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Numero do processo: 10384.003894/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF.
Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 38 94 /2 00 4- 18 Fl. 61DF CARF MF 2 Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de auto de infração de multa por atraso na entrega da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), no total de R$ 148.500,00. 2. A contribuinte, inconformada com a autuação, da qual tomou ciência em 12.02.2005 (fl. 17), apresentou impugnação em 11.03.2005 (fls. 18/20) alegando que: a) Não apresentou no prazo estabelecido as declarações especiais de informações relativas ao controle do papel imune, sem que, no entanto, tenha deixado de fazêlo, mesmo que a posteriori; b) A denúncia espontânea apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo fiscal exclui o pagamento de qualquer penalidade. Cita jurisprudência. c) A multa aplicada apresenta caráter confiscatório, violando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Aduz que o objetivo principal das penalidades pecuniárias é o de buscar compensar o possível dano causado ao Estado, sendo que a multa fixada no caso concreto apresenta um valor excessivo, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10384.003894/200418 Acórdão n.º 3201003.628 S3C2T1 Fl. 3 3 suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa, verificandose, assim, o excesso da penalidade imposta. Refere jurisprudência. 3. Por fim, pugna pela improcedência do lançamento, cancelandose o débito fiscal ou reduzindose de forma substancial o seu valor. 4. É o relatório. A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003 DIF PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para sua entrega sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n° 2.15835/2001. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de atos normativos. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NÃOINCIDÊNCIA DA ESPONTANEIDADE. Não se aplica às multas por atraso na entrega de declarações o instituto da denúncia espontânea, haja vista tratarse de obrigações acessórias autônomas." O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) ao caso se aplica o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN; (ii) cita jurisprudência que, em seu entendimento estão em consonância com a tese de defesa; e (iii) que a multa não pode apresentar caráter confiscatório e que deve respeitar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Preliminarmente, em relação as alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, referese à caracterização, ou não, do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, na hipótese de apresentação a destempo da DIFPapel Imune, com a possível exclusão da multa pelo atraso na sua entrega. Tal matéria está pacificada no âmbito do CARF, nos termos do estatuído pela Súmula n° 49: "Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Tal posição tem sido adotada pelo Poder Judiciário, conforme se depreende dos seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MULTA ADMINISTRATIVA. APREENSÃO DE EQUIPAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. . 1. A indicada afronta do art. 208, § 2º, da Lei 7.661/1945 não deve ser analisada, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre esse dispositivo legal. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 2. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar multa administrativa pela apreensão de equipamento não autorizado, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10384.003894/200418 Acórdão n.º 3201003.628 S3C2T1 Fl. 4 5 Precedente: AgRg no REsp 1.466.966/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 11/5/2015. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido." (REsp 1618348/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2016, REPDJe 01/12/2016, DJe 10/10/2016) "TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011) Em tal sentido, colacionase, ainda, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ATRASO NA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Recurso especial a que se dá provimento. DIFPAPEL IMUNE. MULTA. ADVENTO DA LEI N° 11495/2009. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, INCISO II, C, DO CTN. Com fundamento no artigo 106, inciso II, “c”, retroage lei que ameniza penalidade. No caso, a Lei n° 11.945/2009, abrandou a penalidade prevista no artigo 57 da MP n° 215835/ 2001, para a hipótese de atraso na entrega da DIFPapel Imune. Recurso Especial do Procurador Provido." (Processo 19615.000157/200558; Acórdão 9303002.100; Relatora Conselheira Susy Gomes Hoffmann) Neste contexto, não há margem para interpretação diversa sobre a não caracterização da denúncia espontânea na hipótese versada nos autos. Fl. 65DF CARF MF 6 Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10384.003894/200418 Acórdão n.º 3201003.628 S3C2T1 Fl. 5 7 Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 148.500,00, de multa pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 3° e 4° trimestres de 2002 e do 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 148.500,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 6 (seis) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais 6 trimestres x R$ 2.500,00). Fl. 67DF CARF MF 8 Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10384.003894/200418 Acórdão n.º 3201003.628 S3C2T1 Fl. 6 9 Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904169/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES.
Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 41 69 /2 00 9- 42 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório de recolhimento indevido ou a maior de 2089 IRPJ – Lucro Presumido, para compensar débitos. 2. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância. 4. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, no qual informa: Em síntese, o decisum ora atacado se baseou em duas premissas básicas, quais sejam: i) a Recorrente não constituía, à época do crédito, como uma sociedade empresária; e, ii) a não apresentação de provas para a satisfação do direito da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido, para os fins de enquadramento como "serviços hospitalares". Quanto ao primeiro argumento, não deverá prosperar pelo simples fato de que o art. 2.031 do Código Civil permitiu que as empresas constituídas sob a égide do Código Civil anterior e demais legislações esparsas pudessem realizar as devidas adaptações do seu contrato social até 11.11.2007 na redação que foi dada pela Lei 11.127/2005. No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de "serviços hospitalares", cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação Aliás, da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF. Ora, se a discussão se deu exclusivamente em torno da demonstração dos créditos na respectiva DCTF, não há o que se falar da necessidade da apresentação das provas acerca do exercício da atividade de "serviços hospitalares", sob pena de preclusão. Em outras palavras, em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido. 5. Sobre a Natureza de Sociedade Empresária, refuta que não fosse sociedade empresária à época dos fatos, segundo o Código Civil: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 4 3 Já o art. 966 define o empresário como sendo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O parágrafo único do mesmo artigo ressalva quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Em outras palavras, quem exerce atividade intelectual em princípio, não é empresário, mas pode ser se em sua atividade estiver presente o elemento de empresa. (...) (...) A Recorrente, que possui a atividade de Laboratório de Análises Clínicas, a exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (bioquímicos, farmacêuticos, enfermeiros, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços, os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de um laboratório de análises clínicas. (...) Destarte, concluise, portanto, que é descabido o argumento invocado para negar um direito líquido e certo da Recorrente, por se enquadrar, à época da constituição do crédito a seu favor, como sociedade empresária, mediante os novos conceitos instituídos pelo Novo Código Civil, ainda que seus atos constitutivos tenham sido adaptados em 09 de julho de 2004, no prazo previsto no seu artigo 2.031. 6. Sobre a Prestação dos Serviços Hospitalares, invoca INs da RFB e Solução de Consulta que protocolou: A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 12 32003, publicada no DOU de 342003, a administração tributaria firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884/94, do Ministério da Saúde. 7. Que, posteriormente a IN SRF nº 480, de 2004, com as alterações pela IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005, no art. 27, apresentou nova definição, que transcreve. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E relata que protocolou consulta, recebendo resposta positiva na Solução de Consulta 12, de 16 de fevereiro de 2007, cuja ementa transcreve: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Lucro Presumido. Percentuais. Serviços Hospitalares. A pessoa jurídica que exerça a atividade de Laboratório de análises clínicas Ligada à atenção e assistência à saúde, (atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de vigilância sanitária n$ 50, de 21 de fevereiro de 2062, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 do Lei n9 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrar se nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 9 66 do Código civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n& 480, de 2904. Esse entendimento aplicase retroativamente. 9. Haja vista que o Acórdão recorrido considerou prova insuficiente a Solução de Consulta supra, anexa os seguintes documentos comprobatórios: a) Contratos de Prestação de Serviços firmados com entidades contratantes de tais serviços; b) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de laboratório de análises clínicas e patológicas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.031, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.904165/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do 2º trimestre de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.031): Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 6 5 "10. A IN SRF nº 539, de 2005, foi revogada pela IN SRF nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, alterada pela IN RFB nº 1.540, de 05 de janeiro de 2015: Dos Serviços Hospitalares e Outros Serviços de Saúde Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 31. Nos pagamentos efetuados, a partir de 1º de janeiro de 2009, às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que as prestadoras desses serviços sejam organizadas sob a forma de sociedade empresária e atendam às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será devida a retenção do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no percentual de 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6147. 11. O contribuinte, optante pelo lucro presumido, efetuou recolhimento do IRPJ apurado mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta; pleiteia que efetuou recolhimento a maior, uma vez que, como sua atividade está compreendida no conceito de serviços hospitalares, o percentual correto para a apuração é o de 8%. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Para comprovar a atividade, anexou contratos e notas fiscais; tratamse de contratos: de 17/08/1989, prestação de serviços de análises clínicas; 29/12/1989, patologia clinica; 08/03/2001, assistência médica; 01/02/2001, serviços de laboratório nas dependências do contratante; e contratos de 2003 e 2004, de serviços de análises clínicas, assistência médica, atendimento ambulatorial e procedimentos de diagnóstico e tratamento; e as notas fiscais são de 2004, tendo como objeto "Serviços prestados em exames, Materiais de produtos consumidos", "Exames laboratoriais automatizados", "material de consumo utilizado para a realização de exames automatizados". 13. Às págs. [...], consta a Alteração Contratual n° 09 e Consolidação, de 09/07/2004: SEGUNDA: O objeto da sociedade é: exploração do ramo de laboratório de análises clinicas e a importação de produtos bioquímicos para laboratórios de análises clínicas. 14. Na DIPJ 2003/2002, retificadora entregue em 18/05/2009, informou Código da Natureza Jurídica: 2062 Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada Empresa Privada; Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 85.146/02 Atividades dos laboratórios de análises clínicas, na qual informa a totalidade da receita bruta como sujeita ao percentual de 8%. 15. Não consta a DIPJ 2003/2002 original. 16. Esses elementos atestam as atividades de laboratório de análises clínicas, e de importação de produtos bioquímicos, embora a receita informada seja referente à primeira. 1 Atividade Empresarial 17. A antiga Sociedade Civil foi substituída, no novo Código, pela Sociedade Simples (CC, art. 982). a. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, Código Civil, revogado. Art. 16. São pessoas jurídicas de direito privado: I. As sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. 18. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil vigente desde 01/2003: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 2 Lucro Presumido. Atividades Hospitalares. 19. O CARF já sedimentou o entendimento acerca da questão: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/03/2014 Nº Acórdão 1201000.986 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para: negar o pedido de restituição quanto aos créditos alcançados pela decadência, ao crédito relativo ao REDARF e ao crédito compensado em /duplicidade, nos termos do voto do relator, tendo sido reconhecido o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% para 8%. Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, restam compreendidas no conceito de serviços hospitalares (artigo15, parágrafo 1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8%, relativamente ao IRPJ. 20. Transcrevese o teor do voto do Acórdão CARF supra, que analisou análoga situação relativamente a laboratório de análises clínicas, uma vez que retrata o entendimento do CARF, com o qual esta Relatora concorda: "Vencidos tais argumentos, cumprenos analisar a questão central dos autos, que se consubstancia na qualificação jurídica da Recorrente, que apresentou todas os pedidos de restituição e declarações de compensação até aqui mencionados ante o entendimento de que sua Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 9 8 atividade se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, nos termos da Lei n. 9.249/95. Aliás, a mudança de entendimento somente ocorreu após o trânsito em julgado (20 de março de 2007) da ação que não lhe reconheceu o direito de isenção da COFINS, com base na Lei Complementar n. 70/91. A partir da ciência de tal decisão, conforme acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região, o contribuinte passou a apresentar as DIPJ e DCTF retificadoras já analisadas, bem como as declarações de compensação com os créditos a que entendia fazer jus. A base legal da tributação encontrase nos artigos 15 e 20 da Lei n. 9.249/95, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do §1º do art 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento, (grifamos) De se notar que a legislação, para os anoscalendário sob análise, fazia clara distinção entre os serviços em geral e a prestação de serviços hospitalares. Não há dúvida, em razão da dicção normativa, que o legislador considerava que os serviços prestados pelos laboratórios eram diferentes daqueles compreendidos na expressão "serviços hospitalares", até porque em 2008 o próprio texto foi alterado para incluir, a partir do anocalendário de 2009, os serviços de laboratório na faixa de tributação de 8% do lucro presumido, conforme observamos a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 10 9 § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Sacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11. 727, de 2008) (grifamos) Portanto, atualmente é possível que um laboratório de análises clínicas seja tributado pela alíquota de 8%, observados os critérios legais, mas isso só se concretizou a partir do advento da Lei n. 11.727/2008, com para o anocalendário de 2009. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, de que mesmo antes das alterações promovidas pela Lei n° 11.727/2008, deve ser aplicada a alíquota de 8% para fins de presunção do lucro de laboratórios de análises clínicas que se enquadram em determinados requisitos. Reproduzimos, a seguir, o paradigmático acórdão: RECURSO ESPECLAL Nº 837.913 SC (200600756635) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Recorrente: Centro Médico São José Ltda Recorrido: Fazenda Nacional RECLUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA ARTIGO 15, PARAGRAFO 1O, INCISO III, ALÍNEA A, DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÀLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1o, inciso III, alínea a, da Lei n° 9.249/95, antes das alterações da Lei n° 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clinicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp. n° 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido Por força de tal decisão, e ante as características da prestação de serviços laboratoriais demonstradas pela Recorrente nos autos, em razão dos diversos contratos firmados, inclusive com entidades de natureza pública, entendo forçoso reconhecer, na esteira do que decidiu o STJ, que deve ser conferido à interessada o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro, de 32° o para 8%. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10530.904169/200942 Acórdão n.º 1201002.041 S1C2T1 Fl. 11 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o direito de reenquadramento da Recorrente no coeficiente de presunção do lucro de 8%." Conclusão Voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de 2089 – IRPJ Lucro Presumido recolhido a maior, até o limite da diferença entre os valores apurados com o percentual de 32% e o de 8% sobre a receita bruta da atividade de serviços de laboratório de análises clínicas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917518/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Adotase o relatório da Resolução nº 1802000.616 da então 2ª Turma Especial deste CARF, com os complementos necessários a seguir: Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 87/88 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (efls. 153/157) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 51 8/ 20 09 -1 0 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 3 2 Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 25/06/2009, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela internet a declaração de compensação retificadora nº 37155.21948.250609.1.7.041050 (efls. 135/139), (PER/DCOMP Retificado: 13389.67360.230609.1.3.042382), informando: direito créditório utilizado na DCOMP: R$ 4.606,36 (valor original): que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLLdo período de apuração 31/03/2008, código de receita 2372 (CSLL sobre o Lucro Presumido), data de arrecadação 30/06/2008, valor original do recolhimento – DARF R$ 16.363,80 (3ª quota). Total do crédito original na data da transmissão: R$ 16.363,80. Comprovante de pagamentoCópia DARF (efl. 218). débito compensado: IRPJ (código de receita 2089 IRPJ PJ que apura imposto pelo Lucro Presumido), PA 1º trimestre 2009, data de vencimento 30/06/2009, assim discriminado: principal: R$ 5.041,88; multa: R$ 0,00; juros de mora: R$ 117,24; Total: R$ 5.159,12. Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 141, pela DRF/Campinas, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 16.363,80. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NAÕ HOMOLOGO a compensação declarada (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN).Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 4 3 Ciente dessa decisão em 19/10/2009 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 145), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 06/11/2009 (efls. 02/08), despacho de expediente confirmando a tempestividade (efl. 150). A Contribuinte juntou, ainda, documentos de efls. 09/140. Razões aduzidas pela contribuinte, em resumo, são as seguintes: a) preliminarmente, suscitou nulidade do despacho decisório por falta de clareza na fundamentação que não reconheceu o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada; que o ato administrativo deve ter motivação clara; b) origem e suficiência do crédito utilizado na compensação informada: que a empresa iniciou suas atividades no ramo gráfico em 16/06/1983 e sempre primou pelo atendimento das suas obrigações tributárias, trabalhistas, previdenciárias e outras das demais naturezas. Nessa condição, optou pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Presumido; que, por interpretação errônea da legislação, enquadrou e efetuou recolhimentos da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL durante longo período de forma equivocada e com os valores muito superiores aos que efetivamente seriam devidos; que, constatado esse erro e o conseqüente direito ao crédito, buscou então informações junto à RFB em Campinas, no sentido de ser orientada de como fazer para operacionalizar a compensação ou a devolução dos valores pagos a maior do que o devido; que foi orientada a tomar providências no sentido de a) fazer a declaração do imposto de renda DIPJ do exercício em que havia necessidade das correções e enviála à Receita Federal; b) refazer e enviar as DCTF do respectivo período de apuração, com a situação considerada correta e compatível com a DIPJ; c) emitir e enviar os PER/COMP, de forma a corroborar e evidenciar os créditos a serem compensados; que apurou valores a título de CSLL realmente recolhidos a maior do que o devido, apenas quanto ao anocalendário 2008; que, em relação ao 1º trimestre/2008, recolheu a título de CSLL R$ 48.185,52 (valor original), em três quotas de R$ 16.061,84, .e que o valor devido foi de apenas R$ 13.770,14; que existe crédito, então, suficiente para quitação do débito confessado na DCOMP objeto dos autos. A 1ª Turma da DRJ/Belém, enfrentanto o mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado conforme Acórdão, de 24/10/2013 (efls. 153/157), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 5 4 Comprovado que o Despacho Decisório motivou o não reconhecimento do direito creditório na alocação integral do pagamento a débito declarado pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Diante da ausência de provas robustas que justifiquem a redução do tributo inicialmente declarado e recolhido, o crédito não deve ser reconhecido. DCTF. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. IMPRESTABILIDADE. A simples apresentação da DCTF retificadora posteriormente à ciência do Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório torna a mesma imprestável para o fim proposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 10/01/2014 por AR (efl. 160), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 05/02/2014 (efls. 163/177), juntando ainda documentos de efls. 178/218, aduzindo em suas razões, em resumo: que a atividade gráfica pode configurarse como industrial, comercial ou de prestação de serviços; que o serviço de gráfica pode ser equiparado ao de indústria e, assim, o coeficiente de presunção do lucro é de 12% para a CSLL quando atuar nas áreas comercial, industrial; que, no caso, a contribuinte entende que sua atividade de gráfica é equiparado a estabelecimento industrial; que relativo ao 1º trimestre/2008 confessou débito da CSLL na DCTF, mediante aplicação do coeficiente de presunção de 32%, quando deveria ter aplicado coeficiente de 12% para indústria; que na DIPJ o débito da CSLL foi apurado mediante aplicação do coeficiente de presunção de 12%; que, por conseguinte, apurou direito creditório da CSLL, por pagamento a maior, por aplicação indevida do coeficiente de 32% sobre o total de sua receita bruta; que o direito creditório pleiteado, quanto ao PA indicado, foi denegado pela decisão a quo pelo fato do pagamento/recolhimento estar integralmente alocado, consumido, por débito confessado na DCTF e que, por outro lado, a DCTF retificadora apresentada após ciência do despacho decisório da DRF/Campinas não pode ser aceita, pois não restou comprovado, com documentos da escrituração contábil, que houve erro material, erro de fato, na apuração e no preenchimento da DCTF primitiva que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora; que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, existe o direito creditório pleiteado; Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 6 5 que a decisão recorrida ofendeu ao princípio da verdade material, deixando de analisar, com profundidade, a lide; que, a despeito de não ter efetuado a retificação da DCTF antes da ciência do despacho decisório, não inviabiliza a existência do direito ao crédito pleiteado, uma vez que tem toda a documentação que legitima o seu direito, juntando ao recurso as seguintes provas da existência do crédito pleiteado: cópia da DIPJ original, data de recepção 23/06/2009 (efls. 198/201); cópia da DCTF retificadora, recepção 21/10/2009 (efls. 203/205); Cópia de algumas folhas dos livros Diário e Razão Analítico do 1º trimestre/2008 (efls. 207/214); Cópia do DARF de recolhimento das três quotas da CSLL (débito confessado na DCTF primitiva) (efls. 216/218). que os precedentes jurisprudenciais do E. Conselho Adminstrativo – CARF apontam, indicam, que a documentação trazida, em sede de recurso, deve ser apreciada, quanto ao direito creditório pleiteado, decorrente de erro material (erro de fato) na apuração da exação fiscal, que implicou pagamento/recolhimento a maior ou indevido (Acórdão nº 130200.532); que a DIPJ, DCTF retificadora e os registros contábeis comprovam a efetividade do crédito pleiteado; que os registros contábeis fazem prova a favor do contribuinte (RIR/99, art. 923); que os precedentes jurisprudencias do CARF são nesse sentido (Acórdão nº 10196.402); que o erro de fato quanto ao débito informado na DCTF primitiva não configura confissão irretratável, podendo a contribuinte retificar essa declaração para sanar o erro cometido; que, nesse sentido, são os precedentes do CARF, realçando o princípio da verdade material (Acórdãos nºs 130201.015 e 20309.788); que a contribuinte tem toda a documentação contábil que demonstra a origem do crédito da CSLL do 1º trimestre/2008, e que a apresentação da DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, não pode restringir o direito creditório da recorrente; que, identificado o erro de fato, a Administração Tributária tem o dever observar o princípio da verdade material; que há precedentes do CARF admitindo a possibilidade de produção de provas em sede de recurso voluntário (Acórdãos nºs 10319.789 e 10809.655); que, sendo assim, os documentos hábeis trazidos pela recorrente no recurso devem ser apreciados; que, ainda assim, caso existir dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, para que prevaleça o princípio da verdade material, que se converta o julgamento em diligência. Por tudo que foi exposto, a recorrente requer o reconhecimento do crédito pleiteado e a extinção do débito confessado, mediante homologação da compensação objeto dos autos. Por essa Resolução, os autos baixaram em diligência: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 7 6 Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Campinas a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte a comprovar, à luz da escrituração contábil/fiscal (livros Caixa, Razão, Diário e Lalur) e respectivos documentos de suporte (por exemplo, notas fiscais de vendas, saídas): o alegado erro de fato na apuração da CSLL/preenchimento da DCTF primitiva, que justifique a DCTF retificadora apresentada reduzindo o débito da CSLL, gerando o crédito pleiteado; a natureza das receitas auferidas no 1º trimestre/2008, se decorrentes de atividades diversificaddas: (i) serviços gráficos de impressão operação por encomenda direta do consumidor/usuário final com ou sem fornecimento de material/oficina que forneça preponderantemente trabalho profissional; (ii) se de operação de comércio/indústria; (iii) ou se as receitas decorreram de todas essas atividades mencionadas; a segregação de receitas por atividade, no caso de atividades diversificadas: indicar em planilha –resumo do PA do crédito pleiteado: a data de cada operação, respectivo nº da nota fiscal, natureza da receita auferida na operação/atividade desenvolvida, valor da operação, destinatário, e respectivo coeficiente de presunção do lucro da CSLL; b) analise, verifique, audite, as notas fiscais do 1º trimestre/2008, no sentido de verificar se há faturamento de receitas de atividades diversificadas, sujeitas respectivamente a coeficientes de presunção do lucro da CSLL específicos, diversos, ou seja de 32% e de 12%; c) existindo receitas de atividades gráficas diversificadas devidamente identificadas, caracterizadas pela fiscalização (juntar por amostragem cópias de notas fiscais do período de apuração), verificar se houve, ou não, correta segregação das receitas na escrituração contábil/fiscal pela recorrente, para cada atividade desenvolvida no 1º trimestre/2008, e se houve, ou não, correta aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% ou de 12%, conforme determina o § 3º do art. 518 do RIR/99, base legal Lei 9.249/95, art. 15, §2º, e para efeito de aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado; d) inexistindo atividades diversificadas, ou seja, existindo atividade única, qual a natureza das receitas auferidas pela recorrente no período de apuração objeto do crédito pleiteado e respectivo coeficiente de presunção da CSLL; e) apurar, caracterizar, se a contribuinte cometeu, ou não, erro de fato na apuração da CSLL do respectivo PA que justifique a DCTF retiticadora transmitida após ciência do despacho decisório e o pedido de restituição do crédito pleiteado; f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado tem certeza e liquidez, se está ou disponível para ser utilizado para compensação do débito confessado na DCOMP objeto dos autos); Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 8 7 g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Segundo relata a autoridade fiscal encarregada da diligência, esta restou improfícua, muito embora todo o empenho demonstrado, como pode ser visto na Informação Fiscal (fl. 242): Todavia, em que pese ter encaminhado a correspondência ao endereço constante dos sistemas internos dessa RFB – uma vez que o sujeito passivo não possui Domicílio Tributário Eletrônico – o respectivo Aviso de Recebimento retornou a essa unidade fazendária, com a informação dos Correios de que inexistia o número indicado. Cumpre nesse instante assinalar que, pelas regras do Processo Administrativo Fiscal – PAF – quando a intimação resultar infrutífera, a autoridade administrativa determinará a publicação de edital eletrônico com o fito de dar ciência do ato à interessada. E tal foi feito. Entretanto, compulsando os autos, verifiquei que a autora havia registrado endereço distinto em seu Recurso Voluntário – Av. Mirandópolis, 187, Jd. Do Lago, CampinasSP. Assim, paralelamente à publicação do edital, encaminhei para este endereço a mesma intimação. Contudo, uma vez mais, não obtivemos êxito na tentativa, haja vista o retorno desse novo AR, agora com a informação “Mudouse”, conforme tela da página dos Correios na rede mundial de computadores. Isto posto, considerando as tentativas de contato com a contribuinte em endereços distintos e a publicação de edital em conformidade com o que reza o art. 23, do Decreto nº 70.235/72, todas infrutíferas, dou por encerrados os procedimentos diligenciais, informando à Ínclita Autoridade Julgadora a impossibilidade de cumprimento da demanda a nós encaminhada. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso foi protocolado tempestivamente e atende aos demais requisitos estabelecidos na legislação, dele devendose conhecer. Diligência. A diligência demandada pela primeira Resolução não foi levada a efeito tendo se em vista que não foi possível intimarse a contribuinte. Como visto à fl. 236, o endereço constante no CNPJ é Rua Mal. Deodoro, nº 334, Sala B, Centro, Campinas/SP: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 9 8 Ocorre que, conforme alterações contratuais devidamente registradas na JUCESP e constantes dos autos, houve ao menos duas mudanças de endereço: Alteração contratual de 1º de fevereiro de 2006 (fls 123 a 128): Alteração contratual de 21 de novembro de 2012 (fls. 183 a 187), anexa ao Recurso Voluntário: Muito embora tais alterações não tenham sido informadas à Receita Federal para fins de atualização cadastral, o fato é que o endereço mais recente não é nenhum dos dois aos quais foram enviadas as intimações por via postal. Como já salientado, embora todo o empenho da autoridade fiscal encarregada da diligência, inclusive tendo providenciado fosse publicado edital, a intimação a ela relativa (diligência) não foi endereçada corretamente. Notese que a intimação quanto à decisão de primeira instância já havia sido enviada à Rua Elton César, 261/281 (AR à fl. 160): Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1201000.453 S1C2T1 Fl. 10 9 Fazse, pois, necessário o encaminhamento correto da intimação da diligência, sem prejuízo de representação à autoridade da DRF/Campinas responsável pelo CNPJ para as providências cabíveis. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos mesmos termos da Resolução nº 1802000.616, devendo ser observado, para fins de intimação, o endereço constante na última alteração contratual da recorrente: Rua Elton César, 261/281. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 253DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.686794/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-003.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 67 94 /2 00 9- 27 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.686794/200927 Acórdão n.º 3201003.716 S3C2T1 Fl. 145 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para relatar os fatos, utilizase de excertos do relatório e voto da decisão proferida pela autoridade a quo. Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação transmitido por meio da Dcomp nº 20856.41639.261007.1.3.046362, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 1150, efetuado em 05/03/2007. A empresa apurou o valor de IOF a pagar no período de apuração em questão, declarou esse valor em DCTF e efetuou o pagamento devido, e, posteriormente, entendendo que o valor pago foi a maior, utilizou a diferença na Dcomp em análise sem retificar a DCTF respectiva. Essa retificação só se deu após o recebimento do Despacho Decisório em análise. A DERAT/São Paulo/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, sucintamente, que efetuou o pagamento relativo a IOF para o período e posteriormente verificou que o pagamento efetuado teria sido a maior. Na defesa, sequer apontou o motivo em que se funda o pagamento a maior, a justificar a retificação da DCTF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0948345, sessão de 04/12/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.686794/200927 Acórdão n.º 3201003.716 S3C2T1 Fl. 146 3 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão a quo manteve a não homologação da compensação sob o fundamento de que em sede de manifestação de inconformidade não foi apresentada prova documental que desse respaldo à DCTF retificadora, transmitida após a ciência no despacho decisório. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual descreve fatos não apresentados em sede de manifestação de inconformidade, discorre acerca dos fundamentos de direito e apresenta, como único documento novo, cópia de "Contrato de Compromisso de Mútuo": 1. Houve equívoco na informação prestada na DCTF quanto ao valor do IOF devido que após identificar o erro, transmitiu DCTF retificadora, com novo valor; 2. No processo administrativo fiscal deve prevalecer a verdade material, consubstanciada no valor devido do IOF informado na DCTF retificadora; Prossegue o recurso voluntário com os fundamentos de direito para ver reformada a decisão da DRJ, no qual alega: 3. Repisa que consoante o princípio da verdade material deve prevalecer o valor de IOF devido na DCTF retificadora o que implica o indébito de parte do valor recolhido em DARF elaborado com base em DCTF original; 4. Aduz que celebrou "contrato de compromisso de mútuo" com a empresa OESP Mídia S/A e o valor recolhido a maior é decorrente do IOF calculado em relação ao montante das operações de crédito pertinentes ao referido contrato; 5. Explicita que os valores de saldo apurado decorrentes dos empréstimos e amortizações sobre o qual incidiu o IOF teve incorreção no seu cálculo o que motivou recolhimento a maior do Imposto; 7. Afirma que o valor corretamente apurado, após correção, está amparado pela legislação vigente; 8. Mais uma vez em nome da verdade material, afirma o dever da autoridade administrativa diligenciar na busca do valor devido do IOF; 9. Menciona jurisprudência do CARF com decisões em que se afirmam que a DCTF retificadora amparada por documentação comprobatória legitima o direito do contribuinte; 10. Os documentos apresentados em sede de recurso voluntário permitem averiguar o valor real devido do IOF; Ao final, pede: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.686794/200927 Acórdão n.º 3201003.716 S3C2T1 Fl. 147 4 11. A reforma do acórdão recorrido, pois entende comprovado o direito objeto do pedido; 12. Pela apresentação posterior de documentos comprobatórios do alegado direito Decorridos cerca de 120 (cento e vinte) dias da data da ciência do acórdão da DRJ, o contribuinte retorna aos autos juntando cópias de documentos (não conferidos, nem autenticados pelo Fisco) dos Livros: Razão, Diário É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não assiste razão ao recorrente. Tratandose de direito creditório pleiteado, sem qualquer lastro documental a DCTF, a autoridade fiscal acertou em não homologálo. Iniciado então o contencioso com a manifestação de inconformidade era dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em sua DCTF retificadora, apresentadas em momento posterior ao procedimento de não homologação da compensação. Nada fora apresentado aos julgadores de 1ª instância além de informações e cópias de PER/DCOMP e DCTFs, original e retificadora., com a narrativa cronológica de alegado pagamento a maior, sem esclarecer o motivo. O momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e o ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito possuem regramentos nos artigos 14 a 17, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, da Lei nº 13.115/2015 (Código de Processo Civil), verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.686794/200927 Acórdão n.º 3201003.716 S3C2T1 Fl. 148 5 [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Os documentos juntados em complemento ao recurso voluntário, apresentados cerca de 120 dias após a ciência do Acórdão da DRJ, todos de emissão do contribuinte, estavam disponíveis à data da manifestação de inconformidade; dada essa circunstância, injustificável a não apresentação para análise e julgamento em sede primeira instância administrativa. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.686794/200927 Acórdão n.º 3201003.716 S3C2T1 Fl. 149 6 No tópico "do direito" do recurso há total inovação em relação à manifestação de inconformidade, concebendose razões para prover a reforma da decisão recorrida. Impera a norma do inciso III, do art. 16 cumulado com o art. 17 ambos do PAF de que as alegações versadas apenas em recurso voluntário, ou seja, não impugnadas em 1ª instância, são consideradas preclusas. Outrossim, não há fato ou razão renovadas trazida aos autos pela DRJ. O voto tece considerações no sentido de que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar com elementos hábeis seu direito. Afastamse, portanto, as situações excepcionais e ensejadoras da apresentação extemporânea de elementos probatórios de que trata o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/76. Reconhecese na jurisprudência certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, isto é, afastase a preclusão em alguns casos excepcionais que notadamente referemse a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o pronto convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. No caso dos autos, evidenciase que o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal2, o PAF e o CPC. Quanto às alegações de que o princípio da verdade material impende a aceitação extemporânea de provas, suprimindo instância julgadora, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. A verdade material não se efetiva como um salvo conduto no qual o contribuinte aguarda pelo momento que melhor lhe convier a apresentação de suas provas. O ônus processual probatório é regido por dispositivos legais e se trata de um requisito de admissibilidade dos pleitos de natureza creditório, exigindo sua evidência desde a instauração do contencioso. Destarte, mão é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. 2 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.686794/200927 Acórdão n.º 3201003.716 S3C2T1 Fl. 150 7 A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância. Por fim, no tocante à jurisprudência trazida à colação pelo recorrente devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo julgadores decidirem livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Em verdade, alguns deles, sequer socorrem o pleito do recorrente pois condicionam a concessão do direito creditório, independentemente de apresentação de DCTF retificadora, à apresentação de provas contundentes. Cumpre salientar que esta Turma, em julgamento de situação análoga a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário , por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso do contribuinte. Tratase do Acórdão nº 3201002.316, sessão de 24 de agosto de 2016, de relatoria do Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, cuja ementa reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Desse modo, em homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório do direito creditório, à impossibilidade de supressão de instância, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.686794/200927 Acórdão n.º 3201003.716 S3C2T1 Fl. 151 8 Conclusão Por todo o exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.726006/2011-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
Numero da decisão: 3002-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 60 06 /2 01 1- 13 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10680.726006/201113 Acórdão n.º 3002000.147 S3C0T2 Fl. 171 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ao Acórdão de nº 0651.386, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, em sessão de 25 de março de 2015, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/04/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou, em 25.04.2007, a Declaração de Compensação DCOMP de nº 04055.95608.250407.1.7.098163, objetivando a compensação de saldo remanescente de créditos de COFINS de empresa incorporada, relativos ao 4º trimestre de 2004, oriundos do processo 10680.004794.200545, com débito de IRPJ do mês de março/2006. (fls. 15 a 18) Em 22.08.2007, em cumprimento ao MPF nº 06.1.01.002007006861, teve início ação fiscal para análise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos do período de 12/2002 a 12/2005 da empresa Anglogold Ashanti Mineração Ltda., CNPJ 42.138.891/000197, incorporada pela fiscalizada. Tal procedimento fiscal analisou os Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação dos processos de nº 10680.009340/200480, 10680.009339/200455, 10680.014124/200456, 10680.004794/200545, 10680.010186/200570, 10680.010187/2005 14, 10680.017536/200529 e 10680.017537/200573, que totalizavam solicitações de ressarcimento/compensação de créditos de contribuições não cumulativas no montante de R$5.419.401,93. Assim, os créditos relativos a todos os processos acima mencionados foram objeto de análise nos autos do processo de fiscalização, de nº 10680.004042/200746. A fiscalização identificou a existência de outros pedidos de ressarcimento de créditos de contribuições não cumulativas apuradas nos mesmos períodos de apuração envolvidos no processo em estudo. Portanto, parte do crédito das contribuições ao PIS e a COFINS a que a empresa tinha direito foi objeto de ressarcimento naqueles processos e o restante foi abordado nos autos do processo originado pela fiscalização. Os agentes fiscais concluíram pelo reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, deferindo a existência de crédito no montante de R$3.897.178,23 e indeferindo (glosando) o montante de R$1.522.223,70, conforme resumo abaixo. CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR DEFERIDO VALOR INDEFERIDO PIS 3ª TRIM/2003 24.377,87 18.241,12 6.136,75 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.726006/201113 Acórdão n.º 3002000.147 S3C0T2 Fl. 172 3 PIS 4º TRIM/2003 52.580,98 47.870,15 4.710,83 PIS 1º TRIM/2004 103.441,09 81.207,47 22.233,62 PIS 2º TRIM/2004 146.195,87 91.729,97 54.465,90 PIS 3ª TRIM/2004 82.415,12 34.840,97 47.574,15 PIS 4º TRIM/2004 70.186,12 70.186,12 PIS 1º TRIM/2005 178.070,19 160.823,32 17.246,87 PIS 2º TRIM/2005 179.831,19 140.017,77 39.813,42 PIS 3º TRIM/2005 201.788,87 149.766,54 52.022,33 COFINS 1º TRIM/2004 199.190,12 120.321,55 78.868,57 COFINS 2º TRIM/2004 673.417,58 422.544,35 250.873,23 COFINS 3ª TRIM/2004 379.678,78 160.549,42 219.129,36 COFINS 4º TRIM/2004 323.351,17 323.351,17 COFINS 1º TRIM/2005 820.263,43 740.823,28 79.440,15 COFINS 2º TRIM/2005 1.055.096,86 645.006,29 410.090,57 COFINS 3º TRIM/2005 929.516,69 689.898,74 239.617,95 TOTAIS 5.419.401,93 3.897.178,23 1.522.223,70 A linha destacada na tabela acima indica os créditos reconhecidos pela fiscalização no período de apuração dos créditos utilizados nas DCOMP´s em discussão nestes autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRF/BHE, por meio do Despacho Decisório de nº 1349, datado de 04.10.2011, cientificou o contribuinte da não homologação das compensações realizadas, informando ter sido exaurido todo o crédito reconhecido pela fiscalização em outras compensações declaradas pelo sujeito passivo, anexando os demonstrativos de fls. 21 a 33. Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 19.10.2011, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 18.11.2011, aduzindo, em síntese, que: a) O Despacho Decisório 1349 deve ser analisado em conjunto com os Despachos Decisórios 1343, 1344 e 1350; b) Apresentou, em 2004, (sic) PER/DCOMP com valor a restituir de R$288.866,46, proveniente de crédito de COFINS referente ao 4º trimestre de 2004; c) Verificou em seus controles que deixou de lançar, em época própria, em sua escrita, as retenções na fonte referentes às contribuições efetuadas em notas fiscais emitidas em outubro/2004, no valor de R$13.752,08; novembro/2004, no valor de R$10.436,89; e dezembro/2004, no valor de R$10.295,74; totalizando, R$34.484,71; d) Em razão do equívoco, providenciou, em 25/04/2007, a retificação da PER/DCOMP original, somando ao valor do crédito inicialmente declarado o montante das retenções sofridas, perfazendo um novo montante de crédito de R$323.351,17, que ora se discute nestes autos; e) Situação análoga teria ocorrido com as DCOMP´s 01540.27569.250407.1.7.086244 (Despacho Decisório 1343), 23485.87778.250407.1.7.08 3022 (Despacho Decisório 1344), 37233.28378.250407.1.7.091942 (Despacho Decisório 1350); Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10680.726006/201113 Acórdão n.º 3002000.147 S3C0T2 Fl. 173 4 f) Em 2007 foi iniciada ação fiscal para analise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos, referentes ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2005; g) Finalizada a ação fiscal, foi emitido, nos autos do processo de nº 10680.004042/200746, o parecer fiscal datado de 28/05/2008, glosando parcialmente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, com os quais a impugnante concordou; h) Os créditos vinculados às DCOMP´s 01540.27569.250407.1.7.086244 (Despacho Decisório 1343), 23485.87778.250407.1.7.083022 (Despacho Decisório 1344), 04055.95608.250407.1.7.098163 (Despacho Decisório 1349) e 37233.28378.250407.1.7.09 1942 (Despacho Decisório 1350) totalizavam R$1.115.950,83, não tendo recaído sobre eles nenhuma glosa, e que foram utilizados para abater débitos de IRPJ e CSLL relativos ao mês de março de 2005, no montante de R$1.050.526,67, remanescendo um crédito de R$65.424,16; i) As cobranças constantes dos despachos decisórios nº 1343, 1344, 1349 e 1350 totalizam R$65.424,16, ou seja, exatamente o mesmo valor do crédito remanescente; j) As cobranças devem ser canceladas pois a requerente tinha saldo credor para a compensação do IRPJ de março de 2006. Em sessão de 25 de março de 2015, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, em acórdão de nº 0651.386, pelo não acolhimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, sob o fundamento que: a) A análise dos pedidos de ressarcimento e das várias declarações de compensação apresentadas, que foram objeto de vários processos administrativos, foi efetuada no âmbito do processo nº 10680.004042/200746, e que parte dos créditos pleiteados foi glosada pela fiscalização, tendo o contribuinte concordado expressamente com tais glosas; b) Todos os créditos apurados pela fiscalização já foram imputados na compensação de outros débitos de COFINS, IRPJ e CSLL, não havendo saldo remanescente para a homologação da compensação em discussão nestes autos. Cientificada da decisão em 10.04.2015 e não se conformando com seu conteúdo, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08.05.2015, no qual ratifica as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Muito embora os valores mencionados no relatório e no voto sejam superiores ao limite da competência especial das Turmas Extraordinárias, o saldo do crédito Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.726006/201113 Acórdão n.º 3002000.147 S3C0T2 Fl. 174 5 discutido neste processo é inferior a 60 (sessenta) salários mínimos (fl. 16). Sendo assim, passo à analise do Recurso Voluntário. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, entendeu que "É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado." No curso do presente processo, foram produzidas provas suficientes para analisar a existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vejamos. Os créditos de COFINS referentes ao 4º trimestre de 2004, declarados na DCOMP transmitida pelo contribuinte em 25.04.2007 (fls. 15 a 18), somavam originalmente R$323.351,17, conforme demonstra a tabela abaixo. DCOMP PROCESSO ADMINISTRATIVO CRÉDITO DECLARADO FLS. 04055.95608.250407.1.7.098163 10680.004794/200545 R$ 323.351,17 15 a 18 A ação fiscal consubstanciada no processo 10680.004042/200746, iniciada em 22.08.2017 (posterior ao envio da DCOMP), concluiu pela glosa de parte dos créditos declarados pelo contribuinte, nos termos do Parecer Fiscal de fls. 03 a 12 destes autos. Em relação aos créditos de COFINS do 4º trimestre de 2004 vinculados à DCOMP em comento, não houve glosas. O contribuinte alega que a análise da DCOMP não homologada pelo presente Despacho Decisório precisa ser realizada em conjunto com a das DCOMP´s 01540.27569.250407.1.7.086244 (Despacho Decisório 1343), 23485.87778.250407.1.7.08 3022 (Despacho Decisório 1344) e 37233.28378.250407.1.7.091942 (Despacho Decisório 1350), que juntas perfazem um direito creditório de R$1.115.950,83. Não merece prosperar tal alegação, vez que é ônus do contribuinte provar o direito creditório utilizado em cada compensação, individualmente. Contudo, em homenagem aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, analisamos os créditos mencionados pelo contribuinte, vinculados aos despachos decisórios 1343, 1344 e 1350. No que diz respeito ao montante de crédito envolvido nessas DCOMP´s, assiste razão ao sujeito passivo, conforme detalha o quadro abaixo, criado a partir das informações constantes no processo, e cujos valores podem ser confirmados na fl.12. TRIBUTO PA PROCESSO ORIGINAL DCOMP CRÉDITO HOMOLOGADO PIS 4º TRIM/2004 10680.004794/200545 01540.27569.250407.1.7.086244 R$ 70.186,12 PIS 1º TRIM 2005 10680.004794/200545 23485.87778.250407.1.7.083022 R$ 128.857,67 COFINS 4º TRIM/2004 10680.004794/200545 04055.95608.250407.1.7.098163 R$ 323.351,17 COFINS 1º TRIM 2005 10680.004794/200545 37233.28378.250407.1.7.091942 R$ 593.555,87 TOTAIS R$ 1.115.950,83 A recorrente informou ainda, que os créditos acima detalhados foram utilizados na compensação com débitos que totalizam R$1.050.526,67, a seguir relacionados: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10680.726006/201113 Acórdão n.º 3002000.147 S3C0T2 Fl. 175 6 I) IRPJ CÓD. 2362 R$ 188.390,40 Competência Março/2005; II) IRPJ CÓD. 2362 R$ 510.552,77 Competência Março/2005; III) CSLL CÓD. 2484 R$ 351.583,50 Competência Março/2005. Nenhum documento que comprove que foram estes os valores compensados com o aludido crédito foi juntado pela recorrente. De outro lado, o "Demonstrativo Analítico de Compensação" não deixa dúvidas de que os créditos de PIS e COFINS, no valor de R$1.115.950,83, relativos ao 4º trimestre de 2004 e 1º trimestre de 2005, foram integralmente consumidos, por compensação, com débitos de IRPJ dos meses 10/2004 e 03/2005 e de CSLL dos meses 10/2004 e 06/2005. Vejamos: CRÉDITOS DÉBITOS TRIBUTO PA VLR CRÉDITO TRIBUTO PA VALOR COMPENSADO FL. COMP. Nº PIS 4º TRIM/2004 R$ 70.186,12 IRPJ mar/05 70.186,12 29 26 IRPJ mar/05 64.914,74 29 27 PIS 1º TRIM/2005 R$ 128.857,67 CSLL jun/05 63.942,93 30 28 IRPJ out/04 288.174,98 32 38 COFINS 4º TRIM/2004 R$ 323.351,17 CSLL out/04 35.176,19 32 39 CSLL out/04 135.121,55 32 41 COFINS 1º TRIM/2005 R$ 593.555,87 IRPJ mar/05 458.434,32 32 42 TOTAL CRÉD. R$ 1.115.950,83 TOTAL DÉB. 1.115.950,83 A "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes" (fl. 21) ratifica que todos os créditos vinculados aos processos relacionados à compensação em discussão nestes autos foram consumidos, não havendo nenhum outro documento ou prova em sentido oposto. O direito à compensação, estampado no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, origina se a partir da existência de crédito tributário líquido e certo, o que definitivamente não se comprovou nestes autos. Ao contrário, todas as provas trazidas ao processo, inclusive aquelas carreadas pelo próprio contribuinte, evidenciam que a totalidade do crédito homologado pela fiscalização, nos autos do processo 10680.004042/200746, cuja parcela pretendia o contribuinte utilizar na DCOMP que originou o recurso em análise, já foi consumido em outras compensações realizadas pelo sujeito passivo, não remanescendo saldo disponível para a compensação pretendida nestes autos. Diante de todo o exposto, e levando em conta as provas e alegações produzidas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10680.726006/201113 Acórdão n.º 3002000.147 S3C0T2 Fl. 176 7 Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918868/2016-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/09/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.546
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 68 /2 01 6- 85 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918868/201685 Acórdão n.º 3201003.546 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.687, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918868/201685 Acórdão n.º 3201003.546 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903047/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, de CSLL, referente ao período de apuração de maio de 2007. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 03 04 7/ 20 13 -4 7 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10120.903047/201347 Resolução nº 1201000.343 S1C2T1 Fl. 3 2 Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que diante da não homologação, foi verificado que a empresa cometeu erro material ao declarar na DCTF um débito fictício, solicitando que seja, assim, processada e homologada a PER/DCOMP inicialmente apresentada, uma vez que, a empresa não deve ser apenada por esse equívoco formal que não desnatura a compensação realizada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente face à ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A não homologação da compensação decorreu da inexistência do crédito utilizado, pois o valor recolhido correspondeu ao débito expresso na DCTF que se achava ativa na data em que o despacho decisório foi emitido. Estando o pagamento integralmente alocado, não havia saldo disponível para suportar a extinção do crédito tributário pretendida pelo contribuinte. A partir da ciência do contribuinte do despacho decisório que negou a compensação requerida, deixa de existir a espontaneidade e a retificação da DCTF somente será válida caso esteja acompanhada de elementos de prova suficientes para o convencimento da autoridade fiscal quanto ao erro praticado no documento retificado, conforme disposto no artigo 9º, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974/2009. De acordo com o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caberia ao contribuinte não só a juntada das declarações retificadoras, mas também a apresentação de outros elementos, tais como cópias de livros contábeis e fiscais com os lançamentos dos valores apropriados na apuração, capazes de demonstrar o propalado erro cometido no preenchimento da declaração original. Ao invés disso, o contribuinte limitouse a indicar o erro cometido na DCTF com base no balancete, o que não é suficiente para a comprovação do alegado erro praticado pelo sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de CSLL referente ao mês de maio de 2007; (ii) o erro no preenchimento da DCTF acabou por refletirse no valor a maior constante do DARF; (iii) a partir da análise da DIPJ, LALUR e balancete de verificação é possível observar o valor do CSLL apurado no mês de maio de 2007. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.903047/201347 Resolução nº 1201000.343 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.339, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10120.903043/201369, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de abril de 2007 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL do período de apuração de maio de 2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.339), adequandoa ao caso concreto: "[...] Conforme visto, a recorrente trouxe aos autos documentação robusta no que tange à apuração do IRPJ devido no mês em referência. No entanto, [...], há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10120.903047/201347 Resolução nº 1201000.343 S1C2T1 Fl. 5 4 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; b) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001366/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO.
Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal.
AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS. COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A distribuição do ônus da prova possui certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de COFINS no regime da não-cumulatividade. Verifica-se que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre a ele que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final.
VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO.
As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à alíquota zero. Havendo provas de que a empresa tenha auferido receitas financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ, os lançamentos contábeis evidenciam ser justificada a exclusão feita na base de cálculo.
RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICÍLIO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS.
A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior, que teriam representado ingresso de divisas, foi respaldada/comprovada em parte pela documentação hábil e idônea acostada aos autos, devendo ser cancelada em parte.
CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE.
Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software geram direito a créditos a serem descontados da COFINS por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados na prestação de serviços.
REVERSÃO DE PROVISÕES.
A apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, com a prova de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Precedente 3ª Turma CSRF.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer: (i) a aplicação da alíquota zero em relação às receitas de variação cambial; (ii) o direito de crédito de PIS/COFINS não-cumulativo em relação à aquisição de insumos na prestação dos serviços; e (iii) a exclusão da base de cálculo de valores que correspondem à reversão de provisões; (b) por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer como receitas de exportação os valores autuados na medida da comprovação pelos contratos de câmbio acostados aos autos, referidos no "item 9" da Diligência realizada pela autoridade fiscal. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne para redigir o voto vencedor; e pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento neste item.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS. COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A distribuição do ônus da prova possui certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de COFINS no regime da não-cumulatividade. Verifica-se que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre a ele que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à alíquota zero. Havendo provas de que a empresa tenha auferido receitas financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ, os lançamentos contábeis evidenciam ser justificada a exclusão feita na base de cálculo. RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICÍLIO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior, que teriam representado ingresso de divisas, foi respaldada/comprovada em parte pela documentação hábil e idônea acostada aos autos, devendo ser cancelada em parte. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software geram direito a créditos a serem descontados da COFINS por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, com a prova de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Precedente 3ª Turma CSRF. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS. COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A distribuição do ônus da prova possui certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de COFINS no regime da nãocumulatividade. Verificase que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre a ele que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 66 /2 01 0- 12 Fl. 5525DF CARF MF 2 As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à alíquota zero. Havendo provas de que a empresa tenha auferido receitas financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ, os lançamentos contábeis evidenciam ser justificada a exclusão feita na base de cálculo. RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICÍLIO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior, que teriam representado ingresso de divisas, foi respaldada/comprovada em parte pela documentação hábil e idônea acostada aos autos, devendo ser cancelada em parte. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software geram direito a créditos a serem descontados da COFINS por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, com a prova de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Precedente 3ª Turma CSRF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer: (i) a aplicação da alíquota zero em relação às receitas de variação cambial; (ii) o direito de crédito de PIS/COFINS não cumulativo em relação à aquisição de insumos na prestação dos serviços; e (iii) a exclusão da base de cálculo de valores que correspondem à reversão de provisões; (b) por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer como receitas de exportação os valores autuados na medida da comprovação pelos contratos de câmbio acostados aos autos, referidos no "item 9" da Diligência realizada pela autoridade fiscal. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne para redigir o voto vencedor; e pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário Fl. 5526DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.492 3 quanto à não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento neste item. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães. Relatório O processo trata de Autos de Infração lavrado contra a empresa KUEHNE+NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA., para a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), apurados no regime nãocumulativo, previsto nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, quanto a fatos geradores ocorridos entre 30/04/2005 e 31/12/2007 (fls. 266/321). A notificação aconteceu em 26/05/2010 (fls. 275 e 289). No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais TVF (fls. 248/251), a Fiscalização explica que “foram detectadas divergências entre o volume de Receitas de Serviços declarados pelo contribuinte em suas DIPJ dos anoscalendário de 2005 a 2007 e aqueles indicados nas DACON dos mesmos períodos”, sendo os valores declarados em DIPJ superiores aos constantes nos DACON. As alegações da Recorrente, conforme resume o próprio TVF, é de que a divergência de valores entre a DIPJ e o DACON decorreria de se ter considerado, na elaboração do DACON, as seguintes situações (fl. 249): a) teriam sido incluídos indevidamente valores correspondentes a “variações cambiais, que nos termos do art. 90 da Lei n° 9.718, de 27.12.1998, são receitas financeiras, sujeitas a alíquota zero, conforme prevê o Decreto n° 5.614, de 30.07.2004”; Fl. 5527DF CARF MF 4 b) não teria havido a necessária exclusão da base de cálculo das receitas de exportação, “que não estão sujeitos à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do art. 5º da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, e 6° da Lei n° 10.833, de 29.12.2003”; c) não fora devidamente computado o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo pela aquisição de “insumos utilizados na prestação de serviços, passíveis de crédito daquelas contribuições, nos termos dos arts. 3°, inciso 11, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03”; e d) não teria havido a exclusão da base de cálculo de valores correspondentes a “reversões de provisões, que não integram as bases de cálculo desses tributos, a teor do disposto nos arts. 1º, § 3°, V, "b", também das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03”. A Fiscalização entendeu que o contribuinte não apresentou a documentação necessária para comprovar as suas alegações, promovendo, então, o lançamento do valor da diferença de valores existentes entre a DIPJ e o DACON. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais o Fisco circunstanciou o seguinte: "(...) Em resposta ao citado Termo de Intimação o contribuinte limitouse a apresentar cópias das folhas dos livros diário e razão referentes a tais operações, bem como as planilhas (fls. 230 a 232) nas quais justifica as diferenças apuradas na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS planilhas essas que foram utilizadas pela Fiscalização para apurar o valor do crédito tributário a ser lançado, uma vez que as planilhas apresentadas não estão acompanhadas da documentação que teria dado suporte à contabilização das mesmas. Quanto à documentação necessária à comprovação de suas alegações, nada apresentou. Informou ainda, por meio de carta de 03 de março de 2010 (fls. 237) que "... diante do grande volume de informações solicitado por V. Sa no termo em referência, solicitamos a sua presença em nossas instalações, para que possamos apresentar os documentos necessários a atender esta Fiscalização" A Fiscalização compareceu ao estabelecimento do contribuinte para examinar a documentação que alegara possuir. Nesta ocasião somente foi apresentada uma DDE (Declaração de Exportação), de número 08/2042390001— a qual foi emitida em nome da empresa CIA. BRASILEIRA DE ALUMÍNIO CNPJ 61.409.892/000335, referente à exportação averbada em 25.02.2010. A esse respeito cabe registrar que a documentação apresentada não pertence ao contribuinte e referese a período diverso do objeto desta Fiscalização (o documento é do ano de 2010 e a presente fiscalização referese aos anos de 2005 a 2007). Para registrar os fatos aqui narrados, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal de 08.04.2010. As divergências apuradas na base de calculo das contribuições decorrem — parte delas de exclusões da base de cálculo por operações isentas e parte referente a créditos que o contribuinte alegara possuir por diversos motivos, conforme explicitado em sua correspondência de 09.11.2009 (fls. 228 e 229). Entretanto, o contribuinte não apresentou a documentação que comprovaria as operações isentas e os créditos que alegara possuir, os quais explicariam as divergências apuradas na base de calculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, apesar de ter sido regularmente intimado a fazêlo conforme intimações de 20/10/2009 (fls. 225 e 226) e 02/02/2010 (fls. 233 e 234). (grifos editados) Fl. 5528DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.493 5 A Recorrente apresentou Impugnação de fls. 391/413 sustentando, em síntese, o seguinte: · a decadência parcial do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até maio de 2005, por aplicação do art. 150, § 4º do CTN, visto que a notificação da autuação só ocorreu em 26/05/2010; · a nulidade do lançamento em razão de a Fiscalização não ter promovido a devida apuração da verdade material, explicando o seguinte: No caso dos autos, os fatos narrados pelo Fisco no termo de constatação e de verificação de irregularidades fiscais, que suportam a autuação, dão a entender que a impugnante não cooperou com as investigações. No entanto, é importante deixar consignado que a impugnante colocou toda a documentação de suporte de seus lançamentos contábeis à disposição do Fisco, além de ter destacado uma sala e um profissional para o atendimento do Sr. AFRFB no que fosse necessário às investigações. A impugnante reconhece que o volume de documentos é grande e que as suas operações, por estarem relacionadas ao transporte internacional de cargas, são complexas e demandam trabalho minucioso para sua análise. Por isso mesmo, prontificouse a colaborar com a fiscalização. Mas o volume de documentos e a complexidade das operações não podem justificar uma a eciação superficial, tampouco autorizam a inversão do ônus da prova no presente caso. Muito pelo contrário, a situação "sub judice", diante de suas peculiaridades, justificaria um trabalho fiscal mais detalhado e minucioso, o que definitivamente não ocorreu no presente caso. Ao desconsiderar os documentos disponibilizados e presumir a ocorrência do fato gerador com base em meras suposições, a fiscalização deixou de conferir a segurança e a certeza necessárias a qualquer lançamento, fato que por si s6 justifica o seu cancelamento. · a nulidade do lançamento em razão de que as informações contidas em DIPJ não implicam confissão de dívida e não poderiam ser tomadas como base de cálculo das contribuições, pois “caso pretendesse desconsiderar as informações contidas nas DCTF’s e mps DACON’s deveria o Fisco comprovar que os valores corretos a serem considerados na apuração das bases de cálculo das contribuições em questão são aqueles prestados nas DIPJs, o que não ocorrei no caso dos autos” (fl. 399); · a legitimidade dos ajustes constantes do DACON, quais sejam: 1. Variações cambiais: Como consta nas planilhas de fls. 230/233, parte das divergências apontadas pela fiscalização decorre de variações cambiais referentes a direitos e obrigações da impugnante que foram contraídos em moeda estrangeira. A impugnante é pessoa jurídica que, dentre outras atividades, se dedica à prestação de serviços logísticos, os quais estão relacionados ao transporte internacional de Fl. 5529DF CARF MF 6 cargas, tais como consolidação e desconsolidação de cargas, despachos aduaneiros, supervisão e orientação no transporte, dentre outros. No desenvolvimento regular dessas atividades, considerável parcela dos direitos e das obrigações da impugnante são contratados em moeda estrangeira e, naturalmente, em uma economia de câmbio flutuante como a brasileira, estão sujeitos a variações. Tais variações são registradas separadamente para cada contrato firmado pela impugnante no exercício das suas atividades e são lançadas diariamente na sua contabilidade, conforme atestam os documentos anexos (docs. 2 a 9). Tais lançamentos contábeis estão amparados por contratos de câmbio firmados periodicamente pela impugnante e por planilhas de controle interno. A titulo exemplificativo, a impugnante apresenta alguns desses contratos de câmbio e planilhas de controle (docs. 10 a 84), mas desde já́ se coloca à disposição para, caso se entenda necessários, apresentar a totalidade desses documentos. Uma vez comprovada a natureza de variações cambiais dos referidos ajustes, deve ser aplicada a norma inserta no art. 1º do Decreto n. 5164, de 30.7.2004, segundo o qual: "Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições". Sendo as variações cambiais sujeitas à alíquota zero, os valores a elas correspondentes não poderiam seriam incluídas nas bases de cálculo das contribuições em questão, o que justificou os ajustes efetuados. 2. Resultados atrelados a exportações: A fiscalização parece não ter compreendido que a impugnante é um agente logística, cuja atividade está relacionada com o planejamento e o controle do transporte internacional de cargas, bem como ao seu despacho aduaneiro. Por isso mesmo, nas operações de exportação, o nome da impugnante não figura nos registros referentes correspondentes, tais como nas DDE. É o nome do exportador (vendedor das mercadorias ao exterior) que figura em tais documentos. E como já́ destacado, não poderia ser diferente, pois a impugnante não é efetiva exportadora de mercadorias, mas sim uma prestadora de serviços logísticas, relacionados ao transporte de internacional de cargas. Nesse contexto, a apresentação das DDE no curso do procedimento de fiscalização tinha como único intuito demonstrar que os serviços prestados pela impugnante estavam atrelados a operações de exportação. Apenas isto. Mas não é esse o fato determinante para a aplicação das normas de não incidência previstas no art. 5°, inciso II, da Lei n. 10637/02 e no art. 6°, inciso II, da Lei n. 10833/03. Na realidade, os valores constantes nas planilhas de fls. 230/233 deixaram de ser oferecidos tributação pela impugnante porque os clientes dos serviços logísticos, em tais casos, estão no exterior e porque a contraprestação por tais serviços implicou ingresso de divisas. Para melhor compreensão, é relevante fazer algumas considerações a respeito do modelo de negócio praticado pela impugnante. Os serviços de logística por ela prestados estão inseridos no contexto do transporte internacional de cargas. No caso dos autos, os serviços logísticos prestados pela impugnante estão relacionados a exportações de mercadorias do Brasil para o exterior. Fl. 5530DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.494 7 No caso em análise, o frete das mercadorias exportadas é contratado na modalidade "collect". Isto significa que o pagamento pelo transporte efetuado é de responsabilidade do adquirente da mercadoria, situado no exterior. Nestas situações, em que o frete internacional fica a cargo do adquirente das mercadorias situado no exterior, é esse adquirente que possui interesse na contratação dos serviços logísticos desenvolvidos pela impugnante. E como o pagamento pelo frete internacional é feito pelo adquirente no exterior, assim também ocorre com os pagamentos feitos à impugnante por conta dos seus serviços logísticos. Com base nas considerações acima, é possível concluir que o contratante dos serviços logísticos prestados pela impugnante está no exterior e o pagamento correspondente, que também fica a cargo do cliente no exterior, representa efetivo ingresso de divisas, justificando a aplicação das normas previstas no art. 5°, inciso II, da Lei n. 10637/02 e no art. 6°, inciso II, da Lei n. 10833/03. Para provar esses fatos, verifiquemse os jogos de documentos anexos (docs. 85 a 126), contendo exemplos de operações de exportação