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Numero do processo: 13888.901097/2014-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 97 /2 01 4- 97 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901097/201497 Acórdão n.º 1402003.059 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901097/201497 Acórdão n.º 1402003.059 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901097/201497 Acórdão n.º 1402003.059 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901097/201497 Acórdão n.º 1402003.059 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901097/201497 Acórdão n.º 1402003.059 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901097/201497 Acórdão n.º 1402003.059 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918871/2016-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/12/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/12/2012 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.918871/201607 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.548 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/12/2012 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 71 /2 01 6- 07 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918871/201607 Acórdão n.º 3201003.548 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.689, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918871/201607 Acórdão n.º 3201003.548 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001329/2003-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF.
Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.206
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF. Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem crédito em Litígio
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Simples Exclusão por Débitos Recorrente DELTA INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do Fato Gerador: 01/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF. Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 13 29 /2 00 3- 11 Fl. 50DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 45/47) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 40/42), proferida em sessão de 24/09/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0322.510, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efls. 21/24) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF n.º 15, de 30 de maio de 2003 (efl. 16), que excluiu a contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), Simples Federal, com fulcro no artigo 14, inciso I, da Lei nº 9.317, de 1996, e no artigo 23, inciso I da IN SRF 250, de 26 de novembro de 2002, por exercício de atividade vedada à legislação do SIMPLES (art. 9°, inciso V, e § 4°, inciso XII, alínea "f" da nº 9.317, de 1996, e art. 20, incisos V, § 3° e XI, alínea "e" da IN SRF 250/02, ADN COSIT 30/99), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Anocalendário: 2002 Ementa: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação indeferida. O ADE n.º 15, de 30 de maio de 2003 (efl. 16) excluiu a recorrente do SIMPLES em razão do enquadramento da empresa em atividade vedada pelo regime diferenciado. Segundo a fiscalização, a partir da análise das Notas Fiscais de Prestação de Serviços (efls. 06/09) emitidas pela contribuinte, a mesma exercia atividades de instalação elétrica e locação de mãodeobra. O procedimento fiscal em tela iniciouse a partir de representação fiscal (e fls. 04/05) no qual a Previdência Social, através de Auditor Fiscal da Previdência Social, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13971.001329/200311 Acórdão n.º 1002000.206 S1C0T2 Fl. 51 3 constatou suposta situação vedada de enquadramento no Simples desde à data de adesão do contribuinte. Segundo a autoridade fiscal, a recorrente tinha por atividade principal instalações elétricas, vedada consoante artigo 9º, inciso V, da Lei nº 9.317/1996; ademais, realizava atividade de locação de mãodeobra, vedada nos termos do artigo 9º, inciso XII, alínea "f", do mesmo diploma legal, vigente à época dos fatos. Como anteriormente consignado, as conclusões da fiscalização foram lavradas a partir da apreciação das NFs emitidas pelo contribuinte (efls. 06/09). A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, tendo alegado, em suma, que a jurisprudência têm admitido a permanência de prestadora de serviços de instalação elétrica no regime simplificado; ademais, negou o enquadramento na atividade de locação de mãodeobra, fazendo menção ao seu contrato social (efls. 26/35). A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, segundo a qual: “A documentação acostada aos autos atesta que a contribuinte coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou na de terceiros, segurados que realizam serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, qualquer que sejam a natureza e a forma de contratação, nos termos do art. 31, parágrafo 3° da Lei 8.212/1991, alterado pela Lei 9.711/1998, caracterizando assim cessão ou locação de mãodeobra. Aquela mesma documentação demonstra igualmente que exerce a vedação do inciso V”. O recurso voluntário (efls. 44/45), inconformado com a decisão a quo, em resumo, pondera que as atividades constantes no seu contrato social não compreendem locação de mãodeobra ou construção civil. Ademais, complementa afirmando que eventuais instalações dos produtos vendidos, como forma de agregar qualidade na atividade desenvolvida, não caracteriza cessão ou locação de mãodeobra (cessão), haja vista que o locador ou cedente não cobra pelos serviços prestados, mas, tão somente, pela cessão dos trabalhadores. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, apesar de tratar de exclusão do Simples, por existência de débito com exigibilidade não suspensa, o crédito tributário não é exigido nestes autos, a vinculação a ele é indireta. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. A despeito da competência desta Turma Extraordinária, o Recurso Voluntário não atende ao pressuposto de admissibilidade extrínseco relativo a Fl. 52DF CARF MF 4 tempestividade, uma vez que foi interposto após o trintídio legal estabelecido no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (efls. 44, 43, 45, 48), de modo que não se pode conhecêlo. Deveras, observo a confirmação da entrega da intimação postal, dando ciência da decisão de primeira instância, em 13/03/2008, conforme aviso de recebimento colacionado nos autos (efl. 43), no entanto o recurso voluntário só foi apresentado em 16/04/2008 (efl. 45), quando já vencido o prazo. Portanto, não é possível conhecêlo. Registrese, por oportuno, que este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais possui súmula confirmando a validade da intimação por via postal entregue no endereço do sujeito passivo, a teor da Súmula n.º 9, vejase: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10246574, de 01/12/2004, Acórdão n.º 10420408, de 26/01/2005, Acórdão n.º 106 14266, de 21/10/2003, Acórdão n.º 10707076, de 20/03/2003, Acórdão n.º 10807562, de 16/10/2003, Acórdão n.º 20168026, de 20/05/1992, Acórdão n.º 20208457, de 21/05/2003, Acórdão n.º 20209572, de 14/10/1997, Acórdão n.º 20171773, de 02/06/1998, Acórdão n.º 20306545, de 09/05/2000. Demais disto, estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5.º, caput) e que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5.º, parágrafo único), mas, ainda assim, mantém o recurso intempestivo e, por outro lado, o recorrente não apresentou qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo ao manejo do seu recurso a tempo e modo esperado. Por conseguinte, não há que se admitir recurso extemporâneo, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum do Decreto n.º 70.235, de 1972, vedada no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015) e pela súmula a seguir deste Egrégio Conselho: "Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Destaco, por oportuno, que esta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos já analisou caso tratando de recurso intempestivo e deu igual tratamento a teor dos Acórdãos ns.º 1002000.076, 1002000.141, 1002000.142 e 1002000.147. Por conseguinte, não tendo sido demonstrada a tempestividade do recurso voluntário, dele não conheço. Considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ e reitero a intempestividade do recurso. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em não conhecer do Recurso Voluntário, por ausência do requisito Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13971.001329/200311 Acórdão n.º 1002000.206 S1C0T2 Fl. 52 5 de admissibilidade extrínseco da tempestividade, consequentemente mantendo íntegra a decisão vergastada para manter a exclusão nos termos constantes do ADE, produzindo efeitos a partir de 01/01/2002. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721602/2012-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção do indeferimento da opção pelo Simples Nacional por motivos de fato e de direito não mencionados no Termo de Indeferimento da Opção.
SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO NULO.
É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não consigna todos os motivos para o impedimento para a adesão ao Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção do indeferimento da opção pelo Simples Nacional por motivos de fato e de direito não mencionados no Termo de Indeferimento da Opção. SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO NULO. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não consigna todos os motivos para o impedimento para a adesão ao Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção do indeferimento da opção pelo Simples Nacional por motivos de fato e de direito não mencionados no Termo de Indeferimento da Opção. SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO NULO. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não consigna todos os motivos para o impedimento para a adesão ao Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 16 02 /2 01 2- 75 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 18470.721602/201275 Acórdão n.º 1001000.430 S1C0T1 Fl. 91 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 12048.410, de 23/07/2012 (efls. 60/66), objetivando a reforma do referido julgado. Em 19/01/2012, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, na data de 16/02/2012 (efl. 3), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na seguinte situação impeditiva: "Pessoa jurídica participa do capital de outra pessoa jurídica". Em 24/02/2012, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que:: “A pessoa jurídica, detentora do CNPJ 14.356.991/000154 (doc.2) CONSÓRCIO BRASAS PET é um Consórcio de Empresas, criado para atender aos funcionários da Petrobrás S/A, em âmbito nacional, que não tem personalidade jurídica, que não se constitui em pessoa jurídica distinta daquela de seus membros constituintes, e as consorciadas, somente se obrigam nas consições previstas no Contrato de Constituição de Consórcio (doc.3) respondendo cada uma consorciada por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. “ A DRJ considerou procedente a manifestação de inconformidade quanto à participação da empresa no capital de outra pessoa jurídica, conforme parte final do voto, a seguir transcrito: Por todo o exposto, podese constatar que a formação do consórcio não conferiu personalidade jurídica à entidade Consórcio Brasas Pet, e que, portanto, não ficou caracterizada a participação da interessada no capital social de outra pessoa jurídica. No entanto, ao constatar a presença de atividade vedada ao ingresso no Simples Nacional no seu contrato social, julgou a manifestação de inconformidade improcedente e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 CONSÓRCIO. AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL DE OUTRA PESSOA JURÍDICA Fl. 91DF CARF MF Processo nº 18470.721602/201275 Acórdão n.º 1001000.430 S1C0T1 Fl. 92 3 O consórcio, constituído nos termos do art. 278 da Lei das Sociedades por Ações, não possui personalidade jurídica própria, mantendose a autonomia jurídicotributária de cada uma das consorciadas. Nesses termos, a participação em consórcio de empresas não se constitui em participação em capital de outra pessoa jurídica. OPÇÃO. CONSULTORIA. VEDAÇÃO. Não pode ingressar no Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que realize atividades assemelhadas às de consultoria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 07/08/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 68, a recorrente apresentou recurso voluntário em 04/09/2012 (efls. 70/71), conforme carimbo aposto à efl. 70. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Transcrevo excerto do recurso interposto, que bem resume as alegações da recorrente: Inexiste qualquer semelhança da atividade constante da cláusula 3 do Contrato Social que está diretamente ligada aos serviços relacionados com o ensino da língua inglesa com o citado no voto da I. Relatora, com a atividade de CONSULTORIA que estaria ligada, segundo ela, ao apoio aos gestores ou proprietários de empresas, para auxiliar nas tomadas de decisões estratégicas, com grande impacto sobre os resultados atuais e futuros da organização. Observase, no entanto, uma digressão praticada pela Câmara a quo em seu aresto, pois consta no Termo de Indeferimento uma única situação impeditiva: de participação da empresa no capital de outra pessoa jurídica. Ocorre que a DRJ julgou a manifestação procedente quanto à participação da empresa no capital de outra pessoa jurídica, mas negou provimento ao constatar, no curso do julgamento, a presença de atividade vedada no seu contrato social. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 18470.721602/201275 Acórdão n.º 1001000.430 S1C0T1 Fl. 93 4 Constatase, portanto, que a DRJ inovou, modificando a motivação do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, visto que inexistiu tal fato imponível no Termo de Indeferimento. Neste sentido, não se pode admitir a inovação da fundamentação no julgamento de primeira instância por oposição de motivo não constante no Termo autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. Há que se levar em consideração que a recorrente não foi devidamente informada de todos os impedimentos que possuía ao tempo do indeferimento de sua opção, tendo sido comunicada apenas através do acórdão de primeira instância. De modo semelhante, apenas como forma de corroborar esta posição, temse que o Carf já pacificou entendimento de que o ato declaratório de exclusão do Simples que simplesmente consigna existência de débitos sem os indicar com precisão é nulo, nos termos da Súmula CARF nº. 22, verbis: Súmula CARF nº. 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito da Recorrente de usufruir o benefício do Simples Nacional a partir de 01/01/2009. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908541/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente Braslatex Indústria e Comércio de Borrachas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 41 /2 01 1- 91 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A 4ª Turma da DRJ/POR indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.466. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 4 3 · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.371, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, esclarece a autoridade fiscal que o valor da receita apontada pelo contribuinte como indevidamente tributada pela contribuição seria a Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.594, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.594): Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830 AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgR AgR; AI 799.578 AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 6 5 atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 7 6 § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 8 7 Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; Ill sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 e guardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 9 8 Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 10 9 A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas nãooperacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 11 10 No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10850.908541/201191 Acórdão n.º 3301004.599 S3C3T1 Fl. 12 11 Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10652.000001/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, acrescido de multa proporcional, multa proporcional ao valor aduaneiro e multa proporcional ao valor aduaneiro, contribuição COFINS e contribuição PIS, no valor de R$ 622.257,29, em face dos fatos a seguir descritos. Para bem relatar o feito, tomo de empréstimo trechos da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 52 .0 00 00 1/ 20 08 -0 7 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10652.000001/200807 Resolução nº 3402001.376 S3C4T2 Fl. 3 2 A empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração, mercadoria com classificação fiscal no código NCM 1302.39.00, com redução de 100% no Imposto de Importação, com base na preferência tarifária prevista no Decreto Nº. 4.472, de 18/11/2002, que modificou o anexo 7 do Acordo de Complementação Econômica – ACE No. 35, de 25/06/1996; O anexo 7 do Decreto 4.472/2002 estabelece que haverá apenas preferência tarifária de 100% para o subitem 1302.39.00 – CARRAGHENATOS, mercadoria distinta da CARRAGENINA; A classificação NALADI não prevê subitens distintos para o CARRAGHENATOS e para a CARRAGENINA como faz a Nomenclatura Comum do Mercosul; No entanto o anexo 7 é rigoroso em atribuir a preferência tarifária de 100% apenas para CARRAGHENATOS; A preferência tarifária para a CARRAGENINA é de 33% , a partir de 01/01/2007, quando oriunda do Chile, nos termos do ACE35 e decretos regulamentadores; Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação aduzindo: Não cabe a multa proporcional ao valor aduaneiro (1%) e a multa proporcional pois tais multas só são cabíveis nos casos de dolo, fraude, simulação, com intenção de causar prejuízo ao Erário; Na presente ação fiscal não existe dúvida quanto a classificação fiscal dos produtos e de sua descrição; A legislação não pune quem agiu de boa fé; • Interpretação essa feita consoante com o Ato Declaratório (Normativo) CST No. 29/80 e o Ato Declaratório (Normativo) COSIT No. 10/97, o Ato Declaratório (Normativo) No. 12/97 e o Ato Declaratório Interpretativo No. 13/2002; A exigência da multa prevista no artigo 84, I da Medida Provisória No. 2.15835 atenta contra o princípio da legalidade; As denominações CARRAGHENATOS e CARRAGENINA são sinônimas para o mesmo produto importado pela impugnante; O Brasil ao celebrar com o Chile o ACE35, utilizou o código NALADI correspondente as NCMs 1302.39.10 e 1302.39.90, contemplado com redução de 100% no Imposto de Importação, utilizando a expressão CARRAGHENATOS para especificar os produtos beneficiados com a redução; O produto importado pela impugnante se extrai das algas carraghem ( também conhecido por musgo perolado ou musgo da Irlanda) e que se apresenta geralmente em filamentos, em escamas ou em pó; O produto pode ser denominado como carragenina, carraghenato, carragenato, carragenano, ou mesmo carragel; O E. Terceiro Conselho de Contribuintes já decidiu, em caso análogo, através do Recurso No. 115896, 1ª Câmara, a carragenina mesmo adicionada a sais orgânicos, tem classificação fiscal no código NCM 1302.39.10; Entende conveniente a realização de perícia; Os cálculos efetuados pela fiscalização estão equivocados pois não consideraram a preferência tarifária de 30% prevista no Anexo 10 do ACE35 aplicável aos produtos enquadrados na NALADI 1302.39.00, vigente entre 01/10/1996 e 31/12/2006; São apresentados os cálculos corretos – com a redução de 30% às folhas 341 e 342; Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução Nº 989, de 23/02/2011, solicitando à mesma que se manifeste sobre: 1. Fundamentar com Laudo de Assistência Técnica ou referências bibliográficas, se for o caso, a afirmação da nota de rodapé às folhas 02, onde diz que o “carragenato é um produto obtido de uma transformação química da carragenina”; 2. Procede a afirmação do impugnante de que os cálculos efetuados pela fiscalização estão equivocados pois não consideraram a preferência tarifária de 30% prevista no Anexo 10 do ACE35 aplicável aos produtos enquadrados na NALADI 1302.39.00, vigente entre 01/10/1996 e 31/12/2006; 3. Se afirmativo o item (2) estão corretos os cálculos apresentados pelo impugnante – com a redução de 30% às folhas 341 e 342; A RFB juntou relatório de diligência de fls. 415 e ss. afirmando: I) Que baseou a distinção entre a carragenina e o carragenato no texto da NESH; II) Que prevalece no caso a preferência tarifária prevista no Anexo 6 do Acordo de Complementação Econômica Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10652.000001/200807 Resolução nº 3402001.376 S3C4T2 Fl. 4 3 (ACE)35 (fl. 390); e III) Se prevalecer a preferência tributária de 30%, prevista no Anexo 10 do ACE35, para o período entre 01/10/96 até 31/12/2006, o cálculo do contribuinte estaria correto. A DRJ julgou parcialmente procedente a autuação, no seguinte sentido: Acordam os membros da 23ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente a impugnação em parte, cancelando a multa proporcional (multa tipificada no art. 44, I da Lei nº 9.430/96) no valor de R$ 193.981,12, a multa proporcional ao valor aduaneiro (art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001) no valor de R$ 9.937,24, a Multa Regulamentar no valor de R$ 