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Numero do processo: 10814.000514/93-81
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IMUNIDADE. ISENÇÃO. 1. O artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal
só se refere aos impostos sobre o patrimônio, a renda ou os
serviços. 2. A isenção do Imposto de Importação às pessoas jurídicas
de direito público interno e as entidades vinculadas estão reguladas
pela Lei n. 8032/90, que não ampara a situação constante deste
processo.
3.Negado provimento ao recurso
Numero da decisão: 302-32807
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO
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MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO . • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CAMARA • lgl PROCESSO N 9 10814.000514/93-81 . Senão de 23 junho de I.99_j ACORDA° N o. 302-32.807 Recurso n2.: 116.377 n Recorrente: FUNDAÇAO PADRE ANCHIETA CENTRO PAULISTA DE RADIO E TV Recorrid EDUCATIVA \ • ALF - AISP - SP IMUNIDADE. ISENÇAO. _ 1. O art. 150, VI, "a" da Constituição Federal só se refere aos impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços. 2. A isenção do Imposto de Importação às pessoas ju- rídicas de direito público interno e as entidades vinculadas estão reguladas pela Lei n. 8032/90, que não ampara a situação constante deste processo. 3. Negado provimento ao recurso. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Segunda Wmara do Terceiro Con- selho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Cons. Ricardo Luz de Barros Barreto e Luis Antô- nio Flora que davam provimento ao recurso, na forma do relatório e 110 voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 23 de junho de 1994. g* U ALDO &PELLO N TO Presidente em exercício e"Alee.a..:‘...414,ZÊ * ELIZABETH EMILIO MORAES CHIEREGATTO - Relatora t, ,,s_. ... n...A L....1 ANNA tCIA£ GATT E OLIVEIRA - Proc. Faz. Nac. 1:10 VISTO EM . SESSAO DE: 26 AG019g4 , e • 2 Participou, ainda, do presente julgamento a seguinte Conselheira: ELIZABETH MARIA VIOLATTO. I ' Ausentes os Cons. JOSE SOTERO TELLES DE MENEZES e PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. 1. ; . 1 ; MIL I * 1 1 1 , \ná:tN, MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MF - EIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CâMARA 2 RECURSO N. 116.377 -- ACóRDA0 N. 302-32.807 RECORRENTE: FUNDA EA0 PADRE ANCHIETA-CENTRO PAULISTA DE RáDIO E TV EDU CATIVA RECORRIDA : ALF - AEROPORTO INTERNACIONAL DE SA0 PAULO RELATORA ELIZABETH EMiLIO MORAES CHIEREGATTO RELAT ORIO A fundaaão acima qualificada submeteu a despacho de importa- ção as mercadorias descritas na Declaração de Importação n. 065196, de 23/12/92, solicitando o reconhecimento de imunidade tributária em re- lação ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industria- l) lizados, com fundamento no artigo 150, item VI, letra "a" e parágrafo 2o. da Constituição Federal e Lei n. 9849/67, que a instituiu como fundação. Entendendo que a importawão em foco não se enquadra na cita- da disposição constitucional, a fiscalização aduaneira lavrou o Auto de Infração às folhas 01 a 03, exigindo o recolhimento do Imposto de Importação NCz$ 2.212.358,81, respectivamente, sem aplicação de qual- quer penalidade, fundamentando a autuação no artigo 135 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n. 91.030/85. Não houve crédito tribu- tário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, pois a mercadoria despachada era constituída por "filmes", sobre os quais a aliquota incidente era 07.. Regularmente intimada, com guarda de prazo, a empresa autua- da apresentou a impugnação, alegando, em síntese, que: • 1) a interessada é fundação instituída e mantida pelo poder público, no caso o Estado de São Paulo; 2) o Auto de Infração é insubsistente por falta de fundamen- tação, pois a importadora preenche rigorosamente a hipótese do artigo IMO 150, VI, "a" e parágrafo 2o. da Lei Máxima; 3) o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Indus- trializados são impostos sobre o patrimônio; 4) a finalidade da Fundação é a de promover atividades edu- cativas e culturais atrav és da rádio e da televisão; 5) é no exercício rotineiro de suas atividades de manuten- ção, substituição e modernização dos equipamentos com os quais promove emisseles de rádio e televisão que a autuada vem importando bens do ex- terior, destinados a essa especifica finalidade, o que lhe assegura a imunidade constitucional fixada na Lei Maior; 6) a vedação constitucional de instituir impostos sobre o patrimenjo, a renda ou serviços de que trata o artigo 150, inciso VI, alínea "a", parágrafo 2o. da CF é estendida às autarquias e fundaçbes instituídas e mantidas pelo Poder Público, desde que aquele patrimô- nio, renda ou serviço estejam vinculados às suas finalidades essen- ciais. Para fortalecer suas colocaçbes, a impugnante se socorre de doutrina e de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. ~(*dé• Rec. 116.377 MINISTÉRIO DA FAZENDA Ac. 302-32.807 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3 Ao apreciar a impugnae20, o autor do feito manteve a exigOn- cia formulada no Auto de Infração, argumentando que, no caso, não se trata de nenhum dos impostos vedados pela Constituição Federal e que o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados não são Impostos sobre o Patrimônio, a Renda ou Serviços e ainda que os mesmos decorrem da ocorrência de Fato Gerador bem definido, que é a entrada da mercadoria estrangeira em território nacional. A autoridade de primeira instância julgou a ação fiscal pro- cedente, fundamentando-se nas seguintes razões: -- o artigo 150, VI, letra "c" e parágrafo 2o. da CF limita apenas a instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços das fundações instituidas e mantidas pelo Poder Público, vin- culados a suas finalidades essenciais e às delas decorrentes, não al- cançando os Impostos sobre o Comércio Exterior e sobre a Produçao e Circulação de Mercadorias, conforme definidos no Código Tributário Na- cional; -- a veda cão constitucional de instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços diz respeito a tributo que tem como fato gerador o patrimônio, a renda ou os serviços; -- o fato gerador do I.I. é, inquestionavelmente, distinto daqueles anteriormente citados, ou seja, é a entrada da mercadoria es- trangeira no território nacional; -- é inveridica a afirmação da interessada de que falta fun- damenta aão ao Auto de Infração visto que o mesmo foi lavrado no enten- dimento do n 0 enquadramento no dispositivo constitucional, sendo ci- tado inclusive o Parecer CST n. 29, de 21/12/84. Tempestivamente, a autuada ora recorrente interpôs recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes, insistindo em suas razões da fase impugnatória e, apoiando-se em jurisprudOncia do STF, reafir- mando seu entendimento de que, no conceito de patrimônio, se incluem o Imposto de Importação e o Imposto Sobre Produtos Industrializados. E o relatório. • dOtlf, MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Re c. 116.377 Ac. 302-32.807 VOTO No recurso em pauta, adoto o voto do ilustre Conselheiro Itamar Vieira da Costa no acé, rdão n. 301-27.009, referente à mesma ma- téria em litígio: "A Fundação Padre Anchieta pleiteou o reconhecimento da imu- nidade tributária, a fim de não recolher aos cofres públicos os valo- res do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industriali- zados incidentes. A recorrente invocou o art. 150, item VI, letra "a" da Cons- tituição Federal, assim como seu parágrafo 2., para embasar sua pre- tensão. O texto constitucional é o seguinte: "Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios I - ...omissis... ••• - .•• VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. ••• - ••• Parágrafo 2. - A vedação do inciso VI, letra a, é ex- tensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Públi- co, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a sua finalidades essenciais ou às delas de- correntes. A fiscalização, por sua vez, efetuou a autuação porque os impostos não estavam enquadrados na expressão "patrimônio renda e ser- viços" inseridos no texto da Lei Maior. Não houve controvérsia sobre a natureza da instituição que é uma fundação mantida pelo Poder Público. E conhecida a expressão: a Constituição Federal não contém palavras inúteis. Logo, se houve restrição a certos tipos de impostos, só os fatos geradores a eles relativos é que podem fazer surgir a res- pectiva obrigação tributária. A Constituiaão é clara: é vedado instituir impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Município. Tal vedação é extensiva às fundações insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público. Segundo o Código Tributário Naional, o Imposto sobre a Im- portação de Produtos Estrangeiros e o Imposto sobre Produtos Indus- trializados não incidem sobre o patrimônio, sobre a Renda, nem, tam- ~ Rec. 116.377MINISTÉRIO DA FAZENDA Ac. 302-32.807 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 pouco, sobre os servi tos. Um está ligado ao comércio exterior, à pro- teção da indústria nacional. O outro se refere a produção de mercado- rias no Pais. Qual a finalidade da imposição tributária, na importação, dos referidos tributos? O Imposto de Importação existe para proteger a indústria na- cional. Sua finalidade é extrafiscal. Quando se estabelece determinada aliquota desse imposto, vi- sa-se a onerar o produto importado de tal maneira que não prejudique aqueles produtos similares produzidos no Pais. Se, para argumentar, a recorrente fosse comprar a mercadoria produzida no Brasil teria que pagar, teoricamente, valor semelhante ao produto importado, acrescido do imposto. O imposto sobre Produtos Industrializados incidente na im- portação, também chamado de IPI-vinculado é o mesmo cobrado sobre a i omesma mercadoria produzida internamente. Essa taxação visa a equalizar a imposição fiscal. Ambos, o produto nacional e o estrangeiro, tem o mesmo tratamento tributário no que se refere ao IPI. Se a Fundação fosse adquirir mercadoria idêntica produzida aqui no Brasil, teria que pagar o imposto. Ele incide sobre o produto industrializado e não so- bre o patrimônio de quem o adquire. Outro aspecto importante a considerar é o da legislação or- dinária. O Decreto-lei n. 37/66 diz: "Art. 15 - E concedida isenção do Imposto de Importação nos termos, limites e condições estabelecidas em re- gulamento: I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; II - às autarquias e demais entidades de direito público interno; III - às instituições científicas, educacionais e de assistência social. ••. ••• 1111 Como se vê, o Decreto-lei n. 37/66 foi o instrumento legal utilizado para conceder isenções do imposto quando as importações de mercadorias sejam feitas pelas entidades descritas no referido artigo 15. Nunca foi contestado tal dispositivo, nem, tampouco, foi ele in- quinado de inconstitucional. Para confirmar o entendimento até aqui demonstrado, recorro à lei editada já na vigência da Constituição Federal de 1988. Trata-se da Lei n. 8032, de 12 de abril de 1990 que estabelece: "Art. 1 - Ficam revogadas as isenções e reduções do Imposto sobre a Importação e do Imposto sobre Produtos Industriali- zados, de caráter geral ou especial, que beneficiam bens de procedência estrangeira, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 2. a 6. desta Lei. Parágrafo único - O disposto neste artigo aplica-se às im- portações realizadas por entidades da Administração Pública Indireta, de âmbito Federal, Estadual ou Municipal. 0~4 MINISTÉRIO DA FAZENDA Rec. 116.377 Ac. 302-32.807 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6 Art. 2. - As isen abes e reduções do Imposto sobre a Importa- ção ficam limitadas, exclusivamente: I - às importações realizadas: a) pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal, pelos Territórios, pelos Municípios e pelas respectivas autar- quias; b) pelos partidos politicos e pelas instituições de educação ou de assistência social; c) ..." Aliás, a decisão recorrida foi fundamentada de forma bastan- te clara e correta. Por isso considero importante transcreva-1a: "Fundação Pe. Anchieta, importadora habitual de máquinas, equipamentos e instrumentos, bem como suas partes e peças, destinados à modernização e reaparelhamento, até 19.05.88, beneficiou-se da isenção para o I.I. e IPI previs- ta no art. 1. do Decreto-lei n. 1293/73 e Decreto-lei n. 1726/79 revogada expressamente pelo Decreto n. 2434 daquela data. Passou a existir então a Redução de 807. apenas para as máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, não mais contempla as partes e peças, que só passaram a ter redução a partir de 03.10.88 com a publicação do Decreto-lei n. 2479. Em 12.04.90, com o advento da Lei n. 8.032, todas as isenções e Reduções foram revogadas, limitando-as exclu- sivamente àquelas elencadas na citada Lei, e onde não consta qualquer iserição ou Redução que beneficie a interessada. Até esta data (12.04.90) a interessada que sempre se beneficiara da isenção e, depois da Redução, passou a in- vocar a Constituição Federal, pretendendo o reconhecimento da imunidade de que trata o art. 150, inc. VI, alínea "a", parágrafo 2., da Lei Maior que dispõe que a União, os Esta- dos, os Municípios, o DF, suas autarquias e fundações não poderão instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou ser- viços uns dos outros. Ora é de se estranhar que quem possua imunidade constitucional, como quer a interessada, estivesse por tanto tempo sem ter se valido dessa condição, pretendendo-a somen- te agora, com a revogação da isenção/redução, ou será que o legislador criou o duplo beneficio? A resposta está em que uma coisa não se confunde com a outra, posto que a interessada não faz jus à imunidade pleiteada, não porque não se reconheça tratar-se ela uma fundação a que se refere a Constituição , instituida e manti- da pelo Poder Público, no caso o Estado de São Paulo, mas sim porque o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produ- tos Industrializados não se incluem naqueles de que trata a Lei Maior, que são tão somente "impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços", por se tratarem respectivamente de "im- postos s/ o comércio exterior" (I.I.) e "impostos sobre a produção e circulação de mercadorias" (IPI) como bem define o Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/66). Dai a con- cessão de isenção por leis especificas. MINISTÉRIO DA FAZENDA Rec. 116.377 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ac. 302-32.807 7 Assim e porque a vedação constitucional de insti- tuir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços consubs- tanciada no art. 150 diz respeito a tributo que tem como fa- to gerador o patrimônio, a renda ou os serviços. A disposição constitucional do referido artigo é inequívoca e bastante clara a partir de que estabelece o seu inciso VI, quando diz "instituir impostos sobre" indicando tratar-se de impostos incidentes sobre o patrimônio, vale dizer, o que dá nascimento à obrigacão tributária é o fato de se ter esse patrimônio; quando se refere a imposto inci- dente sobre a renda, significa imposto que decorre da per- cepção de alguma renda e, finalmente, no que tange aos ser- viços, a obrigacão tributária surge em razão da prestação de algum serviço. Desse entendimento, tem-se que o imposto de impor- tação não tem como fato gerador da obrigação tributária, ne- nhuma das situaçbes referidas; ou seja, o fato gerador desse imposto é a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, conforme preceitua o CTN, no art. 19, verbis: "art. 19 - O imposto de competência da União, so- bre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacio- nal". Reforça essa posição o estabelecido no art. 153, da CF quando trata dos impostos de competência da União, ao se referir no seu inciso I aos impostos sobre importação de produtos estrangeiros. Noutras palavras, o que gera a obri- gação tributária não é o fato patrimônio, nem renda, ou ser- viços, mas sim o fato da "importação de produtos estrangei- ros". Se outro fosse o entendimento não teria a Consti- tuição Federal restringido o alcance da imunidade tributária especificamente quanto aos impostos sobre "patrimônio, renda ou serviços", nos precisos termos do inciso VI, do artigo 150, considerando-se sob o enfoque do fato gerador, porquan- to todo e qualquer imposto necessariamente vem a onerar o patrimônio; prescindiria a Constituição Federal de especifi- car que a vedação de instituir impostos do mencionado dispo- sitivo referisse a patrimônio, renda ou serviços, para tão somente estabelecer que se refere a imposto sobre patrimô- nio, dando a conotação de imposto que atinge o patrimônio no sentido de onerá-lo. Vê-se, pois, claramente que não se trata disso; a verdade é que "patrimônio, renda ou serviços" referem-se es- tritamente aos fatos geradores: patrimônio, renda e servi- ços. O Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/66), que regula o sistema tributário nacional, estabelece no art. 17 que "os impostos componentes do sistema tributário nacio- nal são exclusivamente os que constam deste título com as competências e limitacbes nele previstas". E, verificando-se o art. 4. tem-se que "A natureza jurídica específica do tri- buto é determinada pelo fato gerador da respectiva obriga- ção..." MINISTÉRIO DA FAZENDA Rec. 116.377 , WW Ac. 302-32.807 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Com essas disposialbes, o CTN, ao definir cada um dos impostos, assim os classificou em capítulos, de acordo com o fato gerador, a saber: Capitulo I - Disposições Gerais • Capitulo II - Impostos s/ o Comércio Exterior Capitulo III - Impostos s/ o Patrimônio e a Renda Capitulo IV - Impostos s/ a Produção e Circulação Capitulo V - Impostos Especiais Ao examinarmos o capitulo III que trata dos "im- postos s/ o Patrimônio e a Renda", não encontramos ali os impostos em questão, ou seja o I.I. e o IPI, mas sim imposto s/ a Propriedade Territorial Rural, imposto s/ a Propriedade Predial e Territorial Urbana e imposto s/ a Transmissão de Bens Imóveis (todos relacionados a imóveis) e o imposto s/ a • Renda e Proventos de qualquer natureza. Já o capitulo II - imposto s/ o Comércio Exterior, encontramos na seção I o Imposto s/ a Importação e no capi- tulo IV, impostos s/ a Produção e Circulação, o imposto s/ Produtos Industrializados. Em que pese as considerações dos doutrinadores e das Posiabes defendidas nos acórdãos citados pela interessa- da, o que se deve considerar efetivamente é a determinação legal que define a natureza dos impostos em questão como o imposto de importação e o imposto s/ os produtos industria- lizados não se caracterizam como impostos s/ o patrimônio, porquanto a Lei os classifica respectivamente como imposto si o comércio exterior e imposto s/ a produção e circulação, como se verifica pelo exame do CTN, onde o primeiro é trata- do no capitulo II e o segundo no capitulo IV, não figurando no capitulo III referente a impostos s/ o Patrimônio e a Renda". Por todo o exposto e por tudo o mais que do processo consta, • voto no sentido de negar provimento ao recurso." Sala das Sessêíes , em 23 de junho de 1994. 191 ELIZABETH EMILIO MORAES CHIEREGATTO - Relatora
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Numero do processo: 10830.001798/92-80
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 1995
Ementa: A isenção do IPI com base no art. 17 de DL 2.433 não é condicionada ao
transporte em navio de bandeira brasileira.
