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4538465 #
Numero do processo: 11080.722561/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/05/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que  observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente    Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu  Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/2010­17  Acórdão n.º 2402­003.271  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e  não recolhida em época própria, referente ao período de 12/1998 a 05/1999.  O Relatório Fiscal (fls. 11/23) informa que o crédito lançado é decorrente da  responsabilidade  solidária  imputada  à notificada,  contratante de  serviços  de construção  civil,  por  não  ter  comprovado  o  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  pela  contratada,  conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador.  O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração  paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, SANTOS  ALBERNAZ ENGENHARIA LTDA, CNPJ: 92.755.693/0001­40,  incluídas em notas fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante  dos  serviços,  responde solidariamente.  Esse  Relatório  Fiscal  informa  ainda  que  o  presente  lançamento  objetiva  restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos  pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.668­2 (levantamentos  SC1  e  SM1)  e  35.067.669­0  (levantamento  SC2),  por  meio  dos  Acórdãos  no  2.338/2005  e  2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ ­ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS:  “NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  LAVRADA  COM  FALTA  DO  TIPO  DE  DÉBITO,  ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL  NO  RELATÓRIO  FUNDAMENTOS  LEGAIS  DO  DÉBITO,  ENSEJA  A  SUA  NULIDADE,  PELA  IMPOSSIBILIDADE  TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE  CADASTRAMENTO  DE  DÉBITO,  CARACTERIZANDO­SE  VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.”  Foram  mantidos  todos  os  lançamentos  constantes  das  NFLD  originais,  referentes  à  solidariedade  com  os  prestadores  de  serviços  e  empreiteiros  não  cobertos  por  auditoria  fiscal  no  fato  gerador  (Auditoria  total  com  contabilidade  ou  na  obra  específica),  conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF);  O  instituto da decadência  foi aplicado na forma do artigo 173,  inciso  II, do  Código Tributário Nacional ­ CTN (Lei 5.172/1966).  Após  a  nulidade  formal  dos  lançamentos  originais,  a  ciência  do  novo  lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 23/08/2010 (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  80/94)  –  acompanhada  dos anexos de fls. 95/132 –, alegando, em síntese, que:  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 1.  deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para  se  apurar  a  real  existência  dos  débitos  autuados,  tudo  em  estrita  observância  aos  princípios  da  garantia  de  defesa  e  da  verdade  material,  pois  diversos  documentos  probantes  estão  em  posse  da  empresa que executou os serviços;  2.  a  matrícula  era  de  responsabilidade  da  prestadora  de  serviços,  cabendo  a ela promover os  recolhimentos  e, mesmo assim,  à  luz da  legislação,  a matrícula não  seria necessária,  vez  tratar­se de  simples  reparos,  manutenção  e  ampliação  de  dependência  da  Impugnante,  serviços  esses  que  não  necessitavam  nem  mesmo  de  profissional  técnico habilitado;  3.  o  Banco/Impugnante,  por  fazer  parte  da  Administração  Pública  Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava  respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem  a  responsabilidade  pelos  encargos  previdenciários  para  as  empresas  contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS);  4.  há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada,  cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários  das NFLD 35.067.668­2 e 35.067.669­0;  5.  as  Certidões  Negativas  de  Débito  (CND),  expedidas  à  época  das  autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito  pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo,  por  conseguinte,  eventual  responsabilidade  solidária  por  débito  que,  no período autuado, era inexistente;  6.  o  Fisco  deve  cobrar  primeiramente  da  contratada  e,  além  disso,  a  omissão  na  fiscalização  da  empresa  contratada  importa  em  cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade,  em  latente  prejuízo  ao  Impugnante.  Ao  menos  até  10.12.1997,  a  impugnante  tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança  de  eventual  crédito  previdenciário,  primeiramente,  das  empresas  contratadas.  Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou  seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art.  30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem;  7.  ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o  Fisco  promova  a  cobrança  de  eventual  crédito  previdenciário,  primeiramente,  das  empresas  contratadas.  Isso  porque,  a  redação  original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999,  em  face  da  edição  da  Lei  9.711/98),  não  vedava  a  aplicação  do  benefício de ordem;  8.  a Diretoria Colegiada  do  INSS,  ao  expedir  a  IN DC/INSS  18/2000,  arbitrou,  ilegal  e  abusivamente,  a  forma  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  devida  sobre  a  remuneração  paga aos segurados empregados para execução de obras de construção  civil;  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/2010­17  Acórdão n.º 2402­003.271  S2­C4T2  Fl. 4          5 9.  a  prova  documental  produzida  nos  autos  dos  processos  administrativos  11686.000242/2008­13  (NFLD  35.067.668­2)  e  11686.00241/2008­79  (NFLD  35.067.669­0)  deverá  ser  aproveitada  no  presente  feito,  apensando  este  processo  àqueles  autos,  tudo  em  nome,  dentre  outros,  dos  princípios  da  eficiência  e  economicidade  processual.  10. REQUER:  seja  acolhida  a  preliminar  suscitada,  para  chamar  ao  processo  a  empresa  contratada  e,  ultrapassada  essa,  no  mérito,  seja  acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência  da  autuação  e  desconstituir  o  lançamento  fiscal,  declarando  insubsistentes  os  créditos  constituídos  pois,  além  de  indevidos,  não  restou caracterizada a hipótese de incidência tributária.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Brasília/DF – por meio do Acórdão no 03­45.393 da 5a Turma da DRJ/BSB  (fls. 146/158) –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno  embasamento  legal  e  observância  às  normas  vigentes,  não  tendo  a  Defendente  apresentado  elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura.  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  DA PRELIMINAR:  A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento  ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a  real  existência dos  créditos  lançados, bem como seja  trazida aos autos a documentação  comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada.  Tal  alegação  não  será  acatada  pelas  razões  fáticas  e  jurídicas  a  seguir  delineadas.  Cumpre  esclarecer  que  o  chamamento  ao  processo  é  uma  modalidade  de  intervenção  de  terceiro  provocada  pelo  réu,  cabível  apenas  no  processo  de  conhecimento  dentro  do  âmbito  judicial  e  não  administrativo,  tendo  como  finalidade  ampliar  o  campo  de  defesa  dos  fiadores  e  dos  devedores  solidários,  possibilitando­lhes  chamar  o  responsável  principal,  ou  corresponsáveis  ou  coobrigados,  para  que  assumam  a  posição  de  litisconsorte,  ficando  todos  submetidos  à  coisa  julgada.  Assim,  o  chamamento  ao  processo  é  criado  em  benefício  do  réu  dentro  de  um  processo  que  corre  no  âmbito  do Poder  Judiciário  e  previsto  exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC).  O Processo Administrativo Fiscal  (PAF), quer  seja nas  regras  estabelecidas  pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade  de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário,  eis  que  a  empresa  devedora,  contratante  direta  dos  segurados  empregados,  já  figura  no  polo  passivo  do  lançamento  fiscal  e  foi  devidamente  notificada,  conforme  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  no  1,  lavrado  em  23/08/2010.  Isto  é,  a  empresa  executora  da  obra  de  construção  civil  também  já  está  inserida  na  relação  material  da  obrigação  tributária  e  na  constituição do crédito tributário.  No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por  um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)  (...)  VI ­ o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária,  qualquer que  seja a  forma de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/2010­17  Acórdão n.º 2402­003.271  S2­C4T2  Fl. 5          7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese,  o  benefício  de  ordem;  (Redação  dada  pela  Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.)  Além disso,  os  argumentos  apresentados pela Recorrente  como  justificativa  para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os  documentos  probantes  dos  recolhimentos  efetuados  pela  empresa  executora  da  obra  de  construção  civil  (SANTOS  ALBERNAZ  ENGENHARIA  LTDA)  foram  aproveitados  pelo  Fisco,  quando do  relançamento,  conforme  registro  no Relatório  Fiscal  (fl.  12)  de  que  foram  mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária,  nos  seguintes  termos:  “(...)  foram  excluídas  as  empresas  do  levantamento  original  que  sofreram  procedimento  fiscal  previdenciário  (Auditoria  Fiscal  Total  com  contabilidade  ou  Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”.  Também não há que se  falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório  Fiscal  informa  que  foi  verificado  se  a  contratada  havia  sido  submetida  ao  procedimento  de  auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se  as  obras  que  foram  objeto  dos  lançamentos,  efetuados  em  desfavor  da Recorrente,  sofreram  fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal  com  exame  da  contabilidade,  o  Relatório  Fiscal  informa  que  foram  realizados  os  ajustes  necessários e exclusão dessas competências analisadas.  Ressalta­se  que  o  conceito  de  obra,  para  efeitos  previdenciários,  é  bastante  amplo,  abrangendo  a  construção,  demolição,  reforma  ou  ampliação  de  edificação  ou  outra  benfeitoria  agregada  ao  solo ou  ao  subsolo. Com esse  conceito  amplo,  a obra de  construção  civil  funciona  como  se  fosse  um  estabelecimento  ou  filial  da  empresa  construtora  e,  por  consectário  lógico,  necessita  de  matrícula  com  uma  numeração  básica  que  é  o  Cadastro  Específico  do  INSS  (CEI),  sendo  que  essa  matrícula  deverá  ser  efetuada  mediante  comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do  início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de  que  a  responsabilidade  pela  matrícula  junto  ao  INSS  caberia  a  empresa  executora  da  obra  também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal.  Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo  em  face  do  devedor  contratante  dos  segurados  empregados,  pois  este  e  a  Recorrente  já  são  integrantes  do  polo  passivo  do  presente  lançamento  fiscal.  Após  isso,  passo  ao  exame  de  mérito.  DO MÉRITO:  A Recorrente alega que  o Fisco não apropriou no  lançamento  fiscal  os  valores  pagos  pela  contratada.  Tal  alegação  não  será  acatada,  eis  que  os  pagamentos  efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de  auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.668­2 e 35.067.669­0),  não  tendo  a  Recorrente,  nem  a  empresa  contratada,  trazido  aos  autos  novos  elementos  probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados.  Por  outro  lado,  verifica­se  que  o  lançamento  foi  efetuado  pelo  fato  da  Recorrente haver  contratado a  empresa para  a execução  global  (total)  de  obra de  construção  civil  e não haver  solicitado a documentação hábil  a  elidir  a  responsabilidade  solidária,  quais  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 sejam:  (i)  cópia  das  guias  de  recolhimentos  quitadas  e  respectivas  folhas  de  pagamento  elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  incluída  em  nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o  caso,  por  escrituração  contábil;  e  (iii)  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e  percentuais previstos na legislação previdenciária.  A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total,  enseja  a  solidariedade  do  contratante  para  com  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre a mão­de­obra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911.  No  que  interessa  ao  presente  processo,  tem­se  que  a  responsabilidade  tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário  concomitantemente com o contribuinte, arcando,  independentemente deste, com o pagamento  integral do crédito tributário.  O  art.  124  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  Lei  5.172/1966,  define  como devedores solidários:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem. (g.n.)  Segundo  a  previsão  do  inciso  II  do  preceptivo  legal  acima  citado,  ocorre  a  solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação  tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso  VI,  da  Lei  8.212/1991,  em  que  o  proprietário  ou  dono  (que  é  a  Recorrente)  de  obra  de  construção  civil  é  solidário  com  o  construtor  pelo  cumprimento  das  contribuições  sociais  previdenciárias.  No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS),  aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor  da obra de construção civil, nos seguintes termos:  Art.  220.  O  proprietário,  o  incorporador  definido  na  Lei  nº  4.591,  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária  cuja  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo  não  envolva  cessão  de  mão­de­obra,  são  solidários                                                              1 Lei 8.212/1991:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social  obedecem às seguintes normas:  (...)  VI  ­  o  proprietário,  o  incorporador  definido  na  Lei  nº  4.591,  de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor,  e  estes  com  a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  admitida  a  retenção  de  importância  a  este  devida  para  garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações,  não  se  aplicando,  em  qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)    Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/2010­17  Acórdão n.º 2402­003.271  S2­C4T2  Fl. 6          9 com o  construtor,  e  este  e  aqueles  com a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  seguridade  social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante da obra e admitida a retenção de importância a este  devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se  aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.  § 1º Não se considera cessão de mão­de­obra, para os fins deste  artigo,  a  contratação  de  construção  civil  em  que  a  empresa  construtora assuma a  responsabilidade direta  e  total  pela obra  ou repasse o contrato integralmente.  §  2º  O  executor  da  obra  deverá  elaborar,  distintamente  para  cada  estabelecimento  ou  obra  de  construção  civil  da  empresa  contratante,  folha  de  pagamento,  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social e Guia da Previdência Social,  cujas cópias  deverão  ser  exigidas  pela  empresa  contratante  quando  da  quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante  de entrega daquela Guia.  §  3º  A  responsabilidade  solidária  de  que  trata  o  caput  será  elidida:  I  ­  pela  comprovação,  na  forma  do  parágrafo  anterior,  do  recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração  dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente  aos  serviços  executados,  quando  corroborada  por  escrituração  contábil; e  II  ­  pela  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  aferidas  indiretamente  nos  termos,  forma  e  percentuais  previstos  pelo  Instituto Nacional do Seguro Social.  III  ­  pela  comprovação  do  recolhimento  da  retenção  permitida  no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído  pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.)  Percebe­se,  então,  que  a  apresentação  de  folhas  de  pagamento  e  guias  de  recolhimento  específicas  é  uma  das  formas  que  a  contratante,  no  caso  a Recorrente,  tem  de  elidir­se  de  imediato  da  responsabilidade  solidária  por  contribuições  de  responsabilidade  do  executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário  de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos  na  legislação  previdenciária,  a  contratante  deverá  exigir  também  a  comprovação  de  que  a  contratada possui contabilidade formalizada.  Logo,  não  há  como  considerar  a  alegação  retromencionada,  pois  o  lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra  de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade  solidária.  Dentro  desse  contexto  da  solidariedade  imputada  à  Recorrente,  esta  alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da  responsabilidade solidária em relação à  sociedade de economia mista. Essa alegação não  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 procede  para  o  caso  ora  analisado,  além  dela  ser  também  impertinente  para  o  deslinde  da  controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794­ RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da  contratação  de  serviços  executados mediante  cessão  de mão­de­obra,  conforme  se  extrai  do  Voto condutor a seguir reproduzido:  “[...]  Por  seu  turno,  conheço  do  recurso  no  tocante  à  alegada  afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91.  A  questão  sub  judice  é  saber  se  incide  a  responsabilidade  solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do  Brasil  S/A,  sociedade  de  economia  mista,  integrante  da  administração  indireta,  no  período  em  que  contratou  empresa  para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em  suas dependências.  O  referido  comando  legal,  à  época  do  serviço  prestado  pela  empresa (junho/1995), antes, portanto, das  inúmeras alterações  introduzidas, dispunha o seguinte:  Art.  31.  O  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão  de  obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a  ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.)  Constata­se  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  é  decorrente  da  solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor  (chamada  de  contratada),  conforme  ficou  devidamente  delineado  no  Relatório  Fiscal  (fls.  11/23) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que  os  valores  lançados  no  presente  processo  são  decorrentes  dos  seguintes  levantamentos  originais:  1.  SC1– SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.668­2)  à  Remuneração  paga  aos  segurados  empregados  das  empresas  executoras de obras de construção civil,  incluída em notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante dos serviços,  responde solidariamente. Período anterior a  01/1999; e  2.  SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.669­0)  à  Remuneração  paga  aos  segurados  empregados  das  empresas  executoras de obras de construção civil,  incluída em notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de  01/1999.  Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que  o  lançamento  de  que  trata  este  processo  não  é  de  responsabilidade  solidária  oriundo  da  execução  de  contrato  de  cessão  de  mão­de­obra  –  conforme  estabelecia  o  art.  31  da  Lei  8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda  de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991.                                                              2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo  foi revogada:  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/2010­17  Acórdão n.º 2402­003.271  S2­C4T2  Fl. 7          11 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária  previdenciária, registra­se que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui  normas  gerais  para  licitação  e  contratos  da  Administração  Pública  –  ao  estabelecer  que  a  inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não  transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão  de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da  Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é  norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata,  caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito  público.  Assim,  a  regra  do  art.  71,  §  1o,  da  Lei  8.666/1993  deve  ser  interpretada  sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as  normas  pertinentes  à  legislação  tributária  previdenciária,  que  são  normas  essencialmente  de  natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional  para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção  civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991.  Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreende­se  do  art.  173,  §  2º,  da  Constituição  Federal  que  a  empresa  pública  exploradora  de  atividade  econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas,  inclusive  quanto  às  obrigações  tributárias  e  trabalhistas,  salvo  se  a  lei  estabelecer  estatuto  jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo.  Constituição Federal de 1988:  Art.  173.  Ressalvados  os  casos  previstos  nesta  Constituição,  a  exploração  direta  de  atividade  econômica  pelo  Estado  só  será  permitida  quando  necessária  aos  imperativos  da  segurança  nacional  ou  a  relevante  interesse  coletivo,  conforme  definidos  em lei.  § 1º A  lei estabelecerá o estatuto  jurídico  da empresa pública,  da  sociedade  de  economia  mista  e  de  suas  subsidiárias  que  explorem atividade econômica de produção ou comercialização  de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação  dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...)  II ­ a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,  inclusive  quanto  aos  direitos  e  obrigações  civis,  comerciais,  trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional  nº 19, de 1998) (...)  § 2º As empresas  públicas  e as  sociedades de  economia mista  não  poderão  gozar  de  privilégios  fiscais  não  extensivos  às  do  setor privado. (g.n.)  Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser  interpretada  sistematicamente  com  as  demais  normas  do  ordenamento  jurídico  brasileiro                                                                                                                                                                                           "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão­de­obra, inclusive em regime de  trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação  aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício  de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)".  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12 também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que  “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam­se pelas suas cláusulas e pelos  preceitos de direito público (...)”, grifamos.  Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, §  1o,  da  Lei  8.666/1993  estabeleceria  uma  responsabilidade  fiscal  exclusiva  para  as  empresas  contratadas  –  elidindo  a  sua  responsabilidade  da  obrigação  solidária  tributária  apurada  pelo  Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei  8.212/1991,  sendo  que  esta  regra  especial  tributária  disciplina  a  respectiva  matéria  em  consonância e em obediência às normas constitucionais.  Além  disso,  essa  regra  prevista  no  art.  71,  §  1o,  da  Lei  8.666/1993,  que  transferiria  a  responsabilidade  fiscal  exclusiva  para  as  empresas  contratadas,  não  pode  ser  aplicada ao caso porque prevalece a  regra constitucional, hierarquicamente superior,  já que a  empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica,  que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas  do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal.  Por  sua  vez,  entende­se  que  não  há  espaço  jurídico  para  aplicação  do  enunciado no Parecer AGU nº AC­055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver  solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social  cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo  não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei  8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer  AGU  nº  AC­055/2006  não  prever  a  sua  aplicação  para  a  sociedade  de  economia  mista  exploradora  de  atividade  econômica,  que  é  caso  da  Recorrente,  pois  não  poderá  haver  concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art.  173, § 2º, da Constituição Federal.  Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio  da  conformidade  funcional  –  segundo  o  qual  a  interpretação  não  deve  subverter  o  mandamento  funcional  criado  pela  Constituição  –  e  com  o  princípio  da  interpretação  conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que  apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindo­se a pertinência dos  demais sentidos que colidirem com a constituição.  Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre  esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem  será  cobrada  a  dívida  de  forma  integral,  nos  termos  do  art.  124,  parágrafo  único,  do  CTN.  Assim,  não  acatamos  a  alegação  da  Recorrente  de  que  antes  da  Lei  9.528/1997,  que  deu  nova  redação  ao  inciso  VI  do  art.  30  da  Lei  8.212/19913,  não  havia  vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada  em  vigor  desse  dispositivo,  em  10/12/97,  é  que  seria  possível  afastar  a  aplicabilidade  do  benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária.                                                              3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI ­ o proprietário, o incorporador definido  na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que  seja  a  forma  de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor  pelo  cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor  ou contratante da obra e admitida a retenção de  importância a este devida para garantia do cumprimento dessas  obrigações;”  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/2010­17  Acórdão n.º 2402­003.271  S2­C4T2  Fl. 8          13 Com  isso,  entendemos  que  a  inserção  promovida  pela  Lei  9.528/1997  no  inciso  VI  do  art.  30  da  Lei  8.212/1991  não  implicou  qualquer  inovação  interpretativa  com  relação  à  não  aplicação  do  benefício  de  ordem  no  âmbito  tributário,  tornando  apenas  a  sua  inaplicabilidade mais  evidente,  eis  que  essa  inserção  deve  ser  interpretada  sistematicamente  com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada  no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os  argumentos  da  Recorrente  de  que  deveria  ter  sido  cobrado  primeiramente  da  empresa  contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei.  Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela  contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do  extinção  do  crédito  tributário,  pois  não  está  registrada  nas  hipóteses  do  art.  156  do  Código  Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto.  Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de  não  existência  de  crédito  tributário  a  ser  lançado,  tanto  que  no  corpo  da  própria  CND  está  ressalvado  ao  Fisco  o  direito  de  cobrança  de  qualquer  valor  apurado  posteriormente  à  sua  emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito ­ CND, fornecida  pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela  Lei nº 9.032, de 28.4.95).  (...)  §  1º  A  prova  de  inexistência  de  débito  deve  ser  exigida  da  empresa  em  relação  a  todas  as  suas  dependências,  estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente  do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes  o  direito  de  cobrança  de  qualquer  débito  apurado  posteriormente. (g.n.)  Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND  para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da  obrigação  tributária  apurada  pelo  Fisco.  Isso  decorre  do  fato  de  que  a CND não  é  causa  de                                                              4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966:  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  I ­ o pagamento;  II ­ a compensação;  III ­ a transação;  IV ­ remissão;  V ­ a prescrição e a decadência;  VI ­ a conversão de depósito em renda;  VII ­ o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e  4º;  VIII ­ a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164;  IX  ­  a decisão  administrativa  irreformável,  assim  entendida  a definitiva  na órbita  administrativa,  que  não mais  possa ser objeto de ação anulatória;  X ­ a decisão judicial passada em julgado.  XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.  (Incluído pela Lcp nº  104, de 10.1.2001)  Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação  da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149.  Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14 extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de  sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco.  Quanto  à  apuração  da  base  de  cálculo  por  meio  da  aplicação  do  percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica  de  aferição  indireta  para  apuração  dos  valores  devidos  à  Previdência  Social  e  encontra­se  devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem  que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado.  Logo,  a  contribuição  social  previdenciária  apurada  pela  técnica  de  aferição  indireta  é  adequada,  razoável  e  proporcional,  não  merecendo  ser  reformada.  Além  disso,  a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  elemento  probatório  de  que  suas  alegações  sejam  verdadeiras.  Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°,  da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrando­se lavrado dentro da legalidade.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 148. Quando o cálculo do  tributo tenha por base, ou  tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.  .........................................................................................................  Lei 8.212/1991:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  §  2o.  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou  extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/2010­17  Acórdão n.º 2402­003.271  S2­C4T2  Fl. 9          15 § 3o. Ocorrendo  recusa ou  sonegação de qualquer documento  ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar de ofício a  importância devida.  (Redação dada  pela Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  (g.n.)  Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colaciona­se julgado do  Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição  indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  “[...]  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TOMADORA  DE  SERVIÇOS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE.  (...)  2.  Tratando­se  de  contribuições  previdenciárias,  prestado  o  serviço, por disposição  legal, a  tomadora se  incorpora ao pólo  passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do  cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora  adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação  tributária. Ainda que admitida a inserção da  tomadora no pólo  passivo  da  obrigação  pelo  descumprimento  do  dever  de  exigir  comprovação  do  pagamento  do  tributo,  tal  ocorreria  –  com  o  pagamento  da  nota  fiscal  ou  fatura  relativa  à  prestação  do  serviço – antes do lançamento de ofício, pois trata­se de tributo  no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento  do  débito  tributário  sem  qualquer  intervenção  prévia  da  administração.  3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a  comprovação  do  pagamento  pode  ser  dela  exigida  a  qualquer  tempo,  tanto  na  apuração  do  débito  quanto  na  cobrança  dos  valores lançados,  já que o Fisco pode – como qualquer credor,  em matéria de solidariedade – voltar­se contra ela ou contra a  prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já  na execução.  4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os  fatos  geradores  (05/1995  a  01/1999),  cabia  à  tomadora,  quando  da  quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir  da  prestadora  cópia  autenticada  da  guia  de  recolhimento  quitada  e  folha  de  pagamento  dos  empregados  postos  a  seu  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16 serviço,  dever  do  qual  não  se  desincumbiu  integralmente,  restando solidariamente responsável pelo débito tributário.  5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não  se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as  folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço.  6. É  razoável  a  fixação de  percentual  (40%)  sobre o  valor  da  nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mão­de­ obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais  deve  incidir  o  tributo.  Com  isso,  não  se  desnatura  a  contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da  documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no  caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do  tributo.  Inversão  do  ônus  da  prova  (§  3º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91),  estabelecendo presunção  relativa  em  favor do  INSS;  caberia,  portanto,  à  tomadora,  demonstrar  que  o  percentual  é  excessivo.  7.  Embargos  infringentes  improcedentes.  (TRF  4ª  R;  EIAC  ­  Embargos  Infringentes  na  Apelação  Cível;  Processo:  200271000090415/RS;  Órgão  Julgador:  Primeira  Seção;  Data  da  decisão:  01/09/2005;  DJU  Data:28/09/2005;  Página:  681;  Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.)  Portanto, o procedimento de aferição  indireta utilizado pela auditoria  fiscal,  para  a  apuração  da  contribuição  previdenciária,  foi  corretamente  aplicado,  pois  a  auditoria  fiscal  demonstrou  que  ocorreu  recusa  ou  sonegação  de  documentos  ou  informações,  ou  sua  apresentação  foi  deficiente,  podendo  o  Fisco  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.  Por  fim,  pela  apreciação  do  processo  e  das  alegações  da  Recorrente,  não  encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão  de  primeira  instância,  eis  que  o  lançamento  fiscal  e  a  decisão  encontram­se  revestidos  das  formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico­tributário vigente  à época da sua lavratura.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10783.908233/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543-C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizam-se como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRECEDENTES DO STJ. O manejo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente o crédito tributário, na forma do artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/96 enquadra-se no disposto do artigo 151, III do CTN quanto ao débito objeto da compensação, provocando a suspensão da exigibilidade da parcela controversa. A supressão do atributo exigibilidade e a instauração do contencioso administrativo indicam que o crédito não foi definitivamente constituído, inviabilizado sua cobrança. Assim, enquanto pender decisão, tal fluxo temporal rege-se pelas regras de decadência (crédito não constituído), e não pela prescrição (crédito constituído). Consoante entendimento do STJ, até solução definitiva dos processos administrativo fiscal, não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que trata o artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo, deverá ser observada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Recurso voluntário improcedente.
