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Numero do processo: 11065.001453/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE.
Consideram-se preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de pré-questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que declarou-se impedido por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar SantAnna Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE. Consideram-se preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de pré-questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE. Consideramse preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de préquestionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que declarouse impedido por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar Sant’Anna Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 53 /2 00 9- 61 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001453/200961 Acórdão n.º 3801001.877 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de PER/DCOMP (pedido de ressarcimento e declarações de compensação) de créditos de Cofins nãocumulativa protocolados pela empresa Unileite Laticínios Ltda, atualmente denominada Avipal S/A Alimentos, tendo em vista incorporação daquela empresa. De acordo com o Relatório denominado Auto de Infração, verificou a fiscalização as seguintes irregularidades: a) crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas de lenha (produto com origem vegetal) com utilização do percentual de 60%; b) crédito integral do frete sobre aquisições de leite de pessoas físicas; c) crédito sobre o valor do frete efetuado entre estabelecimentos da empresa. O direito creditório foi parcialmente reconhecido, sendo homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde alega preliminarmente ausência de motivação do Despacho Decisório, afirmando que esse não conteria as razões que levaram ao indeferimento parcial do direito creditório. Acredita que o crédito pleiteado teria sido devidamente comprovado. A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: INDEFERIMENTO. MOTIVAÇÃO. Incabível alegação de ausência de motivação quando o contribuinte foi cientificado de relatório elaborado pela Fiscalização com análise específica dos documentos, dos fatos ocorridos e da legislação aplicável, na mesma data do Despacho Decisório atacado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que deve ser reformada a decisão recorrida a fim de que seja dada vista à recorrente do “relatório fiscal Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001453/200961 Acórdão n.º 3801001.877 S3TE01 Fl. 12 3 intitulado Auto de Infração”, com a consequente reabertura do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade. Outrossim, alega que faz jus ao valor integral do direito creditório pleiteado. Quanto ao crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas, a recorrente, com fundamento no parágrafo 3º do artigo 8º da Lei nº 10.925/04, discorda do entendimento literal da fiscalização de que o insumo objeto da glosa em questão é a lenha, produto de origem vegetal, portanto o percentual a ser utilizado é de 35%. Defende a tese de que na definição da alíquota aplicável – 60%, 50% ou 35% deve ser considerada a origem do produto fabricado e não a origem dos produtos/insumos adquiridos. Destaca que sua atividade principal é a produção de leite e de seus derivados, ou seja, é produtora de mercadoria de origem animal, portanto faz jus ao crédito presumido de 60% sobre o valor dos insumos adquiridos, quer seja de origem animal ou vegetal. No que se refere ao direito ao crédito integral do frete nas aquisições de leite de pessoas físicas, a interessada traz como suporte legal ao seu direito o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 para a contribuição para o PIS e da Lei 10.833/03 para a Cofins. Alega que todo e qualquer serviço contratado, para utilização como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, gera direito ao crédito das contribuições PIS e Cofins nãocumulativas. Insiste, que embora os fretes tenham sido contratados para o transporte do leite adquirido de pessoas físicas, eles se classificam como insumos necessários à industrialização de produtos destinados à venda. Em relação ao direito ao crédito dos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos, reafirma a tese de que com fundamento no inciso do II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 para a contribuição para o PIS e da Lei 10.833/03 para a contribuição para a Cofins todo e qualquer serviço contratado, para utilização como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, gera direito ao crédito das contribuições PIS e Cofins nãocumulativas. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa. Ressalta que os fretes contratados para o transporte entre o estabelecimento da recorrente e o estabelecimento da empresa contratada para a realização de parte do processo industrial, e os fretes contratados para o transporte entre o estabelecimento da empresa contratada e o estabelecimento da recorrente caracterizam custo do bem, a ensejar o direito ao crédito. Por fim, requer que seu recurso seja recebido, julgado e provido com o consequente reconhecimento do direto da recorrente aos crédito pleiteados. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001453/200961 Acórdão n.º 3801001.877 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo, todavia não atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento, conforme será demonstrado. De imediato não se conhece da assertiva de que deve ser reformada a decisão recorrida a fim de que seja dada vista à recorrente “relatório fiscal intitulado Auto de Infração”, com a consequente reabertura do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade, visto que a recorrente não apresentou no recurso voluntário as razões e fundamentos que sustentariam o seu pedido. Por outro lado, a interessada sustenta que faz jus ao valor integral do direito creditório pleiteado. Quanto as alegações da recorrente em relação ao mérito; crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas, crédito integral do frete nas aquisições de leite de pessoas físicas e direito ao crédito dos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos, é importante consignar que tais teses não podem ser apreciadas, sob pena de supressão de instância, por constituírem matérias novas não abrangidas pelo litígio. De fato, em sua manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou uma preliminar referente a ausência de motivação do despacho decisório e no mérito limitouse a alegar que os pedidos de ressarcimento são originários de créditos de contribuições não cumulativas e que e que seus pedidos de ressarcimento foram acompanhados dos documentos comprobatórios, portanto faz jus a todo o saldo pleiteado. Do exame da decisão recorrida, verificase que as matérias acima citadas não foram enfrentadas. A decisão de primeira instância apenas apreciou a preliminar de ausência de motivação. Destarte, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento das teses por falta de préquestionamento no momento oportuno. Como visto, a recorrente não apresentou suas razões na manifestação de inconformidade em relação ao mérito do direito creditório, assim consideramse preclusas as matérias não contestadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão recorrida. A falta de préquestionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento da matéria na fase recursal. Neste sentido dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/92, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tornandose preclusa. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer das razões do recurso voluntário por preclusão. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001453/200961 Acórdão n.º 3801001.877 S3TE01 Fl. 14 5 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000255/2001-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO IPI – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – ENERGIA ELÉTRICA – TAXA SELIC.-ART. 62-A DO RICARF. A Lei nº9.363/96 não exclui aquisições de insumos adquiridos de não contribuintes . A Sumula nº 19 do CARF não admite a inserção da energia elétrica na base de cálculo do incentivo. De ser admitida a aplicação da Taxa SELIC no ressarcimento a partir da protocolização do pedido.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-002.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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A Lei nº9.363/96 não exclui aquisições de insumos adquiridos de não contribuintes . A Sumula nº 19 do CARF não admite a inserção da energia elétrica na base de cálculo do incentivo. De ser admitida a aplicação da Taxa SELIC no ressarcimento a partir da protocolização do pedido. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. EDITADO EM: 22/08/2012 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado), e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial de fls.547/558, interposto pela Contribuinte, Contra o Acórdão de fls. 520/541, que por maioria de votos negou provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, para excluir da base de cálculo do incentivo estabelecido pela Lei nº 9.363/96 os insumos adquiridos de nãocontribuintes (pessoas físicas, cooperativas e produtores rurais) e aquisições de energia elétrica. O acórdão traz a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: RESSARCIMENTO. LEI Nº 9393/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtorexportador. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. CUSTOS. INCLUSÃO.IMPOSSIBILIDADE. Não se incluem na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo nº 10920.000255/200133 Acórdão n.º 930302.061 CSRFT3 Fl. 2 3 Recurso negado." Em despacho de admissibilidade às fls. 693/695, admitiuse seguimento à matérias apenas relativamente às aquisições por nãocontribuintes (pessoas físicas, cooperativas e produtores rurais), em vista do tocante à energia elétrica encontrarse em entendimento definitivo pela Súmula nº 19/CARF. Aduz a Contribuinte que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem feitas diretamente de produtores rurais/pessoas físicas/cooperativas devem integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI em discussão, pois a Lei nº 9.363/96 não condiciona a fruição do benefício fiscal à origem dos produtos e ainda, referese ao valor total da relação entre receita de exportação e receita operacional bruta do produtor exportador, conforme extraise do art. 2º da Lei mencionada. Segue aduzindo que as razões trazidas pelo Conselho vêm das Instruções Normativas 23 e 103 de 1997, que estabeleceram que o crédito presumido de IPI fosse calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de Pessoas Jurídicas, sujeitas às contribuições do PIS e COFINS, mas não podem prosperar em razão do modelo normativo chamado de Instrução Normativa não estar elencado no art. 100 do Código Tributário Nacional. Às fls. 551/552, traz ementas de julgados do CARF – também anexadas integralmente que corroboram com a tese trazida no sentido de que é cabível incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, ou seja, não contribuintes de PIS e COFINS, na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Por fim, pede que o crédito seja corrigido pela taxa SELIC, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco Federal, embasandose na Instrução Normativa 600/05 (artigo 52) e em jurisprudência do CARF que transcreve às fls. 556/557. Em ContraRazões, às fls. 700/716, a Fazenda Nacional pugna pela improcedência do Recurso da Contribuinte, argumentando que para ser ressarcido desse crédito, necessário que as aquisições incluídas na base de cálculo tenham sido tributadas por PIS e COFINS, o que não é o caso das aquisições de pessoas físicas, cooperativas e produtores rurais. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 4 Fundamentando sua tese, de que deve incluirse a totalidade das receitas, mas apenas daquelas aquisições oneradas por PIS e COFINS, cita o Parecer PGFN/CAT/nº 3092/2002 às fls. 705/712. Por fim, pede que não sejam considerados os argumentos da contribuinte referentes à correção pela SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Resistência da Fazenda ao ressarcimento combatida através da manifestação de inconformidade às fls. 411/434. O tema do litígio é por demais conhecido e não provoca maiores debates quanto às aquisições de produtos intermediários, materiais de embalagem e matérias primas, produzidos por não contribuintes do PIS e da COFINS, haja vista que a Lei 9.363/96, instituidora do incentivo, não promana suas exclusões. Relativamente à energia elétrica, a Súmula nº 19 deste CARF determina a devida exclusão. Quanto à incidência da Taxa SELIC, por não tratar o presente caso de créditos escriturais, e caracterizada a oposição do fisco ao ressarcimento, entendo assistir razão a Recorrente. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo nº 10920.000255/200133 Acórdão n.º 930302.061 CSRFT3 Fl. 3 5 Diante do exposto, estribado no art. 62A do Regimento Interno deste CARF, voto pelo provimento parcial provimento do Recurso interposto para admitir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas e, a incidência da Taxa SELIC a partir da protocolização do pedido. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva – Relator. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Numero do processo: 15504.002946/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005
DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE
DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. GFIP. DADOS NÃO
CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. REMUNERAÇÃO
PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
ART. 32A
DA LEI Nº 8.212/91.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória
previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A,
da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra
decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até a competência
11/2000, inclusive 13º, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) Por
maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo
da multa o art. 32A,
da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do
voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo
Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a
multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art.
35A
da Lei 8.212/1991, deduzindose
as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se
utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005 DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até a competência 11/2000, inclusive 13º, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva (ausente), Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002946/200872 Acórdão n.º 2301002.314 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela CONSTRUTORA MINEIRA LTDA em face da decisão que julgou procedente o lançamento do débito fiscal por descumprimento de obrigação acessória, referente ao período de 01/1999 a 03/2005. 2. Narra o relatório fiscal que o lançamento de débito contra a recorrente se deu em razão da apresentação de “GFIP – Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e GRFP/GRFC – Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS e da Contribuição Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. (f. 17) 3. A decisão a quo, ora recorrida, restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “INFRAÇÃO FISCAL. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração ao artigo 32, inciso IV,§ 5º da Lei nº 9.528/97, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA APLICADA.” (f. 49) 4. Inconformada com a decisão de primeira instância a empresa apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese, que: a) é ilegal e inconstitucional a exigência do depósito recursal prévio no âmbito administrativo, devendo o recurso ser apreciado independentemente do depósito de 30%; b) os créditos imputados ao contribuinte antes de 01/01/01 foram alcançados pela decadência, já que o fisco tem o prazo de 5 anos para cobrar o crédito, nos termos do art. 173 do CTN. c) a não apresentação ou a apresentação deficitária dos documentos contábeis requeridos pela fiscalização não causaram prejuízo, pois tal fato não impediu que os débitos fossem lançados; d) inexistem circunstâncias agravantes em desfavor do contribuinte. Considerando que para caracterização de reincidência é necessária a prática da mesma infração, fato que não ocorreu, pois a autuação anterior foi em razão da apresentação de GFIPs com informações inexatas, incompletas ou omissas, fazendo jus à relevação ou atenuação da penalidade; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 e) por fim, alegou que a multa possui caráter confiscatória e abusivo, uma vez que a inconsistência das informações nos documentos apresentados, não causou prejuízo ao erário. Até porque o fisco pôde, perfeitamente, calcular o montante supostamente devido pela empresa nos períodos em que faltaram documentação. f) o INSS não tem legitimidade para excluir a empresa do SIMPLES, pois tal competência cabe a Secretaria da Receita Federal, que é órgão gestor do SIMPLES, tampouco o órgão pode lançar multas ou tributos em decorrência dessa exclusão. 5. O fisco, embora devidamente cientificado da apresentação do recurso, não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002946/200872 Acórdão n.º 2301002.314 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, depreendese do Relatório Fiscal que o auto de infração lavrado contra o contribuinte foi recebido em 12/07/2006, referente às contribuições do período de 01/01/1999 a 31/03/2005, ficam alcançados pela decadência quinquenal os valores relativos às competências 01/1999 a 11/2000, incluindo o décimo terceiro, nos termos do art. 173, I, do CTN. Restando, entretanto, mantidas as competências 12/2000 a 03/2005. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002946/200872 Acórdão n.º 2301002.314 S2C3T1 Fl. 4 7 10. Assim, como ainda há débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 11. O contribuinte pugna pela anulação do lançamento aduzindo que o INSS não tem “qualquer legitimidade para excluir a empresa do SIMPLES”. 12. Ocorre que, conforme muito bem colocado pelo julgador de primeira instância, a empresa não é optante pelo SIMPLES, como ficou comprovado pela consulta do CNPJ da construtora (CNPJ n.º 01.782.965/000146) feita no SITE da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). 13. Diante do exposto, entendo que não há que se falar em nulidade do lançamento do débito em decorrência de sua retirada do SIMPLES, pois em consonância com o exposto acima, o contribuinte não é optante do SIMPLES e não faz jus à redução de carda tributária concedida aos optantes pelo regime. DA APLICAÇÃO DA MULTA 14. Narra o relatório fiscal que a empresa foi autuado por ter incorrido em infração ao artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. (f.18) 15. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 16. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 17. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 18. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 19. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 20. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002946/200872 Acórdão n.º 2301002.314 S2C3T1 Fl. 5 9 Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 21. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 22. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 23. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 24. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 25. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.002946/200872 Acórdão n.º 2301002.314 S2C3T1 Fl. 6 11 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 26. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 27. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 28. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 29. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. DO AUTO DE INFRAÇÃO 30. Quanto ao procedimento do lançamento realizado pela autoridade administrativa, não observo qualquer vício que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 31 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72. 31. Além do mais, como pode ser verificado, a peça inicial encontrase fundamentada com a devida motivação requerida pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99, conforme se depreende da leitura das fls. 04/14. CONCLUSÃO 32. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos temos acima, acolhendo a preliminar de decadência, excluindose do lançamento o período 01/1999 a 11/2000, incluindo o décimo terceiro, e aplicandose o novo regramento do artigo 32A, da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10950.000780/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é simples instrumento de controle interno da Administração Tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Nos lançamentos por homologação, quando verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial quinquenal segue a regra geral estabelecida no art. 173, I do CTN. Quando não verificada a aludida ocorrência, a contagem do prazo decadencial segue a regra especial prevista no art. 150, § 4º do CTN.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. SÓCIOS.
AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA ENTREGA E
DA ORIGEM DOS RECURSOS.
Caracterizada a omissão de receitas, quando o contribuinte deixa de comprovar, por documentação hábil e idônea, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supostamente emprestados por sócios.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTO
DE CAIXA.
Correta a glosa de valores supostamente supridos ao caixa por empresas interligadas, cuja efetividade da entrega dos recursos não resultou comprovada.
GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
CONDIÇÕES.
Correta a glosa de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando não forem observadas as regras estabelecidas pelo artigo 340 do RIR/99.
GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
EMPRESAS LIGADAS. VEDAÇÃO.
Não se admite a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas.
RESULTADOS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. DIPJ.
NATUREZA INFORMATIVA.
Correto o lançamento resultante da constatação de apuração de lucro liquido na Demonstração de Resultado do Exercício, quando o contribuinte deixa de declarar o IRPJ e a CSLL correspondentes, ainda que informados em DIPJ. A partir do exercício 1999, a DIPJ possui natureza meramente informativa, não
constituindo confissão de divida.
GLOSA DE DESPESAS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA
DE PAGAMENTO. PROVISÃO INDEDUTÍVEL.
Correta a glosa de despesas lançadas a titulo de multa e juros moratórios, eis que somente são dedutíveis quando devidamente pagas, já que, do contrário, constituem meras provisões indedutiveis.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se aos lançamentos reflexos (PIS, Cofins e CSLL) o que restar decidido em relação ao lançamento principal (IRPJ).
