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Numero do processo: 10665.002036/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
Ementa
SERVIDOR NÃO EFETIVO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
O servidor não efetivo deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS.
A partir da publicação da Emenda Constitucional n.º 20/1998, os servidores de serviços notariais que não eram titulares de cargo público em provimento efetivo, mesmo que não tenham optado pelo regime celetista da Lei 8.935/94, devem ser vinculados ao RGPS, na qualidade de segurados empregados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.320
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 Ementa SERVIDOR NÃO EFETIVO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL O servidor não efetivo deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. A partir da publicação da Emenda Constitucional n.º 20/1998, os servidores de serviços notariais que não eram titulares de cargo público em provimento efetivo, mesmo que não tenham optado pelo regime celetista da Lei 8.935/94, devem ser vinculados ao RGPS, na qualidade de segurados empregados. Recurso Voluntário Negado
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A partir da publicação da Emenda Constitucional n.º 20/1998, os servidores de serviços notariais que não eram titulares de cargo público em provimento efetivo, mesmo que não tenham optado pelo regime celetista da Lei 8.935/94, devem ser vinculados ao RGPS, na qualidade de segurados empregados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora EDITADO EM: 06/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10665.002036/200823 Acórdão n.º 230201.320 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 15/07/2008, com ciência pelo sujeito passivo em 17/07/2008, de contribuições previdenciárias relativas a parte do segurado empregado, incidentes sobre as suas remunerações (não arrecadadas), nas competências de 07/2003 a 12/2005. De acordo com o relatório fiscal de fls. 26/29, o crédito foi lavrado em nome do titular do cartório e referese à segurada empregada Nercy Maria dos Santos, nomeada escrevente substituta do Cartório de Registro de Imóveis em 28 de junho de 1985, não inscrita como segurada empregada no Regime Geral de Previdência SocialRGPS pelo titular do cartório, por considerála filiada a Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e IPSEMG. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 57/64 julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que a segurada é filiada de fato e de direito ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais; b) que a nomeação e posse da segurada se deu em 28/06/1985 e a IN n.º 20/2007, diz que só é segurado obrigatório o escrevente contratado a partir de 21/11/1994; c) que a segurada jamais exerceu a opção de transformação de seu regime jurídico de contratação; d) que as IN’s citadas pelo fiscal encontram limite dentro do Decreto n.º 3.048/99 e da Lei n.º8.935/94, que continua vigendo; e) que a Lei Complementar de Minas Gerais n.º 64, de 23/03/2002, permite que a segurada seja jungida ao RPPS do Estado de Minas Gerais, gerido pelo IPSEMG; f) que devem ser julgadas insubsistentes as exigências fiscais dos AI’s 37.024.3048, 37.024.3021, 37.024.3030, 37.024.3056 e 37.024.2064, porque decorrentes do mesmo entendimento fiscal equivocado; g) que o notários, registradores e escreventes não são titulares de cargos públicos efetivo e tampouco ocupam Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 cargo público e suas atividades estão reguladas em lei especial n.º 8.935/94. Requer o provimento do recurso e a decretação de improcedência das exigências fiscais. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10665.002036/200823 Acórdão n.º 230201.320 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O lançamento referese a contribuição relativa a cota do segurado empregado, incidente sobre sua remuneração e no caso, apurada com base nos recibos de pagamento da segurada Nercy Maria dos Santos. Não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Ainda, de acordo com o artigo 33 da já citada Lei n.º 8.212/91, parágrafo 5º, o desconto da contribuição e da consignação legalmente autorizados, sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, que fica diretamente responsável pela quantia que deixou de arrecadar ou arrecadou em desacordo com a lei. Seguem as transcrições dos artigos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas 6 Seguridade Social obedecem ás seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do caput do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela lei n° 11.488, de 2007) Art. 33. § 5º 0 desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 De acordo com o comprovado nos autos a segurada não é servidora titular de cargo efetivo, estando excluída do Regime Próprio de Previdência Social e, pelo exercício de atividade remunerada, está obrigatoriamente vinculada ao Regime Geral de Previdência Social RGPS como segurada empregada. O período do crédito obedeceu o prazo decadencial contido no Código Tributário Nacional, sendo que no período lançado já deve ser obedecido ao disposto pela Emenda Constitucional n.º 20/1998. Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: Como já dito, o lançamento em questão abrange período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidora não efetiva, que compulsoriamente está vinculada ao Regime Geral de Previdência Social. Quanto às argüições da recorrente de que a segurada está atrelada aos preceitos da Lei n.º 8.935/94, e que em nenhum momento fez a opção pelo regime celetista, reitero o que já consta do relatório fiscal e da decisão recorrida, ou seja, até a edição da Emenda Constitucional n.º 20/1998, com efeito, a servidora estava vinculada ao Regime Próprio de Previdência, porque satisfazia as exigências da Lei n.º 8.935/94, que assegurava tal regime para aqueles servidores que não optassem pelo regime celetista, como no caso da segurada. Todavia, após a promulgação da EC n.º 20/1998, somente os servidores de cargo efetivo tem direito à Regime Próprio de Previdência Social, o que não é a situação da servidora em questão, estando a mesma, por exercer atividade remunerada, compulsoriamente vinculada ao Regime Geral de Previdência Social. Não é caso de revogação tácita da lei, como diz a recorrente, porque os escreventes e demais auxiliares, contribuintes do Regime Próprio, se titulares de cargo efetivo, continuavam no mesmo regime. Apenas os servidores não efetivos, como a segurada, objeto desta autuação, que não era titular de cargo efetivo, estão compulsoriamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, a partir da Emenda Constitucional n.º 20/1998. Ainda, é de se notar que a manifestação do STF trazida pela recorrente à fl.85, em Ação Direta de Inconstitucionalidade, reforça que os notários e registradores não são titulares de cargo público efetivo, nem funcionários públicos, não estando abrigados no artigo 40 da Constituição Federal, que assegura Regime Próprio de Previdência Social apenas para servidores titulares de cargo efetivo. As demais exigências fiscais, consubstanciadas nos outros autos de infração, devem ser analisadas em casa um deles, respectivamente. No IPC – Instruções Para o Contribuinte, fl.02, do processo, consta que para cada processo deve haver uma impugnação, sendo que esta decisão se restringe ao assunto tratado neste auto de infração. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10665.002036/200823 Acórdão n.º 230201.320 S2C3T2 Fl. 4 7 Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000959/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
PARCELAS REMUNERATÓRIAS CONSTANTES EM FOLHA DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Ao provar, mediante dados das folhas de pagamento, que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses
pagamentos.
REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM FOLHAS DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA.
Não se caracteriza a aferição indireta do salário de contribuição quando o
mesmo é obtido de documentos comprobatórios de pagamento de remuneração, no presente caso, folhas de pagamento.
BIS IN IDEM. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS PARCELAS SALARIAIS NÃO DECLARADAS EM GFIP. INEXISTÊNCIA.
No crédito em questão foram apuradas as contribuições incidentes sobre
remunerações não declaradas em GFIP, assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a tais parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO.
Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que
torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o
mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há
elementos que permitam o julgamento em separado.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE.
O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível,
nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de
concretizado o lançamento.
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA
TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo,
quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos
necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo,
quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz
a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE
PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não
se mostrar útil para a solução da lide.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a
regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações
tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os
motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido
a ação fiscal.
DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria
necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora sequer contempla no Relatório da Autuação as razões que a levaram a aplicar a multa àquele percentual.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.048
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PARCELAS REMUNERATÓRIAS CONSTANTES EM FOLHA DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Ao provar, mediante dados das folhas de pagamento, que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos. REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM FOLHAS DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza a aferição indireta do salário de contribuição quando o mesmo é obtido de documentos comprobatórios de pagamento de remuneração, no presente caso, folhas de pagamento. BIS IN IDEM. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS PARCELAS SALARIAIS NÃO DECLARADAS EM GFIP. INEXISTÊNCIA. No crédito em questão foram apuradas as contribuições incidentes sobre remunerações não declaradas em GFIP, assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a tais parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora sequer contempla no Relatório da Autuação as razões que a levaram a aplicar a multa àquele percentual. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Ao provar, mediante dados das folhas de pagamento, que a empresa pagava remunerações a seus empregados, sem que tais valores fossem objeto de declaração ao Fisco e registro contábil, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos. REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM FOLHAS DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza a aferição indireta do saláriodecontribuição quando o mesmo é obtido de documentos comprobatórios de pagamento de remuneração, no presente caso, folhas de pagamento. BIS IN IDEM. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS PARCELAS SALARIAIS NÃO DECLARADAS EM GFIP. INEXISTÊNCIA. No crédito em questão foram apuradas as contribuições incidentes sobre remunerações não declaradas em GFIP, assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a tais parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SER SUBMETIDA A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria necessariamente em estabelecimento do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 Fl. 175DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 175 3 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE APLICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora sequer contempla no Relatório da Autuação as razões que a levaram a aplicar a multa àquele percentual. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O lançamento O presente processo administrativofiscal referese ao Auto de Infração n.º 37.229.0329, no qual foram lançadas contra o sujeito passivo acima identificado as contribuições da empresa para a Seguridade Social, incluindo aquela destinada ao custeio dos benefícios ocasionados por incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. O crédito, com data de consolidação em 29/01/2010, assumiu o montante de R$ 4.226,74 (quatro mil, duzentos e vinte e seis reais e setenta e quatro centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos efetuados a segurados empregados a serviço da empresa nas competências 12 e 13/2008 (13.º salário). Afirmase que a base de cálculo constituise de valores constantes nas folhas de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. A auditoria menciona ainda que a multa foi aplicada nos termos do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. Assim a mesma foi fixada em 150%, considerandose aplicação do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, inciso I (falta de declaração – 75%), § 1.º (sonegação,fraude ou conluio – duplicação). A decisão recorrida A Delegacia de Julgamento – DRJ em Brasília declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito. O recurso voluntário Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário no prazo legal, alegando, em apertada síntese, que: a) o recurso é tempestivo; b) todos os recursos relativos aos lançamentos efetuados na ação fiscal que deu ensejo ao presente AI devem ser julgados conjuntamente, em razão da conexão que os vincula; c) a empresa sempre cumpriu com suas obrigações previdenciárias e trabalhistas, prova disso é que contratou um dos mais conceituados escritórios de contabilidade do Estado de Goiás; d) não ficou esclarecido qual motivo levou a RFB a iniciar o procedimento fiscal que culminou com a lavratura questionada; Fl. 177DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 176 5 e) há uma ação judicial envolvendo a recorrente, ajuizada para evitar que um sócio com poderes de gestão, mediante práticas criminosas, pudesse se apropriar indevidamente do controle da mesma; f) temse a impressão que o procedimento fiscal foi iniciado a partir de denúncias relacionadas à referida ação judicial; g) os autos lavrados na ação fiscal são de um todo absurdos e improcedentes, posto que a empresa sempre cumpriu com suas obrigações tributárias; h) as solicitações da Auditoria Fiscal sempre foram prontamente atendidas pela recorrente; i) com as autuações foram carreados ao processo inúmeros documentos, esses até então desconhecidos pela empresa; j) dentre os processos trabalhistas mencionados pela Fiscalização, verificase a existência de um do ano de 2003, portanto, fora do período fiscalizado; k) conforme a melhor doutrina, o lançamento deve ser efetuado em conformidade com o art. 142 do CTN, não sendo possível o Fisco extrapolar os limites legais; l) devem ser observados os princípios da legalidade, da objetividade da ação fiscal, da audiência do interessado e da instrução probatória ampla; m) a coleta de documentos e a investigação levada a cabo durante o procedimento fiscal deve ser notificada ao fiscalizado, sob pena de invalidação do trabalho da Auditoria; n) a empresa desconhece a maneira como foram feitas diligências em outros órgãos e até mesmo junto a pessoas físicas; o) a descrição do fato gerador presente no Relatório Fiscal não guarda relação com o que prescreve às normas aplicáveis, pois o Fisco não demonstrou a existência da prestação de serviços, quando a mesma ocorreu e quanto foi o montante envolvido; p) a Auditoria Fiscal atevese mais a questão da coerência dos registros contábeis de que a efetiva ocorrência da hipótese de incidência tributária; q) uma vez que as declarações prestadas pela empresa refletem a realidade dos fatos por ela praticados, descabe o procedimento de aferição indireta da matéria tributável; r) o arbitramento utilizado para obter o valor da remuneração paga aos empregados da recorrente não guarda nenhuma coerência técnica; s) o lançamento do tributo foi realizado pelo contribuinte, mediante declaração em GFIP, não sendo possível que seja alterado sem que o Fisco demonstre a ocorrência de irregularidades; t) meros erros nos registros contábeis, não autorizam a desconsideração de toda a contabilidade e o arbitramento do tributo, ainda mais que a sua escrita foi elaborada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; Fl. 178DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 u) o valor da hora/aula encontrado nos documentos mencionados pelo Fisco está em conformidade com o valor estabelecido em convenção coletiva; v) o fato da empresa ter firmado acordo, perante a Justiça do Trabalho, com seus exempregados não pode ser tomado como confissão de culpa, uma vez que esse instrumento de conciliação tem larga utilização em processos judiciais, em especial nos Tribunais Trabalhistas; w) a análise da documentação deveria ter sido realizada nas dependências da empresa, como manda a boa técnica de auditoria, evitandose assim conclusões errôneas, dissociadas da realidade administrativa da recorrente; x) não pode ser aplicada a aferição indireta se existe a possibilidade de se verificar a base de cálculo pelas folhas de pagamento, GFIP e contabilidade; y) a Auditoria não determinou o momento em que se materializa o fato gerador da obrigação tributária; z) se houve o lançamento das contribuições por arbitramento não poderia haver na mesma ação fiscal outros lançamentos decorrentes de divergências de GFIP, de glosa de compensações, de diferenças de segurados, sob pena de se recair em bis in idem; a1) uma vez arbitrados os valores e descontadas as quantias recolhidas, descabe qualquer outro lançamento complementar; b1) o Fisco desrespeitou o princípio da verdade material, uma vez que não comprovou a ocorrência do fato gerador, não confirmou sua materialidade com base em documentos idôneos, tendo a Auditoria tomado como base apenas em registros secundários, informações obtidas unilateralmente e sem o formalismo exigido para que o ato de investigação pudesse produzir efeito; c1) é obrigação dos agentes da Administração Tributária investigar e demonstrar cabalmente a ocorrência do fato jurídico tributário, somente se podendo inverter o ônus da prova nos casos expressamente previstos em lei, o que não se aplica à situação sob enfoque; d1) notase que o cálculo do tributo foi levado a efeito de forma obscura, carecendo de maiores explicações sobre a forma de apuração da matéria tributável, donde se conclui que foi atropelado o art. 37 da Lei n.o 8.212/1991; e1) se não há clareza e precisão, é evidente o cerceamento ao seu direito de defesa, o que é causa de nulidade, conforme tem decidido reiteradamente o próprio Conselho de Contribuintes; f1) a decisão da DRJ simplesmente homologou as conclusões a que chegou o Fisco, sem levar em conta as diversas alegações de ilegalidade lançadas na peça de defesa; g1) ao tentar arrecadar a contribuição sem a destinação clara de sua aplicação, o ato fiscal fere o princípio de contrapartida da contribuição previdenciária; Ao final, requereu: a) o reconhecimento da tempestividade do recurso e o seu regular processamento; Fl. 179DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 177 7 b) o reconhecimento dos lançamentos efetuados através da declaração da GFIP; c) a declaração de nulidade do lançamento; d) que o processo seja baixado em diligência para correção das irregularidades apontadas; e) a realização de perícia técnica, conforme quesitos que formula. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Reunião dos processos para julgamento conjunto Requer a contribuinte que todos os recursos relativos aos processos de débito lavrados na mesma ação fiscal, que são vinte e três, tenham julgamento conjunto. O pedido, apesar de desejável, não é obrigatório, posto que não há norma legal na seara do processo administrativo fiscal que preveja esse procedimento. Por outro lado, há de se convir que estamos incluindo nessa reunião de julgamento quinze dos processos referidos, de modo que se tenha a eficiência e a coerência desejadas nos julgamentos dos processos dessa empresa. Posso dizer ainda que, para o AI sob cuidado, os dados constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia, não havendo necessidade de que se aguarde a chegada dos oito processos restantes a esse Conselho para que se inicie o seu julgamento. Da necessidade do contraditório durante o procedimento de fiscalização No que diz respeito à falta de comunicação à empresa fiscalizada acerca dos passos seguidos na fiscalização, devese ter em conta que no decorrer da ação fiscal não há contraditório. Os agentes do fisco dão ciência de que a empresa está sob ação fiscal através da entrega do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, promovem a intimação para apresentação da documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos, elaboram os lançamentos (se cabível) e, por fim, comunicam ao sujeito passivo o resultado da fiscalização. Essa seqüência de atos é que deve ser observada, sob pena de nulidade do lançamento. Na espécie, não vislumbrei qualquer vício relativo ao procedimento narrado que pudesse macular o resultado da ação fiscal. A oportunidade disponibilizada ao contribuinte para demonstrar seu inconformismo ocorre durante o contencioso fiscal. Neste momento é possível apresentar todas as razões e provas que possam afastar ou modificar o lançamento fiscal. Assim, em relação ao trabalho de investigação do auditor fiscal não há o que se falar na obrigatoriedade de manter o contribuinte ciente de todos os passos seguidos pelo agente do Fisco, no entanto, quando da conclusão da fiscalização, o contribuinte deve ser municiado de todos os elementos que lhes sejam úteis a exercer o seu direito de defesa, sob pena de nulidade dos lançamentos porventura lavrados. Nessa linha de pensamento, vale repisar que a ação fiscal é um procedimento inquisitório, de investigação, durante o qual não há obrigatoriedade de ciência do contribuinte em relação ao modo de proceder da Auditoria. Isso porque o direito constitucional ao Fl. 181DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 178 9 contraditório e à ampla defesa só é de observância obrigatória na fase litigiosa do processo, que tem início apenas com a impugnação ao lançamento. Nesse sentido, mesmo para as diligências realizadas pelo Fisco em órgãos fora da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não havia obrigatoriedade de se cientificar previamente o sujeito passivo de tais providências, sendo, todavia, obrigatória a menção no Relatório Fiscal dos elementos coletados nas diligências efetuadas que tiveram influência nas conclusões da Auditoria quanto à existência de obrigação tributária não adimplida. Uma leitura do relato do Fisco me deixa à vontade para afirmar com convicção que foram apresentadas à contribuinte todas as fases do procedimento fiscal, bem como, as evidências que foram tomadas como base para se concluir sobre a necessidade de efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias. Da apuração fiscal fora da sede da empresa Acerca do inconformismo da empresa quanto ao fato dos trabalhos fiscais terem se desenvolvido fora da sede da empresa, não hei de acatálo. Essa matéria já se encontra pacificada no CARF, sendo inclusive objeto de súmula, conforme se vê: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, descabe a alegação de que a apuração fiscal deveria obrigatoriamente ter se dado nas dependências da empresa fiscalizada. Das motivações para início da ação fiscal Também não há necessidade de que a ação fiscal tenha uma motivação específica, posto que o objetivo do procedimento de fiscalização é, regra geral, verificar a regularidade das obrigações tributárias do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB. Os elementos relativos ao procedimento fiscal que devem obrigatoriamente ser informados ao contribuinte são aqueles constantes do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (art. 7.