16.204,32, a redução do Imposto de Importação para R$ 192.000,17, a redução do PIS para R$ 185,78 e a Redução do COFINS para R$ 855,71 Afastouse a multa de ofício do art. 44, I da Lei 9430/96 e a multa proporcional ao valor aduaneiro prevista no art. 84 da MP 2158 35/2001, bem como recalcularamse os tributos de acordo com a correção do cálculo proposta pelo contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, apresentando diversas referências bibliográficas estrangeiras nos quais o termos "carreginina" e "carreghenato" são tratados como sinônimos. É o relatório. Voto O cerne da discussão consiste em saber se "carreghenato" e a "carreaginina" são sinônimos, para fins de aplicação da preferência tributária de 100%, estabelecida entre o Brasil e o Chile, conforme ACE35: Ressaltese que dentro da posição 1302, temos: 13023: Produtos mucilaginosos e espessantes, derivados dos vegetais, mesmo modificados. (destacouse e grifouse) 1302.39.10: Carragenina (musgodairlanda) 1302.39.90: Outros. Cumpre observar que, com relação aos produtos classificados na posição 1302, a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado "C", Decreto 435/92, esclarece que os produtos Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10652.000001/200807 Resolução nº 3402001.376 S3C4T2 Fl. 5 4 mucilaginosos e espessantes, derivados dos vegetais, utilizamse, principalmente, como sucedâneo da gelatina na indústria alimentícia e que "estes produtos permanecem classificados na presente posição mesmo que a sua concentração tenha sido reduzida por adição de açúcares (glicose, sacarose, etc.) ou de outros produtos que lhes assegurem uma atividade constante durante a sua utilização. Entre esses produtos, os principais são: 3) a carragheenina, que se extrai das algas carragheen (também conhecidas por "musgo perlado" ou "musgodairlanda" e que se apresenta geralmente em filamentos, escamas ou em pó. Também se incluem nesta posição as matérias mucilaginosas obtidas por transformção química da "carragheenina" (por exemplo, carragheenato de sódio")." Verificase, assim, que está correto o código indicado pela contribuinte para o produto importado por meio da DI objeto da autuação, tendo em vista ser este código o indicado na TIPI para produto espessante, derivado de vegetal (musgodairlanda), mesmo que modificado. Ressaltese que o código referese também a produtos derivados de musgoda irlanda e não, exclusivamente, ao próprio musgodairlanda, como entendeu o autuante e a decisão recorrida. Além disso, o Recorrente traz em seu Recurso Voluntário diversas referências bibliográficas, especialmente espanholas (visto que a preferência é dada em favor de produtos oriundos da Argentina e do Chile), nos quais a expressão "Carragenina" e "Carraghenato" são visivelmente utilizadas como sinônimos (fls.527533), hauridas das seguintes fontes: Por exemplo: Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10652.000001/200807 Resolução nº 3402001.376 S3C4T2 Fl. 6 5 Há uma necessidade clara de saber se as expressões são sinônimas pelo menos na língua espanhola haja vista que o ACE35 é vinculante para os países subscritores em todos os seus idiomas, conforme o Decreto 4472/2002: Artigo2oO presente Protocolo entrará em vigor, bilateralmente, na data em que a República Argentina, a República Federativa do Brasil e a República do Chile, o tiverem incorporado a seu direito interno, nos termos de suas respectivas legislações. As Partes Signatárias comunicarão à SecretariaGeral da ALADI o cumprimento dos trâmites correspondentes. A SecretariaGeral da Associação será depositária do presente Protocolo, do qual enviará cópias devidamente autenticadas aos Governos signatários. EM FÉ DO QUE, os respectivos Plenipotenciários assinam o presente Protocolo na cidade de Montevidéu, aos nove dias do mês de novembro de dois mil e dois, em um original nos idiomas português e espanhol, sendo ambos os textos igualmente válidos. Essa situação de Atos multilaterais entre países de idiomas distintos, nos quais todas as versões dos textos são válidas, conduz a um sério problema de interpretação, Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10652.000001/200807 Resolução nº 3402001.376 S3C4T2 Fl. 7 6 relativamente à impossibilidade linguística de se realizar uma tradução perfeita entre os textos. Tratase de fenômeno observado e estudado com profundidade por Elina Paunio (PAUNIO, Elina. Legal Certainty in Multilingual EU Law: Language, Discourse and Reasoning at the European Court of Justice (Law, Language and Communication. Nova York: Routledge, 2016) e que comprovadamente afeta a segurança jurídica dos cidadãos. Desse modo, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja designado perito técnico com domínio do idioma espanhol para que informe se há na bibliografia especializada (brasileira e em língua espanhola) uma sinonímia entre "carreghenato" e a "carragenina", para que se possa determinar precisamente o alcance da preferência tributária estabelecida, inclusive levando em consideração as referências bibliográficas carreadas pelo Recorrente em fls. 527533. Em sendo distintas as substâncias, informar em que consiste a diferença entre elas. Após a elaboração do parecer técnico sobre a matéria, devese abrir prazo razoável para manifestação do Recorrente, devendo os autos retornarem a esse Colegiado. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 562DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.001500/2006-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão em confronto incidências diversas, cada qual regida por legislação própria, com suas nuances e especificidades, inclusive em relação ao critério de tratamento da prova.
Numero da decisão: 9202-006.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão em confronto incidências diversas, cada qual regida por legislação própria, com suas nuances e especificidades, inclusive em relação ao critério de tratamento da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 15 00 /2 00 6- 38 Fl. 221DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, efetuados em conta no exterior, no anocalendário de 2001. Em sessão plenária de 26/10/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280102.017 (efls. 155 a 164), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do anocalendário correspondente. PROVAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. São suficientes para comprovar depósitos bancários efetuados em conta mantida pelo contribuinte no exterior os documentos produzidos por peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal no exame de dados contidos em mídia magnética apresentada por instituições financeiras, após autorização judicial para quebra de sigilo bancário, em que consta o nome completo do beneficiário dos valores creditados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42, da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.” Cientificado do acórdão em 29/02/2012 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 168), o Contribuinte interpôs, em 13/03/2012 (Protocolo de Documentos de efls. 202), o Recurso Especial de efls. 169 a 201, com fundamento no art. 64, inciso II, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as provas por ele produzidas para afastar a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10882.001500/200638 Acórdão n.º 9202006.825 CSRFT2 Fl. 222 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento com base no paradigma representado pelo Acórdão nº 220200.234, conforme Despacho de Admissibilidade de fls. 207 a 210. Em seu apelo, o Contribuinte alega: o ponto nodular da questão diz respeito ao lançamento com base em depósitos bancários de origem supostamente não comprovada, informações obtidas por força da informação da Polícia Federal; por sua vez, a 1a Turma Especial da Câmara recorrida, a pretexto de tais informações de que "consta o nome completo do beneficiário dos valores creditados", concluiu que a conta pertence ao recorrente; desde a peça vestibular foi dito que o recorrente teve o passaporte e outros documentos furtados por elemento mal intencionado, portanto o fato de o nome completo do recorrente constar da conta não significa que o contribuinte abriu a conta bancária, procedeu ao depósito, movimentou a conta e, emfim, sacou o numerário dessa conta que nunca lhe pertenceu; observese, que o decisum recorrido não contemplou as razões formuladas pelo Contribuinte em relação ao confronto das provas trazidas no processo, com a presunção lançada pelo Fisco e limitouse, em seus fundamentos, a ressaltar tratarse de presunção juris tantum, que admite a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando não comprovada a origem dos valores utilizados, sem conquanto admitir como verdadeiras as provas ofertadas pelo Contribuinte, afastando a pretensão fiscal em sua plenitude; perfunctória diligência determinada pela Câmara atacada seria capaz de confrontar as informações trazidas no processo, com as informações prestadas pelo consulado, a fim de obter a segunda via do passaporte, com a presente autuação fiscal, não havendo nenhum prejuízo ao Fisco se a condução do acórdão combatido tivesse sido nesse sentido; o relator, não obstante a competência demonstrada na elaboração do acórdão e sobretudo na formulação do seu entendimento, deixou de observar as razões do Contribuinte; o acórdão recorrido enfrenta a questão apenas superficialmente, não se dando conta que o Contribuinte desde o início trouxe ao processo a prova da subtração do seu passaporte no aeroporto de Zurique; observese, porém, que nenhum dos fatos acima elencados foi levado em consideração, ou sequer contemplado no acórdão recorrido, na profundidade necessária; a fragilidade do lançamento tornase ainda mais evidente no confronto ou valoração dos elementos colocados à disposição da Fiscalização: de um lado o Fisco promoveu o lançamento, edificando uma presunção de omissão de rendimentos a partir do depósito ou dos depósitos bancários feitos no exterior e do outro, o Contribuinte não tem como provar que a conta existente no exterior não lhe pertence porque não tem acesso; observese, que o contribuinte, desde o primeiro instante da fiscalização, deixou bem claro que os recursos movimentados em sua conta bancária não lhe pertenciam, Fl. 223DF CARF MF 4 como acima relembrado e comprovado mediante documentação hábil e idônea acostada aos autos; ademais, se dúvida remanescesse, caberia ainda à Fiscalização se aprofundar na ação fiscal, direcionando a sua investigação para os esclarecimentos prestados pelo Contribuinte; ao contrário, comodamente, preferiu promover o lançamento contra o recorrente, desconsiderando as provas produzidas, documentos hábeis e idôneos, que servem para comprovar que a conta bancária no exterior não lhe pertence; o fiscal autuante não se ateve às normas da própria Secretaria da Receita Federal, promovendo o lançamento contra o Contribuinte, e não contra o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, que abriu a conta no exterior com o documento do Recorrente; a corroborar este entendimento, a jurisprudência deste Colegiado é mansa e pacífica no sentido de declarar a improcedência de lançamentos em que o Contribuinte comprovou que o documento foi furtado, afastando a presunção de omissão de rendimentos por parte do recorrente, conforme se extrai do julgado proferido no processo n° 19515.003072/200631; ainda, no universo das provas produzidas pelo contribuinte, poderseia admitilas até então como um princípio de prova apenas para argumentar ainda assim se sobrepõe a uma simples presunção. Ao final, o Contribuinte pede o seguimento do recurso, o que foi feito por meio do despacho de 17/08/2016 (efls. 207 a 210). O processo foi encaminhado à PGFN em 21/09/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 211) e, em 23/09/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 219), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 212 a 218, contendo os seguintes argumentos: em relação à divergência quanto à análise do conjunto probatório, não se verificam presentes os pressupostos de recorribilidade no âmbito do CARF; o Recurso Especial por divergência tem seu cabimento estabelecido pelo art. 67 do RICARF, que assim estabelece: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) como se vê, o Recurso Especial se presta a dirimir divergências interpretativas relacionadas à legislação federal, não a aspectos fáticos presentes nos autos; o fato de o acórdão paradigma ter interpretado de maneira diversa o conjunto probatório trazido a partir da operação policial que identificou o esquema Beacon Hill, nos Estados Unidos da América, nada tem a ver com a finalidade do Recurso Especial, que é a de uniformizar a interpretação da legislação federal no âmbito do CARF; Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10882.001500/200638 Acórdão n.º 9202006.825 CSRFT2 Fl. 223 5 em nenhum momento os acórdãos recorrido e paradigma trazem divergência quanto à interpretação de dispositivos legais que disciplinem, por exemplo, a valoração de provas; o que se faz é apenas analisar, para cada Contribuinte, se os elementos indiciários são suficientes para o lançamento; ainda que tal argumentação não seja aceito, verificase que no acórdão paradigma a questão fática diz respeito a elementos de prova totalmente diversos daquele trazido no acórdão ora recorrido; contra o contribuinte Nerces Vartanian, foi lavrado Auto de Infração no valor de R$ 11.368.089,26, tendo a autoridade lançadora entendido que teria havido omissão de rendimento caracterizada por variação patrimonial a descoberto, nos anoscalendários 2001, 2002, 2003 e 2004, sendo R$ 3.672.020,22 a título de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 5.294.202,65 referentes à multa de ofício proporcional de 150% e R$ 2.401.866,39 referentes aos juros de mora; atentese que a infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Constatação, onde a autoridade lançadora teria apurado omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, eis que se verificou o excesso de aplicação sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme demonstrado no Termo de Verificação parte integrante do Auto de Infração. o acórdão paradigma entendeu por derrubar o auto, sob o fundamento de que a prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador, o que não teria ocorrido no caso em tela; a simples análise da ementa do acórdão recorrido já demonstra a diversidade de situações fáticas: em relação ao Contribuinte haveria menção ao nome completo do beneficiário da conta, diferentemente do caso paradigma, em que se fez mera alusão ao primeiro nome; fora isso, todo o conjunto probatório é divergente, já que se encontram elementos claros e que permitem uma conclusão peremptório quanto ao contribuinte, no caso do acórdão recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 225DF CARF MF 6 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário sem comprovação de origem, efetuado em conta bancária no exterior, no anocalendário de 2001. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo do Contribuinte, uma vez que este não teria demonstrado divergência em face da lei tributária e sim visaria a reavaliação de provas. Nesse passo, assevera que, além de o Recurso Especial não comportar a rediscussão de provas, os conjuntos probatórios em confronto, que orientaram os acórdãos recorrido e paradigma, seriam diferentes, daí as soluções diversas. Com efeito, o dissídio jurisprudencial somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em função de interpretação divergente dada à lei tributária, de sorte que a divergência interpretativa não se instaura em matéria de prova. Entretanto, no presente caso há óbice anterior à própria questão afeta a eventual comparação entre conjuntos probatórios, que diz respeito à própria natureza do Recurso Especial de Divergência, qual seja, a de dirimir divergências interpretativas, obviamente que em face de uma determinada legislação tributária. Com efeito, não há como estabelecerse dissídio interpretativo de lei, com vistas à solução de conflitos, quando estão em discussão leis diversas, cada qual com suas nuances e especificidades. Com estas considerações, verificase que o acórdão recorrido trata de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, sendo que o dispositivo legal interpretado é o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Consequentemente, o julgado guerreado foi orientado pela presunção juris tantum que o citado dispositivo legal abriga, portanto deliberouse acerca da necessidade de comprovação, por parte do Contribuinte, da origem de recursos depositados em conta no exterior, sob pena de que fossem considerados como rendimentos, como de fato o foram. Confirase o acórdão recorrido: Ementa "DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42, da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado." (grifei) Voto "Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com espeque no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da falta de comprovação da origem de recursos enviados para o exterior. (...) Pois bem, o presente lançamento foi feito com base em presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10882.001500/200638 Acórdão n.º 9202006.825 CSRFT2 Fl. 224 7 existência de crédito (em conta bancária) de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é a de que referido depósito foi efetuado com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Assim, o efeito da presunção juris tantum é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao recorrente apresentar provas da origem de tais rendimentos presumidos, oportunidade que lhe foi proporcionada tanto no decorrer do procedimento fiscal, através de intimação, como na impugnação, e também nessa fase recursal. No presente caso, nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. (...) Destarte, no caso em exame, embora o contribuinte tenha sido intimado a comprovar a origem de recursos creditados em conta bancária mantida no exterior, não o fez. Resta caracterizada, portanto, a situação referida na norma como legitimadora da presunção de omissão de rendimentos. Face ao acima exposto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso." (grifei) Já no caso do paradigma considerado apto a demonstrar a alegada divergência no despacho de admissibilidade de fls. 207 a 210 Acórdão nº 220200.234 o lançamento não foi fundamentado na mesma lei que orientou o recorrido e sim no artigo 55, inciso XIII, do RIR/99 (Decreto nº 3.000, de 1999), ou seja, a infração apurada foi Acréscimo Patrimonial a Descoberto, que, conforme reconhece o próprio paradigma, não trata de presunção. Confirase o paradigma: Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OPERAÇÕES BANCÁRIAS NO EXTERIOR ILEGITIMIDADE PASSIVA PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador Recurso provido." (grifei) Voto "Frente ao conjunto probatório dos autos, entendo que a autuação não tem condições de prosperar, por estar calcada em bases frágeis, duvidosas e incomprovadas. Observo que nem mesmo uma assinatura sequer consta, nem mesmo um nome que Fl. 227DF CARF MF 8 vincule concretamente tais elementos ao recorrente. Vale dizer, está fundamentada exclusivamente em presunção fiscal, ou em prova indiciaria, sem que tenha havido o mínimo aprofundamento da fiscalização para a comprovação dos indícios verificados. Aliás, nem mesmo se trata de uma presunção legalmente autorizada. Na presunção legal, a lei prevê um fato que, se não provado pelo contribuinte, implica no reconhecimento de uma omissão de receitas. Mas, tal hipótese é expressa, justamente como garantia do principio da legalidade tributária e da segurança jurídica. É o que acontece, por exemplo, com as situações de passivo fictício, suprimento de caixa e saldo credor de caixa, nas pessoas jurídicas. Porém, não é essa a hipótese disciplinada no artigo 55, inciso XIII, do RIR/99, fundamento legal da exigência, ao tratar do acréscimo patrimonial. Não se pode, pois, por presunção, sem a prova material, concluir que o contribuinte teve determinado consumo/despesa/dispêndio ou aplicação, como considerado no caso concreto." (grifei) Assim, constatase que os acórdãos confrontados referemse a leis diferentes, tratando de incidências diversas, cada qual com suas nuances e peculiaridades, principalmente no que tange à questão probatória, portanto o paradigma não se presta a demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Acrescentese que no próprio paradigma ressalvase a autuação com base em presunções legais, que é exatamente o caso do acórdão recorrido. Ainda que se pudesse situar a divergência em matéria de prova da titularidade da conta no exterior o que se admite apenas para argumentar constatase que, como aduziu a Fazenda Nacional em sede de Contrarrazões, os conjuntos probatórios não são similares, conforme evidencia o confronto dos julgados: Paradigma Acórdão nº 220200.234 Voto "Às fls. 106 a 455 está a relação das operações que serviram de fundamento para a exigência. Além desse documento, registrese que a fiscalização trouxe aos autos, como elementos de fundamentação do trabalho fiscal, os documentos de fls. 46/98, relativos a: a) MemorandoCircular Cofis/GAB n° 2004/00652 b) Oficio n° 120/03 — PF/FT/SR/DPETR; c) Oficio n°01/03 — PF/FT/NY/SR/DPF/PR; d) Laudos de Exame Econômico Financeiro preparado pelo Institua° Nacional de Criminalistica; Verificase que em nenhum desses elementos aparece o nome do contribuinte, ora recorrente. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10882.001500/200638 Acórdão n.º 9202006.825 CSRFT2 Fl. 225 9 O seu nome aparece, exclusivamente, no já citado relatório de operações da conta Merchants e Hudson Bank, de fls. 106/455 Aliás gostaria de destacar que só aparece o primeiro nome do Recorrente nesses documentos, podemos verificar no documento de fls. 100, que a autoridade lançadora presume através dos documentos e informações que as movimentações bancárias São do ora Recorrente." (grifei) Acórdão recorrido Ementa "PROVAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. São suficientes para comprovar depósitos bancários efetuados em conta mantida pelo contribuinte no exterior os documentos produzidos por peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal no exame de dados contidos em mídia magnética apresentada por instituições financeiras, após autorização judicial para quebra de sigilo bancário, em que consta o nome completo do beneficiário dos valores creditados." (grifei) Voto Portanto, do exame das operações envolvendo essas contas, emergiu o nome do Sr. João Willi Wege como beneficiário de crédito em conta no exterior, como detalhado na documentação acima mencionada. Assim, a prova da existência de depósitos em conta no exterior emergiu dessa mesma investigação que levou à abertura das informações sobre essas movimentações no exterior, de onde emergiu o nome do recorrente como beneficiário de crédito que serviu de base para o lançamento objeto do presente litígio. Observase, ainda, que referida documentação foi obtida por meios lícitos, não tendo sido alvo de alegação de falsidade." (grifei) Ademais, no caso do acórdão recorrido o nome completo do Contribuinte não consta apenas da Representação Fiscal n° 1711/05 de fls. 11, mas também de documento bancário que consta às fls. 12. Destarte, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando os acórdãos em confronto não interpretam a mesma legislação tributária, sendo que a ressalva feita no paradigma quanto a autuação por presunção corresponde exatamente à modalidade de lançamento levada a cabo no acórdão recorrido. Ademais, os conjuntos probatórios divergem exatamente nos pontos que serviram de base para que, no paradigma, a exigência fosse exonerada. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Fl. 229DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008217/2009-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora), que lhe dava provimento. Ficou designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (voto vencido)