Numero da decisão: 1401-000.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares de nulidade, ACOLHER a arguição de decadência do PIS e COFINS referente a janeiro de 2005e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Fernando Luis Gomes de Matos
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é simples instrumento de controle interno da Administração Tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, quando verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial quinquenal segue a regra geral estabelecida no art. 173, I do CTN. Quando não verificada a aludida ocorrência, a contagem do prazo decadencial segue a regra especial prevista no art. 150, § 4º do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. Caracterizada a omissão de receitas, quando o contribuinte deixa de comprovar, por documentação hábil e idônea, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supostamente emprestados por sócios. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTO DE CAIXA. Correta a glosa de valores supostamente supridos ao caixa por empresas interligadas, cuja efetividade da entrega dos recursos não resultou comprovada. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. Correta a glosa de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando não forem observadas as regras estabelecidas pelo artigo 340 do RIR/99. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. EMPRESAS LIGADAS. VEDAÇÃO. Não se admite a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. RESULTADOS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. DIPJ. NATUREZA INFORMATIVA. Correto o lançamento resultante da constatação de apuração de lucro liquido na Demonstração de Resultado do Exercício, quando o contribuinte deixa de declarar o IRPJ e a CSLL correspondentes, ainda que informados em DIPJ. A partir do exercício 1999, a DIPJ possui natureza meramente informativa, não constituindo confissão de divida. GLOSA DE DESPESAS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. PROVISÃO INDEDUTÍVEL. Correta a glosa de despesas lançadas a titulo de multa e juros moratórios, eis que somente são dedutíveis quando devidamente pagas, já que, do contrário, constituem meras provisões indedutiveis. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se aos lançamentos reflexos (PIS, Cofins e CSLL) o que restar decidido em relação ao lançamento principal (IRPJ).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2049; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 654 1 653 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.000780/201092 Recurso nº 887.532 Voluntário Acórdão nº 140100.740 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria IRPJ e outros Recorrente M A Falleiro & Cia. Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é simples instrumento de controle interno da Administração Tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, quando verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial quinquenal segue a regra geral estabelecida no art. 173, I do CTN. Quando não verificada a aludida ocorrência, a contagem do prazo decadencial segue a regra especial prevista no art. 150, § 4º do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. Caracterizada a omissão de receitas, quando o contribuinte deixa de comprovar, por documentação hábil e idônea, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supostamente emprestados por sócios. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTO DE CAIXA. Correta a glosa de valores supostamente supridos ao caixa por empresas interligadas, cuja efetividade da entrega dos recursos não resultou comprovada. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. Correta a glosa de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando não forem observadas as regras estabelecidas pelo artigo 340 do RIR/99. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. EMPRESAS LIGADAS. VEDAÇÃO. Não se admite a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. RESULTADOS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. DIPJ. NATUREZA INFORMATIVA. Correto o lançamento resultante da constatação de apuração de lucro liquido na Demonstração de Resultado do Exercício, quando o contribuinte deixa de declarar o IRPJ e a CSLL correspondentes, ainda que informados em DIPJ. A partir do exercício 1999, a DIPJ possui natureza meramente informativa, não constituindo confissão de divida. GLOSA DE DESPESAS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. PROVISÃO INDEDUTÍVEL. Correta a glosa de despesas lançadas a titulo de multa e juros moratórios, eis que somente são dedutíveis quando devidamente pagas, já que, do contrário, constituem meras provisões indedutiveis. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamenos reflexos (PIS, Cofins e CSLL) o que restar decidido em relação ao lançamento principal (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade, ACOLHER a arguição de decadência do PIS e COFINS referente a janeiro de 2005e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 655 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 888892): Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e reflexos, relativo ao ano calendário de 2005 a 2008. 2. 0 auto de infração de IRPJ (fls. 772/795) exige o recolhimento de R$ 2.467.548,02 de imposto e R$ 1.850.660,96 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. 0 lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 740/769: Omissão de Receitas — Saldo credor de caixa: no período de 03/2005, 06/2005 e 09/2005. Enquadramento legal no art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso I e 288 do RIR/1999. Multa de 75%; Omissão de Receitas — Suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega: no período de 03/2005 e 06/2005. Enquadramento legal no art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282 e 288 do RIR/1999. Multa de 75%; Custos ou despesas não comprovadas — Glosa de custos: no período de 03/2005. Enquadramento legal nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 300 do RIR/1999. Multa de 75%; Perdas no recebimento de créditos — Glosa de valores excluídos do lucro liquido do exercício, relativos a perdas no recebimento de créditos: no período de 09/2005 e 12/2005. Enquadramento legal no art. 9° da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único e 340 do RIR/1999. Multa de 75%; Adições não computadas na apuração do lucro real — Juros e multas sobre tributos não pagos: nos períodos de 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Enquadramento legal no art. 249 do R1R/1999. Multa de 75%; Resultados operacionais não declarados: nos períodos de 03/2005, 06/2005, 09/2005 e 12/2005. Enquadramento legal nos arts. 249, 250 e 926 do RIR/1999. Multa de 75%; Imposto de renda pessoa jurídica — Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado: nos períodos de 06/2006, 09/2006, 12/2006, 03/2007, 06/2007, Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal nos arts. 247 e 841 do RIR/1999. Multa de 75%; 3. 0 auto de infração do PIS (fls. 796/803) exige o recolhimento de R$ 24.026,49 de imposto e R$ 18.019,84 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 740/769: PIS — Incidência não cumulativa: no período de 01/2005 a 04/2005, 06/2005 a 09/2005. Enquadramento legal nos arts. 1°, 3° e 4° da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; 4. 0 auto de infração da Cofins (fls. 804/811) exige o recolhimento de R$ 110.667,64 de imposto e R$ 83.000,70 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 740/769: Cofins — incidência não cumulativa: no período de 01/2005 a 04/2005, 06/2005 a 09/2005. Enquadramento legal nos arts. 1°, 3° e 5° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Multa de 75%; 5. 0 auto de infração de CSLL (fls. 812/828) exige o recolhimento de R$ 599.141,34 e R$299.561,30 de imposto e R$ 449.355,99 e R$ 224.670,95 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 740/769: CSLL — falta de recolhimento da CSLL: no período de 03/2005, 06/2005, 09/2005 e 12/2005. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 1° da Lei rr 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei n" 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; CSLL — omissão de receitas: no período de 03/2005, 06/2005 e 09/2. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 10 da Lei n° 9.316, de 22 dc novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei n" 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; CSLL — Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago: no período de 06/2006, 09/2006, 12/2006, 03/3007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal no art. 77, inciso III do Decreto Lei n° 5.844, de 23 dc setembro de 1943; art. 149 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 2° e §§ da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 1° da Lei n°9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 dc dezembro de 1996; art. 37 da Lei nt) 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; 6. Cientificada em 26/02/2010, conforme fls. 790, 800, 809, 815 e 824, tempestivamente, em 30/03/2010, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 831/856, Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 656 5 através de seus procuradores, procuração às fls. 857/859, acompanhada dos documentos de fls. 860/883 [...] A 2ª Turma da DRJ Curitiba, por unanimidade, rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, julgou procedentes os lançamentos, conforme Acórdão 0628.149, que foi assim ementado (fls. 887888): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE Di REITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. O Mandado de Procedimento Fiscal é, precipuamente, urn instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração, descabendo pleitear nulidade do lançamento por eventual irregularidade em sua emissão ou ciência. DECADÊNCIA. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a partir da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA. PIS, COFINS, CSLL. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. Com a edição da súmula vinculante n° 8, editada pelo STF, as contribuições sociais para a Seguridade Social submetemse às regras de prescrição e decadência gerais ditadas pelo CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. EMPRÉSTIMO DE SÓCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. Correto o lançamento, com base em omissão de receitas, caracterizado por suprimento de caixa, quando o contribuinte deixa de comprovar, por documentação hábil e idônea, a efetividade da entrega e a origem dos recursos emprestados por sócios, lançados a débito da conta caixa e a crédito de conta do passivo. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTO DE CAIXA. Correto o lançamento, a titulo de omissão de receitas por saldo credor de caixa, constatado após recomposição da conta caixa, mediante exclusão de valores indevidamente contabilizados a débito de caixa e a crédito de conta representativa de suprimento Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 de caixa por parte de empresas interligadas ao contribuinte, cuja efetividade da entrega dos recursos não foi comprovada. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. SUPRIMENTO DE CAUCA. ONUS DA PROVA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. A escrituração contábil faz prova dos fatos correspondentes, a favor do contribuinte, desde que acompanhada por documentação hábil que os suporte, descabendo atribuir ao fisco a incumbência de provar a inexistência do suprimento de caixa, quando inexistentes tais documentações. GLOSA DE CUSTOS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. É cabível a glosa de custos quando, diante de indícios de irregularidade na escrituração de aquisição de produtos, em face da interligação entre o fornecedor c o contribuinte, este não comprova, mediante documentação idônea, a existência das operações. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. ART. 340 DO RIR/99. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observadas as regras impostas no artigo 340 do RIR/99. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. VEDAÇÃO QUANTO A EMPRESAS LIGADAS. Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. RESULTADOS OPERACIONAIS. IRPJ. CSLL. FALTA DE DECLARAÇÃO. DIPJ. NATUREZA INFORMATIVA. Correto o lançamento resultante da constatação de apuração de lucro liquido na Demonstração de Resultado do Exercício, quando o contribuinte deixa de declarar o IRPJ e a CSLL correspondentes, ainda que informados em DIPJ, eis que tal declaração, a partir do exercício 1999, possui natureza informativa, ou seja, não constitui confissão de divida. GLOSA DE DESPESAS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. PROVISÃO INDEDUTÍVEL. Correta a glosa de despesas lançadas a titulo de multa e juros moratórios, eis que somente são dedutíveis as multas de natureza compensatória, desde que pagas, já que, do contrário, constituem provisões indedutiveis, por falta de expressa autorização no regulamento do Imposto de Renda. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 657 7 Versando sobre as mesmas ocorrências faticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 21/09/2010, a contribuinte, em 19/10/2010, interpôs recurso voluntário, fls. 913945, com base nos seguintes argumentos: Preliminares a) Formulou preliminar de nulidade, por supostas irregularidades na emissão do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; b) Formulou preliminar de nulidade dos lançamentos relativos ao PIS/COFINS (01/2005 a 09/2005) e IRPJ/CSLL (2006/2007), por suposta extrapolação dos limites do MPF correspondente; c) Arguiu a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos em 31/01/2005 e 15/02/2005, relativos ao IRPJ e CSLL. Neste sentido, alegou a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual seriam inaplicáveis as regras de contagem do prazo decadencial estabelecidas pelo art. 173, I do CTN. Mérito d) No tocante à infração de suprimento de numerário por sócio, sem comprovação de origem, considerou superada a jurisprudência que embasou a decisão recorrida. Segundo a recorrente, o atual entendimento predominante neste CARF exige apenas a comprovação da origem imediata dos recursos, não competindo à pessoa jurídica realizar a comprovação da origem mediata dos recursos utilizados pelo sócio (v fls. 923924); e) No tocante ao saldo credor de caixa, questionou a glosa dos valores emprestados pela pessoa jurídica ligada (Transfalleiro Transporte Ltda). Segundo a recorrente, todos os valores foram devidamente lançados no seu Livro Razão (Anexo III). Além disso, a fiscalização não realizou nenhuma diligência junto à empresa supridora dos recursos. Afirmou que os empréstimos em questão efetivamente ocorreram e foram deidamente liquidados; f) No tocante à glosa de custos, afirmou tratarse de “erro meramente formal de lançamento contábil”. O lançamento contábil correto seria a título de “perda no recebimento de créditos”. Com base no princípio da verdade material, entende que a presente parcela do lançamento merece ser cancelada; g) No tocante à glosa de exclusões do lucro líquido (perdas no recebimento de adiantamentos a fornecedores), alegou ter direito às citadas exclusões, nos termos do art. 340 do RIR. Afirmou ter realizado cobrança administrativa, por meio de telefonemas, emails e conversas pessoais com os devedores. Afirmou, outrossim, que em situações desta natureza as relações de parentesco são absolutamente irrelevantes e até mesmo justificam a “flexibilidade na intensidade das cobranças”; Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 h) No tocante aos valores não declarados em DCTF, afirmou que a apresentação de DIPJ pelo contribuinte constitui, sim, lançamento tributário. Afirmou, outrossim, que a DCTF é mero instrumento de confissão de dívida, e não de lançamento tributário. Desta forma, considerou incabível o lançamento relativo a esta parcela; i) No tocante à dedutibilidade dos juros e multa de mora, referentes a tributos em atraso, afirmou que tais acréscimos são dedutíveis,antes mesmo de serem pagos, por força do disposto no art. 344, § 1º do RIR. Neste sentido, apresentou jurisprudência administrativa (fls. 941). É o relatório. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 658 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso é tempestivo, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Nulidade do lançamento por irregularidades na emissão/prorrogação de MPF. Nulidade do lançamento do PIS/Cofins (2005) e IRPJ/CSLL (2006 e 2007) A recorrente arguiu a nulidade do lançamento, por supostas irregularidade na emissão do MPF. Alegou inobservância ao art. 9°, § único da Portaria RFB 11.371/07, por ter prorrogado o MPF por 11 vezes, sem nunca ter cientificado o sujeito passivo. A recorrene pleiteou, também, a nulidade do lançamento do PIS/Cofins (01/2005 a 09/2005), e IRPJ/CSLL (2006/2007), por suposta extrapolação dos limites do MPF. Visando sustentar suas alegações, fez referência a diversos princípios constitucionais, tais como o devido processo legal, contraditório, ampla defesa e legalidade estrita. Citou doutrina e jurisprudência. Não assiste razão à recorrente. No âmbito deste colegiado, já restou fortemente consolidada a tese de que eventuais irregularidades na emissão/prorrogação de MPF não constituem motivo suficiente para eivar de nulidade os lançamentos correspondentes. Conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, fls. 892 e seguintes, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Com base nestes dispositivos legais, é forçoso reconhecer que eventuais irregularidades cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem cm prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio. No caso em tela, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 09.1.05.002008 001815 foi aberto em 26/03/2008 (fl. 886), prevendo, inicialmente, fiscalização do IRPJ e CSLL dos períodos 2004 e 2005. Posteriormente, foram acrescidas as verificações obrigatórias nos últimos cinco anos e diversos outros tributos. Houve, também, uma série de prorrogações do MPF, entre 22/09/2008 a 14/07/2010. Não ocorreu nenhuma violação ao disposto no art. 9°, parágrafo único da Portaria RFB nº 11.371/07. Afinal, o art. 4° da mesma Portaria estabelece que a ciência do MPF será realizada através do acesso à Internet, no site da RFB, mediante a utilização de código de acesso informado no Termo de Intimação. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 No caso em apreço, o auditor fiscal mencionou, expressamente, a forma dc consulta ao MPF, bem como o código de acesso, no Termo de Inicio, à fl. 05, e Termo de Intimação Fiscal, à fl. 508. Não obstante este fao, cumpre destacar que o Mandado de Procedimento Fiscal é precipuamente, um instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Por esa razão, eventual falta ou irregularidade em sua emissão ou ciência não enseja a nulidade do lançamento, conforme entendimento consagrado no âmbito deste colegiado, verbis: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FALTA DE EMISSÃO DE MPFD REVISÃO INTERNA. Em trabalhos fiscais de revisão interna:, a intimação para a apresentação de documentos quando necessária é precedida de emissão de MPF Diligência, que é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando na nulidade do lançamento, a eventual falha na emissão desse instrumento. (Grifouse) Acórdão 10709284, Processo 16327.000493/200124, Sessão de 24/01/2008, Relatora Conselheira Albertina Silva Santos de Lima NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. (Grifouse) Acórdão 0628.149, Processo 10950.000780/201092, Sessão de 06/03/2008, Relator Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, unânime) Também não pode prosperar a arguição de nulidade dos lançamento do PIS e Cofins, relativos aos período de 01/2005 a 09/2005. Afinal, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, estas exigências decorreram de meros reflexos do lançamento do IRPJ e CSLL, cuja auditoria alcançava aquelas datas. Tanto o PIS quanto a Cofins referemse à omissão de receitas por saldo credor de caixa, infração constatada na fiscalização do IRPJ c da CSLL. Por fim, também considero que não pode prosperar a arguição de nulidade dos lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos aos períodos 2006 e 2007. Afinal, as citadas exigências referemse, exclusivamente, às diferenças entre o valor escriturado e o valor declarado, ou seja, estão abrangidas pelo procedimento das "verificações obrigatórias", expressamente consignadas no MPF em apreço. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade apresentadas pela recorrente. Prejudicial de mérito Decadência A recorrente arguiu o transcurso do prazo decadencial. Afirmou que a ciência ao sujeito passivo deuse em 26/02/2010, de forma que a data limite para lançamento seria 26/02/2005. Contestou a inclusão de valores referentes a saldo credor que, as sua opinião, já Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 659 11 teriam sido alcançados pela decadência, quais sejam, R$ 209.822,95 (31/01/2005) e R$ 228.106,35 (15/12/2005). Pleiteiou, pois, a exclusão destes valores da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Não merece prospera a alegação da recorrente. Conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, a regra prevista no art. 150 do CTN não é aplicada nas situações em que restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nestes casos, em face da ressalva contida ao final do texto do §4° do art. 150 do CTN, aplicase a regra geral da decadência, prevista no art. 173, I,do CTN, o qual desloca o termo inicial de contagem para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No que tange ao IRPJ e à CSLL, o período mais antigo objeto de lançamento foi o primeiro trimestre de 2005. Assim, ainda que o prazo decadencial pudesse ser contado de acordo com o art. 150, §4° do CTN, o direito de o fisco constituir o lançamento somente terminaria ao final de março de 2010. No entanto, o próprio recorrente informa que a ciência do lançamento em 26/02/2010, de onde se conclui que a decadência não se operou. No que tange ao PIS e Cofins, o lançamento decorreu da apuração de omissão de receitas por saldo credor de caixa. Em relação a esta infração, a autoridade fiscal apenas exigiu a multa de oficio de 75% (e não a multa qualificada de 150%). Consequentemente, devese contar o prazo decadencial segundo a regra prevista no art. 150, §4° do CTN. Dessa forma, o lançamento do PIS e da Cofins do período mais antigo — janeiro de 2005 — poderia ser efetuado a partir de 01/02/2005 (termo inicial do prazo decadencial), encerrandose em 01/02/2010. Como a ciência dos autos de infração ocorreu em 26/02/2010, concluise que a decadência já havia se operado em relação aos aludidos fatos geradores. Diante do exposto, acolho a presente arguição de decadência, em relação ao PIS e COFINS, apenas para o mês de janeiro de 2005. Mérito Suprimento de numerário No tocante à infração de suprimento de numerário por sócio, sem comprovação de origem, a recorrente considerou superada a jurisprudência que embasou a decisão recorrida. No entender da recorrente, o atual entendimento predominante neste CARF exige apenas a comprovação da origem imediata dos recursos, não competindo à pessoa jurídica realizar a comprovação da origem mediata dos recursos utilizados pelo sócio (v fls. 923924). Não assiste razão à recorrente. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 896 (grifado): 37. Observase que, no art. 282 acima transcrito, o legislador, ao disciplinar a hipótese de omissão de receitas por suprimentos de caixa, estabeleceu uma presunção legal, de natureza relativa, ou seja, passível de ser afastada pelo contribuinte mediante comprovação idônea. Em outros termos, constatado indícios de omissão de receita na escrituração da empresa, na forma de empréstimos de sócios por exemplo, contabilizados a débito da conta caixa e a crédito de conta do passivo, transferese ao contribuinte o ônus da comprovação da operação assim escriturada, mediante documentação hábil e idônea que demonstre a efetividade da entrega e a origem dos recursos. Tratandose de presunção legal, é a própria lei que autoriza o lançamento de oficio por omissão de receita, sempre que o contribuinte deixar de elidir a presunção, como de fato ocorreu no presente caso. 38. Assim considerado, não prevalece a construção feita pela impugnante, que entende que o ônus de comprovar as origens cabe ao contribuinte (imediata) e ao fisco (mediata), ou seja, ao contribuinte caberia provar que os recursos de fato ingressaram na sociedade empresária (comprovação imediata), e ao fisco caberia a comprovação da origem da pessoa supridora (mediata), sob pena de nulidade da autuação procedida. Ainda que assim fosse, o contribuinte não apresentou nenhuma comprovação do ingresso dos recursos na sociedade. Em outra passagem, a interessada alega, sem razão, que o fisco permaneceu inerte em relação à demonstração do aporte feito pelo sócio, reclamação esta que não merece acolhimento, já que a demonstração é imputada ao contribuinte, não à fiscalização. Como facilmente se percebe, a contribuinte, ora recorrente, sequer logrou comprovar a origem imediata dos recursos (efetivo ingresso dos recursos na sociedade), razão pela qual se torna desnecesssário aprofundar a análise sobre o ônus da prova da origem mediata daqueles recursos. Diante do exposto, em relação ao presente tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Saldo credor de caixa No tocante a esta infração, a recorrente questionou a glosa dos valores supostaente emprestados pela pessoa jurídica ligada (Transfalleiro Transporte Ltda). Segundo a recorrente, todos os valores foram devidamente lançados no seu Livro Razão (Anexo III). Além disso, a fiscalização não realizou nenhuma diligência junto à empresa supridora dos recursos. Afirmou que os empréstimos em questão efetivamente ocorreram e foram deidamente liquidados. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Conforme restou fartamente evidenciado pelo acórdão recorrido, fls. 888 e seguintes, a contribuinte foi reiteradamente intimada a comprovar a efetividade do recebimento destes recursos, mas abstevese de apresentar qualquer elementosd e prova. Na verdade, em todas as ocasiões, a recorrente limitouse a afirmar que os documentos em questão estavam Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 660 13 sendo “localizados pelo nosso departamento financeiro para entrega futura”. No entanto, até o presente momento, nenhum documento comprobatório foi trazido aos autos. Sobre o tema, assim se pronunciou,com propriedade, o acórdão recorrido, fls. 887 e seguintes: 44. [...]Dessa forma, não tendo o contribuinte comprovado a efetiva transferência dos suprimentos, cabe a exclusão desses lançamentos contábeis, o que provoca o estouro de caixa, ou seja, o saldo credor dessa conta, que é equiparado a omissão de receitas, conforme disposto no art. 281 do RIR/99. [...] 48. Também não merece respaldo o argumento de que a infração deveria ter sido enquadrada no art. 282 do RIR/99, que cuida do "suprimento de caixa". E que, segundo a própria redação do referido dispositivo, o suprimento deve partir dos administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou do acionista controlador da companhia, como foi o caso da infração analisada no item anterior, em que os lançamentos consistiam de suprimentos pelo sócio da autuada. Na presente infração, tratase de lançamentos efetuados a titulo de suprimento por parte de empresas ligadas ao contribuinte, os quais foram devidamente estornados por falta de comprovação da efetiva existência dos supostos empréstimos. 49. Não restam dúvidas, portanto, da procedência do lançamento do IRPJ quanto ao saldo credor de caixa. 0 mesmo fato deu ensejo às exigências de PIS, Cofins e CSLL, que foram corretamente lançadas. Assim sendo, também em relação a este tema, julgo que o acórdão recorrido merece ser ratificado. Glosa de custos No tocante à glosa de custos, a recorrente afirmou que se trata de “erro meramente formal de lançamento contábil”. Segundo a recorrente, o lançamento contábil correto seria a título de “perda no recebimento de créditos”. Com base no princípio da verdade material, rquereu o cancelamento da presente parcela da exigência. Não merecem prosperar as alegaçõs da recorrente. Ab initio, esclareçase que a presente parcela da exigência referese ao lançamento contábil ocorrido no dia 28/02/2005, a debito da conta "Produção do Período" (pertencente ao grupo de estoques de produtos acabados) e "Materiais Aplicados" (pertencente ao grupo de custos de produção), e a crédito da conta "Lado Avesso Indústria e Comércio Ltda" (pertencente ao grupo de adiantamentos a fornecedores), no valor de R$ 1.233.811,59. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 A fiscalização solicitou que a contribuinte comprovasse a aquisição de produtos junto ao referido fornecedor (v. fls. 321/325). A contribuinte, contudo, quedouse inerte, mesmo após ser reintimada a apresentar a referida comprovação. Em razão da ausência de comprovação da operação comercial que teria servido de base para a escrituração daquele valor computado a título de custo, revelase inteiramente correto o procedimento do fisco, que adicionou ao lucro liquido o valor correspondente, com base no art. 249, I do RIR/99. Registrese, por oportuno, que a convicção acerca do caráter fictício destes custos é reforçada diante da comprovação de “estreita ligação entre as pessoas jurídicas Lado Avesso Indústria e Comércio Ltda e MA Falleiro & Cia Ltda”. Conforme bem apontado pelo relatório fiscal (e destacadono acórdão recorrido, fls. 899), o fornecedor em apreço tem como sócio majoritário (95% de participação) o Sr. Leandro César Falleiro, irmão de Marcos Aurélio Falleiro (sócio majoritário da fiscalizada). Em sua defesa, a contribuinte mais uma vez se absteve de trazer aos autos qualquer elemento de prova tendente a demonstrar a efetividade da operação comercial em análise. Na realidade, a recorrente insistiu em alegar que teria havido “erro formal de lançamento contábil, quando o correto seria a Perda no Recebimento de Créditos, operação autorizada pelo art. 230 do RIR/99”. Tal alegação, inteiramente desprovida de provas, já foi devidamente refutada pelo acórdão recorrido, fls. 899: Ora, ainda que o contribuinte tenha, de fato, pretendido escriturar a operação na forma afirmada, como o fez relativamente a uma série de outros lançamentos contábeis, tais operações foram também objeto de glosa por parte da fiscalização, conforme se demonstrará na seqüência. Sendo assim, é procedente o lançamento relativo à glosa de custos, tanto para o IRPJ como para a CSLL, baseada nos mesmos fatos. Face ao exposto, concluo que também relação a este tema a decisão recorrida merece ser mantida. Glosa de perdas no recebimento de créditos No tocante à este item do lançamento (glosa de exclusões do lucro líquido, a título de perdas no recebimento de adiantamentos a fornecedores), a recorrente alegou ter direito às citadas exclusões, nos termos do art. 340 do RIR. Segundo a recorrente, ela teria realizado cobrança administrativa, por meio de “telefonemas, emails e conversas pessoais com os devedores”. Afirmou, outrossim, que em situações desta natureza as relações de parentesco são absolutamente irrelevantes e até mesmo justificam a “flexibilidade na intensidade das cobranças”. Abalisando detalhadamente os autos, constato que a razão está ao lado dos autuantes. Conforme bem destacado no acórdão recorrido, fls. 899, o Fisco inicialmente constatou lançamentos contábeis com a seguinte descrição: "valor referente a lançamento de ajuste efetuado na conta de Lucro Acumulado no período de 01/07/2005 a 30/09/2005 Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 661 15 (01/10/2005 a 31/12/2005)". As planilhas de fls. 306/308 demonstrando as parcelas dessa exclusão, em que o contribuinte informou o seguinte histórico: "Vlr ref perdas no recebimento de créditos anos anteriores". A seguir, o Fisco intimou o contribuinte a comprovar a legalidade desta exclusão, por meio de demonstrativos discriminando todos os adiantamentos concedidos a cada fornecedor, e baixados como perdas, acompanhados de documentação hábil e idônea das citadas operações. O contribuinte nada respondeu, nem mesmo após ser reintimado a apresentar as citadas informações (v. fls. 337/342). Em sede recursal, a contribuinte novamente se absteve de indicar quais teriam sido os supostos adiantamentos concedidos àqueles fornecedores. Este simles fato, por si só, já se mostra suficiente para o indeferimento do pleito da recorrente. Não obstante a ausência de comprovação dos supostos adiantamentos, a recorrente alegou que tentou receber os valores adiantados a seus fornecedores por inúmeras vezes, mediante cobrança administrativa realizada pelo departamento financeiro da empresa. No entanto, mais uma vez a contribuinte se absteve de comprovar documentalmente estas providências administrativas, tendentes a obter a recuperação dos valores supostamente adiantados àqueles fornecedores. Sobre o tema, posicionouse com grande objetividade a decisão recorrrida, fls. 900901 62. [...] releva observar que o caput do art. 340 do RIR/99 prescreve que as perdas no recebimento de créditos devem decorrer das "atividades da pessoa jurídica". Não há como adivinhar a que titulo tais pagamentos foram efetuados, já que a fiscalizada sequer cogitou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar as supostas operações havidas com seus fornecedores, tais como contratos, notas fiscais de venda para entrega futura, ou qualquer outra evidência que explicasse a natureza dos negócios encetados. Diante de vultosa quantia despendida, não é verossímil que uma empresa simplesmente efetuasse tantos adiantamentos, sem qualquer registro das operações correspondentes. 63. Um outro ponto atacado pela defesa é a alegação de que o grau de parentesco é irrelevante no caso, já que isso somente justificaria a flexibilidade na intensidade das cobranças, mas não indicaria que elas não fossem feitas. Ocorre que essa tese contraria frontalmente o comando do §6° do art. 340 do RIR/99, que veda a dedução de perdas de créditos de pessoa jurídica, de alguma forma ligada (controladora, controlada, coligada ou interligada) ao contribuinte. A despeito dessa proibição, a fiscalização verificou que os dois fornecedores envolvidos com as supostas perdas possuem, em seu quadro societário, parentes dos sócios da MA Falleiro & Cia Ltda. [...] Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 Em face da total ausência de provas, revelase inviável o acolhimento das alegações da recorrente. Por esta razão, em relação à presente parcela do lançamento, também voto pela manutenção da decisão recorrida. Valores não declarados em DCTF No tocante aos valores não declarados em DCTF, a recorrente afirmou que a apresentação de DIPJ pelo contribuinte constitui, sim, lançamento tributário. Afirmou, outrossim, que a DCTF é mero instrumento de confissão de dívida, e não de lançamento tributário. Desta forma, considerou incabível o lançamento relativo a esta parcela. A alegação da recorrente é totalmente desprovida de sentido. Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 903904: 69. [...] a interessada cria uma tese totalmente descabida, o alegar duplicidade de lançamento pelo fato de ter constituído os créditos através da DIPJ. Na realidade, essa modalidade de declaração deixou de ser considerada confissão de dívida desde o exercício 1999; a partir de então, a DIPJ passou a ter caráter informativo, e somente a DCTF constitui confissão de divida. A DCTF, como documento dc confissão de divida, deve ser entendida como uma declaração que formaliza os créditos tributários, pelo qual o contribuinte comunica ao fisco a existência de dividas tributárias, e confere à Administração Fazendária a possibilidade de exigilas. Nesse sentido, constitui um instrumento hábil para a imediata inscrição em divida ativa dos créditos reconhecidos pelo contribuinte e não liquidados. Efetuada a inscrição em divida ativa do crédito apontado na DCTF, imediatamente, a Fazenda Pública passa a dispor de um titulo extrajudicial, que lhe permite ingressar com a ação de execução tendente a obter a satisfação do seu direito. 70. 0 entendimento de que, a partir do exercício 1999 a DIPJ deixou de constituir instrumento de confissão de divida, passando a selo somente a DCTF, é pacifico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes [...] 71. A sustentação defendida pelo contribuinte revelase ainda mais absurda quando se constata que a empresa apresentou a DIPJ/2006, pelo lucro real trimestral, somente em 10/03/2009, isto é, após o início da ação fiscal. Consta ainda declarações retificadoras enviadas em 29/05/2009 e 12/06/2009. Até mesmo as DCTFs dos quatro trimestres de 2005, às fls. 41/76, também só foram providenciadas após o início da fiscalização, em 05/02/2010. Em suma, é absolutamente fora de propósito o pedido de nulidade ou insubsistência do lançamento, sob alegação de que teria sido feito quando já existia crédito tributário definitivamente constituído. Como se viu, quando do início da ação fiscal, o contribuinte não havia declarado nenhum tributo ao fisco, de modo que crédito algum existia. Assim, revelamse improcedentes as alegações da recorrente, no tocante a este tema. Dedutibilidade de juros e multa de mora Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 662 17 No tocante à dedutibilidade dos juros e multa de mora, relativos a tributos em atraso, afirmou que tais acréscimos são dedutíveis, antes mesmo de serem pagos, por força do disposto no art. 344, § 1º do RIR. Neste sentido, apresentou jurisprudência administrativa (fls. 941). Não assiste razão à recorrente. A presente parcela do lançamento referese a algumas despesas contabilizadas a título de "Juros e Multas sobre Impostos", conforme planilha de fls. 530/534, consolidadas na tabela a seguir: Período Juros de mora provisionados Multa de mora provisionada Total 1º trimestre/2008 966.218,39 1.343.903.33 2.310.121,72 2º trimestre/2008 201.237,40 54.028,06 255.265,46 3º trimestre/2008 217.363,58 40.992,41 258.355,99 4º trimestre/2008 272.008,22 181.430,48 453.438,70 Total 1.656.827,59 1.620.354,28 3.277.181,87 Intimada a esclarecer o motivo da apropriação daquelas despesas (fls. 505/508), a contribuinte, ora recorrente, declarou (fls. 542/543) que os citados valores, lançados na conta de resultado no ano de 2008, referemse a juros e multas sobre impostos de competência de jan/2006 a dez/2007 (PIS, Cofins, CSLL, IRPJ e IRRF), não contabilizado em tempo hábil. Informou que os citados valores foram contabilizados no mês de jan/2008, com base no art. 344 do RIR/99, art. 151, II a IV do CTN e Solução de Consulta n° 216, de 11/11/2003. Em sua peça recursal, a contribuinte sustenta que as multas moratórias são dedutíveis. Quanto a isso, não restam quaiusquer dúvidas. No entanto, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 761 demonstra que não houve pagamento dos referidos dispêndios. A ausência de pagamento não é negado pela recorrente, que em sua peça recursal sustentou a tese de que o art. 344, §1° do RIR/99 não estabelece como condição da dedução o pagamento do tributo ou encargo sobre ele incidente. Neste ponto, equivocouse seriamente a recorrente. Sobre o tema, manifestouse com bastante clareza o acórdão recorrido, fls. 905 e seguintes: 81. Ora, se não houve pagamento dos juros e multas fiscais de natureza moratória, os lançamentos efetuados pela empresa constituem mera provisão de despesa futura, e não despesa dedutivel. Acerca das provisões, o RIR/99, em seu art. 335 estabelece como regra geral a expressa previsão no próprio decreto, sendo relevante constatar que o regulamento não autorizou a provisão para multas e juros não pagos, donde se Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 conclui que os controvertidos valores são indedutiveis na apuração do lucro real. [...] 82. Esse é o raciocínio seguido pelo Conselho de Contribuintes, conforme se deduz dos seguintes julgados: [...] Data da Sessão 10/07/2002 Relator(a) Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega Nº Acórdão 10513845 Tributo / Matéria IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL COMPROVAÇÃO DE DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTIBILIDADE DA MULTA MORATÓRIA MATÉRIA NÃO PREOUESTIONADA – [...] As multas compensatórias somente serão dedutíveis na determinação do lucro real, após o seu efetivo pagamento sendo cabível a glosa do valor provisionado àquele titulo, por ausência de previsão legal. [...] [...] Data da Sessão 12/07/2000 Relator(a) Paulo Roberto Cortez N° Acórdão 10706012 Tributo / Matéria PIS ação fiscal (todas) [...] PROVISÕES DEDUTÍVEIS – MULTAS COMPENSATÓRIAS IMPOSSIBILIDADE As multas compensatórias, quando dedutíveis, somente poderão ser apropriadas no resultado do exercício após o seu pagamento. Cabível a glosa em caso contrário por falta de p revisão legal. [...] Diante do exposto, julgo correta a glosa de despesas lançadas a título de despesas com multa e juros, eis que as citadas despesas não foram pagas, ostentando o caráter de meras provisões indedutiveis. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, acolher a decadência do PIS e da Cofins para janeiro de 2005 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10950.000780/201092 Acórdão n.º 140100.740 S1C4T1 Fl. 663 19 Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007833/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
Irretocável o acórdão recorrido, ao assentar que a existência de Medida Judicial, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é obstáculo à lavratura do Auto de Infração que visa prevenir a decadência, sendo neste caso inaplicável a multa de lançamento de oficio.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves .
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Irretocável o acórdão recorrido, ao assentar que “a existência de Medida Judicial, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é obstáculo à lavratura do Auto de Infração que visa prevenir a decadência, sendo neste caso inaplicável a multa de lançamento de oficio”. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 78 33 /2 00 3- 89 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves . Relatório Contra o Contribuinte supraqualificado foi lavrado o Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social Pis, fls. 04/12, relativo ao anocalendário de 1998, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, no valor total de R$ 151.548,12, incluindo os encargos legais. Versa o presente processo sobre auto de infração de fls. 04/12 , relativo a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep , no valor de R$ 40.642,70 (quarenta mil, seiscentos e quarenta dois reais, vinte centavos), já compreendendo o principal, a multa de oficio e os juros de mora calculados até 31/07/2003. Os fatos geradores autuados correspondem a jan11998, fev/1998, mar/1998, abr/1998, mai/1998, jun11998, jut/1998, ago/1998, set/1998, out/1998, nov/1998 e dez/1998. A contribuinte tomou ciência do lançamento em 08/08/2003 (fls.25). As supostas infrações cometidas foram relativas a falta de recolhimento/pagamento do principal. 0 Lançamento decorreu de Auditoria Interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, Quadro 3, fls. 04, tendo sido apurada irregularidade nos créditos vinculados informados na DCTF, falta de recolhimento ou pagamento, conforme especificado nos Demonstrativos dos Créditos Vinculados Não Confirmados (fls.06/09) e no Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar (fls.10). A contribuinte apresentou impugnação de fls. 01, em 03/09/2003, na qual alegou, em síntese, que os valores lançados de oficio estão com a exigibilidade suspensa, em virtude dos valores objeto do lançamento terem sido depositados em juizo (depósito do montante integral). Anexa cópias dos comprovantes de deposito em juizo (fls. 14/24). Apreciando a impugnação, a DRJ/FOR manteve o lançamento para prevenir a decadência, anulando, porém, a multa de ofício nele cominanda, como se percebe da ementa do acórdão recorrido (fls. 28/31): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1998 VERIFICAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO. Efetuase o Lançamento de oficio quando o Sujeito Passivo não realiza ou realiza com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto ou da contribuição devida. MULTA DE OFÍCIO NÃO ISOLADA, ART. 90 DA MP 2.158 35/2001. Nos Autos de Infração lavrados com fulcro no art. 90 da MP 2.15835, de 2001, cujo tributo devido foi regularmente informado, embora não tenha sido pago, e não estando presentes as circunstâncias versadas no art. 18 da Lei Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10380.007833/200389 Acórdão n.º 3202000.650 S3C2T2 Fl. 132 3 10.833., de 2003, descabe a exigência da multa de oficio não isolada. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A existência de Medida Judicial, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é obstáculo à lavratura do Auto de Infração que visa prevenir a decadência, sendo neste caso inaplicável a multa de lançamento de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do acórdão acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, defendendo que o depósito judicial do montante exigido impede a lavratura do auto de infração e que, no aresto recorrido, sequer houve menção as petições, despachos, depósitos judiciais e extratos bancários, dos processos judiciais nº 96.62781; 96.116024 e 97.00109178 (fl. 36). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Não merece prosperar a alegação do contribuinte de que os depósitos judiciais impedem a lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Correto o acórdão recorrido ao asseverar que a suspensão da exigibilidade como prevista pelo Código Tributário Nacional (CTN), referese ao crédito e não d possibilidade de a Autoridade Administrativa efetuar o Lançamento. Assim, o que se impede e que a Fazenda execute atos de cobrança do crédito, enquanto sua exigibilidade se encontra suspensa, mas ela não resta impedida de proceder ao ato administrativo de lançamento. O lançamento teve apenas o condão de constituir o crédito tributário, ex vi artigo 142, caput e parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), e não de tornálo exigível. Por isso é que, realizado nesses termos e limites, o ato impugnado não ofendeu qualquer determinação judicial. Nesse diapasão, leciona o professor ALBERTO XAVIER: "A suspensão regulada pelo art. 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar". (XAVIER, Alberto. Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2' ed., Forense, Rio de Janeiro, 1997.)" Não bastesse isso, a autuação para prevenir a decadência é dever da Administração, na forma do art. 90 da MP 2.15835/2001, não podendo a autoridade fiscal nem a autoridade julgadora se furtar se aplicálo. In verbis: Art.90.Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por fim, também não merece acolhida a afirmação contida no Recurso Voluntário, de que a DRJ não teria se pronunciado sobre a necessidade de se obsevar e cumprir o que vier a ser decidido pelo Judiciário. Isso porque o acórdão recorrido foi explícito nesse sentido. Confirase: No que concerne ao resultado da lide na via judicial, cabe à autoridade local acompanhar o tramite da Ação Judicial, verificando se há algum impedimento para cobrança do crédito tributário mantido, e adotar as providências previstas pela legislação aplicável. Ante o exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o acórdão recorrido integralmente, devendo o órgão de origem verificar o que restou julgado no processos judicias (fl. 36), adotando as providências previstas na legislação aplicável. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001535/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. LUCROS E DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. Estão isentos do imposto os lucros e dividendos distribuídos a sócios ou acionistas até o limite do valor do resultado apurado pela pessoa jurídica, subtraído dos tributos incidentes sobre ele.
PESSOA JURÍDICA. PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA, DISTINTA DA DOS SÓCIOS. As pessoas jurídicas têm personalidade jurídica própria, distinta da dos seus sócios, não se confundindo as obrigações, principais e acessórias, perante o Fisco, de uns e de outros.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Sartori de Carvalho Barbosa, OAB/MG 134.181.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 06 de abril de 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. LUCROS E DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. Estão isentos do imposto os lucros e dividendos distribuídos a sócios ou acionistas até o limite do valor do resultado apurado pela pessoa jurídica, subtraído dos tributos incidentes sobre ele. PESSOA JURÍDICA. PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA, DISTINTA DA DOS SÓCIOS. As pessoas jurídicas têm personalidade jurídica própria, distinta da dos seus sócios, não se confundindo as obrigações, principais e acessórias, perante o Fisco, de uns e de outros. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Sartori de Carvalho Barbosa, OAB/MG 134.181. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 06 de abril de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
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LUCROS E DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. Estão isentos do imposto os lucros e dividendos distribuídos a sócios ou acionistas até o limite do valor do resultado apurado pela pessoa jurídica, subtraído dos tributos incidentes sobre ele. PESSOA JURÍDICA. PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA, DISTINTA DA DOS SÓCIOS. As pessoas jurídicas têm personalidade jurídica própria, distinta da dos seus sócios, não se confundindo as obrigações, principais e acessórias, perante o Fisco, de uns e de outros. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Sartori de Carvalho Barbosa, OAB/MG 134.181. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 15 35 /2 00 7- 35 Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 06 de abril de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Relatório MÁRCIO ARAÚJO DE LACERDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELO HORIZONTE/MG (fls. 1.180) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 09/32, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 584.375.00, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.405.480,31. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos. Segundo o relatório fiscal, tratase de valor declarado pelo Contribuinte como rendimentos isentos, relativos a distribuição de dividendos da empresa Partcon Administração e Participações Ltda, referentes a dividendos declarados pela empresa relativamente ao ano de 1993. O Contribuinte teria sido intimado a apresentar a Demonstração do Resultado da empresa, do anocalendário de 1993, escriturada no Livro Diário e o Livro Razão do anocalendário de 1993, e respondeu não mais dispor de tais documentos, pois já teria decorrido o prazo legal pelo qual estaria obrigado à guarda de documentos fiscais e societários; apresentou, todavia, cópia de ata obtida na Junta Comercial de Minas Gerais que comprovaria o resultado do exercício e a distribuição de lucros que originou o recebimento dos dividendos em questão. Do exame dos elementos apresentados a fiscalização concluiu que a simples apresentação de um documento registrado na Junta Comercial aprovando o balanço não é prova da apuração do lucro, sendo indispensáveis os documentos fiscais e contábeis para a sua comprovação. Também observa que o Contribuinte deveria ter mantido a guarda dos documentos até que ocorresse a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que estas de referem, e cita o artigo 37 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante desses fatos, pela falta de comprovação do recebimentos dos lucros distribuídos, a Fiscalização reclassificou os rendimentos para tributáveis. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que discorda veementemente dos parâmetros assinalados pelo agente fiscais; que a autuação fiscal ocorreu de forma equivocada, sem observar a realidade fática e a vasta documentação apresentada, a qual demonstra que os valores declarados pelo Impugnante na DIRPF do exercício de 2003 foram indevidamente reclassificados pela autoridade fiscal; que o único embasamento da autuação foi a alegação de que o contribuinte não teria comprovado que os rendimentos eram provenientes do balanço do ano calendário 1993 da empresa Partcon; que a fiscalização não questiona a origem dos valores recebidos pelo Impugnante já que a fonte pagadora está identificada (Partcon), o recebedor declarou ter recebido os dividendos da mesma fonte pagadora, a fonte pagadora demonstrou a aprovação do pagamento de tais dividendos através de seus atos corporativos, bem como registrou em seus livros os lançamentos contábeis e os declarou tempestivamente à SRF; que a própria Fiscalização admite e reconhece trataremse os valores glosados como provenientes de distribuição de dividendos; que o Impugnante não está Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.001535/200735 Acórdão n.º 2201002.072 S2C2T1 Fl. 3 3 obrigado a apresentar os documentos contábeis da empresa referente ao exercício de 1993 pois a Partcon é a única responsável pela guarda e manutenção dos seus documentos fiscais, logo, esta empresa deveria ter sido intimada para apresentar a sua documentação contábil, e não o Impugnante; que o disto de o Fisco exigir esses documentos decaiu em 1998; que as declarações da empresa foram tempestivamente entregues à SRF e davam conta de que os sócios cotistas da Partcon tinham dividendos a receber da sociedade; que tais informações são corroboradas pelos respectivos lançamentos contábeis da sociedade, conforme cópias anexas relativas aos anos base 2000, 2001 e 2002, bem como das cópias das DIPJs acima citadas; que no livro Razão do anobase 2002 da referida empresa consta lançamento de 10/10/2002 com a referência “N/pagamento parte de dividendos do exercício de 1993, ao sócio Márcio Araújo de Lacerda, no valor de R$ 75.000,00”; que em 02/12/2002 consta no livro Razão o lançamento com a referencia Vr. ref. quitação da nota fiscal 000001, mediante acerto de encontro de contas com dividendos a pagar ao Sr. Márcio Araújo de Lacerda, conforme Termo de Quitação n./data, no valor de R$ 550.000,00; que, finalmente, em 03/12/2002, consta no livro Razão lançamento com a referência “Vr. ref. integralização do capital social, com créditos de dividendos a receber pelo sócio Márcio Araújo de Lacerda, conf. 18° Alteração Contratual, registrada na JUCEMG sob n.° 2852918”; que a SRF não desconhecia a informação da existência de dividendos a pagar pela fonte pagadora (Partcon), bem como dos valores pagos, ano a ano, de modo que bastava cruzar as informações do ora Impugnante com as informações da fonte pagadora para se constatar a inexistência de divergência entre os valores declarados; que a ata de Assembléia Geral de Cotistas da Partcon relativa ao ano de 1993 não só aprovou o balanço, como também a distribuição de dividendos relativos ao ano de 1993 e determinou sua atualização até o efetivo pagamento; que a fonte pagadora apresentou todas as declarações necessárias relativas ao seu resultado, ano a ano, e tempestivamente a cada exercício, de modo que a SRF poderia, dentro do prazo decadencial, ter instaurado procedimento de fiscalização para verificar as operações declaradas; que, portanto, uma vez demonstrado que os valores recebidos da Partcon dizem respeito a dividendos, restaria o questionamento de serem tais dividendos rendimentos tributáveis ou não; que o Auto de Infração também não se sustenta pelo fato de que os dividendos só eram passíveis de tributação nos anos de 1994 e 1995, e neste caso a alíquota aplicável seria de 15%, e não de 27,5% como constou no trabalho fiscal; que o artigo 37 da Lei n.° 9.430/96 não pode ser utilizado em proveito da tese fiscal, já que estabelece que deve ser observado o prazo decadencial qüinqüenal para a Fazenda Pública constituir créditos tributários relativos a cada exercício e, no caso ora considerado, os dividendos foram informados pela fonte pagadora através de DIPJ que foram entregues à Secretaria da Receita Federal nos anos de 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, de modo que, considerando o inicio da fiscalização em 2005, a fiscalização somente poderia retroagir ao ano de 2005 para exigir documentos fiscais; que a fiscalização confunde a data de pagamento ou liquidação do direito apontado relativo a anos anteriores já decaídos (que ocorreu em 2002) — que é tão somente evento de caixa, com a data do lançamento do credito do direito ao recebimento de dividendo — que é evento de competência. A DRJBELO HORIZONTE/MG julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a autoridade lançadora poderia e deveria exigir comprovação da efetividade da distribuição dos lucros e que, intimado, o Contribuinte não apresentou tais provas. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/12/2011 e, em 03/01/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 1209/1228, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento pelo qual a autoridade lançadora reclassificou para rendimentos tributáveis valores recebidos pelo Contribuinte como lucros distribuídos da empresa Partcon Administração e Participações Ltda, da qual era sócio. O cerne da questão está na comprovação da natureza dos rendimentos recebidos, se, efetivamente, lucros distribuídos, já que é incontroverso as origens dos recursos. Entendeu a autoridade lançadora que, como o Contribuinte, intimado, não apresentou os documentos contábeis pelo qual a empresa apurou os lucros posteriormente distribuídos, não restou comprovada a natureza dos rendimentos recebidos. Contra isto se insurge o Recorrente afirmando que apresentou elementos suficientes para comprovar os lucros recebidos e que não estava obrigado a apresentar os documentos contábeis da empresa; a um, porque se trata de pessoa jurídica distinta da pessoa física, sendo a empresa a responsável pela guarda desses documentos e quem deveria ser intimada e; a dois, porque não estava obrigado a manter a guarda dos documentos solicitados, porto que já ultrapassado o prazo decadencial. Pois bem, como se disse acima, é incontroverso que os recursos declarados pelo Contribuinte tiveram origem na empresa Partcon Administração e Participações Ltda. O que se discute é, tãosomente, a natureza dos pagamentos. Inicialmente, a alegação de que o contribuinte não era parte legítima para ser intimado a apresentar os documentos contábeis da empresa Partcom, procede. É que, embora vinculadas, por razões óbvias, são pessoas distintas. A empresa é quem deveria ser intimada a apresentar os documentos contábeis e fiscais e não o contribuinte, pessoa física, pois era esta que deveria manter a guarda dos mesmos. É elementar que a figura dos sócios não se confunde com a pessoa jurídica. Caberia a autoridade fiscal, neste caso, se entendia relevante a informação constante da escrituração comercial da pessoa jurídica, ter intimado a empresa, e não a pessoa física do sócio a apresentálos. E, neste caso, notase que a autuação baseouse, fundamentalmente, na ausência desses elementos para concluir pela reclassificação dos rendimentos. Por outro lado, verificase que o Contribuinte apresentou elementos que demonstram a existência de lucros a distribuir: às fls. 178/188 dos autos constam cópias das DIPJ da empresa em questão, referentes aos exercício de 2001, 2002 e 2003 na qual se verifica no campo “dividendos propostos ou lucros creditados” os valor, inicialmente, de R$ 8.318.896,40, no ano de 2002, progressivamente reduzido, até o valor de R$ 589.630,40, em 2003, o que revela a existência de lucros a distribuir em 2000 e a efetiva distribuição destes nos anos subsequentes. Às fls. 174, o Contribuinte também apresenta a Ata da Assembleia da Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.001535/200735 Acórdão n.º 2201002.072 S2C2T1 Fl. 4 5 empresa Partcom, registrada na Junta Comercial no ano de 1994, onde se aprova a distribuição dos lucros. Não há como concordar, portanto, com a conclusão da DRJ de que esses elementos não são suficientes para comprovar o recebimento dos lucros e, portanto, que o lançamento está correto. Os elementos comprovam que o Contribuinte recebeu da empresa valores a título de lucros distribuídos. O ônus de comprovar que a empresa não tinha lucros a distribuir era da autoridade fiscal e esta não se desincumbiu dessa tarefa ao intimar, indevidamente, a pessoa física do ora Recorrente, e não a apresa, a apresentar os registros contábeis. Nestas condições, penso que assiste razão ao recorrente. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13603.001535/200735 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.072. Brasília/DF, 06 de maio de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.001535/200735 Acórdão n.º 2201002.072 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10120.004195/2010-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO.DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE
A desconsideração da contabilidade é ato excepcional que, seguido da apresentação de provas robustas deve ser avaliado de forma contextual com foco na gravidade da irregularidade verificada em ação fiscal. Erros e omissões localizados, não sistemáticos, que não a prejudiquem o conjunto e não se afigurem fraudulentos bem como inadimplementos passíveis da constituição do crédito de forma direta, não ensejam atitude radical de descaracterização da contabilidade.
