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Numero do processo: 13971.000687/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. LIMITAÇÃO AO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO ANO CALENDÁRIO.
Nos termos da jurisprudência predominante no CARF, a multa isolada sobre as estimativas não pode incidir sobre base superior ao montante da contribuição devida ao final do ano calendário.
Numero da decisão: 1102-000.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para o fim de rerratificar o Acórdão nº 1102-000.463, de 30 de junho de 2011, e confirmar o cancelamento integral das multas isoladas aplicadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Nara Cristina Takeda Taga, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AMERICANA GRANITOS DO BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhemse os embargos para sanar obscuridade no acórdão com relação a ponto decidido pelo colegiado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO DEVIDO AO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. Nos termos da jurisprudência predominante no CARF, a multa isolada sobre as estimativas não pode incidir sobre base superior ao montante do imposto devido ao final do ano calendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. LIMITAÇÃO AO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. Nos termos da jurisprudência predominante no CARF, a multa isolada sobre as estimativas não pode incidir sobre base superior ao montante da contribuição devida ao final do ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para o fim de rerratificar o Acórdão nº 1102000.463, de 30 de junho de 2011, e confirmar o cancelamento integral das multas isoladas aplicadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 87 /2 00 6- 41 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.888 S1C1T2 Fl. 3 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Nara Cristina Takeda Taga, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de embargos interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC contra a decisão proferida no Acórdão nº 1102000.463, de 30 de junho de 2011, que restou assim ementado e decidido: “Assunto: Imposto Sobre a Renda De Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS. REGIME DE CAIXA. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação (regime de caixa). Neste regime, as despesas com variações cambiais apropriadas pelo regime de competência, devem ser adicionadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA EM ESCRITURAÇÃO DE DESPESA. A inexatidão, quanto ao período de apuração, na escrituração de receita, custo ou despesa, somente constitui fundamento para lançamento de imposto ou diferença de imposto, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, quando incidem sobre a mesma base de cálculo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar os lançamentos do IRPJ e de CSLL, relativos à despesa com a provisão para o pagamento de IRRF, no ano calendário de 2004, no valor de R$824.144,36, nos termos do voto do relator. E, por maioria de votos, cancelar a exigência da multa isolada, vencido o Relator e o Conselheiro Fl. 890DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.888 S1C1T2 Fl. 4 3 Leonardo de Andrade Couto. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. João Carlos de Lima Júnior.” Sustenta a requerente a existência de contradição na decisão. Observa que o conselheiro designado para redigir o voto vencedor limitou o seu pronunciamento tão somente à aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ sobre a base de cálculo estimada, entendendo incabível a sua aplicação concomitante à multa de oficio incidente sobre a mesma base de cálculo. Contudo, conforme se depreende da leitura da decisão embargada, verificase que o relator, em voto vencido, mantivera integralmente a exigência de todas as multas isoladas lançadas, de IRPJ e de CSLL, em conformidade com a decisão proferida pela DRJ/FNS/SC. Em vista do exposto, a requerente encaminhou os autos a este colegiado, para que seja sanada a contradição apontada. Tendo sido relator do voto vencido, bem como tendo em vista que o redator originariamente designado não mais integra o colegiado, foram os presentes embargos a mim redistribuídos para relato, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), e, por despacho, foram eles encaminhados para apreciação pela Turma. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os autos foram recebidos na DRF/BlumenauSC em 05.04.2013 (fls. 870) e os embargos foram interpostos em 08.04.2013, sendo, portanto, tempestivos. Nos termos do art. 65 do RICARF, o titular da unidade administrativa encarregada da liquidação e execução do acórdão é autoridade competente para interpor embargos, quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso concreto, a parte dispositiva da acórdão embargado registra apenas que, por maioria de votos, foi cancelada “a exigência da multa isolada” (sic), sendo que o relatório daquela decisão registra que foram lançadas multas isoladas de IRPJ e de CSLL e em mais de um ano calendário, e, ainda, que as circunstâncias fáticas que permeavam essas multas eram diversas, sendo que o voto vencedor abordou a questão exclusivamente sob a ótica da impossibilidade de aplicação concomitante à multa de oficio incidente sobre a mesma base de cálculo. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.888 S1C1T2 Fl. 5 4 Verificase, assim, haver de fato uma certa obscuridade no acórdão proferido, a qual deve ser corrigida por meio de embargos. Preenchidos, portanto, os pressupostos de admissibilidade dos presentes embargos, deles tomo conhecimento. Consta no relatório da decisão embargada que as infrações constatadas pela fiscalização eram as seguintes: 1) Adições não computadas nas apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL – Variações cambiais – Anos 2001 e 2002. 2) Falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada– 2001 e 2002 – multa isolada. 3) Diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago – IRPJ estimativas –2003 – multa isolada. 4) Impostos, taxas e contribuições não dedutíveis – IRRF 2004. Abstraindose a infração 4 acima, que restou inteiramente exonerada, temse que, no tocante às multas isoladas, houve duas situações ensejadoras de sua aplicação, conforme está detalhado no relatório e voto vencido da decisão recorrida, a saber: As multas isoladas (IRPJ e CSLL) dos anos de 2001 e 2002 são direta e exclusivamente decorrentes do recálculo das estimativas devidas em razão da infração 1 acima referida (variações cambiais), é dizer, a multa isolada e a multa de ofício teriam origem em uma situação fática comum, sendo que, no ano de 2001, foram apurados no ajuste (ao final do ano) IRPJ e CSLL devidos em razão daquela primeira infração, enquanto que, no ano de 2002, as infrações foram integralmente absorvidas pelos prejuízos fiscais e bases negativas do próprio período, ou seja, não houve apuração de IRPJ e CSLL devidos no ajuste. Já as multas isoladas do ano calendário de 2003 são decorrentes apenas do confronto da escrituração com o declarado em DCTF, e abrangem tão somente o IRPJ. A fiscalização verificou que a recorrente apurara, em balancetes de suspensão/redução do imposto, valores de IRPJ devidos nos meses de fevereiro a outubro de 2003, mas que, entretanto, declarara em DCTF e incluíra em processos de ressarcimento/compensação tão somente os valores apurados até o mês de maio, e, parcialmente, o mês de junho. A multa isolada, portanto, neste caso, incidiu somente sobre os valores que a própria recorrente reconhecera como devidos nos seus balancetes de suspensão/redução levantados entre junho e outubro, porém não recolhera aos cofres públicos. Vêse, portanto, que as motivações para a aplicação das multas isoladas, nas infrações 2 e 3, são totalmente distintas, tanto que também distintas foram as alegações recursais contra cada uma, assim como distintos hão de ser os fundamentos, em cada caso, para manter ou exonerar a sua exigência. O redator designado, entretanto, analisou a questão apenas sob a ótica da concomitância, verbis: Fl. 892DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.888 S1C1T2 Fl. 6 5 “Em relação à multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada, peço vênia para discordar do posicionamento trazido no voto do ilustre Relator. No caso em análise, entendo ser incabível a multa isolada, pois esta foi aplicada concomitantemente à multa de ofício, sobre uma mesma base de cálculo, o que caracterizou dupla penalização da recorrente. (...) Desta feita, dou provimento parcial ao recurso a fim de excluir do lançamento a multa isolada, frente à concomitante multa de ofício aplicada.” Tendo sido relator deste caso, devo registrar que, em sessão, a questão atinente às multas isoladas foi examinada sob todas as óticas pertinentes, como, aliás, se pode perceber da leitura do relatório e voto vencido, sendo que a minha posição pessoal no caso, pela manutenção de todas as multas isoladas lançadas, restou minoritária. O entendimento do colegiado, na ocasião, foi pelo efetivo cancelamento de todas as multas isoladas lançadas, com fundamento nas diversas teses que vicejam no CARF, e das quais, respeitosamente, divirjo. O que estou afirmando é que a obscuridade revelouse tão somente na formalização do voto pelo redator designado, mas que, em verdade, a turma não se furtou de apreciar nenhum ponto, no caso concreto. A tese da concomitância, utilizada pelo redator originário, aplicase, salvo melhor juízo (uma vez que não partilho do entendimento desta corrente) tão somente às multas isoladas de IRPJ e CSLL de 2001. No caso das multas isoladas de IRPJ e CSLL de 2002, uma vez que não foram apurados tributos devidos no ajuste, nem mesmo após o cômputo das infrações referentes à variação cambial, o caso não seria de concomitância, mas sim de limitação das multas isoladas ao valor dos tributos devidos ao final do ano (no caso, zero), de acordo com os seguidores desta outra corrente jurisprudencial. E, no caso das multas isoladas de IRPJ de 2003, ainda que elas correspondam a estimativas que a própria recorrente reconhecera devidas (à época própria), mais uma vez seria caso de limitação das multas isoladas ao valor do tributo devido ao final do ano. No caso concreto, conforme demonstrativo de fls. 713, anexo ao Termo de Verificação Fiscal, o IRPJ e adicional devidos, após as deduções relativas ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) e ao imposto retido na fonte, totalizam R$.650.437,84, sendo este precisamente o montante das estimativas reconhecidas como extintas pela própria fiscalização (soma das estimativas apuradas até o mês de maio e parte do mês de junho). Portanto, a multa isolada que está sendo cobrada nos autos é apenas aquela sobre a parte das estimativas de IRPJ que, ao final do período de apuração, não se revelaria devida como imposto anual. Nestes termos, e ressalvando minha posição pessoal, já externada ao longo do voto vencido do acórdão embargado, em contrário a todas as teses acima referidas, entendimento o qual aqui reafirmo, observo que foram esses, em síntese, os fundamentos utilizados pela Turma para, à época, cancelar integralmente as multas isoladas discutidas nos presentes autos. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.888 S1C1T2 Fl. 7 6 Pelo exposto, acolho os embargos para o fim de rerratificar o Acórdão nº 1102000.463, de 30 de junho de 2011, e confirmar o cancelamento integral das multas isoladas aplicadas. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 894DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10865.720139/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. SALDO DEVEDOR REMANESCENTE.
O dia de transmissão da Dcomp corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Computados os acréscimos legais e remanescendo saldo devedor, este deve ser exigido do contribuinte.
