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Numero do processo: 10715.006460/2009-95
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/03/2005, 14/03/2005, 23/03/2005, 29/03/2005, 11/04/2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE.
O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa.
EDIÇÃO DE NOVA NORMA QUE DEIXOU DE SANCIONAR COMO INFRAÇÃO A PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM ATÉ 7 DIAS DO EMBARQUE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE.
A IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, ao alterar a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, ampliou para 7 (sete) dias o prazo para o registro no Siscomex dos dados do embarque da carga. Tal modificação deixou de considerar como infração a prestação da referida informação em período inferior ao novo prazo estabelecido, passível, pois, de aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, b, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsumese à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. EDIÇÃO DE NOVA NORMA QUE DEIXOU DE SANCIONAR COMO INFRAÇÃO A PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM ATÉ 7 DIAS DO EMBARQUE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. A IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, ao alterar a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, ampliou para 7 (sete) dias o prazo para o registro no Siscomex dos dados do embarque da carga. Tal modificação deixou de considerar como infração a prestação da referida informação em período inferior ao novo prazo estabelecido, passível, pois, de aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 64 60 /2 00 9- 95 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 3 2 vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 65.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. previr t i ) artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em março de 2005 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00318/09” (fl. 10), descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo Io da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 13 a 25 alegando, em síntese, que: a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2a da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2o do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 5 4 a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os. dados de embarque das mercadoriasno Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04. que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; por diversas vezes no decorrer do mês de março de 2005 0 Siscomex apresentou falhas e, por conseguinte, permaneceu indisponível,, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês de junho do referido ano.; Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 6 5 Data do fato gerador: 04/03/2005, 14/03/2005, 23/03/2005, 29/03/2005, 11/04/2005 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Datado fato gerador: 04/03/2005, 14/03/2005, 23/03/2005, 29/03/2005, 11/04/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; evidenciada a ausência de qualquer violação às disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de infração. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03. a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Datado fato gerador: 04/03/2005, 14/03/2005, 23/03/2005, 29/03/2005, 11/04/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 7 6 Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. Posteriormente apresentou petição alegando direito superveniente imprescindível à análise da questão, qual seja, a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, que possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 9 8 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderá vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 10 9 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 11 10 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 12 11 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE O RECURSO VOLUNTÁRIO, exonerandose as multas com referência aos vôos cujas informações sobre o embarque foram prestadas em prazo inferior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Com o devido acatamento, ouso divergir parcialmente do voto do Exmo. Sr. Relator, na parte em que dispõe sobre a denúncia espontânea. Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há decretolei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi prestada a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, após o prazo especificado no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, dentro de prazo determinado pela norma tributária, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 14 13 No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, quedandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 15 14 Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração O primeiro pressuposto é a ocorrência da infração cometida – no caso, a prestação extemporânea da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 16 15 Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.006460/200995 Acórdão n.º 3801005.026 S3TE01 Fl. 17 16 Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10875.001615/2002-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/03/1997
DECISÕES DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. APLICAÇÃO NO ÂMBITO DOS JULGAMENTOS DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-006.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice relativo à decadência e para considerar a incidência da Cofins a partir de 1º de abril de 1997, e determinar à repartição de origem que apure a legitimidade do crédito e profira novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 31/03/1997 DECADÊNCIA. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO. CINCO ANOS MAIS CINCO. O prazo para pleitear a restituição de pagamentos indevidos extinguese com o decurso do prazo de cinco anos a contar do prazo de outros cinco anos conferidos à Fazenda para a homologação da atividade do contribuinte de apurar a pagar o tributo devido no regime de lançamento por homologação. Este o conteúdo e alcance do art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, do CTN, segundo disposição judicial em repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, para fatos geradores anteriores à LC nº 118/2005, vigendo a partir de 09 de junho de 2005 (RE 566.621). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 31/03/1997 SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. As sociedades civis que fizeram opção por regimes de tributação próprios de pessoas jurídicas, não perderam o direito ao gozo da isenção da Cofins, concedida pela LC nº 70/91, para os períodos de apuração até 31/03/1997, termo final após o qual passou a sujeitálas, segundo o preceito do art. 56 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1992 a 31/03/1997 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 16 15 /2 00 2- 98 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 DECISÕES DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. APLICAÇÃO NO ÂMBITO DOS JULGAMENTOS DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice relativo à decadência e para considerar a incidência da Cofins a partir de 1º de abril de 1997, e determinar à repartição de origem que apure a legitimidade do crédito e profira novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório Trata o presente de pedido de restituição de Cofins, protocolizado em 23/01/2002, no valor de R$ 66.999,98, referente ao período de maio de 1992 a março de 1997, por considerar indevida a incidência desta contribuição sobre as sociedades de profissão legalmente regulamentada, cumulado com pedidos/declarações de compensação. O despacho decisório da DRF/Guarulhos indeferiu o pedido de restituição; parte, pela decadência do direito de repetir, nos termos dos artigos 165 e 168, da Lei n.° 5.172, de 1966, e do Ato Declaratório SRF n.° 96, de 1999, uma vez transcorridos mais de cinco anos entre a data dos pagamentos efetuados até 10/01/1997. Quanto aos pagamentos efetuados em fevereiro/março e abril de 1997, o indeferimento deuse por ter a Contribuinte recolhido exatamente o valor determinado pelo art. 56 da Lei n.° 9.430, de 1996, em vigor. Em manifestação de inconformidade, fls. 133/140, a Interessada alegou, em síntese: a) o Superior Tribunal de Justiça entende que a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que resulta num prazo de 10 anos até a extinção do direito de a contribuinte solicitar a restituição (cinco anos para a homologação tácita e mais cinco anos para o exercício do direito), contados da ocorrência do fato gerador; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.001615/200298 Acórdão n.º 3803006.956 S3TE03 Fl. 188 3 b) a Lei Complementar n.° 70, de 1991, isentou da Cofins as sociedades civis prestadoras de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; c) a Súmula 276 do Superior Tribunal de Justiça, as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, sendo irrelevante o regime tributário adotado; Requereu a reforma da decisão e que fosse reconhecido seu direito à restituição e compensação. Em julgamento da lide a DRJ/Campinas: a) considerou decaídos os pagamentos efetuados em 22/06/1992 e 10/01/1997, tendo considerado extinto o direito de pleitear em razão do prazo de cinco anos a contar da data do pagamento; b) não reconheceu o direito à isenção da Cofins anteriormente à edição da Lei nº 9.430/96, na condição de Sociedade Civil de Prestação de Serviços de Profissões Regulamentadas, em razão da sua opção pelo lucro presumido; A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 31/12/1996 AGENTES FISCAIS. DEVER DE OBSERVAR ATOS DECLARATÓRIOS E PARECERES NORMATIVOS. Face aos princípios administrativos da vinculação e hierarquia, os agentes fiscais estão obrigados à observância do entendimento da legislação exarado pelas autoridades superiores. COFINS. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de contribuição paga em valor maior que o devido extinguese no prazo de cinco anos a contar da data do pagamento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS EM FAVOR DA CONTRIBUINTE. Indeferido o pedido de reconhecimento de direito creditório, impõese, por decorrência, a não homologação das compensações requeridas, tendo em vista a inexistência de créditos a favor da contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A sociedade civil que opta pela tributação pelo lucro real ou presumido é sujeito passivo da Cofins. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Cientificada da decisão em 23 de janeiro de 2007, irresignada, apresentou recurso voluntário em 21 de fevereiro de 2007, em que repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Decadência Após muitas disputas em torno da contagem do prazo para a extinção do direito de repetir indébito tributário, tendo como objeto da análise o art. 168. I, do CTN, exsurge o art. 3º da LC nº 118/05[1], veiculando texto com a pretensão de dissolvêlas. Este dispositivo veio a ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE nº 566.621, que decidiu pela inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, deste diploma legal, e considerou válida a aplicação do prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, prescrito neste diploma legal para início dos efeitos de tal regra, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. A decisão tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, 1 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.001615/200298 Acórdão n.º 3803006.956 S3TE03 Fl. 189 5 do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.[g.n.] A decisão, publicada em 11 de outubro de 2011, foi proferida na sistemática do art. 543B, que a torna de aplicação cogente nos julgamentos no âmbito do CARF, conforme determina o art. 62A da Portaria MF nº 256/2009. O pleito desta pessoa jurídica foi protocolizado em 23 de janeiro de 2002, data anterior ao termo inicial para o início de vigência do prazo singelo de 5 anos a partir do pagamento aplicado desde a decisão da Derat/Rio de Janeiro. Com arrimo na aplicação forçada da decisão do STF, esta contribuinte faz jus a considerar que "o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 do fato gerador da contribuição, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN". Assim, para esta data de protocolo do pedido é de se reformar a decisão recorrida para afastar a decadência dos pagamentos indevidos relativos ao fato gerador a contar de janeiro de 1992. Mérito A Recorrente pleiteia que a considere isenta da Cofins no período compreendido entre maio/92 a março/97, do que resultaria créditos de pagamentos indevidos da contribuição no período. A LC nº 70/91, em seu art. 6º, II, concedeu isenção às Sociedades Civis de Prestação de Serviços de Profissões Regulamentadas. A Lei nº 8.541/92, em seu art. 1º, prescreveu que ditas sociedades poderiam optar pela tributação do imposto de renda como pessoas jurídicas. Art. 1° A partir do mês de janeiro de 1993, o imposto sobre a renda e adicional das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral, das sociedades cooperativas, em relação aos resultados obtidos em suas operações ou atividades estranhas a sua finalidade, nos termos da legislação em vigor, e, por opção, o das sociedades civis de prestação de serviços relativos às profissões regulamentadas, será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem sendo auferidos.[grifei] A questão que se controverte é se a opção pela mudança de regime de tributação afasta a isenção da Cofins. Não enxergo como se possa, a partir do texto do art. 1º da Lei nº 8.541/92, apreender ou construir ou uma regra revogadora da isenção ou uma regra de incidência da contribuição. Para se tratar de lei que revoga outra, o caminho está em buscar as demais balizas da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro, art. 2º, verbis: De pronto, vêse que a dicção do texto da Lei nº 8.541/92 não estampa revogação da isenção de forma expressa. Notoriamente, também, o texto também não trata inteiramente da matéria contida na norma tida por revogada. Cabe, então, analisar onde se pode ver incompatibilidade entre o texto da Lei nº 8.541/92 e o da LC 70/91, de sorte a se poder entender que houve revogação implícita. Para esta hipótese, o percurso de construção de norma passa a meu ver e inapelavelmente por considerar que o só fato de uma pessoa jurídica ser tributada pelo imposto de renda impossibilitaria a sua fruição de isenção da Cofins (ou, a contrario sensu, implicaria na sua sujeição a esta contribuição). De rigor, este fato haveria de se constituir em fato jurídico a compor o antecedente de uma terceira regra, préexistente, a vincular ambos os tributos. Na ausência de revogação expressa ou de estar a matéria da regra supostamente revogada (a da isenção) sendo integralmente tratada pela novo texto, só uma leitura sistêmica do ordenamento é que deve dar a resposta para evidenciar o liame de incompatibilidade. E esta regra não existe. A incompatibilidade não pode resultar de dedução residente apenas na mente do aplicador. No caso, podese ver configurado o que reza o § 2º, do mesmo dispositivo legal, expressamente assentando a hipótese de não revogação da lei anterior, textualmente: “§ Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.001615/200298 Acórdão n.º 3803006.956 S3TE03 Fl. 190 7 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.” [grifo nosso]. Se as sociedades referidas, uma vez sujeitas ao regime de tributação do IR na pessoa física não sofressem a incidência de contribuições, expresso isso como condição nos próprios dispositivos do DecretoLei nº 2.397/87, uma vez alterado o regime do IR pela Lei nº 8.541/92, sem nada mencionar sobre as contribuições, aí, sim, poderseia deduzir por sua incompatibilidade, e resultante disto afirmar que, uma vez migrando para o regime tributário da renda na pessoa jurídica, haveria, necessariamente, de estar sujeito à incidência das contribuições. Desta leitura que os citados preceitos legais claramente permitem, não se pode considerar que houve, tácita ou implicitamente, a revogação da isenção concedida pelo art. 6º, II, da Lei nº 70/91. Considerese que cinco anos após a concessão da isenção é que, expressamente, a Lei nº 9.430, de 1996, veio revogála. E o fez instituindo a incidência a partir de 1º de abril de 1997. Se esta não é uma norma interpretativa, mas material, como entender que a revogação que faz já se tinha feito operar por meio da opção facultada deste 1º de janeiro de 1993, pela Lei nº 8.541/92? A DRF/Guarulhos indeferiu o pedido relativamente aos pagamentos efetuados em fevereiro/março e abril de 1997, por entender que independentemente dos efeitos das disposições do art. 56 da Lei n.° 9.430, de 1996, a Recorrente já não tinha o direito em razão da opção pela tributação pelo lucro na pessoa jurídica, por vinculação ao Parecer Cosit nº 3/94. Uma vez que se afasta este fundamento, a incidência sobre ditas sociedades apenas veio a ocorrer a partir do dia 1º de abril de 1997, devendo ser consideras isentas as receitas dos períodos de competência até março/1997. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para afastar o óbice relativo à decadência e determinar à repartição de origem que apure a legitimidade do crédito e profira novo despacho decisório, considerando a incidência da Cofins apenas a partir de 1º de abril de 1997. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10950.720255/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008
SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei vigente.
EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte.
Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS, CSLL e INSS.
Numero da decisão: 1301-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008 SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei vigente. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 02 55 /2 01 2- 59 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS, CSLL e INSS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720255/201259 Acórdão n.º 1301001.793 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório De início, o presente processo trata da impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples Nacional em face de receitas não escrituradas e insuficiência de recolhimentos, relativos aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho a dezembro do ano calendário de 2007, onde se exige o crédito tributário de R$2.892,49 de IRPJ/Simples (fl. 908), R$2.036,06 de PIS/Simples (fl. 923), R$2.892,49 de CSLL/Simples (fl. 915), R$8.685,88 de COFINS/Simples (fl. 919), R$2.346,63 de IPI/Simples (fl. 912) e, R$24.940,34 de INSS/Simples (fl. 927). Ainda neste procedimento consta o auto de infração de fls. 969/1054, onde é exigido o valor de R$ 9.363,09 de IRPJ (fl.971), R$ 8.576,05 de IPI (fl.975), R$9.363,09 de CSLL (fl. 979), R$27.640,99 de Cofins (fl.983), R$6.556,36 de PIS (fl.987) e, R$79.753,79 de Contribuição Patronal Previdenciária, calculados pela sistemática do Simples Nacional, para os fatos geradores ocorridos durante o ano calendário de 2008, em face de receitas não escrituradas e insuficiência de recolhimentos. 3. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º do art. 5º e, § 1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, e; art. 186, 188 e 199 do RIR/99; b) para o PIS, a alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, art. 1º e parágrafo único da Lei Complementar nº 17 de 1970, art. 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2º, § 2º, 3º, § 1º,alínea “b”, 5º e 7º § 1º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; .o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º, do art. 5º, art. 5º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; o § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; e) para o IPI, § 2º, do art. 2º, alínea “e” do § 1º do art. 3º, § 2º do art. 5º, § 1º do art. 7º e art.18 da Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998 e artigos 2º, 3º, 34, 35, 122 e 127 do RIPI/2002 e; f) para a Contribuição ao INSS, o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. 4. A razão utilizada para o calculo da multa de ofício é 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 5. No mesmo processo, será alvo de julgamento o Ato Declaratório Executivo nº 02 de 13 de janeiro de 2012, da Delegacia de Maringá, fl. 781, que excluiu a contribuinte ao Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009, tendo em vista que para o ano calendário de 2008, a análise de sua movimentação financeira demonstrou que a receita bruta auferida ultrapassou o limite estabelecido para as empresas de pequenos porte, conforme previsto no artigo 3º, “caput” e inciso II da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. O administrador da empresa foi cientificado das exigências em 13/02/2012 e, em 13/03/2012, apresentou impugnação ao feito, fls. 891905, onde alega que optou pelo regime do Simples Nacional desde o seu surgimento e que a autoridade fiscal constatou que no ano calendário de 2008 a movimentação financeira da pessoa jurídica apresentava valores superiores ao limite estabelecido pela legislação que rege o Simples. Após a apresentação dos extratos de contas correntes bancárias foi intimada a comprovar a origem e natureza dos créditos havidos nas referidas contas. Apresentou justificativas em duas ocasiões a saber: 09/08/2011 e 04/01/2012, sendo que os créditos remanescentes foram considerados como receita bruta da impugnante e, como a receita auferida foi superior ao limite permitido aos optantes pela sistemática do Simples, foi determinada sua exclusão ao regime. Inicia sua defesa alegando em preliminar a nulidade da autuação haja vista a quebra do sigilo bancário sem a devida autorização judicial e que confirma o ato atentatório a Representação Fiscal que propõe sua exclusão ao Simples, onde resta evidenciado que a auditoria somente ocorreu em razão, única e exclusiva da quebra de seu sigilo bancário. Portanto, tanto o auto de infração como o ADE devem ser declarados nulos pois fundados em ilegalidade, inconstitucionalidade e por serem contrários à jurisprudência. Transcreve o inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal para defender a necessidade de autorização judicial para o exame das contas correntes bancárias e jurisprudência proferida pelo Supremo Tribunal Federal acerca da quebra de sigilo bancário. Comentando a referida decisão faz menção ao § 1º do artigo 145 da CF, para falar dos limites à administração pública no exercício de sua competência face aos direitos individuais dos contribuintes. Pede o reconhecimento da nulidade. Ainda no campo das nulidades, afirma que como se não bastasse, houve uma segunda quebra de sigilo quando o fisco intimou a empresa a apresentar os extratos bancários, sendo que esta solicitação só pode ser realizada por autoridade judicial competente. Sustenta que a autoridade fazendária não possui tal competência e que caso o órgão julgador não compartilhe deste entendimento, restará caracterizado o conflito e a interferência entre as esferas do Poder Público. Requer sejam computados, para fins de redução do suposto crédito tributário, os valores pagos a título de Simples Nacional durante o ano calendário de 2009, conforme tabela que apresenta, sob pena de bitributação. Afirma que a autoridade fiscal considerou como receita bruta a movimentação financeira da impugnante, quando muitos dos valores não correspondem a receitas; que como outras empresas, utiliza de vários mecanismos para manter as contas bancárias sempre no positivo; que tomava empréstimos bancários e, fazia transferências entre contas de sua titularidade, a fim de fugir dos juros. Alega que não pode ser onerada por ter Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720255/201259 Acórdão n.º 1301001.793 S1C3T1 Fl. 13 5 realizado tais operações e pede que o processo seja devolvido à DRF Maringá a fim de ser saneado; que, apesar de ter sido intimada a comprovar a natureza e origem dos depósitos não houve tempo hábil suficiente para tamanha diligência, uma vez que tal esforço não demanda apenas documentos em posse da empresa, como também de parecer de bancos e de um perito que averigúe os depósitos individual e separadamente. Indica perito. Reclama da multa exigida e de seu caráter de confisco. Transcreve jurisprudência e pede sua redução para 10%. 17. Ao final, requer: a) a nulidade do auto de infração e do ADE em razão da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial ou; b) a nulidade do auto de infração e do ADE em razão da ilegalidade e inconstitucionalidade derivada da solicitação feita à empresa impugnante constante do Termo de Início de Procedimento Fiscal ou, ainda; c) caso não seja este o entendimento, que sejam considerados os valores recolhidos como Simples Nacional e Previdência Social, durante o ano de 2009, no valor total de R$ 315.780,90, devendo tal valor ser deduzido do auto de infração ora atacado; d) que seja deferida a prova pericial, com fundamento no artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235, de 1972; e) e a readequação da multa aplicada reduzindose sua razão de 75% para 10%. A DRJ/CURITIBA (PR) decidiu a matéria sintetizada no Acórdão 0638.919, Sessão de 20 de dezembro de 2012, julgando improcedente a impugnação, O julgamento restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 NULIDADE Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, de maneira voluntária, em atendimento às intimações efetuadas pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal, não caracterizam quebra de sigilo bancário. CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindo se o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco. PROVAS A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIAS E PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL APLICÁVEL LEGALIDADE. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720255/201259 Acórdão n.º 1301001.793 S1C3T1 Fl. 14 7 Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. É o relatório. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório e voto recorrido constatase que o presente processo trata (i) de lançamento efetuado com base no Simples Nacional (em face de receitas não escrituradas e insuficiência de recolhimentos), abrangendo os fatos ocorridos no segundo semestre de 2007 e todo ano calendário de 2008, (ii) o ato de exclusão ao Simples Nacional, decorrente da constatação de que no ano calendário de 2008 o sujeito passivo auferiu receita bruta em volume superior ao permitido para os optantes pelo Simples, cujos efeitos passaram a se operar a partir de 01/01/2009. A peça recursal repete as argumentações iniciais (da impugnação) as quais trataremos a seguir. Insurgese, em primeiro plano, com a alegação de nulidade do auto de infração, bem como do Ato Declaratório Executivo que o excluiu do Simples, já que a quebra do seu sigilo bancário teria sido ilegal, haja visto que não houve ordem judicial nem mesmo para a requisição dos extratos bancários por parte da autoridade fiscal, além de ser arbitrária e inconstitucional, na medida em que violaria frontalmente o disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. Cita jurisprudência e doutrina em favor de sua tese. Pois bem. O presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que disciplinam a constituição do crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. Percebo que o fisco indicou os elementos examinados para chegar a conclusão de que houve a omissão de receitas com base em presunção legal, depósitos bancários não contabilizados e nem justificados. Nesse sentido, concluo que a notificação e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a constituição dos fatos geradores praticados pela empresa. Quanto à alegação de quebra do sigilo bancário, a Lei Complementar n.° 105, de 10 de janeiro de 2001, a qual dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720255/201259 Acórdão n.º 1301001.793 S1C3T1 Fl. 15 9 e dá outras providências, introduziu significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação ao seu anterior disciplinamento, até então conferido pelo art. 38 da Lei n.° 4.595/64. Nesse contexto, a Lei Complementar nº 105/2001, apenas regulou, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras. A Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, por sua vez, regraram com mais precisão a obtenção de dados, antes já autorizada. Ademais, se destinavam a verificar a ocorrência de fato gerador de imposto, já previsto na legislação, qual seja, a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Observese, ainda, que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista ser imposto às autoridades administrativas seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no artigo 198 do CTN, como também do disposto no artigo 6º, parágrafo único, da própria Lei Complementar nº 105, de 2001. Acrescentese que as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. De se ressaltar, por outro lado, que o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento e do Ato Declaratório em razão de vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade no acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada, mesmo porque, no caso em concreto, os extratos bancários foram fornecidos pela própria empresa recorrente, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização. DAS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS E PROVA PERICIAL No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, sem trazer à baila elementos suficientes que pudessem comprovar suas alegações. Os créditos realizados em sua conta bancária que foram passíveis de identificação de origem, diversa de renda, foram excluídos da exação conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Ademais, no que tange às questões que envolvem princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pelo Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10950.720255/201259 Acórdão n.º 1301001.793 S1C3T1 Fl. 16 11 Neste ponto, não há reparos a fazer quanto ao decidido pela turma a quo, ainda mais considerandose que o Recorrente não trouxe qualquer novo elemento aos autos que pudesse alterar a conclusão atacada. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No mais, a lide se relaciona com a matéria omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados e cuja origem não foi comprovada, tratase de lançamento efetuado com base em presunção legal, estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, por certo que presunção legal relativa, ou seja, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe apenas provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia ter afastado a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas corrente, mas não o fez. DA MULTA CONFISCATÓRIA (75%) Requer, por fim, a redução da multa de ofício aplicada no percentual de 75% para 10% alegando o princípio da proporcionalidade. Como dito alhures, com relação as argüições de inconstitucionalidade (violação aos princípios do não confisco, da legalidade e da proporcionalidade), cabe esclarecer que a este órgão colegiado não compete julgar, por exemplo, se o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 que estabelece as multas para o lançamento de ofício viola o princípio constitucional do não confisco. A essa instância administrativa cabe, em apertada síntese, verificar a conformidade de atos administrativos ao direito positivo. Concluindo, entendo que os fundamentos trazidos na peça recursal não lograram afastar as conclusões da fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para manter a autuação, verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Da tributação reflexa. As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS, Cofins e INSS são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. Por todo o exposto, voto, por não acatar as preliminares suscitadas e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 10920.723805/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
As hipóteses de nulidade estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo configurado nenhuma de suas hipóteses, não é possível declarar a nulidade da decisão recorrida.
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE ENSINO. BENEFÍCIO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS.
Na hipótese de descumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício da isenção do pagamento de contribuições sociais, é correta a suspensão do benefício do contribuinte.
ISENÇÃO. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. ALTERAÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR.
Previsão constitucional somente pode ser alterada por lei complementar, tal como ocorre com o Código Tributário Nacional, recebido com status de lei complementar. O Código Tributário Nacional pode estabelecer requisitos para a fruição de benefício fiscal.
ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE.
A isenção pode ser concedida automaticamente, desde que preenchidos os requisitos legais e constitucionais. Na hipótese de o contribuinte deixar de preencher os requisitos legais e constitucionais, o benefício pode ser revogado, sem configurar violação ao direito adquirido.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, é devida a taxa de juros Selic sobre créditos tributários federais.