Processo Anulado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, determinando a NULIDADE do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "AB INITIO". Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou pela procedência do lançamento.
Carlos Alberto Mess Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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AFERIÇÃO INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE A desconsideração da contabilidade é ato excepcional que, seguido da apresentação de provas robustas deve ser avaliado de forma contextual com foco na gravidade da irregularidade verificada em ação fiscal. Erros e omissões localizados, não sistemáticos, que não a prejudiquem o conjunto e não se afigurem fraudulentos bem como inadimplementos passíveis da constituição do crédito de forma direta, não ensejam atitude radical de descaracterização da contabilidade. Processo Anulado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, determinando a NULIDADE do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "AB INITIO". Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou pela procedência do lançamento. Carlos Alberto Mess StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 41 95 /2 01 0- 34 Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “ Tratase de AutodeInfração (AI) DEBCAD nº 37.267.4160 por meio do qual se exige do contribuinte acima identificado a importância de R$ 205.184,21 (duzentos e cinco mil, cento e oitenta e quatro reais e vinte e um centavos), consolidado em 20/05/2010. Foram lançadas contribuições devidas à previdência social correspondentes à parte dos segurados EMPREGADOS, apuradas por aferição indireta do valor da mão de obra na execução das obras de construção civil, matrículas CEI nº 50.015.86504/77 e 50.020.11305/72, tudo conforme legislação constante do relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 06/07) e do Relatório Fiscal (fls. 10/22). A fiscalização informa que, quando da solicitação de Certidão Negativa de Débito – CND relativa às obras em referência e regularização das mesmas, foi efetuado pelo Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC apenas simulação dos cálculos por meio do sistema DISOWEB, razão pela qual a auditoria fiscal ao registrar o cálculo, em virtude inclusive de haver constatado dados não informados anteriormente, adotou para levantamento do débito, a última competência fiscalizada e verificada como término das obras na contabilidade da empresa, conforme levantamento código “AF – aferição indireta do salário de contribuição com base na tabela CUB”, no Discriminativo de Débito – DD, sendo que para a matrícula CEI 50.015.86504/77 – OBRA RESIDENCIAL VARANDA DOS BURITIS CONDOMÍNIO CLUBE (PERÍODO 12/2004 A 12/2008), foi considerada a competência 12/2008 e para a matrícula CEI 50.020.11305/72 – OBRA PORTAL SHOPPING (PERÍODO 03/2005 a 11/2007), a competência 11/2007. De acordo com o Relatório Fiscal (RF), a empresa notificada é optante pelo regime tributário do lucro presumido oferecido pela legislação federal do Imposto de Renda. Esta opção desobriga o contribuinte da escrituração contábil regular e apuração do lucro real. Entretanto, a empresa optou por apresentar os livros contábeis, com a finalidade de atender a fiscalização relativa às contribuições previdenciárias. A fiscalização informa haver constatado diversas irregularidades no lançamento contábil relativo aos custos com a mãodeobra, como divergências entre os valores lançados na contabilidade e os declarados na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, sendo justificada a divergência pela Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 empresa sob o argumento de que ocorreram diversos lançamentos em títulos impróprios como verbas indenizatórias de rescisões contabilizadas como salários e ordenados, abono pecuniário lançado como férias e férias proporcionais e vencidas, lançadas em conta referente a férias regulares, demonstrando que a empresa não contabiliza os fatos geradores em títulos próprios, lançando em uma única conta rubricas que são fato gerador de contribuição previdenciária, juntamente com outros que não são. A fiscalização também verificou divergências quanto ao período de execução da obra Portal Shopping informado na contabilidade e o período informado na Declaração e Informação sobre Obra DISO e na GFIP, sendo constatados lançamentos referentes a custo de mãodeobra e aquisição de material em período diverso do informado em DISO e GFIP (fl 12 do RF). Também foram encontrados diversos documentos registrados indevidamente no centro de custo das obras fiscalizadas, tais como notas fiscais de serviço e de aquisição de material, com endereço para entrega em locais diversos dos locais das obras. Além disso, diversos documentos solicitados pela fiscalização não foram apresentados. A fiscalização destaca o fato de que a nota fiscal de serviço nº 5246, lançada na contabilidade no centro de custo da obra Portal Shopping, conta 5.1.2.01.12.001 – Material aplicado, tendo como usuária do serviço prestado a empresa Elmo Engenharia Ltda, CNPJ 02.500.304/000143, sendo o endereço do tomador do serviço diverso do endereço da obra. As diversas situações relatadas, segundo a fiscalização, demonstraram que a contabilidade da empresa registra informação diversa da realidade e comprova que a escrituração contábil não reflete a real situação dos negócios do sujeito passivo, uma vez que até mesmo mantém em seus registros contábeis provável despesa pertencente a outra pessoa jurídica e não utilizada na execução das suas obras de construção civil. Pelas razões expostas no RF, concluiuse que não se encontram devidamente lançadas as contribuições de todos os segurados empregados envolvidos na execução das obras de construção civil de responsabilidade da empresa, e por este motivo a fiscalização desconsiderou a escrituração contábil apresentada e aferiu o débito de acordo com as normas estabelecidas na legislação previdenciária. Desse modo, as contribuições foram apuradas por meio de aferição indireta em razão da execução de obra de construção civil, com base na área construída e no padrão de execução, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico – CUB. Em respeito ao art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN, a multa aplicada foi confrontada com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do tributo devido, para incidência da penalidade mais benéfica ao contribuinte, Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 4 5 nas competências anteriores a 12/2008 (comparativo de multas emitido pelo Sistema SAFIS, às fl. 11 do processo 10120.004195/201034). IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 28/05/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 29/06/2010, às fls. 26/47, na qual alega, em síntese, as seguintes razões: Alega que todos os autos de infração emitidos nesta ação fiscal trazem a descrição do mesmo fato gerador e por esta razão solicita que sejam julgados em conjunto. Que a fiscalização em seu relatório não precisou a ocorrência que ensejara o nascimento da obrigação tributária. A descrição do fato gerador, feita pelo auditor fiscal, não guarda nenhuma semelhança com a base tributável e a forma de cálculo do tributo a ser lançado, conforme art. 51 da Instrução Normativa SRP nº 3 de 2005. Alega que a fiscalização não se preocupou em saber se houve ou não a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, quando ocorreu e qual foi o montante de remuneração paga ou creditada ou devida ao trabalhador. De acordo com a impugnante, não é cabível o procedimento de avaliação da base tributável por aferição indireta quando a contabilidade reflete a realidade dos atos praticados pela empresa. Que o contribuinte já havia feito o lançamento por meio da GFIP e que apenas aguardava sua homologação, mas não foi o que ocorreu. Alega que a autoridade retificou o lançamento sem informar com precisão a omissão do contribuinte encarregado do lançamento, mas se prendeu a irrelevantes erros cometidos na formalização da escrita contábil para ao final concluir pela imprestabilidade da contabilidade da empresa. Segundo a impugnante, a contabilidade da empresa foi realizada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade ditados pelo Conselho Federal de Contabilidade por meio da Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993. Assim, ao constatar o não cumprimento dos princípios fundamentais da contabilidade a autoridade retificadora do lançamento obrigatoriamente deveria representar ao Conselho Regional de Contabilidade. O contribuinte alega que o que ensejou a desconsideração da contabilidade foi o cumprimento supostamente de forma incorreta, de obrigações acessórias. De acordo com a impugnante que a aferição indireta poderá ser aplicada quando ficar impossível estabelecer o montante da remuneração paga e que a auditora não comprovou a Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 impossibilidade de obter o montante dos salários pagos. Que a auditora concorda com o montante dos salários pagos na execução da obra, simplesmente alguns registros não ficaram bem claros para a autora do ato fiscal. Que o Estado não pode apurar créditos sob evidências de situações. Que o fato afirmado pela auditora fiscal de que a empresa registra pagamentos realizados a outra pessoa jurídica deveria estar devidamente comprovado. Que a empresa não está desobrigada de fazer a escrituração contábil, ao contrário do que diz a auditora, mas que a tributação não é feita com base em sua escrituração, porém o Código Civil determina que todo comerciante deverá manter a escrita contábil em caráter permanente. Ainda no dizer da impugnante: “querer que a empresa utilize também a aferição da base tributável para a previdência social em parâmetros diferentes daqueles previsto em lei e demonstrados contabilmente, é simplesmente ser mais realista que o Rei.” A impugnante afirma não entender onde está a incoerência conferida aos seus registros contábeis, posto que a auditora em outro item do seu relatório que a empresa utiliza títulos próprios para escriturar os fatos relacionados às obras, descrevendo inclusive as contas utilizadas, afirma que foram verificadas incoerências na documentação e contabilização dos fatos econômicos, aquisições e despesas com as obras em comento. A empresa alega que a folha de pagamentos, a GFIP e a escrituração contábil em títulos próprios demonstram que a empresa contabiliza toda a massa remuneratória, base para a tributação previdenciária. Que a GFIP marca o início da apropriação de gastos com pessoal vinculado à obra, não o início da obra, pois diversos gastos são feitos ao início e ao final da obra sem que tenham empregados vinculados à obra, mas como esses gastos são de responsabilidade da empresa, devem para apuração de custos e resultados serem debitados à mesma. A única alternativa da empresa para atender às exigências das legislações ambiental, de posturas e principalmente as de segurança e medicina do trabalho e fazer as obras necessárias para o início material da obra em si, é remanejar trabalhadores da administração ou mesmo de outras obras para preparo desses quesitos essenciais. Que isto também explica a aquisição do concreto usinado, que é o suficiente para atender à construção das áreas exigidas, como construção de sanitários, refeitórios e área de convivência dos trabalhadores. Quanto à conta a ser debitada, a impugnante informa que a empresa não tem alternativa senão apropriar estas despesas ao custo da obra, pois do contrário estaria descaracterizando o real valor final do produto. A empresa entende ainda que, a pouca mãodeobra utilizada deveria ter sido calculada e apropriada à obra correta, porém, o valor é tão insignificante que não se pode considerar como capaz de modificar seu custo final. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 5 7 A empresa justifica o baixo valor da mãodeobra empregada na construção ao emprego de mecanismos tecnológicos e aquisição de materiais para emprego na construção que demandem utilização menor de mãodeobra e indaga o fato de o CUB ser tão preciso e os normativos previdenciários aceitarem como parâmetro 70% daquele. Indaga ainda se um desvio de 30% é aceitável, ou se o fato de sonegar 30% não é crime. Que em consulta respondida pela Superintendência da 1ª Região Fiscal, a autoridade recomenda que a contabilidade somente poderá ser desconsiderada mediante prova de que esta não demonstra o movimento real da empresa e que prova é documento. Que o indício levantado pela RFB para programar a ação fiscal na empresa foi respondido pelas práticas de economicidade de custos praticadas pela empresa. E continua: “O CUB é apenas um parâmetro, pois a própria RFB admite a prática de mãodeobra com 70% daquele parâmetro.” Por fim, REQUER: Sejam suspensas as exigibilidades dos créditos objeto da impugnação para que os mesmos não sejam exigidos financeiramente antes de sua apreciação e que não constituam óbice para a emissão das correspondentes Certidões Positivas de Débitos com Efeito de Negativas – CPDEn. Sejam considerados improcedentes os lançamentos efetivados por meio dos DEBCAD emitidos nesta ação fiscal. Requer, em caso de dúvidas na fidedignidade dos registros contábeis, a nomeação de perito para subsidiar a tomada de decisão por parte da delegacia de julgamento. Que sejam julgados em conjunto, além dos débitos lançados neste auto de infração, os autos de infração 37.267.4143 e 37.267.4135, por se tratar de matérias correlatas.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.1.060 a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRJ/BHE, em 21 de dezembro de 2011, exarou o Acórdão n° 0346.516 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO A Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE De plano, cumpre destacar que a instância “ ad quod ” relatou e, em conseqüência, julgou objeto diferente do lançamento.Tal fato produz implicações na condução do voto posto que referindose a crédito distinto do original tornou obscura em razão da incorreta determinação da matéria tributável. Em sede de impugnação, no sobredito relatório consta que estariam sendo julgadas contribuições no valor de R$ 205.184,21 (duzentos e cinco mil, cento e oitenta e quatro reais e vinte e um centavos), correspondentes à parte dos segurados EMPREGADOS : “ Tratase de AutodeInfração (AI) DEBCAD nº 37.267.416 0 por meio do qual se exige do contribuinte acima identificado a importância de R$ 205.184,21 (duzentos e cinco mil, cento e oitenta e quatro reais e vinte e um centavos), consolidado em 20/05/2010. Foram lançadas contribuições devidas à previdência social correspondentes à parte dos segurados EMPREGADOS, apuradas por aferição indireta ...” Ocorre que no Relatório Fiscal, às fls. 12, os objetos do lançamento foram as contribuições previdenciárias correspondentes PARTE PATRONAL e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, destinadas á Seguridade Social cujo valor encontrase registrado às fls. 01 R$ 589.904,60: “ DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO O objeto do presente levantamento são as contribuições previdenciárias correspondentes parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, destinadas 5 Seguridade Social (incisos I, II e Ill do artigo 22 da Lei 8.212/91), incidentes sobre a base de cálculo apurada por aferição indireta do valor da mãodeobra necessária na execução das obras de construção civil acima identificadas.” Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 6 9 Na seqüência, por se revelar questão de fundo para efeito da validade do lançamento, enfrento também em preliminar a alegação da Recorrente sobre o crédito ter sido constituído mediante aferição indireta: “ Não pode o fisco determinar a base tributável por meio de mecanismo de aferição indireta, se não existe convicção firme sobre a impossibilidade de a mesma se aferida por meio de mecanismos diretos. A folha de pagamentos, a GFIP e a escrituração contábil em títulos próprios, demonstra que a empresa contabiliza toda a massa remuneratória , base para a tributação previdenciária. A auditoria afirma o contrário, porém não identifica quem, o que, quando, a empresa deixou de fora da escrita contábil.” Como foi visto alhures, o objeto do lançamento reportase à PARTE PATRONAL . Entretanto, às fls. 06, o Relatório de FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO – FLD, além de se referir à remuneração de EMPREGADOS, objeto diverso do lançamento, não faz menção à legislação vigente à época das competências anteriores à constituição do crédito, cujo período retroagiu a 01/2005 , que foram consideradas e consolidadas no valor do cálculo para as competências 11/2007 e 12/2008 : “ Fundamentos Legais das Rubricas 200 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS 200.08 Competências : 11/2007, 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22,1 (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I e parágrafo único, art. 201. I, parágrafo 1. e art. 216, I, (com as alterações dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). 301 CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA 301.08 Competências : 11/2007, 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 22, II (com a redação dada pela Lei n. 9.732, de 11.12.98); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 12, I, parágrafo único, na redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99, art. 202, I, II e III e parágrafos 1. ao 6. ” O fato supradescrito implica nulidade do lançamento em razão da incorreta determinação da matéria tributável. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Às fls. 06, o Relatório FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO FLD não faz referência à legislação vigente à época das competências anteriores à constituição do crédito ,cujo período retroagiu a 01/2005 , que foram consideradas e consolidadas no valor do cálculo para as competências 11/2007 e 12/2008: “ 061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA CONSTRUÇÃO CIVIL 061.05 Competências : 11/2007, 12/2008 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação da Lei n. 10.256, de 09.07.2001 e alteração da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.09), parágrafos 3. e 4. (com as alterações da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.942, de 27.05.09) e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Segundo o Relatório Fiscal de fls.12, a apuração do débito ocorreu conforme o abaixo descrito: “ DA APURAÇÃO DO DÉBITO O débito constante no presente AI foi apurado por meio de aferição indireta do valor do salário de contribuição necessário à execução da obra, como previsto nos §§ 4° e 6°, do artigo 33, da Lei 8.212/91. O procedimento de aferição indireta do salário de contribuição, devido em razão da execução de obra de construção civil, com base na área construída e no padrão de execução, encontrase disciplinado no art. 234 do Decreto 3.048 de 06/05/1999 e Instrução Normativa /SRP 03, de 14/07/2005, com as alterações introduzidas pelas Instruções Normativas MPS/SRP n° 24, de 29 de abril de 2007, Instrução Normativa MF/RFB n° 774, de 29 de agosto de 2007, Instrução Normativa RFB n° 910, de 29 de janeiro de 2009, e Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009. ( grifos de minha autoria) O comando dos §§ 4° e 6° do art. 33 da Lei n 8.212/91 exortados no Relatório Fiscal assim determina : § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.