Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,212)
- Segunda Câmara (27,796)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,283)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,819)
- Primeira Turma Ordinária (15,807)
- Primeira Turma Ordinária (15,722)
- Segunda Turma Ordinária d (15,676)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,949)
- Primeira Turma Ordinária (12,262)
- Segunda Turma Ordinária d (12,222)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,277)
- Quarta Câmara (83,808)
- Terceira Câmara (65,808)
- Segunda Câmara (54,396)
- Primeira Câmara (18,980)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,670)
- Segunda Seção de Julgamen (112,719)
- Primeira Seção de Julgame (74,977)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,905)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,954)
- IPI- processos NT - ressa (5,001)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,555)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,024)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11128.729197/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.043
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.729197/2013-75
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729381
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.043
nome_arquivo_s : Decisao_11128729197201375.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11128729197201375_5729381.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6783253
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212733620224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.729197/201375 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.043 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 91 97 /2 01 3- 75 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.486. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.729197/201375 Acórdão n.º 3302004.043 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902216/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13896.902216/2008-81
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5742168
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.552
nome_arquivo_s : Decisao_13896902216200881.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 13896902216200881_5742168.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6858288
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212780806144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.902216/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.552 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria IRPJ/CSLL/Compensação Recorrente NYLOK TECNOLOGIA EM FIXAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 22 16 /2 00 8- 81 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13896.902216/200881 Acórdão n.º 1402002.552 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13896.902216/200881 Acórdão n.º 1402002.552 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13896.902216/200881 Acórdão n.º 1402002.552 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13896.902216/200881 Acórdão n.º 1402002.552 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13896.902216/200881 Acórdão n.º 1402002.552 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000188/2005-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA
O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015.
Numero da decisão: 9303-005.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13975.000188/2005-33
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732683
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.184
nome_arquivo_s : Decisao_13975000188200533.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 13975000188200533_5732683.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6798366
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212798631936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 943 1 942 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13975.000188/200533 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.184 – 3ª Turma Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria RESSARCIMENTO COFINS NÃO CUMULATIVA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 88 /2 00 5- 33 Fl. 943DF CARF MF Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 9303005.184 CSRFT3 Fl. 944 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3201001.645, proferido pela 2º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório de Cofins não cumulativa referente a despesas com os serviços de extração de madeira. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que trata o art. 3° da Lei 10.833/2003, relativo ao quarto trimestre de 2004. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 642 a 674 deferindo parcialmente 0 pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$150.251,60, referente ao saldo remanescente da apuração não cumulativa da COFINS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE, DIREITO CREDITÓRIO. As despesas com os serviços de extração de madeira é passível de direito creditório, pois se trata de atividade essencial e necessária à sua realização do processo produtivo de portas e batentes de pinus. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento, é ônus do contribuinte da prova do direito creditório afirmado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que somente devem ser considerados insumos, para fins de creditamento, os bens utilizados no processo de produção da mercadoria destinada à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorram a receita tributada, ou seja, os custos relacionados com a atividade fim, diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens a serem vendidos, dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 9303005.184 CSRFT3 Fl. 945 3 Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3801001.885 e 3801002.037. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 933/936. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso é tempestivo, mas, em razão dos fatos a seguir apontados, dele não tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o Pedido de Restituição formulado pelo ora Recorrente, guerreado neste Conselho por meio do Processo Administrativo nº13975.000188/200533, versa sobre a mesma matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, Processo nº 500358476.2013.404.7213/SC, fls. 404/442, informado junto aos autos, o que configurou desistência do Recurso. Essa questão encontrase no artigo 78, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015, nos seguintes termos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficaz, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Diante do exposto, não conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, declarandose a extinção do feito, com a devolução dos autos a unidade de origem. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 945DF CARF MF Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 9303005.184 CSRFT3 Fl. 946 4 Fl. 946DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012352/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM OUTRA TAXA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE.
A partir de 1º de janeiro de 1996, os juros moratórios devidos na repetição do indébito tributário são calculados pelo percentual equivalente à taxa Selic, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice, seja a título de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos indevidos ocorreram antes de 1º de janeiro de 1996, o termo inicial de incidência do citado acréscimo será a referida data (REsp 1.111.175/SP, julgado sob o regime dos recursos repetitivos).
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE ATÉ 31/10/2003. CABIMENTO.
A vedação ao contribuinte de realizar a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União somente passou existir a partir de 31 outubro de 2003, data da vigência do art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que incluiu o inciso III no § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Se antes da referida data não havia proibição legal para tal restrição, certamente, o contribuinte podia realizar a compensação de débitos inscritos em DAU com créditos passíveis de compensação.
COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA REALIZAÇÃO DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A partir de 1º de outubro de 2002, data em que entrou em vigor o regime de compensação declarada pelo contribuinte, a data da realização da compensação, se homologada tácita ou expressamente, passou a ser o dia da entrega da Declaração de Compensação (DComp) à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrada a existências de omissão no acórdão embargado, mas acolhida parcialmente as pretensões meritórias da embargante, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração opostos, para integrar o julgado embargado e conferir-lhe efeito infringente, apenas em relação à parte do mérito provida.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para (i) reconhecer o direito do contribuinte de compensar os débitos discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/97-94, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e (ii) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões e fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM OUTRA TAXA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de janeiro de 1996, os juros moratórios devidos na repetição do indébito tributário são calculados pelo percentual equivalente à taxa Selic, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice, seja a título de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos indevidos ocorreram antes de 1º de janeiro de 1996, o termo inicial de incidência do citado acréscimo será a referida data (REsp 1.111.175/SP, julgado sob o regime dos recursos repetitivos). COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE ATÉ 31/10/2003. CABIMENTO. A vedação ao contribuinte de realizar a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União somente passou existir a partir de 31 outubro de 2003, data da vigência do art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que incluiu o inciso III no § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Se antes da referida data não havia proibição legal para tal restrição, certamente, o contribuinte podia realizar a compensação de débitos inscritos em DAU com créditos passíveis de compensação. COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA REALIZAÇÃO DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 2002, data em que entrou em vigor o regime de compensação declarada pelo contribuinte, a data da realização da compensação, se homologada tácita ou expressamente, passou a ser o dia da entrega da Declaração de Compensação (DComp) à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existências de omissão no acórdão embargado, mas acolhida parcialmente as pretensões meritórias da embargante, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração opostos, para integrar o julgado embargado e conferir-lhe efeito infringente, apenas em relação à parte do mérito provida. Embargos Acolhidos em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.012352/2002-20
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5724733
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.128
nome_arquivo_s : Decisao_10680012352200220.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680012352200220_5724733.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para (i) reconhecer o direito do contribuinte de compensar os débitos discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/97-94, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e (ii) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões e fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6762575
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212801777664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.487 1 1.486 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012352/200220 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302004.128 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Embargante BANCO AGRIMISA S/A EM LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM OUTRA TAXA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de janeiro de 1996, os juros moratórios devidos na repetição do indébito tributário são calculados pelo percentual equivalente à taxa Selic, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice, seja a título de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos indevidos ocorreram antes de 1º de janeiro de 1996, o termo inicial de incidência do citado acréscimo será a referida data (REsp 1.111.175/SP, julgado sob o regime dos recursos repetitivos). COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE ATÉ 31/10/2003. CABIMENTO. A vedação ao contribuinte de realizar a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União somente passou existir a partir de 31 outubro de 2003, data da vigência do art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que incluiu o inciso III no § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Se antes da referida data não havia proibição legal para tal restrição, certamente, o contribuinte podia realizar a compensação de débitos inscritos em DAU com créditos passíveis de compensação. COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA REALIZAÇÃO DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 2002, data em que entrou em vigor o regime de compensação declarada pelo contribuinte, a data da realização da compensação, se homologada tácita ou expressamente, passou a ser o dia da entrega da Declaração de Compensação (DComp) à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 23 52 /2 00 2- 20 Fl. 1487DF CARF MF 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existências de omissão no acórdão embargado, mas acolhida parcialmente as pretensões meritórias da embargante, acolhese parcialmente os embargos de declaração opostos, para integrar o julgado embargado e conferirlhe efeito infringente, apenas em relação à parte do mérito provida. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para (i) reconhecer o direito do contribuinte de compensar os débitos discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e (ii) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões e fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 1453/1477), tempestivamente, opostos pela autuada, com o objetivo suprir suposto vício de omissão contidos no acórdão nº 3302001.714, de 17 de julho de 2012 (fls. 934/945), em que os membros desta Turma Ordinária decidiram: a) por maioria de votos, incluir os expurgos inflacionários no cálculo do indébito e declarar a improcedência da compensação de ofício, nos termos do voto da relatora; e b) por voto de qualidade, declarar devidos os juros de mora e a multa de mora nas compensações realizadas após a data do vencimento do tributo compensado, nos termos do voto do redator designado. A embargante alegou que houve vício de omissão no julgado embargado, porque não foram apreciados os seguintes relevantes argumentos apresentados no recurso voluntário, a saber: a) a aplicação dos juros moratórios de 1% sobre o montante a ser Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.488 3 restituído/compensado, além da correção monetária integral, com os índices dos expurgos inflacionários, e dos juros equivalentes à taxa Selic; e b) a existência ou não de impedimento, para a realização das compensações dos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794, bem como a definição quanto ao momento da realização das compensações dos respectivos débitos. Por meio do despacho de fls. 1480/1481, com amparo nos §§ 1º e 3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria MF 256/2009, com a redação da Portaria MF 586/2010), o então presidente desta Turma de Julgamento admitiu os embargos e reconheceu que houve as alegadas omissões suscitadas pela embargante, pois as referidas questões foram articuladas no recurso voluntário, porém não foram apreciadas pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para fim de análise dos vício de omissão alegados pela recorrente. Nos presentes embargos, a embargante alegou omissão, no julgado embargado, de duas questões relevantes, que foram suscitadas em sede de recurso voluntário, porém não apreciadas pelo Colegiado no âmbito do questionado julgamento, a saber: a) o direito aos juros moratórios de 1% sobre o montante a ser restituído/compensado, a partir do trânsito em julgado da decisão, além dos juros equivalentes à taxa Selic; e b) o direito de realizar as compensações dos débitos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU), por meio do processo nº 10680.004738/9794, bem como fosse definido o momento no qual deveriam ser consideradas realizadas as compensações dos referidos débitos. Do direito ao acréscimo dos juros moratórios de 1% cumulados com os juros equivalente a taxa Selic. Uma das questões omitidas foi a não apreciação do alegado direito ao acréscimo dos juros moratórios de 1% sobre o valor a ser restituído/compensado, previstos no art. 167, parágrafo único, do CTN, a partir do trânsito em julgado da decisão final, proferida no âmbito da Ação Ordinária nº 92.00.018084. Segundo a recorrente, além da correção monetária integral, incluindo os índices dos expurgos inflacionários, e dos juros equivalentes à taxa Selic, o valor a ser restituído deveria ser acrescido ainda dos mencionados juros moratórios. Inicialmente, cabe esclarecer, que, nos presentes embargos, não será apreciada a questão atinente a atualização/correção monetária dos créditos até a atualização pela taxa Selic, haja vista que tal questão foi devidamente apreciada e decidida no âmbito do julgado embargado, que reconheceu, até a incidência Selic, a correção/atualização integral pelos índices dos expurgos inflacionários definidos pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Fl. 1489DF CARF MF 4 A controvérsia a ser dirimida neste tópico cingese apenas a questão atinente a possibilidade o valor do crédito a ser restituído ser a acrescido de juros moratórios/compensatório além da correção pelos índices dos expurgos inflacionários e pela taxa Selic. A previsão de incidência de juros moratórios sobre os valores dos indébitos tributários a restituir encontrase prevista no art. 167, parágrafo único, do CTN, a seguir transcrito: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. (grifos não originais) A partir de 1º de janeiro de 1996, a matéria passou a ser disciplinada pelo art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995, a seguir reproduzido: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. [...] § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (grifos não originais) Em conformidade com o preceito legal em destaque, com a extinção da correção monetária, a partir de 1º de janeiro de 1996, o único acréscimo devido na restituição do indébito tributário passou a ser os juros equivalentes a variação da taxa Selic, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme corretamente já decidiu esta Turma de Julgamento, no âmbito do julgado embargado. Na mesma linha do entendimento aqui esposado, no julgamento do Recurso Especial (REsp) 1.111.175/SP, submetido ao rito do art. 543C do CPC, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidouse no sentido de que, a partir de 1º janeiro de 1996, aplicase “a taxa SELIC na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária”. Para melhor compreensão do teor do entendimento esposado no referido julgado, segue reproduzido o enunciado da ementa do referido julgado: Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.489 5 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250∕95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250∕95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257∕SC, 399.497∕SC e 425.709∕SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c∕c a Resolução 8∕2008 Presidência∕STJ.1 (grifos não originais). E como o referido entendimento/fundamento é de adoção obrigatório pelos integrantes deste Conselho, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015), adotase neste julgado o mesmo entendimento exarado pelo STJ no citado REsp. Por pertinente, cabe ainda consignar que o acórdão do STF, proferido no âmbito do RE 192.0912/MG, decisão final proferida no âmbito da referida Ação Ordinária, transitou em julgado em 30/8/1996, conforme certidão de fl. 699. Portanto, quando já se encontrava vigente o art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995. Dessa forma, fica demonstrado que, em relação aos valores a serem compensados ou restituídos nos presentes autos, a recorrente faz jus apenas ao acréscimo dos juros equivalentes a variação da taxa Selic, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme estabelecido no art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995. Com base nessas considerações, por falta de amparo legal e tendo em conta o referido entendimento jurisprudencial, rejeitase a pretensão da recorrente ao acréscimo, adicionalmente aos juros equivalentes a variação da taxa Selic, dos juros moratórios de 1% sobre o valor a ser restituído/compensado, contado a partir do trânsito em julgado da decisão final, proferida no âmbito da Ação Ordinária nº 92.00.018084. 1 STJ, Primeira Seção. REsp 1.111.175/SP. Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 01/09/2009, DJe 18/09/2009. Fl. 1491DF CARF MF 6 Do direito e momento da realização das compensações dos débitos cobrados no processo nº 10680.004738/9794. A embargante alegou ainda que, no julgado embargado, não foram apreciadas as relevantes questões atinentes ao direito e momento da realização das compensações dos débitos inscritos na DAU, objeto do processo nº 10680.004738/9794. Previamente, cabe esclarecer que, de acordo com o despacho decisório (fls. 1324/1327), proferido pela autoridade da unidade da RFB de origem, e a decisão de instância (fls. 1382/1389), proferido pelo órgão julgador a quo, o indeferimento/não homologação da compensação dos débitos informados no referido processo foi motivado pela insuficiência de crédito e não por que os citados débitos encontravamse inscritos na DAU, em 26/11/2002, data da entrega da Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1253. Para espancar qualquer dúvida a respeito, transcrevese a seguir o elucidativo excerto extraído da decisão de primeira instância: Em síntese, a DRF BHE procedeu ao confronto entre o crédito de R$ 343.429,55 (em 02/01/96) com os 319 débitos declarados pela interessada, tendo remanescido saldos devedores. Ou seja, o crédito apurado não foi suficiente nem mesmo para liquidar os débitos, objeto de pedidos/declarações de compensação, não parcelados e não inscritos. Portanto, não há que se falar em extinção, por compensação, ainda que parcial, dos débitos inscritos por meio do processo 10680.004738/9794 (citado pela interessada), por insuficiência de crédito. (grifos não originais) Assim, se o motivo da não homologação da referida compensação foi a insuficiência de crédito passível de compensação, inequivocamente, ele deixa de existir diante do restabelecimento de parte do valor do crédito pleiteado pela embargante, a serem apurados pela autoridade fiscal da unidade da RFB de origem, no procedimento de liquidação do acórdão embargado, em razão do acréscimo da correção monetária integral dos valores dos indébitos reconhecidos, incluindo os índices dos expurgos inflacionários determinados pelo Poder Judiciário. E no dia 26/11/2002, data da apresentação da Dcomp de fl. 1253, embora o art. 21, § 3º, III, da Instrução Normativa SRF 210/2002, proibisse a compensação pelo contribuinte de débitos inscritos em DAU, tal vedação não tinha respaldo legal, o que somente veio a ocorrer a partir do dia 31/10/2003, quando entrou em vigor o inciso III do § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996, incluído pelo art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que se converteu na Lei 10.833/2003. E na ausência de vedação legal na referida data (26/11/2002), chegase a conclusão que a recorrente tinha o direito de realizar a compensação dos débitos inscritos em DAU, discriminados na referida DComp e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794. Assim, uma vez demonstrado que a recorrente podia realizar a compensação dos citados débitos, cabe agora definir o momento (a data) da realização da compensação. Em relação ao assunto, expressamente, determina o art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, que o momento de realização da compensação ou do encontro de contas é a data da entrega da declaração de compensação pelo contribuinte. No mesmo sentido, dispunha o art. 21, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa SRF 210/2002, vigente na data dos fatos, a seguir transcrito: Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.490 7 Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...]. De acordo com os referidos preceitos legais e regulamentares, a compensação realizase na data da entrega da declaração de compensação. Logo, até essa data, os créditos e os respectivos débitos a serem compensados devem ser atualizados, conforme determinava, expressamente, o caput do art. 28, que segue transcrito: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) [...] No caso da compensação em apreço, os débitos e os créditos deverão ser atualizados até o dia 26/11/2002, data da entrega da Dcomp. Os créditos devem ser acrescidos de correção monetária integral, incluindo os expurgos inflacionários definidos pelo Poder Judiciário, e dos juros equivalentes à taxa Selic (Lei 9.250/1995, art. 39, §4º), enquanto que os débitos devem ser acrescidos dos juros de mora e a multa de mora, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado, a seguir transcrito: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, para incluir os expurgos inflacionários no cálculo do indébito e declarar a improcedência da compensação de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos, na primeira matéria, os conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco e, na segunda matéria, o conselheiro Walber José da Silva; pelo voto de qualidade, para declarar devidos os juros de mora e a multa de mora nas compensações realizadas após a data do vencimento do tributo compensado, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que consideravam suspensos os juros de mora. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (grifos do original) Fl. 1493DF CARF MF 8 E pela razões aduzidas no tópico precedente, enfatizase, novamente, que não há amparo legal nem fundamento jurídico, para, adicionalmente a correção monetária integral e aos juros equivalente a taxa Selic (Lei 9.250/1995, art. 39, §4º), serem acrescidos juros moratórios ou compensatórios de 1% (um por cento), calculado a partir de 30/8/1996, data do trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, conforme pretensão da recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por ACOLHER PARCIALMENTE os embargos e, na parte acolhida, conferir efeito infringente, para: a) reconhecer o direito de a embargante compensar os débitos inscritos em DAU, discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e b) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de compensação com débitos inscritos na Dívida Ativa em 26/11/2002, pelas razões a seguir. Na vigência da IN SRF nº 21/1997, era permitida a compensação com débitos inscritos em dívida ativa, conforme se infere do artigo 13, §3º, I, "n" da instrução normativa (incluído pela IN nº 73/1997): Art. 13. Compete às DRF e às IRFA, efetuar a compensação. "§ 3o A compensação será efetuada considerandose as seguintes datas: I tratandose de pedido formulado espontaneamente pelo contribuinte: [...] n) da efetivação da compensação, quando se tratar de débito inscrito em Dívida Ativa."; Após a edição da IN SRF 210/2002, em 30/09/2002, não mais se permitiu a compensação com débitos da Divida Ativa, os termos da delegação da MP 66 (30/08/2002), que incluiu o § 5º no artigo 74. Portanto, na entrega da dcomp (26/11/2002), já vigia a IN SRF 210, de 30/09/2002, cujo artigo 21 dispunha, em sua redação original: Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.491 9 Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da " Declaração de Compensação" . § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: I o saldo a restituir apurado na DIRPF; II os tributos e contribuições devidos no registro da DI; III os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e IV os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo. A MP nº 66/2002 acrescentou o § 5º ao artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, dispondo que a Secretaria da Receita Federal disciplinaria o disposto no referido artigo: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. [...] § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002). Assim, em novembro de 2002, já vigia o impedimento do artigo 21 da IN SRF 210/2002, embora reconheçase que a alteração na Lei nº 9.430/1996 somente veio em momento posterior. Ocorre que os débitos compensados em 26/11/2002 referemse ao processo 10680.004738/9794, que, segundo a recorrente, foram inscritos em DAU em 29/01/2003 (efl. 1411). Tal inscrição posterior à compensação foi confirmada no despacho de efls. 1294, abaixo transcrito: Senhor Juiz, Fl. 1495DF CARF MF 10 1. Reportome ao Oficio em referência, de 13/09/2005(Processo Judicial n" 2003.38.00.0484923) por meio do qual Vossa Excelência solicita informações sobre a compensação noticiada pelo executado Banco Agrimisa S/AEm Liquidação Ordinária, às fls. 52/57, nos autos do processo judicial citado, no prazo dc 15 (quinze) dias. 2. De fato, analisando o processo 10680.012352/200220, do mesmo consta pedido de compensação(copia anexa) protocolado pelo contribuinte executado em 26/11/2002 (portanto, antes da inscrição), por meio do qual o contribuinte solicita a compensação de créditos relativos aos recolhimentos do Pis decorrentes dos Decretos 2445 e 2446 (Ação Ordinária 92.00018084) com os débitos do processo 10680.004738/9794, dentre outros débitos. 3. O mencionado processo 10680.012352/200220 se encontra pendente de análise por parte desta Delegacia no que se refere à quantificação do crédito pleiteado. Assim, a compensação teria ocorrido antes da inscrição em DAU. Portanto, acompanho o voto do relator pela conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724947/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. MUP.