Numero da decisão: 1202-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta inicial de diligência, vencido o Conselheiro Geraldo Valentim Neto (Relator); designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor nesse ponto; e, por unanimidade de votos, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente e Redator ad hoc
(documento assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonseca de Menezes, Geraldo Valentim Neto (Relator à época do julgamento), Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. As hipóteses de nulidade estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo configurado nenhuma de suas hipóteses, não é possível declarar a nulidade da decisão recorrida. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE ENSINO. BENEFÍCIO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. Na hipótese de descumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício da isenção do pagamento de contribuições sociais, é correta a suspensão do benefício do contribuinte. ISENÇÃO. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. ALTERAÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR. Previsão constitucional somente pode ser alterada por lei complementar, tal como ocorre com o Código Tributário Nacional, recebido com status de lei complementar. O Código Tributário Nacional pode estabelecer requisitos para a fruição de benefício fiscal. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção pode ser concedida automaticamente, desde que preenchidos os requisitos legais e constitucionais. Na hipótese de o contribuinte deixar de preencher os requisitos legais e constitucionais, o benefício pode ser revogado, sem configurar violação ao direito adquirido. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 4, é devida a taxa de juros Selic sobre créditos tributários federais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.723805/201249 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.265 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2015 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. As hipóteses de nulidade estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo configurado nenhuma de suas hipóteses, não é possível declarar a nulidade da decisão recorrida. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE ENSINO. BENEFÍCIO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. Na hipótese de descumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício da isenção do pagamento de contribuições sociais, é correta a suspensão do benefício do contribuinte. ISENÇÃO. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. ALTERAÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR. Previsão constitucional somente pode ser alterada por lei complementar, tal como ocorre com o Código Tributário Nacional, recebido com status de lei complementar. O Código Tributário Nacional pode estabelecer requisitos para a fruição de benefício fiscal. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção pode ser concedida automaticamente, desde que preenchidos os requisitos legais e constitucionais. Na hipótese de o contribuinte deixar de preencher os requisitos legais e constitucionais, o benefício pode ser revogado, sem configurar violação ao direito adquirido. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 4, é devida a taxa de juros Selic sobre créditos tributários federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 38 05 /2 01 2- 49 Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta inicial de diligência, vencido o Conselheiro Geraldo Valentim Neto (Relator); designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor nesse ponto; e, por unanimidade de votos, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente e Redator ad hoc (documento assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonseca de Menezes, Geraldo Valentim Neto (Relator à época do julgamento), Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório O Presidente da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do CARF, formalizará a seguir o relatório e o voto vencido do presente acórdão, considerando a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 108, Seção 2, de 10/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 350, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30/04/2015, GERALDO VALENTIM NETO do mandato de Conselheiro, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. "Tratase de Autos de Infração lavrados em face da Recorrente para a cobrança de créditos tributários a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor total de R$ 4.639.485,43, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor de R$ 12.867.832,83, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ 803.966,57, tendo sido aplicada multa de ofício de 75% em todos os lançamentos destacados, referentes aos períodos de janeiro de 2008 a dezembro de 2010. A Recorrente é mantenedora de faculdades e escolas de cursos fundamental, médio, técnico, superior, extensão, pósgraduação e livre. O CEBAS da Recorrente foi renovado para o período de 01/01/2007 a 31/12/2009 com base no artigo 37 ou 39 da Medida Provisória nº 446/2008, renovação esta automática, sem a análise documental do preenchimento – ou não – dos requisitos legais para a sua concessão. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 3 3 A renovação do CEBAS da Recorrente ocorreu por meio da publicação da Resolução MDS/CNAS nº 07/2009. Com base na renovação do CEBAS, a Recorrente vem usufruindo do benefício da isenção das contribuições sociais, nos termos do artigo 5º da Lei nº 8.212/91 (09/11/2008, de 12/02/2009 a 29/11/2009), da Lei nº 11.096/2005, da Medida Provisória nº 446/2008 (de 10/11/2008 a 11/02/2009) e da Lei nº 12.101/2009 (de 30/11/2009 em diante). Alega a D. Autoridade Fiscal que os lançamentos decorreram da sentença proferida na Ação Popular nº 5002757.092010.4.04.7201, em trâmite perante a Justiça Federal da Subseção Judiciária de Joinville/SC. Neste sentido, consta do Relatório Fiscal (fls. 60/87) que a Recorrente teria deixado de cumprir os requisitos para a certificação do CEBAS e os requisitos para a fruição da isenção de contribuições sociais. Os requisitos para a certificação do CEBAS e fruição da isenção das contribuições sociais seriam: (i) aplicação de, pelo menos, 20% de sua receita atual em gratuidades (artigos 10, § 1º e 11, I da Lei nº 11.096/2004; artigo 3º, VI do Decreto nº 2.536/98; artigo 14 da MP nº 446/2008; e artigo 13 da Lei nº 12.101/2009); (ii) impossibilidade de remuneração de dirigente; (iii) cumprimento de 20% de assistência social beneficente (decorrente do limite mínimo de 20% de aplicação da receita em gratuidades); (ii) deficiência da escrituração contábil diante da inexistência de segregação contábil das gratuidades (bolsas de estudo) e a inexistência de contabilização de outras gratuidades. Intimada da lavratura dos mencionados Autos de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 1421/1448 sob os seguintes fundamentos, em síntese: (i) Cancelamento do CEBAS sem motivação, em violação ao artigo 5º, incisos I, II, XXXVII, LIV e LV da Constituição Federal; (ii) Atendimento aos requisitos legais e constitucionais para beneficiarse da imunidade; (iii) Violação ao artigo 14 do Código Tributário Nacional que previa isenção, posteriormente transformada em imunidade pelos artigos 150 e 195 da Constituição Federal de 1988; (iv) As limitações constitucionais somente podem ser reguladas por lei complementar, nos termos do artigo 146, IX da Constituição Federal; (v) Possibilidade de pagamento de salários e outros benefícios aos diretores, sem caracterizar a distribuição de lucros ou rendas, ou, ainda, participação em resultados; e (vi) A isenção, neste caso, configura direito adquirido. Submetida à apreciação pela DRJBelo Horizonte/MG, foi proferido o Acórdão nº 0246.500, ora recorrido, tendo sido julgada improcedente a Impugnação e mantido o crédito tributário, com ementa lavrada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2008, 2009 e 2010. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 4 proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. ISENÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA. PERCENTUAL. GRATUIDADE. SUSPENSÃO DE BENEFÍCIO FISCAL. Não faz jus à isenção a entidade que não aplica o percentual mínimo de 20% de sua receita em gratuidade de assistência social beneficente aos necessitados. Cabível o lançamento fiscal referente ao período em que a entidade descumpre os requisitos para manutenção de entidade beneficente. ISENÇÃO. CONSTITUIÇAÕ FEDERAL. ART. 14 CTN. NÃO APLICAÇÃO. O benefício da isenção das contribuições sociais, previsto no art. 195 da Constituição Federal, encontrase regulamentado em legislação específica (Lei nº 8.212/91 e posteriores). DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. Não há direito adquirido à isenção sob forma perpétua. Para manutenção do benefício fiscal a entidade deve se amoldar aos novos requisitos da legislação superveniente. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. IMPEDIMENTO. Não faz jus à manutenção do benefício fiscal a entidade que remunera seus dirigentes, por expressa vedação legal. CONTABILIDADE DA ENTIDADE. SEGREGAÇÃO DAS GRATUIDADES. A contabilidade da entidade deve segregar em contas específicas as gratuidades promovidas de assistência social, nos termos determinados pela legislação. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA. É legítima a utilização da taxa Selic para cálculo de juros moratórios, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário apreciar arguição de inconstitucionalidade da lei que ampara essa utilização. ASSUNTO: PROCEDIMENTO FISCAL. Anocalendário: 2008, 2009 e 2010. NULIDADE DE LANÇAMENTO. Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 4 5 O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional, restringindose o julgador administrativo à análise da legalidade da autuação fiscal, consoante art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando esta providência revelase prescindível para instrução e julgamento do processo. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009 e 2010. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Exigência tributária com fulcro no art. 32, caput e § § da Lei nº 12.101 de 27 de novembro de 2009, não merece reparos, ainda mais se constatada a obediência a todos os preceitos legais. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido”. A Recorrente foi intimada em 12/08/2013(fls. 1503). Diante da improcedência da Impugnação, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1506/1537), sob os mesmos fundamentos constantes da Impugnação, com o acréscimo, apenas, de preliminar de nulidade decorrente da suposta falta de apreciação dos argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator ad hoc Primeiramente, cumpre verificar se atendido o requisito da tempestividade do Recurso Voluntário ora apreciado. Consoante Termo de Aviso de Recebimento de fls. 1503, a Recorrente foi intimada do v. Acórdão proferido pela DRJBelo Horizonte (MG) em 12/08/2013. Considerando o prazo de 30 dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, o termo final para interposição do Recurso Voluntário se deu em 11/09/2013, data da sua interposição. Dessa Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 6 forma, demonstrada está a sua tempestividade, razão do seu processamento e análise dos argumentos apresentados. PRELIMINAR Como consignado no Relatório Fiscal, a autuação fiscal decorreu de sentença proferida na Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201, que determinou o cancelamento da certificação do CEBAS da Recorrente, diante da ausência de preenchimento dos requisitos legais para sua concessão e/ou renovação. Como verificado nos autos, não há informação no aludido Relatório Fiscal se a decisão proferida na mencionada Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201 teria caráter definitivo, bem como deixou de ser informada a situação dos andamentos daquele processo ou a certificação do trânsito em julgado. Esta informação também não foi apresentada pela Recorrente, nem em sua Impugnação e nem em seu Recurso Voluntário. A D. Autoridade Fiscal partiu da premissa de que a sentença proferida na Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201 já teria reconhecido a ausência de preenchimento dos requisitos para a certificação do CEBAS e para a fruição da isenção das contribuições sociais, razão da fiscalização e da autuação fiscal. Tendo em vista a inexistência de informação pela D. Autoridade Fiscal e pela Recorrente acerca da situação dos andamentos processuais do mencionado processo judicial, foi necessária a consulta ao endereço eletrônico da Justiça Federal de Santa Catarina, bem como do E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região para conhecimento do atual andamento do aludido processo judicial. Pelo que foi possível verificar dos andamentos processuais, a r. sentença foi proferida no sentido de acolher em parte o pedido do Autor para obrigar a União a exercer seu poder de polícia e deflagrar ação fiscalizatória na Recorrente, com o objetivo de verificar o atendimento dos requisitos para a fruição do benefício fiscal de entidade beneficente de assistência social e, na sua ausência, constituir os pertinentes créditos tributários, respeitado o prazo decadencial. Segundo consta também das informações sobre o andamento processual da referida Ação Popular, foram interpostos Recursos de Apelação por ambas as partes, informação esta que não constou do Relatório Fiscal e nem das defesas da Recorrente. Os Recursos de Apelação teriam sido recebidos somente no efeito devolutivo, o que, em princípio, autorizaria a realização das diligências pela Receita Federal do Brasil e que originaram os Autos de Infração em questão. De acordo com informações sobre o andamento processual no website do TRF da 4ª Região, constatouse que foi proferido Acórdão cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: “CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS). REQUISITOS CONFORME A LEI Nº 8.212/91. EXCEÇÃO TEMPORAL DA MP 446/08. REJEIÇÃO DA MP. APLICABILIDADE IMEDIATA DOS REQUISITOS ANTERIORES. SÚMULA 353 DO STJ. PRINCÍPIOS DA MÁXIMA PRIORIDADE JURISDICIONAL DA TUTELA COLETIVA, DO INTERESSE JURISDICIONAL DO Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 5 7 CONHECIMENTO DO MÉRITO, DA MÁXIMA EFETIVIDADE DO PROCESSO COLETIVO. As entidades que tenham renovado o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social por meio da MP 446/08, com ou sem recurso pendente, no primeiro caso com perda de objeto administrativa, estão sujeitas a qualquer tempo à Lei nº 8.212/91 por força da própria MP, da Súmula do STJ e da Carta Constitucional. O processo ajuizado contra ato administrativo pendente de recurso que tenha sido arquivado por força da norma nova não perdeu seu objeto, permanecendo interesse jurídico coletivo na aferição de vício e dano ao Erário, forte nos princípios que regem este rito processual e no interesse público que as ações coletivas constitucionalmente protegem. A qualquer momento a superveniência do descumprimento justifica a anulação, a cassação do certificado. Cabe ao Judiciário dar efetividade à observância destas garantias constitucionais por meio da preservação do instrumento processual. Em síntese, o instrumento processual da Ação Popular deve ser tomado como feito que carrega em si informações de importância pública, de interesse geral, e devese buscar analisar tais questões fáticas (mérito) sem se ater a pequenos vícios processuais que não alcançam a importância do conteúdo veiculado. O cumprimento das normas procedimentais e processuais é importante. Porém, devese mitigar vícios para não barrar o conhecimento do mérito. Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso de apelação do autor e negar provimento aos recursos de apelação das rés, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.” Consignou o I. Desembargador Federal Relator no referido Acórdão: “(...) Tenho que a questão deve ser interpretada mais largamente para entender que o ato impugnado foi a lesão ao patrimônio público ensejada pela concessão de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a que não detinha tal direito. Considerando a obrigatoriedade de cumprimento, em qualquer caso, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, o mérito deve ser analisado e, para tanto, imperioso o retorno dos autos à origem para produção probatória suficiente ao exame das condições da entidade ré à época dos fatos e a conduta dos réus, momento em que deverá ser sanado e evitado qualquer vício ao contraditório e à ampla defesa, garantindose às partes a defesa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social impugnado frente à MP 446/08. Procedente, assim, o agravo retido interposto pela parte autora, não prosperando alegação da União ou da entidade ré no sentido de que os requisitos legais estão cumpridos. Não há qualquer prova por elas produzidas nestes autos demonstrando tal afirmação. O entendimento visa ao respeito aos arts. 70 e 195, § 7º da CRFB/88; 22 a 23 e 55 da Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 8 Lei nº 8.212/91; 9º e 18 da Lei nº 8.742/93; 1º a 7º do Decreto nº 2.536/98 e 333 do CPC.” Da leitura do acórdão acima transcrito verificase que, de fato, a sentença determinou a instauração de procedimento administrativo de fiscalização para a análise do preenchimento dos requisitos legais para manutenção do CEBAS. Verificase, também, que o acórdão do TRF da 4ª Região declarou a ilegalidade do CEBAS concedido à Recorrente. Entretanto, em que pese a declaração da ilegalidade do CEBAS, o acórdão determinou a imediata devolução dos autos à origem para a realização de prova pericial, para a comprovação – ou não – do preenchimento dos requisitos para a emissão, renovação e manutenção do CEBAS da Recorrente. Tanto é que, de acordo com os andamentos processuais na Justiça Federal da Subseção Judiciária de Joinville (SC), os autos retornaram à origem e encontramse na fase probatória para a realização de perícia. Nos endereços eletrônicos mencionados somente foi possível o acesso às principais decisões, não tendo sido possível verificar os termos da perícia, quesitos ou mesmo a conclusão da pericia judicial. Na prática, apesar da declaração da ilegalidade do CEBAS, a análise do preenchimento – ou não – dos requisitos para a renovação do CEBAS encontrase sub judice, ainda pendente de sentença de mérito. É como se o v. Acórdão proferido pelo E. TRF da 4ª Região tivesse concedido uma espécie de antecipação de tutela, concretizada na declaração de ilegalidade do CEBAS, garantindose que a fiscalização efetuasse os lançamentos como se confirmada a irregularidade do certificado. Entretanto, ao mesmo tempo, o mesmo acórdão determinou a devolução dos autos à 1ª instância para a realização da instrução probatória sobre o preenchimento – ou não – dos requisitos para a certificação da Recorrente no período em questão. Logicamente que essa figura não existe na legislação processual. Entretanto, o efeito prático foi esse. Pelo que se verificou, o CEBAS foi declarado ilegal, mas foi determinada a realização de prova, incluindo a pericial, mediante o retorno dos autos à 1ª instância, para que a Recorrente pudesse comprovar o preenchimento ou não dos requisitos legais. A comprovação – ou não – dos requisitos acarretará, por sua vez, na procedência ou improcedência da Ação Popular (e, consequentemente, na legalidade ou não do CEBAS). Há que se ressaltar que, corretamente, foi iniciado o procedimento fiscalizatório pela DRF de Joinville/SC, em decorrência da disposição contida na r. sentença proferida na Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201, bem como diante da declaração da ilegalidade do CEBAS no v. acórdão transcrito. Verificada a ausência de preenchimento destes requisitos, a cabível a lavratura do Auto de Infração, até mesmo porque a D. Autoridade Fiscal deve agir de acordo com a lei, como previsto no artigo 37 da Constituição Federal, bem como o artigo 2º da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Ocorre que, nos casos em que existe discussão judicial pendente sobre determinado assunto, em respeito ao princípio da eficiência da Administração Pública, previsto no destacado artigo 37 da CF/88, a jurisprudência deste E. Conselho já proferiu julgados no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do processo administrativo enquanto pendente discussão judicial sobre matéria relacionada. Esta hipótese configura o lançamento para prevenir decadência, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 6 9 “Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” Nesse sentido já foram proferidos julgados por este E. Conselho, como os Acórdãos nºs 120100.364, da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção, publicado no DJU de 18/05/2011 e 110300.335, da 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção, publicado no DJU de20/04/2011, entre tantos outros. Os acórdãos acima citados determinaram o sobrestamento dos respectivos processos administrativos, com admissão do lançamento realizado para prevenir decadência, sendo que, nos respectivos processos judiciais, a situação fática era a existência de decisão proferida judicialmente que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário com fundamento em uma das hipóteses do artigo 151 do CTN. Também se sabese que, no presente caso, não se configurou nenhuma das hipóteses do artigo 151 do CTN. Entretanto, considerando que, apesar do reconhecimento da ilegalidade do CEBAS, ao mesmo tempo foi determinada a remessa dos autos à primeira instância para a produção de provas necessárias para a verificação – ou não – do preenchimento dos requisitos, é inegável que o cancelamento do certificado poderá ser revertido a depender do resultado de referida análise. Nestas condições, o CEBAS poderá ser restabelecido, com relação ao período questionado, podendo afetar, diretamente, a presente discussão. Assim, em respeito ao princípio da eficiência previsto na CF/88 e aos demais constantes na Lei 9784/99, e considerando que a legislação processual brasileira autoriza o sobrestamento de processo relacionado que dependa de decisão proferida no processo principal, é importante que seja informado o andamento atualizado da Ação Popular. Dessa forma, em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa, da busca pela verdade material e da eficiência da Administração Pública, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a Recorrente seja intimada a fim de apresentar esclarecimentos nos seguintes termos: (i) Informar o atual andamento e as principais ocorrências processuais na Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201; Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 10 (ii) Informar os termos determinados para a realização da perícia judicial, se já apresentado laudo pericial e seus termos, e se já proferida decisão sobre as conclusões do Sr. Perito Judicial; e (iii) Apresentar Certidão de Objeto e Pé na qual constem os principais andamentos e a atual situação da Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201. Após a intimação da Recorrente e se apresentada manifestação com as informações e documentos acima solicitados, determinese a abertura de vista para a D. Autoridade Fiscal para que se manifeste sobre a documentação porventura apresentada, sendo que, ao final, o processo deverá retornar a este E. Conselho, para prosseguimento do julgamento. MÉRITO Na hipótese desta C. Turma discordar da proposição de conversão do julgamento em diligência, e por se fazer necessário a apreciação dos argumentos relacionados ao mérito, suscitados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, passo a analisar os seus termos. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Preliminarmente alegou a Recorrente a nulidade do v. Acórdão proferido pela DRJBelo Horizonte/MG em decorrência da ausência de fundamentação legal. Em que pese os argumentos da Recorrente, não procedem suas alegações preliminares. O artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 determina, expressamente, as situações em deve ser declarada a nulidade de decisão ou acórdão, consoante transcrição, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Ou seja, não são nulos atos que não expressamente consignados no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Além disso, há que se considerar que o v. Acórdão da DRJBelo Horizonte/MG não foi proferido sem fundamentação legal. Contrariamente à alegação da Recorrente, verifica se que o v. Acórdão analisou ponto a ponto consignado na Impugnação e, em cada um deles, expressamente informou as razões do não provimento dos argumentos do contribuinte, bem como indicou expressa fundamentação legal. Sendo assim, voto por não acolher a alegação preliminar da Recorrente quanto à nulidade do v. Acórdão da DRJBelo Horizonte/MG. A OBRIGATORIEDADE DE ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DO CEBAS Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 7 11 Quanto ao mérito, argumentou a Recorrente que (i) o cancelamento do CEBAS ocorreu sem motivação, em violação ao artigo 5º, incisos I, II, XXXVII, LIV e LV da Constituição Federal; (ii) foram atendidos os requisitos legais e constitucionais para beneficiar se da imunidade; (iii) houve violação ao artigo 14 do CTN que previa isenção, posteriormente transformada em imunidade pelos artigos 150 e 195 da CF/88; (iv) que as limitações constitucionais somente podem ser reguladas por lei complementar, nos termos do artigo 146, IX da CF; (v) é possível o pagamento de salários e outros benefícios aos diretores, sem caracterizar distribuição de lucros ou rendas, ou, ainda, participação em resultados; e (vi) a isenção, neste caso, configura direito adquirido. Todos os argumentos acima apresentados pela Recorrente, na verdade, decorrem do ponto central da verificação, nos autos da Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201, da regularidade da concessão e/ou renovação do CEBAS, ponto este abrangido no v. Acórdão recorrido. Tal como consta do v. Acórdão (fls. 1.489), os requisitos para a concessão e/ou renovação do CEBAS estão previstos na Lei nº 8.212/91, Medida Provisória nº 446/2008, Lei nº 12.101/2009 e, especialmente, na Lei Orgânica da Assistência Social, prevista na Lei nº 8.742/93. Os requisitos referemse à certificação de entidades e à isenção das contribuições. A D. Autoridade Fiscal verificou que a Recorrente deixou de atender aos requisitos legais para caracterizarse como entidade beneficente e assistencial que a qualificasse como isenta de contribuições, em especial pelo descumprimento do artigo 55, inciso III da Lei nº 8.212/91, cuja redação original, anterior a 2009, determinava , in verbis: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 12 apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição.”. Segundo informações verificadas pela D. Autoridade Fiscal, não restou comprovado, pela Recorrente, a prática de atividade beneficente ou de assistência social, sendo este um dos requisitos básicos para a fruição da isenção de contribuições sociais. De acordo com a Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.742/93), não basta o exercício de filantropia pela entidade que pretende a isenção: a entidade interessada deverá promover a assistência social nos termos fixados na legislação. E, mesmo nessa hipótese, o inciso III do artigo 55 da Lei nº 5.8212/91 expressamente determina que os destinatários da assistência social sejam pessoas menores, idosos, excepcionais e carentes, sendo este o público alvo da assistência social. Ainda considerando os requisitos legais obrigatórios, a Lei nº 11.096/2005 exige, para instituições de ensino, a obrigatória aplicação de 20% de sua receita em gratuidade, anteriormente também previsto no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, antes das alterações pela Medida Provisória nº 446/2008. A referida exigencia está mantida na Lei nº 12.101/2009, como determina o artigo 17 em sua redação original, mantida a exigência também no texto atualmente vigente, in verbis: “Art. 17. No ato de renovação da certificação, as entidades de educação que não tenham aplicado em gratuidade o percentual mínimo previsto no caput do art. 13 poderão compensar o percentual devido no exercício imediatamente subsequente com acréscimo de 20% (vinte por cento) sobre o percentual a ser compensado. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 8 13 Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança tão somente as entidades que tenham aplicado pelo menos 17% (dezessete por cento) em gratuidade, na forma do art. 13, em cada exercício financeiro a ser considerado.” Como descrito no Relatório da D. Autoridade Fiscal, embora o percentual das deduções de receitas registradas em contabilidade ser um pouco superior a 20% das receitas brutas, apenas pequena parte deste percentual é, efetivamente, destinado à gratuidade de fato. Isto porque, nas mesmas contas dedutivas, foram incluídos descontos aplicados a todos, as bolsas comerciais, as bolsas trabalhistas, as bolsas de terceiros, os acertos, os ajustes, as apropriações contábeis, entre outras. Ao contrário do que alegado pela Recorrente, portanto, não houve comprovação de que as deduções correspondentes à 20% de suas receitas referiamse, exclusivamente, à gratuidade. Também como verificou a D. Fiscalização, as principais gratuidades indicadas pela Recorrente são bolsas de estudo, regidas pelo PROUNI e por outros programas. A D. Autoridade Fiscal constatou que muitos dos programas que compõem bolsas de estudo não são de natureza assistencial ou não foram custeadas, de fato, pela Recorrente, na qualidade de entidade de ensino. Sendo assim, das bolsas de estudo analisadas, a Recorrente somente atenderia o requisito do caráter de assistência social e beneficência com relação às bolsas dos programas Projeto Educar, Projeto Profissionalizar e PROUNI. Os demais programas de bolsas não atenderam o percentual mínimo de 20% de gratuidade, razão pela qual a Recorrente não poderia se aproveitar do benefício da isenção. Com relação a outros programas analisados pela D. Fiscalização, alegou a Recorrente o atendimento aos requisitos legais, tendo apresentado o demonstrativo “Investimentos Realizados em Atividades Sociais”, ano de 2009 sobre projetos assistenciais e de inclusão social como “Inclusão Digital”, “Trilha do Conhecimento”, “Interagindo o Museu de Fundação com a Comunidade”, “Semana Tecnológica”, “Orquestra SOCIESC”, “Companhia de Teatro SOCIESC” e “Levantamento do Patrimônio Histórico e Cultural de Joinville”. De acordo com os documentos verificados pela D. Autoridade Fiscal, tratase de programas cujos beneficiários são pessoas da comunidade, sem distinção ou direcionamento aos mais carentes. Entre os beneficiários também estão alunos da própria instituição que realizam atividades acadêmicas voltadas para a formação na entidade. Nesse sentido, tais programas não atenderiam os objetivos da Lei Orgânica da Assistência Social. Ainda de acordo com a D. Autoridade Fiscal, os únicos programas que atenderiam às disposições da Lei Orgânica da Assistência Social seriam os projetos “Educar” e “Profissionalizar”, da entidade Recorrente. Não tendo atingido o mínimo legal de 20%, de fato, não é possível manter a concessão do benefício para a Recorrente, com a isenção de contribuições sociais. Alegou a Recorrente, ainda, a possibilidade de remuneração de dirigentes, sem a violação à caracterização de assistência social e beneficente. Durante a análise documental, a D. Autoridade Fiscal verificou que a Recorrente remunerou o Diretor Geral Sr. Sandro Murilo Santos (CPF 515.391.01991) decorrente de suas funções exercidas nos termos do Estatuto Social, no período de 2008 a 2010. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 14 O artigo 9º do CTN assim determina, in verbis: “Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c)o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos.” (Destacamos e grifamos) Por sua vez, o artigo 14 do CTN determina, in verbis: “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 9 15 § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” (Destacamos e grifamos) Ou seja, o artigo 14, em complemento ao artigo 9º, inciso IV, ambos do CTN determinam a impossibilidade de distribuição de parcela do patrimônio ou renda da entidade beneficente ou assistencial, entidades estas relacionadas no artigo 9º, sob pena de perda do benefício da isenção. Além disso, tal como constante do v. Acórdão recorrido, o pagamento de remuneração aos diretores incorre em violação aos artigos 55, inciso IV da Lei nº 8.212/91, em sua redação original, ao artigo 28, inciso II da Medida Provisória nº 446/2008 e ao artigo 29, inciso I da Lei nº 12.101/2009, em sua redação original, consoante disposição in verbis: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (...) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;” “Art.28. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos;” “Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 16 lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos;” (Destacamos) É possível concluir que há previsão expressa na legislação infraconstitucional, e não somente em apenas um dispositivo, que expressamente veda o pagamento de remuneração ou benefício a diretores, no exercício de sua função social, de acordo com os atos constitutivos da entidade. Ao contrário do que alegado pela Recorrente, se reformada o v. Acórdão neste aspecto, estarseá admitindo a violação ao artigo 14 do CTN bem como aos demais dispositivos infraconstitucionais acima destacados. Outros argumentos apresentados pela Recorrente, relacionados à isenção, também não merecem prosperar, como a violação aos artigos 150 e 195 da Constituição Federal, violação ao artigo 146, inciso IX da CF e o poder do limite de tributar e o fato de que, no seu entendimento, a isenção é direito adquirido. Primeiramente, cumpre ressaltar que este E. Conselho está impedido de apreciar questões constitucionais, em especial acerca de constitucionalidade, matéria esta reservada ao Poder Judiciário, nos termos do artigo 62 do RICARF, in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” Ou seja, salvo as hipóteses do parágrafo 1º do artigo 62 do RICARF, não é possível discutir matéria constitucional ou deixar de aplicar determinada legislação em decorrência do fundamento da inconstitucionalidade que não tenha sido declarada pelo E. Supremo Tribunal Federal. Ainda que fosse possível, os argumentos da Recorrente não merecem prosperar. Efetivamente, disposição constitucional somente pode ser alterada por meio de lei complementar, nos termos do artigo 146, inciso II da CF. E foi o que ocorreu no caso em questão. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 10 17 A imunidade das entidades beneficentes ou assistencias de ensino está prevista nos artigos 150 e 195 da CF. Sua limitação, em primeiro lugar, ocorreu pelo artigo 14 do CTN, contrariamente ao alegado pela Recorrente. O Código Tributário Nacional, apesar de instituído pela Lei nº 5.172/96, foi recepcionado pelo novo ordenamento jurídico – Constituição Federal de 1988 – como status de lei complementar. Ou seja, o CTN, recebido no ordenamento jurídico como lei complementar, impossibilita a manutenção do benefício da imunidade quando houver distribuição de parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título. Portanto, não houve violação ao artigo 14 do CTN, mas sim, correta aplicação do seu dispositivo, inclusive quando da vigência da Lei nº 8.212/91, em sua redação original, da Medida Provisória nº 446/2008 e da Lei nº 12.101/2009, também em sua redação original, já que trouxeram aspectos complementares à disposição do artigo 14 do CTN. Além disso, também não pode prevalecer o argumento de que a imunidade é um direito adquirido. Isto porque, apesar da previsão constitucional da imunidade das entidades beneficentes e de assistência social e de ensino, entre outras previstas nos artigos 150 e 195 da CF, a Constituição Federal não exauriu todas as possibilidades ou tipos de instituições beneficiadas pela imunidade. Os requisitos para a fruição do benefício estão previstos, originariamente, no artigo 14 do CTN, já transcrito e consistem: I – não distribuir de qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II – deixar de aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e III – manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Se períodos anteriores à instituição beneficente ou assistencial social ou de ensino era beneficiada pela imunidade e, por qualquer razão, descumpre os requisitos que a caracterizem como entidade beneficente ou assistencial, social ou de ensino, esta perde o direito a fruição do benefício, de forma automática, impossibilitando qualquer alegação de direito adquirido. Isto porque, se o contribuinte perde as características que lhe asseguravam determinado benefício ou, ainda, quando perde características que lhe oneravam a carga tributária, o benefício ou oneração devem ser imediatamente suspensos. Assim, não pode ser acatado o argumento da Recorrente, também sob este aspecto, devendo ser mantido o v. Acórdão recorrido. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL Também alegou a Recorrente que incorreto o entendimento da D. Autoridade Fiscal acerca da deficiência de sua escrituração contábil, uma vez que (i) não segregou contabilmente as aplicações em gratuidades (na forma de ofertas de bolsas de estudos), bem como (ii) não contabilizou as “outras gratuidades”. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 18 A questão verificada pela D. Autoridade Fiscal é a de que a Recorrente não segrega suas gratuidades em conta contábil específica, uma vez que os fatos contábeis de naturezas diversas estão registrados na conta incorreta. Ou seja, tal como apontado pela D. Fiscalização, a Recorrente apresentou escrituração contábil deficiente. A Recorrente tentou justificar mediante apresentação de gastos com programas que alegou serem de assistência social beneficente. Entretanto, esta alegação não prospera, uma vez que a Recorrente não conseguiu afastar o argumento da D. Fiscalização de que os gastos com estes programas estão embutidos em diversas contas contábeis de custos ou despesas da entidade, não individualizados de acordo com suas naturezas distintas. Além disso, a Recorrente também descumpriu a regra de segregar contas de forma discriminada. Também não pode ser acatado o Recurso Voluntário neste aspecto. TAXA SELIC Por fim, com relação à taxa de juros, não prosperam as alegações da Recorrente, tendo em vista que este E. Conselho já julgou a aplicação da Taxa Selic como a taxa de juros de créditos tributários federais, tendo sido esta matéria, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 4, in verbis: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Dessa forma, conheço do recurso voluntário para, preliminarmente, rejeitar as alegações de nulidade e, no mérito, negar provimento às alegações apresentadas". Foi como votou o Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado. De um lado, o voto do relator partiu do pressuposto de que “a autuação fiscal decorreu de sentença proferida” em ação popular; de outro, concluiu que a decisão determinou a “instauração de procedimento administrativo de fiscalização para a análise do preenchimento dos requisitos legais para manutenção do CEBAS”. Com a devida vênia às conclusões do senhor conselheiro relator, procedimento e autuação são institutos distintos. Guardam entre si a relação de processo e produto, a qual não é biunívoca. O procedimento é o processo, por meio do qual podem ser obtidos diversos produtos, como autuações (e não autuações; resultado nulo, pois) de inúmeros tipos. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.723805/201249 Acórdão n.º 1202001.265 S1C2T2 Fl. 11 19 Assim, a ordem judicial, ao requisitar instauração de feito administrativo, não determina, nem condiciona o seu conteúdo, pois são dimensões jurídicas distintas. Ademais, o feito judicial possui objeto distinto do administrativo. Desse modo, como o que já foi ou vier a ser decidido nos autos da Ação Popular nº 500275709.2010.4.04.7201 não tem o condão de alterar o conteúdo da autuação, não há razões para baixar em diligência este processo administrativo com o fito de buscar informações atualizadas relativas ao processo judicial. Renovo, assim, as vênias para votar contra a proposta do conselheiro relator de baixar o processo em diligência. (documento assinado digitalmente) Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.000895/2003-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas integram o cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, a teor da Súmula 494 do STJ.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo presumido as aquisições de pessoas físicas. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire.
Antonio Carlos Atulim- Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas integram o cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, a teor da Súmula 494 do STJ. Recurso Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo presumido as aquisições de pessoas físicas. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Antonio Carlos Atulim- Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas integram o cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, a teor da Súmula 494 do STJ. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo presumido as aquisições de pessoas físicas. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 08 95 /2 00 3- 31 Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra a decisão que indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI solicitado em 22 de janeiro de 2003, fl.4, período de apuração 01/01/2002 a 30/09/2002 decorrente da inclusão de aquisições de pessoas físicas ao cálculo da determinação do percentual, vinculado com declaração de compensação apresentada na mesma data com objetivo de extinguir débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O pleito foi indeferido ao argumento de que as aquisições de pessoas físicas não contemplam à incidência de PIS e COFINS, informação fiscal de fls. 1400/1405, razão pela qual são excluídas do cálculo do percentual, entendimento esse acompanhado pelo Julgador de Piso. Contra esse pensamento subiu o recurso para ser examinado cuja irresignação ressalta o direito de incluir as aquisições de pessoas físicas ao cálculo do crédito presumido de IPI, agora ancorado em Súmula do STJ, cuja aplicação em sede administrativa é impositiva, pugna pelo provimento do Voluntário. Ciente do Acórdão da DRJ em 20 de dezembro de 2013 apresentou o recurso em 27.12.2013. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. O assunto trazido neste voluntário não demanda complexidade, tratase de matéria sumulada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça – STJ, por força da norma do Art. 62A do RICARF impõe aplicação em sede administrativa. O único assunto trazido no recurso é à inclusão das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, aplicase ao caso a Súmula 494 do STJ: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." No que tange ao pedido de correção do ressarcimento pela taxa Selic, entendo não ser cabível em face da eficácia ex tunc desta decisão. Ou seja, o crédito ora reconhecido parte já foi usado na extinção dos débitos e o saldo será também utilizado para pagamento do saldo remanescente dos débitos apresentados para compensação na declaração de fl. 04. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10480.000895/200331 Acórdão n.º 3403003.596 S3C4T3 Fl. 4 3 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de pessoas físicas. O provimento é parcial em razão de não haver nos autos o valor exato do crédito. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13883.000222/2002-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
REVISÃO DE ESCRITA FISCAL. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A certeza e liquidez do crédito pleiteado dependem de apuração e confirmação pela Autoridade Administrativa, verificada inexistência, impõe negar o pedido. No caso concreto o crédito pretendido dependia da decisão em autos de processo administrativo decorrente de Auto de Infração, sede de discussão da origem do crédito, não constatado êxito do contribuinte naquele processado, fica o pleito prejudicado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Henrique Cruzar Delgado, OAB/SP nº 172.700.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 REVISÃO DE ESCRITA FISCAL. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A certeza e liquidez do crédito pleiteado dependem de apuração e confirmação pela Autoridade Administrativa, verificada inexistência, impõe negar o pedido. No caso concreto o crédito pretendido dependia da decisão em autos de processo administrativo decorrente de Auto de Infração, sede de discussão da origem do crédito, não constatado êxito do contribuinte naquele processado, fica o pleito prejudicado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Henrique Cruzar Delgado, OAB/SP nº 172.700. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A certeza e liquidez do crédito pleiteado dependem de apuração e confirmação pela Autoridade Administrativa, verificada inexistência, impõe negar o pedido. No caso concreto o crédito pretendido dependia da decisão em autos de processo administrativo decorrente de Auto de Infração, sede de discussão da origem do crédito, não constatado êxito do contribuinte naquele processado, fica o pleito prejudicado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Henrique Cruzar Delgado, OAB/SP nº 172.700. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 3. 00 02 22 /2 00 2- 56 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de recurso ordinário interposto em face de Acórdão prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, que concluiu por indeferir parcialmente o pedido de ressarcimento pleiteando de crédito de Imposto Sobre Produtos Industrializado, referente ao período de 01.04.2000 a 31.12.2001. Tratase de pedido com fundamento no Decretolei número 491/69 e Lei número 8.402/92, art. 1o, inciso II, decorrente de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados. O pedido de ressarcimento de créditos do IPI encontra à fl.01, protocolado em 08 de agosto de 2002, no valor de R$ 3.200.000,00 (três milhões e duzentos mil reais). O indeferimento parcial do pleito deuse nos termos da ementa abaixo: “EMENTA: IPI COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI. Mantido em primeira instância o auto de Infração que esgotou parte do saldo credor do IPI, e de se manter o indeferimento do ressarcimento pleiteado e a parcial homologação das compensações declaradas, em razão da perda da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo interessado.”. Houve homologação parcial de compensação declarada no processo de número 13820.001164/200273 e deixouse de homologar aquela declarada no processo 13820.001357/200273. Do montante pleiteado a título de ressarcimento foi glosada a importância de R$ 1.037.223,28 (um milhão, trinta e sete mil, duzentos e vinte e três reais e vinte e oito centavos). Consta da decisão que reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Pública no valor de R$ 2.162.776,72 (dois milhões, cento sessenta e dois mil, setecentos setenta seis reais e setenta e dois centavos), que o valor não reconhecido decorre da lavratura do Auto de Infração integrante do processo número 16045.000229/200581, referente à reconstituição da escrita fiscal. Da fundamentação contida no Acórdão 1417.561 da 2a Turma da DRJ/RJO, diz que o auto de infração se refere ao processo 16045.000109/200745, que alterou a escrita fiscal do contribuinte, reduzindo o saldo credor do período em questão com a glosa efetuada da ordem de R$ 1.037.223,28 (um milhão, trinta e sete mil, duzentos e vinte e três reais e vinte e oito centavos). Inconformada interpôs o Recurso Voluntário sustentando a necessidade de aguardar o julgamento do processo número 16045.000109/200745, que permanece pendente Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13883.000222/200256 Acórdão n.º 3403003.611 S3C4T3 Fl. 5 3 de decisão definitiva. Ressalta que o processo número16045. 000.109/200745 foi lavrado especificamente para fins de verificar a legitimidade do saldo credor defendido neste caderno administrativo. Por essa razão entende que há questão prejudicial ao julgamento do pedido de compensação. Em síntese, a controvérsia apresentada neste recurso resumese: alteração no saldo credor e devedor do IPI da empresa decorrente da ação fiscal que resultou no processo administrativo 16045.000109/200745, em razão da discussão referente ao valor mínimo tributável, e, também quanto ao valor da operação. Vislumbrouse quando do julgamento deste feito que o resultado advindo da controvérsia estabelecida nos autos do processo administrativo de número 16045.000109/2007 45, onde se discutia o crédito pleiteado a título de ressarcimento interferiria na decisão que fosse proferida neste caderno, motivo pelo qual transformou o julgamento em diligência para aguardar o desfecho naquele processado. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, impondo o seu conhecimento. O pleito formulado neste caderno passou a depender da decisão que fosse a ser prolatada nos autos de número 16045.000109/200745, em decorrência da natureza dos créditos e outros obstáculos motivadores do auto de infração, que alterou substancialmente a escrita fiscal, reduzindo o saldo credor do IPI. A decisão contida no Acórdão nº 330299.610, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 30 de setembro de 2010, cópia juntada nestes autos restou desfavorável aos interesses da Recorrente, visto que, manteve o crédito tributário, excluindo tãosó a majoração da multa, da qual há recurso especial, decisão que restou transitada em julgado com a negativa de seguimento do Recurso Especial. Assim, prevalece a decisão recorrida, prejudicado o pleito em relação à glosa efetuada. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 17698.000047/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
SIMPLES. CAUSA EXCLUDENTE.