contratadas na modalidade "collect". Vejase que em cada um dos jogos, a impugnante incluiu conhecimentos de transporte internacional (bill of landing), documentos que são emitidos pelo transportador da carga e nos quais constam informações sobre o remetente das mercadorias (shipper), sobre o destinatário (notify party), bem como sobre a mercadoria transportada, e a modalidade de pagamento (freight collect). A impugnante figura em tais documentos como agente do transportador (agent of the carrier). Os conhecimentos de transporte indicam que o remetente das mercadorias (shipper) está no Brasil e o destinatário (notify party) está no exterior, evidenciando tratar de exportação. Além disso, todos os exemplos indicam que a operação foi contratada na modalidade "colletct", confirmando o que foi acima exposto e comprovando que o contratante dos serviços está no exterior, assim como que é o responsável pelo pagamento. Além dos conhecimentos de transporte, cada jogo acima referido também contém outros documentos que confirmam as informações contidas nos conhecimentos de transporte e evidenciam a atividade da impugnante. (grifos editados) 3. Créditos de PIS/Cofins nãocumulativo decorrentes de insumos utilizados na prestação de serviços; Tratase de despesas incorridas junto a empresas de telecomunicações, para fins de obtenção de acesso ao sistema Siscomex, utilizado pela impugnante na sua atividade de despachos aduaneiros. Além dos gastos incorridos com o aceso ao Siscomex, a impugnante também incorre em despesas relacionadas à manutenção dos softwares utilizados na prestação dos mesmos serviços de despacho aduaneiro. Por serem imprescindíveis à efetivação dos despachos aduaneiros e, mais do que isso, por estarem diretamente relacionados com a prestação de tais serviços, é inquestionável que tais gastos podem ser considerados insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis n. 10637/02 e 10833/03. Fl. 5531DF CARF MF 8 (...) As despesas com a obtenção do direito de acesso ao sistema Siscomex a manutenção dos respectivos softwares definitivamente correspondem a bens e serviços aplicados na prestação de serviços de despacho aduaneiro, pois sem o acesso àquele sistema não há sequer a possibilidade de tal atividade ser desenvolvida. Inquestionável, portanto, que tais despesas enquadramse no conceito de insumos previsto na legislação e podem ser utilizados como créditos na apuração das contribuições ao PIS e COFINS. Por fim, vale destacar que tais despesas estão registradas nas contas contábeis 5259015, 5120001, 5422000, cujos razões são anexados aos autos (docs. 127 a 147). Além dos lançamentos contábeis, a impugnante requer a junta das faturas emitidas pelas empresas prestadoras dos serviços, as quais suportam aqueles lançamentos (docs.127 a 147). 4. Reversão de provisões. Finalmente, consta nas planilhas de fls. 230/233 que uma parcela das divergências apontadas pelo Fisco corresponde a reversões de provisões para despesas operacionais, relacionadas aos serviços logísticos prestados pela impugnante, e que estão contabilizadas na conta 4211009 " despesas provisionadas de fretes e agregados". A análise das copias dos referidos lançamentos contábeis (doc.148) não deixa dúvida de que se trata de reversões de provisões, as quais não integram as bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, conforme prevêem expressamente os art. 1 0, parágrafo 3°, inciso V, "b", também das Leis n. 10637/02 e 10833/03, "in verbis": (...) A norma é clara e não dá margem a dúvidas. As reversões de provisões não integram a base de cálculo das contribuições. Sendo as diferenças apontadas pela fiscalização decorrentes de tais reversões, forçoso reconhecer que não há base legal para exigência fiscal. No mais, argumenta a contribuinte que “reconhece que o procedimento por ela adotado para fins de realização dos referidos ajustes não é o mais adequado do ponto de vista formal, pois os respectivos valores deveriam ter sido lançados em campos específicos contidos no DACON e não ajustados no valor da receita bruta auferida, mediante adições e exclusões. Entretanto, não se pode perder de vista que os ajustes efetuados pela impugnante são autorizados pela legislação, de tal sorte que, quando muito, o procedimento adotado pela impugnante decorre de erro no preenchimento dos DACON's, os quais por si só́, não justificam qualquer exigência fiscal” (fl. 406). Também sustenta que seria ilegal a pretensão de aplicar juros sobre a multa de ofício, por não existir amparo legal para tanto (fl. 412). Junto com a Impugnação, a Recorrente apresentou os seguintes documentos: · fls. 416/1401 cópia do Livro Razão, com os registros das contas 3011046 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA e 4011052 VARIAÇÃO CAMBIAL – PASSIVA; · fls. 1.402/2.700 demonstrativos e cópias de contratos de câmbio; · fls. 2.701/3.145 demonstrativos e cópias de conhecimentos de transporte; e · fls. 3.146/4.762 cópia do Livro Razão, com os registros das contas 401103 DESPESAS DIVERSAS, 5259015 SISCOMEX X25, 5120001 SERVIÇOS DE Fl. 5532DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.495 9 TERCEIROS P. JURÍDICA, 4211089 DESPESAS PROVISIONADAS DE FRETES E AGREGADOS, e demonstrativos. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Florianópolis (SC) nº 0727.941, de 26/03/2012, abaixo reproduzida (fls. 4.777/4.803): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar sobre nulidade, se os autos de infração foram lavrados em consonância com os pressupostos legais. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA.PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. INTIMAÇÕES AO PROCURADOR. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal preceitua que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio devem ser feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Destarte não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à alíquota zero. Não há provas cabais de que a empresa tenha auferido receitas financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ, Relativamente ao anocalendário de 2005, os lançamentos contábeis evidenciam ser injustificada a exclusão feita na base de cálculo, pois as variações cambiais passivas superaram as ativas. Fl. 5533DF CARF MF 10 RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICÍLIO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior, que teriam representado ingresso de divisas, deve estar respaldada por documentação hábil e idônea. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software não geram direito a créditos a serem descontados do PIS por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados diretamente na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A mera apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, sem a prova de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, não autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Não se vislumbra incorreções nos cálculos relativos à apuração do crédito tributário, mas apenas equívocos numéricos mencionados no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e anexos que não repercutiram na determinação da exigência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, não cabe à autoridade julgadora manifestarse a respeito de juros sobre multa de oficio. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à. alíquota zero. Não há provas cabais de que a empresa tenha auferido receitas financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ. Relativamente ao anocalendário de 2005, os lançamentos contábeis evidenciam ser injustificada a exclusão feita na base de cálculo, pois as variações cambiais passivas superaram as ativas. Fl. 5534DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.496 11 RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior e que teria representado ingresso de divisas deve estar respaldada por documentação hábil e idônea. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados diretamente na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A mera apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, sem a prova acerca de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, não autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Não se vislumbra incorreções nos cálculos relativos à apuração do crédito tributário, mas apenas equívocos numéricos mencionados no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e anexos que não repercutiram na determinação da exigência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, não cabe à autoridade julgadora manifestarse a respeito de juros sobre multa de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ressaltase que a DRJ deu provimento parcial à Impugnação apenas para o reconhecimento da decadência parcial do lançamento. A Recorrente apresentou, oportunamente, o Recurso Voluntário (fls. 4.815/4.852), no qual sustenta, em preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ, por cerceamento do seu direito de defesa, por entender que o julgador de Primeira Instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova, em desrespeito ao art. 142 do CTN, o qual exige que o lançamento esteja devidamente amparado na verdade material a respeito dos fatos. No mérito, reitera os mesmos fundamentos da Impugnação, apresentando laudo técnico emitido pela Pricewaterhousecoopers PWC (fls. 4.855/4.867), cujas análises e conclusões transcreve na petição de recurso, em reforço à sua argumentação. A propósito das diferenças correspondentes à variação cambial, o Recorrente cita o seguinte trecho do laudo técnico: "(.„) Os documentos hábeis para comprovar essas operações são os contratos de câmbio firmados, periodicamente, e mantidos em arquivo por KN. Fl. 5535DF CARF MF 12 A totalidade dos contratos de câmbio está à disposição, nos arquivos de KN, sendo que cada contrato é objeto de registro contábil específico, bem como a correspondente variação cambial, apurada diariamente. Examinamos todos os lançamentos a débito e a crédito das contas de variação cambial, objeto da autuação fiscal, no período de março de 2005 o dezembro de 2007, nos Livros Razão mantidos por KN. Os saldos de variação cambial foram identificados através da soma' dos lançamentos devedores e credores nos Razões contábeis; os saldos, credores e devedores, foram ajustados nas respectivas apurações das contribuições devidas ao PIS e â COFINS. (...) Com base na metodologia por nós adotada concluímos que o montante de ajuste efetuado por KN. na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, a título de variação cambial, corresponde a valores contabilizados a esse mesmo titulo, variação cambial de direitos e obrigações em moeda estrangeira, na contabilidade'. No que se refere à receita de exportação de serviços, é citado o seguinte trecho do Laudo Técnico: "Ao desenvolver serviços de logística relacionados ao transporte internacional de cargas, KN efetua operações de exportação na modalidade collect ou seja. o pagamento pelo serviço de transporte é de responsabilidade do contratante, que. no caso. está situado fora do Brasil, ou seja, residente ou domiciliado no exterior, e que. nas circunstâncias, efetua remessa financeira ao Brasil para liquidar sua obrigação, representando efetivo ingresso de divisas. O valor recebido por KN é remuneração decorrente de exportação de serviços. (...) Como a quantidade de operações desse tipo foi elevada, e tendo em vista o período sob análise ser abrangente, foi acordado que nossos trabalhos seriam desenvolvidos com base em critério de amostragem, aceito cientificamente, para as operações ocorridas no período, que representou parcela significativa do total da receita de exportação, a sabei. (...) Com base nos itens por nós selecionados. KN apresentou a documentação que suportou os valores informados como receita do exportação, quais sejam: • Registros contábeis; • Conhecimentos de transporte internacional, tanto aéreo (AWB ' airway bill´) quanto marítimo (BL – bill of landing´); • Faturas comerciais (commercial invoices ou invoices); e • Cópia das telas de registro (files) dessas operações, no sistema da KN, demonstrando as receitas e custos por operação. Os dados informados nas planilhas suporte dos valores considerados como receitas de exportações, tais como números do file e da invoice. registros do AWB ou BL, unidade KN destinatária na operação, dados do emitente e saldo da operação (isto é, receita diminuída dos custos incorridos), foram cruzados com os documentos fornecidos para a amostra selecionada, a fim de identificarmos a coerência e correção das informações nessas planilhas. Os seguintes dados foram extraídos dos documentos acima citados: (i) conhecimentos de transportes internacionais (emitidos pelo transportador da carga): remetente das mercadorias, destinatário, agente do transportador (a própria KN). descrição do bem transportado, a modalidade de transporte Fl. 5536DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.497 13 contratada (no caso. o chamado collect; e a forma de pagamento; (ii) demais documentos: informações necessárias a comprovar a integridade dos procedimentos adotados pela KN em suas operações e nos registros das mesmas". O Recorrente destaca, então, a conclusão do Laudo, de que: “os documentos analisados são aptos a demonstrar que as operações correspondem, efetivamente, a serviços prestados para contratantes residentes ou domiciliados no exterior cujo pagamento representou ingresso de divisas", bem como que, "considerando os objetivos da análise amostral desenvolvida, é possível concluir que a qualidade da documentação, a natureza dos ajustes e adequação dos valores registrados a título de receitas de exportação podem ser aplicadas e estendidas á totalidade das receitas dessa natureza, deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS. no período em questão, no montante global de R$ 33.091.400,00. Quanto ao direito de crédito pela aquisição de insumos utilizados na prestação de serviços, o Recorrente alega que “as despesas com a obtenção do direito de acesso ao sistema Siscomex e com a manutenção dos respectivos softwares definitivamente correspondem a serviços aplicados na prestação de serviços de despacho aduaneiro, pois sem o acesso àquele sistema não há sequer a possibilidade de tal atividade ser desenvolvida” (fl. 4840) e que o referido laudo técnico concluiu pela idoneidade da documentação e pela qualificação dos valores como “gastos com manutenção de softwares e com serviços de telecomunicações para provimento de acesso ao Siscomex” (fl. 4810). A propósito da reversão de provisões, o Recorrente explicou o seguinte: A fim da eliminar qualquer dúvida a respeito dos procedimentos adotados pela recorrente quanto as referidas provisões, a seguir será explicitado o critério pelo qual estas provisões são constituídas e. posteriormente, revertidas Vejamos A partir do ano de 2003. seguindo procedimentos estabelecidos de maneira uniforme para todas as empresas do grupo Kuehne Nagel espalhadas pelo mundo, a recorrente passou a constituir provisões para despesas relacionadas com fretes contratados junto a terceiros (fornecedores) O procedimento adotado era o seguinte: uma vez fechado determinado contraio de transporte, mas antes do recebimento da respectiva cobrança, a recorrente reconhecia em sua contabilidade provisões para as despesas relacionadas a tal negócio. Os lançamentos efetuados tem inquestionável natureza de provisão, haja vista que eram registrados contabilmente antes do incurso efetivo na respectiva obrigação, contraída junto aos terceiros. Uma vez concretizada a obngação referente ao transporte efetuado, a provisão anteriormente constituída deixava de existir, sendo baixada na contabilidade, dando lugar ã despesa efetiva correspondente Considerando que a recorrente praticava mensalmente milhares de operações dessa natureza, a cada mês ela baixava a totalidade do saldo das provisões constituídas no mês anterior e. posteriormente, as lançava novamente com base no saldo final das provisões do mês corrente Esse tem sido o procedimento contábil adotado mensalmente em relação às provisões desde o ano de 2003 até os dias atuais. Argumenta que, diante de tal procedimento, não pode haver dúvida de que tais reversões não podem integrar a base de cálculo das contribuições, conforme expressamente previsto no art. 1º, § 3º, V, “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 5537DF CARF MF 14 Acrescenta, para corroborar tal afirmativa, a transcrição do seguinte trecho do laudo técnico: "Parte das divergências apontadas pelo agente fiscalizador decorre de reversões de provisões para despesas operacionais, relacionadas aos serviços logísticos prestados pela KN. Referidas reversões foram identificadas por meio dos lançamentos descritos nos Razões contábeis, fornecidos pela KN, da conta de resultado 4211009 ' despesas provisionadas de fretes e agregados'. (...) Dessa forma, concluímos que os saldos apresentados correspondem, efetivamente, a reversões de provisões operacionais e não representaram ingresso de novas receitas. Os saldos, credores e devedores, foram ajustados nas respectivas apurações das contribuições devidas ao PIS e à COFINS. Adicionalmente, entendemos que os Razões contábeis fornecidos foram hábeis e suficientes a comprovar os lançamentos efetuados, de forma que não identificamos divergências de valores ou inconsistências de informações nesses documentos que encontramse devidamente anexados a este laudo (Doc's 16. I7e18)". Reitera, enfim, a alegação de que não existe amparo legal que autorize a aplicação de juros sobre a multa de ofício. Em 18/05/2012, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), apresenta suas contrarazões, conforme documento de fls. 4.992/5.012. Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso, definiu pela conversão do processo em Diligência, conforme a Resolução nº 3403000.541, de 26/03/2014, com o seguintes termos (fls. 5.014/2.724/5.030): "(...) O mesmo ocorre em perspectiva mais ampla: é necessário saber, em primeiro lugar e antes de tudo, se o valor adotado como base de cálculo pelo lançamento, em cada mês, efetivamente corresponde ao somatório do valor correspondente a cada um dos 4 fundamentos de mérito acima referidos (1) alíquota zero, (2) receita de exportação, (3) crédito pela aquisição de insumo utilizado na produção e (4) reversão de provisões. Ou seja: (A) é possível identificar nos valores que foram apresentados pelo contribuinte e utilizado pela Fiscalização como base de cálculo do lançamento (fls. 233/235; 247; 252/265) quais valores corresponderiam aos referidos 4 fundamentos de direito? O lançamento foi realizado pela Fiscalização como decorrência da glosa destes 4 fundamentos de direito? Qual o procedimento adotado pela Fiscalização? É possível identificar no Termo de Verificação ou em outros elementos que serviram de fundamento ao lançamento fiscal qual o valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, em cada mês? De outro lado, (B) os valores que o recorrente apresenta depois, em suas defesas (impugnação e recursos), para cada um dos 4 fundamentos de direito, se somados chegam ao valor da base de cálculo adotada no lançamento? Mais precisamente, parece necessário socorrerse da Delegacia de origem também para (C) conferir e informar se os valores mensais apresentados a título de “variação cambial”, inseridos na base de cálculo das contribuições, correspondem ao valor mensal da conta 3011046 – VARIAÇÃO CAMBIAL – ATIVA ou da conta 4011052 – VARIAÇÃO CAMBIAL – PASSIVA, ou do resultado do confronto destas contas; Fl. 5538DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.498 15 Quanto à exclusão da receita de exportação, verificase que o contribuinte sistematicamente se refere a elas com o termo “resultados” da atividade de exportação. Isto, talvez, porque alguns documentos demonstram que a empresa brasileira realiza encontros de contas sistemáticos com a controladora estrangeira, cujo efeito prático parece ser o de que apenas o valor da diferença positiva é remetido ao Brasil. Percebese, ainda, que todos os ingressos são feitos por outras “KUEHNE+NAGEL” de outros países. São apresentados contratos de câmbio que demonstram o recebimento de valores do exterior, ou seja, o ingresso de moeda estrangeira. O laudo apresentado pelo contribuinte conclui o seguinte: (...). A respeito destas receitas de exportação, requerse à Delegacia de origem (D) confirmar se na contabilidade do contribuinte os valores recebidos do exterior são apropriados como receita de exportação e se tais valores correspondem exatamente aos valores indicados nos contratos de câmbio apresentados nestes autos. Quanto aos alegados insumos aplicados na prestação de serviços, requerse à Delegacia de origem que (E) a partir dos documentos existentes nos autos, ou de outros que entenda ser o caso de solicitar ao contribuinte, determine os valores que correspondem a cada serviço que possa ser identificado: serviço de manutenção de softwares, internet, acesso ao siscomex etc, fazendo todas as considerações que entenda cabíveis. Quanto à reversão de provisões, o laudo apresentado pelo contribuinte apurou e concluiu o seguinte: (...). A este respeito, requerse à Delegacia de origem que (F) verifique e confirme se o funcionamento da conta ocorre da forma como narrada pelo contribuinte, ou seja, se é possível identificar que as referidas reversões foram ou não contabilizadas como receita anteriormente. (...)" Em 16/05/2017, a unidade de origem (DEFISSP), cumprindo o contido na referida Resolução, concluiu a diligência conforme Informação Fiscal de fls. 5.363/5.375 e intimou a Recorrente do resultado para manifestarse, conforme decorre do Termo de Intimação às fls. 5.375. Após tomar ciência do resultado da diligência, a Recorrente, em 29/05/2017, apresentou sua Manifestação (fls. 5.381/5.388) e juntou vários documentos e informações, conforme arquivos "não pagináveis" anexado ao processo. Os autos, então, retornou a este CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 5539DF CARF MF 16 1 Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Objeto da lide A Recorrente sustenta, no mérito que, (i) ter direito à aplicação da alíquota zero em relação a receitas de variação cambial, (ii) a não incidência das contribuições em relação às receitas de exportação, (iii) ter direito de crédito de PIS/COFINS nãocumulativo em relação à aquisição de insumos para utilização na prestação de serviços e (iv) a necessidade de exclusão da base de cálculo de valores que corresponderiam à reversão de provisões. Quanto à variação cambial, tanto o acórdão da DRJ como o laudo apresentado pela Recorrente apresentam os valores de variação cambial em valor total consolidado para o ano. O acórdão da DRJ, para desqualificar a prova apresentada pela Recorrente, diz que os valores totais de alguns anos eram valores negativos. Ou seja, colocou em cheque a prova, insinuando que o valor negativo resultante da variação ocorrida ao longo do ano conduziria à conclusão de que não teria havido receita. O contribuinte, por sua vez, empenhase em contestar o argumento, dizendo que, diferente do que alega a DRJ, o valor de um destes anos não seria negativo, mas positivo. Também o laudo, apresentado pelo contribuinte, trabalha a partir dos valores anuais. Destaca se que se está tratando de PIS/COFINS, cujo fato gerador é mensal. 3. Preliminar cerceamento do direito defesa Aduz a Recorrente em preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ, por cerceamento do seu direito de defesa, por entender que o julgador de primeira instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova, em desrespeito ao art. 142 do CTN, o qual exige que o lançamento esteja devidamente amparado na verdade material a respeito dos fatos. Vejase: "(...) Nesses termos, considerando que o acórdão recorrido não examinou suficientemente os elementos probatórios juntados aos autos pela recorrente, resulta inconteste sua nulidade, a qual, contudo, não deverá ser pronunciada por esse órgão julgador, a teor do artigo 59, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, na medida em que a causa está madura para pronto julgamento de seu mérito, inclusive em favor da recorrente, ante a nulidade dos autos de infração, lavrados sem a necessária investigação dos fatos bem como ante a robusteza das provas colacionadas aos autos, que demonstram a inexistência do crédito tributário ora exigido, consoante será demonstrado a seguir". Observase que no recurso a Recorrente traz como fundamentos para a conclusão de anulação da decisão de primeira instância a ausência de análise dos fatos e dos documentos da Impugnação, o que teria ocasionado o cerceamento do direito de defesa. No entanto, no caso, digase, verifico que todas as provas produzidas pela Recorrente, foram, de fato, consideradas pela Fiscalização e tratadas no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 248/251, como também, pela DRJ (analisadas pela decisão recorrida). No caso, vejase um trecho da decisão recorrida: Fl. 5540DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.499 17 "(...) A impugnante argui que o ônus da prova dos fatos motivadores do lançamento é de responsabilidade privativa e exclusiva do fisco. Contudo, tratandose de atestar a veracidade dos valores por ela escriturados e declarados, compete à contribuinte comprovar a regularidade de seus registros por meio de documentação idônea, que deve ser mantida obrigatoriamente sob sua guarda pelo prazo definido na legislação e apresentada ao fisco sempre que solicitada. Nesse contexto, impõese observar que não constam dos autos elementos, tais como termo ou outro ato administrativo, a convalidar a arguição acerca da disponibilização ao fisco de toda a documentação que daria suporte aos lançamentos contábeis, como alega a defesa. Conquanto, à fl. 237, a empresa informa que disponibilizaria toda a documentação comprobatória, consignouse no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 245/248, que, quando do comparecimento em 08/04/2010 ao estabelecimento da empresa, somente foi apresentada à autoridade tributária uma DDE (Declaração de Exportação n° 08/2042390001) emitida pela Cia. Brasileira de Alumínio, CNPJ 61.409.892/000335, referente à exportação averbada em 25/02/2010, ou seja, a documentação apresentada se referia ao período diverso ao da autuação, que abrange os períodos de 2005 a 2007. Diante da falta de comprovação, foram lavrados os autos de infração em debate". Portanto, mesmo que alguns elementos de prova foram desconsiderados pela Fiscalização ou pelo acórdão recorrido, o fato é que em momento algum houve qualquer tipo de obstaculização à defesa ou à produção de provas necessárias ao balizamento de seus argumentos. Pelo contrário, a Fiscalização intimou o contribuinte, vezes sem fim, para apresentar fatos/documentos que pudessem afastar as acusações, decorrentes de lei, digase, assumidas pela auditoria e que poderia ser apreciado pelo órgão julgador de primeira instância administrativa. No caso vertente, a Recorrente apresentou juntamente com a Impugnação os documentos de fls. 390/4.762, que foram apreciados pela decisão de piso. Em linhas gerais, foi, a meu sentir, disponibilizada oportunidade "ampla, lata, larga e sem obstáculos" para demonstração dos fatos que atenderiam às premissas jurídicas aventadas pela Recorrente. A respeito da motivação das decisões proferidas no âmbito do processo administrativo federal, convém destacar os disposto no art. 31 do Decreto n. 70.235/722, bem como os artigos 2º e 50, ambos da lei nº 9.784/99. No meu entender, resta claro que a Recorrente discorda dos entendimentos adotados pela decisão de piso, o que se depreende das suas bens elaboradas manifestações processuais. Tal fato, entretanto, redunda em uma discussão de mérito, incapaz, todavia, de macular o sobredito acórdão de um vício decorrente da carência de motivação. Além desta questão tangenciar o mérito da lide, vale destacar que tanto a fiscalização como a DRJ (esta, inclusive, na parte da análise do mérito feita pelo acórdão recorrido) justificaram e demonstraram os motivos pelos quais consideraram os preditos Fl. 5541DF CARF MF 18 documentos e informações como insuficientes para comprovar a disponibilização ao Fisco de toda a documentação que daria suporte aos lançamentos contábeis, como alega a defesa. Certas ou erradas as motivações apresentadas, houve, de fato, análise dos preditos livros e documentos fiscais e foram apresentadas as razões pelas quais estes não se prestariam a comprovar as premissas fáticas da defesa. E mais. No tocante a nulidade da decisão suscitada pela Recorrente, cabe observar que os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), preconizam que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferente referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhe houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Do exame dos dispositivos supra extraise que, no tocante a decisão recorrida, só pode haver nulidade se os despachos e decisões, quando proferidos sem a observância do contraditório e da ampla defesa. Aduz a Recorrente que o Fisco não aprofundou a investigação dos fatos e não comprovou a efetiva ocorrência dos fatos geradores dos tributos que pretende exigir. "(...) a situação "sub judice", diante de suas peculiaridades, justificaria um trabalho fiscal mais detalhado e minucioso, definitivamente não verificado no presente caso, a tornar nulo o auto infração, por ofensa aos ditames do Decreto 70.235 e ao art. 142 do CTN, já que o lançamento está lastreado em meras suposições, o que não se pode admitir, ao contrário do que atestou o acórdão recorrido. Quanto ao Auto de Infração, o mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em Relatório Fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária à sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais pressupostos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 4. MÉRITO Fl. 5542DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.500 19 Conforme relatado, na Resolução nº 3403000.541, de 26/03/2014 (fls. 5.014/2.724/5.030), os objetivos foram de buscar respostas aos seguintes quesitos: (1) é possível identificar nos valores que foram apresentados pela Recorrente e utilizado pela Fiscalização como base de cálculo do lançamento (fls. 233/235; 247; 252/265); quais valores corresponderiam aos referidos 4 fundamentos de direito? O lançamento foi realizado pela Fiscalização como decorrência da glosa destes 4 fundamentos de direito? Qual o procedimento adotado pela Fiscalização? É possível identificar no Termo de Verificação ou em outros elementos que serviram de fundamento ao lançamento fiscal qual o valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, em cada mês ? (2) os valores que o recorrente apresenta depois, em suas defesas (impugnação e recursos), para cada um dos 4 fundamentos de direito, se somados chegam ao valor da base de cálculo adotada no lançamento ? (3) conferir e informar se os valores mensais apresentados a título de "variação cambial", inseridos na base de cálculo das contribuições, correspondem ao valor mensal da conta 3011046 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA ou da conta 4011052 VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA, ou do resultado do confronto destas contas; (4) confirmar se na contabilidade do contribuinte os valores recebidos do exterior são apropriados como receita de exportação e se tais valores correspondem exatamente aos valores indicados nos contratos de câmbio apresentados nestes autos; (5) a partir dos documentos existentes nos autos, ou de outros que entenda ser o caso de solicitar ao contribuinte, determine os valores que correspondem a cada serviço que possa ser identificado: serviço de manutenção de softwares, internet, acesso ao Siscomex, etc, fazendo todas as considerações que entenda cabíveis; e (6) verificar e confirmar se o funcionamento da conta ocorre da forma como narrada pela Recorrente, ou seja, se é possível identificar que as referidas reversões foram ou não contabilizadas como receita anteriormente. Há que se esclarecer, preliminarmente, que os 4 fundamentos de direito, referidos no item "1" acima, referemse a: (i) direito à aplicação da alíquota zero em relação às receitas de variação cambial; (ii) não incidência das contribuições em relação às receitas de exportação; (iii) direito de crédito de PIS/COFINS nãocumulativo em relação à aquisição de insumos na prestação de serviços; e (iv) necessidade de exclusão da base de cálculo de valores que corresponderiam à reversão de provisões. 4.1 Da Base de Cálculo do lançamento e dos fundamentos de Direito Fl. 5543DF CARF MF 20 Manobrando os autos, se observa que a Resolução que determinou a realização da diligência tinha como objetivo entender qual teria sido o procedimento adotado pelo Fisco para lavrar os Autos de Infração aqui discutidos, tendo sido confirmado pelo teor da Informação Fiscal que a autuação comparou valores que mensalmente haviam sido registrados como receita na contabilidade e aqueles que haviam sido mensalmente declarados como receita no DACON. Embora a Recorrente tenha tentado justificar as diferenças com base nos citados fundamentos de direito, a fiscalização considerou que a Recorrente não teria apresentado provas do seu direito e com isso lavrou os referidos Autos de infração. Como visto no item anterior, a fim de esclarecer os fatos, a referida Resolução proferida pelo CARF determinou, inicialmente, que o Fisco (Unidade da RFB responsável pela diligência) esclarecesse se é possível identificar, nos valores que foram apresentados pela Recorrente e utilizados pela fiscalização como Base de Cálculo (BC) do lançamento (fls. 236/237; 249 e 255/272), quais valores corresponderiam aos 4 (quatro) citados fundamentos de direito utilizados na impugnação e no seu recurso. Na diligência também solicitou informar se o lançamento havia sido de fato realizado pela fiscalização como decorrência da glosa dos referidos fundamentos de direito, tendo ainda questionado qual teria sido o procedimento adotado pela fiscalização quando da lavratura dos Autos de infração e se seria possível identificar, no TVF ou em outros elementos que serviram de fundamento ao lançamento, qual o valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, em cada mês. Frisese que, como informado pela Recorrente, objetivando facilitar os procedimentos relacionados à diligência fiscal, a Recorrente consolidou as referidas informações solicitadas pela Fiscalização, em arquivo apresentado em 10/04/2017. Conforme se depreende deste documento acostado aos autos: a diferença entre DIPJ e DACON em 2005, 2006 e 2007, de fato, se refere aos quatro fundamentos de direito acima: a) durante o processo fiscalizatório não foram solicitados os valores dos quatro fundamentos mensalmente (vide fl. 227 Termo de Intimação Fiscal nº 026 que trata de valores anuais); b) para o fundamento de reversão de provisão, foi apresentada tela do sistema contábil com indicação dos valores mensais (fls. 241/243); c) para verificação dos lançamentos mensais, a Recorrente solicitou a presença da Fiscalização em sua sede para apresentação dos demais instrumentos em razão do volume de documentos (vide petição de 03/03/2010 fls. 240); d) conforme se verifica as fls. 245, mediante termo de intimação de 8.4.2010, somente foi solicitada a abertura mensal dos valores relativos à receita de prestação de serviços, não havendo qualquer solicitação adicional quanto às demais exclusões acima. Sobre essas questões levantadas, na INFORMAÇÃO FISCAL (de diligência) de fls. 5.363/5.374, a fiscalização desta forma se manifestou: "3) É possível identificar nos valores que foram apresentados pelo contribuinte e utilizado pela Fiscalização como base de cálculo do lançamento (fls. 233/235; 247; 252/265) quais valores corresponderiam aos referidos 4 fundamentos de direito? Para cada anocalendário de 2005, 2006 e 2007, é possível identificar os valores de base de cálculo consolidados anualmente, resultado das diferenças entre os valores Fl. 5544DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.501 21 de receitas anuais, declaradas nas DIPJs e DACONs, conforme Tabela 1 (fls. 252 a 254 do e processo). À fl. 5.367, elabora a Tabela 1, demonstrando as Diferenças entre os valores de receitas anuais, declaradas nas DIPJs e DACONs "O contribuinte apresentou para cada anocalendário de 2005, 2006 e 2007, os valores componentes destas diferenças, que seriam correspondentes aos 4 fundamentos de direito, conforme tabelas 2 a 4 (fls. 252 a 254 do eprocesso)". À fl. 5.368/5.369, elabora a Tabela 2, 3 e 4, demonstrando os valores componentes da diferença para os anos de 2005, 2206 e 2007, respectivamente. Esclarece que para a obtenção das bases de cálculo de lançamento mensais foram utilizadas as diferenças entre os valores mensais das receitas de prestação de serviços, escrituradas na contabilidade e os valores mensais declarados em DACONs (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), conforme discriminado à folha 258. E, conclui afirmando que "(...) Não existe no eprocesso, a discriminação mensal dos valores componentes destas diferenças, que seriam correspondentes aos 4 fundamentos de direito". 