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Numero do processo: 15374.906809/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.144
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.906809/200831 Recurso nº Resolução nº 330200.144 – 3ª Turma Especial Data 10 de agosto de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BRASIL FILMES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 16/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.906809/200831 Resolução n.º 330200.144 S3TE03 Fl. 2 2 Relatório A matéria a ser analisada no presente processo foi assim resumida pelo relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 15873.49583.280404.1.7.043784 em 28/04/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 15/04/2003, a título de Contribuição para o PIS, atinente ao período de apuração 03/2003, com débito de IRPJ e CSLL, referentes ao período de apuração 4o TRIM. / 2003. Por meio do Despacho Decisório n° 775527885, emitido eletronicamente (fl 09), o Delegado da DERAT, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 29/08/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 11 , na qual alega, em síntese, que todos os lançamentos foram corretamente compensados, com os pagamentos efetuados a maior de PIS, referente ao mês de março de 2003. Aduz que em anexo está enviando a DCTF do 4 o Trimestre de 2003 e a DCTF do I o Trimestre de 2003. A Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro, após analisar os argumentos oferecidos pelo Recorrente, entendeu por bem manter a decisão de não reconhecer o direito creditório pleiteado em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde se reafirma o direito ao crédito pleiteado, fazendo juntar documentos que corroboram seu entendimento. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.906809/200831 Resolução n.º 330200.144 S3TE03 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do relatório produzido pela DRJ o presente processo trata de compensação declarada, cujo crédito utilizado teria sido decorrente de pagamento efetuado a maior no período de apuração 03/2003. Afirma a Recorrente que realizou recolhimento relativo a competência 03/2003, no valor de R$ 9.488,66 e que o valor correto da referida Contribuição seria de R$ 2.157,94, uma vez que alegou ser possuidora de créditos de PIS decorrentes de aquisições de serviços no valor de R$ 7.330,96. A compensação foi indeferida e não houve a homologação da compensação declarada, por despacho decisório emitido eletronicamente, por conta de alegada inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. A DRJ analisou a documentação apresentada e assim se manifestou: Portanto, somente poderão ser utilizados para compensação créditos líquidos e certos do sujeito passivo. O fato de em procedimento de compensação eletrônico (PER/DCOMP), pelo menos em um primeiro momento, bastar a declaração do contribuinte para ser considerado existente e liquido o crédito, não impede, de forma alguma, que ao se dar um tratamento manual e individualizado ao pedido de compensação se faça necessária a efetiva prova do direito creditório. Nem poderia ser de outra forma, uma vez que a atividade administrativa é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, imbuídos deste espírito, passemos a analisar os argumentos do impugnante. Possivelmente a compensação teria sido homologada pelo sistema eletrônico caso o interessado tivesse apresentado uma DCTF retificadora antes da transmissão do PER/DCOMP, mesmo que a redução do débito fosse indevida, por uma brecha no tratamento eletrônico da informação recebida. Entretanto, isto não ocorreu e nos deparamos com uma situação na qual a declaração de compensação passou a receber um tratamento individualizado e manual e não mais eletrônico que era sujeito apenas aos parâmetros inseridos no sistema. Não há nos autos qualquer explicação sobre o porquê da redução do débito relativo a março de 2003 e declarado na DCTF recepcionada em 25/08/2008. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.906809/200831 Resolução n.º 330200.144 S3TE03 Fl. 4 4 (...) No caso em tela, a contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Com o Recurso Voluntário vieram aos autos diversos documentos fiscais que podem comprovar a veracidade das afirmações apresentadas pela Recorrente em seu recurso, e a partir de uma análise inicial, contatouse que a diferença entre o valor recolhido inicialmente e o valor que se entende devido decorreria de utilização de créditos de aquisição de insumos que não haviam sido considerados inicialmente. Por este motivo, tendo por norte o principio da Verdade Material que deve nortear o processo administrativo, entendo por bem converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal preparadora verifique a veracidade das informações prestadas e dos créditos alegados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimandoo se necessário para apresentar informações e documentos complementares. Do resultado desta diligencia deve ser o Recorrente intimado para se manifestar. Alexandre Gomes Fl. 152DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901931/2008-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-006.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configurase a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 31 /2 00 8- 68 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 O Contribuinte transmitiu a DComp nº 26152.19987.090304.1.3.040884,, por meio da qual compensou a importância de R$ 1.333,84, correspondente a pagamento a maior de referente ao período de apuração setembro de 2003. Despacho Decisório eletrônico da DRF/OsascoSPe não homologou a compensação, sob o fundamento de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP'. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) seria titular de um crédito, relativo ao recolhimento de PIS, em razão de ter calculado o tributo com alíquota maior que a realmente devida; b) utilizou esse crédito para compensar a CSLL relativa ao quarto trimestre de 2003; c) o Demonstrativo de Cálculo do PIS do período em referência por si só atesta a legitimidade do PER/DCOMP. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo observado que: a) a DCTF transmitida pela Contribuinte estava vigente b) a DComp indicou um DARF integralmente aproveitado no pagamento de tributo confessado em DCTF, sendo, portanto, inteiramente válidos os fundamentos e a conclusão do Despacho Decisório. c) o procedimento instituído pelo programa PER/DCOMP é um mecanismo eletrônico, a verificação dos dados informados pelo Contribuinte também é realizada eletronicamente, resultando o Despacho Decisório em discussão, que concluiu pela não homologação da compensação, sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que constituiria o crédito declarado, este não foi reconhecido pela Administração porque o respectivo valor havia sido utilizado para a extinção de outros débitos tributários incluídos pelo próprio Contribuinte em DCTF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. INSTRUMENTO E EFEITOS DO PER/DCOMP. A compensação de tributos federais é materializada, desde a edição da Lei n° 10.637/02, que introduziu o parágrafo primeiro ao artigo 74 da Lei 9.430/96, pela entrega do competente PER/DCOMP, ou seja: a compensação se realiza nos termos e nos limites do que foi declarado pelo contribuinte. A própria DCTF que constituiu fundamento do Despacho Decisório Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10882.901931/200868 Acórdão n.º 3803006.971 S3TE03 Fl. 157 3 informava a existência de crédito tributário vinculado ao recolhimento declarado indevido ou a maior no PER/DCOMP. OBRIGAÇÃO DE PROVAR ALEGAÇÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A simples apresentação de declarações, formuladas pelo Contribuinte, mesmo acompanhadas de simples demonstrativos de cálculo, não constituem prova hábil e suficiente para demonstrar a existência do crédito, formalmente declarado pelo próprio Contribuinte. Cientificada da decisão em 8 de novembro de 2012, quintafeira, conforme AR de fl. 31, irresignada, apresentou recurso voluntário em 14 de dezembro de 2012, conforme Solicitação de Juntada de Documentos, segundo documentos de fls. 32/33. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme registro destacado ao final do Relatório neste acórdão, o recurso mostrase intempestivo. . A data final para apresentação do recurso foi 8 de dezembro de 2012, sábado, estendendo o direito de apresentar o recurso para o dia 10 de dezembro de 2012.. Em seu recurso voluntário, datado de 3 de dezembro de 2012, a Recorrente não estampa preliminar de tempestividade, a justificar o extravasamento do seu prazo de defesa. Pelo exporto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003122/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - INEXISTÊNCIA.
Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos, sendo que a espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN, somente exclui as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária.
MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE FORMA ISOLADA. POSSIBILIDADE.
Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa de mora de forma isolada, conforme previsão legal do artigo 43 da Lei nº 9.430/1996.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Leonardo Mussi da Silva, que davam provimento. Designado para proferir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
RODRIGO MINEIRO FERNANDES
Redator designado
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Leonardo Mussi da Silva, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Monteiro Garcia de los Rios.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA - INEXISTÊNCIA. Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos, sendo que a espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN, somente exclui as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária. MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE FORMA ISOLADA. POSSIBILIDADE. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa de mora de forma isolada, conforme previsão legal do artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Leonardo Mussi da Silva, que davam provimento. Designado para proferir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Leonardo Mussi da Silva, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Monteiro Garcia de los Rios.
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Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos, sendo que a espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN, somente exclui as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária. MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE FORMA ISOLADA. POSSIBILIDADE. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa de mora de forma isolada, conforme previsão legal do artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Leonardo Mussi da Silva, que davam provimento. Designado para proferir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. HENRIQUE PINHEIRO TORRES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 31 22 /2 00 7- 14 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 11080.003122/200714 Acórdão n.º 3101001.410 S3C1T1 Fl. 4 2 Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Leonardo Mussi da Silva, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 30 e verso dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator José Paulo Puiatti, nos seguintes termos: “A contribuinte supracitada foi lançada de oficio de multa de mora isolada por ter feito recolhimento de COFINS em atraso sem a respectiva multa de mora nos meses de março a junho e agosto de 2003, bem como de juros de mora isolados no mês de agosto de 2003. Resultou num crédito tributário de R$ 29.324,29, conforme Auto de Infração de fl.05, cientificado em 03/04/2007. A legislação infringida consta de fl.07, compondo o Auto de Infração. Irresignada, a contribuinte questiona a cobrança de multa de mora, pois, somente seriam devidos os juros de mora, sendo a multa de mora excluível pela existência de denúncia espontânea, já que houve o pagamento antes de qualquer procedimento fiscalizatório, nos moldes do art.138 do Código Tributário Nacional. Por sua vez, os juros de mora isolados não seriam exigíveis, pois já teriam sido pagos anteriormente ao lançamento, conforme DARF juntado aos autos.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1025.722 de fls. 30 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXISTÊNCIA. Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos, sendo que a Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 11080.003122/200714 Acórdão n.º 3101001.410 S3C1T1 Fl. 5 3 espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN, somente exclui as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária. PAGAMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO IMPUTAÇÃO CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Havendo pagamento dos juros de mora recolhidos a menor anterior ao lançamento, devese imputálo e cancelar a exigência fiscal respectiva. Impugnação procedente em parte Crédito Tributário Mantido em parte” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho CARF, em fls.39 a 45, onde repete seus argumentos antes apresentados. Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o crédito em questão decorreria do recolhimento espontâneo, porém em atraso de valores de COFINS. Entende a recorrente que em face do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não está sujeita a essa multa. A multa de mora no pagamento de um tributo visa compensar ou indenizar o atraso pela falta de cumprimento de obrigação principal, e deve ser exigida mesmo no caso de recolhimento espontâneo, mas após o prazo fixado na legislação e antes da ação fiscal. Também, que se o recolhimento espontâneo não acarretasse multa de mora, não haveria necessidade de prazo de recolhimento dos tributos, ou seja, após a ocorrência do fato gerador, desde que o contribuinte recolhesse antes da ação fiscal, nunca ficaria sujeito a qualquer multa de mora. Não podemos confundir multa de mora com multa por infração. O Recolhimento do tributo em atraso já implica em mora e não há como corrigir ou voltar o tempo. Na multa por infração, se o contribuinte se antecipar na correção da infração antes da ação fiscal, não há que se falar em multa punitiva. Daí estaremos diante da denúncia espontânea. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 11080.003122/200714 Acórdão n.º 3101001.410 S3C1T1 Fl. 6 4 Entretanto, aqui nesse processo foi lançada de ofício a multa de mora isolada por ter feito recolhimento de COFINS em atraso sem a respectiva multa de mora e em respeito à Súmula CARF nº 31 que dispõe: SÚMULA CARF Nº 31: Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributo recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo de multa de mora, antes do início do procedimento fiscal. Assim, é descabida a multa de mora isolada exigida nesse processo de ofício pela inteligência e respeito a Sumula CARF nº 31. Diante de todo o exposto, voto pelo PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo sido vencida na sessão de julgamento, segue ao conselheiro designado para proferir o voto vencedor. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Voto Vencedor Rodrigo Mineiro Fernandes – redator designado Conforme relatado, trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa de mora isolada, com fundamento nos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96. O artigo 43 trata da possibilidade de exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Já o artigo 61 trata da multa moratória, incidente sobre os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica. No caso apreciado nos autos, o contribuinte efetuou o recolhimento de COFINS em atraso sem a respectiva multa de mora nos meses de março a junho e agosto de 2003, bem como de juros de mora isolados no mês de agosto de 2003. Os juros de mora já foram afastados pelo julgador a quo. A questão da denúncia espontânea alegada pela Recorrente foi apreciada pela i. Relatora, que afastou sua aplicação tendo em vista tratarse de multa moratória, não de multa de ofício. De acordo com os dizeres da i. Relatora, “se o recolhimento espontâneo não acarretasse multa de mora, não haveria necessidade de prazo de recolhimento dos tributos, ou seja, após a ocorrência do fato gerador, desde que o contribuinte recolhesse antes da ação fiscal, nunca ficaria sujeito a qualquer multa de mora”. Os tributos e contribuições administrados pela Receita que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos, sendo que a espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN, somente exclui as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 11080.003122/200714 Acórdão n.º 3101001.410 S3C1T1 Fl. 7 5 Entretanto, ouso divergir de suas conclusões acerca da aplicação da Súmula CARF nº 31 no presente caso. A referida súmula trata do lançamento de multa de oficio isolada exigida sobre os valores de tributo recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo de multa de mora, antes do início do procedimento fiscal, o que não é o caso dos presentes autos. Tratase de lançamento efetuado da multa de mora, exigida de forma isolada, com base no artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Afastar a aplicação de dispositivo legal vigente extrapola a competência deste órgão julgador. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes Conselheiro Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Numero do processo: 10670.722010/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 30/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 30/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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Resolvem os membros do colegiado, resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62A do RICARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 30/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 22 01 0/ 20 11 -2 1 Fl. 20509DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.510 2 Relatório ROTAVI INDUSTRIAL LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o acórdão n° 1248.733 (fls. 20390/20407), de 09/08/2012, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de auto de infração lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para exigência dos tributos, abaixo relacionados, e dos respectivos acréscimos legais (multa de ofício de 112,5% e juros de mora), totalizando o crédito tributário de R$ 47.283.642,86. Período de apuração: anocalendário 2007 Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ............................................... R$ 12.328.112,47 Contribuição p/ o Programa de Integração Social (PIS) ............................. R$ 836.340,89 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) .................................. R$ 1.389.612,63 Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social (COFINS)............. R$ 3.860.035,11 O interessado apresentou, em relação ao anocalendário de 2007, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, onde se observa a opção pelo Lucro Real anual como forma de tributação do IRPJ e da CSLL. No curso do procedimento fiscal, que se iniciou em 19/05/2010, a autoridade lançadora, conforme relatado no termo de constatação e na descrição dos fatos do auto de infração, onde se encontra descrito o enquadramento legal, apurou omissão de receita decorrente da falta de comprovação da origem dos créditos bancários efetuados nas contas correntes do interessado (depósito bancário de origem não comprovada). O IRPJ e a CSLL foram apurados pelos critérios do lucro arbitrado, haja vista que o interessado, regularmente intimado, deixou de apresentar livros e documentos de sua escrituração (art. 530, III do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99). As informações bancárias foram acostadas nas fls. 118/902 e, nas fls. 933/1.023 e 1.049/1.139, foi juntada a relação individualizada dos créditos cuja comprovação da origem foi solicitada ao interessado por intermédios dos termos de intimação de fls. 924/932 e 1.024/1.032 e 1.033/1.048. A recorrente tomou ciência dos lançamentos por via postal em 15/12/2011 (fl. 1.187). Inconformada, a recorrente apresentou impugnação em 16/01/2012 (fs. 1.190/1.232), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJ/RJI, nestes termos: Fl. 20510DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.511 3 Nulidade por inconsistência do auto– o lançamento deve descrever com precisão os fatores que o originaram e os seus sustentáculos, tais como o fato jurídico tributável, a respectiva infração e os valores exigidos;– ao efetuar o lançamento a autoridade lançadora deve observar o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972;– “A ausência de fatores que determinem, com clareza e coerência, o direito creditório invocado pelo Fisco ocasiona erro formal ou material (a depender da omissão) do lançamento, levando, por conseguinte, a nulidade do mesmo”; Erro formal– o erro formal se configura na inconsistência da identificação, pelo Fisco, do montante tomado como base para apuração do lucro arbitrado;– a autoridade lançadora apurou a receita bruta por meio das entradas bancárias, utilizando valores que não teriam sido comprovados referente à suposta diferença entre a movimentação bancária do interessado e as receitas por ele declaradas;– embora a autoridade lançadora sustente que as movimentações financeiras somem R$ 183.625.224,35, os documentos anexados, que serviram de base para o arbitramento, correspondem a R$ 128.667.838,58 (fls. 1.149/1.151); – deste modo, notase que o fisco utiliza dois valores para descrever as suposta divergência entre movimentação bancária do interessado e as receitas declaradas;– o auto de infração não é válido, pois não traz com clareza o valor relativo a incompatibilidade alegada pelo fisco, imprescindível para o contraditório e a ampla defesa do interessado;– conforme se infere da tabela comparativa da receita arbitrada pelo fiscal e a receita apurada nos livros fiscais do interessado, que segue anexa a esta defesa, verificase que a movimentação bancária total no período apurado foi de R$ 128.667.838,58, que seria o valor mais correto para referirse à apuração de movimentação financeira do interessado no anocalendário 2007; Erro material– o objeto social do interessado voltase à produção de ferroliga: compra minérios, produz o ferroliga e efetua a venda deste no mercado interno, bem como para empresas exportadoras – vendas equiparadas à exportação;– a autoridade lançadora não considerou ser o interessado uma empresa industrial e aplicou “a alíquota de 32%, como se prestadora de serviços fosse, quando o certo seria a alíquota de 8%, referente à operação de industrialização”;– o interessado não exerce qualquer das atividades dispostas no inciso III do art. 519 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), que ensejam a aplicação de 32% a título de presunção do lucro, sendo certo que efetua exclusivamente operações de industrialização, que podem ser verificadas também nas notas fiscais de sua emissão, acostadas em anexo a essa impugnação;– o equívoco no enquadramento legal da cobrança evidencia erro material passível de nulidade; Nulidade do procedimento fiscal– a autoridade lançadora não observou por diversas vezes o prazo de sessenta dias entre uma intimação e outra, disposto no § 2o. do art. 7o. do Decreto nº 70.235, de 1972;– transcorrido tal prazo sem nova intimação, verificase a invalidade do procedimento fiscal;– diante da violação do prazo legalmente estabelecido, há que se declarar a invalidade do procedimento fiscal, anulandose o lançamento; Impossibilidade do arbitramento do IRPJ e da CSLL– a autoridade lançadora não considerou os arquivos digitais contendo os respectivos protocolos de validação, tal qual a escrita fiscal regular e Dacon;– o arbitramento de valores encontra seus contornos balizadores no art. 148 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), segundo o qual esse Fl. 20511DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.512 4 procedimento é cabível quando as declarações, esclarecimentos ou os documentos produzidos pelo sujeito passivo forem insuficientes ou duvidosos;– o arbitramento só tem vez e lugar quando se verifica imprestabilidade da escrita fiscal do contribuinte ou quando esta inexistir;– “o interessado possui escrita fiscal regular, incluindose livros contábeis, conforme se verifica da documentação ora anexada, fato este que jamais autorizaria a utilização de arbitramento para o cálculo dos tributos em questão”;– além disso, a autoridade lançadora conhecia a receita bruta da empresa, pois teve acesso aos seus Dacons, que permitiam a obtenção de informações necessárias para o cômputo do IRPJ e da CSLL, sem que fosse necessário o arbitramento;– assim, não merece subsistir o lançamento realizado com base em arbitramento, devendo ser privilegiada a verdade material; Apuração dos valores com base no lucro real– “se fossem consideradas todas as deduções que deveriam ter sido realizadas para apuração dos tributos em tela, tomandose por base o lucro real da Impugnante, se verificaria o valor de R$ 1.260.779,27 (...) como supostamente devido, ou seja, exatos R$ 46.022.863,59 a mais do que a cobrança ora imputada”, conforme planilhas constantes na impugnação (fls. 1.214/1.217); – as despesas utilizadas para a composição das bases calculadas do IR encontramse anexadas à impugnação;– aceitar que se prosperem os autos de infração nas quantias imputadas afronta a razoabilidade e ignorase a verdade material; Inexistência de débito de Pis/Cofins– não foi considerada a existência de créditos de Pis/Cofins decorrentes da nãocumulatividade, que eram de conhecimento da autoridade lançadora, conforme consta nas Dacons entregues;– em observância ao princípio da nãocumulatividade inexiste tributo a pagar, vez que o interessado compensou os créditos ora lançados com créditos idôneos de Pis/Cofins adquiridos em etapas anteriores, os quais restaram comprovados;– as notas fiscais de entrada anexadas aos autos comprovam que os bens adquiridos pelo interessado dão direito ao respectivo crédito de Pis/Cofins, razão pela qual, os valores correspondentes, foram objeto de compensação regular;– dentre os ingressos realizados, podese mencionar: bens para revenda, insumos, energia elétrica, depreciação de ativo imobilizado, entre outros (art. 3o. da Lei nº 10.833, de 2003 e da Lei nº 10.637, de 2002); – além das notas fiscais, juntamse os livros de entrada comprovando a escrituração dos créditos em comento;– os arquivos magnéticos gerados no sistema contábil do interessado e validados pela Receita Federal do Brasil, padrão Sintegra, corroboram o sustentado;– diante da existência de créditos, configurase devida a compensação de Pis/Cofins realizada pelo interessado, não havendo qualquer saldo devedor, razão pela qual não há que se falar em lançamento de ofício; Impossibilidade de arbitramento do Pis e Cofins– ainda que inexistisse crédito de Pis/Cofins a ser compensado, pelas mesmas razões que não pode prosperar o arbitramento do IRPJ e da CSLL, concluise que o mesmo procedimento para lançar de ofício os débitos referidos é dotado de atecnia; Erro na apuração de receita– para o arbitramento e cálculo dos débitos de Pis/Cofins, foi considerado como valor da receita o montante de R$ 128.667.838,58;– ocorre que a autoridade lançadora “deixou de abater os valores referentes aos ingressos, sendo que a quantia de R$ 18.450.969,59 referese, exclusivamente, a meras entradas, as quais não deveriam ser contabilizadas.” Fl. 20512DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.513 5 – a receita comprovada de R$ 110.216.768,99 era de conhecimento da fiscalização, tendo em vista as próprias Dacons juntadas no auto de infração;– consoante se infere das planilhas acostadas em anexo, podese concluir que a receita apurada pela autoridade lançadora “deixou de abater os valores correspondentes aos ingressos, não prevalecendo às exclusões/deduções necessárias”;– assim, não há como prevalecer as cobranças imputadas com base na receita de R$ 128.667.838,58, devendo ser procedidas as devidas deduções e utilizado a receita de R$ 110.216.768,99; Insubsistência da multa– o auto de infração imputou ao interessado a multa de 112,5% fundamentada na ausência de atendimento pelo contribuinte das intimações (art. 44, I, § 2o. da Lei nº 9.430, de 1996); – inexiste dolo ou fraude capazes de fundamentar o percentual mencionado, razão pela qual a multa não pode subsistir;– noutro plano, a referida multa não é cabível nas hipóteses de arbitramento de imposto por falta de documentação necessária, pois o arbitramento já é uma forma de penalidade gravosa ao interessado, o que configura duplo agravamento;– a ausência de apresentação de documentos, uma das razões do arbitramento, não pode ser igualmente utilizada para fundamentar a multa de 112,5%, diante do duplo agravamento de penalidade;– as multas impostas perfazem o montante de R$ 20.715.863,58, aproximadamente metade do valor total do auto de infração, o que viola o princípio da proporcionalidade, da capacidade contributiva, da propriedade, do nãoconfisco, da continuidade do exercício das atividades da empresa, entre outros;– por fim, não pode prevalecer a incidência dos juros sobre multa aplicado no presente auto. O interessado cita ementas de julgados administrativos judiciais, bem como excertos doutrinários, acosta aos autos documentação trazida com a impugnação, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos e encerra requerendo, na ordem: – seja declarada a nulidade dos autos de infração;– seja afastado o arbitramento relativamente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurando se tais tributos com base nos documentos fiscais do interessado, privilegiando a verdade material;– seja corrigida a receita apurada para o arbitramento, bem como para o cálculo do Pis/Cofins, abatendose os valores referentes aos meros ingressos. A 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I / RJ manteve integralmente os lançamentos, proferindo o acórdão n° 1248.733 (fls. 20390/20407), de 09/08/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2007 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. NULIDADE. ESPONTANEIDADE. A inobservância do prazo para a prorrogação válida do procedimento fiscal não dá causa à nulidade do lançamento. Fl. 20513DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.514 6 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos digitais dá causa à majoração da multa de ofício. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora sobre a multa de ofício recolhida após o vencimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. PROCEDIMENTO FISCAL. LIVROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação de livros contábeis e fiscais autoriza o arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVROS E DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO POSTERIOR. CONTENCIOSO. INADMISSIBILIDADE. Não produz efeitos a apresentação de livros e documentos se a ausência destes foi a causa do arbitramento impugnado. ARBITRAMENTO. RECEITA OMITIDA. ATIVIDADE DIVERSIFICADA. PERCENTUAL. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2007 PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE ETAPAS ANTERIORES. LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE. Fl. 20514DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.515 7 As normas de incidência nãocumulativa do Pis e da Cofins são inaplicáveis às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. PIS. COFINS. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/08/2012 (fl. 20412), tendo interposto o presente recurso voluntário em 24/09/2012 (fs. 20415/20468), basicamente repisando as argumentações da impugnação. É o Relatório. Fl. 20515DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.516 8 Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Inicialmente, verificase que o AFRFB solicitou à recorrente que apresentasse informações referentes às movimentações bancárias. A recorrente não apresentou informações referentes às movimentações bancárias, o que levou o AFRFB a requerer diretamente às instituições financeiras, mediante RFM (requisição de informações sobre movimentação financeira) (fls. 81/99). Tais informações foram concedidas pelas instituições financeiras (fls. 118/902). Após, foram requisitadas explicações sobre a origem dos valores depositados. Em razão da ausência de explicações, foi lavrado auto de infração. Vêse, desse modo, que o AFRFB não teria arrecadado as informações necessárias para a lavratura do auto de infração caso não tivesse acesso à movimentação financeira da recorrente. Assim, foi decisiva no desenrolar deste feito a autorização constante nos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual o AFRFB teve acesso, administrativamente, às movimentações financeiras. No âmbito administrativo, releva observar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que Fl. 20516DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.517 9 o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Pois bem. A matéria da qual trata este processo administrativo encontrase sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário n. 601314, com a decisão que segue1: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). 1 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. Fl. 20517DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.518 10 POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida à repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 7147572: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543933: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de 2 DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática. 3 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 20518DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10670.722010/201121 Resolução nº 1302000.227 S1C3T2 Fl. 20.519 11 créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Tenho por certo, assim: que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; que ainda não há decisão definitiva de mérito por parte do Supremo Tribunal Federal; e que recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Ante o exposto, julgo pelo sobrestamento do julgamento do recurso voluntário do presente processo administrativo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Fl. 20519DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 10814.007082/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 12/02/2001
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.022
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 01/01467006, em 12/01/2001, fls. 6/10,no valor de R$ 802,43 O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 40747.88946.060905.1.3.04 8618, cujo extrato está anexado às fls. 146/147, dos autos, transmitida em 06/09/2005. A seguir seguemse os fatos e fundamentações legais sobre o pleito. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924, de 06/01/00; 2068 37, de 27/12/00 e 206838, de 25/01/01, convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Esse benefício consiste na redução de 40 % do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas no Siscomex, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, recolhido tributos a maior que o devido, o contribuinte vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 12/01/2001 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 01/01467006, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 01/09/2005, requereu, fls. 1/2, e pleiteou a restituição do valor que segundo a contribuinte teria recolhido a maior, no referido despacho de importação, no total de R$ 802,43, formulando Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 25, documento comprobatório fornecido pelo Decex/SecexMDIC, de habilitação de duas unidades dessa Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007082/200515 Acórdão n.º 3102001.022 S3C1T2 Fl. 2 3 empresa, para fins de fruição do benefício instituído pela Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000 (MP Nº 1.93924/2000, art. 5º). O processo teve seu exame inicial na Inspetoria da Receita Federal em São Paulo IRF/SP, para revisão aduaneira e eventual retificação dessa Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da IN SRF nº 680/2006, o contribuinte foi intimado a comprovar que era detentor das certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) na data de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, (Decreto nº 91.030/1985), combinado com o artigo 60 da Lei n 9.069/1995, a autoridade aduaneira entendeu que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada declaração de importação, para o pleito de redução pretendida, e que a comprovação deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando o disposto no art. 37, da Lei nº 9.784/99. Desse modo, ao final, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação nº 01/01467006,, em 12/02/2001, fls. 6/9, conforme Despacho Decisório da IRF/SPO, proferido em 04/10/2007, v. fls. 61/62. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho, encaminhado ao InspetorChefe da IRF/SP, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso sob exame.. 01 Argumentou que a Lei inº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 112/116, Despacho Decisório IRF/SPO nº 015/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado o Parecer/DIANA/SRRF08, de 14/04/2009, fls. 117/118, cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. ......................................................... Entretanto não há amparo legal para nova apreciação do assunto, já que a esfera administrativa se esgotou na decisão do InspetorChefe, conforme se conclui do parágrafo 4º do artigo da IN SRF nº 680/2006, acima transcrito.” (grifei) PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento de seu pleito quanto à retificação da DI, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte, nos termos do artigo 58 da IN RFB nº 900/2008, foi a apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e conseqüências. Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007082/200515 Acórdão n.º 3102001.022 S3C1T2 Fl. 3 5 devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório, fls. 120/122, Despacho Decisório IRF/SPO nº 79/09, de 18 / 06 / 2009. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER/DCOMP nº 40747.88946.060905.1.3.048618, cujo extrato encontrase anexado às fls 146/147 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 36/2010,de 18 de janeiro de 2010, fls. 150/152. Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 125/139 e 154/169, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 A Lei nº 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao Secex). 02 Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei nº 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei nº 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei nº 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei nº 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CND (Certidão Negativa de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 125/139 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CND (Certidão Negativa de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PELA REDUÇÃO DA LEI Nº 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO PELA NÃO COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, conforme art. 165 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), não cabe a restituição de tributos, nem a compensação de tributos requerida, pois o não reconhecimento do direito creditório implica em nãohomologação do pleito de compensação. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE CND NO ATO DO DESPACHO ADUANEIRO DA MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, conforme disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069/1995, no ato do despacho aduaneiro da mercadoria, quando do registro da declaração de importação, o que não ocorreu no caso, inviabilizando o direito ao benefício e o reconhecimento do crédito tributário requerido. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007082/200515 Acórdão n.º 3102001.022 S3C1T2 Fl. 4 7 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69)3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007082/200515 Acórdão n.º 3102001.022 S3C1T2 Fl. 5 9 Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13811.000170/2001-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS.
Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
Numero da decisão: 3102-01.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Ségio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Nome do relator: Paulo Sergio Celani
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RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃOCONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtorexportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas nãocontribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Ségio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Almeida Filho – Redator Designado EDITADO EM: 17/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. “Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do créditopresumido do IPI e homologou parcialmente as compensações declaradas. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar refere se ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9363/96 e na Portaria MF nº 38/97, no montante de R$ 2.169.359,35 (R$ 1.636.074,19 de crédito e R$ 533.285,16 de juros), relativo ao 1º trimestres de 1999, a ser aproveitado em compensações com débitos da própria empresa. O pleito foi deferido parcialmente, no montante de R$ 258.751,32 em razão da exclusão, no cálculo do crédito presumido, das compras de mercadorias de pessoas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS; de insumos importados e de valores referentes à energia elétrica e combustíveis, além de negar a correção monetárias dos valores, por falta de amparo legal. Regularmente cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alegou ser ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, conforme sua análise da legislação, o entendimento dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes citados, sendo que a jurisprudência também demonstraria o direito à atualização dos valores pleiteados. Protestou também contra a exclusão dos custos de energia elétrica e combustíveis, alegando que estão abrangidos pelo conceito de matériaprima e produto intermediário, pois, embora não se integrem ao novo produto, foram consumidos no processo de industrialização, entendimento, inclusive, conformado pela legislação do ICMS. Por fim, solicitou o deferimento integral do pedido de ressarcimento e a homologação de todas as declarações de compensação a ele vinculadas.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000170/200181 Acórdão n.º 310201.042 S3C1T2 Fl. 692 3 A manifestação de inconformidade foi deferida em parte pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” Quanto à parte indeferida, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 4 O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. A lei nº 9.363/96, que instituiu o benefício pleiteado pela recorrente, traz, entre outras, as seguintes disposições: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(Realcei e sublinhei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.(Destaquei) § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Vejase que a lei restringe sim quais empresas farão jus ao crédito e quais operações o ensejarão, de modo que o benefício será dispensado apenas às empresas produtoras e, apenas, como ressarcimento da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP1 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de produto exportado. 1 As leis complementares citadas no art. 1º da Lei nº 9.363/96 tratam da instituição destas contribuições. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000170/200181 Acórdão n.º 310201.042 S3C1T2 Fl. 693 5 Logo, as aquisições de produtos pela produtoraexportadora que não tenham sofrido a incidência das citadas contribuições nestas operações de aquisição não estão entre aquelas para as quais a lei atribuiu o benefício. É o caso de aquisições de pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes. Notese que não é preciso recorrer à Instrução Normativa SRF n.º 23/97 para tal conclusão, o que implica não ser relevante para este julgamento a alegaçãos de que esta norma seria ilegal. Apesar de o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 993.164, representativo de controvérsia, ter decidido que a IN SRF n.º 23/97 é ilegal, tal decisão também não socorre a recorrente. Isto porque, por força do art. 26A do Decreto n.º 70253/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, é vedado aos órgãos julgadores do processo administrativo fiscal afastar ou deixar de observar lei, o que não se aplica apenas nas hipóteses previstas no parágrafo 6o. do mesmo artigo, as quais não ocorreram. E, além disso, não se aplica ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque a decisão do STJ ainda não transitou em julgado, logo, não é definitiva. Quanto a energia elétrica e combustíveis, não merece acolhida alegação de que não podem ser excluídos, porque a legislação do IPI permitiria que se incluíssem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário todos os insumos consumidos no processo de industrialização, ressalvandose, apenas, os compreendidos entre os bens do ativo permanente. A lei n.º 9.363/96 exige que a empresa beneficiária seja produtora e que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sejam obtidos, subsidiariamente, da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Uma vez que ela própria não apresenta tais conceitos, a aplicação subsidiária da legislação do IPI se torna relevante. Mais do que subsidiária, ela é fundamental. No julgamento do recurso especial 1.075.508, também submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o STJ, interpretando a legislação do IPI, especialmente, o art. 164, I, do Decreto nº 4.544/20022 e o art. 147, I, do Decreto nº 2.637/983, decidiu que a aquisição de bens que integrem o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporem ao produto final ou cujo desgaste não ocorra imediatamente e integralmente no processo de industrialização não gera direito a crédito do imposto. Esta decisão transitou em julgado em 23/11/2009, logo, por determinação do art. 62A do RICARF, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por seu turno, após enfrentar vários casos versando sobre o que estaria compreendido nos conceitos de matériaprima e produtos intermediários, os antigos Conselhos 2 Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002). 3 Norma que alterou o Regulamento do IPI de 1985 (RIPI/85), vigente à época dos fatos deste processo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 6 de Contribuintes e o CARF firmaram entendimento segundo o qual para assim serem considerados, matériasprimas e produtos intermediários, os bens deveriam ser consumidos em contato direto com o produto obtido e exportado. Esta conclusão se extrai da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória pelos membros deste órgão colegiado, por força do art. 72, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009, assim redigido: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.”[Destaquei.] Este entendimento também se confirma – e não é contraditado, como se poderia asseverar , pelo fato de que outra lei, a de n.º 10.276, de 2001, conversão da MP n.º 2.202/01, passou a permitir, expressamente, apenas para aqueles que utilizassem forma alternativa para o cálculo do crédito, prevista na própria lei, a inclusão neste cálculo dos custos com aquisição de energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e dos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, apenas na hipótese de o encomendante ser o contribuinte do IPI. Observese que, ao introduzir os termos “energia elétrica”, “combustíveis” e “prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” por meio da locução “bem assim”, a lei deixou claro que energia elétrica, combustíveis e serviços decorrentes de industrialização por encomenda não são matériasprimas ou produtos intermediários, ainda que componham o custo de produção. Notese, também, que o fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme o cálculo autorizado por esta lei é diferente do fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme permissão dada pela Lei n.º 9.363/96. E, além disso, outras limitações foram impostas para os casos em que a forma de cálculo alternativa prevista na Lei n.º 10.276/01 pudesse ser utilizada. Cito trechos desta lei:: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000170/200181 Acórdão n.º 310201.042 S3C1T2 Fl. 694 7 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7o Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6o, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. O aproveitamento desses gastos só abrange períodos a partir do 4º trimestre de 2001 e restringese aos contribuintes que optarem pela sistemática do regime alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Portanto, no caso em discussão, em que a contribuinte não se enquadrou na Lei n.º 10.270/01, os bens não consumidos em contado direto com o produto obtido, porque não se incluem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não dão direito ao crédito de IPI. Quanto à aplicação da Taxa Selic para fins de atualização do ressarcimento, destaquese que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 8 indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Conforme já observou a relatora do acórdão recorrido, não se pode dizer que tal benefício equivale a uma restituição de indébito tributário, porque não houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, não se tratando de restituição de indébito, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. E uma vez que, por força do princípio da legalidade, não pode a Administração Fazendária aplicar a estes créditos acréscimos a título de atualização monetária ou de juros, também neste ponto os argumentos da recorrente não devem ser acolhidos. Porém, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847, também representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, entendo que os casos de solicitação de crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devam ser corrigidos a partir da data em que ficar caracterizada oposição pela Administração Fazendária. No caso sob discussão, por entender que as aquisições que a recorrente pretende sejam consideradas para fins de inclusão no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n.º 9.363/96 não estão amparadas na própria lei, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando, por conseguinte, prejudicada eventual atualização. Paulo Sergio Celani Relator Voto Vencedor Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Redator designado . Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o crédito presumido de IPI com base na lei nº 9.363/1997 teve seu crédito parcialmente reconhecido. Dentre os valores glosados se encontram aqueles referentes às aquisições de pessoa física não contribuintes da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, matéria sobre a qual se restringe nossa análise. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º4 que empresa produtora e exportadora de 4 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000170/200181 Acórdão n.º 310201.042 S3C1T2 Fl. 695 9 mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas. produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. De acordo com art. 6º da mesma lei, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda expedir as instruções necessárias para atender a lei, o que foi atendido através da portaria nº 38/97, a qual autorizou o Secretário da Receita Federal apresentar normas complementares. Neste contexto foi expedida a instrução normativa nº 23/97, revogada pela nº 313/2003 posteriormente revogada pela nº 419/2004, restringindo a dedução do crédito presumido do IPI, às empresas produtoras e exportadores de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Percebese que a instrução normativa ao impor restrições a lei nº 9.363/96 ultrapassa seu limites, pois excluiu da base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pela COFINS e pelo PIS/PASEP. Sabese que a competência administrativa de julgamento deste Conselho Tributário apenas encontra limite quando do reconhecimento de situações de inconstitucionalidade, por vedação expressa do art. 62 do regimento do CARF, não havendo óbice para aplicação do direito nos demais casos, mesmo que acha a necessidade do afastamento de normas administrativas em face da lei em vigor. A aplicação da instrução normativa em detrimento da lei não é capaz de ocorrer, pois a instrução normativa não tem o condão de reformar lei ordinária, o contrario sim, seria possível, conforme demonstram os ensinamentos do renomado Professor Gabriel Ivo, em sua obra “Norma Jurídica Produção e Controle”: 2.6.1.4 A revogação expressa e instrumentos normativos distintos. A revogação pode ocorrer entre instrumentos introdutores de normas diversos. Um instrumento normativo de hierarquia superior, que fundamente a validade do inferior, pode revogar uma espécie normativa que se encontre em patamar inferior. ...Assim, um instrumento superior pode modificar qualquer outra norma jurídica que emane de um instrumento normativo de hierarquia inferior. A força passiva consiste na capacidade de cada instrumento introdutor de resistir em face de outros instrumentos de hierarquia inferior. Uma norma jurídica somente pode ser modificada por uma norma jurídica que emane de um instrumento normativo superior ou igual, em face do critério cronológico.5 Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 5 IVO, Gabriel. In: Norma jurídica: produção e controle. São Paulo: Noeses, 2006. 97/98 p. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 10 Quanto ao tema o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 993.164 entendeu que: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000170/200181 Acórdão n.º 310201.042 S3C1T2 Fl. 696 11 complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 12 Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.000170/200181 Acórdão n.º 310201.042 S3C1T2 Fl. 697 13 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale ressaltar, apesar da transcrição acima,. que o recurso especial citado foi submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, entretanto a decisão ainda não é definitiva. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos oriundos de aquisições a não contribuintes do PIS e da COFINS, os quais deverão ser corrigidos a partir da data da ciência do despacho decisório. Sala de sessões 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10907.001168/2005-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE.ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA.
É vedado à esfera administrativa a análise da inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional a teor do disposto na Súmula CARF n. 02.
INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. "BIG BAG".
A teor do que determina a jurisprudência desse CARF, o custo com embalagens quaisquer que seja a embalagem: utilizada para o transporte ou para embalar o produto, para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES DE PRODUTOS EM ESTÁGIO DE INDUSTRIALIZAÇÃO E PEDÁGIO.
Por se tratar de custo essencial à etapa de produção, é admitida a utilização dos créditos decorrentes dos fretes de produtos ainda em estágio de industrialização, eis que essencial esse deslocamento para o processo produtivo da empresa.
CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA PARA ENTREGA FUTURA.
O fato de a mercadoria não ter sido entregue no momento do pagamento não altera o registro e o recolhimento da exação, razão pela qual entendo que é nesse momento (do efetivo pagamento com retenção do imposto) que se configura o direito ao aproveitamento do crédito.
ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL.
Para as empresas que estejam submetidas a apenas uma sistemática de apuração do PIS e da COFINS, a regra para o critério do rateio deve ser o que restou estabelecido no art. 6º. e seus parágrafos da Lei n. 10.833/2003. Nesse sentido o cálculo deve ser realizado da seguinte forma: (1) Confronto entre os débitos do mercado interno com os créditos do mercado interno; (2) Havendo excesso de débitos sobre os créditos nas operações do mercado interno, deve-se utilizar os créditos do mercado externo; (3) Havendo excesso de créditos sobre os débitos (mercado interno), esse crédito somado ao crédito das operações do mercado externo.
RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC.
Art. 62-A do RICARF - Jurisprudência pacificada no âmbito do STJ, em sede de Recurso Repetitivo - RESP 993164 - Incidência da SELIC a partir do protocolo do pedido. Recurso provido nessa parte.
Numero da decisão: 3301-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relator.