Numero da decisão: 3202-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 97          2 até  solução  definitiva  dos  processos  administrativo  fiscal,  não  correm  nem  prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade  do crédito tributário.  REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE.  Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que  trata o  artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo  em apreço exige  a  consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de  parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo,  deverá  ser  observada  pela  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  e  pela  Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o  crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal.   Recurso voluntário improcedente.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção  monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves;  b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas.    Irene Souza da Trindade Torres ­ Presidente    Gilberto de Castro Moreira Junior ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles  Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima.    Relatório    Cuida­se  de  recurso  voluntário  (fls.69­74)  interposto  por  GRAMAZINI  GRANITOS E MÁRMORES THOMAZINI LTDA contra decisão proferida pela Delegacia da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora,  MG  (DRJ/JFA)  (fls.  54­57)  que,  por  unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 98          3 a  homologação  parcial  das  DCOMPS  n°  15505.01597.291004.1.3.01­5073  e  02819.45757.110805.1.3.01­0781.     Para melhor  elucidação  dos  fatos  ora  analisados,  transcrevo  o  relatório  do  acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora,  MG (DRJ/JFA), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade constante do  presente processo, in verbis:    Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório  de fl. 30, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise da DCOMP  n°  15505.01597.291004.1.3.01­5073,  transmitida  pelo  contribuinte  retro  identificado  em  29/10/2004,  por  meio  da  qual  se  pretendeu  a  extinção  de  débitos no montante do R$ 2.353,71,  tendo por  lastro crédito originário de  Saldo Credor do IPI apurado no 4° trimestre/2001, no valor dc R$ 9.605,16  (fl.  31).  Referido  saldo  credor  é  composto  por  crédito  básico  e  crédito  presumido  escriturado  no  período,  conforme  informações  extraídas  da  DCOMP 15505.01597.291004.1.3.01­5073 (fls. 32/40).  Vinculada  à  citada  DCOMP  foi  transmitida  a  DCOMP  n°  02819.45757.110805.1.3.01­0781, para utilização do saldo credor originário  da DCOMP  inicial,  para  compensar  débitos  na monta  dc  R$  7.251,45  (fl.  41).  Da  análise  eletrônica  resultou  o  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  e a homologação parcial das  referidas DCOMPs  (em  face dc  se  tratar  de  compensação  do  débito  vencido,  sem  inclusão  dos  respectivos  acréscimos  moratórios  na  DCOMP,  fls.  17,  24/26),  conforme  Despacho  Decisório (fl. 30) e Detalhamento da Compensação (fl. 42). Houve, então, no  encontro  dc  contas  o  cálculo  da  multa  e  juros  de  mora,  resultando  amortização  parcial  do  débito  compensado  e  apuração  de  saldo  devedor  após imputação proporcional do valor utilizado na compensação (conforme  Detalhamento da Compensação, fl.42), objeto de cobrança com acréscimo de  multa de mora e juros do mora.  Cientificado  do  Despacho  Decisório  e  intimado  a  recolher  o  crédito  tributário  decorrente  da  não  homologação  parcial  da  compensação,  em  18/11/2008  (fl.28),  manifestou  a  pleiteante  a  sua  inconformidade  em  18/12/2008 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/05, no qual, em síntese:  =>  alega  que  “diante  da  demora  do  fisco  em  reconhecer  o  Crédito  Presumido do IPI do contribuinte, o que foi feito somente após 4 anos de sua  solicitação  em  29/10/2004  é  mais  do  que  justo  que  esse  crédito  seja  calculado com correção monetária,sendo aplicada a taxa Selic”;  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 99          4 => pondera que ao se proceder a atualização monetária do crédito pela taxa  Selic  [da mesma  forma  que  a RFB  corrige  os  seus  débitos]  o mesmo  será  suficiente  para  amortizar  todo  o  saldo  devedor,  restando,  ainda,  saldo  credor;  =>  acrescenta  que  a  jurisprudência  reconhece  o  direito  à  correção  monetária  diante  da  demora  do Fisco  em  reconhecer  o  crédito  e  reproduz  excerto de julgado que entende amparar a sua tese;  => argumenta, ainda, que caso se entenda pela impossibilidade da correção  do crédito, mesmo assim “não poderá prosperar a cobrança, uma vez que a  medida  provisória  n°  449,  de  03  de  dezembro  de  2008,  art.  14,  concede  remissão a débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000, 00 (dez mil reais),  portanto,  se  superadas  as  argumentações  mencionadas  acima,  o  débito  estará remido com amparo na referida medida provisória";  Ao  final  requer  seja  o  crédito  devido  corrigido  monetariamente  e  homologada integralmente a compensação.  Ressalte­se que, ante a constatação, por esta Relatora, mediante consulta à  DIPJ  do  contribuinte,  de  que  o  mesmo  dá  saída,  na  sua  maior  parte,  a  produtos NT,  foi o processo remetido à DRF de origem, por  intermédio do  Despacho  da  Presidência  de  fls.  47/48,a  fim  de  que  fosse  verificada  a  possibilidade de ter sido reconhecido crédito indevido e adotadas, se fosse o  caso,  as  providências  pertinentes,  ao  que  retornou  o  processo  com  o  PARECER  SEFIS  n°  16/2010  [fls.  50/51],  no  qual  a  autoridade  fiscal  encarregada da diligência deixou consignado, in verbis:  Este  contribuinte  já  sofreu  ação  fiscal  por  parte  da  fiscalização  do  DRF/Vitória  na  análise  dos  PER/DCOMP  n°  28332.12706.110805.1.3.01­ 0312, 26530.72173.110805.1.3.01­5217, 30025.29345.310106.1.3.01­2127 e  12242.30881.300406.3.01­6406,  sendo  que  não  foi  constatado  o  uso  de  vendas  de  produtos NT  na  apuração  do  crédito  presumido  [destaques  da  Relatora].  Nestes  termos  retornaram  os  autos  a  esta  DRJ  para  prosseguimento  do  julgamento.  Em síntese, é o relatório.    O  acórdão  n°  09­35.775,  proferido  pela  3ª  Turma  da  DRJ/JFA,  foi  assim  ementado:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO  Período de apuração 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004,  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 100          5 01/02/2004  a  28/02/2004,  01/03/2004  a  31/03/2004,  01/01/2004  a  31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004.  COMPENSAÇÃO.  DÉBITOS  VENCIDOS.  ACRESCIMOS  MORATORIOS.  INCIDENCIA.  Na compensação, sobre os débitos vencidos, na data do encontro de contas  (data de valoração) incidem multa dc mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%,  e juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia – SELIC. A  falta de consignação dos acréscimos  moratórios  na  DCOMP  implicará  a  não­homologação  parcial  da  compensação  e  a  exigência  do  tributo  objeto  da  compensação  não  homologada com os respectivos acréscimos legais.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio.    Inconformada com a decisão da DRJ/JFA, a Recorrente apresentou o recurso  voluntário  de  fls.69­74,  objetivando  reformar  integralmente  a  decisão  em  tela,  alegando,  em  breve síntese, o que segue:    a)  A Recorrente apresentou DCOMP em 29/10/2004,  tendo sido notificada  do despacho decisório que homologou parcialmente sua compensação em  07/11/2008,  decorridos,  portanto,  48  meses  da  data  de  transmissão  do  pedido de compensação, assim, o valor do crédito solicitado deveria ser  atualizado  pelos  juros  SELIC  desde  a  data  da  transmissão  do  referido  pedido.  Tal  direito  já  teria  sido  reconhecido  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF)  deste  Conselho,  bem  assim,  pelo  Superior  Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recursos repetitivos (artigo 543­C  do Código de Processo Civil);  b)  A  declaração  de  compensação  não  suspende  o  prazo  prescricional,  tal  prazo  somente  seria  suspenso  pela  adesão  a  parcelamento  ou  pela  interposição  de  recursos  administrativos,  na  forma  do  artigo  151  do  Código  Tributário  Nacional,  dessa  forma,  os  débitos  originados  da  homologação  parcial  do  crédito  estariam  prescritos.  A  prescrição  em  apreço  teria  lastro  na  Súmula  Vinculante  n°  8  do  Supremo  Tribunal  Federal (STF) e na Súmula n° 409 do STJ;  c)  O  artigo  14  da Medida  Provisória  n°  449,  de  3  de  dezembro  de  2008,  remiu  os  débitos  de valor  igual  ou  inferior  a R$ 10.000,00,  devendo­se  aplicá­lo ao débito em questão.    É o relatório.  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 101          6   Voto             Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator    O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  pressupostos  de  admissibilidade,  razão pela qual dele  tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos  trazidos pela Recorrente.    Ressarcimento e juros Selic     A Recorrente alega que tem direito à correção monetária do crédito declarado  em declaração de compensação, visto que a transmissão da DCOMP ocorreu em 29/10/2004, e  a homologação parcial ocorreu em somente em 07/11/2008, através de Despacho Decisório.     De acordo com a Recorrente “o valor do crédito solicitado de R$­9.605,16,  em 29/10/2004, deveria ter sido corrigido pela taxa selic acumulada quando do recebimento  do despacho decisório em 07/11/2008, que seria o percentual de 107,07%, perfazendo o total  de R$­19.889,40, menos o débito amortizado de R$­9.605,16 e menos o valor cobrado de R$­ 4.943,03, ainda, sobra um saldo credor a favor do contribuinte de R$­5.341,21.”    Invoca precedentes da CSRF e do STJ que, no seu entendimento, autorizam a  incidência dos juros SELIC sobre os créditos de IPI objeto de ressarcimento.    Inicio  o  exame  dos  precedentes  citados  pela  Recorrente  pelos  acórdãos  do  STJ  julgados sob o rito dos  recursos  repetitivos  (artigo 543­C do Código de Processo Civil),  haja vista que o artigo 62­A do Regimento Interno deste Colegiado determina que as decisões  proferidas por aquele Tribunal no rito dos recursos repetitivos deverão ser reproduzidas pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    Dois são os acórdãos proferidos sobre o tema no rito dos recursos repetitivos:    PROCESSUAL CIVIL.  RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 102          7 CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  FORNECEDORES  SUJEITOS  À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO.  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO  535,  DO  CPC.  INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter  sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato  normativo  secundário,  que  não  pode  inovar  no  ordenamento  jurídico,  subordinando­se aos limites do texto legal.  2. A Lei 9.363/96  instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do  valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro  de  1970,  8,  de 3  de  dezembro  de  1970,  e de  dezembro  de 1991,  incidentes  sobre  as  respectivas  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos  casos  de  venda a  empresa  comercial  exportadora  com o  fim  específico de exportação para o exterior."  3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro  de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do  disposto  nesta  Lei,  inclusive  quanto  aos  requisitos  e  periodicidade  para  apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à  definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios  dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador".   4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a  Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido  instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a  expedir  normas  complementares  necessárias  à  implementação  da  aludida  portaria (artigo 12).   5.  Nesse  segmento,  o  Secretário  da  Receita  Federal  expediu  a  Instrução  Normativa  23/97  (revogada,  sem  interrupção  de  sua  força  normativa,  pela  Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela  Instrução  Normativa  419/2004),  assim  preceituando:  "Art.  2º  Fará  jus  ao  crédito presumido a que se  refere o artigo anterior a empresa produtora e  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 103          8 exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido  aplica­se  inclusive:  I  ­  Quando  o  produto  fabricado  goze  do  benefício  da  alíquota zero; II ­ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim  específico  de  exportação.  §  2º  O  crédito  presumido  relativo  a  produtos  oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de  12 de abril  de 1990, utilizados  como matéria­prima, produto  intermediário  ou  embalagem,  na  produção  bens  exportados,  será  calculado,  exclusivamente,  em  relação  às  aquisições,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS."   6.  Com  efeito,  o  §  2º,  do  artigo  2º,  da  Instrução  Normativa  SRF  23/97,  restringiu  a  dedução  do  crédito  presumido  do  IPI  (instituído  pela  Lei  9.363/96),  no  que  concerne  às  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  produtos  oriundos  de  atividade  rural,  às  aquisições,  no  mercado  interno,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  às  contribuições  destinadas  ao  PIS/PASEP e à COFINS.  7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos  secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos  normativos  primários  a  que  se  subordinam  (leis,  tratados,  convenções  internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma  exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar­se­ ão  de  ilegalidade  e não  de  inconstitucionalidade  (Precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal:  ADI  531  AgR,  Rel.  Ministro  Celso  de  Mello,  Tribunal  Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro  Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991).  8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que  extrapolou  os  limites  impostos  pela  Lei  9.363/96,  ao  excluir,  da  base  de  cálculo  do  benefício  do  crédito  presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria­prima e  de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela  COFINS  (Precedentes  das  Turmas  de  Direito  Público:  REsp  849287/RS,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em  19.08.2010,  DJe  28.09.2010;  AgRg  no  REsp  913433/ES,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.06.2009,  DJe  25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira  Turma,  julgado  em  16.04.2009,  DJe  06.05.2009;  REsp  1008021/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  01.04.2008,  DJe  11.04.2008;  REsp  767.617/CE,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  julgado  em  12.12.2006,  DJ  15.02.2007;  REsp  617733/CE,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  03.08.2006,  DJ  24.08.2006;  e  REsp  586392/RN,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004).  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 104          9 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor­ exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o  Decreto 2.367/98 ­ Regulamento do IPI ­, posterior à Lei 9.363/96, não fez  restrição  às  aquisições  de  produtos  rurais";  e  (iii)  "a  base  de  cálculo  do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados  no  processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN).  10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a  cláusula  de  reserva  de  plenário  (CF,  artigo  97)  a  decisão  de  órgão  fracionário  de  tribunal  que,  embora  não  declare  expressamente  a  inconstitucionalidade de  lei  ou  ato  normativo  do  poder  público,  afasta  sua  incidência, no todo ou em parte."  11.  Entrementes,  é  certo  que  a  exigência  de  observância  à  cláusula  de  reserva de plenário não abrange os atos normativos  secundários do Poder  Público,  uma  vez  não  estabelecido  confronto  direto  com  a  Constituição,  razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie.  12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação  do princípio constitucional da não­cumulatividade), descaracteriza  referido  crédito  como  escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência  de  correção  monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do  artigo 543­C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado  em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de  Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação  da  Taxa  SELIC  (a  partir  de  janeiro  de  1996)  na  correção  monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  20.04.2010, DJe 03.05.2010).  14.  Outrossim,  a  apontada  ofensa  ao  artigo  535,  do  CPC,  não  restou  configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciou­se de forma clara  e  suficiente  sobre  a  questão  posta  nos  autos.  Saliente­se,  ademais,  que  o  magistrado  não  está  obrigado a  rebater,  um a  um,  os  argumentos  trazidos  pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para  embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos.  15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência  de  correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 105          10 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008.  (STJ.  Primeira  Seção.  Rel.  Min.  Luis  Fux.  REsp  n°  993.164/MG.  DJe  17/12/2010)    PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos  escriturais),  por  ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte em sua escrita contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele  o  contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância que acarreta demora  no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos  judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima  a  necessidade  de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção: EREsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz Fux,  julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953/PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006; EREsp  522.796/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto  Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel.  Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao  regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (STJ.  Primeira  Seção.  Rel.  Min.  Luis  Fux.  REsp  n°  1.035.847/RS.  DJe  03/08/2009)    Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 106          11 Os acórdãos supracitados apontam duas conclusões relevantes para a questão  suscitada pela Recorrente: (i) a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais de  IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade  (REsp n° 1.035.847/RS) e  (ii)  os  juros SELIC  devem  ser excepcionalmente  aplicados  ao  ressarcimento  na hipótese  de  haver  resistência  injustificada  (ato  estatal  que  impeça  ou  embarace  o  aproveitamento  dos  créditos objeto de ressarcimento) (REsp n° 1.035.847/RS e REsp n° 993.164/MG).    Na  hipótese  dos  autos,  não  há  notícia  de  que  tenha  ocorrido  resistência  injustificada do Fisco, a autorizar, portanto, a incidência de juros SELIC sobre as importâncias  objeto de ressarcimento, como definido nos paradigmas supratranscritos.    Portanto, a regra é: o ressarcimento não autoriza incidência de juros SELIC,  por não configurar pagamento indevido ou a maior (§4°, do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 26 de  dezembro de 1995).    Contudo, excepcionalmente, configurada a resistência injustificada do Fisco,  o  que  pressupõe  ato  estatal  que  impeça  ou  embarace  o  direito  ao  ressarcimento,  consoante  entendimento  do  STJ,  os  créditos  escriturais  descaracterizam­se  como  tais,  passando  a  autorizar a incidência dos juros SELIC.    Outrossim, é bom lembrar que o “ressarcimento” e “restituição” são institutos  distintos. A restituição tem lugar quando se verifica pagamento indevido que, posteriormente,  vem  a  ser  pleiteado  pelo  contribuinte.  Já  em  relação  ao  ressarcimento,  não  há  prévio  pagamento  de  tributo,  portanto,  não  há  repetição.  Na  hipótese  de  restituição,  o  direito  à  correção nasce do tributo indevidamente pago pelo contribuinte, o que não ocorre quando há  ressarcimento.    Corroborando  o  quanto  foi  dito  e,  em  harmonia  com  a  posição  do  STJ,  a  CSRF do CARF tem manifestado o entendimento que:    “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI  Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001  RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.  Incabível a atualização do  ressarcimento pela  taxa Selic,  por  se  tratar de  hipótese distinta da repetição de indébito.  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 107          12 Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado. (CSRF,  2°Turma,  Acórdão  CSRF/02­03.855,  pelo  voto  de  qualidade,  julgado  em  13/02/09) (g.n.)    Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002   CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  ESPECIAL  DA  FAZENDA  NACIONAL  TAXA SELIC.   É  imprestável  como  instrumento de correção monetária,  não  justificando a  sua  adoção,  por  analogia,  em  processos  de  ressarcimento  de  créditos  incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão  legal.  O  ressarcimento  não  é  espécie  do  gênero  restituição,  portanto  inexiste  previsão  legal  para  atualização dos  valores  objeto  deste  instituto.  Recurso  provido.  (CSRF,  3°Turma,  Acórdão CSRF/9303­00.733,  pelo  voto  de qualidade, julgado em 02/02/10) (g.n.)    Assim,  por  não  haver  nos  autos  notícia  de  resistência  injustificada,  não  há  razão que ampare a incidência de juros SELIC na hipótese de ressarcimento.     Prescrição    Superado esse ponto, passo a análise da questão seguinte, que diz respeito à  suposta prescrição dos débitos.    Alega  a  Requerente  que  os  débitos  objeto  do  presente  processo  estão  prescritos. Tal alegação  se baseia no entendimento de que a declaração de compensação não  suspende o prazo prescricional.    Todavia, o exame dos autos mostra que de prescrição não se trata.    Dispõe a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que:    Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria da Receita Federal,  passível  de  restituição ou de  ressarcimento,  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 108          13 poderá utilizá­lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer  tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.  § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega,  pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas  aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.  § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o  crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.  (...)  § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade  administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu  protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.  §  5o  O  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de  compensação.  §  6o  A  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados.  § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e  10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de  1972, e enquadram­se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­ Código  Tributário Nacional,  relativamente  ao  débito objeto da compensação.    Da  leitura  do  dispositivo,  nota­se  que  o  crédito  tributário  declarado  em  pedido  de  compensação  pelo  sujeito  passivo  (i)  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação, (ii) confere à Administração o prazo de 5 (cinco) anos  para homologação da declaração apresentada pelo sujeito passivo e (iii) constitui confissão de  dívida.     Note­se  ainda que  o manejo  de manifestação  de  inconformidade  e  recursos  autoriza  a  suspensão  da  exigibilidade,  na  forma  do  artigo  151,  III  do  Código  Tributário  Nacional.    Da inteligência do dispositivo em apreço despontam as seguintes conclusões:  (i)  o  pedido  de  compensação  formalizado  pelo  sujeito  passivo  é  instrumento  suficiente  para  ajuizamento da execução fiscal, uma vez que consiste em confissão de dívida, portanto, rege­se  pelo  prazo  prescricional,  porém,  (ii)  o  crédito  tributário  declarado  pelo  sujeito  passivo  em  pedido de compensação não é definitivamente extinto, sujeitando­se a condição resolutória de  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 109          14 sua  ulterior  homologação,  autorizando­se,  portanto,  que  o  sujeito  ativo  audite  os  créditos  declarados pelo sujeito passivo, assim, nessa hipótese, vindo a não homologar, ou homologar  parcialmente  o  crédito,  fica  assegurado  ao  sujeito  passivo  a  ampla  defesa  e  o  contraditório,  suspendendo­se a exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151, III do CTN.    Como se vê, na segunda hipótese, não há falar em prazo prescricional, mas  sim, prazo decadencial,  eis que o crédito não se encontra definitivamente constituído, sendo­ lhe  suprimido  o  atributo  exigibilidade,  até  solução  definitiva  do  contencioso  administrativo  fiscal.    O julgado abaixo, embora trate de parcelamento, confirma o quanto se disse  quanto à suspensão da exigibilidade na hipótese de se instaurar o contencioso administrativo:    (...)    9.  O  STJ  possui  orientação  pacificada  no  sentido  de  que,  instaurado  o  contencioso  administrativo,  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  fica  suspensa  até  a  decisão  final.  Exemplo  tradicional  nesse  sentido  é  o  caso  dos pedidos de compensação pendentes de análise pelo Fisco.   10. É correto concluir, com base na análise da legislação tributária acima  mencionada e nos precedentes jurisprudenciais, que, enquanto pendente de  solução  final,  inexiste  o  atributo  da  "exigibilidade"  do  crédito  tributário  devido  pelo  contribuinte  excluído  do  Refis.  Por  essa  razão,  o  singelo  ato  unilateral de indeferimento da opção pelo respectivo regime de parcelamento  não determina o reinício do lapso prescricional.  (STJ.  Segunda  Turma.  Rel.Min. Herman  Benjamin.  REsp  n°  1.144.962/SC.  DJe 01/07/2010) (g.n.)    E  se  o  crédito  não  foi  definitivamente  constituído,  por  faltar­lhe  o  atributo  exigibilidade, não há falar em prescrição,  tampouco na suspensão desse prazo, mas,  sim, em  decadência.    À vista do §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, o Fisco tem 5 anos, contados  da data da transmissão do pedido eletrônico de compensação para homologar, ou não, o crédito  tributário do sujeito passivo.    Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 110          15 Como visto, a auditoria dos pedidos de compensação se deu num intervalo de  aproximadamente 4 anos, portanto, dentro de prazo que tinha o Fisco para rever as declarações  prestadas pelo sujeito passivo.    Por  sua  vez,  em  face  desse  despacho  decisório,  insurgiu­se  a  Recorrente,  opondo­se à homologação parcial do crédito.    Nas hipóteses em que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário por  força da instauração do contencioso administrativo, já decidiu o STJ que, até solução do litígio,  não correm os prazos de prescrição ou decadência:    PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  LANÇAMENTO ORIGINAL E LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ART. 18,  §3º,  DO  DECRETO  N.  70.235/72.  CONTAGEM  DO  PRAZO  DECADENCIAL DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. ART. 173, I, II E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.  1.  Regra  geral,  "o  Código  Tributário  Nacional  estabelece  três  fases  inconfundíveis: a que vai até a notificação do lançamento ao sujeito passivo,  em  que  corre  prazo  de  decadência  (art.  173,  I  e  II);  a  que  se  estende  da  notificação do lançamento até a solução do processo administrativo, em que  não  correm  nem  prazo  de  decadência,  nem  de  prescrição,  por  estar  suspensa a exigibilidade do crédito (art. 151, III); a que começa na data da  solução final do processo administrativo, quando corre prazo de prescrição  da ação  judicial da Fazenda (art. 174)"  (Supremo Tribunal Federal, RE N.  95365/MG,  Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Décio  Miranda,  julgado  em  13.11.1981).  Na  mesma  linha,  este  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  REsp  58774  /  SP,  Primeira  Turma,  Rel.  Min.  Milton  Luiz  Pereira,  julgado  em  22.11.1995.  (STJ.  Segunda  Turma.  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques.  REsp  n°  1.212.658/RS. DJe 15/03/2011) (g.n.)    Não  bastasse  a  inexistência  suspensão  do  prazo  decadencial  e,  portanto,  a  tempestividade da auditoria procedida pela Administração Tributária, a título de remate, é bom  lembrar que as súmulas invocadas pela Recorrente nada alteram o quadro decisório dos autos.    Está estampado na súmula vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal que  a  declaração  de  inconstitucionalidade  nela  vazada  alcança  apenas  certas  regras  que  desbordaram  os  limites  estabelecidos  pela  lei  que  disciplinou  as  normas  gerais  de  direito  tributário, na forma do artigo 146, III, b da Constituição Federal:  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 111          16   São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­Lei  nº  1.569/1977  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/1991,  que  tratam  de  prescrição e decadência de crédito tributário.    Indiferente a inconstitucionalidade dessas regras, já que elas nada interferem,  sequer se aplicam, à questão posta nos autos.     Igualmente  inaplicável  o  disposto  na  súmula  n°  409  do  STJ,  já  que,  como  visto, nos autos, de prescrição não se cuida:    Em  execução  fiscal,  a  prescrição  ocorrida  antes  da  propositura  da  ação  pode ser decretada de ofício (art. 219, § 5º, do CPC).    Assim, sem razão a Recorrente.    Remissão dos débitos    Alega  ainda  a Recorrente  que  se  confirmada a  homologação  parcial  de  seu  crédito, o débito relativo à importância não homologada estaria remitido por força do artigo 14  da Medida  Provisória  n°  449,  de  3  dezembro  de  2008,  posteriormente  convertida  na  Lei  n°  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  pois  o  valor  total  do  débito  não  alcançaria  o montante  de  R$10.000,00 (dez mil reais).    Dispõe o artigo 14 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 que:    Art.  14.  Ficam  remitidos  os  débitos  com  a  Fazenda  Nacional,  inclusive  aqueles  com  exigibilidade  suspensa  que,  em  31  de  dezembro  de  2007,  estejam vencidos há 5  (cinco) anos ou mais e cujo valor  total consolidado,  nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).   § 1o O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito  passivo e, separadamente, em relação:   I  –  aos  débitos  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União,  no  âmbito  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  decorrentes  das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 112          17 substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades e fundos;   II  –  aos  demais  débitos  inscritos  em Dívida Ativa  da União,  no  âmbito  da  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional;   III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  da Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e   IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do  Brasil.   §  2o  Na  hipótese  do  IPI,  o  valor  de  que  trata  este  artigo  será  apurado  considerando a totalidade dos estabelecimentos da pessoa jurídica.  § 3o O disposto neste artigo não implica restituição de quantias pagas.   § 4o Aplica­se o disposto neste artigo aos débitos originários de operações  de crédito rural e do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária  –  PROCERA  transferidas  ao  Tesouro  Nacional,  renegociadas  ou  não  com  amparo  em  legislação  específica,  inscritas  na  dívida  ativa  da  União,  inclusive aquelas adquiridas ou desoneradas de risco pela União por  força  da Medida Provisória no 2.196­3, de 24 de agosto de 2001.    Inviável,  todavia,  tal  análise  no  âmbito  do  recurso  voluntário,  visto  que  o  dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do sujeito passivo para fins de  verificar se foi respeitado o limite de R$10.000,00 (dez mil reais), e o recurso em pauta trata  apenas do reexame da decisão recorrida, onde há apenas parte do débito, não sua totalidade.    Na  forma  do  §1°  do  dispositivo  supratranscrito,  tal  análise  deverá  ser  feita  pela Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,  quando definitivamente constituído o crédito  tributário no âmbito do processo administrativo  fiscal.    Diante do  exposto,  voto no  sentido de NEGAR PROVIMENTO ao  recurso  voluntário interposto pela Recorrente, mantendo a decisão recorrida tal como lançada, por seus  próprios fundamentos.    Gilberto de Castro Moreira Junior    Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/2008­10  Acórdão n.º 3202­000.631  S3­C2T2  Fl. 113          18                           Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 10980.720405/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo preterição ao direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os atos e decisões foram realizados e externados por pessoas competentes, inexiste a nulidade citada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos pelo contribuinte, aplicável a multa de ofício de 75% prevista na legislação tributária, a qual, como se sabe, independe de dolo fraude ou simulação do contribuinte. SÚMULA VINCULANTE Nº 2 DO CARF. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS NÃO CONHECIDAS. Ao longo do Recurso Voluntário o Recorrente trata de diversas matérias constitucionais, as quais não devem sequer ser conhecidas a teor da Súmula CARF 02. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/2009­71  Acórdão n.º 2801­002.621  S2‐TE01  Fl. 137          2 Assinado digitalmente  Antonio de Pádua Athayde Magalhães ­ Presidente      Assinado digitalmente  Sandro Machado dos Reis – Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  de  Pádua  Athayde  Magalhães  (Presidente),  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz  Cláudio Farina Ventrilho.    Relatório  Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo:  “Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 54 a 60, exigem­ se  do  contribuinte  os  montantes  de  R$  4.809,58  de  imposto  suplementar, R$ 3.607,18 de multa de ofício de 75% e encargos  legais, relativos ao exercício 2005, ano­calendário 2004.  A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual  (fls. 50 a 52), constatou as seguintes infrações:  Omissão de rendimentos do  trabalho assalariado, R$ 30.025,96,  com  IRRF  de  R$  3.180,14,  conforme  informações  da  PARANAPREVIDÊNCIA  e  comprovante  de  rendimentos  apresentado pelo contribuinte.  Omissão  de  rendimentos  do  trabalho  sem  vínculo  empregatício,  R$  363,20,  conforme  informações  da  PASS  Associação  de  Assistência a Saúde  Omissão  de  rendimentos  recebidos  a  título  de  resgate  de  contribuição à previdência privada, R$ 12.157,69, uma vez que o  contribuinte  admitiu  que  o  valor  de  R$  6.078,84  foi,  equivocadamente,  informado  como  dedução  de  contribuição  à  previdência  privada  e  não  sendo  possível,  por  problemas  operacionais,  excluir  a  dedução  com  previdência  oficial,  considerou­se  como  omissão  de  rendimentos  o  valor  de  R$  12.157,68  (omissão de R$ 12.157,68 dedução de R$ 6.078,84 =  omissão real de R$ 6.078,84);  Dedução  indevida  de  previdência  oficial,  no  valor  de  R$  2.343,59,  por  falta  de  comprovação  ou  previsão  legal  para  dedução;   Compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 1.532,02, por se  tratar de retenção ocorrida no ano­calendário de 2003.  Cientificado,  em  26/02/2009  (fl.  61),  o  contribuinte  apresentou,  em  24/03/2009,  por  intermédio  de  procurador  (fl.  17),  a  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/2009­71  Acórdão n.º 2801­002.621  S2‐TE01  Fl. 138          3 impugnação de fls. 02 a 16, acatada como tempestiva pelo órgão  de  origem  (fl.  64),  descrevendo a  autuação  e  entendendo que  a  ação  fiscal  não  poderia  prosperar,  em  virtude  de  não  atendimento a requisito formal para sua validade, invocando, por  esse motivo, a nulidade da autuação.  Defende,  ainda,  ter  apenas  cometido  erro  de  preenchimento  da  declaração,  sendo  descabido  dispensar  a  esse  fato  o  mesmo  tratamento dado à omissão de rendimentos.  Argumenta  que  não  se  poderia  guindar  o  equívoco  do  contribuinte, à condição de infração tributária, como pretende o  lançamento, sob  justificativa do autuante de que, por problemas  operacionais  não  teria  sido  possível  excluir  a  dedução  com  previdência  oficial.  Salienta  que  se  tratando  de  profissional  médico, servidor público que  tem dedicado a vida a amenizar o  sofrimento  de  seu  semelhante,  estaria  sendo  punido  de maneira  exacerbada  por  mero  equívoco  no  preenchimento  de  sua  declaração.  Busca  demonstrar,  em  extenso  arrazoado:  as  ocorrências  de  nulidade da notificação por falta de requisito formal de validade;  a  inexistência  de  omissão, mas  sim,  o  erro  nas  informações  da  declaração  do  exercício  de  2005,  onde  consignou  rendimentos  relativos  ao  ano­calendário  2003,  exercício  2004,  sendo que  as  fontes  pagadoras  já  haviam  informado  à  RFB  os  valores  corretos;  que  não  se  pode  imputar  ao  contribuinte  omissão  decorrente de problemas operacionais, que nada têm a ver com a  sua conduta; que, conhecendo a omissão de rendimentos, caberia  ao  Fisco  a  autuação  imediata,  evitando  que  o  transcurso  de  tempo  viesse  a  onerar  sobremaneira  o  patrimônio  do  contribuinte,  pela  aplicação  de  multa,  juros  e  atualização  monetária do débito.  Sustenta  a  preliminar  de  nulidade  no  art.  11,  IV  do Decreto  nº  70.235, de 1972, afirmando que, por não se tratar de notificação  expedida  por  processo  eletrônico,  seria  imprescindível  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  servidor  autorizado, o que não consta da autuação contestada, eivando­a  de incontestável vício e conseqüente nulidade.  Admite, contudo, que não caiba pronunciamento sobre a nulidade  invocada,  caso  se  venha  a  decidir,  no  mérito,  em  favor  do  contribuinte,  a  teor  do  art.  59  do Decreto  nº  70.235,  de  06  de  março de 1972.  Insurge­se, com base no art. 150 da CF/1988, contra a multa de  ofício  de  75%,  atribuindo­lhe,  em  extenso  arrazoado,  caráter  confiscatório,  em  afronta  aos  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade  e  eficiência,  trazendo  à  colação  doutrinas  para apoiar sua tese.  Caso não acatada a preliminar, requer aplicação do instituto da  remissão,  aduzindo  haver  coletado  toda  a  documentação  para  elaborar a declaração de ajuste anual do Ano­calendário 2004,  incluindo,  indevidamente,  comprovante  anual  de  rendimentos  relativo  ao  ano­calendário  2003,  cujos  valores  restaram,  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/2009­71  Acórdão n.º 2801­002.621  S2‐TE01  Fl. 139          4 erroneamente,  informados  na  declaração  de  ajuste  anual  do  exercício 2005.  Acrescenta  novo  equívoco  cometido  ao  lançar,  a  título  de  dedução,  o  montante  de  R$  6.078,84,  recebido  da  Real  Vida  e  Previdência Ltda., conforme esclarecido na fase preparatória do  lançamento.  Ressalta  que  tais  equívocos  não  implicaram  prejuízo  para  a  atividade fiscal, haja vista as informações prestadas diretamente  ao  Fisco  pelas  fontes  pagadoras.  No  entanto,  em  face  de  problemas  institucionais,  teria  a  repartição  fiscal  demandado  muito tempo para proceder à retificação autorizada pelo art. 147,  §  2º  do CTN.  Insistindo  tratarem­se  de  erros  escusáveis,  pugna  pela aplicação do art. 172, II do CTN.  Em resumo, requer:  a) acolhimento da  impugnação e cancelamento da totalidade da  exigência,  permitindo­se  a  retificação  da  declaração  de  ajuste  anual;  b)  caso  desatendido  o  item  anterior,  acolhimento  parcial  da  impugnação  para  recolhimento  do  tributo  sem  os  consectários  legais;  c)  informação  da  data  precisa  da  apresentação  de  Dirf  pelas  fontes  pagadoras  Paranaprevidência,  Instituto  de  Saúde  do  Paraná, Unimed, Ministério da Saúde e Real Vida e Previdência  S/A, do ano­calendário 2004, a fim de possibilitar­lhe o exercício  da ampla defesa.  Instrui  a  petição  com  cópia  de  comprovantes  anuais  de  rendimentos, relativos ao ano­calendário 2004 (fls. 34 a 37).”  A primeira instância, em seguida, rejeitou a impugnação.  Diante  daquela  decisão,  foi  interposto  Recurso  Voluntário  reiterando  os  mesmos fundamentos colocados a apreciação da primeira instância.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator  Trata­se de lançamento decorrente de procedimento de revisão fiscal através  da qual se apurou omissão de receitas auferidas no período.  Com  efeito  meramente  didático,  e  para  facilitar  a  visualização,  serão  analisados individualmente os argumentos suscitados pelo Recorrente.  I – Da nulidade do Auto de Infração  O primeiro ponto suscitado pelo Recorrente em sua peça recursal consiste na  suposta nulidade do Auto de Infração por cerceamento ao seu direito de defesa.  Não obstante o esforço argumentativo do contribuinte, fato é que improcede  por absoluto essa argumentação.  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/2009­71  Acórdão n.º 2801­002.621  S2‐TE01  Fl. 140          5 Como se vê da Notificação de Lançamento (fls.19 e seguintes) originária do  crédito contestado, o Fiscal autuante pontuou todos os dispositivos infringidos pelo Recorrente,  bem assim indicou corretamente a capitulação legal em que previstas as penalidade impostas.  Ao contrário do alegado, portanto, inexistiu qualquer privação quanto ao seu  direito constitucional à ampla defesa ou contraditório, de modo que resta superada sua alegação  nulidade do auto de infração por cerceamento a esses direitos fundamentais.  Também não se afigura qualquer mácula a publicidade no corrente processo  administrativo,  posto  que  o  Recorrente  foi  intimado  para  se  manifestar  em  todos  as  oportunidades legalmente exigidas.  Por fim, não se vislumbra no processo qualquer dos vícios previstos no art.59  do Decreto 70.235/72, de modo que deve ser afastada de plano a preliminar suscitada.  II – Da Omissão de Receitas  Neste ponto, alega o Recorrente a impossibilidade de se imputar a omissão de  receitas  vislumbrada  sob  o  argumento  de  que  o  Fisco  teria  o  dever  legal  de  retificar  automaticamente sua DIPF, na medida em que a fonte pagadora da renda já o declarara como  beneficiário.  Ademais,  em  razão  dessa  declaração  da  fonte  pagadora,  não  poderia  vislumbrar­se  efetiva  omissão  de  receitas,  motivo  pelo  qual  haveria  de  ser  afastada  a  penalidade de 75% do valor do tributo que lhe fora imposta.  Ora,  a  omissão,  no  caso,  é  do  contribuinte,  o  qual,  obrigado  por  lei,  tem o  dever de apresentar anualmente sua DIPF, com informações fidedignas.  Não apresentada essa informação, deve o contribuinte arcar com tal ônus.  Nesse ponto, portanto, também deve ser mantida a autuação fiscal.  III – Da aplicação da Remissão prevista no art. 172 do CTN  Inadmissível  a  remissão  da  dívida  requerida  pelo  Recorrente  simplesmente  porque,  como  sabido,  a  Administração  Pública  só  poderá  concedê­la  acaso  autorizada  expressamente em lei.  Obviamente que, no caso, inexiste qualquer disposição legal permitindo seja  concedida  a  remissão  em casos  como o presente,  de modo que deve ser mantida  a  autuação  fiscal em sua integralidade.  IV ­ A matéria constitucional e a súmula vinculante nº 2 do CARF  Por fim, suscita o Recorrente matérias que sequer devem ser conhecidas, na  medida  em  que,  conforme  súmula  vinculante  nº  2  do  CARF,  não  cabe  a  este  E.  Conselho  questionar a constitucionalidade das leis.  As matérias não conhecidas são: (i) natureza confiscatória da multa de ofício;  (ii) afronta  aos princípios da  razoabilidade, da proporcionalidade  e da eficiência, de molde a  configurar desvio de  finalidade;  (iii)  impossibilidade de  aplicação da multa de ofício eis que  inexistente o dolo ou má fé do contribuinte (neste ponto, como a multa está prevista em lei –  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  só  seria  admissível  fosse  afastada mediante  a  declaração  de  sua  inconstitucionalidade).  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/2009­71  Acórdão n.º 2801­002.621  S2‐TE01  Fl. 141          6 Diante de  todo  o  exposto,  rejeito  a preliminar  suscitada  e,  no mérito,  nego  provimento ao Recurso Voluntário.    Assinado digitalmente  Sandro Machado dos Reis                                  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES

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Numero do processo: 10805.002266/2001-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.506
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata-se de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI que se refere ao saldo credor do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com saídas com suspensão do IPI de que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 113/99, no montante de R$ 1.100.000,00, respeitante ao 3º trimestre-calendário de 2001. As compensações estão no processo apensado nº 10805.001533/2004-39. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 526/530, lavrado em 12/11/2007, assim dispõe sobre o processo em questão: “(...) a) Verificação da correta instrução dos processos e autenticidade dos documentos juntados pelo interessado. Inicialmente queremos destacar que os créditos de IPI a serem analisados, relativos aos processos acima citados, têm por fundamento legal a restituição do saldo credor do IPI permitida pelo artigo 11 da Lei nº. 9.779, de 19 de janeiro de 1999, originados pela saída do estabelecimento industrial, com suspensão de IPI, de produtos fabricados destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701 a 8705), de acordo com o artigo 5° da Lei No 9.826, de 23 de agosto de 1999, e Instrução Normativa IN SRF nº 113, de 14 de setembro de 1999, c/c a saída de produtos fabricados destinados à exportação, que possuem imunidade de acordo com o artigo 18, inciso II, do RIPI/98. (...) b) Verificação da legitimidade dos saldos escriturados (...) b.2) Constatamos que o valor de R$ 1.100.000,00, relativo ao Pedido de Ressarcimento solicitado pelo fiscalizado através do processo n ° 10805.002266/2001-74, referente ao 3° trimestre calendário do ano de 2001, refere-se a parte do seu saldo credor do IPI, escriturado em 30/09/2000 em seu livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 1.249.375,98. Ocorre que no inicio do 3° trimestre calendário do ano de 2001 o saldo credor do fiscalizado relativo ao período anterior era de R$ 1.606.060,32. Através da análise do livro de Registro de Apuração do IPI do contribuinte fiscalizado verificamos que o mesmo não possui saldo credor de IPI, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000, mas sim saldo devedor do IPI no valor de R$ 356.684,34, correspondente ao saldo credor em 30/09/2000 (R$ 1.249.375,98) menos o saldo credor em 30/06/2000 (R$ 1.606.060,32). Desta forma, concluímos que não há saldo credor do IPI do fiscalizado, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000 [sic, ... na verdade, 2001], a ser analisado. (...) 3. CONCLUSÃO Após todas as verificações por nós realizadas, anteriormente descritas, e todas as conferências feitas, de acordo com a Comunicação de Serviço n° 10805/001/2000, Ordem de Serviço DRF/SAE No 1, de 12 de maio de 2004, e Ordem de Serviço SRRF08, No 008, de 13 de setembro de 2005, concluímos que o contribuinte em tela faz jus aos valores de ressarcimento abaixo discriminados: (...) • 3º trimestre calendário do ano de 2001 Valor do ressarcimento de IPI solicitado: R$ 1.100.000,00; Processo Administrativo Fiscal N ° 10805.002266/200174 Crédito a ser glosado conforme descrito no item 2.b.2) e planilha anexa citada no item 2.i) deste Termo = R$ 1.100.000,00; Valor passível de ressarcimento = ZERO (...)” O Despacho Decisório, fls. 532/533, de 28/11/2007, exarado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, SP, ratificou a glosa proposta no relatório fiscal e no parecer do ato decisório, sem o reconhecimento do direito creditório e a não-homologação das compensações declaradas no processo em apenso. A ciência da interessada, conforme AR nos autos, é de 04/01/2008. Insatisfeita com a decisão administrativa, a interessada ofereceu, em 01/02/2008, manifestação de inconformidade (fls. 541/553) subscrita pelos respectivos patronos da pessoa jurídica, devidamente constituídos por instrumento legal presente nos autos, em que aduz, em síntese, que, em caráter preliminar, houve a decadência do direito de lançamento do crédito tributário referente aos pedidos de compensação efetuados, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 5º: “Com efeito, os pedidos de compensação realizados pela Impugnante se deram em 15/02/2002 (R$ 698.288,75) e em 15/03/2002 (R$ 401.711,25), ou seja, quase 6 (seis) anos antes da prolação do Despacho Decisório ora impugnado”; tratando-se de pedidos de compensação convertidos em declarações de compensação, o prazo de 5 anos para homologação tácita é contado desde a data de protocolo dos pedidos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 70; tudo conforme vários precedentes administrativos; no mérito, contesta o indeferimento integral e a existência apontada de um suposto saldo devedor no trimestre em questão no valor de R$ 356.684,34, porque o que foi pleiteado (R$ 1.100.000,00) tem por base o saldo credor acumulado de períodos anteriores; faz um histórico da legislação que trata do ressarcimento de créditos de IPI no caso de saídas com suspensão do imposto, a partir da Lei nº 9.779/99, art. 11, sendo inexistente dispositivo legal que vede o ressarcimento de crédito da maneira como feita pela requerente à época (07/11/2001). Por fim, requer que seja reconhecida a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo às compensações efetuadas tendo em vista o transcurso de quase 6 (seis) anos entre as datas de protocolo dos pedidos de compensação e a data da ciência do Despacho Decisório guerreado; no mérito, que haja o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações dos débitos de PIS e de COFINS. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-36935, de 14 de março de 2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FORMA DE APURAÇÃO. Somente os créditos escriturados no trimestre-calendário dão azo a ressarcimento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO QUINQUENAL. MUDANÇA DO TERMO INICIAL. A retificação de pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, faz com que o termo inicial do prazo para homologação por disposição legal seja contado da data da retificação. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a)Não há dúvida de que as referidas declarações de compensação foram homologadas tacitamente, pois ao contrário do que se alega no acórdão recorrido, a mera retificação do pedido de compensação para alterar o sujeito passivo, não tem o condão de interromper o curso do prazo decadencial, de forma a reiniciar sua contagem; e b)A legislação vigente à época da apresentação do pedido de ressarcimento nunca vedou a utilização de créditos do IPI em trimestre distintos daquele no qual foi apurado. Ao revés, a legislação era expressa em conferir ao contribuinte do imposto a possibilidade de, uma vez encerrado o período de apuração, transferir o saldo credor remanescente para o período de apuração subsequente. Termina sua petição recursal requerendo a reforma do acórdão vergastado para fins de: Que seja reconhecida a decadência do direto do fisco federal de constituir o crédito tributário relativo às compensações realizadas, haja vista a ocorrência da sua homologação tácita; e Que seja deferido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento em questão e, via consequência, homologadas as compensações a ele vinculadas. Este é o relatório. VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata-se de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI que se refere ao saldo credor do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com saídas com suspensão do IPI de que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 113/99, no montante de R$ 1.100.000,00, respeitante ao 3º trimestre-calendário de 2001. As compensações estão no processo apensado nº 10805.001533/2004-39. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 526/530, lavrado em 12/11/2007, assim dispõe sobre o processo em questão: “(...) a) Verificação da correta instrução dos processos e autenticidade dos documentos juntados pelo interessado. Inicialmente queremos destacar que os créditos de IPI a serem analisados, relativos aos processos acima citados, têm por fundamento legal a restituição do saldo credor do IPI permitida pelo artigo 11 da Lei nº. 9.779, de 19 de janeiro de 1999, originados pela saída do estabelecimento industrial, com suspensão de IPI, de produtos fabricados destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701 a 8705), de acordo com o artigo 5° da Lei No 9.826, de 23 de agosto de 1999, e Instrução Normativa IN SRF nº 113, de 14 de setembro de 1999, c/c a saída de produtos fabricados destinados à exportação, que possuem imunidade de acordo com o artigo 18, inciso II, do RIPI/98. (...) b) Verificação da legitimidade dos saldos escriturados (...) b.2) Constatamos que o valor de R$ 1.100.000,00, relativo ao Pedido de Ressarcimento solicitado pelo fiscalizado através do processo n ° 10805.002266/2001-74, referente ao 3° trimestre calendário do ano de 2001, refere-se a parte do seu saldo credor do IPI, escriturado em 30/09/2000 em seu livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 1.249.375,98. Ocorre que no inicio do 3° trimestre calendário do ano de 2001 o saldo credor do fiscalizado relativo ao período anterior era de R$ 1.606.060,32. Através da análise do livro de Registro de Apuração do IPI do contribuinte fiscalizado verificamos que o mesmo não possui saldo credor de IPI, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000, mas sim saldo devedor do IPI no valor de R$ 356.684,34, correspondente ao saldo credor em 30/09/2000 (R$ 1.249.375,98) menos o saldo credor em 30/06/2000 (R$ 1.606.060,32). Desta forma, concluímos que não há saldo credor do IPI do fiscalizado, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000 [sic, ... na verdade, 2001], a ser analisado. (...) 3. 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A ciência da interessada, conforme AR nos autos, é de 04/01/2008. Insatisfeita com a decisão administrativa, a interessada ofereceu, em 01/02/2008, manifestação de inconformidade (fls. 541/553) subscrita pelos respectivos patronos da pessoa jurídica, devidamente constituídos por instrumento legal presente nos autos, em que aduz, em síntese, que, em caráter preliminar, houve a decadência do direito de lançamento do crédito tributário referente aos pedidos de compensação efetuados, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 5º: “Com efeito, os pedidos de compensação realizados pela Impugnante se deram em 15/02/2002 (R$ 698.288,75) e em 15/03/2002 (R$ 401.711,25), ou seja, quase 6 (seis) anos antes da prolação do Despacho Decisório ora impugnado”; tratando-se de pedidos de compensação convertidos em declarações de compensação, o prazo de 5 anos para homologação tácita é contado desde a data de protocolo dos pedidos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 70; tudo conforme vários precedentes administrativos; no mérito, contesta o indeferimento integral e a existência apontada de um suposto saldo devedor no trimestre em questão no valor de R$ 356.684,34, porque o que foi pleiteado (R$ 1.100.000,00) tem por base o saldo credor acumulado de períodos anteriores; faz um histórico da legislação que trata do ressarcimento de créditos de IPI no caso de saídas com suspensão do imposto, a partir da Lei nº 9.779/99, art. 11, sendo inexistente dispositivo legal que vede o ressarcimento de crédito da maneira como feita pela requerente à época (07/11/2001). Por fim, requer que seja reconhecida a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo às compensações efetuadas tendo em vista o transcurso de quase 6 (seis) anos entre as datas de protocolo dos pedidos de compensação e a data da ciência do Despacho Decisório guerreado; no mérito, que haja o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações dos débitos de PIS e de COFINS. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-36935, de 14 de março de 2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FORMA DE APURAÇÃO. Somente os créditos escriturados no trimestre-calendário dão azo a ressarcimento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO QUINQUENAL. MUDANÇA DO TERMO INICIAL. A retificação de pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, faz com que o termo inicial do prazo para homologação por disposição legal seja contado da data da retificação. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a)Não há dúvida de que as referidas declarações de compensação foram homologadas tacitamente, pois ao contrário do que se alega no acórdão recorrido, a mera retificação do pedido de compensação para alterar o sujeito passivo, não tem o condão de interromper o curso do prazo decadencial, de forma a reiniciar sua contagem; e b)A legislação vigente à época da apresentação do pedido de ressarcimento nunca vedou a utilização de créditos do IPI em trimestre distintos daquele no qual foi apurado. 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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/2001­74  Resolução nº  3402­000.506  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:  Trata­se de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI que se refere  ao saldo credor do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999,  combinado com saídas com suspensão do IPI de que dispõe a Instrução  Normativa SRF nº 113/99, no montante de R$ 1.100.000,00, respeitante  ao  3º  trimestre­calendário  de  2001.  As  compensações  estão  no  processo apensado nº 10805.001533/2004­39.  O Termo de Verificação Fiscal,  fls.  526/530,  lavrado em 12/11/2007,  assim dispõe sobre o processo em questão:  “(...) a) Verificação da correta instrução dos processos e autenticidade  dos documentos juntados pelo interessado.  Inicialmente  queremos  destacar  que  os  créditos  de  IPI  a  serem  analisados, relativos aos processos acima citados, têm por fundamento  legal a restituição do saldo credor do IPI permitida pelo artigo 11 da  Lei  nº.  9.779,  de  19  de  janeiro  de  1999,  originados  pela  saída  do  estabelecimento  industrial,  com  suspensão  de  IPI,  de  produtos  fabricados destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701  a 8705), de acordo com o artigo 5° da Lei No 9.826, de 23 de agosto de  1999,  e  Instrução  Normativa  IN  SRF  nº  113,  de  14  de  setembro  de  1999, c/c a saída de produtos fabricados destinados à exportação, que  possuem imunidade de acordo com o artigo 18, inciso II, do RIPI/98.  (...)  b) Verificação da legitimidade dos saldos escriturados  (...)  b.2) Constatamos que o valor de R$ 1.100.000,00, relativo ao Pedido  de  Ressarcimento  solicitado  pelo  fiscalizado  através  do  processo  n  °  10805.002266/2001­74, referente ao 3° trimestre calendário do ano de  2001,  refere­se  a  parte  do  seu  saldo  credor  do  IPI,  escriturado  em  30/09/2000 em seu livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de  R$ 1.249.375,98.  Ocorre que no inicio do 3° trimestre calendário do ano de 2001 o saldo  credor  do  fiscalizado  relativo  ao  período  anterior  era  de  R$  1.606.060,32.  Através  da  análise  do  livro  de  Registro  de  Apuração  do  IPI  do  contribuinte  fiscalizado  verificamos  que  o  mesmo  não  possui  saldo  credor de IPI, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000, mas  sim  saldo devedor do  IPI no  valor de R$ 356.684,34,  correspondente  ao  saldo  credor  em  30/09/2000  (R$  1.249.375,98)  menos  o  saldo  credor em 30/06/2000 (R$ 1.606.060,32).  Desta  forma,  concluímos  que  não  há  saldo  credor  do  IPI  do  fiscalizado, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000 [sic, ...  na verdade, 2001], a ser analisado.  Fl. 863DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/2001­74  Resolução nº  3402­000.506  S3­C4T2  Fl. 102          3 (...)  3. CONCLUSÃO  Após todas as verificações por nós realizadas, anteriormente descritas,  e  todas  as  conferências  feitas,  de  acordo  com  a  Comunicação  de  Serviço n° 10805/001/2000, Ordem de Serviço DRF/SAE No 1, de 12  de  maio  de  2004,  e  Ordem  de  Serviço  SRRF08,  No  008,  de  13  de  setembro  de  2005,  concluímos  que  o  contribuinte  em  tela  faz  jus  aos  valores de ressarcimento abaixo discriminados:  (...)  • 3º trimestre calendário do ano de 2001  Valor do ressarcimento de IPI solicitado: R$ 1.100.000,00;  Processo Administrativo Fiscal N ° 10805.002266/200174  Crédito  a  ser  glosado  conforme  descrito  no  item  2.b.2)  e  planilha  anexa citada no item 2.i) deste Termo = R$ 1.100.000,00;  Valor passível de ressarcimento = ZERO  (...)”  O Despacho Decisório, fls. 532/533, de 28/11/2007, exarado no âmbito  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Santo  André,  SP,  ratificou  a  glosa  proposta  no  relatório  fiscal  e  no  parecer  do  ato  decisório,  sem  o  reconhecimento  do  direito  creditório  e  a  não­ homologação das compensações declaradas no processo em apenso. A  ciência da interessada, conforme AR nos autos, é de 04/01/2008.  Insatisfeita  com  a  decisão  administrativa,  a  interessada  ofereceu,  em  01/02/2008,  manifestação  de  inconformidade  (fls.  541/553)  subscrita  pelos  respectivos  patronos  da  pessoa  jurídica,  devidamente  constituídos por instrumento legal presente nos autos, em que aduz, em  síntese, que, em caráter preliminar, houve a decadência do direito de  lançamento  do  crédito  tributário  referente  aos  pedidos  de  compensação efetuados, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, §  5º:  “Com  efeito,  os  pedidos  de  compensação  realizados  pela  Impugnante se deram em 15/02/2002 (R$ 698.288,75) e em 15/03/2002  (R$  401.711,25),  ou  seja,  quase  6  (seis)  anos  antes  da  prolação  do  Despacho  Decisório  ora  impugnado”;  tratando­se  de  pedidos  de  compensação convertidos em declarações de compensação, o prazo de  5 anos para homologação tácita é contado desde a data de protocolo  dos pedidos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de  dezembro  de  2005,  art.  70;  tudo  conforme  vários  precedentes  administrativos;  no  mérito,  contesta  o  indeferimento  integral  e  a  existência  apontada  de  um  suposto  saldo  devedor  no  trimestre  em  questão  no  valor  de  R$  356.684,34,  porque  o  que  foi  pleiteado  (R$  1.100.000,00)  tem  por  base  o  saldo  credor  acumulado  de  períodos  anteriores;  faz um histórico da  legislação que  trata do  ressarcimento  de  créditos  de  IPI  no  caso  de  saídas  com  suspensão  do  imposto,  a  partir  da  Lei  nº  9.779/99,  art.  11,  sendo  inexistente  dispositivo  legal  que  vede  o  ressarcimento  de  crédito  da  maneira  como  feita  pela  requerente à época (07/11/2001). Por fim, requer que seja reconhecida  Fl. 864DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/2001­74  Resolução nº  3402­000.506  S3­C4T2  Fl. 103          4 a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo às  compensações efetuadas tendo em vista o transcurso de quase 6 (seis)  anos entre as datas de protocolo dos pedidos de compensação e a data  da  ciência  do Despacho Decisório  guerreado;  no mérito,  que  haja  o  reconhecimento  do  direito  creditório  e  a  homologação  das  compensações dos débitos de PIS e de COFINS.  