º da Portaria RFB n.º 11.371/2007), quais sejam: a) natureza do procedimento (fiscalização/diligência); b) o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal; c) o período da verificação. Vejo que esses dados constam do MPF e que não há obrigatoriedade de se informar qual o motivo determinante para que se programe determinada ação fiscal, posto que a seleção de empresas fica no campo da discricionariedade da Administração Tributária. Nesse sentido, não posso dar razão à recorrente quando alega nulidade em razão do seu desconhecimento dos motivos que deram ensejo ao procedimento fiscal, uma vez que o próprio MPF já esclarece que a finalidade do procedimento é verificar o cumprimento das obrigações tributárias do contribuinte. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Da ocorrência dos fatos geradores Afirma a recorrente que o Fisco não se desincumbiu do encargo de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Pois bem, conforme se verifica do relatório acima, a fiscalização apurou as contribuições sobre parcelas remuneratórias constantes nas folhas de pagamentos apresentadas em arquivos digitais, tais valores não foram declarados na GFIP. Portando, devo afastar desde já argumento da empresa de que cumpria regularmente com suas obrigações fiscais e trabalhistas, uma vez que, ao efetuar pagamentos de remuneração sem declarar tais valores na GFIP, o contribuinte incorreu em infração a regras do Direito Previdenciário. Entendo, assim, que a verificação de remunerações constantes em folha de salários e não declaradas em GFIP, está bem caracterizada no presente AI, portanto, posso concluir que o Fisco não deixou de demonstrar a ocorrência da hipótese de incidência de contribuições, que se materializou pelo pagamento de parcelas salariais lançadas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP, sobre as quais a recorrente não manifestou qualquer discordância, ao menos para questionar a natureza jurídica das mesmas. Da aferição indireta da base de cálculo Na presente situação não há o que se falar em aferição indireta da base de cálculo, posto que os valores sobre os quais incidiram as contribuições foram coletados diretamente das folhas de pagamento apresentadas em arquivos digitais. Da inversão do ônus da prova No lançamento sob cuidado não há o que se falar também em inversão do ônus da prova, uma vez que o Fisco apresentou a situação fática que o levou a concluir pela ocorrência da hipótese de incidência tributária e fez a composição da base de cálculo com esteio em documentos da própria empresa. Da ocorrência de bis in idem Como já foi mencionado, o processo em questão diz respeito às contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP, cujas contribuições foram calculadas com base nas folhas de pagamento. Sobre tais parcelas há outro lançamento, todavia, para período distinto, cuja segregação se deu em razão de alteração na fundamentação legal de aplicação da multa pelo art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 10.941/2009. Ainda sobre essa questão, também não merece acolhimento a tese de que o Fisco desconsiderou as declarações prestadas pela recorrente mediante a GFIP, na verdade, conforme se depreende dos autos, as declarações de GFIP, bem como os recolhimentos efetuados, foram integralmente considerados pela Auditoria, todavia, os valores constantes desse AI não foram declarados na guia informativa, nem objeto de pagamento. Cabível o lançamento, posto que a declaração prestada pelo sujeito passivo foi apresentada com omissão de parcela remuneratória. Assim, o lançamento de ofício é legítimo na medida que o contribuinte apresentou a declaração da GFIP com omissão de parcelas remuneratórias pagas aos segurados ao seu serviço. É essa a inteligência do inciso V, do art. 149 do :CTN, verbis: Fl. 183DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 179 11 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) Do cerceamento ao direito de defesa em razão de deficiência no Relatório Fiscal Já tendo concluído que o Fisco descreveu com clareza a ocorrência do fato gerador e apresentou de forma clara e precisa os passos seguidos para obtenção da base tributável, além de haver mencionado todas as circunstâncias que o levaram a concluir pela existência de obrigação tributária não adimplida, não devo concordar com a afirmação de que o relato do fisco, por lhe faltarem clareza e precisão, estaria a prejudicar o direito de defesa do sujeito passivo. A meu ver, todos os elementos de que a autuada necessitaria para exercer com amplitude o seu direito de defesa lhe foram fornecidos, de modo que não há de se acolher a tese de cerceamento desse direito. Da decisão de primeira instância A decisão de primeira instância abordou todos os pontos trazidos ao processo com a impugnação, não merecendo sucesso a afirmação da recorrente de que a decisão se baseou tãosó nos argumentos da peça de acusação. Estando em confronto as teses do Fisco e do sujeito passivo, o órgão julgador tem obrigatoriamente que aderir a uma delas para dar uma solução para a contenda jurídica na sua esfera de competência. Todavia, essa escolha deve se dar de forma motivada, de modo a não prejudicar o direito de defesa do contribuinte. A motivação apresentada pela DRJ foi satisfatória, tendo sido abordados todos os pontos de inconformismo apresentados pela empresa. Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao processo pela Auditoria Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim à lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Da perícia contábil/diligência Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Tenho que concordar com o indeferimento pelo órgão a quo do pedido de produção de novas provas, por entender que no processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela existência de obrigação tributária não satisfeita pelo devedor. Não há, portanto, necessidade de realização de perícia contábil/diligência, haja vista que os elementos constantes dos autos são suficientes para que se tenha um julgamento seguro da presente lide. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas, por indeferir o pedido de perícia técnica/diligência e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 185DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 180 13 Voto Vencedor Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, somente em relação à aplicação da multa qualificada, sobretudo em razão da inexistência de comprovação de dolo, fraude ou conluio, como passaremos a demonstrar. Em que pese a contribuinte não ter se insurgido contra referida matéria, impõese o conhecimento de ofício, por tratarse de questão de ordem, em razão de referirse à regularidade da exigência fiscal, notadamente trazendo em seu bojo a imputação de crimes fiscais. Mais a mais, como restará demonstrar adiante, o fato de a autoridade fiscal deixar de elucidar as razões da aplicação da penalidade qualificada, por si só, oferece obstáculo à defesa da contribuinte, não sendo viável exigir desta a irresignação de matéria que sequer fora explicitada no Relatório Fiscal, com a simples aplicação de tais multas. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, especialmente do Discriminativo de Débito – DD, às fls. 04/05, a ilustre autoridade lançadora ao promover o lançamento entendeu por bem aplicar multa de 150% (cento e cinquenta por cento), lastreada no artigo 44 e incisos, da Lei n° 9.430/96. Antes mesmo de contemplar o mérito da questão, mister se faz traçar breve histórico dos procedimentos adotados para o lançamento das contribuições previdenciárias, mormente em face da edição da Lei n° 11.941/2009, unificando as Receitas Previdenciária e Federal, senão vejamos. No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais caracterizados por dolo, fraude ou conluio. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais, sem conquanto, via de regra, se aprofundar na demonstração/comprovação dos crimes imputados ao autuado. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada e/ou agravada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que, de certa forma, tornava despicienda o aprofundamento na matéria. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, Fl. 186DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou conluio, para efeito de aplicação da multa qualificada, notadamente para os novos lançamentos, contemplando fatos geradores posteriores à edição da Lei n° 11.941/2009, uma vez que as atuais multas ali estabelecidas somente podem ser aplicadas a fatos posteriores à sua publicação, em observância ao princípio da irretroatividade da norma. Na esteira desse raciocínio, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, nos seguintes termos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 187DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 181 15 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007)” Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou conluio), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou em conluio (o que sequer ocorrera no caso dos autos), a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Fl. 188DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Em decorrência da jurisprudência uníssona nesse sentido, o então 1º Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, assimilada pelo CARF com a mesma numeração, determinando que: “ Súmula nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Assim, impende analisar os autos detidamente de maneira a elucidar se o fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou simular a hipótese de incidência da obrigação tributária. Neste ponto, aliás, mister esclarecer que o simples fato de, anteriormente às alterações na legislação acima mencionadas, não se exigir tal comprovação não é capaz de sustentar a pretensão fiscal em defesa da existência de dolo, fraude ou conluio. Com efeito, cabe/caberia à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou conluio, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela notificada, especialmente em relação a fatos geradores sob a égide da nova legislação, como aqui se vislumbra. Pretender atribuir um crime ao contribuinte em sede de segunda instância, sem que a própria autoridade lançadora tivesse imputado tal conduta à notificada, comprovando e fundamentando suas conclusões, objetivando oportunizar a ampla defesa e contraditório da empresa em relação a este tema, além de representar supressão de instância, fere de morte o princípio do devido processo legal. Estarseia imputando um crime ao contribuinte sem que o fiscal autuante o fizesse, razão pela qual não houve contestação em relação à matéria em nenhuma das instâncias pretéritas. O fato de constar do Relatório Fiscal as razões que levaram à fiscalização a promover o lançamento, independentemente do procedimento adotado (aferição/arbitramento, desconsideração da personalidade jurídica, caracterização de segurados empregados, etc) não suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado ao contribuinte, ensejando a qualificação da multa. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000959/201012 Acórdão n.º 240102.048 S2C4T1 Fl. 182 17 Com efeito, extraise do Relatório Fiscal da Autuação que em nenhum momento o fiscal autuante procurou justificar a qualificação da multa, não escrevendo sequer uma linha a propósito de aludido procedimento. A rigor, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é que a autoridade lançadora, no tópico “DA MULTA APLICÁVEL”, constante do Relatório Fiscal da Autuação, às fls. 43/48, inferiu ter aplicado multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), reforçando a tese da inexistência da demonstração/comprovação das hipóteses legais que oferecem lastro à aplicação da multa qualificada, em suma, ocorrência de crime fiscal, conceituado pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64, em total afronta às normas que regulamentam a matéria, as quais impõem conste de aludido anexo às comprovações em comento. Assim, além de o fiscal autuante não ter comprovado com a segurança que o caso exige a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, para efeito da qualificação da multa, sequer inscreveu no Relatório Fiscal referidas imputações, fazendo constar exclusivamente a aplicação da multa de ofício de 75%. Partindo dessa premissa, o simples fato de a Câmara recorrida, à sua unanimidade, ter legitimado o procedimento adotado pelo fiscal autuante ao constituir o crédito previdenciário, em relação ao seu mérito, não implica dizer que a contribuinte cometeu o crime fiscal. Dessa forma, repitase, o fato de considerarmos procedente o lançamento, não quer dizer que há o crime de fraude, dolo ou conluio comprovados. Impõese, assim, um aprofundamento maior no tema por parte do fiscal autuante ao pretender imputar tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar a conduta criminosa da notificada. No caso sob análise, vislumbramos tão somente a procedência do feito em seu mérito, mas não a demonstração da ocorrência dos crimes fiscais acima elencados, na forma que a legislação de regência exige. Mesmo porque o fiscal autuante sequer imputou tais condutas. A rigor, podemos traçar um paralelo entre essa situação com a simples constatação de omissão de receitas/rendimentos, em que a Sumula nº 14 do CARF já firmou o entendimento que, isoladamente, não se presta a caracterizar a conduta dolosa do contribuinte. Em outras palavras, tal qual no caso de simples omissão de receitas/rendimentos, a simples demonstração da procedência do lançamento, relativamente a seu mérito, por si só, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, de maneira a ensejar a aplicação da multa qualificada, como se vislumbra na hipótese dos autos. No caso vertente, inobstante o esforço do ilustre Conselheiro Relator, não podemos afirmar com a devida certeza ter a contribuinte agido de maneira fraudulenta, dolosa ou em conluio, mesmo porque o fiscal autuante nada inferiu a este respeito para qualificar a multa, sendo defeso a esta Corte Administrativa inovar o lançamento com o fito de imputar crime ou outra conduta em sede de segunda instância, sem que tenha havido qualquer menção ou contestação neste sentido no decorrer de todo processo administrativo. Assim, em que pese a contribuinte não ter suscitado referida questão em seu recurso, impõese, de ofício, reduzir a multa aplicada ao percentual de 75% (Setenta e cinco Fl. 190DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 por cento), em homenagem à jurisprudência deste Colegiado e legislação de regência, como demonstrado alhures. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração em epígrafe parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reduzir, de ofício, a multa aplicada ao percentual de 75%, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15586.000458/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam-se como omissão de receitas.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE
No caso de lançamento de ofício, há previsão legal (art.44, I, da Lei nº 9.430/96) para a aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1401-000.682
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE No caso de lançamento de ofício, há previsão legal (art.44, I, da Lei nº 9.430/96) para a aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.046 2 (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Meigan Sack Rodrigues e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de autos de infração referentes a exigências de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária (fls.775/828), apuradas de acordo com as regras do SIMPLES, anocalendário 2003, que totalizam R$436.039,85, sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, aplicada no percentual de 75%. A ciência do contribuinte efetivouse em 07/08/2007 (fl.829). Na “Descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is)”, as infrações foram assim relatadas: 001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Valor apurado conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 0578/2007, que é parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, no qual foi demonstrada a omissão de receitas caracterizada por recursos depositados nas contas bancárias de SUDESTE ATACADO DE MATERIAL DE CONSTRUÇÃO, sem que a fiscalizada, regularmente intimada, tenha comprovado sua origem. ..... 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 0578/2007, que é parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, no qual ficou demonstrada a aplicação incorreta dos percentuais aplicados sobre a receita bruta mensal. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal Nº 0578/2007 (fls.700/773), consta, com alguns grifos não presentes no original, in verbis: “(...) No anocalendário fiscalizado, a movimentação financeira de SUDESTE ATACADO DE MATERIAL CONSTRUÇÃO LTDA atingiu a cifra de R$ 4.918.951,22 (quatro milhões e novecentos e dezoito mil e novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e dois centavos), conforme quadro seguinte: ..... Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.047 3 No mesmo ano, conforme apurado pela fiscalização junto aos seus principais fornecedores, SUDESTE ATACADO DE MATERIAL CONSTRUÇÃO LTDA efetuou compras de mercadorias para revenda no valor de R$ 5.308.817,95 (cinco milhões e trezentos e oito mil e oitocentos e dezessete reais e noventa e cinco centavos). Acontece que, para o mesmo período, SUDESTE ATACADO DE MATERIAL CONSTRUÇÃO LTDA declarou à RECEITA FEDERAL, mediante apresentação da Declaração Anual Simplificada, receita bruta de R$ 499.587,27 (quatrocentos e noventa e nove mil e quinhentos e oitenta e sete reais e vinte e sete centavos), valor desproporcional à sua movimentação financeira e ao valor das compras realizadas. ..... 2.4 DO TERMO DE CONSTATAÇÃO E _DE_ INTIMAÇÃO FISCAL N° 02 78/2007 Nesse termo (fls.549/552) a fiscalizada foi cientificada, em 23/04/2007, da ação de circularização levada a efeito nos seus principais fornecedores. Recebeu cópia de todos os documentos recebidos pela fiscalização. Além disso, foi intimada a apresentar as notas fiscais de saída de mercadorias relativas às vendas realizada no ano de 2003 e também comprovar a origem dos recursos utilizados para pagamento das compras de mercadoria que, conforme apurado pela fiscalização, totalizaram o valor de R$5.308.817,95 (cinco milhões e trezentos e oito mil e oitocentos e dezessete reais e noventa e cinco centavos). ..... O prazo de atendimento da intimação se esgotou sem que houvesse qualquer manifestação por parte da fiscalizada. 2.5 DO TERMO DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 0378/2007 Em 04/05/2007, a fiscalizada foi intimada a apresentar os blocos de notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias e o livro de registro de inventário relativo o ano de 2003. Foi reintimada a apresentar os livros Diário, Razão, Caixa, Apuração do ICMS e Registro de Entradas e Saída, e a comprovar a origem dos recursos utilizados para pagamento das compras realizadas no anocalendário de 2003. (fls.553/555) ..... Como fizera em relação ao Termo de intimação anterior, a fiscalizada abstevese de responder a intimação. ..... 2.6 DO TERMO DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 0478/2007 ..... Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.048 4 Em resumo, nesse Termo fiscal a fiscalizada foi intimada para manifestarse a respeito da alegação de furto dos livros fiscais e para apresentar os extratos concernentes às contas bancárias nas quais houve movimentação financeira no valor de R$ 4.918.951,22 (quatro milhões e novecentos e dezoito mil e novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e dois centavos) e ainda, comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, de forma individualizada, a origem dos recursos depositados nas referidas contas bancárias; Em 20/06/2007 a fiscalizada apresentou os extratos bancários solicitados (fls.562/681), sem, contudo, comprovar a origem dos recursos depositados. A resposta da fiscalizada é transcrita abaixo: [...] Em atenção ao termo de intimação fiscal n° 04 78/2007, passo às vossas mãos, os extratos bancários do Banco do Brasil e Banestes, referentes ao ano de 2003. Quanto aos demais itens, deixo de atendelos por falta de elementos em meu poder, uma vez que tais documentos se encontravam em minha residência, à rua Alderico Tristão, n° 63, Mata da Prais, VitóriaES e foram destruídos pela minha exesposa, durante a reforma da casa, conforme já comunicado ao Auditor Fiscal que está encarregado da fiscalização. As planilhas seguintes apresentam a relação dos valores depositados nas contas correntes n° 14.3170 do Banco do Brasil e 7.354.558 do BANESTES, de titularidade da fiscalizada, obtidos a partir dos extratos bancários por ela apresentados. ..... 3. INFRAÇÕES APURADAS 3.1 OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Com base nos extratos bancários recebidos da fiscalizada, a auditoria fiscal procedeu à análise individualizada dos créditos efetivados em suas contas bancárias, nos exatos termos do art. 42, da Lei n° 9.430/96 e seus parágrafos. Inicialmente, verificouse a existência de transferências entre contas de mesma titularidade para fins de exclusão da incidência tributária do art. 42, da Lei n° 9.430/96. Foram ainda excluídos da incidência tributária do aludido diploma legal, os resgates de aplicações financeiras e os depósitos em cheques devolvidos. Os demais valores creditados nas contas bancárias da fiscalizada foram tributados como omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, já que a fiscalizada, regularmente intimada, não comprovou sua origem. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.049 5 Esses créditos estão relacionados nas Planilhas A e B deste Termo. Apesar de o contribuinte não ter comprovado, de forma individualizada, a origem dos recursos depositados, a análise dos históricos das movimentações registradas nos extratos bancários, revela que as citadas contas bancárias foram utilizadas para efetivar as operações comerciais da empresa (compra e venda de material de construção). Por intermédio dessas contas foram realizados pagamentos aos fornecedores da empresa, liquidação de cobrança, operações de descontos e etc. A título exemplificativo apresentamos as operações seguintes: ..... No presente lançamento de ofício, para quantificação da receita omitida foram deduzidas as receitas declaradas pelo contribuinte na PJSI do montante dos créditos efetivados nas contas bancárias. > Total dos depósitos bancários (planilha C) > () Receitas declaradas pelo contribuinte PJSI (planilha D) > (=) Omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada ..... 3.2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO ..... Ao omitir aproximadamente 90% de toda a receita auferida, a fiscalizada utilizou percentuais inferiores aos que deveria ter aplicado, reduzindo desta maneira o valor devido mensalmente. Por este motivo, apurouse insuficiência de recolhimento do SIMPLES, sendo as diferenças lançadas de oficio, com aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996. As diferenças apuradas, calculadas com base nos percentuais progressivos, fixados na Lei n° 9.317/96, relativos à Receita Bruta acumulada, estão demonstradas nas tabelas seguintes. (.....)”. A Terceira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I considerou procedentes os lançamentos (fls.1.010/1.014), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada insuficiência de recolhimento, é devido lançamento. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.050 6 No Recurso Voluntário (fls.1.017/1.042), sustentase em síntese: Da impossibilidade de efetuar o lançamento de ofício com base em extratos bancários a) a movimentação bancária não se subsumiria à hipótese de incidência tributária prevista na lei, conforme decisões administrativas e judiciais; b) à situação dos autos aplicarseia a Súmula nº 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos; c) a Administração tributária estaria impedida de considerar qualquer ingresso financeiro nas contas bancárias dos contribuintes como rendimentos tributáveis, mesmo sem comprovação da origem ou natureza; d) não poderia haver lançamento baseado em uma “renda fictícia”; e) a fiscalização não provara “...que os depósitos se amoldam ao conceito de renda previsto na legislação como hipótese de incidência do Imposto de Renda e seus reflexos”; f) haveria a necessidade de “...prova evidente por parte do Fisco de ‘indícios de falhas, incorreções ou omissões’, conforme preceitua o próprio §4º, artigo 5º da Lei Complementar 105/2001”; g) “Deveria o Auto de Infração demonstrar que houve entrada e correspondente SAÍDA das mercadorias, para assim restar caracterizado o fluxo, ensejador do conceito de renda”; h) “(...) deveria ser comprovado que todas as operações bancárias, as quais, somadas, correspondem às supostas ‘receitas não declaradas’, possuem efetiva correspondência com operações comerciais da empresa”; Da inexigibilidade da multa aplicada i) com relação à multa de ofício, o percentual de 75% revelarseia nitidamente confiscatório, sendo, portanto, inconstitucional; j) “Tal situação é desproporcional, irrazoável e, portanto, ilegal, pois leva à impossibilidade do pagamento, que é a finalidade principal da lei tributária”; k) “(...) os princípios a que se sujeita a Administração Pública na prática de seus atos, dentre os quais o da Razoabilidade e Proporcionalidade, o que, por justiça, deve ser levado em conta no caso dos autos”; Da ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa SELIC l) a previsão normativa que instituiu a SELIC não obedeceria ao disposto no art.161, §1º, do Código Tributário Nacional; m) a aplicação da taxa representaria verdadeiro anatocismo, sendo confiscatória, além de significar afronta a princípios basilares como o do nãoconfisco, do enriquecimento sem causa, propriedade, etc. É o que importa relatar. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.051 7 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Inicialmente, é importante esclarecer que a situação fática tratada nos autos não atrai a incidência do art.62A do Regimento Interno do CARF, que impõe o sobrestamento do julgamento sempre que houver o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal de repercussão geral de questão constitucional versada em recurso extraordinário (art.543A do Código de Processo Civil). No caso sob exame, os extratos foram fornecidos pelo próprio contribuinte. Ao revés, no recurso extraordinário nº 601.314, em que se reconheceu a repercussão geral, discutese a constitucionalidade da possibilidade de o Fisco obter diretamente das instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, os dados bancários. A respectiva ementa é esclarecedora: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Como visto no relatório, o contribuinte, mesmo após te sido regularmente intimado, deixou de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, o que levou à fiscalização a concluir acertadamente pela omissão de receitas, haja vista a presunção estabelecida no art.42 da Lei nº 9.430/96: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.052 8 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Em se tratando da presunção estatuída no art.42 da Lei nº 9.430/96, ao Fisco basta identificar os depósitos bancários e intimar a pessoa sob fiscalização a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Apesar de o recorrente ter apontado decisões judiciais e administrativas que corroborariam sua tese, a verdade é que a firme jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aponta em outro sentido, senão vejamos: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso especial negado. (CSRF, 3ª Turma, Acórdão nº 40400329, de 27/09/2006) “(...) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida no artigo 42 da lei n° 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.053 9 e idônea, caracterizam omissão de receita. Subsistindo o lançamento principal, na seara do imposto sobre a renda de pessoa jurídica, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (Cofins e PIS) (1ªSJ, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 110200.334, de 11/11/2010) “OMISSÃO DE RECEITAS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (1ªSJ, 1ª Turma Especial, Acórdão nº 1801 00.115, de 03/11/2009) “OMISSÕES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Aplicase a presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da lei n° 9430/1996, ficando o contribuinte incumbido de comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ingressados em sua contacorrente bancária. Não logrando o contribuinte afastar a presunção legal levantada baseada em movimentação bancária à margem da escrituração contábil e em valores superiores à média das receitas declaradas nos períodos fiscalizados, remanescendo, assim, valores injustificados, consubstanciando válida e eficaz a imputação legal de omissão de receitas na conduta sobre os mesmos (...)” (1ª SJ, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 120200.379, de 31/08/2010) “(...) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO IRPJ SIMPLES. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (...) (1ªSJ, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 140100.370, de 12/11/2010) Nesse contexto, enunciados de Súmula de jurisprudência dominante no CARF confirmam que válida é a presunção de omissão de receitas decorrente da falta de comprovação da origem de depósitos bancários, sendo desnecessário perquirirse se tais valores subsumemse ao conceito de renda tributável. Vejamos as respectivas redações, de obediência obrigatória consoante art.72 do Anexo II do Regimento Interno: Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.054 10 nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Especificamente com relação ao entendimento sumulado pelo extinto Tribunal Federal de Recurso, baseado em um arcabouço jurídico específico, passou a não prevalecer diante da presunção trazida pelo art.42 da Lei nº 9.430/96. Com relação à multa de ofício, o percentual aplicado de 75% (setenta e cinco por cento) decorreu de expressa previsão legal. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumentos de violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Cabe lembrar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Nem sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação da lei pode ser afastada, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e de entendimento administrativo já consolidado: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quando à aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios, a jurisprudência consolidouse no sentido do seu cabimento, conforme o enunciado abaixo, suficiente para afastaremse as razões de defesa: Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA Processo nº 15586.000458/200787 Acórdão n.º 140100.682 S1C4T1 Fl. 1.055 11 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sobre as decisões judiciais e administrativas mencionadas no recurso voluntário, até mesmo na hipótese de seus termos terem sido mantidos nas instâncias superiores, cabe dizer que, mesmo que haja semelhança com o caso tratado neste processo, seus efeitos restringemse às partes envolvidas nos respectivos litígios. Por fim, o que foi decidido com relação ao lançamento do IRPJ estendese aos lançamentos reflexos, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO F REIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.720311/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/11/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE RAT ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM A CLASSIFICAÇÃO DA EMPRESA ABONO PARTICIPATIVO NÃO CARACTERIZAÇÃO DEVIDA COMO PLR.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequentemente concordância com os termos do AI.
Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações e no caso em questão primeiramente a correlação entre a nomenclatura adotada erroneamente “ABONO” e os pagamentos à título de PLR.
Mesmo que se considerasse a nomenclatura “abono” como indevida, não demonstrou o recorrente o cumprimento da lei 10.101/2001 no que diz respeito a descrição de metas ou aferição dos resultados para que se caracterizasse participação nos lucros.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/11/2009
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AUSÊNCIA DE SOLICITAÇÃO DOS ACORDOS E CONVENÇÕES DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE
AFASTADA.
Pela apreciação do relatório fiscal e do documento TEPF Termo
de Encerramento de Procedimento Fiscal, é possível constatar que o procedimento deu-se de forma seletiva, fato que justifica a não solicitação, por exemplo, dos acordos e convenções coletivas.
Os fatos geradores descritos no relatório fiscal dizem respeito a diferença de RAT e pagamento de “abono participativo”. Diga-se
de pronto, que a nomenclatura “abono” não se coaduna com pagamento de participação nos lucros, mas é, conceituamente, considerado antecipação de futuro aumente de salário, cuja natureza é considerada salarial, independente de qualquer
previsão em norma coletiva, razão porque plausível o não requerimento dos acordos e convenções coletivas.
CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, e de toda a fundamentação legal aplicável, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente , tanto que o recorrente pode defender-se dos fatos geradores apurados.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.124
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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MAT. ELET. DA GRANDE CURITIBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/11/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE RAT ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM A CLASSIFICAÇÃO DA EMPRESA ABONO PARTICIPATIVO NÃO CARACTERIZAÇÃO DEVIDA COMO PLR. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequentemente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações e no caso em questão primeiramente a correlação entre a nomenclatura adotada erroneamente “ABONO” e os pagamentos à título de PLR. Mesmo que se considerasse a nomenclatura “abono” como indevida, não demonstrou o recorrente o cumprimento da lei 10.101/2001 no que diz respeito a descrição de metas ou aferição dos resultados para que se caracterizasse participação nos lucros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/11/2009 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AUSÊNCIA DE SOLICITAÇÃO DOS ACORDOS E CONVENÇÕES DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE AFASTADA. Pela apreciação do relatório fiscal e do documento TEPF Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, é possível constatar que o procedimento deuse de forma seletiva, fato que justifica a não solicitação, por exemplo, dos acordos e convenções coletivas. Os fatos geradores descritos no relatório fiscal dizem respeito a diferença de RAT e pagamento de “abono participativo”. Digase de pronto, que a Fl. 184DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 nomenclatura “abono” não se coaduna com pagamento de participação nos lucros, mas é, conceituamente, considerado antecipação de futuro aumente de salário, cuja natureza é considerada salarial, independente de qualquer previsão em norma coletiva, razão porque plausível o não requerimento dos acordos e convenções coletivas. CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, e de toda a fundamentação legal aplicável, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente , tanto que o recorrente pode defenderse dos fatos geradores apurados. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.161.6280, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 07/2005 a 11/2009, inclusive 13. salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 38 a 40, as bases de cálculo foram apuradas por meio das folhas de pagamento, em conjunto com a análise das GFIP constantes dos sistemas. LEVANTAMENTO RT: DIFERENÇAS NO RAT LEVANTAMENTO RT1: DIFERENÇAS NO RAT LEVANTAMENTO RT2: DIFERENÇAS NO RAT O fato gerador da contribuição social destes levantamentos são os pagamentos ou créditos de remunerações efetuados pelo Sindicato aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. As contribuições devidas ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT/Gilrat foram recolhidas a menor, uma vez que o sindicato recolheu o SAT com alíquota de 1%, quando deveria ter recolhido com alíquota de 3%,conforme alteração introduzida pelo Decreto 6042, de 12/02/2007,que alterou o código do GILRAT e elevou a alíquota para 3% a partir de 06/2007. Tais pagamentos ou créditos foram detectados nas folhas de pagamento apresentadas pela entidade.Acrescentamos que as contribuições aqui lançadas envolvem valores que não foram declarados em GFIP. No Levantamento RT, resultou mais benéfico ao contribuinte a multa anterior (24% mais a multa do CFL 6 Auto de Infração de Obrigação Acessória). Nos levantamentos RT1 e RT2 a cobrança da multa de oficio de 75% foi mais benéfica ao contribuinte na comparação com a multa de 24% mais a multa do CFL 68.(Auto de Infração de Obrigação Acessória ),conforme demonstra o relatório COMPARAÇÃO DE MULTAS em anexo.Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/04/2010. LEVANTAMENTO AB : ABONO PARTICIPATIVO LEVANTAMENTO AB1 : ABONO PARTICIPATIVO LEVANTAMENTO AB2 : ABONO PARTICIPATIVO O fato gerador da contribuição social destes levantamentos são os pagamentos ou créditos de remunerações a titulo de Abono Participativo efetuados pelo Sindicato aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. As contribuições devidas sobre os pagamento dos abonos não foram recolhidas ou Fl. 186DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 declaradas em GFIP. Tais pagamentos ou créditos foram detectados nas folhas de pagamento apresentadas pela entidade. Este abono não foi incluído pela entidade na base de cálculo, porém tem caráter salarial por não ser expressamente desvinculado do salário por força de lei, como prevê o art. 28, § 9º,letra e, ítem 7, da Lei 8212/91. No Levantamento AB, resultou mais benéfico ao contribuinte a multa anterior (24% mais a multa do CFL 6 Auto de Infração de Obrigação Acessória). Nos levantamentos AB1 e AB2 a cobrança da multa de oficio de 75% foi mais benéfica ao contribuinte na comparação com a multa de 24% mais a multa do CFL 68.(Auto de Infração de Obrigação Acessória ),conforme demonstra o relatório COMPARAÇÃO DE MULTAS em anexo. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 49 a 63, onde alegou em síntese. PRELIMINARMENTE o lançamento seria nulo pois não haveria na folha de rosto a indicação dos pressupostos de fato e de direito em que se fundamenta a exigência, nem tampouco a fundamentação legal da multa e dos juros exigidos; a constituição do crédito relativo a eventual descumprimento da obrigação principal deveria ser por meio de Notificação Fiscal de lançamento de Débito, sendo que o Auto de Infração seria o meio para a constituição de créditos decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias; além da utilização de meio impróprio, o lançamento ainda não conteria todos os elementos que a legislação determina que contenha; haveria também irregularidade na indicação do fundamento legal da infração cometida, uma vez que o dispositivo indicado já ter sido revogado; aquiesce expressamente que não incluiu em GFIP os valores pagos a título de ABONOS PARTICIPATIVOS, mas que isso ocorreu porque tais verbas não integrariam o salário de contribuição, conforme se indicará na análise do mérito; argumenta que a falta de descrição clara e precisa dos fundamentos de fato e de direito que levaram à autuação implicaria no cerceamento do seu direito de defesa que, conforme o artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, levaria à nulidade do lançamento seria também nulo o lançamento pois o contribuinte não teria sido intimado para regularizar a irregularidade apurada na declaração da GFIP, nos termos do que atualmente prevê a legislação previdenciária com a redação dada pela MP 449/2008; Fl. 187DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 3 5 outro motivo elencado pela impugnação como determinante da nulidade do procedimento seria a incongruência entre o fundamento legal invocado pela Fiscalização e a correspondente infração, haja visto as alterações promovidas na Lei 8.212/91 pela MP 499/2008; NO MÉRITO alega que não teria havido nenhuma ação fiscalizadora do Ministério da Previdência Social que pudesse justificar a modificação da alíquota do RAT de 1% para 3% e que, neste caso, o Poder Executivo teria extrapolado os limites da legalidade e da constitucionalidade ao modificar tais alíquotas por meio de Decreto; haveria erro na indicação dos códigos do GILRAT relativo às Organizações Sindicais de Trabalhadores pela Fiscalização, o que somente evidenciaria sua falta de respeito ao “... princípio constitucional da moralidade, da clareza, da precisão e da eficiência administrativa ao informar CÓDIGOS com numeração errada, a fim de cercear seu direito de ampla defesa, mediante o falseamento das informações necessárias à sua defesa.”; alega novamente que haveria no lançamento indicação incorreta da fundamentação legal do lançamento, o que equivaleria à ausência de fundamentação legal do lançamento, motivo de nulidade do lançamento conforme o artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, teria havido erro na descrição dos pagamentos efetuados pelo Sindicato, nomeandose como ABONO PARTICIPATIVO o que, na verdade, se trataria de PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS, rubrica que, nos termos da Constituição Federal de 1988 e da legislação infraconstitucional, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias; Foi exarada Decisão em 1ª instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 143 a 163. Não concordando com a decisão, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 167 a 179, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma suscinta: 1. Preliminarmente, nulidade do AI pela falta de indicação do fundamento legal, tendo inclusive sido citada ato normativo já revogado. A descrição da devida fundamentação deve englobar não apenas a lei, decretos, como também todos os atos normativos vigentes. 2. Do período que vai da entrada em vigor do Decreto 3048 até o Decreto 6.042 e posteriormente alterado pelo Decerto 6957, não houve qualquer motivo que justificasse a alteração do enquadramento da entidade sindical do risco 1 para o risco 3. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 3. A forma de código indicado no AI, qual seja 91200, jamais existiu no anexo V do decreto, o que demonstra a incorreção do auto. 4. Foi correto o enquadramento adotado pela entidade sindical, considerando a atividade econômica da entidade sindical, como forma associativa de trabalhadores na indústria metalúrgica. Os empregados da entidade sindical exercem suas atividades profissionais no âmbito do sindicato, em atividades burocráticas, que nada em a ver com o exercício das atividades exercidas pelos filiados d sindicato, estes sim, sujeitos a riscos de atividade. Assim, não existe diferença de RAT a ser recolhida. 5. Os abonos participativos foram feitos de acordo com a lei, de modo que não constituem salário de contribuição dos segurados empregados. 6. Não foram observados pela decisão recorrida a exigibilidades de acordos coletivos durante o procedimento fiscal, considerando que somente pela análise dos mesmos em confronto com outros elementos contábeis, seria capaz de descaracterizar a natureza remuneratória da verba abono, posto que na verdade tratase de participação no resultado da entidade. 7. No AI em questão sequer foram analisados os elementos necessários a identificação da parcela denominada abono pecuniário como participação nos resultados da entidade classista, nem há qualquer alusão porque seria ilegal o recebimento de aludidas vantagens. 8. Isto posto, requer seja recebido e provido o presente recurso para fim de considerar nulo e/ou improcedente o presente AI. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 180. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA NULIDADE PELA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO Alega o recorrente que a autoridade fiscal realizou a fundamentação do crédito apurado de forma deficiente, inclusive citando normativo já revogado. Nesse ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente para que se decrete a nulidade da autuação, considerando que foi realizada fundamentação legal e consubstanciada na Lei e no Decreto que regulamenta a referida lei ao tempo da ocorrência dos fatos geradores. Podese detectar pela análise dos relatórios entregues pela autoridade fiscal à empresa notificada, que, não apenas no relatório de fundamento legal, fls. 22 a 23, como no relatório fiscal, fl. 38 a 40, foram descritas as legislações aplicáveis de acordo com a época em que ocorreram os fatos geradores. Dessa forma, considerando que no período que abrangeu os fatos geradores foi descrito por competência não apenas a fundamentação da contribuição devida, como também do juros e multa aplicáveis não há que se falar em ausência de fundamentação, nem tampouco em legislação revogada, considerando a observância da legislação em vigor durante a ocorrência dos fato geradores. DA NULIDADE PELO FALTA DE APRECIAÇÃO DOS ACORDOS E CONVENÇÕES COLETIVAS. Outro ponto trazido pelo recorrente para pleitear a nulidade, diz respeito a necessidade de exigir durante o procedimento, documentos pertinentes a comprovar a ocorrência do fato gerador. Nessa seara, alega que realizou pagamentos de participação nos lucros e resultados e que ao não exigir o auditor, os referidos acordos para comprovar que o pagamento encontravase de acordo com a lei 10.101, acabou por viciar todo o procedimento. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Autorização para realização do procedimento por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Fl. 190DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Nesse ponto é importante destacar que existem vários tipo de procedimento fiscal, seja os chamados procedimentos seletivos; donde não se faz necessário a verificação de todos os documentos contábeis, limitandose o auditor a realizar o confronto entre folha de pagamento , GFIP e guias de recolhimento; ou ainda as fiscalizações totais, as quais o trabalho é pautado na apreciação de toda a documentação contábil correlacionada a fato geradores de contribuições previdenciárias. Pela apreciação do relatório fiscal e do documento TEPF – Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, é possível constatar que o procedimento deuse de forma seletiva, fato que justifica a não solicitação, por exemplo, dos acordos e convenções coletivas. Assim, resta dessa forma afastada a alegação de que, ao não requerer os citados documentos, incorreu o auditor em falta que ensejaria a nulidade do procedimento. Até concordo que em se tratando de levantamento de participação nos lucros e resultados em desconformidade com a lei, compete a autoridade fiscal demonstrar dita desconformidade, contudo não é o que se apura no caso em questão. Os fatos geradores descritos no relatório fiscal dizem respeito a diferença de RAT e pagamento de “abono participativo”. Digase de pronto, que a nomenclatura “abono” não se coaduna com pagamento de participação nos lucros, mas é, conceituamente, considerado antecipação de futuro aumente de salário, cuja natureza é considerada salarial, independente de qualquer previsão em norma coletiva. Dessa forma, perfeitamente razoável o fato de a autoridade fiscal não solicitar os ditos acordos ou convenções coletivas. Quanto a rubrica ABONO, certa é a característica intrínseca de que todo e qualquer abono possui natureza salarial, representando ganho para o empregado pelo trabalho na empresa. Destacase que no momento em que é pago, mesmo que resultante de previsão em acordo ou convenção coletiva, não possui o condão de excluir da base de cálculo de contribuições. Os únicos abonos que estão excluídos do conceito de salário de contribuição são aqueles expressamente previstos em lei como tal, por exemplo o abono pecuniário (transação de parte do período de férias) o abono do PIS/PASEP, que nem mesmo é pago pelo empregador, e abonos pagos por preceito de lei. O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.(grifo nosso) (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 5 9 § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Houve a devida intimação para a apresentação dos documentos, conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, em relação a folha de pagamento em confronto com a GFIP e GPS. Além do fato de que a nomenclatura adotada pela empresa não levar a considerar tratarse de PLR, somase, como já rebatido pela autoridade julgadora, que não encontrase dentro das funções do sindicatos qualquer natureza econômica, outra razão que poderia ter levado o auditor para não ter dúvida quanto a natureza do pagamento em folhe de “abono participativo”. Observase também, no procedimento em questão a autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste ponto, considerase instaurado a possibilidade do contraditório e da ampla defesa, onde com base nos fatos geradores descritos, conseguiu o recorrente defenderse, alegando tratarse de pagamento de PLR, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho. Assim, com base na informações prestadas afasto qualquer alegação de nulidade, posto que devidamente fundamento o credito apurado por meio deste lançamento. QUANTO A NULIDADE PELA CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE AI E NÃO NFLD Quanto a nulidade de que a constituição do crédito, deverseia ser realizada por meio de NFLD, e não AI, o que importaria nulidade do lançamento, entendo que a autoridade julgadora, bem esclareceu não existir nulidade também neste ponto, razão porque transcrevo o voto para adotar como razões de decidir: De fato, a Lei nº 8.212/91 dispunha em seu artigo 37 que: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Extraise desta disposição que o lançamento das contribuições previdenciárias deveria ser formalizado por meio de notificação fiscal, que a legislação infralegal veio definir especificamente como Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. Entretanto, referido artigo foi modificado, primeiro, pela Medida Provisória nº 449, de 2008, passando a ter a seguinte redação: Art.37.Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) E na conversão da referida MP na Lei nº 11.941, de 2009, a redação do artigo foi novamente modificada, passando hoje, e à época do presente lançamento, a ter a seguinte redação: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Como se vê, foram duas as principais alterações neste artigo da Lei nº 8.212/91, em primeiro lugar, a lei passou a prever que a constituição dos créditos tributários previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais ou acessórias, fosse efetivado por meio de Auto de Infração ou de Notificações de Lançamento. Além disso, foi suprimida a indicação de que essa formalização fosse feita de forma clara e precisa, o que evidentemente não retira essa obrigatoriedade, apenas deixa de constar expressamente na norma legal. E essas modificações tiveram por motivação as alterações introduzidas pela Lei n º 11.457/2007 que, ao criar a Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, determinou em seu artigo 2º, (...) (...)Desta forma, desde a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, a constituição e exigência das contribuições previdenciárias passou a ser regida pelo Decreto nº 70.235/72, uniformizando os procedimentos antes aplicáveis às contribuições previdenciárias, àqueles já aplicados para todos os demais tributos administrados pela extinta Secretaria da Receia Federal SRF. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO As questões alusivas ao mérito, trazidas pelo recorrente possuem pertinência direta com a preliminar de nulidade apreciada. QUANTO AO RAT As alegações do recorrente quanto a diferença de RAT, diz respeito basicamente ao fato que não houve mudança na legislação que justificasse a diferença, de 1% para 3%, posto que as atividades exercidas pelos empregados sempre foram as mesmas, tratandose basicamente atividades burocráticas que de forma alguma justificam o percentual mais elevado. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 6 11 Contudo, ao contrário do que alega o recorrente equivocado era seu entendimento quanto ao enquadramento no RAT, uma vez que a legislação, de acordo com a atividade exercida pela empresa (ou equiparada), é que determinará qual será o percentual de recolhimento. Existe expressa previsão para cobrança da diferença de alíquota, tendo em vista que à época da ocorrência dos fatos geradores a legislação (Decreto 6.042/2007) fazia expressa previsão que as atividades de organizações sindicais (94201/00) determinava o percentual de 3%. Dessa forma, no que tange a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os termos regulados na Lei n ° 8.212/1991 e Decreto 3.048/99, com as respectivas alterações, inclusive do citado decreto 6.042/99. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança da diferença de alíquota RAT, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 Fl. 194DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto . A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 7 13 § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Dessa forma, o auditor simplesmente observou a atividade desempenhada de acordo com o anexo V do Decreto 3.048/99, não havendo o que ser questionado a respeito. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, observando que os recolhimentos não correspondiam a totalidade do fatos geradores descritos em folha de pagamento, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 QUANTO AO ABONO PARTICIPATIVO Quanto a alegação de “IMPROPRIEDADE DA DENOMINAÇÃO DA PARCELA REMUNERATÓRIA. Por erro do setor de recursos humanos foi atribuída à referida rubrica de pagamento a designação imprópria de ABONO PARTICIPATIVO. Na verdade, o referido, pagamento deveria ser designado como "PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS", nos termos previstos pela Constituição Federal e pela legislação infraconstitucional”, a questão também foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora, posto que entendo como já afastado em sede de preliminar que não existiu qualquer nulidade. Conforme descrito anteriormente, a nomenclatura adotada pelo recorrente de “abono participativo” possui evidente natureza salarial. Contudo, ao trazer aos autos documentos para comprovar que a nomenclatura adotada não dizia respeito ao pagamento de abono propriamente, mas de distribuição de lucros e resultados, entendo que compete ao recorrente demonstrar o cumprimento de todos requisitos, para que dita verba seja excluída do conceito de salário de contribuição. Assim, vale destacar trecho do voto da autoridade julgadora de primeira instância que apreciou o cumprimento dos dispositivos legais para o pagamento de PLR: E da transcrição do artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 feita pela impugnação e acima reproduzida extraímos que para que tais participações não integrem o salário de contribuição das contribuições previdenciárias (a base de cálculo das contribuições previdenciárias), elas devem ter sido fixadas em negociação entre a empresa e seus empregados e registradas em Convenção ou Acordo Coletivo. Às fls. 74 a 99 dos autos temos anexados os Acordos coletivos relativos aos Programas de Participação nos ResultadosPPR ´s, relativos os anos 2009 (fls 74 a 79), 2007 (fls. 80 a 84), 2006 (fls. 85 e 86 e fls. 87 a 92) e 2005 (fls. 93 e 94 e fls. 95 a 99). De pronto já podemos indicar que relativamente ao PPR do ano de 2008, não há como aferir se os pagamento foram efetuados em conformidade com a legislação uma vez que não há nos autos documentos relativos ao PPR de 2008. ACORDO DE 2008 Conforme descrito pela autoridade julgadora no ano de 2008, não fez a empresa qualquer prova da existência de acordo ou convenção, inclusive não rebateu ou trouxe qualquer outra alegação, razão porque não há de ser feito qualquer reparo na referida Decisão. Segue continuação do trecho da Decisão que apreciou os demais documentos trazidos aos autos. Quanto a referidos Acordos estarem de acordo com a legislação específica, vemos no artigo 2º, §1º, da lei 10.101/2000, que as regras relativas à fixação das referidas participações dos empregados no resultado da entidade devem estar registradas clara e objetivamente no Acordo coletivo, ... inclusive os mecanismos que serão utilizados para aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo... ”. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 8 15 Sem entrar no mérito quanto à clareza e/ou objetividade dos critérios fixados nos acordos, é certo que excetuado o acordo relativo ao ano de 2005 (fls. 93 a 99), nenhum outro acordo está instruído com os mecanismos e critérios que serão utilizados para as aferições pertinentes, ou seja, os acordos dos anos 2006, 2007 e 2009 juntados aos autos não satisfazem à legislação específica. E vejase que sequer estamos questionando aqui a clareza e/ou objetividade de tais critérios. Simplesmente tais critérios não constam dos Acordos trazidos aos autos. QUANTO AOS ACORDOS DE 2006 A 2009 Assim, como descrito acima, a autoridade julgadora ao apreciar os referidos acordos, FL. 74 a 90 observou que apear de referirse a metas que seriam estipuladas não foi anexado qualquer demonstrativo de metas e resultados. Notese que neste ponto também não realizou o recorrente qualquer contestação dos termos trazidos pela autoridade julgadora, nem tampouco anexou qualquer documento novo para comprovar suas alegações, razão porque também não lhe confiro razão neste ponto. ACORDO PARA O ANO DE 2005 Por fim, convém apreciar o acordo para o ano de 2005. A fim, de apreciar os argumentos trazidos pelo recorrente e rebatidos pela autoridade julgadora, transcrevo novamente trecho da decisão Quanto ao acordo relativo ao PPR do ano 2005, temos às fls.97, 98 e 99, três quadros relacionando as metas Globais (fl. 99), Regionais (fl. 98) e individuais (fl 97) a serem atingidas, mas não há nos acordos de fls. 93 a 95, nenhuma indicação de como referidas tabelas devem ser utilizadas para apurar o cumprimento das referidas metas que, digase, não são auto aplicativas. E sem a indicação seja dos quadros com as metas, seja da forma como tais metas serão aferidas, não há condições de se aferir se os pagamentos efetuados foram feitos de acordo com os referidos Acordos ou mesmo se estes atendem à legislação de regência. E se não há condições para tanto, é certo que tais acordos não se prestam para que os valores distribuídos a título de participação nos resultados sejam excluídos do salário de contribuição nos termos da alínea “j”, do §9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, restando correta a interpretação da Fiscalização que considerou referidos pagamentos como base de cálculo de contribuições previdenciárias e sobre eles constituiu o crédito tributário devido. Além e ao lado disso, tenho ainda mais um questionamento a ser colocado quanto a estas distribuições de participação nos resultados pelo Sindicato a seus empregados por um motivo que me parece simples: a natureza jurídica do Sindicato não permite, a princípio, uma distribuição destas! Fl. 198DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 É certo quer a entidade sindical é uma entidade sem fins lucrativos e que é constituída para defender os interesses de seus associados, nunca de auferir lucros ou sobras sobre as contribuições que arrecada de seus filiados. Referidas contribuições, inclusive, sempre devem ser em montante tal que possibilite ao Sindicato cumprir com suas atribuições estatutárias conforme as diretrizes fixadas por seus associados e só, sem sobrar, sem ônus excessivo a cada associado. Estou querendo indicar, com isso, que não é da natureza de um Sindicato auferir LUCROS ou mesmo sobras de arrecadação. Estas, quando ocorrerem devem, a princípio, ser revertidas ao próprio sindicato ou a cada um de seus associados prioritariamente e, somente com autorização destes mesmo associados, é que se poderia cogitar de tais valores virem a ser distribuídos aos empregados do Sindicato. Não vou aqui questionar a existência de deliberações da categoria a respeito pois, me parece, se o fizesse estaria extrapolando minha competência de julgador para invadir o campo das atribuições da Fiscalização, mas não posso deixar de registrar que, a princípio, não vejo como possível uma distribuição de resultados tal como a pleiteada pela defesa como justificadora da não tributação dos pagamentos efetuados a título de Abonos Participativos. Notese que novamente não trouxe o recorrente qualquer fato novo ou mesmo rebateu qualquer do argumentos trazidos na Decisão de Primeira instância, razão porque não lhe atribuo razão também nesse ponto. Outro ponto que entendo pertinente diz respeito a dita correlação entre o acordo e o pagamento do abono participativo. No caso, ao apreciar o acordo de 2005, além de concordar com a autoridade julgadora, não consegui detectar correlação entre o dito abono e o pagamento da PLR. No acordo colacionado aos autos não consta a nomenclatura abono, sendo que a simples alegação de que se trata da mesma verba não é suficiente para refutar o lançamento das contribuições em questão. Compete a empresa que utilizou a “nomenclatura abono” dita como indevida, comprovar suas alegações, por meio da demonstração que os pagamentos realizados por meio de abonos são na verdade PLR, o que entendo não restou demonostrado. Face todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 199DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720311/201036 Acórdão n.º 240102.124 S2C4T1 Fl. 9 17 Fl. 200DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13362.000560/2005-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato
constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.846
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente
o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13362.000560/200510 Acórdão n.º 920201.846 CSRFT2 Fl. 157 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Redator Designado EDITADO EM: 14/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (conselheiro convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 210200.571, da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (fls. 89 a 94v), julgado na sessão plenária de 16 de abril de 2010, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, considerando possível a dedução de área de reserva legal, averbada no registro de imóvel após a ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR no exercício de 2001. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA NO CRI NO CURSO DO EXERCÍCIO FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13362.000560/200510 Acórdão n.º 920201.846 CSRFT2 Fl. 158 3 Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei n° 9.393/96 nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (fls. 97 a 139), onde defendeu a necessidade da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou o seguinte paradigma: Acórdão no 30335.538 Ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL.AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA. A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 141 e verso. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 145 a 154), onde afirma que o acórdão recorrido segue a linha de raciocínio lógicojurídico predominante sobre a matéria, o qual sinaliza no caminho da desnecessidade da averbação da reserva legal em data anterior ao fato gerador do tributo rural para que o contribuinte goze da isenção de tal gleba. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da necessidade de averbação tempestiva no registro de imóvel para se permitir a dedução de área de reserva legal da base de cálculo do ITR no exercício de 2001. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13362.000560/200510 Acórdão n.º 920201.846 CSRFT2 Fl. 159 4 Sobre o tema, esclareçase que a reserva legal tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1o de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. Na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de reserva legal foi averbada no registro de imóveis em 21/06/2001 (fl. 44), posteriormente à ocorrência do fato gerador, em 01/01/2001, mas anteriormente ao início da ação fiscal, que se deu em 09/09/2005 (fls. 10 a 11). Particularmente, entendo que, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §2o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Observese que, após as alterações da Medida Provisória nº 2.166 67, de 24 de agosto de 2001, essa exigência passou para o §8o do mesmo artigo. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13362.000560/200510 Acórdão n.º 920201.846 CSRFT2 Fl. 160 5 Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. No presente caso, com a averbação intempestiva da área de reserva legal, não é possível se admitir sua dedução da base de cálculo do ITR. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa da dedução da área de reserva legal de 2.271,5 ha. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13362.000560/200510 Acórdão n.º 920201.846 CSRFT2 Fl. 161 6 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre Conselheiro Relator, somente no que diz à exigência da averbação da área de reserva legal – a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei nº 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13362.000560/200510 Acórdão n.º 920201.846 CSRFT2 Fl. 162 7 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso comprovado posteriormente a falsidade das declarações. Por seu turno, a Lei nº Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: .................... § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). .............. Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13362.000560/200510 Acórdão n.º 920201.846 CSRFT2 Fl. 163 8 permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Assim mantenho o acórdão recorrido, por entender que a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de ITR. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13161.720034/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ
Anos-calendários: 2004 e 2005
IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE RECEITAS.
CUSTOS. COMPRAS NÃO COMPROVADAS. A não comprovação das
compras não autoriza o arbitramento do lucro, considerando que a falta de pagamento enseja tão somente a glosa do respectivo valor informado na DIPJ como custo dos bens e serviços vendidos, na proporção em que reduziu o lucro liquido do período de apuração do imposto.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONDUTA DOLOSA NÃO COMPROVADA.
Não provado nos autos o evidente intuito de fraude, ou que a conduta dolosa do sujeito passivo não se subsume aos ilícitos de que cuidam os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, não ha motivação para a imposição da multa de oficio qualificada no percentual de 150,0%.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
Desqualificada a multa de oficio, a contagem do prazo decadencial se desloca do art. 173, inciso I, do CTN, para a regra inscrita no § 4º do art. 150, do CTN, considerando-se como dies a quo a data da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições lançados por homologação, cujos pagamentos foram antecipados pelo sujeito passivo.
CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida em
relação ao lançamento de oficio do IRPJ, se estende As exigências fiscais dele decorrentes, dada a relação direta entre causa e efeito das autuações da CSLL, do PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 1101-000.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e, por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa que negava provimento ao recurso voluntário. Fará declaração de voto o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE RECEITAS. CUSTOS. COMPRAS NÃO COMPROVADAS. A não comprovação das compras não autoriza o arbitramento do lucro, considerando que a falta de pagamento enseja tão somente a glosa do respectivo valor informado na DIPJ como custo dos bens e serviços vendidos, na proporção em que reduziu o lucro liquido do período de apuração do imposto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONDUTA DOLOSA NÃO COMPROVADA. Não provado nos autos o evidente intuito de fraude, ou que a conduta dolosa do sujeito passivo não se subsume aos ilícitos de que cuidam os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, não ha motivação para a imposição da multa de oficio qualificada no percentual de 150,0%. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. 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Fará declaração de voto o Conselheiro Benedicto Celso Benicio JúniaELS /11- Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo „ Conselheiro João Carlos de Figueiredo o „ .. VALMAR FONSE DE NEZES - Presidente. JO 4 1 SILVA - R ator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Benedicto Celso Benicia Júnior, José Ricardo da Silva (Vice-Presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. 9 Relatório Cuida-se de lançamento de oficio de IRPJ, anos-calendário 2004 e 2005, e tributação reflexa da CSLL, do PIS e da COFINS, baseado no arbitramento do lucro das receitas escrituradas no Livro Razão, por entender que a falta de comprovação de pagamento das compras no período, tornou-se impossível a apuração dos custos das mercadorias. Conforme Relatório Fiscal (fls. 459/467), iniciado os procedimentos de fiscalização, a Recorrente foi intimada a apresentar cópia do Balanço Patrimonial e do Resultado Econômico, Livro de Registro de Apuração do Lucro Real — LALUR, cópia do contrato social e alterações e a cópia do documento de identidade dos sócios, os quais foram apresentados no dia 16/06/2008 (fls. 8/41). No dia 09/06/2009, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal 001 (fls. 43, v. 1), a fim de solicitar a Recorrente a apresentação i) dos comprovantes de todos os pagamentos • realizados a empresa GLOBO AGRICOLA, CNPJ 06.048.586/0001-40, nos anos-calendário de 2004 e 2005, ii) do livro razão e iii) cópia do Ultimo balanço patrimonial elaborado pela empresa. Em resposta, consta que a Recorrente solicitou prorrogação do prazo em 30 dias, para que pudesse atender A. intimação (fls. 45, Vol. I), tendo a autoridade fiscal deferido seu pleito (fls. 46, Vol. I). Transcorrido o prazo concedido, somente foram atendidos os itens "ii” e "iii", sob a justificativa de que o volume de documentos a serem pesquisados eram grandes em face da pequena quantidade de funcionários disponível para o serviço, o que exigiria a concessão de mais 30 dias para seu cumprimento (fls. 48/49, v. 1), o qual foi indeferido pela autoridade fiscal (fls. 50, Vol. I), que providenciou sua reintimação (fls. 52, v. 1). Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal 002 (fls. 54, Vol. I), a autoridade autuante solicitou a Recorrente o extrato de conta corrente e aplicações financeira, e em virtude de seu não atendimento, procedeu sua reintimação em 09/02/09 (fls. 56, Vol. I), o qual, novamente, não foi atendido. Frente a omissão da Recorrente, con figurou-se a situação prevista o inciso do art. 33, da Lei 9.430/96, o que autorizou a Requisição de Movimentação Financeira, nos termos do inciso VII, do art. 3 0, do Decreto 3.724/01 (fls. 58/76, Vol. I). Processo n0 13161.720034/2009-60 • AcOrdao n.° 1101-00.655 Ao final, solicitou a Recorrente, através do Termo de Intimação Fiscal 003 (fls. 77, Vol. I), a apresentação de: i) livro registro de entradas, ii) livro registro de saídas, iii) livro registro de apuração do ICMS, iv) livro diário e v) notas fiscais de entrada das compras realizadas da empresa GLOBO AGRICOLA LTDA — ME, CNPJ 06.048.586/0001-40, sendo que a apresentação, dos itens i ao iv somente foram atendidas após reintimação fiscal (fls. 79, Vol. I), com total omissão ao item v. Da análise da documentação angariada durante os procedimentos, a fiscalização constatou que a maior fornecedora da Recorrente era à empresa GLOBO AGRICOLA LTDA — ME, CNPJ 06.048.586/0001-40, que detinha 80% de suas compras, apesar de seu capital integralizado, seus bens e de seus sócios, além de suas Declarações de Renda demonstrarem que ela não possuía capacidade econômica e operacional compatível com o volume das transações comerciais que mantinha com a fiscalizada., conforme cópias do Livro de Registro de Entrada (Anexo I e II do autos). Consta do Relatório Fiscal que, após cotejar o extrato das contas bancárias e aplicações financeiras da Recorrente, fornecidos pelas instituições financeiras por intermédio da Requisição de Movimentação Financeira — RME, com os registros contábeis, foi verificado que a Recorrente não registrou na conta bancos a movimentação financeira ocorrida no ano- calendário de 2004, mas apenas três lançamentos dos saldos existentes em conta corrente do Banco Sicredi Centro Sul, Banco Itaii S.A e Banco Sudameris S.A, foram registrados no ano- calendário de 2005. As infrações foram descritas e capituladas no Auto de Infração com o seguinte desdobramento: 001 - Receita Operacional Omitida (Atividade Não Revenda de Mercadorias Enquadramento legal: art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR /1999. 41, 002 - Receita Operacional Omitida (Atividade Não Prestação de Serviços Gerais Enquadramento legal: art. 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR /1999. 0 contencioso administrativo foi instaurado em 20/07/2009, com a apresentação da Impugnação (fls. 135/232), cujos argumentos se seguem: a) por se tratar de zona rural o local onde fica a sede da Recorrente, as correspondências são encaminhas a uma caixa postal em uma das agências dos correios no município de Dourados/MS; b) em vista deste fato, somente tomou conhecimento do Termo de Intimação Fiscal 002 no dia 05/12/2008, sexta-feira, e, como o horário de retirada da correspondência já ultrapassava o horário de funcionamento das agências A ;1-5 bancárias, não foi possível procurá-las naquele mesmo dia para solicitar os documentos requeridos; c) somente no dia 08/12/2008, segunda-feira, é que a Impugnante pôde ir aos bancos solicitar a documentação, contudo as agências haviam-lhe informado que o prazo mínimo para entrega dos extratos era de 30 dias; d) ao procurar o Sr. Auditor e informar o prazo concedido pelos Bancos para fornecer os extratos, ele simplesmente havia dito que o problema era da empresa com o banco, e que caso este não o fornecesse os documentos, que a Recorrente tomasse as medidas cabíveis, pois o prazo concedido não seria prorrogado; e) no dia 09/02/2009 foi reintimado para, em 3 dias, apresentar os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal 002, mesmo sabendo que não seria possível; quando o auditor requisitou as informações diretamente ao Banco Sudameris em 16/02/2009, o atendimento a elas somente se deu no dia 18/03/2009, ou seja, exatamente 30 dias após a solicitação; g) o não cumprimento da intimação deu-se exclusivamente por culpa do próprio fisco que, mesmo sabendo que seria insuficiente o prazo concedido para apresentar as documentações solicitadas, não concedeu dilação do prazo; h) a vista de todos estes fatos, o Sr. Auditor considerou que a Recorrente estava causando embaraços a fiscalização, enquadrando-a no regime especial de fiscalização previsto no art. 33 da Lei 9.430/96; i) o relatório que justificou o enquadramento da Recorrente no referido regime limitou-se a informar que havia intimado-a em 11/12/2008 e em 09/02/2008, sem fazer constar quais foram os prazos concedidos em uma e outra intimação; j) no dia 22/04/09 recebeu o Termo de Intimação Fiscal 003, onde foi solicitado, em 5 dias, relativamente aos períodos de apuração de 01/2004 a 12/2005, os livros de Registro de Entradas, de Saídas, de Apuração do ICMS, Diário e Notas Fiscais de Entrada das compras realizadas da empresa Globo Agricola Ltda, CNPJ 06.048.586/0001-40; k) no mesmo dia que recebeu o Termo de Intimação Fiscal 003, também recebeu o Termo de Reintimação Fiscal 001, que a intimava a apresentar, em 5 dias, todos os livros, documentos e comprovantes solicitados através do Termo de Intimação Fiscal 003 lavrado e não atendidos até aquela data, sob pena de ter seu lucro arbitrado, nos termos do art. 530 do RIR/99; 1) que os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal 003 foram apresentados no dia 28/04/09, contudo, por equivoco deixou de apresentar os documentos do item 5; m) da mesma forma que a Recorrente errou ao deixar de entregar os documentos do item 5, a Fiscalização também errou ao não expedir novo 4 Processo n° 13161.720034/2009-60 il-C1T1. Acórclao n.° 1101-00.655 Fl. 3 Termo de Reintimação Fiscal solicitando os documentes faltantes, que inclusive esta prevista no §2° do art. 928 e art. 968 do RIR/99; n) que os valores lançados pela fiscalização nas colunas relativas a "Compras Total Geral" de 2004 e 2005 possuem discrepância entre os valores lançados e aqueles constantes dos livros de entrada, que serviram de fonte para os lançamentos; o) para os anos-calendário de 2004 e 2005 foi lançado os valores de R$ 285.751,80 e R$ 1.856.875,97, respectivamente, enquanto os valores reais que, inclusive, constam nos Livros de Entrada, são menores; p) que estes fatos reforçam a necessidade de uma perícia técnica, cujo requerimento se faz; • q) o auto de infração é nulo por não ter concedido prazo razoável para o cumprimento das intimações realizadas, além de que, a forma como o auditor teve acesso as informações protegidas pelo sigilo bancário foram ilegais, não podendo ser utilizados como prova; r) realmente a Globo Agricola Ltda era uma das principais fornecedoras da Recorrente, razão pela qual era grande o volume financeiro movimentado entre ambas; s) que por este fato solicitou a prorrogação de prazo para apresentar os comprovantes de todos os pagamentos realizados a Globo Agricola Ltda, o qual foi indeferido pela Fiscalização, conforme Comunicado 002; t) ao indeferir a prorrogação do prazo, o Sr. Auditor inviabilizou a apresentação dos documentos solicitados, não proporcionando prazo coerente e razoável para seu cumprimento; u) após o indeferimento, o Sr. Auditor ainda levou 7 meses para concluir a fiscalização; v) com o indeferimento, acreditou que não poderia mais apresentar os documentos solicitados, o que a levou à abandonar as busca junto ao seus arquivos; w) no dia 24/11/2008 recebeu Termo de Reintimação Fiscal 001, para que apresentasse os comprovantes de pagamentos a empresa Globo Agricola Ltda. em 5 dias; x) que a atitude da fiscalização foi contraditória, pois levou a Recorrente a crer que não poderia mais apresentar os documentos outrora solicitados, o que a fez abandonar a busca pelos mesmos, tendo posteriormente os solicitado novamente, para serem entregues em 5 dias, tempo esse exíguo; y) somente conseguiu juntar os documentos solicitados pela fiscalização com sua Impugnação após contratar 10 funcionários, que trabalharam em turnos ininterruptos de 15 horas por dia, desde a data da intimação do auto de NN1 infração, em escala de revezamento; z) caso o Sr. Auditor tivesse dispensado a parcimônia e respeitado os ditames legais, os documentos ora apresentados teriam chegado em suas mãos, o que evitaria alegações infundadas com as que ora são objeto de contestação; aa) não subsiste a alegação da fiscalização, de que não foram apresentadas as notas fisicas de entrada das referidas mercadorias, haja vista que isto ocorreu por equivoco no protocolo dos documentos solicitados; bb) praticamente não houve reintimação da Recorrente para apresentar as notas fiscais de entrada de mercadorias, haja vista que tal reintimação foi recebida juntamente com a própria intimação, tornando-a, assim, sem qualquer efeito, já que não poderia adivinhar que cometeria o equivoco em seu protocolo; cc) desta forma, não se pode concluir que foi dado ampla oportunidade a Recorrente para apresentar documentos que atestassem a idoneidade da escrituração contábil apresentada; dd) que nunca manteve qualquer tipo de contato com a fornecedora Globo Agricola Ltda., que não fosse de caráter estritamente comercial; ee) que os sócios da Recorrente não são sócios da Globo Agricola Ltda., bem como não tem nenhum parente ou amigo que façam parte de seu quadro social; ff) que o Auditor não juntou aos autos qualquer prova de que a Globo Agricola Ltda. era uma "empresa de fachada", cujo escopo era dissimular os negócios realizados pela Recorrente; gs) da mesma sorte, não há nos autos qualquer prova que demonstre que a Recorrente agiu em conluio com a fornecedora Globo Agricola Ltda., para realizar qualquer tipo de fraude; hh) o fato da Globo Agricola Ltda. não possuir capacidade econômica e operacional compatíveis com o volume financeiro das transações comerciais realizadas — afirmações estas lançadas pelo Auditor -, não é de responsabilidade da Recorrente; ii) que não é da responsabilidade da Recorrente verificar se seus fornecedores apresentam, ou não, declarações de imposto de renda na modalidade simples ou completa e menos ainda, se esta possui bens ou capital suficiente para lastrear suas operações; ii) quanto ao mérito das movimentações financeiras, afirma que as mesmas foram devidamente descritas nos Livros Razão apresentados, cujo embasamento das informações estão consolidadas nos documentos anexados a sua Impugnação, tais como notas fiscais e comprovante de pagamentos; 6 IS1-C1T1 4 Processo n° 13161.720034/2009-60 Acórdão n.° 1101-00.655 kk) que é comum, neste tipo de atividade, as empresas adquirirem judo ao produtor o direito de negociar seus produtos (cereais), ficando assim determinada quantia de determinado produto (soja, milho, arroz, etc. ...), armazenada nos locais de propriedade do próprio produtor ou naqueles por ele indicados, para que, somente após a efetivação dos negócios estes sejam retirados; 11) o pagamento do comprador diretamente ao produtor somente é efetividade quando hi a revenda do produto; mm) que adquiria o produto da empresa Globo Agrícolas Ltda., através de contrato de compra e venda, e esta indicava e autorizava a retirada (embarque) do produto, cujo pagamento era feito diretamente ao produtor, com autorização expressa da empresa Globo Agricola Ltda.; nn) que nunca teve acesso à forma como eram feitos os negócios entre o produtor e a Globo Agricola Ltda., bem como com seus demais produtores; oo) os valores das Notas Fiscais, lançados nos livros razão, não coincidem com os extrato bancários porque os pagamentos eram feitos a terceiros (produtores), com autorização do fornecedor; pp) em determinadas circunstancias, a fornecedora acumulava vários pagamentos, feitos pela Recorrente a seus produtores, e emitia uma única nota fiscal; qq) pautado nestes argumentos, realmente não ha como os lançamentos nas contas bancárias coincidir com as notas fiscais, mas que isto não pode significar que os lançamentos constantes no Livro Razão não refletem a realidade das transações; rr) se alguma fraude a Recorrente houvesse praticado, como descrita nos autos de infração, não haveria registrado em seus livros as transações com a empresa Globo Agricola Ltda., deixando assim de recolher qualquer imposto vinculado a tais transações; ss) repisa no argumento de que não entregou os documentos exigidos pelo fiscal somente pela intransigência deste, que não concedeu prazo adequado, o que afasta a incidência da multa de oficio no percentual de 150%; if) cita decisões administrativas que não admitem lançamento baseado exclusivamente em extratos bancários, Acórdãos 108-05.981, 04-17.152 e CSRF no 01-02.932; uu)afirma que com os documentos apresentados junto a sua Impugnação, caem por terra a fundamentação utilizada para arbitrar seu lucro; • vv)que a jurisprudência administrativa é firma ao considerar o arbitramento, de lucros medida extrema que somente pode ser adotado como ultimo '‘.,. recurso, conforme entendimento exarado no Acórdão CSRF/01-04.557, ww) que a fiscalização não advertiu a Recorrente, por escrito, sobre sua resistência na entrega dos documentos solicitados, menos ainda demonstrou sua recusa, a fim de justificar o arbitramento do lucro; xx)que nos períodos em que houve lucro o arbitramento ocorreu em valores superiores ao lucro liquido, configurando um verdadeiro confisco ao patrimônio e ao próprio rendimento, conforme se verifica dos dados contábeis e fiscais, devidamente escriturado nos anos de 2004 e 2005, onde seu lucro liquido positivo foi de R$ 265.775,95 e R$ 315.480,66, respectivamente, enquanto é compelida a pagar um crédito tributário de R$ 5.506.341,96 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, mais juros e multa que, somados, chegam a cifra de R$ 16.900,486,86; yy)também foi incluído como acessórios a cobrança do PIS, COFINS e CSLL, que elevou o total do auto de infração, relativo aos anos-calendário de 2004 e 2005 para R$ 50.534.295,40; zz) informa que uma saca de soja cujo valor é de R$ 42,50, valor este relativo ao dia 17/07/2009, rende um lucro de R$ 0,40, o que representa 1% do valor; aaa)em contrapartida, o índice de lucratividade utilizado no arbitramento é superior a realidade; bbb) mesmo que alguma falha na escrituração realmente tivesse sido constatada, deveria a fiscalização ter requerido a atualização da contabilidade, conforme decidiu o Conselho de Contribuintes no Acórdão 103-16.643; ccc) alega que a fiscalização, ao não conceder prazos razoáveis e confundir a Recorrente com Termos de Reintimação enviados juntos com a própria intimação, bem como dizendo que não iria prorrogar o prazo e em seguida (Id um novo prazo para a entrega das documentações solicitadas ofendeu o principio da moralidade administrativa, o que obriga a anulação dos autos de infração, nos termos do art. 114 da Lei 8.112/90 e súmulas 346 e 473/STF; ddd) para a utilização da técnica de arbitramento de tributo é imperioso que o resultado da omissão ou do vicio da documentação implique completa impossibilidade de descoberta direta da grandeza manifesta pelo fato jurídico, não podendo a fiscalização se deter a uma provável impossibilidade de descoberta da verdade material; eee) a utilização do art. 148 do CTN para justificar a ocorrência ficta de fatos geradores, bem como de suas bases de calculo ou valores é um erro grave, conforme se depreende da Súmula 76/TFR; fit) somente se pode invocar o art. 148 do CTN quando o sujeito passivo for omisso, reticente ou mentiroso em relação a valor ou prego de bens, direitos, serviços, o que não ocorreu no caso vertente, o que afasta seu 8 Processo n° 13161.720034/2009-60 Sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.655 I arbitramento, conforme entendimento exarado no REOLAC 2001.04.01.036544-1 — SC, TRF4 e Processo n° 105-12.987, 1° CC/Federal — 5' Camara; ggg) que a prova direta deve ser buscada a todo instante pelo fisco, e que somente na impossibilidade desta e diante da inexistência ou existência viciada das declarações e informações prestadas pela Recorrente, após frustrada e exaustiva fiscalização, a prova indiciaria torna-se instrumento de plena eficácia para a sustentação do ato administrativo de lançamento, o que não ocorreu no presente caso, em que houve o arbitramento; hhh) a autoridade julgadora, ao decidir, deve se munir de todos os elementos materiais possíveis, mesmo que desfavoráveis ao fisco, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, moralidade, verdade real, ampla defesa, segurança jurídica e etc.; iii) se no curso do prazo para impugnar o auto de infração a Recorrente apresentou declaração de renda formada a base de escrituração regularizada, é incabível a sustentação, pura e simples, o lançamento por arbitramento antes efetuado, conforme entendimento exarado pelo TRF4 na AC 92.04.354751RS; jjj) que o art. 148 do CTN permite ao sujeito passivo a produção de todas as provas indispensáveis a demonstração de que o arbitramento lhe é nocivo, e que a jurisprudência reconhece esse direito, conforme decidiu o TJSC na AC 97.004407-0; klck) a analise dos documentos anexados e a perícia necessária — que ora se requer - demonstrará que nos anos-calendário 2004 e 2005, em que houve lucro, a sua grandeza é menor que a arbitrada pela fiscalização, sendo o 1RPJ decorrente diferente do exigido no auto de infração; 111) que o direito pátrio veda o confisco, contudo, a fiscalização, ao realizar o arbitramento, o concretizou; mmm) indica perito e formula quesitos a serem respondidos, conforme consta das fls. 229/231, v. 7; A 2a Turma da DRJ/CGE, ao apreciar o mérito, julgou o crédito tributário procedente em parte, conforme Acórdão n° 04-19.505, sessão de 28/01/2010, como se verifica de sua ementa: ASSUNTO: lAVOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. 9 41•• Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFICIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de oficio instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas a p21-098ossivel constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA QUALIFICADA DE 150%. DOLO. REQUISITO. A multa qualificada de 150% deve ser aplicada nas hipóteses em que ocorrer fraude, dolo ou simulação, entendidas essas sempre como ações ou omissões dolosas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. BASE DE CÁLCULO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado a tributação com base no lucro real, não apresentar os documentos de sua escrituração, notadamente as notas fiscais de entrada necessárias para a comprovação do custo das mercadorias vendidas. Legitimado o arbitramento do lucro, este será determinado pela autoridade lançadora mediante a aplicação dos percentuais fixados nas normas legais especificas sobre a receita bruta conhecida. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENT° CONDICIONAL. Presentes, no ato de lançamento, os pressupostos legais que autorizam o arbitramento do lucro, não se pode descaracterizá- lo, na fase de impugnação, em virtude de ter trazido as notas fiscais de compras e comprovantes de pagamento a fornecedor, documentos estes que não foram apresentados à fiscalização, a despeito das diversas oportunidades concedidas para a sua apresentação. Ou seja, inexiste arbitramento condicional, pois o ato de lançamento não é modificável pela posterior alegação de apresentação de documentação, cuja inexistência foi a causa do arbitramento. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. 10 Processo n° 13161.720034/2009-60 Acórdão n.° 1101-00.655 Aplica-se as exigências reflexas o que foi decidido quanto it exigência matriz, devido ci intima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desta decisão, foi apresentado Recurso de Oficio, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, em razão do valor exonerado ser superior ao limite fixado pela Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/02/2010 (fls. 682), e com ela não se conformando, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 683/789), no qual traz a mesma argumentação lançada em sua Impugnação. o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 Recurso de Oficio preenche os requisitos de sua admissibilidade. Recurso Voluntário é tempestivo. Deles tomo conhecimento. Em julgamento nesta via recursal, Recurso de Oficio apresentado pela 2' Turma da DRJ/CGE (fls. 647), em observância ao disposto no inciso I, do art. 34, do Decreto n° 70.235, de 1972, que determina esta providência pela autoridade julgadora de primeira instância sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargo de multa (lançamento principal e decorrentes) de valor total superior a R$1.000.000,00 (hum milhão de reais), fixado pela Portaria MF n° 03, de 2008. Sob julgamento também, Recurso Voluntário (fls. 683/788), interposto pelo sujeito passivo, para reexame da matéria tributária, relativa A. constituição do crédito tributário do IRPJ, anos-calendário 2004 e 2005, e tributação reflexa da CSLL, do PIS e da COFINS, que restou mantido em primeira instância. Para tornar inteligíveis as razões de decidir, os temas em discussão serão abordados nessa ordem. Do Recurso de Oficio. Na parte dispositiva do Acórdão recorrido n° 04-19.505 consta que os membros da 2a Turma de Julgamento da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, acordaram em indeferir o pedido de perícia formulado pela impugnante, rejeitar as preliminares argUidas e, no mérito, julgar procedentes em parte os lançamentos do 1RPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, tab somente para reduzir a multa de oficio para 75%. A r. decisão foi submetida à apreciação do CARF face à exoneração parcial da multa de oficio, em valor superior a R$1.000.000,00 e, nesta instância recursal passo a examinar os fundamentos que embasaram a desqualificação da multa de oficio, imposta pela 11 ■ IL fiscalização ao sujeito passivo, no percentual de 150%, com arrimo no art. 44, inciso II, da Lei\ n° 9.430, de 1996. " No Voto condutor do acórdão vergastado, o d. Relator fez a análise sistemática da legislação de regência de aplicação da penalidade, tendo construido suas razões de decidir nos seguintes termos: importante esclarecer que o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°9.430, de 1996, segundo o qual, nos lançamentos de oficio, será aplicada multa de 150%, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A fiscalização, no Relatório Fiscal (fis. 467), afirmou que representa fraude, tipificada no art. 72 da Lei n°4.502, de 1964, inserir nos livros fiscais e comerciais e nos demonstrativos contáveis elementos não passíveis de comprovação. A contribuinte não apresentou documentos para lastrear a escrituração contábil de compras, referente a dois anos- calendário consecutivos, o que manifestaria a intenção dolosa do agente, o que descartaria a possibilidade de alegação de simples erro. Afirmou ainda que 'foram identificados elementos que apontam para a abertura de uma 'empresa de fachada' com a finalidade de dissimular os negócios realizados pela empresa fiscalizada. A dissimulação é conduta utilizada para ludibriar o Fisco, ocultando o ato ou negócio verdadeiro, e reitera a necessidade de qualificação da penalidade". A interessada contestou a aplicação da multa qualificada , argumentando que não ficou comprovado nos autos o intuito da contribuinte de fraudar o fisco, acentuando que: i) não procedem as ilações do auditor quanto às suas relações com a empresa Globo Agricola, pois eram estritamente comerciais, não tendo qualquer vinculo com ela; não há nos autos qualquer prova que demonstre que agiu em conluio com a fornecedora citada; iii) não é de sua competência investigar a capacidade econômica e operacional da fornecedora, e tampouco verificar a forma de tributação do imposto de renda; iv) não houve em momento algum qualquer tipo de cometimento de fraude, pois todas as informações inseridas nos livros fiscais e comerciais estão devidamente lastradas em documentação idônea. Devido à remissão acima, cabe o exame dos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendaria: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstancias materiais; 11 - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 12 Processo n° 13161.720034/2009-60 Acórddo n.° 1101-00.655 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se vê, para ser aplicada a multa de 150% deve ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964, tendo essas ações ou omissões como características comuns a presença do elemento subjetivo dolo, que não pode ser presumido, mas deve ao menos ser demonstrado ainda que com indícios. No presente caso houve a não apresentação pela empresa das notas fiscais de compras e dos comprovantes de pagamento ci Globo Agricola. As referências do auditor quanto et relação da autuada com a fornecedora Globo Agricola não foram comprovadas com documentos. Diante da ausência de demonstração por parte da autoridade lançadora da qualidade "dolo" em ação ou omissão praticada pela contribuinte, descabe a aplicação da multa de oficio qualificada em 150%. Nesse passo, cabe esclarecer que a improcedência da multa qualificada não torna improcedente todo o lançamento, que foi corretamente formalizado quanto ao arbitramento utilizado. Nesta parte da impugnação, devem-se acatar as alegações da contribuinte, pois a fraude fiscal não pode ser provada apenas com indícios e presunções, mas com base em documentos. A multa de oficio deve ser reduzida para o percentual de 75%. Acerca desta matéria, não há reparos a ser feito no julgamento proferido em primeira instância, vez que a decisão reflete o entendimento deste Conselho Administrativo, assentado na Súmula CARF no 14, cuja observância é obrigatória pela administração tributária federal, nos termos do art. 72 e § 2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009: Súmula CARF n° 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim posto, meu voto é no sentido de negar provimento ao Recurso de Oficio, mantendo-se a decisão a quo que desqualificou a multa de o ficio de 150,0%, reduzindo-a para o percentual de 75,0%, prevista no inciso I, art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Do Recuso Voluntário Desde a instauração deste contencioso administrativo, a Recorrente vem se insurgindo contra a ilegalidade do Auto de Infração por entender que houve a quebra ilegal do 13 sigilo bancário e que a fiscalização não concedeu prazo razoável para a apresentação das Notas Fiscais de Entrada. No mérito, contestou a liquidez e certeza do crédito tributdrio,' , , argumentando diversos pontos da autuação relacionados diretamente com o arbitramento do lucro, que é o cerne da discussão. Para fins de dar andamento ao procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal lançou mão de Requisições de Movimentação Financeiras (RMF), para obtenção dos extratos bancários das contas de titularidade da Recorrente, movimentadas no Banco do Brasil S/A., Banco Rural S/A., Banco Nossa Caixa S/A., Banco Bradesco S/A., Banco Sudameris S/A., Banco Sicredi S/A., e Banco nail S/A., tendo em vista que a mesma, apesar de intimada e reintimada, não os apresentou. Com a razão a contribuinte ao alegar a ilegitimidade deste procedimento, considerando-se que a Suprema Corte se posicionou contraria A. quebra de dados bancários sem o aval do Poder Judiciário, por afronta ao disposto no inciso XII, do art. 5 0, da Constituição Federal, nos termos da decisão proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, sessão de 16/12/2010, nos autos do Recurso Extraordinário n° 389808. Ainda que o acesso do fisco aos extratos bancários da Recorrente tenha ocorrido sem o aval do Poder Judiciário, o Auto de Infração do IRPJ, anos-calendário 2004 e 2005, e tributação reflexa, não é passível de nulidade, vez que a base tributável das exações não foi apurada dos registros feitos nos referidos extratos bancários. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 465), a fiscalização utilizou para o calculo do Lucro Arbitrado os valores escriturados no Livro Razão (fls. 123 a 200 — Vol. I, e fls. 201 a 400 — Vol. II) sob o titulo "vendas de mercadorias", cujos valores contemplam as receitas de revenda de mercadorias declaradas ao Fisco Estadual (fls. 403 a 454 — Vol. III). Os lançamentos de oficio também não são passíveis de nulidade pela não concessão de prazo para que a Recorrente apresentasse as Notas Fiscais de Entrada. A situação alegada não se enquadra em nenhuma das hipóteses de anulação do ato administrativo previstas no art. 59 do Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulamentado pelo Decreto n° 70.235, de 1972, a saber: Art. 59. São nulos: I — os atos e termos lavrados por pessoas incompetentes; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Primeiro, ha que se registrar que os atos administrativos de intimação e reintimação foram lavrados por autoridade competente — Auditor Fiscal, no exercício pleno de suas funções, autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 0140200/00213/08, perfeitamente válido. Segundo, não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois a intimação feita pela fiscalização ocorreu na fase inquisitória, na qual o contribuinte apenas irá interagir com a autoridade fiscal para o fornecimento de documentos solicitados ou para prestar-lhe informações. Nesta fase não há oportunidade para o contraditório e ampla defesa, podendo esse direito ser materializado com a apresentação tempestiva da impugnação, instaurando-se o contencioso administrativo. Assim, afastadas as preliminares de nulidade dos lançamentos, passo a examinar o mérito. 14 Processo n° 13161.720034/2009-60 Acórdão n.° 1101-00.655 A exigência fiscal do IRPJ, anos-calendário 2004 e 2005, e tributação reflexa da CSLL, foi formalizada pelo regime do lucro arbitrado com base na receita bruta conhecida de revenda de mercadorias e da prestação de serviços gerais, por considerar a fiscalização que a escrituração da Recorrente é imprestável para determinação do lucro real, face à não comprovação de aproximadamente 80% do total das mercadorias adquiridas no período e, ainda, em virtude da impossibilidade de identificação da real movimentação financeira da empresa a partir da contabilidade apresentada, o que constitui irregularidade prevista no art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99). Trata-se, em verdade, de glosa dos custos pela falta de comprovação dos respectivos pagamento, segundo se depreende da descrição dos fatos pela autoridade fiscal no Relatório Fiscal (fls. 460), como segue: COMPRAS DE MERCADORIAS Através da análise da conta compras de mercadorias, foi constatado que o principal fornecedor da contribuinte no período fiscalizado foi a empresa GLOBO AGRICOLA LTDA. — ME, CNPJ 06.048.586/0001-40. Referida empresa forneceu mercadorias à contribuinte fiscalizada, respectivamente, no montante de R$ 140.413.646,52 e R$ 59.044.528,54, conforme cópias do Livro de Regime de Entrada, Anexos I e II do presente processo. Para efeito comparativo, os valores das Notas Fiscais de Entradas foram consolidadas por mês e segregados considerando as transações da empresa fiscalizada com a sua principal fornecedora e o total geral do período, conforme demonstrado na tabela 01. TABELA 01— COMPRAS DE MERCADORIAS: ANO-CALENDÁRIO 2004 E 2005 May da Emi„,k, Ano-calendário 2004 Ano-calendário 2005 Globo Agricola 06048586000140 Compras Total Geral Globo Agricola 06048586000140 Compras Total Geral Janeiro - 59. 880, 50 3. 494.19Z54 3. 788.72 1,02 Fevereiro 2.975.297,21 4.516.756.,51 7.564.431,92 10.251.041,20 Março 5.546.678,65 10.796.583,84 13.698.63216 19.585.594,03 Abril 20.296.893,64 21.959.170,15 9.863.388,98 11.804.806,74 Maio 13.552.207,43 14.032.877,65 6.363.664,93 7.098.190,11 Junho 17.037.589,00 17.105.943,66 5.075.322,30 5.947.286,57 Julho 14.679.368,72 14.851.712,35 3.513.464,40 4.127.173,07 Agosto 15.285.348,42 18.583.016,59 6.921.933,81 8.565.082,89 Setembro 10.673.658,34 12.449.593,86 2.549.492,50 5.780.550,69 Outubro 24.954.217,76 25.346.114,82 0,00 6.932.660,34 Novembro 9.179.646,08 9.485.926,21 0,00 6.807.377,33 Dezembro 6.232.741,27 7.848.94208 0,00 3.916.884,17 TOTAL 140.413.646,52 157.036.518,22 59.044.528,54 94.155.368,16 Fonte: Livro de Entrada. Intimada em 08/10/2008 e reitimada em 24/11/2008, a contribuinte NÃO apresentou quaisquer comprovantes dos pagamentos realizados a sua maior fornecedora. Ainda, mesmo após intimação e reitimaçõo fiscal não foram apresentadas nem 15 mesmo as Notas Fiscais de Entrada das referidas compras de mercadorias. As transações realizadas com a referida fornecedora representam cerca de 80% do total de compras da contribuinte no período verificado. A ausência de comprovação de tamanha parcela dos registros de compras de mercadorias, torna, a partir da contabilidade apresentada pelo contribuinte, impossível apurar corretamente o custo das mercadorias vendidas e, por decorrência, o Lucro Real apurado. A fiscalização elaborou também a TABELA 02 — MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA: ANO-CALENDÁRIO 2004 e 2005 (fls. 462), a seguir transcrita, consolidando as informações sobre a movimentação financeira da Recorrente no período. Conforme sua análise, a Recorrente não registra movimento na conta "Bancos", apesar dos elevados valores movimentados, e os lançamentos realizados na conta "Caixa" não tem relação com os valores dos extratos bancários, inclusive, os pagamentos das compras de mercadorias a vista, lançados a crédito da conta "Caixa", não são coincidentes com os pagamentos identificados nos extratos • bancários, concluindo que a contabilidade apresentada não possui lastro em documentação hábil e idônea capaz de sustentar os registros contábeis de compras de mercadorias realizados no período: TABELA 02— MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA: ANO-CALENDÁRIO 2004 E 2005 QUADRO I — DCPMF RESUMO — ANO MOVIMENTAÇÃO 2004/2005 CNPJ / Nome Empresarial da Instituição Movimentação 2004 Valor 00.000.000/0001-91 / BANCO DO BRASIL SA. 16.957.452,58 33.124.959/0001-98 / BANCO RURAL SA. 5.470.778,83 43.073.394/0001-10 / BANCO NOSSA CAIXA SA. 91.699,56 60.746.948/0001-12 / BANCO BRADESCO SA. 127.299.358,51 60.942.638/0001-73 /BANCO SUDAMERIS BRASIL SA. 1.698.555,12 CNPJ / Nome Empresarial da Instituição Movimentação 2005 Valor 00.000.000/0001-91 / BANCO DO BRASIL SA. 3.854.718,36 26.408.161/0001-02 / SICREDI CENTRO-SUL - MS 2.438.625,35 33.124.959/0001-98 / BANCO RURAL SA. 184,13 60.701.190/0001-04/ BANCO ITAII SA. 1.395.480,03 60.746.948/0001-12 / BANCO BRADESCO SA. 101.589.294,32 60.942.638/0001-73 / BANCO SUDAMERIS BRASIL SA. 536.134,15 Fonte: CPMF Examinado o Livro Razão, a autoridade fiscal apurou que no período fiscalizado, a Recorrente registrou compras de mercadorias nos valores de R$ 139.871.369,96 e R$ 80.419.461,40, sendo que no ano-calendário de 2004, aproximadamente 2% das compras foram a prazo, e o restante à vista, e nessa modalidade também a totalidade das compras feitas no ano-calendário de 2005. Para demonstrar a imprestabilidade da contabilidade da Recorrente, a fiscalização selecionou 47 pagamentos de compras à vista, de valor superior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), para cruzamento com os extratos bancários, tendo concluído que o total selecionado, no importe de R$ 177.075.070,35, representa 82% das compras a vista registradas no Livro Razão (fls. 114-120). Para tanto, elaborou a TABELA 03 — COMPRAS DE MERCADORIAS A VISTA — CONTA 47118, a seguir: Ord. Data Débitos Ord. Data Débitos Ord. Data Débitos 1 30/0412004 20.042.933,64 17 07/12/2004 2.968.415,36 33 22/08/2005 1.609.958,60 2 01/06/2004 13.383.335,28 18 01/06/2004 2.924.765,58 34 04/04/2005 1.609.280,40 3 06/07/2004 11.920.555,48 19 05/07/2004 2.758.813,24 35 14/04/2005 1.571.554,80 4 16/10/2004 9.910.201,36 20 25/04/2005 2.630.896,20 36 28/02/2005 1.559.954,11 16 Processo n° 13161.720034/2009-60 Acórdão n.° 1101 -00.655 5 05/08/2004 9.601.471,06 21 01/03/2005 2.493.986,00 37 21/03/2005 1.545.483,20 6 01/10/2004 7.226.019,63 22 31/03/2005 2.485.079,96 38 09/05/2005 1.508.457,60 7 14/05/2004 7.127.279,40 23 24/09/2004 2.190.004,04 39 05/01/2005 1.478.403,41 8 22/05/2004 6.415.491,53 24 02/03/2004 2.170.673,48 40 28/03/2005 1.409.294,60 9 05/11/2004 5.761.492,46 25 14/03/2005 2.163.931,20 41 15/08/2005 1.234.240,40 10 27/08/2004 5.683.877,36 26 12/03/2004 2.046.722,36 42 13/06/2005 1.156.665,60 11 04/10/2004 5.228.453,10 27 02/05/2005 2.034.390,00 43 23/05/2005 1.128.154,60 12 15/09/2004 4.945.842,45 28 14/02/2005 2.004.580,20 44 07/11/2005 1.077.256,50 13 08/09/2004 3.537.811,87 29 26/01/2005 1.985.763,85 45 01/08/2005 1.067.377,50 14 22/11/2004 3.418.153,62 30 08/10/2004 1.965.511,21 46 30/04/2005 1.054.539,60 15 21/12/2004 3.264.326,91 31 24/10/2005 1.902.964,80 47 07/03/2005 1.034.136,30 16 21/02/2005 3.033.747,00 32 18/04/2005 1.802.824,50 TOTAL 177.075.070,35 Dessa análise, a autoridade fiscal verificou que apenas dois pagamentos de valor superior a hum milhão de reais são coincidentes em datas e valores das compras registradas no Livro Razão (fls. 90 e 112 do Anexo IV). Os pagamentos á. vista também não coincidem com os valores registrados a crédito na conta "Caixa". Em outra parte do Relatório Fiscal a fiscalização diz textualmente: Apesar da imprestabilidade da contabilidade apresentada pela contribuinte para o cálculo do Lucro Real, os registros das receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços estão regulares e podem ser utilizados para o cálculo do Lucro Arbitrado. Os vícios e imperfeições identificados nos registros das compras comprometem a apuração do custo das mercadorias vendidas e, por decorrência, o Lucro Real do período. Entretanto, a partir da receita bruta escriturada pelo contribuinte é possível apurar o Lucro Arbitrado, pois neste caso a base de cálculo é presumida legalmente. Diante do exposto, foram utilizados para o cálculo do Lucro Arbitrado os valores dos registros de mercadorias escriturados pelo contribuinte conforme cópias do Livro Razão (fls. 123 a 200 — Vol. I e 201 a 400 do Vol. II). Os valores escriturados pelo contribuinte contemplam as receitas de revendas de mercadorias declaradas ao Fisco Estadual, fls. 403 a 454 — Vol. III. Ao meu sentir, a irregularidade apontada pela fiscalização não justifica o arbitramento do lucro, pois a simples falta de comprovação de compras enseja a glosa dos valores escriturados, desde que os mesmos tenham sido declarados na DIPJ como custo, pois neste caso, haveria a redução indevida do lucro real da empresa. A fiscalização vem demonstrando no TVF a falta de pagamento das compras de mercadorias do fornecedor Globo Agricola, CNPJ n° 06.048.586/0001-40, que corresponde a cerca de 80% da totalidade das aquisições. Neste particular, ha que ser sopesadas as justificativas apresentadas pela Recorrente na Impugnação e ratificadas na peça recursal (fls. 632/633): • Em 02/10/08 a contribuinte recebeu o Termo de Intimação Fiscal n. 0001( «is. 42), corn intimação para que apresentasse os seguintes documentos: 17 1-Apresentar comprovante de todos os pagamentos realizados a empresa Globo Agricola - CNN n. 06.048.586/0001-40 nos anos- calendário de2004 a 2005; 2- Livro Razão anos-calendário 2004 e 2005; 3- Cópia do último Balanço Patrimonial - BP elaborado pela empresa - o mais atual; Em 08/10/08 a contribuinte protocolou petição (fir. 44) requerendo prorrogação do prazo concedido, justificando os motivos, tendo sido deferido, conforme Comunicado n. 0001(fls. 45). Em 07/11/08 a contribuinte protocolou petição (fls. 47) juntando os documentos solicitados no item 2 e 3 do Termo de Intimação Fiscal n. 0001(fls. 42), ou seja, os Livros Razão 2004 e 2005 e Cópia do Ultimo Balanço Patrimonial. Ainda na petição acima mencionada, a contribuinte justificou a não apresentação de "todos os comprovantes de pagamentos realizados a empresa Globo Agricola - item I", mediante os seguintes argumentos: "Com relação aos comprovantes de "todos" os pagamentos realizados a empresa GLOBO AGRÍCOLA, informamos que, em razão do grande volume de documentos a serem pesquisados e a pequena quantidade de pessoas disponíveis para o serviço, já que a empresa não pode paralisar suas atividades, não fora possível concluir o levantamento dentro do prazo que nos fora concedido, que, aliás, considerando os documentos solicitados, fora por demais exíguos. Fica desde jet esclarecido que o "levantamento" não se restringe a localizar os documentos, mas também relacioná-los para que possa ser entregue a fiscalização mediante protocolo. informamos, outrossim, que todos os pagamentos realizados, relativamente as transações com a empresa GLOBO AGRICOLA, estão devidamente relacionados no Livro Raab, ora apresentado. No entanto, caso Vossa Senhoria mantenha o interesse na apresentação de tais documentos, não apresentados nesse momento por motivo de força maior, fica desde já requerido a prorrogação do prazo por pelo menos mais 30 (trinta) dias". 0 pedido de prorrogação citado acima foi INDEFERIDO pelo Sr. Auditor, conforme Comunicação n.0002 fls. 49), recebida pela contribuinte em 24/11/08 (fis. 50). No dia 24/11/08 «is. 52), mesma data do recebimento da comunicação de indeferimento do pedido de prorrogação de fls. 47 e 48, a contribuinte recebeu um Termo de Reintimação Fiscal n. 0001 (fls. 51), intimando a apresentar, no prazo de 05 dias, 18 Processo n° 13161.720034/2009-60 Acórdão n.