EDITADO EM: 05/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Monica Elisa de Lima, Andrada Marcio Canuto Natal , Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas. (Relatora),
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE.ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. É vedado à esfera administrativa a análise da inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional a teor do disposto na Súmula CARF n. 02. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. "BIG BAG". A teor do que determina a jurisprudência desse CARF, o custo com embalagens quaisquer que seja a embalagem: utilizada para o transporte ou para embalar o produto, para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES DE PRODUTOS EM ESTÁGIO DE INDUSTRIALIZAÇÃO E PEDÁGIO. Por se tratar de custo essencial à etapa de produção, é admitida a utilização dos créditos decorrentes dos fretes de produtos ainda em estágio de industrialização, eis que essencial esse deslocamento para o processo produtivo da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA PARA ENTREGA FUTURA. O fato de a mercadoria não ter sido entregue no momento do pagamento não altera o registro e o recolhimento da exação, razão pela qual entendo que é nesse momento (do efetivo pagamento com retenção do imposto) que se configura o direito ao aproveitamento do crédito. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. Para as empresas que estejam submetidas a apenas uma sistemática de apuração do PIS e da COFINS, a regra para o critério do rateio deve ser o que restou estabelecido no art. 6º. e seus parágrafos da Lei n. 10.833/2003. Nesse sentido o cálculo deve ser realizado da seguinte forma: (1) Confronto entre os débitos do mercado interno com os créditos do mercado interno; (2) Havendo excesso de débitos sobre os créditos nas operações do mercado interno, deve-se utilizar os créditos do mercado externo; (3) Havendo excesso de créditos sobre os débitos (mercado interno), esse crédito somado ao crédito das operações do mercado externo. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. Art. 62-A do RICARF - Jurisprudência pacificada no âmbito do STJ, em sede de Recurso Repetitivo - RESP 993164 - Incidência da SELIC a partir do protocolo do pedido. Recurso provido nessa parte.
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ESFERA ADMINISTRATIVA. É vedado à esfera administrativa a análise da inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional a teor do disposto na Súmula CARF n. 02. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. "BIG BAG". A teor do que determina a jurisprudência desse CARF, o custo com embalagens quaisquer que seja a embalagem: utilizada para o transporte ou para embalar o produto, para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES DE PRODUTOS EM ESTÁGIO DE INDUSTRIALIZAÇÃO E PEDÁGIO. Por se tratar de custo essencial à etapa de produção, é admitida a utilização dos créditos decorrentes dos fretes de produtos ainda em estágio de industrialização, eis que essencial esse deslocamento para o processo produtivo da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA PARA ENTREGA FUTURA. O fato de a mercadoria não ter sido entregue no momento do pagamento não altera o registro e o recolhimento da exação, razão pela qual entendo que é nesse momento (do efetivo pagamento com retenção do imposto) que se configura o direito ao aproveitamento do crédito. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 11 68 /2 00 5- 03 Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Para as empresas que estejam submetidas a apenas uma sistemática de apuração do PIS e da COFINS, a regra para o critério do rateio deve ser o que restou estabelecido no art. 6º. e seus parágrafos da Lei n. 10.833/2003. Nesse sentido o cálculo deve ser realizado da seguinte forma: (1) Confronto entre os débitos do mercado interno com os créditos do mercado interno; (2) Havendo excesso de débitos sobre os créditos nas operações do mercado interno, deve se utilizar os créditos do mercado externo; (3) Havendo excesso de créditos sobre os débitos (mercado interno), esse crédito somado ao crédito das operações do mercado externo. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. Art. 62A do RICARF Jurisprudência pacificada no âmbito do STJ, em sede de Recurso Repetitivo RESP 993164 Incidência da SELIC a partir do protocolo do pedido. Recurso provido nessa parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relator. EDITADO EM: 05/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Monica Elisa de Lima, Andrada Marcio Canuto Natal , Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas. (Relatora), Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins no regime não cumulativo, decorrentes de operações com o mercado externo, relativos ao terceiro trimestre de 2004, no montante de R$ 36.805.987,70 com Pedidos de Compensação de débitos de IRPJ no valor de R$ 13.012.657,62. O pedido formulado foi deferido em parte e a Declaração de Compensação foi homologada parcialmente, tendo sido reconhecido ao recorrente o direito creditório no valor de R$ 2.226.610,42, sendo R$ 1.408.376,19 a título de mercado interno, estes passíveis de compensação somente com débitos da própria Cofins, e R$ 818.234,22, a título de mercado externo. A compensação foi homologada no limite do valor reconhecido a título de mercado externo. Em contrapartida, entendeu por bem a D. Delegacia de origem em glozar algumas aquisições de alguns insumos fornecidos pela empresa Ovetril Óleos Vegetais Ltda, por entender que tais operações se enquadrariam na definição de venda a empresa comercial exportadora. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10907.001168/200503 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 3 3 Irresignado, o contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, mediante o qual questionou os seguintes pontos, muito bem resumidos no relatório de fls. 1412/1415: (...) o indeferimento não está de acordo com a legislação vigente, contrariando, em vários aspectos, o entendimento da doutrina e do Conselho de Contribuintes, e que o indeferimento parcial se funda em atos e dispositivos infralegais, em sua grande maioria posterior ao período de ocorrência dos fatos geradores. (...) a legislação que rege a matéria, vigente à época dos fatos geradores, é a Lei n° 10.833, de 2003, que foi base de seu pedido de ressarcimento, ao passo que a verificação fiscal foi realizada com suporte em dispositivos hierarquicamente inferiores, alguns inclusive editados ou instituídos posteriormente, a exemplo da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. (...)o objetivo da instituição da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, que seria o de evitar a sobreposição de incidência em relação à mesma base, afastando a chamada "tributação em cascata", como forma de desonerar o setor produtivo brasileiro; reproduz trechos da Exposição de Motivos da Medida Provisória n" 66, de 29 de agosto de 2002, dela destacando a menção à cobrança sobre o "valor agregado"; e lembra que a Emenda Constitucional n° 42, de 19 de dezembro de 2003, que incluiu o § 12 ao art. 195 da Constituição Federal, elevou a não cumulatividade do PIS c da Cofins a nível constitucional, observando que, em análise mais rigorosa, nas próprias leis há ofensa à Constituição, por desrespeito ao princípio da nãocumulatividade, considerando que não ficou autorizado ao legislador restringir a aplicação do princípio, mas apenas definir quais seriam os setores da atividade econômica. (...) a questão central da discussão do presente pedido de ressarcimento é o direito ao creditamento do PIS nas diversas aquisições de bens e serviços, bem assim a relação percentual dos créditos com as operações voltadas ao mercado externo. (...) os critérios adotados pelo fisco, que diz trabalhar com a idéia de que se o bem adquirido não se enquadra no conceito de insumo, também não o poderá como mercadoria. Argúi, em contrapartida, que atua na industrialização, comercialização e prestação de serviços, não havendo aquisição alguma, ressalvados os investimentos, que não sejam utilizados como insumos ou na comercialização, pelo que entende que sempre darão direito a crédito, concluindo que as aquisições de bens e serviços de pessoas jurídicas, sejam destinadas à industrialização ou à comercialização, sempre darão direito ao crédito. Nesse sentido, salienta a necessidade de as interpretações e os critérios baseados em dispositivos infralegais respeitarem os limites estabelecidos pela lei, não podendo reduzir, limitar ou extinguir direitos. (...) discorre extensamente sobre o princípio da legalidade, ilustrando seus argumentos com transcrições de doutrina, para concluir que os dispositivos normativos utilizados na análise fiscal impõem restrições e limitações ao crédito não previsto na Lei n" 10.833, de 2003, além de alguns deles serem posteriores aos fatos geradores, incorrendo em ofensa ao princípio invocado. Especificamente, alega que a Instrução Normativa SRF n" 600, de Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 2005, e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15, de 22 de dezembro de 2005, padecem de ilegalidade e inconstitucionalidade. A seguir discorre extensamente sobre o princípio da legalidade, ilustrando seus argumentos com transcrições de doutrina, para concluir que os dispositivos normativos utilizados na análise fiscal impõem restrições e limitações ao crédito não previsto na Lei n" 10.833, de 2003, além de alguns deles serem posteriores aos fatos geradores, incorrendo em ofensa ao princípio invocado. Especificamente, alega que a Instrução Normativa SRF n" 600, de 2005, e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15, de 22 de dezembro de 2005, padecem de ilegalidade e inconstitucionalidade. No tocante às "aquisições consideradas compras para exportação , questiona o critério adotado, que diz ter se baseado (item 18 do despacho decisório) apenas no CFOP — Código Fiscal das Operações e Prestações. Argumenta que, nos seus registros, foi utilizado o CFOP 1.101, por se tratarem de aquisições de mercadorias para comercialização no mercado interno, e que a consignação dos CFOP nas notas fiscais, por ocasião da emissão, não é fator determinante do direito ao crédito. Exemplifica com as notas fiscais de fls. 777/778, sugerindo que é evidente que não se exporta lenha ou resíduo de soja. Acrescenta que deve ser ainda observado o tratamento tributário aplicado às vendas em questão pelos fornecedores e, nesse aspecto, diz estar demonstrando que as contribuições foram recolhidas, o que comprovaria que não se tratam de operações destinadas exclusivamente ao mercado externo, exceto quanto às notas fiscais 9522 e 9519 da empresa Agroindustrial Maringá Ltda. e em relação à nota fiscal n° 928 da Agropecuária Morocó Ltda, que não sofreram a incidência da Cofins e do PIS. Suscita, pelo exposto, incorreção no item 20 do despacho decisório. Em relação às aquisições de embalagem para adubo" do tipo "bigbag", argui que o § 5" do art. 66 da Instrução Normativa SRF if 247, de 2002, mencionado pelo fisco, ao definir "insumos", não faz diferenciação quanto à espécie de embalagem a que se refere. Cita trecho do Parecer Normativo CST n" 248, de 4 de outubro de 1972, a respeito de insumos e material de embalagem, e questiona o fato de serem aceitas as embalagens de adubo de 50 kg (NF fi. 695) e glosado o crédito sobre aquisições das mesmas embalagens. mas para 1.000 kg. Quanto aos créditos de serviços utilizados corno insumos", especificamente no que se refere a "créditos de fretes e pedágio, narra que a Lei n° 10.833, de 2003, foi explícita (art. 30, IX) em relação ao direito de crédito dos fretes nas operações de venda, não o fazendo da mesma forma quanto aos fretes nas aquisições e outras operações por ser óbvio que, nessas hipóteses, tratase de custo dos insumos e mercadorias. Quanto aos fretes de transferência de produtos, cita também "Soluções de Consulta" que admitem o direito de crédito no caso de se tratarem de produtos em fase de industrialização. Discorda, no entanto, quanto à nãoextensão aos produtos acabados, sob o argumento de que, não obstante possa a transferência ocorrer por várias razões, todas representam custos dos produtos, devendo gerar direito de crédito de PIS e Cofins. Observa que o motivo do fisco para não reconhecer o crédito é a falta de previsão legal, porém na hipótese de frete pago na compra de insumos, mesmo sem haver previsão legal, há o reconhecimento do direito de crédito. No que concerne a valores pagos a título de pedágio, cita Solução de Consulta que os admite como insumos. Quanto aos fretes pagos na aquisição de fertilizantes sujeitos à alíquota zero, cujos créditos não foram admitidos por essa razão, cita o art. 16 da Medida Provisória n° 206, de 2004, e alega que o fato de a operação seguinte ser isenta, não sofrer a incidência ou ter alíquota zero não impede a manutenção do crédito. Diz que são Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10907.001168/200503 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 4 5 distintas as operações de aquisição de mercadoria e de aquisição de serviço de frete, inclusive sob pena de estar sendo aplicado o regime cumulativo, uma vez que o prestador de serviços de transporte pagou as contribuições. Em relação ao crédito presumido das "aquisições de matériasprimas para recebimento futuro", questiona o tratamento dado aos valores contabilizados com CFOP 1.922, excluídos ao argumento de que a propriedade de bens móveis se dá pela tradição. Aduz, em contrapartida, que a incidência da contribuição, a teor do art. 1" da Lei n" 10.833, de 2003, ocorre independentemente da denominação ou da classificação contábil dada à receita, devendo a aquisição ser analisada com o mesmo critério. Destaca que há incoerência por parte da autoridade administrativa, uma vez que nas devoluções realizadas em agosto e setembro de 2004, que também se referiam a vendas para entrega futura, o fisco aceitou o pagamento com base no faturamento, não questionando se havia ou não sido realizada a entrega das mercadorias. Para corroborar seu argumento, cita jurisprudência administrativa e Solução de Consulta (essa quanto ao momento da retenção de que trata o art. 34 da Lei n° 10.833, de 2003) em caso de "vendas para entrega futura. Entende ser possível o ressarcimento ou a compensação do crédito presumido previsto nos arts. 8" e 15 da Lei n" 10.925, de 2004, também a partir de 31/07/2004, questionando a aplicação do Ato Declaratório Interpretativo n" 15, de 22 de dezembro de 2005, por falta de disposição na legislação que lhe dê suporte. Salienta a regra de vigência das leis no tempo, nos termos do art. 6" da Lei de Introdução ao Código Civil, do art. 8" da Lei Complementar n° 95, de 26 de fevereiro de 1998, e do inciso XIII, parágrafo único, do art. 2' da Lei n" 9.784, de 1999. Quanto à proporção "exportações x receita bruta", relata que, nos parágrafos 102 e seguintes do despacho decisório, a autoridade administrativa utiliza critério que interfere negativamente no crédito a que tem direito. Citando o art. 6° da Lei n° 10.833, de 2003, suscita a hipótese de, havendo excesso de créditos sobre os débitos do "mercado interno, ser ele somado ao crédito das operações do "mercado externo". Aduz que as empresas que têm uma parcela de suas receitas vinculadas ao "mercado externo" sempre há mais créditos a eles relativos e não o contrário, o que não estará necessariamente vinculado à proporcionalidade das exportações frente à receita bruta. A respeito também contesta a aplicação do rateio proporcional de que trata o inciso II, § 8", do art. 3" da Lei n.10.833, de 