A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a  manifestação  de  inconformidade,  nos  termos  do  Acórdão  nº  14­36935,  de  14  de  março  de  2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI  Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  SALDO  CREDOR.  FORMA  DE  APURAÇÃO.  Somente  os  créditos  escriturados  no  trimestre­calendário  dão  azo  a  ressarcimento.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  RETIFICAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO  POR  DISPOSIÇÃO  LEGAL.  PRAZO  QUINQUENAL. MUDANÇA DO TERMO INICIAL.  A retificação de pedido de compensação, convertido em declaração de  compensação, faz com que o termo inicial do prazo para homologação  por disposição legal seja contado da data da retificação.  Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o  recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que:  a)  Não  há  dúvida  de  que  as  referidas  declarações  de  compensação  foram  homologadas  tacitamente,  pois  ao  contrário  do  que  se  alega  no  acórdão  recorrido,  a  mera  retificação  do  pedido  de  compensação  para  alterar  o  sujeito  passivo,  não  tem  o  condão  de  interromper  o  curso  do  prazo  decadencial,  de  forma  a  reiniciar  sua  contagem; e  b)  A  legislação  vigente  à  época  da  apresentação  do  pedido  de  ressarcimento nunca vedou a utilização de créditos do IPI em trimestre  distintos  daquele  no  qual  foi  apurado.  Ao  revés,  a  legislação  era  expressa  em  conferir  ao  contribuinte  do  imposto  a  possibilidade  de,  uma  vez  encerrado  o  período  de  apuração,  transferir  o  saldo  credor  remanescente para o período de apuração subsequente.  Termina sua petição recursal requerendo a reforma do acórdão vergastado para  fins de:  a)  Que  seja  reconhecida  a decadência do direto do  fisco  federal  de  constituir  o  crédito  tributário  relativo  às  compensações  realizadas, haja vista a ocorrência da sua homologação tácita; e   Fl. 865DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/2001­74  Resolução nº  3402­000.506  S3­C4T2  Fl. 104          5 b)  Que  seja  deferido  o  direito  creditório  objeto  do  pedido  de  ressarcimento em questão e, via consequência, homologadas as  compensações a ele vinculadas.  Este é o relatório.    VOTO O  recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto,  bem  como  dos  demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar.  Preliminarmente, assinalo que o recorrente apresentou diversos documentos que,  em tese, podem comprovar a existência dos créditos  informados no pedido de ressarcimento.  Ressalto  que  os  documentos  foram  aduzidos  quando  da  propositura  da  manifestação  de  inconformidade. Na minha opinião, a Delegacia de Julgamento não analisou tais documentos.  Tomou sua decisão tendo por base somente a legislação, passando ao largo da matéria fática,  conforme se pode constatar pela simples leitura da decisão, que abaixo reproduzo:  Direito Creditório  A  requerente  se  equivoca  na  manifestação  de  inconformidade  ao  sustentar  que  inexiste  dispositivo  legal  que  crie  obstáculos  para  a  apuração  do  saldo  credor  ressarcível  da  maneira  como  foi  empreendida,  isto  é,  com  a  inclusão  de  saldo  credor  de  períodos  anteriores aos do trimestre­calendário.  (...)  Somente dão azo a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre­ calendário: é o que deflui da  legislação suscitada. O saldo credor de  um trimestre­calendário,se não integralmente aproveitado na forma de  ressarcimento/compensação  (arts.  73  e  74  da Lei  nº  9.430,  de 1996),  pode  e  deve  ser  transportado  para  o  período  subseqüente  (dentro  de  trimestre­calendário  posterior),  mas  apenas  para  compensação  com  débitos do imposto na conta gráfica deste, e não para compor o saldo  credor ressarcível do trimestre­calendário seguinte, vale dizer, o saldo  credor  apurado  em  um  trimestre  é  não  ressarcível  em  relação  aos  trimestres subsequentes.   Acrescento que, no momento correto processual, o  recorrente  juntou aos autos  planilha da composição dos créditos acumulados no 3º trimestre de 2001, além das cópias dos  livros de registros de apuração referentes aos anos de 2000 e 2001.   Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará  livremente  sua  convicção,  podendo determinar  as  diligências  que  entender  necessárias,  texto  literal do art. 29 do Decreto nº 70.235/72.  Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de  origem  analise  todos  os  documentos  acostados  aos  autos  no  momento  da  manifestação  de  Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/2001­74  Resolução nº  3402­000.506  S3­C4T2  Fl. 105          6 inconformidade, além dos que estão em posse do recorrente, e produza um relatório conclusivo  acerca da existência do crédito pleiteado.  Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Sala das Sessões, 30/01/2012    GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO  Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Numero do processo: 15586.001623/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. O contador é preposto do sujeito passivo, independentemente de autorização escrita, quando pratica atos relativos à atividade da empresa no seu estabelecimento. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.001623/2010­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.398  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de fevereiro de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: DEIXAR DE  EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS  Recorrente  SAMONTE TRANSPORTES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  NÃO  APRESENTAÇÃO  DE  DOCUMENTOS.  NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO  DIVERSAS DA REALIDADE.  Constitui  infração  deixar  a  empresa  de  apresentar  documentos  solicitados  pela auditoria  fiscal e  relacionados com as contribuições previdenciárias ou  apresentá­los sem atendimento às formalidades legais exigidas.  CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara  e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta  de  obscuridade  na  caracterização  do  fato  gerador  da  multa  aplicada  pelo  descumprimento de obrigação acessória.  O contador é preposto do sujeito passivo, independentemente de autorização  escrita,  quando  pratica  atos  relativos  à  atividade  da  empresa  no  seu  estabelecimento.  DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 23 /2 01 0- 13 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente    Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu  Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/2010­13  Acórdão n.º 2402­003.398  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  pelo  descumprimento  da  obrigação  tributária acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/1991, combinado com os arts.  232  e  233,  parágrafo  único,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo  Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro  relacionados  com as  contribuições previstas na Lei 8.212/1991, ou  apresentar documento ou  livro  que  não  atenda  as  formalidades  legais  exigidas,  que  contenha  informação  diversa  da  realidade ou que omita a informação verdadeira.  Segundo  o Relatório  Fiscal  da  Infração  (fls.  13/16)  –  embora  formalmente  solicitados  por  meio  do  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  (TIPF)  e  do  Termo  de  Intimação Fiscal (TIF) –, a empresa não apresentou ou apresentou de forma deficientes, para as  competências 01/2006 a 10/2007, os seguintes documentos:  1.  folhas de pagamento dos meses 11/2006, 12/2006, 04/2007, 07/2007 e  09/2007;  2.  GFIP com comprovantes de entrega e eventuais alterações, dos meses  de 01/2006 a 12/2007;  3.  cópia do comprovante de endereço dos representantes legais;  4.  cópia do CRC, CPF, RG e comprovante de endereço do contador;  5.  relação  dos  beneficiários  do  auxílio  alimentação  ou  planilha  dos  valores pagos individualmente;  6.  Livro Diário do ano de 2006 sem registro na Junta Comercial.  O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 17) informa que foi aplicada a  multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso II, alínea “j”, e  art. 373 do Regulamento da Previdência Social  (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O  valor da multa aplicada foi de R$14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta  e oito centavos), estabelecido pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29 de junho de  2010, DOU de 30/06/2010.  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  30/11/2010  (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  41/52)  –  acompanhados  de anexos de fls. 53/62 –, alegando, em síntese, que:  1.  o  procedimento  é  nulo  porque  foi  dada  ciência  do  início  do  procedimento fiscal ao contador da empresa, que não é sujeito passivo  da  obrigação,  nem  seu  preposto,  o  que  importaria  em  preterição  ao  direito de defesa e contraditório;  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  2.  os  documentos  pessoais  do  contador  não  são  de  apresentação  obrigatória,  porque  não  estariam  relacionados  às  contribuições  sociais,  além  de  consistirem  em  informações  de  conhecimento  da  RFB;  3.  a  fiscalização  se  utilizou  de  interpretação  literal  da  legislação  para  lavrar  o  auto  de  infração,  agindo  de  maneira  desarrazoada  e  desproporcional,  considerando  que  a  apresentação  dos  documentos  não alteraria o resultado da ação fiscal;  4.  requer  a  produção  de  prova  antes  da  decisão  deste  colegiado,  em  consonância  com  o  disposto  em  lei  e  os  princípios  que  regem  o  processo administrativo tributário.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  no Rio  de  Janeiro/RJ  –  por  meio  do  Acórdão  12­38.518  da  12a  Turma  da  DRJ/RJO1  (fls.  51/56)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontra­se revestido  das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos  que disciplinam o assunto.  A  Notificada  apresentou  recurso,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as  alegações da peça de impugnação, ressaltando que houve cerceamento ao seu direito de defesa  e que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/2010­13  Acórdão n.º 2402­003.398  S2­C4T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  DA PRELIMINAR:  A Recorrente alega que não consta no  lançamento  fiscal a necessária  e  adequada  descrição  dos  fatos  e  motivação  da  autuação,  existindo  dúvidas  quanto  ao  lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo.  Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem  os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento  de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal  da Infração (fls. 13/16), nos seguintes termos:  “[...]  2  ­  No  curso  da  ação  fiscal,  a  empresa  deixou  de  apresentar parte dos documentos solicitados no Termo de Inicio  de  Procedimento  Fiscal,  bem  como,  todos  os  documentos  solicitados no Termo de Intimação n ° 1 quais sejam:  2.1  ­  Folhas  de  Pagamento  dos  meses  11/2006,  12/2006,  04/2007, 07/2007 e 09/2007;  2.2 ­ GFIP com comprovantes de entrega e eventuais alterações,  dos meses de 01/2006 a 12/2007;  2.3  ­  Cópia  do  comprovante  de  endereço  dos  representantes  legais;  2.4  ­ Cópia  do CRC, CPF, RG  e  comprovante  de  endereço  do  contador;  2.5  ­  Relação  dos  beneficiários  do  auxilio  alimentação  ou  planilha dos valores pagos individualmente;  2.6  ­  Livro  Diário  do  ano  de  2006  sem  registro  na  Junta  Comercial. (Relatório Fiscal fl. 15). [...]”  Verifica­se  ainda  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  atende  aos  pressupostos essenciais para sua  lavratura,  contendo de forma clara os elementos necessários  para  a  sua  configuração  e  caracterização.  Com  isso,  não  há  que  se  falar  em  vícios  no  lançamento  fiscal,  eis  que  estão  estabelecidos  de  forma  transparente  nos  autos  (fls.  01/32)  todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto  70.235/1972,  tais  como:  local  e  data  da  lavratura;  caracterização  da  ocorrência  da  situação  fática da obrigação  tributária  (fato gerador); determinação da matéria  tributável; montante da  multa  aplicada;  identificação  do  sujeito  passivo;  determinação  da  exigência  tributária  e  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la  no  prazo  de  30  dias;  disposição  legal  infringida  e  aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF), fls. 05/10, e no Termo  de  Encerramento  do  Procedimento  Fiscal  (TEPF),  fls.  11/12  –,  todos  assinados  por  representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a  hipótese  fática  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  acessória,  e  a  informação  de  que  a  Recorrente recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no  presente  lançamento  fiscal.  Posteriormente,  isso  foi  confirmado  pelo Relatório  Fiscal  de  fls.  13/16.  Com  relação  ao  contabilista  que  recebeu  as  intimações  fiscais,  constata­se  que ele solicitou prorrogação do prazo processual para apresentar os documentos e utilizou­se  de papel timbrado da Recorrente (fls. 07/08). Isso demonstrar que o contador estar autorizado a  praticar atos relativos à atividade da empresa no seu estabelecimento. Ademais, o representante  legal da empresa preponente tomou ciência do término da ação fiscal (fls. 11/12) e da lavratura  do auto de infração (fl. 01), para o qual apresentou a impugnação de fls. 23/34, oportunidade  em que demonstrou ter compreendido as razões e fundamentos do lançamento e as contestou  em todas as suas vertentes.  Nos termos do art. 1.178 do Código Civil de 2002 (Lei 10.406/2002), não há  exigência  de  que  o  contabilista  seja  constituído  por  escrito  para  realizar  atos  pertinentes  à  empresa.  Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002: Do Contabilista e outros  Auxiliares   Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/2010­13  Acórdão n.º 2402­003.398  S2­C4T2  Fl. 5          7 Art.  1.177.  Os  assentos  lançados  nos  livros  ou  fichas  do  preponente,  por  qualquer  dos  prepostos  encarregados  de  sua  escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má­fé, os  mesmos efeitos como se o fossem por aquele.  Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são  pessoalmente  responsáveis,  perante  os  preponentes,  pelos  atos  culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente,  pelos atos dolosos.  Art.  1.178.  Os  preponentes  são  responsáveis  pelos  atos  de  quaisquer  prepostos,  praticados  nos  seus  estabelecimentos  e  relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por  escrito.  Com  isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o  lançamento  fiscal  foi  lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o  agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da multa  aplicada e a identificação correta do sujeito passivo direto, fazendo constar nos relatórios que o  compõem  (fls.  01/32)  os  fundamentos  legais  que  amparam  o  procedimento  adotado  e  as  rubricas  lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do  lançamento  fiscal são  genéricas,  ineficientes e  inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão  acatadas.  Diante disso, não acato as preliminares de nulidade ora examinadas, e passo  ao exame de mérito.  DO MÉRITO:  Quanto  à  alegação  de  que  inexiste  a  infração  imputada  pela  auditoria  fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência.  Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência,  ensejando  o  lançamento  de  ofício  em  decorrência  da  Recorrente  ter  incorrido  no  descumprimento de obrigação tributária acessória.  Verifica­se  que  a  Recorrente,  além  de  apresentar  o  Livro  Diário  ano  2006  sem o registro na Junta Comercial, deixou de apresentar ao Fisco os seguintes documentos:  1.  folhas de pagamento dos meses 11/2006, 12/2006, 04/2007, 07/2007 e  09/2007;  2.  GFIP com comprovantes de entrega e eventuais alterações, dos meses  de 01/2006 a 12/2007;  3.  cópia do comprovante de endereço dos representantes legais;  4.  cópia do CRC, CPF, RG e comprovante de endereço do contador;  5.  relação  dos  beneficiários  do  auxílio  alimentação  ou  planilha  dos  valores pagos individualmente.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  No Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e no Termo de Intimação  Fiscal (TIF), fls. 05/10, constata­se a intimação para a apresentação dos livros contábeis, folhas  de pagamento, GFIP e demais documentos. A não apresentação desses documentos ou a  sua  apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração.  Com essa conduta, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 33, §§  2o e 3o, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...)  §  2o  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previstas  nesta  Lei.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.)  § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício  a  importância  devida.  (Redação  dada  pela Lei nº 11.941, de 2009).  Esse  art.  33,  §§  2o  e  3o,  da  Lei  8.212/1991  é  claro  quanto  à  obrigação  acessória  da  empresa  e  o Regulamento  da Previdência Social  (RPS),  aprovado pelo Decreto  3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do  dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 232 e art. 233, parágrafo único:  Do  Exame  da  Contabilidade  (Regulamento  da  Previdência  Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999)  Art.  232.  A  empresa,  o  servidor  de  órgão  público  da  administração  direta  e  indireta,  o  segurado  da  previdência  social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante  legal,  o  comissário  e  o  liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previstas neste Regulamento.  Art.  233.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  e  a  Secretaria  da  Receita  Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas  de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem  devida,  cabendo  à  empresa,  ao  empregador  doméstico  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário.  Parágrafo  único.  Considera­se  deficiente  o  documento  ou  informação  apresentada  que  não  preencha  as  formalidades  legais,  bem como aquele que contenha  informação diversa da  realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(g.n.)  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/2010­13  Acórdão n.º 2402­003.398  S2­C4T2  Fl. 6          9 Nos  termos do  arcabouço  jurídico­previdenciário  acima delineado, percebe­ se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco integralmente as folhas de pagamento,  por competência, com as respectivas remunerações, contendo todos os segurados a seu serviço,  e apresentar ao mesmo o  livro contábil ano 2006 (diário) sem o registro na Junta Comercial,  bem  como  os  demais  documentos,  devidamente  solicitados  por  meio  Termo  de  Intimação  Fiscal (TIF) –,  incorreu na infração disposta no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, c/c os  arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS).  Dentro desse contexto, com relação à apresentação do livro “Diário”, sem o  devido Registro Público  de Empresas Mercantis  (Junta Comercial),  cumpre  esclarecer que  o  Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março  de  1999,  de  acordo  com  as  Normas  Brasileiras  de  Contabilidade,  determina  que  tais  livros  devem  ser  submetidos  à  autenticação  do  órgão  competente  do  Registro  Civil.  Esse  entendimento está consubstanciado no art. 258, § 4o, do RIR/1999, transcrito abaixo:  Art.  258.  Sem  prejuízo  de  exigências  especiais  da  lei,  é  obrigatório  o  uso  de  Livro  Diário,  encadernado  com  folhas  numeradas  seguidamente,  em  que  serão  lançados,  dia  a  dia,  diretamente  ou  por  reprodução,  os  atos  ou  operações  da  atividade,  ou  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  a  situação patrimonial da pessoa jurídica (Decreto­Lei no 486, de  1969, art. 5o). (...)  § 4o Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares  referidos  no  §  1o,  deverão  conter  termos  de  abertura  e  de  encerramento,  e  ser  submetidos  à  autenticação  no  órgão  competente  do  Registro  do  Comércio,  e,  quando  se  tratar  de  sociedade  civil,  no  Registro  Civil  de  Pessoas  Jurídicas  ou  no  Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei no 3.470, de  1958, art. 71, e Decreto­Lei no 486, de 1969, art. 5o, § 2o).(g.n.)  O  art.  1.181  do Código Civil  ­ CC  (Lei  10.406/2002)  dispõe  que  os  livros  obrigatórios, antes de posto em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas  Mercantis, in verbis:  Art.  1.181.  Salvo  disposição  especial  de  lei,  os  livros  obrigatórios  e,  se  for o  caso, as  fichas,  antes de posto  em uso,  devem  ser  autenticado  Registro  Público  de  Empresas  Mercantis. (g.n.)  Frisamos que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e  guardar  os  livros  obrigatórios  e  a  documentação,  enquanto  não  ocorrer  prescrição  ou  decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195  do CTN e do art. 1.194 do Código Civil ­ CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo:  Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966  Art. 195. (...)  Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que  se  referirem.  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10  Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002  Art.  1.194.  O  empresário  e  a  sociedade  empresária  são  obrigados  a  conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e  papéis  concernentes  à  sua  atividade,  enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no  tocante aos  atos neles consignados.  Da  mesma  forma,  engana­se  a  Recorrente  ao  alegar  a  não  observação  ao  princípio  da  tipicidade para  a  aplicação  da multa,  uma vez  que  a Lei  8.212/1991 delimita  o  valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo  Lei 8.212/1991:  Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  sujeita  o  responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável  de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez  milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...)  Art.  102.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  nesta  Lei  serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da Previdência Social.  Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto  3.048/1999, determina:  Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e  8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  neste  Regulamento,  fica o  responsável  sujeito a multa variável de RS  636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$  63.617,35  (sessenta  e  três  mil,  seiscentos  e  dezessete  reais  e  trinta  e  cinco  centavos),  conforme  a  gravidade  da  infração,  aplicando­se­lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com  os  seguintes valores:  (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de  2003) (...)  II  ­ a partir de RS 6.361,73  (seis mil  trezentos e  sessenta e um  reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...)  b)  deixar  a  empresa  de  apresentar  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos  que  contenham  as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis  de  interesse  dos  mesmos,  na  forma  por  eles  estabelecida,  ou  os  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização;  (...)  Art.  373.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente,  referidos  neste  Regulamento,  exceto  aqueles  referidos  no  art.  288,  são  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da previdência.  Posteriormente  –  conforme  dispõe  a  Lei  8.212/1991,  artigos  92  e  102,  e  o  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  artigos.  283  e  373,  todos  susomencionados  –,  a  Portaria Ministerial MPS/MF MPS/MF n° 333, de 29 de junho de 2010, DOU de 30/06/2010,  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/2010­13  Acórdão n.º 2402­003.398  S2­C4T2  Fl. 7          11 reajustou  os  valores  da multa  para  R$14.317,78  (quatorze mil,  trezentos  e  dezessete  reais  e  setenta e oito centavos).  Portanto,  o  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal  para  a  aplicação  da  multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de  infração.  Ademais,  não  verificamos  a  existência  de  qualquer  fato  novo  que  possa  ensejar  a  revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente.  É  importante  salientar  que  a  infração  ora  analisada  não  depende  da  ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente.  Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é  exibir  os  documentos  relacionados  com  as  contribuições  para  a  Seguridade  Social  no  prazo  estabelecido  por meio  do  TIPF  e  do  TIF,  não  cabendo  ao  fisco  analisar  os motivos  da  não  apresentação  dos mesmos. Vale mencionar  que  o  art.  136  do CTN,  ao  eleger  como  regra  a  responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator,  conforme transcrito abaixo:  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.)  Logo,  não  procede  a  alegação  da Recorrente  de  que  “(...)  a  fiscalização  se  utilizou  de  interpretação  literal  da  legislação  para  lavrar  o  auto  de  infração,  agindo  de  maneira desarrazoada e desproporcional,  considerando que a apresentação dos documentos  não  alteraria  o  resultado  da  ação  fiscal  (...)”,  eis  que  ela  deixou  de  exibir  as  folhas  de  pagamento  nos  moldes  estabelecidos  pela  legislação  previdenciária,  e  apresentou  os  livro  Diário ano 2006 sem o registro na Junta Comercial.  Por  fim,  pela  apreciação  do  processo  e  das  alegações  da  Recorrente,  não  encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão  de  primeira  instância,  eis  que  o  lançamento  fiscal  e  a  decisão  encontram­se  revestidos  das  formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico­tributário vigente  à época da sua lavratura.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.  Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10166.009591/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. COMPROVADO. Comprovado que houve a retenção do PIS por órgãos públicos, o valor retido deve ser excluído do lançamento de ofício, mesmo que tal retenção tenha sido informada na DCTF como pagamento via DARF. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-000.998
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA   2 Relatório  Contra  a  empresa  recorrente  foi  lavrado  auto  de  infração  eletrônico  para  exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de outubro a dezembro de 1997, tendo em vista  que não foram localizados pagamentos informados na DCTF.  Inconformada  com  a  autuação,  no  dia  10/07/2002,  a  empresa  interessada  impugnou  o  lançamento,  alegando  que  os  pagamentos  informados  referem­se,  de  fato,  a  valores  retidos  pelo  INCRA­MT,  CESCEA  e  pela  empresa  LENC.  Junta  cópia  de  tela  do  SIAFI do INCRA­MT e do CISCEA (Comando da Aeronáutica), bem como do Darf recolhido  pela empresa LENC, e das respectivas notas fiscais;  No  despacho  de  fl.  82/85,  a  DRF  Brasília  –  DF  informa  que  não  existem  retenções declaradas em favor da recorrente.  A  4ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Brasília  ­  DF  julgou  parcialmente  procedente  o  lançamento,  nos  termos  do Acórdão DRJ/BSA  nº  16.083,  de  21/12/2005,  cuja  ementa abaixo transcrevo:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Exercício: 1997  Ementa:  COMPENSAÇÃO  DE  TRIBUTOS  COM  VALORES  RETIDOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS.  A contribuinte tem que comprovar a retenção havida por órgãos  públicos para efetuar a compensação com os tributos devidos e  declarados  em  DCTF.  Caso  contrário  há  que  se  manter  a  exigência fiscal.  CONVENÇÕES  PARTICULARES  ­  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  pode  se  opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do  sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.  Lançamento Procedente em Parte.  Ciente  desta  decisão  em  15/05/2006,  a  interessada  ingressou,  no  dia  12/06/2006,  com  o  recurso  voluntário  de  fls.  96/101,  no  qual  repisa  os  argumentos  da  impugnação,  reforçando  seus  argumentos  a  respeito  da  Cofins  devida  na  operação  de  sub­ contratação de serviços junto à empresa LENC, que detinha contrato de prestação de serviços  com a NOVACAP e  esta  não  estava obrigada  a  reter  a Cofins. A  empresa LENC efetuou  o  pagamento da exação e o descontou do valor da sub­empreitada pago à recorrente.  Na  sessão  realizada  no  dia  07/11/2008  a  Primeira  Câmara  do  Segundo  Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência à repartição de origem para  esta confirmar a alegação da recorrente de que houve retenção, pelo INCRA e pela CISCEA,  da exação lançada, conforme Resolução nº 201­00.792 (fls. 107/108).  Realizado a diligência,  a DRF em Brasília  ­ DF confirmou a existência das  retenções alegadas pela recorrente, conforme Termo de Encaminhamento de fl. 120.  É o Relatório do essencial.  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.009591/2002­11  Acórdão n.º 3302­00.998  S3­C3T2  Fl. 125          3 Voto             Conselheiro Walber José da Silva, relator.  O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 07/11/2008.  Como relatado, a empresa autuada informou em DCTF o pagamento do PIS  por meio de DARFs que resultaram não sendo localizados nos sistemas de controle da RFB e,  consequentemente,  foi  lavrado  o  auto  de  infração  competente  para  exigir  o  pagamento  da  exação.  Em  seu  recurso,  a  empresa  alega  que  cometeu  erro  no  preenchimento  da  DCTF  porque,  de  fato,  não  houve  pagamento  mas  retenções  por  parte  dos  órgãos  públicos  federais INCRA e CISCEA e, também, pela empresa LENC, contratada pela NOVACAP para  prestar serviços que foram sublocados à recorrente.  Esclareço, preliminarmente, que os valores da Cofins devidos e declarados na  DCTF são os mesmos declarados na DIPJ.  Foi  realizado diligência  para  constatar  se houve,  efetivamente,  as  retenções  por  órgãos  públicos  federais  alegadas  pela  recorrente,  no  que  resultou  confirmado. Portanto,  embora  a  recorrente  tenha  declarado  erroneamente  pagamentos  na  DCTF,  ela  efetivamente  suportou  o  ônus  das  exações  retidas  pelo  INCRA  e  pela CISCEA,  conforme  ficou  provado.  Portanto, deve ser excluído do lançamento os valores retidos por esses órgãos públicos.  Com relação à alegação de que a empresa LENC teria efetuado retenção de  PIS devido pela recorrente, não há como prosperar tal alegação por absoluta falta de previsão  legal  para  tal  procedimento.  Tanto  é  que  as  provas  trazidas  pela  recorrente  são DARFs  em  nome da empresa LENC e não em seu nome. Portanto, pagamento efetuados por uma empresa  não pode ser aproveitado por outra empresa, mesmo que esta  tenha sublocado algum serviço  daquela. Neste  caso,  cada  empresa  tem  sua  própria  receita  e  cada  empresa  incorreu  no  fato  gerador do PIS, isoladamente.  Isto posto,  voto no  sentido de dar provimento parcial  ao  recurso voluntário  para excluir do auto de infração os valores retidos pelo INCRA e pela CISCEA, alegados pela  recorrente.  (assinado digitalmente)  Walber José da Silva                            Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA   4   Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA

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4555124 #
Numero do processo: 10768.018460/2002-46