Forma de depreciação e amortização. Bens tangíveis e intangíveis que compõem um único ativo, formando um único bem. Passível de depreciação pelo método de unidades produzidas. Baseado no uso e/ou produção esperados.
LAUDO TÉCNICO. ACEITAÇÃO.COMPROVAÇÃO
Laudo produzido após intimação da Fiscalização deve ser aceito e analisado, já que solicitado para fim determinado. Não há que se falar em laudo extemporâneo.
REGIME DE COMPETÊNCIA
A despesa que pertence ao ano-calendário de 2010 não pode ser utilizada para o ano calendário de 2009. Por outro lado, tal despesa glosada sob o único fundamento de inobservância do regime de competência deve ser incluída no ano-calendário de 2010.
Numero da decisão: 1301-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. MUP. Forma de depreciação e amortização. Bens tangíveis e intangíveis que compõem um único ativo, formando um único bem. Passível de depreciação pelo método de unidades produzidas. Baseado no uso e/ou produção esperados. LAUDO TÉCNICO. ACEITAÇÃO.COMPROVAÇÃO Laudo produzido após intimação da Fiscalização deve ser aceito e analisado, já que solicitado para fim determinado. Não há que se falar em laudo extemporâneo. REGIME DE COMPETÊNCIA A despesa que pertence ao ano-calendário de 2010 não pode ser utilizada para o ano calendário de 2009. Por outro lado, tal despesa glosada sob o único fundamento de inobservância do regime de competência deve ser incluída no ano-calendário de 2010.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12448.724947/2014-43
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5738078
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.424
nome_arquivo_s : Decisao_12448724947201443.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
nome_arquivo_pdf_s : 12448724947201443_5738078.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha - Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6833632
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212831137792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 693 1 692 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.724947/201443 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301002.424 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria IRPJ: DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO Recorrentes MAERSK ENERGIA LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. MUP. Forma de depreciação e amortização. Bens tangíveis e intangíveis que compõem um único ativo, formando um único bem. Passível de depreciação pelo método de unidades produzidas. Baseado no uso e/ou produção esperados. LAUDO TÉCNICO. ACEITAÇÃO.COMPROVAÇÃO Laudo produzido após intimação da Fiscalização deve ser aceito e analisado, já que solicitado para fim determinado. Não há que se falar em laudo extemporâneo. REGIME DE COMPETÊNCIA A despesa que pertence ao anocalendário de 2010 não pode ser utilizada para o ano calendário de 2009. Por outro lado, tal despesa glosada sob o único fundamento de inobservância do regime de competência deve ser incluída no anocalendário de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 49 47 /2 01 4- 43 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 694 2 assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 695 3 Relatório MAERSK ENERGIA LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para adicionar as despesas no valor de R$97.351.684,54 no prejuízo das atividades de 2010. Passo ao relato da decisão recorrida: O procedimento fiscal foi iniciado em 27/03/2012 mediante a ciência do contribuinte do Termo de Início de Fiscalização, para a apresentação dos livros fiscais, dos extratos bancários e informações sobre composição da DIPJ, relativos ao anocalendário de 2009. Posteriormente houve a extensão do período sob exame ao ano calendário de 2010, mediante a ciência do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal em 10/01/2013. Durante o curso da ação fiscal foram ainda lavrados os termos com ciência em 16/07/2012, 08/10/2012, 10/01/2013, 26/03/2013, 08/08/2013, 04/11/2013, 29/11/2013, 05/02/2014, 11/02/2014, 19/02/2014, e 24/04/2014. A empresa MAERSK ENERGIA LTDA (doravante MAERSK) possuía participação em consórcios, como investidora, para exploração, desenvolvimento e produção em 4 blocos de petróleo e gás natural licitados pela ANP. Verificouse que para o período objeto do procedimento fiscal, o contribuinte apresentou as Declarações de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, com base no Lucro Real anual, apurando prejuízo fiscal e base negativa para a CSLL. Intimado mediante o Termo de Início de Fiscalização com ciência em 27/03/2012 a, no tocante à DIPJ AC2009, informar a composição da linha 12, ficha 04A Encargos de Depreciação e Exaustão e linha 20, ficha 0 5 a Encargos de Depreciação, o contribuinte em resposta datada de 19/04/2012, anexo V, apresentou o quadro de composição exigido. lsto posto, o contribuinte foi intimado mediante o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 16/07/2012 a apresentar as planilhas referentes a estes encargos de depreciação e amortização. Em 25/07/2012 encaminhou carta solicitando prorrogação do prazo em 20 dias, sendo deferido, e em 02/08/2012 solicitou ainda 20 dias adicionais, com deferimento. Em atendimento ao termo com ciência em 16/07/2012 encaminhou carta datada de 22/08/2012, apresentando em seu anexo XIV a planilha "Demonstrativo dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão relativos aos anocalendário de 2009". Posteriormente, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 10/01/2013 cientificando a extensão do Fl. 695DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 696 4 período sob exame ao anocalendário de 2010. Pelo o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 08/08/2013 foi também exigida a apresentação da planilha "Demonstrativo dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão" relativa ao anocalendário de 2010. Após prorrogações de prazo em 35 dias, conforme cartas datadas de 28/08/2013 e 27/09/2013, foi encaminhada a citada planilha mediante a carta datada de 04/10/2013. Em carta datada de 19/12/2012, no tocante aos gastos capitalizados que compõem o Ativo denominado "Campo Polvo Bloco BMC08" e de sua contabilização, o contribuinte informa que: "Para fins de reconhecimento dos gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, consistente, em sua maioria, em gastos com G&G (Geologia e Geofísica); IDC ("Intangible Drilling Costs"), que são gastos com perfuração de poços; pagamento de retenção de área; e outros gastos menos relevantes, mas ainda associados à perfuração dos poços de exploração e produção, a Maersk adotou os seguintes procedimentos: i. Todos os gastos incorridos foram inicialmente registrados em contas do Ativo Diferido. ii. No momento em que a produção do petróleo e gás natural se iniciou (julho do anocalendário 2007) estes gastos foram reclassificados para conta de Ativo Imobilizado, denominada "Campo Polvo Bloco BMC08 ". iii. Uma vez iniciada a produção, os gastos classificados na conta de Ativo Imobilizado são então reconhecidos em contas de estoque, sendo apropriados no resultado do exercício no momento da venda do petróleo e gás natural. " No tocante à aplicação dos bens tangíveis, o contribuinte informa que os mesmos integram os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, conforme exposto na mesma carta datada de 19/12/2012. Por carta datada de 29/01/2014, o contribuinte declara que "Importante ressaltar, todavia, que, apesar de o Ativo Imobilizado "Campo Polvo BMC08" ser composto de gastos relativos à aquisição de bens tangíveis, listados no Anexo I, quanto de bens intangíveis, cuja, relação já foi entregue a esta fiscalização na Resposta datada de 19/12/2012, todos o bens e direitos foram adquiridos com o objetivo de se formar um único bem, a saber, o de poços de exploração e produção de petróleo e gás natural relativos ao Campo Polvo BMCQ81. Em sua carta datada de 19/12/2012, discorrendo sobre os bens tangíveis a serem depreciados, cita no item 2.3 "Do Método de Recuperação do Ativo e seus Fundamentos", no subitem "ii" — " No mesmo sentido, caso considerássemos que, por existirem bens tangíveis na formação do Ativo "Campo Polvo Bloco BMC08 ", ainda que em quantidade e volume financeiro em muito inferior aos gastos intangíveis, tal Ativo deveria se sujeitar à depreciação, o método das unidades produzidas também reputarseia como método mais adequado para depreciação deste Ativo, em razão do disposto no artigo 309, §3"". [RIR/99]. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 697 5 Da mesma forma, de acordo com o item 2.3, "i", da citada carta datada de 19/12/2012, o contribuinte declara que na amortização dos gastos intangíveis incorridos na exploração e desenvolvimento do "Campo Polvo Bloco BMC08" utilizouse também do método das unidades produzidas com amparo nos artigos 325, 326, 327 do RIR/1999 e no Parecer Normativo CST n°. 110/1975. O contribuinte foi intimado mediante o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 16/07/2012 a apresentar o razão da conta 3.1.01.02.01 Custo BMBAR3. Em atendimento, por carta datada de 22/08/2012, fls. 10 e 11, declarou que "Entretanto, ao final da primeira fase exploratória, ocorrida no mês de novembro de 2009, a Maersk optou por descontinuar o projeto de exploração do BMBAR3, transferindo sua participação no referido bloco para a Petróleo Brasileiro S/A ..." e que "... Desta forma, todos os gastos incorridos durante a primeira fase exploratória deste bloco, que seriam registrados em contas de Ativo Diferido para posterior amortização, foram registrados em resultado como encargo no próprio anocalendário 2009, como determina o artigo 324, §3°, do Decreto 3.000/1999". Bens Tangíveis e Gastos Intangíveis formando um único bem A fiscalização analisou os citados "Demonstrativos dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão", e constatou que a linha "Gastos Associados às Atividades de Exploração e ao Desenvolvimento da Produção", constante do quadro "Custo dos Bens e Gastos", indica a soma dos citados "bens tangíveis" com os "gastos intangíveis", lavrou o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 29/11/2013, item 1.1, para a separação destes valores e indicação das NCM para os bens tangíveis. Por carta datada de 21/02/2014 o contribuinte encaminhou as planilhas "Relação dos Bens do Ativo Imobilizado do Campo Polvo" em valores de 31/12/2009 e 31/12/2010. Todavia, não informou as NCM para estes bens tangíveis relacionados, informando em sua carta datada de 29/01/2014, item 2, que "em relação ao item 1.2 do Termo, conforme já mencionado anteriormente, a Maersk Energia não utiliza, na depreciação do Ativo fixo Campo Polvo BMC08, as taxas fixadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através das Instruções Normativas SRF n. 162/1998 e n.130/1999, haja vista utilizar o Método das Unidades Produzidas para fins de reconhecimento, no resultado, dos gastos incorridos na constituição do Ativo Imobilizado ". A fiscalização verificou as planilhas "Relação dos Bens do Ativo Imobilizado do Campo Polvo", e, entendeu que, no limite das informações apresentadas, os valores com as descrições "206102 Fluidos Perfuração" ( R$31.126.464,61 em 2009 e R$36.545.453,14 em 2010 ), e "213251 Cimento e Serviços de Cimentação" ( R$82.931,16 em 2009 e 2010) referem se a gastos plurianuais, sujeitos portanto à amortização. Tendo em vista as justificativas do contribuinte, apresentadas durante todo o curso do procedimento fiscal, no sentido da agregação dos bens tangíveis com os gastos intangíveis, e da utilização do método das unidades Fl. 697DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 698 6 produzidas na depreciação/amortização dos mesmos, a fiscalização, mediante o Termo de Intimação com ciência em 19/02/2014, intimou o mesmo a apresentar laudo técnico que comprovasse, dentre os gastos intangíveis a serem individualizados, quais contribuiriam para a formação do resultado de mais de um período base, passíveis portanto de amortização, e quais se agregariam aos bens tangíveis para a formação de um único bem, no caso o Campo Polvo BMC08, passíveis de depreciação. O laudo técnico foi apresentado mediante carta datada de 16/05/2014. Contudo, verificou a fiscalização que o mesmo foi produzido em 24/04/2014, sendo portanto não aceito para suportar lançamentos efetuados em 2009 e 2010, motivo pelo qual não foi objeto de análise. Observou, ainda, a fiscalização que a entrada em produção do campo deuse em 2007. Assim sendo, entendeu a fiscalização a ausência de comprovação por documentação hábil que embasasse, a época dos fatos ocorridos, o procedimento do contribuinte em agregar os bens tangíveis com os gastos intangíveis, e, portanto que ambos devam ser apartados, e tratados de forma distinta, os primeiros submetidos à depreciação, e os gastos intangíveis à amortização. Utilização do Método das Unidades Produzidas na Depreciação e Amortização No exame dos citados "Demonstrativos dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão", a fiscalização constatou que na sistemática de depreciação/amortização dos bens tangíveis e gastos intangíveis, de acordo com a linha "Amortização e Exaustão Mensal" do quadro "Campo de Produção de Polvo BMC 8 (40%) Maersk Energia", o contribuinte utilizou taxa calculada a partir do quociente entre a produção mensal e a reserva remanescente no mês anterior, em desacordo com o previsto no artigo 309, §3°, do RIR/1999, ou seja, a razão entre o volume da produção no período de apuração e a possança, ou seja, o volume da reserva inicial. A fiscalização citou também o transcrito item 4.1.4 do Parecer Normativo CST n°44/77, que trata de quota de exaustão de recursos minerais, estabelecendo que o valor dedutível como custo será proporcional "à extração do período em relação com a potência conhecida da mina". Assim sendo, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 24/04/2014, sendo que na resposta datada de 05/05/2014 o contribuinte corrobora seu procedimento de utilizar como taxa de depreciação/amortização o quociente entre a produção mensal e a reserva remanescente no mês anterior. A fiscalização entendeu que, não obstante, em que pese a justificativa do contribuinte para a utilização de um sistema "híbrido", em que emprega uma reserva inicial "móvel", amparado, como informa, na sistemática prevista em função das especificidades de sua atividade econômica, não haver na legislação de regência, a previsão legal para a utilização do método das unidades produzidas, quando não se pode precisar a reserva inicial. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 699 7 Inobservância do Regime de Competência A fiscalização analisando o "Instrumento Particular de Distrato" anexo à carta datada de 22/08/2012, relativo à sobredita transferência do referido bloco para a Petrobrás S/A, verificouse que tal documento foi assinado em 05/10/2010, portanto no anocalendário seguinte ao da baixa. Tal fato motivou a lavratura do Termo de Intimação Fiscal com ciência em 08/10/2012 para a apresentação de instrumento que legitimasse a apropriação das sobreditas despesas no anocalendário 2009. Em resposta por carta datada de 29/10/2012, a fiscalização entendeu que a contribuinte não logrou apresentar o instrumento exigido que embasasse a baixa do Bloco em questão e declarou que "... a decisão de descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR3 foi tomada durante o AC 2009, razão pela qual todos os gastos incorridos durante a primeira fase exploratória deste Bloco, que seriam registrados em contas de Ativo Diferido para posterior amortização, foram registrados em resultado como encargo no próprio anocalendário, em conformidade com artigo 324, § 3o, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999)". Prosseguiu ainda declarando que "Não obstante a apropriação das referidas despesas no AC 2009 ter ocorrido em estrita observância ao princípio da competência e em conformidade com a legislação fiscal aplicável, conforme comprovado, ressaltamos que o fato de a baixa ter ocorrido em AC anterior ao da assinatura do "Instrumento Particular de Distrato", não trouxe qualquer consequência adversa ao fisco, isto porque, ainda que a baixa tivesse ocorrido no AC 2010, conforme se constata através da análise das fichas 09 e l7 da D1PJ 2011, no AC 2010 (anexo II), o resultado apurado em ambos os anoscalendário seria de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conforme demonstramos abaixo;" A contribuinte encaminhou ainda em anexo à citada carta o "Termo Aditivo n° 2 ao Contrato de Concessão para Exploração , Desenvolvimento e Produção de Petróleo e Gás Natural n° 48610.009212/2002 BMBAR3 ", datado de 05/10/2010, onde consta que "... que, na data de 05/10/2010, foi aprovada pela Diretoria Colegiada da ANP a Cessão de Direitos e Obrigações referentes à transferência integral do percentual de 30% (trinta por cento) dos mesmos da SK DO BRASIL LIDA, para Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, através da Resolução de Diretoria n" 854/2010;" A fiscalização considerou como ocorrida a cessão na data da aprovação pela Agência Nacional do Petróleo. Assim, como na DIPJ AC 2010 o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, a fiscalização conclui que essa antecipação de despesas referentes ao AC 2010, apropriada em 2009, será considerada como redução indevida do Lucro Real, e não como postergação de pagamento de imposto, conforme legislação de regência. Cientificado dos autos de infração, a contribuinte impugnou trazendo as seguintes razões (resumo): DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Fl. 699DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 700 8 DA DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA BOAFÉ. DA SEGURANÇA JURÍDICA . DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA E DA LEGALIDADE A contribuinte afirma que o Auto de Infração ora impugnado está fulminado pelo vício de nulidade em razão da flagrante violação aos princípios da boafé, da segurança jurídica, da proteção à confiança e da legalidade, uma vez que a Autoridade Fiscalizadora não aceitou o laudo técnico apresentado pela ora Impugnante para comprovação da integração dos bens tangíveis e gastos intangíveis que contribuíram para a formação de um único bem, o Campo Polvo BMC08. Lembra a impugnante que, em 17/02/2014, a própria Autoridade Fiscal intimou (Doc. 04) a Impugnante para apresentar o referido laudo. Afirma a impugnante que a solicitação da fiscalização foi feita de forma genérica, intimando apenas a Impugnante a apresentar laudo técnico hábil a comprovar os gastos mencionados, sem fazer qualquer ressalva de que o laudo deveria ter sido elaborado em data anterior aos lançamentos, ou até mesmo anterior à entrada em produção do Campo Polvo BMC 08. A conclusão do responsável técnico (Doc. 05), após a análise dos registros contábeis apresentados pela Impugnante na planilha "Composição do Ativo do Campo de Polvo por Ano" foi no sentido de que os gastos ativados nas fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC 08 foram típicos e estritamente necessários ao desenvolvimento de um campo marítimo de petróleo. Assim, restou demonstrado que os gastos descritos nesta planilha se agregam, de fato, a um único bem do ativo imobilizado, qual seja: o Campo Polvo BMC08. Aduz a impugnante que o Agente Fiscal não aceitou o laudo técnico apresentado sob o frágil argumento de que o referido laudo fora produzido em 24/04/2014 e não seria documento hábil a suportar os lançamentos efetuados em 2009 e 2010. Assim, o Fiscal houve por bem sequer analisar o laudo apresentado pela Impugnante. Assevera a impugnante que o laudo técnico apresentado representa verdadeiro parecer pericial sobre a composição do ativo do Campo Polvo BMC08 com enfoque nos gastos incorridos em serviços contratados, tal como solicitado pela Autoridade Fiscalizadora. O referido laudo não foi, portanto, elaborado com o propósito de dar suporte à época aos lançamentos contábeis, mas para confirmar a integração dos bens tangíveis e gastos intangíveis que contribuíram para a formação do Campo Polvo BMC08. E, como todo laudo pericial, não há como ter sido feito à época dos fatos, tendo em vista que sua elaboração, repitase, decorreu de solicitação da própria Autoridade Fiscalizadora. Entende a impugnante ser flagrante, no presente caso, a violação aos princípios da boafé, da segurança jurídica, da proteção à confiança e da legalidade, tendo em vista que a Autoridade Fiscal não aceitou e sequer Fl. 700DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 701 9 analisou o laudo pericial apresentado pela Impugnante em cumprimento à sua própria solicitação. Assim, afirma a impugnante que não merece prosperar o argumento trazido pelo Fiscal Autuante às fls. 7 do Termo de Constatação de Irregularidades anexo ao presente Auto de Infração, no sentido de que o laudo pericial não deveria ser aceito pelo fato de ter sido produzido em 24/04/2014 para suportar lançamentos efetuados em 2009 e 2010. Isto porque a legislação de regência não obriga o contribuinte a produzir laudo técnico hábil a comprovar a taxa de depreciação utilizada ou que os gastos tangíveis e intangíveis foram incorridos para a formação de um único bem, como é possível verificar dos artigos 309 e 310 do Decreto nº3.000/1999. Diante do exposto, entende a impugnante que a presente Autuação está fulminada pelo vício de nulidade, devendo, portanto, ser cancelado por esta Delegacia de Julgamento. DA NÃO INCLUSÃO DAS DESPESAS NO ANOCALENDÁRIO DE 2010. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DO FISCO. O presente Auto de Infração foi lavrado sob o argumento de que a Impugnante não teria observado o regime de competência, uma vez que a baixa dos gastos com o Bloco BMBAR3 foi registrada em 2009 e a transferência do referido bloco à Petrobrás somente foi formalizada em 2010. Assim, no entendimento do Fiscal, teria havido antecipação de despesas referentes ao anocalendário de 2010, apropriadas pela Impugnante em 2009, e, conseqüentemente, uma redução indevida do lucro real. A Impugnante afirma ter plena convicção de ter procedido corretamente à baixa do Bloco BMBAR3 em 2009, tendo em vista que, em novembro de 2009, após a primeira fase de exploração, a Impugnante tomou a decisão de descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR 3 por entender que os esforços empregados na exploração deste campo não apresentariam o retorno esperado. A formalização da transferência do referido Bloco somente ocorreu em 2010 em razão de trâmites burocráticos que resultaram num lapso temporal entre esses dois momentos. Afirma a contribuinte que, em nenhum momento foi questionada a legalidade da despesa, a qual é inquestionável, mas exclusivamente a suposta não observância do regime de competência. Portanto, a glosa das despesas oriundas da baixa do Bloco BMBAR3 no anocalendário de 2009, resulta necessariamente na conclusão de que tais despesas devem ser consideradas como legítimas para o anocalendário de 2010, uma vez que a formalização da transferência do Bloco BMBAR3 naquele ano. Entendeu a contribuinte caracterizada situação de flagrante enriquecimento sem causa perpetrado pelo Fisco, tendo em vista a verificação de (i) locupletamento do Fisco ao desconsiderar despesas dedutíveis e cobrar Auto de Infração de IRPJ e CSLL sobre glosa de tais despesas; (ii) empobrecimento da Impugnante, haja vista a constituição de Fl. 701DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 702 10 passivo tributário indevido em seu desfavor; (iii) o nexo de causalidade entre o empobrecimento da Impugnante e o locupletamento do Fisco, qual seja: a lavratura do presente Auto de Infração; e (iv) a falta de uma causa jurídica para tais eventos, ou seja, o descabimento da cobrança em comento. Aduz que o presente Auto de Infração está fulminado pelo vício de nulidade, vez que sua manutenção representa flagrante enriquecimento sem causa por parte do Fisco. DO MÉRITO DA CAPITALIZAÇÃO DOS GASTOS INCORRIDOS NAS FASES DE EXPLORAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. DOS BENS TANGÍVEIS E GASTOS INTANGÍVEIS FORMANDO UM ÚNICO BEM. A contribuinte entende que conforme a documentação acostada à esta impugnação em 16/05/2014, a Impugnante apresentou à fiscalização laudo técnico (Doc. 05) hábil a comprovar o procedimento adotado relativamente à agregação dos bens tangíveis aos gastos intangíveis incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC08. Contudo, como já ressaltado acima, a Autoridade Fiscalizadora não aceitou o referido laudo, sob o frágil argumento de que o mesmo foi elaborado posteriormente à data de entrada em produção do campo, em flagrante ofensa aos princípios da boafé, segurança jurídica, proteção à confiança e legalidade. A contribuinte ressalta que o próprio Fiscal reconhece que as despesas são capitalizáveis e devem ser submetidas a método de recuperação. Dessa forma, entende que não há que se falar em tratamento distinto e apartado para os gastos com bens tangíveis e intangíveis como pretende a Autoridade Fiscalizadora, uma vez que todos estes gastos foram incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento e contribuíram para a formação do ativo, que é o próprio Campo Polvo BMC08. Assim, há que se considerar que todos os gastos tangíveis e intangíveis foram suportados pela Impugnante para a FORMAÇÃO DE UM ÚNICO BEM, qual seja: o Campo Polvo BMC08. Afirma a contribuinte que os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento consistiram, em sua maioria, em gastos com G&G (geologia e geofísica); IDC ("Intangible Drilling Costs"), que são gastos com a perfuração de poços; pagamento de retenção de área; além de outros gastos menos relevantes associados à perfuração dos poços de exploração e produção. A Impugnante informa que adotou os seguintes procedimentos para fins de reconhecimento de tais gastos: “i) todos os gastos incorridos foram inicialmente registrados em contas de Ativo Diferido Fl. 702DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 703 11 ii) no momento em que a produção do petróleo e gás natural se iniciou (julho do anocalendário de 2007) estes gastos foram reclassificados para conta de Ativo Imobilizado, denominada "Campo Polvo Bloco BMC08"; e; iii) uma vez iniciada a produção, os gastos classificados na conta de Ativo Imobilizado foram reconhecidos em contas de estoque, sendo a quota de preciação apropriada no resultado do exercício no momento da venda do petróleo e gás natural.” Afirma a impugnante que o Ativo denominado "Campo Polvo Bloco BMC08" é o resultado da capitalização de todos os gastos de exploração e desenvolvimentos determinados pela Lei nº 9.478/1997 ("Lei do Petróleo"). Informa, também, que a apropriação dos referidos gastos em contas de estoque se dá na medida em que o petróleo e o gás natural são produzidos, com base no método das unidades produzidas, a ser analisado no próximo tópico, haja vista que os referidos gastos somente contribuirão para o resultado da Impugnante enquanto perdurarem as reservas (possança) de petróleo e gás natural existentes naquele Bloco. A impugnante destaca que o procedimento adotado pela Impugnante, qual seja, capitalizar os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, para posterior recuperação através de depreciação/ amortização/ exaustão pelo método das unidades produzidas, encontra fundamento na legislação contábil e fiscal brasileiras, bem como se adequa às regras internacionais aplicáveis à indústria do petróleo, cuja observância pelos concessionários está determinada pelo artigo 44, inciso VI, da Lei do Petróleo. Informa a impugnante que em relação à legislação contábil brasileira, o dever de capitalizar os gastos que contribuem para a formação de resultados de mais de um exercício encontrase previsto no artigo 179, IV, V e VI, da Lei n9 6.404/1976, com a redação anterior às alterações trazidas pela Lei nº 11.638/2007. Adiciona que a legislação fiscal determina, conforme artigo 248 do RIR/1999, que o Lucro Líquido, ponto de partida para o cálculo do Lucro Real, deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Afirma, também, que para as pessoas jurídicas que adotaram o Regime Tributário de Transição (RTT), como no caso da ora Impugnante, a legislação comercial a ser observada é a Lei n° 6.404/1976 antes das alterações trazidas pela Lei n° 11.638/2007. Assim, o dispositivo legal acima transcrito deve ser observado para fins de cálculo do Lucro Real. A impugnante destaca que o dever de capitalizar os referidos gastos também pode ser observado pelo disposto nos artigos 248, 301, 324, 330 e 346 do RIR/1999. Pondera, que além dos dispositivos legais acima mencionados, a Impugnante também estava obrigada a observar, quando do reconhecimento dos gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, as Fl. 703DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 704 12 regras internacionais relativas à contabilização destes gastos, as quais, diferentemente da legislação brasileira, são de aplicação específica para a indústria do petróleo e gás natural. A impugnante aduz que, em que pese o Brasil não possuir uma legislação contábil e fiscal específica para a indústria do petróleo, não há dúvidas de que a Lei do Petróleo é de observância obrigatória para todas as pessoas jurídicas envolvidas nas atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural, e a referida lei determinou no inciso VI do artigo 44 acima transcrito que o concessionário deve adotar, na consecução de suas atividades, as melhores práticas da indústria internacional do petróleo. Afirma, ainda, que com base neste preceito, e à luz das regras internacionalmente aceitas, as pessoas jurídicas atuantes na indústria do petróleo e gás natural no Brasil estão obrigadas a adotar um dos regimes contábeis que lhes são aplicáveis, conhecidos internacionalmente como "successful efforts" e "full cost” para fins de contabilização dos gastos incorridos com a exploração e desenvolvimento de petróleo e gás natural. Informa que no regime conhecido como "successful efforts" são capitalizados apenas os custos diretamente associados com as atividades que podem, objetivamente, causar o sucesso exploratório. Neste regime, consideramse apenas os custos incorridos com esforços que resultem diretamente em descobertas e reservas provadas, e somente tais custos, devem ser objeto de capitalização. Ao contrário, aqueles que não são relacionados diretamente com tais êxitos, devem ser baixados imediatamente a resultado. Adiciona que Pelo método 'full cost", como sugere a expressão, todos os custos são considerados associados a uma possível descoberta e desenvolvimento final. Assim, mantêmse capitalizados todos os custos incorridos na busca de petróleo e gás natural. Informa, também, que o método full cost encontrase especificamente previsto nas regras de USGAAP (Princípios Geralmente Aceitos de Contabilidade dos Estados Unidos da América), IAS (International Accounting Standard) no s 16 e 18 e IFRS (International Financial Reporting Standards) n°6. Ressaltese, inclusive, que a Lei n° 11.638/2007 teve por objetivo iniciar a convergência do sistema contábil brasileiro às regras internacionais de contabilidade (IFRS), tendo sido sucedida pela Lei nº 12.973/2014, publicada recentemente como resultado da conversão da Medida Provisória n9 627/2013. Destaca, ainda, a contribuinte que o Comitê de Contabilidade da Indústria do Petróleo ("Oil Industry Accounting Committee") emitiu o Relatório de Práticas Recomendadas à indústria de petróleo e gás natural ("SORP Statement of Recommended Practice"), determinando a capitalização de todos os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento em único Ativo (denominado "cost pool"), para posterior depreciação através do método das unidades produzidas. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 705 13 A Impugnante afirma que corretamente observou as regras aplicadas à indústria internacional do petróleo ao capitalizar todos os gastos incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC08, motivo pelo qual o presente Auto de Infração não merece prosperar, devendo ser cancelado. DO MÉTODO DE RECUPERAÇÃO DO ATIVO. DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DAS UNIDADES PRODUZIDAS NA DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO A Impugnante afirma que em conformidade com as práticas internacionais da indústria do petróleo, utilizou o método das unidades produzidas ("MUP") para fins de reconhecimentos dos gastos capitalizados, incorridos durantes as fases de exploração e desenvolvimento, haja vista que os referidos gastos somente têm o condão de contribuir para o resultado da Impugnante enquanto perdurarem as reservas de petróleo e gás natural existentes no Bloco. A contribuinte destaca que parte significativa dos gastos incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento consiste na contratação de serviços e outros bens intangíveis necessários à preparação de determinado campo para que o mesmo comece a extrair e, consequentemente, produzir petróleo e gás natural. Também são aplicados nestas atividades bens de natureza tangível, mas em quantidade e volume notadamente inferior. Afirma que não haveria dúvidas de que o método a ser utilizado para a depreciação dos ativos intrinsecamente ligados às atividades de exploração e produção é o método das unidades produzidas ("MUP"). Adiciona que o MUP determina a quota de depreciação em função do volume da produção relativo a cada período de apuração e a sua relação com a capacidade de produção do poço de petróleo e gás natural em que são utilizados os bens passíveis de depreciação, já que, quando do esgotamento destas reservas, os bens utilizados nestas operações já não terão nenhuma utilidade econômica. Para a efetiva aplicação do MUP à indústria do petróleo, as reservas provadas são determinadas por geólogos e engenheiros de petróleo da empresa operadora dos blocos e sua determinação segue padrões internacionais determinados para este fim, de acordo com o estabelecido no artigo 44, VI, da Lei do Petróleo. Alega a impugnante que, ao contrário do alegado pela Autoridade Fiscalizadora às fls. 8 do Termo de Constatação de Irregularidades do presente Auto de Infração, o parágrafo 3 do artigo 309 do RIR/1999 prevê, expressamente, a possibilidade de utilização do método das unidades produzidas pelas pessoas jurídicas que realizam as atividades de exploração de minas, jazidas e florestas, estabelecendo que, em tais casos, a quota de depreciação poderá ser registrada na escrituração em função do volume da produção de cada período de apuração. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 706 14 Afirma a contribuinte, cai por terra o argumento da Autoridade Fiscalizadora no sentido de que não há previsão legal que permita a utilização do método das unidades produzidas em situações nas quais não é possível precisar a possança (reserva inicial). A impugnante, ainda alega que, caso se entenda que a Impugnante utilizou taxas incorretas para recuperação do ativo devido à reavaliação periódica da reserva provada, o que somente se admite por hipótese, o presente Auto de Infração deveria apenas cobrar o tributo pago a menor em razão da taxa equivocada, acrescido de juros, e não glosar a totalidade do custo capitalizado pela Impugnante. Adicionalmente, a contribuinte alega ser importante frisar que apesar de o procedimento adotado pela Impugnante ser o que melhor se adequa às regras contábeis internacionais, é o método que apresenta maior ônus para empresa do ponto de vista tributário. Isto porque, o RIR/1999 estabelece que as pessoas jurídicas atuantes na indústria do petróleo podem optar por deduzir os encargos com exploração e produção de petróleo cru em cada período de apuração para efeito de determinação do lucro líquido. De acordo com o artigo 416, não haveria necessidade de se ativar estes gastos para posterior depreciação em razão das unidades produzidas em relação às reservas provadas, os quais poderiam ser apropriados no período de apuração em que incorridos. Aduz a impugnante, que considerando (i) todos os gastos tangíveis e intangíveis foram incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC08, sendo, portanto, considerado um único bem; e (ii) tanto o prazo inicial quanto o prazo final para reconhecimento destes gastos no resultado do exercício é exatamente o mesmo para todos os itens capitalizados, não houve necessidade, no momento da capitalização, de segregar os gastos em subcontas distintas, já que esta segregação somente se faz necessária quando o início ou duração do prazo para amortização, depreciação e exaustão de bens e direitos são distintos. Se todos os itens que compõem o Ativo se submetem ao mesmo início e prazo de depreciação/ amortização/ exaustão de bens e direitos, não há que se falar em ficha individual de bens do ativo imobilizado. DOS GASTOS INTANGÍVEIS A impugnante ressalta que, de acordo com o artigo 325 do RIR/1999, os gastos incorridos com despesas que contribuem para a formação do resultado de mais de um exercício podem ser amortizados, observadas as regras trazidas pelos artigos 3265 e 327 do RIR/1999, o que necessariamente se aplica aos gastos incorridos pela Impugnante durante as fases de exploração e desenvolvimento. Ressalta que o fato de estes gastos serem inicialmente transferidos para outra conta de Ativo para posterior amortização não lhes tira a natureza de gastos que contribuem para a formação do resultado de mais de um exercício, mas, pelo contrário, tem o objetivo único e exclusivo de que Fl. 706DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 707 15 tais gastos sejam efetivamente reconhecidos na proporção de sua contribuição aos resultados. Relembra a contribuinte, que o artigo 327 do RIR/1999 estabelece que a taxa anual de amortização deve ser calculada com base no número de períodos de apuração em que deverão ser usufruídos os benefícios, respeitandose o prazo mínimo de 5 (cinco) anos. Assim, entende que, desde que o prazo mínimo de 5 (cinco) anos seja respeitado, o contribuinte poderá calcular a taxa de amortização daqueles gastos pelo prazo em que espera usufruir o direito. No caso em tela, entende que tal prazo está intrínsecamente relacionado com a existência das reservas, razão pela qual a taxa é calculada pelo método das unidades produzidas, apropriandose os gastos ao resultado na medida em que a produção ocorre e em função da quantidade total de petróleo e gás natural que se espera produzir, ainda que tal prazo seja superior a 5 (cinco) anos como é o caso para o anocalendário de 2009. Assim, entende que, tendo em vista que a taxa de recuperação do Ativo "Campo Polvo Bloco BMC08" respeitou os prazos mínimos estabelecidos na legislação fiscal, o procedimento adotado pela Impugnante está em consonância com a legislação fiscal independentemente do fato de todos os gastos terem sido alocados para conta de Ativo Imobilizado e reportados na DIPJ na linha 35 da Ficha 36 da DIPJ. DOS GASTOS COM BENS TANGÍVEIS A impugnante entende que, no mesmo sentido, por existirem bens tangíveis na formação do Ativo "Campo Polvo Bloco BMC08", ainda que em quantidade e volume financeiro muito inferior aos gastos intangíveis, tal Ativo deveria se sujeitar à depreciação, e o MUP também reputarseia como método mais adequado para depreciação deste Ativo, em razão do disposto no artigo 309, § 32, do RIR/1999. Entende imperioso destacar que os bens tangíveis eventualmente utilizados durante as fases de exploração e desenvolvimento consistem, basicamente, em máquinas e equipamentos, cujo prazo de vida útil máximo seria de 10 (dez) anos, conforme Instrução Normativa n° 162/1998. Assim, considerando que o prazo estimado de produção do Campo Polvo Bloco BMC08, de acordo com a reserva provada de 18.935.689 barris de óleo cru (equivalente a 3,0105 milhões de m3, conforme demonstrado no quadro abaixo), declarada à ANP em janeiro de 2009 (Doc. 07), é de aproximadamente 7 (sete) anos, a depreciação destes bens deverá ser efetuada pelo método das unidades produzidas, conforme determina o parágrafo 39 do artigo 309 do RIR/1999. Adicionalmente, entende que em consonância com o estabelecido no 39 do artigo 310 do RIR/1999, quando o registro do imobilizado for feito por conjunto de instalação ou equipamentos, sem especificação suficiente para Fl. 707DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 708 16 permitir aplicar as diferentes taxas de depreciação de acordo com a natureza do bem, deverão ser utilizadas as taxas aplicáveis aos bens de maior vida útil que integrem o conjunto. Isto é, ainda que não haja individualização dos bens, novamente se verifica que a depreciação de eventuais bens tangíveis registrados na conta de Ativo "Campo Polvo Bloco BMC 08" deve ser realizada pelo MUP, com base no disposto no parágrafo 39 do artigo 309 do RIR/1999. Tal metodologia, afirma a impugnante, está fundamentada, ainda, no artigo 310 do RIR/1999, o qual determina que a taxa anual de depreciação deverá ser fixada pelo prazo durante o qual se espera utilização econômica do bem pelo contribuinte. A impugnante assevera que no caso das pessoas jurídicas atuantes na indústria do petróleo o prazo durante o qual se espera a utilização econômica dos bens na produção dos rendimentos, nos casos dos bens intrinsecamente ligados à produção de um campo ou bloco específico, é, justamente, o prazo no qual se espera que existam recursos naturais a serem produzidos e vendidos. Entende que o MUP também deve ser utilizado para a depreciação dos ativos tangíveis intrinsecamente ligados às atividades de exploração e desenvolvimento da indústria do petróleo e gás natural. DO BÔNUS DE ASSINATURA A contribuinte alega, que usualmente os contratos de concessão possuem prazo de duração amplo, correspondente ao tempo máximo permitido para a exploração e produção do respectivo campo. Contudo, o contrato necessariamente é rescindido quando do esgotamento das reservas de petróleo e gás natural, com a respectiva devolução da área concedido à ANP. Assim, é possível concluir que o prazo de concessão ou do contrato de exploração tem relação direta com a possança conhecida das reservas de petróleo e gás natural. Aduz que o mesmo acontece no presente caso, uma vez que a Cláusula 4.1, prevê que o Contrato será dividido em 02 (duas) fases (exploração e produção), em conformidade com o artigo 24 da Lei do Petróleo8. A referida Cláusula ainda dispõe que a fase de produção somente terá início após a entrega da Declaração de Comercialidade à ANP, podendo ter duração de 27 (vinte e sete) anos, duração esta que pode ser reduzida ou prorrogada, conforme o disposto na Cláusula 8.1. Com efeito, a Declaração de Comercialidade foi entregue à ANP em 01/07/2005 (Doc. 08) e que o prazo estimado de produção do Campo Polvo Bloco BMC08, de acordo com a reserva provada de 18.935.689 barris de óleo cru, declarada à ANP em janeiro de 2009 (Doc. 07), é de aproximadamente 7 (sete) anos. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 709 17 Entende, que, ainda que o contrato preveja prazo máximo de duração de 27 anos para a fase de produção, isto não significa que o direito de exploração e produção do campo se perpetuará por este mesmo prazo, uma vez que contrato deve ser rescindido quando do esgotamento das reservas, com a respectiva devolução da área concedido à ANP. Logo, a taxa anual de amortização aplicável ao bônus de assinatura não pode estar intrinsecamente relacionada ao prazo máximo de duração do contrato. Assevera não merecer prosperar a presente Autuação que pretende glosar os valores de R$ 1.177.054,43 (um milhão cento e setenta e sete mil cinquenta e quatro reais e quarenta e três centavos) e R$ 1.224.997,15 (um milhão duzentos e vinte e quatro mil e novecentos e noventa e sete reais e quinze centavos) relativos, respectivamente, aos anoscalendário de 2009 e 2010, a título de quota de amortização de bônus de assinatura utilizada a maior. EXAUSTÃO DOS GASTOS INCORRIDOS NA EXPLORAÇÃO E PROSPECÇÃO DE RECURSOS NATURAIS A impugnante considera que, em função da falta de tratamento específico aos gastos incorridos pela indústria do petróleo e gás natural, devem ser aplicados aos custos e despesas com depreciação, amortização e exaustão de gastos incorridos na exploração e prospecção de jazidas de petróleo e gás natural as mesmas regras existentes para os gastos incorridos na exploração e prospecção de minas, ou seja, aplicarseia o disposto no artigo 330 do RIR/1999. Entende,a contribuinte que tanto os gastos incorridos com bens intangíveis (serviços e outros direitos), quanto os gastos incorridos com bens tangíveis (equipamentos e outros bens eventualmente utilizados nas fases de exploração e produção e na perfuração dos poços de exploração e produção) seriam exauridos pela curva da produção, com base no MUP, tratamento este dispensado pela Impugnante aos bens registrados na conta "Campo Polvo Bloco BMC08", em total consonância com o estabelecido no § 29 do art. 330 do RIR. DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE DESPESAS PELA INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. ERRO RELATIVO AO QUANTUM DEBEATUR. Assevera a impugnante que em função da suposta inobservância do regime de competência, a Autoridade Fiscal pretende recompor o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, por entender que as despesas no montante de R$ 97.351.684,54 (noventa e sete milhões trezentos e cinquenta e um mil seiscentos e oitenta e quatro reais e cinquenta e quatro centavos) foram deduzidas pela Impugnante no anocalendário de 2009 de forma antecipada, resultando em redução indevida do Lucro Real, o que ensejaria a aplicação de multa prevista no caput do artigo 273 do RIR/1999. Contudo, alega que a dedução de tais despesas efetuada pela Impugnante em 2009 se deu em virtude da decisão da própria Maersk de Fl. 709DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 710 18 descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR3 após a primeira fase de exploração, em novembro de 2009, por entender que os esforços empregados na exploração deste campo não apresentariam o retorno esperado. Tal decisão baseouse em análises efetuadas pela Impugnante e suas consorciadas sob a viabilidade do negócio, cujas conclusões foram sumarizadas na "Proposta de Abandono" (Doc. 09) apresentada pela operadora do Bloco BMBAR3. Desta forma, entende a impugnante que todos os gastos incorridos durante a primeira fase exploratória do Bloco BMBAR3, que estavam registrados em contas de Ativo Diferido para posterior amortização, foram registrados em resultado como encargo no próprio anocalendário de 2009, em consonância com o disposto no artigo 324, §39 do RIR/1999. Logo, conclui que a apropriação das referidas despesas no anocalendário de 2009 ocorreu em estrita observância ao princípio da competência e em conformidade com a legislação de regência. Afirma a contribuinte que, muito embora a decisão quanto a efetiva descontinuação do projeto de exploração do Bloco BMBAR3 tenha ocorrido em novembro de 2009, a Autoridade Fiscal entendeu que as despesas relativas à baixa do Bloco seriam referentes ao anocalendário de 2010 pelo simples fato de o Instrumento Particular de Distrato (Doc. 10), que lastreou a transferência do percentual de 30% de participação da Impugnante no referido Bloco à Petrobrás, ter sido formalizado em 05/10/2010, data em que a ANP aprovou a cessão de direitos e obrigações relativa a tal transferência. Afirma que, os gastos incorridos devem ser registrados em resultado como encargo do próprio anocalendário no momento em que a Impugnante percebeu que o Bloco se tornou imprestável, e não no momento da formalização de sua transferência à Petrobrás e aprovação da agência reguladora. Entende a contribuinte (como argumentação subsidiária), que a apropriação de despesas pela Impugnante em 2009 jamais poderia ser considerada como redução indevida do Lucro Real para fins de aplicação do artigo 273, inciso II do RIR/1999. Dessa forma, entende ( subsidiariamente) que tais despesas devem ser então consideradas como legítimas para o anocalendário de 2010, uma vez que houve a formalização da transferência do Bloco BMBAR3. DA DESCONSIDERAÇÃO DAS DESPESAS RELATIVAS AO BIOCO BMBAR3 NA APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL SUPOSTAMENTE DEVIDOS PELA IMPUGNANTE NO ANOCALENDÁRIO DE 2010, A impugnante alega que, caso se tratassem efetivamente de despesas relativas ao anocalendário de 2010, o que se admite apenas por argumentação, o resultado apurado em ambos os anoscalendário de 2009 e 2010 seria de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 711 19 Entende a Impugnante que se tivesse apenas provisionado tais despesas em 2009 e registrado sua baixa integral no anocalendário de 2010 o resultado prático seria o aumento do prejuízo fiscal verificado em 2010. Em outras palavras, ainda que se entenda que a Impugnante não tenha observado o regime de competência no caso sob análise, não teria havido qualquer lesão aos cofres públicos. Por todo exposto, na eventualidade de o Auto de Infração ora impugnado não ser integralmente cancelado por esta Delegacia de Julgamento, pede que as despesas relativas à baixa do Bloco BMBAR3 devem ser consideradas como dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (supostamente) devidos pela Impugnante no anocalendário de 2010, evitandose, dessa forma, o enriquecimento ilícito da União Federal. Em julgamento realizado em 27 de fevereiro de 2015, a 2ª Turma da DRJ/BSB, considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0366.592, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO Na legislação fiscal encontramse as maneiras de depreciar e amortizar. Notadamente o RIR/99. Outras formas de depreciação ou amortização não podem ser utilizadas para efeitos fiscais. A forma de depreciação baseada em reserva inicial móvel, não tem respaldo na legislação fiscal. REGIME DE COMPETÊNCIA A despesa que pertence ao anocalendário de 2010 não pode ser utilizada para o ano calendário de 2009. Por outro lado, tal despesa glosada sob o único fundamento de inobservância do regime de competência deve ser incluída no anocalendário de 2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 711DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 712 20 A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 538/685), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Recebi, por sorteio, o presente auto em 16/02/2017. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 713 21 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto A contribuinte foi autuada, em 16/06/2014, no IRPJ e reflexo, no regime de lucro real anual, por ter deduzido em excesso valores relativos a depreciação de bens tangíveis nos anoscalendário de 2009 e 2010, bem como por ter deduzido em excesso valores relativos a amortização dos gastos intangíveis e do Bônus de Assinatura, também nos mesmos anos calendário de 2009 e 2010, além da inobservância do regime de competência no anocalendário de 2009, conforme se observa do quadro abaixo. autuação 2009 2010 0001 depreciação 20.776.195,62 30.350.043,42 0002 amortização 40.297.563,36 72.571.315,13 1.177.054,43 1.224.997,15 0003 inobserv reg compet 97.351.684,54 159.602.497,95 104.146.355,70 Foi exigido o crédito tributário total de R$ 40.319.662,95, incluindo imposto, contribuição, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 06/2014. A DRJ/BSB julgou a impugnação Procedente em Parte, mantendo os autos de infração relativos ao anocalendário de 2009, e com relação ao anocalendário de 2010, recompor o resultado do período, mediante o reconhecimento da despesa no valor de R$97.351.684,54, configurando no final, depois da compensação do prejuízo, uma redução do mesmo para R$17.364.735,30. Contra essa decisão foi interposto recurso de ofício e voluntário, os quais passo a analisar. RECURSO DE OFÍCIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, diante do reconhecimento da despesa no ano de 2010, no valor de R$ 97.351.684,54, reduzindo, após a compensação de prejuízo, para R$ 17.364,735,30, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 714 22 No que se refere à questão da inobservância ao regime de competência no ano de 2009, ela decorreu das deduções de despesas efetuadas em razão da decisão da empresa de descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR3 após a primeira fase de exploração, em novembro de 2009, por entender que os esforços empregados na exploração deste campo não apresentariam o retorno esperado, sendo que essa decisão foi baseada em análises efetuadas pela empresa e suas consorciadas sob a viabilidade do negócio, cujas conclusões foram sumarizadas na "Proposta de Abandono" (Doc. 09). No entanto, o Instrumento Particular de Distrato, foi somente assinado em 05/10/2010, ou seja, no ano seguinte ao da efetiva baixa na contabilidade, motivo pelo qual a autuação entendeu que o ano correto para a baixa contábil seria o de 2010. A empresa pugnou, então, que tais despesas fossem reconhecidas em 2010, pelo que entendeu a DRJ ser possível. Ademais, em razão da existência de prejuízos fiscais no ano de 2010 de R$24.159.406,46, adicionandose tais despesas glosadas em 2009 de R$97.351.684,54, temos R$121.511.091,00, em 2010 de prejuízos fiscais, subtraindose o valor de R$104.146.355,70, relativo a apuração da base tributável pela fiscalização nesse mesmo período, ainda permanece em situação de prejuízo no valor de R$17.364.735,30 em 2010. No que se refere a este item, entendo que a decisão a quo deve ser mantida, uma vez que de fato a despesa glosada no ano de 2009 poderia de fato ser aproveitada em 2010. Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BSB e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 13/03/2015 (fl. 535), e apresentou em 14/04/2015, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 538/685. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. 1) Da ilegítima desconsideração do laudo pericial Alega o recorrente que o auto de infração está eivado de nulidade por violação aos princípios da boafé, segurança jurídica, da proteção à confiança e da legalidade, visto que a Fiscalização não aceitou o laudo técnico apresentado para comprovação da integração dos bens tangíveis e gastos intangíveis que contribuíram para a formação de um único bem, o Campo Polvo BMC08. Afirma que o laudo pericial foi produzido nos termos que foi requerido pela fiscalização, e acostado aos autos, como se verifica de fls. 238/241. A fiscalização, no entanto, entendeu por bem não aceitálo já que produzido em 24/04/2014 e não teria sido documento hábil a suportar os lançamentos efetuados em 2009 e 2010. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 715 23 Nesse ponto, entendo que o laudo foi recebido e juntado aos autos do processo, porém não foi aceito pela fiscalização como argumentação em defesa da recorrente, dessa forma, não vejo motivos para se decretar a nulidade da auto de infração ou ofensa aos princípios acima mencionados ou mesmo cerceamento de defesa. 2) Da nulidade pela nãoinclusão das despesas glosadas no ano calendário de 2010 O recorrente alega em sede recursal, ainda, que o fato das autoridades fiscais não terem considerados as despesas apropriadas e glosadas no anocalendário de 2009, poderiam têlo feito para o anocalendário de 2010, e pelo fato da decisão a quo ter reconhecido tal direito, impõe um vício insanável na determinação da base de cálculo do lançamento, em detrimento do disposto no art. 142 do CTN. Em que pese os argumentos do contribuinte, não vejo que houve a ocorrência de tal vício ou nulidade, pois que a base de cálculo lançada no auto de infração foi plenamente conhecida e calculada, porém contraargumentada em sede de impugnação e assim reconhecida na decisão prolatada. Os vícios que eivariam de nulidade o lançamento da autoridade fiscal são aqueles cuja ausência impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Não é o caso em tela. Assim, deixo de conhecer desta preliminar argüida. 3) Dos bens intangíveis e gastos tangíveis formando um só bem direito à capitalização das despesas Neste item, alega a recorrente que as Autoridades Fiscais Federais desconsideraram indevidamente o laudo pericial, dessa forma, deixaram de considerar o Campo Polvo BMC08 como um único bem, formado pela combinação dos bens tangíveis e gastos intangíveis. No entendimento da fiscalização não havia documentação que embasasse o procedimento contábil adotado pela contribuinte em 2009 e 2010, não sendo correta a apropriação dos gastos incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento no Campo Polvo BMC08 transformando gastos intangíveis em bens depreciáveis. Vamos aos fatos: a contribuinte intimada a apresentar a composição das linhas de encargos de depreciação e exaustão da DIPJ, e especialmente no tocante ao ativo denominado "Campo Polvo Bloco BMC08", ela explicou Fl. 715DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 716 24 que: Explica, ainda, que "tal ativo é composto de gastos relativos à aquisição de bens tangíveis e de bens intangíveis, e que todos os bens e direitos foram adquiridos com o objetivo de se formar um único bem, a saber, o conjunto de poços de exploração e produção de petróleo e gás natural relativos ao Campo Polvo BMC08". Expôs, também, o funcionamento dessa indústria, por se tratar de uma concessionária, possui os direitos de exploração e produção do petróleo e gás natural, incorrendo em gastos de exploração, justamente para se verificar se a área possui ou não reservas passíveis de produção. Tais gastos podem ainda, serem divididos em: Ressaltou, ainda, que desses gastos, os de "a" a "c" podem ser incorridos antes do início da efetiva exploração, ou seja, antes da perfuração do primeiro poço exploratório, e quando isso ocorre, são mantidos em conta do Ativo Diferido para posterior amortização. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 717 25 Informa, também, que no caso em tela, o ativo "Campo Polvo Bloco BMC 08 é o resultado da capitalização de todos os gastos de exploração e desenvolvimento, e conforme demonstrado no laudo, a parte mais significativa dos gastos capitalizados pela recorrente e recuperados pelo MUP, gastos relacionados às fases de exploração e desenvolvimento, perfuração de poços, pagamento de retenção de área e outros gastos associados à perfuração dos poços de exploração e desenvolvimento. Assim, em 19/02/2014, a fiscalização solicitou a apresentação de laudo técnico para comprovar, dentre os gastos intangíveis a serem individualizados, quais contribuiriam para a formação do resultado de mais de um período base, passíveis portanto de amortização, e quais se agregariam aos bens tangíveis para a formação de um único bem, no caso o Campo Polvo BMC08, passíveis de depreciação. O contribuinte apresentou tal laudo técnico, nos moldes solicitados em 16/05/2014, entretanto quando a fiscalização verificou que o mesmo foi produzido em 24/04/2014, ele não foi aceito como justificativa, pois não serviriam de suporte para embasar lançamentos efetuados em 2009 e 2010, não sendo nem objeto de análise. Ainda em alegações, verificase, que a recorrente se utilizou do método full cost, ou custo total, para a contabilização dos gastos incorridos com a exploração e desenvolvimento de petróleo e gás natural, nesse métodos, todos os gatos incorridos durante a fase de exploração e desenvolvimento são considerados associados a uma possível descoberta e produção final. Tal método é utilizado em empresas do setor de óleo e gás, o método do custo total considera todos os custos nas atividades de aquisição, exploração e desenvolvimento, como sendo necessários à produção definitiva das reservas. Todos esses custos são incorridos com o conhecimento que, geralmente, está relacionado também às atividades que não resultam diretamente em reservas provadas e desenvolvidas. Contudo, a companhia espera que os benefícios obtidos das prospecções que se provam bemsucedidas, junto com os benefícios das descobertas passadas, serão adequados para recuperar os custos de todas as atividades, bemsucedidas e malsucedidas, e proporcionar lucro1. Isso em observância ao art. 179 da Lei 6.404/76: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:[..] IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. 1 Silva, Carlos Eduardo Vieira da, "Oil & Gas Accounting: O Estudo de Caso de Uma Empresa de Petróleo", http://www.anpad.org.br/admin/pdf/enanpad2004ccg0238.pdf Fl. 717DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 718 26 Do conceito de lucro líquido, estabelecido no art. 248 do RIR, verificase o ponto de partida do lucro real. A apuração do lucro líquido, no encerramento de cada período base, deve ser efetuada em conformidade com os procedimentos usuais da contabilidade. Já que a recorrente adotou ao normas do RTT Regime Tributário de Transição, a norma comercial é aplicável, antes das alterações da lei 11.638/2007. Ademais, os arts. 301 e 324 do RIR também embasam tal procedimento. Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. [...] § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado. Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração Após essas considerações, no meu entendimento, assiste razão ao recorrente, pois aplicou de forma correta a contabilização de capital ocorridos nas fases de exploração e desenvolvimento de petróleo e gás natural. Nesse aspecto, o laudo pericial não era único documento para embasar a contabilização dos gastos nos respectivos anos, já que todos eles assim foram considerados como Ativo do Campo Polvo BMC08 para futura depreciação nos termos da lei. E o laudo acostado aos autos apenas vem para confirmar tal alegação, concluindo no seguinte sentido: Dessa forma, de se reconhecer a forma de capitalização utilizada pela recorrente. 4) Do método de recuperação do ativo. Da aplicação do método das Unidades Produzidas MUP na depreciação e amortização. Diante da forma como foram ativados os gastos pela recorrente, ela optou por se utilizar do método das unidades produzidas MUP para fins de reconhecimento dos gastos capitalizados, incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, já que tais gastos somente contribuiriam no resultado da contribuinte enquanto perdurarem as reservas de petróleo e gás natural existentes no Bloco. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 719 27 A fiscalização, no entanto, entendeu que foi utilizada uma forma híbrida, não havendo amparo legal para tanto. Verificamos o que diz os arts. 309, §3º, 310, §1º e 330 do RIR também embasam tal procedimento, ainda, Art. 309. A quota de depreciação registrável na escrituração como custo ou despesa operacional será determinada mediante a aplicação da taxa anual de depreciação sobre o custo de aquisição dos bens depreciáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 1º ).