A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no ano-calendário. No caso da pessoa jurídica que ultrapasse o limite da receita bruta no ano-calendário de 2005a exclusão do Simples nessa condição surte efeito a partir do ano-calendário subseqüente, ou seja a partir de 01.01.2006.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2006 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. SIMPLES. CAUSA EXCLUDENTE. A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no ano-calendário. No caso da pessoa jurídica que ultrapasse o limite da receita bruta no ano-calendário de 2005a exclusão do Simples nessa condição surte efeito a partir do ano-calendário subseqüente, ou seja a partir de 01.01.2006. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 00 47 /2 00 9- 11 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 433 2 titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. SIMPLES. CAUSA EXCLUDENTE. A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no anocalendário. No caso da pessoa jurídica que ultrapasse o limite da receita bruta no anocalendário de 2005a exclusão do Simples nessa condição surte efeito a partir do anocalendário subseqüente, ou seja a partir de 01.01.2006. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 434 3 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 242256, com a exigência do crédito tributário no valor de R$59.322,17, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2005. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS / RECEITAS NÃO ESCRITURADAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS/RECEITAS NÃO ESCRITURADAS; [...] Valor apurado conforme Relatório de Verificação Fiscal em anexo. Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei nº 9.430/96.; Art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. [...] Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 257263 com a exigência do crédito tributário no valor de R$59.322,17 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS / RECEITAS NÃO ESCRITURADAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS/RECEITAS NÃO ESCRITURADAS; [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98. [...] Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 435 4 III – O Auto de Infração às fls. 264270 com a exigência do crédito tributário no valor de R$97.922,38 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS / RECEITAS NÃO ESCRITURADAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS/RECEITAS NÃO ESCRITURADAS; [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 271277 com a exigência do crédito tributário no valor de R$195.844,83 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS / RECEITAS NÃO ESCRITURADAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS/RECEITAS NÃO ESCRITURADAS; [...] Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei n º9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 278284 com a exigência do crédito tributário no valor de R$390.432,82 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS / RECEITAS NÃO ESCRITURADAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS/RECEITAS NÃO ESCRITURADAS; [...] Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Exclusão do Simples A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/Pelotas/RS n° 19, de 13.08.2009, fl. 344, com efeitos a partir de 01.01.2006: O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM PELOTAS, no uso das atribuições conferidas pelo artigo 280. inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 436 5 março de 2009, publicada no DOU de 06/03/2009, combinado com o art. 15, parágrafo 3°, da Lei 9.317, de 05/12/96 (acrescentado pelo art. 3o da Lei 9.732, de 11/12/98), DECLARA: Art. 1º Fica excluída da sistemática de pagamento de impostos e contribuições federais denominada SIMPLES, a partir de 01/01/2006, a pessoa jurídica S M FELIPPE, CNPJ n° 00.138.612/000145, com estabelecimento matriz localizado à rua Onze n° 196, Barra Quarta Seção Barra, no Município de Rio Grande (RS), por ter ultrapassado os limites de receita bruta no anocalendário de 2005, de acordo com o disposto nos artigos 9º, inciso II, 12. 14, inciso I, e 15, inciso IV, da Lei 9.317/96, bem como nos artigos 20, inciso 11, 21, 23, inciso 1, e 24, inciso IV, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003, conforme apurado no Processo Administrativo n° 17698.000047/200911. Art. 2º Os eleitos da exclusão obedecem ao disposto no art. 15 da Lei n° 9.317/96, sujeitandose a pessoa jurídica excluída, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, em conformidade com o previsto no art. 16 da citada Lei. Art. 3º E facultado à pessoa jurídica, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste Ato, manifestar sua inconformidade quanto à exclusão de ofício ao Delegado da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72, e, não havendo manifestação nesse prazo, a exclusão tornarseá definitiva. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação em relação aos Autos de Infração, fls. 289320, com as alegações abaixo transcritas. Valores que não são da impugnante e transitaram em sua conta bancária estão sendo considerados como sua renda. Este é um ponto relevante da autuação. Assim, é importantíssimo entender, pelo menos um pouco, da sua atividade, o que sinteticamente é feito nesta introdução. Sidnei Martins Felippe é uma pessoa humilde, possui apenas instrução primária e desenvolve sua atividade pesqueira de forma simples, até simplória, como microempresário que é. Seus produtos são negociados na base do conhecimento recíproco com os clientes, que se relacionam alicerçados na credibilidade existente entre as partes. A pesca não é uma atividade científica, com certezas ou previsões exatas. Depende de múltiplos fatores que influem nos seus resultados. Assim, é muito comum que clientes tradicionais da impugnante necessitem de determinada quantidade de pescado, adiantem os recursos e ela não os obtém. Nestes casos ela não deixa de atender a necessidade do cliente, e vai buscar junto a outros pescadores o suprimento que poderá atender a demanda do cliente. A conta bancária recebe valores que não serão destinados integralmente para comprar produtos do impugnante. Muitas vezes recebe na sua conta bancária depósitos de clientes para efetuar o pagamento para terceiros, ou seja, estes fornecedores eventuais. A relação de confiança e tradição com seus clientes faz com que em variadas ocasiões a impugnante se transforme numa espécie de comprador ad hoc, uma espécie de longa manus do cliente para obter a mercadoria que está necessitando e a impugnante não possui no momento. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 437 6 Vale destacar que não se trata de intermediação comercial remunerada, mas simplesmente prestar favor ao cliente tradicional, para manter sólida a relação mercantil existente. Não é exagero dizer que existe amizade entre o cliente antigo e o impugnante e, prestar eventualmente este serviço não remunerado faz parte da natureza desta relação. Do mesmo modo, a troca de cheques para garantir operações de crédito é um mecanismo simples e usual entre "empresários" deste porte. Faltalhes capital para desenvolver o negócio e obtêm recursos no banco, mediante entrega de cheques pré datados, que na sua linguagem chamam de "custódia". Obviamente que não são cheques para pagamento, mas meras garantias. A conta corrente bancária do impugnante é o meio fácil de fazer transitar valores, da qual parcela expressiva não é sua. É o seu modo de trabalhar, típico de uma pessoa simples. Diante da singeleza da sua estrutura organizacional, tornase quase impossível querer recuperar dados e informações sobre créditos que passaram por sua conta há três ou quatro anos atrás. A quantidade de cheques devolvidos, como se vê nas planilhas do processo, confirmam o tipo de relação marcada pela precariedade e a dificuldade em identificar a origem de cada um. Tratase de uma de uma tarefa de dificílima execução. Não se pode entender a impugnante dentro dos mesmos critérios de uma empresa de porte médio. Nesse sentido, é altamente elucidadora a anexa declaração do Prefeito Municipal, profundo conhecedor deste gênero de atividade. [...] Usar os depósitos bancários como critério geral de renda, excetuandose apenas aqueles em que houver prova em contrário, é um modo que poderá redundar em grave injustiça, pois o patrimônio pessoal do impugnante é prova eloqüente de que a renda apontada na autuação, nem de longe, é compatível com seu modesto padrão de vida. É pessoa simples, sua empresa é simples e grande parte dos depósitos na sua conta não são seus, nem constituem sua renda. A AÇÃO FISCAL Em 12 de junho de 2008, por meio da Intimação n° 009/2008, datada de 10/06/2008, amparada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 10102002008 00148, a Requerente tomou ciência da instauração de Ação Fiscal destinada a investigar as operações que realiza em suas contas bancárias, abrangendo todos os depósitos realizados nas mesmas. É fundamental ter presente, desde já, que a S. M. FELIPPE é uma microempresa individual, cujo único sócio é SIDNEI MARTINS FELIPPE, pescador que desenvolve atividade de produtor rural. A constituição desta pessoa jurídica se deu, basicamente, para a obtenção de benefícios junto a instituições financeiras como, por exemplo, a obtenção de juros e taxas reduzidas e maiores limites de crédito. Neste contexto, durante todo o procedimento fiscal, a contribuinte sempre destacou que os valores movimentados em suas contas bancárias eram oriundos da atividade de produtor rural desenvolvida pela pessoa física. Ou seja, evidentemente, os valores movimentados nestas contas não eram receitas da titularidade da pessoa Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 438 7 jurídica, mas meros recebimentos de valores de clientes, cuja tributação se dava pela pessoa física, nos moldes dos arts. 58 a 71 do RIR/99. VALORES QUE NÃO SÃO RENDA Além dos valores tributados pela pessoa física, diversos outros depósitos realizados nas contas bancárias da Impugnante não são renda da sua atividade e, portanto, jamais poderiam ser inseridos na base de cálculo do IRPJ e CSLL, como promovido pelo Agente Fiscal. Vale referir, neste contexto, a título de ilustração: grande parte dos valores movimentados nas contas bancárias tem origem em operações de "custódia" realizadas pela Impugnante junto a seus clientes. Isto é, por desenvolver uma atividade eminentemente artesanal, muitas vezes não dispõe do "capital de giro" necessário para a captura e comercialização dos pescados. Sendo assim, adota uma prática extremamente comum no seu meio comercial, que é o desconto de cheques junto a instituições financeiras. Em resumo, quando não dispõe de capital de giro, a Impugnante "troca" cheques prédatados junto a clientes, para que sejam descontados, em custódia, junto aos bancos, que recebem estes cheques e cobram as respectivas taxas de juros. Como a relação existente entre a Impugnante e seus clientes é fundada na confiança, em variadas ocasiões, presta serviço não remunerado para atender as necessidades dos mesmos. É comum que um cliente habitual peça para a Impugnante adquirir, junto aos pescadores da região, alguma espécie de pescado que não disponha no momento. Nestes casos, o dinheiro é depositado em suas contas e a Requerente apenas promove o pagamento em nome do cliente. Outra situação irrazoável que ocorre diz respeito à venda de patrimônio pessoal da contribuinte, em 2004, o Requerente alienou uma embarcação de sua propriedade, cujo pagamento transcorreu até 2005. Ora, barco não é pescado! Contudo, estes valores foram tributados pelo Agente Fiscal como se fosse "renda" do contribuinte, o que demonstra a manifesta írrazoabilidade do procedimento fiscal. Estes valores movimentados pela contribuinte por óbvio NÃO SÃO RECEITAS da sua atividade; todavia, o Agente Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração ora impugnado considerouos equivocadamente como "renda" e fez incidir os tributos ora exigidos (IRPJ, PIS, COFINS e INSS). Estes exemplos são suficientes para demonstrar a nulidade do procedimento implementado para a lavratura do Auto de Infração. OS VALORES DEPOSITADOS NAS CONTAS BANCÁRIAS A diferença entre: movimentação financeira x renda O procedimento fiscal em questão é nulo de pleno direito, na medida em que incide em manifesto equívoco, ao confundir "movimentação bancária" com "renda", para fins de tributação.O equívoco é maiúsculo e tornase gritante ao se verificar que a Autoridade Fiscal simplesmente somou todos os depósitos bancários havidos nas contas correntes do contribuinte, ao longo de todo o exercício fiscal, e classificouos como "renda", para fins de incidência tributária. Ora, chega a ser evidente que, nem tudo que transita pela conta bancária de uma microemrpesa constituí RENDA passível de tributação pelo IRPJ/CSLL. A simples movimentação bancária, como identificada pela Autoridade Fiscal, constituía, à época dos fatos, a hipótese de incidência da CPMF, cujo fato gerador Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 439 8 era justamente a movimentação financeira, independente de qualquer outro requisito. Ou seja, tratase de tributo distinto e inconfundível. O IRPJ e a CSLL desconsideram aqueles valores que não se enquadram no conceito jurídico de "receita", isto é, o efetivo ingresso da quantia no universo patrimonial do contribuinte. No caso concreto, entretanto, a fiscalização trata o IRPJ/CSLL como se CPMF fosse, para concluir que tudo o quanto entrou na conta bancária do contribuinte deve ser considerado como base de cálculo para fins de sua apuração. Em suma, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal em considerar os depósitos bancários realizados nas contas correntes do contribuinte, como se "renda" fossem revelase, além de arbitrário, absolutamente irrazoável, na medida em que confunde "movimentação financeira" (fato gerador da extinta CPMF), com "renda auferida" (fato gerador do IRPJ/CSLL). [...]O procedimento em questão importa em aberta ofensa à Constituição Federal, no diz respeito à definição de materialidades distintas para cada um destes tributos, tendo em vista que considera "movimentação financeira" como "renda" do contribuinte, fazendo incidir, sobre todo o montante movimentado, o IRPJ e a CSLL, além de PIS, COFINS e INSS. VALORES DE TERCEIROS O parágrafo 5° do art. 42 da Lei 9430/96 É extremamente comum na atividade desenvolvida pela Requerente, que transitem por sua conta bancária valores que não são seus e que recebe na condição de mero depositário,sem que jamais cheguem a ingressar em seu universo patrimonial e, multo menos, a ter disponibilidade econômica sobre os mesmos. Conforme já referido, é comum que um cliente habitual peça para a Impugnante adquirir, junto aos pescadores da região, alguma espécie de pescado que não disponha no momento. Assim, o dinheiro é depositado em suas contas correntes e ela apenas promove o pagamento em nome do cliente. Neste sentido, o art. 42 da Lei 9430/96 é absolutamente taxativo em excluir da base de cálculo do Imposto de Renda os valores de terceiro que possam ter transitado pelas contas bancárias do contribuinte, tal como ocorre, no caso em tela, com adiantamentos de valores para pagamentos de despesas não relacionadas com a atividade desenvolvida pela ora Impugnante, [...] Ou seja, depósitos que foram realizados por clientes do Requerente, para que este, eventualmente viesse a promover o pagamento de alguma despesa não podem ser classificados como "renda" para fins de apuração do IRPF, sob pena de ofensa ao art. 42 da Lei 9430/96. O caso em tela exige, necessariamente, a realização de perícia técnica, desde já requerida, a fim de apurar quais os valores depositados nas contas do contribuinte constituem "renda", excluindose todos os demais da base de cálculo do IRPF, conforme autoriza o art. 16, IV do Decreto n° 70.235, [...]. O CONCEITO DE RENDA Conforme demonstrado, o Agente Fiscal fez incidir o imposto de renda sobre valores que jamais vieram a integrar o universo patrimonial da contribuinte, mas que foram simplesmente movimentados em suas contas correntes. É fundamental, portanto, ter claro o conceito de renda, para fins de incidência tributária, o que deve ser alcançado tendo como ponto de partida o art. 153 da Constituição, [...] Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 440 9 O conceito de renda tem sido recepcionado por todas as nossas Constituições, desde 1934. Trazido da ciência econômica, foi absorvido pelos ramos do direito, e quer expressar incremento ao patrimônio das pessoas, acréscimo financeiro, ingresso de numerários novos, o que em nada se confunde com o patrimônio já existente, muito menos com renda de terceiros. O conceito legal de renda e proventos de qualquer natureza é retirado do já referido art. 43,1 e II do Código Tributário Nacional, [...] Sendo assim, inadmissível a consideração de que todos os valores que transitaram nas contas particulares da contribuinte sejam "renda" para fins de incidência tributária. O procedimento adotado pela Autoridade Fiscal é claramente ilegal e ofensivo ao disposto pela legislação tributária vigente, na interpretação que lhe é oferecida pelas Cortes Superiores. CONSELHO DE CONTRIBUINTES: DEPÓSITOS BANCÁRIOS, POR SI SÓ, NÃO CONSTITUEM O FATO GERADOR A questão tratada na presente Impugnação também não é nenhuma novidade para o e. Conselho de Contribuintes. [...]Ou seja, é absolutamente sedimentado, junto aos tribunais administrativos, o entendimento de que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do IRPF, podendo refletir, quando muito, mero indício de auferimento de renda. Nestes casos, rigorosamente idênticos ao ora examinado, a fiscalização deve necessariamente aprofundar a investigação acerca dos valores depositados nas contascorrentes, para que possa, somente assim, ter por caracterizar o fato gerador do IRPJ/CSLL. ORIENTAÇÃO DOS TRIBUNAIS Na esfera judicial, igualmente, desde a Súmula n° 182 do extinto TRIBUNAL FEDERAL DE RECURSOS, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. [...]Em suma, não se pode confundir os valores que transitaram nas contas particulares do contribuinte, com o acréscimo patrimonial que enseja a incidência do IRPJ/CSLL. O procedimento fiscal ora examinado que simplesmente presumiu que todos os valores depositados nas contas correntes da contribuinte sejam "renda" para fins de tributação é abertamente ilegal, tendo em vista o entendimento pacífico dos tribunais administrativos e judiciais, no sentido de que a identificação da movimentação bancária nada mais é do que mero indício do auferimento de renda, jamais podendo ser tido por suficiente para a incidência do IR. CONCLUSÃO PARCIAL O procedimento fiscal que culminou com a lavratura do Auto de Infração é claramente ilegal, na medida em que considerou como "renda" toda a movimentação financeira havida nas contas bancárias do contribuinte, ao longo do exercício fiscal. Ou seja, o Agente confundiu o fato gerador da extinta CMPF (movimentação financeira), com o fato gerador do IR (auferimento de renda). Ademais, a simples constatação dos depósitos realizados em contas correntes constituí mero indício de capacidade contributiva, não autorizando, por si só, o lançamento do IR, como promovido o caso em apreço, consoante a orientação pacífica dos tribunais judiciais e administrativos brasileiros. Em sendo ilegal o procedimento adotado pela fiscalização para a apuração do tributo supostamente devido, é nulo o Auto de Infração dele decorrente. AS PRESUNÇÕES LEGAIS E O ART. 42 DA LEI 9430/96 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 441 10 O Agente Fiscal lavrou o Auto de Infração ora impugnado, adotando a "presunção" de que todos os valores depositados nas contas bancárias do contribuinte seriam "renda" por ele auferida no respectivo anocalendário. Este procedimento, conforme se extraí do próprio Auto e do Relatório Fiscal, estaria amparado no disposto pelo art. 42 da Lei 9430/96. Cumpre analisar, portanto, a forma como se deu a aplicação deste dispositivo legal, qual seja, através da "presunção" de que todos os valores movimentados caracterizarseiam como renda do contribuinte. Não é de hoje que a Administração tenta facilitar sua atividade fiscalízatória, mediante a utilização de presunções legais. Foram várias as tentativas de tributar a soma de depósitos bancários, como se renda fosse, até que o extinto Tribunal Federal de Recursos veio a editar a sua Súmula n° 182, estabelecendo que "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado apenas em extratos bancários" [...] Uma vez reconhecida a ilegalidade da presunção "iuris et de lure", de que toda movimentação financeira seria renda do contribuinte, os interesses fazendários tornaram a tentar simplificar a ação fazendária, mediante a criação de uma nova presunção, esta "júris tantum". Para tanto, veio ao mundo o art. 42 da Lei 9430/96, que substituiu a presunção rechaçada pelo antigo TFR, transferindo ao contribuinte o ônus de provar que os depósitos identificados em suas contas bancárias não são rendimentos tributáveis. Ou seja, a partir da nova sistemática, ou o contribuinte prova que os depósitos havidos em suas contas não são renda, ou presumese que sejam e, assim, incide o IRPJ/CSLL. A PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI 9430/96 APÓS A LC 105/2001 Dentro deste contexto, delineado a partir da norma do art. 42 da Lei 9430/96, é fundamental ter presente a edição da Lei Complementar n° 105/2001, que autoriza a quebra do sigilo bancário do contribuinte em sede administrativa. Ou seja, com a LC 105/01, passou a ser franqueado ao Fisco o mais amplo acesso a todas as movimentações financeiras dos contribuintes, de modo que, para a fiscalização fazendária, tudo passou a ser devassável. A questão a ser enfrentada, portanto, é saber se o Fisco, após a vigência da Lei Complementar n° 105/01 e fazendo uso dela, pode ainda se valer da presunção relativa do artigo 42 da Lei 9430/96, que considera o depósito bancário, por si só, como omissão de rendimento ou receita, até que o contribuinte prove o contrário. Conforme o § 4o do artigo 5o da LC 105/01, a Autoridade Fiscal poderá promover a quebra o sigilo bancário do contribuinte, em virtude de vislumbrar a existência de "indícios de omissão de receitas, movimentação financeira expressiva, e não apresentação dos extratos bancários solicitados". Por outro lado, o citado § 4o do artigo 5o da LC 105/01 determina que "a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar", para "realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos". Ou seja, a LC 105/01 estabelece que havendo indícios de omissão de rendimentos o Fisco pode quebrar administrativamente o sigilo bancário do contribuinte e, se assim o faz, deve requisitar todas as informações que julgar conveniente "para a adequada apuração dos fatos". Fl. 441DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 442 11 Ora, se o Fisco pode e deve requisitar todos os documentos que julgar necessários à adequada apuração dos fatos, como determina a LC 105/01, impõe seque a tributação seja real e efetiva, acerca da omissão de rendimentos ou receitas, as^quais devem ser identificadas e comprovadas pelo Fisco, não se podendo aceitar que venha a tributar os depósitos bancários com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96, transferindo ao contribuinte o ônus probatório que lhe incumbe! PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Ademais, observandose os princípios da legalidade cerrada em matéria fiscal, da capacidade contributiva e da isonomia tributária, previstos na Constituição, é forçoso concluir que sempre deve prevalecer a apuração real da base de cálculo dos tributos em detrimento de apuração presumida, como adotada pelo Agente Fiscal no caso em tela. [...] Ou seja, o uso das presunções em matéria fiscal sofre as limitações impostas pelos princípios constitucionais enunciados, além de não impedir a modificação da matriz constitucional de incidência tributária. No presente caso, portanto, não poderia o Agente Fiscal, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96, transformar "movimentação bancária" em "renda" que tem definição em lei complementar material (CTN, art. 43), segundo o qual, "renda" é sempre um plus, quer por representar a disponibilidade de um produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, quer por representar um acréscimo de patrimônio em determinado período de tempo. [...] Desta forma, o depósito bancário é um mero indício de aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza e, como tal, jamais poderia ser considerado pelo Agente Fiscal como "renda", no conceito constitucional consoante delineado pelo CTN. Sendo assim, não há como se tolerar o arbitrário procedimento empregado para a lavratura do Auto de Infração ora impugnado. CONCLUSÃO PARCIAL Como demonstrado, é absolutamente inadmissível que o Agente Fiscal tenha promovido a lavratura do Auto de Infração ora impugnado, tendo por base uma suposta presunção, segundo a qual todos os valores depositados nas contas bancárias da contribuinte deveriam ser tidos por "renda", para fins de tributação. Afinal, desde a publicação da LC 105/01, a Autoridade Fiscal dispõe de meios necessários para acessar e investigar todos os documentos bancários e fiscais do contribuinte e, com isso, promover a "adequada apuração dos fatos" (art. 5o, §4°). Ademais, a presunção adotada para a lavratura do Auto de Infração viola os princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade cerrada, além de modificar a definição legal de "renda", tal qual delineada pelo CTN, art. 43. Também por este motivo, é nulo o Auto de Infração. NECESSIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA ART. 6o DA LEI 8021/90 Outro aspecto que merece destaque é que, mesmo diante presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os tribunais pátrios jamais deixaram de exigir que, além da identificação das movimentações bancárias, o Fisco demonstre, junto ao contribuinte, os "sinais exteriores de riqueza" aptos a revelar sua capacidade contributiva, para que, somente assim, possa validamente tributar tais valores. [...]No caso em tela, portanto, a Autoridade Fiscal jamais poderia ter simplesmente considerado como "renda" todos os depósitos havidos nas contas bancárias da Fl. 442DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 443 12 Impugnante e, assim, arbitrariamente, impor uma estratosférica exação fiscal, muitas vezes superior a todo o universo patrimonial da contribuinte. Cumpria à Autoridade Fiscal observar o art. 6o da Lei 8021/90: [...]ou seja, para que fosse minimamente válido o procedimento adotado pelo agente fiscal, este deveria ter promovido a notificação da contribuinte para, somente após, instaurar o "devido procedimento fiscal de arbitramento" (§3°), onde seriam examinados os seus sinais exteriores de riqueza e, adotando a modalidade que mais o favorecesse (§6°), fossem apurados eventuais valores nãorecolhidos. Ou seja, o devido procedimento fiscal foi olimpicamente suprimido pelo agente fiscal, o que toma imprestável, porque nulo, todo o procedimento que redundou na lavratura do auto de infração ora impugnado e, conseqüentemente, inválida a exigência fiscal. AUSÊNCIA DE PATRIMÔNIO COMPATÍVEL COM A EXAÇÃO: VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA No exame do caso concreto, a ilegalidade da exação imposta ao contribuinte tornase absolutamente clara, na medida em que a imposição fiscal, relativa a apenas um exercício fiscal (2005), corresponde quase quatro vezes o patrimônio do contribuinte (!!!), conforme se pode verificar pelos documentos de que dispunha o agente fiscal. caso o agente fiscal tivesse observado o devido procedimento fiscal de arbitramento, teria constatado, que a microempresa autuada é uma firma individual que tem como titular é um humilde pescador, cujo patrimônio é quase quatro vezes menor do que o valor que está sendo exigido pelo auto de infração ora impugnado, conforme comprovado à fls. 220. Ou seja, o Impugnante não apresenta qualquer sinal de riqueza compatível com a exigência fiscal que está a lhe ser imposta, no vultoso valor de R$802.844,37! Ou seja, o Auto de Infração ora impugnado pretende impor ao contribuinte com base em uma presunção legal uma cobrança quase quatro vezes superior ao valor de todo o seu patrimônio, o que, por si só, viola frontalmente o princípio da capacidade contributiva!!! Resta claro, portanto, que o patrimônio do Impugnante é absolutamente compatível com a renda por ele declarada nos exercícios fiscais em questão, tornando ainda mais evidente a ilegalidade do procedimento que redundou na lavratura do Auto de Infração. CONCLUSÃO PARCIAL O Auto de Infração ora impugnado foi lavrado após procedimento fiscal claramente nulo, na medida em que foi ignorada a regra do art. 6o da Lei 8021/90 e, assim, suprimido o devido procedimento fiscal de arbitramento. Com isso, o Agente Fiscal se valeu apenas da presunção de que todos os valores depositados nas contas bancárias do contribuinte seriam "renda", para lhe impor uma exação fiscal que supera, em quase quatro vezes, o valor de todo o seu patrimônio, em frontal violação ao princípio da capacidade contributiva. EXCESSO DE PRAZO: MAIS DE TRÊS MESES DE FISCALIZAÇÃO ILEGAL Fl. 443DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 444 13 Outra questão que revela a absoluta nulidade do procedimento fiscal que redundou na lavratura do Auto de Infração ora impugnado é a violação legal cometida pelo Agente Fiscal ao extrapolar o prazo inerente ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de que dispunha para investigar as operações realizadas pela contribuinte em questão. Conforme se extraí à fls. 20, o MPF 1010200200800148 autorizou a instauração de procedimento de fiscalização sobre a ora Impugnante, a partir de 10 de junho de 2008.0 art. 12 do Decreto n° 3969/2001, que disciplina a "execução de procedimentos fiscais", é enfático ao estabelecer o PRAZO MÁXIMO DE VALIDADE dos mandados de procedimento fiscal (MPF): [...] Ou seja, o Agente Fiscal estava autorizado a promover a fiscalização da Impugnante a partir de 10 de junho de 2008, pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias. Por decorrência, a teor do art. 12 do Decreto 3969/2001, em 8 de outubro de 2008 esgotou o prazo para o exercício da ação fiscalizatória. Ainda assim, a Autoridade Fiscal deu seguimento ao procedimento, emitindo mais duas intimações (Intimação 026/2008 de 15/09/2008 e Intimação 031/2008 de 07/11/2008), conforme se extrai às fls. 167 e 177 dos autos, e encerrando o procedimento, com a lavratura do Auto de Infração, apenas em 29/01/2009 (fls. 254). Foram mais de três meses de fiscalização ilegal!!! A NATUREZA JURÍDICA DO MPF O Mandado de Procedimento Fiscal é o ato administrativo que permite aos agentes fiscais a instauração do procedimento fiscal. Tal natureza é afirmada pela Portaria da SRF n°4.066, em seu artigo 2o [...]. Quando a norma afirma que os procedimentos fiscais "serão instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal", imprime ao Administrador um poder dever. O mesmo o faz quando impõe que "para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal". Segundo o princípio da vinculação dos atos administrativos, a autoridade competente, quando frente à imposição legal que lhe atribui um fazer, deve agir atendose aos limites impostos pela norma. [...] A atuação vinculada da Administração Pública é inerente ao sobreprincípio da estrita legalidade, que está presente em nível constitucional, como um limitador ao poder de agir da Administração Pública, porque, por meio dele, assegurase aos administrados o conhecimento de todas as condutas legalmente realizáveis pelos administradores públicos, [...] Ou seja, a eficácia da atividade fiscalizatória depende obrigatoriamente da fiel observância da lei. No caso concreto, entretanto, o Mandado de Procedimento Fiscal teve sua validade esgotada a 8 de outubro de 2008 e, ao arrepio da lei, o Agente Fiscal deu continuidade à fiscalização por outros três meses, até que fosse lavrado o Auto de Infração. [...] CONCLUSÃO PARCIAL Como demonstrado, o Agente Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração impugnado promoveu mais de três meses de fiscalização ilegal. Desta forma, é nulo e ineficaz o procedimento fiscal e, por decorrência, é nulo e ineficaz o Auto ora impugnado, por frontal violação ao art. 12 do Decreto 3969/2001, ao art. 2o da Portaria n° 4066 da SRF e, por fim, ao art. 37 da Constituição. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 445 14 QUANTO AOS ACRÉSCIMOS SOBRE O PRINCIPAL JUROS E MULTA Uma vez demonstrada a evidente nulidade dos lançamentos promovidos pela Autoridade Fiscal, bem como a decorrente nulidade do Auto de Infração ora impugnado, não há que se falar em juros ou multa. Ainda assim, ad cautelam, o Impugnante passa a demonstrar a ilegalidade destes acréscimos promovidos pela Autoridade Fiscal, como forma de reforçar, ainda mais, a nulidade que fulmina todo o procedimento fiscal. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Conforme se extrai do Auto de Infração, o Agente Fiscal fez incidir sobre o montante principal do tributo que entende devido, juros de mora calculados de acordo com a Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. F!s_ Com relação à aplicação da taxa SELIC aos créditos tributários, ha que se referir a existência de diversos julgados no SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, que vem reiteradamente declarando a inconstitucionalidade e a ilegalidade deste encargo. Com efeito, a ausência de disciplina legal da forma de cálculo da SELIC no seu diploma instituidor fere de morte o princípio da legalidade, eis que não há qualquer sentido em permitir que justamente o "coração" desta taxa seja relegado a um Decreto do Executivo, despido de qualquer controle pelos representantes do povo no Legislativo. A correção monetária nada mais é do que um quantum, um valor que se torna devido em razão da perda do poder aquisitivo da moeda. Aplicada ao débito, ao longo de todo o período alcançado pelo lançamento, ela provoca diferenças significativas no montante exigido. Antes do plano Real, aumentava em centenas de vezes o valor do débito; hoje, mesmo com a "estabilização" da moeda, a correção monetária ainda provoca aumentos significativos que, ao longo de um período de cinco anos, chega a quase 100% do valor do débito. Se é certo que um tributo não pode ser exigido ou aumentado sem lei (art. 150,1, CF), a correção monetária, que acresce valor ao débito originário, necessita igualmente de previsão legal. Parece, assim, no mínimo um contrasenso que justamente o modo de cálculo deste valor seja feito sem a anuência do Parlamento, por critérios eleitos ao bel prazer do Executivo (leiase, a parte interessada na arrecadação). Igualmente, é sabido que o próprio CTN limita a aplicação de juros em 1%, índice bem inferior ao da SELIC (art. 161, § 1º). Assim, ainda que admitíssemos a existência de leis ordinárias criando a Taxa SELIC para fins tributários, não se pode conceber que uma lei ordinária introduza taxa superior àquela estabelecida por lei complementar. Finalmente, é de se destacar que a Taxa SELIC possui natureza remuneratória de títulos. Títulos e tributos, porém, possuem conceitos distintos, sendo impossível equiparar os contribuintes aos investidores, uma vez que estes praticam ato de vontade e aqueles são submetidos coativamente a ato de império. O tributo é algo imposto. Deve ser sempre, o menor possível, por um princípio republicano, segundo o qual ninguém está obrigado a contribuir senão com aquele mínimo necessário ao bom funcionamento dos serviços públicos. Uma Fl. 445DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 446 15 aplicação financeira, em sentido diametralmente oposto, é uma decisão de quem investe, voltada justamente para a busca da MAIOR remuneração. A SELIC foi criada como forma de cálculo da remuneração de investidores, atendose a critérios e fórmulas que dizem única e exclusivamente com esta realidade. Admitirse, em conseqüência, que um tributo pudesse ser corrigido como se fosse uma aplicação financeira, seria ferir de morte os postulados do Direito Tributário, para permitir que uma exação convertase em método de enriquecimento para o Poder Público. [...] A utilização da SELIC, portanto, encontra óbices constitucionais e legais que impedem a sua manutenção, de modo que ainda que se entenda pela legalidade da cobrança materializada no Auto de Infração ora impugnado, o que se admite apenas ad argumentandum necessariamente deverá ser expurgada a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC. MULTA CONFISCATÓRIA Além de tudo o quanto foi dito, importante atentar que o Auto de Infração perfaz o montante de R$802.844,37 (oitocentos e dois mil oitocentos e quarenta e quatro reais e trinta e sete centavos), já somados e computados os consectários praticados pelo Erário Público. Notase que no Relatório da Ação Fiscal foi imposta a penalidade de multa de 75% do valor do imposto. Referida multa não é devida, mas ainda que fosse, em face de sua exorbitância, não poderia ser exigida nestes termos, tendo em vista seu caráter confiscatório. Primeiramente, importante ressaltar que o Agente Fiscal aplicou tão elevada multa sobre os valores supostamente devidos de tributo por entender que houve "a falta de declaração dos valores creditados/depositados em suas contas". O Impugnante, em momento algum, agiu de forma fraudulenta. Ao contrário, agiu, por diversas vezes, com ingenuidade, informalidade e boafé, não podendo, de forma alguma, ser caracterizado como praticante de ação fraudulenta. Destaquese, neste sentido, que a contribuinte sempre atendeu a todas as intimações do Agente Fiscal, apresentando espontaneamente a integralidade de suas movimentações e extratos bancários. Por tais motivos, requer, em caso de manutenção do presente Auto de Infração, o que se admite apenas para argumentar, que a multa seja reduzida para o seu mínimo legal, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso se entenda pela manutenção da multa, no elevado patamar de 75 Impugnante contesta a tal aplicação, sobre o valor supostamente devido, a título de multa, por seu caráter confiscatório, uma vez que atenta contra o direito de propriedade garantido no art. 5º, XXII da Constituição Federal. Ademais, seguindo na mesma linha, o art. 150, IV da Constituição Federal, veda, expressamente, a utilização do tributo com o efeito confiscatório, [...]