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Numero do processo: 10730.008727/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na
determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).”
Neste sentido, havendo comprovação do cumprimento desses requisitos no presente caso, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.365
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).” Neste sentido, havendo comprovação do cumprimento desses requisitos no presente caso, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10730.008727/200818 Acórdão n.º 210101.365 S2C1T1 Fl. 102 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 30/32) interposto em 4 de fevereiro de 2011 (fl. 30) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (fls. 22/26), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de janeiro de 2011 (fl. 29), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 05/07, lavrado em 23 de junho de 2008, em decorrência de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO Somente poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de Decisão Judicial ou Acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 22). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 30/32), juntando aos autos comprovantes das despesas glosadas. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10730.008727/200818 Acórdão n.º 210101.365 S2C1T1 Fl. 103 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em relação à dedutibilidade da pensão judicial, assim dispõe o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): “Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” Na esteira do referido dispositivo legal, o Código Civil de 2002, da mesma forma que já dispunha em linhas gerais o Estatuto de 1916, estabelece, em caráter geral, o dever de alimentos entre parentes, cônjuges ou companheiros. No tocante ao capítulo específico relativo aos “alimentos”, determina o citado codex o seguinte: “Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10730.008727/200818 Acórdão n.º 210101.365 S2C1T1 Fl. 104 4 quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (...) Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor.” No presente caso, observase que o contribuinte trouxe aos autos cópia do acordo realizado nos autos da Ação de Separação Consensual n.º 2000.002.0085654 (fl. 84 e ss.), que foi homologado pelo Juízo da 1ª Vara de Família da Comarca de Niterói e no qual constou expressamente o pagamento da pensão judicial nos seguintes termos: “O cônjuge varão pensionará os filhos com a importância correspondente a R$ 1.510,00 (hum mil e quinhentos e dez reais), equivalentes nesta data a 10 salários mínimos cabendo para cada um dos filhos R$ 755,00 (setecentos e cinquenta e cinco reais)” (fl. 87). Juntou ainda cópia da tutela antecipada concedida pelo MM Juízo da 3ª Vara de Família da Comarca de Niterói nos autos da ação ordinária n.º 2002.002.0026149, nos seguintes termos: “De tal forma, CONCEDO EM PARTE A TUTELA ANTECIPADA, no sentido de autorizar ao alimentante deduzir (a contar desta data) da pensão mensal pecuniária o valor que despender com o pagamento das mensalidades escolares vincendas dos filhos. O custeio do plano de saúde deverá continuar sob a responsabilidade do pai. O valor remanescente da pensão deverá continuar sendo entregue à mãe dos menores, à qual caberá gerir quanto às demais despesas dos filhos” (fl. 99). Os ilustres julgadores a quo entenderam que “A glosa da dedução apontada pela Auditoria não pode ser contrariada pela simples alegação, sem uma demonstração cabal do valor efetivamente pago, pois deveria ter sido trazido novamente os documentos comprobatórios do pagamento de despesa com instrução e saúde (se houvesse) visto que não há nenhum documento nos autos que confirme se estes valores foram realmente despendidos. Em suma, as provas são exigíveis e possíveis, que poderia ter sido feito com a impugnação, e na falta de qualquer comprovação suficiente, pelos motivos expostos, é incabível considerar tais elementos como suficientes para a prova pretendida, e deve ser mantida a glosa da dedução desta rubrica.” (fls. 25/26). Ocorre, todavia, que o Recorrente esclareceu que a documentação já havia sido apresentada quando do cumprimento da intimação efetuada pela fiscalização, documentação esta que, por ocasião da interposição do recurso voluntário, foi novamente juntada (fls. 41/64), sendo suficiente à comprovação das despesas efetuadas nos termos da autorização judicial. Convém salientar que o Recorrente continua pagando 10 salários mínimos a título de pensão judicial, pois obteve autorização judicial para que passasse a efetuar o pagamento da escola e do plano de saúde diretamente, entregando apenas o valor remanescente à genitora. Assim, o Recorrente faz jus à dedução total de 10 salários mínimos, quer sob o título somente de pensão judicial, quer fizesse a separação entre despesa de instrução, despesa médica e pensão alimentícia, pois os valores são pagos com base em decisão judicial, de tal sorte que, a que título for, compete exclusivamente ao Recorrente a dedução destes valores. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10730.008727/200818 Acórdão n.º 210101.365 S2C1T1 Fl. 105 5 Nesse sentido, verificase do “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” de fl. 6 dos autos que, no caso em análise, foi pleiteada pelo Recorrente exclusivamente a dedução dos 10 salários mínimos, de modo que não está sendo pleiteada qualquer dedução em duplicidade. Dessa forma, existindo determinação judicial autorizando o pagamento das despesas por parte do contribuinte e estando devidamente preenchidos os requisitos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99), deve ser restabelecida a dedução pleiteada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000709/2002-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 25/07/2001, 26/07/2001, 03/08/2001, 06/08/2001
IRREGULARIDADE PROCESSUAL. SANEAMENTO.
Cabe a autoridade julgadora determinar a nulidade de decisão a fim de se sanear irregularidade processual. Erro in procedendo.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO
Numero da decisão: 9303-001.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso especial para anular a decisão da instância a quo, para que outra seja proferida, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 25/07/2001, 26/07/2001, 03/08/2001, 06/08/2001 IRREGULARIDADE PROCESSUAL. SANEAMENTO. Cabe a autoridade julgadora determinar a nulidade de decisão a fim de se sanear irregularidade processual. Erro in procedendo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO
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score : 1.0
Numero do processo: 10120.000965/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
PAGAMENTOS “EXTRA FOLHA”. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Ao provar que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que
tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a
Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos
geradores correspondentes a esses pagamentos.
AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE PARÂMETROS COLETADOS EM PROCESSOS TRABALHISTAS NA QUAL O SUJEITO PASSIVO ERA PARTE RECLAMADA. POSSIBILIDADE.
Não se apresenta desarrazoada a aferição indireta da base de cálculo efetuada com base em parâmetros coletados em processos trabalhistas nos quais a empresa autuada era parte reclamada.
BIS IN IDEM. AFERIÇÃO COM BASE EM RECIBOS DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Não há o que se falar em bis in idem, posto inexistiu, para o período
envolvido, lançamento com base nos mesmos fatos geradores e as
contribuições incidiram sobre remunerações não declaradas em GFIP. Assim
não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a essas parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO.
Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que
torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o
mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há
elementos que permitam o julgamento em separado.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE.
O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento.
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA
TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo,
quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos
necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo,
quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Os procedimentos fiscais, em geral, têm por finalidade averiguar a
regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações
tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal.
ESCRITA CONTÁBIL QUE NÃO REFLETE A REALIDADE ECONÔMICO FINANCEIRA
DA EMPRESA E DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS
CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
A exibição de documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, bem como a existência de registros contábeis que não arbitramento do tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria
necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO. De conformidade
com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se
à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do
contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora sequer contempla no Relatório da Autuação as razões que a levaram a aplicar a multa àquele percentual.
MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO OBSTACULIZAÇÃO DA AÇÃO FISCAL POR PARTE DO CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°,
da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada ou sequer imputada pela
autoridade lançadora no Relatório da Autuação a existência de atos do
contribuinte tendentes a dificultar, impedir e/ou retardar o regular
desenvolvimento da ação fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.050
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTOS “EXTRA FOLHA”. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Ao provar que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos. AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE PARÂMETROS COLETADOS EM PROCESSOS TRABALHISTAS NA QUAL O SUJEITO PASSIVO ERA PARTE RECLAMADA. POSSIBILIDADE. Não se apresenta desarrazoada a aferição indireta da base de cálculo efetuada com base em parâmetros coletados em processos trabalhistas nos quais a empresa autuada era parte reclamada. BIS IN IDEM. AFERIÇÃO COM BASE EM RECIBOS DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA DOS MESMOS FATOS GERADORES. Não há o que se falar em bis in idem, posto inexistiu, para o período envolvido, lançamento com base nos mesmos fatos geradores e as contribuições incidiram sobre remunerações não declaradas em GFIP. Assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a essas parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Os procedimentos fiscais, em geral, têm por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal. ESCRITA CONTÁBIL QUE NÃO REFLETE A REALIDADE ECONÔMICO FINANCEIRA DA EMPRESA E DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. A exibição de documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, bem como a existência de registros contábeis que não arbitramento do tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora sequer contempla no Relatório da Autuação as razões que a levaram a aplicar a multa àquele percentual. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO OBSTACULIZAÇÃO DA AÇÃO FISCAL POR PARTE DO CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada ou sequer imputada pela autoridade lançadora no Relatório da Autuação a existência de atos do contribuinte tendentes a dificultar, impedir e/ou retardar o regular desenvolvimento da ação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Ao provar que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos. AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE PARÂMETROS COLETADOS EM PROCESSOS TRABALHISTAS NA QUAL O SUJEITO PASSIVO ERA PARTE RECLAMADA. POSSIBILIDADE. Não se apresenta desarrazoada a aferição indireta da base de cálculo efetuada com base em parâmetros coletados em processos trabalhistas nos quais a empresa autuada era parte reclamada. BIS IN IDEM. AFERIÇÃO COM BASE EM RECIBOS DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA DOS MESMOS FATOS GERADORES. Não há o que se falar em bis in idem, posto inexistiu, para o período envolvido, lançamento com base nos mesmos fatos geradores e as contribuições incidiram sobre remunerações não declaradas em GFIP. Assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a essas parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Os procedimentos fiscais, em geral, têm por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal. ESCRITA CONTÁBIL QUE NÃO REFLETE A REALIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA DA EMPRESA E DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. A exibição de documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, bem como a existência de registros contábeis que não reflitam a realidade econômicofinanceira da empresa, possibilita ao Fisco o Fl. 260DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 260 3 arbitramento do tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora sequer contempla no Relatório da Autuação as razões que a levaram a aplicar a multa àquele percentual. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO OBSTACULIZAÇÃO DA AÇÃO FISCAL POR PARTE DO CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada ou sequer imputada pela autoridade lançadora no Relatório da Autuação a existência de atos do contribuinte tendentes a dificultar, impedir e/ou retardar o regular desenvolvimento da ação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 261DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 261 5 Relatório O lançamento O presente processo administrativofiscal referese ao Auto de Infração n.º 37.257.4050, no qual foram lançadas contra o sujeito passivo acima identificado as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). O crédito, com data de consolidação em 29/01/2010, assumiu o montante de R$ 289.413,50 (duzentos e oitenta e nove mil, quatrocentos e treze reais e cinquenta centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos efetuados a segurados empregados a serviço da empresa na competência 12/2008e 13/2008 (13.º salário). Afirmase que a base de cálculo foi obtida por aferição indireta, em razão da constatação de que a empresa efetuou pagamentos a segurados sem fazer os registros contábeis dos mesmos, nem declarálos na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O Auditor Fiscal relata que a empresa costumeiramente efetuava pagamentos aos seus empregados, sem registrar as quantias em folha de pagamento. Esses desembolsos davamse mediante depósitos em contas bancárias dos beneficiários. Tal constatação foi verificada a partir da análise de vários processos trabalhistas, os quais foram listados no Relatório. Salientase que as reclamatórias trabalhistas evidenciam que a prática de efetuar pagamentos “por fora” era extensiva a todos os empregados da instituição autuada. O Fisco dá conta também da existência de ação cautelar de busca e apreensão tramitando na Justiça Comum, a qual foi proposta por JOÃO RODRIGUES DE PAULA e OUTROS em face de AGOSTINHO S. PEDROSA e CONTAC CONTABILIDADE S/S LTDA. Registrase ainda que na referida ação se postula a exclusão do sócio ALEX MARCÓRIO SANTIAGO, por gestão fraudulenta e transferência de bens. Segundo a Auditoria, ficou demonstrado nos autos do referido processo que recursos da empresa eram desviados para contas de outras pessoas jurídicas. Tal constatação foi corroborada em pesquisa efetuada pelo Fisco, na qual se evidencia que pagamentos de mensalidades escolares eram direcionados para outras empresas. A Autoridade Fiscal apresenta ainda dados que revelam a existência de ligação entre as empresas recebedoras dos recursos supostamente desviados da recorrente com sócios e empregados da mesma. Foram ainda mencionadas diversas irregularidades, a exemplo da transferência de recursos da empresa autuada para empresa já encerrada. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Outro fato destacado é a realização de seqüestro pela Justiça do Trabalho de valores da conta corrente bancária de empresa que supostamente recebia transferências de recursos da recorrente para quitar dívida trabalhista dessa. Apresentouse ainda estudo comparativo entre a receita estimada da empresa, conforme pesquisa efetuada no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira/Ministério de Educação e Cultura, a qual demonstraria que o faturamento contabilizado é muito inferior ao que efetivamente foi realizado pela recorrente. O Fisco apontou ainda inconsistências entre valores contabilizados de distribuição de lucros e os valores lançados na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física – DIPJ do principal acionista da empresa autuada. Ao final, concluiu a Auditoria que os fatos narrados seriam suficientes a comprovar que a contabilidade da recorrente não reflete a realidade de sua situação econômico financeira. A base de cálculo para os empregados cujas reclamatórias trabalhistas foram analisadas foi obtida mediante a aplicação sobre a remuneração total (valores constantes e não constantes em folha) do percentual médio de remuneração não registrada. Quanto aos segurados que não constaram nos processos trabalhistas, o percentual de remuneração não declarada em relação à remuneração total foi obtido conforme indicado na reclamatória trabalhista do empregado NEY BARBOSA, responsável pelo setor de recursos humanos da empresa autuada. Esse percentual corresponde a aproximadamente 60,43% da remuneração total, patamar este muito próximo do percentual médio de remuneração não declarada dos empregados constantes das reclamatórias trabalhistas (60,98%). A auditoria menciona ainda que a multa foi aplicada nos termos do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. Assim a mesma foi fixada em 225%, considerandose aplicação do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, inciso I (falta de declaração – 75%), § 1.º (sonegação,fraude ou conluio – duplicação) e § 2.