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Numero do processo: 16327.000790/2001-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 1996, 1997
Ementa: DIFERENÇA IPC/BTNf. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
A autorização para que a diferença de correção monetária IPC/BTNf seja deduzida na apuração do lucro real, nos termos do art. 3º, da Lei nº 8.200/91, não abrange a CSLL, conforme disposição expressa do art. 41, do Decreto nº 332/91.
Numero da decisão: 9101-000.846
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karen Jureidini Dias.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 1996, 1997 Ementa: DIFERENÇA IPC/BTNf. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A autorização para que a diferença de correção monetária IPC/BTNf seja deduzida na apuração do lucro real, nos termos do art. 3º, da Lei nº 8.200/91, não abrange a CSLL, conforme disposição expressa do art. 41, do Decreto nº 332/91.
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DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. A autorização para que a diferença de correção monetária IPC/BTNf seja deduzida na apuração do lucro real, nos termos do art. 3º, da Lei nº 8.200/91, não abrange a CSLL, conforme disposição expressa do art. 41, do Decreto nº 332/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karen Jureidini Dias. CAIO MARCOS CÂNDIDO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O 2 Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho,Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffman. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 16327.000790/200170 Acórdão n.º 9101000.846 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de recurso especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão 10516.690 (fls. 311/323) que, no mérito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente por ele apresentado. Sustenta a recorrente que a decisão sob exame diverge de outros julgados deste Colegiado para os quais revestese de ilegalidade a restrição imposta pelo Decreto nº 332/91 à dedução da diferença de correção monetária IPC/BTNf na base de cálculo da CSLL, tendo em vista que a Lei nº 8.200/91 não estabeleceu qualquer óbice nesse sentido. O recurso foi admitido pelo Despacho PRESI 129/2009 (fls. 379/380). Em contrarrazões (fls. 383/392), a Fazenda Nacional afirma que o julgador administrativo não pode negar aplicação à norma em vigor. Aduz que o Decreto não inovou, apenas clarificou o texto legal. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO A questão sob exame dirigese à suposta ilegalidade de dispositivo constante de um Decreto que, sustenta a recorrente, teria extrapolado de seus limites regulamentadores. O dispositivo contestado é o art. 41, do Decreto nº 332/91: CAPÍTULO II Da Correção Monetária com Base no IPC (........) Art. 41. 0 resultado da correção monetária de que trata este capítulo não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88) e do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713/88, art. 35). A meu ver, o dispositivo em questão não está em desacordo com a Lei nº 8.200/91. Isso porque essa Lei trata de dois assuntos relacionados mas distintos. Em seu art. 1º, determina a obrigatoriedade de efetuar a correção monetária das demonstrações financeiras com base no INPC. No art. 2º, autorizou a correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, nos seguintes termos: Art. 2º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índice que reflita a nível nacional, variação geral de preços Essa correção seria considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (destaques acrescidos): Art. 2º (,,,,..) § 4º O valor da correção especial, realizado mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título, poderá ser deduzido como custo ou despesa, para efeito de determinação do lucro real. § 5º O disposto nos §§ 3º e 4º, deste artigo aplicase, inclusive, à determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988), e do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 35). (......) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 16327.000790/200170 Acórdão n.º 9101000.846 CSRFT1 Fl. 3 5 Portanto, temse nesse caso a previsão expressa de considerar a correção monetária especial na apuração do lucro real e da CSLL. Em outras palavras, quando a Lei entendeu que algum dispositivo teria aplicabilidade ao IRPJ e à CSLL, foi literal nesse sentido. No que se refere à diferença IPC/BTNf, a Lei é específica ao mencionar seu efeito apenas na determinação do lucro real (destaques acrescidos): Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. Vêse que, ao tratar do impacto da diferença de correção monetária IPC BTNf no resultado da pessoa jurídica , a Lei não menciona a apuração da CSLL, ao contrário das disposições concernentes à correção monetária especial. Nessa ótica, ao estabelecer que o resultado da correção monetária com base na diferença IPC/BTNf não influirá no cálculo da CSLL, o art. 41 do Decreto nº 332/91 não comete qualquer impropriedade, apenas regulamenta aquilo que a Lei já estabelecia, ou seja, o cômputo do resultado das correção monetária pela diferença IPC/BTNf apenas na apuração do IRPJ. Salientese ainda o posicionamento consolidado no STJ nessa mesma linha, como é exemplo o Acórdão proferido no AgRg 1051423/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 23/04/2009 (DJ 25/05/20094): TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. LEGALIDADE DO ARTIGO 41, § 2º, DO DECRETO 332/91, EM CONFRONTO COM AS DISPOSIÇÕES DA LEI 8.200/91, POR ELE REGULAMENTADO. BASE DE CÁLCULO DA CSSL. LEGALIDADE.. 1. A Lei 8.200/91, consoante sua interpretação teleológica, conduz à conclusão inequívoca de que, quando a norma versou acerca da correção monetária das demonstrações financeiras do anobase 1990, referiuse, fundamentalmente, ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, não tendo qualquer reflexo sobre a apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro – CSL.. 2. O aludido diploma legal, com efeito, admitiu apenas uma única hipótese em que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro CSL se subsumisses à incidência das deduções Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O 6 da correção monetária de balanço. Tem sentido da norma contida no artigo 2º e §§ da lei, que assim dispõem: "Art. 2º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índice que reflita a nível nacional, variação geral de preços. § 1º A correção monetária de que trata este artigo poderá ser efetuada, exclusivamente, em balanço especial levantado, para esse efeito, em 31 de janeiro de 1991, após a correção com base no BTN Fiscal de Cr$ 126,8621. § 2º A correção deverá ser registrada em subconta distinta da que registra o valor original do bem ou direito, corrigido monetariamente, e a contrapartida será creditada à conta de reserva especial. § 3º O valor da reserva especial, mesmo que incorporado ao capital, deverá ser computado na determinação do lucro real proporcionalmente à realização dos bens ou direitos, mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título. § 4º O valor da correção especial, realizado mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título, poderá ser deduzido como custo ou despesa, para efeito de determinação do lucro real. § 5º O disposto nos §§ 3º e 4º, deste artigo aplicase, inclusive, à determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988), e do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 35). 3. É cediço no E. STJ que: "Fácil perceber que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro somente é afetada pela correção monetária de balanço prevista na Lei n.º 8.200/91 nas hipótess expressamente por ela contempladas (art. 2º, § 5º c/c §§ 3º e 4º), restando ajustado a essa disciplina o disposto no art. 41, § 2º, do Decreto n.º 332/91. Da leitura dos dispositivos indicados, extraise a conclusão de que a Lei n.º 8.200/91 só permite, relativamente à apuração da CSL, a correção monetária da conta 'Ativo Permanente', excluindoa de qualquer outra demonstração financeira." (Resp 386908/SE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.11.2003, DJ 25.02.2004). 4. Consectário do expendido é que "não há, assim, qualquer ilicitude que possa ser reconhecida quanto à norma contida no art. 41 do Decreto n.º 332/91. Primeiramente, porque a Lei n.º 8.200/91, ao cuidar da correção monetária de balanço relativamente ao anobase de 1990, limitouse ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, não estendendo a previsão legal à CSL. Em segundo lugar, porque a Lei n.º 8.200/91, quando quis estender a correção monetária de balanço à CSL o fez expressamente, limitada, entretanto, à conta do 'Ativo Permanente', a teor do disposto no art. 2º, § 5º c/c os §§ 3º e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 16327.000790/200170 Acórdão n.º 9101000.846 CSRFT1 Fl. 4 7 4ºda Lei n.º 8.200/91." (REsp 386908/SE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.11.2003, DJ 25.02.2004). 5. Aliás, nesse sentido tem sido a jurisprudência da Primeira e da Segunda Turmas, consoante se denota dos seguintes precedentes: Resp 772.439/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 20.04.2006, DJ 18.05.2006; REsp 645.212/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 02.02.2006, DJ 06.03.2006; Resp 199.338/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 05.10.2004, DJ 16.11.2004; REsp 386.908/SE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.11.2003, DJ 25.02.2004; e Resp 101.862/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 19.05.1998, DJ 08.06.1998. 6. Agravo regimental desprovido. (destaques acrescidos) De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O
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Numero do processo: 14041.000099/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ABONO INCIDÊNCIA
Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das
isenções contidas na legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ABONO INCIDÊNCIA Para que o abono pago ao empregado não sofra incidência de contribuições previdenciárias, deve obedecer as determinações contidas no art. 28, I, § 9º, “e” da Lei 8212/91, ou seja, deve estar expressamente desvinculado do salário. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. Recurso Voluntário Negado.
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CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Não basta constar em cláusula de Convenção Coletiva a determinação do pagamento de uma verba para que ela não sofra incidência de contribuições previdenciárias, é preciso que as verbas ali constantes estejam dentro das isenções contidas na legislação vigente. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal correspondentes às contribuições por parte da empresa nas competências 02 de 2004 a 06 de 2005. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 58/65, os fatos geradores das contribuições lançadas correspondem aos acréscimos legais decorrentes de recolhimentos em atraso, no período de 02/2004 a 06/2005, relativas aos diversos estabelecimentos da empresa e as verbas pagas aos segurados empregados, a titulo de Abono Salarial, nas competências 05/2004 e 06/2004, as quais constavam da folha de pagamento, mas não integraram a base de cálculo para a contribuição previdenciária e não foram declaradas em GF1P. Inconformado com a Decisão de fls. 137/143 que julgou procedente o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Que a rubrica (740) Abono Salarial identificada pela fiscalização nos meses de competências 05/2004 e 06/2004, é assegurado pela Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal – SINCODIVE. Defende que, alegar como fez a fiscalização que os acordos Coletivos firmados entre as empresas e o Sindicato da categoria não tem eficácia legal é no mínimo um absurdo! Portanto, não há que se falar em descumprimento de incidência de contribuições sociais sobre abono salarial referente ao mês de competências 05/2004 e 06/2004, porque feito, de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal SINCODIVE. Requer o recebimento do recurso para que seja julgada improcedente a autuação, com também a multa imposta ou, alternativamente a retificação da multa e o recálculo dos juros. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000099/200914 Acórdão n.º 240102.033 S2C4T1 Fl. 74 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O presente lançamento foi efetuado em face da recorrente devido a pagamento de abonos efetuados aos seus funcionários, caracterizados pela fiscalização como valores que integram o salário de contribuição. Aduz a recorrente que, por se tratarem de verbas pagas em decorrência de Acordos Coletivos estabelecidos pelos sindicatos das categorias, tais valores não estão sujeitos à incidência de contribuições, posto que desvinculados dos salários de seus funcionários. Logo, a questão a ser resolvida é se as verbas pagas pela Recorrente, a título de abono, integra, ou não, o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Em um primeiro momento, entendo que as Convenções e Acordos Coletivos tem caráter normativo vez que, às empresas, não cabe descumprir a convenção coletiva, eis que estariam descumprido norma expressa do nosso ordenamento jurídico, sujeitandose a sanções administrativas e judiciais cabíveis (Auto de Infração pela Delegacia Regional do Trabalho; Ação de Cumprimento pelo Sindicato; etc...), já que a mesma é equiparada à lei, tendo efeito obrigacional sobre todas as empresas e trabalhadores dos sindicatos signatários na sua base territorial. A força de lei da convenção coletiva é conferida pela Constituição Federal, através dos artigos 7º, inciso XXVI, e 114, e pela Consolidação das Leis do Trabalho, através do artigo 611, que equiparam as mesmas as leis ordinárias, devendo, portanto, ser respeitada e cumprida. Contudo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de abono, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser expressamente desvinculado do salário. De acordo com a transcrição da Cláusula Primeira, Parágrafo Primeiro da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal – SINCODIVE, constante no item 10 do Relatório Fiscal, referido abono seria pago no percentual de 70% do salário base do empregado. Logo, não há como deixar de verificar a vinculação desta verba com o salário dos empregados da recorrente, o que fulmina as razões defendidas no presente recurso. Não basta apenas constar em acordo ou convenção coletiva de trabalho a determinação do pagamento de referida verba para que ela seja considerada isenta de contribuições, há que harmonizar tais cláusulas com as determinações da legislação vigente. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, os abonos pagos pelo empregador integram o conceito de salário, Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (g.n.). A Lei 8.212/91, observadas as alterações posteriores, assim se manifesta sobre o salário de contribuição e sobre as parcelas pagas a título de acordo: Art. 28 Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (g.n.) O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, incluídas as alterações posteriores, dispõe: Art. 214 Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição,, exclusivamente: Fl. 170DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000099/200914 Acórdão n.º 240102.033 S2C4T1 Fl. 75 5 (...) V) as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. (g.n.) Em análise aos dispositivos legais e regulamentares acima transcrito, conclui se que os "abonos" só não integram o salário de contribuição quando expressamente os desvinculados do salário, ou seja, para que não sofram a incidência de contribuição previdenciária, não podem ter qualquer vínculo com o salário e, em conseqüência, encontraremse fora do campo de incidência de contribuição previdenciária; Concluise que o legislador ao fazer constar da Lei 8.212/91, art. 28, § 9, alínea "e", item 7, a condição "expressamente desvinculado do salário", o fez com intuito exclusivo de evitar a evasão de contribuições previdenciárias, senão, quaisquer valores pagos aos empregados a título de remuneração poderiam, com certeza, não sofrer a incidência de contribuição previdenciária, se pagos sob a denominação de abono. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Negarlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 171DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13974.000034/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005, 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTAÇÃO. Incumbe à fiscalização
fundamentar a imposição da multa de ofício qualificada, não se prestando para tanto a mera afirmação de que a autuada omitiu receitas intencionalmente.
DÉBITOS CONFESSADOS ESPONTANEAMENTE. Tendo a autuada retificado
sua escrita para nela reconhecer as receitas omitidas, que foram incluído em DIPJ apresentadas espontaneamente antes do início da ação fiscal, e tendo os tributos respectivos sido recolhidos/ compensados/declarados em DCTF, é de se reconhecer a
improcedência do lançamento, com relação aos débitos assim denunciados.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-000.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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TURMA DA DRJ CURITIBA PR Interessado TUPER S\A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTAÇÃO. Incumbe à fiscalização fundamentar a imposição da multa de ofício qualificada, não se prestando para tanto a mera afirmação de que a autuada omitiu receitas intencionalmente. DÉBITOS CONFESSADOS ESPONTANEAMENTE. Tendo a autuada retificado sua escrita para nela reconhecer as receitas omitidas, que foram incluído em DIPJ apresentadas espontaneamente antes do início da ação fiscal, e tendo os tributos respectivos sido recolhidos/compensados/declarados em DCTF, é de se reconhecer a improcedência do lançamento, com relação aos débitos assim denunciados. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima Fl. 1466DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 1a.TURMA DA DRJ CURITIBA – PR recorreu a este Conselho, de ofício em face da exoneração de valor superior ao limite de alçada no julgamento em 1a. Instancia do presente processo, cuja interessada é a empresa TUPER S/A. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Este processo trata dos autos de infração de IRPJ (fls. 965974), de contribuição para o PIS/PASEP (fls. 975984), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 985994) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 995 1.000) e do auto de infração de Multa Regulamentar e/ou Multa e Juros Isolados de fls. 1.0041.009, por meio dos quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 6.835.599,63 – que inclui juros moratórios calculados até 27/02/2009 , correspondente ao somatório dos valores discriminados nos Demonstrativos Consolidados do Crédito Tributário do Processo, de fls. 01 e 02. Narra o Relatório de Atividade Fiscal de fls. 1.0121.029 que a ação fiscal decorreu de elementos apreendidos em 30/03/2007 na “Operação Ouro Verde”, encetada em conjunto pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, incluindo documentos, arquivos magnéticos e computadores. Investigações realizadas pela Polícia Federal, a partir de novembro de 2005, contando com interceptação autorizada judicialmente de linhas telefônicas, demonstraram que o Grupo Roger Tur funcionava como instituição financeira clandestina, na qual esta contribuinte mantinha contas correntes, com recursos alheios à sua escrituração oficial, conforme extratos apreendidos na aludida operação. O Relatório de Atividade Fiscal detalha as operações e demais circunstâncias, inclusive o funcionamento das contas mantidas por esta contribuinte. Também informa que, em virtude de erro no endereço constante do Mandado de Busca e Apreensão, não ocorreram apreensões no estabelecimento desta contribuinte, o que lhe propiciou retificar espontaneamente sua contabilidade, suas DIRPJ, DACON, DCTF, PAGAMENTOS e compensações com e sem DARF. A fiscalização informa no Relatório da Atividade Fiscal que a escrituração retificada não incluía registros dos valores movimentados nas contas mantidas no Grupo Roger Tur. Contudo, posteriormente, no Relatório de Diligência de fls. 1.381.391, retificou tal assertiva. A fiscalização intimou a contribuinte a comprovar os pagamentos constantes das fls. 776777 e 780781. Em resposta, a contribuinte declarou que se tratavam de receitas não contabilizadas, objeto de confissão espontânea, desprovidos de documentação probatória. A fiscalização também não logrou êxito na obtenção de comprovantes de outros desembolsos por ela solicitados. Com relação à comprovação das receitas omitidas, foram feitas as intimações de fls. 790798, 802804 e 806808, versando sobre créditos constantes das contas PUT – R$ (2894), HEUSD /0,5% a.m (2451), PUT USD (2879) e PUTEURO (2888), tendo a contribuinte declarado que desconhecia tais créditos. Fl. 1467DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 3 O Relatório da Atividade Fiscal afirma que todos os créditos constantes dos extratos dessas contas foram lançados como omissão de receitas, com base na presunção legal instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e foram adicionados às bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS constantes das DIRPJ e DACON originais, ou seja, anteriores às retificações. Contudo, posteriormente retificou tal informação (fls. 1.3891.390). Na versão inicial, após apuradas as novas bases de cálculo, teria procedido ao lançamento apenas das diferenças entre os débitos apurados pela fiscalização e os débitos declarados pela contribuinte nas suas declarações retificadoras. Acrescenta o Relatório da Atividade Fiscal que o acréscimo às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL das omissões gerou débitos dos tributos em cadeia para os períodos de apuração subsequentes, cujos pagamentos mensais por estimativa e, ou balanço de suspensão/redução não foram efetivados. Por conseguinte, foi lançada multa de ofício isolada, equivalente a 50% do IRPJ (CSLL) devidos mensalmente, calculado por estimativa ou mediante balanço de suspensão/redução. O lançamento do PIS e da COFINS nãocumulativos obedeceu aos critérios descritos às fls. 1.0241.028. A fiscalização justificou a aplicação da multa de ofício qualificada ao argumento de que, conforme expôs, a fiscalizada omitiu receitas intencionalmente. Os fundamentos legais do lançamento se encontram consignados no campo próprio de cada auto de infração. Cientificada do lançamento em 30/03/2009 (fls. 971), a contribuinte apresentou, em 29/04/2009, a impugnação de fls. 1.0311.064, veiculando as seguintes alegações: reclama que lhe foi dado pouco prazo para analisar o processo, configurando cerceamento do direito de defesa. Argumenta que teve ciência do auto de infração em 30/03/2009 e, em 07/04/2009, protocolou na Agência da Receita Federal em São Bento do Sul solicitação de cópia, mas somente no dia 20/04/2009, após as 13:00 horas teve acesso integral ao processo, de mais de mil páginas. Requer a declaração da nulidade absoluta do auto ou, alternativamente, dilação de prazo para que possa acrescer outras informações pertinentes à sua defesa; afirma que a constituição do lançamento ocorreu com base em