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997 PRELIMINAR. NULIDADE. REJEIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA O recebimento de apelação de sentença denegatória de Mandado de Segurança no efeito suspensivo, não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de ofício. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. IMPETRAÇÃO POR ASSOCIAÇÃO. EFEITOS PARA TODOS OS ASSOCIADOS. O provimento jurisdicional em mandado de segurança coletivo gera efeitos para todos os filiados à associação que impetrou a ação mandamental. O mandado de segurança coletivo gera efeitos para todo o órgão a que está vinculada a autoridade administrativa impetrada. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE. Deixa de se conhecer parte da impugnação relativa à matéria já submetida à apreciação judicial. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade. INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. BASE DE CÁLCULO. Estando as entidades de previdência privada fechada, por força do disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de multa de ofício, mesmo estando a matéria tributável em discussão na esfera judicial, se, quando do lançamento, a exigência do crédito não estiver suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança, ou de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator: a) deixar de conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário; b) conhecer do recurso quanto às demais matérias e negar provimento para considerar devida a CSLL no valor de R$ 4.691.170,67, com a multa de ofício de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente (Selic). Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Valmir Sandri quanto à concomitância da matéria nos processos administrativos e judicial e à existência do fato gerador da CSLL, e Wilson Fernandes Guimarães que votou pela aplicação da taxa de juros de mora de 1% em vez da Selic. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997 PRELIMINAR. NULIDADE. REJEIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA O recebimento de apelação de sentença denegatória de Mandado de Segurança no efeito suspensivo, não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de ofício. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. IMPETRAÇÃO POR ASSOCIAÇÃO. EFEITOS PARA TODOS OS ASSOCIADOS. O provimento jurisdicional em mandado de segurança coletivo gera efeitos para todos os filiados à associação que impetrou a ação mandamental. O mandado de segurança coletivo gera efeitos para todo o órgão a que está vinculada a autoridade administrativa impetrada. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE. Deixa de se conhecer parte da impugnação relativa à matéria já submetida à apreciação judicial. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade. INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. BASE DE CÁLCULO. Estando as entidades de previdência privada fechada, por força do disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de multa de ofício, mesmo estando a matéria tributável em discussão na esfera judicial, se, quando do lançamento, a exigência do crédito não estiver suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança, ou de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 12          1 11  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10768.018460/2002­46  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.141  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de março de 2013  Matéria  CSLL/IMUNIDADE  Recorrente  FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL ­ BRASLIGHT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997  PRELIMINAR. NULIDADE. REJEIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA.  APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA  O  recebimento  de  apelação  de  sentença  denegatória  de  Mandado  de  Segurança no efeito suspensivo, não gera para o impetrante a antecipação da  pretensão  formulada  com  o  ingresso  da  ação  nem  implica  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  que  pode  ser  constituído  e  exigido  integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de  ofício.  DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.  Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C,  do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no  art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício),  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos  casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.  MANDADO  DE  SEGURANÇA  COLETIVO.  IMPETRAÇÃO  POR  ASSOCIAÇÃO. EFEITOS PARA TODOS OS ASSOCIADOS.  O provimento  jurisdicional  em mandado de  segurança  coletivo  gera  efeitos  para  todos  os  filiados  à  associação  que  impetrou  a  ação  mandamental.  O  mandado  de  segurança  coletivo  gera  efeitos  para  todo  o  órgão  a  que  está  vinculada a autoridade administrativa impetrada.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  E  JUDICIAL.  ENTIDADES  FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 84 60 /2 00 2- 46 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 13          2 A  propositura  de  ação  judicial,  antes  ou  após  o  procedimento  fiscal  de  lançamento,  com  o  mesmo  objeto,  implica  a  renúncia  ao  litígio  administrativo  e  impede  a  apreciação  das  razões  de mérito  pela  autoridade  administrativa a quem caberia o julgamento.  IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE.  Deixa de se conhecer parte da impugnação relativa à matéria já submetida à  apreciação judicial.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA.  Apesar de ser  facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a  realização  de diligência e/ou perícia, compete à autoridade  julgadora decidir sobre sua  efetivação,  podendo  ser  indeferidas  as  que  considerar  prescindíveis  ou  não  comprovada sua necessidade.  INSTITUIÇÕES  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA  FECHADA.  BASE  DE  CÁLCULO.  Estando as  entidades de previdência privada  fechada, por  força do disposto  no  art.  23  da  Lei  Complementar  nº  109,  de  2001,  sujeitas  a  contabilidade  determinada  pelo  órgão  fiscalizador  competente,  correta  a  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  com  suporte  no  ANEXO  C,  item  “3”,  da  Portaria MPAS nº 4.858, de 1998.  INCONSTITUCIONALIDADES.  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de  lei  tributária  (súmula CARF nº  2).  MULTA DE OFÍCIO.  É cabível a exigência de multa de ofício, mesmo estando a matéria tributável  em  discussão  na  esfera  judicial,  se,  quando  do  lançamento,  a  exigência  do  crédito  não  estiver  suspensa  por  força  de  medida  liminar  em  mandado  de  segurança, ou de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de  ação judicial.  JUROS SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros deste colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as  preliminares suscitadas e, nos  termos do relatório e voto proferidos pelo relator: a) deixar de  conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário; b) conhecer do recurso  quanto às demais matérias e negar provimento para considerar devida a CSLL no valor de R$  4.691.170,67, com a multa de ofício de 75% e os  juros de mora de  acordo com a  legislação  pertinente  (Selic).  Vencidos  os  Conselheiros  Cristiane  Silva  Costa,  Edwal  Casoni  de  Paula  Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 14          3 Fernandes  Junior  e  Valmir  Sandri  quanto  à  concomitância  da  matéria  nos  processos  administrativos  e  judicial  e  à  existência  do  fato  gerador  da  CSLL,  e  Wilson  Fernandes  Guimarães que votou pela aplicação da taxa de juros de mora de 1% em vez da Selic.  (documento assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Plínio  Rodrigues  Lima,  Valmir  Sandri,  Wilson  Fernandes  Guimarães,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Edwal  Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa.  Fl. 893DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 15          4     Relatório  Por bem descrever os fatos transcrevo o relatório do voto recorrido:  “A  DEINF/Rio  de  Janeiro/RJ  lavrou  Auto  de  Infração,  com  ciência  da  interessada em 23.12.2002, fl. 178, para exigir a Contribuição Social sobre o lucro,  fls. 176/185, no valor de R$ 1.367.868,00, com a multa de ofício de 75% e os juros  de  mora  de  acordo  com  a  legislação  pertinente,  conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  161/175,  que  faz  parte  do  Auto  de  Infração,  fundamentando­o,  em  síntese, no que se segue:  1. a Interessada é entidade fechada de previdência complementar, nos termos  da  Lei  Complementar  n°  109,  de  29/05/2001,  a  qual  revogou  o  dispositivo  que  anteriormente regulava tais entidades, a Lei n° 6.435/1977;  2.  essas  entidades  advogaram,  por  longo  tempo,  a  tese  de  serem  imunes  à  incidência do Imposto de Renda e à da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­  CSLL, invocando, no caso da CSLL, o § 7 o do artigo 195 da Constituição Federal  que  isenta  da  contribuição  para  a  seguridade  social  "as  entidades  beneficentes  de  assistência social que atendem às exigências estabelecidas em lei", sob a alegação de  que deveriam ter o mesmo tratamento tributário do que estas;  3.  o Supremo Tribunal  Federal  veio,  em 08/11/2001,  no Acórdão  definitivo  prolatado no julgamento do Recurso Extraordinário n° 202­700­6, colocar uma pá de  cal sobre essa pretensão, estabelecendo que "as instituições assistenciais não podem  ser confundidas ou comparadas com as entidades fechadas de previdência privada,  de gênese contratual, uma vez que conferem benefícios aos seus filiados desde que  esses recolham as contribuições pactuadas. Essas associações assim constituídas não  possuem o caráter de universalidade como o é a assistência social oficial, do que se  extrai  que  os  serviços  por  elas  realizados  não  podem  ser  entendidos  como  os  de  assistência social...";  4.  afastada  a  hipótese  de  imunidade,  as  entidades  fechadas  de  previdência  privada  se  sujeitam  à  incidência  da  CSLL,  na  forma  prescrita  pela  legislação  ordinária,  bastando a ocorrência da hipótese definida em  lei  como  fato gerador da  obrigação  tributária,  exceto  se  fosse  editada  lei  específica  que  lhes  garantisse  isenção  de  incidência  da CSLL,  o  que  somente  se  deu  com o  advento  da Medida  Provisória 16, de 27/12/2002, para os  fatos geradores ocorridos  a partir  de 1 o de  janeiro de 2002;  5.  a Constituição Federal  de  1988,  em  seu  artigo  195,  I,  atribuiu  à União  a  competência para  instituir contribuição para o  financiamento da  seguridade social,  imponível a toda sociedade;  6.  a  União  instituiu  a  CSLL  por  meio  da  Lei  n°  7.689/1988,  na  qual  está  definido  que  sua  base  de  cálculo  é  o  valor  do  resultado  do  exercício  antes  da  provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições e exclusões que especifica;  Fl. 894DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 16          5 7. no § 1 o do  artigo 22 da Lei n° 8.212/1991,  estão  indicadas as  empresas  sujeitas à tributação pela CSLL, dentre as quais tem­se, explicitamente, as entidades  de previdência privada abertas e fechadas;  8.  no  ano­calendário  de  1997,  a  alíquota  da  CSLL  para  as  entidades  de  previdência  privada,  foi  de  18%,  por  força  do  disposto  no  artigo  2  o  da  Lei  n°  9.316/1996;   9. até o ano­calendário de 1996, a CSLL era dedutível de sua própria base de  cálculo, o que deixou de ocorrer a partir de 1 o de janeiro de 1997, por força do que  determina o artigo 1 o da Lei n° 9.316/1996;  10. embora o Ato Declaratório CST 17, de 30/11/1990, tenha disposto que a  CSLL não seria devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvessem atividades sem  fins  lucrativos,  tais  como  as  fundações,  associações  e  sindicatos,  é  de  se  ressaltar  que  tal  determinação  perdurou  somente  até  o  advento  da  Lei  n°  8.212/1991  que,  como  já  visto,  mencionou  expressamente  as  entidades  de  previdência  privada  fechadas como sujeitas à incidência da CSLL, afastando qualquer dúvida a respeito;  11. para efeito de incidência da CSLL, não importa se a entidade tenha ou não  finalidade  lucrativa, mas  sim  a materialização  concreta  do  resultado  positivo,  como será visto adiante;  12.  não  pode  ser  ignorada  a  referência  direta  de  sucessivos  diplomas  legais  mencionando  as  entidades  fechadas  de  previdência  privada  como  contribuintes  da  CSLL,  tais  como:  artigo  72,  III,  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias, com redação dada palas Emendas Constitucionais 01/1994, 10/1996 e  17/1997, bem como o artigo 13, I, da Lei n° 9.249/1995 e, ainda, o artigo 2 o da Lei  n° 9.316/1996;  13. as entidades de previdência privada só foram isentadas da CSLL a partir  de 1 o de janeiro de 2002, por força da MP 16, de 27/12/2002;  14.  as  entidades  fechadas  de  previdência  privada  não  têm  fins  lucrativos,  animus de lucrar, mas não há proibição legal para que, no desenvolvimento de suas  atividades, venham a registrar qualquer lucro,  15.  as  entidades  fechadas  de  previdência  complementar  não  existem  para  lucrar, é certo, mas, objetivando a concretização do seu fim ­ a complementação da  atuação  estatal  na  área  previdenciária  ­  buscam  a  eficiência  financeira,  como,  por  sinal, demonstra­nos o rigor com que fixam e procuram cumprir as chamadas metas  atuariais;  16.  não merece  acolhida  a  tese  segundo a qual  as  entidades de previdência,  por apurarem superávit (ou déficit), e não lucro (ou prejuízo), estariam desobrigadas  da contribuição social sobre o lucro, pois nada autoriza o entendimento de que, ao  utilizar­se  da  expressão  lucro,  a CF/1988  (art.  195,  I,  "c")  tenha­se  restringido  ao  conceito de lucro adotado pela legislação comercial.  17. a base de cálculo da CSLL corresponde ao resultado positivo do exercício,  ajustado na forma da lei, sendo que, no caso de entidades de previdência privada, o  resultado positivo corresponde ao superávit;  18. para definir o método de cálculo do superávit das entidades de previdência  deve­se  recorrer  à  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício  adotada  por  elas,  aprovada pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência  e Assistência Social, e divulgada pela Portaria MPAS n° 4.858, de 26/11/1998, em  Fl. 895DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 17          6 seu  anexo  C,  item  "3",  bem  como  o  pronunciamento  a  respeito  da  Secretaria  da  Receita Federal, por intermédio da Coordenação­Geral do Sistema de Tributação, no  Parecer COSIT n° 07, de 26/12/2001, que estabelece o seguinte: ly  a) como referência inicial para fins de execução dos ajustes fiscais necessários  à  correta determinação de base de  cálculo da CSLL das  entidades de previdência,  deve­se  utilizar  a  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício  padrão,  estatuída  no  Anexo C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998;  b)  a necessidade de  se observar o disposto no  artigo 13,  inciso  I,  da Lei n°  9.249/1995, ou seja, para efeito de apuração do  lucro  real e da base de cálculo da  CSLL, são vedadas as deduções de qualquer provisão, exceto as constituídas para o  pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, de que trata o art  43  da Lei  n°  8.981/1995,  com  as  alterações  da Lei  n°  9.065/1995,  e  as  provisões  técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de  previdência privada,  cuja  constituição é  exigida pela  legislação especial a  elas  aplicável.  c)  na  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício  do  Anexo  C,  item  "3",  da  Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, as provisões técnicas a serem deduzidas do Saldo  Disponível  para  Constituições,  no  programa  previdencial,  são  apenas  as  Reservas  Matemáticas  e  a  Reserva  de  Contingência,  restando,  via  de  regra,  o  resultado  superavitário  a  se  sujeitar  à  incidência  de  CSLL,  observadas  ainda  as  demais  hipóteses de adições e exclusões à base de cálculo previstas na legislação da CSLL;  d) tomando­se por base o Balanço Patrimonial exposto no Anexo C, item "3',  da  Portaria  MPAS  n°  4.858,  de  1998,  não  são  consideradas  reservas  técnicas  a  Reserva para Ajustes do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos do Decreto n° 606,  de 20 de julho de 1992;  19.  tanto o Decreto n° 606/1992 como a LC n° 109/2001 determinam que a  Reserva de Contingência sempre  terá como  limite máximo para sua constituição o  valor  equivalente  a  25%  da  Reserva  Matemática,  ou  seja,  para  a  aplicação  da  dedutibilidade  das  reservas,  conclui­se  que  os  valores  constituídos  como  Reserva  Matemática  não  sofreriam  qualquer  tipo  de  limitação,  enquanto  que  a Reserva  de  Contingência,  independentemente  da  data  de  sua  constituição  ou  contabilização,  estaria sempre sujeita ao limite de 25% da Reserva Matemática constituída;  20.  o  resultado  do  período,  para  efeito  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição,  é  o  resultado  positivo  (superávit)  apurado  no  programa  previdencial  quando  do  encerramento  do  correspondente  período  de  apuração,  ajustado  pelas  adições,  exclusões  ou  compensações  previstas  na  legislação  da  CSLL.  Como  determinado  pelo  artigo  13,  I,  da Lei  n°  9.249/1995,  somente  foram  consideradas  como provisões dedutíveis aquelas constantes do programa previdencial destinadas à  constituição de reservas matemáticas e reservas de contingência. Cabe ressaltar que,  para efeito da determinação de adições, exclusões e compensações, foram analisadas  as  contas  que  compõem  os  demais  programas  (assistencial,  administrativo  e  de  investimentos), tendo em vista a influência que esses possuem sobre o resultado do  programa previdencial;  Das Medidas Judiciais  21. o Mandado de Segurança n° 201.51.01024801­0 (7a Vara Federal ­ RJ),  acompanhado  pelo  processo  administrativo  n°  10768.001972/2002­73,  impetrado  pela  ABRAPP  do  Rio  de  Janeiro,  tem  por  objeto  questionar  sua  condição  de  contribuinte da CSLL;  Fl. 896DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 18          7 22. em 31/01/2002, a autoridade  judicial de 1a.  instância indeferiu a medida  liminar;  23. O  recurso  de  agravo  de  instrumento  (processo  n°  2002.02.01.001245­3)  foi  recebido  pelo Tribunal  Regional  Federal  da  2a.  Região,  sendo  atribuído  efeito  suspensivo  para  o  fim  de  determinar  a  autoridade  coatora  se  abster  de  tomar  qualquer  medida  para  exigir  das  filiadas  da  ABRAPP  a  CSLL,  o  que  implica,  inclusive, na desobrigação de pagamento ou parcelamento dos  supostos débitos da  CSLL  até  o  último  dia  do  mês  de  janeiro  de  2002  e,  das  entidades  que  tiverem  optado  pelo  RET,  a  desnecessidade  de  comprovação  da  desistência  das  ações  judiciais que têm por objeto a CSLL;  24. a Fazenda Nacional recorreu, mas não obteve a reforma da decisão;  25.  em 19/12/2002,  conforme  sentença,  foi  denegada  a  segurança  vindicada  na  peça  inaugural  constante  dos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n°  201.5101024801­0  (7a  Vara  Federal  ­  RJ),  tendo­se  exaurido  o  efeito  suspensivo  atribuído ao Agravo de Instrumento n° 2002.02.01.001245­3 e sujeitando o infrator  ao presente lançamento da CSLL;  26. às fls. 172/174, o relato da auditoria fiscal.  Da Impugnação  Inconformada, a Interessada apresentou a impugnação em 22/01/2003, fl. 188,  de fls. 188/246, com anexos de fls.247/315, na qual, em síntese, argumenta que:  É  entidade  fechada  de  previdência  complementar­EFPC,  que,  por  sua  peculiaridade,  sem  fins  lucrativos,  registra  superávit  ou  déficit,  e  não  lucro;  as  receitas recebidas são por conta de investimentos dos patrocinadores e participantes,  não  sendo  receita  auferida;  ademais,  os  cálculos  são  equivocados  pois  desconsideram períodos anteriores, bases de cálculo negativas e aplicaram a alíquota  de 18%, afrontando o princípio da isonomia;  Das Preliminares  1. A autuação é nula, pois descumpre ordem judicial. A liminar obtida junto  ao TRF da 2a. Região que impedia até mesmo que a autoridade coatora procedesse  ao lançamento, perdurou até o dia 26/12/2002, quando foi publicada a sentença de  mérito no processo principal, com a decretação de denegação da segurança; como a  interessada foi autuada em 23/12/2002, em plena vigência da liminar, é nulo o auto;  2. Inexiste concomitância entre o processo administrativo e o judicial. O fato  de  a  ABRAPP  ter  impetrado  o  Mandado  de  Segurança  Coletivo  n°  2001.51.01024801­0, não acarreta a renúncia ao direito de a Interessada se defender  na esfera administrativa, conforme prevê o artigo 38 da Lei n° 6.830/1980, vez que:  a)  o mandado  de  segurança  coletivo  não  induz  litispendência  com  eventual  mandado de segurança individual ajuizado pela Interessada;  b)  a  sentença  denegatória  no mandado  de  segurança  coletivo  não  faz  coisa  julgada individual para as partes que compõem a associação que os representa;  c) assim, os associados individualmente considerados, não renunciaram ao seu  direito de recorrer, seja na esfera judicial, seja na esfera administrativa, pois não se  pode  presumir  a  renúncia  tácita  neste  caso.  Discorre  sobre  os  institutos  da  litispendência e coisa julgada;   Fl. 897DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 19          8 3.  caso  não  seja  reconhecida  a  inaplicabilidade  do  artigo  38  da  Lei  n°  6.830/1980,  portanto,  se  entenda  que  existe  concomitância  entre  o  Mandado  de  Segurança Coletivo  e o presente processo,  é preciso  esclarecer que o mandado de  segurança  foi  ajuizado  anteriormente  à  autuação,  devendo  o mérito  da  defesa  ser  julgado;  cita  acórdãos  do Conselho  de Contribuintes,  a  doutrina  e  a  exposição  de  motivos da Lei;  4.  deve­se,  ainda,  considerar  o  disposto  no  artigo  51  da Lei  n°  9.784/1999,  que  determina  que  qualquer  renúncia  à  esfera  administrativa  não  mais  pode  ser  presumida,  devendo  ser  requerida  mediante  manifestação  escrita  do  contribuinte,  com  o  que  esse  dispositivo  revogou  o  parágrafo  único  do  artigo  38  da  Lei  n°  6.830/1980;  5. a lei aplicável, pelo princípio da especificidade, é a Lei 9.784/1999;  6.  a  propositura  de  medidas  judiciais  para  resguardar  seu  direito,  anteriormente à pretensão do Fisco Federal em cobrar  tributo mediante a  lavratura  do auto de Infração, obviamente não se constitui como fato superveniente que tenha  o  condão  de  obrigar  a  autoridade  administrativa  a  extinguir  o  processo  administrativo sem a apreciação do mérito da lide, nos termos do artigo 52 da Lei n°  9.784/1999;  No Mérito ­ De Direito  7. não pode ser admitido que se queira  impor a  tributação da CSLL sobre o  superávit,  pois  o  artigo  195  da  Constituição  Federal  autoriza  tão  somente  a  tributação incidente sobre o lucro, assim como a Lei n° 7.689/1988 que a instituiu, e  os conceitos de superávit e lucro não se confundem, visto que distintos, os conceitos  não se eqüivalem; cita acórdão 101­93.942 do 1o. C.C.;  8. a interpretação sistemática do inciso I, do artigo 13 da Lei n° 9.430, de 27  de  dezembro  de  1996,  que  menciona  as  entidades  de  previdência  privada  como  contribuintes  da  CSLL,  é  no  sentido  de  que  ele  se  refere  às  entidades  abertas  de  previdência  complementar,  as  quais  podem  perseguir  a  finalidade  lucrativa,  isto  porque o caput do referido artigo expressamente estabelece que a base de cálculo da  CSLL é o lucro líquido;  9.  a  título  exemplificativo,  cita­se  as  diferenças  entre  critérios  de  contabilização: reserva de reavaliação e variação da carteira de investimentos;  10.  o  Ato  Declaratório  Normativo  SRF/CST  n°  17/1990  estabelece,  em  caráter  normativo,  que  contribuição  social  não  será  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que desenvolvam atividades sem fins lucrativos tais como as fundações, associações;  e  sindicatos,  e,  por  ser  interpretativa,  é  norma  complementar,  assim,  não  se  pode  exigir  quaisquer  valores  a  título  de  penalidades  ou  juros  de  mora,  em  razão  do  disposto  no  artigo  100  do  CTN  ,  segundo  o  qual  a  observância  de  normas  nele  referidas  exclui  a  imposição  de  penalidades,  a  cobrança  de  juros  de  mora  e  a  atualização monetária da base de cálculo do tributo;  11. A Lei n° 8.212/1991, ao  relacionar,  em  seu  artigo 22, parágrafo 1o.  ,  as  entidades de previdência privada, não trata de contribuições incidentes sobre o lucro,  mas, sim, de contribuições incidentes sobre remunerações pagas;  12.  da  mesma  maneira,  não  se  deve  admitir  que  o  fato  de  a  Emenda  Constitucional de Revisão n° 1/1994 e das Emendas Constitucionais n° 10/1996 e  17/1997, que ao alterarem o disposto no artigo 72 das Disposições Constitucionais  Fl. 898DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 20          9 Provisórias, expressamente estabelecerem que "a parcela do produto da arrecadação  resultante da elevação da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se  refere o parágrafo 1o. do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 (...), passa a ser de trinta por  cento,  sujeita  a  alteração  por  lei  ordinária",  implicaria  dizer  que  as  entidades  de  previdência  privada  seriam  contribuintes  da CSLL, mas,  sim,  tão  somente  afirmar  que dentre aquelas entidades são contribuintes da CSLL aquelas que auferem lucro ­  o que não é o caso da Impugnante;  13. Na qualidade de Entidade  fechada de previdência privada,  se  submete  à  preceitos  e  planificação  contábil  imposta  pelos  Ministério  da  Previdência  e  Assistência  Social(MPAS)  e  a  Secretaria  da  Previdência  Complementar(SPC). As  autoridades  fiscais  se  limitaram  a  analisar  as  demonstrações  contábeis  única  e  exclusivamente  sob  o  enfoque  fiscal,  comumente  utilizados  pelas  entidades  comerciais e mercantis. . Para que seja apurada a base de cálculo da CSLL, há que se  reconhecer  como  fator  determinante  o  resultado  do  período,  cuja  consolidação  é  apresentada na Demonstração ­ DRE, fl. 217, onde a  interessada alega ter apurado  déficit no  exercício  de  1997, mencionando que  a  apuração  deve  obedecera Lei n°  6.404/76, art. 187;  14.  No  mínimo,  poderia  ser  apurado  em  função  das  receitas  e  despesas  decorrentes  exclusivamente  da  atividade  de  prestação  dos  serviços  de  gestão  de  recursos,  aqui  entendidos  no  sentido  de  garantir  a  remuneração  futura  dos  participantes,  vez  que,  estas  sim,  constituem  os  recursos  de  real  propriedade  das  EFPC,  sem  consideração  dos  capitais  alheios,  ou  seja,  sem  a  consideração  das  receitas de contribuições provenientes de patrocinadores e participantes;  15.  invocado  o  princípio  da  isonomia,  se  a  fiscalização  constrange  a  Interessada  ao  recolhimento  da  CSLL  valendo­se  da  mesma  alíquota  vigente  às  Instituições  Financeiras,  deveria  ter  revisto  o  critério  de  determinação  do  lucro  e  apurado considerando o critério anteriormente mencionado;  16.  ao  outorgar  tratamento  discriminatório  apenas  com  relação  às  entidades  financeiras  (e  equiparadas)  ou  às  EFPC,  como  pretendeu  a  autoridade  fiscal,  onerando­as com alíquotas mais gravosas, incorreu em flagrante ofensa ao Princípio  da Isonomia;  17.  é  descabida  a  aplicação  do  regime  trimestral,  pois  não  há  como  se  verificar  o  déficit  ou  superávit  antes  de  transcorrido  todo  o  ano,  por  conta  das  transferências de valores quase ininterruptas entre as diversas e peculiares contas de  seus registros;  18. segundo os cálculos da fiscalização, adotando o regime  trimestral para a  apuração da base de cálculo da CSLL, há CSLL a pagar nos três primeiro trimestres  do ano de 1997, mas, se ela utilizasse o regime anual, mediante o levantamento do  balancete de suspensão e redução ou recolhimento por estimativa, não haveria CSLL  a recolher, conforme fl. 227;  19. a legislação tributária faculta ao contribuinte a opção pelo regime anual ou  trimestral, nos termos do caput do artigo 2° da Lei n° 9.430/1996, e deveria ter sido  levada em consideração pela fiscalização quando da elaboração de seus cálculos; ^  No Mérito ­ De Fato  20. pelo regime anual, mesmo que se apurassem valores a recolher em alguns  meses  do  ano  calendário  de  1997,  estes  poderiam  ser  compensados  ao  final  do  exercício, vez que ao seu final foi apurada base de cálculo negativa;  Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 21          10 21. a legislação vigente à data do fato gerador conferia o direito à Interessada  de  apurar  o  IRPJ  e  a  CSLL  pelo  regime  de  apuração  anual  (caso  ela  fosse  contribuinte  desses  tributos);  além  disso,  as  autoridades  fiscais  se  esqueceram  de  considerar  a  existência  do  saldo  de  base  negativa  relativa  a  anos­calendário  anteriores;  22. Pelo art. 40 da Lei n° 6.435/77, as EFPC deverão, para garantia de suas  obrigações,  constituir  reservas  e  provisões  técnicas,  além  de  fundos  especiais  estabelecidos em lei. A interessada não as constituiu por não ter apurado resultado  positivo nesse exercício.  23. a fiscalização se equivocou ao citar o Decreto n° 606/92, que se aplica às  EPC  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal.  O  art.  34  do  Decreto  n°  81.240/78  é  que  se  aplica  a  todas  as  EFPC.  A  patrocinadora  da  interessada  foi  privatizada em 1996;  24.  a  constituição  e  manutenção  de  reservas/provisões  técnicas  com  os  recursos  excedentes  apurados  após  as  destinações  efetuadas  para  as  reservas  matemáticas  e  de  contingência  é  de  observância  obrigatória,  logo,  a  despesa  registrada  na  contabilização  de  tais  valores  não  podem  ser  objeto  de  questionamentos  ,  especialmente  em  relação  à  sua  adição  à  base  de  cálculo  da  CSLL, conforme decisão análoga da Cosit;  25.  caso  a  impugnante  tivesse  apurado  resultado,  as  destinações  para  a  constituição  de  reservas  e  fundos  não  constituem  base  de  cálculo  da  CSLL,  nos  termos do art. 404 do RIR/1999;  26.  a  análise  da  planilha  de  apuração  da CSLL  revela  equívoco  quanto  aos  critérios legais para determinação da CSLL e deixou de observar detalhadamente as  rubricas  contábeis,  como  exemplo,  o  caso  dos  dividendos:  não  são  tributáveis  e  estavam  contabilizados  no  programa  de  investimentos,  que  é  transferido  para  o  programa previdencial, base de cálculo apurada, o que acarreta bitributação ;  27.  o  valor  estornado pela  fiscalização  se  refere  à  contribuição  recebida  em  1996 a maior da patrocinadora, que anulou o registro contábil excedente, tributando  algo que não existe;  28. o mesmo quanto as provisões para perdas de investimento que decorreram  de não pagamento de valor contratual na construção de shopping e investimento em  RDB do banco Agrimisa, liquidado extrajudicialmente. Tais valores estariam aptos à  dedutibilidade nos termos da Lei 9430/96;  29. as bases negativas apuradas em períodos anteriores ao ano­calendário de  1997 devem ser consideradas para efeito de cálculo, sendo, ademais,  integralmente  compensadas  com  a  base  apurada,  seja  pela  não  eficácia  da  lei  até  1994  (bases  apuradas  até  1994),  seja  por  incorrer  na  tributação  do  patrimônio  do  contribuinte  (bases apuradas a partir de 1995);  30. para o cálculo dos juros de mora, não se pode admitir a utilização da taxa  SELIC, tendo em vista a sua natureza remuneratória, a inconstitucionalidade de sua  aplicação, bem como a sua ilegalidade;  31. A interessada requer a realização de perícia contábil, indicando perito à fl.  245,para serem respondidos os seguintes quesitos:   Da Perícia  Fl. 900DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 22          11 1. Nos moldes da legislação tributária aplicável em cada período de apuração  para a determinação da base de cálculo da CSLL, a Interessada apuraria no período  compreendido entre 1992 e 1996 base negativa de CSLL passível de compensação  no exercício de 1997?  2.  Se  a  resposta  ao  primeiro  quesito  for  afirmativa,  demonstrar  o montante  passível de compensação individualizado para cada um dos exercícios em questão.  3. As provisões para perda de investimentos que foram objeto de adição para  determinação  da  base  de  cálculo  da  CSLL  enquadram­se  nos  critérios  para  dedutibilidade das perdas estabelecidos pelo artigo 13 da Li 9.430/96?  