[...] § 3º A quota de depreciação, registrável em cada período de apuração, dos bens aplicados exclusivamente na exploração de minas, jazidas e florestas, cujo período de exploração total seja inferior ao tempo de vida útil desses bens, poderá ser determinada, opcionalmente, em função do prazo da concessão ou do contrato de exploração ou, ainda, do volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança conhecida da mina ou dimensão da floresta explorada (Lei nº 4.506, de 1964, arts. 57, § 14, e 59, § 2º ). Art. 310. A taxa anual de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar utilização econômica do bem pelo contribuinte, na produção de seus rendimentos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 2º ). § 1º A Secretaria da Receita Federal publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível, em condições normais ou médias, para cada espécie de bem, ficando assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 3º ).gn § 2º No caso de dúvida, o contribuinte ou a autoridade lançadora do imposto poderá pedir perícia do Instituto Nacional de Tecnologia, ou de outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica, prevalecendo os prazos de vida útil recomendados por essas instituições, enquanto os mesmos não forem alterados por decisão administrativa superior ou por sentença judicial, baseadas, igualmente, em laudo técnico idôneo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 4º ). Art. 330. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor de recursos minerais, resultante da sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59 ). § 1º A quota de exaustão será determinada de acordo com os princípios de depreciação (Subseção II), com base no custo de aquisição ou prospecção, dos recursos minerais explorados (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, § 1º ). § 2º O montante da quota de exaustão será determinado tendo em vista o volume da produção no período e sua relação com a Fl. 719DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 720 28 possança conhecida da mina, ou em função do prazo de concessão (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, § 2º ).gn § 3º O disposto neste artigo não contempla a exploração de jazidas minerais inesgotáveis ou de exaurimento indeterminável, como as de água mineral. O método das unidades produzidas MUP, resulta em despesa baseada no uso ou produção esperado. Por exemplo, uma máquina cujo custo é de R$ 182.000,00 produziu 800.000 peças no primeiro ano e 1.200.000 peças no segundo ano. Durante a vida útil do equipamento é estimado que ele produza 30.000.000 de peças. A depreciação é assim calculada: Número de unidades produzidas x 100 Número de unidades estimadas durante a vida útil Ano 1: (regra de três simples) 800.000 x 100 = 2,67% 30.000.000 2,67% x R$ 182.000,00 = R$ 4.859,40 (despesa de depreciação no Ano 1) Ano 2: 1.200.000 x 100 = 4% 30.000.000 4% x R$ 182.000,00 = R$ 7.280,00 (despesa de depreciação no Ano 2) No caso da recorrente, por esse método, determinase a quota de depreciação em função do volume da produção relativo a cada período de apuração e a sua relação com a capacidade de produção do poço de petróleo e gás natural em que são utilizados os bens passíveis de depreciação, já que quando do esgotamento destas reservas, os bens utilizados já não trarão benefício econômico. Ou seja, o método escolhido pela recorrente para fins de depreciação do ativo Campo Polvo BMC08 está baseado em lei e conforme a produção do petróleo e do gás foi levado à despesa, enquanto perdurou tais reservas nesse específico Bloco. Tais provas técnicas de que o referido ativo poderá ser recuperado decorre dos estudos desenvolvidos pelos engenheiros e geólogos da recorrente e entregues anualmente à ANP, demonstrando o tamanho das reservas cuja produção será economicamente viável. Verificase às fls. 479 a 484, o Boletim Anual de Reservas entregue à ANP, com os respectivos cálculos. Bem como a declaração de comercialidade de tais reservas. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 721 29 Ressaltese, ainda, outro ponto trazido pela recorrente, que por se tratar de empresa concessionária da exploração de petróleo e gás poderia ter se utilizado do método previsto no art. 416 do RIR, em que poderia deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru. A fiscalização no entanto, aplicou o percentual de 10% sobre o valor total de bens tangíveis, chegando a um valor menor ao apurado pelo contribuinte. Por todo o exposto, entendo que de fato, o método utilizado pelo contribuinte é plenamente aplicável ao seu setor de atuação, nos termos do art. 309, §3º do RIR, e tratando se o Campo Polvo BMC08 um ativo único, a partir do momento em que passou a produzir, os gastos passaram a ser depreciados, de acordo com o MUP, não havendo o que se falar em sistema "híbrido". 5) Dos Gastos intangíveis Neste ponto, conforme acima já mencionado, a recorrente tratou os gastos relacionados à exploração, ou seja, aqueles incorridos antes do início da perfuração do primeiro poço exploratório como ativo diferido para posterior amortização, assim considerado como ativo único do Campo Polvo BMC08, passando então a depreciálo, utilizandose no MUP, após o início da produção efetiva do petróleo e gás. A fiscalização, de outro modo, segregou tais despesas, e aplicou o percentual de 20% diretamente. Nesse sentido, seguindo a mesma linha do ponto anterior, em se considerando tais gastos depreciáveis apenas após o início da produção, e sendo parte do mesmo ativo que compõe um único bem, entendo aplicável o método MUP, não devendo prevalecer o lançamento efetuado. Em ambos os casos, caso o tratamento fosse pela aplicação do método linear, a forma de ativação deveria também ser desconsiderada, já que fundamentou todo o processo seguinte. Ou seja, o contrato de concessão existente entre a empresa e a Petrobrás remonta ao ano 2000, ou seja, tais gastos já poderiam ser depreciados e assim considerados dedutíveis desde então. 6) Dos bônus de assinatura Os gastos relativos ao bônus de assinatura, são relacionados com a aquisição do direito de explorar e produzir petróleo e gás natural, compreendendo o determinado no art. 45 da Lei do Petróleo e art. 9º do Decreto 2.705/98: Fl. 721DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 722 30 Nesse sentido, novamente, baseandose do mesmo procedimento dos dois pontos anteriores, utilizouse do método MUP para depreciação, a Recorrente amortizou tais gastos nos termos do art. 327 do RIR, ou seja, considerando que o benefício do pagamento pelo bônus somente será usufruído pelo período que houver reservas de petróleo e gás a serem produzidos e vendidos. A fiscalização, por outro lado, utilizouse do prazo constante do contrato de concessão de 27 anos para fixar o percentual de 3,7037% de amortização, não acatando o método MUP utilizado pelo contribuinte. Novamente, neste ponto, fixese que a recorrente se utilizou do mesmo método MUP, baseado em análise anual da estimativa de produção entregue à ANP, baseada em estudos geológicos, geofísicos e de engenharia, estimando o volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança conhecida. Assim, mantendo o mesmo critério adotado, entendo aplicável o procedimento adotado pelo recorrente. 7) Da exigência de Juros sobre multa Em decorrência do entendimento acima esposado, não verifico necessidade de discussão do ponto relativo à exigência de juros sobre a multa. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER dos Recursos de Ofício e Voluntário para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso voluntário. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 722DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000049/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2.Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Ademais, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB.
CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O artigo 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE.
O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal.
SÓCIO-GERENTE. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA.
O sócio-gerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei; a não-localização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção juris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN.
SÓCIO-GERENTE. INTERESSE COMUM
São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
MPF-F. NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade.
Numero da decisão: 1201-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2.Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Ademais, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. SÓCIO-GERENTE. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. O sócio-gerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei; a não-localização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção juris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN. SÓCIO-GERENTE. INTERESSE COMUM São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 MPF-F. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13864.000049/2008-18
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5731823
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.659
nome_arquivo_s : Decisao_13864000049200818.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : EVA MARIA LOS
nome_arquivo_pdf_s : 13864000049200818_5731823.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6795940
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212845817856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000049/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.659 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2017 Matéria OMISSÃO REC/DEP BANCÁ/MULTA ISOL/RESP SOLIDÁRIA Recorrente CIME Ouro Materiais de Construção Ltda Recorrida UNIÃO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2.Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Ademais, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. SÓCIOGERENTE. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. O sóciogerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei; a nãolocalização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção juris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN. SÓCIOGERENTE. INTERESSE COMUM AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 49 /2 00 8- 18 Fl. 950DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 3 2 São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 MPFF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo dos autos de infração, págs. 591/619, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$4.211.337,17, devido à infração 001 Omissão de Receitas, Depósitos Bancários não Contabilizados com fato gerador em 31/12/2003; também se exige R$ 2.868.029,32 de 002 Multas Isoladas, pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada, fatos geradores mensais de 01 a 12/2003; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$1.524.721,38, relativa à mesma infração e período de apuração; contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$279.491,58 sobre a receita omitida; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$508.240,45; o imposto e as contribuições exigidos foram apenados com multa de 75%; às págs. 579/590, o Termo de Verificação de Infração Fiscal e Demonstrativos de Apuração das exigências autuadas. 2. Foram lavrados os seguintes Termos de Sujeição Passiva Solidária, págs. 622/630: a. Andreia Ribeiro da Silva, CPF 217.735.86807, sócia gerente e responsável pela empresa e pela movimentação financeira, juntamente com o sócio Haruo Kawamura, no anocalendário 2003; a CIMEOuro não foi localizada no domicílio fiscal, na qual estava em funcionamento outra pessoa jurídica Monica Akemi Bo Midorikawa Construção ME, concluindo a fiscalização que houve a dissolução irregular da CIMEOuro; base legal art. 124, I e 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e art. 207 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); b. Haruo Kawamura, CPF 004.231.50855, sócio gerente e responsável pela movimentação financeira, juntamente com o sócio Haruo Kawamura, no ano calendário 2003; base legal art. 124, I e 135 do CTN, e art. 207 do RIR de 1999; c. Leandro Ribeiro da Silva, CPF 218.780.46829, irmão de Andreia Ribeiro da Silva, admitido na empresa em 28/05/2004, ocupa o cargo de gerente, assinando pela empresa; base legal art. 124, I e 135 do CTN, e art. 207 do RIR de 1999; 3. Cientificados a contribuinte e os responsáveis solidários, foi interposta impugnação pela autuada representada por Haruo Kawamura e Andreia Ribeiro da Silva de págs,. 645/647, objeto do Acórdão nº 0522.219, de 18 de junho de 2008, proferido pela DRJ em Campinas DRJ/CPS, que por unanimidade, julgou a autuação procedente. 4. Foram intimados: Andreia Ribeiro da Silva e CIME Ouro Materiais de Construção Ltda, CNPJ 71.978.985/0001272, via Edital de pág. 759, em 10/05/2008, dado que correspondências que lhes haviam sido remetidas, foram devolvidas pelo correio; Haruo Kawamura, págs. 763/764, em 16/10/2008; Leandro Ribeiro da Silva, pág. 883, via Edital, em 27/11/2008, também por ter retornado a correspondência enviada. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 5 4 5. A empresa requereu pedido de vistas do processo por meio de representante legal em 30/07/2008, que foi concedido em 30/07/2008, e foram apresentados recursos voluntários pela Autuada e pelos responsáveis solidários. CIMEOuro Materiais de Construção Ltda. Recurso Voluntário, págs. 694/747 6. Acusa que a autuação está embasada nas informações da sua movimentação bancária, sem ordem judicial, efetivada em ofensa à sua garantia constitucional ao sigilo de dados bancário, tratandose de prova ilícita conforme pressupõe o artigo 5o, LVI da Magna Carta, o que macula o devido processo legal administrativo, em violência ao artigo 5C, XXII, LIVe LV, da Carta Magna. 7. Constataram que o Mandado Procedimento Fiscal, é nulo, porque desatendeu os primados inerentes e aplicáveis por analogia do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou o art. 5º da LC nº 105/01 e, desde o inicio aos cuidados do Sr. Auditor Fiscal em referência, não atendeu aos prazos fixados pela SRF, através de Portaria, já que foi constantemente prorrogado, o que vai de encontro ao estabelecido pelas assertivas da própria Receita Federal. 8. Sobre o art. 11, §2º da Lei nº 9.311 de 24 de outubro de 1996, afirma que foi desrespeitado o § 3 do artigo, que veda sejam utilizadas as informações coligidas globalmente pelo pagamento da CPMF, para apuração de outros tributos, ou invocação de suposto delito penal tributário e que é evidente que o Fisco está se arvorando na recente edição da Lei Complementar n° 105/01, para aterrorizar os cidadãos brasileiros, de forma indiscriminada e aleatória, inclusive desrespeitando a regulamentação efetivada pelo Decreto n° 3.724/01, que transcreve. 9. Diz que o Poder Executivo, de forma imoral, deixou de regulamentar o artigo 6o da LC 105, deixando ao arbítrio e alvedrio da conveniência das Autoridades Administrativas, sem qualquer peia, a quebra do sigilo bancário, como ocorreu com a indevida utilização dos dados da CPMF, vedadas na Lei 9311/96, como visto, e agora iniciando procedimento fiscal, sem qualquer fundamentação legal ou administrativa para tal ato despropositado, sendo evidente que deve se emprestar, ao menos, o Decreto 3.724/01, que regulamenta o artigo 5ºo, também para o artigo 6º, devendo, ao menos, serem observadas as regras lá contidas, se constitucional tal Lei Complementar 105/01. 10. Diz que se assiste à implantação de uma ditadura fiscal, e que à luz das garantias constitucionais (que transcreve), a Recorrente está tendo violentadas sua privacidade e intimidade, que o Estado devia proteger, sendo cláusulas pétras o sigilo de dados e bancário; mas que o Fisco vem tentando burlar mediante edições de leis que já foram julgadas inconstitucionais. 11. Que mesmo o Ministério Público, conforme art.129, VI, da Magna Carta, e regulamentado pela Lei Complementar n° 75/93, e ainda, com a motivação prevista para o Poder Judiciário (§4° do artigo 129 c/c 93, IX e X, da CF/88), somente poderá requisitálas ao Poder Judiciário, conforme art 6º XVIII, 'a', E, na LC 105/01. 12. Que, mesmo que fosse o caso de quebra de sigilo de dados de qualquer cidadão, como admite a jurisprudência, a decisão deverá antes de mais nada permitir o direito de defesa, já que garantia constitucional inamovível (artigo 5o, LIV e LV da CF/88), e, após, instalado o contraditório, deverá ser devidamente fundamentada, sob pena de nulidade absoluta, e garantido o direito aos recursos pertinentes na legislação ordinária. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 6 5 13. Diz que, que a LC 105/01, violenta a garantia inserta no inciso XLI do artigo 5o da CF/88, , mas mesmo que se admita a Constitucionalidade da Lei Complementar n° 105/01, os dados que estão protegidos pelo §3° do artigo 11 da referida Lei i 9.311/96, não podem ser utilizados. E, mesmo na vigência desta Lei Complementar, somente com autorização judicial, devidamente fundamentada, de forma proporcional e razoável, após o cumprimento de todo um rito processual, è que em raras vezes se autorizou a quebra do sigilo de dados, ou bancário, quando comprovadamente existente a prova ou indícios sérios e fortes de delitos penais. 14. Tendo em vista de que o § único do artigo 59 da Carta Politica, elegeu a Lei Complementar n° 95/98, como norma geral de elaboração de leis, e não tendo sido revogado o § 3U do artigo 11 da Lei 9.311/96, não poderão ser utilizados os dados para cobrança de tributos diversos do que a CPMF, como está agora ocorrendo. 15. Transcreve as opiniões exaradas por Juristas, em face do XXV Simpósio, publicadas no Livro Direito Fundamentais do Contribuinte Pesquisas Tributárias, Nova Série 6, Coordenador Ives Gandra da Silva Martins, da Editora Revista dos Tribunais, CoEdição Centro de Extensão Universitária, sendo certo que farta jurisprudência do Pretório Excelso estão encartadas nos inúmeros artigos jurídicos, razão pela qual não as transcreveremos na parte desta exordial que cuida especificamente da farta jurisprudência. 16. É assente que a simples movimentação e titularidade de valores em contas correntes e aplicações financeiras, por si só, não constitui a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômico, nem são proventos de qualquer natureza, sendo, portanto, impossivel imputar como base de cálculo do Imposto de Renda, os valores deduzidos pela fiscalização, de forma singela, ou imaginar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda o simples depósito ou saque de valores em contas bancárias, que não traduz a aquisição de riqueza, renda, ou de recebimento de proventos. 17. Diz que a aplicação da taxa Selic se afigura ilegal e inconstitucional, dado que a taxa dos juros moratórios, como prevista no artigo 161 do CTN, de até 1 % ao mês, e na legislação civil, os juros moratórios são de 6% ao ano, ou 0,5% ao mês, calculados de forma simples, como bem se lê do artigo 1062 da Lei Objetiva; devido à Lei Ordinária n° 9.065/95, foi o débito da Impetrante corrigido a taxas superiores à 1% ao mês, sendo certo que tal norma retirou da correção monetária pela UFIR, o padrão legalmente estabelecido e aceito na jurisprudência consolidada, da correção monetária do crédito fiscal pela UFIR, mais 1% de juros de mora ao mês, para taxas de juros das mais altas praticadas no mercado financeiro, mas em face do principio constitucional da observância da hierarquia das Leis, art. 59 da Magna Carta, não pode o CTN ser sobrepujado pela Lei Ordinária, alterando a taxa de juros lá permitida, de até 1% ao mês, para o juros financeiros hoje existentes, e que, como vemos, faz com que as dividas dos contribuintes se tomem impagáveis, e o art. 192, fixa a taxa de juros anuais em 12%, sendo que no Código Civil, é de 6% ao ano. 18. Diz que a multa de 225%. tem efeito confiscatório. 19. Conclui requerendo: (...) anular IN TOTUM o presente auto de infração, pelos fundamentos acima colocados em elenco, ou seja, do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, expungir à aplicação da Taxa Selic, do encargo do DL 1065/69, bem como na multa com efeito de confisco, bem como pela não imputação da mesma, por falta de Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 7 6 amparo legal, já que o mandado de fiscalização é nulo de pleno direito, em vista de sua caducidade temporal, e por que tal majoração da multa é inconstitucional. Haruo Kawamura. Recurso voluntário, págs. 765/818. 