar esses demais gastos porque, obviamente, eles todos já estariam abrangidos no conceito genérico de insumo, ao entender que são todos aqueles necessários à atividade operacional da empresa e não limitados ao seu processo produtivo. Assim, embora ciente que os gastos com carga e descarga de mercadorias sejam relevantes e necessários para a manutenção de sua atividade empresarial, como argumenta, estão fora do alcance do conceito de insumo e devem ser tratadas como mera despesa operacional.” Verifica-se que a própria DRJ reconhece o direito ao creditamento proporcional os dos créditos referentes a prestação do serviço de transporte, atividade secundária da contribuinte, rejeitando o creditamento nas demais hipóteses. Comungo deste mesmo entendimento, considero que não há direito ao creditamento pelo serviço de carga e descarga utilizado na atividade comercial pura da contribuinte em razão de falta de previsão legal em si tratando da não cumulatividade das contribuições. 3 Créditos relativos a fatura integral de energia elétrica Não merece acolhida as razões da contribuinte para aproveitar o valor total da fatura emitida pelo fornecedor de energia elétrica. A lei autoriza o crédito relativo às despesas de energia elétrica consumida no estabelecimento da contribuinte e não em relação ao valor total da fatura (ou nota fiscal) emitida pela empresa fornecedora de energia elétrica, que pode conter venda de outros serviços ou receita de terceiros. Vejamos o disposto na Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Neste sentido é o entendimento deste tribunal administrativo: Acórdão nº 3002000.757 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme o estabelecido nos incisos III e IX, do art. 3º, respectivamente, da Lei nº 10.833/03 e da Lei nº 10.637/02, somente gera direito ao crédito a energia elétrica, efetivamente, consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Dessa forma, não são Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 aptos a gerar o direito ao crédito os valores pagos a outros títulos, tais como: taxas de iluminação pública, demanda contratada, juros, multa, dentre outros. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. 4 Créditos relativos a produtos sujeitos a monofasia para revenda e devolução A jurisprudência deste tribunal administrativo, com qual concordo e adoto, segue no sentido da impossibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições sujeitas ao regime monofásico. Neste sentido: Acórdão nº3402-006.792 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Acórdão nº 3402-006.756 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Por outro lado, verifico diante da alegação da contribuinte de que submeteu a saída das mercadorias a tributação não lhes aplicando a alíquota zero. A contribuinte apresenta relações e planilhas contendo as descrições das aquisições, todavia não apresenta escrita fiscal e contábil que suporte a alegação de recolhimento indevido. Em si tratando de compensação tributária, modalidade de extinção do crédito tributário, aceita sob determinadas condições, tem-se em síntese que (i) pressupõe a existência de créditos e débitos do contribuinte; (ii) a compensação deve ser realizada com créditos líquidos e certos; (iii) o ônus da prova incumbe ao contribuinte; conforme o entendimento deste tribunal administrativo muito bem consolidado no voto do Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, no Acórdão nº 3003-001.000 (e outros), com o qual concordo e passo respeitosamente a adotar, nos termos regimentais, conforme trecho de voto abaixo transcrito: “2. Sobre Compensação De Créditos Tributários Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 A compensação - uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional - pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário que se almeja compensar é condição sine qua non para que a Autoridade Fiscal possa apurar a existência do crédito, sua extensão e, por óbvio, a certeza e liquidez que o torna exigível. Ausentes os elementos probatórios que evidenciem o direito pleiteado pela Recorrente, não há outro caminho que não seja seu não reconhecimento. Trata-se de regra replicada no inciso VII, §3º do art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 3 o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1 o : VII - o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; - Grifado. De clareza cristalina a regra para compensação de créditos tributários por apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP): demonstração da certeza e liquidez. A regra é harmônica com a disposição do CTN sobre o instituto da compensação, conforme asserta o artigo 170. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. Em análise dos autos afere-se que a Recorrente não trás qualquer elemento probatório que conduza à compreensão de que exista de fato direito creditório líquido e certo apto a revelar equívoco no despacho decisório de e-fl. 7. Há de se recordar o que aduz o art. 967 do Decreto 9.580/2018: Art. 967. A escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, de acordo com a sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. – grifado. Caberia à Recorrente, portanto, trazer ao conhecimento deste Conselho sua escrita contábil com as demonstrações dos lançamentos do período de apuração em debate, lastreadas por notas fiscais e/ou documentos idôneos que comprovem a liquidez e certeza do crédito alegado em PER/DCOMP. Não o fazendo, restam inócuas as alegações aventadas neste Apelo. 3. Do Ônus da Prova Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em Fl. 286DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, a qual me curvo para adotá-la neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. A regra maior que rege a distribuição do ônus da prova encontra amparo no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. O dispositivo transcrito é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, vez que a obrigação de provar está expressamente atribuída à Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de compensação. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha, o que deve ser elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos, aptos a dissuadir o julgador a tomar como verdadeira as alegações enunciadas nos autos. Regressando aos autos, não existem elementos, provas ou indícios aptos a contrapor a atividade do Fisco ao não homologar a integralidade do crédito pleiteado. A Recorrente não traz aos autos elementos hábeis a provar certeza e liquidez do crédito alegado, tais como notas fiscais e escrita contábil apta a apurar a base de cálculo da contribuição Cofins do período de apuração discutido. Tenho por entendimento que se o contribuinte consegue apurar em sua contabilidade o valor do crédito para transmissão da Dcomp e litigar administrativamente por sua homologação, não há dúvidas que poderia ou pode comprová-lo documentalmente nos Fl. 287DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-001.255 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.903925/2012-13 autos. Contudo, mesmo com as oportunidades dadas à Recorrente no contencioso administrativo, não trouxe aos autos a certeza e liquidez exigidas tanto pelo CTN quanto pela Lei 9.430/1996. Vale destacar que a Recorrente não participou ativamente da instrução processual, quedando-se inerte quanto à produção de provas cujo ônus lhe incumbia, trazendo aos autos documentos sem teor probatório”. A situação que se verifica nos autos revela que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório, vez que não trouxe aos autos elementos que demonstrassem a suficiência de crédito a ser utilizado em compensação, exceto as alegações de recolhimento, cópia do DARF, sem contudo, comprovar sua alegação mediante documentação hábil, fiscal e contábil. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negar provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ariene d’Arc Diniz e Amaral Fl. 288DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11075.721103/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2301-008.236
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-008.235, de 8 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 11075.721102/2013-38, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-008.235, de 8 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 11075.721102/2013-38, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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FATO GERADOR OCORRIDO APÓS A DATA DA SUCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de ofício, antes ou depois do evento sucessório. (Súmula CARF 113). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-008.235, de 8 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 11075.721102/2013-38, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 11 03 /2 01 3- 82 Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-008.236 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11075.721103/2013-82 Trata-se de Notificação de Lançamento, resultante do lançamento suplementar do ITR, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda São Manoel” (NIRF 4.255.181-1), com área total declarada de 1.374,2 ha, localizado no município de São Borja-RS, onde foram glosadas integralmente as áreas de produtos vegetais e de pastagens; além de desconsiderar o VTN declarado, arbitrando-o com base no SIPT da Receita Federal. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação onde alega o seguinte, de acordo com o relatório do acórdão recorrido: - afirma que desde 09/09/2008 os impugnantes são legítimos sucessores do Sr. Deodoro Pereira Torres, falecido em 25/08/2007, conforme formais de partilha extraídos do processo de inventário, estando devidamente registrado de forma pública por meio de registros junto à matrícula do imóvel; - a morte do fiscalizado era de conhecimento da RFB, uma vez que constou nas DIAT, apresentadas após sua morte, que o mesmo era representado pelo inventariante Rafael Correa Torres, permanecendo assim nas declarações apresentadas após o fim do inventário, isso por erro do contador; - o ex-contador do de cujus recebeu a Notificação de Lançamento, pois o endereço nas DIAT eram de seu escritório; - consta na Notificação de Lançamento que o de cujus teria sido “regularmente notificado” da ação iniciada em 2013, para informar que a área utilizável e o valor do imóvel para fins de ITR, quando já contavam 06 anos de seu falecimento, como se ainda fosse proprietário daquele imóvel; - informa que ninguém recebeu a notificação inicial; - diante da ausência de atendimento às solicitações, foi realizado lançamento por arbitramento, apontando um grau mínimo de uso do imóvel e utilizando como base de cálculo um valor do imóvel muito acima do seu real valor e acima do estabelecido pelo Município para aquele ano; - preliminarmente, requer a nulidade do lançamento, pois na descrição dos fatos consta que teria sido dada a ciência do falecido, para que atendesse a solicitação com fins de comprovar da área utilizável da Fazenda São Manoel, e que o lançamento teria sido realizado por falta de resposta; - transcreve o art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235/72 para referendar seus argumentos quanto ao fato de que não houve a cientificação do fiscalizado e que a notificação não foi direcionada ao sujeito passivo; - a notificação foi encaminhada ao escritório contábil que prestava serviço ao de cujus, e lá não foi recebida; - somente a entrega em outra sala do mesmo prédio justificaria que alguém tivesse recebido o documento, para que o Auditor tivesse compreendido que houve a entrega e, por suposição, a ciência dos termos da ação fiscal; - enfatiza que a primeira notificação, que antecedeu o lançamento, não foi entregue no escritório contábil que assessorava o falecido, não chegando ao conhecimento de quem interessava, não ocorrendo a “ciência” da ação fiscal; - em 21/01/2013, o Sr. Deodoro Pereira Torres já era falecido, portanto foi inválida a notificação direcionada a ele, eis que dirigida à pessoa inexistente, não mais sujeita a Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-008.236 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11075.721103/2013-82 deveres nem direitos, portanto não podendo ser penalizada com o arbitramento de valores por não responder a uma notificação a ela indevidamente direcionada; - ressalta, ainda, que em 21/01/2013 a Fazenda São Manoel não era mais registrada formalmente em nome do de cujus, em virtude da ação de inventário, quando os impugnantes tornaram-se proprietários; - a notificação da ação fiscal, além de ter sido direcionada à pessoa inexistente, morta, também foi direcionada para sujeito passivo ilegítimo, uma vez que o falecido não era mais proprietário para responder pelos tributos incidentes sobre o imóvel; - a notificação ora impugnada é nula, seja porque derivada de ação fiscal nula, seja porque direcionada e lançada contra pessoa inexistente, pois devido a vícios formais o procedimento fiscal não teve início válido, não tendo ocorrido a condição prevista no art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235/72; - no mérito, impugna o arbitramento realizado; - a base de cálculo utilizada estava errada, uma vez que foi declarada uma área total de 1.374,2 ha, mas o correto é de 1.363,7 ha, conforme certidão constante dos autos; - afirma que, reduzindo a área de benfeitoria (83,0 ha) da área total requerida (1.363,7 ha), resulta uma área aproveitável de 1.280,7 ha; - a base de cálculo tem que ser ajustada de acordo com a floresta nativa, preservação permanente etc, que na declaração constou tudo como área de produtos vegetais (e são vegetais); - afirma que se lhe oportunizado o contraditório e a ampla defesa, a base de cálculo será ainda menor que os 1.278,7 ha; - o auditor discordou do VTN declarado de R$ 1.374,2/ha e arbitrou um VTN de R$ 2.817,95/ha, excedendo o valor declarado, valendo-se de valores relativos a outras propriedades – e nenhuma propriedade é igual a outra; - o auditor cogitou a hipótese de oportunizar prova no sentido de comprovar o VTN declarado, embora o tenha feito direcionado para pessoa errada e inexistente; - ressalta que impossibilitada a prova técnica pelos verdadeiros proprietários, verifica-se que o VTN para o exercício resultou arbitrário, não sendo válido o Sr. Auditor-Fiscal tomar outro índice diverso para lançar a maior; - quanto à base de cálculo, foi totalmente desconsiderado o valor das culturas, pastagens cultivadas e melhoradas, e florestas plantadas, que fora declarado como sendo R$ 1.525.000,00, que o Auditor apontou como zero; - junta o contrato de arrendamento para demonstrar que em uma área de 700,0 ha estava sendo plantado soja; - a alíquota declarada foi descaracterizada porque foi arbitrado um grau de utilização mínimo; - embora o grau de uso do solo chegue a 100%, conforme foi declarado, já se depreende, só por esses dados, que o grau de uso da área aproveitável, sem se fazer o levantamento das áreas de APP, floresta nativa etc, visto que isso leva tempo, resulta inferior ao considerado; - o grau de utilização do imóvel poderá ser provado caso seja aberto prazo para os impugnantes assim o fazerem; Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-008.236 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11075.721103/2013-82 - apresenta um quadro indicando um novo grau de utilização, de 66,36%, considerando a área arrendada (700,0 ha), a de pastagem (150,0 ha) e uma área que entende por aproveitável (1.278,7 ha); - com base nesse novo grau de utilização, de 66,36%, que poderá ser provado caso seja aberto prazo para que os impugnantes assim o façam, a alíquota passaria para 1,6%, e não de 8,6% utilizada pelo auditor-fiscal; - apresenta quadro onde simula o valor do imposto devido, de acordo com suas convicções, efetuando o produto do VTN de R$ 2.800,00/ha por uma área total de 1.363,7 ha, e do resultado deduz o valor das culturas, de R$ 1.525.000,00, que resultaria em R$ 36.694,08, e não de R$ 333.028,71, constante da notificação de lançamento; - o lançamento não subsiste no seu mérito, embora a preliminar levantada já o macule com sua nulidade; - cita o art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, para requerer que os processos relativos às Notificações de Lançamento nº 10109/00008/2013 (ITR 2009) e nº 10109/00009/2013 (ITR 2010) sejam reunidos para instrução e julgamento em conjunto; - por fim, requer o recebimento da impugnação a fim de que seja acolhida a preliminar de nulidade e, no mérito, seja julgado insubsistente o lançamento. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte. Inconformado, o interessado apresentou recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade Preliminarmente Do Pedido de Nulidade ou Insubsistência do Lançamento O recorrente alega em preliminar que o lançamento é nulo e/ou insubsistente por ter sido lançado contra sujeito passivo inexistente (espólio de Deodoro), que foi convalidado por notificação anterior dirigida a pessoa inexistente (falecido Deodoro), endereçada a pessoa ilegítima para receber (ex-contador do falecido), como se tudo englobasse os recorrentes (supostamente o espólio) em prejuízo do direito de defesa dos sucessores. No julgamento da impugnação a DRJ concluiu que “de acordo com os documentos e afirmações constantes do processo, os herdeiros sucessores interessados, por meio do seu procurador, assumiram a condição de responsáveis pelo crédito tributário exigido nos autos” e que, “não há dúvidas de que o imóvel registrado sob o NIRF nº 4.255.181- 1 pertença aos herdeiros sucessores do de cujus”. Portanto, considera ser incabível a pretendida anulação de lançamento, “por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Portanto, a Notificação de Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-008.236 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11075.721103/2013-82 Lançamento, deve ser convalidada, conforme entendimento dado na Solução de Consulta Interna/RFB nº 08/2013”. Portanto, há que verificar a possibilidade de responsabilidade dos sucessores pelo tributo lançado em nome do falecido, ou do seu espólio (sucedido) A abertura da sucessão, tem seu início com evento morte, a transmissão da herança acontece logo após a morte do titular. O artigo 611 do Código de Processo Civil determina que “o processo de inventário e partilha deve ser aberto dentro de 60 (sessenta) dias a contar da abertura da sucessão: Art. 611. O processo de inventário e de partilha deve ser instaurado dentro de 2 (dois) meses, a contar da abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 (doze) meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar esses prazos, de ofício ou a requerimento de parte A sucessão é encerrada com a emissão do Formal de Partilha, nos termos do artigo 655 do CPP: Art. 655. Transitada em julgado a sentença mencionada no art. 654 , receberá o herdeiro os bens que lhe tocarem e um formal de partilha, do qual constarão as seguintes peças: I - termo de inventariante e título de herdeiros; II - avaliação dos bens que constituíram o quinhão do herdeiro; III - pagamento do quinhão hereditário; IV - quitação dos impostos; V - sentença. Conforme jurisprudência do CARF, só é possível imputar a responsabilidade pelo tributo aos sucessores, quando a infração já tenha sido apurada e lançada pelo fisco antes da sucessão, pois verificar-se-á se o (real) infrator (falecido ou espólio) foi responsabilizado, passando o crédito fiscal a constituir divida de valor e a integrar o passivo dos sucessores, sendo que este passivo é ou deveria ser de conhecimento dos sucessores por ocasião da abertura da sucessão, assim sendo, transmitindo-se tal obrigação (débito) a nova pessoa. A matéria encontra-se, inclusive, com sumula vinculante no CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 113 A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de ofício, antes ou depois do evento sucessório. Para o presente caso, tem-se que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. O fato gerador do ITR do exercício, com data de 1º de janeiro, ocorreu em data posterior à sucessão, que foi finalizada com partilha em 24/09/2008, conforme Formal de Partilha. Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-008.236 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11075.721103/2013-82 Portanto, de acordo com a Súmula CARF n° 113, a Notificação de Lançamento não pode ser imputada aos sucessores, pois refere-se a infração de ITR imputada ao sucedido, cujo fato gerador ocorreu em data posterior à data da sucessão. Acata-se portanto a preliminar de insubsistência do lançamento. Neste caso, não há necessidade de análise do mérito. Do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13558.900743/2011-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Nov 24 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE ESTIMATIVA COMPENSADA. RECONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO DA ESTIMATIVA EM OUTRO PROCESSO.
Tendo sido reconhecido o direito creditório pleiteado no processo n° 13558.900742/2011-43, no qual foi declarada a compensação da estimativa mensal de novembro de 2004 (que havia sido parcialmente homologada pela DRJ), há que ser reconhecido o direito creditório de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2004 no montante original pleiteado pela contribuinte.
Numero da decisão: 1003-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente)
Nome do relator: Wilson Kazumi Nakayama
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE ESTIMATIVA COMPENSADA. RECONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO DA ESTIMATIVA EM OUTRO PROCESSO. Tendo sido reconhecido o direito creditório pleiteado no processo n° 13558.900742/2011-43, no qual foi declarada a compensação da estimativa mensal de novembro de 2004 (que havia sido parcialmente homologada pela DRJ), há que ser reconhecido o direito creditório de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2004 no montante original pleiteado pela contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-11-16T12:28:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-11-16T12:28:51Z; Last-Modified: 2020-11-16T12:28:51Z; dcterms:modified: 2020-11-16T12:28:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-11-16T12:28:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-11-16T12:28:51Z; meta:save-date: 2020-11-16T12:28:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-11-16T12:28:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-11-16T12:28:51Z; created: 2020-11-16T12:28:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-11-16T12:28:51Z; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-11-16T12:28:51Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13558.900743/2011-98 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-002.042 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 06 de novembro de 2020 Recorrente CASA BLANCA PARK HOTEL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE ESTIMATIVA COMPENSADA. RECONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO DA ESTIMATIVA EM OUTRO PROCESSO. Tendo sido reconhecido o direito creditório pleiteado no processo n° 13558.900742/2011-43, no qual foi declarada a compensação da estimativa mensal de novembro de 2004 (que havia sido parcialmente homologada pela DRJ), há que ser reconhecido o direito creditório de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2004 no montante original pleiteado pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão 16-81.672, de 9 março de 2018, da 1ª Turma da DRJ/SPO, que considerou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 07 43 /2 01 1- 98 Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.042 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.900743/2011-98 A contribuinte formalizou o PER/DCOMP retificador nº 01446.42754.220307.1.7.02-5004, em 22/03/2007, e-fls. 38-45, utilizando-se de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do exercício 2005 no valor de R$ 55.624,29. A compensação foi homologada parcialmente, conforme consta no Despacho Decisório eletrônico n° de rastreamento 930805823, juntado à e-fl. 66, porque somente parte das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP, relativas a estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior, foram confirmadas conforme excerto abaixo do documento: Contra o Despacho Decisório a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que a origem dos saldos e a composição do saldo negativo de IRPJ dos anos calendários de 2002, 2003 e 2004 nos valores, respectivamente de R$ 52.355,62, 59.708,38 e 55.624,29, estavam vinculados aos processos n° s 10952.000029/2003-47 e 13558.901889/2009-36. A DRJ constatou que as parcelas não reconhecidas na formação do saldo negativo de IRPJ do exercício 2005 são provenientes de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do exercício 2004, que foi objeto de apresentação de manifestação de inconformidade veiculada no processo n° .13558.900742/2011-43. No referido processo a DRJ reconheceu parcialmente a manifestação de inconformidade, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado no montante adicional de R$ 5.757,39, que somado ao crédito tributário reconhecido pela Autoridade Fiscal no montante de R$ 42.173,38 resultou num direito creditório reconhecido de R$ 47.930,77 a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003. A DRJ, em consulta aos sistemas da RFB, constatou que após a compensação das estimativas de IRPJ do ano-calendário 2004 com o saldo negativo reconhecido de IRPJ do ano- calendário de 2003 restou um saldo de débito de R$ 1.819,84 para quitação da estimativa mensal de IRPJ do mês de novembro de 2004. Dessa forma, considerando que o saldo negativo pleiteado no PER/DCOMP nº 01446.42754.220307.1.7.02-5004 foi de R$ 55.624,29, concluiu que o crédito de saldo negativo de IRPJ total a ser reconhecido seria de R$ 53.804,45 (R$ 55.624,29 - R$ 1.819,84). O IRPJ devido, informado na DIPJ foi de R$ 23.528,29. O crédito de saldo negativo reconhecido pelo Despacho Decisório foi de R$ 47.338,93, relativo às estimativas Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.042 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.900743/2011-98 pagas. As estimativas compensadas reconhecidas pelo Despacho Decisório foi de R$ 23.826,47.. Portanto o crédito de saldo negativo adicional reconhecido no acórdão de manifestação de inconformidade do presente processo foi de R$ 6.167,34 (R$ 53.804,45 + R$ 23.528,29 - R$ 47.338,93 - R$ 23.826,47). A contribuinte tomou ciência do acórdão em 23/03/2018 (e-fl. 91). Irresignada com o r. acórdão a contribuinte, ora Recorrente apresentou recurso voluntário em 06/04/2018 (e-fls. 92-103) onde alega, em síntese, que o saldo negativo pleiteado no presente processo dependeria do julgamento do recurso voluntário apresentado nos autos do processo n° 13558.900742/2011-43, pelo fato da origem das compensações dos débitos de estimativas ter origem na DCOMP discutida naquele processo. Segundo a Recorrente o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, discutido no processo n° 13558.900742/2011-43, seria suficiente para compensar todas as estimativas de IRPJ do ano calendário 2004 que compuseram o crédito de saldo negativo de IRPJ pleiteado no presente processo. Requer ao final o provimento do recurso com o reconhecimento integral do crédito tributário pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A Recorrente apresentou a DCOMP nº 01446.42754.220307.1.7.02-5004, em 22/03/2007, no qual pleiteia crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do exercício 2005, ano- calendário 2004, no valor de R$ 55.624,29. A compensação declarada na DCOMP foi parcialmente homologada, tendo sido reconhecido crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2004 no montante de R$ 47.637,11. As estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior não confirmadas pelo Fisco foram as abaixo discriminadas, conforme consta na análise de crédito no Despacho Decisório: Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.042 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13558.900743/2011-98 A DRJ constatou que os valores não reconhecidos na formação do Saldo Negativo do período são provenientes de direito creditório de Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2004 que foi objeto de manifestação de inconformidade, veiculada no processo n° 13558.900742/2011-43. No processo n° 13558.900742/2011-43 o crédito tributário pleiteado foi de R$ 59.708,38 e a compensação de estimativa mensal de IRPJ não homologada foi a de novembro de 2004 no valor de R$ 2.536,12, conforme excerto abaixo da análise de credito do Despacho Decisório: O recurso voluntário interposto no processo n° 13558.900742/2011-43 foi analisado por esta Turma, tendo sido reconhecido o direito creditório com supedâneo no entendimento exarado no Parecer COSIT n° 2 de 2018. Portanto, reconhecido o direito creditório pleiteado no processo n° 13558.900742/2011-43, no qual foi declarada a compensação da estimativa mensal de novembro de 2004 (que havia sido parcialmente homologada pela DRJ), há que ser reconhecido o direito creditório de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2004 no montante original pleiteado pela Recorrente, ou seja, de R$ 55.624,29. Pelo exposto voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16542.000127/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2010
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
A empresa que possui débitos previdenciários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1201-004.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Antonio Carvalho Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Antonio Carvalho Barbosa (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Gisele Barra Bossa, Allan Marcel Warwar Teixeira, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz e André Severo Chaves (suplente).
