Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13971.720798/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EM RELAÇÃO À ALTERAÇÃO DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/1996 PELA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE DE PENALIDADE DE MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. EMBARGOS REJEITADOS.
Embora as alterações do texto do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tenham de fato distinguido as bases de cálculo das penalidades de multa isolada e de ofício, não pretendeu cumulá-las. Por essa razão, é inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei nº 11.488/2007.
Não é possível opor Embargos para tentar reapreciar a matéria quando esta já foi devidamente examinada com base em fundamento distinto do quanto pretendido por alguma das partes, haja vista que o julgador pode formar livremente a sua convicção.
Numero da decisão: 1202-001.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos pela Fazenda Nacional para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EM RELAÇÃO À ALTERAÇÃO DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/1996 PELA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE DE PENALIDADE DE MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. EMBARGOS REJEITADOS. Embora as alterações do texto do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tenham de fato distinguido as bases de cálculo das penalidades de multa isolada e de ofício, não pretendeu cumulá-las. Por essa razão, é inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei nº 11.488/2007. Não é possível opor Embargos para tentar reapreciar a matéria quando esta já foi devidamente examinada com base em fundamento distinto do quanto pretendido por alguma das partes, haja vista que o julgador pode formar livremente a sua convicção.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13971.720798/2011-35
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5433965
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1202-001.228
nome_arquivo_s : Decisao_13971720798201135.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GERALDO VALENTIM NETO
nome_arquivo_pdf_s : 13971720798201135_5433965.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos pela Fazenda Nacional para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5834132
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703589486592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.998 1 1.997 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720798/201135 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202001.228 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria Penalidade de multa isolada Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado WESTER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EM RELAÇÃO À ALTERAÇÃO DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/1996 PELA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE DE PENALIDADE DE MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. EMBARGOS REJEITADOS. Embora as alterações do texto do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tenham de fato distinguido as bases de cálculo das penalidades de multa isolada e de ofício, não pretendeu cumulálas. Por essa razão, é inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei nº 11.488/2007. Não é possível opor Embargos para tentar reapreciar a matéria quando esta já foi devidamente examinada com base em fundamento distinto do quanto pretendido por alguma das partes, haja vista que o julgador pode formar livremente a sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos pela Fazenda Nacional para negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 98 /2 01 1- 35 Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1202001.228 S1C2T2 Fl. 1.999 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório WESTER INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a Impugnação para reduzir os tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) relativos aos meses de novembro de 2006 e novembro e dezembro de 2007. O referido Recurso Voluntário foi apreciado por esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF na seção de 08/10/2013, tendo sido proferido o Acórdão nº 1202001.033, que deu parcial provimento para excluir do lançamento a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. INFRAÇÃO À LEI. São solidariamente obrigados os sócios com poderes de gestão que tenham agido com infração a lei. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1202001.228 S1C2T2 Fl. 2.000 3 Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa, caracterizada por sonegação. DECADÊNCIA. DOLO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. A Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, fls. 1989/1994, alegando omissão no acórdão em relação à análise das alterações no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 promovidos pela Medida Provisória nº 351/2007 de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Argumenta a Embargante que tais alterações legislativas autorizariam a cumulação das multas isolada e de ofício a partir de 22 de janeiro de 2007, pois teriam suas bases de cálculo distintas. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto Os Embargos foram apresentados tempestivamente, motivo pelo qual deles tomo conhecimento e passo a analisar a questão suscitada pela Embargante. Aduz a Embargante que há omissão no Acórdão nº 1202001.033 proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (fls.1970/1987), porquanto não faz referência às alterações promovidas pela Lei 11.488/2007. Cumpre enfatizar, desde o início, que não é hipótese legal de oposição de Embargos de Declaração a tentativa de reapreciação pela Turma de questão já analisada quando do proferimento do julgado na hipótese de não ter sido utilizado fundamento pretendido por alguma das partes do processo, como ora se pretende, de forma totalmente equivocada. Conforme relatado, a Embargante alega que as alterações legislativas promovidas pela Medida Provisória 351/2007 convertida na Lei nº 11.488/2007 no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 teriam alterado as bases de cálculo das multas de ofício e isolada, o que teria permitido, segundo a Embargante, a incidência de ambas de forma concomitante. Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1202001.228 S1C2T2 Fl. 2.001 4 Quanto a essa matéria, este Colegiado possui entendimento sedimentado, embora não unânime, no sentido da impossibilidade da concomitância das multas de ofício e isolada do art. 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após a nova redação, matéria essa examinada no Acórdão nº 1202001.033 por seus fundamentos. Tanto é assim que a Portaria nº 23/2014 do CARF convocou a Reunião do Pleno e das Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais para decidirem sobre as propostas de súmulas em pauta. Destaco a seguinte redação, entre as 7 (sete) novas súmulas aprovadas, o texto da Súmula 105 do CARF: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Da mesma forma é o entendimento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como pode se verificar nos Acórdãos 910101.113, julgado em 2 de agosto de 2011, e 910100.504, julgado em 26 de janeiro de 2010 e em outros julgados publicados recentemente, como no Acórdão 9101001693, julgado em 16/07/2013 e Acórdão em Embargos de Declaração 1402001825, julgado em 25/09/2014, cujo teor da ementa elucida a questão. Vejamos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Verificadas omissão e contradição no acórdão embargado, cumpre esclarecer a extensão do resultado do julgamento do recurso, sanando, assim, a omissão e a contradição levantadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1% ao mês.” Ainda neste sentido, transcrevo excertos do voto condutor de referido julgado, que esclarecem a matéria: “(...) Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto a impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do ano calendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1202001.228 S1C2T2 Fl. 2.002 5 não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir no parágrafo §1o, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Portanto, as multas de oficio isoladas, concomitante às multas proporcionais, devem ser exoneradas, ainda que após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007.” Conforme apontou o I. Conselheiro no voto condutor acima destacado, a alteração da lei que implicou em diferenciação da base de cálculo da multa isolada prevista no inciso II do artigo 44 da 9.430/96 não autorizou a incidência concomitante da multa de ofício, como há previsão expressa de cumulatividade, de forma excepcional, nos casos previstos no §1º do referido artigo. A cumulação das multas, ainda que incidentes em bases de cálculo distintas, dariam causa a bis in idem. O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no sistema brasileiro, ainda que o fato se afigure enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. A Embargante sustenta que as multas em questão incidem sobre bases de cálculo e infrações diversas: a multa de ofício, das infrações às regras de determinação do lucro real; a multa isolada, decorrente do descumprimento do modo de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada. Óbvio, no entanto, que ambas as infrações são resultado de um fato comum, que pode caracterizar, abstratamente, mais de uma infração e bases de cálculo distintas, o que não descaracteriza o bis in idem. Conforme é possível se observar, não assiste razão à Embargante, uma vez que não há omissão ou contradição no acórdão embargado, que está em conformidade com o posicionamento consolidado desta Turma e da CSRF, objeto de recente Súmula do CARF (de nº 105), conforme já expostos no acórdão embargado. Vale enfatizar que não é possível opor Embargos para tentar reapreciar a matéria quando esta já foi devidamente examinada com base em fundamento distinto do quanto pretendido por alguma das partes, haja vista que o julgador pode formar livremente a sua convicção, sem ter que se manifestar em face de tudo o quanto alegado pelas partes. Em face do exposto, conheço dos embargos e os rejeito pelas razões acima aduzidas. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1202001.228 S1C2T2 Fl. 2.003 6 Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904333/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 18/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE.
Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado, atribuindo-lhes efeitos infringentes quando a solução da contradição exigir modificação da decisão tomada.
Embargos Acolhidos
Acórdão Retificado
Numero da decisão: 3102-002.303
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Votou o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que havia pedido vista do Processo.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 18/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado, atribuindo-lhes efeitos infringentes quando a solução da contradição exigir modificação da decisão tomada. Embargos Acolhidos Acórdão Retificado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.904333/2008-22
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440816
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-002.303
nome_arquivo_s : Decisao_16327904333200822.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 16327904333200822_5440816.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Votou o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que havia pedido vista do Processo. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5855232
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703604166656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904333/200822 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3102002.303 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante BANCO CITIBANK S/A Interessado BANCO CITIBANK S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 18/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado, atribuindolhes efeitos infringentes quando a solução da contradição exigir modificação da decisão tomada. Embargos Acolhidos Acórdão Retificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Votou o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que havia pedido vista do Processo. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 3102001.639, de 26 de setembro de 2012, que, à época, recebeu a seguinte ementa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 43 33 /2 00 8- 22 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102002.303 S3C1T2 Fl. 186 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do Fato Gerador: 18/06/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Trata o presente processo de pedido de compensação de créditos de pagamento a maior do Imposto Sobre Operações Financeiras – IOF. Em auditoria eletrônica, o pedido de compensação não foi homologado em razão dos créditos informados estarem integralmente alocados a débitos da Recorrente, conforme declarado em DCTF, não restando créditos a serem utilizados. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho, alegando que os créditos teriam origem em valores recolhidos indevidamente do IOF. Para justificar o recolhimento a maior, a empresa apresentou os seguintes esclarecimentos: “A Requerente, Instituição Financeira, efetuou operações de crédito (empréstimo) com diversos clientes (pessoas jurídicas). Para tais operações, o art. 7°, I, "b", 1. do Decreto n°4.494/02 previu a incidência do IOF: "Art. 7° A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei n° 8.894, de 1994, art. 1°, parágrafo único, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: (...) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia;” O mesmo Decreto, no art. 7°, § 1º, limitou a incidência do IOF sobre as operações de crédito financiamento ao "valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por Fl. 701DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102002.303 S3C1T2 Fl. 187 3 trezentos e sessenta e cinco dias" (365 dias x 0,0041%). Tal limitação ocorre, inclusive, quando há prorrogação da operação de crédito. É o que diz o § 7° do art. 7° do Decreto n° 4.494/02: § 7° Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de divida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que lido haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar a anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. Conclusão: nas operações de credito (empréstimos) efetuadas pela Requerente com seus clientes, o IOF devido é aquele relativo ao valor objeto do empréstimo a alíquota diária de 0,0041% (limitada a 365 dias).” Detalhado o funcionamento dos contratos de mútuo a empresa alega que o recolhimento a maior, ocorreu sobre operações de crédito com as empresas AON Affinity do Brasil Serviço, BOC Cases do Brasil Ltda. e Danzas Logist Armazéns Gerais, quando, por erro de sistema, considerou novamente o IOF em cada prorrogação do prazo da operação, dessa forma não limitou o cálculo do IOF à alíquota máxima de 0,0041% x 365 dias. Informa ainda na impugnação, que por ser mera responsável pela retenção do IOF, apurou os pagamentos efetuados a maior e providenciou a devolução dos valores indevidamente retidos aos clientes, acrescidos de juros e correção monetária. Demonstrado dessa forma que a empresa assumiu o encargo financeiro, resta comprovado o direito a restituição do IOF. Ao apreciar a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, analisou todas as alegações constantes da impugnação e toda a documentação apresentada, concluindo pelo indeferimento da manifestação de inconformidade. A não homologação do pedido de restituição/compensação foi assim descritos no voto da decisão da autoridade a quo: “Em relação às operações AON1 e as quatro envolvendo a empresa Danzas, o conjunto probatório ressentese da ausência do extrato bancário que apresente o depósito inicial dos recursos que teriam sido emprestados. A ausência desse elemento probatório compromete a força dos demais, uma vez que, sem o respaldo do extrato bancário, fica sem comprovação a própria efetividade do empréstimo, assim como a renovação que seria o motivo da existência do crédito. Sem a comprovação de que houve um empréstimo, os contratos e os documentos que seriam relativos à devolução feita ao cliente, perdem a coerência e, com isso, a força probatória e o necessário elo com a reivindicação de crédito. Nesse contexto, o que se extrai dos documentos trazidos aos autos é que, nas datas em que teria havido a contratação original dos empréstimos, houve um débito de IOF na conta corrente de um correntista da interessada, sem que haja qualquer vinculo com as operações de empréstimo que teriam originado o crédito reivindicado. Por seu turno, a comprovação da existência dos empréstimos envolvendo a empresa BOC Gases do Brasil Ltda. e a operação identificada como AON2 Fl. 702DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102002.303 S3C1T2 Fl. 188 4 ressentese da ausência dos contratos que comprovem a contratação e a renovação dos empréstimos alegados.” A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. 0 reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o direito ao crédito e que a documentação juntada seria suficiente para comprovar o indébito tributário. No Recurso, discorre sobre o contrato de mutuo e a que a sua prova não necessita de forma escrita, podendo ser feita por outros meios e no caso de mutuo bancário basta provar a ocorrência do crédito dos valores na conta corrente. As alegações sobre a efetividade da operação com base na documentação apresentada, foram assim detalhadas pela Recorrente: “Os contratos ou os extratos bancários, quando apresentados juntamente com as planilhas e as declarações, são elementos que demonstram suficientemente a efetividade dos empréstimos e suas prorrogações. Ademais, os débitos de juros sobre tais empréstimos, presentes nos extratos da contacorrente das empresas mutuárias, configuram mais um elemento a provar a efetividade do aludido negócio jurídico. Com efeito, nos casos em que os extratos bancários estão faltantes, mas os contratos foram apresentados, é de se notar que, embora a existência de contrato escrito não seja característica intrínseca ou essencial a essa espécie de contrato, tal elemento comprova sua existência e efetividade — salvo prova em contrário, evidentemente — não se podendo afirmar que seria indispensável apresentar o extrato com o crédito inicial dos recursos, ainda mais diante dos demais elementos apresentados (planilhas rubricadas, notas promissórias, extratos com o débito do imposto na conta do cliente etc.). Já nos casos em que os contratos estão faltantes, temse que a essência do mútuo (a entrega da coisa mutuada, no caso, o dinheiro) prevalece sobre o instrumento formal de sua existência (o contrato escrito).” Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora intimasse a Recorrente à apresentar os extratos bancários comprovando o depósito inicial dos contratos de mutuo referente às operações com as empresas Danzas Fl. 703DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102002.303 S3C1T2 Fl. 189 5 Logist Armazéns Gerais e da empresa AON Affinity do Brasil Serviço identificada como AON1. Na mesma diligência também deverá ser intimada a Recorrente, a apresentar os contratos de mutuo referente às operações com a empresa BOC Gases do Brasil Ltda. e da operação identificada como AON2 da empresa AON Affinity do Brasil Serviço. Atendendo a intimação realizada pela Unidade de Origem, a Recorrente apresentou extratos bancários com os depósitos da empresa Danzas Logistic e AON Affinity, contratos de mutuo da empresa BOC Gases do Brasil. Também foi apresentado contrato de mútuo de mutuo da empresa AON Affinity no valor de R$ 2.400.000,00. Os autos retornaram ao CARF para prosseguimento. As razões dos Embargos opostos ao Acórdão podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. (...) No entanto, ao assim decidir, o v. acórdão embargado padece de erro material e obscuridade, o que autoriza a oposição dos presentes Embargos de Declaração. Com efeito, o erro material apontado referese ao fato de que, embora o v. acórdão ora embargado tenha compreendido que houve a apresentação do extrato bancário com o depósito inicial dos recursos referentes à operação com a AON Affinity identificada como "AON1" isto é, o empréstimo no montante de R$ 7.065.100,00, firmado com tal empresa em 10.09.2001, e que gerou recolhimento indevido de IOF de R$ 26.359,89 acabou por lhe negar provimento, como se houvesse a ausência de algum elemento de prova, o que não é o caso. (...) Por sua vez, a obscuridade ora indigitada referese ao empréstimo indicado como "AON2" qual seja, o empréstimo de R$ 1.084.900,00, firmado com a AON Affinity em 12.03.2001. Com efeito, em seu recurso voluntário, o Embargante defendeu que a documentação juntada seria suficiente para demonstrar a efetividade dos empréstimos e as renovações, o que gerou o indébito de IOF, e que, considerandose que a transferência dos recursos se dá mediante depósito em contacorrente titulada pelo mutuário junto ao estabelecimento mutuante, bastaria, para provar sua ocorrência, a demonstração do crédito dos valores na referida contacorrente. Em outras palavras, alegou que a falta de contrato escrito não seria razão suficiente para a desconsideração de todo o negócio jurídico cuja ocorrência, em datas e valores, se pode extrair e comprovar facilmente a partir da análise dos documentos apresentados. Porém, relativamente à operação identificada como "AON2", o v. acórdão embargado, aparentemente, julgou indispensável a apresentação do contrato escrito e suas renovações, sendo, contudo, obscuro quanto a essa questão. Isso porque, o v. acórdão não foi claro em estabelecer se, de fato, a mera falta de contrato escrito, em que pesem os demais elementos de prova, seria o suficiente para não se reconhecer a existência da operação de empréstimo que motivou o indébito de IOF. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102002.303 S3C1T2 Fl. 190 6 (...) Refere o fato de, em outras decisões da mesma Turma, terse dado “provimento ao recurso do Embargante por se entender que não é necessária a prova escrita do contrato de mútuo para se constatar sua celebração". Transcreve ementa da decisão correspondente.” É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. A decisão final da lide em segunda instância encontrase nos três últimos parágrafos do Voto que integra o Acórdão neste embargado, com o seguinte teor. As informações apresentadas pela Recorrente quanto as operações com as empresas Danzas Logistic e BOC Gases confirmaram o indébito tributário, resolvendo a falta de documentos que foi suscitada no julgamento da primeira instância. Quanto as operações com a empresa AON Affinity, o contrato não corresponde em valor, tampouco em data de realização. Portanto, não há como vincular os documentos apresentados na diligência àqueles informados pela Recorrente que justificariam o recolhimento a maior do IOF quanto a contrato de mutuo. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para homologar os créditos referentes às operações com as empresas Danzas Logistic e BOC gases Ltda. e negar provimento a parte que concerne aos empréstimos com a empresa AON Affinity. Creio que um dos problemas esteja relacionado ao fato de o Processo ter sido baixado em diligência para que fossem apresentados os extratos bancários comprovando o depósito inicial dos contratos de mutuo referente às operações com as empresas especificadas (dentre elas a AON1), enquanto que a decisão tomada considerou o fato de o contrato apresentado não corresponder ao valor informado pela então Recorrente. É por isso a Embargante referese a erro material. Como disse, embora o v. acórdão ora embargado tenha compreendido que houve a apresentação do extrato bancário solicitado, acabou por lhe negar provimento, como se houvesse a ausência de algum elemento de prova. Pareceme que assiste razão à Embargante. Consta no Relatório que integra a decisão embarga a razão pela qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento deixou de reconhecer o direito creditório no caso da operação intitulada AON1, nos seguintes termos. Em relação às operações AON1 e as quatro envolvendo a empresa Danzas, o conjunto probatório ressentese da ausência do extrato bancário que apresente o depósito inicial dos recursos que teriam sido emprestados. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 3102002.303 S3C1T2 Fl. 191 7 Por esse motivo o julgamento foi convertido em diligência. À folha 604 do Processo (eProc), a empresa anexou extrato bancário no qual está registrado o empréstimo na Conta 1464086 AON Affinity do Brasil Serviço e, no valor de 7.065.100,00, depositado em 10/09/2001, exatamente como informado na petição original, folha 37 do Processo. Salvo melhor juízo, não existem as incompatibilidades que orientaram a decisão tomada. A Embargante não tem a mesma sorte em relação ao empréstimo AON2. Não há a obscuridade sugerida. A decisão determinou que fosse apresentado o contrato do mútuo, falha que, de forma análoga ao item anterior, motivou o indeferimento do pleito em primeira instância de julgamento. Observese o teor do Voto condutor da decisão tomada na instância a quo. Por seu turno, a comprovação da existência dos empréstimos envolvendo a empresa BOC Gases do Brasil Ltda. e a operação identificada como AON2 ressentese da ausência dos contratos que comprovem a contratação e a renovação dos empréstimos alegados. Uma vez que o contrato apresentado em atendimento à diligência demanda por estes Colegiado não correspondesse às especificações próprias no negócio examinado, a lacuna na instrução probatória apontada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e reconhecida em segunda instância terminou por não ser resolvida. VOTO por acolher os Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte, atribuindolhes efeitos infringentes, para reconhecer o direito de crédito também das operações intituladas AON1, homologando os débitos correspondentes. O dispositivo passa a ser o seguinte: Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para homologar os créditos referentes às operações com as empresas Danzas Logistic, BOC gases Ltda. e AON1 Affinity e negar provimento à parte que concerne aos empréstimos com a empresa AON2 Affinity. Sala das Sessões, 16 de outubro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 706DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720336/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO NÃO VERIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO IMPROCEDENTE.