presunção fiscal indevida, e que a análise da documentação, por si só, não pode representar uma efetiva omissão de receitas, e que seria necessário analisar cada ‘operação/infração’ individualmente, buscando provas concretas que corroborassem o intelecto do servidor fiscal; relata que, segundo o autuante, os lançamentos foram embasados em alegados pedidos de pagamentos transmitidos por fax apreendidos em operação policial, contendo pretensas informações e fatos geradores ausentes de sua contabilidade oficial, dos quais não teria havido comprovação de efetiva movimentação financeira. Arremata não ser possível a autuação sem a devida comprovação de que realmente os valores existiram e foram movimentados, e que, sem movimentação financeira, não há grandeza tributária passível de fato gerador. Adiciona, verbis: “Por fim, concluise que basear a autuação fiscal tãosomente em documento físico para embasar os lançamentos fiscais da presente autuação é apenas indício do qual é necessária a existência de prova concreta, especificamente, a efetiva movimentação financeira.” Fl. 1468DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 4 argumenta que a natureza das infrações fiscais que lhe são atribuídas está na conduta de fazer, cuja característica básica é a objetividade, e que deve ser apurada a real tipicidade de sua conduta, se adstrita ou não da intenção de realizar determinado ato antijurídico, ou se agiu tãosomente com a assunção de tal risco. Adiciona que a infração tributária somente configurará infração penal quando houver a intenção do agente em lesar os cofres públicos por meio da subtração, parcial ou total, de tributos devidos ao erário. Enfatiza que somente ocorrerá infração penal quando o agente tiver a intenção de lesar o Fisco, o que não teria ocorrido, posto que as infrações que lhe são atribuídas se resumem a omissão de receitas; nega que tenha incorrido em omissão de receitas e afirma que atendeu todas as solicitações para apresentar documentos e comprovar as operações e que, no mais, realizou todos os procedimentos necessários e legais de uma operação normal e, quando haviam débitos em aberto, praticou denúncia espontânea, quitandoos legalmente; contestando o lançamento relativo ao anocalendário de 2005, aduz que o Fisco computou todos os supostos créditos constantes em quatro contas da instituição financeira como omissão de receitas por falta de comprovação de origem, sem deduzir quaisquer despesas e somálos às bases de cálculo dos tributos constantes das DIRPJ e DACON ‘antes de serem retificadas’. Argumenta que vem demonstrar que o procedimento fiscal não foi correto, haja vista que desconhece as operações que lhe foram imputadas, e não existir prova contundente que estabelece esse fato. Adiciona que em momento algum a fiscalização demonstrou o suposto benefício que teria auferido com a omissão de receitas; que não foi apresentada qualquer prova demonstrativa da existência de valores oriundos de receitas não contabilizadas, ou até mesmo sinais exteriores de riqueza da empresa. Diz ser pacífico que essa correlação deve ser demonstrada; relata que no período de apuração de 2005 há valores mensais de IRPJ recolhidos a maior e outros a menor e que apurou saldo negativo, conforme demonstra às fls. 1.047, razão pela qual entende que não há que se falar em cobrança das estimativas mensais. Para a CSLL, desenvolve raciocínio semelhante, com os cálculos de fls. 1.0471.048. Também reclama que o autuante, ao recompor a base de cálculo do IRPJ, desconsiderou o valor recolhido a título de imposto de renda retido na fonte, no importe de R$ 456.818,00; reportandose aos períodos de apuração de 2006 e 2007, afirma que, em 25/05/2007, reconheceu todas as receitas não contabilizadas até aquele período e que na DIPJ do exercício de 2007, anocalendário de 2006, apresentada em 28/06/2007, já constavam as receitas não contabilizadas. Assegura que a declaração retificadora objetivou ajustar um lançamento equivocado, e não para reconhecer receita omitida; reportandose à tributação reflexa de PIS e COFINS lançados, reclama que deveria ter sido deduzida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme excertos doutrinários e jurisprudenciais coligidos; argumenta que as supostas omissões de receitas foram objeto de multa de ofício no percentual de 150%, e que também houve a imposição de multa isolada no percentual de 50% por falta de pagamento da estimativa mensal do IRPJ e da CSLL. Afirma que esse não deve ser o entendimento a ser aplicado, em face da impossibilidade da aplicação cumulativa das duas multas, que implicaria punição em duplicidade. Requer seja desconsiderada a multa isolada, por terem as duas multas a mesma base de cálculo e fato gerador; Fl. 1469DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 5 contestando a imposição de multa qualificada, menciona que não praticou os procedimentos que tivessem levado a possível omissão de receitas e que não houve ocultação dos seus valores que pudesse embaraçar ou dissimular suas operações perante a fiscalização. Ressalta que o auto de infração não fez menção alguma ao fundamento e motivação que ensejaram a qualificação da multa, e que, por desconhecer os fundamentos levados em consideração, se sente prejudicada para combater o real sentido do agravamento; afirma que houve equivocada interpretação do autuante e que este jamais conseguiu comprovar o alegado e que em seu relatório de verificação reconhece que, tendo confrontado os arquivos eletrônicos da impugnante com os arquivos eletrônicos do Grupo Roger Tur, não localizou valores individualizados referentes a receitas e despesas. Afirma que o autuante buscou por intermédio dos meios que possuía identificar a real ligação da impugnante com a operação que está sendo acompanhada pelos órgãos federais, mas não conseguiu o pretendido; assegura que não restou caracterizada sua intenção dolosa de impedir ou retardar o fato gerador do tributo – que sequer teria ocorrido – de modo a diferir, reduzir ou evitar o pagamento do imposto devido; reportandose ao fato de a multa de ofício exigida isoladamente, relativa ao IRPJ, ter sido lançada no mesmo auto de infração alusivo ao tributo, argumenta que o autuante não cumpriu com formalidade essencial prevista no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), segundo o qual a exigência deve ser formalizada em auto distinto para cada tributo ou penalidade. Requer que a multa isolada constituída no mesmo auto de infração da exigência principal seja considerada nula; também se insurge contra a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Argumenta que penalidades como multa de ofício e taxa de juros Selic, embora previstas em lei, não se encontram autorizadas a incidir uma sobre a outra; reportandose ao art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, afirma que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de ofício, para os casos não contemplados ali. Arremata que, embora a multa de ofício seja parcela integrante do crédito tributário, a aplicação de juros sobre a mesma é impossível, em face da ausência de previsão legal que autorize tal incidência. Em 27/05/2009, por meio do despacho de fls. 1.1131.114, foi determinada a realização de diligência tendente a reconstituição da apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, 2006 e 2007, da qual resultou o Relatório de Diligência de fls. 1.3271.330 e os novos cálculos, estampados às fls. 1.3231.326. A impugnante , com base nas planilhas de fls. 1.1311.293, reportandose aos anos calendário de 2006 e 2007, argumentou que a fiscalização utilizouse da base já retificada, à qual acrescentou as receitas omitidas, e que suas DIPJ originais já haviam sido apresentadas incluindo tais receitas. Em face de tal alegação e na impossibilidade de aferir, apenas pelos elementos dos autos, sua consistência, foi lavrado o despacho de fls. 1.3571.357verso, solicitando que o autuante se pronunciasse de forma conclusiva a respeito. Cumprindo o que lhe fora solicitado, o autuante elaborou o Relatório de Diligência de fls. 1.3891.391 reconhecendo o cometimento de equívocos em seus levantamentos iniciais , que será objeto de análise no voto. Fl. 1470DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 6 A decisão recorrida está assim ementada: MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTAÇÃO. Incumbe à fiscalização fundamentar a imposição da multa de ofício qualificada, não se prestando para tanto a mera afirmação de que a autuada omitiu receitas intencionalmente. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa de ofício proporcional ao tributo devido no ajuste anual não se confunde e nem é concomitante com a multa de ofício lançada isoladamente pela falta de recolhimento de estimativas. DÉBITOS CONFESSADOS ESPONTANEAMENTE. Tendo a autuada retificado sua escrita para nela reconhecer as receitas omitidas, que foram incluído em DIPJ apresentadas espontaneamente antes do início da ação fiscal, e tendo os tributos respectivos sido recolhidos/compensados/declarados em DCTF, é de se reconhecer a improcedência do lançamento, com relação aos débitos assim denunciados. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. O PIS e a Cofins cuja exigibilidade esteja suspensa por força de impugnação, não são dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicamse aos lançamentos reflexos, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz. Impugnação Procedente em Parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte recolheu a parte mantida pela DRJ. Portanto, tratase apenas de recurso de oficio. É o relatório. Fl. 1471DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso de oficio preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A decisão de 1a. instancia exonerou em parte a exigência, o que ensejou o recurso de oficio. Vejamos o fundamentos do voto condutor da lavra do ilustre julgador Walnaldir Aparecido Maia (verbis): (...) Com relação à segunda linha argumentativa da impugnante, enfeixada no tópico “2 – Do Lançamento Baseado em Presunção fiscal – Omissão de Receitas”, cumpre registrar que o Relatório de Análise Financeira (Movimentação Instituição Financeira Clandestina) elaborado pela Delegacia de Polícia Federal em Joinville historia a existência de uma instituição financeira clandestina operada pelo grupo empresarial ROGER TUR. Do mesmo relatório também consta que a documentação apreendida em operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal do Brasil, realizada por determinação judicial, evidencia que esta contribuinte mantinha na aludida instituição financeira várias contas correntes, cuja movimentação é minuciosamente detalhada, como se vê às fls. 15109. O Relatório se encerra com a seguinte conclusão (fls. 109): “4. DA CONCLUSÃO Diante do exposto, concluise que as investigações demonstram que a instituição financeira clandestina mantida pelos irmãos ROGERIO LUIS GONÇALVES e CLOVIS MARCELINO GONÇALVES administrou valores em dólar, euro e real (caixa dois) para TUPER S.A. Esses valores foram mantidos à margem do sistema legal, levando a TUPER S.A. a não declará los. A TUPER S.A. ainda utilizouse da IFC GRUPO ROGER para remessas de valores para o exterior em dólar e euro.” Várias das movimentações das contas correntes foram objeto de facsímiles interceptados pela Polícia Federal, como se vê às fls. 35 e seguintes, contendo assinatura do senhor HELMUT, que então exercia o cargo de Coordenador de Finanças da impugnante (fls. 890). Ademais, inúmeros também são as interceptações de comunicações telefônicas entre esse senhor e os gestores da ROGER TUR, versando sobre movimentação financeira das contas correntes. É inequívoco, portanto, que a impugnante efetivamente movimentou, na condição de titular, as contas correntes mantidas na ROGER TUR, cujos extratos se encontram nos autos. Em assim sendo, por força da presunção legal expressa, incumbelhe comprovar a origem dos valores que aportaram nessas contas, sob pena de caracterizarem receitas omitidas. Tratandose de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova. Assim, não é o Fisco quem tem a incumbência de comprovar a origem dos recursos, e sim o contribuinte. Fl. 1472DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 8 Também é de se registrar que a contribuinte afirma que, sem movimentação financeira, não há grandeza tributária passível de fato gerador. Entretanto, é exatamente disso que se trata. A movimentação financeira está aí, registrada no entraesai de numerário nas contas correntes. Tomese por exemplo o Fax de fls. 722, enviado pelo Sr. Helmut (coordenador de finanças da impugnante) para Clóvis ou Keka (gestores da instituição financeira do Grupo Roger Tur), determinando depósito no valor de R$ 10.000,00 na conta bancária do Sr. Frank Bollmann, diretor presidente da impugnante. Esse não é um autêntico exemplo de movimentação financeira? Cabe, portanto, à impugnante comprovar a origem dessa movimentação financeira ocorrida. Em não logrando fazêlo, prospera a presunção legal de que está caracterizada a omissão de receitas. Com relação à qualificação da multa, a impugnante aponta (fls. 1.055), que o auto de infração “não fez menção alguma ao fundamento e motivação que ensejaram tal tipificação. Com base nessa omissão praticada pelo Agente Fazendário, a Impugnante resta prejudicada para combater o real sentido do agravamento da multa aplicada, em face de desconhecer quais os fundamentos levados em consideração pelo Fisco Federal que lhe imputassem penalidade de 150%. Dizse isso, pois em seu ponto de vista, em momento algum cometeu qualquer tipo de prática fraudulenta que viesse a lesar o Fisco.” Por seu turno, a fiscalização foi extremamente lacônica ao declinar as razões determinantes da qualificação (fls. 1.028), verbis: “6) DA MULTA DE OFÍCIO: art. 44, II, da Lei 9.430/96. As multas de ofício de 150% foram qualificadas porque, conforme o acima exposto e a documentação acostada aos autos, a fiscalizada omitiu receitas intencionalmente.” Como se vê, o autuante se absteve de partilhar as razões que moldaram seu convencimento de ser cabível a exasperação da multa. Não trouxe a lume a conduta da autuada que se subsumiria às hipóteses previstas nos art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, o que efetivamente obsta que a autuada se defenda e demonstre o contrário. Em meu sentir, é de se aplicar o contido na Súmula nº 14, do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF), verbis: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Até onde se encontra documentado nos autos, a conduta da contribuinte evidencia a prática de omissão de receitas, que aliás foi reconhecida antes da autuação fiscal. Não há a descrição pormenorizada de conduta que, de per si, materialize algumas das hipóteses previstas nos aludidos artigos da Lei nº 4.502, de 1964. Logo, a multa de ofício proporcional aos tributos lançados deve ser reduzida do percentual qualificado, de 150%, para o percentual normal, de 75%. Ainda com relação à multa, a impugnante alega concomitância de aplicação da multa de ofício com a multa exigida isoladamente, o que implicaria dupla punição. Entretanto, não está havendo imposição de duas multas sobre a mesma infração. Pelo contrário, cada multa corresponde a uma infração distinta. Com efeito, a multa isolada sanciona a falta de recolhimento de estimativa que eventualmente se tornou devida e não foi quitada. Já a multa proporcional se refere ao tributo que deixou de Fl. 1473DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 9 ser recolhido no ajuste anual, apenas quando resultou saldo devedor. Improcedente, portanto, a alegação. Outra reclamação da impugnante é que a multa isolada relativa ao IRPJ não foi lançada em auto de infração autônomo, o que ensejaria a nulidade da exigência. Contudo, a alegação fica prejudicada, uma vez todos os valores lançados a esse título foram cancelados, em função de nova apuração levada a cabo pelo autuante, como se vê às fls. 1.382 e observações expendidas na análise do mérito. Iniciando a análise do mérito, registro que foram realizadas duas diligências no propósito de quantificar com a maior exatidão os valores devidos, em face da plausibilidade das alegações da impugnante. Por oportuno, transcrevo os esclarecimentos prestados no derradeiro Relatório de Diligência (fls. 1.3891.391): “Antes de explicarmos as retificações dos valores lançados anteriormente vamos esclarecer os motivos pelos quais houve tantos erros aritméticos nos cálculos anteriores. Quando da intimação da fiscalizada do termo de início de fiscalização, oportunidade em que lhe solicitamos livros contábeis em papel e em meio magnético, fomos atendidos por um procurados que estava totalmente alheio à “Operação Ouro Verde” e que desconhecia completamente a existência de retificações contábeis ou de declarações ou de pagamentos complementares de tributos federais promovidos pela fiscalizada. Quando da segunda intimação, após informarse a respeito, o procurador nos esclareceu que todas as retificações referentes a pagamentos e declarações de ordem tributária federal, advindos daquela Operação conjunta da Receita Federal e Polícia Federal, tinham sido levadas a efeito por um escritório de consultoria/advocacia, contratado pela direção da fiscalizada especificamente para este fim. Desde o começo da fiscalização pensávamos que havíamos recebido a escrituração original e não a retificada, inclusive aviventamos o procurados da fiscalizada da necessidade de trabalharmos com a contabilidade original, sem retificações. No entanto, como ele estava alheio às retificações, ao invés de nos apresentar a contabilidade original nos apresentou a retificada e, assim, todos os cálculos partiram de bases de cálculo já retificadas e não das originais. Nesta última diligência, cônscios de que aqueles cálculos anteriores estavam totalmente prejudicados pelos motivos acima expostos, com a colaboração do profissional responsável pela contabilidade da empresa, levamos a efeito novos cálculos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS partindo de bases de cálculo corretas, ou seja, antes de serem retificadas.” (Grifei). Constatase, portanto, que o autuante reconhece a existência de equívocos em seus levantamentos iniciais, com ênfase para a assertiva constante do Relatório de Atividade Fiscal de que seus cálculos partiam dos valores antes da retificação da escrita. Também é de se destacar que, antes de elaborar seu Relatório, a fiscalização enviou planilhas à impugnante alusivas aos cálculos e solicitou que a mesma se manifestasse em relação a quaisquer divergências para que, após identificadas e conferidas, fossem retificadas (fls. 1.3591.360). Fl. 1474DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 10 Conforme se vê pelas cópias de emails trocados entre o autuante e servidores da impugnante (fls. 1.3611.365), as duas partes interessadas procuraram efetivamente extirpar todos os pontos de divergências, sendo que, pelo expediente de fls. 1.366, a impugnante enviou as planilhas de fls. 1.3671.380, a partir das quais a fiscalização elaborou suas próprias planilhas (fls. 1.3811.388). Devem ser acolhidas, portanto, as conclusões da última diligência (fls. 1.3901.391), verbis: “1) IRPJ A planilha apresentada pela diligenciada, às fls. 1.371 a 1.372, coincidiu perfeitamente com os cálculos da autoridade fiscal, às fls. 1.381 a 1.382. Observase que não há débitos de IRPJ em nenhum anocalendário e que em dezembro de 2007 resta um crédito de R$ 14.725,00 (Última linha da Coluna 23 de Imposto de Renda negativo. 2) CSLL A planilha apresentada pela fiscalizada, às fls. 1.367 a 1.370, coincidiu perfeitamente com os cálculos da autoridade fiscal, às fls. 1383 a 1384. Às fls. 1384 (Coluna 24), verificase que restaram lançamentos de multas isoladas em novembro de 2005 (R$ 10.003,18), dezembro de 2005 (R$ 4.758,10), janeiro de 2007 (R$ 3.207,17) e abril de 2007 (R$ 441,52) e que no anocalendário de 2005 e 2007 há débitos de CSLL anual a serem lançados respectivamente no montante de R$ 29.522,55 e R$ 7.297,37. 3) PIS e COFINS As planilhas referentes a PIS e a COFINS também foram retificadas e contemplam a apuração de créditos extemporâneos (Vice a coluna 19A, às fls. 1.386) anteriores ao início da presente fiscalização, que não foram considerados pela autoridade fiscal nas planilhas anteriores. As planilhas apresentadas pela diligenciada, às fls. 1.373 a 1.380, não coincidiram com as planilhas calculadas pela autoridade fiscal, às fls. 1.385 a 1.388, exclusivamente porque, ao contrário dos pagamentos a maior de IRPJ por estimativa, que são compensados de ofício com débitos apurados em meses subseqüentes, a autoridade fiscal não tem autorização legal para levar a efeito compensações de pagamentos a maior de PIS/COFINS com débitos encontrados em meses subseqüentes. Pagamentos a maior de PIS/COFINS devem ser compensados pelo contribuinte mediante PER/DCOMP. Observase que as planilhas apresentadas pela diligenciada e as calculadas pela autoridade fiscal divergem apenas no que diz respeito à compensação de pagamentos a maior em meses antecedentes com débitos de meses subseqüentes.” (Grifei). Como visto, não divergem as planilhas relativas ao IRPJ e à CSLL apresentadas pela impugnante e pelo autuante. A única divergência reside nas planilhas de PIS e COFINS. Ainda assim, ficam por conta da impossibilidade de serem realizadas, de ofício, compensações pela fiscalização. Tais compensações carecem de iniciativa da impugnante, e deverão ser implementadas por meio de PER/DCOMP, conforme pronunciamento da fiscalização. Em face do exposto, o lançamento deve sofrer as alterações a seguir demonstradas: Fl. 1475DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 13974.000034/200985 Acórdão n.º 140200.816 S1C4T2 Fl. 0 11 (...) Em face de todo o exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, para exonerar integralmente o IRPJ lançado, no importe de R$ 1.298.667,98; exonerar parcialmente a CSLL lançada, no importe de R$ 331.451,30; exonerar parcialmente o PIS/PASEP lançado, no importe de R$ 53.887,85; exonerar parcialmente a COFINS lançada, no importe de R$ 278.644,98; exonerar totalmente a multa de ofício isolada pela falta de recolhimento de estimativas do IRPJ, no total de R$ 649.339,99; exonerar parcialmente a multa de ofício isolada pela falta de recolhimento de estimativas de CSLL, no importe de R$ 186.645,53, e reduzir todas as multas de ofício, do percentual qualificado de 150% para o percentual simples de 75%. [...] Pois bem, em que pese a narrativa de certos ilícitos atribuídos ao contribuinte, a fiscalização verificou em diligencia que a empresa reconheceu as receitas omitidas em procedimento anterior ao inicio da Ação Fiscal, o que implicou no cancelamento das exigências do IRPJ, CSLL e multas isoladas. Quanto a multa de oficio qualificada, nenhum reparo a ser feito na redução a 75% haja vista que a fiscalização deixou de fundamentar a incidência. Diante do exposto,voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1476DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10680.015404/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA.
São indedutíveis os valores contabilizados como custo, com apoio em documentos inidôneos, quando a pessoa jurídica não prova, por qualquer meio hábil, ter recebido os bens e efetivado o pagamento do preço respectivo.
OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO.
Tributa-se como omissão de receita o valor dos pagamentos
comprovadamente efetuados, mas que não foram escriturados.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. COFINS. PIS.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2003, 2004, 2005
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PROVA DOS PAGAMENTOS.
Correta a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte de que trata o art. 61 da Lei 8.981/1995 sobre pagamentos lastreados em documentos comprovadamente inidôneos, registrados na contabilidade da interessada a crédito da conta Caixa. A inidoneidade dos documentos não ilide o fato de que os recursos deixaram o patrimônio da empresa, destinando-se a
beneficiários não identificados.
Numero da decisão: 1301-000.761
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, cancelar a
glosa de despesa relativa às notas fiscais emitidas pela Sólida Construções e Edificações Ltda., vencido neste ponto o conselheiro Waldir Veiga Rocha; e, pelo voto de qualidade, manter o
lançamento do IRRF, vencidos, neste ponto, os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, cancelar a glosa de despesa relativa às notas fiscais emitidas pela Sólida Construções e Edificações Ltda., vencido neste ponto o conselheiro Waldir Veiga Rocha; e, pelo voto de qualidade, manter o lançamento do IRRF, vencidos, neste ponto, os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. São indedutíveis os valores contabilizados como custo, com apoio em documentos inidôneos, quando a pessoa jurídica não prova, por qualquer meio hábil, ter recebido os bens e efetivado o pagamento do preço respectivo. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. Tributase como omissão de receita o valor dos pagamentos comprovadamente efetuados, mas que não foram escriturados. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. COFINS. PIS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003, 2004, 2005 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PROVA DOS PAGAMENTOS. Correta a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte de que trata o art. 61 da Lei 8.981/1995 sobre pagamentos lastreados em documentos comprovadamente inidôneos, registrados na contabilidade da interessada a crédito da conta Caixa. A inidoneidade dos documentos não ilide o fato de que os recursos deixaram o patrimônio da empresa, destinandose a beneficiários não identificados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 535 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, cancelar a glosa de despesa relativa às notas fiscais emitidas pela Sólida Construções e Edificações Ltda., vencido neste ponto o conselheiro Waldir Veiga Rocha; e, pelo voto de qualidade, manter o lançamento do IRRF, vencidos, neste ponto, os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de recurso impetrado por Viviane Classificação de Pedras Ltda., contra a decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte, que julgou procedentes os autos de infração contra ela lavrados, para exigência de créditos tributários relativos à Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Os autos dão notícia de que a fiscalização instaurouse a partir do repasse, à Receita Federal, de documentos apreendidos pelo Departamento da Polícia Federal, no curso da denominada “Operação Carbono”, em cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal. Tais documentos estariam relacionados com o comércio ilegal de diamantes, consistente na exportação, para a Bélgica e para os Emirados Árabes Unidos, de pedras supostamente oriundas da extração em garimpos ilegais nas regiões Norte e Centro Oeste do Brasil e até mesmo de lavras situadas em regiões de conflito armado no continente africano. O Termo de Fiscalização consigna que, de acordo com as informações colhidas durante a fase preparatória da Operação Carbono, a empresa obteria notas fiscais de diversas empresas que, em princípio, não se dedicavam à extração de diamantes, para dar lastro legal à entrada de pedras que posteriormente seriam exportadas utilizandose de Certificados Kimberley (os quais atestam a origem de diamantes e são necessários para a sua exportação) obtidos de forma irregular. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 536 3 Após exame dos livros e documentos apreendidos, a fiscalização solicitou esclarecimentos sobre notas fiscais que na contabilidade acobertavam custos e pagamentos, uma vez que alguns dos emitentes informaram ao fisco que não mantiveram relacionamento comercial com a fiscalizada, enquanto outros não foram localizados nos endereços constantes dos cadastros da Receita Federal. A fiscalizada respondeu que a negação, pelas empresas, de relacionamento comercial com ela não tem o condão de elidir as operações comerciais efetivamente realizadas, e que tal constatação careceria de diligências mais aprofundadas. Acrescentou que não tem a obrigação legal de fiscalizar o controle sobre a situação cadastral — especificamente o endereço — das empresas com as quais manteve relações comerciais. O aprofundamento das investigações sobre a idoneidade dos documentos, levado a efeito junto aos supostos emitentes (Mineração São Judas Ltda., Mineração Serra Grande S.A., Sólida Construções e Edificações Ltda., Mineral Mineração e Comércio Ltda., Itafort Indústria e Comércio de Minerais Ltda. e H.R. Mineração) e nas gráficas confeccionadoras, levou a fiscalização a concluir que as notas fiscais que lastreiam as operações contabilizadas e investigadas são inidôneas. De um modo geral, as supostas fornecedoras diligenciadas informaram que nunca mantiveram relações comerciais com a fiscalizada, a numeração das notas fiscais por elas emitidas, registradas nos seus livros de saídas é incompatível com a numeração das notas fiscais encontradas, as gráficas que supostamente teriam confeccionado as notas fiscais (conforme AIDF constante ao pé do documento), não confirmam a impressão. Em alguns casos, embora as intimações por via postal houvessem retornado, a inidoneidade das notas foi revelada por outros meios de investigação, entre eles a não confirmação da impressão pelas gráficas. Os valores correspondentes às notas fiscais consideradas inidôneas deram lugar a lançamento de IRPJ e CSLL, mediante glosa dos custos/despesas contabilizados. Além disso, constituíram base para lançamento do IRRF, ao fundamento de pagamento a beneficiário não identificado. Diferente foi o resultado da diligência junto ao fornecedor Jezzini Minerais Preciosos Ltda. Embora a intimação a ele enviada houvesse retornado com a informação de que o contribuinte havia mudado, em consulta no sítio da Secretaria da Fazenda do Paraná, verificouse que é válida a AIDF constante no pé das notas fiscais emitidas pela Jezzini para a autuada. Em diligência realizada pela DRF/Curitiba na Jezzini, seu sócio Khaled Jezzini informou ter recebido da fiscalizada R$ 370.000,00, em 14.07.2004, por transferência bancária (conforme extrato bancário apresentado), e R$ 120.000,00, que alega ter recebido em espécie. Os lançamentos respectivos encontramse nas folhas 101, 102, 110 e 111 do Diário n° 1 da Jezzini (cópia anexada). Como os pagamentos não estão contabilizados, a fiscalização não glosou os custos, mas considerou os respectivos valores como omissão de receitas, influenciando a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Sobre todos os valores lançados foi imposta a multa de 150% por evidente intuito de fraude. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 537 4 A interessada apresentou impugnação tempestiva, cujos termos reproduzo do relatório que integra a decisão de primeira instância. “Da impugnação • Levando em conta que todos os autos de infração foram gerados em uma única operação fiscal e todos os lançamentos decorrem daquele relativo ao IRPJ, a impugnação, visando a facilitar o exame da matéria como um todo, é elaborada em peça única, a ser aplicada e integrada a todos os processos individuais. Do cerceamento de defesa • À impugnante foi interposta barreira que não só dificulta a defesa, mas a impossibilita. • Não obstante constar no termo de encerramento que a fiscalização devolveu todos os livros e documentos, a impugnante não recebeu nenhum dos documentos que lhe foram apreendidos pela Policia Federal e depois transferidos para a Receita Federal, como está confirmado pela própria fiscalização no termo de verificação fiscal. • A tentativa feita pela impugnante de obter de volta a documentação para que exercesse seu direito de defesa frustrouse, porque o Judiciário lhe deu resposta negativa. • A impugnante está impedida de exercer seu direito de defesa, pois lhe é vedado buscar as explicações em seu próprio patrimônio, constituído de sua documentação comercial e fiscal, • Percorrendo as páginas dos processos, saltam aos olhos inúmeras irregularidades, insanáveis do ponto de vista da defesa da impugnante: estão ausentes as fls. 2 e 10 do termo de' verificação fiscal relativo ao processo n. 10680.015404/2007,24. • Basta pinçar alguns exemplos do processo para constatar a inconsistência da ação fiscal. O caso da Sólida Construções e Edificações Ltda: A folhas 191 a 197 encontramse cópias de notas fiscais e faturas emitidas pela Sólida, em janeiro, fevereiro e março de 2004, referentes a serviços prestados à impugnante. A fiscalização intimou a empresa a comprovar a prestação dos serviços, o recebimento dos valores e os registros contábeis relativos (fls. 200). A empresa respondeu que não mantinha relações comerciais com a impugnante (fls. 201). A fiscalização solicitou então a apresentação dos blocos de notas fiscais emitidos no período. A empresa respondeu oferecendo cópia da documentação de julho de 2006 a abril de 2007, e solicitando à "Receita Federal (devido a extravio), cópias das Notas Fiscais emitidas contra a empresa Viviane Santos Classificação de Pedra Ltda. CNPJ 65.148.207/000153, para podermos informar ou não se as mesmas são autênticas (fls. 240). • Luíza Salvador de Morais Santiago, responsável pela declaração da Sólida, foi intimada a apresentar seus livros. Ela respondeu que confirmava estar a documentação extraviada, o que inclui todo o período de sua vida até junho de 2006, e insiste em ter cópias das notas fiscais emitidas contra a impugnante para examiná las. Ela compareceu à Receita Federal e, mediante termo, declarou que a empresa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 538 5 não tem documentos dos anos de 2004 e 2005, com também não possuía máquinas que pudessem executar os serviços indicados nas notas fiscais. • Apesar de a empresa declarar não poder comprovar o solicitado pela repartição, uma vez que sua documentação se achava extraviada e não obstante a existência de documentário por ela emitida, a fiscalização decidiu que aquele desprovido de documentação merece maior credibilidade que a impugnante e, assim, considerou que o serviço não foi executado. O caso da empresa Jezzini Minerais Preciosos Ltda. • A fls. 210 encontrase a nota fiscal n° 0038, emitida pela Jezzini, no valor de R$ 370.000,00, em 28.07.2004. Intimada pela fiscalização, a empresa encaminhou a documentação solicitada (fls. 222), alegando que o valor de R$ 370.000,00 foi recebido da impugnante, conforme fls. 3/4 do extrato bancário fornecido. • Efetivamente constam do extrato R$ 370.000,00, mas esse valor nada tem que ver com a referida nota fiscal. Primeiramente, porque a nota fiscal é de 28.07.2004, enquanto a movimentação bancária é de 14.07.2004. Não se pode acreditar que a impugnante pagasse o valor duma nota fiscal que seria emitida catorze dias depois. Perguntase como vendedor e comprador saberiam que viriam a negociar um lote de diamantes no exato valor de R$ 370.000,00, meio mês mais tarde. • Mais importante ainda é que no extrato apresentado o histórico "transf. ag. dinh. Viviane Santos C. Pedras" está estornado no mesmo dia. É evidente o engano existente na conta corrente da empresa Jezzini, porque a impugnante não mantinha conta corrente no Bradesco naquela época e, portanto, não poderia fazer transferência entre agências como consta do histórico. • Além disso, a fls. 230 achase cópia do diário da Jezzini, onde se pode ler, no dia exato da nota fiscal n° 0038, de 28.07.2004, o registro da venda, mas não se encontra o registro do recebimento. Deveria haver tal registro, pois no mesmo diário e dia encontrase venda relativa à nota fiscal n° 0039 e o respectivo pagamento no valor de R$ 120.000,00 (fls. 229). A fiscalização, apesar de toda a comprovação em contrário, considerou que a impugnante teria recebido o valor e o não consignado em sua contabilidade. Demais exigências fiscais • No momento, a impugnante somente pode evidenciar essas impropriedades por meio do exame do auto de infração e de seus anexos, uma vez que não tem acesso a sua própria documentação. Seguramente, se a tivesse disponível, poderia elidir todas as acusações feitas, de forma improcedente, pela fiscalização. • Contestase, com veemência, a pretensão da fiscalização de glosar custos, sob a presunção de inidoneidade das notas fiscais de aquisição. • Protestase, com a mesma veemência, contra a aplicação da multa isolada sob a alegação de insuficiência na base de cálculo do IRPJ e da CSLL por estimativa. As pretensas diferenças foram geradas pelo ato fiscal de glosar despesas e de considerar valores não pagos como receitas omitidas, o que evidentemente, é incabível, além de constituir bis in idem, uma vez que a glosa de custos já teria sido gravada com multa. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 539 6 • É descabido ainda aplicar multa agravada sobre parcelas de custos glosadas e, ainda mais, considerar os valores glosados como pagamentos a beneficiários não identificados, sujeitos ao IRRF. • Ao final, a glosa de custos de aquisição de mercadorias levou ao paradoxo de que a impugnante conseguiu vender mercadorias que não são de sua produção, sem que antes as tivesse adquirido, mercadorias, digase de passagem, vendidas sob intensa vigilância, fiscalização e controle dos órgãos federais, um dos quais é a própria Receita Federal. Cerceamento de defesa • O cerceamento de defesa, no caso, é de clarividência solar. Nenhuma oportunidade de defesa foi dada à empresa de se defender adequadamente desde a Operação Carbono. • A magnitude dessa arrasadora operação pode ser medida pelos danos irreparáveis causados à empresa, que de um momento para outro viuse despojada de seus bens, valores, equipamentos, livros e documentos fiscais, saldos bancários e informações constantes de seus arquivos de backup que se encontravam nos computadores apreendidos e também nos computadores do seu contador. O episódio equivale a um tsunâmi. A empresa está aniquilada para sempre. • Em Mandado de Segurança impetrado perante o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com o propósito de conseguir a liberação da documentação fiscal e bens do seu estoque regular, foram expostos fatos e fundamentos que se relacionam com a presente autuação e que se seguem. • A impetrante vem operando há vários anos na exportação de diamantes com absoluta regularidade fiscal e está regularmente inscrita perante as repartições fiscais de todos os três níveis de governo. • No exercício de suas atividades, vem cumprindo religiosamente com todas as obrigações tributárias e suas operações pelo critério da rigorosa legalidade, de maneira que não havia motivos para sua inclusão entre os alvos da Operação Carbono. • A obtenção do Certificado Kimberley do Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM do Ministério das Minas e Energia passa obrigatoriamente pela fiel observância da legislação discriminada na impugnação. Sendo assim, todas as exportações de diamantes realizadas pela empresa deste a instituição do Certificado Kimberley, por meio da Lei n° 10.743, de 09.10.2003, foram regulares. • Antes da vigência da Lei n° 10.743, de 2003, a exportação de diamantes sempre foi permitida com menos exigências, desde que cumprida a legislação aduaneira. O DNPM, a quem competia fiscalizar e controlar as atividades das empresas mineradoras, não participava do processo de exportação. • Em todas as exportações realizadas pela impetrante foram cumpridos os mandamentos legais, de maneira que não houve uma só exportação clandestina. • Nunca houve da parte da impetrante o menor interesse na exportação ilegal de diamantes. Primeiramente, porque os ganhos obtidos com a exportação regular de diamantes para importadores europeus sempre foram considerados suficientes. Em Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 540 7 segundo lugar, porque a administradora da impetrante sempre pautou sua vida pela honestidade e legalidade, e logrou ótimo conceito comercial no exterior pela seriedade de suas transações e pela competência demonstrada ao longo de anos na classificação de avaliação de diamantes, além de ser considerada no Brasil e no exterior uma autoridade na classificação de diamantes, qualidade que nem os graduados em geologia têm. • O comércio de diamantes é fiscalizado com muito rigor no exterior, em qualquer parte do mundo, de maneira que se houver diferenças muito grandes, superior em geral a 10%, entre o preço declarado e o avaliado pelo órgão fiscalizador, a mercadoria fica retida. Em conseqüência, é praticamente impossível a utilização da exportação de diamantes para lavagem de dinheiro. O preço do diamante tem um padrão internacional em cada data de acordo com as flutuações de mercado. • Frisese que, de seis em seis meses, o exportador deve demonstrar suas atividades de exportação perante o Siscomex, para que possa continuar em situação regular. Se a pessoa jurídica perder o prazo para atualizar o cadastro, fica impedida de exportar. • A situação da impetrante perante a Receita Federal só não está totalmente regularizada porque ela ficou impedida de funcionar a partir de 10.02.2006, em virtude da Operação Carbono. Ficou impossibilitada, também, de apresentar declarações de rendimentos dos exercícios de 2006 e 2007. • Não existem débitos inscritos em dívida ativa nem processo instaurado com base em autuação fiscal. Existem débitos que estão sendo pagos por meio de parcelamento, os quais foram apurados pela própria impetrante ao rever suas declarações de rendimentos anteriores ao exercício de 2005. • Com respeito ao Banco Central, a impetrante desconhece a existência de qualquer procedimento investigativo decorrente de movimentações bancárias vinculadas às exportações de diamantes. • Com vistas à comprovação de que nada deve ao Erário Federal, ressalvados os débitos confessados espontaneamente, e firme na convicção de que não incorreu em nenhuma infração no desempenho de suas atividades, a impetrante requereu certidões à Receita Federal e ao Banco Central. • Assim, a apreensão de todos os diamantes, bens, valores e documentos causou perplexidade e indignação, na consideração de que se trata de ato injusto, arbitrário e sem justa causa. • Como prova de suas afirmações, a impetrante instrui o pedido com cópias de alguns dos processos de exportação, salientando que enfrentou imensas dificuldades para obter as cópias, em virtude da apreensão de todos os seus documentos. Também apresenta os documentos que obteve, com as mesmas dificuldades, da Receita Federal, da Justiça Federal e da empresa credenciada como despachante, em franca demonstração de que a empresa é séria e comprometida com a legalidade. • Discriminamse, na impugnação, as exportações realizadas entre 15.01.2003 e 18.07.2007, a cópia do processo de alguma das quais, por amostragem, é anexada ao mandado de segurança. • Descrevemse na impugnação os procedimentos observados na exportação de diamantes. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 541 8 • Os diamantes apreendidos em poder de Viviane Albertino Santos no dia 10.02.2006 fazem parte do estoque regular da empresa, com notas fiscais de entrada. Parte deles compunha o estoque regular da empresa, com notas fiscais de entrada. Outra parte já estava com o processo de exportação iniciado com a obtenção do Certificado Kimberley n° 183, emitido pelo DNPM em 06.02.2006. O valor dessa exportação corresponde a US$ 751.000,00, dos quais foram depositados antecipadamente na conta da impetrante no BankBoston a quantia em real correspondente a US$ 400.000,00. O restante dos diamantes e ouro apreendidos não se destinavam à exportação, e parte deles era proveniente de herança deixada pelo pai de Viviane Albertino Santos. • A impetrante nunca promoveu exportação ilegal de diamantes, nunca teve participação com outros exportadores em nenhuma operação ilegal e nunca praticou lavagem de dinheiro. Os bens que possui foram adquiridos dentro da legalidade, com dinheiro limpo na origem, fruto de suas atividades. • Já se passaram 21 meses desde a apreensão. Pedidos de restituição foram feitos e indeferidos pela Justiça Federal O cerceamento de defesa é gritante, violento, desumano, injurídico, inconstitucional, ilegal e intolerável. Por esse motivo, as autuações fiscais padecem do vício insanável de nulidade pelo cerceamento de defesa. Conclusão • Considerando: a) que a fiscalização extrapola ao cobrar multa isolada calculada sobre o valor tomado como reajuste do IRPJ e da CSLL originado na glosa dos custos de aquisição; b) que as vendas de mercadorias feitas pela impugnante são examinadas e fiscalizadas pelo DNPM e pela Receita Federal, que atestam a sua ocorrência; c) que a impugnante não é empresa mineradora, mas compra suas mercadorias no mercado; d) que a glosa de custos de mercadorias conduz ao paradoxo de que seja possível vender produto que não tenha sido comprado; e) e tudo mais que consta dos autos; a impugnante protesta pela nulidade do processo, uma vez que não lhe é facultado o amplo direito de defesa. Protesta mais pela forma como foi feita a apuração fiscal e determinadas as bases de cálculo dos tributos. • A impugnante requer que o processo seja declarado nulo, por infringir os preceitos constitucionais da ampla defesa, consubstanciado no Código Tributário Nacional e em normas reguladoras do processo administrativo fiscal, uma vez que lhe foram negadas as condições mínimas indispensáveis para que pudesse contrapor se à exigência fiscal.” O litígio foi submetido à Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes em sessão de 17.12.2008, quando foi proferido o acórdão n° 10517.364, que anulou o processo a partir da impugnação, pelos seguintes fundamentos: a) O contribuinte insiste desde a impugnação que não teve acesso aos livros, documentos e arquivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal. b) A decisão recorrida reconhece que esses elementos não se encontravam com a autuada no interregno concedido para a apresentação das impugnações e que a devolução deles não se fez à empresa, mas à autoridade judiciária ou à polícia, e diz que os autuantes juntaram aos autos todos os documentos comprobatórios das imputações fiscais. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 542 9 c) O artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988 (CF 1988) assegura o contraditório a ampla defesa com os meios e os recursos a ela inerentes. Tal mandamento tem aplicação automática e a legislação pretérita já estabelecia a nulidade de despachos e decisões quando há cerceamento do direito de defesa. d) Se o contribuinte não teve acesso aos livros e documentos que se encontravam apreendidos não pôde conferir sua escrita e seus arquivos para proceder à defesa. O fato de a autoridade fiscal ter trazido aos autos aquilo que, no entender da autoridade julgadora, está relacionado com a acusação não pode ser motivo de negar ao contribuinte acesso a todos os meios para exercer sua defesa. e) Não há nulidade nos lançamentos, mas a partir do momento em que o contribuinte foi cientificado precisaria serlhe franqueado, não importa onde estivessem, o acesso a todos os livros, documentos e arquivos de sua escrituração. Determinou, a Quinta Câmara, que fossem franqueados ao contribuinte todos os livros, documentos, arquivos, em papeis e eletrônicos, relativo aos períodos objeto de autuação, para que pudesse apresentar nova impugnação, que nova decisão de primeira instância fosse proferida, e assegurado novo recurso voluntário ao contribuinte. Ao apresentar nova impugnação, a interessada declarou ter recebido, por ordem do Juízo da 4ª Vara Federal Criminal Seção Judiciária de Minas Gerais, nos autos da Ação Penal proc. 2007.38.00.0280690, parte da documentação fiscal e comercial então apreendida pela Polícia Federal quando da realização da chamada "Operação Carbono”. Na nova impugnação, limitase a ratificar a anteriormente apresentada, aduz que: (a) as infrações apontadas resultam de mera presunção; (b) as declarações prestadas pelas empresas Sólida Construções e Edificações Ltda. e Jezzini Minerais Preciosos Ltda., não são capazes de escorar os lançamentos promovidos; (c) alegação de que as Notas Fiscais contabilizadas pela contribuinte são inidôneas carece de sustentação, vez que foram objeto de análise pelos órgãos competentes e dentre eles incluise a Receita Federal, conforme exigência da Certificação Kimberly. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte manteve integralmente os lançamentos, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA Comprovado que a documentação da escrituração é inidônea e que os verdadeiros emitentes são diferentes dos nela indicados, é procedente a glosa dos respectivos valores contabilizados corno custos ou despesas. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 543 10 OMISSÃO DE RECEITA PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO Tributase como omissão de receita o valor dos pagamentos comprovadamente efetuados mas que não foram escriturados. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL COFINS PIS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Enfrentando a nova impugnação, Ciente da decisão em 25 de fevereiro de 2010 (fl. 473), a interessada ingressou com recurso em 26 de março. Preliminar Preliminarmente, reafirma a ocorrência de cerceamento de defesa, mencionando irregularidades insanáveis praticadas pelos agentes da Polícia Federal quando da apreensão dos documentos e demais bens da Empresa e de sua sócia fundadora. Diz que, ao realizar a apreensão, os agentes da Polícia Federal deixaram de catalogar e identificar os bens apreendidos, tornando impossível sua identificação e, principalmente, inviabilizando sua requisição por parte da Empresa. Faz referência ao Termo de Apreensão (DOC 2), que registra a apreensão de documentos catalogados como "diversos", dentre os quais destaca o item 25: “Envelope pardo contendo diversos documentos, entre eles, recibos emitidos pela Mineração Rio Novo Ltda. a Viviane Santos Calssificação de Pedras Ltda. ", e ao Auto de Apreensão (DOC. n° 3), do qual destaca os seguintes itens: "42 — 01 (uma) caixa de papelão contendo diversos documentos com os dizeres "DOC. CONTABILIZADOS VIVIANE" em um lado e do outro "VIVIANE SANTOS". 48 — 01 (uma) caixa de papelão tipo Box contendo documentos diversos com odizeres "DOCUMENTOS PRIMEIRA GEMA" 52— 01 (uma) cais de papelão tipo Box contendo documentos diversos com os dizeres "LIVROSFISCAIS1ª GEMA", Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 544 11 53=01 (uma) caixa de papelão tipo Box contendo documentos diversos com os dizeres "PRIMEIRA GEMA DOC. CONTABILIZADOS 2004"; 73 — 01 (um) saco plástico contendo documentos diversos sem qualquer identificação, lacrado com fita adesiva do DPF;" Alega que as apreensões se deram de forma irregular, sem que fosse realizado o detalhamento do conteúdo das caixas e pastas apreendidas. E que dezenas de documentos capazes de comprovar a regularidade das operações praticadas pela Recorrente foram apreendidas a esmo, sem qualquer identificação ou catalogação, sendo apontados como "documentos diversos". Lembra que o Auto de Infração foi lavrado pela suposta falsificação de notas fiscais visando a "criação" de despesas inexistentes e afirma que, após terem prejudicado a Recorrente em função de emissão de notas forjadas, as empresas apontadas no Auto de Infração passaram a alegar que jamais teriam negociado com a Recorrente e que não teriam emitido as notas em comento. Diz que como as empresas foram responsáveis pela falsificação das notas (fato desconhecido até a investigação) e como os pagamentos foram realizados em espécie, a "estratégia" das emitentes dos documentos fiscais foi negar qualquer envolvimento com a Recorrente. Aduz que, no que tange à aquisição dos diamantes (eis que não possuía capacidade técnica ou operacional para verificar a regularidade dos documentos fiscais) e, principalmente, comprovar que houve pagamento realizado da Recorrente para as referida empresas mister se faria a apresentação dos RECIBOS DE PAGAMENTO assinados pelos representantes das empresas, ou demais documentos que comprovem a relação entre as partes, tais como acordos, contratos, emails, etc., porém, tais documentos restaram apreendidos e "jogados" em caixas da Polícia Federal sem qualquer identificação ("DOCUMENTOS DIVERSOS"). Indaga onde estão os Recibos apreendidos como "documentos diversos", e diz que a Polícia Federal não possui qualquer controle a este respeito, tornando inviável a devolução dos documentos, que podem ter se "extraviado" no decorrer da operação. Pondera que a partir da apreensão de centenas de documentos catalogados como "diversos", o extravio de qualquer item jamais poderá ser comprovado, encontrandose todo o processo contaminado por vício insanável. Ressalta que se tornou inviável a produção de provas, pois não há mais como comprovar a existência dos recibos, acordos, contratos, emails, etc., já que a apreensão de "documentos diversos", sem relacionálos, impede sua identificação e devolução.. Critica a alegação traçada na Decisão da DRJ, no sentido de que o contador da Recorrente teria recebido todos os documentos necessários à defesa, contrapondo que os mencionados recibos, acordos, contratos emails, etc. e demais comprovantes da legalidade das operações praticadas pela Recorrente jamais foram anexadas ao processo. Insiste em que a forma irregular como se deu a apreensão, sem a catalogação pormenorizada do conteúdo confiscado, permitiu seu "extravio" e obstaculizou sua defesa. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 545 12 Como exemplo das arbitrariedades que diz terem sido praticadas pela Polícia Federal, menciona que o "notebook" (de propriedade da Sra. Viviane) apreendido pela Polícia Federal se "extraviou" dentro da delegacia. Alega que os agentes requisitaram que a Sra. Viviane adquirisse um disco rígido para que realizassem a cópia dos dados e, posteriormente, entregassem o computador, porém, após a entrega do referido disco rígido e assinatura do recebimento do computador (que seria entregue em outro setor), os agentes da PF informaram que o "notebook" havia se "extraviado", e ainda, se apropriaram do disco rígido entregue para realização das cópias. Ressalta que, apesar de requisição à Delegacia responsável (DOC. n° 3), não lhe foram entregues os documentos necessários à sua defesa, os quais sequer podem ser identificados em razão da irresponsabilidade e irregularidade das apreensões realizadas pela Polícia Federal. Assevera que tentou acessar seus Registros de Exportação pelo sistema SISCOMEX, buscando elementos para comprovar a legalidade de suas operações, e, especialmente, demonstrar que as notas fiscais foram oferecidas ao DNPM e à Receita Federal para conferência quando do processo de obtenção do certificado KIMBERLEY, porém constatou que seu acesso encontrase bloqueado pela Receita Federal desde a "Operação Carbono". Mencionando estarem ausentes as fls. 2 a 10 do Termo de Verificação Fiscal relativo ao processo 10680.015404/200724, indaga: “O que conteriam? O que revelariam?”, para, afinal enfatizar que se encontra completamente impedida de produzir provas a seu favor, e que os obstáculos ao acesso às provas são criados pelos próprios acusadores, a Polícia Federal e Receita Federal. Conclui a preliminar nos seguintes termos: Destarte, ante aos óbices e obstáculos intransponíveis criados pela Policia Federal e pela Receita Federal do Brasil, o cerceamento de defesa revelase hialino, acarretando a necessidade de cancelamento definitivo do Auto de Infração em função de comprometimento irremediável dos elementos de defesa da recorrente em razão de erro na catalogação dos documentos apreendidos ou, na anulação da Decisão "a quo" para que se determine a entrega dos mencionados documentos à Recorrente. Mérito Quanto ao mérito, suas razões de defesa estão articuladas sob 5 títulos, a saber: (1) Da Efetiva Despesa na Aquisição de Diamantes; (2) Da BoaFé da Recorrente no que tange às Notas Fiscais Averiguação pelo DNPM e pela Receita Federal; (3) Indícios de Prática irregular por parte das Empresas emitentes das Notas Fiscais Insubsistência das Presunções Fiscais; (4) Da Inexistência de omissão de receitas — Ausência de referibilidade entre o extrato apontado e as contas da Recorrente e (5) Da ineficácia da multa. Da Efetiva Despesa na Aquisição de Diamantes Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 546 13 Diz tratarse de presunção, eis que a fiscalização, tendo considerado inidôneas as notas fiscais de aquisição de diamantes, concluiu que as despesas relativas às mesmas seriam irreais. Quanto ao fato de o pagamento ter sido feito em espécie, diz ser perfeitamente legal e comum, especialmente em se tratando de comércio de diamantes, e assim, não há lastro bancário que comprove o efetivo custo. Acrescenta que a comprovação de efetiva transação comercial com as empresas citadas poderia ser realizada mediante apresentação dos recibos de pagamento assinados pelas empresas, porém, tais provas encontramse apreendidas em local indeterminado. Afirma que, não obstante o notório cerceamento de defesa que impede por completo a produção de provas favoráveis, é possível constatarse a efetividade das despesas através de singela leitura do Relatório Complementar da Operação Carbono, elaborado pela Polícia Federal (Autos n° 2004.38.00.0234870), em cuja página 33 a PF traça organograma denominado "o caminho das pedras", na tentativa de demonstrar um grande esquema de fraude. Destaca que, não obstante as alegações criminais que são objeto de processo judicial específico, a Polícia Federal deixa clara, no organograma, a efetiva aquisição de diamantes pelos "Exportadores", diretamente dos garimpeiros, e o pagamento em dinheiro. Ressalta que o relatório da PF corrobora expressamente as aquisições de diamantes realizadas pela Recorrente e outros acusados, porém, alega fraude no processo de exportação. Assevera que houve real aquisição dos diamantes e, por conseguinte, houve efetiva despesa, e que, pretender o contrário seria admitir que a Recorrente não teria adquirido os diamantes e, sendo assim, não haveria que se falar em processo criminal por suposta fraude na exportação. E assim, das duas acusações, apenas uma sobreviverá: (i) ou a aquisição dos diamantes (despesas glosadas) não ocorreram e a Recorrente foi indevidamente acusada de exportar fraudulentamente algo que sequer possuía (se não houve despesa, não houve aquisição, o que indica a inexistência de prática criminal), ou (ii) a Recorrente adquiriu os diamantes (despesa comprovada) e os exportou, cabendo apuração quanto à prática de crime na exportação (processo criminal em andamento). Chama atenção para a contradição entre as duas acusações: A Polícia Federal informa que a Recorrente realmente adquiriu os diamantes, porém alega que a exportação se deu de forma irregular, o que gerou processo criminal contra a Recorrente; O Fisco alega que a Recorrente não adquiriu os diamantes, procedendo à glosa das despesas e à lavratura do A.I.; Afirma que o FATO, reconhecido pela Polícia Federal e comprovado pelo processo de exportação das pedras, é que as aquisições dos diamantes realmente ocorreram, o que revela a efetividade das despesas, necessárias à sua atividade. Assevera que a aquisição de diamantes no mercado interno é perfeitamente legal e que as alegações das empresas emitentes das notas fiscais não podem ser utilizadas como prova contrária à Recorrente, pois, dadas as circunstâncias, é de se esperar que neguem qualquer tipo de relacionamento com a Recorrente. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 547 14 Insiste em que a análise do Relatório da PF e do processo de exportação dos diamantes é suficiente à comprovação da efetividade das despesas, o que leva à nulidade do Auto. Da BoaFé da Recorrente no que tange às Notas Fiscais Averiguação pelo DNPM e pela Receita Federal Pondera que nenhuma empresa/pessoa física em atividade é obrigada a possuir conhecimentos técnicos necessários à averiguação de regularidade de documentos fiscais, papel que cabe, no caso, à Receita Federal e ao DNPM. Relata que se dedicava, em especial, à exportação de diamantes, fazendose necessária a aquisição de diamantes arrimados por nota fiscal inidônea (sic) para que a pedra e os documentos fiscais fossem submetidos aos órgãos competentes, visando a obtenção do certificado KIMBERLEY. Para tal certificado a lei exige a conferência, por parte do DNPM e da RECEITA FEDERAL, dos documentos fiscais relativos à aquisição das pedras a serem exportadas. Diz que, cumprindo o procedimento legal exigido à obtenção do certificado KIMBERLEY, ofereceu as notas fiscais à averiguação do DNPM, recolhendo, inclusive, a contribuição CFEM. O DNPM em Belo Horizonte averiguou as notas, constatou serem as mineradoras regularizadas, constatou a idoneidade das notas e remeteu o requerimento para Brasília, local de emissão do KIMBERLEY. Após o recebimento do certificado em Brasília, os funcionários especializados do DNPM dirigiramse ao seu escritório, vistoriaram e classificaram os diamantes e os lacraram para a exportação. Passo seguinte, o procedimento de exportação foi iniciado pela Receita Federal, mediante apresentação do diamante lacrado e das notas fiscais, novamente conferidas em conjunto com o certificado KIMBERLEY, nos termos da lei, vejase o artigo 8° da Lei n° 10.743/2003. Alega que ofereceu as notas para averiguação, fiscalização e aprovação tanto do DNPM quanto da própria Receita Federal, e ambos os órgãos pugnaram pela licitude da documentação fiscal, sem qualquer restrição. Contudo, após exercer seu papel de fiscalização e APROVAR os documentos, a Receita Federal passou a considerar como falsas as notas fiscais em referência. Diz que a Receita se vale “de seu próprio ERRO, ou de sua própria torpeza, para prejudicar contribuinte de boafé, que atuou nos moldes da Lei n° 10.743/2003, situação inadmissível em um Estado de Direito”. Indícios de Prática irregular por parte das Empresas emitentes das Notas Fiscais Insubsistência das Presunções Fiscais Afirma que se impõe afastar de plano a equivocada e absurda presunção fiscal em seu desfavor, deduzindo os seguintes argumentos: Às fls. 191 a 197 encontramse cópias de notas fiscais e faturas emitidas pela empresa Sólida Construções e Edificações Ltda., em janeiro, fevereiro e março de 2004, referente à serviços prestados à impugnante. Visando comprovar a prestação dos serviços, a fiscalização intimou a empresa Sólida Construções à comprovar o recebimento dos valores e registros contábeis relativos (fi. 200). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 548 15 A empresa retornou (fl. 201) alegando não manter relações comerciais com a Impugnante. Às fls. 204 a Sólida Construções apresentou cópia da documentação referente a julho de 2006 a abril de 2007 e solicitou à "Receita Federal (devido a extravio), cópias das Notas Fiscais emitidas contra a empresa Viviane Santos Classificação de Pedras Ltda. CNPJ 65.148.207/000153, para podermos informar ou não se as mesmas são autênticas. Posteriormente, a Sra. Luiza Salvador de Morais Santiago, como responsável pela declaração da Sólida Construções, foi intimada a apresentar livros da empresa. Contudo, em resposta ao fisco, a Sra. Luiza alegou o extravio da documentação contábil, incluindo todo o período de sua vida até junho de 2006 e insistiu em obter cópias das notas fiscais para análise. A Sra. Luiza compareceu à Receita Federal e, mediante termo, declarou que a empresa não possui documentos dos anos de 2004 e 2005 e que também não possuía máquinas capazes de executar os serviços indicados nas notas fiscais. Ocorre que, apesar de a empresa Sólida Construções alegar o "extravio" de seus livros fiscais relativos ao período da emissão das notas fiscais em referência, deixando de cumprir com as exigências do FISCO, a fiscalização decidiu que esta empresa, que alega ter sua documentação fiscal "EXTRAVIADA", merece mais credibilidade do que a Recorrente (que possui livros em perfeito estado) e considerou que os serviços não foram prestados. Notese que a alegação de "extravio" dos livros exatamente no período de emissão das notas fiscais "sub examine" é indício contundente da falta de credibilidade da empresa Sólida Construções, logo, não há como se sustentar a presunção fiscal no sentido de que os serviços não teriam ocorrido. Ora as presunções fiscais não são absolutas, devendo se basear em indícios claros e inequívocos. A bem da verdade, parte da doutrina reconhece a total inaplicabilidade das presunções. Menciona doutrina relacionada com a utilização de presunções e enfatiza que a presunção traçada neste processado, que se baseia em declarações de empresas INIDÔNEAS (as quais sequer possuem livros fiscais de escrituração obrigatória), devem, por óbvio, ser afastadas de plano. Da Inexistência de omissão de receitas — Ausência de referibilidade entre o extrato apontado e as contas da Recorrente. Quanto a essa acusação, assim se defende: À fl. 210 deste processado encontrase a nota fiscal 0038, emitida por Jezzini Minerais Precioso Ltda., em 28.07.2004, no valor de R$ 370.000,00 (trezentos e setenta mil reais). A fiscalização intimou a referida empresa a comprovar a operação através de notas fiscais, bem como a comprovar o recebimento do valor e lançamento nos livros Diário e Razão. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 549 16 A empresa encaminhou a documentação solicitada alegando que o referido valor teria sido recebido da Recorrente, conforme extrato bancário de 29.06.2004 a 22.07.2004. Todavia, comobem demonstrado na impugnação inicial, não há nexo de referibilidade entre o extrato e eventuais movimentações financeiras da Recorrente e a nota fiscal em referência. A Decisão "a quo" ignorou por completo o fato de a nota fiscal datar de 28.07.2004 e a movimentação bancária de 14.07.2004. É dizer, a Recorrente teria pago à Jezzini o valor de R$ 370.000,00 (trezentos e setenta mil reais) quatorze dias antes da emissão da nota fiscal! É de se indagar: que tipo de empresa transferiria vultuosa quantia a terceiros duas semanas antes da emissão da nota fiscal correspondente? Empresa alguma o faria, por certo. A r. Decisão recorrida também desconsiderou que à fl. 230 deste processado podese constatar da leitura do livro diário da Jezzini que, no dia do registro da nota fiscal (28.07.2004) há o registro da venda mas não há o registro do recebimento. Tal procedimento vai de encontro às praticas contábeis regulares e até mesmo adotadas pela própria Jezzini. Como exemplo, basta verificar a escrituração da venda relativa à nota 039, no valor de R$ 120.000,00 (fl. 229). Neste caso há o registro de venda e o registro de recebimento do mencionado valor no mesmo dia da emissão da nota (28.07.2004). Não bastasse, a Recorrente chegou a comprovar nos autos que sequer possuía conta no Banco responsável pela transferência, o que elimina, definitivamente qualquer hipótese traçada pela fiscalização. Por fim, ao contrário do que alegado na r. Decisão "a quo", a documentação apresentada indica o estorno dos valores transferidos no mesmo dia Sendo assim, mais uma vez a Fiscalização adotou presunção contrária à Recorrente tomando por base situação eivada de indícios favoráveis à mesma. Não há, portanto, qualquer prova capaz de demonstrar, cabalmente, a omissão de receitas com base em suposta transferência, que de fato, inexistiu. De mais a mais, calha repisar que eventual defesa da Recorrente neste sentido restou prejudicada em função do óbice à documentação e às provas que lhe são favoráveis, como já mencionado em tópico anterior. Da ilegalidade da Multa Aplicada Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 550 17 Afirma ser ilegal a majoração da multa, vez que não há qualquer comprovação de fraude ou omissão de receitas por parte da Recorrente, sendo assim, inviável a aplicação, quiçá a majoração de multa. Requer, afinal, seja acolhida a preliminar de nulidade do Auto de Infração em função de comprometimento irremediável dos elementos de defesa da Recorrente em razão de erro na catalogação dos documentosapreendidos. Caso, não acolhida a preliminar, requer, sucessivamente: a) seja anulada a decisão "a quo" determinandose a entrega de todos os recibos de pagamento, acordos, contratos, emails, etc. que comprovam a legalidade das operações praticadas entre a Recorrente e as empresas apontadas no Auto; ou b) seja cancelado o auto de infração em razão de sua insubsistência, haja vista a irregularidade das presunções fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminarmente, a interessada suscita a nulidade do auto de infração, afirmando comprometimento irremediável dos elementos de defesa da Recorrente em razão de erro na catalogação dos documentos apreendidos, ou, sucessivamente, a nulidade da decisão "a quo", com determinação de entrega de todos os recibos de pagamento, acordos, contratos, e mails, etc. que comprovam a legalidade das operações praticadas relativas às notas fiscais inquinadas de inidôneas. A alegação de nulidade por cerceamento de defesa pela não disponibilização dos documentos apreendidos pela Polícia Federal foi objeto de apreciação pela Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que se manifestou no sentido de que: “não há nulidade nos lançamentos, mas a partir do momento em que o contribuinte foi cientificado precisaria serlhe franqueado, não importa onde estivessem, o acesso a todos os livros, documentos e arquivos de sua escrituração”. Por isso, aquela egrégia Câmara anulou o processo a partir da decisão recorrida, inclusive, e determinou que “fossem franqueados ao contribuinte todos os livros, documentos, arquivos, em papeis e eletrônicos, relativo aos períodos objeto de autuação, para que pudesse apresentar nova impugnação, que nova decisão de primeira instância fosse proferida, e assegurado novo recurso voluntário ao contribuinte.”