° 1101-00.655 todos os livros, documentos e comprovantes solicitados através do Termo de Intimação Fiscal 001. Verifico que a situação envolve única e exclusivamente a comprovação da efetividade das compras feitas junto à empresa Globo Agricola, e que a desconstituição da pessoa jurídica vinculando-a à Recorrente em razão da falta de entrega das Notas Fiscais de Entrada (situação não comprovada nos autos), poderia ensejar tão somente a glosa das referidas compras, a considerar que não lid qualquer referência no Relatório Fiscal sobre a falta de quitação dos 20% das demais compras feitas de outros fornecedores, significando que quanto a estas aquisições não pairam dúvidas sobre sua regularidade. Não há também qualquer questionamento sobre os pagamentos ou não das despesas operacionais inerentes A. atividade empresarial da Recorrente. Desta forma, apenas o valor correspondente a 80% das compras não comprovadas deve ser tributado como receita operacional omitida. No caso ora examinado, a fiscalização considerou omissão a totalidade das receitas auferidas pela Recorrente, tributando-as pelo lucro arbitrado. Este tratamento fiscal não se coaduna com as disposições do art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, matriz legal do art. 528 do RIR, de 1999, que prevê a exigência do imposto e contribuições sobre omissão de receitas de acordo com o regime de tributação adotado pelo contribuinte no período correspondente apuração da irregularidade: Art.24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. ) 5S. 2 0 valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Assim, na falta de comprovação de compras de mercadorias, seria correta a glosa do montante que onerou o custo das compras, e os valores correspondentes deveriam ser considerados omitidos, sujeitando-se ao lançamento de oficio para ajustar o lucro tributável que havia sido reduzido indevidamente, observando-se que nos anos-calendário 2004 e 2005, a Recorrente havia feito opção pela tributação com base no lucro real, conforme consta das respectivas D1PJ (fls. 81-113), na qual ofereceu à tributação receitas provenientes da revenda de mercadorias e da prestação de serviços, como segue: Ficha 06 A — Demonstração do Resultado — PJ em Geral Discriminação Ano-calendário 2004 Ano-calendário 2005 7. Receita da Revenda de Mercadorias 149.173.682,23 92.743.193,27 8. Receita da Prestação de Serviços 75.806,19 188.418,12 Total da Receita Bruta 149.249.488,42 92.931.611,39 Por outro lado, confrontando os valores das compras, que a fiscalização deixou de considerar por falta de comprovação dos pagamentos, com os valores das compras 19 (FL S' 9)5 informados nas DIPJ, exercícios 2005 e 2006, constato que as omissões de receitas devem sek consideradas até o limite dos valores declarados como custo e não os 80% das compras não comprovadas, ou seja, na proporção em que o Lucro Liquido do Período de Apuração foi reduzido no período correspondente A omissão: D1PJ - Ficha 04 A — Custo dos Bens e Serviços Vendidos — PJ em Geral Discriminação Ano-calendário 2004 Ano-calendário 2005 20. Compras de Mercadorias a Vista 115.175.177,70 71.101.049,75 21. Compras de Mercadorias a Prazo 3.219.082,92 - 23. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS 118.394.260,62 71.101.049,75 Compras levantadas pela Fiscalização consideradas não comprovadas (Relatório Fiscal — fls. 460) Discriminação Ano-calendário 2004 Ano-calendário 2005 Compras de Mercadorias da Globo Agricola 140.413.646,52 59.044.528,54 TOTAL considerado sem comprovação 140.413.646,52 59.044.528,54 As inconsistências apontadas no lançamento de oficio do IRPJ, aplicáveis • CSLL, ao PIS e A COFINS, se constituem em vícios materiais, que tornam os créditos tributários carecedores de liquidez e certeza, mormente quanto A determinação da matéria tributável, ex vi do disposto no art. 142 e parágrafo único do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente it autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim posto, os erros apontados na determinação da base de cálculo das exações tornam insubsistentes os lançamentos de oficio e, as retificações que porventura se possa intentar para ajustá-los, não seriam possíveis vez que se basearia em mudança de critério de tributação. CONCLUSÃO A vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Oficio, mantendo-se a decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão n° 04-19.505 — 2a Turma da DRJ/CGE, que reduziu a multa de oficio de 150,0% ao percentual de 75,0%. Por decorrência, com espeque no § 4 0 do art. 150, do C'TN, impõe seja --declarada, de oficio, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários do MPJ e da CSLL, referente ao 10 trimestre- calendário de 2004, e com relação As contribuições para o PIS e a COFINS, até os fatos geradores ocorridos em maio/2004, considerando: 20 Processo n° 13161.720034/2009-60 Si-C1T1 b Acórdão n.° 1101-00.655 Fl. 11 7 a) a desqualificação da multa de oficio imposta, baseada em evidente intuito de fraude, que ao final não restou provado nos autos; b) trata-se de tributos lançados por homologação em que a Recorrente antecipou o pagamento de parte dos tributos e contribuições devidos; c) a ciência dos Autos de Infração, via postal, ocorrida em 18/06/2009 (AR — fls. 518). Com referência ao Recurso Voluntário, dou provimento ao Recurso Voluntário, para tornar improcedente o lançamento de oficio do IRPJ, anos-calendários 2004 e 2005, e tributação reflexa da CSLL, do PIS e da COFINS, face A existência de vícios materiais na determinação da base tributável das exações, os quais tornaram os créditos tributários ilíquidos e incertos, caracterizando inobservância ao disposto no art. 142 e parágrafo único do CTN. Fica prejudicado, pela perda de objeto, o Recurso de Oficio que trata da desqualificação da multa de oficio aplicada A Recorrente, nos termos do art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. • 21
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Numero do processo: 11962.000241/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 do CTN. SUMULA 360 DO STJ.
A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração,
acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de
mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa,
quando o montante do tributo dependa de apuração, desde que os débitos não
tenham sido declarados a Receita Federal. Precedente do STJ julgado no rito
do 543 C do CPC.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.214
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ART. 138 do CTN. SUMULA 360 DO STJ. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração, desde que os débitos não tenham sido declarados a Receita Federal. Precedente do STJ julgado no rito do 543 C do CPC. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator). Ausente momentaneamente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 82DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório O relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro II assim resumiu a matéria tratada no presente processo: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração, fls.10/30, em virtude de recolhimento de PIS, no período de 01/01/2002 a 31/12/2002, em atraso, desacompanhado da multa de mora, sendo esta exigida no montante de R$6.965,02. O enquadramento legal encontrase às fls. 13. Cientificada em 04/04/2007, a interessada apresentou em 03/05/2007 a impugnação de fls. 01/09, na qual alegou: 1. ter ocorrido a decadência do direito de lançar, em razão da homologação tácita dos recolhimentos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de abril de 2002; 2. os recolhimentos efetuados pela impugnante encontram guarida no instituto da denúncia espontânea. Requer a insubsistência do lançamento e nulidade dos débitos constituídos, pede diligência fiscal ou perícia contábil A par de tudo o que constava do processo, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Multa de Mora. Denúncia Espontânea. Cabível multa de mora sobre valores pagos em atraso, visto que a denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aplicase apenas às multas de lançamento de oficio, de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal. Decadência. Prazo. 5 anos. O direito de a Fazenda constituir crédito tributário correspondente a multa de mora isolada, no caso de tributo pago em atraso, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Diligência/Perícia Indeferese o pedido de Diligência/Perícia quando a sua Fl. 83DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11962.000241/200781 Acórdão n.º 330201.214 S3C3T2 Fl. 2 3 realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde se alega que ocorreu a denuncia espontânea dos débitos e a ocorrência da decadência em relação a parte dos lançamentos. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. O Auto de Infração compreende as competências de 01/2002 a 12/2002 e lavrado em 09/03/2007, tendo ocorrida a ciência em 04/04/2007. A questão de mérito tratada no presente processo se resume a saber se o procedimento adotado pela Recorrente encontra abrigo no que prescreve o art. 138 do CTN e qual o alcance do determinado no referido dispositivo. Para melhor compreensão transcrevo o dispositivo citado: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Após inúmeras reviravoltas o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, tendo sido editada a seguinte sumula: "Súmula 360/STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" Mais recentemente a matéria foi submetida ao rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, como se vislumbra da ementa extraída do Recurso Especial nº 962.379 RS (2007/01428689) e a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS –GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Na pratica, entendeu o STJ que para fazer jus a denuncia espontânea e, por conseqüência, afastar a incidência da multa de mora nos pagamentos efetuados a destempo, o contribuinte deve efetuar o pagamento antes de o débito ser declarado à Receita Federal. No presente caso, da análise do auto de infração lavrado, é possível verificar que os pagamentos ocorreram antes da entrega das declarações retificadoras da DCTFs apresentadas, e antes da lavratura do auto de infração que ocorreu em 09/03/2007. Abaixo transcrevo tabela com as datas necessária ao deslinde da questão: Competência Vencimento Pagamento Diferenças DCTF Retificadora Data Auto de Infração jan/02 15/2/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 fev/02 14/2/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 mar/02 14/4/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 abr/02 15/5/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 mai/02 15/6/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 jun/02 15/7/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 jul/02 15/8/2002 27/2/2003 3/10/2006 9/3/2007 ago/02 15/9/2002 27/2/2003 3/10/2006 9/3/2007 set/02 15/10/2002 27/2/2003 3/10/2006 9/3/2007 out/02 15/11/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 nov/02 15/12/2002 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 dez/02 15/1/2003 27/2/2003 27/6/2006 9/3/2007 Neste contexto com razão o Recorrente. De fato os pagamentos efetuados são abrangidos pela denúncia espontânea. É de se destacar que com o advento da inclusão do art. 62A no Regimento Interno do CARF, as decisões proferidas pelo STJ no rito do art. 543 C do CPC são de aplicação compulsória. Tendo em vista que da analise do mérito do auto de infração sobreveio o entendimento pelo seu cancelamento deixo de analisar as questões relativas a decadência do direito de lançar as multas cobradas. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar o auto de infração ante a ocorrência da denuncia espontânea. Alexandre Gomes Fl. 85DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11962.000241/200781 Acórdão n.º 330201.214 S3C3T2 Fl. 3 5 Fl. 86DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720499/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA APREENSÃO DE PAGAMENTOS EXTRA FOLHA POR MEIO DE CADERNETAS DE TRABALHADORES INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações.
Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade
não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro.
No caso em questão a apreensão de diversas “cadernetas de pagamento de salários extra folha, corroborados com reclamatórias trabalhistas, e por esclarecimentos prestados por outros órgãos de fiscalização levaram ao lançamento de diferenças de bases de cálculo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FALTA DE RELATÓRIOS NO CDR
NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita nete sentido.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.085
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA APREENSÃO DE PAGAMENTOS EXTRA FOLHA POR MEIO DE CADERNETAS DE TRABALHADORES INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro. No caso em questão a apreensão de diversas “cadernetas de pagamento de salários extra folha, corroborados com reclamatórias trabalhistas, e por esclarecimentos prestados por outros órgãos de fiscalização levaram ao lançamento de diferenças de bases de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FALTA DE RELATÓRIOS NO CDR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita nete sentido. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro. No caso em questão a apreensão de diversas “cadernetas de pagamento de salários extra folha, corroborados com reclamatórias trabalhistas, e por esclarecimentos prestados por outros órgãos de fiscalização levaram ao lançamento de diferenças de bases de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FALTA DE RELATÓRIOS NO CDR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos o CD_R para demonstrar a falta de relatórios, nem tampouco fez qualquer solicitação a Delegacia da Receita nete sentido. Fl. 8928DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de pagamentos extra folha, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araujo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 8929DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720499/201016 Acórdão n.º 240102.085 S2C4T1 Fl. 8.929 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.253.3957, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2005 a 12/2006, inclusive 13. salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 86 a 102: A ação fiscal foi expedida em decorrência de denúncia do Ministério Público do Trabalho – Procuradoria Regional do Trabalho da 18a Região, em virtude da instauração de inquérito civil para apuração de pagamento “por fora” a segurados empregados, verificados em Reclamatórias Trabalhistas movidas por segurados empregados contra o contribuinte. Nessa Ação Civil, a pedido do Ministério Público, foi expedido mandado de Busca e apreensão, no qual foram apreendidos 510 cadernos com anotações de remunerações dos segurados empregados. Diante das informações constantes nesses cadernos apreendidos e de informações coletadas no inquérito civil (anexo II), o MPT concluiu pela prática de “caixa 2” ou pagamento “por fora”, configurando contabilidade paralela, nos termos do Relatório Circunstanciado de Encerramento do inquérito. Considerando a denúncia do MPT, foram solicitadas a esse Órgão, oficialmente, cópias dos cadernos apreendidos e da Ação Civil Pública. Durante o procedimento fiscal, foram cotejadas essas informações com os valores constantes em folha de pagamento e em GFIP apresentadas pela empresa à fiscalização. Dessa análise, verificouse que o contribuinte somente declarou os valores de jornada normal de trabalho dos segurados empregados, que, em sua maioria, correspondia ao salário mínimo, sem, entretanto, incluir os valores pagos a títulos de horas extras e ganhos habituais constantes nos cadernos apreendidos. Diante da evidência de que os valores de remuneração da folha de pagamento e da GFIP não demonstravam a verdade real, foram apuradas as diferenças entre os valores constantes em folha de pagamento e GFIP e nos cadernos apreendidos, como também aqueles valores totais de remunerações de segurados que só foram registradas nos cadernos apreendidos, fatos geradores esses discriminados nos anexos XVI e XVII. Ainda, durante a ação fiscal, foi também constatado que a empresa não recolheu contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais discriminados no anexo X, sendo que o anexo XI demonstra o valor pago a esses contribuintes individuais, elaborado a partir dos registros contábeis, fornecidos pela empresa em arquivo MANAD. Os documentos comprobatórios desses pagamentos, fornecidos pela empresa, encontramse no anexo VII. Fl. 8930DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi verificado também que a empresa deixou de incluir em folha de pagamento e GFIP a remuneração paga a segurados empregados, que, durante o período fiscalizado, lhe prestaram serviços, conforme informações cadastrais constantes no anexo XII, extraídos do arquivo digital Manad. Com esses dados, foi verificado que os segurados, discriminados no anexo XIII, não apareciam em todas as competências, tendo a empresa sido intimada a apresentar as folhas complementares de pagamentos desses segurados, contudo não as apresentou. Verificadas as rescisões de contrato de trabalho fornecidas pela empresa, não constava desligamento desses empregados. Diante disso, procedeuse à aferição indireta da remuneração desses empregados, considerando como remuneração recebida, na competência faltante, o valor recebido em folha de pagamento da competência anterior ou o salário mínimo da época, conforme anexo XIV. Para os segurados cujo valor da remuneração não se pode aferir pela competência anterior, por falta de folha de pagamento ou GFIP, a remuneração foi aferida pelos valores declarados nas DIRFs dos anoscalendários de 2005 e 2006, conforme anexo XV. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/04/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou recurso, fls. 8780 a 8796, onde alegou em síntese. 1. que o auto de infração é ato incompleto, pois nele não constam o fato gerador, base de cálculo, mês e ano de competência, descrição do fato econômico que deu causa à lavratura, nem a tipificação do fato gerador; sendo que a menção dos seus anexos não supre a essência desse defeito; 2. que, apesar de mencionados como anexo, faltaram os relatórios DAD, RDA, RADA, DAL e Vínculos, bem como o relatório de anexos descritos no CDR; 3. não há especificação concisa e precisa dos fatos geradores, bem como falta a tipificação do fato gerador do mês e ano de competência, nem descrição do fato econômico que deu causa a lavratura, nem tipificação do fato gerador. 4. –a menção dos anexos não supre a essência do auto acima, pois os 3 que vieram são genéricos. 5. O auto levou em consideração dado levantados em inquérito judicial, assim o ato fiscal ficou contaminado com dados e conclusões levantados por autoridade que não tem competência para agir em nome da fazenda pública. A atividade do lançamento é indelegável. 6. faz inserção de comentários ao relatório fiscal, como: deixou o autuante de apurar as diferenças de imposto suplementar; pode ocorrer que algum funcionário favorecido não tenha o seu nome na GFIP; se alguma remuneração não constava da base de cálculo da Guia, caberia o questionamento à autuada; que a autuada não recebeu nenhuma reclamação para se sanar eventuais defeitos de gravação; se houve alguma omissão no percurso da fiscalização e a autuada não foi questionada, por certo houve um erro de procedimento, tal fato é imputado ao trabalho fiscal fora do ambiente da autuada; 7. a indevida mistura de legislação de benefício com a de custeio, e, a bem da técnica, requer que tal fundamentação não seja sequer considerada; Fl. 8931DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720499/201016 Acórdão n.º 240102.085 S2C4T1 Fl. 8.930 5 8. o anexo XI se confunde com o anexo X, e o anexo VII não foi dado a conhecimento da autuada, assim houve cerceamento de defesa; 9. que o arbitramento não é hipótese para o caso em questão, sendo o lançamento indevido; não pode a aferição indireta, prevista na legislação, validar fatos geradores inexistentes; faltou monitoramento da contabilidade, em razão de que os trabalhos fiscais foram realizados fora do ambiente da empresa; 10. se a base de cálculo aferida está nas DIRF, podese concluir que está na contabilidade; pois as declarações em DIRF obrigatoriamente são levantadas pela contabilidade; 11. que a documentação apreendida não conclui se tratar de “pagamento por fora”, e que as reclamatórias trabalhistas favorecem os empregados e levam as empresas a empregar menos; 12. que os documentos apreendidos são insuficientes para constituir fato gerador das obrigações previdenciárias, e se amparam em indícios; 13. que os anexos II, III, VIII não foram dados a conhecimento da autuada, caracterizando cerceamento de defesa; solicita que tais anexos sejam desconsiderados ou dados a conhecimento da autuada; 14. que a Representação Fiscal tratase de ato de opressão perante a empresa; 15. que a fundamentação legal não foi dada a conhecimento da autuada, bem como os relatórios mencionados em anexo não foram dados a conhecimento da autuada, alías são tantos relatórios que um se confunde com outro; 16. que uma mídia digital não constitui elemento de prova, pois ainda não chegamos a essa evolução processual; 17. requer a correção dos vícios do ato fiscal e a devolução do prazo para impugnação, bem como a declaração de nulidade da autuação. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 8894 a 8900. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 8806 a 8816, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, porém estabelecendo que a autoridade julgadora não julgou todos os argumentos trazidos, cerceando o direito de defesa. 18. –que não foram apreciadas na decisão de primeira instância as preliminares de nulidade suscitadas o que importa cerceamento do direito de defesa. 19. A autoridade fiscal, por ser da carreira fazendária deixou de decidir com isenção. 20. A defesa apresentada pautouse apenas em questão de direito, entretanto a decisão alega a falta de prova, mas a presunção de veracidade do ato administrativo não autoriza a inobservância das regras de tributação e do lançamento tributário. A autoridade deveria em sua réplica se opor aos argumentos da autuada, caracterizando vício de consentimento. Fl. 8932DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 21. Preliminarmente, o auto de infração é ato incompleto, insuficiente para produzir os efeitos jurídicos de onerosidade ao contribuinte; 22. que, apesar de mencionados como anexo, faltaram os relatórios DAD, RDA, RADA, DAL e Vínculos, bem como o relatório de anexos descritos no CDR; 23. não há especificação concisa e precisa dos fatos geradores, bem como falta a tipificação do fato gerador do mês e ano de competência, nem descrição do fato econômico que deu causa a lavratura, nem tipificação do fato gerador. 