º (falta de atendimento à intimação – acréscimo de 50%). A decisão recorrida A Delegacia de Julgamento – DRJ em Brasília declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito. O recurso voluntário Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário no prazo legal, alegando, em apertada síntese, que: a) o recurso é tempestivo; b) todos os recursos relativos aos lançamentos efetuados na ação fiscal que deu ensejo ao presente AI devem ser julgados conjuntamente, em razão da conexão que os vincula; c) a empresa sempre cumpriu com suas obrigações previdenciárias e trabalhistas, prova disso é que contratou um dos mais conceituados escritórios de contabilidade do Estado de Goiás; Fl. 264DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 262 7 d) não ficou esclarecido qual motivo levou a RFB a iniciar o procedimento fiscal que culminou com a lavratura questionada; e) há uma ação judicial envolvendo a recorrente, ajuizada para evitar que um sócio com poderes de gestão, mediante práticas criminosas, pudesse se apropriar indevidamente do controle da mesma; f) temse a impressão que o procedimento fiscal foi iniciado a partir de denúncias relacionadas à referida ação judicial; g) os autos lavrados na ação fiscal são de um todo absurdos e improcedentes, posto que a empresa sempre cumpriu com suas obrigações tributárias; h) as solicitações da Auditoria Fiscal sempre foram prontamente atendidas pela recorrente; i) com as autuações foram carreados ao processo inúmeros documentos, esses até então desconhecidos pela empresa; j) dentre os processos trabalhistas mencionados pela Fiscalização, verificase a existência de um do ano de 2003, portanto, fora do período fiscalizado; k) conforme a melhor doutrina, o lançamento deve ser efetuado em conformidade com o art. 142 do CTN, não sendo possível o Fisco extrapolar os limites legais; l) devem ser observados os princípios da legalidade, da objetividade da ação fiscal, da audiência do interessado e da instrução probatória ampla; m) a coleta de documentos e a investigação levada a cabo durante o procedimento fiscal deve ser notificada ao fiscalizado, sob pena de invalidação do trabalho da Auditoria; n) a empresa desconhece a maneira como foram feitas diligências em outros órgãos e até mesmo junto a pessoas físicas; o) a descrição do fato gerador presente no Relatório Fiscal não guarda relação com o que prescreve às normas aplicáveis, pois o Fisco não demonstrou a existência da prestação de serviços, quando a mesma ocorreu e quanto foi o montante envolvido; p) a Auditoria Fiscal atevese mais a questão da coerência dos registros contábeis de que a efetiva ocorrência da hipótese de incidência tributária; q) uma vez que as declarações prestadas pela empresa refletem a realidade dos fatos por ela praticados, descabe o procedimento de aferição indireta da matéria tributável; r) o arbitramento utilizado para obter o valor da remuneração paga aos empregados da recorrente não guarda nenhuma coerência técnica; s) o lançamento do tributo foi realizado pelo contribuinte, mediante declaração em GFIP, não sendo possível que seja alterado sem que o Fisco demonstre a ocorrência de irregularidades; Fl. 265DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 t) meros erros nos registros contábeis, não autorizam a desconsideração de toda a contabilidade e o arbitramento do tributo, ainda mais que a sua escrita foi elaborada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; u) o valor da hora/aula encontrado nos documentos mencionados pelo Fisco está em conformidade com o valor estabelecido em convenção coletiva; v) o fato da empresa ter firmado acordo, perante a Justiça do Trabalho, com seus exempregados não pode ser tomado como confissão de culpa, uma vez que esse instrumento de conciliação tem larga utilização em processos judiciais, em especial nos Tribunais Trabalhistas; w) a análise da documentação deveria ter sido realizada nas dependências da empresa, como manda a boa técnica de auditoria, evitandose assim conclusões errôneas, dissociadas da realidade administrativa da recorrente; x) não pode ser aplicada a aferição indireta se existe a possibilidade de se verificar a base de cálculo pelas folhas de pagamento, GFIP e contabilidade; y) a Auditoria não determinou o momento em que se materializa o fato gerador da obrigação tributária; z) se houve o lançamento das contribuições por arbitramento não poderia haver na mesma ação fiscal outros lançamentos decorrentes de divergências de GFIP, de glosa de compensações, de diferenças de segurados, sob pena de se recair em bis in idem; a1) uma vez arbitrados os valores e descontadas as quantias recolhidas, descabe qualquer outro lançamento complementar; b1) o Fisco desrespeitou o princípio da verdade material, uma vez que não comprovou a ocorrência do fato gerador, não confirmou sua materialidade com base em documentos idôneos, tendo a Auditoria tomado como base apenas em registros secundários, informações obtidas unilateralmente e sem o formalismo exigido para que o ato de investigação pudesse produzir efeito; c1) é obrigação dos agentes da Administração Tributária investigar e demonstrar cabalmente a ocorrência do fato jurídico tributário, somente se podendo inverter o ônus da prova nos casos expressamente previstos em lei, o que não se aplica à situação sob enfoque; d1) notase que o cálculo do tributo foi levado a efeito de forma obscura, carecendo de maiores explicações sobre a forma de apuração da matéria tributável, donde se conclui que foi atropelado o art. 37 da Lei n.o 8.212/1991; e1) se não há clareza e precisão, é evidente o cerceamento ao seu direito de defesa, o que é causa de nulidade, conforme tem decidido reiteradamente o próprio Conselho de Contribuintes; f1) a decisão da DRJ simplesmente homologou as conclusões a que chegou o Fisco, sem levar em conta as diversas alegações de ilegalidade lançadas na peça de defesa; g1) ao tentar arrecadar a contribuição sem a destinação clara de sua aplicação, o ato fiscal fere o princípio de contrapartida da contribuição previdenciária; Fl. 266DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 263 9 Ao final, requereu: a) o reconhecimento da tempestividade do recurso e o seu regular processamento; b) o reconhecimento dos lançamentos efetuados através da declaração da GFIP; c) a declaração de nulidade do lançamento; d) que o processo seja baixado em diligência para correção das irregularidades apontadas; e) a realização de perícia técnica, conforme quesitos que formula. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Reunião dos processos para julgamento conjunto Requer a contribuinte que todos os recursos relativos aos processos de débito lavrados na mesma ação fiscal, que são vinte e três julgamento conjunto. O pedido, apesar de desejável, não é obrigatório, posto que não há norma legal na seara do processo administrativo fiscal que preveja esse procedimento. Por outro lado, há de se convir que estamos incluindo nessa reunião de julgamento quinze dos processos referidos, de modo que se tenha a eficiência e a coerência desejadas nos julgamentos dos processos dessa empresa. Posso dizer ainda que, para o AI sob cuidado, os dados constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia, não havendo necessidade de que se aguarde a chegada dos oito processos restantes a esse Conselho para que se inicie o seu julgamento. Da necessidade do contraditório durante o procedimento de fiscalização No que diz respeito à falta de comunicação à empresa fiscalizada acerca dos passos seguidos na fiscalização, devese ter em conta que no decorrer da ação fiscal não há contraditório. Os agentes do fisco dão ciência de que a empresa está sob ação fiscal através da entrega do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, promovem a intimação para apresentação da documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos, elaboram os lançamentos (se cabível) e, por fim, comunicam ao sujeito passivo o resultado da fiscalização. Essa seqüência de atos é que deve ser observada, sob pena de nulidade do lançamento. Na espécie, não vislumbrei qualquer vício relativo ao procedimento narrado que pudesse macular o resultado da ação fiscal. A oportunidade disponibilizada ao contribuinte para demonstrar seu inconformismo ocorre durante o contencioso fiscal. Neste momento é possível apresentar todas as razões e provas que possam afastar ou modificar o lançamento fiscal. Assim, em relação ao trabalho de investigação do auditor fiscal não há o que se falar na obrigatoriedade de manter o contribuinte ciente de todos os passos seguidos pelo agente do Fisco, no entanto, quando da conclusão da fiscalização, o contribuinte deve ser municiado de todos os elementos que lhes sejam úteis a exercer o seu direito de defesa, sob pena de nulidade dos lançamentos porventura lavrados. Nessa linha de pensamento, vale repisar que a ação fiscal é um procedimento inquisitório, de investigação, durante o qual não há obrigatoriedade de ciência do contribuinte em relação ao modo de proceder da Auditoria. Isso porque o direito constitucional ao Fl. 268DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 264 11 contraditório e à ampla defesa só é de observância obrigatória na fase litigiosa do processo, que tem início apenas com a impugnação ao lançamento. Nesse sentido, mesmo para as diligências realizadas pelo Fisco em órgãos fora da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não havia obrigatoriedade de se cientificar previamente o sujeito passivo de tais providências, sendo, todavia, obrigatória a menção no Relatório Fiscal dos elementos coletados nas diligências efetuadas que tiveram influência nas conclusões da Auditoria quanto à existência de obrigação tributária não adimplida. Uma leitura do relato do Fisco me deixa à vontade para afirmar com convicção que foram apresentadas à contribuinte todas as fases do procedimento fiscal, bem como, as evidências que foram tomadas como base para se concluir sobre a necessidade de efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias. Das motivações para início da ação fiscal Também não há necessidade de que a ação fiscal tenha uma motivação específica, posto que, via de regra, o objetivo do procedimento de fiscalização é sempre verificar a regularidade das obrigações tributárias do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB. Os elementos relativos ao procedimento fiscal que devem obrigatoriamente ser informados ao contribuinte são aqueles constantes do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (art. 7.º da Portaria RFB n.º 11.371/2007), quais sejam: a) natureza do procedimento (fiscalização/diligência); b) o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal; c) o período da verificação. Vejo que esses dados constam do MPF e que não há obrigatoriedade de se informar qual o motivo determinante para que se programe determinada ação fiscal, posto que a seleção de empresas fica no campo da discricionariedade da Administração Tributária. Nesse sentido, não posso dar razão à recorrente quando alega nulidade em razão do seu desconhecimento dos motivos que deram ensejo ao procedimento fiscal, uma vez que, o próprio MPF já esclarece que a finalidade do procedimento é verificar o cumprimento das obrigações tributárias do contribuinte. Da apuração fiscal fora da sede da empresa Acerca do inconformismo da empresa quanto ao fato dos trabalhos fiscais terem se desenvolvido fora da sede da empresa, não hei de acatálo. Essa matéria já se encontra pacificada no CARF, sendo inclusive objeto de súmula, conforme se vê: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, descabe a alegação de que a apuração fiscal deveria obrigatoriamente ter se dado nas dependências da empresa fiscalizada. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Da ocorrência dos fatos geradores Afirma a recorrente que o Fisco não se desincumbiu do encargo de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Pois bem, conforme se verifica do relatório acima, a fiscalização inferiu mediante a verificação de diversos processos trabalhistas que a empresa fiscalizada utilizavase do artifício de pagar remunerações a segurados empregados que lhes prestavam serviço sem registrar a totalidade dos valores em folha de pagamento. Segundo a Auditoria, essas quantias eram depositadas diretamente em contas correntes dos beneficiários, não sendo também objeto de declaração em GFIP, nem de lançamento na escrita contábil da empresa autuada. A Autoridade Fiscal analisou treze processos trabalhistas identificando em todos eles a ocorrência de pagamentos de remunerações “por fora”, tendo sido anexados aos autos os depósitos bancários e os recibos desses pagamentos, os quais não se sujeitaram à incidência de contribuições previdenciárias. Há um processo, o de n.º 01354200400618003 (reclamante Ney Barbosa), que embora não circunscrito ao período da apuração, foi utilizado pelo Fisco para demonstrar a ocorrência de pagamentos sem registro na contabilidade da empresa. Esse processo, embora as contribuições decorrentes já não pudessem ser apuradas em razão do transcurso do prazo decadencial, assume grande relevância na medida em que o reclamante era o Encarregado do Setor de Recursos Humanos, o qual relata que recebia ordens superiores para efetuar pagamentos “por fora” para todo o quadro funcional da empresa, inclusive para ele próprio. O referido processo trabalhista, cujo pedido inicial totalizou R$ 25.020,00, foi objeto de acordo para pagamento de R$ 18.000,00. Assim, diante da constatação de que a empresa tinha por prática o pagamento, sem o devido registro, de parcelas salariais aos seus empregados, não poderia o Fisco deixar de apurar as contribuições decorrentes das remunerações que a empresa não houvera declarado na GFIP. Observese que foram solicitados os documentos que comprovariam a contabilização dos pagamentos correspondentes aos depósitos bancários coletados dos processos trabalhistas, todavia, a empresa não os apresentou, deixando claro que tais dispêndios não foram objeto de registros contábeis. Portando, devo afastar desde já dois dos principais argumentos utilizados pela empresa em seu recurso: a) o de que cumpria regularmente com suas obrigações fiscais e trabalhistas; e b) o de que houvera prontamente atendido a todas as solicitações do Fisco para exibição de documentos. Entendo, assim, que a ocorrência costumeira do artifício de pagar remunerações “por fora”, visando à supressão de obrigações trabalhistas e previdenciárias, está bem caracterizado no presente AI, portanto, observo que o Fisco não deixou de demonstrar a ocorrência da hipótese de incidência de contribuições, que se materializou pelo pagamento de parcelas salariais não lançadas em folha de pagamento, não declaradas em GFIP e nem registradas na escrita contábil. Do cabimento da aferição indireta da base de cálculo Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 265 13 O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão do §§ 3.º e 6.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Fisco solicitou a documentação relativa aos pagamentos “por fora” efetuados aos empregados, não tendo a empresa disponibilizado os elementos solicitados. Essas parcelas também não aparecem nos registros contábeis da recorrente, por conseguinte, fica explícito que a contabilidade da empresa não registrava a remuneração dos segurados a seu serviço. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram realizados pagamentos de remunerações não registradas na documentação da empresa. Por isso, o Fisco não teria como verificar diretamente o montante desses pagamentos, estando diante da impossibilidade de concluir o seu trabalho apenas com esteio nos elementos apresentados. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 271DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Em resumo, poderseia dizer que a existência de pagamentos não contabilizados e cuja documentação não foi apresentada à Auditoria, caracterizouse um obstáculo intransponível para que se pudesse aferir diretamente a base de cálculo a partir dos elementos disponíveis. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração paga sem lançamento na folha de salários, posto que a legislação já mencionada autoriza tal procedimento. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório do AI, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Há ainda muitas outras falhas contábeis apontadas no relato do Fisco, sobre as quais a empresa tenta justificar apenas em questões de disputa societária, fato que é irrelevante para o Direito Tributário. Apontou a Auditoria a existência de receitas de mensalidades escolares não contabilizadas, além de discrepâncias entre o número de alunos matriculados e a receita declarada, além de valores de distribuição de lucros não lançados integralmente na contabilidade. Todos essas falhas não caracterizam meros erros contábeis como quer fazer crer a recorrente, mas indicam que a documentação apresentada, principalmente a escrita contábil, não representa a realidade econômicofinanceira da empresa. Da inversão do ônus da prova Nos termos do § 6.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, já transcrito, a verificação de que os registros contábeis estão dissociados da realidade econômicofinanceira da empresa é motivo para arbitramento das contribuições, tendo o contribuinte a prerrogativa de fazer prova em contrário. Nessa toada, não devo acolher a tese recursal de que há na espécie inversão do onus probandi não autorizada por lei. Da razoabilidade do método de arbitramento adotado Outra questão aventada no recurso diz respeito à falta de coerência técnica e a obscuridade na determinação da base tributável por aferição indireta. Uma leitura do Relatório Fiscal indica que no presente processo foram arbitradas apenas as remunerações dos pagamentos efetuados “extra folha”, ou seja, aqueles que não foram declarados na GFIP. Conforme declarou o Fisco, para os segurados constantes nos processos trabalhistas a remuneração foi apurada mediante a utilização de índice que representa o quociente médio entre a remuneração não declarada e a remuneração total auferida pelo contribuinte. Fazendose uma média do índice para todos os segurados envolvidos nas reclamatórias obtémse 60,98%, levando a conclusão que cerca de sessenta por cento da remuneração total era paga sem o devido registro na contabilidade. Para os demais segurados utilizouse o índice encontrado para o segurado Ney Barbosa (Encarregado de RH), o qual não discrepou da média anterior, posto que foi calculado em 60,43%. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 266 15 Assim, não observo qualquer incoerência técnica ou falta de razoabilidade na determinação da base de cálculo por aferição indireta, haja vista que os índices para apuração dos valores pagos sem constar em folha aos segurados foi obtido com esteio em processos trabalhistas nos quais a empresa figurava na situação de reclamada, não se podendo afirmar que os valores não tenham qualquer relação com os fatos geradores que deram ensejo às contribuições apuradas. Da ocorrência de bis in idem Como já foi mencionado o processo em questão diz respeito às contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP, não havendo o que se falar em duplicidade de cobrança, posto que outros lançamentos de obrigação principal referemse a contribuições decorrentes de remunerações não declaradas em GFIP. Há outros lançamentos relativos aos mesmos fatos geradores, todavia, correspondentes a período diverso, cuja segregação decorreu de modificação na legislação quanto à aplicação da multa. Ainda sobre essa questão, também não merece acolhimento a tese de que o Fisco desconsiderou as declarações prestadas pela recorrente mediante a GFIP, na verdade, conforme se depreende dos autos, as declarações de GFIP, bem como os recolhimentos efetuados, foram integralmente considerados pela Auditoria. Repito que o AI sob cuidado diz respeito ao lançamento de contribuições por arbitramento as quais tiveram como fato gerador os valores pagos aos segurados a serviço da contribuinte não declarados em GFIP, nem contabilizados. Do cerceamento ao direito de defesa em razão de deficiência no Relatório Fiscal Já tendo concluído que o Fisco descreveu com clareza a ocorrência do fato gerador e apresentou de forma clara e precisa os passos seguidos para obtenção da base tributável, além de haver mencionado todas as circunstâncias que o levaram a concluir pela existência de obrigação tributária não adimplida, não devo concordar com a afirmação de que o relato do fisco, por lhe faltarem clareza e precisão, estaria a prejudicar o direito de defesa do sujeito passivo. A meu ver, todos os elementos de que a autuada necessitaria para exercer com amplitude o seu direito de defesa lhe foram fornecidos, de modo que não há de se acolher a tese de cerceamento desse direito. Da decisão de primeira instância A decisão de primeira instância abordou todos os pontos trazidos ao processo com a impugnação, não merecendo sucesso a afirmação da recorrente de que a decisão se baseou tãosó nos argumentos da peça de acusação. Estando em confronto as teses do Fisco e do sujeito passivo, o órgão julgador tem obrigatoriamente que aderir a uma delas para dar uma solução para a contenda jurídica. Todavia essa escolha deve se dar de forma motivada, de modo a não prejudicar o direito de defesa do contribuinte. A motivação apresentada pela DRJ foi satisfatória, tendo sido abordados todos os pontos de inconformismo apresentados pela empresa. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao processo pela Auditoria Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim à lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Da perícia contábil/diligência Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Tenho que concordar com o indeferimento pelo órgão a quo do pedido de produção de novas provas, por entender que no processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela existência de obrigação tributária não satisfeita pelo devedor. Não há, portanto, necessidade de realização de perícia contábil/diligência, haja vista que os elementos constantes dos autos são suficientes para que se tenha um julgamento seguro da presente lide. Conclusão Fl. 274DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 267 17 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas, por indeferir o pedido de perícia técnica/diligência e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 275DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Voto Vencedor Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, somente em relação à aplicação das multas qualificada e agravada, sobretudo em razão da inexistência de comprovação de dolo, fraude ou conluio, bem como da obstaculização à fiscalização, como passaremos a demonstrar. Em que pese a contribuinte não ter se insurgido contra referida matéria, impõese o conhecimento de ofício, por tratarse de questão de ordem, em razão de referirse à regularidade da exigência fiscal, notadamente trazendo em seu bojo a imputação de crimes fiscais. Mais a mais, como restará demonstrar adiante, o fato de a autoridade fiscal deixar de elucidar as razões da aplicação das penalidades qualificada e agravada, por si só, oferece obstáculo à defesa da contribuinte, não sendo viável exigir desta a irresignação de matéria que sequer fora explicitada no Relatório Fiscal, com a simples aplicação de tais multas. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, especialmente do Discriminativo de Débito – DD, às fls. 04/05, a ilustre autoridade lançadora ao promover o lançamento entendeu por bem aplicar multa de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), lastreada no artigo 44 e incisos, da Lei n° 9.430/96. Antes mesmo de contemplar o mérito da questão, mister se faz traçar breve histórico dos procedimentos adotados para o lançamento das contribuições previdenciárias, mormente em face da edição da Lei n° 11.941/2009, unificando as Receitas Previdenciária e Federal, senão vejamos. No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais caracterizados por dolo, fraude ou conluio. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais, sem conquanto, via de regra, se aprofundar na demonstração/comprovação dos crimes imputados ao autuado. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada e/ou agravada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que, de certa forma, tornava despicienda o aprofundamento na matéria. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 268 19 Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou conluio, para efeito de aplicação da multa qualificada, notadamente para os novos lançamentos, contemplando fatos geradores posteriores à edição da Lei n° 11.941/2009, uma vez que as atuais multas ali estabelecidas somente podem ser aplicadas a fatos posteriores à sua publicação, em observância ao princípio da irretroatividade da norma. Na esteira desse raciocínio, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, nos seguintes termos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 277DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007)” Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou conluio), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou em conluio (o que sequer ocorrera no caso dos autos), a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) Fl. 278DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 269 21 “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Em decorrência da jurisprudência uníssona nesse sentido, o então 1º Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, assimilada pelo CARF com a mesma numeração, determinando que: “ Súmula nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Assim, impende analisar os autos detidamente de maneira a elucidar se o fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou simular a hipótese de incidência da obrigação tributária. Neste ponto, aliás, mister esclarecer que o simples fato de, anteriormente às alterações na legislação acima mencionadas, não se exigir tal comprovação não é capaz de sustentar a pretensão fiscal em defesa da existência de dolo, fraude ou conluio. Com efeito, cabe/caberia à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou conluio, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela notificada, especialmente em relação a fatos geradores sob a égide da nova legislação, como aqui se vislumbra. Pretender atribuir um crime ao contribuinte em sede de segunda instância, sem que a própria autoridade lançadora tivesse imputado tal conduta à notificada, comprovando e fundamentando suas conclusões, objetivando oportunizar a ampla defesa e contraditório da empresa em relação a este tema, além de representar supressão de instância, fere de morte o princípio do devido processo legal. Estarseia imputando um crime ao contribuinte sem que o fiscal autuante o fizesse, razão pela qual não houve contestação em relação à matéria em nenhuma das instâncias pretéritas. O fato de constar do Relatório Fiscal da Autuação as razões que levaram à fiscalização a promover o lançamento, independentemente do procedimento adotado (aferição/arbitramento, desconsideração da personalidade jurídica, caracterização de segurados empregados, etc) não suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado ao contribuinte, ensejando a qualificação da multa. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Por sua vez, no que tange ao agravamento da multa, inscrita no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, acima transcrito, supostamente atribuída em razão de a contribuinte haver dificultado o regular desenvolvimento da ação fiscal, o mesmo entendimento a ser adotado para a multa qualificada (em razão de eventual crime fiscal) deve ser levado a efeito, impondo a devida comprovação da conduta da autuada no sentido de obstar o regular procedimento fiscalizatório, o que, igualmente, não ocorrera no caso vertente. Com efeito, extraise do Relatório Fiscal da Autuação que em nenhum momento o fiscal autuante procurou justificar a qualificação e o agravamento da multa, não escrevendo sequer uma linha a propósito de aludido procedimento. Assim, além de o fiscal autuante não ter comprovado com a segurança que o caso exige a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, para efeito da qualificação da multa e, bem assim, da existência de atos tendentes de dificultar e/ou impedir o regular andamento da fiscalização, para fins do agravamento da multa, sequer inscreveu no Relatório Fiscal referidas imputações. Partindo dessa premissa, o simples fato de a Câmara recorrida, à sua unanimidade, ter legitimado o procedimento adotado pelo fiscal autuante ao constituir o crédito previdenciário, em relação ao seu mérito, não implica dizer que a contribuinte cometeu o crime fiscal ou dificultou a ação fiscal. Dessa forma, repitase, o fato de considerarmos procedente o lançamento, não quer dizer que há o crime de fraude, dolo ou conluio comprovados. Impõese, assim, um aprofundamento maior no tema por parte do fiscal autuante ao pretender imputar tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar a conduta criminosa da notificada. No caso sob análise, vislumbramos tão somente a procedência do feito em seu mérito, mas não a demonstração da ocorrência dos crimes fiscais acima elencados ou mesmo a conduta de obstaculizar a ação fiscal, na forma que a legislação de regência exige. Mesmo porque o fiscal autuante sequer imputou tais condutas. A rigor, podemos traçar um paralelo entre essa situação com a simples constatação de omissão de receitas/rendimentos, em que a Sumula nº 14 do CARF já firmou o entendimento que, isoladamente, não se presta a caracterizar a conduta dolosa do contribuinte. Em outras palavras, tal qual no caso de simples omissão de receitas/rendimentos, a simples demonstração da procedência do lançamento, relativamente a seu mérito, por si só, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, bem como o eventual obstáculo à fiscalização, de maneira a ensejar a aplicação das multas qualificada e agravada, como se vislumbra na hipótese dos autos. No caso vertente, inobstante o esforço do ilustre Conselheiro Relator, não podemos afirmar com a devida certeza ter a contribuinte agido de maneira fraudulenta, dolosa ou em conluio, ou mesmo ter dificultado o desenrolar da ação fiscal, mesmo porque o fiscal autuante nada inferiu a este respeito para qualificar e agravar a multa, sendo defeso a esta Corte Administrativa inovar o lançamento com o fito de imputar crime ou outra conduta em sede de segunda instância, sem que tenha havido qualquer menção ou contestação neste sentido no decorrer de todo processo administrativo. Assim, em que pese a contribuinte não ter suscitado referida questão em seu recurso, impõese, de ofício, reduzir a multa aplicada ao percentual de 75% (Setenta e cinco Fl. 280DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000965/201070 Acórdão n.º 240102.050 S2C4T1 Fl. 270 23 por cento), em homenagem à jurisprudência deste Colegiado e legislação de regência, como demonstrado alhures. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração em epígrafe parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reduzir, de ofício, a multa aplicada ao percentual de 75%, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10283.901797/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA.
O crédito tributário foi constituído pela autoridade fazendária através dos dados apresentados na DCTF. Tratando-se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado cabe a contribuinte o ônus da prova do direito invocado, com base na escrita contábil.
DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. DCTF. DIPJ.
Em se tratando de informações divergentes entre declarações apresentadas pelo contribuinte a prova deverá ser constituída mediante apresentação da escrita fiscal.
Numero da decisão: 1802-001.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário foi constituído pela autoridade fazendária através dos dados apresentados na DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado cabe a contribuinte o ônus da prova do direito invocado, com base na escrita contábil. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. DCTF. DIPJ. Em se tratando de informações divergentes entre declarações apresentadas pelo contribuinte a prova deverá ser constituída mediante apresentação da escrita fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901797/200935 Acórdão n.º 1802001.027 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901797/200935 Acórdão n.º 1802001.027 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, consequentemente, não reconheceu o direito creditório decorrente de PER/DCOMP transmitido em 30.06.2005. A Recorrente pedia restituição de CSLL (PA fevereiro/2004) no valor original de R$ 2.369,43 e utilizava parte desse crédito para a compensação de débitos (fl. 05). A DRF/Manaus através de despacho decisório eletrônico (fl. 06) indeferiu o pedido de restituição e considerou "não homologada" a referida compensação, considerando que o DARF apontado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Cientificada em 03.04.2009 (fl. 10) a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade (fl. 11), subscrita por procurador devidamente habilitado, por meio da qual, em síntese, alega que: “Devido a falha no procedimento do contribuinte, não foi feito a retificação na DCTF para o valor do débito apurado de R$ 59.660,13 para R$ 57.290,70, impossibilitando a análise do analista do pleito e sua devida anuência”. A DRJ de Belém ao julgar a manifestação de inconformidade em 09.11.2010 entendeu que o crédito tributário foi constituído pelo contribuinte através de DCTF e, para que fosse alterado, necessitaria que o contribuinte fizesse prova do direito invocado. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/02/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 73 a 77, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, e anexa cópia da DIPJ apresentada no período. Este é o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901797/200935 Acórdão n.º 1802001.027 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte apresentou PER/DCOMP solicitando pedido de restituição de CSLL do período de apuração de fevereiro de 2004, no valor original de R$ 2.369,43, e em seguida compensou esse valor com débito do mês seguinte. O pedido acertadamente não foi homologado pela autoridade fiscal por haver divergência entre o saldo solicitado e os valores declarados através da DCTF. Em 28 de abril de 2009 a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade com as informações constantes do relatório e os seguintes anexos: a) PER/DCOMP 11392.28135.300605.1.3.049280; b) DCTF n° 1000.000.2005.1750432889; c) comprovante de arrecadação do DARF no valor de R$59.660,13. Do mesmo jeito a DRJ de Belém agiu corretamente em não acolher o pedido apresentado pela ora Requerente por falta de provas que sustentassem tal pretensão, fundamentando da seguinte forma: “12. Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a confissão de dívida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. É que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente, que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre que a obrigação tributária principal é indevida.” Em 4 de março de 2011 a contribuinte apresentou recurso voluntário, objeto do presente julgamento, com as mesmas alegações apresentadas anteriormente, anexando cópia da DIPJ como documento considerado suficiente para sustentar sua pretensão. A DIPJ apresentada pelo contribuinte como matéria de prova está com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar à sua defesa a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Vale salientar que Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901797/200935 Acórdão n.º 1802001.027 S1TE02 Fl. 40 5 em momento algum foi feito, pois não estão presentes nem o balancete de suspensão/redução constante do Livro Diário daquele mês, nem tampouco as páginas da Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) que retratam esse cálculo. Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso, tendo em vista que as provas juntadas no presente auto não são suficientes para afirmar que havia qualquer crédito a ser compensado nos períodos subseqüentes. A apresentação da DIPJ por si só não é suficiente para afirmar que o valor correto foi o apresentado na PER/DCOMP. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000006/98-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1991
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se
aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9202-001.869
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
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PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, devese aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13986.000006/9897 Acórdão n.º 9202001.869 CSRFT2 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo administrativo originouse de pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido (fls. 02/03), pago em 30 de abril de 1991. O pedido foi protocolizado em 19/10/1998. O pedido foi inicialmente indeferido (fls. 32/33), com fundamento na ocorrência da decadência. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 35/46). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o indeferimento do pleito do contribuinte, nos termos da seguinte ementa (fls. 123/126): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1991 ILL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 128/141 dos autos. A 2° Câmara da 2° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13986.000006/9897 Acórdão n.º 9202001.869 CSRFT2 Fl. 3 3 Anocalendário: 1991 IMPOSTO SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INICIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL – Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito a restituição ou compensação tem inicio na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data da publicação de ato da administração tributária que reconhece caráter indevido de exação tributária. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Assim, não tendo transcorrido entre a data da publicação da Resolução n° 82 do Senado Federal e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 159/173). Insurgiuse contra o posicionamento externado no acórdão recorrido no sentido de que o prazo decadencial para a restituição iniciouse da data da publicação da Resolução n° 82 do Senado Federal, editada em vista da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade. Defendeu a tese de que o termo inicial do prazo decadencial corresponde à data do pagamento indevido do tributo, e não à data da prolação da decisão judicial ou da publicação do ato normativo relacionado. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 194/206 dos autos. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13986.000006/9897 Acórdão n.º 9202001.869 CSRFT2 Fl. 4 4 Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. A divergência concerne ao termo inicial do prazo decadencial para a restituição de tributo indevidamente recolhido, com fundamento em declaração de inconstitucionalidade por parte do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, com a superveniente edição da Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao enfrentar o quanto disposto pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamento indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei complementar. Isto mesmo nas hipóteses, tal como a dos presentes autos, de tributo declarado inconstitucional. O termo inicial, assim, para o STJ, é o pagamento indevido (incluindo a hipótese de declaração de inconstitucionalidade do tributo), observandose o prazo de dez anos, desde que não sobeje cinco anos a contar da entrada em vigor da lei complementar n° 118/05. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), no seguinte sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13986.000006/9897 Acórdão n.º 9202001.869 CSRFT2 Fl. 5 5 Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição do indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decidiuse, na Suprema Corte, portanto, que o prazo reduzido, de cinco anos a contar do pagamento indevido, fixado na Lei Complementar n° 118/05, somente se aplica às ações propostas após o decurso da vacatio legis, de 120, da referida lei complementar. Até então, todas as ações se submetem ao prazo de dez anos, conforme o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese bem a diversidade de entendimentos estabelecidos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Para o STJ, o prazo de dez anos persiste, aos indébitos anteriores à Lei Complementar n° 118/2005, mas limitados aos cincos anos, para o período transcorrido posteriormente à sua entrada em vigor. Para o STF, o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase aos pedidos realizados até o término Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13986.000006/9897 Acórdão n.º 9202001.869 CSRFT2 Fl. 6 6 da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/2005. A partir da sua efetiva entrada em vigor, incide o prazo de cinco anos para os pedidos de restituição então promovidos. O Regimento Interno do CARF estabelece, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Por óbvio que, sendo o STF o órgão máximo do Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra, no que tange à interpretação das normas do direito positivo brasileiro, havendo divergência de entendimentos, sobre uma mesma matéria, em relação ao STJ, a decisão daquele tribunal é a que deve prevalecer. Desta forma, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. No presente caso, o pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido foi protocolizado em 19/10/1998. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como o recolhimento indevido a que se refere ocorreu em 30 de abril de 1991, é de se reconhecer que não houve a decadência sustentada pela Fazenda Nacional. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13986.000006/9897 Acórdão n.º 9202001.869 CSRFT2 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10950.002314/2005-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
EMENTA: A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela internet.