2004, por se tratar de regra aplicada apenas às empresas que tenham ao mesmo tempo os dois regimes de pagamento do PIS e da Cofins (cumulativo e nãocumulativo), não permitindo aplicação analógica para se estabelecer o percentual de exportações em relação à receita total, hipótese em que se aplica o § 1° do art. 6° da Lei n" 10.833, de 2003, na forma como antes argüida. De outra parte, discorda da exclusão, da soma das receitas de exportação, das vendas de mercadorias adquiridas com finalidade exclusiva de exportação, aduzindo que não existe previsão legal nesse sentido. Relembra, ademais, que as aquisições que o fisco considerou como "compras com finalidade de exportação" foram, na verdade, tributadas na origem, não devendo ser excluídas dos cálculos. Conclui ter demonstrado que os procedimentos adotados, bem assim a interpretação do fisco, estão em desacordo com a legislação, a doutrina e a jurisprudência do próprio tribunal administrativo do Ministério da Fazenda, devendo ser reformada a decisão, para que sejam deferidos integralmente os créditos pleiteados. Adicionalmente, questiona a nãoaplicação da correção monetária dos valores deferidos, seja porque o instrumento normativo utilizado para tanto (Instrução Normativa SRF n" 600, de 2005) foi emitido pelo próprio Poder Executivo, seja porque não é contemporâneo aos fatos. Cita, em Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 contrapartida, jurisprudência acerca de atualização, pela Selic, de crédito de ressarcimento de IPI. Por eventualidade, no tocante à intimação para recolher os valores cujas compensações não foram homologadas, pondera que, sendo eles relativos ao IRPJ e à CSLL, dos períodos de maio, junho, julho e dezembro de 2004 e tendo sido incluídos os créditos de PIS e Cofins declarados no Dacon do 3" trimestre de 2004 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, se mantida a glosa, teria que refazer as demonstrações financeiras e retificar sua declaração de rendimentos, o que, pelos valores em causa, redundaria em prejuízo e bases de cálculo negativas de IRPJ e CSLL. Nesse sentido, defende que as cobranças objeto da intimação devem aguardar o desenlace do presente pedido de ressarcimento. Requer, pelo exposto, que seja acolhido o pedido de ressarcimento, corrigido pela taxa Selic, que sejam deferidas as compensações e, caso assim não se entenda, seja autorizada a retificação das suas declarações e demais registros, considerando os valores de receitas de acordo com os efetivamente reconhecidos após o trânsito em julgado da presente discussão. Em face das alegações e elementos trazidos pelo recorrente, em especial o a impugnação ao critério utilizado em relação às operações de venda a comercial exportadora, a Delegacia de Julgamento de Curitiba, por concluir que a contestação se baseia em alegada incorreção nos CF0Ps das notas fiscais de aquisições, decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse comprovada, no caso em tela, a real natureza das operações em discussão. Por entender que as informações fornecidas apenas pela contribuinte seriam insuficientes para solucionar o caso, a Delegacia de Origem intimou a empresa Ovetril Oleos' Vegetais Ltda para que informasse à autoridade fiscal o tratamento tributário empregado às vendas analisadas. A diligência referida teve, como resultado o seguinte: Expostos os fatos e refeitos os cálculos com base nas informações levantadas nas diligências realizadas pelas DRFs em Maringá, Londrina e Cascavel, apurouse créditos da COFINS no valor total de R$ 2.771.578,86 (dois milhões, setecentos e setenta e um mil, quinhentos e setenta e oito reais e oitenta e seis centavos), sendo que R$ 1.444.006,11 (um milhão, quatrocentos e quarenta e quatro mil, seis reais e onze centavos) a título de mercado interno, passíveis de serem utilizados somente na dedução de débitos da própria COFINS, e R$ 1.327.572,75 (um milhão, trezentos e vinte e sete mil, quinhentos e setenta e dois reais e setenta e cinco centavos) a título de mercado externo, passíveis de compensação com demais tributos e contribuições administrados pela RFB e ressarcimento, nos termos dos parágrafos 1° e 2° do artigo 6° da Lei n° 10.833, de 2003. Do resultado da diligência procedida, o recorrente apresenta manifestação, mediante o qual aponta que, em relação à NF n° 229 da Sipal S/A, no valor de R$ 273.799,33,houve tributação pelo emitente. No que tange à Ovetril Óleos Vegetais Ltda., aponta a procedência dos créditos, uma vez que a tributação da nota fiscal encontrase cabalmente demonstrada às fls. 1206/1227. Por fim, defende não ser crime, mas sim um direito constitucionalmente garantido a participação em sociedades comerciais. A Delegacia de Julgamento em Curitiba, com base nos elementos carreados aos autos, entendeu por bem prover em parte as razões expendidas na Manifestação de Inconformidade, por meio de acórdão cuja ementa adiante se transcreve, in verbis: Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10907.001168/200503 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 5 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. O exame da ilegalidade e da inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime não cumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. AQUISIÇÕES PARA COMERCIALIZAÇÃO. MERCADO INTERNO. CRÉDITOS. Comprovado que as aquisições, registradas como "mercadoria com fim específico de exportação", correspondem a aquisições para comercialização no mercado interno, devem ser admitidas como insumos. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. "BIG BAG". As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados, não geram direito ao crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES DE PRODUTOS ACABADOS. Não há previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da contribuição, no sistema de nãocumulatividade, sobre valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. CRÉDITOS. PEDÁGIO. O gasto com pedágio na atividade de prestação de serviço de transporte rodoviário de carga, nas suas diversas formas, não gera crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA PARA ENTREGA FUTURA. O crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas, aproveitado pelas pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, é calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos; não sendo extensivo às aquisições para recebimento futuro, por inexistir o ingresso efetivo das mercadorias no estabelecimento da interessada, no momento da emissão de nota fiscal de simples remessa. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo contabilidade de custos integrada e coordenada com escrituração, onde se possa identificar individualizadamente os custos, despesas e encargos vinculados à exportação, é correto a utilização do critério de proporcionalidade, encontrando o percentual entre a receita total e a receita advinda de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. APROVEITAMENTO. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. O crédito presumido a que tem direito a pessoa jurídica somente pode ser aproveitado para deduzir da contribuição apurada no regime de incidência nãocumulativa nas operações de mercado interno. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. Em face do mencionado aresto, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, mediante o qual repisa, fundamentalmente, as mesmas razões já delineadas em sua Manifestação de Inconformidade. Não houve interposição de Recurso de Ofício, na medida em que a parte exonerada do crédito pela Delegacia de Julgamento encontrase abaixo do valor de alçada para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIA REGINA FREITAS O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente esclareço que, em relação às apontadas inconstitucionalidades e violações a princípios constitucionais narradas na peça recursal, entendo por bem não conhecer do recurso a teor do que determina a Súmula CARF n. 02. Passo, adiante, à análise das demais alegações: INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. "BIG BAG". Entendeu a fiscalização que as embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados, não geram direito ao crédito. Nesse ponto entendo assistir razão à recorrente e o faço com base na jurisprudência desse Eg. CARF a respeito do tema: (...) CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE. O custo com embalagens quaisquer que seja a embalagem: utilizada para o transporte ou para embalar o produto, para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS.”( 12571.000126/201079, 24/10/2012 – Fabíola Keramidas) CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES DE PRODUTOS AINDA EM FASE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10907.001168/200503 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 6 9 Quanto aos créditos com fretes de produtos ainda em fase de industrialização, entendo assistir razão à contribuinte, na esteira da jurisprudência desse CARF. No caso, a contribuinte recorre a esse Eg. CARF quanto à glosa do frete quando seus produtos ainda estariam em fase de industrialização, sendo necessário, por vezes, a transferência dos mesmos entre seus estabelecimentos para cumprimento de diferentes etapas de produção. De fato, no caso em análise, o frete não se resumiu apenas ao transporte de mercadorias acabadas, mas também em relação a insumos utilizados no processo fabril da empresa, o que é objeto do recurso do contribuinte e sobre o qual entendo que a irresignação merece guarida. De fato, o v. aresto recorrido não cuidou de distinguir o que seria o transporte de produtos acabados em relação ao frete dos insumos utilizados na produção pelo ora recorrente. Diante do exposto, entendo que, quanto aos fretes analisados e trazidos pela contribuinte em seu recurso e que se referem ao transporte das mercadorias ainda no processo de industrialização, o apelo deve ser integralmente provido para admitir integralmente o crédito, na esteira de precedentes desse Conselho. CRÉDITOS. PEDÁGIO. Da mesma forma que o decidido no tópico anterior, os pedágios pagos nesse transporte de mercadorias ainda no estágio de industrialização entram como custos essenciais ao processo produtivo da empresa. Nessa esteira, entendo que o v. aresto recorrido deve ser reformado para o fim de admitir esse crédito. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA PARA ENTREGA FUTURA. No tocante a esse crédito, entendo assistir razoabilidade aos fundamentos do recorrente. De fato, se há a obrigatoriedade de retenção do tributo por parte do vendedor do produto no momento em que se efetiva o contrato de compra e venda e o pagamento do valor da mercadoria, é nesse momento em que há o nascimento do crédito, pois ali haverá a retenção e consequente extinção do débito fiscal. O fato de a mercadoria não ter sido entregue no momento do pagamento não altera o registro e o recolhimento da exação, razão pela qual entendo que é nesse momento (do efetivo pagamento com retenção do imposto) que se configura o direito ao aproveitamento do crédito. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. O v. aresto recorrido entendeu que o crédito presumido a que tem direito a pessoa jurídica somente pode ser aproveitado para deduzir da contribuição apurada no Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 regime de incidência nãocumulativa nas operações de mercado interno. Entendeu, ainda, que deveria ser excluído da base de cálculo das receitas com exportação os montantes correspondentes às operações de exportação realizadas como comercial exportadora. Entendo merece reforma o julgado. É que a norma que rege o caso concreto encontrase prevista no art. 6º. da Lei no. 10.833/2003, cuja redação é a seguinte: "Art. 6° A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1 exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; §1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3° para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1° poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3° O disposto nos §§ 1° e 2° aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8° e 9° do art. 3°." Assim, segundo consta na norma supra, entendese que, para as empresas que estejam submetidas a apenas uma sistemática de apuração do PIS e da COFINS, a regra para o critério do rateio deve ser o que restou estabelecido no art. 6º. e seus parágrafos da Lei n. 10.833/2003. Nesse sentido o cálculo deve ser realizado da seguinte forma: (1) Confronto entre os débitos do mercado interno com os créditos do mercado interno; (2) Havendo excesso de débitos sobre os créditos nas operações do mercado interno, devese utilizar os créditos do mercado externo; (3) Havendo excesso de créditos sobre os débitos (mercado interno), esse crédito somado ao crédito das operações do mercado externo. Nesse aspecto, entendo equivocado a linha adotada pelo v. aresto recorrido, que aplicou à hipótese a regra do art. 3º. da mencionada Lei. 10.833/2003, merecendo reforma o aresto nesse particular, razão pela qual o recurso da contribuinte deve ser provido nessa parte. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), por meio do seu art. 62A, prevê que esse Eg. Tribunal Administrativo deve, em relação às matérias jugadas em sede de Recurso Repetitivo, reproduzir os entendimentos externados naqueles julgados, verbis: “Art.62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10907.001168/200503 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 7 11 do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes” Diante do posto, entendo por acolher o pedido da parte em relação à aplicação da taxa SELIC desde o protocolo do pedido, tendo em vista, nesse sentido, o julgamento do RESP 993164, cujas razões adoto como razão de decidir. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 18050.001428/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 26/12/2007
ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. FATOS OCORRIDOS EM PERÍODO DECAÍDO. IMPOSSIBILIDADE.
O Ato Cancelatório de Isenção reflete os fundamentos necessários à exigência de contribuições previdenciárias de entidade até então tida como beneficente.
A análise do Ato Cancelatório deve estar vinculada ao direito de o Fisco exigir as correspondentes contribuições, de forma que a contagem do prazo decadencial seja feita em conjunto.
ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA ONEROSA, PREDOMINANTE E HABITUAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 55, INC. III DA LEI Nº 8.212/91.
De acordo com o art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente deve promover a assistência social, educacional ou de saúde, tanto a menores, como a idosos, excepcionais ou pessoas carentes.
O fato de a entidade ceder mão de obra de forma onerosa, predominante e habitual não desvirtua o requisito legal acima.
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DE RECURSOS EM EMPRESA. VIOLAÇÃO AO ART. 55, INC. V DA LEI Nº 8.212/91. INEXISTÊNCIA.
O descumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55, inc. V da Lei nº 8.212/91 deve estar bem caracterizado para a realização do cancelamento da isenção de Entidade Beneficente.
O fato de a entidade beneficente aplicar parte de seus recursos em empresa não configura, por si só, ofensa ao art. 55, inc. V da Lei nº 8.212/91, exceto se os investimentos não forem relacionados a atividades objeto da benemerência.
DESCUMPRIMENTO AO INC. VI DO ART. 3º DO DECRETO Nº 2.536/98. REQUISITO INERENTE AO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. IMPOSSILIDADE DE ANÁLISE POR ESTE CONSELHO.
Este Conselho não é o órgão competente para dirimir acerca dos requisitos exclusivos do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS.