. Ao apresentar nova impugnação, a interessada declarou ter recebido, por ordem do Juízo da 4ª Vara Federal Criminal Seção Judiciária de Minas Gerais, nos autos da Ação Penal Proc. 2007.38.00.0280690 , parte da documentação fiscal e comercial então apreendida pela Polícia Federal quando da realização da chamada “Operação Carbono”. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 551 18 Na nova impugnação, a interessada nada aduziu quanto a defeitos na catalogação dos objetos recolhidos pela Polícia Federal, que a teriam impossibilitado de reclamar a devolução de documentos supostamente apreendidos (recibos de pagamentos assinados pelos representantes das empresas ou demais documentos, tais como acordos, contratos, emails, etc.), e que comprovariam a relação entre as partes. Se mesmo após a disponibilização dos documentos (no todo ou em parte) a defesa permaneceu cerceada, a interessada deveria ter acusado esse fato na nova impugnação. Não o tendo feito, legítima a presunção de que a nulidade teria sido sanada, tal como entendeu o julgador de primeira instância, “in verbis”: (...), além de anular todos os atos subseqüentes à notificação do sujeito passivo da lavratura dos autos de infração, a decisão de segunda instância determinou ainda que fosse franqueado à impugnante o acesso a todos os livros e documentos, integrantes de sua escrituração, que a fiscalização havia devolvido à autoridade judicial ou policial após o término da auditoria. Presumese que esse acesso tenha ocorrido e que por isso mesmo tenha sido sanado o cerceamento de defesa que o órgão de julgador de segunda instância entendeu ter havido, uma vez que a impugnante, em sua segunda manifestação, afirma textualmente que, por ordem proferida pela Justiça Federal no âmbito do processo criminal n° 2007.38.00.0280690, lhe foi entregue "parte da documentação fiscal e comercial então apreendida pela Polícia Federal". Conquanto a impugnante aluda a parte da documentação, entendese que o quanto lhe foi entregue bastou para exercer seu direito de contestação, uma vez que em sua segunda manifestação ela não retoma a queixa de que sua defesa se acha impedida ou embaraçada, mas limita as discussões preliminares à postulação de que lhe seja permitido apresentar posteriormente nova prova documental. (negritos acrescentados). Efetivamente, se era fato que entre os documentos apreendidos havia recibos, contratos, correspondência, etc., que comprovavam as negociações questionadas pelo fisco, ao constatar sua falta no acervo que lhe fora restituído, por determinação do Conselho para possibilitar sua defesa, era dever da interessada ter apontado o fato na impugnação. Não tendo alegado, naquele ato, a não devolução dos documentos que comprovariam as relações comerciais entre as empresas, não pode fazêlo agora, em grau de recurso. Tratase de matéria preclusa. O silêncio da então impugnante permite presumir que toda a documentação apreendida foilhe disponibilizada.. Quanto à alegada ausência das fls. 2 a 10 do Termo de Verificação Fiscal, sobre as quais a Recorrente indaga “O que conteriam? O que revelariam?”, é de registrar que as mesmas encontramse às fls. 26 e seguintes dos autos, e estão rubricadas pelo procurador da contribuinte, que assinou o Termo e dele recebeu cópia. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Passo ao mérito. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 552 19 Como se viu do relatório, três são as bases em que repousam as exigências sob litígio: (i) custos/despesas contabilizados com lastro em notas fiscais inidôneas; (ii) omissão de receitas presumida a partir da efetivação de pagamentos não contabilizados (feitos com recursos à margem da escrituração) e, (iii) pagamentos a beneficiários não identificados. Passo a analisálas na seqüência como posta acima. Glosa dos custos/despesas Antes de adentrar à análise deste item, repudio a afirmativa de que a Receita se vale “de seu próprio ERRO, ou de sua própria torpeza, para prejudicar contribuinte de boa fé, que atuou nos moldes da Lei n° 10.743/2003, situação inadmissível em um Estado de Direito”. Como visto, sugere a Recorrente que o agente da Receita Federal teria tido convalidado as notas fiscais quando da conferência da mercadoria para fins de exportação. Argumenta que, ao dar início ao procedimento de exportação, apresentou à Receita Federal o pacote de diamantes lacrado pelo funcionário do DNPM e as notas fiscais, que foram novamente conferidas em conjunto com o certificado KIMBERLEY, nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.743/2003. Contudo, o mencionado art. 8º, combinado com o § 2º do art. 6º, tratam da conferência, pela fiscalização aduaneira, da compatibilidade entre o conteúdo dos pacotes com o descrito no certificado Kimberley. Nesse ato, a Receita não atesta a idoneidade do documento fiscal que acobertou a compra dos diamantes, mas apenas estes. Vejase: Art.6o. As exportações de diamantes brutos produzidos no País somente poderão ser realizadas se acompanhadas do Certificado do Processo de Kimberley. §1oCompete ao DNPM, entidade anuente no processo exportador, a emissão do Certificado do Processo de Kimberley. §2o No caso de ser necessária a abertura de invólucro contendo diamantes brutos a serem exportados, em decorrência de ação fiscal aduaneira realizada no curso do despacho, o Ministério da Fazenda, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, emitirá o Certificado do Processo de Kimberley em substituição ao certificado original, transcrevendo os mesmos dados do certificado substituído. Art.7o As importações de diamantes brutos serão acompanhadas do Certificado do Processo de Kimberley, emitido pelas autoridades competentes do país de origem, sendo obrigatória a apresentação dele por ocasião do licenciamento nãoautomático pelo DNPM. Art.8o Compete ao Ministério da Fazenda, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, examinar e manusear os lotes de diamantes brutos submetidos a despacho aduaneiro, com vistas a verificar sua conformidade com o conteúdo do Certificado do Processo de Kimberley que os acompanha, expedindo, na hipótese prevista no § 2o do art. 6o, o correspondente certificado. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 553 20 Como visto do relatório, os dispêndios glosados referemse à aquisição de diamantes brutos, exceto os acobertados por nota fiscal da empresa Sólida Construções e Edificações Ltda., que correspondem a aluguel de equipamento (retroescavadeiras, carregadeiras e tratores de esteira). Para as notas fiscais de aquisição de diamantes brutos, o trabalho fiscal permitiu caracterizar, de forma inequívoca, sua inidoneidade, como atestam as diligências realizadas (fls. 105 a 211 dos autos) e relatadas no Termo de Verificação Fiscal, assim resumidas pelo relator de primeiro grau. Mineração São Judas Ltda. • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • Em resposta a termo de intimação fiscal, a empresa informou, por seu representante legal, que nunca manteve relação de nenhuma natureza com a fiscalizada. • Examinandose cópia do livro de registro de saídas fornecido pela empresa, não se constata que seja compatível a numeração das notas fiscais por ela emitidas com a numeração das notas fiscais encontradas na contabilidade da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 789, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a Gráfica Olanda respondeu que tal AIDF foi utilizada em dezembro de 1995 para a confecção de notas fiscais para Pedras Preciosas Brasileiras Comércio e Exportação Ltda. Essa informação coincide com a resposta do chefe do Posto Fiscal da Capital — 10— Santana, da Secretaria de Fazenda de São Paulo. Mineração Serra Grande S.A. • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • Em resposta a termo de intimação fiscal, a empresa informou, por seu representante legal, que não realizou nenhuma operação de venda nem de prestação de serviço com a fiscalizada. • Examinandose cópia do livro de registro de saídas fornecido pela empresa, não se constata que seja compatível a numeração das notas fiscais por ela emitidas com a numeração das notas fiscais encontradas na contabilidade da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 4830091, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a L.L. Gráfica e Editora Ltda apresentou cópia da AIDF, mas informou que não confeccionou essas notas fiscais, pois elas não se encontram de acordo com • modelo aprovado pela legislação de Goiás, conforme modelo anexado a sua resposta. Tratase de falsificação grosseira, pois os campos são diferentes, as discriminações das vias são feitas separadamente, e a Fl. 20DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 554 21 numeração em duas notas contém apenas 4 dígitos, enquanto em outra contém 6 dígitos. H. R. Mineração Ltda. • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • A intimação encaminhada por via postal foi devolvida pelos Correios, após tentativas de entrega no endereço indicado no cadastro da Receita Federal. • • A empresa entrega declaração de inatividade desde o ano calendário de 2000, o que abrange o período da nota fiscal constante da escrituração da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 000733982002, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a Gell Gráfica e Editora Ltda apresentou cópia da AIDF, mas informou que não confeccionou essas notas fiscais, pois a referida AIDF foi usada para impressão de notas fiscais para R & V Mineração Ltda, conforme discriminado na AIDF por ela apresentada. • A informação da gráfica coincide com o que se obteve da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, segundo a qual na sua base de dados a H.R. Mineração está suspensa desde 12.07.1995 e que, em conseqüência, a inscrição estadual desta foi cancelada. Acrescenta que apenas uma AIDF foi autorizada em 11.11.1994 com outro número. E confirma que a AIDF mencionada no parágrafo precedente foi emitida para a R & V Mineração Ltda. Mineral Mineração e Comércio Ltda • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. Também não é usual que parte do pagamento da nota fiscal 001123 tenha sido efetuado mais de um ano após a emissão da nota fiscal. • Em resposta a termo de intimação fiscal, a empresa informou, por seu representante legal, que nunca manteve relação comercial com a fiscalizada. • Examinandose cópia do livro de registro de saídas fornecido pela empresa, não se constata que seja compatível a numeração das notas fiscais por ela emitidas com a numeração das notas fiscais encontradas na contabilidade da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 844, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a Gráfica 8c Editora Cipriani Ltda respondeu que tal número de AIDF é de 1976 e que não foi usado, pois foi considerado como cancelado. Itafort Indústria e Comércio de Minerais Ltda. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 555 22 • Pagamento contabilizado como se tivesse sido efetuado em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • Na emissão das notas fiscais encontradas não foi datilografada a respectiva numeração, de modo que lhes faltam um dos requisitos essenciais de um documento dessa natureza. No rigor da lei, portanto, não se trata de notas fiscais. • A intimação enviada por via postal à Itafort retomou, pois não foi procurada pelo destinatário, cujo endereço é na zona rural de Itapeva, SP. O representante da Itafort, do qual o n° de inscrição no CPF é 038.983.906/08, não foi encontrado no endereço que consta do cadastro da Receita Federal. Constatou se que sua inscrição no CPF foi baixada, de oficio, por multiplicidade de inscrições. • As notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada são de outubro e novembro de 2004, mas a Itafort apresentou declaração simplificada quanto ao anocalendário de 2004, na qual informou ter auferido receitas apenas nos meses de janeiro a maio. Esta foi a última declaração entregue pela empresa, conforme consulta aos sistemas da Receita Federal. • Foi enviada intimação para o responsável pelo preenchimento da declaração mencionada no item anterior, o qual respondeu que a DIPJ 2005 foi apresentada por meio de seu escritório de contabilidade em relação ao movimento fiscal lançado nos livros próprios até maio de 2004, pois desde junho desse ano não tivera mais contato com à empresa nem com os sócios, por se encontrarem em lugar incerto e não sabido. A mesma informação ela já havia dado, em 25.05.2005 à fiscalização estadual paulista. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 002687, que consta no pé dos formulários encontrados na contabilidade da fiscalizada, a gráfica LS Formulários Ltda apresentou cópia da mencionada AIDF, relativa a formulário contínuo em cinco vias de numeração 12.501 a 14.500. Esta informação coincide com a resposta do chefe do Posto Fiscal 10 Sorocaba, da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Como se vê, a fiscalização aprofundou a investigação, procurando não só as supostas emitentes das notas fiscais, mas também as gráficas responsáveis por sua confecção, e até mesmo as Secretarias de Fazenda de Minas Gerais e de São Paulo, restando perfeitamente comprovada à inidoneidade das notas fiscais que acobertam as aquisições de diamante bruto. O mesmo não se pode dizer, contudo, quanto às notas fiscais relativas a aluguel de equipamentos (Sólida Construções e Edificações Ltda.), cujas diligências encontramse documentadas às fls. 198 a 209. O Termo de Verificação Fiscal registra que todos os pagamentos foram contabilizados como se efetivados em espécie, e que a SÓLIDA apresentou Declaração de Inatividade de Pessoa Jurídica no anocalendário de 2004, declarando ter permanecido sem efetuar nenhuma atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 556 23 Conforme termo de fls. 200, a SÓLIDA foi intimada “a prestar as seguintes informações referentes ao seu relacionamento comercial com a empresa VIVIANE SANTOS CLASSIFICAÇÃO DE PEDRAS LTDA. (...)”: (i) apresentar a relação das notas fiscais emitidas em nome da fiscalizada, discriminando nº, data de emissão, valor, data de pagamento e forma de pagamento, juntando cópia; (ii) em caso de prestação de serviços, comprovar com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores a efetiva prestação de serviços e o efetivo recebimento dos valores correspondentes. A prestação de serviços deverá ser comprovada através da apresentação de cópia das notas fiscais, contratos, relatórios, planilhas de medição e demais documentos que lastreiem as operações, inclusive cópia das folhas do livro diário onde tais operações foram contabilizadas e cópia da folha do registro do livro; (iii) comprovar o recebimento dos valores através da apresentação do extrato bancário que comprove o depósito dos valores em conta corrente da intimada; (iv) apresentar cópia dos respectivos lançamentos nos livros Diários e Razão. Em atendimento, foi encaminhada a correspondência de fls. 201, datada de 22/02/2007 e subscrita pelo Sr. Edson Alves de Oliveira, na qual o subscritor, em nome da empresa, declara que “Em atenção a solicitação de Vsas. com referência ao termo em epígrafe, informamos que não mantemos relações comerciais com a empresa (...)”. Essa declaração foi prestada em 2007, e não se reporta ao ano de 2004, Pelo Termo de fls. 204, datado de 27 de abril de 2007, a Sólida foi intimada a apresentar os Blocos de Notas Fiscais de Serviços, Livros Diário, Razão e de Registro de Serviços, todos relativos aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004. A intimação foi atendida pela correspondência de fls.204, datada de 08 de maio de 2007, no seguinte teor: Em atenção a solicitação de V. Sa, com referência ao termo em epígrafe, informamos que até a presente data não foram encontrados os movimentos contábeis desde a abertura da empresa até o mês de junho de 2006. Estando a empresa em face de auditoria interna e conciliação contábil, visando regularização de toda escrita, estamos disponibilizando a documentação contábil, em cópia, do período de julho/2006 a abril/2007 para a Receita Federal. Solicitamos a Receita Federal (devido a extravio), cópias das Notas Fiscais emitidas contra a empresa Viviane Santos Classificação de Pedras Ltda., CNPJ 65.148.207/000153, para podermos confirmar ou não se as mesmas são autênticas. Afirmamos nosso total interesse em localizarmos o mais rápido possível a movimentação contábil acima citada para podermos cooperar de pronto com a Receita Federal. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 557 24 Pelo Termo de fls. 206, datado de 19/07/2007, a Sra. Luiza Salvador de Moraes Santiago, responsável pelo preenchimento da declaração de IRPJ da Sólida, relativa ao anocalendário de 2004, foi intimada a fornecer os seguintes elementos: 1.Informações sobre a empresa SÓLIDA CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES LTDA, que apresentou Declaração de Inatividade de Pessoa Jurídica 2005, anocalendário 2004, na qual o ora intimado consta como responsável pelo preenchimento da declaração, sendo que a empresa emitiu notas fiscais tendo como destinatária a empresa VIVIANE SANTOS CLASSIFICAÇÃO DE PEDRAS LTDA. 2. Apresentar os livros contábeis da SÓLIDA do ano de 2004. 3. Apresentar os esclarecimentos que julgar necessários. Pela correspondência de fls. 208, a Sra. Luiza informou: Em atenção à solicitação de V.Sa., em relação ao termo em epígrafe, informo que conforme resposta a esta Delegacia, no dia 08 de maio de 2007, através do AR (Correio) SR 59675714 1 BR, ratifico que a empresa ainda se encontra em auditoria interna e conciliação contábil, sendo que até a presente data a documentação contábil da mesma se encontra extraviada, desde a sua abertura até Junho/2006. Sendo que não encontramos nenhuma movimentação comercial e ou de relação fiduciária do ano de 2004. Solicito um prazo maior para a resposta do exercício de 2005, uma vez que na mudança de endereço da empresa, que deve ter ocorrido o devido extravio. Agora, sobre a Empresa VIVIANE DOS SANTOS CLASSIFICAÇÃO DE PEDRAS LTDA, solicito, por gentileza, o envio de qualquer documento e ou notas fiscais que porventura possam ter sido objeto de relação comercial, para que, em conjunto com a empresa, possamos atestar a idoneidade dos referidos documentos. Conforme termo de fls. 208, convidados a prestar esclarecimentos, compareceram à DRF/Belo Horizonte, em 13.08.2007, o proprietário da Sólida, Ricardo Siqueira de Moura, o seu advogado, Carlos Alberto Moreira Alves, e a contabilista responsável pelo preenchimento da declaração de inatividade, Sra. Luiza Salvador de Morais Santiago, que prestaram as seguintes declarações: Declarou a Sra. LUIZA, já qualificada, que foi convidada no ano de 2004 pelo Sr. ELIEZER JOSÉ XISTO para fazer a DIPJ da SÓLIDA referente ao anocalendário de 2004. Que compareceu a esta Secretaria, naquela época, para levantar a situação da empresa para regularização. Que a empresa não tem documentos dos anos 2004 e 2005, porque estava com as atividades paralisadas. Que a empresa não possuía máquinas que pudessem prestar os serviços mencionados nas notas fiscais Fl. 24DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 558 25 números 000110, 000112, 000115, 000116 e 000118, que lhe a partir foram apresentadas neste momento. O Sr. RICARDO, já qualificado, adquiriu a empresa do Sr. ELIEZER em fins de janeiro de 2005, e não tem conhecimento de nada com a empresa anteriormente a essa época. Que adquiriu apenas a razão social, não sabendo da existência de imobilizado algum, de propriedade da empresa, especialmente máquinas e equipamentos que pudessem realizar os serviços discriminados nas mencionadas notas fiscais. Com base na investigação acima relatada, a autoridade fiscal concluiu pela inidoneidade das notas fiscais. Como visto, em relação à Sólida, a autoridade fiscal não teve o mesmo cuidado que dirigiu a investigação quanto às notas fiscais das demais empresas, senão vejamos. Nas declarações prestadas em 13/08/2007 e tomadas a termo, a Sra. Luiza afirma que a empresa não tem documentos dos anos 2004 e 2005, porque estava com as atividades paralisadas. Por qual razão, então, ao ser intimada (fls. 208) a apresentar as notas fiscais e livros relativos a janeiro, fevereiro e março de 2004 a empresa não prestou informação do mesmo teor, mas, diferentemente, alegou que “até a presente data não foram encontrados os movimentos contábeis desde a abertura da empresa até o mês de junho de 2006”? Na mesma declaração, a Sra. Luiza diz que foi convidada no ano de 2004 pelo Sr. Eliezer José Xisto para fazer a DIPJ da SÓLIDA, referente ao anocalendário de 2004. Se foi convidada apenas para fazer a declaração do anocalendário de 2004, é estranho que tal tenha ocorrido “no ano de 2004”, e não em 2005, quando normalmente deveria ser prestada a declaração. E se foi apenas convidada apenas para fazer a DIPJ referente ao ano calendário de 2004, tendo comparecido à Receita Federal para levantar a situação da empresa para regularização, como poderia atestar que nos três primeiros meses de 2004 a empresa não possuía as máquinas que foram objeto das notas fiscais questionadas? O Sr. Ricardo Siqueira de Moura declara que adquiriu a empresa do Sr. Eliezer José Xisto em fins de janeiro de 2005, que não tem conhecimento de nada com a empresa anteriormente a essa época, que adquiriu apenas a razão social, não sabendo da existência de imobilizado. Por que, então, não foi intimado a prestar esclarecimentos o Sr. Edson Alves de Oliveira, que aparece como responsável pela empresa na DIPJ do anocalendário de 2004, e em 22 de fevereiro de 2007, subscreve, em nome da empresa, a correspondência de fls. 201? Na certa, o Sr. Edson teria, já que era responsável pela empresa no anocalendário de 2004, memória quanto ao imobilizado da Sólida. Conforme informação colhida no Sítio da Receita Federal (CNPJ), a data de abertura da Sólida é 19/06/2001. Por que não foi pesquisada sua declaração do ano calendário de 2003 para conferir a credibilidade da informação de inexistência de imobilizado? Fl. 25DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 559 26 Por que razão não foi procurada a Gráfica Nápoles Com. e Ind. Ltda. (que consta ao pé das notas fiscais), para informar quanto à AIDF n° 24543/ 2002, tal como feito em relação às outras empresas? E por que não foi consultada a Secretaria Estadual de Fazenda? Embora as circunstâncias permitam suspeitar da efetividade dos gastos cobertos pelas notas fiscais relativas à Sólida, considero que não restou inquestionavelmente comprovada sua inidoneidade. Desta forma, para glosar os dispêndios por ela acobertados, é ônus da fiscalização comprovar que são eles inexistentes, nos termos do art. 9º, §§ 1º e 2º, do Decretolei nº 1.598/77. No que respeita ao custo de aquisição de diamantes, o fato de as notas fiscais serem inidôneas não seria, por si só, suficiente para têlos como inexistentes. A lei admite a dedutibilidade de dispêndios apoiados em documentos inidôneos, quando reste provado ter o adquirente efetivado o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Reza o art. 82 da Lei n° 9.430/96: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por essa pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada Inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços Vejase que a origem da fiscalização foi a apuração, por parte da Polícia Federal, de que a empresa estaria envolvida com o comércio ilegal de diamantes, consistente na exportação, para a Bélgica e para os Emirados Árabes Unidos, de pedras supostamente oriundas da extração em garimpos ilegais nas regiões Norte e CentroOeste do Brasil e até mesmo de lavras situadas em regiões de conflito armado no continente africano. Independentemente dos efeitos penais a que eventualmente a empresa se sujeite, fruto da investigação da Polícia Federal, os efeitos tributários devem ser apurados exclusivamente a partir do descumprimento da legislação específica de cada tributo. O Termo de Verificação Fiscal consigna que, “de acordo com as informações colhidas durante a fase preparatória da OPERAÇÃO CARBONO, a empresa obteria notas fiscais de diversas empresas que a princípio não se dedicavam à extração de diamantes para dar lastro legal à entrada das pedras que posteriormente seriam exportadas utilizandose, inclusive, de Certificados Kimberley (necessários à exportação de diamantes e que atestam a origem das pedras) obtidos de forma irregular.”