Numero da decisão: 9101-000.970
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Karem Jureidini Dias, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e João Carlos Lima, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Karem Jureidini Dias, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e João Carlos Lima, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão n.º 30335.206, proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Em 10 de maio de 2005, foi lavrado Auto de Infração (fls. 02) para a exigência de valores relativos à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF do 4º trimestre de 2004, no valor de R$ 809,26 (oitocentos e nove reais e vinte e seis centavos). Impugnado o lançamento (fls. 01), o Contribuinte alega, em suma, que a declaração foi entregue fora do prazo por problemas de congestionamento de dados no site da Receita Federal do Brasil. Encaminhados os autos à Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – PR, esta julgou procedente o lançamento (fls. 28/32), nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Lançamento Procedente” Adveio, então, o Recurso Voluntário do contribuinte (fls. 36/38), em que reitera os argumentos apresentados em sua Impugnação. Devidamente processado o recurso, este foi encaminhado para a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que proferiu decisão (fls. 50/54) onde, por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA ADMINISTRATIVA. EMPREGO DA EQÜIDADE AO CASO. INCABÍVEL A IMPOSIÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES. Recurso Voluntário Provido” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 60/69) contra o Acórdão n.º 30335.206 (fls. 50/54), sustentadoo no acórdão divergente n.º 302 Fl. 107DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 3 3 38.631, da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, e, argumentando, basicamente, que: (i) o contribuinte sequer fez prova dos fatos que aduz, de modo a caracterizar eventual obstrução por parte da Administração Pública e que à época, conforme artigo 4º da IN n.º 255, de 11/12/2002, o contribuinte já estava obrigado a transmitir a DCTF por meio eletrônico. (ii) o ADE SRF ré 24, de 08/04/2005, foi editado, com a devida motivação, para sanar e esclarecer todos as consequências decorrentes dos problemas técnicos verificados no sistema de transmissão da DCTF em 15/02/2005. (iii) Se a autoridade administrativa competente determinou que fossem admitidas, sem mora, as DCTF’s apresentadas entre os dias 16 e 18 de fevereiro de 2005 é porque reconheceu a insuficiência do referido sistema eletrônico apenas naqueles dias, elegendo critério seguro para proteger os contribuintes prejudicados. O exame de admissibilidade foi realizado (fls. 74/75), determinando o seguimento do Recurso Especial interposto. Devidamente cientificado, o Contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 81/83). É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de regência e lhe foi dado seguimento em despacho de admissibilidade, pelo que dele conheço. Informo que o recurso é de divergência, porquanto o acórdão recorrido foi votado à unanimidade. O acórdão citado pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional (AC n.º 30238.631) se presta como paradigma, por tratar de caso de todo semelhante. Inicialmente, cumpre delimitar a lide. A exigência objeto deste processo referese à multa de ofício por atraso na entrega da DCTF correspondente ao 4º Trimestre de 2004. O Contribuinte questionou a aplicação da multa objeto da autuação, sob a alegação de que só houve o atraso em decorrência dos problemas técnicos, ocorridos exatamente em 15 de fevereiro de 2005, dia limite para a entrega das declarações, que posteriormente foram admitidos formalmente pela Receita Federal do Brasil no Ato Declaratório Executivo SRF n.º 24, de 8 de abril de 2005, publicado somente em 12 de abril de 2005. Ainda, o Contribuinte afirma que, manteve contato com a Delegacia da Receita Federal, tanto no dia aprazado para a entrega da declaração, quanto nos dias seguintes, a fim de obter uma orientação oficial de como proceder. No entanto, somente em 12 de abril de 2005, quase dois meses após a data de vencimento legal, foi publicado o Ato Declaratório Executivo SRF n.º 24/2005, que estendeu o prazo para a entrega das DCTF’s relativas ao 4º trimestre de 2004 e declarou válidas somente as declarações entregues até 18 de fevereiro de 2005, sem nenhuma explicação adicional. A despeito da d. Procuradoria alegar que não há prova de obstrução por parte da Administração Pública, não restam dúvidas quanto à ocorrência de problemas técnicos que impossibilitaram a transmissão das declarações dentro do prazo legal, conforme reconhecido no próprio Ato Declaratório Executivo SRF n.º 24/2005. Ora, o citado ato declaratório, apesar de reconhecer que o Contribuinte pode ter ficado impossibilitado de cumprir o seu dever legal, dispensou da multa somente aqueles que entregaram a declaração nos três dias subseqüentes, em detrimento daqueles, como a Recorrida, que entregaram dias após o vencimento (a Recorrida entregou em 28 de fevereiro de 2005, fls. 02 e 30), apesar de também ter entregue antes da publicação do Ato Declaratório. Ou seja, a Recorrida cumpriu com a obrigação antes da publicidade por parte da Administração Pública acerca do reconhecimento do problema causado e do deferimento para entrega em outro prazo. A sanção é consequência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, relacionada ao comportamento lícito que se quer realizado. A proporcionalidade na imputação da sanção tem por função garantir os fins perseguidos pelo Estado, em relação de ponderação com os direitos e garantias individuais. Além da proporcionalidade que se espera da Lei, o que não é objeto de nossa análise, há que se observar a proporcionalidade no caso concreto. Nesse sentido, se ao ato de reconhecimento da Fl. 109DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 5 5 Administração Pública só foi dado publicidade posteriormente ao cumprimento da obrigação por parte do administrado, não há logicamente equidade ou tratamento proporcional entre este contribuinte e aquele que da mesma forma, cumpriu posteriormente ao prazo legal, mas antes do Ato Declaratório. De mais a mais, plausível a dúvida sobre a informação por parte da Receita Federal do Brasil acerca da data em que poderia a DCTF ser transmitida sem a implicação em imediata imputação de penalidade, bem como de se interpretar a favor do contribuinte no sentido de que este procurou cumprir com o seu dever legal. Nesse sentido, dispõe o Código Tributário Nacional: "Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará, sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação". No caso em análise, o Ato Declaratório Executivo SRF n.º 24/2005, foi publicado no dia 12 de abril de 2005, quase dois meses após a data de vencimento legal para a entrega da declaração, na qual reconhecidamente houve o problema na recepção dos dados. De acordo com o princípio da publicidade, insculpido no artigo 37, caput, da Constituição Federal, e observado os ensinamento de José Afonso da Silva in (Curso de Direito Constitucional Positivo, 31ª ed., São Paulo: Ed. Malheiros Editores, 2008, pg. 670) “A publicidade se faz pela inserção do ato no jornal oficial ou por edital afixado no lugar de divulgação de atos públicos, para conhecimento do público em geral e início da produção de seus efeitos. A publicação oficial é exigência da executoriedade do ato que tenha que produzir efeitos externos.”. Não bastasse, no caso tem boafé o contribuinte em cumprir a obrigação, em contrapartida da falta de informação sobre a possibilidade de entrega posterior. Importante transcrever o relato da Superintendência da 9ª Região Fiscal, exarado pela funcionária Alacir Braz, Chefe do CAC – Centro de Atendimento ao Contribuinte em Maringá – PR, do que tive conhecimento em outros processos, como consta do meu voto nos demais processos Fl. 110DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 6 6 (10950.002737/200502; 10950.002295/200596; 10950.002728/200511) julgados nesta mesma sessão: “Em atendimento ao despacho às folhas de n° 31, esclarecemos; 1. Contribuintes reclamaram durante, pelo menos uma semana antes das entrega da DCTF, questionando sobre as dificuldades encontradas e a não disponibilidade do Programa para entrega pela Internet; 2. Tentamos durante todo o período, inclusive com a SATEC, responder aos questionamentos, porem, não tivemos nada oficial de que seria um problema em nossa Rede; 3. No último dia, como derradeira tentativa de resolver os problemas dos contribuintes passamos um Notes para a Satec, solicitando que fosse verificada a possibilidade deste CAC receber as DCTF impressas. Não foi possível, uma vez que a legislação, permitia sua recepção, somente em casos de constatação oficial do problema na Rede; 4. A situação foi bem dramática, chegamos a deixar a Delegacia aberta até as 20 horas para que os contribuintes tentassem enviar as declarações pelo autoatendimento; 5. Os esclarecimentos a serem dados, como se colocou, não se tratava de anexação de documentos, uma vez que somente trabalhamos com informações oficiais; o que foi dito é que se daria as informações do ocorrido, como se faz agora; 6. Houve realmente uma reunião com o Delegado o chefe da SATEC e os contribuintes que estavam com dificuldades de transmitir a DCTF. Eles, (Delegado/Chefe SATEC) esclareceram que as DCTF's deveriam ser entregues o mais rápido possível, e que oficialmente a MULTA não poderia deixar de ser cobrada tendo em vista o efetivo atraso na entrega das declarações. 7. Tivemos sempre a preocupação de somente repassar as informações oficiais, por isso esclarecíamos ao contribuinte que o prazo limite era as 20 horas da data prevista, porque esta era a informação ser dada. 8. Realmente, se soubéssemos que haveria a prorrogação do prazo para a entrega alertaríamos aos contribuintes, uma vez que os mesmos vieram na manhã seguinte buscando uma solução junto a este CAC e a preocupação foi encaminhada ao Gabinete. 9. Ainda, não tínhamos até aquele momento qualquer notícia de que poderia haver prorrogação ou ato oficial que permitisse a entrega sem a emissão da multa. 10. As tentativas para verificar os problemas ocorridos foram efetuados por este CAC e SATEC, a exaustão; víamos o sofrimento dos contribuinte na tentativa de entrega com os sistemas congestionados.” Vale neste ponto destacar a ponderação exarada pelo no voto do Relator Zenaldo Loibman, no Acórdão n.º 30334989, proferido nos autos do processo n.º 10950.002853/200513, quando do julgamento do Recurso Voluntário n.º 137.623, que tratou de idêntica questão: "A omissão da administração em explicitar a razão ou o critério objetivo que normalmente deveria fundamentar o ato normativo complementar exarado na forma do ADE SRF 24/2005, equivale a se poder tomar o referido ato administrativo por arbitrário, e nesse sentido além da injustificável afronta à Fl. 111DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 7 7 isonomia acusada com acerto pela recorrente, é, a meu ver, e s.m.j., o caso de se observar as prescrições legais no art. 108 c/c o art. 112, do CTN. Neste rumo penso que ao se pode aqui olvidar a consideração cumulativa dessas normas jurídicas quanto a estabelecer autorização legal para que a autoridade competente, no caso a autoridade julgadora representada por esse colegiado, possa aplicar a equidade para afastar a penalidade que, embora prevista em norma geral encontrada na legislação tributária, exigiu a expedição de nova norma especialmente exarada pela administração, mediante o ADE SRF referido, que em face da ausência de disposição expressa, vale dizer fundamento lógico garantidor de isonomia, e agredindo o princípio da irretroatividade da norma administrativa que leva à aplicação de penalidade, revelouse inexplicavelmente omissa quanto à razão de dispensar a multa apenas de uma parte dos contribuintes, isto é, somente dos que incorreram em atraso de até três dias, em detrimento dos demais que eventualmente entregaram sua declaração com atraso de quatro dias ou de dez dias, principalmente quando se examinam as circunstâncias que envolvem o caso concreto Acresce que o CTN determina que se deve interpretar a "lei tributária" que defina infrações, ou comine penalidades, da maneira mais favorável ao acusado no caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos, ou quanto à autoria da infração, imputabilidade, ou punibilidade. Pois bem, se entendermos que a norma definidora da extensão da data do vencimento para a entrega da DCTF em foco, foi exarada por meio do ADE SRF, e pode ser entendida como sendo, lato sensu, a lei tributária que combinada com as demais leis indicadas no auto de infração servem de base legal para a exigência da multa lançada, podese concluir que há evidentes dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato impeditivo da transmissão e recepção das DCTF na data legal de vencimento, bem como há evidente dúvida sobre a possibilidade que teria a autoridade administrativa de naquele momento do incidente, ou muito próximo a ele, estabelecer o período de tempo razoável, bem como um critério eficiente de distribuição, ao longo de tal período, do volume total das transmissões de DCTF esperadas. Mas, há ainda neste caso, duvida sobre a ocorrência ou mesmo autoria da infração, sobre a sua imputabilidade e principalmente sobre a punibilidade do ora recorrente, havendo a percepção de negligência administrativa quanto a definir com antecipação adequada o critério de distribuição diária da transmissão e recepção da demanda esperada de declarações, bem como o prazo geral prospectivo que deveria ser concedido, em igualdade de condições, a todos os contribuintes que foram impedidos de entregar suas DCTF eletronicamente no prazo legal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para com base no disposto no art.108 c/c o art. 112, do CTN, aplicar neste caso juízo de eqüidade e propor o cancelamento da multa lançada.” De se considerar que o ato que impossibilitou o envio da declaração em nada se relaciona com a vontade do Contribuinte. A conduta da Administração Pública é pautada Fl. 112DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 8 8 pela boafé objetiva, inclusive no concernente às suas obrigações colaterais, dentre elas, os deveres de informação e de proteção. Quando o Estado transfere ao contribuinte um dever, ele também fornece ou deve fornecer as informações e os meios que dependem do Estado para o cumprimento da obrigação. A questão que se discute não é de espontaneidade, mas in casu, de ausência de culpabilidade por parte do contribuinte, de presunção da sua boafé subjetiva que, por seu turno, pressupõe a confiança na boafé objetiva do Estado. Considerando que, até a publicação do ato mencionado, o Contribuinte não possuía nenhuma informação acerca de nova data para a transmissão da declaração; considerando a presunção da tentativa por parte do contribuinte impera, por força do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional; e considerando que se já havia incorrido em multa por atraso na entrega da DCTF, não há que se exigir que o contribuinte entregue a DCTF o mais rápido possível, acelerando com isso a imposição de multa; considerando que o contribuinte tem o direito de esperar que o Estado lhe confira novo prazo para a entrega sem multa, já que o não cumprimento no prazo regular se deu por problema nos sistemas do próprio Estado, entendo que deve ser exonerada a multa em questão. Se não foi possível o cumprimento da obrigação por falha corretamente reconhecida pela própria Administração Pública e se a autorização para o cumprimento posterior só foi noticiada posteriormente ao cumprimento da obrigação pelo próprio administrado, não há que se falar em infração, passível de multa. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora.23 de maio de 2011 Fl. 113DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 9 9 Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner – Redatora designada Peço vênia para discordar do bem fundamentado voto da conselheira relatora. Em sessão do mês de março de 2011, esta Primeira Turma da CSRF decidiu, por maioria de votos, manter a multa devida pelo atraso na entrega da DCTF do 4º trimestre de 2004 em vários processos com situação fática idêntica a deste. Por economia processual, transcrevo a íntegra do meu voto prolatado num daqueles processos, com o qual fundamento as razões de decidir o presente recurso, in verbis: A discussão cingese à validade ou não do auto de infração de imposição de multa por atraso na entrega de DCTF entregue após a data da prorrogação definida no Ato Declaratório Executivo SRF nº 24, de 8 de abril de 2005, que estabeleceu, ipsis litteris: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. O voto condutor do acórdão recorrido sustenta que deve ser aplicada ao caso a equidade prevista no art. 108, §2º, do CTN, devendo ser considerada tempestiva a entrega da DCTF relativas ao 4º trimestre de 2004 na data em que foi entregue pelo contribuinte, ainda que posterior ao término da prorrogação concedida pelo ato referido. Esse argumento, no meu entender, não merece prosperar. Como decidiu esta colenda Primeira Turma da CSRF, em sessão realizada em fevereiro de 2011, a prorrogação do prazo da entrega da DCTF do 4o trimestre de 2004 não teve força de tornálo indefinido. E posso acrescentar: ainda que a publicação do ato tenha se dado quase dois meses após o ocorrido, não se subsume disso o alargamento do prazo até a data de sua publicação. A Secretaria da Receita Federal é o órgão competente para estabelecer o prazo de entrega da DCTF, conforme dispõe a Lei nº 10.426, de 2002, que alterou a sistemática de apuração da multa devida pelo atraso na entrega de declarações, in verbis: Art.7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a Fl. 114DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 10 10 apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: [...] (destaquei) Com fundamento no disposto no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 255, em 11 de dezembro de 2002, dispondo sobre a forma e o prazo de entrega da DCTF, verbis: Da Forma de Apresentação Art. 4o A DCTF será apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Do Local e do Prazo de Entrega Art. 5o A DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. (destaquei) A regra geral no ordenamento jurídico brasileiro é que, na impossibilidade material de cumprimento do prazo na data fatal, prorrogase o mesmo para o primeiro dia útil seguinte. No caso sob análise, o contribuinte ficou impossibilitado de entregar a DCTF do 4º trimestre de 2004 dentro do prazo previsto na legislação, assim como os demais que deixaram para cumprir a obrigação acessória no último dia do prazo, em razão de problemas técnicos no sistema eletrônico disponível para a transmissão de declarações. O próprio órgão competente reconheceu o problema e considerou entregues no prazo as declarações enviadas pela internet até o dia 18 de fevereiro de 2005, resguardando o direito daqueles que insistiram na entrega logo após a pane. Sendo ônus do contribuinte, não restou demonstrado nos autos a impossibilidade de entrega nos dias subsequentes. Por dedução lógica, tal prova nem seria possível, visto que a maioria dos contribuintes em idêntica situação conseguiu apresentar a declaração naquele período, ficando exonerada da multa. No presente caso, apenas vários dias após o fim do prazo original, o contribuinte enviou sua declaração pela internet, extrapolando o prazo prorrogado pelo ADE SRF nº 24/2005. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.002314/200584 Acórdão n.º 910100.970 CSRFT1 Fl. 11 11 Verificandose no presente caso a ausência de entrega efetiva da DCTF por qualquer outro meio no prazo regulamentar e a entrega em meio eletrônico em data posterior à prorrogação concedida pela Receita Federal do Brasil, voto no sentido de considerar devida a multa imposta, dando provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 116DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 14/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER , 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000763/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA.
Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN.
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 26
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS.
A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA.
DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a diligência para realização de perícia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
INDEFERIR o pedido de diligência e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a diligência para realização de perícia. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 525 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de diligência e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 479 a 484 da instância a quo, in verbis: DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 2001, 2002 e 2003, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 213 a 218. 2 O valor lançado inclui imposto suplementar de R$314.976,81, multa de ofício de 75%, no valor de R$236.232,59, e acréscimos moratórios cabíveis. 3 A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no Auto de Infração e Termo de Verificação às fls. 219 a 227, versando sobre a seguinte infração: o 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. 4 De posse dos extratos de movimentação financeira do contribuinte (fls. 26 a 157), apresentados pelo próprio em resposta a termo de intimação fiscal (fls. 24 e 225), a fiscalização selecionou uma série de depósitos bancários e intimou (fls. 158 a 168) o contribuinte a comprovar a origem destes valores. 5 Em resposta (fls. 169 a 212), o contribuinte apresentou suas justificativas, tendo a fiscalização considerado como comprovados apenas os valores referentes a aluguéis recebidos, relacionados na conta corrente do Banco do Brasil, e os ingressos de R$81.000,00, em 26/06/2001, na CEF (Caixa Econômica Federal), e de R$70.000,00, em 14/12/2002, no banco Real, referente à venda de imóvel. Adicionalmente, esclarece a fiscalização que o valor de R$2.771,10, depositado em 04/09/2001, no Banco do Brasil, e o valor de R$3.284,00, depositado em Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 526 3 23/12/2002, no Banerj, foram retirados do cálculo dos ingressos por terem sido estornados posteriormente nos extratos do contribuinte. 6 A fiscalização não considerou a justificativa de retificação de lucros distribuídos pela empresa CENEFRO, da qual o contribuinte é sócio, por entender que, estando as informações declaradas pelo impugnante de acordo com as DIPJ’s da empresa, não caberia a retificação das referidas informações após o questionamento da movimentação financeira do interessado. 7 Entendendo que o contribuinte não comprovou a origem de parte dos valores questionados, a fiscalização, com base no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, lavrou auto de infração considerando como receita omitida os valores argüidos e não justificados 8 Os depósitos bancários lançados como receita omitida encontramse listados às fls. 221 a 227, com discriminação individualizada de banco, data, histórico e valor. DA IMPUGNAÇÃO 9 Cientificado do Auto de Infração em 18/04/2006 (fl. 217), o contribuinte protocolizou impugnação em 12/05/2006 (fl. 234 a 267), em que apresenta as seguintes razões. DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO 10 Preliminarmente, afirma a tempestividade de sua impugnação, posto que apresentada no prazo legal. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO 11 Após descrever a pretensão do Fisco, conclui que o lançamento não resultou da verificação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributárias e sim de simples entendimento pessoal da autora do procedimento, que deixou de reconhecer toda a comprovação que fora apresentada, conforme documentos que guardavam a estrita observância da legislação de regência. 12 Com base no art. 112 do CTN, alega que, na existência da dúvida, seria inquestionável que não assistiria ao Fisco o direito de proceder ao lançamento, especialmente quando este decorre de mera presunção legal. Estaria, assim, caracterizada uma exação abusiva. 13 Alega o contribuinte que o lançamento foi levado a efeito sem levar em consideração a vinculação a que se subordina a atividade administrativa do lançamento, nos termos dos arts. 3o e 142 do CTN, tendo sido o lançamento efetuado de forma precipitada. Eis que não houve a preocupação de se esclarecer suficientemente a situação no curso do procedimento fiscal, invertendose o ônus da prova por comodidade e conveniência, quer em virtude da facilidade propiciada pela presunção legal, quer pelo fato de estar concluindo a ação fiscal com resultado. Teria o Fisco, desta forma, transferido ao sujeito passivo o ônus da prova no processo administrativo fiscal instaurado, sem se preocupar com a verdade dos fatos. E, agindo assim, estaria a autoridade lançadora sujeita à responsabilidade pessoal (funcional) preceituada no art. 142 do CTN, sem contar que não teria sido assegurado ao crédito tributário a presunção de liquidez e certeza e, em especial, o efeito de prova préconstituída a que alude o art. 204 do CTN. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 527 4 14 Tal atitude caracterizaria, também, inobservância do princípio constitucional da eficiência a que se submete a administração pública e seus agentes, previsto no art. 37 da CF/88. 15 Citando ensinamentos de Hugo de Brito Machado e Luiz Henrique de Barros Arruda, bem como acórdão da 7ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, que tratam de conceitos acerca do devido processo legal e questões de prova, o contribuinte reclama que o lançamento nas condições em que foi efetuado, ainda que passível de correção na esfera administrativa, implica em dispêndios que serão suportados apenas pelo sujeito passivo com a contratação de profissionais para a devida intervenção no processo administrativo fiscal. 16 Diante do que expõe, o contribuinte requer a nulidade do lançamento, porquanto afastado da verificação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação pertinente, em face da prova produzida pelo impugnante no curso da ação fiscal, embora sabendo que era sua incumbência “determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade aplicável” (CTN, art. 142). DA DECADÊNCIA 17 Inicialmente, o impugnante chama a atenção para o fato de que a autoridade autuante imputoulhe a ocorrência de omissão de rendimentos nos meses de janeiro, fevereiro e março, embora indicando como fato gerador da obrigação tributária o mês de dezembro de 2001, embora o art. 42,§1o, da Lei no 9.430/96, determine que o rendimento omitido seja considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Conclui, assim, que, se a omissão deve ser imputada mensalmente, a contagem do prazo decadencial dever iniciada no mês de ocorrência do fato gerador, aplicandose a tabela mensal. Por conseguinte, tendo sido o lançamento levado a efeito em 18/04/2006, a decadência (art. 150, § 4o do CTN) já teria ocorrido para os meses janeiro e março de 2001. Para corroborar suas alegações apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS 18 Alega o contribuinte que o lançamento é abusivo em face dos elementos de prova que foram apresentados à autoridade autuante no curso da ação fiscal, de modo que o auto de infração foi lavrado sem verificação da efetiva “ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, consoante determina o art. 142 do CTN, não obstante envolver uma presunção legal. 19 Afirma ser sócio da pessoa jurídica CENEFRO – Centro de Nefrologia Mageense Ltda, que se submeteu à tributação pelo lucro presumido nos anos calendário de 2001, 2002 e 2003, mantendo escrituração comercial conforme cópias de seus livros diários. 20 Nesse aspecto, afirma que a escrituração dos livros diários comprovaria que em todos os anos sempre ocorreu distribuição de lucro pela CENEFRO e os lucros acumulados suportariam perfeitamente as importâncias distribuídas a cada sócio a esse título, sendo certo que o saldo de Caixa em cada mês também seria suficiente para as distribuições que foram realizadas e encontramse devidamente escrituradas nos livros Diário, conforme demonstrativo à fl. 256. 21 Alega que é profissional liberal (médico), e, como a maioria de seus colegas de profissão, desconhece completamente a parte contábil e bem assim os Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 528 5 meandros dos aspectos fiscais e tributários envolvidos nas atividades da pessoa jurídica, sem contar, com as suas implicações com apuração dos resultados da pessoa física. Por esse motivo, esclarece que as suas declarações de imposto de renda pessoa física são elaboradas por um profissional contábil que é o mesmo responsável pela pessoa jurídica em questão e, diante da confiança que existe nesta pessoa, não são confrontados os seus valores com a realidade dos fatos efetivamente ocorridos. 22 Nesse aspecto, chama a atenção para o esforço empreendido para elaborar o fluxo financeiro apresentado à autora do procedimento durante a fiscalização, uma vez que as pessoas físicas não possuem controle individualizado para cada cheque emitido e cada depósito efetuado, além de eventuais transferências entre contas mantidas em mais de uma instituição financeira. E foi nesta ocasião que teriam sido constatadas as divergências entre os valores efetivamente distribuídos a título de lucros, conforme contabilidade da CENEFRO, e os valores informados na DIPJ e na sua própria DIRPF. Dentro dessa ordem de idéias, entende que caberia à própria Administração Tributária o poderdever de proceder, de ofício, às retificações em questão, em face do que preceitua o CTN (art. 145). 23 De acordo com o impugnante, a CENEFRO não estava sob nenhum procedimento fiscal que representasse restrição à retificação de suas declarações, tendo sido efetuadas as retificações muito antes do encerramento da ação fiscal a que se submeteu o impugnante, sendo que, dada a natureza de rendimento não tributável para o beneficiário da distribuição de lucros, as retificações não acarretaram nenhum prejuízo ao Fisco. 24 Afirma, forte no art. 10, inc. III, do Decreto no 70.235/72, que incumbe ao Fisco descrever convenientemente os fatos apurados no procedimento, de modo a adequar a matéria de fato constatada à norma abstrata estabelecida na legislação. E assim seria porque a presunção de legitimidade dos atos administrativos não serviria como meio de supressão de lacunas probatórias. Tal entendimento, que afirma estar consagrado pela doutrina e jurisprudência, seria consentâneo com o que prescreve a parte final do art. 9o do Decreto no 70.235/72, o qual exige que os autos de infração sejam instruídos como todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, sendo o procedimento fiscal norteado pelos princípios do contraditório e ampla defesa (art. 5o, inc. LV da CF/88). 25 No presente caso, reclama que a autora do procedimento tinha pleno conhecimento da legitimidade da retificação das DIPJs em causa, cujos resultados repercutiam diretamente na ação fiscal em andamento em relação ao impugnante, em face do fluxo financeiro que lhe fora apresentado, demonstrando e comprovando a origem dos depósitos efetuados em contas correntes. 26 A própria Administração teria a obrigação de retificar de ofício as declarações dos contribuintes, quando comprovado o erro nelas contidos. E no seu caso seria inquestionável que as DIRPFs apresentadas pelo impugnante nos anos calendário de 2001, 2002 e 2003, sem a devida retificação, retratavam erros notórios no tocante aos valores distribuídos a título de lucro pela pessoa jurídica em causa. 27 Trazendo aos autos o teor dos arts. 923 e 924 do RIR/99, o contribuinte alega que caberia ao Fisco a produção da prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração da CENEFRO de modo a impedir o reconhecimento dos lucros distribuídos por esta pessoa jurídica. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 529 6 28 Com base no art. 19 da MP no 1.990/99 (atual art. 18 da MP 2.189 49/2001) e Instruções Normativas no 165 e 166 de 23/12/1999, afirma que a retificação das declarações das pessoas físicas e jurídicas dáse mediante a simples apresentação de nova declaração, independentemente de autorização administrativa, tendo a declaração retificadora a mesma natureza da declaração anteriormente apresentada, substituindoa integralmente. 29 O impugnante alega que já havia apresentado à autora do procedimento fiscal a devida documentação hábil e idônea, a qual seria suficiente para ilidir o lançamento. Todavia, tendo o Fisco efetuado o lançamento mesmo assim, o impugnante apresenta cópias dos livros diários e cópias das DIPJs retificadoras da CENEFRO. 30 Desta forma, invocando as fundamentações fáticas, doutrinárias e jurisprudenciais apresentadas, impõese a improcedência do lançamento consubstanciado no auto de infração guerreado, uma vez que não poderia sequer o impugnante ter sido acusado de haver dolosamente omitido rendimentos tributáveis, quando ainda vigora o art. 112 do CTN. DO PEDIDO 31 Ao final, diante do que expõe, requer que seja julgada procedente a sua impugnação, exonerandoo inteiramente da exigência tributária dele decorrente, com o arquivamento do processo administrativo fiscal respectivo. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE. AVALIAÇÃO DE PROVAS E REGRAS DE TRIBUTAÇÃO. QUESTÃO DE MÉRITO. A avaliação das provas, regras de tributação e penalidades aplicadas não é uma questão preliminar de nulidade, mas de mérito, acerca da procedência ou não do lançamento, conforme a suficiência ou não dos elementos utilizados para a comprovação do ilícito. Ou seja, se as provas coletadas e a descrição dos fatos e dispositivos legais infringidos estiveram à disposição do contribuinte para a sua livre consulta desde o início do prazo para impugnação e se o auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não há que se falar em cerceamento do direito de defesa nem em incompetência para o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 530 7 comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LIVRO DIÁRIO. PARTIDAS MENSAIS. INSUFICIÊNCIA DE VALOR PROBATÓRIO PARA COMPROVAR A ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE SÓCIOS A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A escrituração do livro diário em partidas mensais, feita uma só vez ao fim de cada mês, sem que as operações de mesma natureza sejam desdobradas em livros auxiliares, ou discriminadas pelos dias de ocorrência no lançamento único que as compreende, torna insuficiente a sua utilização como único elemento de prova a demonstrar a origem de depósitos bancários efetuados na conta dos sócios da pessoa jurídica a título de distribuição de lucros. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 488 a 506, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Da decadência parcial da pretensão fazendária. Acusa ser improcedente a exigência relativa aos supostos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro/2001 a março/2001, tendo em vista que a ciência ao contribuinte do auto de infração somente se efetivou em 18.04.2006; II. Da insubsistência do lançamento no tocante à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários inerentes ao anocalendário de 2001, por estrita violação ao artigo 849, § 2°, II, do RIFU99. Nesse ponto alega que considerando os valores alcançados pela decadência em 2001, salvo os valores dos depósitos acima de R$ 12.000,00, todos os outros depósitos, do anocalendário 2001, devem ser retirados da base de cálculo lançada por não alcançarem o montante de R$ 80.000,00; III. Da improcedência do lançamento calcado em depósitos bancários. Aduz acerca da impossibilidade do lançamento ser calcado na simples presunção de renda a partir de depósitos bancários. IV. Da comprovação da origem dos rendimentos. Pede que seja revista a posição da DRJ, pois, pelo simples exame dos registros contábeis da CENEFRO, resta claro que referida sociedade possuía lucros acumulados do anocalendário de 2000, os quais foram automaticamente transferidos para o exercício subseqüente, ou seja, para o anocalendário de 2001 e assim sucessivamente. V. Princípio Constitucional da Motivação. Acusa que a não aceitação das suas alegações pela DRJ, colide com o princípio do acesso ao judiciário e da moralidade administrativa, pois, a motivação do ato administrativo tomouse, em regra, obrigatória. A Constituição de 1988 determina, no inciso X, do artigo 93, que todas as decisões dos tribunais pátrios têm de ser motivadas. O comando constitucional, muito embora se refira ao Poder Judiciário, é interpretado pelos doutrinadores como extensível a todos os atos da Administração. Alega que os Princípios Constitucionais como da razoabilidade e moralidade não foram respeitados pela Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 531 8 falta de esclarecimentos no indeferimento anterior, violando a verdade material das provas apresentadas. VI. Do requerimento de diligência/perícia. Em face de toda a argumentação anteriormente exposta, bem como em razão da natureza do auto de infração lavrado, o Recorrente entende como primordial a realização de diligência/perícia, a qual será capaz de demonstrar que o lançamento fiscal foi efetuado sobre valores que indubitavelmente tiveram sua origem comprovada pelo mesmo. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DECADÊNCIA Inicio apreciando o pleito decadencial no tocante ao crédito tributário do ano calendário 2001. Para tal análise, considerando a reprodução nos julgamentos do Carf, conforme art. 62a, do anexo II, do Ricarf, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, utilizome de entendimento pacífico dessa Turma de julgamento, expresso no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 532 9 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Feitas estas considerações, nos presentes autos, para o anocalendário 2001, considerando que houve declaração e pagamento, fl. 04, e que não se verificou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, devese, portanto, aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, como o fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2001, a Fazenda Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 533 10 Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2006. A ciência do contribuinte acerca da autuação, se deu na datas de 18/04/2006 (fl. 217), implicando que não houve a alegada decadência. Dessa forma, sigo na análise das demais matérias recursais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Acerca da alegação que, considerando os valores alcançados pela decadência em 2001, salvo os valores dos depósitos acima de R$ 12.000,00, todos os outros depósitos, do anocalendário 2001, devem ser retirados da base de cálculo lançada por não alcançarem o montante de R$ 80.000,00, esclarecemos que como já foi superada a questão da decadência, somandose todos os depósitos ocorridos em 2001 abaixo de R$ 12.000,00, indicados às fls. 221, 225 e 226, superase o limite dos R$ 80.000,00 e, portanto, não há como prosperar a tese do recorrente. Importante observar que o limite de R$ 80.000,00 deve incluir todos os depósitos de todas as contas correntes do interessado no respectivo anocalendário. Seguindo na análise do recurso, auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários e intimou o contribuinte a comproválos, fl. 158, considerados de origem não comprovada, fls. 160 a 166, para os quais a contribuinte poderia comproválos, até, no curso desse contencioso fiscal, contudo, não o fez. Importante observar que o contribuinte, não atacou as omissões de forma individual, demonstrando de forma inequívoca, quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Esclareço que os registros contábeis da CENEFRO conjuntamente com a apresentação das declarações retificadoras apresentadas após o início da ação fiscal, como bem detalhou o acórdão vergastado, não compõem uma prova robusta e um batimento individualizado dos depósitos, incluindo de valores e datas necessários para socorrer o contribuinte. Ressalto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 obriga o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, sob pena deles serem presumidos como rendimentos omitidos. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 534 11 o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências lançadas. SÚMULAS. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. De outro lado, cumpre destacar que as demais teses defendidas pelo contribuinte em seu recurso cuidam de matérias já pacificadas neste Colegiado, de sorte que já se encontram sumuladas, conforme Consolidação publicada no DOU em 22 de dezembro de 2009, quais sejam: Quanto às pretensas ilegalidade e inconstitucionalidade: SÚMULA CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre registrar que não foi aplicada qualquer qualificação na multa diferentemente do alegado pelo recorrente. Acerca da alegação que depósito bancário não é renda: Súmula CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, as teses defendidas pelo contribuinte, no que diz respeito às matérias já sumuladas, não podem prosperar. DILIGÊNCIA. PERÍCIA CONTÁBIL. Pede o recorrente deferimento de pedido de diligência para realização de perícia, pela autoridade fiscal para que fosse demonstrado que os depósitos procedem de movimentação de recursos da pessoa jurídica d CENEFRO, daí a necessidade do processo ser baixado em diligência. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus recursos durante a fiscalização, como se vê, , fls. 158. E com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento da diligência pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.000763/200613 Acórdão n.º 2102001.558 S2C1T2 Fl. 535 12 modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto No. 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Não há possibilidade de se sugerir qualquer preterição de direito de defesa, muito menos de se requerer a nulidade da autuação. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10380.016561/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
DECADÊNCIA. O TERMO INICIAL DA DECADÊNCIA CONTA-SE DO FATO QUE GERA EFEITOS TRIBUTÁRIOS CORRELACIONADOS AO LANÇAMENTO
É incabível afirmar que tenha ocorrido decadência em relação a um fato estranho ao lançamento. Na acepção técnica definida pelo CTN, a decadência somente pode se verificar em face de fatos geradores expressamente previstos em lei.
UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS, AUSÊNCIA DOS REQUISITOS OBRIGATÓRIOS
Não cabe a unificação dos processos administrativos, mesmo que originados de um mesmo MPF, se não estão presentes os requisitos obrigatórios.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Quando a autoridade fiscal demonstra que ocorreram veementes indícios de dolo, fraude ou simulação, a decadência regese
conforme o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO PARA AUMENTO DE CAPITAL.
Se a pessoa jurídica não logra comprovar a origem e efetiva entrega dos recursos supridos pelos sócios, prevalece a omissão de receitas calcada no art. 282 do RIR/99.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos
lançamentos reflexos.
Numero da decisão: 1802-000.999
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que acolhia a decadência.