. Utilizandose deste ensinamento, podese concluir que a razoabilidade não foi respeitada na multa imposta no presente Auto de Infração, uma vez que foi utilizado o percentual de 75% sobre o valor do imposto a ser supostamente pago, caracterizando seu cunho confiscatório. [...]Sabese que a finalidade da multa é punir o contribuinte, a fim de inibir a reincidência da infração supostamente cometida, mas isso não significa dizer que a multa a ser cobrada terá valor maior do que o do imposto a ser pago. [...] Fl. 446DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 447 16 Assim, nesta mesma linha de raciocínio, a multa de 75% estipulada no inciso pelo art. 44 da Lei n° 9.430/96 é inconstitucional, por seu caráter confiscatório. E lei inconstitucional (no caso, a que prevê a multa confiscatória), não é lei, não sendo passível de gerar quaisquer efeitos, pois a ninguém obriga. O STF segue rigorosamente o mesmo entendimento que se pacificou na Suprema Corte americana, entendendo que a lei inconstitucional não tem carga eficacial, de modo que uma vez reconhecida a sua inconstitucionalidade, a decisão tem efeitos retroativos à data da publicação da lei, restaurando a situação desde o inicio, o que implica dizer que, para o STF, a "norma" viciada sequer chega a adentrar o sistema, é como se nunca tivesse existido. [...] Como decorrência lógica, a multa confiscatória é inconstitucional, indevida e incapaz de obrigar o contribuinte. O auto é nulo neste ponto, devendo ser reconstituído, caso se deseje cobrar algum valor a título de multa da ora Impugnante. O que se verifica, pois, é que, a pretexto de punir, abusase do poder de impor penalidades, eivando de inconstitucionalidade por violar o disposto no art. 5o, XXII combinado com o art. 150, IV da Constituição Federal, tomado por analogia. Nem poderia ser diferente, porquanto o caráter confiscatório da multa desconfigura sua própria natureza e função. O que era para servir como instrumento sancionador e inibidor do Estado, transformase em inequívoca fonte de arrecadação, configurandose como verdadeiros tributos ilegais e inconstitucionais, disfarçados sob a roupagem de penalidade pecuniária. Assim, resta evidente a configuração do confisco e o desrespeito à capacidade contributiva do Impugnante, razão pela qual deve ser reconhecida a inconstitucionalidade da multa de 75% aplicada sobre o valor do tributo supostamente devido pela contribuinte. CONCLUSÃO PARCIAL Não fossem todas as ilegalidades que contaminam a Ação Fiscal e o Auto de Infração dela decorrente, ainda que viesse a ser aceita a existência de tributos não recolhidos pela contribuinte, relativos ao exercício fiscal investigado, tanto os juros moratórios, exigidos com base na taxa SELIC, cuja inaplicabilidade aos créditos tributários é reconhecida pelo STJ, como a multa de 75% aplicada sobre o alegado montante principal, cujo caráter confiscatório salta aos olhos, devem ser irremediavelmente expurgados do Auto de Infração, porque manifestamente ilegais. QUESITOS E ASSISTENTE TÉCNICO Diante de todos os argumentos expostos na presente Impugnação, caso se entenda necessária a realização de perícia nos extratos bancários das contas de titularidade da Impugnante, em cumprimento ao art. 16, IV do Decreto n° 70.235, na redação que lhe foi dada pela Lei 8.748/93 são apresentados os seguintes quesitos: [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: CONCLUSÕES FINAIS Fl. 447DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 448 17 Por tudo o que foi exposto, resta claro que: a) é nulo o Auto de Infração impugnado porque considerou como "renda" todos os valores movimentados nas contas bancárias da contribuinte, tributando indistintamente todas estas quantias, em violação ao art. 153, III, §2° da Constituição e art. 43, I e II do CTN, além da orientação jurisprudencial absolutamente consolidada pelos tribunais administrativos e judiciais brasileiros; b) é nulo o Auto de Infração impugnado porque, mesmo dispondo dos meios necessários à "adequada apuração dos fatos" (art. 5º, §4° da LC 105/01), inclusive a quebra do sigilo bancário do contribuinte, o Agente Fiscal não promoveu a identificação de quais os valores depositados nas contas bancárias do Impugnante estavam sujeitos à incidência do IRPJ/CSLL, tributando integralmente todas as quantias movimentadas; c) é nulo o Auto de Infração impugnado porque não observada a norma do art. 6º da Lei nº 8021/90, segundo a qual, para a apuração de valores eventualmente não recolhidos pelo contribuinte, deveria ter promovido a sua notificação e instaurado o "devido procedimento fiscal de arbitramento" (§3°), onde deveriam ser examinados os sinais exteriores de riqueza do contribuinte e, adotando a modalidade que mais o favorecesse (§6°), apurados eventuais valores devidos. d) é nulo o Auto de Infração porque o procedimento fiscal que redundou na sua lavratura extrapolou, em mais de três meses, o prazo de validade fixado no MPF que o amparava, o que viola frontalmente o disposto pelo art. 12 do Decreto 3969/2001, ao art. 2o da Portaria n° 4066 da SRF e, por fim, ao art. 37 da Constituição; e) é nulo o Auto de Infração impugnado porque a exação fiscal imposta supera, em quase quatro vezes, todo o patrimônio do contribuinte, caracterizando, assim, manifesta violação ao princípio da capacidade contributiva; f) é nulo o Auto de Infração impugnado porque impostos os juros moratórios pela Taxa SELIC, cuja inaplicabilidade aos créditos tributários (quando existentes!) é reiteradamente reconhecida pelo STJ; g) é nulo o Auto de Infração impugnado porque aplicada multa no patamar de 75%, o que torna evidente, à luz da atividade desenvolvida pelo contribuinte, o seu caráter confiscatórío, vedado pela Constituição. PEDIDO Por todo o exposto, REQUER a desconstituição total do Auto de Infração ora Impugnado, com a conseqüente baixa e arquivamento da respectiva Ação Fiscal, tendo em vista todas as violações legais e constitucionais expostas na presente. Caso se entenda necessária a realização de perícia técnica, pede sejam observados os quesitos e intimado o assistente técnico indicado na presente impugnação, para que acompanhe todo o procedimento, na forma da lei. Protesta, por fim, pela juntada de novos documentos. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação em relação à exclusão do Simples, fls. 350368, com as alegações abaixo transcritas. EXCLUSÃO DE MICROEMPRESA DO SIMPLES Fl. 448DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 449 18 A S. M. FELIPPE é uma microempresa, formada unicamente por Sidnei Martins Felippe, um humilde pescador da cidade de Rio Grande/RS, com instrução primária e deficiência física decorrente de sua atividade pesqueira. A constituição da microempresa se deu, exclusivamente, em razão da necessidade de regularizar formalmente a atividade por ele desenvolvida e obter financiamentos bancários indispensáveis para a continuidade do negócio. Tratase, portanto, de uma atividade tipicamente artesanal, que é a pesca de peixes e camarões para venda a centros atacadistas. Seus produtos são negociados na base do conhecimento recíproco com os clientes, que se relacionam alicerçados na credibilidade existente entre eles. BREVE INTRODUÇÃO A pesca não é uma atividade científica, com certezas ou previsões exatas, pois depende de múltiplos fatores que influem nos seus resultados. Assim, é muito comum que clientes tradicionais necessitem de determinada quantidade de pescado, adiantem os recursos, mas a pesca é mal sucedida. Nestes casos, o Requerente não deixa de atender a necessidade do cliente, e vai buscar junto a outros pescadores o suprimento que poderá atender a demanda do cliente. A conta bancária recebe valores que não serão destinados integralmente para comprar produtos do impugnante. Muitas vezes recebe na sua conta bancária depósitos de clientes para efetuar o pagamento para terceiros, ou seja, estes fornecedores eventuais. A relação de confiança e tradição com seus clientes faz com que em variadas ocasiões a impugnante se transforme em um comprador ad hoc, uma espécie de longa manus do cliente para obter a mercadoria que está necessitando e a impugnante não possui no momento. Vale destacar que não se trata de intermediação comercial remunerada, mas simplesmente prestar favor ao cliente tradicional, para manter sólida a relação mercantil existente. Não é exagero dizer que existe amizade entre o cliente antigo e o impugnante e, prestar eventualmente este serviço não remunerado faz parte da natureza desta relação. Do mesmo modo, a troca de cheques para garantir operações de crédito é um mecanismo simples e usual entre "empresários" deste porte. Faltalhes capital para desenvolver o negócio e obtêm recursos no banco, mediante entrega de cheques pré datados, que na sua linguagem chamam de "custódia". Obviamente que não são cheques para pagamento, mas meras garantias. A conta corrente bancária da Requerente é o meio fácil de fazer transitar valores, da qual parcela expressiva não é sua. E o seu modo de trabalhar, típico de uma pessoa simples. Diante da singeleza da sua estrutura organizacional, tornase quase impossível querer recuperar dados e informações sobre créditos que passaram por sua conta há três ou quatro anos atrás. A quantidade de cheques devolvidos, como se apurou, confirma o tipo de relação marcada pela precariedade e a dificuldade em identificar a origem de cada um. Tratase de uma de uma tarefa de dificílima execução. [...] Usar os depósitos bancários como critério geral de renda, excetuandose apenas aqueles em que houver prova em contrário, poderá redundar em grave injustiça, pois o patrimônio pessoal da Requerente é prova eloqüente de que a renda apontada na autuação, nem de longe, é compatível com seu modesto padrão de vida. Preliminarmente: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 450 19 QUESTÃO PREJUDICIAL: JULGAMENTO DE IMPUGNAÇÃO OPOSTA PELO CONTRIBUINTE O procedimento fiscal que deu origem ao Ato Declaratório n° 019/2009 ora contestado foi instaurado para a apuração de suposta omissão de receitas pelo contribuinte (processo n° 17698.000047/200911). Este procedimento fiscal terminou por ensejar a lavratura de Auto de Infração contra a Requerente, o que foi devidamente impugnado, na forma e no prazo da legislação tributária nacional. [...] Como se vê, o procedimento fiscal em questão deu ensejo à autuação do contribuinte, a qual foi devidamente impugnada e o processo aguarda julgamento. Em sede de impugnação, o contribuinte demonstrou que os valores movimentados em sua conta bancária não constituem "renda" para fins de incidência do IRPJ. Esta impugnação ainda não foi julgada pela Autoridade Fiscal competente, de modo que nada justifica a imediata exclusão do contribuinte do SIMPLES, sob pena de subversão do princípio constitucional do devido processo legal, (art. 5º, LIV e LV). Evidentemente que, uma vez comprovada a inexistência da renda e do faturamento informado pelo Agente Fiscal, a partir de meros extratos bancários, restará comprovado o direito da contribuinte em permanecer no sistema SIMPLES. Desta forma, é postulado, desde já, a suspensão do Ato Declaratório n° 019/2009 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas, até o julgamento, em definitivo, da impugnação ofertada pelo contribuinte nos autos do processo administrativo n° 17698.000047/200911. Mérito: A AÇÃO FISCAL Em 12 de junho de 2008, por meio da Intimação n° 009/2008, datada de 10/06/2008, amparada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 10102002008 00148, a Requerente tomou ciência da instauração de Ação Fiscal destinada a investigar as operações que realizou em suas contas bancárias, abrangendo todos os depósitos realizados nas mesmas no ano de 2005. É fundamental reiterar que a S. M. FELIPPE é uma microempresa individual, cujo único sócio é SIDNEI MARTINS FELIPPE, pescador que desenvolve atividade de produtor rural. A constituição desta pessoa jurídica se deu, basicamente, para a obtenção de benefícios junto a instituições financeiras como, por exemplo, a obtenção de juros e taxas reduzidas e maiores limites de crédito. Neste contexto, durante todo o procedimento fiscal, a contribuinte sempre destacou que os valores movimentados em suas contas bancárias eram oriundos da atividade de produtor rural desenvolvida pela pessoa física. Ou seja, evidentemente, os valores movimentados nestas contas não eram receitas da titularidade da pessoa jurídica, mas meros recebimentos de valores de clientes, cuja tributação se dava pela pessoa física, nos moldes dos arts. 58 a 71 do RIR/99. VALORES QUE NÃO SÃO RENDA Além dos valores tributados pela pessoa física, diversos outros depósitos realizados nas contas bancárias da Requerente não são renda ou receita bruta da sua atividade e, portanto, jamais poderiam ser considerados os fins da limitação imposta pelo art. 9o da Lei 9317/96, como promovido pela Autoridade Fiscal. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 451 20 Vale referir, neste contexto, a título de ilustração: [...] Estes valores movimentados pela contribuinte por óbvio NÃO SÃO RECEITAS da sua atividade; todavia, o Agente Fiscal responsável pela lavratura do Ato Declaratório os considerou desta forma, chegando à equivocada conclusão de que a Requerente teria ultrapassado os limites do art. 9o da Lei 9317/96. OS VALORES DEPOSITADOS NAS CONTAS BANCÁRIAS A diferença entre: movimentação financeira x renda O procedimento fiscal em questão incide em manifesto equívoco, ao confundir "movimentação bancária" com "renda" ou "faturamento", para fins de tributação. O equívoco é maiúsculo e tornase gritante ao se verificar que a Autoridade Fiscal simplesmente somou todos os depósitos bancários havidos nas contas correntes do contribuinte, ao longo de todo o exercício fiscal, e classificouos como "renda", para fins de incidência tributária. Ora, chega a ser evidente que, nem tudo que transita pela conta bancária de uma microemrpesa constitui FATURAMENTO. A simples movimentação bancária,como identificada pela Autoridade Fiscal, constituía, à época dos fatos, a hipótese de incidência da CPMF, cujo fato gerador era justamente a movimentação financeira,^independente de qualquer outro requisito. Ou seja, tratase de tributo distinto e inconfundível com o IRPJ e a CSLL. O IRPJ e a CSLL desconsideram aqueles valores que não se enquadram no conceito jurídico de "receita", isto é, o efetivo ingresso da quantia no universo patrimonial do contribuinte. No caso concreto, entretanto, a fiscalização tratou o IRPJ/CSLL como se CPMF fosse, para concluir que tudo o quanto entrou na conta bancária deve ser considerado como base de cálculo para fins de apuração. Em suma, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal em considerar os depósitos bancários realizados nas contas correntes do contribuinte, como se "renda" fossem revelase, além de arbitrário, absolutamente irrazoável, na medida em que confunde "movimentação financeira" (fato gerador da extinta CPMF), com "renda auferida" (fato gerador do IRPJ/CSLL). [...] O procedimento em questão importa em aberta ofensa à Constituição Federal, no diz respeito à definição de materialidades distintas para cada um destes tributos, tendo em vista que considera "movimentação financeira" como "renda" do contribuinte, concluindo que, assim, teria ultrapassado o limite de faturamento permitido pelo art. 9o da Lei 9317/96. VALORES DE TERCEIROS O parágrafo 5º do art. 42 da Lei 9430/96 É extremamente comum na atividade desenvolvida pela Requerente, que transitem por sua conta bancária valores que não são seus e que recebe na condição de mero depositário, sem que jamais cheguem a ingressar em seu universo patrimonial e, muito menos, a ter disponibilidade econômica sobre os mesmos. Conforme já referido, é comum que um cliente habitual peça para a Impugnante adquirir, junto aos pescadores da região, alguma espécie de pescado que não disponha no momento. Assim, o dinheiro é depositado em suas contas correntes e ela apenas promove o pagamento em nome do cliente. Neste sentido, o art. 42 da Lei 9430/96 é absolutamente taxativo em excluir da base de cálculo do Imposto de Renda os valores de terceiro que possam ter Fl. 451DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 452 21 transitado pelas contas bancárias do contribuinte, tal como ocorre, no caso em tela, com adiantamentos de valores para pagamentos de despesas não relacionadas com a atividade desenvolvida pela ora Impugnante, [...] Os depósitos que foram realizados por clientes do Requerente, para que este, eventualmente viesse a promover o pagamento despesas não podem ser classificados como renda ou faturamento, sob pena de ofensa ao art. 42 da Lei 9430/96. O CONCEITO DE RENDA Conforme demonstrado, o Agente Fiscal fez incidir o imposto de renda sobre valores que jamais vieram a integrar o universo patrimonial da contribuinte, mas que foram simplesmente movimentados em suas contas correntes. E fundamental, portanto, ter claro o conceito de renda, para fins de incidência tributária, o que deve ser alcançado tendo como ponto de partida o art. 153 da Constituição, [...] O conceito de renda tem sido recepcionado por todas as nossas Constituições, desde 1934. Trazido da ciência econômica, foi absorvido pelos ramos do direito, e quer expressar incremento ao patrimônio das pessoas, acréscimo financeiro, ingresso de numerários novos, o que em nada se confunde com o patrimônio já existente, muito menos com renda de terceiros. O conceito legal de renda e proventos de qualquer natureza é retirado do já referido art. 43,1 e II do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: [...] O procedimento adotado pela Autoridade Fiscal é claramente ilegal e ofensivo ao disposto pela legislação tributária vigente, na interpretação que lhe é oferecida pelas Cortes Superiores. CONSELHO DE CONTRIBUINTES: DEPÓSITOS BANCÁRIOS, POR SI SÓ, NÃO CONSTITUEM O FATO GERADOR A questão tratada na presente Impugnação também não é nenhuma novidade para o e. Conselho de Contribuintes. O entendimento daquele Tribunal Administrativo é absolutamente consolidado no sentido de que a simples constatação de movimentações financeiras não caracteriza, por si só, disponibilidade de receita. [,..] Ou seja, é absolutamente sedimentado, junto aos tribunais administrativos, o entendimento de que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do IRPF, podendo refletir, quando muito, mero indício de auferimento de renda. Nestes casos, rigorosamente idênticos ao ora examinado, a fiscalização deve necessariamente aprofundar a investigação acerca dos valores depositados nas contascorrentes, para que possa, somente assim, ter por caracterizada a violação ao limite previsto na regra do art. 9° da Lei 9317/96. ORIENTAÇÃO DOS TRIBUNAIS Na esfera judicial, igualmente, desde a Súmula n° 182 do extinto TRIBUNAL FEDERAL DE RECURSOS, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. [...] Em suma, não se pode confundir os valores que transitaram nas contas particulares do contribuinte, com o acréscimo patrimonial ou faturamento. O procedimento fiscal ora examinado que simplesmente presumiu que todos os valores depositados nas contas correntes da contribuinte sejam "renda" para fins de tributação é abertamente ilegal, tendo em vista o entendimento pacífico dos Fl. 452DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 453 22 tribunais administrativos e judiciais, no sentido de que a identificação da movimentação bancária nada mais é do que mero indício do auferimento de renda, jamais podendo ser tido por suficiente para fins de excluir a contribuinte do SIMPLES. PRESUNÇÕES LEGAIS O Agente Fiscal que conduziu o procedimento em questão adotou a "presunção" de que todos os valores depositados nas contas bancárias do contribuinte seriam "renda" por ele auferida no respectivo ano calendário. Este procedimento, conforme se extrai dos próprios autos, estaria amparado no disposto pelo art. 42 da Lei 9430/96. Cumpre analisar, portanto, a forma como se deu a aplicação deste dispositivo legal, qual seja, através da "presunção" de que todos os valores movimentados caracterizarseiam como renda do contribuinte. Não é de hoje que a Administração tenta facilitar sua atividade físcalizatória, mediante a utilização de presunções legais. Foram várias as tentativas de tributar a soma de depósitos bancários, como se renda fosse, até que o extinto Tribunal Federal de Recursos veio a editar a sua Súmula n° 182, estabelecendo que "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado apenas em extratos bancários" (DJU 28.V.1987). [...] Uma vez reconhecida a ilegalidade da presunção "iuris et de iure", de ^ae toda movimentação financeira seria renda do contribuinte, os interesses fazendários tornaram a tentar simplificar a ação fazendária, mediante a criação de uma nova presunção, esta "júris tantum". Para tanto, veio ao mundo o art. 42 da Lei 9430/96, que substituiu a presunção rechaçada pelo antigo TFR, transferindo ao contribuinte o ônus de provar que os depósitos identificados em suas contas bancárias não são rendimentos tributáveis. Ou seja, a partir da nova sistemática, ou o contribuinte prova que os depósitos havidos em suas contas não são renda, ou presumese que sejam e, assim, incide o IRPJ/CSLL e este deixa de ter direito de integrar o SIMPLES. A PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI 9430/96 APÓS A LC 105/2001 Dentro deste contexto, delineado a partir da norma do art. 42 da Lei 9430/96, é fundamental ter presente a edição da Lei Complementar n° 105/2001, que autoriza a quebra do sigilo bancário do contribuinte em sede administrativa. Ou seja, com a LC 105/01, passou a ser franqueado ao Fisco o mais amplo acesso a todas as movimentações financeiras dos contribuintes, de modo que, para a fiscalização fazendária, tudo passou a ser devassável. A questão a ser enfrentada, portanto, é saber se o Fisco, após a vigência da Lei Complementar n° 105/01 e fazendo uso dela, pode ainda se valer da presunção relativa do artigo 42 da Lei 9430/96, que considera o depósito bancário, por si só, como omissão de rendimento ou receita, até que o contribuinte prove o contrário. b Conforme o § 4o do artigo 5o da LC 105/01, a Autoridade Fiscal poderá promover a quebra o sigilo bancário do contribuinte, em virtude de vislumbrar a existência de "indícios de omissão de receitas, movimentação financeira expressiva, e não apresentação dos extratos bancários solicitados". Por outro lado, o citado § 4o do artigo 5o da LC 105/01 determina que "a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar", para "realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos". Fl. 453DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 454 23 Ou seja, a LC 105/01 estabelece que havendo indícios de omissão de rendimentos o Fisco pode quebrar administrativamente o sigilo bancário do contribuinte e, se assim o faz, deve requisitar todas as informações que julgar conveniente "para a adequada apuração dos fatos". Ora, se o Fisco pode e deve requisitar todos os documentos que julgar necessários à adequada apuração dos fatos, como determina a LC 105/01, impõese que a tributação seja real e efetiva, acerca da omissão de rendimentos ou receitas, as quais devem ser identificadas e comprovadas pelo Fisco, não se podendo aceitar que venha a tributar os depósitos bancários com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96, transferindo ao contribuinte o ônus probatório que lhe incumbe! PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Ademais, observandose os princípios da legalidade cerrada em matéria fiscal, da capacidade contributiva e da isonomia tributária, previstos na Constituição, é forçoso concluir que sempre deve prevalecer a apuração real da base de cálculo dos tributos em detrimento de apuração presumida, como adotada pelo Agente Fiscal. [...] Ou seja, o uso das presunções em matéria fiscal sofre as limitações impostas pelos princípios constitucionais enunciados, além de não impedir a modificação da matriz constitucional de incidência tributária. No presente caso, portanto, não poderia o Agente Fiscal, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96, transformar "movimentação bancária" em "renda" que tem definição em lei complementar material (CTN, art. 43), segundo o qual, "renda" é sempre um plus, quer por representar a disponibilidade de um produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, quer por representar um acréscimo de patrimônio em determinado período de tempo. [...] Desta forma, o depósito bancário é um mero indício de aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza e, como tal, jamais poderia ser considerado pelo Agente Fiscal como "renda ", no conceito constitucional consoante delineado pelo CTN. Sendo assim, não há como se tolerar o arbitrário procedimento empregado que culminou com a exclusão da contribuinte do SIMPLES. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: PEDIDO Pelo exposto, requer seja anulado o Ato Declaratório n° 019, de 13 de agosto de 2009, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas, para o fim de permitir que a Requerente permaneça a fazer jus ao Sistema Integrado de Pagamento e Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Está registrado como ementa do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RSA nº 1032.725, de 07.072011, fls. 382399: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Fl. 454DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 455 24 Anocalendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PERÍCIA. MULTA. SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula n° 4, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. Data da Exclusão: 01/01/2006 A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do anocalendário Subseqüente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 08.08.2011, fl. 405, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01.09.2011, fls. 406, esclarecendo: Considerações preliminares O SIMPLES x O COMPLEXO Antes de adentrar no mérito do presente recurso, é fundamental apresentar estas considerações preliminares, para situar as peculiaridades do presente caso. O advento da legislação do "simples" teve como objetivo retirar da informalidade milhares de empreendedores brasileiros, que por sua escassa instrução, mínima estrutura administrativa, inexperiência empresarial e dificuldade em lidar com a complexidade do nosso ordenamento tributário, ganham a vida com seu trabalho, sem organizarse como uma empresa. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 456 25 Sidnei Fellipe é um caso típico, que a legislação do Simples buscou alcançar. Homem de instrução primária, pescador e comerciante de peixes, vive entre a água e a beira do mar, na busca de seu produto e na luta pelo seu sustento. A parte formal de sua vida empresarial é confiada ao que eles chamam guardalivros, ou contador, cuja estrutura é compatível com seu cliente. O Recorrente, não conta com equipe administrativa, não tem linhas de crédito em banco e usa o cheque como instrumento de seu negócio. Ao contrário dos ensinamentos das aulas de Direito Comercial da Faculdade, o cheque deixou de ser "uma ordem de pagamento à vista", para tornarse equivalei te à duplicata, caução, garantia, adiantamento, linha de crédito de terceiros e tantos outros 1 .odos, que a necessidade das pessoas simples e sobretudo de BOA FE, utilizam para viabilizar seus negócios. A conta corrente de um homem humilde e sem instrução como o Recorrente, poderá ter movimento razoável, mas em hipótese alguma, aquele volume traduz o que seria o seu faturamento. Usando de uma metáfora a conta do Recorrente se assemelha mais a uma gaveta de uma escrivaninha, em que circulam valores que não são da titularidade do Recorrente, mas mero meio de passagem para realizar negócios. O próprio prefeito da cidade, que conhece essa categoria de trabalhadores, forneceu declaração que retrata com fidelidade a atuação dessas pessoas. E comum, muito comum, que recebam valores de terceiros para adquirir junto aos pescadores artesanais os peixes que o comprador necessita. Quando o Recorrente recebe um depósito na sua conta no valor exemplificativo de R$.15.000,00, este será usado para a compra de pescado e irá ser remunerado apenas com 8% a 10% desse valor. Ou seja, transitou na sua conta 15.000,00 reais, mas o seu ganho não passará de 1.200,00 reais. Ao receber a intimação deve ter passado a mesma para o seu contador, que por motivos que se ignora não tinha ou não apresentou o livro respectivo. Sua defesa insistia na necessidade de uma perícia, pois era imperioso conhecer a realidade do Recorrente, que não se amolda com a estrutura de uma empresa normal, de porte médio. A atividade do Recorrente tem características peculiares, seu extrato de conta não é nem de longe o retrato de seu faturamento. A aplicação técnica e fria da legislação administrativa, pode ser correta no plano formal, mas não será justa e irá resultar na efetiva quebra do Recorrente. O Simples terá deixado de cumprir sua finalidade, o Recorrente perderá tudo que tem e, seu destino será voltar para onde a mesma legislação quis ir buscálo: a informalidade, vida à margem do mar e à margem da lei. A frieza formal não pode se sobrepor à realidade desse brasileiro típico, que usava a conta bancária para movimentar seu negócio e que, agora, tem nela um retrato irreal e distorcido de seu faturamento, para o cálculo de multas e encargos. O pedido dele desde o início era simples, como homem simples que é, a possibilidade de provar mediante perícia que os cheques que transitaram em sua conta não são o seu faturamento, tanto que nunca procurou esconder ou utilizar outros meios para negociar e hoje é vítima de sua própria inocência. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 457 26 O que era para ser Simples, para ele é complexo e esta complexidade pode leválo à ruína e devolvêlo à informalidade. O ACÓRDÃO O acórdão proferido pela colenda 6a Turma da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento não examinou o caso concreto do Recorrente, limitandose a tratar, genericamente, das acusações que lhe foram imputadas, sem que exista suporte relatório minimamente consistente, razão pela qual está a merecer reforma. [...]A Recorrente passa a demonstrar, assim, os fundamentos que estão a ensejar a reforma do r. acórdão, em razão da má interpretação dos fatos e aplicação da lei. O ACÓRDÃO E A REALIDADE A Recorrente é uma microempresa dedicada à pesca artesanal, que tem como seu único sócio o pescador Sidnei Martins Felippe. Tratase de pessoa extremamente humilde, com instrução primária, que vive à beira do mar. Por razões óbvias, a Recorrente não dispõe de maior organização empresarial, na medida em que praticamente todas as atividades são realizadas por familiares ou amigos próximos. Foi neste contexto que o Recorrente veio a ser surpreendido com a autuação ora questionada, por meio da qual a Fiscalização lhe imputa ter auferido, no ano de 2005, uma receita próxima aos R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais). É sobre esta absurda e irreal base de cálculo, que foram lavrados os autos de infração. Data vénia, admitir como verdadeiras as conclusões obtidas pela Fiscalização é desconhecer a realidade, é ignorar as condições da comunidade de pescadores da cidade de Rio Grande, é contrariar a lógica e o bom senso. Afinal, se a Recorrente faturasse, nada mais, nada menos, do que QUATRO MILHÕES DE REAIS por ano, certamente seu único sócio não viveria nas condições que vive hoje com sua família! A colenda Delegacia da SRF, por sua 6a Turma, julgou improcedente a impugnação ofertada pela Recorrente sem examinar, minimamente, a realidade dos fatos, por considerar que: "A nossa tarefa esgotase em declarar se o ato administrativo questionado encontra ou não fundamento de validade na legislação de regência". Em suma, a realidade dos fatos pouco importa... A NULIDADE DO ACÓRDÃO CERCEAMENTO DE DEFESA E IMPRESCINDIBILIDADE DA PROVA PERICIAL Desde o momento em que apresentou sua impugnação, a Recorrente formulou pedido de realização de perícia contábil sobre os dados bancários e financeiros que foram considerados pela Fiscalização na constituição do suposto crédito tributário. A produção desta prova é imprescindível em todos os sentidos, na medida em que se está a pretender que um pescador artesanal, que vive à beira do mar, arque com o pagamento de quase R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais!) em tributos. A irrazoabilidade da cobrança, amparada apensa em presunções, é evidente. Conforme já referido, o Recorrente é um microempresário que se dedica à pesca e à venda de peixes. Por óbvio, não dispõe de maior organização contábil ou empresarial, o que lhe torna impossível fornecer, com tamanha riqueza de detalhes, os dados requeridos no curso da fiscalização. Deste modo, era absolutamente imprescindível a realização da prova pericial antes do julgamento da impugnação. Somente por meio de prova pericial contábil se tornaria possível apurar o montante total dos valores que circularam pelas contas correntes mantidas pela Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 458 27 Recorrente, bem como identificar as quantias que se destinavam a ingressar, efetivamente, no patrimônio da microempresa. O pedido de produção desta prova, no entanto, foi simplesmente ignorado pela Autoridade Fiscal, [...]~. Ou seja, segundo a interpretação externada no acórdão, o direito de defesa, que a Constituição assegura seja amplo (art. 5o, LIV e LV), estaria condicionado ao arbítrio da Autoridade Fiscal. Assim, bastaria que fosse lavrado o auto de infração e indeferidas todas as provas postuladas pelo contribuinte, para que o Fisco estivesse autorizado a constituir o crédito tributário em seu favor. Nada mais absurdo! Deste modo, em sede preliminar, a Recorrente postula a desconstituição do acórdão lavrado pela c. Turma de Julgamento, a fim de que seja permitida a produção da prova pericial postulada na impugnação, sob pena de cerceamento de defesa. MERA CIRCULAÇÃO DE VALORES Durante todo o procedimento fiscal, a Recorrente sempre destacou que os valores movimentados em suas contas bancárias eram oriundos da atividade de produtor rural desenvolvida pela pessoa física. Ou seja, evidentemente, os valores movimentados nestas contas não eram receitas da titularidade da pessoa jurídica, mas meros recebimentos de valores de clientes, cuja tributação se dava pela pessoa física, nos moldes dos arts. 58 a 71 do RIR/99. Além dos valores tributados pela pessoa física, diversos outros depósitos realizados nas contas bancárias da Recorrente não são renda da sua atividade e, portanto, jamais poderiam ser inseridos na base de cálculo do IRPJ e CSLL. Estes fatos, todavia, somente poderiam ser comprovados pela prova pericial. A título de Ilustração, a Recorrente referiu na impugnação que: a)grande parte dos valores movimentados nas contas bancárias tem origem em operações de "custódia" realizadas pela Recorrente junto a seus clientes. Isto é, por desenvolver uma atividade eminentemente artesanal, muitas vezes não dispõe do"capital de giro" necessário para a captura e comercialização dos pescados. Sendo assim, adota uma prática extremamente comum no seu meio comercial, que é o desconto de cheques junto a instituições financeiras. Em resumo, quando não dispõe de capital de giro, a "troca" cheques prédatados junto a clientes, para que sejam: a) descontados, em custódia, junto aos bancos, que recebem estes cheques e cobram as respectivas taxas de juros. b) como a relação existente entre a Recorrente e seus clientes é fundada na confiança, em variadas ocasiões, presta serviço não remunerado para atender asnecessidades dos mesmos. É comum que um cliente habitual peça para a Recorrente adquirir, junto aos pescadores da região, alguma espécie de pescado que não disponha no momento. Nestes casos, o dinheiro é depositado em suas contas e a Recorrente apenas promove o pagamento em nome do cliente. c) Outra situação irrazoável que ocorre diz respeito à venda de patrimônio pessoal da contribuinte, em 2004, o Recorrente alienou uma embarcação de sua propriedade, cujo pagamento transcorreu até 2005. Ora, barco não é pescado! Contudo, estes valores foram tributados pelo Agente Fiscal como se fosse "renda" do contribuinte, o que demonstra a manifesta irrazoabilidade do procedimento fiscal. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 459 28 Estes valores movimentados pela contribuinte por óbvio NÃO SÃO RECEITAS da sua atividade; todavia, o Agente Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração ora impugnado considerouos equivocadamente como "renda" e fez incidir os tributos ora exigidos (IRPJ, PIS, COFINS e INSS). Estes exemplos são suficientes para demonstrar a nulidade do procedimento fiscalizatório, bem como a necessidade de reforma do acórdão recorrido. OS VALORES DEPOSITADOS NAS CONTAS BANCÁRIAS: A diferença entre: movimentação financeira renda O procedimento fiscal em questão é nulo de pleno direito, na medida em que incide em manifesto equívoco, ao confundir "movimentação bancária" com "renda", para fins de tributação. O equívoco é maiúsculo e tornase gritante ao se verificar que a Autoridade Fiscal simplesmente somou todos os depósitos bancários havidos nas contas correntes do contribuinte, ao longo de todo o exercício fiscal, e classificouos como "renda", para fins de incidência tributária. Ora, chega a ser evidente que, nem tudo que transita pela conta bancária de uma microemrpesa constitui RENDA passível de tributação pelo IRPJ/CSLL. A simples movimentação bancária, como identificada pela Autoridade Fiscal, constituía, à época dos fatos, a hipótese de incidência da CPMF, cujo fato gerador era justamente a movimentação financeira, independente de qualquer outro requisito. Ou seja, tratase de tributo distinto e inconfundível. O IRPJ e a CSLL desconsideram aqueles valores que não se enquadram no conceito jurídico de "receita", isto é, o efetivo ingresso da quantia no universo patrimonial do contribuinte. No caso concreto, entretanto, a fiscalização trata o IRPJ/CSLL como se CPMF fosse, para concluir que tudo o quanto entrou na conta bancária do contribuinte deve ser considerado como base de cálculo para fins de sua apuração. Em suma, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal em considerar os depósitos bancários realizados nas contas correntes do contribuinte, como se "renda" fossem revelase, além de arbitrário, absolutamente irrazoável, na medida em que confunde "movimentação financeira" (fato gerador da extinta CPMF), com "renda auferida" (fato gerador do IRPJ/CSLL). [...] O procedimento em questão importa em aberta ofensa à Constituição Federal, no diz respeito à definição de materialidades distintas para cada um destes tributos, tendo em vista que considera "movimentação financeira" como "renda" do contribuinte, fazendo incidir, sobre todo o montante movimentado, o IRPJ e a CSLL, além de PIS, COFINS e INSS. VALORES DE TERCEIROS O parágrafo 5° do art. 42 da Lei 9430/96 É extremamente comum na atividade desenvolvida pela Recorrente, que transitem por sua conta bancária valores que não são seus e que recebe na condição de mero depositário, sem que jamais cheguem a ingressar em seu universo patrimonial e, muito menos, a ter disponibilidade econômica sobre os mesmos. Conforme já referido, é comum que um cliente habitual peça para a Recorrente adquirir, junto aos pescadores da região, alguma espécie de pescado que Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 460 29 não disponha no momento. Assim, o dinheiro é depositado em suas contas correntes e ela apenas promove o pagamento em nome do cliente. Neste sentido, o art. 42 da Lei 9430/96 é absolutamente taxativo em excluir da base de cálculo do Imposto de Renda os valores de terceiro que possam ter transitado pelas contas bancárias do contribuinte, tal como ocorre, no caso em tela, com adiantamentos de valores para pagamentos de despesas não relacionadas com a atividade desenvolvida pela ora Recorrente, [...]