Nome do relator: RICARDO ANTONIO CARVALHO BARBOSA
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SENS - ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2010 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos previdenciários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ricardo Antonio Carvalho Barbosa– Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Antonio Carvalho Barbosa (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Gisele Barra Bossa, Allan Marcel Warwar Teixeira, Alexandre Evaristo Pinto, Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz e André Severo Chaves (suplente). Relatório E.L.B. SENS - ME recorre a este Conselho Administrativo pleiteando a reforma do acórdão proferido pela DRJ/Campo Grande, Ac. nº 04-34.739, e-fls. 67/69, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada na fase processual anterior. Versa o presente processo sobre indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional, tendo em vista a existência dos débitos previdenciários nºs. 35169602-4, 35178249-4, 35178254-0 e 35178260-5, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 25/02/2010 (e-fls. 06 do vol. 1). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 01 27 /2 01 0- 11 Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 Inconformada com o indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de e-fls. 45 a 63. Ao apreciar a lide, a DRJ/Campo Grande manteve a negativa de inclusão no Simples Nacional, em acordão que contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2010 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos previdenciários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator. Cientificada em 28/02/2014 (sexta-feira), e-fls. 71/74, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 31/03/2014 (segunda-feira), e-fls. 75/87, com as seguintes alegações: Ocorre que no presente caso há uma grande confusão quanto às informações disponíveis às autoridades fiscais julgadoras eis que, contrariamente às decisões exaradas, os débitos existentes em nome da Recorrente, no momento da apresentação do requerimento de opção ao SIMPLES NACIONAL, estavam todos com exigibilidade suspensa, em razão de seu parcelamento, o que, de modo algum, impediria o enquadramento da empresa ao regime simplificado; Tanto na decisão emitida pela DRF quanto no acórdão ora guerreado, foi indeferida a opção ao regime do SIMPLES NACIONAL apresentada pela Recorrente em razão de haverem pendências fiscais em seu nome perante a SRFB, representadas pelos débitos previdenciários n° 35169602-4, 35178249- 4, 35178254-0 e 35178260-5, sem exigibilidade suspensa; Contudo, contrariamente ao disposto nas decisões combatidas, estes créditos tributários todos foram objeto de parcelamento especial, conforme comprova o "Pedido de Parcelamento para Ingresso no Simples Nacional - Débitos relativos às contribuições previdenciárias" anexo (doc. 06 - Recibo 13693892959293 - bem como documentos colacionados às fls. 09 e 14-24), requerido pela empresa em 18/07/2007, ou seja, muito tempo antes da apresentação do pedido de enquadramento (datado de 05/01/2010); Pelo requerimento de parcelamento apresentado (doc. 06), a Recorrente optou pela inclusão da totalidade de seus débitos, o que abrangia também aqueles de Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 nº 35169602-4, 35178249-4, 35178254-0 e 35178260-5, objeto do indeferimento original de opção; Devidamente processado o pedido, a Recorrente iniciou o pagamento das parcelas determinadas no pagamento fracionado, conforme atestam os comprovantes de quitação anexos (doc. 07 e ss. e fls. 09 e 14-24, dos autos); Por estes documentos, prova-se que a empresa vinha recolhendo regularmente os valores do parcelamento, estando o mesmo criteriosamente em dia, mesmo no momento da apresentação da opção (ocorrida em 05/01/2010); Desta forma, os débitos em questão, no momento da apresentação da opção, já estavam com sua exigibilidade suspensa (art. 151, VI, do Código Tributário Nacional), o que não seria empecilho para a contribuinte optar pelo regime de tributação do SIMPLES NACIONAL; Não é condição para suspensão da exigibilidade dos créditos previdenciários a apresentação da Certidão Negativa, como determina o acórdão objurgado, mas sim o seu parcelamento, nos termos do citado art. 151, VI, c/c art. 205 e 206, todos do CTN; É o extrato de dívida emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN - anexo (doc. 09), fornecido pela mesma SRFB, que atesta que os débitos em nome da Recorrente estão todos quitados, restando apenas o parcelamento do débito nº 35178260-5, o qual se encontra rigorosamente em dia, conforme comprovantes anexos (doc. 07 e ss.); O fato de ter havido a quitação do débito pela Recorrente em hipótese alguma implica no reconhecimento da não-suspensão do crédito tributário, a ensejar o indeferimento da opção ao SIMPLES, antes ou depois da apresentação do pedido; Pelo contrário, a quitação antecipada tem o único condão de extinguir o crédito tributário, a teor do art. 156, I e VII, do mesmo CTN; Verifica-se, portanto, a ilegalidade do indeferimento proferido tanto pela DRF quanto pela DRJ - Campo Grande, eis que, no ato de requerimento da opção ao SIMPLES ocorrido em 05/01/2010, todos os créditos tributários existentes em nome da Recorrente estavam com a exigibilidade suspensa, estando a maioria deles, inclusive, quitados; Fundamenta-se ainda a decisão recorrida, para julgar improcedente o pedido de inconformidade, no fato da Recorrente não ter apresentado nos autos Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa de débitos, muito embora tenha reconhecido o parcelamento da dívida; Tal exigência, apesar de absurda e desnecessária (tendo em vista que o próprio acórdão reconheceu o parcelamento da dívida), encontra-se suprida pela juntada da Certidão Positiva com Efeito de Negativa nº 089202014-88888670 Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 em anexo (doc. 10) que comprova, irrefutavelmente, que os débitos da Recorrente estão e sempre estiveram com sua exigibilidade suspensa, reforçando-se a ilegalidade do ato de indeferimento ora objurgado, nos termos dos art. 205 e 206, do CTN; Como se não bastassem os pontos anteriormente tratados, que confirmam expressamente o direito da Recorrente em ver-se enquadrada no SIMPLES NACIONAL, necessário e prudente apontar-se ainda a contradição havida nas decisões proferidas nos presentes autos; Com efeito, o Termo de Indeferimento emitido em 25/02/2010 (doc. 03) justificou a negativa de enquadramento com base na existência dos débitos de nº 35169602-4, 35178249-4, 35178254-0 e 35178260-5, em nome da Recorrente; Por outro lado, a DRF/FNS/SEORT, ao julgar a manifestação de inconformidade da Recorrente (fls. 38) julgou pelo indeferimento da solicitação baseando na existência unicamente dos débitos nº 35169602-4 e 35178249-4, aparentemente desconsiderando a suposta existência dos débitos nº 35178254-0 e 35178260-5, fundamento do indeferimento original; Ora, diante desta situação pergunta-se: Por que o primeiro indeferimento foi baseado em quatro débitos originais e, no segundo, a motivação deu-se pela existência de somente dois débitos? Sim, porque os créditos tributários de nº 35178254-0 e 35178260-5 não foram considerados quando do segundo indeferimento, somente no primeiro; A resposta é bastante simples: não foram considerados porque estavam com sua exigibilidade suspensa, diante do processamento do parcelamento, assim como deveriam estar todos os demais débitos existentes em nome da Recorrente, como já se fez prova nos presentes autos; O que ocorreu neste caso foi simplesmente a demora no processamento do parcelamento de todos os débitos perante os sistemas da Receita Federal, o que, definitivamente, não é culpa da Recorrente nem pode esta ser penalizada por isto; Confirmando-se ainda mais os erros cometidos na apreciação dos débitos suspensos em nome da Recorrente, vem esta apresentar em anexo cópia do Termo de Solicitação de Opção ao SIMPLES NACIONAL anexo (doc. 11), datado de 03/01/2013, referente ao exercício de 2013; Este documento, analisado conjuntamente com a Consulta de Optante - Identificação de Contribuinte (doc. 02, anexo), permite a conclusão de que a Recorrente sempre esteve em condições de ser optante do regime simplificado, mesmo com a suposta existência dos débitos apontados nas decisões objurgadas; Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 Isto porque, verificando-se detidamente o documento 02 - Identificação de Contribuinte - é possível constatar-se no item "Situação no Simples Nacional: Optante pelos Simples Nacional desde 01/01/2009"; Ou seja, a empresa já está enquadrada no SIMPLES desde 2009, ou seja, em período anterior, inclusive, ao exercício pretendido nos presentes autos; Prova disto é a Solicitação de Opção (doc. 11) que expressamente afirma que a pessoa jurídica já consta como optante do SIMPLES NACIONAL, para fins de indeferimento do pedido de enquadramento apresentado; Logo, se fosse verdade que a existência dos supostos débitos fosse justificativa para o indeferimento da opção apresentada pela Recorrente, deveria constar nos registro da SRFB que a empresa seria optante do SIMPLES somente a partir de 2011, eis que supostamente estaria desenquadrada no período de 2010, conforme expresso no art. 73, I, d, 1 e 2, da Resolução CGSN n° 94/2011; Além disto, a empresa não possuía mais nenhum crédito tributário não suspenso, exigível pela Receita Federal, eis que todos os seus débitos foram incluídos no parcelamento requerido, conforme mencionado acima; Tais fatos demonstram o equívoco das decisões proferidas, devendo a opção da empresa ao regime do SIMPLES, apresentada para o exercício de 2010, ser deferida, em razão da inexistência de qualquer tipo de crédito exigível em seu nome que impedisse o seu enquadramento, sob pena de afronta direta ao Princípio da Legalidade Administrativa; Pelo exposto nos itens anteriores, conclui-se, que o indeferimento da opção ao SIMPLES NACIONAL com base na existência de débitos tributários com exigibilidade suspensa retira totalmente a fundamentação legal das decisões exaradas pelas autoridades fiscais no presente caso; Tais fatos afrontam diretamente os princípios constitucionais da Legalidade Administrativa consagrados nos artigos 5º, II, 150, I, e 37, da Constituição Federal, e art. 2º e 50, da Lei Federal nº 9.784/1999; Inexistindo motivação, com supedâneo na teoria dos motivos determinantes, queda-se inválido o ato administrativo praticado pelo agente fiscal, mormente porque não existe fundamento legal para o indeferimento da opção pleiteada pela Recorrente; Portanto, em não havendo fundamento para o ato administrativo denegatório de inclusão da Recorrente no regime do SIMPLES NACIONAL, eis que não havia qualquer crédito tributário exigível em seu nome, à época da opção, deve o mesmo ser revisado e cancelado, permitindo à empresa o seu enquadramento, o que se requer. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Versa o presente processo sobre a negativa do pedido de inclusão no Simples Nacional que foi apresentado pela contribuinte em 05/01/2010. Todo o litígio se deu acerca das pendências de contribuições previdenciárias representadas pelos débitos nºs. 35169602-4, 35178249-4, 35178254-0 e 35178260-5, cuja exigibilidade não estava suspensa, o que justificou o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional” (e-fls. 06 do vol. 1), em observância ao art. 17, V, da Lei Complementar nº 123/2006. A alegação da contribuinte, em síntese, é que no momento da apresentação do requerimento de opção ao SIMPLES NACIONAL, os referidos débitos estavam com exigibilidade suspensa, em razão do parcelamento requerido em 18/07/2007; que ela vinha recolhendo regularmente os valores do parcelamento, estando o mesmo criteriosamente em dia, mesmo no momento da apresentação da opção, em 05/01/2010; que a existência de parcelamento válido impede a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do estatuído no art. 151, VI, do CTN; que o fato de ter havido a quitação do débito pela Recorrente em hipótese alguma implica no reconhecimento da não-suspensão do crédito tributário; e que a quitação antecipada tem o único condão de extinguir o crédito tributário, a teor do art. 156, I e VII, do mesmo CTN. Entretanto, o Despacho Decisório da Delegacia de origem (e-fls. 37 do vol. 1), que manteve o indeferimento da opção pelo Simples Nacional em relação ao ano-calendário de 2010, informa: - que os débitos nºs. 35.178.254-0 e 35.178.260-5 realmente foram incluídos em parcelamento especial da Lei Complementar 123/2006, cuja adesão ocorreu em 18/07/2007; - mas que os débitos nºs. 35.169.602-4 e 35.178.249-4, relativos a contribuição de segurados, que não eram passíveis de inclusão no referido parcelamento especial, foram inscritos e encaminhados à PGFN em 26/05/2008, sendo liquidados em 28/07/2011 e 29/07/2011; - e que, portanto, o contribuinte em questão não estava regular na data de 29/01/2010, data limite para regularizar as pendências impeditivas em optar ao Simples Nacional para o ano de 2010. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 Essas informações esclarecem todas as questões que a contribuinte lança sobre o tratamento diferenciado que foi dado aos débitos no decorrer do processo. Além disso, a documentação juntada aos autos indica que o parcelamento requerido em 18/07/2007 se deu no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil; e que a quitação dos débitos nºs. 35.169.602-4 e 35.178.249-4, em julho/2011, já se deu junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), no contexto de débitos inscritos em dívida ativa da União. Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 Note-se que, os débitos foram inscritos na PGFN em 23/01/2010, sendo liquidados em 28/07/2011, o que demonstra de forma inconteste que a empresa não estava com situação regular em 29/01/2010”. O extrato anexado pela Recorrente, Doc. 09, fls. 130, corrobora com os aqui reproduzidos, senão vejamos (as marcas e os grifos são do original anexado ao processo): Não se sustenta, assim, a alegação da contribuinte, de que os pagamentos feitos em julho/2011 representariam apenas quitação antecipada do parcelamento realizado junto à Secretaria da Receita Federal. Com efeito, a referida quitação já se deu no âmbito da PGFN, sobre débitos que estavam sendo exigidos no contexto de dívida Ativa da União, de modo que a exigibilidade desses débitos realmente não estava suspensa por nenhum parcelamento realizado no âmbito da Receita Federal (porque se referiam à contribuição de segurados, não passíveis de inclusão no parcelamento especial). As questões que a contribuinte suscita em relação à sua situação tributária em anos posteriores, de 2011 em diante, não afetam os problemas de sua opção no ano-calendário de 2010. É que com a quitação das referidas pendências em julho/2011, sua condição para o enquadramento no Simples restou mesmo alterada, mas somente a partir de 2012. Assim, é irrelevante no caso a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa apresentada às fls. 132, pois foi emitida em 24/09/2014. Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-004.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16542.000127/2010-11 E a própria não inclusão em relação a 2010 é objeto de litígio nos presentes autos, de modo que as referências que a recorrente faz sobre suas situações cadastrais ao longo do tempo não indicam nenhuma contradição com o que foi até agora decidido nos presentes autos. Por fim, não se vislumbrou no presente caso qualquer “abuso de autoridade” ou afronta aos princípios constitucionais da Legalidade Administrativa consagrados nos artigos 5º, II, 150, I, e 37, da Constituição Federal, e art. 2º e 50, da Lei Federal nº 9.784/1999, como alega a Recorrente, pois o termo de indeferimento descreve a infração apurada, está devidamente embasado na legislação tributária e foi praticado por autoridade competente. Conclusão. De todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Antonio Carvalho Barbosa Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11128.008392/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Nov 12 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 01/10/2009
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. OMISSÃO OU ERRO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo em vista que o lançamento fiscal encontra-se devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, tanto que a matéria foi plenamente compreendida pela autuada, eventual omissão ou erro no enquadramento legal não é suficiente para eivar de nulidade o Auto de Infração, e muito menos caracterizar cerceamento do direito de defesa.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE.
Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003, aos embarques, cujo atraso nas informações é superior ao previsto na legislação.
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 3302-009.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-009.007, de 25 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 11128.002370/2010-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OMISSÃO OU ERRO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o lançamento fiscal encontra-se devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, tanto que a matéria foi plenamente compreendida pela autuada, eventual omissão ou erro no enquadramento legal não é suficiente para eivar de nulidade o Auto de Infração, e muito menos caracterizar cerceamento do direito de defesa. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003, aos embarques, cujo atraso nas informações é superior ao previsto na legislação. PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 83 92 /2 00 9- 81 Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-009.007, de 25 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 11128.002370/2010-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente sobre exigência de crédito tributário, a título de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar; relata a fiscalização que a agência MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA descumpriu o prazo definido no IN RFB 800/2007, para prestação de informação sobre a carga. Regularmente intimada, a autuada apresentou impugnação, alegando, inicialmente, quanto ao fato, que a autoridade fiscal descreveu de forma incorreta e incompleta os fatos, o que implica em nulidade; inicia a argumentando ilegitimidade passiva porquanto a requerente não é transportador, sendo agente de carga do transportador, citando definições da IN 800/2007, em seu art 2º, inciso V (transportador), e art. 4º, § 1º (agencia de navegação); aduz que o agente, na condição de mandatário, não se confunde com o transportador, mandante, nos termos do art. 653 do CC e que os atos praticados pelo mandatário são praticados em nome do mandante, não podendo ser aquele penalizado; inexiste previsão legal da aplicação de multa ao agente; a obrigação é do transportador; mesmo o Decreto lei 37/66 não traz disposição quanto ao agente (cita o art. 37), o mesmo ocorrendo com o novo RA – Dec. 6.759/2009 em seu art. 31; o próprio parágrafo 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 não aponta a agencia de navegação; dessa forma extrapolar os limites das responsabilidades equivale a negar vigência do art. 5º da CF, incisos II e XLV, requer nulidade; aponta vício formal no auto de infração, art 10 do Decreto 70235/72, porquanto a descrição do fato não foi clara e completa (pela narrativa não se extrai qual foi o prazo descumprido, muito menos em que momento isto ocorreu), prejudicando a ampla defesa; no mérito, alega não Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 caracterização do tipo legal sob o qual se justifica a imposição de multa porque observou os prazos estabelecidos (fl.19); ainda que eventual informação tenha sido incluida posteriormente, mas antes da lavratura do auto de infração, equivale a denúncia espontânea (art. 138 do CTN). A DRJ julgou improcedente a impugnação. Cientificada da referida decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário requerendo (i) preliminarmente: (i.1) ilegitimidade passiva, posto que a Recorrente não é transportador, tendo apenas atuado como agente marítimo; (i.2) nulidade do auto de infração por vício formal por ausência de clareza e exposição dos fatos; (ii) meritoriamente: (ii.1) da não caracterização da infração imposta; e (ii) da aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: I - Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II – Preliminar II.1 – Ilegitimidade passiva A respeito do tema tratado neste tópico, esta Turma, em composição anterior, já analisou os argumentos explicitados pela Recorrente nos autos do processo nº 10909.004117/2010-72. Neste cenário, peço vênia para adotar como razão de decidir, o voto do brilhante Conselheiro Jorge Lima Abud (acórdão 3302-006.348) que, com a sabedoria que lhe é peculiar nos ensina: Preliminarmente, alega a impugnante ser parte ilegítima, uma vez que, na qualidade de agente de navegação, na condição, pois, de mera mandatária do transportador marítimo, não deve ser responsabilizada pelos atos praticados pelo transportador. Todavia, dispositivos normativos a respeito encontram-se prescritos no artigo 2o da IN RFB nº 800/2007, dessa forma: ° IN RFB nº 800/2007 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: (...) § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) IV o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíneas " a" e " b" , responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas " a" e " b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (grifamos) Dessa forma, ao contrário do entendimento esposado pela Impugnante, o agente marítimo, além de ser o representante do transportador estrangeiro no País, encontra-se classificado, também, nos termos do art. 2º, § 1º, inciso IV, da IN RFB nº 800/2007, como uma espécie do gênero transportador, sendo, pois, responsável com este em eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. No âmbito das infrações aduaneiras, observa-se que a responsabilidade está expressamente prevista o art. 95 do Decreto-lei nº 37/1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; Assim, por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Atente-se ainda para inciso II do art. 95 do Decreto-lei nº 37/1966 (acima transcrito) c/c artigo 32, inciso I, parágrafo único, alínea “b” do mesmo diploma legal, com redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472/1988, que tratam expressamente da responsabilidade do transportador e, sendo este estrangeiro, prevêem a responsabilidade solidária de seu representante no País: Art. 32 – É responsável pelo imposto: I – o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II – (...) Parágrafo único – É responsável solidário: a) (...); b) o representante, no País, do transportador estrangeiro. (Grifo e negrito nossos) Infere-se, portanto, que a lei designou como responsável solidário o representante no País do transportador estrangeiro. Estabelecidos os pressupostos legais quanto ao instituto da responsabilidade solidária, cabe, a seguir, a análise quanto à responsabilidade do agente marítimo. Observa-se que, ao aludir à figura do “representante”, a lei não restringe seu conteúdo ao contrato de representação comercial stricto sensu, tal como previsto na comercial, mas denota a pessoa que atua por ordem e no interesse do transportador perante as autoridades aduaneiras, praticando atos que, dentre outras finalidades, têm estrita relação com controle aduaneiro do veículo e da carga. Assim, incabível restringir a interpretação da lei tributária, sob a ótica dos institutos de direito privado, relativos a contrato de agenciamento e de representação, na pretensão de definir os efeitos tributários, devendo-se atentar para o aspecto teleológico da norma. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 A responsabilidade tributária é disciplinada por diploma legal específico, sendo descabido aplicar legislação de direito privado quando existem leis específicas que regem a matéria, pois, é preceito de hermenêutica que a norma especial prevalece sobre a norma geral. Nesse sentido, cabe destacar os ensinamentos doutrinários de Samir Keedi sobre agência marítima: É a empresa que representa o armador em determinado país, estado, cidade ou porto, fazendo a ligação entre este e o usuário do navio. Não é comum o contato do usuário com o armador, diretamente, sendo esta função exercida pelo Agente Marítimo. Entre as importantes atividades de uma Agência Marítima está o angariamento de carga para o espaço do navio e o controle das operações de carga e descarga. O contrato de prestação de serviços costuma incluir a administração do navio, recebimento e remessa do valor do frete ao armador, representação do navio e do armador junto às autoridades portuárias e governamentais, etc., e o atendimento aos clientes. (Keedi, Samir. Transportes e seguros no Comércio Exterior,2ª ed., São Paulo: Aduaneiras, 2003) (destaquei) Diante de abalizada doutrina, pode-se constatar que o comércio marítimo impõe a necessidade de os armadores possuírem em cada porto um representante, com conhecimento em diversas áreas comerciais e jurídicas, para atuar na prática de determinados atos de interesse daqueles, agindo, portanto, como representante do armador. Assim, o Agente Marítimo é o elo na cadeia de comunicação entre o Armador e as demais pessoas que interagem com o navio quando este chega a um Porto Nacional. Com efeito, sabe-se que o agente marítimo atua efetivamente como representante do transportador em determinado porto, perante as autoridades governamentais e portuárias. Sua missão é assumir o gerenciamento e essa administração envolve múltiplas ações e serviços, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades, contratação de serviços, tais como, praticagem, rebocadores e lanchas, providências para agendamento da inspeção do navio pelos órgãos competentes (Saúde dos Portos, Polícia Federal e Receita Federal), além de comunicação constante com o operador portuário (responsável pela carga/descarga), entre outros. Considerando-se assim as funções exercidas pelo Agente Marítimo, esclareça-se ainda que a expressão “representante, no País, do transportador estrangeiro” não tem o significado de representante em todo o território nacional, mas sim de representante no Brasil, podendo este ser nacional ou local. Conclui-se, portanto, que o transportador estrangeiro de grande porte pode ter um representante em âmbito nacional, sendo usual é que tenha “representantes” locais em cada porto, que são os Agentes Marítimos. No entanto, em quaisquer das duas hipóteses acima se tem a responsabilidade solidária, conforme dispôs o art. 32 do Decreto-Lei n° 37/66, com redação dada pelo art. 1º do Decreto-Lei nº 2.472/88. O agente marítimo, por atuar como representante do transportador no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Ademais, o representante do transportador estrangeiro firma um Termo de Responsabilidade perante a Aduana, em que declara essa sua condição, evidenciando assim sua responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos, multas e outras obrigações em que incorrer o transportador. Neste ponto, ressalte-se que o Termo de Responsabilidade tem amparo legal, estando expressamente previsto no art. 39, §§ 2º e 3º, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pelo Decreto nº 2.472/1988: Art. 39 – (...) Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 (...) § 2º O veículo responde pelos débitos fiscais, inclusive os decorrentes de multas aplicadas aos transportadores da carga ou a seus condutores. § 3º O veículo poderá ser liberado, antes da conferência final do manifesto, mediante termo de responsabilidade firmado pelo representante do transportador, no País, quanto aos tributos, multas e demais obrigações que venham a ser apuradas. (Grifo e negrito nossos) Portanto, conforme disposição legal acima, quando o agente marítimo assina o termo de responsabilidade perante Alfândega, o faz na qualidade de representante do transportador. Amparado no citado termo, a empresa atua efetivamente em nome transportador, praticando atos durante o despacho. A jurisprudência tem reconhecido a responsabilidade do agente marítimo, firmando o entendimento de que a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, publicada em 1985, foi superada com o advento do Decreto-lei nº 2.472, de 1988. O Egrégio Conselho de Contribuintes corrobora com o entendimento acima esposado, havendo, ainda, decisões judiciais neste sentido, conforme evidenciam as ementas a seguir transcritas: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Inaplicável, na espécie sob julgamento, a Súmula n. 192 do TFR, esta superada pela edição do Decreto-Lei n. 2.472/88. (Acórdão nº 30328571, Terceira Câmara, Recurso nº: 118229, Data da Sessão: 25/02/1997) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO COMO REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Apurada avaria e falta de mercadoria é responsável pelo tributo e multas o representante do transportador estrangeiro. Inaplicabilidade, no caso, das cláusulas STC (Said to Contain). (Acórdão nº 30128239, Primeira Câmara, Recurso nº: 118200 Data da Sessão: 13/11/1996) PROCESSUAL E TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CONHECIDA. DEPOSITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE FISCAL DO AGENTE MARÍTIMO. SUMULA 192 DO EXTFR. INAPLICABILIDADE. FATO GERADOR. O AGENTE MARÍTIMO, QUANDO NO EXERCÍCIO EXCLUSIVO DAS ATRIBUIÇÕES PRÓPRIAS, NÃO E CONSIDERÁVEL TRIBUTÁRIO, NEM SE EQUIPARA AO TRANSPORTADOR PARA EFEITOS DO DECRETO-LEI 37, DE 1966.' (SUMULA 192/ TFR). NÃO SE APLICA O ENTENDIMENTO SUMULADO QUANDO O AGENTE MARÍTIMO ASSINA TERMO DE RESPONSABILIDADE EQUIPARANDO-SE AO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. (...)APELAÇÕES E REMESSA IMPROVIDAS. (negritei).(ACÓRDÃO AC 9618/PE, Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Processo nº 91.05.034353, Órgão Julgador: Primeira Turma, Relator: Desembargador Federal CASTRO MEIRA, Data Julgamento: 05/09/1991) Não prospera a tese de que a autuação ofende o artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal (“nenhuma pena passará da pessoa do condenado”), empregado, por analogia, à penalidade administrativa, pois, diante da legislação de regência, conclui-se que a multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. Por fim, o §1º do artigo 37 do Decreto-Lei n° 37/66 põe uma pá de cal na testilha: Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Convicto nesse entendimento, afasto a pretensão da Recorrente. II.2 – Vício Formal no Auto de Infração Alega a Recorrente: “Em que pese o entendimento dos Nobres Julgadores, o referido auto violou o art. 10 do Decreto 70.235/72. O auto de infração padece de vício formal. São várias as razões para esse fim: Primeiramente porque aplicou uma pena à Recorrente como se fosse o próprio transportador marítimo. Essas razões já foram sobejamente esclarecidas acima. Em segundo lugar, para que a parte possa exercer amplamente o seu direito ao contraditório, é preciso transparência e clareza na exposição dos fatos, conferindo-lhe elementos para a produção de uma defesa adequada. Pela narrativa apresentada, esses elementos não ficaram claros, vez que faltou a conexão entre os fatos, o agente e os fundamentos.” Entretanto, observa-se que o Auto de Infração foi devidamente motivado, sendo possível identificar, de forma expressa, quais foram as razões de fato e de direito para a lavratura da exigência fiscal, como exigido pelo art. 10 do Decreto n.º 70.235/72. Esse fato é depreendido da leitura dos fundamentos da autuação, transcritos no corpo do Auto de Infração, cuja descrição permite verificar que a autuação foi lavrada de forma única por envolver a mesma penalidade regulamentar (art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei nº 37/1966), estando em plena consonância com o art. 9º do mesmo Decreto. Com efeito, a Recorrente teve clara ciência do teor da ação fiscal e dos atos normativos invocados no corpo do Auto de Infração que apontam para a prática de irregularidades nas operações de comércio exterior. Basta constatar os argumentos trazidos nas defesas para afastar a motivação apresentada pela fiscalização. Portanto, sabia do que se defender e assim o fez, merecendo, assim, ser afastados os argumentos de nulidade da autuação. III - Mérito Conforme relatado o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, considerando que a penalidade foi imposta pelo atraso superior do prazo previsto na legislação da vinculação do manifesto eletrônico com a atração. É o que se extrai do fundamento do Auto de Infração: DA INFRAÇÃO Não tendo prestado a(s) informação (ões) dentro do prazo estabelecido em norma, o transportador sonegou dados importantes ao controle aduaneiro, impedindo uma prévia análise de risco quanto a carga, a logística, em fim, a operação como um todo. Dispõe a IN RFB no 800/2007 no seu art. 45: Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 "Art. 45. 0 transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "r do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando foro caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa" (grifou-se) A alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003, diz: "Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (..) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga" (grifou-se) Portanto, a conduta omissiva do transportador materializou claramente a se infracional acima descrita, punida com a pena de multa de R$ 5.000,00 Não se trata de questões atinentes a alteração/retificação de informações prestadas anteriormente, conforme alegado pela Recorrente. Fosse assim, a fundamentação do Auto de Infração teria sido realizada nos termos do §1º, do artigo 45, da IN 800/07 (mencionado no corpo do AI apenas para contextualizar as hipóteses de infrações), que assim dispõe: Estabelece, ainda, o § 1º do art. 45: § lº Configura-se também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Em relação a legislação sob análise, constatasse que o dispositivo legal [artigo 107, IV, alínea “e”, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003] estabelece uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Na “carta de correção” mencionada pela Recorrente, verifica-se tratar de apenas uma solicitação de desbloqueio (fls.17) do manifesto, não de alteração/retificação de informação prestada anteriormente, cujo motivo constante na referida solicitação foi “VINCULAÇÃO MAN/ESC PÓS PRAZO OU ATRAÇÃO”. Portanto, é fato incontroverso que as informações foram efetivamente extemporâneas ao prazo previsto na legislação, situação que configura a infração tipificada no artigo 107, IV, alínea “e”, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003 acima reproduzido. Por fim, sustenta a Recorrente a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro no art. 138, do CTN e na nova redação do art. 102, §2º, do Decreto-lei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que o registro no SISCOMEX dos dados de embarque ocorreu antes da lavratura de auto de infração. Essa matéria, contudo, foi sedimentada pela Súmula CARF nº 126, segundo a qual: Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-009.011 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.008392/2009-81 "A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010." Assim, não assiste razão a Recorrente no mérito, devendo ser mantida integralmente a autuação. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar arguida e no mérito em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11684.720339/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Nov 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 14/04/2010
AÇÃO ORDINÁRIA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
As associações são legitimados extraordinários e atuam no processo judicial na qualidade de parte, e não de representante. Apesar de defenderem direito alheio, atuam em nome próprio. Logo, qualquer dos colegitimados, isoladamente, pode propor uma demanda judicial, ou litigar administrativamente.