20. Nega que tenha participado de atos de gerência que lhe são imputados. Reproduz o teor do recurso voluntário apresentado pela CimeOuro, que se resumiu supra e requer: (...) anular IN TOTUM o presente auto de infração, pelos fundamentos acima colocados em elenco, ou seja: NÃO INDICAÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO NOS AUTOS TIDOS E LEVADOS EM CONTA NA AUTUAÇÃO; do IRPJ, CSL, COFINS e PIS, expungir à aplicação da Taxa Selic, do encargo do DL 1065/69, bem como na multa com efeito de confisco, bem como pela não imputação da mesma, por falta de amparo legal, já que o mandado de fiscalização é nulo de pleno direito, em vista de sua caducidade temporal, e por que tal majoração da multa é inconstitucional Andreia Ribeiro da Silva. Recurso voluntário, págs. 825/878 21. Adere ao recurso interposto pela empresa devedora e reproduz o recurso voluntário da CIMEOuro e apresenta idêntico requerimento Leandro Ribeiro da Silva. Recurso voluntário, págs. 884/93 22. Adere ao recurso interposto pela empresa devedora, sendo certo que inclui em sua defesa que não participou dos atos de gerência que lhe são imputados, negandoos de forma geral; reproduz o recurso voluntário da CIMEOuro e apresenta idêntico requerimento. Voto Conselheiro Eva Maria Los 1 Matéria não impugnada. Multas isoladas. 23. Não houve impugnação às exigências de Multas Isoladas. 2 Nulidade. MPFF. 24. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 8 7 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 25. No caso, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade. 3 Quebra de sigilo bancário. Autorização judicial. Prova ilícita. 26. Haja vista que esta questão já foi objeto de amplos debates no âmbito do CARF e estando sedimentada a jurisprudência administrativa, utilizo os argumentos expostos no Acórdão 2401004.6287 da Segunda Sessão de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, proferido em 14 de março de 2017, que transcrevo a seguir. 27. A quebra de sigilo bancário é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras e, por fim, põe em risco a verdadeira segurança e integridade física da pessoa. 28. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar n° 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e, inclusive, lastrou o sobrestado dessa lide em 2012, exatamente pela declaração de Repercussão Geral sobre o tema. pelo STF. 29. Efetivamente, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral n° 225, daquela Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi julgada no "leading case" RE u° 601.314, no qual se definiu que: ''Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item "a" do tema em questão, a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do principio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal";..." 30. Em suma, a despeito de polêmicas de cunho acadêmico no que se refere à adequação do art. 6º da Lei Complementar n° 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE n° 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. 31. Dessa forma, não apenas a Súmula CARF n° 2 declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das leis tributárias, como inclusive o STF já consolidou a posição e confirmou que a Lei Complementar n° 105, de 2001 é efetivamente constitucional e, portanto, deve ser aplicada. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 9 8 4 CPMF. Uso dos dados. 32. Também em relação a este questionamento da Recorrente, utilizo os argumentos expostos no mesmo Acórdão 2401004.6287 da Segunda Sessão de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, proferido em 14 de março de 2017, que transcrevo a seguir. 33. Além disso, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiterados e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. 34. Diz a Súmula CARF n° 35: "O artigo 11, §3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente." 35. Ou seja. podese usar as informações da CPMF para constituições de créditos tributários relativos a outros tributos, no caso o IRPF, inclusive retroativamente, por se tratar de norma procedimental (§1° do artigo 144, do CTN). 5 Omissão de Receitas. Depósitos bancários. Origem não esclarecida. Presunção legal. 36. A única resposta que a fiscalização obteve da empresa ou de seus sócios consta às págs. 553/554, na qual, sintetiza: RELATÓRIO REFERENTE A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DO ANO DE 2.003 FATURAMENTO DA VALE DO PARAlBA R$ 2.021.409,59 FATURAMENTO DA AMIGOS DO CIMENTO R$ 1.619.458,73 FATURAMENTO DA CIMEOURO R$ 2.833.452,53 FATURAMENTO DA SOCORRO CIMENTO . R$ 3.893.000,00 TOTAL RS 10.367.320,85 37. O autuante constatou que : 5. Cabe destacar que a empresa fiscalizada optou pelo Lucro Real Anual relativamente ao anocalendário de 2003, exercício de 2004, efetuando a entrega da DIPJ 2004 (fls.04/62 e 547), bem como das respectivas DCTF (fls.542/546) exigidas pela legislação tributaria; (...) 27. Da análise da documentação entregue, conforme descrito nos itens 16 e 23 acima, verificase que: a) A contribuinte não escriturou a conta Banco (relativa ao ITAÚ e ao SAFRA) no Livro Razão, bem como não houve registro de movimentação bancária no Livro Diário, conforme se depreende das fls.407/513; b) O Livro Razão trouxe à tona o faturamento mensal da CIMEOURO em razão da revenda de mercadorias cujos valores estão em sintonia com os montantes mensais declarados em sua DIPJ 2004, mas com a contrapartida da Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 10 9 receita sendo efetuada na conta Caixa; c) A DIPJ 2004 mostra que o contribuinte apurou o lucro em consonância com o LALUR (fls.514/527), concluindose que a DIPJ 2004 declarada pela contribuinte aproximase da escrituração contábil apresentada a esta fiscalização pela CIMEOURO; 28. Entretanto, não há respostas para os depósitos/créditos efetivamente ocorridos em contas bancárias da empresa CIME OURO (fls.341/396), cujo valor em muito ultrapassa a receita bruta anual declarada pela contribuinte (fl08); 29. Não há como considerar, numa hipótese remota, que esses recursos tenham •. ^ contabilizados na conta Caixa da empresa, pois a diferença dos mon^ntt antre o que foi depositado/creditado em conta bancária e o que foi escriturado nessa conta (fls.505/512) é gritante; 30. Instada a se manifestar (fls.536/537) acerca da divergência apurada entre o montante depositado/creditado (aproximadamente 20 milhões de reais, fls 341/396), cuja origem dos recursos foi exigida por meio de diversas intimações, e o valor declarado em DIPJ como receita de revenda de mercadorias (aproximadamente 2,8 milhões de reais, fl.08), a contribuinte limitouse a declarar (fls. 539/540) que a movimentação financeira havia sido ocasionada por depósitos de outras empresas na contacorrente da CIMEOURO, anexando apenas o relatório de uma folha (f1.540) apócrifa, em que colocou a termo o nome e o faturamento das supostas empresas que teriam se utilizado da conta da CIMEOURO, sem apresentar qualquer comprovante, coincidente em data e valor, que atestasse suas alegações; 31. Assim sendo, tornase evidente que a empresa CIMEOURO omitiu de sua escrituração contábil e fiscal recursos vultosos depositados/creditados em suas contas bancárias ao longo de todo o ano de 2003 (fls.341/396), porquanto não há qualquer prova ou mesmo indícios de que esses recursos tenham sido contabilizados e tributados, seja pela CIMEOURO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LIMITADA ou por qualquer outra pessoa, física ou jurídica; 38. Cabe destacar que as receitas que as receitas declaradas em DIPJ foram deduzidas dos valores autuados, citese: 35. Entretanto, para efeito de obtenção da base de cálculo do IRPJ, deduziuse desses depósitos/créditos (fls.341/396) os montantes declarados mensalmente na DIPJ2004 como receita de revenda de mercadorias (fls.08/62), cujo valor total deduzido perfez R$ 2.833.452,53 (fl.08); 39. Via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante. 40. Presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 11 10 relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. 41. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. 42. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. 43. No texto a seguir reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (Grifouse.) 5.1 ÔNUS DA PROVA. 44. Logo, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. 45. Temse que os depósitos recebidos não foram justificados como referentes a receitas declaradas, ou que fossem não tributáveis, isentos ou que pertencessem a terceiros, ou outra justificativa que elidisse a autuação. 46. No caso, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 12 11 estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 47. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de defesa. Na peça impugnatória, examinamse os elementos de prova se apresentados; quanto aos valores não justificados, permanece a presunção legal de omissão de receita e as correspondentes exigências de imposto e contribuições. 48. Portanto, descabe o argumento de ser desprovida de base a Receita Bruta omitida apurada, dado que a exigência de impostos e contribuições, sobre receita presumida legalmente como omitida, é legal. 5.1.1 Súmula nº do 182, do TFR. 2. Apesar de não mencionada especificamente pela Recorrente, a Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, corresponde ao questionamento posto de que a simples existência de créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras não seria prova de que foi auferida receita; porém tal Súmula se refere a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. 6 Juros de mora. Selic. 49. A respeito da aplicabilidade, o entendimento do CARF foi objeto da: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 7 Multa de ofício de 225% 50. No presente caso, foi aplicada a multa de ofício de 75%; a Recorrente se engana ao mencionar o percentual supra. 51. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 13 12 52. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 53. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 54. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 55. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CAREF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 8 Responsabilidade solidária. 56. Relata o Autuante que a CIMEOuro não foi localizada no domicílio tributário constante do seu CNPJ, pág. 69: que compareceu ao local em 26/03/2007 e foi informado por pessoas que ali trabalhavam na empresa Mônica Akimi Bo Midorikawa Construções ME, CNPJ 08.111.446/000103, que ali funcionava desde 2006, cadastro CNPJ págs, pág. 70, que a CimeOuro já não mais ali se encontrava desde aquela data; ato contínuo, lavrou o Termo de Constatação de pág. 68. 57. As numerosas intimações e reintimações remetidas á empresa e aos sócios, págs. 71/88 e 408/415 não foram respondidas, ou retornaram com a anotação "Desconhecido" ou "mudouse", relatados na Dolicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) , págs. 89/91; em 29/11/2007. 58. Às págs. 545/549, histórico da CIMEOuro, obtido pela fiscalização na Junta Comercial do estado de São Paulo SP, onde consta transferência da sede para Sadamu Inoue, 8.049, Perelheiros, São Paulo, CEP 04866180, em 02/03/2007. 59. O Autuante consignou nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, págs. 622/630, que: A contribuinte CIMEOURO encontrase omissa na entrega da DIPJ do exercício de 2007, base 2006, sendo que somente entregou a DIPJ 2006, base 2005, em 15/04/2007, fl.547, ou seja após o início do procedimento deflagrado por esta fiscalização; Fl. 961DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 14 13 Questionada acerca da atual localização física da CIME OURO (fl.536), a sócia responsável ANDRÉIA RIBEIRO DA SILVA não se manifestou; Ao analisar o sistema de controle de arrecadação da RFB (fls.548/564), constatase que não há registro de recolhimento, nos dias atuais, de tributos federais tendo como contribuinte a CIMEOURO, especialmente a partir de outubro de 2005; Ante o exposto, dos fatos acima relatados, concluise pela dissolução irregular da empresa CIMEOURO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LIMITADA, CNPJ 71.978.985/000172, nos termos da legislação tributária, restando, portanto, caracterizada a sujeição passiva solidária (...) 60. Eis que o ato administrativo, para ser válido, não pode prescindir do atributo da publicidade, ensejando, portanto, a sua notificação ao sujeito passivo. Assim, somente se instaura a relação jurídica quando notificado o sujeito passivo de ato produzido por autoridade competente. E este ato, por definição do próprio CTN, é o lançamento (art. 142 do CTN). Portanto, somente se instaura a relação jurídica entre os sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária por meio do lançamento notificado. 61. E a finalidade do lançamento é a satisfação do crédito tributário, por quem de direito, ou seja, pelo sujeito passivo da obrigação tributária. E conforme definição constante do art. 121 do CTN, o sujeito passivo é identificado como contribuinte ou responsável. É contribuinte a pessoa que tenha relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; e responsável aquele que, sem se revestir da condição de contribuinte, tem sua obrigação decorrente de lei. Impõese, identificar, no lançamento, não só o contribuinte, mas também o responsável, inclusive apontando os elementos necessários para caracterizar a responsabilidade solidária, a fim de trazer o responsável para dentro da relação jurídica tributária. 62. Assim, a questão da responsabilidade tributária, propriamente dita, será apreciada considerandose as razões de defesa levantadas pelas pessoas físicas identificadas nos Termos de Sujeição Passiva lavrados pela autoridade administrativa, as quais, no presente caso, têm a particularidade de serem idênticas àquelas trazidas pela empresa autuada. 63. A fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária dos sócios administradores na prática de sonegação, enquadrando a sujeição passiva nos artigos 124, I, e 135, do CTN, e art. 207 do RIR de 1999: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Fl. 962DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 15 14 64. O art. 135, I, se refere ao art. 134 do CTN: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (...) VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. 65. O RIR de 1999, dispõe: Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º ): (...) V os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º ): I as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por cisão; II a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; III os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V. 66. Cabe destacar que o Superior Tribunal de Justiça STJ editou a Súmula 435, que tem a seguinte redação: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". 67. Portanto, dissolvida irregularmente, configurase infração à lei; o sóciogerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei (arts. 1.150 e 1.151, do CC, e arts. 1º, 2º, e 32, da Lei 8.934, de 1994, entre outros); a nãolocalização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção iuris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN. 68. À vista do exposto, cabe e manter a responsabilidade solidária de Andreia Ribeiro da Silva, Haruo Kawamura e Leandro Ribeiro da Silva, com base no art. 135 do CTN. 69. No que se refere à responsabilização solidária pelo art. 124, I do CTN, cabe citar: ‘TRIBUTÁRIO. INVESTIMENTO RELEVANTE EM SOCIEDADE COLIGADA. SOLIDARIEDADE NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESTA. INEXISTÊNCIA. 1. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O Fl. 963DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 16 15 interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, e comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado (Rubens Gomes de Souza, Compêndio de legislação tributária, 3. ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 67). 2. A sociedade que participa do capital de outra ainda que de forma relevante, não é solidariamente obrigada pela dívida tributária referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe a participação comum na realização do lucro. Na configuração da solidariedade é relevante que haja a participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro. 3. Apelação a que se dá provimento, para exclusão do nome da apelante do rol dos devedores solidários.”(TRF4ª R., 2.ª T., AMS nº 94.04.550469/RS, Rel. Juiz Zuudi Sakakihara, DJU 27.10.1999, p. 635). ‘TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. CONTRIBUINTE. ARRENDAMENTO MERCANTIL. EMPRESA ARRENDADORA E BANCO PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INOCORRÊNCIA. Contribuinte do ISS é o prestador do serviço, nos termos do art. 10 da Lei Complementar nº 116/03. O fato de a empresa de arrendamento mercantil e a instituição bancária pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não torna este último solidariamente obrigado pelodébito tributário da primeira, uma vez que não configurado o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Inteligência do art. 124, I, do CTN. Precedentes do TJRGS e STJ. Agravo de instrumento conhecido em parte, e nesta provido liminarmente’. (AI nº 70010310951, TJRS, Rel. Des. Carlos Eduardo Zietlow Duro, Julgado em 19/11/2004) (Grifouse.) 70. À luz da definição supra, evidenciase que Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, sócios gerentes da Autuada em 2003, foram as pessoas responsáveis pelas decisões de não declarar as receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação, devendo ser responsabilizados também com base no art. 124, I do CTN.. 71. Quanto Leandro Ribeiro da Silva, CPF 218.780.4682, não se aplica a responsabilização com base no art. 124, I do CTN. 9 Andreia Ribeiro da Silva, CPF 217.735.86807 72. Sócia administradora desde 14/12/2001, pág. 71. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 17 16 73. Às págs. 100/101, constam as assinaturas de Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na Ficha de abertura de conta corrente no Banco Itaú, em 19/11/2002. 74. Às págs. 305/306, constam como sócios gerentes/diretores Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na ficha Informações para Cadastro de Pessoa Jurídica, assinada por eles em 26/09/2003, referente à conta corrente nº 19.4140 do banco Safra; pág. 312, Ficha Cadastro da sua Pessoa Física; págs. 314/319, Instrumentos de procuração, em nome da CIME Ouro, que assina junto com Haruo Kawamura, em 19/02/2004 e em 31/10/2003. 75. Pág. 326, procuração em nome da CIMEOuro, que assina individualmente, em 31/10/2003. 76. Às págs. 545/549, histórico da CIMEOuro, obtido pela fiscalização na Junta Comercial do estado de São Paulo SP , onde consta terem sido admitidos como sócios Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, em 14/12/2001, ocupando os cargos de sócios gerentes e assinando pela empresa. 77. Os elementos descritos evidenciam sua responsabilidade pelas ações que resultaram na autuação 10 Haruo Kawamura, CPF 004.231.50855 78. Sócio administrador incluído em 14/12/2001, excluído em 16/11/2005, pág. 72. 79. Às págs. 100/101, constam as assinaturas de Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na Ficha de abertura de conta corrente no Banco Itaú, em 19/11/2002; pág. 311, Ficha Cadastro da sua Pessoa Física 80. Às págs. 305/306, constam como sócios gerentes/diretores Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na ficha Informações para Cadastro de Pessoa Jurídica, assinada por eles em 26/09/2003, referente à conta corrente nº 19.4140 do banco Safra; págs. 314/319, Instrumentos de procuração, em nome da CIMEOuro, que assina junto com Andreia Ribeiro da Silva, em 19/02/2004 e em 31/10/2003. 81. Págs. 320/325, procurações em nome da CIMEOuro, que assina individualmente, em 10/03/2005 e 11/04/2005. 82. Às págs. 545/, histórico da CIMEOuro, obtido pela fiscalização na Junta Comercial do estado de São Paulo SP , onde consta terem sido admitidos como sócios Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, em 14/12/2001, ocupando os cargos de sóciosgerentes e assinando pela empresa. 11 Leandro Ribeiro da Silva, CPF 218.780.4682 83. Sócio administrador desde 28/05/2004, pág. 71. 12 Conclusão. Voto por negar provimento aos recursos voluntários da autuada e dos responsáveis solidários. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 966DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000164/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002.
AS MATÉRIAS ABAIXO FICAM PREJUDICADAS EM FACE DA NEGATIVA DO DIREITO AO PRÓPRIO CRÉDITO.
AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO.
O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado.
AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO.
O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO REPRESENTADO POR AGENTE MARÍTIMO SEDIADO NO PAÍS.
Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário a que se nega.
Numero da decisão: 3201-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhamento de representação pela recorrente. .
