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Numero do processo: 16696.720750/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF.
Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 6. 72 07 50 /2 01 4- 64 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 10/11/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2013, anocalendário 2012, decorrente da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 3.707,25) recebidos pelo titular e/ou dependentes. Quanto à referida omissão, foi descrito que o "contribuinte informou rendimentos pelo valor líquido recebido. Inclusão efetuada conforme informações prestada em DIRF pela fonte pagadora", fl. 5. Também constou da descrição dos fatos a "omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos à tabela progressiva no valor de 116.505,06 recebidos pelo titular e/ou dependentes, indevidamente declarados como isentos ou não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda". No que tange à citada omissão, foi descrito que o "contribuinte apresentou documento emitido pelo INCA em 2005, onde é declarado que o mesmo era portador de moléstia grave. Entretanto, a referida declaração não estipula se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, o respectivo prazo de validade", fl. 6. Ademais, houve "glosa do valor de R$ 3.809,82 indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para a sua dedução", fl. 7. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação, fls. 2 e 3, alegando, em síntese, que: a) concorda com a omissão de rendimentos do trabalho recebidos da fonte pagadora de CNPJ nº 46.307.989/000181 (Metalgrade Pisos Industriais S/A); b) os rendimentos declarados como isentos nos valores de R$16.807,86 e R$ 99.697,20, relativos, respectivamente, às fontes pagadoras de CNPJ nº 29.979.036/000140 e 34.269.803/000168, correspondem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por portador de moléstia grave, comprovada por meio de laudo pericial do INSS e não somente pelo documento emitido pelo INCA, como afirmado pela Receita Federal no termo de intimação 2013/244341479334869, página 3; c) o valor de R$ 3.809,82 corresponde a despesas médicas próprias e de companheira com quem o contribuinte tem filho ou vive há mais de 5 anos, ou cônjuge; d) a Receita Federal desconsiderou o fato de que continuou com o plano Bradesco Seguro Saúde AG, mesmo após seu Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16696.720750/201464 Acórdão n.º 2201003.100 S2C2T1 Fl. 90 3 desligamento da empresa Andrade Gutierrez, conforme mostram os recibos nos valores de R$ 1.832,86, R$ 933,23 e R$ 916,43, no total de R$3.682,52; e) o demonstrativo de despesas médicas e o demonstrativo de despesas médicas para o PLAMES, do anocalendário 2012, ambos da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social, somam despesas de R$ 2.156,83, reembolsos de R$1.764,66 e participação (valor dedutível) de R$ 392,17 da dependente Sonia Fidalgo Pereira dos Santos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a impugnação, restando mantida em parte a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) os documentos juntados aos autos pelo contribuinte, com o intuito de comprovar sua doença, não preenchem as condições previstas na legislação pertinente; b) o Relatório Médico (fls. 21) e o Laudo Anatomopatológico (fls. 19/20 e 22) foram emitidos, respectivamente, por médico e laboratório particulares e, por isso, não atendem à exigência legal; c) embora a patologia mencionada no laudo pericial exarado em 29/11/2005 pelo INCA – Instituto Nacional do Câncer (serviço médico oficial da União), às fls. 23, figure entre as listadas no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, para efeito de isenção do Imposto sobre a Renda, o referido laudo não fixa o seu prazo de validade; d) a omissão do prazo de validade no laudo pericial foi o motivo que fundamentou a reclassificação dos rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social e da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assist. Social (de isentos para tributáveis) e redundou no lançamento ora em discussão; e) ao contrário do que afirma o contribuinte, não consta dos autos laudo médico pericial emitido pelo INSS. O documento de fls. 26, de lavra da Unidade Executiva de Perícia Médica de Angra dos Reis – RJ, não se reveste das características de laudo pericial e, por conseguinte, não atende aos ditames da legislação de regência; f) a fiscalização efetuou a glosa das despesas médicas da dependente Sônia Fidalgo Pereira, CPF nº 103.091.46720, declaradas como pagas à Real Grandeza Fundação de Previ, CNPJ nº 34.269.803/000168 (R$ 127,30), e também das despesas médicas próprias e da citada dependente, tidas como havidas com a Bradesco Saúde S/A, CNPJ nº 92.693.118/0001 60, nos respectivos montantes de R$ 1.841,26 e R$ 1.841,26, totalizando R$ 3.682,52; g) com o intuito de comprovar as despesas relativas à Bradesco Saúde S/A, CNPJ nº 92.693.118/000160, o interessado Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 apresentou os boletos de pagamento de fls. 11/13, cujos valores somados perfazem R$ 3.682,52; h) Não obstante, em que pese a coincidência de valor entre o total glosado e o total consignado nos sobreditos boletos, os mesmos possuem como cedente a Union Clube Serviços e Contratação de Seguros, CNPJ nº 79.769.900/019802, e não a Bradesco Saúde S/A, CNPJ nº 92.693.118/000160. Assim, não é possível acatar a dedução de tais despesas; i) no que tange à Real Grandeza Fundação Previ, as despensas médicas referentes à dependente Sônia Fidalgo Perreira dos Santos somaram a importância de R$1.487,30, a qual, subtraída da quantia reembolsada de R$ 1.288,00, resultou no valor de R$199,30, que adicionado ao valor da participação de R$ 192,87, totaliza R$ 392,17, que supera o valor pleiteado na declaração do imposto de renda pessoa física, que importou em R$320,00. Assim, deve ser restabelecida a quantia de R$ 127,30 (R$ 320,17 R$ 192,87); j) foi considerada procedente em parte a impugnação que ora se analisa, para cancelar parte do crédito tributário exigido na notificação de lançamento de fls. 04/10. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte aduz, em síntese, que: a) com base em toda a documentação apresentada (relatório médico do INCA, no qual indica a existência de adenocarcinoma, linfonodos e neoplasia maligna com potencial recidiva com metátese, mesmo após o tratamento, e a perícia médica do INSS com toda a documentação da cirurgia, relatório do cirurgião com laudo anatomopatológico), provavelmente, devido ao estado grave de saúde do contribuinte, o perito do INSS não estipulou datas e nem condições de cura; b) o parecer do STJ, de 26/04/2010, Ministra Eliana Calmon dispõe que o contribuinte aposentado que sofre de câncer tem direito à isenção do pagamento do imposto de renda sem a necessidade de demonstrar a existência de sintomas recente. Também não é necessária a indicação de data de validade do laudo pericial ou comprovação da possível recaída da doença, uma vez que o entendimento do STJ é no sentido de diminuir o sacrifício do inativo, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e aos remédios"; c) deve ser constatada e aprovada a isenção do imposto de renda, com base na documentação apresentada. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16696.720750/201464 Acórdão n.º 2201003.100 S2C2T1 Fl. 91 5 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, o recurso do contribuinte limitouse à insurgência quanto ao seguinte fato descrito na notificação: "omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos à tabela progressiva no valor de 116.505,06 recebidos pelo titular e/ou dependentes, indevidamente declarados como isentos ou não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda". Assim, as demais matérias constantes da notificação de lançamento restam preclusas. Conforme consta dos autos, o contribuinte, em 31/10/2005, foi submetido a colectomia direita segmentar, por ser portador de Neoplasia de Ângulo Hepático do Colon (câncer de intestino), conforme relatório emitido pelo cirurgião Dr. Carlos Jossé Saboya Sobrinho, em 11/11/2005, fl. 85, bem como foi indicado para tratamento de quimioterapia pelo Dr. Carlos J.C de Andrade (médico do INCA Ministério da Saúde), devido ao diagnóstico de Adenocarcinoma de Cólon, (CID C18), em 29/11/2005, fl. 74, com acometimento de linfonodos (neoplasia maligna), com potencial recidiva de metástese, mesmo após anos de tratamento, conforme relatório emitido pelo Dr. Carlos J.C. de Andrade, do Ministério da Saúde, em 19/08/2015, fl. 73. Desse modo, houve apresentação do laudo médico oficial indicando a existência de moléstia grave prevista em lei. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca existência da natureza dos rendimentos auferidos (proventos de aposentadoria, fl. 25), fazse necessário apreciar a questão relativa a identificação da moléstia grave, por meio de laudo médico oficial, que foi a razão da autuação. Observase que o cerne da controvérsia do presente processo resumese à discussão acerca da possibilidade ou não de concessão da isenção com base em laudos médicos oficiais que reconhecem a patologia grave (neoplasia maligna), mas são omissos quanto à validade. Cabe destacar que a moléstia em questão referese à neoplasia maligna, sendo que os laudos médicos oficiais anexos expressamente delinearam o acometimento da doença pelo contribuinte e foram claros com relação às possíveis recidivas, nos seguintes termos: "Tratase de neoplasia maligna com potencial de recidiva com metástases, mesmo anos após o tratamento. Por este fato, os pacientes seguem um controle realizando exames por anos após o término do tratamento realizado no ano de 2005." (laudo emitido em 19/08/2015 pelo INCA Ministério da Saúde). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16696.720750/201464 Acórdão n.º 2201003.100 S2C2T1 Fl. 92 7 Assim, considerando a apresentação de laudo oficial, bem como a natureza dos rendimentos recebidos, restam cumpridos os requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720841/2010-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101).
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 27/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 27/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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MULTA QUALIFICADA. ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 27/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 08 41 /2 01 0- 88 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a apuração de deduções indevidas, nos exercícios de 2005 a 2009. Em sessão plenária de 15/05/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2801003.030 (fls. 175 a 183), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SOBRINHOS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os sobrinhos, mesmo menores de idade, não revestem a qualidade de dependentes para fins de dedução na declaração de ajuste anual do contribuinte, ainda que este os tenha criado e educado. A exceção ocorre somente quando o declarante detenha a guarda judicial dos menores, a teor do que dispõe a Súmula CARF nº 14. DECADÊNCIA. TERMO A QUO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial, quando comprovada a ocorrência de fraude, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. MEDIDA PREPARATÓRIA. O parágrafo único do artigo 173 do CTN somente é aplicável nos casos em que, durante o lapso de tempo compreendido entre o fato gerador e o início da fluência do prazo decadencial, a Administração Tributária inicia a constituição do crédito pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.143.534, julgado pela Primeira Seção do STJ em 13/03/2013. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim resumida: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10166.720841/201088 Acórdão n.º 9202003.947 CSRFT2 Fl. 215 3 “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a decadência relativa ao anocalendário de 2004, exercício 2005. Vencida a Conselheira Tânia Mara Paschoalin que rejeitava a preliminar de decadência.” O processo foi enviado à PGFN em 03/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 184). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 17/08/2013, o que foi feito em 30/07/2013 (fls. 185 a 190), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 191. Ao recurso foi dado seguimento, por meio do despacho de 18/11/2013 (fls. 193/194). Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir o termo inicial do prazo decadencial, no caso de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, e do despacho que lhe deu seguimento em 09/04/2014 (fls. 204), o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheiro MARIA HELENA COTTA CARDOZO O presente Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a apuração de deduções indevidas, nos exercícios de 2005 a 2009. No acórdão recorrido, foi mantida a qualificação da multa de ofício e aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, concluindose que o termo inicial do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, declarandose a decadência relativamente ao anocalendário de 2004, sendo que a ciência do lançamento ocorreu em 14/05/2010 (fls. 99). Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede que seja considerado como termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que no caso seria 1º/01/2006, e não 1º/01/2005, como considerou o acórdão recorrido. A matéria já se encontra sumulada neste CARF: "Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Assim, tratandose de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, anocalendário de 2004, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2004, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1º/01/2006, portanto o Fisco teria até o dia 31/12/2010 para efetuar o lançamento. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 14/05/2010 (fls. 99), não se verificou a decadência. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000644/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos, e por tal glosados, resultando em saldos devedores, pelo refazimento da escrita do IPI, que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência tem seu termo a quo aquele do art. 173, I, do CTN.