4 Consideradas as  regras de contabilidade  fiscal aplicáveis aos contribuintes  que  atuam  no  segmento  mercantil  ou  financeiro  (regime  anual),  haveria  base  de  cálculo da CSLL em 1997 para a Interessada ? Pede­se a consideração, em 1997, dos  efeitos decorrentes da aplicação da mesma regra nos períodos anteriores.  5. A base de cálculo da CSLL, apurada pela fiscalização para o exercício de  1997, está correta segundo as regras e princípios contábeis geralmente aceitos ?  6. Os dividendos  recebidos pela  Interessada  foram contabilizados na rubrica  receita de renda variável no programa de investimentos e posteriormente transferido  para o programa previdencial ?  7.  Em  caso  de  resposta  afirmativa  a  questão  formulada  no  quesito  6,  demonstrar o valor dos dividendos recebidos pela Interessada em 1997.  8. A anulação de receita em 1997 corresponde a estorno de repasse indevido  em 1996 pela patrocinadora ?  9.  Apontar  quaisquer  fatos  e  valores  identificados  em  decorrência  da  verificação da documentação e escrita contábil da Interessada, se relevantes para o  deslinde deste caso.  10.  Protesta  por  apresentar  outros  quesitos  suplementares  e  elucidativos,  se  necessário.  Em  20/02/2003,  a  interessada  apresentou  petição,  onde  questiona  o  lançamento da multa de ofício, como flagrante violação à norma contida no art. 63  da Lei 9.430/96, requerendo a declaração de nulidade do lançamento da multa face à  exigibilidade estar suspensa por força de tutela judicial.  Em  05/04/2004,  volta  aos  autos  para  argüir  que,  ao  considerar  o  tributo  lançado com base no  regime  trimestral,  que  contesta em sua  impugnação, verifica  que o direito de constituição do crédito tributário lançado no 1 o , 2 o e 3o trimestres  do ano­calendário de 1997 foi extinto pela decadência, nos termos do art. 173­1 do  CTN. O  termo  inicial  para o  1  o  trim/97  é  o  dia  1°/04/97e  o  final  em 04/2002,  e  assim,  sucessivamente  para  os  demais  trimestres..  Tendo  o  auto  sido  lavrado  em  20/12/2002, deverá ser anulado.  À  fl.  325,  extrato  do  site  www.trf2.gov.br  com  a  situação  do  Processo  n°  2001.51.01.024801­0.”  A autoridade  julgadora  de primeira  instância  (DRJ/RJOI) decidiu  a matéria  por meio do Acórdão 9.255, de 27/12/2005 (fls. 329 e ss), julgando procedente o lançamento,  tendo sido lavrada a seguinte ementa:  Fl. 901DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 23          12 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Data do fato gerador: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997  Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. REJEIÇÃO.  A  propositura  pelo  interessado  de  ação  judicial  não  desobriga  a  autoridade  administrativa  de  constituir  o  crédito  tributário,  não  impede  a  lavratura  do  Auto de Infração e nem dá causa à nulidade deste.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  E  JUDICIAL.  ENTIDADES  FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.  A  propositura  de  ação  judicial,  antes  ou  após  o  procedimento  fiscal  de  lançamento,  com  o  mesmo  objeto,  implica  a  renúncia  ao  litígio  administrativo  e  impede  a  apreciação  das  razões  de mérito  pela  autoridade  administrativa a quem caberia o julgamento.  PRELIMINARES DE NULIDADE. DECADÊNCIA. INOCORRENCIA.  O  prazo  decadencial  para  a  constituição  de  crédito  tributário  relativo  às  contribuições  sociais  é  de  10  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que poderia ter sido constituído.  IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE.  Deixa de se conhecer parte da impugnação relativa à matéria já submetida à  apreciação judicial.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA.  Apesar de ser  facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a  realização  de diligência e/ou perícia, compete à autoridade  julgadora decidir sobre sua  efetivação,  podendo  ser  indeferidas  as  que  considerar  prescindíveis  ou  não  comprovada sua necessidade.  ENTIDADES  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA  FECHADA.  EXCLUSÕES  DA BASE DE CALCULO.  As  exclusões  da  base  de  cálculo  autorizadas  pela  legislação  se  referem  somente à provisão para o pagamento de férias de empregados e de décimo­ terceiro salário e às provisões técnicas.  MULTA DE OFÍCIO.  É cabível a exigência de multa de ofício, mesmo estando a matéria tributável  em  discussão  na  esfera  judicial,  se,  quando  do  lançamento,  a  exigência  do  crédito  não  estiver  suspensa  por  força  de  medida  liminar  em  mandado  de  segurança, ou de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de  ação judicial.  TAXA SELIC. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE.  A  discussão  sobre  legalidade  ou  constitucionalidade  das  leis  é  matéria  reservada ao Poder Judiciário. A autoridade administrativa compete constituir  o crédito  tributário pelo  lançamento, sendo este vinculado e obrigatório  sob  pena de responsabilidade funcional.  É o relatório. Passo ao voto.  Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 24          13     Voto             Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  O  recurso  voluntário  (fls.362/399)  é  tempestivo  e  assente  em  lei.  Dele  conheço.  Do relatado constatamos que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento  do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos não conheceu da impugnação no que respeita à  matéria  objeto  do Mandado de Segurança Coletivo  (inocorrência  de  fato  gerador da CSLL),  indeferiu a perícia, por entendê­la desnecessária, conheceu das demais matérias (definição da  base de cálculo e suas exclusões, regime de apuração, multa e juros Selic) e julgou procedente  o lançamento.  Na peça recursal a interessada reitera as seguintes preliminares:  (I)  inexistência de concomitância entre o presente processo  e  o  Mandado  de  Segurança  Coletivo  n°  2001.51.01.024801­0  impetrado  pela  Associação  Brasileira  das  Entidades  Fechadas  de  Previdência  Complementar  ("ABRAPP")  porque  no  processo  judicial  discute­se  o  direito  em  tese  e  no  processo  administrativo  examina­se  a  hipótese  em  concreto  desencadeada  pela  autuação  fiscal  principalmente  as  questões  de  mérito  relativas  à  definição  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  cuja matéria não é abordada no processo judicial;  (II)  (II) decadência do direito de a Fazenda Pública da União  de constituir créditos tributários correspondentes aos 1°,  2o. e 3° trimestre de 1997;  (III)  (III)  ilegalidade  do  lançamento  da  multa  de  oficio  porque  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  estava  suspensa  por  medida  judicial,  conforme  disposto  no  artigo 63 da Lei n° 9.430/96; e  (IV)  (IV) nulidade da decisão de 1° grau, por cerceamento do  direito de ampla defesa, porque a decisão recorrida não  deferiu  o  pedido  de  perícia  imprescindível  para  a  definição  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  mediante  compensação de bases de cálculo negativas.  No  mérito,  a  recorrente  reitera  as  argumentações  iniciais  e  tece  longas  considerações sobre:  Fl. 903DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 25          14 (I)  os  conceitos  de  lucro  e  superavit,  destacando  as  diferenças entre as duas definições;  (II)  o verdadeiro alcance e a correta interpretação do § 1°, do  artigo  22  da  Lei  n°  8.212/91  que  versou  sobre  a  tributação  das  remunerações  pagas  e  não  do  lucro  das  empresas como quer impor a administração fiscal;  (III)  dispensa  de  penalidades  para  o  sujeito  passivo  que  observou  as  normas  complementares  da  legislação  tributária  (art.  100,  inciso  II,  do  CTN,  ADN/CST  n°  17/90;   (IV)  peculiaridade  da  atividade desenvolvida pela  recorrente  principalmente  quanto  à  apuração  de  resultados  e  exclusão dos  recursos de  terceiros na  apuração  da base  de cálculo da CSLL, sob pena de violação do princípio  constitucional de isonomia;   (V)  contestou  a  apuração  trimestral  e  esclarece  que  adotando­se  a  apuração  anual  inexistiria  qualquer  incidência de CSLL;   (VI)  as  Reservas  para  Ajuste  do  Plano  e  o  Fundo  de  Oscilação de Riscos e seu enquadramento no artigo 404  do RIR/99 e dedutibilidade dos Fundos e Reservas para  a  absorção  total  de  eventual  superávit  anual  (Decisão  COSIT n° 07, de 05/05/2000); (g) a recorrente explicita  que existe erro de apuração na determinação da base de  cálculo da CSLL contrariando o disposto no artigo 2° da  Lei n° 7.689/88 e, também, computo em duplicidade da  Provisão para o Imposto sobre a Renda em Litígio, no 4°  trimestre de 1997.  Com  relação as preliminares  inicio a  análise pelo  tema da decadência, pelo  que a vista da Port/MF 586, de 21/12/2010, a qual introduziu o art. 62­A ao Regimento Interno  do CARF, decido a saber:  Art.  62­A  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  E,  a  partir  do  julgamento  do Resp.  973.333­SC,  na  sistemática  de  recursos  repetitivos,  a  questão  do  termo  inicial  da  decadência  nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação restou resolvida, nos termos expressados no item 1 da ementa da decisão do STJ,  no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  Fl. 904DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 26          15 antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação de dolo,  fraude ou  simulação do  contribuinte,  inexistindo  declaração prévia  do  débito”.  Dessa forma, aplicando­se o entendimento do STJ (primeiro dia do exercício  seguinte ao fato gerador – item 3 da ementa), não há o que se falar em decadência para o fisco  constituir o crédito tributário ora guerreado, eis que o lançamento poderia ser efetuado até 31  de  dezembro  de  2002,  ao  passo  que  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  em  23  de  dezembro de 2002 (fl. 178), logo, dentro do prazo qüinqüenal.  As  demais  preliminares  suscitadas  dizem  respeito  a  inexistência  de  concomitância entre o processo judicial e o administrativo, ilegalidade do lançamento da multa  de oficio, nulidade da decisão por indeferimento da perícia.  Neste conjunto adoto, como razões de decidir, as argumentações expendidas  no  voto  do  Conselheiro  Relator  Irineu  Bianchi  (Acórdão  n°  105­17.008),  de  28/05/2008,  mesmo Mandado  de  Segurança Coletivo  e,  portanto, matéria  de mesmo  objeto  dos  presente  autos, cujos excertos transcrevo:  “A  sentença  prolatada  pela  Meritíssima  Juíza  Federal  da  Sétima  Vara  da  Justiça Federal no Rio de Janeiro(RJ) denegou a segurança pleiteada pela ABRAPP  e entre outras considerações, foi enfatizado que:  Ainda que o resultado econômico positivo obtido pelas entidades substituídas  seja  considerado  'superavit',  como  sustenta  a  Impetrante,  com  esteio  na  LC  n°  109/01,  é  certo que os  fundos de previdência  fechada  realizam o  fato gerador do  imposto  de  renda,  assim  entendido  como  um  acréscimo  patrimonial,  um  ingresso  financeiro, que configura um signo presuntivo de riqueza.  Mesmo  que,  em  tese,  a  destinação  deste  'superavit'  esteja  especificamente  voltada  para  melhorar  planos  de  benefícios  ou  reduzir  as  contribuições  das  patrocinadoras  e  dos  beneficiários  (art.  20  e  15,  da  LC  n°  109/2001),  não  resta  desnaturado o fato gerador do IR e da CSLL, tendo em vista que o 'superavit' nada  mais é do que um eufemismo para o lucro.  Nesse panorama, sendo o fato gerador do Imposto de Renda a aquisição da  disponibilidade  econômica  ou  jurídica,  quaisquer  ingressos  financeiros  estão  sujeitos  à  incidência  da  tributação,  ainda  que  não  resultem  efetivamente  em  aumento  do  patrimônio,  e  desde  —  ressalte­se  —  que  não  signifiquem  uma  recomposição do patrimônio perdido (verbas indenizatórias).  Como bem exemplifica o Parquet Federal, em sua promoção de fls. 383/384,  '(..) Deste modo, o simples fato de haver o rendimento na aplicação financeira feita  pelo fundo de pensão significa que houve ingresso de renda no patrimônio, mesmo  que essa renda não implicasse aumento do patrimônio ao final do período. Então,  mesmo que não haja lucro efetivo, basta os rendimentos periódicos das operações  financeiras para incidir IR. Elas somente permanecem isentas de IR incidente sobre  o  lucro  fiscal  (real,  presumido  ou  arbitrado)  no  caso  do  imposto  calculado  com  base no art. 219, do R1R/99.   Com relação à contribuição social sobre o lucro líquido, prevista no art. 195,  1,C, da Carta Constitucional, e instituída pela Lei 7.689/88, da mesma forma há de  se  considerar  o  auferimento  de  renda  ou  resultado  econômico  positivo  hábil  à  configuração  do  fato  gerador  da  contribuição  social,  ainda  que  sob  o  caráter  de  Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 27          16 'superavit'  auferido  pelas  entidades  fechadas  de  previdência  privada,  as  quais —  repita­se — jamais estiveram proibidas de obterem lucros, muito pelo contrário."  Como se vê, a autoridade judicial entendeu que não há diferença entre o lucro  e o  'superavit' e, portanto, o  litígio relacionado com a base de cálculo, em tese, há  concomitância entre o processo judicial e o administrativo.  Desta forma, o argumento relacionado com a inocorrência de fato gerador da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido  face  à  determinação  legal  de  que  as  entidades fechadas de previdência complementar devem ser constituídas sob a forma  de fundações ou sociedades civil, sem fins lucrativos, não podem ser examinados no  julgamento administrativo.  Entretanto, o sujeito passivo tem razão, em parte, quando afirma que a forma  de apuração da base de cálculo para a incidência de CSLL não foi objeto de decisão  judicial.  De  fato, mesmo que o  'superavit'  seja  igual  ao  lucro,  na determinação deste  'superavit'  as  normas  específicas  do  MPAS  —  Ministério  de  Previdência  e  Assistência  Social  estabelece  um  ritual  específico  para  a  escrituração  contábil  e  respectivos  ajustes  que  culminam  com  a  apuração  da  base  de  cálculo  para  a  incidência da referida contribuição.  O  'superavit'  a  ser  apurado  por  uma  entidade  fechada  de  previdência  complementar  não  é  simplesmente  a  somatória  das  diferenças  entre  as  receitas  e  despesas  de  Programas:  Previdencial,  Assistencial,  Administrativo  e  de  Investimentos.  As normas expedidas pela MPAS/SPC denomina de  'Superavit Técnico' e/ou  'Deficit Técnico', o resultado intermediário e a partir deste resultado estabelece uma  seqüência de destinações a Fundos e Provisões dedutíveis.  Assim,  entendo  que  no  tocante  a  apuração  de  resultado  liquido  anual  preconizado  pelo  MPAS  não  foi  objeto  de  decisão  judicial  e,  portanto  não  há  concomitância  entre  o  processo  judicial  e  o  processo  administrativo  sobre  esta  matéria.  Quanto aos argumentos relacionados com a aplicação da multa de lançamento  de  oficio,  entendo  que  o  sujeito  passivo  não  tem  razão,  porque  o  Mandado  de  Segurança  Coletivo  impetrado  pela  ABRAPP  —  Associação  Brasileira  das  Entidades  Fechadas  de  Previdência  Complementar  não  teve  o  acolhimento  pretendido pela impetrante.  De fato, a liminar pleiteada foi indeferida (fls. 285/286 do processo judicial) e  denegada a segurança (fls. 70/82) e, portanto, o alegado efeito suspensivo acolhido  pelo Presidente da TRF da 2a Região (fls. 336/339) não restabeleceu a suspensão da  exigibilidade do crédito tributário como quer a recorrente.  Desta  forma,  não  se  vislumbra  o  descumprimento  do  artigo  63  da  Lei  n°  9.430/96.  A última preliminar suscitada refere­se a nulidade da decisão de 1° grau que  indeferiu  o  pedido  de  diligências  para  determinar  as  bases  de  cálculo  negativas  apuradas pelo sujeito passivo nos anos­calendário de 1992 a 1996.  Em  nenhum  momento,  na  impugnação  ou  no  recurso  voluntário,  o  sujeito  passivo demonstrou ou comprovou que a sua contabilidade apurou base de cálculo  Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 28          17 negativa para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e, portanto,  não vejo como possa caracterizar o cerceamento do direito de ampla defesa.  De todo o exposto, rejeito as razões preliminares suscitadas e correspondentes  a aplicação da multa de lançamento de oficio e nulidade da decisão de 1° grau, por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  e  considero  prejudicada  a  preliminar  relativa  à  decadência.”  Quanto  ao  mérito,  passamos  a  examinar  apenas  as  matérias  que  não  são  concomitantes com o litígio judicial (definição da base de cálculo e suas exclusões, regime de  apuração, multa e juros Selic).  Em primeiro plano de se ressaltar que em sessão de 27/05/2008, resolvem os  membros da 5a. Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, converter o julgamento  em diligência (Resolução 105­1.390, fl. 580/600), nos seguintes termos:  “No  recurso,  a  recorrente  reproduziu  a  tabela  de  fls.  158  e  aduz  que,  da  análise  do  cálculo  efetuado  pela  fiscalização,  pode­se  depreender  que  não  foi  observado  o  devido  cuidado  que  é  peculiar  a  esta  atividade.  Em  seguida  discorre  sobre  a  tributação  dos  dividendos,  estornos  de  receitas  não  efetivadas,  sobre  a  dedutibilidade  dos  créditos  não  recebidos  e  sobre  a  possibilidade  de  compensação  das bases negativas de CSLL, não especificando os valores.  Assim  sendo,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência, para que se intime o contribuinte para que reconstitua a base de cálculo  da CSLL e a fiscalização se manifeste sobre esta operação.”  Consta  às  fls.  796/801  do  presente  processo  o  Relatório  Conclusivo  de  Diligência com a seguinte conclusão:  “Como  se  vê,  por  todo  o  exposto  no  presente  relatório,  o  contribuinte  não  trouxe aos autos qualquer fato novo, limitando­se a reiterar alegações e contestações  já apresentadas no curso da ação fiscal que culminou com a autuação impugnada e  nas peças impugnatórias.  Em  relação  à  matéria  de  fato,  portanto,  esta  fiscalização  reitera  que,  ao  contrário do que sugeriu o contribuinte em sua solicitação de diligência/perícia, não  houve  descuido  da  autoridade  fiscal  no  exercício  de  sua  atividade  vinculada,  e  a  base.de  cálculo  apurada  de  ofício  levou  em  consideração  exclusivamente  os  fatos  registrados  nas  escritas  contábil  e  fiscal  da  fundação  e  a  estrita  observância  à  legislação  tributária  aplicável,  de  forma  a  preservar  os  interesses  da  Fazenda  Nacional.”  Às  fls.  808/814  a  recorrente  apresenta  suas  contra  razões  ao  Relatório  de  Diligência aduzindo conclusivamente que:  “Com efeito,  em que  pese  a  insistência  da D. Autoridade Fiscal,  verifica­se  que  independentemente do seu particular entendimento acerca da natureza jurídica  das deduções consideradas pela RECORRENTE, se  têm natureza de provisões ou  técnicas,  como  defendido  pela  RECORRENTE,  ou  de  provisões  de  contingência  judicial,  ou  de  provisões  para  reembolso  da  patrocinadora,  ou  quaisquer  outra  natureza imputada pela D. Autoridade Fiscalizadora, o fato é que qualquer valor que  for  apurado  a  título  de  superávit  necessariamente,  e  por  determinação  legal,  será  revertido  para  a  constituição  da  i)  Reserva  de  Contingência  e  ii)  Fundo  de  Oscilação de Riscos, ambas dedutíveis da base de cálculo da CSLL, nos termos do  Fl. 907DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 29          18 art. 404 do RIR, e reiteradamente decididos pelo E. Conselho de Contribuintes, atual  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF.”  Enfim retorna os autos a julgamento por esta Corte Administrativa.  Pois  bem,  prejudicada  na  esfera  administrativa,  a  análise  de  mérito  (inocorrência do fato gerador da CSLL) por se tratar da mesma matéria levada à apreciação da  autoridade  judicial  a  qual  deve  ser  observada  a  decisão  final  da  Justiça  Federal.  Passo  a  apreciar as demais matérias de mérito.  Observe­se  que  o  mandado  de  segurança  coletivo  aproveita  a  todos  os  associados do Sindicato, e tem efeitos para todas as autoridades administrativas vinculadas ao  órgão de que faz parte a autoridade impetrada.  Neste sentido, destaque­se a decisão proferida pelo Eg. Superior Tribunal de  Justiça:  PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE  SEGURANÇA.  INTIMAÇÃO DA PESSOA  JURÍDICA  DE  DIREITO  PÚBLICO  A  QUE  SE  VINCULA  A  AUTORIDADE  IMPETRADA  PARA  APRESENTAR  CONTRA­RAZÕES  A  RECURSO  DE  APELAÇÃO. _ NULIDADE  ACÓRDÃO.  I. A parte passiva no mandado de segurança é a pessoa jurídica de direito público a  que  se  vincula  a  autoridade  apontada  como  coatora.  Os  efeitos  da  sentença  se  operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à autoridade.  2.A  opção  legislativa,  com  a  finalidade  de  manter  a  celeridade  da  ação  mandamental,  limita­se  a  determinar  a  notificação  para  informações  e  à  comunicação de sentença (Lei 1.533/51, arts. 7° e 11). Todavia apresentado recurso  pela  impetrante,  a  intimação,  para  contra­razões,  deve  ser  feita  ao  representante  judicial da própria pessoa jurídica.  3.Recurso  especial  a  que  se  dá  provimento.  (REsp  750693  /  GO,  PRIMEIRA  TURMA, Relatar Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 05.09.2005 p. 308)  Vale  transcrever,  ainda,  o  entendimento  de  Lúcia  Figueiredo  (in  "Mandado  de  Segurança", p. 46):  Se  o  impetrante  for  sindicato,  como  lhe  incumbe  a  tutela  dos  direitos  de  seus  associados e da categoria (art. 513 da CLT), a sentença atingirá toda a categoria.  Todavia,  se  estivermos  diante  de  associações,  a  questão  colocar­se­á  de  forma  diversa. Às associações cabe tutelar os interesses e direitos de seus associados. Até  porque  ha  ou  pode  haver,  diversas  associações  de  classe  (v.,  por  exemplo,  o  Instituto dos Advogados e a Associação dos Advogados). Se assim é, não nos parece  pudesse se cogitar de a sentença transcender a esfera dos associados. Seria, mesmo,  intromissão indevida  Ressalte­se, somente a título de ilustração, que a Suprema Corte do país já se  pronunciou sobre a ausência de imunidade das entidades previdência privada, eis que no RE nº  202700/DF, de 08 de novembro de 2001, relator o Ministro Maurício Correa, restou assentado:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  PREVIDÊNCIA  PRIVADA.  IMUNIDADE  TRIBUTÁRIA.  INEXISTÊNCIA.  1.  Entidade  fechada  de  previdência  privada.  Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das  Fl. 908DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 30          19 contribuições  pactuadas.  Imunidade  tributária.  Inexistência,  dada  a  ausência  das  características  de  universalidade  e  generalidade  da  prestação,  próprias  dos  órgãos  de  assistência  social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito  em  suas  finalidades  a  observância  ao  princípio  da  universalidade,  da  generalidade  e  concede  benefícios  a  toda  coletividade,  independentemente  de  contraprestação,  não  se  confundem  e  não  podem  ser  comparadas  com  as  entidades  fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação  contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica,  ficando  o  gozo  dos  benefícios  previstos  em  seu  estatuto  social  dependente  do  recolhimento  das  contribuições  avençadas,  conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema.  Recurso extraordinário conhecido e provido.  Dito  isto,  conforme se observa da  leitura dos  autos, o deslinde principal da  questão  a  ser  dirimida  está  relacionada  com  a  determinação  da  base  de  cálculo  da  CSLL  exigida,  ou  seja,  o  resultado  do  exercício  (superávit)  será  revertido  para  a  constituição  de  “Reserva  de  Contingência  e  Fundo  de  Oscilação  de  Riscos  nos  termos  do  art.  404  do  RIR/1999, como afirma a recorrente no recurso e contra razões ao relatório de diligência.  Recentemente em Sessão de 12/06/2012, Acórdão 1301­000.926 do processo  administrativo 10768.018466/2002­13 (Fundação Vale do Rio Doce se Seguridade Social), me  alinhei  aos  argumentos do  ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães,  redator do voto  vencedor, com relação a mesma matéria, que por pertinente transcrevo alguns trechos:  A questão da incidência da CSLL sobre os resultados positivos das entidades  de  previdência  privada  foi  brilhantemente  enfrentada  nos  autos  do  processo  administrativo nº 10768.100226/2002­61, objeto do acórdão nº 103­22.558  (sessão  de 25 de janeiro de 2007).  Por pertinente, transcrevo, a seguir, ementa do julgado em referência.  “ENTIDADES  FECHADAS  DE  PREVIDÊNCIA  COMPLEMENTAR  –  CSLL  –  ART.  72,  III,  DOS  ADCT.  LEI  Nº  7.689/88.  A  máxima  efetividade  da  norma  constitucional  em  lume  torna  irrelevante  a  finalidade  lucrativa,  para  a  tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser  que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando  força  normativa  aos  preceitos  da  Lei  Maior.  A  linha  de  defesa  que  reclama  a  incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional  à  Lei  nº  7.689/88,  denota  a  inversão  do  princípio  da  interpretação  conforme,  postulando,  ao  contrário,  a  compreensão  da  Constituição  em  consonância  com  o  sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da  CSSL,  nos  termos  da  Lei  nº  7.689/88,  é  o  resultado  do  exercício.  Assim,  a  obrigatória  harmonia  entre  a  norma  constitucional  e  a  indigitada  lei  impõe  que  se  vislumbre  o  resultado  do  exercício  como  gênero,  cujas  espécies  são  o  lucro  e  o  superávit.”  Diante da forma adequada como a questão posta em discussão foi abordada e  da erudição do pronunciamento, reproduzo fragmentos do voto condutor do acórdão  nº 103­22.558, redator designado o Ilustre Conselheiro Flávio Franco Corrêa.  “[...]  Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 31          20 Afora  o  que  deixei  registrado  nas  linhas  precedentes,  não  hesito  na  asseveração de que o voto vencido e seu aresto modelo valeram­se do nomem júris  do  tributo  para  a  suposição  de  sua  base  de  incidência.  Paulo  Barros  de  Carvalho  explica,  em  comentários  ao  art.  4º,  I,  do CTN que  o  legislador  agiu  com extrema  lucidez, “ao  declarar  que  suas  palavras  não  devem  ser  levadas  ao  pé  da  letra”,  afinal  os  nomes  que  designam  as  “prestações  pecuniárias  que  se  quadrem  na  definição do art. 3º do Código hão de ser recebidas pelo intérprete sem aquele tom  de  seriedade  e  de  certeza  que  seria  de  esperar.  Porque,  no  fundo,  certamente  pressentiu  que,  utilizando  uma  linguagem  natural,  penetrada  das  comunicações  cotidianas,  muitas  vezes  iria  enganar­se,  perpetuando  equívocos  e  acarretando  confusões. E é  justamente o que acontece. As  leis não são  feitas por cientistas do  Direito  e  sim  por  políticos,  pessoas  de  formação  cultural  essencialmente  diversificada,  representantes  que  são  dos  múltiplos  setores  que  compõem  a  sociedade. O produto de seu trabalho, por conseguinte, não trará a marca do rigor  técnico e científico que muitos almejam encontrar. Seria como se tivesse dito: Não  levem  às  últimas  conseqüências  as  palavras  que  enuncio,  porque  não  sou  especialista.  Compreendam­me  em  função  da  unidade  sistemática  da  ordem  jurídica.”  As  palavras  de  Paulo  de  Barros  de  Carvalho,  ora  recolhidas,  cabem  com  exatidão no caso em estudo. Veja­se, a propósito, o art. 2º da Lei nº 7.689/88, que,  ao definir a base de cálculo da CSSL, partiu do “resultado do exercício”, ajustando­ o, todavia, mediante as adições e as exclusões que estão inscritas no artigo 2º, § 1º,  alínea  c,  da  lei  em  referência,  posteriormente  modificado  pelo  art.  2º  da  Lei  nº  8.034/90. Ou seja, referidos ajustes ao resultado do exercício conflitam com o que se  cristalizou  na  concepção  de  tantos,  que  se  deixaram  iludir  pelo  nomem  juris  do  tributo, assim imaginando que sua incidência recai sobre o lucro líquido.  Acrescente­se  que  a  doutrina  e  a  jurisprudência  administrativa  facilitaram o  trabalho de interpretação sob a incumbência deste relator, tal a iterativa asserção de  que  a  base de  cálculo  do  tributo  objeto  do  lançamento  de  ofício  em  exame  tem  a  singela denominação de “base de cálculo da CSSL”, verbis;  IRPJ – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – LIMITE DE COMPENSAÇÃO –  IRPJ  –  CSLL  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  FISCAIS  E  DA  BASE  DE  CÁLCULO NEGATIVA – LIMITES – LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 E 58.  Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social  sobre o lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá  ser reduzido em, no máximo,  trinta por cento,  tanto em razão da compensação de  prejuízos,  como  em  razão  da  compensação  da  base  de  cálculo  negativa  da  contribuição  social.”  (acórdão  nº  10195002,  Rel.  Conselheiro  Orlando  José  Gonçalves Bueno, sessão de 20.05.2005) (os grifos não estão no original)  CSSL – COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS – LIMITAÇÃO DE 30%  APLICAÇÃO  [...]  De  tudo  o  que  salientei,  depreendo  que  a  harmonização  entre  a  Lei  nº  7.689/88  e  o  art.  72,  III,  dos  ADCT  exige  a  compreensão  de  que  “resultado  do  exercício” é gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. Por conseguinte, pouco  importa, para a tributação da CSSL em consonância com o artigo 72, III, dos ADCT,  se a entidade de previdência tem finalidade lucrativa ou não. Contudo, a justiça que  se  exige  do  órgão  julgador  requer  a  segregação  das  entidades  que  distribuem  benefícios previdenciários decorrentes, exclusivamente, de contribuições da própria  Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 32          21 mantenedora.  Isto  porque  a  jurisprudência  da Corte Suprema  acolheu­as  no  seleto  grupo  das  instituições  de  assistência  social,  albergadas,  em  conseqüência,  pelo  manto da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República, a teor  das informações que emanam das seguintes ementas:  “IMUNIDADE  ENTIDADE  FECHADA  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA.  Na  dicção da  ilustrada maioria, entendimento em relação ao qual guardo reservas, o  fato de mostrar­se onerosa a participação dos beneficiários do plano de previdência  privada  afasta  a  imunidade  prevista  na  alínea  "c"  do  inciso VI  do  artigo  150  da  Constituição Federal.  Incide  o  dispositivo  constitucional,  quando  os  beneficiários  não  contribuem  e  a mantenedora  arca  com  todos  os  ônus. Consenso  unânime do  Plenário, sem o voto do ministro Nelson Jobim, sobre a impossibilidade, no caso, da  incidência de  impostos, ante a configuração da assistência  social.”  (RE 259.756,  Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 29.08.2003) (os grifos não estão no original)  “CONSTITUCIONAL.  PREVIDÊNCIA  PRIVADA.  IMUNIDADE  TRIBUTÁRIA.  INEXISTÊNCIA.  1.  Entidade  fechada  de  previdência  privada.  Concessão  de  benefícios  aos  filiados  mediante  recolhimento  das  contribuições  pactuadas. Imunidade  tributária. Inexistência, dada a ausência das características  de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência  social.  2.  As  instituições  de  assistência  social,  que  trazem  ínsito  em  suas  finalidades  a  observância  ao  princípio  da  universalidade,  da  generalidade  e  concede  benefícios  a  toda  coletividade,  independentemente  de  contraprestação,  não  se  confundem  e  não  podem  ser  comparadas  com  as  entidades  fechadas  de  previdência  privada  que,  em  decorrência  da  relação  contratual  firmada,  apenas  contempla  uma  categoria  específica,  ficando  o  gozo  dos  benefícios  previstos  em  seu  estatuto  social  dependente  do  recolhimento  das  contribuições  avençadas,  conditio  sine  qua  non  para  a  respectiva  integração  no  sistema.  