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Numero do processo: 10480.905414/2011-96
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 54 14 /2 01 1- 96 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 173 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 174 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 34422.92087.191007.1.3.048402), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 19/10/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS, Código(informado) 8109, apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/01/2003 14/02/2003 14/02/2003 12.067,13 12.067,13 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 1.508,07, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, da Contribuição para o PIS cumulativa, Código 8109, relativo a setembro de 2007, no valor de R$ 2.621,48, com vencimento em 19/10/2007. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 06/06/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 932682163, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 17/06/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 15/07/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 175 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 176 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 177 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 178 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 179 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905414/201196 Acórdão n.º 3801002.273 S3TE01 Fl. 180 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923619/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2005
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), devendo ser reproduzido seu resultado na instância administrativa. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Carf.
MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS
Afastada a questão prejudicial acolhida pela Delegacia de Julgamento, o mérito da existência do direito creditório deverá ser examinado pela instância a quo, sob pena de supressa~o de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3101-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o impedimento de exame de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por já ter sido declarada pelo STF, em sede de repercussão geral, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para apreciar as demais questões trazidas na manifestação de inconformidade.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)..
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), devendo ser reproduzido seu resultado na instância administrativa. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Carf. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS Afastada a questão prejudicial acolhida pela Delegacia de Julgamento, o mérito da existência do direito creditório deverá ser examinado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o impedimento de exame de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por já ter sido declarada pelo STF, em sede de repercussão geral, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para apreciar as demais questões trazidas na manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 36 19 /2 00 9- 06 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 26/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).. Relatório Adoto o relatório do órgão julgador de primeiro grau (fls. 26) até aquela fase: Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842574015), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 25738.22569.300506.1.3.047429, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 21,11, pois o pagamento informado de R$ 291,01, sob o código 8109, efetuado em 15/09/2005, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 07/2005. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a não homologação da compensação em litígio. O acórdão 0633.857 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/09/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10980.923619/200906 Acórdão n.º 3101001.528 S3C1T1 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde alega a inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo do PIS pela Lei nº 9.718/98 e a aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Requer o provimento de seu recurso para que seja homologada a declaração de compensação em epígrafe, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme já relatado, a controvérsia referese à não homologação da compensação informada pela recorrente em Per/Dcomp pela inexistência de créditos, por entender a autoridade fiscal que o pagamento informado pela interessada teria sido integralmente utilizado para extinção de outro débito indicado em DCTF. A recorrente manifestouse em sentido contrário, entendendo que o crédito decorreria da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras. Informou ainda que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não localizou o crédito porque, na DCTF, o débito teria sido declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. Quanto à não incidência do PIS sobre as receitas financeiras assiste razão a recorrente. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi confirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE 585.235/RG (Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008), decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Portanto, em relação a essa matéria, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. A Delegacia de Julgamento, no julgamento a quo, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, por entender que se tratava de questões sobre a Fl. 43DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 constitucionalidade de dispositivos legais, impossibilitando sua apreciação no âmbito administrativo. Citou inclusive a Súmula CARF nº2.. Dessa forma, não foi analisado por aquela instância julgadora o valor do crédito e do débito e a compensação efetuada pela recorrente, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pela interessada. Sendo assim, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela Delegacia de Julgamento, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressaõ de instância. Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para afastar o impedimento de exame de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por já ter sido declarada pelo STF, em sede de repercussão geral, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para apreciar as demais questões trazidas na manifestação de inconformidade. Sala das sessões, em 23 de outubro de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720061/2007-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITOS DE ICMS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA.
A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa.
Somente a partir de 1° de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de calculo da citada Contribuição.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE.
Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado devera ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gama.
Nome do relator: Jose Fernandes do Nascimento
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS DE ICMS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa. Somente a partir de 1° de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de calculo da citada Contribuição. COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado devera ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-30T13:58:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 11; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-30T13:58:10Z; Last-Modified: 2011-08-30T13:58:11Z; dcterms:modified: 2011-08-30T13:58:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7281b7d0-bd4a-49e5-a972-9a323225f531; Last-Save-Date: 2011-08-30T13:58:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-30T13:58:11Z; meta:save-date: 2011-08-30T13:58:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-30T13:58:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-30T13:58:10Z; created: 2011-08-30T13:58:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2011-08-30T13:58:10Z; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-30T13:58:10Z | Conteúdo => FL I S3-C1r2 Fl 80 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO DE CARF ME Processo n° 11020.720061/2007-50 Recurso n° 265.072 Voluntário Acórdão n° 3102-00.796 — P Camara / 2° Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria COFINS - COMPENSAÇÃO Recorrente RAM DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS DE ICMS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa. Somente a partir de I° de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de calculo da citada Contribuição. COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado devera ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passive] de compensação. Recurso Voluntário Negado. Assinado digitalmente em 17/11r2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/12/2010 poi LUIS MARCELO GU ERRA DE CATRO Autentloado digitalmente ern 17:11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Enutido eni 29/12/2010 pelt) Minist6rio da Fazenda CAM', Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Ver issimo de Sena e Nanci Gama. ao (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 17/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Leonardo Mussi da Silva e Nanci Gama. tório Trata-se de Recurso Voluntário visando a reforma do Acórdão n° 10-17.248, de 25 de setembro de 2008 (fls. 58/59v), proferido pelos membros da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ/P0A), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - CO FINS Período de apuração. 01/04/2005 a 30/06/2005 CESSÃO DE !CMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS Rest/Ress Indeferido - Comp. não homologada Por meio da Declaração de Compensação (DComp) de n° 27914.57706.230106.1.3.09-3996 (fls. 04/07), informou Interessada a compensação do saldo rerhanescente dos créditos da Cans do 2° trimestre de 2005 com o débito do 'RN do mês de deembto/2005 (fl. 07). 1135.47297.230 De acordo com o Pedido de Ressarcimento (PER) de n° 16035.47297.230106.1.1.09-9275 (fls. 01/03), o valor do crédito utilizado na referida c4ipensaçâo corresponde ao somatório dos saldos remanescentes dos créditos da Colitis Não- Cumulativa — Exportação dos meses de abril a junho de 2005, provenientes dos insumos vinculados As receitas de exportação auferidas no período. Ao analisar o pleito em tela, por intermédio do Parecer de fls., 12/16, a autoridade fiscal informou que, após análise da documentação apresentada e dos dados exfraidos dos sistemas de comércio exterior administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RIB), chegou a conclusão que os valores dos créditos pleiteados pela Recorrente Ar4inack cV41,Y014 APP.PiStt2; 0 PrAtiOdAtOiRIPQMPS nia:94,40_114M\l'ItilikkItigiA510 95r LVAIQMSZCIICA CreCeiteS de ERRA DE CASTRO Autenticado d6italmenie cm 1711112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 Etnitido em 20/12/2010 polo lanisréi io da Fazenda l'vlF F l. 3 Processo n° 11020 720061/2007-50 S3-C1T2 Acórd8o ° 3102-00,796 11 81 transferências de créditos de ICMS auferidas no citado trimestre, opinou pela glosa dos citados valores do valor total do crédito pleiteado. Por sua vez, acantando as conclusões exaradas no referido Parecer, em 11/08/2008, a autoridade da Unidade da RFB de origem, por delegação de competência, proferiu o Despacho Decisório de fl. 16, reconhecendo, parcialmente, o direito creditório pleiteado e homologando as compensações declaradas, até o limite do valor do crédito reconhecido . Em 28108/2008, a Interessada foi cientificada, por via postal (fl. 25), dos referidos Parecer e Despacho Decisório, bem como da Carta Cobrança de fls. 23/24, exigindo- lhe a parcela do débito, cuja compensação não fora homologada, por insuficiência de crédito. Descontente, em 03/09/2008, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 26/36, aduzindo as razões de defesa que foram assim resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, ipsis litteris: Alega que haveria tuna alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualijkada como receita de exportação e estaria !yenta e imune à incidência das contribuigties ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros Tia: doutrina e jurispruditzcia para fundamentar seus raciocínios de defesa Sobreveio o Acórdão recorrido, em que, os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, mantiveram o indeferimento da parcela do crédito não reconhecida e, por decorrência, a não homologação da parcela do debito compensado, com base nos seguintes argumentos: a) a cessão dos direitos de 1CMS para terceiros era uma receita do cedente (contribuinte), independente de haver lucro ou prejuízo com a operação jurídica/contábil; b) o fato gerador da Coflns é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pala pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; c) o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica; d) o negócio jurídico em tela não se enquadrava em nenhuma de exclusão da base de calculo, prevista na legislação, para a referida Contribuição; e e) a cessão de créditos do 1CMS não era uma operação de exportação de mercadorias ou serviços, como alegara a Interessada, logo, não estaria albergada por qualquer imunidade ou isenção em favor das exportações. Assinado digi19Imente em 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/1212010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Auienticado digitalmente em 17111,2010 por .10SE FERNANDES DO NASCIMENTO 3 EtmIido m 29/12/2010 pelo Mlilistrio da Fazencia CAR1 DP CAW' MI' H. 4 Em 21/10/2008, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 64), do re erido Acórdão e da Carta Cobrança de fls. 62/63,. Inconformada, em 1 I/11/2008 (fl. 66), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 66/76, reafirmando as razdes de defesa aduzidas na pega imr ugnatoria e requerendo o integral provimento do presente Recurso. Em cumprimento ao despacho de fl. 79, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deite Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do I corrente ano, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Conselheiro E o relatório. Voto Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo da análise da compensação do saldo remanescente dos créditos da Cofins dos meses de abril a junho de 2005, com o valor do débito do IRPJ do mês de dezembro/2005. A referida compensação foi formalizada por meio da DComp de fls. 04/07. . O valor do crédito utilizado na compensação corresponde aos saldos remanescentes dos créditos da Cents não-cumulativa, originados dos insumos vinculados As receitas de exportação auferidas no 2° trimestre de 2005. O presente procedimento compensatório tem amparo no inciso H do § 1°, combinado com o estabelecido no § 3°, ambos do art. 6° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a seguir reproduzidos: "Art 6' A CORNS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior II - prestação de serviços para pessoa.fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, (Redação dada pela Lei n° 10 865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o .fim específico de exportação § 12 Na hipótese deste artigo, a pessoa jurldica vendedora poderd utilizar o crédito apurado na forma do art. 32, para fins de: - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado inferno; - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Assfoado digita media em t 17/11(2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/12/2010 por LUIS MARCELO OU ERRA DE CASTRO Autenticado dioilalmedte em 17/11i20 10 por JOSE FERNANDES 1)0 NASCIMENTO 4 Emilido em 20/12/2010 pelo Ministério do Fa2encla ' Di: CAR M F Fl 5 Process() n° 11020 720061/2007-50 S3.