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Numero do processo: 10073.721397/2016-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. JUSTIFICAÇÃO POR DEPENDÊNCIA DE CURATELA. COMPROVANTES VÁLIDOS.
Recibos ou notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas de paciente curatelado não se sustenta legalmente. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
DEPENDÊNCIA POR CURATELA. CERTIDÃO DEFINITIVA E ATESTADO MÉDICO.
Certidão de Curatela definitiva expedida pelo Poder Judiciário faz reconhecer o direito do benefício fiscal. Atestado médico apresentado comprova a situação de saúde da paciente curatelada. Comprovação realizada.
Numero da decisão: 2001-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções no montante de R$ 9.661,26.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. JUSTIFICAÇÃO POR DEPENDÊNCIA DE CURATELA. COMPROVANTES VÁLIDOS. Recibos ou notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas de paciente curatelado não se sustenta legalmente. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEPENDÊNCIA POR CURATELA. CERTIDÃO DEFINITIVA E ATESTADO MÉDICO. Certidão de Curatela definitiva expedida pelo Poder Judiciário faz reconhecer o direito do benefício fiscal. Atestado médico apresentado comprova a situação de saúde da paciente curatelada. Comprovação realizada.
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DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. JUSTIFICAÇÃO POR DEPENDÊNCIA DE CURATELA. COMPROVANTES VÁLIDOS. Recibos ou notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas de paciente curatelado não se sustenta legalmente. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEPENDÊNCIA POR CURATELA. CERTIDÃO DEFINITIVA E ATESTADO MÉDICO. Certidão de Curatela definitiva expedida pelo Poder Judiciário faz reconhecer o direito do benefício fiscal. Atestado médico apresentado comprova a situação de saúde da paciente curatelada. Comprovação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções no montante de R$ 9.661,26. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 13 97 /2 01 6- 42 Fl. 99DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente parcialmente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas e dependência de curatelada. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte, como redução do imposto a restituir o valor de R$ 4.883,80, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao ano calendário de 2013. O fundamento base do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação suplementar da certidão de curatela da dependente, uma vez constante da declaração de ajuste anual da Recorrente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à necessidade da apresentação de laudo médico ou outra supletiva comprovação, por julgar insuficiente a certidão apresentada como prova, nos termos em que descreve a seguir: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação que contestou a Notificação de Lançamento, ora em apreço, para: 1 eximir o(a) contribuinte do pagamento do IRPF no valor de R$ 1.633,50, bem como de seus respectivos acréscimos legais; 2 exigir do(a) contribuinte o pagamento do IRPF no valor de R$ 3.250,30, sujeito à multa de ofício de 75% (passível de redução) e aos juros de mora, atualizados até a data do efetivo recolhimento. Vencido o julgador Gabriel Fajardo Barbosa, por entender que a Certidão de Curatela apresentada seria suficiente para comprovar a relação de dependência. (...) No tocante à dedução a título de dependentes, assim dispõe o art. 77 do RIR/99: "Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10073.721397/201642 Acórdão n.º 2001000.359 S2C0T1 Fl. 100 3 § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): ... III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho;..." Na DIRPF revisada, a contribuinte informou sua filha Viviane Pires Machado como dependente, sob o código 23 Filho(a) ou enteado(a) em qualquer idade, quando incapacitado física e/ou mentalmente para o trabalho, tendo apresentado como documento comprobatório da condição de dependência a Certidão de Curatela de fl. 40. Na fase impugnatória, não foi apresentado nenhum elemento/documento adicional que comprovasse a incapacidade física e/ou mental para o trabalho de sua filha, ou seja, a notificada não logrou êxito em afastar a motivação do lançamento. No caso presente, fazse necessário conhecer o motivo pelo qual foi concedida a curatela, para que seja possível avaliar a questão da relação de dependência para fins tributários. Correto, pois, o trabalho fiscal, mantendose a glosa de R$ 2.063,64. Quanto à dedução a título de despesas médicas, reza o art. 80 do RIR/99 que: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 101DF CARF MF 4 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Conforme se depreende do dispositivo legal transcrito, cabe ao beneficiário das deduções apresentar documentos de que realmente efetuou o pagamento no valor pleiteado como despesa, bem assim provar a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Quanto a gastos efetuados com profissionais da área de saúde (pessoas físicas ou jurídicas), bem como aqueles relativos a planos de saúde, pleiteados como dedução na DIRPF, cabe dizer que, em princípio, admitese como prova de pagamentos os documentos por eles fornecidos, desde que neles constem os requisitos estabelecidos pelo no art. 80, §1º incisos II e III, do RIR/1999, anteriormente transcrito. (...) No caso em análise, a contribuinte informou as despesas médicas com Aline C. Calassa Teodósio (R$ 280,00), Patrícia O. Garcia Pontes (R$ 5.000,00) e Unimed Volta Redonda (R$ 2.317,62) como gastos relativos à filha Viviane Pires Machado (vide fl. 67). A glosa dessas despesas foi motivada pela desconsideração dessa filha como dependente. Nesse voto, a desconsideração da relação de dependência foi mantida e, por consequência, deve ser mantida a glosa das despesas médicas, no montante de R$ 7.597,62, conforme efetuado pela autoridade fiscal, uma vez que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e com dependentes para fins tributários. As glosas referentes à Associação de Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda (AAPVR) e à Santa Casa de Misericórdia de Santa Rita de Jacutinga foram motivadas pela ausência de comprovantes. Na fase impugnatória, a contribuinte apresentou as declarações de fls 43/44, emitidas pela AAPVR. Ocorre que o pagamento de mensalidades e sessões de pilates e de hidroginástica à citada Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10073.721397/201642 Acórdão n.º 2001000.359 S2C0T1 Fl. 101 5 associação, que tem como ramo principal "CNAE 9430800 Atividades de associações de defesa dos direitos sociais"1, não se enquadra no conceito de despesas médicas previsto no art. 80 já transcrito e, portanto, não são dedutíveis da base de cálculo do IR. Mantémse a glosa de R$ 1.158,00. No mesmo compasso, também não se pode admitir como dedutível a importância de R$ 1.000,00, constante da Nota Fiscal de fl. 38, emitida pela citada Santa Casa, referente à doação, por não se enquadrar no conceito de despesas médicas. Mantémse, pois, a glosa. Por outro lado, deve ser restabelecido o montante de R$ 5.940,00, conforme pleiteado, uma vez que os recibos de fls. 45 a 50, ora apresentados, emitidos pela fisioterapeuta Mila Guedes de Souza, contêm o endereço da profissional, sendo hábeis a afastar a motivação do lançamento. Não havendo notícia nos presentes autos de que o autuante tenha envidado maiores esforços no sentido de que fosse comprovada pelo(a) declarante a efetividade da realização das despesas médicas por ele(a) pleiteadas como dedução e, em especial, a efetividade dos pagamentos realizados, o montante de R$ 5.940,00 deverá ser restabelecido como dedução. Consequentemente, cabe eximir a contribuinte do recolhimento do imposto suplementar, no valor de R$ 1.633,50 (= 0,275 x 5.940,00), bem como de seus respectivos acréscimos legais. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela procedência parcial da impugnação para manter a dedutibilidade das despesas no valor de R$ 5.940,00, eximindo a parcela de R$ 1.633,50 do crédito tributário antes exigido. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 103DF CARF MF 6 (...) (...) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10073.721397/201642 Acórdão n.º 2001000.359 S2C0T1 Fl. 102 7 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza de comprovação material frente à exigência da legislação tributária no que respeita ao fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim Fl. 105DF CARF MF 8 entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10073.721397/201642 Acórdão n.º 2001000.359 S2C0T1 Fl. 103 9 O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Fl. 107DF CARF MF 10 Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea, com exceção ditada pela lei tributária, neste caso, em que exige o laudo médico para a indicação da necessidade da utilização da prótese ortopédica. Foram anexados ao processo, em complementação, documentos que suprem as exigências da autoridade autuante, notadamente no que se refere à comprovação de dependência para efeitos fiscais pela certidão de nascimento de Viviane Pires Machado (fl. 93) e atestado médico da situação especial referente à saúde da filha (fl. 95), que inspira cuidados permanentes, motivo da curatela. Consta dos autos também a Certidão de Curatela Definitiva da dependente emitida pelo Cartório da 2ª Vara de Família da Comarca de Volta Redonda do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (fl. 94). Assim, no exame da documentação acostada ao processo verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória estipulada em lei para a comprovação da despesa e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Todavia, deve excluise das deduções os valores referentes à contribuição para Associação dos Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda (R$ 1.158,00) e doação para Santa Casa de Misericórdia de Santa Rita de Jacutinga (R$ 1.000,00), porque sem amparo legal, o que resultará mantido do crédito lançado a importância de R$ 593,45. Em razão da comprovação de dependência da filha da contribuinte ficam restabelecidas as despesas médicas das profissionais, Aline C. Calassa Teodósio (R$ 280,00), Patrícia O. Garcia Pontes (R$ 5.000,00) e Unimed Volta Redonda (R$ 2.317,62) como gastos relativos à filha Viviane Pires Machado. Restabelecida, portanto, a dedutibilidade das despesas médicas, no total de R$ 7.597,62, mais a dedução por depende no valor de R$ 2.063,64, pela comprovação de dependência da filha, mediante Certidão de Curatela expedida por órgão oficial. Assim, o montante de despesas restabelecidas é de R$ 9.661,26, correspondendo a uma exclusão do crédito lançado de R$ 2.656,85. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para manter as dedutibilidades com a dependente comprovada, no total de R$ 9.661,26, procedendose, por consequência, a exclusão de R$ 2.656,85, do imposto lançado. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10073.721397/201642 Acórdão n.º 2001000.359 S2C0T1 Fl. 104 11 Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.724450/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
COMPETÊNCIA DA DRJ. ÂMBITO NACIONAL.
As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional.
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. CARÁTER INQUISITÓRIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal. Eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
OMISSÃO DO JULGADO QUANTO A PONTO TRAZIDO NA DEFESA. OFENSA AO CONTRADITÓRIO. NÃO OCORRÊNCIA.
O relatório da decisão não pode ignorar os argumentos trazidos pela parte, no entanto isso não significa que o julgador esteja obrigado a, necessariamente, rebater cada uma das teses da defesa. A interpretação conjunta dos artigos 31 e 59 do Decreto 70.235/1972 revela que a omissão do julgador sobre fundamento trazido pela parte apenas é relevante quando resulta em afronta ao contraditório. Não ocorre tal afronta no caso de acolhimento de tese que, lógica ou juridicamente, prejudica a análise das demais.
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário decai em cinco anos, contados: da data da ocorrência do fato gerador, se houve declaração ou pagamento espontâneo, ou então do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DESPESA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Para se comprovar uma despesa, de sorte que ela se apresente dedutível em face da base de cálculo de determinado tributo, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve desembolso: é indispensável demonstrar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, que é justamente o fato que torna o pagamento devido.
LUCRO REAL. AJUSTE. AÇÃO FISCAL.
A retificação, em momento posterior à ação fiscal, do lucro apurado em livro contábil é elemento neutro para a avaliação da procedência ou não do lançamento impugnado.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE.
A escrituração faz prova em favor do sujeito passivo apenas quando acompanhada dos documentos que embasaram os lançamentos nela contidos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DOS RESPONSÁVEIS DO POLO PASSIVO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. POSTERIOR COBRANÇA JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
O fato de os responsáveis serem excluídos do polo passivo da obrigação em sede de processo administrativo implica que eles não poderão constar da Certidão de Dívida Ativa - CDA a ser ao final extraída, mas não significa que tais pessoas restem permanentemente salvos de uma futura cobrança do tributo. Caso a PFN reúna provas de que as pessoas praticaram atos capazes de implicar sua responsabilização, esta poderá pleitear perante o Judiciário o reconhecimento da aplicação, ao caso, das normas acerca da responsabilidade previstas no Código Tributário Nacional - CTN.
MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. GLOSA DE DESPESAS.
Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo no procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso.
JUROS SOBRE MULTAS. É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, as quais integram o crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários da contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários,vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga que dava provimento ao recurso voluntário tão somente em relação aos juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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RESPONSABILIDADE. Recorrentes INFINITY BIOENERGY BRASIL PARTICIPACOES S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 COMPETÊNCIA DA DRJ. ÂMBITO NACIONAL. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional. VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. CARÁTER INQUISITÓRIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal. Eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. OMISSÃO DO JULGADO QUANTO A PONTO TRAZIDO NA DEFESA. OFENSA AO CONTRADITÓRIO. NÃO OCORRÊNCIA. O relatório da decisão não pode ignorar os argumentos trazidos pela parte, no entanto isso não significa que o julgador esteja obrigado a, necessariamente, rebater cada uma das teses da defesa. A interpretação conjunta dos artigos 31 e 59 do Decreto 70.235/1972 revela que a omissão do julgador sobre fundamento trazido pela parte apenas é relevante quando resulta em afronta ao contraditório. Não ocorre tal afronta no caso de acolhimento de tese que, lógica ou juridicamente, prejudica a análise das demais. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário decai em cinco anos, contados: da data da ocorrência do fato gerador, se houve declaração ou pagamento espontâneo, ou então do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DESPESA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 44 50 /2 01 4- 15 Fl. 3483DF CARF MF 2 Para se comprovar uma despesa, de sorte que ela se apresente dedutível em face da base de cálculo de determinado tributo, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve desembolso: é indispensável demonstrar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, que é justamente o fato que torna o pagamento devido. LUCRO REAL. AJUSTE. AÇÃO FISCAL. A retificação, em momento posterior à ação fiscal, do lucro apurado em livro contábil é elemento neutro para a avaliação da procedência ou não do lançamento impugnado. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. A escrituração faz prova em favor do sujeito passivo apenas quando acompanhada dos documentos que embasaram os lançamentos nela contidos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DOS RESPONSÁVEIS DO POLO PASSIVO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. POSTERIOR COBRANÇA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. O fato de os responsáveis serem excluídos do polo passivo da obrigação em sede de processo administrativo implica que eles não poderão constar da Certidão de Dívida Ativa CDA a ser ao final extraída, mas não significa que tais pessoas restem permanentemente salvos de uma futura cobrança do tributo. Caso a PFN reúna provas de que as pessoas praticaram atos capazes de implicar sua responsabilização, esta poderá pleitear perante o Judiciário o reconhecimento da aplicação, ao caso, das normas acerca da responsabilidade previstas no Código Tributário Nacional CTN. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. GLOSA DE DESPESAS. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo no procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. JUROS SOBRE MULTAS. É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, as quais integram o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários da contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários,vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga que dava provimento ao recurso voluntário tão somente em relação aos juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.844 3 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao anocalendário de 2009, em razão das seguintes supostas infrações: Fl. 3485DF CARF MF 4 O relatório da decisão recorrida assim descreve os argumentos das impugnações e o desenvolver do processo administrativo: Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência em 28/10/2014 (fls. 393), a interessada interpôs, no dia 24 do mês seguinte, a impugnação de fls. 419 e ss, alegando, em síntese: que foi desrespeitado o MPF da ação fiscal, que outorgava poderes a dois auditores e dizia respeito a IRPJ, não podendo, por conseguinte, os autos de infração serem assinados por somente uma autoridade fiscal e nem contemplar lançamento de CSLL, razão pela qual são nulos (Portaria RFB nº 3.014/2011, artigo 7º); que os autos de infração também são nulos em razão da inexistência de MPF e de intimações para os responsáveis solidários (CTN, artigo 121, I e II; Portaria RFB nº 3.014/2011, artigos 2º, I, e 3º, I, que teria revogado “por incompatibilidade” a Portaria RFB nº 2.284/2010, artigo 2º, § 2º); Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.845 5 que os autos de infração também são nulos em razão da perda de eficácia do termo de intimação fiscal nº 2 e da nulidade dos termos de intimação seguintes, posto que foram lavrados distando mais de sessenta dias daquele (Decreto nº 70.235/1972, artigo 7º, § 2º); que, antes da lavratura dos autos de infração, apresentou vários documentos, e, especificamente sobre o ágio, informou ter sido adicionado ao lucro, gerando um efeito tributável igual a zero. Em seu entender, contudo, a fiscalização desconsiderou todos esses dados ao formular o lançamento. Por essa razão, os autos de infração seriam nulos por falta de “fundamentação e motivação jurídica e fática necessárias” (CF, artigos 5º, II, e 37, caput; CTN, artigos 3º, 142 e 144); que, a sobredita não manifestação da fiscalização sobre os documentos apresentados também ensejam a nulidade dos autos de infração por cerceamento ao direito de defesa; que, também pela inexistência de “indicações dos fundamentos fáticos para a aplicação das Multas de 112,5% e 225%”, o lançamento é nulo; que, “a partir do momento em que a empresa apresenta no curso da fiscalização elementos comprobatórios da inexistência de motivos para a realização do lançamento, compete a (sic) fiscalização dar continuidade a (sic) fiscalização ou provar no auto de infração não serem tais elementos capazes de afastar a exigência fiscal, algo que no caso tratado nestes autos não exitiu”, o que seria razão de nulidade para o lançamento; que, com relação ao ágio, “a fiscalização desconsiderou a realidade dos fatos e exigiu tributo sobre algo inexistente”, o que seria o caso de “erros de direito e de fato motivadores da improcedência da autuação”; que há, também, nulidade “porque a impugnante não foi intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória os (sic) trabalhos fiscais”, no prazo de dez dias (Lei nº 9.784/99, artigo 44); que ocorreu um arbitramento irregular, “uma vez que a fiscalização desconsiderou na apuração do crédito tributário a necessária verificação dos elementos necessários para se apurar a existência do tributo devido como os documentos apresentados, o fato de ter sido o ágio adicionado ao lucro e outras questões” (CTN, artigo 148; RIR/99, artigo 928); que, do total de despesas com serviço, no montante de R$ 8.938.986,08, apresenta, com a impugnação, comprovantes que somam R$ 3.055.154,42, acompanhados de contratos de prestação dos serviços. E “o valor residual de R$ 5.883.831,66, cujos documentos estão sendo levantados pela impunante, foi adicionado no cálculo do LALUR (...) não gerando qualquer efeito tributário”; que as irregulares exclusões do lucro, tipificadas na infração nº 003, são, em verdade: reversões dos saldos de provisões (R$ 6.460.379,49) e variação cambial ativa diferida (R$ 108.315.857,27) (RIR/99, artigo 377; Lei nº 9.249/1995, artigo 13, I; Lei nº 9.430/1996, artigo 14); que “os autos de infração também merecem ser cancelados porque jamais poderiam ter sido exigidas quaisquer penalidades da impugnante porque está no estado de espontaneidade” (súmula CARF nº 75); que a multa de 112,5% não encontra respaldo na falta de atendimento aos “pedidos da fiscalização”, como comprovam os documentos anexos; Fl. 3487DF CARF MF 6 que a multa de 225% “não pode ser aplicada porque não estão presentes nenhuma das hipóteses capituladas no inciso I, do caput do artigo 44 e no seu § 1º [Lei nº 9.430/1996], especialmente quanto a este, que deixou de ter qualquer eficácia porque os seus incisos foram revogados”, ademais “nunca existiu por parte da impugnante qualquer ato passível de ser considerado sonegação, fraude ou conluio” (Lei nº 9.430/1996, artigo 44; Lei nº 4.502/1964, artigos 71 a 73); que não cabe a exigência de juros de mora sobre a multa (CF, artigo 146, III, “b”; CTN, artigo 61, caput). Culmina a peça de defesa com os seguintes pedidos: que seja dado provimento à impugnação; que, caso os autos de infração não sejam cancelados integralmente, os valores de IRPJ e CSLL sejam reduzidos para R$ 738.156,37 e R$ 274.376,29, conforme demonstrativo apresentado no corpo da impugnação, e a a multa de ofício seja calculada à razão de 75%; que o patrono seja intimado previamente da sessão de julgamento. Impugnação de Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin, Natalino Bertin, Reinaldo Bertin; Mário Henrique Frare Bertin às fls. 1.256 e ss, com os seguintes argumentos: que o conselho de Administração da interessada foi extinto em AGE realizada em 23/12/2008 e recriado em 04/03/2010, noutra AGE. Assim, no intervado entre essas datas, a interessada apenas uma Diretoria; que, “considerando o conteúdo do termo de sujeição passiva solidária, os impugnantes foram incluídos porque não teriam atendido às intimações encaminhadas pela fiscalização em relação a tributos com fatos geradores ocorridos no ano de 2009 antes de seu ingresso no Conselho de Administração”, com fulcro no CTN, artigo 124, II; que os impunnates só participaram do Conselho de Administração a partir de 2010, ainda assim sem competência para fornecerem documentos, e que “nunca a RFB solicito (sic) aos impugnantes documentos da empresa porque todas as solicitações foram no sentido de intimar apenas a Infinity a apresentar documentos”; que o atendimento à fiscalização, conforme o próprio termo de verificação fiscal, teria sido efetuado pelos senhores Eric Fonseca Hintze dos Santos e Luiz Antônio Carnielli, diretores da interessada à época da ação fiscal, e por procuradores por eles nomeados; que inexistiu MPF específico para os impugnantes (CTN, artigo 121, II; Portaria RFB nº 3.014/2011, artigos 2º, I, e 3º, I); que contra os impugnantes não foi iniciado qualquer procedimento fiscal envolvendo as questões indicadas nestes autos, razão pela qual devem ser excluídos do feito (Decreto nº 70.235/1972, artigos 7º, I a III, e 9º; CTN, artigo 142); que a fiscalização não comprovou a prática, por parte dos impugnantes, de atos de intervenção ou omissivos, ou mesmo praticado com excesso de poderes, contrários à lei ou ao estatuto social (CTN, artigos 134 e 135); que a fiscalização não intimou os impugnantes “para suas próprias pessoas cumprirem com determinações fiscais uma vez que apenas a Infinity foi Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.846 7 intimada para dar esse cumprimento”, inclusive com repercução na esfera criminal (Lei nº 8.137/1990, artigo 1º); que não restou comprovado que os impugnantes tenham “assinado quaisquer documentos fiscais, recebido quaisquer benefícios pela falta de pagamento de tributos ou participado de qualquer dos atos de natureza fiscal indicados no termo de verificação de infração fiscal”; que a forma genérica como a imputação da responsabilidade tributária aos impugnantes fora formulada cerceoulhes o direito de defesa, ao não demonstrar quais atos específicos teriam praticado; que “os impugnantes foram incluídos como responsáveis e solidários porque teriam deixado de cumprir as solicitações e intimações realizadas pela fiscalização”, algo que “não possui relação com a infração de deixar de pagar o IRPJ e a CSLL relacionados a fatos geradores ocorridos no ano de 2009”. E se fosse o caso de descumprimento de determinação da Receita Federal, caberia apenas aplicação de multa (Lei nº 12.873/2013, artigo 57 e RIR/99, artigo 968); que os impugnantes não figuravam como membros do conselho de administração no ano de 2009 e que “perante a RFB apenas figuravam como administradores responsáveis pela Infinity os Srs. (sic) Eric Fonseca Hintze dos Santos e Sr. Luiz Antônio Carnielli”. E que, “como se não bastass isto, esta DRJ deve considerar que a situação do conselho de administração de uma empresa em recuperação judicial é diferente porque, no caso, existe um administrador judicial acompanhando a empresa recuperanda. No caso foi nomeada pela Justiça do Estado de São Paulo a Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda”; que “a fiscalização fundamentou a responsabilização dos impugnantes nos artigos 124, II, 134 e 135 do CTN. O artigo 124, inciso II do CTN trata de solidariedade passiva das pessoas expressamente designadas por lei, tendo a fiscalização citado no termo de sujeição passiva solidária os artigos 8º do Decreto Lei nº 1.736/79, 153 da Lei nº 6.404/76 e 1º da Lei nº 8.137/90 como leis de natureza ordinária submetidas aos efeitos dessa disposição legal”, não obstante “essa matéria é privativa de legislação complementar conforme prescreve o artigo 146, inciso III da Constituição Federal de 1988”; que inexiste nexo de causalidade para a responsabilização dos impugnantes no ano de 2009 (CTN, artigos 136 e 137); que a multa qualificada somente pode ser aplicada contra a pessoa jurídica, “não sendo possível aplicar para terceiros sem qualquer relação com os fatos geradores das autuações fiscais”; que “os autos de infração do IRPJ e da CSLL devem ser cancelados totalmente porque nada obstante terem os impugnantes sido intimados dos mesmos no dia 28/11/2014 apurase abrangerem fatos geradores ocorridos antes do dia 28/11/2009” (CTN, artigo 150, § 4º); que “reiteram todos os agrumentos defendidos” pela interessada em sua impugnação. Culmina a peça de defesa com pedidos de: Declaração de decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL; Exclusão da responsabilidade tributária dos impugnantes; Fl. 3489DF CARF MF 8 Caso seja mantida a responsabilidade, sua conseqüência seja apenas a aplicação da multa prevista no artigo 968 do RIR/99. Impugnação de Marie Josefh Jean Gerard Lesur às fls. 2.518 e ss, com farta exposição doutrinária e jurisprudencial, e da qual se extraem, em síntese, os seguintes argumentos: que não procede a informação fiscal, segundo a qual as intimações não foram atendidas, pois, embora o impugnante, quando do início da fiscalização, já não possuísse qualquer vínculo com a interessada, respondeu ao termo de constatação fiscal nº 02, informando tal condição; que “o impugnante não pode ser considerado, para fins de constituição do crédito tributário, com (sic) ‘Administrador’ da empresa Contribuinte (...), porquanto sua função na empresa era de ‘Diretor de Operações’, e como tal, não dispunha de qualquer poder ou ingerência nas áreas fiscal, contábil ou financeira”; que não há interesse comum, entre o impugnante e a interessada, a justificar a solidariedade; que não se comprovou conduta do impugnante com abuso de poderes ou infração à lei ou ao instrumento societário; que a conduta dolosa deveria ter sido apurada em prévio processo, sem o qual é nula a responsabilização tributária no p.p.; Culmina a peça de defesa com pedidos de: Juntada posterior de documentos; Declaração de procedência da impugnação. Impugnação de José Antônio dos Santos Malta às fls. 2.638e ss, com razões de direito similares àquelas contidas na impugnação oferecida por Sérgio Schiller Thompson Flores (fls. 2.688 e ss), que, contestando unicamente a sujeição pasiva solidária, aduziu os seguintes argumentos: que, embora a fiscalização tenha consigando que o impugnante “era sócio e representante da sócia majoritária do Sujeito Passivo à época da ocorrência dos fatos apurados”, “de fato o impugnante era sócio da empresa autuada no ano calendário 2009 e representante legal de sua sócia majoritária, Infinity BioEnergy Ltda (...). Importante ressalva deve ser feita, no entanto, para destacar que o impugnante detinha apenas 1 (uma) cota institucional da empresa autuada, representando, portanto, apenas 0,00001% das ações ordinárias”; que é “essencial a produção de prova de dolo do sujeito, durante o procedimento fiscal, para que haja a responsabilização pelo não pagamento de tributos”; que o não atendimento a intimações “foi a única conduta atribuída diretamente aos responsáveis solidários identificados pela fiscalização”, o que “não configura crime e nem tampouco autoriza a responsabilização de terceiros”; que “o impugnado desligouse da empresa autuada em 2010, pelo que logicamente não tem responsabilidade alguma quanto às intimações não respondidas em 2013 e 2014”; que “o Termo de Verificação Fiscal (fls. 326/354) e o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 369/370) não contêm elementos mínimos de prova e nem mesmo relato detalhadodas alegadas ilegalidades (infração à lei, ao estatuto ou Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.847 9 ação com excesso de poder, nos termos exigidos pelo CTN) cometidas pelo impugnante que justifiquem sua responsabilização (...) Tais omissões da fiscalização, em última análise, representam até mesmo cerceamento ao direito de defesa do impugnante, que desconhece as infrações que lhe são imputadas, sendo obrigado a comparecer aos autos para comprovar o que não ocorreu”. Culmina a peça de defesa com pedidos de cancelamento de ofício do termo de sujeição passiva solidária e de exclusão da responsabilidade do impugnante. Em sessão realizada em 29 de julho de 2016, esta 15ª Turma de Julgamento proferiu a Resolução nº 12000.734, pela qual: Reconheceu a renúncia tácita de José Antônio dos Santos Malta ao julgamento administrativo; Converteu o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem cumprisse a determinação judicial afeta a José Antônio dos Santos Malta e respondesse manifestação de Alberto Mendes Tepedino. Conforme despacho de fls. 3.288 a autoridade autuante efetuou a exclusão de José Antônio dos Santos Malta (fls. 3.272/3.273) e de Alberto Mendes Tepedino (fls. 3.282) do pólo passivo, respectivamente em 08 de setembro 2016 e em 03 de abril de 2017. Em 23 de maio de 2017, os autos retornaram conclusos a esta DRJ (fls. 3.291). É o relatório. Em 31 de agosto de 2017, a DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou as impugnações parcialmente procedentes, para reduzir as multas para 75% e excluir os responsáveis, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INTIMAÇÃO. PATRONO. PARTICIPAÇÃO EM SESSÃO DE JULGAMENTO. Não há previsão legal especí f ica permissiva da part icipação do sujeito passivo ou de seu pat rono nas sessões de julgamento realizadas na primei ra instância de julgamento do contencioso t ributár io federal. Tampouco cabe o direcionamento das int imações de interesse do cont r ibuinte ao seu advogado, posto que o regramento do processo administ rat ivo f iscal determina a real ização de tais comunicações, quando pela via postal, diretamente ao interessado. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. PRECLUSÃO. Em regra, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em out ro momento processual , a menos que f ique demonst rada a impossibil idade de sua apresentação oportuna, por mot ivo de força maior, ref i ra se a fato ou a direito superveniente, ou dest ine se a cont rapor fatos ou razões poster iormente t razidos aos autos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. O MPF é mero instrumento administrativo de controle interno da atividade fiscal, por conseguinte documento sem qualquer feição atribuidora de poderes à autoridade fiscal para a realização do lançamento, prerrogativa funcional Fl. 3491DF CARF MF 10 esta decorrente de lei. Sua não lavratura contra aqueles que, ao cabo da ação fiscal, são arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário não representa violação ao direito ao contraditório e nem à ampla defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo a tributo cuja exigência se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação decai em cinco anos, contados: (a) da data da ocorrência do fato gerador, se houve pagamento espontâneo, ou (b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na ausência de pagamento prévio. DESPESA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Como corolário geral da teoria das provas do direito processual, em processo fiscal predomina o entendimento segundo o qual as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pela Fazenda, enquanto aquelas que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao sujeito passivo. Nesse mister, para se comprovar uma despesa, de sorte que ela se apresente dedutível em face da base de cálculo de determinado tributo, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve desembolso: é indispensável demonstrar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, que é justamente o fato que torna o pagamento devido. DESPESA. DEDUÇÃO. NECESSIDADE. Somente são dedutíveis da tributação as despesas que se mostram indispensáveis à pessoa jurídica, posto que diretamente ligada à atividade econômica que desenvolve. LUCRO REAL. AJUSTE. AÇÃO FISCAL. A retificação, em momento posterior à ação fiscal, do lucro apurado em livro contábil é elemento neutro para a avaliação da procedência ou não do lançamento impugnado. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. A escrituração faz prova em favor do sujeito passivo apenas quando acompanhada dos documentos que embasaram os lançamentos nela contidos. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. O agravamento da penalidade, por falta de atendimento à intimação, para prestar esclarecimentos, tem que se basear em fatos que configurem embaraço à fiscalização, mas em relação aos quais não haja na legislação preceitos próprios para tratamento da falta de colaboração do fiscalizado, na apuração dos tributos e contribuições devidos. A falta de comprovação da legitimidade das deduções realizadas sujeitaram a pessoa jurídica à glosa de custos supostamente incorridos e à exigência do correspondente crédito tributário, não servindo como suporte fático para a aplicação da multa agravada. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Fazse mister afastar a exigência da multa de ofício em sua forma qualificada quando a fiscalização não apresenta motivação para a imposição da penalidade mais gravosa e nem dos autos se colhe elementos fáticos para tanto. Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.848 11 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO. Embora a resposabilidade solidária seja matéria a ser resolvida no âmbito e no ato da execução fiscal, pode a autoridade autante relacionar aqueles que julgar responsáveis já no auto de infração, de sorte a dar amplo espectro aos direitos dos a priori responsabilizados ao contraditório e à ampla defesa, desde que individualiza e detalhe as condutas que elevaram cada um dos responsáveis elencados a tal posição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 15 de setembro de 2017 (fl. 3.359 e 3.361), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de outubro de 2017 (fl. 3.426), alegando, em síntese: nulidade do acórdão por ter sido proferido pela DRJ em Rio de Janeiro (RJ) sem competência para apreciar e julgar a Impugnação Administrativa tendo em vista que a Recorrente possui domicílio fiscal no Município de São Paulo; nulidade do acórdão por não ter apreciado os seguintes argumentos de defesa contidos na impugnação: 1) Nulidade dos Trabalhos fiscais por ofensa ao artigo 7° da Portaria RFB n° 3.074, de 29 de junho de 2011 (o MPFF este outorgou poderes a 2 (dois) AFRFB, não permitindo assim a assinatura dos autos por apenas um auditor, como foi o caso, e também não abrangeu a fiscalização da CSLL); 2) Nulidade dos Trabalhos fiscais por falta do MPF para os responsáveis solidários; 3) Não analisaram com emissão de juízo de valor a nulidade dos Autos de Infração pela inexistência de motivação e fundamentação jurídica considerando os documentos apresentados pela empresa na época da fiscalização e a questão do ÁGIO que não teve qualquer efeito fiscal (Tópico 11.1.4); 4) Não analisaram o argumento envolvendo a nulidade dos autos de infração no artigo 44 da Lei n° 9.784/99 (falta de intimação para se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória os trabalhos fiscais); 5) Nulidade dos Lançamentos por ter sido realizado um arbitramento irregular ofendendo o artigo 148 do CTN; e 6) Ser apenas possível exigir, no máximo, o IRPJ e da CSLL nos valores de R$ 738.156,37 e R$ 274.376,29, respectivamente. vícios no procedimento de fiscalização (apontados acima) e mais (i) falta do MPF para os responsáveis solidários; (ii) Ofensa ao artigo 7°, §2° do Decreto 70.235/72 (ausência de prorrogação do MPF); (iii) diante do recebimento dos documentos solicitados a fiscalização deveria ter intimado a Recorrente para apresentar seus esclarecimentos e eventualmente novos documentos. Fl. 3493DF CARF MF 12 não existiram indicações dos fundamentos fáticos para a aplicação das Multas de 112,5% e 225%. no mérito, defende que: a) apresentou na impugnação documentos (docs 10 a 14) comprobatórios de parte das despesas com serviços, no valor de R$ 3.055.154,42, alegando, ainda, que o valor residual de R$5.883.831,66, cujos documentos estão sendo levantados, foi adicionado no cálculo do LALUR não gerando qualquer efeito tributário. b) em relação aos itens dos autos de infração relacionados ao ágio, a fiscalização desconsiderou a realidade dos fatos e exigiu tributo sobre algo inexistente, já que a Recorrente procedeu a adições ao LALUR que geraram efeito tributário zero. c) as exclusões do lucro líquido objeto do item 3 do auto de infração do IRPJ estão corretas, por se tratar de provisões (Reversões dos saldos de provisões no valor de R$6.460.379,49 e Variação cambial ativa diferida no valor de R$108.315.857,27). "Apenas quanto ao valor de R$ 3.901.128,31 a empresa ressalta ter deixado de excluílo no cálculo do LALUR, gerando um efeito igual a zero e a impossibilidade da exigibilidade do IRPJ e da CSLL". subsidiariamente: apenas poderiam ser admitidos como válidas a exigibilidade do IRPJ e da CSLL nos valores de R$738.156,37 e R$ 274.376,29, respectivamente jamais poderiam ter sido exigidas quaisquer penalidades da Recorrente porque está no estado de espontaneidade nos termos do artigo 70, §2° do Decreto n° 70.235/72 não cabimento de juros de mora sobre a multa de ofício. ao final, alega genericamente decadência dos autos de infração "porque abrangerem Fatos Geradores ocorridos fora do prazo previsto no artigo 150, parágrafo 4° do CTN". Os responsáveis foram intimados nas seguintes datas: Alberto Mendes Tepedino (15/09, AR de fl. 3.372) Fernando Antonio Bertin (27/09, Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo fl. 3.363 abertura do documento em 28/09, fl. 3.365) José Antônio dos Santos Malta (15/09, AR de fl. 3.371) Marie Joseph Jean Gerard Lesur (18/09, AR de fl. 3.370) Mário Henrique Frare Bertin (15/09, AR de fl. 3.367) Natalino Bertin (28/09, Termo de Ciência por Abertura de Mensagem fl. 3.364; 26/09, Termo de Abertura de Documento fl. 3362) Reinaldo Bertin (15/09, AR de fl. 3.369) Sérgio Schiller Thompson Flores (19/09, AR de fl. 3.366) Silmar Roberto Bertin (15/09/14, AR de fl. 3.368) Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.849 13 Em 29 de setembro de 2017 (fl. 3.373), apresentaram recurso voluntário conjunto tempestivo os responsáveis Reinaldo, Silmar, Fernando, Natalino e Mário, especificamente quanto à menção, na decisão recorrida, da possibilidade de a Procuradoria da Fazenda Nacional, em sede de execução fiscal, direcionarlhes a cobrança. Não apresentaram recursos voluntários os responsáveis Alberto, José, Marie e Sérgio. Recebi o processo em distribuição realizada em 13 de abril de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Recursos voluntários Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto deles conheço. Recurso voluntário da contribuinte A contribuinte sustenta primeiramente a nulidade do acórdão por ter sido proferido pela DRJ em Rio de Janeiro (RJ) sem competência para apreciar e julgar a Impugnação Administrativa tendo em vista que possui domicílio fiscal no Município de São Paulo. Alega, que, nos termos do artigo 13, II e III da Lei 9.784/1999, não podem ser objeto de delegação a decisão de recursos administrativos e as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Ocorre que não houve tais delegações. É que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal têm jurisdição nacional e a distribuição dos processos entre elas é atividade de cunho exclusivamente operacional, prestandose apenas a empreender maior eficácia e celeridade ao julgamento administrativo de primeira instância. Por conseqüência, a transferência de processos entre as unidades de julgamento administrativo é mero ato administrativo. Sobre a matéria, diz o Decreto nº 70.235/1972: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 3495DF CARF MF 14 I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] §5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Ao exercer a atribuição prevista no §5o acima transcrito, o Ministro da Fazenda reconheceu a ampla competência territorial das DRJ ao firmar, no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, a caracterização destas unidades de julgamento como órgãos de jurisdição nacional. Vejase, neste sentido, a redação do artigo 277 da Portaria MF 430/2017 (grifamos): Art. 277. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar, depois de instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência de crédito tributário; III relativos à exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a: a) restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de alíquotas de tributos; b) Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (Perc); c) indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Simples Nacional; e d) exclusão do Simples e do Simples Nacional. § 1º Às DRJs compete ainda gerir e executar as atividades de comunicação social, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização e modernização. § 2º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo. § 3º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento ou Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.850 15 reembolso e contra a não homologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ao qual o crédito se refere. No mesmo ato, o Ministro da Fazenda estabeleceu as atribuições do Secretário da Receita Federal do Brasil, dentre as quais destacase estabelecer a área de jurisdição das unidades da RFB (art. 327, XV). E, exercendo esta atribuição, o Secretário da RFB nada mais fez do que reafirmar a jurisdição nacional das Delegacias de Julgamento, ao editar a Portaria RFB 2.231/2017, atribuindo à CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial (Cocaj) a competência para identificar os processos a serem distribuídos às DRJ, de acordo com as prioridades estabelecidas na legislação, a competência por matéria; e a capacidade de julgamento de cada DRJ. Resta claro, portanto, que o Ministro da Fazenda definiu que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal têm jurisdição nacional, e que o julgamento do presente processo pela DRJ/RJ é regular, em observâncias às normas regimentais. Neste contexto, temse por válida a decisão recorrida proferida por uma Turma de Julgamento de uma Delegacia de Julgamento da Receita Federal, independentemente do local onde esta Delegacia de Julgamento se situe. Acrescentese, por fim, que tais órgãos estão definidos no artigo 25 do Decreto 70.235/1972 como de deliberação interna, sem qualquer intervenção presencial do impugnante no julgamento, o que reafirma a irrelevância, para determinação da validade deste, do local onde se processa o julgamento. Assim, nem mesmo sob o ângulo do cerceamento ao direito de defesa se pode cogitar de nulidade. Rejeitase, assim, a arguição de nulidade da decisão recorrida reafirmandose a competência da DRJ no Rio de Janeiro. A Recorrente sustenta também a nulidade do acórdão recorrido por não ter apreciado alguns argumentos de defesa contidos na impugnação. Neste tópico, cumpre a análise da máxima de que o julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela parte. O artigo 31 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a decisão deve conter "relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências." Disso se depreende que o relatório não pode ignorar os argumentos trazidos pela parte, mas tal dispositivo não tem o condão de obrigar o julgador a, necessariamente, rebater cada uma das teses de defesa. É que há casos em que a omissão do julgador sobre fundamento trazido pela parte não resulta em afronta ao contraditório. É o caso, por exemplo, de acolhimento de tese que, lógica ou juridicamente, prejudica a análise das demais. Fl. 3497DF CARF MF 16 Daí porque o citado artigo 31 deve ser analisado em conjunto com o artigo 59, II, do mesmo Decreto 70.235/1972, o qual estabelece que são nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa. Há, basicamente, quatro situações em que se pode dizer que a omissão resulta em afronta ao contraditório: 1 quando o órgão julgador deixa de se manifestar sobre um dos pedidos. 2 quando, acolhendo um pedido, o julgador não se manifesta sobre argumento trazido pela parte contrária que, levado em conta individualmente, seja, em tese, bastante para justificar a rejeição. 3 quando, de outro lado, rejeitando um pedido, o julgador não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seja, em tese, suficiente para justificar o acolhimento. É o que se dá num caso em que o contribuinte aponta diversos motivos independentes para que um auto de infração seja cancelado e o julgador rejeita apenas um deles, sem, porém, examinar todos os motivos apresentados. 4 quando o órgão julgador deixa de se manifestar sobre situação da qual pode – e, portanto, deve – tomar conhecimento de ofício. No caso, entendo que não estamos diante de quaisquer de tais situações. Isso porque a decisão recorrida se manifestou expressamente sobre a inexistência das reputadas nulidades dos trabalhos fiscais ao discorrer sobre o caráter inquisitório da ação fiscal, sobre o fato de o MPF ser mero instrumento administrativo de controle interno da atividade fiscal e sobre a circunstância de que a fase processual, com os deveres de observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, é instaurada apenas com a apresentação de impugnação ao auto de infração (fls. 3.318 e seguintes dos autos). Vale ressaltar que alguns dos itens que a Recorrente defende como supostas causas de nulidade dos trabalhos fiscais resultariam, no máximo, na declaração de improcedência do auto de infração, por se referirem ao mérito da cobrança. Assim, também sobre estes a DRJ se manifestou, em tópico pertinente relativo ao mérito. Do exposto, entendo não estarem presentes as causas de nulidade da decisão recorrida sustentadas pela Recorrente, razão pela qual rejeito tal preliminar. Outrossim, a Recorrente reitera os argumentos da impugnação quanto à nulidade dos trabalhos fiscais. Quanto a estes, considero que a decisão recorrida os rejeitou de forma contundente, razão porque adoto aqui as mesmas razões de decidir ali expostas. De fato, as nulidades do processo administrativo fiscal estão previstas no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e dizem respeito ou à incompetência da autoridade ou, especificamente no caso de despachos e decisões (que não se confundem com o ato final do procedimento de fiscalização, que é o auto de infração), à preterição do direito de defesa. Repitase: por conta do caráter inquisitório da ação fiscal não há que se falar em contraditório ou ampla defesa antes da lavratura do auto de infração. O auto de infração deve ser devidamente fundamentado e conter provas dos fatos que deram ensejo à cobrança, sob pena de improcedência, no entanto, salvo situações específicas expressamente previstas na legislação (como é o caso da comprovação dos métodos relacionados aos preços de Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.851 17 transferência) não há nessa fase qualquer dever de a autoridade fiscal dar fala ao contribuinte antes de documentar a cobrança do tributo. Assim, a autoridade fiscal exerce atividade plenamente vinculada, nos termos do artigo 142 do CTN, devendo lavrar o auto de infração e produzir prova das circunstâncias que a levaram à conclusão pela existência de tributo devido. Não obstante, uma vez que tais provas tenham sido produzidas, a autoridade autuante não está obrigada a franquear ao fiscalizado ou às pessoas que pretende indicar como responsáveis qualquer direito de fala, nem a se manifestar sobre todas as falas e documentos que se lhes apresente. Como visto, as normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal (MPF) dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. Eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN. Portanto, considero não haver vícios na atividade fiscal mesmo em não tendo havido emissão de MPF para os responsáveis solidários (não existe qualquer exigência legal neste sentido), ressaltando que também não houve ofensa ao artigo 7°, §2° do Decreto 70.235/1972. E por não vislumbrar as nulidades do procedimento fiscalizatório apontadas pela Recorrente, oriento meu voto por rejeitar as preliminares suscitadas. Passo ao mérito. Nesse ponto, a Recorrente não traz qualquer argumento que possa infirmar a autuação. Em verdade, limitase a produzir defesa semelhante à apresentada na impugnação, a qual foi validamente rebatida no voto condutor da decisão recorrida, o qual se adota conforme veremos a seguir. Primeiramente, observo que a Recorrente alega genericamente decadência dos autos de infração "porque abrangerem Fatos Geradores ocorridos fora do prazo previsto no artigo 150, parágrafo 4° do CTN". Ora, o lançamento ora impugnado é referente ao anocalendário 2009, e portanto poderia ter sido efetuado, por cinco anos, a partir de 31 de dezembro de 2009 (data do fato gerador). Tendo a ciência ocorrido no decorrer de 2014, revelase não alcançada a decadência alegada pela defesa. Especificamente, os itens do auto de infração foram os seguintes: (0001) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Fl. 3499DF CARF MF 18 (0002) AMORTIZAÇÃO. VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS (0003) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Passo a tratar de cada um deles. Itens 1 e 2 Despesas não necessárias e valores não amortizáveis A fiscalização promoveu a glosa do valor de R$ 10.952.800,40, ao passo que a Recorrente informa ter trazido aos autos, em sede de impugnação, a comprovação de parte dessas despesas, no valor de R$ 3.055.154,42, bem como ter adicionado ao lucro no Lalur outra parte (R$ 5.883.831,66). Sobre tais argumentos, a decisão recorrida observou: A interessada informou, ainda, ter efetuado a comprovação dessas despesas já no curso da ação fiscal, juntando às fls. 518 emails que teria enviado à autoridade autuante com notas fiscais das despesas anexas. De fato, as mensagem eletrônicas existem, mas delas consta resposta do auditor informando pendência no envio da documentação. Às fls. 599, a interessada junta as tais notas fiscais, acompanhadas de contratos que, supostamente, lhes dariam lastro factual. Ocorre que, como a fiscalização já havia assinalado no sobredito email, não há procurações que demonstrem que os signatários, pela interessada, eram seus legítimos procuradores. Em verdade, nem mesmo a identificação dos signatários consta de todos os contratos. E não é só: tratase de diversos e vultosos pagamentos por serviços especializados em relação aos quais a interessada não se interessou em apresentar relatórios ou papéis de trabalho que emprestassem materialidade à efetiva prestação dos serviços. A deficiência na comprovação efetiva da prestação dos serviços permanece, mesmo após a impugnação. É que a interessada limitouse a juntar notas fiscais e contratos, como se não fosse típico no caso dos serviços em questão a produção de extensa documentação de projeto e relatórios capazes de atestar, com firmeza, que os serviços se desenvolveram. No mais, a simples demonstração de pagamento ao terceiro não tem o condão de suprir a dita documentação técnica, sendo insuficiente tão somente para a comprovação o fluxo financeiro, a despeito da oportunidade de a interessada falar nos autos no interregno recursal. Não há, portanto, como declarar comprovadas essa parcela das despesas glosadas. Quanto a outra parcela das despesas, os R$ 5.883.831,66 que a interessada diz ter sido adicionada ao lucro no Lalur. A documentação juntada pela defesa apresenta um Lalur registrado em novembro de 2014, portanto após a ciência do lançamento e sem qualquer efeito para a exclusão da exigência fiscal. O mesmo vale para o ágio indevidamente amortizado e que a interessada alega ter sido adicionado no Lalur. Mantenho, assim, o lançamento quanto à primeira e à segunda infração. De fato, a acusação é de desnecessidade das despesas, de maneira que caberia à Recorrente, além de fazer prova dos documentos que respaldam os pagamentos efetuados, comprovar que eles diziam respeito a sua atividade, sendo necessários usuais e normais. Não havendo tal comprovação, procede a glosa. Quanto à parcela das despesas que a Recorrente diz ter adicionado ao LALUR, observou a decisão recorrida que tal adição ocorreu após o lançamento, de maneira que não é capaz de elidir a cobrança. Pelo contrário, apenas reforça a correção da autuação, na Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.852 19 medida em que coma adição a empresa demonstra concordar com a autuação. E por ter realizado tal conduta após a autuação e ter apresentado recurso, todavia, não se lhe beneficiam os efeitos da espontaneidade. Correta, portanto, a decisão recorrida. Item 3 exclusões indevidas Quanto as exclusões do lucro líquido objeto do item 3 do auto de infração, a decisão recorrida observa que a empresa se defende da infração informando que as exclusões do lucro real que promoveu seriam fruto de reversões de provisões e de variação cambial ativa, juntando partes do livro Razão, as quais sequer se pode afirmar anteriores à ação fiscal. Além disso, ainda que assim fosse, é preciso esclarecer que a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte desde que acompanhada de documentos que lhe dêem respaldo (artigo 923 do RIR/99). Assim, diante da ausência de tal documentação, mantevese a autuação. Em sede recursal a contribuinte não endereça tal argumento, preferindo repetir os termos da impugnação. Diante de tal ausência de dialeticidade, não vejo como superar os argumentos da decisão recorrida para a manutenção do auto de infração. Assim, oriento meu voto por manter a autuação também neste item. Quanto ao argumento subsidiário de que apenas poderiam ser admitidos como válidas a exigibilidade do IRPJ e da CSLL nos valores de R$738.156,37 e R$ 274.376,29, respectivamente, considero que este sequer foi suficientemente arguido. De fato, não há sequer uma palavra sobre as razões pelas quais tal argumento vingaria, eis que a Recorrente se limita a reproduzir planilhas sem qualquer explicação ou conclusão do porque seus cálculos estariam corretos e não os da autuação. Neste sentido, reproduzo integralmente a seguir as "razões" da Recorrente quanto a este item: Fl. 3501DF CARF MF 20 Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.853 21 Fl. 3503DF CARF MF 22 Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.854 23 Assim, por absoluta falta de descrição, considero que tal argumento sequer merece ser conhecido. Por fim, sobre à incidência de juros de mora sobre as multas tributárias aplicadas, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Ante o exposto oriento meu voto para afastar al alegações de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Recurso voluntário dos responsáveis Reinaldo, Silmar, Fernando, Natalino e Mário Embora tenham sido excluídos do polo passivo da obrigação, os responsáveis acima mencionados apresentaram recurso voluntário especificamente contra a ressalva, feita Fl. 3505DF CARF MF 24 pela decisão recorrida, da possibilidade de a Procuradoria da Fazenda Nacional, em sede de execução fiscal, direcionarlhes a cobrança. Alegam, assim, vícios insanáveis no auto de infração que não permitiriam o redirecionamento da cobrança quanto a eles. Observam que foram incluídos como responsáveis com fundamento no artigo 124, inciso II do CTN, porque, como membros do Conselho de Administração, existiria lei expressa designandoos como responsáveis, nos seguintes termos: " 2 Constatei que V.Sa., era membro do Conselho de Administração do Sujeito Passivo, à época da