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Redator designado (voto vencedor)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Multa. Denúncia espontânea. Recorrente AEROVIAS DEL CONTINENTE AMERICANO S/A AVIANCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora), que lhe dava provimento. Ficou designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (voto vencido) (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Redator designado (voto vencedor) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 82 17 /2 00 9- 10 Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 381 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 199/200 dos autos: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 35.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005. A fiscalização junta planilha de fls. 10 com os dados de embarque e as datas de informação dos dados. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1) Embora a Impugnante tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, tendo em vista a ocorrência de alguns problemas, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex vem apresentando e apresentou, no momento da inserção dos dados no Sistema, pela Impugnante. 2) Acusa a contagem de prazo feita indevidamente nos fins de semana. 3) O lançamento das multas está em total desconformidade com o nosso ordenamento jurídico, uma vez que ocorre patente violação ao principio da razoabilidade, segundo o qual a atuação da Administração Pública, direta ou indireta, de qualquer dos Poderes, deve se pautar, como condição de legitimidade dos atos administrativos, ao lado de outros princípios, tais como, o da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, isonomia, boa fé e o da motivação suficiente, como condição essencial para a validade dos atos administrativos, em geral. 4) Requer, ao final, a insubsistência do auto de infração. Ou seja, a presente demanda versa sobre a cobrança de multa aplicada pela Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, no valor de R$ 35.000,00, por descumprimento de prazo para registro de dados de sete embarques internacionais de mercadoria, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha de fls.10, sendo imputada multa de R$ 5.000,00 por vôo, nos termos artigo 107, inciso IV, "e", do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966 com a redação atribuída pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Os embarques ocorreram em 03, 05, 07, 14, 15, 19, 24 de setembro de 2005 (vide planilha à fl. 10 dos autos). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar a impugnação parcialmente procedente, para fins de cancelar o crédito tributário exigido no montante de R$ 20.000,00, mantendo, em contrapartida, o crédito no valor de R$15.000.00. A DRJ fundamentou o cancelamento realizado com base na aplicação retroativa do novo prazo de 7 (sete dias) disposto na IN RFB nº 1.096 de 13/12/2010, tendo afastado a penalidade nos casos Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 382 3 em que este prazo não fora ultrapassado (embarques realizados nos dias 03, 15;19 e 24 de setembro de 2005). A decisão da DRJ restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2005 Ementa: Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 14/04/2014 (vide AR à fl. 207 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 13/05/2014, Recurso Voluntário (fls. 212/222), através do qual requereu o cancelamento integral do auto de infração e anulação de todos os seus efeitos. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do mencionado recurso. É o breve relatório. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 383 4 Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Breve resumo da contenda Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque. A multa de que trata o presente processo encontrase disposta no art. 107, inciso IV, "e", do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966 com a redação atribuída pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O prazo, por seu turno, encontrava previsão no art. 37, combinado com o art. 39, II, da IN SRF nº 28/94, alterada pela IN SRF nº 510/2005, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 384 5 § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) Art. 39. Entendese por data de embarque da mercadoria: (...) II nas exportações por via aérea, a data do vôo; De início, é válido mencionar que os embarques ocorreram em 03, 05, 07, 14, 15, 19, 24 de setembro de 2005 (vide planilha à fl. 10 dos autos), ou seja, quando já se encontrava em vigor o prazo certo de dois dias determinado pela IN RFB nº 510 de 14 de fevereiro de 2005. Não se está em discussão, portanto, a aplicação do termo "imediatamente" disposto na norma em vigor antes da referida IN 510/2005. E, conforme já relatado, verificase que a cobrança de parte do valor exigido no auto de infração (R$ 20.000,00) já foi afastada pela DRJ, uma vez constatada a observância do prazo de 7 dias disposto na IN RFB nº 1.096 de 13/12/2010 (embarques realizados nos dias 03, 15;19 e 24 de setembro de 2005), com fundamento na retroatividade benigna. De outro norte, foi mantida a cobrança do importe de R$ 15.000,00, relacionada aos casos em que o contribuinte registrou as informações exigidas pela legislação no SISCOMEX em prazo superior aos sete dias (12 dias para os embarques realizados em 05/09/2015, 10 dias para os embarques realizados em 07/09/2015 e 8 dias para os embarques realizados em 14/09/2015). A presente contenda, portanto, versa exclusivamente sobre os valores mantidos pela DRJ, cujos fundamentos recursais serão devidamente analisados a seguir. 2. Das razões recursais A recorrente afirma que a DRJ, em sua decisão, teria se limitado a analisar a retroatividade da norma tributária benéfica, tendo excluído parte da multa com base no prazo de sete dias instituído pela IN/SRF 1.096/2010, porém, que teria deixado de apreciar argumentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação, notadamente de violação aos princípios da razoabilidade e isonomia. Entendo que não assiste razão ao contribuinte em sua alegação. Da análise da decisão recorrida, verificase que a DRJ tratou de todos os temas relevantes à solução da presente contenda, inclusive da impossibilidade de acolhimento do argumento do contribuinte embasado em princípios constitucionais. É o que se infere da transcrição a seguir: No tocante as alegações quanto à aplicação dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, cabe destacar que uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma penal, é defeso à autoridade aduaneira, à luz dos mencionados princípios, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 385 6 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ou seja, embora a DRJ não tenha mencionado expressamente na passagem acima especificamente os princípios da razoabilidade e isonomia, não há qualquer dúvida que as razões ali indicadas também se estendem aos referidos princípios. Até porque, como é cediço, em razão disposto na súmula nº 02 do CARF, não cabe a este Conselho pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Uma vez em vigor, é imperativa a sua aplicação por parte da autoridade fiscal e a sua observância por parte dos Conselheiros no âmbito das decisões proferidas no contencioso administrativo, exatamente como entendeu a DRJ. Transcrevese a seguir o teor da referida súmula: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Trouxe o contribuinte em seu Recurso Voluntário, ainda, razões no intuito de justificar as entregas com atraso no que tange a todas as sete datas de embarque. Deverão ser desconsideradas, contudo, as razões relacionadas aos embarques realizados em 03, 15;19 e 24 de setembro de 2005, visto que a multa relativa a tais embarques já foi afastada pela decisão recorrida. Serão tratados nesta oportunidade, portanto, apenas os fundamentos relacionados aos valores mantidos pela DRJ, quais sejam, os relativos aos embarques realizados em 05, 07 e 14 de setembro de 2005, cuja informação foi inserida no SISCOMEX com 12, 10 e 8 dias de atraso, respectivamente. Quanto a tais embarques, argumentou o contribuinte em seu recurso, de forma genérica, que teria registrado as informações dos embarques objeto da autuação dentro do prazo de dois dias, porém, que a averbação pelo Siscomex teria ocorrido posteriormente por problemas no sistema. Tal alegação foi rejeitada pela DRJ face à ausência de comprovação dos problemas alegados. Em seu recurso voluntário, o contribuinte repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, sem que tivesse trazido aos autos qualquer documentação adicional. Sobre o ônus da prova, é cediço que, em casos de lavratura de auto de infração, ao Autor (Fazenda Nacional) cumpre a comprovação do ato constitutivo do seu direito e ao Réu (contribuinte) a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor. Nesse contexto, no caso dos autos, cabia à fiscalização comprovar que houve o descumprimento da norma (não apresentação das informações no prazo devido), descumprimento este que restou incontroverso nos presentes autos, em que o próprio contribuinte reconheceu o não atendimento do prazo para inclusão das informações no SISCOMEX. De outro norte, cabia ao contribuinte trazer aos autos comprovação quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo apto a afastar a pretensão punitiva da fiscalização, o que não ocorreu no caso vertente. Logo, entendo que não há reparos a serem feitos à decisão recorrida neste ponto. Em sua defesa, o contribuinte alega, por fim, a caracterização da denúncia espontânea, visto que todos os registros foram realizados antes de qualquer ação da fiscalização. Pede, portanto, o afastamento da penalidade a ele imposta, com fulcro no artigo 102, § 2º, do DL 37/66, que, em decorrência da alteração introduzida pela MP 497/2010 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 386 7 (convertida na Lei nº 12.350/2010), estendeu o instituto às penalidades administrativas, in verbis: Art.102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Neste ponto, penso que assiste razão ao contribuinte. Consoante já tive a oportunidade de me manifestar anteriormente, apesar de reconhecer que este tema é bastante controvertido no âmbito deste Conselho, entendo que o instituto da denúncia espontânea é plenamente aplicável no caso vertente. Isso porque, com a previsão inserida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010) no referido parágrafo 2º do art. 102 do DL 37/66, que trata especificamente sobre imposto de importação e serviços aduaneiros, previsão esta reproduzida no art. 683, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), houve expressa ampliação da aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades de natureza administrativa. Logo, a sua não admissão em casos como o presente representaria, no meu entender, descumprimento de previsão legal expressa, o que não seria possível, sob pena de se incorrer em afronta ao disposto na já referida súmula nº 02 do CARF, bem como do art. 62 do Anexo II do RICARF, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ora, é inquestionável que a multa aqui analisada possui natureza administrativa. De outro lado, também é inquestionável que o referido parágrafo 2º admite a denúncia espontânea para penalidades de natureza administrativa. O que faz, portanto, alguns julgadores, no intuito de defender a inaplicabilidade da denúncia espontânea em casos como o presente é alegar que a sua admissão Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 387 8 tornaria inócua a norma que estipula prazos para cumprimento de obrigação acessória. Entendo, contudo, que tal interpretação/conclusão vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. A norma não deixa dúvidas ao estender às penalidades administrativas o instituto da denúncia espontânea, trazendo como exceção tão somente as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento, o que não é o caso dos autos. Afora tal exceção, não trouxe o legislador qualquer restrição adicional à aplicação da denúncia espontânea nos casos de penalidades administrativas, não havendo qualquer impedimento para que o fizesse, caso assim pretendesse. Entendo, portanto, que a restrição defendida em algumas decisões deste Conselho invade a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Ademais, entendo que a súmula nº 49 do CARF, que determina que a denúncia espontânea disposta no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração, não se aplica ao caso vertente, visto que embasada em precedentes que tratam sobre o envio a destempo de DCTF, matéria diversa da aqui analisada, além de se embasar em caso anteriores à edição da MP 497/2010. Ocorre que a presente contenda versa sobre a denúncia espontânea em Direito Aduaneiro, considerado autônomo e que possui regramento próprio sobre a matéria (art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro), cuja redação sofreu alteração com base no conteúdo da MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), norma esta que não fora objeto dos julgados que culminaram com a edição da referida súmula nº 49. Logo, penso inadequada a indicação de dita súmula como óbice à concessão da denúncia espontânea em casos que versem sobre direito aduaneiro. Em observância ao princípio da especialidade lex specialis derogat legi generali , apresentase, pois, imperativa, no meu entender, a aplicação da literalidade do art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), admitindose, por consequência, a denúncia espontânea para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. E, ainda que a alteração legislativa tenha sido introduzida apenas em 2010, ou seja, posteriormente aos fatos aqui analisados, que versam sobre embarques ocorridos em 2005, há de se reconhecer a sua aplicação, em razão do princípio da retroatividade benigna. Este tema encontrase muito bem abordado no voto proferido pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama no Acórdão 9303005.869. Uma vez constatada a possibilidade de aplicação, em tese, da denúncia espontânea à multa objeto da presente contenda, há de se verificar, então, a sua efetiva existência no caso concreto analisado. Além da exceção expressamente prevista no parágrafo 2º do referido art. 102 (mercadoria sujeita à pena de perdimento), a denúncia espontânea não deverá ser admitida nos casos previstos no parágrafo 1º, seja porque realizada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, seja porque realizada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 388 9 Assim, há de se perquirir se a denúncia se enquadra em alguma das situações acima descritas, caso em que restaria afastada a sua espontaneidade. Conforme já fora relatado, os embarques em análise através do presente recurso foram realizados em 05, 07 e 14 de setembro de 2005, tendo as respectivas informações sido inseridas voluntariamente pelo contribuinte no SISCOMEX com 12, 10 e 8 dias de atraso, quando a legislação mais benéfica dispunha que o prazo para inclusão no sistema desta informação seria de 7 dias. Deverá ser verificado, portanto, se as informações foram incluídas no SISCOMEX no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. Para tanto, é importante que se tenha em mente que se está diante no caso concreto aqui analisado de operações de exportação, conforme DDEs descritos na planilha de fls. 10 dos autos. Logo, em tais operações, temse que o desembaraço aduaneiro da mercadoria se dava nos termos previstos no art. 530 do Decreto 4.543/2002, abaixo transcrito, vigente à época dos fatos, cujo teor é o mesmo descrito no art. 591 do Decreto 6.759/2009, atualmente em vigor: Art. 530. Desembaraço aduaneiro na exportação é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira, e autorizado o embarque ou a transposição de fronteira da mercadoria. Ou seja, extraise deste dispositivo legal que o desembaraço aduaneiro ocorre anteriormente ao embarque, pois é com base neste registro que o embarque é autorizado. Logo, não resta dúvida que, após o embarque (que se dá necessariamente após o desembaraço aduaneiro), não está mais o contribuinte "no curso do despacho aduaneiro", cujo termo final, segundo a legislação, é justamente o desembaraço aduaneiro da mercadoria. Nesse contexto, uma vez reconhecido pela própria fiscalização que as informações foram incluídas voluntariamente pelo contribuinte no SISCOMEX posteriormente aos embarques das mercadorias, quando não mais se encontrava o contribuinte "no curso do despacho aduaneiro", há de se afastar o disposto na alínea a do parágrafo 1º do art. 102 DL 37/66. Ademais, considerando que o primeiro ato formal realizado pela fiscalização sobre este descumprimento foi a lavratura do presente auto de infração, em que já constou a informação da data em que a informação foi incluída no sistema, ainda que com atraso, afasta se, portanto, o disposto na alínea b do parágrafo 1º do art. 102 DL 37/66. Logo, uma vez verificado que a denúncia não fora realizada "no curso do despacho aduaneiro" e que a informação foi incluída no sistema antes de qualquer procedimento fiscalizatório, há de ser reconhecida a aplicação da denúncia espontânea no caso aqui analisado. Nesse mesmo sentido, vide Acórdão nº 3302002.721, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e proferido em caso análogo ao presente: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 24/12/2004, 12/09/2008 a 21/09/2008 (...) Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 389 10 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, inciso IV, alínea “E” DO DECRETOLEI 37, DE 1966. DENÚNCIA ESPONTÂNEA PREVISTA NO ARTIGO 102 DO DECRETOLEI Nº 37, DE 1966, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.350, DE 2.010. Aplicase o instituto da denúncia espontânea à infração por registro extemporâneo dos dados de embarque de exportação, de que trata o artigo 37 da IN SRF nº 28, de 1994, conforme comando do artigo 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350, de 2.010. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins cancelar a multa exigida no auto de infração combatido em sua integralidade, em razão da aplicação do instituto da denúncia espontânea. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 390 11 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves: Em que pese o brilhante voto proferido pela eminente Relatora, data venia, divirjo quanto a possibilidade da aplicação da denúncia espontânea ao presente caso. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 391 12 espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, esclareçase que a recorrente alega que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Contudo, creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinho me ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10715.008217/200910 Acórdão n.º 3002000.069 S3C0T2 Fl. 392 13 A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Pelo exposto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721647/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
Recurso Voluntário. Incompetência em Razão da Matéria. Encaminhamento ao Órgão Competente.