Recurso provido.
Numero da decisão: 303-28253
Nome do relator: DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA
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RECORRIDA : DRF CAMPINAS - SP A isenção do IPI com base no art. 17 do DL 2.433 não é condicionada ao transporte em navio de bandeira brasileira. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso, vencidos os Conselheiros João Holanda Costa e Dione Maria Andrade da Fonseca. Relatora designada para redigir o acórdão a Conselheira Sandra Maria Faroni, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, 05 de Julho de 1995. J1 7 0 • LANDA COSTA 'residente —5 es--- vsk, 1 1111 SANDRA MARIA FARONI , Relatora Designada 1--) \\ 'ORGE CABRA 'A FILHOrocurador da Fa, , e da Nacional VISTA EM 2 MA" ws Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SANDRA MARIA FARONI; ROMEU BUENO DE CAMARGO, JORGE CLIMACO VIEIRA (suplente), MANOEL D 'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES. Ausentes os Conselheiros FRANCISCO CABRAL VIEIRA FILHO e SÉRGIO SILVEIRA DE MELO. • • , MINISTÉRIO DA FAZENDA •• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 ACORDÃO N° : 303-28.253 RECORRENTE : CALIBRAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. RECORRIDA : DRF - CAMPINAS - SP RELATORA : DIONE ANDRADE FONSECA RELATORA DESIG. : SANDRA MARIA FARONI RELATÓRIO Adoto o que informou a decisão recorrida, nos seguintes termos: Trata o presente processo de exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração de fls. 01, relativa ao gozo indevido de isenção do IPI vinculado na importação de • mercadorias para integrar o Ativo Imobilizado do contribuinte, pleiteada com base o art. 17, inciso I do Decreto-lei n° 2433/88 e item I do A.D, (Normativo) CST n° 37, de 1988, Referidas importações não obedeceram ao disposto nos arts. 2° e 6° do Decreto-lei n° 666/69, os quais determinam a obrigatoriedade do transporte em navio de bandeira Brasileira nas importações beneficiadas por favores fiscais. IPI, IPI vinculado (364, II RIPI juros de mora IPI até 30/04/92). Impugnando a exigência a empresa alega: - que, ao proceder ao registro da D.I., prestou todas as informações e juntou todos os documentos necessários, inclusive o comprovante de transporte pela empresa BALTAMERICA; - que como nenhuma irregularidade existia e legítimo era o seu pleito, o seu procedimento foi homologado, haja vista que a mercadoria foi desembaraçada sem qualquer contestação pelo Fiscal; • - que não havia mesmo porque se negar a homologação do lançamento, pois a isenção se amparava nos precisos termos do art. 17 do Dec. Lei n° 2433/88, com a redação dada pelo Dec. lei n° 2451/88 e obedecendo ainda ao Ato Declaratório (Normativo) CST n° 37. De 1988; - que, nos termos desse A.D. n° 37, a única condição para o benefício isencional era a integração dos bens importados ao ativo fixo do importador, para utilização no processo produtivo; 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 ACORDÃO N° : 303-28.253 - que, muito tempo após o registro da D.I., entendeu a fiscalização de autuar a empresa pelo não cumprimento do quesito da obrigatoriedade do transporte das mercadorias em navio de bandeira brasileira, e isto em decorrência de decisões do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, "posteriores a homologação do lançamento ora previsto," configurando, pois, "mudança de critérios do Fisco"; - que segundo os tributaristas que cita, é inadmissível a revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos; - que o procedimento da autuada não se enquadra em nenhum dos casos previstos no art. 149 do CTN, nos quais se admite a possibilidade de revisão do lançamento; • - que a própria Superintendência Nacional da Marinha Mercante dispensa a obrigatoriedade de utilização de navios de bandeira nacional, no caso de cargas oriundas da antiga União Soviética, excetuando-se apenas o transporte de petróleo (Resolução 10.207/88). A autoridade monocrática rejeitando as razões veiculadas na impugnação julgou procedente a ação fiscal com base nas fundamentações a seguir: - que, no caso, o desembaraço não implicou na aceitação do entendimento esposado pela impugnante, isto é, a não obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira nacional, visto que não consta do despacho tal entendimento, muito menos a expressa homologação alegada; - que a revisão aduaneira, prevista em lei, visa o reexame do despacho justamente para verificar conclusivamente a regularidade da importação sob todos os seus aspectos, como estabelece o art. 455 do Regulamento Aduaneiro de 1985; • - que o dispositivo regulamentar acima citado obedece estritamente ao art. 54 do Dec. Lei n° 37/66, com a redação dada pelo Dec. Lei 2472/88, e se conforma ao disposto no art. 150 do CNT, que versa sobre o lançamento por homologação; - que a teor do art. 54 desde Dec. Lei 37/66, a apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será processada no prazo decadencial de cinco anos a contar da data de registro da D.I. - que o desembaraço aduaneiro de mercadorias, não implica de forma alguma em homologação do lançamento, a qual pode ocorrer, expressamente, dentro do prazo acima, ou tacitamento, após o decurso do mesmo; 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 AC ORDÃO N° : 303-28.253 - que, nos termos do art. 2° c/c o art. 6° do Dec. Lei 666/69, o transporte de mercadorias importadas com benefícios fiscais de isenção ou quaisquer outros será feito obrigatoriamente em navio de Bandeira Nacional; - que a autuada não contesta o fato de que o transporte da mercadoria por ela importada foi efetuada em navio de bandeira estrangeira; - que a possibilidade de se elidir a obrigatoriedade do transporte em navio de bandeira nacional, prevista na Resolução 10.207/88 da SUNAMAM, - citada pela contribuinte - deve se restringir aos termos do art. 3° mencionado Dec. lei n° 666/69, que condiciona tal possibilidade à liberação da carga pelo órgão competente (no caso, a SUNAMAM); • - que, conforme faz certo o Termo de Constatação de fls. 07, a empresa reconheceu não possuir o documento de liberação de carga ("waiver"), relativo à importação ora questionada; - que não houve mudança de critérios jurídicos e que o auto de infração foi lavrado após verificação regulamentar da regularidade e exatidão dos procedimentos e declarações da autuada, tudo previsto no art. 150 do CNT; - que a alegação pela autuada de que a fiscalização baseou-se em Acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes, posterior ao "lançamento ora revisto", nada prova quanto a mudança de critérios jurídicas, até porque o próprio fato de o E. Conselho ter sido chamado a se pronunciar sobre a matéria já indica que havia - como aliás sempre houve - uma posição anterior da Fazenda Nacional pela obrigatoriedade do transporte em navios de bandeira nacional; • - que é inexata a afirmação da autuada de que o citado acórdão é posterior ao desembaraço da mercadoria, vez que o primeiro data de 16/05/90 e a D.I. foi registrada em 31/07/90 (vide fls. 02). Não se conformando com a decisão monocrática, a empresa recorre a este Terceiro Conselho de Contribuintes, articulando, em síntese, as seguintes razões: - que a única condição imposta pela norma legal (art. 17, do Decreto-lei n° 2433/88, na redação do DL n° 2.451/88 é a que sejam adquiridas por empresas industriais, para utilização no processo produtivo; - que tal pleito foi deferido pela autoridade competente, conforme artigo 134 do Regulamento Aduaneiro; 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 ACORDÃO N° : 303-28.253 - que o fiscal autuante e a decisão recorrida impuseram "a posteriori" uma nova condição para o benefício isencional, que, a despeito de ser genericamente exigida pelo Decreto lei 666/69, não foi prevista no ato legal específico, o Decreto-lei 243/88 e Ato Declaratório CST n° 37/86; - que haveria ofensa ao GATT, posto que estaria sendo exigido para o produto importado de país signatário daquele Acordo Internacional (A.D. CST - 17/85), o que não é exigido para o produto nacional. Cita os artigos 98; 55, II e 179 parágrafo 2° do CTN e Parecer Normativo CST - 70/78; • - que a penalidade do art. 71, inciso II do Decreto n° 96.760/88 jamais poderia subsistir, dado que foi observada na sua integralidade o Ato Declaratório 37/88. Cita o artigo 100 do CTN. É o relatório. 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 ACÓRDÃO N° : 303-28.253 VOTO VENCEDOR Exige-se da empresa o IPI pelo fato de o transporte das máquinas não ter sido feito em navio de bandeira brasileira. A proteção à bandeira foi instituída pelo Decreto-lei 666/69, que assim dispõe: " Art. 2° - será feito, obrigatoriamente, em navio de bandeira brasileira, • respeitado o principio da reciprocidade, o transporte de mercadorias ... importadas com quaisquer favores governamentais. Art. 6° Entendem-se por favores governamentais os benefícios de ordem fiscal ou cambial concedidos pelo Governo Federal." A lei fala, pois, em mercadorias importadas com favores governamentais, devendo-se entender, assim, que os favores (no caso, benefícios fiscais) estejam relacionados à importação. Até o Comunicado CACEX n° 133/88, os Atos que disciplinam as importações brasileiras, quando se referem a transporte, tratavam expressa e detalhadamente do assunto. Os dois últimos atos disciplinadores das importações (Comunicado CACEX 204/88 e Portaria DECEX 15/91) não o fazem, porém o entendimento expresso no Comunicado 133/88 e nos que o precederam continua válido, eis que a lei que o fundamenta (Decreto-lei 666/69 alterado pelo Decreto-lei 687/64) permanece a mesma, e assim, os dois últimos atos • normativos retro-citados não poderiam inovar a respeito da matéria. Conforme esclarece o Comunicado CACEX n° 133/85, subitem 12.1.5.3 e 12.1.5.4, o transporte de cargas em navio de bandeira brasileira é obrigatório quando importadas com redução ou isenção tributária concedida a determinada empresa por meio de lei ou de atos específicos do CDI, da SUDAM, o CONCEX ou da SUDENE ou da CPA ou com isenção ou redução de alíquota "ad valorem" prevista nas notas ou itens específicos de TAB estabelecendo menor incidência tributária para produtos sem similar nacional ou com base no art. 4° da Lei 3.244/77, que trata de isenção do imposto de importação. Assim, o Comunicado se refere a isenção ou reduções tributárias concedidas especificamente a determinada empresa ou, quando gerais, só abrangem o imposto de importação. \h--, 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 ACÓRDÃO N° : 303-28.253 O caso em pauta trata de isenção de IPI genérica e se dirige às máquinas e equipamentos de que se trata, quer sejam nacionais ou importados. Entendo, assim, que o gozo da isenção pelo importador não se subordina ao transporte obrigatório em navio de bandeira brasileira. Dou provimento ao Recurso. Sala das Sessões em, 05 de Julho de 1995. SANDRA MARIA FARONI - Relatora Designada 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 ACÓRDÃO N° : 303-28.253 VOTO VENCIDO Objetivamente, a exigência que deu origem ao litígio decorreu da perda de isenção gozada pela recorrente em razão do descumprimento de obrigatoriedade, prevista em lei, do transporte da mercadoria isenta em navio de bandeira brasileira. O fato, efetivamente, ocorreu, a recorrente não o nega, até porque reconheceu não possuir o documento exonerativo relativo a importação ora questionada: o "Waiver". Pretende a recorrente eximir-se daquele condicionamento ao gozo da isenção low sob a alegação de que a única condição imposta pelo benefício isencional pleiteado é a que sejam "adquiridos por empresas industriais, para utilização no processo produtivo". Os artigos 217 e 218 do Regulamento Aduaneiro tiveram como matriz legal o Decreto-lei 666/69, alterado pelo Decreto-lei 687/69, estabelece a proteção à bandeira brasileira e deixam claro que é obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira, de qualquer mercadoria a ser beneficiada com isenção ou redução do imposto e o descumprimento importará na perda do benefício. Deste modo conforme o artigo 135 do R.A, se não for concedido o benefício fiscal, há que ser exigido o crédito correspondente. O Texto da Lei 666/69, fala em "quaisquer favores governamentais" o que à luz da legislação em vigor está a depender do cumprimento do transporte da mercadoria em navio de bandeira brasileira, salvo se houver liberação da carga, expedida pelo órgão competente do Ministério dos Transportes ( art. 217, parágrafo 4° do R.A.) . Contestando alegação da recorrente de que "haveria ofensa ao GATT, posto ‘11/ que estaria sendo exigido para um produto importado de país signatário do Acordo GATT, o que não é exigido para o produto nacional ", acrescento que o presente litígio não versa sobre concessões tarifárias negociadas no âmbito do GATT, nem o auto de infração objetivou denegar tal pretensão. Portanto, o tratamento do GATT não tem aplicação ao presente caso. Quanto a dizer que foi imposto "a posteriori" uma nova condição para o benefício isencional (Decreto-lei n° 2433/88 e Ato Declaratório Normativo CST n° 37/88), ao contrário da alegação da recorrente, não se modificaram os critérios jurídicos, a revisão aduaneira é o ato pela qual a autoridade fiscal reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado (art. 455 do R.A) . 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.470 ACÓRDÃO N° : 303-28.253 De modo especial, o artigo 149 do CNT se aplica ao caso pois o que o fisco pretende é corrigir elementos que o contribuinte tem obrigação de declarar de modo correto, qual seja, as regras legais para usufruir de uma dada concessão. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso por entender que as regras para o privilégio de usufruir ao benefício não foram cumpridas, no caso, a isenção concedida pelo DL- 2433/88, não defende a recorrente do transporte da mercadoria em navio de bandeira brasileira . AM. Quanto a multa do art. 71, inciso II do Dec. 96.760/85 ela não foi lançada no vor auto, embora conste do formulário padronizado. Sala das Sessões, em 05 de julho de 1995 DId MA IA AND ADE DA FONSECA - Relatora. MEI 9
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000147/88-09
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 1991
Ementa: FINSOCIAL - Débito cancelado por força do disposto no artigo 29 do Dec.Lei No. 2303/86. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 201-67389
Nome do relator: SELMA SANTOS SALOMÃO WOLSZCZAK
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MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N. e 10.835-000.147788-09 MAPS SeWod•i.B..de setembro O IS 91 ACORDA° 1L•21211 -67.389 Recurso n.° 80-204 Reconente SUPERMERCADOS UNIVERSO LTDA. RacenWa DRF EM PRESIDENTE PRUDENTE - SP FINSOCIAL- Débito cancelado por forçado disposto no ar_ tigo 29 do Dec.Lei 2303/86. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUPERMERCADOS UNIVERSO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por perda de objeto em face do cancelamento do Decre- to-Lei rIC 2.303/86. Ausente o Cons. HENRIQUE NEVES DA SILVA. Sala das Ses - s,dem 18 de setembro de 1991 bc.,u/ ROBERTO B BOBA DE CASTRO - PRESIDENTE - --ç -r7sio.,,,,,C ,,,_\ 9, LAJL C,5/"n S LMA S . •Ái15 SAL' 'A O WOLZTZAK - RELATORA . iffl DIVA !" á • TflRUZ RE/S - PROCURADORA-REPRESENTANIE DA FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE 1 9 SET 291 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros L/NO DE AZEVEDO MESQUITA, DOMINGOS ALFEU COLENCI DA SILVA NETO, ANTO- NIO MARTINS CASTELO BRANCO, ARISTOFANES FONTOURA DE HOLANDA E SER_ GIO GOMES VELLOSO. • ?f-k MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 10.835-000147/88-09 R e curso me: 80.204 Acordo° n.°: 201-67.389 Recorrente: SUPERMERCADOS UNIVERSO LTDA. RELATÓRIO Diz o Auto de Infração de fls. 1 que a fiscalização federal apurou omissões de receita praticadas pela empresa em epígrafe e que originaram lavratura de lançamento de oficio pertinente ao Imposto de Renda, sendo também exigível a contri- buição ao FINSOCIAL correspondente, cuja cobrança, acrescida da multa de mora e dos juros, é seu objeto. Impugnação veio aos autos a fls. 13, postulando fosse tomada em consideração a defesa apresentada nos autos do pro- cesso relativo ao Imposto de Renda, que denomina matriz. A fls. 14 consta por cópia petição da autuada pleite- ando seja tornado sem efeito o auto de infração referente ao suprimento de caixa no valor de duzentos milhóes de cruzeiros, em nome dos sócios, ao ar gumento de que, no ' entender da peti- cionária a operação se completa entre pessoa jurídica, física e o contrato de empréstimos, devidamente assinado, pelos sócios e testemunhas. A fls. 16 está por cópia DARF de recolhimento da par- -segue- 1 (183 SCRVICO P1.19LiC0 FEDEnal -03- Processo nc 10.835-000.147/88-09 Acórdão nQ 201-67.389 te não impugnada, segundo informação de fls. 15. A decisão de primeiro grau consta a fls. 28, e afirma que o presente processo é mero reflexo do processo matriz, per- tinente ao imposto de renda. Em apoio à conclusão, proferida no sentido de confirmar a exigência na parte remanescente do lití- gio, porquanto o mesmo destino teve a questão no processo prin- cipal. Inconformada, a empresa recorre a este Colegiado, fls. 33/38, alegando que o débito apontado no auto está cance- lado por força do disposto no Dec.lei 2.303/86, art. 29, eis que o valor consolidado do débito não ultrapassava, em 28.2.86, cinco mil duzentos e dezesseis cruzados e cinquenta e cinco centavos. No mérito reafirma as razões expostas na impugnação anexada por cópia na defesa de primeiro grau. É o relatório. VOTO DA RELATORA, CONSELHEIRA SELMA SANTOS SALOMAO WOLSZCZAK De fato, trata-se de débito alcançado pela norma constante do artigo 29 do Decreto-lei n2 2.303/86. Em vista do cancelamento de que trata a norma, perdeu objeto o recurso, e porias° dele não conheço. Sala de Sessões, em 18 de setembro de 1991 W-5,41 cit SELMA SANTOS SALOMAO WOLSZCZAK 2
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Numero do processo: 10814.001322/94-36
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 1996
Ementa: "A imunidade prevista pelo art. 150, inciso IV, alínea "a" e § 2º da Constituição Federal se refere ao imposto sobre o patrimônio e a
renda, não se estendendo ao Imposto de Importação e IPI. A
interpretação do texto é literal.
Negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.229
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Cons. Márcia Regina Machado Melaré, Isalberto Zavão Lima e Fausto de Freitas e Castro Neto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEDA RUIZ DAMASCENO
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A interpretação do texto é literal. Negado provimento ao recurso." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Cons. Márcia Regina Machado Melaré, Isalberto Zavão Lima e Fausto de Freitas e Castro Neto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 12 de novembro de 1996 • AC : MEDEIROS Pre •. 717b / EDA RUIZ DAMA • CENO Relatora t ory-10. r-",".4fa\ua c o de cá 1 2 DEZ 195 Procuratiora na Fazonda Nacional Participou, ainda, do presente julgamento, o seguinte Conselheiro: JOÃO BAPTISTA MOREIRA. Ausentes os Conselheiros: LUIZ FELIPE GALVÃO CALHE1ROS e SÉRGIO DE CASTRO NEVES. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° : 116.925 ACÓRDÃO N° : 301-28.229 RECORRENTE : FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA CENTRO PAULISTA DE RÁDIO E TV EDUCATIVA RECORRIDA : ALF-AISP/SP RELATOR(A) : LEDA RUIZ DAMASCENO RELATÓRIO A recorrente foi autuada em ato de Revisão Aduaneira pelo fato de ter levado a despacho mercadoria com o beneficio da "isenção", com base no inciso VI, alínea "a" e parágrafo 2° do artigo 150 da Constituição Federal. O agente do fisco, no momento da revisão, lançou através de Auto de Infração os impostos devidos e encargos. • A impugnação foi tempestiva e argúi, em resumo, o seguinte: - que a empresa é uma fundação instituída e mantida pelo poder publico; - que o AI é insubsistente por falta de fundamentação; - que o II e o TI são impostos sobre o patrimônio; - que a entidade se inclui na vedação prevista pelo artigo 150, inciso VI, alínea "a", parágrafo 2° da Constituição Federal, vez que é fundação mantida pelo poder público e tendo por finalidade a transmissão de programas educativos. A decisão "a quo" julgou procedente a ação fiscal, conforme conclusões de fls. Inconformada a empresa ingressa com recurso, reiterando os termos da peça impugnante e aduzindo, em síntese, que: - a decisão recorrida merece reparo vez que alega que olleo 1PI não são impostos sobre o patrimônio, renda e serviços; - que os bens importados destinam-se às finalidades essenciais da recorrente, seja porque a peça inicial e a decisão que a manteve não afirmam o contrário; - que, tal como hoje as fundações instituídas pelo poder público gozam de imunidades no que se refere a seu patrimônio, renda e serviços, as instituições de educação ou de assistência social, já a desfrutavam no regime constitucional anterior e também em relação a impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços; - cita jurisprudência e doutrina. É o relatório. 2 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° : 116.925 ACÓRDÃO N° : 301-28.229 VOTO A recorrente levou a despacho aduaneiro mercadoria pleiteando a imunidade outorgada pela alínea "a", inciso VI do artigo 150 e seu § 2° da Constituição Federal que "in verbis" diz o seguinte: "art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado á União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. VI- Instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2° - A vedação do inciso VI, letra "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes". A exegese do inciso VI é clara quando diz que "instituir impostos sobre" - trata-se de impostos incidentes sobre o patrimônio, isto é o fato gerador da obrigação tributário é o fato de a pessoa física ou jurídica ter o patrimônio. Sobre a renda quer dizer que a pessoa física ou jurídica aufere renda e sobre os serviços refere-... se à prestação de serviços. Aliás, para corroborar com tal conceito, o Ilustre Jurista e Professor Luiz Emygdio F. da Rosa Jr. esclarece em sua obra Direito Financeiro & Direito Tributário, às fls. 300, o seguinte: "Observe-se que a imunidade recíproca não se estende a todas os impostos, referindo-se somente aos impostos sobre patrimônio, renda e serviços. Patrimônio é o conjunto de bens, renda, sob o ponto de vista do Estado, é toda e qualquer receita, originária ou derivada, e serviços os que são públicos, e neste sentido devem ser entendidas as expressões utilizadas na mencionada alínea "a", do iniciso VI do artigo 150 da Constituição Federal. O CTN nos fornece as diversas categorias econômicas de impostos nas disposições que se encontram posicionadas nos capitulos II a IV do título III do Livro Primeiro, - -3_ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.925 ACÓRDÃO N° : 301-28.229 abrangendo os artigos 19 a 73, que devem ser interpretrados em consonância com a Constituição de 1988...." Os Impostos de Importação e ff1 não são impostos sobre o patrimônio, um se refere ao comércio exterior e outro sobre produção de mercadorias. Assim, a pleiteada imunidade recai apenas, e tão somente, sobre os fatos geradores concernentes ao patrimônio, renda e serviços, não abrangendo como já se demonstrou aos impostos sobre o comércio exterior e produção de mercadorias. Isto posto, nego provimento ao recurso. 111/ Sala das Sessões, em 12 de novembro de 1996 0/ D RUIZ DAMASC O- RELATORA - - - 4 Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.006691/90-27
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IPI - Isenção de que trata o art. 45, XXVIII, do RIPI/82. Benefício deferido pela lei a produtos saídos de estabelecimentos homologados pelo Ministério da Aeronáutica. Manifestação expressa desse Ministério confirmando a outorga da homologação. Recurso provido.
Numero da decisão: 201-67512
Nome do relator: SELMA SANTOS SALOMÃO WOLSZCZAK
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(5;..4.1,2.° c De_ 19_ JIlt 1 C R ubrica tr.W;1% ;i'An MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N. 10680.006691/90-27 11. eaal. Sessão de 24 de outubro de 1991 ACORDA() N.° 201-67.512 Recurso n.° 86 • 541 Recorrente FIBRON INDUSTRIAL LTDA. Recorrida DRF - BELO HORIZONTE - MG le• IPI - Isenção de que trata o art.45, XXVIII, do RIPI/82. Benefício deferido pela lei a produtos saídos de estabelecimentos homologados pelo Minis- tério da Aeronáutica. Manifestação expressa desse Ministério confirmando a outorga da homologação.Re curso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FIBRON INDUSTRIAL LTDA. --w ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provi mento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. WIL- MAN ELIAS SALOMÃO e pela Fazenda o Dr. ANTONIO CARLOS TAQUES CA- MARGO-PRFN. Ausente no momento o Cons.ARISTÓFANES FONTOURA DE HO- LANDA. Sala das SessOes, em 24 de outubro de 1991. 4ROBERT ARBOSA DE CASTRO - PRESIDENTE RIQUE/NE DA SILVA - RELATOR ' Ai ANT0 L' o , 'IeS 'QUE" IORGO - PRFN VISTA EM SESS A 0 DE O 6 NI7 1991 Participaram, ainda, do prese e julgamento, os Conselheiros LINO DE AZEVEDO MESQUITA, SELMA SANTOS SALOMÃO WOLSZCZAK, DOMINGOS AL- FEU COLENCI DA SILVA NETO, ANTONIO MARTINS CASTELO BRANCO.E-SÉRGIO GOMES VELLOSO. • (11ak -1-2- MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo NQ 10680.006691/90-27 Recurso N9: 86.541 Acordão N2: 201-67.512 Recorrente: FIBRON INDUSTRIAL LTDA. RELATÓRIO kg. FIBRON INDUSTRIAL LTDA., empresa com sede em Belo Ho rizonte-MG,foi autuada por não recolher Imposto Sobre Produtos In- dustrializadosno período de 1987 a setembro de 1988, em razão de: 1Q) saídas de produtos classificados na posição fis- cal 88.02.01.01 da TIPI/83 (Ultraleve e Kit p/montagem de ultrale ve) com isenção do artigo 45, incisos XXVIII e XXIX do RIPI/82, devidamente por não se tratar de estabelecimento industrial homolo- gado pelo Ministério da Aeronáutica; 2Q) saídas a título de demonstração e 3Q) saídas com insuficiência de imposto em razão de errônea classificação. Irresignada, a autuada impugna o auto de infração a- A legando ter autorização do Ministério da Aeronáutica por meio da CTA para produzir e vender ultraleve, conforme documento que junta pelo que estaria amparada pelo artigo 45, inciso XXVIII, do RIPI. Em rela ção 'as demais infrações nada alegou. O fiscal autuante manifestou-se pela manutenção da exigência. A autoridade de 1 instância julgou procedente a a- A( - segue , 4 _3_ SES v ':C rEZE''2•'- • Processo no. 10680.006691/90-27 Acórdão n(1) 201-67.512 ção fiscal em decisão assim ementada. "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ISENÇÕES O benefício previsto no artigo 45,incisoMNIII do RIPI/82 somente se aplica ao estabelecimento in - dustrial homologado pelo Ministério da Aeronáutica através de documento hábil e próprio. Ação fiscal procedente." Transcrevo a seguir os fundamentos da decisão a quo: "O litigio gravita apenas em torno do gozo da isen- ção prevista no art.45, inciso XXVIII do RIPI aprovado pelo Decreto n(287.981/82, visto que as demais infrações, descri- tas e capituladas no Auto de Infração, não foram contesta- das, admitindo-se então a concordância da autuada com os i- tens não impugnados. O dispositivo legal retro-citado, cuja matriz é o De creto-lei n.Q 1386, de 31.12.74, preceitua: "Art.45 - São ainda isentos do imposto: XXVIII - os produtos aeronáuticos saídos dos estabe- lecimentos industriais homologados pelo Ministério da Aeronáutica, para emprego ou reposição nos produ- tos de sua industrialização ou em seus componentes." (O grifo é nosso). Constitui-se, pois, em requisito essencial para a fruição da isenção, a homologação do estabelecimento pelo Mi nisterio da Aeronáutica. No presente caso, a Impugnante anexa, às fls. 38/39, • 'cópia de correspondencia emitida pelo Centro Técnico Aeroes- pacial do Ministério da Aeronáutica, informando que a empre- sa possui "Certificado de aprovação para fabricação de Kits". Tal autorização, contudo não se confunde com a homologação' da empresa, requerida para o gozo do benefício em causa. De fato, a homolpgação da empresa pelo Ministério da Aeronãtica submete-se a procedimento disciplinados em ato administrativo deste Ministério, ou seja, a Portaria n(2 246/GM5, que devem ser fielmente cumpridos pelo interessa- do. Não foi oferecida pela defesa qualquer prova de que seu estabelecimento tenha obtido a homologação requerida, a través de certificado próprio, razão pela qual se conclui que a empresa não faz jus à isenção nas saídas dos produ- tos aeronáuticos citados, usufruída. indevidamente. - se.'e -4- •SE.",•.•:C Processo n.Q. 10680.006691/90-27 Acórdão n9. 201-67.512 Cumpre finalmente ressaltar que o presente entendi- mento baseia-se tambem nas disposições contidas no Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) que, em seu artigo 111 inciso II, determina que a legislação tributária que dispõe sobre "outorga de isenção" deve ser interpretada literalmen te." Inconformada a autuada recorre a esse Eg. Conselho reiterando suas razões de impugnação e, concomitantemente, procede o pagamento das parcelas não discutidas. Em seu recurso, a empresa junta, novamente, cópia dos documentos, pelos quais pretende comprovar seu direito ã isen- ção. Para melhor elucidação da questão leio em sessão o teor de tais documentos. Por fim, informo que recebi memorial da recorrente' enviado através do sistema de Fax, no qual consta declaração do De partamento de Aviação Civil do Ministerio da Aeronáutica cujo teor transcrevo. "Declaro para os devidos fins, que a FIBRON INDUSTRI AL LTDA., localizada a rua Barão de Sabara, n g 250, na ci • dade de Belo Horizonte, MG CGC 20 995 916/0001-36, desde 22 de dezembro de 1984 ate 30 de junho de 1989, estava au- torizada a fabricar, reparar e realizar serviços de manu- tenção do ultraleve FIBRON Modelo Demoiselle conforme os Certificados de Aprovação para fabricação de KITS e Experi mentais nQ 8412-01 e nQ. 8806-03. A fabricação de ultraleves é autorizada mediante a emissão dos referidos certificados que correspondem ao cer tificado de Homologação para uma Indústria de Aeronave Ho:: mologadas." 2 o relatório. -segue- -5- SEv :c Processo nQ 10680.006691/90-27 Acórdão nQ 201-67.512 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE NEVES DA SILVA IØ Recurso tempestivo, cabível e interposto por parte legítima, dele conheço. A questão versada nestes autos gira em torno de ser ou não a recorrente empresa homologada pelo Ministério da Aero- náutica. 4 A autoridade de 1 instância entendeu que a autori zação apresentada pela recorrente não poderia ser considerada co mo homologação, pois, tratando-se de norma que concede isenção,a mesma deve ser interpretada literalmente. Sobre interpretação literal, MIGUEL REALE prescreve: " O primeiro dever do interprete e analisar o dispo sitivo legal para captar o seu pleno valor expressional. A lei é uma declaração da vontade do legislador e, portan to, deve ser reproduzida com exatidão e fidelidade. Par.a isto, muitas vezes é necessário indagar do exato sentido de um vocábulo ou do valor das proposições do ponto de vista sintático. A lei é uma realidade morfológica e sintática que • deve ser, por conseguinte, estudada do ponto de vista gra matical. É da gramática-tomada essa palavra no seu senti do mais amplo; o primeiro caminho que o interprete deve percorrer para dar-nos o sentido rigoroso de uma norma le gal. Toda Lei tem um significado e um alcance que não são dados pelo arbítrio imaginoso do interprete, mas são, ao contrário, revelados pelo exame imparcial do texto. Após essa perquerição filolófica, impõem-se um tra- balho lógico, pois nenhum dispositivo está separado dos demais. Cada artigo de lei situa-se num capitulo ou num título e seu valor depende de sua colocação sistemática. É preciso, pois, interpretar a lei segundo seus valores lingüísticos, mas sempre situando-os no conjunto do siste ma n (Lições Preliminares de Direito, 1983, pág.275, ed. Sa — / raiva). -segue- _ fk-(i 4 g,. :c Processo nQ 10680.006691/90-27 Acórdão n(1) 201-67.512 Isto posto, cumpre-nos examinar o sentido filológico 110 da expressão Homologação. Segundo Aurelio Buarque de Holanda, no seu festejado Dicionário da Língua Portuguesa, Homologação e: "Ato ou efeito de homologar. Aprovação dada por autoridade judicial ou'administrati va a certos atos particulares para que produzam os efeitos jurídi cos que lhes são próprios".(1b.cit.pag.737) Homologação é sinônimo de aprovação e de confirmação, sendo antônimo de Rejeição. (grande Dicionário de Sinônimos e An tOnimos, Osmar Barbosa, pr.387. Assim fica claro que homologação é o ato pelo qual a autoridade administrativa expressa seu consentimento, aprovando a prática de determinados atos. Ok Ora, de outra forma não se pode entender a autoriza - ção, que é o ato praticado pelo agente administrativo competente expressando seu consentimento para a prática de determinado ato. • • A interpretação literal da norma não exige que para configuração da hipótese legal, o ato referido contenha ipses as palavras contidas na lei. Deve ele, isto sim, preencher -todos os requisitos do ordenamento, não sendo possível, em face da res- . trição da interpretação literal, dar-se tratamento ampliativo a esses requisitos. 0°7 - segue 41 -7- SE;- :C Processo nQ 10680.006691/90-27 Acórdão n.Q 201-67.512 Não se pode, assim ampliar o sentido da norma, ou mes mo aplicá-la analogicamente. Entendo que a tese defendida pela recorrente não con- traria a interpretação literal da norma em debate. Homologação equivale a autorização. - E, no caso, a existência dessa autorização encontra- se fartamente comprovada nos autos. .k• Por fim, para espancar qualquer dúvida remanescente vale relembrar que o próprio Ministério da Aeronáutica declara que o certificado de autorização em questão, aplicável a produ - ção de ultraleves tem o mesmo valor, que o certificado de Homolo gação para uma indústria de aeronaves. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para declarar indevida a exigência descrita no item I do auto de infração, pois os demais itens não são objeto desse recurso. Sala das Sessões, em 24 de outubro de 1991. NRIQUINEVES DA SILV /eaal.
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Numero do processo: 11080.912707/2012-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.