ocorrência dos fatos apurados pela fiscalização, conforme Atas de Reunião de Sócios e do Estatuto Social, e que deixou de atender às intimações encaminhadas por esta fiscalização, infringindo assim o inciso I do Artigo 1° da Lei 8.137, de 27A1/1.999" Ocorre que no ano de 2009 não existia conselho de administração na Infinity, eis que, nos termos da ata de AGE no dia 23/12/2008, o Conselho de Administração da empresa foi extinto. Assim, em 2009 a Infinity apenas possuiu uma Diretoria composta pelos seguintes diretores, reeleitos para o cargo com mandato de 3 anos, ou seja, até o dia 13/07/2010, abrangendo assim o período dos fatos geradores: Sérgio Schiller Thompson Flores, Marte Joseph Jean Gerar Lesur e Alberto Mendes Tepedino (também incluídos como responsáveis tributários) e o Sr. Rodrigo Caldas de Toledo Aguiar. Somente no dia 04/03/2010, a AGE da Infinity recriou seu conselho de administração, tendo nomeado os recorrentes como membros. Disso se depreende que, de fato, os Recorrentes não possuíam competência e poderes para praticar os atos indicados pela autoridade fiscal como base para a sua indicação como responsáveis tributários. Neste sentido, procede a conclusão defendida pelos responsáveis em questão de que não é possível, com base nos autos de infração objeto do presente processo administrativo, imputarlhes qualquer responsabilidade tributária. Acontece que foi exatamente por isso que a decisão recorrida mencionou, como condição para que a Procuradoria da Fazenda Nacional redirecione a cobrança aos responsáveis em questão, que esta faça prova dos requisitos legais necessários para tal imputação. Que fique claro: o que decidiu a decisão recorrida foi que os autos de infração objeto do presente processo não contêm provas de que as pessoas físicas indicadas como responsáveis tenham incorrido nas hipóteses legais que permitiriam sua inclusão no polo passivo da obrigação tributária. Neste sentido, não é possível, com base em tais autos de infração, cobrar o débito de tais pessoas, eis que o título executivo que ao final poderá ser extraído (a Certidão de Dívida Ativa) mencionará apenas a empresa contribuinte. Ocorre que o fato de a autoridade fiscal ter cometido erros ou omissões quanto aos responsáveis tributários implica apenas que o auto de infração não os mencionará como devedores do valor eventualmente mantido contra o contribuinte nos autos do processo administrativo, de maneira que a PFN terá o ônus de, caso entenda que estes devam ser responsabilizados, produzir as provas pertinentes e defender tal tese perante o Judiciário. Em outros termos, o fato de os responsáveis serem excluídos do polo passivo da obrigação em sede de processo administrativo não significa que eles restam Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.855 25 permanentemente salvos de uma futura cobrança do débito já que, caso a PFN reúna provas de que as pessoas praticaram os atos capazes de implicar a responsabilização esta poderá, sim, buscar tal responsabilização em processo de conhecimento perante o Judiciário. Ante o exposto oriento meu voto para negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis. Recurso de ofício O recurso de ofício versa sobre a redução da multa e sobre a exclusão dos responsáveis do polo passivo da obrigação tributária. A fiscalização justificou a exasperação das penas com a seguinte singela passagem no termo de verificação fiscal: “(...) pelo não atendimento e pela falta de apresentação da documentação solicitada através dos Termos de Intimação Fiscal e dos Termos de Constatação Fiscal lavrados no curso desta ação, esta fiscalização lavrou a respectiva representação fiscal para fins penais e considerou como embaraço a fiscalização (sic) e, em tese, também sonegação de tributos. Portanto, o presente Auto de Infração foi lavrado, com multas agravadas e qualificadas (...).” O agravamento da multa em 50% encontra amparo nos incisos I a III do parágrafo 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (i) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; e (iii) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. No caso, a autoridade autuante sequer indicou em qual das hipóteses no seu entender o caso e questão se encaixaria. No caso de intimação para prestar esclarecimentos (inciso I), a hipótese de incidência da multa é tão ampla que, na prática, todo procedimento fiscal que redundasse em lançamento poderia, em certa medida, autorizar a incidência da norma tributária sancionatória. Diante disso, devese encontrar uma interpretação que seja capaz de restringir a aplicação da multa e, ao mesmo tempo, garantir a proteção ao bem jurídico que ela visa tutelar. Neste sentido, concordo com o racional constante da decisão recorrida de que a multa agravada por falta de atendimento às intimações para prestar esclarecimentos se insere no contexto de estímulo à colaboração do sujeito passivo com a fiscalização, e consequentemente de desestímulo à conduta de embaraço ou de óbice às atividades de fiscalização. Tal embaraço à fiscalização deve, todavia, ficar patente, sendo devidamente registrado pela autoridade autuante por meio do respectivo termo de embaraço à fiscalização, o qual não consta dos presentes autos. É preciso distinguir as hipóteses de embaraço à fiscalização da simples não apresentação de documentos e esclarecimentos. No caso, a tímida participação da empresa no procedimento fiscal e a não apresentação de justificativas para as exclusões que promoveu sobre o lucro real (R$ 118.677.356,07), bem como para as despesas crivadas pela fiscalização (R$ 10.952.800,40) e para a amortização de ágio e outros itens (R$ 41.659.059,00) até facilitou Fl. 3507DF CARF MF 26 o trabalho da autoridade autuante pois resultou diretamente na glosa de tais deduções, não havendo portanto base fática para a exasperação da multa. Para se sustentar, a multa agravada tem que se basear em fatos que configurem embaraço à atividade de verificação da regularidade fiscal do sujeito fiscalizado, mas em relação aos quais não haja na legislação preceitos próprios para tratamento da falta de colaboração na apuração dos tributos devidos. Especificamente quanto a deduções não comprovadas, o ordenamento autoriza a glosa dos valores, configurando claro excesso cumular tal medida com a imposição de multa de ofício aumentada de metade. Ante o exposto, oriento meu voto por negar provimento ao recurso de ofício neste item, mantendo afastado o agravamento da multa em 50%. Quanto à qualificação da multa de ofício, esta também se mostra desarrazoada, eis que realizada sem qualquer fundamentação. Assim, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de ofício também quanto à qualificação da multa. Sobre a responsabilidade tributária, a imputação feita pela autoridade fiscal indicou como fundamento legal as normas apostas no inciso I do artigo 124 do CTN, para algumas situações, e no inciso III do artigo 135 do mesmo Código, para outras. Ocorre que, conforme ponderou a decisão recorrida, não constam dos termos de sujeição passiva solidária (fls. 357 e segs) as razões para a responsabilização das pessoas que elencam. Já o termo de verificação fiscal se limita a informar o seguinte: “No Estatuto Social da empresa em seu Capítulo IV – Administração estabelece em seu Artigo 9º constatamos (sic) que: (...) ‘A Companhia será administrada por um Conselho de Administração e por uma Diretoria’ Os sócios, membros do Conselho de Administração, diretores foram intimados e reintimados no curso desta ação fiscal a prestar esclarecimentos, a apresentar a comprovação dos lançamentos contábeis e a apresentação da documentação fiscal que comprovem a regularidade das informações e até o encerramento deste procedimento fiscal não atenderam as intimações realizadas. Portanto, entendemos que a empresa, os sócios, seus administradores, e o Conselho de Administração, são solidários pelos atos praticados, e pela omissão de informações às autoridades fiscais a fim de postergar e embaraçar a fiscalização e o lançamento do crédito tributário.” Como se vê, em síntese, a responsabilização solidária foi atribuída aos dirigentes em razão do não atendimento, por eles, de intimações pessoais para a prestação de informações sobre a pessoa jurídica. Todavia, o ato de não atender a intimações pode resulta na conseqüência de agravamento da multa aplicada à pessoa jurídica (art. 44, § 2o, da Lei 9.430/1996), não sendo causa direta para a responsabilização de sócios ou diretores quer em função do artigo 124 do CTN (que pressupõe a demonstração, pela autoridade fiscal, de interesse comum na situação que constitua o fato gerador ou de lei específica prevendo a responsabilidade por tributos), quer Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 10314.724450/201415 Acórdão n.º 1401002.504 S1C4T1 Fl. 3.856 27 em função do artigo 135, III, do CTN (aplicável quando se registre infração à lei ou aos instrumentos de constituição da pessoa jurídica). Em ambos os casos, é bom lembrar, é necessário que a autoridade fiscal autuante indique expressamente os atos que a levaram a concluir pela existência de interesse comum e/ou infração de lei/contrato social, a fim de que se franqueie ao imputado responsável justificar os atos de forma a se defender da acusação. Não tendo a autoridade fiscal indicado expressamente quais os atos ou fatos que a levaram a subsumir a hipótese às de responsabilização por tributos devidos pela pessoa jurídica resta maculado o lançamento quanto às pessoas físicas. Concordo com decisão recorrida quando esta afirma que, no caso dos autos, nem se pode afirmar que a falta de resposta às intimações signifique interesse comum, tampouco que se trate de conduta abusiva ou ilegal. Assim, malgrado possa ter se concretizado hipótese de imputação de responsabilidade solidária ao sentir da autoridade autuante, tais impressões não foram devidamente materializadas nestes autos. Por conseguinte, mantenho afastada a responsabilidade dos que receberam tal qualificação, ressalvando a possibilidade de a Procuradoria da Fazenda Nacional direcionar a cobrança a todos aqueles que entender pertinentes ao pólo passivo da relação jurídica, inclusive os que, por força do presente julgado, por ora restam excluídos de tal condição, desde que naquela ocasião faça prova dos requisitos legais necessários para tal imputação, já que tal prova não consta dos presentes autos e não permitirá que tais nomes constem da CDA. Ante o exposto oriento meu voto para negar provimento ao recurso de ofício. Dispositivo Ante o exposto oriento meu voto para afastar as alegações de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis, bem como para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 3509DF CARF MF 28 Fl. 3510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900590/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL.
Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
Numero da decisão: 1302-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 05 90 /2 01 1- 73 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10746.900590/201173 Acórdão n.º 1302002.762 S1C3T2 Fl. 139 2 Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.434, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 80 a 87), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação." O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 02936.02854.200907.1.3.048839 (fls. 21 a 26), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), terceiro trimestre do anocalendário de 2007, no valor de R$ 348,46, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de mesma contribuição O crédito em questão, no valor de R$ 231,14, originarseia de pagamento efetuado em 13/04/2004, no montante de R$ 432,00; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 11, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2004, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao primeiro trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10746.900590/201173 Acórdão n.º 1302002.762 S1C3T2 Fl. 140 3 Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2004, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 78 e 79, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 1º trimestre de 2004, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 80 a 87) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 88/89, foi interposto o Recurso de fls. 91 a 101, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10746.900590/201173 Acórdão n.º 1302002.762 S1C3T2 Fl. 141 4 Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 05 de abril de 2013 (fls. 88/89), tendo apresentado seu Recurso em 06 de maio de 2013 (fl. 91). Considerando que a data de ciência foi uma sextafeira, o prazo recursal somente se iniciou em 08 de abril de 2013, de modo que o Recurso foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído à fl. 102. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso II, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 13/04/2004, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 1ª trimestre do anocalendário de 2004. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10746.900590/201173 Acórdão n.º 1302002.762 S1C3T2 Fl. 142 5 O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do primeiro trimestre do anocalendário de 2004, aplicase, portanto, o entendimento que admite o fornecimento de qualquer quantidade de material, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Na opinião deste julgador, as notas fiscais de serviço apresentadas pela Recorrente junto com a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 55 e 56), conjugada com o contrato juntado com o Recurso ao CARF (fls. 118/125 e 127/134) são, sim, elementos hábeis para a satisfatória comprovação de que as referidas receitas estão sujeitas à aplicação do percentual de 12% para a determinação do Lucro Presumido do período. Tal fato é especialmente comprovado a partir da seguinte cláusula, extraída do contrato em questão: Contrato Particular com a Fundação ASSEFAZ: "1 Constitui objeto do presente contrato o fornecimento de material, mão de obra especializada e equipamentos necessários à execução das obras de reforma e ampliação do prédio da ASSEFAZ...." Cabe o registro que, in casu, devese deferir a juntada do citado contrato após a manifestação de inconformidade, posto que se presta a rebater as razões somente trazidas pelo julgador administrativo de primeira instância, de modo que plenamente amparada pelo art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972. A par disso, os Livros contábeis e fiscais de fls. 33 a 50 revelam a base de cálculo da CSLL no período em questão, a apuração realizada pelo sujeito passivo com base no Lucro Presumido determinado por meio da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, de modo a amparar a existência do direito creditório no qual se embasou a apresentação da DComp sob análise. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10746.900590/201173 Acórdão n.º 1302002.762 S1C3T2 Fl. 143 6 A partir dos elementos constantes dos autos, segue o detalhamento do referido direito creditório: DESCRIÇÃO VALOR (R$) RECEITAS AUFERIDAS: 18.451,97 Nota Fiscal nº 00383 15.000,00 Nota Fiscal nº 00384 3.451,97 LUCRO PRESUMIDO CALCULADO (32%): 5.904,63 CSLL APURADA E RECOLHIDA: 531,42 LUCRO PRESUMIDO APLICÁVEL (12%): 2.214,24 CSLL DEVIDA: 199,28 PAGAMENTO A MAIOR: 332,14 Também não pode ser óbice ao reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, a apresentação por este de DCTF com confissão de débito no montante apurado a partir da base de cálculo obtida por meio do percentual de 32%, uma vez que, como dito, resta configurado o erro de fato no preenchimento de tal declaração, o qual não foi retificado pela Recorrente antes do transcurso do prazo decadencial. Nesta mesma linha, os seguintes Acórdãos do CARF: "TRIBUTO PAGO A MAIOR PELO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO MEDIANTE DILIGÊNCIA FISCAL. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (DÉBITO DO CONTRIBUINTE). Restando evidente que houve erro no preenchimento da DCTF, relativamente a informação acerca de crédito, e comprovada (por meio de diligência fiscal) a efetiva existência do crédito do contribuinte, é evidente o direito creditório do contribuinte, exatamente conforme alegado em suas DCOMPs." (Acórdão nº 2201003.519 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, de 16 de março de 2017, Relator Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência." (Acórdão nº 1301002.410 – 3ª Câmara / 1ª Turma Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10746.900590/201173 Acórdão n.º 1302002.762 S1C3T2 Fl. 144 7 Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, de 15 de maio de 2017, Relator Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza) O sujeito passivo recolheu a CSLL relativa ao trimestre em questão por meio de 2 (dois) Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), conforme a seguir detalhado: DATA DA ARRECADAÇÃO BANCO AGÊNCIA VALOR PAGO VALOR DEVIDO APROVEITADO SALDO PAGO A MAIOR 13/04/2004 399/1598 R$ 99,42 R$ 99,42 13/04/2004 399/1598 R$ 432,00 R$ 99,86 R$ 332,14 TOTAL R$ 531,42 R$ 199,28 R$ 332,14 A DComp de que trata este processo se utiliza do indébito referente ao pagamento realizado no montante de R$ 432,00, compensando o valor de R$ 231,14, e na DComp nº 26563.74165.200907.1.3.049223, tratada no processo administrativo nº 10746.900591/201118, foi compensado o saldo de R$ 101,00. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a consequente homologação da compensação por ele declarada, até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16539.720002/2017-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2012
DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Não há nulidade da Decisão de 1ª Instância que inferiu pedido de perícia quando esta não se mostra necessária à formação da convicção do julgador, em particular quando os elementos contidos nos autos são suficientes para se atestar a regularidade ou não do procedimento fiscal.
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais com exceção das hipóteses exaustivas de não incidência previstas em lei.
LANÇAMENTO FISCAL. DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados de administradores não empregados não se confundem com a participação para a empregados e integram o salário de contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária. Devendo observar regramento específico contido na Lei das SA.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB.
Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa.
Esta punição pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício decorrente do não pagamento da contribuição, ou até de forma isolada (quando não se reputar contribuições devidas, mas constatar deficiência na folha de pagamento). Também pode haver a aplicação da multa de ofício sem a punição da referida multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inexiste, portanto, nexo de dependência entre as citadas condutas, sendo possível a aplicação de ambas em um mesmo caso.
Numero da decisão: 2201-004.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) excluir base de cálculo da contribuição previdenciária, da Infração CI-A, o valor de R$ 987,00; (ii) excluir os valores listados na planilha que integra a conclusão do voto do Relator da base de cálculo do tributo lançado, da Infração SE-D. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão para, ainda, exonerar a multa por descumprimento de obrigação acessória. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2012 DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Não há nulidade da Decisão de 1ª Instância que inferiu pedido de perícia quando esta não se mostra necessária à formação da convicção do julgador, em particular quando os elementos contidos nos autos são suficientes para se atestar a regularidade ou não do procedimento fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais com exceção das hipóteses exaustivas de não incidência previstas em lei. LANÇAMENTO FISCAL. DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados de administradores não empregados não se confundem com a participação para a empregados e integram o salário de contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária. Devendo observar regramento específico contido na Lei das SA. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. Esta punição pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício decorrente do não pagamento da contribuição, ou até de forma isolada (quando não se reputar contribuições devidas, mas constatar deficiência na folha de pagamento). Também pode haver a aplicação da multa de ofício sem a punição da referida multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inexiste, portanto, nexo de dependência entre as citadas condutas, sendo possível a aplicação de ambas em um mesmo caso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 50; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 60.459 1 60.458 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16539.720002/201737 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.404 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2012 DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Não há nulidade da Decisão de 1ª Instância que inferiu pedido de perícia quando esta não se mostra necessária à formação da convicção do julgador, em particular quando os elementos contidos nos autos são suficientes para se atestar a regularidade ou não do procedimento fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais com exceção das hipóteses exaustivas de não incidência previstas em lei. LANÇAMENTO FISCAL. DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados de administradores não empregados não se confundem com a participação para a empregados e integram o salário de contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária. Devendo observar regramento específico contido na Lei das SA. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 9. 72 00 02 /2 01 7- 37 Fl. 60459DF CARF MF 2 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. Esta punição pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício decorrente do não pagamento da contribuição, ou até de forma isolada (quando não se reputar contribuições devidas, mas constatar deficiência na folha de pagamento). Também pode haver a aplicação da multa de ofício sem a punição da referida multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inexiste, portanto, nexo de dependência entre as citadas condutas, sendo possível a aplicação de ambas em um mesmo caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) excluir base de cálculo da contribuição previdenciária, da Infração CIA, o valor de R$ 987,00; (ii) excluir os valores listados na planilha que integra a conclusão do voto do Relator da base de cálculo do tributo lançado, da Infração SED. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão para, ainda, exonerar a multa por descumprimento de obrigação acessória. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 01 34.263 4ª Turma da DRJ/BEL, fl. 19815 a 19841, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de processo administrativo formalizado em decorrência de procedimento fiscal que ensejou a lavratura dos Autos de Fl. 60460DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.460 3 Infração (AI) abaixo, relacionados a fatos geradores ocorridos entre 01/2012 a 12/2012 (inclusive 13º salário): AI Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, incluída a contribuição para financiar os benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa (GILRAT) no valor original de R$ 271.394.675,04, acrescido de multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/1996 e demais acréscimos legais (fls 2 a 643); AI Contribuição para Outras Entidades e Fundos, no valor original de R$ 55.608.207,10, acrescido de multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/1996 e demais acréscimos legais (fls 645 a 2.278); AI Multas Previdenciárias, prevista nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991, no valor original de R$ 2.284,05, em decorrência da não elaboração de folhas de pagamento contendo a remuneração paga a segurados contribuintes individuais. O objeto da ação fiscal foi a Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, sociedade anônima de capital aberto especializada na indústria de óleo, gás natural e energia. De acordo com o relatório fiscal de fls. 2.284 a 2.331, durante o período fiscalizado, a contribuinte omitiu ou informou a menor na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, apurando contribuições previdenciárias em valores inferiores ao efetivamente devido. Com o objetivo de facilitar a identificação da origem dos valores apurados, as bases de cálculo utilizadas foram agrupadas de acordo com sua natureza, conforme planilha a seguir: Relatório Fiscal CIA CI declarados em DIRF e não declarados em GFIP e em FP CIB CI declarados em DIRF com valor superior ao informado em GFIP SEA divergência entre FP e GFIP para segurados empregados CIC divergência entre FP e GFIP para CI SEB valores pagos a segurados empregados a título de Bônus de Desempenho CID valores pagos a CI a título de Bônus de Desempenho SEC valores pagos a segurados empregados a título de Gratificação Contingente SED valores pagos a segurados empregados "topados" na carreira SEE valores pagos a segurados empregados na rubrica 1902 não declarados em GFIP CIE divergência entre FP e GFIP relativa a membros da diretoria da Petrobrás CIF valores pagos a CI na rubrica 1902 não declarados em GFIP CIG PLR pagos aos diretores da Petrobrás não informados em GFIP Fl. 60461DF CARF MF 4 Glossário CI Contribuintes Individuais DIRF Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte FP Folha de Pagamento PLR Participação nos Lucros ou Resultados Após constatação de que a Petrobras deixou de incluir em suas folhas de pagamento diversos Contribuintes Individuais declarados em sua DIRF com código de receita 0588 (rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício), em desacordo com o art. 32, inc. I da Lei nº 8.212/1991, que determina a obrigatoriedade de preparar e manter folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, a fiscalização aplicou a multa prevista nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991 combinados com o art. 283, inc. I, alínea A e art. 373 do Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), no valor de R$ 2.284,05. Ainda de acordo com o Relatório, tendo em vista que a Petrobrás deixou de informar corretamente em GFIP a remuneração de segurados empregados e de contribuintes individuais, apurando valores inferiores de contribuições previdenciárias devidas, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais através do processo administrativo de nº 16682.720158/201764. Cientificada dos lançamentos em 27/01/2017 (fl. 18.621), a contribuinte protocolou, em 24/02/2017, a impugnação de fls. 18.632 a 18.732. Solicita, preliminarmente, que os Autos de Infração sejam anulados por entender que teve o exercício de seu direito de defesa prejudicado em razão da confusa narração dos fatos e da ausência de correlação entre os acontecimentos descritos no auto de infração e a conclusão que originou os lançamentos. Defende que todos os valores não declarados em GFIP estão corretos pois sobre eles não incide contribuição previdenciária, seja por não possuírem natureza salarial, seja por seu caráter eventual ou, ainda, por se tratar de erros de escrituração ou de descontos contabilizados equivocadamente como rendimentos por inconsistências nos sistemas informatizados da Receita. Argumenta que a contribuição para financiar os benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa (GILRAT) também deve anulada ou, subsidiariamente, declarada improcedente em virtude da não incidência dessa contribuição sobre as verbas não informadas em GFIP. Todas as bases de cálculo apuradas pela fiscalização foram contestadas pelo sujeito passivo e serão analisadas de maneira individualizada posteriormente, no decorrer do voto. Segue abaixo apertada síntese dos argumentos principais utilizados na impugnação: Fl. 60462DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.461 5 Relatório Fiscal Impugnação CIA CI declarados em DIRF e não em GFIP Médicos sem vínculo com a Petrobras, peritos judiciais ou proprietários de terras CIB CI: DIRF com valor superior à GFIP Médicos que prestaram serviços a beneficiários e à Petrobras SEA divergência entre FP e GFIP para SE Erro de sistema: valores eram contrapartidas de proventos (descontos) CIC divergência entre FP e GFIP para CI Ganhos eventuais desvinculados do salário SEB Bônus de Desempenho Bônus de Desempenho pagos uma única vez CID Bônus de Desempenho Bônus de Desempenho pagos uma única vez SEC Gratificação Contingente Acordo Coletivo de Trabalho pago uma única vez SED "topados" na carreira Pagamentos realizados uma única vez SEE valores pagos a SE na rubrica 1902 Rubrica 1902 utlilizada em decorrência de limitação do sistema MANAD CIE divergência entre FP e GFIP diretoria Pagamentos eventuais realizados a diretores CIF valores pagos a CI na rubrica 1902 Rubricas 1902 utlilizada em decorrência de limitação do sistema MANAD CIG PLR pagos aos diretores Caráter eventual sem relação de contraprestação de serviços Questiona a aplicação da Multa Previdenciária decorrente da não elaboração ou da elaboração com valores informados a menor das folhas de pagamento relativas aos Contribuintes Individuais com base nos mesmos argumentos citados acima: inexistência de remunerações sujeitas ao recolhimento das contribuições. Em virtude da enorme quantidade de documentos relacionados ao caso em tela, solicita a realização de diligências com objetivo de comprovar suas alegações bem como a concessão de prazo de 30 dias para apresentação de manifestação/defesa complementar. Ao final, solicita a imediata exclusão dos diretores, sócios e responsáveis do pólo passivo da autuação. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, julgoua parcialmente procedente, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: Da composição do pólo passivo A defesa solicita a imediata exclusão dos diretores, sócios, gerentes e responsáveis legais do pólo passivo da obrigação tributária. Ocorre que em nenhum momento houve a imputação de responsabilidade solidária a essas pessoas e que o único sujeito passivo incluído nos Autos de Infração foi a própria pessoa jurídica fiscalizada. Conseqüentemente, tal pedido não será conhecido em virtude da inexistência de objeto a ser analisado. (...) Da preliminar de nulidade suscitada A autuada solicita que seja declarada a nulidade dos lançamentos alegando prejuízo ao exercício de seu direito defesa. (...) Fl. 60463DF CARF MF 6 Além da observação de todos os requisitos obrigatórios do lançamento e do minucioso detalhamento dos fatos pelo relatório fiscal e planilhas anexas, registrese que a autuada apresentou extensa impugnação, contendo 101 folhas, questionando individualmente todas as bases de cálculo utilizadas. Não se vislumbra, portanto, nenhum prejuízo ou cerceamento ao seu direito de defesa, afastandose a preliminar de nulidade suscitada. Da apresentação posterior de manifestação e provas A interessada solicita a realização de diligências e, após esse procedimento, que lhe seja concedido novo prazo de 30 dias para apresentação de manifestação e defesa complementar. A esse respeito, cumpre registrar o art. 16 do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972, determina que a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Além disso, esse mesmo artigo determina que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ao menos que essa nova manifestação ocorra em decorrência dos motivos expostos em seu §4º. Das bases de cálculo (...) CIA: Valores pagos a contribuintes individuais declarados em DIRF e não informados em GFIP e sem folha de pagamento correspondente. (...) Diante do exposto, verificase que incide contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos aos contribuintes individuais em questão. A título de corroborar o teor desta decisão, registrese que a empresa já foi objeto de procedimento fiscal idêntico (processo administrativo nº 16682.721450/201371), relativo às competências imediatamente anteriores, no caso, 01/2009 a 12/2011, que o lançamento também foi impugnado pela autuada e que as decisões prolatadas em 1ª e 2ª instância mantiveram o crédito tributário: (...) A contribuinte também se insurge contra os seguintes casos específicos: (...) CIB: Rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício declarados na DIRF em montante superior à remuneração declarada em GFIP. (...) Sendo assim, com base nos mesmos motivos expostos na análise inicial. referente à base de cálculo denominada CIA, constatase que incide contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos aos contribuintes individuais em questão tendo em vista que, ao contrário do alegado na impugnação, existe relação de prestação de serviços entre a autuada e os profissionais credenciados que são remunerados pela A.M.S. (...) Fl. 60464DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.462 7 SEA: Divergências entre as folhas de pagamento de diversos segurados empregados e a remuneração informada em GFIP. Com relação à solicitação de diligência, convém esclarecer que esse instituto tem por finalidade a elucidação de eventuais pontos que suscitem dúvidas no momento do julgamento. Ocorre que, no presente processo, o lançamento encontrase devidamente constituído e fundamentado, cabendo à autuada demonstrar a inconsistência da base de cálculo por ela alegada e não inverter o ônus da prova, atribuindo à Administração esta obrigação. Diante do exposto, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser indeferido o pedido de diligência. Apesar de solicitar a análise por amostragem do documento nº 30 anexado aos autos (fls. 19488 a 19.494), verificase que tais documentos são referentes à contribuinte individual Silvia Maria Lopes Bastos e que já foram examinados anteriormente, sendo idênticos ao conteúdo do documento nº 29. Já o documento de nº 31 é uma cópia de acordo coletivo de trabalho. Sendo assim, tendo em vista que a impugnante não informou o nome dos segurados empregados que tiveram os comprovantes de rendimentos utilizados na amostragem e a não localização dos contracheques alegadamente apresentados, deve ser indeferida a impugnação relativa à base de cálculo SEA. CIC: Divergências entre as folhas de pagamento de diversos contribuintes individuais e a remuneração informada em GFIP. Em relação aos contribuintes individuais incluídos nessa apuração, a interessada não protocolou documentos demonstrando o caráter eventual e excepcional dos pagamentos e limitouse a apresentar alegações genéricas, sem comprovar que, de fato, não há incidência de contribuição sobre tais importâncias. Deve, portanto, ser mantido o lançamento, tendo em vista que a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título a contribuintes individuais compõe a base de cálculo em comento. SEC: Valores pagos, devidos ou creditados a segurados empregados a título de Gratificação Contingente. Convém registrar que, assim como na base de cálculo CIA, a remuneração em análise já havia sido objeto de procedimentos fiscais, sendo sempre mantida na base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas pelas fiscalizações anteriores: (...) A partir das informações fornecidas pela própria autuada, a autoridade lançadora elaborou um minucioso trabalho, demonstrando as divergências individualizadas por segurado empregado e por mês/estabelecimento através das planilhas de nº 16 e 17. Fl. 60465DF CARF MF 8 Diante do exposto, não cabe à Administração realizar diligências no sentido de sanear eventuais erros cometidos pela contribuinte. No caso de não se conformar com a base de cálculo utilizada no lançamento, é dever do sujeito passivo combater objetivamente todos os valores impugnados através de apresentação de documentos e planilhas que demonstrem claramente os valores por ele considerados indevidos. SED: Valores pagos, devidos ou creditados a segurados empregados que se encontravam "topados" na carreira; SeB: Valores pagos, devidos ou creditados a segurados empregados a título de Bônus de Desempenho; CID: Valores pagos, devidos ou creditados a contribuintes individuais a título de Bônus de Desempenho. (...) Registrese que, nos mesmos moldes da Gratificação de Contingência, não há lei ou Convenção Coletiva de Trabalho determinando a não incidência da contribuição previdenciária sobre esses pagamentos. Verificase, portanto, que o Reconhecimento Desempenho Topados possui natureza remuneratória, na forma de incentivo ao desempenho funcional. SEE: Valores pagos a segurados empregados na rubrica 1902 CIF: Valores pagos a contribuintes individuais na rubrica 1902 (...) Em relação a esses tópicos, a autuada limitouse a apresentar praticamente as mesmas explicações genéricas fornecidas no decorrer do procedimento fiscal e, em sua impugnação, objetiva que seja atribuída à Administração o encargo de demonstrar a alegada natureza não remuneratória desses valores. Ocorre que, conforme já esclarecido em momento anterior, não cabe à Administração realizar diligências para ratificar alegações trazidas pela contribuinte, sendo dever do sujeito passivo combater objetivamente todos os valores impugnados através de apresentação de documentos e planilhas que demonstrem claramente os valores por ele considerados indevidos. CIE: Divergência entre folha de pagamento e GFIP de membros da diretoria A Petrobrás informa que a inclusão dessas importâncias na base de cálculo da contribuição previdenciária é indevida pois se trata ou de erros sistêmicos que consideraram certas rubricas como proventos ao invés de descontou ou de pagamentos realizados de forma não habitual. Os casos foram contestados individualmente: (...) CIG: Participação nos Lucros e Resultados pagos aos diretores da Petrobrás não informados em GFIP (...) No caso concreto, verificase que os pagamentos em questão não podem ser enquadrados no conceito de lucro como rendimento do capital, conforme defendido pela impugnante e Fl. 60466DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.463 9 sim como remuneração pelos resultados atingidos. Assim, para ter direito à isenção da contribuição previdenciária incidente sobre tal remuneração, a Petrobras deveria observar os requisitos exigidos pela Lei nº 10.101/2000. Tendo em vista que a própria interessada reconhece "a não aplicabilidade da Lei nº 10.101/00 aos lucros e resultados pagos aos diretores não empregados e/ou administradores", concluise que os valores incluídos pela autoridade fiscal nessa base de cálculo devem ser declarados totalmente procedentes. Das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) (...) Verificase que a alegação deve ser acolhida em parte já que, conforme visto no decorrer do voto, uma parcela dos valores incluídos na base de cálculo das contribuições foi, de fato, considerada indevida. Da Multa Previdenciária Após análise da natureza dessas remunerações (itens CIA e CI B), verificouse que se trata de importâncias sobre as quais incidem as contribuições em questão. Sendo assim, correta a aplicação da multa previdenciária pela autoridade lançadora. Vale ressaltar que, embora em seu conjunto, o entendimento manifestado pelo julgador de 1ª Instância se mostrou contrário aos argumentos da impugnante, houve algumas exclusões da base de cálculo decorrentes de comprovação específica e individualizada da não incidência do tributo previdenciário. Daí o provimento parcial da impugnação. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância administrativa em 22 de junho de 2017, conforme Termo de Ciência de fl. 19.858, o contribuinte, ainda inconformado, apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 19862 a 19985, no qual, basicamente, reitera argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por preencher as condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. 1 PRELIMINARES 1 . 1 Da nulidade material do auto de Infração (fl. 19873 a 19880) Fl. 60467DF CARF MF 10 Afirma o Recorrente que é flagrante o vício de nulidade que acomete a autuação, já que a defesa e o contraditório restaram prejudicados, em razão de uma confusa narração dos fatos que levaram a fiscalização a apurar supostas divergências. Alega que parte das alegações trazidas pela fiscalização ocorreram de forma superficial, baseandose em meras suposições. Cita precedentes administrativos e legislação que trata, em particular, da necessária motivação dos atos administrativos, ressaltando que a grande dificuldade para levantar toda a documentação comprobatória de seu direito motivou o pedido, ora reiterado, de realização de diligência, o qual foi indeferido pela Autoridade recorrida. Requer, com base no princípio da eventualidade, que, caso ultrapassada a preliminar de nulidade alegada, que sejam considerados os documentos que consiga juntar ao Recurso, de forma a homenagear o principio da verdade material. Sintetizadas as razões apresentadas pelo autuado no presente tema, fica evidente que as alegações quanto à confusa, ou ausente, motivação dos fatos não se sustentam diante da narrativa do próprio recurso voluntário formalizado. Ao tratar "dos fatos", logo no início da peça recursal, fl. 18863 a 18873, o contribuinte faz um breve histórico do contencioso administrativo, detalhando, com bastante clareza, cada infração apurada pela fiscalização, detalhamento este que se configura em mera reprodução de informações contidas no Relatório Fiscal de fl. 2284 a 2332. Prossegue o recorrente fazendo um resumo dos pontos que, em seu entendimento, justificam a improcedência da autuação, todos melhor esclarecidos e detalhados em itens próprios do recurso. Desta forma, notase que os motivos que levaram ao lançamento fiscal foram perfeitamente compreendidos pelo autuado, dando azo à formulação de defesa bastante detalhada e compatível com as razões expressas pela Autoridade fiscal. Não identifico argumentos confusos apontados pelo recurso. Ainda assim, pelo Princípio da instrumentalidade das formas, temos que a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes, não se declara sua nulidade. Assim, o Relatório Fiscal atingiu sua finalidade específica, que é motivar o ato administrativo de lançamento, permitindo ao autuado o pleno conhecimento das razões do Fisco e a formulação de defesa que pudesse se contrapor ao entendimento do Agente Fiscal. Por outro lado, o contribuinte em tela é a maior empresa do país e qualquer procedimento fiscal importa avaliação de uma gama muito grande de informações, que acaba ocasionando alguma dificuldade para levantar documentos, seja para atender às solicitações fiscais, seja para lastrear eventual recurso administrativo. Não obstante, não se pode admitir que um procedimento administrativo seja convertido em diligência para, de forma genérica, promoção de levantamento de documentação probatória. Assim, agiu corretamente a Autoridade recorrida em indeferir o pedido de diligência, sendo certo que, estando presentes nos autos e devidamente amparado pelo contencioso fiscal instaurado pela impugnação, eventuais elementos de prova serão avaliados. Fl. 60468DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.464 11 Por tudo, rejeito a preliminar de nulidade e indefiro a reiteração do pedido de diligência. 2 MÉRITO (fl. 19.881) Antes de tratar dos temas específicos, o contribuinte traz suas considerações sobre a composição da base de cálculo alcançada pela tributação previdenciária a cargo da empresa, concluindo que se constitui de todas as contraprestações destinadas a retribuir o trabalho do empregado e que apresentem caráter de habitualidade. Com isso, cita exemplos de pagamentos efetuados a seus empregados (Gratificação Contingente, Bônus de Desempenho, Valor monetário pago a empregados topados, etc) que foram feitos sem qualquer correlação com a prestação de serviços, não constituindo, portanto, remuneração para efeitos previdenciários. Continua suas colocações teóricas apontando legislação e entendimentos doutrinários que amparam sua convicção de que, além de possuir natureza contraprestacional e ser habitual, devese avaliar se o eventual pagamento efetuado pode ser substituído por um benefício previdenciário, quando o prestador de serviço, por algum motivo protegido pelo sistema, deixa de receber o numerário (invalidez, por exemplo).. Por fim, conclui que não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária (i) as vergas indenizatórias ou ressarcitórias; (ii) as verbas que não correspondam à contraprestação pelos serviços prestados: (iii) as parcelas que não possam ser substituídas por algum benefício previdenciário equivalente e (iv) os ganhos eventuais expressamente desvinculados do salário. 2.1 Valores pagos a contribuintes individuais constantes da DIRF e não incluídos em GFIP Infração CIA (fl. 19.887) Afirma a defesa que, nesta infração, foram agrupados pagamentos a contribuintes individuais profissionais de saúde do Programa de Assistência Médica Suplementar e pagamento a outros contribuintes individuais, por motivos diversos. 2.1.1 Pagamentos efetuados aos prestadores de serviços profissionais de saúde junto à AMS (fl. 19.888) Questiona o recorrente as conclusões da DRJ sobre a inclusão de tais valores na base de cálculo da contribuição previdenciária, afirmando que os profissionais de saúde credenciados junto ao Plano de Assistência Médica Suplementar não são contribuintes individuais que prestam serviços à autuada, daí a razão de tais pagamentos terem sido informados em DIRF, mas não incluídos em GFIP. Assevera que o fato gerador da contribuição a cargo da empresa, em relação a contribuintes individuais, está restrita aos casos em que os beneficiários dos pagamentos lhe prestem serviços (Lei 8.212/91, art. 22, inciso III1) 1 Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Fl. 60469DF CARF MF 12 Afirma que, em que pesem os argumentos da Autoridade lançadora em sentido diverso, resta evidente que o recorrente não é tomador de serviços de tais profissionais saúde, que atuam diretamente no atendimento a seus empregados, aposentados e pensionistas benficiários da AMS. Aduz que o fato de manter um benefício trabalhista a sua força de trabalho, estabelecido por meio de acordo coletivo, não é suficiente para lhe equiparar ao tomador dos serviços prestados aos beneficiários. Alega que não participa de qualquer etapa na construção da regra matriz, já que a hipótese de incidência tributária, ou antecedente, neste caso, tem como critério material o núcleo da descrição fática (prestar + serviços) e como consequente, o critério pessoal, em que o sujeito passivo é o empregador, a empresa ou entidade a ela equiparada. Continua suas alegações afirmando que a Lei 9.656/98 definiu o Plano de Saúde em comento como uma modalidade que visa garantir assistência à saúde, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor2. Sustenta que sua relação com tais profissionais da saúde não configura prestação de serviço e que o credenciamento dos mesmos é questão de mero procedimento administrativo, cujo objetivo é auxiliar a força de trabalho na localização do profissional pré qualificado. A seguir, apresenta detalhes sobre as modalidades de custeio e de atendimento do Programa, sobre sua contabilização e elenca precedentes judiciais e administrativos sobre o tema. Pontuadas as razões recursais, ainda que haja entendimentos judiciais, doutrinário e até mesmo administrativo sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos profissionais de saúde pelas operadoras de planos de saúde, não me parece que estejamos diante de um típico caso em que a autuada apenas repassa valores por conta e ordem dos reais consumidores do serviço de saúde. Há, neste caso, duas vertentes independentes entre si. Uma que está relacionada diretamente à relação médico/paciente, essa indiscutivelmente não alcança a recorrente, e aquela estabelecida entre este mesmo profissional de saúde e a empresa que, após aprovar sua inclusão no quadro de conveniados, mantém alguma espécie de controle, inclusive em relação aos preços pagos pelos procedimentos. Tais vertentes são independentes entre si, inclusive, por não haver uma correlação lógica entre o serviço prestado e o pagamento efetuado pelo seu real beneficiário. Por exemplo, pode ocorrer que um determinado beneficiário do Plano de Saúde nunca utilize os serviços da rede conveniada, mas jamais deixaria de efetuar os 2 Lei 9.656/98 Art. 1º Submetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: I Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; Fl. 60470DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.465 13 pagamentos da parte que lhe cabe custear. Por outro lado, caso este mesmo beneficiário precise de uma assistência acima da média, os serviços por ele consumidos serão suportados diretamente pela instituidora do Plano, sendo certo que esta acompanha tudo muito de perto, inclusive negando a execução de alguns procedimentos ou mesmo exigindo que o beneficiário passe por perícia específica. Não estamos diante de uma espécie de fundo constituído para ser utilizado à medida que chega a ordem do beneficiário final do serviço para efetuar o pagamento a um prestador, em que a empresa administradora do Plano é uma mera depositária dos valores correspondentes ao montante possuído por cada um. Estamos, sim, diante de uma atividade econômica que pode, inclusive, gerar um superávit ou um déficit que, decerto, resultará reflexos no patrimônio da empresa instituidora, não sendo repassado ao usuário final a qualquer título. Não entendo que a isenção de que trata a alínea "q" do § 9º da Lei 8.212/913 alcance os pagamentos em tela, já que tal preceito trata de rubrica específica que não integra o salário de contribuição. Entretanto, os valores que são pagos aos profissionais de saúde conveniados a AMS têm nítido caráter contraprestacional, sem qualquer vinculação, frisese, em relação a tais profissionais, com assistência médica. Ou seja, o que pode configurar um valor relativo a assistência médica para um funcionário da recorrente, quando analisado em relação ao prestador do serviço, resulta em pagamento com natureza absolutamente distinta. O tema em questão não é novo neste Conselho e já foi tratado em outras de lides administrativa de mesma natureza, tendo o próprio recorrente como parte ou não. Por concordar com os seus termos, valhome do excerto do Acórdão 2101 004.562, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em foi relatora a Ilustre Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa: Dos valores pagos pela AMS A questão a ser verificada nesse ponto consiste em saber se a PETROBRÁS, atuando como operadora de programa de assistência à saúde, figura como tomadora de serviços prestados aos profissionais da área médica e odontológica ou se realiza mero repasse de honorários aos profissionais de saúde, sem qualquer relação jurídica (de prestação de serviço) com os mesmos. O Relatório Fiscal declarou que a PETROBRÁS credencia, após procedimento por ela estabelecido, diversos profissionais que prestam serviços a seus empregados (pensionistas, etc), bem como efetua pagamentos aos profissionais, conforme procedimento estabelecido pela PETROBRÁS. 3 Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médicohospitalares e outras similares; Fl. 60471DF CARF MF 14 Em seu artigo 12, inciso V, “g” c/c artigo 22, inciso III a Lei nº 8.212/91 determina que: “Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Alínea incluída pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Art. 22 A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26.11.99).” A Autoridade Fiscal declara que referidos profissionais são previamente selecionados pela empresa operadora, que os credencia através de procedimento por ela definido e os remunera, na forma estabelecida pela empresa no Manual de Operação da AMS. Ficando comprovado que ao contrário do alegado novamente em sede recursal o recorrente não realiza mero cadastramento de profissionais, clínicas e hospitais, menos ainda, é simples agente pagador por conta e ordem de terceiros. O Manual de Operações da AMS demonstra que toda a estrutura normativa e operacional é gerida pela Recorrente, a qual detém total controle e poder decisório quanto aos profissionais e hospitais que serão ou não credenciados, ou descredenciados, a qualquer tempo, à revelia da vontade dos empregados. Assim, ainda que o segurado deixe de pagar o valor para o programa de assistência à saúde, a obrigação da empresa com o médico, de lhe remunerar pelo atendimento já prestado ao segurado subsiste. E mais, caso o médico não receba sua remuneração, ele não irá cobrála do paciente, mas da seguradora/operacionalizadora do plano de saúde. Se realmente houvesse intermediação no caso, não deveria o segurado pagar qualquer valor nos meses em que não usufruísse do plano de saúde, pois não haveria intermediação nesses meses, o que, todavia, não corresponde à lógica das empresas operadoras de planos de saúde, que lidam com a área e cobram mensalmente as prestações de seus segurados – sob pena de estes ficarem desamparados da cobertura securitária – independentemente da efetiva utilização do plano em um dado mês, consoante Acordo Coletivo de 2007, mormente as cláusulas 44ª e da 47ª a 60ª, das quais se destacam: “Cláusula 47ª Participação Pequeno Risco Fl. 60472DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.466 15 A participação dos empregados e aposentados, bem como de pensionistas a eles vinculados, no custeio dos procedimentos classificados como de Pequeno Risco no Programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde AMS será efetuada conforme tabela a seguir: Cláusula 48ª Participação de Psicoterapia A participação dos empregados, aposentados e pensionistas no custeio das despesas com Psicoterapia, independentemente de faixa salarial, será de 50% (cinqüenta por cento) até o terceiro ano e de 100% (cem por cento) do quarto ao décimo ano. Cláusula 49º Contribuição Grande Risco A participação de empregados, aposentados, bem como de pensionistas a eles vinculados, no custeio dos procedimentos classificados como de Grande Risco no Programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde AMS será efetuada com uma contribuição mensal fixa, conforme tabela abaixo, que vigorará até 31/08/08.” [...] Além disso, a utilização dos serviços é submetida ao Recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações em meio papel ou eletrônico, inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos, consoante item 14.1.3 do Manual de Operações da AMS: “14.1.3 A AMS poderá solicitar ao credenciado qualquer alteração que julgar necessária no plano de tratamento proposto, bem como glosar procedimentos que não estejam de acordo com a autorização, de modo a resguardar os padrões técnicos usuais na área odontológica e os interesses do empregado e da AMS.” Ora, a mera atividade de credenciamento de prestadores e de repasse de pagamento não se coaduna com tal arcabouço normativo e operacional, nem com este nível de ingerência na fruição dos serviços, menos ainda com a alegada autonomia dos beneficiários. Por fim, ressalta se que discussão semelhante à travada no presente feito já foi objeto de solução de controvérsia envolvendo o Banco Central do Brasil (Bacen) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), culminando com a elaboração do Parecer AGU/SRG nº 01/08, com força vinculante para a RFB, que se adota também como fundamentação, do qual se extrai o seguinte: “38. Com efeito, a primeira observação a ser produzida deve estar vinculada à regra legal a ser observada para aferir a caracterização, ou não, da obrigação tributária. 39. Na redação originária do art. 22, da Lei nº 8.212/91, já havia a previsão de pagamento de contribuição previdenciária – cota patronal–, por parte de pessoa jurídica – empresa –, diante Fl. 60473DF CARF MF 16 da remuneração auferida por trabalhadores autônomos que lhe prestassem serviço: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei nº 9.317, de 1996) I 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos que lhe prestem serviços; 40. Com as alterações normativas, houve detalhamento da disciplina, já imposta e a elevação da correspondente alíquota, de quinze para vinte por cento, esta diante do advento da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996. 41. Atualmente, a regra contempla os seguintes termos – com a redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99: ‘Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços’; 42. A incidência da mencionada disciplina ao Banco Central do Brasil decorre da configuração da condição de empresa, para os termos fiscais, responsável pelo pagamento dos trabalhadores autônomos que lhe prestam serviço decorrentes de estarem credenciados para o atendimento de saúde vinculado ao PASBC. 43. Não é possível sustentar o argumento de que ocorre indevida aplicação do art. 108, do Código Tributário Nacional, pois não se está a interpretar para exigência de tributo não previsto em lei: a uma, a contribuição previdenciária cogitada detém previsão legal; a duas, a aplicabilidade ao Banco Central está no fato de que é este a pessoa jurídica que promove o pagamento da remuneração dos trabalhadores autônomos que atendem as necessidades do PASBC, conceituado como ‘empresa’, por estrita previsão legal – art. 15, da Lei nº 8212/91 e não por interpretação ampliativa da legislação de regência”. (destaques lançados)” Contudo, tal Parecer não restou aprovado pelo Presidente da República e, portanto, não tem efeito vinculante perante a Administração Federal, conquanto o seja para os órgãos envolvidos, aí se incluindo Receita Federal do Brasil. A CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil tratou de questão semelhante ao responder a Solução de Consulta nº 35 Cosit, de 19 de abril de 2016, de cujas conclusões merecem destaque: É claro que, ao atender aos segurados, o médico está prestando um serviço ao plano de saúde. Não de natureza médica, evidentemente, mas de atendimento, de disponibilização de seu tempo e serviços de saúde para o segurado do plano. O valor pago pela operadora é previamente acertado com os médicos credenciados, de acordo com uma tabela de procedimentos e que não se identifica com o valor da consulta particular do Fl. 60474DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.467 17 profissional, demonstrando que, precipuamente, não remunera o serviço médico prestado ao paciente, mas sim o serviço prestado ao plano de saúde, consistente no atendimento a um segurado seu. Nessa linha, os recibos médicos são emitidos em nome do plano, e nas declarações de Imposto de Renda os profissionais de saúde informam que receberam do plano, que inclusive retém na fonte o tributo devido. (...) A relação entre o contrato de segurosaúde e o médico credenciado foi bem analisado no voto do Desembargador Federal Wellington Mendes de Almeida, no julgamento do AMS nº 2002.70.00.0690623/PR no TRF da 4ª Região. Vejase: "No pertinente ao contrato de segurosaúde, resta claro que é firmado entre a seguradora e seus segurados, pois, na hipótese de ocorrência de sinistro, a pessoa a ser indenizada é o próprio cliente da seguradora, havendo, então, a transferência de devedor por força do contrato de seguro. Ressaltese, contudo, que além desse contrato, através do qual a seguradora obrigase a pagar as despesas médicas, recebendo como contraprestação o prêmio do seguro, há um vínculo existente entre a seguradora e o médico, que é o credenciamento. E, nesse ponto, cabe salientar que as seguradoras, a fim de lograrem realizar seus objetivos sociais, necessitam do serviço médico, pois, ainda que o profissional médico preste serviços diretamente ao segurado, ele, concomitantemente, está prestando um serviço à empresa seguradora, pois sem esse serviço não pode a empresa exercer a atividade para a qual foi constituída. Dessarte, se não pode a operadora de seguros sobreviver sem a prestação do serviço médico, como pode sustentar, para que não sofra a incidência da norma tributante, que o médico credenciado não lhe presta serviço? Entendo, assim, que afora a existência inconteste do contrato firmado entre a seguradora e o segurado, há a relação existente entre a seguradora e os médicos credenciados que, no desenvolvimento de suas atividades profissionais, recebem a remuneração como contribuintes individuais da empresa para a qual prestam serviços, e não dos pacientes atendidos, pois é a operadora de seguros que assume o compromisso do pagamento dos honorários médicos. Resta, portanto, configurada a hipótese de incidência da contribuição prevista no art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91, porquanto essa norma, ao preceituar que as empresas devem pagar a contribuição sobre a remuneração que pagam aos contribuintes individuais que lhes prestam serviços, quer dizer que também aqueles serviços que lhe são prestados por profissionais necessários e indispensáveis para que a empresa exerça de forma regular as suas atividades devem sofrer a incidência da norma." Conclusão 15. Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo ao consulente que incide a contribuição previdenciária patronal Fl. 60475DF CARF MF 18 prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, sobre os valores pagos por operadora de plano de assistência à saúde a profissionais da área da saúde que prestem serviço a seus filiados. Por todo o exposto, considero improcedentes os argumentos recursais, devendose manter inalterado o lançamento e a decisão recorrida. 2.1.2 Pagamentos efetuados aos demais contribuintes individuais (fl. 19.908) Afirma o recorrente que a atuação merece ser declarada insubsistente, passando a demonstrar os contribuintes e as justificativas respectivas a) Lançamentos indevidos na DIRF AC 2012 (fl. 19.909) Alega erro na informação prestada em dirf, que resultou na majoração do pagamento efetuado aos Srs. Judson Pereira e Sanderson José da SIlva Medeiros, na ordem de R$ 567,00 e R$ 420,00, respectivamente. A DRJ entendeu que, embora o contribuinte tenha apresentado a documentação correlata, não havia efetuado a retificação da DIRF, do que resultou a manutenção da exigência fiscal incidente sobre tais valores. O recorrente afirma ter promovido a devida retificação, a qual foi devidamente confirmada nos sistemas da RFB (retificadora apresentada em 24/07/2017), em que contam os pagamentos originários efetuados para os contribuintes em questão. Desta forma, entendo procedente o apelo recursal, devendo ser excluídos da base de cálculo previdenciária os valores de R$ 987,00 (R$ 567,00 + R$ 420,00) c) valores referentes a honorários de peritos judiciais (fl. 19.910) Insurgese o recorrente contra a tributação incidente sobre valores pagos aos Srs. Antônio Bispo dos Santos e Carlos Eduardo Pimental, a título de honorários periciais em razão de suas atuações em processos judiciais. Alega que, assim agindo, tais profissionais estão exercendo suas atividades em favor do juízo, não se configurando a autuada como tomadora do serviço. Na análise do tema, o Julgador ordinário asseverou que a IN RFB 971/09, em seu art. 57, § 13, inciso I, prevê expressamente que os valores pagos de honorários a assistentes técnicos e peritos, nomeados pela justiça ou não, decorrentes de sua atuação em ações judiciais, integram a base de cálculo da contribuição devida pelo segurado e pela empresa. Embora, de fato, o perito judicial auxilie o juízo no formação de sua convicção sobre o tema submetido ao crivo do judiciário, é certo que não é o judiciário que quem remunera tais profissionais. Como regra, está o perito a serviço das partes, as quais se encarregam de lhe proporcionar a retribuição pecuniária devida. Assim, entendo que foi acertada a decisão da Autoridade recorrida. d) não enquadramento no art. 22, III da lei 8.212/91 (fl. 19.913) Fl. 60476DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.468 19 Afirma o recorrente que os pagamentos efetuados aos Srs. João Eduardo Lima Kotzias, Maria Lucia Beraldo, Elma Gordilho Machado de Santana e Patrícia Carla de Almeida e Souza não se subsumem ao fato gerador descrito no art. 22, III da Lei nº 8.212/91, motivo pelo qual merecem também ser declarados insubsistentes. Quanto à Sra. Elma Gordilho, afirmar ter duplicado o valor na DIRF, sendo válido apenas o montante de R$ 825,84. Neste item, a Delegacia de Julgamento pontuou que apenas a nota fiscal emitida por Patrícia Carla foi anexada, sendo, ao contrário do alegado, referente a prestação de serviços. Em relação à Sra. Elma Gordilho, conclui que os valores supostamente em duplicidade não foram excluídos na DIRF retificadora. O recurso foi bastante econômico, não trazendo nenhuma alegação para contrapor a decisão recorrida. Ainda assim, este Conselheiro consultou as informações em DIRF para a Sra. Elma Gordilho, constando que, na última DIRF apresentada para o período, o valor pago à Sra. Elma continua o mesmo, R$ 1.651,68. Assim, entendo que foi acertada a decisão da Autoridade recorrida. 2.2 Valores pagos a contribuintes individuais constantes da DIRF em montante superior à remuneração declarada em GFIP Infração CIB (fl. 19.914) 2.2.1 Valores pagos a contribuintes individuais profissionais de saúde da AMS que também atuaram em prestações de serviço à Recorrente (fl. 19.914) Alega que a diferença decorre dos pagamentos realizados para fazer face a atendimentos médicos prestados no âmbito da Assistência Médica Suplementar que por não haver relação empregatícia ou prestação de serviço, a Recorrente não estaria obrigada a incluir esta parcela da remuneração em GFIP ou em Folha de Pagamento. Sustenta que, apesar do atendimento ser exclusivo aos beneficiários e a estes dirigido, há situações em que tais profissionais atuam para atender às necessidades da Recorrente, em particular na realização de exames periódicos, cabendo exclusivamente sobre essa parcela a incidência da contribuição previdenciária. Sobre o tema, entendo desnecessárias maiores considerações, já que este voto já se debruçou sobre a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos profissionais de saúde que atuam no âmbito da AMS. Assim, não há ajustes a serem feitos na decisão recorrida. 2.2.2 Valores pagos aos demais contribuintes individuais (fl. 19.916) a) Lançamentos indevidos na DIRF AC 2012 (fl. 19.916) O contribuinte alega lançamentos indevidos no ano calendário de 2013 para os contribuintes individuais Adhemar dos Santos Mineiro, Andréa Veruska de Souza Araújo, Carlos Henrique Delpupo e Modesto Rezende Ribeiro. A DRJ entendeu que, embora tenham sido apresentadas cópias da GFIP, da escrituração contábil e das notas fiscais informando que apenas o montante declarado em GFIP Fl. 60477DF CARF MF 20 foi pago a esses contribuintes individuais durante o período fiscalizado, não houve manifestação acerca do motivo que levou aos lançamentos indevidos em DIRF. Consultadas as informações contidas na última DIRF apresentada pelo autuado, 24/07/2017, é possível constatar que as informações para tais contribuintes individuais continuam exatamente nos termos que motivaram a exigência fiscal. Assim, não tendo sido justificadas a diferença ou mesmo retificadas as DIRF do período, não há como atender o pleito recursal, já que os documentos apresentados apenas lastreiam os pagamentos declarados, mas o contribuinte não adotou as medidas necessárias para afastar a alegação fiscal de divergência entre DIRF e GFIP. Assim, entendo que foi acertada a decisão da Autoridade recorrida. b) Não enquadramento no art. 22, III da Lei º 8.212/91 (fl. 19.918) O autuado alega que os pagamentos efetuados a Bruno Procópio Neto, Claudia Tisato, Jacqueline Furtado Vieira, Luiz Fernando Correa do Prado, Max Eduardo Portella Ziemer, Muhamed Manasfi, Reilly Agari Algodoal e Reinaldo Esmeraldo Barreto não se submetem ao fato gerador descrito no art. 22, inciso III, da lei nº 8.212/91. A DRF indeferiu o pleito por não ter o contribuinte apresentado documentos hábeis para demonstrar que as importâncias incluídas na base de cálculo não possuem natureza de remuneração decorrente de prestação de serviços. O recurso foi bastante econômico, não trazendo nenhuma alegação para contrapor a decisão recorrida, limitandose a repetir as alegações genéricas apresentadas em sede de impugnação. Assim, entendo que foi acertada a decisão da Autoridade recorrida. c) Regime de Caixa X Regime de Competência (fl. 19.918) O recorrente alega que há lançamentos indevidos em razão de que os valores declarados em DIRF consideram o regime de caixa, enquanto os lançamento em GFIP consideram o regime de competência. A DRJ analisou os documentos apresentados e excluiu parte dos valores questionados, em particular os relativos aos valores declarados em DIRF no mês de janeiro, que correspondiam aos valores declarados em GFIP no ano anterior. Ainda assim, o contribuinte autuado requer que sejam excluídos valores de forma integral, contudo, não tem razão a defesa. Notase que a autuação já considerou eventuais efeitos decorrentes do problema caixa x competência apurados durante o ano. A título de exemplo, as diferenças apuradas para o Sr. Marco Antônio Martins constam de fl 4100, onde se pode verificar que há uma coluna para o mês da retenção da DIRF, outra para a competência da informação em GFIP e outra para competência para folha de pagamento. O manejo de tais informações foi formatado para que se evitassem duplicidades de exigência, inclusive com apuração de valores considerados no auto de infração negativo, para que este elimine o problema quando da apuração de base positiva. Fl. 60478DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.469 21 Assim tratou do tema o Relatório Fiscal: Ressaltese que, em vários casos, observouse que a divergência entre DIRF e GFIP coluna (J) da PLANILHA 5 se anulava em meses subsequentes. Isso pode ter decorrido em razão do fato de a informação em DIRF obedecer ao regime de caixa e a GFIP, ao regime de competência. Como exemplos, podem ser citados os trabalhadores ADHEMAR DOS SANTOS MINEIRO e LUIZ FERNANDO CORREA DO PRADO. Por essa razão, inseriuse a coluna (K) na PLANILHA 5, de modo que tais divergências fossem desconsideradas na apuração dos valores devidos à Previdência Social. Portanto, nada a prover no presente tema. d) Pagamentos referentes a fornecimentos de materiais (fl. 19.921) Alega a defesa que os não incide contribuição previdenciária sobre a divergência identificada para o Sr. Roberto Costa Santos. Afirma que o valor teria informado em GFIP o valor de R$ 1.226,50 e na DIRF um valor de R$ 4.747,15, gerando uma suposta diferença de R$ 3.520,62. Afirma que o valor efetivamente pago ao Sr. Roberto é aquele informado em GFIP, sendo a diferença relativa a aquisição de mercadorias, conforme notas fiscais que junta às fl. 20.144 e ss. A DRJ indeferiu o pleito ter verificado que os valores e as datas das notas fiscais de venda de mercadoria são incompatíveis com as importâncias divergentes apuradas e não podem, consequentemente, ser aceitas. Além dos argumentos da DRJ, já que, de fato, não se identifica com clareza a correlação dos valores, vale ressaltar que, ainda hoje, o valor informado em DIRF para o Sr. Roberto Costa permanece o mesmo. O que impossibilita o deferimento do pleito, já que, a divergência apontada pela fiscalização persiste. e) Prestação de serviço à Petrobrás e a beneficiários do Plano de Saúde (fl. 19.922) Alega o contribuinte que, em relação aos pagamentos à Sra. Silvia Maria Lopes Bastos, médica, tratase de um valor de R$ 1.050,00 relativo a uma palestra, sendo base tributável para a contribuição previdenciária. Entretanto, outros valores que somaram R$ 20.480,00 se referem a serviços prestados aos beneficiários do Plano de Saúde AMS. Sobre o tema, entendo desnecessárias maiores considerações, já que este voto já se debruçou sobre a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos profissionais de saúde que atuam no âmbito da AMS. Assim, não há ajustes a serem feitos na decisão recorrida. 2.3 Divergências entre a remuneração paga a segurados empregados, reconhecida como base de cálculo de contribuição previdenciária, segundo a folha de pagamento e a remuneração informada em GFIP Infração SEA (fl. 19.923) Fl. 60479DF CARF MF 22 O argumento recursal é de que a fiscalização apontou divergências entre a remuneração paga, devida ou creditada a alguns segurados empregados segundo parâmetros das folhas de pagamento e aquela efetivamente informada em GFIP, e que tal diferença decorre de equívoco sistêmico, que fez com que os valores de diversas contrapartidas de proventos, cujo comportamento é de desconto, fossem demonstradas no MANAD em conjunto com as rubricas principais, aumentando, e não diminuindo, as respectivas bases de cálculo. Sustenta que tal fato poderia ser facilmente constatado com a realização de diligência, quando seriam analisados os contracheques de quase 23 mil empregados e que teria apresentado, junto com a impugnação, documentos que poderiam confirmar, por amostragem, o citado erro. Embora o recorrente tenha tido o pedido de diligência indeferido pela Decisão recorrida, junta ao recursos todos os contracheques constantes da planilha indicada pela fiscalização. Na análise do tema em questão, a DRJ entendeu que, estando o lançamento regularmente constituído, caberia à autuada demonstrar a alegada inconsistência, mas que preferiu solicitar a análise por amostragem do documento nº 30 (fls. 19488 a 19.494), os quais são referentes à contribuinte individual Silvia Maria Lopes Bastos, já examinados anteriormente, sendo idênticos ao conteúdo do documento nº 29. De fato, a análise do documento nº 30 não permite identificar a inconsistência apontada. Ocorre que, objetivando facilitar a constatação do suposto erro sistêmico, o recorrente juntou uma sequência de contracheques que vai das fls. 20155 a 42155. Da forma como está, não há como atender o pleito recursal. A alegação de inconsistência sistêmica não veio amparada de um único apontamento efetivo e de fácil compreensão. Bastaria o recorrente elaborar uma planilha com uma diminuta amostra do todo com indicação de folhas, valores e documentos que pudessem atestar, de forma inequívoca, que houve incorreções no lançamento. Mas não o fez. Não há como converter o julgamento em diligência para fazer aquilo que é obrigação do contribuinte, apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Assim, agiu corretamente a decisão recorrida, nada havendo a prover no presente tema. 2.4 Divergências entre a remuneração paga a alguns segurados contribuintes individuais, reconhecida como base de cálculo de contribuição previdenciária, segundo a folha de pagamento e a remuneração informada em GFIP Infração CIC (fl. 19.925) O argumento recursal é de que a fiscalização apontou divergências entre a remuneração paga, devida ou creditada a alguns contribuintes individuais segundo parâmetros das folhas de pagamento e aquela efetivamente informada em GFIP. E que tal diferença decorre do pagamento de ganhos eventuais desvinculados do salário, não sujeitos à contribuição previdenciária. Afirma que as gratificações foram pagas uma única vez no período fiscalizado, o que demonstraria seu caráter excepcional. Fl. 60480DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.470 23 A DRJ negou provimento às alegações deste tema pois o contribuinte não protocolou documentos demonstrando que não há incidência de contribuição sobre tais importâncias. Os argumentos recursais são idênticos aos expressos na impugnação. além das alegações em tese, nada foi juntado aos autos que pudesse evidenciar a que título tais pagamentos foram efetuados, contrapondose às conclusões da Autoridade lançadora sobre incidência do tributo previdenciário. Ademais, tratase de crédito tributário lançado sobre pagamento efetuados a contribuintes individuais que, como regra, não comportam análise quanto à habitualidade, pois, ainda que um pagamento seja efetuado uma única vez no ano, não deixa de ser devida a tributação sobre tais valores. Assim, correto o julgador. Nada a prover. 2.5 Gratificação contingente Infração SEC (fl. 19.926) Insurgese o contribuinte contra a conclusão da fiscalização acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de Gratificação Contingente, que corresponde a pagamento único feito em consequência de previsão expressa em Acordo Coletivo de Trabalho para o ano de 2012. Após tecer algumas considerações sobre a natureza de tais valores, inclusive sobre a forma como foram tratadas pelas entidades sindicais envolvidas, conclui que, inexistindo comprovação de habitualidade nos pagamento realizados e não se destinando a retribuir diretamente o trabalho, não há que se cogitar em incidência de contribuições previdenciárias. A autoridade recorrida entendeu que, apesar de a interessada defender a não vinculação da Gratificação Contingente ao salário dos segurados empregados, verificase que os pagamentos não foram uniformes e variavam de acordo com a remuneração individual de cada trabalhador. Também não deve ser acolhida a argumentação da não habitualidade do pagamento pois a fiscalização demonstrou que a gratificação foi paga repetidamente entre 2007 e 2014, fato não contestado pela interessada. A citada rubrica está assim especificada no Tremo Aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho, fl. 18.226: Cláusula 3ª Gratificação Contingente A Companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2012 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2012, uma Gratificação Contingente, não incorporado aos respectivos salários, no valor correspondente a 1,05 (um virgula zero cinco) remunerações normais, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 7.200,00 (sete mil e duzentos reais), o que for maior. (...) Parágrafo 2º serão descontadas as quantias pagas a título de adiantamento (antecipação), conforme previsto no Termo Aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho de 2011 específico, assinado pelos sindicados. Fl. 60481DF CARF MF 24 Sobre a questão, é importante rever os exatos termos da legislação sobre o tema: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Grifouse Decreto 3.048/99 Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente:(...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Grifouse Como se vê, a legislação exclui da base de cálculo do tributo previdenciário ao afirmar que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Assim, impõe reconhecer que estamos diante de verba prevista em norma coletiva do trabalho, expressamente não vinculada ao salário do trabalhador, carente, ainda, de verificação quanto ao seu caráter eventual. Fl. 60482DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.471 25 A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN , em razão da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o abono único, disposto em Convenção Coletiva de Trabalho, quando desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não é passível de incidência de contribuição previdenciária, emitiu o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, cuja conclusão merece ser destacada: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária". De tal Parecer, após aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, decorreu o Ato Declaratório n. 16/2011, nos seguintes termos: "A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Assim, temos que, para que os efeitos do Ato Declaratório nº 16/2011 fossem aplicados ao presente caso, é mister verificarmos se a situação fática tratada no presente processo se enquadra perfeitamente aos termos prescritos pela PGFN, a saber: 1º Estamos diante de um abono único? 2º A verba está prevista em Convenção Coletiva de Trabalho? 3º O valor está expressamente desvinculado do salário? 4º O pagamento é feito com habitualidade? Ainda que o instrumento que prevê o pagamento em tela seja um Acordo Coletivo e não uma Convenção Coletiva, considerando que não há previsão legal com tal restrição, poderíamos até entender que, em relação ao segundo e terceiro questionamentos, não há qualquer dúvida. Pois, de fato, o valor está previsto em norma coletiva de trabalho, com expressa desvinculação de salários. Em relação ao primeiro questionamento, vemos que o texto do Aditivo à ACT, embora afirme que o pagamento seria efetuado de uma só vez, ressalta que seriam Fl. 60483DF CARF MF 26 descontados os valores pagos a título de adiantamento/antecipação, o que nos impõe a concluir que não há pagamento em parcela única. Já em relação ao quarto questionamento, este sim diretamente vinculado ao caráter não eventual previsto no art. 28 da Lei 8.212/91 e ao preceito Constitucional contido no § 11º do art. 201, segundo o qual os ganhos habituais, a qualquer título, integram o salário para efeito de contribuição previdenciária, as cópias dos acordos coletivos presentes nos autos a partir de fl. 18300 evidenciam, de maneira inequívoca, que a prática de concessão da "gratificação contingente" não se afigura eventual, mas habitual, já que todos os anos tais valores são pagos aos beneficiários, fato ressaltado tanto pela Autoridade fiscal como pela Decisão recorrida. Portanto, o valor pago pelo contribuinte a este título não se enquadra na exceção objeto do Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, tampouco na exceção contida no art. 28, § 9º, alínea "e", item 7 da Lei 8.212/91. Assim, pelo exposto, não merece acolhida as alegações do contribuinte, devendose manter a inclusão do abono pecuniário na base de cálculo previdenciária, conforme preceitua o inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91. Além dos argumentos tratados acima, sustenta o recorrente erro sistêmico que aumentou as bases de cálculos a partir de descontos efetuados, considerando tais valores como proventos. Para fundamentar suas alegações, junta um arquivo não paginável(planilha .xlsx) às fl. 19614, onde está sintetizada a situação do empregado Ney Gonçalves Passos. Afirma que valores de desconto (R$ 2.196,30 e R$ 230,51), foram considerados como proventos, o que teria aumentado indevidamente a base de cálculo do tributo lançado. Os valores do relativos aos pagamentos efetuados ao Sr. Ney constam de fl. 8726, de plano, sevem para corroborar as conclusões relativas à questão da unicidade de pagamentos tratada anteriormente neste mesmo tema, já que é inconteste que, a partir dos descontos efetuados, os valores da gratificação em tela são pagos em várias parcelas. Inicialmente, o cotejo das informações contidas na planilha apresentada pelo contribuinte e aquela elaborada pela fiscalização parece corroborar os argumentos recursais, já que, a título de exemplo, o valor de R$ 2.196,30, que seria um desconto de valores antecipados, aparece como provento. Não obstante, o cotejo de tais informações com o contracheque de fl. 42376/42377 indica que o citado valor é relativo a antecipação realizada no ano de 2011 e que, portanto, diferentemente do que ocorreu com outro desconto no mesmo período, no valor de R$ 1.984,32, devidamente abatido do valor lançado, considerando que a tributação previdenciária se dá pelo regime de competência, o desconto em tela deve, ao fim, ser considerado como um rendimento no mês a que se refere. Assim, entendo que não estão plenamente evidenciadas as alegadas inconsistências, devendose manter o lançamento integralmente neste tema. 2.6 Recurso desempenho topados PCA Infração SED (fl. 19.959) Discordando sobre a conclusão do lançamento acerca da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos e este título, o recorrente afirma que se trata de um prêmio para o empregado ou equipe que mais se destacaram. É um bônus extraordinário Fl. 60484DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.472 27 dado pelo empregador em reconhecimento à excelência do empregado, não se confundindo com parcelas remuneratórias do trabalho. A DRJ, ao analisar o tema de forma bastante detalhada, concluiu que não há lei ou Convenção Coletiva de Trabalho determinando a não incidência da contribuição previdenciária sobre esses pagamentos e que, portanto, o Reconhecimento Desempenho Topados possui natureza remuneratória, na forma de incentivo ao desempenho funcional. Tais conclusões decorrem da avaliação da Autoridade recorrida, que assim pontuou: Em consulta ao Termo de Aceitação do Plano de Classificação e Avaliação de Cargos PCAC e Remuneração Mínima por Nível e Regime RMNR, verificase que a metodologia utilizada no cálculo do "Desempenho Topados" é igual à do cálculo de avanço de nível, baseado no desempenho ou antiguidade do empregado, a única diferença é que, no caso dos "não topados", o segurado empregado passa a receber, mensalmente, um acréscimo de 3,8%, equivalente a um internível salarial, enquanto que os "topados" recebem, conforme extraído da carta resposta da contribuinte, "um valor monetário único, equivalente a um internível (3,8%) que ele receberia durante os próximos 12 meses, aí incluído a gratificação de férias e o 13º salário". Essa mesma carta resposta esclarece que o critério para selecionar os segurados que receberiam essa remuneração leva em conta os resultados apresentados pelo empregado no anocalendário anterior. O recurso voluntário não combateu as conclusões da autoridade recorrida, limitandose a reiterar os argumentos da impugnação. Assim, entendendo que os valores recebidos a título de "Desempenho Topados" tem a mesma natureza dos valores pagos equivalentes ao internível dos empregados não topados. Portanto, considerando que o seu pagamento de uma só vez, ou mesmo em duas ou três parcelas, tratandose ou não de ajustes, representando os valores que seriam devidos no curso do ano, não há alteração de sua natureza, entendo como correta a decisão recorrida. No mesmo tema, o contribuinte alega que, por ocasião da impugnação, demonstrou que parte dos valores autuados foram decorrentes de erro, em 14 empregados, que fez com que os valores descontados fossem considerados no MANAD como rubricas principais, aumentando as respectivas bases de cálculo e não diminuindoas, com seria o correto. O Julgador de 1ª Instância confirmou a ocorrência e excluiu parte dos valores indicados, em particular os relativos a 01/2012, deixando de atender o pleito em relação aos demais períodos por falta de documentação comprobatória. Analisando as informações disponibilizadas pelo contribuinte, em particular a planilha contida no recurso, em que os empregados são identificados pela matrícula, localizando os contracheques de tais colaboradores e cotejandoos com as informações produzidas no curso do procedimento fiscal, em particular aquelas contidas na Planilha 18 (fl. Fl. 60485DF CARF MF 28 13114 e ss) é possível concluir que, de fato, os valores abaixo discriminados, embora correspondam a desconto de antecipações, aparecem como proventos no levantamento fiscal. Rubrica 6215 Matrícula Valor Comp. Natureza Doc (fl) Contracheques Planilha fiscal nº 18 (numeração da planilha) 1369114 R$ 992,76 mar/12 Desconto 44169 81/120 5167986 R$ 467,16 mar/12 Desconto 44171 48/120 8021616 R$ 562,93 mar/12 Desconto 44174 30/120 8530656 R$ 962,01 mar/12 Desconto 44166 118/120 111885 R$ 467,16 abr/12 Desconto 44156 84/120 8018857 R$ 467,16 mai/12 Desconto 44163 64/120 121713 R$ 467,16 jun/12 Desconto 42438 78/120 1717310 R$ 554,49 jun/12 Desconto 44159 118/120 136591 R$ 467,16 jul/12 Desconto 44157 28/120 Desta forma, dou provimento parcial ao recurso neste tema para determinar a exclusão dos valores acima listados da base de cálculo do tributo lançado na Infração SE D; 2.7 Bônus por desempenho Infração SEB e CID (fl. 19.965) Sustenta o recorrente que o Bônus por Desempenho foi pago aos ocupantes de sua Diretoria e ao Presidente. Afirma que, em relação aos Srs. Roberto Puerari e Paulo Roberto Martini, que os valores foram pagos porque estes estiveram no exercício da função até outubro de 2012. Alega que tal Bônus não está relacionado a nenhuma contraprestação de serviços e que o fato do valor ter sido pago em anos posteriores não afasta o caráter eventual da rubrica, razão pela qual não incide o tributo previdenciário sobre tais pagamentos. O Julgador de 1ª Instância administrativa entendeu que os valores recebidos a título de Bônus de Desempenho têm nítido caráter remuneratório. O Relatório fiscal aponta que, instada a prestar esclarecimentos sobre o pagamento do bônus em questão, o fez nos seguintes termos, fl. 2301: Quais foram os critérios utilizados pela empresa para chegar ao montante pago a cada beneficiário da rubrica em 2012? Para se obter o montante pago, foram levados em consideração fatores como: órgãos reguladores (Ministério de Minas e Energia (MME), Mistério de Planejamento Orçamento (MP) e Gestão e Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DESTMP)) práticas de mercado e o valor definido em Assembleia Geral Ordinária (AGO). A previsão de pagamento dessa rubrica em 2012 estava formalizada em algum documento? Se positiva a resposta, em que documento? Sim. Na Assembleia Geral Ordinária de 2011 (AGO 2011), realizada em 28/04/2011, aprovou o montante global a ser pago aos administradores da Petrobras para o período de abril/2011 Fl. 60486DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.473 29 março/2012. Entre as rubricas aprovadas, estava previsto a rubrica Bônus por Desempenho. Vejamos o que dispõe sobre o tema a Ata das Assembléias Gerais Ordinárias e Extraordinárias contidas em fl. 1740 e ss: Item VII: Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, com abstenção dos administradores, foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em até R$ 14.504.250,00 (quatorze milhões, quinhentos e quatro mil, duzentos e cinquenta reais), no período compreendido entre abril de 2012 e março de 2013, aí incluídos honorários mensais, gratificação de natal (13º salário, adicional de férias, bônus por desempenho, PLR, Auxílio moraria (...) Item VII: Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, com abstenção dos administradores, foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em até R$ 14.504.250,00 (quatorze milhões, quinhentos e quatro mil, duzentos e cinquenta reais), no período compreendido entre abril de 2012 e março de 2013, (...) Como se vê, a defesa não indicou os critérios utilizados para a empresa para chegar aos valores a serem pagos, de modo a que pudéssemos identificar a sua natureza, segregando tal rubrica das demais parcelas que compõem a remuneração global dos administradores. Assim, não há como atender ao pleito recursal, já que a regra é que os valores pagos a título de remuneração sejam alcançados pela tributação, sendo os casos de exclusão das bases de cálculo exceções que devem ser comprovadas por quem delas aproveita. 