( Redação dada pela Lei n 11.941, de 2009) (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 7 11 devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ”( (grifos de minha autoria) Ainda sobre o contido na mesma fl. 12, supra, o período do lançamento foi determinado segundo os parâmetros definidos art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, verbis:, DO PERÍODO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO A competência adotada para apuração do débito, encontrase definida no art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, que trata da apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, utilizando as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgados pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, que em seu parágrafo 2°, estabelece que, em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência da emissão do ARO, ou em qualquer competência abrangida pela Auditoria Fiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO.” ( grifos de minha autoria) Ressaltando que a empresa apresentou a contabilidade, é relevante destacar que tendo a Autoridade Fiscal suportado o período do lançamento na forma art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, seria compulsório observar, também, o comando do artigo imediatamente anterior que instrui sobre em que oportunidade deva se levar a efeito a aferição da base de cálculo por via indireta nos específicos casos de construção civil, verbis: “ Art. 343. A apuração por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãode obra empregada na execução de obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica, inclusive a relativa à execução de conjunto habitacional popular, definido no inciso XXV do art. 322, quando a empresa não apresentar a contabilidade, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos neste Capítulo. ” ( grifos de minha autoria) Aduz que, na circunstância, utilizar o comando da sobredita Instrução Normativa IN fere o preceituado no artigo 144 do Código Tributário Nacional – CTN em razão de a edição da referida instrução ser posterior a ocorrência dos fatos geradores definidos para as competências01/01/2005 a 31/12/2008. Na forma do art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , verbis: “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Prevalecendo o entendimento de que a Instrução deva ser considerada, não se pode alegar que o artigo 343, retro tenha sido descumprido uma vez que, conforme recibo emitido às fls. 26, a Recorrente apresentou a contabilidade à Autoridade Autuante que recebeu todos os livros fiscais solicitados. Sobre os demais elementos examinados, às fls. 20 do Relatório Fiscal a Autoridade Autuante registra que para o cálculo do salário de contribuição vários documentos foram considerados : “ Como Salário de Contribuição foram considerados os valores calculados a partir de informações verificadas pela fiscalização na documentação arquivada na empresa, Notas Fiscais de aquisição de materiais e de serviços de construção, Notas Fiscais de Serviço, GFIP, GPS, projetos arquitetônicos e Declaração e Informação sobre Obra DISO, que é de preenchimento e responsabilidade do próprio contribuinte, onde foram pesquisados os dados necessários para o correto enquadramento das obras, sendo utilizada a tabela CUB do SINDUSCON publicada no mês de cálculo dos ARO's ” Ainda sobre o art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, sobre o qual do qual já manifestei alhures a respeito da improcedência para o presente levantamento, a auditoria para efetivar a aferição indireta elegendo as competências 11/2007 e 12/2008 sustentou o procedimento na forma abaixo transcrita do Relatório Fiscal às fls.13 : “ DO PERÍODO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO A competência adotada para apuração do débito, encontrase definida no art. 344 da IN/RFB n.° 971/2009, que trata da apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, utilizando as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgados pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, que em seu parágrafo 2°, estabelece que, em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência da emissão do ARO, ou em qualquer competência abrangida pela Auditoria Fiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. Esclarecemos que, quando da solicitação da CND para as obras em referência e regularização das obras no CAC pela empresa, foi efetuado apenas simulação dos cálculos através do sistema DISOWEB, razão pelo qual esta auditoria ao registrar o novo cálculo, em virtude inclusive da constatação de dados não informados em DISO, e portanto não considerados no cálculo realizado pelo Centro de Atendimento do Contribuinte da Receita Federal do Brasil, adotou para levantamento do débito, a última competência fiscalizada e verificada como término das obras na contabilidade da empresa, em observação à norma acima citada. ” Como se observa , na parte final do registro a auditoria afirma que se baseou na , última competência fiscalizada e verificada como término das obras na contabilidade da Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 8 13 empresa . Agindo assim, tal procedimento se revela paradoxal na medida em que se a contabilidade fora desconsiderada então nada haveria para se aproveitar daqueles lançamentos. Destacandose que tratase de levantamento que envolvem duas obras cujos valores do custo global calculados em 12/05/2010 nos Avisos de Regularização de Obra AROs de fls 134 e 174 registram R$10.653.206,93 e R$10.895.231,84, trago à lume as justificativas da auditoria para realizar do lançamento por aferição : “ Dos documentos apresentados à fiscalização, constatouse a ocorrência de lançamentos no centro de custo das obras auditadas, de informação que não corresponde à realidade dos fatos. É o que comprova a Nota Fiscal Fatura de Serviço n.° 5246 emitida pela empresa Concreto Redimix do Brasil S.A. CNPJ 27.701.564/003980, de 22/05/06, no valor de R$ 465,00, lançada no centro de custo da Obra Portal Shopping, conta 5.1.2.01.12.001 Material Aplicado, cópia anexa. O documento acima citado, identifica como usuária do serviço prestado a empresa Elmo Engenharia Ltda CNPJ 02.500.3041000143, sendo o endereço da obra para entrega do material aplicado sito à Rua 21 n° 66 centro, outra obra não identificada pela fiscalização, e no entanto lançada no centro de custo de obra sob responsabilidade da empresa Terral Participações e Empreendimentos Ltda. A situação fática aqui relatada, evidencia que a contabilidade registra informação diversa da realidade, e que efetivamente comprova que a escrituração contábil não reflete a real situação dos negócios do sujeito passivo, uma vez que a mesma mantém em seus registros contábeis provável despesa pertencente a outra pessoa jurídica, e não utilizada na execução das suas obras de construção civil.” (...) De todo o exposto, concluise que não se encontram devidamente escriturados todos os segurados empregados envolvidos na execução das obras de construção civil, de responsabilidade da empresa, que de acordo com a Lei n° 8.212191, representam a base de cálculo das contribuições previdenciárias, motivo pelo qual, esta fiscalização desconsiderou a escrituração contábil apresentada pela empresa e aferiu o débito nos moldes previstos no art. 342 e seguintes, da IN/RFB n° 971, de 13/11/2009. ” Desse modo, o valor é inexpressivo e a conclusão de que a Recorrente mantém em seus registros contábeis provável despesa pertencente a outra pessoa jurídica, é subjetiva dado que pode ter ocorrido mero erro de escrituração. Complementando as razões de proceder a aferição indireta, na forma do relato abaixo, a auditoria concluiu que “empresa não contabiliza todos os fatos geradores em títulos próprios ” : Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 “ Considerando os valores lançados a titulo de remuneração para a obra Varanda dos Buritis e Portal Shopping, especificamente as contas 5.1.1.01.11.001 e 5.1.2.01.11.0001 Salários e Ordenados, 5.1.1.01.11.002 e 5.1.2.01.11.002 Férias Normais, 5.1.1.01.11.003 e 5.1.2.01.11.003 13° Salário; e a remuneração declarada em GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social relativa às obras, verificase que os mesmos encontravamse divergentes (ver planilhas comparativas em anexo). Intimada a prestar esclarecimentos sobre as divergências encontradas, a empresa justifica que ocorreram vários lançamentos em títulos impróprios como verbas indenizatórias de rescisões contabilizadas como salários e ordenados, abono pecuniário lançado como férias e férias proporcionais ou vencidas, lançadas em conta de férias normais, demonstrando que a empresa não contabiliza todos os fatos geradores em títulos próprios, lançando de forma englobada em uma única conta, rubricas que são fato gerador de contribuição previdenciária, juntamente com outras que não o são. ” ( grifos de minha autoria) A falha observada e confirmada pela Recorrente, quando lançou de forma englobada em uma única conta, rubricas que são fato gerador de contribuição previdenciária, juntamente com outras que não o são, na verdade registra fato ocorrido em desfavor da Recorrente que aumentou a base de cálculo a título de remuneração de forma indevida. Ao episódio supra não se pode imputar outra penalidade senão a prevista para descumprimento de obrigação acessória. O caso presente tem contornos de erro escusável passível de ser revisto mediante estorno dos registros contábeis e retificação das informações. De acordo com fls. 41, com a emissão do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 003/2010, a Autoridade Autuante requereu justificativas para as diferenças encontradas para todo o período fiscalizado 01/2005 a 12/2008, extraídas do confronto dos arquivos magnéticos da contabilidade x GFIPs declaradas: “ Prazo: 20 dias Período de apuração: 01/2005 a 12/2008 Verificar/justificar as diferenças apuradas conforme bases de cálculo extraídas do arquivo magnético da contabilidade x GFIP declarada, conf. planilhas anexas.” Na hipótese de a auditoria ter entendido estar diante de fato gerador de obrigação principal inadimplido, seria o caso de constituir o crédito das diferenças demonstrando faticamente sua ocorrência mediante o lançamento ao invés de desacreditar a contabilidade. Muito embora o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, de fls. 82 registre que não foram analisadas folhas de pagamento, comprovantes de recolhimento e livros fiscais de contabilidade às fls. 857, a Auditora Fiscal executa despacho de encerramento da ação fiscal após a colação de vasta documentação da empresa desde as fls. 202 onde se verificam folhas de pagamento, comprovantes de recolhimento e livros fiscais de contabilidade. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 9 15 Também às fls. 124 e 125 constam nos TERMO DE DEVOLUÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a entrega de livros contábeis. Sobre os livros fiscais desconsiderados, por óbvio, estes foram analisados até mesmo para desconsiderálos foi necessário proceder ao exame crítico. Conforme recibo emitido às fls. 26, a Autoridade Autuante recebeu a documentação abaixo : “ RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ENTREGUES PARA FISCALIZAÇÃO • Contrato social e alterações; . Documentos pessoais dos sócios; • Documentos pessoais da contadora; • Contratos de empreitadas e subempreitadas de obras de construção civil (2005 a 2008); • Recibos de pagamentos de autônomos e guia de INSS. (2005 a 2008); •Notas fiscais, faturas de prestação de serviços e guia de INSS retido se for o caso (20052008); • GFIPs de terceiros com suas respectivas notas fiscais de prestação de serviços (2005 a 2008); • Comprovante da matricula CEI 50.020.11305.72 e sua respectiva CND N° 32717200908001010; Comprovante da matricula CEI 50.015.86504.77 e sua respectivas CNDs n° 64334200908001010, 131552008 08001010, 160482007 08001010; • Livro de inspeção de trabalho; • Alvará de construção n° 000695/2007 (ref. Obra 50.015.86504.77); • Termos de habitese n° 000265/2009, 000271/2007, 000142/2008 (ref.Obra 50.015.86504.77); • Anotações de responsabilidade técnica n° 317010032509, 317340010309, 126930007209 (ref. Obra 50.015.86504.77); • Projeto aprovado de obra de construção civil (ref. Obra 50.015.86504.77); • Arquivos digitais blocos 0K9 e 019 de 2005 a 2008 em CD; • Recibos de entrega e relatório de resumo da validação dos arquivos digitais acima citados de 2005 a 2008; Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 • Livro diário n° 06 jan a dez 2005, 07 jan a ago 2006, 08 set a dez 2008, 09 jan a abr 2007, 10 mai a dez 2007 e 11 jan a dez 2008. • Projeto aprovado de obra de construção civil (ref. 50.020.11305/72); • Termo de habitese n° 000262/2009 (ref. Obra 50.020.11305/72); • Alvará de construção n° 002280/2006 (ref. Obra 50.020.11305/72); • RTs n° 180077909, 20659200609267910, 25691200506833410 (ref. Obra 50.020.11305/72); • Processo trabalhista n° RT 00882200701218000 José Francisco de Assis; • Processo trabalhista n° RT 02100200601118000 Juscelino Nonatosobrinho; • Arquivos digitais blocos 0K9 e 019 de 2005 a 2008 em CD; • Recibos de entrega e relatório de resumo da validação dos arquivos digitais acima citados de 2005 a 2008; • Livros razão 2005 a 2008.” Face ao todo arrazoado, entendo que a Autoridade Autuante dispunha de todos os elementos para proceder a aferição direta de eventuais obrigações inadimplidas . DA JURISPRUDÊNCIA E DA NULIDADE Na forma do abaixo transcrito a jurisprudência do CARF registra que meu entendimento se alinha com aqueles julgados : “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 230101306 do Processo 11618002683200782 de 24/03/2010. assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias período de apuração: 01/11/2001 a 30/12/2005 Desconsideração da contabilidade. pessoa jurídica. aferição indireta, impossibilidade. Necessidade de provas robustas. As razões apresentadas no ato fiscalizatório para a desconsideração da contabilidade devem sempre ser confrontadas com os fatos e provas suficientes para justificar o ato extremo.não constitui ato válido a desconsideração de toda a escrita contábil do contribuinte por mero erro no preenchimento de dados fiscais, principalmente quando presentes as informações e os documentos necessários à análise e compreensão dos demonstrativos da base de cálculo do tributo. Recurso voluntário provido crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004195/201034 Acórdão n.º 2403001.638 S2C4T3 Fl. 10 17 recurso, nos termos do voto vencedor a ser apresentado pelo conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, vencida a relatora que anulava por vício formal. ”( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária , Acórdão n 230101531 do Processo 37322000116200610 , de 09/06/2010 assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias período de apuração 01/95 a 10/05.Desconsideração da contabilidade, aferição indireta, impossibilidade, necessidade de provas robustas.as razões apresentadas no ato fiscalizatório para a desconsideração da contabilidade deve sempre ser confrontada com os fatos concretos, sopesada a gravidade da eventual irregularidade apresentada pelo contribuinte, e sempre acompanhada das provas robustas. O agente do fisco deve evitar desconsiderar a escrita contábil por meros erros que não a prejudiquem em seu conjunto, procurando sempre elementos adicionais que possam evidenciar a base de cálculo do tributo.Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento por vício material. vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendeu se tratar de vício formal.”( grifos de minha autoria) Sobre nulidade, o § 2º art. 59 do Decreto 70.235/1972 determina que : § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. O agente do fisco deve evitar desconsiderar a escrita contábil por erros que não a prejudiquem em seu conjunto. Não se pode olvidar que, a teor da legislação de regência (art. 33 da Lei nº 8.212), o arbitramento somente se justifica diante da absoluta ausência ou imprestabilidade da documentação contábil e fiscal da empresa que caracterizaria rregularidade insanável. Desse modo, à exemplo do caso em comento, quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para EM PRELIMINAR DAR PROVIMENTO às alegações da Recorrente determinando a NULIDADE do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL “AB INITIO” É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.019329/2008-36
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE SANÇÃO. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. NOVA MULTA. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para que a multa seja adequada ao artigo 32-A, I, da Lei 11.941/2009.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE SANÇÃO. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. NOVA MULTA. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para que a multa seja adequada ao artigo 32A, I, da Lei 11.941/2009. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 93 29 /2 00 8- 36 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 2803002.455 S2TE03 Fl. 156 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.178.1566, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 26/11/2008, conforme – Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 23 a 32, recebida, em 26/12/2008, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 33 a 93. A impugnação, considerada tempestiva, fls. 94. A primeira instância exarou o Acórdão nº 0824.124 6ª Turma da DRJ/FOR, em 10/10/2012, fls. 98 a 108, no qual a impugnação foi considerada improcedente. A empresa tomou conhecimento desse decisório, em 27/11/2012, AR, de fls. 113 e 152. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 116, recebida, em 27/12/2012, com as razões recursais, as fls. 117 a 130, acompanhado dos documentos, de fls. 131 a 148, as teses recursais estão assim resumidas. · que o Ato Declaratório Executivo nº 69/2008 de exclusão do simples é nulo, pois sua receita bruta anual mormente no ano de 2004 não ultrapassou o limite legal, mas que a lei estabeleceu exceções para inclusão no SIMPLES entre elas a do artigo 9º, XIII; · que a empresa foi excluída do SIMPLES, pois em seu contrato social consta uma série de serviços que no entender do fisco configura serviços de engenharia, não sendo necessário habilitação profissional de engenharia para realizar os serviços constantes das notas fiscais analisadas, sendo que o Sr. José Anchieta empresário individual é técnico de telefonia inscrito no CREACE, a lei não veda o serviço de técnico; · que o Acórdão ao considerar válido o ADE 69/2008 violou o artigo 84, da Lei 5.194/66, regulamentado pelo RS CONFEA 262/1979; os artigos 1º; 2º e 3º da Lei 9.317/96 e os artigo 96 e 100, I, do CTN Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 2803002.455 S2TE03 Fl. 157 3 · que a decisão do acórdão recorrido não está de acordo com a jurisprudência do STJ, transcreve decisões, demonstrado, assim, a divergência entre os acórdão da DRJ e do STJ, porém em situação fática idêntica, cita decisão do TRF4; · que demonstrada a nulidade do ADE 69/2008 em razão da comprovação dos requisitos para inclusão no sistema SIMPLES, tornase ilegal a obrigatoriedade da escrituração do Diário, nos termos do artigo 7º, § 1º, da Lei 9.317/96; · que o sistema da retenção de 11% sobre notas fiscais ou faturas é incompatível como o sistema SIMPLES e a redução de tributação por ele autorizado, sendo que o STJ no RESP 1.112.467DF julgado nos moldes o artigo 543C do CPC, proclamou a incompatibilidade dos sistemas, asseverando que as empresas do SIMPLES não estão sujeitas a retenção de 11%; · que houve violação aos artigos 97, 108, §1° do CTN, pois a interpretação de norma excepcional deve ser restritiva, não sendo vedado a empresa estar no simples, pois esta não exerce atividade que exige profissional habilitado, sendo vedado exigir tributo por analogia, bem como não cedendo a empresa mão de obra não pode sujeitarse a retenção. · Por fim, a recorrente requer e pede: a) acolhimento do recurso com a reforma da decisão a quo; b) declaração de insubsistência do auto de infração. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, fls. 151 e 154. Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 154. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 2803002.455 S2TE03 Fl. 158 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Ato Declaratório Executivo Nº 69/2008 não está em discussão nestes autos este ato foi discutido nos autos do processo 10380.017769/200859 e foi julgado regular pela primeira instância e pelo CARF estando, hoje, arquivado no Arquivo Geral da SAMFCE, desde 19/12/2012, conforme consulta COMPROT realizada nesta data, portanto os motivos da exclusão para este julgamento são irrelevantes. Não está sendo objeto destes autos o ADE 69/2008, pois este já foi discutido em outros autos, cuja a tramitação administrava está concluída e em desfavor do contribuinte, as alegações sobre este e seu direito de permanência no SIMPLES e demais alegações relativas a matéria são impertinentes, por divórcio ideológico. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF A incompatibilidade do sistema SIMPLES com o da retenção de onze por cento é irrelevante ao deslinde do caso, pois não há nos autos exigência relativa a retenção. A multa aplicada nos autos limitase apenas as diferenças de recolhimentos da parte patronal – SAT não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 2803002.455 S2TE03 Fl. 159 5 Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP e de honorários de pessoa física prestadora de serviços – contribuinte individual. Entretanto, necessário se faz devido a nova sistemática de cálculo deste tipo de infração inaugurada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009 que os valores destes autos seja recalculado para adequálo aos limites de multa estipulados no artigo 32A, I, conforme dispõe o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 Posto isto, há razões fáticas e jurídicas para adequação do valor dos autos a novel legislação, não se fazendo comparação desta multa com nenhuma outra norma aplicandose, exclusivamente, a multa estipulada na lei. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento parcial para que a multa seja adequada ao artigo 32A, I, da Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13161.720034/2009-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005
IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE RECEITAS. CUSTOS. COMPRAS NÃO COMPROVADAS
A não comprovação das compras não autoriza o arbitramento do lucro, considerando que a falta de pagamento enseja tão somente a glosa do respectivo valor informado na DIPJ como custo dos bens e serviços vendidos, na proporção em que reduziu o lucro liquido do período de apuração do imposto.