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. AS MATÉRIAS ABAIXO FICAM PREJUDICADAS EM FACE DA NEGATIVA DO DIREITO AO PRÓPRIO CRÉDITO. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO REPRESENTADO POR AGENTE MARÍTIMO SEDIADO NO PAÍS. Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário a que se nega.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13053.000164/2009-18
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736065
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.847
nome_arquivo_s : Decisao_13053000164200918.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 13053000164200918_5736065.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhamento de representação pela recorrente. . (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6817766
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212858400768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.401 1 1.400 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13053.000164/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.847 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria COFINS Recorrente DOUX FRANGOSULS/A AGROAVICOLA INDUSTRIAL/FRS S/A AGROAVICOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. AS MATÉRIAS ABAIXO FICAM PREJUDICADAS EM FACE DA NEGATIVA DO DIREITO AO PRÓPRIO CRÉDITO. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO REPRESENTADO POR AGENTE MARÍTIMO SEDIADO NO PAÍS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 01 64 /2 00 9- 18 Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.402 2 Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário a que se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhamento de representação pela recorrente. . (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A contribuinte acima identificada apresentou pedido de ressarcimento de R$ 26.397.964,79 a título de Cofins não cumulativa/exportação, conforme PER/DCOMP n. 04589.49101.111209.1.5.093631. Os trabalhos fiscais foram executados e estão discriminados no Auto de Infração acostado ao processo 13005.001269/200951. Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.403 3 O crédito foi parcialmente reconhecido (R$ 16.297.506,64) e, até esse limite, as compensações foram homologadas, conforme Despacho Decisório DRF/SCS n. 029/2010 (f. 29). Os fundamentos para o deferimento parcial do crédito estão insertos nos autos de infração (processo n. 13005.001269/200951). A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu em 22 de fevereiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento acostado à f. 68. Em 24 de março de 2010, foi protocolada a manifestação de inconformidade de f. 100 a 132, firmada por procuradora (cópia de instrumento de mandato à f. 84), na qual, após do relato dos fatos, foi alegado, em apertada síntese: a) tempestividade da impugnação; b) necessidade de apreciação deste processo relativo aos autos de infração com os referentes às DCOMPs; c) na apuração do montante do crédito presumido, o percentual de 60% foi aplicado corretamente, uma vez que a contribuinte é produtora de mercadorias de origem animal classificada no capítulo 2 da NCM e destinada à alimentação humana ou animal, conforme possibilita o art. 8º da Lei n. 10.925/2004; d) que a norma prevista no art. 5º da IN SRF n. 660/2006, que parece ter sido utilizada pelo auditor autuante, é inconstitucional e contrária àquela do art. 8º da Lei n. 10.925/2004 supracitada; e) é nulo o procedimento porque violados os princípios da legalidade e da verdade material; f) o crédito presumido agroindustrial foi utilizado de maneira correta. O que houve foi a demonstração de forma diversa daquela que entendeu como correta o autuante, mas isso por falha da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil que não disponibiliza campos específicos para a demonstração do valor na DACON, sendo efetuadas as demonstrações para a evidenciação do ocorrido; g) está correto o apontamento efetuado pela autoridade fiscal, no que se refere à determinação da base de cálculo, sobre o desconto das devoluções de vendas; h) quando da entrega das mercadorias comercializadas junto ao mercado internacional, é assumido o ônus com relação ao frete na operação de venda, ou seja, é efetivado o pagamento das despesas com os fretes internacionais; i) esses pagamentos são feitos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, conforme documentos anexados; Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.404 4 j) não há restrição de que esses pagamentos sejam feitos a tais pessoas não sendo necessário sejam “armadores” como exigido no lançamento; k) os fretes internacionais não constituem insumos mas sim despesas com vendas, serviço apontado pelo legislador como passível de geração de crédito; l) não há motivo plausível para as glosas dos créditos relativos aos fretes nas operações de venda, tendo sido ofendidos os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; m) é necessária a correção monetária sobre os créditos que deixaram de ser homologados, com a aplicação da taxa Selic, desde a constituição desses créditos até a decisão final favorável. Foi requerida perícia, com a apresentação do assistente técnico e dos quesitos e há protesto por todas as provas em direito admitidas. Ao final, é requerido o julgamento conjunto deste processo com o relativo ao auto de infração (n. 13005.001269/200951) e, bem assim, seja o auto de infração baixado e arquivado com a homologação do quanto declarado nos PER/DCOMPs. Ainda, foi alegado ter havido erro material quanto à parcela homologada, tendo a contribuinte considerado como valor correto e incontroverso R$ 16.297.506,64 e não R$ 16.290.744,01 como constou no Relatório de Ação Fiscal. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CGE no 0424.381, de 06/05/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 JULGAMENTO CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO, PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Impugnação a auto de infração sem crédito e lavrado em face de apuração de crédito utilizado em PER/DCOMPs deve ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade aos despachos decisórios. MATÉRIA DE FATO NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.405 5 Os preceitos constitucionais são endereçados ao legislador e a análise de normas segundo esses princípios é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. NULIDADE. O lançamento calcado na legislação aplicável não é nulo e se a contribuinte demonstrou ter pleno conhecimento da infração que lhe é imputada não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas devem ser apresentadas junto com a impugnação e a perícia só é determinada no caso de questões que demandem essa providência. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL. A classificação contida no § 3º do art. 8º da Lei n. 10.925/2004 referese aos produtos adquiridos como insumos. CRÉDITO PRESUMIDO. DEMONSTRAÇÃO. O crédito presumido agroindustrial não é ressarcível, não podendo, para fins de demonstração, ser somado aos créditos passíveis de. CRÉDITOS. FRETES SOBRE VENDAS. Os fretes sobre vendas só geram créditos se os pagamentos forem efetuados a pessoa jurídica domiciliada no país e para dedução das contribuições a pagar. CRÉDITOS. VALORAÇÃO. A valoração dos créditos é efetuada na forma disposta na legislação, não incidindo juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos de Cofins, inclusive durante o prazo de discussão administrativa. ERRO MATERIAL. Considerase como correto o valor constante no auto de infração e não aquele do relatório de ação fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas, indeferir o pedido de produção de provas e, no mérito, de não reconhecer o valor do crédito pleiteado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressaltando, dentre outras razões, que: i) julgamento em conjunto deste processo com o relativo ao auto de infração (13005.001269/200951); Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.406 6 ii) foi alegado ter havido erro material quanto à parcela homologada, tendo a contribuinte considerado como valor correto e incontroverso R$ 16.297.506,64 e não R$ 16.290.744,01 como constou no Relatório de Ação Fiscal. iii) seja reconhecido o cerceamento de defesa por ausência de fundamentação e motivação pelo despacho decisório proferido à primeira instância administrativa, com o reconhecimento de sua nulidade e, por consequência o afastamento das glosas sobre a integralidade do crédito presumido; iv)se por hipótese, não forem acolhidas a alegações de cerceamento de defesa e nulidade da decisão de primeira instância, requer seja integralmente reformado o Acórdão 04 24.381, com o reconhecimento da totalidade do crédito presumido da Recorrente e o deferimento integral do pedido de ressarcimento formulado no presente feito, acrescido de correção monetária pela taxa SELIC; e v) seja acolhido o pedido de perícia. O processo digitalizado foi a mim redistribuído, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa pedido de ressarcimento de R$ 26.397.964,79 a título de Cofins não cumulativa/vinculado à receita de exportação, conforme PER/DCOMP n° 04589.49101.111209.1.5.093631, relativo ao 2o trimestre de 2009. O Despacho Decisório DRF/SCS n° 029, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul, reconheceu e homologou parcialmente o direito ao crédito no limite de R$ 16.297.506,64 Os trabalhos fiscais foram desenvolvidos e estão discriminados no Auto de Infração no processo 13005.001269/200951. PRELIMINAR Inicialmente, insiste a Recorrente que o aludido Auto de Infração não produz nenhum efeito e, portanto, é nulo, na medida em que de um lado a autoridade fiscal, por meio de despacho decisório, indica os valores de crédito expressamente homologados em favor da Recorrente em sede de pedido de ressarcimento e depois aponta os mesmos valores a título de infração à legislação tributária e sem exigência de crédito. Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.407 7 Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por tudo que foi exposto, sendo improcedentes os argumentos da Recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, não deve ser acolhida a preliminar com esse fundamento. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA A Recorrente requer a este órgão julgador a realização de prova pericial, tendo formulado quesitos e nomeado perito. Concluise, portanto, que os elementos probatórios contidos no processo são suficientes para formar a livre convicção do julgador acerca da lide em tela, sendo desnecessária a produção de novas provas ou informações adicionais para a solução do litígio. Desta forma, indeferese o pedido perícia formulado na peça recursal. DA PREJUDICIAL DE CONEXÃO A Recorrente pleiteia que o presente processo seja analisado em conjunto com o Auto de Infração nº 13005.001269/200951, bem como aos demais pedidos de ressarcimento, processos números 13053.000163/200965, 13053.000287/200941, 13053.000286/200904 (este, também em pauta, que será julgado em seguida, referente ao 3° trimestre de 2009). O que tenho a noticiar é que o processo referente ao Auto de Infração (13005.001269/200951) já foi julgado nas duas câmaras do CARF, com os seguintes resultados, que inclusive, comentarei, posteriormente. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.408 8 Logo, o Acórdão 3402002.333 (P.13005.001269/200951), da 4ª Câmara/2 Turma Ordinária, em 26/02/2014, de relatoria de Gilson Macedo Rosemburg Filho, dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2009 Ementa: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.0 1 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos e para determinar a aplicação da alíquota de 60% aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Vencidos o conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça, o conselheiro João Carlos Cassuli Junior e o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto a aplicação da taxa Selic no ressarcimento. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior votou pelas conclusão na matéria referente ao frete e apresentará declaração de voto sobre a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento. Como se observa, foi admitido o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos e determinar a aplicação da alíquota de 60% aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Já o Acórdão CSRF/9303003812, (P.13005.001269/200951), decorrentes dos recursos da PGFN e Contribuinte, sessão de 26/04/2016, de relatoria de Tatiana Midori Migiyama, e voto vencedor somente em relação ao recurso especial da Fazenda Nacional, no que tange ao ressarcimento, conforme ementa reproduzida abaixo: Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.409 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a possibilidade de ressarcimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento total. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões em relação à aplicação do percentual de 60% do crédito presumido; e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral a Dra. Priscilla G. Cunha, OAB/RJ nº 129.297, advogada do sujeito passivo. Concluindo, pois, dessa forma: Assim, o crédito presumido da COFINS, apurado na forma do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, por absoluta falta de previsão legal. Pelo exposto no voto acima dou provimento ao recurso especial da Fazenda nacional, em relação à matéria ora analisada, para afastar a possibilidade de ressarcimento. A decisão em relação à correção monetária ficou prejudicada face a negativa de direito ao próprio crédito. Prosseguindo à análise, após trazer os resultados dos julgados referentes ao processo do Auto de Infração, então, quanto à alegação de divergência de valores, entre o relatório fiscal e do Auto de Infração, de parcela homologada, é exatamente referente a este período, 2º trimestre de 2009, registro e adoto as razões da decisão de piso: Cofins. Erro material. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.410 10 Ainda, relativamente à Cofins, foi alegado ter havido erro material quanto à parcela homologada, tendo a contribuinte considerado como valor correto e incontroverso R$ 16.297.506,64 e não R$ 16.290.744,01 como constou no Relatório de Ação Fiscal (f. 16). No citado relatório (f. 16), consta que o valor encontrado relativamente à Cofins do segundo trimestre de 2009 é de R$ 16.290.744,01. No auto de infração (f. 05), os valores encontrados da Cofins, mês a mês, para o segundo trimestre foram: a) abril: R$ 8.674.813,67; b) maio: R$ 3.893.571,52 e c) junho: R$ 3.729.121,46. Somandose esses valores chegase ao total de R$ 16.297.506,65. Na f. 29 temos a planilha com a finalização dos cálculos, tendo sido obtido o valor de R$ 16.297.506,64. Em face disso, esse é o valor correto a ser considerado. Portanto, o valor correto é R$ 16.297.506,64, conforme as razões postas acima. Em relação ao mérito, passemos aos itens a serem analisados: RESSARCIMENTO A Recorrente solicita reforma integral do Acórdão recorrido, que afasta o ressarcimento do crédito presumido, o qual poderá ser, inclusive restituído em dinheiro, eis que ausente norma restritiva nesse sentido, menos ainda aquela prevista no artigo 8° da Lei 10.925/2004. Alega que inexiste qualquer vedação na Lei nº. 10.925/04 com relação à possibilidade de utilização do crédito presumido formado por receitas de exportação para compensação com débitos de outros tributos federais, sendo incabível a inovação trazida pela IN/SRF nº 660/06. O crédito glosado corresponde ao crédito presumido da agroindústria, previsto nos artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.411 11 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 17III Produz efeitos: A partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8° e 9° desta Lei; O texto da lei é claro e não deixa margem a dúvidas: a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido, apurado na forma ali prevista, concedido às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, as quais se classificam nos códigos ali citados, poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida em cada período de apuração. Observase, portanto, que não se trata de limitação imposta por meio da IN/SRF nº 660/06, mas de restrição trazida pela própria Lei nº10.925/2004, não havendo, portanto, qualquer permissão legal para a utilização dos créditos presumidos concedidos por aquela lei em compensação de tributos, conforme pretende a recorrente, mas apenas para a sua dedução da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP devidas em cada período de apuração. Alega, ainda, a recorrente, que sua pretensão encontraria fundamento no inciso II do §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, o qual estabelece que o crédito apurado na forma do artigo 3° daquela lei poderá ser utilizado tanto na dedução do valor da mesma contribuição quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Contudo, os §10 e 11 do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, que tratavam da forma de utilização do crédito presumido solicitado pela recorrente, foram expressamente revogados pela alínea “a” do inciso I do art. 16 da Lei nº. 10.925/2004, que passou a disciplinar a forma de utilização desse créditos, por meio do art. 8º, já transcrito linhas acima. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.412 12 Lei nº 10.637/2002: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ....................................................................................................... § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925/2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) IIo valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) Lei nº. 10.925/2004 Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e Por todo o exposto, o crédito presumido da COFINS, apurado na forma do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, por absoluta falta de previsão legal. Foi o que foi decidido no processo do auto de infração como comentado acima, através do acórdão 9303003.812, nos termos abaixo: Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.413 13 Assim, o crédito presumido da COFINS, apurado na forma do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, por absoluta falta de previsão legal. Pelo exposto no voto acima dou provimento ao recurso especial da Fazenda nacional, em relação a matéria ora analisada, para afastar a possibilidade de ressarcimento. Exemplifico, nesse sentido, conforme se depreende o acórdão cuja ementa está abaixo transcrita: Processo nº 13852.000528/200512 Acórdão nº 310100.749– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de maio de 2011 Matéria PIS (ressarcimento) Recorrente AÇÚCAR E ÁLCOOL OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA LTDA. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 Ementa: PIS/COFINS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. MOMENTO DA APURAÇÃO E DEDUÇÃO. O direito de utilização do crédito presumido de PIS e COFINS, concedido na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, exsurge após a regular compensação entre créditos (apurados a partir das despesas) e débitos (apurados a partir das receitas), de modo que, remanescendo saldo a pagar o contribuinte qualificado na norma poderá deduzir o valor a pagar com os créditos presumidos apurados, exclusivamente, naquele período de apuração. O regime jurídico do crédito presumido veda a possibilidade de acumular saldo credor desse tipo de crédito, donde se conclui que tais créditos não são passíveis de ressarcimento. Recurso Voluntário Improvido. E, por fim, afastase, ainda, a alegação da recorrida, que entende que não pode ter o exercício do seu direito de gozar do crédito presumido violado por falha da própria Receita Federal, que não disponibiliza campos específicos para a demonstração do valor no DACON. Neste mesmo sentido, coleciono ementa do acórdão nº 3402001.602, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção deste Carf, de relatoria do conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, que se refere a pleito repetitório do mesmo contribuinte, referente à Contribuição para o PIS/Pasep apurada no 4ª Trimestre de 2004: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ementa: PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.414 14 O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido conselheiro João Carlos Cassuli Junior que reconhecia o direito ao ressarcimento e a compensação com outros tributos. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior apresentará declaração de voto. Da mesma forma, o processo de n°10680.010360/200584, de relatoria de Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado. Bem como, o processo de n° 10680.012087/200522, de relatoria de PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA (voto vencido) e com voto vencedor da lavra de WINDERLEY MORAIS PEREIRA, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.415 15 compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado Passando aos outros itens de mérito, no entanto, como a lide se restringe a um pedido de ressarcimento efetuado pela recorrente, e não há previsão legal para tal, conforme exposição acima do voto, restam prejudicados os demais argumentos, mas mesmo assim, tecerei alguns comentários. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL ( %) NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO A questão deste item é a interpretação do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos”. Então, a partir da leitura do citado dispositivo legal, não resta dúvida de que percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/COFINS a que as agroindústrias têm direito, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.416 16 Por bem tratar da matéria, transcrevese trecho do voto condutor do acórdão nº 330200.788: “(...) notase que o dispositivo é claro ao mencionar que o percentual é aplicado sobre o valor das mencionadas aquisições’. Portanto, ao referirse aos “produtos de origem animal classificados nos Capítulos [...]”, o inciso I claramente trata das aquisições e não dos produtos fabricados, que é do que trata o caput. Assim, o entendimento do que seja ‘produto fabricado’ ou ‘insumo’ deve ser feito pela análise do dispositivo e não a partir de uma tentativa de sistematização de nomenclatura genérica como pretendeu a Interessada. Em outras palavras, nem sempre quando a legislação menciona ‘produto’ está referindose ao produto fabricado, como no caso em questão. Não se pode olvidar tratarse de um crédito presumido exatamente sobre os insumos adquiridos, a fim de dar efetividade à não cumulatividade de PIS/Cofins. Portanto, a intenção é descontar do valor devido na saída um valor presumido apurado na entrada, o que somente poderia ser feito sobre os valores dos ‘insumos’, não havendo razão para se estabelecer percentuais e alíquotas a partir dos produtos fabricados. Tanto é assim que a mensagem de veto no 443, de 23 de julho de 2004, disse o seguinte sobre o inciso VIII do art. 1º (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ _ato20042006/2004/Msg/Vep/VEP44304.htm): Razões do veto "O inciso I do § 3º do art. 8º do projeto de lei de conversão concede crédito presumido, destinado a compensar, na sistemática da não cumulatividade a incidência das referidas contribuições sobre os insumos, incluídos os produtos relacionados no inciso VIII do art. 1º, equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor dos produtos de origem animal, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, classificados nos Capítulos 2 a 4, a serem utilizados como matériaprima para a produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, e a 35% (trinta e cinco por cento) do valor dos produtos de origem vegetal (sic) com idêntica destinação. Registrese que a sistemática do crédito presumido visa compensar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sobre os insumos agropecuários utilizados por pessoas físicas produtoras e fornecedoras, à indústria de alimentos, de produtos de origem animal ou vegetal. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.417 17 Assim, na forma acordada entre o Governo Federal, parlamentares e representantes dos mais diversos segmentos do agronegócio brasileiro, na produção de alimentos de origem vegetal, seus insumos mais importantes teriam alíquota zero, enquanto no de origem animal o mesmo não ocorreria, em razão da diferença entre os percentuais de crédito presumido. É mais cristalino que a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins para as rações, mantendose os percentuais de crédito presumido inalterados e diferenciados provoca grave desequilíbrio no setor, tornandose tecnicamente inconsistente e politicamente inadequada. Ademais, a redução a zero das referidas alíquotas e a manutenção do crédito presumido no elevado e injustificado patamar de 60% (sessenta por cento) pode vir a configurar concessão de subsídio, prejudicando a política de exportação do País, além de gerar perda de arrecadação da ordem de R$ 900 milhões anuais." De fato, os percentuais foram fixados em função dos insumos porque cada um deles tem certo número de etapas de produção, o que independe do produto ao qual são aplicados. Não há, assim, razão lógica ou jurídica para se estabelecerem os percentuais a partir dos produtos em que são empregados os insumos”. Nesse contexto e uma vez evidenciado que o percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/COFINS, prevista no art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004, é determinado em função dos insumos adquiridos (e não dos produtos fabricados), deve ser reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja restabelecida a decisão de primeira instância. Dessa forma, é como entendo e voto, ou seja, para usufruir do percentual acima referese aos produtos adquiridos como insumos; no entanto, registrese que tanto a CSRF e turma ordinária já se pronunciaram a despeito desta matéria no processo do Auto de Infração, chegando a conclusão pela aplicação da alíquota de 60% na apuração da base de cálculo, como já comentado. É como se observa no voto de relatoria de Gilson Rosemburg Filho no referido processo do Auto de Infração: De acordo com as modificações aduzidas pela Lei nº 12.865/2003, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é de 60%. Portanto, o pleito do recorrente tem amparo legal,de sorte que aplico o percentual citado e reformo da decisão a quo quanto a esta matéria. Como comentado acima, expus toda a situação decorrente, mas a conclusão a que se chega, mais uma vez, é que é irrelevente neste processo, pois não há possibilidade ao direito ao ressarcimento, por falta de previsão. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.418 18 DOS CRÉDITO RELATIVO A DESPESA DE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA ÔNUS SUPORTADO PELA RECORRENTE PAGAMENTO REALIZADO A EMPRESA DOMICILIADA NO PAÍS RESPONSÁVEL PELO TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS Quanto a este tópico, os fretes glosados correspondem a serviços pagos a pessoa jurídica domiciliada no exterior, explica a recorrente que em suas atividades operacionais, em especial quando da entrega de suas mercadorias comercializadas junto ao mercado internacional, assume o pagamento das despesas com fretes internacionais. Defende que o crédito pretendido de frete é relativo ao frete na operação de venda e não diz respeito a insumo e sim a despesa, tendo como base legal o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03. Utilizarei a maneira de decidir os fundamentos do voto nesta parte do acordão de n° 3201001.977, de 25/01/2016, de relatoria de Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, julgado nesta Turma, que não prevê o direito ao crédito, nos termos abaixo: Em relação à glosa de créditos com despesas relacionadas ao serviço de frete internacional, não está em discussão o fato de tais gastos correspondem a despesas com frete na operação de venda, passíveis, a princípio, de gerar créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins. A fiscalização entendeu que tais despesas não geram direito a crédito devido a terem como contratado pessoa jurídica não domiciliada no território nacional. A recorrente sustenta ter contratado o serviço junto a pessoas jurídicas domiciliadas no País, condição que é imposta pela Lei nº 10.833/03 para a apropriação do crédito. A fiscalização, por seu turno, sustenta que a pessoa jurídica a quem se refere a recorrente não é o transportador, mas sim seu agente marítimo. Delimitada a lide, esclarecese que o agente marítimo tem por função exercer a representatividade do armador em uma determinada localidade. Sinteticamente, sua função, na condição de auxiliar da navegação, é o de colaborar com a empresa armadora nas tarefas da armação e do transporte marítimo, dentre as quais se destaca a angariação de carga para os espaços disponíveis do navio (slot charters) e o controle das operações portuárias de carga e descarga. A definição legal do agente marítimo, por sua vez, encontrase estampada no art. 1º, III, da Portaria 48/95 da Secretaria de Vigilância Sanitária, vinculada ao Ministério da Saúde, a qual define o como “pessoa qualificada para representar um transportador e por ele ou em seu nome, autorizar todas as formalidades relacionadas com a entrada e despacho de embarcação, tripulação, passageiro, carga e provisão de bordo”. O agente marítimo, portanto, é a pessoa jurídica que o armador nomeia como seu mandatário, encarregando o de representálo comercialmente, perante os contratantes de seus serviços, e Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.419 19 também perante as autoridades administrativas dos portos de partida e destino. Em relação a sua natureza jurídica, opera o agente marítimo sob a figura do artigo 658 do Código Civil de 2002, como mandatário profissional do armador, que é verdadeiro encarregado do serviço de transporte. O STJ se pronunciou nesse sentido, conforme voto proferido pela Ministra Eliana Calmon, do qual se extraiu o excerto abaixo transcrito: O agente marítimo, relata Danielle Machado Soares (SOARES, Danielle Machado. O agente marítimo e sua responsabilidade jurídica. In: Revista de Direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, n.º 63, abril/junho 2005, p. 52), surgiu como mero auxiliar dos capitães dos navios nos portos estrangeiros. Nessa função, apenas facilitava o trâmite e os despachos diante das autoridades locais e dos comerciantes. Com a evolução do comércio marítimo e o aumento da rotatividade das embarcações, passou a praticamente substituir os capitães no tocante às questões técnicas provenientes do negócio marítimo, tornandose seu representante para atuar em seu nome, por sua conta e nos seus interesses. Hoje, a expressão agente marítimo ou ship broker denomina: ... pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador, nos portos de carga ou descarga, de ajudar o capitão em qualquer operação e de cuidar dos interesses do navio e da carga, não só perante as autoridades, mas também nas relações privadas (SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil, n.º 34, abril/junho 1979, p. 54). O agente marítimo comprometese a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Vale se, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art. 658 do CC de 2002. (recurso especial no. 731.226, j. 20.09.2007) (grifo nosso) Em sendo esta a natureza contratual existente entre armador e agente marítimo, os valores pagos foram pela recorrente ao agente marítimo pelo frete internacional de cargas na condição de mandatárias das empresas transportadoras. Estes, os armadores, que efetivamente perceberam tais valores. Como consequência, em sendo o agente marítimo um mero representante da pessoa jurídica que efetivamente presta o serviço de transporte, atuando por meio de verba de representação paga pela empresa transportadora, devese verificar, para fins de atendimento da vedação prevista pelo Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.420 20 artigo 3º, §3º, inciso I, da Lei no. 10.833/03, o domicilio da empresa que presta o serviço de transporte, e não de sua mandatária. Assim sendo, tendo em vista que os contratos de transporte foram firmados com pessoas jurídicas não domiciliadas no Brasil, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Portanto é fato incontroverso que o frete é prestado por pessoa jurídica domiciliada no exterior, não gerando direito ao crédito. Da mesma forma, não resta possibilidade ao direito ao ressarcimento, por falta de previsão legal ao pedido, conforme já comentado. DA VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS PELA TAXA SELIC A interessada requer que seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito No que tange à aplicação da Taxa Selic sobre o crédito pretendido pela interessada, deve ser expressado que o crédito de COFINS e de PIS/PASEP no regime da não cumulatividade não pode sofrer incidência de atualização monetária desde a data da constituição do mesmo, tendo em vista a existência de dispositivo legal expresso vedando tal pretensão, a teor do que dispõem os arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, que trataram especificamente do assunto: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13. Logo, reputase descabida a pretensão da contribuinte, diante da vedação expressa de atualização monetária do crédito. E no mais, não há como aplicar no presente a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Por força no art. 62 §2° do Anexo II do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais1, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no entanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.421 21 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910823/2009-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/02/2004
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.846
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.910823/2009-53
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5723983
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.846
nome_arquivo_s : Decisao_11065910823200953.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11065910823200953_5723983.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6762052
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212905586688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.910823/200953 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.846 – 3ª Turma Sessão de 23 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 23 /2 00 9- 53 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.140, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000031/2009-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA
Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA
Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração.