Declarou-se impedida e votar a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, por haver atuado como autoridade administrativa no procedimento de auditoria. Sustentação oral pelo Dr. Francisco José Soares Feitosa, OAB/CE 16.049.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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O TERMO INICIAL DA DECADÊNCIA CONTASE DO FATO QUE GERA EFEITOS TRIBUTÁRIOS CORRELACIONADOS AO LANÇAMENTO É incabível afirmar que tenha ocorrido decadência em relação a um fato estranho ao lançamento. Na acepção técnica definida pelo CTN, a decadência somente pode se verificar em face de fatos geradores expressamente previstos em lei. UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS, AUSÊNCIA DOS REQUISITOS OBRIGATÓRIOS Não cabe a unificação dos processos administrativos, mesmo que originados de um mesmo MPF, se não estão presentes os requisitos obrigatórios. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Quando a autoridade fiscal demonstra que ocorreram veementes indícios de dolo, fraude ou simulação, a decadência regese conforme o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO PARA AUMENTO DE CAPITAL. Se a pessoa jurídica não logra comprovar a origem e efetiva entrega dos recursos supridos pelos sócios, prevalece a omissão de receitas calcada no art. 282 do RIR/99. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.099 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que acolhia a decadência. Declarouse impedida e votar a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, por haver atuado como autoridade administrativa no procedimento de auditoria. Sustentação oral pelo Dr. Francisco José Soares Feitosa, OAB/CE 16.049. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.100 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (“DRJ/FOR”), que julgou improcedente a Impugnação da Contribuinte, ora Recorrente. Antes de adentrarmos na descrição dos fatos, fazse necessário apresentar as seguintes considerações. O presente processo administrativo teve como origem o Mandado de Procedimento Fiscal (“MPF”) nº 03.1.01.002007005632 (fls. 01), no qual a autoridade fiscal examinou operações efetuadas pela Recorrente, identificando movimentações financeiras e societárias, no Brasil e no exterior, bem como as movimentações societárias das empresas TICEMILL DO BRASIL LTDA, VENOPPEL FOMENTO COMERCIAL LTDA., SCALA FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA (esta última, cuja razão social foi alterada para FORTBRASIL FOMENTO COMERCIAL). No decorrer deste relatório demonstro os aspectos controversos das operações ocorridas. Do mencionado MPF nº 03.1.01.002007005632, foram lavrados 2 (dois) Autos de Infrações (“AI”) distintos tendo como objeto as operações envolvendo as empresas TICEMILL DO BRASIL LTDA e a VENOPPEL FOMENTO COMERCIAL LTDA, porém como ambas haviam sido incorporadas pela Recorrente (FREITAS EMPREENDIMENTOS LTDA.), esta figura como o sujeito passivo das obrigações fiscais e tributárias perante o Fisco. Assim, da lavratura dos AI’s, originaramse Processos Administrativos Fiscais (PAF’s) distintos, de modo que temos o processo de nº 10380.016560/200878, referente à empresa VENOPPEL FOMENTO COMERCIAL LTDA, e o de nº 10380.016561/200812 referente às atividades tributárias e fiscais da empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA, sendo este último o objeto da presente lide. Vale frisar ser o presente voto proferido no bojo do PAF nº 10380.016561/2008 12, o qual tem como objeto de discussão os AI’s (fls. 02 a 26) lavrados contra a FREITAS EMPREENDIMENTOS LTDA. que, na qualidade de sucessora da empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA, figura como sujeito passivo do presente processo. Feita as necessárias considerações, passo para o relatório. Em 10 de outubro de 2007 foi expedido o MPF acima indicado, o qual deu início ao procedimento de fiscalização contra a ora Recorrente. Em 18/01/2008, a Recorrente foi intimada, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 155/156), a apresentar documentos societários, bem como a: a) Apresentar livros Diário e Razão contendo escrituração do anocalendário de 2003; b) Esclarecer e comprovar, por meio de documentação hábil, a origem e forma pela qual os recursos financeiros, no montante de R$ 11.521.998,08, foram Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.101 4 integralizados ao capital social da SCALA FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA (“SCALA”); c) Esclarecer e comprovar, por meio de documentação hábil, a origem e forma pela qual os recursos financeiros, no montante de R$ 300.000,00, foram investidos no capital social da TICEMIL DO BRASIL LTDA (“TICEMIL LTDA.”). Como já mencionado a Recorrente FREITAS EMPREENDIMENTOS, incorporou diversas empresas, dentre elas a TICEMILL DO BRASIL LTDA, VENOPPEL FOMENTO COMERCIAL LTDA., SCALA FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA, está última tendo a sua razão social alterada para FORTBRASIL FOMENTO COMERCIAL. Na resposta datada de 22/02/2008, a Recorrente apresentou os documentos e informações requisitados (fls. 161/166), tendo informado, quanto à indagação do item “b”, que os recursos em questão originaramse da conversão em participação societária de empréstimo que a referida sociedade possuía junto ao INCOBANK AND TRUST LIMITED, o qual foi cedido à VENOPELL SOCIEDAD ANONIMA (“VENOPELL”). Com relação ao item “c”, a Recorrente afirmou que os recursos provieram da TICEMILL SOCIEDAD ANONIMA (“TICEMILL S/A”), tendo ingressado no Brasil na forma de investimento direto. No andamento do processo de Fiscalização, a Recorrente foi intimada inúmeras vezes para apresentar documentos e esclarecimentos julgados necessários para o regular processo da fiscalização. A autoridade fiscal, por meio do procedimento de fiscalização, verificou diversas irregularidades tributárias e contábeis em 2 (duas) empresas incorporadas pela Recorrente, quais sejam, a TICEMILL DO BRASIL LTDA e a VENOPPEL FOMENTO COMERCIAL LTDA, as quais foram objeto de lançamentos de ofício distintos, por terem elementos probatórios diferentes e independentes, como mencionei anteriormente. Assim, considerando que o PAF em discussão tem como objeto AI’s (fls. 02 a 26) lavrados contra a FREITAS EMPREENDIMENTOS LTDA., na qualidade de sucessora da empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA., para que possamos adentrar no julgamento da presente lide, precisamos entender as operações financeiras e societárias em que a FREITAS EMPREENDIMENTOS LTDA. figurou como parte, tanto em relação à TICEMILL DO BRASIL LTDA., quanto a VENOPPEL FOMENTO COMERCIAL LTDA. Em conformidade com os documentos apresentados e os esclarecimentos prestados, verificamos que as irregularidades apontadas pelo Sr. Auditor Fiscal originaramse no momento em que a empresa FORTBRASIL FOMENTO COMERCIAL, que na época ainda possuía a razão social de SCALA FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA, contraiu empréstimos com pessoas jurídicas localizadas no exterior. Neste sentido, foram contratados 4 (quatro) empréstimos, (3) três com o INCOBANK & TRUST LIMITED, empresa está localizada em Nassau Bahamas, e 1 (um) com o BICBANCO GRAND CAYMAN BRANCH, localizado nas Ilhas Cayman. No quadro abaixo as características dos empréstimos são descritas: Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.102 5 Data Contrato de Câmbio Valor (US$) Credor no exterior Observações 04.10.01 01/004083 500.000.00 Incobank & Trust Ltda (1) (2) e (3) 17.10.01 01/004256 900.000.00 Incobank & Trust Ltda (1) (2) e (3) 24.10.01 01/004369 900.000.00 Incobank & Trust Ltda (1) (2) e (3) 16.08.02 02/002809 1.125.903,33 BIC BANCO Grand Cayman Branch (2) e (4) Legenda das observações: (1) Crédito cedido pelo lncobank & Trust para o BICBANCO Grand Cayman Branch em 03.06.2002; (2) Crédito cedido pelo BICBANCO Grand Cayman Branch para VENOPELL S/A em 16.01.2003; (3) Empréstimos Liquidados em 05.06.2003; (4) Empréstimo Liquidado em 13.10.2003. De acordo com o relatório da Fiscalização (fls. 31 a 45) foi possível verificar que a sociedade SCALA contraiu empréstimos junto a instituição financeira no exterior, sendo que os direitos creditórios do INCOBANK & TRUST LIMITED, foram cedidos em 03/06/2002 para o BICBANCO GRAND CAYMAN BRANCH. Na sequencia da operação, todos os empréstimos, que foram transferidos ao BICBANCO GRAND CAYMAN BRANCH foram cedidos à VENOPELL S/A, empresa localizada no Uruguai, sediada em Montevidéu. Conforme averiguou a fiscalização na análise dos contratos de empréstimo, as cessões desses contratos foram efetuadas mediante a apropriação pelo BICBANCO, do valor dado em garantia (em dinheiro) previsto contratualmente. Demonstrando assim, que ocorreu a quitação da obrigação entre SCALA e este banco. Desta forma, a VENOPELL S/A, passou a ser única credora da empresa SCALA. Em 17/01/2003, a VENOPELL S/A converteu o crédito possuído para com a empresa SCALA em 95,50% do capital social desta, conforme já descrito no Acórdão prolatado pela DRJ (fls. 968 a 1007), nos seguintes termos: “Pelo 8° Aditivo, As fls.637, ao Contrato Social da Scala Factoring, datado de 17.01.2003, são vistos os atos formais da incorporação de capital realizada pela empresa estrangeira Venopell S/A, com integralização imediata do montante de R$ 11.521.998,08. Ato continuo,o capital, que era de R$ 542.000,00, passa a ser de R$ 12.063.998,08.” Fato contínuo, em 01/03/2004, a empresa SCALA, agora com nova razão social FORTBRASIL FOMENTO COMERCIAL LTDA, passou pelo processo de cisão parcial, do qual é criada uma nova pessoa jurídica denominada VENOPELL FOMENTO COMERCIAL LTDA. para onde as cotas da SCALA pertencentes à VENOPELL S/A foram transferidas. Momento seguinte, em 16/09/2004, a empresa VENOPELL FOMENTO COMERCIAL LTDA foi incorporada pela Recorrente, que se qualifica como empresa “holding” do Grupo Empresarial Familiar do Sr. José Marcelo Matos de Freitas. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.103 6 Por fim, já em 01/03/2005 a empresa FORTBRASIL FOMENTO COMERCIAL LTDA também foi incorporada pelo Grupo. Peculiar é o fato constatado, conforme se verificou nos documentos obtidos do processo de busca e apreensão que a Policia Federal realizou na sede da Recorrente, de que as 1.600.000 ações ao portador representativas do Capital Social da empresa uruguaia VENOPELL S/A, foram encontradas em poder do sócio do Grupo Marcelo Freitas, empresa esta diretamente ligada a Recorrente. Podese observar também, no âmbito dos documentos obtidos no procedimento acima mencionado, que o Sr. José Marcelo Matos de Freitas (dono do Grupo Freitas) e a Sra. Juliana Matos de Freitas possuíam a outorga de Procuração Especial e Expressa para representar com os mais amplos poderes a empresa uruguaia. Desta maneira, concluise a ligação material da propriedade da Empresa VENOPELL S/A pela família administradora do Grupo Marcelo Freitas. Quanto à empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA, objeto de presente PAF, foi possível verificar a semelhança da operação do Grupo Freitas por meio desta pessoa jurídica com as características observadas na operação da VENOPELL FOMENTO COMERCIAL LTDA. Conforme descrito no relatório de Verificação Fiscal, a TICEMILL DO BRASIL LTDA foi constituída em 11/11/2002 e originariamente tinha como cotistas inicias as empresas TICEMILL S/A, também localizada no Uruguai, sendo está responsável pela integralização de capital na empresa, e a VENOPELL S/A (fls. 216 a 222). A TICEMILL S/A, então cotista da empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA. é uma empresa uruguaia constituída em 31/12/2001, pelas mesmas pessoas estrangeiras que haviam constituído a VENOPELL S/A. Inúmeras são as coincidências que se pode observar entre as duas empresas uruguaias, inclusive na característica de ações ao portador. Em 31/05/2004, a empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA foi incorporada pela Recorrente, que como já foi possível de se verificar era detentora de 99% das ações da VENOPELL, ficando assim caracterizado que o referido grupo era o sócio majoritário da Empresa VENOPELL S/A, que em consequência também era sócia da TICEMILL DO BRASIL LTDA. Ocorre que, do mesmo modo, estava em poder do Grupo Marcelo Freitas, as ações ao portador representativas do Capital Social da empresa TICEMILL S/A e, também, constatouse que era outorgada Procuração Especial e Expressa, para representar com os mais amplos poderes a empresa uruguaia, ao Sr. José Marcelo Matos de Freitas (dono do Grupo Freitas) e a Sra. Juliana Matos de Freitas. Como era de se esperar, o processo de incorporação de capital na empresa TICEMILL S/A na TICEMILL DO BRASIL LTDA. é muito semelhante ao da incorporação de VENOPELL S/A em relação VENOPELL FOMENTO COMERCIAL LTDA., tendo a Recorrente utilizado dos mesmos meios. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.104 7 Sendo assim não resta dúvida sobre a vinculação do grupo empresarial da Recorrente com a TICEMILL S/A., sendo que a constituição da empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA. caracterizase como mero instrumento de implementação de planejamento tributário considerado pela fiscalização como de natureza de evasão fiscal. Conforme o relatório produzido no Termo de Verificação Fiscal (“TVF”) (fls. 32/45) verificase que a operação de capitalização das sociedades SCALA e TICEMILL LTDA. foi, na realidade, uma forma encontrada pela Recorrente para internalizar recursos não declarados no exterior. No caso da TICEMILL LTDA., a operação consistiu na compra de quotas desta sociedade, que eram detidas pelas pessoas físicas da família que controla (de fato) a Recorrente, mediante a remessa de recursos existentes no exterior, em nome da TICEMILL S/A. Esta sociedade, contudo, era detida, de fato, pelas pessoas físicas que controlam a Recorrente. Regularmente intimada da lavratura do AI em 10/10/2008, a Recorrente apresentou Impugnação em 29/10/2009 (fls. 772/800), na qual alegou a decadência do direito do fisco de verificar a contração dos referidos empréstimos, bem como defende a regularidade da operação efetuada. A 3ª Turma da DRJ/FOR julgou a Impugnação inteiramente improcedente, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ AnoCalendário: 2003 DECADÊNCIA. FATOS GENÉRICOS DO MUNDO FENOMÊNICO. ACEPÇÃO TÉCNICA DE FATO GERADOR. É incabível afirmar que tenha ocorrido decadência em relação a um fato genérico do mundo fenomênico. Na acepção técnica definida pelo CTN, a decadência somente pode se verificar em face de fatos geradores expressamente previstos em lei. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Quando a autoridade fiscal demonstra que ocorreram veementes indícios de dolo, fraude ou simulação, a decadência regese conforme o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO PARA AUMENTO DE CAPITAL. Se a pessoa jurídica não logra comprovar a origem e efetiva entrega dos recursos supridos pelos sócios, prevalece a omissão de receitas calcada no art. 282 do RIR/99. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CONFINS (sic). CSLL. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.105 8 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Ciente da decisão em 24/11/2009 (fls. 1042), a Recorrente protocolou Recurso Voluntário (fls. 1043/1084) no dia 21/12/2009, no qual faz as seguintes alegações: a) Requer que os PAF’s nº 10380.016560/200878 e 10380.016561/200812 sejam unificados, pois são originários de um mesmo MPF; b) Pleiteia o reconhecimento da decadência do direito de lançamento por parte do Fisco, dos valores apurados na fiscalização; uma vez que no seu entendimento os fatos geradores não ocorreram em 2003, mas sim em 2001 e 2002; c) Ainda argui nas preliminares o reconhecimento da ilegalidade das autuações; d) Alega que diversos documentos que se encontravam em língua estrangeira, não foram aceitos como meio de prova; e) A Recorrente, também discorda da presunção de receitas aplicado pelo Fisco e da aplicação de multa qualificada com o simples fundamento do Fisco em omissão de receitas e evasão de divisas. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório, passo a decidir. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.106 9 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Da Unificação dos PAF’s A Recorrente requer preliminarmente que este PAF seja unificado com o PAF 10380.016560/200878, pois ambos os processos são oriundos do MPF nº 03.1.01.00200700563 2 e, em suas palavras “referemse de um mesmo períodobase (2003) e trazem idêntica descrição dos fatos, a suposta omissão de receitas.” Entendo que este argumento não deve prosperar, pois embora tenham origem em um mesmo MPF, os elementos de prova apresentados para sustentar cada um dos processos administrativos são diferenciados. De certo fazem parte do mesmo contexto, porém a sua formalização é de origem diversa. Para isso observo os termos do inciso I do artigo 1º da Portaria nº 666/2004 que ilustra: “Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); (...)” Neste mesmo sentido, devo ressaltar que os próprios fatos da operação destacam que ocorreu o relacionamento de suprimento de numerário entre empresas diversas, VENOPELL SOCIEDAD ANONIMA com VENOPELL FOMENTO COMERCIAL LTDA e TICEMILL SOCIEDAD ANONIMA com TICEMILL DO BRASIL LTDA., fato que reforça a falta de suporte normativo para tratar os processos administrativos em um único PAF, pois vinculados a sujeitos passivos diversos. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.107 10 Da Decadência A análise da aplicação do prazo decadencial depende da qualificação ou não da operação como simulada, razão pela qual esta análise será postergada neste voto. Validade da Prova Apresentada Alega a Recorrente que foram rejeitadas as provas documentais apresentada em razão da impugnação por estarem em idioma espanhol determinando a autoridade fiscal que para haver valor de prova teriam que vir acompanhados de tradução juramentada. De fato, cumpre lembrar à Recorrente que o idioma nacional é o português e que documentos para terem efeitos legais válidos devem estar descritos na língua portuguesa. Estas são as disposições expressas pelo artigo 13 da Constituição Federal de 1988 e pelo artigo 224 da Lei 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro). Constituição Federal de 1988: “Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.” Lei 10.406/02 (Código Civil): “Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País.” Portanto descabe a alegação da Recorrente, pois deixou de cumprir determinação legal fundamental para fosse aceitas as suas provas documentais. Mesmo assim, cumpre ressaltar que no Acórdão 0816328 da 3ª Turma da DRJ de Fortaleza, a Turma Julgadora menciona ter aceitado a juntada posterior de documentos, conforme lêse nas folhas 1010: “Todavia, em homenagem ao princípio da verdade material, tomo conhecimento também dos aludidos documentos e argumentações trazidas as fls. 858/966.” Pelo exposto, não deve prosperar este argumento da Recorrente. Arbitramento das Receitas A prova organizada pela Fiscalização, obtida no âmbito dos procedimentos de busca e apreensão, é robusta e demonstra, de forma inequívoca, a operação perpetrada pelos reais controladores da Recorrente. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.108 11 A Recorrente não refutou as provas e limitouse a apresentar alegações não fundadas documentalmente sobre a temporariedade (fls. 1042 e seguintes) da posse dos documentos. Como se verifica no Relatório do “Escritório de Pesquisa e Investigação na 3ª Região Fiscal” (fls. 866/902), as operações em questão foram investigadas pela Receita Federal do Brasil (“RFB’) sob suspeita de fazer parte de um duradouro esquema de lavagem e internalização de dinheiro ilegalmente remetido ao exterior, cuja suspeita foi levantada pelo próprio Banco Central do Brasil (“BACEN”). De se ressaltar, também, que a apuração dos fatos e coleta de documentos foi levada a cabo conjuntamente pela Polícia Federal e RFB, em procedimentos ordenados por Autoridade Judicial, no bojo da denominada “Operação Monte Éden”, amplamente divulgada na imprensa. Através do TVF e dos documentos obtidos no procedimento de Fiscalização é possível verificar, com precisão, as operações efetivadas pelo Grupo Freitas, do qual faz parte a Recorrente, de maneira que passo a descrever. Há a caracterização da interposição da empresa TICEMILL S/A para a manipulação de recursos existentes no exterior com a finalidade de serem internados no país, a título de integralização de capital nas empresas do grupo. A Recorrente, ainda, valeuse dos mesmos meios para a criação e manipulação tanto da TICEMILL DO BRASIL LTDA. quanto da VENOPELL FOMENTO COMERCIAL LTDA. Por meio do procedimento de Busca e Apreensão, anteriormente mencionado, foram encontrados os Títulos Representativos das Ações ao Portador das empresas uruguaias TICEMILL S/A e VENOPELL S/A, bem como os Certificados de Custódia das referidas Ações ao Portador com titulação atribuída aos membros da família do grupo. Desta maneira, não restou dúvidas da vinculação existente entre as empresas uruguaias e a Recorrente, esta conclusão também pode ser observada mediante trecho do TVF, abaixo transcrito: “III.8 Sem nenhuma dúvida, as provas coletadas demonstram a indiscutível vinculação do Grupo Empresarial capitaneado pelo senhor José Marcelo Matos de Freitas também com todos os fatos de abertura, da manipulação (interposição de pessoas) e de livre disposição da empresa uruguaia TICEMILL S/A, sendo que a abertura no Brasil da empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA encaixa como um mero instrumento de implementação de planejamento tributário de natureza de evasão fiscal. O processo de incorporação de capital da Ticemill S/A na Ticemill do Brasil LTDA – objeto mesmo deste questionamento e desta análise – se enquadra tal e qual nas mesmas circunstâncias em que se observou o caso da incorporação de capital que a “Venopell S/A” teria feito na empresa do mesmo Grupo do Sr. Marcelo Freitas (a Scala Factoring), conforme análise exaustiva feita no item “II” deste Termo. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.109 12 III.9 Ou seja, intuito de atribuir o suprimento de numerário a terceiro domiciliado no exterior, para o fim de integralização de capital em empresa já controlada pelo Grupo Empresarial do senhor José Marcelo, constituiuse a Ticemill S/A no Uruguai. Mas, comprovado que esta incorporação é titulada pela própria Família que controla as Empresas do Grupo Empresarial citado, não há como homologarse a origem dos recursos tal alegada. Por isso, plenamente cabível o enquadramento do caso nos ditames do artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99).” Do exposto e da análise da documentação disponibilizada nos autos deste PAF, ficou evidentemente comprovado que os recursos utilizados para integralizar o capital da empresa TICEMILL DO BRASIL LTDA., advindos empresa uruguaia TICEMILL S.A., interposta pessoa, já era de propriedade de pessoas vinculadas ao Grupo Empresarial Marcelo Freitas. Isto se confirma, pois, diversos “Títulos Representativos das Ações ao Portador da empresa uruguaia TICEMILL SOCIEDAD ANONIMA” foram encontrados em poder das empresas do Grupo Marcelo Freitas. Não há, portanto, dúvidas de que os elementos trazidos ao PAF produzem indícios inequívocos de operação perpetrada no mesmo grupo econômicos e a Recorrente instada a fazer prova da origem dos recursos, por sua vez, não comprovou nem a independência das partes, muito menos a origem dos recursos. Desta forma, correta a imputação do Fisco. Assim, as autoridades fiscais aplicaram corretamente a presunção de receitas nos termos do artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda, in verbis: “Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).” Tal entendimento há muito, já foi corroborado pela jurisprudência. Vejamos: “IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADO. Se o sujeito passivo não comprova a origem e a efetiva entrega do numerário correspondente a integralização do aumento de Capital Social cabe a presunção de omissão de receita., A escrituração contábil de contrato de assunção de dívida de uma interligada para com outra empresa do mesmo grupo, sem identificação da natureza da operação que deu origem a dívida não justifica nem a origem e nem a efetiva entrega do numerário IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO OU NÃO COMPROVADO. A manutenção no passivo de obrigações não comprovadas comporta presunção de omissão de receitas. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.110 13 Entretanto, se comprovado que as obrigações escrituradas no passivo exigível tem origem em dívidas de coligadas/interligadas que o sujeito passivo assumiu, mediante contrato escrito, está justificada a origem da dívida escriturada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PIS/DEDUÇÃO PIS/REPIQUE FINSOCIAL Dada à relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos demais lançamentos reflexivos. Preliminar rejeitada e recurso provido em parte.” (Acórdão 10193.483, 1ª Câmara, Sessão de 19/06/2001) Simulação A constatação e a qualificação da simulação neste PAF decorrem da coleta de provas indiretas as quais demonstram a existência das mesmas pessoas físicas na órbita das mesmas pessoas jurídicas (domiciliadas no Brasil e no exterior), protegidas sob o manto de ações ao portador, atrizes de negócios jurídicos que visaram a ocultação de elementos definidores do fato gerador de obrigação tributária. Conforme especifica o art. 212 do Código Civil, a presunção é um meio de prova construído a partir de um substrato fático formado pela reunião de indícios. Acerca do assunto, leciona Moacyr Amaral Santos (Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 2° volume, 3a ed., São Paulo, Ed. Saraiva, 1977, p. 436/437): “(...) prova é a soma dos fatos produtores da convicção, apurados no processo A prova indireta é o resultado de um processo lógico. Na base desse processo está o fato conhecido. O fato conhecido, o indício, provoca uma atividade mental, por via da qual poderseá chegar ao fato desconhecido, como causa ou efeito daquele. O resultado positivo dessa operação será uma presunção. (...)” Já Maria Rita Ferragut (Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário n° 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120) enfatiza: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa.” (Grifos no original). Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.111 14 Saliento, ainda, a definição contida no Código Civil a respeito do que configura negócio jurídico simulado, nos termos do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002, abaixo transcrito: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.” (grifei) Incontestável, pois a ocorrência de acréscimo patrimonial oriundo de recursos já internados na empresa sob a natureza jurídica de empréstimo, cujo direito creditório foi obtido de terceiro por empresa ligada no exterior, a qual teve a sua composição societária desvendada em operação levada a cabo pela Polícia Federal mediante procedimento de busca e apreensão em estabelecimento da contribuinte. Ressaltese que a prova indireta obtida desvendou uma intrincada e engenhosa estratégia composta de reestruturações societárias e negócios jurídicos entre pessoas jurídicas, inclusive de origem estrangeiras protegidas por sigilo societário mediante titularidade ao portador. Reestruturações e negócios os quais foram engendrados com vontade aparente, mas que, no seu âmago, visaram encobrir o acréscimo patrimonial oriundo de recursos de origem não comprovada cujo fator gerador tentouse encobrir com a transferência de direitos entre pessoas jurídicas “aparentemente” distintas em função do uso de ações ao portador e com a declaração não verdadeira de negócios jurídicos (empréstimo), existente apenas formalmente com o objetivo único de evasão da incidência tributária. Comportamento descrito no acima citado artigo 261 do Código Civil, de modo a configurar inequívoca simulação com efeitos práticos na contagem do prazo decadencial e no agravamento da penalidade. Da Decadência Quanto à alegação de decadência posta pela Recorrente, penso que a argumentação não deve subsistir. Ao contrário do que alega a Recorrente, a atividade questionada pela Fiscalização não foi a contratação do empréstimo que ocorreu anteriormente a 2003. Esta atividade apenas consistiria o marco inicial da decadência caso aqui estivesse em discussão a dedutibilidade dos juros pagos pela SCALA. Contudo, o que aqui se discute é a preexistência de valores não declarados no exterior, de propriedade das pessoas relacionadas às atividades da Recorrente, utilizadas para suportar a integralização de capital realizada pela TICEMILL S/A., localizada no Uruguai, na Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.112 15 TICEMILL DO BRASIL LTDA , fatos que ocorreram no anocalendário de 2003 e deflagaram inequívoco acréscimo patrimonial. O parágrafo 4º do artigo 150 do CTN determina a regra de decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Contudo, conforme entendimento firmado pelo STJ acerca do termo inicial para contagem do prazo de decadência, nos casos de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação será aplicada a regra geral definida pelo inciso I do artigo 173, qual seja, a extinção do crédito tributário contada do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vejamos: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” A alegação da Recorrente de que o dies a quo seria a data de ingresso dos recursos como empréstimo (obrigação) talvez fosse procedente se a acusação fosse a manutenção de passivo não comprovado, entretanto, no caso em análise o fato deflagrador da incidência tributária foi a utilização da disponibilidade dos recursos (até então vinculados à obrigação – empréstimo) em aumento de capital, ou seja, incremento inequívoco do Patrimônio Líquido da Recorrente. Observase que a comprovação do dolo, fraude ou simulação é fundamental para determinar a aplicação da regra geral do inciso I do artigo 173. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.113 16 Tendo em vista a comprovação da simulação, o prazo para a contagem da decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do CTN. Assim, a contagem começa em 1º de janeiro de 2004 e, portanto, não há que se falar em decadência. Sendo assim é pertinente a aplicação ao presente processo da caracterização de crimes de sonegação e do cabimento da multa qualificada a ser aplicada à Recorrente. Multa Qualificada Por fim, quanto à multa qualificada, também entendo que deve ser mantida, em virtude da simulação praticada pelo Grupo da Recorrente. Os atos praticados pela Recorrente foram simulados, devidamente comprovados pelos conteúdos encontrados pela Polícia Federal que demonstraram de forma clara a vontade efetiva de a Recorrente atribuir o suprimento de numerário a terceiro domiciliado no exterior, para o fim de integralização de capital em empresa já controlada pelo Grupo Empresarial do senhor José Marcelo, ou seja, temos que houve execução apenas formal dos negócios jurídicos. As transações simuladas foram um modo de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a incorrer a Recorrente em fraude, nos exatos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, combinado com o artigo 72, da Lei 4.502, de 1964, pois, tanto a aparência de legalidade, quanto a intenção de se utilizar da norma jurídica com finalidade diversa da qual fora concebida são características dos atos simulados e fraudulentos, situações amplamente comprovados no presente processo. Com efeito, em face dos fatos observados que tomados em conjunto, permitem concluir pelo intuito de simulação nas atividades da Recorrente, mantenho o agravamento da multa de ofício, de 75% para 150%, conforme previsão do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996. Nesse sentido, vejamos o percuciente precedente abaixo: “(...) SIMULAÇÃO CONJUNTO PROBATÓRIO Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. (...) OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SIMULAÇÃO MULTA QUALIFICADA Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996). Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10380.016561/200812 Acórdão n.º 180200.999 S1TE02 Fl. 1.114 17 DECADÊNCIA GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Os ganhos de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza estão sujeitos ao pagamento do imposto de renda, cuja apuração deve ser realizada na ocorrência da alienação e o recolhimento no mês subseqüente, razão pela qual tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame de autoridade administrativa e amoldase à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial encontra respaldo no § 4º do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Entretanto, caracterizado o evidente intuito de fraude, o termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (173, inciso I, do CTN). (...) Preliminares rejeitadas. Recurso negado.” (Acórdão 104 21.675, 4ª Câmara, DOU 06.09.2007, g.n.) Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
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Numero do processo: 10768.028510/99-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES - As atividades de assistência técnica de aparelhos telefônicos e outros eletrônicos não podem ser caracterizadas como atividades regulamentadas, para fins de habilitação profissional. Uma atividade não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro.
Numero da decisão: 9101-001.087
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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EXCLUSÃO DO SIMPLES As atividades de assistência técnica de aparelhos telefônicos e outros eletrônicos não podem ser caracterizadas como atividades regulamentadas, para fins de habilitação profissional. Uma atividade não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Júnior, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.028510/9918 Acórdão n.º 910101.087 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 132/138), contra o Acórdão nº. 30334.373 (fls. 121/126), proferido pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O processo se refere a pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES (fl. 83) pelo contribuinte DIGITEC TECNOLOGIA ELETRÔNICA LTDA. Após indeferimento deste pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 86/87. Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte alegou, em síntese, que: (i) a palavra ELETRÔNICA, constante da denominação social e objeto da sociedade conforme alteração contratual datada de 1992, referida no Resultado da Análise do processo como ATIVIDADE ECONÔMICA IMPEDITIVA, por si só não define o exercício profissional com habilitação legalmente exigida, visto que, enquadramse hoje como eletrônicos diversos produtos tais como: brinquedos, relógios, eletrodomésticos, telefones, entre outros; (ii) a atividade exercida pelo contribuinte, desde 1995, é, de fato, o Comércio e Manutenção de Aparelhos Telefônicos e de Informática, que, conforme consulta ao CREA RJ, não exige habilitação profissional específica, entendendose como manutenção, as ações que evitam ou retardam defeitos; (ii) Empresas que exercem a atividade de revenda e manutenção autorizada por fabricantes de aparelhos de telefonia, tiveram a opção pelo SIMPLES confirmada pela Receita Federal; (iv) desde 28/01/1998, conforme TERMO DE OPÇÃO pratica o recolhimento de tributos conforme tal opção, de modo que a negativa, comunicada em 20/08/200 (6 anos e 6 meses após o requerimento), causaria, se mantida, irreparáveis e injustificáveis danos financeiros à empresa, sobretudo, considerandose que os dados como a Razão Social e a atividade da empresa já eram do conhecimento da Receita Federal, pois constam do contrato social que desde então não foi modificado. Foi proferido acórdão pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (fls. 89/95) sob o nº. 6.013, de 28.10.2004, com a seguinte ementa, in verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Exercício: 1999 Ementa: INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE APARELHOS TELEFÔNICOS E ELETRÔNICOS. A prestação de serviços de assistência técnica de aparelhos telefônicos e eletrônicos, por caracterizar serviço de engenheiro e de profissões que dependem de habilitação profissional Legalmente exigida, impede a pessoa jurídica de optar pelo SIMPLES. Solicitação Indeferida” A ciência do Acórdão nº. 6.013 se deu em 13.01.2005 (fls. 96/97). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10.02.2005 (fls. 97/101), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Em síntese, o contribuinte alegou, preliminarmente, que a autoridade fiscal “deixou de observar as normas legais e decisões diversas do STJ E STF quanto à NÃO RETROATIVIDADE E EM ESPECIAL as Leis, em face do caráter prospectivo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.028510/9918 Acórdão n.º 910101.087 CSRF‐T1 Fl. 3 3 de que se revestem, devem, ORDINARIAMENE, dispor para o futuro. O sistema jurídico constitucional Brasileiro, contudo, NÃO assentou, como questionado e absoluto, incondicional e irrevogável. o PRINCIPIO DA IRRETROAVIDADE”; além disso demonstrou que não é necessário manter nos quadros de funcionários do contribuinte qualquer engenheiro ou profissional de nível superior para execução dos trabalhos pois se o fosse o próprio CREA exigiria. No mérito, alegou que: (i) “A PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORA ATIVIDADES DE MONTAGEN E MANUTENCAO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E PERIFERICOS EM GERAL ESTÁ IMPEDIDA DE OPTAR PELO SIMPLES, TENDO EM VISTA SEREM ATIVIDADES ATINENTES A PROFISSAO DE ENGENHEIRO OU A ESSA ASSEMELHADOS . CABE RESALTAR QUE A ATIVIDADE DE COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁT1CA, ASSIM COMO EQUIPAMENTOS ELETRONICOS EM GERAL, NÃO E VEDADA A INCLUSAO NO SIMPLES”. Sobreveio Acórdão nº. 30334.373 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: “SIMPLES. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE MÁQUINAS DE ESCRITÓRIO E DE INFORMÁTICA. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO. O art. 42 da Lei ri° 10.964, de 2004 interpretou o inciso XIII do art. 9º da Lei nº. 9.317, de 1998, esclarecendo que pessoas jurídicas que se dediquem às atividades técnicas enumeradas em seus inciso J estão autorizadas a optar pelo SIMPLES” Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que a atividade exercida pela recorrida ("assistência técnica de aparelhos telefônicos e eletrônicos") é de competência do engenheiro legalmente habilitado, e que, por isso, não pode a empresa optar pela inclusão no SIMPLES. Além disso, alegou que de acordo com a Resolução n.° 218/73, não importa se o serviço vem a ser prestado efetivamente por engenheiro ou profissional legalmente habilitado, mas sim o fato de que a atividade exercida pela empresa em questão exija a prestação dos serviços profissionais de engenheiro ou técnico habilitado. O Despacho de fls. 148 determinou o seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.028510/9918 Acórdão n.º 910101.087 CSRF‐T1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. O Recurso Especial é de divergência. O acórdão paradigma possui a seguinte ementa: SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELEFONIA. VEDAÇÃO. Os serviços de instalação e manutenção de equipamentos de telefonia e telecomunicações, inerentes a profissões que exigem habilitação profissional legalmente exigida, vedam a pessoa jurídica que o presta de optar pelo Simples. Recurso Voluntário Improvido. (Acórdão nº 30131.831, relatora Conselheira Atalina Rodrigues Alves) De se conhecer do Recurso Especial para análise da norma aplicável ao caso concreto. Pois bem, a questão cingese em saber se a atividade do contribuinte é considerada atividade vedada para a opção do SIMPLES. Nesse sentido, de um lado, argumenta o contribuinte que a atividade exercida, qual seja: reparação e manutenção de aparelhos telefônicos, não exige profissional de engenharia. Desse modo, entende o contribuinte que sua atividade não se enquadra nas atividades descritas no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº. 9.317/96, o qual veda a opção pelo SIMPLES no caso de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida (regulamentação). Nesse sentido, reproduzo a norma acima citada: “Artigo 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)” Por outro lado, a Fazenda Nacional argumenta que a atividade do contribuinte é atividade exclusiva de engenharia e, por esse motivo, não deve prosperar o entendimento de que o contribuinte se enquadre nas pessoas jurídicas que podem fazer a opção pelo SIMPLES. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.028510/9918 Acórdão n.º 910101.087 CSRF‐T1 Fl. 5 5 Vejamos que a própria DRJ assume que à vista do objeto social da ora Recorrida fica evidente que não são realizados qualquer serviço de engenheiro ou atividade assemelhada, previsto no artigo 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 (fls. 16). Mas prossegue afirmando que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que exercem atividades que exijam serviço profissional regulamentado. Em primeiro lugar este Tribunal não está vinculado a Ato Declaratório, podendo, desde logo, limitarse ao quanto afirmado desde o julgamento inicial, no sentido de que o contribuinte não realiza serviço de engenharia ou assemelhado. Em segundo lugar, entendo que o serviço prestado pelo contribuinte não se equipara ao exercício de atividade de engenheiro. Cumpre esclarecer que a atividade constante do contrato social (fls. 04 e ss.), bem como do CNPJ (fls. 07) da Recorrida é a de “comércio e assistência técnica de aparelhos telefônicos e eletrônicos”, o que não se equipara à atividade de engenheiro. Nesse mesmo sentido é o voto condutor do Acórdão CSRF/40306.233, que trata de objeto semelhante: “Entendo que a atividade, embora possa vir a utilizar alguns conceitos próprios da Engenharia, não é atividade privativa de engenheiro, nem tampouco exige sua presença para o respectivo desenvolvimento. Tanto assim o é, que no próprio contrato social consta (fl. 12/13) que o administrador da sociedade, composta apenas por duas pessoas, identificase sob o termo genérico "empresário", demonstrando que não possui formação própria de engenheiro. Logo, diante da ausência de indícios que denotem a necessidade de supervisão ou mesmo a atuação direta de um engenheiro para a execução da atividade, parece a melhor conclusão lembrarmos que o tratamento tributário simplificado, materializado, dentre outros diplomas, pela Lei n° 9.317/96, tem uma ratio protetiva das pequenas e micro empresas, decorrente do mandamento constitucional inserto no artigo 179, da Carta Magna. Logo, a exclusão da Interessada demandaria adequação razoável ao texto da lei o que não se nota nesse caso. Vale dizer, dessa forma, que o emprego inadequado da analogia nessa circunstância poderia representar, em última análise, a criação de nova hipótese de restrição a direito, especialmente inadmissível na seara tributária, fortemente vinculada ao Princípio da Legalidade”. De mais a mais, a jurisprudência administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na antiga competência, já firmou entendimento no sentido de que não é cabível à fiscalização equiparar livremente uma atividade à atividade de engenharia, sem que tal equiparação esteja devidamente fundamentada. Nesse sentido os acórdãos: “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Tratandose de empresa que exerça mais de uma atividade, cabe ao fisco a comprovação de que uma Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.028510/9918 Acórdão n.º 910101.087 CSRF‐T1 Fl. 6 6 delas se enquadra nas vedações previstas no inciso XIII do art. 9° da Lei n. 9.317/96. Não havendo comprovação de que o contribuinte exercia atividade de engenheiro ou assemelhado, deve ser mantida a decisão proferida pela Terceira Câmara, cancelandose o Ato Declaratório de Exclusão. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão CSRF/40306.183, sessão de 30/10/2008) “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO. A atividade de prestação de serviço de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, para fim de exclusão do SIMPLES. Recurso Especial Negado”. (Acórdão CSRF/40306.233, sessão de 08/12/2008) Por fim, de se aplicar ao caso a Súmula CARF nº 57: “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.”. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003885/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO
DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
A contratação de segurados empregados e trabalhadores autônomos,
contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1998
NFLD APRESENTAÇÃO DE ARGUMENTO NOVOS EM RECURSO NÃO APRECIAÇÃO
Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa.