Numero da decisão: 3201-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Lopes de Almeida Moraes.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente da turma), Daniel Mariz Gudiño (vice-presidente em exercício), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. SALDO DEVEDOR REMANESCENTE. O dia de transmissão da Dcomp corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Computados os acréscimos legais e remanescendo saldo devedor, este deve ser exigido do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Lopes de Almeida Moraes. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente da turma), Daniel Mariz Gudiño (vice-presidente em exercício), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Mércia Helena Trajano D'Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. SALDO DEVEDOR REMANESCENTE. O dia de transmissão da Dcomp corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Computados os acréscimos legais e remanescendo saldo devedor, este deve ser exigido do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luciano Lopes de Almeida Moraes. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente da turma), Daniel Mariz Gudiño (vicepresidente em exercício), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 01 39 /2 01 0- 37 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.720139/201037 Acórdão n.º 3201001.317 S3C2T1 Fl. 92 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, a ementa do acórdão recorrido e as razões de recurso voluntário apresentado pela recorrente: Em 28/10/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fls. 20/23, incluídos os demonstrativos de apuração, que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 7.416,64 referente ao 1° trimestrecalendário de 2007, reconheceu integramente o valor, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 17500.29946.181108.1.1.01 2212, vinculada ao presente processo, até o limite do crédito reconhecido. Os débitos compensados são vencidos em relação A. data de transmissão do PER/DCOMP: 18/11/2008. Portanto, houve parcela de débitos indevidamente compensada. São indicados os seguintes valores no saldo devedor consolidado — R$ 1.586,40, multa — R$ 317,28, juros — R$ 266,03. Improfícua a tentativa de ciência por via postal e afixado edital em 11/02/2010 na DRF/LIMEIRA/SP, a requerente, inconformada com a decisão administrativa, apresentara, em 04/12/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 25/35, subscrita pelo representante legal que consta da cópia de alteração de contrato social de fls. 44/52, em que, em síntese, aduz que: a) preliminarmente, deve ser aplicada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, devidamente inserido em DCTF, de que trata o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , e o art. 151, III, do Código Tributário; b) a homologação parcial da compensação teria como parâmetro a existência de débitos vencidos, dai a cobrança de acréscimos legais, sendo que a requerente já havia formalizado processo de ressarcimento (n° 10865.000218/200811) em 30/01/2008, conjugado com pedido de compensação, e os créditos não teriam sido objeto de contestação pela autoridade julgadora preliminar que não acolheu o pleito formulado, pois em desacordo com a IN n° 751/2007: o pedido teria sido tacitamente reconhecido e o aproveitamento deveria se dar por procedimento eletrônico, com a retificação do PER; c) a forma de apresentação do pleito foi mudada (exteriorização do direito), mas não a essência; a data inicial do pleito (30/01/2008) foi ignorada pela Receita Federal; o brocardo jurídico "o Direito não socorre quem dorme" é aplicável ao caso, sendo que o direito não pode se subjugar informática e determinações procedimentais acessórias de uma instrução normativa não têm o condão de fulminar direitos constituídos; o novo Despacho Decisório, ora guerreado, provavelmente elaborado por computador, desconheceu o pedido anterior formulado, em detrimento do direito manifesto. Por fim, requer o recebimento da impugnação e documentos anexos, com o devido processamento, julgamento e provimento; a reforma plena e integral do despacho denegatório exarado ao arrepio e com afronta à legislação vigente; a homologação da Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.720139/201037 Acórdão n.º 3201001.317 S3C2T1 Fl. 93 3 compensação vinculada, sem restrições de nenhuma espécie; a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento definitivo; ou a devolução dos autos ao órgão de origem para a realização de diligência. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 11/08/2010, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme Acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. DÉBITOS VENCIDOS. COMPENSAÇÃO ACIMA DO LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. No procedimento de valoração/imputação dos débitos compensados, em face do direito creditório reconhecido, a data de valoração a ser considerada é a data da transmissão do PER/DCOMP, sendo esta posterior às datas de vencimento dos débitos a compensar; sendo o caso de débitos vencidos, são computados os acréscimos legais no cálculo do valor utilizado do crédito (imputação); no final do confronto, a parcela restante, sem cobertura do direito creditório, é reputada como compensação indevida, sujeita a cobrança, mas com a exigibilidade suspensa na hipótese de oferta de manifestação de inconformidade. A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 22/10/2010, tendo protocolado seu recurso voluntário em 22/11/2010, o qual inicia reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ainda que seu crédito foi reconhecido integralmente. Argumenta que seu direito foi exercido tempestivamente, tendo apresentado PER/DCOMP em meio papel em 30/01/2008, antes da data de vencimento dos débitos. Desta forma, entende já ter exposto ao Órgão tributário sua intenção de proceder à compensação, trazendo todos os dados comprobatórios de seu direito de crédito, posteriormente confirmado pelo próprio Órgão, o fazendo na forma e condições que por longo espaço de tempo foi o adotado pela Receita Federal. Aduz que neste momento seu direito, assim entendido juridicamente, se cristalizou. Posteriormente, visando adequar seu procedimento aos ditames de atos e normas internas do órgão Tributário, a Recorrente alterou o modo de exteriorizar seu direito (de formulário em "papel", para a transmissão eletrônica, via PER/DCOMP), o que acabou por gerar o interstício temporal que culminou com a tentativa de cobrança dos acréscimos de multa e juros sobre os valores compensados, sob alegação de que estariam vencidos os débitos compensáveis quando da remessa do referido PER/DCOMP. Afirma que atos normativos, instruções internas, normas de serviço ou atos semelhantes não podem se sobrepor ao direito. Entende ser inaceitável que a RFB queira, por força de exigência por ela mesma feita (de que o pedido de compensação fosse alterado de formulário para meio digital), Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.720139/201037 Acórdão n.º 3201001.317 S3C2T1 Fl. 94 4 exigir os acréscimos de multa e juros, por entender que o montante compensado foi insuficiente. Requer, por fim, a reforma da decisão e o deferimento de sua compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária. A contribuinte, em 18/11/2008, transmitiu, eletronicamente, o PER/DCOMP nº 17500.29946.181108.1.1.012212, informando compensação tributária de débito referente à Cofins de período de apuração 0103/2008 no valor de R$ 7.416,64 com data de vencimento em 18/04/2008, mediante utilização de créditos de IPI passíveis de ressarcimento. O direito creditório pleiteado de R$ 7.416,64 foi integralmente reconhecido pela unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Limeira, quando da emissão do Despacho Decisório eletrônico em 28/10/2009, sendo a compensação tributária homologada, parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, remanescendo débito a pagar do principal de R$ 1.586,40 e respectivos acréscimos legais. A existência de um débito remanescente nesta DCOMP decorre de a contribuinte ter apresentado a declaração em data posterior ao vencimento do débito, ensejando na exigência de acréscimos legais: multa de mora e juros de mora (imputação proporcional). A contribuinte contesta a exigência fiscal baseada em ter apresentado pedido anterior, tempestivo, entendendo que este documento, apesar de ter sido considerado não formulado por não atender as disposições regulamentares, deve ser considerado para fins de determinar a data de apresentação de sua compensação e, desta forma, dispensar a exigência de acréscimos legais. Em atenção ao tema, mostrase necessário ressaltar as regras previstas no art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.720139/201037 Acórdão n.º 3201001.317 S3C2T1 Fl. 95 5 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação:(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Da leitura do texto legal extraise que todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal do Brasil devem seguir as regras introduzidas no art. 74 da Lei 9.430/1996. Em relação ao caso concreto sob julgamento, ressaltase aquela prevista no parágrafo 1º, segundo a qual a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. A declaração mencionada no referido dispositivo legal é justamente a Dcomp, e não qualquer outra. Portanto, a compensação dos débitos referente à Cofins de período de apuração 0103/2008 somente ocorreu com o envio da Dcomp, em 18/11/2008. Observase ainda que a Dcomp, de acordo com o previsto no parágrafo 2º do artigo 74 da Lei 9.430/1996, possui o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A compensação, desta forma, assemelhase à quitação por moeda, com efeitos semelhantes àqueles previstos no art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação). Dentro deste quadro normativo, temos que enquanto não apresentada a Dcomp não há que se falar em realização de compensação. Por consequência, é precisamente na data da transmissão da Dcomp que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros Selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da Dcomp corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Se os débitos informados na Dcomp venceram em 18/04/2008, e sua quitação somente ocorreu em 18/11/2008, é perfeitamente cabível a exigência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei 9.430/1996 (multa de mora e juros Selic). Quanto ao pedido de ressarcimento apresentado em 30/01/2008, o mesmo foi considerado não formulado pela DRF/Limeira por ter sido apresentado em meio papel, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.720139/201037 Acórdão n.º 3201001.317 S3C2T1 Fl. 96 6 contrariando o artigo 76 da IN SRF nº 600/05, o que ensejou na consequência prevista pelo artigo 31 deste mesmo ato normativo: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2 º a 4 º do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI – Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexo I , II , III , IV e V . §1 º A SRF disponibilizará, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, os formulários a que se refere o caput . § 2 º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3 º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2 º , no § 1 º do art. 3 º , no § 3 º do art. 16, no § 1 º do art. 22 e no § 1 º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4 º A falha a que se refere o § 3 º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. § 5 º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. Em que pese a decisão que considerou não formulado o pedido de ressarcimento não estar incluída na lide, esclarecese que a Lei nº 9.430/96 remeteu a disciplina da matéria à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da edição de atos infralegais. Nesse contexto, a Instrução Normativa nº 600/2005 foi elaborada à luz do disposto no artigo 96 do Código Tributário Nacional, para explicitar o rito a ser adotado pelos contribuintes. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.720139/201037 Acórdão n.º 3201001.317 S3C2T1 Fl. 97 7 Dessa forma, o ato regulamentar expedido pelo Poder Executivo que determina a utilização de programa eletrônico (PER/Dcomp) não contraria a legislação tributária, sobretudo porque referida normatização visa a garantir tratamento igualitário aos contribuintes, eficiência e uniformização na prestação do serviço público. De outro lado, o artigo 76 da Instrução Normativa nº 600/2005 prevê que o formulário em papel será aceito nas hipóteses de ausência de previsão da restituição, do ressarcimento ou da compensação no programa PER/Dcomp, ou da existência de falha no referido programa que impeça a geração do pedido eletrônico. Assim, não há possibilidade de escolha do contribuinte, que deverá utilizarse da internet ou comprovar a impossibilidade de fazêlo. Salientese que a contribuinte não comprovou a impossibilidade no sentido de não processar o pedido de ressarcimento envolvendo os créditos em questão. Diante do exposto, não se tratando de hipótese de impossibilidade de utilização do Programa PER/Dcomp o pedido de restituição ou ressarcimento efetuado em papel deve ser considerado não formulado, a teor do art. 31 da IN nº 600/2005. Consequentemente, como o pedido foi considerado não formulado, o mesmo não produz efeitos, não sendo possível entender que a apresentação deste pedido tenho o condão de fazer retroagir a data de apresentação da Dcomp objeto do presente julgamento. Isto porque o ato jurídico tido como não praticado (ou seja, o não ato) não pode produzir efeitos. Assim, com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000537/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga
indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese
com o decurso
do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário,
assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por
homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF
aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias
pagas com fulcro no referido dispositivo legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 997 1 996 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000537/200756 Recurso nº 269.070 Voluntário Acórdão nº 330201.220 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2011 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente KANNENBERG & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator Fl. 1048DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa KANNENBERG & CIA. LTDA. está pleiteando a restituição de Cofins que considera paga indevidamente em face da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foram apresentados 29 (vinte e nove) pedidos de restituição eletrônicos (fls. 12) e um pedido de restituição em papel fls. 01/05. Os pedidos eletrônicos referemse a fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2002 a janeiro de 2004 e foram apresentados nos dias 07/11/2006 e 20/12/2006. O pedido em papel referese a pagamentos efetuados no período de 10/02/1999 a 15/01/2002 e foi entregue na RFB no dia 21/05/2007. A DRF em Santa Maria RS indeferiu os pedidos da recorrente, alegando que a Lei no 9.718/98 continuava em vigor e que a empresa recorrente não era parte do Recurso Extraordinário que fundava o pedido e, pela mesma razão, não analisou o mérito dos Pedidos de Restituição. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 897/911, cujas razões estão resumidas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1810.356, de 06/03/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2004 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEIS, NORMAS OU ATOS. COMPETÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não são competentes para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis, normas ou atos. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para se pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DESCABIMENTO. Fl. 1049DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.000537/200756 Acórdão n.º 330201.220 S3C3T2 Fl. 998 3 Não surge direito creditório em face de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, em controle difuso de constitucionalidade, quando a contribuinte não figura no pólo ativo da ação judicial. Solicitação Indeferida A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 20/03/2009, conforme AR de fl. 951, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 20/04/2009, o recurso voluntário de fls. 955/972, no qual alega que é dever do julgador administrativo observar a inconstitucionalidade declarada pelo STF e que o prazo para pleitear a restituição de tributo pago com base em norma declarado inconstitucional é de 5 (cinco) anos a contar da data da publicação do respectivo acórdão do STF. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. A recorrente está pleiteando a restituição de Cofins cujos pagamentos, que entende indevidos ou maiores que os devidos, foram realizados nos seguintes prazos: a) os constantes dos pedidos eletrônicos de restituição apresentados em 07/11/2006 e 20/12/2006 referemse a pagamentos efetuados entre fevereiro de 2002 e fevereiro de 2004 (períodos de apuração de 01/02 a 01/04); e b) o pedido de restituição em papel apresentado em 21/05/2007 referese a pagamentos efetuados entre 10/02/1999 e 15/01/2002 (períodos de apuração de 01/99 a 12/01). Analisarei, em sede de preliminar, a extinção do direito de pleitear a restituição objeto do pedido em papel apresentado à Receita Federal do Brasil (RFB) no dia 21/05/2007, no qual a recorrente está pleiteando a restituição de pagamentos efetuados entre fevereiro de 1999 e janeiro de 2002. Concordo e ratifico o entendimento da decisão recorrida e julgo, pelas razões que passo a expor, improcedentes os argumentos da recorrente quanto ao transcurso do prazo para pleitear restituição de eventual pagamento indevido ou a maior de Cofins. Sobre o prazo e o termo a quo do mesmo para pedir restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente, reza o art. 168 do CTN: “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1050DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. (negritei). Para terminar de vez a querela sobre o termo a quo da contagem do referido prazo de pedido de restituição, o Supremo Tribunal Federal, em sessão do Pleno realizada no dia 04/08/2011, julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621, para declarar inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerar válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Em outras palavras, para os pedidos de restituição apresentados a partir do dia 09/06/2005 o prazo para pleitear restituição contase da data do pagamento, conforme reza o art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, abaixo transcrito. Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional dispositivo da legislação tributária é de aplicação obrigatória pelo CARF, conforme expressa determinação contida no art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). No caso em análise, está o CARF autorizado a afastar a aplicação do referido art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e obrigado a aplicar os demais dispositivos da referida lei complementar, em especial o seu art. 3º, acima transcrito, nos casos de pedido de restituição apresentados a partir do dia 09/06/2005. No caso dos autos, o pedido de restituição foi apresentado no dia 21/05/2007. Consequentemente, em relação ao pedido de restituição apresentado em papel, não merece prosperar o pleito da recorrente porque o mesmo foi apresentado no dia 21/05/2007, em plena vigência da Lei Complementar nº 118/05. Está, portanto, extinto o direito de a Recorrente pleitear a restituição dos pagamentos tidos por indevidos, visto que todos eles foram realizados há mais de 05 (cinco) anos da data da apresentação do respectivo pedido de restituição. Quanto aos pedidos de restituição eletrônicos relacionados na fl. 12, cujo direito à restituição não está extinto, entendo que assiste razão à recorrente. É incontroverso que o indeferimento desses pedidos de restituição decorreu do fato de que os recolhimentos foram efetuados com base em legislação regularmente editada e em plena vigência tanto à época do pagamento e como da apreciação dos pedidos da recorrente pela autoridade da RFB, ou seja, os pagamentos foram realizados com fulcro no art. 3º da Lei nº 9.718/98. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 1051DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.000537/200756 Acórdão n.º 330201.220 S3C3T2 Fl. 999 5 Ocorre que em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (art. 2º da Portaria MF nº 41/2009), em seu art. 49, inciso I, autoriza expressamente este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e reconhecer o direito à restituição do PIS recolhido pela recorrente e incidente sobre as receitas acrescidas pelo referido dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF, objeto dos PER/DCOMP relacionados na fl. 12. O direito creditório ora reconhecido fica sujeito à apuração de seu valor pela autoridade competente da RFB. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição da Cofins paga a maior, incidente sobre as receitas acrescidas pelo § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, objeto dos pedidos de restituição eletrônicos, ressalvado o direito da Fazenda Nacional apurar a liquidez do crédito. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 1052DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004614/2008-08
