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Numero do processo: 11080.722561/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/05/1999
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE.
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PARCELA DOS SEGURADOS Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/05/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 61 /2 01 0- 17 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/201017 Acórdão n.º 2402003.271 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 12/1998 a 05/1999. O Relatório Fiscal (fls. 11/23) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, SANTOS ALBERNAZ ENGENHARIA LTDA, CNPJ: 92.755.693/000140, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 80/94) – acompanhada dos anexos de fls. 95/132 –, alegando, em síntese, que: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/201017 Acórdão n.º 2402003.271 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0345.393 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 146/158) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 23/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/201017 Acórdão n.º 2402003.271 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (SANTOS ALBERNAZ ENGENHARIA LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 12) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/201017 Acórdão n.º 2402003.271 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 11/23) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes dos seguintes levantamentos originais: 1. SC1– SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.6682) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999; e 2. SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.6690) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/201017 Acórdão n.º 2402003.271 S2C4T2 Fl. 7 11 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Por sua vez, entendese que não há espaço jurídico para aplicação do enunciado no Parecer AGU nº AC055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer AGU nº AC055/2006 não prever a sua aplicação para a sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, pois não poderá haver concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio da conformidade funcional – segundo o qual a interpretação não deve subverter o mandamento funcional criado pela Constituição – e com o princípio da interpretação conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindose a pertinência dos demais sentidos que colidirem com a constituição. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/201017 Acórdão n.º 2402003.271 S2C4T2 Fl. 8 13 Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722561/201017 Acórdão n.º 2402003.271 S2C4T2 Fl. 9 15 § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10783.908233/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004
01/02/2004 a 28/02/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004.
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543-C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizam-se como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRECEDENTES DO STJ.
O manejo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente o crédito tributário, na forma do artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/96 enquadra-se no disposto do artigo 151, III do CTN quanto ao débito objeto da compensação, provocando a suspensão da exigibilidade da parcela controversa. A supressão do atributo exigibilidade e a instauração do contencioso administrativo indicam que o crédito não foi definitivamente constituído, inviabilizado sua cobrança. Assim, enquanto pender decisão, tal fluxo temporal rege-se pelas regras de decadência (crédito não constituído), e não pela prescrição (crédito constituído). Consoante entendimento do STJ, até solução definitiva dos processos administrativo fiscal, não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário.
REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE.
Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que trata o artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo, deverá ser observada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal.
Recurso voluntário improcedente.
Numero da decisão: 3202-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRECEDENTES DO STJ. O manejo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente o crédito tributário, na forma do artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/96 enquadrase no disposto do artigo 151, III do CTN quanto ao débito objeto da compensação, provocando a suspensão da exigibilidade da parcela controversa. A supressão do atributo exigibilidade e a instauração do contencioso administrativo indicam que o crédito não foi definitivamente constituído, inviabilizado sua cobrança. Assim, enquanto pender decisão, tal fluxo temporal regese pelas regras de decadência (crédito não constituído), e não pela prescrição (crédito constituído). Consoante entendimento do STJ, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 82 33 /2 00 8- 10 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 97 2 até solução definitiva dos processos administrativo fiscal, não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que trata o artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo, deverá ser observada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Recurso voluntário improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.6974) interposto por GRAMAZINI GRANITOS E MÁRMORES THOMAZINI LTDA contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG (DRJ/JFA) (fls. 5457) que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 98 3 a homologação parcial das DCOMPS n° 15505.01597.291004.1.3.015073 e 02819.45757.110805.1.3.010781. Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG (DRJ/JFA), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade constante do presente processo, in verbis: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 30, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise da DCOMP n° 15505.01597.291004.1.3.015073, transmitida pelo contribuinte retro identificado em 29/10/2004, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante do R$ 2.353,71, tendo por lastro crédito originário de Saldo Credor do IPI apurado no 4° trimestre/2001, no valor dc R$ 9.605,16 (fl. 31). Referido saldo credor é composto por crédito básico e crédito presumido escriturado no período, conforme informações extraídas da DCOMP 15505.01597.291004.1.3.015073 (fls. 32/40). Vinculada à citada DCOMP foi transmitida a DCOMP n° 02819.45757.110805.1.3.010781, para utilização do saldo credor originário da DCOMP inicial, para compensar débitos na monta dc R$ 7.251,45 (fl. 41). Da análise eletrônica resultou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação parcial das referidas DCOMPs (em face dc se tratar de compensação do débito vencido, sem inclusão dos respectivos acréscimos moratórios na DCOMP, fls. 17, 24/26), conforme Despacho Decisório (fl. 30) e Detalhamento da Compensação (fl. 42). Houve, então, no encontro dc contas o cálculo da multa e juros de mora, resultando amortização parcial do débito compensado e apuração de saldo devedor após imputação proporcional do valor utilizado na compensação (conforme Detalhamento da Compensação, fl.42), objeto de cobrança com acréscimo de multa de mora e juros do mora. Cientificado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação parcial da compensação, em 18/11/2008 (fl.28), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 18/12/2008 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/05, no qual, em síntese: => alega que “diante da demora do fisco em reconhecer o Crédito Presumido do IPI do contribuinte, o que foi feito somente após 4 anos de sua solicitação em 29/10/2004 é mais do que justo que esse crédito seja calculado com correção monetária,sendo aplicada a taxa Selic”; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 99 4 => pondera que ao se proceder a atualização monetária do crédito pela taxa Selic [da mesma forma que a RFB corrige os seus débitos] o mesmo será suficiente para amortizar todo o saldo devedor, restando, ainda, saldo credor; => acrescenta que a jurisprudência reconhece o direito à correção monetária diante da demora do Fisco em reconhecer o crédito e reproduz excerto de julgado que entende amparar a sua tese; => argumenta, ainda, que caso se entenda pela impossibilidade da correção do crédito, mesmo assim “não poderá prosperar a cobrança, uma vez que a medida provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, art. 14, concede remissão a débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000, 00 (dez mil reais), portanto, se superadas as argumentações mencionadas acima, o débito estará remido com amparo na referida medida provisória"; Ao final requer seja o crédito devido corrigido monetariamente e homologada integralmente a compensação. Ressaltese que, ante a constatação, por esta Relatora, mediante consulta à DIPJ do contribuinte, de que o mesmo dá saída, na sua maior parte, a produtos NT, foi o processo remetido à DRF de origem, por intermédio do Despacho da Presidência de fls. 47/48,a fim de que fosse verificada a possibilidade de ter sido reconhecido crédito indevido e adotadas, se fosse o caso, as providências pertinentes, ao que retornou o processo com o PARECER SEFIS n° 16/2010 [fls. 50/51], no qual a autoridade fiscal encarregada da diligência deixou consignado, in verbis: Este contribuinte já sofreu ação fiscal por parte da fiscalização do DRF/Vitória na análise dos PER/DCOMP n° 28332.12706.110805.1.3.01 0312, 26530.72173.110805.1.3.015217, 30025.29345.310106.1.3.012127 e 12242.30881.300406.3.016406, sendo que não foi constatado o uso de vendas de produtos NT na apuração do crédito presumido [destaques da Relatora]. Nestes termos retornaram os autos a esta DRJ para prosseguimento do julgamento. Em síntese, é o relatório. O acórdão n° 0935.775, proferido pela 3ª Turma da DRJ/JFA, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO Período de apuração 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 100 5 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. ACRESCIMOS MORATORIOS. INCIDENCIA. Na compensação, sobre os débitos vencidos, na data do encontro de contas (data de valoração) incidem multa dc mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. A falta de consignação dos acréscimos moratórios na DCOMP implicará a nãohomologação parcial da compensação e a exigência do tributo objeto da compensação não homologada com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Inconformada com a decisão da DRJ/JFA, a Recorrente apresentou o recurso voluntário de fls.6974, objetivando reformar integralmente a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a) A Recorrente apresentou DCOMP em 29/10/2004, tendo sido notificada do despacho decisório que homologou parcialmente sua compensação em 07/11/2008, decorridos, portanto, 48 meses da data de transmissão do pedido de compensação, assim, o valor do crédito solicitado deveria ser atualizado pelos juros SELIC desde a data da transmissão do referido pedido. Tal direito já teria sido reconhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho, bem assim, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil); b) A declaração de compensação não suspende o prazo prescricional, tal prazo somente seria suspenso pela adesão a parcelamento ou pela interposição de recursos administrativos, na forma do artigo 151 do Código Tributário Nacional, dessa forma, os débitos originados da homologação parcial do crédito estariam prescritos. A prescrição em apreço teria lastro na Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) e na Súmula n° 409 do STJ; c) O artigo 14 da Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, remiu os débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000,00, devendose aplicálo ao débito em questão. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 101 6 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente. Ressarcimento e juros Selic A Recorrente alega que tem direito à correção monetária do crédito declarado em declaração de compensação, visto que a transmissão da DCOMP ocorreu em 29/10/2004, e a homologação parcial ocorreu em somente em 07/11/2008, através de Despacho Decisório. De acordo com a Recorrente “o valor do crédito solicitado de R$9.605,16, em 29/10/2004, deveria ter sido corrigido pela taxa selic acumulada quando do recebimento do despacho decisório em 07/11/2008, que seria o percentual de 107,07%, perfazendo o total de R$19.889,40, menos o débito amortizado de R$9.605,16 e menos o valor cobrado de R$ 4.943,03, ainda, sobra um saldo credor a favor do contribuinte de R$5.341,21.” Invoca precedentes da CSRF e do STJ que, no seu entendimento, autorizam a incidência dos juros SELIC sobre os créditos de IPI objeto de ressarcimento. Inicio o exame dos precedentes citados pela Recorrente pelos acórdãos do STJ julgados sob o rito dos recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil), haja vista que o artigo 62A do Regimento Interno deste Colegiado determina que as decisões proferidas por aquele Tribunal no rito dos recursos repetitivos deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dois são os acórdãos proferidos sobre o tema no rito dos recursos repetitivos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 102 7 CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 103 8 exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 104 9 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 105 10 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 993.164/MG. DJe 17/12/2010) PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 1.035.847/RS. DJe 03/08/2009) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 106 11 Os acórdãos supracitados apontam duas conclusões relevantes para a questão suscitada pela Recorrente: (i) a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (REsp n° 1.035.847/RS) e (ii) os juros SELIC devem ser excepcionalmente aplicados ao ressarcimento na hipótese de haver resistência injustificada (ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento dos créditos objeto de ressarcimento) (REsp n° 1.035.847/RS e REsp n° 993.164/MG). Na hipótese dos autos, não há notícia de que tenha ocorrido resistência injustificada do Fisco, a autorizar, portanto, a incidência de juros SELIC sobre as importâncias objeto de ressarcimento, como definido nos paradigmas supratranscritos. Portanto, a regra é: o ressarcimento não autoriza incidência de juros SELIC, por não configurar pagamento indevido ou a maior (§4°, do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Contudo, excepcionalmente, configurada a resistência injustificada do Fisco, o que pressupõe ato estatal que impeça ou embarace o direito ao ressarcimento, consoante entendimento do STJ, os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Outrossim, é bom lembrar que o “ressarcimento” e “restituição” são institutos distintos. A restituição tem lugar quando se verifica pagamento indevido que, posteriormente, vem a ser pleiteado pelo contribuinte. Já em relação ao ressarcimento, não há prévio pagamento de tributo, portanto, não há repetição. Na hipótese de restituição, o direito à correção nasce do tributo indevidamente pago pelo contribuinte, o que não ocorre quando há ressarcimento. Corroborando o quanto foi dito e, em harmonia com a posição do STJ, a CSRF do CARF tem manifestado o entendimento que: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 107 12 Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado. (CSRF, 2°Turma, Acórdão CSRF/0203.855, pelo voto de qualidade, julgado em 13/02/09) (g.n.) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso provido. (CSRF, 3°Turma, Acórdão CSRF/930300.733, pelo voto de qualidade, julgado em 02/02/10) (g.n.) Assim, por não haver nos autos notícia de resistência injustificada, não há razão que ampare a incidência de juros SELIC na hipótese de ressarcimento. Prescrição Superado esse ponto, passo a análise da questão seguinte, que diz respeito à suposta prescrição dos débitos. Alega a Requerente que os débitos objeto do presente processo estão prescritos. Tal alegação se baseia no entendimento de que a declaração de compensação não suspende o prazo prescricional. Todavia, o exame dos autos mostra que de prescrição não se trata. Dispõe a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 108 13 poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Da leitura do dispositivo, notase que o crédito tributário declarado em pedido de compensação pelo sujeito passivo (i) extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, (ii) confere à Administração o prazo de 5 (cinco) anos para homologação da declaração apresentada pelo sujeito passivo e (iii) constitui confissão de dívida. Notese ainda que o manejo de manifestação de inconformidade e recursos autoriza a suspensão da exigibilidade, na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional. Da inteligência do dispositivo em apreço despontam as seguintes conclusões: (i) o pedido de compensação formalizado pelo sujeito passivo é instrumento suficiente para ajuizamento da execução fiscal, uma vez que consiste em confissão de dívida, portanto, regese pelo prazo prescricional, porém, (ii) o crédito tributário declarado pelo sujeito passivo em pedido de compensação não é definitivamente extinto, sujeitandose a condição resolutória de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 109 14 sua ulterior homologação, autorizandose, portanto, que o sujeito ativo audite os créditos declarados pelo sujeito passivo, assim, nessa hipótese, vindo a não homologar, ou homologar parcialmente o crédito, fica assegurado ao sujeito passivo a ampla defesa e o contraditório, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151, III do CTN. Como se vê, na segunda hipótese, não há falar em prazo prescricional, mas sim, prazo decadencial, eis que o crédito não se encontra definitivamente constituído, sendo lhe suprimido o atributo exigibilidade, até solução definitiva do contencioso administrativo fiscal. O julgado abaixo, embora trate de parcelamento, confirma o quanto se disse quanto à suspensão da exigibilidade na hipótese de se instaurar o contencioso administrativo: (...) 9. O STJ possui orientação pacificada no sentido de que, instaurado o contencioso administrativo, a exigibilidade do crédito tributário fica suspensa até a decisão final. Exemplo tradicional nesse sentido é o caso dos pedidos de compensação pendentes de análise pelo Fisco. 10. É correto concluir, com base na análise da legislação tributária acima mencionada e nos precedentes jurisprudenciais, que, enquanto pendente de solução final, inexiste o atributo da "exigibilidade" do crédito tributário devido pelo contribuinte excluído do Refis. Por essa razão, o singelo ato unilateral de indeferimento da opção pelo respectivo regime de parcelamento não determina o reinício do lapso prescricional. (STJ. Segunda Turma. Rel.Min. Herman Benjamin. REsp n° 1.144.962/SC. DJe 01/07/2010) (g.n.) E se o crédito não foi definitivamente constituído, por faltarlhe o atributo exigibilidade, não há falar em prescrição, tampouco na suspensão desse prazo, mas, sim, em decadência. À vista do §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, o Fisco tem 5 anos, contados da data da transmissão do pedido eletrônico de compensação para homologar, ou não, o crédito tributário do sujeito passivo. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 110 15 Como visto, a auditoria dos pedidos de compensação se deu num intervalo de aproximadamente 4 anos, portanto, dentro de prazo que tinha o Fisco para rever as declarações prestadas pelo sujeito passivo. Por sua vez, em face desse despacho decisório, insurgiuse a Recorrente, opondose à homologação parcial do crédito. Nas hipóteses em que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força da instauração do contencioso administrativo, já decidiu o STJ que, até solução do litígio, não correm os prazos de prescrição ou decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO ORIGINAL E LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ART. 18, §3º, DO DECRETO N. 70.235/72. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 173, I, II E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. Regra geral, "o Código Tributário Nacional estabelece três fases inconfundíveis: a que vai até a notificação do lançamento ao sujeito passivo, em que corre prazo de decadência (art. 173, I e II); a que se estende da notificação do lançamento até a solução do processo administrativo, em que não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito (art. 151, III); a que começa na data da solução final do processo administrativo, quando corre prazo de prescrição da ação judicial da Fazenda (art. 174)" (Supremo Tribunal Federal, RE N. 95365/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Décio Miranda, julgado em 13.11.1981). Na mesma linha, este Superior Tribunal de Justiça no REsp 58774 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, julgado em 22.11.1995. (STJ. Segunda Turma. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. REsp n° 1.212.658/RS. DJe 15/03/2011) (g.n.) Não bastasse a inexistência suspensão do prazo decadencial e, portanto, a tempestividade da auditoria procedida pela Administração Tributária, a título de remate, é bom lembrar que as súmulas invocadas pela Recorrente nada alteram o quadro decisório dos autos. Está estampado na súmula vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal que a declaração de inconstitucionalidade nela vazada alcança apenas certas regras que desbordaram os limites estabelecidos pela lei que disciplinou as normas gerais de direito tributário, na forma do artigo 146, III, b da Constituição Federal: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 111 16 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Indiferente a inconstitucionalidade dessas regras, já que elas nada interferem, sequer se aplicam, à questão posta nos autos. Igualmente inaplicável o disposto na súmula n° 409 do STJ, já que, como visto, nos autos, de prescrição não se cuida: Em execução fiscal, a prescrição ocorrida antes da propositura da ação pode ser decretada de ofício (art. 219, § 5º, do CPC). Assim, sem razão a Recorrente. Remissão dos débitos Alega ainda a Recorrente que se confirmada a homologação parcial de seu crédito, o débito relativo à importância não homologada estaria remitido por força do artigo 14 da Medida Provisória n° 449, de 3 dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, pois o valor total do débito não alcançaria o montante de R$10.000,00 (dez mil reais). Dispõe o artigo 14 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 que: Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1o O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 112 17 substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2o Na hipótese do IPI, o valor de que trata este artigo será apurado considerando a totalidade dos estabelecimentos da pessoa jurídica. § 3o O disposto neste artigo não implica restituição de quantias pagas. § 4o Aplicase o disposto neste artigo aos débitos originários de operações de crédito rural e do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária – PROCERA transferidas ao Tesouro Nacional, renegociadas ou não com amparo em legislação específica, inscritas na dívida ativa da União, inclusive aquelas adquiridas ou desoneradas de risco pela União por força da Medida Provisória no 2.1963, de 24 de agosto de 2001. Inviável, todavia, tal análise no âmbito do recurso voluntário, visto que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do sujeito passivo para fins de verificar se foi respeitado o limite de R$10.000,00 (dez mil reais), e o recurso em pauta trata apenas do reexame da decisão recorrida, onde há apenas parte do débito, não sua totalidade. Na forma do §1° do dispositivo supratranscrito, tal análise deverá ser feita pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, mantendo a decisão recorrida tal como lançada, por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908233/200810 Acórdão n.º 3202000.631 S3C2T2 Fl. 113 18 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10980.720405/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo preterição ao direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os atos e decisões foram realizados e externados por pessoas competentes, inexiste a nulidade citada pelo contribuinte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO.
Constatada a omissão de rendimentos pelo contribuinte, aplicável a multa de ofício de 75% prevista na legislação tributária, a qual, como se sabe, independe de dolo fraude ou simulação do contribuinte.
SÚMULA VINCULANTE Nº 2 DO CARF. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS NÃO CONHECIDAS.
Ao longo do Recurso Voluntário o Recorrente trata de diversas matérias constitucionais, as quais não devem sequer ser conhecidas a teor da Súmula CARF 02.