Recurso  extraordinário conhecido e provido.” (RE, 202.700, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ  01.03.2002).”  Destacou ainda o Colegiado, na linha do decidido em primeira instância, que  somente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2002, face a  edição da Medida Provisória nº 16, de 2001 (convertida na Lei nº 10.426, de 2002),  é  que  as  entidades  fechadas  de  previdência  complementar  gozam  de  isenção  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.  Alinhou­se também o Colegiado aos argumentos expendidos no voto condutor  da  decisão  recorrida  acerca  da  base  de  cálculo  utilizada  pela  autoridade  fiscal,  da  desnecessidade de realização de perícia, da propriedade na utilização do período de  apuração trimestral e da impossibilidade de consideração de bases negativas.  Nessa linha, acolheu os argumentos expendidos na instância a quo no sentido  de que:  i) ao processo foram reunidos elementos suficientes à solução da controvérsia  e,  boa parte deles,  foi  colhida por meio de  intimação e devidamente  aferidos pela  própria fiscalizada;  ii)  não  se  vislumbra,  no presente  caso,  a  existência de  ato  ou  fato  capaz  de  indicar a necessidade de pronunciamento por parte de perito, sendo certo que o meio  requerido (perícia) não se presta para colher documentos;  iii)  não  obstante  o  disposto  nos  itens  “i”  e  “ii”  acima,  houve,  em  etapa  anterior,  conversão  do  julgamento  em  diligência,  momento  em  que  as  dúvidas  suscitadas foram devidamente esclarecidas;  Fl. 911DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 33          22 iv)  diante  da  absoluta  ausência  de  apuração,  por  meio  de  declaração,  de  resultados  fiscais  de  períodos  anteriores,  resta  comprometido  o  eventual  aproveitamento de bases de cálculo negativas relativas a tais períodos;  v)  nos  termos  da  legislação  de  regência,  a  regra  geral  de  tributação  das  pessoas  jurídicas  obrigadas  ao  lucro  real  é  a  apuração  com  base  em  períodos  trimestrais (art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996), sendo a apuração anual dependente de  expressa opção por parte da pessoa jurídica;  vi)  apesar  de  reiteradamente  intimada,  a  contribuinte  não  logrou  êxito  na  comprovação de que parcela dos valores considerados na base de cálculo da exação  formalizada  era  relativa  a  dividendos  (ela  própria  admitiu  que,  em  virtude  de  limitações do sistema de informática utilizado à época, não seria possível apontar o  montante correspondente aos dividendos);  vii)  inexistindo  na  legislação  de  regência  autorização  para  dedução  da  contrapartida da provisão de CONTINGÊNCIA FISCAL, descabe falar em exclusão  do valor correspondente na determinação da base de cálculo da contribuição;  viii)  estando  as  entidades  de  previdência  privada  fechada,  por  força  do  disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade  determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de  cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº  4.858, de 1998; e  ix) diante do disposto no item anterior e consideradas as disposições do inciso  I do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, não são consideradas técnicas a Reserva para  Ajuste do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos do Decreto nº 606, de 20 de julho  de 1992.  As  considerações  acerca  de  eventual  violação  do  princípio  da  isonomia  em  virtude da aplicação da alíquota de 18%, da alegada tributação sobre patrimônio e do  cálculo dos juros de mora com base na taxa selic, foram rejeitadas pelo Colegiado,  haja  vista  a  existência  de  súmulas  aprovadas  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais acerca de tais matérias, conforme reprodução abaixo.  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.  Vê­se que a matéria conforme acima transcrito é de igual  teor a  tratada nos  autos do presente processo.  Na  ação  fiscal  desenvolvida  (ver  TVF)  os  critérios  adotados  são  aqueles  determinados  pela  Portaria  SPC  176/96,  posteriormente  substituída  pela  Port/MPAS  4.858/1998, Anexo “C”,  item “3”, bem como, o disposto no  art.  13,  I,  da Lei 9.249/1995,  a  saber:  Art.  13.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas  Fl. 912DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 34          23 as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47  da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964:  I  ­  de  qualquer  provisão,  exceto  as  constituídas  para  o  pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário,  a  de  que  trata  o  art.  43  da  Lei  n"  8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995,  e  as  provisões  técnicas  das  companhias  de  seguro  e  de  capitalização, bem como das  entidades de previdência privada,  cuia  constituição  é  exigida  pela  legislação  especial  a  elas  aplicável.  Como bem salientado no Termo de Verificação Fiscal a Coordenação­Geral  do Sistema de Tributação, na Solução de Consulta COSIT n° 07, de 26/12/2001, traça orientação a  este respeito nos seguintes termos:  "(•••)  para  que  se  mantenha  o  paralelismo  estabelecido  entre  padronização  e  legislação  contábil  e  fiscal,  a  primeira  estabelecendo  a  forma  de  apuração  do  resultado  contábil  líquido,  para  que  a  outra  ajuste  tal  resultado  com  o  fito  de  estabelecer  uma  base  de  cálculo  de  tributos  e  contribuições,  é  que,  não  havendo  outro  diploma  legal  que  trate  do  mesmo  tópico,  deve­se  utilizar  a  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício  padrão,  estatuída  no Anexo C,  item "3",  da Portaria  MPAS  n°  4.858,  de  1998,  que  trata  da  planificação  contábil  aplicável  às  EFPP,  como  referência  inicial  para  fins  da  execução dos ajustes fiscais necessários à correta determinação  da base de cálculo da CSLL dessas instituições.  (...)  Assim,  conclui­se  que,  na  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício do Anexo C, item "3 ", da Portaria MPAS n° 4.858, de  1998, as provisões a serem deduzidas do SALDO DISPONÍVEL  PARA CONSTITUIÇÕES, no programa previdencial, são apenas  as  RESERVAS  MATEMÁTICAS  e  a  RESERVA  DE  CONTINGÊNCIA, as quais após serem deduzidas, via de regra,  fornecem o resultado superavitário a se sujeitar à incidência de  CSLL,  observadas  ainda  as  demais  hipóteses  de  adições  e  exclusões à base de cálculo previstas na legislação da CSLL.  São  aqui  consideradas  técnicas  as  reservas  matemáticas  e  de  contingência.  A  primeira,  necessária  para  garantir  os  compromissos  atuariais  dos  planos  de  benefícios,  e  a  segunda,  constituída na forma do Decreto n° 606, de 20 de julho de 1992 e  da  Lei  Complementar  n°  109,  de  2001.  Portanto,  não  são  consideradas  técnicas,  tomando­se  por  base  o  Balanço  Patrimonial exposto no Anexo C, item "3", da Portaria MPAS n"  4.858, de 1998, a Reserva para Ajustes do Plano e o Fundo de  Oscilação de Riscos do Decreto no 606, de 20 de julho de 1992.  Fl. 913DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 35          24 Neste  diapasão  não  vislumbro  para  o  caso  a  dedutibilidade na  apuração  do  resultado do exercício das Reservas para Ajuste do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos  (Dec. 606/1992).  No mais,  reforçando o  todo quanto ater  aqui exposto, adoto como razão de  decidir deste recurso as argumentações contidas no voto condutor, as quais reproduzo:  1. Regime trimestral para apuração da base de cálculo  Sobre  o  questionamento  referente  à  aplicação  do  regime  trimestral  para  apuração  do  crédito  tributário  e  o  fato  da  legislação  tributária  facultar  ao  contribuinte a opção pelo regime anual ou trimestral, nos termos do caput do artigo  2° da Lei n° 9.430/1996 e que, pelo regime anual, mesmo que se apurassem valores  a  recolher  em  alguns  meses  do  ano  calendário  de  1997,  estes  poderiam  ser  compensados ao final do exercício, vez que ao seu final foi apurada base de cálculo  negativa,  cabe  observar  que  tais  alegações  não  merecem  ser  acolhidas,  senão,  vejamos:  No art.1° da Lei 9.430/96 e art. 2° da Instrução Normativa 93/1997 está claro  que  o  valor  do  crédito  tributário  será  determinado  com  base  no  lucro  real,  presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração  trimestrais,  encerrados nos dias  31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário,  observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei.  Como a própria  interessada  reconhece, ela poderia optar pelo pagamento do  imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e a opção seria  formalizada  mediante  o  pagamento  espontâneo  do  imposto  relativo  ao  mês  de  janeiro ou no inicio de atividade. No caso, não foi feita a opção e não constam do  processo comprovações de quaisquer recolhimentos a titulo de CSLL em 1997, nem  nos sistemas informatizados da SRF.  A interessada apresentou a DIRPJ/98 na condição de isento e não a retificou  até  o momento,  descartando­se  totalmente  a  possibilidade  de  opção  pela  apuração  anual com recolhimentos mensais por estimativa.  Sobre  a  possibilidade  de  compensação  da  base  negativa  da  contribuição  apurada pela  interessada pelo  regime anual,  ao  final de 1997,  ao  contrário do que  alega a interessada, esta não ocorreu, conforme se verifica à fl. 371, pois as bases de  cálculo da CSLL apuradas pela  fiscalização são  todas positivas, de acordo com as  disposições contidas no ANEXO C, item 3 da Portaria MPAS n°4.858/1998.  Além  disso,  apenas  por  argumentar,  na  apuração  trimestral,  o  resultado  positivo  do  trimestre  anterior  não  pode  ser  compensado  com  a  base  de  cálculo  negativa de trimestres seguintes, ainda que dentro do mesmo ano­calendário.  2. Utilização total das bases de cálculo negativas de períodos anteriores  Quanto  à  compensação  integral  das bases de  cálculo negativas,  o  art.  58 da  Lei 8.981/1995 e o art. 16 da Lei 9.065/1995, para efeito de determinação da base de  cálculo da  contribuição  social  sobre o  lucro,  definem que o  lucro  liquido ajustado  poderá  ser  reduzido  por  compensação  da  base  de  cálculo  negativa,  apurada  em  períodos­base anteriores em, no máximo, trinta por cento. Por conseguinte, incabível  a compensação integral das bases de cálculo negativas pleiteada pela interessada.  3. Aliquota de 18%  Fl. 914DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 36          25 Em  relação  à  alíquota  aplicada  de  18% para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir de 1° de janeiro de 1997, esta foi determinada pela Lei 9.316/1996, em seu art.  2o.  Aqui  cabe  apenas  observar  que  a  atividade  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, e não cabe a discricionariedade  na aplicação da legislação tributária.  4. Exclusão dos Dividendos e da reversão de contingência fiscal   A interessada questiona (item 26 acima ­ da  Impugnação e 5 e 6 da perícia)  sobre  dividendos.  A  esse  respeito,  fl.  233,  verifica­se  que  o  autuante  solicitou  informações  sobre  os  dividendos  recebidos.  Na  resposta  à  intimação,  fl.  234,  a  interessada  informa  que  os  valores  "...  referem­se  ao  somatório  de  dividendos  e  juros  sobre  o  capital  próprio.  Devido  às  limitações  do  sistema  de  informática  utilizados na época, tais valores eram contabilizados na mesma rubrica." (negritei).  A  fl.  243,  novo  termo  de  intimação  solicita  esclarecimento  se  há  condições  de  informar  somente  os  valores  relativos  aos  dividendos  recebidos. Em  resposta  à  fl.  259, reitera a interessada que " devido a limitações do sistema de informática, não  temos  condições de  informar  separadamente  os  valores de dividendos  e  juros  sobre capital próprio recebidos naquela época."(negritei).  Mais  uma  vez,  resta  claro  que  na  fase  de  fiscalização,  a  interessada  não  demonstrou ter  interesse, nem condições para apurar o montante dos dividendos, e  não providenciou a forma de fazê­lo, alegando impossibilidade do sistema. Também,  não trouxe quaisquer provas do alegado na impugnação, contrariando o artigo 15, do  Decreto n° 70.235/72 e o parágrafo 4°, artigo 16, do mesmo Decreto, acrescido pelo  artigo 67 da Lei n° 9.532/97.  5. Quanto a reversão de contingência fiscal, consta à fl. 274 intimação para a  interessada informar se os valores haviam sido adicionados quando da apuração da  base de cálculo da CSLL relativa aos períodos de sua constituição, e, a fl. 275, em  resposta, a  interessada apenas confirma que os valores estão conforme os  registros  contábeis e de que não reconhece tais valores como base de cálculo da CSLL. Logo,  não se justifica a pretensão da interessada em querer excluir a reversão da provisão,  pois conforme o autuante esclarece, as fl. 391, para tanto, o valor da provisão, sendo  não dedutivel, deveria ter sido adicionado no ano da constituição, conforme art. 2°, §  1°,"c",  6  da  Lei  7689/88,  o  que  não  ocorreu.  Como  não  constam  Declarações  entregues  de  períodos  anteriores  a  1997  ou  quaisquer  informações  sobre  a  composição e constituição dessas provisões, não há que se falar em exclusão desta  reversão da base de cálculo da CSLL.  Cabe  ressaltar  que  a  confirmação  de  que  os  referidos  valores  apurados  pela  fiscalização  estão  em  consonância  com  os  registros  contábeis  corroborou  a  desnecessidade de perícia contábil.  6. Outras diferenças na apuração da base de cálculo da CSLL  De acordo com o art. 5° da Lei n° 6.435, de 1977 e com o §1° do art. 31 da  Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, as EFPP (entidades fechadas de  previdência privada) devem ser organizadas sob a forma de fundação ou sociedade  civil, sem fins lucrativos. Portanto, a elas não se pode aplicar a planificação contábil  própria das sociedades comerciais.  Para que então se mantenha o paralelismo estabelecido entre padronização e  legislação contábil e legislação fiscal, a primeira estabelecendo a forma de apuração  Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 37          26 do  resultado  contábil  liquido,  para  que  a  outra  ajuste  tal  resultado  com  o  fito  de  estabelecer  uma  base  de  cálculo  de  tributos  e  contribuições,  é  que,  não  havendo  outro diploma legal que trate do mesmo tópico, deve­se utilizar a Demonstração do  Resultado do Exercício padrão, estatuída no ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS  n°  4.858,  de  1998,  que  trata  da  planificação  contábil  aplicável  as  EFPP,  como  referência  inicial  para  fins  da  execução  dos  ajustes  fiscais  necessários  correta  determinação da base de cálculo da CSLL dessas instituições.  Corrobora  ainda  o  entendimento  anterior  o  art.  23  da Lei Complementar n°  109,  de  2001,  que  estatui  claramente  que  as  EFPP  estão  sujeitas  a  contabilidade  determinada pelo órgão fiscalizador competente, como segue:  "Art.  23. As  entidades  fechadas  deverão manter atualizada  sua  contabilidade, de acordo com as instruções do órgão regulador e  fiscalizador,  consolidando  a  posição  dos  planos  de  beneficios  que administram e executam, bem como submetendo suas contas  a auditores independentes.  Parágrafo único. Ao final de cada exercício serão elaboradas as  demonstrações contábeis e atuariais consolidadas, sem prejuízo  dos controles por plano de benefícios. "  0  entendimento  expendido  nos  itens  anteriores  aponta  no  sentido  de  que  a  demonstração da base de cálculo (Apuração com base no resultado trimestral), deve  levar  em consideração a Demonstração do Resultado do Exercício do ANEXO C,  item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998.  Neste ponto, deve­se ressaltar que a Demonstração do Resultado do Exercício  do ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, aqui adotado desde já  para a aferição da base de cálculo da CSLL, deve ser atualizada, no que couber, de  acordo com a Lei Complementar n° 109, de 2001.  O critério adotado pelo plano de contas citado coaduna­se com o disposto no  art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que dispõe, verbis:  "Art.  13°  . Para efeito de apuração do  lucro  real  e da base de  cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas  as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47  da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964:  I  ­  de  qualquer  provisão,  exceto  as  constituídas  para  o  pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário,  a  de  que  trata  o  art.  43  da  Lei  n°  8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995,  e  as  provisões  técnicas  das  companhias  de  seguro  e  de  capitalização, bem como das entidades de previdência privada,  cuja  constituição  é  exigida  pela  legislação  especial  a  elas  apliciveis (negritei).  7. Sobre  o  enquadramento  no  art.  3°  do Decreto  n°  606/92  e  das Deduções  para constituição de fundos — art. 404­RIR/99:  A menção ao Decreto n° 606/92 encontra­se na citação à Solução de consulta  Cosit n° 07/2001, entre aspas, fls. 382/384, do Termo de Verificação, ao comentar a  diferença entre as reservas consideradas técnicas e as não técnicas. Não se trata de  enquadramento  equivocado  realizado  pelo  autuante,  como  quer  fazer  crer  a  Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 38          27 interessada. Ela mesma informa que a sua patrocinadora foi privatizada em maio de  1997, fl. 448, portanto, parte do período de apuração está abrangido pelo Decreto n°  606/92,  que  dispunha  sobre  as  entidades  fechadas  de  previdência  privada  e  suas  patrocinadoras, no âmbito da Administração Pública Federal. Alem disso, a natureza  jurídica declarada pela interessada na DIRPJ/1998 — ano­calendário 1997, foi a —  sociedade  de  economia mista,  de  que  trata  o Art.  1°  ­  I do Decreto  n°  606/1992,  posteriormente alterada para o código 204 — sociedade anônima aberta. Verifica­se  que o Decreto n° 81.240/1978 citado pela interessada e que regularia o período de  autuação  de  junho  a  dezembro/1997,  já  tratava  da  reserva  de  contingência  nos  mesmos  moldes  que  o  Decreto  n°  606/92,  especifico  para  o  âmbito  da  Administração Pública Federal.  A interessada argui que , se tivesse apurado resultado positivo, o mesmo seria  revertido à constituição de reservas e provisões técnicas pois, no contexto das EFPC,  estas destinam a totalidade dos recursos excedentes para a composição do Fundo de  oscilação  de  riscos  e  Reserva  para  ajustes  do  Plano.  Cita  a  Decisão  da  Cosit  de  05.05.2000  que  trata  da  dedutibilidade  da  provisão  para  oscilação  de  riscos  e  da  provisão  para  oscilação  financeira,  e  que  se  aplica  as  entidades  abertas  de  previdência complementar, considerando coerente sua aplicação a entidade fechada.  Quanto  às  deduções  para  constituição  de  fundos  e  reservas  especificas,  assim  dispõe o art. 404 do RIR199:  "Companhias  de  Seguros,  Capitalização  e  Entidades  de  Previdência Privada  Art.  404.  As  companhias  de  seguros  e  capitalização,  e  as  entidades  de  previdência  privada  poderão  computar,  como  encargo  de  cada  período  de  apuração,  as  importâncias  destinadas  a  completar  as  provisões  técnicas  para  garantia  de  suas  operações,  cuja  constituição  é  exigida  pela  legislação  especial a  elas aplicável  (art. 336)  (Lei n° 4.506, de 1964, art.  67, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, inciso I).  Observando  a  lei  reguladora  de  tais  deduções,  pode  se  perceber  que  as  provisões dedutíveis  tem caráter assecuratório, unicamente quanto ao compromisso  com seus beneficiários. Em outras palavras, elas serão passíveis de dedução no caso  de serem constituídas para cumprir compromissos atuariais dos beneficios a serem  concedidos, ou para constituir reservas de contingências. Estão previstas na Lei n°  9.249/1995, artigo 13, conforme já citado.  7. DILIGÊNCIA DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.  Tendo  em  vista  as  considerações  adicionais  apresentadas  no  Relatório  da  Diligência  solicitada  pelo  Conselho  de  Contribuintes,  de  fls.  692  e  693,  e  manifestação da interessada às fls. 698/699, Relatório de encerramento de diligencia  fiscal às fls. 729/731, com a síntese dos fatos apresentada no Relatório que compõe  o  presente  Voto,  e  as  fls.  735/739,  o  aditamento  às  razões  de  recurso  voluntário  apresentadas em 01/08/2007, sobre o resultado da diligência, cabe destacar:  REVERSÃO DA RESERVA DE CONTINGÊNCIA FISCAL.  0 esclarecimento solicitado pode ser observado na Planilha de fl. 694, onde se  verifica  que  a  apuração  da CSLL  levou  em  conta  a  base  apurada  pela  interessada  (que  já  havia  reconhecido  a  formação  da  reserva  de  contingência  dos  períodos)  e  somente adicionou a reversão de contingência fiscal, nos exatos montantes apurados  Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 39          28 conforme Demonstrativos  de  fls.  715/728,  e  assinados  pelo  Sr.  Eustáquio  Coelho  Lott — Diretor­Superintendente da Valia.  No  sentido  de  corroborar  com  o  entendimento  a  esse  respeito  tanto  da  Administração  quanto  do  Judiciário  já  mencionados,  apenas  a  titulo  de  conhecimento, trago trecho das "Notas explicativas às Demonstrações Contábeis de  2007" no sitio da Internet da interessada: www.valia.com.br:  "Em 31 de Dezembro de 2007 e 2006 (Em milhares de reais)  1. Contexto Operacional  A Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social ­ VALIA, pessoa jurídica  de direito privado, sem fins lucrativos, instituída pela Companhia Vale do Rio Doce  – VALE em abril de 1973, por prazo indeterminado, tem por objetivo a concessão  de  benefícios  suplementares  ou  assemelhados  aos  da Previdência  Social,  pecúlios  ou  rendas  ­  por  meio  de  múltiplos  planos  privados  por  ela  instituídos  e/ou  administrados ­ aos empregados de pessoas jurídicas que por meio de convênio de  adesão, patrocinem os referidos planos isolada ou conjuntamente.  Os  principais  recursos  de  que  a  Fundação  dispõe  para  seu  funcionamento  são  oriundos  das  contribuições  dos  patrocinadores,  dos  participantes  ativos  e  assistidos  e  dos  rendimentos  resultantes  das  aplicações  desses  recursos  em  investimentos.  6. Resultado do Exercício  Desconsiderando  a  constituição  do  fundo  para  distribuição  de  superávit,  o  plano apresentou resultado positivo (superávit) de R$ 793.698.  Com  a  reversão  necessária  à  constituição  do  referido  fundo,  o  plano  apresentou  resultado  negativo  (deficit)  de  R$  605.238,  de  natureza  estritamente  contáibil.  A  carteira  consolidada  apresentou  uma  rentabilidade  global  de  23,76%,  superando as metas atuariais de cada um dos planos individualmente. Ern termos  reais, ela correspondeu a uma rentabilidade de 17,70% acima do 1NPC que foi de  5,15% no ano.  Dos principais fatores que contribuíram para este resultado destacamos:  *  0  segmento  de  Renda  Fixa  obteve  uma  rentabilidade  de  13,78%  que  corresponde  a  116,62%  do  CDI,  seu  principal  benchmark.  Em  termos  reais,  o  segmento apresentou uma rentabilidade de 8,21% em 2007 acima do INPC. Tanto a  carteira  própria  quanto  a  carteira  terceirizada  contribuíram  para  este  resultado,  ambas  seguindo  a  política  de  investimentos  de  alocação  em  empresas  e  em  instituições financeiras consideradas de baixo risco.  * 0 segmento de Renda Variável acumulou um retorno de 56,65%, superando  o  de  51,54%,  seu  principal  benchmark. Podemos  destacar,  dentre  outros,  a  boa  performance  das  ações  de Vale,  Petrobrás,  Perdigão  e  das  empresas  do  setor  de  siderurgia.  A  boa  performance  da  bolsa  de  valores  deveu­se  a  melhora  dos  fundamentos da economia brasileira no ano. 0 risco Brasil medido pelo Emerging  Markets Bond Index (EMBI­BR) reduziu­se e a liquidez continuou elevada.  Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 40          29 *  0  resultado  da  Carteira  Imobiliária  em  2007,  acumulou  rentabilidade  nominal  de  20,05% a.a.  e  uma  rentabilidade  real  de  14,17%  a.a.  batendo a  taxa  atuarial e a meta da carteira de INPC +8% a.a.  Deve  ser  ressaltado  que  o mercado  imobiliário  está  atravessando  desde  2°  semestre  de  2006  uma  fase  de  aquecimento,  tendo  em  vista  o  cenário  macroeconômico  favorável,  a  capitalização  das  empresas  do  setor  de  construção  civil e a vinda expressiva de investidores estrangeiros para o mercado local. Houve  uma redução significativa da vacância da Carteira que saiu de 3,2% no  inicio do  ano para 1,6% em dezembro de 2007, bem abaixo do limite definido de 5%.  Não houve movimentações na Carteira Imobiliária no período.  0  resultado  da  Carteira  de  Empréstimos  em  2007  acumulou  rentabilidade  nominal  de  17,07%  a.a.  e  uma  rentabilidade  real  de  11,34%  a.a  batendo  a  taxa  atuarial, que também é meta desta Carteira de INPC + 6% .a.  DIVIDENDOS.  Com  relação  aos  dividendos,  da  mesma  forma,  conforme  resposta  após  a  diligência,  fl. 699, a  interessada continuou afirmando que "não tem condições de  apresentar separadamente" os valores  recebidos a  titulo de  juros  sobre o capital  próprio e de dividendos.  Alega.  que  a  contabilização  dos  dividendos  foi  por  conta  da  planificação  contábil padrão impostas as entidades fechadas de previdência complementar, o que  acarretou tributar os dividendos que não são tributáveis.  Ora,  cabe  à  interessada  apresentar  as  informações  segregadas,  ainda  mais  considerando­se que os juros sobre capital próprio são tributáveis e a mera alegação  da  forma de  contabilização não é  suficiente para  eximir  a  interessada do dever de  escriturar separadamente os referidos valores recebidos.  Não pode, assim, transferir ao Fisco a obrigação de apurar, quando reconhece  que seu sistema de informática não o permite! Além disso, todas as pessoas fisicas  ou  jurídicas,  contribuintes  ou  não,  são  obrigadas  a  prestar  as  informações  e  os  esclarecimentos exigidos pelos Auditores­Fiscais da Receita Federal no exercício de  suas  funções  (Decretos­lei  n's  5.844/43,  art.  123,  e  1.718/79,  art.  2°,  e  Leis  n's  2.354/54, art. 7°, e 5.172/66, art. 197).  Conforme  Parecer  Normativo  CST  n.°  347/70:  a  forma  de  escriturar  suas  operações é de livre escolha do contribuinte, dentro dos princípios técnicos ditados  pela Contabilidade e a repartição fiscal só a impugnará, se a mesma omitir detalhes  indispensáveis  determinação  do  verdadeiro  lucro  tributável,  o  que  é  o  caso  dos  autos.  Portanto, concluo que o lançamento está correto quanto à sua base de cálculo.  8. MULTA DE OFÍCIO E JUROS  Mantenho também o meu voto quanto à multa e os juros de mora:  "Insurge­se  a  interessada  contra  os  valores  cobrados  pelo  Fisco  a  titulo  de  multa  e  juros no  auto  de  infração,  por  ter  seguido  o disposto  no Ato Declaratório  (Normativo) CST n° 17/1990: "...a contribuição social não será devida pelas pessoas  jurídicas  que  desenvolvem  atividades  sem  fins  lucrativos,  tais  como  fundações,  associações e sindicatos."  Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 41          30 Certo que a obrigação tributária da empresa surgiu com a ocorrência do fato  gerador, cuja situação está definida em lei como necessária e suficiente (arts. 113 e  114 do CTN), tendo em vista a ECR n° 1/94 e redação dada pelo art. 2° da Emenda  Constitucional  n°  10/1996  ao  inciso  III  do  art.  72  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias, mantidas as demais normas da Lei 7.689/88 e 8.981/95,  art. 57, com alterações da Lei 9.065/95.  Referidos diplomas legais expressam que a Contribuição Social sobre o Lucro  será  devida  pelas  pessoas  jurídicas  a  que  se  refere  o  §  1°  do  art.  22  da  Lei  n°  8.212/91: "bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento,  caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades  de  crédito  imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras  de  títulos  e  valores  mobiliários,  empresas  de  arrendamento  mercantil,  cooperativas  de  crédito,  empresas  de  seguros  privados  e  de  capitalização,  agentes  autônomos  de  seguros  privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas", sendo  a  base  de  calculo  o  valor  do  resultado  do  exercício,  ajustados  pelas  adições  e  exclusões previstas em lei.  Portanto vê­se, nitidamente, que a falta de recolhimento da CSLL, motivo do  lançamento  de  que  trata  o  presente  processo,  constitui  infração  ao  disposto  na  legislação  de  regência,  cuja  ocorrência  sujeita  o  infrator  ao  lançamento  de  oficio,  atividade  esta  vinculada  e  obrigatória  da  autoridade  administrativa,  sob  pena  de  responsabilidade funcional (art. 142 do CTN), não lhe sendo permitido a utilização  de discricionariedade, nem mesmo diante de opiniões de ilustres tributaristas como  bem trouxe à colação a interessada em sua esmerada impugnação.  Claro  está  que  as  entidades  a  que  se  refere  o Ato Declaratório  (Normativo)  CST  n°  17/1990  são  as  de  assistência  social,  e  não  as  de  previdência  social,  não  bastando, pois, que a  Interessada atenda aos requisitos estabelecidos pelo art. 14 e  seus  incisos  do  CTN,  visto  que,  antes  de  tudo,  precisaria  ser  uma  instituição  de  assistência social e não de previdência social.  9. CABIMENTO DA MULTA DE OFICIO NA DATA DA CIÊNCIA DO  A.I.  Finalmente,  vejamos  ainda  como  a  doutrina  majoritária  brasileira  traduz  o  sentido de entidade beneficente de assistência social.  " As pessoas imunes, na espécie, são as beneficentes,  isto é, as que fazem o  bem,  a  titulo  de  assistência  social,  em  sentido  amplo,  sem  animus  lucrandi,  no  sentido da apropriação do lucro" (Sacha Calmon Navarro Coelho, Curso de Direito  Tributário Brasileiro, 3a Edição, Ed. Forense, 1999, p. 148).  "...as entidades beneficentes de assistência social (na forma mencionada no §  70  do  artigo  195),  compreendem  as  instituições  de  assistência  social  (como  mencionado na alínea c do inciso VI do artigo 150)." (José Eduardo Soares de Melo,  Contribuições  Sociais  no  Sistema  Tributário,  2  ed.,  Ed.  Malheiros,  1996,  p.  200/201).  " O  texto constitucional (art. 203)  traz  transcrição de grande relevância para  efeitos  de  assistência  social  ('será  prestada  a  quem  dela  necessitar,  independentemente de contribuição A seguridade social '). As atividades de proteção  e amparo prestadas por entidades beneficentes em geral  s6  são consideradas como  de  assistência  social  quando  prestadas  aqueles  que  delas  efetivamente  necessitam.  Isto  é,  com  o  auxilio  gratuito,  desinteressado  de  entidades  beneficentes,  sem  fins  lucrativos, a pessoas com condições de manterem sua subsistência não é perante o  Fl. 920DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 42          31 texto  constitucional,  atividade  de  assistência  social.  Aí  reside  mais  um  equivoco  daqueles  que  defendem  a  aplicação  do  artigo  14  do  CTN  no  que  se  refere  à  imunidade das entidades de assistência  social. Estes especialistas entendem que as  atividades listadas no artigo 203 da CF/88, sempre que realizadas sem o intuito de  lucro,  estão,  sem  resquício  de  dúvida,  abrangidas  pela  imunidade  concernente  a  impostos  e  contribuições  sociais'  .  Esquecem­se  que  ao  requisito  da  gratuidade  soma­se  o  da  necessidade  do  assistido.  (...)  Enfim,  é  patente  a  necessidade  da  restrição imposta pela Lei n° 9.732/1998, no que se refere a prestação exclusiva da  assistência  a  necessitados  para  a  obtenção  da  proteção  constitucional  (Fábio  Zambitte Ibraim, Considerações sobre a imunidade do § 7° do artigo 195 da CF/88,  referente  às  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  em  Revista  Dialética  de  Direito Tributário n° 53, de fevereiro de 2000, p. 34)."  Desta  forma,  mesmo  estando  em  plena  vigência  o  ato  declaratório  anteriormente mencionado, certo é que o mesmo diz respeito sim a estas instituições  de assistência social e não As entidades fechadas de previdência privada.  