. Ou seja, depósitos que foram realizados por clientes do Recorrente, para que este, eventualmente viesse a promover o pagamento de alguma despesa não podem ser classificados como "renda" para fins de apuração do IRPF, sob pena de ofensa ao art. 42 da Lei 9430/96. O caso em tela exigia, necessariamente, a realização de perícia técnica, a fim de apurar quais os valores depositados nas contas do contribuinte constituem "renda", excluindose todos os demais da base de cálculo do IRPF, conforme autoriza o art. 16, IV do Decreto n° 70.235, [...]. O CONCEITO DE RENDA Conforme demonstrado, o Agente Fiscal fez incidir o imposto de renda sobre valores que jamais vieram a integrar o universo patrimonial da contribuinte, mas que foram simplesmente movimentados em suas contas correntes. É fundamental, portanto, ter claro o conceito de renda, para fins de incidência tributária, o que deve ser alcançado tendo como ponto de partida o art. 153 da Constituição, [...]. O conceito de renda tem sido recepcionado por todas as nossas Constituições, desde 1934. Trazido da ciência econômica, foi absorvido pelos ramos do direito, e quer expressar incremento ao patrimônio das pessoas, acréscimo financeiro, ingresso de numerários novos, o que em nada se confunde com o patrimônio já existente, muito menos com renda de terceiros. O conceito legal de renda e proventos de qualquer natureza é retirado do já referido art. 43,1 e II do Código Tributário Nacional, [...] Sendo assim, inadmissível a consideração de que todos os valores que transitaram nas contas particulares da contribuinte sejam "renda" para fins de incidência tributária. O procedimento adotado pela Autoridade Fiscal é claramente ilegal e ofensivo ao disposto pela legislação tributária vigente, na interpretação que lhe é oferecida pelas Cortes Superiores. CONSELHO DE CONTRIBUINTES: DEPÓSITOS BANCÁRIOS, POR SI SÓ, NÃO CONSTITUEM O FATO GERADOR A questão tratada na presente Impugnação também não é nenhuma novidade para este egrégio Conselho de Contribuintes. O entendimento deste Tribunal Administrativo orienta no sentido de que a simples constatação de movimentações financeiras não caracterizam, por si só, disponibilidade de receita. [...] Ou seja, é absolutamente sedimentado, junto aos tribunais administrativos, o entendimento de que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do IRPF, podendo refletir, quando muito, mero indício de auferimento de renda. Nestes casos, rigorosamente idênticos ao ora examinado, a fiscalização deve necessariamente aprofundar a investigação acerca dos valores depositados nas contascorrentes, para que possa, somente assim, ter por caracterizado o fato gerador do IRPJ/CSLL. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 461 30 ORIENTAÇÃO DOS TRIBUNAIS Na esfera judicial, igualmente, desde a Súmula n° 182 do extinto TRIBUNAL FEDERAL DE RECURSOS, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. [...]Em suma, não se pode confundir os valores que transitaram nas contas particulares do contribuinte, com o acréscimo patrimonial que enseja a incidência do IRPJ/CSLL. O procedimento fiscal ora examinado que simplesmente presumiu que todos os valores depositados nas contas correntes da contribuinte sejam "renda" para fins de tributação é abertamente ilegal, tendo em vista o entendimento pacífico dos tribunais administrativos e judiciais, no sentido de que a identificação da movimentação bancária nada mais é do que mero indício do auferimento de renda, jamais podendo ser tido por suficiente para a incidência do IR. AS PRESUNÇÕES LEGAIS E O ART. 42 DA LEI 9430/96 O acórdão recorrido adota, como único fundamento, a "presunção" de que todos os valores depositados nas contas bancárias do contribuinte seriam "renda" por ele auferida no respectivo anocalendário. Este procedimento, conforme se extrai, estaria amparado no disposto pelo art. 42 da Lei 9430/96. Cumpre analisar, portanto, a forma como se deu a aplicação deste dispositivo legal, qual seja, através da "presunção" de que todos os valores movimentados seriam "renda" do contribuinte. Não é de hoje que a Administração tenta facilitar sua atividade fiscalizatória, mediante a utilização de presunções legais. Foram várias as tentativas de tributar a soma de depósitos bancários, como se renda fosse, até que o extinto Tribunal Federal de Recursos veio a editar a sua Súmula n° 182, estabelecendo que "é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado apenas em extratos bancários" (DJU 28.V.1987). Como conseqüência desta orientação jurisprudencial, foi editado o Decretolei n° 2471/88, que dispôs: [...]. Uma vez reconhecida a ilegalidade da presunção "iuris et de ¡ure" de que toda movimentação financeira seria renda do contribuinte, os interesses fazendários tornaram a tentar simplificar a ação fazendária, mediante a criação de uma nova presunção, esta "júris tantum". Para tanto, veio ao mundo o art. 42 da Lei 9430/96, que substituiu a presunção rechaçada pelo antigo TFR, transferindo ao contribuinte o ônus de provar que os depósitos identificados em suas contas bancárias não são rendimentos tributáveis. A partir da nova sistemática, ou o contribuinte prova que os depósitos havidos em suas contas não são renda, ou presumese que sejam e, assim, incide o IRPJ/CSLL. A PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI 9430/96 APÓS A LC 105/2001 Dentro deste contexto, delineado a partir da norma do art. 42 da Lei 943J/96, é fundamental ter presente a edição da Lei Complementar n° 105/2001, que autoriza a quebra do sigilo bancário do contribuinte em sede administrativa. Ou seja, com a LC 105/01, passou a ser franqueado ao Fisco o mais amplo acesso a todas as movimentações financeiras dos contribuintes, de modo que, para a fiscalização fazendária, tudo passou a ser devassável. A questão a ser enfrentada, portanto, é saber se o Fisco, após a vigência da Lei Complementar n° 105/01 e fazendo uso dela, pode ainda se valer da presunção Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 462 31 relativa do artigo 42 da Lei 9430/96, que considera o depósito bancário, por si só, como omissão de rendimento ou receita, até que o contribuinte prove o contrário. Conforme o § 4o do artigo 5o da LC 105/01, a Autoridade Fiscal poderá promover a quebra o sigilo bancário do contribuinte, em virtude de vislumbrar a existência de "indícios de omissão de receitas, movimentação financeira expressiva, e não apresentação dos extratos bancários solicitados". Por outro lado, o citado § 4o do artigo 5o da LC 105/01 determina que "a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar" para "realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos". Ou seja, a LC 105/01 estabelece que havendo indícios de omissão de rendimentos o Fisco pode quebrar administrativamente o sigilo bancário do contribuinte e, se assim o faz, deve requisitar todas as informações que julgar conveniente "para a adequada apuração dos fatos". Ora, se o Fisco pode e deve requisitar todos os documentos que julgar necessários à adequada apuração dos fatos, como determina a LC 105/01, impõe seque a tributação seja real e efetiva, acerca da omissão de rendimentos ou receitas, as quais devem ser identificadas e comprovadas pelo Fisco, não se podendo aceitar que venha a tributar os depósitos bancários com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96, transferindo ao contribuinte o ônus probatório que lhe incumbe! PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Ademais, observandose os princípios da legalidade cerrada em matéria fiscal, da capacidade contributiva e da isonomia tributária, previstos na Constituição, é forçoso concluir que sempre deve prevalecer a apuração real da base de cálculo dos tributos em detrimento de apuração presumida, como adotada pelo Agente Fiscal no caso em tela. [...]Ou seja, o uso das presunções em matéria fiscal sofre as limitações impostas pelos princípios constitucionais enunciados, além de não impedir a modificação da matriz constitucional de incidência tributária. No presente caso, portanto, não poderia o Agente Fiscal, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96, transformar "movimentação bancária" em "renda" que tem definição em lei complementar material (CTN, art. 43), segundo o qual, "renda" è sempre um plus, quer por representar a disponibilidade de um produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, quer por representar um acréscimo de patrimônio em determinado período de tempo. [...] Desta forma, o depósito bancário é um mero indício de aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza e, como tal, jamais poderia ser considerado pelo Agente Fiscal como "renda" no conceito constitucional consoante delineado pelo CTN. Sendo assim, não há como se tolerar o arbitrário procedimento chancelado pelo v. acórdão recorrido. NECESSIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA ART. 6° DA LEI 8021/90 Outro aspecto que merece destaque é que, mesmo diante presunção legal do art. 42 da Lei 9430/96, os tribunais pátrios jamais deixaram de exigir que, além da identificação das movimentações bancárias, o Fisco demonstre, junto ao contribuinte, os "sina/s exteriores de riqueza"aptos a revelar sua capacidade contributiva, para que, somente assim, possa validamente tributar tais valores. Tal entendimento decorre da sistemática estabelecida pelo art. 6o da Lei 8021/90, conforme se pode verificar pelo seguinte julgado: [...] Fl. 462DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 463 32 No caso em tela, portanto, a Autoridade Fiscal jamais poderia ter simplesmente considerado como "renda" todos os depósitos havidos nas contas bancárias da Recorrente e, assim, arbitrariamente, impor uma estratosférica exação fiscal, muitas vezes superior a todo o universo patrimonial da contribuinte. Cumpria à Autoridade Fiscal observar o art. 6o da Lei 8021/90: [...] Ou seja, para que fosse minimamente válido o procedimento adotado pelo Agente Fiscal, este deveria ter promovido a notificação da contribuinte para, somente após, instaurar o "devido procedimento fiscal de arbitramento" (§3°), onde seriam examinados os seus sinais exteriores de riqueza e, adotando a modalidade que mais o favorecesse (§6°), fossem apurados eventuais valores nãorecolhidos. Ou Leja, o devido procedimento fiscal foi suprimido pelo Agente Fiscal, o que torna imprestável, porque nulo, todo o procedimento que redundou na lavratura do Auto de Infração ora impugnado e, conseqüentemente, inválida a exigência fiscal. AUSÊNCIA DE PATRIMÔNIO COMPATÍVEL COM A EXAÇÃO: VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA No exame do caso concreto, a ilegalidade da exação imposta ao contribuinte tornase absolutamente clara, na medida em que a imposição fiscal, relativa a apenas um exercício fiscal (2005), corresponde quase quatro vezes o patrimônio do contribuinte (!!!), conforme se pode verificar pelos documentos de que dispunha o Agente Fiscal. Caso o Agente Fiscal tivesse observado o devido procedimento fiscal de arbitramento, teria constatado, que a microempresa autuada é uma firma individual que tem como titular é um humilde pescador, cujo patrimônio é quase quatro vezes menor do que o valor que está sendo exigido pelo Auto de Infração ora impugnado, conforme comprovado à fls. 220. Ou seja, o Recorrente não apresenta qualquer sinal de riqueza compatível com a exigência fiscal que está a lhe ser imposta, no vultoso valor de R$ 802.844,37! Ou seja, o Auto de Infração ora impugnado pretende impor ao contribuinte com base em uma presunção legal uma cobrança quase quatro vezes superior ao valor de todo o seu patrimônio, o que, por si só, viola frontalmente o princípio da capacidade contributiva!!! Resta claro, portanto, que o patrimônio do Recorrente é absolutamente compatível com a renda por ele declarada nos exercícios fiscais em questão, tornando ainda mais evidente a insubsistência das conclusões externadas pelo acórdão. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto, requer seja recebido, processado e integralmente acolhido o presente Recurso Voluntário por este e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante os fundamentos ora delineados, por ser medida de evidente Justiça. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 464 33 De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos oito dias do mês de maio do ano de dois mil e quatorze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, Andar, Sala , em Brasília Distrito Federal , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO RODRIGUES MENDES, WALTER ADOLFO MARESCH, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, ARTHUR JOSE ANDRE NETO e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 17698.000047/200911 Recorrente: S M FELIPPE & CIA LTDA ME Acórdão 1803002.201 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 465 34 Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. O ato de exclusão foi emitido com base na legislação de regência da matéria (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 466 35 As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Em relação à omissão, vale ressaltar que esse instituto, em termos de embargos de declaração, é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. O argumento referente à suposta omissão na decisão de primeira instância não prevalece. Sobre a matéria a Constituição Federal prevê: Art. 93 [...] IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade [...]. O Supremo Tribunal Federal como “guardião da constituição” em seu sítio institucional indica jurisprudência como parâmetro de interpretação dos dispositivos da Carta Magna no ícone “A Constituição e O Supremo”6. Sobre o mencionado inciso IX do art. 93 da CF tem cabimento colacionar os seguintes entendimentos: “Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, ‘a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente’ (AI 650.375AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e ‘o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento’ (AI 690.504AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).” (AI 747.611AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 13102009,Primeira Turma, DJE de 13112009.) No mesmo sentido:AI 811.144AgR, Rel. Min. Rosa Weber, julgamento em 2822012, Primeira Turma, DJE de 1532012; AI 791.149ED, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 1782010, Primeira Turma, DJE de 2492010; AI 791.441AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 38 2010, Segunda Turma, DJE de 2082010; AI 701.567AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 1º62010, Primeira Turma, DJE de 2782010. [...] 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 02 dez.2014. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 467 36 Não viola o art. 93, IX, da CF o acórdão que adota os fundamentos da sentença de primeiro grau como razão de decidir.” (HC 98.814, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 23 62009,Segunda Turma, DJE de 492009.)No mesmo sentido:HC 94.384, Rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 23 2010, Primeira Turma, DJE de 2632010.Vide:AI 789.441AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 9112010, Primeira Turma, DJE de 25112010; AI 664.641ED, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 1692008,Primeira Turma, DJE de 2022009; MS 25.936ED, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1362007, Plenário, DJE de 1892009; HC 86.533, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 8112005,Primeira Turma, DJ de 2122005. [...] A falta de fundamentação não se confunde com fundamentação sucinta. Interpretação que se extrai do inciso IX do art. 93 da CF/1988.” (HC 105.349AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 23112010, Segunda Turma, DJE de 1722011.) [...] O art. 93, IX, da CF exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão.” (AI 791.292QORG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 236 2010, Plenário, DJE de 1382010, com repercussão geral.) No mesmo sentido:AI 737.693AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 9112010, Primeira Turma, DJE de 26112010; AI 749.496AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1882009, Segunda Turma, DJE de 1192009; AI 697.623AgREDAgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 962009, Primeira Turma, DJE de 1º72009; AI 402.819 AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 1282003, Primeira Turma, DJ de 592003. [...] A CF não exige que o acórdão se pronuncie sobre todas as alegações deduzidas pelas partes." (HC 83.073, Rel. Min. Nelson Jobim, julgamento em 1762003,Segunda Turma, DJ de 202 2004.) No mesmo sentido: HC 82.476, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 362003,Segunda Turma, DJ de 2982003, RE 285.052AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 116 2002,Segunda Turma, DJ de 2862002. Assim, o Ato Declaratório Executivo DRF/Pelotas/RS n° 19, de 13.08.2009, fl. 344, os Autos de Infração, fls. 242284 e o Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RSA nº 10 32.725, de 07.072011, fls. 382399, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 468 37 A Recorrente suscita que o ato de instauração do procedimento fiscal contém vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por cento e vinte dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 sessenta dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício7. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil Adjunto de Pelotas/RS expediu o MPF nº 10.1.02.002008001484, fl. 381, foi prorrogado quatro vezes, sendo que a última prorrogação foi até 21.03.2009. Como a ciência do Auto de Infração deuse em 03.02.2009, não ocorreu a extrapolação do prazo. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos8. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à 7 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007. 8 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 469 38 RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração9. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da 9 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 470 39 obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada tampouco se pauta por sinais exteriores de riqueza. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada10. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo11. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade12, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. 10 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 11 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 12 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 471 40 A matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) é objeto de recuso extraordinário com repercussão geral em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 13 e por essa razão não vincula o agente público, enquanto não houver decisão definitiva sobre a matéria. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Relatório de Verificação Fiscal, fls. 226241, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 10102002008 00148, verificamos, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado referente ao anocalendário 2.005, e efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos do artigo 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas: 1 Da Empresa Fiscalizada A empresa fiscalizada, constituída sob a forma de firma mercantil individual, possui como titular o Sr. Sidnei Martins Felippe, CPF n° 218.424.009/59. Tem por objeto social o comércio atacadista, importação e exportação de pescados e frutos do mar, e também atividades e serviços relacionados à pesca, industrialização do pescado, crustáceos e moluscos. Anexamos cópia do requerimento de empresário, firmado em 14/05/2004, correspondente à constituição da empresa. 2 Do Início da Ação Fiscal Ao ser efetuado cruzamento de informações disponíveis nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) com as prestadas pelo próprio contribuinte, para o ano de 2.005, observouse grande divergência entre o valor que serviu de base de cálculo para a cobrança de CPMF e o informado na 13 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 472 41 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ). Foi então emitido o MPF 1010200200800148. O procedimento fiscal teve início em 12/06/2008, com a ciência, via postal, comprovada através do Aviso de Recebimento AR n° RC 45276592 9 BR, da Intimação n° 009/2008. Através desta foi solicitada a apresentação dos seguintes elementos: Contrato Social/Registro de Constituição da empresa e alterações posteriores; Livros contábeis (Diário e Razão) e/ou Livro Caixa; Livro Registro de Apuração do ICMS ou do ISS; Recibos de entrega de DCTFs; Extrato de todas as contas bancárias mantidas no ano de 2005. Rogamos também, ao contribuinte, informar a existência de ação judicial referente a tributos econtribuições federais. 3 Da Análise da Documentação O contribuinte, em atendimento à intimação supra, e à Intimação 016/2008 (pela qual foi reintimado a apresentar os extratos bancários), apresentou os seguintes documentos: Requerimento de empresário; Registro de Entradas e Saídas; Registro de Apuração do ICMS; Extratos com a movimentação da contacorrente em 2005, nas seguintes instituições: Banco do Brasil, Unibanco, Banrisul e Banco Santander. Analisando os elementos apresentados, verificamos que: a empresa apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples (DSPJ); a DSPJ foi entregue com os valores de faturamento zerados para todo o ano de 2005; no Registro de Apuração do ICMS, os valores das saídas correspondem ao CFOP 6.102 (venda de mercadoria adq./rec. de terceiros), cujos totais mensais são os mesmos constantes no livro Registro de Saídas, os quais perfazem um total no ano de R$ 189.143,14; analisando os extratos bancários apresentados pela empresa, vislumbramos um expressivo quantitativo de créditos durante o ano, superando em mais de 25 vezes as receitas escrituradas, como visualizado a seguir: 2005 Reg ICMS Reg Saída DSPJ Extratos Jan 0,00 0,00 0,00 253.331,09 Fev 0,00 0,00 0,00 223.542,03 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 473 42 Mar 0,00 0,00 0,00 264.449,58 Abr 47.601,00 47.601,00 0,00 279.607,10 Mai 53.942,00 53.942,00 0,00 807.825,69 Jun 10.050,00 10.050,00 0,00 409.324,58 Jul 9.409,00 9.409,00 0,00 590.039,65 Ago 16.892,00 16.892,00 0,00 658.200,88 Set 7.988,00 7.988,00 0,00 462.144,10 Out 16.926,86 16.926,86 0,00 565.791,23 Nov 17.186,64 17.186,64 0,00 550.942,21 Dez 9.147,64 9.147,64 0,00 496.005,97 Total 189.143,14 189.143,14 0,00 5.561.204,11 Com o propósito de se esclarecer as divergências entre o escriturado e a movimentação bancária, emitiuse a Intimação n° 026/2008, para que fossem justificadas as origens de tais créditos através de documentação hábil e idônea. Ressaltese que, nesta ocasião, foram desconsiderados os créditos relativos a transferências entre as contas de mesma titularidade, empréstimos obtidos, devoluções de cheques e estornos de débitos. Em resposta, por escrito, a contribuinte basicamente informou que os valores movimentados em contacorrente da Pessoa Jurídica referemse à comercialização de produtos da atividade de produtor rural da Pessoa Física relativos ao ano de 2.004, sendo utilizada uma conta de pessoa jurídica por ter maiores vantagens em relação a uma conta de pessoa física, em relação a juros, taxas e limite de créditos. Não tendo, ao nosso ver, havido a justificativa pedida, foi o contribuinte novamente instado a justificar os créditos apurados, pela Intimação 031/2008, sendo cientificado de que a não comprovação ensejaria lançamento de ofício por omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Desta vez, pela reanálise do histórico descrito em cada operação, onde foi possível a identificação, desconsideramos os créditos provenientes das transferências das contas do titular da empresa (Sidnei Martins Felippe). O total de créditos a justificar nas duas intimações citadas é o seguinte: Crédito anual a justificar 1. Intimação 026/2008 4.413.222,99 2. Intimação 031/2008 4.257.522,99 3. Valor desconsiderado 155.700,00 Interessante observar que tal diferença (linha 3) é bem próxima do valor declarado e tributado pelo titular da empresa em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física/2006 como receita bruta da atividade rural (R$ 119.643,00). Assim sendo, e segundo o alegado em sua resposta, acima referida, este valor ora desconsiderado é oriundo da atividade da pessoa física, e assim tributado, restando não comprovado o valor constante na linha 2. Mais uma vez, agora em resposta à intimação 031, a contribuinte atribuiu a movimentação bancária constante dos extratos apresentados à atividade de produtor Fl. 473DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 474 43 rural do seu titular no ano anterior, apresentando, para tal, planilha elaborada por AuditorFiscal quando da realização de ação fiscal contra a pessoa física no ano de 2.004, na qual este apurou emissão de notas fiscais do produtor no montante anual de RS 1.672.771,80. De novo, não vislumbramos justificativa ao solicitado. Tendo em vista, porém, que quando de sua última resposta, solicitou o agendamento de horário para fazer esclarecimentos, emitimos a Intimação 037/2008, na qual ratificamos o pedido de justificativa dos valores creditados nas contas bancárias da empresa em 2.005 e nos colocamos à disposição, na Agência da Receita Federal, para quaisquer esclarecimentos que desejasse fazer. Após o prazo estipulado na intimação para atendimento, o contribuinte apresentou, por escrito, duas manifestações. Na primeira, apresentada em 12/12, alega que os valores sob análise referemse à comercialização de produtos da pessoa física e que esta já foi objeto de ação fiscal, a qual parcelou. Na segunda, apresentada em 15/12, apresenta cópias de proposição de ação monitoria proposta por Sidnei Martins Felippe, titular da empresa auditada, contra SUL TRADING EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO E NEGÓCIOS DA PESCA LTDA; cheques emitidos por SUL TRADING EXP IMP E NEGÓCIOS P LTDA; Termo de Audiência de Instrução e Julgamento, com homologação de acordo entre as partes. Os cheques estão a seguir resumidos, ordenados por data de apresentação: [...] Não encontramos correspondência entre banco, data e valor nos extratos bancários. Novamente, concluímos não ter ocorrido a competente justificativa aos créditos apurados durante o ano de 2.005, já que em nenhum momento, durante a realização do procedimento, a fiscalizada promoveu a ilação entre os créditos apurados e o alegado, o que deve ser feito mediante documentos hábeis e idôneos, os quais guardem com aqueles coincidência entre datas e valores. Todavia, verificamos que algumas operações de devoluções de cheques não foram devidamente deduzidos na conciliação feita até o momento. Em vista disto, procedemos a exclusão de tais operações, as quais, juntamente com as exclusões anteriormente realizadas (créditos relativos a transferências entre as contas de mesma titularidade, empréstimos obtidos, devoluções de cheques, estornos de débitos e créditos provenientes das transferências das contas do titular da empresa), resultaram nos seguintes valores mensais de créditos sem comprovação de origem: [...] Então, por disposição legal, não tendo a contribuinte, em nosso entendimento, conseguido comprovar as origens de tais créditos, consideramos estes como receitas efetivas da empresa, oriundas do exercício das atividades constantes de seu objeto social. 4 Da omissão de rendimentos Em relação a tributação de depósitos bancários, estabelece a Lei n° 9.430/96: "Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 475 44 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Como descrito no item anterior, após várias solicitações feitas à contribuinte para que justificasse, mediante documentação hábil, a procedência dos valores creditados em suas contascorrentes em 2.005, em nosso entendimento, a mesma não logrou tal êxito. Então, por disposição legal, não havendo a comprovação das origens dos créditos apurados após as conciliações feitas, consideramos estes como receitas omitidas pela empresa. Como já descrito, verificamos que a contribuinte, no anocalendário 2.005, apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica com os valores de faturamento zerados. Fizemos, então, o cálculo do Simples devido para o ano em referência, levandose em consideração as receitas apuradas. Tal cálculo pode ser visualizado na planilha a seguir: DSPJ Extratos bancários Receita bruta Rec. Bruta acumul. % utilizado Rec. Bruta apurada RB Acumul. apurada % a aplicar Jan 0,00 0,00 0,00 120.000,00 120.000,00 5,00 62.014,02 182.014,02 5,40 Fev 0,00 0,00 0,00 206.737,19 388.751,21 6,20 Mar 0,00 0,00 0,00 209.327,70 598.078,91 6,60 Abr 0,00 0,00 0,00 246.101,52 844.180,43 7,80 Mai 0,00 0,00 0,00 355.819,57 1.200.000,00 8,60 186.540,95 1.386.540,95 10,32 Jun 0,00 0,00 0,00 346.782,90 1.733.323,85 10,32 Jul 0,00 0,00 0,00 465.536,58 2.198.860,43 10,32 Ago 0,00 0,00 0,00 453.681,18 2.652.541,61 10,32 Set 0,00 0,00 0,00 306.170,90 2.958.712,51 10,32 Out 0,00 0,00 0,00 341.799,93 3.300.512,44 10,32 Nov 0,00 0,00 0,00 349.787,21 3.650.299,65 10,32 Dez 0,00 0,00 0,00 294.890,15 3.945.189,80 10,32 Então, por haver divergências entre os valores de tributos declarados pela contribuinte e aqueles apurados por esta fiscalização, procedemos ao presente lançamento, para exigir, de ofício, tais diferenças. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 476 45 O cálculo dos tributos devidos, multas de ofício e juros, bem como os respectivos enquadramentos legais constam dos Autos de Infração dos quais este relatório faz parte. O presente lançamento de ofício visa resguardar os interesses da Fazenda Nacional com relação aos fatos descritos, não impedindo a realização de novas fiscalizações nesta ou em outras operações dentro do prazo decadencial. Assim, verificase que foram excluídos todos os valores creditados em conta corrente mantida junto à instituição financeira, que a Recorrente é titular cujas origens foram comprovadas, mediante documentação hábil e idônea. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou com novos documentos, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês14. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200915 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF16. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. 14 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 15 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 16 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 477 46 Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos17. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância18. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Nesse sentido não cabem reparos à aplicação da multa de ofício proporcional. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da exclusão do Simples. 17 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 18 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 478 47 O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, que a receita bruta total ultrapasse o limite legal19. O limite legal que se impõe no período de 01.01.1997 a 31.12.1998, é que na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior ao da opção, receita bruta superior a R$720.000,00 e no início de atividade o valor de R$60.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. No período de 01.01.1999 a 31.12.2005, tenha auferido receita bruta superior a R$1.200.000,00 e no início de atividade o valor de R$100.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento. A partir de 01.01.2006 tenha auferido receita bruta superior a R$2.400.000,00 e no início de atividade o valor de R$200.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento.20. Está registrado no Parecer DRF/PEL/SACAT nº 217/2009, fls. 340342, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Trata o presente Parecer de Representação Fiscal efetuada por auditor da RFB, que verificou, no curso do procedimento fiscal relativo ao MPF nº 10.1.02.00 200800.148, a ocorrência de situação de vedação ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, relativamente ao contribuinte em epígrafe, por ter auferido, no anocalendário de 2005, receita bruta em valor superior a limite previsto no artigo 2º da Lei n° 9.317/96. Através do referido procedimento fiscal foi constatada a omissão de receitas no anocalendário de 2005, apurada com base na movimentação bancária do contribuinte naquele ano (em conformidade com o item 4 do Relatório de Verificação Fiscal, com cópia às fls. 223/238). Da confrontação entre as informações constantes da Declaração Simplificada PJSI/2006 e os créditos bancários do contribuinte cuja origem não foi comprovada, resultou o lançamento de oficio de que trata o presente processo (Autos de Infração às fls. 247/281). Passase ao exame dos fatos e à fundamentação. Consultado o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), verificouse que a empresa foi constituída em 10/08/1994, tendo constado como optante do SIMPLES no período de 01/01/1997 a 30/06/2007 quando aquela sistemática de tributação deixou de vigorar, em razão do advento do SIMPLES NACIONAL. O contribuinte está cadastrado como microempresa optante do Simples Nacional e com a atividade econômica de "comércio atacadista de pescados e frutos do mar" (CNAE 4634603). Também foi verificado que foram entregues declarações PJSimples referentes aos anoscalendário de 1997 c de 2004 a 2006, e declarações PJInativa para os anoscalendário de 1998 a 2003; não há registro de entrega de declaração de 19 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. 20 Fundamentação legal: Lei nº 5.194, 24 de dezembro de 1996, art. 2º e art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 479 48 rendimentos para o 1º semestre do anocalendário de 2007 (conforme docs. juntados às fls. 333/336). A legislação tributária prevê diversas situações de vedação à utilização da sistemática simplificada de tributação pelas empresas. No presente caso, devese destacar o dispositivo da Lei n° 9.317/96 (c/ a redação dada pela Lei n° 9.732/98), que trata da limitação dc receita bruta para fins de opção/permanência no SIMPLES: Art. 9° Não pode optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: na condição de microempresa, que tenha auferido, nu anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$120.000,00 (cento e vinte mil reais); na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (...) Cabe registrar que os limites estabelecidos nos incisos I e II acima transcritos foram alterados, pela Lei 11.307/2006. para R$240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e R$2.400.000.00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), respectivamente. Essa alteração, porém, somente passou a vigorar a partir de 01/01/2006; portanto, não afetaria o presente caso. A Lei nº 9.317/96 dispõe, ainda, que a ocorrência de situação excludente enseja a exclusão obrigatória do optante do SIMPLES (artigo 13, inciso II). mediante comunicação do contribuinte ou. se não o fizer, de ofício (artigo 14. inciso I). Os efeitos da exclusão estão estabelecidos no artigo 15 da citada Lei, a seguir transcrito parcialmente: Art. 15 A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; (...) Em conformidade com os dispositivos legais acima referidos, a Instrução Normativa SRF n° 355/2003 determinava que o contribuinte não poderia permanecer no SIMPLES a partir do anocalendário subseqüente àquele cm que tivesse ultrapassado o limite de receita bruta estabelecido (inciso IV do artigo 24). Essa determinação persiste na Instrução Normativa SRF n° 608/2006 (inciso VI do artigo 24). O Fisco constatou que a empresa auferiu no anocalendário de 2005 receita bruta total de R$3.945.189,80 (tres milhões, novecentos e quarenta e cinco mil. cento e oitenta e nove reais, c oitenta centavos) — montante esse correspondente ao somatório dos valores de receita apurada a partir dos extratos bancários da empresa, consolidados na planilha constante no item 4 do Relatório de Verificação Fiscal (à fl. 327) . ultrapassando os limites de receita bruta anual previstos no artigo 2º e no Fl. 479DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 480 49 artigo 9º da Lei n° 9.317/96. e tendo, portanto, irregularmente mantido a condição de optante do SIMPLES no anocalendário de 2006. Sendo assim, impõese seja determinada a exclusão do contribuinte do SIMPLES, de ofício, a partir de 01/01/2006, cm conformidade com o disposto no art. 14, inciso I c/c artigo 15, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. CONCLUSÃO Diante do constante dos autos e da legislação aqui mencionada, proponho seja determinada a exclusão do contribuinte do SIMPLES, com dataefeito de 01/01/2006, pela ocorrência de situação excludente prevista no inciso II do artigo 9º da Lei n° 9.317/96, observado o disposto no parágrafo 3º do seu artigo 15. Sendo assim, a declaração PJSimples relativa ao anocalendário de 2006 deverá ser cancelada c o contribuinte deverá cumprir, sob outra forma de tributação, as obrigações tributárias referentes ao período a partir do qual será excluído, em conformidade com o previsto no artigo 16 daquela Lei. Por todo o exposto resta efetivamente comprovado que o procedimento fiscal de excluir a Recorrente do Simples está correto, por estar comprovado que a receita bruta total no anocalendário de 2005 no montante de R$3.945.189,80, ultrapassa o limite da circunstância prevista em lei. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda do efeito retroativo da exclusão. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No caso da pessoa jurídica que ultrapasse o limite da receita bruta no anocalendário de 2005a exclusão do Simples nessa condição surte efeito a partir do anocalendário subseqüente, ou seja a partir de 01.01.2006. A partir da data dos efeitos do ato, a pessoa jurídica fica sujeita às demais normas de tributação. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG21, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF22. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. 21 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator: Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&sReg=20090029627 7&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 22 Fundamentação legal: art. 12, art. 13, art. 14, art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 56. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 481 50 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso23. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade24. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 25. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 23 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 24 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 25 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17698.000047/200911 Acórdão n.º 1803002.201 S1TE03 Fl. 482 51 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.721059/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES
A incorporação de ações constitui uma forma de alienação. O sujeito passivo transfere ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam o recurso. O Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT declarou-se suspeito. Os Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR apresentarão declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Declaração de voto
Jimir Doniak Junior Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES A incorporação de ações constitui uma forma de alienação. O sujeito passivo transfere ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Recurso negado.