Numero da decisão: 1001-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 27 07 /2 01 2- 86 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 183 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0356.253, de 17/10/2013 (efls. 40/44), objetivando a reforma do referido julgado. Dos fatos: Em 21/06/2010, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa PER/DCOMP, o Pedido de Restituição nº 09478.73355.210610.1.2.049424 (efls. 153/157), no valor de R$ 3.548,50 (valor original), devido ao Pagamento Indevido ou a Maior da IRPJ. O DARF informado apresenta as seguintes características: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR PRINCIPAL VALOR TOTAL DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2009 2089 143.497,88 143.497,88 31/07/2009 Em 05/12/2012, a DRF/Porto Alegre emitiu Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para restituição. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 02/03), juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que teria ocorrido erro de preenchimento na DCTF original e que teria retificado a declaração no intuito de comprovar a existência do crédito pleiteado, relata fatos e solicita a revisão do Despacho, bem como a suspensão da cobrança do crédito tributário. Ciente da decisão da DRJ de Brasília, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em 25/10/2013, por Aviso de Recebimento –AR (efl. 46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls. 48/50, em 14/11/2013, juntando ainda documentos e reiterando as razões já suscitadas na manifestação de inconformidade na instância a quo, porém acrescentou: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 184 3 que discorda da decisão recorrida, no que concerne à não apresentação de documentos hábeis e idôneos que pudessem comprovar o IRPJ devido no PA 2º trimestre/2009 e o pagamento a maior ou indevido; que no anocalendário 2009 os resultados foram submetidos à tributação pelo lucro presumido trimestral, pelo regime de caixa; que a base de cálculo do IRPJ (lucro presumido) são os valores efetivamente recebidos no período, mais as receitas financeiras, informações constante da DACON; que durante o anocalendário 2009 prestou informações, mensalmente, à RFB, acerca da apuração das contribuições sociais na DACON; que, ademais, no anocalendário 2009, foi intimada pela RFB e passou a ter condição de Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado, sendo que entregou ao fisco, entre outros, toda a sua escrituração contábil em meio magnético (Portaria RFB nº 11.211/2007, revogada pela Portaria RFB nº 2.356/2010); que, dessa forma, os documentos hábeis e idôneos não só foram registrados pela empresa em seus livros societários, mas também sempre estiveram à disposição da RFB; que, outrossim, juntou ao Recurso Voluntário cópia dos livros Diário nºs 39, 40, 41 e 42 da Matriz; nº 08 da filial de Caxias do Sul; nº 04 da filial de Brasília; nº 02 da filial de Florianópolis e nº 10 da filial de Parobé, todos do anocalendário 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais; que pelos registros existentes na DACON, além dos dados informados através do Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado e nos livros Diário e Razão, estarrrria claro ou evidente que os valores recebidos pela empresa mensalmente serviram de base de cálculo para apuração do IRPJ devido; que, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, ou seja, provimento integral ao recurso. Em 25/11/2014, os membros do colegiado da 2ª Turma Especial do CARF, mediante Resolução nº 1802000.585, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, cujas considerações do Relator, que propôs a diligência, transcrevo a seguir: A DCTF retificadora, que reduziu o débito informado/confessado na DCTF primitiva, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadora, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor do IRPJ a pagar entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil (livro Caixa, Razão, Diário) do anocalendário 2009. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 185 4 Compulsando os autos, observase a existência falhas na instrução do processo e que não permitem a formação da convicção julgador quanto ao mérito da lide, ou seja, não possibilitam a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois: a) sequer consta dos autos cópia da DIPJ do anocalendário 2009; b) sequer consta dos autos cópia da DCTF primitiva atinente ao PA 2º trimestre/2009; c) sequer consta cópia dos darf de pagamento das três quotas do IRPJ do 2º trimestre/2009. Ou seja, não há prova de pagamento integral do débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva, quanto PA 2º (segundo) trimestre/2009; d) falta confirmação de que houve recolhimento/pagamento das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre do anocalendário 2009; e) além disso, a recorrente informou nas razões do recurso que juntara aos autos cópia de sua escrituração contábil do anocalendário 2009, juntamente com a peça recursal; porém, essa prova foi retirada dos autos, conforme consta narrado no documento Adendo à defesa, apresentado em 28/11/2013 de efls. 56 e 71, in verbis: ADENDO À INTIMAÇÃO DRF/POA/SEORT/ COMPENSAÇÃO 2372/2013 DCSNET Comunicações Ltda, empresa com sede em Porto Alegre RS, (...) vem, respeitosamente, à presença de V.Sa. por seu procurador apresentar adendo à defesa protocolada em 14 de Novembro de 2013 sob número 10101004, referente aos processos 11080.912686/201207, 11080.912688/201298, 11080.912690/201267, 11080.912707/201286, 11080.912709/201275, 11080.912711/201244 e 11080.912729/201246. 1 Retiramse dos processos os Livros Diários n° 39, 40, 41 e 42 da Matriz, n° 8 da filial de Caxias do Sul, n° 4 da filial de Brasília, n° 2 da filial de Florianópolis e n° 1 0 da filial de Parobé, todos do ano de 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais. 2 Anexase ao processo os arquivos validados pela SVA no código 4ca91fe8c2f18799e54eac8dc2e15f43 em 27/11. 3 A troca dos Livros Diários pelo arquivo em meio magnético foi solicitação da funcionária Giovana Pedrini Martins ATRFB SIAPECAD 1213794, conforme Portaria MF 527 de 09/11/2010. 4 Ressaltamos, todavia, que os Livros Diários encontramse a disposição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estando arquivados na sede da empresa, podendo ser anexados ao presente processo a qualquer tempo. (...) Assim, diversamente do informado pela recorrente, não consta dos autos (e processo) o arquivo magnético ou digitalização da escrituração contábil da recorrente, quanto ao anocalendário 2009. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 186 5 Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Porto Alegre a fim de que a fiscalização: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF e a DIPJ 2010, anocalendário 2009), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 20/12/2012 (efls. 08/20) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2010, anocalendário 2009; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 2º trimestre/2009; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe, ou não, e se está ou disponível para restituição); g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Com o objetivo de obter os esclarecimentos necessários ao saneamento do processo, o Serviço de Orientação Tributária da DRF de Porto Alegre/RS (SEORT/DRF/POA) promoveu a diligência fiscal e emitiu, em 08/08/2007, relatório circunstanciado (efls. 175/176). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Com o objetivo de delimitar as questões de mérito a serem analisadas, transcrevo as palavras da relatora do voto de Resolução de Diligência da Turma a quo, às quais me alio: "O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida restituição, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações". Transcrevo, a seguir, a informação fiscal, resultado da Diligência, emitido pela DRF de Porto Alegre/RS: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 187 6 O presente processo foi encaminhado em diligência pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (fls. 79 a 85) para que esta Delegacia intimasse o sujeito passivo a: comprovar, por meio de documentos de seus assentamentos contábeis/fiscais, a efetividade do crédito informado no PER 09478.73355.210610.1.2.049424 (crédito de R$ 3.548,50 pagamento indevido/a maior código de receita 2089, DARF no valor total de R$ 143.497,88, período de apuração 30/06/2009 e data de arrecadação 31/07/2009), juntando também as declarações DIPJ e DCTF e todos os recolhimentos efetuados na quitação do IRPJ apurado no 2º trimestre do ano calendário (AC) 2009, com ciência à contribuinte e reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. 2. Para fins de subsídio à analise do crédito pretendido foram juntadas ao presente processo as declarações originais/retificadoras das DCTF’s (fls. 140 a 152) e DIPJ’s (fls. 87 a 139), os DARF’s recolhidos relativos ao IRPJ devido para 2º trimestre do AC 2009 (fls. 169 a 171), assim como a DIRF entregue pelas fontes pagadoras (fls. 153 a 168), onde foi verificado que: a) na declaração DCTF original de junho/2009 (entregue em 03/08/2009) a requerente não declarou IRPJ devido para o 2º trimestre, mas nas retificadoras entregues em 22/12/2009 e 04/04/2011 já constava débito declarado no valor de R$ 419.848,13, com saldo a pagar em quotas. Já em relação à forma de quitação das quotas de IRPJ (informadas na DCTF de setembro/2009), constava na DCTF original débito no montante de R$ 430.493,64 (três quotas de R$ 143.497,88), e na DCTF retificadora entregue em 20/12/2012 (após a ciência do Despacho Decisóriio de fls. 31 e 38) constava débito no montante R$ 419.848,14 (três quotas de R$ 139.949,38); b) tanto na declaração DIPJ original quanto retificadora, entregues respectivamente em 29/06/2010 (fls. 87 a 132) e 02/08/2010 (fls. 133 a 139), não houve alteração em relação à base de cálculo da receita bruta sujeita ao percentual de 32% (R$ 6.374.076,07) e dos rendimentos e ganhos líquidos em aplicações de renda fixa/variável (R$ 88.720,02), sendo que, do IRPJ apurado à alíquota de 15% (R$ 319.263,65) e Adicional (R$ 206.842,44) foi deduzido o mesmo montante a título de IRRF (R$ 95.612,45) chegandose ao IRPJ A PAGAR no montante de R$ 430.493,64; c) há o recolhimento de 03(três) DARF’s para a quitação em quotas do IRPJ devido para o 2º trimestre do AC 2009: a primeira recolhida em 31/07/2009 (principal de R$ 143.497,88), a segunda recolhida em 31/08/2009 (principal de R$ 143.497,88 e juros SELIC de R$ 1.434,97), e a terceira recolhida em 30/09/2009 (principal de R$ 143.497,88 e juros SELIC de R$ 2.425,11), conforme extratos dos sistema SIEF juntados às fls. 169 A 171; e d) no que diz respeito as retenções sofridas na fonte e declaradas em DIPJ no montante de R$ 95.612,45 para o 2º trimestre do anocalendário (AC) 2009, foram comprovadas em DIRF para aquele trimestre retenções de IR no montante de R$ 79.468,20, conforme declaração DIRF juntada às fls. 153 a 157, demonstrada analiticamente na planilha juntada às fls. 158 a 168. 3. Diante das inconsistências verificadas entre os valores dos débitos de IRPJ declarados em DIPJ e DCTF para o 2º trimestre do AC 2009 (R$ 430.493,64 X R$ 419.848,14) assim como das retenções na fonte deduzidas do IRPJ apurado em DIPJ em relação às retenções comprovadas em DIRF (R$ 95.612,45 X R$ 79.468,20), e em atendimento ao determinado na Resolução de Diligência nº 1802000.585 (fls. 79 a 85), a contribuinte foi intimada (Intimação Nº 020/2017/DRF/POA/SEORT – Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 188 7 ciência em 11/05/2017 fls. 172 a 174), a apresentar os documentos abaixo relacionados, os quais não foram entregues pela contribuinte até a presente data. “Demonstrar analiticamente, por matriz e filiais, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, e detalhar as contas contábeis que compuseram as linhas de preenchimento 07 (Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32%) e 10 (Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicações Renda Fixa/Renda Variável) da Ficha 14A (Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido), declaradas em DIPJ para o 2º trimestre do anocalendário 2009. Em relação ao IRRF deduzido do IRPJ apurado no 2º trimestre (linha 29 da ficha 14A – R$ 95.612,45), detalhar analiticamente os créditos que o compõem, apresentar documentação suporte (Comprovantes de Rendimentos, DARF, etc...), e especificar as contas em que constam os registros contábeis da retenção sofrida e/ou da antecipação do devido pelo recolhimento; Informar o regime de reconhecimento das receitas para fins de tributação no anocalendário 2009 (caixa ou competência) e apresentar cópias dos balancetes de verificação (antes do encerramento das contas de resultado) e das contas do Razão (matriz e filiais) que registram a movimentação contábil das contas CAIXA/BANCOS, CLIENTES, IR RETIDO NA FONTE/ANTECIPAÇÃO DE IRPJ A COMPENSAR, e de RECEITAS FATURADAS NA APURAÇÃO DO RESULTADO, bem como de outras contas porventura relacionadas pela contribuinte em resposta ao item anterior, relativamente às operações ocorridas no 2º trimestre do anocalendário 2009; Justificar a origem dos créditos de IRPJ e CSLL pleiteados para o 2º trimestre do anocalendário 2009 (montantes respectivos de R$ 10.645,51 e R$ 4.716,79), bem como esclarecer por que na DIPJ retificadora entregue em 02/08/2010 (isto é, após a formalização de todos os Pedidos de Restituição – 21/06/2010) foram declarados IRPJ e CSLL A PAGAR nos mesmos montantes recolhidos (R$ 430.493,64 e R$ 191.558,19, respectivamente). Apresentar cópia autenticada dos Livros Diário e Razão em que consta o reconhecimento daqueles créditos no curso do ano calendário 2010.” Vejamos a conclusão do AuditorFiscal ao final do Relatório: 4. Em face do acima exposto, não dispondo das bases de cálculo com a demonstração analítica das contas contábeis que integram as contas de resultado, tampouco dos registros contábeis do 2º trimestre acima solicitados e da documentação suporte das retenções de IR na fonte deduzidas do IRPJ apurado naquele trimestre, não há elementos de prova suficientes para confirmar o crédito pleiteado no valor de R$ 3.548,50, relativo à parte do DARF recolhido em 31/07/2009 (período de apuração 2º trimestre AC 2009), no valor total de R$ 143.497,88. Como depreendese dos fatos narrados acima, mesmo após a tentativa de se complementar a instrução processual, nenhum elemento de prova foi acrescentado aos autos pela recorrente, para que efetivasse a comprovação do seu pleito, tendo a informação fiscal e a Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 189 8 ausência provas, esta por si só, enfrentados, assim, as alegações acrescentadas pela recorrente no seu recurso voluntário. Neste sentido, com base no §3º do art. 57 do RICARF e no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir do colegiado de primeira instância, cujos excertos do voto transcrevo a seguir: Nos termos do inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido”. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 190 9 natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3º). No caso em análise, em síntese, a contribuinte alega teria pago valor a maior do imposto apurado no período e que teria retificado a DCTF, no intuito de comprovar suas alegações. Notase, então, que o direito creditório que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. A declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme dispões a legislação tributária (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e demais atos normativos da RFB pertinentes a DCTF). Nos termos do § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11080.912707/201286 Acórdão n.º 1001000.486 S1C0T1 Fl. 191 10 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu Pedido de Restituição. Na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. A respeito do requerimento da impugnante acerca da suspensão da exigibilidade dos débitos de sua responsabilidade – que são objeto do presente pleito compensatório – tratase de medida desnecessária, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal, independentemente de manifestação desta instância administrativa. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725109/2014-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
CUSTOS/DESPESAS. RATEIO. REQUISITOS. DETUBILIDADE
A possibilidade de deduzir despesas, quando adotado o critério de rateá-las entre diversas empresas a partir da centralização dos pagamentos em apenas uma delas exige, dentre outros requisitos, que comprovadamente correspondam a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos, sejam necessárias, usuais e normais às atividades das pessoas jurídicas participantes do pool, a fixação de rateio mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados e devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes e que a centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantenham escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Insatisfeitas essas imposições, parcial ou integralmente, a glosa das despesas é medida que se impõe. Glosa mantida.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Anos-calendário:2009,2010
CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA
A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduz-se no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduz-se que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantém-se a glosa realizada pela Fiscalização.