MULTA QUALIFICADA
Constatado o dolo específico de sonegação fiscal, deve a multa de ofício ser majorada nos termos da lei.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos, e por tal glosados, resultando em saldos devedores, pelo refazimento da escrita do IPI, que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência tem seu termo a quo aquele do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA Constatado o dolo específico de sonegação fiscal, deve a multa de ofício ser majorada nos termos da lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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E COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos, e por tal glosados, resultando em saldos devedores, pelo refazimento da escrita do IPI, que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência tem seu termo a quo aquele do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA Constatado o dolo específico de sonegação fiscal, deve a multa de ofício ser majorada nos termos da lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 06 44 /2 00 9- 58 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.000644/200958 Acórdão n.º 3402003.133 S3C4T2 Fl. 230 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos lançamento de ofício de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício qualificada no percentual de 150% (fls. 11/46). Relata o Termo de Constatação Fiscal (fls. 47/50) que o contribuinte intimado no curso do procedimento fiscal a esclarecer os valores lançados a título de "outros créditos" (linha 006) escriturados no livro de apuração do IPI, esquivouse de responder. Constatou a fiscalização que a empresa descreve tal crédito como "crédito referente arredondamento de alíquotas de aquisição", o que, afirma aquela, "explica a origem, mas não a fundamenta legalmente". Em face desse creditamento sem origem, entendeu o Fisco que o contribuinte incorreu, em tese, na conduta típica prevista no art. 1º, II, da Lei 8.137/90, o que motivou o encaminhamento da respectiva representação fiscal para fins penais e na consequente qualificação da multa de ofício. Demais disso, foi constatado que nos períodos de apuração da primeira quinzena de 08/2004, e de 07/2006 em diante, apesar de a empresa apurar saldo devedor de IPI na escrita fiscal, tais débitos não foram declarados em DCTF à RFB, conforme cópias daquelas declarações anexadas (fls. 52/63). Diante disso, a fiscalização glosou tais créditos e reconstituiu a escrita do IPI, conforme "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal" (fls. 148/150), restando saldos devedores em todo o período que é objeto de cobrança nestes autos, e "Resumo de Lançamentos" (fls. 153/155). Não resignada, a empresa impugnou o lançamento (fls. 159/168), alegando decadência em relação aos fatos geradores 15/01/2004, 31/01/2004 e 29/02/2004, com espeque no art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, insurgiuse tãosomente contra a multa, alegando ter a mesma natureza confiscatória, alem de ferir o princípio da proporcionalidade. A impugnação foi julgada improcedente por decisão, de 13/05/2009, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 191/195). Contra a r. decisão foi interposto recurso voluntário (fls. 209/219), no qual a autuada repisa os argumentos impugnatórios. É o relatório Voto Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.000644/200958 Acórdão n.º 3402003.133 S3C4T2 Fl. 231 3 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. DECADÊNCIA No que tange à decadência, a defesa argumentou que não houve recolhimento de IPI porque efetuada a dedução com créditos, o que caracterizaria o lançamento por homologação a que alude o art. 150, § 4º, do CTN. Equivocado tal entendimento, pois tratandose de créditos ilegítimos, como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não pode operar, uma vez esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a glosa dos créditos ilegítimos da escrita do contribuinte, sobre os quais a autuada em nenhum momento se pronunciou, os saldos credores passaram a ser devedores em todo período abarcado pelo lançamento, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Ainda, por vezes, sequer declarou débitos existentes e prévios à autuação. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I do CTN. Assim, afastada a decadência em relação a qualquer período de apuração do lançamento. MULTA A multa foi aplicada em face de a cobrança darse por meio de lançamento de ofício, sendo que foi qualificada, e devidamente motivada pelo agente fiscal no Termo de Constatação Fiscal, porque ficou evidenciado dolo específico de sonegação fiscal. Dessa forma, correta sua aplicação porque ao amparo de lei válida, vigente e eficaz. A recorrente não contesta sua aplicação, mas sim seu percentual, que entende ter natureza confiscatória, atentando contra o princípio da proporcionalidade. Ou seja, alega Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.000644/200958 Acórdão n.º 3402003.133 S3C4T2 Fl. 232 4 matéria de índole constitucional, matéria vedada ao conhecimento deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, que transcrevo. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Forte no exposto, nego provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11050.002151/2009-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2004 a 29/12/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.606
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 21 51 /2 00 9- 70 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 132 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.537, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 133 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 134 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 135 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 136 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 137 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 138 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 139 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.720671/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 88.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa pressupondo a observância requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000.
A norma do inciso XI, do artigo 7º da CF tem como objetivo proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, o que importa é que o trabalhador saiba de que forma irá se beneficiar, sendo seus interesses protegidos pelos órgãos sindicais.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, acatar a decadência até a competência 04/2007, inclusive, a teor do §4º do art. 150 do CTN; II) no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recuso em razão da ausência de formalização prévia dos acordos para todo período do lançamento, e vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial ao recurso para a exclusão da PLR 2008 e mantinham no lançamento somente para os valores pagos a título de PLR no ano de 2007, em razão da ausência de formalização prévia do Acordo que já continha a apuração e avaliação das metas fixadas pela empresa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva (suplente convocado) e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 88. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa pressupondo a observância requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. A norma do inciso XI, do artigo 7º da CF tem como objetivo proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, o que importa é que o trabalhador saiba de que forma irá se beneficiar, sendo seus interesses protegidos pelos órgãos sindicais. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 71 /2 01 2- 90 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 714 2 atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, acatar a decadência até a competência 04/2007, inclusive, a teor do §4º do art. 150 do CTN; II) no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recuso em razão da ausência de formalização prévia dos acordos para todo período do lançamento, e vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial ao recurso para a exclusão da PLR 2008 e mantinham no lançamento somente para os valores pagos a título de PLR no ano de 2007, em razão da ausência de formalização prévia do Acordo que já continha a apuração e avaliação das metas fixadas pela empresa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva (suplente convocado) e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 715 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte BANCO BNP PARIBAS BRASIL S.A. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo recorrente e manteve o crédito tributário referente ao período compreendido entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 59/77), foram lavrados em desfavor do contribuinte os seguintes autos de infração: a) Debcad nº 37.320.9045: apurados valores referentes as contribuições devidas à Seguridade Social, no que toca a parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR (Participação nos Lucros e Resultados), conforme o art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212/91; b) Debcad nº 37.320.9053: apurados os valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR (Participação nos Lucros e Resultado); e c) Debcad nº 37.320.5872: lavrado por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3. Inconformado com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 380/410) ao lançamento fiscal, tendo o colegiado de primeira instância rejeitado as razões apresentadas. O acórdão recorrido (fls. 546/566) restou lavrado com a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de ofício, utilizase a regra geral do art. 173, I, do CTN. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 716 4 De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições sociais previdenciárias. (Art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 e Art. 214, I, § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99). INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação, sobre a multa, de juros de mora, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição. Lei 8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art. 242, § 2º. CORESPONSABILIDADE. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3o do art. 4o da Lei no 6.830/80. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 717 5 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INFRAÇÃO CFL 68. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Art. 32, IV, parágrafo 5º, da Lei 8212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" 4. Após ter sido cientificado do referido acórdão (fl. 632), o contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 569/606), sustentando, em apertada síntese, que: a) parte do crédito tributário (janeiro a maio de 2007) encontrase extinta pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; b) os argumentos relativos à irregularidade dos acordos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) são improcedentes na medida em que a data de assinatura dos acordos não permite presumir que não ocorreu a prévia negociação das metas que balizam a distribuição de valores; c) os acordos possuem regras claras e objetivas relacionadas à distribuição de valores; e d) os pagamentos realizados a titulo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) estão em conformidade com o disposto nos acordos e na legislação sobre o tema. 5. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho, tendo sido oportunamente os autos submetidos a este colegiado que, por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 2402000506, de 09/12/2015 (fls 663/668), resolveu baixar o processo em diligência, afim de que a autoridade administrativa lançadora verificasse a ocorrência de recolhimento antecipado da contribuição previdenciária no período de janeiro a maio de 2007, inclusive, haja vista o estabelecido na Súmula CARF nº 99. 6. Em 11/03/2016, a autoridade administrativa de origem deu ciência da diligência demandada ao contribuinte (fls. 674/675), o qual, em sua manifestação, reitera pelo reconhecimento da decadência de acordo com a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º, do CTN. 7. Assim, cumpridos os atos diligenciais foram os autos remetidos novamente a esta Corte Administrativa para que fossem apreciados. É o relatório. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 718 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA DILIGÊNCIA 2. A recorrente em seu recurso voluntário alega que parte do crédito tributário (janeiro a maio de 2007) encontrase extinta pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, haja vista que foi cientificada do lançamento em questão em 25/05/2012 (fls. 106/121), relativamente às contribuições previdenciárias do período fiscalizado, estando assim alcançadas pela decadência quinquenal as competências anteriores a 05/2007. 3. Em relação a esse ponto, registrese que, conforme o narrado no relatório o presente processo teve seu julgamento convertido em diligência, para que a Delegacia (DEINF SP) verificasse a existência de recolhimento antecipado no período de janeiro a maio de 2007, inclusive, a respeito do que, às fls. 672, a autoridade fiscal se pronunciou nos seguintes termos: "Consultando os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, particularmente o sistema CCOR – Consulta Conta Corrente do Estabelecimento, verificamos que houve recolhimentos antecipados de contribuição previdenciária no período de janeiro a maio de 2007, inclusive (...)." 4. Assim, com vista à comprovação de que houve recolhimento antecipado, passo a verificar os aspectos pertinentes à decadência, bem como a regra aplicável ao caso. DA DECADÊNCIA 5. Tendo em conta o período de apuração da exação objeto do presente recurso abarcar matéria decadencial, se faz necessária a verificação da matéria nos termos do Código Tributário Nacional (CTN). 6. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: Fl. 718DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 719 7 Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 7. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 8. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 9. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional (CTN), se aplica ao caso concreto. 10. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “(...). 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 720 8 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). (...). 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, indubitavelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição Fl. 720DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 721 9 dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 11. Compulsando os autos, constatase que no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), acostado à fl. 127, o auditor fiscal examinou as folhas de pagamento apresentadas pelo recorrente, e, considerando a resposta da autoridade lançadora, às fls. 672, há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN. 12. Ademais, tendo em vista que o período de apuração da exação em análise abarca matéria decadencial, com recolhimento antecipado da contribuição, é oportuno observar que o tema encontrase sumulado por esta Corte Administrativa no seguinte sentido: "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Grifei). 13. Ou seja, com fulcro na Súmula acima transcrita, de fato, como houve recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4.° do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. 14. O recorrente foi cientificado do lançamento fiscal em 25/05/2012 (fls. 106 e 121), referente às contribuições do período de janeiro de 2007 e dezembro de 2008. Dessa forma, tendo em conta o apurado na informação fiscal de fls. 672 dos autos, as competências anteriores a 04/2007, inclusive, ficam alcançadas pela decadência quinquenal, restando, entretanto, mantidas as competências supervenientes a 04/2007. 15. Por outro lado, como ainda resta débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO MÉRITO DA RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES 16. O recorrente sustenta que devem ser excluídos da presente autuação os diretores da empresa, em face de não possuírem responsabilidade tributária perante os lançamentos efetuados. 17. Quanto à essas alegação, cabe observar que ela já não mais persiste, pois os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente Fl. 721DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 722 10 lançamento fiscal, conforme já sumulado por esta Corte Administrativa, por meio da Súmula CARF nº 88, no seguinte sentido: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." 18. Assim, com base na Súmula nº 88, anteriormente transcrita, a relação de corresponsáveis, anexada pela fiscalização (fls. 78/80), tratase de dado meramente informativo, sem atribuição de responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, razão pela qual deixo de acatar as pertinentes alegações, já que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG (Relação de Corresponsáveis)” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS 19. Cingese a controvérsia principal dos presentes autos, à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). 20. A PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela Lei nº10.101/2000. 21. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 22. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 722DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 723 11 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 23. Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 24. Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. 25. O fisco alega que a data da assinatura dos acordos é posterior ao período de aferição dos resultados. Sustenta ainda que os acordos não possuem regras claras e objetivas, contrariando, assim, a regra prevista no §1º do art. 2º da Lei nº10.101/00. 26. Quanto à assinatura dos acordos, a empresa, por sua vez, ressalta que não é a data da assinatura dos acordos que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes, pelo contrário, evidencia o acordo final que chegaram após todo o trâmite imposto pela legislação. 27. E nessa questão entendo que razão assiste ao contribuinte, isto porque, compulsando os autos é possível constatar que os pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados (PLR) observaram a determinação legal no que tange a pactuação prévia, consta nas folhas 423 a 428, plano de pagamento de PLR referente ao ano de 2005, ou seja, anterior a data do presente lançamento, o que revela que a empresa já possuía acordos de PLR, e que, notadamente seus empregados tinham conhecimentos das regras quanto Fl. 723DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 724 12 a aferição e pagamento da PLR futura, o que, por si só, é suficiente para fazer considerar que as verbas pagas a esse título não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 28. Na minha concepção, a forma adotada pela empresa, além de não encontrar óbice na legislação, não prejudicou o direito dos trabalhadores a ponto de viciar o programa de distribuição dos lucros. Isso porque, o período do presente lançamento compreende aos anos de 2007 e 2008. Todavia, a empresa desde o ano de 2005 já adotava seu plano de PLR, que conforme documentos acostados nos autos eram de conhecimento de todos os seus empregados. 