Preliminar de Nulidade Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo preterição ao direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os atos e decisões foram realizados e externados por pessoas competentes, inexiste a nulidade citada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos pelo contribuinte, aplicável a multa de ofício de 75% prevista na legislação tributária, a qual, como se sabe, independe de dolo fraude ou simulação do contribuinte. SÚMULA VINCULANTE Nº 2 DO CARF. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS NÃO CONHECIDAS. Ao longo do Recurso Voluntário o Recorrente trata de diversas matérias constitucionais, as quais não devem sequer ser conhecidas a teor da Súmula CARF 02. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo preterição ao direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os atos e decisões foram realizados e externados por pessoas competentes, inexiste a nulidade citada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos pelo contribuinte, aplicável a multa de ofício de 75% prevista na legislação tributária, a qual, como se sabe, independe de dolo fraude ou simulação do contribuinte. SÚMULA VINCULANTE Nº 2 DO CARF. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS NÃO CONHECIDAS. Ao longo do Recurso Voluntário o Recorrente trata de diversas matérias constitucionais, as quais não devem sequer ser conhecidas a teor da Súmula CARF 02. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 05 /2 00 9- 71 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/200971 Acórdão n.º 2801002.621 S2‐TE01 Fl. 137 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 54 a 60, exigem se do contribuinte os montantes de R$ 4.809,58 de imposto suplementar, R$ 3.607,18 de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativos ao exercício 2005, anocalendário 2004. A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual (fls. 50 a 52), constatou as seguintes infrações: Omissão de rendimentos do trabalho assalariado, R$ 30.025,96, com IRRF de R$ 3.180,14, conforme informações da PARANAPREVIDÊNCIA e comprovante de rendimentos apresentado pelo contribuinte. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, R$ 363,20, conforme informações da PASS Associação de Assistência a Saúde Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuição à previdência privada, R$ 12.157,69, uma vez que o contribuinte admitiu que o valor de R$ 6.078,84 foi, equivocadamente, informado como dedução de contribuição à previdência privada e não sendo possível, por problemas operacionais, excluir a dedução com previdência oficial, considerouse como omissão de rendimentos o valor de R$ 12.157,68 (omissão de R$ 12.157,68 dedução de R$ 6.078,84 = omissão real de R$ 6.078,84); Dedução indevida de previdência oficial, no valor de R$ 2.343,59, por falta de comprovação ou previsão legal para dedução; Compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 1.532,02, por se tratar de retenção ocorrida no anocalendário de 2003. Cientificado, em 26/02/2009 (fl. 61), o contribuinte apresentou, em 24/03/2009, por intermédio de procurador (fl. 17), a Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/200971 Acórdão n.º 2801002.621 S2‐TE01 Fl. 138 3 impugnação de fls. 02 a 16, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 64), descrevendo a autuação e entendendo que a ação fiscal não poderia prosperar, em virtude de não atendimento a requisito formal para sua validade, invocando, por esse motivo, a nulidade da autuação. Defende, ainda, ter apenas cometido erro de preenchimento da declaração, sendo descabido dispensar a esse fato o mesmo tratamento dado à omissão de rendimentos. Argumenta que não se poderia guindar o equívoco do contribuinte, à condição de infração tributária, como pretende o lançamento, sob justificativa do autuante de que, por problemas operacionais não teria sido possível excluir a dedução com previdência oficial. Salienta que se tratando de profissional médico, servidor público que tem dedicado a vida a amenizar o sofrimento de seu semelhante, estaria sendo punido de maneira exacerbada por mero equívoco no preenchimento de sua declaração. Busca demonstrar, em extenso arrazoado: as ocorrências de nulidade da notificação por falta de requisito formal de validade; a inexistência de omissão, mas sim, o erro nas informações da declaração do exercício de 2005, onde consignou rendimentos relativos ao anocalendário 2003, exercício 2004, sendo que as fontes pagadoras já haviam informado à RFB os valores corretos; que não se pode imputar ao contribuinte omissão decorrente de problemas operacionais, que nada têm a ver com a sua conduta; que, conhecendo a omissão de rendimentos, caberia ao Fisco a autuação imediata, evitando que o transcurso de tempo viesse a onerar sobremaneira o patrimônio do contribuinte, pela aplicação de multa, juros e atualização monetária do débito. Sustenta a preliminar de nulidade no art. 11, IV do Decreto nº 70.235, de 1972, afirmando que, por não se tratar de notificação expedida por processo eletrônico, seria imprescindível a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de servidor autorizado, o que não consta da autuação contestada, eivandoa de incontestável vício e conseqüente nulidade. Admite, contudo, que não caiba pronunciamento sobre a nulidade invocada, caso se venha a decidir, no mérito, em favor do contribuinte, a teor do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Insurgese, com base no art. 150 da CF/1988, contra a multa de ofício de 75%, atribuindolhe, em extenso arrazoado, caráter confiscatório, em afronta aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência, trazendo à colação doutrinas para apoiar sua tese. Caso não acatada a preliminar, requer aplicação do instituto da remissão, aduzindo haver coletado toda a documentação para elaborar a declaração de ajuste anual do Anocalendário 2004, incluindo, indevidamente, comprovante anual de rendimentos relativo ao anocalendário 2003, cujos valores restaram, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/200971 Acórdão n.º 2801002.621 S2‐TE01 Fl. 139 4 erroneamente, informados na declaração de ajuste anual do exercício 2005. Acrescenta novo equívoco cometido ao lançar, a título de dedução, o montante de R$ 6.078,84, recebido da Real Vida e Previdência Ltda., conforme esclarecido na fase preparatória do lançamento. Ressalta que tais equívocos não implicaram prejuízo para a atividade fiscal, haja vista as informações prestadas diretamente ao Fisco pelas fontes pagadoras. No entanto, em face de problemas institucionais, teria a repartição fiscal demandado muito tempo para proceder à retificação autorizada pelo art. 147, § 2º do CTN. Insistindo trataremse de erros escusáveis, pugna pela aplicação do art. 172, II do CTN. Em resumo, requer: a) acolhimento da impugnação e cancelamento da totalidade da exigência, permitindose a retificação da declaração de ajuste anual; b) caso desatendido o item anterior, acolhimento parcial da impugnação para recolhimento do tributo sem os consectários legais; c) informação da data precisa da apresentação de Dirf pelas fontes pagadoras Paranaprevidência, Instituto de Saúde do Paraná, Unimed, Ministério da Saúde e Real Vida e Previdência S/A, do anocalendário 2004, a fim de possibilitarlhe o exercício da ampla defesa. Instrui a petição com cópia de comprovantes anuais de rendimentos, relativos ao anocalendário 2004 (fls. 34 a 37).” A primeira instância, em seguida, rejeitou a impugnação. Diante daquela decisão, foi interposto Recurso Voluntário reiterando os mesmos fundamentos colocados a apreciação da primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão fiscal através da qual se apurou omissão de receitas auferidas no período. Com efeito meramente didático, e para facilitar a visualização, serão analisados individualmente os argumentos suscitados pelo Recorrente. I – Da nulidade do Auto de Infração O primeiro ponto suscitado pelo Recorrente em sua peça recursal consiste na suposta nulidade do Auto de Infração por cerceamento ao seu direito de defesa. Não obstante o esforço argumentativo do contribuinte, fato é que improcede por absoluto essa argumentação. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/200971 Acórdão n.º 2801002.621 S2‐TE01 Fl. 140 5 Como se vê da Notificação de Lançamento (fls.19 e seguintes) originária do crédito contestado, o Fiscal autuante pontuou todos os dispositivos infringidos pelo Recorrente, bem assim indicou corretamente a capitulação legal em que previstas as penalidade impostas. Ao contrário do alegado, portanto, inexistiu qualquer privação quanto ao seu direito constitucional à ampla defesa ou contraditório, de modo que resta superada sua alegação nulidade do auto de infração por cerceamento a esses direitos fundamentais. Também não se afigura qualquer mácula a publicidade no corrente processo administrativo, posto que o Recorrente foi intimado para se manifestar em todos as oportunidades legalmente exigidas. Por fim, não se vislumbra no processo qualquer dos vícios previstos no art.59 do Decreto 70.235/72, de modo que deve ser afastada de plano a preliminar suscitada. II – Da Omissão de Receitas Neste ponto, alega o Recorrente a impossibilidade de se imputar a omissão de receitas vislumbrada sob o argumento de que o Fisco teria o dever legal de retificar automaticamente sua DIPF, na medida em que a fonte pagadora da renda já o declarara como beneficiário. Ademais, em razão dessa declaração da fonte pagadora, não poderia vislumbrarse efetiva omissão de receitas, motivo pelo qual haveria de ser afastada a penalidade de 75% do valor do tributo que lhe fora imposta. Ora, a omissão, no caso, é do contribuinte, o qual, obrigado por lei, tem o dever de apresentar anualmente sua DIPF, com informações fidedignas. Não apresentada essa informação, deve o contribuinte arcar com tal ônus. Nesse ponto, portanto, também deve ser mantida a autuação fiscal. III – Da aplicação da Remissão prevista no art. 172 do CTN Inadmissível a remissão da dívida requerida pelo Recorrente simplesmente porque, como sabido, a Administração Pública só poderá concedêla acaso autorizada expressamente em lei. Obviamente que, no caso, inexiste qualquer disposição legal permitindo seja concedida a remissão em casos como o presente, de modo que deve ser mantida a autuação fiscal em sua integralidade. IV A matéria constitucional e a súmula vinculante nº 2 do CARF Por fim, suscita o Recorrente matérias que sequer devem ser conhecidas, na medida em que, conforme súmula vinculante nº 2 do CARF, não cabe a este E. Conselho questionar a constitucionalidade das leis. As matérias não conhecidas são: (i) natureza confiscatória da multa de ofício; (ii) afronta aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da eficiência, de molde a configurar desvio de finalidade; (iii) impossibilidade de aplicação da multa de ofício eis que inexistente o dolo ou má fé do contribuinte (neste ponto, como a multa está prevista em lei – art. 44 da Lei nº 9.430/96, só seria admissível fosse afastada mediante a declaração de sua inconstitucionalidade). Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10980.720405/200971 Acórdão n.º 2801002.621 S2‐TE01 Fl. 141 6 Diante de todo o exposto, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
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Numero do processo: 10805.002266/2001-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.506
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente).
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:
Trata-se de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI que se refere ao saldo credor do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com saídas com suspensão do IPI de que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 113/99, no montante de R$ 1.100.000,00, respeitante ao 3º trimestre-calendário de 2001. As compensações estão no processo apensado nº 10805.001533/2004-39.
O Termo de Verificação Fiscal, fls. 526/530, lavrado em 12/11/2007, assim dispõe sobre o processo em questão:
(...) a) Verificação da correta instrução dos processos e autenticidade dos documentos juntados pelo interessado.
Inicialmente queremos destacar que os créditos de IPI a serem analisados, relativos aos processos acima citados, têm por fundamento legal a restituição do saldo credor do IPI permitida pelo artigo 11 da Lei nº. 9.779, de 19 de janeiro de 1999, originados pela saída do estabelecimento industrial, com suspensão de IPI, de produtos fabricados destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701 a 8705), de acordo com o artigo 5° da Lei No 9.826, de 23 de agosto de 1999, e Instrução Normativa IN SRF nº 113, de 14 de setembro de 1999, c/c a saída de produtos fabricados destinados à exportação, que possuem imunidade de acordo com o artigo 18, inciso II, do RIPI/98.
(...)
b) Verificação da legitimidade dos saldos escriturados
(...)
b.2) Constatamos que o valor de R$ 1.100.000,00, relativo ao Pedido de Ressarcimento solicitado pelo fiscalizado através do processo n ° 10805.002266/2001-74, referente ao 3° trimestre calendário do ano de 2001, refere-se a parte do seu saldo credor do IPI, escriturado em 30/09/2000 em seu livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 1.249.375,98.
Ocorre que no inicio do 3° trimestre calendário do ano de 2001 o saldo credor do fiscalizado relativo ao período anterior era de R$ 1.606.060,32.
Através da análise do livro de Registro de Apuração do IPI do contribuinte fiscalizado verificamos que o mesmo não possui saldo credor de IPI, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000, mas sim saldo devedor do IPI no valor de R$ 356.684,34, correspondente ao saldo credor em 30/09/2000 (R$ 1.249.375,98) menos o saldo credor em 30/06/2000 (R$ 1.606.060,32).
Desta forma, concluímos que não há saldo credor do IPI do fiscalizado, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000 [sic, ... na verdade, 2001], a ser analisado.
(...)
3. CONCLUSÃO
Após todas as verificações por nós realizadas, anteriormente descritas, e todas as conferências feitas, de acordo com a Comunicação de Serviço n° 10805/001/2000, Ordem de Serviço DRF/SAE No 1, de 12 de maio de 2004, e Ordem de Serviço SRRF08, No 008, de 13 de setembro de 2005, concluímos que o contribuinte em tela faz jus aos valores de ressarcimento abaixo discriminados:
(...)
3º trimestre calendário do ano de 2001
Valor do ressarcimento de IPI solicitado: R$ 1.100.000,00;
Processo Administrativo Fiscal N ° 10805.002266/200174
Crédito a ser glosado conforme descrito no item 2.b.2) e planilha anexa citada no item 2.i) deste Termo = R$ 1.100.000,00;
Valor passível de ressarcimento = ZERO
(...)
O Despacho Decisório, fls. 532/533, de 28/11/2007, exarado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, SP, ratificou a glosa proposta no relatório fiscal e no parecer do ato decisório, sem o reconhecimento do direito creditório e a não-homologação das compensações declaradas no processo em apenso. A ciência da interessada, conforme AR nos autos, é de 04/01/2008.
Insatisfeita com a decisão administrativa, a interessada ofereceu, em 01/02/2008, manifestação de inconformidade (fls. 541/553) subscrita pelos respectivos patronos da pessoa jurídica, devidamente constituídos por instrumento legal presente nos autos, em que aduz, em síntese, que, em caráter preliminar, houve a decadência do direito de lançamento do crédito tributário referente aos pedidos de compensação efetuados, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 5º: Com efeito, os pedidos de compensação realizados pela Impugnante se deram em 15/02/2002 (R$ 698.288,75) e em 15/03/2002 (R$ 401.711,25), ou seja, quase 6 (seis) anos antes da prolação do Despacho Decisório ora impugnado; tratando-se de pedidos de compensação convertidos em declarações de compensação, o prazo de 5 anos para homologação tácita é contado desde a data de protocolo dos pedidos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 70; tudo conforme vários precedentes administrativos; no mérito, contesta o indeferimento integral e a existência apontada de um suposto saldo devedor no trimestre em questão no valor de R$ 356.684,34, porque o que foi pleiteado (R$ 1.100.000,00) tem por base o saldo credor acumulado de períodos anteriores; faz um histórico da legislação que trata do ressarcimento de créditos de IPI no caso de saídas com suspensão do imposto, a partir da Lei nº 9.779/99, art. 11, sendo inexistente dispositivo legal que vede o ressarcimento de crédito da maneira como feita pela requerente à época (07/11/2001). Por fim, requer que seja reconhecida a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo às compensações efetuadas tendo em vista o transcurso de quase 6 (seis) anos entre as datas de protocolo dos pedidos de compensação e a data da ciência do Despacho Decisório guerreado; no mérito, que haja o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações dos débitos de PIS e de COFINS.
A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-36935, de 14 de março de 2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FORMA DE APURAÇÃO.
Somente os créditos escriturados no trimestre-calendário dão azo a ressarcimento.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO QUINQUENAL. MUDANÇA DO TERMO INICIAL.
A retificação de pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, faz com que o termo inicial do prazo para homologação por disposição legal seja contado da data da retificação.
Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que:
a)Não há dúvida de que as referidas declarações de compensação foram homologadas tacitamente, pois ao contrário do que se alega no acórdão recorrido, a mera retificação do pedido de compensação para alterar o sujeito passivo, não tem o condão de interromper o curso do prazo decadencial, de forma a reiniciar sua contagem; e
b)A legislação vigente à época da apresentação do pedido de ressarcimento nunca vedou a utilização de créditos do IPI em trimestre distintos daquele no qual foi apurado. Ao revés, a legislação era expressa em conferir ao contribuinte do imposto a possibilidade de, uma vez encerrado o período de apuração, transferir o saldo credor remanescente para o período de apuração subsequente.
Termina sua petição recursal requerendo a reforma do acórdão vergastado para fins de:
Que seja reconhecida a decadência do direto do fisco federal de constituir o crédito tributário relativo às compensações realizadas, haja vista a ocorrência da sua homologação tácita; e
Que seja deferido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento em questão e, via consequência, homologadas as compensações a ele vinculadas.