NFLD SEGURADOS EMPREGADOS AUTÕNOMOS AUSÊNCIA DE RELATÓRIOS CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.096
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A contratação de segurados empregados e trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1998 NFLD APRESENTAÇÃO DE ARGUMENTO NOVOS EM RECURSO NÃO APRECIAÇÃO Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. NFLD SEGURADOS EMPREGADOS AUTÕNOMOS AUSÊNCIA DE RELATÓRIOS CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1998 NFLD APRESENTAÇÃO DE ARGUMENTO NOVOS EM RECURSO NÃO APRECIAÇÃO Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. NFLD SEGURADOS EMPREGADOS AUTÕNOMOS AUSÊNCIA DE RELATÓRIOS CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa Fl. 305DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003885/200834 Acórdão n.º 240102.096 S2C4T1 Fl. 286 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob o n. 35.079.1694, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada a terceiros, no período de 09/1989 a 12/1998, inclusive 13. salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 62 a 64, os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram com o pagamento da remuneração aos empregados aos administradores e autônomos, de acordo com o relatório de fatos geradores. Os documentos examinados foram os seguintes: folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho, Livros Diários de n.° 01 a 07 ( período de 01/1989 a 12/1998), fichas de registro de empregados , fichas de salário família, guias de recolhimento de contribuições previdenciárias GRPS, guias de previdência social – GPS GUIAS DE RECOLHIMENTO DE FGTS E INFORMAÇOES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP , contrato social e documentos auxiliares. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 31/03/2000, tendo sido publicado edital em 12/10/2000, fl. 70, considerando que a empresa notificada não foi encontrada. Em 23/01/2001, a empresa veio ao processo pedindo cópia da NFLD, por ter sido surpreendida com a cobrança do débito, sem nunca ter sido cientificada do mesmo, fl. 98. Foi emitido parecer da Procurador do INSS no sentido de que o procedimento realmente carece de reparo, uma vez que não restou comprovada a regular cientificação do recorrente, destacando que o endereço para cobrança após inscrição em dívida é o mesmo dos cadastros de envio, fl. 104 a 105. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 108 a 109, onde alegou em síntese. Ao receber os Avisos de Cobrança acima indicados o REQUERENTE foi surpreendido com tal cobrança, pois não fora notificado anteriormente dos débitos ali constantes como de direito. A cobrança de débito previdenciário ali apontado de uma maneira global, não específica a categoria a que se refere, se de empregado ou de empregador, e nem indica em que exercícios ocorreu o fato gerador do débito. No Relatório Sintético Geral apresentado pelo setor responsável desse Órgão, onde foi feito um quadro comparativo, mês a mês, entre o valor a pagar e o efetivamente pago, observase que o REQUERENTE efetuou pagamentos sempre a maior do que realmente devia na realidade, obtendo a seu favor um credito de R$233.710.58 (duzentos e trinta e três mil, setecentos e dez reais e cinqüenta e oito centavos) como provam os documentos de n2 05 e 06 anexos. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Os DARP's juntos comprovam o pagamento pelo recolhimento referentes a contribuição previdenciárias de empregados e empregador gerando o crédito acima indicado (docs. 07 a 40). Inclusive, durante o período em que o REQUERIDO estava sendo fiscalizado, exercícios de 1997, 1998 e 1999, foram efetuados todos os pagamentos, não existindo nenhum débito referente ao recolhimento dos empregados segurados, conforme os comprovantes anexos (docs. 41 a 50). Assim, não há como considerar o REQUERENTE devedor de recolhimentos previdenciário naqueles períodos. Foi emitida informação fiscal pela supervisora de equipe fiscal nos seguintes termos: Sugiro retorno dos autos à Divisão de Arrecadação para conhecimento e pronunciamento em razão dos fatos abaixo narrados. Em que pese o entendimento da nossa Procuradoria, cumprenos esclarecer alguns fatos ocorridos quando do lançamento das citadas notificações. A referida empresa teve sua fiscalização iniciada em 20/08/99, e concluído o seu levantamento em 02/09/99 conforme informação constante às fls.84 dos autos. Ocorre que a empresa interessada solicitou ao AFPS prazo para efetuar o recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados, prazo este concedido até novembro de 1999, tendo em vista que concedido prazo a empresa Armarinho Paes Andrade nenhum recolhimento foi realizado, o Auditor Fiscal notificante que estava com outra fiscalização em andamento, deixou para retornar à mencionada empresa em março de 2000, a fim de encerrar os trabalhos de fiscalização junto à empresa. Apesar de ter comunicado verbalmente à coordenação de equipe sobre a ausência do representante legal da empresa para receber a notificação, o Fiscal não apôs tal informação no campo próprio do documento, e procedeu o envio dos débitos através Registro Postal ER 796169367 entregue em 20/04/00 pelo correio, cujo recebimento foi firmado pelo Sr. Valdomiro P. Rocha conforme informa o Ofício 096/01 GEOPE, de 20/03/2001, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (cópia documento de fls.86). Face ao exposto, retornese o presente processo acompanhado das NFLD's n°s 35.079.1660, 35.079.1686, 35.079.1694 e 35.079.1708 para o Chefe da Divisão de Arrecadação, para que analisando os fatos considere ou não o ofício mencionado. À Chefe de Fiscalização com a sugestão de encaminhamento para 04401. Como após a abertura do prazo a empresa não se manifestou, foi considerada como defesa tempestiva aquela oferecida através do protocolo 35013.000449/200112. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003885/200834 Acórdão n.º 240102.096 S2C4T1 Fl. 287 5 Face as informações prestadas pela fiscalização, foi solicitado pronunciamento da procuradoria, fl. 187., tendo a mesma emitido despacho nos seguintes termos: Não se pode agora, depois de caracterizada revelia por falta de resposta ao edital, alegar que a notificação fora regular. E a revelia, conforme manifestação anterior, fora aplicada de forma indevida. Tenho, portanto, que não há o que ser reparado no pronunciamento da Procuradoria. Observo, por outro lado, o cuidado da Fiscalização em preservar as garantias previstas em lei aos contribuintes. Entretanto, não se pode declarar rével, por conta de silêncio ein responder edital, contribuinte que posteriormente fora tido por regularmente notificado. Há contradição incontornável. Decerto, que, se provado o recebimento da Notificação por Valdomiro P. Rocha em período hábil, o termo de revelia não teria sido lavrado por conta de revelia editalícia, mas sim pelo silêncio, após o recebimento da notificação. Não há alteração na situação ora examinada, em que pese esse denominado novo elemento aparentemente suscitar novas considerações derredor do tema. Após despacho da procuradoria, manifestouse a divisão de arrecadação nos seguintes termos: Acusamos o recebimento do requerimento protocolado sob o rf 35013.000449/2000112. Informamos que atendendo despacho exarado pela Procuradoria Estadual no processo 35013.000332/200175, selão entregues a essa empresa aSpia das Notificações Fiscais de Lançamento de Mito 350791686; 350791708; 350791660; 350791694 cujos prazos de defesa serão reabertos contados da data do recebimento das referidas notificações. Por esta razão, a defesa apresentada por essa empresa atraso do requerimento protocolado sob o rf 35013.000449/200112 deverá ser ratificada ou apresentada nova defesa no prazo legal. Set considerada ratificada a defesa apresentada através do protocolo 35013.000449/200112, caso essa empresa rão apresente nova defesa no prazo legal. O processo foi baixado em diligência em 04/12/2002, considerando os argumentos da empresa de que efetuou o recolhimento e que no corpo da NFLD não consta o relatório de Guias apropriadas, fls. 213 a 214. Senão vejamos: Diante do exposto, na forma determinada pela Portaria Ministerial n ° 357, de 2002 , tendo em vista os argumentos da defesa quanto às guias de recolhimento juntadas e s não contendo o processo elementos suficientes capazes de sustentar o crédito lançado, sugerimos que o mesmo seja baixado em diligência para pronunciamento fiscal no sentido de elucidar se as guias apresentadas pela empresa foram devidamente Fl. 309DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 deduzidas do valor devido; qual a origem do débito e, se for o caso, que se proceda a exclusão dos períodos decadentes. Em 23/01/2003, descreve a divisão de arrecadação que atendendo despacho da procuradoria procede a entrega das cópias das NFLD a empresa, fl. 218, ratificando o recebimento das mesmas em 24/01/2003 e reabrindo o prazo de defesa, fl. 220. Novamente manifestouse o serviço de análise de defesa de recursos em 08/05/2003, trazendo todo o histórico da lavratura da NFLD e das diversas cientificações promovidas, manifestandose ao fim para emissão de FORCED excluindo as competências decadentes e que fosse anexado relatório de fatos geradores., fl. 226 a 227. Foi emitida informação fiscal em 19/04/2007, fl. 235, manifestandose o auditor: O serviço de Análise de Defesas e Recursos cobra o Relatório de Fatos Geradores, porem à época em que foi emitida a NFLD em questão, o sistema PIAF não emitia tal relatório, apesar de ter essa previsão, o que fez com que constasse do Relatório Fiscal, sem, contudo, ser possível a sua emissão. 2 Estamos anexando os Demonstrativos dos valores das contribuições descontadas dos segurados empregados e os recolhimentos efetuados pela empresa, visando espelhar claramente a origem dos valores lançados. 3 I,guias que o defendente apresenta na sua defesa foram devidamente consideradas no momento da fiscalização , 4 — Emitimos o FORCED , excluindo a competência 09/1989, 10/1989, 11/1989 e 12/1989, uma vez que as mesmas foram alcançadas pela decadência na data da fiscalização. 5 Anexamos planilhas com os valores das bases de cálculo contidas nas Folhas de Pagamento e das Guias de Recolhimento apresentadas, conforme solicitados pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos. O contribuinte foi cientificado do teor da diligência em 20/08/2008. Em 04/11/2008 foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 258 a 262. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 267 a 272. Em síntese alega o recorrente O lançamento encontrase fulminado pela decadência. Conquanto esteja certa do acolhimento da preliminar, por cautela máxima, requer seja reconhecida e declarada a nulidade do processo administrativo, em face da evidente violação do disposto no art. 5°, LV, da C. Federal, posto que no próprio Relatório da decisão recorrida consta que na época da autuação não era gerado o relatório analítico para o contribuinte e por isto mesmo não lhe foi entregue o imprescindível relatório analítico da autuação contestada, sem o qual a microempresa Recorrente não teve plena ciência da acusação fiscal. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003885/200834 Acórdão n.º 240102.096 S2C4T1 Fl. 288 7 Alternativamente, caso não seja acolhida a preliminar, requer seja reformada a decisão, para acolher as justificativas apresentadas na DEFESA e documentos anexos, pois é certo que os levantamentos procedidos pelos ilustres fiscais contém equívocos inconciliáveis com a tipificação legal, que deve ser calcada em provas consistentes, para poder afastar a força probante dos documentos e livros fiscais exibidos. Com efeito, analisandose os documentos encartados nos autos notase claramente que houve lançamento por mera presunção ou por equívocos quanto às naturezas das contribuições (contribuições de empregados já recolhidas e de empregadores, fornecedores de mercadorias, como se fossem autônomos) a exemplo de pagamentos realizados a título de indenização, aviso prévio, férias + 1\3 e de outras parcelas não salariais, todas do fora campo de incidência das contribuições legais para a seguridade social, ensejando a devida revisão fiscal e completa improcedência dos lançamentos, como é justo e de direito. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 284. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA FALTA DOS RELATÓRIOS ANEXOS A NFLD Quanto as ditas alegações de falta de relatório, o que cerceou o direito de defesa da recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Ø autuação dentro do prazo, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos fatos geradores, posto que não foram entregues relatórios, entendo que razão não assiste ao recorrente. Não só o relatório fiscal, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição da presente NFLD. Bem assim, o Relatório Discriminativo Analítico do Débito – DAD, descreve por competência a base de cálculo de segurados empregados e autônomos, razão porque a falta do relatório de Fatos geradores não prejudicou o lançamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 312DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003885/200834 Acórdão n.º 240102.096 S2C4T1 Fl. 289 9 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Assim, entendo que na defesa não fez o impugnante qualquer questionamento acerca da natureza da verbas apuradas, razão porque na esfera recursal não cabe sua apreciação. Quanto ao mérito, destacase que as guias apresentadas, conforme descrito pelo auditor foram consideradas durante o procedimento fiscal, para tais argumentos já afastados pelo decisão de primeira instância, não trouxe o recorrente qualquer fato novo. Porém observase que ocorreram recolhimento depois de encerrado o procedimento, ou mesmo na data do encerramento, porém tais recolhimento não poderiam ser incluídos pelo auditor. Posto que já iniciado e encerrado o procedimento. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período compreendendo as competências maio de 1996 a fevereiro de 2000, é regulada pela Lei Complementar n ° 84/1996, nestas palavras: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das Fl. 313DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Assim, o procedimento seguiu os ditames previstos na legislação, não tendo o recorrente apresentado quaisquer elementos capazes de desconstituir o lançamento. Contudo, entendo que da execução do julgado deve a DRFB considerar as guias recolhidas para fins de abatimento do débito devido, caso as mesmas não tenham sido aproveitadas em outros débitos lavrados durante o mesmo procedimento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 314DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003885/200834 Acórdão n.º 240102.096 S2C4T1 Fl. 290 11 Fl. 315DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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