2.8 Valores pagos a segurados empregados e a dois diretores por meio da rubrica I902 I902 Infração SEE e Infração CIF (fl. 19.967) Insurgese o recorrente contra a exigência fiscal em comento afirmando que a rubrica I902 é destinada a ajustes de valores em decorrência de limitações no sistema Manad e que não representam pagamento de remuneração a empregados. Cita alguns exemplos e informa que os empregados indicados nas planilhas 20, 21 e 22 encontramse na mesma situação, com diferença apenas em relação às verbas que ensejaram o ajuste. Sustenta que os fatos podem ser facilmente comprovados pela análise de documentos juntados (Doc 7 e 8), bem assim por diligência para análise de cada uma das 6500 linhas da planilha referente a tais recolhimentos. A questão está assim delineada pelo Relatório Fiscal: Rubrica I902 – I902 118. Verificouse nas Folhas de Pagamento da fiscalizada a ocorrência de pagamentos a diversos empregados por meio de Fl. 60487DF CARF MF 30 rubrica com código “I902” e descrição “I902”, ao longo de todo o ano de 2012. Conforme mencionado nos itens (47) e (48) deste Relatório Fiscal, tal rubrica foi parametrizada pela PETROBRAS como “PROVENTO”, “NÃO É BASE” para incidência de contribuições previdenciárias e “SALÁRIO” para incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte. 119. Constatouse também nas referidas Folhas de Pagamento a existência de outra rubrica, com código “I901” e descrição “I901”, parametrizada pela PETROBRAS como “PROVENTO”, “SALÁRIO” para incidência de contribuições previdenciárias e “NÃO É BASE” para incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte. 120. Por meio dos itens (4), (5) e (6) do TIF nº 02, foram feitos os seguintes questionamentos acerca da rubrica I902 – I902: “(4) Nas Folhas de Pagamento apresentadas a esta fiscalização, foram verificados diversos registros relativos às rubricas I901 e I902, ambas com descrição idêntica ao código da rubrica. Foram selecionados por amostragem alguns trabalhadores que receberam tais proventos e, para os mesmos, relacionaramse no Anexo I deste TIF todas as rubricas da competência em que ocorreu o recebimento dos referidos proventos. (5) Como pode ser observado no Anexo I deste TIF: (5.1) há empregados que receberam a rubrica I902 em valor equivalente ao da rubrica de desconto “PJ SOBRE 13 SAL 01” (ex.: Amaury Aragão de Freitas); (5.2) há o caso de Cecília Ferraz dos Santos, que, além do provento I902, recebeu (5.3) há empregados que receberam a rubrica I902 em valor equivalente a descontos relativos ao Fundo Petros, como ocorreu com Antônio Sérgio de Cajueiro Costa; (5.4) há empregados que receberam ambos os proventos, I901 e I902 (ex.: Márcio Roberto Kruchelski); e (5.5) há empregados que receberam apenas um dos proventos (I901 ou I902), como ocorreu com Paulo Celso Pereira Santana (I901) e Glauber Iuri de Melo (I902). (6) Solicitase que a intimada, considerando as diversas situações apontadas no item anterior, esclareça a natureza e a motivação para o pagamento das rubricas I901 e I902. Solicita se ainda que a intimada informe o embasamento legal utilizado para que tais proventos fossem desconsiderados da base de cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social.” 121. Em 14/07/2016, em atendimento parcial ao TIF nº 02, a empresa solicitou a juntada ao dossiê de atendimento nº 10010.045286/051679 da CartaResposta TRIBUTARIO/RE/REF/COAIF 0287/2016, datada de 12/07/2016, na qual prestou o seguinte esclarecimento: “Itens: 4, 5 e 6: Informamos que as rubricas I901 e I902 são dedicadas aos acertos sistêmicos para validação do arquivo em Fl. 60488DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.474 31 leiaute MANAD, não representando pagamento de remuneração a empregados.” 122. Em desacordo com a afirmação da empresa transcrita no item anterior, a rubrica I901 – I901 foi parametrizada pela própria PETROBRAS com incidência de contribuições previdenciárias, conforme mencionado no item (119) deste Relatório Fiscal. (...) 129. Depreendese da análise realizada nos casos mencionados no item anterior que a PETROBRAS, ao incluir nas Folhas de Pagamento a rubrica I902 – I902, muitas vezes, assumiu, em lugar de seus empregados, o ônus dos descontos que lhes eram cabíveis. Outras vezes, o provento atribuído por meio da rubrica I902 – I902 foi superior ao saldo entre proventos e descontos, restando ao empregado um valor a receber. 130. A obrigação assumida pela empresa em lugar do empregado tem natureza salarial, uma vez que o artigo 22, inciso I da Lei nº 8.212/1991, abrange as remunerações a qualquer título, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Além disso, os valores pagos por meio da rubrica I902 – I902 não se enquadram em qualquer das hipóteses do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, transcrito no item (69) deste Relatório Fiscal. No recurso voluntário, mais uma vez, a empresa não envida esforços para contrapor as conclusões do fisco, limitandose a indicar que a comprovação está facilmente evidenciada em documentos compostos de dezenas de milhares de páginas, ou a requerer que o julgamento seja convertido em diligência para que o fisco faça o que lhe caberia fazer, apresentar comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Assim, correta a decisão recorrida, não motivos que justifiquem o lançamento fiscal. 2.9 Divergências constatadas entre a remuneração paga a membros da diretoria, reconhecida como base de cálculo de contribuição previdenciária e a remuneração informada em GFIP Infração CIE (fl. 19.973) O Recorrente afirma que as divergência apuradas pela fiscalização decorrentes de pagamentos efetuados a membros da Diretoria decorrem de erro sistêmico, que considerou determinada rubrica como provento quando seria um desconto. Lista dois casos específicos: a) Almir Guilherme Barbassa Alega que ocorreu um erro do programa de geração do MANAD, que não apresentou o valor de R$ 57.638,39 na rubrica de 6041 Desc. Adiantamento 13º Salário. Afirma que, com a inclusão de tal rubrica, a base da folha de pagamento passa a ser a da GFIP, no valor de R$ 117.605,19. Fl. 60489DF CARF MF 32 A questão em tela foi assim retratada no Relatório Fiscal: Em relação ao item (6.8), informou a PETROBRAS que: “a. O valor da DIRF apontado no relatório da RFB não considera as rubricas de 13º salário (0143 e 5142). b. O valor de folha de pagamento apontado no relatório da fiscalização da RFB considerou a rubrica de desconto (5142 Desc ad 13 Sal Dir/Consel) como provento gerando a divergência.” A empresa informou ainda que o valor dessa rubrica seria R$ 57.368,39. A resposta da empresa não procede. O Anexo I do TIF nº 03 discriminava as rubricas relacionadas ao diretor Almir Guilherme Barbassa, obtidas na Folha de Pagamento de 12/2012 e discriminadas na tabela abaixo. Como pode ser verificado, na Folha de Pagamento de 12/2012 para o citado dirigente, inexistem a rubrica e o valor mencionados pela empresa. A análise da planilha de que se constitui no Doc 25 do Relatório Fiscal, evidencia que a divergência identificada pela fiscalização aponta para um valor informado em GFIP no valor de R$ 99.176,48, o qual, comparado com a informação da folha de pagamento, R$ 106.253,75, resultou em uma diferença incluída na base de cálculo do tributo no montante de R$ 7.077,30. Assim, os argumentos do recurso voluntário não são compatíveis com os elementos dos autos, devendo ser mantida a decisão recorrida e o lançamento fiscal. b) Jorge Luiz Zelada Afirma que o valor foi pago a título eventual, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Esta foi a única alegação recursal, não tendo juntado ou indicado nenhum documento que fosse capaz de indicar a natureza dos valores pagos. Assim, nada a prover. 2.10 Valores pagos a diretores a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR Infração CIG (fl. 19.975) Sustenta o recorrente que o dispositivo constitucional que trata de PLR não limita tais valores aos empregados, já que prevê que a benesse alcança os trabalhadores em geral. Afirma que, ao contrário das conclusões da Autoridade fiscal, a não aplicabilidade da Lei nº 10.101/00 aos lucros e resultados pagos a diretores não empregados e/ou administradores em razão de preceito específico contido na Lei 6.404/76, leva à consequência de incidir tributação previdenciária sobre uma base fora do campo de incidência, por não ser rendimento decorrente do trabalho. Fl. 60490DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.475 33 Não sendo este o entendimento, ainda assim não haveria incidência de tributação, já que se trata de valor pago de forma eventual. Ora, o que está em debate no presente tema é a velha discussão sobre a incidência da contribuição previdenciárias sobre a Participação no Lucros concedida a administradores. Há quem entenda, por questões de isonomia, que não. Afinal, o administrador seria uma espécie do gênero trabalhador. Há quem entenda que sim, em razão da existência de regramento próprio para tais profissionais. Sobre o tema, relevante tratarmos da legislação correlata: A Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Como se vê, a alínea J do art. 28 limita a exceção à previsão em lei específica, que, neste caso, é a Lei 10.101, de 19/12/2000, que regula o disposto no art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, assim dispondo: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Pela leitura dos excertos acima, constatase que a exclusão do conceito de salário de contribuição alcança apenas aqueles que mantenham vinculo de emprego com a empresa, não beneficiando os contribuintes individuais. Por outro lado, a Lei 6.404/76, lei das sociedades por ações, assim dispõe: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. Fl. 60491DF CARF MF 34 § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Assim, vêse que os administradores têm suas possibilidade de participação nos lucros definidas em lei específica para as sociedades por ações e para a sua condição de dirigente da instituição. Desta forma, estender aos administradores o benefício da Lei 10.101/2000, ao contrário de impor algum tratamento igualitário, importaria a criação de tratamento ainda mais desigual, pois os empregados não têm direito à participação nos lucros ou as benesses contidas no art. 152 da 6.404/76. Ademais, dar a estes profissionais a possibilidade de definir, sem qualquer controle prático, aquilo que terão direito de receber a título de PLR, seria extirpar a força normativa e reconhecer sem qualquer utilidade os termos e limitações estabelecidos pelo art. 152 da Lei das SA, que visa, em particular, proteger os acionistas da empresa e o interesse público, representado pela estabilidade e confiança do mercado de capitais, um dos pilares da economia do país. Assim, nada a prover no presente tema. 2.11 Contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as destinadas a outras entidades e fundos (fl. 19.981) Não há lide administrativa no presente tema, já que o contribuinte limitase a pontuar a insubsistência de tais exigências serão, por consequência de tudo que foi exporto no recurso. 2.12 Multa por não inclusão de contribuintes individuais na folha de pagamento ou não inclusão com remuneração inferior à DIRF. Afirma o recorrente que não merece prosperar a autuação em tela, seja pela não inclusão ou pela inclusão de valores inferiores àqueles registrados na DIRF, em síntese sob o argumento de que tais valores não correspondem a remunerações sujeitas à incidência de contribuição previdenciária. Conforme se verifica em fl. 2280/2281, o lastro legal para a imputação fiscal, CFL 30, está contido nos art. 92 e 102 da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Fl. 60492DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.476 35 Lei 8.212/91 (...) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. A mesma lei 8.212, em seu art. 35A, estabelece: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, assim dispõe a Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; No Relatório Fiscal, a partir do seu item 164. (fl. 2326), assim foi descrito o fato que ensejou o lançamento: De acordo com o artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, c/c o artigo 225, inciso I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS (CFL nº 30), deve a empresa preparar Folhas de Pagamento mensais, contendo a remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço. Constatouse que a PETROBRAS deixou de incluir em suas Folhas de Pagamento, identificadas no item (10.2) deste Relatório Fiscal, diversos contribuintes individuais que constaram em sua DIRF AC 2012, com código de receita 0588. Portanto, como bem detalhado no curso do voto acima, as divergências identificadas entre folha de pagamento e GFIP, quando positiva, resultaram no lançamento de ofício de créditos tributários mediante a lavratura de autos de infração por descumprimento de obrigação principal. Como seu viu nos destaques legais acima, o art. 35A da Lei 8.212/91 prevê que, nos casos de lançamento de ofício, aplicamse as penalidades previstas no art. 44 da Lei 9.430/96, cujo inciso I é claro ao estabelecer multa de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, nos casos de falta de declaração e nos casos de declaração inexata. Fl. 60493DF CARF MF 36 Ora, o contribuinte efetuava seus registros a partir do que considerava correto, ou seja, a partir do entendimento de que não integrava o salário de contribuição as importâncias pagas devidas ou creditadas a empregados e/ou contribuintes individuais. Naturalmente, tal conclusão se refletia nas folhas de pagamento elaboradas pela empresa, nas informações prestadas em GFIP e, ao fim, no recolhimento insuficiente do tributo devido. Portanto, entendo que o erro na elaboração de uma Folha de Pagamento, em razão do qual tenha sido lavrado o auto de infração de obrigação principal, já está devidamente punido pela sanção específica e, portanto, incabível nova penalidade. Tal CFL 30 somente seria cabível no caso de folhas de pagamento com incorreções ou inexistentes quando dela não resultar lançamento de obrigação principal. Ainda que este Colegiado, majoritariamente, conclua pela inexistência de penalidade específica, embora seja certo que a estipulação de uma sanção tem o nítido propósito de inibir o descumprimento de uma norma, há que se ressaltar que a imposição desmedida do poder do Estado por meio de uma reação excessiva ao ato ilícito acaba evidenciando efeito oposto, resultando em maior descumprimento de obrigações. Assim, resta absolutamente necessária a imposição de sanções com moderação, tanto do ponto de vista qualitativo (tipo de pena, por exemplo: multa, privação de liberdade, etc), quanto do ponto de vista quantitativo (valor, percentual, tempo, etc). No âmbito do direito penal, há exemplos de diversos limitadores da pretensão punitiva do Estado, como o concurso formal (quando o agente, mediante uma única conduta, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não), o crime continuado (constitui um favor legal ao delinquente que comete vários delitos. Cumpridas as condições legais, os fatos serão considerados crime único por razões de política criminal), ambos com lastro expresso nos art. 70 e 71 do Código Penal, Decreto 2.848/40. Há, ainda, limitadores que, embora não tenham lastro legal expresso, decorrem da doutrina e da jurisprudência, como o Princípio da Consunção ou Absorção (aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência, em que o delito fim absorve o meio). Embora estejamos diante de Princípios comumente relacionados ao Direito Penal, não há dúvidas de que as multas administrativas assemelhamse a algumas penalidades de mesma natureza impostas na seara penal, razão pela qual impõese a aplicação do Princípio da Consunção também no âmbito administrativo. A Ciência Contábil tem por objeto o patrimônio das pessoa físicas e jurídicas e, como tal, eventuais incorreções cometidas no registro de um fato contábil traz algum reflexo nas informações produzidas. Assim, não faria sentido pretendermos que o contribuinte, ao contabilizar uma despesa com pessoal qualquer, não a considerasse, ainda que indevidamente, como remuneração, mas, ao mesmo tempo, estivesse obrigado a registrar em sua folha de pagamento algo incompatível com os demais registros contábeis. Nas palavra do Professor Heleno Taveira Torres4 o princípio da boafé protege o contribuinte que conduz seus negócios, rendas ou patrimônio com transparência e diligência normal de um bom administrador ou de um homem probo. Assim, é de se esperar 4 Torres, Heleno Teveira. Artigo Boafé e confiança são ementos do Direito Tribnutário, disponível em https://www.conjur.com.br/2013abr24/consultortributarioboafeconfiancasaoelementaresdireitotributario Fl. 60494DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.477 37 que o contribuinte não elaboraria sua folha de pagamento com tal incorreção se estivesse convicto da ocorrência das infrações que viriam a ser apuradas pela fiscalização. Portanto, ainda que superada a questão da existência de sanção específica que afastaria a aplicação do art. 92 da Lei 8.212/91, é inconteste o nexo de dependência entre as condutas de não considerar remuneração, não incluir em folha de pagamento e não declarar o tributo devido incidente sobre os pagamentos a seus colaboradores, o que resulta na conclusão de que, pela aplicação do Princípio da Consunção, o delito fim (não declaração) absorve o delito meio (não inclusão em folha). Assim, seja em razão da existência de penalidade específica, seja pelo fato de que o delito fim já foi devidamente punido pelo lançamento do tributo decorrente da obrigação principal, há que se afastar a presente autuação. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do recurso voluntários e, no mérito, darlhe parcial provimento para: exonerar integralmente a exigência fiscal decorrente do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória (fl. 2280/2281); excluir base de cálculo previdenciária o montante de R$ 987,00 (R$ 567,00 + R$ 420,00), relativo aos valores pagos aos Srs. Judson Pereira e Sanderson José da Silva Medeiros, Infração CIA; excluir os valores abaixo listados da base de cálculo do tributo lançado na Infração SED: Rubrica 6215 Matrícula Valor Comp. Natureza Doc (fl) Contracheques Planilha fiscal nº 18 (numeração da planilha) 1369114 R$ 992,76 mar/12 Desconto 44169 81/120 5167986 R$ 467,16 mar/12 Desconto 44171 48/120 8021616 R$ 562,93 mar/12 Desconto 44174 30/120 8530656 R$ 962,01 mar/12 Desconto 44166 118/120 111885 R$ 467,16 abr/12 Desconto 44156 84/120 8018857 R$ 467,16 mai/12 Desconto 44163 64/120 121713 R$ 467,16 jun/12 Desconto 42438 78/120 1717310 R$ 554,49 jun/12 Desconto 44159 118/120 136591 R$ 467,16 jul/12 Desconto 44157 28/120 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Voto Vencedor Fl. 60495DF CARF MF 38 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado Em que pese a qualidade do voto do Relator, assim como os lógicos argumentos e o seu costumeiro acerto, com a devida vênia, ouso discordar do voto apenas em relação ao afastamento da multa aplicada pelo fato de o contribuinte não fazer constar em folhas de pagamento o valor da remuneração paga a contribuintes individuais ou inclusão em valor inferior ao informado em DIRF. Houve, no presente caso, a lavratura de Auto de Infração para a cobrança de multa, no valor de R$ 2.658,36, pelo descumprimento de obrigação acessória (fls. 2280/2281). De acordo com o item 4 do Relatório Fiscal (fl. 2286): “Integra ainda o processo COMPROT no 16539.720002/2017 37, o Auto de Infração AI com Código de Fundamentação Legal – CFL nº 30, por ter a empresa deixado de preparar Folhas de Pagamento contendo a remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, em descumprimento ao disposto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso I e § 9º, do RPS.” (grifos no original) A despeito dos perfeitos argumentos expostos pelo ilustre Conselheiro Relator, entendo que tais razões não se aplicam para o afastamento da multa decorrente não elaboração de folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social (CFL 30 art. 32, I, da Lei nº 8.212/91). Em trecho de seu voto, o Ilustre Conselheiro relator argumentou que “há, ainda, limitadores que, embora não tenham lastro legal expresso, decorrem da doutrina e da jurisprudência, como o Princípio da Consunção ou Absorção (aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência, em que o delito fim absorve o meio)”. Contudo, no que diz respeito à multa pela não elaboração de folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social, não enxergo o mencionado "nexo de dependência" com a multa aplicada para o "delito fim". O chamado "delito fim" é, no caso, o não pagamento/recolhimento da contribuição devida em sua totalidade, o que implica na aplicação da multa prevista no art. 35 A c/c o art. 44 da Lei 9.430/96 (75% sobre a totalidade ou diferença da contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata). Sendo assim, é perfeitamente possível a existência de um caso em que o contribuinte prepare sua folha de pagamento seguindo os padrões e normas estabelecidos e, no entanto, deixe de declarar em GFIP a totalidade dos fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária, com o consequente recolhimento a menor do tributo. Neste caso hipotético, o contribuinte deve ser punido com a aplicação da multa de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar. De igual forma, em um determinado caso, pode o contribuinte não preparar sua folha de pagamento com os padrões estabelecidos pela Seguridade Social, mas declarar em GFIP todos os fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição Fl. 60496DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.478 39 previdenciária. Neste caso, cabe a punição tão somente pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 (CFL 30). Há ainda a possibilidade de o contribuinte não preparar sua folha de pagamento com os padrões estabelecidos pela Seguridade Social e ainda deixar de recolher a totalidade da contribuição previdenciária devida, caso em que se aplicariam ambas as multas (punição de ofício de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar, mais a sanção pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 – CFL 30). Portanto, no caso da CFL 30, conforme já acima demonstrado, a não preparação da folha de pagamento de acordo com as normas estabelecidas pode muito bem existir sem que haja nenhuma multa devida pela falta de pagamento da contribuição. Mutatis mutandis, também é possível aplicar multa de 75% pela falta de pagamento da contribuição sem que haja a imposição da CFL 30 (no caso de o contribuinte preparar corretamente a folha de pagamento, mas deixar de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores da contribuição previdenciária). Assim, com a devida vênia, não verifico o nexo de dependência entre delitos apontado pelo ilustre Relator, sendo plenamente possível a aplicação de ambas as multas citadas simultaneamente. Pelos motivos acima expostos, entendo que o princípio da Consunção não pode ser invocado no caso da multa aplicada no CFL 30, pois é perfeitamente possível que esta multa coexista em harmonia com a multa de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de ser paga, não havendo, pois, razão para o seu afastamento no presente caso. Sendo assim, constatado que parte da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados a serviço da RECORRENTE não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa em comento. Portanto, deve ser mantida a punição pelo fato de o contribuinte ter deixado de preparar Folhas de Pagamento contendo a remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço (CFL 30), com a aplicação do art. 92 da Lei 8.212/96 e valores atualizados pela Portaria MF nº 08, de 13/01/2017 (vigente à época da lavratura do auto). Acompanho o voto do Relator em relação aos demais argumentos expostos. CONCLUSÃO Por todo o exposto, entendo que deve ser mantida integralmente a exigência fiscal decorrente do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória CFL 30 (fl. 2280/2281). Acompanho o Relator nos demais pontos. Portanto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para: excluir base de cálculo previdenciária o montante de R$ 987,00 (R$ 567,00 + R$ 420,00), relativo aos valores pagos aos Srs. Judson Pereira e Sanderson José da Silva Medeiros, Infração CIA; e excluir os valores listados na planilha que integra a conclusão do voto do Relator da base da cálculo do tributo lançado, da Infração SED. (assinado digitalmente) Fl. 60497DF CARF MF 40 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em que pese minha concordância com a conclusão do ilustre Relator no tocante a incidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento a título de PLR aos segurados contribuintes individuais, no caso concreto, necessário ressaltar minha posição pessoal sobre o tema. Inicialmente, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Fl. 60498DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.479 41 Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Fl. 60499DF CARF MF 42 Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Fl. 60500DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.480 43 Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Fl. 60501DF CARF MF 44 Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 60502DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.481 45 § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Assentados quanto às premissas teóricas sobre a PLR, passemos agora, especificamente, à analise da isenção do pagamento de tal verba aos contribuintes individuais. Após alegar que a possibilidade de pagamento ao diretores estatutários decorre da própria Constituição, uma vez que o artigo 7º assegura o rol dos direitos dos trabalhadores e não somente dos empregados, assevera a Recorrente, que a Lei nº 6.404/76 contempla a possibilidade de pagamento de participação nos lucros para o diretores estatutários, o que cumpriria o ditame da Lei de Custeio no sentido da necessidade de observação das disposições legais para a fruição da isenção da contribuição previdenciária sobre o pagamento da PLR. Assiste parcial razão a Recorrente. Os ditames da Lei nº 10.101/00 se aplicam ao contribuinte individual, ou seja, cumpridos os requisitos previstos na Lei nº 10.101/00, há isenção da contribuição previdenciária nos pagamentos realizados ao contribuinte individual a título de PLR. Explico. Vimos, linhas atrás, quais requisitos para que se usufrua da imunidade condicionada relativa ao pagamento da PLR, requisitos expressamente disposto pela Lei. Dissemos ser obrigação da Autoridade Tributária verificar se o pagamento da PLR cumpriu essas exigência legais, nos estritos termos impostos pela Lei. Fl. 60503DF CARF MF 46 Nesse sentido, como leciona Montoro acima transcrito, a interpretação literal deve ser feita em consonância com o sistema jurídico. Não se pode defender interpretação que discrimine um trabalhador autônomo em relação a um empregado em determinado ponto, mormente se esse entendimento obste um direito que a própria Carta Magna concedeu. Ora, ao instituir uma gama de direitos aos trabalhadores, a Constituição Federal assim determinou: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” (grifei) Não quis, o Constituinte, diferenciar os trabalhadores. Podemos assim inferir, pois quando optou por identificar determinados trabalhadores, a Carta Fundamental assim o fez, como se pode observar no inciso XXXIV e parágrafo único, ambos do