Sendo o recurso voluntário enviado a órgão que não tem competência para decidir a controvérsia objeto do processo, a medida que se impõe é o encaminhamento do recurso ao órgão competente.
Numero da decisão: 1301-002.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em receber o pedido da contribuinte como embargos inominados para correção de erro material, com efeitos infringentes, anulando o Acórdão 1803-001.525 e declinando da competência à Terceira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 Recurso Voluntário. Incompetência em Razão da Matéria. Encaminhamento ao Órgão Competente. Sendo o recurso voluntário enviado a órgão que não tem competência para decidir a controvérsia objeto do processo, a medida que se impõe é o encaminhamento do recurso ao órgão competente.
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INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. ENCAMINHAMENTO AO ÓRGÃO COMPETENTE. Sendo o recurso voluntário enviado a órgão que não tem competência para decidir a controvérsia objeto do processo, a medida que se impõe é o encaminhamento do recurso ao órgão competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em receber o pedido da contribuinte como embargos inominados para correção de erro material, com efeitos infringentes, anulando o Acórdão 1803001.525 e declinando da competência à Terceira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 16 47 /2 01 0- 11 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10280.721647/201011 Acórdão n.º 1301002.877 S1C3T1 Fl. 153 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AGROPALMA S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1803001.525, da 3ª Turma Especial da Primeira SEJUL, que, se declarando incompetente para conhecer da matéria, negou provimento ao recurso voluntário. A controvérsia gira em torno da multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de junho de 2010. Sendo contestada a multa, os autos foram remetidos à DRJ Belém, que negou provimento à impugnação. A contribuinte recorreu ao CARF. No CARF, os autos foram enviados à 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, que se declarou incompetente em razão da matéria e negou provimento ao recurso. Assim foram redigidos acórdão e ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). COMPETÊNCIA. O lançamento formalizado referente à multa de ofício isolada por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) tem seu julgamento afeto à 3ª Seção de Julgamento do CARF em razão da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (g.n.) A recorrente interpôs recurso especial, que foi admitido como embargos de declaração pelo despacho de fls. 148 a 150, do qual se extrai o seguinte trecho: Em que pese o sujeito passivo ter identificado sua irresignação contra a decisão como "Recurso Especial", verificase que, na realidade, sua intenção foi apontar contradição entre a decisão e seus fundamentos, conforme se depreende do seguinte trecho: "AGROPALMA S/A, devidamente identificada nos autos do processo n° 10280.7216471/201011, por seu Advogado vem apresentar Recurso Especial contra a decisão que indeferiu Recurso Voluntário. A decisão recorrida indeferiu o recurso voluntário sob o fundamento de que a competência para julgar a matéria é da 3a Seção (terceira seção) e não do colegiado a quem foi distribuído o recurso no CARF. Portanto, é evidente que não é o caso de indeferimento, mais apenas de encaminhamento dos autos para a sessão considerada competente. Pelo exposto, requer a reforma da decisão e que seja encaminhada para ser julgado no colegiado competente." Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10280.721647/201011 Acórdão n.º 1301002.877 S1C3T1 Fl. 154 3 Afirma a contribuinte que, sendo o fundamento da decisão relacionado à declinação de competência em favor da 3a Seção de Julgamento do CARF, estaria equivocada a conclusão pelo indeferimento do recurso voluntário. Assim, observase que a alegação do sujeito passivo deveria ter sido objeto de embargos de declaração, não de recurso especial. A despeito da identificação errônea da peça protocolada pela contribuinte, proponho que sua irresignação seja recebida como embargos declaratórios, em homenagem ao princípio da fungibilidade recursal, em consonância com a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão n° 9202004.505): O Presidente da 4ª Câmara da Primeira SEJUL, firmado nesses fundamentos, admitiu o recurso como embargados de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O erro cometido na decisão embargada salta aos olhos. No voto condutor do acórdão se afirma que o julgamento compete à Terceira SEJUL, e, de forma contraditória, se decide pelo não provimento do recurso. A Lei nº 9.784/1991, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e que se aplica subsidiariamente ao processo de exigência de crédito tributário, dispõe sobre a matéria da seguinte forma: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. Como se constata do dispositivo transcrito, na hipótese de o administrado apresentar recurso perante órgão incompetente, a lei impede que este órgão aprecie a pretensão do recorrente, mas determina que ele indique a autoridade competente, reabrindo o prazo para recurso. Observese que a lei, mesmo na hipótese de erro do administrado, impede o indeferimento sumário do recurso. No caso em exame, não houve erro da embargante. O recurso voluntário foi, como manda a lei, dirigido ao CARF (cf. fls. 70 e 71). Este órgão é que remeteu o recurso à Primeira SEJUL, quando deveria ter remetido à Terceira. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10280.721647/201011 Acórdão n.º 1301002.877 S1C3T1 Fl. 155 4 Portanto, não competindo às turma da Primeira SEJUL conhecer do recurso, não caberá também a elas qualquer decisão que dê ou negue provimento à pretensão deduzida pela recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos, para determinar a remessa dos autos à Terceira SEJUL. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.729562/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
Ementa:
ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A fiscalização não logrou êxito ao comprovar que os recursos não foram integralmente aplicados na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais da contribuinte, o qual o ônus lhe foi imputado. Dessa forma, não deve prosperar a suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório nº 17, de 21/02/2014.
Numero da decisão: 1301-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a suspensão da isenção, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo. Com o cancelamento da suspensão da isenção, ficou prejudicada a matéria atinente aos autos de infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 Ementa: ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. A fiscalização não logrou êxito ao comprovar que os recursos não foram integralmente aplicados na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais da contribuinte, o qual o ônus lhe foi imputado. Dessa forma, não deve prosperar a suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório nº 17, de 21/02/2014.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a suspensão da isenção, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo. Com o cancelamento da suspensão da isenção, ficou prejudicada a matéria atinente aos autos de infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.619 1 2.618 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.729562/201391 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.273 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2017 Matéria IRPJ e CSLL Suspensão da Isenção Recorrente CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa: ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. A fiscalização não logrou êxito ao comprovar que os recursos não foram integralmente aplicados na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais da contribuinte, o qual o ônus lhe foi imputado. Dessa forma, não deve prosperar a suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório nº 17, de 21/02/2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a suspensão da isenção, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo. Com o cancelamento da suspensão da isenção, ficou prejudicada a matéria atinente aos autos de infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 95 62 /2 01 3- 91 Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.620 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão que julgou improcedentes a manifestação de inconformidade contra a suspensão da isenção efetivada por meio do Ato de Declaratório Executivo DRF/RJI nº 17, de 21/02/14, e a impugnação aos autos de infração lavrados em seqüência à suspensão, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (R$ 1.978.170,85), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (R$ 747.736,86), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (R$ 2.493.938,14) e Contribuição para o PIS (R$ 526.941,05), acrescidos de multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora. Consta do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração, as seguintes informações: 1. A Capemisa Instituto de Ação Social possui natureza jurídica de associação civil, pessoa jurídica de direito privado sem finalidade lucrativa, com prazo de duração indeterminado conforme seu Estatuto Social. De acordo com o Estatuto, o objeto da associação é a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico, e, para execução de seus objetivos, poderá aceitar doações, celebrar convênios, parcerias e outras formas de cooperação técnica com organizações de assistência social e universidades, governamentais ou não, bem como participar de sociedades. 2. O fiscalizado efetuou a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2011, na condição de isenta do IRPJ e desobrigada da CSLL, nos termos do art. 15 e seu § 1º da Lei nº 9.532/97. 3. A fiscalização aponta que, dentre os requisitos estabelecidos pelo § 2º, do art. 12, e § 3º do art. 15 da Lei nº 9.532/97, está a aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Ressalta ainda a necessidade de interpretar literalmente a outorga de isenção, conforme art. 111, inciso II, da Lei nº 5.172/66 (CTN); 4. O contribuinte foi intimado (fls. 74, 75) a justificar, em face do seu objetivo social, a finalidade de aplicar grande maioria de seus recursos em pessoas jurídicas com fins lucrativos, ou seja, 94% do seu ativo total no valor de R$ 812.015.512,51. Foi também intimado a apresentar documentação comprobatória das despesas escrituradas nas contas contábeis 4.6.2.1.2.001 Honorários Advocatícios, 4.1.1.1.1.001 Programa Filantropo LFC e 4.1.1.1.4.001 Serviços Assistenciais, bem assim, a comprovar sua necessidade à consecução dos objetivos sociais. Por fim foi solicitada comprovação dos valores consignados em sua DIPJ/11 como "Outros Investimentos" e "Ágio em Investimentos" (itens 26 e 27 da ficha 36A, respectivamente) escriturados na conta 1.3.1.3.1 Participação em Outras Empresas, assim como a comprovar a necessidade de tais dispêndios à consecução do seu objeto social; 5. Em atendimento à intimação, a Capemisa Instituto de Ação Social, prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 79 a 82): Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.621 3 "Conforme registra o art. 1º do seu Estatuto, a CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL, antiga Capemi Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente, antes denominada CAPEMI Caixa de Pecúlio dos Militares Beneficente e inicialmente Caixa de Pecúlio Mauá Beneficente, originouse do desmembramento do Lar Fabiano de Cristo, CNPJ: 33.948.381/000194, adquirindo personalidade jurídica em 25/07/61, com o registro dos seus Estatutos no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, no Rio de Janeiro. (...) Surgiu, assim, dentro do Lar Fabiano, em 1960, a CAPEMA Caixa de Pecúlios Mauá, como um departamento gerador de recursos a partir da venda de planos de previdência. A CAPEMA cresceu muito. Ainda nos anos 60 do século passado, transformouse na CAPEMI Caixa de Pecúlio dos MilitaresBeneficente e, posteriormente, CAPEMI Caixa de Pecúlios, Pensões e MontepiosBeneficente. Por injunções da legislação, a instituição de previdência, associação sem fins lucrativos, passaria a ter organização própria, embora mantivesse, estatutariamente, a ligação de sustentação do Lar Fabiano de Cristo. Nos anos 80 do século passado, a CAPEMI, na época a maior instituição de previdência privada do país, desdobrou os seus recursos, constituindo várias outras organizações que atuavam em diferentes setores da economia. Uma dessas organizações foi submetida a um processo falimentar que contaminou todas as demais, caracterizando gigantesco e rumoroso processo. O governo federal, para defender os interesses dos participantes, efetivou na Capemi uma intervenção que demorou cerca de 03 anos. Em 1986 foi declarado que a CAPEMI era sólida, capaz de cumprir todos os compromissos para com os participantes. Um nova diretoria executiva foi eleita, com a suspensão da intervenção. Imediatamente inúmeros processos que pesavam sobre a massa falida foram transferidos contra a CAPEMI, o que obrigou a administração a acionar advogados em todo o país. Hoje, embora terminada a falência, há ações remanescentes e ainda é necessário acompanhar o encerramento com vistas a salvar tanto quanto possível, o patrimônio a ser liberado, implicando na permanência de despesas com advogados. (...) Digase de passagem, que a CAPEMI vendia seus planos de previdência, com um percentual filantrópico passado diretamente ao Lar Fabiano de Cristo, até 31 de marco de 2008. Tais percentuais, pela nova legislação, não poderiam mais constar dos planos adquiridos pelos participantes, o que trazia crescente dificuldade para o Lar Fabiano, àquela altura, uma das maiores organizações filantrópicas do país, com mais de 1.000 funcionários. A queda sucessiva da receita da CAPEMI, enfrentando uma competição desproporcional, apontava para a gradual extinção da obra filantrópica. O cenário determinou a necessidade da mudança. Organizouse, assim, a transformação através de cisão entre a CAPEMI e CAPEMISA, uma Sociedade Anônima com dois acionistas, a CAPEMISA Instituto de Ação Social e o Clube Salutar, ambos profundamente vinculados ao ideal que deu origem à toda a obra social. Para que pudesse fazer face aos seus compromissos com reservas e demais ditames da lei, a nova organização, que passou a trabalhar com previdência e com seguros de pessoas, necessitaria de um capital robusto, oriundo das reservas disponíveis. Assim, a antiga CAPEMI transformouse Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.622 4 em duas: a CAPEMISA SEGURADORA e CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL, controladora da CONAPP hoje extinta, da SALUTAR e da CAPEMISA SEGURADORA. A CAPEMISA Instituto de Ação Social, como controladora, assegura que pelo menos 30% do resultado das controladas, garantam a Obra Filantrópica, que é o propósito desde a origem. Ainda existem recursos oriundos dos antigos planos que, simplesmente, são arrecadados pela CAPEMISA Seguradora e passados ao Lar Fabiano, através da Capemisa Instituto de Ação Social. Tais recursos, estão em progressiva extinção. O futuro indica que a Obra filantrópica será mantida exclusivamente pela obtenção de resultados auferidos pelas controladas da Capemisa Instituto de Ação Social, tendo em vista não se ter pessoas contribuintes, sendo assim tornandose necessário ter alternativas, como por exemplo recebimento de dividendos." (grifei) 6. O contribuinte apresentou ainda relatório (fls. 83 a 107), do qual a fiscalização extraiu as seguintes informações: "O presente relatório contém informações sobre as atividades desenvolvidas pela CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIALCIAS enquanto entidade de assessoramento e como a mesma se insere neste contexto atual. As ações de assessoramento são caracterizadas na Resolução CNAS n° 27/2011, faz parte da Lei orgânica de Assistência SocialLOAS, porém, desde a sua história desenvolve esta ação. Em 2010 a CAPEMISA SOCIAL, ainda CAPEMI Instituto de Ação Social, iniciou o fortalecimento do assessoramento às instituições através do apoio financeiro como atividade fim da entidade de assistência social, o que demonstra que sua identidade está em fase de reordenamento em função das mudanças na Política Nacional de Assistência SocialPNAS. (...) Nesta conjuntura se insere a CAPEMISA SOCIAL, que através de convênio presta assessoramento político, técnico, administrativo e financeiro para 145 instituições, localizadas em todo território nacional (mapa em anexo), contribuindo para o fortalecimento da Rede Socioassistencial, priorizando instituições que estejam situadas em áreas de extrema vulnerabilidade social (preferencialmente nas macro regiões Norte e Nordeste do Brasil), e que atendam famílias, público alvo da Política de Assistência Social. A CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL é uma associação para fins não econômicos, originada do desmembramento do Lar Fabiano de Cristo, tem por objeto a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico, nos termos da legislação vigente. Suas atividades compreendem a assessoria política, técnica, administrativa e financeira às entidades e organizações de assistência social, na capacitação para intervenção na Política da Assistência Social; promoção, proteção e divulgação dos direitos sócioassistenciais, particularmente o direito à convivência familiar e comunitária; estudos e pesquisas, produção e divulgação de informações sobre a Política de Assistência Social; estímulo ao desenvolvimento integral sustentável das comunidades e geração de renda e o incentivo à cultura, à educação, à saúde e à conservação do meio ambiente. (...) A CAPEMISA SOCIAL, desde a sua criação, encontrase em consonância com a legislação que trata sobre a cooperação entre entidades com objetivos congêneres. Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.623 5 Segundo o Decreto n° 7.237, de 20 de Julho de 2010 (regulamenta a Lei n° 12.101, de 27 de novembro de 2009, para dispor sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social para obtenção da isenção das contribuições para a seguridade social, e dá outras providências), no seu Art. 3o, nos informa: § 3° As ações previstas nos Capítulos II, III e IV deste Título poderão ser executadas por meio de parcerias entre entidades privadas, sem fins lucrativos, que atuem nas áreas previstas no art. 1o, firmadas mediante ajustes ou instrumentos de colaboração, que prevejam a corresponsabilidade das partes na prestação dos serviços em conformidade com a Lei n° 12.101, de 2009, e disponham sobre: I a transferência de recursos, se for o caso; II as ações a serem executadas; III as responsabilidades e obrigações das partes; IV seus beneficiários; e V forma e assiduidade da prestação de contas. (...) (grifei)" 7. Em 30/08/13 a Capemisa Instituto de Ação Social foi intimada a informar se possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social relativo ao anocalendário de 2010 e a apresentálo, todavia, deixou de encaminhar a documentação solicitada; 8 Após análise das respostas apresentadas e demais elementos constantes do processo, a fiscalização concluiu que a Capemisa Instituto de Ação Social não havia aplicado integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais, descumprindo assim requisito para gozo da isenção tributária. Foi verificado que cerca de 94,10% dos seus bens e direitos recursos estavam aplicados em participações societárias de empresas tributadas pelo lucro real, sendo a maioria destas suas controladas: 9. A fiscalização constatou também que no anocalendário de 2010 a Capemisa Instituto de Ação Social obteve resultado negativo de equivalência patrimonial no montante de R$ 4.574.254,61, relativo às empresas Connap Cia Nacional de Seguros e Salutar Saúde Seguradora S/A; 10.Foi constatado ainda que a Capemisa Instituto de Ação Social adquiriu 1.666.538.971 ações ordinárias da Morada Investimentos S/A pelo preço global de R$ 52.984.127,43, sendo R$ 35.908.383,23, a título de ágio registrado na conta 1.3.1.3.1.004 Morada Investimentos S/A Ágio na Aquisição; 11. No anocalendário subsequente, o fiscalizado informou em sua DIPJ/2012 o valor de R$ 12.827.360,90 como "Provisão para Perdas Prováveis em Investimentos"; 12. Dessa forma, a fiscalização verificou que a Capemisa Instituto de Ação Social havia descumprido o requisito básico de aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais e, ao contrário, teria aplicado praticamente quase a totalidade de seus recursos em capitais de risco. Por tratarse de pessoa jurídica com fim não econômico, esses recursos deveriam estar voltados à consecução dos objetivos sociais, e não às incertezas das atividades econômicas; Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.624 6 13. Quanto aos dispêndios efetuados em 2010 com o programa filantropo, a fiscalização identificou que o montante gasto de R$ 36.435.710,85 não chegou a 5% dos valores aplicados em participações societárias nas empresas tributadas pelo lucro real; 14. Com relação aos valores despendidos com o "Programa Filantrópico 4.1.1.1.1.001 LFC", a fiscalização verificou que foram auferidas receitas da controlada Capemisa Seguradora de Vida e Previdência S/A no valor de R$ 32.287.155,97, a título de percentual filantrópico de antigos planos de previdência privada, e que posteriormente foram remetidos R$ 40.676.471,77 ao Lar Fabiano de Cristo LFC, o qual possui um saldo devedor de R$ 12.535.370,68 com a fiscalizada. Assim, constatouse que o fiscalizado aufere receitas da Capemisa Seguradora de Vida e Previdência S/A, relativas ao percentual filantrópico e remete os valores para o LFC, não prestando diretamente serviços de filantropia e assistência social. Ademais, o fiscalizado destina recursos para realização de contratos de mútuo, o que também configura descumprimento ao requisito disposto no art. 12, § 2º, alínea "B" da Lei nº 9.532/97; 15. Quanto ao montante de R$ 4.131.163,42, escriturado como despesas de "Serviços Assistenciais 4.1.1.1.4.001" verificase também que a quase totalidade dos referidos recursos foram enviados a entidades conveniadas, não tendo sido prestados serviços de assistência social/filantrópica diretamente pela Capemisa Instituto de Ação Social. Corroborando este fato, cita resposta de 16/05/13 em que o fiscalizado informa que em 2010 iniciou o fortalecimento do assessoramento às instituições através do apoio financeiro como atividade fim da entidade de assistência social; 16. A Capemisa Instituto de Ação Social afirma que encontrase em consonância com a legislação que trata sobre a cooperação entre entidades com objetivos congêneres e cita o Decreto nº 7.237/10, que dispõe sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social para obtenção da isenção das contribuições para a seguridade social, entretanto, ao ser intimada a informar se possuía o referido certificado, deixou de atender à intimação. A fiscalização aduz que em consulta ao endereço eletrônico do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, não foi localizado processo em nome do fiscalizado nem de diversas entidades conveniadas à Capemisa Instituto de Ação Social; 17. Por meio do Termo de Intimação Fiscal de 29/04/13 o fiscalizado foi intimado a apresentar documentação comprobatória hábil e idônea das despesas escrituradas como "Honorários Advocatícios 4.6.2.1.2.001" no montante de R$ 1.394.312,01. Na resposta apresentada a Capemisa Instituto de Ação Social informou que devido à falência de uma das organizações da Capemi, os processos foram para ela transferidos, obrigandoa a acionar advogados em todo o país e apresentou cópia dos documentos comprobatórios. A fiscalização analisou as notas fiscais de despesas advocatícias apresentadas e ao identificar notas fiscais de serviços tomadas por outras pessoas jurídicas, concluiu que a Capemisa Instituto de Ação Social utilizava seus recursos para pagamento de despesas advocatícias decorrentes de ações judiciais impetradas contra massa falida de outra empresa do grupo e que tais despesas não poderiam ser enquadradas como aplicadas na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; 18. Assim, face à constatação de que a Capemisa Instituto de Ação Social descumpriu o requisito previsto no art.12 , § 2º, alínea "b", combinado com o § 3º, do art. 15 da Lei nº 9.532/97, de aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, foi lavrada em 30/09/13 a Notificação Fiscal para fins de Suspensão da Isenção. Em 04/11/13 o contribuinte apresentou suas alegações, que foram consideradas improcedentes pela Divisão de Orientação e Análise Tributária Diort, o que ensejou a emissão do Ato Declaratório Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.625 7 Executivo DRF/RJI nº 017, em 21/02/14 declarando a suspensão do gozo da isenção tributária do IRPJ e da CSLL, relativamente ao anocalendário de 2010; 19. Após a suspensão da isenção, a fiscalização intimou, em 07/03/14, a Capemisa Instituto de Ação Social a apresentar documentos hábeis à apuração do lucro real trimestral, inclusive comprovantes das exclusões ao lucro líquido para apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL. Para a COFINS e PIS foi intimado a apresentar demonstrativos de apuração segundo o regime da nãocumulatividade, relativos às receitas auferidas relacionadas na planilha anexa ao Termo de Intimação. Em atendimento à intimação informou que, para o IRPJ e CSLL, as adições de despesas de filantropia e exclusões de recebimentos de associados e cooperados (conta 31111001) decorrem de erro de contabilização, pois a Capemisa não possui receitas desses recebimentos e nem as despesas correspondentes, sendo mera administradora dos recursos recebidos e repassados. Alega que a comprovação dessa operação se pauta nos documentos assinados pelos associados que farão doações de 13,3% para o Lar Fabiano de Cristo e que a Capemisa seria apenas a gestora dos recursos, tudo com base legal no § 6º, do art. 77 da Lei Complementar nº 109/01. Para a COFINS e o PIS afirma que as receitas constantes das contas "Receitas Associados Cooperadores 31111001", "Rec. de Doações 31111002" e "Recuperação de Encargos e Despesas 38191001" não passam de mero reembolso de despesas pagas pela Capemisa Instituto de Ação Social, devido ao direito de recebimento em função dos pagamentos antecipados de despesas dos seus inquilinos. Anexa, dentre outros demonstrativos, planilha de cálculo da COFINS e PIS considerando como receitas tributáveis os valores das contas "Receitas de juros s/ capital próprio", "Outras receitas de aluguéis", "Outras receitas" e "Recuperação de encargos e despesas"; 20. Da análise da resposta datada de 28/03/14, a fiscalização identificou a falta de oferecimento à tributação das receitas escrituradas nas contas "Receitas Associados Cooperadores 31111001", "Rec. de Doações 31111002", visto que teve o gozo do benefício fiscal de isenção suspenso. Acrescenta que nos próprios estatutos da Capemisa Instituto de Ação Social consta que os valores recebidos da controlada Capemisa Seguradora de Vida e Previdência S/A, provenientes de adicional filantrópico constituemse receitas a serem empregadas em suas atividades (art. 30 do estatuto de 18/12/07 e art. 28 do estatuto de 31/03/10); 21. Assim, constatando que a fiscalizada aplicou grande parcela de suas receitas e patrimônio fora de seus objetivos sociais, mediante a aquisição de participações societárias, inclusive com ágio, e pagamentos de despesas de terceiros, a fiscalização não acolheu as alegações de que seria apenas gestora dos recursos de associados e cooperados e de que seus recebimentos não seriam receitas, tampouco, de que houve erro de escrituração ao registrar tais valores como receitas; 22. Diante dos elementos obtidos no curso do procedimento fiscal, foram apuradas as seguintes infrações, transcritas do item 5 Das Infrações Apuradas, do Termo de Verificação Fiscal: "5.1 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IRPJ E CSLL LUCRO REAL TRIMESTRAL ANOCALENDÁRIO 2010 Do confronto dos valores de imposto de renda e da CSLL a pagar apurados pelo fiscalizado no 3o e 4o trimestre de 2010 (itens 21 e 83 da Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral e Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente), conforme sua resposta datada de 28/03/2014, Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.626 8 com os valores confessados nas correspondentes DCTF, constatase infração tributária de falta de recolhimento/declaração do IRPJ e da CSLL, conforme quadro abaixo: Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro RealPJ HISTÓRICO 3°TRIM/2010 4o TPJM/2010 IRPJ a pagar 3.664,06 469.148,64 IRPJ declarado (DCTF) 0,00 0,00 DifDiferença apurada 3.664,06 469.148,64 Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro líquido HISTÓRICO 3°TRIM/2010 4°TRIM/2010 CSLL a pagar 2.290,04 202.273,90 CSLL declarado (DCTF) 0,00 0,00 DifDiferença apurada 2.290,04 202.273,90 5.2 EXCLUSÕES INDEVIDAS IRPJ E CSLL Em virtude dos valores adicionados e excluídos indevidamente pelo fiscalizado das despesas de filantropia e das receitas de Associados e Cooperados, respectivamente, conforme já relatado anteriormente, elaboramos a "PLANILHA DE APURAÇÃO DO IRPJ ANOCALENDÁRIO 2010" e a "PLANILHA DE APURAÇÃO DA CSLL ANO CALENDÁRIO 2010", em anexo, partes integrantes e inseparáveis do presente Termo Fiscal, contendo o recalculo das fichas 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral, das fichas 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral e das fichas 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sem constar os citados valores adicionados e excluídos incorretamente. Ademais, efetuamos lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL relativamente às diferenças positivas entre as citadas receitas excluídas e das despesas de filantropia adicionadas indevidamente (3o e 4o trimestres de 2010), conforme quadro: Exclusões indevidas Hi Histórico 1 ° TRIM/2010 2o TRIM/2010 3o TRIM/2010 4o TRIM/2010 Receitas de Associados Cooperadores e doações(31111001e31111002) 7.845.925,34 7.869.366,16 7.837.901,07 8.733.963,40 () Adições indevidas Despesas de Filantropia 9.734.755,28 11.022.630,10 7.950.072,10 (=) Diferenças apuradas das exclusões indevidas ValValor tributável 7.837.901,07 783.89130 Em relação ao I o e 2o trimestres de 2010, a apuração do IRPJ e da CSLL sem os referidos valores adicionados e excluídos indevidamente ocasionaram aumento dos correspondentes valores de prejuízos fiscais do IRPJ e das bases negativas da CSLL informadas pelo fiscalizado (planilhas de apuração do IRPJ e da CSLL anocalendário 2010 fichas 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral e fichas 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). 5.3 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO PIS E DA COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO ANOCALENDÁRIO 2010 Quanto ao PIS e à COFINS com incidência nãocumulativa, a CAPEMISA SOCIAL também não considerou em seus demonstrativos de cálculo do PIS e da COFINS (resposta datada de 28/03/2014) as receitas escrituradas nas contas "Associados Cooperadores 31111001" e "Doações 31111002". Sendo assim, Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.627 9 elaboramos os "DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DO PIS COM INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA ANOCALENDÁRIO 2010" e "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA COFINS COM INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA ANO CALENDÁRIO 2010", em anexo, partes integrantes e inseparáveis do presente Termo Fiscal, nos quais ficam demonstradas ocorrências de falta/insuficiência de recolhimento/declaração do PIS e da COFINS apurados, fato que enseja lavratura de Auto de Infração." Devidamente cientificada do Ato Declaratório Executivo DRF/RJI nº 17/14, publicado no Diário Oficial da União em 26/02/14, a Capemisa Instituto de Ação Social apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, em 26/03/14. Cientificada dos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, em 28/05/14, apresentou impugnação, tempestivamente, em 20/06/14, onde alega, preliminarmente, a improcedência da suspensão e reitera os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade. A Capemisa Instituto de Ação Social assim sintetizou seus argumentos sobre a improcedência do ato declaratório de suspensão da isenção, os quais serão detalhados por ocasião do voto: "1. A CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL é entidade constituída com natureza jurídica de associação civil sem finalidade lucrativa, tendo por objeto a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico, incluindo: (a) Promoção da assistência social, abrangendo programas voltados para famílias carentes e, especialmente, crianças e idosos; (b) Assessoria técnica, administrativa e financeira às entidades e organizações de assistência social, no fortalecimento do seu protagonismo e na capacitação para intervenção na Política de Assistência Social;(c) Promoção, proteção e divulgação dos direitos socioassistenciais, particularmente o direito à convivência familiar e comunitária; (d) Estudos e pesquisas, produção e divulgação de informações sobre a Política de Assistência Social;(e) Estímulo ao desenvolvimento integral sustentável das comunidades e geração de renda; e (f) Incentivo à cultura, à educação, à saúde e à preservação do meio ambiente. 2. Nessas condições, faz jus à isenção do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido prevista no art. 15 da Lei n° 9.532/97 para as "associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. " , desde que atenda os requisitos previstos nas alíneas "a" a "e" e § 3o do art. 13 da mesma lei. 3. Os fatos descritos pela autoridade fiscal como motivadores para a suspensão da isenção não configuram não aplicação integral dos seus recursos manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, como acima demonstrado, eis que: (i) a participação em outras sociedades constitui sua fonte essencial de geração de recursos para serem aplicados nos seus objetivos; (ii) registro de resultado negativo de equivalência patrimonial é ajuste contábil determinado por lei, sem reflexo no resultado, não representando aplicação de recursos em outra finalidade; (iii) é imprópria, e não tem significância a comparação entre o valor dos dispêndios com atividades filantrópicas e os valores do ativo aplicados em participação em sociedades lucrativas, para gerarem os recursos a serem aplicados; (iv) a transferência da receita do adicional filantrópico para o Lar Fabiano de Cristo decorre da Lei Complementar 109/2001, e está em conformidade o § 2o do art. 3o do seu Estatuto; (v) não caracteriza desvio de finalidade o fato de ter concedido empréstimo ao Lar Fabiano de Cristo, seu operador social; (vi) o registro de pagamento de R$ 20.000,00 (duas notas fiscais) de honorários advocatícios cujo Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.628 10 tomador seria outra pessoa jurídica não caracteriza desvio de recursos, a justificar a suspensão da isenção, não só porque a emissão em nome de terceiro foi equivocada, mas principalmente pela irrelevância do valor (1,43% do total dos honorários pagos e 0,044% do total das despesas). Portanto, não tendo a fiscalização logrado demonstrar que a Capemisa Social aplicou recursos em outras finalidades, que não a manutenção e desenvolvimento da prestação de serviços previstos nas alíneas "a" a "f' do art. 2o do seu Estatuto, não pode prosperar a suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório n° 17, de 21/02/2014 (DOU 26/02/2014)." Com relação aos lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, defendeu a improcedência dos mesmos afirmando que as bases de cálculo apuradas pela fiscalização estariam erradas. Com o objetivo de demonstrar o equívoco, efetuou as seguintes alegações: 1. Esclarece, inicialmente, que não é empresa em geral, mas sim entidade sem fins lucrativos, não estando sujeita aos tributos objeto da autuação. Afirma que apresentou os demonstrativos de apuração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, exclusivamente, para atender a intimação fiscal e, as informações neles contidas não configuram uma declaração da veracidade das apurações neles ostentadas; 2. A apuração das bases de cálculo está equivocada porque os valores recebidos de sua controlada, Capemisa Seguradora de Vida e Prvidência, referentes às contribuições filantrópicas (adicional filantrópico), a serem repassados ao Lar Fabiano de Cristo, foram indevidamente contabilizados como "Receitas de Associados Cooperadores". Defende que tais valores representam um passivo da Capemisa Instituto de Ação Social pois têm destinação obrigatória ao Lar Fabiano de Cristo e apenas por ela transitam em razão de expressa autorização legal para que sua antecessora, Capemi Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente, efetuasse a cobrança; 3. Defende que tais receitas pertencem ao Lar Fabiano de Cristo, de acordo com o parágrafo único, do art. 33 da Estatuto da Capemi, aprovado pela Assembleia de 18/09/79 e que o § 1º do art. 77 , da Lei Complementar nº 109/01, permitiu a permanência, como sociedade civil, das entidades abertas sem fins lucrativos que já estivessem autorizadas, como foi o caso da Capemi. Aduz que os valores destinados ao Lar Fabiano de Cristo continuaram a ser recebidos dos participantes dos planos com base na autorização legal contida nos §§ 6º e 7º do mesmo art. 77 da LC nº 109/01, e que a própria lei deixava expresso que tais valores não compunham as receitas da entidade de previdência privada aberta. Afirma que as entidades de previdência apenas ficaram autorizadas a cobrálos, mas não tinham qualquer discricionariedade quanto à sua destinação; 4. Em virtude da reestruturação societária na Capemi Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente , aprovada na Assembleia Geral de 18/12/07, a atividade de previdência complementar foi transferida em abril/08, mediante cisão à Capemisa Seguradora de Vida e Previdência e a Capemi Instituto de Ação Social passou a ser apenas receptora de doações e participação em lucros de outras sociedades, para aplicação exclusiva em atividades filantrópicas; 5. Juntamente com as carteiras dos planos transferidas à Capemisa Seguradora de Vida e Previdência foi transferida a incumbência de cobrar o adicional previdenciário e repassá lo à Capemisa Instituto de Ação Social; 6. Afirma que a redação do art. 30 do Estatuto Social da Capemisa Instituto de Ação Social careceu de rigor técnico ao mencionar "para a realização de suas finalidades, seriam Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.629 11 empregadas, nas atividades beneficentes, entre outras, as receitas provenientes do adicional filantrópico pago pelos participantes dos planos de previdência complementar transferidos à sua controlada CAPEMISA.". O termo receita teria sido utilizado para designar qualquer ingresso, independentemente, da sua efetiva natureza jurídica; 7. Reitera que desde o início da Capemi, o percentual de 13,3% das mensalidades e inscrições pagas não integra o resultado previdenciário sendo destinado ao Lar Fabiano de Cristo, e que após a cisão, a Capemisa Seguradora de Vida e Previdência tem apenas o papel de arrecadá lo, repassandoo à Capemisa Instituto de Ação Social, que por sua vez destinao ao Lar Fabiano de Cristo. Por este motivo, a natureza jurídica desses valores é de passivo, pois tem a obrigação de entregálos ao Lar Fabiano de Cristo e não de receita. Em seguida traz doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira acerca do conceito de receita; 8. Afirma que os balancetes constantes dos autos permitem verificar que a Capemisa Instituto de Ação Social transferiu ao Lar Fabiano de Cristo valores superiores aos recebidos da Capemisa Seguradora deVida e Previdência e, ao final, registra que o equívoco contábil na escrituração dos ingressos relativos ao adicional filantrópico foi corrigido a partir de 2012; 9. Relativamente às bases de cálculo do IRPJ e CSLL, a Capemisa Instituto de Ação Social aponta que a contabilização equivocada do adicional filantrópico falseou o resultado contábil em valor correspondente à diferença entre os montantes ingressados e os montantes transferidos ao Lar Fabiano de Cristo. Por este motivo, ao ser intimada para preencher as fichas de apuração dos tributos segundo apurações trimestrais com base no lucro real, excluiu os valores recebidos da Capemisa Seguradora de Vida e Previdência e adicionou os valores transferidos ao Lar Fabiano de Cristo, entretanto, a fiscalização com base apenas na contabilização equivocada glosou esses ajustes. Reitera que o adicional filantrópico não é receita da Capemisa Instituto de Ação Social, e que a adição e exclusão foram por ela efetuadas para retificar o lucro líquido contábil espelhado na contabilidade, que não retratava a realidade dos fatos, de forma que a glosa feita pela fiscalização não deve prevalecer; 10. Com relação à COFINS e PIS, assevera que os valores do adicional filantrópico repassados pela Capemisa Seguradora de Vida e Previdência à Capemisa Instituto de Ação Social não constituem receita desta, eis que geram para ela uma obrigação em favor do Lar Fabiano de Cristo e devem ser excluídos da base de cálculo apurada pela fiscalização; 11. Ressalta que a natureza jurídica de uma importância recebida pela pessoa jurídica, isto é, se a mesma constitui mero ingresso transitório ou uma receita, está ligada a eventual efeito modificativo no patrimônio da pessoa que a recebe. Cita acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que reconhece que nem todo ingresso configura uma receita, e solicita que os autos de COFINS e PIS sejam julgados improcedentes. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém apreciou a Manifestação de Inconformidade e a Impugnação apresentadas pela Capemisa Instituto de Ação Social, e as julgou improcedentes, conforme acórdão nº 0132.021 1ª Turma da DRF/BEL, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa: Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.630 12 ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aplicação de recursos nos objetivos sociais de entidade isenta de IRPJ e CSLL, deve ser lastreada em documentação hábil e idônea que comprove a efetividade da operações, da origem dos recursos até sua aplicação com emissão de documento fiscal, se for o caso e o efetivo pagamento a despesas relativas aos citados objetivos. VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVAS. A simples apresentação de alegações sobre equivoco na escrituração, se desacompanhada de outras provas da ocorrência dos fatos descritos na impugnação, não permite o deferimento da improcedência do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do acórdão nº 0132.021 1ª Turma da DRF/BEL, em 22/07/15, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário em 19/08/15, onde repete as alegações efetuadas em sede de impugnação e afirma que a decisão recorrida tangenciou com superficialidade os argumentos da impugnante, não logrando êxito em desconstituílos objetivamente. Contesta os seguintes pontos da decisão recorrida: 1. "As explicações apresentadas pela fiscalizada, com ênfase na evolução das entidades que geraram a Capemisa Instituto de Ação Social, CNPJ 33.287.319/000107, não comprovaram que haja correlação dos investimentos com o objeto social da fiscalizada." Da análise dos Estatutos juntados à impugnação, mostrando a evolução das entidades, podese verificar que a Capemi Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficentes, que teve origem no desmembramento do Lar Fabiano de Cristo, desenvolvia atividade de previdência complementar para obter recursos a serem aplicados em atividades beneficentes, principalmente através do próprio Lar Fabiano de Cristo. Em seguida, a Capemi foi cindida para destinar a carteira relativa a atividade de previdência complementar e o patrimônio a ela ligado, para a Capemisa Seguradora de Vida e Previdência, sua controlada que exerce atividade com fins lucrativos. O resultado obtido pela controlada é destinado integralmente à controladora, atual Capemisa Instituto de Ação Social, que os aplica, exclusivamente, nas atividades de assistência social e filantropia. Considerando que a principal fonte de recursos para aplicação em atividades filantrópicas e de assistência social é a participação em sociedades lucrativas, fundamentalmente a Capemisa Seguradora de Vida e Previdência, sua controlada absoluta e que dela foi desmembrada, não há como negar a correlação dos investimentos com o objeto social da fiscalizada. Ressalta que, nem indiretamente, poderseia suspeitar de desvio de recursos por meio de sua principal fonte de recursos, a Capemisa Seguradora de Vida e Previdência, pois a Capemisa Instituto de Ação Social é praticamente a única acionista com 99,96% do capital social e, assim, todos os resultados líquidos são a ela destinados para aplicação integral na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos. 2. "Os resultados (positivos ou negativos), nas controladas da CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL, CNPJ 33.287.319/000107, são desta, e por ela devem transitar, serem tributados, para, ao fim, lucros e prejuízos, se decididos pela CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL, CNPJ 33.287.319/000107, serem utilizados em sua missão de filantropia, beneficência e atividades sociais." Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.631 13 Tal assertiva, nem indiretamente, confirma a acusação fiscal de não aplicação dos recursos integralmente nos objetivos sociais para os quais foi criada, e que teria motivado a suspensão da isenção. Os resultados obtidos por meio das controladas são da recorrente e por ela transitam, tanto que os utiliza em sua missão de filantropia, beneficência e atividades sociais. Todavia, ainda que não fosse isenta, tais resultados não seriam nela tributados pois os lucros distribuídos por coligadas e controladas são registrados como diminuição do valor do investimento e não influenciam as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598/77, art. 22, parágrafo único). E ainda, conforme dispõe o art. 10. da Lei nº 9.249/95, os lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não integram a base de cálculo do IRPJ do beneficiário. 3. "Além desta questão, a CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL, CNPJ 33.287.319/000107 não comprovou que a aplicação de recursos em suas controladas, em sua substância, guarde correlação com seus objetivos sociais." Conforme já demonstrado, a principal fonte de recursos para aplicação em atividades filantrópicas e de assistência social é a participação em sociedades lucrativas, fundamentalmente a Capemisa Seguradora de Vida e Previdência (mais de 90% dos investimentos), sua controlada absoluta e que dela foi desmembrada, não havendo como negar que a aplicação de recursos em suas controladas guarde correlação com seus objetivos sociais. 4. "As fotos apresentadas pela recorrente, como demonstradoras da destinação dos recursos, não comprovam que os recursos foram oriundos da fiscalizada, nem que foram aplicados nas entidades cujas descrições foram apostas aos Autos do presente processo. A aplicação de recursos nos objetivos sociais de entidade isenta de IRPJ e CSLL, deve ser lastreada em documentação hábil e idônea que comprove a efetividade da operações, da origem dos recursos até sua aplicação com emissão de documento fiscal, se for o caso, e o efetivo pagamento de despesas inerentes ao caso concreto." A recorrente afirma que a alegação da decisão recorrida de que as entidades referidas não receberam, efetivamente, recursos da Capemisa Instituto de Ação Social, não tem nenhuma relação com os fatos indicados pela autoridade fiscal como motivadores da suspensão da isenção. Aduz que a autoridade fiscal não questionou a aplicação de recursos naquelas entidades, apenas disse que em nome delas não consta processo de renovação e concessão para certificação de entidade beneficentes de assistência social (CEBAS). Destaca que o certificado não é requisito que habilite a entidade filantrópica a receber recursos, bastando que ela seja uma entidade reconhecidamente de utilidade pública, que pratique filantropia. Entende a recorrente que, apesar de desobrigada de fazêlo, por não integrar a acusação fiscal, traz a prova reclamada na decisão, juntando por amostragem, alguns contratos que comprovam a aplicação de recursos nas entidades, assim como, os comprovantes de transferências de recursos e a relação nominal dos demais contratos e planilha de repasses, que podem ser verificados mediante diligência, caso a Turma Julgadora entenda necessário. Alega a recorrente que a decisão ora recorrida não logrou desconstituir as razões de defesa analisadas na impugnação, limitandose a uma abordagem superficial geral, que também foi objetivamente contraditada no recurso voluntário, para concluir, sem nenhuma base fática ou jurídica, que a recorrente não comprovou a aplicação integral de seus recursos na consecução do seu objetivo social, bem assim, que a aplicação de recursos na atividade econômica diversa do seu Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.632 14 objeto social guardava correlação com seu objeto. Assim, considerando que a recorrente provou em sua impugnação que a fiscalização não logrou demonstrar que a Capemisa Instituto de Ação Social aplicou recursos em outras finalidades, que não a manutenção e desenvolvimento da prestação de serviços previstos nas alíneas "a" a "f" do art. 2º do seu Estatuto, e não tendo a decisão recorrida desconstituído as razões de defesa apresentadas, não pode prosperar a suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório nº 17, de 21/02/14. Com relação aos autos de infração, a recorrente sustenta que a decisão recorrida não enfrentou as razões de defesa apresentadas pela então impugnante e, ao contrário, alegou ausência de prova das alegações da recorrente, limitandose a afirmar que: I A documentação apresentada pela impugnante, por si só, não demonstra o equívoco; A recorrente sustenta que tal afirmação é totalmente descabida, porque a prova de que os valores referentes ao Programa Lar Fabiano de Cristo não tem a natureza de receita da Capemisa Social não decorre de documentos, mas do art. 77, §§ 1º, 6º e 7º da Lei Complementar nº 109/2001. Reitera que tais valores não têm a natureza jurídica de receita e representam, sim, um passivo pois têm destinação obrigatória ao programas filantrópicos do Lar Fabiano de Cristo e, só ingressavam na Capemisa Instituto de Ação Social em razão de expressa autorização legal para que sua antecessora Capemi Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente efetuasse a cobrança. Com a cisão, foi feita a transferência da carteira relativa aos planos previdenciários para a Capemisa Seguradora de Vida e Previdência, bem assim, da incumbência de efetuar a cobrança do adicional filantrópico para repassar à Capemisa Instituto de Ação Social, que destina o valor recebido ao Lar Fabiano de Cristo. II A impugnante, em relação aos valores que teriam sido destinados ao Lar Fabiano de Cristo, por serem deste os recursos, não apresenta documentos de transferência, de valores que amparem os supostos erros de escrituração, conforme alegado. A recorrente afirma que os valores contabilizados equivocadamente como receita e, que correspondem à contribuição filantrópica cobrada pela Capemisa Seguradora de Vida e Previdência, transferidos à Capemisa Instituto de Ação Social foram retirados de documentos anexados aos autos pela fiscalização. Estes documentos, relativos à escrituração da contribuinte, foram os apresentados em atendimento ao Termo de Início de Diligência Fiscal, de 10/07/12. Os valores correspondentes à contribuição filantrópica, contabilizados equivocadamente como receita, foram retirados dos balancetes fornecidos à fiscalização e por ela não questionados. Quanto à transferência desses valores, a própria fiscalização atesta, na representação para suspensão da isenção, que foram remetidos R$ 40.676.471,77 para o Lar Fabiano de Cristo, de forma que a decisão recorrida, não tem nenhuma base para duvidar da transferência dos valores da contribuição filantrópica para o Lar Fabiano de Cristo. Ao final, conclui que a fiscalização não logrou comprovar que a Capemisa Instituto de Ação Social não aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, não podendo prosperar a suspensão. Ainda que, absurdamente, fosse efetivada a suspensão da isenção, as bases de cálculo dos lançamentos estão erradas pois partiram da contabilização equivocada, como receita, dos valores recebidos de sua controlada, Capemisa Seguradora de Vida e Previdência , referentes à contribuição filantrópica a ser repassada ao Lar Fabiano de Cristo. Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.633 15 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Milene de Araújo Macedo Relatora Considerando que a recorrente foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 22/07/2015 (fls. 1761) e o Recurso Voluntário foi apresentado em 19/08/15 (fls. 1.762), o recurso é tempestivo e dele conheço. DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO A suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL foi motivada pelo descumprimento do requisito básico de não aplicar integralmente os recursos obtidos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, consoante o disposto no art. 12, alínea "b", do § 2º e § 3º do art. 15 da Lei nº 9.532/97: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; (grifei) [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.634 16 § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. (grifei) Consta ainda da Notificação Fiscal para suspensão da isenção que a recorrente teria aplicado praticamente a quase totalidade de seus recursos em capitais de risco e, por tratarse de pessoa jurídica com fim não econômico, tais recursos deveriam estar voltados à consecução dos objetivos sociais, e não às incertezas das atividades econômicas. Assim, para a solução da lide fazse necessária a identificação da aplicação ou não dos recursos obtidos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. O Estatuto Social da recorrente, então denominada Capemi Instituto de Ação Social, aprovado pela Assembleia Geral Extraordinária de 18/12/2007, ao tratar dos objetivos sociais dispôs: "Art. 2° A CAPEMI tem por finalidades: a) a filantropia no amparo a famílias carentes, especialmente crianças e idosos; b) o incentivo à cultura e à educação; c) a promoção e divulgação de ações sociais privadas, assim como o exercício de outras atividades de natureza social. [...] Da Beneficência Art. 31 A assistência gratuita às famílias carentes, especialmente crianças, será feita através do LAR FABIANO DE CRISTO, associação regulada por Estatuto próprio e mantida pela CAPEMI. Art. 32 A assistência gratuita ao idoso carente será prestada através da CASA DO VELHO ASSISTENCIAL E DIVULGADORA CAVADI, associação regulada por Estatuto próprio e mantida pela CAPEMI. Art. 33 Através de convênio, a CAPEMI poderá ofertar apoio material, logístico e metodológico, de caráter complementar, a outras associações que tenham objetivo filantrópico semelhantes aos dela. Art. 34. A CAPEMI poderá exercer, ainda, outras atividades de natureza social, dentre elas as relacionadas com a educação, a cultura e a saúde. Art. 35 A CAPEMI exercerá, diretamente ou através de auditoria específica, o controle da boa aplicação dos recursos que destinar a associações com objetivos filantrópicos." Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.635 17 Em 31/03/2010 foi realizada Assembleia Geral Extraordinária para promover alterações no Estatuto Social, dentre elas a denominação da recorrente para Capemisa Instituto de Ação Social, que passou a assim estabelecer acerca dos objetivos sociais: "Art. 2° A CAPEMISA SOCIAL tem por objeto a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico, nos termos da Lei vigente, incluindo: a) Promoção da assistência social, abrangendo programas voltados para famílias carentes e, especialmente, crianças e idosos; b) Assessoria técnica, administrativa e financeira às entidades e organizações de assistência social, no fortalecimento do seu protagonismo e na capacitação para intervenção na Política de Assistência Social; c) Promoção, proteção e divulgação dos direitos socioassistenciais, particularmente o direito à convivência familiar e comunitária; d) Estudos e pesquisas, produção e divulgação de informações sobre a Política de Assistência Social; e) Estímulo ao desenvolvimento integral sustentável das comunidades e geração de renda; e f) Incentivo à cultura, à educação, à saúde e à preservação do meio ambiente. Parágrafo Único: A CAPEMISA SOCIAL, ao realizar seu objeto social, obedecerá aos preceitos constitucionais emanados da Carta Magna do País e aos demais dispositivos legais aplicáveis à espécie. [...] Da Assistência Social Art. 29 A proteção à família, à infância, à adolescência e ao idosos será feita por intermédio do seu operador social, o LAR FABIANO DE CRISTO, associação regulada por Estatuto próprio.. Art. 30 Através de convênio, a CAPEMISA SOCIAL poderá oferecer assessoramento, apoio material, logístico e metodológico, de caráter complementar, a outras associações que tenham atividades voltadas para o público objeto das políticas de assistência social. Art. 31 A CAPEMISA SOCIAL poderá exercer, ainda, outras ações socioassistenciais, dentre elas a promoção da educação, da cultura, da saúde e defesa do meio ambiente. Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.636 18 Art. 32 A CAPEMISA SOCIAL exercerá, diretamente ou através de auditoria específica, o controle da boa aplicação dos recursos que destinar a entidades e organizações de assistência social. associações com objetivos filantrópicos." Em seu recurso voluntário, a Capemisa Instituto de Ação Social sustenta que desde sua origem, primeiro sem personalidade jurídica dentro do Lar Fabiano de Cristo, depois como entidade de previdência complementar sem fins lucrativos e agora como associação civil sem fins lucrativos, foi instituída para gerar recursos a serem aplicados em atividades filantrópicas/beneficentes/assistenciais e seu objetivo é, e sempre foi, prover recursos a entidades que atuam nas áreas de assistência social, beneficência e filantropia. Por este motivo, alega que para acusar a entidade de não aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, é preciso provar que seus recursos não foram integralmente aplicados: (i) ou em fontes geradoras de rendas para serem aplicadas, por meio de outras entidades sem fins lucrativos, em atividades de assistência social latu sensu, (ii) ou que as entidades a quem ela destinou recursos não eram entidades sem fins lucrativos para a prática de atividades filantrópicas/beneficentes. Diversamente do alegado pela recorrente, tanto no Estatuto Social vigente até 31/03/2010, quanto no vigente após 01/04/2010, não consta dentre as finalidades e objetivos da Capemisa Instituto de Ação Social, a geração de recursos a serem aplicados em atividades filantrópicas/beneficentes/assistenciais no anocalendário de 2010: Estatuto Aprovado pela Assembleia de 18/12/2007 "Art. 2° A CAPEMI tem por finalidades: a) a filantropia no amparo a famílias carentes, especialmente crianças e idosos; b) o incentivo à cultura e à educação; c) a promoção e divulgação de ações sociais privadas, assim como o exercício de outras atividades de natureza social." Estatuto Aprovado pela Assembleia de 31/03/2010 "Art. 2° A CAPEMISA SOCIAL tem por objeto a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico, nos termos da Lei vigente, incluindo: a) Promoção da assistência social, abrangendo programas voltados para famílias carentes e, especialmente, crianças e idosos; b) Assessoria técnica, administrativa e financeira às entidades e organizações de assistência social, no fortalecimento do seu protagonismo e na capacitação para intervenção na Política de Assistência Social; Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.637 19 c) Promoção, proteção e divulgação dos direitos socioassistenciais, particularmente o direito à convivência familiar e comunitária; d) Estudos e pesquisas, produção e divulgação de informações sobre a Política de Assistência Social; e) Estímulo ao desenvolvimento integral sustentável das comunidades e geração de renda; e f) Incentivo à cultura, à educação, à saúde e à preservação do meio ambiente." Nem poderia ser diferente, isto porque as entidades sem fins lucrativos não podem ter como objetivo principal a obtenção de recursos financeiros, sob pena de estarem se esquivando do escopo da entidade e do requisito para obtenção do benefício fiscal. O fato de existirem, em ambos Estatutos Sociais vigentes no anocalendário de 2010, a previsão de participação em sociedades como forma de obtenção de recursos a serem aplicados em suas atividades, não significa que este seja um dos objetivos da associação: Estatuto Aprovado pela Assembleia de 18/12/2007 "Art. 3° A CAPEMI, como meio de prover recursos para as suas atividades filantrópicas, participará de sociedades, prestará serviços e aceitará doações." Estatuto Aprovado pela Assembleia de 31/03/2010 "Art. 3° Para a execução de seus objetivos sociais, a CAPEMISA SOCIAL poderá aceitar doações, celebrar convênios e outras formas de cooperação técnica com organizações de assistência social e universidades, governamentais ou não, bem como participar de sociedades." Essa previsão de participação em sociedades para obtenção de recursos não deve ser interpretada como permissivo para que a recorrente aplique seus recursos em capitais de risco, sob pena de confusão entre recursos voltados às atividades sociais e recursos voltados à obtenção de vantagens patrimoniais. Ademais, como bem apontado pela decisão recorrida, a participação em sociedades como forma de obtenção de recursos deve guardar correlação com a finalidade descrita no objeto social da Capemisa Instituto de Ação Social, ou seja, deve ser feita em sociedades que tenham por objeto a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico. No caso, a fiscalização identificou que a recorrente possuía participação societária nas entidades com fins lucrativos abaixo relacionadas, a maioria de empresas por ela controladas, nas quais foram aplicados mais de 94,10% do total de seus bens e direitos: Ativo Realizável a Longo Prazo Conta Empresa CNPJ Valor (R$) 1.2.2.1.1.001 Conapp Cia Nacional de Seguros 29.741.030/000130 19.529.285,01 1.2.2.1.1.002 Salutar Saúde Seguradora S/A 04.518.814/000173 4.751.113,01 Ativo Permanente Investimento em Controladas 1.3.1.1.1.001 Capemisa Seguro de Vida e Previdência S/A 08.602.745/000132 688.758.767,81 Ativo Permanente Investimento em Outras Empresas Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.638 20 1.3.1.3.1 Morada Investimento S/A 51.082.670,97 TOTAL 764.121.836,80 TOTAL DO ATIVO 812.015.512,51 A recorrente defende que a correlação com a Capemisa Seguro de Vida e Previdência estaria comprovada pela simples análise dos estatutos juntados à Impugnação, mostrando a evolução das entidades, ou seja: (i) inicialmente, Caixa de Pecúlios, desenvolvendo atividade de previdência complementar para obter recursos para aplicar em atividade beneficente, principalmente através do Lar Fabiano de Cristo, do qual foi desmembrada; (ii) depois, cindida para destinar a carteira relativa a atividade de previdência complementar, e o patrimônio a ela ligado, para uma S/A, sua controlada absoluta (99,96%), para exercer essa atividade com fins lucrativos e destinar integralmente o resultado obtido, após pagar os tributos sobre eles incidentes, ao Instituto de Ação Social, do qual foi cindida, para serem aplicados exclusivamente nas atividades de assistência social e filantropia. Foram juntados à impugnação os Estatutos Sociais da Capemisa Instituto de Ação Social, aprovados pelas assembleias de 18/09/1979, 18/12/2007 e 31/03/2010. Consta do Estatuto de 18/09/1979, que a então denominada Capemi Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente teve como origem o desmembramento do Lar Fabiano de Cristo e exercia atividades de beneficência, filantropia e previdência entre os participantes de seus planos de benefícios, todas sem fins lucrativos. Com a cisão da então Capemi Instituto de Ação Social (atual Capemisa Instituto de Ação Social) e a alocação do patrimônio na atividade de previdência privada, mediante a constituição da controlada Capemisa Seguradora de Vida e Previdência, o Estatuto Social de 18/12/2007, da atual Capemisa Instituto de Ação Social foi alterado para excluir da suas finalidades as atividades de previdência privada. Dessa forma, da leitura dos Estatutos Sociais anexados à Impugnação, verificase que, contrariamente, ao alegado pela recorrente, houve a alocação da quase totalidade do patrimônio nas atividades de previdência privada, que não fazem parte de seu objeto social e com ele não tem qualquer correlação. A fiscalização identificou a existência de resultado negativo de equivalência patrimonial no montante de R$ 4.574.254,61, referente às participações nas pessoas jurídicas Conapp Cia Nacional de Seguros CNPJ: 29.741.030/000130 e Salutar Saúde Seguradora S/A CNPJ: 04.518.814/000173. A recorrente afirma que esse fato não caracteriza não aplicação de recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, visto que o resultado de equivalência patrimonial não representa nenhum dispêndio ou aplicação de recursos, sendo apenas um ajuste contábil feito para que, no balanço patrimonial, os investimentos em sociedades coligadas, controladas ou que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum sejam refletidos pelo que representam do patrimônio líquido da investida. Assiste razão à recorrente quando menciona que o resultado de equivalência patrimonial tratase de ajuste visando à atualização do valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação da investidora no patrimônio líquido da investida . Todavia, o resultado negativo de equivalência, apesar de não ser computado na determinação do lucro real, é incluído no cálculo do resultado do exercício da investidora, diminuindo o lucro líquido do período e, consequentemente, o valor do patrimônio líquido da investidora. No caso concreto, os investimentos em capitais de risco nas pessoas jurídicas com fins lucrativos Conapp Cia Nacional de Seguros CNPJ: 29.741.030/000130 e Salutar Saúde Seguradora S/A CNPJ: 04.518.814/000173, além de não estarem voltados à consecução dos objetivos sociais por não terem nenhuma correlação com os mesmos, acarretaram à recorrente um resultado negativo de equivalência patrimonial. Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.639 21 Relativamente à aquisição de ações ordinárias da Morada Investimentos S/A CNPJ: 27.827.443/000107, pelo preço global de R$ 52.984.127,43, com ágio de R$ 35.908.383,23, a recorrente afirma que a compra das ações se deu com os recursos obtidos na venda das ações da Connap Cia Nacional de Seguros CNPJ: 29.741.030/000130, que estavam gerando resultados negativos. Aduz que investir em sociedades empresárias para obter recursos a serem aplicados nas atividades filantrópicas inserese na finalidade da Capemisa Social e, portanto, não representa deixar de aplicar recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. De observarse que, novamente, a recorrente afirma que a obtenção de recursos para serem aplicados em atividades filantrópicas incluise em seus objetivos sociais, fazendo uma confusão entre sua finalidade/objeto, a prestação de serviços na área social em caráter filantrópico, e a forma de obtenção de recursos para desenvolvimento de suas atividades, que prevê a participação em sociedades. Conforme já demonstrado, o investimento em sociedades com fins lucrativos que não guardam qualquer correlação com os objetivos sociais da recorrente, sujeitandose às incertezas das atividades econômicas, implica em descumprimento do requisito básico de não aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. No caso, as incertezas da atividade econômica são nítidas e estão refletidas na Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ/2012, na linha 37 da ficha 36A Ativo Balanço Patrimonial, onde a recorrente informou ter constituído, no anocalendário seguinte a "Provisão para Perdas Prováveis em Investimentos" no valor de R$ 12.827.360,90. A recorrente opõese à alegação da fiscalização de que os dispêndios totais com programa filantrópico (R$ 36.435.710,85) não chegam a 5% dos valores aplicados em participações societárias das empresas tributadas pelo lucro real (R$ 764.121.832,80), afirmando que tal dado não tem nenhum significado, pois compara recursos aplicados em filantropia com capital aplicado para gerar os recursos, e não com os recursos gerados pelo capital. Equivocase a recorrente ao pretender que a comparação seja feita entre os recursos aplicados em filantropia com os recursos gerados pelo capital, isto porque o que a fiscalização busca demonstrar com a comparação é que mais de 95% dos recursos da Capemisa Instituto de Ação Social foram aplicados em capitais de risco e não em atividades filantrópicas. A comparação pretendida pela recorrente somente faria sentido caso se admitisse que os investimentos em sociedades empresárias são destinados à manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, o que não é o caso. A fiscalização aponta que a Capemisa Instituto de Ação Social auferiu receitas relativas ao percentual filantrópico da Capemisa Seguradora de Vida e Previdência e as remeteu pra o Lar Fabiano de Cristo, não prestando diretamente serviços de filantropia/assistência social. A recorrente afirma que este fato está absolutamente conforme o objeto social, de prover recursos para as entidades sem fins lucrativos que atuam na área de assistência social, beneficência e filantropia, assim como o Estatuto Social e a Lei Complementar nº 109/2001. De fato, consta do art. 31 do Estatuto Social aprovado pela AGE de 18/12/2008 e do art. 29 do Estatuto Social aprovado pela AGE de 31/03/2010, que as atividades de beneficência e assistência social seriam executadas através do Lar Fabiano de Cristo: Estatuto Aprovado pela Assembleia de 18/12/2007 Art. 31 A assistência gratuita às famílias carentes, especialmente crianças, será feita através do LAR FABIANO DE CRISTO, associação regulada por Estatuto próprio e mantida pela CAPEMI. Estatuto Aprovado pela Assembleia de 31/03/2007 Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.640 22 Art. 29 A proteção à família, à infância, à adolescência e ao idosos será feita por intermédio do seu operador social, o LAR FABIANO DE CRISTO, associação regulada por Estatuto próprio. Entretanto, novamente, a recorrente equivocase ao afirmar que a provisão de recursos para entidades sem fins lucrativos que atuam na área de assistência social, beneficência e filantropia faz parte de seu objeto social. O objeto social da recorrente é a prestação de serviços na área social em caráter filantrópico e, o fato de utilizarse do Lar Fabiano de Cristo e de outras associações que tenham objetivo filantrópico semelhantes aos dela, para realização de suas atividades, não tem o condão de acrescentar a seus objetivos sociais a participação em sociedades com fins lucrativos para obtenção de recursos a serem repassados a essas entidades. Com relação à destinação de recursos para contratos de mútuo com o Lar Fabiano de Cristo, a recorrente afirma que não há impedimento algum para a realização do empréstimo, mesmo considerando a hipótese de que a mutuária dificilmente teria condições de pagar integralmente o empréstimo. Acrescenta que consta do seu objeto social a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico e que as atividades de proteção à família, à infância, à adolescência e ao idoso seriam feitas por intermédio do seu operador social, o Lar Fabiano de Cristo. A circunstância de, eventualmente, o Lar Fabiano de Cristo não ter condições de pagar o empréstimo apenas confirma a ausência de finalidade lucrativa da mutuante. Como bem ressaltado pela recorrente, seu objeto social é a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico, o que nada tem haver com a concessão de empréstimos a terceiros, ainda que o mutuante seja uma das pessoas jurídicas sem fins lucrativos, por meio da qual a recorrente realiza suas atividades de beneficência e assistência social. A aplicação de recursos em operações de mútuo desviase dos objetos sociais da recorrente e afronta o requisito necessário ao gozo da isenção consistente na aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. Consta da Notificação Fiscal para fins de Suspensão da Isenção, lavrada em 30/09/2013, que do montante escriturado como despesas de "Serviços Assistenciais 4.1.1.1.4.001", no total de R$ 4.131.163,42, praticamente a totalidade desses valores não corresponderiam a serviços de assistência social/filantrópicos prestados diretamente pela recorrente, mas mediante o