29. Do mesmo modo, no que se refere ao acordo firmado em 25/09/2007 (fls. 163/167), com período de vigência 01/01/2007 a 31/12/2007, observase a existência de negociação no mesmo ano de aferição, uma vez que o acordo foi firmado em setembro do mesmo ano. 30. Ademais, há que se mencionar que a própria norma, não estabelece momento exato para a assinatura dos acordos coletivos referente à participação nos lucros. Nesse sentido tem se firmado o entendimento deste Conselho, tendo em vista que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização, baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721. 31. Cumpre ressaltar que a Lei n. 10.101/2000 silencia quanto o momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir. 32. Insta mencionar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, em momento anterior assim se posicionou, conforme ementa e trecho extraído do julgado acórdão nº 9202003.368 – 2ª Turma, que transcrevo a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na Fl. 724DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 725 13 legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (2ª Turma, Da CSRF do CARF, Ac. nº 9202003.368, de 20/8/2009, rel. Rycardo Henrique Magalhaes De Oliveira, processo nº 14485.000408/200775 ).” 33. Dessa forma, como já exposto e na mesma linha do entendimento do egrégio Conselho, in casu, o fato dos acordos coletivos referentes ao pagamento de PLR terem sido assinados após o período de aferição, não pode descaracterizar a natureza jurídica indenizatória da verba e assim, tais valores permanecem excluídos da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 34. No que se refere às regras do acordo, afirma o contribuinte que ao contrário do que argumenta a fiscalização, que o procedimento adotado está refletido nas avaliações de desempenho e nas memórias de cálculo entregues ao agente fiscal, as quais, estão alinhadas com os termos dos acordos de PLR, ou seja, não se sustenta a alegação de que não haveria clareza no procedimento de definição do valor da PLR. Sustenta ainda o recorrente, que os acordos assinados possuíam os mesmos indicadores utilizados para a fixação do direito à participação do ano de 2005. 35. Não obstante o arrazoado da fiscalização, considero que os documentos carreados aos autos demonstram que havia efetivamente na empresa um programa de participação nos lucros ou resultados. No meu entender, havia uma base procedimental para o cumprimento de formalidades, notadamente no que diz respeito aos instrumentos de negociação coletiva consubstanciados nos acordos coletivos de trabalho e nos planos firmados entre a empresa e seus empregados. Assim, a não fixação de critérios numéricos, não tem o condão de invalidar o acordo entre as partes. 36. Entendo ainda, que, dentro desse contexto não há como ignorar toda a estrutura montada pela empresa para proteger o segurado, beneficiário do programa, frente as negociações, por intermédio de sindicatos da categoria. Desta forma, vislumbro um regramento mínimo, amplamente discutido entre a empresa e sindicato, não havendo que se falar em nenhum momento em ausência de regras claras e objetivas. 37. Diante desses elementos, deve ser excluída a tributação das contribuições incidentes sobre a participação nos lucros ou resultados pagos aos empregados da recorrente. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 726 14 CONCLUSÃO 38. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe total provimento a fim de: a) reconhecer a decadência das competências anteriores a 04/2007, inclusive, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN; b) excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias sociais os valores referentes à PLR. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721170/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 11 70 /2 01 1- 92 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2007, em razão da glosa de dedução de despesas médicas, despesas com instrução e dedução com dependente. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a fisioterapeutas, bem como a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, assim como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza, relativos exclusivamente ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS. REGISTRO NO CONSELHO DE CLASSE. É obrigatória a comprovação de inscrição do prestador no respectivo conselho de classe para deduzir despesas médicas. DEDUÇÕES. INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEPENDENTES. INSTRUÇÃO. Considerase incontroversa a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art.17 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 02/08) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2008 (fls. 52/58), em que foram constatadas as seguintes infrações, uma vez que a contribuinte não atendeu à intimação: I) dedução indevida de dependentes, com glosa no valor de R$ 3.169,20; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10073.721170/201192 Acórdão n.º 2301004.694 S2C3T1 Fl. 150 3 II) dedução indevida de despesas médicas, com glosa no valor de R$ 27.964,71; e III) dedução indevida de despesas com instrução, com glosa no valor de R$ 4.961,32. ... Com a ciência da Notificação, por via postal, em 13/09/2011 (fl. 26), a Interessada apresentou impugnação (fls. 09/10) em 29/09/2011, alegando que: a) questiona apenas o valor de R$ 1.584,60 relativo à infração de dedução indevida com a dependente Marcela Rodrigues; b) questiona apenas o valor de R$ 2.480,66 relativo à infração de dedução indevida com instrução, mas não conseguiu achar os recibos de pagamento; e c) questiona a totalidade das despesas médicas glosadas referentes ao tratamento da própria, de seu companheiro e de suas filhas. ... Em virtude da revisão de ofício do lançamento realizada através do Termo Circunstanciado de fls. 32/33, deferido pelo Despacho Decisório de fl. 34, a lide no presente julgamento ficou limitada às seguintes infrações: I) dedução indevida de dependentes, com glosa no valor de R$ 1.584,60; II) dedução indevida de despesas médicas, com glosa no valor de R$ 27.964,71; e III) dedução indevida de despesas com instrução, com glosa no valor de R$ 4.961,32. A decisão recorrida reconheceu comprovadas as despesas relativas: Deve ser restabelecida a dedução de R$ 12.500,00 referente às seguintes despesas médicas (art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda): I) R$ 6.500,00 com a fisioterapeuta Caroline Rodrigues da Silva (CPF n.º 093.57934707 e Crefito n.º 7370), comprovados pelos recibos de fls. 16/17, referentes à fisioterapia domiciliar, sendo o seu registro confirmado pelo telefone no conselho de classe; e II) R$ 6.000,00 com a fisioterapeuta Juliana Torres Pinheiro (CPF n.º 102.146.18730 e Crefito n.º 14858), comprovados pelos recibos de fl. 18, referentes à fisioterapia domiciliar, sendo o seu registro confirmado pelo telefone no conselho de classe. Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário parcial. Insurgese apenas contra a glosa relativa aos serviços contratados de odontologia e junta Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 recibos de pagamento acompanhado de detalhamento sobre o tratamento dentário e demais informações exigidas por lei. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10073.721170/201192 Acórdão n.º 2301004.694 S2C3T1 Fl. 151 5 Voto Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos: a) prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº 9.520, de 26/12/1995; e b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de 26/12/1995. Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo do documento se possa conferir legitimidade. Assim, a lei exigiu, em regra, a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ressaltase que o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso sob exame, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo recorrente em sua declaração de ajuste anual, e posteriormente entendeu que houve comprovação de parte dessas despesas. Em relação aos valores que Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 remanesceram no lançamento, o recorrente apenas se insurge quanto aos recibos emitidos por Carlos A. S. Guimarães no valor de R$ 7.500,00. Após a decisão recorrida, o recorrente buscou atender às exigências consideradas ausentes nos documentos que já haviam sido apresentados, in verbis: IV) R$ 7.500,00 com Carlos A. S. Guimarães, uma vez que os recibos de fl. 15 não indicam a especialidade do prestador, pois não há número de registro em um conselho de classe e a descrição dos serviços é genérica ("honorários profissionais"). Se o profissional não está legalmente habilitado para exercer uma das profissões elencadas no caput do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, não é possível à contribuinte usufruir desta dedução. Assim, trouxe documentos com informações sobre: endereço do prestador de serviço (Avenida Joaquim Leite, número 01, sala 802 Centro Barra Mansa/RJ), registro no órgão de classe Conselho Regional de Odontologia nº 26.373 e tratamento odontológico, fls. 140 e seguintes. Assim, entendo que o recorrente tem direito à dedução da despesa médica objeto do recurso, isto é, relativa ao prestador de serviço Carlos A. S. Guimarães. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10980.008455/2002-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos com efeitos infringentes para retificar o Ac. CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013.
VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA
Súmula CARF nº 1 - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 9303-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o resultado do acórdão embargado que passa de recurso especial provido para recurso especial não conhecido.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ACOLHIMENTO Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos com efeitos infringentes para retificar o Ac. CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o resultado do acórdão embargado que passa de recurso especial provido para recurso especial não conhecido. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 84 55 /2 00 2- 19 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 EDITADO EM: 20/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de análise de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão da CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013, sob o argumento de que teria havido " Omissão" no bojo do acórdão proferido. A ementa dessa decisão embargada possui a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000 01/06/2000 a 31/07/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000 VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Consta do voto dessa decisão: (...) A matéria submetida a apreciação deste Eg. Conselho cingese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período submetido à Lei nº 9.718/98 (período de apuração de 28/02/1999 a 31/12/1999). Penso assistir razão à recorrente. De fato. Tal entendimento encontrase referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Fl. 731DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303003.450 CSRFT3 Fl. 7 3 Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. (...) E mais. Em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Alega a embargante que: O recurso especial ora combatido gravita exclusivamente em torno da constitucionalidade ou não do artigo 3º, §1º, da Lei 9.718/98, o que, segundo a recorrente, impossibilitaria a inclusão da variação cambial ativa na base de cálculo do PIS. Para demonstrar a divergência, indicou os seguintes acórdãos paradigmas admitidos pelo despacho de fls. 694/697: 201 80512, 20180342 e 20218042. Ocorre, todavia, que o processo administrativo em apreço não pode imiscuirse na análise da constitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei 9.718/98, como quer a recorrente (repisese, a inconstitucionalidade de tal dispositivo legal foi o único fundamento da divergência suscitada pela recorrente). Isso porque tal matéria foi discutida pela empresa no Mandado de Segurança n° 99.00.064542, conforme ela mesma informou na impugnação ao auto de infração. Confirase (fl. 500): “Sem entrar no mérito da constitucionalidade da Lei n° 9.718/98, cuja questão está sendo tratada nos autos de Mandado de Segurança n° 99.00.064542 – 8ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), ressaltase, tãosomente para fins de argumentação, que o presente tópico não se destina a questionar a norma em sua validade, mas apenas a, considerandoa juridicamente eficiente, interpretála conforme o regime constitucional vigente e em consonância com a totalidade do ordenamento jurídico, que são preceitos salutares e recomendados pela boa doutrina sobre hermenêutica jurídica, também reconhecidos em jurisprudência”. Ora, a própria impugnante afirmou que a questão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS já se encontrava sob a tutela do Poder Judiciário, em sede de mandado de segurança, e, para evitar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial, tentou levar a discussão para outro âmbito, da interpretação. Contudo, para fins de divergência, apresentou paradigmas defendendo a tese da Fl. 732DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 reconhecida pelo STF em controle difuso. Fica claro, portanto, que o alargamento da base de cálculo do PIS trazido pelo art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98 já é objeto de impugnação judicial, cabendo nestes autos apenas perquirir, especificamente, se a variação cambial ativa é tributável, em face do que dispõe o artigo 9º da mesma Lei. Em conseqüência, não deve ser conhecido o recurso especial ora impugnado, eis que versa unicamente sobre matéria no qual está evidente a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, qual seja, a constitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei 9.718/98”. A e. 3ª Turma também não se manifestou sobre o item 2.2.2 das contrarrazões, motivo pelo qual requer o seu pronunciamento. (...) Por fim, convém registrar que a e. Turma excluiu a tributação das receitas de variação cambial, sustentando que esses valores não se enquadravam como faturamento, por força do posicionamento do STF. Em realidade o entendimento do STF realmente foi no sentido de que faturamento constitui o conjunto de receitas operacionais da empresa, contudo em nenhum momento excluiuse de plano, toda e qualquer receita financeira e para qualquer caso. Desta forma, a decisão quedouse omissa ao não estabelecer os motivos pelos quais considerou que as variações cambiais, no caso de uma empresa exportadora/importadora (fls. 570), não constituiriam receitas operacionais, ainda que de forma acessória, devendo compor a base de cálculo das contribuições, uma vez que a decisão do STF não exclui as receitas financeiras do conceito de faturamento para todo e qualquer caso. (...) Dessa forma, visando a corrigir as omissões existentes no acórdão, a União requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja: I) apreciado o argumento contido nos itens 2.1. e 2.2.2 das contrarrazões, para afastar a preterição ao direito de defesa; e II) analisada a variação cambial em relação ao objeto social da empresa, na medida em que tal rubrica está incluída no conceito de faturamento, sendo tributada pelo PIS, mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo STF. É o relatório. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303003.450 CSRFT3 Fl. 8 5 Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional. Estabelece o artigo 65 do RICARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Constou do relatório da decisão embargada: Tratase de Recurso especial interposto pelo contribuinte contra o acórdão nº 20312.720, que julgou procedente o auto de infração lavrado para a cobrança de PIS relativos aos períodos de apuração de fevereiro/2000 e março/2000, junho/2000, julho/2000 e dezembro/2000 decorrentes da inclusão da base de cálculo da referida contribuição das variações cambiais passivas do contribuinte. A ementa dessa decisão recorrida está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 31/07/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000 PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 02/99. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. TRIBUTAÇÃO. LEI N° 9.718/98, ART. 90. REGIME DE COMPETÊNCIA OU DE CAIXA. OPÇÃO. MP N° 2.158/35/2001, ARTs. 30 E 31. Nos termos da Lei n° 9.718/98, arts. 9° e § 1° do art. 3° combinados, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo do PIS Faturamento, bem como da Cofins, a partir de fevereiro de 1999, devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência a partir do ano 2000, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para as duas Contribuições, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro, consoante o art. 30 da MP n° 2.15835/2001. Excepcionalmente e a critério do contribuinte, com relação ao ano de 1999 poderão ser feitos ajustes segundo o regime de caixa. Recurso negado. Por meio do Despacho nº 173, de 18/05/2009, sob o entendimento de terem sido cumpridos os requisitos de admissibilidade, o recurso foi admitido A Fazenda Nacional Fl. 734DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 6 apresentou contrarrazões às fls. 700 e seguintes, pede a manutenção da decisão recorrida. O recurso especial interposto apenas pelo contribuinte, gravitou exclusivamente em torno da constitucionalidade ou não do artigo 3º, §1º, da Lei 9.718/98, o que, segundo a recorrente, impossibilitaria a inclusão da variação cambial ativa na base de cálculo do PIS. Para demonstrar a divergência, indicou os seguintes acórdãos paradigmas admitidos pelo despacho de fls. 694/697: 20180512, 20180342 e 20218042. Assiste razão à embargante quando alega, que o recurso sequer deveria ser conhecido eis que SIC: "versa unicamente sobre matéria no qual está evidente a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, qual seja, a constitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei 9.718/98". E mais " Ora, a própria impugnante afirmou que a questão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS já se encontrava sob a tutela do Poder Judiciário, em sede de mandado de segurança, e, para evitar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial, tentou levar a discussão para outro âmbito, da interpretação. Contudo, para fins de divergência, apresentou paradigmas defendendo a tese da inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 reconhecida pelo STF em controle difuso. Compulsando os autos e posteriormente o site da Justiça Federal do TRT da 4º Região, verificase os seguintes processos de interesse do contribuinte, relacionados com a matéria julgada: 1 Apelação Cível 2000.04.033670 (TRF); 2 Agr. de Instr. de decisão Denegat. de Rec Especial 2002.04.01.017326 (TRF). A ausência dessa informação levou à Câmara a decidir contrariamente ao disposto na Súmula do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como se sabe, as Súmulas têm a finalidade de uniformizar as decisões sobre determinadas matérias e, servem de base para futuros julgamentos sobre temas já pacificados. Tem efeito vinculante para o julgador. CONCLUSÃO Embargos acolhidos com efeitos infringentes para retificar o Ac. CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013, que conheceu do recurso e lhe deu provimento, para em função da Súmula do CARF nº 1, não conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303003.450 CSRFT3 Fl. 9 7 É como voto Maria Teresa Martínez López Fl. 736DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10735.722637/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2202-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente convocada).