. A investigação da Polícia Federal dirigiuse à apuração de comércio de pedras supostamente adquiridas de garimpos ilegais, e é consabido que o pagamento em espécie é praxe na aquisição de pedras preciosas no garimpo. Se confirmadas as suspeitas da Polícia Federal, de que a empresa adquiria pedras diretamente em garimpos ilegais e se Fl. 26DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 560 27 utilizava de notas fiscais inidôneas para legalizar as compras para poder exportálas, não é estranhável que os pagamentos tenham se feito em espécie. É extreme de dúvidas que o contribuinte incorreu em custos de aquisição de diamantes, sem os quais não teria auferido as receitas de exportação. Contudo, é seu ônus provar em quanto montaram esses custos, o que não logrou fazer. Demonstrado que os diamantes não foram adquiridos das empresas que constam como vendedoras, tanto podem as notas fiscais terem sido forjadas para acobertar compras verdadeiras, feitas em garimpos ilegais, como podem não corresponder a efetivas aquisições, tendo sido “fabricadas” para aumentar custos e reduzir lucro tributável. Por isso a lei condiciona a dedutibilidade à comprovação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens. Observo que embora o pagamento não seja uma condição de dedutibilidade dos custos ou despesas (os encargos dedutíveis são os incorridos, ainda que não pagos), sua comprovação é um meio que a lei coloca à disposição do adquirente de boafé para demonstrar a legitimidade da operação contabilizada com lastro em documento inidôneo. Para desconstituir a presunção de que a operação contabilizada não é verdadeira, não basta ao adquirente provar que recebeu o bem, mas também que o seu valor corresponde ao contabilizado. Não tendo logrado comprovar que, inobstante a inidoneidade das notas fiscais, as aquisições ocorreram, e pelo valor contabilizado, é de ser mantida a glosa. Sobre os valores glosados a fiscalização lançou, também, o imposto de renda na fonte a título de pagamentos a beneficiários não identificados, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74. da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Contudo, quanto a este item entendo que não pode prevalecer essa tributação. A caracterização da infração pressupõe a constatação de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Se o fisco não prova que às notas fiscais inidôneas correspondeu a um pagamento, não se materializa a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Como já dito, demonstrado que os diamantes não foram adquiridos das empresas que constam como vendedoras, as notas fiscais tanto podem ter sido forjadas para Fl. 27DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 561 28 acobertar compras verdadeiras, feitas em garimpos ilegais, como podem não corresponder a efetivas aquisições, tendo sido “fabricadas” para aumentar custos e reduzir lucro tributável. Na primeira hipótese, a dedução dos custos seria legítima. Na segunda, os dispêndios são indedutíveis, mas não teria se configurado a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte, cujo pressuposto básico é o pagamento. Omissão de receitas/pagamentos não contabilizados Este item relacionase com duas notas fiscais contabilizadas no dia 28 de julho de 2004, feitas à empresa Jezzini, cuja idoneidade restou comprovada, não tendo a Recorrente contabilizado o pagamento, que o fornecedor confirmou ter recebido. O Termo de Verificação Fiscal registra que o sócio da empresa informou, por correspondência que está anexada aos autos, ter recebido da empresa Viviane Santos Classificação de Pedras Ltda. os valores de R$ 370.000,00, em 14/07/2004, por transferência no Banco Bradesco, agência 2559 conta 4379 (conforme extrato bancário apresentado) e R$ 120.000,00 em espécie. Os lançamentos respectivos encontramse às folhas 101, 102, 110 e 111 do livro Diário n° 1, da JEZZINI, anexas por cópia. No curso da fiscalização a agora recorrente alegou que não reconhece a autenticidade da transferência da importância de R$ 370.000,00 que teria sido feita no dia 14/07/2004, alegando inconsistências na informação prestada pela JEZZINI, questionando a autenticidade do extrato bancário apresentado pela JEZZINI. Essas mesmas alegações traduzem o conteúdo das razões recursais, como se pode ver do a seguir transcrito: “ III.3. Da Inexistência de omissão de receitas — Ausência de referibilidade entre o extrato apontado e as contas da Recorrente. (...) (...) como bem demonstrado na impugnação inicial, não há nexo de referibilidade entre o extrato e eventuais movimentações financeiras da Recorrente e a nota fiscal em referência. A Decisão "a quo" ignorou por completo o fato de a nota fiscal datar de 28.07.2004 e a movimentação bancária de 14.07.2004. É dizer, a Recorrente teria pago à Jezzini o valor de R$ 370.000,00 (trezentos e setenta mil reais) quatorze dias antes da emissão da nota fiscal! É de se indagar: que tipo de empresa transferiria vultuosa quantia à terceiros duas semanas antes da emissão da nota fiscal correspondente? Empresa alguma o faria, por certo. A r. Decisão recorrida também desconsiderou que à fl. 230 deste processado podese constatar da leitura do livro diário da Jezzini que, no dia do registro da nota fiscal (28.07.2004) há o registro da venda mas não há o registro do recebimento. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 562 29 Tal procedimento vai de encontro às praticas contábeis regulares e até mesmo adotadas pela própria Jezzini. Como exemplo, basta verificar a escrituração da venda relativa à nota 039, no valor de R$ 120.000,00 (fl. 229). Neste caso há o registro de venda e o registro de recebimento do mencionado valor no mesmo dia da emissão da nota (28.07.2004). Não bastasse, a Recorrente chegou a comprovar nos autos que sequer possuía conta no Banco responsável pela transferência, o que elimina, definitivamente, qualquer hipótese traçada pela fiscalização. Por fim, ao contrário do que alegado na r. Decisão "a quo", a documentação apresentada indica o estorno dos valores transferidos no mesmo dia. Sendo assim, mais uma vez a Fiscalização adotou presunção contrária à Recorrente tomando por base situação eivada de indícios favoráveis à mesma. Não há, portanto, qualquer prova capaz de demonstrar, cabalmente, a omissão de receitas com base em suposta transferência, que de fato, inexistiu. (...)” O que há de mais relevante na análise deste item é que às fls. 37 do Livro Diário nº 09 da Recorrente, encontramse contabilizadas no dia 28 de julho de 2004, as notas fiscais nº 0038 e 0039, relativas à aquisição de diamantes em bruto, cuja idoneidade não é questionada. As operações de venda estão registradas no Livro Diário do vendedor, no dia 28 de julho de 2004 (fl. 230 do processo), e o vendedor confirma ter recebido o respectivo valor. Ou seja, nem comprador, nem vendedor negam a operação, o vendedor confirma ter recebido o preço, o comprador não contabilizou o pagamento, mas não afirma expressamente que não o fez (até porque careceria da mais ínfima credibilidade afirmação nesse teor, sendo de sabença geral que, nesse mercado, as transações são sempre a vista). Apenas diz que não há prova da transferência de recursos pelo Bradesco. Assim como a Recorrente indaga “que tipo de empresa transferiria vultosa quantia a terceiros antes da emissão da nota fiscal correspondente”, é de se indagar que tipo de empresa entregaria diamantes a outra no valor de R$ 370.000,00, sem receber o preço? A Recorrente procura fragilizar a acusação fiscal (omissão de receita pela não contabilização de pagamentos), questionando os elementos colhidos na diligência junto ao vendedor. No Livro Diário da Jezzini (fls. 227 a), constam os registros, no dia 14 de julho de 2004, na Conta Bradesco S.A., Subconta Adiant. de Exportação, de dois créditos no valor de R$ 370.000,00 com o histórico “Vlr. Adto Câmbio Exportação cfe. extrato Bradesco S.A.” e de um débito no mesmo valor com histórico “Estorno Vlr Adto Câmbio Exportação cfe extrato Bradesco S.A.”(fl. 228 do processo). No dia 28 de julho constam do Livro Diário os seguintes lançamentos; (i) na conta Caixa, um débito de R$ 120.000,00, com histórico “Vendas cfe Nf 039” (fls. 229); (ii) na Fl. 29DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 563 30 conta Adiant. de Exportação, um débito no valor de R$ 370.000,00 com o histórico “Vendas Cfe Nf”; (iii) dois créditos na conta Venda de Produtos à Vista, sendo um no valor de R$ 370.000,00 com o histórico “Vendas cf. Nf”, e outro no valor de R$ 120.000,00, com o histórico “Vendas cf. Nf 039”. É transparente que os documentos (extrato bancário, notas fiscais e lançamentos contábeis) espelham uma operação de venda de diamantes bruta por Jezzini para Viviane, para fins de exportação, mediante pagamento à vista. Ao que tudo indica, a operação envolveu a obtenção de ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) com o Bradesco. Como se sabe, o ACC é uma antecipação de recursos em moeda nacional (R$) ao exportador, por conta de uma exportação a ser realizada no futuro. O banco antecipa reais (parcial ou total) equivalentes à quantia de moeda estrangeira adquirida (pelo banco) a termo dos exportadores. A empresa exportadora vende ao banco (antes ou após o embarque dos produtos) a moeda estrangeira. O ACC tem o objetivo de financiar o capital de giro às empresas exportadoras, na forma de antecipação, para que possam produzir e comercializar os produtos objetos de exportação. Do que contêm os autos se depreende que a Recorrente obteve do Bradesco, em 14 de julho um ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), e que o valor do adiantamento(ou parte dele, se ultrapassou R$ 370.000,00), foi destinado a pagar os diamantes em bruto adquiridos de Jezzini. A meu juízo, não há a mais tênue dúvida quanto à veracidade da acusação fiscal: pagamentos ocorridos e não contabilizados. E, nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, “a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita”. Quanta a multa aplicada, é de se observar que a mesma está em consonância com a legislação de regência (art. 44 da Lei nº 9.430/96), que prevê a imposição da multa de 150%, nos casos de lançamento de ofício em que tenha se configurado qualquer das figuras previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o que, a toda evidência, alcança a utilização de documentos inidôneos para lastrear lançamentos de dispêndios, se não demonstrada à boafé do contribuinte. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores correspondentes às notas fiscais relativas à Sólida Construções e Edificações Ltda. e cancelar o lançamento de IRRF. É como voto. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Voto Vencedor Fl. 30DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 564 31 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que tange ao lançamento do imposto de renda retido na fonte. Esse lançamento correspondeu à incidência do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, base legal do art. 674 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), a seguir transcrito: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Os pagamentos sobre os quais recaiu a incidência tributária são aqueles já largamente discutidos no relatório e no voto do ilustre Relator, feitos pela interessada supostamente a diversas pessoas jurídicas, amparados por documentos tidos pelo Fisco por inidôneos. Tais pagamentos constam da contabilidade da interessada como tendo sido feitos em espécie (a crédito da conta Caixa, portanto) e estão relacionados individualmente no Termo de Verificação Fiscal às fls. 27/30. No Anexo II ao processo encontramse cópias de folhas dos Livros Diário em que os pagamentos foram registrados. O ilustre Relator asseverou que “notas fiscais tanto podem ter sido forjadas para acobertar compras verdadeiras, feitas em garimpos ilegais, como podem não corresponder a efetivas aquisições, tendo sido ‘fabricadas’ para aumentar custos e reduzir lucro tributável”. A partir dessa assertiva, foram extraídas duas conclusões: no primeiro caso (compras verdadeiras, feitas em garimpos ilegais), não se discute que os pagamentos foram efetivamente feitos a pessoas físicas ou jurídicas não identificadas, amoldandose perfeitamente à situação prevista no caput do art. 61, acima transcrito. Na segunda hipótese, no entanto, se as notas fiscais ‘fabricadas’ se destinaram a aumentar custos e reduzir lucros, o Colegiado divergiu, e considerou que isso não ilide a saída de recursos do Caixa da empresa pagadora, conforme registrado na contabilidade. Ou seja, também aqui houve recursos que deixaram o patrimônio da empresa, sendo entregues a terceiros e, desta feita, preenchendo dois requisitos da incidência tributária, a saber, pagamento a beneficiário não identificado e operação, ou sua causa, sem comprovação. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.015404/200724 Acórdão n.º 130100.761 S1C3T1 Fl. 565 32 Observese que o fato de que os documentos que lastreiam os lançamentos contábeis em questão foram reputados inidôneos é causa para que as despesas que reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL sejam glosadas, como de fato o foram, mas em nada afetam outro fato, de que os valores a elas correspondentes efetivamente saíram do Caixa, o que conduz também à incidência do IRRF aqui discutido. A conclusão do Colegiado, quanto a este ponto, foi pela manutenção do lançamento do IRRF. No mais, a decisão se deu conforme o bem fundamentado voto do ilustre Relator. Em conclusão, a decisão do Colegiado foi pelo provimento parcial do recurso, cancelandose exclusivamente a glosa de despesas relativas às notas fiscais emitidas pela Sólida Construções e Edificações Ltda., e mantendose os demais valores lançados, inclusive o IRRF. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 32DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10875.002633/2003-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS
Ano-calendário: 1998
DÉBITO DECLARADO EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Exigência fiscal compensada em procedimento administrativo. Compensação comprovado nos autos.
Numero da decisão: 3102-01.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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FALTA DE RECOLHIMENTO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Exigência fiscal compensada em procedimento administrativo. Compensação comprovado nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 16/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vicepresidente), Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes e Álvaro Almeida Filho. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 0521.141 da 4ª Turma da DRJ/CPS, que entendeu pela procedência em parte do lançamento. Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1998, lavrado em 17/06/2003, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 324.202,91, discriminado em contribuição, multa vinculada e juros de mora calculados até 30/06/2003. A infração decorre da constatação da falta de localização de pagamento, tudo vinculado a débitos de Cofins, e foi enquadrada nos dispositivos legais indicados no demonstrativo de fls. 09. A interessada foi cientificada por via postal, cujos dados da postagem constam da consulta de fls. 28. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por intermédio de seus representantes legais, apresentou, em 05/08/2003, impugnação de fls. 01/05, acompanhada de documentos de fls. 06/24, dizendo que procedeu à compensação do respectivo crédito tributário, conforme cópia do Pedido em anexo. Ressalta que havendo pagamento antes do procedimento de fiscalização, não deve prosperar a multa, seja de mora ou de oficio, por força da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). No mais, questiona a cobrança de juros à taxa Selic, por inconstitucional, face sua natureza remuneratória. Em seu despacho de encaminhamento, a autoridade preparadora informa o seguinte (fls. 33): "A fim de resguardar o crédito tributário e tendo em vista trata se de impugnação tempestiva de AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO —DCTF lavrado pela não validação de pagamento não localizado em que o contribuinte alega que os créditos tributários constantes do AUTO DE INFRAÇÃO foram compensados através do processo administrativo 10875.001399/9988 e que a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§ 2° do artigo 74 da Lei 9.430, de 27/12/1996) e, ainda, que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5° do artigo da Lei 9.430, de 27/12/1996) e que o pedido de compensação foi protocolada (sic) em 15/06/1999 e que o processo de compensação está pendente de decisão desde então (fls. 29/30), proponho o encaminhamento ao SECOJ/DRJ/CAMPINAS (...) para prosseguimento." Analisada a impugnação ao auto de infração e a informação fiscal, decidiu a 4ª Turma da DRJ/CPS, pela procedência parcial do lançamento eximindo a contribuinte do recolhimento da multa de lançamento de ofício, conforme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.002633/200378 Acórdão n.º 310201.150 S3C1T2 Fl. 85 3 Anocalendário: 1998 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse a exigência fiscal dos valores declarados em DCTF, cujos pagamentos não tenham sido comprovados, mormente quando demonstrada a concordância expressa da divida, mediante pedido de compensação. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. DÉBITO DECLARADO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar a denúncia espontânea, para se livrar da multa relativa ao atraso. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que: 1) Requereu junto a receita a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL nos períodos de 1989/1991, os quais foram utilizados para compensar os débitos ora lançados, através do processo 10870.001399/9988 em 15/06/99; 2) Foi confirmado, por um agente da receita federal, que os débitos tinham sido objeto de compensação no processo já referido e estavam aguardando a homologação, assim não haveria que se falar em débito pendente de julgamento até a decisão da compensação; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 3) Em despacho decisório nº 261/2005 o pedido de compensação foi homologado pela DRF/SEORT/GUA, assim estaria nulo o presente auto de infração. Após os argumentos acima busca a recorrente a reforma decisão recorrida com objetivo de cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. Como explicitado acima o cerne do recurso é demonstrar que o crédito tributário objeto do lançamento foi compensado através do pedido de compensação realizado em 1999. O auto de infração de fls. 08 foi lavrado em 17/06/2003 em razão da não identificação do pagamento vinculados aos débitos de COFINS declarados nas DCTF’s do 2º, 3º e 4º trimestres do ano calendário de 1988, após decisão ora recorrida, que afastou a multa de ofício restou um crédito tributário de R$ 122.561,00(cento e vinte e dois mil, quinhentos e sessenta e um reais) acrescidos de juros e multa de mora. Acontece que em 15/06/1999 a recorrente, através de requerimentos presente às fls. 22/23 dos autos, apresentou pedido de restituição e compensação com a finalidade de realizar o pagamento do crédito tributário decorrente das DCTF´s que acarretaram o lançamento, fato este observado pela própria decisão recorrida ao afirmar que: Remanescendo, portanto, a pertinência do valor principal acrescido de multa de mora e de juros à taxa Selic, à vista do pedido de compensação efetuado em idênticos termos, impõese a vinculação do presente processo àquele de compensação, de no 10875.001399/99 88, a fim de se evitar a duplicidade de cobrança, alertandose que o pedido de compensação efetuado anteriormente à vigência da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, não possui o caráter de confissão de dívida, ao contrário do que ocorre com os débitos informados em DCTF. De acordo com o despacho decisório de fls. 56/58 foi reconhecido o direito creditório e por conseguinte homologado o pedido de compensação da recorrente restando comprovado o pagamento do credito tributário declarado nas DCTF’s, este foi o posicionamento adotado pela delegacia da receita em Guarulhos ao afirmar às fls. 83 que: Após pesquisas realizadas em nossos sistemas informatizados e documentação apresentada pelo contribuinte constatamos ser verdadeira a informação prestada pelo interessado, pois a exigência fiscal mantida no Acórdão foi compensada no processo administrativo informado pelo impugnante, sendo o PROFISC atualizado em 02/04/2008 – fls. 75/80. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.002633/200378 Acórdão n.º 310201.150 S3C1T2 Fl. 86 5 Em atenção aos argumentos acima, conheço do recurso voluntário para dar provimento e julgar improcedente o lançamento em razão da compensação do crédito lançado, reconhecida nos autos do processo nº 10875.001399/9988. Sala de sessões 09 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900666/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Decorridos cinco anos da apresentação de declaração de compensação, nos termos do § 5º da Lei nº 9.430/1996, consideram-se tacitamente homologadasas compensações declaradas, e extinto o crédito tributário.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF.