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 46 14 /2 00 8- 08 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 04/07, para exigência do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, relativamente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, tendo em vista a constatação de compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os rendimentos alugueis pagos pelas fontes pagadoras Fajecar Comercio de Peças Automotivas Ltda. ME e Residencial Geriátrico Comendador Coruja Ltda. Em sua impugnação, fls. 01, a contribuinte alegou, em resumo, que sofreu a devida retenção de IRPF sobre os aluguéis auferidos em 2005, conforme comprovante anexo da imobiliária que administra os imóveis, e que não lhe compete fiscalizar se os locatários pagam os impostos e informam corretamente seus dados para a Receita Federal, como CNPJ, DIRF, etc. Examinando o assunto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), fls. 58/59, julgou improcedente a impugnação ao argumento de que: “De acordo com o art. 87 do RIR/1999, com base na Lei n° 7.450, de 1985, é necessário, para a compensação de imposto retido, que o contribuinte possua o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Tendo em vista que não há informação da fonte pagadora sobre a retenção, que a informação apresentada por terceiros (no caso a imobiliária) não tem valor probante absoluto, que não há comprovação financeira da percepção pelo valor líquido, entendemos correta a glosa da compensação do imposto retido na fonte. Observese que a obrigação da fonte efetuar a retenção não afasta a obrigação do contribuinte oferecer os rendimentos à tributação em sua declaração.” Cientificada, em 13/05/2011, fls. 62, a contribuinte ingressou recurso voluntário em 10/06/2011, fls. 71 a 80, alegando, em síntese, que: especificamente quanto à compensação relativa aos rendimentos oriundos da locação firmada com o Residencial Geriátrico Moinhos de Vento Ltda., foi mantida a glosa, sem constar qualquer esclarecimento quanto a esta conclusão do julgado; ao que parece, a glosa pode ter sido mantida em razão da situação cadastral da fonte pagadora constar como inapta no cadastro da Receita Federal do Brasil que, segundo entende, não prevalece, pois a referida instituição está com sua inscrição no CNPJ ativa e, portanto, regular. Desse modo, este motivo não justificaria a glosa ora recorrida; alega que trouxe juntamente com sua defesa documentos comprovando que os rendimentos que originaram a glosa do IRRF eram originários de locação de imóveis de sua propriedade, administrados pela imobiliária Cézar Sperinde Imóveis (contratos contidos nas fls. 10 a 25); dita imobiliária, anualmente encaminhava para a recorrente o obrigatório "Informativo Anual de Rendimentos de Alugueis" no qual constava o valor bruto pago pelos inquilinos/locatários, o valor de IR fonte, a taxa de administração e o valor líquido que a recorrente recebeu, fls. 08; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004614/200808 Acórdão n.º 2802002.367 S2TE02 Fl. 123 3 à fl. 09 resta comprovado que a recorrente recebeu seus aluguéis com o efetivo desconto do imposto de renda pela fonte pagadora; caberia aos agentes fiscais esclarecer a ausência dos recolhimentos de valores, realizando diligência/investigação perante as fontes pagadoras e a imobiliária para averiguar o ocorrido; uma vez comprovado que a recorrente recebeu seus rendimentos com o efetivo desconto do imposto sobre a renda pela fonte pagadora, não poderia ser responsabilizada pela ausência de recolhimento; o fato é que, no presente caso, o imposto foi retido pela fonte pagadora e, quando o terceiro responsável pela retenção do imposto na fonte retém o tributo mas deixa de repassálo aos cofres públicos, acaba por atrair a responsabilidade tributária para si e afastando a do contribuinte de direito; o afastamento da responsabilidade do contribuinte quando a fonte reteve, mas não recolheu o tributo já foi pacificada no âmbito da Primeira Seção do STJ, conforme se transcreve a ementa do julgado do AgRg nos Embargos de Divergência em RESP n. 380.081 SC; não teria outras provas a produzir, pois apresentou os contratos de locação intermediados pela imobiliária Cezar Sperinde Imóveis e a o Informativo de Rendimentos anual no qual consta de forma clara que a recorrente sofreu a retenção dos valores a título de IRFF pela fonte pagadora; requer a nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Consta das fls. 05 da Notificação de Lançamento: “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 25.391,67 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Glosa total de R$ 25.391,67. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Glosa de R$ 24.743,37 que teriam sido retidos por Residencial Geriátrico Comendador Coruja Ltda CNPJ 93.996.007/000196 em situação cadastral de INAPTA. E, glosa de R$ 648,30 que teriam sido retidos por FAJECAR Comércio Ltda., CNPJ03.515.105/000171. Não existem declarações DIRF dos dois locatários e nem comprovação do efetivo recolhimento dos IRRF.” [...] Enquadramento Legal: Arts. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95, arts. 7.°,§§1.° e 2.° e 87, inciso IV, § 2.° do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. Da transcrição acima, concluise que a glosa da compensação do IRRF informado pela contribuinte em sua declaração de rendimentos como retido pela fonte pagadora Residencial Geriátrico Comendador Coruja Ltda. não foi exclusivamente fundamentada no fato desta se encontrar inapta, conforme entendeu o recorrente. Conforme se vê, integrou também a motivação da glosa o fato de não constar dos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB nenhuma declaração DIRF apresentada pelas fontes pagadoras dos aluguéis, e tampouco a existência de recolhimentos do IRRF efetuados pela referida fonte pagadora (fls. 45 e 49). O art. 87 do Decreto 3000, de 1999, inciso IV, § 2° Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, citado como fundamento legal do lançamento, dispõe que: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n° 9.250, de 1995, art. 12): [...]; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; § 2° O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7°, §§ 1° e 2°, e 8°, § 1° (Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). (grifei) Portanto, o documento hábil para que o contribuinte possa deduzir o imposto de renda, eventualmente retido sobre os rendimentos informados em sua declaração de rendimentos, é o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Do exame dos elementos que integram os presentes autos, constatase a inexistência de comprovantes emitidos pelas duas fontes pagadoras, citadas na notificação de lançamento, indicando os valores que contaram como retenção de IRRF, deduzido da base de cálculo do imposto apurado na declaração de rendimentos examinada pelo Fisco. Nesse aspecto, seria bom observar, que o documento emitido pela empresa imobiliária que administra os contratos de alugueis do contribuinte constitui apenas uma informação que não substitui o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, nos termos da legislação em referência. Tampouco existe previsão legal que atribua as empresas imobiliárias a responsabilidade pela retenção do imposto de renda retido na fonte, como quis fazer entender o recorrente. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004614/200808 Acórdão n.º 2802002.367 S2TE02 Fl. 124 5 Depreendese do recurso interposto, ainda, que o recorrente pretende que seja aplicado ao caso analisado nos presentes autos, o entendimento firmado pelo STJ acerca do afastamento da responsabilidade do contribuinte quando a fonte pagadora retém o imposto de renda, mas não recolhe o tributo. Importa observar que, destituído de efeito “erga omnes”, as decisões colacionadas não se aplicam ao caso concreto, mesmo porque tratam de situação distinta daquela analisada nos presentes autos. Em nenhum momento referidas decisões mencionaram que o comprovante de rendimentos emitido pela empresa que administra imóveis locados possam substituir o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos alugueis, previsto na legislação de regência. Mesmo que se levasse em consideração eventual semelhança à situação ora examinada, fica claro pelo próprio texto da ementa destacada pelo recorrente que “A responsabilidade do contribuinte só seria excluída se houvesse comprovação de que a fonte pagadora reteve o imposto de renda a que estava obrigado,” comprovação essa, conforme mencionado, não efetivada em nenhum momento pelo contribuinte. Vale ressaltar que, conforme se depreende da descrição constante da notificação de lançamento, a questão da comprovação do efetivo recolhimento do IRRF aparece como alternativa de comprovação em favor da contribuinte. No caso dos autos, contudo, inexistem recolhimentos realizados pela fonte pagadora a esse título, conforme demonstrado nos relatórios extraídos dos sistemas de dados da RFB, juntado às fls. 43 e 49. Finalmente, observese que a matéria se encontra pacificada no âmbito administrativo, por meio da Súmula CARF nº 12, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979314/2009-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/04/2003
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 14 /2 00 9- 79 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de CSLL— cód. 2372, no montante de R$ 34,62, ocorrido em 29/04/2003, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 11008.42327.141105.1.2.042208, relativo ao período de apuração jan/2003. Nesse período, Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979314/200979 Acórdão n.º 1802001.702 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.205,18, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.361, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 16/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:29/04/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 09520.24100.221105.1.3.04 3216 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 50,60, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 34,62, código – 2372; Período de Apuração: 31/03/2003; Data de Arrecadação: 29/04/2003. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de janeiro/2003 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 3.205,18 . Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de janeiro/2003, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979314/200979 Acórdão n.º 1802001.702 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. O procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de jan/2003, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2004 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de janeiro/2003. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979314/200979 Acórdão n.º 1802001.702 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10875.905244/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 44 /2 00 9- 91 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 54): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905244/200991 Acórdão n.º 3802001.332 S3TE02 Fl. 104 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7389, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 67) e o protocolo do recurso, em 12/03/2012 (fls.72). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 62). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 40). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905244/200991 Acórdão n.º 3802001.332 S3TE02 Fl. 105 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) No presente caso, o Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 75). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905244/200991 Acórdão n.º 3802001.332 S3TE02 Fl. 106 7 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10909.001034/2007-26
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 PROVA PERICIAL.INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ERROS, VÍCIOS E DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Tendo a acusação fiscal indicado a ocorrência de erros, vícios e deficiências na escrituração do sujeito passivo, inclusive a não escrituração da efetiva movimentação financeira, e não tendo a recorrente trazido aos autos provas que pudessem infirmar a acusação fiscal, cabível o arbitramento do lucro, pois tais fatos se subsumem ao disposto no art. 530 do RIR/99.
Numero da decisão: 1803-001.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 PROVA PERICIAL.INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ERROS, VÍCIOS E DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Tendo a acusação fiscal indicado a ocorrência de erros, vícios e deficiências na escrituração do sujeito passivo, inclusive a não escrituração da efetiva movimentação financeira, e não tendo a recorrente trazido aos autos provas que pudessem infirmar a acusação fiscal, cabível o arbitramento do lucro, pois tais fatos se subsumem ao disposto no art. 530 do RIR/99.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.001034/200726 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.322 – 3ª Turma Especial Sessão de 9 de maio de 2012 Matéria IRPJ Recorrente RUBENS SIEMANN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PROVA PERICIAL.INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ERROS, VÍCIOS E DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Tendo a acusação fiscal indicado a ocorrência de erros, vícios e deficiências na escrituração do sujeito passivo, inclusive a não escrituração da efetiva movimentação financeira, e não tendo a recorrente trazido aos autos provas que pudessem infirmar a acusação fiscal, cabível o arbitramento do lucro, pois tais fatos se subsumem ao disposto no art. 530 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “O empresário acima qualificado foi submetido a procedimento fiscal do qual resultou a exigência fiscal abaixo discriminada, relativa aos anoscalendário de 2002 e 2003 e apurada segundo as regras do Lucro Arbitrado: (...) O empresário autuado é distribuidor de cigarros produzidos pela fabricante Souza Cruz S/A. No período fiscalizado, o contribuinte apurou seus tributos segundo as regras do Lucro Real. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 742 a 746), a autoridade autuante relata que constatou grande divergência nos registros de aquisição de mercadorias para revenda nos Livros de Entradas do contribuinte, após comparálos com informações de vendas fornecidas pela fabricante de cigarros. Para esclarecer a divergência constatada, a fiscalização intimou a fabricante a apresentar as notas fiscais de vendas ao distribuidor, efetuadas entre os meses de janeiro de 2002 e junho de 2003. A fabricante informou que, no período solicitado, identificou em seus sistemas informatizados a emissão de 323 (trezentos e vinte e três) notas fiscais de venda ao empresário autuado (fl. 62). Informou, ainda, que "o cliente optou, via de regra, pelo pagamento das mercadorias através de Ficha de Compensação Bancária FCB, para quitação no prazo de 3 a 7 dias da data de entrega das mercadorias, mas eventualmente poderá ter utilizado outras modalidades de pagamento (cheque ou dinheiro)". Fl. 922DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.001034/200726 Acórdão n.º 180301.322 S1TE03 Fl. 2 3 No período fiscalizado, com as 323 notas fiscais emitidas, a fabricante informa que as vendas ao distribuidor autuado totalizaram o montante de R$ 9.366.185,92 (planilhas de fls. 67 e 318). No entanto, no mesmo período, segundo relato da fiscalização, o empresário registrou nos Livros de Entradas apenas 33 notas fiscais, totalizando RS 673.976,88 (fls. 631 a 680). Impende registrar que a fabricante não teve êxito em localizar todas as notas fiscais e respectivas FCB. Ao todo, até o encerramento da fiscalização, a fabricante apresentou à fiscalização cópias de 219 notas fiscais, e de 300 FCB. Diante da constatação acima, em 15 de fevereiro de 2007 (fl. 539), a fiscalização primeiramente informou ao contribuinte que havia intimado a fabricante a apresentar as notas fiscais de vendas emitidas no período examinado. A fiscalização lhe informou, ainda, que as notas fiscais emitidas pela Souza Cruz, relacionadas em planilhas anexas à intimação (fl. 540 a 543), bem como a liquidação dos débitos gerados por essas aquisições, foram mantidos à margem da contabilidade do empresário. Por fim, a fiscalização intimou o contribuinte a explicar a origem dos recursos utilizados para efetuar as liquidações não escrituradas. Em resposta à intimação que lhe foi dirigida (fls. 545 e 546), o contribuinte informa que revende as mercadorias adquiridas da Souza Cruz S/A e recebe os respectivos pagamentos em até três dias. Como tem sete dias para pagar à indústria, declarou que a origem dos recursos utilizados na liquidação dos débitos decorrentes de aquisições junto à fabricante de cigarros advém do produto da revenda das respectivas mercadorias adquiridas. Em 27 de fevereiro de 2007 (fl. 547), a fiscalização complementou a intimação anteriormente dirigida ao contribuinte, agregando informações relativas a notas fiscais que não haviam sido relacionadas naquela oportunidade. O contribuinte não alterou sua resposta (fls. 550 e 551). Diante da falta de escrituração de pagamentos efetuados, a fiscalização concluiu que o contribuinte omitiu o registro de receitas de sua atividade empresarial, com base no que dispõe o art. 40 da Lei nª 9.430, de 1996. Os pagamentos não escriturados constam nas planilhas de fls. 681 a 685, e perfazem um montante de R$ 8.696.870,96 no período de janeiro de 2002 a junho de 2003, sendo o montante de R$ 5.277.218,01 relativo aos meses do ano de 2002, e R$ 3.419.652,95 relativo aos meses do ano de 2003. Considerando os pagamentos não escriturados e as receitas escrituradas pelo empresário (fls. 701 a 722), a fiscalização elaborou a seguinte tabela (fl. 745): Além da falta de escrituração de pagamentos, a autoridade autuante também constatou que, no período fiscalizado, o Fl. 923DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 contribuinte não escriturou a movimentação em contas mantidas nos bancos CEF, Sudameris e Unibanco. Diante desses fatos a fiscalização concluiu que a escrita apresentada pelo contribuinte era imprestável para fins de apuração do lucro real, nos seguintes termos: (...) Desse modo, restou claro após o que foi relatado que a não escrituração das contas correntes bancárias e, cumulativamente, a não contabilização das aquisições de mercadorias com a consequente manutenção de seus pagamentos à margem dos livros fiscais, caracterizando omissão de receita, nos termos do art. 40 da Lei 9.430/96, tornou a escrita apresentada pelo contribuinte imprestável para fins de apuração do lucro real, razão pela qual a tributação nos anos calendários 2.002 e 2.003 se deu com base no lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, inciso II, letras a e b do RIR/99. Com base na conclusão acima, foram lavrados autos de infração em que são exigidos o IRPJ (fls. 725 a 733) e a CSLL (fls. 734 a 740). Em cada um dos autos de infração, os tributos foram apurados segundo as regras do lucro arbitrado a partir da receita total da atividade empresarial do contribuinte, discriminada mês a mês na tabela da fl. 745, já reproduzida neste relatório. Dos tributos resultantes da apuração segundo as regras do lucro arbitrado foram deduzidos os valores apurados pelo contribuinte segundo as regras do lucro real (IRPJ fls. 726 a 728; CSLL fls. 734 a 736). Além dos tributos, a exigência fiscal compreende juros de mora e a multa de ofício ordinária de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n 2 9.430, de 1996. Do lançamento fiscal o empresário tomou ciência em 5 de abril de 2007. Inconformado, em 4 de maio de 2007 apresentou impugnação na qual alega decadência da parcela do lançamento relativa aos fatos geradores ocorridos até março de 2002; a impossibilidade de arbitramento no caso concreto; violação ao princípio da capacidade contributiva; o caráter confiscatório da multa; e, ainda no que tange à multa de ofício, violação ao princípio da proporcionalidade.