Nas ações ordinárias, há exceção quando há autorização expressa individual para o ajuizamento de demanda, que não se confunde com autorização em assembleia geral.
NULIDADE DE PARTE DO ACÓRDÃO DA DRJ. TEORIA DA CAUSA MADURA.
Em se tratando de matéria exclusivamente de direito, e estando em condições de imediato julgamento, o colegiado deve decidir desde logo o mérito, nos termos do art. 1.013, § 3º, do CPC, sendo desnecessário retornar o processo à instância de piso, em casos como de nulidade do acórdão da DRJ ou sua omissão em relação a algum tópico da defesa.
MULTA ADUANEIRA POR ATRASO EM PRESTAR INFORMAÇÕES. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA.
O agente de carga ou agente de navegação (agência marítima), bem como qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, para efeitos de responsabilidade pela multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei nº 37/66.
Nos termos do art. 95 do mesmo diploma legal, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
PRAZO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES.
Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.
OBRIGAÇÃO DE PRESTAR INFORMAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAR EFETIVO PREJUÍZO AO FISCO EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA.
O núcleo do tipo infracional é simplesmente deixar de prestar informação (...) na forma e no prazo estabelecidos, não se exigindo qualquer resultado naturalístico para sua consumação.
O art. 94 do Decreto-lei nº 37/66, ao definir o conceito de infração, não o condiciona a qualquer comprovação de prejuízo efetivo para o Fisco, mas tão somente à inobservância, (...) de norma estabelecida neste Decreto-Lei (...) ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. Além disso, possui comando expresso em seu § 2º no sentido de que a responsabilidade pelas infrações independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SCI Cosit 2/2016 as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Numero da decisão: 3401-008.191
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Ronaldo de Souza Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-008.161, de 24 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10711.724619/2013-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Tom Pierre Fernandes da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto.
Nome do relator: TOM PIERRE FERNANDES DA SILVA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Ronaldo de Souza Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-008.161, de 24 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10711.724619/2013-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/04/2010 AÇÃO ORDINÁRIA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. As associações são legitimados extraordinários e atuam no processo judicial na qualidade de parte, e não de representante. Apesar de defenderem direito alheio, atuam em nome próprio. Logo, qualquer dos colegitimados, isoladamente, pode propor uma demanda judicial, ou litigar administrativamente. Nas ações ordinárias, há exceção quando há autorização expressa individual para o ajuizamento de demanda, que não se confunde com autorização em assembleia geral. NULIDADE DE PARTE DO ACÓRDÃO DA DRJ. TEORIA DA CAUSA MADURA. Em se tratando de matéria exclusivamente de direito, e estando em condições de imediato julgamento, o colegiado deve decidir desde logo o mérito, nos termos do art. 1.013, § 3º, do CPC, sendo desnecessário retornar o processo à instância de piso, em casos como de nulidade do acórdão da DRJ ou sua omissão em relação a algum tópico da defesa. MULTA ADUANEIRA POR ATRASO EM PRESTAR INFORMAÇÕES. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. O agente de carga ou agente de navegação (agência marítima), bem como qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, para efeitos de responsabilidade pela multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/66. Nos termos do art. 95 do mesmo diploma legal, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. PRAZO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 03 39 /2 01 1- 61 Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. OBRIGAÇÃO DE PRESTAR INFORMAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAR EFETIVO PREJUÍZO AO FISCO EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA. O núcleo do tipo infracional é simplesmente “deixar de prestar informação (...) na forma e no prazo estabelecidos”, não se exigindo qualquer resultado naturalístico para sua consumação. O art. 94 do Decreto-lei nº 37/66, ao definir o conceito de “infração”, não o condiciona a qualquer comprovação de prejuízo efetivo para o Fisco, mas tão somente à “inobservância, (...) de norma estabelecida neste Decreto-Lei (...) ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los”. Além disso, possui comando expresso em seu § 2º no sentido de que a responsabilidade pelas infrações independe “da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. MULTA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SCI Cosit 2/2016 as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Ronaldo de Souza Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-008.161, de 24 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10711.724619/2013-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto. Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem descrever os fatos, adota-se parcialmente o Relatório da DRJ: O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, carga transportada ou operação realizada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O lançamento foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3º). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar as irregularidades apuradas que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informações intempestivas referentes aos conhecimentos eletrônicos (CE) ali indicados. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. a) Ilegitimidade passiva. A impugnante não é parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento, pois atuou apenas como agência de navegação marítima, que não se equipara a transportador, nem pode ser considerada como representante dele, para fins de responsabilidade tributária. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início da fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do Decreto-Lei nº 37/1966, bem como o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. A impugnante foi penalizada em duplicidade, pois foi autuada mais de uma vez pela mesma infração em relação ao mesmo navio/viagem. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 8, de 14/2/2008. d) Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. As multas lançadas referem-se a fatos que ocorreram no chamado “período de graça”, estabelecido pela própria norma que definiu os prazos para prestar informações, objetivando proporcionar às empresas condições para se adequar às exigência legais. e) Ausência de tipicidade (equívoco da fiscalização). A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. Retificar uma informação não é a mesma coisa que deixar de prestá-la. f) Violação ao princípio da reserva legal (CTN, art. 97, V). O art. 45, § 1º, da IN RFB nº 800/2007, ao equiparar retificação à ausência de prestação da informação, criou nova penalidade sem base legal. Somente a lei, em sentido estrito, pode instituir penalidade. g) Falta de elemento essencial da obrigação acessória. A obrigação de prestar informações sobre veículo, operação e carga transportada não atende ao disposto no art. 113, § 2º, do CTN, pois ela não foi instituída “no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos”. Ao final a impugnante requer a suspensão da exigibilidade do crédito constituído, em razão da defesa apresentada, bem como a exclusão de sua responsabilidade e o cancelamento do Auto de Infração. A DRJ NÃO CONHECEU DA IMPUGNAÇÃO no tocante à validade das normas infralegais que regulam a obrigação em foco e à aplicabilidade da denúncia espontânea para esse tipo de obrigação, por se tratar de matéria submetida ao crivo do Judiciário, DECLARANDO DEFINITIVO o lançamento em relação a esses aspectos, devido à renúncia a discuti-los na via administrativa; e CONHECEU DA IMPUGNAÇÃO em relação às matérias diversas das questionadas judicialmente, para NEGAR-LHES PROVIMENTO. Foi exarado o Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/04/2010 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/04/2010 Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informação que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/04/2010 REGISTRO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. MULTA. A retificação de registro sobre veículo ou carga transportada solicitada após o prazo para prestar as informações exigidas pela Receita Federal confirma que o dado correto não foi fornecido tempestivamente, fato que é tipificado como infração e punido com multa específica. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no art. 64 do Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de informação sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento eletrônico ou item incluído ou retificado após o prazo para informar os dados corretos, independentemente da quantidade de campos alterados. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ apresentou Recurso Voluntário, basicamente reiterando os mesmos argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. I – PRELIMINAR DE INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA A decisão de piso identificou a existência de concomitância entre parte do presente processo e uma ação judicial, nos seguintes termos: Em 27/8/2014, ao iniciar a análise dos processos administrativos nº 12266.722051/2014-68, 12266.722091/2014-18 e 12266.722153/2014-83, este 1 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 julgador tomou conhecimento de que a autuada, representada pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica – CENTRONAVE, havia ingressado com ação na Justiça para se eximir do pagamento da multa pelo mesmo tipo de infração que deu ensejo ao lançamento. Foi alegada a ilegalidade da Instrução Normativa (IN) RFB nº 800/2007 (que disciplinou a forma e o prazo como devem ser prestadas as informações exigidas do transportador) e do Ato Declaratório Executivo (ADE) Corep nº 3/2008 (que formaliza orientações sobre como devem ser aplicadas as disposições trazidas na IN 800/2007), e requerida a aplicação da denúncia espontânea para os casos em que a informação sobre a carga transportada foi prestada com atraso, mas antes da notificação do início de fiscalização para verificar o cumprimento dessa obrigação. Trata-se da Ação Ordinária nº 0065914-74.2013.4.01.3400-JFDF e do Agravo de Instrumento nº 0005763-26.2014.4.01.0000 (TRF1). Cabe observar que a autuada não informou a propositura da ação judicial nos processos em que a impugnação foi apresentada anteriormente, nem anexou a petição inicial naqueles supracitados em que comunicou tal providência, contrariando o disposto no art. 16, V, do Decreto nº 70.235/19721. Felizmente foi possível obter essa peça por intermédio da Divisão de Administração Aduaneira da 3ª Região Fiscal, sendo que a decisão proferida no citado Agravo de Instrumento foi obtida na página eletrônica do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o que tornou desnecessário baixar o processo em diligência apenas para juntar esses documentos, que são anexados aos autos nesta ocasião. Em relação às matérias abrangidas pela mencionada ação, caracterizou-se a renúncia à instância administrativa, pois cabe ao Judiciário decidir a questão, tornando-se inócuo o julgamento administrativo. Trata-se de observância ao princípio da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, e que também atende aos princípios da economicidade e da celeridade processual (art. 5º, LXXVIII, CF). Nesse sentido dispõem o art. 87 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamentou o processo administrativo fiscal federal, e o Parecer Cosit nº 7, de 22/8/2014: Alega o Recorrente que, para implicar renúncia à instância administrativa, é necessário que a ação tenha sido proposta pelo próprio contribuinte, e isto não ocorreu, tendo em vista que a ação foi ajuizada pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CENTRONAVE), da qual a Recorrente é associada. Assiste razão ao Recorrente, pois a ação não foi por ele proposta, mas por associação da qual é filiado, na condição de “substituto processual”, e não de “representante processual”. Com efeito, a Lei nº 6.830/80, em seu art. 38, § único, dispõe o seguinte: Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. A Súmula CARF nº 01 segue no mesmo sentido: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fredie Didier et alii, em Curso de Direito Processual Civil, vol. 01, 19ª ed., 2017, págs. 390/391 e 526, abordam o tema: 10.3.3. Substituição processual ou legitimação extraordinária Parte da doutrina nacional tem por sinônimas as designações "substituição processual" e "legitimação extraordinária". Há, no entanto, quem defenda acepção mais restrita à "substituição processual". Segundo essa corrente, a substituição processual seria apenas uma espécie do gênero "legitimação extraordinária" e existiria quando ocorresse uma efetiva substituição do legitimado ordinário pelo legitimado extraordinário, nos casos de legitimação extraordinária autônoma e exclusiva ou nas hipóteses de legitimação autônoma concorrente, em que o legitimado extraordinário age em razão da omissão do legitimado ordinário, que não participou do processo como litisconsorte. Nessa linha, não se admite a coexistência de substituição processual e litisconsórcio. (...) c) O legitimado extraordinário atua no processo na qualidade de parte, e não de representante, ficando submetido, em razão disso, ao regime jurídico da parte. Atua em nome próprio, defendendo direito alheio. Há incoincidência, portanto, entre as partes da demanda e as partes do litígio. Em razão disso, é em relação ao substituto que se examina o preenchimento dos requisitos processuais subjetivos. A imparcialidade do magistrado, porém, pode ser averiguada em relação a ambos: substituto ou substituído. (...) 