4) O lançamento foi realizado pela Fiscalização como decorrência da glosa destes 4 fundamentos de direito? Conforme detalhado no item 3, a glosa foi realizada nos valores anuais consolidados dos 4 fundamentos de direito. A obtenção dos valores mensais das bases de cálculo está detalhada no item 3. 5) Qual o procedimento adotado pela Fiscalização ? Conforme Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração, o contribuinte não apresentou a documentação que comprovaria os valores referentes a estes 4 fundamentos de direito. Conforme item 3, para a obtenção das bases de cálculo mensais foram utilizadas as diferenças entre os valores mensais de receitas escrituradas na contabilidade e os valores mensais declarados em DACONs (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais). 6) E possível identificar no Termo de Verificação ou em outros elementos que serviram de fundamento ao lançamento fiscal qual o valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, em cada mês ? Não é possível identificar no Termo de Verificação ou em outros elementos que serviram de fundamento ao lançamento fiscal qual o valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, em cada mês. Esta identificação somente tornouse possível com as planilhas 2005, 2006 e 2007, juntadas na resposta do contribuinte, de 14/08/2015. (grifei) Como se vê, na Informação Fiscal restou constatado que, inicialmente, os demonstrativos apresentados indicavam valores anuais. Contudo, concluiu categoricamente a Fiscalização que, após a realização da diligência (com as inspeções realizadas e a Fl. 5545DF CARF MF 22 apresentação de documentos e provas), a Recorrente teria logrado identificar valores mensais para cada um dos fundamentos de direito, tendo registrado que as informações mensais foram consolidas nas planilhas juntadas aos autos em 14/08/2015. Em síntese, após a realização da diligência, a fiscalização esclarece que: a) para cada anocalendário em discussão, é possível identificar os valores da base de cálculo consolidados anualmente, resultado das diferenças entre os valores de receitas anuais, declaradas em nas DIPJs e DACONs; b) a Recorrente apresentou, para cada anocalendário, os valores componentes dessas diferenças, que seriam correspondentes aos quatro fundamentos de direito supramencionados; c) para a obtenção das bases de cálculo mensais, a fiscalização utilizou as diferenças entre os valores mensais das receitas de prestação de serviços, escrituradas na contabilidade, e os valores mensais declarados em DACONs, conforme fl. 258 dos autos; d) inexistia nos autos a discriminação mensal dos valores componentes destas diferenças que seriam correspondentes aos quatro fundamentos de direito acima; e c) após a realização da diligência, com a apresentação de esclarecimentos e informações pela Recorrente, finalmente foi possível identificar o exato valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, de forma mensal, conforme constou das planilhas apresentadas em 14/08/2015. Posto isto, podese concluir que após a realização da diligência, quedouse comprovado e demonstrado quais são os valores mensais correspondentes a cada um dos itens excluídos pela Recorrente em seus livros contábeis e fiscais, tendo sido confirmado que, de fato, as diferenças entre a Contabilidade e o DACON, no presente caso, decorrem de: Variações Cambiais, Receitas de Exportação, Reversões de Provisões e de Créditos do regime não cumulativo. 4.2 Documentação apresentada Na referida Resolução foi questionado se os valores apresentados pela Recorrente em suas defesas (impugnação e recurso voluntário), para cada um dos quatro fundamentos de direito, se somados, chegam ao valor da base de cálculo adotada no lançamento. Em resposta a este quesito a Fiscalização respondeu afirmativamente. Vejase: 7) Os valores que o recorrente apresenta depois, em suas defesas (impugnação e recursos), para cada um dos 4 fundamentos de direito, se somados chegam ao valor da base de cálculo adotada no lançamento? Sim, pois são utilizadas as mesmas planilhas usadas pela fiscalização, na consolidação anual dos valores, conforme item 3. 4.3 Da Variação cambial mensal. Segundo a Recorrente, um dos motivos da diferença entre as receitas constantes da DIPJ e do DACON, seria a inclusão das variações cambiais. Alega que os lançamentos contábeis (documentos numerados de 02 a 09, as fls. 415/1.401) estariam amparados por contratos de cambio firmados periodicamente pela Recorrente, bem como por planilhas de controle interno (documentos com numeração de 10 a 84 fls. 1.402/2.700). Fl. 5546DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.502 23 De acordo com os demonstrativos elaborados pela empresa, de fls. 233/235, o ajuste efetuado representa a diferença entre as contas contábeis 3011046 Variação Cambial Ativa e 4011052 Variação Cambial Passiva. Nos anoscalendário de 2005 e 2007, o resultado desse confronto teria sido positivo, ou seja, as variações cambiais ativas (receitas) teriam superado as variações cambiais passivas (despesas). No anocalendário de 2006, o resultado teria sido negativo (despesa). Entretanto, verificouse que nos lançamentos contábeis apresentados, que sequer respeitam a ordem cronológica, verificase que o resultado desse confronto foi negativo não somente em 2006, mas também em 2005. Constatouse que, dessa forma, que o ajuste pretendido em relação a 2005 não tem fundamento. Se nas receitas de prestação de serviços estavam contempladas as variações cambiais liquidas, como alega a impugnante, o valor de R$ 2.545.376,14 devia ter sido adicionado a base tributável das contribuições e não excluído, como consta dos citados demonstrativos. No entanto, na Resolução (conversão em diligência), o CARF solicitou que a Delegacia de origem verificasse se os valores mensais apresentados a título de variação cambial, inseridos na base de cálculo das contribuições, correspondem ao valor mensal da conta 3011046 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA ou da conta 4011052 VARIAÇÃO CAMBIALPASSIVA, ou do resultado do confronto, destas contas. Na Informação Fiscal, desta forma restou consignado pelo Fisco (fl. 5.370): "No Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração, não estão discriminados os valores mensais de variação cambial, pois conforme explicado no item 3, para a obtenção das bases de cálculo mensais foram utilizadas as diferenças entre os valores mensais das receitas de prestação de serviços, escrituradas na contabilidade e os valores mensais declarados em DACONs (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais). Os valores mensais das contas 3011046 Variação Cambial Ativa e da conta 4011052 Variação Cambial Passiva estão apresentados nas planilhas de Variação Cambial Mensal, juntadas nas respostas do contribuinte de 22/04/2015 e 28/04/2017". Como pode ser verificado, com base nas informações acima, a diligência asseverou a impossibilidade de obtenção dos valores de forma mensal a partir do Termo de Verificação Fiscal e do respectivo Auto de Infração, mas que tais montantes foram discriminados pela Recorrente em suas manifestações em 22/04/2015 e 28/04/2017. Cumpre destacar que, com vistas a auxiliar os procedimentos da diligência, a Recorrente apresentou, em 20/04/2017, arquivos que relacionam, a partir dos documentos já acostados aos autos e do Razão Contábil das referidas contas, as informações requeridas pelo CARF em sua Resolução (arquivos não pagináveis "vc_ano_consolidado.xls). Considerando o contido na Informação Fiscal e confrontando a documentação (planilhas arquivos não pagináveis), tornase possível constatar que os valores mensais apresentados a título de variação cambial, inseridos na base de cálculo das contribuições do período de 2005 a 2007, correspondem ao resultado do confronto mensal entre a conta 3011046 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA e a conta 4011052 VARIAÇÃO Fl. 5547DF CARF MF 24 CAMBIAL PASSIVA, não restando, portanto, diferença nos valores indicados na apuração do PIS/COFINS deste período. 4.4 Das Receitas de exportação (serviços prestados a domiciliados no exterior) Outro ajuste efetuado pelo Fisco se refere a receitas decorrentes de serviços logísticos atrelados a exportações. A contribuinte afirma que essas receitas não estariam sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. Argumenta que o seu nome não consta das DDE, pois não é a efetiva exportadora de mercadorias, mas um agente logístico, cuja atividade está relacionada com o planejamento e o controle do transporte internacional de cargas, bem como com o despacho aduaneiro. O frete das mercadorias exportadas seria contratado na modalidade "collect", sendo o pagamento pelo transporte efetuado pelo adquirente da mercadoria, situado no exterior. Acrescenta que os conhecimentos de transporte internacional (bill of landing) identificam o remetente das mercadorias (shipper), que está no Brasil, e o destinatário (not fy party), que está no exterior, evidenciando tratarse de exportação. Objetivando exemplificar os fatos narrados quando de sua impugnação, a Recorrente apresentou jogos de documentos com numeração de 85 a 126 (fls. 2.683/3.125). No entanto a decisão recorrida entendeu que a Recorrente não comprovou qual teria sido o montante dos serviços por ela prestados às pessoas domiciliadas no exterior que estaria inserido no valor de receitas declarado nas DIPJ dos anoscalendário de 2005 a 2007 e, embora alegue que esses serviços teriam resultado em remessas financeiras ao pais, tampouco apresentou provas do ingresso de divisas relativo às aludidas operações. Na Resolução, especificamente sobre esse item, o CARF requereu à Delegacia de origem que confirmasse na contabilidade da Recorrente se os valores recebidos do exterior são apropriados como receita de exportação e se tais valores correspondem exatamente aos valores indicados nos contratos de câmbio apresentados nestes autos. Na Informação Fiscal (relatório de diligência), a Fiscalização assim se manifestou sobre o assunto (fl. 5.371): "9) Confirmar se na contabilidade do contribuinte os valores recebidos do exterior são apropriados como receita de exportação e se tais valores correspondem exatamente aos valores indicados nos contratos de câmbio apresentados nestes autos Os valores recebidos do exterior são apropriados na conta 3121001 Receita com Partes Relacionadas. Estes valores não correspondem exatamente aos contratos de câmbio apresentados nestes Autos, pois os mesmos correspondem a uma amostra e estão relacionados na planilha Lista de Contratos de Câmbio, juntada na resposta do contribuinte de 28/04/2017. Devido à grande quantidade de contratos existentes nos anos de 2005 a 2007, juntouse uma parte adicional destes contratos, relacionados na resposta do contribuinte de 28/04/2017. (Griifei) Por outro lado, a Recorrente esclarece em sua Manifestação (pós diligência fls. 5.381/5.388) que os ajustes por ela efetuados no cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS decorrem do pagamento do frete internacional feito pelo adquirente das mercadorias, localizado no exterior, atendendo aos requisitos previstos nos arts. 5º e 6º das Leis nº 10.637/02 Fl. 5548DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.503 25 e nº 10833/03, quais sejam, tomador residente no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas. E acrescenta que, "(...) De fato, para auxiliar nos procedimentos da diligência fiscal, em 20.4.2017, a Intimada apresentou arquivo contendo relação de contratos de câmbio juntados aos autos como amostra para a comprovação de ingresso de dividas relativo à receita de exportação no período". Informou ainda que 229 contratos de câmbio já haviam sido apresentados aos autos (volumes 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17 e 25 dos autos eletrônicos), sendo que mais 112 contratos foram localizados em seus arquivos internos em complemento à amostra inicialmente apresentada. Afirma que para comprovação dos referidos requisitos, foi disponibilizada toda a documentação que suporta as operações realizadas junto aos clientes situados no exterior, com jogos de documentos, incluindo conhecimentos de transporte internacional que são emitidos pelo transportador da carga, onde são indicados o remetente no Brasil e o destinatário no exterior. Além disso, em razão do grande volume de documentos, foi juntada considerável amostra de contratos de câmbio que comprovam o ingresso de divisas do exterior (cujas cópias, parte já havia sido apresentada nos autos e parte adicional foi acostada por meio de petição protocolada em 28/04/2017). De forma complementar, apresentou memórias de cálculo dos valores mensais de receita de exportação marítima e aéreas na modalidade Collect ( com lastro na contabilidade), onde há o pagamento do exterior, as quais são relacionadas para validação dos valores apresentados na planilha anexada em 28/04/2017. Pois bem. como asseverado pela própria Recorrente, o volume de transações de frete internacional na modalidade "collect" é muito alto, inclusive os contratos de câmbio firmados mensalmente. Por essa razão, como bem destacado no relatório de diligência, as análises foram realizadas com base em amostra considerável de documentos já apresentados nestes autos. No entanto, apesar dos esforços empreendidos pela Recorrente, esta não logrou comprovar o montante, conforme restou consignado na Informação Fiscal de diligência à fl. 5.371, "(...) Estes valores não correspondem exatamente aos contratos de câmbio apresentados nestes Autos, pois os mesmos correspondem a uma amostra e estão relacionados na planilha Lista de Contratos de Câmbio, juntada na resposta do contribuinte de 28/04/2017". Em suma, a Recorrente não logrou comprovar a totalidade dos valores dos serviços por ela prestados às pessoas domiciliadas no exterior que estaria inserido no valor de receitas declarado nas DIPJ dos anoscalendário de 2005 a 2007 e, muito embora alegue que esses serviços teriam resultado em remessas financeiras ao pais, não logrou provar todos os ingressos de divisas relativo às aludidas operações. Ressaltase que, no caso, o ônus da prova é da Recorrente, de acordo com o art. 373 do novo Código de Processo Civil e o artigo 16 do Decreto 70.235/1972, e não tendo esta apresentado os elementos comprobatórios que possibilitassem determinar exatamente qual o valor total das receitas que não incidiriam as contribuições em exame, não cabe reformar o lançamento fiscal em relação a este item. Fl. 5549DF CARF MF 26 4.5 Créditos Insumos aplicados na prestação de serviços A Recorrente informa que tratase de insumos utilizados na prestação dos serviços logísticos, atinentes a gastos relacionados à telecomunicação e à manutenção dos sofiwares utilizados na prestação de serviços, seriam passíveis de serem utilizados como crédito na apuração das contribuições. Cita o artigo 3°, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Na citada Resolução, o CARF requereu também, a partir dos documentos existentes nos autos ou em outros que a autoridade responsável pela diligência entendesse necessários, a determinação dos valores que correspondem a cada serviço que possa ser identificado: manutenção se softwares, internet, acesso ao Siscomex, etc, fazendo as considerações que entendesse cabíveis. Sobre essa questão, em 07/04/2017, a Recorrente apresentou notas fiscais que suportam as despesas com Siscomex e de manutenção de TI, para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº. 10.637/02 e nº 10.833/3. O Fisco entende que, para gerarem direito a crédito, tais serviços devem ser aplicados ou consumidos diretamente na prestação dos serviços, para que possam ser tratados como insumo. Desta forma, os gastos com telecomunicações não se enquadram no conceito de insumo previsto na legislação, visto não serem aplicados diretamente na prestação de serviços, tratandose de despesas auxiliares as atividades desenvolvidas, em que pese poderem tais despesas ser necessárias ou até essenciais para o desempenho da atividade em questão. Já quanto as despesas com manutenção de softwares, embora necessárias, não se vinculam diretamente aos serviços prestados e, portanto, não geram direito a crédito por não se enquadrarem no conceito de insumos. Em sua Manifestação de diligência (fl. 5.386), a Recorrente alega que, "(...) Tratase de despesas incorridas junto a empresas de telecomunicações para fins de obtenção de acesso ao sistema Siscomex e despesas relacionadas com a manutenção dos softwares, todos utilizados pela Intimada e imprescindíveis para a prestação dos serviços de desembaraço aduaneiro". De outro banda, a fiscalização pontua em sua Informação Fiscal (pós diligência), que: "10) A partir dos documentos existentes nos autos, ou de outros que entenda ser o caso de solicitar ao contribuinte, determine os valores que correspondem a cada serviço que possa ser identificado: serviço de manutenção de softwares, internet, acesso ao Siscomex, etc, fazendo todas as considerações que entenda cabíveis. Considerando os documentos já existentes no eprocesso, bem como aqueles apresentados pelo contribuinte no curso desta diligência, temse a seguinte tabela de referência destes documentos:" (...). A fiscalização apresenta junto ao corpo do relatório a Tabela 4, referente demonstrativo dos desembolsos mensais com acesso à Internet, manutenção de Software e acesso ao Siscomex (fls. 5.371/5.372). A seguir, informa que estas despesas estão registradas nas contas contábeis 5929015 Siscomex, 5120001 Serviços de Terceiros e 5422000 Manutenção de Software e procede a análise de cada fornecedor. Vejase: Fl. 5550DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.504 27 1 CDT A descrição da Nota Fiscal explicita que se refere a acesso ao Siscomex, e portanto, podese considerar este valor como insumo para os serviços de comércio exterior prestados pelo contribuinte. 