Este é o relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
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RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata-se de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI que se refere ao saldo credor do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com saídas com suspensão do IPI de que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 113/99, no montante de R$ 1.100.000,00, respeitante ao 3º trimestre-calendário de 2001. As compensações estão no processo apensado nº 10805.001533/2004-39. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 526/530, lavrado em 12/11/2007, assim dispõe sobre o processo em questão: (...) a) Verificação da correta instrução dos processos e autenticidade dos documentos juntados pelo interessado. Inicialmente queremos destacar que os créditos de IPI a serem analisados, relativos aos processos acima citados, têm por fundamento legal a restituição do saldo credor do IPI permitida pelo artigo 11 da Lei nº. 9.779, de 19 de janeiro de 1999, originados pela saída do estabelecimento industrial, com suspensão de IPI, de produtos fabricados destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701 a 8705), de acordo com o artigo 5° da Lei No 9.826, de 23 de agosto de 1999, e Instrução Normativa IN SRF nº 113, de 14 de setembro de 1999, c/c a saída de produtos fabricados destinados à exportação, que possuem imunidade de acordo com o artigo 18, inciso II, do RIPI/98. (...) b) Verificação da legitimidade dos saldos escriturados (...) b.2) Constatamos que o valor de R$ 1.100.000,00, relativo ao Pedido de Ressarcimento solicitado pelo fiscalizado através do processo n ° 10805.002266/2001-74, referente ao 3° trimestre calendário do ano de 2001, refere-se a parte do seu saldo credor do IPI, escriturado em 30/09/2000 em seu livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 1.249.375,98. Ocorre que no inicio do 3° trimestre calendário do ano de 2001 o saldo credor do fiscalizado relativo ao período anterior era de R$ 1.606.060,32. Através da análise do livro de Registro de Apuração do IPI do contribuinte fiscalizado verificamos que o mesmo não possui saldo credor de IPI, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000, mas sim saldo devedor do IPI no valor de R$ 356.684,34, correspondente ao saldo credor em 30/09/2000 (R$ 1.249.375,98) menos o saldo credor em 30/06/2000 (R$ 1.606.060,32). Desta forma, concluímos que não há saldo credor do IPI do fiscalizado, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000 [sic, ... na verdade, 2001], a ser analisado. (...) 3. CONCLUSÃO Após todas as verificações por nós realizadas, anteriormente descritas, e todas as conferências feitas, de acordo com a Comunicação de Serviço n° 10805/001/2000, Ordem de Serviço DRF/SAE No 1, de 12 de maio de 2004, e Ordem de Serviço SRRF08, No 008, de 13 de setembro de 2005, concluímos que o contribuinte em tela faz jus aos valores de ressarcimento abaixo discriminados: (...) 3º trimestre calendário do ano de 2001 Valor do ressarcimento de IPI solicitado: R$ 1.100.000,00; Processo Administrativo Fiscal N ° 10805.002266/200174 Crédito a ser glosado conforme descrito no item 2.b.2) e planilha anexa citada no item 2.i) deste Termo = R$ 1.100.000,00; Valor passível de ressarcimento = ZERO (...) O Despacho Decisório, fls. 532/533, de 28/11/2007, exarado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, SP, ratificou a glosa proposta no relatório fiscal e no parecer do ato decisório, sem o reconhecimento do direito creditório e a não-homologação das compensações declaradas no processo em apenso. A ciência da interessada, conforme AR nos autos, é de 04/01/2008. Insatisfeita com a decisão administrativa, a interessada ofereceu, em 01/02/2008, manifestação de inconformidade (fls. 541/553) subscrita pelos respectivos patronos da pessoa jurídica, devidamente constituídos por instrumento legal presente nos autos, em que aduz, em síntese, que, em caráter preliminar, houve a decadência do direito de lançamento do crédito tributário referente aos pedidos de compensação efetuados, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 5º: Com efeito, os pedidos de compensação realizados pela Impugnante se deram em 15/02/2002 (R$ 698.288,75) e em 15/03/2002 (R$ 401.711,25), ou seja, quase 6 (seis) anos antes da prolação do Despacho Decisório ora impugnado; tratando-se de pedidos de compensação convertidos em declarações de compensação, o prazo de 5 anos para homologação tácita é contado desde a data de protocolo dos pedidos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 70; tudo conforme vários precedentes administrativos; no mérito, contesta o indeferimento integral e a existência apontada de um suposto saldo devedor no trimestre em questão no valor de R$ 356.684,34, porque o que foi pleiteado (R$ 1.100.000,00) tem por base o saldo credor acumulado de períodos anteriores; faz um histórico da legislação que trata do ressarcimento de créditos de IPI no caso de saídas com suspensão do imposto, a partir da Lei nº 9.779/99, art. 11, sendo inexistente dispositivo legal que vede o ressarcimento de crédito da maneira como feita pela requerente à época (07/11/2001). Por fim, requer que seja reconhecida a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo às compensações efetuadas tendo em vista o transcurso de quase 6 (seis) anos entre as datas de protocolo dos pedidos de compensação e a data da ciência do Despacho Decisório guerreado; no mérito, que haja o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações dos débitos de PIS e de COFINS. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-36935, de 14 de março de 2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FORMA DE APURAÇÃO. Somente os créditos escriturados no trimestre-calendário dão azo a ressarcimento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO QUINQUENAL. MUDANÇA DO TERMO INICIAL. A retificação de pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, faz com que o termo inicial do prazo para homologação por disposição legal seja contado da data da retificação. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a)Não há dúvida de que as referidas declarações de compensação foram homologadas tacitamente, pois ao contrário do que se alega no acórdão recorrido, a mera retificação do pedido de compensação para alterar o sujeito passivo, não tem o condão de interromper o curso do prazo decadencial, de forma a reiniciar sua contagem; e b)A legislação vigente à época da apresentação do pedido de ressarcimento nunca vedou a utilização de créditos do IPI em trimestre distintos daquele no qual foi apurado. Ao revés, a legislação era expressa em conferir ao contribuinte do imposto a possibilidade de, uma vez encerrado o período de apuração, transferir o saldo credor remanescente para o período de apuração subsequente. Termina sua petição recursal requerendo a reforma do acórdão vergastado para fins de: Que seja reconhecida a decadência do direto do fisco federal de constituir o crédito tributário relativo às compensações realizadas, haja vista a ocorrência da sua homologação tácita; e Que seja deferido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento em questão e, via consequência, homologadas as compensações a ele vinculadas. Este é o relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Mário César Fracalossi Bais (suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .0 02 26 6/ 20 01 -7 4 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/200174 Resolução nº 3402000.506 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI que se refere ao saldo credor do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com saídas com suspensão do IPI de que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 113/99, no montante de R$ 1.100.000,00, respeitante ao 3º trimestrecalendário de 2001. As compensações estão no processo apensado nº 10805.001533/200439. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 526/530, lavrado em 12/11/2007, assim dispõe sobre o processo em questão: “(...) a) Verificação da correta instrução dos processos e autenticidade dos documentos juntados pelo interessado. Inicialmente queremos destacar que os créditos de IPI a serem analisados, relativos aos processos acima citados, têm por fundamento legal a restituição do saldo credor do IPI permitida pelo artigo 11 da Lei nº. 9.779, de 19 de janeiro de 1999, originados pela saída do estabelecimento industrial, com suspensão de IPI, de produtos fabricados destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701 a 8705), de acordo com o artigo 5° da Lei No 9.826, de 23 de agosto de 1999, e Instrução Normativa IN SRF nº 113, de 14 de setembro de 1999, c/c a saída de produtos fabricados destinados à exportação, que possuem imunidade de acordo com o artigo 18, inciso II, do RIPI/98. (...) b) Verificação da legitimidade dos saldos escriturados (...) b.2) Constatamos que o valor de R$ 1.100.000,00, relativo ao Pedido de Ressarcimento solicitado pelo fiscalizado através do processo n ° 10805.002266/200174, referente ao 3° trimestre calendário do ano de 2001, referese a parte do seu saldo credor do IPI, escriturado em 30/09/2000 em seu livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 1.249.375,98. Ocorre que no inicio do 3° trimestre calendário do ano de 2001 o saldo credor do fiscalizado relativo ao período anterior era de R$ 1.606.060,32. Através da análise do livro de Registro de Apuração do IPI do contribuinte fiscalizado verificamos que o mesmo não possui saldo credor de IPI, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000, mas sim saldo devedor do IPI no valor de R$ 356.684,34, correspondente ao saldo credor em 30/09/2000 (R$ 1.249.375,98) menos o saldo credor em 30/06/2000 (R$ 1.606.060,32). Desta forma, concluímos que não há saldo credor do IPI do fiscalizado, relativo ao 3° trimestre calendário do ano de 2000 [sic, ... na verdade, 2001], a ser analisado. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/200174 Resolução nº 3402000.506 S3C4T2 Fl. 102 3 (...) 3. CONCLUSÃO Após todas as verificações por nós realizadas, anteriormente descritas, e todas as conferências feitas, de acordo com a Comunicação de Serviço n° 10805/001/2000, Ordem de Serviço DRF/SAE No 1, de 12 de maio de 2004, e Ordem de Serviço SRRF08, No 008, de 13 de setembro de 2005, concluímos que o contribuinte em tela faz jus aos valores de ressarcimento abaixo discriminados: (...) • 3º trimestre calendário do ano de 2001 Valor do ressarcimento de IPI solicitado: R$ 1.100.000,00; Processo Administrativo Fiscal N ° 10805.002266/200174 Crédito a ser glosado conforme descrito no item 2.b.2) e planilha anexa citada no item 2.i) deste Termo = R$ 1.100.000,00; Valor passível de ressarcimento = ZERO (...)” O Despacho Decisório, fls. 532/533, de 28/11/2007, exarado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, SP, ratificou a glosa proposta no relatório fiscal e no parecer do ato decisório, sem o reconhecimento do direito creditório e a não homologação das compensações declaradas no processo em apenso. A ciência da interessada, conforme AR nos autos, é de 04/01/2008. Insatisfeita com a decisão administrativa, a interessada ofereceu, em 01/02/2008, manifestação de inconformidade (fls. 541/553) subscrita pelos respectivos patronos da pessoa jurídica, devidamente constituídos por instrumento legal presente nos autos, em que aduz, em síntese, que, em caráter preliminar, houve a decadência do direito de lançamento do crédito tributário referente aos pedidos de compensação efetuados, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 5º: “Com efeito, os pedidos de compensação realizados pela Impugnante se deram em 15/02/2002 (R$ 698.288,75) e em 15/03/2002 (R$ 401.711,25), ou seja, quase 6 (seis) anos antes da prolação do Despacho Decisório ora impugnado”; tratandose de pedidos de compensação convertidos em declarações de compensação, o prazo de 5 anos para homologação tácita é contado desde a data de protocolo dos pedidos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 70; tudo conforme vários precedentes administrativos; no mérito, contesta o indeferimento integral e a existência apontada de um suposto saldo devedor no trimestre em questão no valor de R$ 356.684,34, porque o que foi pleiteado (R$ 1.100.000,00) tem por base o saldo credor acumulado de períodos anteriores; faz um histórico da legislação que trata do ressarcimento de créditos de IPI no caso de saídas com suspensão do imposto, a partir da Lei nº 9.779/99, art. 11, sendo inexistente dispositivo legal que vede o ressarcimento de crédito da maneira como feita pela requerente à época (07/11/2001). Por fim, requer que seja reconhecida Fl. 864DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/200174 Resolução nº 3402000.506 S3C4T2 Fl. 103 4 a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo às compensações efetuadas tendo em vista o transcurso de quase 6 (seis) anos entre as datas de protocolo dos pedidos de compensação e a data da ciência do Despacho Decisório guerreado; no mérito, que haja o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações dos débitos de PIS e de COFINS. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1436935, de 14 de março de 2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FORMA DE APURAÇÃO. Somente os créditos escriturados no trimestrecalendário dão azo a ressarcimento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO QUINQUENAL. MUDANÇA DO TERMO INICIAL. A retificação de pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, faz com que o termo inicial do prazo para homologação por disposição legal seja contado da data da retificação. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) Não há dúvida de que as referidas declarações de compensação foram homologadas tacitamente, pois ao contrário do que se alega no acórdão recorrido, a mera retificação do pedido de compensação para alterar o sujeito passivo, não tem o condão de interromper o curso do prazo decadencial, de forma a reiniciar sua contagem; e b) A legislação vigente à época da apresentação do pedido de ressarcimento nunca vedou a utilização de créditos do IPI em trimestre distintos daquele no qual foi apurado. Ao revés, a legislação era expressa em conferir ao contribuinte do imposto a possibilidade de, uma vez encerrado o período de apuração, transferir o saldo credor remanescente para o período de apuração subsequente. Termina sua petição recursal requerendo a reforma do acórdão vergastado para fins de: a) Que seja reconhecida a decadência do direto do fisco federal de constituir o crédito tributário relativo às compensações realizadas, haja vista a ocorrência da sua homologação tácita; e Fl. 865DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/200174 Resolução nº 3402000.506 S3C4T2 Fl. 104 5 b) Que seja deferido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento em questão e, via consequência, homologadas as compensações a ele vinculadas. Este é o relatório. VOTO O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminarmente, assinalo que o recorrente apresentou diversos documentos que, em tese, podem comprovar a existência dos créditos informados no pedido de ressarcimento. Ressalto que os documentos foram aduzidos quando da propositura da manifestação de inconformidade. Na minha opinião, a Delegacia de Julgamento não analisou tais documentos. Tomou sua decisão tendo por base somente a legislação, passando ao largo da matéria fática, conforme se pode constatar pela simples leitura da decisão, que abaixo reproduzo: Direito Creditório A requerente se equivoca na manifestação de inconformidade ao sustentar que inexiste dispositivo legal que crie obstáculos para a apuração do saldo credor ressarcível da maneira como foi empreendida, isto é, com a inclusão de saldo credor de períodos anteriores aos do trimestrecalendário. (...) Somente dão azo a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre calendário: é o que deflui da legislação suscitada. O saldo credor de um trimestrecalendário,se não integralmente aproveitado na forma de ressarcimento/compensação (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pode e deve ser transportado para o período subseqüente (dentro de trimestrecalendário posterior), mas apenas para compensação com débitos do imposto na conta gráfica deste, e não para compor o saldo credor ressarcível do trimestrecalendário seguinte, vale dizer, o saldo credor apurado em um trimestre é não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes. Acrescento que, no momento correto processual, o recorrente juntou aos autos planilha da composição dos créditos acumulados no 3º trimestre de 2001, além das cópias dos livros de registros de apuração referentes aos anos de 2000 e 2001. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, texto literal do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise todos os documentos acostados aos autos no momento da manifestação de Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10805.002266/200174 Resolução nº 3402000.506 S3C4T2 Fl. 105 6 inconformidade, além dos que estão em posse do recorrente, e produza um relatório conclusivo acerca da existência do crédito pleiteado. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 30/01/2012 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001623/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE.
Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
O contador é preposto do sujeito passivo, independentemente de autorização escrita, quando pratica atos relativos à atividade da empresa no seu estabelecimento.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. O contador é preposto do sujeito passivo, independentemente de autorização escrita, quando pratica atos relativos à atividade da empresa no seu estabelecimento. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001623/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.398 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente SAMONTE TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos sem atendimento às formalidades legais exigidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. O contador é preposto do sujeito passivo, independentemente de autorização escrita, quando pratica atos relativos à atividade da empresa no seu estabelecimento. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 23 /2 01 0- 13 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/201013 Acórdão n.º 2402003.398 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/1991, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/16) – embora formalmente solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e do Termo de Intimação Fiscal (TIF) –, a empresa não apresentou ou apresentou de forma deficientes, para as competências 01/2006 a 10/2007, os seguintes documentos: 1. folhas de pagamento dos meses 11/2006, 12/2006, 04/2007, 07/2007 e 09/2007; 2. GFIP com comprovantes de entrega e eventuais alterações, dos meses de 01/2006 a 12/2007; 3. cópia do comprovante de endereço dos representantes legais; 4. cópia do CRC, CPF, RG e comprovante de endereço do contador; 5. relação dos beneficiários do auxílio alimentação ou planilha dos valores pagos individualmente; 6. Livro Diário do ano de 2006 sem registro na Junta Comercial. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 17) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso II, alínea “j”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos), estabelecido pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29 de junho de 2010, DOU de 30/06/2010. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/11/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 41/52) – acompanhados de anexos de fls. 53/62 –, alegando, em síntese, que: 1. o procedimento é nulo porque foi dada ciência do início do procedimento fiscal ao contador da empresa, que não é sujeito passivo da obrigação, nem seu preposto, o que importaria em preterição ao direito de defesa e contraditório; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2. os documentos pessoais do contador não são de apresentação obrigatória, porque não estariam relacionados às contribuições sociais, além de consistirem em informações de conhecimento da RFB; 3. a fiscalização se utilizou de interpretação literal da legislação para lavrar o auto de infração, agindo de maneira desarrazoada e desproporcional, considerando que a apresentação dos documentos não alteraria o resultado da ação fiscal; 4. requer a produção de prova antes da decisão deste colegiado, em consonância com o disposto em lei e os princípios que regem o processo administrativo tributário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1238.518 da 12a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 51/56) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que houve cerceamento ao seu direito de defesa e que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/201013 Acórdão n.º 2402003.398 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/16), nos seguintes termos: “[...] 2 No curso da ação fiscal, a empresa deixou de apresentar parte dos documentos solicitados no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, bem como, todos os documentos solicitados no Termo de Intimação n ° 1 quais sejam: 2.1 Folhas de Pagamento dos meses 11/2006, 12/2006, 04/2007, 07/2007 e 09/2007; 2.2 GFIP com comprovantes de entrega e eventuais alterações, dos meses de 01/2006 a 12/2007; 2.3 Cópia do comprovante de endereço dos representantes legais; 2.4 Cópia do CRC, CPF, RG e comprovante de endereço do contador; 2.5 Relação dos beneficiários do auxilio alimentação ou planilha dos valores pagos individualmente; 2.6 Livro Diário do ano de 2006 sem registro na Junta Comercial. (Relatório Fiscal fl. 15). [...]” Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/32) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF), fls. 05/10, e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 11/12 –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória, e a informação de que a Recorrente recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 13/16. Com relação ao contabilista que recebeu as intimações fiscais, constatase que ele solicitou prorrogação do prazo processual para apresentar os documentos e utilizouse de papel timbrado da Recorrente (fls. 07/08). Isso demonstrar que o contador estar autorizado a praticar atos relativos à atividade da empresa no seu estabelecimento. Ademais, o representante legal da empresa preponente tomou ciência do término da ação fiscal (fls. 11/12) e da lavratura do auto de infração (fl. 01), para o qual apresentou a impugnação de fls. 23/34, oportunidade em que demonstrou ter compreendido as razões e fundamentos do lançamento e as contestou em todas as suas vertentes. Nos termos do art. 1.178 do Código Civil de 2002 (Lei 10.406/2002), não há exigência de que o contabilista seja constituído por escrito para realizar atos pertinentes à empresa. Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002: Do Contabilista e outros Auxiliares Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/201013 Acórdão n.º 2402003.398 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de máfé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada e a identificação correta do sujeito passivo direto, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/32) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Diante disso, não acato as preliminares de nulidade ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Quanto à alegação de que inexiste a infração imputada pela auditoria fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente, além de apresentar o Livro Diário ano 2006 sem o registro na Junta Comercial, deixou de apresentar ao Fisco os seguintes documentos: 1. folhas de pagamento dos meses 11/2006, 12/2006, 04/2007, 07/2007 e 09/2007; 2. GFIP com comprovantes de entrega e eventuais alterações, dos meses de 01/2006 a 12/2007; 3. cópia do comprovante de endereço dos representantes legais; 4. cópia do CRC, CPF, RG e comprovante de endereço do contador; 5. relação dos beneficiários do auxílio alimentação ou planilha dos valores pagos individualmente. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e no Termo de Intimação Fiscal (TIF), fls. 05/10, constatase a intimação para a apresentação dos livros contábeis, folhas de pagamento, GFIP e demais documentos. A não apresentação desses documentos ou a sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com essa conduta, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Esse art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 232 e art. 233, parágrafo único: Do Exame da Contabilidade (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999) Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(g.n.) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/201013 Acórdão n.º 2402003.398 S2C4T2 Fl. 6 9 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco integralmente as folhas de pagamento, por competência, com as respectivas remunerações, contendo todos os segurados a seu serviço, e apresentar ao mesmo o livro contábil ano 2006 (diário) sem o registro na Junta Comercial, bem como os demais documentos, devidamente solicitados por meio Termo de Intimação Fiscal (TIF) –, incorreu na infração disposta no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Dentro desse contexto, com relação à apresentação do livro “Diário”, sem o devido Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial), cumpre esclarecer que o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, determina que tais livros devem ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro Civil. Esse entendimento está consubstanciado no art. 258, § 4o, do RIR/1999, transcrito abaixo: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei no 486, de 1969, art. 5o). (...) § 4o Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1o, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei no 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei no 486, de 1969, art. 5o, § 2o).(g.n.) O art. 1.181 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002) dispõe que os livros obrigatórios, antes de posto em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis, in verbis: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de posto em uso, devem ser autenticado Registro Público de Empresas Mercantis. (g.n.) Frisamos que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade para a aplicação da multa, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo Lei 8.212/1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) (...) II a partir de RS 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispõe a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos. 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria Ministerial MPS/MF MPS/MF n° 333, de 29 de junho de 2010, DOU de 30/06/2010, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001623/201013 Acórdão n.º 2402003.398 S2C4T2 Fl. 7 11 reajustou os valores da multa para R$14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. É importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir os documentos relacionados com as contribuições para a Seguridade Social no prazo estabelecido por meio do TIPF e do TIF, não cabendo ao fisco analisar os motivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente de que “(...) a fiscalização se utilizou de interpretação literal da legislação para lavrar o auto de infração, agindo de maneira desarrazoada e desproporcional, considerando que a apresentação dos documentos não alteraria o resultado da ação fiscal (...)”, eis que ela deixou de exibir as folhas de pagamento nos moldes estabelecidos pela legislação previdenciária, e apresentou os livro Diário ano 2006 sem o registro na Junta Comercial. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10166.009591/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. COMPROVADO. Comprovado que houve a retenção do PIS por órgãos públicos, o valor retido deve ser excluído do lançamento de ofício, mesmo que tal retenção tenha sido informada na DCTF como pagamento via DARF. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-000.998
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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COMPROVADO. Comprovado que houve a retenção do PIS por órgãos públicos, o valor retido deve ser excluído do lançamento de ofício, mesmo que tal retenção tenha sido informada na DCTF como pagamento via DARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Alan Fialho Gandra. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de outubro a dezembro de 1997, tendo em vista que não foram localizados pagamentos informados na DCTF. Inconformada com a autuação, no dia 10/07/2002, a empresa interessada impugnou o lançamento, alegando que os pagamentos informados referemse, de fato, a valores retidos pelo INCRAMT, CESCEA e pela empresa LENC. Junta cópia de tela do SIAFI do INCRAMT e do CISCEA (Comando da Aeronáutica), bem como do Darf recolhido pela empresa LENC, e das respectivas notas fiscais; No despacho de fl. 82/85, a DRF Brasília – DF informa que não existem retenções declaradas em favor da recorrente. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA nº 16.083, de 21/12/2005, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM VALORES RETIDOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. A contribuinte tem que comprovar a retenção havida por órgãos públicos para efetuar a compensação com os tributos devidos e declarados em DCTF. Caso contrário há que se manter a exigência fiscal. CONVENÇÕES PARTICULARES Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não pode se opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Lançamento Procedente em Parte. Ciente desta decisão em 15/05/2006, a interessada ingressou, no dia 12/06/2006, com o recurso voluntário de fls. 96/101, no qual repisa os argumentos da impugnação, reforçando seus argumentos a respeito da Cofins devida na operação de sub contratação de serviços junto à empresa LENC, que detinha contrato de prestação de serviços com a NOVACAP e esta não estava obrigada a reter a Cofins. A empresa LENC efetuou o pagamento da exação e o descontou do valor da subempreitada pago à recorrente. Na sessão realizada no dia 07/11/2008 a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência à repartição de origem para esta confirmar a alegação da recorrente de que houve retenção, pelo INCRA e pela CISCEA, da exação lançada, conforme Resolução nº 20100.792 (fls. 107/108). Realizado a diligência, a DRF em Brasília DF confirmou a existência das retenções alegadas pela recorrente, conforme Termo de Encaminhamento de fl. 120. É o Relatório do essencial. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.009591/200211 Acórdão n.º 330200.998 S3C3T2 Fl. 125 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 07/11/2008. Como relatado, a empresa autuada informou em DCTF o pagamento do PIS por meio de DARFs que resultaram não sendo localizados nos sistemas de controle da RFB e, consequentemente, foi lavrado o auto de infração competente para exigir o pagamento da exação. Em seu recurso, a empresa alega que cometeu erro no preenchimento da DCTF porque, de fato, não houve pagamento mas retenções por parte dos órgãos públicos federais INCRA e CISCEA e, também, pela empresa LENC, contratada pela NOVACAP para prestar serviços que foram sublocados à recorrente. Esclareço, preliminarmente, que os valores da Cofins devidos e declarados na DCTF são os mesmos declarados na DIPJ. Foi realizado diligência para constatar se houve, efetivamente, as retenções por órgãos públicos federais alegadas pela recorrente, no que resultou confirmado. Portanto, embora a recorrente tenha declarado erroneamente pagamentos na DCTF, ela efetivamente suportou o ônus das exações retidas pelo INCRA e pela CISCEA, conforme ficou provado. Portanto, deve ser excluído do lançamento os valores retidos por esses órgãos públicos. Com relação à alegação de que a empresa LENC teria efetuado retenção de PIS devido pela recorrente, não há como prosperar tal alegação por absoluta falta de previsão legal para tal procedimento. Tanto é que as provas trazidas pela recorrente são DARFs em nome da empresa LENC e não em seu nome. Portanto, pagamento efetuados por uma empresa não pode ser aproveitado por outra empresa, mesmo que esta tenha sublocado algum serviço daquela. Neste caso, cada empresa tem sua própria receita e cada empresa incorreu no fato gerador do PIS, isoladamente. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do auto de infração os valores retidos pelo INCRA e pela CISCEA, alegados pela recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.018460/2002-46
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997
PRELIMINAR. NULIDADE. REJEIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA
O recebimento de apelação de sentença denegatória de Mandado de Segurança no efeito suspensivo, não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de ofício.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. IMPETRAÇÃO POR ASSOCIAÇÃO. EFEITOS PARA TODOS OS ASSOCIADOS.