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente convocada). Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 89 1 88 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.722637/201261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.343 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria IRPF Deduções Recorrente JORGE JOSE BARQUET Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente convocada). Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 26 37 /2 01 2- 61 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 , que bem retrata os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 2009, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 27 a 33, em que foram apuradas as seguintes infrações: * Dedução indevida com Dependentes no valor de R$ 1.730,40 (fl. 28); * Dedução indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 42.761,38 (fls. 29/30). Em virtude dessa infração, foi apurado o crédito tributário total de R$ 16.042,53 (fl. 27). A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam na notificação em pauta. Após a ciência em 20.06.2012 (cópia do AR à fl. 25), o contribuinte por meio do seu procurador – fls. 08 e 09, apresentou a impugnação de fl. 2, em 02.07.2012 conforme carimbo aposto pela funcionária Neide Gonçalves dos Santos – mat. SIAPE nº 0911707. Alega, em síntese, que o valor da dedução indevida referese a seus gastos de despesas médicas e de sua esposa – Rosalina de Oliveira. Concorda com a infração de Dedução Indevida com Dependentes. Em 04.10.2012, o contribuinte apresenta o requerimento de fl. 36, solicitando o cancelamento do aviso de cobrança de fls. 37 e 38, em virtude de ter ingressado com a impugnação em 02.07.2012 (fl. 2 e fl. 38) dentro do prazo previsto no art.15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tendo em vista a tempestividade da impugnação tratada no despacho de fl. 42, os autos foram encaminhados à DRJ para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) julgou improcedente a impugnação, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. Considerase como não impugnada a parte do lançamento contra a qual o Contribuinte não apresenta óbice. DEDUÇÃO COM DESPESA MÉDICA. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.722637/201261 Acórdão n.º 2202003.343 S2C2T2 Fl. 90 3 É de se manter a glosa apontada pela autoridade lançadora, uma vez que o contribuinte não apresenta declaração do plano de saúde discriminando o valor pago por cada beneficiário. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE AVISO DE COBRANÇA. Não é de competência desta DRJ a análise de pedido de cancelamento de aviso de cobrança nos termos do Regimento Interno da RFB. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05/09/2014, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 60, tendo interposto recurso voluntário em 12/11/2014 (fls. 62 a 81), no qual anexa o comprovante da empresa Sul América esclarecendo o beneficiário e o comprovante da empresa indicando a beneficiária. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do Contribuinte. Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 05/09/2014, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 60. Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 62 a 81) somente no dia 12/11/2014, estava exaurido o prazo legal de trinta dias. Portanto, o recurso foi interposto após o prazo legal, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecido. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13856.000946/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2007
REMISSÃO DO ART. 14 DA LEI N" 1L941/2009. DÉBITOS ABAIXO DE R$ 10,000,00, VENCIDOS HÁ 05 OU MAIS ANOS EM 31/12/2007, MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Para aplicação dessa benesse legal, necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos estejam abrangidos em termos de temporalidade do vencimento, débito total do sujeito passivo, administração (RFB ou PGFN) e tipo da exação, o que somente pode ser verificado pela autoridade preparadora, As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para aplicar, ou não, remissões definida em lei, matéria a ser solicitada na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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DÉBITOS ABAIXO DE R$ 10,000,00, VENCIDOS HÁ 05 OU MAIS ANOS EM 31/12/2007, MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Para aplicação dessa benesse legal, necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos estejam abrangidos em termos de temporalidade do vencimento, débito total do sujeito passivo, administração (RFB ou PGFN) e tipo da exação, o que somente pode ser verificado pela autoridade preparadora, As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para aplicar, ou não, remissões definida em lei, matéria a ser solicitada na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 09 46 /2 00 7- 31 Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13856.000946/200731 Acórdão n.º 2402005.087 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto por ITALO LANFREDI S/A INDUSTRIAS MECÂNICAS, em face do acórdão de fls. 3999/4017, que manteve parcialmente a NFLD n. 37.107.3618. Verificase da NFLD acima mencionada, o descumprimento, por parte da Recorrente, relativa às contribuições de segurados que não foram descontadas bem como para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência na incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), que recairão sobre as remunerações pagas ou creditadas, ainda, quanto às retenções de 11% (onze por cento) sobre valores de notas fiscais. Em análise do Relatório Fiscal constatase a existência de grupo econômico uma vez que a empresa autuada é sócia majoritária da Empresa Tec Molfer – Tecnologia, Modelos e Ferramentaria Ltda, restando configurado a responsabilidade solidária entre as mesmas. O contribuinte foi cientificado acerca do lançamento efetivado em. 07/12/2007 (fls. 03). Diversas diligências foram determinadas, as quais restaram prejudicadas tendo em vista a incidência da decadência qüinqüenal dos tributos previdenciários, Sumula nº 8, do Supremo Tribunal Federal. Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente Recurso Voluntário, através do qual sustenta os fatos geradores que originaram os lançamentos encontramse amparados pelo princípio da decadência, uma vez que, no caso em apreço transcorreramse em 5 anos e 11 meses da efetiva ocorrência dos fatos geradores. Por fim, pugna pela remissão do débito, com base na Lei 11.941/09, em virtude de o seu valor não ultrapassa o patamar de R$ 10.000,00 (dez mil reais), ali previsto. É o relatório. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES O Recorrente pugna pela incidência da decadência da cobrança dos valores exigidos e do período de dezembro/2001, no entanto, verifico que tal alegação não deve prosperar como passo a expor. No tocante a decadência, há que se considerar que o Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado de súmula vinculante com o seguinte teor: “Súmula vinculante n° 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Como não houve antecipação do pagamento, o prazo para a constituição do crédito previdenciário passa a ser de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I combinado com o artigo 149, caput e inciso V, ambos do Código Tributário Nacional — Lei n° 5.172/1966, recepcionada como Lei Complementar pela Constituição Federal de 1998. Logo, a regra pertinente para a contagem do prazo decadencial é a consignada no artigo 173, I, do CTN, que não socorre a pretensão da recorrente. E esta é a hipótese dos autos, razão pela qual afasto o reconhecimento da decadência pleiteada pela empresa Recorrente. Rejeito da preliminar, mas, registro que a competência 12/2001 (Levantamento TLF) está fulminada pela decadência. MÉRITO Inicialmente, cumpre salientar que os levantamentos objeto do presente auto de infração foram expurgados do lançamento quando do julgamento de primeira instância, com o reconhecimento da decadência, tendo sido mantido tão somente o lançamento TFL. Mas, quanto à competência 12/2001, única remanescente no presente lançamento, quanto ao levantamento TLF, entendo que o v. acórdão de primeira instância bem resolveu a questão, tendo em vista que efetivamente se trata de caso no qual deveria ter sido efetuada a retenção de 11% (onze por cento), senão vejamos: “(...) Das retenções sobre as notas fiscais Vêse que, superada a questão de quais competências estão abarcadas pela decadência, resta examinar o argumento da impugnante de que as mencionadas notas fiscais contêm serviços que não estariam sujeitos A retenção de 11% das contribuições previdenciárias. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13856.000946/200731 Acórdão n.º 2402005.087 S2C4T2 Fl. 248 5 Tal alegação é desacompanhada de documentos ou contratos entre tomadora e prestadora de serviços que pudessem esclarecer esses fatos e comprovar essa situação fática. Descumpriuse, assim, o art. 16, inciso III e § 4° do Decreto n° 70.235/72. Houve até a lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, o qual já foi julgado procedente em sessão de 17/06/2008 (processo 13856.000945/200797; debcad n° 37.107.3626), pela negativa de apresentação de contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros. Diz o art. 31 da Lei n° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5° do art. 33. (Redação alterada pela MP n° 1.66315, de 22/10/98, convertida na Lei n°9.711, de 20/11/98. Vigência a partir de 02/99) § 3° Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação alterada pela MP n° 1.66315, de 22/10/98, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/98). A obrigação tributária da empresa contratante (tomadora dos serviços) é clara, conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima transcritos. De acordo com o descrito no Relatório Fiscal, em relação a vários tipos de serviços prestados, obtidos dos arquivos contábeis, verificouse que a empresa autuada, tendo contratado serviços executados mediante cessão de mãodeobra, deixou de recolher as contribuições previdenciárias decorrentes da retenção dos 11% (onze por cento) prevista no caput do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.711/98. Assim, é inconteste, do que consta nos autos, que os serviços contratados estão sujeitos A retenção, enquadrandose nos termos da lei mencionada, conforme demonstram, a titulo exemplificativo, as cópias das Notas Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Fiscais de Prestação de Serviços juntadas pela fiscalização. Observase, até mesmo, que várias delas trazem a expressão "retenção para a Seguridade Social — 11% da MO". Portanto, improcedentes as meras alegações da impugnante no sentido de não estarem os serviços contratados com cessão de mãodeobra sujeitos A retenção legal de 11%. Subsiste o débito levantado a titulo de retenção de 11%, nos levantamentos cujas competências não foram atingidas pela decadência.” Isto em atenção ao que prevê o artigo 172 do CTN, senão vejamos: “Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I à situação econômica do sujeito passivo; II ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III à diminuta importância do crédito tributário; IV a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155.” Ainda que se refere à remissão, aponto o artigo 14 da Lei 11.941/09, o qual estabelece o valor para que se conceda a remissão de débitos junto a Fazenda Nacional, cito: “Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1º O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13856.000946/200731 Acórdão n.º 2402005.087 S2C4T2 Fl. 249 7 E nesta parte, entendo que o pedido de remissão, previsto no art, 14 da Lei 11.941/2009, é matéria estranha ao contencioso administrativo fiscal e deve ser deduzido junto à autoridade preparadora, ou seja, na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte. Lá é que essa autoridade pode verificar se o contribuinte se enquadra nesse normativo, aqui lembrando que o beneficio deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação aos débitos discriminados no art. 14, § 1o, I a IV, ou seja, somente a autoridade preparadora tem condições de saber se o exemplo implementa as condições dessa Lei. A aplicação de remissão é matéria de competência da autoridade preparadora, à luz da lei, não havendo controvérsia a ser dirimida no âmbito do processo administrativo fiscal, até porque isso não foi objeto de discussão quando da autuação. Ademais, eventual dissídio surgido na aplicação da Lei acima deve ser deduzido no rito da Lei geral do processo administrativo (Lei n° 9,784/99), não havendo previsão de discussão no âmbito do Decreto n° 0.235/72. (Processo 13925.000107/200671 acórdão número 2210200.752 1a. Cãmara 2a. TO). Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10280.002104/2004-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/1996
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
Numero da decisão: 9303-003.318
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 21 04 /2 00 4- 45 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste CARF, tempestivamente apresentado pelo BANCO DA AMAZÔNIA S/A, com fulcro no 67 do RICARF (Portaria MF nº 256/09) em face do acórdão nº 330100.264, de 18/09/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear repetição de indébito tributário em relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em razão de pagamento indevido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que ocorreu o pagamento antecipado. Recurso Voluntário Negado. A matéria objeto do recurso especial é unicamente à relativa ao prazo para apresentação de pedido de restituição de PIS em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88. O sujeito passivo apresentou Recurso especial onde pleiteia a reforma do acórdão sob a alegação que apresentou o pedido de compensação antes de decorridos os dez anos dos fatos geradores que ensejaram o direito à retição do indébito. A PGFN apresentou contrarrazões a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo, começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Trata o presente processo de compensações efetivadas pelo contribuinte, conforme declarado em DCTF, relativas ao PIS do 4 ° trimestre de 1999 e janeiro a junho de Fl. 466DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10280.002104/200445 Acórdão n.º 9303003.318 CSRFT3 Fl. 191 3 2000, conforme representações de fls. 01/06, com alegados créditos advindos de pagamentos da Contribuição para o PIS relativas aos períodos 10/1994 a 08/1996. O recurso voluntário foi negado. Foi apresentado o presente recurso especial, pelo contribuinte, onde se pleiteia a reforma do acórdão sob a alegação que apresentou o pedido de compensação antes de decorridos os dez anos dos fatos geradores que ensejaram o direito à repetição do indébito. Assiste razão a recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada efetivou as compensações do 4 ° trimestre de 1999 e janeiro a junho de 2000, antes de decorrido o prazo de dez anos a contar do fato gerador mais remoto (10/1994), não há que se falar em prescrição do direito do contribuinte a pleitear as restituições/compensações devidas. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, não existe nenhum período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto voto pelo provimento do recurso interposto pelo sujeito passivo. O processo deve retornar à origem para a análise do direito à compensação. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 467DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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