Numero da decisão: 9101-001.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005 IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE RECEITAS. CUSTOS. COMPRAS NÃO COMPROVADAS A não comprovação das compras não autoriza o arbitramento do lucro, considerando que a falta de pagamento enseja tão somente a glosa do respectivo valor informado na DIPJ como custo dos bens e serviços vendidos, na proporção em que reduziu o lucro liquido do período de apuração do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 00 34 /2 00 9- 60 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 14 2 Relatório Adoto, por oportuno, o relatório da decisão a quo: "Cuidase de lançamento de oficio de IRPJ, anos calendário 2004 e 2005, e tributação reflexa da CSLL, do PIS e da COFINS, baseado no arbitramento do lucro das receitas escrituradas no Livro Razão, por entender que a falta de comprovação de pagamento das compras no período, tornouse impossível a apuração dos custos das mercadorias. Conforme Relatório Fiscal (fls. 459/467), iniciado os procedimentos de fiscalização, a Recorrente foi intimada a apresentar cópia do Balanço Patrimonial e do Resultado Econômico, Livro de Registro de Apuração do Lucro Real — LALUR, cópia do contrato social e alterações e a cópia do documento de identidade dos sócios, os quais foram apresentados no dia 16/06/2008 (fls. 8/41). No dia 09/06/2009, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal 001 (fls. 43, v. 1), a fim de solicitar a Recorrente a apresentação i) dos comprovantes de todos os pagamentos realizados a empresa GLOBO AGRÍCOLA, CNPJ 06.048.586/000140, nos anoscalendário de 2004 e 2005, ii) do livro razão e iii) cópia do Ultimo balanço patrimonial elaborado pela empresa. Em resposta, consta que a Recorrente solicitou prorrogação do prazo em 30 dias, para que pudesse atender A. intimação (fls. 45, Vol. I), tendo a autoridade fiscal deferido seu pleito (fls. 46, Vol. I). Transcorrido o prazo concedido, somente foram atendidos os itens "ii” e "iii", sob a justificativa de que o volume de documentos a serem pesquisados eram grandes em face da pequena quantidade de funcionários disponível para o serviço, o que exigiria a concessão de mais 30 dias para seu cumprimento (fls. 48/49, v. 1), o qual foi indeferido pela autoridade fiscal (fls. 50, Vol. I), que providenciou sua reintimação (fls. 52, v. 1). Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal 002 (fls. 54, Vol. I), a autoridade autuante solicitou a Recorrente o extrato de conta corrente e aplicações financeira, e em virtude de seu não atendimento, procedeu sua Fl. 883DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 15 3 reintimação em 09/02/09 (fls. 56, Vol. I), o qual, novamente, não foi atendido. Frente a omissão da Recorrente, configurouse a situação prevista o inciso do art. 33, da Lei 9.430/96, o que autorizou a Requisição de Movimentação Financeira, nos termos do inciso VII, do art. 3 0, do Decreto 3.724/01 (fls. 58/76, Vol. I). Ao final, solicitou a Recorrente, através do Termo de Intimação Fiscal 003 (fls. 77, Vol. I), a apresentação de: i) livro registro de entradas, ii) livro registro de saídas, iii) livro registro de apuração do ICMS, iv) livro diário e v) notas fiscais de entrada das compras realizadas da empresa GLOBO AGRÍCOLA LTDA. — ME, CNPJ 06.048.586/000140, sendo que a apresentação, dos itens i ao iv somente foram atendidas após reintimação fiscal (fls. 79, Vol. I), com total omissão ao item v. Da análise da documentação angariada durante os procedimentos, a fiscalização constatou que a maior fornecedora da Recorrente era à empresa GLOBO AGRÍCOLA LTDA. — ME, CNPJ 06.048.586/000140, que detinha 80% de suas compras, apesar de seu capital integralizado, seus bens e de seus sócios, além de suas Declarações de Renda demonstrarem que ela não possuía capacidade econômica e operacional compatível com o volume das transações comerciais que mantinha com a fiscalizada., conforme cópias do Livro de Registro de Entrada (Anexo I e II do autos). Consta do Relatório Fiscal que, após cotejar o extrato das contas bancárias e aplicações financeiras da Recorrente, fornecidos pelas instituições financeiras por intermédio da Requisição de Movimentação Financeira — RME, com os registros contábeis, foi verificado que a Recorrente não registrou na conta bancos a movimentação financeira ocorrida no anocalendário de 2004, mas apenas três lançamentos dos saldos existentes em conta corrente do Banco Sicredi Centro Sul, Banco Itaú S.A e Banco Sudameris S.A, foram registrados no anocalendário de 2005. As infrações foram descritas e capituladas no Auto de Infração com o seguinte desdobramento: 001 Receita Operacional Omitida (Atividade Não Revenda de Mercadorias Fl. 884DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 16 4 Enquadramento legal: art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 RIR /1999.002 Receita Operacional Omitida (Atividade Não Prestação de Serviços Gerais Enquadramento legal: art. 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR /1999. O contencioso administrativo foi instaurado em 20/07/2009, com a apresentação da Impugnação (fls. 135/232), tendo a Delegacia de Julgamento decidido pela manutenção, em parte, do auto, mas excluindo a multa publicada, da seguinte forma ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFICIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestarse apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA QUALIFICADA DE 150%. DOLO. REQUISITO. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 17 5 A multa qualificada de 150% deve ser aplicada nas hipóteses em que ocorrer fraude, dolo ou simulação, entendidas essas sempre como ações ou omissões dolosas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. BASE DE CÁLCULO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não apresentar os documentos de sua escrituração, notadamente as notas fiscais de entrada necessárias para a comprovação do custo das mercadorias vendidas. Legitimado o arbitramento do lucro, este será determinado pela autoridade lançadora mediante a aplicação dos percentuais fixados nas normas legais específicas sobre a receita bruta conhecida. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. Presentes, no ato de lançamento, os pressupostos legais que autorizam o arbitramento do lucro, não se pode descaracterizálo, na fase de impugnação, em virtude de ter trazido as notas fiscais de com erros comprovantes de pagamento a fornecedor, documentos estes que não foram apresentados à fiscalização, a despeito das diversas oportunidades concedidas para a sua apresentação. Ou seja, inexiste arbitramento condicional, pois o ato de lançamento não é modificável pela posterior alegação de apresentação de documentação, cuja inexistência foi a causa do arbitramento. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Tendo a contribuinte interposto recurso voluntário, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Seção proferiu acórdão, Por unanimidade de votos, negando provimento ao recurso de oficio e, por maioria de votos, dando provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendários: 2004 e 2005 IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE RECEITAS. CUSTOS. COMPRAS NÃO COMPROVADAS. A não comprovação das compras não autoriza o arbitramento do lucro, considerando que a falta de pagamento enseja tão somente a glosa do Fl. 886DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 18 6 respectivo valor informado na DIPJ como custo dos bens e serviços vendidos, na proporção em que reduziu o lucro liquido do período de apuração do imposto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONDUTA DOLOSA NÃO COMPROVADA. Não provado nos autos o evidente intuito de fraude, ou que a conduta dolosa do sujeito passivo não se subsume aos ilícitos de que cuidam os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, não ha motivação para a imposição da multa de oficio qualificada no percentual de 150,0%. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Desqualificada a multa de oficio, a contagem do prazo decadencial se desloca do art. 173, inciso I, do CTN, para a regra inscrita no § 4 0 do art. 150, do CTN, considerandose como dies a quo a data da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições lançados por homologação, cujos pagamentos foram antecipados pelo sujeito passivo. CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida em relação ao lançamento de oficio do IRPJ, se estende As exigências fiscais dele decorrentes, dada a relação direta entre causa e efeito das autuações da CSLL, do PIS e da COFINS.” A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, Às fls. 839, rejeitados pelo despacho de fls. 842. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência, às fls. 851, admitido pelo despacho de fls. 882, alegando, em síntese, que (transcrição em excertos): Cumpre salientar que a falta de apresentação das notas fiscais de entrada e dos comprovantes dos pagamentos a fornecedores já configura, por si só, hipótese que autoriza o arbitramento do lucro, conforme o disposto no art. 47, III, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; No entanto, foram constatadas ainda outras irregularidades que também ensejam a questionada modalidade de lançamento. De fato, a autoridade fiscal averiguou que: a) apesar dos elevados montantes movimentados no período fiscalizado, a contabilidade apresentada pela empresa não registra movimento na conta Bancos; b) conforme os dados do livro Razão apresentado pela contribuinte não existem lançamentos na conta Bancos para o anocalendário 2004 e para o anocalendário 2005, constam apenas três lançamentos, referentes a saldo em contacorrente do Banco Sicredi Centro Sul, Banco Hail S/A e Banco Sudameris S/A (fls. 121/122); c) considerando os lançamentos realizados na conta Caixa, a contabilidade apresentada pela contribuinte não possui qualquer relação com os valores dos extratos bancários. Os pagamentos das compras de mercadorias à vista lançados a crédito da conta Caixa não coincidem com os pagamentos identificados no extrato da contribuinte. Ou seja, a Fl. 887DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 19 7 contabilidade apresentada não possui lastro em documentação hábil e idônea capaz de sustentar os registros contábeis de compras de mercadorias realizadas no período; d) no período fiscalizado a contribuinte registrou no livro Razão, respectivamente, compras de mercadorias no valor de R$ 139.871.369,96 e R$ 80.419.461,40. No anocalendário de 2004 aproximadamente 2% das compras foram a prazo, as demais compras de mercadorias deste ano e a totalidade das compras do anocalendário 2005 foram realizadas à vista; e) corn o escopo de demonstrar a imprestabilidade da contabilidade apresentada pelo contribuinte, foi selecionado para cruzamento com os extratos bancários os pagamentos de compras de mercadorias à vista acima de R$ 1 milhão que, no período fiscalizado, totalizaram 47 pagamentos. Tal amostra totaliza R$177.075.070,35 e representa 82% das compras de mercadorias realizadas A. vista e registradas no livro Razão da contribuinte (fls. 114/120); O a análise dos extratos bancários das contas bancárias da contribuinte demonstra que não houve pagamentos coincidentes em datas e valores com aqueles selecionados para fiscalização. Considerando a movimentação da conta corrente ç do banco Bradesco, ag. 1891, c/c n" 68526, com maior movimento no período fiscalizado, apenas dois pagamentos ultrapassam o valor de R$ 1 milhão, mas estes não coincidem com os créditos na conta Caixa referente ao pagamento das compras de mercadorias à vista. A fiscalização, analisando os livros Razão apresentados, constatou que a contribuinte não contabilizou seus recursos financeiros movimentados nos bancos Bradesco, Sicredi Centro Sul, Itaú S/A e Sudameris. Foi ressaltado no Relatório Fiscal ainda que, nos seus extratos bancários, milhões de reais foram movimentados a débito e a crédito em contas correntes, mas a contribuinte não se justificou satisfatoriamente quanto a essa omissão na sua contabilidade. Assim, em vista de todas as irregularidades acima resumidas, não restou outra alternativa ao auditor fiscal sendo arbitrar o lucro, corn fulcro nos arts. 47, II, da Lei n°8.981/95 e 530, I, II, "a", "b", e III, do RIR/99; Convém citar ainda a legislação pertinente à escrituração contábil e fiscal, que dispõe sobre os meios de prova exigidos, no âmbito dos tributos federais, para que os lançamentos contábeis produzam os efeitos tributário,s que lhes são próprios. 0 art. 251, parágrafo único do RIR/1999; Desse modo, ao contrário do que consta do v. acórdão recorrido, estão presentes os pressupostos que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento do lucro, pois a interessada não apresentou as notas fiscais de compra que dariam amparo aos seus registros contábeis, conquanto tenha sido regularmente intimada e reintimada, e sua escrituração contábil se revela imprestável. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes Relator O recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Regimento do Conselho Administrativos de Recursos Fiscais, e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 20 8 Vistos os argumentos expendidos pela douta Procuradoria, passo à sua apreciação. O presente recurso trata de arbitramentos de lucros por conta da não aceitação da escrita contábil da recorrente. O lançamento ocorreu, em síntese, pela constatação de omissão de receitas de revenda de mercadorias e de prestação de serviços gerais. Na descrição dos fatos, ressaltou a fiscalização que houve arbitramento do lucro nos períodos indicados, tendo em vista que a contribuinte foi intimada a apresentar as notas fiscais de entrada e não atendeu satisfatoriamente à solicitação e, ainda a impossibilidade de identificação da real movimentação financeira da empresa a partir da contabilidade apresentada, conforme devidamente esclarecido no Relatório Fiscal anexado às fls. 459/467. Como relatou o auditor autuante, a contribuinte foi intimada desde o Termo de Intimação Fiscal 001 de 12/09/2008 (fls. 42), da qual tomou ciência em 02/10/2008 (fl. 43), a apresentar os comprovantes de todos , pagamentos realizados à empresa GLOBO AGRÍCOLA CNPJ 06.048.586/000140 nos anoscalendário de 2004 e 2005. Requereu prorrogação de prazo que foi deferida. Pediu nova prorrogação de prazo que foi indeferida por se tratar de documentos de apresentação obrigatória. Em 07/11/2008 o contribuinte atendeu aos itens 2 e 3 da intimação fiscal, mas não apresentou os comprovantes de pagamentos solicitados. A empresa foi reintimada (fls. 51/52). Neste ponto, transcrevo excertos de voto do eminente Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber ( Acórdão no. CSRF/0104.557), que , por elucidativo e brilhante, se encaixa perfeitamente na presente situação: "A autuação ora discutida é idêntica a diversas outras (...), tendo esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferido vários acórdãos a respeito, sempre favoráveis aos contribuintes, face às características do procedimento fiscal, consistente em pouco aprofundamento dos trabalhos de verificação da escrituração e concessão de exíguo prazo para atendimento das intimações fiscais, ou seja, intimações de atendimento inexequível, por determinar, de pronto, atendimento imediato ou prazos em torno de 48 horas ou poucos dias, quando o Regulamento do Imposto de Renda, em diversas passagens, no capítulo da administração do tributo, referese a prazos de 20 (vinte dias) para atendimento das intimações fiscais, em diversas circunstâncias. Já, na jurisprudência administrativa oriunda das oito Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, predomina o entendimento de que o prazo anotado aos contribuintes, especialmente pessoas jurídicas, para atendimento às intimações fiscais há de ser razoável, Fl. 889DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 21 9 trinta, sessenta dias ou mais, sempre em função do grau de dificuldades que o contribuinte por certo enfrentará face à situação de atraso da sua escrituração, caso a caso, num contexto que requer bom senso e serena capacidade de avaliação da autoridade fiscal solicitante, de modo, a somente se utilizar do regime de arbitramento dos lucros numa circunstância de total impossibilidade de se determinar com segurança o lucro real, a partir dos assentamentos contábeis do contribuinte. Existem acórdãos que mencionam o prazo de até seis meses. Isto não significa que durante o prazo fixado, o Fisco deva permanecer inerte à disposição do contribuinte. Certamente, não lhe faltará trabalho fiscal na repartição ou junto a diversos outros contribuintes sob ação fiscal. O que não pode ficar caracterizado nos autos é a concessão de exíguo prazo, de atendimento praticamente impossível, como no caso presente, que já denota o adrede desejo, ou como conseqüência, de se arbitrar os lucros, em que fisco expede uma intimação e, sem maiores investigações já se apresenta com o auto de infração lavrado. A exemplo dos diversos outros julgamentos proferidos por esta Turma da CSRF, em casos análogos, da análise das cópias dos livros Diário e Razão da contribuinte, fls. 33 a 112, apresentados ao fisco em atendimento ao termo de inicio da ação fiscal, verifica se que a escrituração da contribuinte realmente