Numero da decisão: 1402-002.965
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que dava provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 CUSTOS/DESPESAS. RATEIO. REQUISITOS. DETUBILIDADE A possibilidade de deduzir despesas, quando adotado o critério de rateálas entre diversas empresas a partir da centralização dos pagamentos em apenas uma delas exige, dentre outros requisitos, que comprovadamente correspondam a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos, sejam necessárias, usuais e normais às atividades das pessoas jurídicas participantes do pool, a fixação de rateio mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados e devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes e que a centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantenham escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Insatisfeitas essas imposições, parcial ou integralmente, a glosa das despesas é medida que se impõe. Glosa mantida. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 51 09 /2 01 4- 65 Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.265 2 incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anoscalendário:2009,2010 CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduzse no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduzse que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantémse a glosa realizada pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que dava provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.266 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.267 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 14 de abril de 2016 (fls. 1049/1071)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 RATEIO DE CUSTOS E DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas rateadas se: a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços efetivamente pagos e recebidos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio se der mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; d) o critério de rateio for consistente com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios gerais de Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriar como despesa tãosomente a parcela que lhe couber segundo o critério de rateio. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica enquadrada na sistemática de tributação com base no Lucro Real e optante pela apuração no ajuste anual do IRPJ e CSLL, obrigase à antecipação de valores determinados sobre bases de cálculo estimadas e se sujeita à multa isolada, calculada sobre as importâncias das antecipações mensalmente não recolhidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA DA GLOSA DE DESPESAS NÃO DEDUTÍVEL. CSLL. Não se tratando de mera indedutibilidade material oriunda da legislação de IRPJ, a glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal para que sejam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O procedimento fiscal que deu origem aos lançamentos de IRPJ e CSLL aqui apreciados também constatou irregularidades relativas ao IOF que, todavia, foram objeto de processo administrativo específico, conforme informação dos autuantes no Relatório de Auditoria Fiscal – RAF – (fls. 52). 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.268 5 Deste modo, a análise da lide circunscrevese aos dois tributos inicialmente referidos (IRPJ/CSLL). DA ACUSAÇÃO FISCAL Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo e o adaptando quando entendido necessário. “Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os autos de infração (ciência em 26/05/2014) exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 17.343.197,68 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 6.243.551,16, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, em razão de glosa de despesas para fins fiscais, ou seja, não foram admitidas como dedutíveis as despesas nos valores de R$ 33.623.589,94 e R$ 35.749.200,77, relativamente aos anoscalendário de 2009 e 2010, registrados a título de “Serviços Compartilhados”, e, em conseqüência, a fiscalização adicionou tais valores ao lucro líquido para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL desses períodos de apuração. Exigiuse ainda a multa isolada nos valores de R$ 8.671.598,84 e R$ 3.121.775,21 por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada, tudo conforme Relatório de Auditoria Fiscal. O crédito tributário perfez o montante de R$ 61.358.187,67 (fl. 02). (...) Analisando a contabilidade da empresa dos anos de 2009 e 2010, a fiscalização identificou que foram escriturados na conta do Grupo 42 (Gastos Operacionais), subgrupo 4211 (Custos e Despesas Comerciais e Administrativas), subgrupo 421107 (Serviços de Terceiros), contaanalítica 0033107140 (Serviços Compartilhados), valores na ordem de R$ 33.623.589,94 e R$ 35.749.200,77, respectivamente aos anos de 2009 e 2010, cujos valores foram deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL, e que, em regra, os lançamentos nessa conta apresentavam os seus históricos com expressões do tipo: "rateio de gastos", "rateio de despesas" ou "custos compartilhados". Diante disso, em 14/08/2013, foi a empresa intimada a apresentar os seguintes elementos e documentos: a) Explicar, compor e comprovar com documentação hábil e idônea os lançamentos que constituíram redução dos resultados dos exercícios; b) Apresentar o (s) contrato (s) de compartilhamento de despesas porventura existentes; c) Informar e demonstrar os critérios de rateio aplicados; e, d) Comprovar a vinculação dos gastos com a atividade exercida e com os objetivos econômico–sociais da empresa. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.269 6 Em 26/08/2013, a fiscalizada formalizou documento no qual (...) alegou: i) que, “nos anos calendário analisados, procedia ao rateio de despesas atribuídas às empresas do grupo, as quais eram incorridas pela sociedade Votorantim Cimentos S/A)”; ii) que, “a referida sociedade incorria em despesas relacionadas às atividades comuns às demais empresas do grupo, as quais eram, posteriormente, rateadas pelas sociedades relacionadas”; iii) que, “tratase de despesas relativas às atividades comuns a todas as sociedades, tais como serviços de limpeza, gastos com refeitório disponibilizado aos funcionários do grupo, informática, treinamento, despesas com segurança, materiais diversos, dentre outras”; iv) que, “a fim de demonstrar a composição dos valores de cada uma das despesas rateadas (...) apresenta cópia do livro Razão, com a abertura dos valores apurados em questão”; v) que, “o critério utilizado correspondia ao cálculo proporcional ao faturamento de cada uma das sociedades em virtude do faturamento total do grupo (tendo sido o percentual atribuível à Intimada de 22,43%, no anocalendário de 2009, e de 24,72%, no anocalendário de 2010”; vi) que, “o faturamento utilizado para o cálculo do percentual aplicável é aquele constante nas (...) Fichas 6A das DIPJ relativas a cada anocalendário”. Por entender insatisfatórias as explicações da contribuinte, a Fiscalização reintimoua a prestar novos esclarecimentos, o que foi feito em 13/12/2013: "(...) Nestes termos, vem a Intimada esclarecer as dúvidas suscitadas, se colocando desde já à disposição para prestar novos esclarecimentos julgados necessários. Vejamos. Conforme informado anteriormente, nos anoscalendário de 2009 e 2010, a Intimada procedia ao rateio de despesas com outras empresas do grupo. As despesas em questão referiamse à atividades comuns a todas as sociedades, tais como serviços de limpeza, gastos com refeitório disponibilizado aos funcionários do grupo, informática, treinamento, despesas com segurança, materiais diversos, dentre outras. A sociedade Volorantim Cimentos S/A (inscrita no CNPJ/MFsob o n. 01.637.895/0001 32) arcava com as despesas em questão as quais eram, posteriormente, rateadas entre todas as empresas do grupo, na proporção e nos limites do critério de rateio previamente estabelecido. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.270 7 A descrição de todas as despesas que originaram os valores questionados por esta d. fiscalização, i.e., as quais foram posteriormente rateadas entre as empresas do grupo, encontrase nas planilhas anexadas à presente, em que constam os valores lançados no livro Razão daquela sociedade (doc. 01). Cabe registrar que a vinculação das despesas rateadas às atividades exercidas pela Intimada tornase evidente, conforme se observa pela própria descrição constante na planilha apresentada. De fato, a Intimada tem por objeto a pesquisa mineral, as atividades de estudos geológicos e de prospecção, a extração de minerais, a fabricação de produtos minerais nãometálicos, a extração e o britamento de pedra, areia, gesso argila, calcário e outros materiais para produção de clinquer e cimento, dentre outras. Assim, não há dúvidas de que as despesas rateadas, relativas a serviços de manutenção, treinamento de funcionários, segurança, limpeza, eventos, refeição de funcionários, dentre outras conforme descritas no livro razão (planilhas anexas), são necessárias e acessórias às atividades desenvolvidas pela Intimada. Pois bem. Conforme se verifica, no anocalendário de 2009, o montante total das despesas comuns a serem rateadas entre todas as empresas do grupo representou o montante de RS 150.058.786,69, ao passo que, no anocalendário de 2010, esse montante foi correspondente a RS 141.920.701.24. O critério de rateio utilizado, previamente acordado entre as sociedades do grupo, correspondia ao cálculo proporcional ao faturamento de cada uma das sociedades em virtude do faturamento total do grupo (vide apuração no doc. 01). Registrese que a Intimada não localizou em seus registros, até o presente momento, o contraio de rateio formalizando os termos acordados. Contudo, cabe destacar que o critério adotado nos respectivos anos calendário foi exatamente o mesmo (proporcional ao faturamento), de forma coerente com o que foi acordado pelas sociedades do grupo (...)”. A fiscalização, ao analisar a resposta da contribuinte, entendeu que a empresa apenas repetiu as suas explicações e que nada de novo trouxe de modo a justificar os lançamentos titulados como "despesas compartilhadas" passíveis de dedutibilidade das bases de tributação do IRPJ e da CSLL e, assim, procedeu as glosas das despesas registradas pela fiscalizada, na contaanalítica 0033107140 (Serviços Compartilhados), nos anos de 2009 e 2010, nos valores respectivos de R$ 33.623.589,94 e R$ 35.749.200,77. Assim justificou a autoridade fiscal seu procedimento (RAF – fls. 41/42): “Sobre o tema "gastos compartilhados", devemos observar que, para a dedutibilidade de custos e despesas compartilhados entre unidades de um mesmo grupo empresarial, não basta comprovar Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.271 8 que esses custos/despesas foram contratados, assumidos e pagos. É necessário comprovar que correspondem a bens e serviços efetivamente recebidos; que esses bens e serviços são necessários, normais e usuais às atividades das empresas (art. 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda Decreto n° 3.000/1999) e que o rateio dos custos/despesas seja efetuado através de critérios objetivos e previamente ajustado, mediante contrato firmado entre as partes envolvidas. No caso sob análise, não ficou comprovado os gastos compartilhados, nem o montante que deveria se atribuído ao sujeito passivo, por rateio entre empresas do grupo. Ressaltamos que, de maneira alguma se discute a possibilidade e licitude da repartição de despesas e/ou custos entre empresas do mesmo grupo. Incontestavelmente, a jurisprudência administrativa é pacífica a esse respeito, bem como, a sua admissibilidade pela fiscalização tributária; desde que fique demonstrado: que os gastos são necessários, normais e usuais; que sejam justificados os critérios de rateio (objetivos e previamente ajustados) e que seja demonstrada e comprovada a efetividade dos dispêndios. Logo, a questão se restringe à prova de que esses requisitos foram observados pela fiscalizada. Fato que, conforme narrado acima, não ocorreu na presente ação fiscal. De fato, quando intimada e reintimada, a fiscalizada não logrou "explicar", tão pouco "compor" e muito menos comprovar com documentação hábil e idônea os lançamentos que constituíram redução do resultado do exercício relativo aos serviços compartilhados. Apenas, apresentou uma cópia do livro Razão com a abertura dos valores apurados no período em questão. Nos casos de gastos compartilhados, além da comprovação documental das despesas/custos, é indispensável que o rateio se faça com base em contrato previamente ajustado (com a intenção de afastar a possibilidade de manipulação dos resultados), segundo critérios de rateio claros e objetivos (a fim de possibilitar a averiguação, pela fiscalização, de sua observância), e definição dos gastos compartilhados de forma clara e objetiva (igualmente, para possibilitar a averiguação de sua normalidade e necessidade para a empresa que as assumiu). Ademais ressaltamos que, nos termos do art. 221 do Código Civil, mesmo que o contribuinte houvesse apresentado contrato; este, por si só, não faria prova perante terceiros (no caso, a Fazenda Pública), a menos que estivesse corroborado com outros elementos de prova hábeis. Conforme supramencionado, a fiscalizada declara a inexistência de contrato de ajuste prévio acordado, fato que conduz tranqüilamente à plena certeza de que esse critério, tão relevante para o tema gasto compartilhado, foi completamente negligenciado. Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.272 9 Destacamos que, mesmo que houvesse o(s) contrato(s) de rateio previamente acordado(s), a dedutibilidade ainda ficaria condicionada à prova da normalidade e efetividade das despesas e a observância dos contratados critérios de rateio; tudo o que também não foi apresentado pela fiscalizada. Por tudo aqui devidamente circunstanciado, temos que: (I) não existia contrato prévio para o rateio das despesas; (II) não foram apresentados documentos que comprovassem a efetividade das despesas; e, (III) não foi formalmente demonstrada mediante documentação comprobatória a vinculação dos gastos com a atividade exercida e a correspondente vinculação ao objeto social. Assim, concluímos que as despesas registradas pela fiscalizada, na contaanalítica 0033107140 (Serviços Compartilhados), nos anos de 2009 e 2010, respectivamente, nos valores de R$ 33.623.589,94 e R$ 35.749.200,77, não serão admitidas como dedutíveis das bases de tributação do IRPJ e da CSLL; portanto, serão adicionadas, por esta fiscalização, ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL desses períodos de apuração”. Como a autuada optou, nos anoscalendário de 2009 e 2010, pelo regime do lucro real anual, o Fisco entendeu que, em face dos lançamentos atrás descritos, restaram insuficientes os recolhimentos de estimativas mensais, impondo a penalização da “multa isolada”, nos seguintes montantes”: IRPJ CSLL DA IMPUGNAÇÃO OFERTADA Na peça de defesa apresentada perante a DRJ/RPO a contribuinte contestou a acusação fiscal, pontuando, i) que a multa isolada foi exigida concomitantemente com a exigência da chamada multa proporcional, o que está em desacordo com a legislação, conforme doutrina e jurisprudência que transcreveu, acrescentando, ainda, seu entendimento sobre a matéria; ii) alegou que as bases imponíveis de IRPJ e de CSLL têm contornos diferentes e que nem sempre o que é indedutível para o imposto também o é para a contribuição; iii) criticou a falta de aprofundamento da fiscalização que se limitou a glosar as despesas, sem se dar ao trabalho de fazer completa apuração dos tributos, especialmente o IRPJ, pois as autoridades Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.273 10 sabiam que a impugnante é beneficiária de incentivo fiscal do IRPJ (situada na área da SUDENE) e, no entanto não se deram ao trabalho de recalcular o benefício fiscal e acrescentou. A respeito, pontificou: “Não se trata de simples comodismo da fiscalização, que não se deu ao trabalho de recalcular o benefício fiscal. Tratase de evidente incongruência lógica, na medida em que tendo as despesas sido incorridas por Votorantim Cimentos S.A., não porque no mesmo grupo empresarial se partilhálas com empresa beneficiária de incentivo fiscal regional, como é a Impugnante. Em outras palavras, se fosse para simplesmente reduzir tributos, melhor seria deixar de partilhar e tomar todas as despesas na empresa que não tem incentivo”. No mérito, bateuse longamente contra o trabalho fiscal, procurou demonstrar a lógica de seu raciocínio em ratear as despesas comuns com base no faturamento das empresas do grupo envolvidas, que não há nem na lei nem na jurisprudência a fixação de um critério; sobre o questionamento do Fisco do “porquê” da adoção deste critério, responde com outras indagações a) “porquê não antiguidade? b) porquê não segundo o tamanho do ativo? e que não é admissível que o Fisco “aceite o rateio enquanto possibilidade teórica”, mas condicione essa aceitação “à apresentação de um critério qualquer que permita justificar com precisão científica cada alocação de cada despesas” (impugnação – fls. 786). Diz não ter localizado contrato que fixe o critério de rateio, mas que tal instrumento não invalidaria o procedimento, principalmente por envolver empresas do mesmo grupo e sob o mesmo controle acionário. Reiterou a correção de seu procedimento e requereu a conversão do julgamento em 1ª Instância em diligência para cotejar os “valores lançados enquanto despesas pela Impugnante (e que foram objeto de glosa) com os valores lançados na contabilidade da empresa Votorantim Cimentos S.A. e com os documentos relacionados às despesas, de modo a verificar (i) a existência efetiva das despesas, (ii) a higidez dos lançamentos contábeis e (iii) a racionalidade do rateio”. DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o litígio, a 5ª Turma da DRJ/RPO converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 3.269 – sessão de 06/02/2015) concluindo pela necessidade de que viessem aos autos maiores informações. Confirase nos excertos abaixo: “Por outro lado, a impugnante alegou que não houve como apresentar a documentação completa das despesas, primeiro porque tratase de documentação em poder de terceiro, a Votorantim Cimentos S.A., responsável pelo rateio, e demais disso, tratase de volume por demais elevado de documentos (centenas e centenas de documentos), mas todos os documentos que suporta saldos do livro razão da empresa Votorantim Cimentos S.A. em 31/12/2009 e 31/12/2010 estavam e estão à inteira disposição daqueles que se dispusessem examinála, e solicitou a realização de diligência para examinar os livros contábeis da Empresa Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132). Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.274 11 Segundo a impugnante, glosar todas as despesas da impugnante em razão da não apresentação de contrato escrito e por falta de explicitação do critério do faturamento, seria admitir que seria possível uma empresa do porte da impugnante auferir receitas sem incorrer em despesas, além de implicar exigência de IRPJ sobre receita e não sobre a renda. Questionou ainda o fato de não ter a autoridade fiscal levado em consideração que a impugnante é beneficiária de incentivo fiscal do IRPJ porquanto situada na área da SUDENE. Não há dúvida de que a efetividade e necessidade das despesas deve ser comprovada pela fiscalizada/autuada, ainda que os contratos tenham sido celebrados pela Holding ou outra empresa do grupo, bem assim o pagamento aos prestadores dos serviços, cujo ônus cabe à impugnante. Por outro lado, é bem provável que grande parte dessas despesas são efetivas e que não foram apresentadas na impugnação em razão de insuficiência de prazo, desorganização, ou em razão do volume de documentos os quais, segundo a impugnante, sempre estiveram à disposição do Fisco. Além disso, pelo que depreendese da DIPJ (fls. 61 e seguinte, no caso pg 12, fl. 73), a contribuinte tem mesmo direito ao benefício fiscal de 75% de redução do IRPJ, e isto não foi levado em consideração pela fiscalização. Diante disso e visando um bom e justo julgamento VOTO pela conversão do julgamento em diligência, com o retorno dos autos à repartição de origem (DRF/Recife) a fim de que sejam tomadas as seguintes providências: 1) Efetuar diligencia na Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132), para verificar a efetividade e necessidade das despesas compartilhadas com a fiscalizada e, caso, constante irregularidades efetuar os procedimentos cabíveis, determinando o montante do rateio que possa ser acatado dentro de critério que a fiscalização entender aceitável; 2) Após apurado o valor correto a ser aceito no rateio, recalcular o lucro da exploração e, por conseguinte, o valor a ser tributado; 3) Por fim, lavrar relatório consubstanciado e cientificar a empresa para se manifestar, se assim desejar”. Cumprida a diligência (fls. 963/1032), os autos voltaram a julgamento, sendo distribuídos à 1ª Turma da DRJ/RPO, sob a mesma Relatoria inicial. Segundo o voto condutor (os destaques são do original): 1 Da dedutibilidade e do rateio de despesas “Conforme se depreende do Relatório a fiscalização concluiu no final dos trabalhos que as despesas registradas pela fiscalizada, na contaanalítica 0033107140 (Serviços Compartilhados), nos anos de 2009 e 2010, nos valores respectivos de R$ 33.623.589,94 e R$ Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.275 12 35.749.200,77, não poderiam ser admitidas como dedutíveis das bases de tributação do IRPJ e da CSLL e, conseqüentemente, adicionou tais valores ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL desses períodos de apuração. As despesas teriam sido pagas pela empresa Votoratim Cimentos Brasil (CNPJ 96.824.594/000124) e pela sua sucessora, Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132) e partilhadas entre a Impugnante (VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A) e a empresa Interavia Transportes (CNPJ 09.795.030/000106). Segundo a fiscalização, não haveria como admitir a dedutibilidade porque a empresa não apresentou contrato prévio para o rateio das despesas, apenas informou que o critério utilizado correspondia ao cálculo proporcional do faturamento de cada uma das sociedades. Além disso, não comprovou a efetividade das despesas/gastos compartilhados, nem o montante que deveria se atribuído ao sujeito passivo, por rateio entre empresas do grupo, limitandose a justificar a composição dos valores simplesmente juntando "cópia do livro Razão com a abertura dos valores apurados no período em questão. Também, não foram apresentados documentos que comprovassem a efetividade das despesas, nem a vinculação das despesas celebradas e pagas por outra empresa do grupo com a atividade exercida, de cuja parte se utilizou como dedução na apuração do IRPJ e da CSLL. Por outro lado, a impugnante alegou que não houve como apresentar a documentação completa das despesas, primeiro porque tratase de documentação em poder de terceiro, a Votorantim Cimentos S.A., responsável pelo rateio, e demais disso, tratase de volume por demais elevado de documentos (centenas e centenas de documentos), mas todos os documentos que suporta saldos do livro razão da empresa Votorantim Cimentos S.A. em 31/12/2009 e 31/12/2010 estavam e estão à inteira disposição daqueles que se dispusessem examinálos, e solicitou a realização de diligência para examinar os livros contábeis da Empresa Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132). Baixado o processo em diligência para que a repartição de origem apurasse junto à Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132) a efetividade e necessidade das despesas compartilhadas com a fiscalizada e, se fosse o caso, efetuar os procedimentos cabíveis, a fiscalização solicitou a Votorantim Cimentos S/A a apresentação de esclarecimentos e documentos. Entre outras alegações, reafirmou que não existe contrato entre as empresas ligadas regulando o rateio das despesas, e que o critério que norteia o rateio é eminentemente objetivo: a partilha é exatamente proporcional à receita que cada uma das empresas aufere e as planilhas juntadas demonstrariam como é operacionalizado e controlado este rateio. Passo à análise da matéria à vista dos elementos constantes dos autos. 