Comprovado que a autuada declarou e recolheu os valores de IRPJ apurados no ajuste anual, descabe falar-se em insuficiência de recolhimentos, pelo que o lançamento de ofício é tido como improcedente e deve ser cancelado.
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário e não apresenta situação de saldo negativo. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO NÃO VERIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO IMPROCEDENTE.
Comprovado que a autuada declarou e recolheu os valores de CSLL apurados no ajuste anual, descabe falar-se em insuficiência de recolhimentos, pelo que o lançamento de ofício é tido como improcedente e deve ser cancelado.
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal.
Recurso de ofício improvido.
Numero da decisão: 1102-000.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época do julgamento), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Substituto Convocado), Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO NÃO VERIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO IMPROCEDENTE. Comprovado que a autuada declarou e recolheu os valores de IRPJ apurados no ajuste anual, descabe falar-se em insuficiência de recolhimentos, pelo que o lançamento de ofício é tido como improcedente e deve ser cancelado. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário e não apresenta situação de saldo negativo. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO NÃO VERIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO IMPROCEDENTE. Comprovado que a autuada declarou e recolheu os valores de CSLL apurados no ajuste anual, descabe falar-se em insuficiência de recolhimentos, pelo que o lançamento de ofício é tido como improcedente e deve ser cancelado. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso de ofício improvido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.720336/2012-15
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448445
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-000.851
nome_arquivo_s : Decisao_10830720336201215.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
nome_arquivo_pdf_s : 10830720336201215_5448445.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época do julgamento), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Substituto Convocado), Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5883609
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703607312384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720336/201215 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1102000.851 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2013 Matéria IRPJ e CSLL Falta de Recolhimento de Estimativas Multa isolada. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AVERY DENNISON DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO NÃO VERIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO IMPROCEDENTE. Comprovado que a autuada declarou e recolheu os valores de IRPJ apurados no ajuste anual, descabe falarse em insuficiência de recolhimentos, pelo que o lançamento de ofício é tido como improcedente e deve ser cancelado. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário e não apresenta situação de saldo negativo. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO NÃO VERIFICADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO IMPROCEDENTE. Comprovado que a autuada declarou e recolheu os valores de CSLL apurados no ajuste anual, descabe falarse em insuficiência de recolhimentos, pelo que o lançamento de ofício é tido como improcedente e deve ser cancelado. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 36 /2 01 2- 15 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10830.720336/201215 Acórdão n.º 1102000.851 S1C1T2 Fl. 3 2 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso de ofício improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época do julgamento), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Substituto Convocado), Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de uma ação fiscal de revisão da DIPJ do anocalendário de 2007 – exercício/2008, onde foi constatado ter havido dedução indevida de IRPJ e CSLL (Linha 17, Ficha 12A e Linha 59, Ficha 17A), insuficiência de declaração em DCTF e de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL de DEZ/07, fruto das divergências entre os valores constantes da referida DIPJ e da DCTF do período mencionado, conforme demonstrativo abaixo: A Autoridade Fiscal relatou o resumo de todo o procedimento havido e pontuou: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10830.720336/201215 Acórdão n.º 1102000.851 S1C1T2 Fl. 4 3 i) que “foi verificado que deixaram de ser efetuados a declaração em DCTF e o recolhimento de IRPJ e CSLL”; ii) que, “tais valores deverão ser lançados neste Auto de Infração, conforme tabela abaixo”: iii) que, “também foi verificado que deixou de ser efetuado o recolhimento de IRPJ/CSLL sobre o valor do pagamento mensal apurado nos Balanços ou Balancetes de Suspensão ou Redução”; iv) que, “portanto, devese lançar a multa isolada de 50% sobre o valor das estimativas mensais do IRPJ/CSLL não recolhidas, nos termos da Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso II, “b”, conforme tabela abaixo”: Dessa constatação resultou na lavraturas em 20/01/2012 (fls. 2 a 16 e 19) dos autos de infração relativos ao ajuste de IRPJ e CSLL, além da MULTA ISOLADA de IRPJ e CSLL em razão da insuficiência de declaração e de recolhimento da estimativa de DEZ/07, sendo cientificado o contribuinte em 24/01/2012, por via postal “AR” (fls.63). A impugnação se restringiu basicamente a informar que os valores dos ajustes teriam sido devidamente recolhidos na época de seu vencimento, trazendo aos autos a documentação fiscal pertinente (DCTF, parte da DIPJ, DARF). A Delegacia Regional de Julgamento em Campinas – DRJ/SP proferiu acórdão no sentido de julgar parcialmente procedente os lançamentos apreciados nos presentes autos, cancelando as exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao ajuste anual uma vez que restou provado às fls. 169 a 171 os recolhimentos, e mantendo as relativas à MULTA ISOLADA DO IRPJ e MULTA ISOLADA DA CSLL, e por dever de ofício encaminhou o presente recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10830.720336/201215 Acórdão n.º 1102000.851 S1C1T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Francisco Alexandre Dos Santos Linhares – Relator A autuação procedida pelo Fisco centrouse em duas possíveis irregularidades cometidas pela contribuinte, quais sejam: a) Insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL na Declaração de Ajuste Anual; b) Multas isoladas sobre as estimativas mensais de IRPJ e CSLL recolhidas a menor. O acórdão recorrido de ofício da DRJ/SP, não merece quaisquer reparos, uma vez que tendo a contribuinte optado pela sistemática do “Lucro Real anual”, obrigouse a recolhimentos mensais das referidas exações sobre bases de cálculo estimadas ou apuradas mediante balanços ou balancetes de redução/suspensão, e obrigandose também a proceder ao necessário ajuste anual no findar do período. Nesta ótica, segundo concluiu o trabalho fiscal, a contribuinte teria deixado de declarar e recolher os valores relativos ao IRPJ e CSLL apurados no encerramento do período, isto é, no ajuste anual, implicando em se lançar de ofício tais montantes, conforme planilha abaixo elaborada pelo Fisco, para melhor visualização: De fato confirma o contribuinte que cometeu equívocos no preenchimento da DIPJ e DCTF e que tentou retificálas, não conseguindo por se encontrar sob ação fiscal. Juntou ainda as cópias das DCTF juntadas às fls. 140 (IRPJ) e 155 (CSLL), que mostram que mencionados montantes foram devidamente declarados pela contribuinte. Junta comprova ainda às fls. 169 a 171 que os referidos débitos apontados nos Autos de Infração foram devidamente recolhidos na data de seu vencimento em data de 31/03/2008, códigos 2430 – IRPJ – DEC. AJUSTE e 6773 – CSLL – DEC. AJUSTE, , e portanto muito antes da autuação. Esses pagamentos foram analisados e confirmados no sistema da RFB pela DRJ. Assim, é de se perceber que encontrase perfeito o entendimento da DRJ/SP que determinou serem absolutamente improcedentes o lançamento efetuado a título de “insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL na declaração de ajuste anual”. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10830.720336/201215 Acórdão n.º 1102000.851 S1C1T2 Fl. 6 5 Assim, é de se perceber que não merece reparos o acórdão da DRJ/SP, e por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso de ofício, mas negarlhe provimento integralmente. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
score : 1.0
Numero do processo: 13151.000026/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
IRPF. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
No julgamento do REsp º 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62-A do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
Para se beneficiar da tributação favorecida a lei exige a escrituração do Livro Caixa, abrangendo todas as receitas e despesas com a atividade rural. Além do mais, todos os valores escriturados deverão ser comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme dispõe o art. 60 da Lei nº 9.250/1995.
Numero da decisão: 2201-002.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: IRPF. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. No julgamento do REsp º 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62-A do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. Para se beneficiar da tributação favorecida a lei exige a escrituração do Livro Caixa, abrangendo todas as receitas e despesas com a atividade rural. Além do mais, todos os valores escriturados deverão ser comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme dispõe o art. 60 da Lei nº 9.250/1995.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13151.000026/2009-12
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5438494
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.620
nome_arquivo_s : Decisao_13151000026200912.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Eduardo Tadeu Farah
nome_arquivo_pdf_s : 13151000026200912_5438494.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5848628
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703625138176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13151.000026/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.620 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ROSE MENEGHATTI DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: IRPF. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. No julgamento do REsp º 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. Para se beneficiar da tributação favorecida a lei exige a escrituração do Livro Caixa, abrangendo todas as receitas e despesas com a atividade rural. Além do mais, todos os valores escriturados deverão ser comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme dispõe o art. 60 da Lei nº 9.250/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 1. 00 00 26 /2 00 9- 12 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício formalizado contra Rose Meneghatti de Souza e Mauro Antônio de Souza, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2003 e 2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 470/477, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.678.609,94. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificados do lançamento, os contribuintes apresentaram Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Inconformados, ambos os autuados apresentaram impugnação. A primeira autuada, Rose Menegahatti de Souza, arguiu decadência do crédito tributário relativo ao ano base 2003, fundada no fato de que o Imposto de Renda é tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo prazo de decadência é fixado pelo §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. O referido dispositivo estabelece como termo inicial a data do fato gerador, que, no caso, se consumou em 31 de dezembro de 2003. Assim, o termo final deuse em 31 de dezembro de 2008. Entretanto a intimação do lançamento só se efetivou em fevereiro de 2009. No mérito, sustentou a validade dos documentos apresentados para comprovar a origem dos valores depositados na conta bancária, que decorreriam do exercício da atividade rural. Tais receitas, omitidas na declaração de ajuste, devem ser tributadas conforme a legislação específica. Afirmou ainda que o auto de infração é contraditório, porquanto, ao mesmo tempo em que se nega a reconhecer o exercício da atividade rural pela impugnante, aceita o documento de fls. 215 e 216, resultante de contrato de compra e venda de 35 reses pelo valor de R$ 30.000,00. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13151.000026/200912 Acórdão n.º 2201002.620 S2C2T1 Fl. 3 3 Por fim, contestou a aplicação da multa qualificada, afirmando que não houve subsunção dos fatos ao disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Invocou em socorro da pretensão de excluir a multa o enunciado da Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Negou a existência de dolo em sua conduta, bem como de manifesto intuito de fraude ou sonegação. Aduziu que o dolo não pode se presumido. Com esses fundamentos pugnou pelo reconhecimento da decadência em relação ao crédito tributário pertinente ao ano de 2003; pela exclusão dos valores pertencentes a terceiros e os relativos à atividade rural; e pela exclusão da multa qualificada. Protestou pela produção de provas e juntada de documentos. Requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a intimação do advogado comunicandolhe a data e a hora da sessão de julgamento. O segundo impugnante, Mauro Antônio de Souza, reproduziu essencialmente os mesmos fundamentos com base nos quais deduziu os mesmos pedidos contidos na impugnação anterior, a eles acrescendo o pedido de reconhecimento de inexistência de solidariedade passiva. Disse ser enorme a diferença entre sua movimentação financeira, nos anos de 2003 e 2004, no montante de R$ 373.069,38, e a da primeira impugnante, que atingiu no mesmo período no total de R$ 2.752.618,60. Alegou ainda cerceamento do direito de defesa, uma vez que não lhe fora proporcionada a oportunidade para se manifestar sobre todas as operações realizada pela primeira impugnante, mas tãosomente acerca das operações realizadas com o cônjuge. Disse, por fim, que a responsabilidade solidária foi embasada no art. 124 do CTN, sem especificar qualquer um dos dois incisos, cerceandolhe o exercício do direito de defesa. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou parcialmente procedente o lançamento, reduzindo o percentual da multa aplicada de 150% para 75%, conforme se observas das ementas abaixo transcritas: FASE DE FISCALIZAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. Na fase de fiscalização, por não haver formalmente nenhuma imputação de responsabilidade por prática de infração, não se cogita de ampla defesa, nem de contraditório, que ficam postergados para o momento da impugnação, quando ao contribuinte se garante o direito de alegar toda a matéria de defesa que lhe parecer cabível. IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência do Imposto de Renda da pessoa física, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, é o momento em que se consuma o fato gerador, Fl. 778DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 conforme dispõe o §4º do art. 150 do CTN; porém, na falta do pagamento antecipado a que se refere o caput do mesmo art. 150, aplicase a regra contida no inciso I do art. 173 do CTN. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. INCOMPATIBILIDADE COM A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é incompatível com a multa qualificada prevista no §1º do art. 44 do mesmo diploma legal. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É solidária a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário quando ficar demonstrado o interesse comum na situação que constitui fato gerador da respectiva obrigação. Impugnação Procedente em Parte (grifei) Intimada da decisão de primeira instância em 24/11/2009 (AR de fl. 591), Rose Meneghatti de Souza interpôs, em 10/12/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 592/608, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 495), acompanhado do Recurso Voluntário de Mauro Antônio de Souza, fls. 609/628, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 13/03/2012 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2202000.191, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2003. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13151.000026/200912 Acórdão n.º 2201002.620 S2C2T1 Fl. 4 5 Do Recurso de Rose Meneghatti de Souza Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte. Quanto à preliminar de decadência, cumpre deixar assentado que o imposto de renda da pessoa física é uma modalidade de lançamento por homologação, já que a lei atribui à pessoa física a incumbência de apurar o imposto e, consequentemente, efetuar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa. O § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) fixa o prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Contudo, em relação à data da contagem do fato gerador, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, de 12/08/2009, sob o rito do art. 543C do CPC, determinou que nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN. No entanto, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, em razão do art. 62A do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, deve se aplicar à espécie o Recurso Especial nº 973.733/SC. No caso dos autos, como não houve pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, conforme se observa da Declaração de Ajuste de fls. 124/127, devese aplicar à espécie a regra contida no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, o fato gerador relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF anocalendário de 2003, ocorreu em 31/12/2003, e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2005 e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2009. Desse modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 16/02/2009, fl. 492, o crédito tributário não havia ainda sido atingido pela decadência. Passando às questões pontuais de mérito, alega a recorrente que “Os documentos comprovam e materializam a tese de atividade rural, cujos rendimentos provenientes dessa atividade, omissos na declaração de rendimentos devem ser tributados conforme legislação que rege a espécie”. No que tange à alegação supra, cabe esclarecer que o § 5° do art. 61 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, determina que as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente Fl. 780DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 utilizados nessas negociações, uma vez que se trata de tributação mais benéfica ao contribuinte. Vejase: Art. 61 (...) § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. A comprovação de origem, nos termos do disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, deve ser interpretada como a apresentação pela contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Assim, deve a recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. Com efeito, o ônus dessa prova recai exclusivamente sobre o contribuinte. Dito isso, compulsandose os autos, mais precisamente os Contratos Particulares de Parceria Pecuária, penso que não são hábeis para comprovar a origem dos haveres aportados no movimento bancário da recorrente. Na verdade, os documentos particulares obriga e faz prova entre as partes, todavia, não contra terceiros, no caso, o fisco. A fim de evitar prejuízos a terceiros e/ou como forma de prevenir simulações o documento terá de ser feito na forma pública, pois o registro lhe confere publicidade e perpetuidade, revestido o de características que lhe prestem segurança quanto à manifestação nele contida. Com efeito, repisese, para caracterização da atividade rural é imprescindível sua comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e coerente com a atividade exercida. Nesse passo, reproduzo as observações e constatações da autoridade lançadora, as quais considero bastantes para referendar o lançamento na forma do art. 42 da lei 9.430/1996 (Termo de Verificação Fiscal fls. 480/481): Mauro apresentou dois contratos de parceria com o sujeito passivo, ao que parece seu cônjuge, mas que na realidade são contratos de compra e venda pelos quais, o último teria recebido R$ 150.500,00 durante o ano de 2004, R$ 18.417,00 em 14/04/2004 e R$ 64.200,00 durante o ano de 2003, segundo recibos acostados, donde se depreende que ele teria vendido para seu, cônjuge, o sujeito passivo, 346 reses em 2004 e 167 reses em 2003, ao passo que entre 19/02/2003 e 01/04/2004, pela declaração juntada, teria depositado na conta do cônjuge R$ 80.453,00 correspondente a vendas de 811 reses, ou seja, totalmente inconsistente a resposta. Por uma, porque o parceiro compra de outro parceiro uma certa, quantidade de reses para engordar em parceria e depois recebe participação da venda de outra quantidade de reses, totalmente diferente, cujo valor é menor, mas a quantidade é maior. Ainda dentre os pagamentos recebidos por Mauro Antonio de Souza,, constam prestações de serviços e fornecimentos de Fl. 781DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13151.000026/200912 Acórdão n.