O provimento jurisdicional em mandado de segurança coletivo gera efeitos para todos os filiados à associação que impetrou a ação mandamental. O mandado de segurança coletivo gera efeitos para todo o órgão a que está vinculada a autoridade administrativa impetrada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento.
IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE.
Deixa de se conhecer parte da impugnação relativa à matéria já submetida à apreciação judicial.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA.
Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade.
INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. BASE DE CÁLCULO.
Estando as entidades de previdência privada fechada, por força do disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item 3, da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998.
INCONSTITUCIONALIDADES.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2).
MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a exigência de multa de ofício, mesmo estando a matéria tributável em discussão na esfera judicial, se, quando do lançamento, a exigência do crédito não estiver suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança, ou de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator: a) deixar de conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário; b) conhecer do recurso quanto às demais matérias e negar provimento para considerar devida a CSLL no valor de R$ 4.691.170,67, com a multa de ofício de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente (Selic). Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Valmir Sandri quanto à concomitância da matéria nos processos administrativos e judicial e à existência do fato gerador da CSLL, e Wilson Fernandes Guimarães que votou pela aplicação da taxa de juros de mora de 1% em vez da Selic.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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NULIDADE. REJEIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA O recebimento de apelação de sentença denegatória de Mandado de Segurança no efeito suspensivo, não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de ofício. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. IMPETRAÇÃO POR ASSOCIAÇÃO. EFEITOS PARA TODOS OS ASSOCIADOS. O provimento jurisdicional em mandado de segurança coletivo gera efeitos para todos os filiados à associação que impetrou a ação mandamental. O mandado de segurança coletivo gera efeitos para todo o órgão a que está vinculada a autoridade administrativa impetrada. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 84 60 /2 00 2- 46 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 13 2 A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE. Deixa de se conhecer parte da impugnação relativa à matéria já submetida à apreciação judicial. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade. INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. BASE DE CÁLCULO. Estando as entidades de previdência privada fechada, por força do disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de multa de ofício, mesmo estando a matéria tributável em discussão na esfera judicial, se, quando do lançamento, a exigência do crédito não estiver suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança, ou de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator: a) deixar de conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário; b) conhecer do recurso quanto às demais matérias e negar provimento para considerar devida a CSLL no valor de R$ 4.691.170,67, com a multa de ofício de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente (Selic). Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Edwal Casoni de Paula Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 14 3 Fernandes Junior e Valmir Sandri quanto à concomitância da matéria nos processos administrativos e judicial e à existência do fato gerador da CSLL, e Wilson Fernandes Guimarães que votou pela aplicação da taxa de juros de mora de 1% em vez da Selic. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 15 4 Relatório Por bem descrever os fatos transcrevo o relatório do voto recorrido: “A DEINF/Rio de Janeiro/RJ lavrou Auto de Infração, com ciência da interessada em 23.12.2002, fl. 178, para exigir a Contribuição Social sobre o lucro, fls. 176/185, no valor de R$ 1.367.868,00, com a multa de ofício de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 161/175, que faz parte do Auto de Infração, fundamentandoo, em síntese, no que se segue: 1. a Interessada é entidade fechada de previdência complementar, nos termos da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, a qual revogou o dispositivo que anteriormente regulava tais entidades, a Lei n° 6.435/1977; 2. essas entidades advogaram, por longo tempo, a tese de serem imunes à incidência do Imposto de Renda e à da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, invocando, no caso da CSLL, o § 7 o do artigo 195 da Constituição Federal que isenta da contribuição para a seguridade social "as entidades beneficentes de assistência social que atendem às exigências estabelecidas em lei", sob a alegação de que deveriam ter o mesmo tratamento tributário do que estas; 3. o Supremo Tribunal Federal veio, em 08/11/2001, no Acórdão definitivo prolatado no julgamento do Recurso Extraordinário n° 2027006, colocar uma pá de cal sobre essa pretensão, estabelecendo que "as instituições assistenciais não podem ser confundidas ou comparadas com as entidades fechadas de previdência privada, de gênese contratual, uma vez que conferem benefícios aos seus filiados desde que esses recolham as contribuições pactuadas. Essas associações assim constituídas não possuem o caráter de universalidade como o é a assistência social oficial, do que se extrai que os serviços por elas realizados não podem ser entendidos como os de assistência social..."; 4. afastada a hipótese de imunidade, as entidades fechadas de previdência privada se sujeitam à incidência da CSLL, na forma prescrita pela legislação ordinária, bastando a ocorrência da hipótese definida em lei como fato gerador da obrigação tributária, exceto se fosse editada lei específica que lhes garantisse isenção de incidência da CSLL, o que somente se deu com o advento da Medida Provisória 16, de 27/12/2002, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1 o de janeiro de 2002; 5. a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 195, I, atribuiu à União a competência para instituir contribuição para o financiamento da seguridade social, imponível a toda sociedade; 6. a União instituiu a CSLL por meio da Lei n° 7.689/1988, na qual está definido que sua base de cálculo é o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições e exclusões que especifica; Fl. 894DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 16 5 7. no § 1 o do artigo 22 da Lei n° 8.212/1991, estão indicadas as empresas sujeitas à tributação pela CSLL, dentre as quais temse, explicitamente, as entidades de previdência privada abertas e fechadas; 8. no anocalendário de 1997, a alíquota da CSLL para as entidades de previdência privada, foi de 18%, por força do disposto no artigo 2 o da Lei n° 9.316/1996; 9. até o anocalendário de 1996, a CSLL era dedutível de sua própria base de cálculo, o que deixou de ocorrer a partir de 1 o de janeiro de 1997, por força do que determina o artigo 1 o da Lei n° 9.316/1996; 10. embora o Ato Declaratório CST 17, de 30/11/1990, tenha disposto que a CSLL não seria devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvessem atividades sem fins lucrativos, tais como as fundações, associações e sindicatos, é de se ressaltar que tal determinação perdurou somente até o advento da Lei n° 8.212/1991 que, como já visto, mencionou expressamente as entidades de previdência privada fechadas como sujeitas à incidência da CSLL, afastando qualquer dúvida a respeito; 11. para efeito de incidência da CSLL, não importa se a entidade tenha ou não finalidade lucrativa, mas sim a materialização concreta do resultado positivo, como será visto adiante; 12. não pode ser ignorada a referência direta de sucessivos diplomas legais mencionando as entidades fechadas de previdência privada como contribuintes da CSLL, tais como: artigo 72, III, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com redação dada palas Emendas Constitucionais 01/1994, 10/1996 e 17/1997, bem como o artigo 13, I, da Lei n° 9.249/1995 e, ainda, o artigo 2 o da Lei n° 9.316/1996; 13. as entidades de previdência privada só foram isentadas da CSLL a partir de 1 o de janeiro de 2002, por força da MP 16, de 27/12/2002; 14. as entidades fechadas de previdência privada não têm fins lucrativos, animus de lucrar, mas não há proibição legal para que, no desenvolvimento de suas atividades, venham a registrar qualquer lucro, 15. as entidades fechadas de previdência complementar não existem para lucrar, é certo, mas, objetivando a concretização do seu fim a complementação da atuação estatal na área previdenciária buscam a eficiência financeira, como, por sinal, demonstranos o rigor com que fixam e procuram cumprir as chamadas metas atuariais; 16. não merece acolhida a tese segundo a qual as entidades de previdência, por apurarem superávit (ou déficit), e não lucro (ou prejuízo), estariam desobrigadas da contribuição social sobre o lucro, pois nada autoriza o entendimento de que, ao utilizarse da expressão lucro, a CF/1988 (art. 195, I, "c") tenhase restringido ao conceito de lucro adotado pela legislação comercial. 17. a base de cálculo da CSLL corresponde ao resultado positivo do exercício, ajustado na forma da lei, sendo que, no caso de entidades de previdência privada, o resultado positivo corresponde ao superávit; 18. para definir o método de cálculo do superávit das entidades de previdência devese recorrer à Demonstração do Resultado do Exercício adotada por elas, aprovada pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência e Assistência Social, e divulgada pela Portaria MPAS n° 4.858, de 26/11/1998, em Fl. 895DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 17 6 seu anexo C, item "3", bem como o pronunciamento a respeito da Secretaria da Receita Federal, por intermédio da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, no Parecer COSIT n° 07, de 26/12/2001, que estabelece o seguinte: ly a) como referência inicial para fins de execução dos ajustes fiscais necessários à correta determinação de base de cálculo da CSLL das entidades de previdência, devese utilizar a Demonstração do Resultado do Exercício padrão, estatuída no Anexo C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998; b) a necessidade de se observar o disposto no artigo 13, inciso I, da Lei n° 9.249/1995, ou seja, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, são vedadas as deduções de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, de que trata o art 43 da Lei n° 8.981/1995, com as alterações da Lei n° 9.065/1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. c) na Demonstração do Resultado do Exercício do Anexo C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, as provisões técnicas a serem deduzidas do Saldo Disponível para Constituições, no programa previdencial, são apenas as Reservas Matemáticas e a Reserva de Contingência, restando, via de regra, o resultado superavitário a se sujeitar à incidência de CSLL, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões à base de cálculo previstas na legislação da CSLL; d) tomandose por base o Balanço Patrimonial exposto no Anexo C, item "3', da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, não são consideradas reservas técnicas a Reserva para Ajustes do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos do Decreto n° 606, de 20 de julho de 1992; 19. tanto o Decreto n° 606/1992 como a LC n° 109/2001 determinam que a Reserva de Contingência sempre terá como limite máximo para sua constituição o valor equivalente a 25% da Reserva Matemática, ou seja, para a aplicação da dedutibilidade das reservas, concluise que os valores constituídos como Reserva Matemática não sofreriam qualquer tipo de limitação, enquanto que a Reserva de Contingência, independentemente da data de sua constituição ou contabilização, estaria sempre sujeita ao limite de 25% da Reserva Matemática constituída; 20. o resultado do período, para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, é o resultado positivo (superávit) apurado no programa previdencial quando do encerramento do correspondente período de apuração, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações previstas na legislação da CSLL. Como determinado pelo artigo 13, I, da Lei n° 9.249/1995, somente foram consideradas como provisões dedutíveis aquelas constantes do programa previdencial destinadas à constituição de reservas matemáticas e reservas de contingência. Cabe ressaltar que, para efeito da determinação de adições, exclusões e compensações, foram analisadas as contas que compõem os demais programas (assistencial, administrativo e de investimentos), tendo em vista a influência que esses possuem sobre o resultado do programa previdencial; Das Medidas Judiciais 21. o Mandado de Segurança n° 201.51.010248010 (7a Vara Federal RJ), acompanhado pelo processo administrativo n° 10768.001972/200273, impetrado pela ABRAPP do Rio de Janeiro, tem por objeto questionar sua condição de contribuinte da CSLL; Fl. 896DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 18 7 22. em 31/01/2002, a autoridade judicial de 1a. instância indeferiu a medida liminar; 23. O recurso de agravo de instrumento (processo n° 2002.02.01.0012453) foi recebido pelo Tribunal Regional Federal da 2a. Região, sendo atribuído efeito suspensivo para o fim de determinar a autoridade coatora se abster de tomar qualquer medida para exigir das filiadas da ABRAPP a CSLL, o que implica, inclusive, na desobrigação de pagamento ou parcelamento dos supostos débitos da CSLL até o último dia do mês de janeiro de 2002 e, das entidades que tiverem optado pelo RET, a desnecessidade de comprovação da desistência das ações judiciais que têm por objeto a CSLL; 24. a Fazenda Nacional recorreu, mas não obteve a reforma da decisão; 25. em 19/12/2002, conforme sentença, foi denegada a segurança vindicada na peça inaugural constante dos autos do Mandado de Segurança n° 201.51010248010 (7a Vara Federal RJ), tendose exaurido o efeito suspensivo atribuído ao Agravo de Instrumento n° 2002.02.01.0012453 e sujeitando o infrator ao presente lançamento da CSLL; 26. às fls. 172/174, o relato da auditoria fiscal. Da Impugnação Inconformada, a Interessada apresentou a impugnação em 22/01/2003, fl. 188, de fls. 188/246, com anexos de fls.247/315, na qual, em síntese, argumenta que: É entidade fechada de previdência complementarEFPC, que, por sua peculiaridade, sem fins lucrativos, registra superávit ou déficit, e não lucro; as receitas recebidas são por conta de investimentos dos patrocinadores e participantes, não sendo receita auferida; ademais, os cálculos são equivocados pois desconsideram períodos anteriores, bases de cálculo negativas e aplicaram a alíquota de 18%, afrontando o princípio da isonomia; Das Preliminares 1. A autuação é nula, pois descumpre ordem judicial. A liminar obtida junto ao TRF da 2a. Região que impedia até mesmo que a autoridade coatora procedesse ao lançamento, perdurou até o dia 26/12/2002, quando foi publicada a sentença de mérito no processo principal, com a decretação de denegação da segurança; como a interessada foi autuada em 23/12/2002, em plena vigência da liminar, é nulo o auto; 2. Inexiste concomitância entre o processo administrativo e o judicial. O fato de a ABRAPP ter impetrado o Mandado de Segurança Coletivo n° 2001.51.010248010, não acarreta a renúncia ao direito de a Interessada se defender na esfera administrativa, conforme prevê o artigo 38 da Lei n° 6.830/1980, vez que: a) o mandado de segurança coletivo não induz litispendência com eventual mandado de segurança individual ajuizado pela Interessada; b) a sentença denegatória no mandado de segurança coletivo não faz coisa julgada individual para as partes que compõem a associação que os representa; c) assim, os associados individualmente considerados, não renunciaram ao seu direito de recorrer, seja na esfera judicial, seja na esfera administrativa, pois não se pode presumir a renúncia tácita neste caso. Discorre sobre os institutos da litispendência e coisa julgada; Fl. 897DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 19 8 3. caso não seja reconhecida a inaplicabilidade do artigo 38 da Lei n° 6.830/1980, portanto, se entenda que existe concomitância entre o Mandado de Segurança Coletivo e o presente processo, é preciso esclarecer que o mandado de segurança foi ajuizado anteriormente à autuação, devendo o mérito da defesa ser julgado; cita acórdãos do Conselho de Contribuintes, a doutrina e a exposição de motivos da Lei; 4. devese, ainda, considerar o disposto no artigo 51 da Lei n° 9.784/1999, que determina que qualquer renúncia à esfera administrativa não mais pode ser presumida, devendo ser requerida mediante manifestação escrita do contribuinte, com o que esse dispositivo revogou o parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/1980; 5. a lei aplicável, pelo princípio da especificidade, é a Lei 9.784/1999; 6. a propositura de medidas judiciais para resguardar seu direito, anteriormente à pretensão do Fisco Federal em cobrar tributo mediante a lavratura do auto de Infração, obviamente não se constitui como fato superveniente que tenha o condão de obrigar a autoridade administrativa a extinguir o processo administrativo sem a apreciação do mérito da lide, nos termos do artigo 52 da Lei n° 9.784/1999; No Mérito De Direito 7. não pode ser admitido que se queira impor a tributação da CSLL sobre o superávit, pois o artigo 195 da Constituição Federal autoriza tão somente a tributação incidente sobre o lucro, assim como a Lei n° 7.689/1988 que a instituiu, e os conceitos de superávit e lucro não se confundem, visto que distintos, os conceitos não se eqüivalem; cita acórdão 10193.942 do 1o. C.C.; 8. a interpretação sistemática do inciso I, do artigo 13 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que menciona as entidades de previdência privada como contribuintes da CSLL, é no sentido de que ele se refere às entidades abertas de previdência complementar, as quais podem perseguir a finalidade lucrativa, isto porque o caput do referido artigo expressamente estabelece que a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido; 9. a título exemplificativo, citase as diferenças entre critérios de contabilização: reserva de reavaliação e variação da carteira de investimentos; 10. o Ato Declaratório Normativo SRF/CST n° 17/1990 estabelece, em caráter normativo, que contribuição social não será devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos tais como as fundações, associações; e sindicatos, e, por ser interpretativa, é norma complementar, assim, não se pode exigir quaisquer valores a título de penalidades ou juros de mora, em razão do disposto no artigo 100 do CTN , segundo o qual a observância de normas nele referidas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária da base de cálculo do tributo; 11. A Lei n° 8.212/1991, ao relacionar, em seu artigo 22, parágrafo 1o. , as entidades de previdência privada, não trata de contribuições incidentes sobre o lucro, mas, sim, de contribuições incidentes sobre remunerações pagas; 12. da mesma maneira, não se deve admitir que o fato de a Emenda Constitucional de Revisão n° 1/1994 e das Emendas Constitucionais n° 10/1996 e 17/1997, que ao alterarem o disposto no artigo 72 das Disposições Constitucionais Fl. 898DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 20 9 Provisórias, expressamente estabelecerem que "a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o parágrafo 1o. do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 (...), passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária", implicaria dizer que as entidades de previdência privada seriam contribuintes da CSLL, mas, sim, tão somente afirmar que dentre aquelas entidades são contribuintes da CSLL aquelas que auferem lucro o que não é o caso da Impugnante; 13. Na qualidade de Entidade fechada de previdência privada, se submete à preceitos e planificação contábil imposta pelos Ministério da Previdência e Assistência Social(MPAS) e a Secretaria da Previdência Complementar(SPC). As autoridades fiscais se limitaram a analisar as demonstrações contábeis única e exclusivamente sob o enfoque fiscal, comumente utilizados pelas entidades comerciais e mercantis. . Para que seja apurada a base de cálculo da CSLL, há que se reconhecer como fator determinante o resultado do período, cuja consolidação é apresentada na Demonstração DRE, fl. 217, onde a interessada alega ter apurado déficit no exercício de 1997, mencionando que a apuração deve obedecera Lei n° 6.404/76, art. 187; 14. No mínimo, poderia ser apurado em função das receitas e despesas decorrentes exclusivamente da atividade de prestação dos serviços de gestão de recursos, aqui entendidos no sentido de garantir a remuneração futura dos participantes, vez que, estas sim, constituem os recursos de real propriedade das EFPC, sem consideração dos capitais alheios, ou seja, sem a consideração das receitas de contribuições provenientes de patrocinadores e participantes; 15. invocado o princípio da isonomia, se a fiscalização constrange a Interessada ao recolhimento da CSLL valendose da mesma alíquota vigente às Instituições Financeiras, deveria ter revisto o critério de determinação do lucro e apurado considerando o critério anteriormente mencionado; 16. ao outorgar tratamento discriminatório apenas com relação às entidades financeiras (e equiparadas) ou às EFPC, como pretendeu a autoridade fiscal, onerandoas com alíquotas mais gravosas, incorreu em flagrante ofensa ao Princípio da Isonomia; 17. é descabida a aplicação do regime trimestral, pois não há como se verificar o déficit ou superávit antes de transcorrido todo o ano, por conta das transferências de valores quase ininterruptas entre as diversas e peculiares contas de seus registros; 18. segundo os cálculos da fiscalização, adotando o regime trimestral para a apuração da base de cálculo da CSLL, há CSLL a pagar nos três primeiro trimestres do ano de 1997, mas, se ela utilizasse o regime anual, mediante o levantamento do balancete de suspensão e redução ou recolhimento por estimativa, não haveria CSLL a recolher, conforme fl. 227; 19. a legislação tributária faculta ao contribuinte a opção pelo regime anual ou trimestral, nos termos do caput do artigo 2° da Lei n° 9.430/1996, e deveria ter sido levada em consideração pela fiscalização quando da elaboração de seus cálculos; ^ No Mérito De Fato 20. pelo regime anual, mesmo que se apurassem valores a recolher em alguns meses do ano calendário de 1997, estes poderiam ser compensados ao final do exercício, vez que ao seu final foi apurada base de cálculo negativa; Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 21 10 21. a legislação vigente à data do fato gerador conferia o direito à Interessada de apurar o IRPJ e a CSLL pelo regime de apuração anual (caso ela fosse contribuinte desses tributos); além disso, as autoridades fiscais se esqueceram de considerar a existência do saldo de base negativa relativa a anoscalendário anteriores; 22. Pelo art. 40 da Lei n° 6.435/77, as EFPC deverão, para garantia de suas obrigações, constituir reservas e provisões técnicas, além de fundos especiais estabelecidos em lei. A interessada não as constituiu por não ter apurado resultado positivo nesse exercício. 