-C112 Acórddo n '3102-00.796 Fl 82 Secretaria da Receita Federal, observada a legisla cão especifica aplicável à matéria. 22 A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no ,§ I poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria § 3 O disposto nos §§ 12 e 22 aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados it receita de exportação, observado o disposto nos §§ be e 9e do art. 32. ( ) (grifos no originais) Na data da formalização do presente procedimento compensatório (23/01/2006), a legislação especifica que disciplinava a matéria, a que alude o preceito legal em destaque, era o art, 21 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005. Segundo o Parecer de fls. 12/16, que deu origem a presente controvérsia, os valores dos créditos apurados no período estavam corretos, porém, os valores dos débitos a recolher não foram corretamente determinados, posto que a Interessada não incluíra na base de calculo da dita Contribuinção os valores das receitas referentes à alienação dos créditos do 'CMS. Em decorrência, foram apurados novos valores da Cotins a pagar, os quais foram deduzidos do valor do saldo remanescente do crédito pleiteado, resultando na glosa parcial do saldo remanescente do crédito compensado. Por sua vez, o titular da Unidade da Receita Federal de origem, acatando as conclusões apresentadas no mencionado Parecer, decidiu manter a .glosa parcial do crédito utilizado, com base no entendimento de que o valor da receita obtida na alienação dos créditos do ICMS integrava a base de cálculo da citada Contribuição . Os membros da Turma julgadora de primeiro grau, com base no mesmo entendimento, também mantiveram a glosa parcial do valor do saldo remanescentes do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Com base no exposto, flea demonstrado que o cerne da presente controvérsia consiste em saber se os valores das receitas decorrentes das vendas dos créditos do 1CMS compõem ou não base de cálculo da Cofins não-cumulativa e, caso afirmativo, se os débitos a recolher concernentes à tais receitas devem ser deduzidos do valor do crédito vinculado a receita exportação, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação, conforme procedimento adotado pela autoridade fiscal da Unidade de origem. Da alienação de créditos de ICMS: receita atípica. Antes de analisar se valor obtido na venda de créditos de ICMS integra ou não a base de cálculo da Calm não-cumulativa, entendo pertinente que seja deslindada a natureza da operação de alienação dos créditos de ICMS provenientes das vendas ao exterior. Segundo a Recorrente, tais valores não integrariam a base calculo da referida Assirtaco digtml norkte Cotitribisicio,-poNuf rrildNeVt ta9 Idecitaiija? nïaS7tit) %era Itipttaçãõ Wtriffloni al . ERRA DE CASTRO Autentrcado digi aliments em MI 1/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 5 Ernilido sal 29/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CART MF Fl. 6 Não procede a alegação da Recorrente. Do ponto de vista contábil, toda operação que altera quantitativa ou qualitativamente o patrimônio da pessoa juridica (ou da entidade contábil, segundo os contabilistas) tem natureza patrimonial e deve ser registrada na contabilidade. O que caracteriza uma operação como receita é a presença do ingresso de numerário (venda a vista) ou de um de um credito (venda a prazo) no ativo da empresa, proveniente da alienação de um bem ou direito integrante do seu ativo circulante, realizável a longo prazo ou permanente, ou da prestação de serviço. Neste sentido, é a definição apresentada no inciso I do § 3° do art. 9° da Rçsolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 1993, que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC), que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 9° As receitas e as despesas devem ser incluídas na apura cão do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento 3° As receitas consideram-se realizadas. I — nas transaçães com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; ) Por sua vez, o subitem 2.6.3 da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 774, de 1994, que aprovou o apêndice 6, Resolução CFC n° 750, de 1993, eslarece o conteúdo e abrangencia da definição de receita apresentada no referido inciso I do § 3° do art. 9°, com a seguinte dicção, ipsis litteris: 2 6.3 — Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momenta em que 116 a venda de bens e direitos da Entidade — entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, set-viços, inclusive equipamentos e imóveis —, com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazê-lo num prozo qualquer Normalmente, a transaçâo é formalizada mediante a emissão de nota fiscal ou documento equivalente, em que consta a quantificação e a formali:ação do valor de venda, pressupostamente o valor de mercado da coisa ou do serviço ( .) Com explicações, fica devidamente esclarecido que a venda a terceiros dos créditos de ICMS, um direito integrante do ativo circulante da contribuinte, mediante a emissão de nota fiscal, apresenta todas as características de receita da pessoa jurídica vendedora. Da definição do fato gerador da Cofias não-cumulativa: receita em geral. Aasinado digitymente em 17/1112010 par JOSE FERNANDES DO MASI:AMEN:10. 02/12/2010 oar LUIS MARCELO OU ERRA DE CASTRO Autenticado digitalmente ern 17111/2010 par JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 5 Enaido em 2s(1212010 pale MIMstOfio da Fazerea DF CAR 7 Processo 11020 720061 12007-50 S3-C1T2 AeOrd90 n ° 3102-00.796 Fl 83 O fato gerador da Cofins, com a incidéncia não-cumulativa, encontra-se definido no caput e § 1° do art, 1° da Lei n° 10.833, de 2003, nos seguintes termos, verbis: Art la A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § la Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operaçiies em conta própria ou alheia e iodas as demais receitas auferidas pela pessoa Jurídica ( ) (grifos não originais). De acordo com os referidos preceitos legais, integram o fato gerador da Contribuição em apreço todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindo as receitas decorrentes da atividade principal ou típica (o faturamento ou receita bruta), bem como a da atividade atípica (as receitas não operacionais e operacionais esporádicas). A receita auferida na alienação dos créditos do ICMS, originados de insumos vinculados As receitas de exportação, conforme o disposto no inciso II do § l a do art. 25 1 da Lei Complementar na 87, de 13 de setembro de 1996, corn a redação dada pela Lei Complementar n° 102, de 11 de julho de 2000, em sendo uma receita atípica, integra o fato gerador da mencionada Contribuição. Da exclusão da base cálculo da Corms não-cumulativa: fatos geradores até 31 de dezembro de 2008. Os tipos de receitas que não integravam a base de cálculo da Contribuição em destaque, no período em que ocorreram os fatos geradores dos créditos objeto do presente pleito, constavam taxativamente discriminados no § 3 0 do art. 1° da Lei n° 10,833, de 2003, a seguir transcrito: Art .') ,s5 2' A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no capim!. Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as recelias: I "Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensando-se os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. § I° Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art- 3° e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saldas representem do total das saldas realizadas pelo estabelecimento: I - imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; H - havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante,.a emissão twin autoridade.compçtente, de documentgqtre reconheça o cré,dito,_ Assinácto oi;almente c-mv11/201(.1 por JOSt FLItivANUtb UL2 tvAGImENIu u.zr12./..:utupor LI-Jra MAKUL:LU GU ERRA DE CAtTRO Autenticado cl gitalinente ern 1711112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 7 Emitido em 29112/2010 polo Mints:drio da Fazenda MF 1L g DV CA RF 1 - isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à aliquota O (;:ero), II - não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias ern relação as (pals a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta ir Una& ia; IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis n" 9 990, de 21 de julho de 2000, 10 147, de 21 de dezembro de 2000, 10485, de 3 de julho de 2002, e 10 560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas er incidência monofásica da contribuição, - referentes a- a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita (grifos não originais) Da leitura do transcrito preceito legal, não se encontra qualquer menção receita proveniente da alienação dos créditos de ICMS, o que conduz a conclusão de que esse tilde de receita não se encontrava contemplado no rol taxativo contido no transcrito parágrafo 30 Assim, fica demonstrado que, por falta de previsão legal, o referenciado tipo de receita integra a base de cálculo da Cofins não-cumulativa. Cabe ressaltar ainda que, para fins de incidência da referida Contribuição, a or gem dos referidos créditos torna-se irrelevante. Com efeito, o que é determinante, no caso presente, é que a alienação ocorreu no mercado interno e gerou uma receita que, conforme definido em lei, integra a base de cálculo da referida Contribuição. O fato de os referidos créditos estarem vinculados às receitas de exportação, que gozam de imunidade da Contribuição em apreço (art. 149, § 2°, I, da CF/88), em nada altera o regime tributário atinente As receitas decorrentes da alienação dos citados créditos. Portanto, não procede a alegação da Recorrente de que a imunidade da receita e portação seria extensível a receita decorrente das vendas dos citados créditos., Não é demais ressaltar que, em se tratando de norma de natureza excepcional, por força do exposto no art. 150, § 6°, da CF/88, a exclusão da receita auferida na alienação de créditos ICMS do campo incidência ou da base de cálculo da Contribuição em apreço somente p8deria ser efetivada mediante disposição legal expressa, veiculada em lei especifica. Dessa forma, demonstrado que na data do fato gerador não havia previsão legal para tal exclusão, a contrario sensu, é de se concluir que, no citado trimestre, a dita receita integrava a base de calculo da Cofins não-cumulativa. Asfanado dinitaImente em 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/12/2010 poi LUIS MARCELO GLI I ERRA DE CASTRO Autenticado digitalmente ern 17/I 1/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emitido em 21/12/2010 pelo Mrliterio do Fazenclo 8 OF CAR MF FI, 9 Processo n° 11020 720061/2007-50 S3-C1T2 Acórd8o n ° 3102-00,796 Fl 84 Da previsão legal da exclusão da receita da venda de créditos do ICMS da base da Cofins: efeitos prospectivos. 0 art. 17 da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, deu nova redação ao art_ I° da Lei n° 10.637, de 2002, acrescentando ao § 3 0 a previsão de exclusão da base de calculo da Cofins não-cumulativa as receitas decorrentes de transferência de créditos de ICMS originados de operaçães de exportação, nos termos a seguir reproduzido: Art 17. Os arts 12, 22, 32, 10, 58-J e 58-0 da Lei e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redaçiio. "Art. 1 2 . . ...... ,f 3a VI - decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulaçao de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Cornunicaglio 1CMS de créditos de ICMS originados de operações de exportavao, conforme o disposto no inciso II do § 1 2 do art. 25 da Lei Complementar na 87, de 13 de setembro de 1996" A referida norma não se aplica ao caso em teta, haja vista que os seus efeitos passaram ser produzidos somente a partir de 1 ° de janeiro de 2009, conforme expressamente determinado na alínea "d" do inciso I do art. 33 da referida Lei, a seguir reproduzida: Arr. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicaçao, produzindo efeitos: I - a partir de 12 de janeiro de 2009, em relavao ao disposto , d) no art 17, relativamente ao inciso VI do § 32 do art I' e ao art 58-J da Lei 112 10.833, de 29 de de:en:bra de 2003; ) A inclusão do novel inciso, acompanhado de previsão expressa de produção de efeitos apenas para os fatos geradores ocorridos a partir 1' de janeiro de 2009, vem ratificar o acerto das conclusties precedentemente apresentadas, no sentido de que, até 31 de dezembro de 2008, as receitas obtidas na venda dos citados créditos de ICMS comporiam a base de calculo da Cofins não-cumulativa. Do direito de compensação do saldo remanescente dos créditos da Cofins originados dos insurnos vinculados às receitas de exportação. Nos termos do inciso II do § 1°, combinado com o estabelecido no § 3 0, ambos do art. 60 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no período (Ines ou trimestre), o saldo remanescente dos créditos da Cofins, referente a custos, despesas e encargos vinculados as receitas de exportação, poderfi ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, Assinado digitalmente em 17/11 12010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 0211212010 por LUIS MARCELO GU ERRA OE CASTRO Autenticdo digitalmente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 9 Ernaido em 20/12/2010 pelo Ministerio da Fazenda vencidos ou vincendos, referente aos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF.B). No mesmo sentido dispõe o inciso 1 e o § 7° do art, 21 da Instrução Normative SRF n° 600, de 2005, a seguir transcrito: Art 21. Os créditos da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins apurados na forma do art 32 da Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art 32 da Lei n9 10833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão si-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrucdo Normativa, se decorrentes de. 1 - custos, despesas e encargos vinculados as receitas decorrentes das operações de exportaçõo de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com afim especifico de exportação; ( ) § 79Q créditos da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso L remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o ti imestre do ano-calendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26 (grifos não originais). Em consonância com o disposto no referido dispositivo legal, previamente b. utilização na compensação, o contribuinte deve deduzir do valor total do crédito do período, re acionado com as receitas de exportação, o valor total da contribuição a recolher, apurada nc respectivo período, referente its demais receitas tributadas no mercado interno. Assim, somente o saldo remanescente dos créditos da Cofins, vinculados as o eraçães de exportação, apurado após a dedução da valor a recolher da respectiva COntribuição, será passive) de compensação. Logo, eventual diferença a maior do valor da contribuição a recolher, apurada em procedimento de fiscalização, deve ser previamente deduzida do saldo dos créditos originados das operações de exportação, para fins de determinação do saldo remanescente passível de compensação. Ern decorrência, somente no caso inexistência ou insuficiente de saldo remanescente, seria cabível lançamento de oficio do valor total ou da parcela não deduzida, conforme o caso. No presente caso, o valor do direito creditório, reconhecido pela autoridade fiscal da Unidade de origem, foi determinado tendo em conta o valor do crédito utilizado na cOmpensação, após a dedução do valor do débito recolher, apurado na fase de análise do presente procedimento compensatório. No caso presente, evidentemente, não houve necessidade de lançamento, haja vista que o valor total do débito suplementar a recolher foi inferior ao valor do saldo Astriiiitado diglAIN4q91)t,q4A Ark4iVP.W.44.19LIWP...Q.MP.PrIANAgiSTPJ,e4i 2/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Atitenticado ciigitalmente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO lo Emitido em 20117/2010 pet Ministério do raZeT3C1a DP CARP Mt' H. 10 IA F. FL II DE CART Processa n° 11020.720061ra:1mo S3-CI12 Act:Ida° ° 3102-00.796 Fl 85 Cabe esclarecer ainda que, no caso ern tela, a realização do lançamento, além de contrariar orientação expressa no § 7° do art, 21 da Instrução Normativa SRF ri 0 600, de 2005, agravaria a situação da Recorrente, imputando-lhe elevado emus financeiro, uma vez que o débito suplementar seria acrescido de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios, calculados corn base na taxa Selic, ao passo que o valor originário do saldo remanescente do crédito compensado (forma de ressarcimento crédito escritural), por falta de previsão legal, não teria nenhum acréscimo legal. Assim, fica demonstrado que a glosa parcial do crédito em questão foi realizada em consonância com a legislação tributária em vigor, por conseguinte, não merece reparo o Acórdão o recorrido. Da conclusão. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na Integra o Acórdão recorrido. Sala das Sessbes, em 27 de outubro de 2010, (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Aesinada digitalmente m 11/1112010 per JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02 1 1212010 por LUIS MARCELO DU ERRA DE CASTRO Autentleado d gilalmente em 1 711 1/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Errlitido em 29112/2010 pelo M ■ niverid d Fazenda 1 1
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Numero do processo: 10140.721670/2012-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
COMPROVAÇÃO
O contribuinte, quando frente a lançamento regular, deve comprovar seus pontos de discordância em relação ao lançamento.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Numero da decisão: 2403-002.317
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 COMPROVAÇÃO O contribuinte, quando frente a lançamento regular, deve comprovar seus pontos de discordância em relação ao lançamento. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
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CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 16 70 /2 01 2- 64 Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 2403002.317 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, Acórdão 0431.223 da 4ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. Abaixo transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 MULTA. Não contendo as GFIP apresentadas pelo contribuinte informações correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, é devida a multa aplicada em decorrência do descumprimento da obrigação acessória. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: DO OBJETO Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.322.1070, lavrado pelo AuditorFiscal João de Brito Torres, contra o contribuinte identificado acima, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de Fundamento Legal 68 (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias). DA IMPUGNAÇÃO A empresa acima identificada, inconformada, apresentou impugnação, alegando, em síntese que: 1 A empresa é Limitada e Pequeno Porte, suas atividades destinamse á prestação de serviços de segurança e vigilância Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 privada, sendo optante pelo Simples Nacional até o mês de dezembro de 2009; 2 todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal foram entregues pelo Diretor da empresa, conforme o próprio Auditor Fiscal informou no item 4 do seu relatório Fiscal; 3 a empresa não tem nenhuma irregularidade referente ao recolhimento das suas contribuição previdenciárias; o responsável tributário da RFB não analisou com rigor a documentação apresentada pela empresa; 4 o Auditor Fiscal informou que a contribuição previdenciária a cargo da empresa incidente sobre os salários de contribuição dos segurados empregados não foram recolhidos pela inserção de informação equivocada em GFIP, pois no seu entendimento houve divergência entre a base de cálculo da folha de pagamento e as GFIP, no mesmo sentido declarou divergência com a contribuição dos segurados, sendo que tal informação é absolutamente descabida; 5 – foram entregues para este Fiscal todas as GFIP emitidas pela Impugnante, por cada tomador de serviço, bem como todos os comprovantes de pagamento deste tributo, que estão em conformidade a Folha de Pagamento; 6 – ressalta que se encontra em anexo (anexo I) todas as GFIP emitidas por tomador de serviço, bem como a folha de pagamento e o comprovante do respectivo recolhimento; 7 o Fiscal recebeu a documentação e não aceitou as GFIP emitidas pelo contribuinte para cada tomador. Deveria informar o porquê, bem como considerar os recolhimentos realizados pela Contribuinte; 8 o auditorfiscal informou no item 2.3.1 do seu relatório fiscal que a Impugnante foi optante pelo SIMPLES Nacional até 12/2009, e que a sua tributação deveria ser feita com recolhimento normal da contribuição previdenciária patronal. Neste ponto, reconhece o entendimento solicitado pelo Fiscal e informa que já providenciou os devidos recolhimentos, conforme pode ser verificado no Anexo II, dos documentos acostados; 9 – Da mesma forma, reconhece o erro de preenchimento, quando o campo “SIMPLES” das GFIP do período 01/2008 a 12/2009 foi preenchido como "optante", sendo que o correto era "não optante". Neste caso, houve um erro material pelos funcionários da empresa, que em nenhum momento tiveram a intenção de prejudicar o fisco; não houve má fé; 10 ocorreu um erro material, mas já foi corrigido, sendo que as alterações já foram realizadas, bem como os devidos recolhimentos constantes do Anexo II da relação de documentos apresentados; 11 as GFIP apresentadas, emitidas por cada tomador, juntamente com o devido recolhimento dos tributos, comprovam que não houve sonegação fiscal, estando presente Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 2403002.317 S2C4T3 Fl. 4 5 o conjunto probatório hábil e suficiente para gozar da presunção de certeza de anular o presente auto de infração visto estar presente a prova necessária para o convencimento do julgador; 12 a fiscalização lançou obrigação acessória, bem como multa equivalente a 100% da contribuição devida; 13 não houve sonegação fiscal. Conforme provam os documentos acostados, todas contribuição foram devidamente recolhidas. Portanto, não há o que se falar de multa, já que o Contribuinte não fez nada de errado; 14 este Auto de Infração que existiu apenas para aplicar a multa sobre uma infração que não ocorreu; 15 – sobre as obrigações principais, já foram realizadas as devidas alterações e recolhimentos das verbas patronais. Conforme já informado, houve um erro material no preenchimento pelos funcionários da empresa, mas já foi reconhecido, bem como tomado todas as devidas providencias, conforme pode ser verificado no anexo II.; 16 As GFIP foram entregues ao Agente Financeiro que declara ter examinado esses documentos no item 3.6. No entanto, se ele tivesse analisado, não teria autuado a Impugnante como fez. Ele informou que existia divergência entre as informações nas GFIP e nas folhas de pagamento. Porém, não há nenhuma divergência a esse respeito. 17 é de se levar em consideração que não houve sequer economia de pagamento de imposto por parte da Impugnante, que não agiu de má fé em nenhuma de suas atividades. O fiscal quer aplicar penalidade financeira a este contribuinte que recolheu todos os seus impostos em dia; 18 no seu relatório em momento nenhum o auditor fala sobre as GFIP emitidas para cada tomador de serviço, informando apenas que há divergência, sem tocar nos recolhimentos realizados por cada tomador; 19 – não se sabe se o Fiscal responsável pela autuação não considerou as GFIP emitidas para cada tomador, com os devidos recolhimentos, ou se ele não apreciou os documentos. 20 o que deve ser levado em consideração é que houve o pagamento de todos os impostos, sendo que a prova está presente no processo; 21 no lançamento fiscal, o ente autuante tem o dever de comprovar o fato ilícito, entretanto, não o fez.; DO PEDIDO O impugnante requer: Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 1 a análise dos documentos trazidos aos autos, sendo os mesmo apresentados ao fiscal responsável pela autuação, para que seja reconhecido a injustiça que fora aplicada à empresa; 2 a admissão baseado na verdade material, que esclarecerá os fatos; 3 sejam acolhidas as provas e argumentos, não deixando de apreciar quailquer delas; 4 seja recebida a presente Impugnação e ao final julgada PROCEDENTE, sendo o Auto de Infração lavrado pela Receita Federal do Brasil julgado Improcedente; 5 que a decisão (acórdão) seja enviada para o escritório profissional da Advogada que esta representa, Dra Beatriz Rodrigues Medeiros, devidamente inscrita na OAB/MS 14.202, com escritório profissional situado á Rua Manoel Secco Tomé, n. 47, Bairro Jardim dos Estados em Campo Grande/MS; 6 – por fim, a juntada de documentos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · A empresa Contribuinte é uma empresa Limitada e Pequeno Porte, no qual as suas atividades destinamse á prestação de serviços de segurança e vigilância privada, sendo o seu regime até o mês de dezembro de 2009 tributado pelo Simples Nacional. · Todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal foram entregues pelo Diretor da empresa, conforme o próprio Auditor Fiscal informou no item 4 do seu relatório Fiscal. · A empresa não tem nenhuma irregularidade referente ao recolhimento das suas contribuição previdenciárias, e que esta autuação somente ocorreu visto ao responsável tributário da RFB não ter analisado com rigor a documentação apresentada pela empresa. · A 4ª turma de julgamento da DRJ/CGE julgou improcedente a impugnação porque não aceitou a juntada de provas posterior, desrespeitando todo o princípio da verdade material. · Verdade Material. Realizou auditoria em toda documentação da empresa, o que durou aproximadamente 30 dias. Acontece que o prazo não coincidia com o prazo estipulado para que fosse apresentada Impugnação. Solicitou juntada posterior dos documentos comprobatórios. · Emitiu uma GFIP para cada tomador de serviço e recolheu as devidamente, conforme se prova nos documentos (Anexo I). Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 2403002.317 S2C4T3 Fl. 5 7 · Em anexo (anexo I) encontrase todas as GFIPS emitidas por tomador de serviço, bem como a folha de pagamento e o comprovante de recolhimento do referido Tributo. Após a analise desses documentos ficará claro por este julgador que esta autuação é totalmente improcedente e injusta. · Não foram apreciados todos documentos fornecidos para a fiscalização. · Já foram realizadas as devidas alterações e recolhimentos das verbas patronais. · Reconhece erro no preenchimento da GFIP (opção pelo Simples). · Já foram realizadas as devidas alterações e recolhimentos as verbas patronais, conforme anexo II. · A fiscalização lançou obrigação acessória, bem como multa equivalente a 100% da contribuição devida · Não há o que se falar de multa, já que o Contribuinte não fez nada de errado, e se cometeu algum erro material este erro foi corrigido a tempo, podendo até mesmo falar em denúncia espontânea. · No campo do Direito Tributário, a larga utilização é da prova documental oriunda da escrita contábil do próprio contribuinte e das declarações por ele prestadas ao fisco. A prova documental esta em anexo (anexo I) no presente processo, e em termos processuais, o instrumento hábil para esta descaracterização da prova seria o incidente de falsidade, o que não é o caso. Junto com o recurso, apresentou 3 CDs (arquivos digitais) contendo documentação fiscal tais como notas fiscais e GFIPs de todo o período fiscalizado. É o relatório Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DISCORDÂNCIAS A recorrente, na impugnação faz menção aos anexos I e II, contendo o primeiro: GFIP, folhas de pagamento e recolhimentos e o segundo: recolhimentos. Tais anexos não foram encontrados e a recorrente não se manifestou sobre isso no recurso. Abaixo apresento trecho do voto condutor da decisão de primeira instância. A impugnante informa que reconhece o entendimento do auditor fiscal, relativamente à sua opção pelo Simples Nacional, enquadramento nas disposições da Lei Complementar nº 123, de 14 de Dezembro de 2006 Publicação Original, no que tange às contribuições previdenciárias, competências até 12/2009, e que já providenciou os devidos recolhimentos, conforme Anexo II, dos documentos acostados. A respeito de tal afirmação, apenas informase que não se encontra juntado aos autos o referido Anexo II, contendo demonstração do alegado recolhimento, nem tampouco, consta os respectivos comprovantes de pagamento. O Decreto 70.235/72, em seu artigo 16, III, estabelece que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Para as provas, como regra, estabelece que deverão ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazer prova em outro momento processual. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 2403002.317 S2C4T3 Fl. 6 9 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Conforme observamos na ementa da decisão a quo, a recorrente não comprovou a entrega das GFIP declarando a totalidade dos fatos geradores, demonstrando, com juntada de provas, dos pontos de discordância com o lançamento. MULTA. Não contendo as GFIP apresentadas pelo contribuinte informações correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, é devida a multa aplicada em decorrência do descumprimento da obrigação acessória. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo No recurso, novamente constato a falta de demonstração. Apenas foram juntados 3 CDs que contém, segundo o próprio recorrente, “toda documentação fiscal da Impugnante tais como notas fiscais e GFIPs de todo o período fiscalizado”. DO PEDIDO Diante o exposto requer: seja recebida a presente Impugnação e ao final julgada PROCEDENTE, modificando a decisão de primeira instância administrativa e que o Auto de Infração ora lavrado pela Receita Federal d o Brasil seja julgado Improcedente. a juntada do arquivo digital de toda documentação fiscal da Impugnante tais como notas fiscais e GFIPs de todo o período fiscalizado, no qual esta sendo entregue mediante cd. A recorrente questiona, genericamente, a não aceitação de GFIP e de recolhimentos. O fisco demonstra, nos processos reativos às obrigações principais associadas, por meio do Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados – RADA, como a quais recolhimentos foram apropriados; por meio do relatório “ Demonstrativo das GFIP Validadas no Sistema da RFB” todas as GFIP consideradas pelo fisco quando do lançamento; apresenta relatórios “Demonstrativo Auxiliar do Débito”, detalhando, por competência todo o cálculo do tributo; apresenta as folhas de pagamento. Entendo que não as teses apresentadas pela recorrente não ficaram comprovadas. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 2403002.317 S2C4T3 Fl. 7 11 Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência da mais benéfica para o contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.000014/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
O valor das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido. Súmula nº 494 do STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS N/T.
Para fins de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação de produtos N/T deve ser excluída tanto da receita operacional bruta, quanto da receita de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Só estão aptos a gerarem crédito presumido de IPI os produtos intermediários que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa do crédito presumido tomado com base no valor das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido. Súmula nº 494 do STJ. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS N/T. Para fins de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação de produtos N/T deve ser excluída tanto da receita operacional bruta, quanto da receita de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só estão aptos a gerarem crédito presumido de IPI os produtos intermediários que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa do crédito presumido tomado com base no valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 14 /2 00 9- 11 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/02/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI transmitido em 30/04/2004, relativo ao 1º Trimestre de 2004, cumulado com declaração de compensação. A base legal do crédito presumido foi a Lei nº 9.363/96 sem custo integrado. Por meio do despacho decisório de fls. 187 a 210, notificado ao contribuinte em 17/04/2009, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito e homologou parcialmente a compensação. Foram efetuadas glosas no cálculo do crédito presumido, em razão de o contribuinte: a) ter incluído indevidamente insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (combustíveis, anti incrustantes, materiais de laboratório, materiais para tratamento de efluentes e outros que não tiveram sua função especificada, conforme relação de fl. 153); b) ter incluído as aquisições de pessoas físicas e de cooperativas (soja); e c) ter incluído indevidamente na receita de exportação valores referentes à exportação de produtos não tributados (fertilizantes classificados no código 3103.10.30 da TIPI). Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que os produtos intermediários glosados pela fiscalização são insumos aplicados ao processo produtivo em relação aos quais a legislação do IPI garante o direito de crédito. Sustentou a ilegalidade das instruções normativas que vedaram o direito ao crédito sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas, bem como a ilegalidade da exclusão da receita proveniente da exportação de produtos NT do cálculo do crédito presumido. Por meio do Acórdão 29.333, de 07 de maio de 2010, a 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte. Foi reconhecido apenas o direito de o contribuinte incluir as aquisições de cooperativas a partir 02/04/2003. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 03/11/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/11/2010 no qual reiterou e reforçou as alegações oferecidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 335DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/02/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 3403002.664 S3C4T3 Fl. 5 3 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que tange ao direito de apurar o crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas, com base na Lei nº 9.363/96, a questão está pacificada no âmbito judicial e administrativo. Sem maiores delongas, o direito do contribuinte deve ser reconhecido com base na Súmula nº 494 do STJ, in verbis: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." No que tange ao direito de aproveitamento do crédito presumido em relação à fabricação e exportação de produtos N/T, verificase que o contribuinte excluiu da receita operacional bruta o valor das exportações de produtos N/T (fertilizantes, fl. 156) e incluiu esse valor na receita de exportação. O contribuinte alegou que a exclusão efetuada pela fiscalização é ilegal. Ou seja, o contribuinte não quer incluir a receita de exportação de produto N/T na receita operacional bruta, mas deseja incluir tal valor na receita de exportação. O centro da discórdia entre o fisco e o contribuinte é o art. 6º da Lei nº 9.363/96, que autorizou o Ministro da Fazenda a definir o conceito de receita de exportação, e o fato de existirem produtos N/T que, embora estejam fora do campo de incidência do IPI, são produtos industrializados, sob o aspecto econômico. O art. 2º da Lei nº 9.363/96 estabelece que a base de cálculo do crédito presumido resulta da multiplicação do valor total das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem pelo coeficiente de exportação, que é a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta. O coeficiente de exportação é uma fração que tem no numerador a receita de exportação e no denominador a receita operacional bruta. Assim, manipulandose o conceito de receita de exportação por meio de ato administrativo, é possível reduzir o coeficiente de exportação, pois mantendose a receita operacional bruta constante, o coeficiente de exportação diminuirá à media em que a receita de exportação for reduzida. E diminuindose o coeficiente de exportação, ocorrerá a diminuição da base de cálculo do crédito presumido, fato que obviamente causa prejuízo aos contribuintes, que acabam recebendo um crédito presumido menor. Esse problema da manipulação do coeficiente de exportação foi resolvido pela Portaria MF nº 93, de 27 de abril de 2004, da seguinte forma: “Art. 3º. O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/02/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I – receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II – receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora; (...)” Como se vê, a Portaria determina que as receitas que não são vinculadas à atividade industrial devem ser excluídas tanto do numerador, quanto do denominador da fração que dá origem ao coeficiente de exportação, o que impede a sua redução artificial. Portanto, está correto o procedimento da fiscalização, pois o contribuinte na sua apuração original majorou indevidamente o coeficiente de exportação, uma vez que utilizou a receita operacional bruta expurgada das receitas de exportação de produtos N/T e a receita de exportação inflada com o valor daquelas exportações. Relativamente aos produtos intermediários, a jurisprudência administrativa chancelou a interpretação vertida no Parecer Normativo CST nº 65/79. No âmbito do IPI o problema não está na conceituação de “insumo”, mas sim na conceituação de “produto intermediário”. Segundo a legislação do imposto, não é qualquer insumo aplicável ao processo produtivo que gera crédito de IPI, mas somente as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem nunca representaram um problema para a aferição do direito ao crédito do imposto. Mas o mesmo não se pode dizer em relação aos materiais intermediários que participam do processo produtivo sem se integrarem ao produto em fabricação, como é o caso dos produtos relacionados na fl. 153. No intuito de dirimir as controvérsias então existentes, a Administração Tributária baixou o Parecer Normativo CST nº 65/79, cuja ementa resume com maestria o entendimento que se tornou pacífico no CARF, in verbis: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n° 181/74.” A defesa discorreu sobre os produtos relacionados na fl. 153, procurando demonstrar que são produtos intermediários essenciais ao seu processo produtivo. Entretanto, nenhum dos produtos cujas aquisições foram glosadas pela fiscalização (fl. 153) desgastamse ou perdem suas propriedades físicas ou químicas em virtude de ação exercida diretamente sobre os produtos industrializados pela recorrente. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/02/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.000014/200911 Acórdão n.º 3403002.664 S3C4T3 Fl. 6 5 Não se olvide que muitos dos produtos tidos pela recorrente como produtos intermediários, são na verdade combustíveis, em relação aos quais a Súmula CARF nº 19 veda o direito ao crédito, in verbis: " Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa do crédito presumido tomado sobre o valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 338DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/02/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10245.720123/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009
APURAÇÃO DE IRPJ E CSLL. APURAÇÃO POR LUCRO REAL. REVISÃO. CUSTOS NÃO APURADOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A revisão da apuração de IRPJ e CSLL, conforme artigo 149 do CTN, depende da apresentação de documentos que comprovem a ação ou omissão do sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NEGADA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF).
LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES REFLEXAS. PIS E COFINS. POSSIBILIDADE. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à COFINS.
BLOQUEIO DE DIREITOS SOBRE VEÍCULO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. POSSIBILIDADE. É possível o bloqueio sobre veículos alvos de contrato de arrendamento mercantil ou leasing, uma vez que a constrição não recai sobre o bem em si, mas sobre os direitos adquiridos pela contratante no adimplemento das obrigações avençadas.
Numero da decisão: 1302-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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CRISPIANO SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 APURAÇÃO DE IRPJ E CSLL. APURAÇÃO POR LUCRO REAL. REVISÃO. CUSTOS NÃO APURADOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A revisão da apuração de IRPJ e CSLL, conforme artigo 149 do CTN, depende da apresentação de documentos que comprovem a ação ou omissão do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NEGADA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF). LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES REFLEXAS. PIS E COFINS. POSSIBILIDADE. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à COFINS. BLOQUEIO DE DIREITOS SOBRE VEÍCULO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. POSSIBILIDADE. É possível o bloqueio sobre veículos alvos de contrato de arrendamento mercantil ou “leasing”, uma vez que a constrição não recai sobre o bem em si, mas sobre os direitos adquiridos pela contratante no adimplemento das obrigações avençadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 01 23 /2 01 1- 11 Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10245.720123/201111 Acórdão n.º 1302001.195 S1C3T2 Fl. 1.930 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 912.418,44), CSLL (R$ 342.230,64), PIS (R$ 74.168,39) e COFINS (R$ 341.624,22) (fl. 1630/1637). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 1626/1640): (i) Que a empresa fiscalizada omitiu receitas em seus registros contábeis; (ii) Que a empresa fiscalizada apresentou as DIPJ’s 2008, 2009 e 2010 (relativas aos anos calendários 2007, 2008 e 2009, respectivamente) com todos os campos zerados; (iii) Que a empresa fiscalizada não efetuou qualquer recolhimento a título de imposto de renda (IRPJ), contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) e contribuições para PIS/COFINS durante todo o período fiscalizado; (iv) Logo, o lançamento foi realizando com base no lucro real trimestral para exigir da recorrente o pagamento dos valores apurados, acrescidos de multa de 150% decorrente de disposição do artigo 44, inciso I, §1º da Lei n° 9.430/96; (v) Esclarece o termo de verificação fiscal que o lucro não foi apurado anualmente (com antecipações mensais), e nem de forma presumida, pelo fato de não existir qualquer recolhimento que confirme a opção. Logo, muito embora a recorrente tennha optado pelo lucro presumido em sua DIPJ, a opção não foi concretizada pela ausência de recolhimentos. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 01/07/2011 (fl. 1646). Na sequência, apresentou impugnação em 21/07/2011 (fl. 1856/1868), a qual foi julgada TOTALMENTE IMPROCEDENTE, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 1871/1879): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa do contribuinte de omitir suas receitas tributáveis, com o fim de impedir, ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, devese aplicar a multa qualificada sobre os tributos decorrentes da receita omitida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos empregados, prepostos, procuradores, diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorrem de infração dolosa à lei ao tempo que aqueles exerciam poderes de gestão sobre as atividades desta. Impugnação Improcedente Intimada da decisão supratranscrita em 27/10/2011 (fl. 1893), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 22/11/2011 (fl. 1901/1913), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que a autoridade fiscal teria praticado certa “vingança fiscal” contra a empresa, desconsiderando em sua apuração de lucro real custos relativos a fretes destinados ao transporte das mercadorias comercializadas pela fiscalizada, sendo necessária a revisão do lançamento realizado. Pede a realização de diligência para verificar a existência das despesas com fretes; (ii) Que a multa aplicada seria indevida, em virtude de sua natureza confiscatória e dos princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade, sendo necessária sua revisão e declarada sua inconstitucionalidade; (iii) A improcedência das tributações reflexas, tendo em vista decisão da Coordenação Geral de Tributação da SRF – COSIT, que entende serem improcedentes os reflexos de PIS e COFINS quando o regime de tributação no IRPJ foi o lucro arbitrado; (iv) A inexistência de dolo da empresa fiscalizada, fato que conduz ao afastamento da multa de ofício qualificada. (v) Alega que é indevida a constrição sobre veículos, os quais configuram objeto de contrato de arrendamento mercantil. É o relatório. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10245.720123/201111 Acórdão n.º 1302001.195 S1C3T2 Fl. 1.931 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Dos custos não apurados pela autoridade fiscal e Da Perícia Semelhantemente ao aduzido em sede de impugnação, a recorrente alega que a autoridade fiscal, por ocasião da apuração por lucro real trimestral, desconsiderou custos arcados pela recorrente em virtude do transporte de mercadorias comercializadas, sendo, portanto, imperativa a revisão dos lançamentos realizados. No entanto, embora a recorrente tenha arguido repetidamente nesse sentido, em nenhum momento foram apresentados quaisquer documentos capazes de comprovar o efetivo dispêndio com os serviços de transporte das mercadorias. Assim, não houve a observância do ônus probatório, que recai sobre a parte que alega nos casos de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito do autor (art. 333, II, CPC). Nesse sentido está o entendimento deste Conselho, observese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado. (CARF, Acórdão n° 3403001.263, Relator: ANTONIO CARLOS ATULIM, Sessão: 06/10/2011). Pela mesma razão, não há como determinar a perícia, haja vista a não observância do artigo 16, inciso III e §1° do Decreto n° 70.235 de 1972, o qual regulamenta os requisitos da impugnação em sede do processo administrativo fiscal, dispondo, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 2. Da inconstitucionalidade da multa aplicada em face à sua natureza confiscatória. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Alega a recorrente que a multa de ofício qualificada (150% art. 44, I, e §1º, da L9430/96) exigida no presente feito possui natureza confiscatória, sendo flagrantemente ofensiva aos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva. Como se nota, tratase de argumentação tendente a atacar dispositivo de lei federal. Acatar os argumentos da recorrente significaria afastar uma lei vigente, o que somente poderia ser feito caso houvesse vício de inconstitucionalidade reconhecido por uma das formas previstas no art. 26A, §6º, Dec. 70.235/72. Ademais, este Conselho não tem competência para reconhecer a inconstitucionalidade de leis por incompatibilidade com princípios constitucionais, nos termos da súmula 2 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo em vista que a recorrente se insurge contra a lei posta, e não quanto à sua aplicação (adequação do fato à norma), isto é, invoca princípios como razoabilidade e proporcionalidade para combater a previsão legal da multa, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema, razão pela qual voto por negar provimento do recurso voluntário. 3. Do lançamento de contribuições reflexas Em suma, a recorrente alegou a improcedência de lançamentos referentes a contribuições de PIS/COFINS uma vez que “a autuação na forma como ocorreu configura claro arbitramento de lucro e isso impede o lançamento de tributação reflexa, como a ocorrida em relação ao adicional do IRPF, das contribuições sobre o lucro líquido, da seguridade social e do PIS.” (fl. 1909). Entretanto, o argumento apresentado pela parte deve ser afastado tendo em vista que a apuração levada a cabo pela autoridade fiscal baseouse sobre o regime de lucro real trimestral da empresa, e não pela sistemática do arbitramento. Notese, aliás, que reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional que só pode ser empregado quando não for possível determinar o lucro real, o qual representa a regra legalmente estipulada. Nesse sentido, o seguinte precedente: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO LUCRO REAL. ARBITRAMENTO DE LUCRO. DESCABIMENTO. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. Eventuais e pretensas irregularidades formais, genéricas apontadas na peça básica, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10245.720123/201111 Acórdão n.º 1302001.195 S1C3T2 Fl. 1.932 7 (CARF, Acórdão n° 1302001.033, Relator: PAULO ROBERTO CORTEZ, Publicação: 03/06/2013). Ademais, notese que a mera desconsideração de certos custos e despesas suportados pela recorrente, isoladamente, não tem o condão de transformar a natureza jurídica do método de apuração do lucro empregado pelo AFRFB (no caso, real) para a sistemática do lucro arbitrado. Sobretudo tendo em vista que a parte Requerida não juntou qualquer prova desses custos por ela arcados (consoante dito no item 1.1.). Dessa forma, voto por negar provimento à pretensão da recorrente neste ponto. 4. Do dolo A recorrente sustenta a inexistência de dolo, baseandose no entendimento constante no acórdão n. 1047.896/90, o qual dispõe acerca da não caracterização de ato fraudulento pela apresentação intempestiva de declaração, sendo, por esse motivo, indevida a multa aplicada pela autoridade fiscal. Todavia, devese ter em mente que a sanção imposta pela autoridade fiscalizadora não se deu por intempestividade de declaração. Antes, conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal, em folhas 1637 e 1638, a multa aplicada se deu em virtude de (i) a fiscalizada jamais ter efetuado qualquer recolhimento de tributos federais incidentes sobre as receitas; e (ii) por ter a fiscalizada apresentado as DIPJ’s 2008, 2009 e 2010 com todos os campos “zerados”, bem como as DCTF’s referentes ao mesmo período sem as informações devidas. Ademais, o entendimento deste Conselho se firmou no sentido de tal conduta ser motivo bastante para qualificar a multa de ofício, observese: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 [...] MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em todos os trimestres, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. (CARF. Acórdão 1402001.378. Cons. Leonardo de Andrade Couto. Sessão 07/05/2013). (grifo não original) MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO INEXATA. A apresentação, reiterada durante vários exercícios, de declarações de rendimentos (IRPJ) e de tributos devidos (DCTF) com valores zerados e a ausência dos recolhimentos das contribuições devidas não podem ser consideradas como meras declarações inexatas, pois denotam a conduta dolosa do contribuinte de retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, restando configurada a prática de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pelo que se impõe a aplicação da multa qualificada prevista no Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. [...] (CSRF. CARF. Acórdão 9101000.986. Cons. Alberto Pinto Souza Junior. Sessão 24/05/2011) Sendo assim, mostramse completamente irrelevantes os argumentos apresentados pela recorrente uma vez que se referem fato completamente diverso do que serviu de fundamento para a multa aplicada pela autoridade fiscal. Voto, dessa forma, por negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto. 5. Da constrição que recaiu sobre os veículos Esta matéria não está abrangida pela competência desta turma e seção, conforme previsto no Regimento Interno do CARF. 6. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, para manter o crédito tributário, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Relator. Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910077/2011-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 77 /2 01 1- 26 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 19): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 28, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910077/201126 Acórdão n.º 3802002.209 S3TE02 Fl. 39 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 29/04/2013 (fls. 26), interpondo recurso tempestivo em 15/05/2013 (fls. 28). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001498/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO-CUMULATIVO SOBRE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CEREALISTA.