º 2201002.620 S2C2T1 Fl. 5 7 mercadorias atinentes à atividade rural, além de R$ 6.000,00 por realização de festa junina. No atendimento à segunda intimação a ele dirigida (21/08/2008), acostou mais um recibo de recebimento por prestações de serviços e fornecimentos de mercadorias atinentes à atividade rural e dois recibos no total de R$ 48.938,56 pela venda de 176 reses (fls. 241 a 246), de modo que em 2003 teria recebido R$ 113.138,56 contra os R$ 64.200,00 pactuados, além de que em 2004 teria recebido R$ 168.417,00 contra os R$ 150.000,00. pactuados. Por outro lado, o total de reses vendidas para o sujeito passivo passaria de 513 para 689 nos dois anos, permanecendo a inconsistência anteriormente acusada, onde se vê: quantidades díspares de reses pactuadas, e efetivamente vendidas valores de compras pelo sujeito passivo de quantidade menor de reses que a quantidade vendida por um preço muito maior do que o preço recebido pela parceria nas vendas. Outro ponto a observar nas operações relatadas pelo provável cônjuge é a grande variação de preço por rês 228, que também é muito diferente do preço médio constante das declarações de bens e direitos do sujeito passivo (fls. 09 e 14). Ademais, o sujeito passivo, apesar de intimado (fls. 247 e 248), não comprovou o exercício da atividade rural, o que leva a concluir que essa parceria, de fato, não se operou, sobretudo quando se vê em suas declarações de bens e direitos a propriedade de reses, ao passo que se exercesse a atividade rural, deveriam tais bens constar do referido anexo. Além disso, pelos tais contratos de parceria, o sujeito passivo é que, compra as reses para engorda, mas como dito, não exerce a atividade rural. A par dessa situação foram feitas várias pesquisas nos sistemas de acesso aos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal (fls. 249 a 273), donde se extrai as seguintes informações: (...) Entre 2003 e 2005 o sujeito passivo não apresenta informações como proprietário de imóveis rurais; 4ª Por outro lado, o provável cônjuge Mauro Antonio de Souza, além de ser sócio juntamente com Valdemar Gonçalves de Andrade na sociedade V G de Andrade & Souza Ltda. ME, CNPJ 03.717.126/000170, cujo endereço é justamente igual ao do domicílio fiscal do sujeito passivo, também informou ser proprietário de apenas um imóvel rural entre 2003 e 2005, situado no município de Itaituba/PA, sem informação de condôminos (incompatível com a suposta realização de parcerias) e com quantidade de reses ínfima ou zero, ao passo que os anexos da atividade rural dos anoscalendário de 2003 e 2004, informam exploração da atividade rural em outra propriedade, situada em Guarantã do Norte/MT, com outros três Fl. 782DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 condôminos e grande movimentação de rebanhos, mas com vendas pequenas. (...) O segundo, Mauro Antonio de Souza, compareceu pessoalmente à repartição em 04/11/2008 para atender a intimação apresentando livro caixa e documentos da atividade rural, declarando o seguinte: ser casado com o sujeito passivo; não conhecer quem são os condôminos da área que informa no anexo da atividade rural; e que não movimentou a conta bancária em questão. Todavia, não esclareceu se o sujeito passivo participou da atividade rural em conjunto e quais os valores decorrentes foram depositados na dita conta (fls. 278 a 355). Resumindo, até esse ponto da auditoria, exceto pelas alegações precárias dos outros terceiros intimados, nada foi provado sobre a verdadeira origem dos depósitos e demais créditos sob verificação. (...) De toda sorte, os documentos em questão se referem a declarações de terceiros afirmando que utilizaram a conta bancária do sujeito passivo, porque não possuíam conta bancária para movimentar recursos próprios, advindos, em sua maioria, da atividade rural, recursos estes que eram utilizados para pagamento de despesas pessoais e daquelas atinentes à atividade profissional e que o procedimento era e é muito comum na região norte de Mato Grosso e região sul do Pará. Em todos os casos são citados contratos de parceria ou arrendamento de terras junto ao cônjuge, alternando em arrendador e arrendatário. Apenas num dos contratos apresentados o sujeito passivo figura como arrendatário (f 1. 374 e verso), onde se vê, novamente, a diferença com a assinatura constante do documento de fl. 380. Outro detalhe é que na declaração do terceiro, nada é falado acerca desse contrato, onde o sujeito passivo é que deveria fazer pagamentos e não ter recebimentos, como ocorreu. Há, na dita declaração, apenas a referência a contrato de parceria com o cônjuge. As respostas são padronizadas e, mesma instituição que o sujeito passivo instituições, além do fato de que seus dado causa a uma série de depósitos, não conta do sujeito passivo. Nenhum dos terceiros encontrase dentre os depositantes e beneficiários que foram identificados nos documentos bancários de débito e crédito e nos respectivos extratos. Ao contrário, frise se, tanto a maioria dos créditos como dos débitos identificados envolvem o nome do cônjuge. É bem verdade que o valor de depósitos e retiradas que indicam tais operações, decorrem da amostra requisitada à instituição financeira (valores iguais ou superiores a R$ 10.000,00) representando 23,08% do total (R$ 471.129,50) que o sujeito passivo movimentou (R$ 2.041.577,08) efetivamente. (grifei) Fl. 783DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13151.000026/200912 Acórdão n.º 2201002.620 S2C2T1 Fl. 6 9 Pelo que se vê, não há como afirmar, com segurança absoluta, que a origem dos depósitos bancários é de fato da atividade rural, já que é plenamente possível, em razão das próprias conclusões da autoridade fiscal, que a atividade exercida pela recorrente tenha sido de compra e venda de gado, aluguel de pasto etc, ou seja, atividade diversa da rural. Não se pode perder de vista que a presunção de omissão de rendimentos em favor do fisco só é elidida com a comprovação idônea e contundente da origem dos depósitos bancários, não sendo possível se mitigar essa exigência com base em uma presunção de que todas as receitas vieram da atividade rural, ou em razão apenas de informações prestadas pelo próprio contribuinte destituídas de provas razoáveis que as embasem. A bem da verdade, a mera alegação de que todos os recursos são procedentes da atividade rural, não equivale à prova e, portanto, não tem o condão de inverter o ônus da prova. Assim, tendo a fiscalização comprovado o fato presuntivo de receita, qual seja, o depósito bancário, cabe ao contribuinte trazer provas de que o depósito se relaciona com a atividade rural. Assim, repisese, é razoável a conclusão de que o critério jurídico adotado pela fiscalização, que após o uso de uma série de regras de exclusão razoavelmente utilizadas, realizou o lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por esses motivos, discordando da associação dos depósitos lançados com a atividade rural feita pela defesa, penso ser possível concluir pela correção do lançamento. Do Recurso de Mauro Antônio de Souza Alega o suplicante que não é devido o Termo de Sujeição Passiva Solidária, pois acostou aos autos documentos comprobatórios da parceria rural mantida com a contribuinte. Aduz ainda cerceamento do direito de defesa, pois afirma que foi intimado especificamente para manifestar exclusivamente em relação às operações realizadas com seu cônjuge, contudo, em relação às demais operações, não pôde manifestase. Assevera que “... a autoridade fiscal fundamentou a responsabilidade do impugnante, somente com base no artigo 124, caput do CTN. Não especificou em qual dos incisos desse artigo, incorreu a responsabilização do impugnante”. Por fim, reitera a alegação de decadência do crédito tributário, bem como a validade dos documentos apresentados para comprovar a origem da movimentação financeira. Quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa, penso a preliminar é estéril e não há como acolhêla. Em verdade, o suplicante foi intimado a se manifestar relativamente às operações realizadas com a contribuinte e cônjuge, Rose Meneghatti de Souza. Obviamente, qualquer documento apresentado pelo intimado, que fosse capaz de comprovar a origem dos créditos bancários, seria aproveitado pela fiscalização. Sem querer ser repetitivo, reproduzo, mais uma vez, trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 481 e 485): Em face dessas constatações foram expedidas intimações para o sujeito passivo e seu provável cônjuge em 08/10/2008 (fls. 274 a 277). O primeiro foi intimado a: a) Esclarecer a relação civil com o segundo; Fl. 784DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 b) Esclarecer a que se referem as quantidades de reses declaradas e se exerceu a atividade rural com o provável cônjuge; c) Esclarecer o porquê de declarar 50% de quotas de empresa em nome de terceiros; d) Esclarecer se o provável cônjuge movimentava sua conta bancária, posto que pelo menos dois cheques destinados à emitente foram sacados pelo segundo. (considerando que foram analisados apenas cheques de valor igual ou superior, a R$ 10.000,00). O segundo foi intimado a: a)Esclarecer a relação civil com o sujeito Passivo; b) Apresentar o livro caixa da atividade rural e todos os comprovantes de receitas abrangendo os anoscalendário de 2.003 e 2004; c) Esclarecer se o sujeito passivo participou dessa atividade e quais foram os, valores depositados em sua conta relativos à mesma, conjugando depósitos com.comprovantes de receitas, se fosse o caso; d) Esclarecer quem eram os condôminos indicados no anexo da atividade rural e, a quem pertencia a propriedade ali mencionada, haja vista que não constava em'. seu nome, bem assim que não foi informado o NIRF; e) Esclarecer se movimentava a conta bancária do sujeito passivo, posto que' pelo menos dois cheques destinados ao mesmo foram sacados pelo intimado. O primeiro intimado, como de praxe, nada respondeu dentro do prazo. O segundo, Mauro Antonio de Souza, compareceu pessoalmente à repartição em 04/11/2008 para atender a intimação apresentando livro caixa e documentos da atividade rural, declarando o seguinte: ser casado com o sujeito passivo; não conhecer quem são os condôminos da área que informa no anexo da atividade rural; e que não movimentou a conta bancária em questão. Todavia, não esclareceu se o sujeito passivo participou da atividade rural em conjunto e quais os valores decorrentes foram depositados na dita conta (fls. 278 a 355). Resumindo, até esse ponto da auditoria, exceto pelas alegações precárias dos outros terceiros intimados, nada foi provado sobre a verdadeira origem dos depósitos e demais créditos sob verificação. (...) É nítido que tais operações de crédito e de depósito na conta bancária examinada traduzem rendimentos tributáveis, sem natureza definida (não há outra fonte de informação e não foram prestados os esclarecimentos suscitados, tampouco os documentos apresentados por terceiros tiveram o condão de Fl. 785DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13151.000026/200912 Acórdão n.º 2201002.620 S2C2T1 Fl. 7 11 comprovar a origem parte das operações), à medida que foram utilizadas em benefício do sujeito passivo e seu cônjuge, cujo regime de casamento é o de comunhão universal de bens. (grifei) Pelo que se vê, o cônjuge, e ora recorrente, participou de todo o procedimento fiscal, sendo inclusive intimado a se manifestar sobre a origem das operações praticadas pela contribuinte. Ao final, concluiu a autoridade fiscal que “... nada foi provado sobre a verdadeira origem dos depósitos...”. Ante a esses argumentos, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Quanto à solicitação de exclusão do recorrente da sujeição passiva solidária, penso, da mesma forma que a autoridade recorrida, que o pedido não tem passagem. Em verdade, as inúmeras provas dos autos são suficientes para referendálo como responsável solidário pelo crédito tributário, na forma do inciso I do art. 124 do CTN. Com efeito, cumpre transcrever trecho da decisão recorrida: A solidariedade é contestada pelo segundo impugnante ao argumento de que os montantes por ele movimentados nos anos de 2003 e 2004 são muito menores do que os valores que transitaram, no mesmo período, na conta da primeira impugnante. Esse fato, por si só, não afasta a responsabilidade solidária, que decorre do interesse comum na situação fática colhida no lançamento, evidenciada pelo grande número de cheques emitidos pela primeira impugnante em favor do segundo impugnante. Essa circunstância revela que os valores depositados, embora de origem não comprovada, pertenciam a ambos, que além de tudo são casados e têm patrimônio em comunhão universal em razão do regime de bens adotado no casamento. Em que pese alegue o recorrente que a autoridade fiscal não indicou, precisamente, qual o inciso do art. 124 do CTN que incorreu o suplicante, penso que tal fato não tem o condão de tornar nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária, já que o recorrente efetivamente participou do fato gerador ao lado do cônjuge. Com efeito, a sujeição passiva solidária, no caso dos autos, decorreria da impossibilidade de divisão da parcela da obrigação a ser imputada a cada um. Para haver a nulidade completa do procedimento fiscal é necessário ainda que a suposta falha prejudique, efetivamente, o contribuinte de exercer sua defesa. A despeito dos vícios apontados, verificase que o contribuinte ao questionar a autuação, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciada no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, inúmeras jurisprudências. Pelo exposto, não merece ser acolhida a suscitada preliminar de nulidade, uma vez que os vícios apontados não prejudicaram o entendimento e a consequente defesa do recorrente. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Finalmente, em relação à alegação de decadência, bem como a validade dos documentos apresentados para comprovar a origem da movimentação financeira, os argumentos dispêndios na análise do recurso de Rose Meneghatti de Souza, também se aplicam ao recurso de Mauro Antônio de Souza. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 787DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000036/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Redatora Designada e Presidente
(assinado digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10925.000036/2009-61
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445997
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-000.135
nome_arquivo_s : Decisao_10925000036200961.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10925000036200961_5445997.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Redatora Designada e Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5874357
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703646109696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 218 1 217 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000036/200961 Recurso nº Resolução nº 1803000.135 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 04 de março de 2015 Assunto LUCRO ARBITRADO DILIGÊNCIA Recorrente KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada e Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ, relativo ao 4º trimestre de 2007, acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 605,57 (fl. 2), apurado pelo lucro arbitrado. A autuação do presente processo decorre de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 03 6/ 20 09 -6 1 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 219 2 exclusão do Simples Nacional (processo 10925.002253/200813), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como, que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o IRPJ relativo às receitas operacionais de prestação de serviços gerais. Decorrente do procedimento de exclusão, também foi constituído processo de exclusão do Simples Nacional, protocolizado sob o número 10925002253/200813, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000032/2009 83, 10925000033/200928, 10925.000034/200972, 10925.000035/2009 17,10925.000036/200961, l0925.000037/200914, l0925.000038/200951, 10925000039/200903, 10925.000040/200920, 10925.00004l/200974, l0925.000042/2009 19, 10925.000043/200963, l0925.000044/200916, l0925.000045/200952, 10925.000046/200905, l0925.000047/200941, 10925.000048/200996, 10925.000049/2009 31, 10925000051/200918. De acordo com o relatório fiscal, a empresa recorrente faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. Aferese que o pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda. ME. Ainda, os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens Industriais Ltda. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann.. Informa o relatório fiscal que a empresa K.F. Industrial Ltda., na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004, situação esta juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fl. 16 e 17. De igual modo, constatouse que em relação à contabilidade das empresas, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Aduz terem sido encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Frisa que a recorrente também efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. E, em sua escrituração deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 220 3 considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Assim, entende que "esses fatos também levam à conclusão de que o `Grupo' é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil." Em ato contínuo, afirma que a recorrente foi intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Lucro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado, entretanto a sua escrituração da forma solicitada, conforme rt. 530, I e II do RIR/99,o IRPJ foi apurado pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, conforme art. 15 e 16 da lei 9.249/95. Para apuração do IR devido, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples, conforme planilhas de fls. 28/29. No tocante à multa qualificada aplicada, entende a fiscalização restar caracterizado, de forma clara, o intuito de fraudar por parte da recorrente, em decorrência da análise dos fatos relatados até o presente momento e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento. Ainda, entende que configura fundamento para a multa ser aplicada o fato da recorrente se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Devidamente cientificada da autuação, a empresa recorrente apresenta suas razões, em seara de impugnação, de forma tempestiva, aduzindo que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes, com base no regime de tributação normal. Ademais, informa que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, mas apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. Alega, a empresa recorrente, que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. Afere que a empresa Idugel é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S. Máquinas). Dispondo: “*J.S.: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); *K.F.: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, J.S. e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 221 4 Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas, pelas empresas foram, revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todo os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente ara afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. De igual modo, reforça que o presente feito fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente, bem como acerca dos sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a patir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada: locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa K.F., como leva a crer na fundamentação. Assim, refere que ou elas existem e então há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F., por vício de formação que não se trata do caso em tela. E dessa forma, entende estar caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto 70235/72. De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20/12/1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade ao longo dessa década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do CC prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas, ou seja, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do diploma civil anterior. Atenta para a questão de que as situações fáticas, apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente. Ademais, O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fáticoprobatória. Expõe que a cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 222 5 majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. Ademais, salienta que a Autoridade que é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Frisa que a autuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. No tocante à excludente de Locação de Mão de Obra, refere a recorrente que no conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. Assim, entende que, apesar de, às vezes, o serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso ldugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de não serem os sócios, Elita e Claudia, as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Alega, de igual modo, que não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo qua se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação. Atenta para o fato de que a autoridade fiscal Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 223 6 utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de 01/01/2003 a 30/06/2007 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento. No que diz respeito ao endereço, afere que o local utilizado pelas empresas J.S. e IDUGEL, apesar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente e demonstra acostando as plantas, instalação de alarmes distintos e também pelo ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Observa que a empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projets, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa J.S.. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Atenta para o fato de que também há casos que as empresas IDUGEL e J.S. fornecem, mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a J.S. pelo fornecimento de acessórios das mesmas. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Ainda, a existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, refere que houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da K.F. perante IDUGEL. Portanto, a IDUGEL explora seu knowhow, diante da sua grande credibilidade no mercado motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Salienta a existência de empréstimos entre as empresas, mas que isso não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da J.S. perante a IDUGEL. Ademais, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. E, apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Ainda, salienta que a manutenção da interpretação dada pela fiscalização Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 224 7 inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. A recorrente ainda argumenta cerceamento de defesa, já que as intimações fiscais foram objetos de impugnação administrativas não decididas, bem como por conter, no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa. Assim, manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de oficio pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. Da mesma forma, alega não estar caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. E, observa ser necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB. Atenta para o fato de que ao auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela recorrente, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dubio pro reo. De igual modo, afirma que a aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. E reproduz: "A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da Autoridade Fiscal." "Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária". Concluindo que "há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real". Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na sua contabilidade, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP's foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da recorrente para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. E, entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. Importa informar que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um mandado de segurança, objetivando que não fosse autuada, segundo o regime de tributação diverso do Simples, até que a decisão a respeito da exclusão fosse definitiva. A sentença transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 225 8 de que não poderiam ser lançados tributos antes que fosse proferida a decisão pelo órgão colegiado administrativo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem mater o lançamento, ora em comento. Afere, quanto à exclusão do Simples, que os argumentos apresentados, em que pese se referirem a empresa J.S. Máquinas, mas diante da semelhança do procedimento e atividades das "empresas", eles são "correspondentes" àqueles feitos na defesa do processo relativo à referida exclusão (processo n° 10925002253/200813), cuja manifestação de inconformidade foi objeto de análise e indeferimento no Acórdão DRJ/RPO n° 1425.25630,, proferido por esta Turma de Julgamento. Transcreve o voto proferido no Acórdão citado. Já no que diz respeito à nulidade arguida, entende que não há qualquer tipo de nulidade no lançamento, vez que não foi ferido o disposto no art. 59 do Decreto 70232/75, assim como entende que não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações fiscais e lançamentos dos tributos por regime diverso do Simples. Também observa que não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. E, aduz que o contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional é de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de oficio, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente (art. 39, caput, da Lei Complementar n° 123/2006; art. 4°, § 5°, da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007; e art. 11, caput, da Resolução CGSN n° 30, de 07/02/2008). Ainda, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, observa que a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. Da mesma forma, entende improcedente a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Já no que diz respeito ao arbitramento, o julgador a quo alude tratarse de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Arbitrado, e não de aferição indireta para fins de arbitramento de verbas previdenciárias. Expõe que a recorrente foi "fartamente intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Livro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado", mas que nada apresentou. Assim, entendeu que sua escrituração era imprestável para determinação do Lucro Real. Prossegue, em relação à contabilidade das empresas, constatando a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 226 9 administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Aduz que a empresa efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Esses fatos também levaram à conclusão de que o "Grupo" é administrado como se fosse uma única empresa, conforme fartamente analisado no processo de exclusão do Simples, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. E explicita que ao contrário do alegado pela recorrente, a mesma não apresenta escrituração regular, nem apresenta toda despesa devidamente lançada na contabilidade. Destaca que a recorrente nada apresenta para provar a regularidade de sua escrituração e refutar os argumentos e provas juntadas pela autoridade fiscal, mas apenas apresenta alegações genéricas. Assim, conforme art. 530, I e II do RIR/99, correta a apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, nos termos dos art. 15 e 16 da lei 9.249/95. E, informa que, ao contrário do alegado, foram considerados os valores recolhidos pelo Simples na apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, conforme se verifica nas planilhas de fls. 28/29 do relatório fiscal, sendo estes compensados como "IRPJ recolhido (Simples)" para fins de apuração da receita arbitrada devida. Já no tocante à multa qualificada, argumenta o julgador de primeira instância que a mesma foi aplicada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraudar por parte recorrente, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. De igual modo, afere que houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Salienta, o julgador a quo, que o artificio fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da recorrente como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. E, conclui que ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Quanto ao pedido para que as intimações fossem feitas no endereço e na pessoa dos advogados identificados na procuração inclusa nos autos, sob pena de nulidade, este não Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 227 10 pode ser atendido, por falta de previsão legal. O CTN, art. 127, dispõe sobre a existência do domicílio tributário, havendo, portanto, previsão legal sobre o local para onde devem ser dirigidas as intimações e notificações. Assim, feita a eleição pelo sujeito passivo, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo fiscal. Também aborda o julgador de primeira instância a solicitação de produção de prova testemunhal, referindo que não pode ser deferida por não ter previsão no rito processual administrativo. Mas, frisa que os testemunhos que a empresa recorrente tenha em seu favor devem ser apresentados sob a forma de declaração escrita, já com a impugnação. No que diz respeito ao apedido da recorrente de apresentação de documentos durante a fase de instrução, o julgador cita o art. 16 do Decreto 70.235/72 para negar. Mas, que de toda a forma a recorrente nada trouxe aos autos processuais após sua impugnação, perdendo o objeto o presente pedido. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ, relativo ao 4º trimestre de 2007, acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 605,57 (fl. 2), apurado pelo lucro arbitrado. O processo em questão decorre de exclusão do Simples Nacional (processo 10925.002253/200813), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como, que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o IRPJ relativo às receitas operacionais de prestação de serviços gerais Ainda, o presente feito foi distribuído, por conexão, para esta conselheira, conjuntamente com os seguintes processos administrativos: 1) 10925.002074/200878 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL 1.1)10925.000032/200983 COFINS Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado pelo Lucro Real; 1.2)10925. 000034/200972 PIS Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado pelo Lucro Real; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 228 11 1.3)10925.000037/200914 IRPJ Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado por Arbitramento; 1.4)10925.000038/200951 CSLL Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado por Arbitramento; 2)10925.002252/200813 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL 2.1)10925.000035/200917 PIS Período de apuração: 4º trimestre de 2007 apurado pelo Lucro Real; 2.2)10925.000036/200961 IRPJ Período de apuração: 4º trimestre de 2007 apurado por Arbitramento; Conforme se depreende do exposto acima, há processos cuja apuração se perfez sob regimes divergentes (Lucro Real e Arbitrado), ainda que referentes aos mesmos períodos de apuração, modicandose apenas o tributo. Nos dois casos de exclusão: Simples Nacional e Simples Federal, a divergência se encontra no PIS e COFINS apurados pelo Lucro Real, enquanto que o IRPJ e a CSLL foram apurados por arbitramento, na constância do mesmo período. Em outras palavras, a fiscalização, quando melhor lhe convém, acabou por apurar o PIS referente ao 4º trimestre de 2007, entendendo que a contabilidade da empresa se prestava para a aferição pelo Lucro Real, enquanto que o IRPJ, referente ao 4º trimestre de 2007, foi aferido pelo arbitramento. A fiscalização expressou, de forma literal, que a contabilidade da empresa recorrente não se prestava para aferir pelo regime de tributação do Lucro Real. Isso tudo sem mencionar o fato de que a fiscalização detinha uma ordem judicial para não intimar e reintimar a empresa recorrente a apresentar quaisquer documentação ou declaração sob regime diverso do simplificado, enquanto não julgados os processos de exclusão. E, a mesma determinação judicial referia que fossem cancelados os lançamentos efetuados sob regime diverso do SIMPLES. Senão vejamos o que determina a sentença: III DISPOSITIVO: Ante o exposto: 1) EXTINGO O FEITO, sem resolução do mérito, na forma do art. 267, VI, do Código de Processo Civil, tendo em vista a manifesta perda do objeto da presente impetração, com relação aos pedidos de restabelecimento da Impetrante no regime simplificado e de vedação de impedimentos à nova opção pelo SIMPLES, até o julgamento final dos processos administrativos n. 10.925.002074/200878 e n. 10.925.002253/200813. 2) CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA requerida na inicial, resolvendo o mérito, nos termos do art. 269, I, do CPC, para determinar à Autoridade Impetrada que: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 229 12 a) se abstenha de exigir da Impetrante a apresentação de documentos, a opção e o recolhimento de tributos por regime tributário diverso daquele simplificado (SIMPLES), nos períodos de 01.12.2003 a 30.06.2007 e de 01.07.2007 a 31.12.2008, até o julgamento final dos processos administrativos n. l0925.002074/200878 e n. l0.925.002253/200813; b) se abstenha de aplicar penalidades à Impetrante, decorrentes do não atendimento aos termos de intimações n. 001, 002 e 003, relativos à tributação pelo Lucro Real; c) não deixe de fornecer Certidões de Regularidade Fiscal à Impetrante, em razão do não recolhimento de tributos em regime tributário distinto do SIMPLES, desde que não haja outros motivos que impeçam o seu fornecimento e, d) promova o cancelamento das intimações fiscais e dos Autos de Infração lavrados em desfavor da Impetrante, relativamente à tributação pelo Lucro Real. Incabíveis honorários advocatícios, de acordo o art. 25 da Lei n. 12.016/2009. Custas pela parte Impetrada. Publiquese, registrese, intimemse. (...) Da sentença acima proferida não foi protocolado recurso e a mesma transitou em julgado. Assim, do que se pode verificar é que a autuação realizada pela autoridade fiscal, no presente feito, vai de encontro com o determinado pela juíza do feito judicial. Em outras palavras, a sentença determinava, de forma clara e direta, que não fossem lavrados autos de infração e que fosse promovido o cancelamento das intimações e dos Autos de Infração lavrados em desfavor da recorrente, relativamente à tributação pelo Lucro Real. Ainda que se observe que a autuação se perfez sob a égide do regime do arbitramento, não é crível que a empresa, sob a proteção de uma decisão judicial, transitada em julgado, que lhe concedia o direito de não apresentar nenhuma documentação em regime diverso do simplificado, até a decisão ser proferida nos processos de exclusão, sofresse algum dano por cumprir o determinante. Por certo que o espírito do decisum resta evidente ao dispor que a empresa não pode sofrer uma autuação por regime diverso do simplificado, antes que tenha sido realizado o julgamento confirmando ou não a exclusão do SIMPLES. A autuação se perfez, sob a égide do arbitramento, porque a empresa recorrente intimada e reintimada não apresentou a documentação pertinente ao Lucro Real, da qual estava desincumbida de o fazer. Ainda, que a fiscalização paute pela argumentação de que a contabilidade não se prestava para a autuação pelo regime diverso do arbitramento, importa lembrar que essa mesma fiscalização realizou lançamento de PIS, do mesmo período em apreço, pelo Lucro Real. Nesse sentido, temse como inconcebível que a fiscalização tenha como certa, correta e prestável a contabilidade da empresa para a devida apuração do PIS pelo Lucro Real e em auto de infração conseguinte entenda que não se presta mais para a apuração do IRPJ. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 230 13 Por esses fatos narrados, entendo que não há como prosperar o presente julgamento do feito, tomando em conta que o lançamento, correlato a este processo, deveria ter sido cancelado, cumprindo a sentença judicial acima referida. Ainda, considerandose que o processo Judicial tem prevalência sobre o processo administrativo e não tendo a União recorrido da demanda judicial, não há que se falar no presente feito do interesse da mesma em prosseguir com a autuação. Assim, entendo que o auto de infração deve ser cancelado, cumprindo o determinado na sentença judicial, carecendo de procedência. De outra forma, estaríamos não só incorrendo em desacato a uma ordem judicial, como também afrontando o princípio da prevalência das decisões judiciais sobre as administrativas. Diante, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues VOTO VENCEDOR Conselheira Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Em que pese os argumentos da Ilustre Relatora, compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A resolução da questão litigiosa tratada nos autos tem como premissa o exame minucioso dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000036/200961 Resolução nº 1803000.135 S1TE03 Fl. 231 14 A Recorrente opôs contra a União o Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250, cuja decisão deve ser observada nos seus estritos termos pela Administração Pública, oportunidade em que fica afastada qualquer interpretação, cabendo tão somente sua aplicação literal. Partindo dessa premissa, cabe o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que sejam analisados efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente examine o provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 com base na atual fase processual, instrua os autos com a Certidão de Objeto e Pé e demais peças da ação judicial, bem como oficie a Procuradoria da Fazenda Nacional para que se pronuncie sobre seus efeitos jurídicos em face do Auto de Infração. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial a respeito dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900414/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido
Numero da decisão: 1803-002.067
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10380.900414/2009-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440006
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-002.067
nome_arquivo_s : Decisao_10380900414200911.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
nome_arquivo_pdf_s : 10380900414200911_5440006.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5852835
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703659741184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 51 1 50 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.900414/200911 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 1803002.067 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente B. M.CONSTRUTORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 04 14 /2 00 9- 11 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900414/200911 Acórdão n.º 1803002.067 S1TE03 Fl. 52 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900414/200911 Acórdão n.º 1803002.067 S1TE03 Fl. 53 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0819.711 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, constante das fls. 24 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação, fls. 01/05, na qual pretende compensar o pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior (código de receita 2089) relativo ao período de apuração encerrado em 31/03/2000. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, com base no seguinte fundamento (fls. 01/05): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificado desse despacho em 04/03/2009, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade em 03/04/2009, fls. 09, alegando que a inconsistência se deu devido ao preenchimento da DCTF, onde o débito relativo a esse período foi informado a maior, e o DARF foi totalmente vinculado a este débito. Para corrigir a situação, apresenta a DCTF retificadora, relativa ao 1° trimestre de 2000, com o débito correto”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, na sessão de 22/12/2010, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0819.711 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que somente é possível mediante apresentação dos elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. RETIFICAÇÃO DE DCTF. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900414/200911 Acórdão n.º 1803002.067 S1TE03 Fl. 54 4 A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 07/01/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 28), a B. M. CONSTRUTORA LTDA, nova denominação da B.M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0819.711, recorre em 08/02/2011 (fls. 31 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “Diante do exposto, vem a ora Recorrente requerer que V. Sas. se dignem de considerar procedente o presente Recurso Voluntário, acatandoo em todos os seus termos, e reformando in totum o Acórdão n°. 0819.711, proferido pela da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, no intuito de que seja admitida a DCTF retificadora apresentada, para posterior reexame e procedência da requerida COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA dorespectivo crédito tributário comprovado nessa”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900414/200911 Acórdão n.º 1803002.067 S1TE03 Fl. 55 5 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Em relação ao mérito, passo que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, quando afirmou às fls. 25 e segs dos autos: “O exame inicial da declaração apresentada à Administração Tributária revelou que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Não havia, pois, saldo disponível (ou seja, não havia crédito liquido e certo) para suportar a extinção. Dai a não homologação pela autoridade local. Em sua defesa, o contribuinte alega ter se equivocado no preenchimento DCTF, e informa que procedeu à retificação da declaração, após a ciência da não homologação da compensação. Como a DCTF foi retificada após o despacho impugnado, é pertinente perquirir acerca da possibilidade jurídica de o requerente fazêla e da eficácia probatória que a DCTF retificadora carreia na comprovação do alegado indébito. De inicio, é conveniente lembrar que o procedimento adotado pelo contribuinte teve por objetivo a extinção de crédito tributário, mediante a modalidade prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional — CTN (compensação). Por não ter sido homologada, foi proferido despacho decisório no qual constam os motivos que embasaram o indeferimento do pleito. Nesse mesmo ato o postulante foi intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados (campo 4 do despacho decisório). A razão da existência dessa intimação é simples. Como o pedido de compensação do débito extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, §3°, da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637, de 2002), a partir da não homologação da compensação deve ser reativada a cobrança do tributo, que até então era considerado extinto. O art. 7° do Decreto n° 70.235/72 elege como uma das hipóteses que caracteriza o inicio do procedimento fiscal a prática de ato de oficio por servidor competente cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Já o § 1 0 do mesmo artigo dispõe que o inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...)” Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900414/200911 Acórdão n.º 1803002.067 S1TE03 Fl. 56 6 Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, tendo em vista que a Recorrente apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado. Além do mais, quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Ou seja, ficou devidamente comprovado o direito da Recorrente em relação ao valor de R$ 185,96, não podendo prevalecer à decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, tendo em vista que uma breve análise nas informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório seria suficiente para validar a compensação realizada. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, reformando, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018059/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2007
CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o Relatório de Representantes Legais (REPLEG) tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2007 CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o Relatório de Representantes Legais (REPLEG) tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15504.018059/2008-16
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430558
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.502
nome_arquivo_s : Decisao_15504018059200816.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 15504018059200816_5430558.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5826478
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703661838336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018059/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.502 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria REMUNERAÇÃO SEGURADOS: PARCELAS FOLHA PAGAMENTO Recorrente PAMPULHA ENSINO FUNDAMENTAL LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2007 CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais (REPLEG)” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 80 59 /2 00 8- 16 Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o Thiago Taborda Simões. Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018059/200816 Acórdão n.º 2402004.502 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados, descontada dos mesmos e não recolhida aos cofres públicos. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 12/2004 a 02/2007. O Relatório Fiscal (fls. 21/32) informa que a Associação Educativa do Brasil (SOEBRAS), CNPJ. 22.669.915/000127, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 130/133, uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico Promove, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de “Licença de Uso da Marca”. Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Em segundo ato, a SOEBRAS, por meio do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial (TRESPASSE), adquiriu das empresas do grupo todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/10/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese: (i) ilegitimidade dos corresponsáveis; (ii) errônea imposição de multa e juros; e (iii) a SOEBRAS arrendou, a partir de 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove". O Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo. A SOEBRAS não sucedeu o Promove, mas apenas arrendou o uso da marca. A impugnante existia muito antes de propor o citado arrendamento. Promove e SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão n° 0227.972 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 1756/1765) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação nos seguintes termos: (i) a SOEBRAS arrendou a marca "Promove", tendo como contraprestação o pagamento de determinada quantia em dinheiro, e permaneceram a SOEBRAS e Promove como empresas distintas; (ii) exclusão dos representantes leais da relação de coobrigados; (iii) Juros e Multa são ilegais; (iv) imunidade tributária da SOEBRAS deve atingir todos entes que foram objeto do contrato de trespasse. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018059/200816 Acórdão n.º 2402004.502 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis, anexada pela fiscalização, tem como finalidade identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional, e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei 6.830/1980, que dispõe: Art. 2º. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Além disso, verificase que o artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da Lei 8.620/1993. Com isso, após essa revogação do artigo 13, o denominado “Relatório de Representantes Legais (REPLEG), acompanhada do Relatório de Vínculos, não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma corresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A relação de corresponsáveis apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da obrigação tributária. O Relatório “REPLEG” serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Portanto, não acato essa preliminar, eis que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG (Relação de Coresponsáveis)” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. A Recorrente alega que SOEBRAS e Promove são empresas distintas e não ataca o que motivou a SOEBRAS constar como devedora. Com fundamento no art. 133, II, do CTN, entendese que a empresa SOEBRAS não deve ser excluída do pólo passivo, eis que a SOEBRAS adquiriu todos os bens e direitos, mantendo inclusive as atividades das empresas enumeradas no item 8 do Relatório Fiscal (fls. 21/32). Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional CTN: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: (...) Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018059/200816 Acórdão n.º 2402004.502 S2C4T2 Fl. 5 7 II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. ......................................................................................................... Relatório Fiscal (fls. 21/32): “[...] 8. Restou confirmado pela fiscalização o interesse comum em assuntos particulares das empresas Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda CNPJ: 05.385.879/000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda CNPJ: 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda CNPJ: 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda CNPJ: 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda CNPJ: 02.636.995/000107; Sociedade Educacional Sistema Ltda CNPJ: 23.840.945/000117; Promove Participações Ltda CNPJ: 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda CNPJ: 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda CNPJ: 42.975.896/000174; Magie Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda CNPJ: 05.399.437/000163, sendo emitido e encaminhado para as mesmas o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA, constituindose parte integrante do presente AI, quando as mesmas demonstraram ter o mesmo posicionamento quanto à sua administração, com as empresas: (...) 10. A empresa ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL SOEBRAS CNPJ 22.669.915/000127, inicialmente, adquiriu das empresas PROMOVE, inclusive da AUTUADA o direito de uso da marca PROMOVE, conforme contrato particular de "LICENÇA DE USO DE MARCA" datado de 01/11/2006, onde a licenciada (SOEBRAS) deveria utilizar a marca PROMOVE "de forma ampla, efetiva e permanente, em igual ou superior número de unidades educacionais, propiciando a manutenção ou a elevação de seu valor de mercado", ficando, inclusive, investida de "todos os poderes necessários para a defesa da marca PROMOVE, sem prejuízo dos seus próprios direitos". 10.1. A licenciada (SOEBRAS) nos termos do contrato acima mencionado, se responsabilizaria também pelo pagamento das obrigações trabalhistas das empresas licenciantes. 10.2. As licenciantes (empresas PROMOVE) outorgaram à Licenciada, ainda, através do ato mencionado supra, procuração específica, conferindo a esta os poderes para, perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, praticar todos os atos necessários à prorrogação do prazo de validade da marca Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 PROMOVE e adoção de todo e qualquer ato que se destinasse à manutenção e proteção de seus registros. 10.4. Em segundo ato a SOEBRAS, por contrato particular intitulado "CONTRATO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL TRESPASSE", adquiriu das empresas mencionadas no item 8, todo o complexo de bens organizado para exercício da atividade, compostos da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto "todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11° e 448 das Consolidações das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins (...)". 10.5. Além deste mencionado contrato a SOEBRAS fez constar em seu Balanço Patrimonial em 31/12/2007, a aquisição supra mencionada, lançando em seu Ativo Diferido o montante de R$ 14.383.436,00 referentes à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS e PROMOVE FACULDADES, "incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins". [...]” Conforme descrito no Relatório Fiscal, a empresa SOEBRAS manteve o mesmo endereço e CNAE do antigo estabelecimento da autuada e objeto do contrato de Trespasse em questão, bem como lançou em seu ativo diferido o valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino Promove Colégios e Promove Faculdades, incluindo os elementos corpóreos e incorpóreos. Nesse caminhar, não se pode acatar também a pretensão da SOEBRAS em verse “imune/isenta” do recolhimento de contribuições previdenciárias, em razão de ser entidade beneficente de assistência social. A imunidade condicionada pelas regras previstas no artigo 55 da Lei 8.212/1991, referese à contribuição devida pela empresa tratada nos artigos 22 e 23, ao passo que no presente lançamento estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados na forma do artigo 20 da mesma Lei, e, por consectário lógico, não foram alcançadas pela arguida imunidade tributária. Além disso, o contribuinte eleito nos autos da obrigação tributária é a Pampulha Ensino Fundamental Ltda, diferentemente da empresa SOEBRAS, a quem foi atribuída a responsabilidade subsidiária pelo débito lançado, a teor do art. 133, inciso II, do CTN. Logo, não acato a alegação de que a suposta imunidade da SOEBRAS também deveria atingir os tributos devidos pela empresa Pampulha Ensino Fundamental Ltda, já que a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão, na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido. Esse mesmo entendimento foi afirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 599176/PR, de 05/06/2014, em que se manifestou no sentido de que a imunidade tributária não abrange os débitos sobre os quais a empresa se torne responsável por meio de sucessão. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018059/200816 Acórdão n.º 2402004.502 S2C4T2 Fl. 6 9 administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 353 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 3 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018059/200816 Acórdão n.º 2402004.502 S2C4T2 Fl. 7 11 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.984864/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-002.448
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.984864/2009-18
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429190
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-002.448
nome_arquivo_s : Decisao_10880984864200918.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10880984864200918_5429190.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5823856
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703700635648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2085; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 189 1 188 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.984864/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.448 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria DCOMP ELETRÔNICA PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente ERICSSON TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 48 64 /2 00 9- 18 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 190 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 191 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 82/120 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 75/80) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que em 23/12/2005, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária nº 07373.70773.2312 05., 1.3.049220 (efls. 01/05), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ Estimativa Mensal, código de receita 2362, do PA novembro/2005, data de vencimento 29/12/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 493.705,80; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 493.705,80. b) crédito utilizado: aproveitamento de direito creditório de R$ 437.062,50 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 28/02/2005, DARF no valor de R$ 1.072.483,91, data do recolhimento, arrecadação, 31/03/2005. Cópia do Comprovante de Arrecadação (efl. 57). Valor crédito na data de transmissão (valor original): R$ 437.062,50. Em 21/09/2009, a DERAT/São Paulo, mediante a emissão do Despacho Decisório de efl. 06, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 437.062,50. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência dio crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 192 4 (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art . 10 da Instrução Normativa SRF n° 600 , de 2005. Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Ciente desse despacho decisório em 28/09/2009 (efl. 24), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/10/2009 (efls. 10/20), juntando ainda documentos (efls. 21/73), aduzindo razões que foram, assim, resumidas no relatório da decisão recorrida (efl.75), in verbis: (...) Cientificada do despacho decisório (...), a contribuinte apresentou peça recursal (...), alegando, em síntese, que: sofreu cerceamento de defesa, por não ter sido intimada a prestar os devidos esclarecimentos; a autoridade administrativa não cumpriu o dever referido no artigo 65 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, dispositivo que, combinado com o artigo 195 do Código Tributário Nacional, condiciona o indeferimento do pleito da contribuinte à verificação da exatidão das informações prestadas mediante realização de diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório; a contribuinte, inicialmente, apurou, quitou e confessou em DCTF a estimativa de CSLL de fevereiro de 2005 no valor de R$ 1.420.756,69. Após revisão realizada, e aplicandose a alteração promovida pela Lei n° 11.051/2004, que passou a exigir que os resultados positivos ou negativos incorridos nas operações realizadas em mercados de liquidação futura, inclusive os sujeitos a ajustes de posições, passassem a ser reconhecidos pelo regime de caixa, a requerente constatou que o valor devido de CSLL no mês de fevereiro de 2005 seria de R$ 983.694,19, o que foi devidamente reportado na Ficha 16 da DIPJ 2006 e em DCTF retificadora entregue em 22/10/09 (após despacho decisório); o fato de a DCTF retificadora ter sido entregue após o despacho decisório não pode culminar com o não reconhecimento de crédito idôneo, devendo ser prestigiado o princípio da verdade material e deferido o pedido da contribuinte, vez que a escrituração da requerente aponta para a veracidade da DIPJ e os documentos apresentados comprovam a existência do direito pleiteado; requer, por fim, seja reconhecido o direito creditório e homologada integralmente a compensação declarada. (...) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 193 5 A DRJ/São Paulo I (5ª Turma), sem adentrar no mérito quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, ressaltando a existência de óbice na legislação infralegal para restituição de mera antecipação de CSLL – Estimativa Mensal (IN SRF nº 600/2005, art. 10) nos seguintes termos (efl. 79): “Contudo, ainda que a requerente tivesse apresentado o suporte probatório do erro alegado, o mesmo não teria relevância no caso específico, dada a impossibilidade legal de a contribuinte se creditar diretamente de pagamento de estimativa, qualquer que seja o valor”, julgou, de plano, a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 10/05/2011 (efls. 75/80), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. VERDADE MATERIAL. PROVA. O princípio da verdade material, que deve ser prestigiado no processo administrativo, não transfere à Administração o ônus da apresentação dc prova de erro material, o qual recai sobre aquele que alega. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente dessa decisão em 13/06/2011 – Aviso de Recebimento AR(efls. 186), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/07/2011 (efls.82/120), juntando ainda os documentos de efls. 121/185, reiterando as razões constantes da impugnação apresentada na instância a quo e já resumidas neste relatório. Acrescentando, ainda: que a decisão recorrida deve ser reformada ou anulada, pois teria comprovado o alegado erro de fato quanto à apuração da CSLL Estimativa Mensal do PA fevereiro 2005, por conta de equívoco na contabilização – oferecimento à tributação de resultados positivos e negativos em operação no mercado de liquidação futura (hedge), tratamento tributário de que trata o art. 32 da Lei 11.051/2004 (que, a partir de janeiro/2005, os resultados efetivos de ganhos ou perdas, nesse mercado, passaram a ser tributados pelo regime de caixa no período da efetiva liquidação da operação, e não pelo regime de competência); que, na revisão da apuração da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro 2005 – reduziu a base de cálculo em R$ 15.975.200,00 (exclusões), conforme explicação constante das razões do recurso, reduzindo a CSLL de R$ 1.420.756,69 para R$ 983.694,19; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 194 6 que o débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2005 não seria R$ 1.420.756,69 (confessado na DCTF retificadora de 28/09/2009 – efls 120/121), mas apenas R$ 983.694,19, conforme DIPJ 2006 retificadora – Ficha 16 – recibo de entrega de 28/06/2006 (efls. 124/125) e DCTF retificadora, transmitida por último, em 22/10/2009 (efls. 153/154); que o direito creditório pleiteado de R$ 437.062,50 (valor original), refere se à diferença entre o valor de R$ 1.420.756,69 da CSLL PA 28/01/2005 (DCTF primitiva, de 07/04/2005 – e fl. 136 e 139), débito assim pago: DARF R$ 1.072.483,91 (efl. 141), data do recolhimento, arrecadação, 31/03/2005, código de receita 2484. Cópia do Comprovante de Arrecadação/DARF efl. 57 + mais compensações: PER/DCOMP nº 33938.55551.110305.1.3.04.0199 e 19286.73.220.110305.1.3.048076, com valores respectivos, de R$ 343.633,62 e R$ 4.639,15, ambos transmitidos em 11/03/2005 (e fls.142/152) e o valor recalculado da CSLL do PA fevereiro/2005 de R$ R$ 983.694,19, escoimado do erro de fato na apuração anterior – DIPJ 2006 – retificadora – Ficha 16, de 28/06/2006 (efls. 180/181) e DCTF retificadora, de 18/06/2010 (efls. 154 e 157); planilha de apuração da CSLL demonstrativo (efl. 18)65 outros documentos da escrituração (efls. 166/179); que a diferença de R$ 437.062,50 (valor orginal), entre o valor quitado de R$ 1.420.756,69 e o valor devido R$ 983.694,19, está dissociada dos critérios jurídicos de apuração da estimativa mensal da CSLL; por isso, tratase de pagamento indevido; que a decisão a quo não analisou as provas carreadas aos autos, apegando se a formalidades, em detrimento da verdade material; da inexistêncai de obrigação legal de dedução do indébito pago por estimativa por ocasião do ajuste anual; da inaplicabilidade do art. 10 da IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 (Acórdão nº 140100.420, de 26/01/2011); da aplicação retroativa da IN RFB 900/2008 (Acórdão nº 120200.466, de 25/01/2011); que o crédito pleiteado não foi levado para a declaração de ajuste anual (na apuração de saldo), que o procedimento – compensação mediante apresentação de DCOMP não configurou prejuízo à Fazenda Nacional, tampouco implicou utilização em duplicidade do crédito pleiteado, pugnando então pelo reconhecimento do crédito/restituição, pela aplicação do mesmo entendimento do precedente do CARF (Acórdão nº 180200.042, de 28/05/2009); que tem direito ao reconhecimento do crédito (CTN, art. 165, I); Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o reconhecimento do direito creditório e extinção do débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 195 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento de direito creditório da CSLL Estimativa Mensal (crédito pleiteado contra o fisco) e confissão de débito da CSLL – Estimativa Mensal, para extinção por compensação, mediante aproveitamento do referido crédito. O crédito pleiteado de R$ 437.062,50 (valor original), referese à diferença entre o valor de R$ 1.420.756,69 da CSLL PA 28/01/2005 (DCTF primitiva, de 07/04/2005 – e fl. 136 e 139), débito assim pago: DARF R$ 1.072.483,91 (efl. 141), data do recolhimento, arrecadação, 31/03/2005, código de receita 2484. Cópia do Comprovante de Arrecadação/DARF efl. 57 + mais compensações: PER/DCOMP nº 33938.55551.110305.1.3.04.0199 e 19286.73.220.110305.1.3.048076, com valores respectivos, de R$ 343.633,62 e R$ 4.639,15, ambos transmitidos em 11/03/2005 (e fls.142/152) e o valor recalculado da CSLL do PA fevereiro/2005 de R$ R$ 983.694,19, escoimado do erro de fato na apuração anterior – DIPJ 2006 – retificadora – Ficha 16, de 28/06/2006 (efls. 180/181) e DCTF retificadora, de 18/06/2010 (efls. 154 e 157). Argumenta a recorrente, em suas razões, que o crédito pleiteado decorreu de pagamento indevido por erro de fato quanto à apuração do débito apurado da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2005, confessado na DCTF primitiva, e pago, conforme já citado anterormente. que, por conseguinte, a diferença de R$ 437.062,50 (valor original) configura pagamento indevido, e que foi utilizado na DCOMP objeto dos autos para quitação, por compensação, do débito do IRPJ confessado nessa DCOMP. A decisão a quo, assim como já ocorrera com o despacho decisório, também não reconheceu o direito creditório pleiteado. A decisão a quo, com base aspectos meramente formais julgou a manifestação de inconformidade improcedente (efls. 78/80), in verbis: (...) Tratandose de ônus da requerente, caberia a esta apresentar toda a documentação comprobatória do direito creditório alegado juntamente com suas razões de defesa. (...) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 196 8 Contudo, ainda que a requerente tivesse apresentado o suporte probatório do erro alegado, o mesmo não teria relevância no caso específico, dada a impossibilidade legal de a contribuinte se creditar diretamente de pagamento de estimativa, qualquer que seja o valor. (...) No caso de estimativas pagas, a partir da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, quaisquer que sejam os valores de recolhimento da estimativa, a utilização do crédito condicionase ao seu cômputo na apuração do imposto ou da contribuição a pagar apurado no encerramento do período, o que não foi efetuado pela contribuinte em questão. Com efeito, a legislação regente não autoriza a restituição ou compensação direta de pagamentos por estimativa, indevidos ou a maior, para os contribuintes tributados pelo lucro real. Na data da transmissão do PER/DCOMP analisado, disciplinando o artigo 170 do Código Tributário Nacional e o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, encontravase em vigor a IN SRF n° 460/2005, publicada em 29.10.2004, que dispunha, em seu artigo 10,(...) Portanto, o pagamento indicado no PER/DCOMP não pode ser utilizado pela contribuinte, (...) (...) Nesta instância recursal, a recorrente busca a reforma/anulação da decisão recorrida, para que o crédito seja reconhecido e o débito extinto, por compensação.. Nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, argumentando: que a decisão recorrida deve ser reformada ou anulada, para que se reconheça o crédito pleiteado, em observância do princípio da verdade material e em consonância com o art. 65 da IN RFB nº 900/2008; que, em relação ao aproveitamento de crédito na DCOMP de estimativa mensal paga indevidamente, a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 seria ilegal, pois tal restrição não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96; que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Compulsando os autos, observase que no anocalendário 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de efetuar antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário (CTN, art. 165, I). Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 197 9 No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final do ano calendário (encerramento do exercício), exigindose a apresentação de declaração de ajuste anual; b) não há falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; Não obstante, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso indevido do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (pagamento não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) e sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP, mormente a decisão a decisão recorrida que se limitou a consignar aspectos formais em detrimento da verdade material, e a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo no ajuste anual, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente (Súmula CARF nº 84) e, ainda, pelo fato da contribuinte, nas duas oportunidades que teve (por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário) não ter comprovado, de forma cabal, o alegado erro de fato (erro material) na apuração da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro 2005, bem como a liquidez do crédito pleiteado, pois deixou de juntar prova da escrituração contábil/fiscal, como cópia dos livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc, para confrontar a DIPJ retificadora e a DCTF primitiva, entendo cabível, no caso, afastar o óbice de previa apuração do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição, é possível aproveitamento/restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo (Súmula CARF nº 84). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 198 10 Como dito, ainda há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide (em relação ao fato constitutivo do direito creditório e liquidez e certeza do crédito), pois, quanto ao alegado erro de fato na apuração da CSLL – Estimativa Mensal do PA fevereiro/2005, a recorrente não produziu prova suficiente do alegado erro de fato na apuração da CSLL juntou cópia de sua escrituração contábil/fiscal, insuficiente, que pudesse justificar a apresentação de DIPJ retificadora e DCTF retificadora, reduzindo o débito da CSLL de R$ 1.420.756,69 do PA 28/02/2005 para R$ R$ 983.694,19. Tendo por escopo a busca da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição do saldo negativo, pois, diversamente, é possível sim a devolução de direito creditório decorrente de pagamento em excesso (pagamento antecipado indevido), por erro de fato ou material na base de cálculo estimada ou na apuração da exação fiscal com base em balancete de suspensão/redução, sem necessidade de levar referido excesso de pagamento para o saldo negativo na declaração de ajuste anual, conforme Súmula CARF nº 84. Ainda, para evitar supressão de instância de julgamento (não houve análise de mérito pelas decisões anteriores nos presentes autos) e para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório (necessidade de saneamento – instrução processual complementar), devem ser devolvidos os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DERAT/São Paulo, para que enfrente, no mérito, o direito creditório pleiteado e a compensação efetuada pela recorrente, tomando, antes, as seguintes providências: a) intime a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato na apuração da CSLL sobre a receita bruta ou com base em balancete de suspensão/redução quanto ao PA fevereiro/2005, que teria culminado no pagamento indevido dessa exação fiscal (apresentar a escrituração contábil/fiscal livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc para confrontar a DIPJ e a DCTF quanto aos dados de apuração da CSLL do referido PA do crédito pleiteado); b) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, o alegado erro material na determinação do valor da base tributável ou na apuração da exação fiscal, quanto ao PA fevereiro/2005 que teria gerado o suposto pagamento indevido; c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de exação fiscal do mencionado PA por erro material (pagamento indevido), verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo na declaração de ajuste do anocalendário 2005; Vale dizer, quanto ao PA fevereiro/2005 apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de fato na base de cálculo estimada ou erro de fato com base em balancete de suspensão/redução (pagamento indevido) ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência, ou se é nenhuma dessas hipóteses (inexistência de valor a restituir). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.984864/200918 Acórdão n.º 1802002.448 S1TE02 Fl. 199 11 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 600/2005, e determinar a devolução dos autos à unidade de origem da RFB, no caso DRF/DERATSão Paulo, para que proceda julgamento de mérito quanto à lide objeto dos autos. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 13936.000554/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) .
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado).
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) . Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13936.000554/2008-63
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436474
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-002.823
nome_arquivo_s : Decisao_13936000554200863.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Carlos André Ribas de Mello, Relator.
nome_arquivo_pdf_s : 13936000554200863_5436474.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5843181
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703704829952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13936.000554/200863 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.823 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente GLORIA IRENE NOGARA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF) . Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 6. 00 05 54 /2 00 8- 63 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13936.000554/200863 Acórdão n.º 2202002.823 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a matéria discutida nos presentes autos, abaixo se transcreve o inteiro teor do relatório descrito no Acórdão nº 0632.628, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR): Por meio do Notificação de Lançamento n° 2007/609450151355036 de fls. 21/ 24, decorrente do Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, deferida parcialmente, exigese da contribuinte o crédito tributário de R$ 5.347,92, sendo: R$ 2.819,30 de imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 2.114,47 de multa de oficio de 75% e R$ 414,15 de juros de mora sobre o imposto suplementar, calculados até 29/08/2008. Declarouse impedida de atuar no julgamento a julgadora Elza Maria Riehs Suzuki, nos termos do inciso I, do artigo 18, da Lei 9.784/1999. 0 lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal referese A. constatação de omissão de rendimentos tributáveis referente à ação na Justiça Federal, movida contra o INSS, no valor total de R$ 60.279,09 que deduzidos os honorários advocatícios comprovados de R$ 12.000,00, resultaram no valor tributável de R$ 48.279,09. A contribuinte declarou erroneamente os valores dos rendimentos líquidos (sem o IRRF) como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Devidamente cientificado do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01/10), na qual cita jurisprudência e alega, em síntese, que: • moveu contra o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, perante a 1ª Vara Cível da Comarca de Porto Unido — SC, a revisão de seu beneficio previdenciário; • somente em 2006, decorridas quase duas décadas da data do ajuizamento da Ação, recebeu os valores decorrentes da revisão processada pelo judiciário, através de precatório; • entendeu a fiscalização que o cálculo, para fins de apuração do imposto de renda, deve considerar o regime de caixa, menos a verba honorária paga; • entende a impugnante, que o cálculo deve ser de acordo com os princípios da progressividade e da capacidade contributiva, isto é, deve ser calculado de acordo com as parcelas mensais do beneficio paga em atraso, na ação judicial, e não sobre o total pago em razão de sucesso em demanda judicial; • dev, além de ser mês a mês, também observar a legislação vigente à época que o valor do benefícios deveria ser pago, sua alíquotas e faixas de isenção, igualmente os descontos, previstos na legislação de então, para o recolhimento do imposto; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 • não houve omissão de rendimento, o rendimento foi lançado em campo próprio de rendimento sujeito a tributação exclusiva; • quando recebeu o valor junto a Caixa Econômica Federal, foi descontado o valor de R$ 1.808,37 a titulo de Imposto de Renda, na forma do art. 27 da Lei 10833/2003; • há flagrante inconstitucionalidade, de eventual regra geral, que venha a ser invocada, que prevê o regime de caixa para o recolhimento das contribuições fiscais oriundas de decisões judiciais; Por fim, requer a impugnante que seja anulada a notificação de lançamento, caso não ocorra a anulação, de forma alternativa, que seja afastado o cálculo do imposto de renda sobre o valor global recebido (regime de caixa), que o cálculo seja feito com base na diferença dos valores recebidos, referente ao beneficio previdenciário pago, com o cálculo mês a mês, mais os descontos e abatimentos previstos na legislação da época e, aplicandose a alíquota própria. A DRJ/CTA(PR), julgou a impugnação improcedente, fls. 35 a 37, por entender que: “... os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Por conseguinte, uma vez que a contribuinte auferiu rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, estes devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.” O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.195, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13936.000554/200863 Acórdão n.º 2202002.823 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No presente caso, a Notificação de Lançamento objeto deste processo versa sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. Compulsando os autos, verificase que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao anocalendário 2006 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente, utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O C. Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, fixou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010, destacamos). Em síntese, estabeleceu o C. STJ que os rendimento acumulados devem ser tributados “...com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos...”, vale dizer, pelo regime de competência e não regime de caixa, como fez a autuação. Importa ressaltar que o julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Esse entendimento do C. STJ, no REsp n° 1.118.429SP, submetido ao regime do art. 543C do CPC, é de aplicação obrigatória por esta Conselheira, conforme dispõe o art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27.08. 2009 e 586, de 21.12.2010. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Justifica tratar se de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Anoto que ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO– O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13936.000554/200863 Acórdão n.º 2202002.823 S2C2T2 Fl. 5 7 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICO CONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Cuidam os presentes autos de lançamento efetuado sobre verbas recebidas acumuladamente. Pois bem, no tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática regime do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 13936.000554/200863 Acórdão n.º 2202002.823 S2C2T2 Fl. 6 9 Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE
score : 1.0
Numero do processo: 13888.724255/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE.
A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendo-lhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1301-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. 2) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendo-lhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.724255/2012-17
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448367
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.561
nome_arquivo_s : Decisao_13888724255201217.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13888724255201217_5448367.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. 2) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5880893
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703715315712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.724255/201217 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.561 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria IRPJ JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Recorrentes INDÚSTRIAS ROMI S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, 1) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. 2) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 42 55 /2 01 2- 17 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 3 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso de Voluntário e de Ofício manuseados contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração (fl. 909 em diante), relativamente ao IRPJ e a CSLL, relacionados ao anocalendário 2007, acrescidos de multa de ofício no patamar de 75%, e multa isolada ante o impacto promovido no recolhimento de estimativas. Consoante Termo de Constatação Fiscal, fl. 888 em diante), a Fiscalização apurou que a recorrente teria efetuado dedução do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) em desacordo com a legislação vigente durante o ano de 2007, verificandose o pagamento anual de R$ 42.813.861,77, a título de Juros sobre Capital Próprio a seus acionistas, sendo os créditos efetuados na contabilidade da seguinte forma: R$ 12.961.993,91, em Junho/2007; R$ 14.140.358,46, em Setembro/2007; e R$ 15.711.509,40 em Dezembro/2007. Segundo apurou a Fiscalização, o limite para dedução do JCP do contribuinte seria de R$ 19.835.171,21 (com base na TJLP do período Lei nº 9.249/95, art. 9º do RIR/1999, art. 347; e IN SRF nº 93/97, art.29), todavia, o valor creditado foi integralmente deduzido. Registrou a Fiscalização que o representante da empresa, José Carlos Pantaroto, ciente dos valores compareceu à DRF e esclareceu que o valor total distribuído, que somou R$ 42.813.861,77, referese à distribuição de valores referentes aos anos de 1996 a 2006. Segundo ele, os valores que não foram distribuídos à época foram calculados em 2007 conforme planilha apresentada. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 4 3 A Fiscalização entendeu que o limite a ser aplicado é do ano de 2007 independentemente de ser tratar de lucros de anos anteriores, isso porque as receitas e despesas devem ser reconhecidas quando da ocorrência dos fatos jurídicos e econômicos. Assim efetuou a glosa das despesas no valor de R$ 22.978.690,56 (fl. 902). Exigindo a multa isolada por insuficiência no recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, nos meses de setembro, novembro e dezembro de 2007, com fulcro no art. 44, II da Lei 9.430/96, também em face do excesso da dedução dos juros sobre o capital próprio (fls. 905 a 907). Devidamente cientificada (fl. 927), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 932 e seguintes), aduzindo em resumo, a nulidade dos autos de infração na medida em que a autoridade fiscal teria incorrido em erro material gravíssimo, eis que não considerou o critério previsto na Lei 9.249/95, a qual admitiu o reconhecimento e a dedução de JCP, limitados à variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Frisou a contribuinte que o erro material praticado pela autoridade fiscal ocorreu no momento em que esta realizou o cálculo partindo do Patrimônio Líquido de 31.12.2006, no valor de R$ 341.301.207,69 aplicando a TJLP do ano de 2007 no percentual de 6,38 e não a variação pro rata dia da TJLP, como dispõe a legislação mencionada acima, resultando assim, em valor a distribuir totalmente equivocado, qual seja, R$ 19.835.171,21, levando a Fiscalização a considerar que houve distribuição a maior, de sorte que seria devida a adição ao cálculo do IRPJ e CSLL, contudo, deixou de considerar a variação pro rata dia da TJLP e as movimentações que ocorreram no Patrimônio Líquido no ano de 2007, em razão das Ofertas Públicas de Ações (Docs. 09 e 10). Defendeu que a variação pro rata dia no período do pagamento, corresponde ao resultado do produto dos fatores de acumulação diários deve ser computada para fins de cálculo do fator de acumulação de TJLP e que ignorar esse fato significa distorcer a matéria tributável em prejuízo do contribuinte, de modo que, ficou evidente que o lançamento seria nulo de pleno direito, haja vista que a autoridade fiscal errou na construção do lançamento, eis que deixou de aplicar o disposto no art. 9º , da Lei 9.249/95 e igualmente, sequer apresentou a devida capitulação legal para sustentar as razões da não aplicabilidade da variação pro rata dia da TJLP. Na sequência, argumentou que em nada obstante o erro material acima mencionado, a Fiscalização não observou que a Lei n° 9.249/95, ao instituir a figura dos JCP, admitiu expressamente em seu art. 9º, § 7º, que os valores pagos a título de JCP sejam imputados ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.406/76, defendendo que a citada norma permitiu que imputasse aos JCP, o valor dos dividendos, devem então receber o mesmo tratamento societário do art. 202 da Lei n° 6.404/76, o qual admite expressamente a distribuição de lucros acumulados em exercícios anteriores, sem prejuízo do disposto no § 2°, do art. 9° da Lei n° 9.249/95, o que significaria que a lei equiparou JCP a dividendos para todos os efeitos societários quando o valor daqueles fossem a estes imputados pela assembleia realizada para deliberação de seu pagamento, desde que sejam atendidas as condições previstas no referido § 2º, quais sejam: i) a concordância dos acionistas em relação à não distribuição de dividendos nos períodos em que os respectivos lucros foram gerados; ii) o registro dos lucros não distribuídos em conta de reserva, e iii) o recolhimento do imposto de renda na fonte, integralmente efetuado pela Impugnante na data do efetivo crédito dos JCP a seus acionistas. Insistiu que ao glosar a despesa com o pagamento de JCP relacionados ao anocalendário 2007, a Fiscalização parece não ter se dado conta de que agiu de forma Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 5 4 contrária ao interesse que inspirou o legislador a instituir a figura dos JCP no plano tributário, que não foi outro senão o de estimular a capitalização da sociedade, inibindo a captação de recursos no mercado financeiro, cujo custo seria muito mais elevado, e se os acionistas mantiveram no patrimônio dela recorrente o valor proveniente de lucros auferidos no período de 1996 a 2006, nada mais justo que sejam remunerados em função do tempo correspondente à indisponibilização da parcela retida. Registrou que a possibilidade de pagamento de JCP calculados de forma acumulada já foi confirmada pelo então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF e que tendo agido de acordo com o que determina a lei, e em conformidade com a jurisprudência pacífica do CARF, deve ser declarada de plano a improcedência do lançamento fiscal, com o cancelamento da respectiva exigência. Insurgiuse contra a cobrança concomitante da multa de ofício e também da multa isolada e requereu fosse acolhida a preliminar de nulidade e no mérito, fosse julgada totalmente procedente a presente impugnação, eis que fora suficientemente demonstrado que não há óbice para distribuição dos JCP de períodos anteriores, pois procedeu a distribuição em conformidade com a Lei 9.249/1995 e demais dispositivos aplicáveis a matéria. A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 966 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, frisando de início que o procedimento adotado pela recorrente seria legalmente amparado pelo artigo 9º da Lei 9.249/95, e que ao contrário do que afirmado pela Fiscalização, não ofendeu o regime de competência, o qual está ligado ao conceito de “despesa incorrida”, que assim só se torna, no momento em que “se forma a relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros” e “o beneficiário possa vir a exigir o pagamento como direito seu”. Citando posicionamento doutrinário, a decisão recorrida entendeu que somente a partir desse momento é que se cogita a aplicação do regime de competência e no caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros, no caso 2007. Dito isso, assinalou a decisão recorrida que para efeitos de IRPJ e CSLL, o pagamento de juros sobre capital próprio recebe tratamento fiscal de despesa financeira idêntico ao tratamento dos juros sobre capital de terceiros, tanto que a própria administração ao regulamentar a aplicação do artigo 9º da Lei 9.249/95 determinou a sua contabilização como despesa financeira da empresa pagadora (portanto, dedutível) e receita financeira da empresa beneficiária (portanto, tributável exclusivamente na fonte, ou como antecipação do devido na declaração, no caso de empresas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado) (IN 11/96, artigo 29). Segundo a decisão recorrida, se o pagamento de juros sobre o capital próprio tem tratamento fiscal de despesa financeira para a empresa pagadora, tal despesa, em observância ao regime de competência, só deve ser imputada aos seus resultados no momento em que a sociedade se obrigar a pagar os juros, observando que antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida, não Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 6 5 se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros. No caso concreto, entendeu a decisão objetada, que a contribuinte deliberou efetuar o pagamento de juros sobre capital próprio em 2007 tomando por base o patrimônio líquido de 1996 a 2006, atendidas as condições e limites previstos na Lei nº 9.249/95 e que a despesa correspondente ao pagamento desses juros, portanto, somente surgiu em 2007, sendo assim, verificouse que o contribuinte não pretendeu computar em um exercício valores de JCP pertinentes a exercícios anteriores”, embora os juros pagos e deduzidos em 2007 tenham sido calculados também com base nas contas do patrimônio líquido de anoscalendário anteriores de 1996 a 2006, tratase de despesas relativas ao anocalendário 2007, e não de 1996 a 2006, tendo em vista que somente em 2007 ocorreu a deliberação sobre o pagamento/crédito dos valores desses juros, portanto, somente naquele anocalendário a despesa a eles relativa tornou se incorrida, ou seja, o pagamento desses valores tornouse obrigação da empresa e direito dos acionistas, afetando o resultado. Portanto, pelas razões acima expostas, entendeu a decisão recorrida (parte objeto de Recurso de Ofício) que não tem amparo legal estabelecer como condição para a dedução dos juros sobre o capital próprio que o pagamento desses mesmos juros seja efetuado em cada anocalendário, cujo valor das contas do patrimônio líquido foi tomado como base para seu cálculo, como entendeu a fiscalização. Daí porque a previsão da IN 11/96, no sentido de que os juros sobre capital próprio são dedutíveis segundo o regime de competência, significa apenas que a despesa a eles relativa deve ser reconhecida no período em que for deliberado o seu crédito ou pagamento, pois apenas nesse momento é que nasce a obrigação a eles relativa, salientando que a matéria foi apreciada em vários julgamentos do CARF, tendo sido objeto de diversos acórdãos, citando as ementas. Após estas conclusões, frisou a decisão recorrida que seria necessário observar também o entendimento da Receita Federal expresso nos atos oficiais publicados, de sorte que aludiu ao disposto no Ato Declaratório Normativo ADI nº 13 de 1996, para entender que “o limite, para fins de dedutibilidade, como despesa financeira, do valor dos juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, a título de remuneração do capital próprio, será de cinquenta por cento do lucro líquido correspondente ao períodobase do seu pagamento ou crédito, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros, ou dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, o que for maior.” Observou, destarte, que o ADI não limitou a incidência da TJLP (taxa de juros) apenas ao ano em que foi efetuado o pagamento, tal qual fez a Fiscalização, que implicou na maior parte da glosa, portanto, a única limitação ao valor máximo dedutível seria 50% do Lucro Líquido em 2007 antes do IRPJ (R$ 41.636.083,37), conforme apurado pela fiscalização (TVF fl. 893). Por seu turno, o valor apurado com base na TJLP dos períodos relativos aos JCP pagos pelo contribuinte, limitados pelo lucro a distribuir de cada período, atingirem o montante de R$ 59.329.879,19 (demonstrativo de fl. 885, apresentado durante a auditoria fiscal), sendo que o contribuinte efetuou o pagamento e a dedução do valor de R$ 42.813.861,77, registrando que a apuração do valor do limite no ano de 2007 pela Fiscalização não foi contestado na peça impugnatória e, de igual forma, inexistiria no relatório fiscal ressalvas aos cálculos do contribuinte no que tange a TJLP. Assim, entendeu remanescer tributável a parcela de R$ 1.177.778,40 da base de cálculo original, em dezembro de 2007 (42.813.861,77 – 41.636.083,37). Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 7 6 Diante disso, julgouse procedente em parte a impugnação, para reduzir a base de cálculo da infração tributada ao valor de R$ 1.177.778,40, mantendo a multa isolada proporcional em concomitância com a multa de ofício igualmente proporcional. Como já adiantado, a parcela da autuação exonerada foi submetida a Recurso de Ofício, e a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em relação ao crédito tributário mantido, argumentando que discussão que remanesceria é meramente fática, e não de direito, já que ficou assentado que não existe qualquer oposição ao pagamento de JCPs acumulados em anos anteriores. Dito isso, argumentou a contribuinte que não contestou, na peça impugnatória, o critério utilizado pela autoridade fiscal – no que tange ao limite de R$ 41.636.083,37 apontado pela fiscalização , em razão de ter pleiteado a nulidade integral do auto de infração, sendo que não foi considerada pela autoridade lançadora a variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP e as movimentações que ocorreram no Patrimônio Líquido da Recorrente no ano de 2007, em razão da Oferta Pública de Ações – O.P.A., e tampouco foi apresentado o embasamento legal do critério utilizado pela fiscalização, e que foram devidamente contestados na peça impugnatória às fls. 5. Seguiu defendendo que muito embora tenha sido informado, no curso dos trabalhos, que os valores não disponibilizados aos acionistas em anos anteriores haviam sido considerados na apuração dos JCPs pagos em 2007, a fiscalização teria se preocupado em solicitar apenas os documentos contábeis relacionados aqueles anos, bem como a memória de cálculo utilizada para apurar o valor dos JCPs a pagar. Além disso, a referida autoridade limitouse a acessar os dados contidos nas DIPJ do anocalendário de 2007 e não dos anos anteriores, sem observar adequadamente o disposto no § 1º, do artigo 9º, da Lei 9.249/95, com redação dada pela Lei 9.430/1996. Insistiu que a falta de interesse da Fiscalização em analisar a possibilidade de computar os JCPs que poderiam ter sido pagos em anos anteriores levou a Recorrente a inferir que o auto de infração estaria fundamentado apenas na suposta impossibilidade de creditálos de forma acumulada e, como já mencionado, a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a adequação da recorrente aos limites para pagamento de JCPs, e que, de qualquer sorte, a delimitação do escopo da discussão feita pelo Acórdão facilitou em muito a solução da presente controvérsia apesar de não ter sido declarada a total improcedência do auto de infração no instante em que foi confirmado às fls. 16 que a autoridade fiscal não considerou a variação pro rata dia da TJLP nos períodos anteriores e ainda transcreveu o Ato Declaratório Normativo – ADI nº 13 de 1996, de sorte que bastaria, nesse momento, para que seja decretada a total improcedência do presente auto de infração, no que tange à remanescente manutenção do crédito tributário no valor de R$ 1.177.778,40, o correto exame da DIPJ 2008 anobase 2007 (Documento 1) e do quadro elaborado, os quais demonstram que a Recorrente cumpriu o limite de 50% para dedutibilidade dos JCPs no ano de 2007, conforme prevê o §1º, do artigo 9º da Lei 9.249/95. Transcrevo abaixo o quadro demonstrativo constante da página 6 do recurso Voluntário: Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 8 7 Tornou a anotar que a fiscalização ignorou o critério estabelecido pelo § 1º, do artigo 9º, da Lei 9.249/1995, pois não observou que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados, ou seja, a autoridade fiscal considerou como limite para distribuição dos JCPs, o Lucro Líquido antes do IRPJ apresentado na DIPJ anobase 2007, Ficha 06A, Linha 55 (Documento 1), sem observar que este lucro é após a distribuição do próprio JCPs e, dessa forma, estaria configurada a hipótese prevista nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235/722, com as alterações promovidas pelas Leis nºs 8.748/93 e 9.532/97, reiterando o pedido de nulidade total do auto de infração apresentada na peça impugnatória, por não ter a autoridade fiscal observado: 1) O critério de aplicação da variação pro rata dia da TJLP, descumprindo o artigo 9º, da Lei 9.249/1995 e o ADI nº 13 de 1996; 2) O critério para apuração do limite de 50% para fins de dedutibilidade, previsto no §1º, do artigo 9º, da Lei 9.249/1995, com redação dada pela Lei 9.430/1996, de que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Aduziu em conclusão, que o procedimento que adotou para apurar o valor dos JCPs que poderiam ter sido pagos no período de 1996 a 2006 foi o de (i) aplicar a TJLP sobre o valor do Patrimônio Líquido apurado ano a ano (o que não havia sido observado pela autoridade fiscal, mas que foi aceito pelo r. Acórdão), (ii) verificar se o valor apurado não excedia os limites legais (50% do lucro do exercício ou 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros); (iii) deduzir do valor a pagar aquilo que já poderia ter sido objeto de pagamento em ano anterior e, por essas razões, reiterou o pedido de cancelamento total da exigência fiscal, por ser medida de justiça. Em argumento alternativo insurgiuse contra a concomitância das multas de ofício e isolada. É o relatório. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Bem assim, o Recurso de Ofício atende aos requisitos legais e regimentais, admitoos para julgamento. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de autos de infração versando glosa à dedução de pagamentos de juros sobre o capital próprio (JCP), no anocalendário 2007, considerando que foram incluídos valores de exercícios anteriores, ultrapassando o limite estabelecido para o período de apuração em curso. A decisão recorrida afastou, substancialmente, o conteúdo das imputações fiscais ao dispor que o procedimento adotado pela recorrente seria legalmente amparado pelo artigo 9º da Lei 9.249/95, e que seu procedimento não ofendeu o regime de competência, o qual está ligado ao conceito de “despesa incorrida”, que assim só se torna, no momento em que “se forma a relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros” e “o beneficiário possa vir a exigir o pagamento como direito seu”, situações que somente se aperfeiçoam, no caso dos juros sobre capital próprio, quando a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo, ou seja, após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Relativamente à parcela mantida, o entendimento da decisão recorrida foi de que, segundo o disposto no Ato Declaratório Normativo ADI nº 13 de 1996, “o limite, para fins de dedutibilidade, como despesa financeira, do valor dos juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, a título de remuneração do capital próprio, será de cinquenta por cento do lucro líquido correspondente ao períodobase do seu pagamento ou crédito, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros, ou dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, o que for maior”, observando que o ADI não limitou a incidência da TJLP (taxa de juros) apenas ao ano em que foi efetuado o pagamento e que a limitação ao valor máximo dedutível seria 50% do Lucro Líquido em 2007 antes do IRPJ (R$ 41.636.083,37), conforme apurado pela fiscalização (TVF fl. 893) e que o valor apurado com base na TJLP dos períodos relativos aos JCP pagos pelo contribuinte, limitados pelo lucro a distribuir de cada período, atingirem o montante de R$ 59.329.879,19 (demonstrativo de fl. 885, apresentado durante a auditoria fiscal), sendo que o contribuinte efetuou o pagamento e a dedução do valor de R$ 42.813.861,77, registrando que a apuração do valor do limite no ano de 2007 pela Fiscalização não foi contestado na peça impugnatória e, de igual forma, inexistiria no relatório fiscal ressalvas aos cálculos do contribuinte no que tange a TJLP. Assim, entendeu remanescer tributável a parcela de R$ 1.177.778,40 da base de cálculo original, em dezembro de 2007 (42.813.861,77 – 41.636.083,37). Marcados os limites objetivos do caso concreto, apresentase oportuna a apreciação segregada dos Recursos Voluntário e de Ofício. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 10 9 I – RECURSO DE OFÍCIO Seguramente o enfretamento promovido pela decisão recorrida foi acertado ao dispor que o período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, de sorte que nada obsta a distribuição acumulada de JCP, desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. O ponto central do entendimento sufragado, que prestigiou os precedentes deste CARF, para mim, dáse ao observar que antes da deliberação dos sócios para viabilizar e dar os parâmetros dos pagamentos, não existe direito subjetivo dos sócios ao recebimentos do aventados JCP, e por isso, igualmente inexiste despesas incorrida, o que obsta imaginar respeito – ou desrespeito – ao regime de competência, porquanto não dívida oponível contra a sociedade devedora dos JCP. Vêse que a decisão recorrida de ofício, bem assinalou que no caso concreto a contribuinte deliberou efetuar o pagamento de juros sobre capital próprio em 2007, e levou em conta o patrimônio líquido de 1996 a 2006, em exata atenção aos limites previstos na Lei nº 9.249/95, de sorte que a despesa correspondente ao pagamento desses juros, somente surgiu em 2007, nos exatos termos reconhecidos pela decisão objetada. Com este raciocínio, é irretorquível a conclusão de que o contribuinte não pretendeu computar em um exercício, valores de JCP pertinentes a exercícios anteriores, conquanto os juros pagos e deduzidos em 2007 tenham sido calculados também com base nas contas do patrimônio líquido de anoscalendário anteriores de 1996 a 2006, eis que se trata de despesas relativas ao anocalendário de 2007, e não de 1996 a 2006, tendo em vista que somente em 2007 ocorreu a deliberação sobre o pagamento/crédito dos valores desses juros, portanto, somente naquele anocalendário a despesa a eles relativa tornouse incorrida, ou seja, o pagamento desses valores tornouse obrigação da empresa e direito dos acionistas, afetando o resultado. Em vista do exposto, impõemse o desprovimento do Recurso de Ofício. II – RECURSO VOLUNTÁRIO Em relação à parcela subjacente da autuação, entendeu a decisão recorrida que o ADI nº 13/96 não limitou a incidência da TJLP (taxa de juros) apenas ao ano em que foi efetuado o pagamento, porém, dispõe limitação ao valor máximo dedutível de 50% do Lucro Líquido em 2007 antes do IRPJ, que na espécie seria de R$ 41.636.083,37, conforme apurado pela fiscalização (fl. 893), sendo que o valor apurado com base na TJLP dos períodos relativos aos JCP pagos pelo contribuinte, limitados pelo lucro a distribuir de cada período, atingirem o montante de R$ 59.329.879,19 (fl. 885), e o contribuinte efetuou o pagamento e a dedução do valor de R$ 42.813.861,77, ou seja, remanesce tributável a parcela de R$ 1.177.778,40 da base de cálculo original, em dezembro de 2007 (42.813.861,77 – 41.636.083,37). Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 11 10 Conquanto a contribuinte não tenha mesmo se insurgido contra a forma de apuração utilizada pela autoridade fiscal quanto ao limite de R$ 41.636.083,37 apontado pela fiscalização e utilizado pela decisão recorrida, é fato que em sede de Recurso Voluntário apresentou suas justificativas, que se coadunam, ao meu sentir, ao fato de ter sustentado a nulidade integral dos autos de infração. Ademais, estando as alegações da contribuinte amparadas em documentos que sempre estiveram à disposição da Fiscalização, não vejo óbice preclusivo de apreciar a correta composição do limite para dedutibilidade dos JCP no caso concreto. Anotese, por oportuno, que a contribuinte argumenta, com razão, que diante do entendimento sufragado pela decisão recorrida, o dito ADI 13/96 não limitou a incidência da TJLP (taxa de juros) apenas ao ano em que foi efetuado o pagamento, de sorte que, o correto exame da DIPJ 2008 anobase 2007 e do quadro elaborado pela recorrente revelam que a contribuinte observou o limite de 50% para dedutibilidade dos JCP no ano de 2007, conforme prevê o §1º, do artigo 9º da Lei 9.249/1995, eis que a Fiscalização ignorou o critério estabelecido pelo §1º, do artigo 9º, da Lei 9.249/1995, pois não observou que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados, ou seja, a autoridade fiscal considerou como limite para distribuição dos JCP, o Lucro Líquido antes do IRPJ apresentado na DIPJ anobase 2007, Ficha 06 A, Linha 55, sem observar que este lucro é após a distribuição do próprio JCP. DA MULTAS ISOLADA Considerando que as glosas subsistentes impactaram a apuração das estimativas, de rigor o enfrentamento da questão relacionada à multa isolada, já adianto que entendo absolutamente impertinente a aplicação, na espécie, desta penalidade. Assiste razão à contribuinte em contestar a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa com a multa de lançamento de ofício, uma vez que a duplicidade de imposição caracteriza dupla penalização. Não se pode acolher a aplicação em duplicidade de penalidade de ofício sobre uma mesma infração, tendo em vista que o valor da contribuição tanto fez parte do crédito tributário lançado de ofício e sobre o qual incidiu a multa, bem como foi utilizado a título de base de cálculo da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, no seu inciso IV, prevê a cobrança da referida multa, isoladamente, no caso em que o contribuinte deixe de efetuar os recolhimentos por estimativa. Ainda, a legislação autoriza a cobrança de tal multa, isoladamente, quando em procedimento fiscal verificarse a falta do recolhimento da estimativa e quando não houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Nesse sentido, o inciso V do parágrafo 4° da Lei n° 9.430/96 estabelece a aplicação da multa isolada na hipótese de falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL declarada e não recolhida. Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 12 11 atingindo valores superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Além do mais, transpondose para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições do artigo 112 do CTN, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do Código Penal, conclui se que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes idênticos ou não, aplica lhes a mais grave das penas cabíveis, ou se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. Ora, a legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Por decorrência deve ser cancelada a multa por falta de recolhimento da estimativa. Tratase de tema já pacificado nesta Câmara Superior, conforme se constata dos julgados a seguir transcritos por suas ementas: Acórdão 91010.375, de 01/10/2009: IRPJ. MULTA ISOLADA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento do tributo apurado no balanço Acórdão 910100.430, de 03/11/2009, de idêntico teor aos Acórdãos nºs,910100.500 de 25/01/2010; 910100.501 de 25/01/2010; 910100.502 de 25/01/2010; 910101.193, de 17/10/2011; 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 910101.455 de 15 de agosto de 2012: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e obem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxode caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. 9101000.844, de 22/02/2011 (de idêntico teor: Acórdãos 910101.237, de 21/11/2011; 910101.246, de 22/11/ 2011) FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 13 12 No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Pelo exposto voto no sentido de cancelar a multa isolada. Por todo exposto encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 14 13 Voto Vencedor Wilson Fernandes Guimarães, Redator designado. Não obstante a densidade da argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado pronunciouse em sentido diverso, relativamente a dedutibilidade da despesa com juros sobre o capital próprio. O presente pronunciamento, portanto, cuida, exclusivamente, da glosa empreendida pela Fiscalização relacionada à apropriação no resultado, por parte da contribuinte fiscalizada, de despesa com o pagamento de juros sobre o capital próprio. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 888/926, no ano de 2007, a autuada efetuou o pagamento de R$ 42.813.81,77, a título de juros sobre o capital próprio. Tomando por base a legislação de regência, a autoridade fiscal determinou, conforme quadros abaixo, os limites que deveriam ser observados na dedução dos juros sobre o capital próprio na apuração do resultado fiscal1. Patrimônio Líquido em 31/12 do ano anterior R$ 341.301.207,69 Reservas de Reavaliação R$ 30.405.107,21 Base de Cálculo para a TJLP R$ 310.896.100,48 TJLP ponderada referente ao ano 6,38% Juros com base na TJLP R$ 19.835.171,21 Lucro Líquido em 2007 antes do IRPJ R$ 83.272.166,74 50% R$ 41.636.083,37 Lucros Acumulados 31/12 ano anterior R$ 0,00 Reservas de Lucros 31/12 ano anterior R$ 48.843.853,45 50% R$ 24.421.926,73 A partir de tais demonstrativos, concluiu a autoridade fiscal que no ano de 2007 a contribuinte só poderia deduzir a despesa com pagamento de juros sobre o capital 1 Embora a autoridade autuante tenha denominado o quadro como referente ao LIMITE DE JCP QUE PODERIA SER PAGO EM 2007, resta evidente que o que ela queria dizer era LIMITE DE JCP QUE PODERIA SER DEDUZIDO EM 2007, vez que é disso que a legislação cuida e é isso que caberia a ela, à autoridade fiscal, verificar. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 15 14 próprio até o montante de R$ 19.835.171,21, motivo pelo qual promoveu a glosa do valor de R$ 22.978.690,56. Registra, ainda, o citado Termo de Verificação Fiscal: O representante da empresa, José Carlos Pantaroto, ciente dos valores apurados marcou um dia para esclarecer alguns pontos. Em 04/06/2012 José Carlos Pantaroto compareceu nesta Delegacia e esclareceu que o valor total distribuído, que somou R$ 42.813.861,77, referese a distribuição de valores, posteriormente apurados, referentes aos anos de 1996 a 2006. Segundo ele, os valores que não foram distribuídos à época foram calculados em 2007 conforme planilha apresentada em 12/06/2012. A controvérsia, pois, está representada pela seguinte questão: juros sobre o capital próprio, referentes a anos calendário pretéritos, uma vez apurados posteriormente, podem ser deduzidos em outro ano calendário, isto é, em período de apuração diverso do correspondente ao que supostamente deveriam ter sido pagos. Do ponto de vista da legislação tributária, penso não existir óbice ao fato de que despesas com juros sobre o capital próprio, referentes a anos calendário pretéritos, uma vez apurados posteriormente, possam ser deduzidos em outro ano calendário. Contudo, não se pode deixar de observar que, como se verá adiante, as condições de dedutibilidade devem ser verificadas no momento em que a despesa efetivamente é incorrida. A dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, encontrase disciplinada no artigo 9º da Lei nº. 9.249, de 1995. Ali está estabelecido, verbis: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º REVOGADO PELA LEI Nº. 9.430/96 Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 16 15 § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º REVOGADO PELA LEI Nº. 9.430/96 §10 REVOGADO PELA LEI Nº 9.430/96 Cabe destacar que a norma em referência cuida, única e exclusivamente, de dedutibilidade da despesa com remuneração do capital próprio (juros), estabelecendo, pois, as condições para tanto. Nesse sentido, preconiza: a) que os juros dedutíveis devem ser calculados sobre as contas do patrimônio líquido e devem ser limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP; e b) que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Releva notar que antes da edição da Lei nº. 9.249/95 não eram admitidas, como custo ou despesa dedutível, as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios da empresa, a título de juros sobre o capital (artigo 49 da Lei nº. 4.506/64). Ao introduzir a possibilidade de dedução, a norma tributária impôs condições, como anteriormente explicitado. A Instrução Normativa SRF nº. 11, de 1996, complementando as disposições trazidas pelo art. 9º da Lei nº. 9.249, de 1995, estabeleceu: Juros Sobre o Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 17 16 capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. ... Como é cediço, no Regime de Competência as receitas e despesas são apropriadas no período de sua realização, independentemente do efetivo recebimento das receitas ou do pagamento das despesas. Em que pese as referências feitas ao regime de competência, a questão versada nos autos não trata exatamente de inobservância do referido regime na apropriação de despesa, mas, sim, de desconsideração das condições de dedutibilidade estabelecidas na legislação de regência. Ademais, revelase absolutamente impróprio falarse em inobservância de regime de competência no registro de despesa na situação em que ela própria (a despesa) não existe, pois, se apurada e não refletida contabilmente, descabe falar em despesa incorrida. Cabe destacar, assim, que na situação sob análise, em que se fala em “apuração” mas não se prova a contabilização, o regime de competência se revela no momento do pagamento ou crédito ao beneficiário, isto é, no momento em que a despesa é efetivamente incorrida. Resta fora de dúvida, portanto, que, no presente caso, a solução da controvérsia está diretamente associada à aferição do cumprimento das condições estabelecidas pela legislação tributária para fins de dedutibilidade da despesa. Não custa repisar que, para fins de dedução, os juros devem ser calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP e que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. O entendimento muitas vezes esposado no sentido de que não há um limite temporal para que se possa deduzir a despesa aqui discutida (juros sobre o capital próprio), efetivamente não pode ser acolhido. No regime de competência, o cômputo das receitas e despesas é indissociável do período de tempo em que os correspondentes montantes são realizados, justificando, assim, o registro da mutação patrimonial respectivo. No que diz respeito especificamente à despesa com juros sobre o capital próprio, releva transcrever excertos da manifestação do ilustre Professor Edmar Oliveira Andrade Filho2, que aborda com propriedade a questão. ... A partir dos dispositivos legais e regulamentares transcritos ou referidos, é possível inferir que a dedutibilidade de despesa relativa a juros sobre o capital próprio está subordinada a critérios quantitativos objetivos. A existência desses 2 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. São Paulo: Atlas, 2006. p. 240242. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 18 17 critérios, em princípio, não impede que uma empresa remunere, da forma como melhor lhe aprouver, o capital de seus sócios ou acionistas. De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nessa esfera as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode – no presente – deliberar a respeito dos pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. Há que se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, como visto, a dedutibilidade dos juros sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há um primeiro limite que diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e além desses critérios existem dúvidas se tais encargos têm a sua dedutibilidade subordinada ou não ao regime de competência. O art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência, o que está correto; o problema é saber quando surge a despesa e quando o atendimento ao regime de competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em que a despesa se torna incorrida, ou seja, quando houve a formação da relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros. Pois bem, o “regime de competência” é um princípio geral que sofre recortes de várias espécies segundo a vontade da lei. Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em cash basis e algumas despesas não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial de imputação temporal dos juros sobre o capital, de modo que é intuitivo que eles devem ser registrados segundo o regime de competência. Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram a regra geral do art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decretolei nº. 1.598/77, as referidas leis não revogaram expressamente ou tacitamente aquele diploma normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto no parágrafo 1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei posterior revoga a anterior “quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior”. As Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96, embora tenham trazido diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. As leis, nesse caso, se entrelaçam, não se excluem. Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 padece do vício da ilegalidade. Ela tem fundamento de validade no art. 6º do Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 19 18 Decretolei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96. Se a dedutibilidade dos juros estivesse subordinada unicamente ao regime de competência, isto é, se não existissem limites objetivos a serem observados, a eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüência porque a observância – e a eventual inobservância – desse regime não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade3. A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital, no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas. O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma deliberação nesse sentido e que não imponha condição suspensiva para o aperfeiçoamento do direito e da correspondente obrigação. Antes da formalização do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm nem mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. Ora, se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública, não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o capital é uma faculdade e, como tal, pode ou não ser exercida pelos próprios sócios, razão pela qual os juros não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista. Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. (GRIFEI) ... Do referido texto, aqui acolhido por inteiro, ressalto as seguintes conclusões: 1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência; 2. tratandose de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das disposições do art. 6º do DecretoLei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem de forma expressa em disposição de lei; 3. a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio não se subordina única e exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma tributária impõe limites objetivos; 3 O autor ressalta que "consequências poderiam advir no caso de empresa que apura prejuízos fiscais em face da limitação do montante que pode ser compensado em cada períodobase, segundo a legislação vigente". Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 20 19 4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida; 5. do ponto de vista estritamente tributário, os juros sobre o capital próprio, diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista; 6. nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado; 7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores; 8. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade. Assim, não havendo dúvida de que o registro da despesa em comento deve ser feito obedecendose o regime de competência, e que, no caso, tal regime se revela no momento do pagamento ou crédito ao beneficiário, resta expresso na norma tributária que a dedutibilidade de tal pagamento ou crédito fica limitado à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP sobre as contas do Patrimônio Líquido e condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (art. 9º, caput e parágrafo primeiro, acima transcritos). São merecedores de reprodução também, fragmentos das contrarrazões trazidas pela Ilustre Representante da Fazenda Nacional, que, em tudo, converge para o entendimento aqui esposado. [...[ No presente caso, quanto ao exercício social pretérito (1996 a 2006), certo que já houve a realização de assembléia, na qual foi externada a vontade social sobre a destinação dos lucros e a aprovação das demonstrações financeiras. Como já foi dito, essa forma de remuneração dos sócios é uma faculdade conferida a empresa que, se optar por ela, poderá deduzila ate o limite fixado pela lei. Se, em determinado período a empresa deliberou sobre JCP abaixo do limite dedutível, significa dizer que a própria empresa renunciou a tal direito. Temse, então, ato jurídico perfeito, estando apto a produzir todos os seus efeitos. Ocorre que os acionistas, em 2007, determinaram o pagamento de JCP acima do montante autorizado para fins de dedução. No intuito de se aumentarem esse limite e deduzirem todo o valor, usam argumento de que urna parte do excesso decorre de “estoque” não utilizado em anos anteriores. Não existe óbice para a assembléia, em exercício posterior, deliberar sobre a remuneração do capital dos sócios na forma que melhor lhe aprouver. Os critérios trazidos pela Lei n° 9249/95 dizem respeito apenas aos efeitos fiscais, ou seja, a Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 21 20 dedução do lucro real para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Logo, a empresa pode determinar o pagamento de juros sobre o capital próprio até mesmo acima dos limites trazidos pela Lei n° 9.249/95. Tratase de um direito exercido com base nos princípios da livre iniciativa e da autonomia privada. Porém, a parcela dedutível deve sempre obedecer aos requisitos indicados na legislação. Um dos critérios trazidos pela norma tem natureza quantitativa, a parcela dedutível limitase ao maior valor entre: a) 50% do lucro líquido do período de apuração antes da dedução desses juros, após a dedução da CSLL e antes da provisão para o IRPJ, ou b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros. Os limites em questão bem demonstram que o JCP é pago de acordo com o lucro apurado ao final do exercício social correspondente ou as reservas de lucro existentes. Ao assim dispor, a lei quis impedir que todo o lucro do período fosse distribuído na forma de JCP, impedindo a tributação. Sendo assim, se a empresa, como no caso dos autos, está deliberando sobre JCP de exercícios passados, é certo que o lucro do respectivo período já teve a sua destinação, não estando mais disponível para fins de pagamento na forma pretendida. E se já foi dada destinação ao lucro dos exercícios encerrados, devese respeitar a vontade social externada na assembléia, não podendo ser modificada a qualquer tempo, como se ela não tivesse ocorrido. E mais, a remuneração é calculada sobre as contas do patrimônio líquido, limitada à variação pro rata dia da TJLP. Por óbvio, na apuração do montante dedutível para o anocalendário, a TJLP deve ser aplicada apenas quanto ao PL do respectivo período, e não quanto a exercícios anteriores, sob pena de se tornar inócuo o limite trazido pela Lei. Não pode a empresa tentar dilatar esse limite, sob o fundamento de que está realizando pagamento 'acumulado', referente a exercícios anteriores. Independentemente do montante pago, a parcela dedutível obedecerá ao critério quantitativo previsto na legislação e, por óbvio, deverá ser calculada para o exercício no qual foi deliberado o pagamento do JCP, e não conforme exercícios sociais anteriores já devidamente encerrados. ... Se a empresa, por meio de seus sócios e no momento adequado, decidiu pela remuneração dos sócios por meio do pagamento de juros sobre capital próprio abaixo do limite dedutível, conforme ocorreu no ano de 2005, por óbvio, naquele exercício acabou renunciando à faculdade que lhe foi conferida. Tudo em absoluta conformidade com os princípios da livre iniciativa e da autonomia privada. Porém, no ano subsequente, a parcela dedutível continuará atrelada ao limite trazido pela Lei nº 9.249/95, não sendo possível recuperar a dedutibilidade de despesas que, por determinação da própria empresa, não foi suportada em anos anteriores. A deliberação acerca da destinação dos lucros referentes aos anos pretéritos é um ato jurídico perfeito. Cabe à empresa apenas cumprir as determinações constantes da assembléia, onde houve a aprovação das demonstrações financeiras e ficou decidido sobre o tratamento a ser dado ao lucro apurado no período. Eventual modificação dependeria de alteração do balanço e a prova de algum vício no tocante à manifestação de vontade. Como já houve a destinação do lucro do período, não pode a empresa simplesmente ignorar a deliberação e nos exercício seguinte determinar o pagamento de JCP. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13888.724255/201217 Acórdão n.º 1301001.561 S1C3T1 Fl. 22 21 Amparado por tais fundamentos, o Colegiado considerou absolutamente correta a glosa empreendida pela autoridade fiscal, uma vez que restou evidente a inobervância por parte da Recorrente dos requisitos de dedutibilidade na apropriação da despesa com juros sobre o capital próprio. Tratase, em suma, de despesa incorrida por ocasião do pagamento e/ou crédito aos beneficiários, em que a contribuinte deixou de observar as condições de dedutibilidade impostas pela lei. Por todo o exposto, decidiu o Colegiado DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Wilson Fernandes Guimarães Redator Designado Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