23. a fiscalização se equivocou ao citar o Decreto n° 606/92, que se aplica às EPC no âmbito da Administração Pública Federal. O art. 34 do Decreto n° 81.240/78 é que se aplica a todas as EFPC. A patrocinadora da interessada foi privatizada em 1996; 24. a constituição e manutenção de reservas/provisões técnicas com os recursos excedentes apurados após as destinações efetuadas para as reservas matemáticas e de contingência é de observância obrigatória, logo, a despesa registrada na contabilização de tais valores não podem ser objeto de questionamentos , especialmente em relação à sua adição à base de cálculo da CSLL, conforme decisão análoga da Cosit; 25. caso a impugnante tivesse apurado resultado, as destinações para a constituição de reservas e fundos não constituem base de cálculo da CSLL, nos termos do art. 404 do RIR/1999; 26. a análise da planilha de apuração da CSLL revela equívoco quanto aos critérios legais para determinação da CSLL e deixou de observar detalhadamente as rubricas contábeis, como exemplo, o caso dos dividendos: não são tributáveis e estavam contabilizados no programa de investimentos, que é transferido para o programa previdencial, base de cálculo apurada, o que acarreta bitributação ; 27. o valor estornado pela fiscalização se refere à contribuição recebida em 1996 a maior da patrocinadora, que anulou o registro contábil excedente, tributando algo que não existe; 28. o mesmo quanto as provisões para perdas de investimento que decorreram de não pagamento de valor contratual na construção de shopping e investimento em RDB do banco Agrimisa, liquidado extrajudicialmente. Tais valores estariam aptos à dedutibilidade nos termos da Lei 9430/96; 29. as bases negativas apuradas em períodos anteriores ao anocalendário de 1997 devem ser consideradas para efeito de cálculo, sendo, ademais, integralmente compensadas com a base apurada, seja pela não eficácia da lei até 1994 (bases apuradas até 1994), seja por incorrer na tributação do patrimônio do contribuinte (bases apuradas a partir de 1995); 30. para o cálculo dos juros de mora, não se pode admitir a utilização da taxa SELIC, tendo em vista a sua natureza remuneratória, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como a sua ilegalidade; 31. A interessada requer a realização de perícia contábil, indicando perito à fl. 245,para serem respondidos os seguintes quesitos: Da Perícia Fl. 900DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 22 11 1. Nos moldes da legislação tributária aplicável em cada período de apuração para a determinação da base de cálculo da CSLL, a Interessada apuraria no período compreendido entre 1992 e 1996 base negativa de CSLL passível de compensação no exercício de 1997? 2. Se a resposta ao primeiro quesito for afirmativa, demonstrar o montante passível de compensação individualizado para cada um dos exercícios em questão. 3. As provisões para perda de investimentos que foram objeto de adição para determinação da base de cálculo da CSLL enquadramse nos critérios para dedutibilidade das perdas estabelecidos pelo artigo 13 da Li 9.430/96? 4 Consideradas as regras de contabilidade fiscal aplicáveis aos contribuintes que atuam no segmento mercantil ou financeiro (regime anual), haveria base de cálculo da CSLL em 1997 para a Interessada ? Pedese a consideração, em 1997, dos efeitos decorrentes da aplicação da mesma regra nos períodos anteriores. 5. A base de cálculo da CSLL, apurada pela fiscalização para o exercício de 1997, está correta segundo as regras e princípios contábeis geralmente aceitos ? 6. Os dividendos recebidos pela Interessada foram contabilizados na rubrica receita de renda variável no programa de investimentos e posteriormente transferido para o programa previdencial ? 7. Em caso de resposta afirmativa a questão formulada no quesito 6, demonstrar o valor dos dividendos recebidos pela Interessada em 1997. 8. A anulação de receita em 1997 corresponde a estorno de repasse indevido em 1996 pela patrocinadora ? 9. Apontar quaisquer fatos e valores identificados em decorrência da verificação da documentação e escrita contábil da Interessada, se relevantes para o deslinde deste caso. 10. Protesta por apresentar outros quesitos suplementares e elucidativos, se necessário. Em 20/02/2003, a interessada apresentou petição, onde questiona o lançamento da multa de ofício, como flagrante violação à norma contida no art. 63 da Lei 9.430/96, requerendo a declaração de nulidade do lançamento da multa face à exigibilidade estar suspensa por força de tutela judicial. Em 05/04/2004, volta aos autos para argüir que, ao considerar o tributo lançado com base no regime trimestral, que contesta em sua impugnação, verifica que o direito de constituição do crédito tributário lançado no 1 o , 2 o e 3o trimestres do anocalendário de 1997 foi extinto pela decadência, nos termos do art. 1731 do CTN. O termo inicial para o 1 o trim/97 é o dia 1°/04/97e o final em 04/2002, e assim, sucessivamente para os demais trimestres.. Tendo o auto sido lavrado em 20/12/2002, deverá ser anulado. À fl. 325, extrato do site www.trf2.gov.br com a situação do Processo n° 2001.51.01.0248010.” A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RJOI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 9.255, de 27/12/2005 (fls. 329 e ss), julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 901DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 23 12 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. REJEIÇÃO. A propositura pelo interessado de ação judicial não desobriga a autoridade administrativa de constituir o crédito tributário, não impede a lavratura do Auto de Infração e nem dá causa à nulidade deste. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. PRELIMINARES DE NULIDADE. DECADÊNCIA. INOCORRENCIA. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE. Deixa de se conhecer parte da impugnação relativa à matéria já submetida à apreciação judicial. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. EXCLUSÕES DA BASE DE CALCULO. As exclusões da base de cálculo autorizadas pela legislação se referem somente à provisão para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário e às provisões técnicas. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de multa de ofício, mesmo estando a matéria tributável em discussão na esfera judicial, se, quando do lançamento, a exigência do crédito não estiver suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança, ou de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. TAXA SELIC. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. A discussão sobre legalidade ou constitucionalidade das leis é matéria reservada ao Poder Judiciário. A autoridade administrativa compete constituir o crédito tributário pelo lançamento, sendo este vinculado e obrigatório sob pena de responsabilidade funcional. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 24 13 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário (fls.362/399) é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatado constatamos que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos não conheceu da impugnação no que respeita à matéria objeto do Mandado de Segurança Coletivo (inocorrência de fato gerador da CSLL), indeferiu a perícia, por entendêla desnecessária, conheceu das demais matérias (definição da base de cálculo e suas exclusões, regime de apuração, multa e juros Selic) e julgou procedente o lançamento. Na peça recursal a interessada reitera as seguintes preliminares: (I) inexistência de concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança Coletivo n° 2001.51.01.0248010 impetrado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar ("ABRAPP") porque no processo judicial discutese o direito em tese e no processo administrativo examinase a hipótese em concreto desencadeada pela autuação fiscal principalmente as questões de mérito relativas à definição da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido cuja matéria não é abordada no processo judicial; (II) (II) decadência do direito de a Fazenda Pública da União de constituir créditos tributários correspondentes aos 1°, 2o. e 3° trimestre de 1997; (III) (III) ilegalidade do lançamento da multa de oficio porque a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por medida judicial, conforme disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96; e (IV) (IV) nulidade da decisão de 1° grau, por cerceamento do direito de ampla defesa, porque a decisão recorrida não deferiu o pedido de perícia imprescindível para a definição da base de cálculo da CSLL, mediante compensação de bases de cálculo negativas. No mérito, a recorrente reitera as argumentações iniciais e tece longas considerações sobre: Fl. 903DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 25 14 (I) os conceitos de lucro e superavit, destacando as diferenças entre as duas definições; (II) o verdadeiro alcance e a correta interpretação do § 1°, do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 que versou sobre a tributação das remunerações pagas e não do lucro das empresas como quer impor a administração fiscal; (III) dispensa de penalidades para o sujeito passivo que observou as normas complementares da legislação tributária (art. 100, inciso II, do CTN, ADN/CST n° 17/90; (IV) peculiaridade da atividade desenvolvida pela recorrente principalmente quanto à apuração de resultados e exclusão dos recursos de terceiros na apuração da base de cálculo da CSLL, sob pena de violação do princípio constitucional de isonomia; (V) contestou a apuração trimestral e esclarece que adotandose a apuração anual inexistiria qualquer incidência de CSLL; (VI) as Reservas para Ajuste do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos e seu enquadramento no artigo 404 do RIR/99 e dedutibilidade dos Fundos e Reservas para a absorção total de eventual superávit anual (Decisão COSIT n° 07, de 05/05/2000); (g) a recorrente explicita que existe erro de apuração na determinação da base de cálculo da CSLL contrariando o disposto no artigo 2° da Lei n° 7.689/88 e, também, computo em duplicidade da Provisão para o Imposto sobre a Renda em Litígio, no 4° trimestre de 1997. Com relação as preliminares inicio a análise pelo tema da decadência, pelo que a vista da Port/MF 586, de 21/12/2010, a qual introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, decido a saber: Art. 62A As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, a partir do julgamento do Resp. 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, a questão do termo inicial da decadência nos tributos sujeitos a lançamento por homologação restou resolvida, nos termos expressados no item 1 da ementa da decisão do STJ, no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 904DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 26 15 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Dessa forma, aplicandose o entendimento do STJ (primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador – item 3 da ementa), não há o que se falar em decadência para o fisco constituir o crédito tributário ora guerreado, eis que o lançamento poderia ser efetuado até 31 de dezembro de 2002, ao passo que contribuinte foi cientificado do lançamento em 23 de dezembro de 2002 (fl. 178), logo, dentro do prazo qüinqüenal. As demais preliminares suscitadas dizem respeito a inexistência de concomitância entre o processo judicial e o administrativo, ilegalidade do lançamento da multa de oficio, nulidade da decisão por indeferimento da perícia. Neste conjunto adoto, como razões de decidir, as argumentações expendidas no voto do Conselheiro Relator Irineu Bianchi (Acórdão n° 10517.008), de 28/05/2008, mesmo Mandado de Segurança Coletivo e, portanto, matéria de mesmo objeto dos presente autos, cujos excertos transcrevo: “A sentença prolatada pela Meritíssima Juíza Federal da Sétima Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro(RJ) denegou a segurança pleiteada pela ABRAPP e entre outras considerações, foi enfatizado que: Ainda que o resultado econômico positivo obtido pelas entidades substituídas seja considerado 'superavit', como sustenta a Impetrante, com esteio na LC n° 109/01, é certo que os fundos de previdência fechada realizam o fato gerador do imposto de renda, assim entendido como um acréscimo patrimonial, um ingresso financeiro, que configura um signo presuntivo de riqueza. Mesmo que, em tese, a destinação deste 'superavit' esteja especificamente voltada para melhorar planos de benefícios ou reduzir as contribuições das patrocinadoras e dos beneficiários (art. 20 e 15, da LC n° 109/2001), não resta desnaturado o fato gerador do IR e da CSLL, tendo em vista que o 'superavit' nada mais é do que um eufemismo para o lucro. Nesse panorama, sendo o fato gerador do Imposto de Renda a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, quaisquer ingressos financeiros estão sujeitos à incidência da tributação, ainda que não resultem efetivamente em aumento do patrimônio, e desde — ressaltese — que não signifiquem uma recomposição do patrimônio perdido (verbas indenizatórias). Como bem exemplifica o Parquet Federal, em sua promoção de fls. 383/384, '(..) Deste modo, o simples fato de haver o rendimento na aplicação financeira feita pelo fundo de pensão significa que houve ingresso de renda no patrimônio, mesmo que essa renda não implicasse aumento do patrimônio ao final do período. Então, mesmo que não haja lucro efetivo, basta os rendimentos periódicos das operações financeiras para incidir IR. Elas somente permanecem isentas de IR incidente sobre o lucro fiscal (real, presumido ou arbitrado) no caso do imposto calculado com base no art. 219, do R1R/99. Com relação à contribuição social sobre o lucro líquido, prevista no art. 195, 1,C, da Carta Constitucional, e instituída pela Lei 7.689/88, da mesma forma há de se considerar o auferimento de renda ou resultado econômico positivo hábil à configuração do fato gerador da contribuição social, ainda que sob o caráter de Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 27 16 'superavit' auferido pelas entidades fechadas de previdência privada, as quais — repitase — jamais estiveram proibidas de obterem lucros, muito pelo contrário." Como se vê, a autoridade judicial entendeu que não há diferença entre o lucro e o 'superavit' e, portanto, o litígio relacionado com a base de cálculo, em tese, há concomitância entre o processo judicial e o administrativo. Desta forma, o argumento relacionado com a inocorrência de fato gerador da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido face à determinação legal de que as entidades fechadas de previdência complementar devem ser constituídas sob a forma de fundações ou sociedades civil, sem fins lucrativos, não podem ser examinados no julgamento administrativo. Entretanto, o sujeito passivo tem razão, em parte, quando afirma que a forma de apuração da base de cálculo para a incidência de CSLL não foi objeto de decisão judicial. De fato, mesmo que o 'superavit' seja igual ao lucro, na determinação deste 'superavit' as normas específicas do MPAS — Ministério de Previdência e Assistência Social estabelece um ritual específico para a escrituração contábil e respectivos ajustes que culminam com a apuração da base de cálculo para a incidência da referida contribuição. O 'superavit' a ser apurado por uma entidade fechada de previdência complementar não é simplesmente a somatória das diferenças entre as receitas e despesas de Programas: Previdencial, Assistencial, Administrativo e de Investimentos. As normas expedidas pela MPAS/SPC denomina de 'Superavit Técnico' e/ou 'Deficit Técnico', o resultado intermediário e a partir deste resultado estabelece uma seqüência de destinações a Fundos e Provisões dedutíveis. Assim, entendo que no tocante a apuração de resultado liquido anual preconizado pelo MPAS não foi objeto de decisão judicial e, portanto não há concomitância entre o processo judicial e o processo administrativo sobre esta matéria. Quanto aos argumentos relacionados com a aplicação da multa de lançamento de oficio, entendo que o sujeito passivo não tem razão, porque o Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela ABRAPP — Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar não teve o acolhimento pretendido pela impetrante. De fato, a liminar pleiteada foi indeferida (fls. 285/286 do processo judicial) e denegada a segurança (fls. 70/82) e, portanto, o alegado efeito suspensivo acolhido pelo Presidente da TRF da 2a Região (fls. 336/339) não restabeleceu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário como quer a recorrente. Desta forma, não se vislumbra o descumprimento do artigo 63 da Lei n° 9.430/96. A última preliminar suscitada referese a nulidade da decisão de 1° grau que indeferiu o pedido de diligências para determinar as bases de cálculo negativas apuradas pelo sujeito passivo nos anoscalendário de 1992 a 1996. Em nenhum momento, na impugnação ou no recurso voluntário, o sujeito passivo demonstrou ou comprovou que a sua contabilidade apurou base de cálculo Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 28 17 negativa para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e, portanto, não vejo como possa caracterizar o cerceamento do direito de ampla defesa. De todo o exposto, rejeito as razões preliminares suscitadas e correspondentes a aplicação da multa de lançamento de oficio e nulidade da decisão de 1° grau, por cerceamento do direito de defesa, e considero prejudicada a preliminar relativa à decadência.” Quanto ao mérito, passamos a examinar apenas as matérias que não são concomitantes com o litígio judicial (definição da base de cálculo e suas exclusões, regime de apuração, multa e juros Selic). Em primeiro plano de se ressaltar que em sessão de 27/05/2008, resolvem os membros da 5a. Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, converter o julgamento em diligência (Resolução 1051.390, fl. 580/600), nos seguintes termos: “No recurso, a recorrente reproduziu a tabela de fls. 158 e aduz que, da análise do cálculo efetuado pela fiscalização, podese depreender que não foi observado o devido cuidado que é peculiar a esta atividade. Em seguida discorre sobre a tributação dos dividendos, estornos de receitas não efetivadas, sobre a dedutibilidade dos créditos não recebidos e sobre a possibilidade de compensação das bases negativas de CSLL, não especificando os valores. Assim sendo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que se intime o contribuinte para que reconstitua a base de cálculo da CSLL e a fiscalização se manifeste sobre esta operação.” Consta às fls. 796/801 do presente processo o Relatório Conclusivo de Diligência com a seguinte conclusão: “Como se vê, por todo o exposto no presente relatório, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer fato novo, limitandose a reiterar alegações e contestações já apresentadas no curso da ação fiscal que culminou com a autuação impugnada e nas peças impugnatórias. Em relação à matéria de fato, portanto, esta fiscalização reitera que, ao contrário do que sugeriu o contribuinte em sua solicitação de diligência/perícia, não houve descuido da autoridade fiscal no exercício de sua atividade vinculada, e a base.de cálculo apurada de ofício levou em consideração exclusivamente os fatos registrados nas escritas contábil e fiscal da fundação e a estrita observância à legislação tributária aplicável, de forma a preservar os interesses da Fazenda Nacional.” Às fls. 808/814 a recorrente apresenta suas contra razões ao Relatório de Diligência aduzindo conclusivamente que: “Com efeito, em que pese a insistência da D. Autoridade Fiscal, verificase que independentemente do seu particular entendimento acerca da natureza jurídica das deduções consideradas pela RECORRENTE, se têm natureza de provisões ou técnicas, como defendido pela RECORRENTE, ou de provisões de contingência judicial, ou de provisões para reembolso da patrocinadora, ou quaisquer outra natureza imputada pela D. Autoridade Fiscalizadora, o fato é que qualquer valor que for apurado a título de superávit necessariamente, e por determinação legal, será revertido para a constituição da i) Reserva de Contingência e ii) Fundo de Oscilação de Riscos, ambas dedutíveis da base de cálculo da CSLL, nos termos do Fl. 907DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 29 18 art. 404 do RIR, e reiteradamente decididos pelo E. Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF.” Enfim retorna os autos a julgamento por esta Corte Administrativa. Pois bem, prejudicada na esfera administrativa, a análise de mérito (inocorrência do fato gerador da CSLL) por se tratar da mesma matéria levada à apreciação da autoridade judicial a qual deve ser observada a decisão final da Justiça Federal. Passo a apreciar as demais matérias de mérito. Observese que o mandado de segurança coletivo aproveita a todos os associados do Sindicato, e tem efeitos para todas as autoridades administrativas vinculadas ao órgão de que faz parte a autoridade impetrada. Neste sentido, destaquese a decisão proferida pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. INTIMAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO A QUE SE VINCULA A AUTORIDADE IMPETRADA PARA APRESENTAR CONTRARAZÕES A RECURSO DE APELAÇÃO. _ NULIDADE ACÓRDÃO. I. A parte passiva no mandado de segurança é a pessoa jurídica de direito público a que se vincula a autoridade apontada como coatora. Os efeitos da sentença se operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à autoridade. 2.A opção legislativa, com a finalidade de manter a celeridade da ação mandamental, limitase a determinar a notificação para informações e à comunicação de sentença (Lei 1.533/51, arts. 7° e 11). Todavia apresentado recurso pela impetrante, a intimação, para contrarazões, deve ser feita ao representante judicial da própria pessoa jurídica. 3.Recurso especial a que se dá provimento. (REsp 750693 / GO, PRIMEIRA TURMA, Relatar Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 05.09.2005 p. 308) Vale transcrever, ainda, o entendimento de Lúcia Figueiredo (in "Mandado de Segurança", p. 46): Se o impetrante for sindicato, como lhe incumbe a tutela dos direitos de seus associados e da categoria (art. 513 da CLT), a sentença atingirá toda a categoria. Todavia, se estivermos diante de associações, a questão colocarseá de forma diversa. Às associações cabe tutelar os interesses e direitos de seus associados. Até porque ha ou pode haver, diversas associações de classe (v., por exemplo, o Instituto dos Advogados e a Associação dos Advogados). Se assim é, não nos parece pudesse se cogitar de a sentença transcender a esfera dos associados. Seria, mesmo, intromissão indevida Ressaltese, somente a título de ilustração, que a Suprema Corte do país já se pronunciou sobre a ausência de imunidade das entidades previdência privada, eis que no RE nº 202700/DF, de 08 de novembro de 2001, relator o Ministro Maurício Correa, restou assentado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das Fl. 908DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 30 19 contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema. Recurso extraordinário conhecido e provido. Dito isto, conforme se observa da leitura dos autos, o deslinde principal da questão a ser dirimida está relacionada com a determinação da base de cálculo da CSLL exigida, ou seja, o resultado do exercício (superávit) será revertido para a constituição de “Reserva de Contingência e Fundo de Oscilação de Riscos nos termos do art. 404 do RIR/1999, como afirma a recorrente no recurso e contra razões ao relatório de diligência. Recentemente em Sessão de 12/06/2012, Acórdão 1301000.926 do processo administrativo 10768.018466/200213 (Fundação Vale do Rio Doce se Seguridade Social), me alinhei aos argumentos do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, redator do voto vencedor, com relação a mesma matéria, que por pertinente transcrevo alguns trechos: A questão da incidência da CSLL sobre os resultados positivos das entidades de previdência privada foi brilhantemente enfrentada nos autos do processo administrativo nº 10768.100226/200261, objeto do acórdão nº 10322.558 (sessão de 25 de janeiro de 2007). Por pertinente, transcrevo, a seguir, ementa do julgado em referência. “ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR – CSLL – ART. 72, III, DOS ADCT. LEI Nº 7.689/88. A máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional à Lei nº 7.689/88, denota a inversão do princípio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei nº 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a indigitada lei impõe que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit.” Diante da forma adequada como a questão posta em discussão foi abordada e da erudição do pronunciamento, reproduzo fragmentos do voto condutor do acórdão nº 10322.558, redator designado o Ilustre Conselheiro Flávio Franco Corrêa. “[...] Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 31 20 Afora o que deixei registrado nas linhas precedentes, não hesito na asseveração de que o voto vencido e seu aresto modelo valeramse do nomem júris do tributo para a suposição de sua base de incidência. Paulo Barros de Carvalho explica, em comentários ao art. 4º, I, do CTN que o legislador agiu com extrema lucidez, “ao declarar que suas palavras não devem ser levadas ao pé da letra”, afinal os nomes que designam as “prestações pecuniárias que se quadrem na definição do art. 3º do Código hão de ser recebidas pelo intérprete sem aquele tom de seriedade e de certeza que seria de esperar. Porque, no fundo, certamente pressentiu que, utilizando uma linguagem natural, penetrada das comunicações cotidianas, muitas vezes iria enganarse, perpetuando equívocos e acarretando confusões. E é justamente o que acontece. As leis não são feitas por cientistas do Direito e sim por políticos, pessoas de formação cultural essencialmente diversificada, representantes que são dos múltiplos setores que compõem a sociedade. O produto de seu trabalho, por conseguinte, não trará a marca do rigor técnico e científico que muitos almejam encontrar. Seria como se tivesse dito: Não levem às últimas conseqüências as palavras que enuncio, porque não sou especialista. Compreendamme em função da unidade sistemática da ordem jurídica.” As palavras de Paulo de Barros de Carvalho, ora recolhidas, cabem com exatidão no caso em estudo. Vejase, a propósito, o art. 2º da Lei nº 7.689/88, que, ao definir a base de cálculo da CSSL, partiu do “resultado do exercício”, ajustando o, todavia, mediante as adições e as exclusões que estão inscritas no artigo 2º, § 1º, alínea c, da lei em referência, posteriormente modificado pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. Ou seja, referidos ajustes ao resultado do exercício conflitam com o que se cristalizou na concepção de tantos, que se deixaram iludir pelo nomem juris do tributo, assim imaginando que sua incidência recai sobre o lucro líquido. Acrescentese que a doutrina e a jurisprudência administrativa facilitaram o trabalho de interpretação sob a incumbência deste relator, tal a iterativa asserção de que a base de cálculo do tributo objeto do lançamento de ofício em exame tem a singela denominação de “base de cálculo da CSSL”, verbis; IRPJ – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – LIMITE DE COMPENSAÇÃO – IRPJ – CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – LIMITES – LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 E 58. Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social.” (acórdão nº 10195002, Rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 20.05.2005) (os grifos não estão no original) CSSL – COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS – LIMITAÇÃO DE 30% APLICAÇÃO [...] De tudo o que salientei, depreendo que a harmonização entre a Lei nº 7.689/88 e o art. 72, III, dos ADCT exige a compreensão de que “resultado do exercício” é gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. Por conseguinte, pouco importa, para a tributação da CSSL em consonância com o artigo 72, III, dos ADCT, se a entidade de previdência tem finalidade lucrativa ou não. Contudo, a justiça que se exige do órgão julgador requer a segregação das entidades que distribuem benefícios previdenciários decorrentes, exclusivamente, de contribuições da própria Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 32 21 mantenedora. Isto porque a jurisprudência da Corte Suprema acolheuas no seleto grupo das instituições de assistência social, albergadas, em conseqüência, pelo manto da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República, a teor das informações que emanam das seguintes ementas: “IMUNIDADE ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na dicção da ilustrada maioria, entendimento em relação ao qual guardo reservas, o fato de mostrarse onerosa a participação dos beneficiários do plano de previdência privada afasta a imunidade prevista na alínea "c" do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal. Incide o dispositivo constitucional, quando os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ônus. Consenso unânime do Plenário, sem o voto do ministro Nelson Jobim, sobre a impossibilidade, no caso, da incidência de impostos, ante a configuração da assistência social.” (RE 259.756, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 29.08.2003) (os grifos não estão no original) “CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (RE, 202.700, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 01.03.2002).” Destacou ainda o Colegiado, na linha do decidido em primeira instância, que somente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2002, face a edição da Medida Provisória nº 16, de 2001 (convertida na Lei nº 10.426, de 2002), é que as entidades fechadas de previdência complementar gozam de isenção da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Alinhouse também o Colegiado aos argumentos expendidos no voto condutor da decisão recorrida acerca da base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, da desnecessidade de realização de perícia, da propriedade na utilização do período de apuração trimestral e da impossibilidade de consideração de bases negativas. Nessa linha, acolheu os argumentos expendidos na instância a quo no sentido de que: i) ao processo foram reunidos elementos suficientes à solução da controvérsia e, boa parte deles, foi colhida por meio de intimação e devidamente aferidos pela própria fiscalizada; ii) não se vislumbra, no presente caso, a existência de ato ou fato capaz de indicar a necessidade de pronunciamento por parte de perito, sendo certo que o meio requerido (perícia) não se presta para colher documentos; iii) não obstante o disposto nos itens “i” e “ii” acima, houve, em etapa anterior, conversão do julgamento em diligência, momento em que as dúvidas suscitadas foram devidamente esclarecidas; Fl. 911DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 33 22 iv) diante da absoluta ausência de apuração, por meio de declaração, de resultados fiscais de períodos anteriores, resta comprometido o eventual aproveitamento de bases de cálculo negativas relativas a tais períodos; v) nos termos da legislação de regência, a regra geral de tributação das pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real é a apuração com base em períodos trimestrais (art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996), sendo a apuração anual dependente de expressa opção por parte da pessoa jurídica; vi) apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não logrou êxito na comprovação de que parcela dos valores considerados na base de cálculo da exação formalizada era relativa a dividendos (ela própria admitiu que, em virtude de limitações do sistema de informática utilizado à época, não seria possível apontar o montante correspondente aos dividendos); vii) inexistindo na legislação de regência autorização para dedução da contrapartida da provisão de CONTINGÊNCIA FISCAL, descabe falar em exclusão do valor correspondente na determinação da base de cálculo da contribuição; viii) estando as entidades de previdência privada fechada, por força do disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 109, de 2001, sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, correta a determinação da base de cálculo da contribuição com suporte no ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998; e ix) diante do disposto no item anterior e consideradas as disposições do inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, não são consideradas técnicas a Reserva para Ajuste do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos do Decreto nº 606, de 20 de julho de 1992. As considerações acerca de eventual violação do princípio da isonomia em virtude da aplicação da alíquota de 18%, da alegada tributação sobre patrimônio e do cálculo dos juros de mora com base na taxa selic, foram rejeitadas pelo Colegiado, haja vista a existência de súmulas aprovadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acerca de tais matérias, conforme reprodução abaixo. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vêse que a matéria conforme acima transcrito é de igual teor a tratada nos autos do presente processo. Na ação fiscal desenvolvida (ver TVF) os critérios adotados são aqueles determinados pela Portaria SPC 176/96, posteriormente substituída pela Port/MPAS 4.858/1998, Anexo “C”, item “3”, bem como, o disposto no art. 13, I, da Lei 9.249/1995, a saber: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas Fl. 912DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 34 23 as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuia constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. Como bem salientado no Termo de Verificação Fiscal a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, na Solução de Consulta COSIT n° 07, de 26/12/2001, traça orientação a este respeito nos seguintes termos: "(•••) para que se mantenha o paralelismo estabelecido entre padronização e legislação contábil e fiscal, a primeira estabelecendo a forma de apuração do resultado contábil líquido, para que a outra ajuste tal resultado com o fito de estabelecer uma base de cálculo de tributos e contribuições, é que, não havendo outro diploma legal que trate do mesmo tópico, devese utilizar a Demonstração do Resultado do Exercício padrão, estatuída no Anexo C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, que trata da planificação contábil aplicável às EFPP, como referência inicial para fins da execução dos ajustes fiscais necessários à correta determinação da base de cálculo da CSLL dessas instituições. (...) Assim, concluise que, na Demonstração do Resultado do Exercício do Anexo C, item "3 ", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, as provisões a serem deduzidas do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES, no programa previdencial, são apenas as RESERVAS MATEMÁTICAS e a RESERVA DE CONTINGÊNCIA, as quais após serem deduzidas, via de regra, fornecem o resultado superavitário a se sujeitar à incidência de CSLL, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões à base de cálculo previstas na legislação da CSLL. São aqui consideradas técnicas as reservas matemáticas e de contingência. A primeira, necessária para garantir os compromissos atuariais dos planos de benefícios, e a segunda, constituída na forma do Decreto n° 606, de 20 de julho de 1992 e da Lei Complementar n° 109, de 2001. Portanto, não são consideradas técnicas, tomandose por base o Balanço Patrimonial exposto no Anexo C, item "3", da Portaria MPAS n" 4.858, de 1998, a Reserva para Ajustes do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos do Decreto no 606, de 20 de julho de 1992. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 35 24 Neste diapasão não vislumbro para o caso a dedutibilidade na apuração do resultado do exercício das Reservas para Ajuste do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos (Dec. 606/1992). No mais, reforçando o todo quanto ater aqui exposto, adoto como razão de decidir deste recurso as argumentações contidas no voto condutor, as quais reproduzo: 1. Regime trimestral para apuração da base de cálculo Sobre o questionamento referente à aplicação do regime trimestral para apuração do crédito tributário e o fato da legislação tributária facultar ao contribuinte a opção pelo regime anual ou trimestral, nos termos do caput do artigo 2° da Lei n° 9.430/1996 e que, pelo regime anual, mesmo que se apurassem valores a recolher em alguns meses do ano calendário de 1997, estes poderiam ser compensados ao final do exercício, vez que ao seu final foi apurada base de cálculo negativa, cabe observar que tais alegações não merecem ser acolhidas, senão, vejamos: No art.1° da Lei 9.430/96 e art. 2° da Instrução Normativa 93/1997 está claro que o valor do crédito tributário será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Como a própria interessada reconhece, ela poderia optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e a opção seria formalizada mediante o pagamento espontâneo do imposto relativo ao mês de janeiro ou no inicio de atividade. No caso, não foi feita a opção e não constam do processo comprovações de quaisquer recolhimentos a titulo de CSLL em 1997, nem nos sistemas informatizados da SRF. A interessada apresentou a DIRPJ/98 na condição de isento e não a retificou até o momento, descartandose totalmente a possibilidade de opção pela apuração anual com recolhimentos mensais por estimativa. Sobre a possibilidade de compensação da base negativa da contribuição apurada pela interessada pelo regime anual, ao final de 1997, ao contrário do que alega a interessada, esta não ocorreu, conforme se verifica à fl. 371, pois as bases de cálculo da CSLL apuradas pela fiscalização são todas positivas, de acordo com as disposições contidas no ANEXO C, item 3 da Portaria MPAS n°4.858/1998. Além disso, apenas por argumentar, na apuração trimestral, o resultado positivo do trimestre anterior não pode ser compensado com a base de cálculo negativa de trimestres seguintes, ainda que dentro do mesmo anocalendário. 2. Utilização total das bases de cálculo negativas de períodos anteriores Quanto à compensação integral das bases de cálculo negativas, o art. 58 da Lei 8.981/1995 e o art. 16 da Lei 9.065/1995, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, definem que o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Por conseguinte, incabível a compensação integral das bases de cálculo negativas pleiteada pela interessada. 3. Aliquota de 18% Fl. 914DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 36 25 Em relação à alíquota aplicada de 18% para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, esta foi determinada pela Lei 9.316/1996, em seu art. 2o. Aqui cabe apenas observar que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, e não cabe a discricionariedade na aplicação da legislação tributária. 4. Exclusão dos Dividendos e da reversão de contingência fiscal A interessada questiona (item 26 acima da Impugnação e 5 e 6 da perícia) sobre dividendos. A esse respeito, fl. 233, verificase que o autuante solicitou informações sobre os dividendos recebidos. Na resposta à intimação, fl. 234, a interessada informa que os valores "... referemse ao somatório de dividendos e juros sobre o capital próprio. Devido às limitações do sistema de informática utilizados na época, tais valores eram contabilizados na mesma rubrica." (negritei). A fl. 243, novo termo de intimação solicita esclarecimento se há condições de informar somente os valores relativos aos dividendos recebidos. Em resposta à fl. 259, reitera a interessada que " devido a limitações do sistema de informática, não temos condições de informar separadamente os valores de dividendos e juros sobre capital próprio recebidos naquela época."(negritei). Mais uma vez, resta claro que na fase de fiscalização, a interessada não demonstrou ter interesse, nem condições para apurar o montante dos dividendos, e não providenciou a forma de fazêlo, alegando impossibilidade do sistema. Também, não trouxe quaisquer provas do alegado na impugnação, contrariando o artigo 15, do Decreto n° 70.235/72 e o parágrafo 4°, artigo 16, do mesmo Decreto, acrescido pelo artigo 67 da Lei n° 9.532/97. 5. Quanto a reversão de contingência fiscal, consta à fl. 274 intimação para a interessada informar se os valores haviam sido adicionados quando da apuração da base de cálculo da CSLL relativa aos períodos de sua constituição, e, a fl. 275, em resposta, a interessada apenas confirma que os valores estão conforme os registros contábeis e de que não reconhece tais valores como base de cálculo da CSLL. Logo, não se justifica a pretensão da interessada em querer excluir a reversão da provisão, pois conforme o autuante esclarece, as fl. 391, para tanto, o valor da provisão, sendo não dedutivel, deveria ter sido adicionado no ano da constituição, conforme art. 2°, § 1°,"c", 6 da Lei 7689/88, o que não ocorreu. Como não constam Declarações entregues de períodos anteriores a 1997 ou quaisquer informações sobre a composição e constituição dessas provisões, não há que se falar em exclusão desta reversão da base de cálculo da CSLL. Cabe ressaltar que a confirmação de que os referidos valores apurados pela fiscalização estão em consonância com os registros contábeis corroborou a desnecessidade de perícia contábil. 