O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer
outros meios ao seu alcance. Em assim não sendo, correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF.
Numero da decisão: 1301-000.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, DAR provimento
parcial ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos cinco anos da apresentação de declaração de compensação, nos termos do § 5º da Lei nº 9.430/1996, consideramse tacitamente homologadas as compensações declaradas, e extinto o crédito tributário. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao seu alcance. 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(assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.900666/200677 Acórdão n.º 130100.769 S1C3T1 Fl. 1.012 2 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BIOAGRI LABORATÓRIOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI / RJ, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp eletrônica (nº36671.63795.150803.1.7.022062), transmitida em 15.08.2003, por intermédio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que se pleiteia o reconhecimento de direito creditório para fins de compensação, oriundo de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no anocalendário de 2002, no valor de R$ 149.925,49. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP proferiu o Despacho Decisório nº783786224, de 26.08.2008 (fls. 17), por meio do qual não reconheceu o crédito postulado, no seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$149.925,49 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$453.657,37 Em face da divergência apontada, as 17 Dcomps, a seguir relacionadas, foram consideradas “não homologadas”, tendo sido apurado saldo devedor, no montante de R$ 691.270,61: Declarações de Compensação Eletrônica Relação de Débitos DCOMP Transmissão Débitos Valor Tributo Fls. 1 36671.63795.150803.1.7.022062 15.08.2003 0104/2003 R$ 45.846,84 5993IRPJ 383/387 36671.63795.150803.1.7.022062 15.08.2003 0105/2003 R$ 63.461,35 5993IRPJ 383/387 36671.63795.150803.1.7.022062 15.08.2003 0106/2003 R$ 40.617,30 5993IRPJ 383/387 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.900666/200677 Acórdão n.º 130100.769 S1C3T1 Fl. 1.013 3 2 29318.58287.210906.1.7.023760 21.09.2006 0102/2004 R$ 10.889,07 5993IRPJ 388/399 3 13946.54689.210906.1.7.029368 21.09.2006 0101/2004 R$ 16.489,70 5993IRPJ 392/395 4 35544.24201.210906.1.7.022349 21.09.2006 0102/2004 R$ 26.163,48 5856COFINS 396/399 5 09808.98085.210906.1.7.024082 21.09.2006 0102/2004 R$ 5.684,16 6912PIS 402/405 6 11497.82114.210906.1.7.020088 21.09.2006 0412/2003 R$ 7.268,85 5299IRRF 406/409 7 03245.14594.210906.1.7.027031 21.09.2006 0104/2004 R$ 1.543,30 6912PIS 410/413 8 33491.43343.210906.1.7.022066 21.09.2006 0104/2004 R$ 6.980,67 5856COFINS 414/417 9 40965.82546.210906.1.7.020763 21.09.2006 0105/2004 R$ 11.939,18 6912PIS 418/421 10 18899.26213.210906.1.7.024605 21.09.2006 0105/2004 R$ 14.509,56 5856COFINS 422/425 11 42750.96341.210906.1.7.025594 21.09.2006 0108/2004 R$ 19.631,34 5993IRPJ 426/429 12 18022.99990.210906.1.7.021088 21.09.2006 0109/2004 R$ 6.887,68 5993IRPJ 430/433 13 20737.42666.210906.1.7.024459 21.09.2006 0109/2004 R$ 3.000,00 5993IRPJ 434/437 14 04184.94603.270906.1.7.020761 27.09.2006 0109/2004 R$ 3.345,38 6912PIS 438/441 04184.94603.270906.1.7.020761 27.09.2006 0109/2004 R$ 15.407,81 5856COFINS 438/441 15 24434.20432.270906.1.7.023760 27.09.2006 0109/2004 R$ 12.316,06 5993IRPJ 442/445 16 05668.56229.280906.1.3.027943 28.09.2006 0101/2003 R$ 91.708,79 5993IRPJ 446/449 05668.56229.280906.1.3.027943 28.09.2006 0102/2003 R$ 30.780,39 5993IRPJ 446/449 17 10843.04496.270307.1.7.029064 27.03.2007 0103/2003 R$ 41.847,04 5993IRPJ 450/491 10843.04496.270307.1.7.029064 27.03.2007 01/04/2003 R$ 45.846,84 5993IRPJ 450/491 10843.04496.270307.1.7.029064 27.03.2007 0105/2003 R$ 63.461,35 5993IRPJ 450/491 10843.04496.270307.1.7.029064 27.03.2007 01/06/2003 R$ 40.617,30 5993IRPJ 450/491 10843.04496.270307.1.7.029064 27.03.2007 01/07/2003 R$ 65.027,17 5993IRPJ 450/491 Saldo Devedor R$ 691.270,61 Todos os débitos, objeto de compensação, foram cadastrados no sistema Profisc e Sief (fls. 366/382 e 292/316), tendo sido gerado um processo de cobrança para cada Dcomp (fls.366/382). Na manifestação de inconformidade (fls.01/153), de 21.10.2008, o interessado, em síntese, alega, que: a) Cometeu equívoco no preenchimento da PER/DCOMP nº36671.63795.150803.1.7.022062; b) Detém crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, no ano calendário de 2002, no valor de R$453.657,37, que atualizado, corresponde ao valor de R$747.763,44. Esclarece que referida atualização decorreu da aplicação de taxa selic, de dezembro/2002 (64,83%). Diz que do referido montante, deduziu o valor de R$633.144,74 para utilização nas PER/DCOMPs; c) Preencheu a DIPJ/2003 incorretamente, pois deixou de computar as retenções de Imposto de Renda na Fonte incidentes sobre suas receitas operacionais, no montante de R$174.923,39 e, lançou a menor, o valor das estimativas pagas (compensação com saldo negativo do IRPJ de exercícios anteriores), ao invés de R$610.015,50, o valor correto seria R$784.938,89 (Doc.6. fls.103). Dessas correções resultaria um crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$628.580,76 e não R$453.657,37, conforme “Doc.5”, às fls. 101/102. d) Os valores de estimativa recolhidos/compensados no ano calendário 2000 são de R$417.109,54 e R$170.805,85, respectivamente, e que em 2001, referidos valores são de Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.900666/200677 Acórdão n.º 130100.769 S1C3T1 Fl. 1.014 4 R$256.882,86 e R$477.362,45, tendo como retenção do IRRF o total de R$163.918,56. No documento “Doc.6”, às fls.103, intitulada “A origem de crédito das compensações de IRPJ” é apresentado a apuração do saldo negativo de IRPJ ano calendário 2001, no valor de R$550.262,23; e) Possui, com fundamento no art.165, inc.I, do CTN e art.74, da Lei nº9.430/96 (com redação dada pela Lei nº10.637/02), o direito de compensar o tributo indevidamente recolhido. Por fim requer: a) “...sejam recebidos e processados formalmente os termos da presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, demonstrandose a insubsistência da cobrança do débito constante do r.Despacho Decisório, por total improcedência e respeitosamente equivocada decisão de “não homologar a compensação declarada”. b) “...uma vez recebida a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, NÃO seja o débito encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ...”. c) “...seja acolhida e julgada procedente a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, obedecendo ao rito processual do Decreto nº70.235, de 06 de março de 1972, cancelandose o débito fiscal reclamado e considerando legal e justa a compensação pleiteada e já formulada”. O relator faz consignar, ainda, que foram acostados os documentos de fls. 161/936, e que os autos foram encaminhados para a DRJ/RJ1 para julgamento por força da Portaria nº 1.036, de 05.05.2010, expedida pelo Sr. Subsecretário de Tributação e Contencioso da RFB (fls. 156/159). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI / RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1233.971, de 28/10/2010 (fls. 942/963), consideroua parcialmente procedente, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovado em parte o direito creditório alegado, reformase o despacho decisório recorrido. Esclareço que, desde que as alegações da interessada incluem compensações com saldos negativos de períodos anteriores, a decisão de primeira instância procedeu a exaustiva e minuciosa análise acerca da liquidez e certeza dos saldos negativos de IRPJ apurados desde o anocalendário 1999, concluindo, afinal, pelo reconhecimento de saldo negativo daquele tributo no anocalendário 2002 no montante de R$ 155.882,76. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.900666/200677 Acórdão n.º 130100.769 S1C3T1 Fl. 1.015 5 Ciente da decisão de primeira instância em 09/02/2011, conforme documento de fl. 985, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 10/03/2011 (registro de recepção à fl. 986, razões de recurso às fls. 988/994), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: • A recorrente defende a homologação tácita do PER/DCOMP nº 36671.63795.150803.1.7.022062, nos termos do voto vencido. • A interessada pede o abatimento dos débitos declarados em duplicidade. • Na análise dos saldos negativos por ela informados, queixase de que os valores de IRRF não poderiam ser glosados, por serem “reprodução fiel das notas fiscais que continham essa retenção”. Afirma que a responsabilidade pelo recolhimento recairia sobre as fontes pagadoras, e que os valores declarados como IRRF deveriam ser considerados como legítimos na composição dos créditos. • Finalmente, alega que existiriam outras importâncias recolhidas pela contribuinte e indicadas na decisão recorrida. Apesar de reconhecer os créditos em questão, não se teria realizado a devida compensação para reduzir o débito da contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Antes de iniciar a apreciação das razões recursais, devo registrar que tenho por correto o procedimento da Autoridade Administrativa, ao agrupar as diversas declarações de compensação que têm por origem um único alegado direito creditório, no caso, o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. Igualmente correto, e altamente elogiável, o esforço despendido pela ilustre relatora por ocasião do julgamento em primeira instância, no sentido de determinar o correto valor do direito creditório a que faz jus o contribuinte, em busca da verdade material. Para tanto, e desde que as alegações se reportavam a saldos negativos de períodos anteriores, fezse necessário reconstituir os saldos negativos desde o anocalendário 1999. O primeiro ponto a ser verificado é a ocorrência, ou não, de homologação tácita do PER/DCOMP nº 36671.63795.150803.1.7.022062. A recorrente sustenta que teria sido ultrapassado o prazo quinquenal a que se refere o parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, tendo em vista que a declaração foi transmitida em 15/08/2003 (fl. 383) e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 25/09/2008 (fl. 18). Assiste razão à interessada. De fato, entre a entrega (transmissão) do instrumento declaratório e a ciência do Despacho Decisório ocorreram mais de cinco anos, motivo suficiente para que sejam consideradas tacitamente homologadas as compensações ali declaradas. Ao contrário do entendimento esposado pelo voto vencedor em primeira instância, Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.900666/200677 Acórdão n.º 130100.769 S1C3T1 Fl. 1.016 6 considero irrelevante o fato de que irregularidades tenham sido detectadas pelo processamento eletrônico e que tenham sido expedidas duas intimações para saneamento das irregularidades. O fato é que a DCOMP não foi retificada, o que impede a aplicação do dispositivo normativo (IN RFB nº 900/2008, art. 80), o qual determina que o termo inicial da contagem do prazo para homologação se faça a partir da apresentação da declaração retificadora. Da mesma forma, o fato de que as declarações de compensação subsequentes, que fazem referência ao mesmo crédito, mencionam um valor diferente não pode ser tido como retificação da declaração originalmente apresentada. Diante disso, penso que deve prevalecer, quanto a este ponto, o entendimento esposado no voto vencido, ao reconhecer a homologação tácita do PER/DCOMP nº 36671.63795.150803.1.7.022062, determinando, no entanto, a alocação prioritária dos créditos reconhecidos aos débitos objeto dessa declaração, desde que foi a primeira (mais antiga) a ser apresentada. A seguir, a interessada pede o abatimento dos débitos declarados em duplicidade. Tratase de assunto abordado no parágrafo 16 do voto vencido (mas não quanto a esta matéria), a seguir transcrito: 16. Observese que os débitos de IRPJ, relativos aos períodos de apuração abril, maio e junho de 2003, foram declarados em duplicidade na Dcomp nº36671.63795.150803.1.7.022062 (homologada tacitamente) e na Dcomp nº10843.04496.270307.1.7.029064 (fls.900/905). Compulsando os autos, verifico, à fl. 966, que referidos débitos (respectivamente R$ 45.846,84, R$ 63.461,35 e R$ 40.617,30) constavam do processo de cobrança nº 13888.720341/200874, encerrado por compensação diante da alocação do direito creditório reconhecido em primeira instância. No entanto, à fl. 981, constato que os mesmos valores, correspondentes aos mesmos períodos de apuração, são objeto de exigência no processo de cobrança nº 13888.902513/200866. Tal exigência, nitidamente em duplicidade, não pode prosperar, conforme bem observado pela decisão de primeira instância. Se os mesmos débitos já foram extintos por compensação na DCOMP nº 36671.63795.150803.1.7.022062, descabe sua cobrança em duplicidade e, também aqui, deve ser dado provimento ao pedido da recorrente. O próximo ponto a ser apreciado é o argumento de que, na análise dos saldos negativos informados pela recorrente, os valores de IRRF não poderiam ser glosados, por serem “reprodução fiel das notas fiscais que continham essa retenção”. Afirma a interessada que a responsabilidade pelo recolhimento recairia sobre as fontes pagadoras, e que os valores declarados como IRRF deveriam ser considerados como legítimos na composição dos créditos. É fato que o contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. No entanto, a lei impõe como condição para esse abatimento a apresentação do comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora (vide art. 943, § 2º, do Decreto nº 3.000/1999, cuja base legal é o art. 55 da Lei nº 7.450/1985). Tal exigência tem sido mitigada nas hipóteses em que o contribuinte alega não ter recebido esse comprovante e não estar ao seu alcance forçar a fonte pagadora a emitilo. No entanto, nessas circunstâncias, o contribuinte deve fazer prova, por quaisquer meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.900666/200677 Acórdão n.º 130100.769 S1C3T1 Fl. 1.017 7 No presente caso, não encontro nos autos os comprovantes de rendimentos, nem quaisquer provas de que as alegadas retenções tenham efetivamente ocorrido. O contribuinte menciona as notas fiscais, mas não traz aos autos nenhuma delas, nem mesmo por amostragem. Também não exibe seus assentamentos contábeis, nem extratos bancários que poderiam comprovar o ingresso das receitas pelo valor líquido. Diante disso, meras alegações não podem ser aceitas como provas, e considero correta a decisão que somente admitiu como efetivamente retidas na fonte as importâncias declaradas pelas fontes pagadoras em DIRF e confirmadas pelos sistemas de processamento da RFB. Quanto a este ponto, nego provimento ao recurso. Finalmente, a recorrente alega que existiriam outras importâncias recolhidas e indicadas na decisão recorrida. Apesar de reconhecer os créditos em questão, não se teria realizado a devida compensação para reduzir o débito. A recorrente se reporta à parte final do voto vencido (mas não quanto a esta matéria), que reproduzo abaixo: c) À Unidade Jurisdicionante para vincular os pagamentos espontâneos listados abaixo, vinculandoos ao presente processo, e após, dar ciência ao interessado: i. Período de apuração Setembro/1999: o débito que foi liquidado por pagamento, composto por Darf de R$26.542,46 (vinculado) e Darf de R$429,15 disponível sistema.(pg.266); ii. Períodos de apuração Outubro, Novembro e Dezembro/99: não consta DCTF entregue, todos os pagamentos estão disponíveis no sistema (pg.267/269); iii. Período de apuração Junho/2000: na DCTF, o débito foi liquidado por compensação. Há pagamento de R$43.969,63 disponível no sistema (pg.270); iv. Período de apuração Setembro/2000: débito não declarado na DCTF (de 04.10.2005). Pagamento de R$66.447,78 disponível no sistema (pg.271). Observo, ao contrário do que entendeu a recorrente, que todos os pagamentos acima referidos foram considerados na determinação do saldo negativo (credor) do ano a que competiam e, por consequência, também dos anos subsequentes. Ao final, foram, sim, considerados para a apuração do saldo credor do anocalendário 2002, no montante de R$ 155.882,76. Isso pode ser constatado nos quadros do anocalendário 1999 (parágrafo 23 do voto, fl. 950) e do anocalendário 2000 (parágrafo 32 do voto, fl. 952), em que todos os valores acima listados foram reconhecidos e tratados como “pagamentos”. A referência ao final do voto dirigiuse apenas à unidade da RFB que jurisdiciona o contribuinte para que procedesse aos ajustes nos sistemas de processamento, de tal forma que os pagamentos ali referidos não permanecessem desvinculados de quaisquer débitos. DIPJ DCTF Darf Disponível Setembro/1999 26.971,61 26.542,46 429,15 Outubro/1999 25.875,80 0,00 25.875,80 Novembro/1999 24.823,26 0,00 24.823,26 Dezembro/1999 34.233,53 0,00 34.233,53 Junho/2000 39.465,72 43.969,63 43.969,63 Setembro/2000 54.014,14 0,00 66.447,78 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.900666/200677 Acórdão n.º 130100.769 S1C3T1 Fl. 1.018 8 Em conclusão, por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário interposto, para: • reconhecer a homologação tácita do PER/DCOMP nº 36671.63795.150803.1.7.02 2062, determinando, no entanto, a alocação prioritária dos créditos reconhecidos aos débitos objeto dessa declaração. • Recomendar à unidade da RFB que jurisdiciona o contribuinte que proceda ao cancelamento da cobrança, nos autos do processo nº 13888.902513/200866, de estimativas dos meses de abril, maio e junho de 2003 (respectivamente R$ 45.846,84, R$ 63.461,35 e R$ 40.617,30), visto que tais débitos foram declarados em duplicidade e extintos por compensação. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001844/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
A matéria que não for expressamente contestada não será apreciada pelo julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN.
Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada não será apreciada pelo julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Empresas em Gera,l, Caracterização Segurado Empregado: Contribuinte Individual Recorrente QUÍMICA FARMACÊUTICA GASPAR VIANA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada não será apreciada pelo julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 657DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.001844/200860 Acórdão n.º 230201.370 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata apresente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, contribuintes individuais, sobre serviços prestados por cooperados, através de cooperativas de trabalho e referentes a retenção de 11%, incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços de vigilância. Referese, também, o crédito à caracterização de segurada empregada da contadora da notificada Sra. Maria de Lourdes Sousa Bezerra, conforme descrito no relatório fiscal de fls. 192 a 219. A NFLD foi lavrada em 01/06/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 04/06/2007 e o período lançado corresponde às competências de 01/2001 a 12/2006. Após impugnação, Acórdão de fls. 606/616, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso requerendo a aplicação da Súmula Vinculante n.º 08, para reconhecer a decadência do anobase de 2001. É o relatório. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conforme protocolo de fl.626, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente em sua peça recursal se limita a argüir a aplicação da Súmula Vinculante n.º 08, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/91. Tendo sido a notificação lavrada em 01/06/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 04/06/2007 e contemplando o período de 01/2001 a 12/2006, com efeito, deve ser observado que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 659DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.001844/200860 Acórdão n.º 230201.370 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 devendo ser acatado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, já que as contribuições lançadas não foram objeto de recolhimento previdenciário parcial e excluídas da notificação as competências até 11/2001, inclusive. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 As contribuições relativas à competência 12/2001, só poderiam ser exigidas a partir de janeiro de 2002 e por isso não estavam alcançadas pela decadência quando do lançamento do crédito em 01/06/2007: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito A recorrente não contesta o mérito do lançamento, devendo ser considerado o artigo 17 do Decreto n.º 70.235/71, e o artigo 8º da Portaria RFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 , que ditam: Decreto n.º 70.235/71 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Portaria RFB n.º 10.875/2007 "Art. 8° Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para acatar o prazo decadencial contido no Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2001, inclusive. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 661DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.001844/200860 Acórdão n.º 230201.370 S2C3T2 Fl. 4 7 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11330.000150/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/2000
Ementa: DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/2000 Ementa: DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000150/200782 Acórdão n.º 230102.427 S2C3T1 Fl. 565 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros Conforme Relatório Fiscal (fls. 40), o crédito foi lançado face à constatação de que a empresa não recolheu integralmente as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes parte da empresa, incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços e foi apurado com base no confronto entre valores informados no livro Diário, sendo que parte foi declarada em GFIP, e os valores devidamente recolhidos. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1214.974, da 15a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 212), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 510), alegando, em apertada síntese, nulidade da NFLD e da intimação e decadência do débito. É o relatório. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. A notificada alega, entre outras coisas, decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000150/200782 Acórdão n.º 230102.427 S2C3T1 Fl. 566 5 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Conforme informado pela autoridade lançadora, o débito se refere à diferença de contribuição, deixando claro que houve recolhimento de parte do tributo em todo o período do lançamento. A NFLD foi consolidada em 27/04/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 02/05/2007, conforme AR de fls. 497. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Dessa forma, considerando que o débito se refere ao período compreendido entre 01/98 a 12/00, constatase que se operara a decadência do direito de constituição da totalidade do crédito lançado, por qualquer regra do CTN (artigos 150, § 4o, ou 173, I). Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, por decadência. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 569DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13807.013823/99-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1997, 1998
IRRF. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO.
RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO DE RECOLHER O IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Se a constatação da ausência de retenção do imposto de renda ocorreu após a data da declaração do ajuste anual do beneficiário do pagamento, não se pode mais exigir o imposto da fonte pagadora.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO DE RECOLHER O IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Se a constatação da ausência de retenção do imposto de renda ocorreu após a data da declaração do ajuste anual do beneficiário do pagamento, não se pode mais exigir o imposto da fonte pagadora. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann – Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 31/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em divergência jurisprudencial. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, tendo em vista apuração de falta de recolhimento de IRRF, incidente sobre pagamentos de natureza salarial, determinados em processos tramitados perante a Justiça do Trabalho. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 128/133 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 01/12/1997, 08/01/1998, 12/01/1998, 02/02/1998, 20/02/1998, 20/03/1998, 20/04/1998, 18/05/1998, 16/06/1998, 16/09/1998, 16/10/1998, 16/11/1998, 16/12/1998, 22/03/1999, 16/04/1999, 17/05/1999, 16/06/1999, 16/07/1999 Emente: COISA JULGADA. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. A sentença homologatória proferida na Justiça do Trabalho que excepciona parte do acordo firmado entre reclamante e reclamada, relativamente à retenção do imposto de renda, não dá guarida aos termos avençados pelas partes no tocante a esta matéria. Verificada a existência de verba salarial e indenizatória entre os valores a serem pagos pela reclamada e não havendo liquidação de sentença que permita questionar o percentual dessas verbas fixado pelas partes no acordo, deve ser acolhido o valor homologado pela sentença proferida na Justiça do Trabalho. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Os valores pagos em cumprimento a decisão judicial estão sujeitos à Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 3 3 retenção do imposto de renda na fonte, aplicandose a tabela progressiva quando a condenação tratar de rendimentos sujeitos a ela. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 317/326). A antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Eis a ementa da decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: IRRF SOBRE HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO RECOLHIMENTO PELA FONTE PAGADORA NO ANO CALENDÁRIO DA DECISÃO JUDICIAL RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO RECOLHER O IR NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PARECER NORMATIVO SRF N° 1, DE 24 DE SETEMBRO DE 2002. Os fatos geradores de 1997 e 1998 não podem ser objeto de autuação uma vez que a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF já estava a cargo do contribuinte/ beneficiário do acordo judicial da Justiça do Trabalho. Cabe a fonte pagadora recolher o IRRF sobre o acordo em reclamação trabalhista no ano calendário da decisão judicial, em 1999. (Aplicação do Parecer Normativo n° 1, de 24 de setembro de 2002, da Secretaria da Receita Federal) Recurso Voluntário Provido Parcialmente. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 373/ 377), com base em divergência jurisprudencial. Alegou que o acórdão divergente externa entendimento em conformidade com o disposto no artigo 722 do Decreto n° 3.000/1999. Argumentou que, na ausência de retenção, a fonte pagadora somente se desobriga do recolhimento do imposto, se comprovar que o beneficiado incluiu os rendimentos pagos em sua declaração anual de ajuste. Segundo a recorrente: “Como não comprovou a inclusão da renda tributada na declaração das pessoas contempladas com o pagamento dos valores apurados pela fiscalização, a autuada continua responsável pelo tributo exigido, mas em solidariedade com os beneficiados, que a partir da declaração anual, também respondem pelo imposto sujeito ao regime de retenção. Logo, cabe à fonte o ônus de provar a referida inclusão, que, se não for comprovada, caracteriza a responsabilidade solidária de ambas as pessoas, tanto a pagadora quanto a beneficiada pelos rendimentos pagos. Qualquer entendimento em sentido contrário significaria que tanto a retenção quanto a declaração do IRRF Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 4 4 seriam meras faculdades, quando, na realidade, constituem obrigações legais”. Diante disso, postulou pela reforma do acórdão recorrido. O contribuinte apresentou contrarazões às fls. 386/397 dos autos. Voto Conselheiro Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Entendeuse, no acórdão recorrido o seguinte: “Entendo, s.m.j., que os rendimentos percebidos em decorrência de acordo homologado na Justiça do Trabalho, decorrente de reclamação trabalhista, estão sujeitos a incidência do imposto de renda. Todavia, se não retido na fonte durante o ano da homologação pela fonte pagadora ou a empresa reclamada, o montante a título de imposto de ser recolhido pelo reclamante ou beneficiário, na sua declaração de rendimentos”. Este é o entendimento que deve prevalecer. Com efeito, em se tratando de constatação de ausência de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora após o ano de declaração de rendimentos pelo beneficiário do pagamento, não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Restaria ao beneficiário do pagamento oferecer os rendimentos em questão à tributação, como restou demonstrado no Acórdão recorrido e que entende que deve prevalecer em sua plenitude. Vejase, neste sentido, e conforme citado no acórdão recorrido, o Parecer Normativo n°01, de 24 de setembro de 2002, da Secretaria da Receita Federal: “"DOU de 25.9.2002 PARECER NORMATIVO N° 1,.DE 24 DE SETEMBRO DE 2002 IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa fisica, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 5 5 apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO, PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do, imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa fisica, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para d entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa fisica, ou," até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. DECISÃO JUDICIAL. NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO. RESPONSABILIDADE. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na por antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. Dúvidas têm sido suscitadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal acerca da responsabilidade tributária, no caso ' de pagamento de rendimentos sujeitos ao imposto de renda na fonte Com vistas a solucionar a questão, no presente parecer serão abordados os seguintes pontos: a caracterização da responsabilidade da fonte pagadora à luz da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de; 1966 – Código Tributário Nacional (CTN); o tratamento tributário nos casos de imposto de renda retido exclusivamente na fonte e de imposto retido na fonte por antecipação do devido na declaração da pessoa física ou, no caso de pessoa jurídica, do devido no encerramento do período Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 6 6 de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual; quais as multas aplicáveis à fonte pagadora, na hipótese de nãoretenção do imposto, e ao contribuinte pelo não oferecimento do rendimento à tributação; a responsabilidade tributária no caso de nãoretenção por força de decisão judicial; e imposto retido e não recolhido. Sujeição passiva tributária em geral 2. Dispõe o art. 121 do CTN: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: 1 contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." 3. Como visto, a sujeição passiva na relação jurídica tributária pode se dar na condição de contribuinte ou de responsável. Nos rendimentos sujeitos ao imposto de renda na fonte o beneficiário do rendimento é o contribuinte, titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a que se refere o art. 43 do CTN. 4. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributário. 5. Nos termos do art. 128 do CTN, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. 6. A fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto. Pode ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação). 7.No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 7 7 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus da imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11.Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte Pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Responsabilidade tributária na hipótese de nãoretenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tãosomente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de Pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de ' oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do RIR/1999, verbis: Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei n". 5.844, de 1943, art. 103). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 8 8 13.1. Nesse caso, a fonte pagadora deve arcar com o ônus do imposto, reajustando a base de cálculo, conforme determina o art. 725 do RIR/1999, a seguir transcrito. "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo Beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n". 4.154, de 1962, art. 5". e Lei n". 8.981, de 1995, art. 63, ,f 2")." 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entregada declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou nãopagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de oficio estabelecida nos incisos I e lido art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999), conforme previsto no art. 9" da Lei e 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: Lei n°10.426, de 2002 "Art. 9° Sujeitase às multas de que tratam os incisos 1 e lido art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado." RIR/1999 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 9 9 "Art. 957. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n°9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente' intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei n°9.430, de 1996, art. 44, §1°): I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; II isoladamente, quando o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; 16. Após aprazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa fisica, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR!] 999 e no art. 9° da Lei n°10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a)não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de oficio, e, da fonte pagadora, a multa de oficio e os juros de mora; b)submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora.' 16.1. Os juros de mora devidos pela fonte pagadora, nas situações, descritas nos itens "a" e "h" acima, calculamse tomando como termo p inicial o prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, e, como termo final a data prevista para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica. 16.2. A pessoa jurídica sujeita à tributação do imposto de renda com base de cálculo estimada, a que se refere o art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996, que não tenha submetido à tributação os rendimentos sujeitos à retenção na fonte que devam ser incluídos na base de cálculo estimada, fica sujeita à multa isolada prevista Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 10 10 no inciso IV do I° do art. 44 da referida Lei, e caso não inclua tais rendimentos na apuração anual, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de oficio. Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei n° 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei n°8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. Responsabilidade tributária no caso de nãoretenção por força de decisão judicial 18. Por fim, resta identificar a responsabilidade tributária na hipótese em que a fonte pagadora se vê impedida de reter o imposto de renda ao pagar determinado rendimento a contribuinte, devido a um provimento judicial, normalmente uma medida liminar. 19. Caso a decisão final confirme como devido o imposto em litígio, este deverá ser recolhido, retroagindo os efeitos da última decisão, como se não tivesse ocorrido a concessão da medida liminar. Nesse caso, não há como retornar a responsabilidade de retenção à fonte pagadora. O pagamento do imposto, com os acréscimos legais cabíveis, deve ser efetuado pelo próprio contribuinte, da seguinte forma: a)tratandose de rendimento sujeito à antecipação, considerase vencido o imposto na data prevista para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; b)tratandose de rendimento sujeito à tributação exclusiva, considerase vencido o imposto no prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido. 19.1. A multa de mora fica interrompida desde a concessão da medida judicial até o trigésimo dia de sua cassação, nos termos do § 2° do art. 63 Lei n°9.430, de 1996: "Art. 63. § 2°A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 11 11 19.2. No caso de pagamento após o prazo referido no subitem anterior, a contagem da multa de mora será reiniciada a partir do trigésimo primeiro dia, considerando, inclusive e se for o caso, o período entre o vencimento originário da obrigação e a data de concessão da medida judicial. 19.3. Em qualquer hipótese, os juros de mora serão devidos sem qualquer interrupção desde o mês seguinte ao vencimento estabelecido na legislação do imposto. 20. Em relação às ações ajuizadas a partir de 1° de maio de 2001, independentemente de se tratar de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte ou sujeito à antecipação, o termo inicial dos juros de mora é contado a partir da data do vencimento originário da obrigação, por força do que estabeleceu o art. 55, §1°, 1, da Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001. 21. Existindo provimento judicial que impeça a fonte pagadora de reter o imposto de renda incidente na fonte, de forma exclusiva ou por antecipação, será efetuado lançamento de oficio em nome do contribuinte beneficiário do rendimento, quando a obrigação de tributar o rendimento já estiver caracterizada. 22. Não tendo ocorrido o trânsito em julgado da sentença, para evitar a decadência, o lançamento deve ser efetuado, ficando sobrestada a cobrança e execução do imposto lançado, enquanto não sobrevier decisão definitiva. À consideração superior. JORGE HENRIQUE BACKESAFRF MARIA DAS GRAÇAS PATROCÍNIO OLIVEIRAAFRF De acordo. REGINA MARIA FERNANDES BARROSO CoordenadoraGeral de Tributação" Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.013823/9910 Acórdão n.º 920201.553 CSRFT2 Fl. 12 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11060.000064/2007-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - NÃO CONFIGURAÇÃO - Descabe discutir
se o pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal torna ou não inexigível a multa de mora se o mesmo não se seu com os juros de mora, requisito sem o qual não é possível invocar o instituto da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 9101-001.268
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000064/200705 Acórdão n.º 9101001.268 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Centro Serra SICREDI Centro Serra RS, inconformada com a decisão da Segunda Turma Especial da Primeira Seção do CARF, que por meio do Acórdão nº 180200252, sessão de 04/11/2009, por unanimidade de votos negou provimento ao seu recurso voluntário, interpõe recurso especial alegando divergência com julgados de outros colegiados. A ementa do acórdão atacado aponta: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso. Dos paradigmas colacionados, para análise da admissibilidade foram examinados o Acórdão 104.21.264 e 10515.470, assim ementados: N° 10421264 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal. Considerase espontânea a denúncia que precede o início de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do tributo, na forma prescrita em lei, se for o caso. Desta forma, o contribuinte que denuncia espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso, recolhendo o montante devido com juros de mora, está exonerado da multa moratória, nos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA ART. 138 DO CTN O recolhimento de multa de mora em denúncia espontânea caracteriza indébito, devendo, portanto, ser reconhecido o direito à sua restituição. N° 10515470 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO DA MULTA DE MORA Segundo o art. 138 do Código Tributário Nacional, a Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000064/200705 Acórdão n.º 9101001.268 CSRFT1 Fl. 3 3 denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora devidos, exclui a responsabilidade pela infração, inclusive a penalidade decorrente do pagamento em atraso, denominada "multa de mora". Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. MULTA ISOLADA. TRIBUTO PAGO APÓS VENCIMENTO, SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. Incabível o lançamento da multa de oficio isolada do art. 44, I, § 1°, II, da Lei n. 9.430/96, pelo não recolhimento da multa moratória, quando amparado o contribuinte pelo instituto da denúncia espontânea. Recurso provido. Por entender que se encontra demonstrado os pressupostos de admissibilidade, o Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls.225 e seguintes. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000064/200705 Acórdão n.º 9101001.268 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o legitimam. Dele conheço. A questão debatida referese à aplicação do art. 138 do CTN, nos casos em que o contribuinte, antes de qualquer procedimento fiscal, efetua o pagamento do tributo em atraso, desacompanhado da multa de mora. No seu recurso voluntário, o contribuinte esclareceu: “ (...) a Recorrente prestou informações equivocadas por ocasião da declaração apresentada ao Fisco na DCTF, o que resultou em diferenças a menor na base de cálculo (receita) do IRPJ e o conseqüente pagamento a menor do imposto devido, com relação ao 1º, 2°, 3° e 4º trimestre de 2001. Constatado o equívoco, a Recorrente efetuou o pagamento das diferenças apuradas, acrescidas dos juros de mora, e retificou posteriormente as informações prestadas nas declarações fiscais. Tudo isso antes de qualquer procedimento fiscalizatório, como segue. Código Valor Vencimento Pagamento DCTF retificadora 1599 1.078,26 31/01/2002 29/01/2003 06/10/2004 1599 571,67 30/07/2001 29/01/2003 06/10/2004 1599 581,16 31/04/2001 29/01/2003 06/10/2004 1599 763,81 31/10/2001 29/01/2003 06/10/2004 Nesta condição o pagamento efetuado pela Recorrente configura claramente o instituto da denúncia espontânea, porque mesmo que os tributos tenham sido recolhidos a destempo, foram recolhidos antes de qualquer procedimento fiscal e antes ainda da retificação e declaração das informações na DCTF (pág. 001 do AI). Desta forma, temos que o "autolançamento" (prestação de informações na DCTF) ocorreu após a extinção do crédito tributário (pagamento), não havendo o que ser cobrado pelo Fisco. No que respeita ao afastamento da multa de mora quando o pagamento do tributo se dá antes do início do procedimento de ofício, não tem sido tranquila a jurisprudência. De fato, enquanto caudalosa corrente deste Conselho entende, tal como o acórdão recorrido, que a obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000064/200705 Acórdão n.º 9101001.268 CSRFT1 Fl. 5 5 contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo, sendo inaplicável seu afastamento ao abrigo do instituto da denúncia espontânea, não menos significativa é a corrente dos que entendem que a multa de mora configurada pelo não pagamento no prazo legal é afastada pelo pagamento espontâneo do principal. Contudo, há algum tempo o STJ consolidou o entendimento de não configuração da denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação quando declarados pelo contribuinte, e posteriormente recolhidos fora do prazo de seu vencimento. No REsp nº. 572.606 a 1ª Turma do STJ ratificou o entendimento que vinha pacificamente sendo adotado, a exemplo dos julgados nos REsp 180.918SP e 402.706SP, de relatoria do Ministro Humberto Gomes de Barros: "TRIBUTÁRIO. AUTOLANÇAMENTO. TRIBUTO TARDIAMENTE RECOLHIDO. MULTA. DISPENSA DE MULTA (CTN, ART. 138). Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar o art. 138 do CTN para se livrar da multa relativa ao atraso Nesse sentido, em 2008 foi editada a Súmula nº 360, do STJ, com o seguinte enunciado: SÚMULA Nº 360 – STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008. Levando em conta esse posicionamento da Corte Superior, a jurisprudência do CARF tem se orientado no sentido de que o recolhimento em atraso de tributo, acompanhado dos juros de mora, mesmo antes do início de procedimento de fiscalização, não configura denúncia espontânea quando o tributo pago em atraso estiver previamente declarado em DCTF. Contudo, se o pagamento (antes de qualquer procedimento fiscal) corresponder a tributo não declarado em DCTF, aí sim, aplicarseia a denúncia espontânea para afastar a multa de mora. Ocorre que, independentemente de qualquer discussão quanto a tratarse de tributo declarado ou não declarado em DCTF, o fato é que o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade, exige dois requisitos: (i) que o pagamento se dê antes do início do procedimento fiscal, e (ii) que o pagamento seja do principal acompanhado dos respectivos juros de mora. No presente caso, não obstante o pagamento ter se dado antes das DCTFs Retificadoras e/ou de qualquer procedimento fiscal, não foi acompanhado dos juros de mora, que o contribuinte alega ter pago no prazo da impugnação, não atendendo, portanto, os requisitos mínimos para se equiparar a denúncia espontânea, conforme preceitua o art. 138 do CTN. Isto posto, NEGO provimento ao recurso. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000064/200705 Acórdão n.º 9101001.268 CSRFT1 Fl. 6 6 È como voto. Sala das Sessões, em 23 23 de novembro de 2011. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI
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