2.4.8. Litisconsórcio facultativo unitário e coisa julgada Já dissemos que há uma relação muito próxima entre colegitimação e litisconsórcio unitário. Quando há vários legitimados autônomos e concorrentes, há legitimação extraordinária, porque qualquer um pode levar ao judiciário o mesmo problema, que ou pertence a um dos colegitimados, ou a ambos, ou a um terceiro. Se a colegitimação é passiva, e há unitariedade, o litisconsórcio necessário impõe-se sem qualquer problema: como ninguém pode recusar-se a ser réu, o litisconsórcio formar-se-á independentemente da vontade dos litisconsortes. Se a colegitimação é ativa, e há unitariedade, qualquer dos colegitimados, isoladamente, pode propor a demanda, mesmo contra a vontade de um possível litisconsorte unitário. (...) a) Como os casos de litisconsórcio facultativo unitário são, rigorosamente, casos de legitimação extraordinária, pois alguém está autorizado a, em nome próprio, levar a juízo uma situação jurídica que não lhe pertence (no caso de litisconsórcio unitário formado pelo titular do direito e por um terceiro) ou que não lhe pertence exclusivamente (no caso de litisconsórcio unitário formado por cotitulares do direito, como os condôminos), a coisa julgada estenderá os seus efeitos aos demais colegitimados, titulares do direito ou outros legitimados extraordinários, pois a relação jurídica já recebeu a solução do Poder judiciário, solução que deve ser única. Seria hipótese de extensão ultra partes dos efeitos da coisa julgada, mitigando a regra do art. 506 do CPC. Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 Esse é o ,entendimento que adotamos, seguindo a linha de, entre outros, Barbosa Moreira e Ada Pellegrini Grinover. No mesmo sentido, Humberto Theodoro, em Curso de Direito Processual Civil, vol. 01, 56ª ed., 2015, capt. 185: 185. Substituição processual Em regra, a titularidade da ação vincula-se à titularidade do pretendido direito material subjetivo, envolvido na lide (legitimação ordinária). Assim, “ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico” (NCPC, art. 18). Há, só por exceção, portanto, casos em que a parte processual é pessoa distinta daquela que é parte material do negócio jurídico litigioso, ou da situação jurídica controvertida. Quando isso ocorre, dá-se o que em doutrina se denomina substituição processual (legitimação extraordinária), que consiste em demandar a parte, em nome próprio, a tutela de um direito controvertido de outrem. Caracteriza-se ela pela “cisão entre a titularidade do direito subjetivo e o exercício da ação judicial”, no dizer de Buzaid. Trata-se de uma faculdade excepcional, pois só nos casos expressamente autorizados em lei é possível a substituição processual (art. 18). (...) De qualquer maneira, não se concebe que a um terceiro seja reconhecido o direito de demandar acerca do direito alheio, senão quando entre ele e o titular do direito exista algum vínculo jurídico. (...) Uma associação ou um sindicato também pode demandar em defesa de direitos de seus associados porque o fim social da entidade envolve esse tipo de tutela aos seus membros: há, pois, conexão entre o interesse social e o interesse individual em litígio. Daí ser justificável a substituição. (...) (...) Uma consequência importante da substituição processual, quando autorizada por lei, passa-se no plano dos efeitos da prestação jurisdicional: a coisa julgada forma-se em face do substituído, mas, diretamente, recai também sobre o substituto. A regra, porém, prevalece inteiramente na substituição nas ações individuais, não nas coletivas, como a ação civil pública e as ações coletivas de consumo. Nestas, as sentenças benéficas fazem coisa julgada para todos os titulares dos direitos homogêneos defendidos pelo substituto processual (CDC, art. 103, III). O insucesso, porém, da ação coletiva não obsta as ações individuais, a não ser para aqueles que tenham integrado o processo como litisconsortes (CDC, arts. 94 e 103, § 2º). Nesse último caso, a coisa julgada impede a repropositura da ação coletiva, mas não o manejo de ações individuais com o mesmo objetivo visado pela demanda coletiva. Diz-se que a pretensão individual nunca será a mesma formulada coletivamente, ou seja: o direito difuso ou coletivo nunca se confunde com o direito individual de cada um dos indivíduos interessados. Mesmo no caso dos direitos individuais homogêneos, o que se discute, coletivamente, é apenas a tese comum presente no grupo de cointeressados. Nunca ficará o indivíduo privado do direito de demonstrar que sua situação particular tem aspectos que justificam a apreciação da ação individual. Como se observa, a doutrina entende que a propositura da ação coletiva não impede o manejo de ações individuais com o mesmo objetivo visado pela demanda coletiva sem que ocorra o instituto da litispendência, previsto no art. 337, §§ 1º a 3º: Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: (...) VI - litispendência; (...) § 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. Do Código de Processo Civil é possível verificar que as regras aplicáveis à litispendência também se aplicam à questão da concomitância, uma vez que definem o que se deve entender por ações idênticas, ou ações com o mesmo objeto. A legislação civil trata da questão estabelecendo que o Mandado de Segurança coletivo, assim como as ações ordinárias coletivas, não induzem litispendência, permitindo o ajuizamento de ações individuais, bem como permitindo a discussão administrativa. É o que estabelece a Lei nº 12.016/2009 (disciplina o mandado de segurança individual e coletivo) e a Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), c/c o art. 139, X, da Lei nº 13.105/2015 (CPC-2015): Lei nº 13.105, de 2015 Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: (...) X - quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas, oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legitimados a que se referem o art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, e o art. 82 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, para, se for o caso, promover a propositura da ação coletiva respectiva. Lei nº 12.016, de 2009 Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. Lei nº 8.078, de 1990 Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. Art. 82. Para os fins do art. 100, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995) I - o Ministério Público, II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código; IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear. (...) Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81. § 1° Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. § 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985, não prejudicarão as ações de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão as vítimas Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à execução, nos termos dos arts. 96 a 99. § 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal condenatória. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Nesse sentido, as seguintes decisões deste Conselho: a) Acórdão nº 3301-007.622, Sessão de 17/02/2020: O v. acórdão recorrido não conheceu destas matérias em razão de suposta concomitância com ação judicial, Ação Ordinária nº 0065914- 74.2013.4.01.3400, proposta pela CENTRONAVE perante a Justiça Federal em Brasília, Associação Civil da qual a Recorrente faz parte, sob o argumento de que a decisão desta ação judicial repercutiria na esfera de direitos da Recorrente. (...) Sem fazer prova de que a Recorrente realmente é associada desta Associação Civil e sem verificar na ação judicial se a Recorrente autorizou expressamente a referida Associação a propor ação coletiva em seu nome, a d. DRJ não conheceu dos argumentos da impugnação que coincidem com a discussão travada em âmbito judicial, em razão da concomitância, não proferindo julgamento sobre estes pontos da controvérsia. A r. decisão de piso deve ser anulada para que a parte não conhecida seja analisada e julgada em seu mérito pela instância administrativa. Isso porque, embora não negue e nem comente sua situação de ser associada da CENTRONAVE, a Recorrente afirma a inexistência de autorização expressa conferindo legitimidade processual da Associação para defender seus interesses em ações coletivas. Para comprovar a ausência de autorização expressa, juntou aos autos a petição inicial da referida ação ordinária, fls. 3.032-3.078, onde resta evidente o argumento da CENTRONAVE de que não apresentava autorização dos associados diante da desnecessidade desta providência, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Assim, destaco o seguinte trecho da referida petição inicial: (...) No ano de 2014, em sede de repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão no sentido de que a coisa julgada das ações coletivas propostas por associações civis só teriam efeito para os associados que assim conferido a autorização expressa para a Associação litigar em seu nome para defender seus interesses, autorização esta que deveria ser apresentada com a petição inicial para comprovar a legitimidade processual. (...) Anos mais tarde, também em sede de repercussão geral, o STF analisou a constitucionalidade do artigo 2º-A da Lei 9.494/1997 para tratar da eficácia subjetiva da coisa julgada em ações coletivas propostas por Associações Civis e Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 consolidou o entendimento de que a coisa julgada só tem efeito no âmbito da jurisdição do órgão judicial que proferiu a decisão. Este entendimento foi proferido no RE 612043/PR, conforme ementa abaixo: (...) Com isso, não há evidências nos autos de que a Recorrente autorizou a Associação a litigar em seu nome. Ainda, a eficácia da coisa julgada não beneficiaria a Recorrente, em razão de estar estabelecida em local não abrangido pela jurisdição do órgão judicial que irá proferir a decisão na ação coletiva. Desta feita, apesar de não ter diligenciado para verificar a presença destes requisitos, a d. DRJ deveria ter conhecido dos argumentos e teses de defesa da Recorrente, diante da inexistência de concomitância. Isto posto, conheço do recurso voluntário para dar parcial provimento para anular a decisão recorrida, determinando a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. b) Acórdão nº 9303-005.057, Sessão de 15/05/2017: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. c) Acórdão nº 9101-001.216, Sessão de 18/10/2011: Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falar-se em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicar-se- á ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 Pelo exposto, voto por dar provimento ao pedido e declarar a nulidade da decisão a quo, neste particular. [...] 