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para Fl. 924DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.001034/200726 Acórdão n.º 180301.322 S1TE03 Fl. 3 5 identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regulase pelo disposto no § 4º do art. 150 do CTN. De outra forma, presentes o dolo, fraude ou simulação, ou inexistente o pagamento antecipado, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) É plenamente justificável e admissível a admissibilidade de outras provas, como a pericial, que no caso é a que se pretende, no decorrer do processo administrativo, com a finalidade de comprovar o real valor do tributo supostamente devido. b) A produção de prova no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. É que em nome dos princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material, dentre outros, não se pode negar ao contribuinte a produção de prova em outra fase. c) Ao contrário do entendimento externado pelo julgador deve prevalecer o art. 150, § 4 a do referido Código, o Fisco dispõe de 5 anos, contados do fato gerador, para lançar eventuais diferenças relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso, inclusive em relação ao IRPJ. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 925DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 26/01/2011 (AR de fls. 835). O recurso foi protocolado em 23/02/2011 (despacho de fls. 897), logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A decisão recorrida acolheu a preliminar de decadência em relação à CSLL do primeiro trimestre de 2002, tendo mantido o restante da autuação. Insurgese a recorrente contra o indeferimento da prova pericial solicitada. Sustenta que através da perícia é possível apurar o lucro obtido pela recorrente. A realização de diligência ou perícia, embora possa ser solicitada pela parte, é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora quanto à sua necessidade para o esclarecimento de pontos obscuros ou que exijam conhecimento especializado. A diligência não se presta para suprir as deficiências das partes na apresentação de provas de sua responsabilidade, consoante estabelecido no artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: "Art. 18 A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.” Como se vê, contrariamente ao que entende a recorrente, o dispositivo atribui ao poder discricionário da autoridade fiscal a realização de diligências ou de perícias, posto que estas não constituem direito líquido e certo do contribuinte, mas apenas se destinam a formar a convicção do julgador. Por isso mesmo, dálhe a lei a faculdade de decidir, discricionariamente, se é o caso de deferir o pedido do contribuinte ou não, e mesmo sem pedido do contribuinte, determinar as que julgar necessárias, de ofício. No presente caso, a autoridade recorrida, exercendo a competência que a lei lhe confere, indeferiu a realização da perícia requerida, por considerála prescindível. As normas que regem o processo administrativo fiscal são aquelas previstas no Decreto nº 70.235/1972. As regras da Lei nº 9.784/1999, somente são aplicáveis quando não houver regra específica relativo ao processo administrativo fiscal. Não merece reparos a decisão recorrida, a qual aplicou corretamente ao caso as regras específicas sobre a produção de prova pericial. A decisão recorrida assim se manifestou sobre a questão da decadência: “No caso em exame, em relação aos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2002, o contribuinte efetuou pagamento antecipado apenas em relação à CSLL, conforme atestam os documentos de fls. 821 a 823, ora juntados ao processo. Portanto, em relação à CSLL do primeiro trimestre de 2002 apurada segundo as regras do Lucro Real trimestral, contados os cinco anos a partir da data de ocorrência do fato gerador (31 de março de 2002), o lançamento fiscal poderia ser validamente Fl. 926DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.001034/200726 Acórdão n.º 180301.322 S1TE03 Fl. 4 7 efetuado até o dia 31 de março de 2007. Considerando que do auto de infração o contribuinte foi cientificado em 5 de abril de 2007, de se concluir que o lançamento a título de CSLL do primeiro trimestre de 2002 encontrase atingido pela decadência, devendo, por essa razão, ser excluído do lançamento.” O entendimento expresso na decisão recorrida corresponde ao do Superior Tribunal de Justiça, expresso em acórdão submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 927DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Por conseguinte, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, não se configurando decadência em relação ao crédito de IRPJ, tal como afirmado na decisão recorrida. No tocante ao arbitramento, assim se manifestou a decisão recorrida: “Em análise ao arguido, de se concluir que não assiste razão ao impugnante.Diante dos fatos apurados, a fiscalização arbitrou o lucro do contribuinte com base no que dispõe o inciso II do art. 530 do Regulamento do Imposto de renda, abaixo transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n*9.430, de 1996, art. 1º): [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Embora o contribuinte afirme que era perfeitamente possível se chegar ao lucro real através dos livros e documentos contábeis, sem necessidade de arbitramento, não se pode olvidar que, no Fl. 928DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.001034/200726 Acórdão n.º 180301.322 S1TE03 Fl. 5 9 período fiscalizado, foi mantida à margem da contabilidade a movimentação financeira em contas mantidas nos bancos CEF, Sudameris e Unibanco. Além disso, e o mais grave, o contribuinte registrou em sua contabilidade menos de um décimo do volume de sua atividade empresarial. A fiscalização comprovou que o contribuinte sistematicamente mantinha fora da contabilidade as operações de aquisição de mercadorias para revenda. No período fiscalizado, o empresário registrou nos Livros de Entradas notas fiscais de compras que atingiram apenas R$ 673.976,88. No entanto, a fiscalização materialmente comprovou que o montante de R$ 8.696.870,96 foi mantido à margem da escrita fiscal do empresário. Ou seja, de um total conhecido de compras, que no período alcançou R$ 9.370.847,84 (RS 673.976,88 + R$ 8.696.870,96), o contribuinte manteve à margem de sua contabilidade quase que a totalidade (93%). Diante desses fatos, restaram configuradas as duas hipóteses previstas nas alíneas do inciso II do art. 530 do RIR, motivo pelo qual a autoridade fiscal, acertadamente, arbitrou o lucro do empresário. O fato de o produto comercializado pelo empresário autuado ser tabelado não afasta a aplicação do art. 530 do RIR. A eficácia normativa do Regulamento pressupõe seu caráter geral e abstrato. E, não havendo nenhuma disposição legal específica em sentido contrário, o comando estampado no art. 530 do Regulamento aplicase, inclusive, aos resultados da exploração da atividade de distribuição de cigarros. Cumpre também esclarecer que o arbitramento do lucro levado a efeito pela fiscalização no presente caso não é regulado pelo art. 148 do CTN, comando legal suscitado pela contribuinte, abaixo reproduzido: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Como se nota, o dispositivo acima transcrito não se refere ao arbitramento de lucros, mas tãosomente ao arbitramento dos valores de certas operações, aplicável quando se verificar que os documentos mantidos pelo contribuinte não possuem os requisitos legais mínimos que sirvam para lhes conferir credibilidade. Em outras palavras, uma coisa é o arbitramento do resultado tributável hipótese da qual trata o presente processo , e que possui larga previsão legal; outra, bastante diferente, é o arbitramento do "preço dos bens, direitos, serviços Fl. 929DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 ou atos jurídicos", ou seja, de operações isoladas, que resta disciplinado especificamente pelo art. 148 do CTN. Sobre o fato de parte da base de cálculo do lançamento ter se constituído a partir de valores de compras omitidas, à luz do art. 40 da Lei n s 9.430, de 1996, não há nada de errado. Nesse ponto, o contribuinte alega que "partiuse do preço de compra para se determinar o LUCRO ARBITRADO". Em verdade, o referido dispositivo legal autoriza a conclusão de que, para efetuar pagamentos não escriturados, o contribuinte teria, em momento anterior, omitido o registro de receitas que lhe teriam suprido de valores suficientes para realizar os pagamentos. Portanto, em verdade, o "preço de compra" não foi tido como base de cálculo de tributos incidentes sobre o lucro. À base de cálculo foram levados valores de receitas que o próprio contribuinte afirma ter omitido, afinal, em resposta às intimações que lhe foram dirigidas, o empresário afirmou que os recursos utilizados nos pagamentos não escriturados advêm do produto da revenda das mercadorias adquiridas. Portanto, a fiscalização se deparou com uma situação objetiva que, à luz da legislação de regência, autorizavalhe o arbitramento dos lucros do contribuinte. E foi o que fez. Em vista da análise acima empreendida, de ser mantido o lançamento efetuado segundo as regras do lucro arbitrado. Apreciada a questão da validade jurídica do arbitramento levado a efeito no presente processo, cabe analisar a alegação do impugnante de que a fiscalização não lhe concedeu oportunidade para regularização de sua escrituração contábil e fiscal. No presente caso, a referida alegação não pode ser acolhida. O fato de não ter sido oferecido prazo ao impugnante para regularização de sua escrituração não implica mácula ao lançamento fiscal, conforme passo a esclarecer. A jurisprudência administrativa cristalizou o entendimento de que a fiscalização deve conceder prazo para recomposição da escrituração mantida pelo contribuinte nos casos em que os erros ou inexatidões são de pequena monta, ou meramente formais. No entanto, no caso em exame, essa não foi a situação encontrada pela autoridade fiscal. Conforme já consignado neste voto, no período fiscalizado, além de não contabilizar a movimentação financeira de três contas bancárias, o contribuinte registrou em sua contabilidade menos de um décimo do volume de sua atividade empresarial. Com isso, o contribuinte manteve à margem de sua contabilidade significativo volume de operações de aquisição e de revenda de mercadorias. Nesse caso, além da necessidade de registrar todas as notas fiscais emitidas pela fabricante fornecedora da mercadoria revendida pelo autuado, eventual recomposição da escrituração exigiria o registro da revenda das mercadorias, operações sobre as quais o contribuinte não demonstrou possuir a totalidade do necessário suporte documental em notas fiscais de saída. Neste ponto, impende ressaltar que a regularidade da escrituração pressupõe o devido lastro em documentos hábeis e Fl. 930DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.001034/200726 Acórdão n.º 180301.322 S1TE03 Fl. 6 11 idôneos, nos termos do art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda, reproduzido abaixo com destaque acrescido: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9o, § 1 °). Portanto, no presente caso, ainda que ao fiscalizado fosse concedido prazo, a recomposição da escrituração não seria viável em razão da falta de emissão da totalidade das notas fiscais de saída, conclusão evidente a partir da análise dos registros na conta contábil Vendas Brutas de Mercadorias às folhas 45 a 64 do Livro Razão (fls. 711a 722 do processo). Diante de uma situação como a que se tem sob exame, a recomposição da escrituração não seria possível de modo que se tem por desnecessária a intimação para esse fim. À evidência, nem mesmo perante essa instância de julgamento, em sede de impugnação, o contribuinte demonstrou que havia condições de recompor sua contabilidade. Ao contrário, mantevese no campo das alegações.” A recorrente não atacou nenhum dos fundamentos da decisão recorrida quanto a este tópico, limitandose a reproduzir as alegações contidas na impugnação. O procedimento fiscal pode ser sumariado da seguinte forma: • Termo de início – 10/01/2007 (fls. 53). • Resposta – 12/01/2007: foram entregues os livros fiscais e contábeis. • Intimação da Souza Cruz S/A – 18/01/2007(fls. 57). • Resposta – 08/02/2007: entregues cópias das notas fiscais de saída e informação sobre a data de pagamento dos débitos referentes a cada compra. • Intimação fiscal – 15/02/2007: para comprovação e explicação da origem dos recursos utilizados para efetuar as liquidações não escrituradas (fls. 539). • Resposta: as notas fiscais de compras de mercadorias adquiridas junto a Souza Cruz S/A, são efetuadas a prazo e que a empresa concede 7 dias para liquidação. A empresa trabalha com uma pequena margem de lucro bruto, que gira em torno de 5% sobre o preço de venda, motivo pelo qual vendemos as mercadorias com prazo máximo de recebimento de 3 dias. É desta forma que conseguimos pagar as compras de mercadorias da Souza Cruz S/A, tendo em vista o prazo maior para liquidar as FCB, do que o prazo que temos para receber de nossos clientes. (fls. 545) • Intimação fiscal – 27/02/2007: complemento da intimação datada de 15/02/2007, tendo em vista que algumas notas fiscais e alguns FCB’s deixaram de ser relacionados nas planilhas anexadas àquele termo (fls. 547). Fl. 931DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 12 • Resposta – 28/02/2007: reitera os termos da resposta inicial. • Intimação fiscal – 19/03/2007: para informar dados das contas correntes, bem como apresentar cópias dos comprovantes de propriedade de bens móveis e imóveis registrados em nome da pessoa jurídica, para que sejam arrolados. • Resposta – 19/03/2007: informação sobre as contas bancárias. • Resposta – 22/03/2007: indicação dos bens móveis. A análise do procedimento revela que a fiscalização demonstrou a ocorrência de erros, vícios e deficiências na escrituração do sujeito passivo – falta de escrituração da maior parte das notas fiscais de compra e ausência de escrituração da movimentação financeira – ao passo que a recorrente, até a fase recursal não trouxe nenhum elemento capaz de infirmar a acusação fiscal. Logo, restaram plenamente configuradas as hipóteses de arbitramento do lucro, previstas nas alíneas “a” e “b”, do inciso II, do art. 530 do RIR/99 Não vislumbro nenhum equívoco na decisão de primeira instância, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 932DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923800/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 38 00 /2 00 9- 32 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923800/200932 Acórdão n.º 3801001.976 S3TE01 Fl. 111 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa às fls. 1/2, transmitida eletronicamente pela empresa Santos Brasil S/A com o propósito de compensar débito(s) próprio(s) com suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior que teria realizado em 15/06/2001. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 3, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Inconformada, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade anexa às fls. 7/19, na qual alega em síntese que: a.a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b.a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora (vejase cópia em anexo); c.não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d.além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que — em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública — afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e.em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f.a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea — situação que, nos termos do art. 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923800/200932 Acórdão n.º 3801001.976 S3TE01 Fl. 112 3 consoante atestam a jurisprudência e a doutrina que ora traz à colação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), às fls. 76/80, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS' Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 83 a 103, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923800/200932 Acórdão n.º 3801001.976 S3TE01 Fl. 113 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para a COFINS, referente ao mês de maio/2001, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 2° trimestre/2001, conforme cópia às fls. 68/69. O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, ressalvada uma planilha demonstrativa à fl 70. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923800/200932 Acórdão n.º 3801001.976 S3TE01 Fl. 114 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN SRF 460/2005, vigente à época, que disciplina o procedimento de compensação, previa no seu art. 30 que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela tratamse de débitos já declarados pelo contribuinte, e não recolhidos, ou seja, o Fisco já tinha conhecimento do fato gerador, por intermédio da declaração efetuada pelo sujeito passivo, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Esse entendimento que é adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive, deu ensejo à publicação da Súmula STJ 360: Súmula 360 do STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923800/200932 Acórdão n.º 3801001.976 S3TE01 Fl. 115 6 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004197/2010-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO.DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE .
A desconsideração da contabilidade é ato excepcional que, seguido da apresentação de provas robustas deve ser avaliado de forma contextual com foco na gravidade da irregularidade verificada em ação fiscal. Erros e omissões localizados, não sistemáticos, que não a prejudiquem o conjunto e não se afigurem fraudulentos bem como inadimplementos passíveis da constituição do crédito de forma direta, não ensejam atitude radical de descaracterização da contabilidade.
Processo Anulado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, determinando a NULIDADE do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "AB INITIO". Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou pela procedência do lançamento.
Carlos Alberto Mess Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto . Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO.DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE . A desconsideração da contabilidade é ato excepcional que, seguido da apresentação de provas robustas deve ser avaliado de forma contextual com foco na gravidade da irregularidade verificada em ação fiscal. Erros e omissões localizados, não sistemáticos, que não a prejudiquem o conjunto e não se afigurem fraudulentos bem como inadimplementos passíveis da constituição do crédito de forma direta, não ensejam atitude radical de descaracterização da contabilidade. Processo Anulado. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, determinando a NULIDADE do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "AB INITIO". Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou pela procedência do lançamento. Carlos Alberto Mess Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto . Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.004197/201023 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.640 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente TERRAL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO.DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE . A desconsideração da contabilidade é ato excepcional que, seguido da apresentação de provas robustas deve ser avaliado de forma contextual com foco na gravidade da irregularidade verificada em ação fiscal. Erros e omissões localizados, não sistemáticos, que não a prejudiquem o conjunto e não se afigurem fraudulentos bem como inadimplementos passíveis da constituição do crédito de forma direta, não ensejam atitude radical de descaracterização da contabilidade. Processo Anulado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, determinando a NULIDADE do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "AB INITIO". Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou pela procedência do lançamento. Carlos Alberto Mess StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 41 97 /2 01 0- 23 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto . Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “ Tratase de crédito tributário constituído contra a empresa TERRAL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, por meio do auto de infração DEBCAD nº 37.267.4186, no valor de R$ 148.758,55 (cento e quarenta e oito mil e setecentos e cinqüenta e oito reais e cinqüenta e cinco centavos), consolidado em 20/05/2010, relativo às competências 01/2005 a 12/2008. Os valores levantados no AI nº 37.267.4186, são referentes às contribuições devidas pela empresa às Outras Entidades e Fundos (TERCEIROS – SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), tudo conforme legislação constante do relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 06/08) e do Relatório Fiscal (fls. 11/23). Os fatos geradores das contribuições lançadas são referentes à mãodeobra utilizada na execução das obras de construção civil, matrícula CEI nº 50.015.86504/77 e CEI nº 50.020.11305/72. A fiscalização informa que, quando da solicitação de Certidão Negativa de Débito – CND relativa às obras em referência e regularização das mesmas, foi efetuado pelo Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC apenas simulação dos cálculos por meio do sistema DISOWEB, razão pela qual a auditoria fiscal ao registrar o cálculo, em virtude inclusive de haver constatado dados não informados anteriormente, adotou para levantamento do débito, a última competência fiscalizada e verificada como término das obras na contabilidade da empresa, conforme levantamento código “AF – aferição indireta do salário de contribuição com base na tabela CUB”, no Discriminativo de Débito – DD, sendo que para a matrícula CEI 50.015.86504/77 – OBRA RESIDENCIAL VARANDA DOS BURITIS CONDOMÍNIO CLUBE (PERÍODO 12/2004 A 12/2008), foi considerada a competência 12/2008 e para a matrícula CEI 50.020.11305/72 – OBRA PORTAL SHOPPING (PERÍODO 03/2005 a 11/2007), a competência 11/2007. De acordo com o Relatório Fiscal (RF), a empresa notificada é optante pelo regime tributário do lucro presumido oferecido pela legislação federal do Imposto de Renda. Esta opção desobriga o contribuinte da escrituração contábil regular e apuração do lucro real. Entretanto, a empresa optou por apresentar os livros contábeis, com a finalidade de atender a fiscalização relativa às contribuições previdenciárias. A fiscalização informa haver constatado diversas irregularidades no lançamento contábil relativo aos custos com Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 4 a mãodeobra, como divergências entre os valores lançados na contabilidade e os declarados na Guia de Recolhimento ao Fundo deGarantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, sendo justificada a divergência pela empresa sob o argumento de que ocorreram diversos lançamentos em títulos impróprios como verbas indenizatórias de rescisões contabilizadas como salários e ordenados, abono pecuniário lançado como férias e férias proporcionais e vencidas, lançadas em conta referente a férias regulares, demonstrando que a empresa não contabiliza os fatos geradores em títulos próprios, lançando em uma única conta rubricas que são fato gerador de contribuição previdenciária, juntamente com outros que não são. A fiscalização também verificou divergências quanto ao período de execução da obra Portal Shopping informado na contabilidade e o período informado na Declaração e Informação sobre Obra DISO e na GFIP, sendo constatados lançamentos referentes a custo de mãodeobra e aquisição de material em período diverso do informado em DISO e GFIP (fls. 13/14 do RF). Também foram encontrados diversos documentos registrados indevidamente no centro de custo das obras fiscalizadas, tais como notas fiscais de serviço e de aquisição de material, com endereço para entrega em locais diversos dos locais das obras. Além disso, diversos documentos solicitados pela fiscalização não foram apresentados. A fiscalização destaca o fato de que a nota fiscal de serviço nº 5246, lançada na contabilidade no centro de custo da obra Portal Shopping, conta 5.1.2.01.12.001 – Material aplicado, tendo como usuária do serviço prestado a empresa Elmo Engenharia Ltda, CNPJ 02.500.304/000143, sendo o endereço do tomador do serviço diverso do endereço da obra. As diversas situações relatadas, se gundo a fiscalização, demonstraram que a contabilidade da empresa registra informação diversa da realidade e comprova que a escrituração contábil não reflete a real situação dos negócios do sujeito passivo, uma vez que até mesmo mantém em seus registros contábeis provável despesa pertencente a outra pessoa jurídica e não utilizada na execução das suas obras de construção civil. Pelas razões expostas no RF, concluiuse que não se encontram devidamente lançadas as contribuições de todos os segurados empregados envolvidos na execução das obras de construção civil de responsabilidade da empresa, e por este motivo a fiscalização desconsiderou a escrituração contábil apresentada e aferiu o débito de acordo com as normas estabelecidas na legislação previdenciária. Desse modo, as contribuições foram apuradas por meio de aferição indireta em razão da execução de obra de construção civil, com base na área construída e no padrão de execução, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico – CUB. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 4 5 Em respeito ao art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN, a multa aplicada foi confrontada com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do tributo devido, para incidência da penalidade mais benéfica ao contribuinte, nas competências anteriores a 12/2008 (comparativo de multas emitido pelo Sistema SAFIS, às fl. 11 do processo 10120.004195/201034). IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 28/05/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 29/06/2010, às fls. 26/47, na qual alega, em síntese, as seguintes razões: Alega que todos os autos de infração emitidos nesta ação fiscal trazem a descrição do mesmo fato gerador e por esta razão solicita que sejam julgados em conjunto. Que a fiscalização em seu relatório não precisou a ocorrência que ensejara o nascimento da obrigação tributária. A descrição do fato gerador, feita pelo auditor fiscal, não guarda nenhuma semelhança com a base tributável e a forma de cálculo do tributo a ser lançado, conforme art. 51 da Instrução Normativa SRP nº 3 de 2005. Alega que a fiscalização não se preocupou em saber se houve ou não a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, quando ocorreu e qual foi o montante de remuneração paga ou creditada ou devida ao trabalhador. De acordo com a impugnante, não é cabível o procedimento de avaliação da base tributável por aferição indireta quando a contabilidade reflete a realidade dos atos praticados pela empresa. Que o contribuinte já havia feito o lançamento por meio da GFIP e que apenas aguardava sua homologação, mas não foi o que ocorreu. Alega que a autoridade retificou o lançamento sem informar com precisão a omissão do contribuinte encarregado do lançamento, mas se prendeu a irrelevantes erros cometidos na formalização da escrita contábil para ao final concluir pela imprestabilidade da contabilidade da empresa. Segundo a impugnante, a contabilidade da empresa foi realizada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade ditados pelo Conselho Federal de Contabilidade por meio da Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993. Assim, ao constatar o não cumprimento dos princípios fundamentais da contabilidade a autoridade retificadora do lançamento obrigatoriamente deveria representar ao Conselho Regional de Contabilidade. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 6 O contribuinte alega que o que ensejou a desconsideração da contabilidade foi o cumprimento supostamente de forma incorreta, de obrigações acessórias. De acordo com a impugnante que a aferição indireta poderá ser aplicada quando ficar impossível estabelecer o montante da remuneração paga e que a auditora não comprovou a impossibilidade de obter o montante dos salários pagos. Que a auditora concorda com o montante dos salários pagos na execução da obra, simplesmente alguns registros não ficaram bem claros para a autora do ato fiscal. Que o Estado não pode apurar créditos sob evidências de situações. Que o fato afirmado pela auditora fiscal de que a empresa registra pagamentos realizados a outra pessoa jurídica deveria estar devidamente comprovado. Que a empresa não está desobrigada de fazer a escrituração contábil, ao contrário do que diz a auditora, mas que a tributação não é feita com base em sua escrituração, porém o Código Civil determina que todo comerciante deverá manter a escrita contábil em caráter permanente. Ainda no dizer da impugnante: “querer que a empresa utilize também a aferição da base tributável para a previdência social em parâmetros diferentes daqueles previsto em lei e demonstrados contabilmente, é simplesmente ser mais realista que o Rei.” A impugnante afirma não entender onde está a incoerência conferida aos seus registros contábeis, posto que a auditora em outro item do seu relatório que a empresa utiliza títulos próprios para escriturar os fatos relacionados às obras, descrevendo inclusive as contas utilizadas, afirma que foram verificadas incoerências na documentação e contabilização dos fatos econômicos, aquisições e despesas com as obras em comento. A empresa alega que a folha de pagamentos, a GFIP e a escrituração contábil em títulos próprios demonstram que a empresa contabiliza toda a massa remuneratória, base para a tributação previdenciária. Que a GFIP marca o início da apropriação de gastos com pessoal vinculado à obra, não o início da obra, pois diversos gastos são feitos ao início e ao final da obra sem que tenham empregados vinculados à obra, mas como esses gastos são de responsabilidade da empresa, devem para apuração de custos e resultados serem debitados à mesma. A única alternativa da empresa para atender às exigências das legislações ambiental, de posturas e principalmente as de segurança e medicina do trabalho e fazer as obras necessárias para o início material da obra em si, é remanejar trabalhadores da administração ou mesmo de outras obras para preparo desses quesitos essenciais. Que isto também explica a aquisição do concreto usinado, que é o suficiente para atender à construção das áreas exigidas, como construção de sanitários, refeitórios e área de convivência dos trabalhadores. Quanto à conta a ser debitada, a impugnante informa que a empresa não tem alternativa senão apropriar estas despesas ao Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 5 7 custo da obra, pois do contrário estaria descaracterizando o real valor final do produto. A empresa entende ainda que, a pouca mãodeobra utilizada deveria ter sido calculada e apropriada à obra correta, porém, o valor é tão insignificante que não se pode considerar como capaz de modificar seu custo final. A empresa justifica o baixo valor da mãodeobra empregada na construção ao emprego de mecanismos tecnológicos e aquisição de materiais para emprego na construção que demandem utilização menor de mãodeobra e indaga o fato de o CUB ser tão preciso e os normativos previdenciários aceitarem como parâmetro 70% daquele. Indaga ainda se um desvio de 30% é aceitável, ou se o fato de sonegar 30% não é crime. Que em consulta respondida pela Superintendência da 1ª Região Fiscal, a autoridade recomenda que a contabilidade somente poderá ser desconsiderada mediante prova de que esta não demonstra o movimento real da empresa e que prova é documento. Que o indício levantado pela RFB para programar a ação fiscal na empresa foi respondido pelas práticas de economicidade de custos praticadas pela empresa. E continua: “O CUB é apenas um parâmetro, pois a própria RFB admite a prática de mãodeobra com 70% daquele parâmetro.” Por fim, REQUER: Sejam suspensas as exigibilidades dos créditos objeto da impugnação para que os mesmos não sejam exigidos financeiramente antes de sua apreciação e que não constituam óbice para a emissão das correspondentes Certidões Positivas de Débitos com Efeito de Negativas – CPDEn. Sejam considerados improcedentes os lançamentos efetivados por meio dos DEBCAD emitidos nesta ação fiscal. Requer, em caso de dúvidas na fidedignidade dos registros contábeis, a nomeação de perito para subsidiar a tomada de decisão por parte da delegacia de julgamento. Que sejam julgados em conjunto, além dos débitos lançados neste auto de infração, os autos de infração 37.267.4143 e 37.267.4135, por se tratar de matérias correlatas.