2 Consul Data A descrição da Nota Fiscal explicita que se refere a acesso ao Siscomex, e portanto, podese considerar este valor como insumo para os serviços de comércio exterior prestados pelo contribuinte. 3 CT Informática A descrição da Nota Fiscal explicita que se refere à manutenção de equipamentos de informática, não sendo possível afirmar com certeza que se referem exclusivamente a equipamentos para acesso dos serviços de comércio exterior. 4 Leonar As descrições das Notas Fiscais explicitam que se referem a suporte a sistemas de importação, e portanto, podese considerar estes valores como insumos para os serviços de comércio exterior prestados pelo contribuinte. 5 Embratel Prove serviços de acesso de telecomunicações para vários locais do contribuinte, não sendo possível afirmar com certeza que se referem para acesso dos serviços de comércio exterior. 6 Softway As descrições das Notas Fiscais explicitam que se referem a suporte a sistemas de importação, e portanto, podese considerar estes valores como insumos para os serviços de comércio exterior prestados pelo contribuinte. 7 Telefônica Prove serviços de acesso de telecomunicações para vários locais do contribuinte, não sendo possível afirmar com certeza que se referem para acesso dos serviços de comércio exterior. Pois bem. Geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS nãocumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Fl. 5551DF CARF MF 28 Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Verificase nos autos que a Recorrente trabalha com a atividade de prestação de serviços logísticos. Visando demonstrar o seu direito, a Recorrente indicou os volumes e as respectivas páginas onde consta cada nota fiscal acostada aos autos, inclusive aquelas analisadas e validadas por Laudo Técnico elaborado pela PWC (fls. 4.815/4.943). Alude que neste Laudo Técnico, concluiuse que a documentação anexada é hábil e suficiente para garantir os lançamentos efetuados na sua contabilidade. Há que se registrar que a Recorrente em sua Manifestação pós diligência de 10/04/2017, esclareceu que (I) a partir dos documentos existentes dos autos, conforme tabela apresentada, é possível identificar créditos sobre serviços de manutenção de software, internet e Siscomex, todos utilizados diretamente na prestação dos serviços de despacho aduaneiro desenvolvidos pela Intimada; e (II) que os valores que correspondem a cada serviço e identificados mensalmente foram reproduzidos em planilha oportunamente apresentada aos autos. Portanto, considerando que é fato que a empresa que presta serviço de Despacho Aduaneiro, em toda sua logística, precisa utilizar serviços de Internet, para acesso ao sistema Siscomex, assim como precisa realizar manutenção de softwares, sendo tais gastos típicos dessa atividade, como restou comprovado pelos documentos e Laudo Técnico apresentados e, que na diligência restou comprovado os valores e a natureza desses gastos, sendo tais gastos típicos dessa atividade, e devem, portanto, ser qualificados como insumos. Concluindo, as despesas com manutenção de softwares, assim como os dispêndios com telecomunicações, utilizados na prestação dos serviços logísticos, geram direito a crédito por se enquadrarem no conceito de insumos, passíveis, portanto, de serem utilizados como crédito na apuração das contribuições (PIS e COFINS), conforme definido pelo artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. 4.6 Das Reversões de provisões Consta do Termo de Verificação Fiscal que a razão para a diferença entre as receitas declaradas nas DIPJ e aquelas informadas no DACON decorreria das "reversões de provisões de despesas operacionais" (art. 10, §30,V, b, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Tal questão gira novamente em torno da presença ou não de condições objetivas que atestem o alegado. Apesar da nova oportunidade oferecida na fase impugnatória, a Recorrente cingiuse a apresentar cópia do livro Razão relativa à conta 4211009 Despesas Provisionadas de Fretes e Agregados (fls. 3.340/4.744), sem que fossem apresentados os documentos comprobat6rios da necessidade de se promover a reversão desses valores. No acórdão recorrido verificouse que não há elementos atestando que o montante revertido foi efetivamente agregado ao valor das receitas de prestação de serviços indicadas nas DIPJ. A partir das informações apresentadas pela Recorrente em seu recurso voluntário, o CARF solicitou na Resolução à Delegacia de origem que verifique e confirme se o funcionamento da conta contábil que trata deste tema ocorre como narrado pela empresa, ou Fl. 5552DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.505 29 seja, se é possível identificar que as reversões foram ou não contabilizadas como receita anteriormente. Em 10/04/2017, com vistas a auxiliar na diligência fiscal, a Recorrente reproduziu seus esclarecimentos oportunamente apresentados nos autos. Vejase: "O procedimento adotado era o seguinte: uma vez fechado determinado contrato de transporte, mas antes do recebimento da respectiva cobrança, a recorrente reconhecia em sua contabilidade provisões para as despesas relacionadas a tal negócio. Os lançamentos efetuados têm inquestionável natureza de provisão, haja vista que eram registrados contabilmente antes do incurso efetivo na respectiva obrigação, contraída junto aos terceiros. Uma vez concretizada a obrigação referente ao transporte efetuado, a provisão anteriormente constituída deixava de existir, sendo baixada na contabilidade, dando lugar à despesa efetiva correspondente". Objetivando confirmar tal procedimento, apresentou memória de cálculo com abertura dos valores de provisão constituídos e revertidos mensalmente, conforme protocolo realizado no dia 14/08/2015, demonstrando que as reversões de provisões foram contabilizadas como a receita anteriormente. Em face destas considerações, a Informação Fiscal de diligência confirmou as informações acima, conforme se verifica abaixo: "(...) A análise da conta 4211009 Despesas provisionadas de Fretes e Agregados, em conjunto com a conta de contrapartida 2510006 Provisão de Despesas não Dedutíveis, conforme Razões anexados no eprocesso, a partir de fls. 3.340, mostra lançamentos de despesas como "Auto Accrued Expense" e reversões destes lançamentos como "Reversed Accrued Expense". Estas provisões foram contabilizadas como Receita, conforme demonstrado na planilha Reversões de Provisões 2005 a 2007, da resposta de 28/04/2017. Nesta planilha, estão relacionados todos os lançamentos da conta 4211009, mês a mês, bem como correspondentes lançamentos na Parte B do Lalur. Além disso, nas planilhas 2005, 2006 e 2007, da resposta de 14/08/2015, os valores mensais da conta 4111009 estão listados na linha 25, fazendo parte do total da Receita Bruta declarada em DIPJ". (Grifei) Como se vê do resultado da diligência informado pelo próprio Fisco, uma vez que foram exibidas as provas materiais imprescindíveis para sustentação do alegado, devese excluir o feito fiscal em relação a esse item (Reversão de Provisões). 5. Da incidência de juros sobre a multa Em seu recurso a Recorrente alega que não tem previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, uma vez que esta não compõe o crédito tributário. Cita jurisprudência administrativa. Essa matéria é recorrente neste colegiado, sendo minha posição conhecida no sentido de sua pertinência. Fl. 5553DF CARF MF 30 Em seu recurso, defende a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) O artigo 5º, §3º, da Lei nº 9.430/96: As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifei) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(grifei) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRgnoREsp1335.688/PR DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1.Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel.Min.Teori Albino Zavascki, DJde2/6/2010. (grifei). Fl. 5554DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.506 31 E no CARF, a matéria vem sendo debatida exaustivamente, razão pelaqual colaciono alguns de seus julgados a respeito: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional.Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdãonº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício. 6. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer: (i) a aplicação da alíquota zero em relação às receitas de variação cambial (item 4.3 do voto); (ii) o direito de crédito de PIS/COFINS nãocumulativo em relação à aquisição de insumos na prestação dos serviços (item 4.5 deste voto); e (iii) a exclusão da base de cálculo de valores que correspondem à reversão de provisões (item 4.6 do voto). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 5555DF CARF MF 32 Voto Vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Redatora designada. Em sessão, fui designada para redigir o voto vencedor especificamente quanto ao item 4.4 do voto do I. Conselheiro Relator "Das Receitas de exportação (serviços prestados a domiciliados no exterior)", em relação ao qual o Colegiado entendeu de forma diferente da forma proposta. Isso porque, ainda que a Recorrente não tenha juntado aos autos todos os contratos de câmbio objeto da autuação, que comprovariam os valores de receita de exportação trazidos na conta 3121001 Receita com Partes Relacionadas, observase que o próprio item 9 da Diligência Fiscal evidenciou que constam dos autos contratos de câmbio que comprovariam ao menos parte desses valores, dentre os quais aqueles anexados pela Recorrente em 28/04/2017. Vejamos os termos da Informação Fiscal proferida na diligência, à efl. 5.371: Ora, ainda que não seja possível, com base na diligência, proceder com o integral cancelamento da exigência fiscal, o Colegiado concordou pela maioria de votos que os termos da Diligência evidenciam a necessidade de cancelamento parcial da exigência correspondente às receitas de exportação, na medida da comprovação pelos contratos de câmbio acostados aos autos. Vale dizer: ainda que não seja possível confirmar a integralidade dos valores informados pelo contribuinte como receitas de serviços logísticos atrelados a exportações que justificariam os ajustes efetuados no DACON em relação à DIPJ apresentada (diferença que ensejou na lavratura da autuação), parte desses valores conseguem ser efetivamente confirmados por contratos de câmbio acostados aos presentes autos e, portanto, devem ser excluídos da autuação. Isso porque as contribuições para o PIS e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes das prestações de serviço para empresas localizadas no exterior, como Fl. 5556DF CARF MF Processo nº 19515.001366/201012 Acórdão n.º 3402005.223 S3C4T2 Fl. 5.507 33 indicado nas Lei n.º 10.637/2002 e 10.833/2003 em conformidade com a imunidade prevista no art. 149, §2º, I, da Constituição Federal/19881: Lei n.º 10.637/02 "Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (..) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;" Lei n.º 10.833/03 "Art. 6° A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (..) II — prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;" Nesse sentido, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer como receitas de exportação os valores autuados na medida da comprovação pelos contratos de câmbio acostados aos autos, referidos no "item 9" da Diligência realizada pela autoridade fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne 1 "Art. 149. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;" (grifei) Fl. 5557DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002181/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/08/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1998 a 31/08/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 81 /2 01 0- 17 Fl. 227DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19515.002181/201017 Acórdão n.º 2201004.191 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 229DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19515.002181/201017 Acórdão n.º 2201004.191 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 231DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.729305/2015-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88.
O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2002-000.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 93 05 /2 01 5- 52 Fl. 97DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 39 a 43), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de valores supostamente devidos por omissão de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.842,50, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 06/11/2015, à e fl. 02 a 15 dos autos. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 19/05/2016, no acórdão 0654.753, às efls. 60 a 63, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 28/06/2016 às efls. 69 a 88, no qual alega, em resumo, que: § Não deve prosperar o lançamento tributário quanto a omissão de rendimentos, vez que estes são isentos, constituindose em proventos de reserva remunerada auferido por militar, além do contribuinte ser portador de moléstia grave. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 07/06/2016, efls. 91, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 28/06/2016, também às efls. 91, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10166.729305/201552 Acórdão n.º 2002000.099 S2C0T2 Fl. 81 3 Irresignado, o contribuinte pleiteia que o lançamento fiscal subsistente seja afastado, pois os rendimentos auferidos gozam de isenção, já que portador de moléstia grave devidamente comprovada pelo laudo expedido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal constante na efls. 8. Ainda, afirma que foi alocado para reserva remunerada, conforme publicação do Diário Oficial do Distrito Federal às efls. 11 e 12. Da exegese da Lei nº 7.713/88 e do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), comase em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifos nossos) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: Fl. 99DF CARF MF 4 REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) IRPF – ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE A Lei prescreve especificamente que prova de moléstia grave somente pode ser feita com laudo de órgão oficial. (Acórdão nº. : 10244.418 14/09/2000) A decisão da DRJ entendeu que o dispositivo acima colacionado abrange a aposentadoria e a reforma motivada por acidente, porém, não contempla a transferência para a reserva remunerada. Apesar do texto legal não fazer menção expressa a reserva remunerada, a melhor interpretação dada ao dispositivo é que quando a legislação se vale da locução "aposentados", referiuse aos inativos, que no caso dos militares é a transferência para a reserva remunerada. É o que se depreende da jurisprudência já sumulada deste CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.729305/201552 Acórdão n.º 2002000.099 S2C0T2 Fl. 82 5 médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos nossos) Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento, pois atendidos os requisitos para a concessão da isenção, devendo ser exonerado crédito tributário. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 101DF CARF MF
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