1. Trata-se de multa administrativa (aduaneira) por descumprimento da obrigação de informação sobre veículo e carga transportada. 2. A Recorrente alega ILEGITIMIDADE PASSIVA porquanto mera representante do transportador estrangeiro, real sujeito passivo da multa em análise. Ao analisar o tema em liça, o ilustre Conselheiro Lázaro dispõe que a) a multa em questão é “aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga” e, dentre estas as agências de navegação; b) a agência marítima de navegação é sujeito passivo da autuação “pois concorreu para a prática da infração”, ex vi, art. 32, 94 a 96 do Decreto-Lei 37/66; c) nos termos de repetitivo do Tribunal da Cidadania, “o representante do transportador estrangeiro no país foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do Imposto de Importação”. 2.1. Começando do final, o Superior Tribunal de Justiça fixou Precedente Vinculante em que aponta a agência de navegação tem “responsabilidade tributária solidária” ao lado do transportador efetivo. Contudo, no caso em liça não tratamos de responsabilidade tributária e sim aduaneira, por infração administrativa, com relação muito distante ao Imposto de Importação e ao seu recolhimento. Desta forma, embora possa auxiliar a argumentação, não há aplicação direta e tampouco vinculante do Tribunal da Cidadania. Por oportuno, o próprio Superior Tribunal de Justiça mais do que titubeia em reconhecer a identidade entre agência de navegação e transportador no tema multas aduaneiras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. SISCOMEX. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE INFORMAÇÕES. MULTA. AGENTE DE CARGA X AGENTE MARÍTIMO. ART. 37, IV, E, DL N. 37/66. I - Trata-se de pedido de tutela provisória, com fundamento nos arts. 995, parágrafo único, e 1.029, § 5º, do CPC e art. 288 do RISTJ, requerendo a suspensão da decisão proferida pelo TRF da 2ª Região. II - De acordo com o art. 995, parágrafo único, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de recurso que em regra não é dotado de efeito suspensivo, a eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave ou de difícil ou impossível reparação e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. III - Por sua vez, o art. 1.029, § 5º, I, do CPC/2015 estabelece que o pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido ao Tribunal Superior respectivo, no período compreendido entre a interposição do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-lo. IV - Como se pode notar, para a excepcional concessão do efeito suspensivo, há se exigir a presença cumulada dos dois requisitos legais, quais sejam, a possibilidade de risco de dano grave ou de difícil ou impossível reparação e a probabilidade de provimento do recurso. V - Na hipótese dos autos, a análise da excepcionalidade há de ser ainda mais rigorosa, tendo em vista se tratar de recurso especial inadmitido, decisão que foi Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 enfrentada pelo recurso próprio. A questão entelada gravita em torno da responsabilidade do agente marítimo por obrigação imputada ao agente de carga, em conformidade com o Decreto-Lei n. 37/66. VI - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça encontra-se pacificada no sentido do afastamento do agente marítimo como responsável tributário por obrigação devida pelo transportador, situação diversa da aqui apresentada. VII - Na hipótese dos autos, trata-se de equiparação do agente marítimo ao agente de carga, a teor da previsão contida no art. 37, § 1º, do Decreto-Lei n. 37/1966. VIII - Conforme observado no acórdão recorrido, a responsabilidade da ora parte requerente advém da interpretação da legislação pertinente, a indicar, em conjunto com as circunstâncias factuais da infração, a alteração da imputação administrativa, trazendo a legitimidade do agente marítimo para responder pela autuação fiscal. IX - Agravo interno improvido. (AgInt no TP 1719 / ES – REL Ministro FRANCISCO FALCÃO – Dje 26/03/2019) 2.2. Outrossim, a fiscalização aponta responsabilidade direta da Recorrente, isto é, como transportadora, e não como responsável, nos termos do artigo 95 do Decreto-Lei 37/66. Desta feita, como a devida vênia, não pode esta Casa alterar a imputação (e nisto se inclui a forma de sujeição) sob pena de violação da não surpresa tão bem descrito no artigo 146 do CTN – aqui aplicável eis que tratamos de lançamento. 2.2.1. De todo o modo, seria incorreta a alteração do tipo de vinculação. A Recorrente é transportadora; assim revela seu contrato social, seu cadastro Mercante e o extrato dos conhecimentos com informações prestadas a destempo: Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 3. Como matéria de defesa, alega a Recorrente que a SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT 02/2016 EXTIRPOU DO ORDENAMENTO JURÍDICO A MULTA POR RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Em contraponto, o Conselheiro Lázaro destaca em seu notável Voto, decisão do Tribunal da Cidadania no seguinte sentido: 11. Embora a parte autora alegue que se trate de mera retificação de informações, é cediço que não foi realizada tempestivamente, conforme os fatos apurados pela autoridade fiscal. Por terem sido lançados dados incorretos no momento oportuno (até a atracação), apenas intempestivamente as informações exigidas passaram a constar no sistema, o que configurou a infração. 12. A solução proferida na Consulta Interna Cosit/RFB nº2/2016, por excepcionar a aplicação da infração prevista na legislação nos casos de alteração ou retificação das informações já prestadas, comporta interpretação restritiva. Extrai-se dos fundamentos do referido ato administrativo (item 11) que a solução proferida na Consulta se aplica às retificações que "podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior", ou seja, decorrentes de fatos supervenientes ao registro inicial, não de mero erro ou negligência do operador ao inserir os dados no Siscomex. 3.1. Pois bem, a Solução de Consulta Interna COSIT 02/2016 advém de consulta da COANA. Em seu relatório de Consulta a COANA descreve que seu intuito é “estabelecer, dentre outros pontos, que as retificações e alterações promovidas intempestivamente, das informações já prestadas anteriormente no sistema não se configuram como prestação de informações fora do prazo”, isto porque, prossegue o Órgão Central de Fiscalização Aduaneira “a multa é cabível “por deixar de prestar informação (...)” e que, ainda que a retificação não se configure como denúncia espontânea, o texto legal determina que a penalidade é cabível com o não cumprimento da obrigação, e não com o seu cumprimento incorreto”. 3.1.1. É claro que, ao responder a Consulta acima, a COSIT explicita que as retificações “podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior”. Contudo, antes disto, no mesmo parágrafo a COSIT conclui que “infere-se, ainda, da legislação posta o não cabimento da aplicação da referida multa quando da obrigatoriedade de uma informação já prestada anteriormente em seu prazo específico, ser alterada ou retificada, como, POR EXEMPLO, as retificações estabelecidas no artigo 27-A e seguintes da IN RFB 800/2007” (...): Art. 27-A. Entende-se por retificação: I - de manifesto, a alteração ou desvinculação após: a) a primeira atracação da embarcação no País, no caso dos manifestos PAS, LCI ou BCE com porto de carregamento estrangeiro; ou Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 b) a emissão do passe de saída, no caso dos manifestos LCE ou BCE com porto de carregamento nacional; II - de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após: a) a primeira atracação da embarcação no País, no caso de CE único ou genérico de importação ou passagem; b) a atracação no porto de destino final do CE genérico, no caso de seus CE agregados; ou c) a emissão do passe de saída, no caso dos CE de exportação. 3.1.2. Em conclusão, no mesmo parágrafo, logo após a oração “podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior”, diz a COSIT que “as alterações ou retificações intempestivas das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a multa aqui tratada”. Não por outro motivo, aliás, restou assim ementada a Solução de Consulta Interna COSIT 2/2016: As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. 3.1.3. Desta feita, com a máxima vênia ao Eminente Ministro Campbell Marques, e ao não menos Eminente Conselheiro Lázaro, resta absolutamente claro que para a COANA e para a COSIT a multa não é aplicável para qualquer tipo de retificação, sem nenhuma distinção de espécie. Correção de informação anteriormente prestada não configura multa. Até mesmo porque – como bem aventa a COANA – ainda que efetivamente atrapalhe a fiscalização aduaneira tal qual a omissão de informação, retificar é diferente de omitir. Retificar exige duas ações, uma primeira de prestar a informação no prazo e a segunda de corrigi-la. Omissão é inação, ausência de ação. Tanto omissão e retificação são conceitos distintos que o § 1° do artigo 45 da IN RFB 800/07 equiparava um e outro conceito. Ora, se idênticos a priori omissão e retificação, despicienda uma norma que os equivalha. 3.2. Ademais – ainda analisando a Jurisprudência citada – segregar informações que podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior de outras sequer faz sentido lógico ou legal; lógico porquanto se o cidadão deve por imposição infralegal descrever a informação no sistema (e retificá-la) por evidente ela é necessária (ex vi, artigo 113 § 2° do CTN “no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos”), legal vez que sem que o cidadão preste a informação correta (leia-se, qualquer uma das inúmeras descritas nos anexos da Instrução Normativa) para a fiscalização não há conclusão da operação de comércio exterior (desembaraço), a operação fica bloqueada no sistema mercante, como revela o artigo 27-B da IN 800/07: Art. 27-B. A retificação de que trata o art. 27-A será solicitada pelo transportador, por escrito ou no Sistema Mercante, e ficará sujeita a análise da RFB. § 1º A solicitação ocorrerá exclusivamente por escrito caso o CE encontre-se: I - vinculado a trânsito não concluído, se a concessão for condicionada à retificação; II - vinculado a despacho de importação; ou III - bloqueado pelo motivo “início de procedimento fiscal. § 2º A solicitação ocorrerá no sistema nos demais casos. Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 § 3º A solicitação de retificação receberá número de protocolo gerado pelo sistema, que será utilizado pelo interessado para acompanhamento do resultado da correspondente análise no Sistema Mercante. § 4º O manifesto eletrônico ou CE submetido a solicitação de retificação no sistema ficará automaticamente bloqueado. 3.3. Em encerramento, a referência à interpretação restritiva é fora de lugar, vez que a) estamos em sede de infração aduaneira e não tributária; b) não estamos tratando de dispensa de obrigação acessória e sim de hipótese de aticipidade da infração, a endonorma permanece hígida, a hipótese da perinorma é afastada, apenas. Em verdade, por tratarmos de infração, a restrição é na amplitude semântica do antecedente em respeito ao nulla poena sine lege scripta e certa. 3.4. No caso em liça a fiscalização narra que aplica a multa aduaneira por RETIFICAÇÃO apresentada, ou seja, não houve omissão de informações, a Recorrente prestou a informação necessária no prazo descrito e, posteriormente, corrigiu-a (em alguns casos, por mais de uma vez): 3.4.1. Desta forma, a multa aplicada a Recorrente deve ser afastada por força do quanto descrito na Solução de Consulta Interna COSIT 02/2016, conforme já decidido por outras Turmas desta Casa, por unanimidade de votos: MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 2/2016. (3201-006.800 – Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 2/2016. (3301-005.219 – Relator: Conselheiro Valcir Gassen) 4. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou provimento, cancelando a autuação. Fl. 319DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-008.191 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720339/2011-61 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente Redator Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital
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