6. Outras diferenças na apuração da base de cálculo da CSLL De acordo com o art. 5° da Lei n° 6.435, de 1977 e com o §1° do art. 31 da Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, as EFPP (entidades fechadas de previdência privada) devem ser organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos. Portanto, a elas não se pode aplicar a planificação contábil própria das sociedades comerciais. Para que então se mantenha o paralelismo estabelecido entre padronização e legislação contábil e legislação fiscal, a primeira estabelecendo a forma de apuração Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 37 26 do resultado contábil liquido, para que a outra ajuste tal resultado com o fito de estabelecer uma base de cálculo de tributos e contribuições, é que, não havendo outro diploma legal que trate do mesmo tópico, devese utilizar a Demonstração do Resultado do Exercício padrão, estatuída no ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, que trata da planificação contábil aplicável as EFPP, como referência inicial para fins da execução dos ajustes fiscais necessários correta determinação da base de cálculo da CSLL dessas instituições. Corrobora ainda o entendimento anterior o art. 23 da Lei Complementar n° 109, de 2001, que estatui claramente que as EFPP estão sujeitas a contabilidade determinada pelo órgão fiscalizador competente, como segue: "Art. 23. As entidades fechadas deverão manter atualizada sua contabilidade, de acordo com as instruções do órgão regulador e fiscalizador, consolidando a posição dos planos de beneficios que administram e executam, bem como submetendo suas contas a auditores independentes. Parágrafo único. Ao final de cada exercício serão elaboradas as demonstrações contábeis e atuariais consolidadas, sem prejuízo dos controles por plano de benefícios. " 0 entendimento expendido nos itens anteriores aponta no sentido de que a demonstração da base de cálculo (Apuração com base no resultado trimestral), deve levar em consideração a Demonstração do Resultado do Exercício do ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998. Neste ponto, devese ressaltar que a Demonstração do Resultado do Exercício do ANEXO C, item "3", da Portaria MPAS n° 4.858, de 1998, aqui adotado desde já para a aferição da base de cálculo da CSLL, deve ser atualizada, no que couber, de acordo com a Lei Complementar n° 109, de 2001. O critério adotado pelo plano de contas citado coadunase com o disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que dispõe, verbis: "Art. 13° . Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas apliciveis (negritei). 7. Sobre o enquadramento no art. 3° do Decreto n° 606/92 e das Deduções para constituição de fundos — art. 404RIR/99: A menção ao Decreto n° 606/92 encontrase na citação à Solução de consulta Cosit n° 07/2001, entre aspas, fls. 382/384, do Termo de Verificação, ao comentar a diferença entre as reservas consideradas técnicas e as não técnicas. Não se trata de enquadramento equivocado realizado pelo autuante, como quer fazer crer a Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 38 27 interessada. Ela mesma informa que a sua patrocinadora foi privatizada em maio de 1997, fl. 448, portanto, parte do período de apuração está abrangido pelo Decreto n° 606/92, que dispunha sobre as entidades fechadas de previdência privada e suas patrocinadoras, no âmbito da Administração Pública Federal. Alem disso, a natureza jurídica declarada pela interessada na DIRPJ/1998 — anocalendário 1997, foi a — sociedade de economia mista, de que trata o Art. 1° I do Decreto n° 606/1992, posteriormente alterada para o código 204 — sociedade anônima aberta. Verificase que o Decreto n° 81.240/1978 citado pela interessada e que regularia o período de autuação de junho a dezembro/1997, já tratava da reserva de contingência nos mesmos moldes que o Decreto n° 606/92, especifico para o âmbito da Administração Pública Federal. A interessada argui que , se tivesse apurado resultado positivo, o mesmo seria revertido à constituição de reservas e provisões técnicas pois, no contexto das EFPC, estas destinam a totalidade dos recursos excedentes para a composição do Fundo de oscilação de riscos e Reserva para ajustes do Plano. Cita a Decisão da Cosit de 05.05.2000 que trata da dedutibilidade da provisão para oscilação de riscos e da provisão para oscilação financeira, e que se aplica as entidades abertas de previdência complementar, considerando coerente sua aplicação a entidade fechada. Quanto às deduções para constituição de fundos e reservas especificas, assim dispõe o art. 404 do RIR199: "Companhias de Seguros, Capitalização e Entidades de Previdência Privada Art. 404. As companhias de seguros e capitalização, e as entidades de previdência privada poderão computar, como encargo de cada período de apuração, as importâncias destinadas a completar as provisões técnicas para garantia de suas operações, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável (art. 336) (Lei n° 4.506, de 1964, art. 67, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, inciso I). Observando a lei reguladora de tais deduções, pode se perceber que as provisões dedutíveis tem caráter assecuratório, unicamente quanto ao compromisso com seus beneficiários. Em outras palavras, elas serão passíveis de dedução no caso de serem constituídas para cumprir compromissos atuariais dos beneficios a serem concedidos, ou para constituir reservas de contingências. Estão previstas na Lei n° 9.249/1995, artigo 13, conforme já citado. 7. DILIGÊNCIA DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Tendo em vista as considerações adicionais apresentadas no Relatório da Diligência solicitada pelo Conselho de Contribuintes, de fls. 692 e 693, e manifestação da interessada às fls. 698/699, Relatório de encerramento de diligencia fiscal às fls. 729/731, com a síntese dos fatos apresentada no Relatório que compõe o presente Voto, e as fls. 735/739, o aditamento às razões de recurso voluntário apresentadas em 01/08/2007, sobre o resultado da diligência, cabe destacar: REVERSÃO DA RESERVA DE CONTINGÊNCIA FISCAL. 0 esclarecimento solicitado pode ser observado na Planilha de fl. 694, onde se verifica que a apuração da CSLL levou em conta a base apurada pela interessada (que já havia reconhecido a formação da reserva de contingência dos períodos) e somente adicionou a reversão de contingência fiscal, nos exatos montantes apurados Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 39 28 conforme Demonstrativos de fls. 715/728, e assinados pelo Sr. Eustáquio Coelho Lott — DiretorSuperintendente da Valia. No sentido de corroborar com o entendimento a esse respeito tanto da Administração quanto do Judiciário já mencionados, apenas a titulo de conhecimento, trago trecho das "Notas explicativas às Demonstrações Contábeis de 2007" no sitio da Internet da interessada: www.valia.com.br: "Em 31 de Dezembro de 2007 e 2006 (Em milhares de reais) 1. Contexto Operacional A Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social VALIA, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, instituída pela Companhia Vale do Rio Doce – VALE em abril de 1973, por prazo indeterminado, tem por objetivo a concessão de benefícios suplementares ou assemelhados aos da Previdência Social, pecúlios ou rendas por meio de múltiplos planos privados por ela instituídos e/ou administrados aos empregados de pessoas jurídicas que por meio de convênio de adesão, patrocinem os referidos planos isolada ou conjuntamente. Os principais recursos de que a Fundação dispõe para seu funcionamento são oriundos das contribuições dos patrocinadores, dos participantes ativos e assistidos e dos rendimentos resultantes das aplicações desses recursos em investimentos. 6. Resultado do Exercício Desconsiderando a constituição do fundo para distribuição de superávit, o plano apresentou resultado positivo (superávit) de R$ 793.698. Com a reversão necessária à constituição do referido fundo, o plano apresentou resultado negativo (deficit) de R$ 605.238, de natureza estritamente contáibil. A carteira consolidada apresentou uma rentabilidade global de 23,76%, superando as metas atuariais de cada um dos planos individualmente. Ern termos reais, ela correspondeu a uma rentabilidade de 17,70% acima do 1NPC que foi de 5,15% no ano. Dos principais fatores que contribuíram para este resultado destacamos: * 0 segmento de Renda Fixa obteve uma rentabilidade de 13,78% que corresponde a 116,62% do CDI, seu principal benchmark. Em termos reais, o segmento apresentou uma rentabilidade de 8,21% em 2007 acima do INPC. Tanto a carteira própria quanto a carteira terceirizada contribuíram para este resultado, ambas seguindo a política de investimentos de alocação em empresas e em instituições financeiras consideradas de baixo risco. * 0 segmento de Renda Variável acumulou um retorno de 56,65%, superando o de 51,54%, seu principal benchmark. Podemos destacar, dentre outros, a boa performance das ações de Vale, Petrobrás, Perdigão e das empresas do setor de siderurgia. A boa performance da bolsa de valores deveuse a melhora dos fundamentos da economia brasileira no ano. 0 risco Brasil medido pelo Emerging Markets Bond Index (EMBIBR) reduziuse e a liquidez continuou elevada. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 40 29 * 0 resultado da Carteira Imobiliária em 2007, acumulou rentabilidade nominal de 20,05% a.a. e uma rentabilidade real de 14,17% a.a. batendo a taxa atuarial e a meta da carteira de INPC +8% a.a. Deve ser ressaltado que o mercado imobiliário está atravessando desde 2° semestre de 2006 uma fase de aquecimento, tendo em vista o cenário macroeconômico favorável, a capitalização das empresas do setor de construção civil e a vinda expressiva de investidores estrangeiros para o mercado local. Houve uma redução significativa da vacância da Carteira que saiu de 3,2% no inicio do ano para 1,6% em dezembro de 2007, bem abaixo do limite definido de 5%. Não houve movimentações na Carteira Imobiliária no período. 0 resultado da Carteira de Empréstimos em 2007 acumulou rentabilidade nominal de 17,07% a.a. e uma rentabilidade real de 11,34% a.a batendo a taxa atuarial, que também é meta desta Carteira de INPC + 6% .a. DIVIDENDOS. Com relação aos dividendos, da mesma forma, conforme resposta após a diligência, fl. 699, a interessada continuou afirmando que "não tem condições de apresentar separadamente" os valores recebidos a titulo de juros sobre o capital próprio e de dividendos. Alega. que a contabilização dos dividendos foi por conta da planificação contábil padrão impostas as entidades fechadas de previdência complementar, o que acarretou tributar os dividendos que não são tributáveis. Ora, cabe à interessada apresentar as informações segregadas, ainda mais considerandose que os juros sobre capital próprio são tributáveis e a mera alegação da forma de contabilização não é suficiente para eximir a interessada do dever de escriturar separadamente os referidos valores recebidos. Não pode, assim, transferir ao Fisco a obrigação de apurar, quando reconhece que seu sistema de informática não o permite! Além disso, todas as pessoas fisicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais da Receita Federal no exercício de suas funções (Decretoslei n's 5.844/43, art. 123, e 1.718/79, art. 2°, e Leis n's 2.354/54, art. 7°, e 5.172/66, art. 197). Conforme Parecer Normativo CST n.° 347/70: a forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte, dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade e a repartição fiscal só a impugnará, se a mesma omitir detalhes indispensáveis determinação do verdadeiro lucro tributável, o que é o caso dos autos. Portanto, concluo que o lançamento está correto quanto à sua base de cálculo. 8. MULTA DE OFÍCIO E JUROS Mantenho também o meu voto quanto à multa e os juros de mora: "Insurgese a interessada contra os valores cobrados pelo Fisco a titulo de multa e juros no auto de infração, por ter seguido o disposto no Ato Declaratório (Normativo) CST n° 17/1990: "...a contribuição social não será devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvem atividades sem fins lucrativos, tais como fundações, associações e sindicatos." Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 41 30 Certo que a obrigação tributária da empresa surgiu com a ocorrência do fato gerador, cuja situação está definida em lei como necessária e suficiente (arts. 113 e 114 do CTN), tendo em vista a ECR n° 1/94 e redação dada pelo art. 2° da Emenda Constitucional n° 10/1996 ao inciso III do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mantidas as demais normas da Lei 7.689/88 e 8.981/95, art. 57, com alterações da Lei 9.065/95. Referidos diplomas legais expressam que a Contribuição Social sobre o Lucro será devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212/91: "bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas", sendo a base de calculo o valor do resultado do exercício, ajustados pelas adições e exclusões previstas em lei. Portanto vêse, nitidamente, que a falta de recolhimento da CSLL, motivo do lançamento de que trata o presente processo, constitui infração ao disposto na legislação de regência, cuja ocorrência sujeita o infrator ao lançamento de oficio, atividade esta vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN), não lhe sendo permitido a utilização de discricionariedade, nem mesmo diante de opiniões de ilustres tributaristas como bem trouxe à colação a interessada em sua esmerada impugnação. Claro está que as entidades a que se refere o Ato Declaratório (Normativo) CST n° 17/1990 são as de assistência social, e não as de previdência social, não bastando, pois, que a Interessada atenda aos requisitos estabelecidos pelo art. 14 e seus incisos do CTN, visto que, antes de tudo, precisaria ser uma instituição de assistência social e não de previdência social. 9. CABIMENTO DA MULTA DE OFICIO NA DATA DA CIÊNCIA DO A.I. Finalmente, vejamos ainda como a doutrina majoritária brasileira traduz o sentido de entidade beneficente de assistência social. " As pessoas imunes, na espécie, são as beneficentes, isto é, as que fazem o bem, a titulo de assistência social, em sentido amplo, sem animus lucrandi, no sentido da apropriação do lucro" (Sacha Calmon Navarro Coelho, Curso de Direito Tributário Brasileiro, 3a Edição, Ed. Forense, 1999, p. 148). "...as entidades beneficentes de assistência social (na forma mencionada no § 70 do artigo 195), compreendem as instituições de assistência social (como mencionado na alínea c do inciso VI do artigo 150)." (José Eduardo Soares de Melo, Contribuições Sociais no Sistema Tributário, 2 ed., Ed. Malheiros, 1996, p. 200/201). " O texto constitucional (art. 203) traz transcrição de grande relevância para efeitos de assistência social ('será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição A seguridade social '). As atividades de proteção e amparo prestadas por entidades beneficentes em geral s6 são consideradas como de assistência social quando prestadas aqueles que delas efetivamente necessitam. Isto é, com o auxilio gratuito, desinteressado de entidades beneficentes, sem fins lucrativos, a pessoas com condições de manterem sua subsistência não é perante o Fl. 920DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 42 31 texto constitucional, atividade de assistência social. Aí reside mais um equivoco daqueles que defendem a aplicação do artigo 14 do CTN no que se refere à imunidade das entidades de assistência social. Estes especialistas entendem que as atividades listadas no artigo 203 da CF/88, sempre que realizadas sem o intuito de lucro, estão, sem resquício de dúvida, abrangidas pela imunidade concernente a impostos e contribuições sociais' . Esquecemse que ao requisito da gratuidade somase o da necessidade do assistido. (...) Enfim, é patente a necessidade da restrição imposta pela Lei n° 9.732/1998, no que se refere a prestação exclusiva da assistência a necessitados para a obtenção da proteção constitucional (Fábio Zambitte Ibraim, Considerações sobre a imunidade do § 7° do artigo 195 da CF/88, referente às entidades beneficentes de assistência social, em Revista Dialética de Direito Tributário n° 53, de fevereiro de 2000, p. 34)." Desta forma, mesmo estando em plena vigência o ato declaratório anteriormente mencionado, certo é que o mesmo diz respeito sim a estas instituições de assistência social e não As entidades fechadas de previdência privada. Portanto, sendo devida de tais entidades a Contribuição Social sobre o Lucro, também integrarão o crédito tributário apurado pelo Fisco, a multa de oficio e os juros de mora, eis que tais acréscimos encontramse legalmente previstos como bem se pode notar pelos artigos 44, inciso I da Lei n° 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I— de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata..." Segundo a interessada, o Auto de Infração encontrase equivocado também na parte em que foi aplicada a multa de oficio de 75%, pois a data da lavratura do Auto de Infração, 26.12.2002 coincide com a data da publicação da sentença e o crédito tributário ainda estaria com a exigibilidade suspensa. A liminar havia sido concedida, em parte, pelo TRF da 2a. Regido. Ocorre que, em julgamento realizado em 19/12/2002, a Juiza da 7a. Vara Federal do Rio de Janeiro denegou a segurança, fazendo cessar os efeitos da liminar. A respeito dos efeitos da denegação da segurança em relação à medida liminar anteriormente deferida, o Supremo Tribunal Federal (STF) fixou, na Súmula 405, o seguinte entendimento: "Súmula 405 — Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dele interposto, fica sem efeito as liminares concedidas, retroagindo os efeitos da decisão contrária." (Negritei). A Secretaria da Receita Federal, ao disciplinar os procedimentos administrativos referentes ao acompanhamento e à cobrança de créditos tributários objeto de ações judiciais, por meio da Norma de Execução CSAr/CST/CSF n° 002, de 14 de janeiro de 1992, traduziu essa proposição com meridiana clareza, nos seguintes termos: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 43 32 "23.1 Negada a Segurança e cassada a liminar Restabelece a cobrança normal do credito tributário como se não tivesse havido mandado de segurança (...)".(negritei). Verificase nos autos que a União já havia sido intimada, em 19.12.2002, do resultado da sentença, fls.358 e 370, e, assim, ainda que a publicação da sentença tenha ocorrido em 26.12.2002, conforme menciona a interessada na peça impugnatória, fl. 412, o auto de infração foi devidamente constituído em 26.12.2002, pois, com a publicidade da sentença, a interessada não mais estava amparada por liminar em mandado de segurança ou sentença que lhe fosse favorável, não se aplicando ao presente caso o art. 63 da Lei 9.430, de 1996, não havendo, pois, que se falar em exclusão da multa de oficio. A hipótese de exclusão da multa de oficio só caberia no caso julgado pelo Ac. 30128565 do 3° C.C.1a CâmaraDOU 29.07.98pág.31: " Recolhimento regular do credito tributário após cassação de liminar em mandado de segurança, interposto anteriormente ocorrência do fato gerador, ilide as multas de oficio."(negritei). 10. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Quanto aos juros de mora à taxa SELIC, a interessada argüiu a inconstitucionalidade e a ilegalidade da aplicação da respectiva taxa, bem como sua natureza remuneratória. As autoridades administrativas carecem de competência para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de atos legais e infra legais, legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. Cabe ao Poder Judiciário o exame destas questões, sendo que convém destacar que, o inciso XXXV do Art. 5 ° da Constituição Federal estabelece que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito. Quanto à exigência de juros de mora, esta se destina a indenizar a Fazenda Nacional em decorrência da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, em consonância com o disposto no art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional. Sendo devidos em razão do atraso no pagamento da obrigação, o seu lançamento reportase à legislação aplicável no período compreendido entre o seu vencimento original e o efetivo pagamento. Por conseguinte, a legislação de regência determina que os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 1 ° de janeiro de 1995, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora incidentes a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, equivalentes, a partir de 1 ° de abril de 1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado (Art. 59 e § 2° da Lei n° 8.383, de 1991, Art. 84, I, e §§ 1°, 2° e 6° da Lei n° 8.981, de 1995, Art. 13 da Lei n°9.065, de 1995, e Art. 61 e § 3° da Lei n°9.430, de 1996). Assim, é cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora, a partir de 01/01/1995, equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC." Por todo o exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e: a) deixar de conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário; Fl. 922DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.018460/200246 Acórdão n.º 1301001.141 S1C3T1 Fl. 44 33 b) conhecer do recurso quanto às demais matérias e NEGAR PROVIMENTO para considerar devida a CSLL no valor de R$ 4.691.170,67, com a multa de oficio de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente (Selic). (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 923DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 11041.000545/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. PROPRIEDADE DE UM ÚNICO IMÓVEL.
Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até R$ 440.000,00, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos.
Hipótese em que as provas dos autos demonstram que a contribuinte não era proprietária de um único imóvel na época da alienação.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTO.
Aplica-se a multa agravada de 112,5%, prevista no art. 44, §2o, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.
A majoração da penalidade é reservada aos casos em que o contribuinte não atende à intimação para prestar esclarecimentos, e não quando fornece resposta diferente da desejada pela Fiscalização.
Hipótese em que a contribuinte respondeu às intimações do Fisco, não cabendo o agravamento aplicado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para desagravamento da multa de ofício. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ISENÇÃO. PROPRIEDADE DE UM ÚNICO IMÓVEL. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até R$ 440.000,00, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Hipótese em que as provas dos autos demonstram que a contribuinte não era proprietária de um único imóvel na época da alienação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTO. Aplicase a multa agravada de 112,5%, prevista no art. 44, §2o, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. A majoração da penalidade é reservada aos casos em que o contribuinte não atende à intimação para prestar esclarecimentos, e não quando fornece resposta diferente da desejada pela Fiscalização. Hipótese em que a contribuinte respondeu às intimações do Fisco, não cabendo o agravamento aplicado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para desagravamento da multa de ofício. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 05 45 /2 00 6- 50 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/200650 Acórdão n.º 2101002.139 S2C1T1 Fl. 81 2 (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 e 41 a 52, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para lançar ganho de capital na alienação de imóvel, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$7.110,28, acrescido de multa de ofício agravada de 112,5% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 55 a 69v), acatada como tempestiva, onde afirmou que não era proprietária do imóvel alienado em 1998, e portanto fazia jus à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado em 2003, e se insurgiu contra o agravamento da penalidade, pois respondeu a todas as intimações dentro do prazo. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 72 a 73): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE ÚNICO IMÓVEL. ISENÇÃO. Pelos documentos apresentados o contribuinte participou da alienação de outro imóvel nos últimos 5 anos, não tendo direito à isenção solicitada. Impugnação Improcedente Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/200650 Acórdão n.º 2101002.139 S2C1T1 Fl. 82 3 Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 05/01/2011 (fl. 75), a contribuinte apresentou, em 4/2/2011, o recurso de fls. 77 a 78, onde: a) afirma que está provado nos autos que, em 16/04/1992, desfez a sociedade conjugal que mantinha com Cândido Rogério Garcia, não tendo, por isso, qualquer participação nem na compra, ocorrida em 15/04/1993, nem na venda, ocorrida em 1998, de imóvel pertencente ao excônjuge; b) conclui que é inteiramente descabida a pretensão fiscal de não reconhecer o direito à isenção sob a justificativa de que teria alienado imóvel nos últimos 5 anos; c) invoca as razões da impugnação, solicitando que as considere como neste recurso transcritas. Ao final, requer o cancelamento da exigência fiscal. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 79, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste do exercício de 2004 em conjunto com o Sr. Cândido Rogério Garcia, CPF no 242.962.60049 (fls. 4 a 8), onde informou ter auferido rendimentos isentos de R$94.803,83 relativos ao ganho de capital isento de único imóvel. Na mesma declaração, foi informada a venda de 50% de uma fração de terra nua de 276 ha em Bagé/RS, em 22/5/2003, conforme contrato de compra e venda, sendo que esse bem havia sido declarado, no ano de 2002, por R$118.542,12. Intimados primeiro o Sr. Cândido (fls. 22 e 23), e posteriormente a contribuinte (fl. 26), a apresentarem o contrato de compra e venda citado na declaração de bens e direitos, foi apresentada apenas cópia da escritura de compra e venda (fls. 29 a 31). Nessa escritura, consta que o imóvel foi vendido no dia 26/12/2003 a Lauro Bulcão Neto, Cristina Pereira Bulcão e Fábio Pereira Bulcão, pelo valor de R$331.888,09, recebido parceladamente entre os meses de janeiro e agosto de 2003. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/200650 Acórdão n.º 2101002.139 S2C1T1 Fl. 83 4 Em circularização com o Tabelionato de Pelotas (fl. 13), a fiscalização verificou que a contribuinte alienou, em 15/07/1998, diversos terrenos no município de Rio Grande/RS, conforme descrito em escritura de compra e venda de fls. 18 a 21v. Desta forma, considerando que a venda do imóvel ocorreu em 22/5/2003, menos de cinco anos da alienação de outros imóveis, em 15/07/1998, a autoridade fiscal considerou que a contribuinte não fazia jus à isenção do ganho de capital, por não se enquadrar na exceção do art. 23 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Em sua impugnação, a contribuinte se defende alegando que não alienou o imóvel em 1998, demonstrando ter se separado judicialmente do Sr. Cândido em 16/4/1992 (fl. 63), e que este adquiriu a propriedade sozinho em 15/4/1993 (fls. 59 a 62v). Afirma que, na escritura de compra de 1993, foi informado de forma equivocada que era casada com o adquirente, e que, na escritura de venda de 1998, foi incluída de forma errônea como vendedora. O julgador a quo, por sua vez, considera que a contribuinte era proprietária do imóvel vendido em 1998 porque assinou o documento de venda (fl. 73). Observese que a isenção em discussão está prevista no art. 23 da Lei nº 9.250, de 1995, que possui a seguinte redação: Art. 23. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Assim, o ganho de capital será isento se (a) o contribuinte alienar o único imóvel que possui, (b) o valor da venda não for superior a R$440.000,00, e (c) o sujeito passivo não tiver alienado outro imóvel nos últimos 5 anos. A acusação inicial é de violação ao item “c”, pois a contribuinte teria alienado imóveis em maio de 2003 e em julho de 1998, enquanto a defesa se concentra na tese de que não participou da venda de 1998. Após análise dos documentos dos autos, verifico que a contribuinte alienou imóvel em 15/7/1998. Na escritura de compra e venda do imóvel lavrada em 16/4/1993, consta que o adquirente foi apenas o Sr. Cândido Rogério Garcia. E, apesar de inicialmente se afirmar que ele era casado no regime de comunhão de bens com a contribuinte (fl. 59v), no final, ressalva se que o seu estado civil era de separado judicial (fl. 62). Contudo, esse documento cuida da aquisição de 12 terrenos, enquanto a escritura de venda lavrada em 15/7/1998 trata da alienação de 14 terrenos, 12 de propriedade exclusiva do Sr. Cândido, e 2 de propriedade conjunta com a recorrente, como demonstra o trecho a seguir transcrito (fl. 64): Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/200650 Acórdão n.º 2101002.139 S2C1T1 Fl. 84 5 (...) sendo que Candido Rogério Garcia e Maristela Ulguim Logaray vendem os imóveis a seguir descritos sob itens “1” e “2”, e somente Candido Rogério Garcia vende os demais imóveis sob itens “3” a “14” (...) Dessa forma, não subsistem os argumentos de que a contribuinte não alienou imóveis em 1998. Entretanto, entendo que o conjunto probatório leva à conclusão de que a venda do imóvel sob análise se deu em 26/12/2003, e não em maio do mesmo ano, como afirma a autoridade fiscal. Segundo consta no único documento comprobatório da venda obtido pela fiscalização, a escritura de compra e venda, o negócio jurídico se realizou em 26/12/2003, cinco anos após a venda anterior. Acrescentese que a fiscalização se esforçou por obter a escritura de compra e venda informada na declaração de bens, que teria sido lavrada em maio de 2003, mas a fiscalizada e seu excônjuge nunca acusaram sua existência, e o adquirente, após intimado expressamente para tanto (fls. 32 a 34), afirmou inexistir tal documento (fl. 35). Assim, em seu esforço probatório, a autoridade fiscal, além de não conseguir a cópia do documento que transferia a data da venda para maio de 2003, obteve declaração expressa de sua inexistência. Mesmo assim, fundamentou sua acusação no pressuposto de que a venda ocorreu em maio, e não em dezembro de 2003. É verdade que existem indícios de que a alienação ocorreu antes de dezembro, pois a declaração de bens informa que ocorreu em maio, e a escritura de venda afirma que os pagamentos ocorreram de forma parcelada a partir de janeiro. Entretanto, o ônus da prova cabe a quem alega, e não é possível se presumir a ocorrência de venda diferente do documento oficial trazido aos autos, em especial quando existe declaração firmada de que inexistiu contrato de compra e venda anterior. Acrescentese que o §2o do art. 3o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, determina que incidirá imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, e o §3o do mesmo artigo ordena que, na apuração desse ganho, serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Ora, não ficou comprovada qualquer dessas operações de alienação mencionadas na lei, não sendo possível se admitir que o simples pagamento antecipado se configure como prova de alienação. Contudo, ao se deslocar a venda do imóvel para dezembro de 2003, apesar de se perder o fundamento de que ocorreu venda de imóvel antes de 5 anos de alienação anterior (requisito “c”), chegase a outra violação ao mesmo dispositivo legal, pois, nessa data, a contribuinte não era mais proprietária de um único imóvel (requisito “a”). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/200650 Acórdão n.º 2101002.139 S2C1T1 Fl. 85 6 Isso porque, conforme apurado na ação fiscal, a recorrente adquiriu outro imóvel em 22/5/2003, conforme escritura de fl. 25. Assim, ela não era, em dezembro do mesmo ano, proprietária de um único imóvel. Observese que não se está alterando o fundamento do lançamento, já que esse impeditivo foi também indicado na descrição dos fatos da autuação (fl. 49). Ao se proceder a análise das provas, chegouse a uma interpretação diversa da originalmente indicada pela autoridade lançadora, mas que leva a outra vedação à isenção fiscal por violação ao mesmo dispositivo legal. Desta forma, há que se concluir que a contribuinte não fazia jus à isenção do art. 23 da Lei nº 9.250, de 1995, pois, na data da alienação, não era proprietária de um único imóvel. Por outro lado, entendo ser necessário se afastar o agravamento da multa de ofício. Aplicouse, ao caso, o agravamento da penalidade previsto no §2o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, reservado para os casos em que o contribuinte não atende, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. Entendeu a autoridade fiscal que a contribuinte deixou de atender à intimação para prestar esclarecimentos quando não apresentou o contrato de compra e venda do imóvel ocorrido em 22/5/2003. Ora, já se verificou que a ação fiscal não conseguiu provas de que a alienação tenha se dado em maio de 2003, não sendo obviamente possível se penalizar o contribuinte pela falta de apresentação de documento que não se provou existir. Além disso, penso que a multa agravada é reservada aos casos em que o contribuinte não atende à intimação para prestar esclarecimentos, e não quando fornece resposta diferente da desejada pela fiscalização. No caso, a recorrente respondeu às intimações fiscais, não cabendo o agravamento aplicado. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o agravamento da penalidade, reduzindo a multa de ofício para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11041.000545/200650 Acórdão n.º 2101002.139 S2C1T1 Fl. 86 7 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 12898.000828/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.100
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. RELATÓRIO Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que transcrevo: “Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 68 a 78 em virtude da apuração das seguintes infrações: 1) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE glosa de deduções com dependentes pleiteadas indevidamente nos exercícios 2005, 2006 e 2007, com aplicação de multa de 150% sobre o imposto apurado, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 53 a 67. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decretolei Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 12898.000828/200936 Resolução n.º 2801000.100 S2TE01 Fl. 140 2 n° 5.844, de 1943, arts. 73 e 83, inciso II, do RIR1 1999, art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995, c/c art. 2° da Medida Provisória n°22, de 2002, convertida na Lei n° 10.451, de 2002; 2)DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS glosa de deduções com despesas médicas pleiteadas indevidamente nos exercícios 2005, 2006 e 2007, com aplicação de multa de 150% sobre o imposto apurado, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 53 a 67. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decretolei n° 5.844, de 1943, arts. 73 e 80 do RIR/1999; 3) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO – glosa de deduções com despesas com instrução, pleiteadas indevidamente, nos exercícios 2005, 2006 e 2007, com aplicação de multa de 150% sobre o imposto apurado, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 53 a 67. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 8°, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.250, de 1995, c/c art. 2° da Medida Provisória n°22/02 convertida na Lei n° 10.451, de 2002; 4) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI redução indevida da base de calculo com despesas de previdência privada pleiteadas indevidamente nos exercícios 2005, 2006 e 2007, com aplicação de multa de 150% sobre o imposto apurado, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 53 a 67. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 4°, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995, art. 11 da Lei n° 9.532, de 1997, arts. 73, 82 e §1°, do RIR/1999, e art. 61 da Medida Provisória n° 2.15835. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 35.157,00, foram aplicados multa qualificada de 150% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 76, alcançando um total de R$ 101.502,19. Após cientificado do Auto de Infração em referência em 24/09/2009 (fl. 96), o Interessado, em 06/10/2009, apresentou a impugnação de fl. 97, alegando, em síntese, que não teria recebido a restituição do exercício 2007 e que teria realizado o pagamento da quantia real devida por meio de DARF.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA — IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 12898.000828/200936 Resolução n.º 2801000.100 S2TE01 Fl. 141 3 RESTITUIÇÃO INDEVIDA RESGATADA. CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA A PAGAR. No calculo do imposto a pagar deve ser acrescentado o valor de restituição indevida apurada na declaração de ajuste anual que foi resgatada pelo Contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. VOTO Conheço do Recurso, pois presentes os seus requisitos de admissibilidade. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado em face da Recorrente em razão da dedução indevida com despesas médicas, de instrução e com dependentes pleiteadas nos anoscalendários de 2005, 2006 e 2007. O Recorrente não se insurgiu, em Impugnação ou no Recurso Voluntário, contra a glosa das indevidas despesas, tampouco em relação à multa qualificada que lhe fora aplicada. Sua irresignação deuse tão somente com relação ao valor que lhe foi imputado pela fiscalização como restituição no anocalendário de 2006. Isso porque, conforme alegado pelo Recorrente e demonstrado, ainda que insuficientemente, com as cópias de seus extratos bancários, esse valor nunca lhe foi repassado, na medida em que restou bloqueado pela Receita Federal do Brasil. Diante dessa alegação e havendo indícios de que efetivamente não houve esse repasse voto por converter o feito em diligência para que a autoridade preparadora esclareça se foi efetivamente pago algum valor a título de restituição ao Recorrente, referente ao ano calendário 2006, juntando a documentação resultante desta pesquisa e informação, como decorrente do resultado do processamento da aludida declaração. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA
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Numero do processo: 15472.000772/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 5° e 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-000.715
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ser intempestivo.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente INA INGLES NORTE AMERICANO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 5° e 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ser intempestivo. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15472.000772/200828 Acórdão n.º 110200.715 S1C1T2 Fl. 100 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto por INA INGLES NORTE AMERICANO LTDA, contra o Acórdão n° 1237.780, de 9 de junho de 2011, da 10ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) DERAT/RJO nº 105.866, de 22 de agosto de 2008 (fl. 4), que impôs a exclusão do Simples Nacional a partir de 1º/01/2009, em virtude da existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 1 a 3), alegando, em síntese, o seguinte, conforme relatório da decisão recorrida que, neste mister, adoto. “3.1. É filiada ao SINDELIVRERIO – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre; 3.2. O SINDELIVRE –RIO, obteve Sentença de Mérito na 18ª Vara Federal em Mandado de Segurança nº 99.000094069, favorável aos seus filiados, para serem considerados como inscritos no Simples, e o Agravo nº 2005.02.01.0133993, julgado em 23/05/2006, confirmou a legitimidade do sindicato, mesmos para os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação; 3.3. Não pode ser excluída do SIMPLES NACIONAL, pelas alegações de existirem débitos, com exigibilidade não suspensa, eis que os mesmos estariam cobertos, quando do pagamento do DARF do Simples; 3.4. Requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade, uma vez demonstrada a insubsistência e improcedência do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DERAT/RJO Nº 105866/2008.” A 10ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 esclareceu que não está em discussão qualquer questão relativa aos efeitos da decisão judicial sobre a abrangência aos filiados ao Sindelivre, que se encontram amparados pelo Mandado de Segurança Coletivo em questão – que, a propósito, versa sobre o Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317/96 – mas sim a exclusão de ofício do Simples Nacional, motivada pela existência de débitos na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), as quais não foram regularizadas dentro do prazo previsto no art. 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006. O Acórdão está assim ementado: “SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débitos cuja exigibilidade não esteja suspensa.” Cientificada desta decisão em 01.07.2011, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 03.08.2011, no qual, a par de reprisar os argumentos expostos por ocasião da inicial, registra que os débitos inscritos em dívida ativa, citados pela decisão recorrida, dizem respeito a tributos apurados em modalidade de tributação diversa e indevida (Lucro Presumido), em face da não aceitação de sua inscrição no Simples Federal, solicitada à Receita Federal em 02/02/2005, conforme o processo nº Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15472.000772/200828 Acórdão n.º 110200.715 S1C1T2 Fl. 101 3 13709.000316./200599, no qual obteve como resposta, através do comunicado 255/2006 – CAC Madureira, em 26/04/2006, anexo, não ser pertinente a sua inclusão, por não constar na listagem fornecida pelo SINDELIVRE, quando da obtenção do Mandado de Segurança. Assim, aqueles débitos estariam cobertos pelos pagamentos por ela efetuados pela modalidade do Simples, não cabendo a sua exclusão, ora efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé A recorrente, ao final da peça recursal, sustenta ter recebido a Intimação para ciência do acórdão recorrido em 04/07/2011. Entretanto, consoante o Aviso de Recebimento dos Correios anexo aos autos, a Intimação DRF/RJ2 DIORT EQSIMPLES N° 334/2011, postada em 30.06.2011, foi recebida em 01.07.2011, conforme se verifica no carimbo aposto ao AR, bem como na data manuscrita pelo recebedor. O recurso, por sua vez, foi apresentado em 03.08.2011, data a qual a recorrente fez constar ao final da peça recursal, confirmada também pelo carimbo nela aposto pela unidade de origem. Dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Por sua vez, o artigo 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos, nos seguintes termos: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Assim, no caso concreto, como o dia 01.07.2011 foi uma sextafeira, temse que a contagem do prazo recursal de 30 dias teve início no dia 04.07.2011, segundafeira, e encerrouse no dia 02.08.2011, terçafeira. O recurso voluntário, por sua vez, somente foi protocolado em 03.08.2011, portanto, um dia após a expiração do prazo. Pesquisando na internet, não foram identificados quaisquer feriados, nem mesmo estaduais ou municipais, que pudessem alterar a contagem do referido prazo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15472.000772/200828 Acórdão n.º 110200.715 S1C1T2 Fl. 102 4 Assim, há que se reconhecer que o recurso voluntário interposto é intempestivo. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecêlo. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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