Na vigência do texto original do §10º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, a pessoa jurídica que produzisse bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, faria jus a crédito presumido da contribuição ao PIS não-cumulativo, observada a restrição para abatimento da própria contribuição devida no período de apuração respectivo, sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. As atividades de secagem, limpeza, padronização, armazenamento e comercialização, exercidas por pessoas jurídicas a quem a lei denominou-as de cerealistas, apenas passou a fruir do mesmo crédito presumido a partir de 1º/08/2004, devido à inserção do §1º ao art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que atualmente rege a matéria.
CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO- CUMULATIVO SOBRE AS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Antes da vigência do art. 36 da Lei nº 12.058, de 13/10/2009, que textualmente introduziu a hipótese de utilização, via compensação com outros tributos administrados pela SRFB ou mediante ressarcimento em espécie, havia na legislação expressa restrição ao uso dos créditos apurados em cada período de apuração com os débitos do próprio interstício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarem provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO-CUMULATIVO SOBRE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CEREALISTA. Na vigência do texto original do §10º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, a pessoa jurídica que produzisse bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, faria jus a crédito presumido da contribuição ao PIS não-cumulativo, observada a restrição para abatimento da própria contribuição devida no período de apuração respectivo, sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. As atividades de secagem, limpeza, padronização, armazenamento e comercialização, exercidas por pessoas jurídicas a quem a lei denominou-as de cerealistas, apenas passou a fruir do mesmo crédito presumido a partir de 1º/08/2004, devido à inserção do §1º ao art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que atualmente rege a matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO- CUMULATIVO SOBRE AS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Antes da vigência do art. 36 da Lei nº 12.058, de 13/10/2009, que textualmente introduziu a hipótese de utilização, via compensação com outros tributos administrados pela SRFB ou mediante ressarcimento em espécie, havia na legislação expressa restrição ao uso dos créditos apurados em cada período de apuração com os débitos do próprio interstício. Recurso Voluntário Negado.
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CEREALISTA. Na vigência do texto original do §10o do art. 3o, da Lei n º 10.637/2002, a pessoa jurídica que produzisse bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, faria jus a crédito presumido da contribuição ao PIS nãocumulativo, observada a restrição para abatimento da própria contribuição devida no período de apuração respectivo, sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. As atividades de secagem, limpeza, padronização, armazenamento e comercialização, exercidas por pessoas jurídicas a quem a lei denominouas de cerealistas, apenas passou a fruir do mesmo crédito presumido a partir de 1o/08/2004, devido à inserção do §1o ao art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, que atualmente rege a matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO CUMULATIVO SOBRE AS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Antes da vigência do art. 36 da Lei n º 12.058, de 13/10/2009, que textualmente introduziu a hipótese de utilização, via compensação com outros tributos administrados pela SRFB ou mediante ressarcimento em espécie, havia na legislação expressa restrição ao uso dos créditos apurados em cada período de apuração com os débitos do próprio interstício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório não reconhecido. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarem provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosas, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Paulo Sérgio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário que se insurge contra o Acórdão n º 1811.975, e 19/03/2010, da 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS, que concluiu pela manutenção do despacho decisório que havia indeferido o pedido de ressarcimento de crédito presumido da contribuição ao PIS nãocumulativo mediante PER/DCOMP, relativo ao segundo trimestre de 2004, totalizando o valor de R$ 80.712,99, conforme cópia de declaração presente nos autos. Em procedimento de conferência quanto a legitimidade do crédito pleiteado, fora lavrado o Termo de Verificação Fiscal que serviu de base ao indeferimento, conforme Despacho Decisório DRF/PFO de 30/04/2008, do pedido de ressarcimento da requerente. Segundo a fiscalização, as empresas cerealistas – condição a que enquadra a requerente, inclusive pelo seu código de atividade (46320) – somente fariam jus ao crédito presumido, na esteira da Lei n º 10.637/2002, sobre insumos de origem vegetal adquiridos de pessoa física quando promovessem ulterior vendas dos seus produtos à empresas agroindustriais que fizessem destes como insumo em produtos destinados à alimentação humana ou animal. E continua a autoridade encarregada das comentadas verificações que “(..) se os cerealistas, em lugar de venderem os seus produtos in natura (soja, trigo, milho) depois de seco, limpo e padronizado para os agroindustriais, DECIDEM EXPORTÁLO, diretamente ou através de empresas comercial exportadoras, NÃO terão direito ao Crédito Presumido, relativamente a estas exportações. A contribuinte, Empresa Cerealista, não poderia calcular crédito presumido sobre aquisição de soja realizada de pessoas físicas, cujos produtos foram posteriormente revendidos com o fim especifico de exportação à empresa comercial exportadora. Por outro lado, na atividade da interessada, não há qualquer indicativo de que ele modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência de seus produtos, não se configurando, em conseqüência, a hipótese prevista no Inciso II do art. 40 do Decreto n° 4.544/2002, como alega.”. Cientificada do despacho decisório já citado, o contribuinte apresentou sua irresignação através de competente manifestação de inconformidade, cujas motivações e pretensões restaram bem resumidas pela DRJ, conforme reproduzimos: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001498/200703 Acórdão n.º 310201.078 S3C1T2 Fl. 80 3 DOS FATOS • é empresa optante pelo Lucro Real, razão pela qual se subsume ao regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, instituídos pelas Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, respectivamente. Em face daquela opção, passou a ser legítima detentora do direito de créditos, nos termos da legislação específica; • conforme atestado, ao adquirir cereais de seus fornecedores realiza as operações industriais de secagem, padronização, limpeza, armazenamento e, posteriormente, comercialização; • consoante o disposto nos arts. 3° e 4° do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002, a empresa é produtora de alimentos para consumo cuja matéria prima são os cereais adquiridos de seus fornecedores, razão pela qual faz jus aos créditos de PIS quando da aquisição de cereais, forte no que determina o § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, na redação dada pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003; • pelo entendimento da autoridade fiscalizadora, a empresa não teria direito ao crédito, eis que não haveria atendimento às condições contidas no art. 3°, caput, §§ 10 e 11, e no art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 10.684, de 2003; • não há como concordar com o entendimento fiscal, razão pela qual merece reforma a decisão proferida nos autos deste processo administrativo. 3 Processo 11070.001498/200703 Acórdão n.° 1811.975 DRJ/STM F1)5, 54 DA DECISÃO PROFERIDA • a autoridade fiscalizadora entendeu por indeferir o pleito da empresa com referência ao direito aos créditos presumidos, pois no período de apuração constante do pedido de ressarcimento não havia previsão legal para concessão do beneficio fiscal; • a decisão deve ser reformada, atentandose aos fatos originários do direito da empresa, qual seja, a realização de atividade de industrialização dos cereais adquiridos. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS — RAZÕES DE REFORMA • a autoridade fiscalizadora, ao fundamentar sua decisão, partiu da premissa de que a empresa apenas realizava atividade de comercialização dos cereais adquiridos dos fornecedores pessoas físicas; • a interpretação meramente literal levou a autoridade fiscal a concluir que o pleito e o direito da empresa estariam amparados no § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, sendo que a conclusão errônea dos fatos prejudicou a correta aplicação do direito; • a empresa, ao adquirir cereais, em especial o soja, realiza as atividades industriais de secagem, padronização, limpeza e armazenamento, para posterior comercialização. Ao assim Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 4 proceder, não restam dúvidas de que a empresa realiza a industrialização dos cereais que adquire de seus fornecedores pessoas físicas; • registra os arts. 3° e 4° do RIPI e entende que os processos de secagem, padronização e limpeza caracterizamse atividades que implicam industrialização dos cereais, na modalidade de beneficiamento, consoante determinação contida no RIPI; • não há como negar que a empresa efetua a produção (industrialização por beneficiamento) dos cereais que adquire. Cita entendimento do STJ no pertinente a industrialização de cereal na modalidade beneficiamento; • a empresa é produtora de mercadorias de origem vegetal destinadas à alimentação, vez que realiza industrialização (beneficiamento), sendo inexorável o seu direito ao crédito presumido do PIS, consoante o que dispõe o § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002; • registra o art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003 (acrescentou o § 10 ao art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002) , entendendo que o mesmo teve vigência a partir de 1° de fevereiro de 2003 (art. 29, inciso II, da Lei n° 10.684, de 2003); • refere a informações constantes da DACON; • não se deve alegar que a empresa não detém o direito ao crédito em face de que exporta seus produtos, tendo em vista que, aplicandose a norma às empresas cerealistas, essas, exportando os cereais adquiridos diretamente de pessoas físicas têm o direito de utilizar o crédito do PIS. Isso porque o direito ao crédito é decorrente da exportação, e não de cerealista. Cita o art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002; 4 Processo 11070.001498/200703 Acórdão n.° 1811.975 DRJ STM 155 • aquele artigo versa sobre uma especificidade da norma, ao prever hipóteses de não incidência da contribuição em tela, que é o caso das receitas decorrentes de exportações diretas e indiretas, bem como da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Cita o § 1° do art. 50 da Lei n° 10.637, de 2002, entendendo que aquela norma especificou apenas quem poderá utilizar o crédito: pessoa jurídica vendedora. Em momento algum determinou que ela fosse comercial ou industrial, ou ainda, de determinado ramo ou setor, industrial ou comercial; • toda pessoa jurídica, seja ela cerealista ou não, seja ela comercial ou industrial, que vender mercadorias para o exterior, direta (inciso I) ou indiretamente (inciso III), poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 30; • não restam dúvidas acerca do direito da empresa ao crédito presumido do PIS, consoante as razões aduzidas. 4111 DO REQUERIMENTO FINAL • ao finalizar, requer: 1. o recebimento e processamento de sua manifestação, com os documentos que a acompanham; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001498/200703 Acórdão n.