Numero da decisão: 9303-005.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12897.000031/2009-49
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5737953
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.202
nome_arquivo_s : Decisao_12897000031200949.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 12897000031200949_5737953.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6832939
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212913975296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.203 2.202 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12897.000031/200949 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.202 – 3ª Turma Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria PIS/PASEP E COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TERMOCABO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantémse o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantémse o lançamento quando, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 31 /2 00 9- 49 Fl. 2203DF CARF MF 2 intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402002.494, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.204 provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 Ementa: CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, que: · A ANEEL, enquanto mera agência reguladora de energia elétrica, não tem atribuição para emitir normas acerca da interpretação de legislação tributária; · Os órgãos que efetivamente detêm essa competência, ou seja, a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se pronunciaram sobre o assunto, adotando entendimento exatamente contrário ao exposto pela ANEEL; · Existindo manifestações em sentido contrário (ANEEL x PGFN/SRF), evidentemente que devem prevalecer as conclusões dos órgãos que possuem a atribuição e o conhecimento técnico para dispor sobre a matéria, no caso, os atos da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional O apelo da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho às fls. 2062 a 2063 apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões às fls. 2079 a 2109, requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. Traz ainda, que Fl. 2205DF CARF MF 4 caso todos os seus argumentos forem desconsiderados, haverseia de reconhecer que é inaplicável a imposição de multa e juros e, observância ao parágrafo único do art. 100 do CTN (a observância dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a aplicação de penalidade). É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de admissibilidade. Passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se o reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado. Trago, preliminarmente, para aclarar, o art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.205 Pela leitura desse dispositivo, temse que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Não obstante, não tenha tido à época previsão legal até o advento da Lei 11.196/05 dispondo que o reajuste nos contratos firmados implica a alteração do regime tributário, havia sido publicada a Instrução Normativa da Receita Federal determinando a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, conforme se lê nos arts. 1º e 2º da IN SRF 468/2004, in verbis (Grifos meus): “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Assevera a autoridade fazendária, assim, através do art. 2º, § 2º, da IN SRF 468/04, ao conceituar o termo "preço determinado", que a existência de cláusula de reajuste descaracteriza o contrato como sendo predeterminado, alterando, consequentemente, a situação da pessoa jurídica da sistemática cumulativa para a não cumulativa das contribuições. Logo, é de se mencionar que a referida Instrução Normativa havia extrapolado seu poder regulamentar, haja vista que tratou o reajuste de preço necessário à sua equalização ao poder da moeda como revisão do preço contratado, conferindo o aumento das alíquotas do PIS de 0,65% para 1,65% e da COFINS Fl. 2207DF CARF MF 6 de 3% para 7,6% com a alteração da aplicação da sistemática cumulativa para a sistemática não cumulativa. No entanto, vêse que, em respeito ao Princípio da Legalidade, somente poderia ocorrer aumento de alíquota tributária por meio de lei, em respeito ao art. 97 do CTN, sendo incabível a observância de ato infra legal para este intuito. A IN SRF 468/04, que limitou a acepção do termo "preço predeterminado" restringiu o alcance da norma legal o art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/03, incorrendo em evidente ilegalidade. Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei 11.196/05 – que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” O que, em respeito à norma legal, que naquele momento dispôs sobre o reajuste de preço para o caso em questão e de forma retroativa – vez que explicitou que o art. 109 da Lei 11.196/05 deve ser aplicado desde 1º de novembro de 2003, passo, forçosamente, a apreciar também a IN SRF 468/04 e a IN SRF 658/06 – não entrando no mérito da discussão acerca da produção dos efeitos retroativos estabelecidos no parágrafo único do art. 109 da Lei. Sendo assim, em melhor análise da IN SRF 468/04, ainda que tenha sido editada à época sem previsão legal de “reajuste de preços”, entendo que o que se está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.206 que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão de preço. Eis que o reajuste contratual tem a finalidade de se “corrigir monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio econômico financeiro do contrato – equalizando o preço já estipulado com o poder da moeda. Ou seja, o reajuste não tem o condão de alterar o preço já contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias, adequálo à realidade econômica. Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos concorrenciais, tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica para se firmar um novo preço junto ao contratado. O que, de fato, alteraria o preço do serviço. É de se trazer também que o reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que poderá ocorrer pelas circunstâncias extraordinárias que influenciam as partes e o mercado (p.e., oferta e demanda). Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. O que passo, a desconsiderar aquela Instrução Normativa IN SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos – reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições Fl. 2209DF CARF MF 8 Quanto à IN SRF 658/06, publicada posteriormente à Lei 11.196/05 e que revogou a IN 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis (Grifos meus): “Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições.” É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.207 Vêse que houve citação expressa nos dispositivos da IN SRF 658/06, Lei 11.196/05 e art. 27 da Lei 9.069/95, in verbis (Grifos meus): “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 10 de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumido, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (...)” O que, por conseguinte, poderseia entender que somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. No entanto, data vênia, não compartilho desse singelo entendimento, o que passo a discorrer as minhas argumentações para tal sentimento. A correção monetária de per si por sua natureza mantém o preço predefinido equalizandoo somente com o poder da moeda – o que, a meu sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à manutenção de vários negócios jurídicos. Sendo assim, a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Fl. 2211DF CARF MF 10 Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos firmados pela Administração Pública, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação (Grifos meus): "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Com efeito, notase que o reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, ou seja, mero reajuste mesmo e não o estabelecimento de um novo contrato – por decorrência de um novo preço – ou seja, reajuste de preço. Tanto é assim, que não tem o condão de provocar alteração contratual, conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus): "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.208 § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da desvalorização da moeda, não poderia descaracterizar o contrato com preço pré determinado. Continuando, é de se recordar ainda que os dispositivos da Lei 11.196/05 e da própria IN SRF 658/05, transcritos anteriormente, traz que não se descaracteriza o contrato como predeterminado quando o reajuste de preços considerar percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do art. 27 da Lei 9.069/95 (que citou o índice IPCr.) Quanto ao índice de atualização, a Lei 11.196/05 e a IN SRF 658/05 até o momento faz menção ao art. 27 da Lei 9.065/95 que, por sua vez, traz que somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados quando reajustados pelo IPCr. Mas o índice foi extinto. O que resta a pergunta: como aplicar um índice já extinto? É de se trazer que o IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM – índice utilizado pelo sujeito passivo. E, não obstante ter Fl. 2213DF CARF MF 12 sido também substituído pelo IGPM, importante trazer o que diz o art. 8º da Lei 10.192/01 (Grifos): “Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” Nos termos do art. 8º, § 1º, da Lei 10.192/01 descrito acima, pode se considerar, para fins de reajuste, o índice previsto contratualmente para esse fim – já que havia sido extinto o IPCr. Há que se observar também os dizeres do art. 2º da Lei 10.192/01: “Lei nº 10.192/01 Art. 2º É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Destarte, tendo em vista que o IGPM é um Índice Geral de Preços do Mercado e uma das versões do Índice Geral de Preços – IGP, medido pela Fundação Getúlio Vargas e tem como finalidade registrar a inflação de preços, forçoso se afirmar que a utilização desse índice seria aplicável para se alterar o preço contratado/negociado, e não para se atualizar o preço estipulado em contrato. Seria tão danoso tal entendimento de que não se poderia utilizar o IGPM como índice para a atualização do preço no contrato ora firmado que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.209 Cabe elucidar que a Aneel foi instituída pela Lei 9.427/96, tendo por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica. Dessa feita, compete a Aneel zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando as práticas de mercado, além de gerir os contratos de concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se atualizar tais contratos. O que efetivamente faz e fez no presente caso ao expor a possibilidade de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço. Frisese esse entendimento a decisão emanada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184 – o que peço licença para transcrever a ementa: “Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. Fl. 2215DF CARF MF 14 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.210 prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Nessa seara, proveitoso trazer também ementa do julgado pelo STJ quando apreciou o REsp 1089998/RJ RECURSO ESPECIAL 2008/02056082 (Grifos meus): “Ementa TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste Fl. 2217DF CARF MF 16 somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "Prosseguindose no julgamento, após o votovista do Sr. Ministro Castro Meira, acompanhando o Sr. Ministro Humberto Martins, a Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Cesar Asfor Rocha e Castro Meira (votovista) votaram com o Sr. Ministro Relator.” Ademais, cabe trazer ainda que, nos termos do voto do relator do acórdão recorrido – o ilustre ex conselheiro Gilson Macedo trouxe: “[...] A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.211 reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”. Em resposta à consulta foi apresentado o Ofício 1431/2006SFF/ ANELL, com a seguinte conclusão: [...] Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. [...] De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Nos termos da consulta formalizada pela APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na Fl. 2219DF CARF MF 18 regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. A ANEEL é a Agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos. Deste modo, uma resposta oficial sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, sob pena de arranhar a segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Feitas estas considerações, faltava nos autos a comprovação de que o contrato PIE 029.020, celebrado entre a recorrente e a CBEE, cumpriu os requisitos formais e foi aprovado pela ANEEL. Após a diligência proposta por esse Colegiado, os autos retornaram com a informação de que o referido contrato foi apresentado à ANEEL, por intermédio da Carta CBEE 064/02, de 19 de fevereiro de 2002. Ressalto que o Ofício nº 104/2013SEM/ANEEL afirmou categoricamente que o contrato PIE 029.020 cumpriu com todas as exigências previstas na Resolução nº 580, de 18 de dezembro de 2001, que autorizou a CBEE a comercializar energia elétrica no âmbito do mercado atacadista de energia elétrica. Portanto, resta evidente que o contrato PIE 029.020 foi aprovado pela ANEEL e possuía cláusula de reajuste em seu bojo, de sorte que os reajustes praticados foram dentro dos limites previstos na legislação, de forma a não descaracterizar o preço como predeterminado. Assim sendo, não vejo motivos para apurar o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Forte nestes argumentos, dou provimento parcial ao recurso para determinar que as apurações do PIS e da Cofins, referentes aos períodos de apuração 01/01/2004 a 31/12/2005 e 01/03/2006 a 31/03/2006, sejam feitas no regime cumulativo.” Ademais, tenho que para desconsiderar esse ofício, a autoridade fazendária deveria, de acordo com o art. 79, § 1º, do Decretolei 5.844/43, produzir Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.212 contraprova demonstrando que os índices dos contratos eram superiores a esses, atestando eventual falsidade ou inexatidão desse Ofício. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Frisese tal entendimento a Solução de Consulta da 8ª Região 390 de 2006 Os reajustes de preço de venda de energia elétrica determinados ou autorizados pela ANEEL, conforme procedimento previsto em cláusula de contrato de venda de energia, os quais expressem exclusivamente a variação de custos do gerador/vendedor, reconhecida por aquela agência, são aceitáveis para efeito do que dispõe o art. 109 da Lei 11.196/05, não descaracterizando o fornecimento a preço predeterminado. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos – Redator Designado Divergiu o colegiado do bem fundamentado voto da relatora na linha do quanto vem sendo aqui decidido e que, creio, está bem sintetizado no voto que transcrevo: A matéria, única, submetida ao colegiado já se encontra aqui perfeitamente esgotada. Com efeito, a Turma firmou o Fl. 2221DF CARF MF 20 entendimento de que a utilização do IGPM, por si só, não implica a inclusão no regime nãocumulativo, como quer a fiscalização, nem mantém o contribuinte no regime cumulativo, como postula ele. Para esclarecer, segue voto de minha lavra, em processo relativo a pedido de compensação. Aqui, como relatado, tratase de auto de infração. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente exmembro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.213 É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 2223DF CARF MF 22 acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantémse o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGP-M desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.214 Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Espero ter deixado aí bem registrado que o ônus da necessária prova distribuise conforme previsto na norma processual: quando se trate de postulação de direito creditório proveniente de recolhimento a maior, ao sujeito passivo; quando objeto de exigência fiscal, ao Fisco. Examinando a bem elaborada peça de acusação Relatório Fiscal efls 3643, não encontro questionamento quanto a tais contratos. Ao que parece, a autoridade fiscal sequer se apercebeu da existência de contratos a preço predeterminado, matéria que só aparece com a impugnação apresentada. Nela, a empresa se limita a afirmar que a adoção de tal índice em nada obsta a manutenção das receitas no regime cumulativo, de sorte que não faz aí nenhuma prova de que a variação nele prevista não excede a dos seus custos efetivos. E como para a DRJ a adoção do IGPM já é causa para mudança do regime, nenhum esclarecimento adicional foi requerido do sujeito passivo, mesmo após a sua impugnação. Em seu recurso voluntário, por sua vez, o sujeito passivo afirma que na prática o reajuste se deu por índice até mesmo inferior ao IGP_M, "basta ver a variação das mensalidades". Considerando, pois, caber à fiscalização a prova de que o reajuste promovido excedeu aquele autorizado legalmente, deve 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 2225DF CARF MF 24 o lançamento ser considerado improcedente, quanto a essa matéria, mantendose a decisão de piso. Voto, pois, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Conforme aí consignado, pacificouse o entendimento de que não basta a afirmação de que o IGPM cumpre os requisitos legais nem de que não cumpre. Tudo se resume à prova em cada caso concreto. E essa prova há de ser produzida pela fiscalização, como dito no voto transcrito, sempre que se trate de lançamento de tributo. Com isso, quisse dizer, e aqui o reitero, que não podem prevalecer lançamentos como o do voto transcrito em que a autoridade fiscal simplesmente descaracteriza o regime porque adotado o IGPM. Cabe a ela mais: buscar junto ao contribuinte as informações sobre a efetiva variação de custos e com ela demonstrar que, no caso concreto, o IGPM não cumpre os requisitos legais. E assim ela o fez no caso concreto. De fato, consta à fl. 281 dos autos solicitação à empresa, datada de 07 de agosto de 2008, para: Elaborar demonstrativos referentes aos acréscimos dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no processo produtivo, entre as datas referências e os respectivos reajustes de preços decorrentes do Contrato de Produtor Independente de Energia PIE n° 029.020 C.B.E.E, desde o início da vigência do contrato até o último reajuste realizado. O contribuinte deverá, ainda, demonstrar de forma pormenorizada os reajustes efetivamente implementados, nos períodos de vigência do contrato supracitado, com base nos Índices contratados, nos termos das cláusulas 25 e 26, do Título X. Obs. Os demonstrativos deverão ser acompanhados de documentação hábil e idônea apta a comprovar a veracidade das informações prestadas. Concedidas dilações de prazo para atendimento, a solicitação não foi atendida até o fim dos trabalhos fiscais. Embora, como já reafirmado, seja ônus da fiscalização a prova do descumprimento, mais do que isso, entendo, não se lhe pode exigir. Desse modo, votou o colegiado pelo provimento do recurso da Fazenda Nacional para restabelecer o lançamento, na integralidade. E é esse o acórdão que fui incumbido de redigir. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.215 Fl. 2227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902830/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.193
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.902830/2012-40
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739046
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.193
nome_arquivo_s : Decisao_10283902830201240.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10283902830201240_5739046.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6840537
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212922363904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902830/201240 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.193 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 30 /2 01 2- 40 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.041. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