maltrata a boa técnica contábil, algo caracterizado pela utilização de um plano de contas muito fracote, que contabiliza todas as operações somente no último dias do mês, porém verificase que a maior parte dela são individualizadas e outra poucas contabilizadas por valores mensais globais, porém referindose aos livros registros fiscais de entradas e de saídas, onde individualizadas as operações, entretanto sem informação nos autos de que o Fisco os tivessem examinados, no sentido de se constatar ou não a sua confiabilidade como livros auxiliares, à vista dos respectivos comprovantes que instruíram a sua escrituração. Assim, numa primeira abordagem, sem maior aprofundamento das investigações por parte do Fisco, entendo que não se pode desprezar a escrituração da contribuinte, sem ao menos lhe fixar prazo razoável ao saneamento de alguma irregularidade, só procedendo ao arbitramento, posteriormente, diante da constatação da impossibilidade material de a Fl. 890DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 22 10 contribuinte organizar adequadamente a sua escrituração. No caso presente, na impugnação e no recurso voluntário a contribuinte contestou veementemente o procedimento adotado pelo fisco, qual seja, arbitrar os lucros sem dar qualquer oportunidade para que regularizasse as falhas apontadas na contabilidade. Aqui reside a divergência a ser apreciada: se foi correto o procedimento adotado pelo fisco na auditoria para levar a efeito o arbitramento. Não se discute a aplicação do disposto no artigo 399, inciso IV, do RIR/80, propriamente dito, em razão da imprestabilidade da escrita, que foi o motivo fiscal desse procedimento. (...) Os procedimentos adotados pela fiscalização, para fins de arbitramento dos lucros, segundo depreendi dos elementos de convicção presentes nos autos, foram inadequados. (...) A exigência do IRPJ com base no lucro arbitrado tratase de uma exceção. Essa modalidade de apuração da base tributável só deve ser utilizada em casos extremos, demonstrando o fisco a impossibilidade de apuração do lucro real, não só pela falta ou imprestabilidade da escrita, mas também pela inércia do contribuinte quando intimado a regularizála. (...)” Sobre esta conhecida atitude do Fisco, que muitas vezes se utiliza do arbitramento do lucro como uma punição ao contribuinte pela demora na entrega ou regularização da sua documentação, este Conselho já se pronunciou inúmeras vezes, a exemplo dos seguintes acórdãos: Acórdão nº 10808157 do Processo 10280001843200177 IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração.O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líquido do exercício, ajustandoo, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável, não Fl. 891DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 23 11 comportando mais qualquer ajuste. IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO BASE DE CÁLCULO O art. 51, caput, da Lei n.º 8.981/95 determina que a incidência do percentual de arbitramento recairá sobre o somatório das receitas, declaradas e omitidas, quando prescreve que o lucro arbitrado será determinado com base na receita bruta conhecida. JUROS DE MORA E TAXA SELIC Incidem juros de mora e taxa Selic, em relação aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional. PIS COFINS LUCRO ARBITRADO DECORRÊNCIA Princípio de causa e efeito que impõem ao lançamento decorrente, a mesma sorte do principal. Recurso negado. Acórdão nº 10805619 do Processo 103200012319651 IRPJ LUCRO ARBITRADO INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO E DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS O arbitramento não é penalidade, constituindose em técnica de apuração da base tributável, quando inviabilizada a sua quantificação por outros meios, daí ser cabível diante da inexistência da escrituração contábil e da não apresentação das declarações de rendimentos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DECORRÊNCIA Confirmados os pressupostos do arbitramento do lucro no âmbito do IRPJ, impõese a manutenção da exigência lançada por via reflexa, pela estreita relação de causa e efeito. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE LUCRO ARBITRADO DECORRÊNCIA O lucro arbitrado da pessoa jurídica nos meses dos anos de 1993 a 1995, diminuído do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social incidente sobre o lucro, é considerado distribuído aos sócios e tributado exclusivamente na fonte, pela alíquota de 25% (art. 41, § 2º, da Lei nº 8.383/91 e art. 22, § único, da Lei nº 8.541/92) Recurso negado. Acórdão nº 10516546 do Processo 11065003433200411 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO INTERPOSIÇÃO DE PESSOA Reunidos nos autos elementos suficientes à comprovação dos fatos descritos na peça acusatória, há que se manter o lançamento tributário, não sendo necessário que a autoridade fiscal demonstre a total vinculação existente entre os atos praticados por terceiro e o fiscalizado, mas, sim, que sejam trazidos aos autos indícios robustos dessa vinculação, tornando indubitável a relação existente entre um e outro. MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à Fl. 892DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 24 12 tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO ARBITRADO Arbitramento não é penalidade, constitui meio alternativo de apuração da base tributável, aplicável nas hipóteses expressamente estabelecidas pela lei. No caso vertente, em que ficou demonstrado que a contabilidade apresentada pelo contribuinte não reunia condições para apurar o imposto como base no regime a que estava obrigado (LUCRO REAL), é cabível o arbitramento do lucro. Acórdão nº 40104881 do Processo 109350016879501 ARBITRAMENTO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL ATIVIDADE RURAL ESCRITURAÇÃO Tendo em vista que o arbitramento é forma de se apurar resultado e não penalidade, sua aplicação não subsiste quando os comprovantes de receitas e despesas possibilitam conhecer o resultado da atividade, mormente se não informado previamente o contribuinte acerca das razões do arbitramento. Recurso conhecido e provido. Acórdão nº 40104177 do Processo 108200024599654 IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO VERIFICADO COM BASE EM ARBITRAMENTO DE CUSTO DE CONSTRUÇÃO As hipóteses de arbitramento estão definidas no art. 148 do CTN e são apenas duas, a saber: ausência de documentação ou documentação imprestável. Nesta segunda hipótese, cabe ao Fisco comprovar que a documentação apresentada pelo contribuinte não é merecedora de fé, para somente após proceder ao arbitramento. Assim, o arbitramento do custo de construção com base na tabela SINDUSCON não pode ser utilizado como meio de prova para confrontar valores declarados e comprovados pelo contribuinte. A prova indiciária somente é admitida nos casos em que há presunção legal autorizadora. Recurso negado Acórdão nº 40105746 do Processo 153740006589945 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 25 13 ARBITRAMENTO DO LUCRO A desclassificação da escrita para fins de arbitramento do lucro somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real. Recurso improvido. Acórdão nº 40104557 do Processo 139210002189577 IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS O arbitramento de lucros, por desclassificação da escrita contábil, é procedimento extremo. Tal medida deve ser aplicada quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para providenciar a regularização da escrita, concedendose prazo razoável para seu atendimento, deixar de atender à fiscalização. Recurso especial provido. Acórdão nº 40104966 do Processo 108550022289761 IRPJ E IRFONTE ARBITRAMENTO DE LUCROS CABIMENTO A desclassificação da escrita somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real ou presumido. Em caso de roubo, furto, destruição ou extravio de livros, a fiscalização deve intimar o contribuinte a recompor sua escrita, concedendolhe prazo razoável para tanto, tendo em vista que o arbitramento de lucros é uma salvaguarda do crédito tributário que só deve ser utilizada quando não houver condições para que a tributação se faça sobre o lucro real ou presumido. ACORDADOS PARADIGMAS: Acórdão n° 10805.399: "IRPJ LUCRO REAL – ARBITRAMENTO O LUCRO RECEITA CONHECIDA — A desclassificação da escrita somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real. Cabe ao Fisco conceder, por escrito, prazo razoável para a escrituração de livros auxiliares." Acórdão n° 10195.209 "IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO Reiterada e incontroversa é jurisprudência administrativa no sentido que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. Eventuais e pretensas irregularidades formais genéricas apontadas na peça básica, sem demonstrar a ocorrência Fl. 894DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13161.720034/200960 Acórdão n.º 9101001.556 CSRFT1 Fl. 26 14 do efetivo prejuízo para o Fisco, não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros"conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. Eventuais e pretensas irregularidades formais genéricas apontadas na peça básica, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros . Com bem consta do acórdão recorrido, a não comprovação das compras, por si só, não implica o arbitramento do lucro, levandose em consideração que a falta de pagamento enseja tão somente a glosa do respectivo valor informado na DIPJ como custo dos bens e serviços vendidos, na proporção em que reduziu o lucro liquido do período de apuração do imposto. Com base na minha livre convicção de julgador, nos termos preconizados pelo Decreo 70.235/72, considero que as demais irregularidades mencionadas pela fiscalização e reiteradas pelo recurso especial não são suficientes para autorizar o arbitramento. Ademais, o arbitramento não pode ser entendido como penalidade e nem utilizado como tal. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES, Relator Fl. 895DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10855.901985/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.901985/200851 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.246 – 2ª Turma Especial Data 09 de julho de 2013 Assunto CSLL/PERDCOMP Recorrente DIFRAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por considerar pertinente, transcrevo o Relatório da decisão recorrida (fl.60) a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 01 98 5/ 20 08 -5 1 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901985/200851 Resolução nº 1802000.246 S1TE02 Fl. 3 2 PER/Dcomp de n° 08282.24708.270904.1.3.049350, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 4° trimestre de 2003. A contribuinte apresentou quadrosdemonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 4° trimestre de 2003, efetuado em 30/01/2004, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.725, de 26 de novembro de 2010 (fls.59/62), cientificado ao interessado em 07/01/2011 (fl.65). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.59): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/01/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/01/2011, fls.66/67, no qual argúi, em síntese, que: Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901985/200851 Resolução nº 1802000.246 S1TE02 Fl. 4 3 Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 4º trimestre de 2003, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registro de Saídas dos meses de 10/2003, 11/2003 e 12/2003 (fls.69/97). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 08282.24708.270904.1.3.049350 (fls.1/2), transmitido em 27/09/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 2.147,94, código 2372, relativa ao 2º trimestre de 2004, com a utilização de crédito no valor de R$ 5.117,36, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 31/12/2003; Data de Arrecadação: 31/12/2003, Valor: R$ 11.285,13 ). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.03, emitido em 18/07/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito (R$ 11.285,13) foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Consta da decisão recorrida o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado (fls.61/62): ... 0 valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), código de receita: 2372, no valor de R$ 2.021,68, relativo ao quarto trimestre de 2003. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, atinente ao quarto trimestre do anocalendário de 2003, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da divida originariamente declarada, de R$ 33.855,39 para R$ 18.503,31, de modo a delinear o crédito pretendido (fls. 57/58 dos autos). Para melhor elucidação, cabe esclarecer que originariamente a contribuinte apurou, a titulo de CSLL, 4° trimestre de 2003, o montante de R$ 33.855,39, que foram pagos mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13), em 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901985/200851 Resolução nº 1802000.246 S1TE02 Fl. 5 4 Posteriormente, a contribuinte apresentou DCTFretificadora informando que a CSLL devida no 4° trimestre de 2003 seria no montante de R$ 18.503,31, que em três quotas resultaria na cifra de R$ 6.167,77, o que demonstraria, em tese, o valor do crédito utilizado na presente PER/Dcomp,1ª quota, no valor de R$ 5.117,36 (R$ 11.285,13 menos R$ 6.167,77). Depreendese da sucinta alegação da pessoa jurídica expressa no recurso voluntário e demonstrativo (fl.74) que, no 4º trimestre de 2003, sobre parte da receita bruta total no valor de R$ 1.713.268,67 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% em relação à atividade “industrialização por encomenda” (R$ 852.893,75 x 32% x 9% industrialização por encomenda) quando o correto seria o coeficiente de 12% (R$ 852.893,75 x 12% x 9%) como calculado sobre a receita bruta nas atividades comerciais e industriais de acordo com o artigo 22 da Lei nº10.684, de 30/05/2003 que alterou a redação do artigo 20 da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/09/2003 (artigo 29, inciso III Lei nº10.684/2003). Ou seja, sobre a mencionada parte da receita bruta: R$ 852.893,75, apurou CSLL no valor de R$ 24.563,34 (852.893,75 x 32% x 9%) quando o correto seria R$ 9.211,25 (852.893,75 x 12% x 9%), resultando em pagamento a maior na ordem de R$ 15.352,09 (24.563,34 9.211,25) em três quotas de R$ 5.117,36, partindo da premissa que a CSLL total relativa ao 4º trimestre fora paga mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13, em 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Sobre o alegado indébito tributário, vale transcrever o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26 que dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, verbis: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26, de 25 de abril de 2008 DOU de 28.4.2008 – Dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , e o que consta do processo n º 10168.002277/200701, declara: Art. 1 º Para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4 º do Decreto n º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 , observadas as disposições do art. 5 º c/c o art. 7 º do referido decreto. Art. 2 º Fica revogado o ADI RFB n º 20, de 13 de dezembro de 2007 . A Receita Federal revogou uma interpretação dada em dezembro/2007, que resultava em aumento do Imposto de Renda e de CSLL para as empresas que pagam o imposto Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901985/200851 Resolução nº 1802000.246 S1TE02 Fl. 6 5 pelo regime de lucro presumido ou por estimativa. O Ato Declaratório Interpretativo RFB 20/2007, revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB 26/2008, gerou muita controvérsia enquanto esteve vigente, pois aumentava a base de cálculo de 8% para 32% (no caso do IRPJ) e de 12% para 32% (no caso da CSLL) para a maioria das operações de industrialização por encomenda. Pela interpretação anterior, consideravase prestação de serviço, para fins da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) as operações de industrialização por encomenda quando na composição do custo total dos insumos do produto industrializado por encomenda houvesse a preponderância dos custos dos insumos fornecidos pelo encomendante. Com a revogação desta interpretação, a Receita Federal definiu que, para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (adiante reproduzido), observadas as disposições do art. 5º c/c o art. 7º do referido decreto: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento Contraditando os fundamentos da decisão recorrida e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário, Planilha de Calculo da CSLL 4° trimestre/2003; DARFs relativos ao 4° trimestre/2003; Registro de Saídas (Vendas com o código 5101 e 5102 Industrialização por encomenda com código 5124). Apesar da documentação apresentada, não se tem objetivamente conhecido o faturamento do quarto trimestre de 2003, pois, não foram juntadas as notas fiscais tampouco a DIPJ/2004. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901985/200851 Resolução nº 1802000.246 S1TE02 Fl. 7 6 Portanto, não se sabe ao certo qual a receita bruta e o coeficiente aplicado para a presunção da base de cálculo da CSLL do mencionado trimestre declarado na DIPJ/2004. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2003. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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