1.1 Considerações Iniciais Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.276 13 A centralização de atividades administrativas para compartilhamento de custos e despesas entre empresas que integram o mesmo grupo econômico, conhecida como “Contrato de Compartilhamento de Custos e Despesas” ou Cost Sharing Agreements, consiste em uma operação em que empresas de um mesmo grupo econômico indicam, entre elas, aquela que ficará encarregada de prestar serviços (denominada “centro de custos”) em proveito das demais, centralizando os custos e despesas com o escopo de minimizar encargos e maximizar resultados. Nesses casos, os gastos incorridos pelo centro de custos serão rateados entre as empresas do grupo que deles se beneficiam de acordo com critérios previamente estabelecidos em contrato. Esse tipo de situação, atualmente, é bastante comum na atividade empresarial, de forma que podese afirmar que inexiste restrição legal para utilização de um sistema de compartilhamento de custos/despesas entre empresas de um mesmo grupo econômico. 1.2 Rateio de custos e despesas Conforme explicitado no Parecer Normativo PN CST nº 32, de 13 de agosto de 1981, “a qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica como despesas dedutíveis na determinação do lucro real está subordinada a normas especificas da legislação do imposto de renda, que fixam conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade das cifras correspondentes para aquele efeito”. As despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real são aquelas que se subsumem às condições previstas no artigo 299 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, assim descrito: (...) O PN nº 32/1981 definiu o conceito de despesa necessária, estabelecendo, em seu item 4, que “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que sejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. O item 5 do mesmo ato normativo, de sua vez, dispôs que “despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio”. A dedutibilidade de despesas operacionais, portanto, deve ser assegurada quando comprovada sua necessidade, usualidade e normalidade, mediante documentação hábil e idônea que garanta a completa identificação dos serviços efetivamente prestados e de seus beneficiários. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.277 14 Assim, no caso de custos ou despesas realizados por grupos econômicos, que por questões empresariais concentramse em uma das empresas, é possível a realização de rateio para as demais empresas do grupo. Há que se observar, no entanto, critérios de rateio que correspondam à efetiva imputação da despesa. Tais critérios devem ser comprovados e registrados em contrato escrito, formalizado entre as empresas do grupo, utilizandose de critérios objetivos e previamente ajustados. Neste sentido, mencionese acórdão da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: (...) Cabe também transcrever comentário de Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi a respeito do rateio de despesas administrativas: Na maioria dos grupos econômicos, os departamentos jurídicos e de contabilidade e processamento de dados, por questão de economia, estão concentrados numa das empresas e as despesas mensais são rateadas para as demais empresas. Para que a dedutibilidade das despesas não seja questionada, convém elaborar contrato escrito sobre os critérios de rateio.(HIGUCHI, Hiromi, HIGUCHI; Hiroshi Higuchi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de renda das empresas: Interpretação e prática. 31. ed. São Paulo: IR Publicações, 2006. p. 228) Registrese, por oportuno, que não cabe à Administração Tributária estabelecer os critérios de rateio a serem utilizados pelos contribuintes. Relevante é que o critério adotado seja objetivo e capaz de demonstrar os custos/despesas incorridos relativos a cada uma das empresas signatárias do contrato de rateio. Além disso, deve haver consistência na utilização de determinado critério de rateio, o que significa dizer que a interessada não poderá, ao seu alvedrio, modificálo a cada exercício. Por fim, cabe observar que, para a atribuição de despesas rateadas por um grupo econômico, seja ou não com repercussão na receita, não basta comprovar que elas foram contratadas, assumidas e pagas. É necessária, principalmente, a comprovação de que elas correspondam a bens e serviços efetivamente recebidos, além de que eles sejam necessários, normais e usuais na atividade das empresas, devendo o rateio ser efetuado com o uso de critérios objetivos e previamente ajustados. Em síntese, no que tange ao IRPJ e à CSLL, despesas rateadas são dedutíveis se: a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades de cada uma das empresas; Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.278 15 c) o rateio se der através de critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; d) o critério de rateio estiver de acordo com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios técnicos ditados pela Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar, orientando a operação conforme os princípios técnicos ditados pela Contabilidade; f) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantiverem escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Na situação versada nos autos, apesar dos documentos e esclarecimentos prestados pela autuada e pela Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132), as exigências para o reconhecimento de dedutibilidade de despesas não foram observadas, senão vejamos: Segundo a própria impugnante, as despesas atribuídas ao grupo teriam sido pagas pela empresa Votoratim Cimentos Brasil (CNPJ 96.824.594/000124) e pela sua sucessora, Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132), e foram rateadas entre a Impugnante (VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A) e a empresa Interavia Transportes (CNPJ 09.795.030/000106), sendo que o critério de rateio utilizado corresponde ao cálculo proporcional do faturamento de cada uma das sociedades. O que se verifica é que, na proporção assim estabelecida, todas as despesas, independentemente de ser necessária, usual e normal nas atividades de cada uma das empresas, foram utilizadas para deduzir das bases de tributação do IRPJ e da CSLL. A impugnante alegou tratarse de despesas relativas às atividades comuns a todas as sociedades e citou como exemplo, despesas com serviços de limpeza, gastos com refeitório disponibilizado aos funcionários do grupo, informática, treinamento, despesas com segurança, materiais diversos, dentre outras. No entanto, na relação apresentada pela impugnante em sua manifestação ao Termo de Diligência, verificase tantas outras despesas que não se pode afirmar serem comuns a todas as empresas, indistintamente, tais como despesas com aluguel de móveis, utensílios, imóveis e máquinas, depreciações, amortizações, viagens internacionais, pesquisas, sondagens, energia elétrica, IPTU, multas, despesas com condomínio e muitas outras. A prova de fundamental importância de que tais despesas são necessárias, usuais e normais nas atividades de cada uma das empresas não foi apresentada. Algumas dessas despesas podem ter conexão direta Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.279 16 com a Votorantim Cimentos S.A., mas não se pode afirmar que tem conexão com a Interavia Transportes ou com a impugnante. Assim, em razão da ausência de prova, não se pode aceitar que todas as despesas relacionadas sejam utilizadas pela pessoa jurídica impugnante para apuração do resultado tributável, ou seja, não se pode admitir como válido o rateio de todas as despesas como se todas fossem comuns às empresas do grupo. Não é razoável admitir que a empresa do grupo, a Interávia, que realiza o transporte da produção de cimento incorre nas mesmas despesas que a Votorantim Cimentos S/A e Votorantim Cimentos N/NE as quais produzem e vendem cimento. Enfim, não ficou comprovado a vinculação dos gastos com a atividade exercida por cada empresa. Assim, além de não ter sido devidamente formalizado por instrumento firmado entre os intervenientes, o rateio, da forma como foi feito, tomando a totalidade das despesas, demonstrou ser inadequado e não possui razoabilidade. Apenas para esclarecimento, a exigência de que a forma do rateio seja previamente ajustada e devidamente formalizada por instrumento firmado entre os intervenientes visa impedir que fique livre o fluxo financeiro entre as empresas, pois, caso contrário, poderiam manipular o volume das despesas faturadas conforme a conveniência de seus planejamentos tributários. Concluise, por fim, que as despesas registradas pela fiscalizada, nos anos de 2009 e 2010, respectivamente, nos valores de R$ 33.623.589,94 e R$ 35.749.200,77, não podem ser admitidas como dedutíveis das bases de tributação do IRPJ e da CSLL, e correto a adição desses valores ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL desses períodos de apuração. A impugnante alegou ser beneficiária de incentivo fiscal do IRPJ porquanto situada na área da SUDENE e, no entanto, as autoridades não se deram ao trabalho de recalcular o benefício fiscal. Com relação a esse item adoto, como fundamento, os esclarecimentos prestados pelo encarregado da diligência fiscal, que assim se manifestou: No caso, não há alteração no valor da glosa de despesas e a tributação não altera o lucro líquido ou o lucro da exploração declarado pela empresa, logo, não há o que recalcular. Tratase aqui de GLOSA DE DESPESAS PARA FINS FISCAIS, ou seja, tais despesas, apesar de admitidas pela empresa para diminuir o seu resultado contábil (Lucro Líquido), não foram admitidas para diminuir o seu resultado fiscal (Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL). Não foi desconsiderada a existência dessas despesas e sim glosadas a sua dedutibilidade na apuração do IRPJ e CSLL, posto que, não restaram demonstradas as suas características de normalidade, necessidade e habitualidade com as atividades operacionais da empresa. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.280 17 Não sendo dedutíveis, a fiscalizada deveria têlas adicionado nas apurações das bases de tributação do IRPJ e da CSLL; como não o fez, procedemos de ofício às glosas, adicionandoas às bases de tributação. De tal sorte, a tributação não afetou a apuração do lucro líquido contábil nem do lucro da exploração, conforme foi o preenchimento das fichas 08 das declarações DIRPJ dos exercícios. 2 Da Multa Isolada Conforme se depreende do relatório, com as adições das despesas consideradas não dedutíveis do IRPJ e também da CSLL, a empresa, além do pagamento a menor do IRPJ e da CSLL também recolheu a menor as estimativas mensais relativas aos meses de dezembro/2009 e dezembro/2010, quando optou pelo pagamento da estimativa mensal com base no balanço/balancete de suspensão/redução. A falta do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente por estimativa está sujeita a multa de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, conforme disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/1997, inciso II, alínea b, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007 (conversão da Medida Provisória n° 351 de 22/01/2007) que diz: (...) Portanto, com a edição da MP 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, que promoveu alteração da redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96 no tocante a multa isolada, não deixa qualquer dúvida de que a multa isolada (inciso II) incide sobre o valor do pagamento mensal de estimativa e, como isso, a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido de estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido no final do período. O disposto acima também se serve para derrubar o argumento trazido pelo impugnante a respeito da dupla incidência sobre a mesma materialidade. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Notase que o legislador buscou separar as bases de cálculo das infrações, fazendo incidir a multa de ofício (75%) sobre o disposto no inciso I (a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata) e a multa isolada (50%) sobre o disposto no inciso II (sobre o valor do pagamento mensal). Como se verifica, nenhuma razão cabe à impugnante, visto que a possibilidade desta imposição está prevista no dispositivo legal anteriormente transcrito (artigo 44, II, b da Lei n° 9.430/96). 3 Das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL A contribuinte questionou a adição, à base de cálculo da CSLL, das despesas consideradas indedutíveis com fulcro na legislação do Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.281 18 IRPJ, alegando que ainda que pudesse ser aceita a exigência de IRPJ (ou as despesas que influenciaram o cálculo do IRPJ), não se poderia aceitar idêntico tratamento em relação à CSLL em razão da falta absoluta de previsão legal nesse sentido, conforme julgados que transcreve. Em que pese o fato de que nem todas as restrições à dedutibilidade de dispêndios previstas pela legislação do Imposto de Renda serem aplicáveis à Contribuição Social sobre o Lucro, devese ter em conta que, no presente caso, a glosa das despesas no Auto de Infração ora em litígio não foi motivada por disposições específicas da legislação de IRPJ. A fiscalização considerou as alegadas despesas como indedutíveis em razão de: (a) ausência de demonstrativo da composição das origens das despesas contabilizadas provenientes de “rateio de despesas de terceiros”; (b) ausência de demonstrativo de adoção de critério de rateio das despesas; (c) falta de comprovação dos referidos gastos, e (d) falta de comprovação da vinculação das despesas celebradas e pagas por outra empresa do grupo, de cuja parte se utilizou como dedução na apuração do IRPJ e da CSLL. A Contribuição Social sobre o Lucro tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação. (...) Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido, as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias. Não se trata de aplicação de analogia, mas sim, de considerar que as despesas em questão, por violar as regras de dedutibilidade do IRPJ, não pode reduzir o lucro líquido que, também, é a base de cálculo da CSLL com os ajustes previstos na sua legislação específica. Cabe lembrar que, o que os tornam indedutíveis também da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, conseqüentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei n° 8.034, de 1990. Nesse sentido temse manifestado a jurisprudência administrativa, como segue: (...) As conclusões fundamentadas quanto ao lançamento do IRPJ alcançam a Contribuição Social sobre o Lucro, pois, somente se observados os requisitos legais pertinentes à legislação do Imposto sobre a Renda da pessoa Jurídica, é que estará assegurada a dedutibilidade de Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.282 19 um dispêndio com idêntica repercussão na base de cálculo da CSLL devido a redução que esta despesa acarreta ao lucro líquido do período. Diante de todo o exposto VOTO pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário tal como foi constituído”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 19/05/2016 (fls. 1084), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2016 (fls. 1086/1112), no qual aduz, em caráter preliminar, que a diligência não foi corretamente cumprida e, por isso, levaria à nulidade do acórdão recorrido; no mais, basicamente, repisa os argumentos expendidos na impugnação inaugural. Especificamente sobre o procedimento de diligência pontua que “após a empresa Votorantim Ciumentos S/A haver apresentado a documentação solicitada em estrita obediência ao que foi solicitado, seguiuse pronunciamento da fiscalização no sentido de que não se aceitava qualquer partilha feita à falta de apresentação de contrato escrito regulando o compartilhamento das despesas e o critério utilizado pelo contribuinte (partilha proporcional ao faturamento de cada empresa) se revelava inadequado, razão pela qual se mantinha a glosa total das despesas”. Que, “a desídia e a desobediência por parte da fiscalização, com efeito, comprometem o resultado do julgamento, na medida em que a autoridade fiscal se limitou a afirmar que a ausência de contrato escrito invalida qualquer aproveitamento de despesa”, e que, “num incompreensível e inaceitável comodismo, afirmou na competir a ela, autoridade fiscal, indicar qualquer critério e sim validar o critério do contribuinte, o que, no caso, não ocorreu por alegada falta de razoabilidade”. Diz mais, que, “lamentavelmente, no entanto, o órgão julgador não se apercebeu da negligência da autoridade fiscal e, por isto mesmo, passou a enfrentar o mérito no pressuposto, totalmente equivocado, de que todas as despesas seriam desnecessárias e não efetivas”; que, “esta desídia e desobediência implicam na nulidade do v. acórdão recorrido, eis que decidiuse sem base em elementos fáticos, que poderiam ter sido coligidos pela fiscalização, caso tivessem as autoridades cumprido o seu dever”; e que, assim, devese determinar o retorno à unidade de origem para que “as autoridades se desincumbam do dever de verificar as despesas, apontando, eventualmente, aquelas que não possam ser aproveitadas e indiquem qual critério que seria razoável adotar para, a partir da adoção desse critério,possa ser refeito o auto de infração e revisto o lançamento”. No mérito, reforça os argumentos antes expendidos na impugnação, reafirma o princípio da verdade material que deve nortear os procedimentos administrativofiscais, assenta que “a autoridade lançadora, diante da ausência de contrato escrito, a prever o rateio de despesas, houve por bem glosar todas elas, sem cumprir a sua obrigação, que é privativa (...) de verificar se estas despesas foram incorridas e se eram – como de fato o são, normais, usuais, necessárias, etc”, e pontua que “ao glosar todas as despesas da Recorrente em razão da não apresentação de contrato escrito e pela alegada falta de explicitação do critério do faturamento ou porque não seria razoável este critério, os autos de infração em tela acabam por refletir a exigência de tributo sobre a receita e não a exigência de imposto sobre a renda (ou disponibilidade econômica ou jurídica de renda) e de contribuição social sobre o lucro”. Mais, que, “a prevalecer os autos teremos que admitir ser possível a uma empresa industrial do porte da Recorrente (...) auferir consideráveis receitas de venda sem despender sequer um centavo para além do custo efetivo dos produtos!!!” (sublinhado no original). Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.283 20 Prossegue: a) “a diligência que se realizou configurou a oportunidade para que se fizesse a correta investigação da verdade material, como, aliás, determinara a própria DRJ. Lamentavelmente, no entanto, a diligência serviu apenas para reiterar a apresentação de um inexistente contrato prevendo o rateio”; b) “a aceitação de um lançamento sem respeito à verdade material implica em admitir que se está tributando o patrimônio (receita de R$ 1.641.264.299,03 em 2009 e R$ 2.066.139.376,35 em 2010) e não o lucro real ou o lucro líquido”; c) “é inaceitável, outrossim, a oposição constante na decisão recorrida no sentido de que o faturamento não seria um critério razoável, porquanto abrangeria a totalidade das despesas cujo desembolso foi realizado por Votorantim Cimento e não necessariamente àquelas que dizem respeito mais de perto à Recorrente”; d) “as despesas que são compartilhadas aproveitam a todas as empresas, tais como, as despesas com empresa de auditoria, a contratação de seguro de vida, a assistência médica. A lógica econômica da partilha está na otimização das atividades e na redução das despesas”; e) “o nexo de coerência econômico do critério de partilha está na capacidade contributiva: a empresa que mais fatura arca (e deduz para efeitos fiscais) a maior parte da despesa”; f) “não há nada de incerto ou não razoável no critério eleito pelo contribuinte. Pelo contrário, o faturamento enquanto critério, é aceito pela jurisprudência, como se constata do seguinte julgamento (...)”; g) “como foi demonstrado pela documentação juntada e pela diligência realizada, o critério utilizado pelo contribuinte foi exatamente o mesmo nos anos de 2009 e 2010, tal seja, o faturamento naqueles anoscalendário. Não há dúvida, a diligência “esbarrou” na verdade material mas não foi capaz de enxergála”; (destaque no original). Na sequência, acentua que, “se para a fiscalização o tratamento dado pelo contribuinte às despesas compromete a apuração do lucro real, e sendo conhecida a receita bruta da empresa, deveria ter sido arbitrado o lucro (...) e não fazer uma tributação pelo lucro real “pela metade”, vale dizer, levando em conta apenas o total das receitas”. Segundo o entendimento da recorrente, “se a falta de apresentação de contrato escrito a justificar a partilha de despesas implica em desconsiderar a totalidade das despesas, logo assume a fiscalização que a escrituração e elementos fornecidos pelo contribuinte são revestidos de defeitos e não podem ser considerados, tanto assim que a fiscalização não realiza o exame da usualidade, necessidade e efetividade de cada uma das despesas”, o que implicaria em realizar “o arbitramento do lucro”. (RV – fls. 1104/1105). Finalmente, quanto à exigência de multa isolada e acerca do item “bases de cálculo diferentes de IRPJ e de CSLL”, ratifica o aduzido na peça inaugural de defesa e conclui requerendo o provimento do seu recurso ou a conversão do julgamento em nova diligência para que a “fiscalização (...) determine o montante do rateio que possa ser acatado dentro dos critérios que entender aceitável”. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.284 21 Subindo os autos à apreciação do Colegiado, esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul, por proposta deste Relator, depois de afastar a preliminar de nulidade em razão de possível descumprimento da diligência realizada ainda quando na fase do julgamento em 1ª Instância (com fulcro nos motivos lá elencados), decidiu pela conversão do julgamento em diligência, conforme razões expostas na Resolução nº 1402000.406, de 24 de janeiro de 2017, verbis: “Assim, encaminho meu VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência para que o agente autuante ou quem lhe faça as vezes: DILIGENCIE diretamente junto à empresa líder – Votorantim Cimentos S/A – que detém TODOS os documentos comprobatórios das despesas rateadas, nos totais de R$ 150.058.786,69 (2009) e R$ 141.920.701,24 (2010), intimando a, sem prejuízo de outros itens que possam a vir a ser exigidos pela autoridade diligenciadora, para: 1.1 elaborar e apresentar planilha analítica (ou cópia do Livro Razão) contendo a discriminação individualizada de TODOS os valores que compõem os saldos das contas contábeis abaixo descritas, nos ano de 2009 (dados extraídos de fls. 524/525): 1.2 elaborar e apresentar planilha analítica (ou cópia do Livro Razão) contendo a discriminação individualizada de TODOS os valores que compõem os saldos das contas contábeis abaixo descritas, nos ano de 2010 (dados extraídos de fls. 526/527): Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.285 22 2 NO MESMO ATO, intime a Votorantim Cimentos S/A a apresentar, juntamente com as informações dos subitens 1.1 e 1.2, por cópia, TODOS os documentos que comprovem as despesas relacionadas acima; 3 DE POSSE de tais informações e documentos, proceda às observações que entender pertinentes, inclusive sobre o conteúdo das despesas e suporte documental, podendo exigir da diligenciada novos esclarecimentos complementares; 4 FINALMENTE, elabore relatório conclusivo detalhando todo o procedimento e juntando eventuais novos documentos cabíveis. Do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no item 4, deverá ser cientificada a recorrente, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência da recorrente, com ou sem nova intervenção da contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento”. Cumprido o determinado, com o Relatório de Diligência Fiscal (RDF fls. 1161/1164), anexos elaborados pela autoridade que presidiu o feito e demais documentos juntados e informações prestadas, inclusive pela recorrente, os autos voltaram para prosseguimento do julgamento. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.286 23 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Já foi atestada anteriormente a tempestividade do Recurso Voluntário e confirmado seu recebimento e conhecimento. Com relação à única preliminar suscitada, de nulidade em razão de possível descumprimento da diligência realizada ainda quando na fase do julgamento em1ª Instância, discordo do entendimento da recorrente. Embora, como sustenta a recorrente, a diligência possa não ter se aprofundando nos exames determinado pela DRJ, ainda assim tais procedimentos – favoráveis ou contrários aos interesses da contribuinte – foram levados a efeito. Quando muito, se entendido que o cumprimento da diligência foi apenas parcial, a autoridade julgadora de 1º Grau poderia ter determinado novo procedimento; se não ocorreu, certamente a Turma Julgadora se deu por satisfeita com o resultado do procedimento. Todavia, tal fato, ainda que existente, não implicaria – como não implicou – em qualquer nulidade. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Como expresso no voto que levou à Resolução nº 1402000.406, de 24/01/2017, a discussão tem três tópicos centrais: 1. glosa de despesas, apuradas pelo sistema de rateio entre empresas do mesmo grupo; 2. multa isolada de IRPJ e de CSLL por recolhimentos insuficientes de estimativa, em razão das glosas efetuadas; e, 3. bases de cálculo diferentes para fins de lançamento do IRPJ e da CSLL. Sendo os dois itens finais dependentes do que se decidir em relação ao primeiro deles, passo à apreciação daquele. Na forma do quanto relatado, a discussão diz respeito a despesas apropriadas pela recorrente e apuradas com base em “rateio” procedido com outras duas empresas do mesmo grupo, tendo se utilizado o critério de faturamento. Pois bem, segundo a Fiscalização (RAF – fls. 41/42) “de maneira alguma se discute a possibilidade e licitude da repartição de despesas e/ou custos entre empresas do mesmo grupo. Incontestavelmente, a jurisprudência administrativa é pacífica a esse respeito, bem como, a sua admissibilidade pela fiscalização tributária”. Entretanto, mesmo assim discursando, o Fisco opôs outros três argumentos para não aceitar a dedução, via rateio: i) o critério utilizado (faturamento); ii) a falta de contrato firmado entre as empresas participantes do pool; e , iii) não comprovação de que as despesas eram normais, habituais e necessárias às atividades da recorrente. Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.287 24 Contrapondose, a autuada ofertou longa impugnação na qual reiterou a correção de seu procedimento. Após baixa para a diligência determinada pela DRJ, os autos voltaram com as informações coletadas sendo assentado pelo Colegiado de 1º Piso, inicialmente, i) “não caber à Administração Tributária estabelecer os critérios de rateio a serem utilizados pelos contribuintes”; e, ii) “relevante é que o critério adotado seja objetivo e capaz de demonstrar os custos/despesas incorridos relativos a cada uma das empresas signatárias do contrato de rateio”, para, a seguir, decidir pela mantença dos lançamentos, em razão da inexistência de contrato escrito entre as partes, objeção ao critério de rateio que deve mostrar “a efetiva imputação da despesa. Tais critérios devem ser comprovados e registrados em contrato escrito, formalizado entre as empresas do grupo, utilizandose de critérios objetivos e previamente ajustados”,e que “a prova de fundamental importância de que tais despesas são necessárias, usuais e normais nas atividades de cada uma das empresas não foi apresentada. Algumas dessas despesas podem ter conexão direta com a Votorantim Cimentos S.A., mas não se pode afirmar que tem conexão com a Interavia Transportes ou com a impugnante”. Vale dizer, a mesma posição da Autoridade Fiscal ao perpetrar os lançamentos. No seu Recurso Voluntário a recorrente batese ferozmente contra a diligência que entendeu ter sido feita de modo desidioso, ratifica a correção de seu procedimento, diz que não há exigência em lei de que exista contrato formal entre as partes que participam do rateio, ainda mais em se tratando de empresa do mesmo grupo acionário, que não apresentou os documentos que comprovavam as despesas posto que estes pertencem a outra empresa (Votorantim Cimentos), mas que a diligência poderia ter resolvido esta situação e que o critério de divisão proporcional das despesas (faturamento) que utiliza é objetivo e foi consistente nos dois períodos fiscalizados (2009 e 2010). Pois bem, que o chamado rateio de despesas entre empresas (de diferentes ou mesmo grupo acionário) já é realidade há vários anos no Brasil, fruto da necessidade de maximização de resultados e redução de gastos é indesmentível, tanto que os condutores do feito expressa e literalmente o reconheceram em seu RAF, do mesmo modo que a própria DRJ assim o fez. Deste modo, os “Contratos de Compartilhamento de Custos e Despesas” ou “Cost Sharing Agreements” como nominado pelo voto condutor da DRJ, consiste, como lá foi corretamente definido, em uma operação em que empresas de um mesmo grupo econômico indicam, entre elas, aquela que ficará encarregada de prestar serviços (denominada “centro de custos”) em proveito das demais, centralizando os custos e despesas com o escopo de minimizar encargos e maximizar resultados. Não há controvérsias neste aspecto. Também incontroversa a necessidade de se fixar um parâmetro, um critério, um modo de mensurar, de forma proporcional (rateio), as despesas que serão distribuídas e alocadas a cada um dos participantes do grupo. As discussões e divergências presentes neste processo começam a surgir a partir do momento em que o Fisco (com ratificação pela decisão recorrida), não aceita o critério adotado pela recorrente (faturamento) e não concorda que todas as despesas façam parte deste rateio. Dizendo de modo diferente, a Fiscalização não homologa o critério adotado pela recorrente, mas não diz qual deveria ser utilizado e, em outra ponta, embora aceite que o Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.288 25 “Compartilhamento de Custos e Despesas” seja uma realidade irreversível na economia globalizada e altamente competitiva dos dias de hoje, obstaculiza a utilização de TODAS as despesas constantes do rol de rateio, entendendo que somente podem ser atribuídos à recorrente gastos que se revistam de normalidade, usualidade e habitualidade, além de efetivamente vinculados à sua atividade. De seu lado, a recorrente discorda veemente desta posição e assegura que todos os dispêndios têm vinculação direta ou indireta com as atividades da autuada. Por fim, tanto o Fisco como a decisão recorrida sustentam, como ponto central, que a aceitação das despesas como dedutíveis passa pela existência formal de contrato escrito entre as partes, posição contestada integralmente pela recorrente ao argumentar que além de se estar diante de empresas controladas pelo mesmo grupo acionário, quando o contrato não teria os efeitos previstos na lei civil, os critérios adotados já mostram a intenção – objetiva e consistente – de adotar a mesma forma de mensuração dos valores ao longo dos anos tratados nos autos de infração. Pois bem, abstraindo o ponto de vista deste Relator acerca da necessidade da existência de contrato formal para dar sustentação ao rateio praticado, assunto que será tratado em momento posterior, fato é que o debate chegou a um ponto de indefinição que levou, já em sede de julgamento no CARF, a nova conversão em diligência a fim de permitir aos litigantes a juntada, encarte ou disponibilização de documentos, registros ou provas que pudessem sustentar seus argumentos. Em outras palavras, que se trouxessem aos autos, ainda que por amostragem, comprovações que permitissem aferir se os valores de R$ 150.058.786,69 e R$ 141.920.701,24, que compõem o TOTAL de despesas rateadas em 2009 e 2010, respectivamente, teriam suporte em documentos hábeis e idôneos e relação – direta ou indireta – com as empresas que participaram do rateio e, mais especificamente, relação com as atividades da empresa autuada. Antes, porém, de apreciar o resultado da diligência, cumpre uma breve análise sobre o tema “rateio de despesas”. De plano, imperioso destacar inexistir na legislação tributária federal um disciplinamento específico que trate do chamado “rateio de despesas”, realidade surgida no mundo empresarial pela globalização dos negócios e necessidade de se maximizar receitas e minimizar custos. Mais ainda, pela inconteste fusão de empresas gerando conglomerados de maior ou menor porte. A partir daí, a consequência foi inevitável: concentração das atividades meio em um único centro de custos, dividindo as despesas por todos os participantes do pool. De outra parte, esta realidade, como acontece com as evoluções sociais, financeiras, políticas, empresariais que quebram regras enraizadas ao longo do tempo, acabou por exigir resposta do legislador civil, penal, comercial, tributário, etc., de modo a ditar normas que acolham e racionalizem este novel procedimento. No que interessa, na seara tributária, inexistindo, como afirmado atrás, legislação específica tratando do tema “rateio de despesas”, o princípio de tudo deve ser tomado a partir da Lei nº 4.506/1964 (geral) e na sua esteira, a Lei nº 9.249/1996, a primeira por seu artigo 47 e a segunda no art. 13, ambos abaixo reproduzidos: Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.289 26 Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. § 3º Sòmente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos têrmos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. § 4º No caso de emprêsa individual, a administração do impôsto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da emprêsa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se êsse não puder provar a relação da despesa com a atividade da emprêsa. § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da emprêsa, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela administração do impôsto, se o contribuinte não provar: a) no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de fôrça maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. § 7º Incluemse, entre os pagamentos de que trata o § 5º, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas emprêsas, com viagens para o exterior, equipandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. (...) Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.290 27 I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. VIII de despesas de depreciação, amortização e exaustão geradas por bem objeto de arrendamento mercantil pela arrendatária, na hipótese em que esta reconheça contabilmente o encargo. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.291 28 no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade beneficiária deverá ser organização da sociedade civil, conforme a Lei no 13.019, de 31 de julho de 2014, desde que cumpridos os requisitos previstos nos arts. 3o e 16 da Lei no 9.790, de 23 de março de 1999, independentemente de certificação. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) A leitura dos referidos dispositivos (assim como do artigo 299, do RIR/1999) leva à inevitável conclusão de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar que EFETIVAMENTE incorreu na despesa e tão importante quanto que tais dispêndios eram usuais, necessários e normais à consecução de seus objetivos sociais. Nesse cenário, não tendo a legislação contemplado tal experiência, o mundo negocial e os operadores do direito estruturaram, a partir da jurisprudência, doutrina e atos normativos, o que seria indispensável para consumar o rateio e atender as normas tributárias. Naquilo que importa, o painel exige que: a) as despesas (custos) comprovadamente correspondam a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos; b) sejam necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio ocorra através de critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados e devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; d) o critério de rateio esteja de acordo com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios técnicos ditados pela Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe couber de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, contabilizando as parcelas a serem ressarcidas como direitos Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.292 29 de créditos a recuperar, sempre orientando a operação conforme os princípios regidos pela ciência contábil; f) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantenham escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Neste eito, fica claro que não basta apenas comprovar que a despesa incorreu (a vista ou a prazo), que o serviço foi prestado ou o bem foi entregue (isto é elementar e óbvio). É preciso que este gasto, este custo, esta despesa tenha relação (direta ou indireta) com a produção da riqueza a que se propõe a sociedade, vale exprimir, seja partícipe do processo de auferição de receita, por isso, como reza a lei, usuais, normais e necessárias. Relativamente ao rateio de despesas administrativas via centralização e compartilhamento de custos e despesas entre empresas que integram o mesmo grupo econômico, conhecido como “Contrato de Compartilhamento de Custos e Despesas” ou Cost Sharing Agreements, operação em que empresas de um mesmo grupo econômico indicam, entre elas, aquela que ficará encarregada de prestar serviços (denominada “centro de custos”) em proveito das demais, centralizando os custos e despesas com o escopo de minimizar encargos e maximizar resultados, mister que a interessada e seus pares no contrato adotem controles consistentes e lastreados por registros e documentos que permitam identificar “o que cabe a quem”, ou seja, definam claramente a participação individual de cada sociedade no todo. No caso concreto dos autos o que se tem é, de um lado, o Fisco acusando que a recorrente não demonstrou o critério utilizado para o rateio (letra “c” acima), falta de contrato firmado (ibidem) e não comprovação de que as despesas eram normais, habituais e necessárias às atividades da recorrente (letra “b”). Contrapondose, a autuada rebateu assentando ter, sim, declinado o critério adotado (com base no faturamento das empresas do grupo envolvidas), que não há nem na lei nem na jurisprudência a fixação de um critério e, por isso, deve ser aceito. Sobre o “contrato” entre as partes reconhece não ter localizado, mas que tal instrumento não invalidaria o procedimento, principalmente por envolver empresas do mesmo grupo e sob o mesmo controle acionário. Exatamente por estes confrontos os autos foram baixados em diligência, cujos resultados passam agora a ser analisados, registrando, de plano, ser entendimento deste Relator que, embora não adstrito ou vinculado às conclusões do procedimento, é certo que o rito diligencial é fonte segura e relevante de que deve se fiar o julgador2 para fins de delimitação e decisão a ser exarada. Nesse contexto, segundo o Relatório de Diligência Fiscal (RDF fls. 1161/1164) e Anexo 4 (fls. 1244/1260), a recorrente, devidamente intimada, não conseguiu 2 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.293 30 correlacionar as despesas a ela imputadas no rateio, com a comprovação de que tais gastos seriam necessários, usuais e normais às suas atividades e, ainda, que tenham sido efetivamente a ela prestados os serviços ou fornecidos os bens e mercadorias. Vejase a literal dissertação do RDF: Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.294 31 Compulsando o Anexo 4 (que sintetiza as informações colhidas junto à recorrente) verificase que, de fato, não há indicação de documentação que possa vincular a despesa com a empresa, limitandose o detalhamento a apontar genericamente o documento pertinente (sempre, obviamente, em nome da centralizadora dos custos) e o livro razão onde escriturado. Confirase, por amostragem (Anexo 4 fls. 1246): Idem (fls. 1247): Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.295 32 Também (fls. 1248): Mais (fls. 1249): Em suma, ainda que existam documentos (em nome da centralizadora, o que é natural), faltou o essencial: vincular que, da nota fiscal, do recibo, da fatura emitida pela empresa “a”, no total de “b”, e que, em razão do critério de rateio (x%) caberia à recorrente o montante rateado de “y”, TENHAM VINCULAÇÃO (mínima que seja) com a autuada. Em dizer diverso, não basta que, i) haja uma despesa; que, ii) tenha sido paga pela centralizadora do centro de custos; que, iii) pela aplicação do percentual de rateio caberia às empresas participantes do pool os valores “a”, “b” ou “c”. MUITO MAIS QUE ISSO, é preciso que se comprove que o serviço ou o bem fornecido tenha alguma relação com as empresas, caso contrário estarseá permitindo que, mediante “rateio”, possa se dividir para todas as empresas, uma despesa que, efetiva e comprovadamente, pertença a apenas uma ou duas delas. Em outras palavras, tomandose o exemplo da última conta acima reproduzida 0033107140 Serviços Compartilhados, não há nos autos qualquer comprovação fática ou de direito de que tais serviços tenham uma mínima vinculação com a atividade da recorrente; ora, a se aceitar que bastaria um critério de rateio e um contrato entre as partes (que na verdade sequer existe, mas poderia ser suprido por outras formas de comprovação, se existentes), bastaria um simples percentual de rateio para se alocar parte dos mais de 16 milhões como “despesas” da autuada, mesmo que jamais alguns destes “serviços compartilhados” tenham relação com ela. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.296 33 Claro, poderiam dizer os que pensam diferentemente, tal exigência acabaria por frustrar a possibilidade do uso do rateio. Aos que assim pensam, convém lembrar que o sistema de rateio não eliminou a obrigatoriedade expressa no artigo 299, do RIR/1999 de que as despesas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47), tendose como necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º) e usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da mesma empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Mais a mais, ao assumir esta regra excepcionada de ratear despesas em conjunto com outras empresas (pool), a recorrente (ou a centralizadora dos custos), deveria cercarse dos mais elementares cuidados que lhe permitisse alcançar a dedutibilidade almejada. Para isso, só a título de exemplo, bastaria, em casos de “assessoria jurídica”, possuir contrato ou constar na fatura emitida pelo prestador do serviço, que tal assessoria seria prestada às empresas “x”, “y” ou “z” (do grupo); do mesmo modo, quando da contratação de “transporte de funcionários”, realçar que seria realizado a todos (ou ao menos a alguns) funcionários das empresas participantes do pool, ou ainda, em última hipótese, a eles disponibilizado. Nada disso, porém, veio aos autos, embora oportunidade para tanto não tenha faltado. Com essa fotografia, ainda que se reconheça certa razão à recorrente quando pontua que “a prevalecer os autos teremos que admitir ser possível a uma empresa industrial do porte da Recorrente (...) auferir consideráveis receitas de venda sem despender sequer um centavo para além do custo efetivo dos produtos!!!” (sublinhado no original), não é menos certo que a ela caberia demonstrar QUAIS seriam estas despesas e em QUANTO importariam. Não o fez. Também inaceitável o argumento da contribuinte de que “se para a fiscalização o tratamento dado pelo contribuinte às despesas compromete a apuração do lucro real, e sendo conhecida a receita bruta da empresa, deveria ter sido arbitrado o lucro (...) e não fazer uma tributação pelo lucro real “pela metade”, vale dizer, levando em conta apenas o total das receitas”. (RV – fls. 1104/1105). Ora, não se está diante de desconsideração de despesas por inexistentes, suportada por documentos inidôneos ou falsos. As despesas existem, estão registradas na empresa líder e por ela foram pagas. O que o Fisco apontou e a recorrente não foi capaz de destruir foi que, mesmo abstraindo o critério de rateio adotado ou a falta de contrato entre as partes, não houve comprovação de que o montante rateado tenha ligação, vinculação ou correlação com a empresa autuada. É possível e, diria mais, é muitíssimo provável que parte do valor rateado ou quem sabe? até o seu montante total, possa, de fato, estar relacionado às atividades da autuada e serem despesas efetivas, usuais, normais e necessárias às suas atividades. É possível. Mas “possibilidade”, sem prova, limitase a ser simplesmente isso: possibilidade, não fato consumado. Ademais, a se aceitar, como alegado pela própria recorrente, que “as despesas atribuídas ao grupo teriam sido pagas pela empresa Votoratim Cimentos Brasil (CNPJ 96.824.594/000124) e pela sua sucessora, Votorantim Cimentos S.A. (CNPJ 01.637.895/000132), e foram rateadas entre a Impugnante (VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A) e a empresa Interavia Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.297 34 Transportes (CNPJ 09.795.030/000106), sendo que o critério de rateio utilizado corresponde ao cálculo proporcional do faturamento de cada uma das sociedades”, terseia um quadro estampado em que, admitido irrestritiva e unicamente o critério de rateio (sem aferir os demais requisitos antes citados neste voto), todas as despesas, independentemente de serem necessárias, usuais e normais às atividades de cada uma das empresas, pudessem ser utilizadas para deduzir das bases de tributação do IRPJ e da CSLL. Convenhamos, um quadro que atenta contra o artigo 299, do RIR/1999, ofende o princípio da autonomia das entidades e a separação dos patrimônios e fere os preceitos contábeis de registro individualizado dos estipêndios nas empresas que efetivamente os suportaram. Concretamente, e repisando, é possível que as despesas relativas às atividades comuns a todas as sociedades, como despesas com serviços de limpeza, gastos com refeitório disponibilizado aos funcionários do grupo, informática, treinamento, despesas com segurança, materiais diversos, dentre outras, possam pertencer a todas e por elas poderiam ser aproveitadas na parte que lhes cabem. Mas não houve comprovação neste sentido, e esse é o ponto central e nevrálgico dos autos. A propósito, a jurisprudência deste Colegiado, ainda que com algumas variações, perfila neste sentido: Ac. 1302001.109 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior RATEIO DE DESPESAS. A existência de contrato para rateio de despesas entre empresas do mesmo grupo econômico não tem o condão de dispensar a contribuinte comprovála com documentos idôneos e de demonstrar que ela era necessária para a manutenção das suas atividades produtivas. Na mesma linha: Ac. 1401002.113 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Relator Luiz Augusto de Souza Gonçalves RATEIO DE DESPESAS. GLOSA. CRITÉRIOS PARA RATEIO. DEMONSTRAÇÃO INSUFICIENTE. CABIMENTO. A falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, da mensuração dos custos efetivamente experimentados no período objeto da auditoria e que teriam sido rateados entre as empresas do grupo econômico é condição necessária para seu aproveitamento na apuração do Lucro Real. No caso concreto, tal demonstração deveria se dar através da apresentação de folhas de tempo e/ou outra metodologia, conforme consta do “Acordo de Custos Administrativos Compartilhados”, firmado entre as empresas do grupo econômico para estabelecer os critérios de rateio de custos. Glosa mantida. Por tudo o que se expôs, o trabalho do Fisco restou robustecido e não foi elidido pela recorrente. Finalmente, sobre o reclamo da recorrente de que seria beneficiária de incentivo fiscal do IRPJ (situada na área da SUDENE) e, no entanto não foi recalculado o pertinente benefício, adoto, por sua pertinência, o voto proferido na decisão de 1º Piso: Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.298 35 No caso, não há alteração no valor da glosa de despesas e a tributação não altera o lucro líquido ou o lucro da exploração declarado pela empresa, logo, não há o que recalcular. Tratase aqui de GLOSA DE DESPESAS PARA FINS FISCAIS, ou seja, tais despesas, apesar de admitidas pela empresa para diminuir o seu resultado contábil (Lucro Líquido), não foram admitidas para diminuir o seu resultado fiscal (Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL). Não foi desconsiderada a existência dessas despesas e sim glosadas a sua dedutibilidade na apuração do IRPJ e CSLL, posto que, não restaram demonstradas as suas características de normalidade, necessidade e habitualidade com as atividades operacionais da empresa. Não sendo dedutíveis, a fiscalizada deveria têlas adicionado nas apurações das bases de tributação do IRPJ e da CSLL; como não o fez, procedemos de ofício às glosas, adicionando as às bases de tributação. De tal sorte, a tributação não afetou a apuração do lucro líquido contábil nem do lucro da exploração, conforme foi o preenchimento das fichas 08 das declarações DIRPJ dos exercícios. DOS LANÇAMENTOS DE CSLL Acerca da dedutibilidade de tais valores da base de cálculo da CSLL, melhor sorte não merece a irresignação da recorrente. De fato, como sabido, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação, conforme dicção dos artigos 248 e 277, RIR/1999: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). De outro giro, também pacífico, o lucro operacional resulta do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais (artigo 299, RIR/1999). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias, de forma que, dispêndios que violem as regras de dedutibilidade do IRPJ, não podem reduzir o lucro líquido que é, também, a base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.299 36 Como consequência, dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício, digase, a própria base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art.2º da Lei 8.034, de 1990. Mais a mais, o art. 13, da Lei nº 9.249/951, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Assim, pela vinculação e nexo entre as glosas efetuadas para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, voto por negar provimento ao recurso também em relação a tal matéria. Pelas razões expostas, igualmente encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à CSLL. DA MULTA ISOLADA Batese ainda a recorrente contra a imposição da chamada “multa isolada”, por falta ou insuficiência de recolhimentos estimados mensais, em razão das glosas efetuadas. A respeito desse tema e de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.300 37 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.301 38 O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Nessa linha, a evolução da jurisprudência, inclusive na CSRF, conforme recentes decisões, como a abaixo reproduzida: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do anocalendário. No caso em apreço, aplicase a Súmula CARF nº 105 apenas para períodos anteriores à publicação da Medida Provisória nº 351, de 2007. (Ac. 9101003.307 1ª Turma Sessão de 17/01/2018 Relatora Adriana Gomes Rêgo): Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10480.725109/201465 Acórdão n.º 1402002.965 S1C4T2 Fl. 1.302 39 Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Concluindo, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida e os lançamentos presentes nos autos de infração de fls. 2/33. É como voto. Brasília (DF), em 13 de março de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1302DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.725349/2016-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. AUSÊNCIA.
O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2002-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. AUSÊNCIA. O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. AUSÊNCIA. O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 53 49 /2 01 6- 55 Fl. 58DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 22 a 26), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 23/12/2016, às e fls. 02 a 21 dos autos. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, em 23/02/2017, no acórdão 0962.763, às efls. 34 a 37, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 23/06/2017 às efls. 42 a 52, no qual alega, em resumo, que: § Não deve prosperar o lançamento tributário quanto a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, pois é portador de moléstia grave e os valores percebidos são oriundos de aposentadoria, sendo isentos, na forma da lei. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 01/06/2017, efls. 39, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 23/06/2017, efls. 42, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O contribuinte informa que tais rendimentos são isentos por ser portador de moléstia grave, já que os documentos acostados às efls. 11 a 21 são hábeis a conceder o benefício, vez que possui laudo oficial constatando a moléstia grave e os proventos são de aposentadoria. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10410.725349/201655 Acórdão n.º 2002000.100 S2C0T2 Fl. 59 3 Da exegese da Lei nº 7.713/88 e do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99 artigo 39 abaixo transcrito) para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifouse) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) Fl. 60DF CARF MF 4 IRPF – ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE A Lei prescreve especificamente que prova de moléstia grave somente pode ser feita com laudo de órgão oficial. (Acórdão nº. : 10244.418 14/09/2000) Em que pese o documento de efls. 21 estar revestido dos requisitos legais e comprovar o a condição do contribuinte de portador de moléstia grave, desde o ano de 2002, o recorrente aposentouse apenas em 2012, conforme documento de efls. 19/20. Como o auto de infração é baseado no ano calendário de 2011, neste ano, o contribuinte não faz jus a isenção, pois preencheu todos os requisitos elencados na legislação a partir do ano de 2012. Assim, deve permanecer o entendimento da decisão da DRJ, transcrita in verbis: Em que pese o documento de fl. 21, emitido pelo Estado de Alagoas Secretaria do Planejamento, Gestão e Patrimônio Superintendência de Perícia Médica e Saúde Ocupacional, ser hábil a demonstrar a condição do contribuinte de portador de moléstia grave (paralisia irreversível e incapacitante, desde 06/2002), nos termos exigidos pela legislação, o Decreto nº 21.293, de 18/07/2012 (fls. 19/20) (...) Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento, sendo mantido o crédito tributário devido. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721430/2011-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IRRF - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - RESTITUIÇÃO
O imposto de renda retido na fonte depositado judicialmente, após o transito em julgado de ação trabalhista, pode ser compensado quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe deu provimento
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IRRF - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - RESTITUIÇÃO O imposto de renda retido na fonte depositado judicialmente, após o transito em julgado de ação trabalhista, pode ser compensado quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe deu provimento (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe deu provimento (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 14 30 /2 01 1- 39 Fl. 60DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 25 a 29), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 89.109,50, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 17 dos autos, no qual o contribuinte alega: · O valor de R$126.087,95 lançados da DIRPF do contribuinte e que consubstanciou o auto de infração, é relativo a IRRF depositado em juízo, em processo que tramitou na 2ª Vara do Trabalho de Niterói/RJ. Portanto, não há qualquer vício na compensação promovida quando do preenchimento da DAA; · Além de solicitar o cancelamento da infração, alega ter valores a serem restituídos, conforme planilhas que instruem a peça de defesa. A impugnação foi apreciada na 15ª Turma da DRJ/SP1 que, por unanimidade, em 13/10/2013, no acórdão 1652.264, às efls. 36 a 38, julgou a impugnação parcialmente procedente, exonerando o crédito tributário e ainda concedendo restituição de imposto de renda pago a mais pelo contribuinte no valor de R$ 7.092,23. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 03/12/2013, apresentou recurso voluntário, às efls. 51 a 54, no qual alega, em resumo, que: § Ter o direito de restituição no valor de R$11.867,25, vez que encontrou recibo do advogado, para fins de abatimento no imposto devido, no montante de R$80.201,04, ao invés de R$40.100,00, valor este levado em conta pela DRJ para cálculo do tributo. É o relatório. Voto Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10730.721430/201139 Acórdão n.º 2002000.146 S2C0T2 Fl. 61 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 13/11/2013, efls. 55, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/12/2013, efls. 51, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Em sede de impugnação o contribuinte informa que foi beneficiário de sentença judicial que tramitou na 2ª Vara do Trabalho de Niterói/RJ e que o valor de R$126.087,95, objeto do lançamento, e compensado em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), estava depositado em juízo, relativamente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) referente aos valores obtidos judicialmente. A DRJ afastou a autuação e reconheceu o direito do contribuinte a restituição de IRPF no valor de R$ 7.092,23, de acordo com os cálculos apresentados pelo recorrente, como se vê: No caso em análise, como o INSS e o IRRF foram retidos dos rendimentos devidos e pagos em 2008, o contribuinte tem o direito de deduzilos dos rendimentos informados na DIRPF/2008, a despeito de ter sido recolhido apenas em 2011. Verificase, ainda, no documento de fl. 12, que o valor dos rendimentos tributáveis, são de R$ 144.256,86 ao qual deve ser acrescido o valor do INSS de R$ 687,77, perfazendo o total de R$ 144.944,63, valor que deveria ter sido oferecido à tributação. O valor bruto total foi de R$ 521.078,64, sendo que R$ 144.944,63 referente à rendimentos tributáveis, ou seja, 27,81%, podendo o contribuinte abater tal proporção dos honorários advocatícios pagos. Apesar do contribuinte colocar no seu demonstrativo o valor de R$ 120.301,04 de honorários advocatícios, só apresenta um recibo de R$ 40.100,00 na folha 15. Assim só pode ser considerado a título de honorários advocatícios o valor de R$ 11.151,81 (27,81% de R$ 40.100,00). Assim, recalculase o imposto devido e o saldo de imposto a restituir apurado na DIRPF/2009, como a seguir se demonstra. Rendimentos tributáveis 153.774,76 Desconto Simplificado 12.194,86 Base de cálculo 141.579,90 Imposto devido 32.348,54 Imposto retido na fonte 39.440,77 Saldo de Imposto a restituir 7.092,23 Fl. 62DF CARF MF 4 Desta forma, voto no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, exonerando o crédito tributário, fazendo jus o contribuinte à restituição no valo de R$ 7.092,23. Observase que todos os cálculos foram realizados com as informações apresentadas pelo próprio contribuinte. Irresignado, o recorrente apresentou recurso voluntário pleiteando restituição no valor de R$11.867,25, baseado em novos cálculos, considerando o recibo do advogado no valor de R$ de R$80.201,04 (efls. 53), ao invés dos R$40.100,00, valor este apresentado nos cálculos que instruem a impugnação e levado em conta pela DRJ para cálculo do tributo a ser restituído. É sabido que os gastos com advogados e despesas judiciais podem ser abatidos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial, pois, claro, não podem ser considerados como renda do contribuinte. Desta feita, o contribuinte deve informar como rendimento tributável, o valor recebido, já abatido o valor pago a título de honorários advocatícios, constando tais valores na relação de "Pagamentos e Doações Efetuados", informando o CPF e o valor pago aos profissionais. De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, temos: Art. 718. O imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46). § 1º Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46, § 1º): I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial, tais como serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2º Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês do pagamento (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46, § 2º). § 3º O imposto incidirá sobre o total dos rendimentos pagos, inclusive o rendimento abonado pela instituição financeira depositária, no caso de o pagamento ser efetuado mediante levantamento do depósito judicial. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10730.721430/201139 Acórdão n.º 2002000.146 S2C0T2 Fl. 62 5 Ainda, de acordo com a jurisprudência deste CARF, temos: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. É de se permitir, dos rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista, a dedução do valor integral das despesas com honorários advocatícios, desde que pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Acórdão nº 9202003.608 03 de março de 2015) Como sabido, no processo administrativo, as provas documentais são apresentadas junto com a impugnação, precluindo o direito do impugnante, salvo os casos previstos no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Contudo, em nome da verdade material, princípio norteador do processo administrativo tributário, caso, posteriormente, o contribuinte leve aos autos algum documento robusto e inconteste do seu direito, este deve ser valorado para fins de um julgamento que se aproxime ao máximo da justiça. O contribuinte junta aos autos apenas um recibo, às efls. 53, que sequer consta o nome do profissional e assinatura do suposto patrono da causa, configurandose prova totalmente frágil. Sequer o contrato de prestação de serviços advocatícios foi colacionado ao recurso apresentado. Diante do exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento, sendo mantida a decisão da DRJ, devendo ser restituído ao contribuinte o valor de R$ 7.092,23. Fl. 64DF CARF MF 6 Thiago Duca Amoni Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905566/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. Recorrente IJB Câmbio e Turismo LtdaME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Recorrente transmitiu pedido de ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 66 /2 01 2- 06 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.905566/201206 Acórdão n.º 3301004.539 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado, diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Em manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte que entre a data de transmissão do PER até a ciência do despacho decisório transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 29 da IN SRF nº 600/2005. Logo, requer a homologação tácita do pedido de ressarcimento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, pois entendeu a 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão n° 02052.330, que não há previsão legal para o pleito do contribuinte. Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.528, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10380.905554/201273, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.528): "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e não pedido de compensação, logo não há falarse de homologação tácita, por inexistência de previsão legal. Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Esse dispositivo legal trata de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10380.905566/201206 Acórdão n.º 3301004.539 S3C3T1 Fl. 4 3 também diversos. Como bem apontado pela DRJ, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Em suma, a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação. Observese que neste processo não houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Assim, inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos, dessa forma, não há como se acolher o requerimento do contribuinte. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