envio de recursos a entidades conveniadas. A fiscalização relatou ainda que a própria contribuinte, bem assim, diversas das entidades a ela conveniadas não possuíam processos junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) visando à obtenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS. Em sua peça recursal, a Capemisa Instituto de Ação Social cita o § 2º do art. 3º do Estatuto Social, o qual prevê que as atividades beneficentes seriam desempenhadas por ela ou por entidades a ela ligadas, e que esse fato não caracteriza que os recursos não foram empregados no seu objeto social. Afirma que a inexistência de CEBAS não tem influência em sua isenção por estar fundamentada no art. 15 da Lei nº 9.532/97 e, relativamente às entidades conveniadas, portadoras ou não de CEBAS, elas têm atuação efetiva na área social. De fato, assiste razão à recorrente quando afirma que o Estatuto Social prevê, em seu art. 3º, a realização de atividades beneficentes por meio de entidades conveniadas e, tal fato, por si só não ensejaria a suspensão da isenção. Todavia, diversamente do alegado pela recorrente, a isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532/97 abrange somente o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro líquido: Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.641 23 Art. 15 Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subsequente. Para usufruir do benefício fiscal das isenções de contribuições sociais, dentre elas a COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e PIS Programa de Integração Social, as entidades beneficentes devem atender aos requisitos estabelecidos em Lei, nos termos do art. 195, § 7º da Constituição Federal: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." A Instrução Normativa nº 247/02, que trata especificamente das contribuições para o PIS e COFINS, assim dispôs: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: [...] IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.642 24 renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. O mencionado art. 55 da Lei nº 8.212/91 foi revogado pela Lei nº 12.101/2009, que em seus arts. 3º a 20 estabeleceram os requisitos a serem cumpridos pelas entidades beneficentes de assistência social a fim de que sejam certificadas e façam jus à isenção das contribuições para a seguridade social. No casos das entidades que atuam na área de assistência social, a certificação é de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) e, conforme identificado pela fiscalização, a recorrente não possui referido certificado. Dessa forma, ainda que aplicasse integralmente a totalidade de seus recursos na prestação de serviços na área social em caráter filantrópico, e fizesse jus à isenção do IRPJ e CSLL prevista no § 1º do art. 15, da Lei nº 9.532/97, não faria jus à isenção das contribuições para a seguridade social por não possuir o CEBAS Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social. A fiscalização identificou o pagamento efetuado pela recorrente relativo a duas notas fiscais no valor de R$ 10.000,00 cada, escrituradas a título de honorários advocatícios, cujo tomador de serviços era a Agropecuária Capemi Ind. e Com. Ltda CNPJ: 09.152.557/000112. No recurso voluntário apresentado, a Capemisa Instituto de Ação Social informa que o fato de ter constado a Agropecuária Capemi Ind e Com Ltda como tomadora dos serviços decorreu de equívoco do prestador, pois correspondem a despesas com ações remanescentes contra a falida Agropecuária que a Capemisa precisa acompanhar, incorrendo em despesas com advogados.Acrescenta que o valor representa apenas 1,43% do total dos honorários advocatícios pagos (R$ 1.394.312,01) e 0,044% do total de despesas do período (R$ 44.995.241,97), não sendo razoável entender que esse equívoco seja suficiente para configurar a não aplicação dos seus recursos nos seus objetivos sociais. Apesar de afirmar ter ocorrido um equívoco por parte do prestador na emissão dos documentos fiscais, a própria recorrente admite que os honorários referemse a despesas advocatícias decorrentes de ações judiciais contra a massa falida de outra organização do grupo, posteriormente transferidas para a Capemisa Instituto de Ação Social. Com relação à representatividade dos valores sobre o total de despesas do período, o fato é que foram aplicados recursos em atividades estranhas ao objeto social da entidade, caracterizando assim um descumprimento dos requisitos básicos para o benefício fiscal. A recorrente questiona a decisão recorrida quando esta afirma que "Os resultados (positivos ou negativos), nas controladas da CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL, CNPJ 33.287.319/000107, são desta, e por ela devem transitar, serem tributados, para, ao fim, lucros ou prejuízos, se decididos pela CAPEMISA INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL, CNPJ 33.287.319/0001 07, serem utilizados em sua missão de filantropia, beneficência e atividades sociais." Alega que tal assertiva não se presta a confirmar a acusação fiscal que motivou a suspensão da isenção e, ainda que se a Capemisa Social não fosse isenta, tais resultados não seriam nela tributados pois a distribuição de lucros por coligadas ou controladas são registrados como diminuição do valor do investimento e não influenciam as contas de resultado, assim como, os lucros ou dividendos pagos não integram a base de cálculo do IRPJ. De fato, os resultados positivos auferidos em participações avaliadas pelo método de equivalência patrimonial, como é o caso dos investimentos em coligadas ou controladas, apesar de integrarem o lucro líquido, serão excluídos da apuração do lucro real, conforme dispõe o art. 10 da Lei nº 9.249/95: Art. 10 Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.643 25 lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Entretanto, o fato de serem excluídos da apuração do lucro real, não é hábil a descaracterizar a constatação da fiscalização de que houve a aplicação de recursos em participações societárias com fins lucrativos, sem qualquer correlação com seu objeto social. A recorrente alega que não faz parte da acusação fiscal que motivou a suspensão, a afirmação do acórdão a quo de que "As fotos apresentadas pela recorrente, como demonstradoras da destinação dos recursos, não comprovam que os recursos foram oriundos da fiscalizada, nem que foram aplicados nas entidades cujas descrições foram apostas aos Autos do presente processo." Aduz que a autoridade fiscal não questionou a aplicação dos recursos naquelas entidades, e que a fiscalização apenas identificou a inexistência de processo para renovação e concessão de certificação de entidades beneficentes de assistência social (CEBAS), entretanto, tal certificado não é requisito que habilite a entidade filantrópica a receber recursos. Assiste razão à recorrente ao afirmar que não faz parte da acusação fiscal a falta de aplicação dos recursos nas entidades conveniadas, pois a fiscalização não questionou a aplicação desses valores. Dessa forma, entendo desnecessária para a solução da lide a análise, mediante diligência, das cópias dos contratos firmados com as entidades conveniadas e dos comprovantes de transferências realizadas anexados ao presente recurso, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." Consta ainda do acórdão recorrido que a aplicação dos recursos nos objetivos sociais deve ser lastreada em documentação hábil e idônea que comprove a efetividade das operações, da origem dos recursos até sua aplicação, com emissão de documento fiscal, se for o caso, e o efetivo pagamento das despesas. Para a recorrente, essa exigência não tem nenhuma relação com os fatos indicados pela autoridade fiscal como motivadores da suspensão da isenção, não se prestando para motivar a decisão de suspensão. Diversamente do alegado pela recorrente, a comprovação da aplicação dos recursos nos objetivos sociais das entidades isentas de IRPJ e CSLL tem sim relação com os fatos indicados pela autoridade fiscal como motivadores da suspensão, pois foi justamente por não ter feito referida comprovação, que fiscalização identificou a não aplicação integral dos recursos da recorrente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. Diante de todo o exposto, e considerando, principalmente, que a recorrente: Aplicou a quase totalidade de seus bens e direitos em participações societárias com fins lucrativos, sem qualquer correlação com suas finalidades ou objeto social; Destinou recursos para a realização de contratos de mútuo com o Lar Fabiano de Cristo, desviandose do seu objeto social que é a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico; Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.644 26 Efetuou o pagamento de honorários advocatícios decorrentes de ações judiciais contra a massa falida da Agropecuária Capemi Ind. Com. Ltda, outra empresa do grupo com fins lucrativos e atividades estranhas ao objeto social da entidade; restou comprovado que a recorrente não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, o que caracteriza descumprimento do requisito básico de que trata a alínea "b", do § 2º do art. 15 da Lei nº 9.532/97. Dessa forma, voto por julgar procedente a suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório nº 17, de 21/02/14, publicada no DOU nº 40, de 26/02/14. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Tendo em vista que fui vencida na questão relativa à suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL, deixo de me manifestar acerca dos autos de infração. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário para considerar procedente a suspensão da isenção do IRPJ e CSLL. Como fui vencida na matéria relativa à suspensão de isenção, deixo de me manifestar acerca dos autos de infração. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.645 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator designado Em que pese a clareza do voto da ilustre relatora, divirjo quanto a manutenção da suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório nº 17, de 21/02/14, a qual, se cancelada, prejudica a matéria atinente aos autos de infração. A suspensão da imunidade e da isenção do IRPJ e CSLL, respectivamente, em análise foi motivada pelo descumprimento do requisito básico de não aplicar integralmente os recursos obtidos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, consoante o disposto no art. 12, alínea "b", do § 2º e § 3º do art. 15 da Lei nº 9.532/97. Desse modo, para solucionar a lide, cumpre verificar se a contribuinte atendeu ao requisito da aplicação dos recursos obtidos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais para fazer jus à imunidade e isenção pretendida. Apenas a título de esclarecimento coloco aqui os termos imunidade e isenção, pois tecnicamente quando se fala em Impostos devese usar o termo imunidade, já que tal instituto decorre do próprio texto de nossa Carta Magna, já a expressão isenção deve ser alcunhada quando se faz referência à Contribuições e Taxas, vez que tal benefício decorre de textos de leis infraconstitucionais. Vejamos o cerne da questão tratada no voto condutor. O voto condutor, ao enfrentar a questão posta, entendeu que a contribuinte não faz jus a tal benefício, pois teria aplicado praticamente quase totalidade de seus recursos em capitais de risco em participações societárias com fins lucrativos, quando em verdade, tais recursos deveriam estar voltados à consecução dos objetivos sociais Verificou que no Estatuto Social vigente até 31/03/2010, quanto no vigente após 01/04/2010, não consta dentre as finalidades e objetivos da Capemisa Instituto de Ação Social, a geração de recursos a serem aplicados em atividades filantrópicas/beneficentes/assistenciais no anocalendário de 2010: Ressaltando que, como bem apontado pela decisão recorrida, a participação em sociedades como forma de obtenção de recursos deve guardar correlação com a finalidade descrita no objeto social da Capemisa Instituto de Ação Social, devendo ser feita em sociedades que tenham por objeto a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico. Ademais, pontuou que objeto social da recorrente é a prestação de serviços na área social em caráter filantrópico e, o fato de utilizarse do Lar Fabiano de Cristo e de outras associações que tenham objetivo filantrópico semelhantes aos dela, para realização de suas atividades, não tem o condão de acrescentar a seus objetivos sociais a participação em sociedades com fins lucrativos para obtenção de recursos a serem repassados a essas entidades. Nessa linha, frisou que a contribuinte efetuou o pagamento de honorários advocatícios decorrentes de ações judiciais contra a massa falida da Agropecuária Capemi Ind. Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.646 28 Com. Ltda, outra empresa do grupo com fins lucrativos e atividades estranhas ao objeto social da entidade. Dessa forma, concluiu que ao destinar recursos para a realização de contratos de mútuo com o Lar Fabiano de Cristo ou efetuar os referidos pagamentos de honorários advocatícios, desviase do seu objeto social que é a prestação de serviços na área social, em caráter filantrópico. Pelos motivos relacionados acima, o voto condutor entendeu que restou comprovado que a Recorrente não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, o que caracteriza descumprimento do requisito básico de que trata a alínea "b", do § 2º do art. 15 da Lei nº 9.532/97. Assim, entendeu pela manutenção da suspensão do benefício em comento. No entanto, com a devida vênia, entendo que não restou comprovado nos autos que o contribuinte não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, nem que este tenha aplicado seus recursos em atividade com fins lucrativos, Senão vejamos: Contra os argumentos que nortearam a fiscalização a Recorrente os rebate alegando, em síntese, que desde sua origem, primeiro sem personalidade jurídica dentro do Lar Fabiano de Cristo, depois como entidade de previdência complementar sem fins lucrativos e agora como associação civil sem fins lucrativos, foi instituída para gerar recursos a serem aplicados em atividades filantrópicas/beneficentes/assistenciais e seu objetivo é, e sempre foi, prover recursos a entidades que atuam nas áreas de assistência social, beneficência e filantropia. Com efeito, entendo que para acusar a entidade de não aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, é preciso provar que seus recursos não foram integralmente aplicados: (i) ou em fontes geradoras de rendas para serem aplicadas, por meio de outras entidades sem fins lucrativos, em atividades de assistência social latu sensu, (ii) ou que as entidades a quem ela destinou recursos não eram entidades sem fins lucrativos para a prática de atividades filantrópicas/beneficentes, o que não restou provado nos autos. Ainda, com relação a Capemisa Seguro de Vida e Previdência estaria comprovada pela simples análise dos estatutos juntados à Impugnação, mostrando a evolução das entidades, ou seja: (i) inicialmente, Caixa de Pecúlios, desenvolvendo atividade de previdência complementar para obter recursos para aplicar em atividade beneficente, principalmente através do Lar Fabiano de Cristo, do qual foi desmembrada; (ii) depois, cindida para destinar a carteira relativa a atividade de previdência complementar, e o patrimônio a ela ligado, para uma S/A, sua controlada absoluta (99,96%), para exercer essa atividade com fins lucrativos e destinar integralmente o resultado obtido, após pagar os tributos sobre eles incidentes, ao Instituto de Ação Social, do qual foi cindida, para serem aplicados exclusivamente nas atividades de assistência social e filantropia. Adiante juntou aos autos os Estatutos Sociais da Capemisa Instituto de Ação Social, aprovados pelas assembléias de 18/09/1979, 18/12/2007 e 31/03/2010. Consta do Estatuto de 18/09/1979, que a então denominada Capemi Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente teve como origem o desmembramento do Lar Fabiano de Cristo e Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 12448.729562/201391 Acórdão n.º 1301002.273 S1C3T1 Fl. 2.647 29 exercia atividades de beneficência, filantropia e previdência entre os participantes de seus planos de benefícios, todas sem fins lucrativos. Ademais, com relação a Capemisa Instituto de Ação Social cita o § 2º do art. 3º do Estatuto Social, o qual prevê que as atividades beneficentes seriam desempenhadas por ela ou por entidades a ela ligadas, e que esse fato não caracteriza que os recursos não foram empregados no seu objeto social. Afirma que a inexistência de CEBAS não tem influência em sua isenção por estar fundamentada no art. 15 da Lei nº 9.532/97 e, relativamente às entidades conveniadas, portadoras ou não de CEBAS, elas têm atuação efetiva na área social Defende que o fato de existirem, em ambos Estatutos Sociais vigentes no anocalendário de 2010, a previsão de participação em sociedades como forma de obtenção de recursos a serem aplicados em suas atividades, não significa que este seja um dos objetivos da associação: Dessa forma, a Recorrente entendeu que a fiscalização não logrou êxito ao comprovar que seus recursos não foram integralmente aplicados na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. Isso porque, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, “o ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu,quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Assim, como a decisão recorrida não desconstituiu as razões de defesa, as quais deveriam ter sido enfrentadas uma a uma, a qual na prática apenas se limitou a uma abordagem superficial, isto é, sem nenhuma base fática ou jurídica, não deve prosperar a suspensão da isenção veiculada pelo Ato Declaratório nº 17, de 21/02/2014. Conforme o exposto, entendo que a suspensão da referida isenção não deve, como pretendeu a fiscalização, prevalecer, uma vez que não há elementos suficientes nos autos que comprovem que a Recorrente aplicou seus recursos em outras finalidade, que não a manutenção e desenvolvimento de seu objeto social. Assim, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a suspensão da isenção em comento, restando, por sua vez, prejudicada a matéria atinente aos autos de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 2647DF CARF MF
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