º 310201.078 S3C1T2 Fl. 81 5 2. seja dado provimento a sua impugnação para o fim de, reformandose o Despacho Decisório: a) sejam homologados os dados inseridos pela empresa e apurados nas DACONs que comprovam o direito ao crédito; b) por conseqüência, seja reformada a decisão proferida, reconhecendose o direito creditório em favor da empresa. • pede deferimento. Junto à manifestação a contribuinte apresentou os documentos de fls. 41/49. A repartição de origem despachou na fl. 50. Conforme já mencionado outrora, ao ter sido o feito submetido à análise e julgamento da DRJ de Santa Maria/RS, esta rechaçou pelas razões bem demonstradas na seguinte passagem do acórdão respectivo: I. ao que se infere da manifestação apresentada, a contribuinte entende ser agroindústria e não cerealista. Tal entendimento não pode ser aceito porquanto a empresa, ainda que de seu contrato social constasse a produção de sementes (fl. 49), não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse tal situação, ou seja, não há qualquer indicativo de que a interessada modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência dos produtos que adquiriu (beneficiamento), não se encontrando configurada a hipótese prevista no inciso II do art. 40 do Decreto n° 4.544, de 2002. No caso, permanece válida a afirmação da Fiscalização assentada à fl. 16: Destacase que o contribuinte tem como Atividade Econômica o Código 46320 — Comércio Atacadista de Cereais (Cerealista), com compra e venda principalmente de soja, trigo e milho, adquirindo as mercadorias somente de produtores rurais pessoas físicas. Realiza, também, venda principalmente de Soja à Granel, indicando nas notas fiscais como "Soja Industrial", com fim específico de exportação, à empresa comercial exportadora. Estas mercadorias revendidas à comercial exportadora para serem comercializadas, passam apenas por processo de secagem, limpeza e padronização dentro do estabelecimento do contribuinte. Isso observado, verificase que a vigente IN SRF n° 660, de 17/07/2006 (art. 30, §. , inciso I), de observação obrigatória pelas Delegacias de Julgamento (DRJs) conforme as determinações contidas no art. 70 da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006 (dispõe que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos), define que cerealista é a pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 6 limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, donde se pode inferir que a contribuinte não se enquadra no conceito de agroindústria, como pretende. De ver, ainda, que tal definição já constava do art. 8°, § 1 0, inciso I, da Lei n° 10.925, de 2004 (com a redação que lhe deu a Lei n° 11.196, de 2005). II. para o período de apuração em questão (3 0 trimestre de 2003), não havia fundamentação legal para que as cerealistas apurassem crédito presumido decorrente da aquisição de produtos agrícolas diretamente de pessoas fisicas. Verificase que a legislação de regência somente permitiu tal apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), quando, para as empresas com natureza jurídica de cerealistas, somente era possível a utilização de créditos advindos de compras de produtos de origem vegetal in natura, se as vendas se dessem às chamadas agroindústrias, como bem determinava o § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5 0, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2° sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (esse artigo foi posteriormente revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) No caso em tela, tal artigo deve ser conjugado com o art. 15 da mesma Lei, mostrandose correto, portanto, o entendimento da fiscalização, no sentido de que os mencionados créditos presumidos não podiam ser calculados sobre aquisições realizadas antes de fevereiro de 2004. Atentese, ainda, que o crédito presumido decorrente da aquisição de produtos agrícolas de origem vegetal, adquiridos diretamente de pessoas físicas residentes no País, teve vigência no período de 1°/02/2004 a 31/07/2004, visto que os §§ 5° e 6° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, foram revogados pela MP n° 183, de 2004, posteriormente convertida na Lei n° 10.925, de 2004. Assim, a partir de 1°/08/2004, o crédito presumido decorrente da aquisição produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, passou a ser tratado pelo art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com a redação dada pelo art. 29 da Lei n° 11.051, de 2004 e art. 63 da Lei n° 11.196, de 2005). III. observada a legislação tida pela contribuinte como embasadora de seu pedido (§ 10 da Lei n° 10.637, de 2002, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003 — fl. 35) e confirmado o entendimento de que essa se referia somente às Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001498/200703 Acórdão n.º 310201.078 S3C1T2 Fl. 82 7 agroindústrias (... as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal...), ainda que a empresa possuísse os créditos que entende ter, não poderia utilizálos em compensação ou fazer pedido de ressarcimento, eis que se tratariam de créditos presumidos e não de créditos básicos. Para tanto, basta verificar a redação daquele parágrafo, que apenas refere à dedução dos créditos, e não a sua compensação ou ressarcimento. Do exposto, entendese correta a glosa efetivada pela Fiscalização relativamente aos créditos presumidos apurados relativamente às compras de produtos agrícolas de origem vegetal, adquiridos diretamente de pessoas fisicas residentes no País, atentandose que o caso em questão não trata de créditos básicos, estes passíveis de apuração em relação a bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País ou a custos e despesas incorridos, pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País (ao que se infere da manifestação apresentada, a contribuinte confunde os chamados créditos básicos com créditos presumidos, esses objeto do presente litígio). Regularmente intimado, a contribuinte se insurge contra as conclusões lançadas no acórdão da instância de origem, através de recurso voluntário pelo qual são repisados os argumentos já apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade. São esses os fatos, no que entendemos interessar ao julgamento. Voto Conselheiro Relator, Luciano Pontes de Maya Gomes: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal no caso sob análise, tomo conhecimento do recurso respectivo, passando ao exame respectivo. Pois bem. Como bem visto do relato empreendido logo acima, a avaliação a ser promovida remete ao acerto, ou não, quanto à negativa empreendida pela instância de origem ao indeferir o ressarcimento, e as respectivas homologações das compensações propostas, motivando este agir por entender não fazer a recorrente jus ao crédito presumido do PIS nãocumulativo em suas aquisições de insumos empreendidos à pessoas físicas. De início, devese observar que o crédito sobre as aquisições de pessoas físicas não se incluem entre aqueles ditos por créditos básicos do regime nãocumulativo do PIS, estes dispostos nos incisos I ao X, do art. 3o, da Lei n º 10.637/2002. O crédito de que ora se cuida fora introduzido na lei de regência do PIS não cumulativo posteriormente, pela Medida Provisória n º 107 de 10/02/2003, com vigência a partir da sua publicação (convertida na Lei n º 10.684, de 30/05/2003), e que inseriu o §10o ao já citado art. 3o da Lei n º 10.637/2002, cuja redação reproduzimos: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 8 Art. 3o. (...). §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificados nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706, 10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (incluído pela Lei n º 10.684, de 30.05.2003) O texto em referência vigorou até a superveniência da Lei n º 10.925/2004, que veio a regular o crédito presumido em questão a partir de 1o/08/2004, conforme a vacatio legis estabelecida pelo art. 16, I, ‘a’, do citado diploma legislativo. Enfim, à época das aquisições de insumos de pessoas físicas (no curso do 3o trimestre de 2003) cuja aptidão para gerarem créditos ora é analisada, vigia a redação original estabelecida pela MP n º 107, de 10/02/2003. Do enunciado proposto pelo dispositivo em comento, por sua vez, extraise que o crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas seria assegurado às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos códigos especificados, destinadas à alimentação humana ou animal. Bem. Não restando dúvidas quanto à origem ou destino das mercadorias negociadas pela recorrente, o cerne da questão reside em saber se esta efetivamente produz, ou não, tais bens. Neste particular, nos filiamos às conclusões já alcançadas pela instância de origem. A uma, pela própria atividade declarada pela recorrente à repartição fazendária (Código 46320) ser a de comércio atacadista de cereais (denominada cerealista), não existindo nos autos, de fato, qualquer prova em sentido diverso de maneira a ilidir tamanha presunção (pela declaração da própria contribuinte); A duas, porque a lei assegurou o crédito ao produtor dos bens, não cabendo estendêlo àquele que simplesmente o beneficie (a despeito de não enxergarmos na secagem, limpeza e armazenagem atividade produtiva); e, a três, porque a legislação superveniente pôs uma pá de cal na discussão ao claramente diferenciar a atividade produtiva daquela que promova apenas a secagem, limpeza e armazenagem (a que denominou de cerealista), merecendo esta tratamento específico no § 1o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, que passou a reger o comentado crédito presumido a partir de agosto de 2004. Atentese para a redação do dispositivo: § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I – cerealista que exerça cumulativamente as atividade de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 a 1006.30, 12.01 a 18.01, todos da NCM; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001498/200703 Acórdão n.º 310201.078 S3C1T2 Fl. 83 9 Por outro lado, ainda que admitíssemos que a recorrente preenchesse a hipótese fática do §10o do art. 3o acima reproduzido, não teríamos como acatar a sua pretensão de ressarcimento. É que a legislação vigente, seja na época das aquisições sobre as quais a recorrente calculou o crédito respectivo, seja a do protocolo do pedido de ressarcimento, não assegurava tal pretensão (ressarcimento) fora do próprio período de apuração. E não é só pela letra do art. 5o da IN SRF n º 660/2006, mas pelo próprio texto do citado §10o, do art. 3o, da Lei n º 10.637/2002, que se de uma lado inaugura a autorização para a dedução do crédito apurado com o crédito devido (débito) “em cada período de apuração”, do outro, ou melhor, no §2o está textualmente anotado que o crédito, para fins, é aquele calculado sobre os bens e serviços adquiridos, no mesmo período de apuração. Enfim, a restrição é textual. O art. 17 da Lei n º 11.033/2004, c/c o art. 16 da Lei n º 11.116/2005 não tem aplicação ao crédito presumido de que versa o art. 8 da Lei n º 9.925/2004. Aqueles regulam a manutenção creditória relacionadas às saídas à alíquota zero, isenção e imunidade. O último institui crédito presumido, em lei especial que veda o pretenso aproveitamento. Já o art. 36 da Lei n º 12.058, de 13/10/2009, por sua vez, efetivamente introduziu no mundo jurídico outras hipótese para a utilização dos saldos credores de créditos apurados na forma do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, relativos aos bens nele mencionados, especificamente a compensação com quaisquer outros tributos, vencidos ou vincendos, administrados pela RFB, ou ainda o ressarcimento em espécie. Confirase: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 10 encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A publicação superveniente do citado diploma legislativo, aliado ao texto do §1o, II, que condiciona o exercício da faculdade em testilha a que o protocolo do pleito se dê a partir de 1o/01/2010 para os créditos apurados no curso do exercício de 2009, afasta qualquer dúvida quanto a inviabilidade do pleito da recorrente em pretender o ressarcimento em momento anterior. Isto posto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES
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Numero do processo: 13964.000575/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. MULTA. ARTIGO 32-A DA LEI N.º 8.212/91. CORESP. FINALIDADE MERAMENTE INFORMATIVA.
Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições.
O anexo denominado Relação de Vínculos - VÍNCULOS não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, caso seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg - e a - Relação de Vínculos - VÍNCULOS - , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. MULTA. ARTIGO 32-A DA LEI N.º 8.212/91. CORESP. FINALIDADE MERAMENTE INFORMATIVA. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. O anexo denominado Relação de Vínculos - VÍNCULOS não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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GFIP. MULTA. ARTIGO 32A DA LEI N.º 8.212/91. CORESP. FINALIDADE MERAMENTE INFORMATIVA. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. O anexo denominado “Relação de Vínculos VÍNCULOS” não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 05 75 /2 00 9- 22 Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Aproveito o relatório produzido na assentada anterior, considerando que os autos retornam de diligência realizada pela autoridade de primeira instância: “Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA – UNISUL em face da decisão que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o lançamento de débito por descumprimento de obrigação acessória. 2. Segundo informa o relatório fiscal a recorrente foi autuada, pois “constatouse que não foram declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, constituindose em omissão de fato gerador, conforme previsto no art. 32, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 e alterações”. (f. 07) Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13964.000575/200922 Acórdão n.º 2301003.808 S2C3T1 Fl. 1.103 3 3. O acórdão vergastado restou ementado nos termos que ora transcrevo abaixo: “GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. ISENÇÃO Somente ficam isentas das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n.º 8.212/91 as entidades beneficentes de assistência social que cumpram, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei n.º 8.212/91, vigente a época da lavratura do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 168) 4. Em sede recursal o contribuinte apresentou suas razões aduzindo, em síntese, o que segue: a) o ato cancelatório de isenção ao descumprimento dos requisitos presentes no art. 55, da Lei n.º 8.212, de 1991 encontramse em discussão no Poder Judiciário, devido à apresentação de ação anulatória; b) no ato de cancelamento da isenção não foi determinada a competência em que houve a suposta violação aos dispositivos legais; c) não há que se falar que a falta de pagamento de tributo possa inviabilizar a aplicação da retroatividade da norma mais benéfica, tendo em vista que tratase de uma garantia constitucional; d) impossibilidade da constituição de valor decorrente de multa fiscal, haja vista a inexistência de liquidez no ato que determinou o cancelamento da isenção; e) por fim, que não há fundamentação legal para o arrolamento das pessoas mencionadas pelo auditor fiscal em seu Relatório de Vínculos. 5. Sem contrarrazões. Os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. 2. Na sessão de 18 de janeiro de 2012 este colegiado resolveu converter o julgamento em diligência para que a fiscalização trouxesse aos autos a seguinte documentação: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “5. Dessa forma, tendo em vista que o ajuizamento de ação judicial a respeito da matéria pode prejudicar a análise do processo no âmbito administrativo, entendo que os autos devem ser baixados em diligência para que o Fisco colacione ao processo cópia do processo de anulação do ato de cancelamento de isenção, caso exista, bem como informação acerca do estágio atual em que se encontra o processo.” 3. Analisando a r. sentença proferida pelo juízo do Tribunal Regional Federal, em 07 de julho de 2011 (ff. 1.092/1.098), verificase que foi considerado válido o ato cancelatório de isenção, bem como os créditos tributários apontados no Processo Administrativo nº 13964.000239/200718 – NFLD nº 37.009.2287, tendo o pedido do contribuinte, portanto, sido julgado improcedente. 4. Compulsando os autos, não foi localizada informação acerca do atual estágio do processo, conforme determinado na resolução. Eis o relato do necessário. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Com efeito, foi realizada diligência fiscal para averiguação quanto ao ajuizamento de ação, pelo contribuinte, para discussão no âmbito do judiciário a respeito da matéria presente nos autos do processo administrativo fiscal ora analisado. 2. Diante das informações prestadas pelo fisco, consta que o contribuinte judicializou o ato cancelatório exarado pela autoridade de fiscal. Entretanto, não vejo presentes os pressupostos para eventual concomitância, pois o lançamento fiscal ora questionado não encontra trava na via administrativa e pode ser analisado independentemente de questionamento do ato cancelatório, até porque já houve o trânsito em julgado administrativo que referendou o cancelamento da isenção expedido pelo INSS. 3. Desta forma, conheço do recurso voluntário, eis que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO RELATÓRIO DE VÍNCULOS 4. Reclama a recorrente, com razão, que não haveria fundamentação legal para o arrolamento das pessoas mencionadas pelo auditor fiscal em seu Relatório de Vínculos. 5. Acerca do tema, o CARF pacificou a jurisprudência e editou a Súmula n.º 88, verbis: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13964.000575/200922 Acórdão n.º 2301003.808 S2C3T1 Fl. 1.104 5 ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” 6. Sendo assim, dou provimento nesta parte para deixar expresso que o anexo CORESP não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. DO AUTO DE INFRAÇÃO 7. Cabe ressaltar de início, que a discussão acerca do ato cancelatório de isenção por descumprimento dos requisitos presentes no art. 55, da Lei n.º 8.212, de 1991 encontramse no Poder Judiciário, devido à apresentação de ação pelo contribuinte, bem como referido documento tramitou pela instância administrativa competente, sem que houvesse ressalvas. De maneira que não cabe mais qualquer análise sobre o tema, nesta assentada. 8. A decisão recorrida bem pontuou a matéria: “além disso, o ato cancelatório da isenção já foi definitivamente julgado e como bem demonstrou saber a requerente, o mesmo atinge os períodos posteriores à 1995, portanto, o período em tela resta abrangido pelo referido ato”. (fls. 173) 9. Dito isto, passo à análise da matéria recursal quanto ao auto de infração lavrado contra o contribuinte. 10. A recorrente foi autuada por infringência ao disposto no art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97, e o art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por apresentar Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 11. Nos exatos termos do Relatório Fiscal da Infração as remunerações supramencionadas foram declaradas em GFIP, porém com indicação do código FPAS 639 (entidades isentas), enquanto que o correto seria o FPAS 574 (Estabelecimento de Ensino), já que o Ato Cancelatório emitido, na época, pela Gerência Executiva do INSS de Florianópolis/SC em 29/03/2000, ratificado pelo Acórdão n° 581/2006 da Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, cancelou a isenção concedida à entidade. (fls. 7) 12. Desta forma, considero que a atuação fiscal encontra respaldo na legislação previdenciária vigente à época dos fatos geradores. A entidade, por sua vez, estava obrigada a declarar corretamente as obrigações acessórias pertinentes aos segurados obrigatórios sob sua responsabilidade, já que não contava com a isenção dos tributos a que estava forçada a recolher. 13. Sendo assim, não merecem acolhimento os argumentos trazidos pelo contribuinte, eis que não possuem força para determinar a retificação da decisão recorrida, neste ponto. DA MULTA 14. No que diz respeito à multa aplicada pelo fisco, a decisão recorrida não determinou qualquer revisão do quantum e deixou a análise dos valores para o futuro: Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 “portanto, eventual revisão no cálculo do valor da multa aplicada será efetuada oportunamente.”. 15. Entretanto, creio que a matéria deve ser decidida desde logo, a fim de evitar possível cerceamento de defesa para o contribuinte. 16. A Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 17. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13964.000575/200922 Acórdão n.º 2301003.808 S2C3T1 Fl. 1.105 7 c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 18. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 19. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: “II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo”. 20. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 21. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 22. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 23. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 24. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 25. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13964.000575/200922 Acórdão n.º 2301003.808 S2C3T1 Fl. 1.106 9 26. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 27. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 28. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 29. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 30. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, se mais benéfico para o contribuinte. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13964.000575/200922 Acórdão n.º 2301003.808 S2C3T1 Fl. 1.107 11 31. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso. CONCLUSÃO 32. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para: a) asseverar que o anexo denominado “Relação de Vínculos – VÍNCULOS” não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa; b) retificação dos valores relativos à multa, observado o novo regramento do citado artigo 32A, da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico para o contribuinte. (assinado digitalmente) Relator Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10580.723717/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/07/2009
AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PRAZO LEGAL EXTRAPOLADO. RECURSO INTEMPESTIVO. VEDADO O SEU CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/07/2009 AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PRAZO LEGAL EXTRAPOLADO. RECURSO INTEMPESTIVO. VEDADO O SEU CONHECIMENTO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 37 17 /2 00 9- 40 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.723717/200940 Acórdão n.º 2803002.820 S2TE03 Fl. 131 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.233.9808, CFL.30, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/07/2009, conforme – Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 86 a 89, recebida, em 26/08/2009, conforme carimbo de recepção, de fls. 86, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 90 a 110. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 111. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1527.607 7ª Turma da DRJ/SDR, em 05/07/2011, as fls. 46 a 49, por intermédio do qual considerou a impugnação improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/06/2012 , AR, de fls. 118. A DRF em Salvador emitiu o Termo de Perempção, as fls. 119, datado de 10/12/2012, conjuntamente com este e com data emissão idêntica a DRF, também, emitiu a Carta Cobrança, de fls. 120, desta última tomando conhecimento, em 26/12/2012, conforme fls. 121. O contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 124 a 126, acompanhado do documento, de fls. 127. As teses recursais não serão sumariadas, o que explicará no voto. O órgão preparador não se manifesta quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 129. É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.723717/200940 Acórdão n.º 2803002.820 S2TE03 Fl. 132 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é INTEMPESTIVO, e, ainda, que tenha ocorrido o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, a intempestividade não permite sua apreciação. Verificase dos autos que o contribuinte tomou conhecimento da decisão a quo, em 11/06/2012 , conforme, AR, de fls. 118. Contudo, a recorrente só apresentou o Recurso Voluntário, em 18/01/2013, conforme carimbo de recepção, as fls. 124. Aliás, o contribuinte fora cientificado da perda do prazo pelo Termo de Perempção, as fls. 119, datado de 10/12/2012, bem como pela Carta Cobrança, de fls. 120. Desta forma, o trintídio legal já havia se esgotado quando da impetração recursal. Assim sendo, não ultrapassado o requisito de admissibilidade, não há razão para apreciação do recurso. Este é o motivo pelo qual, as razões recursais não foram sumariadas. Posto isto, não há razões fáticas e jurídicas para conhecer dos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por não conhecer do recurso em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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