mesmo artigo 7º acima, que se referem especificamente ao trabalhador avulso, que teve seus direitos equiparados; e ao doméstico, que na redação original da Carta, os teve diminuídos. Idêntica redação tem a Lei 10.101, de 2000, que em seu artigo 1º, explicita: “Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.” (grifos não constam do texto legal) Para alguns, por mencionar a categoria dos empregados, nos caputs dos artigos 2º e 3º, dispositivos que explicitam os requisitos para a validade da PLR, a Lei nº 10.101 restringiria a estes trabalhadores o direito à participação nos lucros e resultados. Uma análise mais detida e isenta não corrobora tal entendimento. Vejamos. Tanto em um, como em outro artigo, o uso do vocábulo empregado se constituiu um pressuposto lógico, pois o dispositivo constante do artigo 2º trata da participação do sindicato na elaboração do plano, e o do artigo 3º versa sobre a integração da verba paga a título de PLR na remuneração e nos reflexos trabalhistas que só existem para o empregado. A uma não haveria outro modo de redigir a norma, pois ao desejar que os trabalhadores estivessem representados na mesa de negociação com os empregadores por alguém que lhe defendessem os interesses, esse alguém só poderia ser o sindicato, entidade típica dos empregados, que já tem – por expressa previsão constitucional – esse mister. A outra, porque reflexos trabalhistas sobre verbas pagas pelo trabalho, também só surgem para os empregados. Mera busca na letra fria da lei só encontra mais uma remissão aos empregados, justamente no parágrafo 1º do artigo 3º, de onde se conclui que não há, nem do ponto de vista semântico, a intenção do legislador de restringir o benefício. Reiterese, que, ao tratar da questão da tributação da renda decorrente do recebimento da PLR, volta novamente o legislador a utilizarse da expressão “trabalhador”. Por fim, necessário recordar, numa interpretação teleológica, que o contribuinte individual, por exemplo, o diretor, contribui também com seu labor para o Fl. 60504DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.482 47 atingimento das metas e resultados da empresa. Subtrair tal benefício dessa categoria é discriminar alguém que, em regra, não sendo detentor do capital, só possui o trabalho para obter renda e sustentar sua família. Vários julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais corroboram esse entendimento (PAF 10920.002868/200881, Ac. 2301003.024, dj; PAF 11020.002008/201079, Ac. 2301002.492 dj 18.01.2014). Wagner Balera e Thiago Taborda Simões, em obra de fôlego sobre o tema (Participação nos Lucros e nos Resultados: Natureza Jurídica e Incidência Previdenciária, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, FISCOSoft Editora, 2014, p. 163), asseveram: “...Na linha da literalidade, entendese que a norma de isenção descreve a materialidade a exclusão da incidência sobre as verbas pagas aos empregados da pessoa jurídica, conceito que não albergaria os contribuintes individuais (diretores estatutários, administradores, conselheiros), por não gozarem dessa qualidade. Por outro lado, a interpretação sistemática considera o benefício fiscal extensivo aos estatutários, por não integrarem o salário de contribuição. Enfileiramonos com a segunda posição. A norma de isenção da PLR é extensiva aos diretores (contribuintes individuais), já que a norma específica que trata do tema – Lei nº 10.101/2000 – não estabelece a limitação” Não obstante o todo o exposto, outro ponto, ao meu ver irrefutável, deve ser analisado. Disse, há pouco, que não quis o Constituinte distinguir os trabalhadores, ao reverso, fez questão de aproximálos pois, quando entendeu necessário, expressamente se referiu a um e a outro. Porém, outra consideração de cunho eminentemente jurídico deve ser apresentada. É cediço que a interpretação jurídica deve ser feita com estrito respeito aos princípios jurídicos que enfeixam o Direito. Mestre JJ Gomes Canotilho, no clássico Direito Constitucional e Teoria da Constituição (7ª edição, Almedina, pag. 1223), elucida que a Constituição deve ser interpretada segundo um catálogo dos princípios tópicos da interpretação constitucional, desenvolvido a partir de uma postura metódica hermeneuticoconcretizante, recortados pelo autores de forma diversa. Para ele, dois princípios são determinantes: "Princípio da unidade da constituição: O princípio da unidade da constituição ganha relevo autônomo com princípio interpretativo quando com ele se quer significar que a constituição deve ser interpretada de forma a evitar contradições (antinomias, antagonismos) entre suas normas. Como "ponto de orientação", "guia de Fl. 60505DF CARF MF 48 discussão" e "factor hermenêutico de decisão", o princípio da unidade obriga o intérprete a considerar a constituição em sua globalidade e a procurar harmonizar os espaços de tensão entre as normas constitucionais a concretizar (...). Daí que o interprete deva sempre considerar as normas constitucionais não como normas isoladas e dispersas, mas sim como preceitos integrados num sistema interno unitário de normas e princípios. Princípio da máxima efetividade Este princípio, também designado por princípio da eficiência ou princípio da interpretação efectiva, pode ser formulado da seguinte maneira: a uma norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe dê. (...)" (destaques não constam do original) Ainda mais enfática é a posição de Humberto Ávila (Teoria dos Princípios: da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 15ª ed. Malheiros. pag. 158/160). Após recordar que: "Princípios não são necessariamente meras razões ou simples argumentos afastáveis, mas também estruturas e condições inafastáveis" O doutrinador e professor titular da UFRGS, assevera com tintas fortes: "Quando a Constituição contém um dispositivo que privilegia o caráter descritivo da conduta, ou a definição de um âmbito de poder, há, nesse contexto e nesse aspecto, a instituição de uma regra que não pode ser simplesmente desprezada pelo legislador, ainda que haja internamente alguma margem de indeterminação para a definição de seu sentido" Nesse mesmo sentido, Tércio Sampaio Ferraz (Direito Constitucional, Manole, 2007, pg. 10 'in fine'), ensina: "Por exemplo, uma norma constitucional que impõe uma vedação (proibição de instituir tributo que não seja uniforme) valida normas legais que estatuam tributações, se respeitada a vedação, independentemente de se os fins (provimento de recursos adequados às necessidades) estão ou não sendo alcançados" A Carta da República, em seu artigo 150, que versa sobre as limitações do poder de tributar, peremptoriamente, assevera: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 60506DF CARF MF Processo nº 16539.720002/201737 Acórdão n.º 2201004.404 S2C2T1 Fl. 60.483 49 II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos" Refletindo sobre os princípios tributários, Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário: Linguagem e Método, 2ª ed. Noeses, 2008, pg. 267), esclarece: "Quando a estimativa "igualdade" é empregada em direito tributário, o critério é bem objetivo: dois sujeitos de direito que apresentarem sinais de riqueza expressos no mesmo padrão monetário haverão de sofrer a tributação em proporções absolutamente iguais" Voltemos às disposições da Lei nº 10.101/00: "Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual." Ao recordarmos que a Lei nº 10.101/00 trata sobre o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física incidente sobre os valores percebidos pelo trabalhador a título de Participação nos Lucros e Resultados e mais, o faz de forma favorecida, se torna patente que a interpretação que discrimina o diretor estatutário, vedando seu direito ao recebimento da Participação, ofende de morte a Constituição Federal posto que colide frontalmente com a regra (carater descritivo da conduta nos dizeres de Humberto Ávila), constante do inciso II do artigo 150 transcrito. Por óbvio que tal interpretação não pode ser aceita uma vez que contraria direito do contribuinte constitucionalmente esculpido, tratado pela Carta como vedação ao poder de tributar. Ao afastarmos o direito a percepção da PLR nos termos da Lei nº 10.101/00, o contribuinte individual estaria submetido a tributação sobre o valor recebido com base na tabela vigente para a remuneração decorrente do trabalho. Já, para a mesma verba, recebida pelo diretor empregado ou seja, trabalhador na mesma ocupação profissional ou função este teria direito a uma menor tributação para a mesma renda obtida, vez que decorrente de PLR. Leandro Paulsen (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da jurisprudência e da doutrina, 15ª ed. Livraria do Advogado Ed., 2013, pg. 185), é enfático em afirmar: Fl. 60507DF CARF MF 50 " O art. 150, II, da CF é expresso em proibir qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos" Como nos recorda JJ Canotilho, a interpretação deve ser realizada evitando se antinomias constitucionais e mais, ampliandose o gozo de direitos constitucionalmente esculpidos Não há tal vício de inconstitucionalidade na Lei nº 10.101/00. Não será o interprete que irá criálo. Assim, acompanhados pela jurisprudência administrativa e pela moderna doutrina, e principalmente, por entender que a norma de isenção representada pela Lei nº 10.101/00, não limitou o benefício fiscal e trabalhista à determinada categoria de trabalhadores – até porque tal procedimento seria claramente discriminatório e inconstitucional – imperativo reconhecer que a PLR, desde que devidamente implementada, com o programa de criação do plano – devidamente aprovado pelo sindicato dos empregados explicitamente não excluindo os contribuintes individuais, pode sim ser extensiva a todos os trabalhadores da empresa. Destarte, por não ter sido comprovado pela Recorrente, que tal programa foi efetivamente implementado, ou seja, que houve o cumprimento de todos os requisitos constantes da Lei nº 10.101/00, posto que as alegações recursais, cingemse, somente, a argumentar que a Lei das S/A's se aplica ao caso concreto com o que não se pode concordar posto que tal norma não tem o condão de estabelecer regras isentivas, como cediço forçoso votar como o ínclito Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 60508DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001276/2010-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas formalmente e previamente ao período de aferição para o qual se realiza o pagamento. Não tendo sido obedecidas tais condições para o ano-base sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto à retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a tributação dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007 e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que deram provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Ana Paula Fernandes e designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas formalmente e previamente ao período de aferição para o qual se realiza o pagamento. Não tendo sido obedecidas tais condições para o ano-base sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto à retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a tributação dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007 e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que deram provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Ana Paula Fernandes e designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Redatora Designada. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas formalmente e previamente ao período de aferição para o qual se realiza o pagamento. Não tendo sido obedecidas tais condições para o anobase sob análise, os valores pagos a título de PLR passam a sofrer incidência das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 76 /2 01 0- 42 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 527 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto à retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial, para restabelecer a tributação dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007 e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que deram provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Ana Paula Fernandes e designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Redatora Designada. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 12/08/2014, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, prolatandose o Acórdão nº 2403002.666, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 528 3 Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte" A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza." (destaques originais) O processo foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN em 03/03/2015 (Despacho de encaminhamento de fls. 405). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu 30 dias após a referida data. Em 02/04/2015, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 406 a 411 (Despacho de Encaminhamento de fls. 412), os quais foram acolhidos por meio do Acórdão de Embargos 2201003.064 (fls. 419 a 425), cuja ementa é reproduzida abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 EMBARGOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 529 4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Embargos Acolhidos" Essa decisão foi registrada nos seguintes termos: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403002.664, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de 'ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza'." O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: impossibilidade de excluir da tributação valores pagos a título de PLR sem a formalização de acordo previamente ao exercício; e multa relacionada às Contribuições Previdenciárias relativamente a fatos geradores anteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 2008. No que diz respeito à primeira matéria, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos 240100.276 e 240100.545. No tocante à segunda matéria multa relacionada às Contribuições Previdenciárias relativamente a fatos geradores anteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 2008 , a Fazenda Nacional indica os Acórdãos 2401002.453 e 9202003.290 como paradigmas. O Contribuinte em suas contrarrazões alega, inicialmente que : Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 530 5 Contesta a identidade fática entre o recorrido e os paradigmas, uma vez que ambos os paradigmas trazidos Na origem: Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 531 6 Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 532 7 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 533 8 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Admissibilidade Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 534 9 Quanto a matéria , ressalto que esta Câmara Superior tem sido absolutamente diligente na observação dos requisitos de admissibilidade, especialmente em um assunto em que houve mudança de posicionamento desde a composição anterior. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 535 10 Outrossim, entendo que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido, uma vez que há paradigmas específicos para a questão, pois a diferença fática apontada, qual seja, que nos Acórdãos paradigmas não houve comprovação de que as regras do Acordo de PLR já eram previamente conhecidas pelos empregados. Reforça este posicionamento Caso vencida quanto ao conhecimento, voto pela manutenção da decisão a quo, que por seus próprios e integros fundamentos, colaciono excertos do voto vencedor: Por maioria de votos esta Colenda Turma resolveu afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator. Eis , pois, a questão de fundo ...voto vencido... Na seqüência, exortouse o preceituado artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 : "Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados." artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 "Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1o (...) II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. " Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 536 11 Extraído da condução do voto, o texto abaixo reproduzido aduz que o i.Relator verificou cumpridas as exigências para o período imediatamente anterior ao em comento: "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006)." Não se pode deixar de notar que na forma do encimado a empresa, costumeiramente , vinha de conceder o benefício combinado com seus empregados. Dessa forma não causa constrangimento inferir que o acordo em comento sempre esteve pactuado, entretanto, no período em comento, aperfeiçoado de maneira retardada. Relevante ressaltar que acordos, ainda que informais, também são de ser respeitado na legislação pátria. Por óbvio que no caso presente qualquer que tenha sido o pactuado, o acordo somente se aperfeiçoa mediante a assinatura das partes. Entretanto a lei requer que tenha havido o pacto prévio mas, embora as assinaturas sejam decorrente por coerência, não determina que sejam contemporâneas. Afirmar que não houve o pacto requer provas cabais que não se materializam pelo fato de as assinaturas terem sido apostas extemporâneamente. Relevante notar que foram firmadas em 22/12/2006 no mesmo ano em que ocorreram os lucros distribuídos na PLR em 01/2007. Penso que se tivesse havido intenção de burla, as partes teriam combinado de colocar outra data qualquer, anterior , e tal ato passaria ao largo e sequer estaria sendo questionado devido a impossibilidade de fazêlo. Noutro giro, tendo presente que o contrato o pacto é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, embora a Lei específica estabeleça as condições de pactuar no caso em tela, isto não afasta observar a aplicação subsidiária do art. 112 do Código Civil, quando revela que o contrato deve ser interpretado com prevalência da intenção dos contraentes à literalidade das cláusulas, neste sentido o melhor meio de interpretar o contrato é a conduta das partes, ou seja, a forma como vinham executando o contrato nos anos anteriores e antes da aposição das assinaturas. "Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem" Por óbvio, para pagar o benefício a empresa se valeu de documentos expressos em relatórios de produção, formulários e outros instrumentos de controle cuja existência encerra a materialização de pacto prévio. Ademais, por incidência do princípio da primazia da realidade sobre a forma, segundo o Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 537 12 qual a realidade fática sobrepõese aos aspectos meramente formais do contrato, em matéria trabalhista o que importa é o que ocorre na prática. Por derradeiro, exortando o brocardo “Exceptio non adimplenti contractus” da exceção de contrato não cumprido o legislador reservou o art. 476 do Código Civil preceituando que nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Assim, se os empregados não tivessem conhecimento prévio das metas não poderiam cumprir seus compromissos e exigir da empresa a reciprocidade implícita e a empresa estaria livre para inadimplir e não proceder aos pagamentos realizados. "Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro." Assim, em razão de tudo que foi exposto, sou de concluir que se dava afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007. Retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 538 13 dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 539 14 geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 540 15 pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 541 16 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 542 17 refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 543 18 Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 544 19 CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 545 20 legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 546 21 Voto Vencedor Conselheira Ana Paula Fernandes Redatora Designada 1. Quanto ao conhecimento Em que pese o voto da Relatora peço vênia para discordar quanto a decisão de conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. O Regimento interno deste Tribunal Administrativo exige como requisitos necessários ao conhecimento do recurso especial, resumidamente, que haja entre o recorrido e o paradigma: similitude fática e divergência de posicionamento. Diferentemente do que fora alegado no voto que restou vencido, quando analisadas as decisões comparadamente dos acórdãos recorrido e paradigma podese perceber uma clara divergência de entendimento entre os colegiados julgadores. A discussão central de ambos os processos gira em torno do pagamento de PLR a empregados com descumprimento do requisito legal: pacto prévio, ou seja, assinatura do acordo de PLR antes do seu efetivo pagamento. Insurgese o Contribuinte contra o conhecimento do referido recurso sob a argumentação de que o paradigma não serve para o conhecimento do caso concreto, já que nele se discutem duas verbas, e no recorrido apenas uma as quais seriam interdependentes. Ocorre que, a discussão de pacto prévio em nada depende da análise das regras claras e objetivas, ao contrário, o primeiro ponto a ser discutido é a assinatura prévia do acordo, pois somente depois de assinado podese analisar se as regras eram claras ou não de conhecimento de todos os empregados. Isso por que para conhecer a sistemática adotada é preciso que o acordo esteja firmado entre as partes. Observo que o caso do acórdão recorrido fosse analisado pelo colegiado do paradigma, teria resultado divergente independentemente deste também discutir a questão das regras claras e objetivas as quais em nada interferem no resultado do julgamento sobre pacto prévio. Deste modo, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 547 22 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado 2. Quanto ao mérito Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir no mérito, quanto a possibilidade de exclusão dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007, a partir da inexistência acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, caracterizada, assim, violação aos ditames da Lei no. 10.101, de 2000. Inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em seu § 1o., II, expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 548 23 §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, quanto às rubricas em litígio, que se assumisse serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, assim, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não restem caracterizados como detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entendimento reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos empregados). Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 549 24 Mais especificamente, em linha com o entendimento majoritário esposado por esta Turma, entendo só ser possível a consecução de tal binômio caso a formalização, leia se, a assinatura do instrumento de acordo se dê antes do período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou regras claras e objetivas, devidamente formalizadas (visto não haver que se falar em obrigatoriedade legal de distribuição/pagamento sem um instrumento legal que a respalde formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir rendimento financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão 9202005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao qual acedi integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis: (...) Saliento ainda o entendimento expresso pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera no voto condutor do acórdão paradigma nº 2401000.545, indicado no recurso especial de divergência da Fazenda: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. Ainda que se possa alegar que os acordos pouco mudaram relativamente a critérios que estavam estabelecidos anteriormente, nada disso seria garantia de que as regras não pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei nº 10.101/2000 que assegura ao trabalhador o direito à retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a participação da representação sindical. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o Fl. 549DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 550 25 compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedoras de todas as regras a cumprirem. (...) Ainda, faço notar que a literalidade do texto legal também suporta integralmente o entendimento acima adotado de necessidade, para fins de cumprimento aos requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresatrabalhadores contendo metas e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece: a) a sugestão de vinculação à índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e prazos, estes serem pactuados previamente; c) A necessidade de arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical dos trabalhadores e d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição). Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido art. 2o. caput, §§1o. e §§2o. respalda a interpretação aqui adotada de forma integral. Assim, aplicandose tal entendimento ao caso sob análise, verifico que, na forma relatada, no presente caso (efl 17 do Processo apenso 16327.001277/201097), o Acordo de PLR referente ao anobase de 2006 foi assinado somente em 22.12.2006 Assim, uma vez formalizado, para o Progrema de PLR de 2006, somente após ou durante o período de aferição o instrumento de acordo, entendo como violados os requisitos legais estabelecidos pela Lei no. 10.101, de 2000, não havendo, assim, que se falar em possibilidade de exclusão da incidência das contribuições previdenciárias para os valores assim distribuídos a título de Participação nos Lucros e Resultados referentes ao anobase de 2006, pagos em 10/2006 e 01/2007. A propósito, ainda, entendo, pedindo vênia aos que entendem de forma diversa. como incapazes de suprir a violação legal acima apontada, considerações acerca do possível aproveitamento de instrumentos de acordos de PLR referente a anosbase anteriores (2005), de forma a suprir o requisito de assinatura formalização prévia para cada exclusão de PLR, uma vez que, notese, não se poder garantir o atingimento dos objetivos, já aqui resumidos e que fundamentam a exclusão em análise, através de acordos informais. Por fim, novamente com a devida vênia ao referido entendimento, entendo que não caberia à autoridade fiscal produzir "provas cabais" da inexistência do pacto prévio para o ano de 2006 a partir da assinatura tardia durante o período de aferição (ocorrida em 22/12/2006), mas sim à autuada produzir provas no sentido de obediência aos ditames da Lei no. 10.101, de 2000, como fato autorizativo de exercício de seu direito à exclusão da base de Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 9202006.471 CSRFT2 Fl. 551 26 cálculo, legalmente estabelecido (aplicação subsidiária do art. 333, I do CPC). E, repitase, conforme acima citado, requer a Lei, no entendimento deste Redator, a formalização do acordo específico, relativo a cada períodobase, prévia em relação ao respectivo período de aferição, o que, notese, não ocorreu, in casu, para a PLR do anobase de 2006 (assinatura ocorrida somente em 22/10/2006 e pagamentos realizados nas competências 10/2006 e 01/2007). Nenhuma divergência quanto ao voto condutor possuo no tema de retroatividade benigna, e, assim, acompanho a Relatora no sentido de também aceder à tese fazendária. Todavia, noto que ainda que se aceda aos dois pontos levantados pela Fazenda em seu pleito recursal, não se está aqui a aceder integralmente ao pedido constante daquele recurso, no sentido de restabelecer a decisão de 1a. instância e à autuação em sua inteireza, visto que permanecem como não tributáveis os valores pagos nas competências 01/2005, 10/2005 e 01/2006, já excluídos pelo Colegiado a quo e objeto de trânsito em julgado, uma vez que, notese, não se insurge o pleito fazendário contra a conclusão, pelo Colegiado a quo, no sentido de cumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas para o anobase de 2005 (motivação da autuação). Destarte, quanto ao mérito recursal, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer a tributação dos pagamentos da PLR das competências 10/2006 e 01/2007 e para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913815/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.518, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 31/08/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 5/ 20 12 -4 4 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913815/201244 Resolução nº 1302000.559 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913815/201244 Resolução nº 1302000.559 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913815/201244 Resolução nº 1302000.559 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901358/2012-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COFINS NÃO-CUMULATIVA. SERVIÇOS PARA TRANSPORTE DE LAMA VERMELHA, INERENTES À EFETIVA CONCLUSÃO DO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO A CRÉDITO.
O transporte de resíduos industriais, em regra, não dá direito a crédito, pois não é diretamente ligado ao processo produtivo. No entanto, na atividade da empresa, referente à de produção de Alumina pelo chamado Processo Bayer, faz-se essencial a remoção dos resíduos da, também chamada, lama vermelha, não somente em função dos riscos ambientais evitados, mas, também, pela própria possibilitação da normal continuidade da industrialização.
Numero da decisão: 9303-006.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas quanto aos Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como "lama vermelha").