24. –a menção dos anexos não supre a essência do auto acima, pois os 3 que vieram são genéricos. 25. O auto levou em consideração dado levantados em inquérito judicial, assim o ato fiscal ficou contaminado com dados e conclusões levantados por autoridade que não tem competência para agir em nome da fazenda pública. A atividade do lançamento é indelegável. 26. Inexiste o fato gerador do tributo questionado, portanto sem fato gerador não há obrigação tributária, tal afirmativa decorre da disposição do CTN. Nada mais existe além da suposição de fatos geradores, são meros indícios que geraram conclusões precipitadas 27. Impossível é o agente público, de forma subjetiva ou isoladamente criar um novo fato gerador do tributo fundado apena em indícios, não superando as fases da investigação da materialidade tributária. 28. A fases do Processo Tributário foram atropeladas ou preteridas ao não cumprir a diligência fiscal completamente, pois o lançamento buscou a suposta materialidade tributária apenas em dados supostamente existente em outro processo. 29. faz inserção de comentários ao relatório fiscal, como: deixou o autuante de apurar as diferenças de imposto suplementar; pode ocorrer que algum funcionário favorecido não tenha o seu nome na GFIP; se alguma remuneração não constava da base de cálculo da Guia, caberia o questionamento à autuada; que a autuada não recebeu nenhuma reclamação para se sanar eventuais defeitos de gravação; se houve alguma omissão no percurso da fiscalização e a autuada não foi questionada, por certo houve um erro de procedimento, tal fato é imputado ao trabalho fiscal fora do ambiente da autuada; 30. o anexo XI se confunde com o anexo X, e o anexo VII não foi dado a conhecimento da autuada, assim houve cerceamento de defesa; 31. que a documentação apreendida não conclui se tratar de “pagamento por fora”, e que as reclamatórias trabalhistas favorecem os empregados e levam as empresas a empregar menos; 32. que os documentos apreendidos são insuficientes para constituir fato gerador das obrigações previdenciárias, e se amparam em indícios; 33. que os anexos II, III, VIII não foram dados a conhecimento da autuada, caracterizando cerceamento de defesa; solicita que tais anexos sejam desconsiderados ou dados a conhecimento da autuada; 34. que a Representação Fiscal tratase de ato de opressão perante a empresa; Fl. 8933DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720499/201016 Acórdão n.º 240102.085 S2C4T1 Fl. 8.931 7 35. que a fundamentação legal não foi dada a conhecimento da autuada, bem como os relatórios mencionados em anexo não foram dados a conhecimento da autuada, alías são tantos relatórios que um se confunde com outro; 36. que uma mídia digital não constitui elemento de prova, pois ainda não chegamos a essa evolução processual; 37. requer a nulidade do AI, bem como a insubsistência dos seus efeitos, inicialmente pelas preliminares, e se estas foram superadas sejam admitidas as razões de mérito para desconstituir o lançamento. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 8934DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 8922. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Com relação a alegação de que a autoridade julgadora, não apreciou devidamente o feito, ignorando os argumentos de nulidade apresentados, ressalto que a Decisão Notificação enfrentou as alegações, sendo desnecessário apreciar uma a uma, quando afastadas as alegações em conjunto. O fato de não ter a autoridade julgadora acatado as alegações do impugnante, de forma alguma, descreve a nulidade da decisão, quando se identifica a apreciação dos fatos e questões de direito suscitadas. NULIDADE PELA FALTA DOS RELATÓRIOS ANEXOS AO AUTO DE INFRAÇÃO Assim como já mencionado pela autoridade julgadora, não apresentou o recorrente, elementos de prova de que os relatórios fiscais não constavam do CDR entregue e autenticado no momento da entrega. Em havendo cerceamento do direito de defesa, pela não entrega de documentos que compõem o auto de infração, competiria a empresa autuada, demonstrar, ou mesmo apresentar dito CDR perante a autoridade da DRFB no intuito de que, em demonstrando a alegada falta, mas não apenas alegar. Dessa forma, não há como acatar a nulidade pretendida de cerceamento do direito de defesa. NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Alegando ainda nulidade, argumenta o recorrente que a falta de motivação para apuração do fatos geradores, sendo que a empresa alega que não realizava qualquer pagamento por fora, mantendose regular perante a previdência social, também é ineficaz para refutar o lançamento. Entendeu o recorrente que o auditor pautouse em considerações de inquérito judicial que não demonstra a realidade contaminandose em documentos que não os pertinentes ao processo administrativo. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Fl. 8935DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720499/201016 Acórdão n.º 240102.085 S2C4T1 Fl. 8.932 9 Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, valendose de documentos externos e conclusões de autoridades incompetentes para apurar o crédito tributário, entendo que razão não assiste ao recorrente. Apesar de o procedimento tomar por base denúncia do Ministério Público do Trabalho, é relevante o fato que a constatação de que os documentos e registros efetuados pela empresa não demonstravam a totalidade dos fatos geradores deuse por documentos apreendidos na própria empresa, ou seja, não foram pautados em considerações de terceiros. Quanto a isso nada falou o recorrente para desconstituir as provas apresentadas, alegando tão somente que não passam de indícios incapazes de demonstrar a ocorrência do fato gerador. Observamos que o relatório fiscal da infração, associado ao demais relatórios que compõem o AI demonstram com detalhes as competências e o fatos geradores apurados, tendo o relatório fiscal detalhado de forma satisfatória todos os motivos que levaram a autoridade fiscal a valerse da aferição para apuração dos valores devidos. Assim, primeiramente descreveu a autoridade as irregularidades quanto ao pagamento de valores por fora da folha, conforme descrito em reclamatórias trabalhistas e documentos apurados pelo MPT, e que foram repassados para autoridade fiscal apreciar. Ao contrário do entendimento do recorrente, a falta de contabilização de valores, e a identificação de outros meio de pagamento de salários cadernetas, levaram a autoridade fiscal, a considerar parâmetros para que se apure a mão de obra, capaz de refletir o movimento real da empresa. Neste caso, perfeitamente aceitável não apenas a aferição, como também entendo plenamente cabível a inversão do ônus da prova. Notese que não se trata de contabilização de valores pela empresa, que acabaram desconstituídos pela autoridade fiscal. Pelo contrário, a autoridade fiscal constatou diversas omissões contábeis da empresa, solicitando esclarecimentos, contudo, simplesmente apresentou a empresa defesa e recurso, sem demonstrar com elementos probatórios suas alegações. Entendo que competiria a empresa demonstrar que efetivamente registrava todos o valores pagos por meio das cadernetas, mas apenas promoveu alegações, sem qualquer elemento de prova. Oras, o registro contábil dos fatos da empresa, é que servirá como meio hábil a comprovar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Não se trata aqui de mera obrigação acessória, posto que o desrespeito a contabilização de todos os fato geradores, é quelevou ao descrédito de todo o procedimento da empresa. Fl. 8936DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Assim, por ser a atividade do auditor vinculada e havendo indícios de ausência de contabilização de mão de obra, compete a autoridade fiscal, lançar o que entende devido, é claro que dentro de parâmetros descritos pelas normas da previdência social. Assim, prescreve o artigo 33, §§ 1°c 6° da Lei n°8.212/1991: " Art. 33. (.) § I° É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova, em contrário." (grifei). Simplesmente alegar, sem demonstrar a ausência de pagamentos, ou mesmo que os mesmos foram devidamente registrados e recolhidos não é suficiente para refutar o lançamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO As questões alusivas ao mérito, trazidas pelo recorrente possuem pertinência direta com a preliminar de nulidade apreciada, visto tratarse de alegação de impropriedade na aferição executada. Conforme descrito anteriormente, considerando que a contabilidade da empresa não espelhava o movimento real da empresa, e que as explicações apresentadas pelo recorrente vieram desprovidas de provas, correto a utilização da aferição indireta. Aferição Indireta Fl. 8937DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720499/201016 Acórdão n.º 240102.085 S2C4T1 Fl. 8.933 11 Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a SRP para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; (...) IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Considerando que a autoridade fiscal, teve acesso a diversos documentos pertinentes ao pagamento de remuneração de segurados empregados, pagamento estes, que embora não estejam descrito na contabilidade em sua totalidade, constituem salário de contribuição e por conseguinte base de cálculo de contribuições previdenciárias, entendo correto procedimento fiscal descrito, que apurou outra bases além das reconhecidas pela empresa em sua GFIP. Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências, mas tão somente Fl. 8938DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 8939DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11543.000882/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa: RECOLHIMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.O
recolhimento extemporâneo de tributos deve ser efetuado acrescido da multa de mora Selic, quando constar de DCTF referente ao período de apuração sob análise, mesmo antes de início de procedimento fiscal
Numero da decisão: 1202-000.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA.O recolhimento extemporâneo de tributos deve ser efetuado acrescido da multa de mora Selic, quando constar de DCTF referente ao período de apuração sob análise, mesmo antes de início de procedimento fiscal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno Relatório Cuidase de Recurso Voluntário submetido a apreciação deste conselho em virtude de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte Nova Cidade Empreendimentos e Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 11543.000882/200777 Acórdão n.º 120200.623 S1C2T2 Fl. 157 2 Partipações S/A (CNPJ 31.282.478/000185), datado de 9 de março de 2007, decorrente de recolhimento insuficiente de acréscimos legais em recolhimento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ relativo ao anocalendário de 2004, no importe de R$ 6.146,40. Inconformada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 01/08), alegando inicialmente que não foi possível recolher em dia o IRPJ relativo ao anocalendário de 2004, mas que efetuou o recolhimento em 24 de fevereiro de 2006 do referido tributo antes do início de qualquer ação fiscal, corrigido monetariamente e acrescido de juros de mora calculados com base na taxa SELIC. Informa ainda que apresentou sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao anocalendário de 2004, em 30 de março de 2006, quando já havia feito o recolhimento de IRPJ. Nesse passo, busca o reconhecimento da denúncia espontânea em relação ao tributo pago em atraso, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, de modo a afastar a exigência de multa de mora cobrada pelo Auto de Infração Impugnado. Junta doutrina e jurisprudência do STJ que entende apoiarem sua posição. A DRJ/RJ1, no Acórdão n° 1225.26, ao julgar o caso (fls. 86/90) entendeu ser o lançamento procedente. Baseandose em doutrina e na legislação aplicável, in casu, os artigos 138, 134, parágrafo único e 161 do Código Tributário Nacional CTN, o artigo 61 da Lei n. 9.430/96 e o Parecer Normativo CST nº 61/79, decidiu que o que é afastado pela denúncia espontânea é a multa punitiva e não a moratória, esta sim, é devida. Informa que o aludido Parecer Normativo estabelece especificamente que a denúncia espontânea não tem o fim de excluir o recolhimento da multa de natureza compensatória (multa moratória), bem como a Lei nº 9.430/96 prevê explicitamente a exigência da multa moratória aqui discutida. A DRJ junta jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça que corroboram seu entendimento. Especificamente informa que o STJ já consolidou posição no sentido de que, para os tributos sujeitos a homologação, como é o caso do IRPJ, está afastada a possibilidade de exclusão da multa moratória. Assim, entende ser lícita a exigência da multa moratória cobrada em autuação fiscal, julgando o lançamento procedente. A contribuinte foi intimada da decisão em 20 de outubro de 2009 e apresentou Recurso Voluntário em 18 de novembro do mesmo ano (fls.97/108), reiterando as alegações trazidas em sua impugnação. Aduziu em acréscimo que o artigo 161 do CTN não se aplica ao caso, pois além de genérico, o dispositivo somente abrange os juros moratórios, que neste caso concreto não está sob discussão posto que já foram recolhidos; e que o artigo 138 do CTN prevalece sobre o disposto no artigo 61 da Lei nº. 9.430/96. Ainda, esclarece que inexiste diferenciação entre multa de mora e multa punitiva, colacionando jurisprudência deste Conselho e do STJ que amparam suas alegações. Por fim, alega ser possível a utilização da denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, já que, em seu entender, o que descabe é a denúncia espontânea nos casos em que houve a declaração e posterior recolhimento a destempo do tributo, situação oposta ao caso concreto, em que houve o pagamento e após este a apresentação da declaração, sendo devida a multa em comento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 11543.000882/200777 Acórdão n.º 120200.623 S1C2T2 Fl. 158 3 Busca o conhecimento e provimento do Recurso para que se determine a reforma do acórdão e o consequente anulação da multa exigida pelo auto de infração. Com o recurso, vieram os autos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Por preencher as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Tratam os autos de Auto de Infração decorrente de recolhimento insuficiente de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ decorrente de suposto pagamento a menor de acréscimos legais (multa de mora) de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no importe de R$ 6.146,40. Inicialmente, importante destacar que os processos abaixo elencados estão sendo julgados em conjunto por versarem sobre a mesma questão jurídica: Processo 11543.000882/200777, conforme relatório, tratase de Auto de Infração datado de 9 de março de 2007, relativo ao anocalendário de 2004, por recolhimento insuficiente dos acréscimos legais incidentes sobre o IRPJ, no importe de R$ 6.146,40. Processo nº 11543.000881/200722 , tratase de Auto de Infração datado de 9 de março de 2007, relativo ao anocalendário de 2002, cujo recolhimento insuficiente de acréscimos legais de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ é no importe de R$ 7.999,29; e, Processo nº 11543.000004/200751, relativo a Auto de Infração lavrado em 14 de novembro de 2006, referente ao recolhimento insuficiente dos acréscimos legais de IRPJ no anocalendário de 2001, no importe de R$ 6.146,40. Foram julgados em conjunto seguindo o disposto no artigo 58, parágrafo 8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, a saber: “§ 8º Os processos que versem sobre a mesma questão jurídica poderão ser julgados conjuntamente quanto à matéria de que se trata, sem prejuízo do exame e julgamento das matérias e aspectos peculiares.” Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão está na existência ou não da denúncia espontânea disposta no artigo 138 do CTN. Em relação à denúncia espontânea, assim determina o artigo 138 do CTN: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 11543.000882/200777 Acórdão n.º 120200.623 S1C2T2 Fl. 159 4 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." A denúncia espontânea não é um estímulo à inadimplência, mas um incentivo aos contribuintes para regularizarem sua situação perante o Fisco. Nesse sentido, beneficiase tanto o denunciante, que será eximido do recolhimento da multa, quanto o Fisco, que receberá o pagamento de tributo cujo fato gerador desconhecia. Ainda, pressupõe a existência da "denúncia" de uma infração. Desse modo, não se trata de hipótese de mero adimplemento da obrigação tributária antes de qualquer medida de fiscalização, mas também do ato de levar ao conhecimento do Fisco, uma infração ainda por ele desconhecida. A jurisprudência atualmente firmada no Superior Tribunal de Justiça é o RESP n° 905.056/SP , de relatoria do Ministro Relator Teori Albino Zavascki , que assim ficou ementado em seu julgamento em 11/12/2007: “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRECEDENTE: RESP. 907.710/SP. ............ 2. A jurisprudência assentada no STJ considera inexistir denúncia espontânea quando o pagamento se referir a tributo constante de prévia Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais/ DCTF ou de Guia de Informação e Apuração do ICMS/ GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei. Considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência (= constitui) do crédito tributário, e, constituído o crédito tributário, o seu recolhimento a destempo, ainda que pelo valor integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN (Precedentes da 1ª Seção: AGERESP 638069/SC, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 13.06.2005; AgRg nos EREsp 332.322/SC, 1ª Seção, Min. Teori Zavascki, DJ de 21/11/2005). 3. Entretanto, não tendo havido prévia declaração pelo contribuinte, configura denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo (Precedente: AgRg no Ag 600.847/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 05/09/2005). 4. Relativamente à natureza da multa moratória, esta Corte já se pronunciou no sentido de que "o Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 11543.000882/200777 Acórdão n.º 120200.623 S1C2T2 Fl. 160 5 de denúncia espontânea, por força do artigo 138 (...)" (REsp 169877/SP, 2ª Turma, Min. Ari Pargendler, DJ de 24.08.1998). Precedente: AgRg nos EREsp 584.558/MG, Luiz Fux, Primeira Seção, DJ 20.03.2006. 5. Recurso especial desprovido. No presente caso, como foi colocada a informação na DCTF que foi entregue em 30 de março de 2006 (tardiamente) referente ao período de apuração sob análise, houve a informação à autoridade fiscal. Portanto, como não era mais de desconhecimento do Fisco, há impedimento da obtenção da benefício da denúncia espontânea. Assim, meu voto é no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO
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Numero do processo: 15563.000676/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/12/2009
Ementa: ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA.
Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á
não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso essa não seja efetuada, considerar-se-ão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal.
PRINCÍPIOS JURÍDICOS. PROPORCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS.
Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais,
cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário.
Numero da decisão: 2302-001.526
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/12/2009 Ementa: ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso essa não seja efetuada, considerar-se-ão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. PRINCÍPIOS JURÍDICOS. PROPORCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário.
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Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DUQUE DE CAXIAS Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/12/2009 Ementa: ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso essa não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. PRINCÍPIOS JURÍDICOS. PROPORCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. 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Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15563.000676/200941 Acórdão n.º 230201.526 S2C3T2 Fl. 74 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, inciso IV da Lei 8.212, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 na redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Segundo a fiscalização federal, a autuada teria apresentado a GFIP com informações incorretas ou omissas nas competências fevereiro a dezembro de 2005, conforme relatório fiscal às fls. 05 a 08. Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 21 a 25. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão de fls. 52 a 58, mantendo a autuação em parte. Foram excluídas as competência março, julho e agosto de 2005. Não concordando com a decisão emitida pelo órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 62 a 69. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • Não merece ser autuada em função de cumprir relevante função social; • Requer aplicação do princípio da proporcionalidade; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 72. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. O fato de a autuada cumprir função social é irrelevante para afastar a multa. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15563.000676/200941 Acórdão n.º 230201.526 S2C3T2 Fl. 75 5 falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. A recorrente limitase a transcrever uma série de dispositivos constitucionais e legais sem realizar qualquer subsunção à situação fática encontrada pela fiscalização. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A redação do art. 17 do Decreto n º 70.235 retrata o disposto no art. 302 do CPC, nestas palavras: Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Desse modo, analisando em conjunto o Decreto n º 70.235 e o CPC, o sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. Não cabe a retroatividade benigna, pois os valores já foram aplicados nos limites mínimos, conforme relatório fiscal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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