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 59, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRJ/BHE, em 29 de agosto de 2011, exarou o Acórdão n° 0344.656 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO A Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 8 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Os valores levantados reportamse às contribuições que seriam devidas pela empresa às Outras Entidades e Fundos (TERCEIROS – SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) na hipótese de prevalecer a autuação lavrada nos termos do processo n° 10120.004195/201034 referente a parte patronal, resultado da mesma ação fiscal, conexo com o presente. Ocorre que o sobredito processo coube à minha relatoria que em razão das motivações abaixo transcritas conclui pela nulidade do mesmo. Assim, por decorrência, sou de concluir , também, pela nulidade deste. “ DA PRELIMINAR DE NULIDADE De plano, cumpre destacar que a instância “ ad quod ” relatou e, em conseqüência, julgou objeto diferente do lançamento.Tal fato produz implicações na condução do voto posto que referindose a crédito distinto do original tornou obscura em razão da incorreta determinação da matéria tributável. Em sede de impugnação, no sobredito relatório consta que estariam sendo julgadas contribuições no valor de R$ 205.184,21 (duzentos e cinco mil, cento e oitenta e quatro reais e vinte e um centavos), correspondentes à parte dos segurados EMPREGADOS : “ Tratase de AutodeInfração (AI) DEBCAD nº 37.267.416 0 por meio do qual se exige do contribuinte acima identificado a importância de R$ 205.184,21 (duzentos e cinco mil, cento e oitenta e quatro reais e vinte e um centavos), consolidado em 20/05/2010. Foram lançadas contribuições devidas à previdência social correspondentes à parte dos segurados EMPREGADOS, apuradas por aferição indireta ...” Ocorre que no Relatório Fiscal, às fls. 12, os objetos do lançamento foram as contribuições previdenciárias correspondentes PARTE PATRONAL e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, destinadas á Seguridade Social cujo valor encontrase registrado às fls. 01 R$ 589.904,60: “ DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 6 9 O objeto do presente levantamento são as contribuições previdenciárias correspondentes parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, destinadas 5 Seguridade Social (incisos I, II e Ill do artigo 22 da Lei 8.212/91), incidentes sobre a base de cálculo apurada por aferição indireta do valor da mãodeobra necessária na execução das obras de construção civil acima identificadas.” Na seqüência, por se revelar questão de fundo para efeito da validade do lançamento, enfrento também em preliminar a alegação da Recorrente sobre o crédito ter sido constituído mediante aferição indireta: “ Não pode o fisco determinar a base tributável por meio de mecanismo de aferição indireta, se não existe convicção firme sobre a impossibilidade de a mesma se aferida por meio de mecanismos diretos. A folha de pagamentos, a GFIP e a escrituração contábil em títulos próprios, demonstra que a empresa contabiliza toda a massa remuneratória , base para a tributação previdenciária. A auditoria afirma o contrário, porém não identifica quem, o que, quando, a empresa deixou de fora da escrita contábil.” Como foi visto alhures, o objeto do lançamento reportase à PARTE PATRONAL . Entretanto, às fls. 06, o Relatório de FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO – FLD, além de se referir à remuneração de EMPREGADOS, objeto diverso do lançamento, não faz menção à legislação vigente à época das competências anteriores à constituição do crédito, cujo período retroagiu a 01/2005 , que foram consideradas e consolidadas no valor do cálculo para as competências 11/2007 e 12/2008 : “ Fundamentos Legais das Rubricas 200 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS 200.08 Competências : 11/2007, 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22,1 (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I e parágrafo único, art. 201. I, parágrafo 1. e art. 216, I, (com as alterações dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). 301 CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA 301.08 Competências : 11/2007, 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22, II (com a redação dada pela Lei n. 9.732, de 11.12.98); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I, parágrafo único, na redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99, art. 202, I, II e III e parágrafos 1. ao 6. ” Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 10 O fato supradescrito implica nulidade do lançamento em razão da incorreta determinação da matéria tributável. Às fls. 06, o Relatório FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO FLD não faz referência à legislação vigente à época das competências anteriores à constituição do crédito ,cujo período retroagiu a 01/2005 , que foram consideradas e consolidadas no valor do cálculo para as competências 11/2007 e 12/2008: “ 061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA CONSTRUÇÃO CIVIL 061.05 Competências : 11/2007, 12/2008 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação da Lei n. 10.256, de 09.07.2001 e alteração da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.09), parágrafos 3. e 4. (com as alterações da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.942, de 27.05.09) e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Segundo o Relatório Fiscal de fls.12, a apuração do débito ocorreu conforme o abaixo descrito: “ DA APURAÇÃO DO DÉBITO O débito constante no presente AI foi apurado por meio de aferição indireta do valor do salário de contribuição necessário à execução da obra, como previsto nos §§ 4° e 6°, do artigo 33, da Lei 8.212/91. O procedimento de aferição indireta do salário de contribuição, devido em razão da execução de obra de construção civil, com base na área construída e no padrão de execução, encontrase disciplinado no art. 234 do Decreto 3.048 de 06/05/1999 e Instrução Normativa /SRP 03, de 14/07/2005, com as alterações introduzidas pelas Instruções Normativas MPS/SRP n° 24, de 29 de abril de 2007, Instrução Normativa MF/RFB n° 774, de 29 de agosto de 2007, Instrução Normativa RFB n° 910, de 29 de janeiro de 2009, e Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009. ( grifos de minha autoria) O comando dos §§ 4° e 6° do art. 33 da Lei n 8.212/91 exortados no Relatório Fiscal assim determina : § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.( Redação dada pela Lei n 11.941, de 2009) (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 7 11 contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ”( (grifos de minha autoria) Ainda sobre o contido na mesma fl. 12, supra, o período do lançamento foi determinado segundo os parâmetros definidos art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, verbis:, DO PERÍODO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO A competência adotada para apuração do débito, encontrase definida no art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, que trata da apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, utilizando as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgados pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, que em seu parágrafo 2°, estabelece que, em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência da emissão do ARO, ou em qualquer competência abrangida pela Auditoria Fiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO.” ( grifos de minha autoria) Ressaltando que a empresa apresentou a contabilidade, é relevante destacar que tendo a Autoridade Fiscal suportado o período do lançamento na forma art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, seria compulsório observar, também, o comando do artigo imediatamente anterior que instrui sobre em que oportunidade deva se levar a efeito a aferição da base de cálculo por via indireta nos específicos casos de construção civil, verbis: “ Art. 343. A apuração por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãode obra empregada na execução de obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica, inclusive a relativa à execução de conjunto habitacional popular, definido no inciso XXV do art. 322, quando a empresa não apresentar a contabilidade, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos neste Capítulo. ” ( grifos de minha autoria) Aduz que, na circunstância, utilizar o comando da sobredita Instrução Normativa IN fere o preceituado no artigo 144 do Código Tributário Nacional – CTN em razão de a edição da referida instrução ser posterior a ocorrência dos fatos geradores definidos para as competências01/01/2005 a 31/12/2008. Na forma do art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , verbis: “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 12 novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Prevalecendo o entendimento de que a Instrução deva ser considerada, não se pode alegar que o artigo 343, retro tenha sido descumprido uma vez que, conforme recibo emitido às fls. 26, a Recorrente apresentou a contabilidade à Autoridade Autuante que recebeu todos os livros fiscais solicitados. Sobre os demais elementos examinados, às fls. 20 do Relatório Fiscal a Autoridade Autuante registra que para o cálculo do salário de contribuição vários documentos foram considerados : “ Como Salário de Contribuição foram considerados os valores calculados a partir de informações verificadas pela fiscalização na documentação arquivada na empresa, Notas Fiscais de aquisição de materiais e de serviços de construção, Notas Fiscais de Serviço, GFIP, GPS, projetos arquitetônicos e Declaração e Informação sobre Obra DISO, que é de preenchimento e responsabilidade do próprio contribuinte, onde foram pesquisados os dados necessários para o correto enquadramento das obras, sendo utilizada a tabela CUB do SINDUSCON publicada no mês de cálculo dos ARO's ” Ainda sobre o art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, sobre o qual do qual já manifestei alhures a respeito da improcedência para o presente levantamento, a auditoria para efetivar a aferição indireta elegendo as competências 11/2007 e 12/2008 sustentou o procedimento na forma abaixo transcrita do Relatório Fiscal às fls.13 : “ DO PERÍODO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO A competência adotada para apuração do débito, encontrase definida no art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, que trata da apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, utilizando as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgados pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, que em seu parágrafo 2°, estabelece que, em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência da emissão do ARO, ou em qualquer competência abrangida pela Auditoria Fiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. Esclarecemos que, quando da solicitação da CND para as obras em referência e regularização das obras no CAC pela empresa, foi efetuado apenas simulação dos cálculos através do sistema DISOWEB, razão pelo qual esta auditoria ao registrar o novo cálculo, em virtude inclusive da constatação de dados não informados em DISO, e portanto não considerados no cálculo realizado pelo Centro de Atendimento do Contribuinte da Receita Federal do Brasil, adotou para levantamento do débito, a última competência fiscalizada e verificada como término das obras na contabilidade da empresa, em observação à norma acima citada. ” Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 8 13 Como se observa , na parte final do registro a auditoria afirma que se baseou na , última competência fiscalizada e verificada como término das obras na contabilidade da empresa . Agindo assim, tal procedimento se revela paradoxal na medida em que se a contabilidade fora desconsiderada então nada haveria para se aproveitar daqueles lançamentos. Destacandose que tratase de levantamento que envolvem duas obras cujos valores do custo global calculados em 12/05/2010 nos Avisos de Regularização de Obra AROs de fls 134 e 174 registram R$10.653.206,93 e R$10.895.231,84, trago à lume as justificativas da auditoria para realizar do lançamento por aferição : “ Dos documentos apresentados à fiscalização, constatouse a ocorrência de lançamentos no centro de custo das obras auditadas, de informação que não corresponde à realidade dos fatos. É o que comprova a Nota Fiscal Fatura de Serviço n.° 5246 emitida pela empresa Concreto Redimix do Brasil S.A. CNPJ 27.701.564/003980, de 22/05/06, no valor de R$ 465,00, lançada no centro de custo da Obra Portal Shopping, conta 5.1.2.01.12.001 Material Aplicado, cópia anexa. O documento acima citado, identifica como usuária do serviço prestado a empresa Elmo Engenharia Ltda CNPJ 02.500.3041000143, sendo o endereço da obra para entrega do material aplicado sito à Rua 21 n° 66 centro, outra obra não identificada pela fiscalização, e no entanto lançada no centro de custo de obra sob responsabilidade da empresa Terral Participações e Empreendimentos Ltda. A situação fática aqui relatada, evidencia que a contabilidade registra informação diversa da realidade, e que efetivamente comprova que a escrituração contábil não reflete a real situação dos negócios do sujeito passivo, uma vez que a mesma mantém em seus registros contábeis provável despesa pertencente a outra pessoa jurídica, e não utilizada na execução das suas obras de construção civil.” (...) De todo o exposto, concluise que não se encontram devidamente escriturados todos os segurados empregados envolvidos na execução das obras de construção civil, de responsabilidade da empresa, que de acordo com a Lei n° 8.212191, representam a base de cálculo das contribuições previdenciárias, motivo pelo qual, esta fiscalização desconsiderou a escrituração contábil apresentada pela empresa e aferiu o débito nos moldes previstos no art. 342 e seguintes, da IN/RFB n° 971, de 13/11/2009. ” Desse modo, o valor é inexpressivo e a conclusão de que a Recorrente mantém em seus registros contábeis provável despesa pertencente a outra pessoa jurídica, é subjetiva dado que pode ter ocorrido mero erro de escrituração. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 14 Complementando as razões de proceder a aferição indireta, na forma do relato abaixo, a auditoria concluiu que “empresa não contabiliza todos os fatos geradores em títulos próprios ” : “ Considerando os valores lançados a titulo de remuneração para a obra Varanda dos Buritis e Portal Shopping, especificamente as contas 5.1.1.01.11.001 e 5.1.2.01.11.0001 Salários e Ordenados, 5.1.1.01.11.002 e 5.1.2.01.11.002 Férias Normais, 5.1.1.01.11.003 e 5.1.2.01.11.003 13° Salário; e a remuneração declarada em GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social relativa às obras, verificase que os mesmos encontravamse divergentes (ver planilhas comparativas em anexo). Intimada a prestar esclarecimentos sobre as divergências encontradas, a empresa justifica que ocorreram vários lançamentos em títulos impróprios como verbas indenizatórias de rescisões contabilizadas como salários e ordenados, abono pecuniário lançado como férias e férias proporcionais ou vencidas, lançadas em conta de férias normais, demonstrando que a empresa não contabiliza todos os fatos geradores em títulos próprios, lançando de forma englobada em uma única conta, rubricas que são fato gerador de contribuição previdenciária, juntamente com outras que não o são. ” ( grifos de minha autoria) A falha observada e confirmada pela Recorrente, quando lançou de forma englobada em uma única conta, rubricas que são fato gerador de contribuição previdenciária, juntamente com outras que não o são, na verdade registra fato ocorrido em desfavor da Recorrente que aumentou a base de cálculo a título de remuneração de forma indevida. Ao episódio supra não se pode imputar outra penalidade senão a prevista para descumprimento de obrigação acessória. O caso presente tem contornos de erro escusável passível de ser revisto mediante estorno dos registros contábeis e retificação das informações. De acordo com fls. 41, com a emissão do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 003/2010, a Autoridade Autuante requereu justificativas para as diferenças encontradas para todo o período fiscalizado 01/2005 a 12/2008, extraídas do confronto dos arquivos magnéticos da contabilidade x GFIPs declaradas: “ Prazo: 20 dias Período de apuração: 01/2005 a 12/2008 Verificar/justificar as diferenças apuradas conforme bases de cálculo extraídas do arquivo magnético da contabilidade x GFIP declarada, conf. planilhas anexas.” Na hipótese de a auditoria ter entendido estar diante de fato gerador de obrigação principal inadimplido, seria o caso de constituir o crédito das diferenças demonstrando faticamente sua ocorrência mediante o lançamento ao invés de desacreditar a contabilidade. Muito embora o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, de fls. 82 registre que não foram analisadas folhas de pagamento, comprovantes de recolhimento e livros fiscais de contabilidade às fls. 857, a Auditora Fiscal executa despacho de encerramento da ação fiscal após a colação de vasta documentação da empresa desde as fls. 202 onde se Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 9 15 verificam folhas de pagamento, comprovantes de recolhimento e livros fiscais de contabilidade. Também às fls. 124 e 125 constam nos TERMO DE DEVOLUÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a entrega de livros contábeis. Sobre os livros fiscais desconsiderados, por óbvio, estes foram analisados até mesmo para desconsiderálos foi necessário proceder ao exame crítico. Conforme recibo emitido às fls. 26, a Autoridade Autuante recebeu a documentação abaixo : “ RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ENTREGUES PARA FISCALIZAÇÃO • Contrato social e alterações; . Documentos pessoais dos sócios; • Documentos pessoais da contadora; • Contratos de empreitadas e subempreitadas de obras de construção civil (2005 a 2008); • Recibos de pagamentos de autônomos e guia de INSS. (2005 a 2008); •Notas fiscais, faturas de prestação de serviços e guia de INSS retido se for o caso (20052008); • GFIPs de terceiros com suas respectivas notas fiscais de prestação de serviços (2005 a 2008); • Comprovante da matricula CEI 50.020.11305.72 e sua respectiva CND N° 32717200908001010; Comprovante da matricula CEI 50.015.86504.77 e sua respectivas CNDs n° 64334200908001010, 131552008 08001010, 160482007 08001010; • Livro de inspeção de trabalho; • Alvará de construção n° 000695/2007 (ref. Obra 50.015.86504.77); • Termos de habitese n° 000265/2009, 000271/2007, 000142/2008 (ref.Obra 50.015.86504.77); • Anotações de responsabilidade técnica n° 317010032509, 317340010309, 126930007209 (ref. Obra 50.015.86504.77); • Projeto aprovado de obra de construção civil (ref. Obra 50.015.86504.77); • Arquivos digitais blocos 0K9 e 019 de 2005 a 2008 em CD; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 16 • Recibos de entrega e relatório de resumo da validação dos arquivos digitais acima citados de 2005 a 2008; • Livro diário n° 06 jan a dez 2005, 07 jan a ago 2006, 08 set a dez 2008, 09 jan a abr 2007, 10 mai a dez 2007 e 11 jan a dez 2008. • Projeto aprovado de obra de construção civil (ref. 50.020.11305/72); • Termo de habitese n° 000262/2009 (ref. Obra 50.020.11305/72); • Alvará de construção n° 002280/2006 (ref. Obra 50.020.11305/72); • RTs n° 180077909, 20659200609267910, 25691200506833410 (ref. Obra 50.020.11305/72); • Processo trabalhista n° RT 00882200701218000 José Francisco de Assis; • Processo trabalhista n° RT 02100200601118000 Juscelino Nonatosobrinho; • Arquivos digitais blocos 0K9 e 019 de 2005 a 2008 em CD; • Recibos de entrega e relatório de resumo da validação dos arquivos digitais acima citados de 2005 a 2008; • Livros razão 2005 a 2008.” Face ao todo arrazoado, entendo que a Autoridade Autuante dispunha de todos os elementos para proceder a aferição direta de eventuais obrigações inadimplidas . DA JURISPRUDÊNCIA E DA NULIDADE Na forma do abaixo transcrito a jurisprudência do CARF registra que meu entendimento se alinha com aqueles julgados : “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 230101306 do Processo 11618002683200782 de 24/03/2010. assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias período de apuração: 01/11/2001 a 30/12/2005 Desconsideração da contabilidade. pessoa jurídica. aferição indireta, impossibilidade. Necessidade de provas robustas. As razões apresentadas no ato fiscalizatório para a desconsideração da contabilidade devem sempre ser confrontadas com os fatos e provas suficientes para justificar o ato extremo.não constitui ato válido a desconsideração de toda a escrita contábil do contribuinte por mero erro no preenchimento de dados fiscais, principalmente quando presentes as informações e os documentos necessários à análise e compreensão dos demonstrativos da base de cálculo do tributo. Recurso voluntário provido crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA Processo nº 10120.004197/201023 Acórdão n.º 2403001.640 S2C4T3 Fl. 10 17 Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor a ser apresentado pelo conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, vencida a relatora que anulava por vício formal. ”( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária , Acórdão n 230101531 do Processo 37322000116200610 , de 09/06/2010 assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias período de apuração 01/95 a 10/05.Desconsideração da contabilidade, aferição indireta, impossibilidade, necessidade de provas robustas.as razões apresentadas no ato fiscalizatório para a desconsideração da contabilidade deve sempre ser confrontada com os fatos concretos, sopesada a gravidade da eventual irregularidade apresentada pelo contribuinte, e sempre acompanhada das provas robustas. O agente do fisco deve evitar desconsiderar a escrita contábil por meros erros que não a prejudiquem em seu conjunto, procurando sempre elementos adicionais que possam evidenciar a base de cálculo do tributo.Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento por vício material. vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendeu se tratar de vício formal.”( grifos de minha autoria) Sobre nulidade, o § 2º art. 59 do Decreto 70.235/1972 determina que : § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. O agente do fisco deve evitar desconsiderar a escrita contábil por erros que não a prejudiquem em seu conjunto. Não se pode olvidar que, a teor da legislação de regência (art. 33 da Lei nº 8.212), o arbitramento somente se justifica diante da absoluta ausência ou imprestabilidade da documentação contábil e fiscal da empresa que caracterizaria rregularidade insanável. Desse modo, à exemplo do caso em comento, quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA 18 levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para EM PRELIMINAR DAR PROVIMENTO às alegações da Recorrente determinando a NULIDADE do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL “AB INITIO” É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JUL IO DE SOUZA
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Numero do processo: 10980.910835/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO QUE DEIXOU DE ANALISAR AS QUESTÕES PERTINENTES AO JULGAMENTO DO LITÍGIO. ADMISSIBILIDADE. Demonstrado que o acórdão embargado deixou de analisar as questões pertinentes ao julgamento do litígio, concluindo por existência de prazo decadencial para pedido de restituição quando tal aspecto não existia e sequer era objeto de controvérsia, admite-se os embargos para que sejam enfrentados as matérias efetivamente pertinentes ao julgamento.
COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. CIRCUNSTÂNCIA QUE DEVER SER SUPERADA DEVENDO A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA VERIFICAR A EFETIVA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA COMPENSAR DÉBITO DECLARADO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos pedidos de compensação há de se observar a verdade material, sobrepondo-se a procedimentos errôneos dos contribuintes ou da autoridade tributária. Tendo por parâmetro de que o direito à compensação, disciplinado no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, pressupõe a existência de crédito em favor do sujeito passivo, deve a autoridade fiscal ater-se a efetiva existência ou não de crédito, podendo e devendo adotar, de ofício, todos os procedimentos para identificar os créditos existentes, aplicando-os para extinguir débito do sujeito passivo. Precedentes deste colegiado acórdãos 1402.00695; 1402.00708, julgados em agosto de 2011 e REsp 1.309.622-CE. Item 2 da ementa. Rel. Ministro Mauro Campbell Marques. Jul. 10/08/2011.
Embargos acolhidos atribuindo-lhes efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1402-001.349
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, admitir os embargos de declaração e dar-lhes efeitos infringentes para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil, a fim de que novo despacho decisório seja proferido com análise da DIPJ retificadora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ACÓRDÃO QUE DEIXOU DE ANALISAR AS QUESTÕES PERTINENTES AO JULGAMENTO DO LITÍGIO. ADMISSIBILIDADE. Demonstrado que o acórdão embargado deixou de analisar as questões pertinentes ao julgamento do litígio, concluindo por existência de prazo decadencial para pedido de restituição quando tal aspecto não existia e sequer era objeto de controvérsia, admitese os embargos para que sejam enfrentados as matérias efetivamente pertinentes ao julgamento. COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. CIRCUNSTÂNCIA QUE DEVER SER SUPERADA DEVENDO A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA VERIFICAR A EFETIVA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA COMPENSAR DÉBITO DECLARADO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos pedidos de compensação há de se observar a verdade material, sobrepondose a procedimentos errôneos dos contribuintes ou da autoridade tributária. Tendo por parâmetro de que o direito à compensação, disciplinado no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, pressupõe a existência de crédito em favor do sujeito passivo, deve a autoridade fiscal aterse a efetiva existência ou não de crédito, podendo e devendo adotar, de ofício, todos os procedimentos para identificar os créditos existentes, aplicandoos para extinguir débito do sujeito passivo. Precedentes deste colegiado acórdãos 1402.00695; 1402.00708, julgados em agosto de 2011 e REsp 1.309.622CE. Item 2 da ementa. Rel. Ministro Mauro Campbell Marques. Jul. 10/08/2011. Embargos acolhidos atribuindolhes efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 08 35 /2 00 8- 01 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, admitir os embargos de declaração e darlhes efeitos infringentes para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil, a fim de que novo despacho decisório seja proferido com análise da DIPJ retificadora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados em face ao acórdão n°. 140200.690, de fls. 283 e seguintes, julgado na sessão de 05 de agosto de 2011, do qual fui relator. O decisão da DRJ que gerou o recurso que foi objeto de julgamento por meio do acórdão embargado pode ser sintetizada por meio da seguinte ementa, que transcrevo da fl. 214 dos autos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGÊNCIA ENTRE 0 VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei no 9.430196, e à Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec n° 2 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Tendo Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 3 o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, e quedandose inerte, a divergência impede que o Fisco proceda à análise do direito creditório informado. Conforme se depreende dos fundamentos do acórdão recorrido, mais precisamente do item 24 (fl. 221), o contribuinte informou incorretamente os créditos que foram utilizados na compensação em relação à origem do direito creditório informado na DIPJ. Mais, nos itens 28 e 29, abaixo transcritos, o acórdão recorrido destaca textualmente: 28. Conforme fls. 193/196, foi feita a devida intimação solicitando providências, como determinado pela Norma de Execução. Em verdade, foram feitas duas intimações, em 12/09/2007 e 12/03/2008, respectivamente. Conforme se verifica nas fls. 197/198, o contribuinte de fato retificou sua DIPJ em 22/04/2008, porém, essa retificação alterou a linha 19 da ficha 12 A para apurar um saldo negativo de R$ 37.537,73, exatamente o valor que é apontado pelo despacho decisório, e que é divergente do valor informado no PER/DCOMP. Isto é, permaneceu divergência mesmo após a retificação. 29. A alegação do contribuinte de que a DRF adotou apenas algumas informações da DIPJ, desconsiderando outras, não subsiste em razão de existir o lugar próprio na DIPJ para a informação especifica do IRPJ a pagar (ou o respectivo saldo negativo, se for o caso). A DRF não fez cálculos para apurar o valor devido ou a compensar, apenas utilizouse especificamente da informação contida na ficha 12 A, linha 19, prestada pelo contribuinte. Todavia, a decisão embargada analisou a matéria por meio de acórdão cujos fundamentos podem ser sintetizados na seguinte ementa: RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. O disposto no artigo 149, parágrafo único, do CTN, prevendo que a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública também se aplica ao sujeito passivo. Decorridos mais de cinco anos do lançamento original, não cabe retificação do mesmo, por iniciativa do sujeito passivo, para inclusão de elementos não constantes desse. Assim como a Fazenda Pública não pode fazer lançamento em relação a fatos ocorridos em período atingido pela decadência, igual restrição se faz ao sujeito passivo. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco, quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Intimada do acórdão, de forma tempestiva, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que opinei pela sua admissibilidade em face das razões especificadas no despacho de fls. 302/304, do qual transcrevo a seguinte passagem: Pelo que se extrai dos fundamentos do acórdão embargado, este partiu da premissa de que, na data da apresentação da DIPJ retificadora já tinha decorrido mais de 5 anos, o que não se verificou no caso concreto, razão pela qual opino pela admissibilidade dos embargos para que o exame da matéria se dê levando em consideração as demais circunstâncias que dizem respeito ao exame das demais questões, inclusive o fato de que na data da declaração retificadora não tinha decorridos 5 anos. Comparando a ementa do acórdão recorrido com a ementa da decisão embargada, verificase que esta divorciouse dos fatos, omitindose acerca de Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 4 questão sobre a qual deveria ter se manifestado, qual seja, se o erro do contribuinte na informação da origem do saldo negativo obsta a análise do pedido de compensação para identificar se a parte interessada efetivamente dispõe de crédito suficiente para compensar o débito informado. É o relatório Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Os embargos foram interpostos de forma tempestiva. Pelo que se extrai da ementa do acórdão embargado este adotou como razões de decidir que decorridos mais de cinco anos do lançamento por homologação, não cabe retificação da DIPJ para inclusão de elementos não constantes do lançamento original. Contudo, as questões discutidas nos autos estão alicerçadas em outros pontos, razão pela qual os embargos devem ser admitidos para ditas questões. Em 30/06/2005, a embargante apresentou o pedido de compensação de fls. 01 e seguintes postulando a quitação de débito tributário apurado em dezembro de 2004 e vencido em 31/01/2005, com saldo negativo do IRPJ referente ao anocalendário de 2003 (ver. fl. 01. 09 e 10). Por meio do despacho de fl. 01, notificado ao embargante em 04/09/2008 (fl. 02), a autoridade fiscal destacou que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo de informado no PER/DECOM, no montante de R$ 84.306,28, visto que o valor informado na DIPJ era de R$ 37.537,73. No PER/DCOM, à fl. 07, a embargante indica que o valor do saldo negativo em 31/12/2003 é de R$ 84.306,28, valor este originário da retenção de juros sobre o capital próprio, conforme especificado à fl. 08. Não homologada a compensação, a embargante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 11 e seguintes, destacando em síntese: a) que em 30/06/2005 transmitiu eletronicamente o pedido de compensação acima indicado (PER/DCOMP n° 18034.42612.300605.1.3.028100) b) que tendo constatado inexatidões materiais no preenchimento, em 30/10/2006, apresentou PER/DCOMP retificador, que recebeu o n° 16887.89588.301006.1.7.020303; c) que em face da referida declaração de compensação, em 29/08/2007 e 29/02/2008, a Recorrente foi intimada a efetuar retificações em suas declarações a fim de sanar suposta irregularidade no crédito objeto de compensação e nas antecipações de Imposto de Renda; d) que a DIPJ 2004 (anocalendário 2003) foi retificada, tendo a última declaração retificadora sido entregue em 22/04/2008 (Doc. 07 — DIPJ 2004 original e retificadoras). Nesta retificação foi apontado o saldo negativo de IRPJ indicado no PER/DCOMP no valor de R$ 84.306,28. Tal apontamento foi efetuado na linha 7, ficha 11 de dezembro ("Imposto de Renda retido na Fonte") ver fl. 123: e) que os créditos utilizados pela recorrente têm origem nas retenções do IRRF não utilizadas nos anoscalendário de 2000 a 2003, sendo que os créditos de 2000, 2001 e 2002 encontramse evidenciados nas DIPJ dos respectivos anoscalendário (Fichas 14A e 43 da DIPJ e conta IRRF do Livro Razão. Desta forma, não tendo sido utilizadas, tais retenções foram convertidas em Saldo Negativo dos anos seguintes, tendo se acumulado até o ano calendário de 2003, os seguintes valores históricos: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 6 Créditos Valor Original IRRF 2000 (saldo negativo em jan/01) 21.641,38 IRRF 2001 (saldo negativo em jan/02) 10.160,76 IRRF 2002 (saldo negativo em jan/03) 6.351,23 Total 38.153,37 Em relação ao ano de 2003 argumenta a recorrente que os créditos gerados a partir das retenções de IRRF são compostos de IRRF sobre prestação de serviços e de JCP, conforme quadro que segue: Créditos Valor Original IRRF 2003 (serviços) 2.442,15 IRRF JCP (ficha 53) 90.272,35 Total 92.714,50 A embargante ainda destaca que no ano de 2000 houve retenção de IRRF sobre JCP no valor de R$ 42.900,00, entretanto a referida retenção foi deduzida no 4° trimestre. Para fazer prova das retenções no valor de R$ 2.442,15 a recorrente apresentou cópia das notas fiscais de fls. 151 a 157. Argumenta a recorrente que a atualização dos saldos negativos anteriormente apontados somam R$ 148.418,85, conforme quadro que apresenta: Diz, ainda, que mesmo deduzindo os débitos de IRPJ (R$ 11.742,85) e IRRF R$ 40.991,67, cuja compensação foi efetuada, constatase que existia saldo suficiente a amparar a compensação em questão, conforme quadro que segue: A DRJ não analisou a existência dos valores acima especificadas. Tendo o contribuinte informado que o saldo negativo correspondia ao anocalendário de 2003, sem se reportar ao saldo negativo dos exercícios anteriores, o exame da matéria, tanto pela autoridade de origem, quanto pela DRJ, deuse apenas sobre a premissa de que se tratava de saldo negativo somente do anocalendário de 2003. Assim, tenho que o acórdão embargado deve enfrentar duas questões: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 7 a) se o erro no preenchimento do Pedido de Compensação quanto à indicação da origem do saldo negativo impede o processamento e análise do pedido de compensação para verificar se o sujeito passivo possui créditos disponíveis para quitar o débito informado. b) se não há decadência em relação ao caso concreto, pois em havendo decadência, ainda que se acolha a premissa anterior, a compensação não será homologada. I Do exame da questão relacionada ao erro no preenchimento do Pedido de Compensação Nos termos do artigo 170 do CTN, a lei pode autorizar a compensação de crédito tributário com créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste contexto, o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, assim dispõe: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanta à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. A apuração do saldo negativo, em síntese, advém do confronto dos tributos apurados (IRPJ e CSLL) e dos valores recolhidos de forma antecipada, quer sejam a título de retenções na fonte ou pagamento de estimativas. Quando a soma das retenções na fonte e do recolhimento das estimativas superam o montante do imposto devido temse o saldo negativo. A diferença retida ou recolhida a maior se constitui no saldo negativo passível de compensação. O valor do saldo negativo deve constar da DIPJ. É com base neste valor que a autoridade administrativa processa os pedidos de compensação. No entanto, no caso dos autos, a recorrente, em relação ao anocalendário de 2003, antes da retificação processada em 24/04/2008, no lugar indicado para informar o imposto a pagar não vez constar o valor do IRRF, conforme se depreende da ficha 12A, da DIPJ (fl. 114). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 8 Na linha 13 da FICHA 12A, da DIPJ correspondente ao anocalendário de 2003, exercício 2004, devia constar o IRRF em relação aos juros sobre o capital próprio pagos pela empresa Hubner Indústria Mecânica Ltda, estes especificados na Ficha 53 (fl. 117). No entanto, tal valor, não havia constado da linha 13 da ficha 12A da DIPJ original e nem na DIPJ retificadora apresentada em 01/10/2007 (fl. 107), acima demonstrada1. Na DIPJ retificadora apresentada em 24/04/2008 (fl. 118) isto é, alguns meses antes do despacho decisório de fl. 01, proferido datado de 26/08/2008 e notificado em 04/09/2008, a embargante informou os seguintes valores, na ficha 12A: OBS. aparentemente a DIPJ acima, no que diz respeito ao IRRF contém um erro. Ainda que se desconsidere os valores retidos na fonte especificados nas notas fiscais de fls. 152/157, na FICHA 53A, ao indicar o demonstrativo do IRRF consta valor de R$ 90.272,35, a título de JCP. Ocorre que ao proferir o despacho de fl. 01 a autoridade de origem não se ateve à DIPJ retificadora que fez constar na linha 13 da FICHA 12A o valor do IRRF, que nas declarações anteriores, só tinha sido lançado na FICHA 53, fl. 117, sem que fosse transportado para a linha 13 da FICHA 12A. Pelo que se verifica dos autos, ao menos no que diz respeito ao ano calendário de 2003, não se trata de inexistência de saldo negativo, mas sim de procedimento do sujeito passivo que inobstante tendo sofrido retenções de IRRF apresentando inclusive informação sobre o recolhimento, ao menos no que diz respeito aos juros sobre o capital próprio, só tinha lançado este valor na FICHA 53 da DIPJ original (fl. 96), quando também deveria ter lançado na linha 13 da FICHA 12A (fl. 94). Contudo, não será esta imprecisão de registro contábil que fará desaparecer o seu crédito e o respectivo direito à compensação, em especial quando o contribuinte, antes do despacho decisório, havia retificado a DIPJ apurando saldo negativo de R$ 72.563,33, valor este não observado no despacho decisório. Além do saldo negativo apontado na DIPJ retificadora (fl. 124), destaca a embargante que ao se referir ao saldo negativo de 2003, neste também deveria ser incluído os valores de saldo negativo dos períodos anteriores 31/12/2000, 2001 e 2002, eis que se transferem de um ano para outro. 1 Antes de analisar a DIPJ retificadora apresentada em 24/04/2008, no que diz respeito à retenção dos valores correspondentes às notas fiscais de fls. 152/157, observei, por primeiro, se estas constavam da contabilidade da recorrente. No Livro Razão, à fl. 161, constatei, a título de exemplo, o lançamento da nota de fl. 152, no valor de R$ 14.989,13, com retenção de R$ 228,26 a título de IRRF. O mesmo pode ser dito em relação à nota fiscal de fl. 153, no valor líquido de R$ 73.350,98 e IRRF de R$ 1.117,02 (fl. 162). Fl. 313DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 9 Créditos Valor Original IRRF 2000 (saldo negativo em jan/01) 21.641,38 IRRF 2001 (saldo negativo em jan/02) 10.160,76 IRRF 2002 (saldo negativo em jan/03) 6.351,23 Total 38.153,37 Neste ponto, entendo que tem razão a contribuinte. Não é pelo fato de só ter se referido a saldo negativo de 2003 que, em existindo crédito de período anterior, conforme quadro acima, cuja materialidade deve ser verificada, que a compensação deixará de ser legítima. A propósito, temse os seguintes precedentes deste Colegiado: PROCESSO ADMINISTRATIVO BUSCA DA VERDADE MATERIAL SUPERAÇÃO DE PROCEDIMENTOS ERRÔNEOS. Busca da Verdade Material. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Neste contexto, devem ser superados os procedimentos errôneos dos contribuintes ou da autoridade tributária que não impliquem em prejuízo às partes e, por consequência, ao processo. (acórdão 140200708. Julg. 06/08/2011. Rel. Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Revista Dialética de Direito Tributário n° 203, pág. 231. Agosto de 2012). ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito. A declaração pela qual se processa a compensação se constitui em instrumento para concretizar o direito material. O Direito ao crédito não nasce com o pedido de compensação, mas sim com a apuração feita por meio da DIPJ. Nos casos em que o contribuinte apontar que houve erro no requerimento, quer por ter postulado compensação de saldo negativo quando o correto seria compensação com imposto pago a maior ou vice versa, quer apontando outros eventos que comprovam a existência material de seu crédito, ainda que calculados ou registrados equivocadamente na DIPJ, a autoridade administrativa deve analisar tais circunstâncias tendo presente a existência material do crédito que há de prevalecer em relação a eventuais imprecisões formais. Comprovada a existência material do crédito deve ser provido o recurso para que as compensações sejam homologadas até o limite do crédito reconhecido. Recurso Provido. ((acórdão 140200695. Julg. 05/08/2011. Rel. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Revista Dialética de Direito Tributário n° 202, pág. 213. julho de 2012). Em resumo, ao apresentar o pedido de compensação o sujeito passivo, pelo que se depreende das explicações apresentadas na impugnação, estava considerando o saldo negativo não só de 31/12/2003, mas também de 31/12/2000, 31/12/2001 e 31/12/2002, daí porque sua insistência inicial da existência do saldo negativo informado no pedido de compensação retificador. Havendo a existência do crédito correspondente à retenção do IRRF não será pelo simples fato deste ter sido apontado somente na FICHA 53, quando também deveria constar na linha 13 da FICHA 12A, que se deixará de verificar se existe ou não crédito em Fl. 314DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.910835/200801 Acórdão n.º 1402001.349 S1C4T2 Fl. 0 10 favor do sujeito passivo, em especial quando este retificou a DIPJ de 2003 antes do despacho decisório. Ademais, ainda que o sujeito passivo tenha feito constar no pedido de compensação que se tratava de saldo negativo de 2003, quando na verdade, segundo ele, também havia crédito a ser utilizado em tal compensação dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, há que se verificar se materialmente existem estes créditos e se os mesmos já não foram utilizados em outros procedimentos de compensação. Por fim, tendo o contribuinte exercido o seu direito a compensação em 20/06/2005, não há o que se falar em decadência em relação a nenhum dos créditos cuja discussão se travou nestes autos, isto é, créditos correspondentes a 31 de dezembro de 2000, 2001, 2002 e 2003. Em síntese, os autos devem retornar a autoridade de origem para que esta processe e analise o pedido de compensação considerando o efetivo saldo negativo do contribuinte em 31/12/2000, 31/12/2001 e 31/12/2002, formado a partir das retenções de fonte, mais as estimativas recolhidas, menos o imposto apurado em cada um dos exercícios, verificando se tais créditos já não foram aproveitados em outras compensações, aplicando o saldo, para quitar o débito objeto do pedido de compensação, observando, ainda, os registros feitos na DIPJ retificadora apresentada em 24/04/2008. ISSO POSTO, voto no sentido admitir os embargos de declaração e darlhes efeitos infringentes para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil, a fim de que novo despacho decisório seja proferido com análise da DIPJ retificadora. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 315DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 20/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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