Portanto, sendo devida de tais entidades a Contribuição Social sobre o Lucro,  também  integrarão  o  crédito  tributário  apurado  pelo Fisco,  a multa  de  oficio  e  os  juros de mora, eis que tais acréscimos encontram­se legalmente previstos como bem  se pode notar pelos artigos 44, inciso I da Lei n° 9.430/1996, abaixo transcrito:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de oficio,  serão aplicadas as  seguintes multas  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo ou contribuição:  I—  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  nos  casos  de  falta  de  pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o  vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  da multa moratória,  de  falta de declaração e nos casos de declaração inexata..."  Segundo a interessada, o Auto de Infração encontra­se equivocado também na  parte em que foi aplicada a multa de oficio de 75%, pois a data da lavratura do Auto  de Infração, 26.12.2002 coincide com a data da publicação da sentença e o crédito  tributário ainda estaria com a exigibilidade suspensa.  A  liminar  havia  sido  concedida,  em parte,  pelo TRF da  2a. Regido. Ocorre  que, em julgamento realizado em 19/12/2002, a Juiza da 7a. Vara Federal do Rio de  Janeiro denegou a segurança, fazendo cessar os efeitos da liminar.  A respeito dos efeitos da denegação da segurança em relação à medida liminar  anteriormente deferida, o Supremo Tribunal Federal (STF) fixou, na Súmula 405, o  seguinte entendimento:  "Súmula  405  —  Denegado  o  mandado  de  segurança  pela  sentença, ou no julgamento do agravo dele interposto, fica sem  efeito  as  liminares  concedidas,  retroagindo  os  efeitos  da  decisão contrária." (Negritei).  A  Secretaria  da  Receita  Federal,  ao  disciplinar  os  procedimentos  administrativos referentes ao acompanhamento e à cobrança de créditos  tributários  objeto de ações judiciais, por meio da Norma de Execução CSAr/CST/CSF n° 002,  de  14  de  janeiro  de  1992,  traduziu  essa  proposição  com  meridiana  clareza,  nos  seguintes termos:  Fl. 921DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 43          32 "23.1 ­ Negada a Segurança e cassada a liminar ­ Restabelece a  cobrança  normal  do  credito  tributário  como  se  não  tivesse  havido mandado de segurança (...)".(negritei).  Verifica­se nos autos que a União já havia sido intimada, em 19.12.2002, do  resultado da  sentença,  fls.358 e 370,  e,  assim,  ainda que  a publicação da  sentença  tenha  ocorrido  em  26.12.2002,  conforme  menciona  a  interessada  na  peça  impugnatória, fl. 412, o auto de infração foi devidamente constituído em 26.12.2002,  pois,  com  a  publicidade  da  sentença,  a  interessada  não mais  estava  amparada  por  liminar  em  mandado  de  segurança  ou  sentença  que  lhe  fosse  favorável,  não  se  aplicando ao presente caso o art. 63 da Lei 9.430, de 1996, não havendo, pois, que se  falar em exclusão da multa de oficio.  A hipótese de exclusão da multa de oficio só caberia no caso julgado pelo Ac.  301­28565 do 3° C.C.­1a Câmara­DOU 29.07.98­pág.31: " Recolhimento regular  do credito tributário após cassação de liminar em mandado de segurança, interposto  anteriormente ocorrência do fato gerador, ilide as multas de oficio."(negritei).  10. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Quanto  aos  juros  de  mora  à  taxa  SELIC,  a  interessada  argüiu  a  inconstitucionalidade e a ilegalidade da aplicação da respectiva taxa, bem como sua  natureza remuneratória.  As  autoridades  administrativas  carecem  de  competência  para  se  pronunciar  acerca de inconstitucionalidade de atos legais e infra legais, legitimamente inseridos  no  ordenamento  jurídico  nacional.  Cabe  ao  Poder  Judiciário  o  exame  destas  questões,  sendo  que  convém  destacar  que,  o  inciso  XXXV  do  Art.  5  °  da  Constituição  Federal  estabelece  que  a  lei  não  excluirá  da  apreciação  do  Poder  Judiciário lesão ou ameaça de direito.  Quanto  à  exigência de  juros de mora,  esta  se destina  a  indenizar  a Fazenda  Nacional em decorrência da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da  obrigação  tributária,  em  consonância  com  o  disposto  no  art.  161,  §  1°  do Código  Tributário Nacional.  Sendo  devidos  em  razão  do  atraso  no  pagamento  da  obrigação,  o  seu  lançamento  reporta­se  à  legislação aplicável no período compreendido entre o  seu  vencimento original e o efetivo pagamento.  Por  conseguinte,  a  legislação  de  regência  determina  que  os  tributos  e  contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos  a partir de 1 ° de janeiro de 1995, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial,  de  juros  de  mora  incidentes  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  do  vencimento, equivalentes, a partir de 1 ° de abril de 1995, à taxa referencial do Selic  para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e  a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado (Art. 59 e § 2° da Lei n°  8.383, de 1991, Art. 84, I, e §§ 1°, 2° e 6° da Lei n° 8.981, de 1995, Art. 13 da Lei  n°9.065, de 1995, e Art. 61 e § 3° da Lei n°9.430, de 1996).  Assim, é cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora,  a  partir  de  01/01/1995,  equivalentes  a  taxa  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia­ SELIC."  Por  todo o exposto, oriento meu voto no sentido de  rejeitar as preliminares  suscitadas e: a) deixar de conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário;  Fl. 922DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/2002­46  Acórdão n.º 1301­001.141  S1­C3T1  Fl. 44          33 b) conhecer do recurso quanto às demais matérias e NEGAR PROVIMENTO para considerar  devida a CSLL no valor de R$ 4.691.170,67, com a multa de oficio de 75% e os juros de mora  de acordo com a legislação pertinente (Selic).  (documento assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator                                  Fl. 923DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA

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Numero do processo: 11041.000545/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. PROPRIEDADE DE UM ÚNICO IMÓVEL. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até R$ 440.000,00, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Hipótese em que as provas dos autos demonstram que a contribuinte não era proprietária de um único imóvel na época da alienação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTO. Aplica-se a multa agravada de 112,5%, prevista no art. 44, §2o, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. A majoração da penalidade é reservada aos casos em que o contribuinte não atende à intimação para prestar esclarecimentos, e não quando fornece resposta diferente da desejada pela Fiscalização. Hipótese em que a contribuinte respondeu às intimações do Fisco, não cabendo o agravamento aplicado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para desagravamento da multa de ofício. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para desagravamento da multa de ofício. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/2006­50  Acórdão n.º 2101­002.139  S2­C1T1  Fl. 81          2 (assinado digitalmente)  _____________________________________  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente    (assinado digitalmente)  ___________________________________  José Evande Carvalho Araujo­ Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente),  José  Evande  Carvalho  Araujo,  Gilvanci  Antônio  de  Oliveira  Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.  Relatório  AUTUAÇÃO  Contra a  contribuinte acima  identificada,  foi  lavrado o Auto de  Infração de  fls.  02  e  41  a  52,  referente  a  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  exercício  2004,  para  lançar  ganho de capital na alienação de imóvel, formalizando a exigência de imposto suplementar no  valor de R$7.110,28, acrescido de multa de ofício agravada de 112,5% e juros de mora.    IMPUGNAÇÃO  Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 55 a  69­v), acatada como tempestiva, onde afirmou que não era proprietária do imóvel alienado em  1998, e portanto fazia jus à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado em  2003, e se insurgiu contra o agravamento da penalidade, pois respondeu a todas as intimações  dentro do prazo.    ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o  lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 72 a 73):  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2003  GANHO  DE  CAPITAL.  ALIENAÇÃO  DE  ÚNICO  IMÓVEL.  ISENÇÃO.  Pelos  documentos  apresentados  o  contribuinte  participou  da  alienação de outro imóvel nos últimos 5 anos, não tendo direito  à isenção solicitada.  Impugnação Improcedente  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/2006­50  Acórdão n.º 2101­002.139  S2­C1T1  Fl. 82          3 Crédito Tributário Mantido    RECURSO  AO  CONSELHO  ADMINISTRATIVO  DE  RECURSOS  FISCAIS (CARF)  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  05/01/2011  (fl.  75),  a  contribuinte apresentou, em 4/2/2011, o recurso de fls. 77 a 78, onde:  a) afirma que está provado nos autos que, em 16/04/1992, desfez a sociedade  conjugal  que  mantinha  com  Cândido  Rogério  Garcia,  não  tendo,  por  isso,  qualquer  participação  nem  na  compra,  ocorrida  em  15/04/1993,  nem  na  venda,  ocorrida  em  1998,  de  imóvel pertencente ao ex­cônjuge;  b) conclui que é inteiramente descabida a pretensão fiscal de não reconhecer  o direito à isenção sob a justificativa de que teria alienado imóvel nos últimos 5 anos;  c) invoca as razões da impugnação, solicitando que as considere como neste  recurso transcritas.  Ao final, requer o cancelamento da exigência fiscal.  O  processo  foi  distribuído  a  este  Conselheiro,  numerado  até  a  fl.  79,  que  também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Não há arguição de qualquer preliminar.  A  contribuinte  apresentou  a  declaração  de  ajuste  do  exercício  de  2004  em  conjunto  com  o  Sr.  Cândido  Rogério  Garcia,  CPF  no  242.962.600­49  (fls.  4  a  8),  onde  informou ter auferido rendimentos isentos de R$94.803,83 relativos ao ganho de capital isento  de único imóvel. Na mesma declaração, foi informada a venda de 50% de uma fração de terra  nua de 276 ha em Bagé/RS, em 22/5/2003, conforme contrato de compra e venda, sendo que  esse bem havia sido declarado, no ano de 2002, por R$118.542,12.  Intimados  primeiro  o  Sr.  Cândido  (fls.  22  e  23),  e  posteriormente  a  contribuinte (fl. 26), a apresentarem o contrato de compra e venda citado na declaração de bens  e direitos, foi apresentada apenas cópia da escritura de compra e venda (fls. 29 a 31).  Nessa escritura, consta que o imóvel foi vendido no dia 26/12/2003 a Lauro  Bulcão  Neto,  Cristina  Pereira  Bulcão  e  Fábio  Pereira  Bulcão,  pelo  valor  de  R$331.888,09,  recebido parceladamente entre os meses de janeiro e agosto de 2003.  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/2006­50  Acórdão n.º 2101­002.139  S2­C1T1  Fl. 83          4 Em  circularização  com  o  Tabelionato  de  Pelotas  (fl.  13),  a  fiscalização  verificou  que  a  contribuinte  alienou,  em  15/07/1998,  diversos  terrenos  no município  de Rio  Grande/RS, conforme descrito em escritura de compra e venda de fls. 18 a 21­v.  Desta  forma,  considerando  que  a  venda  do  imóvel  ocorreu  em  22/5/2003,  menos  de  cinco  anos  da  alienação  de  outros  imóveis,  em  15/07/1998,  a  autoridade  fiscal  considerou que a contribuinte não fazia jus à isenção do ganho de capital, por não se enquadrar  na exceção do art. 23 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995.  Em sua  impugnação,  a  contribuinte  se defende  alegando que não alienou o  imóvel em 1998, demonstrando ter se separado judicialmente do Sr. Cândido em 16/4/1992 (fl.  63), e que este adquiriu a propriedade sozinho em 15/4/1993 (fls. 59 a 62­v). Afirma que, na  escritura  de  compra  de  1993,  foi  informado  de  forma  equivocada  que  era  casada  com  o  adquirente,  e  que,  na  escritura  de  venda  de  1998,  foi  incluída  de  forma  errônea  como  vendedora.  O  julgador a quo, por sua vez, considera que a contribuinte era proprietária  do imóvel vendido em 1998 porque assinou o documento de venda (fl. 73).  Observe­se  que  a  isenção  em  discussão  está  prevista  no  art.  23  da  Lei  nº  9.250, de 1995, que possui a seguinte redação:  Art.  23.  Fica  isento  do  imposto  de  renda  o  ganho  de  capital  auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo  valor  de  alienação  seja  de  até  R$  440.000,00  (quatrocentos  e  quarenta mil reais), desde que não tenha sido realizada qualquer  outra alienação nos últimos cinco anos.    Assim,  o  ganho  de  capital  será  isento  se  (a)  o  contribuinte  alienar  o  único  imóvel  que  possui,  (b)  o  valor  da  venda  não  for  superior  a  R$440.000,00,  e  (c)  o  sujeito  passivo não tiver alienado outro imóvel nos últimos 5 anos.  A  acusação  inicial  é  de  violação  ao  item  “c”,  pois  a  contribuinte  teria  alienado imóveis em maio de 2003 e em julho de 1998, enquanto a defesa se concentra na tese  de que não participou da venda de 1998.  Após análise dos documentos dos autos, verifico que a contribuinte alienou  imóvel em 15/7/1998.  Na escritura de compra e venda do imóvel lavrada em 16/4/1993, consta que  o adquirente foi apenas o Sr. Cândido Rogério Garcia. E, apesar de inicialmente se afirmar que  ele era casado no regime de comunhão de bens com a contribuinte (fl. 59­v), no final, ressalva­ se que o seu estado civil era de separado judicial (fl. 62).  Contudo,  esse  documento  cuida  da  aquisição  de  12  terrenos,  enquanto  a  escritura de venda lavrada em 15/7/1998 trata da alienação de 14 terrenos, 12 de propriedade  exclusiva do Sr. Cândido,  e 2  de  propriedade  conjunta  com a  recorrente,  como demonstra o  trecho a seguir transcrito (fl. 64):  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/2006­50  Acórdão n.º 2101­002.139  S2­C1T1  Fl. 84          5 (...) sendo que Candido Rogério Garcia e Maristela Ulguim Logaray vendem  os imóveis a seguir descritos sob itens “1” e “2”, e somente Candido Rogério Garcia  vende os demais imóveis sob itens “3” a “14” (...)    Dessa forma, não subsistem os argumentos de que a contribuinte não alienou  imóveis em 1998.  Entretanto,  entendo  que  o  conjunto  probatório  leva  à  conclusão  de  que  a  venda  do  imóvel  sob  análise  se  deu  em  26/12/2003,  e  não  em maio  do  mesmo  ano,  como  afirma a autoridade fiscal.  Segundo  consta  no  único  documento  comprobatório  da  venda  obtido  pela  fiscalização,  a  escritura  de  compra  e  venda,  o  negócio  jurídico  se  realizou  em  26/12/2003,  cinco anos após a venda anterior.  Acrescente­se que a fiscalização se esforçou por obter a escritura de compra e  venda  informada  na  declaração  de  bens,  que  teria  sido  lavrada  em  maio  de  2003,  mas  a  fiscalizada  e  seu  ex­cônjuge  nunca  acusaram  sua  existência,  e  o  adquirente,  após  intimado  expressamente para tanto (fls. 32 a 34), afirmou inexistir tal documento (fl. 35).  Assim, em seu esforço probatório, a autoridade fiscal, além de não conseguir  a  cópia  do  documento  que  transferia  a  data  da venda  para maio  de 2003,  obteve declaração  expressa de sua inexistência. Mesmo assim, fundamentou sua acusação no pressuposto de que  a venda ocorreu em maio, e não em dezembro de 2003.  É  verdade  que  existem  indícios  de  que  a  alienação  ocorreu  antes  de  dezembro,  pois  a  declaração  de  bens  informa  que  ocorreu  em maio,  e  a  escritura  de  venda  afirma que os pagamentos ocorreram de forma parcelada a partir de janeiro.  Entretanto, o ônus da prova cabe a quem alega, e não é possível se presumir a  ocorrência  de  venda  diferente  do  documento  oficial  trazido  aos  autos,  em  especial  quando  existe declaração firmada de que inexistiu contrato de compra e venda anterior.  Acrescente­se  que  o  §2o  do  art.  3o  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  determina  que  incidirá  imposto  de  renda  sobre  o  ganho  de  capital  decorrente  de  alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, e o §3o do mesmo artigo ordena que, na  apuração  desse  ganho,  serão  consideradas  as  operações  que  importem  alienação,  a  qualquer  título,  de bens  ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa de  cessão  de direitos  à  sua  aquisição,  tais  como  as  realizadas  por  compra  e  venda,  permuta,  adjudicação,  desapropriação,  dação  em  pagamento,  doação,  procuração  em  causa  própria,  promessa  de  compra  e  venda,  cessão  de  direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.  Ora,  não  ficou  comprovada  qualquer  dessas  operações  de  alienação  mencionadas  na  lei,  não  sendo  possível  se  admitir  que  o  simples  pagamento  antecipado  se  configure como prova de alienação.  Contudo, ao se deslocar a venda do imóvel para dezembro de 2003, apesar de  se perder o fundamento de que ocorreu venda de imóvel antes de 5 anos de alienação anterior  (requisito  “c”),  chega­se  a  outra  violação  ao  mesmo  dispositivo  legal,  pois,  nessa  data,  a  contribuinte não era mais proprietária de um único imóvel (requisito “a”).  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/2006­50  Acórdão n.º 2101­002.139  S2­C1T1  Fl. 85          6 Isso  porque,  conforme  apurado  na  ação  fiscal,  a  recorrente  adquiriu  outro  imóvel  em  22/5/2003,  conforme  escritura  de  fl.  25.  Assim,  ela  não  era,  em  dezembro  do  mesmo ano, proprietária de um único imóvel.  Observe­se  que  não  se  está  alterando  o  fundamento  do  lançamento,  já  que  esse impeditivo foi também indicado na descrição dos fatos da autuação (fl. 49).  Ao se proceder a análise das provas, chegou­se a uma  interpretação diversa  da originalmente indicada pela autoridade lançadora, mas que leva a outra vedação à isenção  fiscal por violação ao mesmo dispositivo legal.  Desta forma, há que se concluir que a contribuinte não fazia jus à isenção do  art. 23 da Lei nº 9.250, de 1995, pois, na data da alienação, não era proprietária de um único  imóvel.  Por outro lado, entendo ser necessário se afastar o agravamento da multa de  ofício.  Aplicou­se, ao caso, o agravamento da penalidade previsto no §2o do art. 44  da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, reservado para os casos em que o contribuinte não  atende, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos.  Entendeu a autoridade fiscal que a contribuinte deixou de atender à intimação  para prestar esclarecimentos quando não apresentou o contrato de compra e venda do imóvel  ocorrido em 22/5/2003.  Ora, já se verificou que a ação fiscal não conseguiu provas de que a alienação  tenha  se  dado  em maio  de  2003,  não  sendo obviamente possível  se  penalizar o  contribuinte  pela falta de apresentação de documento que não se provou existir.  Além  disso,  penso  que  a  multa  agravada  é  reservada  aos  casos  em  que  o  contribuinte  não  atende  à  intimação  para  prestar  esclarecimentos,  e  não  quando  fornece  resposta diferente da desejada pela fiscalização.  No  caso,  a  recorrente  respondeu  às  intimações  fiscais,  não  cabendo  o  agravamento aplicado.  Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  afastar  o  agravamento  da  penalidade,  reduzindo  a multa de  ofício  para o  percentual  de  75%.  (assinado digitalmente)  José Evande Carvalho Araujo                            Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/2006­50  Acórdão n.º 2101­002.139  S2­C1T1  Fl. 86          7     Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS

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4573348 #
Numero do processo: 12898.000828/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.100
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS

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access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2015-06-09T18:57:45Z | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 139          1 138  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12898.000828/2009­36  Recurso nº  888282  Resolução nº  2801­000.100   –  Turma Especial / 1ª Turma Especial  Data  12 de março de 2012  Assunto  IRRF  Recorrente  CELSO SANFINS ESCH  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.    Assinado digitalmente  Antonio de Pádua Athayde Magalhães ­ Presidente      Assinado digitalmente  Sandro Machado dos Reis ­ Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde  Magalhães  (Presidente), Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter  Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis.  RELATÓRIO  Adoto  como  relatório  aquele  utilizado  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil de Julgamento, que transcrevo:  “Contra  o  Contribuinte  em  epígrafe  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  de  fls.  68  a  78  em  virtude  da  apuração  das  seguintes  infrações:  1)  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DEPENDENTE  ­  glosa  de  deduções  com  dependentes  pleiteadas  indevidamente  nos  exercícios 2005, 2006 e 2007, com aplicação de multa de 150%  sobre o imposto apurado, conforme Termo de Verificação Fiscal  de fls. 53 a 67. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decreto­lei     Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 12898.000828/2009­36  Resolução n.º 2801­000.100   S2­TE01  Fl. 140          2 n° 5.844, de 1943, arts. 73 e 83, inciso II, do RIR1 1999, art. 8°  da Lei n° 9.250, de 1995, c/c art. 2° da Medida Provisória n°22,  de 2002, convertida na Lei n° 10.451, de 2002;  2)DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS ­ glosa de  deduções  com  despesas  médicas  pleiteadas  indevidamente  nos  exercícios 2005, 2006 e 2007, com aplicação de multa de 150%  sobre o imposto apurado, conforme Termo de Verificação Fiscal  de fls. 53 a 67. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decreto­lei  n° 5.844, de 1943, arts. 73 e 80 do RIR/1999;  3) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO –  glosa  de  deduções  com  despesas  com  instrução,  pleiteadas  indevidamente, nos exercícios 2005, 2006 e 2007, com aplicação  de multa de 150% sobre o imposto apurado, conforme Termo de  Verificação Fiscal de fls. 53 a 67. Enquadramento legal: art. 11,  §3°,  do Decreto­lei  n° 5.844, de 1943, art.  8°,  inciso  II,  alínea  "b" da Lei n° 9.250, de 1995, c/c art. 2° da Medida Provisória  n°22/02 convertida na Lei n° 10.451, de 2002;  4) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI  ­  redução  indevida  da  base  de  calculo  com  despesas  de  previdência  privada  pleiteadas  indevidamente  nos  exercícios  2005,  2006  e  2007,  com  aplicação  de  multa  de  150%  sobre  o  imposto apurado, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.  53  a  67.  Enquadramento  legal:  art.  11,  §3°,  do Decreto­lei  n°  5.844, de 1943, art. 4°, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995, art.  11 da Lei n° 9.532, de 1997, arts. 73, 82 e §1°, do RIR/1999, e  art. 61 da Medida Provisória n° 2.158­35.  Sobre  o  imposto  apurado,  no  valor  de  R$  35.157,00,  foram  aplicados  multa  qualificada  de  150%  e  juros  de  mora  regulamentares,  com  fulcro  nos  dispositivos  legais  de  fl.  76,  alcançando um total de R$ 101.502,19.  Após  cientificado  do  Auto  de  Infração  em  referência  em  24/09/2009 (fl. 96), o Interessado, em 06/10/2009, apresentou a  impugnação  de  fl.  97,  alegando,  em  síntese,  que  não  teria  recebido a restituição do exercício 2007 e que teria realizado o  pagamento da quantia real devida por meio de DARF.”  Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo:  “ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA  — IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  MATÉRIA  NÃO­IMPUGNADA.  DEDUÇÃO  DE  DEPENDENTES.  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  DEDUÇÃO  DE  PENSÃO  JUDICIAL.  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA  PRIVADA. MULTA QUALIFICADA DE 150%.  Considera­se  como  não­impugnada  a  parte  do  lançamento  contra a qual o contribuinte não apresenta óbice.  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 12898.000828/2009­36  Resolução n.º 2801­000.100   S2­TE01  Fl. 141          3 RESTITUIÇÃO  INDEVIDA  RESGATADA.  CALCULO  DO  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR.  No calculo do imposto a pagar deve ser acrescentado o valor de  restituição indevida apurada na declaração de ajuste anual que  foi resgatada pelo Contribuinte.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido”  Irresignado,  o  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário,  reiterando  os  argumentos de sua impugnação.  É o Relatório.  VOTO  Conheço do Recurso, pois presentes os seus requisitos de admissibilidade.  Trata­se,  na  origem,  de  Auto  de  Infração  lavrado  em  face  da  Recorrente  em  razão da dedução indevida com despesas médicas, de instrução e com dependentes pleiteadas  nos anos­calendários de 2005, 2006 e 2007.  O Recorrente não se insurgiu, em Impugnação ou no Recurso Voluntário, contra  a glosa das indevidas despesas, tampouco em relação à multa qualificada que lhe fora aplicada.  Sua irresignação deu­se tão somente com relação ao valor que lhe foi imputado  pela fiscalização como restituição no ano­calendário de 2006.  Isso  porque,  conforme  alegado  pelo  Recorrente  e  demonstrado,  ainda  que  insuficientemente, com as cópias de seus extratos bancários, esse valor nunca lhe foi repassado,  na medida em que restou bloqueado pela Receita Federal do Brasil.  Diante dessa alegação ­ e havendo indícios de que efetivamente não houve esse  repasse ­ voto por converter o feito em diligência para que a autoridade preparadora esclareça  se  foi  efetivamente pago algum valor  a  título de  restituição  ao Recorrente,  referente  ao  ano­ calendário  2006,  juntando  a  documentação  resultante  desta  pesquisa  e  informação,  como  decorrente do resultado do processamento da aludida declaração.    Assinado digitalmente  Sandro Machado dos Reis  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA

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4565543 #
Numero do processo: 15472.000772/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 5° e 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-000.715
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ser intempestivo.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ser intempestivo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15472.000772/2008­28  Acórdão n.º 1102­00.715  S1­C1T2  Fl. 100          2 Relatório  Trata o presente de recurso voluntário interposto por INA INGLES NORTE  AMERICANO LTDA, contra o Acórdão n° 12­37.780, de 9 de junho de 2011, da 10ª Turma  de  Julgamento  da  DRJ/RJ­1,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  interposta  contra  o  Ato  Declaratório  Executivo  (ADE)  DERAT/RJO  nº  105.866,  de  22  de  agosto de 2008 (fl. 4), que impôs a exclusão do Simples Nacional a partir de 1º/01/2009, em  virtude  da  existência  de  débitos  com  a  Fazenda  Pública  Federal,  com  exigibilidade  não  suspensa.  A  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fl.  1  a  3),  alegando,  em  síntese,  o  seguinte,  conforme  relatório  da  decisão  recorrida  que,  neste mister,  adoto.  “3.1.  É  filiada  ao  SINDELIVRE­RIO  –  Sindicato  dos  Estabelecimentos  de  Ensino Livre;  3.2. O SINDELIVRE –RIO, obteve Sentença de Mérito na 18ª Vara Federal  em  Mandado  de  Segurança  nº  99.00009406­9,  favorável  aos  seus  filiados,  para  serem considerados como inscritos no Simples, e o Agravo nº 2005.02.01.013399­3,  julgado  em  23/05/2006,  confirmou  a  legitimidade  do  sindicato,  mesmos  para  os  inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação;  3.3.  Não  pode  ser  excluída  do  SIMPLES  NACIONAL,  pelas  alegações  de  existirem  débitos,  com  exigibilidade  não  suspensa,  eis  que  os  mesmos  estariam  cobertos, quando do pagamento do DARF do Simples;  3.4.  Requer  seja  acolhida  a  Manifestação  de  Inconformidade,  uma  vez  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência  do  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO DERAT/RJO Nº 105866/2008.”  A  10ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/RJ­1  esclareceu  que  não  está  em  discussão  qualquer  questão  relativa  aos  efeitos  da  decisão  judicial  sobre  a  abrangência  aos  filiados ao Sindelivre, que se encontram amparados pelo Mandado de Segurança Coletivo em  questão – que, a propósito, versa sobre o Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317/96 – mas  sim  a  exclusão  de  ofício  do  Simples  Nacional,  motivada  pela  existência  de  débitos  na  Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), as quais não foram regularizadas dentro do  prazo previsto no art. 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006.  O Acórdão está assim ementado:  “SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO.  Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débitos  cuja exigibilidade não esteja suspensa.”  Cientificada  desta  decisão  em  01.07.2011,  e  com  ela  inconformada,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  em  03.08.2011,  no  qual,  a  par  de  reprisar  os  argumentos expostos por ocasião da  inicial,  registra que os débitos  inscritos em dívida ativa,  citados pela decisão recorrida, dizem respeito a tributos apurados em modalidade de tributação  diversa e  indevida (Lucro Presumido), em face da não aceitação de sua inscrição no Simples  Federal,  solicitada  à  Receita  Federal  em  02/02/2005,  conforme  o  processo  nº  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15472.000772/2008­28  Acórdão n.º 1102­00.715  S1­C1T2  Fl. 101          3 13709.000316./2005­99,  no  qual  obteve  como  resposta,  através  do  comunicado  255/2006  –  CAC Madureira, em 26/04/2006, anexo, não ser pertinente a sua inclusão, por não constar na  listagem fornecida pelo SINDELIVRE, quando da obtenção do Mandado de Segurança. Assim,  aqueles  débitos  estariam  cobertos  pelos  pagamentos  por  ela  efetuados  pela  modalidade  do  Simples, não cabendo a sua exclusão, ora efetuada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  A recorrente, ao final da peça recursal, sustenta ter recebido a Intimação para  ciência do  acórdão  recorrido  em 04/07/2011. Entretanto,  consoante o Aviso de Recebimento  dos Correios  anexo aos  autos,  a  Intimação DRF/RJ2  ­ DIORT  ­ EQSIMPLES N° 334/2011,  postada em 30.06.2011,  foi  recebida em 01.07.2011, conforme se verifica no carimbo aposto  ao AR, bem como na data manuscrita pelo recebedor.  O  recurso,  por  sua  vez,  foi  apresentado  em  03.08.2011,  data  a  qual  a  recorrente fez constar ao final da peça recursal, confirmada também pelo carimbo nela aposto  pela unidade de origem.  Dispõe  o  artigo  33  do  Decreto  nº  70.235/72,  que  rege  o  processo  administrativo fiscal:  “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.”  Por sua vez, o artigo 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser  feita a  contagem dos prazos, nos seguintes termos:  “Art.  5º  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.”  Assim, no caso concreto, como o dia 01.07.2011 foi uma sexta­feira, tem­se  que  a contagem do prazo  recursal  de 30 dias  teve  início no dia 04.07.2011,  segunda­feira,  e  encerrou­se no dia 02.08.2011, terça­feira.  O  recurso voluntário,  por  sua vez,  somente  foi  protocolado em 03.08.2011,  portanto, um dia após a expiração do prazo.  Pesquisando  na  internet,  não  foram  identificados  quaisquer  feriados,  nem  mesmo estaduais ou municipais, que pudessem alterar a contagem do referido prazo.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15472.000772/2008­28  Acórdão n.º 1102­00.715  S1­C1T2  Fl. 102          4 Assim,  há  que  se  reconhecer  que  o  recurso  voluntário  interposto  é  intempestivo.  Diante do exposto, voto no sentido de não conhecê­lo.  É como voto.  Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator                                  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA

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