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS NÃO-CUMULATIVA. SERVIÇOS PARA TRANSPORTE DE LAMA VERMELHA, INERENTES À EFETIVA CONCLUSÃO DO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO A CRÉDITO. O transporte de resíduos industriais, em regra, não dá direito a crédito, pois não é diretamente ligado ao processo produtivo. No entanto, na atividade da empresa, referente à de produção de Alumina pelo chamado Processo Bayer, faz-se essencial a remoção dos resíduos da, também chamada, lama vermelha, não somente em função dos riscos ambientais evitados, mas, também, pela própria possibilitação da normal continuidade da industrialização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas quanto aos Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como "lama vermelha"). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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SERVIÇOS PARA TRANSPORTE DE “LAMA VERMELHA”, INERENTES À EFETIVA CONCLUSÃO DO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO A CRÉDITO. O transporte de resíduos industriais, em regra, não dá direito a crédito, pois não é diretamente ligado ao processo produtivo. No entanto, na atividade da empresa, referente à de produção de Alumina pelo chamado “Processo Bayer”, fazse essencial a remoção dos resíduos da, também chamada, “lama vermelha”, não somente em função dos riscos ambientais evitados, mas, também, pela própria possibilitação da normal continuidade da industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas quanto aos Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como "lama vermelha"). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 13 58 /2 01 2- 58 Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 9303006.089 CSRFT3 Fl. 1.131 2 Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.046 a 1.068), contra o Acórdão 3402003.101, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 944 a 966), sob a seguinte Ementa (da qual extraio somente os excertos de interessa para este julgamento): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. Citase como exemplo de insumos, no caso analisado os serviços de transporte de rejeitos industriais. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte Ao Recurso Especial foi dado seguimento (fls. 1.070 a 1.073), sendo que a PGFN logo delimita o objeto da lide dizendo que “Insurgese a Fazenda Nacional em face do acórdão ... no qual decidiuse dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório, “somente em relação aos serviços de transporte de rejeitos industriais”, ou seja, “A questão nuclear prendese à definição de insumos considerados como crédito no regime de incidência nãocumulativa do PIS/COFINS”, neste caso, especificamente em relação a tais serviços. Alega a recorrente “que resta evidente que, ainda que se adote conceito de insumo diverso daquele elaborado pela legislação do IPI, cabe conclusão em sentido diverso daquele encampado pela decisão recorrida, no sentido de que aquisições de serviços de transporte de rejeitos industriais não podem ser enquadrados no conceito de insumo para gerar direito a crédito de PIS/COFINS nãocumulativo”, concluindo que “Como ficou registrado no paradigma ... os rejeitos industriais ‘não foram utilizados como insumos na fabricação da alumina. A primeira é rejeito do processo de produção (...). Já os custos de transporte com aquela lama não integram o processo de produção da alumina. A própria recorrente reconhece que a lama vermelha e os refratários não são insumos nem materiais intermediários utilizados na produção da alumina, o produto fabricado e vendido por ela e, ainda, que nenhum deles mantêm contato físico com o produto fabricado”. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 9303006.089 CSRFT3 Fl. 1.132 3 O Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1.080 a 1.086), nas quais diz que o acórdão paradigma trazido pela PGFN foi publicado em 2007, e a jurisprudência vem mudando no sentido de reconhecer o crédito para a própria empresa (ALUMAR), pelo que pede o não conhecimento do Recurso Especial, e, em caráter alternativo, que seja desprovido, pois se os rejeitos não forem separados e removidos do local de produção após serem gerados, “inviabilizará seja alcançado o produto final – alumina”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Se mudança de jurisprudência após a interposição do Recurso Especial fosse motivo para o seu não conhecimento, certamente muitos, tanto de um lado como de outro, o não o seriam, além do que a “linha” entre o que se considera vencido ou não seria tão tênue que, mesmo admitida a hipótese, praticamente impossível poderia ser delimitada, a não ser no caso da superveniência de normas vinculantes, como Súmulas, por exemplo. Não é o caso, pelo que entendo que os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e foram respeitadas a formalidades previstas no RICARF, razões pelas quais dele conheço. Todos aqui certamente estão a par das inúmeras batalhas que se travam quase que diariamente no Contencioso (principalmente na área Administrativa, mas também na Judicial) sobre o conceito de insumos para fins de creditamento PIS/Cofins, e que tende hoje o CARF a adotar um conceito “intermediário”, entre o do IRPJ e o do IPI. Mesmo neste conceito “intermediário”, a questão não está pacificada: uns consideram suficiente que o bem ou serviço seja utilizado na produção; outros que é necessário que o bem seja utilizado diretamente na produção; outros, que seja indispensável. Vejamos, a título de exemplo, um caso concreto: As indústrias, em regra, fornecem vestuário a seus operários da linha de produção. Os chamados “bluecollars” vestem roupas padronizadas nas montadoras de automóveis. São utilizadas na produção?? Sim. São utilizadas diretamente na produção?? Não. São indispensáveis?? Não (ao menos de forma padronizada). Já os trabalhadores que fazem cortes de frango nas linhas de produção de frigoríficos usam “roupas” (EPI) que são exigidas pelas autoridades sanitárias. Estas são utilizadas na produção, mas não diretamente, e são indispensáveis. Uns entendem que nenhuma das duas vestimentas dá direito a crédito, outros que ambas dão e outros que só as segundas. Então, efetivamente, não é pacífico. Mas inconteste é que devem ser utilizados no processo produtivo. Como já visto, a discussão aqui limitase a se considerar, ou não, para fins de creditamento PIS/Cofins, se, nos serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003), incluem ou não os serviços de transporte de rejeito industrial conhecido como “lama vermelha”. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 9303006.089 CSRFT3 Fl. 1.133 4 Em vários acórdãos proferidos nesta mesma Turma, com composição quase idêntica, versando sobre o mesmo assunto e a mesma empresa (nos quais, em regra, restei vencido), entendi que rejeitos industriais não podem fazer parte do processo produtivo. É pura lógica. Se são rejeitos do processo, dele já participaram os seus componentes, mas de outra forma. Ocorre que, pesquisando mais a fundo o processo produtivo da ALUNORTE, utilizandome, como um dos meios, de buscas na Internet, via Google, me deparei com uma realidade um pouco diversa, no precioso estudo feito pela “Revista Matéria”, vol. 12, nº 2, pp. 322 – 338, 2007, http://www.materia.coppe.ufrj.br/sarra/artigos/artigo10888 (o qual anexei às fls. 1.127 a 1.129), do chamado “Processo BAYER”, do qual a empresa se utiliza, e, que, em seus “Comentários Finais”, diz os seguinte: “Os custos com a disposição e o gerenciamento da lama vermelha representam grande parte dos custos de produção da alumina. Os custos ambientais associados à disposição da lama vermelha também são altos. Apesar dos avanços tecnológicos obtidos nos últimos anos, a disposição da lama vermelha ainda é um grande problema para a indústria de beneficiamento do alumínio. Portanto, a busca por novas tecnologias, que visem o aproveitamento da lama vermelha representando alternativas capazes de senão solucionar, pelo menos amenizar o problema é fundamental para o Brasil, sexto maior produtor mundial de alumina, e, portanto um dos maiores geradores de lama vermelha no mundo.” Todos sabem do que relativamente recente desastre ambiental potencialmente similar causou em Minas Gerais – mas, isto não seria, em si, o mais importante, pois a tributação segue os estritos limites da legalidade. No entanto, à vista do que vejo na essencialidade no processo produtivo (apesar de, rigorosamente, “paralelo” a ele), voto por admitir os créditos relativos ao transporte de lama vermelha, pelo que nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1133DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.901477/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 14 77 /2 01 3- 26 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.747, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.901477/201326 Acórdão n.º 3301004.430 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721289/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas.
ARBITRAMENTO. COEFICIENTE.
Aplica-se o coeficiente de arbitramento do lucro de 9,6% às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de distribuição de combustíveis, pois não exercem atividade de revenda de combustíveis para consumo.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente).
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: 22064393870 - CPF não encontrado.
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Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. ARBITRAMENTO. COEFICIENTE. Aplicase o coeficiente de arbitramento do lucro de 9,6% às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de distribuição de combustíveis, pois não exercem atividade de revenda de combustíveis para consumo. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 12 89 /2 01 3- 16 Fl. 360DF CARF MF 2 Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10830.721289/201316 Acórdão n.º 1401002.300 S1C4T1 Fl. 361 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº. 1463.460 3ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente o lançamento contra RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA e manteve o lançamento. O Auto de Infração foi lavrado para exigir valores devidos no período de janeiro a março de 2008, a título de IRPJ e CSLL, relativos ao período de apuração 1º trimestre/2008, mediante os quais se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 9.937.969,71 (nove milhões, novecentos e trinta e sete mil, novecentos e sessenta e nove reais e setenta e um centavos), incluindo multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até março de 2013. Transcrevo abaixo partes do Acórdão Recorrido, que bem descreve os fatos ocorridos no feito até aquele momento: No tocante à fundamentação fática e jurídica dos lançamentos, o Auditor Fiscal responsável teceu, no Relatório Fiscal mencionado, as considerações a seguir sintetizadas: 1. Do Contribuinte: · A empresa fiscalizada é sociedade empresária limitada que atua no ramo de distribuição, transporte rodoviário, importação, exportação e comércio de combustíveis, óleos lubrificantes, álcool carburante e outros combustíveis líquidos carburantes, por atacado, conforme Contrato Social de 26/05/2010. · A contribuinte apresentou tanto a DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) quanto o Dacon para o anocalendário 2008 com os campos totalmente zerados. Observou, ainda, a ausência de recolhimentos de PIS e Cofins para os meses de 2008. 2. Da Ação Fiscal: · O procedimento fiscal em tela iniciouse em 25/11/2011, ocasião em que constatouse que a empresa não funcionava no endereço informado à RFB, conforme Termo de Constatação Fiscal nº 02 (fls. 60/62), razão pela qual a mesma foi cientificada deste e do Termo de Início de Fiscalização mediante o Edital/SEFIS/459/2011. Também foram enviadas cópias dos referidos Termos via postal para os endereços dos sócios, os quais foram recebidos. · Após entregar cópia do Contrato Social e alterações em 22/12/2011, a fiscalizada solicitou prorrogações de prazo para atendimento ao Termo de Início e manifestação quanto ao Termo de Constatação nº 02. Em 18/01, 15/03 e 09/05/2012 foram lavrados Termos de Reintimação Fiscal, reiterando as solicitações constantes dos Termos iniciais. A ciência destes últimos se deu da mesma forma que os primeiros (via editalícia para a pessoa jurídica e via postal para os sócios). Fl. 362DF CARF MF 4 · Em 17/05/2012 a contribuinte apresentou pessoalmente, por meio de seu procurador, os Livros Registro de Apuração ICMS nºs 001, 004 e 005/2008 e 002, 005 e 006/2009. Além destes, foi entregue: “Demonstrativo das receitas auferidas pela empresa, mensalmente, na venda de combustíveis, referente ao período de Janeiro de 2008 até Dezembro de 2009, em CDROM e em vias impressas”, cujas planilhas relacionam as notas fiscais de saída, por estabelecimento e tipo de combustível vendido. · Em resposta ao Termo de Constatação nº 02, entregou cópia parcial do processo nº 13746.002217/200848, do qual consta a solicitação da interessada pela alteração cadastral de seu endereço no CNPJ, em 05/11/2008, informando a mudança da sede da empresa para a cidade de Duque de Caxias/RJ. Na ocasião, alegou impossibilidade de proceder a tal alteração via sistema (PGD), em virtude de estar na situação “inapta” perante a Fazenda Estadual. Tal requerimento foi indeferido pela ARF/Duque de Caixas/RJ, mediante despacho exarado no processo citado, do qual o sócio responsável pela empresa foi cientificado em 22/07/2011. · Na mesma data (17/05/2012), a fiscalizada foi novamente reintimada a atender às solicitações ainda pendentes do Termo de Início de Fiscalização, quais sejam, os livros Diário, Razão e de Apuração do Lucro Real (LALUR) dos anos calendário (AC) 2008 e 2009. Após mais 04 (quatro) reintimações de igual teor (em 28/06, 21/08, 17/10 e 14/11/2012) – sendo advertida, nas três últimas, de que o não atendimento ensejaria o arbitramento do lucro – a contribuinte apresentou, em 20/12/2012, o LALUR do anocalendário 2009 e foi intimada a regularizar sua escrituração contábil digital e a apresentar o LALUR de 2008 e os Livros Registro de Inventário de seus estabelecimentos, do AC 2008, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 12 (fls. 289/290). · Em 07/02/2013, o sujeito passivo apresentou o LALUR de 2008 e foi intimado, através do Termo de Reintimação nº 13 (fl. 291), a regularizar sua escrituração contábil digital e apresentar os Livros Registro de Inventário de todos os seus estabelecimentos, relativos ao AC 2008, bem como o Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2011. 3. Do Arbitramento do Lucro · Mesmo intimada e reintimada a apresentar seu Livro Registro de Inventário do AC 2008, a fiscalizada não apresentou tal documento fiscal de escrituração obrigatória que deve ser registrado e autenticado no órgão competente, como determina o art. 260 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR). Causou estranheza o fato de a empresa, detentora de faturamento superior a meio bilhão de reais, não fornecer tal livro fiscal, dispondo de prazo razoável para tanto. Tal escrituração é obrigatória pois fundamental à apuração do custo de mercadorias vendidas e, em consequência, do lucro bruto auferido no período. A ausência deste inviabiliza a verificação, pelo Fisco Federal, dos custos apropriados contabilmente pela contribuinte. · Deste modo, ante expressa previsão legal de arbitramento do lucro nas hipóteses de ausência ou deficiências na documentação contábil e fiscal do contribuinte (art. 530 do RIR/99), o AuditorFiscal procedeu à lavratura dos Autos de Infração com base no lucro arbitrado, uma vez que a contribuinte apurou o lucro real tributável sem apresentar o livro fiscal obrigatório que lhe garantisse tal forma de tributação. · A fiscalizada transmitiu a DIPJ/2009 (AC 2008) com os campos relativos à apuração do resultado e do lucro tributável zerados. No entanto, declarou em DCTF e recolheu, a título de IRPJ e CSLL do 1º trimestre/2008, os valores de R$ 63.485,58 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10830.721289/201316 Acórdão n.º 1401002.300 S1C4T1 Fl. 362 5 e 25.014,81, respectivamente, os quais foram considerados nos Autos de Infração em tela. 4. Do Lançamento de Ofício do IRPJ e CSLL · O cálculo do lucro arbitrado foi efetuado nos termos dos arts. 518, 519 e 532 do RIR/99, ou seja, aplicandose os seguintes percentuais: 8% acrescido de 20% sobre a receita bruta oriunda da venda de combustíveis para revenda, e de 1,6% (com o mesmo acréscimo) sobre a revenda de combustível para consumo. · A partir dos Livros Registro de Apuração do ICMS chegouse ao montante da receita bruta auferida pela fiscalizada, sobre o qual foi aplicado o percentual de 9,6%, conforme a tabela a seguir: · Assim, constatada a insuficiência no recolhimento do IRPJ e da CSLL do 1º trimestre/2008 e diante dos fatos legalmente previstos como hipótese para arbitramento do lucro, foram lançados de ofício os tributos devidos, de acordo com as alíquotas aplicáveis nos termos do RIR/99 (arts. 541 e 542) e das Leis nº 9.430/96 (art. 29, I), nº 9.249/95 (art. 20) e nº 10.637/2002 (art. 37). 4.1 Multa de Ofício · Incidiu no lançamento a multa de ofício de 75%, em razão do disposto na Lei nº 9.430/96, art. 44, inciso I. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente, afastadas as alegações quanto à ilegalidade do arbitramento e utilização indevida de presunções no arbitramento do lucro, bem como da inadequação do coeficiente de arbitramento utilizado no auto de infração e da imposição da multa com caráter confiscatório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, repisando em suma os argumentos da Impugnação. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Embora não tenha sido juntado aos autos o AR confirmando a data em que a recorrente foi cientificada do acórdão recorrido, há nos autos despacho (fl. 357) mencionando Fl. 364DF CARF MF 6 que o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 10/02/2017 e o Acórdão emitido em 05/01/2017, de forma que se presume que tenha apresentado tempestivamente, embora não conste ciência do mesmo no presente processo, tendo sido informado pela autoridade fiscal ainda que foi lançada como data de ciência do Acórdão no sistema sief a da apresentação do Recurso Voluntário, de forma que entendo superada a questão relacionada à tempestividade, principalmente, porque dado o contexto qualquer dúvida quanto a data da intimação dever ser interpretada em favor do contribuinte conforme art. 112 do CTN. Do Arbitramento. De início a Recorrente reclama que o arbitramento fora arbitrário, contudo, do TVF extraio que a escrituração do contribuinte continha deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, a fiscalização arbitrou o lucro tudo de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, mesmo tendo sido oportunizado inúmeras vezes que ela produzisse a prova da legitimidade de seus lançamentos, tendo por diversas vezes sido intimado para tanto, como relatado, não o fez com êxito. Assim, pacificado nesse Conselho que o lançamento baseado no art. 42, da Lei nº 9.430/96, e que é legítimo o lançamento com base na presunção legal por ele instituída, desde que seguidos os procedimentos impostos no dispositivo. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica na impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Na verdade, o arbitramento é uma medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumprisse suas obrigações fiscais quando lhe fosse conveniente. Percebese no presente caso, tanto a injustificada omissão na apresentação de livro fiscal de escrituração obrigatória (Livro Registro de Inventário), quanto a apresentação de escrituração contábil digital, via sistema SPED, com erros ou deficiências (Livro Diário desacompanhado dos respectivos livros auxiliares), incidindo a contribuinte em hipóteses autorizadoras do arbitramento do lucro, previstas nos supracitados incisos do art. 530 do RIR A autoridade fiscal, então, após ter intimado e reintimado a empresa, acertadamente, arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR/1999, abaixo transcrito: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10830.721289/201316 Acórdão n.º 1401002.300 S1C4T1 Fl. 363 7 Em função desse contexto, cabe enfatizar novamente, não restou ao fisco outra opção senão proceder a apuração do imposto com base no lucro arbitrado, tomandose por base a receita conhecida oriunda da presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/06. Embora haja arguição do Recorrente no sentido de que "a fiscalização tinha, com base nos livros e arquivos magnéticos disponibilizados pela recorrente, meios suficientes de obter com precisão as base tributável dos referidos lançamento, na medida em que a atividade desenvolvida pela Recorrente é exclusivamente de revenda", ela não faz a prova necessária a sustentar a sua alegação, pois sequer demonstra a viabilidade de apuração pelo Lucro Real conforme pretendido. O que leva a crer que sequer ela foi capaz de tal apuração e reforça ainda mais a necessidade de que a apuração tenha se dado na forma arbitrada. Como o recurso voluntário discute apenas o direito, não adentrando entrando na individualização dos lançamentos contábeis somada à comprovação de suas origens, deve ser mantido o lançamento neste ponto. Inadequação do coeficiente de arbitramento utilizado no Auto de Infração. Defende a Recorrente que coeficiente de lucratividade utilizado pela autoridade fiscal no arbitramento do lucro, de 9,6%, não está correto, pois o art. 532 do RIR/99 determina a aplicação da alíquota de 1,92% em se tratando de empresa cujas receitas sejam oriundas da revenda, para consumo, de combustíveis derivados do petróleo ou álcool. Segundo o argumento recursal, não caberia afirmar que tal dispositivo legal aplicarseia apenas aos revendedores varejistas, pois não seria lógico imputar a uma distribuidora uma margem de lucro tão elevada, empresa esta que trabalha com reduzida margem de lucros, face a elevada concorrência existente no mercado. Destaca que a “margem de distribuição” (lucro) divulgada pela Agência Nacional de Petróleo – ANP não é vinculante, mas é uma constatação, a partir das operações rotineiramente realizadas pelas distribuidoras, que não poderiam se afastar desse coeficiente, sob pena de responder por infração à ordem econômica. Assim, não poderia a Impugnante aceitar a presunção de lucro de 9,6%, pois o valor resultante seria muito superior ao divulgado pela ANP, autarquia à qual compete aferir o índice real nas operações do setor. Deste modo, de acordo com o que defende a recorrente, a alíquota que mais se aproximaria da realidade das empresas distribuidoras é a de 1,92%, razão pela qual requer o cancelamento dos Autos de Infração, pois lavrados com base em coeficiente de arbitramento totalmente incorreto. A questão relativa à escolha do coeficiente de arbitramento é resolvida com a verificação da atividade objeto da autuação empresarial da Recorrente, conforme esclarecem os art. 518 e 519 do RIR. Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei n° 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Fl. 366DF CARF MF 8 Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, §1º): I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; (Grifouse) (...) Art.532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). De acordo com o já considerado pelo Acórdão DRJ, a atividade principal da Recorrente é a distribuição de combustíveis, a qual possui características diversas da atividade de revenda para consumo de combustíveis, disciplinada pelo art. 519, parágrafo 1o., inciso I, para aplicação do percentual de um inteiro e seis décimos por cento. No Contrato Social da Recorrente à Clausula 3a. (fl. 71) aponta como atividade precípua da recorrente distribuição de combustíveis (derivados de petróleo), atendendo no atacado, qual não se confunde, portanto, com a atividade de revenda, para consumo, de combustíveis, a qual é realizada pelos postos revendedores de combustíveis ao consumidor. Portanto, não merece reparos a decisão recorrida, quando fundamenta que Patente a ausência de fundamento das afirmações de que o percentual de 9,6% implicaria em uma margem de lucro muito elevada, diante de fatores como a elevada concorrência do mercado de distribuição de combustíveis ou da “margem de distribuição” divulgada pela Agência Nacional de Petróleo – ANP, por absoluta ausência de previsão legal nesse sentido. Portanto, temos que foi corretamente aplicado no lançamento o percentual de 9,6% (8%, acrescido de 20%) incidente sobre a receita bruta apurada com base nos Livros Registro de Apuração do ICMS, em estrita observância ao que determinam os artigos 518 c/c o 532 do RIR/99. Do percentual confiscatório da multa de ofício de 75%. Argui a recorrente que o percentual de multa de 75% (setenta e cinco por cento) do valor discutido, seria exagerado, na medida em que resta por arrancar uma parcela considerável do patrimônio do contribuinte. Este é o caráter confiscatório da multa exigida. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10830.721289/201316 Acórdão n.º 1401002.300 S1C4T1 Fl. 364 9 controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deste modo, não conheço das questões que sustentam a insubsistência do crédito tributário com base em alegações relacionadas à inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente. Por todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.001969/2008-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados. Art. 73 do RIR/99.
Numero da decisão: 2002-000.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente FABIO ALBERTO FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados. Art. 73 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 19 69 /2 00 8- 81 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10640.001969/200881 Acórdão n.º 2002000.077 S2C0T2 Fl. 94 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2006 e 2007, anocalendário 2005 e 2006, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas e omissão de rendimentos. O contribuinte apresentou impugnação (fls.60/64), alegando, em síntese, que apresentou documentação comprobatória das despesas médicas em conformidade com os dispositivos que regem a matéria. Acrescenta que os profissionais emitiram declarações acerca dos tratamentos realizados e que os pagamentos foram efetuados em espécie. Concorda com a omissão apontada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) negou provimento à Impugnação (fls. 66/72), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que restam indevidas as deduções de despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte, quando não demonstra os efetivos pagamentos dessas. Cientificado dessa decisão em 1/9/2008 (fl.75), o contribuinte formalizou, em 17/9/2008 (fl.77), seu Recurso Voluntário (fls. 77/89), no qual repisa os argumentos apresentados na impugnação, no sentido de que os recibos se revelariam hábeis a fazer a prova exigida, reproduzindo a legislação de regência. Alega que a exigência do efetivo pagamento seria arbitrária e feriria o princípio da legalidade Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.73). É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10640.001969/200881 Acórdão n.º 2002000.077 S2C0T2 Fl. 95 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de despesas médicas. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10640.001969/200881 Acórdão n.º 2002000.077 S2C0T2 Fl. 96 4 Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados e a efetividade do pagamento das despesas correspondentes (fls. 18/19). Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10640.001969/200881 Acórdão n.º 2002000.077 S2C0T2 Fl. 97 5 Em sua impugnação, o contribuinte defende que os recibos fazem a prova exigida. A DRJ manteve a autuação, consignando: Na presente lide, o autuado aduziu que a psicóloga Flavia Amélia Ribeiro e os demais profissionais confirmam a realização dos serviços e da percepção dos valores em espécie. O volume das deduções de despesas médicas, identificado pela Fiscalização como vinculado à citada profissional, revelou importâncias de magnitudes significativas, consistentes nas montas de R$ 206.282,00; R$ 306.707,00; R$ 358.460,00; R$ 305.760,00, referentes, respectivamente, aos anoscalendário de 2003 a 2006. A ausência de verossimilhança para a ocorrência da prestação de serviços e dos correspondentes valores, estampados em recibos, determinou a consideração de que esses só seriam validados por provas adicionais, sobretudo mediante a demonstração dos efetivos pagamentos. A garantia constitucional firmada no art. 5°, II, atinente à legalidade, não exime o contribuinte de apresentar prova do efetivo pagamento, em face do já citado art. 73 do RIR/1999, cuja base legal está assentada no art. 11, § 3°, do DecretoLei n. 5.844/1943, porquanto a situação em concreto colocou em xeque os recibos emitidos pela indigitada profissional e, a reboque, os da lavra dos demais. Não há que se dar valia, então, ao mero argumento, tanto dos emissores dos recibos quanto do contribuinte que deles pretendeu se beneficiar, que os valores envolvidos foram satisfeitos em espécie. A legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos/nota fiscal, como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1°, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Não procurou o contribuinte, à luz do que lhe fora requerido pela autoridade fiscal, demonstrar os pagamentos, mediante a apresentação de microfilmagem de cheques, ordens bancárias, documentos de transferências, extratos bancários para observação de saques com valores e datas coincidentes com as pretensas importâncias, e outros. Dessa forma, resta a este julgador a plena convicção de que os valores utilizados como dedução de despesas médicas, por parte do contribuinte, eram indevidos, tal qual firmado pela Fiscalização. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o contribuinte insiste que, a fim de confirmar as despesas médicas, não poderia ser exigido dele nada mais que os recibos. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10640.001969/200881 Acórdão n.º 2002000.077 S2C0T2 Fl. 98 6 Como já defendi acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas o contribuinte nada apresentou nesse sentido. Por fim, importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, inciso I, do CPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis o valor pago a título de despesa médica. Na ausência dessa comprovação, a glosa deve ser mantida. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