Tal certificado é concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, que analisa a sua renovação a cada três anos, sendo também competente para deliberar acerca do referido certificado, conforme parágrafos 2º e 3º do art. 3º e art. 7º do Decreto nº 2.536/98.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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FATOS OCORRIDOS EM PERÍODO DECAÍDO. IMPOSSIBILIDADE. O Ato Cancelatório de Isenção reflete os fundamentos necessários à exigência de contribuições previdenciárias de entidade até então tida como beneficente. A análise do Ato Cancelatório deve estar vinculada ao direito de o Fisco exigir as correspondentes contribuições, de forma que a contagem do prazo decadencial seja feita em conjunto. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA ONEROSA, PREDOMINANTE E HABITUAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 55, INC. III DA LEI Nº 8.212/91. De acordo com o art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente deve promover a assistência social, educacional ou de saúde, tanto a menores, como a idosos, excepcionais ou pessoas carentes. O fato de a entidade ceder mão de obra de forma onerosa, predominante e habitual não desvirtua o requisito legal acima. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DE RECURSOS EM EMPRESA. VIOLAÇÃO AO ART. 55, INC. V DA LEI Nº 8.212/91. INEXISTÊNCIA. O descumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55, inc. V da Lei nº 8.212/91 deve estar bem caracterizado para a realização do cancelamento da isenção de Entidade Beneficente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 14 28 /2 00 8- 13 Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 O fato de a entidade beneficente aplicar parte de seus recursos em empresa não configura, por si só, ofensa ao art. 55, inc. V da Lei nº 8.212/91, exceto se os investimentos não forem relacionados a atividades objeto da benemerência. DESCUMPRIMENTO AO INC. VI DO ART. 3º DO DECRETO Nº 2.536/98. REQUISITO INERENTE AO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. IMPOSSILIDADE DE ANÁLISE POR ESTE CONSELHO. Este Conselho não é o órgão competente para dirimir acerca dos requisitos exclusivos do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS. Tal certificado é concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, que analisa a sua renovação a cada três anos, sendo também competente para deliberar acerca do referido certificado, conforme parágrafos 2º e 3º do art. 3º e art. 7º do Decreto nº 2.536/98. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Informação Fiscal emitida em 26/12/2007 para cancelamento de isenção a partir do mês de 01/1997. A Recorrente interpôs defesa (fls. 655/1038) pleiteando pela total improcedência da informação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil julgou a Informação Fiscal procedente e determinou a emissão do Ato Cancelatório da isenção da entidade Monte Tabor (fls. 1043/1063), sob os argumentos de que: (i) não houve litispendência administrativa, pois a auditoria anterior teve por objeto a verificação da regularidade da imunidade prevista no art. 150 da CF/88 somente em relação aos tributos administrados pela Receita Federal, que na época (2002) não abrangia as contribuições previdenciárias, em virtude de ser anterior a Lei nº 11.457/07; (ii) o presente cancelamento tem fundamentos distintos do caso anterior julgado pelo CRPS; (iii) a transferência de recursos no valor de R$ 214.000,00 na empresa Interhospitais caracteriza distribuição de parcelas do seu patrimônio e não aplicação dos recursos nos objetivos estatutários, conforme Parecer MPS/CJ nº 2614/01; (iv) aplicamse os requisitos contidos na redação original do art. 55 da Lei nº 8.212/91, conforme já validado pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da ADIN nº 2028; (v) o pagamento de R$ 2.000,00 efetuado à Diretora Vice Presidente Sra. Laura Ziller em 12/1999 não teve a sua destinação comprovada, o que configura ofensa ao art. 55, inc. IV da Lei nº 8.212/91; (vi) o montante de R$ 1.937,24 pago à mesma Diretora em 02/1999, supostamente a título de reembolso de despesas, não foi totalmente comprovado; (vii) os pagamentos mensais efetuados à Diretora Liliana Ronzoni no montante líquido de R$ 1.600,00, no período de 02/1999 a 09/2005, supostamente a título de verba de representação, configura claramente em vantagem ou benefício pagos à mesma, em ofensa ao art. 55, inc. IV da Lei nº 8.212/91; (viii) a entidade não comprovou ter havido a restituição do pagamento realizado em favor do Diretor Mário Cal, a título de aluguel de aeronave, no montante de R$ 3.000,00; (ix) os gastos com manutenção da Casa Sede, alimentação, luz, água, telefone e rouparia configuram vantagens e benefícios concedidas às Diretoras Laura Ziller e Liliana Ronzoni, que residem no local; (x) a entidade não comprovou ter ocorrido o reembolso das despesas incorridas com a empresa Agrícola São Gonçalo; (xi) a entidade não comprovou ter ocorrido o reembolso das transferências realizadas à AISPO Chile; (xii) é ilegal a doação realizada pelo Monte Tabor à entidade Anjos do Asfalto no valor de R$ 60.000,00, supostamente destinada a aquisição de equipamentos, pois a entidade deve aplicar seus recursos nos atendimentos aos necessitados e não repassálos para outras entidades; (xiii) os contratos de prestação de serviços de saúde firmados entre o Monte Tabor e o Estado da Bahia para operacionalização dos Hospitais Luís Eduardo Magalhaes e Dantas Bião, bem como os contratos firmados com a Prefeitura de Salvador para operacionalizar a Unidade São Marcos e PSF, além de outros contratos firmados com empresas localizadas no Pólo Petroquímico de Camaçari, configuram cessão de mão de obra, em ofensa ao art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91; e (xiv) a Entidade não se manifestou sobre as diferenças entre os valores declarados em GFIP como devidos e os que foram pagos, o que denota que esta se encontrava em débito perante a Previdência. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1092/1157) alegando que: (i) a informação fiscal que deu origem ao cancelamento da isenção tem como objeto fatos já Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 analisados pela Receita Federal do Brasil, o que configura litispendência administrativa e, consequentemente, dupla condenação da Instituição, por idênticos fatos e fundamentos; (ii) os fatos utilizados para promover o cancelamento da isenção são relativos a período decaído; (iii) é inviável a rediscussão da matéria, pois o extinto Conselho de Recursos da Previdência Social já tinha dado ganho de causa à Instituição em relação ao cancelamento da isenção; (iv) é detentora da imunidade, nos termos da Constituição Federal e da legislação complementar; (v) é detentora da imunidade mesmo levando em conta os requisitos constantes no art. 55 da Lei nº 8.212/91; (vi) não remunera o seu dirigente; (vii) os valores pagos à Agrícola São Gonçalo e aluguel de aeronave foram reembolsados; (viii) o valor emprestado à AISPO foi integralmente corrigido e devolvido ao Monte Tabor; (ix) a intervenção do Monte Tabor em favor da ONG Anjos do Asfalto está dentro do seu lema estatutário, não podendo a autoridade fiscal avaliar de forma subjetiva as decisões gerenciais tomadas pela entidade; (x) os contratos de gestão firmados entre a entidade e o Estado da Bahia e Prefeitura Municipal de Salvador são na verdade convênios que só corroboram com a finalidade estatutária da entidade, não tratando de cessão de mão de obra; (xi) embora a gratuidade vem sendo cumprida pela entidade dentro dos parâmetros exigidos, essa não lhe pode ser aplicada, pois foi prevista após esta deter o direito à imunidade; (xii) a pena sugerida ofende ao princípio da razoabilidade; e (xiii) não há débitos previdenciários em aberto com a Receita Federal. É o relatório. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se observa dos autos, tratase aqui de ato cancelatório ao gozo do benefício fiscal previsto no § 7º do art. 195 da Constituição Federal, em razão do suposto descumprimento, por parte da entidade Recorrente, de alguns dos requisitos insertos no ultrapassado art. 55 da Lei nº. 8.212/91. A declaração de cancelamento contida no ato cancelatório de isenção de contribuições sociais nº 0002/2009 DRF/SDR (fls. 1063) informa que o Monte Tabor Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária teria infringido os incisos III, IV e V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, pelas razões constantes da informação fiscal de lavra da auditoria fiscal, sendo estes, pois, os limites do litigio trazido ao conhecimento e análise deste colegiado. Registrese, por oportuno, que o procedimento adotado no caso em tela, seguiu aquele previsto na legislação vigente à época da ação fiscal então empreendida, e antes das alterações promovidas pela Lei nº 12.101/2009, razão pela qual, já em julgamento no CARF, foram os autos baixados em diligência para fins de observância do rito previsto no art. 45 do Dec. 7.237/2010, conforme despacho de fls. retro, e encontrase em trâmite conjunto com as NFLDs que lhe são correlatas, estando, assim, apto a julgamento. Prudente evidenciar também que o resultado do julgamento contido no procedimento relativo ao ato cancelatório refletirá diretamente nos procedimentos administrativos correlatos, já que ambos decorrem apenas de verificar se a Entidade detém ou não o direito ao benefício fiscal que reclama, razão pela qual será emitida uma só decisão para todos os casos. Estabelecida essa premissa, este Órgão de Julgamento, em diversas oportunidades, já se posicionou no sentido de que o usufruto da isenção/imunidade das contribuições sociais prevista no dispositivo constitucional acima citado, condicionavase à observância do também citado art. 55 da Lei nº 8.212/91, sendo que a violação a qualquer das obrigações ali encartadas autorizaria a fiscalização a fundamentar pedido de cancelamento do favor fiscal e a consequente exigência das contribuições sociais devidas. No caso dos autos, de acordo com o ato cancelatório que é base do recurso interposto, e que acatou a Informação Fiscal de fls. 04/28, a Recorrente teria violado às disposições dos incisos III, IV e V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, razão pela qual determinou o cancelamento da isenção/imunidade em destaque. Segundo a Informação Fiscal (fls. 04/28), e para melhor compreensão, a violação ao inciso IV consistiria resumidamente em: 1 Manutenção da Casa Sede da Entidade utilizada pela DiretoraPresidente; 2 Aplicação de recursos junto a empresa Agrícola São Gonçalo e; 3 pagamentos de valores a diretores da entidade. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Já o inciso V, na esteira do relato fiscal, teria restado inobservado em razão da Contribuinte ter: 1 concedido empréstimo a entidade AISPOCHILE; 2 doação à ONG “Anjos do Asfalto”; 3 contratação para execução de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, este com reflexo no inciso III e, ainda; 4 pela aplicação de recursos visando a constituição da empresa Interhospitais Operadora de Planos de Saúde S/C Ltda. Da violação ao art. 55, inc. IV da Lei nº 8.212/91 De acordo com a Informação Fiscal, a entidade ofendeu o disposto no art. 55, inc. IV da Lei nº 8.212/91, que assim dispõe: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). (...) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;” 1. Manutenção da Casa Sede da Entidade utilizada pela Diretora Presidente Uma das infrações (fl. 08) decorreu do fato de as diretoras Sras. Laura Ziller e Liliana Rozoni residirem na “Casa Sede”, embora esta fosse utilizada para acolher técnicos, pesquisadores e para a realização de reuniões. Assim, como houve pagamento de despesas relacionadas à “Casa Sede” pela entidade beneficente Monte Tabor, como manutenção, alimentos, energia, água, telefone, gás, piscina e aluguel, entendeuse pela configuração de remuneração, vantagens e benefícios concedidos às diretoras. No entender da fiscalização, independentemente das atividades praticadas na Casa Sede, o fato de as diretoras lá residirem resulta no recebimento de benefícios e vantagens. Nesse sentido, transcrevese trecho do Relatório Fiscal (fl. 09): “Solicitamos a entidade relação de moradores da referida casa (TIAD de 08/10/2007 em anexo), que na tentativa de camuflar o fato explicito de conceder benefícios aos seus diretores, tente justificar em seu relatório de moradores da casa (anexo I), que a finalidade desta é de acolher técnicos, pesquisadores e encontro de reuniões. Porém, não olvidamos que a par desta finalidade, ou de qualquer outra, temos o seguinte fato: a casa é utilizada, desde seus primórdios, para residência de seus diretores e com todas suas despesas de manutenção, alimentos e inclusive o aluguel, custeadas pela entidade beneficente Monte Tabor, restando assim claramente configuradas remuneração, vantagens e benefícios a diretores.” – destacouse Sobre esse ponto, a Recorrente argumenta que “a estrutura do Monte Tabor conta com o complexo hospitalar São Rafael, centro de treinamento destinado ao Setor de Recursos Humanos, capela para atividades clericais, e casa de apoio para a estada de cientistas, estudantes de medicina, de assistência social e médicos – via de regra italianos , e das três integrantes do grupo religioso denominado ‘Sigilli’, quais sejam Laura Ziller e Liliana Ronzoni, que ocupam, respectivamente as funções de Vice Presidente Executiva e Diretora Médica.” Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 5 7 Pelos argumentos expostos, concluise que a Casa Sede era destinada a atividades inerentes ao objeto da entidade. Tratandose de entidade beneficente, revelase possível que atividades sejam realizadas constantemente em local que também serve de residência para as pessoas responsáveis, sem que haja qualquer ilegalidade. Revelase despropositada a ideia de que os gastos com o estabelecimento serão considerados como vantagens ou benefícios tão somente pelo fato de as Diretoras residirem no local. Não se está aqui tratando sobre despesas relacionadas a apartamento/casa/carro dos dirigentes que nada se relacionam com as atividades da entidade. Por essa razão, este Conselheiro não consegue identificar benefícios irregulares ou vantagens indevidas que possam impactar de forma negativa no direito ao benefício fiscal em tela, o fato de missionárias diretoras que, portanto, trabalham para a entidade, utilizarse de uma residência para moradia, quando essa residência tem outras destinações e serve, pelo que se apresenta, de importante suporte para a Instituição. Talvez se estivéssemos diante de luxos e vantagens excessivas, onde as Diretoras estivessem usufruindo muito mais do que o senso comum poderia achar razoável, certamente que nossa opinião penderia para conferir razão ao ato cancelatório. Contudo, não nos parece ser o caso tratado, ao menos o que está narrado pela fiscalização, sendo a moradia apenas decorrência do trabalho, sem representar violação à legislação invocada. Por fim, convém registrar que esses mesmos fatos foram fundamentos para a manutenção da imunidade no que tange ao IRPJ, ainda a época pela Receita Federal, e que, submetidos a apreciação do CARF, restou rejeitado pelo Acórdão nº 130200.087 da 1ª Seção, que não reconheceu violação ao art. 14 do CTN. Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. A suspensão de imunidade de entidade deve observar o principio da razoabilidade, em especial quando não se demonstra qualquer desvio de recursos. Pagamento de verbas salariais e reembolsos a colaboradores não ensejam a suspensão da imunidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 130200.087 – PAF 10580.010574/200236 1ª Seção – Relator Marcos Rodrigues de Mello – Sessão 29/09/2009) Assim, entendo ser infundada a alegação de que as diretoras recebiam vantagens pelo simples fato de residirem no local. 2. Aplicação de recursos junto a empresa Agrícola São Gonçalo Conforme se verifica no Relatório Fiscal (fl. 10), a fiscalização concluiu que a entidade não comprovou que os valores pagos à Agrícola São Gonçalo eram posteriormente ressarcidos pela Fondazione Centro San Raffaele Del Monte Tabor, que era a sua detentora. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 Por este motivo, consignou a autoridade administrativa que a entidade Monte Tabor pagava a folha salarial e encargos sociais dos empregados da Agrícola São Gonçalo, que tinha como responsáveis legais o vicepresidente e uma diretora do Monte Tabor, em ofensa ao princípio contábil da entidade, configurando a distribuição de lucros e parcela do patrimônio aos sócios. Alega a Recorrente que os pagamentos efetuados à Agrícola São Gonçalo foram realizados a título de adiantamento, tendo sido posteriormente reembolsados, conforme a conta contábil nº 21220103 “compensação saldo empréstimo Milão”, além de se referirem a período abarcado pela decadência. Consoante o REFISC (fls. 11), os pagamentos realizados à Agrícola São Gonçalo ocorreram no período de 1996 a 2001. Como a presente informação fiscal ocorreu em 26/12/2007, é possível verificar que os pagamentos ocorreram em período já abarcado pela decadência, nos termos do art. 173, inc. I do CTN. Sobre o tema, vale mencionar que o Ato Cancelatório de Isenção revestese basicamente nos fundamentos necessários à exigência de contribuições previdenciárias de entidade até então tida como beneficente. Assim, a análise do Ato Cancelatório deve estar vinculada ao direito de o Fisco exigir as correspondentes contribuições, de forma que a contagem do prazo decadencial seja feita em conjunto. Nesse sentido, vale mencionar que os autos de infração relativos às contribuições previdenciárias exigidas em virtude do presente Ato Cancelatório deverão seguir a mesma sorte deste processo. Caso se admita que o Ato Cancelatório possa abranger período já decaído, teríamos a absurda situação de a fiscalização levantar fatos ocorridos a mais de 15 anos, cancelando a isenção desde tal período, exigindo em virtude disso, ao menos, as contribuições que ainda não decaíram. Cumpre destacar que, atualmente, os fundamentos do cancelamento da isenção devem estar colacionados no próprio lançamento, não havendo mais a figura do Ato Cancelatório. Assim, hoje em dia não há mais dúvidas de que o Ato Cancelatório não pode se pautar em fatos ocorridos em períodos já decaídos. Destarte, não é possível que o Ato Cancelatório retroaja ilimitadamente para determinar um termo inicial do cancelamento da isenção. Esse entendimento também foi capitaneado no voto proferido pela Conselheira Liege Lacroix Thomasi (Acórdão nº 2302003.001 da 4a Câmara da 1a Turma da 2a Seção deste Conselho da 3a Câmara da 2a Turma Ordinária deste Conselho, julgado em 19 de fevereiro de 2014), nos seguintes termos: “DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 0 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lê nº 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 6 9 A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias, sujeitase ao prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido” Assim, entendo que os argumentos relacionados à Agrícola São Gonçalo se referem a período decaído, não podendo mais servir como base para a exigência de contribuições previdenciárias. 3 Pagamentos de valores a diretores da entidade Ainda em relação à ofensa ao art. 55, inc. IV da Lei nº 8.212 (fl. 12), foram identificados: (i) pagamentos mensais a título de “verbas de representação” para a Diretora Sra. Liliane Ronzoni; (ii) pagamento de R$ 2.000,00 efetuado em 20/12/1999 a título de “comissão executiva” à Diretora Sra. Laura Ziller; (iii) pagamento de R$ 1.937,24 à Diretora Laura Ziller em 03/02/1999, supostamente a título de reembolso de despesas relacionadas ao projeto CEBIT (projeto de construção de centro de pesquisa em cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento); (iv) pagamento de aluguel de aeronave pelo Sr. Mário Cal em 02/2001, no valor de R$ 3.000,00, que teria sido decorrente de deslocamento com intuito de realizar novos projetos sociais, e que teria sido posteriormente ressarcida pelo Diretor. Contudo, por se encontrar tais pagamentos em período já abarcado pela decadência, como já exposto acima, entendo que não há que se falar no cancelamento da isenção por estes motivos. Assim, não se verifica ofensa ao inc. IV da Lei nº 8.212/91. Da violação ao art. 55, inc. V da Lei nº 8.212/91 A Informação Fiscal pautouse também na ofensa ao inc. V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).” 1. AISPO Chile e Anjos do Asfalto Como se verifica no Relatório Fiscal (fl. 14), a fiscalização identificou a aplicação de recursos pela entidade em finalidades estranhas ao seu estatuto. Foi constatada a aplicação de recursos pelo Monte Tabor em outra entidade no exterior, denominada em sua contabilidade como AISPO Chile – Associação Italiana para Solidariedade entre os Povos. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 Neste contexto, verificouse o empréstimo da importância de R$ 34.069,33 em 1998, além da quantia de R$ 54.763,68 que já tinha sido remetida ao exterior, totalizando um saldo de R$ 88.833,01 em 31/12/98. Identificouse ainda uma doação à Associação Anjos do Asfalto no valor de R$ 60.000,00 em 20/12/99. Entretanto, como já mencionado acima, tal fundamentação se refere a período já abarcado pela decadência, motivo pelo qual devem ser considerados improcedentes. 2. Interhospitais Operadora de Planos de Saúde S/C Ltda. (IH Saúde) A fiscalização pontuou que a constituição da empresa Interhospitais Operadora de Planos de Saúde S/C Ltda. pela entidade, com a subscrição de R$ 214.000,00 em 06/03/2002, configura desvio do objeto social e emprego dos recursos em participação societária, em ofensa ao art. 3º, inc. X do Decreto nº 2.536/98, abaixo transcrito: “Art. 3º Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social.” A fundamentação da autoridade administrativa se pautou no fato de que o Parecer CJ nº 2617/2001 dispõe literalmente que a aplicação de recursos em atividades diversas de suas finalidades constitui ofensa ao art. 55, inc. V da Lei nº 8.212/91. Argumenta a Recorrente que tal matéria já foi julgada pela 4ª CaJ do CRPS, que anulou o Ato Cancelatório naquela oportunidade, não podendo ser novamente discutida. Analisando a decisão juntada aos autos (fls. 863/880), de fato se verifica que a questão atinente ao IH Saúde já foi submetido a julgamento, tendo o então CRPS considerado improcedentes as motivações da fiscalização. Abaixo trecho do voto vencedor proferido nos autos nº 35013.003299/200421: “No presente caso, o cerne da questão é verificar se a entidade que direciona parte de sua receita operacional na constituição de outra empresa, está deixando de aplicar essa parcela da receita nas suas atividades fins. A Monte Tabor Centro halo Brasileiro de Promoção Sanitária é entidade sem fins lucrativos reconhecida de utilidade pública pelos governos federal, estadual e municipal, com existência há mais de trinta anos. Para auferir receitas alternativas com objetivo de empregar na sua manutenção, constitui juntamente com outras entidades a 111 Saúde. Vale ressaltar, que a Lei não veda e nem coíbe que a entidade constitua sociedade comercial, desde que vise à aplicação de recursos em filantropia. A fiscalização ficou restrita a informar apenas que a empresa constituída obteve prejuízo. Não obstante tal fato, na concepção deste Conselheiro, a abrangência e diversidade de investimentos é que trarão mais chances de rentabilidade ao negócio. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 7 11 O simples fato da Entidade Beneficente não ter fins lucrativos, não a impede de praticar atos de entes privados. Nesse sentido, parecer/CJ n. 2.332/2000 e bem elucidativo, verbis: (...) A Dra. Esther Matos Pereira, Conselheira Representante das. Empresas, componente da 2a Câmara deste Conselho Recursal da Previdência Social, corretamente, posicionou se no julgamento do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Social n. 35013,003345/200492, cuja Recorrente era Real Sociedade Portuguesa de Beneficência, verbis ‘A lei não veda e nem coíbe que a entidade forme reservas para a preservação dos meios necessários a continuação de suas atividades nos próximos exercícios, preservando o desenvolvimento da atividade a longo prazo. A entidade beneficente é livre para gerar renda e gerir seu patrimônio, desde que o proceda legalmente à sua condição de entidade beneficente, constitucionalmente imune, mesmo porque não seria possível a manutenção de Entidade tão útil à sociedade, sem receita. A empresa constituída, Interhospitais Operadora de Planos de Saúde S/C. LTDA. IH SAÚDE, exerce atividade concernente com o ramo de atividade prestado pela Entidade na prestação de serviços na área de saúde, e não é detentora do beneficio da isenção legal e imunidade constitucional, apenas é mantida por Entidade que ostenta tal benefício. A Entidade Recorrente não transferiu recursos para a empresa criada, mas apenas integralizou quotas da sociedade que continuam sendo de sua propriedade, sem diminuição patrimonial da Entidade. Como bem citou o causídico da Recorrente, transcrevendo os dizeres de Parecer PROCGER/CGMT/DCMT n° 04/03 da Procuradoria Federal Especializada INSS, ‘não podemos confundir gestão patrimonial com resultado operacional. Este é o resultado das operações da entidade que, na busca da assistência social, acaba por auferir rendimentos que serão, necessariamente, reinvestidos nas suas finalidades institucionais...’ quanto a constatação da participação da entidade beneficiada em uma empresa, tratase de mera gestão patrimonial. Também não restou comprovado nos autos e nem foi alegado pelo Órgão Previdenciário, ter havido aplicação dos recursos advindos do lucro da empresa criada em atividade diversa dos objetivos estatutários da Entidade, que é a prestação gratuita de assistência médica.” – destacouse Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 Posto isso, levando em conta que o referido acórdão trata justamente da possibilidade de subscrição de capital pela entidade Monte Tabor na IH Saúde, tal como atacado na presente Informação Fiscal, adoto as mesmas razões de decidir, dando procedência ao recurso do contribuinte nesta parte. Da violação ao art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91 Argumentou a fiscalização que a entidade possui contratos que configuram cessão de mão de obra, em ofensa ao art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91, conforme Parecer nº 3.272/04 da Consultoria Jurídica, aprovado pelo Ministro da Previdência Amir Lando em 16/07/2004. Abaixo a norma tida como ofendida: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). (...) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes;” Para a configuração da cessão de mão de obra, trouxe a fiscalização o conceito legal abaixo: Art. 31. (...) § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 1. Hospital Luiz Eduardo Magalhães Sobre o contrato nº 34/2003 (fls. 247 e ss) firmado com o Estado da Bahia para gestão do Hospital Luiz Eduardo Magalhães, a fiscalização entendeu haver cessão de mão de obra pelo fato de que a entidade tinha as seguintes atribuições: (i) garantir quadro de recursos humanos qualificados; (ii) manter as instalações do hospital em perfeitas condições de higiene e conservação; (iii) prestar assistência técnica e manutenção preventiva e corretiva de forma contínua aos equipamentos e instalações em geral do hospital; (iv) subcontratar serviços de médicos e paramédicos até o limite de 50% do quadro proposto; (v) manter profissionais nos seus quadros, à disposição do Hospital, para suprir de imediato eventuais faltas. Em relação ao contrato nº 45/2006 (fls. 212 e ss), existe também a necessidade de a entidade dimensionar os profissionais necessários à execução das ações e serviços de saúde, o que configurou, no entendimento da fiscalização, a cessão de mão de obra. De acordo com a fiscalização, a execução de serviços mediante cessão de mão de obra somente seria legal se realizada de forma pontual ou isolada, o que não é o caso. Sustenta a Recorrente que as entidades beneficentes têm preferência na contratação com o poder público, nos termos do art. 199, § 1º da CF/88, mencionado abaixo: “Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 8 13 § 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.” Alega a Recorrente ainda que os contratos constituem regime de empreitada global, sendo, em verdade, convênios, além de observarem o contido na Lei nº 9.637/98 e Lei Estadual/BA nº 8.647/03 (fls. 1144/1145), nos seguintes termos: Lei nº 9.637/98 “Art. 1o O Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos previstos nesta Lei.” Lei Estadual/BA nº 8.647/03 “Art. 11 A qualificação da entidade como Organização Social darseá por ato do Governador do Estado. (...) Art. 22 É condição indispensável para a assinatura do Contrato de Gestão a prévia qualificação como Organização Social da entidade selecionada.” Sobre o tema, o agente fiscal pauta o seu entendimento no Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social nº 3.272/2004, assim ementado: "EMENTA: Previdenciário e Assistencial. Isenção das contribuições para a Seguridade Social. Art. 55 da Lei N° 8.212/91. Cessão de mãodeobra. 1. Somente poderão realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei n° 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: caráter acidental da cessão onerosa de mão deobra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; e mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente. 2. As entidades que fazem cessão de mão deobra sem atentar para um destes dois critérios, na forma descrita no corpo do presente parecer, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e não fazem jus à correspondente isenção." De acordo com o dispositivo legal tido como ofendido (art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91), a entidade beneficente deve promover a assistência social, educacional ou de saúde, tanto a menores, como a idosos, excepcionais ou pessoas carentes. Analisando o relatório fiscal, verificase que a Recorrente atuava junto ao Estado da Bahia para realizar atividades relacionadas à área da saúde. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 14 Pela descrição das atividades relacionadas ao contrato de gestão destacado acima, é possível entender que a natureza das mesmas é assistencial. Notase que a fiscalização não rechaçou a natureza das atividades praticadas pela Recorrente. Somando isso ao fato de que a Recorrente ser essencialmente uma entidade beneficente (até porque não está tendo sua isenção cancelada por falta de CEBAS ou Certificado de Utilidade Pública), concluise que a Recorrente realizava atividades de cunho assistencial, como preconiza o art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91. O problema, contudo, reside no fato de que a Recorrente estaria cedendo mão de obra indevidamente, haja vista que a cessão era predominante dentro das atividades da entidade, sendo realizada, portanto, de forma habitual. De acordo com o Relatório Fiscal e trechos do parecer, verificase que a ratio essendi do entendimento que motivou o ato cancelatório de isenção nesta parte está no fato de que a cessão de mão de obra, da forma como praticada pela Recorrente, acaba beneficiando apenas a entidade e o tomador dos serviços em detrimento das empresas que atuam no mesmo segmento, bem como da Seguridade Social, que deixa de receber as contribuições previdenciárias, embora deva assegurar os benefícios previdenciários dos empregados da entidade. Embora seja possível entender as razões contidas no aludido Parecer, não se pode afirmar que a Recorrente estaria descumprindo o art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91, notadamente pelo fato de que a natureza de suas atividades é assistencial. A referida Lei não traz qualquer requisito em relação à forma como devem ser realizadas as atividades de assistência social, se cabível a cessão de mão de obra ou não, ou se deve ser realizada de forma excepcional ou com participação da minoridade dos empregados. Não se pode afirmar também que as atividades praticadas pela Recorrente acabam prejudicando as empresas do segmento, haja vista que os regimes jurídicos das empresas e entidades são totalmente distintos. Vale dizer que as entidades beneficentes, ao contrário das sociedades empresárias, devem seguir a risca um conjunto de regras muito mais rigoroso do que as demais sociedades, tendo, consequentemente, outros custos para a manutenção desse regime. Além disso, a entidade beneficente não pode praticar atividades com fins lucrativos, o que acaba reduzindo o seu campo de atuação, fazendo com que ela se mantenha, em síntese, com doações ou com atividades de cunho social ligadas ao Poder Público, como faz a Recorrente. Cumpre ressaltar que qualquer pessoa tem o direito de dar início a uma entidade beneficente ou a uma sociedade empresária. Porém, cada uma delas resultará em uma forma de atuação totalmente distinta. Assim, não é plausível que se compare uma entidade com uma empresa levando em conta apenas conceitos ligados à forma de atuação, como a cessão de mão de obra. Caso se considere que a Recorrente está ofendendo o art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91 pelo fato de ceder onerosamente mão de obra para a realização de atividades sociais ligadas a órgãos públicos, estarseá distorcendo tal requisito legal, em violação ao princípio da legalidade. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 9 15 Nesse sentido, constatase que o próprio agente fiscal, até em virtude de vinculação, pautou o ato cancelatório no entendimento esposado no Parecer CJ nº 3.272/2004, sem qualquer amparo legal. Em vista da ausência de lei que versasse sobre o tema, o próprio Parecer defende a sua normatização, como verificado no trecho abaixo: “No pólo oposto, merece ser afastada a imunidade das entidades cuja atividade predominante é a cessão de mãodeobra, sobremodo para o exercício de atividades em nada afetas ao objeto declarado da entidade, em função do qual obteve a isenção, muito menos à própria seguridade social. Nesse ponto sugerese normatização da matéria, até mesmo para que em relação a essas atividades a entidade pague as contribuições pertinentes, pois que a imunidade outorgada pela Constituição Federal, no que toca à contribuição patronal, cingiuse àquela contribuição relativa às pessoas físicas que prestam serviços à própria entidade, de modo a viabilizar a prestação de suas atividades beneficentes, e não a implementação do objeto de terceiros, alheios à benemerência.” Assim, discordo da argumentação de que, por ter a entidade firmado contrato de gestão com Entes Públicos, que envolve grande aplicação de recursos humanos, estaria invalidando suas atividades beneficentes, deixando “de perseguir seu objetivo institucional”, como mencionado pela fiscalização (fl. 17). Em situação semelhante, esse Conselho assim já decidiu: “ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA ONEROSA, PREDOMINANTE E HABITUAL. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. De acordo com o art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente deve promover a assistência social, educacional ou de saúde, tanto a menores, como a idosos, excepcionais ou pessoas carentes. O fato de a entidade ceder mão de obra de forma onerosa, predominante e habitual não desvirtua o requisito legal acima. Recurso voluntário provido.” (CARF, PAF nº 35059.000108/200796, Cons. Rel. Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Sessão de 04/11/2014) Assim, entendo ser procedente o argumento da Recorrente de que as atividades praticadas estão de acordo com a legislação de regência, não havendo ofensa ao art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91. 2. Hospital Dantas Bião No caso do contrato nº 36/2006 (fls. 174 e ss) firmado com o Estado da Bahia para gestão do Hospital Dantas Bião, sustenta a autoridade administrativa que haviam Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 16 quantidades mínimas de serviços e metas a serem executadas, havendo no Anexo IV quadro de dimensionamento de pessoal, dividido em vínculo pessoa jurídica, vínculo cooperativa e vínculo CLT. Contudo, pelos mesmos argumentos acima, não há que se falar na ofensa ao art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91, por ter a entidade dimensionado diversos trabalhadores para a execução das atividades. 3. Unidade de São Marcos No caso da Unidade de São Marcos, pontua a fiscalização que o contrato firmado com a Prefeitura de Salvador tinha como objeto a prestação de serviços médicos especializados, além de outros serviços relacionados à área da saúde. Embora a autoridade administrativa não tenha pontualmente fundamentado a cessão de mão de obra neste caso, verificase que as atividades praticadas eram de cunho assistencial, não havendo qualquer ilegalidade. Assim, pelos mesmos argumentos acima, não há que se falar na ofensa ao art. 55, inc. III da Lei nº 8.212/91. 4. Contratos diversos No que tange aos “contratos diversos” firmados com empresas do Polo de Camaçari, como a Cetrel, Cobafi, Politeno, Polialden, Braskem, PAME/COFIC e outros, alega a fiscalização que se observa a cessão de mão de obra tão somente pela análise do objeto social de tais contratos. Neste caso, deixo de tecer maiores considerações haja vista que a autoridade administrativa não fundamentou a cessão de mão de obra, o que impossibilita o lançamento desta rubrica. Débitos perante a Previdência Social A autoridade administrativa pontua ainda que a entidade possui débitos com a previdência social, conforme relatório do sistema coorporativo da previdência denominado CVALDIV, onde são mostrados os débitos referentes aos valores informados em GFIP pela empresa versus os recolhidos. Além disso, foi apontada a NFLD nº 37.056.9172, resultante da presente ação fiscal. A Recorrente argumenta que a NFLD mencionada foi lavrada no mesmo momento e pelos mesmos fiscais que atuaram na presente ação fiscal, além de se encontrar com a exigibilidade suspensa. De fato, não há qualquer lógica em se considerar uma NFLD lavrada no mesmo momento da ação fiscal para fins de determinar se a entidade tinha ou não débitos em aberto perante a Previdência. O fato de haver supostamente diferenças no sistema interno CVALDIV também não comprova que a entidade estava em débito perante a Previdência. Para tanto, deveria ao menos ter sido juntada uma Certidão Positiva de Débitos. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 10 17 Destarte, não se comprovou que a Recorrente estaria em débito perante o INSS e a Recorrente junto aos autos (fls 764). Certidão de Negativa de Débitos que acoberta o período da verificação e fiscal. Do descumprimento ao inc. VI do art. 3º do Decreto nº 2.536/98 Consignou a fiscalização que a entidade não cumpre os requisitos necessários à obtenção do CEBAS, pois não destina o percentual de 20% da receita bruta para a gratuidade, não tendo também prestado, opcionalmente, o percentual mínimo de 60% de serviços ao SUS. “Art. 3º Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) (...) VI aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeira, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída (...) § 4º A instituição de saúde deverá, em substituição ao requisito do inciso VI, ofertar a prestação de todos os seus serviços ao SUS no percentual mínimo de sessenta por cento, e comprovar, anualmente, o mesmo percentual em internações realizadas, medida por pacientedia, ou ser definido pelo Ministério da Saúde como hospital estratégico, a partir de critérios estabelecidos na forma de decreto específico. (Redação dada pelo Decreto nº 4.327, de 8.8.2002)” A Recorrente sustenta que o cálculo realizado pela fiscalização está equivocado, pois a gratuidade deveria levar em conta a composição de atendimentos gratuitos strictu sensu e o alto percentual de atendimento SUS realizados pela unidade mãe da instituição (Hospital São Rafael) e pelas unidades satélites. Pontuou ainda que o valor da gratuidade não envolve a diferença entre o valor pago pelo SUS e o praticado pelo mercado, o que seria vedado, mas sim a diferença entre os custos dos serviços e o valor pago pelo SUS, posto que se a União sequer consegue reembolsar os custos dos serviços por meio do SUS, evidente que esta diferença é suportada pelas filantrópicas e devem ser consideradas como gratuidade. Analisando o tema, constatase que este Conselho não é o órgão competente para dirimir acerca dos requisitos exclusivos do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS. Isto porque, tal certificado é concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, que analisa a sua renovação a cada três anos. Nesse sentido, destacase os parágrafos 2º e 3º do art. 3º do Decreto nº 2.536/98 (vigente à época dos fatos atualmente Decreto nº 8.242, de 23 de maio de 2014): “Art. 3º Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 18 que demonstre, cumulativamente:(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) (...) § 2º O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. § 3º Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. Verificase que o CNAS tem a competência para deliberar acerca do CEBAS, julgando os processos administrativos sobre a matéria. Segue abaixo art. 7º do Decreto nº 2.536/98: “Art . 7º Compete ao CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, observando as disposições deste Decreto e de legislação específica, bem como cancelar, a qualquer tempo, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, se verificado o descumprimento das condições e dos requisitos estabelecidos nos arts. 2º e 3º. § 1o Das decisões finais do CNAS caberá recurso ao Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social no prazo de dez dias, contados da data da publicação do ato no Diário Oficial da União, por parte da entidade interessada ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS; e das decisões do CNAS que não referendarem os atos da Presidência será interposto recurso ex officio, sem prejuízo de eventual recurso voluntário. (Redação dada pelo Dec 3.504, de 13.06.2000) § 2º Qualquer Conselheiro do CNAS, os órgãos específicos dos Ministérios da Justiça e da Previdência e Assistência Social, o INSS, a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou o Ministério Público poderão representar àquele Conselho sobre o descumprimento das condições e requisitos previstos nos arts. 2º e 3º, indicando os fatos, com suas circunstâncias, o fundamento legal e as provas ou, quando for o caso, a indicação de onde estas possam ser obtidas, sendo observado o seguinte procedimento: (...)” Assim, caso haja manifestação deste Conselho acerca do CEBAS, estarseá usurpando a competência do CNAS. Registrese, por oportuno, que conforme consta no item 3.1 do REFISC (fl. 07), a Recorrente tinha processos pendentes junto ao CNAS para a concessão do CEBAS, de 1997 até 2009. Contudo, em razão do disposto no art. 37, da Medida Provisória nº 446/2008, todos os pedidos de renovação de CEBAS que não haviam sido julgados até a data da edição da referida MP foram considerados deferidos, restando prejudicadas todas as representações propostas pelo Poder Executivo junto ao CNAS. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001428/200813 Acórdão n.º 2402004.611 S2C4T2 Fl. 11 19 Nesse sentido, cumpre destacar que foram expedidas pelo Secretário da Atenção à Saúde a Portaria 1.144 de 30/10/2014 (DOU da 31/10/2014, seção 1, página 60), Portaria 1.145 de 30/10/2014 (DOU da 31/10/2014, seção 1, página 60), Portaria 1.146 de 30/10/2014 (DOU da 31/10/2014, seção 1, página 61) e Portaria 1.144 de 30/10/2014 (DOU da 31/10/2014, seção 1, página 61), as quais declararam como prejudicada as representações da Recorrente apresentadas ao CNAS pela Receita Federal. Diante disso, concluise que a Recorrente possuía o CEBAS. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DARLHE TOTAL PROVIMENTO para que seja cancelado o presente Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 13852.000408/2002-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/01/2000 a 31/12/2000
IPI. RESSARCIMENTO.CORREÇÃO MONETÁRIA.ANALOGIA
O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois para aquele não há previsão de atualização monetária.
O art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
RECURSO REPETITIVO RESP 993.164/MG. TEMPO TRANSCORRIDO ENTRE PEDIDO E EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO NÃO CONFIGURA OPOSIÇÃO ESTATAL INDEVIDA
A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar.
Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator) e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joel Miyazaki.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
JOEL MIYAZAKI - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto);
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/01/2000 a 31/12/2000 IPI. RESSARCIMENTO.CORREÇÃO MONETÁRIA.ANALOGIA O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois para aquele não há previsão de atualização monetária. O art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. RECURSO REPETITIVO RESP 993.164/MG. TEMPO TRANSCORRIDO ENTRE PEDIDO E EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO NÃO CONFIGURA OPOSIÇÃO ESTATAL INDEVIDA A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13852.000408/200272 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.010 – 3ª Turma Sessão de 5 de junho de 2014 Matéria Ressarcimento de IPI Recorrente JBS EMBALAGENS METÁLICAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/01/2000 a 31/12/2000 IPI. RESSARCIMENTO.CORREÇÃO MONETÁRIA.ANALOGIA O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois para aquele não há previsão de atualização monetária. O art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. RECURSO REPETITIVO RESP 993.164/MG. TEMPO TRANSCORRIDO ENTRE PEDIDO E EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO NÃO CONFIGURA OPOSIÇÃO ESTATAL INDEVIDA A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator) e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joel Miyazaki. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 2. 00 04 08 /2 00 2- 72 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. JOEL MIYAZAKI Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto); Relatório Insurgese a contribuinte em Recurso Especial de fls. 284/381, admitido pelo Exame de Admissibilidade nº 3100039, de fls. 393/394, contra o Acórdão 310100.894, de fls.256/261 que, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. O Acórdão traz a seguinte ementa: Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ANALOGIA. O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois não há previsão de atualização monetária. Notese que o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. Tratase de pleito de ressarcimento relativo a Crédito Presumido de IPI protocolado em 26.09..2002 e deferido após cinco anos em 26.09.2007, sem o reconhecimento da correção monetária. Com Contrarrazões às fls. 396/404 onde a Fazenda Nacional sustenta a improcedência das alegações da Recorrente uma vez que a diferenciação entre os institutos da restituição e do ressarcimento impede a correção monetária. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13852.000408/200272 Acórdão n.º 9303003.010 CSRFT3 Fl. 3 3 Registra o documento que a restituição pressupõe o pagamento indevido havendo um recolhimento que posteriormente vem a ser repetido pelo contribuinte, tudo na conformidade do art. 165 do CTN. Transcreve excerto do Acórdão 20180965 deste Conselho que reverbera ser impeditivo ao administrador público fazer o que a lei não prevê e, ainda, noticia que a aplicação da Taxa SELIC em casos como o deste processo é considerada impossível por várias Câmaras do Segundo Conselho de então e, transcreve os julgados. Reverbera também que o crédito incentivado de IPI revestido de natureza de benefício fiscal, decorre de política estatal para reger um dado momento econômico e assim sendo, deve ser interpretado de modo restritivo. Inclui raciocínio no sentido de que “não há que se falar em aplicação do art.62A do RICARF que determina a reprodução, pelo Conselho, de decisões definitivas de mérito tomadas pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que não se coaduna com o caso em exame.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Este Recurso Especial restringese ao insurgimento contra a atualização monetária em ressarcimento de crédito presumido de IPI decidida no Acórdão de fl. 256 fundamentado no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. A Recorrente transcreve os Acórdãos nºs 340101.344 da 4a Câmara da 1a Turma Ordinária e 340200.610 da 4a Câmara da 2a Turma Ordinária deste Conselho decidindo favoravelmente a aplicação da atualização monetária quer pelo instituto da analogia quer em razão de ser o ressarcimento uma espécie do gênero restituição. De todos sabido que a atualização monetária não representa acréscimo a qualquer valor buscado e sim, apenas e tão somente, recuperação do valor de compra da moeda. A Súmula nº 411 do STJ diz ser devida à correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A decisão de fl. 256 indefere a pretensão da JBS EMBALAGENS METÁLICAS Ltda., ora Recorrente, quanto à correção monetária por ausência de previsão Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 legal sendo indisponível o uso de analogia para criar direito ao contribuinte porque traz ferimento aos princípios administrativos da legalidade, impessoalidade e moralidade. Diante do exposto, estando o assunto submetido aos ditames do art. 543C do CPC e caracterizada nestes autos a resistência do fisco para atualizar o crédito voto por dar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte no sentido de que o crédito seja corrigido monetariamente a partir do protocolo do pedido. Sala das Sessões, 05 de junho de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Voto Vencedor Conselheiro Joel Miyazaki Redator designado Ouso discordar das brilhantes considerações tecidas pelo eminente conselheiro relator. É que, a meu sentir, a posição mais consetânea com o bom direito é a da não incidência da taxa SELIC nos casos de ressarcimento de créditos do IPI, visto que, inexiste previsão legal que autorize a atualização. Quanto a esta questão, adoto e endosso as razões de decidir do voto vencedor da decisão recorrida. Com relação ao recurso repetitivo REsp 993.164/MG de relatoria do Ministro Luiz Fux, este não se aplica ao caso aqui discutido. O Fisco não ofereceu resistência indevida no presente caso, os créditos solicitados pela contribuinte foram integralmente deferidos pela autoridade preparadora como bem relatado no presente acórdão. A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar. A administração tem o poder/dever de deferir ou não os créditos em ressarcimento solicitado pelo administrado, por outro lado, deve também zelar pelo princípio da eficiência vis a vis as inúmeras tarefas e serviços que necessitam ser desempenhadas e providos aos contribuintes, em contraste com a notória carência de recursos humanos e materiais enfrentada pelo serviço público. Ainda que se admitisse, por amor ao debate, que a demora configurasse oposição, pergunto: quanto é o tempo "razoável" ? Seis meses, um ano, dois anos ? Qual a penalidade pelo descumprimento do "tempo razoável" ? Como já dito, o direito administrativo é regido pelo princípio da legalidade, não há como arbitrariamente definirse um prazo que a Lei não estabeleceu. Desse modo, não havendo previsão legal e não se enquadrando a situação nos termos do recurso repetitivo, NEGO provimento ao recurso especial. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13852.000408/200272 Acórdão n.º 9303003.010 CSRFT3 Fl. 4 5 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918913/2012-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/02/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 13 /2 01 2- 08 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918913/201208 Acórdão n.º 3801005.096 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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