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O sujeito passivo transfere ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam o recurso. O Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT declarouse suspeito. Os Conselheiros JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR apresentarão declaração de voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Declaração de voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 10 59 /2 01 3- 53 Fl. 932DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Jimir Doniak Junior – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da Contribuinte, OSORIO HENRIQUE FURLAN JUNIOR, foi lavrado auto de infração de fls. 510 a 515, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$9.132.948,68, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até 03/2013. O lançamento decorre da tributação de omissão de ganhos de capital auferidos na alienação da totalidade das ações da HFF Participações S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 08/07/2009, no valor de R$59.971.882,00, e de omissão de ganhos de capital auferidos na alienação da totalidade das ações preferenciais da Sadia S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio de incorporações de ações, em 18/08/2009, no valor de R$914.442,53, conforme termo de verificação fiscal às fls. 516 a 551. Márcia Regina Passos Furlan, casada com o contribuinte no regime de comunhão universal, é responsável solidário pelo crédito tributário lançado, oriundo de ganhos de capital auferidos na alienação de bens comuns do casal, com base no art. 124, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN (Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 507 e 508). No termo de verificação fiscal, fls. 516 a 551, a fiscalização apresenta histórico dos procedimentos fiscais e a motivação do lançamento. Dele extraem se as observações e argumentos resumidos adiante. Ações da HFF Participações S.A. de Osório Henrique Furlan Junior Após três sucessivos aumentos aprovados na AGE de 08/07/2009, o capital social da HFF Participações S.A., que antes era R$800,00, dividido em 4 ações, cresceu para R$226.395.804,55, partido em 226.395.405 ações Desse capital, o contribuinte subscreveu o valor de R$10.805.490,00, correspondente a 10.805.490 ações ordinárias, integralizando o por meio de 10.805.490 ações ordinárias da Sadia S.A., que foram transferidas para a HFF Participações S.A., conforme Boletim de Subscrição de fl. 129. O custo médio ponderado das ações da HFF Participações S.A. de Osório Henrique Furlan Júnior é R$1,00. Incorporação de Ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. – Ganho de Capital – Imposto de Renda A incorporação da totalidade das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 22/06/2009, e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 08/07/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. Essa operação de reorganização societária consubstanciou a Fl. 934DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 alienação, pelos acionistas da HFF Participações S.A., para a BRF Brasil Foods S.A., de todas as suas ações, mediante o recebimento de 0,166247 ação da BRF Brasil Foods S.A. (com preço unitário de R$39,40) por cada ação da HFF Participações S.A. alienada. O evento resultou, ainda, no aumento de R$1.482.889.902,75 no capital social da BRF Brasil Foods S.A. (correspondente ao valor econômico atribuído à HFF Participações S.A. no laudo de avaliação de fls. 151 a 207) por meio da emissão de 37.637.557 ações ordinárias, a R$39,40, a serem integralizadas pelos (ex) acionistas da HFF Participações S.A. com suas ações, assim como na conversão da HFF Participações S.A. em subsidiária integral da BRF Brasil Foods S.A., que passou a ser sua única acionista. Em 08/07/2009, Osório Henrique Furlan Júnior alienou à BRF Brasil Foods S.A., por meio da incorporação de ações, 10.805.490 ações da HFF Participações S.A., das quais ele era proprietário. O custo de aquisição de suas ações da HFF Participações S.A. foi R$10.805.490,00 (10.805.490 x R$1,00, que é o custo médio ponderado de cada ação da HFF Participações S.A.). Em contraprestação, ele recebeu, entre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 1.796.380 ações, nos valores unitário de R$39,40 e total de R$70.777.372,00 (produto da multiplicação do número de ações recebidas, 1.796.380, pelo preço unitário de R$39,40). Portanto, o ganho de capital auferido pelo contribuinte foi de R$59.971.882,00(R$70.777.372,00 R$ 10.805.490,00). O imposto de renda devido pelo contribuinte em relação a esse ganho de capital é de R$8.995.782,30 (R$59.971.882,00 x 15%). Ações preferenciais da Sadia S.A. de Osório Henrique Furlan Junior Incorporação de Ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. – Ganho de Capital – Imposto de Renda A incorporação da totalidade das ações da Sadia pela BRF foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 08/07/2009 e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 18/08/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. Em 18/08/2009, Osório Henrique Furlan Júnior alienou à BRF Brasil Foods S.A., por meio da incorporação de ações, 879.713 ações preferenciais da Sadia S.A., das quais ele era proprietário. O custo total de aquisição de suas ações preferenciais da Sadia S.A. foi R$3.685.997,47 (879.713 x R$4,19, que é o custo médio ponderado unitário). Em contraprestação, ele recebeu, entre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A., emitidas em aumento de capital social, 117.000 ações, nos valores unitário de R$39,32 e total de R$4.600.440,00 (produto da multiplicação do número de ações recebidas, 117.000, pelo preço unitário de R$39,32). Fl. 935DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 4 5 Portanto, o ganho de capital auferido pelo contribuinte foi de R$914.442,53 (R$4.600.440,00 R$ 3.685.997,47) e o imposto de renda devido em relação a esse ganho de capital de R$137.166,38 ( R$914.442,53 x 15%). Foram omitidos, no ano calendário 2009, rendimentos sujeitos à tributação definitiva, correspondentes aos ganhos de capital decorrentes de: Alienação de 10.805.490 ações ordinárias da HFF Participações S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 08/07/2009; alienação de 879.713 ações preferenciais da Sadia S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 18/08/2009. Responsabilidade tributária do cônjuge Osório Henrique Furlan Junior é casado no regime de bens "comunhão universal" com Marcia Regina Passos Furlan, CPF n° 896.135.20830 (escritura pública de fls. 503 a 505). Tendo em vista que os fatos geradores são oriundos da alienação de bens comuns do casal (ações ordinárias e preferenciais da Sadia S.A. alienadas à BRF Brasil Foods S.A. por meio de incorporação de ações), Marcia Regina Passos Furlan encontra se na condição de responsável tributário pela integralidade do crédito tributário ora lançado, com base no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, razão pela qual foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 507/508). Osório Henrique Furlan Júnior e Marcia Regina Passos Furlan foram cientificados do lançamento em 23/03/2013 (fls. 554 a 557). Em 23/04/2013, apresentaram a impugnação de fls. 558 a 605, instruída com os documentos de fls. 606 a 743. Nela contestam a cobrança pretendida pela Fiscalização, argüindo que: A incorporação de ações consiste em instituto exaustivamente regulamentado pela Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações – LSA), como forma de constituição de uma subsidiária integral de sociedade brasileira; enquanto tal, possui contornos próprios que, apesar de tangenciarem aspectos formais e consequências práticas semelhantes/similares a operações outras consideradas como eventos de alienação com elas não se confunde; A incorporação das ações em debate resultaria em uma mera permutação patrimonial, não ocasionando a apuração de acréscimo patrimonial sujeito à incidência do IRPF. Caso se entenda que da operação de incorporação de ações decorreu acréscimo patrimonial para o impugnante, a tributação de tal acréscimo apenas poderia ocorrer quando do efetivo ingresso em seu patrimônio, segundo o regime de caixa, aplicável à apuração do imposto de renda pelas pessoas físicas. Adiante transcreve as razões postas ao longo da peça: Em resumo e por todo o exposto acima, é insofismável que não pode prosperar a pretensão da D. Fiscalização em exigir IRPF Fl. 936DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 sobre suposto ganho de capital auferido pelo Impugnante pelas seguintes razões: Incorporação de Ações (i) A incorporação das ações foi deliberada e aprovada por assembléia geral em vista dos interesses da sociedade e não de seus acionistas; (ii) não houve, no referido processo de aprovação, manifestação de vontade expressa por parte dos acionistas, no sentido da transmissão da propriedade das ações em questão à BRF no contexto de tal operação. Os acionistas que participaram de tal processo enquanto integrantes da Assembleia Geral e votaram acerca da aprovação da operação, o fizeram no exercício de sua função social e não em vista de seus interesses individuais; (iii) trata se a incorporação de ações de hipótese de subrogação real legal por meio da qual se operou a substituição das ações detidas anteriormente por ações da BRF, mantendo se a mesma proporção e valor do investimento anteriormente detido; (iv) com efeito, não houve, em momento algum, a intenção por parte do Impugnante em transferir o investimento detido na Sadia à BRF. Inclusive, eventual alienação deste investimento pelo Impugnante iria de encontro com o propósito primordial de sua constituição: a preservação do investimento na Sadia no âmbito familiar; (v) buscou se, por meio do uso desse instrumento societário (i.e. incorporação de ações) a unificação/associação de dois negócios que antes eram performados/executados separadamente. Conforme destacado no Fato Relevante, o objetivo de ambas as companhias em se associarem consistiu em passar a atuar conjuntamente no mercado, ganhando força operacional, administrativa e negocial em escala nacional e internacional; (vi) em recente sessão de julgamento (19.2.2013 i. e. posterior à lavratura dos Autos de Infração aqui impugnados), a 2a Câmara da 2a Turma Ordinária do CARF proferiu decisão favorável ao contribuinte em processo administrativo semelhante ao caso objeto destes Autos de Infração, sob o entendimento de que, de fato, a operação de incorporação de ações não consiste em evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda; (vii) Diante da ausência da manifestação de vontade do Impugnante em transferir a propriedade de suas ações à BRF no contexto de tal operação, não pode ser esta tratada como evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à regular incidência do IRPF; (viii) admitir que a incorporação de ações é uma operação de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, além de ir contra o ordenamento jurídico pátrio, como se mostrou, levará à autuação de mais de 30 mil antigos acionistas da Sadia, que investiram seu patrimônio na sociedade devido à sua sólida Fl. 937DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 5 7 tradição e não necessariamente pretendiam alienar as suas ações; e, (ix) se em complemento à inexistência da cultura de investimentos em bolsa no Brasil, o Governo passar a tributar fatos que independem da vontade dos acionistas e/ ou exigir tributos sobre ganhos irreais, criar se á um ambiente de insegurança jurídica generalizada no Mercado, no qual as pessoas deixarão de investir em bolsa com receio de serem autuadas sem nem mesmo saberem que ocorreu uma operação supostamente sujeita à incidência de imposto de renda. Permuta e Inexistência de acréscimo Patrimonial (x) ad argumentandum, tendo em vista que a própria D. Fiscalização reconhece que o Impugnante recebeu ações BRF em contraprestação às suas ações detidas anteriormente, não há dúvidas de que, na remota hipótese de se considerar que a incorporação de ações é alienação, tratar se ia de uma típica operação de permuta. Conforme remansosa jurisprudência do E. CARF, a permuta não está sujeita à incidência de IRPF se não houver torna, sendo a autuação insubsistente também por este ângulo. Regime de Caixa (xi) ainda que se entenda que a incorporação de ações é uma forma de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, o auto ora guerreado não merece prosperar nos termos em que lavrado, na medida em que o suposto ganho nunca foi percebido pelo Impugnante. Juro xii) merecem ser afastados os juros de mora sobre a multa de ofício, por manifesta ofensa à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica. V. PEDIDO 173 Diante do exposto, o Impugnante requer e espera sejam acolhidos os argumentos aqui discorridos para que seja cancelado o Auto de Infração objeto do presente processo administrativo, uma vez que a incorporação de ações não é fato gerador do IRPF. 174 Apenas a título de argumentação, caso o pedido acima não seja acolhido, o Impugnante requer ainda que sejam afastados os juros de mora sobre a multa de ofício, por manifesta ilegalidade. 175 0 Impugnante protesta por provar o alegado por todos os meios de direito. 176 Requer, por fim, que todas as intimações e/ou comunicações referentes ao presente processo sejam feitas e remetidas em nome do Impugnante. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2009 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões ao recurso voluntário as fls. 831 a 853. Discorre sobre a natureza jurídica da incorporação por ações, concluindo pela entendimento da natureza de alienação de ações é inquestionável, de modo que é possível a ocorrência de ganho de capital; Do papel da vontade do acionista na incorporação de ações, registrando que a mesma ocorre sob representação, devendo portanto incidir os efeitos jurídicos da operação; Da ocorrência de acréscimo patrimonial e regime de caixa. O fato de a tributação da pessoa física se dar pelo regime de caixa não é óbice à incidência, visto que a atribuição desse regime nada mais é do que a opção legislativa pela consideração da disponibilidade econômica da renda. Cita jurisprudência e precedente no sentido de reconhecer a inexistência de ganho de capital na incorporação de ações. Indica que a impossibilidade da incidência do juros sobre a multa de ofício já se encontra superada pela jurisprudência do CARF e STJ É o relatório. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Como se colhe da extensa descrição dos fatos, auto de infração que se origina na tributação do ganho de capital na incorporação de ações. Do Ganho de Capital nas Incorporação de Ações Quando o assunto é a possibilidade de se tributar acréscimo patrimonial decorrente de incorporação por ações, notase uma área rica em teses, correntes e doutrinas. Resumindo, podem ser destacadas algumas teses doutrinárias acerca da natureza jurídica da incorporação de ações. Destacaria entre elas : 1) a tese da subrogação real (substituição de ativos); 2) a tese do aumento de capital da incorporadora mediante a conferência de bens e 3) a tese do negócio societário típico. A tese que prega a natureza de subrogação real à incorporação de ações, entende que a mesma como um procedimento de mera substituição, configurando uma sub rogação real. Este instituto jurídico é definido por Pontes de Miranda como a substituição jurídica de uma coisa por outra, mantida a relação jurídica base anterior. O artigo 252 da Lei das S/A seria, ao ver dessa linha de argumentação, a fonte normativa que determina a sub rogação real. O ponto fulcral dessa abordagem é de que não haveria manifestação de vontade dos acionistas para a efetivação da operação, de modo que não se poderia equiparar a incorporação de ações à subscrição de aumento de capital com bens. Isso porque a incorporação de ações se daria por acordo entre duas sociedades, sem interveniência de seus acionistas. Na subrogação real pressupõese a equivalência de valores entre os bens substituídos. O que há é uma relação de troca com vistas a recompor o patrimônio do acionista que teve seus títulos mobiliários “expropriados”. Nesse sentido a incorporação de ações não importa em acréscimo patrimonial para o acionista, não sendo, portanto, fato gerador de ganho de capital. Outra tese doutrinária, defendida pelo Prof. Modesto Carvalhosa, entende que na incorporação de ações ocorre uma alienação ficta de ações pelos acionistas da incorporada e uma aquisição ficta pela incorporadora. Tratase de uma aquisição na qual o pagamento se dá em bens, pelo que não se pode falar em mera substituição ou permuta. Entende que na verdade ocorre um aumento de capital da incorporadora mediante uma dação de bens pelos antigos acionistas da incorporada, no caso concreto as próprias ações. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Finalmente temos uma última tese doutrinária, respaldada por Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Júnior. Advertem os doutrinadores que não se pode confundir o procedimento operacional com a natureza jurídica do instituto da incorporação de ações. Reconhecem, então, que a incorporação é negócio jurídico específico de Direito Societário. Acrescentam que há uma efetiva alienação de ações subjacente à figura da incorporação de ações. Com efeito, nesse instituto há acréscimo patrimonial que enseja tributação da renda. Pessoalmente, entendo que essa última teoria aparenta ser mais coerente, atribuindo a incorporação de ações a natureza de negócio jurídico típico do gênero alienação. Entendo que a integralização de bens da pessoa jurídica no capital de pessoa jurídica configura indubitavelmente em alienação; operação que significa a transferência de bens ou direitos de um patrimônio para outro através de qualquer negocio jurídico translativo da propriedade, ou, na definição mais precisa de De Plácido e Silva (in Vocabulário Jurídico,' da Editora Forense) alienação, também chamada de alheação e alheamento, é o termo jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o efeito de transmitir o domínio de uma coisa para outra pessoa. No caso concreto, as ações da sociedade incorporada são transmitidas para a incorporadora, no intuito de realizar o aumento de capital desta. Há a transferência de propriedade das ações de um acionista para a sociedade. Essa alienação faz jus a um preço, que é adimplido pela recepção pelos acionistas de ações da sociedade incorporadora. Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro, em seu livro "Das Sociedades Anônimas no Direito Brasileiro" (José Bushatsky, Editor, 1979, vol.2, p.727), leciona que: "Apesar da semelhança da operação em tela com o instituto regulado no artigo 227, parecenos que a expressão escolhida pelo legislador — incorporação de ações — é, de certo modo imprópria, por suscitar confusões com aquele instituto. Na verdade, a incorporação de ações nada mais significa do que um aumento de capital social de determinada companhia brasileira, mediante a conferência, pelos subscritores, de todas as ações do capital de outra sociedade, que se converte em subsidiária. integral, recebendo seus exacionistas ações novas do capital da primeira". Fran Martins, em seu livro "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas", Forense, 1975, vol. 3, p. 316, leciona que na operação de incorporação de ações há um aumento de capital na sociedade incorporadora com a subscrição das ações pelos acionistas que vai tornarse subsidiária integral: "Pois, na verdade, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornarse subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro, mas com as ações dos acionistas da sociedade que vai ser incorporada". Fl. 941DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 7 11 Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de Renda das Empresas, São Paulo, Ed. Atlas, p. 461/462, considera que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e posicionase favoravelmente a incidência de imposto de renda sobre ganho de capital quando a subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil: "No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da "troca" de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da "troca" das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos termos do artigo 227 da Lei n° 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários). Cabe recordar o que dispõe expressamente o art. 252 da Lei No. 6.404/76, incorporação de ações seria: “Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de Fl. 942DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230.” Desse modo não há como afastar o ganho de capital na argumentação , de que os titulares das mesmas, os acionistas, não manifestariam, vontade contratual. Na realidade por deliberação da assembleia geral aprovase a mesma e existe sempre o direito de retirarse da companhia. Não há como se dizer que o ganho de capital decorrente da alienação de ações seria incerto e carente de liquidez. Isso porque o valor tanto das ações incorporadas quanto às entregues aos antigos acionistas da sociedade incorporada são necessariamente submetidas a prévia avaliação (§§ 1º e 2º do art. 252 da Lei das S/A), o que as confere a devida liquidez e certeza. No caso concreto, tendo em vista que a incorporação de ações é uma espécie de alienação, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em dinheiro. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, essa deve ser tributada como ganho de capital. O fato gerador do imposto de renda, não se reporta à disponibilidade financeira, mas sim à disponibilidade econômica ou jurídica, que existe desde o momento em que o acionista receber ações da sociedade incorporadora. A partir de quando ele se tornar proprietário das ações, terá disponibilidade jurídica (direito real), além de poder fruir dos valores agregados a elas (disponibilidade econômica). No plano jurisprudencial, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu no seguinte sentido: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2005. IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer titulo, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido.” (grifos acrescidos) (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma Acórdão CSRF/920200.662 Data da Decisão: 12/04/2010 Data de Publicação: 11/06/2010). Não se pode também desconsiderar a solução de consulta, que reforça a posição aqui esposada: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 224, DE 14 DE AGOSTO DE 2014 DOU de 22/08/2014, seção 1, pág. 29 Fl. 943DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 8 13 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF EMENTA: INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Na operação de incorporação de ações, a transferência destas para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação cujo valor, se superior ao indicado na declaração de bens da pessoa física que as transfere, é tributável pela diferença a maior, como ganho de capital, na forma da legislação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 6.404, de 1976, art. 252; Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°; Lei n° 9.249, de 1995, art. 23; e Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, arts. 2º, 3º, 16, 27 e 30. Cabe ainda apontar o entendimento expresso pela Presidência de Republica quando da analise do Projeto de Lei de Conversão No. 18 de 2014, no qual foi vetado o artigo 10 do referido dispositivo. Em Mensagem No. 21 de 19/01/2015, assim expõe a Presidente da República ao Presidente do Senado Federal, as razões para o veto, do referido dispositivo: Art. 10 “Art. 10. Para efeito de interpretação, a substituição de participações societárias em decorrência de operações de reorganizações societárias, como cisão, fusão, incorporação de ações ou quotas não implica apuração de ganho de capital por não ter natureza de operação que importe alienação ou transferência de que tratam o art. 3o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e o § 2o do art. 23 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, respectivamente, mantendo a pessoa física o mesmo custo de aquisição das participações originárias para as participações recebidas em substituição, independentemente do valor pelo qual as participações originárias ingressaram no patrimônio da pessoa jurídica, observado o disposto no § 3o do art. 252 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976.” Razões do veto “O referido dispositivo autorizaria que uma riqueza seja incorporada ao patrimônio de uma pessoa jurídica sem que haja tributação, possibilitando planejamentos tributários abusivos, principalmente em decorrência do ágio que acompanha a transação. Ou seja, criase acréscimo patrimonial não tributado na Pessoa Jurídica, em decorrência de uma riqueza volátil, a qual poderá nunca ser tributada, e ainda mais: poderá acarretar redução real do valor do IRPJ a pagar. Por ter efeito interpretativo, o dispositivo teria ainda aplicação retroativa, ensejando, inclusive, a reforma de autos de infração.” Por todas essas razões, entendo pertinente o lançamento. Dos Juros calculados pela Selic Fl. 944DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 Aplico a Sumula Carf No. 4 Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da Incidência de Juros Sobre a Multa de Ofício Acompanho o entendimento da legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Uma análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Nestes termos, posicionome por negar provimento ao recurso de voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 945DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 9 15 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O voto do nobre relator conselheiro Antonio Lopo Martinez, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que o levaram a chegar a tal conclusão, tenho entendimento diverso do dele em alguns pontos, daí a razão de abrir a divergência que culminou na declaração de voto. Conforme podemos verificar no presente caso a autoridade lançadora ao analisar a operação realizada pelo contribuinte, entendeu como sendo uma alienação em sentido amplo que gerou ganho de capital tributado pelo imposto de renda. A incorporação de ações é uma figura típica do direito societário, cuja previsão legal encontrase no artigo 252, da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (“Lei de S/A”)1 “Art. 252 A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembleia geral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos arts. 224 e 225.(...)” A esse respeito, ensina DANIEL KALANSKY2: “A operação de incorporação de ações, por outro lado, conforme estabelecido no art. 252 da Lei das S.A, é aquela em que, por decisão adotada pela maioria de votos dos acionistas das companhias nelas envolvidas, todas as ações de emissão de uma delas são compulsoriamente transferidas em aumento de capital da outra, sem que ocorra a extinção de qualquer das respectivas sociedades e sem que venha a ser cancelada uma só ação de emissão da companhia, que, em virtude da operação, tornase subsdiária integral da outra. 2Incorporação de Ações, Editora Saraiva, págs 36 a 38. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 Como não decorre da incorporação de ações, a extinção da sociedade que se torna subsidiária integral da outra, esta mantém na sua integridade o patrimônio de que era titular antes da realização da operação, razão pela qual seus ativos permanecem, continuando responsável pela solução de suas obrigações. Assim, a sucessão não ocorre na incorporação de ações, uma vez que a sociedade cujas ações são incorporadas continua existindo com personalidade jurídica distinta. Diferentemente na incorporação de ações, todas as ações de emissão de uma companhia são transferidas compulsoriamente para outra sociedade, em aumento do seu capital social, de forma a transformar a primeira sociedade em subsidiária integral da segunda. Apenas com a particularidade de que permanece existindo como pessoa jurídica, que continua titular de todos os seus ativos, permanecendo obrigada a liquidar os seus passivos sem que haja sucessão de direitos e obrigações entre as sociedades envolvidas na operação” A incorporação de ações, quando aprovada pelas sociedades, autoriza o aumento do capital social da incorporadora, com as ações da companhia cujas ações serão incorporadas. Como consequência, haverá a substituição, no patrimônio dos acionistas da incorporada por ações emitidas pela incorporadora, tratandose, portanto, de uma mera sub rogação real. Tratase simplesmente de um mecanismo criado para converter uma companhia em subsidiária integral de outra, sem que haja transferência do patrimônio ou extinção da companhia cujas ações foram incorporadas. É o que se confirma na leitura da exposição de motivos do PL nº196/76, que originou a Lei das S/A, verbis: “A incorporação de ações, regulada no art. [252], é meio de tornar a companhia subsidiária integral, e equivale à incorporação de sociedade sem extinção da personalidade jurídica da incorporada. A disciplina legal da operação é necessária porque ela implica – tal como na incorporação de uma companhia por outra – em excepcionar o direito de preferência dos acionistas da incorporada de subscrever o aumento de capital necessário para efetivar a incorporação. Em compensação, para evitar que a subsidiária integral possa servir de instrumento para prejudicar acionistas minoritários da companhia controladora, o art. 254 assegura direito de preferência para a aquisição ou subscrição de ações do capital da subsidiária integral" (Grifamos) Como se nota, de plano, a incorporação de ações é um instituto jurídico que tem suas características e tipificação legal próprias, que não deve ser confundido com outras figuras legais existentes, em especial, com incorporação de sociedade ou com a alienação de bens. As diferenças entre a incorporação de ações e a alienação de bens tornamse ainda mais claras quando se examinam as lições de NELSON EIZIRIK que aduz: “(...) Ainda que a incorporação de ações não acarrete a transferência de controle da incorporada, não é obrigatória a oferta pública por alienação de controle (OPA). Para que se caracterize a alienação de controle acionário, para os efeitos da Lei das S.A., é necessária a presença cumulativa dos seguintes Fl. 947DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 10 17 elementos: (i) que da operação resulte o aparecimento de um terceiro como novo acionista controlador; (ii) que a transferência de controle apresente caráter oneroso; e (iii) que tenha ocorrido a transferência da totalidade ou de parte das ações pertencentes ao antigo controlador. Como no caso da incorporação de ações inexiste transferência de ações do antigo para o novo controlador, não se caracteriza a alienação do controle acionário, não sendo obrigatória a formulação da OPA. A operação de incorporação de ações, aliás, é inteiramente incompatível com o instituto da oferta pública, pois, uma vez concluída a incorporação, os acionistas da incorporada já são acionistas da incorporadora. (...)” (Grifamos) Como se verifica, para que ocorra a alienação de ações, determinados elementos básicos devem ser verificados de forma cumulativa: (i) aparecimento de um terceiro como novo acionista controlador; (ii) que a transferência de controle em caráter oneroso; e (iii) que tenha ocorrido a transferência da totalidade ou de parte das ações pertencentes ao antigo controlador. Todavia, no caso de uma incorporação de ações, tais elementos não se verificam, pois operação consiste em um negócio jurídico entre duas sociedades, a incorporadora e aquela que terá suas ações incorporadas (e não com os acionistas desta última). Ademais, verificamos que a incorporada subsistirá como subsidiária integral da primeira; e que como consequência da operação, os acionistas da empresa incorporada têm substituídas as antigas ações por ações da incorporadora, independentemente de sua vontade, por força do negócio celebrado entre incorporadora e incorporada. Por essa razão, a própria CVM já se manifestou acerca da natureza jurídica da incorporação de ações através dp Processo Administrativo CVM nº RJ 2010/13425, cujo teor embasou, inclusive, o PARECER PGFN/CAS/Nº 253/2013, no qual ficou sedimentado o entendimento de que referida operação tem a função de criar uma subsidiária integral, não se confundindo, sequer, com instituto com aumento de capital com conferência de bens, vejamos: “O objetivo da operação de "incorporação de ações" é de unificar, em seus aspectos econômicos, duas sociedades, sendo a subsidiária sempre revestida da forma de sociedade anônima, conforme caput do art. 251, e também a sociedade controladora, sem a absorção e extinção da incorporada, como ocorre na incorporação de sociedade, preservando suas personalidades jurídicas e seus patrimônios distintos. De qualquer forma, a sua criação não poderá ser utilizada de maneira a excluir o poder de fiscalização da minoria acionária. Diferentemente da figura de aumento de capital com subscrição em bens, no caso as ações da companhia controlada, em que se exigiria, de forma individual, a participação de cada acionista dessa sociedade no aumento de capital da controladora, a "incorporação de ações" é compulsória e determinada pela maioria do capital votante de cada uma das companhias Fl. 948DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 envolvidas em deliberação assemblear.” (Cf. Voto do Diretor Eli Loria) (Destacamos) Assim a operação de incorporação de ações não visa à mutação patrimonial do proprietário das ações, mas sim a unificação econômica de duas empresas. Neste contexto, o proprietário da empresa que teve suas ações incorporadas passará a ser titular das ações da empresa incorporadora, em outras palavras, haverá uma mera substituição das ações detidas, por meio de uma subrogação real. É nesse sentido que ensinaJOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA: ‘Os acionistas da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas, participam da reunião da Assembleia Geral da companhia no exercício da função de membros desse órgão social. Não praticam ato de disposição das ações como elementos de seus patrimônios e a incorporadora não adquire as ações por efeito de alienação, quer da companhia cujas ações devam ser incorporadas, quer dos seus acionistas: as ações incorporadas são substituídas por ações da incorporadora por subrogação real – como efeito legal do negócio jurídico societário de incorporação de ações.’(Direito das Companhias, Rio de Janeiro, Forense, v. II, ed. de 2009, p. 1994) Desta feita, não pairam dúvidas acerca da natureza e dos efeitos da incorporação de ações. Tendo em vista se tratar de uma mera substituição de ações, não há elementos capazes de tornála ou equiparála a uma alienação, sendo sua natureza, efetivamente de subrogação real. Destaquese, aliás, que a própria Receita Federal do Brasil, por meio do Parecer Normativo CST nº 39/81, reconheceu a procedência da caracterização da subrogação real de títulos patrimoniais de uma sociedade pelas suas respectivas ações. Vejamos: “3.2 – Como define PEDRO NUNES, a subrogação real ocorre no caso de substituição de uma coisa por outra, que fica em lugar da primeira com a transferência implícita, para o sub rogado, de todos os direitos e ações do subrogante (Dic. Técn. Jurídica). Por outras palavras, um bem fica no lugar do outro, juridicamente, sem que o patrimônio, ou os patrimônios, tenham deixado de ser, em qualquer momento, universalidades, como ocorre nos casos mencionados de fusão, incorporação e cisão. 4. Deduzse, daí, que o direito obtido em subscrição ou aquisição não se extingue com as citadas operações, mas, ao contrário, mantémse em relação ao patrimônio que absorveu o primitivo. Desta forma, as quotas ou ações que venham a substituir títulos de participação societária, na mesma proporção das anteriormente possuídas, não podem ser consideradas novamente ‘subscritas ou adquiridas’, donde Fl. 949DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 11 19 dever ser contada como data inicial do quinquênio aquela indicada no ar. 4º, ‘d’, do DL n. 1510/76.” (Grifouse.) Outro ponto que reforça a distinção entre a incorporação de ações e uma alienação reside no elemento volitivo. Em uma incorporação de ações não há manifestação de vontade por parte dos acionistas, mas sim apenas pelas sociedades envolvidas,não há dúvidas de que a incorporação de ações não se confunde com qualquer espécie de alienação de ações pelos acionistas, seja em sentido restrito, seja em “sentido amplo”. Na incorporação de ações, o acionista não pratica nenhum ato ou negócio jurídico em seu nome, sendo possível, inclusive, que a Assembleia Geral aprove deliberação da qual determinado acionista discorde; Ora, como podemos afirmar que alguém alienou algo se, nem sequer, teve o direito de manifestar sua vontade acerca da operação? Toda e qualquer alienação pressupõe a vontade do alienante o que, claramente, não ocorre na incorporação de ações. A irrelevância da vontade dos acionistas na operação de incorporação de ações também foi analisada por SACHA CALMON NAVARRO COELHO3, que, igualmente, sustenta, com base nesse aspecto, a impossibilidade de se confundir esse instituto jurídico com a figura jurídica da alienação de ações: “(...) na incorporação de ações, o contribuinte pessoa física não pratica qualquer ato; não vende, nem aliena as suas ações. Quem pratica todos os atos são as pessoas sociais (pessoas jurídicas envolvidas), motivo pelo qual os sócios pessoas físicas, independentemente de terem aprovado a operação ou dela discordado na assembleia de acionistas que a aprovou, limitar seão a modificar, nas respectivas declarações de bens, a qualificação da participação, que antes era na incorporada e agora passa ser na incorporadora” (Os destaques são nossos) Desta maneira, ausente a manifestação de vontade por parte do acionista, é juridicamente impossível a caracterização de um negócio jurídico de alienação de ações, que, intrinsecamente, depende da vontade dos acionistas. Como se vê, a ausência do elemento volitivo, por parte dos acionistas, é determinante para afastar o entendimento de que, na incorporação de ações, estas seriam objeto de alienação pelos acionistas. Sobre o assunto, destaca se o entendimento de JOSÉ ANTÔNIO MINATEL: 3 Lei das S/A. Art. 252 (...)§ 2º A assembleiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230” (Grifouse.) Fl. 950DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 “Como se viu, essa troca dos títulos representativos do investimento é fruto da deliberação das sociedades envolvidas e não de seus sócios, circunstância que contribui para afastar qualquer tentativa de caracterizar o negócio jurídico como alienação de participação societária, seja ele implementado como ‘incorporação de sociedades, ou como mediante ‘incorporação de ações’”4 (Os destaques são nossos) Não obstante as questões retro mencionadas, outro elemento a ser considerado para a análise do caso em questão reside na ausência de transferência de patrimônio líquido entre sociedade. Quando se analisa uma operação desta natureza, notase que não há incorporação ou extinção da sociedade cujas ações serão incorporadas, ou seja, as sociedades envolvidas na operação permanecem com sua personalidade jurídica autônoma e com patrimônios próprios, não ocorrendo qualquer sucessão universal de bens, direitos e obrigações. Sobre o assunto, são pertinentes as seguintes considerações de ALBERTO XAVIER5: “[Na incorporação de ações] Não ocorre a transmissão de um patrimônio líquido global, como universalidade, mediante sucessão a título universal, mas simplesmente uma operação que tem por objeto não a totalidade de um patrimônio, mas tão somente a totalidade das ações do capital de uma companhia préexistente. Não corre também a extinção da sociedade cujas ações são objeto da ‘incorporação’ a que se refere o art.252, precisamente porque a operação tem o objetivo oposto de manter a expectativa de personalidade jurídica, pressuposto lógico necessário da conversão da sociedade préexistente em subsidiária integral da ‘companhia incorporadora’ das ações Como se nota, a operação, além de não se confundir com uma alienação de ações, também não pode ser equiparada de forma alguma a outras figuras típicas societárias, tais como a fusão ou a incorporação de sociedades. Desta forma, temos, de forma clara e inequívoca, a incorporação de ações como uma figura típica própria, de sorte que, equiparála a uma alienação e pretender tributar seus supostos resultados, implicaria o emprego de analogia, o que é terminantemente rechaçado em matéria tributária, por constituir ofensa ao princípio da legalidade que rege no ordenamento. 4 MINATEL, José Antonio. “Incorporação de Ações e Regime Tributário”. In: ANAN JR., Pedro. Planejamento Fiscal. Volume VIII. Análise de Casos. São Paulo: Quartier Latin, 2013. p. 645. 5XAVIER, Alberto. “Incorporação de Ações: Natureza Jurídica e Regime Tributário”. In: CASTRO, Rodrigo Monteiro de; ARAGÃO, Leandro Santos de (coord.). Sociedade Anônima – 30 anos de Lei 6.404/76. São Paulo: Quartier Latin, 2007, p.122. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 12 21 Estávamos diante da violação do princípio da legalidade e da tipicidade tributária previstos no inciso I, artigo 150 da CF6, pois a norma deve definir claramente o fato gerador do tributo, não podendo se aplicar a analogia para esse fim, o que está expressamente proibido pelo artigo 108 do CTN7. A utilização da analogia para fins tributários no preenchimento de lacunas por parte do Fisco ou do contribuinte pode ser admitida desde que não resulte em cobrança de tributo não previsto pela norma legal. Gostaria de destacar que o antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e o Poder Judiciário por várias ocasiões já se manifestaram a respeito do assunto, vedando a aplicação da analogia para fins tributários que tenham, por conseqüência, exigência de tributo não previsto em lei8. 6Artigo 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) 7Artigo 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. 8 “ACÓRDÃO 10320.498 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ALÍQUOTA MAJORADA CORRETORAS DE SEGURO Em prestígio à estrita legalidade, certeza e segurança jurídica, as corretoras de seguro não podem ser equiparadas aos agentes autônomos de seguro, tendo em vista tratarse de pessoas jurídicas submetidas a diferentes regimes e institutos jurídicos, revestindose cada uma das atividades de natureza e características específicas, sendo vedado o emprego de analogia para estender o alcance da lei, no tocante à fixação do polo passivo da relação jurídicotributária, a hipóteses que não esteja legal e expressamente previstas. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário.” (grifo nosso) “ACÓRDÃO 20173825 ANALOGIA PRODUTOS NÃO SUJEITOS AO SELO DE CONTROLE Não se pode usar analogia, conforme estabelece o artigo 108 do CTN, para a cobrança do IPI com base em dispositivos legais relativos a selo de controle, quando o produto não se encontra sujeito a esse tipo de controle. Recurso de ofício a que se nega provimento.” (grifo nosso) “ACÓRDÃO 10415.653 IRPJ EQUIPARAÇÃO Legalmente incabível a equiparação a pessoa jurídica, para efeitos tributários, do exercício individual de ocupações e prestação de serviços não comerciais reconhecidos como tais pelas próprias autoridades lançadora e julgadora (DL n.º 5.844/43, artigo 6º, b).IRPJ A tipicidade cerrada do fato gerador e a estrita legalidade são impeditivas a interpretações da legislação para a efetivação ou sustentação de lançamento tributário em condições ou circunstâncias legais e expressamente não autorizadas, sendo, neste contexto, incabível o emprego de analogia (C.T.N., artigo 108, § 1º).Recurso provido.” (grifo nosso) “TRF AMS01209047/93 16.12.1997 EMENTA: Constitucional Tributário. Imposto Sobre Operações Financeiras. Incidência sobre Depósito Judicial. Ilegalidade da Instrução Normativa N. 62, Do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, de 19.04.1990. Lei N. 8.033, De 12.04.1990, Artigo 1., I. Ilegitimidade do Gerente do Posto da Caixa Econômica Federal Na Justiça Federal. DecretoLei 2.471/88, Artigo 3. 1. Competindo a Receita Federal a arrecadação e fiscalização do Imposto Sobre Operações Financeiras, e legitima a presença do Delegado da Receita Federal nas Ações Mandamentais em que se discute a exigibilidade deste tributo, não o sendo, entretanto, o Gerente da CEF, mero executor material do ato hostilizado. (...) Fl. 952DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 O princípio da legalidade em matéria tributária, nas palavras de JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELLO9, “implica o princípio da tipicidade, que tem como caracteres a observância de numerus clausus (vedação à utilização de analogia e à criação de novas situações tributáveis), taxatividade (enumeração exaustiva dos elementos necessários à tributação), exclusivismo (elementos suficientes), determinação (conteúdo da decisão rigorosamente prevista em lei), na temática de Alberto Xavier.” Como se percebe, como corolário da legalidade vigora ainda no país como mencionamos, o princípio da tipicidade cerrada. ROQUE CARRAZZA10 nos explica que os mesmos: "[...] como que fecham a realidade, não podendo ser alargados por meio de presunções, ficções, ou meros indícios. Inadmissível que o agente fiscal abra aquilo que o legislador, atento aos ditames constitucionais, cuidadosamente restringiu. afinal, o afã arrecadador não legitima o arbítrio." Ambos os princípios, o da tipicidade cerrada e o da estrita legalidade aplicamse para garantir o respeito a um sobreprincípio, qual seja, o da segurança jurídica. A segurança jurídica é um dos que pilares do nosso ordenamento jurídico, assim como de qualquer Estado democrático de direito, garantindo aos membros da sociedade a certeza do direito, previsibilidade das situações jurídicas. Em resumo, a única conclusão a que podemos chegar é que somente pode ser tributado um fato jurídico que corresponda perfeitamente ao tipo previamente descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. A tipicidade é, em última instância, uma garantia da legalidade e da segurança jurídica, pois impede que a administração tributária aja ao seu bel prazer, criando e tributando fatos jurídicos tributários não previstos na legislação. No caso em tela, não estando a operação de incorporação de ações sujeita como fato gerador de ganho de capital tributável, não pode a autoridade lançadora entender dessa forma. 3. O emprego da analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei (CTN, artigo 108, i, c/c o seu parágrafo 1.).4. apelação da CEF a que se da provimento para excluir seu preposto. 5. apelação da união federal e remessa oficial improvidas.” “TRF REO04196173/92 05.10.1995 EMENTA: TRIBUTARIO. LEI7713/88, ART51. IMPOSTO DE RENDA. REPRESENTANTES COMERCIAIS. MICROEMPRESA. 1.A representação comercial não e assemelhada a corretagem, pois não exige habilitação profissional e entre o representante e o representado se estabelece um vinculo de caráter não eventual. 2. O art108, par1 veda o emprego da analogia que resulte na exigência de tributo não previsto em lei. (...).” (grifo nosso) 9Curso de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 1997, p. 2 10 Imposto Sobre a Renda: Perfil Constitucional e Temas Específicos. São Paulo: Malheiros Editora, 2005. p. 442 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 13 23 Esse assunto já foi objeto de análise pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10617.104, conforme podemos verificar na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA 1RPF Anocalendário: 2004 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, a contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço. Recurso voluntário provido. O voto do relator no caso o conselheiro Gonçalo Bonet Allaje é esclarecedor sobre o tema: Embora, em um primeiro momento, este julgador estivesse inclinado a concluir que a exigência fiscal é procedente, querme parecer que o caso em apreço não se enquadra nas previsões do artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88 e do artigo 23, § 2°, da Lei n° Fl. 954DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 24 9.249/95, de modo que a decisão de primeira instância merece ser reformada. Sob minha ótica, "incorporação de ações" não se confunde com "incorporação de sociedades" nem tampouco com "subscrição de capital em bens" e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. Passo a explicar, brevemente, este pontodevista. Na incorporação de empresas, ocorre a transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, com a extinção daquela. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas fisicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. Por sua vez, a subscrição de capital em bens é ato de alienação praticado entre o sócio e a empresa, por intermédio do qual um bem que fazia parte do patrimônio do acionista passa a fazer parte do patrimônio da pessoa jurídica. Em contrapartida, ele recebe ações da do capital da empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a titulo de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional — CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. É exclusividade de lei determinar a hipótese de incidência tributária e seus elementos quantitativos — base de cálculo e alíquota. Apenas a lei pode fixar as situações que, ocorridas no mundo fático, geram a obrigação de pagar tributo e o quantum debeatur. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 14 25 (...) Salvo engano, a figura da incorporação de ações está contemplada com beneficio semelhante, embora não expresso; àquele previsto no artigo 121, inciso II, do RIR199, segundo o qual não se sujeita à apuração de ganho de capital tributável a permuta de unidades imobiliárias sem recebimento de torna. Tal regra estabelece o regime de caixa para as pessoas fisicas e, inquestionavelmente, o sujeito passivo não recebeu nenhum numerário com a incorporação das ações da Insol ao capital social da MSB. Haverá ganho de capital, sim, quando a contribuinte alienar, por valor superior ao custo de aquisição, a participação societária recebida em razão da incorporação de ações ora apreciada. Gostaríamos de destacar que essa decisão foi objeto de recurso especial por parte da Procuradoria de Fazenda, e foi reformada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, por voto de qualidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer titulo, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido Gostaria de destacar trechos do voto do conselheiro Elias Sampaio Freire que levaram a fundamentar o voto que foi acolhido pelo voto de qualidade pela CSRF: Aliás, parcela da doutrina entende que na incorporação de ações há uma transferência de bens (no caso, ações), em realização de Fl. 956DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 26 capital da incorporadora, acarretando a incidência de imposto sobre o ganho de capital. Fran Martins, em seu livro "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas", Forense, 1975, vol. 3, p. 316, leciona que na operação de incorporação de ações há um aumento de capital na sociedade incorporadora com a subscrição das ações pelos acionistas que vai tornarse subsidiária integral: "Pois, na verdade, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornarse subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro, mas com as ações dos acionistas da sociedade que vai ser incorporada". Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de de Renda das Empresas, São Paulo, Ed. Atlas, p. 461/462, considera que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e posicionase favoravelmente a incidência de imposto de renda sobre ganho de capital quando a subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil: "No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da "troca" de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei n°6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da "troca" das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nostermos do artigo 227 da Lei n° 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a Fl. 957DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 15 27 proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável(...)" De acordo com a legislação tributária, as operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital e, as pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado e, se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital, nos termos em que dispõe o artigo 3°, § 3°, da Lei n°7.713/88 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, in verbis: (…) Ademais, não merece prosperar o entendimento que só há a obrigação de reconhecer eventual ganho de capital na operação de substituição de ações quando houver fluxo financeiro ou circulação de valores. O fato de o sujeito passivo não ter recebido nenhum numerário não afasta a hipótese de incidência prevista no artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, que prevê justamente a tributação em situação em que, apesar de não haver recebimento de numerário, a pessoa fisica transfere a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens e direitos em valor superior ao constante da declaração de bens. Recentemente o CARF ao analisar novamente a matéria, entendeu que não haveria a figura do ganho de capital tributável pelo Imposto de Renda na Incorporação de ações, através do Acórdão nº 2202002.000, proferido pela 2ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção: “OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. DELIBERAÇÃO POR CONTA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS NA OPERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR DE GANHO DE CAPITAL NA PESSOA FÍSICA DOS SÓCIOS. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404, de 1976, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua Fl. 958DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 28 participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação.” Vejamos o que dispõe o voto esclarecedor do relator no caso o conselheiro Nelson Mallmann acerca da questão: “Não há dúvidas de que a essência da incorporação de ações é a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral de outra, mediante a transferência compulsória de todas as ações de sua emissão, em aumento de capital, à companhia incorporadora. Essa, por sua vez, passa a ser a única e integral titular das ações da companhia incorporada. Em relação aos acionistas, em substituição às ações transferidas compulsoriamente à incorporadora, os acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas recebem ações da incorporadora, operandose a união dos acionistas de ambas as companhia na companhia incorporadora, com a manutenção da personalidade jurídica e do patrimônio da sociedade convertida em subsidiária integral. A subsidiária integral é a sociedade anônima cujas ações são integralmente detidas por outra sociedade anônima brasileira. (...) Como visto, a incorporação de ações tem como principais efeitos (i) o aumento de capital da incorporadora, realizado com as ações a serem incorporadas; (ii) a substituição das ações de emissão da sociedade cujas ações serão incorporadas por ações de emissão da incorporadora; (iii) a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas, nas ações da incorporadora; (iv) a conversão da sociedade cujas ações serão incorporadas em subsidiária integral da incorporadora; e (v) a unificação das bases acionárias de ambas as sociedades na incorporadora. Ora, na incorporação de ações não há a alienação de ações ou mesmo uma incorporação ficta, mas sim a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houveram de ser incorporadas, nas ações da incorporadora. É de se ressaltar, que o protocolo da operação não constitui um instrumento de alienação de ações, mas apenas o meio jurídico Fl. 959DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 16 29 pelo qual são estabelecidos os termos da incorporação de ações ajustados entre as companhias. Da mesma forma é de se ressaltar, que a natureza jurídica da incorporação de ações reside nos efeitos do protocolo da operação sobre os acionistas das sociedades envolvidas, em especial da sociedade a ser convertida em subsidiária integral. Isto porque, não obstante o fato do instrumento de protocolo ser celebrado entre as companhias – vale dizer, sem a participação necessária de seus acionistas – o mesmo produz efeitos não somente sobre as partes do negócio jurídico, mas também sobre seus acionistas, que deverão transferir compulsoriamente suas ações à sociedade incorporadora, uma vez aprovada a incorporação de ações pela maioria dos acionistas das companhias envolvidas. (...)” (os destaques são nossos) Percebese, portanto, que o voto acima mencionado com grande acerto analisa a natureza jurídica da operação para concluir, ao final, não se tratar de uma alienação e que, portanto, não há que se falar na geração de ganhos tributáveis, em linha do que havia decidido o conselheiro Gonçalo Bonet Allaje. Apesar de respeitar o entendimento do conselheiro Elias Sampaio Freire, não comungo do mesmo entendimento. Por todas essas razões, a conclusão inarredável é que a incorporação de ações não é, nem pode ser equiparada a uma alienação, razão pela qual não cabe falar em incidência de tributos em tal operação. Assim sendo, qualquer pretensão tributária sobre esse fato decorreria única e exclusivamente do emprego de analogia, o que é, terminantemente, rechaçado em matéria tributária, por constituir ofensa ao art. 108, §1º, do Código Tributário Nacional. Como vimos, entendemos que as operações de incorporação de ações não podem ser consideradas como alienação ou qualquer outra figura jurídica considerada como tributável pela legislação tributária, razão pela qual descabe qualquer pretensão por parte das autoridades fiscais federais. Todavia, ainda que se pudesse equiparar a incorporação de ações a uma espécie de alienação em sentido amplo (o que se admite somente para fins de argumentação), não caberia falar em tributação por ausência de acréscimo patrimonial decorrente da operação. É sabido que a ocorrência do fato gerador de Imposto de Renda depende precipuamente da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e ou de proventos de qualquer natureza, nos termos do que prevê o art. 43 do CTN, in verbis: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 960DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 30 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior” (Grifamos) Desta feita, somente incide o Imposto de Renda quando houver acréscimo patrimonial. Assim, no caso das operações de incorporação de ações, devese definir o momento em que se deve considerar adquirida a disponibilidade econômica ou jurídica sobre a suposta variação patrimonial positiva decorrente operação de incorporação de ações. A esse respeito RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA11defende que, para que determinado ganho se torne efetivo, para fins de incidência de imposto de renda, é necessário que o respectivo investimento seja efetivamente negociado, nos seguintes termos: “Enfim, a realização significa que um acréscimo patrimonial se tornou efetivo, sempre instantaneamente, embora muitas vezes as causas geradoras do aumento tenham se formado antes, num único instante ou ao longo do tempo. Por exemplo, quando se adquire um bem por valor inferior ao que ele efetivamente vale no mercado, a compra assim feita acrescenta um valor ‘escondido’ (latente, não declarado nem contabilizado) de acréscimo patrimonial, que se diz ‘não realizado’ porque, para se tornar efetivo, depende da realização de um novo negócio pelo qual aquele ganho potencial se tornará efetivo e ‘realizado’, isto é, o acréscimo patrimonial depende de uma venda por valor superior ao da aquisição. Neste caso, o ganho de capital ocorrido e ‘realizado’ nesta segunda operação já estava latente e potencial no patrimônio da pessoa desde o ato de compra do bem, mas dependia, primeiramente, de não haver uma reviravolta na sua cotação de mercado, e, em segundo lugar, da sua efetivação (concretização atual) pela venda a preço maior do que o da compra, a conclusão satisfatória do negócio. Assim, somente pela venda e pela aquisição da disponibilidade jurídica sobre o ganho, embutido no preço da venda, ocorre a realização da renda. E, antes disso, não há o que tributar.” (Grifamos) 11OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 374. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 17 31 Desta feita RUBENS GOMES DE SOUSA12 definia o conceito de renda, para fins de Imposto de Renda, como acréscimo patrimonial que pode ser consumido ou reinvestido, nos seguintes termos: “Em outras palavras “renda é, para efeitos fiscais, o acréscimo patrimonial líquido verificado entre duas datas predeterminadas. Nesta última frase, a palavra chave é “acréscimo”: com efeito, a característica fundamental da renda (termo genérico que, como vimos, inclui a espécie “lucro”) é a de configurar uma aquisição de riqueza nova que vem aumentar o patrimônio que a produziu e que pode ser consumida ou reinvestida sem o reduzir” (Grifamos) No mesmo sentido, BULHÕES PEDREIRA13 defende que não há disponibilidade sobre renda, para fins de Imposto de Renda, antes da efetiva “realização” do respectivo investimento: “A aquisição de renda financeira não consiste no fato jurídico da aquisição de direitos patrimoniais, mas na disponibilidade do objeto desses direito, que é a moeda ou valor em moeda (v. obs. 1 ao n.110). Se os direitos recebidos na troca são dinheiro não há dúvida de que o lucro está realizado. Mas se não têm valor em dinheiro determinável com precisão, ou não podem, com facilidade, ser convertidos em dinheiro, ainda não há lucro real ou efetivo. É o caso, por exemplo, de permuta de um bem por outro cuja realização em dinheiro, ou em direitos com liquidez, depende de nova troca no mercado. Nesse caso não há realização do lucro potencial, mas sua transferência de um bem para outro.” (Grifamos) Como se conclui, a disponibilidade jurídica ou econômica da renda somente se verifica quando o contribuinte verificar um ganho, cujo valor é determinado ou determinável, cuja liquidez pode ser auferida. Não cabe falar em disponibilidade no caso de ganho potencial, que não seja economicamente mensurável. É o que se pode concluir das lições de JOSÉ ARTHUR LIMA GONÇALVES14: 12SOUSA, Rubens Gomes de. “Pareceres1 Imposto de Renda”. Ed. Resenha Tributária, 1975, p 66. 13 PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de Renda – Pessoas Jurídicas. Volume I Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979, p. 281. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 32 “Outro ponto, sobre o qual parece não haver dúvida séria, diz respeito ao conteúdo mínimo do conceito de renda como sendo categoria que corresponde a um acréscimo, um algo mais, um aumento, e tudo isto constatado ao cabo de um dado período considerado. E este acréscimo – que é economicamente mensurável – é precisamente o elemento que manifesta a capacidade contributiva de quem o percebe, e por isso a titula – a capacidade contributiva.” Assim, tanto a legislação, quanto a doutrina, consagraram como fato imponível para fins de imposto de renda, a aquisição de riqueza nova, de majoração de patrimônio Somente é tributável o ganho, quando este for realizado. Aliás, este é o entendimento que se encontra plasmado na legislação base do Imposto de Renda, consoante se verifica na Exposição de Motivos do Ministério da Fazenda do projeto do Decretolei 1.598/1977: “(...) o presente (projeto) adota a orientação geral de submeter os ganhos de capital ao imposto somente quando realizados, isto é, quando a pessoa jurídica tem condições financeiras para suportar o ônus tributário” (Grifamos) Assim, considerase o ganho como realizado quando o contribuinte tiver condições financeiras de suportar o respectivo ônus tributário, o que justifica, por exemplo, a não tributação de ganhos potenciais. A tributação somente tem o condão de alcançar fatos nos quais ocorre a transformação de ativos em moeda. Ressaltese que a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em ocasiões anteriores já entendeu de maneira semelhante, manifestandose sobre a inexistência de disponibilidade sobre a renda nos casos de variação positiva de participação societária não realizada. Nesse sentido, ao analisar a questão referente à tributação da permuta de ações, a PGFN concluiu, no Parecer PGFN nº 970/91, que em matéria de tributação da variação positiva de participação societária, somente há renda tributável no momento da efetiva negociação das ações, e não na sua permuta. Vejamos: “15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital entre a aquisição do título por 40 e o valor 100 conferido na troca, creio que haveria obstáculos jurídicos, relativamente ao aspecto temporal do fato gerador e própria base de cálculo. (...) 16. É evidente que o momento não seria aquela da troca, mas sim quando o particular vendesse a participação acionária Fl. 963DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 18 33 trocada. E, ainda, não existiria base de cálculo, pois o valor referencial em cruzeiros no leilão existe somente como estímulo à troca dos bens (papéis públicos). 17. Esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte, e, em consequência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” (Grifamos) Posteriormente, a PGFN, no Parecer PGFN nº 454/92,reiterou que antes da negociação da participação societária não há incidência de Imposto de Renda, acrescentando que o valor atribuído aos bens permutados não corresponde aos seus respectivos preços, tendo em vista tratarse de mera substituição de bens, e não da sua compra e venda. Confirase: 20. O momento do fato gerador do imposto sobre maisvalia é o da alienação do bem por um preço que ultrapasse a reposição do capital, realizandose só neste momento o ganho de capital. Ora, como bem acentuou Pontes de Miranda, na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro, conseqüentemente inexiste fato gerador do tributo. Poderseia dizer, no caso da permuta, sem torna de dinheiro, que o momento da incidência seria deferido no tempo. 21. Criarse, fictamente, na permuta de bens, um ganho de capital é violar o próprio patrimônio A sua tributação configuraria, por conseguinte, imposto sobre a propriedade e não sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Não existe lei mandando cobrar imposto na permuta de bens, não onerosa Ainda que existisse tal diploma legal, seria fulminado pelo vicio insanável da inconstitucionalidade. (...) Ressalta notar que na permuta pura e simples os contratantes não são movidos pelo valor monetário ou, em outras palavras, preço dos bens envolvidos, mas sim pelo caráter hedonístico, ou seja, o valor intrínseco de utilidade que os bens permutados terão para cada uma das partes individualmente. É por isso que a doutrina afirma que em cada um dos patrimônios, o que ocorre é mera substituição de um bem de uma natureza por outro de natureza diferente, independente de qualquer referência a preço de mercado, seja este amplo e aberto ou restrito e dirigido como ocorre no leilão.”(Grifamos) Fl. 964DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 34 Como se pode concluir, a PGFN, em seus pareceres,concluiu de maneira irretocável e com clareza ímpar, que não incide tributo nas situações de troca de ativos, seja pela ausência de disponibilidade sobre renda, seja porque referidas operações não tem cunho monetário, na medida em que, nelas, considerase somente o valor intrínseco da utilidade dos bens permutados (e não o seu preço). As conclusões dos pareceres da PGFN se aplicam integralmente às operações de incorporações de ações, pois nelas verificamos, tanto a ausência de preço quanto a não manifestação da vontade individual dos acionistas, de forma que podemos considerala como uma troca de ativos sem cunho monetário, incapaz de gerar, de per si, acréscimo patrimonial. O grande acerto dos pareceres da PGFN baseiase no fato de que, nas operações de trocas de ativos, por não haver um ganho efetivo, qualquer exação imposta acabaria por atingir o patrimônio do contribuinte, o que, claramente fere todos os princípios que balizam a incidência do Imposto de Renda. Diante do exposto podemos concluir que a incorporação de ações realizada pelo contribunte: i. é uma figura jurídica prevista na Lei das S/A, especificamente em seu artigo 252; ii. não pode ser equiparada a uma alienação de bens ou incorporação de sociedades, tendo em vista que não há liquidação das sociedades envolvidas na operação, apenas , havendo uma mera subrogação de direitos, entre as sociedades envolvidas na operação; e, iii. não esta sujeita ao imposto de renda tendo em vista que não há fato gerador tributável no momento da sua realização, pois não há disponibilidade jurídica e econômica de renda ou efetivo acréscimo patrimonial. Desta forma, entendo que o recurso do contribuinte deve ser provido. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 965DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 19 35 Declaração de Voto Conselheiro Jimir Doniak Junior O tratamento tributário da operação de incorporação de ações vem gerando bastante debate. Compreendese a razão. Além de outros motivos, tratase de tema que propicia argumentos relevantes tanto para a conclusão de que acarretaria a tributação, como no sentido oposto. De minha parte, em estudos anteriores, havia concluído no primeiro sentido. Mais recentemente, em função de reflexões a partir de novos trabalhos jurídicos sobre o tema, alterei meu entendimento. Gostaria de consignar, brevemente, as razões. Sempre me impressionaram as manifestações doutrinárias, no âmbito do direito societário, no sentido de a incorporação de ações ser uma forma de criação de subsidiária integral, que se dá por meio da integralização de aumento de capital da sociedade incorporadora das ações, embora submetida a certas especificidades. Ou seja, ainda que com um objetivo específico regulado pela legislação e com forma específica, haveria a integralização de aumento capital com a entrega de bens. Para fins tributários, portanto, deveria ser aplicado o artigo 23 da Lei nº 9.249/95 quando envolvida pessoa física: sendo entregues bens por valor distinto do constante da declaração de bens, a diferença a maior seria tributável, como ganho de capital. Esse raciocínio, que parece claro e escorreito, deixa, porém e a meu ver, de atentar para características importantes da tributação. A hipótese de incidência do imposto sobre a renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos. A par de discussões quanto à diferenciação entre disponibilidade econômica e jurídica, temse entendido que, para legitimar se a tributação, para a incidência da norma, a renda deve estar disponível, deve ter se realizado. É decorrência não só do artigo 43 do CTN, mas também do princípio da capacidade contributiva. A despeito de ponto relevante, até aqui não é solucionada nenhuma questão, pois somos conduzidos à indagação de quando a renda estaria disponível, quando ela teria se realizado. Em trabalhos teóricos, chegase a afirmar que, em relação à renda derivada da venda de um bem produzido pelo contribuinte, poderseia considerála em diferentes momentos, a depender do objetivo que se tem em vista: quando da contratação da venda, ou quando da produção do bem (momento em que nasce uma nova riqueza, o novo bem formado a partir de outros bens e de valor superior a esses), ou quando da entrega desse bem ao comprador, ou quando do recebimento do pagamento. Em qual ou quais desses momentos poderseia reputar realizada a renda para fins de tributação? Vários elementos devem ser considerados para firmar uma posição. Entre eles estão o cumprimento das obrigações para fazer jus ao direito de receber o preço e a mensurabilidade e liquidez do direito recebido. Sem o cumprimento de obrigações, renda nenhuma se adquiriu (pode ter se adquirido a propriedade do novo bem produzido, mas não a renda) e sem mensurabilidade e liquidez não se sabe que renda teria sido adquirida. É obedecida, assim, a exigência de segurança, de certeza, para evitar a tributação de suposto ganho que poderia não se confirmar. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 36 Penso, porém, que não bastam esses pontos. É imprescindível aprofundar mais. A tributação sobre a renda difere da tributação sobre o patrimônio, entre outras razões, porque naquela temse uma visão dinâmica da realidade, enquanto nesta a visão é estática. Percebese bem isso na própria dicção da hipótese de incidência do IR: a aquisição da disponibilidade da renda. Para verificar se houve ou não renda, fazse a comparação entre o momento inicial e o momento final de certo período, devendo existir uma diferença consistente em antes não se ter a adquirido tal disponibilidade e depois ela ter sido sido adquirida. Por isso, particularmente em regime de caixa / disponibilidade econômica, situações que caracterizem uma continuidade, sem alteração consistente na aquisição da disponibilidade da renda, não propiciam a incidência da norma de IR. Somos conduzidos, então, a uma nova indagação: que continuidade seria essa e que alteração seria essa? A meu ver, a resposta deve ser encontrada nas noções fundamentais da tributação pelo IR. A aquisição de disponibilidade da renda seria um fato jurídico? Bastaria verificar se teria ocorrido uma alteração da situação patrimonial jurídica do contribuinte, ou seja, uma alteração no seu catálogo de direitos e obrigações? Desse modo, bastaria ter surgido um direito antes inexistente, para estar configurada a falta de continuidade? Ou a aquisição de disponibilidade de renda seria um fato econômico, devendo ser verificada uma alteração do patrimônio do contribuinte sob o ponto de vista econômico, não bastando a substituição de um direito por outro se, em substância econômica, nada de relevante teria sido alterado? Somos de opinião que a hipótese de incidência do imposto sobre a renda é um tipo funcional e não estrutural, na classificação divulgada por Alberto Xavier. Ou seja, tratase de uma circunstância de fato e não um ato ou negócio jurídico. Assim, a despeito de muitas vezes a legislação, ao regrar situações específicas que afetarão a formação da base de cálculo do IR, utilizar atos ou fatos jurídicos – portanto, utilizandose de tipos estruturais –, em seu fundamento/base o IR é um tributo de tipo funcional. É o que explica Bulhões Pedreira, com a precisão habitual: “A aquisição do direito à renda não se confunde, todavia, com a aquisição da disponibilidade da renda: aquisição de direito é o fato jurídico de a pessoa ocupar a posição de sujeito ativo e de o direito aderir à pessoa que ocupa essa posição; enquanto que a aquisição da disponibilidade de renda é o fato econômico de a pessoa obter o poder de dispor do objeto do direito adquirido. A aquisição da disponibilidade da renda pode também ser analisada como fato jurídico, porque a atividade econômica social é organizada pelo Direito e todo fato econômico é causa de criação, modificação ou extinção de direitos patrimoniais; mas a lei, que faz a obrigação tributária nascer de situações de fato e não como efeito de fatos jurídicos, considera a aquisição da disponibilidade da renda na sua natureza de fato econômico, e não de fato jurídico.” (“Imposto de renda – Pessoa jurídica”, vol. I, Justec, 1979, p. 196 – sublinhamos). Se a aquisição da disponibilidade da renda é fato econômico, também a realização, configuradora de tal aquisição, é realização econômica e não jurídica. E a situação de continuidade, não caracterizadora de aquisição de disponibilidade e de realização, é a continuidade econômica, não sendo a nota definidora a falta de continuidade jurídica (embora, por óbvio, essa não seja irrelevante, pois pode indicar a falta de continuidade econômica). Fl. 967DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 20 37 É essa posição que em minha opinião explica em parte porque ao menos certas operações de permuta não significam realização de eventual ganho potencial contido no bem permutado e disponibilidade de nova renda, apta a ser tributada (mesmo quando é feita uma avaliação do valor de mercado dos bens permutados). Nelas não ocorre uma mudança da posição patrimonial sob o ponto de vista econômico. Embora sem destacar explicitamente a perspectiva econômica, Victor Borges Polizelli, em sua justamente elogiada obra “O princípio da realização da renda”, lembra Brandão Machado ao tratar do requisito de mudança da posição patrimonial para que se dê a realização: “Notase, portanto, que a realização da renda exige a mudança da posição patrimonial, ou, como resumido por Brandão Machado, a ‘mudança na forma ou na substância da propriedade do contribuinte (ou dos direitos), (...). Neste particular, Klaus Tipke menciona que a ausência de mudança na posição patrimonial costuma ser a justificativa para que determinadas operações de permuta de bens similares sejam eximidas de tributação, pois tais transações deixam o contribuinte na mesma posição patrimonial anterior” (IBDT/Quartier Latin, 2012, p. 260 e 261). Mais à frente em sua obra, o mesmo autor trata em um tópico das chamadas “situações de continuidade (realização incompleta)” e especificamente de atos de reorganização societária, como incorporação, fusão e cisão: “Voltando a atenção para a própria empresa que será incorporada, fusionada ou cindida, podese falar de continuidade da situação patrimonial no sentido de que, antes e depois das operações, os patrimônios empresariais envolvidos nas operações continuarão a ser substancialmente os mesmos (com relação a seus elementos, embora, não quanto a seus titulares diretos), sem que se verifique qualquer acréscimo de direito novo ou transação com o mercado que pudesse gerar mudança da posição patrimonial” (ob. cit., p. 331 – sublinhamos). O autor lembra, então, antigos Pareceres Normativos que foram na mesma direção. No PNCST 6/85 afirmase ser entendimento consagrado da Secretaria da Receita Federal o de que nas operações de incorporação, fusão e cisão não acontece descontinuidade na vida das empresas, havendo transposição de patrimônio de uma pessoa jurídica para outra. Já no PNCST 39/81 concluise que também nos casos de incorporação, fusão e cisão as novas ações recebidas pelo acionista não levam ao reinício da contagem do prazo de 5 anos para benefício fiscal de desoneração do imposto em eventual ganho de capital. Os casos parecem ter em comum a inexistência de uma mudança na posição patrimonial econômica. Também podem ser lembrados aqui os pareceres da PGFN na época do processo de desestatização. No Parecer PGFNPGA n. 970/91 foi afirmado que o Estado pretendia também diminuir o défict público. Por isso, ele se desfazia de um bem de seu ativo e, em troca, recebia um título de crédito que onerava seu passivo. Por isso, os particulares e o Estado participavam de um operação de troca (permuta). Já no Parecer PGFNPGA n. 454/92 o tema é retomado e a doutrina de Pontes de Miranda é lembrada para afirmar que na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro. Acrescentase também que na permuta os contratantes não são movidos pelo valor monetário, pelo preço dos bens envolvidos, mas, sim, pelo próprio bem, pelo valor intrínseco da utilidade dos bens permutados. Essas diferentes situações parecem ter em comum com a incorporação de ações: (a) a falta de busca em transformar a riqueza potencial latente em um bem em riqueza realizada (e não mais potencial), (b) a inexistência de mutação patrimonial econômica Fl. 968DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 38 (substituise a participação societária em uma empresa por participação societária em outra empresa no bojo de uma reorganização societária), (c) a consequente continuidade da situação patrimonial econômica e (d) a não movimentação pelo valor econômico, pelo preço, mas, sim, pelo próprio bem. Cabe, então, indagar se, na incorporação de ações, o acionista que tem suas ações incorporadas tenciona desfazerse dessa parte de seu patrimônio e se se substancialmente dela se desfaz. A resposta é negativa. No caso concreto, os acionistas da sociedade cujas ações foram incorporadas não tencionavam se desfazer de suas ações. A intenção era de juntar forças, que o patrimônio que já dispunham continuasse com eles, mas agora em conjunto com o de outra empresa, formando uma entidade maior e potencialmente mais valiosa. Não tencionavam se desfazer do patrimônio e dele não se desfizeram, ao menos não economicamente. De certa forma, embora a incorporaçao de ações aproximese de uma permuta, nela parece estar ainda mais distante a realização. De qualquer modo, em alguns aspectos incorporação de ações e permuta entre bens de idêntica natureza se aproximam. Aplicase à incorporação de ações o que a a PGFN falou quando da desestatização: o leilão estava “(...) desvinculado da moeda (cruzeiro) e sim diretamente vinculado à quantidade de títulos oferecidos em troca da participação acionária, (...)” e o objetivo final do leilão “(...) não são os cruzeiros, mas a maior quantidade de títulos públicos” (Parecer PGFNPGA n. 970/91). Igualmente na incorporação de ações não se quer uma quantidade de reais, não se trata de uma dívida de dinheiro. Em outras palavras, tal qual a permuta, as partes não são movidas pelo valor monetário das ações, mas, sim, pelo próprio bem, pelo valor intrínseco da utilidade dos bens permutados. Nesta parte, com as devidas vênias que os autores merecem, pareceme que Luís Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Júnior seguem por caminho equivocado em seu estudo sobre o tema (“Incorporação de ações: natureza societária e efeitos tributários”, RDDT 200/4472). Os autores procuram diferenciar o que ocorre, de um lado, no processo de incorporação de ações e, de outro, na permuta. Argumentam, então, que na incorporação de ações há subscrição de aumento de capital, pelo qual alguém comprometerseia a entregar recursos à companhia. Indagam, então, se alguém poderia prometer entregar imóveis, equipamentos ou ações à sociedade emissora das acões. Respondem negativamente. Quem subscreve o capital comprometerseia a por à disposição da companhia certa quantia em dinheiro (lembrando que subscrever o capital é diferente de integralizálo, o que poderia ser feito em bens). Logo, a subscrição não envolveria, por essência, a troca de bens por ações. Ao ler o estudo referido, poderseia ter a impressão que na incorporação de ações, por envolver subscrição de aumento de capital, haveria como que o mero cumprimento de obrigação que poderia se dar mediante diferentes formas, como a entrega de dinheiro ou até de outro bem qualquer. Bem ao inverso, porém, no bojo de uma operação de incorporação de ações, a empresa incorporadora, que tem seu capital aumentado, não aceita na integralização de tal capital qualquer outra coisa senão as ações da sociedade que deverá se transformar em subsidiária integral. Os autores parecem dar menor importância ao fato de a incorporação de ações só ocorrer se forem entregues as ações da sociedade que se transformará em subsidiária integral. Seria no mínimo esdrúxulo que um dos acionistas da sociedade cujas ações serão incorporadas pretendesse entregar qualquer outra coisa senão essas ações. Mesmo dinheiro não será aceito pela sociedade incorporadora. Assim é justamente porque não se almeja o simples aumento de capital. Almejase o recebimento daquele bem específico, as ações da sociedade que passará a ser subsidiária integral. Por conseguinte, notase a diferença com a simples subscrição e integralização de aumento de capital. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 21 39 Na verdade, na incorporação de ações há, sim, subscrição de aumento de capital. No entanto, não se trata de subscrição comum. Nela, há a obrigação específica de serem entregues ações de uma empresa particular, recebendose em troca ações da sociedade “incorporadora”. Não é uma obrigação de dinheiro. Perceptível, então (contrariamente ao que dizem os dois autores), a diferença entre operações como incorporação de ações ou de permuta, sob o signo da continuidade patrimonial, com a dação em pagamento com bens, eventualmente para a integralização de um aumento de capital. Nesta não há continuidade da situação patrimonial. O devedor tem uma dívida de dinheiro, mas que é paga com bens. Há modificação da situação patrimonial e a riqueza potencial eventualmente presente no bem se realiza. Não à toa, o CARF tem diferenciado operações de permuta e a dação em pagamento: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS PESSOA FÍSICA – DAÇÃO EM PAGAMENTO – PERMUTA. Não podemos confundir a dação em pagamento onde há ingresso de rendimento no patrimônio do contribuinte com a permuta que é mera troca patrimonial de bens que não representaria acréscimo patrimonial, ressalvando os casos em que há o pagamento de torna.” (ac. 340200.048, sessão de 05.03.2009, 4ª Câm., 2ª Turma Ordinária, 3ª Seção, rel. o Cons. Pedro Anan Jr.). “IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. VENDA DE UNIDADE IMOBILIÁRIA. RECEITA OPERACIONAL. A realização de receita operacional pela venda de unidade imobiliária construída pelo sujeito passivo, mediante recebimento de parte de pagamento em imóveis a título de dação em pagamento, cuja transação foi celebrada por contrato de promessa de compra e venda de imóveis, não caracteriza permuta de imóveis para fins de exclusão a título de permuta.” (ac. 110200.020, sessão de 26.08.2009, 1ª Câm., 2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, rel. o Cons. José Carlos Passuelo). Na doutrina, em seu livro sobre o tema de incorporação de ações, Ricardo Mariz de Oliveira também cuida de diferenciar, de um lado, a dação em pagamento e, de outro lado, operações como a de permuta: “Esta distinção é essencial para compreender o art. 65, porque dação em pagamento não é ato jurídico (como o é a incorporação de ações) nem negócio jurídico (como o é a permuta), mas, sim, é modalidade de extinção de obrigação” (“Incorporação de ações no direito tributário”, Quartier Latin, 2014, p. 132). Há, portanto, diferença relevante entre operações que envolvem dação em pagamento, como a integralização de aumento de capital em bens, e outras operações, como a incorporação de ações, em que não se almeja a realização da riqueza potencial do bem e na qual este continua, ainda que de forma diferenciada, no patrimônio do contribuinte. O tema levanta ainda outras reflexões. Destaco uma, à qual, penso, os debates não estão dando a importância devida. Qual teria sido a razão para o legislador, criador da Lei n. 6.404/76, ter chamado a operação societária ora em análise de “incorporação de ações”? Poderia têla batizado com outro nome. Ao invés disso, adotou o nome de “incorporação”. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 40 Lembremonos que a Lei das S/A é uma das normas tecnicamente melhor feitas em nosso ordenamento. Até hoje, quase 40 anos depois, ela continua a ser objeto de admiração dos especialistas da área e muitas vezes ainda os surpreende com soluções originais que não tinham sido devidamente percebidas. É possivelmente um equívoco pressupor que o legislador tenha atuado de forma descuidada, descompromissada ou disparatada na escolha do nome dessa operação societária. Por conseguinte, o ponto vale uma reflexão. A justificativa do Projeto de Lei que deu origem à Lei n. 6.404/76 assim comenta: “A incorporação de ações, regulada no artigo 253 é meio de tornar a companhia subsidiária integral, e equivale à incorporação de sociedade sem extinção da personalidade jurídica da incorporada”. Com efeito, sob certa ótica podese dizer que a incorporação de ações equivale à incorporação normal (ou que ambas compartilham características importantes), diferenciandose dela por não acarretar a extinção da incorporada. Tal como na incorporação normal a integralidade do patrimônio da sociedade cujas ações são incorporadas passa a ser detido pela sociedade incorporadora. Em uma operação, na incorporação normal, o patrimônio da sociedade incorporada passa a ser integralmente de propriedade direta da incorporadora, na outra operação, incorporação de ações, o patrimônio da sociedade “incorporada” também passa ser integralmente de propriedade da incorporadora, embora indiretamente. Não se está, aqui, afirmando que as operações se igualam, ou que a diferença entre elas é irrelevante. É óbvio que são diferentes. O que se afirma é que, sob certos pontos de vista, não se diferenciam tanto assim. E, justamente, sob a ótica do acionista proprietário das ações que são incorporadas não parece existir diferença com a incorporação normal. Seja na incorporação normal, seja na incorporação de ações, ele, que até certo momento era detentor de ações de uma empresa, deixa de sêlo e passa a ser sócio de outra empresa. Para ele, é irrelevante o fato de a empresa da qual ele era acionista deixar de existir por ter sido incorporada, ou passar a ser subsidiária integral porque teve suas ações incorporadas. Não só, na incorporação normal também ocorre um aumento de capital da sociedade incorporadora. Na incorporação de ações igualmente será avaliado o valor do patrimônio que ingressará na sociedade incorporadora, pois os acionistas da sociedade a ser incorporada não aceitarão que se ignore o valor de mercado de seus bens (as ações), adotandose o valor histórico e, com isso, transferindo riqueza para os acionistas da sociedade incorporadora. Outra coincidência entre incorporação normal e incorporação de ações sob a ótica do acionista, pessoa física (e, por extensão, do domiciliado no exterior): em ambos os casos não há previsão legal específica e expressa de qual tratamento tributário a ser adotado. No entanto, entendese que na incorporação normal não há aquisição de disponibilidade, não há realização da riqueza potencial contida na ação da sociedade incorporada (nessa linha, inclusive, os antigos PNsCST antes mencionados). Frente a isso perguntase: qual a razão para reservar para a incorporação de ações um tratamento tributário distinto? Apenas em razão de uma diferença totalmente externa ao acionista, ou seja, a sociedade ser incorporada ou passar a ser subsidiária integral da sociedade incorporadora? Em minha opinião e com a devida vênia, não parece haver fundamento racional para concluir, via interpretação, que seria razoável esse tratamento distinto. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.721059/201353 Acórdão n.º 2202002.980 S2C2T2 Fl. 22 41 Acredito que a linha de interpretação aqui sustentada casa melhor com toda a sistemática do imposto sobre a renda. Afirmar que toda e qualquer alienação de bem tem o potencial de ser realização da riqueza potencial e, por isso, aquisição de disponibilidade da renda a meu ver deixa sem resposta porque sempre se entendeu que na incorporação normal não haveria realização, aquisição de disponibilidade e prática da hipótese de incidência do IR. O mesmo se diga da permuta. Na incorporação normal e na permuta, como visto, ocorre indubitavelmente alienação: aquele que era detentor do bem “A” deixa de sêlo e passa a ser o detentor do bem “B”. Por que algumas alienações levariam à tributação e outras não? A questão não pode ficar sem resposta. A meu ver, a resposta é que, em algumas operações, mesmo ocorrendo uma alienação há uma continuidade da situação patrimonial econômica, não há realização e, por via de consequência, a hipótese de incidência do IR não se materializa. Não ignoro que a operação de incorporação de ações pode ser utilizada em planejamentos fiscais destituídos de substância, por exemplo, para somente propiciar o registro de um ágio e sua posterior amortização, mas sem gerar ganho de capital. No entanto, casos assim (que definitivamente não é a hipótese concreta em análise) geralmente podem ser – como têm sido – impugnados com base em outras razões mais fundamentadas. Talvez fosse o caso de se pensar em uma alteração legislativa. No entanto, não cabe pretender dar certo tratamento tributário inadequado genericamente, apenas devido à potencialidade de gerar abusos. Assim, tenho por lamentáveis as razões de veto da Presidência da República ao artigo 10 do Projeto de Lei de Conversão n. 18/2014. Mais uma vez preferese cometer uma injustiça tributária com muitos em razão dos abusos praticados por uma minoria, sendo que o problema poderia ser eficazmente combatido com uma norma elaborada com mais esmero e com maior dedicação no trabalho de fiscalização por parte da Administração Fiscal. Preferese, no entanto, o caminho fácil, mas injusto, de um tratamento geral inapropriado para a minoria. Por todos esses motivos e novamente com vênia pelas respeitáveis opiniões em sentido contrário, dou provimento ao Recurso Voluntário. Jimir Doniak Junior Fl. 972DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 13020.000006/2003-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece do recurso quando a análise do exame de erro é superado pela matéria de direito superveniente.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Maria Teresa Martínez López - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Não se conhece do recurso quando a análise do exame de erro é superado pela matéria de direito superveniente. Recurso Especial da Fazenda Nacional Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Maria Teresa Martínez López Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 0. 00 00 06 /2 00 3- 41 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 463 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial Interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário. Em exame recurso do contribuinte contra decisão da DRJ Porto Alegre que homologou apenas parcialmente compensações comunicadas em Declaração de Compensação (Dcomp) entregue em 09 de janeiro de 2003. Nela, a empresa informou que se considerava detentora de crédito passível de ressarcimento no montante de R$ 10,608,77, originado de crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, e o estava utilizando para liquidar débitos vencidos nos anos de 2001 e 2002 de outros tributos. Essas declarações foram examinadas pela DRF Caxias que homologou integralmente as compensações comunicadas em despacho decisório exarado em 15 de agosto de 2005 pelo chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, por delegação de competência. Esse despacho (fl. 287) foi proferido apenas com base nos documentos constantes no processo administrativo, sem exame da efetiva apuração do montante do crédito registrado na escrita fiscal. Para tanto, a DRF notificou a empresa (fl. 244) a apresentar cópias das folhas do livro de apuração do IPI relativo ao quarto trimestre de 2002, a que se refere a Dcomp, e daquela em que constasse o estorno do crédito, além de cópia da “Declaração do Crédito Presumido” relativa ao mesmo trimestre. Com esses documentos, a autoridade considerouse suficientemente embasada para homologar integralmente as compensações comunicadas e assim o fez, embora com a ressalva “contudo, fica reservado à Fazenda Nacional, no interesse da fiscalização, a verificação posterior da exatidão da escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica”. De fato, mesmo já homologadas, dessa forma, as compensações, foram efetuadas, já em 2007, verificações do montante postulado em ressarcimento, agora sim levando em conta a escrituração fiscal do contribuinte. Concluiu, então, a fiscalização (fls. 309/310) que a empresa o havia postulado em duplicidade, pois não descontava do montante até o mês em consideração aquilo que já havia sido postulado anteriormente. Em outras palavras, a cada trimestre a empresa postulava o saldo acumulado até ali. Com isso, em relação ao quarto trimestre de 2002, objeto deste processo, já não mais haveria qualquer crédito a ser aproveitado, visto que o montante já postulado até o trimestre anterior (R$ 12.874,25) superava o montante válido para todo o ano, que era o registrado neste processo: R$ 10.608,77. Em outras palavras, nos processos relativos aos primeiro, segundo e terceiro trimestres a empresa já havia postulado R$ 2.265,48) a mais do que teria direito, devendo este saldo negativo ser abatido do montante a ser deferido Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 464 3 no primeiro trimestre de 2003. Propôs, por isso, não fossem homologadas as compensações pleiteadas às fls. 01/03. Com base nessas informações produzidas pela fiscalização da DRF em Caxias do Sul, seu chefe da Seort – mesma autoridade que prolatara o primeiro despacho – proferiu nova decisão (fls. 313/316) anulando o despacho decisório anterior e “desomologando” as compensações já. Determinou, em conseqüência, a cobrança dos débitos que haviam sido extintos por compensação dois anos antes. Como fundamentação, aduziu o principio da legalidade e a possibilidade, e dever, da Administração Pública de rever, de oficio, os seus atos e anulálos quando eivados de ilegalidade. Bastaria, para tanto, que o fizesse no prazo de cinco anos previsto no CTN. Contra esse novo despacho, de que teve ciência em 05/10/2007, insurgiuse o contribuinte, mas os argumentos do despacho reformador foram integralmente referendados pela DRJ Porto Alegre. Complementarmente, na decisão de que se recorre, o i. relator afastou a alegação de decadência do direito da Fazenda à exigência dos débitos sob o argumento de que não se processara lançamento daquelas exações, providência que seria desnecessária por estarem eles todos declarados em DCTF, e serem, pois, passíveis de cobrança sem necessidade de novo lançamento. Também afirmou que não cabe falar em decadência quanto ao direito da Fazenda de analisar o direito creditório do contribuinte e que “o exame da documentação que comprove a veracidade e a liquidez do crédito reclamado” pode ser feito “pela autoridade fiscal, a qualquer tempo”. O recurso tempestivamente ofertado insiste na tese de que o crédito que se lhe pretende cobrar já estava afetado pela decadência e que o despacho inicial não poderia ser alterado, pois consubstanciou mero entendimento da administração tributária sobre a matéria, e que tais “entendimentos não podem ser alterados da noite para o dia sem que haja um prejuízo para às (sic) pessoas em geral”. Defende que em 2007 houve “alteração do posicionamento da autoridade”e que a empresa não pode ser compelida, por isso, a pagar acréscimos moratórios sobre os débitos já compensados. Repete, por fim, a postulação de realização de perícia para demonstrar que “os cálculos se anulam”, bem como a necessidade de se compensar, ao menos, os débitos exigidos em carta de cobrança com aqueles que incidiram sobre o próprio crédito presumido deferido e reconhecido pela empresa como receita (IRPJ, CSLL PIS e COFINS). Recurso Especial da Fazenda Nacional às fls. 435 a 445. Despacho de admissibilidade às fls. 447 a 449. O sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço o recurso e passemos à análise do mérito. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 465 4 Em que pese não ter sido objeto do presente recurso, faremos uma breve análise da extinção do direito da fazenda de rever o ato e cobrar as diferenças porventura existentes. Em que pese a ocorrência do fato gerador ter se dado em março, junho e setembro de 2002, informados na declaração de compensação, sem ter apresentado as DCTF relativas ao período, e o despacho reformador ter sido exarado em 2007, com ciência em 05/10/2002, sendo esse o fundamento da alegação de decadência do contribuinte em sede de recurso voluntário, existe a previsão de homologação tácita dos débitos informados nas declarações de compensação, após 5 anos contados da data da entrega da declaração de compensação, conforme § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que foi incluído pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, hipótese que não se aplica ao presente caso, posto que as declarações de compensação, de fls. 01/03, foram entregues em 14/10/2002, e a ciência do despacho decisório reformador ocorreu 05/10/2007, fl. 340, portanto, ainda dentro do prazo para exame pela autoridade administrativa. Também não há que se falar em prescrição porque houve uma interrupção da contagem do prazo do prazo em 9 de janeiro de 2003, com a apresentação da DCOMP. Independentemente da declaração ter ou não o efeito de confissão de débito, previsto na lei 10.833, houve uma clara manifestação de reconhecimento do débito que, por si só, já é suficiente para a interrupção do prazo prescricional. Essa é a inteligência do art. 174, parágrafo único, IV, do CTN. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I pela citação pessoal feita ao devedor; I pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Como não há comprovação da apresentação de DCTF, não há como comprovar a data da constituição definitiva do crédito, tanto que o relator da instância ordinária, Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferiu o seu voto com proposta de diligência para que se comprovasse a data da constituição definitiva do crédito e de alguma medida que por ventura tenha ocasionado uma interrupção do prazo prescricional. Como foi vencido essas informações não foram acostadas aos autos. Porém a apresentação da DCOMP interrompeu o prazo, conforme exposto acima. Já a extinção do crédito tributário, de que trata o § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, somente se dá sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Isso significa que a entrega da Declaração de Compensação pelo contribuinte não extingue os débitos ali informados, mas dependem, ainda, de uma fase posterior, qual seja, do exame desta Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 466 5 Declaração pela autoridade administrativa, a qual irá homologar/validar ou não a compensação dos débitos declarados. Agora devemos delimitar de modo preciso o objeto da lide. Neste caso este colegiado deverá decidir apenas sobre a possibilidade de a autoridade que homologou expressamente uma compensação (DCOMP), expedir um outro ato (Despacho Decisório) anulando o anterior sob a alegação de constatação de que o contribuinte postulou em duplicidade, levando em conta a escrituração fiscal do contribuinte. O primeiro Despacho decisório foi baseado em declaração apresentada pelo contribuinte pela DRF Caxias sem o concurso de sua fiscalização. Com efeito, naquela unidade o chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, após requerer que a empresa juntasse aos autos o recibo de entrega da DCTF do segundo trimestre de 2002, a que se refere a Dcomp, bem como a demonstração realizada da apuração do crédito presumido, assim como a folha do livro de apuração do IPI em que constasse o estorno do crédito, proferiu despacho decisório homologando integralmente as compensações comunicadas pela empresa. Fez constar mesmo assim a ressalva: “contudo, fica reservado à Fazenda Nacional, no interesse da fiscalização, a verificação posterior da exatidão da escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica”. Em um segundo despacho decisório foi apurado que o contribuinte, com base na análise da documentação apresentada pelo contribuinte, que os pedidos de ressarcimento foram solicitados a maior. Como a atividade de lançamento é vinculada o Delegado da RFB, não só pode como deve corrigir os seus atos que foram emitidos com inexatidão. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O segundo despacho decisório corresponde a uma revisão de lançamento. Tal possibilidade está prevista no art. 145 c/c com o art. 149, ambos do CTN. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 467 6 II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. É indiscutível que a lei que trata de incidência tributária deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. Caso o erro em questão fosse a favor do contribuinte, também deveria ser revisto. Suponhamos que ao analisar os documentos entregues pelo sujeito passivo a autoridade fiscal verificasse que houve em erro que resultou em um gravame maior para o contribuinte. Ele teria a obrigação de rever o ato, atendendo assim, ao princípio da legalidade. Ora, em sentido oposto o ato também deve ser revisto. Ou seja, o erro contra o Estado também deve ser revisto, pelo mesmo princípio da legalidade. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 468 7 O povo é o elemento pessoal do Estado e o seu interesse também deve ser resguardado. Pó r isso existe o princípio da indisponibilidade do interesse público. Sabemos que os princípios são a base do ordenamento jurídico. A violação de princípios, por si só, já é motivo de nulidade dos atos administrativos. Os requisitos de validade do ato administrativo são : competência, finalidade, forma, motivo e objeto. O requisito da finalidade pública foi frontalmente violado, pois foi violado o princípio da legalidade e do interesse público. Sendo assim o ato de torna nulo. De modo diferente estaria sendo violado o princípio do interesse público para beneficiar o particular. Assim o ato viciado deve ser anulado pela autoridade o deve ser produzido outro saneado os vícios do ato anterior. Não resta dúvida que violação de princípio é um vício do ato administrativo. E ato viciado deve ser anulado. A possibilidade de anulação é jurisprudência pacífica no STF, que, inclusive, tem súmula publicada sobre o assunto. Súmula 473 A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS, QUANDO EIVADOS DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOGÁLOS, POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAÇÃO JUDICIAL. Constatamos que a autoridade deve fazer a revisão, mesmo no caso de Declaração de Compensação com homologação expressa. O art. 149, IV, prevê a possibilidade de revisão quando houver erro na declaração prestada pelo contribuinte. Foi o que ocorreu no presente caso. A declaração continha valores maiores do que os que efetivamente ensejariam a restituição no montante homologado em Despacho anterior. Também podemos afirmar que o primeiro despacho decisório é ilegal porque foi exarado com base em premissas falsas, que foram as informações incorretas prestadas pelo contribuinte. Como o lançamento é um ato vinculado e deve ser feitos nos estritos limites da lei, podemos afirmar que a ilegalidade contida no primeiro despacho decisório pode e deve será sanada. É o poderdever do administrador de rever os atos administrativos ilegais. A decisão da instância a quo, foi pela impossibilidade da anulação do despacho decisório que homologou expressamente a DCOMP apresentada, sob a seguinte ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. ANULAÇÃO .INCABÍVEL. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 469 8 É incabível a anulação de despacho homologatório de compensação declarada, que implementa a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, para fazer renascer o crédito tributário extinto na forma da lei. A legislação e a doutrina pátria são deficientes quando se trata das nulidades no processo administrativo fiscal. A Lei 9.784/99 deverá ser usada subsidiariamente para os casos omissos. O art. 53 da referida lei é explícito ao dizer que a administração tem o poder de anular os seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Tanto o recém publicado Decreto nº 7.574/11 como o Decreto 70.235/72, possuem artigos, cujos excertos reproduzimos abaixo, que tratam da nulidades dos atos administrativos tributários. DECRETO Nº 7.574, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011. (...) Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art. 14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61). DECRETO 70.235/72 (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 470 9 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.(grifei) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Podemos perceber que as hipóteses de anulação de atos que não contém vícios de validade em sua origem são muito restritas. Porém fora dessas restritas possibilidades, temos os princípios jurídicos que, violados, ensejam a anulação do ato. Esse é o pensamento majoritário na doutrina e jurisprudência pátrios. No art. 59 não consta como capaz de motivar a invalidação do ato administrativo tributário a verificação posterior de fatos que possam modificar o conteúdo dos atos, exceto os hipóteses nele previstas. O art. 60 corrobora o entendimento do artigo anterior de se considerar exaustivas as hipóteses de invalidação do ato. Porém o próprio art. 60 traz uma única hipótese de anulação do ato fora das hipótese do art. 60 e que possa trazer prejuízo ao sujeito passivo. É quando o contribuinte der causa às irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF. Nesse caso o ato poderá ser anulado fora das hipóteses desse artigo. Nesse caso foi o contribuinte que deu causa a invalidação, quando fez constar na DCOMP declarações inexatas, que foram percebidas somente quando se verificou documentação da empresa. Nesse caso específico a autoridade prolatora do ato não só pode como deve anular o ato e editar outro sanando as incorreções apuradas. Mesmo que o delegado da DRF tenha homologado expressamente a DCOMP originária, ele fez a ressalva de que o ato poderia ser revisto quando da análise da escrituração contábil ou a apuração de outros elementos que comprovassem a inexatidão dos dados inseridos na DCOMP e informados pelo sujeito passivo. Temse claro desse modo que a situação fática ora posta se enquadra perfeitamente na exceção prevista na lei (art. 59 do PAF) e permite a anulação do ato produzido com incorreções materiais e a sua substituição por outro com os dados fidedignos Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 471 10 apurados posteriormente em escrituração contábil. O art. 53 da Lei 9.784/99 e a Súmula 473 do STF corroboram esse entendimento. Em face do exposto, voto pelo provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo a decisão da DRJ. Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheira Maria Teresa Martínez López, Redatora Designada Ouso discordar do ilustre Relator. Penso, que antes de discutir o mérito propriamente, deve ser analisado a admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, discordando do acórdão dos Conselhos, interpôs recurso especial, sustentando, em síntese, ter ocorrido contrariedade às provas. 1 Defende que, “estando provado nos autos, que ocorrera erro anterior, é dever da Administração retificar seus atos, sob pena até mesmo de falta funcional.” A ementa da decisão recorrida está assim redigida: (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. ANULAÇÃO. INCABÍVEL. É incabível a anulação de despacho homologatório de compensação declarada, que implementa a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, para fazer renascer o crédito tributário extinto na forma da lei. NORMAS GERAIS. TRIBUTOS RECOLHIDOS FORA DE PRAZO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Sobre os tributos e contribuições não recolhidos no prazo legal são devidos os acréscimos moratórios, consubstanciados em multa e juros de mora, previstos no art. 61 da Lei n° 9.430/96. NORMAS PROCESSUAIS. ÔNUS DA PROVA. 1 RICSRF Portaria 147/2007 "Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou a evidencia da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária a Fazenda Nacional. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 472 11 Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete à parte ré a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A partir da edição da Lei n° 10.637/2002, a compensação de tributos e contribuições, por iniciativa do contribuinte, requer a apresentação de Declaração à SRF. Recurso provido. Consta do voto vencedor da decisão recorrida, o que a seguir peço vênia para reproduzir: Divirjo do Ilustre Conselheiro Relator quanto à possibilidade de anulação do despacho decisório que homologou as compensações declaradas pela recorrente e passo a expor as razões que conduziram minha divergência. Inicialmente, esclareçase que não consta dos autos que tal despacho decisório padeça de vício de nulidade ab initio, estandose, pois, tratando de anulação de ato legitimo da Administração Pública. Tampouco estáse tratando de irregularidade na constituição do crédito tributário, não cabendo, pois, invocar o art. 156, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Com esses esclarecimentos, passase ao exame da questão, que reclama que não se olvide que a compensação autorizada por lei, em observância ao art. 170 do CTN, ocorre sob determinadas condições e garantias e constitui modalidade de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, inc. II, desse mesmo código. Importante ressaltar então que as compensações de que aqui se trata, objeto de Declarações de Compensação (Dcomp) protocolizadas em (...) 2003, estavam submetidas à regência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações promovidas pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, oriunda da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, publicada em 30 de agosto de 2002. Ora, o § 2° do indigitado art. 74 assim dispõe: Art. 74. (..) §2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Logo, certo é que a compensação declarada à Administração Tributária extingue o crédito tributário sob condição resolutiva e o ato cuja anulação é tratada nestes autos corresponde exatamente ao ato que implementa essa condição, ou seja, o ato Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 473 12 de homologação da compensação. Assim, o que ao cabo se discute é se, uma vez operada a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, de forma a confirmar tal extinção, pode ele voltar a ser exigível mediante anulação do ato que homologara a compensação. Grifos, não do original Cumpre notar então que a lei atribuiu à compensação homologada o efeito de extinguir o credito tributário e, portanto, a obrigação que lhe dera origem. Assim, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, que deve nortear a Administração Pública, não se pode admitir a anulação do ato homologatório da compensação para fazer renascer crédito tributário já extinto na forma da lei. A meu ver, eventuais equívocos cometidos pela autoridade fiscal no despacho homologatório de compensação de que teve ciência a contribuinte somente são passíveis de reparo com observância da forma e dos meios próprios do processo administrativo regulado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que atribui o caráter de definitividade aos despachos decisórios após a fluência do prazo para manifestação de inconformidade, sem que esta tenha sido apresentada. Por oportuno, cabe lembrar que a Lei n° 10.833, de 2003, oriunda da Medida Provisória n° 135, de 20 de outubro de 2003, publicada em 31 de outubro de 2003, alterou o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, para fixar prazo para homologação da Dcomp, estabelecendo, assim, a homologação tácita da compensação Observese que, uma vez decorrido o referido prazo, que está previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, sem pronunciamento da autoridade fiscal sobre a compensação declarada pelo sujeito passivo, temse por homologada a compensação e extinto o crédito tributário correspondente e não cabe mais à autoridade fiscal examinar a respectiva Dcomp. Ora, se assim ocorre na homologação tácita, com maior razão não se pode admitir a revisão da Dcomp apresentada na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que tenha sido objeto de expressa homologação pela autoridade competente. (grifos, não do original) De se notar ainda que o procedimento para as compensações tributárias ora vigentes guarda semelhança com o lançamento por homologação, em que, a homologação expressa ou a fluência do prazo decadencial extinguem o crédito tributário, não havendo previsão legal para que o crédito tributário extinto por homologação expressa possa renascer com toda a força de sua exigibilidade, mediante anulação do ato homologatório. Pelas razões expostas, voto por dar provimento ao recurso. Como exposto, o recurso especial foi interposto com fundamento nos artigos 7º, inciso I, § 1º, e 15, do Regimento Interno da CSRF, em razão de suposta contrariedade da prova (erro). Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000006/200341 Acórdão n.º 9303002.023 CSRFT3 Fl. 474 13 No entender desta Conselheira, independentemente da análise das provas, o que se discute aqui é matéria de direito. Certo é que a compensação declarada à Administração Tributária extingue o crédito tributário sob condição resolutiva e o ato cuja anulação é tratada nestes autos corresponde exatamente ao ato que implementa essa condição, ou seja, o ato de homologação da compensação. Assim, o que necessariamente se discute é se, uma vez operada a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, de forma a confirmar tal extinção, pode ele voltar a ser exigível mediante anulação do ato que homologara a compensação. A posteriori, vejase que o acórdão examinou outra questão fundamental, independente da análise de ter ocorrido erro (prova). Confirase novamente excertos do voto: Por oportuno, cabe lembrar que a Lei n° 10.833, de 2003, oriunda da Medida Provisória n° 135, de 20 de outubro de 2003, publicada em 31 de outubro de 2003, alterou o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, para fixar prazo para homologação da Dcomp, estabelecendo, assim, a homologação tácita da compensação Observese que, uma vez decorrido o referido prazo, que está previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, sem pronunciamento da autoridade fiscal sobre a compensação declarada pelo sujeito passivo, temse por homologada a compensação e extinto o crédito tributário correspondente e não cabe mais à autoridade fiscal examinar a respectiva Dcomp. Ora, se assim ocorre na homologação tácita, com maior razão não se pode admitir a revisão da Dcomp apresentada na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que tenha sido objeto de expressa homologação pela autoridade competente. (grifos, não do original) Neste contexto, desnecessário reexaminar matéria que diga respeito à matéria superada (neste caso, a ocorrência de erro), principalmente porque não é esta a questão primordial, conforme voto acima transcrito. Em outras palavras, a análise dos erros invocados foi superado pela matéria de direito superveniente. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Maria Teresa Martínez López Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13924.000281/2002-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1992 a 31/12/1996
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). LEI COMPLEMENTAR 118/2005.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, o direito do contribuinte pleitear, em 14/08/2002, restituição/compensação dos valores recolhidos a título PIS no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 não se encontra prescrito.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, negar provimento parcial ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1992 a 31/12/1996 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, o direito do contribuinte pleitear, em 14/08/2002, restituição/compensação dos valores recolhidos a título PIS no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 não se encontra prescrito. Recurso Extraordinário Negado
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RESTITUIÇÃO. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, o direito do contribuinte pleitear, em 14/08/2002, restituição/compensação dos valores recolhidos a título PIS no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 não se encontra prescrito. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, negar provimento parcial ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 4. 00 02 81 /2 00 2- 09 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 271 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para reconhecer como não prescrito o direito do contribuinte pleitear a restituição de valores de PASEP no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por entender que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade pelo STF, em controle concentrado, isto é, da ADIN nº 1.417, em 16/08/99, que afastou a incidência da contribuição para o PIS/PASEP, no período compreendido entre 1º/10/1995 a 29/02/1996, com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/98. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário com base em acórdão paradigma (Acórdão nº CSRF/0400.810) em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição de indébito é de 5 (cinco) anos a contar da data da extinção do crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça).” Argui ainda a nulidade da decisão recorrida pelo fato do contribuinte não ter postulado o seu indébito com base na inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9.715/98, sendo que em despacho de fls. 216/217, o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 272 3 CARF deu seguimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional somente em razão da alegada prescrição, nos termos do que dispõe o artigo 4º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 446/2009. O contribuinte devidamente intimado apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Considerando a tempestividade do recurso extraordinário, a divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, proferidos por diferentes Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade previstos no antigo Regimento Interno, conheço do recurso interposto pelo contribuinte. A controvérsia trazida a esta esfera extraordinária cingese em definir se ocorreu ou não a prescrição do direito do contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de PASEP, considerandose como termo inicial para a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a data do julgamento da ADIN nº 1.417, em 16/08/99, que afastou a incidência da contribuição para o PIS/PASEP, no período compreendido entre 1º/10/1995 a 29/02/1996, com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/98. Considerando que, segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF (cfr. Portaria MF nº 256/2009), esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que se reproduza integralmente o teor do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 566.621, o qual foi realizado na Sessão Plenária de 04/08/2011, no sentido de entender que o prazo para repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05, é de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, tendo em vista a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto nos artigos 150, §4º c/c 156, VII somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, do CTN, de acordo com o entendimento do STJ respaldado no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.002.932. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 273 4 PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13924.000281/200209 Acórdão n.º 9900000.940 CSRFPL Fl. 274 5 Sendo certo que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 14/08/2002, relativo aos fatos geradores ocorridos no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, não se encontram prescritos. Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de negar lhe provimento. Nanci Gama Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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